Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.729842/2013-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-006.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.729842/2013-43
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885599
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.870
nome_arquivo_s : Decisao_11080729842201343.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 11080729842201343_5885599.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7372820
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586554826752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.729842/201343 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.870 – 2ª Turma Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANTA ELAINE OLIVEIRA GONCALVES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 42 /2 01 3- 43 Fl. 170DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202.004.025 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 4 de julho de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 100: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, foi efetuado lançamento de ofício, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 1 e seguintes. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ)) julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 58 e seguintes. Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, por meio do Acórdão n.º 2202.004.025, foi dado provimento ao recurso, fls. 100 e seguintes. Após ciência da referida decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por entender a recorrente que deve ser mantido do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose, tão somente, o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 1 a 10, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11080.729842/201343 Acórdão n.º 9202006.870 CSRFT2 Fl. 3 3 a) devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos; b) não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Após a intimação, em sede de contrarrazões, a contribuinte não se manifestou com relação ao conhecimento do recurso e, quanto ao mérito, em síntese, pleiteou a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade, em consonância com o Despacho de Admissibilidade, fls. 1 e seguintes. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Fl. 172DF CARF MF 4 Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11080.729842/201343 Acórdão n.º 9202006.870 CSRFT2 Fl. 4 5 Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10813.720142/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/12/2013
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com ou sem trânsito em julgado, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-004.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/12/2013 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com ou sem trânsito em julgado, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10813.720142/2014-90
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894240
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.766
nome_arquivo_s : Decisao_10813720142201490.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10813720142201490_5894240.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7402582
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586557972480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 264 1 263 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10813.720142/201490 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.766 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria ISENÇÃO DE TRIBUTOS NA IMPORTAÇÃO Recorrente PAULO CESAR GOMES SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/12/2013 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com ou sem trânsito em julgado, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 3. 72 01 42 /2 01 4- 90 Fl. 267DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1668.349, proferido pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: A impugnante promoveu o registro da declaração de importação DI n° 13/24325501 em 10/12/2013 oferecendo a despacho aduaneiro um veículo descrito como: “AUTOMOVEL NOVO, TOYOTA SIENNA XLE MINI VAN 2013, COR: CINZA PREDAWN MICA, COMBUSTIVEL: GASOLINA, TRANSMISSAO AUTOMATICA SEQUENCIAL DE 6 VELOCIDADES, VEICULO LEVE, ATE 6 PASSAGEIROS, COM RAMPA DE ACESSO PARA DEFICIENTE FISICO, MOTOR 3.5L, 6 CILINDROS, 24 VALVULAS DOHC, VVTi DUAL ETCSi, ACIS e SEFI, 266 hp 6,200 rpm, 245 ibpie 4,700 rpm, SISTEMA DE IGNICAO DIRETA TOYOTA, SISTEMA DE TRACAO DIANTEIRA, VSC (Vehicle Stability Control) e TRAC(Traction Control), CARROCERIA PECA ÚNICA COM CHASSIS DIANTEIRO ANTIVIBRACIONAL, TANQUE DE COMBUSTIVEL 75,5L, RODAS DE ALUMINIO 17", ESPELHOS LATERAIS ELETRICOS DA COR DA CARROCERIA COM DESEMBACADOR, FAROIS DE ALOGENOS MULTIREFLETORES, TIPO PROJETOR, FAROIS DE NEBLINA, LIMPADOR DE PARABRISA TRASEIRO, MACANETAS DA COR DO VEICULO, TETO SOLAR, ACOMPANHADO DE CADEIRA DE RODAS PERMOBIL c400vs, SENDO UM COMPONENTE INDISPENSAVEL PARA O USO DO VEICULO. ANO DE FABRICACAO: 2013 , MODELO: 2013 NR.CHASSI: 5TDYK3DC6DS380239 NR. MOTOR: 2GRFE” Com base em prévia decisão judicial no Mandado de Segurança n° 000795196.2013.403.6102 da 7ª Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto, a impugnante obteve o direito de desembaraçar o veículo importado sem a incidência do IPI e seus reflexos no PIS e Cofins. A impugnante efetuou depósitos judiciais referentes ao II, IPI, PIS e Cofins. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10813.720142/201490 Acórdão n.º 3301004.766 S3C3T1 Fl. 265 3 Sendo assim, a fiscalização lavrou o presente auto de infração para a constituição dos créditos tributários relativos aos valores em discussão de II, IPI, PIS, Cofins e juros de mora. [...] Intimada do Auto de Infração em 22/04/2014 (fl. 43), a interessada apresentou impugnação e documentos em 12/05/2014, juntados às fls. 46 e seguintes, [...] O citado acórdão decidiu por não conhecer da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/12/2013 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Mandado de Segurança. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo COSIT n°7/14. Súmula CARF n° 1. A contribuinte apresentou recurso voluntário, trazendo, basicamente, os mesmo argumentos apresentados em sede de impugnação. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A autuação traz o que confirmei nas peças judiciais reproduzidas no recurso voluntário o objeto do Mandado de Segurança em pauta, que é o mesmo da autuação: O acórdão dá, acertadamente, pela identidade de objetos entre o mandamus e a autuação Constatase do Auto de Infração, fls. 5 a 9 e fls. 16 a 21, que a interessada obteve decisão em Mandado de Segurança n° 0007951 96.2013.403.6102 da 7ª Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto, autorizando o desembaraço dos bens importados sem o recolhimento dos tributos incidentes. O objeto do Mandado de Segurança é a discussão sobre a exigência de tributos na importação em função da legislação nacional e internacional sobre pessoas com deficiência. Concluise, portanto, que o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança supra tratam do mesmo objeto. Em seu recurso voluntário, o contribuinte não se insurge contra o não conhecimento da impugnação ante a verificada concomitância, apesar de fazer detalhada defesa do mérito do direito pretendido. O Parecer Normativo Cosit n.º 07, de 22/08/2014, estabelece que Conclusão 21. [...]a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10813.720142/201490 Acórdão n.º 3301004.766 S3C3T1 Fl. 266 5 ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; [...] Este é, inclusive, o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF n° 1, da Portaria n° 52/2010: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Tudo em consonância com o princípio da unicidade da jurisdição, este embasado no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Ressalto do referido Parecer Normativo Cosit o caráter de definitividade da renúncia às instâncias administrativas, como se depreeende dos enunciados abaixo: e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; [...] i)é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; A referida Súmula, bem como as determinações e a inteligência do citado Parecer Normativo Cosit, fazem concluir que; tendo o contribuinte proposto ação judicial, com o mesmo objeto do auto de infração em pauta, renunciou ele às instâncias administrativas; e o fez de forma definitiva; sendo incabível apreciação pelo órgão de julgamento administrativo da matéria coincidente; não havendo outra providência, a não ser, não conhecer do recurso voluntário. Fl. 271DF CARF MF 6 Tal entendimento mantémse ainda que tenha havido trânsito em julgado na esfera judicial, como decidiu a Câmara Superior deste Carf: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 01. Consoante determina a Súmula CARF nº 01, deve haver o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entendese por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar.O reconhecimento da existência de concomitância implica que não haverá decisão no contencioso administrativo sobre a matéria de mérito do auto de infração que também está sendo discutida na esfera judicial, inclusive tornandose insubsistentes eventuais julgados já proferidos, mesmo os favoráveis à Contribuinte. De outro lado, havendo o trânsito em julgado da demanda judicial de forma favorável ao Sujeito Passivo, extinguindo a obrigação tributária, como é o caso dos presentes autos, a declaração de concomitância não traz qualquer prejuízo às partes, pois caberá à Administração Tributária cumprir a decisão judicial definitiva de mérito. (CARF, 3ª Turma, CSRF, Ac. 9303006.018, de 30/11/2017, rel. Conselheira Vanessa Marini Cecconello). Assim, por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900523/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13819.900523/2008-41
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878552
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.428
nome_arquivo_s : Decisao_13819900523200841.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13819900523200841_5878552.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7359963
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586568458240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 54 1 53 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.900523/200841 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.428 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente NOVA ADMIN EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 05 23 /2 00 8- 41 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 55 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INEXISTENTE. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 13.02.2004, DCOMP de nº 29709.28154.130204.1.3.046861, objetivando a compensação de suposto crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 15.03.2001, relativo ao período de apuração encerrado em 28.02.2001, no valor original de R$469,471, com débito de IRPJ do 4º Trimestre de 2003, no valor original de R$724,47. Em 16.10.2006, o contribuinte foi intimado (fls 11 e 12) sobre a não localização, nos sistemas da Receita Federal do Brasil, do pagamento indicado na DCOMP como origem do seu direito creditório, concedendolhe prazo de 20 (vinte) dias para a regularização da divergência apontada, sob pena de indeferimento/não homologação do DCOMP. Sobreveio, em 24.04.2008, despacho decisório informando que não foi confirmada a existência do crédito informado no PER/DCOMP, pois o DARF indicado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Na Manifestação de Inconformidade, apresentada em 03.06.2008, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2089 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 6.053,38, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 13.02.2004 era de R$725,94. (fl. 3) Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 56 3 Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. Os membros da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a desistência ou cancelamento de DCOMP possui rito próprio, sendo vedado, tanto ao contribuinte quanto à autoridade julgadora, a pretensão de desistência/cancelamento naquela fase processual. Alegaram ainda os membros da 3ª Turma da DRJ/CPS, que as questões relativas à existência ou não de pagamento do débito era matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação, devendo ser observada somente na etapa de cobrança do crédito tributário confessado na DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 15.12.2011, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Não há nestes autos a comprovação da data em que ocorreu a ciência, pelo contribuinte, do acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP em sessão de 11/07/2011. Contudo, na mesma sessão, a DRJ/CPS, proferiu outros 5 (cinco) acórdãos relativos a outros processos do mesmo contribuinte, de números 13819.901092/200830, 13819.901085/200838, 13819.901075/200801, 13819.901078/200836 e 13819.901083/200849, todos com comprovação de ciência, por via postal, em 21/11/2011, e com recurso voluntário tempestivo protocolado em 15/12/2011. Destarte, tendo em vista que o acórdão recorrido foi proferido na mesma sessão da DRJ daqueles mencionados no parágrafo anterior, bem como a identidade de datas entre o protocolo dos recursos voluntários daqueles autos e o que se analisa neste processo, para evitar diligências desnecessárias, assumese o presente recurso voluntário como tempestivo, passando a analisálo. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 57 4 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e da Instauração do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARF (fl. 16), o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP 29709.28154.130204.1.3.046861. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 58 5 Assim, no que cinge ao suposto crédito de PIS do mês 02/2001, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. Contudo, a DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o cancelamento seria vedado naquela fase processual, bem como que a questão relativa a existência ou não de pagamento seria matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da compensação, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 59 6 2 Do Cancelamento da DCOMP Os artigos 62 e 82, respectivamente das Instruções Normativas SRF nº 600/20052 e RFB nº 900/20083, e seus parágrafos únicos, vigentes no período dos fatos, sujeitavam a desistência da DCOMP a Pedido de Cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOM, e condicionavam o seu deferimento à pendência de decisão administrativa na data de apresentação do pedido de cancelamento. Já o parágrafo único desses dispositivos, estabelecia que seria indeferido o pedido de cancelamento formalizado após a intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Assim, depois de emitido o Despacho Decisório (decisão administrativa) restou configurada a impossibilidade do sujeito passivo efetuar a desistência da DCOMP por conta própria, mediante a transmissão de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP. Muito embora não tenha o recorrente manifestado pela desistência da DCOMP por via adequada, mediante a utilização do programa PER/DCOMP, no caso concreto restou comprovada nos autos a intenção de desistir da declaração de compensação efetuada em 13.02.2004. Vejamos. O contribuinte solicitou, ainda em sede de manifestação de inconformidade, a revisão de ofício para cancelamento da DCOMP, anexando aos autos o comprovante de pagamento de IRPJ relativo ao período de contribuição envolvido na compensação. Frente às alegações do contribuinte, o Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, da DRF de São Bernardo do Campo/SP, juntou ao processo, em 17.10.2008, cópia da DCTF referente ao tributo cujo débito se pretendia compensar (fls. 25 a 27), evidenciando que o total devido a título de IRPJ do 4º Trimestre de 2003 era de R$11.913,37, dos quais R$7.903,44 já haviam sido recolhidos em 30.01.2004, remanescendo saldo a pagar de R$4.009,93. 2 IN SRF nº 600/2005. ... Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. 3 IN RFB nº 900/2008. ... Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 60 7 A recorrente efetuou, em 29.12.2005, antes da emissão do despacho decisório, o pagamento integral do saldo devedor de IRPJ declarado em DCTF, no montante original exato de R$4.009,93, conforme comprovam a cópia do DARF anexado na fl 16 e os comprovantes de arrecadação de fl 38 e 39, não remanescendo saldo devedor de IRPJ do referido período de apuração. Destacase que tanto a transmissão da DCTF, anexada aos autos pela própria autoridade fiscal, quanto o pagamento do tributo devido, nela declarado, foram realizados muito tempo antes da prolação do despacho decisório (quase 3 anos antes), conforme se comprova pelas fls. 16, 25 a 27 e 38 a 39, combinadas com a fl 15. Conquanto tenha sido o sujeito passivo intimado, em 16.10.2016, sobre a não localização, nos sistemas da Receita Federal do Brasil, do pagamento indicado na DCOMP como origem do seu direito creditório, tudo indica ter ele permanecido inerte em razão de já ter efetuado, em 29.12.2005, o recolhimento integral do débito antes pretendido compensar, materializando a desistência da DCOMP anteriormente transmitida. O Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, dispõe, com efeito, ser possível a revisão de ofício dos atos realizados mediante erro de fato. Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. (grifei) Dispõe ainda o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que Não mais sendo possível a retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 61 8 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. Consoante ao acima exposto, e observando ainda o contido no parágrafo nº 53 do relatório do Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a revisão de ofício de decisão que não homologou a compensação está condicionada à não apreciação do erro de fato pelos órgãos de julgamento administrativo, em contencioso instaurado em função da apresentação anterior de manifestação de inconformidade. 53. Ressaltese que somente poderá haver revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a compensação se o erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL) não tiver sido objeto de apreciação dos órgãos de julgamento administrativo instaurado em função de apresentação anterior de manifestação de inconformidade, conforme já abordado Contudo, uma vez emitido o despacho decisório, restou comprometida a possibilidade de o contribuinte efetuar o pedido de cancelamento da DCOMP pela via adequada, tendo em vista o disposto nas instruções normativas vigentes. Assim, não vislumbrando outro caminho, decidiu o contribuinte por pedir a revisão de ofício em manifestação de inconformidade. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, que deve permear a tramitação dos processos administrativos, não se pode desconsiderar totalmente o pedido do recorrente apenas porque deixou de observar formalidades regulamentares. Portanto, estando presentes nos autos relevantes indícios de cometimento de erro de fato e da boa fé do contribuinte, entendo que o caso merece especial atenção, a fim de evitar que o erro cometido pelo sujeito passivo culmine em exação indevida. Não cabendo aos órgãos julgadores administrativos decidir sobre o pedido formulado pelo contribuinte em todas as suas manifestações nestes autos, e havendo previsão expressa no sentido de ser possível a revisão de ofício de lançamentos, a fim de evitar a inscrição em divida ativa e conseqüente execução de um crédito tributário indevido, o que seria contrário a princípios caros ao processo administrativo, penso que o pedido do recorrente deve ser analisado por quem detém competência para tanto. Nesse sentido o acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 62 9 Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. Merece destaque, ainda, o seguinte excerto do voto vencedor que deu origem ao acórdão acima citado, da lavra do ilustre conselheiro Flávio Franco Corrêa: Sou da opinião de que o pedido de “cancelamento de ofício do PER/DCOMP”deve ser entendido como pedido de revisão de ofício do despacho decisório, formulado sob o argumento de que tanto o crédito como o débito não existem. Não me atenho à inexistência do crédito, somente, porquanto, se fosse apenas isso, o contribuinte não teria motivo para contestar a decisão da autoridade fiscal. Nessa situação, o contribuinte está ciente de que o crédito declarado é irreal. Vejo o problema por outra óptica quando o contribuinte alega que o débito antes confessado em DCOMP inexiste, mormente quando o contribuinte descobre tal fato no momento de apresentar defesa contra o despacho decisório, tal e qual o ocorrido. Nessa circunstância – vale lembrar o artigo 32, parágrafo único, da IN SRF nº 600/2005 impedia o cancelamento da DCOMP, assim como, hoje em dia, o artigo 93, parágrafo único, da IN RFB nº 1300/2012, também o impede. Consoante o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”. Anotese que citado PN Cosit nº 8/2014 prevê a possibilidade de revisão de ofício de DCOMP “quando a compensação não é homologada por despacho decisório e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter insturado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele”. No caso sob exame, não há e nunca houve litígio quanto ao crédito. Por outro lado, as DRJ e o Carf não são competentes para apreciar reclamações fundadas na inexistência do débito declarado com erro em DCOMP. Portanto, a decisão administrativa não se tornará definitiva passando por essas instâncias. Assim, pela perspectiva do PN Cosit nº 8/2014, o Despacho Decisório à fl. 23 é a decisão que se tornou definitiva e objeto do pedido de revisão de ofício. O novel Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, dispõe ser da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), dentre outros, no âmbito da respectiva jurisdição, a competência específica para proceder a revisão de ofício e o cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 63 10 Art. 272. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior (Delex), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior (Decex), às Delegacias Especiais da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes de São Paulo e de Belo Horizonte (Demac) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, gerir e executar as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de comunicação social, de programação e logística e de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: ... III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Diante do exposto e tendo em vista o PN Cosit nº 8/2014, voto por não conhecer do recurso, e, de ofício, anular o acórdão recorrido, encaminhando o processo à unidade competente, para que seja recebida e processada a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Com o devido respeito aos argumentos do ilustre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, em especial quanto a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Isto porque, ao contrário do entendimento explicitado pelo relator, não há na decisão recorrida vestígios de vício passíveis de nulidade, tampouco qualquer ato processual capaz de ensejar a incidência do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, a decisão recorrida analisou todos os argumentos explicitados pela Recorrente, bem como as demais questões processuais suscitadas pelas partes, ou seja, não houve nenhum vício na decisão recorrida que seja passível de nulidade. Neste esteira, entendo que a melhor solução à ser dado ao presente caso é aquela decidida por esta Turma, em outra composição, nos autos do processo 13819.901086/200882 (acórdão 3302004.648), de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, envolvendo as mesmas partes e questões fáticas, a saber: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13819.900523/200841 Acórdão n.º 3302005.428 S3C3T2 Fl. 64 11 Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço. A confirmação do asseverado foi feita pela própria recorrente no demonstrativo de apuração e pagamento integral do débito da CSLL do período, colacionado na peça recursal em apreço. Assim, se não está em questão a existência ou não do direito creditório informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos e declarado inexistente pela autoridade fiscal, no âmbito do questionado Despacho Decisório, obviamente, não existe litígio a ser dirimido por este Colegiado. Em consequência, o presente o recurso, inequivocamente, perdeu o seu objeto. De toda sorte, cabe esclarecer que, caso a recorrente não tenha recolhido a parcela do débito confessado na referida DComp, obviamente, a cobrança desse valor deverá ser feita pela unidade da Receita Federal de origem, na forma da legislação vigente. Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado. Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001760/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA. INSTAURAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade (relator), que lhe dava provimento parcial, acompanhado dos conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Designado para redigir voto vencedor o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA. INSTAURAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.001760/2005-14
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5886220
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.630
nome_arquivo_s : Decisao_10980001760200514.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 10980001760200514_5886220.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade (relator), que lhe dava provimento parcial, acompanhado dos conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Designado para redigir voto vencedor o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7373786
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586617741312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 157 1 156 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.001760/200514 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.630 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2018 Matéria IPI Recorrente NOVO HORIZONTE COMUNICAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA. INSTAURAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade (relator), que lhe dava provimento parcial, acompanhado dos conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Designado para redigir voto vencedor o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 17 60 /2 00 5- 14 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 158 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 37/42, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido entre o 1° trimestre de 2002 e o 2° trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 307.500,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 505, e parágrafo único, c/c art. 368, ambos do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 4° do DecretoLei n° 1.680/79, c/c art. 10 c/c art. 1°, ambos da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09.l.01.002004 007844 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação à entrega das DIF Papel Imune relativas ao período acima mencionado, ou apresentar o respectivo comprovante de entrega (fl. 04). Após solicitar prorrogação de prazo para o atendimento à intimação fiscal (fl.69), a intimada apresentou cópias dos recibos de entregas das declarações (fls. 06/16), nas quais se pode observar que todas elas foram entregues, em atenção à intimação fiscal, no dia 13 de fevereiro de 2005. O sujeito passivo foi cientificado através de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, recebida em 11/03/2005 (fl. 44), tendo protocolado sua impugnação em 13/04/2005, conforme peça de fls. 46/49 (firmada por procurador regularmente estabelecido, fls. 66/75), e anexos que a seguem, a qual se inicia com um relato de acontecimentos que teriam impedido sua entrega Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 159 3 no dia 12/04/2005, quando se esgotou o prazo regulamentar. Alega a impugnante que, naquela data, teria comparecido, por volta das 14:00 hs, no setor (Sefis) da DRF Curitiba que havia solicitado a entrega das declarações, situado no 2° andar do prédio localizado no n° 555 da Rua Marechal Deodoro. Entretanto, para sua surpresa, lá teria sido informada de que a entrega de impugnações deveria ocorrer em outro setor, “denominado EQUICONF”. Ocorre que este setor só atendia no horário das 09:00 horas às 12:00 horas, “diferentemente do horário de atendimento da Receita Federal em Curitiba, qual seja, das 09:00 h às 15:00 h, conforme informação disponivel no site da própria Receita Federal www.receita.fazenda.gov.br (em anexo), inclusive para apresentação de impugnações (documento em anexo)”. Em razão do ocorrido, não pode apresentar sua impugnação naquele dia. Assevera, ainda, a necessidade de ser considerado “o fato de que no Termo de Auto de Infração o único endereço constante da Receita Federal é o qual a empresa dirigiuse para protocolizar a impugnação, ou seja, R. Marechal Deodoro, n° 555, 3° andar”. A impugnante concluiu o pleito preliminar requerendo que sejam acatadas as suas razões, “acolhendo a presente impugnação para apreciação por ser tempestiva, e se falha houve com atraso no prazo para apresentação, esse atraso foi devido única e exclusivamente à falta de informação no Termo do Auto de Infração, sobre o local e horário de atendimento para apresentação da Impugnação e ainda por entraves burocráticos de horários diferenciados de atendimento ao público de departamentos de um mesmo órgão público”. Após tecer argumentos contra o mérito da autuação, a impugnante termina sua peça reclamatória pedindo que “seja determinado o arquivamento do presente, pelos motivos acima expostos, pelo notório conhecimento dos Srs. apreciadores e ainda pela aplicação do princípio da razoabilidade do direito administrativo, o que demonstrará grande sabedoria e justiça”. O processo foi inicialmente encaminhado à Primeira Turma da DRJ Porto Alegre, cujo Presidente, após constatar relato de caso semelhante no sistema Decisões, determinou “o retomo do processo à DRF de origem, para que se manifeste sobre as alegações da interessada” e, em especial, respondesse a alguns quesitos formulados, conforme constam à fl. 78. Em resposta ao solicitado pela DRJ Porto Alegre, a EQCONFI do Secat da DRF Curitiba pronunciouse nos termos do Despacho de fl. 80, o qual conclui asseverando que “em relação ao pedido de manifestação sobre as alegações do contribuinte, não temos meio de confrontar e/ou confirmar os acontecimentos ocorridos há aproximadamente dois anos passados: comparecimento de pessoa em nome do contribuinte ao Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 160 4 Sefis/DRFCtaPR, sem quaisquer identificações de seu agente e do atendente que teria prestado as informações relatadas na petição. De qualquer forma, não foi apresentada a eventual petição que originalmente seria protocolizada no dia 12/04/2005”. Por fim, cabe relatar que consta acostado à fl. 79 do processo um Termo de Revelia." A decisão recorrida não conheceu a impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 PRELIMINAR. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não será apreciada, salvo se suscitada a preliminar de tempestividade, restando prejudicada a análise do mérito quando esta não é acolhida. Impugnação não Conhecida" O recurso voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) a intempestividade da impugnação não decorreu de sua desídia, mas sim das informações desencontradas prestadas pela Delegacia da Receita Federal, razão pela qual a impugnação deve ser considerada tempestiva e anulada a decisão de 1ª instância; (ii) tece comentários sobre a imunidade tributária do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos; (iii) a entrega da DIF Papel Imune não se trata de uma obrigação acessória, mas de um dever instrumental ou formal; (iv) não há obrigação principal nos casos de imunidade tributária, o que resulta na inexistência de obrigação acessória; (v) O dever instrumental da entrega da DIF Papel imune quando não observado acarreta uma penalidade pecuniária expressa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para cada mês em que se deixou de apresentar, cumulativamente; (vi) no caso da Recorrente, deve ser aplicada, ainda, a redução de 70% (setenta por cento), por se tratar de empresa optante pelo SIMPLES; (vii) deve ser obedecido o princípio da legalidade, não podendo ser aplicada pena que não possua previsão legal; (viii) a Medida Provisória n° 2.15834, de 27 de julho de 2001, neste caso, possui o condão somente de estabelecer o valor da penalidade pecuniária. A previsão de aplicar Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 161 5 a penalidade pecuniária, em caso de não apresentação da DIF Papel Imune, provém da Instrução Normativa e não da Medida Provisória; (ix) a penalidade pecuniária aplicada expressa o valor de R$ 307.500,00 (trezentos e sete mil e quinhentos reais), valor que fere os princípios da capacidade contributiva e do nãoconfisco; (x) deve ser afastada a cumulatividade mensal da multa, pois para para cada mêscalendário omitido, incidiria a multa de R$ 1.500,00, sendo esta multa única, ou seja, não incide por mês de atraso, não é moratória; e (xi) o auto de infração exige a multa como se fosse moratória, multiplicando a pelo número de meses decorridos entre a data em que deveria ter sido fornecida a informação e a data que foram apresentadas as declarações; Pede a recorrente, ao final, o acolhimento das preliminares e as razões de mérito, para, reformandose a decisão recorrida, cancelarse o Auto de Infração de que trata este processo. Ou, ao menos, afastar a cumulatividade da multa reduzindo o valor exigido para R$ 15.000,00. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Pugna a recorrente, pelo conhecimento do seu recurso, para que seja declarada a tempestividade de sua peça impugnatória apresentada nos autos. Em que pese as alegações postas em grau recursal, razão não lhe assiste. A decisão de primeira instância analisou com precisão os fatos e a ela me reporto como razões de decidir: "Segundo informou a unidade preparadora, em atenção aos quesitos formulados pela DRJ Porto Alegre, efetivamente seu horário de atendimento ao público era das 9:00h às 12:00h, mas que era permitida a entrega no período da tarde, excepcionalmente, em se tratando de último dia de prazo de apresentação de impugnação. Informou, ainda, que “no prédio de funcionamento do Secat/DRFPR (568) há registros de identificação de pessoas com acesso às equipes, não havendo registro de número de processo ou nome do contribuinte. No prédio do Ministério da Fazenda (555), o controle fica a cargo da GRAPR. Como não há identificação, no processo, da pessoa que teria comparecido à repartição nos dias l2 e 13/04/2005, como alega o contribuinte, deixamos de juntar cópias dos controles. De Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 162 6 qualquer forma, o contribuinte não informa ter procurado o prédio do Secat/DRFPR”. Ora, as alegações da impugnante não estão acompanhadas de provas que se prestem a comprovar que efetivamente tenha comparecido à Receita Federal no dia 12/04/2005. E no processo administrativo, regido pelo princípio da verdade material, tratandose de questões fáticas, é imperioso provar o que se alega. Penso, ao contrário, que a informação prestada pela unidade preparadora prestase, esta sim, a desconstituir a alegação da impugnante, dada a praxe de atendimento excepcional no prazo final de apresentação de impugnações. Por outro lado, ainda que assim não fosse, é preciso consignar que restava à impugnante a possibilidade de entrega de impugnação mediante a utilização da via postal, como esclarece o ADN Cosit n° 19, de 1997, publicado no DOU de 27/05/1997: “...quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento. devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número do protocolo referente ao processo, caso existente; (...)" Destarte, o fato de estar expirado o horário de atendimento ao público na EQCONFI/DRF Curitiba não impedia a interessada de ingressar com sua impugnação, dentro do prazo, comparecendo a uma agência de atendimento dos Correios, na tarde daquele dia 12/04/2005. Cabe ressaltar, além do mais, que o sujeito passivo dispôs de 30 dias para preparar e entregar sua defesa, a qual se resumiu à argumentação de questões de direito, expressa em menos de duas folhas. Portanto, sequer houve necessidade de um profundo trabalho de verificação da matéria fática que embasou a medida fiscal a justificar um tempo maior de análise. Por que, então, diante de lançamento de expressivo valor, a impugnante não usou de zelo e prudência, correndo o risco de perder o prazo regulamentar? Ademais, é interessante observar, como constatado pela DRJ Porto Alegre, a anterior narrativa de caso idêntico ao agora narrado pela impugnante, o que me faz suspeitar de que se trata de estratégia adotada pela mesma pessoa. Por fim, quero registrar minha estranheza quanto ao fato de o AR do auto de infração não conter o carimbo da repartição dos Correios de Campo Largo, domicílio do sujeito passivo, carimbo este que aparece no AR relativo à intimação fiscal para a apresentação das declarações (fl. 04). E observo, outrossim, que o transcurso de tempo ocorrido entre o envio da correspondência que encaminhou o auto de infração e o seu Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 163 7 recebimento pelo sujeito passivo (7 dias) foi bem superior àquele ocorrido no caso da correspondência que encaminhou referida intimação fiscal (1 dia). Totalmente descabida, portanto, a preliminar de tempestividade argüida, uma vez evidenciada a culpa in vigilando da interessada. Neste caso, não tendo sido acatada a preliminar, resta prejudicada a análise do mérito. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, não conhecer da impugnação apresentada." Importante ressaltar que a Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre, agiu com zelo e, antes de proferir a decisão recorrida, determinou a realização de diligência no sentido de se apurar as alegações da contribuinte, com vistas a se aferir a tempestividade da impugnação. O art. 14 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que a impugnação instaura a fase litigiosa do processo. Assim, a impugnação tempestiva é necessária para que possa ser analisado o mérito relativo ao processo administrativo fiscal. Esgotado o prazo para sua apresentação, temse declarada a revelia, nos termos do art. 21, do Decreto nº 70.235/72 , independente de posterior interposição. Assim, não há como prover o recurso em tal tópico, pois não logrou êxito a recorrente em comprovar suas alegações. Neste sentido tem decidido o CARF de forma pacífica, sobre a impossibilidade de se apreciar o mérito recursal, conforme decisão a seguir reproduzida: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NA INSTÂNCIA A QUO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE MERITÓRIA DOS PEDIDOS FORMULADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Caracterizada a intempestividade da impugnação apresentada na DRJ, a análise meritória do Recurso Voluntário não pode ser feita por esta instância recursal, eis que ausente requisito intrínseco de admissibilidade." (Processo 13884.001705/2007 72; Acórdão 1002000.021; Relator Conselheiro Aílton Neves da Silva; sessão de 06 de março de 2018) Diante do exposto, não acolho o argumento de que a impugnação era tempestiva e, via de consequência, mantenho a decisão recorrida em tal tópico, razão pela qual deixo de apreciar os argumentos meritórios proferidos pela recorrente e que não são de ordem pública. Ocorre que, a matéria, possui questão peculiar, a qual se caracteriza como sendo de ordem pública, qual seja, a nova legislação que estipulou penalidade mais benéfica ao Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 164 8 contribuinte e sua aplicação de modo retroativo, de acordo com o que preconiza o Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c. Sobre a possibilidade de o CARF, mesmo que em se tratando de impugnação intempestiva, conhecer em grau recursal matéria de ordem pública cito o precedente a seguir transcrito: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 INTEMPESTIVIDADE. A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso voluntário, cabendo ao julgador apreciar tão somente os argumentos atinentes à intempestividade e as matérias de ordem pública. Recurso Voluntário Não Conhecido." (Processo 19647.010092/200913; Acórdão 2403002.512; Relator Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto; Sessão de 19/03/2014) (nosso destaque) Por ser matéria de ordem pública, entendo que não está sujeita a preclusão, podendo ser analisada a qualquer tempo e grau de jurisdição, e deve ser apreciada de ofício por este órgão colegiado de julgamento. Assim, é de se conhecer o recurso em relação a matéria de ordem pública, cuja análise passase a fazer. Com o advento da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, a matéria passou a ser tratada nos seguintes termos: "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 165 9 § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Assim, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 166 10 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada. No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 307.500,00, de multa pela não apresentação no prazo estabelecido da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), referente aos 1° trimestre 2002, 2° trimestre 2002, 3° trimestre 2002, 4° trimestre 2002, 1° trimestre 2003, 2° trimestre 2003, 3° trimestre 2003, 4° trimestre 2003, 1° trimestre 2004 e 2° trimestre 2004. No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 1.500,00, resultando no valor de R$ 307.500,00. Com a sistemática mais benéfica, estabelecida pela Lei n° 11.945/2009, a multa de R$ 2.500,00, para micro e pequenas empresas deve ser exigida em relação a cada obrigação em atraso, no caso, 10 (dez) trimestres. No total, portanto, a multa que deverá incidir, conforme o exposto, será no valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais 10 trimestres x R$ 2.500,00). Nestes termos, tem decidido o CARF, através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 167 11 Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador negado." (Processo 11080.001057/200601; Acórdão 9303005.273; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 21/06/2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Processo 19515.000759/200533; Acórdão 9303004.953; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 168 12 Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário interposto, em relação a matéria de ordem pública referida e, darlhe parcial provimento, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado Estabeleceuse a divergência, em relação ao voto do relator, apenas quanto à possibilidade de enfretamento do mérito nas matérias consideradas de ordem pública. Isto porque, o entendimento da Turma é pela higidez da decisão recorrida em confirmar a intempestividade da impugnação. O relator não acolheu o argumento recursal de que a impugnação era tempestiva e, via de consequência, manteve a decisão recorrida em tal tópico, razão pela qual deixou de apreciar os argumentos meritórios proferidos pela recorrente que não são de ordem pública. Firmado o entendimento de que a decisão da primeira instância deve ser mantida quanto ao não conhecimento da impugnação em razão de sua intempestividade, impende, igualmente, não apreciar em sede de recurso voluntário de quaisquer outras matérias ainda que de ordem pública. O entendimento está consubstanciado nos artigos 14, 15 e 21 do Decreto nº 70.237/72 PAF: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. A declaração de revelia (fl. 79), uma vez não infirmada em sede de julgamento, é ato administrativo apto a apontar situação processual que impede o Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.001760/200514 Acórdão n.º 3201003.630 S3C2T1 Fl. 169 13 prosseguimento do processo administrativo por não se ter instaurada a fase litigiosa, em razão da apresentação de impugnação após o trintídio legal. Conquanto tempestivo o recurso voluntário, sua admissibilidade restringese ao exame da revelia declarada pela unidade de origem, decorrente da interposição intempestiva de impugnação. Destarte, é de rigor da Lei que, reconhecida a intempestividade da impugnação, resta prejudicado qualquer possibilidade de apreciação das matérias versadas em grau de recurso recursal, por força da preclusão. Conclusão Pelo exposto, voto para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar lhe provimento, confirmandose a revelia declarada em razão da intempestividade da impugnação. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.911506/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 15/09/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 15/09/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13839.911506/2009-81
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887162
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.638
nome_arquivo_s : Decisao_13839911506200981.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 13839911506200981_5887162.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7374899
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586626129920
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-24T13:21:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-24T13:21:49Z; Last-Modified: 2018-07-24T13:21:49Z; dcterms:modified: 2018-07-24T13:21:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-07-24T13:21:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-24T13:21:49Z; meta:save-date: 2018-07-24T13:21:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-24T13:21:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-24T13:21:49Z; created: 2018-07-24T13:21:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-07-24T13:21:49Z; pdf:charsPerPage: 2005; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-24T13:21:49Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 173 1 172 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.911506/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.638 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria IRRF PER/DCOMP DCTF Recorrente HUF DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 15/09/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 15 06 /2 00 9- 81 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13839.911506/200981 Acórdão n.º 2401005.638 S2C4T1 Fl. 174 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 806,19, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 31/08/2006) veiculado na PER/DCOMP 22309.68892.291106.1.3.049200, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 24/07/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/08/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre Royalties foi efetuado de forma antecipada nos períodos compreendidos entre Junho a Dezembro de 2006. Entretanto, a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial impossibilitou o pagamento. b) Não havendo pagamento de Royalties, a retenção de imposto de renda na fonte foi indevida. Intimado em 24/08/2009 a regularizar a representação, o contribuinte apresentou em 04/09/2009 cópia de alteração contratual, bem como cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O Requerente sustenta a existência do indébito tributário amparandose com cópia de razão consolidado da movimentação da conta de royalties a pagar no ano de 2006, cópia de contrato e aditivo de licença de tecnologia firmado com a Huf Husbeck & Furst GmbH & Co sem tradução juramentada e da cópia do Certificado de Averbação emitido pelo INPI em fevereiro/2008. b) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13839.911506/200981 Acórdão n.º 2401005.638 S2C4T1 Fl. 175 3 b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 25/06/2014, o contribuinte interpôs em 25/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. Ante a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI, impossibilitouse o pagamento dos mesmos pela inocorrência do fato gerador. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13839.911506/200981 Acórdão n.º 2401005.638 S2C4T1 Fl. 176 4 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13839.911506/200981 Acórdão n.º 2401005.638 S2C4T1 Fl. 177 5 Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13839.911506/200981 Acórdão n.º 2401005.638 S2C4T1 Fl. 178 6 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13839.911506/200981 Acórdão n.º 2401005.638 S2C4T1 Fl. 179 7 homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. No prazo para comprovar a regularidade da representação em relação à manifestação de inconformidade, já haviam sido carreados aos autos cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13839.911506/200981 Acórdão n.º 2401005.638 S2C4T1 Fl. 180 8 Em relação ao excerto do Livro Diário não foram apresentados os respectivos Termos de Abertura e Encerramento. De qualquer forma, a força probatória do Livro Razão é reflexa ao respectivo Livro Diário devidamente formalizado e registrado. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório, bem como o excerto do Livro Razão apresentado por não poder ser confrontado com os respectivos Livros Diário. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos, inclusive do excerto do Livro Razão, são extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O Contrato de Licença e Aditamento (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e os Certificados de Averbação apresentados apresentam validade a partir de 30/05/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 31/08/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002203/2003-71
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/08/2003
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS. VEÍCULOS, PARTES, PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM.
A legislação do IPI estabeleceu o limite até onde se pode considerar os bens consumidos no processo produtivo como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Este limite reside na capacidade de o insumo em gerar o produto novo ou interagir diretamente com ele, não alcançando os produtos que atuam sobre as máquinas, equipamentos ou ferramentas, que se constituem nos meios dos quais se vale o industrial para
obter os produtos novos. Assim, só geram direito ao crédito de IPI os insumos que se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, nos termos definidos pelo Parecer Normativo CST nº 65/79.
DECRETO-LEI N2 491/69, ART. 5º LEI Nº 8.420, ART. 1º, II.
AQUISIÇÃO DE BENS PARA O ATIVO PERMANENTE. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
O incentivo previsto no art. 5º do Decreto-Lei nº 491/69 e no art. 1º, inciso II, da Lei n2 8.402/92, só se aplica às matérias-primas e aos produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos industrializados exportados e que atendam às disposições do Parecer Normativo CST nº 65/79.
