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Numero do processo: 10670.000697/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais.
Numero da decisão: 3803-002.695
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário manejado contra o indeferimento do pedido de compensação com crédito de COFINS e PIS incidentes sobre “outras receitas” que não faturamento bruto durante o período de apuração de janeiro/99 a março/2001 em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de cálculo realizada pelo art. 3º da Lei n.º 9.718/98. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Às fls. 03 consta Certidão expedida pela Seção Judiciária de Minas Gerais noticiando que a ação transitou em julgado em 02.02.2006. A DRF às fls. 141/147, não homologou a compensação pleiteada com fundamento no art. 168 do CTN, sob o argumento de que o seu direito teria sido atingido pela decadência, já que o pedido de compensação fora protocolado somente em 15.05.2006 e os pagamentos ocorreram a mais de 5 anos da data do protocolo. O Recorrente não concordou com tal decisão e apresentou Manifestação de Inconformidade às 149/173, esclarecendo que em relação aos créditos pertinentes ao período de abril/2001 a dezembro/2005, apresentou PER/DCOMP's eletrônicas, compensando tais créditos com os respectivos débitos de PIS e COFINS relativos ao mês de março de 2006. Já para os créditos relativos ao período de fevereiro/1999 a março/2001, apresentou DCOMP's em papel, para compensação com os respectivos débitos de PIS e COFINS relativos ao mês de abril de 2006. A apresentação do pedido em papel decorreu do fato de que a entrega eletrônica somente possibilita á compensação de créditos relativos aos últimos 5 anos. Em sua Manifestação de Inconformidade, o interessado traz decisões do STJ para demonstrar que era impossível realizar a compensação, antes do trânsito em julgado da ação junto ao Poder Judiciário, mesmo porque seu direito não era líquido e certo. A DRJ às fls. 203/204 solicitou diligência com o propósito de esclarecer: a) o valor do crédito oriundo da decisão transitada em julgado, considerando, inclusive, os pagamentos efetuados no período de 01/1999 a 03/2001; b) se tal crédito é suficiente para a validação das compensações pleiteadas (ressaltese que a empresa efetuou outras compensações via PERDCOMP); Deste modo, o contribuinte foi devidamente intimado às fls. 205 a apresentar: a) demonstrativo da base de cálculo do PIS e COFINS e os registros contábeis que comprovam o faturamento dos meses de 02/99 04/99 a 08/99; 01/2000 a 05/2000, 08/2000 a 12/2000 ; 01/2001 a 03/2001; b) Registros contábeis das receitas excluídas da base de cálculo do PIS e COFINS, que ensejaram a pretensa restituição cumulada com compensação ( receitas estranhas ao faturamento); c) Registros contábeis das compensações e créditos de pagamentos indevidos ou a maior reconhecidos por decisão judicial e transitada em julgado em 02/02/2006, dos meses de fevereiro/1999 a março/2001, em função da inconstitucionalidade do art. 3% §1º da Lei n° 9.718198, que determinou o alargamento da base de cálculo da Cofins. Assim, em 25.03.2008, a interessada apresentou esclarecimentos às fls. 212/214, com a finalidade de atender a referida intimação e informa que existia no Plano de Contas da empresa, a conta denominada Ressarcimento PIS/COFINS s/ Exportação, que registrava o crédito presumido de PIS /COFINS, no grupo de outras receitas operacionais. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10670.000697/200683 Acórdão n.º 380302.695 S3TE03 Fl. 394 3 Esclarece ainda que a empresa registrou o crédito nesta conta "inativa", não abrindo conta especifica para este lançamento. Cumpre informar que a empresa anexou balances referentes ao período compreendido entre fevereiro/99 a março/2001 anexo às fls.217/263. A Seção de Arrecadação e Cobrança da DRF de Montes Carlos – MG, informa em 21.08.2009 às fls. 267/268, que o contribuinte não apresentou documentos para apurar a base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos em que foi decidido no Poder Judiciário, razão pela qual concluiu não ser possível determinar o montante do crédito, por falta de apresentação de provas pelo contribuinte. Sobreveio a Decisão n.º 0927037 – 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora às fls. 272/274 que acolheu parcialmente a pretensão do contribuinte para afastar a decadência do direito, mas indeferiu o pedido de compensação por ausência de prova por parte do sujeito passivo. A ementa restou lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2006 DECADÊNCIA Quando se trata de crédito oriundo de ação judicial, o termo inicial para sua utilização é a data do transito em julgado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Demonstrando insatisfação com a decisão de primeiro grau, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário às fls. 278/282, com “preliminar de nulidade” do acórdão atacado, com fundamento no art. 16, § 4º do Decreto n.º 70.235/72, pois destaca que não se trata de falta de documentação, mas sim de sua “suposta” insuficiência. Vale lembrar a redação do ar 16 do Decreto n.º 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 Além do que, a decisão afirma laconicamente que a empresa encaminhou documentos às fls. 212/263, com os quais não foi possível a apuração do crédito e questiona por qual motivo não foi possível a apuração com base na documentação apresentada. Logo, segundo as razões de recurso, a falta de resposta a esse questionamento evidencia a ausência de motivação e fundamentação do acórdão a apontar sua patente nulidade. Sustenta ainda que é dever do julgador instaurar a fiscalização para suprir a insuficiência de provas e não transferir o ônus da prova ao contribuinte, uma vez que é dever do Fisco apurar os fatos, por força do art. 142 do CTN. Neste sentido, transfere para a Fazenda Nacional o ônus de apurar a materialidade do crédito em questão. Já no mérito, sublinha que o contribuinte trouxe aos autos os balancetes para demonstrar contabilmente a reapuração da base de cálculo, conforme decisão judicial. Com efeito, menciona que após a decisão judicial a empresa tem direito a excluir da base de cálculo receitas provenientes de variação monetária, variação cambial, operações com renda fixa, fundo de aplicações financeiras e outras receitas financeira e cita as respectivas contas contábeis. Afirma que as planilhas anexas às fls. 385/391 e os balancetes já juntados anteriormente, demonstram a diferença entre o valor de PIS e COFINS recolhido (com base na receita bruta e o valor de PIS e COFINS devido sobre o faturamento, ou seja, excluindo receitas nos termos da decisão judicial e que essa diferença representa exatamente o recolhimento indevido utilizado nas compensações em questão. O contribuinte reconhece em seu recurso que em alguns meses o valor do recolhimento indevido que decorre dos balancetes é menor 'do que o recolhimento indevido demonstrado nas DCOMP's. Porém, por outro lado, lembra que em outros meses os balancetes demonstram um valor de recolhimento indevido maior do que o utilizado na DCOMP. Ao final requer o acolhimento da preliminar para que seja declarada a nulidade do acórdão recorrido, por ausência de fundamentação ou ausência de prova para negar o direito creditório. Não sendo acolhida a preliminar, deseja o contribuinte que os autos sejam encaminhados para a realização diligência a fim de que seja apurado o crédito. Por derradeiro, subsidiariamente, pleiteia a reforma da decisão para que seja reconhecido o direito de crédito no limite dos valores dos recolhimentos indevidos demonstrados por meio dos balancetes, inclusive com utilização dos valores de recolhimentos indevidos demonstrados a maior do que o informado nas DCOMP's, homologando as compensações quanto aos valores demonstrados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e por isso preenche os pressupostos de admissibilidade. Conforme se observa dos autos, o núcleo da lide está em se apurar se os documentos apresentados pelo contribuinte e anexo às fls. 212/214, bem como as planilhas às Fl. 882DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10670.000697/200683 Acórdão n.º 380302.695 S3TE03 Fl. 395 5 fls. 385/391, trazidas ao processo após a decisão de primeiro grau, constituem documentos hábeis e suficientes para a apuração do direito creditório. Outra preocupação é analisar se a Intimação 010/2009, anexa às fls. 205, foi devidamente cumprida pelo contribuinte com a apresentação dos documentos às fls. 212/214. Na Intimação n.º 010/2009, o contribuinte foi instado a juntar demonstrativo da base de cálculo do PIS e COFINS e os registros contábeis que comprovassem o faturamento em determinados meses, bem como registros contábeis das receitas excluídas da base de cálculo do PIS e COFINS e registros contábeis das compensações e créditos de pagamentos indevidos ou a maior reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado em 02/02/2006. Entretanto, analisando os documentos apresentados pelo contribuinte no atendimento da Intimação n.º 010/2009, verificase que de fato este deixou de atendêla a contendo, pois se limitou a apresentar balancete do período às fls. 217/262. Justamente em razão da falta de prova, por parte do contribuinte, a decisão de primeiro grau manifestouse pelo indeferimento do pedido de compensação pleiteado, por compreender que compete ao interessado constituir prova de seu direito, nos termos do art.16 do Decreto n.º 70.235/72. Neste aspecto, não assiste razão ao contribuinte no tocante a preliminar de nulidade da decisão “a quo”, tendo em vista que a esta está devidamente fundamentada. Destarte, se não foi reconhecido o seu direto creditório, tal fato decorreu da inércia do Recorrente em não ter apresentado os demonstrativos da base de cálculo dos PIS e COFINS, quando intimado, bem como em razão de que os balancetes não espelharem com precisão e a clareza que o caso exige, as receitas que devem ser excluídas da incidência das contribuições. Assim, rejeito a preliminar suscitada. Já em relação ao mérito, verificase que o contribuinte deseja a reforma da decisão “a quo” para que seja reconhecido o direito de crédito no limite dos valores dos recolhimentos indevidos demonstrados por meio dos balancetes, inclusive com utilização dos valores de recolhimentos indevidos demonstrados a maior do que o informado nas DCOMP's, homologando as compensações quanto aos valores demonstrados. Em relação a este pedido, creio que o correto não seja deferir o pedido em relação ao recolhimento a maior realizado durante dado período, mas sim encaminhar os autos para diligência. Assim, o Fisco poderá se manifestar a respeito das planilhas anexadas aos autos às fls. 385/391, uma vez que estes documentos vieram aos autos após a decisão da DRJ e até a presente data não consta não há qualquer explanação a tal respeito e ainda oportunizar ao contribuinte que traga aos autos outras provas que entenda necessária. A diligência é medida que se impõe neste caso, pois o Recorrente socorreuse ao Poder Judiciário para que este reconhecesse seu direito a ser tributado na exata medida em que a Constituição Federal apregoa e agora por meio do presente processo administrativo objetiva somente tornar concreto o seu direito. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 Deste modo, embora o Decreto n.º 70.232/72 exija que o contribuinte apresente as provas em que se baseia o seu direito, por outro lado, em com fundamento no princípio da verdade real e da ampla defesa, voto pela diligência. Ante o exposto, dou provimento parcial ao apelo para encaminhar os autos para diligência, a fim de que a fiscalização se manifeste a respeito das planilhas juntadas às fls. 385/391 e seja oportunizado ao contribuinte anexar outros elementos probatórios, principalmente porque há indícios de que integrou a base de cálculo das contribuições receitas advindas de aplicações financeiras e outras receitas. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern . Considerando (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), e (iii) que o valor total dos débitos objeto das Dcomps de que se trata montam a R$ 1.521.152,66 (um milhão, quinhentos e vinte e um mil, cento e cinquenta e dois reais e sessenta e seis centavos, fl. 142 do volume 1), voto pelo não conhecimento do recurso de ofício, declinandose a competência para seu julgamento às turmas ordinárias da 3ª Câmara desta 3ª Seção. Sala de sessões, em 22 de março de 2012 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10670.000697/200683 Acórdão n.º 380302.695 S3TE03 Fl. 396 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10670.000697/200683 Interessada: MAGNESITA S.A. À SEJUL da 3ª Seção, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 22 de março de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 885DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 35464.003279/2006-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2000
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, não há comprovação de pagamento parcial realizado, motivo da negativa de provimento do recurso do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2000 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, não há comprovação de pagamento parcial realizado, motivo da negativa de provimento do recurso do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, não há comprovação de pagamento parcial realizado, motivo da negativa de provimento do recurso do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 32 79 /2 00 6- 12 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.003279/200612 Acórdão n.º 9202003.168 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0405, interposto pelo Sujeito Passivo contra acórdão, fls. 0385, que decidiu dar provimento parcial a seu recurso voluntário, nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2000 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT — PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. 0 ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Urna vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago D´Avila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, § 4º do CTN. Quanto à parcela não decadente, por maioria de votos, foi negado provimento ao recurso nos termos do voto do Conselheiro Relator. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre qual regra decadencial expressa no CTN, deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que há decisão que diverge sobre a expressa no acórdão recorrido, devendo ser aplicada a regra do Art. 150 do CTN e pede o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0473, deuse seguimento ao recurso especial. A PGFN apresentou suas contra razões, fls. 0476, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida, pois perfeita, já que não há demonstração de recolhimentos parciais efetuados pelo sujeito passivo. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.003279/200612 Acórdão n.º 9202003.168 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O litígio em questão versa sobre qual regra decadencial, expressa no CTN, deve ser aplicada ao caso. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 14DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.003279/200612 Acórdão n.º 9202003.168 CSRFT2 Fl. 5 7 Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Destaquese que o recurso foi protocolado em dezembro de 2011, após, portanto, o recurso repetitivo e a alteração regimental, mas, mesmo assim, não há nos autos comprovação de recolhimentos parciais efetuados. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 16DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003484/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto ex-empregados
