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Numero do processo: 11080.006963/2003-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. "PROC JUD NÃO COMPROVADO". MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO NÃO SUBSISTE.
Na hipótese de a autuação fiscal ter como único pressuposto a inexistência da comprovação de processo judicial e o Sujeito Passivo provar existir a ação judicial e integrar o seu pólo ativo, há de ser declarada a improcedência do lançamento por falta de motivação, o que configura vício material e enseja a nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 9303-006.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUDITORIA INTERNA DE DCTF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JARZYNSKI E COMPANHIA LIMITADA EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. "PROC JUD NÃO COMPROVADO". MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO NÃO SUBSISTE. Na hipótese de a autuação fiscal ter como único pressuposto a inexistência da comprovação de processo judicial e o Sujeito Passivo provar existir a ação judicial e integrar o seu pólo ativo, há de ser declarada a improcedência do lançamento por falta de motivação, o que configura vício material e enseja a nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 69 63 /2 00 3- 41 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11080.006963/200341 Acórdão n.º 9303006.530 CSRFT3 Fl. 140 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL ( fls. 101 a 124) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 380301.944 (fls. 90 a 100) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 01/09/2011, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. Cancelase a exigência fiscal, formulada sob o fundamento de que o processo judicial que teria reconhecido os créditos opostos em compensação dos débitos lançados não estava comprovado, quando o sujeito passivo comprova que tal imputação é improcedente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. As turmas de julgamento das delegacias de julgamento da Receita Federal do Brasil não têm competência para agravar a decisão inicial por meio da mudança dos fundamentos da autuação. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11080.006963/200341 Acórdão n.º 9303006.530 CSRFT3 Fl. 141 3 nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Por bem retratar o desenrolar do presente feito, adotase o relatório da decisão recorrida, com os devidos acréscimos, in verbis: [...] Tratase de lançamento de ofício embasado na ausência de recolhimento da COFINS dos meses de julho a setembro de 1998 o que resultou num crédito tributário de R$ 16.480,36 conforme Auto de Infração de fls. 12. Cientificada em 17/07/2003 (fls. 22) apresentou Impugnação ao auto lavrado em 27/07/2003 (fls. 22) onde alega que os recolhimentos da COFINS sobre os quais versam o presente processo foram objeto de compensação com créditos de FINSOCIAL e da própria COFINS decorrentes do processo judicial nº 97.00067009, com decisão favorável ao contribuinte, até então sem trânsito em julgado. Argumenta que no momento da compensação do crédito vigia a Lei 8.383/1991, que somente permitia compensação de tributos de mesma espécie, mas que com a posterior alteração dada pela Lei 10.637/2002, com disciplinamento pela IN SRF 210/2002, foi possível a compensação da COFINS com o FINSOCIAL. No pedido, requereu a nulidade do Auto de Infração nº 5376 em face da inexistência da diferença apontada e, alternativamente, a suspensão dos efeitos do auto lavrado até o posicionamento definitivo do mérito sub judice. O caso foi analisado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (fls. 38/39) que converteu multa de oficio em multa de mora no percentual de 20%, pela retroatividade benigna com fulcro no art. 106, II, do CTN por entender que a hipótese em comento não se enquadra nas possibilidades trazidas no bojo do art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que trata do lançamento de ofício. No que tange ao restante do lançamento, consagrou se que o contribuinte não colacionou aos autos nenhum elemento de prova quanto à ação judicial mencionada na Impugnação e, sendo de sua responsabilidade a prova quanto aos fatos por ele alegados, não poderia aquele Colegiado aceitar provas baseadas em mera alegação. Na mesma toada, não trouxe o contribuinte nenhum elemento que atestasse a liquidez e certeza do crédito, razão pela qual suas demais alegações restaram prejudicadas. Eis a ementa do aresto: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11080.006963/200341 Acórdão n.º 9303006.530 CSRFT3 Fl. 142 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 ALEGAÇÃO FALTA DE COMPROVAÇÃO IMPROCEDÊNCIA DA DEFESA. A alegação da inclusão do débito em litígio judicial deve ser comprovada de forma inequívoca, sendo obrigação do contribuinte, nos termos do art.333 do Código de Processo Civil, devendo ser indeferida a compensação que desrespeita este requisito. MULTA DE OFÍCIO RETROAÇÃO BENIGNA. Não se encontrando a penalidade de ofício na nova redação da norma, devese, pela aplicação retroativa, nos termos do art.106, inciso II, alínea "c" do CTN, reduzir para multa de mora, inerente ao título executivo. Lançamento Procedente em Parte Agora, tratase de recurso voluntário (fls. 54/56) interposto contra a decisão outrora exposta, cuja intimação se deu em 21/07/2009, conforme AR de fls. 53, onde reafirma o argüido em sede de Impugnação e atenta para a vigência da presunção de veracidade quanto aos fatos alegados pelo contribuinte com a inversão do ônus probandi, em havendo discordância do Fisco. Oportunamente anexa aos autos cópia de parte do acórdão proferido pelo TRF 4ª Região (fls. 58/65), sentença da Justiça Federal – Seção Judiciária do Rio Grande do Sul (fls. 66/77) e, finalmente, decisão favorável proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (fls. 78/80). Requereu a anulação do Auto de infração guerreado. É o breve relato dos fatos. [...] Sobreveio decisão de provimento do recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº Acórdão nº 380301.944 (fls. 90 a 100) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 01/09/2011, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado, em síntese, que deve ser cancelada a exigência fiscal formulada sob o fundamento de que o processo judicial reconhecedor dos créditos compensados não estava comprovado, quando o sujeito passivo comprova a sua efetiva existência, não podendo haver inovação do seu fundamento. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 101 a 124), alegando divergência jurisprudencial quanto ao cancelamento da autuação efetuada com base na não comprovação de processo judicial informado em DCTF, em razão de a Contribuinte ter comprovado a existência da citada demanda, não se podendo manter o lançamento por outro fundamento. Colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 20312.427 e 20310.933. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11080.006963/200341 Acórdão n.º 9303006.530 CSRFT3 Fl. 143 5 (a) tendo como referência a jurisprudência da Terceira Câmara do outrora Segundo Conselho de Contribuintes, foi comprovada a divergência jurisprudencial por meio dos acórdãos paradigmas citados, nos quais, em situações idênticas a dos presentes autos (proc jud não comprov), decidiram não haver inovação no motivo do lançamento, mas sim que o mesmo era procedente, pois o fundamento seria a falta de recolhimento do tributo e não simplesmente a inexistência de processo judicial; (b) no caso dos autos, o principal pressuposto do auto de infração foi confirmado, pois não houve o recolhimento dos valores autuados, pois a compensação efetuada pela empresa teve por base decisão judicial sem trânsito em julgado à época; (c) o lançamento não deveria ter sido cancelado tãosomente porque se admite a existência de processo judicial, pois os valores do principal lançados têm base na falta de recolhimento e a inexatidão da declaração também ocorreu; (d) nos termos dos artigos 170 e 170A do CTN, é impossibilitada a compensação fundada em decisão judicial ainda não transitada em julgado por ausência de certeza e liquidez do crédito tributário. Nesse sentido, cita o voto condutor do acórdão nº 20179589; (e) ao final, requer seja provido o recurso especial e reformado o acórdão recorrido. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho S/Nº, de 30 de junho de 2015 (fls. 125 a 128), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial, no que tange ao cancelamento do auto de infração por alteração de critério jurídico, considerandose os acórdãos paradigmas nºs 20310.933 e 20312.427. Não foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte (fl. 138). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11080.006963/200341 Acórdão n.º 9303006.530 CSRFT3 Fl. 144 6 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Insurgiuse, ainda, a Fazenda Nacional quanto à vedação de compensação de créditos tributários reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado, posta no art. 170 A do CTN. No entanto, referida matéria não foi objeto do acórdão de recurso voluntário, nem mesmo tendo sido opostos embargos de declaração para seu prequestionamento, razão pela qual o recurso não pode ser conhecido neste ponto. Mérito A discussão principal posta nos autos referese à inovação no lançamento quando o mesmo é efetuado com base em processo judicial não comprovado, cuja existência é demonstrada posteriormente pelo Contribuinte. No auto de infração (fls. 15 a 20) os fatos e o enquadramento legal foram descritos de forma genérica, in verbis: 9. Contexto O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminada(s) no quadro 3 (três), conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos II a ou II b), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos lia ou 11 b), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11080.006963/200341 Acórdão n.º 9303006.530 CSRFT3 Fl. 145 7 Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV) . Para efetuar o pagamento da(s) diferença(s) apurada(s) em Auditoria Interna, objeto deste Auto de Infração, o contribuinte deve consultar as "Instruções de Pagamento" (Anexo V). FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR", em anexo. ARTS 1 A 4 LC 70/91; ART 1 L 9249/95; ART 57 L 9069/95; ARTS 56 E PAR UN, 60 E 66, L 9430/96; ARTS 53 E 69 L 9532/97. MULTA VINCULADA: ART 160 L 5172/66; ART 1 19249/95; ART 44 E INC I E PAR 1 INC I L 9430/96. JUROS DE MORA: ART 160 L 5172/66; ART 1 L 9249/95; ART 43 PAR UNI 9430/96. Depreendese, ainda, do Anexo I do Auto de Infração ter a Fiscalização apurado valores relativos aos créditos vinculados não confirmados, registrando a ocorrência do "proc jud não comprovado" (fl. 17). O lançamento do crédito tributário deuse com base na inexistência de comprovação do processo judicial que deu origem aos créditos utilizados para compensação. Nessa esteira, comprovada a ação judicial pela Contribuinte, é incabível a manutenção do lançamento tributário por quaisquer outros argumentos, sob pena de inovação dos fundamentos da autuação, gerando a sua nulidade por vício material. Por isso, não merece reforma o acórdão recorrido. No mesmo sentido, decidiu este Colegiado em sessão de 23/03/2017, cujas razões de decidir estão consubstanciadas no Acórdão nº 9303004.906, de relatoria da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, e que foram sintetizadas na seguinte ementa: ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/07/1997a31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO MOTIVAÇÃO DOS FATOS INSUBSISTENTE Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD NÃO COMPROVADO", e o sujeito passivo demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a improcedência do lançamento por absoluta falta de amparo fático configurando vício material. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11080.006963/200341 Acórdão n.º 9303006.530 CSRFT3 Fl. 146 8 Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679530/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 79 53 0/ 20 09 -1 7 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.679530/200917 Resolução nº 1201000.366 S1C2T1 Fl. 3 2 indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.362, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.679536/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2006 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 30/01/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.362): "O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.679530/200917 Resolução nº 1201000.366 S1C2T1 Fl. 4 3 Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720666/2016-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES.
Para a concessão do direito à isenção por moléstia grave, é necessário o cumprimento de duas condições concomitantes. Uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou pensão e a outra é que o contribuinte seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, na data do recebimento dos rendimentos.
BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA.
Somente são isentas as bolsas de estudo caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação de serviços.