Recurso negado
Numero da decisão: 2101-000.166
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª' TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Antonio Zomer
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/05/1998 a 31/08/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS. VEÍCULOS, PARTES, PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. A legislação do IPI estabeleceu o limite até onde se pode considerar os bens consumidos no processo produtivo como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Este limite reside na capacidade de o insumo em gerar o produto novo ou interagir diretamente com ele, não alcançando os produtos que atuam sobre as máquinas, equipamentos ou ferramentas, que se constituem nos meios dos quais se vale o industrial para obter os produtos novos. Assim, só geram direito ao crédito de IPI os insumos que se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, nos termos definidos pelo Parecer Normativo CST nº 65/79. DECRETO-LEI N2 491/69, ART. 5º LEI Nº 8.420, ART. 1º, II. AQUISIÇÃO DE BENS PARA O ATIVO PERMANENTE. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. O incentivo previsto no art. 5º do Decreto-Lei nº 491/69 e no art. 1º, inciso II, da Lei n2 8.402/92, só se aplica às matérias-primas e aos produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos industrializados exportados e que atendam às disposições do Parecer Normativo CST nº 65/79. Recurso negado
turma_s : Segunda Câmara
numero_processo_s : 10660.002203/2003-71
conteudo_id_s : 5888900
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2101-000.166
nome_arquivo_s : Decisao_10660002203200371.pdf
nome_relator_s : Antonio Zomer
nome_arquivo_pdf_s : 10660002203200371_5888900.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª' TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
id : 7384512
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586630324224
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-04T11:46:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-04T11:46:54Z; Last-Modified: 2009-09-04T11:46:55Z; dcterms:modified: 2009-09-04T11:46:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-04T11:46:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-04T11:46:55Z; meta:save-date: 2009-09-04T11:46:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-04T11:46:55Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-04T11:46:54Z; created: 2009-09-04T11:46:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-09-04T11:46:54Z; pdf:charsPerPage: 1808; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-04T11:46:54Z | Conteúdo => • S2-CITI Fl. 178 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10660.002203/2003-71 Recurso n° 153.528 Voluntário Acórdão n° 2101-00.166 — P Câmara / 1 Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria IPI - Ressarcimento - Créditos Básicos Recorrente EXPORTADORA PRINCESA DO SUL LTDA. Recorrida DRJ em Santa Maria - RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/05/1998 a 31/08/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS. VEÍCULOS, PARTES, PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. A legislação do IPI estabeleceu o limite até onde se pode considerar os bens consumidos no processo produtivo como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Este limite reside na capacidade de o insumo em gerar o produto novo ou interagir diretamente com ele, não alcançando os produtos que atuam sobre as máquinas, equipamentos ou ferramentas, que se constituem nos meios dos quais se vale o industrial para obter os produtos novos. Assim, só geram direito ao crédito de IPI os insumos que se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, nos termos definidos pelo Parecer Normativo CST n9 65/79. DECRETO-LEI N2 491/69, ART. 5 2• LEI N2 8.420, ART. 1 2, II. AQUISIÇÃO DE BENS PARA O ATIVO PERMANENTE. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. O incentivo previsto no art. 52 do Decreto-Lei n2 491/69 e no art. 1 2, inciso II, da Lei n2 8.402/92, só se aplica às matérias-primas e aos produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos industrializados exportados e que atendam às disposições do Parecer Normativo CST n2 65/79. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. o Processo n° 10660.00220312003-71 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.166 Fl. 179 ACORDAM os Membros da P CÂMARA / I' TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por uri. idade de votos, em negar provimento ao recurso. r-- -n e • C O MARCOS CÂNDI rà O P .idente à Orda tê; .110 • 1' 'e Iev •MER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, apresentado em 14/11/2003, decorrente da aquisição de insumos aplicados no beneficiamento de café em grãos para exportação no período de 01/05/1998 a 31/08/2003, com fundamento no Decreto- Lei n2 491/69, art. 52, Lei n2 8.402/92, art. 1 2, inciso II, e Lei n2 9.779/99, art. 11. A DRF em Varginha/MG indeferiu totalmente o pleito porque a requerente, exportadora de café em grão, não realiza operação de industrialização. Além deste fato, concluiu o Fisco que os bens adquiridos com destaque de IPI não se caracterizam como insumos, conforme disposto no Parecer Normativo CST n2 65/79, por se tratar de veículos, partes, peças e acessórios para máquinas, equipamentos e instalações industriais, que devem ser registrados no ativo permanente. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo a revisão do despacho decisório e o reconhecimento do seu direito ao ressarcimento, alegando que a legislação do IPI caracteriza como industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto. Acrescenta que o café exportado é semi-elaborado e o maquinário e os equipamentos são utilizados no processo industrial, pelo que os créditos são legítimos. A DRJ em Santa Maria/RS manteve o indeferimento do pedido, em decisão assim ementada: "IN. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. 2 Processo n° 10660.002203/2003-71 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.166 Fl. 180 O direito ao aproveitamento do saldo credor se restringe aos créditos pela entrada de matéria-prima - MP, produto intermediário - PI e material de embalagem - ME, conceituados como tal pela legislação do imposto, que tenham sido efetivamente onerados por ele e aplicados em processo de fabricação conceituado como industrialização, do qual resulte produto situado dentro do campo de incidência. Café em grão está situado fora do campo de incidência, devendo ser estornados eventuaá créditos por entradas de insumos empregados no seu processo produtivo. O preparo para exportação do café em grão não torrado não é industrialização e os insumos eventualmente utilizados nesse processo não dão direito a crédito. O imposto incidente na aquisição de bens destinados ao ativo permanente não dá direito a crédito." No recurso voluntário, a empresa reedita as mesmas razões de defesa, citando jurisprudência que daria amparo à sua pretensão e requerendo a reforma da decisão recorrida, com ao conseqüente deferimento integral do seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para ser conhecido e apreciado. Primeiramente, há que se excluir do fundamento legal do ressarcimento o art. 11 da Lei n2 9.779/99, por que este dispositivo legal não dá direito ao aproveitamento de crédito incidente sobre veículos, partes, peças e acessórios adquiridos para emprego em máquinas e equipamentos industriais, conforme reiteradas decisões deste Colegiado. A titulo de exemplo, cita-se a ementa do Acórdão n2 202-19.605, de 05/02/2009, redigida nos seguintes termos:: "RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO. CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. A legislação do IPI estabeleceu o limite até onde se pode considerar os bens consumidos no processo produtivo como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. E tal limite é exatamente a capacidade do insumo em gerar o produto novo ou interagir diretamente com ele, não abrangendo aqueles produtos que atuam sobre as máquinas, equipamentos ou ferramentas, que se constituem nos meios dos quais se vale o industrial para obter esses produtos novos. Desta forma, não geram direito ao crédito de IPI os insumos que, embora se desgastem ou se consumam no decorrer do processo 3 Processo n° 10660.00220312003-71 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.166 Fl. 181 industrial, não se caracterizam como produtos intermediários, nos termos definidos no Parecer Normativo CST n" 65/79." Assim, se os bens que geraram os créditos pretendidos pela empresa não se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, não há como fundamentar o pedido no art. 11 da Lei n2 9.779/99, que beneficia o saldo credor gerado pela aquisição deste tipo de insumo. Cabe então examinar se o pleito da recorrente encontra amparo nos ' demais dispositivos legais que embasaram o pleito, a saber, o art. 5 2 do DL n2 491/69 e o inciso II do art. 1 2 da Lei n2 8.402/92. Dispunha o art. 52 do DL n2 491/69, verbis: "Art. 5" É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados." De pronto, constata-se que o incentivo previsto neste dispositivo legal não alcança os veículos, máquinas e equipamentos industriais, bem como as suas partes, peças e acessórios. Se o artigo só se refere às matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, aplica-se aqui, também, as disposições do Parecer Normativo CST n 2 65/79. Sendo assim, não socorre a recorrente o fato de o referido incentivo, revogado pelo § 1 2 do art. 41 do ADCT da CF/88, por ser de natureza setorial, ter sido restabelecido pelo inciso II do art. 1 2 da Lei n2 8.402/92. Por outro lado, a quase totalidade da jurisprudência trazida à colação com o recurso voluntário não se presta ao fim colimado, porque trata do direito a créditos básicos ou fictos, incidentes ou calculados sobre insumos aplicados na fabricação de produtos NT, destinados à exportação. Uma das decisões refere-se ao incentivo previsto no art. 5 2 do DL 491/69, que, como já foi visto, não se aplica ao caso dos autos. Somente o acórdão proferido no Processo n2 11080.015556/89-70 (Acórdão n2 201-69.969, de 17/10/95, refere-se ao direito de utilização de créditos decorrentes da aquisição de máquinas, aparelhos e equipamentos de fabricação nacional, destinados à instalação, ampliação ou modernização do parque fabril. No entanto, o processo é de 1989 e os créditos, por certo, são anteriores à revogação dos incentivos de natureza setorial, imposto pelo § 1 2 do art. 41 do ADCT da CF/88, que produziu efeitos dois anos após a promulgação da constituição, isto é, a partir de 05/10/2000. Ademais, o incentivo tratado no referido acórdão fundava-se no Decreto-Lei n2 1.136/70 e não no art. 52 do Decreto-Lei n2 491/69. O Decreto-Lei n2 1.136/70 inseriu o § 22 no art. 25 da Lei n2 4.502/64, com o seguinte teor: "§ 2" O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo fixo, de acordo com 4 • Processo n° 10660.002203/2003-71 S2-CIT1 Acórdão n°2101-00.166 Fl. 182 as diretrizes gerais de política de desenvolvimento econômico do pais." Este parágrafo, no entanto, foi revogado pelo art. 8'2 do Decreto-Lei n2 1.428/75, verbis: "Art. 8° Fica revogado o yç 2° do artigo 25 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964 com a redação dada pelo Decreto-lei n" 1.136, de 7 de dezembro de 1970, a partir da data de vigência do ato do Ministro da Fazenda que aprovar a relação a que se refere o artigo 3°, mantido o direito ao crédito do imposto incidente nos bens saídos de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial até a referida data." Depois disto, o Decreto-Lei n2 2.433/88, art. 32, revogou definitivamente, tanto o § 22 do art. 25 da Lei n2 4.502/64, quanto o Decreto-Lei n2 1.428/75. Conseqüentemente, não há disposição legal, vigente ao tempo dos fatos analisados no presente processo, que dê guarida à pretensão da recorrente. Sendo assim, pouco importa se o café exportado é semi-elaborado ou não, porque mesmo que se reconheça que a recorrente seja estabelecimento industrial para efeitos da legislação do IPI, os créditos não poderão ser aproveitados, já que decorrem da compra de bens para o ativo imobilizado. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. Sala Sessõ em 08 de maio de 2009. AO PR Page 1 _0072300.PDF Page 1 _0072400.PDF Page 1 _0072500.PDF Page 1 _0072600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720794/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. ENTREGA REITERADA DE DCTF COM VALORES INFERIORES AOS DEVIDOS OU ZERADOS.
A entrega de DCTF com valores reduzidos ou zerados, de forma reiterada, retarda o conhecimento da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, consistindo em sonegação tributária, sendo correta a aplicação da multa qualificada em 150%.
EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS.
Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas.
Numero da decisão: 3302-005.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. ENTREGA REITERADA DE DCTF COM VALORES INFERIORES AOS DEVIDOS OU ZERADOS. A entrega de DCTF com valores reduzidos ou zerados, de forma reiterada, retarda o conhecimento da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, consistindo em sonegação tributária, sendo correta a aplicação da multa qualificada em 150%. EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS. Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13502.720794/2015-15
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893458
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.681
nome_arquivo_s : Decisao_13502720794201515.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 13502720794201515_5893458.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7396748
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586633469952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 735 1 734 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.720794/201515 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.681 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria PIS/Pasep e Cofins Recorrente RIO NEGRO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. ENTREGA REITERADA DE DCTF COM VALORES INFERIORES AOS DEVIDOS OU ZERADOS. A entrega de DCTF com valores reduzidos ou zerados, de forma reiterada, retarda o conhecimento da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, consistindo em sonegação tributária, sendo correta a aplicação da multa qualificada em 150%. EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS. Aplicamse ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 07 94 /2 01 5- 15 Fl. 735DF CARF MF Processo nº 13502.720794/201515 Acórdão n.º 3302005.681 S3C3T2 Fl. 736 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins cumulativos, relativos ao período de março de 2003 a dezembro de 2012, decorrente de diferença entre os valores das contribuições escrituradas no Livro Razão e os valores declarados em DCTF ou recolhidos em DARF, com aplicação de multa qualificada em 150% e responsabilização tributária dos sóciosadministradores. A pessoa jurídica apresentou impugnação, aduzindo a nulidade do Auto de Infração, a natureza confiscatória da multa aplicada e sua redução para 20%, a inclusão da recorrrente em um programa de refinanciamento fiscal Refis com redução de multa para 20% e isenção/redução de juros de mora. Já os responsáveis tributários não interpuseram impugnações aos Autos de Infração. A Segunda Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0960.483, julgando a impugnação improcedente, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como do não confisco ou da proporcionalidade, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. VALIDADE DA LEI. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a validade de Lei, tarefa privativa do Poder Judiciário. DELIMITAÇÃO DA LIDE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 13502.720794/201515 Acórdão n.º 3302005.681 S3C3T2 Fl. 737 3 Se a interessada apresenta argumentos acerca da aplicação da multa qualificada e da responsabilização solidária dos sócios da pessoa jurídica à época impugnatória, tal matéria correspondente situase fora dos limites da lide, descabendo a sua apreciação pelo órgão julgador. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO DESPROVIDO DE MOTIVAÇÃO E COM INOBSERVÂNCIA DOS REGRAMENTOS LEGAIS. INOCORRÊNCIA. É incabível a argüição de nulidade do auto de infração quando este se apresente totalmente revestido de suas formalidades essenciais, em estrita consonância com as normas de regência, bem assim observado que o sujeito passivo obteve a ciência de seus termos, assegurandoo pleno exercício da faculdade de interposição da peça impugnatória. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF. INFORMAÇÃO EM DIPJ Devem ser lançados de ofício os débitos de IRPJ, quando não declarados em DCTF, ainda que informados em DIPJ, eis que tal declaração, a partir do exercício 1999, possui natureza informativa, ou seja, não constitui confissão de dívida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações efetuadas em impugnação, concernentes à nulidade da autuação e ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em preliminar, a recorrente alega nulidade do Auto de Infração por não conter os requisitos necessários à compreensão do lançamento, impossibilidade de verificação dos cálculos e ato desprovido de provas, lastreado em "achismo" da fiscalização. Sem razão, a recorrente. Os requisitos legais para a lavratura do auto de infração constam do art. 10 do Decreto 70.235/72: Fl. 737DF CARF MF Processo nº 13502.720794/201515 Acórdão n.º 3302005.681 S3C3T2 Fl. 738 4 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Quanto à nulidade, o referido decreto dispõe em seu artigo 59: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Constatase, porém, que não houve qualquer violação aos pressupostos legais para a lavratura do Auto de Infração, pois foi lavrado por pessoa competente, ou seja, auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, e contém toda descrição pormenorizada dos fatos, cálculo dos valores das contribuições devidas, dos juros e da multa de ofício e indicação dos enquadramentos legais, enfim, suficiente à compreensão das infrações cometidas pela recorrente. Destacase que a acusação fiscal é de declaração a menor em DCTF de valores de PIS e Cofins devidos, apurados conforme o registro contábil nas contas 2.1.1.05.0334 (ano de 2011) e 2.1.1.05.0385 (ano de 2012) para o PIS e 2.1.1.05.0326 (ano de 2011) e 2.1.1.05.0415 (ano de 2012) para a Cofins, do Livro Razão, valores estes que corroboram as informações prestadas no Dacon pela própria recorrente, a qual, porém, confessou (e recolheu) apenas 10% destes valores em DCTF, restando a diferença devida. Portanto, não houve qualquer cerceamento de defesa ou falta de requisito hábil a tornar nulo o lançamento. Afastase, assim, a preliminar arguida. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13502.720794/201515 Acórdão n.º 3302005.681 S3C3T2 Fl. 739 5 No mérito, a única alegação da recorrente referese à natureza confiscatória da multa de ofício aplicada, aduzindo sua redução para 20%. A respeito desta alegação, esclareçase que não cabe a este Conselho o conhecimento de argüições de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2 e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% decorreu da entrega de DCTF com informações sabidamente falsas, correspondentes a 10% dos tributos devidos e escriturados na contabilidade e informados no Dacon, fatos estes que subsumemse à definição de sonegação contida no artigo 71 da Lei nº 4.502/64. A constatação da ocorrência de sonegação acarreta a qualificação da multa de ofício, nos termos do §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, conforme artigo 1421 do CTN. Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 13502.720794/201515 Acórdão n.º 3302005.681 S3C3T2 Fl. 740 6 Fl. 740DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.691694/2009-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.691694/2009-12
