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Numero do processo: 17460.000169/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO
Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos
DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO
Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação
CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
INCONSTITUCIONALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer dos recursos interpostos pelos responsáveis tributários, em conhecer do recurso do contribuinte e negar provimento.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Negado.
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Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Igor Araújo Soares e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausentes os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Tiago Gomes de Carvalho Pinto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 839 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Segundo o Relatório Fiscal da Infração e seu Anexo I (fls. 36/44), a fiscalização realizou diligência no endereço localizado na Rua Guaiauna nº180, 1° andar, sala 03, no Bairro da Penha, na cidade de São PauloSP em 07/11/2006 e constatou "in loco" que o local encontravase fechado, fato sustentado pelos vizinhos do mesmo pavimento os quais confirmaram não haver há tempos, qualquer atividade comercial nesse local, assim, foi mantido como domicílio tributário da empresa junto à Secretaria da Receita Previdenciária — SRP para fins de execução da auditoria fiscal o estabelecimento cadastrado como matriz com o CNPJ n o 71.680.201/000125 e endereço na Rua Caramuru nº 56, Vila Maristela , na cidade de Presidente PrudenteSP. A auditoria fiscal informa que desde a sua fundação até a décima sétima alteração realizada em 21 de fevereiro de 2001, a empresa tinha por objetivo social principal a atividade AGROPECUÁRIA. A partir da alteração contratual arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 39.941/012, em 05/03/2001, modificou a atividade para: exploração de atividades frigoríficas, com abate de bovinos, suínos, eqüinos, industrialização e comercialização, importação e exportação de produtos e subprodutos de origem animal, comestíveis ou não, atividade agropecuária, com compra, vencia, cria e recria de gado, bovino, eqüino e suíno e atividade agrícola e transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional e ainda o escritório com sede administrativa, administração de bens próprios, locação e arrendamento de veículos, participação em outras sociedades, intermediação de negócios, exceto imobiliário. A auditoria fiscal informa que no exame da escrituração contábil do período, a fiscalização constatou que o valor da contribuição mensal a cargo da empresa registrada na conta 3201020004 — INSS é sempre inferior ao valor efetivamente devido, considerando a alíquota de 28,8% incidente sobre o valor da remuneração mensal de salários lançada na conta 3201020005 — SALÁRIOS. Nos períodos de atividade industrial frigorífica nas unidades de Rancharia SP, Paraíso do Tocantins TO, Ariquemes RO e Osvaldo Cruz SP, a empresa utilizouse dos serviços de transportes de bovinos prestados por carreteiros autônomos pessoas físicas, qualificados como contribuinte individual, lançados em sua contabilidade na conta 3201010034 FRETES E CARRETOS. Todavia, em relação aos pagamentos efetuados ao prestador de serviço pessoa física, não só recusouse a identificálos como a apresentar as planilhas quinzenais e/ou mensais com a remuneração a título de "fretes e carretos", inclusive no tocante às notas fiscais Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 840 4 de entrada de serviços do período de 03/2001 a 02/2002, que denunciam os pagamentos a pessoas físicas. Não há registro contábil da contribuição devida à Seguridade Social. A fiscalização constatou no exame da escrituração contábil, além dos lançamentos na conta 3201010014 DESPESAS COM VENDAS, pagamentos registrados nas contas: 3201010017 MATERIAL DE ESCRITÓRIO/CORREIOS e 3201010007 DESPESAS DIVERSAS, que correspondem à remuneração a título de comissões pela prestação de serviços de intermediação tanto na compra de bovinos, quanto na representação comercial com a venda dos produtos frigorificados, realizados por trabalhadores sem vínculo empregatício cuja identificação e documentos suporte para os registros contábeis foram sonegados à fiscalização. Não há registro contábil da contribuição devida à Seguridade Social. Ainda, no exame da sua contabilidade, a fiscalização verificou outros pagamentos de remunerações a contribuintes individuais, a exemplo de honorários advocatícios e contábeis escriturados na conta 3201010017 — MATERIAL DE ESCRITÓRIO / CORREIOS, de serviços de mão de obra registrados na conta 3201010017 — DESPESAS DIVERSAS, além de outros listados nas planilhas anexa à NFLD n o 35.938.4854, cujos documentos correlatos não foram apresentados ao fisco. Não há registro contábil da contribuição devida à Seguridade Social. Com exceção ao período de 03/2000 a 02/2001, quando a atividade de agropecuária estava dispensada do recolhimento da contribuição devida sobre a remuneração a trabalhadores sem vínculo empregatício, durante todo o período fiscalizado, a contabilidade não registra na conta 3201020004 INSS nenhum lançamento dessa despesa (contribuição a cargo da empresa), incidente sobre os pagamentos a contribuintes individuais. Além disso, a partir do mês de abril de 2003,a empresa deixou de arrecadar e contabilizar a contribuição equivalente a 11% sobre a remuneração paga ao contribuinte individual, instituída pela Lei nº 10.666 de 08/05/2003, exceto para retirada a título de pró labore do sócio Márcio Brito Estevam, do período de 04/2003 a 12/2003 A autuada reteve as contribuições dos produtores rurais pessoas físicas, as quais foram inicialmente escrituradas na conta de despesa 3201010018 FUNRURAL BOVINOS e depois transferidas para a conta 3101040015 — DESCONTO OBTIDO — "QUEBRA DE PESO", buscando, com essa nomenclatura contábil, dissimular e esconder fato que constitui em tese, o ilícito da apropriação indébita previdenciária. Relativamente a compras de animais para abate na unidade frigorífica de Paraíso do Tocantins — TO, a empresa efetuou a retenção da contribuição rural devida pelo produtor rural — pessoa física, todavia, não a contabilizou, registrando tanto na conta 3101040008 — Compra de Bovino p/abate Exercício TO, quanto na conta de Fornecedor, a operação pelo valor líquido do documento fiscal. É informado que no cadastro da empresa não consta a lavratura de Auto de Infração anterior a ser considerado para fins de reincidência, nem a ocorrência de outra circunstância agravante no curso da fiscalização. No denominado Anexo II – Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (fls. 46/52), a auditoria fiscal informa que as empresas Agropastoril Estevam Ltda AGROPASTORIL, Jema Participações LtdaJEMA e M.B.E. Comércio e Representações de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 841 5 Carnes LtdaMBE, juntamente com a empresa autuada Santa Marina Alimentos Ltda formam Grupo Econômico de fato pelas razões que se seguem. A empresa notificada SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA, juntamente com as demais empresas da família ESTEVAM, compõem Grupo Econômico de fato, em face da existência de poder de controle único, desenvolvendo atividades diversas, mas vinculadas e promovem entre si uma incessante transferência de despesas e receitas. As citadas empresas tem por sócios as seguintes pessoas físicas ou jurídicas: Santa Marina Alimentos Ltda – Capital Social R$ 300.000,00 Márcio Brito Estevam – R$289.000,00 Parteco Administração e Participações Ltda – R$ 11.000,00 Agropastoril Estevam Ltda. – Capital Social R$ 2.500.000,00 Santa Marina Alimentos Ltda. 2.431.926,48 Márcio Brito Estevam – R$ 68.073,52 Jema Participações Ltda. – Capital Social R$ 610.000,00 Márcio Brito Estevam Junior – R$ 200.000,00 Eduardo Cavalcante Estevam – R$ 190.000,00 Marina Cavalcante Estevam – R$ 190.000,00 Marli Cavalcante Estevam – R$ 30.000,00 Parteco Adm e Participações Ltda. R$ 50.000,00 Márcio Brito Estevam –R$ 39.454,00 M.B.E. Comércio e Representação Carnes Ltda. R$ 10.546,00 M.B.E. Comercio e Repres.Carnes Ltda. – R$ 50.000,00 Parteco Administração e Participações Ltda. 25.000,00 Márcio Brito Estevam 25.000.00 A auditoria fiscal informa que a despeito da recusa da empresa, através do profissional responsável pela sua contabilidade, em apresentar os documentos solicitados nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD's e a prestar os esclarecimentos pertinentes necessários à fiscalização, os registros contábeis denunciam na relação das empresas entre si e em perfeita sintonia que se trata de fato de grupo econômico de empresas administradas pela Família Estevam. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 842 6 Assim, a auditoria fiscal considerou que todas as empresas integrantes do grupo econômico de fato seriam solidárias relativamente à presente autuação, nos termos no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991. As empresas foram intimadas e apresentaram defesas. A Santa Marina teve ciência do lançamento em 22/12/2006 e manifestase às folhas 228/258 – Vol II onde alega que teria havido decadência de parte do valor lançado, nos termos do art. 173, Inciso I, do CTN. Argumenta que a auditoria fiscal deixou de esclarecer os fundamentos legais da exigência, limitandose a relacionar uma enxurrada de dispositivos legais e regulamentares, o que, "data vênia", é manifestamente ilegal, porque a acusação tem que ser clara e específica e bem delimitada, com a citação ordenada e inteligível dos dispositivos legais e regulamentares em que se funda. Afirma que o trabalho fiscal foi feito de modo atropelado, sem permitir que a primeira recorrente o acompanhasse, de modo a suprir eventuais documentos faltantes, violando manifestamente o seu direito de defesa, que é constitucionalmente assegurado. Alega que seria humanamente impossível no prazo de 15 (quinze) dias a primeira recorrente, em razão do exíguo prazo e dos feriados, pudesse arrebanhar todos os seus documentos para alicerçar sua defesa, razão pela qual solicita dilação do prazo. Aduz que a impugnante Santa Marina Alimentos Ltda., não participa de nenhum grupo econômico; apenas tem em seu quadro societário, como sócia quotista, a empresa Parteco Administração e Participações Ltda. Afirma que os elementos dos quais se valeu o Auditor Fiscal, são insuficientes para a caracterização de grupo econômico. Tratase de operações normais entre duas empresas, sendo irrelevante que do quadro societário de uma delas (a 1ª impugnante) conste Márcio Brito Estevam, e da outra (Jema Participações Ltda) conste o nome da ex mulher de Márcio e de seus filhos, mesmo porque lei nenhuma proíbe isso. Alega que são empresas distintas, com objetivos distintos e com vidas distintas. Segundo a impugnante a contribuição sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtor — pessoa física, é indevida e de manifesta inconstitucionalidade e como não compra e nunca comprou gado bovino de pessoas que exercem suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes (CF, art. 195, § 8°), também nunca esteve obrigada a fazer a retenção de nenhuma contribuição em favor da Previdência Social e, consequentemente, a nenhum recolhimento. Menciona jurisprudência a fim de corroborar sua alegação e informa que clientes da primeira recorrente firmaram declaração solicitando que não fossem descontado o funrural em suas vendas, uma vez que obtiveram liminar junto a Justiça Federal, liberandoos do recolhimento de contribuição rural, em decorrência da venda de gado bovino para frigoríficos. Finaliza requerendo a juntada posterior de provas. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 843 7 As demais solidárias também apresentaram defesas, JEMA (fls 351/386 – Vol II), AGROPASTORIL (fls. 453/487 – Vol III e MBE (fls. 832/862 – Vol V) contendo, basicamente as alegações que se seguem. Afirmam que receberam expediente de pouco mais que uma folha A4 sem nenhum efeito porque não tem forma e nem conteúdo de nenhum documento hábil a impor qualquer responsabilidade à impugnante, sendo vazio de conteúdo. Argumentam que o referido expediente não veio acompanhado de nenhum documento, limitandose a dizer que é assegurado às empresas do grupo econômico vista do processo administrativo fiscal, o que significa que às impugnantes não foi dado conhecimento do que eventualmente teria sido apurado contra elas, e baseado em que documentos o Sr. Fiscal autuante chegou a essa conclusão, razão pela qual tal cientificação não tem o condão de imputar nenhuma responsabilidade às impugnantes. Alegam que nunca fizeram parte da empresa Santa Marina Alimentos Ltda e que a participação de uma mesma pessoa no quadro societário de várias empresas NÃO caracteriza grupo econômico de fato ou de direito. Afirmam que, no caso, não foi demonstrado e nem existe entre as empresas mencionadas interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal, o que descaracteriza a inclusão das impugnante como corresponsáveis. Aduzem que apesar de as impugnante nada terem a ver com o Auto de Infração, de não terem recebido nenhum documento a respeito dele e não poderem fazer carga dos autos do processo administrativo, a impugnante, com autorização da empresa Santa Marina Alimentos Ltda., transcreve, literalmente, tudo quanto a respeito foi dito por ela na defesa que apresentou. Pelo Acórdão nº 1418.001 (fls. 693/727 Vol IV) a 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (SP) considerou a autuação procedente, porém, apesar de reconhecer a existência do grupo econômico de fato, entendeu por excluir do pólo passivo as solidárias JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA, AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA e MBE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE CARNES Ltda.sob o argumento de que não há previsão legal para imputar responsabilidade solidária, pelo descumprimento das obrigações acessórias, às empresas integrantes de um grupo econômico. A notificada Santa Marina Alimentos Ltda apresentou recurso tempestivo (fls. 735/776 –Vol IV) onde efetua a repetição dos argumentos já apresentados em defesa. As empresas JEMA, AGROPASTORIL E MBE também se manifestaram às folhas 785/801, 818/833 e 802/817 – Vol V, respectivamente, onde mantém seu inconformismo por terem sido consideradas integrantes de grupo econômico de fato. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 844 8 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso apresentado pela SANTA MARINA é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Quanto aos recursos apresentados pelas empresas JEMA, AGROPASTORIL E MBE. repetindo as alegações de defesa, entendo que não devem ser conhecidos. De acordo com a decisão recorrida foram excluídas do pólo passivo as solidárias JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA, AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA e MBE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE CARNES Ltda. sob o argumento de que não há previsão legal para imputar responsabilidade solidária, pelo descumprimento das obrigações acessórias, às empresas integrantes de um grupo econômico. De tal decisão não houve recurso de ofício. Ainda que as empresas em questão tenham manifestado em impugnação seu inconformismo pelo fato de terem sido consideradas integrantes de grupo econômico de fato, estas não mais integram o pólo passivo da obrigação, razão pela qual não há que se acolher seus argumentos nos autos deste processo. Pelas razões expostas, não conheço dos recursos apresentados pelas empresas JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA, AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA e MBE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE CARNES LTDA. Assim, passo à análise do recurso apresentado pela SANTA MARINA, haja vista terem sido cumpridos os requisitos de admissibilidade. A recorrente apresenta preliminar de decadência, pois entende que para o cômputo da mesma devem ser consideradas as disposições do Código Tributário Nacional. De fato, a decadência, atualmente, deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 845 9 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 846 10 No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Ocorre que, para o tipo de infração verificada, cuja multa é única independentemente do período em que se verificou a ocorrência de infração, basta que ocorra uma única ocorrência de descumprimento de obrigação em período não decadencial para que a autuação seja devida. No caso, a auditoria fiscal apurou que a recorrente efetuou seus registros contábeis sem obedecer ao disposto no Inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, no período de 2001 a 2005. Como a autuação se deu em 22/12/2006, data da ciência do sujeito passivo, não há que se falar em reconhecimento de decadência no presente caso. A recorrente alega que o auto de infração teria deixado de esclarecer os fundamentos legais da exigência, limitandose a relacionar uma enxurrada de dispositivos legais e regulamentares. Além disso, considera que houve violação de seu direito de defesa em razão do prazo de quinze dias para sua apresentação. Tal preliminar não merece acolhida. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, autuação por descumprimento de obrigação acessória consubstanciada no fato de a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos Toda a fundamentação legal que amparou a autuação, bem como a aplicação da multa foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica na folha de rosto do auto de infração e que se transcreve abaixo: Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, arts 92 e 102: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 847 11 de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social Decreto nº 3.048/1999, art. 225, inciso II e § 13 a 17, art. 283, inciso II, alínea “a” e art. 373 Art.225. A empresa é também obrigada a(...) IIlançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: Iatender ao princípio contábil do regime de competência; II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. §15. A exigência prevista no inciso II do caput não desobriga a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. §16.São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: Io pequeno comerciante, nas condições estabelecidas pelo Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, e seu Regulamento; IIa pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário; IIIa pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 848 12 mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário.(...) Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Além de a fundamentação legal estar devidamente informada na folha de rosto, a auditoria fiscal ainda a menciona no Relatório Fiscal da Infração – Anexo I (fls. 36/44) onde também estão devidamente discriminadas todas as irregularidades verificadas na escrituração contábil que levaram à presente autuação. De igual forma, a alegação de cerceamento de defesa pelo prazo concedido para apresentação de defesa, vale dizer que foi concedido à empresa o prazo legalmente previsto no § único do art. 37 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa e nulidade da notificação. A recorrente alega que não participa de nenhum grupo econômico; apenas tem em seu quadro societário, como sócia quotista, a empresa Parteco Administração e Participações Ltda. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 849 13 As alegações da recorrente sobre a inexistência de grupo econômico não são pertinentes e não merecem ser acolhidas. Eventual discussão a respeito da existência ou não de grupo econômico caberia às empresas incluídas no pólo passivo como responsáveis solidárias, no entanto, todas foram excluídas da responsabilidade pela decisão de primeira instância. Asseverese que a recorrente não comparece no pólo passivo como responsável solidária mas como contribuinte, uma vez que a infração verificada ocorreu no âmbito da própria recorrente. Portanto, impertinente ao caso em questão o inconformismo da recorrente pela caracterização do grupo econômico. A recorrente alega que a contribuição sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtor — pessoa física, é indevida e de manifesta inconstitucionalidade. Não cabe a discussão a respeito da constitucionalidade de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio em sede de contencioso administrativo. Asseverese que a contribuição alegada como inconstitucional pela recorrente foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário 363.852. No entanto, ainda não houve a lavratura do termo de trânsito em julgado para que a mesma se torne definitiva e possa ser considerada nesta instância de julgamento, no termos do Regimento Interno do CARF. Não obstante, cumpre informar que embora venha discutir a constitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, da qual é subrogada, a recorrente descontou a contribuição dos produtores, lançoua inicialmente na conta de despesa 3201010018 FUNRURAL BOVINOS e depois a transferiu para a conta 3101040015 — DESCONTO OBTIDO — "QUEBRA DE PESO". Além disso, outras irregularidades foram verificadas na escrituração contábil o que já seria suficiente para a manutenção da presente autuação. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER tão somente o recurso apresentado pela empresa SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 13DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000169/200720 Acórdão n.º 2402001.781 S2C4T2 Fl. 850 14 Fl. 14DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10240.900373/2008-79
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.129
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Relatório O recurso voluntário em julgamento tem origem em declaração de compensação, transmitida por meio do programa PER/DCOMP em 27.02.2004, através da qual a recorrente extinguiu débitos tributários federais oferecendo, em contrapartida, afirmados créditos resultantes de pagamentos a maior do PIS, apurado com base no fato gerador praticado em 30 de outubro de 2003. Na DRF-Porto Velho/RO, a homologação da compensação foi recusada sumariamente, por meio do despacho decisório mecânico de fls. 6, não precedido de qualquer providência investigativa ou mesmo de intimação que oportunizasse à interessada a produção de prova quanto à existência e ao montante do crédito alegado. Sintética fundamentação exposta no quadro 3 do decisum elucida que o resultado decorreu – apenas – da transmissão da DCOMP sem prévia retificação da DCTF pertinente ao período de apuração do suposto indébito. É dizer: tendo apurado o montante de PIS a pagar naquela competência e efetuado regularmente o recolhimento correspectivo, o sujeito passivo refez os cálculos da base Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20405.XHXO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900373/2008-79 Resolução n.º 3403-00.129 S3-C4T3 Fl. 168 2 imponível do tributo e verificou ter promovido pagamento a maior. Transmitiu, então, a declaração de compensação indicando, como crédito, o suposto excesso, sem, todavia, corrigir a DCTF já entregue, a fim de reduzir o débito confessado aos novos valores. Foi no que se apegou a DRF para recusar a homologação, ao argumento de que, sem retificação, a quantia recolhida permanecia integralmente alocada para quitação do próprio PIS de outubro de 2003. Irresignada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 8/12). Falando pela primeira vez nos autos, relatou que o indébito provinha do equívoco de ter inicialmente acrescido à base de cálculo do tributo a receita de venda de energia elétrica a sociedades de economia mista antes que o respectivo recebimento se desse, conforme lhe facultava o artigo 7 o , da Lei no. 9.718/98. Trouxe aos autos a DCTF retificada posteriormente à intimação do despacho decisório e também a DIPJ relativa ao ano-calendário do fato gerador e tempestivamente entregue, na qual, segundo afirma, teria informado corretamente o tributo devido. Mais importante que isso, porém, advogou infração aos princípios da verdade material e do formalismo moderado no procedimento da autoridade preparadora, eis que, realmente, a negativa veio antes que a existência e o montante do crédito fossem minimamente investigados. Sobreveio, na sequência, aresto da DRJ-Belém/PA desprovendo a manifestação de inconformidade (fls. 90/93). Repetiu-se o fundamento do despacho decisório, acrescentando-se, ainda, que o sujeito passivo, tendo tido a ocasião para documentar a existência do crédito alegado, disperdiçara a oportunidade sem se desincumbir do respectivo ônus. No recurso voluntário manejado, a recorrente, então, procurou detalhar as etapas do procedimento de apuração da base imponível da exação para o período em consideração e, com isso, demonstrar o indébito cujo reconhecimento pretende. Com a peça, trouxe também, além da guia DARF comprobatória do recolhimento supostamente excessivo e das DCTFs original e retificadora, cópia de balancete patrimonial levantado para 30 de outubro de 2003 (fls. 133/145) e de trecho do Livro Razão onde escrituradas operações do período (fls. 146/147). Eis, em síntese, o relatório. Voto Tempestivamente interposto, o recurso atende também às demais formalidades aplicáveis, razão pela qual dele se conhece. Não é de boa técnica que a proposta de conversão do julgamento em diligência antecipe o enfrentamento de questões que, a rigor, serão melhor examinadas quando do retorno dos autos. É por esta razão que entendo mais apropriado expor, aqui, somente o necessário a justificar, perante meus pares, a solução que venho lhes apresentar. Mesmo assim, alguma discussão de caráter procedimental é indispensável – e dela não me furtarei – confortável quanto à permissão regimental de que estes mesmos temas sejam novamente debatidos por ocasião da conclusão do julgamento (artigo 63, §6 o , Anexo II, Portaria MF no. 256/2009). O objeto central dos processos administrativo-fiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20405.XHXO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900373/2008-79 Resolução n.º 3403-00.129 S3-C4T3 Fl. 169 3 dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E como bem expôs a DRJ recorrida, o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, artigo 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião da prolação do despacho decisório de fls. 6, vigorava a IN/SRF no. 600/05, cujo artigo 3 o estabelecia: “Art. 3o. (...) §1 o A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. §2o. Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à SRF procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. §3o. Tratando-se de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do Programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o §2o serão apresentados à SRF após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido.” De ordinário, portanto, a declaração de compensação será transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. O importante é que, dadas as especificidades destas alternativas, apenas no último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório. Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico – a exemplo do caso dos autos – competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova. Daí porque, o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. E se esta imperfeição procedimental não é drástica o bastante para nulificar a decisão, é um elemento a considerar na aplicação, contra o contribuinte, das regras relativas à preclusão da prova. A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Distancia-se do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20405.XHXO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900373/2008-79 Resolução n.º 3403-00.129 S3-C4T3 Fl. 170 4 julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3 a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF no. 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Com amparo no artigo 16, do Decreto no. 70.235/72, poder-se-ia argumentar que, mesmo privada de oportunidade instrutória prévia ao despacho decisório, a recorrente poderia ter se desincumbido do ônus quando da manifestação de inconformidade e que, in casu, teria desperdiçado a chance deixando de produzir documentos contábeis que apenas vieram aos autos com o recurso voluntário. Diante do fundamento em que escorado o despacho decisório – não retificação da DCTF – a manifestação de inconformidade o atacou precipuamente (não exclusivamente) sob a perspectiva da infração à verdade material e, pois, com argumentos de natureza procedimental. E sendo este o contexto, mais do que demonstrar a existência do crédito, competia à recorrente convencer da própria prescindibilidade da prévia retificação. Esse, afinal, o principal objeto controvertido até então. De acordo com o processualista Moacyr Amaral Santos, um dos propósitos mais importantes em se estabelecer fases ou prazos apropriados à produção de documentos “é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecê-los em juízo” (Prova judiciária no Cível e Comercial, vol.4, São Paulo: Max Limonad, 1972, p. 416). Não vislumbro, na conduta processual da recorrente, indícios de semelhante intenção. De mais a mais, as provas carreadas aos autos com o recurso voluntário – provenientes da escrituração contábil da pessoa jurídica – se conhecidas, podem conferir ao julgamento níveis de certeza quanto aos fatos em debate que tanto a DRF/Porto Velho como a DRJ-Belém estiveram longe de obter. É em consideração à verdade material e por não estar convencido dos motivos da não-homologação nestas instâncias decisórias que proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que, partindo dos documentos carreados aos autos pela recorrente, as seguintes perguntas sejam respondidas: (a) a escrituração contábil da recorrente reveste-se das formalidades aplicáveis? (b) a partir da escrituração contábil do período (outubro/2003), em quanto monta a base de cálculo da exação? Que natureza (origem) de receitas integram a base de cálculo (venda de energia elétrica, receitas financeiras, etc.)? Quais as exclusões aplicadas? Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20405.XHXO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900373/2008-79 Resolução n.º 3403-00.129 S3-C4T3 Fl. 171 5 (c) qual a origem da diferença, caso existente, entre a importância recolhida a maior pela recorrente e aquela efetivamente devida, conforme a base de cálculo apurada no item anterior? Qual o montante das vendas, no período, de bens e serviços a empresas públicas e sociedades de economia mista pelas quais a recorrente efetivamente recebeu? (d) as receitas de vendas a empresas públicas e sociedades de economia mista que, ao recalcular o tributo, a recorrente excluiu da respectiva base imponível, foram oferecidas à tributação por ocasião do efetivo recebimento, em períodos de apuração subseqüentes? (e) o crédito determinado no item anterior é suficiente para liquidar por inteiro a compensação realizada? Pede-se à unidade de origem que, colhidas as respostas, elabore relatório circunstanciado, ao qual poderá acrescer informações adicionais que repute relevantes. Após, dê-se vista do relatório à recorrente, facultando-se-lhe manifestação em 30 (trinta) dias, findos os quais retornem os autos para conclusão do julgamento. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20405.XHXO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 12/01/2011 09:32:13. Documento autenticado digitalmente por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 12/01/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 15/01/2011 e MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 12/01/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.20405.XHXO Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: A1121867383B2195A5F4F58A2F8EDDFDAF0E0F4F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10240.900373/2008-79. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11065.904289/2010-80
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PRECLUSÃO. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DAS RAZÕES DE DEFESA.
As razões de defesa devem ser declinadas por ocasião da manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. MENOR SALDO CREDOR.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre em que se originou o saldo a ressarcir e o período de apuração anterior ao da transmissão do pedido.