Numero da decisão: 2001-000.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES. Para a concessão do direito à isenção por moléstia grave, é necessário o cumprimento de duas condições concomitantes. Uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou pensão e a outra é que o contribuinte seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, na data do recebimento dos rendimentos. BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. Somente são isentas as bolsas de estudo caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação de serviços.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES. Para a concessão do direito à isenção por moléstia grave, é necessário o cumprimento de duas condições concomitantes. Uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou pensão e a outra é que o contribuinte seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, na data do recebimento dos rendimentos. BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. Somente são isentas as bolsas de estudo caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 06 66 /2 01 6- 53 Fl. 126DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte acima qualificado recebeu a notificação de lançamento em que foi lhe exigido o imposto suplementar no valor de R$ 13.040,69, relativo ao anocalendário 2012, em virtude da apuração de omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave e dedução indevida de despesas médicas, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal(fls. 08 e seguintes). O contribuinte, às fls. 02 a 04, impugna tempestivamente o lançamento, alegando, em síntese que acerca da prestação de serviço pela profissional FERNANDA OLIVEIRA GONÇALVES DA SILVA (CPF 097.578.337 89), totalizando R$2.500,00, os recibos foram devidamente complementados pela própria e de próprio punho, com o endereço e o número do registro de classe (CRO). A respeito do valor recebido (R$30.886,70) pela sua esposa Mareia Cristina Rocha dos Santos, da PREFEITURA MUNICIPAL DE VOLTA REDONDA, no ano calendário em 2012, como Rendimento Isento e Não Tributável, foi apresentado no ano de 2007 à PMVR, Declaração Médica, visando a isenção do Imposto de Renda, conforme Instrução Normativa n° 15 da SRF de 06/02/2001, art. 39, inciso XXXIII, do Decreto 3.000 de26/03/1999, publicado no DOU de 29/03/1999, com diagnóstico oncológico de carcinoma de mama (CID10 C50.9), com estágio clínico avançado. O diagnóstico de doença maligna foi feito em 23 de julho de 2007, em conformidade com o Laudo Histopatológico. Alega que não sabia da exigência de que o Laudo deveria ser emitido por profissional médico municipal, estadual, federal ou distrital. Assim, anexa a documentação comprobatória (Anexo II), conforme exigência legal, motivo pelo qual, solicita a reversão do referido lançamento para a rubrica original da declaração. Quanto ao valor recebido (R$13.200,00), da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES do Ministério da Educação MEC, o rendimento declarado é BOLSA, portanto, Rendimento Isento e Não Tributável (Outros BOLSA) emitido pelo MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES, atividade de Coordenadora de Polo UAB, conforme declaração emitida pelo CAPES (Anexo III). Informa que a atividade exercida de Coordenadora de Polo UAB, é sem vínculo empregatício, além de sua esposa não ter poderes nem autonomia para se auto contratar, nem emitir/gerar Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção de Imposto de Renda na Fonte, cuja informação, certamente pode ser verificada com exatidão pela RFB, sobre qual rubrica consta o pagamento efetivado pelo CNPJ 00.889.834/000108 (MEC FUNDAÇÃO COORDENAÇÃO APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR). Assim, pede o restabelecimento do lançamento original como Rendimento Isento e Não Tributável (Outros BOLSA). A respeito dos lançamentos: TOMO SCAN DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA., no valor de R$184,00 , MED LIFE HOSPITALITY SERVIÇOS MÉDICOS E HOTELARIA, no valor de R$350,00 e FUNDAÇÃO CENTRO DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTANCIADO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, no valor de R$337,08, CONCORDA com os três lançamentos acima epigrafados, Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10073.720666/201653 Acórdão n.º 2001000.372 S2C0T1 Fl. 3 3 A DRJ Porto Alegre, na análise da peça impugnatória, dá provimento parcial aos pleitos, no seguinte sentido: em relação às despesas médicas, no valor de R$2.500,00, entende que foram supridas as faltas apontadas no lançamento acata , pois, a dedução de tal despesa. No que se refere a rendimentos supostamente isentos por moléstia grave, entende que não há nos autos a comprovação exigida via laudo oficial. Assim, mantém o lançamento. Por fim, quanto a caracterização do rendimento recebido pelo Capes/MEC, entende que há uma contraprestação de serviços, não se enquadrando como isentos. Assim, também mantém o lançamento quanto a esta rubrica. Apresenta o contribuinte o Recurso Voluntário, juntando uma vasta documentação inclusive o laudo médico oficial comprovando a situação de portadora de moléstia grave da sua esposa bem como o recebimento de bolsa do MEC Ministério da Educação, Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave Foi lançado o valor de R$ 30.886,70 a título de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave, recebido pela esposa do contribuinte, Marcia Cristina Rocha dos Santos, da PREFEITURA MUNICIPAL DE VOLTA REDONDA. De acordo com o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (RIR/1999), art. 39, inciso XXXIII, e §§ 4º, 5º e 6º, para o contribuinte, portador de moléstia considerada grave, ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes. Uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou pensão e outra é que ele seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, na data do recebimento dos rendimentos. Tendo em vista que em sede de Recurso Voluntário há prova de que os valores recebidos por Marcia Cristina Rocha dos Santos referemse a proventos de aposentadoria ou pensão e que ela é portadora de moléstia grave comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entendo restar absolutamente claro que deve ser concedida a pretendida isenção. Fl. 128DF CARF MF 4 Prospera, pois, o pleito do contribuinte eis que amplamente comprovadas as condições determinadas em lei. Omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício O impugnante alega que o valor recebido (R$ 13.200,00) da fonte pagadora Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES do Ministério da Educação MEC, referese a BOLSA, sendo portanto, rendimento isento e não tributável. Conforme menciona a DRJ, a regra geral estabelecida pela legislação do imposto de renda é a de que os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudos e pesquisa são tributáveis, conforme disposto no art. 43 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. No entanto, caso sejam atendidas as três condições cumulativamente, a bolsa de estudos e pesquisa pode ser considerada isenta. Vejamos as condições: 1) ser caracterizada como doação; 2) recebidas exclusivamente para proceder a estudos e/ou pesquisa; 3) os resultados destas atividades não podem representar vantagens para o doador e nem importar em contraprestação de serviços. Entendo que restou comprovada a inexistência de qualquer vínculo empregatício e que a contratação pelo MEC como bolsista resta plenamente evidenciada. Sendo assim, entendo que também merece prosperar o pleito do contribuinte neste aspecto. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO o recurso voluntário, para acatar os pleitos de considerar os rendimentos recebidos como isentos por moléstia grave (eis que atendidos todos os requisitos legais) e rendimento de trabalho como Bolsa (recebido pelo MEC). (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10073.720666/201653 Acórdão n.º 2001000.372 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977128/2016-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 28 /2 01 6- 24 Fl. 89DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/03/2011, no valor de R$ 58.337,57, transmitida através do PER/Dcomp nº 36161.46263.140316.1.3.047361. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 28, pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 14/09/2016(fl. 30), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 3/4, em 30/09/2016, para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.977128/201624 Acórdão n.º 1401002.603 S1C4T1 Fl. 65 3 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ do período de apuração de março/2011 com vencimento em maio/2011. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso juntei ao processo cópia da DIPJ/2012, referente ao anocalendário 2011 e tela de sistema do pagamento cuja crédito foi solicitado no presente processo. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ a pagar do 1º trimestre de 2011, apurado pelo lucro presumido, no montante de R$ 56.110,00. Tendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o ano de 2011, verificamos que a empresa somente realizou um único pagamento a título de IRPJ do 1º trimestre/2011, tendo sido recolhido em atraso, no dia 10/05/2011, e que foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 91DF CARF MF 4 Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37342.000539/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2004
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2004 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 34 2. 00 05 39 /2 00 5- 11 Fl. 199DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 200DF CARF MF Processo nº 37342.000539/200511 Acórdão n.º 2201004.243 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 201DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 37342.000539/200511 Acórdão n.º 2201004.243 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 203DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora.” Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11555.001407/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2005
PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes.
PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor-Fiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91.
Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NÃO CUMPRIMENTO.
Constitui infração ao ao art. 32, inciso IV e §§ 3°., 4°., 7°. e 9°., da Lei n. 8.212/91, lavrado em desfavor do contribuinte em epígrafe, por deixar de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN.
Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes. PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor-Fiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91. Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NÃO CUMPRIMENTO. Constitui infração ao ao art. 32, inciso IV e §§ 3°., 4°., 7°. e 9°., da Lei n. 8.212/91, lavrado em desfavor do contribuinte em epígrafe, por deixar de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti.
