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Numero do processo: 23034.033968/2004-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/06/1997 a 30/07/2001
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NA DECISÃO. NULIDADE.
Na decisão administrativa não consta a motivação nem a fundamentação legal. Destarte, deve ser nula, pois acarreta cerceamento de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.152
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para anular a decisão do FNDE que deu provimento parcial (Informação nº 3017/2004 DIADE/CGACl/DIFIN/FNDE/MEC) e que posteriormente declarou a revelia sem motivação e
fundamentação legal (fl. 146), devendo ser proferida nova informação detalhada da Notificação Para Recolhimento de Débito NRD n° 01047/2004 para o contribuinte, reabrindo prazo para
impugnação, após, emissão de decisão de primeira instância administrativa, ciência e prazo para recurso, nos termos do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo
fiscal no âmbito federal.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/1997 a 30/07/2001 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NA DECISÃO. NULIDADE. Na decisão administrativa não consta a motivação nem a fundamentação legal. Destarte, deve ser nula, pois acarreta cerceamento de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SALÁRIOEDUCAÇÃO Recorrente C&A MODAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/1997 a 30/07/2001 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. SALÁRIOEDUCAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NA DECISÃO. NULIDADE. Na decisão administrativa não consta a motivação nem a fundamentação legal. Destarte, deve ser nula, pois acarreta cerceamento de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para anular a decisão do FNDE que deu provimento parcial (Informação nº 3017/2004 DIADE/CGACl/DIFIN/FNDE/MEC) e que posteriormente declarou a revelia sem motivação e fundamentação legal (fl. 146), devendo ser proferida nova informação detalhada da Notificação Para Recolhimento de Débito NRD n° 01047/2004 para o contribuinte, reabrindo prazo para impugnação, após, emissão de decisão de primeira instância administrativa, ciência e prazo para recurso, nos termos do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 39 68 /2 00 4- 62 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.033968/200462 Acórdão n.º 2803002.152 S2TE03 Fl. 234 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.033968/200462 Acórdão n.º 2803002.152 S2TE03 Fl. 235 3 Relatório Tratase de processo administrativo fiscal referente à contribuição social do SalárioEducação, constituído pelo FNDE com base nos Decretos 3.142/1999 e 4.943/2003, revogados pelo decreto 6.003, de 28 de dezembro de 2006, e lei 9.424, de 24 de dezembro de 1996, em razão da existência de irregularidade no recolhimento, competências 07/96 a 12/96, 02/97 a 05/97, 07/97 a 12/97, 07/99 a 12/99, 12/00 e 04/01 a 07/01. Emitida Notificação Para Recolhimento de Débito NRD n° 01047, de 16/08/2004, fl. 30 dos autos digitalizados. O con t r i bu in t e fo i c i en t i f i c ado da NRD n° 01047, de 16/08/2004, em 20/08/2004, fl. 31, solicitando prorrogação de prazo, o que foi concedido trinta dias, fl. 32. Emitida Informação nº 3017/2004 DIADE/CGACl/DIFIN/FNDE/MEC, em 21/12/2004, deferindo parcialmente a defesa do contribuinte, fls 64/66. Não foi localizada nos autos a ciência do contribuinte quanto à Informação nº 3017/2004. O contribuinte apresentou requerimento, em 13/06/2005, fls. 72/76, manifestando que a obrigação tributária havia sido cumprida, requerendo a anulação da NRD n° 01047/2004, anexando diversas cópias de documentos aos autos. Os autos foram transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil contendo informação de que se encontra na fase de revelia (fl. 146) e na situação notificado, fl. 147. Por intermédio do Parecer DRF/BRE/SECAT n° 225/2011, fls. 169/176, foi analisado o pedido de apropriação de pagamentos pagos nas competências 04/2001, 05/2001 e 07/2001. O pedido de apropriação do pagamento efetuado para a competência 05/2001 não foi acatado, tendo em vista que, por ter sido recolhido em GPS através do código 2119 (quando deveria ter sido recolhido através da guia de recolhimento do FNDE através de código específico), o pagamento foi automaticamente apropriado às divergências apuradas no confronto GFIPxGPS na referida competência, não cabendo mais apropriação em outro débito. O contribuinte foi cientificado do Parecer DRF/BRE/SECAT n° 225/2011, em 22/08/2011, fl. 194. O prazo para apresentação de recurso voluntário iniciouse em 23/08/2011, encerrandose em 21/09/2011. Em 22/09/2011 o contribuinte apresentou recurso intempestivo às folhas 196/203, alegando em síntese: a decisão restou carente de uma análise mais detida das provas de pagamento juntadas aos autos e contraditória nos seus fundamentos e conclusão, razão pela qual deve ser reformada; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.033968/200462 Acórdão n.º 2803002.152 S2TE03 Fl. 236 4 não houve a apropriação do pagamento realizado referente à competência maio/2001. Fazse necessária a reforma da decisão impugnada, de modo a se considerar o pagamento efetuado em 30.09.2004, apropriandoo devidamente ao débito correspondente, e cancelando, ao fim, o lançamento referente ao mês em discussão (maio/2001). É inequívoca a necessidade da apropriação e extinção da competência, nos termos do art. 156, I do CTN, ou mesmo compensação e utilização dos valores pagos, sob pena de enriquecimento ilícito e cobrança em duplicidade; houve contradição na decisão de primeira instância. Uma leitura superficial da decisão recorrida explicita, ainda, a contradição ocorrida na análise dos pagamentos efetuados para as competências de abril/2001 e julho/2001; os pagamentos efetuados em 30.09.2004, pela GPS, foram realizados visando à satisfação dos débitos relativos abril/2001 e julho/2001, e o foram feitos nas quantias devidas, contando, inclusive, com as atualizações e encargos exigíveis, razão pela qual devem ser apropriados, dandose a quitação e respectiva baixa dos lançamentos; qualquer alegação acerca da impossibilidade de análise dos documentos trazidos pela recorrente baseada na intempestividade da defesa apresentada não merece prosperar, em razão da busca da verdade material. Desnecessário ajuizamento de execução fiscal de crédito extinto pelo pagamento; requer a reforma parcial da decisão para corrigir as faltas apontadas no recurso, protesta pela realização de sustentação oral e que as correspondências sejam enviadas ao patrono da recorrente. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.033968/200462 Acórdão n.º 2803002.152 S2TE03 Fl. 237 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é intempestivo, fls. 232, entretanto, existe questão constante dos autos que merece ser reconhecida de ofício. A Lei n° 11.457/2007, que dispõe sobre a Administração Tributária Federal, nos termos dos arts. 2º, 3º , 4º, atribui competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB para administrar os créditos, constituídos ou em constituição, das contribuições sociais relativas a Terceiros (outras entidades e fundos), aplicando, no que couber, as disposições da lei. O processo administrativo fiscal passa a ser regido pelo Decreto nº 70.235/72, conforme art. 25 da citada lei. A competência para julgamento de recursos referente às citadas contribuições (Terceiros) passa a ser do 2o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos termos do art. 29 da Lei n° 11.457/2007, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com competência para julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 48 da Lei n° 11.941/2009, e art. 25, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, bem como, Portaria Conjunta PGFN/RFB/PGF/FNDE n° 9, de 11/06/2010 e na Nota CODAC/DICOP n° 05, de 16/06/2010. Consta dos autos que foi emitida Notificação Para Recolhimento de Débito NRD n° 01047/2004, com ciência do contribuinte em 20/08/2004, que solicitou prorrogação de prazo, sendo concedido trinta dias. Foi emitida Informação nº 3017/2004 DIADE/CGACl/DIFIN/FNDE/MEC, em 21/12/2004, deferindo parcialmente a defesa do contribuinte, fls 64/66. Não foi localizada nos autos a ciência do contribuinte quanto à Informação nº 3017/2004. O contribuinte apresentou requerimento, em 13/06/2005, fls. 72/76, manifestando que a obrigação tributária havia sido cumprida, requerendo a anulação da NRD n° 01047/2004, anexando diversas cópias de documentos aos autos. Os autos foram transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil contendo informação de que se encontra na fase de revelia (fl. 146) e na situação notificado, fl. 147. Como se pode notar há contradição na decisão de primeira instância (FNDE) que concede provimento parcial ao contribuinte (Informação nº 3017/2004), sem comprovação nos autos da ciência da decisão pelo contribuinte, e informando sua revelia (fl. 146). Em razão da dúvida suscitada quanto à revelia aplicada ao contribuinte, relativa à notificação NRD n° 01047, de 16/08/2004, e se foram analisados todos os argumentos da defesa, considerando o princípio da ampla defesa e contraditório, entendo que a Fl. 237DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.033968/200462 Acórdão n.º 2803002.152 S2TE03 Fl. 238 6 decisão recorrida (Informação nº 3017/2004 DIADE/CGACl/DIFIN/FNDE/MEC) deva ser considerada nula, pois acarreta cerceamento de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99. A decisão deve conter relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, ao lançamento objeto do processo, bem como às razões suscitadas pelo impugnante, se houver, nos termos do art. 31 do Decreto nº 70.235/72 com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993. É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão do FNDE que deu provimento parcial (Informação nº 3017/2004 DIADE/CGACl/DIFIN/FNDE/MEC) e que posteriormente declarou a revelia sem motivação e fundamentação legal (fl. 146), devendo ser proferida nova informação detalhada da Notificação Para Recolhimento de Débito NRD n° 01047/2004 para o contribuinte, reabrindo prazo para impugnação, após, emissão de decisão de primeira instância administrativa, ciência e prazo para recurso, nos termos do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 238DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.731117/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103.
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais).
Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-012.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 11 17 /2 01 3- 98 Fl. 995DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.105 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.731117/2013-98 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso de Ofício interposto contra o Acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou PROCEDENTE/PROCEDENTE EM PARTE, para DECLARAR A NULIDADE dos Autos de Infração objeto da presente lide, de modo a EXONERAR os respectivos créditos tributários. Diante do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade do Recurso de Ofício Nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 34, inc. I, e da Portaria MF nº 02/2023, cabe recurso de ofício (remessa necessária) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sempre e quando exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Assim, em atenção à previsão dos dispositivos retro mencionados e em convergência com a Súmula CARF nº 10 para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, verifica-se que o Acórdão recorrido promoveu a exoneração inferior ao atual limite de alçada, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. Por essa razão, voto por não conhecer do recurso de ofício. Fl. 996DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.105 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.731117/2013-98 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 997DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10821.720379/2018-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 13/07/2018
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103.
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais).
Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-012.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/07/2018 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 72 03 79 /2 01 8- 03 Fl. 135DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.140 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10821.720379/2018-03 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso de Ofício interposto contra o Acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou PROCEDENTE/PROCEDENTE EM PARTE, para DECLARAR A NULIDADE dos Autos de Infração objeto da presente lide, de modo a EXONERAR os respectivos créditos tributários. Diante do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade do Recurso de Ofício Nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 34, inc. I, e da Portaria MF nº 02/2023, cabe recurso de ofício (remessa necessária) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sempre e quando exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Assim, em atenção à previsão dos dispositivos retro mencionados e em convergência com a Súmula CARF nº 10 para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, verifica-se que o Acórdão recorrido promoveu a exoneração inferior ao atual limite de alçada, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. Por essa razão, voto por não conhecer do recurso de ofício. Fl. 136DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.140 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10821.720379/2018-03 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 137DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721394/2010-43
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. DEDUÇÃO VIA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE.
O décimo terceiro salário submete-se exclusivamente ao regime de tributação na fonte pagadora, não podendo ser deduzido na base de cálculo dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual.