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874564
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.246
nome_arquivo_s : Decisao_10880691694200912.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LARISSA NUNES GIRARD
nome_arquivo_pdf_s : 10880691694200912_5874564.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7352065
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586645004288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.691694/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.246 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente NIPLAN ENGENHARIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 16 94 /2 00 9- 12 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.691694/200912 Acórdão n.º 3002000.246 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração maio/2004, e requer a compensação de R$ 11.669,86 com débitos também de Cofins (fls. 7 a 10). Por meio de despacho decisório à fl. 2, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual explicou que, em decorrência de fiscalização realizada pela Receita Federal na sede da empresa em meados de 2007, foi orientada a não recolher os valores das contribuições dos regimes cumulativo e não cumulativo no mesmo Darf, como vinha fazendo, e que o erro deveria ser corrigido por meio de declaração de compensação, uma vez que não era possível desmembrar o Darf. O contribuinte informou, ainda, que apresentou a Per/Dcomp, mas se esqueceu de retificar a DCTF do período, o que gerou um débito que não existiria. Com a retificação da DCTF, a incorreção foi sanada, surgindo o crédito a ser utilizado na compensação (fls. 11 a 13). Instruiu sua manifestação de inconformidade com procuração e contrato social (fls. 14 a 33), cópia do Darf (fl. 34), cópia da Dcomp (fls. 35 a 40), cópia da DCTF retificadora (fls. 41 a 45) e cópia do Despacho Decisório (fl. 46). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1634.471 (fls. 54 a 61), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação, uma vez não carreado aos autos documentação hábil, idônea e suficiente para provar o que foi alegado, somado à comprovada incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte em Dacon e DCTF retificadora, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2004 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de defeito creditório disponível para fins de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.691694/200912 Acórdão n.º 3002000.246 S3C0T2 Fl. 4 3 motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTF Retificadora desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF anterior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) ativa na data da transmissão do PER/DCOMP, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 12/12/2011, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 63, e protocolizou seu recurso voluntário em 20/12/2011, conforme carimbo no Recurso Voluntário, à fl. 64. O recurso voluntário é uma cópia da manifestação de conformidade, à qual se soma o argumento de que sua razão de pedir será comprovada pelo Dacon original anexado ao processo, concluindo com o protesto pela juntada de novos documentos e de nova manifestação, se necessário para a comprovação do alegado (fls. 64 a 84). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à matéria de prova. Nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, o ônus probatório pertence ao requerente, conforme definido nas normas que regem o processo administrativo e o processo civil. Segundo o Código de Processo Civil em seu artigo 373, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.691694/200912 Acórdão n.º 3002000.246 S3C0T2 Fl. 5 4 incumbe ao autor. E, de maneira similar, dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Assim, não resta dúvida de que o ônus probatório recai sobre a recorrente, que jamais alegou o contrário e vem tentando se desincumbir de sua obrigação. A discussão tem se resumido a definir se os elementos apresentados seriam suficientes para demonstrar o que se pleiteia. Relembrando o histórico destes autos, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada apenas da DCTF, retificada após o Despacho Decisório. Por sua vez, a DRJ decidiu analisar o Dacon original, transmitido antes do pedido de compensação, e concluiu que ele contradizia a DCTF retificadora e as alegações do sujeito passivo. Na ausência de quaisquer outros documentos probatórios, decidiuse pelo não provimento da manifestação de inconformidade. Por fim, o contribuinte juntou a seu recurso voluntário esse mesmo Dacon analisado pela DRJ, afirmando tratarse de prova suficiente. Contudo, este processo possui uma particularidade que é a natureza da alegação quanto aos motivos de direito: a compensação visaria apenas a fazer um acerto contábil entre a Cofins cumulativa e a nãocumulativa. Não haveria de fato nenhum pagamento a maior ou indevido, mas a alocação equivocada da parcela relativa ao regime cumulativo no código da nãocumulativo no momento do pagamento, um erro de preenchimento de Darf que, aparentemente, estaria presente também na DCTF original. Diante dessa peculiaridade, o relator considerou que, neste caso específico, consideraria suficiente para a demonstração do direito a existência de Dacon original, anterior à transmissão do PER/Dcomp, que confirmasse as retificações promovidas na DCTF. Frisese que o Dacon não foi apresentado pelo contribuinte, mas consultado pelo relator diretamente nos sistemas da Receita Federal, dentro da liberdade relativa da qual dispõe um julgador para definir os documentos necessários para a formação de sua convicção. 7. Neste ponto, importante destacar que o Contribuinte não apresentou em sua Manifestação de Inconformidade quaisquer documentos que pudessem demonstrar a pertinência das alterações efetuadas por meio da DCTF retificadora entregue após o Despacho Decisório. Para os fins pretendidos pela Requerente, permaneceria a necessidade de comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos confessados. 7.1. No entanto, considerando as informações constantes do processo administrativo, há que se ressaltar a característica peculiar do pretendido pelo Contribuinte com a apresentação da presente declaração de compensação: (...) Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.691694/200912 Acórdão n.º 3002000.246 S3C0T2 Fl. 6 5 7.2. Nesses termos, considerando a alegada intenção do Contribuinte em regularizar as declarações entregues à RFB, adotase como suficiente, no presente caso, que a DCTF Retificadora se apresente em consonância com outras declarações entregues pelo Sujeito Passivo antes da transmissão do PER/DCOMP sob análise, o que demonstraria uma coerência das informações prestadas ao Fisco. 7.3. Nesta linha de raciocínio, uma vez que a apuração do tributo em discussão (Cofins) é demonstrada mensalmente por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), a comparação entre a DCTF Retificadora e o citado demonstrativo forneceriam elementos para a formação de convicção sobre a procedência do quanto solicitado, neste caso específico no qual o Contribuinte pretende a redistribuição entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins. (grifado) Neste ponto, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas, como apontado pelo relator. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, assim como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração em uma confissão de dívida com vistas a reduzir tributo. Por esse motivo, embora compreenda a lógica adotada no julgamento de primeira instância e concorde que ela possa ser utilizada, ouso discordar de sua aplicação neste caso em virtude das inúmeras inconsistências apuradas, sobre as quais discorro a seguir. O contribuinte justifica seu pedido de compensação como decorrente de uma exigência da Fiscalização, mas em nenhum momento comprova que de fato existiu essa demanda. Juntou à manifestação de inconformidade um Darf pago, com anotações à mão do valor a ser transferido de um código de receita para outro, que nada prova. Se o problema era apenas o recolhimento da Cofins no código de receita errado, porque agrupado o valor de dois códigos em apenas um, era de se esperar que a DCTF estivesse correta – o cálculo da contribuição devida em cada regime deveria estar correto. Se não está, então o problema pode ser outro que não a simples alocação de tributo em código errado no Darf. No caso em tela, temos inicialmente divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, com posterior retificação da DCTF para adequála às informações constantes na compensação. Neste cenário, cabe ao contribuinte submeter à apreciação da Administração Tributária documentos que mostrem quais receitas e despesas o autorizam a afirmar que o Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.691694/200912 Acórdão n.º 3002000.246 S3C0T2 Fl. 7 6 débito é menor do que aquele declarado. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984. Sua alteração visando a diminuir o tributo deve estar amparada em documentação, como previsto no CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Além da divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, o relator do acórdão da DRJ constata que existe também divergência entre a DCTF retificadora e o Dacon. No Demonstrativo, o débito total de Cofins é superior ao que consta na retificadora, o que atesta a incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte. Como não há nenhum outro documento para amparar as alegações do contribuinte, conclui o relator que não pode ser acatada a retificação nem homologada a compensação. Transcrevese o resultado da análise: (a) O DACON foi entregue e recepcionado pelos sistemas à disposição da RFB em 29/10/2004, antes da data de transmissão do presente PER/DCOMP; (b) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins nãocumulativo no valor de R$ 79.826,55, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 65.178,71; (c) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins cumulativo no valor de R$ 11.669,86, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 11.669,86; 7.6. Do exposto, constatase que as informações apresentadas pelo Contribuinte na DCTF retificadora do período de apuração 05/2004 estão em desacordo com o respectivo Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais. 7.7. Assim, considerando as características específicas do presente PER/DCOMP (redistribuição dos valores apurados entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins), comprovada a incoerência entre as informações prestadas pelo Contribuinte em DACON e DCTF Retificadora, e não tendo justificado as alterações produzidas por esta última com documentação hábil, idônea e suficiente, a retificação dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém correta a não homologação da compensação pretendida. (grifado) Considerando o argumento do contribuinte de que a compensação teria sido efetuada apenas para transferir valores entre diferentes códigos de Cofins, o valor total dos Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.691694/200912 Acórdão n.º 3002000.246 S3C0T2 Fl. 8 7 débitos de Cofins deveria ser o mesmo, seja na DCTF original, seja na retificadora, seja no Dacon. Em não sendo, deduzimos que a inconsistência já existia desde a transmissão da DCTF original, o que nos impede de saber qual das declarações reflete a realidade. A isso se some que foram distribuídos a esta relatora não apenas este, mas um lote de 10 processos, idênticos, alterandose apenas o período considerado. Na análise do processo nº 10880.691705/200964, vêse que o Dacon foi transmitido apesar de o sistema apontar 12 erros no seu preenchimento, erros não impeditivos da transmissão, mas relevantes quanto ao conteúdo. Nesse Dacon, alocouse a quase totalidade das receitas no regime cumulativo, em contradição com os demais 9 processos, nos quais predominam receitas no regime nãocumulativo, e em contradição com a base de cálculo do PIS/Pasep do mesmo mês, entre outros problemas. É sabido que a base de cálculo das contribuições se compõem das mesmas receitas, não sendo razoável persistir divergência dessa natureza após o aviso de erro dado pelo sistema. Tal constatação sugere um certo desmazelo na prestação de informações para a Receita Federal e acentua a incerteza quanto à fidedignidade do conteúdo das declarações juntadas a estes processos. Do conjunto de inconsistências encontradas nas diversas declarações e processos do sujeito passivo, fica a convicção de que qualquer alegação desprovida de prova documental não pode ter guarida neste julgamento. Surpreendentemente, no recurso voluntário é exatamente o Dacon analisado pelo relator, fundamento para a negativa de provimento, que a recorrente junta a título de prova. Os valores ali constantes demonstram a improcedência das suas alegações, bem como a incoerência entre a retificação da DCTF e o cálculo da contribuição, como apontado pela DRJ. Entretanto, devo frisar que, mesmo que seu conteúdo estivesse em perfeita harmonia com a DCTF retificadora, em meu entendimento não estaria demonstrado o direito, tendo em vista tudo o que se explanou anteriormente. Considerando que nem a DCTF e nem o Dacon respaldam o pedido de compensação e que nenhum outro documento foi trazido a título de prova, não há como autorizála. Quanto ao pedido para a juntada posterior de novos documentos e de nova manifestação, não há previsão legal para tal procedimento. Regra geral, o contribuinte deve demonstrar o seu direito na manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.691694/200912 Acórdão n.º 3002000.246 S3C0T2 Fl. 9 8 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (grifado) A recorrente instruiu seu recurso voluntário com o Dacon, que foi conhecido e analisado, já que em primeira instância seu conteúdo havia sido utilizado como fundamento de decidir – alínea “c” do § 4º do art. 16 do PAF. Contudo, não há previsão legal para a produção futura de provas. Uma vez não comprovada a ocorrência de alocação indevida de parcela da Cofins cumulativa no código da nãocumulativa e não justificadas as alterações promovidas na DCTF, não reconheço o direito à compensação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000635/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial sobre a mesma matéria objeto de processo administrativo implica renúncia ao julgamento administrativo e constituição definitiva do crédito tributário em discussão.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
A observância do valor de alçada para a propositura de recurso de ofício é requisito recursal, indisponível, sendo obrigatória a sua observância.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AVERIGUAÇÃO.
O momento para a averiguação do atingimento do limite de alçada para fins de recurso de ofício é o de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
COMPENSAÇÃO DE IRRF NO VALOR LANÇADO. POSSIBILIDADE DE PREJUÍZO IRREVERSÍVEL.
Estando o crédito tributário em discussão judicial, a compensação do IRRF confirmado reduzindo valor total do lançamento poderia significar perda irreparável ao contribuinte no caso de obter decisão judicial favorável à sua tese. Havendo pedido de compensação cujo único fundamento para negar o direito creditório foi a falta de liquidez e certeza em função deste lançamento, há que se resolver a questão do crédito naquele processo.