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCONTOS EFETUADOS DE FORMA PARCIAL. INFRAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Para que reste configurada a infração a ser imputada nos casos em que o contribuinte deixa de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes nos valores que lhe são pagos de remuneração, faz-se necessário que tenha o sujeito passivo deixado de arrecadar a totalidade das contribuições devidas e não apenas parte delas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto ex-empregados DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCONTOS EFETUADOS DE FORMA PARCIAL. INFRAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Para que reste configurada a infração a ser imputada nos casos em que o contribuinte deixa de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes nos valores que lhe são pagos de remuneração, faz-se necessário que tenha o sujeito passivo deixado de arrecadar a totalidade das contribuições devidas e não apenas parte delas. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Igor Araújo Soares Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 318 1 317 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003484/201057 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.022 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto exempregados DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCONTOS EFETUADOS DE FORMA PARCIAL. INFRAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Para que reste configurada a infração a ser imputada nos casos em que o contribuinte deixa de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes nos valores que lhe são pagos de remuneração, fazse necessário que tenha o sujeito passivo deixado de arrecadar a totalidade das contribuições devidas e não apenas parte delas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 84 /2 01 0- 57 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003484/201057 Acórdão n.º 2401003.022 S2C4T1 Fl. 319 3 Relatório Trata o presente auto de infração de obrigação acessória, lavrado sob o n. 37.308.8523, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 30, I, “a” da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, I, “g” do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços. Conforme descrito no Relatório Fiscal do AIOP (fls. 08 a 10 a Companhia têm como atividade preponderante a comercialização varejista e atacadista de produtos alimentícios, artigos de bazar, vestuário, eletroeletrônicos e outros produtos, atuando através de diversos formatos a saber: hipermercados, supermercados, lojas especializadas, lojas de departamentos, lojas de conveniência e por meio da Internet. O contribuinte foi cientificado em 26/05/2009, através de Termo de Início da Ação Fiscal, expedido nos termos do parágrafo único do artigo 49 , da Portaria RFB n.e 11.371, de 12/12/2007 (DOU de 20/12/2007), de encontrarse sob ação fiscal e, intimado, nos termos do disposto nos artigos 910 a 922, 927 e 928 e seus parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo decreto 3.000 de 26/03/99, a apresentar os documentos e a prestar os esclarecimentos e as informações solicitadas referentes ao período de 01/2006 a 12/2009, sob pena de autuação. Foi constatado que o contribuinte efetuou diversos pagamentos de verbas salariais (participações nos resultados) sem os devidos registros nas folhas de pagamentos do período de 01/2006 a 12/2009, e, portanto, em desacordo com o inciso I, do artigo 32, da Lei 8.212/91. Esses pagamentos, referentes a parcelas não inclusas entre as nãointegrantes do saláriodecontribuição, conforme o § 9 do art. 28 da Lei n.B 8.212/91, foram efetuados por meio de créditos nas contas de um seleto grupo de funcionários participantes de um plano corporativo de previdência complementar contratado com a seguradora ITAÚ UNIBANCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, CNPJ 92.661.388/000190, no período de 01/2006 a 12/2009. Restou comprovado após análise da documentação apresentada —dados fornecidos pela seguradora Itaú Unibanco, Folhas de Pagamento, Regulamento do Programa de Participação nos Resultados, Livros Diário e Razão e Declarações do Imposto de renda na Fonte (DIRF) — que os valores referentes às participações nos resultados pagas a 863 funcionários foram efetuados por meio de contribuições ao referido plano de previdência e não transitaram pelas folhas de pagamento (vide tabela abaixo). Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 02/10/2010. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 18 a 41. Foi exarada a Decisão de Primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 212 a 226. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 ASSUNTO: OBRICAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. . Constitui infração a empresa deixar da arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço. Art. 30, inciso I, "a", da Lei 8.212/91 e Art. 4°,da lei 10.666/99 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriodecontribuição do empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, I, da Lei 8.212/91 e art. 214, I, do Decreto 3.048/99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o saláriodecontribuição as verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a legislação correlata, recebendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades (terceiros). Art. 28, § 9o , " j " , da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9o , X, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040/99. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os créditos constituídos em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias, sujeitamse aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) incidentes sobre o valor da multa aplicada RELATÓRIO DE VÍNCULOS O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3 a do art. 4 e da Lei n a 6.830/80. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 268 a 283, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Preliminarmente, nulidade da autuação considerando que Pelo simples exame do Termo de Verificação Fiscalentre outras citações constantes do Termo os AFRFB afirmam categoricamente que, selecionaram e entrevistaram 5 (cinco) EXEMPREGADOS da empresa, com o objetivo de "obter informações" a respeito do plano de previdência da Seguradora Itaú Unibanco Vida e Previdência. Com base nessa entrevista unilateral e preparada, os agentes do fisco entenderam que estava comprovada toda a "engenharia" que montaram para impor à Recorrente as contribuições previdenciárias lançadas na "fiscalização previdenciária" anterior, bem como a penalidade aplicada por meio do presente Al, conexa e relacionada com a anterior, que diz respeito à suposta infração cometida pela empresa. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003484/201057 Acórdão n.º 2401003.022 S2C4T1 Fl. 320 5 2. Acrescentese, por oportuno, que os depoimentos dos exempregados "escolhidos" pela fiscalização como essenciais para a fundamentação do Al, se apresentam, no mínimo, frágeis e tendenciosos, até mesmo pela própria situação de exfuncionários da empresa, além do inconstitucional procedimento adotado pelo fisco, de não intimar a Recorrente para exercer o legítimo princípio do contraditório no curso da inquirição e nem mesmo permitindo aos depoentes que se fizessem acompanhar de advogados. 3. Conforme já exposto nos itens acima, os AFRFB utilizaramse de argumentos frágeis e provas testemunhais unilaterais e preparadas, sem assegurar a ampla defesa e o contraditório à empresa, para chegar à falsa conclusão de que os pagamentos feitos aos seus empregados a título de participação nos lucros e resultados por meio de contribuições extraordinárias para participação destes no plano de benefícios de previdência da "Seguradora Itaú Vida e Previdência", caracterizamse como parcelas de natureza salarial. 4. Observese que esse plano está em conformidade com a Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001 e funcionando de acordo com todas as normas regulamentares legalmente previstas pelo Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC), Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), por delegação de competência oriunda da Lei Complementar n° 109, de 2001, conforme citações constantes do Anexo 37 deste auto de infração. 5. Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. 6. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, por meio de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. 7. Com efeito, ao contrário do que afirma a fiscalização, todos os requisitos previstos na legislação acima apontada foram cumpridos. De início, cumpre esclarecer que a Recorrente e os empregados optaram por fazer negociação coletiva por meio de "Acordo Nacional de Participação nos Resultados", celebrado com o Sindicato dos Empregados do Comércio de São Paulo, exatamente nos termos do artigo 2o , inciso II, da Lei n° 10.101, de 2000. 8. Ora, conforme já sobejamente demonstrado na impugnação relativa ao processo n° 19515.003483/201011, pelas mesmas razões (exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de PLR, tidos como verbas de natureza salarial pela fiscalização), observase que os agentes fiscais extrapolaram as suas atribuições e efetuaram lançamento com suporte em "requisitos" que eles mesmos criaram, fazendo exigências além daquelas previstas na Lei n° 10.101, de 2000, que a própria lei que lhes dá amparo para a tipificação da natureza jurídica dos pagamentos do PLR (Lei n° 8.212. de 1991, art. 28, § 9°, alínea "i"), remete a definição dos requisitos para a lei específica. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 9. Todas as informações, detalhes e especificações (não exigidas pela Lei n° 10.101, de 2000), denominadas "Programas de PLR", foram amplamente divulgadas aos empregados, assim como as metas a serem alcançadas e a quem eram aplicáveis, tudo de acordo com as diretrizes estabelecidas nos Acordos de PLR, de forma transparente, que os AFRFB tiveram acesso e, inclusive, se referiram a eles (Programas de PLR) no Termo de Verificação Fiscal. 10. Não se pode, contudo, admitir a interferência da fiscalização no conteúdo dos Acordos, que as partes (empresa e sindicato de empregados) livremente pactuaram em conformidade com a lei específica que disciplina a matéria, pois tornaria as disposições legais criadas por determinação da Constituição Federal, art. 7o , inciso XI, letra morta. 11. A participação nos resultados também consta do acordo, consistindo em um pagamento anual e será feito conforme o grau alcançado na análise de desempenho individual ou por equipes, de acordo com procedimentos e critérios da empresa. 12. Acrescentese que, as metas e os objetivos mais específicos não constaram por escrito dos acordos porque são dados sigilosos que não podiam ser expostos para o público externo, mas que seus empregados foram cientificados das metas e objetivos a serem alcançados, fato notório e divulgado internamente pela empresa. 13. Por outro lado, em todos os Acordos Coletivos constou previsão expressa para pagamentos superiores ao teto estabelecido, estando assim redigidos os dispositivos pactuados. 14. Destaquese, ainda, que a Lei n° 10.101 de 2000 não proíbe o pagamento da PLR com assentimento dos empregados, por meio de depósitos em plano de previdência. 15. Quanto à afirmação de que os pagamentos efetuados à Seguradora Itaú Vida e Previdência não transitaram pelas folhas de pagamento, é óbvio que, por se tratarem de aportes que poderiam ou não se converter em planos de benefícios de previdência, dependendo da opção que cada beneficiário desse ao seu quinhão, não poderiam integrar a folha de pagamento, dada a sua natureza. Ademais, o fato da PLR ter sido paga por meio de conta de previdência privada, não tem o condão de alterar a natureza jurídica de verba nãosalarial. 16. Por outro lado, quando os agentes fiscais afirmam que para alguns empregados que receberam o PLR por meio de depósitos na Seguradora, não foi respeitado o § 2o do art. 3o da Lei n° 10.101, de 2000, nenhuma razão lhes assiste visto que, conforme mencionado na defesa do Al relativo ao processo n° 19515.003483/201011, parte dos depósitos não se tratam de PLR e sim de esporádicas gratificações liberais ou bônus de contratação, que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão pela qual não podem ser consideradas no cômputo da semestralidade previsto no dispositivo citado. Acrescentese, ainda, que os Auditores não apontaram especificamente estes casos, o que torna imponderável a contestação. 17. Assim, a Recorrente, visando assegurar a sua função social, realizou, com a concordância de seus empregados, os pagamentos por meio de depósitos junto ao Plano de Previdência Privada. Não obstante os argumentos expendidos, ainda que não se entendesse que os pagamentos fossem relativos ao PLR, que a Lei n° 8.212, de 1991, artigo 28, § 9o , alínea "j", exclui da base de cálculo das contribuições previdenciárias, as verbas, forçosamente, deveriam ser enquadradas na hipótese de exclusão prevista na alínea "p" do mesmo parágrafo 9o , que dispõe que não integra o saláriodecontribuição "o valor das Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003484/201057 Acórdão n.º 2401003.022 S2C4T1 Fl. 321 7 contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da CLT." 18. Em todos os pagamentos efetuados a título de PLR, observouse, rigorosamente, a semestralidade exigida pela Lei n° 10.101, de 2000. Observese que, parte dos pagamentos efetuados nas contas de previdência privada não se referem a PLR e sim à gratificações liberais e bônus de contratação relativos a profissionais extremamente qualificados circunstância comum no mercado de trabalho de Executivos. Esses pagamentos não têm natureza salarial e, portanto, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 19. Não obstante, e tendo em vista o princípio da eventualidade, a Recorrente requer desde já que, na remota hipótese de Vossas Senhorias entenderem que esses pagamentos foram feitos a título de PLR, que sejam apenas eles mantidos no presente Al, excluindo todos os outros. 20. Quanto à suposta natureza remuneratória dos pagamentos efetuados a título de gratificações e bônus de contratação que, a juízo da Turma Julgadora (item 4.48 do acórdão proferido no processo n° 19515.003483/201011), não merecem qualquer reparo, nenhuma razão lhes assiste visto que, além de não compor a base de cálculo das contribuições, no Anexo de Fundamentos Legais não consta especificamente, a legislação infringida nesse particular. 21. A fiscalização alegou em suas razões, que a Recorrente revelou a evidente intenção de sonegar contribuições previdenciárias e IRRF ao não incluir nas declarações tributárias (DIRF e GFIP), nas folhas de pagamentos e acordos os valores pagos; ao deixar de efetuar lançamentos contábeis em títulos não próprios e, principalmente, os depoimentos dos exempregados. 22. Ora, a fraude, o dolo e a simulação não podem ser definidos por mera presunção. Para a sua caracterização, a autoridade deve apresentar provas concretas e obtidas de forma legal e com respeito à ampla defesa e o pleno exercício do contraditório. Na vertente hipótese, como já mencionado anteriormente na preliminar de cerceamento de defesa, os AFRFB se basearam, principalmente (vide Termo de Verificação Fiscal), nos ilegais depoimentos dos exempregados, colhidos de forma ilegal e sem assegurar o contraditório à empresa. 23. Como então caracterizar o evidente intuito de fraude, se a própria fiscalização alega que a empresa também forneceu os documentos e as informações que serviram de base para o lançamento? 24. A jurisprudência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) entende, de forma reiterada, que não basta a existência de indícios da ocorrência de dolo, devendo ser comprovada de forma inequívoca a conduta atípica do sujeito passivo. 25. Por essas razões, a Recorrente requer o acolhimento das preliminares suscitadas e, na inconcebível hipótese de não ser acatada, que essa d. Turma Julgadora, pelos fundamentos de mérito, decida pela total improcedência do presente auto de infração, Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 pelos fundamentos arrolados nos itens 2.1 a 2.2 visto que, sendo Indevida a obrigação principal, a acessória também é. 26. 3.2. Caso V. Senhorias, em. julgadores, não decidam pelo acolhimento total do mérito, nos termos dos itens 2.1 e 2.2, que o acolham em parte, conforme fundamentos de fato e de direito expostos no item 2.3. 27. Portanto, requer desde já, O CANCELAMENTO DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, visto que toda a remuneração dos segurados foi incluída nas folhas de pagamento apresentadas à fiscalização. 28. Os valores pagos a título de PLR, de acordo com a Lei n° 10.101, de 2000, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e, por consequência, a suposta obrigação acessória pelo fato da não inclusão dessa verba nas folhas de pagamento não deve prevalecer. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003484/201057 Acórdão n.º 2401003.022 S2C4T1 Fl. 322 9 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 298. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura da NFLD ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. O fato de a autoridade fiscal, ter entrevistado exempregados da autuada, de modo a identificar pagamentos, ou mesmo identificar salários indiretos não nulidifica o lançamento. Pelo contrário a autoridade fiscal tem a prerrogativa de diligênciar, sempre que entender necessário na busca de fatos que possam melhor esclarecer como se dava a prestação de serviços. No caso, a entrevista não consubstanciou o lançamento, muito menos houve arbitramento de base de cálculo, como base nas entrevista. O que se identificou, foi o aporte de recursos a entidades de previdência privada complementar, tendo por meio de auditoria nas contas da autuada e de processo de diligência junto ao Banco Itau, identificado a autoridade fiscal, diversos desembolsos por parte da autuada em benefício de determinados empregados de nível gerencial. Assim, as entrevistas serviram tão somente para identificar a existência dos pagamentos, mas, a apuração dos mesmos deuse na forma devida, qual seja, auditoria nas contas contábeis da autuada e apuração junto a instituição financeira Itaú, que recebia e repassava os aportes de recursos aos empregados nos cargos de direção. Ademais,, a própria empresa em sua impugnação argumenta que os valores descritos nas contas contábeis consistem em pagamentos de PLR. As informações fornecidas nas entrevistas foram descritas pelo autoridade lançadora, que indicou todas as contas onde encontrou os valores ora lançados. Assim, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco nulidade da autuação. Da mesma forma, entendo desnecessário Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços, conforme previsão no art. 30, inciso I da Lei n ° 8.212/1991. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; A exigência da fiscalização não foi desmedida, pois em sendo caracterizado o pagamento de salário indireto, deveria a empresa ter procedido ao desconto e recolhimento da contribuição do segurado a ela vinculado.. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da AIOP que indicou os fatos geradores, Processo n. 19515003483201011 (patronal) em julgamento nessa mesma sessão. Vejamos ementa do acordão proferido referente a parcela patronal, devendo ambos serem observados para recalculo da multa, considerando a procedência parcial dos mesmos. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – SEGURADOS EMPREGADOS – PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR – NATUREZA SALARIAL – NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES No caso dos benefícios de “previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS – DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS – ESTIPULAÇÃO AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003484/201057 Acórdão n.º 2401003.022 S2C4T1 Fl. 323 11 Não demonstrou o recorrente que as metas foram acordadas pela comissão de empregados, o que fere o disposto na lei 10.101. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, em periodicidade superior ao permitido em lei, e em valores superiores ao acordado, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. BÔNUS DE PERMANÊNCIA – GRATIFICAÇÕES E PRÊMIOS – PAGAMENTO POR LIBERALIDADE – NATUREZA SALARIAL O pagamento de bônus ou gratificações possuem nítida natureza salarial, uma vez que pagos em decorrência do atingimento de metas, ou mesmos de pactos realizados em decorrência de contratos de trabalho. MULTA – QUALIFICADA – COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE OMITIR BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Demonstrou a autoridade fiscal os elementos fáticos que demonstraram a intenção de omitir base de cálculo de contribuições previdenciárias. TERCEIROS – COMPETÊNCIA DA AUDITORIA PREVIDENCIÁRIA A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto exempregados Recurso Voluntário Negado Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois deixou de arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade, e para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003484/201057 Acórdão n.º 2401003.022 S2C4T1 Fl. 324 13 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator Designado Em que pesem as bem lançadas razões de decidir da Eminente Relatora, ouso dele divergir no presente caso quanto ao mérito. Sobre o assunto, tenho linha de entendimento diferente no que se refere a configuração ou não da ocorrência da infração imputada ao recorrente. Compartilho do entendimento no sentido de que para a configuração da infração indicada na aliena “a” do inciso I do art. 30 da Lei 8.212/91 é necessário que se apure que a recorrente nada tenha arrecadado a título de contribuição dos segurados. Vejamos o que dispõe referido artigo de Lei: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Da leitura do dispositivo, dele depreendo que em se tratando da imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, há que ser prevista uma conduta que deverá ser considerada como cumprida ou descumprida pelo sujeito passivo da obrigação tributária para que então possa vir a ser materializado o descumprimento à norma. E no presente caso a legislação impõe ao sujeito passivo a obrigação de “arrecadar” contribuições previdenciárias mediante desconto nas remunerações de seus segurados empregados, sem, no entanto, apontar expressamente que tal conduta a obrigue ao desconto da totalidade das contribuições devidas, sobretudo em casos como o presente, no qual se trata do lançamento de verbas que não eram consideradas pela recorrente como bases de cálculo de contribuições previdenciárias. Logo, em meu entendimento, somente se o legislador tivesse utilizado a expressão “arrecadar a totalidade das contribuições...”, como de fato tal expressão é utilizada em outros artigos seja da Lei 8.212/91, como em artigos do próprio Decreto 3.408/99, é que estaria materializa a infração pela falta de arrecadação, agora, integral. Há de se notar que no presente caso, tratase de casos nos quais o fiscal apurou que a recorrente efetuava os descontos das contribuições da remuneração paga aos seus segurados empregados, notadamente sobre as verbas que considerava faziam parte de seu salário de contribuição. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Interessante trazer à lume a necessária menção do relator a tal fato: Um ponto a ser esclarecido inicialmente é que a falta de arrecadação da contribuição dos segurados deuse apenas em relação as verbas acima tratadas, donde se conclui que a empresa efetuou desconto em relação aos valores que entendeu estarem incluídos na base de cálculo previdenciária. Também há de se ressaltar que o Fisco levou em conta o limite legal do saláriodecontribuição para fins de calcular a contribuição dos segurados, conforme se depreende do processo em que é exigida a referida contribuição. Por tais motivos é que peço vênias ao eminente relator, para DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado d igitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904397/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 97 /2 01 2- 11 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904397/201211 Acórdão n.º 3801003.211 S3TE01 Fl. 92 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904397/201211 Acórdão n.º 3801003.211 S3TE01 Fl. 93 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/03/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2004 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904397/201211 Acórdão n.º 3801003.211 S3TE01 Fl. 94 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904397/201211 Acórdão n.º 3801003.211 S3TE01 Fl. 95 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904397/201211 Acórdão n.º 3801003.211 S3TE01 Fl. 96 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904397/201211 Acórdão n.º 3801003.211 S3TE01 Fl. 97 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10980.004430/2008-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002
Ementa:
À Primeira Seção de Julgamento do CARF cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, quando houver procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Numero da decisão: 3402-001.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declinar competência para 1ª Seção de Julgamento do CARF.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
EDITADO EM: 03/04/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declinar competência para 1ª Seção de Julgamento do CARF. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto EDITADO EM: 03/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 44 30 /2 00 8- 23 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.004430/200823 Acórdão n.º 3402001.809 S3C4T2 Fl. 396 2 Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte identificado responsável tributário da extinta PORTÃO GOLDEN BINGO, foram lavrados os autos de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 429/438), no qual se exige o recolhimento de R$ 10.243,29 de PIS, R$ 7.682,37 a título de multa de lançamento de ofício (75%), além dos acréscimos legais; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 439/449), no qual se exige o recolhimento de R$ 50.851,57 de Cofins, R$ 38.138,61 a título de multa de lançamento de ofício (75%), além dos acréscimos legais. Os lançamentos foram motivados em virtude de diferença verificada entre os valores declarados em DCTF e os apurados como receita omitida (depósitos em conta corrente bancária não comprovados, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996) pela empresa Portão Golden Bingo, nos períodos de apuração de 01 a 12/2001 c de 01 a 12/2002, estando o enquadramento legal dado mencionado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 433, 434, 438 e 448). O Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 424/428) descreve a apuração das irregularidades e fornece a fundamentação da autuação, extraindose a seguinte síntese dos fundamentos ali mencionados. Tendo sido constituída em 27/12/2000, com o objetivo de administrar concursos de prognósticos, locação de jogos eletrônicos, promoção de eventos artísticos, restaurante e lanchonete, a empresa PORTÃO GOLDEN BINGO LTDA encontravase "extinta de fato" durante os trabalhos de fiscalização, porém, não procedeu à liquidação regular, não tendo apresentado a DIPJ relativa ao encerramento. Com base no art. 135. III. do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.l72 , de 1966 CTN) e de acordo com o art. 5° do Decretolei n° 1.598. de 1977, em caso de dissolução irregular, respondem pessoalmente pelos tributos devidos os sócios com poderes de administração, razão pela qual o lançamento foi efetuado sobre a pessoa física de Ricardo Haidar, que é o único sócio com poderes de administração, segundo a última alteração contratual registrada. Os lançamentos identificam também o sujeito passivo Samir Haidar como responsável solidário pelo crédito tributário, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 465), pelos seguintes motivos: a) foilhe outorgada procuração que lhe confere "gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar todos os bens. negócios, haveres e interesses do outorgante, (...)". inclusive a empresa Portão Golden Bingo Ltda e movimentar contas Fl. 516DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.004430/200823 Acórdão n.º 3402001.809 S3C4T2 Fl. 397 3 bancárias. Esta procuração faz parte dos documentos cadastrais da empresa junto ao Banco Sudameris; b) Samir Haidar praticou atos de gestão como emitir cheques pela empresa e outorgar poderes de movimentação da conta da empresa para a gerentefinanceira Kadige Haidar. Neste documento, Samir Haidar declarase "titular da conta corrente em nome da empresa Portão Golden Bingo Ltda'": e c) Samir Haidar era efetivamente do ramo de bingos. Foi sócio fundador e administrador da empresa Portão Entretenimento Ltda, cujo nome de fantasia era exatamente o mesmo nome de fantasia da empresa Portão Golden Bingo, ambas situadas no mesmo endereço cadastral e tendo as mesmas atividades como objeto social. Por sinal, Samir Haidar retirouse também daquela sociedade, cedendo suas cotas para as mesmas pessoas que também foram sócias desta, inclusive, a partir de 14/03/2002, o sóciogerente de direito Ricardo Haidar. Os lançamentos referemse a receitas presumivelmente omitidas em razão de existirem depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, conforme o art. 42 da Lei n° 9.430/96, demonstrados às fls. 396/423, e que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins, a teor do art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995. Consta que foram também lavrados autos de infração de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e Cofins no PAF n° 10980.004429/2008 07 e auto de infração de CSLL no PAF nº 10980.004431/2008 78. O contribuinte Ricardo Haidar foi cientificado Por Edital em 23/04/2008 (fl. 452), começando a correr o prazo para a apresentação da impugnação no dia seguinte, e o sujeito passivo solidário Samir Haidar foi cientificado pela via postal em 15/04/2008 (fl. 455). Irresignado, Samir Haidar, por intermédio de sua representante legal (fls. 462/463), apresentou a impugnação de fls. 458/461. em 12/05/2008, na qual insurgese contra a autuação expendendo os argumentos a seguir descritos em síntese. Ponderando sobre a impossibilidade da responsabilidade solidária como pretendida, diz que nem mesmo o STJ permite a inclusão dos sócios no pólo passivo por dívida da sociedade em ação executiva. Ressalta que sequer era sócio da empresa objeto da ação fiscal, muito menos a responsabilidade por instrumento de procuração pode estender a solidariedade pretendida. Argumenta que a desconsideração da personalidade jurídica só seria cabível se caracterizada a manipulação fraudulenta ou abusiva do instituto (Teoria Maior da Desconsideração), conforme o art. 50 do Código Civil. Entretanto, no caso em tela, não se aplica, pois o encerramento das atividades aconteceu de forma abrupta em razão de determinação legal e judicial, sem que a vontade do contribuinte concorresse para isso. Afirma que Fl. 517DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.004430/200823 Acórdão n.º 3402001.809 S3C4T2 Fl. 398 4 a procuração recebida do sócio Ricardo Haidar foi revogada (rectius. o mandato outorgado por meio da procuração), por telefone, antes de qualquer iniciativa fiscal. Ao final, menciona a distinção entre Representação e Mandato e requer a sua exclusão do pólo passivo, além da prescrição de todos os fatos geradores ocorridos entre 2000 e 2002. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0631502, de 04 de maio de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo, verbis: Assunto:Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 1991, por meio da Súmula Vinculante n" 8. editada pelo STF e observando o prazo qüinqüenal de decadência estabelecido no art. 173. I. do Código Tributário Nacional, pela inexistência de pagamento antecipado, cancelase a exigência cientificada ao sujeito passivo após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCLUSÃO DE SÓCIO NO PÓLO PASSIVO EM RAZÃO DO INADIMPLEMENTO. POSSIBILIDADE. Quando a responsabilização solidária não se fundamenta em mero inadimplemento, mas sim em um conjunto probatório suficiente a convencer que o sujeito era sócio e administrador de fato da empresa, com simulação nocente é possível a sua inclusão no pólo passivo da relação jurídicotributária. SOLIDARIEDADE PASSIVA E DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INSTITUTOS DIVERSOS. A desconsideração da personalidade jurídica c uma espécie de sanção pelo ato ilícito consistente no abuso da personalidade; enquanto a solidariedade c determinada pelo interesse comum na situação que constitui o fato gerador do tributo, independentemente de ter havido ato ilícito ou não. DESNECESSIDADE DE O FISCO PROCEDER À DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. A Administração Tributária não precisa desconsiderar a personalidade jurídica porque o ""terceiro" que iria ser responsabilizado em função da desconsideração não é um terceiro no que concerne à relação tributária, mas sim é seu integrante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.004430/200823 Acórdão n.º 3402001.809 S3C4T2 Fl. 399 5 Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, pedindo a procedência do recurso para que seja excluído da solidariedade passivo o Sr. Samir Haidar e afastar a exigência dos valores referentes ao crédito tributário relativo ao período de 12/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo a apreciálos. Para passarmos a análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foi observado os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Retornando aos autos, conforme relato da primeira instância, foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, onde se discutem as mesmas matérias aqui trazidas pela recorrente, inclusive, tendo por base os mesmos fundamentos jurídicos. O art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF define que é competência da Primeira Seção de Julgamento apreciar recursos que versem sobre a aplicação Fl. 519DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.004430/200823 Acórdão n.º 3402001.809 S3C4T2 Fl. 400 6 da legislação do PIS e da Cofins quando os fatos jurídicos que serviram para a apuração das exações forem conexos aos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ. Neste norte, em vista da conexão relatada, não conheço do recurso por se tratar de matéria de competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF. É como voto. Sala das Sessões, em 27/06/2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 520DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004021/2001-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1995
SEMESTRALIDADE DO PIS. APLICAÇÃO. SÚMULA 15 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF.