Numero da decisão: 3003-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo na parte relativa às glosas provenientes de notas fiscais emitidas por optantes pelo SIMPLES, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lara Moura Franco Eduardo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (Presidente), Ariene D'Arc Diniz e Amaral, Lara Moura Franco Eduardo e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: Lara Moura Franco Eduardo
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DAS RAZÕES DE DEFESA. As razões de defesa devem ser declinadas por ocasião da manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. MENOR SALDO CREDOR. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre em que se originou o saldo a ressarcir e o período de apuração anterior ao da transmissão do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo na parte relativa às glosas provenientes de notas fiscais emitidas por optantes pelo SIMPLES, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Lara Moura Franco Eduardo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (Presidente), Ariene D'Arc Diniz e Amaral, Lara Moura Franco Eduardo e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão da DRJ/POA: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 42 89 /2 01 0- 80 Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.039 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.904289/2010-80 A menção a folhas neste acórdão diz respeito ao processo digitalizado. Trata-se da manifestação de inconformidade das fls. 3 a 12, protocolizada em 28 de junho de 2010, subscrita por procurador credenciado pelos documentos das fls. 20 a 26, contestando o Despacho Decisório Nº de Rastreamento 863096378, da fl. 2, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo. A ciência do despacho referido ocorreu em 28 de maio de 2010, segundo consta nas fls. 59 e 60. O despacho decisório objeto da inconformidade reconheceu parcialmente o crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 16672.47826.231105.1.1.01- 6107, em que foi solicitado/ utilizado, a título de ressarcimento do IPI, referente ao segundo trimestre de 2004, o valor de R$ 170.608,73, sendo considerado legítimo o valor de R$ 136.893,35. A motivação do despacho decisório foi a seguinte: ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 24592.82668.040106.1.3.01-4361, restando um saldo devedor, relativo aos débitos indevidamente compensados, de R$ 56.962,12 (principal, multa e juros, calculados para pagamento até 31/05/2010). Não restou valor a ser ressarcido para o pedido apresentado no PER/DCOMP nº 16672.47826.231105.1.1.01-6107. No demonstrativo “Relação de notas fiscais com créditos indevidos - créditos por entradas no período”, integrante das informações complementares da análise de crédito, consta que houve glosa de créditos pelos seguintes motivos: “2 - Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal não cadastrado no CNPJ”, “4- Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal na situação de BAIXADO no cadastro CNPJ” e “7 - Empresa Emitente da Nota Fiscal Optante do SIMPLES”. No “Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento”, que teve como origem de informação os PER/DCOMP nº 21955.25414.231105.1.1.01- 4510, 19293.81806.231105.1.1.01-3749, 31919.11224.300905.1.3.01-3079, 39395.37168.271005. 1.1.01-2905, 29067.52759.271005.1.1.01-0010 e 41352.56374.140706.1.1.01-3070 está demonstrada a apuração do saldo credor após o período de ressarcimento até o período de transmissão do último documento certificável da família (do PER/DCOMP no 16672.47826.231105.1.1.01-6107. À vista disso, foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 24592.82668.040106.1.3.01-4361. Na manifestação de inconformidade, o interessado argumenta incoerência da fiscalização quanto às glosas identificadas pelo código “2” (emitente da nota fiscal ser estabelecimento não cadastrado no CNPJ), pois, conforme alega, no próprio Relatório de Informações Complementares da Análise do Crédito a Receita Federal do Brasil já teria indicado o CNPJ do emitente daquelas notas fiscais. Acrescenta ter-se creditado corretamente quanto ao IPI decorrente das operações documentadas por essas notas fiscais identificadas sob o código “2”, separando aquelas emitidas por estabelecimento industrial, com IPI devidamente destacado na nota, daquelas emitidas por estabelecimentos Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.039 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.904289/2010-80 comerciais, sem destaque do IPI. Acrescenta que, quanto a essas últimas, creditou-se tão somente do crédito presumido de IPI de 50%, previsto no art. 165 do Decreto nº 4.544/02(RIPI). Anexa cópias das notas fiscais que subsidiaram o lançamento de créditos de IPI no RAIPI. Quanto às glosas de notas fiscais identificadas sob o código “7” (emitente da nota fiscal ser optante pelo Regime Simplificado de Tributação- SIMPLES), e à glosa de nota fiscal sob o código “4”( Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal na situação de BAIXADO no cadastro CNPJ), nada manifestou. Também questiona o valor do saldo credor não ressarcível de período anterior indicado no “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível” constante do DDE ora combatido. Alega que o valor ali aposto, de R$ 119.598,81, não corresponde ao valor constante no seu Livro de Apuração do IPI, que seria de R$ 283.038,57. Afirma que a fiscalização da Receita Federal teria chegado a esse valor de R$ 119.598,81 a partir do saldo constante em seu Livro de Apuração do IPI (R$ 283.038,57 ), deduzidos os créditos de IPI que haviam sido glosados no 1º trimestre de 2004, no valor de R$ 6.487,38, bem como os créditos reconhecidos em PER/DCOMP no trimestre anterior, no valor de R$ 156.952,38. Argui que o procedimento de “deduzir os créditos de trimestres anteriores reconhecidos em PER/DCOMP no início do período de ressarcimento atual (2º trimestre de 2004) está em desacordo com o previsto no art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 460/04”, vigente à época dos fatos e que dispunha que “no período de apuração em que for apresentado a SRF o pedido de ressarcimento, bem como em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma prevista no art. 26, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado”. Segundo sua interpretação desse dispositivo legal, entende que, como a transmissão do PER/DCOMP para aproveitar o crédito de IPI do 1º trimestre de 2004 se deu “em 29/12/2005”, apenas no período de dezembro de 2005 esse crédito deveria ser deduzido em seu Livro de Apuração do IPI. Sob essa lógica, conclui que o método aplicado, por ter deduzido “os créditos de trimestres anteriores reconhecidos em PER/DCOMP no início do procedimento atual, limitou o valor ressarcivel pela aplicação do critério Menor Saldo Credor do Período indicado no Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento constante no Relatório de Informações Complementares da Análise do Crédito do 2° trimestre de 2004”. Prossegue transcrevendo o quadro de “Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento constante do Relatório de Informações complementares da Análise do Crédito do 2°trimestre de 2004”, para contestar o valor do saldo credor do período anterior indicado na coluna “b” (R$ 214.970,60), afirmando que o valor correto que deveria ali constar seria de R$ 371.922,92, correspondente ao somatório de R$ 214.970,60 com R$ 156.952,38. O valor de R$ 156.952,38, relativo ao crédito de IPI do 1º trimestre de 2004, reconhecido pela RFB através do PER/DCOMP n° 18400.02450.291205.1.3.04-4116, afirma ter sido “aproveitado” apenas em dezembro de 2005, não podendo ser considerado na 1ª quinzena de abril de 2004 para aplicação do critério “menor saldo credor do período”. Finaliza requerendo a reforma parcial do Despacho Decisório, visando ao reconhecimento dos créditos escriturados com base nas notas fiscais Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.039 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.904289/2010-80 mencionadas em sua manifestação de inconformidade (notas fiscais glosadas sob o código “2” - Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal não cadastrado no CNPJ), bem como à revisão do método adotado pela fiscalização da RFB para apuração do “Menor Saldo Credor do Período”, de forma a observar o disposto no art. 17 da IN SRF nº 460/04. Dando continuidade ao relato, a DRJ deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade, com suporte nos seguintes fundamentos, assim resumidamente expostos: 1. À data das transmissões dos PER/DCOMP referentes ao 1º e 2º trimestres de 2004, o saldo credor do IPI passível de ressarcimento era aquele apurado nos termos do art. 16, § 1º, da Instrução Normativa RFB nº 460/2004; 2. Consideradas as restrições e condicionantes legais, nem sempre o valor do crédito de IPI reconhecido para ressarcimento seria coincidente com o saldo credor apurado na escrita fiscal e escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) do contribuinte 3. No caso concreto, ainda que a transmissão do PER/DCOMP relativo ao 2º Trim./2004 só tenha ocorrido no mês 11/2005, o sistema, ao validar esses créditos, deduziria o valor reconhecido para ressarcimento do saldo credor total existente no último período do trimestre a que se referem; 4. A dinâmica de cálculos do SCC e a respectiva reconstituição do RAIPI viabilizariam o controle e acesso ao direito ao ressarcimento dos créditos de IPI, em estrita consonância com os limites e definições estabelecidos na legislação de regência; 5. Somente a partir da certificação, pelo Módulo do SCC, do valor pleiteado ou de fração dele, é realizado um ajuste no RAIPI, no último período do trimestre a que se refere o pedido, por meio da redução do Saldo Credor em montante idêntico ao valor certificado; 6. O valor a ser reconhecido ficaria limitado ao menor saldo credor apurado pelo SCC, nos períodos de apuração posteriores ao trimestre de referência, até o período imediatamente anterior ao da transmissão do último PER/DCOMP certificável do trimestre de referência; 7. No que concerne ao método de apuração e demonstração, estariam corretos os cálculos e valores dispostos no Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível e no Demonstrativo de Apuração Após o Período de Ressarcimento, que integram o Despacho Decisório; 8. As glosas decorrentes do não cadastramento do emitente no CNPJ (motivo 2) não mereceriam prosperar, haja vista os estabelecimentos que emitiram as notas fiscais estarem cadastrados no sistema CNPJ à data da emissão daqueles documentos; Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.039 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.904289/2010-80 9. Já as glosas sob código 4 e 7, por não terem sido contestadas, tornaram-se definitivas no âmbito do processo administrativo, conforme dispõe o art. 17 de Decreto nº 70.235/1972 ; 10. Consideradas as reversões das glosas indevidas (motivo 2 - emitente sem cadastro no CNPJ), no valor total de R$ 9.189,28, caberia o reconhecimento do crédito em favor do contribuinte no valor de R$ 145.386,60, de acordo com o demonstrativo apresentado na mesma decisão. A ciência, pelo Recorrente, da citada decisão da DRJ, deu-se em 05/09/2018, de acordo com Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, anexado aos autos. A seguir, em 04/10/2018 foi apresentado Recurso Voluntário, com base nas alegações que se seguem, dirigidas apenas ao mérito, apresentadas, assim, em síntese: 1. Aponta haver incoerência no processamento dos dados da RFB, pois ao mesmo tempo em que não há aceitação do crédito em razão do estabelecimento emitente não ser cadastrado no CNPJ, no próprio Relatório de Informações Complementares da Análise do Crédito constaria o CNPJ do emitente da nota fiscal; 2. Ainda quanto à glosa referente ao motivo de nº 2, todas as notas fiscais teriam sido escrituradas de forma correta, considerando assim o imposto destacado nos documentos fiscais já apresentados no processo; 3. No que concerne às glosas pelo motivo de nº 07 (notas fiscais emitidas por optantes pelo SIMPLES), como não havia a indicação de tal condição dos emitentes nos documentos fiscais, persistiria o direito do Recorrente à utilização do crédito, não se configurando a vedação prevista no art. 166 do RIPI/2002; 4. Reproduzindo as afirmações feitas por ocasião da Manifestação de Inconformidade, insurge-se contra a limitação do valor ressarcível pela aplicação do critério Menor Saldo Credor do Período, indicado no Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento. Em resumo, são esses os fatos que se tem a relatar. Voto Conselheira Lara Moura Franco Eduardo, Relatora. Considerando que se encontram satisfeitos os requisito da tempestividade e, sob o aspecto material, da competência do Colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário, dele conheço. Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.039 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.904289/2010-80 Dirijo-me de pronto ao mérito, porquanto não foram suscitadas questões preliminares. Conforme precedentemente colocado, trata-se de Pedido de Ressarcimento de IPI, parcialmente deferido em Despacho Decisório, e consequente homologação parcial de DCOMP, com base nos seguintes fundamentos: (1) Glosa de créditos considerados indevidos por (1.1) Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal não cadastrado no CNPJ; (1.2) Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal na situação de CANCELADO no cadastrado CNPJ e (1.3) Empresa Emitente da Nota Fiscal Optante do SIMPLES. (2) Constatação de utilização de saldo credor passível de ressarcimento, na escrita fiscal, em períodos subsequentes ao trimestre em referência (2º Trim./2004), até a data de apresentação do PERDCOMP; Em vista do conteúdo da peça recursal, constata-se que persiste nos autos o debate apenas em relação aos itens 1.1 (Da Irregularidade do Código 2 – Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal não Cadastrado no CNPJ); 1.3 (Da Irregularidade de Código 7 – Empresa Emitente da Nota Fiscal Optante do Simples), e 2 (Da Irregularidade do saldo credor do período anterior), acima citados, eis que apenas estes segmentos do Despacho Decisório foram objeto de Recurso Voluntário. Todavia, em que pese o Recorrente ter se colocado em via recursal contrário às glosas referentes às notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas não cadastradas no CNPJ, o que se tem por certo é que, na decisão recorrida, as glosas em alusão foram revertidas, se não, vejamos como se manifestou a instância a quo acerca do referido: Portanto, a discussão sobre a matéria em foco é desprovida de objeto, vez que o pretendido pelo Recorrente, no que concerne às glosas vinculadas a documentos fiscais provenientes de empresa sem cadastro no CNPJ, já lhe foi deferido em instância inferior. Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-002.039 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.904289/2010-80 Já no que toca às glosas decorrentes de notas fiscais de venda emitidas por contribuintes optante pela sistemática de tributação denominada de SIMPLES, inobstante estas tenham sido matéria de Recurso Voluntário, não foram colocadas entre as razões de defesa contidas em Manifestação de Inconformidade. À luz do que dispõe o art. 16, inc. III, bem como a considerar o enunciado no art. 17, caput, ambos do Decreto nº 70.235/1972, as razões de defesa devem ser todas declinadas por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão, conforme se verifica da transcrição dos mencionados dispositivos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Grifei) Portanto, descabe ao CARF a análise de argumento não enfrentado na esfera DRJ, eis que o Colegiado tem competência recursal, qual seja, estrita ao reexame de pontos que remanesceram controvertidos, após o Acórdão proferido pelo primeiro órgão a examinar os fundamentos de defesa. De modo que, após a Manifestação de Inconformidade, restou incontroversa nos autos, assim, a parcela do Despacho Decisório que trata do item 1.3 (Da Irregularidade de Código 7 – Empresa Emitente da Nota Fiscal Optante do Simples). Como o Recorrente inovou em sua postulação recursal, para incluir matéria antes não deduzida, entendo por não conhecer do Recurso na porção que trata das glosas provenientes de notas fiscais emitidas por optantes pelo SIMPLES. Passo à análise do fundamento de defesa relacionado à utilização do saldo credor, posteriormente ao encerramento do período de apuração de referência e anteriormente à data de transmissão do PER/DCOMP. Em sua defesa, objetivando a manutenção do crédito, abraça a Recorrente a tese de que não constaria em legislação com força de lei que o menor saldo credor a ser considerado deva ser o da data de transmissão do PER/DCOMP e não o constante da apuração feita, até o período de referência. Tal procedimento da Receita Federal, segundo colocação apresentada, significaria diminuição do saldo de crédito em favor do contribuinte. Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-002.039 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.904289/2010-80 Primeiramente, de se ressaltar que a matéria foi trazida sob a perspectiva do direito, e não em nível de prova e/ou de valores do dito saldo credor indicado no demonstrativo contido no Acórdão da DRJ, de modo que se afasta em virtude disso a possibilidade de diligência ou exames posteriores. Em relação ao tema, considero assistir razão à decisão recorrida. E explico o porquê. É que a análise da regularidade do valor de IPI pleiteado pelo contribuinte, realmente consiste 1º. tanto na identificação do saldo credor de imposto, passível de ressarcimento, apurado ao fim do trimestre-calendário a que se refere o pedido, 2º quanto na verificação de que se tal saldo se mantém na escrita até o período anterior ao da transmissão do PER/DCOMP, em outras palavras, que o crédito não foi utilizado. Constatada a utilização posterior pelo contribuinte do saldo credor existente no final do trimestre-calendário de referência (período de apuração), correta a glosa da diferença de valor encontrada para aquele, desde quando é possível utilização do crédito acumulado para abatimento de débitos de períodos posteriores, ou seja, até a data da solicitação do ressarcimento. E o fundamento para o procedimento decorre da própria sistemática de apuração e utilização dos créditos do imposto, prevista no seu Regulamento – RIPI/2002, como se vê no seu art. 195: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º. § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF. Ora, exaurido o saldo credor acumulado, por premissa inclusive lógica, este não pode ser ressarcido. É por isso que o valor do ressarcimento deve se limitar ao menor saldo credor apurado no encerramento do período anterior à data de transmissão do PER/DCOMP. Na esteira do entendimento manifestado no RIPI, a Instrução Normativa nº 460/2004, em seu art. 17, determinava que o contribuinte, tomando por base o período de apuração em que fosse apresentada a SRF o pedido de ressarcimento, deveria estornar em sua escrituração fiscal o valor pedido ou aproveitado: Art. 17. No período de apuração em que for apresentado à SRF o pedido de ressarcimento, bem como em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-002.039 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.904289/2010-80 prevista no art. 26, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado. De maneira que o procedimento de apuração do crédito de IPI aproveitado pelo Recorrente até a data em que houve a transmissão do PER/DCOMP mostra-se regular, não sendo procedente a alegação de que deva ser adotado nos Pedidos de Ressarcimento o menor saldo credor obtido até o período de apuração de referência, em razão da ausência de previsão em lei − tomada esta em seu sentido formal − do procedimento adotado pela RFB. Isso porque, via de regra, em matéria tributária, a lei ordinária cuida das hipóteses de incidência e define as obrigações acessórias. Também não é atribuição de lei complementar, que deve dispor sobre normas gerais em matéria tributária, detalhar a sistemática de apuração do saldo de crédito de IPI em Pedidos de Ressarcimento. De mais a mais, segundo o art. 96 do Código Tributário Nacional - CTN 1 , a expressão legislação tributária compreende as leis, os tratados e convenções internacionais, os decretos – status atribuído ao RIPI − e as normas complementares − como é o caso das Instruções Normativas − que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a estes pertinentes. Como normas jurídicas que são, o conteúdo de todos os atos referidos no art. 96 do CTN, incluindo os atos emanados da RFB, em princípio, submetem o contribuinte, ainda que não se trate de lei em sentido formal. Assim, correta a decisão recorrida, posto que a transmissão do Pedido de Ressarcimento gera a verificação, via Sistema de Controle de Créditos – SCC, do saldo credor de IPI aproveitado até aquele instante, exigindo-se ainda do contribuinte o estorno, em sua escrita fiscal, do crédito utilizado por ele antes da protocolização daquele Pedido. Em conclusão, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário aqui em exame, não conhecendo na parte relativa à glosas provenientes de notas fiscais emitidas por optantes pelo SIMPLES, e, na parte conhecida, por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Lara Moura Franco Eduardo 1 Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_Tribut%C3%A1rio_Nacional https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_internacional https://pt.wikipedia.org/wiki/Conven%C3%A7%C3%A3o_internacional https://pt.wikipedia.org/wiki/Decreto https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Norma_complementar&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Tributo https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%A3o_jur%C3%ADdica Fl. 10 do Acórdão n.º 3003-002.039 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.904289/2010-80 Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10380.006750/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
DEFESA APRESENTADA POR PESSOA DISTINTA DO SUJEITO PASSIVO NÃO
INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL
A instauração do contencioso administrativo fiscal se dá pela apresentação de impugnação tempestiva por parte do sujeito passivo. A interposição de defesa por pessoa diversa da autuada/notificada não instaura o contencioso administrativo fiscal
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2402-001.562
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que dava provimento.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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A interposição de defesa por pessoa diversa da autuada/notificada não instaura o contencioso administrativo fiscal Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que dava provimento. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Wilson Antônio de Souza Correa, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 595DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.006750/200704 Acórdão n.º 240201.562 S2C4T2 Fl. 582 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 10) em ação fiscal na Prefeitura Municipal de Fortaleza (CE), foi constatado que no período de 07/2006 a 09/2006, as informações apresentadas em GFIP não continham a totalidade dos salários de contribuição dos segurados contribuintes individuais e segurados empregados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, bem como as informações sobre pagamento feito as Cooperativas de trabalho. A autuação ocorreu em nome da dirigente máxima, no caso, a Prefeita Municipal, uma vez que não foi apresentado qualquer documento delegando competência para o cumprimento das obrigações acessórias prevista na legislação previdenciária. O Município de Fortaleza apresentou impugnação (fls. 144/148) alegando, em síntese, não terem ocorrido os fatos geradores não informados. Posteriormente, pelo Despacho n° 1155 (fls. 110 – Vol III) a 5ª Turma da DRJ/Fortaleza (CE) entendeu que o auto de infração ao invés de ter sido encaminhado ao endereço residencial da autuada foi encaminhado à Prefeitura Municipal, levando a inferir que a autuada não tomou ciência do lançamento face à apresentação de impugnação pela Prefeitura Municipal. Assim, o auto de infração foi encaminhado para a residência da autuada por meio do ofício nº 123/2008/DRF/FOR/CE (fl. 529 – Vol III). Como não houve apresentação de defesa por parte da autuada foi emitido o Acórdão nº 0814.792 (fls. 533/535) em que a 5ª Turma da DRJ/Fortaleza (CE) não conhece da impugnação apresentada face à ilegitimidade passiva do impugnante, Prefeitura Municipal de Fortaleza. Devidamente intimada, a autuada apresentou recurso (fls. 541/554 – Vol III) onde alega que como a conclusão da fiscalização, materializada pelo AI, foi dirigida para a Administração Pública, enquanto contribuinte responsável pela obrigação principal, outra não poderia ser a interpretação, senão a de que caberia ao Município, por intermédio de sua Procuradoria, apresentar a respectiva impugnação. Argumenta que, paralelamente, a Prefeitura buscou retificar as GFIPs. Aduz que o ofício de encaminhamento dos documentos, em que pese ter concedido à Recorrente 30 (trinta) dias para regularização do crédito ou impugnação, não a informou que a defesa, bem como os documentos retificadores das informações que geraram a infração, oportunamente apresentados pelo Município de Fortaleza, tinham sido Fl. 596DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.006750/200704 Acórdão n.º 240201.562 S2C4T2 Fl. 583 3 considerados indevidos, conforme o Despacho nº 1155, da 5ª Turma do DRJ/FOR, face à ilegitimidade passiva do contribuinte (ente público) para responder por multas decorrentes de autos de infração. Entende que a ausência dessa informação gerou enorme prejuízo para a Recorrente, porquanto a impediu de exercer plenamente o seu direito de defesa. Alega que entendeu não ser necessário impugnar o crédito previdenciário em comento, posto que a Procuradoria do Município de Fortaleza já havia se manifestado nos autos, inclusive requerendo a relevação da multa em virtude da plena regularização das obrigações acessórias que originaram o auto de infração, conforme provam os documentos juntados. Além de todo o exposto, afirma que, desde 06/06/1991, com a edição da Lei Municipal nº 6.878 (doc. 02), é competência da Secretaria de Finanças do Município —SEFIN a entrega das GFIPS. Por fim, solicita que o auto de infração seja considerado nulo. É o relatório. Fl. 597DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.006750/200704 Acórdão n.º 240201.562 S2C4T2 Fl. 584 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e é necessário verificar sua admissibilidade. A recorrente não apresentou defesa pois a defesa constante dos autos foi apresentada em nome do Município de Fortaleza. Verificase que, inicialmente, o auto de infração foi encaminhado à autuada, Sra Luiziane de Oliveira Lins, porém, no endereço da Prefeitura Municipal. Entendeu o órgão que a intimação da autuada deveria ocorrer em seu endereço residencial, inclusive em razão da defesa ter sido apresentada em nome da Municipalidade e não da autuada. Assim, a autuação foi remetida ao endereço da autuada e lhe foi oferecido novo prazo defesa, findo o qual, a autuada não se manifestou. Alega a recorrente que teve seu direito de defesa prejudicado em razão de não ter restado claro que a impugnação apresentada pela Prefeitura de Fortaleza não foi considerada válida, bem como as correções efetuadas. Não confiro razão à recorrente. A folha de rosto do auto de infração contém identificação clara e precisa do autuado que no caso é a Sra. Luiziane de Oliveira Lins. De igual forma, a folha do rosto do auto de infração traz a seguinte informação: Fica o autuado ciente de que lhe é concedido o prazo de 15 (quinze) dias para a apresentação da defesa, por escrito, juntando provas de suas alegações, no endereço abaixo.. Ora, não restam quaisquer dúvidas de que a autuada era a Sra. Luiziane de Oliveira Lins e não a Prefeitura de Fortaleza e que a citada senhora é quem deveria impugnar o lançamento. Após a apresentação de defesa pela Prefeitura de Fortaleza, o órgão entendeu que houve irregularidade na intimação e enviou a autuação para o endereço residencial da Sra. Luiziane e concedendolhe novo prazo de defesa. Ainda que tenha sido oportunizado novo prazo para apresentação de defesa, a recorrente deixou de apresentála em seu nome. Fl. 598DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.006750/200704 Acórdão n.º 240201.562 S2C4T2 Fl. 585 5 Asseverese que, tais alegações não foram apresentadas na defesa e, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Dessa forma, entendo que na ausência de impugnação, não houve instauração do contencioso administrativo fiscal frente à autuada, encontrandose precluído o direito à discussão de qualquer matéria segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso apresentado. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 599DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10320.004670/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO.
REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO.
Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil, faz-se
necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei no 8.212/1991.
A entidade também deverá requerer junto ao INSS o gozo do benefício da imunidade.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF
afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos
termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. APLICAÇÃO ART 173, INCISO I, CTN.