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INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes. PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao AuditorFiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91. Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NÃO CUMPRIMENTO. Constitui infração ao ao art. 32, inciso IV e §§ 3°., 4°., 7°. e 9°., da Lei n. 8.212/91, lavrado em desfavor do contribuinte em epígrafe, por deixar de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 5. 00 14 07 /2 01 0- 84 Fl. 1216DF CARF MF 2 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 11555.001407/201084 Acórdão n.º 2402006.108 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 1147/1159 em face da Decisão Notificação (DN) n. 26.401.4/0064/2006 Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 1115/1125), que julgou procedente o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.601.3774 consolidado no valor total de multa de R$ 12.119,25 Código de Fundamentação Legal (CFL) 67 na data de 22/12/2015 Período de Autuação: 08/2004 a 11/2005 (efls. 03/09) com fulcro em infração ao art. 32, inciso IV e §§ 3°. e 9°., da Lei n. 8.212/91, lavrado em desfavor do contribuinte em epígrafe, por deixar de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS referente ao período de 08/2004 a 11/2005. O Relatório Fiscal (efl. 37), bem assim o Relatório de Grupo Econômico RGE (efls. 38/64), caracterizam os procedimentos fiscais realizados; as evidências constatadas no curso da fiscalização e a solidariedade das empresas FRIGORÍFICO BONSUCESSO LTDA., FRIGORÍFICO PORTO LTDA., FRIGORÍFICO VALE DO RIO ACRE LTDA., FRIGORÍFICO SANTA ELVIRA LTDA. e FRIGORÍFICO NOVO ESTADO S/A que constituem grupo econômico pelo débito de natureza previdenciária em apreço. A Recorrente foi regularmente cientificada do AI DEBCAD n. 35.601.3774 (efls. 03/09) em 29/12/2005 (efl. 1109), e, irresignada, apresentou, em 10/01/2006, a impugnação de efls. 1085/1097, aduzindo, em síntese: i) Preliminar de nulidade de citação; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Inexistência de solidariedade; iv) Irregularidades no decorrer da ação fiscal; v) Inobservância das regras que disciplinam o Mandado de Procedimento Fiscal. Ao fim, requer que seja relevada a multa consubstanciada no AI DEBCAD n. 35.601.3774 (efls. 03/09), considerando a primariedade da empresa, a inexistência de circunstâncias agravantes e a correção da falta. Os solidários também foram cientificados do lançamento em lide. O crédito tributário de natureza previdenciária no AI DEBCAD n. 35.601.3774 (efls. 03/09) foi mantido no julgamento de primeiro grau, consoante a Decisão Notificação (DN) n. 26.401.4/0064/2006 (efls. 1115/1125), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: Fl. 1218DF CARF MF 4 A Recorrente foi cientificada do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0064/2006 (efls. 1115/1125) em 30/05/2006, conforme editais publicados em 16/05/2006; 23/05/2006 e 30/05/2006 (efls. 1141/1143) e, inconformada, apresentou Recurso Voluntário ao Conselho de Recursos Fiscais da Previdência Social em 16/06/2006 (efls. 1147/1159), esgrimindo os mesmos argumentos da impugnação de efls. 1085/1097. Os solidários também foram notificados do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0064/2006 (efls. 1115/1125). Todavia, o Recurso Voluntário de efls. 1147/1159, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 1169/1170). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Nesse contexto, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu à revisão da legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO), concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 1147/1159, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 1208/1209. É o relatório. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 11555.001407/201084 Acórdão n.º 2402006.108 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Consoante já relatado, o Recurso Voluntário de efls. 1147/1159, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 1169/1170). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Destarte, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu ao controle de legalidade da decisão que negou seguimento ao recurso administrativo com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, exarada pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO) efls. 1169/1170, concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 1147/1159, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 1208/1209. Uma vez declarada a nulidade do ato que indeferiu o seguimento do recurso, deve ser proferida nova decisão administrativa sobre o juízo de admissibilidade recursal, e, não havendo outra causa autônoma impeditiva do seguimento do recurso, este deve ser processado normalmente. Isto posto, o Recurso Voluntário (efls. 1147/1159) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Da Preliminar de Nulidade de Citação De plano, cabe ressaltar que a ciência por via postal é modalidade de intimação prevista no art. 23, II, do Decreto n. 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal , bem assim na IN SRP/MPS n. 03/2005 e Portaria MPS n. 520/2004 vigentes à época dos fatos. Outrossim, inexiste ordem de preferência entre a intimação pessoal e a intimação postal para efeito do processo administrativo fiscal estabelecido no Decreto n. 70.235/1972. A teor do art. 23, § 1°., do Decreto n. 70.235/1972, apenas para a intimação ficta, por via editalícia, é que se exige ordem de preferência, uma vez que deve resultar improfícuo a intimação pessoal ou postal (sem ordem de preferência entre estas). Da análise dos autos, constatase que a ciência do AI DEBCAD n. 35.601.3774 (efls. 03/09) e de diversos outros documentos afetos ao lançamento em lide foi Fl. 1220DF CARF MF 6 direcionada à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215, nomeada e constituída pelo Recorrente mediante o instrumento procuratório público registrado no Tabelionato Figueiredo Ofício Único de Notas Vilhena/RO na data de 14/02/2005 Traslado: Primeiro Livro: 228 Folhas: 031 com validade até 31/12/2005 (efl. 1109). No instrumento de procuração pública de efl. 1.109, o Recorrente outorga amplos e ilimitados poderes à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, a seguir transcritos: Não à toa, a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS assinou, recebeu e forneceu diversos documentos vinculados à fiscalização que resultou no lançamento do AI DEBCAD n. 35.601.3774 (efls. 03/09) em desfavor do Recorrente, tais como: Mandados de Procedimento Fiscal Fiscalização e Complementar, Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, Relatório de Grupo Econômico, Termo de Cientificação de Constituição de Crédito em Grupo Econômico, Agendamento de Devolução Parcial de Documentos Apreendidos e TEAF (efls. 10/19). E foi exatamente a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215 a signatária do Aviso de Recebimento (AR) e fl. 1109 da correspondência cujo conteúdo compreende, entre outros documentos, o AI DEBCAD n. 35.601.3774 (efls. 03/09), ora questionado. Destarte, é reprovável e afronta o princípio da boafé objetiva que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente pretenda infirmar os poderes outorgados à procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, que o representou em todo o curso da ação fiscal que culminou com o lançamento do crédito tributário consubstanciado no AI DEBCAD n. 35.601.3774 (efls. 03/09), buscando desqualificar o domicílio fiscal por ela eleito (diverso daquele onde se situa a sede da Recorrente) para comunicarse com a Fiscalização da RFB, bem assim negando que a retrocitada procuradora represente os seus interesses, não obstante a validade do mandato ter como limite a data de 31/12/2005 e o aperfeiçoamento do lançamento em litígio ter ocorrido em 29/12/2005, data da assinatura da procuradora no AR de efl. 1109. Com relação à validade da intimação por via postal, inclusive no que tange à qualificação do recebedor, objeto de questionamento pelo Recorrente, é relevante resgatar o Enunciado de Súmula CARF n. 09, verbis: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. É oportuno salientar que, ainda que falta ou irregularidade houvesse na intimação (ciência do AI DEBCAD n. 35.601.3774 efls. 03/09), o comparecimento da Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 11555.001407/201084 Acórdão n.º 2402006.108 S2C4T2 Fl. 104 7 Recorrente aos autos, consubstanciado na apresentação da impugnação de efls. 1085/1097, é bastante para sanear eventual vício existente na intimação. Por fim, convém destacar que a Recorrente encontrase com situação cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) baixada desde 09/02/2015, por motivo de omissão contumaz, conforme consulta realizada no sítio da RFB (receita.fazenda.gov.br/pessoajurídica/cnpj/cnpjreva/Cnpjreva_Comprovante_asp). Isto posto, rejeito a preliminar. Da Preliminar de Nulidade de Mandado de Procedimento Fiscal No que tange ao questionamento em face do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e de supostas irregularidades verificadas no decorrer da ação fiscal, não há reparo a fazer na decisão recorrida, vez que o MPF Fiscalização n. 09233178 expedido em 13/04/2005 com validade até 11/08/2005 para verificação do cumprimento das obrigações principais decorrentes de Folha de Pagamento e Contribuição Rural (efl. 10) e o MPF Complementar 01 n. 09233178 expedido em 16/06/2005 com validade até 14/10/2005 para verificação de todos os fatos geradores (efl. 11), encontram abrigo no art. 196 do CTN; no art. 1°. da Lei n. 11.098/2005; na Instrução Normativa INSS/DC n. 100/2003 e no Decreto n. 3.969/2001, todos vigentes à época dos fatos, observandose ainda que a execução da ação fiscal decorreuse dentro dos estritos limites legais. Isto posto, rejeito a preliminar. Do Mérito Em relação à insurgência contra a caracterização de grupo econômico e a consequente solidariedade entre as empresas do grupo, não assiste razão ao Recorrente. Com efeito, resta sobejamente comprovado nos autos os fundamentos que evidenciam a composição de grupo econômico compreendendo as seguintes pessoas jurídicas: i) Frigorífico Bonsucesso Ltda.; ii) Frigorífico Porto Ltda.; iii) Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda..; iv) Frigorífico Santa Elvira Ltda.; e o Frigorífico Novo Estado S/A. A DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0064/2006 (efls. 1115/1125) elucida e esclarece, de forma minuciosa, com amparo no Relatório de Grupo Econômico (efls. 38/64), as questões de fato e de direito suficientes à caracterização de grupo econômico e à solidariedade entre as respectivas empresas, quanto ao crédito tributário de natureza previdenciária consubstanciado no AI DEBCAD n. 35.601.3774 (efls. 03/09), a seguir resumidas: Fl. 1222DF CARF MF 8 O art. 124 do CTN (Lei n. 5.172/1966), informa norma geral aplicável a todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei)" Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral ou econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 11555.001407/201084 Acórdão n.º 2402006.108 S2C4T2 Fl. 105 9 Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária, irrelevante que se trate ou não de grupo econômico formalmente constituído. É cediço que os grupos econômicos de fato caracterizamse por serem criados com o fim exclusivo de redução do risco empresarial e maximização de lucros, caracterizando se um abuso de direito, inclusive para fins de afastar a incidência de tributos, no caso concreto, na espécie contribuições sociais. Constatase, a partir das situações relatadas nos autos e sintetizadas pela DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0064/2006 (efls. 1115/1125), acima reproduzidas, uma unidade de interesse jurídico das várias pessoas jurídicas (frigoríficos) envolvidas, consolidandose evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de circulação de riquezas. Noutro giro, há previsão legal de solidariedade quanto às contribuições à Seguridade Social, independentemente da natureza (formal ou de fato) do grupo econômico, bastando tãosomente a sua caracterização, nos termos exatos do art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, verbis: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; [...] (grifei)" Considerandose o disposto no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91, acima reproduzido, não há dúvidas que, no caso específico das contribuições previdenciárias, incide não apenas a regra do inciso I do art. 124 do CTN, mas também do inciso II do retrocitado dispositivo legal. Na peça recursal de efls. 1147/1159, a Recorrente, em sua defesa, informa que os Auditores Previdenciários deixaram de mencionar quais os dados cadastrais, quais os fatos geradores e as demais "outras informações de interesse do mesmo" que alega. Todavia, resta evidenciado nos autos, como por exemplo, às efls. 03/09; 15/19; 26/29; 111/156; 698/699; e 707/1.065, que a Fiscalização enumera e discrimina todos os elementos que subsidiaram a presente autuação com fulcro em infração ao art. 32, inciso IV e §§ 3°., 4°., 7°. e 9°., c/c art. 102, da Lei n. 8.212/91; art. 284, inciso I e §§ 1°. e 2°. do caput, art. 373 e art. 292, inciso I, todos do Decreto n. 3.048/99; e Portaria MPS n. 822/05, vigentes à época dos fatos. Nessa perspectiva, o lançamento consubstanciado no AI DEBCAD n. 35.601.3774 (efls. 03/09) encontrase alinhado à configuração da Lei n. 8.212/91 da época dos fatos, particularmente em seu art. 32, inciso IV e §§ 3°. e 9°. No que tange ao questionamento em face do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e de supostas irregularidades verificadas no decorrer da ação fiscal, não há reparo Fl. 1224DF CARF MF 10 a fazer na decisão recorrida, vez que o MPF Fiscalização n. 09233178 expedido em 13/04/2005 com validade até 11/08/2005 para verificação do cumprimento das obrigações principais decorrentes de Folha de Pagamento e Contribuição Rural (efl. 10) e o MPF Complementar 01 n. 09233178 expedido em 16/06/2005 com validade até 14/10/2005 para verificação de todos os fatos geradores (efl. 11), encontram abrigo no art. 196 do CTN; no art. 1°. da Lei n. 11.098/2005; na Instrução Normativa INSS/DC n. 100/2003 e no Decreto n. 3.969/2001, todos vigentes à época dos fatos, observandose ainda que a execução da ação fiscal decorreuse dentro dos estritos limites legais. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 1147/1159), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1225DF CARF MF
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Numero do processo: 10540.900582/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO APURADO EM DILIGÊNCIA.