Numero da decisão: 2003-005.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. DEDUÇÃO VIA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. O décimo terceiro salário submete-se exclusivamente ao regime de tributação na fonte pagadora, não podendo ser deduzido na base de cálculo dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
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DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. DEDUÇÃO VIA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. O décimo terceiro salário submete-se exclusivamente ao regime de tributação na fonte pagadora, não podendo ser deduzido na base de cálculo dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 35/41): Trata-se de impugnação à Notificação de Lançamento, de fl. 07, lavrada em face do contribuinte acima identificado em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício de 2008, Ano-Calendário de 2007, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 13 94 /2 01 0- 43 Fl. 88DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.401 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.721394/2010-43 tendo sido apurado crédito tributário de R$ 2.015,53, já acrescido de multa de ofício, de mora e juros de mora calculados até 30/11/2010. Conforme o documento Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 08/10, foram apuradas as seguintes infrações: - Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$ 5.342,49 por falta de previsão legal, sendo lançado o valor conforme Dirf, tendo o contribuinte incluído a parcela referente ao 13º salário dos pensionistas. - Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 235,60, por falta de comprovação do valor de R$ 75,60 da Associação Brasileira Civil Militar Secur. Social e por falta de previsão legal para dedução do valor pago a Robert Paul David Jacob de R$ 160,00. Cientificado do lançamento em 19/11/2010, conforme documento de fls. 24, o Contribuinte apresentou impugnação em 15/12/2010, fls. 2/4 onde alega que: - O pagamento da pensão alimentícia foi feito em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. - Conforme pode ser observado e comprovado através dos documentos acostados fez sua declaração de acordo com seu comprovante de rendimentos. - Os valores pagos a cada beneficiário da pensão judicial foram divididos por 13 salários e somente foram informados no IRPF os valores de 12 salários, conforme demonstra através de cálculos apresentados, concluindo que o valor total da pensão alimentícia de R$ 64.188,69, é dedutível R$ 59.250,82, sendo o valor da pensão sobre o décimo terceiro salário de R$ 4.937,58. - A glosa deve ser alterada de R$ 5.324,49 para R$ 4.937,58. - Quanto ao valor apontado às fls. 03/06 fez o lançamento somando todos os boletos pagos incluindo os juros e moras. A instituição só passou o recibo dos valores brutos, acarretando o erro nos valores. Como não possui mais os boletos segue a glosa dos mesmos. - Solicita que sejam efetivadas as devidas correções. É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário em litígio, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. PENSÃO ALIMENTÍCIA. INDEDUTIBILIDADE DA PARCELA DE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia pago nos termos do acordo judicial homologado, não sendo possível a dedução no Ajuste Anual da parcela referente ao décimo terceiro salário, que está sujeito à tributação exclusiva. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS E PARTE DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Consolida-se administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Fl. 89DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.401 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.721394/2010-43 Cientificado da decisão, em 06/06/2016 (fls. 46), o contribuinte, em 07/07/2016, interpôs recurso voluntário parcial (fls. 49/52), insurgindo-se contra a glosa da despesa com pensão alimentícia, alegando, em apertada síntese, a ocorrência de erro de cálculo no informe de rendimentos emitidos pela fonte pagadora, majorando indevidamente a apuração das pensões alimentícias descontadas do 13º salário, no valor de R$ 404,62, calhando na redução da glosa para o valor de R$ 4.937,58. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 53/83. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa sobre as despesas com pensão alimentícia declaradas: O litígio recai sobre a glosa das despesas com pensão alimentícia incidentes sobre o 13º salário, no valor de R$ 404,62, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento do valor indevidamente glosado na DAA/2008. Pois bem. Em que pese as alegações recursais, do cotejo dos documentos carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 35/41) e atendo-se às informações contidas na notificação de lançamento (fls. 7/12), não há como prosperar a pretensão recursal. Assim, considerando que o Recorrente, neste momento processual, não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado – limitando basicamente em requerer a retificação da glosa operada para ajustar os valores das pensões alimentícias incidentes sobre o 13º salário, sob a alegação de erro na apuração dos descontos realizados, sendo certo que o total dos valores autuados (R$ 64.188,69 – R$ 58.846,20 = R$ 5.342,49/13º salário) repaginam e corroboram literalmente os descontos contemplados no informe de rendimentos (campo 03 e informações complementares) e no contracheque emitidos pela ALERJ (código 678), que instruem a peça recursal (fls. 16/17), inexistindo, ao meu sentir, a alegada incorreção nos cálculos de apuração realizados – me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos, lançados no voto condutor (fls. 40), Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.401 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.721394/2010-43 mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF: Na Declaração de Ajuste Anual, fls. 38, o Contribuinte informou despesa de pensão alimentícia judicial no valor total de R$ 64.188,69. A autoridade lançadora glosou despesa de pensão alimentícia no valor de R$ 5.342,49 alegando tratar-se de parcela referente ao décimo terceiro salário. O valor de décimo terceiro salário está sujeito à tributação exclusiva, não podendo ser utilizado como dedução no Ajuste Anual a pensão alimentícia referente a estes rendimentos, conforme previsão do art. 638 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999. “Art. 638. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário (CF, art. 7º, inciso VIII) estão sujeitos à incidência do imposto na fonte com base na tabela progressiva (art. 620), observadas as seguintes normas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 26, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 16): III - a tributação ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário; IV - serão admitidas as deduções previstas na Seção VI.” O Contribuinte alega que o valor da parcela do décimo terceiro salário seria de R$ 4.937,58 ao invés de R$ 5.324,49. No Comprovante de Rendimentos apresentado consta no campo 03 pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 58.846,20, sendo especificado no campo Informações Complementares o nome dos beneficiários das pensões e os valores pagos, os quais totalizam R$ 64.188,69. O valor da pensão alimentícia não dedutível referente ao décimo terceiro salário é a diferença entre os respectivos valores indicados que resulta exatamente em R$ 5.324,49. Ademais foi também anexado aos autos o Comprovante de Pagamento que se refere especificamente ao pagamento de 13º salário, fls. 17, onde se constata que a pensão alimentícia correspondente foi R$ 5.324,49. Dessa forma, uma vez que os documentos apresentados pelo próprio Contribuinte corroboram a glosa efetuada, conclui-se pela manutenção da apuração. Portanto, uma vez desatendidos os requisitos para dedutibilidade – diga-se de passagem, considerando que a verba alimentar incidente sobre o 13º salário não pode compor a base tributável dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual por se sujeitar ao regime de tributação exclusiva na fonte, e não vislumbrando eventual erro na apuração dos descontos apurados pela fonte pagadora ALERJ, os quais encontram-se devidamente registrados no informe de rendimentos e no contracheque do mês 12/2007 (fls. 16/17), documentos estes, aliás, trazidos pelo próprio Recorrente na peça impugnatória – correta é ação fiscal, razão pela qual mantenho subsistente o crédito tributário em litigio. Por fim, cabe relembrar que o lançamento rege-se por expressa determinação legal, sendo portanto, a atividade fiscal, vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. O que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, competindo à fiscalização revisar a declaração de ajuste, calcular a exigência e constituir o crédito tributário ou ajustar o imposto a restituir declarado, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.401 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.721394/2010-43 Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento remanescente e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 92DF CARF MF Original
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Numero do processo: 23034.042706/2006-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005
SALÁRIO-EDUCAÇÃO. GLOSA DE DEDUÇÕES
É escorreita a glosa de deduções do salário-educação de empresas optantes pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental, quando deixarem de respeitar os procedimentos e prazos estabelecidos em normas do FNDE.
PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.201
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005 SALÁRIO-EDUCAÇÃO. GLOSA DE DEDUÇÕES É escorreita a glosa de deduções do salário-educação de empresas optantes pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental, quando deixarem de respeitar os procedimentos e prazos estabelecidos em normas do FNDE. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado.
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SALÁRIOEDUCAÇÃO Recorrente BARRY CALLEBAUT BRASILS/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005 SALÁRIOEDUCAÇÃO. GLOSA DE DEDUÇÕES É escorreita a glosa de deduções do salárioeducação de empresas optantes pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental, quando deixarem de respeitar os procedimentos e prazos estabelecidos em normas do FNDE. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 04 27 06 /2 00 6- 51 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042706/200651 Acórdão n.º 2803002.201 S2TE03 Fl. 262 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação para Recolhimento de Débito NRD 0546/2006, de 17/12/2006 (fl. 21), DEBCAD 49.900.9371 (fl. 161), relativa à contribuição ao Salário Educação, emitida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE do Ministério da Educação, em razão da constatação de deduções indevidas na contribuição ao SalárioEducação, na modalidade "indenização de dependentes", informações obtidas no Sistema de Gestão da Arrecadação — SIGA, tudo conforme a informação 1185/2006 SETAD/COARC/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC de folha 1. O valor devido originário está demonstrado no Quadro de Lançamento de Débitos de 18/12/2006 (fl. 09/14), somado aos devidos acréscimos legais, conforme Quadro de Atualização de Débito de 18/12/2006 (fl. 15/20). DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal. Inconformado apresentou impugnação. DO RECURSO A decisão de primeira instância administrativa fiscal deu provimento parcial à impugnação reconhecendo a decadência das competências 07/1996 a 11/2001, pelos critérios previstos no art. 150, § 4o do CTN. O contribuinte foi cientificado da decisão em 06/12/2011, apresentando recurso voluntário em 04/01/2012, alegando em síntese: por equívoco a recorrente não apresentou a Relação de Alunos Indenizados RAI nos períodos de apuração em discussão e, em vista disso, a fiscalização glosou as deduções realizadas, presumindo a inexistência do direito à dedução; o FNDE não tem competência para criar exigências ou condições para o gozo do direito à dedução. Não se pode, portanto, admitir que o descumprimento de obrigação acessória criada pelo órgão resulte na perda de direito conferido por lei; a glosa das deduções realizadas pela recorrente pelo simples fato de não ter cumprido a obrigação acessória de entregar a RAI implica em exigência de tributo baseada em mera presunção, o que não é admitido no direito tributário e fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade; se não foram reunidas as provas necessárias e suficientes da inexistência dos gastos que ensejaram a dedução feita pela recorrente, a fiscalização não poderia ter glosado os valores deduzidos. O simples fato de não ter obtido os dados para sua devida conclusão, não autoriza a fiscalização a presumir inadimplência por parte da recorrente, sob pena de Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042706/200651 Acórdão n.º 2803002.201 S2TE03 Fl. 263 3 constituição de ato arbitrário, eivado de injuridicidade e insubsistente e sem a busca da verdade material; a fiscalização não adotou qualquer procedimento no sentido de verificar se a recorrente efetivamente havia realizado os gastos com "indenização de dependentes" que resultaram nas deduções glosadas; além dos documentos já apresentados na impugnação, a recorrente requer a juntada e apreciação dos documentos recentemente obtidos junto aos seus arquivos antigos e que estavam em local de difícil acesso (Doc. 03), os quais demonstram a regularidade do benefício concedido aos dependentes de seus empregados durante o período controvertido no presente recurso; esclarece que ainda está tentando localizar em seus arquivos mais documentos que comprovem os gastos realizados, razão pela qual, face o princípio da verdade material protesta pela juntada da documentação que localizar; o fato de a recorrente ter deixado de cumprir a obrigação acessória exigida pelo FNDE não causou nenhum prejuízo ao erário, tendo em vista que a verba deduzida foi integralmente revertida em favor da educação dos dependentes dos empregados; o máximo que o descumprimento dessa obrigação acessória poderia ensejar é a aplicação de penalidade e não a glosa das deduções realizadas; por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042706/200651 Acórdão n.