De acordo com o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF, os artigos
45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O lançamento foi efetuado em 14/11/2007, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 59), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação tributária principal, ocorreram no período compreendido entre 01/1999 a 12/2005, e, posteriormente, os valores apurados até a competência 11/2001 e também a competência 13/2001 foram devidamente excluídos. Com isso, a competência 12/2001 e posteriores não
foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, fazse necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei no 8.212/1991. A entidade também deverá requerer junto ao INSS o gozo do benefício da imunidade. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. APLICAÇÃO ART 173, INCISO I, CTN. De acordo com o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O lançamento foi efetuado em 14/11/2007, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 59), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo Fl. 205DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 descumprimento da obrigação tributária principal, ocorreram no período compreendido entre 01/1999 a 12/2005, e, posteriormente, os valores apurados até a competência 11/2001 e também a competência 13/2001 foram devidamente excluídos. Com isso, a competência 12/2001 e posteriores não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 206DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10320.004670/200711 Acórdão n.º 240201.587 S2C4T2 Fl. 204 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lançada pelo Fisco em face da empresa Associação Organizadora e Mantenedora do Colégio Caxiense, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, correspondentes a parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/1997) e as relativas a Terceiros (FNDE/Salário Educação, SESC, SEBRAE e INCRA). O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 08/2000 a 12/2005. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 55 a 58) informa que o fato gerador foi apurado com base nas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados informadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s). Esse Relatório registra que, embora o contribuinte tenha se autoenquadrado no código FPAS 639 – referente às entidades isentas de contribuições previdenciárias –, a auditoria fiscal o enquadrou no código FPAS 574 – referente às entidades de ensino –, haja vista que a condição de isenta não foi confirmada nos sistemas informatizados previdenciários. O Relatório Fiscal informa ainda que os documentos examinados foram, dentre outros: as folhas de pagamento de salários; as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s); as Atas de Eleição e Posse da Nova Diretoria (incompleto); e os comprovante de residência dos representantes legais (incompleto). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 14/11/2007 (fls. 01 e 59), por meio de correspondência postal enviada com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 68 a 91) – acompanhada de anexos de fls. 92 a 165 –, alegando, em síntese, que: 1. a auditoria fiscal apontou como corresponsável tributário o Sr. Hélio de Sousa Queiroz, quando a administração da entidade caberia, desde 2001, à Sra. Antônia Moura Pinto, conforme procuração anexa, ferindo o disposto no art. 142 e 134, inciso I, ambos do CTN; 2. foi considerada entidade de utilidade pública pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), sendo assim, isenta dos tributos previdenciários, não podendo o notificante efetuar cobrança de tributos sem, antes, proceder ao devido processo administrativo de cancelamento da isenção; 3. não poderia ter sido lançado fatos geradores anteriores a 19/10/2002, haja vista a decadência do direito de lançar, nos termos do art. 150, §4°, do CTN, pois que, no caso concreto, houve pagamento antecipado, ainda que não integral, conforme comprovaria o relatório fiscal referindose a diferença de valores; Fl. 207DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 4. ao final, requereu a nulidade da notificação fiscal, por falta de liquidez do crédito, e, no mérito, sua nulidade ou total improcedência. A competência para julgamento do processo foi transferida para a Delegacia de Julgamento em Recife/PE, através da Portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) n° 564, de 04/04/2008 (DOU de 07/04/2008). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em RecifePE – por meio do Acórdão 1123.393 da 6a Turma da DRJ/REC (fls. 169 a 175) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que houve a decadência tributária para os fatos geradores ocorridos até a competências 11/2001, inclusive, e competência 13/2001. A Notificada apresentou recurso (fls. 198 a 201), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em São LuísMA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento (fl. 202). É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10320.004670/200711 Acórdão n.º 240201.587 S2C4T2 Fl. 205 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente (fl. 202). Superados os pressupostos, passo a preliminar ao exame do mérito. DA PRELIMINAR: A Recorrente vem a este Conselho solicitando que seja declarada a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os supostos créditos levantados pela fiscalização foram fulminados pelo instituto jurídico da decadência até a competência 10/2002 (outubro/2002), nos termos do art. 150, parágrafo 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei nº 8212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10320.004670/200711 Acórdão n.º 240201.587 S2C4T2 Fl. 206 7 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese a período compreendido entre 01/1999 a 12/2005 e foi efetuado em 14/11/2007, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 59). Fl. 211DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive, e também a competência 13/2001. Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelas competências anteriores a 12/2001, pois o direito potestativo do Fisco – nas competências até 11/2001, inclusive, e competência 13/2001 – já estava extinto pelo instituto da decadência tributária. Esclarecemos que a competência 12/2001 não deve ser excluída do cálculo do lançamento fiscal ora analisado, porquanto a sua exigibilidade e a sua hipótese imponível (situação fática da hipótese de incidência da contribuição) somente ocorrerão a partir de 01/2002, com a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, quando poderia ter sido efetuado o lançamento fiscal. Posteriormente, a decisão de primeira instancia, veiculada por meio do Acórdão 1123.393 da 6a Turma da DRJ/REC (fls. 169 a 175), considerou as premissas acima delineadas nos seus argumentos e determinou a extinção dos valores apurados que foram abarcados pela decadência tributária no presente lançamento fiscal (competências 01/1999 a 11/2001 e 13/2001). Com isso, os valores apurados até a competência 11/2001, inclusive, e competência 13/2001 foram devidamente excluídos do presente lançamento fiscal, conforme emissão do Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR) de fls. 176 a 192. Diante disso, não acato a preliminar de decadência tributária ora examinada, eis que já houve a aplicação do enunciado no 8 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal na decisão de primeira instância, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: No aspecto meritório, o recurso voluntário em questão resumiuse a atacar os seguintes pontos: (i) discussão acerca da isenção, prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, já que a Recorrente afirma que atendeu todos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei no 8.212/1991 para enquadrarse como entidade imune das contribuições previdenciárias; e (ii) responsabilidade do presidente da comissão executiva da empresa. Quanto à questão da discussão acerca da isenção, prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, tratarse ou não de imunidade não merece maiores considerações, eis que essa questão suscitada pela Recorrente tem por finalidade embasar a tese de inaplicabilidade do art. 55 da Lei n° 8.212/1991, com o argumento de que a “imunidade” só poderia ser regulamentada via legislação complementar, nos termos do art. 146, inciso II, da Constituição Federal. Segundo a Recorrente, isso levaria a nulidade do lançamento fiscal, já que os dispositivos da Lei n° 8.212/1991 que tratam de isenção são inconstitucionais. Observase que o texto constitucional remeteu à lei o estabelecimento das condições necessárias para a obtenção da isenção de contribuições sociais pelas entidades consideradas de assistência social. O art. 55 da Lei 8.212/1991 veio regulamentar a matéria, estabelecendo os diversos requisitos a serem cumpridos pelas entidades consideradas de assistência social, a fim Fl. 212DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10320.004670/200711 Acórdão n.º 240201.587 S2C4T2 Fl. 207 9 de obterem isenção da cota patronal, dispondo, em seu § 1o, a obrigatoriedade de se requerer o referido benefício no INSS. É importante frisar que, no ordenamento jurídico, há a imposição de certos requisitos para que uma entidade venha gozar de isenção das contribuições previdenciárias, o que não logrou a empresa Recorrente comprovar. De sorte que, no caso dos autos, ao contrário do que entendeu a Recorrente, a imunidade, não depende apenas a empresa ser titulada no Estatuto Social como entidade beneficente ou ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), conforme posto na peça recursal, mas, do atendimento dos requisitos estabelecidos na Lei 8.212/1991, para usufruir a isenção aqui tratada. Além disso, para fazer jus ao aludido benefício é imposta à entidade a obrigação de atender, cumulativamente, ao disposto no art. 55 da Lei no 8.212/1991. O art. 55 da Lei no 8.212/1991 estabelecia os seguintes requisitos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Do dispositivo transcrito, verificamos que o Certificado e o Registro fornecido pelo CNAS são apenas um dos requisitos para que se possa gozar da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias. Com isso, como não há nos autos a comprovação do deferimento do pedido de isenção, ou até mesmo de têlo efetuado pela Recorrente, é de se considerar inexistente o direito aludido. No que diz respeito a alegação de que a Lei nº 8.212/1991 é inconstitucional para regulamentar dispositivos constitucionais, vale esclarecer que a própria Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, conforme disposto no seu artigo 102, in verbis: Art. 102. compete ao supremo tribunal federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; (...) Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, as exigências estabelecidas pelo art. 55 da Lei n° 8.212/1991, que trata especificamente da isenção de contribuições previdenciárias, não permitem a aplicação do art. 14 do CTN e devem ser atendidas de forma cumulativa para fins de concessão deste beneficio. Como a Recorrente não comprovou o cumprimento dos requisitos insertos no § 1o e nos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991 – principalmente a comprovação do deferimento do pedido de isenção pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) –, não pode estar amparado pela “isenção/imunidade”, devendo pois recolher as contribuições inadimplidas lançadas na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, a qual competia, além da verificação do preenchimento dos Fl. 214DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10320.004670/200711 Acórdão n.º 240201.587 S2C4T2 Fl. 208 11 requisites exigidos em lei, o reconhecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias mediante emissão de ato administrativo declaratório. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da Recorrente, para reconhecer sua imunidade relativamente às contribuições à Seguridade Social, pois estando o artigo 55 da Lei nº 8.212/91 em perfeita consonância com as disposições constitucionais, e considerando que as exigências ali contidas não foram observadas, fica a empresa obrigada ao recolhimento das contribuições a seu cargo, previstas no artigo 22 da mesma lei, bem como, ao recolhimento das contribuições devidas pelos segurados empregados a seu serviço, nos termos do artigo 30, da referida lei e, de igual modo, efetuar o recolhimento das contribuições devidas às entidades e fundos (chamados de Terceiros). Com relação à responsabilidade do presidente da comissão executiva, verificamos os seguintes fatos e arcabouço jurídico pertinente, a seguir delineados. Extraise do art. 14 do Estatuto Social da Recorrente, acostado às fls. 94/96, que a direção da sociedade será de responsabilidade de uma comissão executiva, a qual terá um presidente, um secretário e um tesoureiro. Já na fl. 93, encontramos um instrumento de mandato que outorga poderes gerenciais à Sra. Antônia de Moura Pinto. Um instrumento de mandato, no entanto, não tem o poder de transferir a representação legal da associação, pois que esta decorre do estatuto, nos termos do art. 54, inciso VII, do Código Civi1, in verbis: Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: (...) VII a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. Observase que o instrumento de mandato apenas outorgou poderes ao mandatário para praticar atos em nome da instituição, mas sem abalar a representação legal da mesma. O mandato é um contrato típico, previsto nos arts. 653 a 692 do Código Civil (Lei no 10.406/2002), o qual, nos termos do art. 653, operase quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. O art. 663 do Código Civil dispõe: Art. 663. Sempre que o mandatário estipular negócios expressamente em nome do mandante, será este o único responsável; ficará, porém, o mandatário pessoalmente obrigado, se agir no seu próprio nome, ainda que o negócio seja de conta do mandante. Do texto desse artigo, verificamos que os atos praticados pelo mandatário, em nome do mandante, terão como responsável apenas este último, não cabendo, portanto, a transferência da responsabilidade estatutária através de mandato. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 12 Outrossim, o art. 123 do Código Tributário Nacional (CTN) declara que as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, quando objetive a modificação da definição legal do sujeito passivo. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, não há como afastar a responsabilidade legal do presidente da comissão executiva baseado em procuração outorgada, haja vista que a representação legal é decorrente das disposições estatutárias. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10670.720364/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada omissão no julgado, cabem embargos de declaração para prolação de nova decisão para sanear o vício.
DECADÊNCIA.
O prazo decadencial é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, no caso de tributos sujeitos à homologação em que o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, ainda que parcialmente.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. HORA EXTRA DEVIDA. INCIDÊNCIA.
A hora extra devida pela empresa a seus empregados, integra o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Aplica-se a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4º e 5º, e 35, inc. II, da mesma lei.