Devem ser respeitadas as decisões do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal que declararam a inconstitucionalidade dos Decretos nº 2445 e 2449, ambos de 1988, bem como e, por conseqüência lógica, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que reconheceu a manutenção da Lei Complementar 7/70 em sua plenitude, inclusive com a aplicação da semestralidade para cômputo da base de cálculo do tributo.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-002.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1995 SEMESTRALIDADE DO PIS. APLICAÇÃO. SÚMULA 15 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF. Devem ser respeitadas as decisões do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal que declararam a inconstitucionalidade dos Decretos nº 2445 e 2449, ambos de 1988, bem como e, por conseqüência lógica, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que reconheceu a manutenção da Lei Complementar 7/70 em sua plenitude, inclusive com a aplicação da semestralidade para cômputo da base de cálculo do tributo. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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APLICAÇÃO. SÚMULA 15 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. Devem ser respeitadas as decisões do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal que declararam a inconstitucionalidade dos Decretos nº 2445 e 2449, ambos de 1988, bem como e, por conseqüência lógica, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que reconheceu a manutenção da Lei Complementar 7/70 em sua plenitude, inclusive com a aplicação da semestralidade para cômputo da base de cálculo do tributo. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 40 21 /2 00 1- 51 Fl. 975DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedido de restituição apresentado em 16/06/01, com base em decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária nº 96.00161585. Em vista de o contribuinte requerer a restituição dos valores recolhidos indevidamente em razão da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.455/98 e 2.449/98 e do pedido ter sido protocolado posteriormente a outubro/00, data limite reconhecida por este tribunal para os contribuintes postularem este ressarcimento, ao julgar o Recurso Voluntário apresentado este D. Colegiado entendeu por bem indeferir o pleito da Recorrente entendendoo prescrito. Todavia, em virtude da omissão decorrente da desconsideração da existência de processo judicial, o contribuinte apresentou embargos de declaração. Ao revisar o voto proferido, esta Julgadora constatou que havia se omitido em relação a aspecto primordial ao julgamento do recurso, qual seja, à vinculação do pedido de restituição ao processo judicial nº 96.00161585. Em virtude deste fato e, na intenção de evitar maiores prejuízos ao contribuinte e à própria Fazenda Nacional, os embargos de declaração foram acolhidos para julgamento. Na sessão de 16 de fevereiro de 2013, esta Turma de Julgamento proferiu o acórdão no 3302001.958, por meio do qual reconheceu a existência de processo judicial, afastando, portanto, a decadência do pedido de restituição em decisão que restou da seguinte forma ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1995 PIS DECRETOS LEI 2445/88 E 2449/88 PROCESSO JUDICIAL APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo tribunal administrativo. O contribuinte não pode ser penalizado por escolher a “via de compensação mais gravosa”, em razão de demandar maiores procedimentos administrativos e viabilizar o total controle da fiscalização. Embargos Acolhidos.” Fl. 976DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.004021/200151 Acórdão n.º 3302002.558 S3C3T2 Fl. 11 3 De acordo com os termos da decisão embargada a matéria que estava em discussão no judiciário resumiase a: “Após analisar detidamente os autos, bem como as decisões judiciais acostadas (fls. 17/32 – inicial da ação ordinária; fls. 85/93 – sentença; fls. 97/100 – acórdão), constatei que (i) se trata de ação judicial que discute a inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88; (ii) o contribuinte requereu a restituição dos valores na forma da compensação ou da restituição por precatório; (iii) a ação foi julgada procedente, tendo sido deferido o direito à compensação com débitos de PIS, bem como a aplicação dos seguintes índices: OTN/ BTN/ INPC/ UFIR /SELIC; (iv) foi afastada a decadência e (v) não há discussão acerca da aplicação ou não da semestralidade à base de cálculo do PIS, apenas a menção à Lei Complementar 7/70. Em resumo, a decisão embargada reconheceu a existência da ação judicial e a vinculação do pedido de restituição/compensação à esta ação. Ocorre que a Procuradoria da Geral da Fazenda Nacional – PGFN, interpôs embargos de declaração (flse 969/971), alegando que o v. acórdão recorrido foi obscuro por que (i) reconheceu que a empresa possuía ação judicial, concluindo em razão deste fato pela inocorrência da decadência e (ii) ao mesmo tempo concedeu a semestralidade para o cálculo do crédito de PIS em virtude da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nº 2445/2449, ambos de 1988, alegação que não estava sub judice. Em síntese, a Procuradoria entendeu que por meio do Acórdão nº 3302 001.958, proferido em 26/02/2013, o pedido de compensação estava fundamentado na ação judicial. Todavia, a questão da semestralidade não foi levada ao judiciário, assim, se realmente estivesse pautado na decisão judicial, o pedido do contribuinte não poderia ter sido concedido com critério na semestralidade, sob pena de tratarse de novação, sendo que, nesta hipótese – novação – o pedido estaria prescrito. Aqui estaria a obscuridade. Para a concessão da semestralidade, seria necessário reconhecer a novação do pedido e, portanto, a sua prescrição. Na hipótese de vincularse o pedido à ação judicial, não seria possível conceder a semestralidade. Ao analisar os Embargos percebi que não havia obscuridade, mas omissão, realmente a questão da aplicação da semestralidade para o cálculo do crédito não está expressamente analisada no corpo do voto, apesar de constar expressamente do trecho expositivo do voto: “Ante o exposto, recebo os presentes Embargos de Declaração e os acolho para o fim de rerratificar o Acórdão nº 20179.382, alterando o resultado de julgamento então proferido para dar PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo o direito do contribuinte aos valores indevidamente recolhidos a título dos inconstitucionais Decretoslei nº 2445/88 e 2449/99, cujo crédito deverá ser apurado com a aplicação do critério da semestralidade à base de cálculo do tributo e dos índices monetários indicados no v. acórdão – fls. 98 – quais sejam: OTN/BTN/INPC/UFIR/SELIC. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Em virtude deste fato, apresentei minhas considerações de cabimento dos presentes Embargos. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, relatora Como relatado, os presentes embargos foram acolhidos apenas e tão somente para se tratar da questão da aplicação do critério da semestralidade na base de cálculo do crédito de PIS em comento. Conforme esclarecido no acórdão recorrido, a questão referente ao ponto em discussão não foi analisado expressamente nos autos do processo judicial “(v) não há discussão acerca da aplicação ou não da semestralidade à base de cálculo do PIS, apenas a menção à Lei Complementar 7/70.” De acordo com os termos da decisão judicial, realmente percebese que não houve análise expressa à questão da aplicação do critério da semestralidade para apuração da base de cálculo do crédito, verbis: Tópico final da sentença – fls. 93 “À vista do exposto e o mais que dos autos consta declaro, incidentalmente, a inconstitucionalidade dos DLs. 2445/88 e 2449/88, JULGANDO PROCEDENTE a ação e, em conseqüência, defiro o pedido de compensação, o que faço para condenar a Requerida à devolução dos valores pagos indevidamente pelo(a)(s) Autor(a)(es), os quais serão apurados ulteriormente em liquidação de sentença, deferindo o direito à compensação, nos moldes como autorizado pelo artigo 66, da Lei 8383/91, com débitos relativos a PIS – L.C. 07/70, créditos do autor que deverão ser corrigidos monetariamente da mesma forma que o critério utilizado pela Fazenda Nacional para atualização de seus créditos ...” A questão aqui é se a aplicação do critério da semestralidade pode ser concedida apenas no âmbito administrativo se não houver sido expressamente discutida na ação judicial. Entendo que sim. À época da interposição das ações judiciais, inclusive, esta matéria sequer era considerada controversa por contribuintes ou Fazenda Nacional, razão pela qual raramente foi objeto de decisão no âmbito dos processos judiciais. A aplicação do critério da semestralidade está pacificada em todos os tribunais, inclusive deste Tribunal Administrativo, tendo até mesmo se tornado súmula vinculante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme a Portaria MF n.º 383, publicada no DOU de 14/07/2010, a saber: Fl. 978DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.004021/200151 Acórdão n.º 3302002.558 S3C3T2 Fl. 12 5 “Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Indiscutível, portanto, que a contribuinte tem direito a ter aplicado, no cômputo do seu crédito, o critério da semestralidade à base de cálculo do tributo que era efetivamente devido à época, ainda que não tenha requerido na ação judicial. A impossibilidade estaria instaurada se a contribuinte houvesse solicitado esta forma de cálculo e perdido no âmbito judicial, o que claramente não ocorreu no presente caso. Ainda, imperioso esclarecer que o fato de o contribuinte pleitear a aplicação do critério da semestralidade não representa novação de pedido, o que deslocaria o início do prazo prescricional. Isso porque a decisão judicial não vedou a concessão do crédito desta forma, e a administração pública regularmente utiliza este método com todos os contribuintes. A não discussão no processo judicial decorre do fato de que não se tratava de matéria controversa. Ante o exposto, recebo os presentes Embargos de Declaração e os acolho para o fim de rerratificar o Voto do Acórdão nº 3302001.958, mantendo incólume o resultado de julgamento então proferido. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de março de 2014 (assinado eletronicamente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 979DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722711/2011-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
O lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL E DOLOSA DE RESTITUIÇÃO.
A apuração pelo Fisco de deduções indevidas de despesas, pleiteadas em declarações de rendimentos, de forma reiterada em vários exercícios, com o objetivo de receber restituições indevidas, caracteriza o ilícito tributário e justifica o lançamento de oficio sobre os valores subtraídos da base de cálculo do imposto.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE
A dedução reiterada, na Declaração de Rendimentos a título de despesas, que o contribuinte sabe inexistentes, caracteriza evidente intuito de fraude e legitima a exasperação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL E DOLOSA DE RESTITUIÇÃO. A apuração pelo Fisco de deduções indevidas de despesas, pleiteadas em declarações de rendimentos, de forma reiterada em vários exercícios, com o objetivo de receber restituições indevidas, caracteriza o ilícito tributário e justifica o lançamento de oficio sobre os valores subtraídos da base de cálculo do imposto. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A dedução reiterada, na Declaração de Rendimentos a título de despesas, que o contribuinte sabe inexistentes, caracteriza evidente intuito de fraude e legitima a exasperação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
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TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL E DOLOSA DE RESTITUIÇÃO. A apuração pelo Fisco de deduções indevidas de despesas, pleiteadas em declarações de rendimentos, de forma reiterada em vários exercícios, com o objetivo de receber restituições indevidas, caracteriza o ilícito tributário e justifica o lançamento de oficio sobre os valores subtraídos da base de cálculo do imposto. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A dedução reiterada, na Declaração de Rendimentos a título de despesas, que o contribuinte sabe inexistentes, caracteriza evidente intuito de fraude e legitima a exasperação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 27 11 /2 01 1- 61 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 332 2 Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4a Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Para o contribuinte identificado no preâmbulo foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF/Brasília (DF), o Auto de Infração de fls. 74/97, referente ao imposto de renda pessoa física dos exercícios 2007, 2008, 2009 e 2010. O crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto... 86.209,43 Juros de Mora (calculados até 05/2011)... 22.460,58 Multa Proporcional (passível de redução)... 129.314,16 Valor do Crédito Tributário Apurado... 237.984,17 No decorrer da ação fiscal foram emitidos Mandado de Procedimento Fiscal, Termo de Início de Fiscalização e Termo de Reintimação Fiscal, todos devidamente notificados ao contribuinte. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 89/95, consta que a presente ação fiscal foi levada a efeito em decorrência de investigação realizada pelo Escritório de Pesquisa e Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 333 3 Investigação da 1ª Região Fiscal (ESPEI/1ª RF), fls. 24/31, onde se observou indício de fraudes reincidentes em Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física de determinados contribuintes. Os contribuintes envolvidos teriam sido clientes de um grupo de contadores e consultores tributários – constituído por Wesley Carvalho Amaral, Eurípides Furtado de Oliveira, Cristino de Carvalho Silva e Luis Cláudio Sousa Gonçalves. Referido grupo instruía seus clientes a transmitir as declarações informando despesas dedutíveis falsas (principalmente planos de saúde, previdência privada e instrução), com o intuito de incrementar os valores de imposto a restituir. A pedido do Ministério Público Federal, foi expedido Mandado de Busca e Apreensão pelo Juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. No cumprimento do referido mandado, foram apreendidos equipamentos e documentos, sendo elaborado pelo Setor Técnico Científico da Polícia Federal uma lista de CPF e nomes cujos arquivos eletrônicos das declarações transmitidas constavam nos computadores de Luis Cláudio de Sousa Gonçalves. Para os contribuintes constantes da lista mencionada no parágrafo anterior, cujas declarações apresentaram indícios de irregularidades, foram expedidos Mandados de Procedimento Fiscal, incluindo o que deu origem a esta ação fiscal. A autoridade lançadora assenta que, intimado, o fiscalizado nada apresentou para comprovar as deduções informadas em suas declarações. Também foi diligenciada a pessoa jurídica Bradesco Vida e Previdência, suposta beneficiada com pagamentos de despesas de previdência privada, a qual negou o recebimento de quaisquer valores pagos pelo contribuinte, fl. 92. Com efeito, depois de apreciados os documentos apresentados e as demais informações obtidas por meio de circularização, as seguintes infrações foram constatadas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 75/78, 90/93 e 96/97. 001 – Dedução indevida de Previdência Privada/FAPI Exercício Valor R$: 2007 17.000,00 2008 17.340,00 2009 20.938,50 2010 16.678,30 002 – Dedução indevida de Dependente Exercício Valor (R$) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 334 4 2007 7.581,60 2008 4.753,80 2009 4.967,64 2010 3.460,80 003–Dedução indevida de Despesas Médicas Exercício Valor R$ 2007 20.400,00 2008 20.029,00 2009 27.050,20 2010 18.840,80 004 – Dedução indevida de Pensão Alimentícia Judicial 005 – Dedução indevida de Despesa com Instrução Da Multa ta Qualificada de 150% e da Representação Fiscal Para Fins Penais Foi aplicada a multa de ofício de 150% e lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, uma vez que os fatos verificados no curso da fiscalização, como a apresentação reiterada de declarações com deduções fictícias, visando restituições indevidas, demonstraram práticas que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Exercício Valor R$ 2007 21.000,00 2008 22.800,00 2009 25.200,00 2010 30.350,00 Exercício Valor R$ 2007 11.869,20 2008 7.441,98 2009 10.369,16 2010 5.417,88 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 335 5 A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme acórdão de ( fls.291/308numeração digital), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. No caso do Imposto de Renda, quando houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Configurada a prática de fraude, o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE (PARCIAL), DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL) E PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo sujeito passivo. DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DEPENDENTE, DESPESAS MÉDICAS, PENSÃO JUDICIAL E INSTRUÇÃO. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual, todas as despesas estão sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea. São restabelecidas as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA DE 150%. A prática dolosa e reiterada tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, bem como para a obtenção de restituições indevidas, justifica a aplicação da multa agravada. A norma constitucional que proíbe o confisco não se aplica à multa, pois é direcionada aos tributos e não às sanções. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE Ao órgão colegiado de julgamento administrativo de primeira instância não é dada a competência para pronunciarse sobre inconstitucionalidade de norma legal que instituiu a aplicação de multas e cobrança de juros de mora. Os mecanismos de controle da constitucionalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 336 6 Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de 1a instância em 21.12.2011(fl.312numeração digital), o contribuinte, representado por seu advogado (fl.217numeração digital), , apresentou recurso em 20.01.2012 as(fls.313/320). Em sua defesa argumentou em síntese o seguinte: ●Aduz a nulidade da cobrança referente ao ano calendário de 2006, com fulcro no art. 156,inciso V e art. 174, ambos do CTN. ●Pede a aplicação da Súmula Vinculada n. 08 do STF ( Decadência e prescrição. ● Argumentou que não houve fraude, pois agiu de boa fé. ●Discorre sobre violação aos princípios constitucional da legalidade, razoabilidade e igualdade. ●Apresentou todas os comprovantes de despesas médicas, despesas com instrução,com Previdência Privada/FAPI, declaração de dependência dos filhos. ●Alega que ocorreu um erro praticado por profissional que confeccionou sua Declaração. ●Cita normas Tributárias. ●Por último diz a que a multa qualificada de 150% tem caráter confiscatório e gera insolvência civil, portanto pede a redução da mesma. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente sustenta que o direito de constituição do crédito tributário em análise teria decaído, em relação aos fatos geradores ocorridos no período 01/01/2006 a 31/12/2006. A intimação se deu em 27.05.2011, em razão da aplicação do §4º, do art. 150, do CTN, e considerando que não restou demonstrado que, no caso, houve dolo, fraude ou simulação Por seu turno, o IRPF se submete ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 337 7 (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifei) Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 338 8 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, embora tenha havido pagamento antecipado, IRRF (fls. 12/23numeração digital) dos autos, há indicação de fraude, dolo, ou simulação, consubstanciada na aplicação da multa agravada de 150%, que só é aplicada quando presente o dolo, fraude, ou simulação, o que leva a aplicação da regra estabelecida no artigo 173, I, do CTN; in verbis: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 339 9 Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Tendo sido notificado o contribuinte em 27/05/2011, o foi dentro do período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, não estava decaído o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário relativo ao ano calendário de 2006(exercício 2007). A controvérsia trata, entre outros,de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta na insuficiência de comprovação das deduções na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física exigindo que, não ter comprovado o efetivo pagamento de despesas médicas com diversos profissionais, apesar de ter sido regularmente intimado. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base da de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, o art. 80 do RIR, in verbis: “ Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias ( Lei n. 9.250, art. 8o, inciso II, alínea “a” ). # 1o O disposto neste artigo ( lei n. 9.250, de 1995. 8º § 2o ). I – Aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidade que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF, ou no Cadastro Nacional Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; g.n. Nada obsta, entretanto, que a Administração Tributária exija que a interessada comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto n. 3000/1999, cujo teor é o seguinte: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 340 10 Art. 73 – Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, ( DecretoLei n. 5.844, de 1943, art. 11 § 3o. No presente caso, O Recorrente foi intimado a comprovar com documentação original comprovando todas as deduções pleiteadas em suas declarações de IRPF, mas não o fez, entendo que a glosa das referidas despesas médicas deve ser mantida por falta de comprovação do efetivo dispêndio, com fulcro no do art. 73 do RIR/99. Razão pela qual, entendo, devida a glosa das despesas médicas. No tocante ao alegado dedução com Previdência Privada/FAPI, a Delegacia de Origem intimou o Bradesco Vida e Previdência, para comprovar o pagamento a esse título. Em resposta, informou às fls 73 que não foi realizado qualquer pagamento pelo Recorrente. Neste ponto o Recorrente entendeu a irregularidade. Outro ponto do pedido do recorrente referese ao restabelecimento com dependentes. Alega que os documentos de fls.253/255, comprovam a condição de dependentes dos filhos Alice Aguiar Crispim, Rodrigo Aguiar Crispim e Estevão Aguiar Crispim. No entanto, alega, ainda, o recorrente, que faz jus a dedução com pensão alimentícia dos seus filhos em face da decisão do Juízo de Direito da 2a Vara Civil da Circunscrição Judiciária de Sobradinho (proc.3.8060/020 (fl.245), que determinou o pagamento de cinco ( 05 ) salários mínimos para os treis filhos. Ocorre que, como se verifica nos autos, a DRJ deu provimento parcial a impugnação, restabelecendo a dedução com dependente, instrução e pensão judicial. É relevante esclarecer que a Legislação estabelece limite anual individual de dedução com instrução do contribuinte e seus dependentes. Porém, como bem esclarecido pela DRJ, nos termos do art. 35, inciso IV, da Lei n°. 9.250/1995 e art. 77, Decreto 3000/99, veda a dedução concomitante de dependente que recebe pensão alimentícia, de conformidade com o parágrafo 1o, art. 35, da Lei n. 9.250/95. Quanto a possibilidade da multa agravada, verificase nos autos a confecção das Declarações de Ajuste Anual, com a inclusão de deduções inexistentes, tãosomente com o propósito de receber restituições indevidas, cujo beneficiário é o interessado, ainda que efetuada por terceiro, porém com a autorização do contribuinte, caracteriza o evidente intuito de fraude, tal como se encontra definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, verbis: “Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 341 11 II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72.” Dessa forma, não merece reparos o feito, resultante do trabalho de investigação do ESPEI/1a RF, com o apoio do Ministério Público Federal e com a autorização da Justiça Federal, no qual se constatou que determinados profissionais elaboraram centenas de declarações com deduções fraudulentas, com o objetivo de obter restituições indevidas Portanto, entendo que, neste processo, está aplicada corretamente, relativamente às deduções glosadas, a multa qualificada de 150%, cujo diploma legal é o artigo 44, II, da Lei nº. 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O argumento de confisco da multa qualificada em razão da sua natureza confiscatória não pode ser analisado por este Conselheiro, em razão da Súmula CARF n 2, de aplicação obrigatória; in verbis: SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo apenas estes os argumentos do recorrente para afastar a aplicação da multa do lançamento, é dever manter sua aplicação. Por fim, pede o recorrente a não aplicação da taxa SELIC. A aplicação ou não da taxa SELIC já possuí entendimento consolidado neste Conselho. A Súmula CARF n°4, de aplicação obrigatória pelos conselheiros do CARF, assim estabelece: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim sendo, correta a aplicação da taxa SELIC no lançamento Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10166.722711/201161 Acórdão n.º 2801003.440 S2TE01 Fl. 342 12 José Valdemir da Silva Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 10380.720701/2011-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006,2007,2008
MULTA MORATÓRIA. PATAMAR DE 20%. RAZOABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE EFEITO CONFISCATÓRIO. PRECEDENTES.
A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento) (STF - Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006,2007,2008 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. INEXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO JUDICIAL DA EXIGIBILIDADE DE DÉBITOS CONFESSADOS. ALEGADO DIREITO CREDITÓRIO PASSÍVEL DE COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO DA PRETENSÃO. Não procede a pretensão da Recorrente de discutir, em processo de auditoria interna de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), no qual se constatou a inexistência da apontada suspensão judicial da exigibilidade dos débitos confessados, a existência de alegado direito creditório passível de compensação com aqueles débitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006,2007,2008 MULTA MORATÓRIA. PATAMAR DE 20%. RAZOABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE EFEITO CONFISCATÓRIO. PRECEDENTES. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento) (STF Repercussão Geral). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 07 01 /2 01 1- 56 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.720701/201156 Acórdão n.º 1803002.219 S1TE03 Fl. 331 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do Acórdão recorrido (fls. 326245): O contribuinte acima identificado se encontrava com créditos tributários de PIS, Cofins, CSLL e IRPJ relativos a fatos geradores ocorridos nos anos de 2005, 2006 e 2007, os quais foram declarados em DCTF com exigibilidade suspensa por medida judicial obtida no Mandado de Segurança nº 2005.81.00.0157400. 2. A situação dos créditos tributários supracitados e da ação judicial a que os mesmos foram vinculados foi analisada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (DRF/FOR), tendo sido concluído que, na referida ação mandamental, o interessado não havia obtido nenhum provimento judicial capaz de suspender a exigibilidade dos débitos fiscais. Nesse exame, a Unidade Local ressalta que a sentença desfavorável ao impetrante transitara em julgado em 29.06.2010, denegando definitivamente a compensação dos débitos fiscais com recolhimentos do PIS/Pasep exigidos com base nos Decretoslei nº 2.445 e 2.449/88, os quais teriam sido declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Em vista disso, a Unidade Local providenciou a imediata cobrança dos débitos confessados em DCTF e indevidamente suspensos, elaborando a Representação Fiscal de fl 2 nos autos nº 10380.720701/201156 (fls 120/123). 3. Cientificado da referida cobrança em 17.02.2011, o contribuinte insurgese contra o ato, apresentando, em 03.03.2011, uma petição que denomina de manifestação de inconformidade, mediante a qual se volta contra a não homologação da compensação dos débitos fiscais pela Unidade Local. Nessa oportunidade, alega que possui crédito decorrente do recolhimento indevido do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a majoração inconstitucional da base de cálculo dessas contribuições, promovida pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, cuja inconstitucionalidade teria sido reiteradamente declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Por sua conta e risco, já que não estava respaldado em processo administrativo ou judicial, o requerente invoca o direito de autocompensar débitos fiscais sob a sistemática do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que dispensa prévia autorização ou processo (fls 3/34 dos autos apensos). 4. Na sua manifestação de inconformidade, aduz que ajuizou Mandado de Segurança, para pleitear liminarmente a suspensão da exigibilidade do “crédito referente à Cofins cobrada com base na malsinada Lei nº 9.718, de 1998”, que majorara indevidamente a base de cálculo das contribuições. Observa, ainda, que Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.720701/201156 Acórdão n.º 1803002.219 S1TE03 Fl. 332 3 “referida ação foi distribuída sob o nº 2005.81.00.0157400, em trâmite perante a 3ª Vara Federal do Ceará” (fls 13/14 dos autos apensos). Ao final, o manifestante formula os seguintes pedidos: (i) recebimento da manifestação de inconformidade; (ii) suspensão imediata da exigibilidade dos débitos cobrados; (ii) homologação das informações declaradas em DCTF; e, (iv) subsidiariamente, cancelamento da cobrança dos débitos, elaboração de lançamento na forma devida e deferimento do processo administrativo para se discutir as exigências fiscais. 5. Uma vez que a suspensão de exigibilidade do crédito tributário realizada pelo contribuinte na DCTF com base em suposta decisão judicial não se enquadrava na compensação prevista no art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, e muito menos na compensação de que trata o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 posto não se tratar de Declaração de Compensação (DCOMP), a referida petição não foi recepcionada pela Unidade Local como manifestação de inconformidade, razão pela qual deixou de encaminhála a esta Delegacia de Julgamento. Não se tratando de manifestação de inconformidade, a petição não tinha a aptidão legal para suspender a exigibilidade dos débitos fiscais. Nesse sentido, põese a informação fiscal que examinou a referida petição, concluindo por dar prosseguimento a cobrança (fls 44/46 dos autos apensos). 6. Em vista dessa informação, o requerente impetrou Mandado de Segurança n° 000735549.2011.4.05.8100, tendo logrado, em decisão liminar, provimento judicial determinando que as impugnações administrativas apresentadas pelo contribuinte sejam apreciadas pela autoridade competente, bem como se suspenda, até decisão administrativa final, a exigibilidade dos débitos fiscais controlados nos processos administrativos nº 10380.720701/201156 e 10380.721143/201146, nos termos do art. 151, III, do CTN (fls 215/223). 7. Por fim, a Unidade Local encaminhou a esta DRJ o processo administrativo de cobrança (10380.720701/201156) e os autos apensos onde foi autuada a denominada manifestação de inconformidade (10380.001493/201192). 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 224): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2005, 2006, 2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA DOCUMENTAL. FUNDAMENTOS DE FATO E DE DIREITO. Não se conhece da manifestação de inconformidade desprovida de provas documentais e de fundamentos hábeis a controverter a matéria questionada. Impugnação Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 17.07.2012 (fl. 274), a tempo, em 08.08.2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 276 a 295, instruído com os documentos de fls. 296 a 311, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que não foi indicada a base legal para a aplicação da multa e de seu percentual; Fl. 332DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.720701/201156 Acórdão n.º 1803002.219 S1TE03 Fl. 333 4 b) que se trata de multa escorchante e injusta, uma vez que excessiva e indevida; c) que o ato administrativo que aplicou a penalidade (multa exorbitante) também ofendeu os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; e d) que não há que se falar na aplicação da malfadada multa, uma vez que não se comprovou a ocorrência do fato que a originou. 4. Anexei, às fls. 314 a 316 e 317 a 320, respectivamente, sentença de primeiro grau e acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Mandado de Segurança nº 000735549.2011.4.05.8100 e ainda o Acórdão 3ª TE/4ª Câmara/1ª SJ nº 1803002.020, de 11.02.2014, proferido no processo nº 10380.721143/201146 da mesma Recorrente sobre matéria semelhante, fls. 321 a 329. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Em matéria semelhante da mesma Recorrente, o Ilustre Conselheiro Relator Sérgio Rodrigues Mendes proferiu o Acórdão 3ª TE/4ª Câmara/1ª SJ nº 1803002.020, de 11.02.2014, no processo nº 10380.721143/201146, cujo entendimento cabe adotar nos presentes autos. 5. Constou da Representação Fiscal de fls. 0203 deste processo (destaques do original): Ação Judicial: 001574093.2005.4.05.8100 (2005.81.00.0157400) MANDADO DE SEGURANÇA O contribuinte identificado encontrase com créditos tributários de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ relativos a diversos períodos de apuração nos anos calendário 2005 (DCTF retificada em 2008), 2006 e 2007, declarados em DCTF como "suspenso— outros" (Doc 1). Vinculada a tais créditos, está a ação judicial citada acima. 2. Em consulta a ação judicial que em tese suspenderia os créditos tributários (2005.81.00.0157400), ficou constatado que o contribuinte impetrou a segurança para solicitar a compensação dos valores recolhidos a titulo de PIS, com base nos Decretos leis n° 2.245/88 e 2.449/88 e nas Medidas Provisórias n° 1.212, 1.365, 1.407, 1.495, 1.546, 1.623 e 1.676, nos últimos 10 (dez) anos, com quaisquer Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.720701/201156 Acórdão n.º 1803002.219 S1TE03 Fl. 334 5 tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal e que esta se abstivesse de promover a cobrança dos valores discutidos e de inscrever o contribuinte em órgão de controle como o CADIN (Doc 2). 