º 2803002.201 S2TE03 Fl. 264 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passase a analisálo. O lançamento fiscal se refere a deduções indevidas na contribuição ao SalárioEducação, efetuadas pelo contribuinte, na modalidade "indenização de dependentes", cujas informações foram extraídas do Sistema de Gestão da Arrecadação — SIGA gerenciado pelo FNDE. Assim, foram cruzados os valores recolhidos com os valores informados pelo contribuinte, resultando em glosa dos valores deduzidos indevidamente e sem comprovação pela empresa. Consta da decisão recorrida cujo texto se transcreve parcialmente, folhas 180/192: Do Direito Não procede a alegação da Impugnante de que não há previsão legal de glosa dos valores por ela deduzidos, a título de indenização de dependentes, na contribuição ao Salário Educação. A Lei n° 9424/96, que dispõe sobre a matéria, determina que: Art 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, § 5o, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. (...) § 3o Os alunos regularmente atendidos, na data da edição desta Lei, como beneficiários da aplicação realizada pelas empresas contribuintes, no ensino fundamental dos seus empregados e dependentes, à conta de deduções da contribuição social do SalárioEducação, na forma da legislação em vigor, terão, a partir de 1o de janeiro de 1997, o benefício assegurado, respeitadas as condições em que foi concedido, e vedados novos ingressos nos termos do art. 212, § 5o, da Constituição Federal. Se a lei estabeleceu condições para a fruição do direito à dedução em tela, cabe à beneficiária a comprovação de que está exercendo esse direito. A forma de comprovação foi determinada já na Instrução FNDE n° 1, de 23/12/1996 e mantida nas Resoluções que a sucederam. Dentre essas Resoluções, a Impugnante cita a de número 3 do ano de 2000. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042706/200651 Acórdão n.º 2803002.201 S2TE03 Fl. 265 5 Portanto, a empresa deve prestar contas dos valores da contribuição ao Salário Educação que deixou de recolher, informando ao órgão competente a aplicação deles. Ocorre que a própria Notificada admite que não prestou tais informações, porque deixou de enviar ao FNDE a declaração obrigatória. A Notificada, em assim procedendo, tornouse responsável pelo recolhimento desses valores que foram deduzidos sem a devida informação obrigatória. Não pode ser acatada a alegação de que o procedimento não trouxe prejuízo ao FNDE, porque o benéfico foi oferecido aos empregados e/ou dependentes enquadrados nas exigências necessárias. Mesmo que fosse a ausência de prejuízo condição válida para eximir o sujeito passivo de suas obrigações, não poderia ser aceita no caso presente porque não comprovada a alegação. Os documentos juntados, relativos aos dependentes de uma empregada e seus dois dependentes, não são suficientes para a comprovação dos requisitos previstos na legislação para que a empresa faça uso da modalidade "indenização de dependentes". A própria Notificada cita as condições para a concessão do benefício (pág. 6 da peça de impugnação, fl. 29). Os documentos juntados não comprovam, por exemplo, a condição de estabelecimento autorizado da escola e a frequência efetiva dos alunos a que se referem. Se são insuficientes para comprovar os requisitos dos dois dependentes a que se referem, os documentos juntados não dizem nada a respeito dos demais que, alegadamente, também são beneficiários. O Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento (fl. 02/08) mostra que, nas competências não atingidas pela decadência, a Notificada promoveu deduções relativas a bem mais que dois alunos. Mostra ainda que houve variação, mês a mês, nos valores deduzidos, o que indica variação também no número de vagas incluídas no benefício. A Notificada, no entanto, nem menciona nem traz documentação que justifique as variações para maior, entre alguns meses apontadas no citado demonstrativo. A variação para maior em tese contraria o disposto na Lei n.° 9424/96, que garantiu o benefício àqueles que já o gozavam e vedou novos ingressos. Os demais documentos juntados são denominados Relação de Eventos e parecem ter a natureza de controle interno para fins de repasse de valores, mas não são aqueles previstos em legislação para comprovar o direito ao benefício. Dessa forma, não logrou a Impugnante comprovar que tinha o direito de proceder às deduções objeto do presente lançamento. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042706/200651 Acórdão n.º 2803002.201 S2TE03 Fl. 266 6 E por isso que não pode ser aceita sua alegação de que procedeu corretamente em relação aos valores recolhidos, tendo deixado apenas de cumprir uma obrigação acessória. No caso presente, não se trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória. Está sendo exigido da Notificada o recolhimento de valores que por ela deixaram de ser recolhidos sob a alegação não comprovada de que seriam deduções legitimamente feitas. Em outras palavras, é da obrigação principal, conforme definida no Código Tributário Nacional, de que aqui se fala: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § I a A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2o A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Sendo assim, não pode ser atendido o pedido da Impugnante de que, em substituição ao presente lançamento, lhe seja aplicada multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Em conseqüência, também não pode ser atendido o pedido de relevação dessa multa pleiteada. Do Pedido 67. Por todo o exposto, os pedidos da Impugnante não podem ser atendidos; 67.1. Improcedência: os argumentos e documentos juntados não foram suficientes para demonstrar a improcedência da presente notificação; 67.2. Juntada posterior de documentos: conforme dispõe o Decreto n° 70235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal e que se aplica ao presente nos termos da Lei n.° Lei n° 11457/07. Determina o Decreto n.° 70235/72 que as provas serão apresentadas no momento da impugnação: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) (...) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042706/200651 Acórdão n.º 2803002.201 S2TE03 Fl. 267 7 §4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) §5o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) 67.3. Dispensa da multa por falta de comprimento de obrigação acessória,nos termos do art. 291, §1°, do Decreto n.° 3048/99: o citado dispositivo, além de estar revogado, não se aplicaria ao caso presente, por determinação expressa em seu §2°: (...) Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falia até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) (...) §1° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) §2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n° 6.121, de 2009) Da Conclusão 68.Ante todo o exposto, VOTO por julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, com reconhecimento de ofício da decadência para as competências entre07/1996 e 11/2001, e MANTENDO EM PARTE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO constituído no presente lançamento. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042706/200651 Acórdão n.º 2803002.201 S2TE03 Fl. 268 8 O contribuinte alega que a verba deduzida foi integralmente revertida em favor da educação dos dependentes dos empregados, entretanto, não junta aos autos a comprovação de seus argumentos. Os documentos anexados aos autos referente à empregada Sônia Vieira de Matos e seus dois dependentes (Grazielli e Guilherne de Matos), fls. 249/252, já foram apresentados na impugnação e analisados pela decisão recorrida. Os documentos anexados relativos a Rita de Cássia Penalva Farias, datados de 28/01/2003 e 05/08/2004, fls. 253/255, e Valdemir Lima Figueiredo Filho, datados de 21/01/2002 e 29/01/2003 ou 2004 rasurado, e 10/02/2005, fls. 256/258, estão sem comprovação adequada dos beneficiários do salárioeducação administrado pelo FNDE, assim, não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal. O Sr. Cássio Silva Oliveira, documento apresentado com data de 17/12/2002 (fl. 259), não consta da Relação de Eventos da empresa BARRY CALLEBAUT Brasil S/A, período 01/12/2002 a 31/11/2002 (fl. 105). O contribuinte deve demonstrar de maneira clara que os valores de contribuição ao FNDE glosados pela fiscalização e declarados pelo contribuinte são indevidos. Não houve contestação da planilha apresentada pela fiscalização (fls. 3/21) que contém a competência (mês/ano), CNPJ do contribuinte, valores das deduções, número de vagas no cadastro do FNDE e as diferenças apuradas. Informações essas extraídas dos documentos declarados pelo contribuinte. Requer a juntada de documentos, no entanto, até o momento do julgamento do recurso não houve pedido nesse sentido. Ademais, o pedido de juntada de documentos após a impugnação não deve ser acolhido, uma vez que o art. 16, §4o, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. No caso em análise, o impugnante não demonstrou a ocorrência de nenhuma das situações de excepcionalidade, razão pela qual indefiro o pedido. Declara no recurso que por equívoco não apresentou a Relação de Alunos Indenizados RAI nos períodos de apuração em discussão e, em vista disso, a fiscalização glosou as deduções realizadas. Assim, a glosa se deu com base nas informações e documentos que dispunha a fiscalização à época do lançamento. O lançamento fiscal se refere ao cumprimento de obrigação principal pelo não pagamento das contribuições devidas ao salárioeducação administrado pelo FNDE e não de obrigação acessória. O cumprimento da obrigação principal e acessória está regulado pela Lei 8.212/91, Decreto 3.048/99, CTN (Lei 5.172/66) e demais dispositivos constantes dos autos, cabendo ao fisco o cumprimento dos dispositivos legais. Desse modo, não há que se falar em ato arbitrário eivado de injuridicidade e insubsistência, ou em presunção do lançamento fiscal, tampouco, em ferimento aos princípios da estrita legalidade, da tipicidade e da verdade material; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042706/200651 Acórdão n.º 2803002.201 S2TE03 Fl. 269 9 O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, e art. 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.001495/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 05/01/2004, 09/01/2004, 05/02/2004
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103.
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais).
Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-012.052
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/01/2004, 09/01/2004, 05/02/2004 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 14 95 /2 00 9- 31 Fl. 432DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.052 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10073.001495/2009-31 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso de Ofício interposto contra o Acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou PROCEDENTE/PROCEDENTE EM PARTE, para DECLARAR A NULIDADE dos Autos de Infração objeto da presente lide, de modo a EXONERAR os respectivos créditos tributários. Diante do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade do Recurso de Ofício Nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 34, inc. I, e da Portaria MF nº 02/2023, cabe recurso de ofício (remessa necessária) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sempre e quando exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Assim, em atenção à previsão dos dispositivos retro mencionados e em convergência com a Súmula CARF nº 10 para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, verifica-se que o Acórdão recorrido promoveu a exoneração inferior ao atual limite de alçada, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. Por essa razão, voto por não conhecer do recurso de ofício. Fl. 433DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.052 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10073.001495/2009-31 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 434DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10805.725776/2017-81
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2013
RECURSO ESPECIAL. IDENTIDADE DE CONJUNTO PROBATÓRIO. DIVERGÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
É possível o manejo do recurso uniformizador quando as turmas julgadores do acórdão recorrido e dos paradigmas divergem acerca da solução jurídica ante idêntico contexto fático.
AGÊNCIA DE TURISMO E VIAGEM. ATIVIDADES. INTERMEDIAÇÃO. FORNECIMENTO.
O artigo 27 da Lei Geral do Turismo dispõe que as Agências de Viagem e Turismo podem atuar de duas formas, intermediando serviços (atividades descritas no § 3° do mesmo artigo) ou os fornecendo diretamente (atividades descritas no § 1° do mesmo artigo).
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIAS DE TURISMO. COMPOSIÇÃO. SERVIÇO PRESTADO.
O veto ao artigo 46 da Lei Geral de Turismo deixa claro que não há qualquer diferença entre a tributação das agências de turismo e das operadoras de turismo em comparação com outras atividades; a base de cálculo é, sempre, o valor do serviço prestado pelo contribuinte; se de intermediação, apenas esta, se de operadora de turismo, a integralidade dos serviços que a compõe (hotel, transporte, traslado, etc).
AGENCIAMENTO. CONCEITO.
No contrato de intermediação nomeado de agência (art. 710 caput do Código Civil) uma pessoa (o agente) se compromete a promover, à conta de outra (o proponente), negócios, em seu nome, podendo o proponente nomear o agente como seu representante na conclusão dos negócios (art. 710 parágrafo único do Código Civil). Desta feita, para que se tenha qualificado por agenciamento ou a) o proponente entabula os contratos com o interessado captado pelo agente ou b) o proponente é representado no contrato pelo agente. Não há agenciamento se o contribuinte contrata por sua ordem (podendo livremente escolher o prestador) e por sua conta, sendo o credor da contraprestação pecuniária ao serviço prestado.
Ademais, na esteira da lição do professor Fabio Ulhoa Coelho o traço essencial do contrato de agenciamento (...) é exatamente a articulação entre as empresas das partes contratantes. Existe contrato de agenciamento, assim, apenas se um dos empresários assume a obrigação contratual de ajudar a formação ou ampliação do mercado consumidor do produto fabricado ou comercializado pelo outro [sendo que] (...) o elemento comum a qualquer espécie de contrato de colaboração é a subordinação da empresa do colaborador à do fornecedor. Se não há subordinação ou colaboração, não há que se falar em contrato de intermediação/agenciamento.
