Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.008727/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
BARRAS DE CEREAIS, COM OU SEM ADIÇÃO DE CACAU.
Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os Cereais em barra que não possuírem percentual de açúcar suficiente para serem considerados produtos de confeitaria classificam-se nos códigos 1904.20.00.
Recurso Voluntário Negado
O não enfrentamento de pontos específicos da impugnação não implicam nulidade, quando os fundamentos do acórdão sejam pertinentes com suas conclusões.
Não há que se falar em omissão quanto à matéria não alegada na impugnação.
Numero da decisão: 3302-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Sustentação Oral: Amador Outorelo Fernandes OAB/DF nº 7100
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente e Relator AD Hoc
(Assinado digitalmente)
Fabiola Cassiano Keramidas Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 BARRAS DE CEREAIS, COM OU SEM ADIÇÃO DE CACAU. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os Cereais em barra que não possuírem percentual de açúcar suficiente para serem considerados produtos de confeitaria classificam-se nos códigos 1904.20.00. Recurso Voluntário Negado O não enfrentamento de pontos específicos da impugnação não implicam nulidade, quando os fundamentos do acórdão sejam pertinentes com suas conclusões. Não há que se falar em omissão quanto à matéria não alegada na impugnação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.008727/2005-15
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357117
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.161
nome_arquivo_s : Decisao_10980008727200515.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 10980008727200515_5357117.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Sustentação Oral: Amador Outorelo Fernandes OAB/DF nº 7100 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente e Relator AD Hoc (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5508086
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812952100864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2047; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.318 1 1.317 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.008727/200515 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.161 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de junho de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente NUTRIMENTAL S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa julgadora não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de atos legais. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O não enfrentamento de pontos específicos da impugnação não implicam nulidade, quando os fundamentos do acórdão sejam pertinentes com suas conclusões. Não há que se falar em omissão quanto à matéria não alegada na impugnação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 BARRAS DE CEREAIS, COM OU SEM ADIÇÃO DE CACAU. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os Cereais em barra que não possuírem percentual de açúcar suficiente para serem considerados “produtos de confeitaria” classificamse nos códigos 1904.20.00. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 87 27 /2 00 5- 15 Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 negavam provimento. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Sustentação Oral: Amador Outorelo Fernandes – OAB/DF nº 7100 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente e Relator AD Hoc (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1269 a 1315) apresentado em 11 de novembro de 2011 contra o Acórdão no 0122.933, de 13 de setembro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 1256 a 1262), cientificado em 13 de outubro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2003, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os Cereais em barra classificamse na posição TIPI 1704.90.90, sendo que os cereais em barra com chocolate classificamse na posição TIPI 1806.32.20. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa julgadora não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de atos. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 15 de agosto de 2005, de acordo com o termo de fls. 300 a 305. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.319 3 A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O estabelecimento acima identificado foi autuado por ter promovido saídas, nos anos de 2002 e 2003, de produtos alimentícios tipo “barra de cereal” denominados Nutry, classificandoos nos códigos 1904.20.00 da Tipi, com alíquota zero, quando o correto teria sido classificálos nas posições 1704 (código 1704.90.20) e, para os que, além do açúcar, contenham cacau, na posição 1806 (código 1806.32.20), com alíquota de 5%, tudo conforme o Termo de Verificação de Ação Fiscal das folhas 300/305. 2. Cientificada em 15.08.2005 (fl. 289), a interessada apresentou, tempestivamente, em 13.09.2005, impugnação (fls. 321/372, mais anexos) na qual, em síntese, após relatar fatos e tecer ponderações sobre a essencialidade e sobre a seletividade do IPI, destacar as regras de classificação fiscal dos produtos industrializados, descrever o processo de industrialização do produtos em questão, assevera que, no presente caso, devese utilizar a Regra Geral de Interpretação 3 (RGI 3), que leva à classificação fiscal do produto segundo a característica que lhe é essencial. Nesse sentido, propõe que o produto não possa ser caracterizado como de confeitaria, haja vista que o ingrediente que lhe dá identidade e é essencial é o cereal (fibra). 3. Em seguida, lança mão da Resolução CNNPA n.º 12/78, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA que transcreve nas folhas 222 a 226, para a definição do que entende ser “produto de confeitaria”, concluindo que o ingrediente que lhe dá identidade é o açúcar, mais precisamente, sacarose, ingrediente este que não se faz presente no produto de que se trata. Entende que, por essa razão, não se pode classificálo na posição 1704. No que tange ao produto que contém cacau em sua formulação, repudia a classificação fiscal na posição 1806 com base na mesma Resolução CNNPA n.º 12/78, afirmando que o cacau não é seu ingrediente essencial. 4. Espera elucidar definitivamente a questão, avisando que a ANVISA classifica as barras de cereais que o autuado produz como “cereais e derivados”, em virtude da sua composição e dos ingredientes que lhe dão identidade, não merecendo então prevalecer o entendimento não fundamentado do Fisco para classificar esses produtos em outra posição que não seja a 1904. Aduz ainda que o Ministério da Saúde e a ANVISA sempre concederam registro para as barras de cereais “Nutry” de industrialização do autuado como “cereais e derivados”. 5. Apresenta Parecer pela EMBRAPA (Embrapa Agroindústria de Alimentos) e um Laudo Técnico pela TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná) como forma de sustentar seu entendimento. 6. Combate aplicação da multa de lançamento de ofício, no percentual de 75%, que pretende tenha natureza confiscatória, o que ofenderia o artigo 5º, inciso XXII, da Constituição Federal. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Cita doutrina e jurisprudência do STJ sobre multa moratórias, para propugnar pela sua redução ao percentual de 20% do valor do imposto. 7. Da mesma forma, requer a inaplicabilidade da taxa Selic aos débitos fiscais, por ser a mesma inconstitucional. No recurso, a Interessada alegou inicialmente nulidade do acórdão de primeira instância, por cerceamento de defesa e violação aos princípios da instrumentalidade processual e da busca pela verdade material. Segundo a Interessada, “a r. decisão não apreciou as provas juntadas pela recorrente, não tendo observado os ditames do Parecer da Embrapa e do Laudo da Tecpar, além de não ter apreciado a totalidade de argumentos objeto da Impugnação, em especial, a não incidência do IPI sobre os descontos incondicionais.” A seguir, tratou do erro na classificação fiscal dos produtos, analisando os princípios da seletividade e essencialidade. Também analisou as regras de classificação fiscal, ressaltando a regra 3b, segundo a qual, “Nas diversas hipóteses, a classificação das mercadorias deve ser feita pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação.” Citou ementas de acórdão administrativos e judiciais sobre a questão. Na sequência, tratou do elemento essencial do produto “nutry”, de sua não classificação como produto de confeitaria sem cacau e como outras preparações alimentícias contendo cacau, de sua caracterização como cereal, do registro dos produtos na Anvisa como “cereais e derivados”, do parecer da Embrapa e do laudo da Tecpar. Ainda alegou que os descontos incondicionais teriam sido desconsiderados na autuação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walber José da Silva, Relator “AD Hoc” O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O presente voto foi lido em sessão pelo então Conselheiro Relator José Antonio Francisco, o qual adoto por ter sido designado relator ad hoc. Inicialmente, esclareçase que não há nulidade no acórdão de primeira instância. No tocante aos descontos incondicionais, não há, na impugnação de efls. 321 a 372, menção a tal matéria. Além da questão da classificação fiscal, a Interessada insurgiuse contra a multa e os juros de mora. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.320 5 Mas descabe às instâncias administrativas apreciar matéria constitucional, nos termos do art. 26A do Decreto n. 70.235, de 1972. Ademais, o art. 62 do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009) traz a mesma limitação, em concordância com a Súmula Carf n. 2. As seguintes Súmulas Carf (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009) aplicamse ao caso: Súmula CARF no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em relação ao mérito da exigência dos juros, aplicase o entendimento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo no REsp n. 879.8441, nos termos do 1 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. (Precedentes: AgRg no Ag 1103085∕SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04∕08∕2009, DJe 03∕09∕2009; REsp 803.059∕MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16∕06∕2009, DJe 24∕06∕2009; REsp 1098029∕SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16∕06∕2009, DJe 29∕06∕2009; AgRg no Ag 1107556∕SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16∕06∕2009, DJe 01∕07∕2009; AgRg no Ag 961.746∕SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19∕05∕2009, DJe 21∕08∕2009) 3. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 4. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 582461, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "ICMS. Inclusão do montante do imposto em sua própria base de cálculo. Princípio da vedação do bis in idem. ∕ Taxa SELIC. Aplicação para fins tributários. Inconstitucionalidade. ∕ Multa moratória estabelecida em 20% do valor do tributo. Natureza confiscatória." 5. Nada obstante, é certo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 6. Com efeito, os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702∕RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650∕SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194∕SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223∕RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637∕MG, Rel. Ministro Castro Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 art. 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009). Quanto aos pareceres apresentados (Embrapa e Tecpar), sua não análise e consideração não implica nulidade, pois, para efeito da classificação, basta conhecer as características dos produtos e as regras de classificação, não havendo que se contrapor cada consideração apresentada pelo contribuinte para desconsiderar a classificação por ele adotada. A respeito da classificação fiscal, primeiramente adotamse os fundamentos da ConselheiraRelatora do recurso no processo 10865.003390/200819, abaixo reproduzidos: 1 Cereais em Barra A análise da composição dos produtos Cereais em Barra – Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã e Neston Light Frutas Silvestres foi feita de forma criteriosa pela autoridade administrativa, verificando Nome Vulgar/Nome Comercial/Cientifico e Técnico/Denominação Legal; Marca Registrada; Aplicação, uso.ou emprego (uso alimentício); Forma de apresentação; Matéria ou material que é constituído o produto e suas percentagens em peso e processo de obtenção, consoante consta às fls. 44 a 53, volumes 1 e 2, a partir da qual se constata a inclusão de uma proporção razoável de xarope de glicose e de açúcar. Tendo em vista tal composição, a forma de apresentação e o uso ou emprego (para fins uso alimentício, destinase a consumo imediato) corroboro com o entendimento proferido pela autoridade julgadora a quo de que aos mesmos se aplica os fundamentos da Solução de Divergência COANA n° 01/2001 que tratou da classificação fiscal de produtos desta natureza (Barras de Cereais), e que foi devidamente citada pela fiscalização e reproduzida pela autoridade julgadora a quo e transcrita no relatório acima, cuja conclusão deuse pela correta aplicação das regras gerais de interpretação do SH e regras gerais complementares do NCM, esclarecidas acima, classificandoos no código 1704.90.90, ao invés do código 1904.20.00, como pretende a recorrente, tendo em vista as seguintes Notas Explicativas do Sistema Harmonizado: · as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1704 esclarecem: Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580∕RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 7. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕2008 Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.321 7 “Esta posição engloba a maior parte das preparações alimentícias com adição de açúcar, comercializadas no estado sólido ou semisólido. Em geral prontas para consumo imediato, conhecidos por produtos de confeitaria. " (grifouse) · As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1904, pleiteada pela recorrente, relaciona entre os produtos excluídos dessa posição: “Também se excluem: a) Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04).” 1904.20.00 Cabe aqui ressalvar, tendo em vista que a recorrente traz em favor de seu argumento o Laudo CIAL n° 080/2005 emitido pelo Instituto de Tecnologia dos Alimentos, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do estado de São Paulo, cuja conclusão confirma o acerto em se adotar a posição 1904.20.20 para enquadrar "cereais em barra” que, conforme supra destacado, o órgão oficial no Brasil com competência para pronunciarse sobre classificação fiscal de mercadorias é a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB, que, relativamente à idênticos produtos, o fez por meio da referida Solução de Divergência e também, por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DIANA n° 79, de 19 de novembro de 2003, igualmente transcrita no relatório, como, também, pela Decisão SRRF10ª/DIANA nº 52, de 11 de julho de 2000, conforme ementa abaixo se transcreve: “Ementa: Código TIPI Mercadoria. 1704.90.90 Produto de confeitaria, sem cacau, composto de glicose, açúcar, mel, açúcar mascavo, maltodextrina, gordura vegetal hidrogenada,lecitina de soja, flocos de aveia, flocos de arroz, flocos de milho, castanhas, passas de uva e coco ralado, apresentado em barras ou tabletes, com peso líquido de 12 e 25 gramas, denominado "Cereal Mix". “Dispositivos Legais: RGI 1 (texto da posição 1704) e 6 (texto da subposiçao 1704.90), e RGC1(texto do item 1704.90.90), da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2.092/1996." 2 Cereais em Barra com Chocolate Da mesma forma, a análise do uso e emprego, da composição, processo de obtenção e apresentação dos produtos Cereais em Barra com Chocolate consta às fls. 54 e 55 do volume 2, a partir da qual se verifica a inclusão de Xarope de Glicose 3840, Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Açúcar Cristal 8,838%; Massa de cacau (liquor) 2,974% e Manteiga de Cacau desodorizada 2,584%. A Nota 2 do Capítulo 18 estabelece: “2.A posição 18.06 compreende os produtos de confeitaria contendo cacau, bem como, ressalvadas as disposições da Nota 1 do presente Capítulo, as outras preparações alimentícias contendo cacau.”(grifouse) E o texto da posição 1806 é assim definido: “18.06 CHOCOLATE E OUTRAS PREPARAÇÕES ALIMENTÍCIAS CONTENDO CACAU (...).” (grifouse) E as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1806 esclarecem: “Esta posição compreende ainda os produtos de confeitaria contendo cacau em qualquer proporção, o nogado de chocolate, o cacau em pó adicionado de açúcar ou de outros edulcorantes, os choco/ates em pó adicionados de leite em pó, os produtos pastosos à base de cacau ou de chocolate e de leite concentrado e, de um modo geral, todas as preparações alimentícias contendo cacau, exceto as excluídas nas Considerações Gerais do presente Capitulo.’(grifouse) Neste item, a autoridade administrativa já havia destacado a manifestação da RFB sobre a classificação de produto similar, por meio da Decisão SRRF/10ª RF/DIANA N° 73, de 08 de agosto de 2000, cuja ementa reproduzimos abaixo (verbis): "Ementa: Código TIPI Mercadoria 1806.32.20 Produto de confeitaria contendo cacau, composto de glicose, açúcar, mel, açúcar mascavo, maltodextrína, gordura vegetal hidrogenada, lecitina de soja, flocos de aveia, flocos de arroz, flocos de milho, castanhas,;passas de uva, coco ralado e gotas ou lascas de chocolate: misturadas à massa do xarope c cereais/ apresentado cm barras ou tabletes com pés liquido de 12 e 25 gramas, denominado CerealMix". “Dispositivos Legais RGI 1 (Notas 1 a do Capitulo 17 e 2 do Capitulo 13 c texto .da posição 1805) c 6 (texto da subposiçao.1806.32) e RGC1 (texto do item 1806 32 20) da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2 092/1996”. Desta forma, concluise que, em face da Nota 2 do Capitulo18, os produtos de confeitaria contendo cacau em qualquer proporção estão compreendidos na posição 1806. E, O chocolate e outras preparações alimentícias contendo cacau, em tabletes, barras e paus, com peso inferior ou igual a 2kg enquadrase na subposição de primeiro nível 806.3; as preparações não recheadas classificamse na subposição de segundo nível 1806 32 e as preparações não recheadas diferentes do chocolate enquadramse no item 1806 32 20. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.322 9 A respeito da classificação fiscal de tais produtos, parece haver uma questão ideológica, subjacente à caracterização de se tratar de produtos a base de cerais ou a base de glicose, o que poderia levantar questionamentos quanto à seguinte afirmação contida no Parecer da Embrapa: Estas barras constituemse principalmente de misturas de cereais, frutas e chocolate, sendo um produto alimentício de alto valor nutritivo e podendo ser consumido a qualquer hora. É uma real alternativa aos doces e tem uma grande diversidade de sabores. No parágrafo seguinte, entretanto, o Parecer diz expressamente que a glicose é um elemento essencial do produto: Têmse como receita básica, (sic) três grupos principais de ingredientes: a matéria seca, formada pela mistura de cereais, frutos secos e nozes; os ingredientes aglutinantes como os xaropes de glicose, sacarose, açúcar invertido, frutose, gordura vegetal e lecitina e por fim os aromatizantes. Entretanto, para a aglutinação da matéria seca é necessária uma quantidade tão considerável de glicose, que acaba por descaracterizar os produtos da classificação pretendida pela Interessada. O Parecer da Tecpar resolve a questão pelo seguinte critério: Os produtos de confeitaria classificados na posição 17.04 como as pastilhas, balas, caramelos, fondants, marzipãs, entre outros, conforme consulta a tabelas de composição nutricional, possuem uma composição bastante diferenciada principalmente em termos de teores de calorias e gorduras os quais são mais elevados que para as barras de cereais, enquanto que os valores para fibras alimentares são menores para aqueles doces, tendendo a zero na maioria dos produtos Entretanto, a quantidade de açúcar que deve conter o produto para ser caracterizado como de confeitaria não é o que consta dos rótulos dos produtos expressamente citados na TIPI, mas o que considera a Nota de Posição 19.04 “Também se excluem: a) Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04).” Assim, a proporção de açúcar contida no produto deve ser tal que ele tenha a característica de produtos de confeitaria. Tal característica vem expressa na nota da posição 1704, já anteriormente citada: “Esta posição engloba a maior parte das preparações alimentícias com adição de açúcar, comercializadas no estado sólido ou semisólido. [...]” Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Ademais, o simples fato de se tratar de cereal revestido de açúcar já é suficiente para caracterizálo como produto de confeitaria. Assim, o critério não pode ser o adotado pelo parecer citado e, sim, o do acórdão: [...]a mercadoria sob análise mostra todas as características típicas de produtos de confeitaria, especialmente em vista da adição de vários tipos de açúcares [...] À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Relator AD Hoc Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tratase de discussão acerca da adequada classificação fiscal para “barra de cereais” denominado “Nutry”. Conforme se verifica do relatório, o que geraria a alteração da classificação fiscal é o conceito de que o produto se identifucar com “confeito”. Neste aspecto a fiscalização entendeu que a Recorrente comercializa dois tipos de barras de cereais, ambos com açúcar suficiente para serem conceituados como “produtos deconfeitaria”, sendo que um teria ianda a adição de cacau. Inicialmente registro que em relação às materias alegadas em sede de preliminar, acompanho o voto do Ilustre Conselheiro Relator. Todavia, divirjo em relação ao entendimento por ele aprsentado em relação ao mérito ora julgado. Assim como se verifica do voto proferido, adecisão do Ínclito Conselheiro Relator segue a mesma linha do acórdão recorrido, no sentido de que os produtos comercializados pela Recorrente estariam “excluídos” da posição que a empresa pretende por serem “produtos de confeitaria”, nos termos da decisão do Relator: “As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1904, pleiteada pela recorrente, relaciona entre os produtos excluídos dessa posição: ‘Também se excluem: a) Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04).’ (...) Código TIPI Mercadoria 1806.32.20 Produto de confeitaria contendo cacau, composto de glicose, açúcar, mel, açúcar mascavo, maltodextrína, gordura vegetal hidrogenada, lecitina de soja, flocos de aveia, flocos de arroz, flocos de milho, castanhas,;passas de uva, coco ralado e gotas ou lascas de chocolate: misturadas à massa do xarope c Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.323 11 cereais/ apresentado cm barras ou tabletes com pés liquido de 12 e 25 gramas, denominado CerealMix. Dispositivos Legais RGI 1 (Notas 1 a do Capitulo 17 e 2 do Capitulo 13 c texto .da posição 1805) c 6 (texto da subposiçao.1806.32) e RGC1 (texto do item 1806 32 20) da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2 092/1996”. Desta forma, concluise que, em face da Nota 2 do Capitulo 18, os produtos de confeitaria contendo cacau em qualquer proporção estão compreendidos na posição 1806. E, O chocolate e outras preparações alimentícias contendo cacau, em tabletes, barras e paus, com peso inferior ou igual a 2kg enquadrase na subposição de primeiro nível 806.3; as preparações não recheadas classificamse na subposição de segundo nível 1806 32 e as preparações não recheadas diferentes do chocolate enquadramse no item 1806 32 20.” destaquei Percebese, claramente, que o discrímen da classificação pretendida pela Recorrente daquela imputada pela fiscalização (e mantida no voto proferido), é o conceito de que as barras de cereais são, em verdade, produtos de confeitaria. E é exatamente neste ponto que peço vênia para divergir do ilustre conselheiro Relator. É que a meu sentir, a fiscalização entende que o cacau, em qualquer proporção, justificaria a classificação do produto como sendo “confeito”. Da mesma forma, o fato de a glicose estar entre os ingredientes da barra de cereais, geraria a conclusão de que se trata de “produto de confeitaria”. Neste aspecto o Conselheiro Relator entendeu que a glicose por ser elemento aglutinador é “elemento essencial do produto”, verbis: “No parágrafo seguinte, entretanto, o Parecer diz expressamente que a glicose é um elemento essencial do produto: Têmse como receita básica, (sic) três grupos principais de ingredientes: a matéria seca, formada pela mistura de cereais, frutos secos e nozes; os ingredientes aglutinantes como os xaropes de glicose, sacarose, açúcar invertido, frutose, gordura vegetal e lecitina e por fim os aromatizantes.” destaquei Discordo do entendimento apresentado. In casu, percebo que os produtos em discussão não possuem os percentuais suficientes de açúcar que permitam sua caracterização como sendo “produto de confeitaria”. Este fato, a meu entender, per si, seria suficiente para a manutenção da classificação indicada pela Recorrente. Esclareço, ainda, que este entendimento encontra supedâneo nos laudos apresentados, os quais adoto nesta decisão como razão de decidir. Mas não é só. De acordo com a NOTA 3, do Capítulo 19, a posição adotada pela Recorrente no produto em que há adição de cacau apenas seria afastada se houvesse no produto a presença de mais de 6% de cacau, verbis: “Nota 3: A posição 19.04. não abrange as preparações que contenham mais de 6%, em peso, de cacau, calculado sobre uma base Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 totalmente desengordurada, nem as revestidas de chocolate ou de outras preparações alimentícias que contenham cacau, da posição 18.06 (posição 18.06)” – destaquei. Dos autos verificase que o produto comercializado pela Recorrente não excede este percentual de cacau. Em virtude destes fatos, peço vênia ao Conselheiro Relator para divergir de seu entendimento, para DAR PROVIMENTO ao recurso apresentado e manter as classificações fiscais indicadas pela Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720020/2013-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 01/03/2012
AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO APENAS EM FUNÇÃO DAS MATÉRIAS DIFERENCIADAS. AS MATÉRIAS JUDICIALIZADAS ESTÃO FORA DO ALCANCE DA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. DESRESPEITO À DIVERSAS NORMAS LEGAIS E A DETERMINAÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA APURAÇÃO DO MONTANTE COMPENSADO E DAS RUBRICAS INTEGRANTES PELA RECORRENTE. PROVAS QUE SE PODERIA E DEVERIA TER SIDO FEITA NO MOMENTO APROPRIADO E PELO MEIO ADEQUADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTOS QUE SE CONFORMAM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. NULIDADE . INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 01/03/2012 AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO APENAS EM FUNÇÃO DAS MATÉRIAS DIFERENCIADAS. AS MATÉRIAS JUDICIALIZADAS ESTÃO FORA DO ALCANCE DA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. DESRESPEITO À DIVERSAS NORMAS LEGAIS E A DETERMINAÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA APURAÇÃO DO MONTANTE COMPENSADO E DAS RUBRICAS INTEGRANTES PELA RECORRENTE. PROVAS QUE SE PODERIA E DEVERIA TER SIDO FEITA NO MOMENTO APROPRIADO E PELO MEIO ADEQUADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTOS QUE SE CONFORMAM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. NULIDADE . INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.720020/2013-01
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5367447
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.390
nome_arquivo_s : Decisao_10580720020201301.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580720020201301_5367447.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5562583
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812981460992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 328 1 327 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720020/201301 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.390 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria CP: GLOSA DE COMPENSAÇÃO E MULTA ISOLADA. Recorrente TRANSPORTADORA RENER LTDA EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 01/03/2012 AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO APENAS EM FUNÇÃO DAS MATÉRIAS DIFERENCIADAS. AS MATÉRIAS JUDICIALIZADAS ESTÃO FORA DO ALCANCE DA “JURISDIÇÃO” ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. DESRESPEITO À DIVERSAS NORMAS LEGAIS E A DETERMINAÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA APURAÇÃO DO MONTANTE COMPENSADO E DAS RUBRICAS INTEGRANTES PELA RECORRENTE. PROVAS QUE SE PODERIA E DEVERIA TER SIDO FEITA NO MOMENTO APROPRIADO E PELO MEIO ADEQUADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTOS QUE SE CONFORMAM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. NULIDADE . INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 20 /2 01 3- 01 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 329 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 330 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.034.0199, que objetiva a glosa de compensação realizada indevidamente, bem como o Auto de Infração de Multa Isolada – AIMI DEBCAD 51.003.1463, que objetiva o lançamento de multa isolada, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 14 a 29, com período de apuração de 05/2009 a 07/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 66 e 67. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 09/01/2013, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração, de fls. 02 e 06. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 160 a 173, recebida, em 08/02/2013, estando acompanhada dos documentos, de fls. 174 a 218. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0433.059 4ª, Turma DRJ/CGE, em 22/08/2013, fls. 224 a 235. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 10/10/2013, conforme AR, de fls. 238. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 240, relativamente, aos dois DEBCAD’s 51.034.0199 e 51.003.1463, recebida, em 04/11/2013, com as razões recursais, as fls. 240 a 264, acompanhada dos documentos, de fls. 265 a 321, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Preliminar. · que o procedimento fiscal é nulo, pois iniciado por meio do MPF – D, recebido em 15/05/2012, porém em 26/06/2012 foi apresentado um novo documento agora MPF –F, sem contudo que o anterior estivesse extinto, este último com validade até 04/10/2012, entretanto o fisco em 03/12/2012 solicitou as varas federais informações sobre os processos que geraram os créditos, informações que o fisco já detinha, pois de posse das decisões, sentenças e acórdão fornecidos pela recorrente, sendo que a recorrente não foi cientificada de qualquer tipo de prorrogação, nos termos da legislação, gerando a autuação supressa à recorrente, pois entendia que o MPF estava extinto e a fiscalização encerrada, o que viola a legislação, uma vez que a atuação foi lavrada após esgotada a validade do MPF, sendo assim nula a autuação, declaração que desde já se requer; · que apesar de não apreciado em primeira instância, cumpre sob o manto da legalidade, asseverar que o lançamento não discrimina de Fl. 331DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 331 4 forma clara e precisa, o que foi compensado e sua respectiva fundamentação legal, pois todas as bases de cálculo deveriam estar explicitadas, uma vez que a glosa de compensação nada mais é que lançamento das contribuições do artigo 20 e 22, da Lei 8.212/91, conforme decisão da DRJ/FOR Nº 0815402, de 06/05/2009, ocorrendo cerceamento de defesa e infração ao artigo 37, da Lei 8.212/91, tendo tais vícios a natureza de vícios matérias, decidindo em casos análogos este conselho pela nulidade do lançamento, conforme decisões transcritas, ocorrendo o cerceamento de defesa teremos a nulidade do artigo 59, do Decreto 70.235/72 e do artigo 53, da Lei 9.784/99; · que o autuação é nula, pois a atuada não teve acesso ao relatórios do levantamento GC – Glosa de Compensação apesar de citados no fisco no REFISC, sendo necessário essa apresentação para que a recorrente possa verificar com clareza os critérios utilizados para a exigência do crédito, o que impossibilita verificar as rubricas das folhas de salários consideradas para apurar o crédito, bem como o fisco não discriminou as GFIP’s utilizadas e seu código de transmissão, não possibilitando verificar se foram ou não retificadas, prejudicando o contraditório e ampla defesa, o que enseja nulidade da autuação, sendo a tese acatada pelo CARF, conforme decisão transcrita, aplicandose o artigo 2º, da Lei 9.784/99 e artigo 5ª, LV, da CF/88; · que o auto de infração deve conter os requisitos do artigo 10 e 11, do Decreto 70.235/72 e 142, do CTN, devendo o auto conter a descrição dos fatos, sob pena de nulidade artigo 59, do Decreto 70.235/72 e 12, II, do Decreto 75.74/20011, assim não tendo sido apresentados os relatórios para a apuração do crédito, com a indicação das rubricas, composição da base de cálculo e códigos de transmissão das GFIP’s, devese reconhecer o cerceamento de defesa e por consequência a sua nulidade; Mérito. · que o fisco entendeu que as decisões judiciais trazidas pela recorrente vão de encontro ao que determinado pela artigo 170 – A, porém a recorrente tem o direito de se compensar dos tributos recolhidos indevidamente, sendo o direito a compensação líquido e certo, pois realizados nos termos da lei, que não exige outorga administrativa ou judicial e com fulcro no artigo 66 da Lei 8.383/91 c/c o artigo 74 da Lei 9.430/96, com valores recolhidos nos últimos cinco anos com débitos próprios vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, devido a integração realizada pela Lei 11.457/99; · que o artigo 170A, do CTN, não se aplica a tributo sujeito a homologação, assim tem direito a compensação, cita decisão do STJ AgRg no RESP 624.065/PE, cita HBM e duas decisões do TRF1; Fl. 332DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 332 5 · que as verbas com a exigibilidade suspensa por conta dos MS 002511396.2011.4.01.3300 e 002511214.2011.4.01.3300 (doc 03 e 04) devem ser abatidas da autuação, situação não analisada pela DRJ, assim nos termos da decisão judicial devem ser abatidos os valores férias, 1/3 constitucional sobre férias, os 15 primeiros dias do afastamento, aviso prévio indenizado, o décimo terceiro proporcional sobre o aviso prévio indenizado e o vale transporte convertido em pecúnia, que apesar de não havido o trânsito em julgado, estando a exigibilidade suspensa não pode o fisco exigir tais valores devendo excluílos da autuação, o que enseja o reconhecimento parcial da extinção do crédito artigo 156, I, do CTN; · que o fisco incorreu em equivoco ao aplicar a multa isolada de 150%, pois o artigo 89, § 10, da Lei 8.212/91 deve ser interpretado como parcimônia, pois a lei exige que se “comprove falsidade na declaração” e no presente caso tal prova não foi feita, devendo ser entendida a falsidade pela falta de fundamento do pleito do contribuinte, não havendo no caso a aludida falsidade, cita decisão do CARF; · que não se pode falar de imposição da multa isolada, quando a exigibilidade do crédito está suspenso, cita o artigo 63, da Lei 9.430/96, dizendo que o própria CARF assevera não haver cobrança de multa de ofício para crédito com a exigibilidade suspensa por decisão judicial, cita três precedentes, estando os valores compensados suspensos pelo MS’s; · que na expressão crédito tributário está incluída multa, artigo 113 e 112, do CTN e uma vez comprovada a insubsistência do crédito obrigação principal a multa deve ser descaracterizada, ofendendo tal multa a razoabilidade, cita SCNC e MD; AAB, tendo nítido caráter confiscatório e devendo ser declarada a sua ilegalidade, pois a multa aplicada ofende aos princípios constitucionais, tais como: direito de petição; razoabilidade; proporcionalidade e não confisco; · que os sócios só podem ser responsabilizados quando houver atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos, situação inexistente nos atos, não havendo prova para a aplicação do artigo 135, do CTN, cita MRF, bem como decisão do CARF, requerendo a exclusão do sócio gerente do polo passivo do PAF, pois inaplicável o artigo 135, do CTN; · Conclusão: a recorrente pugna: a) pelo provimento integral do recurso, reformandose totalmente a decisão a quo; b) preliminarmente – com o reconhecimento da nulidade dos dois autos de infrações DEBCAD’ 51.034.0199 e 51.003.1463, em vista do vícios apontados; c) superada a nulidade, requer acolhimento dos argumentos de defesa, reconhecendose a improcedência parcial, pois parte do crédito está com a exigibilidade suspensa, conforme decidido nos MS’s, devendo serem abatidos tais valores do lançamento; d) pela Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 333 6 eventualidade requer a total improcedência da multa isolada; e) inexistência de base legal suficiente para enquadrar os sócios no polo passivo; f) pugna pela julgamento conjunto dos dois autos em razão da relação de prejudicialidade . A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 323. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 323. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/02/2014, Lote 01. É o Relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 334 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da lide. Inicialmente, cabe ressaltar o que pode ser objeto de conhecimento nesta decisão e o que não pode vir a ser conhecido na via administrativa em razão da concomitância de demanda administrativa e das duas demandas judiciais – MS 2511396.2011.4.01.3300, sentença, de fls. 198 a 207; 282 a 291, e, sua Apelação/Reexame Necessário, fls. 183 a 197; 295 a 309 – TRF1, bem como do MS 2511214.2011.4.01.3300, fls. 208 a 216; 312 a 320, não foi apresentada a Apelação/Reexame Necessário. Entendo, pois, que não pode ser objeto de apreciação na via administrativa, no atual momento e estágio processo 2511396.2011.4.013300, na sentença: 1. a não incidência da contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias iniciais sobre o auxilio doença e acidentário; 2. o próprio direito a compensação com outras contribuições sobre a folha de salário; 3. a observação da prescrição quinquenal; 4. obediência ao artigo 170 A, do CTN; 5. direito do fisco de promover fiscalização e controle sobre a compensação. O Acórdão da Apelação/Reexame Necessário do processo 25113 96.2011.4.013300, assim decidiu. 1. manteve a prescrição em cinco anos; 2. decidiu que sobre salário maternidade e férias regulares incidem a contribuição previdenciária; 3. que não incide contribuição sobre o terço constitucional de férias; 4. que não incide contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias iniciais sobre o auxilio doença e acidentário; 5. que a compensação deve observar a limitação do artigo 26, da Lei 11.457/2007, bem como do artigo 170 – A, do CTN; No que tange ao processo MS 2511214.2011.4.01.3300. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 335 8 1. reconheceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, bem como o décimo terceiro proporcional sobre o aviso prévio indenizado; 2. reconheceu a inexigibilidade de contribuição previdenciária sobre vale transporte convertido em dinheiro; 3. o direito a compensação, com tributo da mesma espécie, art. 26, da Lei 11.457/2007; 4. aplicação do artigo 170 – A, do CTN, sem limitação de trinta por cento. Esses são os pontos que entendo não comportam mais discussão na via administrativa e assim não serão objeto de decisão, mas apenas de análise da conformação de sua observação, nos termos dos artigos artigo 126, § 3º, da Lei 8.213/91 c/c artigo 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 c/c o artigo 87 e seu parágrafo único, do Decreto 7.574/2011. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 336 9 Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Por outro, lado há questões trazidas apenas no recurso, ou seja, no segundo grau, na forma de preliminares, que não comportam decisão no âmbito desse conselho em razão da aplicação do artigo 17, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 58, do Decreto 7.574/2011, bem como ao artigo 302, da Lei 5.869/73. As nossas cortes superiores, assim vem decidindo sobre a inovação na fase recursal. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Fl. 337DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 337 10 Decisão do STJ EMEN: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CRIME DE DESCAMINHO. ART. 334, DO CP. 1. WRIT DEFICITARIAMENTE INSTRUÍDO. NÃO CONHECIMENTO. 2. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO APLICAÇÃO. TRIBUTO ILIDIDO ACIMA DO PATAMAR PREVISTO EM LEI E APRECIADO PELO STJ. 3. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ENUNCIADO Nº 24, DA SÚMULA VINCULANTE DO STF. ÓBICE INTRANSPONÍVEL. INOVAÇÃO RECURSAL E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 4. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. "O habeas corpus, como via mandamental, bem assim o relacionado recurso ordinário, tem de vir instruído com todas as peças aptas a demonstrar o alegado constrangimento ilegal, pois, do contrário, estarseá decidindo em tese, o que não é possível à Jurisdição criminal, que deve ter sempre os olhos voltados ao caso concreto" (AgRg no RHC nº 29.899/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, DJe 5.12.13). 2. A Terceira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp nº 1.112.748/TO, representativo da controvérsia, firmou o entendimento de que é possível a aplicação do princípio da insignificância ao delito previsto no art. 334, do CP, desde que o total do tributo ilidido não ultrapasse o patamar de R$ 10.000,00 (dez mil reais) previsto no art. 20, da Lei nº 10.522/02. 3. Na hipótese, inviável a aplicação de tal princípio, tendo em vista que o próprio acórdão impugnado destacou que o quantum indevidamente apropriado pela acusada monta em importe superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), valor superior, portanto, ao limite estabelecido pelo art. 20, da Lei nº 10.522/02, e pela jurisprudência desta Corte Superior. 4. A alegada ofensa ao enunciado nº 24, da Súmula Vinculante do STF, não foi deduzida na inicial do writ, tampouco enfrentada pelo Juízo de primeiro grau ou pelo Tribunal de origem, tratandose, a um só tempo, de inovação recursal, que impede o conhecimento da matéria neste momento processual, tendo em vista o advento da preclusão consumativa e também de supressão de instância. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. EMEN: (AGRHC 201201265270, MOURA RIBEIRO, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:15/04/2014 ..DTPB:.) (todos os destaques são meus). A recorrente em sua peça recursal reconhece que está trazendo questões não ventiladas em primeiro grau e assim essas questões, também não vão comportar julgamento nesse conselho em observância ao devido processo legal, a preclusão administrativa e ao ônus da impugnação específica, entendo que as questões foram assim nominadas pela recorrente: 2.2 – Da Ausência de descrição dos fatos geradores – omissão na fundamentação legal do débito – preterição do direito de defesa; 2.3 Da preterição do direito de defesa – impossibilidade da composição da base de cálculo apurada pela fiscalização, conforme os esclarecimentos supramencionados os temos acima que não foram postos em primeiro grau e que inovaram na peça recursal, não serão conhecidos ante a vedação legal que se impõe. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 338 11 Preliminar. Inexistente nulidade da ação fiscal ou do procedimento fiscal em razão da alteração do tipo de MPF, ou seja, da troca de MPF de diligência para MPF de fiscalização, uma vez que cabe ao fisco decidir quando e que tipo de procedimento realizará no contribuinte, sendo possível até mesmo o início de fiscalização sem o MPF, nas condições determinados na legislação. Além do que, o MPF é mera ato interno de controle, pois quem determina a competência para a fiscalização são as Lei 10.593/2002 e 11.457/2007, não podendo a competência legal ser limitada por ato administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR EXERCÍCIO: 2002 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA AS HIPÓTESES DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO SÃO AS ELENCADAS NO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235, DE 1972, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM NULIDADE POR OUTRAS RAZÕES.PRELIMINAR MANDADO DE. PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. AS NORMAS QUE REGULAMENTAM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF DIZEM RESPEITO AO CONTROLE INTERNO DAS ATIVIDADES DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, PORTANTO EVENTUAIS VÍCIOS NA SUA EMISSÃO E EXECUÇÃO NÃO AFETAM A VALIDADE DO LANÇAMENTO, ITR IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. SOMENTE PODE SER CONSIDERADA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA, SEM APLICAÇÃO DE ÍNDICES DE RENDIMENTO POR PRODUTO, A ÁREA DO IMÓVEL RURAL EXPLORADA COM PRODUTOS VEGETAIS EXTRATIVOS, MEDIANTE PLANO DE MANEJO SUSTENTADO APROVADO PELO IBAMA ATÉ O DIA 31 DE DEZEMBRO DO ANO ANTERIOR AO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO ITR, E CUJO CRONOGRAMA ESTEJA SENDO CUMPRIDO PELO CONTRIBUINTE.ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA (SÚMULA CARF Nº 2). RECURSO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO, AO RECURSO NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR Conselho.Administrativo.Recursos.Fiscais; Seção.Julgamento.2;Câmara.2;Turma.Ordinária.2: Proc: 10980.003886/200612 Acórdão:20100512; 220200509. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela Fl. 339DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 339 12 autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida.(AC 200585000058685, Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho, TRF5 Terceira Turma, DJ Data::31/07/2008 Página::426 Nº::146.) (meus grifos) O fisco federal pode solicitar informações, a quem bem entender, independentemente, das informações de que disponha, pois pode ele a qualquer momento confirmar as informações, artigo 195, da Lei 5.172/66, bem como artigo 197, do instrumento legal citado. A recorrente não tem que ser cientificada das eventuais e possíveis prorrogações do MPF, pois a Portaria RFB Nº 11.371/2007 estabeleceu que tal documento será emitido exclusivamente de forma eletrônica e estará disponível e deve ser consultado pelo sujeito passivo no portal da RFB na rede mundial, sendo que a Portaria RFB 3.014/2011, que revogou a anterior, traz idêntica disposição, veja a transcrição da norma. Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (os realces são meus). No presente caso o MPFF está acostada, as fls. 223, tendo sido emitido, em 06/06/2012, com prazo inicial, em 04/10/2012, com prorrogação, até 01/20/2013, tendo sido o contribuinte cientificado do lançamento, em 09/01/2013, ou seja, dentro do validade do MPF. Desta forma, não há surpresa e nem nulidade nas autuações, pois todos os regramentos legais estão atendidos, rejeito a preliminar suscitada. Mérito. O fisco entendeu como eu, também, entendo que a compensação realizada antes do trânsito em julgado da sentença, isto é, com a não observação do artigo 170 – A, da Lei 5.172/66 é procedimento irregular, pois não há direito consagrado ao contribuinte, mas, Fl. 340DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 340 13 ainda, um suposto direito em discussão judicial. Aliás, o fisco demonstrou que o Douto MM Juiz Federal, bem como o TRF1 determinaram a observação da limitação legal, assim é a decisão nas sentenças e na apelação/reexame necessário apresentados, assim se manifestou o judiciário, veja a transcrição. Apelação/Reexame Necessário Nº 002511396.2011.4.013300 BA Dispositivo da sentença 002511396.2011.4.013300 BA Fundamentação da Sentença nº 2511214.2011.4.01.3300 Fica evidente da leitura das decisões judiciais, acima, citadas que a compensação não comportava “execução provisória”, pois todas as decisões determinaram que se aguardasse o trânsito em julgado para a cristalização do suposto direito pleiteado. Assim sendo, o contribuinte recorrente não podia efetivar a compensação, bem como não podia declarála em sua GFIP, pois não havia direito reconhecido ao Fl. 341DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 341 14 contribuinte para tanto, como ficou consignado no REFISC, segue o trecho do citado documento. As decisões judiciais deixaram claro que o artigo 66, da Lei 8.383/91, tem o dever de respeitar o artigo 170 – A, da Lei 5.172/66, que lhe é posterior, bem como que o artigo 74, da Lei 9.430/96, não se aplica em razão do que determinado pelo artigo 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007, o que já esclareci no tópico Delimitação da Lide. (o realce é meu) Nos termos da Lei 5.869/73 a sentença é lei entre as partes e assim dever ser respeitada, uma outra decisão obtida por outro sujeito passivo não beneficia a recorrente e os seus efeitos não se irradiam extrapartes. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, também, comunga da idéia e necessidade de se aguardar o trânsito em julgado para a realização da compensação veja ao decisão, inclusive, para tributos sujeito a homologação. EMEN: TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF LEIS 7.787/89 (ART. 3º, I) E 8.212/91 (ART. 22, I) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL TERMO INICIAL HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA OU TÁCITA PRECEDENTES Fl. 342DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 342 15 1ª SEÇÃO. COMPENSAÇÃO LIMITES PERCENTUAIS LEIS 9.032 E 9.129/95 INAPLICABILIDADE POSSIBILIDADE DE COMPENSAR APENAS COM A FOLHA DE SALÁRIOS E APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA ART. 66 DA LEI 8.383/91 C/C ART. 170A DO CTN. JUROS (SELIC) ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95 CUMULATIVIDADE IMPOSSIBILIDADE. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional qüinqüenal para se pleitear sua restituição/compensação começa a fluir da homologação, expressa ou tácita, ainda que se trate de exação declarada inconstitucional pelo STF. Entendimento consagrado pela eg 1ª Seção no julgamento do Eresp 435.835/SC. No caso dos autos, tendo em vista a data do ajuizamento da ação (09/05/2001) e as datas dos recolhimento, não se há que falar em prescrição. Ressalva do ponto de vista do Relator. Declarada a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre os pagamentos a administradores, autônomos e empregados avulsos, os valores a esse título recolhidos anteriormente à edição das Leis 9.032/95 e 9.129/95, ao serem compensados, não estão sujeitos às limitações percentuais por elas impostas, em face do princípio constitucional do direito adquirido. A compensação pleiteada pela parte com fundamento no art. 66 da Lei 8.383/91, deve restringirse aos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição patronal sobre a folha de salários, devendo ocorrer apenas após o trânsito em julgado da sentença (art. 170A do CTN). A Corte Especial do STJ, julgando incidente de inconstitucionalidade argüido no REsp. 215.881PR, acolheu, por maioria, a preliminar de nãocabimento da instauração do incidente suscitado, em acórdão publicado "in" DJ de 19.06.2000 (REsp. 215.881/PR). A eg. Primeira Seção assentou o entendimento no sentido de que incidem na compensação/repetição de tributos indevidos, recolhidos em conseqüência de lançamento por homologação, os juros equivalentes à taxa Selic, previstos no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, a partir de 1º de janeiro de 1996. Ressalva do ponto de vista do Relator (EREsp. nº 162.914PR). Sendo a taxa Selic composta de juros e correção monetária, não pode ser cumulada com qualquer outro índice de correção. Recursos especiais conhecidos e parcialmente providos. EMEN:(RESP 200400271487, FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJ DATA:08/08/2005 PG:00274 ..DTPB:.)( promovi os destaques). O fisco promoveu o lançamento da glosa das compensações baseado, exclusivamente, na compensação realizada pelo contribuinte e declarada em suas GFIP’s, conforme consta na passagem do REFISC, transcrita. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 343 16 O agente lançador assevera, ainda, que verificou as GFIP’s e Tabela de glosa apresentada pela empresa, conforme consta do Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF, de fls. 71. A recorrente se creditou de forma irregular de valores que, ainda, não possui e assim não pode beneficiarse desses valores sobre pena de burlar e lei, em enriquecimento sem causa e de beneficiarse de sua torpeza, pois compensase de forma irregular de uma certo valor e depois sustenta que o fisco não pode reaver o valor, pois este estaria com a exigibilidade suspensa. Não houve equivoco na aplicação da multa isolada prevista em lei, pois a recorrente não é detentora do direito do qual se assenhorou, haja vista que as decisões judiciais condicionaram tal direito as limitações legais e tais limitações não foram respeitadas. Dessa forma, entendeu o fisco que a declaração dos valores em GFIP com a intuito de reduzir o tributo devido, sem que o recorrente tenha o direito declarado, implica em falsidade e assim o requisito do parágrafo 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91 está presente e demonstrado, como consta do REFISC, conforme a seguir transcrito. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 344 17 O erro do contribuinte não foi procedimental e muito menos mero erro de forma, mas sim sobre a existência do próprio direito de crédito, quanto a materialidade do direito que até agora inexiste, sempre apenas mera expectativa. O artigo suscitado pelo contribuinte, artigo 63, da Lei 9.430/96 cuida de multa de ofício e não multa isolada. As duas multas possuem fundamentações distintas, a primeira multa decorre do exercício da função fiscal, em razão da inércia do contribuinte em promover a recolhimento do tributo. A segunda advém não da inércia, mas sim da atuação do contribuinte contrária ao direito, pois beneficiase de alguma direito que não possui ou que não possui da forma que utilizado, tal como a compensação indevida. Assim, nem o artigo 63 suscitado e nem a decisões do CARF se aplicam, pois todos cuidam de multa de ofício e no presente caso temos multa isolada aplicada no percentual de cento e cinquenta por cento. Foi acima explicitado que as questões de inconstitucionalidade não seriam abordadas, assim, violação ao princípio da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco estão foram do âmbito de análise desse conselho. Mas, o contrário não, ou seja, a constitucionalidade em razão da não violação desses princípios. A multa de cento e cinquenta por cento em virtude de conduta violadora da legislação tributária e amplamente admitida pela STJ, observese os arestos transcritos, buscasse aqui apenas demonstrar o percentual e não a justificativa legal de sua implantação e aplicação. EMEN: TRIBUTÁRIO. FRAUDE. NOTAS FISCAIS PARALELAS. PARCELAMENTO DE DÉBITO. REDUÇÃO DE MULTA. LEI Nº 8.218/91. APLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE CONFISCO. TAXA SELIC. LEI Nº 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Recurso Especial contra v. Acórdão que considerou legal a cobrança da multa fixada no percentual de 150% (cinto e cinqüenta por cento) e determinou a incidência da Taxa SELIC sobre os débitos objeto do parcelamento. 2. A aplicação da Taxa SELIC sobre débitos tributários objeto de parcelamento está prevista no art. 13, da Lei nº 9.065, de 20/07/1995. 3. É legal a cobrança de multa, reduzida do percentual de 300% (trezentos por cento) para 150% (cinto e cinqüenta por cento), ante a existência de fraude Fl. 345DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 345 18 por meio de uso de notas fiscais paralelas, comprovada por documentos juntados aos autos. Inexiste na multa efeito de confisco, visto haver previsão legal (art. 4º, II, da Lei nº 8.218/91). 4. Não se aplica o art. 920, do Código Civil, ao caso, porquanto a multa possui natureza própria, não lhe sendo aplicável as restrições impostas no âmbito do direito privado. 5. A exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. 6. Recurso não provido. EMEN: (RESP 200200278487, JOSÉ DELGADO, STJ PRIMEIRA TURMA, DJ DATA:10/06/2002 PG:00162 ..DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO. RECINTO ALFANDEGADO. TRIBUTOS ADUANEIROS. PENALIDADE. ART. 44, I, DA LEI 9.430/1996. APLICAÇÃO. 1. Hipótese em que o TRF reconheceu a responsabilidade do titular do recinto alfandegado pelos tributos aduaneiros e pela penalidade por ausência de recolhimento (questões incontroversas). No entanto, entendeu que a sanção aplicada com base no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (75%) não é razoável, pois superior à multa para conduta mais grave (50% para evasão fraudulenta – art. 44, II, da mesma Lei). 2. Por ocasião do extravio e da autuação (2003), a multa para o caso de fraude, prevista no 44, II, da Lei nº 9.430/1996, era de 150%. O dobro da penalidade de 75% aplicada pela fiscalização. 3. Posteriormente, à época do acórdão recorrido (maio de 2007), o dispositivo legal deixou de prever a multa de 150% para fraude, mas, diferentemente do que decidiu o TRF, não fez referência à conduta dolosa para a aplicação da multa de 50% (redação dada pela MP 351, de 22.1.2007, convertida na atual Lei 11.488/2007). 4. Houve a criação de penalidade (art. 44, II, da Lei 9.430/1996 – redação atual), fixada em 50%, para ilícito completamente diverso e específico, sem referência ao intuito de fraude, o que afasta o fundamento do acórdão recorrido. 5. É inviável desconsiderar norma federal expressa (art. 44, I, da Lei 9.430/1996) sem declaração de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula Vinculante 10/STF. 6. Recurso Especial provido. ..EMEN: (RESP 200702176976, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:27/08/2009 ..DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. ART. 74, §12, "A" E "B", DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.051/2004). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE AO TEMPO DO AJUIZAMENTO DA DEMANDA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. ART. 18, §2º, DA LEI N. 10.833/2003 (REDAÇÃO DADA TAMBÉM PELA LEI N. 11.051/2004). 1. Segundo a jurisprudência do STJ, aplicase aos pedidos de compensação a legislação vigente na data do ajuizamento da demanda. Em se tratando de PER/DCOMP transmitida em 14.01.2005 já estava em vigor art. 74, §12º, II, "a" e "b", da Lei n. 9.430/96 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que considerou não declaradas as compensações efetuadas com crédito de terceiros. 2. Cabível a multa de ofício para o caso, a teor do também vigente (em 14.01.2005) art. 18, §2º, da Lei n. 10.833/2003 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que trazia Fl. 346DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 346 19 completa a hipótese de incidência da multa, mencionando a violação ocorrida (compensação não declarada) e o percentual da multa aplicável (150%). 3. Recurso especial não provido. EMEN: (RESP 201100395684, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:16/05/2011 ..DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ANTECIPADO PELO CONTRIBUINTE. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. IMPOSTO DE RENDA. ARBITRAMENTO. DEPÓSITOS E EXTRATOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182/TFR. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA DO ART. 44, I E II, DA LEI N. 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME. 1. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para a modificação do julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. 2. O art. 112 do CTN, que preconiza que a legislação tributária que comine sanção ao contribuinte deve ser interpretada de forma mais favorável ao acusado, conforme hipóteses ali previstas, é aplicável "em caso de dúvida", o que não ocorreu na espécie, haja vista o convencimento do magistrado a quo acerca da serventia e suficiência de documentos que comprovam a remessa de quantias à conta bancária mantida pela contribuinte no exterior, considerando que restou incontroversa nos autos a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto. 3. É assente nesta Corte que, quando da revisão da declaração de ajuste anual apresentada a Administração Fazendária constatar a omissão de rendimentos e, consequentemente, apurar existência de imposto de renda a pagar, o prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido lançado o tributo, nos termos do art. 173, I, do CTN. 4. A jurisprudência desta Corte inaugurou novo entendimento no sentido da inaplicabilidade da Súmula 182/TFR (''é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários''), e da possibilidade de autuação do Fisco com base em demonstrativos de movimentação bancária, em decorrência da aplicação imediata da Lei n. 8.021/90 e Lei Complementar n. 105/2001, como exceção ao princípio da irretroatividade tributária. 5. Uma vez assentado, inclusive na sentença, a presença do intuito de fraude, requisito indispensável à incidência da multa de 150%, o órgão julgador manteve sua aplicação com base no art. 44, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos. 6. Uma análise mais acurada acerca da pretendida redução da multa moratória pelo princípio do não confisco e princípio da proporcionalidade, além de ensejar o reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 7/STJ, atrai a interpretação e aplicação de dispositivos constitucionais, o que não é possível na via especial, nem à guisa de prequestionamento, porquanto matéria reservada Fl. 347DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 347 20 ao Supremo Tribunal Federal, nos termos dos arts. 102, III e 105, III, da Carta Magna. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, sem efeitos modificativos, apenas para sanar as omissões apontadas. EMEN: (EDAGRESP 201201925073, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:13/12/2012 ..DTPB:.) (todos os grifos são meus). O crédito principal não é insubsistente ou indevido, pois demonstrado que o contribuinte não faz jus a compensação, pois necessário se faz a ocorrência do trânsito em julgado da decisão, o que não ocorreu, assim sendo não existe direito creditório. De outra forma, ainda, que o direito creditório existe, o que se diz apenas para produzir o debate, a multa poderia ser aplicada, pois essa não depende do crédito principal, mas sim das circunstâncias de sua efetivação e a relação de acessoriedade na seara tributária, não tem a mesma amplitude que na seria civil, veja, o que diz o STF, sobre o assunto. As questões relativas a acessoriedade não tem no âmbito tributário a relação com que se apresenta na seara cível. O Supremo Tribunal Federal – STF no RE 250.844 – SP posicionouse a esse respeito em voto vista do Ministro Luiz Fux, que acabou acompanhado pelo relator Ministro Marco Aurélio Melo, do qual transcrevo o trecho abaixo. Vêse, assim, que o cumprimento da obrigação tributária acessória nada tem a ver com a existência, concomitante, de certa e determinada obrigação principal, ambas devidas pelo mesmo sujeito. O cumprimento de obrigações acessórias possui relevância externa e independente da relação articulada a partir do dever de pagar certo tributo. Projetase sobre outras relações jurídicotributárias, travadas ou não entre os mesmos sujeitos em torno de exações também idênticas ou não. Em verdade, toda controvérsia sobre a matéria decorre do emprego, pela legislação, de um mesmo rótulo (principal/acessória) para designar realidades distintas nos campos civil e tributário. Daí por que a terminologia “acessória”, vista em abstrato, é equívoca. Melhor seria que as mesmas fossem indicadas, pelo menos no campo justributário, por expressão mais precisa e infensa a ambiguidades, tal como “deveres instrumentais”. Sem embargo, o nomen iuris empregado pelo legislador não tem o condão de alterarlhes a essência, a qual, esta sim, deve informar o regime jurídico aplicável à hipótese. A lei que introduziu a multa foi amplamente debatida e discutida no Congresso Nacional, enquanto projeto de lei e após aprovação nas duas casas legislativas, obteve sanção presidencial e promulgação e os critérios de razoabilidade e proporcionalidade na elaboração da lei é dirigido ao legislador em sua função típica, o fisco apenas aplica a legislação em vigor e nada mais, cumprindo o que manda o artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142 e seu parágrafo único, da Lei 5.172/66. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 348 21 Extraise da peça recursal que a aplicação do artigo 135 e a sujeição passiva do sócio está mais que comprovada, pois como diz a recorrente: “só pode ser responsabilizado o sócio gerente quando há atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei...”. Como demonstrado pelo agente fiscal e a seguir transcrito o representante da empresa violou a lei ao promover a compensação sem respeitar as determinações e as decisões judiciais obtidas pela recorrente nos dois MS que são citados nos autos. Desta forma, a decisão do CARF colacionada pela recorrente não se aplica, pois nesses autos ficou demonstrada a violação à lei. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente em preliminar e em mérito, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento parcial em razão das matérias que não admitem julgamento no âmbito administrativo, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.015792/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
LANÇAMENTO DE DÉBITO. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável.