4. Desta feita, impõese ressaltar que a exigibilidade do crédito tributário pode ser suspensa pelas hipóteses do artigo 151 do Código Tributário Nacional — CTN entre as quais está a concessão de liminar em mandado de segurança, por exemplo. Por outro lado, caso o crédito tributário não se encontre sob a proteção de um ou mais daqueles casos disciplinados pelo CTN no retrocitado artigo, tal crédito é exigível. 5. Diante do exposto, considerando que os créditos tributários declarados em DCTF não estão albergados pelas hipóteses de suspensão da exigibilidade constantes do artigo 151 do CTN, proponho a formalização de processo para TRANSFERÊNCIA dos créditos tributários do SIEFFISCEL para o SIEF PROCESSO, e seja, posteriormente, enviado para COBRANÇA. 6. É este, portanto, o objeto do presente processo – cobrança de débitos confessados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) e indevidamente considerados, pela Recorrente, como tendo sua exigibilidade judicialmente suspensa. 7. Dispuseram a Instrução Normativa RFB nº 482, de 21 de dezembro de 2004, a Instrução Normativa SRF nº583, de 20 de dezembro de 2005 e a Instrução Normativa RFB nº 695, de 14 de dezembro de 2006, para os fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005, 2006 e de 2007 (sublinhouse): Do Tratamento dos Dados Informados na DCTF Art. 11. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. 8. Como se observa, para todo o período de ocorrência dos fatos geradores declarados nas DCTFs objeto deste processo (anoscalendário de 2005, 2006 e 2007), os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas naquelas declarações, sobre suspensão de exigibilidade, eram enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. 9. Assim, deveria a decisão recorrida, em princípio, não conhecer da manifestação de inconformidade então apresentada. 10. Contudo, constou daquela decisão a seguinte observação (fl. 238): 6. Em vista dessa informação, o requerente impetrou Mandado de Segurança nº 000735549.2011.4.05.8100, tendo logrado, em decisão liminar, provimento judicial determinando que as Fl. 334DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.720701/201156 Acórdão n.º 1803002.219 S1TE03 Fl. 335 6 impugnações administrativas apresentadas pelo contribuinte sejam apreciadas pela autoridade competente, bem como se suspenda, até decisão administrativa final, a exigibilidade dos débitos fiscais controlados nos processos administrativos nº 10380.720701/201156 e 10380.721143/201146, nos termos do art. 151, III, do CTN (fls. 215/223). 11. Em análise ao andamento do referido Mandado de Segurança, cabe observar que, posteriormente à decisão recorrida, a mencionada liminar foi cassada em sentença, sendo esta, por sua vez, integralmente mantida pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, como segue, respectivamente (fls. 315, 318 a 319): No presente caso, revendo o entendimento exposto na decisão liminar, não há decisão administrativa impugnável sob os ditames do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Logo, não é caso de “nãohomologação da compensação”, em que se aplica o rito processual do Decreto nº 70.235/72 (PAF) à manifestação de inconformidade, pois os Processos Administrativos nºs. 10380.721143/201146 e 10380.720701/201156 não se referem a processos de compensação (PER/Dcomp), não havendo falar em aplicação do art. 151, III, do CTN. Tratase o presente caso de glosa de “suspensão da exigibilidade” de créditos tributários informados em DCTFs por conta e risco do contribuinte. Com efeito, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo havido declaração do débito pelo contribuinte, mediante DCTF, sem o respectivo pagamento, o débito é considerado imediatamente constituído, dispensando lançamento posterior pelo Fisco, iniciandose na data do vencimento o prazo quinquenal da ação de cobrança. Na realidade, o impetrante declarou, na própria DCTF, que os valores dos créditos tributários estavam suspensos por decisão judicial (MS nºs 001574093.2005.4.05.8100 e 0001328 55.2008.4.05.8100). Todavia, inexiste decisão judicial nesse sentido. Inexistindo qualquer provimento judicial que justificasse a declarada suspensão da exigibilidade, atuou o Fisco nos limites da norma, enviando ao devedor o aviso de cobrança de crédito tributário declarado por DCTF, ou seja, constituído, e não suspenso, não havendo falar em aplicabilidade do art. 74 da Lei nº 9.430/96, visto que inexiste decisão administrativa de indeferimento de homologação de compensação declarada. DISPOSITIVO Diante do exposto, DENEGO A SEGURANÇA, ao tempo em que revogo a liminar anteriormente deferida. [...]. FortalezaCE, 6 de fevereiro de 2012. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.720701/201156 Acórdão n.º 1803002.219 S1TE03 Fl. 336 7 [...]. Cuidase de apelação em que se busca a compensação do que foi recolhido indevidamente a título de PIS e COFINS, com outros tributos, observando os dispositivos legais. Mantenho a sentença. Não merece prosperar a pretensão da apelante para homologação da compensação nos referidos processos, pois não se trata de declaração de compensação, mas, de fato, de autolançamento realizado por meio de DCTF. Tratase de autolançamento em que, no prazo de homologação, a Administração, no exercício regular de suas atividades de fiscalização, examinou as DCTF’s apresentadas e constatou a inexistência de causas suspensivas, pois não há decisão judicial que justificasse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Portanto, no lançamento por homologação, tendo havido declaração de débito através de DCTF, pelo contribuinte, e não ocorrendo o pagamento, o débito é constituído e cobrado no prazo de trinta dias, neste sentido, transcrevo o seguinte precedente alusivo à matéria: [...]. Por essas razões, nego provimento ao apelo, para manter a sentença pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. É como voto. [...]. Recife, 02 de outubro de 2012 12. Ainda que assim não fosse, e se devesse, por força de ulterior ordem judicial, analisar o suposto pleito compensatório da Recorrente, correta a decisão recorrida, ao afirmar que (fls. 243 e 244, grifos do original): 39. Em segundo lugar, mostrase inepta a manifestação de inconformidade como declaração de compensação, já que desacompanhada da demonstração da liquidez e certeza do alegado crédito. Com efeito, o manifestante apenas refere que é detentor de crédito oriundo do pagamento a maior do PIS/Pasep e Cofins, efetuado por força da reconhecida inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Mas não trouxe um demonstrativo sequer da base de cálculo das contribuições, em que se segregasse o faturamento das outras receitas que não deveriam ser tributadas, bem como não fez qualquer referência ao período em que teria surgido o suposto indébito tributário, para que se pudesse aferir o prazo decadencial do direito de compensar e atualizar o crédito pela taxa Selic. [...]. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.720701/201156 Acórdão n.º 1803002.219 S1TE03 Fl. 337 8 46. Apenas para argumentar, se se adentrasse o mérito do pedido formulado na manifestação, constatarseia de plano a sua improcedência. É que o pedido de compensação com o suposto crédito, descrito como decorrente de pagamento indevido das contribuições sobre a base de cálculo ampliada inconstitucionalmente (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999), não veio alicerçado em provas e demonstrativos aptos a comprovar a liquidez e certeza do crédito. Com efeito, o manifestante apenas refere que é detentor de crédito oriundo do pagamento indevido das contribuições, mas não dá a conhecer ao julgador qual montante da base de cálculo seria inconstitucional, ao deixar de apartar o faturamento de outras receitas. Em tais condições, como identificar, datar e quantificar o alegado crédito? Definitivamente, a pretensão do manifestante não se mostra realizável. 13. Por conseguinte, não procede a pretensão da Recorrente de discutir, em processo de auditoria interna de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), no qual se constatou a inexistência da apontada suspensão judicial da exigibilidade dos débitos confessados, a existência de alegado direito creditório passível de compensação com aqueles débitos. Repercussão geral (STF) 14. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 15. Relativamente à questão da aplicação da multa de mora sobre os débitos tributários, é o seguinte o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática de Repercussão Geral (art. 543B do CPC): 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. [...]. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.720701/201156 Acórdão n.º 1803002.219 S1TE03 Fl. 338 9 jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 582461, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL0256802 PP00177) 16. Por fim, observase que, tratandose, no caso, de débito confessado, a incidência da multa de mora independe de qualquer atuação fiscal, decorrendo naturalmente do atraso no seu recolhimento, na forma disposta no art. 61, e parágrafos, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não procedendo, pois, a alegada “falta de indicação de sua base legal”. Conclusão Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902167/2013-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 7/ 20 13 -8 2 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902167/201382 Resolução nº 3801000.684 S3TE01 Fl. 53 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 1.750,94. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF, juntando documentação comprobatória. O processo foi encaminhado a este Conselho para fins de apreciação da lide tendo em vista a interposição de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902167/201382 Resolução nº 3801000.684 S3TE01 Fl. 54 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Preliminarmente, deixo consignado que o presente processo foi encaminhado conjuntamente com outros do mesmo sujeito passivo que tratam de matéria idêntica, qual seja, o direito ao crédito de PIS e COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Em atendimento ao princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual que importa é a finalidade do ato e não ele em si mesmo e considerandose os recursos interpostos nos demais processos julgados conjuntamente, tomo conhecimento do presente processo em sede de recurso voluntário. No entanto, para que se possa sanear o processo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para a Delegacia de origem: a) Informar sobre a existência de Decisão de 1ª Instância e Recurso Voluntário interposto no presente processo, colacionandoos aos autos e, posteriormente, retornar o mesmo a este CARF para julgamento; b) caso contrário, encaminhar a Delegacia de Julgamento para análise da Manifestação de Inconformidade e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000219/2006-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA.
É cabível a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com as alterações dispostas na Lei nº 11.051/2004.
MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.051/2004. APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA (CTN, Art. 106, II c).
A partir da publicação da Lei. 11.196/2005, em respeito a retroatividade benigna (CTN, art. 106, II, c) aplica-se a multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) por infração ocorrida na data de protocolização da Declaração de Compensação (DCOMP) considerada não declarada sob a égide da Lei 10.833/2003 (art. 18), com as alterações previstas na Lei n° 11.051, de 2004.
No caso de Auto de infração cientificado ao interessado em 21/02/2007, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, tem-se como correta a aplicação da multa isolada de 75% (em que não estejam presentes as condutas de fraude, dolo ou simulação) e não, a de 150% como previsto no § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 alterado pela Lei nº 11.051/2004, legislação vigente na data em que ocorreu a infração (14/01/2005).
MULTA ISOLADA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1802-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. É cabível a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com as alterações dispostas na Lei nº 11.051/2004. MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.051/2004. APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA (CTN, Art. 106, II c). A partir da publicação da Lei. 11.196/2005, em respeito a retroatividade benigna (CTN, art. 106, II, c) aplica-se a multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) por infração ocorrida na data de protocolização da Declaração de Compensação (DCOMP) considerada não declarada sob a égide da Lei 10.833/2003 (art. 18), com as alterações previstas na Lei n° 11.051, de 2004. No caso de Auto de infração cientificado ao interessado em 21/02/2007, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, tem-se como correta a aplicação da multa isolada de 75% (em que não estejam presentes as condutas de fraude, dolo ou simulação) e não, a de 150% como previsto no § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 alterado pela Lei nº 11.051/2004, legislação vigente na data em que ocorreu a infração (14/01/2005). MULTA ISOLADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Henrique Heiji Erbano.
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Compensação não declarada. Recorrente ARUGAN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. É cabível a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com as alterações dispostas na Lei nº 11.051/2004. MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.051/2004. APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA (CTN, Art. 106, II “ c”). A partir da publicação da Lei. 11.196/2005, em respeito a retroatividade benigna (CTN, art. 106, II, “c”) aplicase a multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) por infração ocorrida na data de protocolização da Declaração de Compensação (DCOMP) considerada não declarada sob a égide da Lei 10.833/2003 (art. 18), com as alterações previstas na Lei n° 11.051, de 2004. No caso de Auto de infração cientificado ao interessado em 21/02/2007, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, temse como correta a aplicação da multa isolada de 75% (em que não estejam presentes as condutas de fraude, dolo ou simulação) e não, a de 150% como previsto no § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 alterado pela Lei nº 11.051/2004, legislação vigente na data em que ocorreu a infração (14/01/2005). MULTA ISOLADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 19 /2 00 6- 60 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Henrique Heiji Erbano. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto parte do relatório da decisão recorrida, fl.107, que a seguir transcrevo: Tratase de impugnação (fls. 24 a 60) apresentada por KOBOLD BANCO DE FOMENTO MERCANTIL LTDA., supra qualificado, contra Auto de Infração (fls. 19 a 21) relativo a multa isolada por apresentação de compensação de tributo não declarada, referente ao ano calendário de 2005. 2. Na folha de continuação do Auto de Infração, no tópico "Descrição dos fatos e enquadramento legal" (fls. 20) a autoridade fiscal assim descreve a infração: "O contribuinte efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada, e constantes de fls. 01 do processo 16327.000075/200561, no valor de R$ 127.067,13 (R$ 60.849,91 + R$ 66.217,22) Dessa forma, então, aplicase a multa de 75% prevista no inciso II do caput ou no parágrafo 2º do artigo 44 da Lei 9.430/96, com fulcro na alínea c do inciso II do parágrafo 12 do artigo 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pelo artigo 4ºo da Lei 11.051/04, conforme Despacho Decisório desta DEINF/SPO/DIORT (fls. 122 a 133 do processo n" 19679.003469/200498, com ciência do contribuinte em 16/11/05. " 2 . 1 . O Despacho Decisório de 01/11/2005 (cópia a lis. 05 a 16) tem sua ementa redigida da seguinte forma: "EMENTA: Direito creditório oriundo de título público (Obrigação de Centrais Elétricas Brasileiras S/A). Indeferimento Liminar.Compensação não declarada. Incompetência da RFB quanto á Restituição de Saldo " 2.2. Como conclusão, o Despacho apresenta: “Assim, nos termos propostos e fazendo uso da competência conferida pelo art. 250, XXI c/c arts. 140 e 173 do Regimento Interno desta SRF, aprovado pela Portaria MF 30, de 25 de fevereiro de 2005 e com fulcro na Lei 9.430/96, art. 74, alterado Fl. 369DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 1802002.239 S1TE02 Fl. 3 3 pelo art. 49 da Lei 10.637/02 e pelos arts. 17 e 18 da Lei 10.833/03, bem como o disposto nas Ins SRF 21/97 e 460/04,APROVO a proposição apresentada na manifestação da Divisão de Orientação e Análise Tributária e ADOTO as seguintes providências, em atenção a tudo quanto se coloca: a) INDEFERIR LIMINARMENTE o pedido de Fl. 1 do Processo 16327.000302/200477 com fulcro no art. 1º inciso II alínea b da IN SRF 226/02, NÃO RECONHECENDO o mesmo pedido como Declaração de Compensação, já que violador ao caput do art. 