Numero da decisão: 2301-009.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos apenas quanto à omissão relacionada à aplicação da Lei nº 11.941, de 2009, sem efeitos infringentes, e, sanando o vício apontado, rerratificar o Acórdão nº 2301-006.811, de 14/01/2020, para negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Wesley Rocha que deu efeitos infringentes aos embargos para dar parcial provimento ao recurso aplicando a multa de 20%.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: João Maurício Vital
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no julgado, cabem embargos de declaração para prolação de nova decisão para sanear o vício. DECADÊNCIA. O prazo decadencial é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, no caso de tributos sujeitos à homologação em que o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, ainda que parcialmente. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. HORA EXTRA DEVIDA. INCIDÊNCIA. A hora extra devida pela empresa a seus empregados, integra o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Aplica-se a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4º e 5º, e 35, inc. II, da mesma lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos apenas quanto à omissão relacionada à aplicação da Lei nº 11.941, de 2009, sem efeitos infringentes, e, sanando o vício apontado, rerratificar o Acórdão nº 2301-006.811, de 14/01/2020, para negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Wesley Rocha que deu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 03 64 /2 01 1- 31 Fl. 15476DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.620 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720364/2011-31 efeitos infringentes aos embargos para dar parcial provimento ao recurso aplicando a multa de 20%. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Consigno o relatório deixado pelo relator original do processo, que já não mais compõe o colegiado, e que acompanhou a Resolução nº 000.699 (e-fls. 14.996 a 15.003): Trata-se de recurso voluntário interposto pela Coteminas S/A contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/Belo Horizonte), que julgou parcialmente procedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A fiscalização lavrou autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiro, além de multas e de juros de mora, incidente sobre: – diferenças de horas extras supostamente devidas e não pagas durante o ano de 2006 aos empregados que trabalhavam no período noturno (22h00 às 06h00) em alguns estabelecimentos da Recorrente; e – pagamento de subsídio supermercado e de subsídio material escolar. A ciência da autuação ocorreu em 31/03/2011. Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/Belo Horizonte, excluindo apenas os lançamentos cujas diferenças de horas extras estavam sendo discutidas judicialmente, em virtude da competência da Justiça do Trabalho para a cobrança das contribuições previdenciárias relacionadas com as verbas por ela reconhecidas. A ementa do acórdão encontra-se assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, por entender indevidas as incidências de contribuição previdenciária sobre as verbas discutidas nos autos, incide a regra de contagem de prazo decadencial prevista no CTN segundo a qual o seu inicio se dá no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A totalidade dos rendimentos devidos, a qualquer título, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, destinados a retribuir o trabalho, integram o salário- Fl. 15477DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.620 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720364/2011-31 de-contribuição, ressalvadas apenas as parcelas expressamente excluídas de tributação pela legislação previdenciária. HORA EXTRA DEVIDA. INCIDÊNCIA. A hora extra devida pela empresa a seus empregados, integra o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO CUMULADA COM A NÃO INFORMAÇÃO EM GFIP DO SEU FATO GERADOR. AFERIÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Na hipótese de ausência de recolhimento da contribuição previdenciária cumulada com a não informação em GFIP do seu fato gerador, a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte será feita através do cotejo da soma das multas previstas nos revogados artigos 32, §5º e 35, II da Lei 8.212/91, em relação à sanção pecuniária do art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações referidas nos citados dispositivos da legislação pretérita, e que, agora, na nova ordem jurídica, encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. FATOS GERADORES DISCUTIDOS EM RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. EXCLUSÃO. Excluem-se do lançamento as contribuições sociais previdenciárias cujos fatos geradores, comprovadamente, foram objeto de Reclamatória Trabalhista, em razão da respectiva execução está a cargo Justiça do Trabalho. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ainda irresignada, a Recorrente apresenta recurso voluntário, arguindo: (a) a decadência dos lançamentos relativos a 01/2006 e 02/2006, nos termos do art. 150, §4º do CTN; (b) a inexistência de horas extras devidas aos empregados, nos termos da CLT ou de convenções coletivas de trabalho; (c) além de não terem sido reconhecidas como devidas, as alegadas horas extras não constam da folha de salários nem decorrem de condenação judicial, sendo fruto de cálculos realizados pelas autoridades fiscais, com base nos valores de remuneração e na duração da jornada de trabalho de alguns empregados do turno da noite; (d) na verdade, referida verba constitui mera expectativa de direito e só será devida pela Recorrente depois de reconhecida pela Justiça do Trabalho, a quem cabe zelar pelo correto recolhimento das contribuições previdenciárias; (e) ainda que as horas extras fossem devidas, o respectivo cálculo pelas autoridades fiscais estariam incorretos; (f) o subsídio concedido para a compra de gêneros alimentícios em supermercados conveniados é feito por liberalidade e não possui feição contraprestacional, faltando-lhe habitualidade; além disso, uma parte do benefício é custeada pelo próprio empregado; (g) o subsídio para aquisição de material escolar igualmente não tem natureza contraprestacional, faltando-lhe habitualidade; Fl. 15478DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.620 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720364/2011-31 (h) a aplicação da retroatividade benigna relativamente à multa lançada de ofício está incorreta, devendo ser revista. Em 10/09/2014, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência (acórdão nº 2301000.468) para que o Recorrente apresentasse todas as reclamações trabalhistas promovidas pelos empregados, bem como as Portarias das Delegacias do Trabalho e os acordos e as convenções coletivas, todas vigentes à época dos fatos geradores. Ato contínuo, a Recorrente procedeu à juntada dos documentos de fls. 5349 a 14984. A fiscalização não se manifestou sobre o teor das reclamações trabalhistas, nem do seu efeito sobre o lançamento, já que o acórdão nº 2301000.468 não demandou tal providência. Retornados os autos a julgamento, esta turma determinou, em 08/08/2017, nova diligência (e-fls. 14.996 a 15.003) para que a unidade preparadora se manifestasse sobre: a) as reclamatórias trabalhistas juntadas aos autos e eventual ajuste da base de cálculo do lançamento; b) sobre a formação da base de cálculo do lançamento; e c) a existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias para fins de aplicação da regra decadencial apropriada. Em 14/11/2017, o recorrente apresentou desistência parcial do recurso (e-fl. 15.006). A unidade preparadora promoveu o apartamento da parte incontroversa (e-fl. 15.065). A autoridade preparadora, ao concluir a diligência, proferiu informação fiscal (e- fls. 15.070 a 15.072), sobre a qual se pronunciou o recorrente (e-fls. 15.143 a 15.156). Após essa manifestação, a autoridade preparadora proferiu nova informação fiscal (e-fls. 15.316 a 15.319) retificando o teor da anterior. Cientificado da segunda informação fiscal, o recorrente não se pronunciou (e-fls. 15.379 e 15.382). Este colegiado apreciou o recurso voluntário e, por intermédio do Acórdão nº 2301-006.811, de 14 de janeiro de 2020, deu-lhe parcial provimento (e-fls. 15388 a 15396). Inconformada, a PGFN impetrou recurso especial, cujo seguimento foi negado (e- fls. 15412 a 15416). Apresentou, então, agravo, também rejeitados (e-fls. 15418 a 15422). O recorrente, por sua vez, interpôs embargos de declaração em face do Acórdão nº 2301-006.811, de 14 de janeiro de 2020, que, apreciados pela autoridade competente, foram recebidos apenas com relação à omissão acerca da “aplicação equivocada da lei nº 11.941/09 e da retroatividade benigna” (e-fls. 15467 a 15474). É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Fl. 15479DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.620 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720364/2011-31 De fato, está evidente a omissão apontada pelo embargante e admitida pela autoridade que recebeu os embargos, relacionada à aplicação retroativa da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Passo, então, a apreciar a matéria. O recorrente alegou (e-fls. 5.323 a 5.334) que a multa aplicada estaria incorreta, porquanto, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, e considerando a retroatividade benigna da legislação que comina penalidades, ao teor do art. 112 do Código Tributário Nacional, a multa aplicável seria a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, limitada a 20% pela edição da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. 1 Da multa A Autoridade Lançadora, em face da retroatividade benigna prevista na alínea “c” do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN, aplicou (e-fl. 63) a multa mais benéfica ao contribuinte comparando a multa prevista no inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a soma da multa prevista no revogado inc. II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa prevista no § 5º do art. 32, da mesma lei. O recorrente sustentou que a comparação das multas, para efeito de aplicação da retroatividade benigna, deveria observar o previsto no art. 35 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, limitada a 20% pela edição da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Sem razão, o recorrente. O art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, que reporta ao art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não se refere a multa aplicada em procedimento de ofício, que é o caso. Refere-se à multa de mora decorrente do pagamento em atraso. A multa aplicada em procedimento de ofício está disciplinada no art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, que foi incluído pela Lei nº 11.941, de 2009: Art. 35-A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Sem grifo no original.) A legislação revogada determinava que, havendo falta de pagamento e falta ou omissão na declaração, seriam aplicadas duas multas mediante lançamento de oficio: a) a prevista nas alíneas “a” a “d” do inc. II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, ou seja, de 24% a 50% do valor do tributo não pago ou recolhido, relacionada ao descumprimento da obrigação principal, e b) a prevista no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, equivalente a 100% do valor da contribuição omitida na declaração, relacionada ao descumprimento da obrigação acessória. Com o advento da Medida Provisória nº 449, de 2008, os dois dispositivos foram revogados. As infrações passaram a ser sancionadas da seguinte forma, quando do procedimento de ofício: a) havendo descumprimento de obrigação principal e acessória, aplica-se o que consta do inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que inclui, ao mesmo Fl. 15480DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.620 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720364/2011-31 tempo, a sanção pelo não pagamento do tributo devido e a falta ou inexatidão da declaração, e b) havendo somente o descumprimento da obrigação acessória, a multa aplicável é a do art. 32-A. No presente caso, o contribuinte descumpriu, ao mesmo tempo, as obrigações acessória e principal, como bem relatado pela Autoridade Lançadora, que demonstrou haver aplicado, período a período, a hipótese mais favorável ao contribuinte entre a legislação revogada, inc. II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e a legislação superveniente, art. 35-A da mesma lei. Nego, pois, provimento ao recurso quanto à matéria. Conclusão Voto por acolher os embargos apenas quanto à omissão relacionada à aplicação da Lei nº 11.941, de 2009, sem efeitos infringentes, e, sanando o vício apontado, rerratificar o Acórdão nº 2301-006.811, de 14/01/2020, para negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 15481DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000970/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 28/02/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO ART. 142 DO CTN. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DA MULTA. INOCORRÊNCIA. Não resta configurada ofensa ao art. 142 do CTN quando a fiscalização aponta e comprova clara e precisamente no
relatório fiscal a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, bem como faz expressa indicação de todos os fundamentos de fato e direito relativos ao lançamento, inclusive demonstrando como fora calculada a multa.
INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DESCONFORMIDADE COM A FORMA ESTABELECIDA PELA LEGISLAÇÃO. LIVROS DIÁRIO E RAZÃO. MEIO MAGNÉTICO. Caracteriza-se como infração ao art. 32, III,
da Lei 8.212/91 o fato do contribuinte apresentar documentação em meio magnético em desconformidade com as disposições do Manual Normativo de Arquivos Digitais da Receita Federal do Brasil, além de apresentar listagem incompleta e fora dos padrões requeridos quanto a pagamentos creditados a seus segurados empregados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-001.605
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO ART. 142 DO CTN. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DA MULTA. INOCORRÊNCIA. Não resta configurada ofensa ao art. 142 do CTN quando a fiscalização aponta e comprova clara e precisamente no relatório fiscal a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, bem como faz expressa indicação de todos os fundamentos de fato e direito relativos ao lançamento, inclusive demonstrando como fora calculada a multa. INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DESCONFORMIDADE COM A FORMA ESTABELECIDA PELA LEGISLAÇÃO. LIVROS DIÁRIO E RAZÃO. MEIO MAGNÉTICO. Caracterizase como infração ao art. 32, III, da Lei 8.212/91 o fato do contribuinte apresentar documentação em meio magnético em desconformidade com as disposições do Manual Normativo de Arquivos Digitais da Receita Federal do Brasil, além de apresentar listagem incompleta e fora dos padrões requeridos quanto a pagamentos creditados a seus segurados empregados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 2 Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 11330.000970/200774 Acórdão n.º 240201.605 S2C4T2 Fl. 127 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por VICTOR HUGO ARTEFATOS DE COURO LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade da multa lançada por meio do Auto de Infração 37.080.7332, no qual foi apurado ter a recorrente deixado de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da fiscalização, na forma por esta estabelecida. Consta dos autos, que ao atender TIAD, devidamente lavrado em ação fiscal, apresentou relação incompleta sem a devida discriminação, por segurado e competência, de todos os valores creditados a seus empregados a título de prêmio (cartão premiação), constantes nas notas fiscais emitidas pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C, tendo, ainda, deixado de apresentar os livros Diário e Razão em meio magnético, de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRFB. De acordo com o v. acórdão e o próprio relatório fiscal, a conduta do contribuinte infringiu o disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, III, do RPS. Todos os documentos foram devidamente requeridos por meio de TIAD e o relatório fiscal apontou terse configurado a circunstância agravante prevista no inciso V do art. 290 do Decreto 3.048/99. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 81/88) , o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 90/100, através do qual sustenta: 1. que houve desvio na finalidade da fiscalização levada a efeito, pois a aplicação da multa objeto do Auto de Infração não levou em consideração o princípio da verdade material, bem como violou o disposto no art. 142 do CTN, já que o fiscal não averiguou corretamente a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária; 2. que não existe matéria a ser tributada em decorrência do contrato de prestação de serviços firmado com a empresa SIM INCENTIVE MARKETING LTDA, pois se trata de ato jurídico perfeito, devendo, portanto, ser respeitado pela Lei, já que o negócio efetuado entre as partes é válido e legítimo, o que não poderia levar a presunção do fiscal de que os valores pagos a título de bonificação são verbas remuneratórias de seus empregados; 3. que a autuação foi lançada com base em mera suposição, devendo, portanto, ser anulada, já que o tributo só pode incidir sobre fatos reais; 4. que os supostos débitos apontados no AI foram devidamente escriturados e demonstrados por documentação idônea; 5. que caso haja algum débito, este é inferior ao apontado no AI; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Inicialmente cumprenos considerar que nos termos em que já fora apontado pelo v. acórdão recorrido, o contribuinte não impugnou expressamente as condutas que levaram a imposição da multa objeto do presente Auto de Infração, principalmente o fato de não apresentado os livros diário e razão magnéticos de acordo com as normas do Manual Normativo de Arquivos Digitais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, válido a época dos fatos geradores. Apenas se resumiu a discutir que o procedimento fiscal levado a efeito não merece prosperar, pois está baseado em presunções e maculado pela não observância do disposto no art. 142 do CTN, já que não fora demonstrada a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas e, via de conseqüência, da multa objeto da presente demanda. Por tais motivos, tenho que as condutas apontadas no relatório fiscal, a míngua de expressa impugnação pelo contribuinte, são incontroversas, mesmo a relativa a não apresentação da listagem completa, por valores e competências, de todos os segurados que receberam a remuneração através de cartão premiação, já que, esta foi considerada incompleta em virtude de ter sido elaborada pelo contribuinte em dissonância com a forma que lhe fora requerida pela fiscalização. O lançamento da multa, em que pesem os argumentos indicados no recurso voluntário, observou detidamente o que disposto no art. 142 do CTN, a seguir Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional Depreendese do relatório fiscal de fls. 18, que o fiscal apontou clara e precisamente a natureza da infração cometida pelo contribuinte, apontando todos os dispositivos legais que regulam a matéria, inclusive os relativos ao modo de cálculo e aplicação da multa aplicada, justificando, ainda, sua majoração em razão da reincidência, nos termos do inciso V do art. 290 do Decreto 3.048/99. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 11330.000970/200774 Acórdão n.º 240201.605 S2C4T2 Fl. 128 5 Não obstante, toda a documentação que deixou de ser apresentada na forma em que estabelecido pelas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em que fora requerida pela fiscalização também foi pontualmente identificada, tendo sido devidamente esclarecida a forma como deveria ter sido apresentada. Por tais motivos, o relatório fiscal, ao contrário do que sustenta o recorrente, determinou com clareza a matéria tributável, no caso, a obrigação acessória descumprida, que foi passível de aplicação da multa. Ao agir dessa forma, foi garantido ao contribuinte a ciência plena de todos os fundamentos de fato e de direito do lançamento efetuado, de modo a exercer, em toda sua plenitude o direito de defesa e ao contraditório para elidirse da aplicação da penalidade, não havendo, assim, qualquer afastamento do princípio da verdade material ou mesmo caracterizando o lançamento com base em presunções como defende. A conduta do fiscal fora, portanto, irretocável, na forma que também fora decidido no julgamento de primeira instância. Quanto as alegações de não haver qualquer matéria a ser tributada, diante do contrato firmado com a empresa SIM INCENTIVE MARKETING LTDA, por se tratar de ato jurídico perfeito, melhor sorte não aufere o contribuinte. Mesmo que tivesse razão sobre o fato de que não deveriam incidir contribuições previdenciárias sobre o pagamento de prêmios aos seus empregados, através de cartões premiação, a não ocorrência do fato gerador da obrigação principal, não tem o condão de afetar o lançamento da multa objeto do presente Auto de Infração, pois ambos são independentes, e, como anteriormente dito, a documentação apresentada pela recorrente, estava em desconformidade com o formato requerido pela fiscalização, o que gerou a infração ao art. 32, III, da Lei 8.212/91. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 150DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10820.003811/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. CONCESSÃO DE CESTAS BÁSICAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS. EXCLUSÃO DOS VALORES DE AQUISIÇÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. NECESSIDADE.