A fiscalização deve realizar o lançamento fiscal com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, bem como das contribuições devidas, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, notadamente o art. 142 do CTN.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-003.764
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Redator. Sustentação oral: Rodrigo Prado Gonçalves. OAB: 208.026/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 LANÇAMENTO DE DÉBITO. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável. A fiscalização deve realizar o lançamento fiscal com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, bem como das contribuições devidas, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, notadamente o art. 142 do CTN. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.015792/2009-44
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357819
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.764
nome_arquivo_s : Decisao_10830015792200944.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 10830015792200944_5357819.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Redator. Sustentação oral: Rodrigo Prado Gonçalves. OAB: 208.026/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
id : 5512247
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812994043904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.015792/200944 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2301003.764 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LUCENT TECHNOLOGIES DO BRASIL , INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 LANÇAMENTO DE DÉBITO. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável. A fiscalização deve realizar o lançamento fiscal com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, bem como das contribuições devidas, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, notadamente o art. 142 do CTN. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Redator. Sustentação oral: Rodrigo Prado Gonçalves. OAB: 208.026/SP. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 57 92 /2 00 9- 44 Fl. 978DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator ad hoc somente para formalização Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.015792/200944 Acórdão n.º 2301003.764 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório 1. Tratase de Recurso de Oficio interposto pela julgadora de primeira instância, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) em razão de decisão que julgou procedente a impugnação e anulou o presente auto de infração trazido a litígio, exonerando o crédito tributário exigido. 2. Registrese, por oportuno, que ao presente Auto de Infração de exigência de obrigação principal – AIOP (10830.015791/20908; DEBCAD nº 37.212.7223) foram juntados por apensação os processos nº 10830.015792/200944 (DEBCAD nº 37.212.7231) e nº 10830.015785/200942 (DEBCAD 37.198.6770). 3. Trataremos dos fatos inerentes ao processo 10830.015791/200908 (DEBCAD nº 37.212.7223), o qual se refere a contribuições previdenciárias devidas pela empresa destinadas ao Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT e ao FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Sociais, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados a serviço da impugnante, no período de 05/2004 a 12/2006; do processo nº 10830.015785/200942 (DEBCAD nº 37.198.6770), que trada das contribuições dos segurados empregados devidas à Seguridade Social; e do processo 10830.015792/200944 (DEBCAD nº 37.212.7231), referente a contribuições destinadas a terceiros – FNDE (Salário Educação), SENAI, SESI, SEBRAE e INCRA incidentes sobre o salário de contribuição discriminado em folha de pagamento e não declaradas em GFIP, no período de 01/2004 a 12/2006. 4. O contribuinte foi devidamente intimado e apresentou impugnação em 29/12/2009, onde inicialmente informa que é sucessora de LUCENT TECHNOLOGIES COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e que a impugnação é tempestiva. Alega, ainda, pelas razões de fato e de direito que “parte do lançamento já foi abrangida pelo instituto da decadência, conforme prevê o parágrafo 4º, artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN e, portanto, devem ser excluídas as contribuições referentes ao período de 01/2004 a 10/2004. 5. O colegiado de primeira instância entendeu que a impugnação foi procedente e anulou o lançamento fiscal, restando o julgado ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 LANÇAMENTO DE DÉBITO. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” 6. A conclusão da decisão exarada pela autoridade julgadora de primeira instância foi a seguinte: “Oportuno salientar o fato de que a atividade administrativa, consistente na verificação da ocorrência do fato gerador, na determinação da matéria tributável e Fl. 980DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 no cálculo do montante do tributo devido, é vinculada (art. 142, caput e parágrafo único, do CTN). A administração pública, in casu, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, deve demonstrar que o seu ato está em conformidade com as prescrições legais, de modo a permitir o conhecimento e controle dos motivos que a levaram a praticálo. O lançamento em exame, na forma como foi efetuado, não atende ao disposto no artigo 37 da Lei nº 8.212/91 combinado com o artigo 243 do RPS/1999 e no artigo 142 do CTN, uma vez que não trouxe informação clara e precisa acerca da base de cálculo utilizada no levantamento NDC (Z10). Portanto, se não me é possível determinar quais são efetivamente as bases de cálculo, o que tornaria o lançamento líquido e certo, ainda que o fato gerador possivelmente tenha ocorrido, entendo que o presente auto deva ser anulado, por apresentar vício em sua forma. Diante do exposto e com base nos critérios legais noticiados, VOTO no sentido de RECEBER a impugnação apresentada, por tempestiva e ANULAR o presente Auto de Infração trazido a litígio”. 7. Justifica a autoridade julgadora o recurso de oficio conforme expressamente previsto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e da portaria MF Nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. “a autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão de exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total, lançamento principal e decorrentes, a ser fixado em ato do ministro de Estado da Fazenda”. O crédito lançado passa de 11 milhões. 8. Dessa forma, em cumprimento do dispositivo supra mencionado, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO 2. A decisão de primeira instância julgou por anular o lançamento fiscal, consubstanciado na conclusão de que o auto de infração trazido a litígio não teria obedecido aos ditames do artigo 142 do CTN, ante a ausência da correta determinação da matéria tributável e do cálculo do montante do tributo devido. Eis a conclusão do acórdão recorrido: “Oportuno salientar o fato de que a atividade administrativa, consistente na verificação da ocorrência do fato gerador, na determinação da matéria tributável e no cálculo do montante do tributo devido, é vinculada (art. 142, caput e parágrafo único, do CTN). A administração pública, in casu, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, deve demonstrar que o seu ato está em conformidade com as prescrições legais, de modo a permitir o conhecimento e controle dos motivos que a levaram a praticálo. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.015792/200944 Acórdão n.º 2301003.764 S2C3T1 Fl. 4 5 O lançamento em exame, na forma como foi efetuado, não atende ao disposto no artigo 37 da Lei nº 8.212/91 combinado com o artigo 243 do RPS/1999 e no artigo 142 do CTN, uma vez que não trouxe informação clara e precisa acerca da base de cálculo utilizada no levantamento NDC (Z10). Portanto, se não me é possível determinar quais são efetivamente as bases de cálculo, o que tornaria o lançamento líquido e certo, ainda que o fato gerador possivelmente tenha ocorrido, entendo que o presente auto deva ser anulado, por apresentar vício em sua forma. Diante do exposto e com base nos critérios legais noticiados, VOTO no sentido de RECEBER a impugnação apresentada, por tempestiva e ANULAR o presente Auto de Infração trazido a litígio.” 3. Com efeito, a decisão constatou diversas inconsistências na lavratura do auto de infração, as quais colocam em dúvida a certeza e a exigibilidade do crédito lançado, tais como: “No presente caso, constatamos, dentre outras inconsistências, que: i) O DD, como já exposto acima, não reflete o que está descrito no Relatório Fiscal, e as Informações apresentadas também não elucidaram o modus faciendi utilizado pelo Auditor Fiscal ; ii) Não conseguimos identificar se o fato gerador das contribuições indicadas sob o título, NDC SEG EMPREG NAO DECL GFIP COM, referese às diferenças indicadas no item 8 do RF e estariam discriminadas na planilha RELATÓRIO REMUNERAÇÃO DEFINIDA POR TRABALHADOR NA EMPRESA INCORPORADA ou se representam a indicação contida nos item 12 e 13, pois o RF é silente quanto à citação/vinculação das planilhas ao levantamento que cita. • Inicialmente há que se questionar, quais seriam os SEG EMPREG NAO DECL GFIP COM ou se essa informação referese a fatos geradores não declarados em GFIP, não há informação a esse respeito no REFISC. • Na planilha RELATÓRIO REMUNERAÇÃO DEFINIDA POR TRABALHADOR NA EMPRESA INCORPORADA (anexada ao processo principal) aparentemente estão relacionados os empregados que constam em GFIP, verifiquei por amostragem, e esta foi uma das razões que solicitei a elaboração de planilha, totalizando as diferenças observadas por competência, com a devida indicação do que se trata, e se há relação entre a citada acima e a do RELATÓRIO TOTAL MENSAL POR RUBRICA NA EMPRESA INCORPORADA (anexada ao processo principal); Esse levantamento englobaria quais verbas? Seriam PPR – Plano de Participação nos Resultados e VT – Vale Transporte pago em pecúnia? Ou outras referentes aos empregados ou fatos geradores não declarados em GFIP? • As planilhas RELATÓRIOS TOTAIS MENSAIS POR RUBRICA NA EMPRESA INCORPORADA referentes a 2004, 2005 e 2006 relacionam todas as rubricas da folha de pagamento. É de se notar que as planilhas trazem os dados referentes a todas as competências dos exercícios citados e, conforme DD, não há lançamentos para todos os meses. Qual a intenção de se relacionar dados que não dizem respeito a este AIOP? • Como aparentemente os valores lançados nesse levantamento (NDC) referemse a VT e PPR, e na tentativa de entendêlo extraí as que tratam dessas rubricas para compor a base de cálculo lançada, porém sem sucesso, uma vez que não existe valor relacionada para a competência de 12/2006. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 • Foi solicitado que se esclarecesse o RELATÓRIO REMUNERAÇÃO DEFINIDA POR TRABALHADOR NA EMPRESA INCORPORADA (o que não ocorreu), porém, tal planilha apresenta duas formatações, explicome, planilha referente ao ano de 2004 é formado por 388 folhas, sendo que até às fls. 194 as competências estavam indicadas, porém a partir da fl. 195 essa coluna foi suprimida, dessa forma não há como identificar o período da ocorrência da remuneração ali relacionada. As planilhas referentes a 2005 e 2006 apresentam as mesmas características. Somatória por competência não realizado por não estar esclarecido de que se trata. • Ainda, na tentativa de encontrar a base de cálculo, analisamos a planilha Relatório Cálculo Divergência Segurados na Incorporada, porém, os valores ali somados não guardam relação com o levantamento NDC, pois o somatório das contribuições discriminadas para a competência 12/2006 na referida planilha perfaz R$4.757,04, enquanto que no DD está lançado R$8.026,17.” (fls. 2237/2238) 4. O fiscal, por sua vez, teve oportunidade de corrigir a autuação por intermédio da realização de diligência fiscal. Contudo, ao contrário do exigido pela autoridade julgadora, preferiu justificar a manutenção do auto. 5. De maneira que, no meu sentir, deve ser mantida a decisão recorrida que anulou o lançamento fiscal, eis que não atendidos os ditames do art. 142 do CTN, prejudicando o direito de defesa do contribuinte e a exigibilidade do débito lançado. 6. Além do mais, é nítido que o lançamento efetuado está em desconformidade com as disposições legais que prescrevem o dever de motivação do ato administrativo, restando evidente o vício apontado na decisão recorrida. 7. O Regulamento da Previdência Social – RPS (Decreto nº 3.048, de 06/05/1999), ao normatizar o artigo 37 da Lei nº 8.212/1991, asseverou a necessidade de que os atos de lançamento devem conter a discriminação clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas: “Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.” 8. Com isso, meu voto é por manter a decisão recorrida, uma vez que corretamente anulou o lançamento fiscal. CONCLUSÃO 9. Nestes termos, conheço do recurso de ofício para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização Fl. 983DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.015792/200944 Acórdão n.º 2301003.764 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006874/2009-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/09/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/09/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11128.006874/2009-05
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351865
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.285
nome_arquivo_s : Decisao_11128006874200905.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11128006874200905_5351865.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5481500
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812998238208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.006874/200905 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.285 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/09/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 68 74 /2 00 9- 05 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002427/2002-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.718
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13819.002427/2002-40
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354494
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.718
nome_arquivo_s : Decisao_13819002427200240.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 13819002427200240_5354494.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5496459
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813023404032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.002427/200240 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.718 – 1ª Turma Especial Data 23 de abril de 2014 Assunto Contribuição para o PIS/PASEP Recorrente GRUPO SEB DO BRASIL PRODUTOS DOMÉSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração eletrônico lavrado em 10 de maio de 2002, decorrente do processamento da DCTF do ano calendário de 1997, exigindo crédito tributário no valor de R$ 457.521,19, relativo à falta de recolhimento da Contribuição ao PIS, diante da não comprovação de processo judicial informado em DCTF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 02 42 7/ 20 02 -4 0 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.002427/200240 Resolução nº 3801000.718 S3TE01 Fl. 12 2 Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou sua impugnação alegando, em síntese, que incorreu em erro de preenchimento das DCTF, pois o número da ação judicial é 97.00063046, e não “97.63046”, como informado; requerendo, portanto, o cancelamento do auto de infração, da multa de ofício e dos juros exigidos, por inexistir falta de pagamento do tributo, comprovando, inclusive, a incorreção no número do processo inserto na DCTF através da apresentação de certidão de objeto e pé do processo correto. Ao analisar o feito, a DRJ de Campinas verificou que, de fato, o processo judicial mencionado transitou em julgado em 02 de junho de 2000, e que, quando da ciência do lançamento em 10 de junho de 2002, já havia ocorrido o trânsito em julgado da ação judicial, autorizando a contribuinte a compensar a Contribuição ao PIS com o próprio PIS. Porém, entendeu que a discussão judicial acerca da possibilidade de compensação não é obstáculo à formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício decorrente de revisão de DCTF em que não foi possível confirmar o número do processo judicial nos sistemas informatizados, porquanto o lançamento, consoante o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que a exigibilidade do crédito esteja suspensa. Argüiu também que, embora não obstaculizado o lançamento, incabível apreciação das razões de mérito da exigência relativamente ao reconhecimento do direito creditório e à admissibilidade da compensação, pois foram objeto de discussão na ação judicial. Asseverou ainda, a DRJ, ser dispensável encaminhar previamente o processo em diligência para verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito alegado, tendo em conta que, independentemente de amparo judicial e suficiência do crédito, a multa de ofício não mais prevalece em função da retroatividade benigna de legislação superveniente (art. 18 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003) Assim, a DRJ firmou entendimento no sentido de DEIXAR DE APRECIAR o mérito na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, e, no mais, considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação para manter os valores principais lançados e exonerar a multa de ofício sobre eles aplicada, atentandose para a necessidade de verificar os efeitos, sobre o crédito tributário mantido, do trânsito em julgado de decisão judicial anterior ao lançamento, com a conseqüente necessidade de, anteriormente à cobrança e considerando outros débitos que tenham sido vinculados à mesma ação judicial, verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito reconhecido judicialmente, para fins de compensação com os débitos autuados. Inconformada, a contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, argüindo cerceamento do seu direito de defesa, pois recebeu o Termo de Intimação 0125/2009, de modo conjunto para os processos administrativos 13819.00184/200222 e 13819.002427/200240, requerendose a apresentação de documentos que comprovassem os recolhimentos indevidos feitos a título de PIS de acordo com os Decretos 2.445/88 e 2.449/88, bem como que se elaborasse planilha dos créditos compensados. Destacava a intimação que a ausência de apresentação dos documentos solicitados inviabilizaria a análise do mérito da defesa e redundaria na cobrança de todo o crédito tributário. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.002427/200240 Resolução nº 3801000.718 S3TE01 Fl. 13 3 Assim, tratou a Recorrente de apresentar toda a documentação solicitada. Porém, esta não foi sequer juntada aos presentes autos, o que importou na não apreciação, pela autoridade julgadora, daquilo que se pretendia ser tão relevante para o deslinde da questão. Requer, assim, a nulidade do acórdão da DRJ, em face da omissão quanto aos elementos probatórios trazidos nos autos pela Recorrente. Argüiu ainda que não há que se falar em concomitância entre a ação judicial referida e este auto de infração, porquanto na ação judicial o que se questionou foi a constitucionalidade do recolhimento do PIS nos moldes dos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88, requerendose o direito de a contribuinte se creditar de tudo o que fora recolhido a este título; e que o que se deve discutir no presente processo é se a execução do procedimento compensatório por parte da Recorrente foi feita corretamente. Destacou ainda que a autuação fiscal foi lavrada justamente por conta de suposta irregularidade no crédito indicado em face da inserção incompleta do número do processo judicial onde houve o reconhecimento desse direito. Requer, assim, que seja anulado o acórdão da DRJ. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente obteve o trânsito em julgado em 2 de junho de 2000, dois anos antes do presente lançamento, reconhecendo o seu direito de compensar os valores indevidamente pagos a título de PIS nos moldes dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88 com créditos desta mesma contribuição e, com base nessa decisão judicial, exerceu o seu direito. Em face de um erro meramente formal da Recorrente, o qual restou esclarecido e comprovado no curso do processo, através da juntada da documentação requerida pela própria Administração Fazendária, a autoridade administrativa simplesmente deixou de exercer o seu dever de analisar detidamente a compensação realizada, muito embora seja o sujeito que possui competência para esse mister. Não há, deveras, como se admitir a negativa de cumprimento do teor de uma decisão judicial transitada em julgado. O Direito não abraça essa situação. E ao manter o lançamento de um débito que foi objeto de compensação autorizada judicialmente, sem que haja qualquer apreciação da regularidade do procedimento compensatório a este atrelado, estar seá diante da discrepante situação em que o pronunciamento judicial está destituído de qualquer força normativa vinculante, ao arrepio do princípio contido no artigo 5o., inciso XXXVI, da Constituição Federal. Justificar a manutenção do lançamento à prejudicialidade da questão judicial sobre a administrativa importa em admitir a cobrança de valores compensados com base em decisão judicial transitada em julgado autorizadora dessa compensação. Justificativas dessa natureza representam a vontade do agente administrativo em sobreporse às decisões judiciais, o que é defeso ocorrer. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.002427/200240 Resolução nº 3801000.718 S3TE01 Fl. 14 4 Portanto, partindose da premissa de que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, e que esta deve ser examinada pela autoridade administrativa (tendo em vista que tratase de atividade diretamente ligada ao lançamento tributário), é de competência privativa da autoridade administrativa a homologação do crédito compensado em declaração do contribuinte, a teor do artigo 142 do CTN. Ora, no caso presente, a decisão judicial transitada em julgado reconheceu o direito da Recorrente efetuar a compensação tributária prevista no artigo 66 da Lei no. 8.383/91, por intermédio de lançamento na escrita e anotação da compensação na DCTF entregue. Por essa razão, possui a Recorrente o direito de que sua compensação seja averiguada. Apenas após essa análise é que os débitos, caso a compensação não seja homologada, podem ser cobrados. O que se deve ter em vista, no presente processo, é se a execução da decisão judicial, pela Recorrente, foi realizada de forma regular, e, nesse caso, possui o condão de extinguir o débito compensado. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para fins de apurar o direito creditório decorrente da Ação Judicial no. 97.00063046, transitado em julgado, e havendo o direito creditório, verificar se os créditos são suficientes para a extinção dos débitos objeto do presente auto de infração. Após, abrase prazo para o contribuinte se manifestar acerca da diligência. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 576DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722826/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Luiz Roberto Domingo Presidente em exercício.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 31/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10665.722826/2012-13
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352017
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-000.355
nome_arquivo_s : Decisao_10665722826201213.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10665722826201213_5352017.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Luiz Roberto Domingo Presidente em exercício. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 31/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5481652
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813034938368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1957; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.722826/201213 Recurso nº 1Voluntário Resolução nº 3101000.355 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2014 Assunto Conversão em Diligência Recorrente CIAFAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE ARTEFATOS DE FERRO E AÇO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Luiz Roberto Domingo – Presidente em exercício. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 31/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo. Relatório Trata o presente processo de crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe (fls. 03 a 10), instruído pelos demonstrativos (fls. 11 a 22) e termo de verificação fiscal e seus demonstrativos (fls. 25 a 34), referente ao imposto sobre produtos industrializados (IPI), acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2010. A multa de oficio aplicada, no percentual de 75%, foi dividida em duas partes: uma calculada sobre o IPI apurado e outra sobre o valor do IPI não lançado com cobertura de crédito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .7 22 82 6/ 20 12 -1 3 Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 4 2 Foram apuradas as seguintes infrações, conforme descrição do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal: (i) 001 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI – CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Vendas de produtos sem destaque de IPI. As notas fiscais relativas à infração foram relacionadas no Anexo 05 do Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012, do qual foram excluídas, para efeito de autuação, as de nº 28634, 28726, 38548, 40272, 40273, 50572, 54394, visto ter o contribuinte comprovado o lançamento do imposto em notas fiscais complementares. (ii) 002 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI – INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Segundo o entendimento fiscal, após a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte no procedimento fiscal, ficou caracterizado que a classificação fiscal adotada pelo estabelecimento industrial na saída do produto denominado “Laminado plano” estava em desacordo com a Tabela de Incidência do IPI – TIPI, por inobservância da Nota 1, alínea K do Capítulo 72, visto que foi indevidamente classificado como “Barras”. A classificação adotada pelo contribuinte foi amparada em laudo técnico produzido pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais. As notas fiscais relativas à infração foram relacionadas nos Anexos 01, 02 e 03 ao Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012 (o anexo 03 foi modificado para exclusão de operações não caracterizadas como vendas de produção própria, conforme demonstrativo de nº01). (iii) 002 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI – INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Segundo entendimento fiscal, ocorreu também a saída de produtos descritos como “Tarugo”, com classificação de “Barras”. Foi considerado pela fiscalização que a classificação fiscal seria 7211.1300 e 7211.1400, ambas relativas a ‘laminados planos, por estarem os produtos dentro das especificações da Nota 1, alínea K do Capítulo 72 da TIPI.. As notas fiscais relativas à infração foram relacionadas nos no Anexo 04 do Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012 e no demonstrativo de nº 02. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 5 3 Cientificada do lançamento de ofício, a autuada, por meio dos procuradores regularmente constituídos apresentou sua impugnação, na qual, em síntese, alega que: (i) o Fisco reconstituiu a escrita fiscal, fazendo incidir tributação sobre notas fiscais canceladas, conforme relação e cópias em anexo, gerando imposto sobre o valor de R$2.142.472,04; (ii) o entendimento da fiscalização consistiria numa frontal violação ao disposto no artigo 1º, inciso I, do Decreto nº 5.697, de 08/02/2006, que estabeleceria que as “Barras” classificadas na posição “72.14” tiveram sua alíquota reduzida a zero. Citou o resultado de um laudo de avaliação por ela solicitado junto ao Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais. Afirma que a distinção entre ‘laminados planos’ e ‘barras chatas’, não pode se restringir apenas às suas dimensões, nos termos das notas explicativas do capítulo 72 da TIPI, por existir grande diferença entre os “Aços longos – barras chatas” e os “Aços planos”, e que, enquanto esses são utilizados na sua maioria na linha de fabricação automotiva e de eletrodomésticos, aqueles são utilizados na construção civil, o que, inclusive, teria sido o fator determinante para que o Poder Executivo tivesse reduzido sua alíquota a zero por meio do citado Decreto nº 5.697, de 2006. Socorreuse do art. 98 do Código Tributário Nacional para invocar a aplicação da Normatização da Siderurgia para paises do Mercosul, NM 182:99, que definiria “Barra chata”. (iii) quanto ao anexo 4, embora a mercadoria tenha sido descrita como ‘tarugo’, tratase de “barras chatas”, que, incorretamente, foram descritas de forma diversa (tarugos) nas notas fiscais de saída, e ratifica e reitera todos os argumentos expendidos no item anterior. (iv) quanto ao anexo 5 (infração 001), a impugnante concorda que realmente houve equívoco, incorrido quando da implantação do novo sistema de computação “SAP”. (v) contesta o lançamento da a multa de ofício, alegando confisco, e a aplicação da regra do art. 138 do CTN, por entender que mesmo que o valor do imposto não tenha sido lançado na nota fiscal, há, relativamente a cada período em que os créditos superam os débitos do imposto, uma denúncia espontânea da infração, uma vez que o valor do imposto, embora não lançado na nota fiscal, é pago por meio de abatimento dos créditos do período correspondente. A 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0943.684, de 30 de abril de 2013, por unanimidade de votos, julgando procedente o lançamento. A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Juiz de Fora, interpôs o Recurso Voluntário, onde apresenta as seguintes alegações: (i) o lançamento sobre as notas fiscais canceladas, por não ter concretizado nenhuma transação comercial, não incidindo o IPI sobre as mesmas. Requer a realização de diligência para comprovação dos fatos alegados; (ii) a classificação dos produtos como “laminados planos”, afirmando que a sua Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 6 4 distinção entre “barras chatas” não poderia se restringir apenas às suas dimensões, nos termos das notas explicativas do Capítulo 72 da TIPI; e (iii) a aplicação indevida da multa prevista no caput do art. 80 da Lei nº 4.502/64, no caso de IPI não lançado nas notas fiscais, mas coberto com crédito do imposto. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Preliminarmente devemos apreciar a assertiva da Recorrente, também trazidas na impugnação, de que Fisco, em sua reconstituição de ofício da escrita fiscal, fez incidir tributação sobre notas fiscais canceladas, em relação aos documentos relacionadas em sua impugnação (fls. 1399 a 1401) e anexadas (fls. 1402 a 1510), gerando imposto sobre o valor de R$2.142.472,04. Sobre tal ponto, o órgão julgador a quo assim se manifestou: Na documentação apresentada pela impugnante, só se percebem cópias de uma das vias de cada nota fiscal, com aposição de um lacônico carimbo com o dizer “cancelado”. Ora, restando ausentes as demais vias, bem como a declaração do motivo que determinou o cancelamento, não há como se aceitar a argumentação de cancelamento aduzida pela autuada. Ou seja, o cancelamento das notas fiscais em tela restaria caracterizado com a demonstração de que todas as vias das referidas notas continuaram conservadas no bloco ou sanfona de formulários contínuos, com a declaração, em todas, do motivo do cancelamento, condição que não se evidencia nos autos. Com efeito, a impugnação mostrase destituída de supedâneo jurídico probatório do cancelamento alegado pela impugnante, persistindo, então, a consideração de tais notas na reconstituição de ofício da escrita fiscal. A Recorrente alega que o cancelamento das notas fiscais emitidas eletronicamente são autorizadas pela Fazenda Estadual e sob fiscalização desta, pelo não possuía a Recorrente meios de anexar à sua impugnação os “blocos” ou “formulários contínuos” de todas as vias das referidas notas, alegando ainda que tal fato poderia ter sido constatado em procedimento de diligência fiscal. Entendo que a questão merece ser melhor esclarecida, com a efetiva apuração da ocorrência ou não do fato gerador do IPI nas operações vinculadas às notas fiscais alegadamente canceladas. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 7 5 Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA, com retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora apure a ocorrência do fato gerador do IPI nas operações vinculadas às notas fiscais relacionadas pela recorrente às fls. 1399 a 1401 e anexadas às fls. 1402 a 1510, de forma a comprovar o efetivo cancelamento das mesmas, com análise de sua escrita fiscal e contábil, elaborando um parecer conclusivo acerca da alegação da recorrente de incidência de tributação de IPI sobre notas fiscais canceladas, e demonstrativo de cálculo, no caso de apuração de lançamento indevido. Do resultado da diligência deverá ser dado ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das sessões, em 24 de abril de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