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 10.637/02, consoante interpretação constante do parecer PGFN/CDAT/CAT 1499/05, itens 39. e 49. (Fls. 96/97). INCABÍVEL, assim, a aplicação ao caso do rito previsto nos parágrafos 7o a 11 do mesmo art. 74, incluídos pela Lei 10.833/03. b) APROVAR O ENVIO de representação à Deinf/SPO/Sapac, de forma que os débitos constantes do mesmo pedido de Fl. 1 do Processo 16327.000302/200477 sejam constituídos através de procedimento de oficio, visto que não declarados (não constantes de DCTF ou de declaração de compensação que assim possa ser reconhecida como tal e, assim, como confissão de dívida na forma do parágrafo 6o do art. 74 da Lei 9.430/96 com redação dada pela Lei 10.833/03). c) CONSIDERAR como NÃO DECLARADAS as compensações constantes do pedido de F. 1 do Processo 16327.000075/2005 61, com fulcro na alínea “c” do inciso II do parágrafo 12 do artigo 74 da lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 4o da Lei 11.051/04. INCABÍVEL a aplicação, a estas compensações, dos parágrafos 2o e 5o a 11 do mesmo art. 74, a partir do disposto no parágrafo 13 do artigo 74 da Lei 9.430/96, incluído pelo art.4º da Lei 11.051/04. d) DETERMINAR que os débitos constantes do mesmo pedido de Fl. 1 do Processo 1632 7.000075/200561, atualmente com valores retificados pelas DCTFs de folha 22 e 24/25 do mesmo processo, sejam objeto de COBRANÇA com os devidos acréscimos legais, visto que constantes de instrumento hábil para tal cobrança, reconhecido como confissão de dívida (DCTF). e) APROVAR O ENVIO de representação à Deinf/SPO/Sapac, de forma a que seja constituída, com base no parágrafo 4o do art. 18 da Lei 10.833/03, com redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051/04, multa isolada sobre o montante de débitos constante do mesmo pedido de Fl. 1 do Processo 16327.000075/200561, a ser aplicada sobre os valores retificados pelas DCTFs de folhas 22 e 24/25 do mesmo processo. g) RECONHECER a incompetência desta RFB para manifestação acerca de Pedido de Restituição do eventual saldo remanescente do Direito Creditório sob análise formalizado na Fl. 1 do Proc. 19679.003469/200498, direito este representado Fl. 370DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 formalmente pelo título de pg. 18 (cópia)." (destaques do original) 2.3. Em função disso, foi lavrado o Auto de Infração, aplicando se a multa de 75 % sobre o valor total do crédito tributário do processo 16327.000075/200561 (igual a R$ 127.067,13), resultando no valor lançado de R $ 95.300,35. 2.4. O enquadramento legal apontado à fls. 20 é: artigo 18, da Lei n° 10.833/2003 com a redação dada pelo artigo 25, da Lei n° 11.051/2004. 3. Tendo tomado ciência do lançamento em 21/02/2006 (fls. 19 e 21) o contribuinte, por intermédio de seu representante (does. às fls. 72 a 74) interpôs impugnação (fls. 24 a 6 0 ) , protocolizada em 22/03/2006, relatando e alegando o que segue. 3.1. Após breve descrição dos fatos, alega que o Auto de Infração desrespeita diversos princípios constitucionais, acarretando a improcedência e a anulação do mesmo. 3.2. Prossegue, afirmando que há incompatibilidade entre o presente lançamento e a existência de declarações de compensação pendentes de julgamento, pois, segundo ele: "4. Fundamenta a autoridade administrativa que o presente lançamento de multa isolada se deu em razão de decisão que considerou não declarada compensações realizadas pela ora impugnante (doe. 3). Assim, uma vez que a conseqüência desta decisão (que considera não declarada a compensação) é o fim do procedimento administrativo, já que, absurdamente, desta decisão não cabe recurso, nos moldes do § 13, do artigo 74, da lei n° 9.430/96 (com a redação trazida pela lei n" 11.051/2004), aplicouse a multa através do presente auto de infração. 5. Ocorre, porém, que ao contrário dos anseios da autoridade administrativa responsável pelo despacho decisório cientificado ao contribuinte em 16/11/2005, a impugnante apresentou manifestação de inconformidade (recurso cabível na hipóteses de não homologação de compensação), demonstrando ser totalmente infundadas as motivações que levaram o agente fiscal a considerar não declaradas as compensações. 6. Ante os fortes argumentos alinhavados naquela manifestação de inconformidade não restou outra alternativa ao agente administrativo senão encaminhar o processo em questão a Delegacia Regional de Julgamento responsável (doe. 4) para análise daquele recurso que, ressaltese, regerseá pelas disposições do Decreto n° 70.235/72, possuindo os efeitos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (suspensão da exigibilidade). (...) 10. Assim, com a recepção da manifestação de inconformidade pela DRJ de São Paulo (doe. 4), afastouse a decisão que considerava não declarada a compensação realizada, tendo a mesma seus efeitos suspensos, uma vez que a conseqüência Fl. 371DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 1802002.239 S1TE02 Fl. 4 5 lógica da manifestação de inconformidade, é o reexame do despacho decisório. 11. Tal suspensão de efeitos do despacho decisório, por si só já evidencia a ilegalidade do presente auto de infração, visto que o mesmo é decorrente única e exclusivamente do referido despacho. 12. Logo, se existe um recurso administrativo (manifestação de inconformidade) pendente de julgamento (DRJ) que, por si só, suspende a exigibilidade das exações nele contidas, nos lermos do art. 151, III, do CTN, o presente auto de infração é totalmente desarmônico ao ordenamento jurídico tributário vigente, mormente quando aplica multa punitiva fundamentada em inadimplência. " (destaques do original) 3.3. Argumenta, a seguir, sobre a falta de especificação e fundamentação no enquadramento legal e nos fatos do Auto de Infração e da violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório e da motivação dos atos administrativos. Reproduz os dizeres do enquadramento legal apontado pela Auditora autuante e afirma que o artigo 18„ da Lei n° 10.8333/03, com a redação dada pelo artigo 25, da Lei n° 11.051/04, "limita o lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.15835, apenas para as hipóteses EM QUE FICAR CARACTER/ZADA, a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64". (destaque do original) 3.4. Insiste, afirmando que o Auditor Fiscal, quando da lavratura do lançamento em questão, deixou de comprovar quaisquer das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73, da Lei n° 4.502/64, como 'SEQUER FAZ REFERÊNCIA LEGAL OU FÁTICA, A QUAL DOS ARTS. ACIMA O IMPUGNANTE TERIA SUPOSTAMENTE SE ENQUADRADO". 3.5. Assevera que essa omissão prejudica o direito à ampla defesa e ao contraditório, pois as hipóteses citadas são muito diferentes entre si, da mesma forma que a defesa do impugnado seguiria linhas distintas para cada uma delas. 3.6. Além disso, continua, o ato administrativo desrespeitou os incisos VI, VII e VIII do parágrafo único do artigo 2º o , da Lei n°. 9.784/99. 3.7. Afirmando que a inobservância dos princípios e normas (acima citados implica no cerceamento de defesa, eivando o ato de nulidade, nos termos do artigo 59, do Decreto n°. 70.235/72. 3.8. No mérito, postula, o impugnante, pela irretroatividade da Lei n°. 11.051/04. Diz que a declaração de compensação apresentada está vinculada e é dependente do Pedido de Restituição e, dessa forma, este fixa a normatização correlata e previne a legislação tributária aplicável. Como aquela Lei foi publicada em 30/12/2004, após o início do procedimento administrativo, no seu entender, o dispositivo punitivo não alcançaria este procedimento. Por isso, acredita, "a multa Fl. 372DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 isolada deve ser afastada de imediato, sob pena de ferir os princípios da irretroatividade das leis, da segurança jurídica e também o ato jurídico perfeito, violando diretamente o artigo 106 do Código Tributário Nacional". 3.9. Transcrevendo o artigo 106, do CTN, garante que a multa lançada não pode ser aplicável ao caso concreto, pois não possui caráter moratório, mas punitivo. 3.10. Assevera: "46. Não obstante a este fato, as hipóteses introduzidas ao artigo 74 da Lei 9.430/96pela Lei 11.051 de 29 de dezembro de 2004, quais sejam, as do § 12, inciso II, alíneas "a", "b", "c", "d" e "e" não podem ser aplicadas ao Pedido de Restituição n°l9679.0349/200498 (sic) (protocolado em 05/03/2004) e às Declarações de Compensação a este atreladas. " 3.11. E arremata: "48. Desta forma, é inadmissível que as Compensações sejam consideradas não declaradas por determinações posteriores a sua entrega no órgão competente, uma vez que à época não haviam tais hipóteses que desconsideram a declaração, praticou, assim, atos jurídicos perfeitos, que não podem ser atingidos pela lei nova. " (destaques são do original) 3.12. A seguir, argumenta sobre o ato jurídico perfeito, asseverando não ser possível tratar a compensação e o pedido de restituição de forma independente, já que uma é conexa ao outro. E diz que, ao efetuar o lançamento da multa isolada, a Autoridade Fiscal atribuiu efeito retroativo à Lei n° 11.051/2004, "em evidente prejuízo ao contribuinte, vez que o onerou de forma desarrazoada e arbitrária com a multa isolada que a época do início do procedimento engedrado não existia, em total desrespeito ao princípio da irretroatividade das leis e, principalmente, ao ato jurídico perfeito", (destaques do original) 3.13. Insiste na tese de que o procedimento efetuado teve seu início antes da edição de norma, no seu entender inconstitucional, que alterou comandos normativos que teriam embasado o seu pedido e, dessa forma, não podem ser utilizados como base legal para a lavratura do Auto de Infração, ferindo o princípio da segurança jurídica. 3.14. Prossegue, agora discorrendo sobre a compensação por ele intentada, alegando sua validade e desenvolvendo argumentos na tentativa de mostrar que o pretenso crédito utilizado, obrigações da Eletrobrás, possui origem tributária porque é, na sua interpretação, restituição de empréstimo compulsório. E, a partir disso, desfila uma série de razões com o objetivo de descaracterizar as cautelas da Eletrobrás como título público. 3.15. Ainda, pretende demonstrar que não há a configuração de compensação indevida, dizendo: "91. Não incide nenhuma das hipóteses do artigo 18 da lei n". 10.833/2003 (texto original), quais sejam, não existe expressa disposição legal impossibilitando a compensação com este crédito; o crédito é de natureza tributária (exaustivamente demonstrado nesta Fl. 373DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 1802002.239 S1TE02 Fl. 5 7 impugnação — empréstimo compulsório) e não está caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n" 4.502/64 (pois se pretende através do procedimento de restituição, a extinção do crédito tributário peta compensação até ulterior homologação, ou seja, não se omitiu nenhum dos elementos do fato gerador, fracionou ou retardou o pagamento do tributo." E continua, afirmando que a "própria autoridade administrativa ("item 14" do despacho decisório) ressaltou a inaplicabilidade da multa prevista neste artigo 18 a este caso concreto", (destaques do original) 3.16. Passa a argumentar sobre a não comprovação, por parte do fisco, da ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73, da Lei n° 4.502/64, fixandose na interpretação do caput do artigo 18, da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo artigo 25, da Lei n° 11.051/04. em função disso, conclui que nem o Auto de Infração, nem o despacho decisório que lhe deu fundamento conseguiu comprovar a ocorrência das hipóteses previstas na Lei n° 4.502/64, "como SEQUER FAZ REFERENCIA LEGAL OU FÁTICA. A QUAL DOS ARTS. ACIMA O IMPUGNANTE TERIA SUPOSTAMENTE SE ENQUADRADO", (destaques do original) 3.17. Em seguida, alega, citando o artigo 150 da Constituição Federal a ilegalidade da multa e seu efeito confiscatório, afirmando, ainda, que a base de cálculo utilizada para se aferir o valor a lançar é o valor dos tributos acrescidos de juros e multa de mora, recolhidos por ele. 3.18. Requer, preliminarmente, a anulação do Auto de Infração, por ainda estar tramitando a manifestação de inconformidade ao indeferimento do pedido de compensação; e "pela total falta de especificação e fundamentação no enquadramento legal". No mérito, pleiteia que seja considerado improcedente o lançamento porque "fere de morte o princípio da irretroatividade e o da segurança jurídica"; porque o procedimento praticado pelo impugnante não se enquadra na alínea " c " , inciso II, do § 12, do artigo 74, da Lei n°. 9.430/96; porque não está demonstrado neste processo, e nem no de compensação, a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73, da Lei n°. 4.502/64, pressuposto essencial para se aplicar o artigo 18, da Lei n°. 10.833/03; e porque a multa aplicada assume caráter confíscatório. Se não for esse o entendimento, pleiteia que seja acolhida a alegação da cobrança de multa sobre multa, retificandose o lançamento para se excluir da base de cálculo a multa de mora. Requer, ainda, que a decisão se refira a suas razões de defesa suscitadas contra todas as exigências, sob pena de cerceamento de direito de defesa. 3.19. Solicita, ainda, que esta impugnação seja reunida à manifestação de inconformidade para serem decididas simultaneamente, e, finalmente, protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, oitiva de testemunhas, depoimentos pessoais e perícias. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo /SPOI), julgou improcedente a impugnação conforme decisão proferida no Acórdão nº 16 14.947, de 27 de setembro de 2007, cientificado ao interessado em 28/11/2007, em consonância com o Aviso de Recebimento (AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA OU NÃO HOMOLOGADA. Considerada indevida ou não declarada a compensação, é cabível a aplicação da multa isolada,no percentual de 75 % sobre o valor do IRPJ compensado indevidamente. PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas,quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. PERÍCIA E DILIGÊNCIA.DESNECESSÁRIAS. A autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligências ou perícias requeridas. Tais pedidos somente são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção por parte do julgador. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos em lei. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO E CAPACIDADE ECONÔMICA. A multa de ofício não possui natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. A capacidade econômica da contribuinte é respeitada, na medida em que a exigência é feita mediante aplicação de percentual sobre o tributo que deixou de ser recolhido. j DIREITO CREDITÓRIO. PETIÇÃO. A perfeição de ato jurídico só é alcançada, numa simples petição de restituição de pretenso crédito que não atende às hipóteses do artigo 165, do Código Tributário Nacional, após análise do pedido e decisão a respeito. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão de primeira instância que manteve a multa isolada de 75%, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário em 28/12/2007 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no qual traz, no essencial, os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Preliminarmente, alega, falta de especificação e fundamentação no enquadramento legal e nos fatos do auto de infração e da violação ao princípio da ampla defesa Fl. 375DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 1802002.239 S1TE02 Fl. 6 9 do contraditório e da motivação dos atos administrativos, visto que segundo consta do referido Auto de Infração, o auditor fiscal enquadrou legalmente os fatos tidos como infração com base no "Art. 18 da Lei n° 10.833/03 c/ redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004.", e, este último, limita o lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, apenas para as hipóteses EM QUE FICAR CARACTERIZADA, a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, para que possa a autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício de multa isolada por declaração de compensação como no caso em tela, deve antes, caracterizar, ou seja, comprovar a existência de uma das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 (sonegação, fraude ou conluio). Tal omissão prejudica o direito a ampla defesa e ao contraditório da recorrente, visto que as hipóteses acima referidas (sonegação, fraude ou conluio) distinguemse em muito uma da outra, da mesma forma que a defesa da recorrente também seguiria linhas distintas para cada uma das hipóteses. No mérito A Recorrente alega, a conexão entre o pedido de restituição Processo nº 19679.003469/200498, protocolado em 05/03/2004 e a declaração de compensação. Aduz que, é incabível autuação por compensação indevida (considerada não declarada), uma vez que não se aplica ao caso em tela as alterações introduzidas pela Lei n.° 11.051/2004, que entrou em vigor após o início do procedimento administrativo em comento (dia 29/12/2004), sendo, portanto, inaplicável ao caso em questão, em obediência do princípio da irretroatividade da lei, não havendo que se falar em multa isolada sobre o montante do débito constante da declaração de compensação, com fulcro nas alterações da malsinada Lei n.° 11.051/2004. Portanto, ao procedimento administrativo (pedido de restituição e declaração de compensação) não pode ser aplicado as alterações trazidas pela Lei n .° 11.051/2004, pois não estavam em vigor à data do protocolo do pedido de restituição (ato jurídico perfeito), devendo a multa isolada ser afastada de imediato, sob pena de ferir os princípios da irretroatividade das leis, da segurança jurídica e também o ato jurídico perfeito, violando diretamente o artigo 106 do Código Tributário Nacional4. A Recorrente diz supor que a multa aplicada (75%) está embasada nas novas alterações trazidas pela lei n.