Numero da decisão: 9303-014.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisario (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos (suplente convocado(a)), Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2013 RECURSO ESPECIAL. IDENTIDADE DE CONJUNTO PROBATÓRIO. DIVERGÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO JURÍDICA. POSSIBILIDADE. É possível o manejo do recurso uniformizador quando as turmas julgadores do acórdão recorrido e dos paradigmas divergem acerca da solução jurídica ante idêntico contexto fático. AGÊNCIA DE TURISMO E VIAGEM. ATIVIDADES. INTERMEDIAÇÃO. FORNECIMENTO. O artigo 27 da Lei Geral do Turismo dispõe que as Agências de Viagem e Turismo podem atuar de duas formas, intermediando serviços (atividades descritas no § 3° do mesmo artigo) ou os fornecendo diretamente (atividades descritas no § 1° do mesmo artigo). PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIAS DE TURISMO. COMPOSIÇÃO. SERVIÇO PRESTADO. O veto ao artigo 46 da Lei Geral de Turismo deixa claro que não há qualquer diferença entre a tributação das agências de turismo e das operadoras de turismo em comparação com outras atividades; a base de cálculo é, sempre, o valor do serviço prestado pelo contribuinte; se de intermediação, apenas esta, se de operadora de turismo, a integralidade dos serviços que a compõe (hotel, transporte, traslado, etc). AGENCIAMENTO. CONCEITO. No contrato de intermediação nomeado de agência (art. 710 caput do Código Civil) uma pessoa (o agente) se compromete a promover, à conta de outra (o proponente), negócios, em seu nome, podendo o proponente nomear o agente como seu representante na conclusão dos negócios (art. 710 parágrafo único do Código Civil). Desta feita, para que se tenha qualificado por agenciamento ou a) o proponente entabula os contratos com o interessado captado pelo agente ou b) o proponente é representado no contrato pelo agente. Não há agenciamento se o contribuinte contrata por sua ordem (podendo livremente escolher o prestador) e por sua conta, sendo o credor da contraprestação pecuniária ao serviço prestado. Ademais, na esteira da lição do professor Fabio Ulhoa Coelho o traço essencial do contrato de agenciamento (...) é exatamente a articulação entre as empresas das partes contratantes. Existe contrato de agenciamento, assim, apenas se um dos empresários assume a obrigação contratual de ajudar a formação ou ampliação do mercado consumidor do produto fabricado ou comercializado pelo outro [sendo que] (...) o elemento comum a qualquer espécie de contrato de colaboração é a subordinação da empresa do colaborador à do fornecedor. Se não há subordinação ou colaboração, não há que se falar em contrato de intermediação/agenciamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisario (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos (suplente convocado(a)), Liziane Angelotti Meira (Presidente).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2013 RECURSO ESPECIAL. IDENTIDADE DE CONJUNTO PROBATÓRIO. DIVERGÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO JURÍDICA. POSSIBILIDADE. É possível o manejo do recurso uniformizador quando as turmas julgadores do acórdão recorrido e dos paradigmas divergem acerca da solução jurídica ante idêntico contexto fático. AGÊNCIA DE TURISMO E VIAGEM. ATIVIDADES. INTERMEDIAÇÃO. FORNECIMENTO. O artigo 27 da Lei Geral do Turismo dispõe que as Agências de Viagem e Turismo podem atuar de duas formas, intermediando serviços (atividades descritas no § 3° do mesmo artigo) ou os fornecendo diretamente (atividades descritas no § 1° do mesmo artigo). PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIAS DE TURISMO. COMPOSIÇÃO. SERVIÇO PRESTADO. O veto ao artigo 46 da Lei Geral de Turismo deixa claro que não há qualquer diferença entre a tributação das agências de turismo e das operadoras de turismo em comparação com outras atividades; a base de cálculo é, sempre, o valor do serviço prestado pelo contribuinte; se de intermediação, apenas esta, se de operadora de turismo, a integralidade dos serviços que a compõe (hotel, transporte, traslado, etc). AGENCIAMENTO. CONCEITO. No contrato de intermediação nomeado de agência (art. 710 caput do Código Civil) uma pessoa (o agente) se compromete a promover, à conta de outra (o proponente), negócios, em seu nome, podendo o proponente nomear o agente como seu representante na conclusão dos negócios (art. 710 parágrafo único do Código Civil). Desta feita, para que se tenha qualificado por agenciamento ou a) o proponente entabula os contratos com o interessado captado pelo agente ou b) o proponente é representado no contrato pelo agente. Não há agenciamento se o contribuinte contrata por sua ordem (podendo livremente escolher o prestador) e por sua conta, sendo o credor da contraprestação pecuniária ao serviço prestado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 57 76 /2 01 7- 81 Fl. 1925DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 Ademais, na esteira da lição do professor Fabio Ulhoa Coelho o traço essencial do contrato de agenciamento (...) é exatamente a articulação entre as empresas das partes contratantes. Existe contrato de agenciamento, assim, apenas se um dos empresários assume a obrigação contratual de ajudar a formação ou ampliação do mercado consumidor do produto fabricado ou comercializado pelo outro [sendo que] (...) “o elemento comum a qualquer espécie de contrato de colaboração é a subordinação da empresa do colaborador à do fornecedor”. Se não há subordinação ou colaboração, não há que se falar em contrato de intermediação/agenciamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisario (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos (suplente convocado(a)), Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório 1.1. Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, Recorrente, contra o Acórdão 3401-006.207, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIAS DE VIAGENS E TURISMO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Os valores recebidos dos consumidores e repassados efetivamente aos fornecedores dos serviços prestados não configuram receita bruta da agência de turismo, independentemente do fato da agência emitir nota fiscal/fatura/boleto pelo valor integral do negócio, ou do consumidor contratar unicamente com a agência. Fl. 1926DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIAS DE VIAGENS E TURISMO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Os valores recebidos dos consumidores e repassados efetivamente aos fornecedores dos serviços prestados não configuram receita bruta da agência de turismo, independentemente do fato da agência emitir nota fiscal/fatura/boleto pelo valor integral do negócio, ou do consumidor contratar unicamente com a agência. 1.2. Insurge-se a Recorrente contra decisão que excluiu da base de cálculo das contribuições não cumulativas as receitas com intermediação de serviços turísticos (valores repassados aos fornecedores de serviços turísticos e comissões repassadas ás lojas) e, para tanto, aponta os seguintes acórdãos como paradigmas (que serão analisados em juízo de prelibação abaixo): Acórdão nº 3201-003.727 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. (...) Acórdão nº 3302-004.818 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Fl. 1927DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido 1.2.1. No mérito a Recorrente alega, em síntese: 1.2.1.1. “Nos termos das Leis 11.771/2008 e 12.974/2014 “há a possiblidade de mera intermediação na atividade de turismo (Agencia de Viagens) ou a execução direta de serviços (Agência de Viagens e Turismo / Operadora Turística), com reflexos na seara tributária posto que, na hipótese de mera intermediação, a receita auferida restringe-se a comissão paga pelos fornecedores. Diversamente, a execução direta dos serviços implicará um alcance maior englobando todas as receitas decorrentes”; 1.2.1.2. “O Estatuto Social da fiscalizada dispõe que suas atividades abrangem não apenas a intermediação, mas também a operação de pacotes de viagem e turismo”; 1.2.1.3. As notas fiscais dos serviços relacionados com o turismo foram emitidas em nome da Recorrida; 1.2.1.4. “Os contratos apresentados evidenciam a existência de negócio jurídico entre a fiscalizada e os clientes/passageiros, bem como a relação entre ela e os fornecedores de serviços, no entanto, nada que comprovasse as comissões na intermediação nessas vendas”; 1.2.1.5. Dos contratos entabulados com as companhias aéreas “resta clara a condição que a companhia aérea aluga a aeronave com tripulação e o serviço é prestado ao passageiro por conta e risco da CVC”; 1.2.1.6. “As notas de hospedagem emitidas pelos hotéis expressamente indicam o nome da CVC com condições de contratação próprias e diferenciadas para esta”; 1.2.1.7. A forma de contabilização dos valores recebidos em terceiros demonstra que os serviços prestados pela Recorrida são típicos de uma operadora de turismo e não de mera intermediária; 1.2.1.8. “Outro ponto crucial que evidencia a inexistência de vinculação entre clientes e fornecedores é a constatação de pagamentos prévios pela fiscalizada aos seus fornecedores independentemente dos pagamentos parcelados dos clientes/consumidores finais”; 1.2.1.9. Não há cruzamento concomitante de créditos recebidos de clientes e débitos pagos a fornecedores pela Recorrida; Fl. 1928DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 1.2.1.10. “A fiscalizada garante, contratualmente [ao consumidor final], um novo serviço, seja de hospedagem, traslado, embarque/desembarque, locação, etc”. 1.2.1.11. Nos termos da Cláusula 3.2 do contrato da Recorrida com o cliente final “o preço era direcionado à fiscalizada que ainda poderia ceder tal crédito a alguma instituição financeira, o que, mais uma vez, demonstra a inexistência de liame jurídico entre o cliente, pagador do preço, e os fornecedores contratados pela CVC”. 1.3. Intimada, a Recorrida apresentou contrarrazões em que alega: 1.3.1. O Recurso Especial não comporta conhecimento pois demanda revolvimento do conjunto probatório, “tanto que em nenhum momento de seu recurso a PGFN se dá ao trabalho de expor argumentos de mérito ou interpretação divergente da legislação tributária”; 1.3.2. Os paradigmas indicados pela PGFN envolvem situações fáticas distintas pois referentes a outros períodos de apuração; 1.3.3. O § 3° do artigo 27 da Lei 11.771/2008 explicita que as atividades desenvolvidas pela Recorrida são de mera intermediação; 1.3.3.1. “A legislação acima citada indica expressamente as formas de remuneração das Agências de Turismo, prevendo a possibilidade de que seja (i) cobrada comissão dos fornecedores; (ii) agregado valor ao preço de custo dos serviços disponibilizados pelos fornecedores; e/ou (iii) cobrada taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados”; 1.3.4. “O fato de determinada agência de viagens e turismo caracterizar-se como Operadora, como é o caso da Recorrida, não significa, ao contrário do que equivocadamente afirmado pela PGFN, que tal empresa vende/revende os serviços turísticos diretamente aos clientes!”; 1.3.4.1. Não possui infraestrutura (hotéis, aviões, navios, etc) ou autorização dos órgãos competentes para prestar os serviços que intermedeia; 1.3.5. São os hotéis que indicam em portal próprio o custo do serviço e a disponibilidade de vagas; 1.3.6. “As companhias aéreas não imputam as informações no Portal do Fornecedor da Recorrida, mas concedem acesso à Recorrida aos seus próprios sistema, de modo que a Recorrida consegue consultar a disponibilidade e as tarifas dos assentos de forma imediata”; 1.3.7. “Não é porque os clientes não são partes ou anuentes dos contratos firmados com os fornecedores e vice-versa que inexiste relação jurídica entre fornecedores e clientes! Afinal, quem consome os serviços de hotelaria e de transporte aéreo prestados pelos fornecedores?”; Fl. 1929DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 1.3.8. “Os Contratos de Intermediação de Serviços Turísticos firmados com os clientes trazem, de forma clara, a descrição da natureza do serviço prestado pela Recorrida, bem como apontam quem são as companhias aéreas ou os hotéis que de fato prestam os serviços turísticos”; 1.3.9. “O repasse dos valores ocorre, como se pode verificar dos documentos ora juntados, sempre posteriormente à sua efetiva comercialização aos turistas, o que demonstra a total vinculação entre turista e prestador e a natureza de intermediação da atividade prestada”; 1.3.10. A antecipação dos pagamentos ao fornecedor dos serviços não desnatura a atividade de intermediação; 1.3.11. “Ora, Ilmos. Conselheiros, o fato de os fornecedores – que são os efetivos prestadores dos serviços aos clientes – emitirem as NF ou outros documentos contra a Recorrida, de forma isolada, certamente não poderia afetar nem desnaturar a essência da atividade de intermediação/aproximação realizada pela Recorrida”; 1.3.12. “No caso de bilhetes aéreos, as companhias não emitem NF contra os passageiros por expressa determinação legal, já que os bilhetes aéreos as substituem e são considerados, para todos os efeitos legais, como documentos fiscais válidos”; 1.3.13. “Por sua relação comercial, sua confiabilidade e seu poder de barganha, é claro que a Recorrida consegue, muitas vezes, obter tarifas mais vantajosas para seus clientes, mas quem fixa os preços são os fornecedores”. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. O recurso é tempestivo, fundamentado em paradigmas de Turma Ordinária não alterados por esta Casa. Da leitura do arrazoado resta clara a divergência de interpretação legislativa (art. 1° da Lei 9.718/98 c.c. Leis 11.771/2008 e 12.974/2014). Nenhum dos precedentes vinculantes sobre o tema impede a análise de mérito. 2.1.1. Sem prejuízo das considerações da Recorrida a similitude fática é evidente. Em todos os casos (acórdão recorrido e paradigmas) debate-se a qualificação dos serviços contabilizados na conta Recursos em Trânsito de Terceiros referentes aos valores repassados aos fornecedores dos serviços de transportes e hotelaria para a mesma Recorrida: Acórdão 3201-003.727 Fl. 1930DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 Esta constatação é corroborada por outras cláusulas constantes nos contratos celebrados pela fiscalizada com seus clientes, como, por exemplo, a que garante, em caso de alteração do contrato, a escolha do cliente por um novo roteiro, novo bilhete ou novo serviço turístico, ou ainda carta de crédito para fruição posterior. E como já observado, nesses lançamentos contábeis, a totalidade dos valores dos contratos com clientes celebrados pela fiscalizada era registrada a débito da conta de n°11001.1001.000000.112010001 RECURSOS EM TRANSITO DE TERCEIROS, podendo-se afirmar que o valor total dos débitos mensais registrados nessa conta correspondem à receita bruta da atividade da fiscalizada. Acórdão 3302-004.818 "Os lançamentos ocorreram face a infração de omissão de receitas sujeitas as contribuições, referentes aos valores dos contratos de vendas de produtos e serviços turísticos – pacotes, cruzeiros, hospedagens, passeios que a CVC Brasil, na qualidade de operadora de turismo vendeu a seus clientes/passageiros nas respectivas datas dos lançamentos contábeis “ débitos” lançados na conta contábil 112010001 RECURSOS EM TRANSITO DE TERCEIROS , no ano de 2010, em seu nome, por sua conta e risco, e que nessa condição configuram-se como receita bruta da empresa. Acórdão Recorrido: Tome-se, por exemplo, a reserva nº 114939822, referente ao contrato nº 2770-002345, abaixo demonstrados pela contribuinte, dos quais os demais exemplos seguem basicamente a mesma sistemática: (...) Neste resumo, percebe-se que o contrato foi celebrado no valor total de R$ 3.677,12 (valor do recibo) a ser recebido pela fiscalizada em 10 parcelas de R$ 367,71. O contrato abrange valores de hospedagem (fornecedor), receptivo, bilhete aéreo e serviço do agente em um total de R$ 2.976,21 correspondentes às despesas com os fornecedores da fiscalizada, a qual emite nota fiscal apenas da diferença de R$ 700,91, considerada por ela como sua receita de prestação de serviços. Além deste resumo, a contribuinte apresentou demonstrativo dos lançamentos contábeis relacionados a este contrato em que se observa que o valor total do contrato foi debitado na conta 112010001 – RECURSOS EM TRANSITO DE TERCEIROS e creditado na conta 219010001 – CONTRATOS NÃO EMBARCADOS, conforme lançamento identificado pela contribuinte como nº 1 e confirmado pela sua ECD – Escrituração Contábil Digital. 2.1.2. A divergência de interpretação jurídica acerca do tema também resulta clara da leitura dos votos paradigmas em confronto com o recorrido. No recorrido a Turma considerou que os serviços prestados pela Recorrida são de mera intermediação e, por este motivo, somente a contraprestação referente a esta parcela do serviço comporta tributação pelas contribuições não cumulativas. Nos paradigmas, as Turmas fixaram que o serviço prestado pela Recorrida não é de mera intermediação, porém de operação de turismo, consequentemente, sua receita é composta não apenas pela intermediação mas pela totalidade dos valores recebidos dos clientes. 2.1.3. Poder-se-ia argumentar que a divergência é meramente probatória, o que impediria o conhecimento do reclamo. No entanto o intermediação e operação de turismos são conceitos jurídicos, são qualificações normativas que se dão aos fatos jurígenos. Desta feita, erra a Recorrida ao apontar a Súmula 7 do Tribunal da Cidadania como óbice ao conhecimento do recurso – por sinal a antedita súmula não vincula esta Corte. De mais a mais, não temos aqui um Fl. 1931DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 caso de divergência probatória (significando que em cada processo foram apresentadas provas diferentes). Da leitura dos votos percebe-se que o conjunto probatório é equivalente, e a este foi dada igual força probante em todos os acórdãos. A diferença entre eles reside na qualificação jurídica destas provas, logo, o recurso comporta conhecimento. 2.2. Para este relator a função da Câmara Superior de Recursos Fiscais não é meramente consultiva, ou seja, não é dado a esta Corte manifestar-se sobre lei em tese. A função desta Corte é definir a aplicação da Lei ao caso concreto e, por este motivo, deve analisar as provas que estão encartadas nos autos. Ademais, da leitura do artigo 1.034 da Lei de Ritos temos que, uma vez admitido o Recurso Uniformizador é dever do julgador aplicar o direito e não somente dizer o direito. O antedito prova-se da leitura de quaisquer dos Acórdãos Vinculantes proferidos tanto pelo Egrégio Sodalício quanto pelo Tribunal da Cidadania; fixada a tese, invariavelmente, o Tribunal Superior aplica-a ao caso concreto. É o que se passa a fazer. 2.3. É inquestionável que a Recorrida presta serviços e que esta prestação de serviços é base de cálculo da contribuintes (sob a égide da Lei 9.718/98). A celeuma encontra-se justamente na composição do serviço prestado pela Recorrida: de um lado, esta última descreve o serviço por si prestado como mera intermediação (consequentemente limitando a base de cálculo à contraprestação recebida por este serviço), de outro, a fiscalização dispõe que o serviço prestado pela Recorrida é de operadora de turismo, consequentemente, a base de cálculo das contribuições deve abarcar a totalidade das receitas recebidas em contraprestação aos serviços de operadora de turismo (hotéis, transportes, traslados, passeios, etc). 2.3.1. O artigo 27 da Lei Geral do Turismo (com a redação vigente na data dos fatos geradores) dispõe: Art. 27. Compreende-se por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos OU os fornece diretamente. § 1º São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. § 2º O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultando-se à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. § 3º As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I - passagens; II - acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e III - programas educacionais e de aprimoramento profissional. § 4° As atividades complementares das agências de turismo compreendem a intermediação ou execução dos seguintes serviços: Fl. 1932DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 I - obtenção de passaportes, vistos ou qualquer outro documento necessário à realização de viagens; II - transporte turístico; III - desembaraço de bagagens em viagens e excursões; IV - locação de veículos; V - obtenção ou venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos, culturais e outras manifestações públicas; VI - representação de empresas transportadoras, de meios de hospedagem e de outras fornecedoras de serviços turísticos; VII - apoio a feiras, exposições de negócios, congressos, convenções e congêneres; VIII - venda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens, passeios e excursões e de cartões de assistência ao viajante; IX - venda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e X - acolhimento turístico, consistente na organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de interesse turístico. § 5° A intermediação prevista no § 2o deste artigo não impede a oferta, reserva e venda direta ao público pelos fornecedores dos serviços nele elencados. § 6° (VETADO) § 7° As agências de turismo que operam diretamente com frota própria deverão atender aos requisitos específicos exigidos para o transporte de superfície. 2.3.2. Do acima temos que as agências de turismo podem exercer dois tipos de atividade: de intermediação stricto sensu ou de fornecimento direito dos produtos turísticos aos consumidores final. Desta forma, quer parecer que o § 3° do artigo 27 acima descreve uma das duas formas de atuação das agências de turismo, a intermediação. O § 2° vem em complemento do § 3° esclarecendo a remuneração de uma das duas formas de atuação das agências de turismo, a intermediação. O caput do artigo 27 descreve que as agências de turismo podem atuar como intermediárias ou fornecedoras de serviço; o § 3° descreve quais atividades compõe a intermediação, somente; o § 2° explicita a remuneração das atividades descritas no § 3°, somente. 2.3.3. Por este motivo, com a máxima vênia as sábias vozes em sentido contrário, não faz sentido afirmar que a agência de turismo age sempre como intermediária, ou que as atividades exercidas pelas agências de turismo são sempre de intermediação e somente “compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos (...) serviços turísticos fornecidos por terceiros”, ou ainda que as agências de turismo são somente remuneradas por “comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agrega[do] ao preço de custo desses fornecedores, [ou] taxa de serviço do consumidor”; ainda mais quando se tem em mente que, além de o caput do artigo 27 descrever atividade paralela à de intermediação – o fornecimento de serviços – o § 1° explicita as atividades que compõe o fornecimento de serviços pelas agências de turismo: Fl. 1933DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 § 1º São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. 2.3.4. É certo que o legislador poderia ser mais cuidadoso com o vernáculo e indicar no § 1° “são considerados fornecimento de serviços” ao invés de “são considerados serviços de operações de viagens”, porém, a diferença entre um e outro serviço (de intermediação e de fornecimento) é intuitiva: uma coisa é adquirir uma passagem aérea por meio de uma agência de viagem (123 milhas, decolar.com, etc), ou mesmo uma hospedagem por meio de site de agenciamento (Airbnb, trivago, hotéis.com, etc). Outra coisa completamente diferente é adquirir a experiência da viagem em que a hospedagem e o transporte são apenas partes, itens dentro de um pacote (com o perdão do trocadilho) maior – e este é, de um modo geral, a atividade das Agências de Turismo, como revela o parecer da lavra do professor FABIO ULHOA COELHO coligido aos autos com o Recurso Voluntário: Fl. 1934DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 .2.5. Ademais, a Lei Geral de Turismo teve como objetivo precípuo codificar as normativas esparsas sobre as atividades envolvendo Turismo - como revelam os itens 4 e 5 da Exposição de Motivos -, e, dentre as normas esparsas se encontra o Decreto 84.934/1980 em que a diferença entre a Agência de Turismo intermediária (artigo 2° incisos I e II) e fornecedora (artigo 2° inciso IV) está melhor sistematizada (e mais inteligível, portanto): Exposição de Motivos Lei 11.771/2008: 4. As atividades e serviços relativos ao setor turístico, até o presente momento, encontram-se disciplinados pela Lei no 6.505, promulgada em 13.12.1977. Por meio do Decreto no 84.910, de 1980, o qual tratou dos meios de hospedagem de turismo, restaurantes de turismo e acampamentos turísticos, e do Decreto n o 84.934, de 1980, que versou sobre as atividades e serviços das agências de turismo, foram definidas Fl. 1935DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 normas referentes aos prestadores de serviços turísticos. Em 1982, foi editado o Decreto no 87.348, que disciplinou a prestação de serviços de transporte turístico de superfície, e, em 1984, o Decreto no 89.707, que tratou das empresas prestadoras de serviços para a organização de congressos, seminários, convenções e eventos congêneres. O Decreto no 5.406, de 2005, regulamenta o cadastro obrigatório para fins de fiscalização das empresas prestadoras de serviços turísticos no País. 5. Em alguns estados membros existem disposições legislativas estaduais para regulamentarem atividades afins. O Projeto de Lei da Câmara dos Deputados no 5.120, de 2001, em andamento no Senado Federal com o no 22, de 2003, dispõe sobre atividades das agências de turismo. Assim existem diferentes propostas sobre a matéria que ora complementam-se, ora sobrepõem-se. A consolidação e a organização de referências e normas que disponham sobre o funcionamento da atividade constituem-se requisitos fundamentais para a legitimação e crescimento econômico do setor. Decreto 84.934/1980 Art. 2º. Constitui atividade privativa das Agências de Turismo a prestação de serviços consistentes em: I - venda comissionada ou intermediação remunerada de passagens individuais ou coletivas, passeios, viagens e excursões; II - intermediação remunerada na reserva de acomodações; III - recepção, transferência e assistência e especializadas ao turista ou viajante; IV - operação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização, contratação e execução de programas, roteiros e itinerários; V - representação de empresas transportadoras, empresas de hospedagem e outras prestadoras de serviços turísticos; VI - divulgação pelos meios adequados, inclusive propaganda e publicidade, dos serviços mencionados nos incisos anteriores. 