Comprovado por diligência fiscal o direito creditório homologa-se a compensação até o limite do crédito reconhecido e disponível.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.649
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o crédito até o limite disponível, apontado na informação fiscal que consta dos autos às fls. 158/160. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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DIREITO CREDITÓRIO APURADO EM DILIGÊNCIA. Comprovado por diligência fiscal o direito creditório homologase a compensação até o limite do crédito reconhecido e disponível. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o crédito até o limite disponível, apontado na informação fiscal que consta dos autos às fls. 158/160. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 90 05 82 /2 00 8- 38 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10540.900582/200838 Acórdão n.º 3201003.649 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O estabelecimento acima identificado formalizou PERDCOMP eletrônica, fls. 09 a 13, visando compensar os débitos nele declarados com o crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, do tributo de código 6912 – PIS (Programa de Integração Social), referente ao PA de 31/05/2003. A DRF/Vitória da Conquista emitiu Despacho Decisório eletrônico, nº de rastreamento 791150704, de 24/04/2008, fl. 03, não homologando a compensação pleiteada, em face de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório em 07/10/2008, conforme informação à fl. 24, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 13/10/2008, fls. 02 a 03, alegando que: ] efetuou pagamento a maior de valores devidos a título de PIS/Cofins, em face da não aplicação da Lei nº 10.637, de 2002; ] considerando as movimentações da empresa e com espeque na Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, o valor apurado do referido tributo fica limitado R$ 1.405,24. Assim, no período de apuração mencionado foi pago a maior o valor de R$ 5.630,71, que foi objeto deste PERDCOMP (13951.55134.14704.1.3.040000,) fls. 08 a 12, e ainda de outras duas PERDCOMP nº 08729.94857.160604.1.3.047034 e 07052.26558.10604.1.3.04 7603; ] requer, com base nos fatos relatados, o deferimento do processo de compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, por intermédio da 4ª Turma, no Acórdão nº 1520.263, sessão de 12/08/2009, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Incabível a compensação de débito informado em DCOMP com crédito de pagamento indevido ou a maior, por este já ter sido totalmente utilizado em outras DCOMP apresentadas pela contribuinte. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10540.900582/200838 Acórdão n.º 3201003.649 S3C2T1 Fl. 4 3 Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 43/45) no qual repisa as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando que não utilizou o seu direito de crédito quando da apuração do PIS, estando correto os valores informados na declaração de compensação, anexando no recurso, cópias do livro Razão, Livro Diário e planilha de cálculo. Submetido a julgamento, em Turma extinta deste CARF, na sessão de 02/06/2011, decidiu seus conselheiros em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem confirmar o direito creditório pleiteado, em razão da constatação que os valores informados pela Recorrente divergiam das informações de indeferimento do pedido de restituição. O relator fundamentou sua proposta conforme extraise do excerto: O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório. Segundo o julgador a quo, os créditos já foram utilizados noutras compensações. Já a Recorrente alega que efetuou pagamento a maior em face da não utilização da Lei 10.637/2002, e afirma ser credor de R$ 5.630,71 (fato gerador de 31 de maio de 2003, recolhimento a maior). Constatase que os valores indicados pela ora recorrente no quadro apresentado em seu recurso voluntário (fls.41) guardam conformidade com as respectivas PER/DCOMPS e aparentemente divergem, em grande escala, das informações que fundamentam o indeferimento do pedido de restituição. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a unidade de origem emita juízo de valor acerca das informações contidas no quadro da folha 41 dos autos deste processo administrativo. Em caso de discordância, juntar aos autos do processo as PER/DCOMP 08729.94857.160604.1.3 047034 e 07052.26586.160604.1.3.047603. Após a manifestação da DRF, deverá ser intimado o contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, com posterior retorno dos autos para julgamento. A Unidade da Receita Federal procedeu a diligência, consubstanciado em Relatório Fiscal (fls. 158/160), confirmando parcialmente as alegações da Recorrente, que foram assim detalhados no relatório. Diante do exposto e em atenção ao solicitado na Resolução n° 3101000.152 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, podese afirmar que, após a homologação das Dcomps 08729.94857.160604.1.3.047034 e 07052.26558.160604.1.3.047603, remanesceu, ainda disponível, o valor de R$ 2.157,05 do crédito original deferido, valor esse Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10540.900582/200838 Acórdão n.º 3201003.649 S3C2T1 Fl. 5 4 suficiente para homologar a Dcomp 13951.55134.140704.1.3.040000, objeto do processo administrativo 10540.900.582/200838. CONCLUSÃO Em atendimento ao solicitado na Resolução n° 31010 00.152 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, PROPONHO homologar a compensação pretendida neste processo administrativo (PerDcomp 13951.55134.140704.1.3.040000), até o limite do crédito reconhecido e disponível. (grifos no original) (...) Nos termos constantes da relatório fiscal, a Recorrente foi cientificada das conclusões da diligência e não se manifestou. Cumprida a diligência o processo retornou para este CARF e redistribuído em razão da extinção da turma em que se iniciou o julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O litígio que se afigura cingese tãosomente à questão fática da existência do direito creditório postulado pela recorrente. A unidade preparadora, em atendimento a diligência determinada pelo CARF, procedeu à verificação das compensações declaradas pelo contribuinte e em informação fiscal concluiu pela procedência parcial das alegações da Recorrente, conforme pode ser verificado na conclusão do relatório fiscal. A Recorrente cientificada das conclusões da diligência não se manifestou e portanto, não existe nenhuma alegação contra as conclusões da Fiscalização. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos da informação fiscal às fls. 158/160. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10540.900582/200838 Acórdão n.º 3201003.649 S3C2T1 Fl. 6 5 Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.000006/2009-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
DCOMP. FORMULÁRIO PAPEL. VEDAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE.
No silêncio da lei quanto ao modus operandi de o contribuinte implementar a declaração de compensação, o poder discricionário da administração autoriza a regulação da matéria por meio de atos administrativos.
DCOMP. PAPEL. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.
Considera-se não declarada a compensação de débitos tributários informadas em Declaração de Compensação apresentada em formulário papel, sem a justificativa para sua apresentação em meio eletrônico.
Numero da decisão: 9303-006.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DCOMP. FORMULÁRIO PAPEL. VEDAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE. No silêncio da lei quanto ao modus operandi de o contribuinte implementar a declaração de compensação, o poder discricionário da administração autoriza a regulação da matéria por meio de atos administrativos. DCOMP. PAPEL. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considera-se não declarada a compensação de débitos tributários informadas em Declaração de Compensação apresentada em formulário papel, sem a justificativa para sua apresentação em meio eletrônico.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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FORMULÁRIO PAPEL. VEDAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE. No silêncio da lei quanto ao modus operandi de o contribuinte implementar a declaração de compensação, o poder discricionário da administração autoriza a regulação da matéria por meio de atos administrativos. DCOMP. PAPEL. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação de débitos tributários informadas em Declaração de Compensação apresentada em formulário papel, sem a justificativa para sua apresentação em meio eletrônico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 00 06 /2 00 9- 66 Fl. 481DF CARF MF 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo da utilização de créditos de Cofins oriundos da incidência não cumulativa na exportação, para ressarcimento do montante de R$ 1.957.925,53, referente ao período de apuração de junho de 2005, e sua utilização em compensações. A compensação foi solicitada em formulário impresso, apresentado em 02/01/2006, à efl. 04. O despacho decisório DRF/VIT/ES, à efl. 54, com base em Parecer do SEORT/DRF/VIT/ES nº 0038/2009, às efls. 51 a 53, considerou não declaradas as compensações pleiteadas pela contribuinte. Os formulários foram apresentados em data posterior à da vigência de nova sistemática, segundo a qual tanto os pedidos de ressarcimento quanto de compensações deveriam ser apresentados por meio do programa PER/DCOMP, inexistindo razões normativas que permitissem a dispensa desse procedimento. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 66 a 72, em 19/06/2009, para que fossem tidas como declaradas, sem cobrança dos valores compensados. Já a 16ª Turma da DRJ/RJ1, no acórdão nº 1251.535, prolatado em 19/12/2012, às efls. 304 a 311, considerou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão da DRJ em 12/04/2013 (efl. 316), a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 14/05/2013, às efls. 319 a 331. Em apertado resumo, esgrime os seguintes argumentos: a) há legalidade da compensação pleiteada, reconhecida por decisão judicial. b) são ilegais os artigos 31 e 76 da IN SRF nº 600/2006. c) não há que se admitir a cobrança de valores que são manifestamente indevidos, por força do princípio da verdade material. Ao final, requer seja anulado o acórdão nº 1251.535 da DRJ em face do Mandado de Segurança nº 000883102.2010.4.03.6100, para que seja julgado o mérito das compensações pleiteadas ou, alternativamente, que se considere ilegais os dispositivos da instrução normativa que impediram a referida apreciação do mérito. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 25/01/2016, resultando no acórdão nº 3402002.836, às efls. 348 a 358, que tem a seguinte ementa: DCOMP. FORMULÁRIO PAPEL. VEDAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE. No silêncio da lei quanto ao modus operandi de o contribuinte implementar a declaração de compensação, é legítima a regulação da matéria por meio de atos administrativos, que são normas complementares, nos termos do art. 96 e art. 100, I do CTN, que compõem a legislação tributária à qual todos os contribuintes devem observância. O acórdão teve o seguinte teor: Fl. 482DF CARF MF Processo nº 15578.000006/200966 Acórdão n.º 9303006.591 CSRFT3 Fl. 482 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel dos Santos Porto, OAB/SP nº 234.239. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Embargos de declaração da contribuinte Intimada do acórdão nº 3402002.808 em 21/09/2016 (efl. 363), a contribuinte apresentou embargos de declaração em 26/09/2016, às efls. 367 a 370, embasado em alegada omissão no acórdão que deixou de apreciar todos os argumentos da manifestação de inconformidade. Por essa razão, a contribuinte requereu o conhecimento e o provimento dos embargos para sanar a omissão apontada para que seja analisado o mérito do pedido administrativo de copensação. Os embargos foram analisados pelo então Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, às efls. 379 a 382, nos termos dos arts. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, datado de 21/10/2016, que entendeu por rejeitá lo, definitivamente, em face da inexistência de omissão. O acórdão utilizou fundamentos suficientes para dar base à decisão, sem que rebatesse todos os argumentos da contribuinte, que desejou ver rediscutidos esses argumentos em sede de embargos, meio não adequado para tanto. Recurso especial de divergência da contribuinte Intimada (Intimação/EOPER/CRT/SRRF08, à ef. 385), para ciência do despacho de admissibilidade de seus embargos de declaração em 20/02/2017 (efl.. 390), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência em 07/03/2017, às efls. 394 a 406. A contribuinte levanta divergência quanto entendimento do acórdão a quo de que não poderia ser apresentado o pedido de compensação em papel após a vigência da instrução normativa que assim estabelecesse. Contudo, os acórdãos paradigmas de nº 140200.362 e nº 20217662, para situação fática similar concluíram não poder a instrução normativa contrariar ou ir além do que determina a lei de regência da matéria, que não determina a obrigatoriedade de o pedido administrativo ser feito pela via eletrônica. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 06/07/2017, no despacho de e fls. 468 a 471, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento com apenas com fulcro no acórdão paradigma nº 140200.362, uma vez que o outro não trataria de situação fática similar. Contrarrazões da Fazenda Fl. 483DF CARF MF 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de efls. 468 a 471, em 17/07/2017 (efl. 472), e apresentou contrarrazões em 28/07/2017, às efls. 473 a 478. Argumenta que, no silêncio da lei quanto ao modus operandi para implementação da declaração de compensação, a regulamentação através de instruções normativas é legítima, como normas complementares que compõem a legislação tributária. A adoção de formulários eletrônicos pelo fisco não viola a garantia de o contribuinte obter a compensação de seus créditos e a inexistência de comprovação de problema técnico que impedisse a entrega destes formulários afastam qualquer impedimento ao exercício de seu direito. Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional pugna pela negativa do provimento do recurso especial do sujeito passivo e pela manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da contribuinte é tempestivo cumpre os demais requisitos regimentais e por isso dele conheço. Esposo o mesmo entendimento já exposto tanto no acórdão de primeira instância, quanto no acórdão recorrido. O sujeito passivo entregou sua declaração de compensação em 02/01/2006, já na vigência das Instruções Normativas RFB nº 598 e nº 600, de 28/12/2005. A contribuinte alegou, em sede de manifestação de inconformidade (efl. 72): 30. Ocorre que, a despeito da boa intenção da Receita Federal, o referido programa não chegou a poder ser utilizado por diversos defeitos e dificuldades encontradas pelos contribuintes em baixar e utilizar o referido programa do site da Receita Federal. Todavia, foi incapaz comprovar quaisquer falhas no programa ou mesmo quando ocorreram, ou ao menos que outros contribuintes o enfrentaram. Logo, não fez qualquer prova de que houvesse algum obstáculo, por parte do sistema informatizado do fisco, que a houvesse impedido de realizar a entrega da forma que a norma determinava. Em face disso, a DRJ em seu acórdão não viu fundamento fático para afastar a denegação do conhecimento da declaração de compensação. O recurso voluntário que levou ao acórdão recorrido tratava tão somente de matéria jurídica: alcance do mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo, possibilidade de instrução normativa regular a matéria ou aplicação do formalismo mitigado frente ao princípio da verdade material. Vendo denegados seus argumentos, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência sustentando a possibilidade de apresentação de pedido de compensação em formulário de papel após a vigência da norma que impunha a apresentação de pedido por sistema informatizado. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 15578.000006/200966 Acórdão n.º 9303006.591 CSRFT3 Fl. 483 5 A instrução normativa vigente à época em que o sujeito passivo pretendeu entregar sua declaração de compensação impunha a apresentação de PER/DCOMP pelo sistema informatizado e não em formulário de papel. A argumentação por ele trazida não afasta a referida obrigação, decorrente do disciplinamento, previsto no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/1996, criada por norma administrativa que se inclui no escopo da legislação tributária, a teor dos artigos 96 e 100, inc. I, do CTN. Assim, adoto os argumentos do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres em seu voto no acórdão nº 9303002.453, desta 3ª Turma, já transcritos tanto no acórdão a quo quanto nas contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional: (...) Relativamente à questão das instruções normativas que vedaram a possibilidade de apresentação de declarações de compensação em formulários de papel, o contribuinte alegou a ilegalidade da restrição imposta por meio de atos administrativos, uma vez que nem a Lei nº 10.637/2002 e tampouco a Medida Provisória nº 66/2002, que lhe antecedeu, vedaram a apresentação das Dcomp em formulário de papel. O argumento não prospera, pois do fato de a lei não ter proibido a apresentação das declarações em papel, não decorre logicamente a conclusão de que as Instruções não poderiam fazêlo. O art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação introduzida pela Medida Provisória nº 66, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, alterou o regime jurídico das compensações tributárias, as quais, para terem existência jurídica, passaram a ser declaradas à repartição fiscal e não mais requeridas, com vinha acontecendo até então. O referido dispositivo legal estabelece que a compensação deve ser declarada à repartição e também os efeitos gerados por tal declaração na órbita jurídica, mas não diz como essa declaração deve ser implementada. No silêncio da lei, o modus operandi pelo qual a declaração deve ser efetuada obviamente fica à cargo o órgão administrativo encarregado da administração tributária. Tal encargo, sendo decorrente do poder discricionário da administração, independeria até da previsão legal existente no art. 74, § 12 da Lei nº 9.430/96. Assim, não tendo a lei estabelecido a forma pela qual a declaração de compensação deve ser implementada, não existe nenhum óbice no sentido de que a administração discipline a matéria por meio de atos administrativos com base no poder discricionário. No caso concreto, as instruções normativas não violaram o direito do contribuinte à compensação e tampouco seu direito de petição, pois os sistemas da Receita Federal funcionam 24 horas por dia, salvo paradas esporádicas para manutenção durante as Fl. 485DF CARF MF 6 madrugadas. Esses sistemas não entram greve, não fecham para o horário de almoço, não tiram férias e nem comemoram o Natal e a passagem de ano, sendo improcedentes e injustificáveis as alegações do contribuinte. Do mesmo modo, com a adoção dos formulários eletrônicos (Per/Dcomp) nem de longe se vislumbra a violação de alguma garantia constitucional do contribuinte. Ademais, o contribuinte não comprovou o alegado "problema técnico” que supostamente o teria impedido de transmitir a declaração pela internet. No dia 23 de dezembro de 2003 milhares de contribuintes transmitiram suas declarações de compensação com utilização do programa gerador da declaração e não há registro de queixas quanto ao funcionamento do sistema. Apenas o recorrente alegou que não conseguiu fazer a transmissão, mas não apresentou nenhuma prova do fato alegado. (...) Portanto, entendo que não se deva dar provimento ao recurso. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo para negarlhe provimento e assim manter o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 486DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.941520/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.712
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza
Nome do relator: José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc".
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc". (assinado digitalmente) Walker Araujo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior (suplente convocado) e Raphael Abad. Relatório Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 2 2 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização desta decisão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "Trata-se de recurso voluntário, que adveio de acórdão de manifestação de inconformidade, nos procedimentos fiscais com vistas a verificar a regularidade dos valores constantes dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS não-cumulativos, vinculados às vendas efetuadas no mercado interno, formalizados por intermédio dos PER (pedidos de ressarcimento) dos meses de julho de 2010 a setembro de 2011, com declarações de compensação DCOMP a ele vinculadas, neste processo especificamente, créditos da COFINS não-cumulativa do terceiro trimestre de 2010. A contribuinte, retrata a fiscalização, fls. 18/19 da informação fiscal 1 , possui uma ampla gama de atividades, in litteris: Comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos de limpeza e higiene doméstica; A exploração da indústria e do comércio de produtos alimentícios e bebidas em geral (laticínios, cereais, adoçantes etc.); a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de medicamentos, de produtos para saúde e de produtos farmacêuticos alopáticos, fitoterápicos e homeopáticos para uso humano; a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de produtos de higiene pessoal, toucador, cosméticos e perfumes; a fabricação, o comércio por atacado, a importação e a exportação de lubrificantes; o comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos desinfetantes para controle de insetos e roedores, inseticidas e defensivos agrícolas; a confecção, comercialização, importação e exportação de fraldas descartáveis, absorventes higiênicos, absorventes hospitalares e hastes flexíveis com algodão nas extremidades. Do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro, fls. 3/5 do acórdão, extraem-se trechos que explicam como ocorre o sistema de tributação da Recorrente: Em razão da multiplicidade de atividades desenvolvidas pela Hypermarcas, parte de suas receitas (oriunda do seguimento de cosméticos e medicamentos) é tributada de forma concentrada. Ou seja, quando a Hypermarcas vende cosméticos e medicamentos fabricados por ela, está obrigada a tributar essas vendas com alíquotas diferenciadas do PIS e da Cofins, tendo em vista que a tributação é concentrada no fabricante. 1 Os números correspondem ao número no documento físico. Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 3 3 A sistemática de tributação do regime não-cumulativo, bem como da tributação diferenciada (também conhecida como incidência monofásica ou concentrada), possui diversas especificidades em razão do produto produzido (Cosméticos, Medicamentos, Alimentos etc.), destinação das vendas (Mercado Interno, Zona Franca de Manaus, Exportação, etc.), característica da contribuinte (Fabricante, Importadora, Atacadista/Varejista etc.), dentre outras, que tornam o sistema de apuração dos créditos e débitos uma tarefa muito complexa.. Ou seja, os fabricantes de produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas também poderão descontar créditos em relação às aquisições de produtos de outra pessoa jurídica, produtora ou importadora, para revenda no mercado interno, desde que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833 (produtos relacionados no inciso I, do art. 1° da lei n° 10.147/00). No caso citado acima, a Hypermarcas adquire produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal de outro fabricante para revenda. Como ela também fabrica produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, ela tem o direito de se creditar do PIS e da Cofins. Por outro lado, nesse tipo de operação (aquisição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal para revenda), as vendas (revendas) efetuadas pela Hypermarcas são tributadas pelo PIS e Cofins com alíquotas diferenciadas, pois conforme visto, a regra geral (art. 2° da Lei n° 10.147/2000) determina que se a pessoa jurídica não for fabricante a venda deverá ser feita com alíquota zero. (...) Entretanto, verificamos que a Hypermarcas, nas operações de aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica, está apropriando créditos, sem, contudo, apurar os débitos nas revendas destes produtos (está aplicando a alíquota zero nessas revendas). Isso ocorreu em virtude de a Hypermarcas ter se considerado fabricante no momento da aquisição para revenda (para ter direito ao crédito) e atacadista no momento da revenda (para revender com alíquota zero), fato que é inadmissível, pois ela só teve direito ao crédito porque também é fabricante dos produtos dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833. Portanto, restou comprovado que nas aquisições de produtos submetidos à tributação monofásica, a Hypermarcas poderá se creditar dos bens adquiridos, e DEVERÁ oferecer à tributação do PIS/COFINS as receitas oriundas das revendas destes produtos. (...) Cumpre esclarecer que o artigo 3°, da Lei n° 10.147/2000, concedeu um crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS não cumulativos. O crédito será determinado mediante a aplicação das Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 4 4 alíquotas estabelecidas na alínea “a”, do inciso I, do art. 1º da Lei 10.147/2000, sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo. (...) Posteriormente, há informações sobre as glosas. Observa-se que a fiscalização realizou uma apuração minuciosa em linha por linha da DACON, sendo transcrito abaixo tão somente as glosas efetuadas, que serão mais detalhadamente analisadas no transcorrer do voto: Linha 01-DACON- NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens para revenda. (...) COMPRA DE MATERIAL DE CONSUMO FABRIL – CFOP n°s 1.556 e 2.556 (VALOR TOTAL IGUAL A R$21.448.823,74) Os créditos relativos às compras de materiais de consumo fabril foram apropriados pela fiscalizada nas linhas 01 e 02 do DACON Analisando o arquivo entregue, percebemos que a maioria dos produtos adquiridos é utilizada em centros de custos que não fazem parte do processo de fabricação da empresa. Que dizer, estas aquisições não são utilizadas como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) Com efeito, serão glosados os créditos relativos às aquisições de bens de uso e consumo que não foram empregados nos setores de produção da Hypermarcas. (...) LINHA 02 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens utilizados como insumos. (...) Portanto, os produtos tributados com alíquota reduzida a 0 (zero), adquiridos pela Hypermarcas, não podem gerar crédito em razão da vedação imposta pelo art. 3°, §2°, da Lei n° 10.833/2003. (...) – BRINDES AO CONSUMIDOR FINAL (VALOR TOTAL IGUAL A R$ 6.298.618,72) (...) - MATERIAIS PROMOCIONAIS (VALOR TOTAL IGUAL A R$19.706.386,92) (...) Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 5 5 - CAMPANHAS PRÊMIOS - CONSUMIDOR (VALOR TOTAL IGUAL A R$747.676,20) (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NO ITEM 2 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO N° 03) - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.334.086,54) (...) LINHA 03 – DACON – NACIONAIS (...) – ANÁLISE LABORATORIAL - (VALOR TOTAL IGUAL A R$7.844.419,50) (...) - ANÚNCIOS E PUBLICAÇÕES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$69.922,18) (...) - COMISSÃO PAGA A PESSOA JURÍDICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$6.092.625,17) (...) -CONSULTORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.049.825,67) (...) – ESTADIA – TRANSPORTADORA DE MERCADORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$352.557,12) (...) – FEIRAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$556.485,88) (...) -INFORMÁTICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.313.948,44) (...) - MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$2.028.382,62) (...) – OUTROS GASTOS COM PROPAGANDA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.187.854,88) (...) – PATROCÍNIO DE EVENTOS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$41.555,72) (...) Fl. 3126DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 6 6 -PESQUISA DE MERCADO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$9.502.440,11) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$308.381,33) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGEM - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.847.501,95) (...) – PROMOÇÕES DE VENDAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$32.945,36) (...) – PROMOÇÕES E EVENTOS DE MARKETING - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.151.777,22) (...) – PROMOTORES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.500,00) (...) – PUBLICIDADE PRODUÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$27.877.706,47) (...) – PUBLICIDADE VEICULAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$174.050.987,06) (...) - SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS - (VALORES TOTAIS IGUAIS A R$4.125.357,26 E 2.500,00) (...) – SERVIÇO DE PALETIZAÇÃO/REACONDICIONAMENTO DE PRODUTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$487.583,58) (...) – SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$150,00) (...) LINHA 06 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. (...) Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 7 7 Em razão da não apresentação do demonstrativo de composição da base de cálculo, estes créditos relativos aos dispêndios de locação estão sendo glosados pela fiscalização. LINHA 07 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda (base de cálculo igual a R$196.726.177,27) - 1.185/1.694 e 499: (...) Destarte, não bastasse a Hypermarcas não ter direito ao crédito extemporâneo não restou outra alternativa à fiscalização em também não aceitar o crédito em função da não vinculação das despesas com as operações de venda, já que somente geram direito ao crédito as despesas de armazenagem nas operações de venda. Pelo exposto, os créditos extemporâneos, cuja base de cálculo soma R$13.716.997,66 também serão glosados. LINHA 08 – DACON – NACIONAIS (...) Quanto aos créditos extemporâneos apropriados no mês de outubro de 2010 (R$508.418,54), estes serão glosados em razão da falta de retificação das declarações entregues (DACON, DIPJ e DCTF). (...) LINHAS 09, 10 E 11 – DACON – NACIONAIS (...) Destarte, os encargos de depreciação e/ou aquisição de bens, aplicados nos centros de custo cujos bens, integrantes do ativo imobilizado, não são utilizados na produção não geram créditos relativos às contribuições PIS/COFINS por expressa vedação legal. Por fim, também constatamos que a Hypermarcas está se creditando de encargos de depreciação relativo a bens integrantes do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004. Estas aquisições também não geram direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativas. (...) LINHA 13 – DACON – NACIONAIS (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NOS ITENS 2 E 8 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO 03) – VALOR TOTAL IGUAL A R$172.502.051,77. (...) LINHA 26 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos calculados sobre insumos de origem vegetal. (...) Verificamos que a fiscalizada, à época que produzia gêneros alimentícios, no período de março de 2006 a dezembro de 2011, Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 8 8 utilizou o disposto no artigo citado acima, adquirindo tomate in natura (NCM 0702.00.00) e milho verde in natura (NCM 0709.90.19) e industrializando produtos como, por exemplo, molhos de tomate e extrato de tomate (ambos com NCM 2103.20.10: Ketchup e outros molhos d/tom.inf. a 1kg Inc.). Todavia, produtos da Posição 2103 – preparações para molhos e molhos preparados; condimentos e temperos, do Capítulo 21 – preparações alimentícias diversas, não estão citados no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, razão pela qual não há previsão legal para o crédito presumido pretendido pelo contribuinte, sendo, portanto, glosado na sua totalidade. (...) Da manifestação de inconformidade, extrai-se em síntese: - Preliminarmente: i) Solicita, primeiramente, o sobrestamento do feito, a fim de ser verificada a decisão no processo administrativo sob número 16004.720187/2014-75, no qual foram lançados os créditos de contribuição ao PIS e à COFINS, que foram consideradas insuficientes para compensação; ii) Pleiteia pela legitimidade dos créditos, aproveitados pela Recorrente nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica para revenda; iii) Não aproveitamento de determinados créditos mencionados na Informação Fiscal no Período do despacho decisório – 3º trimestre de 2010; iv) Violação ao contraditório e à ampla defesa, pois embora os agentes fiscais tenham segregado a análise da legitimidade dos créditos, levando em consideração a sua origem (e analisado item por item das linhas da DACON da requerente) deferindo ou indeferindo o aproveitamento, esquivaram-se de trazer uma discriminação precisa dos valores e da natureza dos créditos glosados originários do Pedido de Ressarcimento para indeferir as compensações. Os agentes deveriam ter realizado uma análise estritamente do período objeto do Pedido de Ressarcimento em análise e feito uma recomposição dos créditos, listando os valores deferidos e indeferidos, a respectiva origem, dentro do período pertinente. - No mérito: i) Indevida glosa de créditos na apuração do PIS/COFINS. Defende que o saldo credor pode ser apurado nos meses subsequentes. Ademais, que os créditos extemporâneos aproveitados pela requerente referem-se a operações com produtos submetidos à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. O pedido de ressarcimento foi uma forma da requerente exercer o seu direito constitucional e legal de reaver os créditos não aproveitados anteriormente. ii) Realiza considerações sobre o regime da não-cumulatividade no sistema da contribuição ao PIS e à COFINS; Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 9 9 iii) Argumenta que o conceito de insumo das instruções normativas é mais restrito que o da lei e, assim, não pode ser lido; iv) Defende a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS sobre as despesas de publicidade e propaganda/marketing; v) Argumenta o direito ao crédito no que concerne ao frete, a transferência de mercadorias ou insumos de uma unidade para outra; a entrega de mercadorias que foram dadas em bonificação aos clientes, e a retirada de mercadorias devolvidas pelos clientes e/ou logística reversa, que são de responsabilidade da impugnante são despesas intrínsecas à geração de receitas da impugnante; vi) Pleiteia pelo direito ao crédito na estocagem e armazenagem; v) No que concerne aos créditos relativos a encargos de depreciação, defende que além da industrialização possui forte atuação nas operações de revenda de mercadorias produzidas por terceiros, as quais incorreram em diversos custos com esforço de vendas, tais como pesquisas de mercado, ações de publicidade, estoque, logística e toda uma complexa estrutura administrativa para que seus produtos sejam disponibilizados e vendidos em todo Brasil. Toda essa complexa estrutura demanda aquisições de ativos imobilizados necessários ao desenvolvimento de sua atividade empresarial, tais como empilhadeiras utilizadas nos centros de distribuição para movimentação de estoque, plataformas hidráulicas, equipamentos utilizados na análise de qualidade de produto, entre outros. vi) Quanto à glosa de aluguel de máquinas e equipamentos, que a fiscalização fundamentou que não foi apresentado o demonstrativo da base de cálculo e o centro de custos, encontra-se anexo à impugnação os contratos de aluguel e a base de cálculo, que poderia ser obtida do SPED; vii) Quanto à manutenção de máquinas e equipamentos, a fiscalização glosou o crédito sob alegação de que não houve esclarecimento quanto à divergência na base de cálculo. Ocorre que a interessada alega que os dados foram disponibilizados conforme IN SRF 86/01 dos pedidos de ressarcimento; viii) No que se refere à compra de consumo fabril, a contribuinte alega que os produtos glosados são exigências da ANVISA, tratando-se de equipamentos de segurança dos profissionais que atuam nos setores fabris e laboratoriais; ix) Pleiteia pela concessão de créditos junto a serviços de análise laboratorial, consultoria, produção e desenvolvimento de embalagem e informática, bem como nas comissões pagas às pessoas jurídicas e a mão-de-obra temporária; x) Solicita pela concessão de créditos na compra de insumos agrícolas, que adquire o produto in natura de pessoa física ou cooperado pessoa física e procede a industrialização o que reforça a possibilidade de tomada de crédito presumido pela impugnante; xi) Alega que os produtos adquiridos à alíquota zero se sujeitaram à incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação. Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 10 10 Sobreveio, então, decisão da DRJ/Rio de Janeiro, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NULIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o despacho decisório lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO . A apuração não cumulativa implica em diferença entre débitos da contribuição e créditos da não-cumulatividade. Assim sendo, a alteração na base de cálculo da contribuição, com a consequente apuração de maior valor de débito acarretará em uma redução dos créditos disponíveis. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação o crédito de não-cumulatividade relativo à aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno. RESSARCIMENTO. ÚNICO TRIMESTRE DO ANO-CALENDÁRIO. Cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre- calendário; e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. A Recorrente interpôs recurso voluntário, onde reafirmou as considerações da manifestação de inconformidade, com a apresentação de algumas novas preliminares que serão analisadas no transcorrer do voto. Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 11 11 Estão apensos ao presente processo administrativo, os seguintes processos: 10120.727124/2014-37 e 10880.723365/2014-13. É o relatório." Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: Dentre as diversas matérias à serem apreciadas nestes processo, restou duvidoso, na sessão de julgamento, duas questões no processo que merecem esclarecimentos. A primeira sobre os débitos apurados pela fiscalização com base nos fatos e fundamentos apresentados nos itens 4.2 e 4.3 do Termo de Descrição dos Fatos carreados aos autos. Isto porque, de um lado, a fiscalização afirma categoricamente que a Recorrente não teria direito à aplicação da alíquota zero do PIS e da COFINS na revenda dos produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador, por entender que a sua atuação também como fabricante de outros produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador afastaria o regime monofásico na revenda de mercadorias, a saber: Conforme relatado, para alguns seguimentos da economia, dentre os quais destacamos o de cosméticos e medicamentos, que fazem parte do objeto social da fiscalizada, o legislador deu um tratamento fiscal diferenciado em relação à sistemática da não-cumulatividade, de forma à obtenção de uma praticidade na tributação. Para estes seguimentos foi estabelecida a tributação diferenciada, também conhecida por incidência monofásica ou concentrada, uma vez que neste regime o ônus tributário de toda a cadeia de comercialização de um determinado produto recai em seu fabricante ou importador. Justamente por esta concentração da tributação no fabricante ou importador, esses contribuintes aplicam sobre as receitas auferidas na venda de tais produtos alíquotas maiores que as usuais. Vejamos a redação da Lei 10.147/2000, com as alterações das Leis 10.548/2002 e 10.865/2004: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I - incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 12 12 b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); Em contrapartida, os demais contribuintes da cadeia de comercialização (atacadistas e varejistas) são beneficiados com redução a zero das alíquotas conforme estabelece o art. 2º da Lei nº 10.147, de 2000: Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000 Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. (grifei) (...) Nesse caso, a Hypermarcas fabrica os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, sujeitos à tributação monofásica/concentrada, motivo pelo qual está obrigada ao pagamento do PIS e da Cofins com as alíquotas diferenciadas. Ou seja, toda a tributação do PIS e da Cofins está concentrada na venda efetuada pela Hypermarcas. A partir daí, as operações subsequentes (vendas efetuadas pelos atacadistas e varejistas) estão sujeitas à alíquota zero. Por outro lado, a Recorrente alega que todas as operações nas quais houve o afastamento da alíquota zero, a Recorrente procedeu à mera revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica, inexistindo, qualquer processo de industrialização, nos moldes do artigo 4º, do Regulamento do IPI. Segundo a Recorrrente,"...a Autoridade Fiscal elaborou, com base em todas as notas fiscais eletrônicas e no Sped Fiscal da Requerente (fls. 17 e 18 do TVF/1.731 e 1.732 dos autos), 16 planilhas (fls. 27 do TVF/1.741 dos autos e fls. 1.167 a 1.182 dos autos), as quais contêm a relação de todos os produtos de perfumaria e farmacêuticos sujeitos ao regime monofásico vendidos no período objeto deste processo (07/2010 a 09/2011)". E, afirma:"...que as referidas planilhas reproduzem todas as informações das notas fiscais da Requerente e são, portanto, extremamente detalhadas, contendo, dentre outras informações, descrição individualizando cada um dos produtos, bem como seu valor de venda e a identificação se estes foram objeto de (a) produção própria1 ou (b) adquiridos de terceiros (revenda)2. Cumpre mencionar ainda que as referidas planilhas foram utilizadas pela Autoridade Fiscal para quantificar o crédito tributário objeto deste processo administrativo." Analisando o processo, não há como auferir corretamente - entenda-se, com base em todo suporte documental carreado aos autos- , se nas referidas planilhas que deram suporte ao cálculo do montante exigido, há apenas produtos que foram objeto de produção própria ou produtos adquiridos de terceiros para revenda que são também fabricados pela recorrente (produtos coincidentes) ou produtos que foram revendidos e que não são fabricados pela recorrente. Tal fato é de suma importância para o deslinde do processo, posto que, partindo da premissa de que a Recorrente não industrializa os produtos que ela revende, fica afastado seu enquadramento no artigo 1º, da Lei nº 10.147/2000, do contrário, correto o lançamento fiscal. Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 10880.941520/2012-10 Resolução nº 3302-000.712 S3-C3T2 Fl. 13 13 Neste ponto, entendo que há necessidade de converter o processo em diligência, para que seja comprovado/esclarecido pelas partes, se os produtos revendidos indicados na planilha foram também objeto de produção própria ou não. A segunda questão diz respeito ao fato de que na primeira autuação, objeto do processo administrativo nº 16004.7220544/2013-14, a fiscalização glosou créditos sem questionamento da aplicação da alíquota zero, ao passo que neste processo, os mesmos fiscais acolheram expressamente o aproveitamento de créditos e tributaram a revenda com a aplicação das alíquotas diferenciadas. Ou seja, há dúvidas quanto aos critérios jurídicos adotados e quanto à situação fática considerada pela fiscalização em ambos processos, merecendo, assim, esclarecimentos quanto a diferença de tratamento. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para: i) À recorrente: - Especificar os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente. A autoridade fiscal deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; ii) À autoridade fiscal: - esclarecer a distinção entre a situação fática autuada no processo 16004.720544/2013-14, no qual houve glosa de créditos e não cobrança de débitos, e este processo, já que tratam de períodos imediatamente subsequentes, tendo a recorrente afirmado em ambas fiscalizações que atuava na fabricação e revenda de produtos mencionados no artigo 1º da Lei 10.147/2000. Após, intime-se a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 3134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001230/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
FUNDEF. BASE DE CÁLCULO.