° 11.051/2004 ao artigo 18 da Lei n.o 10.833/2003. E continua: 30. Ora, se as compensações declaradas pela empresa contribuinte foram apresentadas antes da vigência desta norma punitiva, é evidente que ela não alcança tais procedimentos, mormente quando estão atreladas, umbilicalmente, a um pedido de restituição (processo principal) apresentado ao Fisco muito antes da citada alteração legal. 3 1 . Assim, em respeito ao princípio da irretroatividade da lei, estas limitações não atingem os pleitos compensatórios em comento e, portanto, o presente auto de infração deve ser cancelado. ... Fl. 376DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 3 4 . Cumpre salientar, que a multa aqui aplicada não possui caráter moratório, mas sim punitivo, portanto inaplicável a ato ou fato pretérito, de acordo com o que determina o artigo 106 do Código Tributário Nacional. ... 39. Desta forma, é inadmissível que as Compensações sejam consideradas não declaradas por determinações posteriores a sua entrega no órgão competente, uma vez que à época não haviam tais hipóteses que desconsideram a declaração, praticou, assim, atos jurídicos perfeitos, que não podem ser atingidos pela lei nova. 40. Cumpre repisar que o procedimento engendrado pela recorrente iniciouse em 05/03/2004 (doe. 7/8), através de protocolo de pedido de restituição e, posteriormente apresentou correlata e sucessivamente declarações de compensação, dentre elas a de n.° 16327.000075/200561, conexa ao referido pedido. Portanto, tratase de procedimento único, com pedidos que são dependentes entre si, não podendo serem tratados separadamente. 41 . Ocorre que o Auditor fiscal, ao lançar multa isolada através de auto de infração, em 75% sobre o valor do débito fiscal compensado, atribuiu efeito retroativo à Lei n.° 11.051/2004, em evidente prejuízo ao contribuinte vez que o onerou de forma desarrazoada e arbitrária com a multa isolada que a época do inicio do procedimento engendrado não existia, em total desrespeito ao princípio da irretroatividade das leis e, principalmente ao ato jurídico perfeito. Das fls.162/167, a Recorrente discorre acerca da validade da compensação efetuada com a utilização de títulos da Eletrobrás e de sua natureza como títulos de dívida pública. Sob o tópico II.9 – A Recorrente argúi que a multa aplicada é ilegal e possui efeito confíscatório. Finalmente requer: em preliminar, a ANULAÇÃO do auto de infração, pela falta de especificação e fundamentação no enquadramento legal, bem como dos fatos e da motivação do Auto de Infração, violando assim o princípio da ampla defesa, do contraditório e da motivação dos atos administrativos. e, no mérito, requer seja considerado IMPROCEDENTE o lançamento de ofício da multa isolada, materializado no auto de infração É o relatório. Voto Fl. 377DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 1802002.239 S1TE02 Fl. 7 11 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado trata o presente processo do Auto de Infração, que exige o valor de R$ 95.300, 35 a título de multa de ofício isolada, em decorrência de declaração de compensação considerada não declarada, apresentada em 14/01/2005 (fl.17) pela empresa autuada, . Na descrição dos fatos do auto de infração consta o seguinte: 0 contribuinte efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada, e constantes de fls. 01 do processo n° 16327.000075/200561, no valor de R$ 127.067,13 (RS 60.849,91 + R$ 66.217,22). Dessa forma, então, aplicase a multa de 75% prevista no inciso II do caput ou no parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, com fulcro na alínea c do inciso II do I parágrafo 12 do artigo 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pelo artigo 4° da Lei 11.051/04, conforme Despacho Decisório desta DEINF/SPO/DIORT (fls. 122 a 133 do processo n° 19679.003469/200498, com ciência do contribuinte em 16/11/05. ... Enquadramento Legal Art. 18 da Lei n° 10.833/03 c/ a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004. Resta esclarecido que o processo n° 19679.003469/200498 trata de Pedido de Restituição, formalizado junto à RFB na data de 05 de março de 2004 (fl. 01) no qual pleiteia suposto direito creditório oriundo de título ao portador representativo, de obrigação de Centrais Elétricas Brasileiras (fl.01). E o processo nº 16327.000075/200561, contém a Declaração de Compensação, protocolizada em 14/01/2005 que pretende compensar suposto crédito relativo ao pedido de restituição acima mencionado com débitos de Cofins (fl.17). Entende a Recorrente que ao procedimento administrativo (pedido de restituição e declaração de compensação) não podem ser aplicadas as alterações trazidas pela Lei n .° 11.051/2004, pois não estavam em vigor à data do protocolo do pedido de restituição. A Recorrente alega que segundo consta do referido Auto de Infração, o auditor fiscal enquadrou legalmente os fatos tidos como infração com base no "Art. 18 da Lei n° 10.833/03 c/ redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004.", e, este último dispositivo legal, limita o lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, apenas para as hipóteses EM QUE FICAR CARACTERIZADA, a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, para que possa a autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício de multa isolada por declaração de compensação como no caso em tela, deve antes, caracterizar, ou seja, comprovar a existência de uma das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 (sonegação, fraude ou conluio). Tal Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 omissão prejudica o direito a ampla defesa e ao contraditório da recorrente, visto que as hipóteses acima referidas (sonegação, fraude ou conluio) distinguemse em muito uma da outra, da mesma forma que a defesa da recorrente também seguiria linhas distintas para cada uma das hipóteses. Não assiste razão à Recorrente. A teor do artigo 144 do CTN, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Por outro lado, em consonância com a alínea “c”, inciso II do artigo 106 do CTN, “A lei aplicase a ato fato pretérito: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática”. Nesse contexto legal, a infração imputada (compensação considerada não declarada) ocorreu na data em que protocolizada pela pessoa jurídica interessada a Declaração de Compensação (fl.17) que dá origem ao processo nº 16327.000075/200561 em 14/01/2005, já em vigor a Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219/2004) que alterou o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Vejamos: Lei nº 11.051, de 29/12/2004 Art. 4o. O art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação:(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) "Art. 74. ............................................................................ ............................................................................ § 3o............................................................................ ............................................................................ IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. ............................................................................ § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b)refirase a "crédito prêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 1802002.239 S1TE02 Fl. 8 13 c) refirase a título público; d)seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...) Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 2oA multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................ § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) A questão central cingese à aplicação de multa isolada de 75% e a legislação vigente na data da ocorrência da infração, qual seja o artigo 18 da Lei nº 10.833/03, alterado pela Lei nº 11.051/04. Repetese que, a infração ocorreu com a entrega da Declaração de Compensação à Receita Federal que se deu em 14/01/2005. Passemos, pois, a análise do Art. 18 da Lei n° 10.833/03 c/ redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004” na data em que ocorreu a infração: Lei nº 10.833/2003 (redação original) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835,de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o ‘caput’ é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9..430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Com as alterações introduzidas pelo artigo 25 da Lei nº 11.051/2004, o mencionado artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 passou a ter a seguinte redação: "Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................ § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) Depreendese do enunciado acima que a Lei nº 11.051/2004 equiparou as condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 aos casos de compensação considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com multa isolada cominada unicamente de 150% para ambas situações. Com a edição da Lei nº 11.196 de 21/11/2005 o § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 passou a ter a seguinte redação: ... § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 1802002.239 S1TE02 Fl. 9 15 II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, diferentemente da Lei nº 11.051/2005, a partir da publicação da Lei. 11.196/2005, é que a infração, compensação considerada “não declarada”, fora relativizada, a possuir cominação distinta nas situações distintas, a saber: 75% sem a evidencia do intuito de fraude, e, 150% nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Com efeito, somente a partir da publicação da Lei. 11.196/2005, é que a infração compensação “não declarada” sem que estejam presentes as condutas de fraude, dolo ou simulação, possui cominação de multa isolada de 75% a teor do inciso I do § 4º acima transcrito, e não, 150% nos moldes do § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 alterado pela Lei nº 11.051/2004. O que significa dizer que, em 14/01/2005 (data da infração) a multa isolada deveria ser no percentual de 150% porque ainda não vigente a Lei nº 11.196 de 21/11/2005, tampouco a MP nº 351 de 22/01/2007 convertida na Lei nº 11.488 de 15/06/2007 que alterou o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Todavia, o Auto de infração em comento foi cientificado ao interessado em 21/02/2007 (fl.210), de sorte que, em respeito ao princípio da retroatividade benigna prevista na alínea “c”, inciso II do artigo 106 do CTN, o autuante aplicou a multa isolada de 75% e não, a de 150% como previsto no § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 alterado pela Lei nº 11.051/2004, legislação vigente na data em que ocorreu a infração (14/01/2005). Correto o procedimento fiscal. A alegação da Recorrente de que houve omissão do autuante, que cerceia o direito de defesa, não prospera, pois, a multa aplicada tem relação como a infração: compensação considerada nãodeclarada. Por não ser o caso da infração imputada, o autuante não se refere às hipóteses acima referidas (sonegação, fraude ou conluio) sugeridas pelo Recorrente para as quais não haveria redução da penalidade para 75%. Preliminar afastada. A Recorrente aduz que, é incabível autuação por compensação indevida (considerada não declarada), uma vez que não se aplica ao caso em tela as alterações introduzidas pela Lei n.° 11.051/2004, que entrou em vigor após o início do procedimento administrativo em comento (dia 29/12/2004), sendo, portanto, inaplicável ao caso em questão, em obediência do princípio da irretroatividade da lei, não havendo que se falar em multa isolada sobre o montante do débito constante da declaração de compensação, com fulcro nas alterações da malsinada Lei n.° 11.051/2004. Portanto, ao procedimento administrativo (pedido de restituição e declaração de compensação) não pode ser aplicado as alterações trazidas pela Lei n .° 11.051/2004, pois não estavam em vigor à data do protocolo do pedido de restituição (ato jurídico perfeito), devendo a multa isolada ser afastada de imediato, sob pena de ferir os princípios da irretroatividade das leis, da segurança jurídica e também o ato jurídico perfeito, violando diretamente o artigo 106 do Código Tributário Nacional4. A Recorrente diz supor que a multa aplicada (75%) está embasada nas novas alterações trazidas pela lei n.° 11.051/2004 ao artigo 18 da Lei n.o 10.833/2003. Como visto, a análise da preliminar argüida pela Recorrente no essencial esgota o mérito, pois, todas as questões acima já foram analisadas e concluídas em sede de preliminar que fora afastada. Eis que, à luz dos dispositivos legais vigentes, está claro que a compensação intentada, empregando crédito que se refira a título público é considerada não declarada, acarretando a penalidade de multa isolada, conforme § 4ºo , do artigo 18, da Lei n°. 10.833/03, acrescentado pelo artigo 25 , da Lei n°. 11.051/2005. A Recorrente alega, a conexão entre o pedido de restituição Processo nº 19679.003469/200498, protocolado em 05/03/2004 e a declaração de compensação. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 1802002.239 S1TE02 Fl. 10 17 Diz que, o procedimento engendrado pela Recorrente iniciouse em 05/03/2004 (doe. 7/8), através de protocolo de pedido de restituição e, posteriormente apresentou correlata e sucessivamente declarações de compensação, dentre elas a que se refere ao processo de n.° 16327.000075/200561, conexa ao referido pedido. Portanto, tratase de procedimento único, com pedidos que são dependentes entre si, não podendo serem tratados separadamente. Argumenta que, o Auditor Fiscal, ao lançar multa isolada através de auto de infração, em 75% sobre o valor do débito fiscal compensado, atribuiu efeito retroativo à Lei n.° 11.051/2004, em evidente prejuízo ao contribuinte vez que o onerou de forma desarrazoada e arbitrária com a multa isolada que a época do inicio do procedimento engendrado não existia, em total desrespeito ao princípio da irretroatividade das leis e, principalmente ao ato jurídico perfeito. Vêse que a argumentação da Recorrente é equivocada, pois, a infração não decorre de haver o interessado pleiteado a Restituição de título da Eletrobrás em 05/03/2004, para o que não há penalidade e, sim, por haver o interessado apresentado em 14/01/2005, a Declaração de Compensação de crédito de título da Eletrobrás com débitos seus de Cofins. Daí tal Declaração considerada não declarada a teor da alínea “c”, inciso II , § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 em vigor com alterações trazidas pelo artigo 4º da Lei n.° 11.051/2004. Ao contrário do alegado pela Recorrente, tais procedimentos por ela engendrados, se subsumem as hipóteses punitivas do artigo 18 da lei n.° 10.833/2003 com alterações trazidas pelo artigo 25 da Lei n.° 11.051/2004. Portanto, não há falar em desrespeito ao princípio da irretroatividade das leis e, ao ato jurídico perfeito como alegado pela Recorrente. A Recorrente discorre acerca da validade da compensação efetuada com a utilização de títulos da Eletrobrás e de sua natureza como títulos de dívida pública. Dessa matéria trazida pela Recorrente, tal qual decidido em sede de primeira instância, dela não se toma conhecimento, pois, das razões de defesa versando sobre o direito creditório e o direito à compensação, já foram analisados no processo n° 19679.003469/2004 98, arquivado no Arquivo Geral do Ministério da Fazenda em 02/07/2012 com a decisão constante do Despacho de 10/05/2006 (fls. 102 a 104). E, o processo administrativo 16327.000075/200561 que trata da Declaração de Compensação considerada não declarada se encontra arquivado na PGFN/SP em 19/08/2013. Dessa forma, o litígio nos presentes autos abrange apenas o cabimento ou não da multa isolada sobre o débito total de R$ 127.067,13 (fl.20), indevidamente compensado. E, a conclusão a que se chega, conforme demonstrado acima, é que: É cabível a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com as alterações dispostas na Lei nº 11.051/2004, e, aplicase a retroatividade benigna (CTN, art. 106, II, “c”) e exigência de multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) por infração ocorrida na data de protocolização de DCOMP sob a égide da Lei 10.833/2003 (art. 18), com as alterações previstas na Lei n° 11.051, de 2004. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 A Recorrente alega que a multa aplicada é ilegal e confiscatória. Sobre tais aspectos, ressaltese que a multa lançada de ofício nos casos de compensação considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme previsto no § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 alterado pela Lei nº 11.051/2004, decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 02 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal. A Recorrente alega ainda que, é abusiva e confiscatóría a incidência de multa punitiva sobre multa moratória, pois, se a multa aplicada de 75% está incidindo sobre o valor devidamente atualizado, acrescido de multa de mora, é clarividente que está se aplicando multa sobre multa. A alegação da Recorrente é improcedente, na medida em que a multa isolada no percentual de 75% tem como base de cálculo o valor do débito de Cofins constante da Declaração de Compensação ( compensação considerada não declarada). Do que se depreende não haver inclusão de multa de mora na base de cálculo e consequente incidência de multa sobre multa. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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