Numero da decisão: 1302-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso de ofício, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que solicitou apresentação de declaração de voto; e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face de renúncia à esfera administrativa, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimentos dos conselheiros).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial sobre a mesma matéria objeto de processo administrativo implica renúncia ao julgamento administrativo e constituição definitiva do crédito tributário em discussão. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. A observância do valor de alçada para a propositura de recurso de ofício é requisito recursal, indisponível, sendo obrigatória a sua observância. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AVERIGUAÇÃO. O momento para a averiguação do atingimento do limite de alçada para fins de recurso de ofício é o de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE IRRF NO VALOR LANÇADO. POSSIBILIDADE DE PREJUÍZO IRREVERSÍVEL. Estando o crédito tributário em discussão judicial, a compensação do IRRF confirmado reduzindo valor total do lançamento poderia significar perda irreparável ao contribuinte no caso de obter decisão judicial favorável à sua tese. Havendo pedido de compensação cujo único fundamento para negar o direito creditório foi a falta de liquidez e certeza em função deste lançamento, há que se resolver a questão do crédito naquele processo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.000635/2006-20
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5890064
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.851
nome_arquivo_s : Decisao_18471000635200620.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 18471000635200620_5890064.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso de ofício, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que solicitou apresentação de declaração de voto; e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face de renúncia à esfera administrativa, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimentos dos conselheiros).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7387482
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586652344320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.252 1 1.251 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000635/200620 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302002.851 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30% Recorrentes LOJAS AMERICANAS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial sobre a mesma matéria objeto de processo administrativo implica renúncia ao julgamento administrativo e constituição definitiva do crédito tributário em discussão. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. A observância do valor de alçada para a propositura de recurso de ofício é requisito recursal, indisponível, sendo obrigatória a sua observância. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AVERIGUAÇÃO. O momento para a averiguação do atingimento do limite de alçada para fins de recurso de ofício é o de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE IRRF NO VALOR LANÇADO. POSSIBILIDADE DE PREJUÍZO IRREVERSÍVEL. Estando o crédito tributário em discussão judicial, a compensação do IRRF confirmado reduzindo valor total do lançamento poderia significar perda irreparável ao contribuinte no caso de obter decisão judicial favorável à sua tese. Havendo pedido de compensação cujo único fundamento para negar o direito creditório foi a falta de liquidez e certeza em função deste lançamento, há que se resolver a questão do crédito naquele processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 35 /2 00 6- 20 Fl. 1252DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso de ofício, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que solicitou apresentação de declaração de voto; e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face de renúncia à esfera administrativa, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimentos dos conselheiros). Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1302000.429, de 9 de junho de 2016, desta Turma Ordinária, por bem retratar o processo: LOJAS AMERICANAS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por voto de qualidade, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 14/07/2006, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 41.473.089,41, sem acréscimo de multa de ofício. A contribuinte compensou prejuízos fiscais nos anoscalendário 2003 e 2004 em montantes superiores ao limite legal de 30%. Os autos foram instruídos com as DIPJ dos anoscalendário fiscalizados (fls. 08/162) e com referências a diligência anterior, consignadas no Termo de Início de Fiscalização (fl. 163). Na intimação do auto de infração consta que o crédito tributário estaria com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo nº 96.00240329 da 30ª Vara Federal (art. 151, inciso II e IV do CTN), e na sequência do auto de infração e de seus demonstrativos de apuração (fls. 164/168) consta cópia de sentença proferida em Ação Ordinária nº 96.00240329, bem como decisão de embargos que estendeu a decisão judicial a prejuízos fiscais apurados após 31/12/95 (fls. 169/180). Em impugnação, a contribuinte requereu a apensação deste processo ao de nº 18471.000626/200639, dado que as alterações na base de cálculo do IRPJ lá promovidas repercutiriam na presente exigência, bem como apontou erro na determinação do excesso de compensação no anocalendário 2004. A autoridade julgadora de 1ª instância questionou a reprodução dos ajustes decorrentes do lançamento no Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.253 3 Inflacionário SAPLI, e, informando a Fiscalização a desnecessidade de tais registros ante a suspensão da exigibilidade do lançamento, proferiuse decisão declarando a desnecessidade de juntada dos processos, até porque a mesma Turma de Julgamento apreciou o processo administrativo nº 18471.000626/200639 e não alterou o lucro apurado nos anoscalendário de 2003 e 2004. Contudo, o crédito tributário principal lançado foi reduzido de R$ 30.816.360,15 para R$ 28.913.280,17, retificandose o excesso de compensação alegado para o anocalendário 2004, mas admitindose os efeitos de declaração retificadora apresentada pela contribuinte em 05/01/2007, na qual foi aumentada a base de cálculo do IRPJ antes da compensação. A decisão de 1ª instância está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 ERRO DE CÁLCULO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É de se corrigir o valor do crédito tributário, ante a constatação de apresentação de declaração retificadora alterando a base de cálculo da contribuição. O crédito tributário exonerado, apesar de desacompanhado de multa de ofício, superou ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 375/2001, razão pela qual o Presidente da 2ª Turma da DRJ/RJI submeteu a decisão a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/06/2007 (fl. 326/328), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 16/07/2007 (fls. 310/319), no qual reiterou que quaisquer modificações nos lucros reais apurados pela RECORRENTE nos anoscalendário de 2003 e 2004 em virtude de decisão final proferida no processo administrativo n° 18471.000626/200639 terão reflexo na base tributável do AUTO e, portanto, no valor do crédito tributário nele exigido, razão pela qual o processo decorrente do AUTO deve ser apensado ao processo n° 18471.000626/200639, para posterior julgamento conjunto, ante a manifesta conexão que existe entre eles. A recorrente descreve a tributação de lucros auferidos no exterior veiculada no processo administrativo nº 18471.000626/200639, que teriam sido objeto de autuação no anocalendário 2002, mas adicionados pela contribuinte à base tributável de 2003, assim repercutindo no valor exigido nestes autos. Acrescenta não ter sido admitida naquela exigência a compensação de prejuízos, ainda que limitada a 30%, sob o entendimento de que a contribuinte já teria esgotado os saldos disponíveis ao utilizálos acima do limite legal nos períodos aqui autuados. O presente processo foi distribuído para relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner, que reconheceu a possibilidade de repercussão, na presente exigência, da decisão do processo administrativo nº 18471.000626/200639, e firmou que: Diante disso, a dependência do resultado do julgamento nos autos principais compromete o efetivo o julgamento deste processo neste momento, em face do risco de causar prejuízo Fl. 1254DF CARF MF 4 irreversível ao direito de ampla defesa, visto que, para que a decisão seja passível de recurso especial, o interessado deverá comprovar a adoção de tese divergente por outra turma e o prequestionamento da matéria. Assim, ainda que pudessem ser julgados na mesma sessão, entendese que o julgamento do processo dependente fica prejudicado, pois, caso seja decidida a questão objeto do processo principal, aquela decisão estará sujeita a recurso especial, enquanto a questão decidida neste processo, sendo apenas de natureza instrumental, não possibilitaria a comprovação de divergência. Ademais, não estando os processos apensados, ainda que fosse admitido, a subida do recurso especial eventualmente interposto nestes autos para a Câmara Superior de Recursos Fiscais em nada contribuiria para a realização da função precípua daquela Corte, qual seja, a uniformização da jurisprudência do CARF, e apenas aumentaria o estoque de recursos a serem por ela apreciados, representando um desperdício de recursos humanos e financeiros. Acolhendo estes argumentos, a extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, na Resolução nº 1202000.175, decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 18471.000626/200639, junte cópia daquela decisão e, em seguida, devolva os autos àquela relatora, para prosseguimento no julgamento do recurso voluntário. Às fls. 1008/1027 consta cópia do Acórdão nº 1202000.959, proferido nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, que assim decidiu o litígio ali presente: Acordam os membros do colegiado, Em relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, em acatar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal para anular a exigência do IRPJ referente ao anocalendário 2001. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que rejeitava a preliminar de nulidade. O conselheiro Geraldo Valentim Neto acompanhou o voto pelas conclusões. Com base nessa decisão, em relação ao processo apensado, nº 10768.002416/200214, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar à unidade de origem que verifique a suficiência do saldo negativo de IRPJ para fins de homologação ou não da compensação pretendida, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Quanto ao recurso de ofício, pelo voto de qualidade, em face da concomitância com a esfera judicial, em dar parcial provimento para restabelecer o crédito tributário referente à variação cambial do investimento na empresa Klanil, do anocalendário de 2002, no montante de R$ 163.290.144,73. Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. O acórdão está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2003, 2004, 2005 Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.254 5 CONCOMITÂNCIA COM ESFERA JUDICIAL. PARCIAL. Detectada uma discussão judicial sobre matéria objeto de autuação, deve ser restabelecida a parte do lançamento respectiva, observandose a Súmula CARF nº 1. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. MODIFICAÇÃO SUBSTANCIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A previsão legal de lançamento complementar não alcança a hipótese de alteração do próprio fato gerador em seus aspectos temporal e fático. Houve embargos ao Acórdão nº 1202000.959, decididos por meio do Acórdão nº 1202001.078, no qual a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara conclui por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para suprir as omissões apontadas sem, contudo, alterar o quanto decidido no Acórdão 1202000.959. Por unanimidade de votos, em suprir, ex officio, omissão constante do referido acórdão para estender à CSLL apurada reflexamente o quanto decidido em relação ao IRPJ. Às fls. 807/825 consta despacho que relata todas as ocorrências do processo administrativo nº 18471.000626/200639 e firma a seguinte situação após a manifestação do CARF: a) Quanto aos valores oferecidos à tributação previamente à autuação sofrida, não há reparos à decisão da DRJ que cancelou os lançamentos sobre IRPJ e CSLL dos anos base 2002 a 2004, e parcialmente sobre a CSLL no ano base 2001 (fl. 1201), ou seja, todas as autuações ocorridas nos períodos descritos foram canceladas pela DRJ e tal decisão foi mantida pelo Carf (fl. 1201); (b) No que se refere à variação cambial referente à equivalência patrimonial, o Carf entendeu que a Fazenda estava correta ao afirmar que o contribuinte já tinha recorrido previamente à esfera judicial com o objetivo de se desobrigar de tributar o resultado positivo da equivalência patrimonial, incluindo a variação cambial do investimento (fl. 1203), o que impediria aquele Conselho de se manifestar a respeito da autuação de IRPJ e CSLL relativas ao valor de R$ 163.290.144,73 (fl. 1203), sendo tal manifestação fundamentada na tentativa de afastar a aplicação do §1º do art. 7º da IN SRF nº 213, de 2002, ou seja, foi restabelecida a atuação sobre a variação cambial, previamente inadmitida pela DRJ; (c) em relação à alteração realizada no auto de infração complementar, com o mero deslocamento da autuação sobre os lucros auferidos pela investida Cheyney do ano base 2002 para o ano base 2001, o Carf entendeu que, ao positivar as hipóteses de cabimento de lançamento complementar, o art. 41 do Decreto nº 7.574 de 2011 apenas fez esclarecer aos operadores do direito como deve ser aplicado o §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, tendo nítido caráter interpretativo, e a situação Fl. 1256DF CARF MF 6 adotada pela Fiscalização no presente caso (em relação à investida Cheyney) não se enquadra em nenhuma delas. Pretendeuse meramente substituir um lançamento pelo outro, dentro do mesmo processo, sob fundamentos diversos (fl. 1207). Portanto, em face da nova fundamentação legal apontada no auto de infração complementar, verifica se que houve alteração do próprio fato gerador do IRPJ considerado, quer em relação à data de sua ocorrência, de 31/12/2002 para 31/12/2001, quer em relação ao seu fundamento fático, qual seja, a disponibilização de lucros, sem que tivesse havido a introdução de qualquer elemento novo. Portanto, a decisão do Carf se deu no sentido de que o lançamento de IRPJ referente ao ano base de 2001 deveria ser anulado (fl. 1207). Na sequência, abordando a ação judicial que repercutia sobre o crédito tributário restabelecido no exame do recurso de ofício interposto nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, e firmando a existência de decisão judicial transitada em julgado contrária à tributação da variação cambial integrada ao resultado da equivalência patrimonial, mas admitindo a incidência sobre o resultado da controlada ali computado, a autoridade fiscal registra que: No caso em tela, portanto, o valor de R$ 163.290.144,73 (variação cambial da equivalência patrimonial da investida Klanil em 2002) não pode ser somado à base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL para efeito de lançamento via auto de infração. E o resultado da equivalência patrimonial da investida Klanil em 2002 já havia sido oferecido à tributação previamente ao auto de infração controlado pelo p.p., conforme manifestação da DRJ, itens 36 e 37, fl. 973, sob a justificativa de que o interessado ofereceu à tributação R$ 39.282.422,32, correspondente a sua participação no lucro auferido por Klanil em 2002 (Resumo dos Lucros no exterior, fl. 244), valor superior aos cálculos da equivalência patrimonial. Além disso, verificouse que o Lalur de dezembro de 2003 (fl. 349) confirma a adição do valor de R$ 56.552.858,00, bem como a DIPJ 2004 retificadora, que demonstra o aumento da linha 23 do Ficha 09A, no exato valor de R$ 56.552.858,00 (fl. 1354). Frente a tais circunstâncias, considerando não restar débito passível de cobrança nos lançamentos formalizados nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, determinouse a extinção por medida judicial, com data de 03/09/2013, dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fls . 