O valor de aquisição de cestas básicas fornecidas in natura aos segurados empregados, quando a empresa não está inscrita no PAT, integra o salário de contribuição, sendo devidas, portanto, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a parcela. Exigência da inscrição determinada no art. 28, §9º
“c”, da Lei 8.212/91
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. CONCESSÃO DE CESTAS BÁSICAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS. EXCLUSÃO DOS VALORES DE AQUISIÇÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. NECESSIDADE. O valor de aquisição de cestas básicas fornecidas in natura aos segurados empregados, quando a empresa não está inscrita no PAT, integra o salário de contribuição, sendo devidas, portanto, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a parcela. Exigência da inscrição determinada no art. 28, §9º “c”, da Lei 8.212/91 Recurso Voluntário Negado.
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CONCESSÃO DE CESTAS BÁSICAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS. EXCLUSÃO DOS VALORES DE AQUISIÇÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. NECESSIDADE. O valor de aquisição de cestas básicas fornecidas in natura aos segurados empregados, quando a empresa não está inscrita no PAT, integra o saláriode contribuição, sendo devidas, portanto, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a parcela. Exigência da inscrição determinada no art. 28, §9º “c”, da Lei 8.212/91 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Igor Araújo Soares Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Wilson Antônio Souza Corrêa, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10820.003811/200747 Acórdão n.º 240201.559 S2C4T2 Fl. 199 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ORGANIZAÇÃO CULTURAL ESCOLAS UNIDAS SC LTDA, irresignada com o acórdão de fls. 170/174, por meio do qual fora mantida a integralidade da NFLD n. 37.069.6743 lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre a parcela de alimentação paga aos seus segurados empregados, mediante a concessão de cestas básicas, sem que a recorrente estivesse inscrita no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, o que ensejou o entendimento de que os valores de aquisição das cestas deveriam ser considerados como saláriocontribuição. Foram lançadas contribuições no período de 01/2003 a 12/2006, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 13/12/2007 (fls. 16) O relatório fiscal da notificação, constante às fls. 26/29, noticia que foram objeto do lançamento as contribuições parte da empresa, segurados empregados, as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e, finalmente, as destinadas a terceiros. Em seu recurso, sustenta a recorrente, em sede preliminar, que a NFLD deve ser anulada, já que tratou o tributo como sanção, violando o disposto no art. 3º do Código Tributário Nacional, uma vez que, além da presente NFLD, foram lavrados contra si outros três autos de infração fundamentados no mesmo motivo, fato que caracteriza a punição e não a tributação, de acordo com a Lei. Continua argumentando ser desnecessária a inscrição no PAT para que a parcela de alimentação paga aos seus segurados empregados seja considerada isenta da contribuição previdenciária, já que o seu direito a isenção encontrase devidamente constituído pela própria legislação, de sorte que a inscrição no PAT possui o mero efeito declaratório do direito a isenção já reconhecida. Ademais, finaliza defendendo que a falta de envio de “simples papel” como condição a garantir a isenção legal, não pode prejudicar o próprio trabalhador e o programa, inibindo o contribuinte e as razões sociais de sua criação, já que, mesmo nele não inscrita, cumpria todas as suas determinações, já que o pagamento da parcela era feito através da concessão do alimento in natura aos seus empregados. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, ao autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Em que pesem os argumentos da recorrente, na tentativa de que seja reconhecida a nulidade da NFLD, não lhe dou razão. Não houve qualquer violação ao art. 3º do CTN. A imposição decorrente da NFLD e dos Autos de Infração lavrados em face da recorrente, foram levados a efeito em clara observância a legislação previdenciária, dentro dos limites e do dever de atuação da fiscalização, ao verificar a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias que não foram objeto de tributação pela recorrente. Dessa forma, descumprida a obrigação principal, e tendo sido verificado também não terem sido cumpridas as obrigações acessórias correspondentes, bem atuou o Il. Fiscal ao impor a necessidade da lavratura dos Autos de Infração noticiados pela recorrente, estes sim, com a aplicação de multa como penalidade em face da não apresentação da GFIP correspondente e das as demais infrações cometidas em razão da não tributação de valores que, ao ver da fiscalização, deveriam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O fiscal apenas agiu em cumprimento as suas prerrogativas, de modo que o lançamento das contribuições na NFLD, em momento algum, pode ser considerado como sanção ao contribuinte, mas sim como o exercício da atividade vinculada do fiscal, que fiscalizando o cumprimento das obrigações tributárias de responsabilidade da recorrente, deve efetuar o lançamento de imposto devido e aplicar as multas em caso de serem verificadas infrações tipificadas em Lei. Portanto, o lançamento observou as disposições do art. 142 do CTN e do art. 37 da Lei 8.212/91, tendo o fiscal agido nos exatos limites de sua atuação, conforme o determinado pelo art. 33 da Lei 8.212/91, a seguir, vigente á época dos fatos: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Por tais motivos, rejeito a preliminar de nulidade. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10820.003811/200747 Acórdão n.º 240201.559 S2C4T2 Fl. 200 5 MÉRITO Já no que se refere ao mérito, pretende a recorrente ver afastada a tributação incidente sobre os valores de aquisição de cestasbásicas fornecidas aos seus segurados empregados, sob a argumentação de ser desnecessária, para a concessão da isenção, a inscrição no PAT. O fato da contribuinte não estar inscrita no PAT é incontroverso nos autos, pois em nenhum momento, esta refutou tal alegação, seja em primeira instância ou no próprio recurso voluntário, mas ao contrário, revela não terse inscrito na medida em que considerada tal medida dispensável. Sobre o assunto, há de se considerar aquilo o que disposto no art. 28, §9º, “c”, da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) [..]b) [...]c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Por tais motivos, a legislação aponta claramente que a parcela in natura fornecida aos empregados e que não está sujeita a incidência de contribuição previdenciária, é somente aquela que tiver sido recebida de acordo com os Programas de Alimentação do Trabalhador, sendo, portanto, necessária a inscrição do contribuinte no PAT para que possa ser corretamente auferido se a parcela paga está de acordo com as modalidades aprovadas pelo Ministério do Trabalho. Em se tratando de exigência legal, devidamente disposta na Lei 8.212/91, deve o julgador administrativo, nos limites de sua competência, observar tais disposições aplicandoas no caso em concreto. A necessidade de inscrição no PAT, pois, é matéria que já ensejou várias discussões neste Eg. Conselho, tendo esta Turma apreciado caso análogo, quando do julgamento do RV 145.282, de relatoria da Em. Conselheira Ana Maria Bandeira, o qual restou assim ementado: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 28/02/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO – SALÁRIO IN NATURA – ALIMENTAÇÃO – INSCRIÇÃO NO PAT – AUSÊNCIA – BASE DE INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição o valor in natura fonecido pela empresa, sob a forma de cestas básicas, sem o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, integra o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÃO SEGURADO – LIMITE. A contribuição do segurado empregado é calculada de acordo com as faixa salarial de enquadramento do mesmo e é limitada à contribuição incidente sobre o limite máximo do saláriodecontribuição estabelecido na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 29/03/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.005819/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Nov 12 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do Fato Gerador:19/10/2010
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Em concreto, não há dúvida fundada e razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, desse modo, não há como interpretar os disciplinamentos constantes do Decreto nº 70.235/72 de forma favorável ao contribuinte.
NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ANÁLISE DO MÉRITO PELA INSTÂNCIA AD QUEM. PRECLUSÃO.
O não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário as razões que consideram intempestiva a impugnação. E, caso essas razões sequer tenham sido invocadas em sede de Recurso Voluntário, não há fundamento para o seu conhecimento.
Numero da decisão: 1201-005.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Jeferson Teodorovicz - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Jeferson Teodorovicz
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador:19/10/2010 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Em concreto, não há dúvida fundada e razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, desse modo, não há como interpretar os disciplinamentos constantes do Decreto nº 70.235/72 de forma favorável ao contribuinte. NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ANÁLISE DO MÉRITO PELA INSTÂNCIA AD QUEM. PRECLUSÃO. O não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário as razões que consideram intempestiva a impugnação. E, caso essas razões sequer tenham sido invocadas em sede de Recurso Voluntário, não há fundamento para o seu conhecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Jeferson Teodorovicz - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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INTEMPESTIVIDADE. Em concreto, não há dúvida fundada e razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, desse modo, não há como interpretar os disciplinamentos constantes do Decreto nº 70.235/72 de forma favorável ao contribuinte. NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ANÁLISE DO MÉRITO PELA INSTÂNCIA AD QUEM. PRECLUSÃO. O não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário as razões que consideram intempestiva a impugnação. E, caso essas razões sequer tenham sido invocadas em sede de Recurso Voluntário, não há fundamento para o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Jeferson Teodorovicz - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, fls. 271/284, contra Acórdão combatido, fls. 261/267, que não conheceu da Impugnação por intempestividade da peça impugnatória. O processo origina-se de autuação relativa à omissão de receitas, considerando que o contribuinte teria entregado declarações (DIPJ, DCTF e DACON) zeradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 58 19 /2 01 0- 56 Fl. 300DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.369 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.005819/2010-56 Para síntese dos fatos, reproduzo o relatório constante no Acórdão recorrido: Trata o processo dos autos de infração de fls. 220/233, em que se exigem: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, no valor de R$ 129.090,17, lavrado exigindo o imposto apurado pelo lucro real trimestral: a.1) devido à glosa de custo da mercadoria vendida, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal L-101(sic)/2010: fatos geradores em 30/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005; base legal nos arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 289, 290, I, 292 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999); a.2) devido à glosa de despesas lançadas indevidamente ou em duplicidade, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal L-101/2010; fatos geradores em 30/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005; base legal nos arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR de 1999; a.3) glosa de prejuízos compensados indevidamente devido a saldos de prejuízos insuficientes n° 1°, 2° e 3° trimestres de 2005, no processo administrativo n° 10935.001332/2009-61, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal L- 101/2010: fato gerador em 31/12/2005; base legal nos arts. 247, 250, III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR de 1999; b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL no valor de R$ 59.263,57, em decorrência as falta de recolhimento da contribuição: b.1) devido à glosa de custo da mercadoria vendida, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal L-101/2010: fatos geradores em 30/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005; base legal nos arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 289, 290, I, 292 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999); b.2) devido à glosa de despesas lançadas indevidamente ou em duplicidade, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal L-101/2010; fatos geradores em 30/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005; base legal nos arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR de 1999; b.3) glosa de prejuízos Compensados indevidamente devido a saldos de prejuízos insuficientes n° 1°, 2° e 3° trimestres de 2005, no processo administrativo n° 10935001332/2009-61, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal L- 101/2010: fato gerador em 31/12/2005; b.4) base legal no art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 1° da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. 2. Foi aplicada multa de oficio de 150% do art. 44, I I da Lei n° 9.430, de 1996, e juros de mora segundo o art. 61, § 3° da Lei n° 9.430, de 1996. 3. Às fls. 208/218, descrição dos procedimentos e autuação, no Termo de Constatação Fiscal L-106/2010 (e não L-101/2010, como constou erroneamente nos autos). 4. O processo consiste em dois volumes; o autuante informou que apresentou Representação Fiscal para Fins Penais - IRPJ. ' 5. A empresa foi cientificada dos autos de infração e do Termo de Constatação Fiscal em 17/09/2010 e, em 19/11/2010, depois de solicitar cópia em 10/11/2010, apresentou a impugnação de fls. 242/249, depois de ter sido lavrado o Termo de Revelia de fl. 238. 6. Argui, preliminarmente, a tempestividade da impugnação, argumentando que não foi devidamente citada e, até a data de 11/11/2010, não tinha ciência da lavratura dos presentes autos de infração, “razão pela qual, não apresentou defesa espontânea no prazo previsto para primeira instância”, só tomado conhecimento nessa data, na Receita Federal do Brasil, agência de Francisco Beltrão, por meio do Sr. Elói, quando este lhes devolvia documentos da empresa. Fl. 301DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.369 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.005819/2010-56 7. Por isso, recorre diretamente ao Conselho de Contribuintes, à DRJ, suplicando para que lhe seja devolvido o direito de a presente impugnação total seja apreciada em primeira instância, com base na data de ciência em 11/11/2010. 8. Relata que foi objeto, em 2009, de ação fiscal relativa ao ano-calendário 2005, que apurou valor relevante de imposto a exigir, o qual foi impugnado e após diligência requerida pela DRJ/CTA, parcialmente aceita a contestação. 9. Afirma que houve simplesmente migração dos valores do auto de infração do processo n° 10935001332/2009-61, que, por falta de respaldo legal e fundamentação jurídica necessária para sua manutenção no auto primitivo, o auditor responsável decidiu levá-los para o novo auto, que é objeto da presente impugnação total. 