2.2.5.1. Pede-se vênia pelo exemplo, porém ele é esclarecedor, a posição da Operadora de Turismo e Viagem é exatamente a mesma do restaurante ou da sala de cinema. A farinha, a água, o molho de tomate, o queijo, a azeitona (etc..), são custos para a produção da pizza. O valor que o pizzaiolo paga por estes itens são custos da formação do produto pizza. O direito de reprodução do filme é um custo do proprietário da sala de cinema, tal qual o milho para fazer a pipoca. O pizzaiolo não é agente ou representante do produtor da farinha, do queijo, da azeitona, etc. O dono da sala de cinema, igualmente, não é representante ou agente da Paris Filmes ou da Paris Hilton. 2.2.5.2. Do mesmo modo, o que a operadora de turismo vende é a experiência turística, e, nesta encontram-se como itens o hotel, o traslado, o transporte, os passeios, etc. Em assim sendo, o fato de possuir ou não aeronaves ou hotéis (ou autorização para operá-los) é absolutamente indiferente para a qualificação da atividade da Recorrida, assim como o é o fato de o dono do restaurante ser ou não dono de um hectare de trigo ou de o dono da sala de cinema ser ou não dono de uma câmera. 2.3.6. Fixado que a atividade e a remuneração das agências de turismo não estão descritas, numerus clausus, nos §§ 2° e 3° do artigo 27 da Lei 11.771/2008,e a composição de Fl. 1936DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 cada uma destas atividades resta analisar se no caso concreto a Recorrida PRESTOU SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO OU DE OPERAÇÃO DE VIAGEM e seus impactos na base de cálculo das contribuições. 2.3.6.1. Assim o é vez que o artigo 46 da Lei 11.771/2008 fixava a base de cálculo das contribuições nas atividades de turismo (intermediação ou operação) como “o preço da comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo destes fornecedores”. Todavia, o antedito artigo foi vetado, e não apenas com base na LRF (como alega um dos pareceres), mas porque “com esta medida deforma-se-[ia] tanto o conceito do lucro como o de faturamento/receita bruta, prejudicando todo o sistema de tributação presente na legislação. Isto porque esses tributos não devem incidir sobre o valor agregado, como pretende o artigo, mas sim sobre os preços e valores recebidos”. A mensagem do veto é clara, não há qualquer diferença entre a tributação das agências de turismo e das operadoras de turismo em comparação com outras atividades; a base de cálculo é, sempre, o valor do serviço prestado pelo contribuinte – assunto dos próximos parágrafos. 2.3.7. Como bem destaca o professor MARCO AURÉLIO GRECO, no contrato de intermediação nomeado de agência (art. 710 caput do Código Civil) uma pessoa (o agente) se compromete a promover, à conta de outra (o proponente), negócios, em seu nome, podendo o proponente nomear o agente como seu representante na conclusão dos negócios (art. 710 parágrafo único do Código Civil). Desta feita ou a) o proponente entabula os contratos com o interessado captado pelo agente ou b) o proponente é representado no contrato pelo agente. 2.3.7.1. Todavia, no presente caso, todos contratos coligidos aos autos pela Recorrida ou são com seus fornecedores ou com seus clientes. Não há nos autos qualquer contrato que indique o cliente da Recorrida como cliente de um dos seus fornecedores, ou que os fornecedores apareçam como garantes/mandantes da prestação de serviços. Em alguns casos o nome do fornecedor da Recorrida sequer aparece no contrato, não obstante todos os serviços turísticos tenham sido regularmente contratados. 2.3.7.2. Por exemplo, o contrato de fls. 199/229 descreve como objeto uma excursão para Maceió de nove dias e oito noites, no valor de R$ 3.677,12: Fl. 1937DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 2.3.7.2.1. Contudo, não há no contrato qualquer indicação da companhia aérea que realizará os transportes ou do hotel em que serão feitas as hospedagens e ambos foram regularmente contratados pela Recorrida: 2.3.7.2.2. Desta feita, a responsabilidade de contratação dos itens hotéis e transportes, a possibilidade de decidir sobre o serviço em si (nos termos descritos pelo professor GRECO para qualificar a atividade por conta própria), era exclusivamente da Recorrida que Fl. 1938DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 poderia, ao seu talante, contratar com aquele que melhor lhe aprouvesse, fato que não se coaduna com a posição de intermediário. 2.3.7.3. Corrobora com o antedito o fato de a Recorrida assegurar ao cliente a opção de alteração da contratação inicial podendo “(a) usufruir de um novo roteiro, bilhete ou serviço turístico contratado no momento da alteração ou (b) obter uma carta de crédito para usufruir dos serviços turísticos em momento posterior, por uma única vez, no prazo de 18(dezoito) meses” (fls. 1090/112). Estivéssemos a tratar de uma simples venda de passagem aérea e hospedagem de terceiros, a Recorrida não garantiria a alteração de origem e destino. O crédito a receber seria do hotel que, certamente, não permitiria o envio deste a seu concorrente, em outro Estado, em outra data. 2.3.8. Claro que, em outros contratos o nome dos fornecedores da Recorrida aparece no campo serviços intermediados, porém, em primeiro lugar, os fornecedores dos serviços intermediados não são indicados quer como contratados ou como mandantes da Recorrida/Contratada. Ademais, sem prejuízo de o contrato indicar como objeto serviço de intermediação, o credor da contraprestação pecuniária ao serviço prestado, aquele que pode exigir o cumprimento coativo desta prestação é a Recorrida e não seus fornecedores, inclusive sob pena de sanções contratuais: 2.3.8.1. É básico de qualquer relação obrigacional (na esfera cível, é bom que se alerte) que débito (Schuld) e responsabilidade (Haftung) estão intimamente relacionados; se de um lado há um débito é porque de outro há uma responsabilidade; se de um lado há um interesse juridicamente protegido livremente exercível por seu titular, de outro, o titular também tem uma responsabilidade intimamente correlacionada com este interesse – é nisto que consiste o vínculo obrigacional. Receber algo de outrem (débito) sem precisar fazer algo (responsabilidade) ou é doação ou é enriquecimento sem causa. O objeto da contraprestação auferida pela Recorrida é a íntegra dos valores recebidos, logo, a responsabilidade pela prestação, o serviço prestado pela Recorrida também é a íntegra. 2.3.8.2. Evidentemente, é possível a legitimação extraordinária para exercer direitos em nome de outrem, porém esta legitimação é (bem) extraordinária, deve ser demonstrada e, in casu, não o foi. 2.3.9. Os contratos da Recorrida com seus fornecedores revelam, de forma ainda mais clara, a natureza dos serviços por ela prestados. Em seu Curso, o professor FÁBIO ULHOA COELHO dispõe que todo contrato comercial, inclusive a compra e venda mercantil é uma forma de intermediação, ou seja, de aproximar o produtor do consumidor final. Todavia, o renomado autor aponta diferenças entre o contrato de fornecimento (compra e venda) e aproximação/colaboração (intermediação stricto sensu). No fornecimento o adquirente não se compromete com o desenvolvimento do negócio do fornecedor, apenas ajusta preço e produto, Fl. 1939DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 adquirindo-o, por este motivo, inclusive, no fornecimento não há direito a indenização em caso de cessação da produção. 2.3.9.1. Já no contrato de colaboração “o traço essencial (...) é exatamente a articulação entre as empresas das partes contratantes. Existe contrato de colaboração, assim, apenas se um dos empresários assume a obrigação contratual de ajudar a formação ou ampliação do mercado consumidor do produto fabricado ou comercializado pelo outro [sendo que] (...) “o elemento comum a qualquer espécie de contrato de colaboração é a subordinação da empresa do colaborador à do fornecedor” (COELHO, p. 110). 2.3.10. Nenhum dos contratos coligidos aos autos goza de cláusula de indenização por rescisão imotivada antecipada. Nos contratos da TAM (fls. 796/804), Air France, KLM e Alitalia (fls. 805/18), Turkish (fls. 836/917), Qatar Airways (fls. 918/36), TAP (fls. 937/40) – bem como da GOL (fls. 785/95), com algumas especificidades – e em todos os demais contratos com as redes hoteleiras não há qualquer tipo de subordinação entre a Recorrida e os contratantes sendo que os contratos da Qatar e da Turkish tratam de venda de passagens em grupo para a Recorrida e os demais contratos de venda de passagens para a Recorrida: 2.3.10.1. O contrato com a VRG (fls. 785/95) - não obstante a ausência de subordinação - aparenta em uma primeira leitura ser de intermediação, posto que dispõe acerca da possibilidade de o cliente final fazer o pagamento das passagens aéreas diretamente para a VRG em troca de uma comissão para a Recorrida. Todavia, estas cláusulas estão em aparente conflito com outras que expressam que a Recorrida, em verdade, goza de um crédito com a VRG na aquisição de passagens e que, passado período de tempo, a VRG exige, exclusivamente da Recorrida, os valores das passagens emitidas por meio de boleto bancário. Ainda, ao observarmos os contratos da Recorrida com os clientes finais em que a GOL aparecesse como Fl. 1940DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 transportadora, nota-se que há o recebimento integral do pacote pela Recorrida com posterior pagamento à VRG em bloco (tal como reza o contrato): 2.3.11. Somente nos contratos da Recorrida com a Etihad Airways (fls. 825/33) e a South African (fls. 834/5) há previsão de alguma colaboração entre as partes com contraprestação em forma de comissão: Fl. 1941DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 2.3.11.1. Todavia, não há nos autos qualquer contrato entre o cliente final e as empresas acima citadas ou ainda contrato em que estas empresas figurem como prestadoras de serviço, impedindo maiores digressões sobre os serviços efetivamente prestados neste caso. 2.3.12. Destarte, demonstrado que a Recorrida não agiu como mera intermediária dos serviços que transacionou, os valores destinados a terceiros são custos de sua atividade não podendo ser excluídos da base de cálculo das contribuições na forma brilhantemente pronunciada pelo Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira no Acórdão 3201-003.727: AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria Fl. 1942DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 9303-014.453 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10805.725776/2017-81 agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. 3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do recurso especial da Fazenda Nacional dando-lhe integral provimento. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 1943DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12466.723979/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 23/10/2006, 28/01/2009
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103.
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais).
Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-012.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 39 79 /2 01 1- 61 Fl. 334DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.205 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12466.723979/2011-61 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso de Ofício interposto contra o Acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou PROCEDENTE/PROCEDENTE EM PARTE, para DECLARAR A NULIDADE dos Autos de Infração objeto da presente lide, de modo a EXONERAR os respectivos créditos tributários. Diante do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade do Recurso de Ofício Nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 34, inc. I, e da Portaria MF nº 02/2023, cabe recurso de ofício (remessa necessária) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sempre e quando exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Assim, em atenção à previsão dos dispositivos retro mencionados e em convergência com a Súmula CARF nº 10 para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, verifica-se que o Acórdão recorrido promoveu a exoneração inferior ao atual limite de alçada, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. Por essa razão, voto por não conhecer do recurso de ofício. Fl. 335DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.205 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12466.723979/2011-61 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 336DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720252/2011-62
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, na hipótese de inexistir comprovação de pagamento parcial.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DESCABIMENTO.
O contribuinte individual que prestar serviço, durante o mês, a uma ou mais empresas ou pessoas físicas, ou exercer atividade por conta própria, deve recolher a contribuição previdenciária sobre a totalidade dos rendimentos auferidos, respeitado o limite máximo do salário-de-contribuição.
Numero da decisão: 2004-000.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, na hipótese de inexistir comprovação de pagamento parcial. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DESCABIMENTO. O contribuinte individual que prestar serviço, durante o mês, a uma ou mais empresas ou pessoas físicas, ou exercer atividade por conta própria, deve recolher a contribuição previdenciária sobre a totalidade dos rendimentos auferidos, respeitado o limite máximo do salário-de-contribuição.