1387 e 1388, bem como a extinção por julgamento administrativo da impugnação dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fls. 1365 a 1372. Com estas informações acerca da decisão final do processo administrativo nº 18471.000626/200639 os autos deste processo retornaram a este Conselho em observância à Resolução nº 1202000.175. Com a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara os autos aguardavam sorteio na 1ª Seção de Julgamento mas foram distribuídos a esta Conselheira em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 10768.001910/200423, conforme fls. 1101/1103. Registrese, ainda, que em 11/02/2012 a recorrente apresentou a petição de fls. 341/343 na qual requereu à primeira Conselheira Relatora que avocasse o processo administrativo nº 16682.720363/201134 para julgamento conjunto, vez que a compensação ali em debate não fora homologada sob o argumento de que o IRRF indicado como integrante do saldo negativo compensado deveria reduzir a exigência formalizada nestes autos, assim retirando a certeza e liquidez do crédito afirmado pela contribuinte. A I. Relatora, então, proferiu voto no sentido de converter o julgamento deste processo em diligência, para que, em função da parte do julgado recorrido que reconhece e Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.255 7 altera o lançamento em função de declaração retificadora apresentada pela Empresa, para que a unidade de origem, à luz da escrita comercial e fiscal da contribuinte, verificasse se o lucro real antes da compensação de prejuízos em 2004 representa, de fato, o valor apresentado na retificadora. Pugnou, também, pela juntada para julgamento conjunto do processo nº 16682.720363/201134. A autoridade administrativa responsável pela diligência apresentou seu relatório, consignando que as Lojas Americanas retificaram a declaração retificadora que tinham apresentado em 5 de janeiro de 2007. Isto ocorreu em 24 de setembro de 2007. Com esta retificação, os valores retornaram àqueles considerados quando do lançamento. O Auditor Fiscal responsável afirma, ainda, que, embora os valores exonerados alcancem R$1.903.078,98, não deve ser aplicada a Súmula CARF nº 103, uma vez que o julgamento do recurso de ofício já foi iniciado, tendo sido convertido o julgamento em diligência. O julgamento, portanto, está suspenso e será retomado quando do retorno dos presentes autos ao CARF. A Empresa defende, em sua manifestação quanto ao resultado da diligência, que seja aplicada a Súmula CARF nº 103, reconhecendo a impossibilidade de julgamento do recurso de ofício e que seja julgado o recurso voluntário. Ante a complexidade deste relatório, deixo claro que no recurso voluntário apresentado em 16/07/2007 em face do acórdão da DRJ/RJ1 (fls. 671/680) a Empresa alega a conexão entre o presente processo e o de nº 18471.000626/200639 que trata de lançamento de lucros no exterior requerendo que: a) qualquer modificação nos lucros reais dos anoscalendário de 2003 e 2004 sejam refletidas na apuração do crédito tributário do AUTO; b) que o presente processo seja apensado ao processo administrativo nº 18471.000626/200639, de forma a que ambos os processos sejam julgados em conjunto, qnte a conexão que existe entre eles. Em 17 de fevereiro de 2012 a Empresa peticionou para que o processo relativo à declaração de compensação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 fosse distribuído por dependência e julgado juntamente com o presente processo. Requer, ao final: (i) que o processo no qual se discute a validade das compensações efetuadas pela PETICIONÁRIA (processo administrativo n ° 16682.720363/201134) seja avocado e, por consequência, distribuído por dependência ao presente processo para julgamento conjunto (o pedido de distribuição por dependência também foi efetuado no recurso voluntário apresentado contra o acórdão que não homologou as DCOMPs); e (ii) na eventualidade de a decisão final a ser proferida no processo administrativo em que se discute a validade das DCOMPs ser no sentido da sua não homologação, seja Fl. 1258DF CARF MF 8 observada a decisão proferida naquele processo no sentido de que o valor do IRRF que deu origem ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 seja utilizado para reduzir o valor do IRPJ exigido pelo auto de infração objeto do presente processo, excluindose, igualmente, os acréscimos legais incidentes.(grifei) É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Observo, inicialmente, que a numeração das folhas do presente processo inicia, estranhamente, pelo nº 353. Isso denota a falta de algum volume, pois não teria sentido erro de tamanha magnitude. Todavia, estão presentes todos os documentos necessários ao julgamento da lide. Alerto, contudo, que toda a numeração de folhas apontada neste voto dizem respeito a esta equivocada numeração. RECURSO DE OFÍCIO O acórdão recorrido desonera o contribuinte em função de declaração retificadora apresentada pela Recorrente em 5 de janeiro de 2007, na qual o lucro real de 2004 é aumentado para R$61.901.473,84, ao invés dos R$46.527.074,07 da declaração original (fl. 441). Originalmente, o auto de infração constituiu os seguintes créditos tributários (fls. 521/522) sem multa de ofício, uma vez que está suspensa a exigibilidade, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996: anocalendário de 2003...........................IRPJ de R$21.948.122,20 anocalendário de 2004...........................IRPJ de R$8.868.237,95 Total.....................................................................R$30.816.360,15 A Recorrente alegou na impugnação erro no cálculo do imposto do ano calendário de 2004, pois a autoridade administrativa considerou como base de cálculo o montante de R$35.568.951,84, ao invés de R$32.328.951,84. Isso fica evidente, pois 70% de R$46.527.074,07 é R$32.328.951,84. Todavia a Turma julgadora desconsiderou este erro, pois assumiu a retificadora apresentada pelo contribuinte, que aumentou o lucro real e, consequentemente, a parcela de 30% compensável. Assim, o valor tributável passou dos anteriores R$32.328.951,84, para R$27.956.631,92. Os cálculo estão apresentados no voto (fl. 666). Com o julgamento de primeiro instância, o valor do lançamento passou a ser: anocalendário de 2003...........................IRPJ de R$21.948.122,20 anocalendário de 2004...........................IRPJ de R$6.965.157,97 Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.256 9 Total.....................................................................R$28.913.280,17 Houve uma desoneração, portanto, de R$1.903.079,98. Sabemos, pelo resultado da diligência (fls. 1189/1192) que a Empresa retificou, novamente, a DIPJ, aproximadamente oito meses após a primeira retificadora, restabelecendo os valores originais e considerados por ocasião dos lançamentos. Apesar da repulsa causada por tal acontecimento, entendo que o valor de alçada estabelecido para o recurso necessário é condição para sua propositura, não estando à disponibilidade do julgador para, ao seu alvedrio, conhecêlo, ainda que o valor esteja abaixo do preestabelecido. Por outro lado, a Súmula CARF nº 103 é bem clara: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF nº 63, publicada em 10 de fevereiro de 2017, estabelece o valor de alçada de R$2.500.000,00 e revoga a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Embora a Resolução datada de 9 de junho de 2016, anteriormente à alteração do valor de alçada, determine diligência exatamente no sentido de instruir o processo para julgamento do recurso de ofício, entendo que a expressão "a data de sua apreciação", constante da súmula, trata da sessão em que o recurso é julgado, independentemente de procedimentos anteriores. Por esses motivos, não conheço do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com o de nº 18471.000626/200639, que cuidou de lançamento relativo a lucros recebidos do exterior. Sobre o citado processo, a DEMAC/RJ apresentou informação (fls. 1071/1087) na qual conclui: VIII – CONCLUSÃO 58. Em face do exposto neste instrução, consideramos que não resta nenhum débito passível de cobrança nos lançamentos formalizados nestes autos, seja por decisão da instância administrativa (planilhas de fls. 1365 a 1372), seja por decisão judicial transitada em julgado (planilha de fls. 1387 e 1388) e, por isso, propomos o envio imediato do p.p. à Equipe de Cobrança desta Divisão para extinção por medida judicial, com data de 03/09/2013, dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fl s . 1387 e 1388 , e para extinção por julgamento administrativo da impugnação dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fls. 1365 a1372.(grifos do original) Desta forma, perde sentido a solicitação do recurso, uma vez que o processo 18471.000626/200639 foi extinto e não afetou os resultados relativos aos lançamentos em julgamento. Fl. 1260DF CARF MF 10 Os créditos tributários em litígio dizem respeito, exclusivamente, à compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal de 30% do lucro líquido ajustado nos anoscalendário de 2003 e 2004. Sobre a matéria, as Lojas Americanas S/A, juntamente com outros interessados, entrou com Ação Ordinária cuja sentença e outras peças são juntadas às folhas 524/535. Segundo pesquisa no sítio do TRF2 o processo ainda não transitou em julgado Fica claro que a opção da Empresa foi levar a matéria para discussão judicial, o que determina a renúncia às instâncias administrativas nos termos da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Antes, contudo, cabe observar que a Recorrente apresentou petição solicitando o julgamento conjunto deste processo com o de nº 16662.720363/201134, e que isto foi objeto da Resolução nº 1302000.429, de 9 de junho de 2016. O processo encontrase a este apensado e trata de declaração de compensação relativa a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, crédito no valor de R$17.484.481,89 totalmente decorrente de imposto retido na fonte, tendo em conta que, com a compensação sem a trava de 30% o lucro real declarado foi "zero" e, portanto, todo o IRRF foi considerado saldo negativo. No Parecer Conclusivo nº 137/2011, que fundamenta o Despacho Decisório que não reconhece o direito creditório naquele processo, a autoridade administrativa destaca: não é confirmado o IRRF de R$449,97, relativo a aplicações de renda fixa no Banco Citibank S/A, por não constar em DIRF; foi constatada a existência de auto de infração relativo ao anocalendário, o que torna incerto e ilíquido o direito creditório do contribuinte. Assim, o Parecer não reconhece o direito creditório total, embora tenha confirmado o IRRF, e não homologa as compensações pleiteadas, no que é espelhado no Despacho Decisório. A Empresa juntou à sua manifestação de inconformidade no processo apensado (16662.720363/201134, fl. 185) o comprovante de rendimento fornecido pelo Citibank no qual fica confirmada a retenção dos valores de R$444,44 e R$5,53, totalizando R$449,97. É fato incontroverso que o único motivo para que não seja reconhecido o direito creditório no processo 16662.720363/201134 é o auto de infração em julgamento neste processo, que afasta a certeza e liquidez do referido crédito. É fato incontroverso, também, que o IRRF é direito do Recorrente, não usufruído apenas em função do não trânsito em julgado do presente feito. A decisão concernente à concomitância implica renúncia à instância administrativa, pelo que o crédito tributário deste processo será definitivamente constituído e Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.257 11 aguardará a decisão judicial definitiva para então seguir ou para arquivo, no caso de vitória do contribuinte, ou execução fiscal, no caso de derrota de sua tese. A Contribuinte solicita em petição extemporânea (fl. 978) que, caso não seja concedida o direito creditório pleiteado no processo a este apensado, seja efetivada a compensação dos valores retidos na fonte para reduzir o valor do lançamento deste processo. Contudo, havendo pedido de compensação do valor retido a título de saldo negativo, na eventualidade de obter sucesso no pleito judicial, a compensação neste processo dos valores retidos na fonte representariam um prejuízo irreparável à contribuinte, devendo prevalecer a solução da questão no processo 16662.720363/201134. Nestes termos, voto no sentido de: (i) não conhecer do Recurso de Ofício; (ii) não conhecer do Recurso Voluntário; (iii) considerar definitivamente constituído o crédito tributário, reconhecendo a concomitância de ação judicial impetrada pela Recorrente, implicando renúncia à discussão administrativa do lançamento. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Em que pese o voto do i. conselheiro relator, como de praxe muito bem fundamentado, divergi do seu entendimento quanto ao não conhecimento do recurso de ofício pela aplicação do limite estabelecidos na Portaria MF. Nº 63/2017, em face do disposto na Súmula CARF nº 1031. No presente caso, o exame de mérito do recurso de ofício restou postergado em face da determinação de realização de diligência por este colegiado, nos termos da Resolução nº 1302000.429. Com a devida vênia do r. entendimento do relator, entendo que o disposto na Súmula CARF nº 103, deve ser aplicado, observandose as disposições regimentais atinentes aos julgamento. 1 Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 1262DF CARF MF 12 Assim dispõem os dispositivos do Anexo II do Regimento Interno do CARF que dispõe sobre o julgamento dos recursos, verbis: Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, [...]: I [...] § 1º Encerrado o debate o presidente tomará, sucessivamente, os votos dos demais conselheiros, na ordem dos que tiveram vista dos autos e dos demais, a partir do 1º (primeiro) conselheiro sentado a sua esquerda, e votará por último, proclamando, em seguida, o resultado do julgamento, independentemente de ter tido vista dos autos. § 2º Ressalvadas as hipóteses expressamente autorizadas pelo Presidente da Turma, não cabem novos debates após o início da votação. § 3º O conselheiro poderá solicitar ao presidente a alteração de seu voto, desde que o faça antes da proclamação do resultado do julgamento, relativo ao conhecimento, à preliminar ou ao mérito. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 4º Os votos proferidos pelos conselheiros, inclusive quanto ao conhecimento e às preliminares, serão consignados na ata da sessão, independentemente de ter sido concluído o julgamento do recurso. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 5º Na hipótese do § 4º, caso o conselheiro que já tenha proferido o voto esteja ausente na sessão subsequente, o substituto não poderá manifestarse sobre a matéria já votada pelo conselheiro substituído. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 9º Aplicarseão as disposições previstas neste artigo, no que couber, para a conversão do julgamento em diligência. [...] Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. § 1º Rejeitada a preliminar, será votado o mérito. § 2º Salvo na hipótese de o conselheiro não ter assistido à leitura do relatório feita na mesma sessão de julgamento, não será admitida abstenção. § 3º No caso de continuação de julgamento interrompido em sessão anterior, havendo mudança de composição da turma, será lido novamente o relatório, facultado às partes fazer sustentação oral, ainda que já a tenham feito, e tomados todos os votos, observandose o disposto nos §§ 3º a 5º do art. 58. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.258 13 Portanto, somente se adentra ao mérito do recurso se ultrapassadas as questões relativas ao seu conhecimento ou a eventuais preliminares suscitadas. O juízo de conhecimento do recurso de ofício se dá na primeira oportunidade em que o mesmo é levado à apreciação do colegiado. Assim, se por ocasião do julgamento o colegiado conhece do recurso e propõe a sua conversão em diligência, nesta data considerase aferida a condição de apreciação do recurso, de acordo com os limites então estabelecidos, salvo se houver erro na apreciação de tais pressupostos. A decisão de realização de diligência consiste em etapa posterior à apreciação das condições de admissibilidade do recurso, pois só então o colegiado adentra no juízo de mérito. É o que se colhe da doutrina processualista de Wambier e Talamini2, verbis: O juízo de admissibilidade dos recurso consiste na verificação, pelo juízo competente, para sua realização, da presença dos requisitos de admissibilidade da espécie recursal de que se tenha servido a parte para impugnar a decisão que lhe foi desfavorável. Tratase de fenômeno assemelhado ao que ocorre com a ação. Nesta o juiz só procederá ao exame de mérito (isto é, do pedido formulado pela parte, na petição inicial), se superado com sucesso o juízo de admissibilidade, isto é, se verificar que estão presentes as condições da ação e os pressupostos processuais e se estão presentes os pressupostos processuais negativos. No caso do juízo de admissibilidade dos recursos, tratase de verificar se estão presentes os pressupostos cuja ausência desautoriza o conhecimento do recurso, determinando, consequentemente, em razão de seu não conhecimento (juízo de admissibilidade negaivo), que o tribunal nem mesmo chegue a analisar o mérito desse recurso. O tribunal verificará se o recurso é cabível, se está presente a legitimidade para recorrer, se há interesse em recorrer, se o recurso é tempestivo etc. Admitido ou conhecido o recurso, o tribunal proferirá o juízo de mérito, dando ou não provimento ao recurso interposto pela parte. Observese que, no caso do recurso de ofício, o não conhecimento pelo CARF somente pode ocorrer se não atingido o limite mínimo de exoneração do crédito tributário indicado no ato ministerial. Portanto, uma vez atendidos os pressupostos para o conhecimento do recurso de ofício, na sessão de julgamento que decidiu pela conversão do julgamento em diligência, conhecido está, não havendo que ser aferida novamente as condições para sua admissibilidade 2 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de processo civil, volume I: teoria geral do processo e processo de conhecimento/Luiz Rodrigues Wambier, Eduardo Talamini 12 ed, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, p. 644. Fl. 1264DF CARF MF 14 ou conhecimento quando do exame do mérito do recurso, no retorno das diligência anteriormente determinadas. Assim, alterações posteriores dos limites para o conhecimento do recurso de ofício, fixados em ato do Ministro da Fazenda, não se aplicam aos recursos regulamente admitidos e que foram objeto de conversão em diligência. Ante ao exposto, voto no sentido de que, uma vez já conhecido, deve o colegiado examinar o mérito do recurso de ofício, tendo em consideração às diligências realizadas em cumprimento a determinação do próprio colegiado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.006969/2005-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
CERCEAMENTO DE DEFESA. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO PUBLICADO SEM PRÉVIA DISCUSSÃO A RESPEITO DO FATO MOTIVADOR DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. NULIDADE DO ADE.
Tendo sido o recorrente adequadamente cientificado da exclusão via ADE, e tendo gozado das oportunidades para apresentação de argumentação contraditória, não houve qualquer cerceamento para a defesa.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. SÓCIO OU TITULAR COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.
Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal para permanência no Simples. Os resultados de equivalência patrimonial não integram o conceito legal de receita bruta para fins de verificação da superação ou não do limite legal para permanência no Simples.