score : 1.0
Numero do processo: 13831.000495/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13831.000495/2007-11
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351532
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-000.342
nome_arquivo_s : Decisao_13831000495200711.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13831000495200711_5351532.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5476711
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813051715584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13831.000495/200711 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.342 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de fevereiro de 2014 Assunto AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente B L ASSESSORIA E COMÉRCIO EM INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 31 .0 00 49 5/ 20 07 -1 1 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.076.7969, , em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 02 e seguintes, no decorrer do procedimento fiscal, foi constatado que a empresa deixou de informar nas GF1P's Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A. Previdência Social , as remunerações dos contribuintes individuais, Cristiane Tofoli Gonçalves de Almeida, período 01/2002 a 05/2007 e Anibal Ventura Gonçalves Almeida, período 01/2006 a 05/2007, ambos sócios administradores da empresa, conforme contrato social e alteração contratual. Desta forma, a empresa deixou de informar corretamente todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei n° 8.212 de 24/07/91, também acrescentado pela Lei n° 9.528 de 10/12/97 combinado com o art. 225, IV, § 4 do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06.05.99. Como a empresa não informou as remunerações dos sócios nas GFIP's, folhas de pagamento e também não exibiu a contabilidade, as remunerações dos segurados contribuintes individuais foram arbitradas conforme prescreve o artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212 de 24/07/1991; o artigo 233 do Decreto n° 3.048 de 07/05/1999 e a Instrução Normativa n°03, de 14/07/2005, artigos 596 e 597. No período de 01/2002 a 12/2003, para apurar a remuneração de Cristiane Tofoli Gonçalves de Almeida, foram considerados os rendimentos atribuídos A sócia, informados na Declaração Anual Simplificada — PJ , exercício 2002 e na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2003. No período de 01/2004 a 05/2007, na ausência de outros elementos, foi considerada para a base de cálculo, a maior remuneração paga a empregados da empresa, verificada nas folhas de pagamento. Desta forma foi apurada também a remuneração do sócio Anibal Ventura Gonçalves Almeida, no período de 01/2006 a 05/2007. Os empregados que receberam as maiores remunerações e que serviram de parâmetro para a apuração das contribuições devidas foram: Junio César Ferreira, período 01/2004 a 09/2004 e Dirceu Carvalho Ramon , período 10/2004 a 05/2007. A empresa fez opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES em 21/12/1998, data de sua constituição. Em 01/01/2002 foi excluída do sistema, dado este, verificado no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 15/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/10/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 33 a 34, onde alegou: Ínclitos julgadores, em que pese o respeitável e brilhante trabalho da digna sra. AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, sra. Rita Marta Marinelli Franco Maciel, não é forçoso dizer que a multa lavrada encontrase nula de pleno direito, tendo em vista que o ato Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 4 3 declaratório do qual teria excluído a Impugnante do SIMPLES deixou de atender o § 30 do art. 15 da Lei 9.732 1 , de 11 de dezembro de 1988, qual seja o direito do contraditório e da ampla defesa, vindo a distorcer a aplicação da legislação para os fatos geradores no caso em tela, razão pela qual pugnase pela nulidade do presente AIIM, por encontrarse embasado em vicio de origem, sob pena de violação de vários princípios constitucionais consagrados na carta cidadã. Ademais, a Impugnante, por erro do fisco, se assim é que podemos dizer, com a devida vênia, pagou os impostos pelos SIMPLES ate 12/02, contrariando a própria decisão que a teria excluído, não podendo, portanto, transferir o erro a parte mais fraca e vulnerável da relação jurídicatributária, conforme discriminado pela SRF no documento em anexo (DOC. 1). A Impugnante sempre teve um baixo faturamento.Porém, foi excluída de forma inconstitucional, porque o que era ã época um grande faturamento, acima do teto previsto, se tornou um pequeno faturamento, já no SUPER SIMPLES, demonstrando, o reclamo da população das iniquidades do sistema. Ademais, o fato de ter tido uma sócia que possuia participação em outra empresa, digase minima, sem direito a atos de gestão, comparecendo ao ato como esposa do cotista majoritário apenas para satisfazer a legislação comercial, por meio do empréstimo de nome, mantendose a unicidade e comunhão interesse familiar em comum, não demonstraria concorrência desleal, ou infração ã lei, capaz de desvirtuar o principio da igualdade, principio este fundamental e criador do SIMPLES, a ensejar a sua exclusão. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 56 a 66. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/10/2007 AUTODEINFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos fato geradores de contribuições previdenciárias. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Empresa excluída do SIMPLES fica sujeita As normas de tributação aplicáveis As demais pessoas jurídicas. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo previdencidrio deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de faze10 em outro momento processual. salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO FORMULADO. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 5 4 No processo administrativo fiscal, considerase não formulado o pedido de diligência/perícia, quando o requerente não apresenta justificativas para o pedido ou não formula quesitos referentes aos exames desejados. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. Desnecessária perícia, uma vez que o lançamento se deu com base em descumprimento de requisitos da lei especifica. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. vedado à Administração Pública o exame da Legalidade e Constitucionalidade das Leis. NÃO CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE DE ATENUAÇÃO / RELEVAÇÃO DA MULTA. A não correção da falta constitui óbice à concessão da atenuação/relevação da multa. Autuação Procedente com Manutenção da Multa. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 58 a 62, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 1. Verificase que, por medida de justiça fiscal, a r. decisão, ora guerreada deverá ser reformada integralmente em favor do contribuinte, anulandose a NFLD em testilha, tendo em vista que a matéria de direito discutida em questão no que concerne o prazo qüinqüenal para a formação do credito tributário previdenciário se extingue no prazo de 5 anos e não no de 10 anos, à partir do fato gerador do tributo Ínclitos julgadores, em que pese o respeitável e brilhante trabalho da digna sra. AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, sra. Rita Marta Marinelli Franco Maciel, não é forçoso dizer que a multa lavrada encontrase nula de pleno direito, tendo em vista que o ato declaratório do qual teria excluído a Impugnante do SIMPLES deixou de atender o § 30 do art. 15 da Lei 9.732,de 11 de dezembro de 1988, qual seja o direito do contraditório e da ampla defesa, vindo a distorcer a aplicação da legislação para os fatos geradores no caso em tela, razão pela qual pugnase pela nulidade do presente AIIM, por encontrarse embasado em vicio de origem, sob pena de violação de vários princípios constitucionais consagrados na carta cidadã. 2. Portanto, nulificado o ato, deixase, conseqüência, de existir a obrigação tributária exigida em tela, posto que os seus efeitos somente poderão atingir os atos futuros, à partir da nova decisão administrativa ou do novo ato declaratório excluindo a recorrente do SIMPLES, e estando a empresa inativa há mais de anos, nada mais deve ao Fisco em sede de obrigação principal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl.70. Superados os pressupostos, passo ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. A decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte dos AI de Obrigação Principal lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, mas, os quais não foi possível identificar a correlação direta com o presente AI, quais sejam: DEBCAD Nº 37.076.7985, 37.076.8000, 37.076.8027, 37.076.8035 e 37.076.8051, conforme descrito do TEAF, sendo que não se identificou decisão final a respeito da mesma nos sistemas do CARF. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado da referida NFLD Dessa forma, para que se possa proceder ao julgamento, devem ser prestadas informações acerca das AIOP conexo(s). Caso as referidas AIOP já tenham sido quitadas, parceladas ou julgadas definitivamente deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado, do período do crédito e da matéria objeto de cada AI, para que se possa identificar corretamente a correlação de cada AI com seu resultado e proceder ao julgamento do auto de infração de obrigação acessória em questão. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser prestadas as informações nos termos acima descritos. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vista ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14033.003573/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé Relatora
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14033.003573/2008-88
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364146
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-000.312
nome_arquivo_s : Decisao_14033003573200888.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANDREA MEDRADO DARZE
nome_arquivo_pdf_s : 14033003573200888_5364146.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5546188
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813058007040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 12 1 11 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14033.003573/200888 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3102000.312 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de maio de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente BRB BANCO DE BRASILIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Relatora Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Brasília que não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que haveria identidade entre a matéria objeto de litígio e a de ação judicial. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Per/Dcomp (fls. 1 a 17), relacionados na Tabela 1 do relatório do despacho decisório, nos quais a empresa acima identificada compensou crédito reconhecido por sentença judicial com débitos de IRRF, Cofins e Pis no valor total de R$ 10.950.467,53. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 03 57 3/ 20 08 -8 8 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 13 2 No despacho decisório (fls. 56 a 60), a autoridade fiscal competente homologou parcialmente as declarações de compensação, porque o saldo remanescente (R$ 1.290.815,01) do quantum (R$ 11.499.393,77) do crédito apurado no processo n° 14033000196/200825 não foi suficiente para liquidar o total dos 4 débitos confessados. A contribuinte tomou ciência da decisão proferida no despacho decisório, acima citado, 2/04/2009 (AR — fl. 61v). Inconformada em 21/05/2009 apresentou a manifesta inconformidade (fls; 62 á 75), na qual transcreve os fatos; discorre sobre a abrangência da decisão judicial transitada em julgado e sobre o processo de habilitação do crédito na Receita Federal; faz quadros demonstrativos e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: é detentor de decisão judicial, transitada em julgado, que reconheceu seu direito à compensação de indébito tributário relativo aos valores de PIS/PASE indevidamente recolhidos no período de 10 anos anteriores ao ajuizamento da ação judicial, ou seja, a partir de setembro de 1986 com tributos administrados pela Receita Federal; amparado pela decisão judicial transitada em julgado, requereu, em 28/12/06, a habilitação do valor (R$ 52.168.664,04) total do crédito atualizado, à época, conforme anexo (Doc. 3). Apesar da clareza da sentença judicial, a Receita Federal entendeu, consoante Despacho Decisório EQAJUD/DICAT/DRF/BSA n° 58, de 29/05/07, que os pagamentos indevidos alcançados pela decisão judicial foram somente os efetuados a partir de julho de 1988; em 11/05/07, respondendo a Termo de Intimação Fiscal, demonstrou, reafirmou e esclareceu ao Fisco a amplitude do seu direito creditório, de agosto/1986, pois a decisão final reconheceu que o prazo prescricional deveria ser de 10 anos, contados a partir do ajuizamento da ação, que ocorreu em setembro/1996. No entanto, ignorando a clareza da sentença judicial, esse órgão, usurpando o papel do judiciário, aplicou seu entendimento ao caso e, displicentemente, julgou que os pagamentos indevidos ocorreram apenas a partir de julho de 1988, deferindo apenas parcialmente a habilitação, no valor de R$ 44.8,41.111,52; diante dos desrespeitados à decisão proferida pelo STF, acobertada pelo manto da coisa julgada, inclusive para fina de ação rescisória, não lhe restou outra alternativa a não ser buscar seu direito novamente junto ao judiciário, ao impetrar, em 03/09/2007, o Mandado de Segurança 2007.34.00.0308022, com pedido de liminar, visando habilitação do crédito relativo ao período de setembro de 1986 a junho de 1988 que, ilegalmente, foi negada administrativamente por essa Receita Federal; com a denegação da liminar pleiteada, interpôs o Agravo de Instrumento n° 2007 01 00 0449551 acolhido pelo TRF, em julgamento realizado em 07/12/2007 (doc 4). Nessa decisão, assim se manifestou o Juizado Federal: "Nem mesmo a Súmula 121/STJ pode ser invocada como óbice à pretensão do agravante, pois, o que se busca é o direito de habilitação, perante a Receita Federal, de crédito já transitado em julgado, cujos limites temporais foram ali definidos "; Nesse contexto, resta evidente a legitimidade do direito à habilitação dos valores indevidamente recolhidos desde setembro de 1986 até junho de 1988, Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 14 3 tal como assegurado pela decisão transitada em julgado no Recurso Especial n. 495.980." Ante o exposto, dou provimento ao agravo de instrumento para reconhecer ao agravante o direito a habilitação nos termos em que requerida no item 3.1." é cristalino o equivoco da Receita Federal ao, ultrapassar seu papel querer delimitar o seu direito adquirido por meio de sentença proferido no RE e, além disso, confirmado pelo Acórdão do TRF no AGI. Por fim, o crédito total solicitado em dezembro de 2006 deverá set habilitado, porque é objeto de ação judicial transitada em julgado, não cabendo a essa autarquia nenhum juízo de mérito, mas apenas proceder ao seu fiel cumprimento; ademais, noscálculos .realizados pela. Receita Federal, os recolhimentos de PIS/PASEP efetuados cm 31/08/1988 e 30/09/1988, referentes aos períodos de apuração de julho e agosto de 1988, não foram acatados; as guias de recolhimentos foram devidamente entregues, em 10/03/2007, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n°. 141/2008 (Doc 5). Analisandose os documentos, é possível constatar que estão devidamente autenticados pelo Banco do Brasil e que foram recolhidos nas respectivas datas de Vencimento; não cabe ônus ao contribuinte se os valores não foram localizados por essa Receita, uma vez que o recolhimento está documentalmente comprovado. Em respeito ao principio da verdade material, as guias Apresentadas devem ser obrigatoriamente reconhecidas pelo Fisco, conforme reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes; assim, os recolhimentos de Cr$ 27.108.275,29 e Cr$ 19.116.537,67, procedidos em 31/08/1988 e 30/09/1988, devem ser considerados na determinação do valor do crédito de recolhimentos indevidos de PIS/PASEP efetuados por ela; constatou que foi incluído, no calculo do PISRepique devido, o adicional de IRPJ, o que reduziu o crédito a compensar a seu faVor. Ocorre que a lei que instituiu o PIS e que deverá ser aplicada ao caso em tela é a LC n° 07/70, especialmente o disposto pelo art. 3', "a", e §1°, que determina como sendo base de cálculo do PIS o valor devido a titulo de Imposto de Renda, deduzidos os incentivos fiscais previstos na legislação. Sobre esta base de cálculo deverá ser aplicada a aliquota de 5%; em face do disposto na LC no 7/70, a inclusão do Adicional de Imposto de Renda, para efeitos de se obter a base de calculo do Pis) é devida, pois ela estabelece que a base de cálculo do PIS seria o Imposto de Renda devido. A época da promulgação da LC n° 7/70, a legislação do IR não contemplava a figura do adicional, que só veio a partir do exercício financeiro de 1980, através do DecretoLei n° 1.704/79, assim, o IR apurado pela alíquota adicional não deve ser considerado para efeitos do cálculo do PISRepique; ademais, em 1987, a Receita Federal se pronunciou sobre a matéria, por meio de indagações formuladas ao "Plantão Fiscal", publicadas em obra intitulada "Perguntas e Respostas Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1987" o disposto acima corrobora o seu entendimento, e, tendo partido da própria Receita Federal, não pode ela proceder em contrário. Portanto, o IRPJ calculado alíquota adicional não faz parte da base de cálculo do PISRepique. Assim, no cálculo efetuado por esse Fisco, o valor do IRPJ calculado à alíquota adicional constou indevidamente na base de calculo da contribuição nos exercícios de 1993 e Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 15 4 .1994, o que, imerecidamente, reduziu o valor do crédito compensável pelo contribuinte; Por derradeiro, discorre sobre a base de calculo correta nos exercícios de 1988 a 1990; índices; conversão (0Th, BTN ou UF1R) e sobre o valor correto do crédito a compensar e no pedido requer o seguinte: a) esse órgão. cumpra o determinado em sentença judicial transitada em julgado, habilitando‘ o valor total dos recolhimentos indevidos. de PIS/PASEP realizados, no período de agosto de 1986 a abril de 1994, conforme já solicitado em 28/12/2006 (processo 10166.012225/200680); b) sejam corrigidas as inconsistências existentes no cálculo do crédito ao qual tem direito, conforme apontado nesta manifestação de inconformidade e que seja acolhida a Planilha 1 (Doc,6) como demonstrativo correto do crédito passível de compensação; c) as DCOMP 10017.69110 101008.1.3:546287 e 39111 57400.201008.1.3.54 0066 sejam homologadas, haja' vista a suficiência do crédito utilizado para a compensação dos débitos, consoante demonstrado; d) seja cancelada a cobrança dos débitos considerados não compensados e os encargos dela decorrentes, visto que se mostram indevidos, porquanto existem os créditos para as compensações efetuadas pelo contribuinte, conforme relatado e documentado A DRJ em Brasília não conheceu a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: Restituição de indébito Concomitância do processo judicial com o administrativo. A propositura de ação judicial antes, concomitante ou posteriormente autuação, afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho basicamente repetindo as razões da manifestação de inconformidade e acrescentando que jamais lhe fora dado a a oportunidade de se insurgir contra o reconhecimento apenas parcial do crédito pleiteado nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 16 5 Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, proferida nos autos do processo judicial n° 1996.34.00.185786, o qual não teria sido integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, o que representaria ofensa à coisa julgada. A autoridade recorrida entendeu que a manifestação de inconformidade não deveria ser conhecida, com base nos seguintes argumentos: No processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, a autoridade fiscal competente, com base na sentença judicial transitada em julgado apurou quantum do crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77. Desse valor, R$ 10.208.578,76 foi utilizado para liquidar débitos confessados nas Dcomp homologadas naquele processo, restando saldo remanescente de R$ 1.290.815,01, compensado com os débitos confessados nas Dcomp analisadas neste processo, homologadas parcialmente. Assim, com o crédito que a contribuinte pretende discutir neste processo foi analisado nos autos do processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, não cabe, aqui nos autos deste processo administrativo fiscal a discussão ou rediscussão da matéria lá examinada ou de qualquer outra pertinente a apuração daquele credito. Ao tomar conhecimento daquela decisão, à época oportuna, a interessada deveria ter se manifestado a respeito e não agora, após a definitividade da decisão proferida naquele processo de apuração do quantum do crédito compensado. Ademais, o crédito relativo ao período (set/1986 a jun/1988) pleiteado pelo sujeito passivo teve sua discussão deslocada para o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, o que, caracteriza a renúncia tácita à via administrativa, e, por conseguinte, impede o exame da matéria pelos órgãos judicantes da administração. . Nesse sentido deve ser observado o disposto no artigo 26 da Portaria MF 258 de 2001, que estabelece: (...) a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Vale esclarecer que a autoridade julgadora trouxe ao presente processo apenas cópia da decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, no qual há o reconhecimento de crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77 e a homologação total das declarações de compensação daquele processo. O ora Recorrente, por outro lado, sustenta o seguinte: Ademais, quando da cientificação ao contribuinte do Despacho emitido para o processo n° 14033.000196/200825 (Doc. 5) — ao contrário do que ocorreu no 14033.000196/200825 sequer Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 17 6 houve menção a possibilidade e prazo para refutar o 16583.59275.100908.1.3.545774 e 09762.52438. 180908. 1.3.547408, bem como o valor integral de uma DCOMP homologada parcialmente 10017.69110.1010. 08.1.3. 546287. Até mesmo neste ponto há equívocos. Postas estas razões por ambas as partes, verifico que a documentação trazida aos autos não é suficiente para formar a convicção de que foi efetivamente oportunizado ao contribuinte o direito de se insurgir contra a decisão que reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado. Com efeito, independentemente de terem sido integralmente homologadas as compensações declaradas no processo administrativo n° 14033.000196/200825, entendo que, como parte do crédito pleiteado não foi reconhecida, teria o contribuinte que ser intimado, abrindolhe oportunidade para a apresentação de recurso voluntário, sob pena de nulidade do processo ou, no mínimo, de se ter que reconhecer que não houve decisão final sobre o crédito e que, por conta disso, eventualmente poderá ser discutido em outra sede, como a presente. Da mesma forma, não se tem notícia nesses autos do desfecho do processo judicial nº 2007.34.00.0308022, o que nos impede de decidir com segurança se a decisão recorrida andou bem ao reconhecer a concomitância ou se na verdade, em face do estágio do processo, deveria ter cumprido o comando exarado pelo Poder Judiciário em caráter definitivo, como alegado pelo contribuinte em seu recurso. Neste contexto, verificando as deficiências de instrução do processo acima identificadas e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que traga aos autos (i) cópia da intimação do acórdão proferido pela DRF nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, do comprovante do seu recebimento pelo contribuinte e, ainda, em havendo intimação, se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte e, igualmente, (ii) certifique se o processo judicial nº 2007.34.00.0308022 transitou em julgado, bem como traga a estes autos cópia das decisões de primeira instancia, do TRF e eventualmente do STJ proferidas neste processo. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906270/2012-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.906270/2012-40
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352316
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.311
nome_arquivo_s : Decisao_10920906270201240.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10920906270201240_5352316.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5483549
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813085270016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.906270/201240 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.311 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente LOJAS HIRT LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 62 70 /2 01 2- 40 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001821/2006-50
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:2002,2003,2004,2005,2006
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador.