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INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, na hipótese de inexistir comprovação de pagamento parcial. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DESCABIMENTO. O contribuinte individual que prestar serviço, durante o mês, a uma ou mais empresas ou pessoas físicas, ou exercer atividade por conta própria, deve recolher a contribuição previdenciária sobre a totalidade dos rendimentos auferidos, respeitado o limite máximo do salário-de-contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda – Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Regis Xavier Holanda (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão de impugnação da DRJ que julgou procedente o lançamento. Segue a ementa da decisão: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 02 52 /2 01 1- 62 Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2004-000.026 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18088.720252/2011-62 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DECADÊNCIA. COMPOSIÇÃO DA REMUNERAÇÃO. MULTA. Inexistindo pagamento antecipado, o prazo decadencial para o lançamento das contribuições de seguridade social obedece a regra do art. 173, I do CTN. O salário de contribuição do segurado Contribuinte Individual que presta serviços por conta própria, é a sua remuneração mensal, assim entendido o total de seus rendimentos, observado o limite máximo previsto na legislação. A multa aplicada em conformidade com a lei não pode ser reduzida ou dispensada. Conforme o relatório fiscal e o relatório da decisão recorrida: Trata-se de Auto de Infração lavrado para exigência de contribuições previdenciárias de contribuinte individual – profissional liberal – médico psiquiatra, incidentes sobre remuneração recebida na prestação de serviços a pessoas físicas, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008. O crédito tributário, consolidado em 04/10/2011, totalizou R$ 18.524,43 (dezoito mil, quinhentos e vinte e quatro reais e quarenta e três centavos). O Relatório Fiscal de fls. 14/18, quanto aos fatos geradores objeto do lançamento, informa tratar-se de divergências entre os valores declarados pelo sujeito passivo a título de rendimentos auferidos pela prestação de serviços a pessoas físicas na Declaração Anual de Ajuste do Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF e os valores por ele considerados para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. Esclarece que foi aplicado o percentual de 20% (vinte por cento) sobre a remuneração recebida, e observado o limite máximo do salário de contribuição, em obediência ao disposto no parágrafo 5º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991. Informa que foram deduzidos da base de cálculo, quando existentes, os valores da remuneração sobre a qual houve recolhimento e/ou declaração em GFIP de contribuição previdenciária ao RGPS, nas categorias de segurado empregado e/ou contribuinte individual, e elabora planilha demonstrativa de referidos valores (fls. 19/20). Informa ainda as penalidades e cita os relatórios anexos ao Auto de Infração que integram o presente processo. Cientificado da autuação em 11/10/2011 (AR de fls. 38), o autuado apresentou impugnação tempestiva em 11/11/2011 por meio do arrazoado de fls. 39 a 53, cujos argumentos estão a seguir sintetizados: Irresignado com a decisão da DRJ, em seu recurso voluntário o sujeito passivo basicamente alegou o seguinte: - decadência: as contribuições relativas aos fatos geradores ocorridos de janeiro a agosto de 2006 estão decaídas e é nulo o lançamento; - alternativamente, devem ser excluídas do lançamento essas contribuições; - despesas necessárias ao exercício da profissão: o auditor fiscal desconsiderou as despesas necessárias ao exercício da profissão, tais como aluguel, energia elétrica, água etc.; - cita jurisprudência do CARF relativa ao IRPF. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2004-000.026 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18088.720252/2011-62 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 2 Decadência e nulidade do auto de infração Conforme acima relatado, o recorrente defende que as contribuições relativas aos fatos geradores ocorridos de janeiro a agosto de 2006 estariam decaídas e que seria nulo o lançamento. Subsidiariamente, o recorrente pediu a exclusão, do lançamento, das contribuições desse período. Deve ser rejeitada a alegação de decadência e, consequentemente, de nulidade. Conforme notado pela decisão recorrida, embora a autoridade lançadora tenha afirmado que teriam sido abatidas, do lançamento, as contribuições recolhidas, o demonstrativo dos valores demonstra que não houve nenhum recolhimento relativo ao presente período de apuração. Isto é, o recorrente não realizou recolhimentos antecipados parciais das contribuições lançadas neste processo administrativo fiscal, o que afasta a possibilidade de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN. O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º ou art. 173, I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização, bem como a inexistência de dolo, fraude ou simulação. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, I. Expirado o prazo, considera-se realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Se, por outro lado, não houver o pagamento prévio pelo contribuinte, não há homologação (expressa ou tácita) a ser exercida pelo Fisco e o direito de constituição do crédito não é contado do fato gerador, mas sim do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No mesmo sentido, o entendimento do colendo STJ em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2004-000.026 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18088.720252/2011-62 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacou-se) Tendo inexistido recolhimentos antecipados parciais, é aplicável ao caso a regra do art. 173, I, do CTN. Quando o sujeito passivo tomou ciência do auto de infração, em 11/10/2011, não havia transcorrido o prazo decadencial. 3 Dedução de despesas necessárias Em linhas gerais, o recorrente pretende que sejam deduzidas da base de cálculo das contribuições as despesas necessárias ao exercício da profissão, tais como aluguel, energia elétrica, água etc. A pretensão do recorrente não deve prosperar. O recorrente exerce atividade remunerada como autônomo, sendo, pois, segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social como contribuinte individual. Logo, e nos termos da legislação, o recorrente tem a obrigação de arcar com as contribuições incidentes sobre a totalidade dos valores pagos por pessoas físicas e jurídicas, dentro do mês, em decorrência dos serviços prestados, observado o limite máximo do salário-de-contribuição. Há previsão legal expressa no art. 28, III, da Lei 8212/91, sobre a incidência das contribuições sobre a totalidade da remuneração auferida. Veja-se: Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2004-000.026 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18088.720252/2011-62 Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme art. 21 da citada lei, o salário-de-contribuição consiste exatamente na base de cálculo sobre a qual incide a alíquota de 20% das contribuições: Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo salário-de-contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Ao contrário do imposto de renda pessoa física, cuja base de cálculo, para o autônomo, admite a dedução de despesas necessárias ao exercício da atividade (livro caixa), a contribuição do contribuinte individual incide sobre o rendimento bruto, sendo descabida a dedução de despesas pleiteada. 4 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 110DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005024/2005-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 30/03/2001, 31/05/2001.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) – CONTROLE
ADMINISTRATIVO. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. NULIDADE
INEXISTENTE.
O MPF tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e eventuais descumprimento de comandos normativos em relação ao MPF não acarreta a nulidade do lançamento, ainda mais quando, expressamente determina que sejam efetuadas as verificações obrigatórias dos tributos e contribuições administrados pela SRF pelo período dos últimos
05 anos.
DECADÊNCIA.
A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contando-se a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN).
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a impugnação, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Numero da decisão: 3801-001.114
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos em
reconhecer que operou a decadência em relação ao fato gerador ocorrido em maio de 2000. II - Pelo voto de qualidade negou-se
provimento ao recurso em relação às demais matérias.
Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que reconheciam a nulidade do procedimento fiscal em face de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF).
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 30/03/2001, 31/05/2001. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) – CONTROLE ADMINISTRATIVO. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. NULIDADE INEXISTENTE. O MPF tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e eventuais descumprimento de comandos normativos em relação ao MPF não acarreta a nulidade do lançamento, ainda mais quando, expressamente determina que sejam efetuadas as verificações obrigatórias dos tributos e contribuições administrados pela SRF pelo período dos últimos 05 anos. DECADÊNCIA. A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contando-se a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a impugnação, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.005024/200548 Recurso nº 268.723 Voluntário Acórdão nº 380101.114 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de março de 2012 Matéria COFINS/PIS AUTO DE INFRAÇAO Recorrente GAMESA SERVIÇOS BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 30/03/2001, 31/05/2001. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) – CONTROLE ADMINISTRATIVO. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. NULIDADE INEXISTENTE. O MPF tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e eventuais descumprimento de comandos normativos em relação ao MPF não acarreta a nulidade do lançamento, ainda mais quando, expressamente determina que sejam efetuadas as verificações obrigatórias dos tributos e contribuições administrados pela SRF pelo período dos últimos 05 anos. DECADÊNCIA. A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contandose a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a impugnação, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I Por unanimidade de votos em reconhecer que operou a decadência em relação ao fato gerador ocorrido em maio de 2000. II Pelo voto de qualidade negouse provimento ao recurso em relação às demais matérias. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 2 2 Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que reconheciam a nulidade do procedimento fiscal em face de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 05/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Tratase de Auto de Infração (fls. 06/12) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativa aos períodos de apuração de 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/05/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/03/2001 a 30/03/2001, 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/12/2002 a 31/12/2002. Em face da edição da Portaria SRF nº 6.129, de 02 de dezembro de 2005, o presente processo também pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (Auto de Infração fls. 323/329), pertinente aos mesmos períodos de apuração. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 13/15 e fls. 330/332), que é parte integrante dos Autos de Infração, os autuantes descrevem os passos do procedimento fiscal, expondo as diferenças que encontraram entre os valores escriturados pela empresa e os declarados em DCTF. Os auditoresfiscais apresentam, ainda, planilha com as diferenças apuradas (fl. 16 e fl. 333) Cientificada da exigência fiscal em 28.06.05, a autuada apresenta Impugnação em 27.07.05 (Cofins fls. 106/115 e PIS fls. 424/433), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) utilizado para iniciar a fiscalização previa tãosomente a fiscalização do IRPJ; Assim, os autos lavrados pretendendo a cobrança de tributos diversos, como o PIS e a Cofins, padecem de nulidade; Requer a juntada de laudo pericial, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972; Com relação aos períodos autuados do ano 2000, as diferenças encontradas pelos autuantes entre os valores lançados na escrita contábil e as quantias declaradas/recolhidas decorrem de valores que foram retidos quando do pagamento de receitas por órgãos públicos à impugnante, conforme preceitua o art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996; Quanto aos períodos de março e maio de 2001, houve erro por parte dos autuantes, que, na análise da escrita contábil, tomaram simples provisões para pagamento de PIS e Cofins como se fossem os valores devidos, não percebendo que parte das provisões foram posteriormente revertidas; Fl. 740DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 4 4 Quanto ao período de dezembro de 2002, não atentaram os autuantes ao fato de que parte das receitas decorriam da prestação de serviços ao Ministério de Minas e Energia, e que neste caso é autorizado o diferimento do recolhimento do PIS e da Cofins, conforme art. 7º da Lei nº 9.718, de 1998; Diante do escasso prazo para obtenção e organização de todos os documentos necessários à ampla e irrestrita prova de seus argumentos, protesta pela posterior juntada de alegações e documentos comprobatórios, nos termos do art. 16, § 4º, alínea “a”, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Em 29.08.05 a contribuinte apresenta novos documentos (Anexos I a VI), conforme protestado à época da impugnação. A DRJ em Salvador Campo Grande (MS) julgou procedentes em parte os lançamentos da Cofins e do PIS, nos termos da ementa abaixo transcrita: NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando o MPF, que é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, contiver determinação expressa de verificações obrigatórias em relação a todos os tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. O contribuinte possui o ônus probatório de apresentar os comprovantes de retenção por órgãos públicos. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. Portanto, DCTF retificada após a fiscalização não será considerada no julgamento administrativo. CONTRATO COM PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. PAGAMENTO. DIFERIMENTO. No caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, o pagamento da Cofins poderá ser diferido, pelo contratado, até a data do recebimento do preço. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em bora o processo de nº 10580.005023/200501, referente à contribuição PIS, tenha sido anexado a este, Termo de Juntada por Anexação às fl. 317, a recorrente apresentou recursos distintos para as contribuições Cofins e PIS. Em síntese apresentou os mesmos argumentos das impugnações e em petições avulsas, acrescentando basicamente que: Preliminar. Da Nulidade do Auto de Infração: Flagrante Vício Formal do Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 741DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 5 5 ao contrário do que afirmaram os ilustres Julgadores de primeira instância administrativa, o Mandado de Procedimento Fiscal não consiste, tãosomente, num "mero instrumento de controle interno". Tratase, em verdade, de uma ordem ou determinação a um subordinado manifestada por autoridade hierarquicamente superior, ou seja, é um comando para a execução de uma atividade especifica voltada à verificação da prática ou cumprimento de determinadas obrigações tributárias; muito embora o agente que efetuou o lançamento no presente caso seja competente para a prática desse ato (por se tratar de um Auditor da Receita Federal), o exercício dessa competência depende da autorização conferida pelo Mandado de Procedimento Fiscal, que estabelece o âmbito e o alcance do procedimento de fiscalização; a Portaria SRF 1.265/99 estabelece em seu art. 7, § 18 que o Mandado de Procedimento FiscalF deve indicar "o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado". E, caso fosse necessária uma alteração do Mandado de Procedimento Fiscal para inclusão de outros tributos não previstos, bastaria a expedição de um Mandado de Procedimento Fiscal Complementar conforme dispõe o art. 10 da Portaria SRF nº. 1.265/99; em momento algum foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), como determina a legislação, ocasionando, assim, a nulidade do Auto de Infração, já que o lançamento do crédito tributário de PIS e Cofins foi formalizado por agente do Fisco que não estava habilitado para o exercício específico da competência tributária; Preliminar de decadência embora a alegação de decadência não tenha sido deduzida na Impugnação Administrativa apresentada, há de ser apreciada por este eg. Conselho de Contribuintes, por se tratar de questão de ordem pública e por constituir causa extintiva do crédito tributário, prevista no art. 156, V, do Código Tributário Nacional; por se tratar a Cofins de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, a recorrente identificou os fatos geradores das obrigações tributárias, calculou o montante devido e antecipou o respectivo pagamento. Por sua vez, a Fiscalização, exercendo seu direito de rever o procedimento realizado pelo contribuinte, lançou valores que entendia devidos, fundamentandose em uma pretensa insuficiência de recolhimentos; todavia, no momento em que o Auto de Infração ingressou no mundo jurídico (28/06/2005, data da efetiva notificação do contribuinte ver doc. 03), já havia ocorrido a perda do direito da Receita Federal do Brasil de rever o lançamento por homologação relativamente aos fatos geradores anteriores a 28.06.2000, em razão do quanto disposto no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional; Fl. 742DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 6 6 operouse a decadência de parte dos créditos tributários exigidos no presente Auto de infração, uma vez que a notificação de sua lavratura se deu após transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos contados do fato gerador da contribuição; Mérito: retenções realizadas no ano 2000 com relação ao argumento de compensação efetuada pela recorrente, não poderia a 4ª Turma de Julgamento ter deixado de apreciálo, uma vez que a compensação constitui causa extintiva do crédito tributário, na forma do art. 156, II, do Código Tributário Nacional; a recorrente possuía o legítimo direito ao crédito, materializado no Processo Administrativo Fiscal nº. 10580.015994/9998, e, tendo sido negado pela Secretaria da Receita Federal o ressarcimento do tributo, foi determinado que o crédito fosse utilizado para quitar os débitos pendentes. E assim procedeu a recorrente; a simples desconsideração do argumento defensivo, no caso sob exame, implica a nulidade da decisão administrativa recorrida, devendo os autos retornarem para a primeira instância, a fim de que se aprecie o argumento de compensação; Mérito: ano de 2001 informa que está realizando diligências para localizar em seus arquivos os documentos que demonstrem a venda isenta realizada em março de 2001. Por fim, a recorrente pleiteou que fosse declarada a nulidade do lançamento fiscal efetuado, em virtude do flagrante vício formal do Mandado de Procedimento Fiscal que o originou, e que na remota hipótese deste Eg. Conselho rejeitar a preliminar, requereu que fosse provido seu Recurso Voluntário, julgandose improcedentes os Autos de Infração. É o relatório. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A recorrente, em preliminar, sustenta a nulidade do procedimento fiscal em face de flagrante vício formal do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), uma vez que ele continha determinação específica para a fiscalização de IRPJ. Não assiste razão à recorrente, pois o MPF tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. Por seu turno, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do § único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, quando o AuditorFiscal identificar uma infração à legislação tributária, ele tem o dever funcional de efetuar o lançamento correspondente a esta infração ou, no caso de ser incompetente para formalizar a exigência, representar para seu chefe imediato, que, por seu turno, adotará as providências necessárias para a constituição do crédito tributário. Não se pode perder de vista que a exigência de crédito tributário por meio de lançamento de ofício deve observar os procedimentos previstos no Decreto nº 70.235/72, em especial os requisitos formais estabelecidos nos arts. 9 e 10. Do exame do lançamento em questão, constatase que estes requisitos foram observados pela autoridade fiscal, de sorte que não há que se falar em nulidade do lançamento por eventuais vícios na emissão do MPF. Cumpre observar que o descumprimento de comandos normativos em relação ao MPF, pode, em tese, configurar um ilícito funcional, todavia eventuais omissões ou incorreções não acarretam a nulidade do lançamento. Em casos análogos, esta tese também foi acolhida, ainda que por maioria, em julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais: (...) NULIDADES. VICIO NO MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo AuditorFiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Processo nº 13819.001389/200127, Acórdão nº 0203.717, de 27/11/2008) Fl. 744DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 8 8 MPF. NULIDADE. O desrespeito à previsão de indicação no MPF do período ou tributos fiscalizados não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do Auditor Fiscal da Receita Federal de fiscalizar e promover lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Primeira Turma, Processo nº 10235.000197/200508, Acórdão nº 910100.414, de 03/11/2009). Além do mais, no MPF originário, 05.1.01.002004005096, emitido em 17/08/2004, fl. 1, consta autorização expressa para que os AuditoresFiscais efetuassem as verificações obrigatórias referentes aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos, conforme o disposto no § 1º do art. 7º da Portaria SRF 3.007/01 com a redação dada pela Portaria SRF 1.468/2003, vigente a época do lançamento, a saber: § 1o O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes dos Anexos I e III.. Assim sendo, nos termos das verificações obrigatórias constantes do MPF original, verificase que no caso vertente o crédito tributário decorreu exatamente da diferença encontrada entre os valores declarados e/ou omitidos pela contribuinte a título da contribuições Cofins e PIS e os obtidos através da análise de sua escrituração contábil e fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 13 a 16. Outra questão relevante consiste em observar que no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que o auto de infração foi lavrado por servidor competente e o inciso II aplicase, apenas, aos casos de despachos e decisões, ressaltando que o auto de infração enquadrase na categoria de atos e termos processuais prevista no inciso I do aludido artigo. Em remate, rejeitase a alegação de nulidade dos lançamentos de ofício por eventual vício no Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 9 9 De outro giro, a recorrente argumenta que operouse a decadência de parte dos créditos tributários exigidos no presente Auto de infração, fatos geradores anteriores a 26/06/2000, uma vez que a notificação de sua lavratura se deu após transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos contados do fato gerador da contribuição. Embora essa preliminar somente tenha sido apresentada por ocasião da interposição dos recursos voluntários, ela será objeto de exame por ser matéria de ordem pública. A Lei nº 8.212/91 estabelecia em seu art. 45 que o prazo do direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos era de 10 (dez) anos. Ocorre, todavia, que o Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), após analisar a matéria em sede de controle difuso de constitucionalidade (precedentes recursos extraordinários nºs. 559.9434, 559.8829, 560.6261 e 556.6641), editou a seguinte súmula vinculante: “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A propósito dos efeitos da súmula vinculante, o artigo 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Neste sentido, é o disposto no art. 2º da Lei 11.417/2006: “Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei.” Destarte, após a publicação desta súmula no DOU em 20/06/2008 com eficácia imediata para a Fazenda Pública, é inconteste que o prazo decadencial é o estabelecido no Código Tributário Nacional A contribuição Cofins é sujeita à sistemática do lançamento por homologação. Assim sendo, se houver pagamento antecipado da contribuição em tela, aplicase a regra decadencial do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional: Fl. 746DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 10 10 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifouse) Por outro lado, não havendo pagamento, a regra a ser aplicada é a geral do art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Este também é o magistério de Leandro Paulsen: No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, podem ocorrer duas hipóteses quanto à contagem do prazo decadencial do Fisco para a constituição de crédito tributário: I) quando o contribuinte efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício de eventual diferença a maior, ainda devida, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, forte no art. 150, § 4º do CTN; 2) quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte ao de ocorrência do fato gerador, o que decorre da aplicação, ao caso, do art. 173, I, do CTN. Importante é considerar que, conforme o caso, será aplicável um ou outro caso prazo; jamais os dois sucessivamente, pois são excludente um do outro. Ou é o caso de aplicação da regra especial ou da regra geral, jamais aplicandose as duas no mesmo caso. (Leandro Paulsen, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2010, p. 1.190 e 1.191). Fl. 747DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 11 11 Nessa esteira é o Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008: (...) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; O Superior Tribunal de Justiça também consolidou esse entendimento, inclusive em sede de recurso repetitivo de controvérsia: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.INCIDÊNCIA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Súmula Vinculante n. 8, publicada no DO de 20.6.2008, com este teor: "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5.º do DecretoLei n. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 2. Nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação é de se aplicar o art.173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. No REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543C do CPC, reafirmouse tal posicionamento (grifouse). (REsp 1090021, DJe 05/05/2010) Anotese que, segundo demonstrativo de apuração e planilha de diferenças apurada, a interessada não efetuou pagamentos parciais dos débitos em discussão para o fato gerador de 31/01/2000, de sorte que neste período de apuração aplicase a regra geral do art. 173, I do CTN. Assim sendo e tendo em vista que a ciência pessoal ocorreu em 31/05/2000, fls. 07 e 323, quando não havia transcorrido prazo superior a 05 (cinco) anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. E, iniciada sua contagem em 01/01/2001, regular é o lançamento cientificado antes de 31/12/2005. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 12 12 De outro lado, e segundo referidos demonstrativos, a interessada efetuou pagamentos parciais dos débitos em discussão a partir do fato gerador de 31/05/2000, de sorte que em relação a esse período de apuração aplicase a regra do art. 150, §4º, do CTN. Como visto, os lançamentos de ofício correspondem a períodos de apuração dos anos de 2000 e 2001 e a ciência pessoal ocorreu em 28/06/2005. Assim para os períodos em que houve recolhimentos, o prazo de 05 (cinco) anos é contado da ocorrência do fato gerador. Destarte, aplicandose como termo inicial a data da ocorrência do fato, constatase que encontrase atingido pelo instituto da decadência o período de apuração de maio de 2000. Em suma, aplicandose o art. 150, §4º, do CTN, operouse o instituto da decadência tãosomente em relação aos fato gerador ocorrido em maio de 2000. No mérito, em relação aos períodos de apuração de 2000, a recorrente argumentou inicialmente que as divergências apuradas pela fiscalização decorreram de valores de tributos que foram retidos na fonte por órgãos públicos quando do pagamentos do serviços tomados, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. Essa tese não merece ser acolhida por falta de provas, pois o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da impugnação. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A requerente teve a oportunidade de comprovar as supostas retenções efetuadas por órgãos públicos, todavia limitouse a informar que está realizando diligências para localizar em seus arquivos os documentos que demonstrem que houve retenção pelos órgãos públicos. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, Fl. 749DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 13 13 desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Por seu turno, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetivamente ocorrerem as retenções, a recorrente tinha por obrigação legal de juntar aos autos administrativos os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Outrossim, com referência aos períodos de apuração do ano de 2000, a interessada reiterou a tese apresentada após a impugnação de que os débitos lançados foram objeto de compensação realizada com créditos originários do PAF nº 10580.015994/9998. Ocorre, todavia, que a interessada apresentou alegações genéricas sem colacionar os respectivos documentos que comprovassem seu direito. A recorrente deveria apresentar os respectivos atos administrativos do PAF nº 10580.015994/9998 que homologaram, em tese, as pretensas compensações. Vale ressaltar, que em consulta ao sistema Comprot ( consulta de processo do Ministério da Fazenda), constatase que o processo nº 10580.015994/9998 encontrase arquivado desde 12/12/2000. Deste modo, por falta de comprovação, rejeitase a tese de compensação. Quanto aos débitos do ano de 2001, a recorrente apenas informa que está procedendo a diligências para localizar em seus arquivos os documentos que demonstrem a venda isenta realizada em março de 2001. Como amplamente demonstrado, as teses de defesa devem ser acompanhadas dos respectivos documentos comprobatórios de seu direito. Ora, constitui ônus da interessada a comprovação da suposta venda isenta. Alegar sem comprovar é como não alegar. Assim, a interessada não logrou comprovar o seu direito, portanto, em relação aos débitos de 2001, o lançamento de ofício deve ser mantido. Além disso, como visto, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, o que não ocorreu no caso vertente, salientando que a recorrente teve tempo mais do que suficiente para comprovar as suas alegações. Ante ao exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que operou a decadência em relação ao fato gerador ocorrido em maio de 2000. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 750DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.005024/200548 Acórdão n.º 380101.114 S3TE01 Fl. 14 14 Fl. 751DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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