10. Tendo em vista que a presente autuação se fundamentou em valor do Custo da Mercadoria Vendida - CMV, explica que o valor dos estoques foi apurado trimestralmente com base nas entradas e saídas de mercadorias e assim registrado no livro registro de inventário; as vendas foram corretamente registradas, porém, quanto aos valores das compras, ocorreram lançamentos em duplicidade e a valores de deposito a fixar, integrando diretamente o saldo de estoques, resultando em saídas fictícias de valores do caixa. 11. Por isso, os valores trimestrais dos saldos de estoques, fruto de operações contábeis distorcidas devem receber pequenos ajustes, mas não é o caso de serem totalmente desconsiderados. 12. Por isso, os estoques a serem apurados baseados nas entradas e saídas não dão respaldo aos apontamentos dos presentes autos, dado que incompatíveis com os saldos reais de estoques, que não foram inventariados a cada trimestre. 13. Destaca que os valores indevidos lançados no processo n° 10935001332/2009-61, cuja contestação foi parcialmente ratificada, não geraram distorção no custo das mercadorias, mas apenas entre os saldos contábil e físico dos estoques, porque o último era menor que o primeiro. 14. Às fls. 244/247, detalha contestações de fatos e documentos contidos no processo administrativo n° 10935001332/2009-61, reiterando que os lançamentos indevidos geraram pequena distorção nos estoques registrados, entendendo ser hora oportuna para ajustá-los, mas que o fiscal “ateve-se com atenção especial nos fatos que beneficiam o Fisco e deixando a cargo do contribuinte apresentar os esclarecimentos que pudessem diminuir o valor dos tributos sugeridos pelo auto”, para isso existe o contraditório e tem certeza que demonstrará que não houve a sonegação apontada nos autos. 15. Afirma que o fato de ter apresentado a Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ do ano-calendário 2005 totalmente zerada e não ter transmitido a retificadora que apresentou posteriormente ao fiscal, não significa que a empresa deixou de recolher qualquer tipo de tributo, pois foi um erro de processamento e transmissão de dados, não se tratando de prática pensada de sonegação; por isso, se restar tributo a ser pago, a multa deve ser de apenas 75%, pois a sonegação não restou tipificada pela declaração inexata; além de que, em caso de dúvida, a lei deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte, a teor do art. 112, II do Código Tributário Nacional - CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. 16. Concorda em parte com o questionamento do autuante sobre os cálculos da depreciação do imobilizado da empresa, pois constatou que em certos trimestres o processamento eletrônico da empresa gerou e lançou despesas em desconformidade com a legislação. 17. Requer o recebimento e análise desta impugnação pela DRJ; a nulidade do auto de infração em consideração aos fatos que expôs; que seja decretada a inexistência dos tributos reflexos, bem com o aproveitamento dos saldos credores do PIS e Cofins existentes na contabilidade; e se ainda restar alguma exigência, que se reduza a multa de ofício para 75%. Fl. 302DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.369 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.005819/2010-56 Porém, não obstante a impugnação apresentada pelo contribuinte, o Acórdão combatido não conheceu da peça impugnatória sob argumento de intempestividade, conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador:19/10/2010 IMPUGNAÇÃO FORA DO PRAZO. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação apresentada depois de 30 (trinta) contados da data em que foi feita a intimação da exigência, por via postal, recebida no domicílio tributário fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. a Impugnação Não Conhecida. Crédito Tributário Mantido. Irresignado com a decisão de primeira instância, o contribuinte, às fls. 271/284, apresenta recurso voluntário, pelos seguintes fundamentos: a) pugna pelo reconhecimento preliminar da tempestividade da impugnação administrativa; b) pleiteia, preliminarmente, a nulidade do mandado de procedimento fiscal, por entender que o mesmo continha diferentes vícios, por exemplo, indicando inicialmente apenas IRPJ e passando a alcançar também ao CSLL, assim como por ser MPF reexame de MPF anterior, com o mesmo ARFB em ambos os procedimentos, levando à nulidade do mesmo por autoridade incompetente; c) que houve erro de fundamento legal para imputação, por entender que a fundamentação utilizada pela autuação não guardaria relação com os fatos; d) informa que a empresa adota o sistema de caixa flutuante, permitido pela contabilidade, e que tal fato não levaria necessariamente à omissão de receitas; e) quanto ao estoque, acrescentou o seguinte: “O valor dos estoques foi apurado trimestralmente com base nas entradas e saídas de mercadorias, e assim registrados no livro registro de inventários. No entanto, as vendas foram registradas tudo em conformidade como ocorreram e as compras com valores lançados em duplicidade ou outras vezes com valores de depósitos a fixar integrando diretamente o saldo de estoques da empresa e resultando em uma saída fictícia de valores do caixa. Entende-se que os valores dos estoques apurados a cada trimestre, é fruto de operação contábil distorcida em função da presença de alguns lançamentos impróprios para suas contas, no entanto, isso não significa dizer que estes devem ser desconsiderados totalmente, mas sim receber pequenos ajustes conforme as variações”; f) quanto ao procedimento adotado pelo contribuinte, também acrescentou: “Os valores contabilizados indevidamente e não aceitos pelo digno Auditor Fiscal baseiam-se no fato de seus reflexos, no entanto, temos que afirmar oportunamente que seus reflexos não passaram de simples lançamentos contábeis indevidos, pois alega o digno Auditor que os valores pretendidos na exclusão do saldo credor da Conta Caixa acarretam em um aumento do custo das mercadorias, porém isso não aconteceu, já que o estoque da empresa foi levantado a partir das entradas e saídas de mercadorias, conforme especificado no tópico anterior, do estoque e do CMV. Os lançamentos indevidos geraram uma pequena distorção nos estoques registrados nos balanços e balancetes, quando comparados com os estoques físicos, porém entendemos ser hora oportuna para ajusta-los. No entanto, o auditor fiscal ateve-se com atenção especial nos fatos que beneficiam o Fisco e deixando a cargo do contribuinte apresentar os esclarecimentos que pudessem diminuir o valor dos tributos sugeridos pelo Auto. Esta é a grande razão da existência do princípio do contraditório e da ampla defesa, baseado neste principio constitucional é que alimentamos nossa certeza de podermos demonstrar ao Fisco que não houve a sonegação apontada no Auto de Infração (...)”; g) que o fato de ter apresentado declarações zeradas decorreu de erro de preenchimento e que tal fato não levaria à inevitável omissão de receitas ou não pagamento dos mesmos; h) que seja decretada a Fl. 303DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.369 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.005819/2010-56 inexistência de tributos reflexivos apontados, bem como a manutenção do saldo credor de PIS e COFINS existentes na contabilidade; i) caso não seja esse o entendimento prevalecente, que seja aplicada a multa de 75% se restar ainda valor a ser pago. Após, os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão que não conheceu de impugnação apresentada em razão de sua intempestividade: 20. Consta à fl. 237, Comprovante de Entrega à autuada dos seguintes documentos: Termo de Constatação Fiscal L-160/2010 e Auto de Infração processo n° 10935.005819/2010-56. 21. O endereço de entrega foi: Rodovia PR 475, km 57, na cidade de Verê/PR, CEP 85.585-000. 22. A data de entrega foi 17/09/2010, constando a assinatura de Rafael Fiabane, 9.841.018-9. 23. Verificaram-se os registros da RFB, fl. 252, constatando-se que: a. O domicílio fiscal da empresa é exatamente 0 endereço constante do Comprovante de Entrega, sendo que analisando-se 0 histórico das alterações cadastrais da contribuinte, este endereço não sofreu alterações, ou seja, a entrega foi efetuada no domicílio declarado pela contribuinte. b. Localizou-se o CPF de Rafael Fiabane, residente em Verê, sem que conste alterações do domicílio em relação ao qual consta Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte z DIRF emitida pela autuada, relativamente ao ano-calendário 2009, ou seja, funcionário da empresa. (...) 25. Como há prova da entrega por via postal no domicílio tributário fornecido pela autuada para fins cadastrais, em 17/09/2010 (63 feira), o prazo de trinta dias é contado a partir da 2” feira, 20/09/2010, dia de expediente normal, encerrando-se no dia 19/10/2010. 26. A impugnação protocolizada em 19/11/2010 é intempestiva, aplicando se a revelia do art. 21 do Decreto n° 70.235, de 1972. Consigne-se que, de acordo com a Súmula CARF nº 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Portanto, incontroverso o fato de que a Impugnação ter sido apresentada fora do prazo legal e, por isso, não cabe o conhecimento das demais alegações inclusas no presente Recurso Voluntário. Apenas se superada essa questão prejudicial, poderiam ser analisadas as razões de mérito trazidas para fins de afastar a presente autuação. Nesse sentido o acórdão n. 1201-004.374, de 09/11/2020: Fl. 304DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.369 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.005819/2010-56 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Em concreto, não há dúvida fundada e razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, desse modo, não há como interpretar os disciplinamentos constantes do Decreto nº 70.235/72 de forma favorável ao contribuinte. Nessa esteira, o Recurso Voluntário não merece ser conhecido. NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ANÁLISE DO MÉRITO PELA INSTÂNCIA AD QUEM. PRECLUSÃO. O não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário as razões que consideram intempestiva a impugnação. E, caso essas razões sequer tenham sido invocadas em sede de Recurso Voluntário, não há fundamento para o seu conhecimento. Não obstante, entendo que a alegação do Recorrente, no que tange à tempestividade da Impugnação, merece ser conhecida e, a partir disso, uma vez reconhecida e demonstrada a intempestividade da impugnação administrativa, consequentemente, não podem ser conhecidas as demais alegações apresentadas pelo contribuinte em sede recursal, pois preclusas. Conclusão Diante do exposto, conheço em parte o Recurso Voluntário e, na parte conhecida, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Jeferson Teodorovicz Fl. 305DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10932.000808/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2007
RETENÇÃO
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2402-001.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2007 RETENÇÃO A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
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O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2007 RETENÇÃO A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000808/200712 Acórdão n.º 240201.563 S2C4T2 Fl. 80 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Wilson Antônio de Souza Correa, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000808/200712 Acórdão n.º 240201.563 S2C4T2 Fl. 81 3 Relatório Tratase de débito apurado referente aos valores correspondentes à retenção de 11% sobre os valores dos serviços prestados e não recolhidos em época própria à Previdência Social, conforme dispõe o art. 31 da Lei nº 8.212/1991, em sua redação atual. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 34/37), a notificada contratou a empresa Pessoa Serviços de Portaria e Manut. S/S Ltda para prestação de serviços de portaria e segurança e não efetuou a retenção e posteriormente o recolhimento dos valores devidos. A notificada apresentou defesa (fls. 45/47) onde alega que encontravase com problemas financeiros, razão pela qual não efetuou os recolhimentos. Argumenta que confessou os débitos existentes antes de ser autuada de tal sorte que deve ser cobrada nos moldes da denúncia espontânea. Entende que a autuação não poderá prosperar posto que em momento algum houve dolo, máfé ou apropriação por parte da empresa ou de seus sócios dos valores apontados, assim, em seu modesto entendimento, deve ser declarada a perda da eficácia da presente notificação. No mérito, alega que se as questões preliminares não forem consideradas, reservase o direito de posterior manifestação. Por fim, argumenta que a multa aplicada deve ser abatida. Pelo Acórdão nº 1619.811 (fls. 61/70) a 12º Turma da DRJ/São Paulo I (SP) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 99/102) onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000808/200712 Acórdão n.º 240201.563 S2C4T2 Fl. 82 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrentes responsabiliza problemas financeiros para o não recolhimento das contribuições e ainda alega que estaria solicitando reparcelamento. Tais alegações não se prestam a desconstituir o presente lançamento. O lançamento em tela referese à retenção de 11% sobre os valores dos serviços prestados de portaria e segurança Para os serviços acima citados a retenção é devida, conforme dispõe o §§ 2º e 3º do art. 219, do Decreto nº 3.048/1999, abaixo transcrito: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. .......................................... § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; ............................... § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra.” A auditoria fiscal ao constatar a ausência de recolhimento das contribuições devidas tem o dever de ofício de constituir o crédito, em procedimento previsto em lei, especificamente no art. 37 da Lei nº 8.212/1991 que dispõe que “constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.” Portanto, ao verificar a ausência de recolhimentos das contribuições que deveriam ter sido retidas da prestadora de serviços, a auditoria fiscal, em procedimento plenamente vinculado, lavrou a presente notificação, sendo que as alegações de inobservância Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000808/200712 Acórdão n.º 240201.563 S2C4T2 Fl. 83 5 da situação financeira da recorrente não têm o condão de influenciar na decisão de efetuar o lançamento. A recorrente alega que nenhum ato administrativo fiscal, que se destine a aplicar multa, sanção pecuniária, ou exigir tributo teria validade administrativa fiscal ou eficácia jurídica se quebrar o princípio do contraditório pleno e amplo, com ampla defesa, sem cerceamento do direito de produzir as provas cabíveis, pertinentes e necessárias para provar fatos relevantes para a decisão do processo. Observase que em nenhum momento deixaram de ser observados os direitos de defesa e ao contraditório da recorrente. A recorrente teve direito a todos os prazos legais para manifestação. O fato de pretender trazer provas fora dos prazos concedidos não se configura em cerceamento de defesa. Asseverese ainda que estaria precluído o direito à discussão de matérias que não foram objeto de defesa uma vez que o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Tal preclusão Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” A recorrente questiona os juros e a multa aplicados por considerálos inconstitucionais. Vale dizer que tanto os juros como a multa aplicados encontram respaldo legal nos artigos 24 e 35 da Lei nº 8.212/1991 e, em obediência ao princípio da legalidade, não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar aplicação de dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico sob o argumento de que este seria inconstitucional ou afrontaria legislação hierarquicamente superior. A impossibilidade acima decorre do fato de ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000808/200712 Acórdão n.º 240201.563 S2C4T2 Fl. 84 6 apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 14/07/2010, por meio da Portaria MF nº 383, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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