Numero da decisão: 1002-000.302
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Angelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO PUBLICADO SEM PRÉVIA DISCUSSÃO A RESPEITO DO FATO MOTIVADOR DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. NULIDADE DO ADE. Tendo sido o recorrente adequadamente cientificado da exclusão via ADE, e tendo gozado das oportunidades para apresentação de argumentação contraditória, não houve qualquer cerceamento para a defesa. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. SÓCIO OU TITULAR COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal para permanência no Simples. Os resultados de equivalência patrimonial não integram o conceito legal de receita bruta para fins de verificação da superação ou não do limite legal para permanência no Simples.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.006969/2005-59
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894760
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.302
nome_arquivo_s : Decisao_10680006969200559.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANGELO ABRANTES NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 10680006969200559_5894760.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Angelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7403777
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586713161728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1629; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 166 1 165 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.006969/200559 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.302 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 5 de julho de 2018 Matéria Simples Exclusão Recorrente LOCADORA DE EQUIPAMENTOS PARA LIMPEZA MULTICLEAN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO PUBLICADO SEM PRÉVIA DISCUSSÃO A RESPEITO DO FATO MOTIVADOR DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. NULIDADE DO ADE. Tendo sido o recorrente adequadamente cientificado da exclusão via ADE, e tendo gozado das oportunidades para apresentação de argumentação contraditória, não houve qualquer cerceamento para a defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. SÓCIO OU TITULAR COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal para permanência no Simples. Os resultados de equivalência patrimonial não integram o conceito legal de receita bruta para fins de verificação da superação ou não do limite legal para permanência no Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 69 69 /2 00 5- 59 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 167 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Angelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) mediante o Acórdão n.º 0214.851, de 19/07/2007 (efls. 91 a 95). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. A empresa acima foi excluída de oficio do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) n°505.185, de 2 de agosto de 2004 (fl. 10), como segue: (...) Art. 1° Fica o contribuinte [...] excluído do Simples a partir do dia 01/01/2003 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. [...] data da opção pelo Simples: 01/01/2000 Situação excludente (evento 311): — Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2002 ultrapassou o limite legal. CPF 038.022.67664 CNPJ 04.197.401/000134 —Data da ocorrência: 31/12/2002 Inconformada, a interessada apresentou Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), que foi denegada, sendolhe dada ciência desta negativa em 26 de abril de 2005 (fl. 85). Em 25 de maio de 2005, apresentou a solicitação de fls. 1 a 9, assim resumida: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 168 3 • entende ilegal e arbitrária a exclusão operada pelo ADE n° 505.185, de 2004, afirmando não lhe terem sido assegurados os direitos ao contraditório e à ampla defesa; • sua SRS haveria sido denegada apenas por haver ela alegado razões de direito; • entende que o mencionado ADE, datado de 2 de agosto de 2004, feriria o princípio da irretroatividade; • admite que sua sócia CAROLINA PALMARES LAGES, CPF 038.022.67664, é sócia da empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 04.197.401/000134, mas discorda da exclusão por classificar esta sociedade empresarial como holding, tipo de empresa cujos resultados, apurados pelo método da equivalência patrimonial, não seriam tributáveis, pois já haveriam sido tributados nas empresas de que participe; • acrescenta que empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. não teria auferido nenhuma receita advinda da prestação de serviços; • argumenta que os resultados de equivalência patrimonial não integra a receita bruta para fins de aplicação da legislação do Simples. Menciona doutrina e jurisprudência. A decisão da DRJ/BHE concluiu pelo indeferimento da solicitação manifestada na impugnação de efls. 2 a 10. Em oposição à decisão da DRJ/BHE, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual alega, em síntese: a) Preliminarmente, cerceamento de defesa, porque não teria havido oportunidade de justificar a situação fática antes da emissão do Ato Declaratório Executivo (ADE) que trata da sua exclusão do SIMPLES, de modo que a ofensa ao art. 37, caput, da CRFB/88 o torna nulo. b) No mérito, o ADE somente observou o texto legal e teria desprezado a prova material dos fatos, pois a circunstância de a sócia CAROLINA PALHARES LAGES participar com mais de 10 % do capital da empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA não condiz com a realidade fática e material. É o que importa relatar. Voto Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 169 4 Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Preliminar. Nulidade do ADE. Porque o recorrente aponta lesão ao art. 37, caput, da CRFB/88, cabe a sua transcrição, abaixo: (...) Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) A especificação de quais princípios listados no art. 37 teriam sido ofendidos pelo ADE só ocorreu dois parágrafos depois, no texto do recurso voluntário, onde o recorrente acusa o mencionado ADE de arbitrário, imoral e ilegal. E o amparo para essa afirmação seria o cerceamento de defesa causado pelo fato de o contribuinte não ter sido chamado a justificar e esclarecer a sua situação fática em momento anterior ao da publicação do ADE, o que caracteriza a nulidade deste. Ante esse aspecto levantado no recurso voluntário, é importante verificar que a Lei n.º 9.317/96 impõe ao contribuinte o dever de comunicação da ocorrência de situação excludente, sendo a detecção pela administração tributária resultado de atividade/apuração suplementar, em caso de descumprimento da comunicação pelo contribuinte optante pelo SIMPLES. Essa a inteligência da redação, à época do fato motivador da exclusão, dos arts. 9.º, IX, 13, II, "a", e § 3.º, "b", 14, I, e 15, II, e § 3.º, textos reproduzidos a seguir: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 170 5 a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) § 3° No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: (...) b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso II deste artigo. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (...) § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A boa leitura da regulação dada pelas normas acima indica que a exclusão de ofício do contribuinte que não atende os requisitos legais para a permanência no regime de tributação simplificada é dever da administração tributária, e esta, dada a sua atividade vinculada à lei, cumpre esse dever através da elaboração e publicação do respectivo Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES. A partir daí o contribuinte excluído tem a seu dispor os mecanismos e prazos legais para interposição de toda a sorte de recursos admitidos na processo administrativo fiscal — não há previsão legal que estabeleça contraditório antes da publicação do ADE de exclusão. E esse direito foi exercitado, como se pode perceber nas efls. 2 a 10 dos autos, em que consta a impugnação dirigida à DRJ/BHE a respeito do ADE DRJ/BHE n.º 505.185/2004. Mais, houve inclusive a utilização de Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), uma ferramenta extra de análise prévia e sumária para permitir eventual reforma sem a necessidade de julgamento em 1.ª instância, que resultou em análise desfavorável às pretensões do contribuinte, efls. 12 e 13. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 171 6 Então, tendo sido o recorrente adequadamente cientificado da exclusão via ADE, e tendo gozado das oportunidades para apresentação de defesa, não houve qualquer arbitrariedade ou desrespeito aos princípios constitucionais da moralidade e da legalidade. Ao contrário, o que se denota no transcurso do processo é o regular desempenho do poderdever da administração tributária e o respeito ao princípio da legalidade, já que as normas previstas em lei foram seguidas pela autoridade administrativa. Descabe então falar em nulidade do ADE. Mérito. Ganhos de equivalência patrimonial. Assinala o recorrente que o ADE estaria correto se não tivesse desprezado a prova material dos fatos. Que o contexto geral, contexto legal em cotejo com os contratos sociais das empresas e as declarações de renda entregues à SRF, implica constatar que não há motivo para a exclusão. O argumento que se liga à prova a que se refere o recorrente no parágrafo anterior consiste no caráter exclusivo do conceito de receita bruta que prescreve o art. 2.º da Lei n.º 9.317/96, para efeito do somatório relativo à receita bruta global de que trata o inciso IX do art. 9.º da mesma lei, e na natureza do ganho patrimonial da pessoa jurídica da qual participa o recorrente com mais de 10 % do capital, decorrente de aumento no patrimônio de empresa investida, apurado via equivalência patrimonial, que no seu entender não poderia ser considerado como receita, inclusive porque é um valor sequer lançado como lucro tributável. Ou seja, assevera o recorrente que a empresa da qual participa não auferiu receita bruta, e que o único fato que compôs o resultado no período foi o aumento patrimonial em empresas investidas, que materializou resultado positivo de R$ 1.730.133,93, indicado na DIPJ 2003 da empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, efl. 41. Em primeiro plano, vale um exame detalhado do resultado declarado pela empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, diante da informação na DIPJ 2003 de que a atividade econômica correspondia ao CNAE Fiscal 74.144/00 (Gestão de Participações Societárias (Holdings). O recorrente enfatiza a importância da classificação dos resultados positivos da empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, se enquadradas no conceito de receita bruta ou não, e, ainda, mais especificamente, se enquadradas no conceito de receita bruta que a Lei n.º 9.317/96 especifica em seu art. 2.º, § 2.º. Entende o recorrente que na investigação da ocorrência do impedimento tratado no art. 9.º, IX, da Lei n.º 9.317/96 a definição de receita bruta global deveria observar a ideia de receita bruta referida no § 2.º do art. 2.º da Lei n.º 9.317/96, sobrepondoa aos eventuais critérios próprios do regime a que se sujeite a empresa na qual o sócio ou titular participe com mais de 10 % de seu capital. É bom que se registre a enorme proximidade das concepções de receita bruta encontradas nos artigos 2.º, § 2.º da Lei n.º 9.317/96, 187, I, da Lei n.º 6.404/76, e 12 do DL n.º 1.598/77. Acrescento a este grupo os artigos 31 da Lei n.º 8.981/95 e 2.º da Lei n.º 12.973/2014, este último alterando a legislação tributária e mantendo o teor da conceituação de Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 172 7 receita bruta, privilegiando nitidamente a atividade e o objeto principal da pessoa jurídica como caracterizadores da qualificação da receita como bruta ou não. Não foi em outra direção a decisão do STF acerca do Recurso Extraordinário n.º 357.9509/RS, que considerou inconstitucional a ampliação dada ao conceito de receita bruta pelo § 1.º do art. 3.º da Lei n.º 9.718/98. Embora o campo dos exames da extensão do termo faturamento naquele julgamento se referisse às contribuições PIS e COFINS, o entendimento do voto do relator, Ministro Marco Aurélio Melo, trechos transcritos abaixo, harmonizase com a definição contábil e os conteúdos dos dispositivos já citados. (...) Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o pedido formulado na inicial, referente à base de cálculo da contribuição, ou seja, para que se entenda, como receita bruta ou faturamento, o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. (...) (grifei). Eis o que constava do § 1.º do art. 3.º da Lei n.º 9.718/98: (...) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (...) Em síntese, o julgamento no STF decidiu que a Emenda Constitucional n.º 20 não consolidou o entendimento de que receita ou faturamento englobaria toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica. Entretanto, considerando as razões acima, entendo que para o caso dos autos não há propósito em analisar se o que a Lei n.º 9.317/96 chama de receita bruta deve prevalecer quando da aferição da receita bruta obtida por empresa na qual titular ou sócio (de empresa de pequeno porte EPP) participe com mais de 10 % de seu capital. Os conceitos são convergentes. Não faz sentido a pesquisa. O que se mostra em concreto e relevante para a formação de juízo a respeito da receita bruta global cujo limite de R$ 2.400.000,00 teria sido ultrapassado é que em sua DIPJ (efl. 19) a empresa investida pela recorrente informa que sua atividade econômica é Gestão de Participações Societárias (Holdings), cujo CNAE Fiscal é 74.144/00. A qualificação indicada na DIPJ 2003, à efl. 37, Corretora Autônoma de Seguros, não se confirma diante da ausência de receita da atividade preenchida na DIPJ. Aliás, o que entendo é que normalmente as operações que resultam em variações cambiais ativas, Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 173 8 receitas financeiras e ganhos em participações societárias são as operações típicas da gestão de outras empresas que configura efetivamente a gestão de participações societárias. As receitas das holdings normalmente decorrem de operações de compra e venda de participações societárias, aluguéis de bens móveis e imóveis, juros de operações financeiras com empresas do grupo, comissões, intermediação de financiamentos, serviços prestados às empresas do grupo, especialmente administrativos, financeiros, contábeis, de informática, de administração de pessoal, e de vendas e publicidade. Sendo assim, o que se denota nos autos, mormente a partir da declaração (DIPJ) entregue pela própria empresa investida do recorrente, é que o que foi indicado na DIPJ em linha de resultado positivo em participações societárias não representa ganho alheio ao objeto operacional/econômico da pessoa jurídica. Estes resultados, positivos ou negativos, são próprias da atividade de uma holding. Como se explicaria não ter sido apresentada declaração de inatividade pela empresa investida se, realmente, o que ocorreu no anobase 2002 foi a absoluta ausência de receitas correspondentes a operações com seguros? E como justificar o expressivo resultado (e único) que a empresa investida do recorrente informou na DIPJ 2003 como alheias a sua atividadefim, resultado positivo em participações societárias? As respostas para essas questões apontam para a possibilidade de inclusão do resultado declarado pela empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA na definição de receita bruta, seja a definição do art. 2.º, § 2.º da Lei n.º 9.317/96, seja a dos textos dos artigos 187, I, da Lei n.º 6.404/76, 12 do DL n.º 1.598/77. Porque as alienações de participações societárias de caráter não permanente, as variações cambiais, ganhos em renda variável e as receitas financeiras ajustamse hermeticamente às atividades de gestão de participações societárias, e a receita declarada a estes títulos, em verdade, é o produto dos serviços prestados em operações de conta própria pelas empresas Holding, evidenciando a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto Lei n.º 1.598/77, em seu texto vigente à época dos fatos: (...) Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. (...) Contudo, não é esse o contexto que se verifica nos autos. E aqui inicio a análise em segundo plano, a respeito das alegações do recurso voluntário quanto à natureza dos ganhos por equivalência patrimonial. Não comungo com uma das alegações da defesa de que tal ganho não pode ser receita bruta "tanto que o valor não é lançado no lucro tributável da controladora". Há rubricas contábeis que registram receitas que não integram o lucro para efeito de IRPJ mas que não perdem o caráter de receitas para os demais fins. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 174 9 Entretanto, há de se concordar com a falta de caracterização nos autos da natureza de receita bruta relativamente aos resultados positivos em participações societárias. Explico a seguir. É que, em nada me oponho à conclusão de que a variação patrimonial positiva correspondente ao aumento de valor da empresa investida, avaliado por equivalência patrimonial, não traz nada de familiar com o conceito de receita bruta (da atividade). O eventual ganho em um exercício pode ser revertido pela perda noutro, e nada disso decorre do esforço profissional, comercial, fabril, econômico ou financeiro do investidor (controlador ou coligado). Mas isso não extingue a necessidade de maiores averiguações. É bem verdade que o legislador não tencionou dar o mesmo tratamento que dispensa ao micro e pequeno empresário, ao grande e médio empresário, e um dos indicativos desse tratamento diferenciado e favorecido para as pequenas e médias empresas, que obedece a comando constitucional de isonomia material, é o estabelecimento de impedimentos elencados no art. 9;º da Lei n. º 9.317/96, dentre eles o inciso IX, motivo do contraditório aqui discutido. Por isso a possibilidade, também, da análise quanto à ocorrência indireta da vedação do inciso IX. Se a empresa holding predominante ou exclusivamente aufere resultados expressivos — capazes de extrapolar o limite do art. 9.º, inciso IX — decorrentes de participações societárias avaliadas pela equivalência patrimonial, a investigação das empresas investidas da holding tornase importante para a verificação de eventual lesão à isonomia material referida acima. Admitese assim a hipótese de apuração indireta da receita bruta global mencionada no dispositivo legal da Lei n.º 9.317/96. Afinal, seria muito prático e simples criar uma holding com participação em empresas com diversas operações comerciais, geradoras de receitas brutas que somadas ultrapassariam o limite legal para os sócios de microempresas ou EPPs que detêm mais de 10 % da holding, com o propósito único ou dominante de, indevidamente, tornar ineficaz o comando legal em relação a sua situação particular. É dizer, criada uma holding como mera intermediadora, seria possível ignorar que as receitas obtidas pelas investidas da holding, dentro de uma construção societária "familiar" (como não é incomum encontrar) ou não, não fazem parte dos resultados da empresa optante pelo SIMPLES que participa na holding com mais de 10 %. Esse desequilíbrio certamente não se inclui entre os objetivos do legislador. Seria criar uma máscara para a participação efetiva com mais de 10 % do capital de outra empresa cuja receita bruta somada à do participante extrapole o limite legal para permanência no SIMPLES. Contudo, ainda que não se revele despropositado qualquer exame quanto às atividades das empresas que geraram o resultado positivo declarado pela holding, que pudesse caracterizar ainda que indiretamente a superação do limite legal do inciso IX do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96, é preciso registrar que não há nos autos nenhum elemento de prova fruto de uma investigação fiscal nessa linha. Portanto, devem prevalecer os elementos probatórios contidos nos autos, dentre eles a DIPJ da holding, que dá notícia dos resultados positivos em participações societárias avaliados por equivalência patrimonial. E o que se pode concluir a partir dessas provas é que, de fato, não há como tratar como receita bruta da atividade o ganho refletido por esses resultados positivos. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 175 10 Conclusão. Por tudo comentado acima, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade, e DAR PROVIMENTO ao recurso, no mérito, cancelando a exclusão do SIMPLES declarada no ADE DRJ/BHE n.º 505.185/2004, uma vez que o resultado que foi somado à receita bruta do recorrente e que provocou a superação do limite a que se refere o inciso IX do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96 não se integra ao conceito tributário e contábil de receita bruta. É como Voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