O fundo instituído pela Lei Federal 9.424/1996 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição.
FUNDEB. BASE DE CÁLCULO.
O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3401-004.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 9.424/1996 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição. FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 12 30 /2 00 9- 86 Fl. 680DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls.663 e seguintes) contra decisão da DRJ/RJI, que considerou improcedente, em parte, as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, referente à contribuição para o PIS/PASEP no período compreendido entre os meses de abril de 2004 a dezembro de 2008. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário de R$ 886.139,09 (oitocentos e oitenta e seis mil, cento e trinta e nove reais e nove centavos) (fls. 02 e seguintes) de mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$ 1.824.170,17(um milhão, oitocentos e vinte e quatro mil, cento e setenta reais e dezessete centavos) Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: · A Prefeitura de São João do Belmonte PE foi incluída em programa de fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caruaru PE a partir de informações de que o PASEP não estaria sendo retido pelo Banco do Brasil S/A por ocasião do repasse do Fundo de Participação dos Municípios devido ã ação judicial (medida cautelar 2001 .34.00.0340640/DF) que, após apelação no TRF da 1” Região, transitou em julgado em favor da Fazenda Nacional em 19/01/2005; · Dessa forma, após a emissão do MPF 33/2009, que abrange o período de abril de 2004 a janeiro de 2009, a Prefeitura de São José do BelmontePE foi intimada a apresentar, referentemente ao periodo indicado, os balancetes mensais, a indicação da base de calculo para a apuração do PIS/PASEP, bem como os valores dessa contribuição que foram retidos na fonte. Foi também solicitado que a Prefeitura em questão apresentasse, se fosse o caso, ação judicial referente à retenção do PIS/PASEP por ocasião do repasse do Fundo de Participação dos Municípios; · Em resposta à fiscalização (fi. 38), a Prefeitura de São José do Belmonte PE informou, em síntese, que não tem conhecimento da interposição de ações judiciais referentes à retenção do PIS/PASEP nos repasses do FPM. Além disso, apresentou os balancetes mensais solicitados com exceção dos meses de junho, novembro e dezembro do ano calendário de 2004, e a memória de cálculo dos períodos de apuração de 2004 e 2007, juntamente com os valores do PIS/PASEP retidos na fonte no anocalendário de 2008 (fl. 39/348); · A partir das consultas realizadas no SISBB – Sistemas de Informações do Banco Brasil S/A referentes S/A referentes a DAF Distribuição de Arrecadação Federal para a Prefeitura de São José do BelmontePE, no sitio do Banco do Brasil S/A (www.bb.com.br), não foram encontradas indicações de valores retidos a titulo de PIS/PASEP, quando foram analisados os demonstrativos relativos ao período de abril de 2004 a outubro de 2008 (fi. 349/536). Nos meses de novembro e dezembro de 2008, conforme informado pela Prefeitura (fi. 537/544), foram retidos os valores do PIS/PASEP que se encontram destacados nos demonstrativos constantes da fl. 39; I; Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10435.001230/200986 Acórdão n.º 3401004.014 S3C4T1 Fl. 681 3 · De acordo com a Lei n° 9.715, de 25/11/98, a contribuição do PIS/PASEP será apurada mensalmente (à alíquota de 1%) pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ainda segundo o citado diploma legal, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas; · Na apuração da contribuição em destaque foi observada a Solução de Divergência COSIT 1 n° 2, de 2009 que, em síntese, determina que os valores de receitas próprias repassadas/ alocadas para o FUNDEF/FUNDEB, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP do ente que efetuar o repasse / alocação, por falta de amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ao receberem da União valores relativos às transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas no art. 7° da Lei n° 9.715/98. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão excluir de suas respectivas bases de cálculos mensais da Contribuição para o PIS/PASEP, os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB, somente quando ficar comprovado que houve a retenção da Contribuição para o PIS/PASEP, na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União; · Durante os trabalhos de apuração, devido ao fato de não terem sido apresentados os balancetes referentes aos meses de junho, novembro e dezembro de 2004, a fiscalização apurou o PIS/PASEP desses períodos utilizando como base de cálculo os valores . repassados à Prefeitura de São José do Belmonte PE constante dos demonstrativos DAF Distribuição de Arrecadação Federal, encontrados no SISBB Sistemas de Informações do Banco do Brasil no sítio eletrônico do Banco do Brasil S/A (fl. 355/357 e 373/376), em conformidade com o disposto no inciso Ildo art. 845 do Decreto n° 3.000/99; · Com base nos documentos constantes dos autos, foi elaborada uma planilha (fl. 25/27) onde constam os totais referentes às receitas e às transferências correntes, os valores apurados para 0 PIS/PASEP à alíquota de 1%, os valores retidos na fonte, os valores pagos com 0 código 3707 PIS PASEP PJ de Direito Público, constantes nos sistemas da RFB e os declarados em DCTF, que passou a ser de apresentação obrigatória, semestralmente, a partir do anocalendário de 2006, art. 1° e 4° da IN SRF n° 695/06; 0 · Como conclusão dos trabalhos realizados, foram lançados de ofício os valores do PIS/PASEP apurados e demonstrados na planilha acima referida. As bases de cálculo mensais, referentes ao período fiscalizado (04/2004 a 12/2008), encontramse listadas, juntamente com os demonstrativos de apuração, multa de ofício (Parecer AGU n° 16/2004) e juros de mora, todos constantes do Auto de Infração. Da Impugnação Fl. 682DF CARF MF 4 A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 09.06.2009 (fl. 550), e interpôs impugnação, em 09.07.2009 (fls. 552 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: O IMPUGNANTE tomou ciência do aludido Auto de Infração no dia 15 de junho de 2009. onde constam supostas irregularidades cometidas no recolhimento do PlS/PASEP dos anos de 2004 a 2008, ou seja, na gestão do antigo prefeito Sr. Manoel Gomes de Carvalho e do atual prefeito. Informa ainda que a ausência de recolhimento se deu em virtude ordem judicial exarada por juiz federal do Distrito Federal. e que a suposta ordem judicial transitou em julgado após apelação no TRF 1 Região em favor da Fazenda Nacional, em 19/01/2005, razão pela qual se lavrou o Auto de infração no valor de R$ 1.824.170,17 (Hum milhão, oitocentos e vinte e quatro mil, cento e setenta reais e dezessete centavos). Ora, em que pese o suposto não recolhimento das contribuições do PIS/PASEP. ou o recolhimento a menor, é importante ressaltar, de logo, que apesar de ser obrigação do município. a retenção do aludido percentual é de responsabilidade do Tesouro Nacional. o que desconfigura qualquer procedimento irregular. Por oportuno, registra, ainda, o lmpugnante que o Auto de Infração foi lavrado sob o fundamento do trânsito em julgado de uma ação judicial que corre na Capital do País. Acontece que. dita ação (Medida ,Cautelar e Apelação Civel n. 2001.34.00.0340640 encontrase atualmente como o Desembargador Federal da 1 Região Dr. Luciano Tolentino Amaral) e ainda não transitou em julgado como afirmado no Auto de Infração, juntando o lmpugnante extrato de tramitação processual, na qual acusa inclusive que o processo estava recentemente com vistas a Fazenda Nacional, visto que o acórdão foi publicado no Diário da. Justiça no dia 17 de abril ele 2009, abrindo prazo para recursos ao Superior Tribunal de Justiça STJ, tudo conforme documentos em anexo. Sendo assim, preliminarmente o fundamento que se baseia o Auto de Infração é falso, não cabendo cobranças enquanto não transitar em julgado a referida ação judicial. `(...) Por outro lado, vale destacar a questão da “prescrição " quinquenal, ou seja, a impossibilidade da cobrança da referida contribuição no período anterior à lavratura do presente Auto de Infração, a saber débitos anteriores a junho de 2004; Registrese, ainda, que a legislação nacional prevê expressamente que aquele que cobra dívida prescrita fica obrigado a restituir em dobro os valores cobrados indevidamente, o que de logo se requer; Discorre sobre as contribuições PIS/PASEP, fato gerador e base de cálculo; Argui inconstitucionalidade do art. 14, Vl, DL 2.052, não incidindo, portanto, o PASEP sobre a receita do impugnante na forma lançado no Auto de Inração ora impugnado; Afirma, ainda, que o Município impugnante possui regime próprio de previdência no período do Auto de Infração, não sendo mais custeado o seguro desemprego pelo Governo Federal, sendo este mais um fator a ser apreciado na não incidência do PASEP ao impugnante; Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10435.001230/200986 Acórdão n.º 3401004.014 S3C4T1 Fl. 682 5 Registra, também, que existem discussões no âmbito judicial sobre a base de cálculo a ser utilizada na incidência do PASEP, a saber, o Estado de Santa Catarina ajuizou Ação Cível Originária (ACO 1099) contra a União para que seja reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária entre as valores repassados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público; Sendo assim, no presente caso, mesmo que na hipótese remota da ação que tramita no SRF ser julgada improcedente, cabe ainda a retirada dos valores referentes ao FUNDEF/FUNDEB do Auto de Infração ora impugnado. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1232.660, exarado pela 1' Turma da DRJ/RJI, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 17.09.2010 (fl. 662), através do qual a Impugnação foi considerada procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 ALEGAÇOES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de arguições de ilegalidade e de inconstitucionalidade de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PIS/PASEP. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de súmula vinculante editada pelo STF, cabe a aplicação da regra prevista no CTN relativa ã decadência. Existindo pagamento, o direito de constituir o crédito tributário pode ser exercido em até 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. CONTRIBUINTES. BASE DE CÁLCULO. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Os valores de suas receitas próprias repassados/alocados, para o FUNDEF/FUNDEB, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal. Fl. 684DF CARF MF 6 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Abaixo seguem as principais razões da decisão de primeiro grau: 2 DA DECADÊNCIA (...) No caso da contribuição para o PIS/PASEP, cabe salientar que os períodos de apuração são mensais e o pagamento das contribuições deve ser efetuado até o último dia útil da primeira quinzena do mês subsequente à da ocorrência do fato gerador (art. 82 c/c art. 2° do Decreto n° 4.524/02). Na tabela elaborada pela fiscalização que subsidiou o Auto de Infração em questão, consta que a interessada efetuou pagamentos de PIS código 3703 relativos aos meses de abril e maio de 2004. Assim. em 09/06/2009. data da ciência do Auto de Infracão,_já havia decaído o direito do fisco efetuar os lançamentos relativos aos fatos geradores de abril e maio de 2004. a teor do que dispõe o art. 150 do CTN anteriormente transcrito. nos valores de R$ 11.966.63 e R$ 12.3l7,06. respectivamente. 3 – DO MÉRITO: Inicialmente, cumpre esclarecer que a Ação Judicial (Medida Cautelar e Apelação Cível n° 2001.34.00.0340640), do qual a interessada é parte e que objetivou impedir qualquer cobrança referente ao PASEP, transitou em julgado em 14/07/2009, de acordo com a Consulta Processual extraída do site www.trt,gov.br (fl. 623). Por oportuno, reproduzse ementa do Acórdão proferido pelo TRF da 1a Região nos autos da Apelação Cível: “PROCESSUAL CIVIL MEDIDA CAUTELAR INTERESSE RECURSAL RAZÕES DISSOCIADAS DA SENTENÇA APELAÇÃO QUE NÃO SE CONHECE. 1. Se o apelante desiste da ação. não lhe ocorre interesse recursal da sentença lançada. 2. Não se conhece da apelação que trata exclusivamente do mérito da ação, enquanto a sentença tratou de extinguir o processo por descumprimento do art. 808, 1, do CPC (ação principal não ajuizada dentro do prazo de 30 dias). 3. Apelação de que não se conhece. 4. Peças liberadas pelo Relator em 24/03/2009, para publicação do acórdão. Portanto, a referida ação não obsta a lavratura e a cobrança do presente Auto de Infração. Quanto à constituição do crédito tributário, cabem as seguintes considerações. Constam do enquadramento legal de fl. 09 os art. 1°, 2° e 3° da Lei Complementar n° 8 de 3 de dezembro de 1970 e os art. 67, 70 e 73 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que a seguir são reproduzidos: (...) Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10435.001230/200986 Acórdão n.º 3401004.014 S3C4T1 Fl. 683 7 Da legislação anteriormente citada, verificase que, diversamente do que afirma, a interessada é contribuinte do PIS/PASEP, sendo, portanto, devida a contribuição tal como apurada e lançada pela fiscalização. No que tange à alegação de inconstitucionalidade do art. 14, VI, DL 2.052, de 1983, esclareçase que tal argüição não pode ser oponível nesta esfera, por ultrapassar os limites da competência legal do julgador administrativo, conforme orientação contida no Parecer Normativo CST n° 329/1970, cuja ementa é a seguinte: (...) Ressaltese, ainda, que não assiste razão à interessada quando pleiteia a exclusão da base de cálculo do PIS/PASEP dos valores referentes ao FUNDEF/FUNDEB, conforme Solução de Divergência COSIT n° 02, de 2009, que determina que: Os valores de suas receitas próprias repassados/alocados, para 0 FUNDEF/FUNDEB, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para 0 PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ao receberem da União valores relativos às transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para o F UNDEF/F UNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas no art. 7° da Lei n° 9.715, de 1998; Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão excluir de suas respectivas bases de cálculos mensais da Contribuição para o PIS/Pasep, os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB, somente quando ficar comprovado que houve a retenção da Contribuição para o PIS/Pasep, na fonte, à alíquota de 1% incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional STN, na forma disposta no §6° do art. 2° da Lei n° 9.715, de 1998. (...) Por fim, constatase que a interessada não contestou os valores que compuseram a planilha de fl. 25/27 elaborada pela fiscalização (os totais referentes às receitas e às transferências correntes, os valores apurados para o PIS/PASEP à alíquota de 1%, os valores retidos na fonte, os valores pagos com o código 3707 PIS PASEP PJ de Direito Público, constantes nos sistemas da RFB e os declarados em DCTF) que subsidiaram a apuração dos montantes a recolher de PIS/PASEP que foram objeto do lançamento de oficio em exame. Portanto. não tendo logrado a interessada elidir a inflação falta/ insuficiência de recolhimento de PIS/PASEP. mantémse a autuação relativa aos períodos de apuração de 06/2004 a ll/2008 tal como efetuada. DA CONCLUSÃO: Fl. 686DF CARF MF 8 À vista do exposto, concluise pela manutenção parcial do lançamento para declarar devida, com a multa de ofício de 75% e os juros moratórios cabíveis, a contribuição para o PIS/Pasep no montante de R$ 861.855,40 (Total lançado: R$ 886.l39.09 Valores exonerados períodos de apuração de 04 e 05/2004 decadência: R$ 24.283,69 Valor mantido: R$ 861 .855,40. (Grifos nossos) Do Recurso Voluntário Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reprisando os argumentos expostos na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Das Preliminares Sobre o argumento trazida pela Recorrente por "vicio de formação" do auto de infração, por haver decisão judicial ainda não transitada em julgado à época do lançamento de ofício, não há de prosperar. Isto porque, conforme se verifica do exame do andamento processual do litígio judicial a que se refere a Recorrente, no momento da lavratura do mesmo, o contribuinte não gozava de medida liminar válida ou qualquer outro instrumento que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, do CTN. Em pior cenário, conforme constatado pela DRJ, a referida ação já havia se encerrado: Inicialmente, cumpre esclarecer que a Ação Judicial (Medida Cautelar e Apelação Cível n° 2001.34.00.0340640), do qual a interessada é parte e que objetivou impedir qualquer cobrança referente ao PASEP, transitou em julgado em 14/07/2009, de acordo com a Consulta Processual extraída do site www.trt,gov.br (fl. 623). Por oportuno, reproduzse ementa do Acórdão proferido pelo TRF da 1a Região nos autos da Apelação Cível: (...) Portanto, a referida ação não obsta a lavratura e a cobrança do presente Auto de Infração Diante do exposto, nego provimento à preliminar levantada. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10435.001230/200986 Acórdão n.º 3401004.014 S3C4T1 Fl. 684 9 Do mérito: sobre a incidência e a base de cálculo da Contribuição Social ao PASEP Entendo que o cerne do presente Recurso se resume à definição da extensão da base de cálculo do PASEP, especialmente no que tange à possibilidade de os recursos destinados ao FUNDEF e do FUNDEB serem excluídos da sua base de cálculo. A base de cálculo do PASEP está prevista na Lei Federal 9.715/1998, em seu artigo 2º: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ressaltese, ainda, que, à época dos fatos geradores sob análise, o parágrafo sétimo1, do mesmo artigo, não havia sido inserido ao texto original, de modo que não havia previsão de exclusões da base de cálculo que não as referenciadas no artigo 7º, da mesma Lei, abaixo transcrito. Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Diante disso, com relação à inteligência do artigo 7º, supramencionado, somente é possível a exclusão das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”, sendo certo que deve se entender como “entidade pública” outra pessoa jurídica de direito público interno, de modo a ser evitar a incidência “em cascata” da contribuição, fazendoa incidir uma única vez, da origem do recurso à aplicação final do valor transferido. Contudo, a Recorrente deseja, ainda, ter os recursos destinados ao FUNDEFe ao FUNDEB excluídos da base de cálculo. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) foi instituído pela Emenda Constitucional 14/ 1996, e regulamentado pela Lei Federal 9.424/1996. O FUNDEF implantado, nacionalmente, em 1° de janeiro de 1998, quando, a nova sistemática de redistribuição dos recursos destinados ao Ensino Fundamental passou a vigorar é caracterizado como um fundo de natureza meramente contábil, com o mesmo 1 §7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Fl. 688DF CARF MF 10 tratamento dispensado ao Fundo de Participação dos Estados (FPE) e ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Seus recursos são repassados automaticamente aos Estados e Municípios, de acordo com coeficientes de distribuição estabelecidos e publicados previamente. Já o FUNDEB foi instituído pela Lei Federal 11.494/20072, tendo características idênticas, já que veio a substituir o FUNDEF, com as mesmas destinações. Portanto, ambos os fundos são compostos por recursos da União e dos Estados que não possui personalidade jurídica, não fazendo jus à sua inclusão no rol das deduções previstas no aludido artigo 7º. Nem se diga que a existência de registro perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) seria indício de que há personalidade jurídica de tais fundos, já que a legislação regulamentar do CNPJ prevê a obrigatoriedade de registro de entidades que, por sua vez, não possuem, indubitavelmente, personalidade jurídica, como os consórcios de empresas. Isto posto, somente poderão ser excluídas as rubricas expressamente previstas em lei, quais sejam, as transferências efetuadas a outras entidades públicas, de modo que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar que a autoridade fazendária teria deixado de efetuar tal dedução. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, haja vista não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo pretendidas pela Recorrente. Tiago Guerra Machado Relator 2 Art. 1º É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB, de natureza contábil, nos termos do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. (...) I pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb, a que se referem os incisos I a IX do caput e o § 1o do art. 3o desta Lei, de modo que os recursos previstos no art. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino; II pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. Art. 2º Os Fundos destinamse à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação, incluindo sua condigna remuneração, observado o disposto nesta Lei. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10435.001230/200986 Acórdão n.º 3401004.014 S3C4T1 Fl. 685 11 Fl. 690DF CARF MF
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