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). E REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF).
O MPF é um ato que te natureza interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício.
A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SIGILO BANCÁRIO.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EFEITOS.
A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício:2002,2003,2004,2005,2006 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). E REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). O MPF é um ato que te natureza interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício. A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EFEITOS. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11070.001821/2006-50
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5359588
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-001.887
nome_arquivo_s : Decisao_11070001821200650.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 11070001821200650_5359588.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5519360
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813118824448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 914 1 913 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001821/200650 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.887 – 1ª Turma Especial Sessão de 13 de fevereiro de 2014 Matéria LUCRO ARBITRADO Recorrente COMÉRCIO DE VEÍCULOS BELLINASO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:2002,2003,2004,2005,2006 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). E REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). O MPF é um ato que te natureza interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício. A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 18 21 /2 00 6- 50 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 915 2 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EFEITOS. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 916 3 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Exclusão do Simples A partir da Representação Fiscal para fins de Exclusão do Simples, fls. 0107, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SAO/RS nº 23, de 21.11.2006, fl. 439, com efeitos a partir de 01.07.2001, por embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária (art. 12, incisos II e V do art. 14 e inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Autos de Infração I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 445463 com a exigência do crédito tributário no valor de R$160.821,51 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado referente ao quarto trimestre do anocalendário de 2001 e aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 522528. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados: Fl. 919DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 917 4 na contacorrente nº 0604192906 da agência nº 037079 do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, fls. 155343; e na conta corrente nº 423807 da agência nº 32778 do Banco Bradesco S/A, fls. 346382. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 154 e 344 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, fls. 1962. Item 2 Omissão de receitas de atividade pelo cálculo dos tributos pelo regime de tributação pelo lucro arbitrado dos valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, fls. 1962. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso I do art. 27 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e inciso II do art. 530, art. 532, art. 536 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 464482 com a exigência do crédito tributário no valor de R$73.080,80 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 483499 com a exigência do crédito tributário no valor de R$337.299,55 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 500519 a exigência do crédito tributário no valor de R$120.616,22 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 918 5 Instauração do Litígio Cientificada em 23.11.2006, fls. 439, 457, 475, 493 e 512, a Recorrente apresentou a impugnação em 26.12.2006, fls. 532637, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita: As faltas supostamente verificadas que ensejaram o Ato de Declaratório de Exclusão do SIMPLES e os lançamentos dos preditos tributos, não obstante os louváveis esforços da digna Autoridade de Fiscalização, não subsistem, desmerecendo prosperar, em virtude de incontáveis aspectos, dentre esses, com destaque para os seguintes: a) nulidade da ação fiscal e do Processo Administrativo Fiscal por diversos fundamentos. b) ilicitude e nulidade da prova documental que serviu de base para os lançamentos praticados. c) ausência de fundamentos capazes de permitir a exclusão da Impugnante do SIMPLES. d) inexistência de rendimentos não oferecidos à tributação e/ou acréscimo patrimonial a descoberto, além de inviável a exigibilidade, no caso concreto, de quaisquer dos tributos lançados. e) ainda que supostamente existissem motivos para a fiscalização, não haveria créditos tributários a serem exigidos, as bases de cálculo apuradas seriam inadequadas e ilegais, além de todos os demais elementos que formam os atos administrativos impugnados, diante de vícios e ilegalidades, de modo a não procederem sob múltiplos fundamentos. f) em síntese, quanto aos motivos de fato e de direito em que se fundam as pretensões da Impugnante, esses passam pelas diversas nulidades do Processo Administrativo Fiscal, com amparo nos múltiplos fundamentos adiante alinhados, irretroatividade e do princípio da anterioridade e seus efeitos, da insubsistência dos lançamentos por afronta ao artigo 5°, caput e incisos II e LIV, combinados com artigo 170, caput e incisos I a IX (especialmente este), além do seu § único, todos da Constituição Federal, e várias outras normas jurídicas, inexistência de tributos devidos, Declarações Anuais Simplificadas incólumes e seus efeitos, imposições diversas e vedadas sobre uma mesma e única base de cálculo, comprovação da origem da receita tributada e sua declaração já realizada pela Impugnante na época correta, inexistência de lançamento válido com base em documentos obtidos sem amparo na legislação vigente, inexistência de "fato gerador" dos tributos lançados, multas (nulidades e outras questões), além de necessária exclusão ou redução, juros/taxa Selic— ilegalidades e efeitos. Essas e tantas outras questões paralelas fulminam de vez, na íntegra, o Auto de Infração em tela, juntamente como todos os lançamentos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) operados contra a Impugnante. Em relação à nulidade do lançamento, diz que o prazo de fiscalização foi excedido ilegalmente e ainda: Fl. 921DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 919 6 A existência de vícios, por menor que se apresentem, seja no procedimento de fiscalização, seja no ato de lançamento, de natureza formal ou quanto ao conteúdo que envolvem, gera a pronta nulidade de tais atos jurídicos. [...] No nomeado Mandado de Procedimento FiscalMPF, além de outras normas lhe albergadas, foi incluído um elemento de crucial importância, sobretudo no caso em exame. Qual seja: o prazo de validade do mandato. [...] A disciplina jurídica, bem como a natureza do mencionando Mandado de Procedimento FiscalMPF, decorrem se sua própria base legal, consoante preceitos antes invocados a respeito da fiscalização e do lançamento, que, inclusive, lhe servem de fundamento legal. Aqueles como normas primárias sobre a matéria, enquanto as aludidas Portarias, em complemento e integração de tais preceitos, como normas secundárias. Nessa perspectiva, é que a natureza do retrocitado Mandado de Procedimento FiscalMPF, ao lado de sua disciplina normativa, passaram a estabelecer normas de plena eficácia e, principalmente, condições de procedibilidade para a fiscalização. Ou mais objetivamente: para a fiscalização ser considerada válida. O desrespeito a uma dessas condições que seja, e no presente caso ocorreu quanto ao prazo de execução do MPF que foi extrapolado sem correspondente prorrogação —ou, pelo menos, prorrogação válida — implica em nulidade de todos os demais atos subseqüentes praticados, de vez que ilegais e sem amparo normativo, contrapondose à inflexível legalidade a que se subordinam, enquanto partes da atividade plenamente vinculada que consiste tais práticas fazendárias. Conforme se observa dos autos, o Mandado de Procedimento FiscalMPF n° 10.1.08.002006001448, de 18 de abril de 2006, e que deu início e autorizou a fiscalização contra a Impugnante, estabeleceu como prazo máximo para sua execução, a data de "16 de agosto de 2006". A renovação de tal Mandado ou prorrogação de seu prazo, não pode ser por mais uma vez e, ainda, em elastério de tempo que supere aquele inicialmente previsto. Também não foi a Impugnante, como requisito imprescindível à validade da fiscalização e demais atos praticados pelo órgão autuante depois de tal data, notificada, na forma da lei, de uma eventual prorrogação de tal prazo. [...] Ante o exposto, requer a Vossa Senhoria se digne acolher a preliminar argüida, consoante seus termos, para reconhecer e decretar a nulidade da (i) ação fiscal em todos os seus termos ou, então, (ii) da comunicação sobre renovação e/ou prorrogação de prazo do Mandado de Procedimento FiscalMPF questionado — se houve —,bem como e independente dessa ocorrência, do processo administrativo em exame, além de todos os seus atos praticados a partir de 16 de agosto de 2006 e, ainda, especialmente, dos lançamentos praticado contra a Impugnante, em todas as suas exigências. No que se refere ao não atendimento aos pressupostos de validade do lançamento argui que: A movimentação circunstancial, transitória, efêmera e irrelevante de valores pelo contribuinte, e que à luz do Direito Financeiro até poderia ser conceituada como "receita" em acepção meramente contábil, nunca, jamais sequer como "receita" em sua acepção financeira, enquanto significante de "aumento de patrimônio", como é assente na doutrina, não exerce qualquer pertinência para o Direito Tributário. E, o que é mais importante: nunca, até por impossibilidade fenomênica ou normativa, se insere no conceito de renda, muito menos é, ou pode Fl. 922DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 920 7 ser, considerada como "fato gerador" de renda. Tampouco ser tida ou qualificada como "lucro" nem como "faturamento", de modo que, no caso concreto, não representa o critério material de quaisquer dos tributos lançados (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS). Essas premissas, e que antecedem ao exame de mérito quanto aos lançamentos direcionado à Impugnante, foram rotundamente desconsideradas pela ilustre Autoridade Fiscal, eivando de nulidade, ainda no plano prévio e formal, o processo administrativo ora em pauta. Não se trata apenas de uma verificação da existência ou não de "fato gerador". Tratam as questões adiante levantadas, isto sim, de violências mais amplas e de efeitos que se projetam não só sobre a existência ou não de fato gerador, mas, sobretudo, sobre a regularidade e validade do próprio Processo Administrativo Fiscal. [...] Diante dos fundamentos ora reiterados, e singelo exame dos elementos carreados nos autos, cumpre destacar, como fatores determinantes das nulidades apontadas, os seguintes: a) o procedimento administrativo (principalmente na fase de fiscalização), não observou a forma que dele se exige, isto é, com prática de atos vinculados sob a estrita legalidade, a impedir, tanto a eleição de fato gerador fictício em detrimento da Impugnante, assim como a deliberada e nefasta omissão sobre a exigência fiscal e suas causas, a fim de que, então, a Impugnante, naquela oportunidade, pudesse tanto atender às intimações lhe endereçadas, como exercer sua defesa; b) o não deferimento do prazo mínimo e necessário para que a Impugnante promovesse o atendimento, no que possível das informações e documentos lhe exigidos [...], nem fosse esclarecida, antes, tanto de que sofreria arbitramento e seria excluída sumariamente do SIMPLES, bem revela o quanto foi prejudicada em sua defesa e nos efeitos econômicofinanceiros atentatórios ao direito de propriedade nessas circunstâncias sem amparo legal perpetraram os lançamentos e demais atos sancionatórios lhe dirigidos; c) por ocasião dos lançamentos, e como ali consta, diante da precária e insuficiente descrição/motivação desse, principalmente no que tange à multa imposta e sua gradação, de vez que na aplicação de qualquer penalidade a lei determina que a Autoridade Fiscal descreva e fundamente tais aspectos, até para se aquilatar se os fatos jurídicos em que se baseia, assim como se os fundamentos/motivação para aplicação de uma penalidade mais severa efetivamente existem e se aplicam ao caso, além de que regras legais pertinem à situação jurídica versada. Nada existe nos lançamentos, nesse particular. Como conferir validade a um Processo Administrativo Fiscal nessas condições, em aberto prejuízo à Impugnante? Em suma, tais causas de nulidade, vão bem além daquelas previstas no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72. Por força do expendido, requer o acolhimento da preliminar aventada, para decretar a nulidade do Processo Administrativo Fiscal em referência, em todos os seus atos e termos. Atinente à ocultação e não apresentação de provas, menciona que: No caso vertente, em que os lançamentos efetuados se fundaram nos diversos documentos colhidos pela Autoridade Fazendária mediante (i) quebra indevida e Fl. 923DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 921 8 desnecessária do sigilo bancário e, o mais grave, (ii) de forma ilícita e sem autorização do Poder Judiciário, além de ter havido, apesar do requerimento formulado com tal objeto, (iii) a negativa de cópia do procedimento administrativo, em na época em que pleiteada. Quando passaram a ser de acesso da fiscalização ou, ao depois, integrar o procedimento fiscalizatório, e em cada uma dessas ocasiões, exigiam, sempre, em respeito aos princípios da ampla defesa, do devido processo legal e, em especial, do contraditório, a devida e prévia ciência dessa utilização à Impugnante, juntamente fornecimento de cópias do procedimento administrativo, até para que, se fosse o caso, pudesse complementálos ou contraditálos. Nada disso ocorreu. Essas omissões, infringentes da obrigação de apresentar todas as provas ao fiscalizado, e utilizadas pela autoridade fiscal, atestam a nulidade os Auto de Infração de Lançamentos lavrados, e de resto de todo o processo administrativo tributário. [...] Diante do explicitado, requer o acatamento da prefacial em referência, com a decretação da nulidade do Processo Administrativo Fiscal, em sua totalidade. Sobre a falta de prazo para execução da fiscalização e quebra do sigilo bancário, afirma que: O artigo 196 do Código Tributário Nacional fixa prazo para a ação fiscal e sua conclusão, o que jamais foi cumprido no caso vertente e, mais, tal morosidade se agravou diante da quebra indevida do sigilo bancário, razões quais pelas, também sob essa ótica, a nulidade do processo administrativo é latente, já que incorreu, pelas circunstâncias, em velada ilegalidade. Referente ao cerceamento do direito de defesa, aduz que: Também é patente o cerceamento de defesa ocorrido, em amplo prejuízo da Impugnante — veio a ser duramente sancionada —, tanto (i) por não ter recebido de forma específica e delimitada as solicitações lhe dirigidas, assim como lhe assegurado, antes, o prévio conhecimento do objeto e finalidades que as motivavam, a par das circunstâncias que poderiam aquelas legitimar, quanto (ii) ao ter negado o prazo requerido para, se tivesse então condições, e fosse o caso, atender tais solicitações, notadamente porque todas as demais que estiveram dentro de suas possibilidades e alcance foram devidamente atendidas, consoante atestam as várias informações e documentos em tantas vezes, no curso da investigação fiscal, ao Fisco levados pela Impugnante. [...] Ante o exposto, requer a Vossas Excelências se digne acolher esta e as demais nulidades levantadas, uma a uma, em todos os seus aspectos e sob seus múltiplos fundamentos, fulminando por inteiro o Processo Administrativo Fiscal, bem como tornando insubsistentes os lançamentos nessas condições realizados. Concernente à ilicitude da prova relata que o sigilo bancário tem proteção constitucional e ainda: A Impugnante teve seu sigilo bancário quebrado e violado por ato administrativo, exarado a bel talante da Autoridade Fiscal, consoante descreve o Relatório de Auditoria Fiscal que serve de sustentação aos lançamentos levados a efeitos, ao final. Pertinente à nulidade da RMF justifica que não restou caracterizada a justa causa para o procedimento e ademais: Fl. 924DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 922 9 A Autoridade Fiscal signatária dos malsinados Mandados Administrativos de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (i) não se fizeram preceder da necessária e fundamentada decisão administrativa que suas expedições, se fosse o caso e permitisse a ordem jurídica vigente, poderiam provocar e (ii) não delimitaram as requisições promovidas estritamente às informações imprescindíveis ao objeto e necessidade da investigação fazendária em curso, permitindo, nesse excesso e desvio de finalidade, não só a obtenção de tais dados em desacordo com seus requisitos de validade, quanto verdadeira devassa na intimidade e demais direitos e garantias da Impugnante, em que pese insuscetíveis de tais transgressões nas referidas circunstâncias. [...] No caso vertente, nem um dos dois pressupostos foi atendido. Não havia processo instaurado contra a Impugnante, e sim mero procedimento fiscalizatório recém iniciado, limitado, à época, tãosomente a auditar o IRPJ. Já nessa oportunidade — nem depois — foi apresentada uma única prova de que aquele meio — quebra do sigilo — era o único possível para se atingir os objetivos fazendários. O pressuposto da indispensabilidade, portanto, também não foi atendido. [...] A requisição administrativa de movimentação financeira, ao violar tanto normas processuais como de direito material, incorre em nulidade absoluta, posto que a quebra do sigilo financeiro da Impugnante foi indevida, já que (a) órfão da imprescindível decisão autorizativa, na forma exigida pelo ordenamento jurídico, (b) limitada a mera e írrita requisição determinada por autoridade sem competência para tanto, (c) sob inexistente motivação, (d) desamparada da prévia prova de indícios por parte do Fisco de autoria e materialidade e nem sequer haver necessidade demonstrada e (e) com inobservância de várias normas constitucionais e legais, além daquelas ditadas pelo critério da proporcionalidade. Nessas circunstâncias, todos os elementos que servem de base e sustentação aos lançamentos questionados, foram obtidos, quando da quebra indevido do sigilo bancário em violação à intimidade e ao sigilo de dados, direitos tutelados constitucionalmente (art. 50, incisos X e XII, da CF), bem como em velado desrespeito à cláusula do devido processo legal (art. 5º, LV, CF), caracterizandose, portanto, como prova ilícita. [...] Respeitante à requisição e quebra do sigilo bancário para além do objeto e limites da fiscalização enfatiza que: Não obstante tenha havido requisição administrativa das informações financeiras/bancárias da Impugnante, aludida circunstância em nada confere licitude à prova que sustenta os lançamentos impugnados. Pelo contrário: conforme asseverado, a prova obtida nas referidas circunstâncias mostrase veladamente ilícita. [...] Na quebra do sigilo bancário da Impugnante não se observou a legislação que norteia a questão. [...] Ante o exposto, requer a Vossas Excelências se dignem acolher a preliminar em tela, para reconhecer e decretar as nulidades levantadas, em todos os seus aspectos e sob seus múltiplos fundamentos, fulminando por inteiro o processo administrativo, bem como decretando nulos e/ou insubsistentes os lançamentos nessas condições realizados, com base em prova ilícita, a par do reconhecimento desta mácula. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 923 10 No que diz respeito à exclusão do Simples interpreta que o ato administrativo correspondente é inválido pois: O detido exame da Representação Fiscal destinada à exclusão da Impugnante do SIMPLES e Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO n° 23, de 21 de novembro de 2006, subscrito pelo AFRF matrícula n° 8627, aquela acolhendo, com efeitos retroativos a 1° de Julho de 2001, atesta, desde já, a invalidade da exclusão promovida. Essa decorre de dois fundamentos inquestionáveis: (a) a nulidade do procedimento que levou a referida exclusão da Impugnante do SIMPLES e ao simultâneo sancionamento a partir dessa premissa, mediante arbitramento do "lucro" e lançamento dos vários tributos então considerados exigíveis, porquanto em desacordo e violência ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa e (b) a nulidade do Ato Declaratório de exclusão, por desatender requisitos essenciais que lhe seio ínsitos. A invalidade do procedimento administrativo que levou a exclusão da Impugnante do SIMPLES, por si só e por provocar a invalidade também do Ato Declaratório sob igual eiva, por derivado daquele, implica ao final, em igual conseqüência: (i) o restabelecimento da tributação pelo SIMPLES, sem solução de continuidade e, por prejudicados, (ii) a insubsistência dos lançamentos tributários dirigidos à Impugnante, desprezando esse regime jurídico de tributação ao qual submetida e sob direito subjetivo de sua titularidade. [...] Em primeiro lugar, o Ato Declaratório espancado, desbordando até mesmo da Representação Fiscal da qual deriva, se funda em suposto "não atendimento dos requisitos legais para opção [do SIMPLES]", quando tal motivo jamais foi cogitado nos autos, até porque informado pela própria permanência da Impugnante em tal sistema durante vários anos, sem jamais ter apontado qualquer desatendimento nesse plano. Até porque os sempre atendeu. De qualquer modo, ao não guardar a imprescindível congruência com a Representação Fiscal e o que consta dos autos, nem apontar em que consistiria tal desatendimento, desatende os requisitos da motivação, finalidade, formalidade e causa. Em segundo lugar, também se mostra desprovido dos requisitos da competência, motivação, formalidade e causa. [...] Diante do expendido, requer o acolhimento da preliminar aventada, consoante seus termos, para (i) decretar a nulidade do procedimento de exclusão da Impugnante do SIMPLES, em todos os seus termos e, independente dessa, também a nulidade do Ato Declaratório que aquela veicula e, ainda, (ii) a conseqüente nulidade e/ou insubsistência dos lançamentos tributários direcionados à Impugnante, desconsiderando sua regular situação enquanto tributada pelo Simples. A respeito dos motivos do ato de exclusão, quais sejam: embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária esclarece que não restaram caracterizados porque: Ao contrário do que sem sucesso tenciona sugerir, a Impugnante, desde o primeiro momento, mediante contínuo e intenso esforço, a cada notificação/intimação recebida foi ao Fisco e, sempre que possível, o atendeu. É incontroverso nos autos: nenhuma intimação ficou sem resposta, ainda que, por vezes, a Impugnante viesse a pelejar, no exercício regular de direito e dentro do que lhe conferem as mais comezinhas garantias constitucionais, pela necessária dilação Fl. 926DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 924 11 de prazo. Prazos aqueles, quando alvos de pleito ampliativo, totalmente inviáveis de cumprimento, seja pela exigüidade e insuficiência de tempo, seja pela ausência de especificação e clareza quanto ao objeto das pretensões que veiculavam, seja por impossíveis de atendimento diante de tais objetos, como serve de exemplo — com tamanha eloqüência — aquele concedido para que a Impugnante "justificasse" milhares de lançamentos/registros bancários, que foram vários volumes dos autos e envolvem muitos anos, inclusive de mais de uma agência, quando esta, inclusive por direito legal e constitucional incontroverso nos autos (e admitido pelo Fisco) sequer tinha e tem obrigação de manter escrituração contábil. [...] Em resumo e ao contrário da acusação esgrimada, não praticou nenhuma "irregularidade", sejam aquelas apontadas pelo Fisco ou não. Nem seriam ou são essas, de qualquer forma, eficazes e aptas o bastante para permitir a exclusão do Simples, nem a tributação mais extensa da Impugnante, por essa via inadmitida. Deverá, por conseguinte, ter restabelecida a sua permanência nesse sistema. [...] Em suma: a Impugnante jamais causou embaraço à fiscalização fazendária, nem transgrediu, em momento algum, a legislação do Simples ou qualquer outra. Muito pelo contrário: sua regularidade durante anos, sem qualquer autuação, é a prova candente do estrito cumprimento da legislação atinente ao programa simplificado de recolhimento de tributos em testilha. A improcedência da exclusão é corolário a ser respeitado, pelo que desde logo requer, conjuntamente com os demais pleitos sobre esse assunto formulados. [...] No caso em exame, com muito mais razão, a exclusão deverá ser rejeitada, posto que [...] a Impugnante nem em tal prática sequer incidiu. Diante do explicitado, requer o cancelamento da exclusão ora espancada e eventuais exigências dessa decorrentes. No que tange à falta de motivação e comprovação da ocorrência da infração acrescenta que: O Ato Declaratório em foco veicula normas restritivas de direito subjetivos assegurados à Impugnante, o que faz dele, com muito mais razão, um ato administrativo com validade condicionada à ampla, clara e precisa fundamentação. Não atendendo aludido requisito, sua nulidade é patente e, portanto, reclama pronto cancelamento. No que toca ao ônus da prova estabelece que não houve a necessária apresentação prévia do conjunto probatório por parte do Erário. Defende que, a finalidade da legislação é: [...] incentivar as pessoas jurídicas mencionadas em seus incisos com a previsão de carga tributária mais adequada e passível de atendimento, facilitação e simplificação dos procedimentos e obrigações burocráticas, protegendo as micro e pequenas empresas e retirandoas do mercado informal. [...] A sanção traduzida na exclusão da Impugnante do SIMPLES, mediante acusação de transgressão às disposições legais e normativas listadas no Ato Declaratório impugnado, não pode ser definida nessa simplista e cômoda postura. Concernente a mudança de critério jurídico de forma retroativa expõe que: Eventual exclusão da Impugnante do Simples, se confirmada, implicará sua sujeição cogente a um dos regimes de tributação previstos para o caso (lucro Fl. 927DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 925 12 presumido ou lucro real). Sem contar que, agora e por meio das autuações sofridas, já está sob impacto daquela mais gravosa possível: o lucro arbitrado. Essa alteração do critério jurídico a que até então compelida ao cumprimento de suas obrigações fiscais e tributárias, não pode, por força da garantia da irretroatividade das normas, além da anterioridade ao demandar o recolhimento de tributos em valores, bases de cálculos e alíquotas que até então não tinha o dever constitucional ou legal, importar em retroação. [...] Diante do explicitado, e aventando para a hipótese remota de mantida sua exclusão do Simples, requer a Impugnante, então, (a) sejam os efeitos da exclusão e conseqüente sujeição às exigências daí decorrentes, restritos ao exercício financeiro imediatamente subseqüente àquele em que sobrevier decisão final definitiva (última, depois de exaurida, na forma do Processo Administrativo Fiscal, a esfera administrativa) decretando citada exclusão ou, então, (b) a partir desta data, sempre sem incorrer em qualquer retroação. [...] Nesse contexto, impensável a pretensão esboçada pelo Fisco, qual seja a de retroagir a situação do excluído do SIMPLES à data de sua opção ou, ainda, qualquer outra que não seja àquela em que, segundo as normas do Processo Administrativo Fiscal, reflita a decisão final e definitiva na esfera administrativa. Falece, portanto, legalidade à pretensão fazendária, nos termos em que destinada à Impugnante, no tocante à alvejada retroação de efeitos ao Ato Declaratório de exclusão. [...] Diante do exposto, em caso de mantença da exclusão refutada, sejam seus efeitos aplicados, consoante pretensão pela ordem mais favorável à Impugnante, tão somente a partir (a) do exercício financeiro subseqüente àquele em sobrevinda a decisão final e definitiva pela exclusão ou, então, (b) do mês imediatamente posterior a esta ou, por último, (c) do exercício financeiro subseqüente aquele em que expedido o Ato Declaratório questionado, ou seja, no caso concreto, então a partir de 01/01/2007. Pertinente ao efeito suspensivo da apresentação regular da peça de defesa aduz que: Ratificando a procedência da presente defesa, fundamentalmente quanto ao termo inicial dos efeitos do Ato Declaratório (se mantido) e/ou à possibilidade de regularização de eventuais infringências havidas, como suficiente à permanência no Simples, a Impugnante, amparada no entendimento jurisprudencial administrativo adiante colacionado, pugna, ainda, pelo respeito ao efeito suspensivo que a presente defesa enseja [...]. Em razão do exposto, requer seja conferido e respeitado o efeito suspensivo que a presente defesa provoca, até decisão final e definitiva a respeito da exclusão debatida, afastandose os efeitos do ato administrativo que a veiculada, até referida decisão final. Respeitante à tributação mais favorável e a inviabilidade do “reformatio in pejus” sustenta que: Ante o exposto, requer a vossas excelências se dignem acolher a presente impugnação, juntamente com a documentação inclusa, conferindolhe efeito suspensivo, para, ao final: (a) decretar a nulidade e/ou acatar a inconsistência e improcedência do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 23, de 21 de novembro Fl. 928DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 926 13 de 2006, mantendo a Impugnante no SIMPLES, sem qualquer solução de continuidade ou, em caso de entendimento diverso, (b) então, entre as alternativas nesta peça defendidas, limitar os efeitos da exclusão àquele termo inicial que se mostrar mais favorável à Impugnante, expungindo a retroação acenada e/ou exigências de qualquer natureza sobre período pretérito, bem como excluindo quaisquer penalidades e, ainda, deferindose as demais pretensões pela Impugnante nesta peça deduzidas e, outrossim, para (c) se surgir ou remanescer por força do arbitramento havido, dependendo do que doravante se decidir, situação ou possibilidade mais favorável à Impugnante que o restabelecimento do SIMPLES, então aquele manter incólume, se for o caso e em tais aspectos — mais favoráveis — e, independente dessa questão, (d) restringir a incidência e tributação pelo SIMPLES, quando e se for caso, com base no antes expendido, ao faturamento e aos percentuais acima indicados, correspondentes e aplicáveis à espécie. Relativamente à decadência dos tributos lançados aduz que “frente ao expendido, requer o cancelamento de todos os lançamentos (e respectivos importâncias) cujos "fatos geradores" precedem a 23/11/2001, porquanto fulminados pela decadência.” No que diz respeito à adoção de ofício do regime de tributação com base no lucro arbitrado afirma: Ante o exposto, requer a desconstituição dos lançamentos da CSLL, da COFINS e do PIS ou, então, relativamente aos dois últimos, sejam esses, quanto à base imponivel, limitados ao percentual de arbitramento utilizado para o IRPJ (9,6%) ou, por fim, restritos e refeitos para incidir exclusivamente sobre o faturamento da Impugnante (o resultado de suas revendas de mercadorias) consoante provado nos autos ou, então, consoante provar a fiscalização, sob citada materialidade da hipótese de incidência, sem computar para tanto, à evidência, meros depósitos bancários. Atinente à nulidade e insubsistência dos lançamentos informa que: Diante dessa ingerência e atos praticados, inclusive com pleno aproveitamento e tomado como base para os lançamentos perpetrados em seguida à expedição do Ato Declaratório Executivo em comento pelos dois ilustrados Auditores Fiscais com competência para ação fiscal em referência, acabaram todos eles, por diferentes motivos, extrapolando suas respectivas competências no caso em apreço. Aquele ao intervir e participar indevidamente, porém de forma direta e decisiva, das atribuições e atos afetos com exclusividade a estes últimos, os quais eram, tão somente eles, os responsáveis pela referida investigação fiscal, tal qual consta, inclusive com referida limitação, nos Mandados de Procedimentos Fiscais e documentos correlatos contidos nos autos. Os executantes do referimento procedimento eram, igualmente, apenas referidos Auditores Fiscais. Estes últimos, diante dessa realidade, estavam impedidos de permitir a participação daquele, seja substituindo o trabalho desses, seja realizando outros afetos a eles, e ao final aproveitado para promover a autuação da Impugnante. [...] Diante do expendido, requer o acolhimento da preliminar em questão para decretar a nulidade e/ou a insubsistência dos lançamentos realizados relativamente ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, juntamente com seus consectários. No que tange aos lançamentos efetivados em desacordo com as normas de regência relata que “tais esclarecimentos não se faziam necessários e, então, a quebra de seu Fl. 929DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 927 14 sigilo bancário e a busca e a apreensão realizadas foram comprovadamente frutos de excesso de poder, de arbitrariedade representativa de ilicitude”. Concernente à falta de individualização dos depósitos bancários afirma que o procedimento está eivado de ilegalidade: [...] a) não especificou a fiscalização, quais os documentos e/ou equipamentos que pretendia apreender; b) não individualizou sequer quais deles versavam sobre os tributos que iria investigar, estes nem sequer apontados, quanto mais os períodos alvos da fiscalização em relação a cada uma de tais exações; c) não declinou também a finalidade da prova e sua respectiva relação com os alvos da investigação, relativamente a cada tributo que poderia fiscalizar e d) não listou as circunstâncias pelas quais poderia, naquele momento, afirmar a existência dos documentos pretendidos [...]. No que toca à quebra do sigilo bancário além do objeto e limites da fiscalização o que gera excesso representativo de ilegalidade do qual decorre o cancelamento dos lançamentos enfatiza que: Consoante comprovam mandados administrativos de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira sob nºs 10.1.08.002006000034 e 10.1.08.00 2006000026, o limite dos informações possíveis de serem endereçadas à fiscalização estava, em julho de 2006, assim fixado: a) o período objeto da fiscalização era 07/2001 a 12/2005; b) enquanto o tributo objeto da fiscalização, nesse período, era apenas o IRPJ. Porém, excedendo sem validade esses limites, a requisição realizada, a ação fiscal e os lançamentos daí decorrentes não respeitaram a restrição quanto ao tributo alvo de investigação, no período indicado. [...] Diante do expendido, requer a declaração da insubsistência, ou, então, da nulidade, de todos os lançamentos realizados nos autos do Processo Administrativo Fiscal em epígrafe ou, em caso de entendimento contrário, então daqueles que não fizeram parte do objeto da fiscalização definido pelo Mandado de Procedimento Fiscal acima indicado, com os devidos cancelamentos. A respeito da vedação de lançamento com base em depósitos bancários cita que: Além de depósitos bancários não significarem fatos geradores de quaisquer tributos, a tolher todo lançamento a partir ou com base neles pretendidos, conquanto desamparados de validade, inclusive depois da edição da Lei n° 9.430/96, posto que não serve esta para alterar os conceitos de renda — nem da realização de operações de crédito — e de fato gerador da obrigação principal colhidos nos artigos 43, 113, § 1º e 114, do Código Tributário Nacional, este com status de Lei Complementar e, portanto, prevalecentes sobre a regra veiculada na referida Lei Ordinária, ao pretender, sem aptidão, tais conceitos, inclusive o de renda, este enquanto signo representativo de necessário acréscimo patrimonial, contornar. [...] Mesmo que fosse admitida, em tese, a tributação com base nos depósitos bancários, deveria ainda o Fisco, obrigatoriamente, proceder o arbitramento da pretensa renda com base nesses e naquela supostamente consumida, com a imprescindível comprovação desta ocorrência e mais, necessariamente, então, lançar com base na situação mais favorável ao contribuinte, o que não fez, desviandose de sua atividade vinculada. [...] Fl. 930DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 928 15 Diante do expendido, e tendo havido lançamentos com base em depósitos e documentos bancários, em todos os processos administrativos antes especificados, portanto sem qualquer validade, requer a decretação de tal inconsistência, com cancelamento das respectivas exigências tributárias e seus consectários. No que concerne aos limites da competência tributária e à falta de provas para verificação da ocorrência dos fatos geradores aduz que: Depósitos bancários não são "renda", no conceito normativo desta, nem representam "lucro", muito menos "faturamento". Não se pode, ainda que através de Lei Ordinária, alterar o conteúdo e o alcance de tais conceitos, mormente para, em violência à regra do artigo 110 do Código Tributário Nacional, ampliar a competência tributária, rígida e exaustiva, outorgada à União Federal pela Carta Magna vigente. [...] Ante ao expendido, novamente requer a desconstituição dos lançamentos impugnados, por força dos citados fundamentos, em destaque a ausência de ocorrência concreta do fato jurídico correspondente à materialidade da hipótese de incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da Impugnante exigido. [...] Ainda que assim não se entenda, ainda que relativamente ao IRPJ e a CSLL, dada a natureza jurídica dessas exações e correspondentes possibilidades quantificativas, se tolere o arbitramento realizado a partir de indevida e injurídica "presunção" alçada a partir de meros depósitos bancários não representativos de quaisquer "receitas" da Impugnante, é igualmente certo que os lançamentos relativos a Cofins e ao PIS, assim como a exclusão da defendente do Simples, dadas as diversidades normativas e fáticas que os cercam, comprovadamente não se sustenta. Não encontra base legal ou constitucional. [...] Meros "depósitos bancários" não são, nunca foram, nem serão faturamento. Não há competência tributária constitucional para se tributar depósitos ou movimentação bancária, pura e simplesmente. [...] Portanto, os lançamentos realizados quanto a COFINS e ao PIS, ao buscarem suporte em normas inaplicáveis ao caso versado, bem como ao tomarem meros e irrelevantes depósitos bancários como critérios material e quantitativo (base de cálculo) das referidas contribuições sociais, quedamse inconstitucionais, ilegais e, no que mais interessa, comprovadamente improcedentes, a ensejar pronta e total desconstituição. [...] Diante do explicitado, pugna pelo afastamento da Cofins, no que exceder o conceito de faturamento, este à luz da outorga constitucional de competência prevista no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, em sua redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, e conjugado com o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, assim entendido como o resultado obtido da venda de mercadorias e serviços, com a exclusão dos valores correspondentes a meros depósitos bancários. [...] Diante do explicitado, pugna pelo afastamento da contribuição do PIS, no que exceder o conceito de faturamento, este à luz da outorga constitucional de competência prevista no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, em sua redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, e conjugado com o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, assim entendido como o resultado obtido da venda de mercadorias e serviços, com a exclusão dos valores correspondentes a meros depósitos bancários. [...] Fl. 931DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 929 16 O ônus de provar a realização da materialidade da hipótese de incidência (o fato jurídico em todos os seus elementos), assim como da presença dos demais substratos necessários aos lançamentos, é da fiscalização, nunca do contribuinte. E aquela, como visto, de tal encargo não se desincumbiu. A Impugnante, por sua vez, encartou aos autos farta e hábil documentação endossando suas alegações, de sorte a inviabilizar, também nesse âmbito, aludidas exigências tributárias. A conseqüência é a insubsistência dos referidos lançamentos, conforme desde já requer. Referente às exclusões a serem promovidas suscita que: Além e independente dos vários excessos nesta defesa já listados, os lançamentos incorreram em outros tantos, ora indicados. São eles: (a) falta de dedução dos valores relativos ao faturamento declarado — Declarações Anuais Simplificadas — naqueles considerados tributáveis para fins dos lançamentos do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, juntamente com a extirpação da soma de tais valores promovida em desamparo legal e verdadeiro bis in idem; (b) falta de dedução dos valores recolhidos pela Impugnante durante o período alvo dos lançamentos, sob a sistemática do SIMPLES, conforme atestam os respectivos comprovantes — Anexo F; (c) falta de exclusão, na apuração dos "depósitos bancários" tidos por não comprovados, de todos os lançamentos bancários e respectivos valores referentes às transferências entre contas/ag., cheques "internos "/administrativos/AI, depósito de cheques emitidos pela mesma pessoa jurídica, bem como aplicações financeiras e seus resgates, devidamente refletidas nos extratos bancários contidos nos autos, por não significarem qualquer acréscimo e sim mero deslocamento de valores nas contas do mesmo titular [...]. Sobre as múltiplas sanções, aplicação cumulativa com base em uma única e inaceitável presunção, afronta aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade, devido processo legal, vedação ao confisco, capacidade contributiva e da legalidade tributária e readequação ao limite tolerável que se impõe procura demonstrar que: Dentre as sanções cumulativas impostas à Impugnante sobressaem: (i) arbitramento do "lucro" — e não se diga que este não tem natureza de sanção, a qual se confirma no próprio acréscimo de 20% sobre os valores devidos com base no lucro presumido, por exemplo —; na penalidade de 20% sobre a base de tributação possível por outros regimes de tributação assegurados ao contribuinte, como por exemplo o lucro real e o lucro presumido; (ii) no lançamento de vários tributos com base em mera presunção fundada em simples e irrelevantes depósitos bancários; (iii) na exclusão do SIMPLES; (iv) na imposição de tributação muito mais gravosa do que aquela resultante do SIMPLES e valores por esta sistemática plena e corretamente satisfeitos; (v) nos efeitos retroativos colimados na exclusão do SIMPLES; (vi) no Arrolamento de Bens e Direitos praticados por força de lançamentos que não se sustentam; (vii) na aplicação de multa de oficio, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os valores considerados devidos; (viii) na exigência da multa de oficio, mediante anatocismo, bis in idem e aplicação de penalidade sobre penalidade quando incide sobre os percentuais adotados para o arbitramento já majorados pela sanção de 20% (vinte por cento), a despeito de vedada tal prática. [...] Diante do exposto, requer o afastamento dos excessos apontados, para excluir (i) a aplicação de sanção sobre sanção — multa de 75% sobre o percentual majorado do arbitramento, (ii) a multa de oficio em questão, adotandose a de mora no equivalente a 20% sobre eventuais diferenças devidas, (iii) a penalidade de 20% por cento afeto ao arbitramento, ajustando, sem esse acréscimo, a tributação pelos percentuais do lucro presumido, se mais remanescer mais favorável que outros Fl. 932DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 930 17 pleitos defendidos pelo contribuinte, (iv) as penalidades aplicadas com base na presunção referida, (v) restabelecer o Simples, nas condições e limites sustentados pela Impugnante. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita o cancelamento do arrolamento de bens, já que o benefício da dúvida lhe é proveitoso. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, requer a vossas excelências se dignem acolher o presente impugnação, dandolhe provimento para: (a) acolher as preliminares argüidas, consoante seus termos e, ainda, principalmente para decretar as nulidades apontadas, uma a uma, ou, então, no mérito, (b) restabelecer o SIMPLES sem solução de continuidade e/ou alterações ou, então, acolher as demais pretensões nesse âmbito formuladas, (c) julgar na íntegra insubsistentes todos os lançamentos objeto do Auto de Infração e Lançamentos em questão, com a exclusão dos respectivos valores e tópicos nesta peça contrariados ou, caso porventura não seja esse o entendimento, (d) afastar todas as inconstitucionalidades, ilegalidades, excessos e erros declinados, com o devido ajuste de valores e delimitação da exigência fiscal em tela e seus acréscimos, consoante forma e parâmetros nesta peça indicados, (e) cancelar e/ou adequar o Arrolamento de Bens e Direitos em ocorrendo quaisquer das hipóteses acima mencionadas e, em qualquer caso, (1) se admitida mais de uma possibilidade de decisão favorável à Impugnante, prestigiar, dentre as autorizadas, aquela que lhe for mais vantajosa. Termos em que p. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 187.744, de 17.09.2007, fls. 746781: “Lançamento Procedente em Parte”: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 11070.001821/200650, ACORDAM os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado: 1) Rejeitar as preliminares arguidas pelo impugnante; 2) Indeferir a solicitação da interessada, mantendo o despacho do Senhor Delegado da Receita Federal em Santo Ângelo, RS, que excluiu a interessada do SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO n° 23, de 21/11/2006, considerando os efeitos da exclusão a partir de 01/11/2001; 3) Julgar procedentes em parte os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins devendo ser cancelados os seguintes valores: a) R$970,61 a título de IRPJ, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; b) R$727,96 a título de CSLL, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; c) R$438,12 a título de PIS, referente ao fato gerador de 31/10/2001; Fl. 933DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 931 18 d) R$3.501,40 a título de Cofins, referentes aos fatos geradores de 31/10/2001 a 31/12/2004, conforme demonstrado. 4) Julgar procedentes os lançamentos da multa de oficio no percentual de 75% e dos juros de mora regulamentares, que devem ser aplicados sobre os valores mantidos. 5) Determinar que os valores recolhidos a título de Cofins, na sistemática do Simples, do período de apuração de janeiro a dezembro de 2005, no montante de R$849,51, sejam considerados quando da quitação da contribuição lançada, como pagos sob procedimento fiscal. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. A emissão do MPF Complementar para ampliar a abrangência da fiscalização inicialmente prevista no MPF Fiscalização não enseja nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Além disso, se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto ri° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de ofício. A AMPLA DEFESA E O CONTRADITÓRIO Os elementos que demonstram a efetivação do devido processo legal estão presentes in casu, pois a partir da lavratura do auto de infração, foi assegurado ao contribuinte o amplo direito de defesa, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a final decisão a ser proferida na esfera administrativa. EXTRATOS BANCÁRIOS. PROVA LÍCITA Improcede a alegação de obtenção ilícita de informações bancárias, porquanto a requisição de extratos e documentos bancários junto à instituição financeira foi efetuada com absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, não estando sujeita à prévia autorização judicial. ILEGALIDADES. SUPOSTAS OFENSAS AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 IRPJ. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA Fl. 934DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 932 19 Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, o termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal é o primeiro dia após a ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA DO PIS, DA COFINS E DA CSLL O direito de proceder aos lançamentos dessas contribuições extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os créditos poderiam ter sido constituídos. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão sistemática de receitas representadas pela existência de créditos bancários de origem não comprovada caracterizase como prática reiterada de infração à legislação tributária, situação suficiente para exclusão da empresa do SIMPLES. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS A exclusão do SIMPLES pela prática reiterada de infração à legislação tributária gera efeitos a partir, inclusive, do mês que for verificada essa prática, que, no presente caso, começa a partir de 01/11/2001. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO A Pessoa Jurídica excluída da sistemática do SIMPLES que não possui escrituração regular do Diário e Razão ou Livro Caixa escriturado com toda a movimentação financeira, inclusive bancária, é tributada mediante o arbitramento do lucro. OMISSÕES DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL Quando se tratar de presunções legais, cabe ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da não ocorrência da infração. Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Fl. 935DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 933 20 A multa de oficio é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamento de oficio, não podendo ser reduzida ao percentual de procedimento espontâneo. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo dispensada. LANÇAMENTOS DECORRENTES Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Notificada em 10.10.2007, fl. 782, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.11.2007, fls. 783910, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. A Recorrente apresentou em 29.05.2013 o aditamento ao recurso voluntário em Petição às fls. 0108 (Anexo) suscitando que: I DO CASO CONCRETO E DAS DETERMINANTES DE INCLUSÃO EM PAUTA E DO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA EMPRESA REQUERENTE 1. O Processo Administrativo Fiscal em referência ingressou nesse órgão de julgamento em 09/11/2007, quando ainda denominado Conselho de Contribuintes. 2. Apesar do longo tempo transcorrido, de congregar arrolamento de bens da empresarequerente e de em seu favor ter se firmado a jurisprudência dos tribunais superiores, o Recurso Voluntário que interpôs ainda não foi incluído em pauta. Nisso, ampliamse os danos conseqüentes e sobra vedada demora no desfecho do caso, cuja solução definitiva vem ditada pelas normas de regências, elementos dos autos e disciplina normativa de atuação do CARF na situação versada, causa desta intervenção. 3. A questão central debatida nos autos reside na ilícita quebra do sigilo bancário da requerente, com obtenção de prova igualmente ilícita e outras conseqüências próprias dessa situação, das quais se destaca a nulidade dos referidos atos e provas, e com ela o direito da requerente de ser mantida no "Simples" sem solução de continuidade e ter cancelados/desconstituídos os lançamentos tributários e "créditos" neles veiculados, sob vícios insanáveis. 4. A cizânia causadora desse desiderato tem origem na invalidade dos atos fazendários praticados (especialmente a quebra do sigilo bancário e com ela a colheita de prova ilícita) com base na da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 (em particular seu art. 62), regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001. 5. Contudo, em 15/12/2010, quando do julgamento do RE nº 389.808PR, provido por maioria de votos, o plenário do Supremo Tribunal FederalSTF, em Fl. 936DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 934 21 decisão vinculativa do CARF, encerrou a celeuma exatamente nos termos defendidos pela requerente e a favor dela, impondo inteira observância, sem mais delongas. 6. É o que postula nesta intervenção, motivada pela falta de iniciativa do CARF em assim providenciar. II – DO DIREITO [...] 7. Esse entendimento do Supremo Tribunal FederalSTF assumiu definitividade na questão em debate, quanto seus ministros, a partir de então, decidemna de forma monocrática (art. 557, do CPC). 9. Justamente por isso, em decisão monocrática publicada em março de 2011, a Min. Carmen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604. [...] 10. Desde então nada mais ha para se discutir nessa questão, e sim dever do Fisco de, com rigor e imediatamente, seguir o entendimento retro, do Supremo Tribunal FederalSTF. 11. No mais, a conveniência e o dever do CARF em respeitar, aplicar e fazer cumprir aludido entendimento do Supremo Tribunal FederalSTF são incontroversos, estatuídos pelas próprias normas sob as quais opera e/ou por ele e pela União editadas nessa seara. [...] Em suma: desde o julgamento do RE nº 389.808PR deve o CARF não só observar a diretriz firmada pelo STF na questão debatida, como também deixar de aplicar as disposições da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 (em particular seu art. 6º), regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e assim também deste ato infralegal, bem como, por conseqüência, respeitar e fazer cumprir tais comandos, nos moldes e para os fins e efeitos defendidos pela requerente nesta petição e em seu Recurso Voluntário, com pretensões nessa linha pendentes de acolhimento, a ser promovido com a devida celeridade. [...] 12. Além das decisões e fundamentos antes colacionados, também amparam os pleitos da requerente, dentre outras, as normas seguintes: a) art. 125, inciso I do CPC e 5º, caput inciso I, da CF porquanto, tendo o plenário do STF decidido pela invalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pelos Órgãos fiscais, sem prévia e especifica autorização judicial, com conseqüentes ilicitude da "prova" colhida nessa situação e nulidade dos lançamentos tributários realizados com base nela, tal qual ocorre no caso concreto, a solução inescusável e definitivamente firmada é e deve ser exatamente igual para todos os contribuintes, em respeito a isonomia prevista nos referidos preceitos normativos. Portanto, a inclusão em pauta do Recurso Voluntário da requerente e correspondente e pleno provimento, nos termos antes indicados, figura imperativo, sem qualquer outra demora; h) art. 557, § 1ºA, do CPC aplicase no caso concreto para ensejar o provimento de plano do Recurso Voluntário da requerente, inclusive por decisão monocratica de lavra do digno Relator, corolário da jurisprudência definitiva do Supremo Tribunal FederalSTF (muito mais do que "jurisprudência dominante") Fl. 937DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 935 22 infirmar a decisão impugnada pelo referido recurso, apontando solução oposta à combatida na citada insurgência recursal; c) art. 5º , inciso LVI, da CF os atos administrativos praticados pela Receita Federal (exclusão do "Simples" e lançamentos tributários conseqüentes) com base em prova Ilícita são nulos de pleno direito, com conseqüente insubsistência deles e dos "créditos tributários" constituídos com ditos vícios; d) arts. 5º , inciso II, 37, caput e 150, inciso I, da CF em razão dos atos administrativos censurados no Recurso Voluntário, além de nulos, afrontarem todos e cada um dos invocados dispositivos constitucionais, caracterizando tributação desamparada, ilícita e insustentável, a ser de pronto cancelada; e) art. 5º, inciso LIV, da CF de vez que, por força do sustentado no Recurso Voluntário e nesta missiva, os atos administrativos impugnados e os "créditos tributários" constituídos por lançamentos também inválidos, são reprochados pelo devido processo legal, além de atentarem contra as garantias e direitos fundamentais da empresa contribuinte, em particular o direito de propriedade; f) art. 5º, inciso LXXVIII, da CF a contribuinterequerente tem a garantia constitucional da "razoável duração do processo" com os "meios" que garantam celeridade na sua tramitação, o que, por si só, confere a solução ora defendida. Vem ela obrigatória, com muito mais razão, quando a ilícita e indevida demora em sua adoção constitui causa de danos materiais e morais ampliados no tempo. III CONCLUSÃO Como demonstrado de forma sólida, farta e conclusiva, sob qualquer ângulo de análise, a solução a ser empreendida no caso concreto, com a devida brevidade, é a defendida pela Requerente. Do contrário, além de ferimento ao plexo normativo invocado, haverá afronta ao interesse público, expondo o erário a efeitos e ônus financeiros cuja ocorrência o CARF tem dever e condições de evitar. ANTE O EXPOSTO, requer a Vossa(s) Excelência(s) o recebimento desta manifestação, inclusive como aditamento ao Recurso Voluntário interposto, para, observando as normas antes colacionadas e o entendimento retro firmado pelo plenário do Supremo Tribunal FederalSTF, desde logo: (a) entranhála nos autos para que produza seus jurídicos efeitos, (b) incluir em pauta e prover aludido recurso, nos seus termos e pretensões, (c) de modo a restabelecer a permanência da requerente no "Simples" sem solução de continuidade (ou reincluíla nesse sistema de tributação, com iguais efeitos e abrangência temporal apontada) e (d) cancelar/extinguir os lançamentos tributários contra ela praticados, (e) juntamente com os "créditos tributários" por eles constituídos. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo, vale esclarecer no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar a legislação, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto em relação à norma que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF1. 1 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 936 23 A Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está no Supremo Tribunal Federal (STF) em Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP de relato do Ministro Relator Ricardo Lewandowisk, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 2. Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 601.314/SP. Ministro Relator: Ricardo Lewandowski. Tribunal Pleno. Brasília, DF, 22 de dezembro de 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+601314%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao > <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225> .Acesso em: 09 fev.2014. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 937 24 No que se refere à possibilidade jurídica de proceder ao julgamento do recurso voluntário cabe esclarecer que os autos contêm o procedimento de acesso pela RFB aos dados da movimentação financeira da Recorrente, por meio de RMF dirigida à instituição financeira, sem prévia autorização judicial, questão esta discutida no âmbito do Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP pelo STF 3. Com a edição da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, foram revogados os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Por conseguinte, o efeito de sobrestar o julgamento do recurso voluntário com fundamento em idêntica controvérsia até o pronunciamento definitivo da Corte foi afastado e assim o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente aduz que os valores recolhidos a título de Simples devem ser considerados. Em relação aos valores recolhidos a título de Simples, o enunciado da Súmula CARF nº 76: “na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.” Está registrado no Voto condutor do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 187.744, de 17.09.2007, fls. 746781: Dos valores a serem cancelados a) decorrentes dos efeitos da exclusão do SIMPLES a partir de 01/11/2001 Como visto, os efeitos da exclusão do SIMPLES devem se dar a partir de 01/11/2001 e não a partir de 01/07/2001, como definido no Ato Declaratório Executivo (fl. 433). Assim, a receita apurada referente ao mês 10/2001, não deve integrar a base de cálculo do arbitramento do lucro do 4° trimestre de 2001, para fins de apuração do IRPJ, e, por decorrência, das contribuições do PIS, COFINS e CSLL. Os valores que devem ser cancelados são os seguintes: IRPJ — período de apuração: 4° trimestre de 2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 9,60% x 15% = R$970,61 CSLL —período de apuração: 4° trimestre de 2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 12,00% x 9% = R$727,96 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 601.314/SP. Ministro Relator: Ricardo Lewandowski. Tribunal Pleno. Brasília, DF, 22 de dezembro de 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+601314%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao > e <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>.Acesso em: 09 fev.2014. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 938 25 PIS —período de apuração: 31/10/2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 0,65% = R$438,12 COFINS — período de apuração: 31/10/2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 3,00% = R$2.022,11 b) decorrentes dos recolhimentos feitos na sistemática do SIMPLES O contribuinte alega que a autuação não deduziu os valores recolhidos sob a sistemática do SIMPLES, juntando para tanto, os comprovantes de fls. 642 a 664. A autoridade fiscal deve considerar os valores dos tributos e contribuições recolhidos referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada no curso da fiscalização, inclusive na hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES. No presente caso, como se vê dos DARF — SIMPLES anexados às fls. 642 a 664, o contribuinte recolheu 3% sobre as receitas declaradas, que segundo o art. 23, inciso I, "a" da Lei n° 9.317/96, alterado pelo art. 3° da Lei n° 9.732/98, corresponde a 1,8% (60%) a titulo de COFINS e 1,2% (40%) a titulo de INSSPatronal [no valor de R$1.479,29 relativamente ao período de novembro de 2001 a dezembro de 2004]. [...] Julgar procedentes em parte os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS devendo ser cancelados os seguintes valores: a. R$970,61 a título de IRPJ, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; b. R$727,96 a título de CSLL, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; c. R$438,12 a título de PIS, referente ao fato gerador de 31/10/2001; d. R$3.501,40 a título de COFINS, referentes aos fatos geradores de 31/10/2001 a 31/12/2004, conforme demonstrado. Nesse sentido, não há mais valores a serem excluídos dos créditos tributários formalizados nos presentes autos pelo lançamento de ofício. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência. A decadência é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 939 26 Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8 e assim foi afastado definitivamente do ordenamento jurídico. No presente caso, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, já que há pagamento antecipado, fls. 651673, que inclusive foram considerados em sede de primeira instância de julgamento. As notificações dos Autos de Infração referentes ao quarto trimestre do anocalendário de 2001 e aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005 foram efetivadas em 23.11.2006, fls. 439, 457, 475, 493 e 512. Por essa razão não há mais valores lançados alcançados pela decadência. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.08.002006001448, fl. 12, Termo de Início de Fiscalização, fl. 13, Termo de Reintimação, fl. 138, Termo de Intimação, fls. 382427, Termo de Prorrogação de Prazo, fl. 429430, Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fl. 520, bem como a Intimação do Resultado do Julgamento, fl. 782) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de suas alegações. Todos esses atos estão motivados com os 4 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 5 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. 6 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 940 27 fundamentos de fato e de direito, oportunidade em que foram observados todos os prazos legais. Ademais, antes de instaurada a fase litigiosa no procedimento não há que se falar em violação dos princípios constitucionais do processo. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça impugnatória por ter sido alcançada pela preclusão7. A instauração na fase litigiosa no procedimento implementase plenamente as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório com a citação válida para o aperfeiçoamento da relação processual e com a observância de todos os requisitos legais que conferem existência, validade e eficácia ao ato administrativo. O Ato Declaratório Executivo DRF/SAO/RS nº 23, de 21.11.2006 e os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador8. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. 7 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 941 28 A Recorrente suscita que o MPF e o RMF de instauração do procedimento fiscal contêm vício. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O procedimento fiscal pode ser instaurado mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por 120 (cento e vinte) dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta) dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício9. Em relação ainda do procedimento fiscal, vale esclarecer que esse tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Nessa oportunidade a espontaneidade do sujeito passivo está excluída em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Esse ato vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos10. A RFB, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente pode expedir e a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) com a finalidade de examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Nesse relatório deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse 9 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001. 10 Fundamentação legal: art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 942 29 de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, observado o princípio da razoabilidade. As informações, os resultados dos exames fiscais e os documentos serão mantidos sob sigilo fiscal, na forma da legislação pertinente 11. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 522528, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em atendimento ao MPF 10108002006001448 (fl. 08), procedemos verificação fiscal na PAPELARIA BELLINASO LTDA (atual COMÉRCIO DE VEÍCULOS BELLINASO LTDA), CNPJ 03.107.296/000132, sendo que constatamos o que a seguir será relatado. [...] Na data de 19.04.2006 a fiscalizada foi intimada no Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 09) a apresentar os documentos a seguir listados, no prazo 05 (cinco) dias úteis, previsto no § 1º do art. 19 da Lei 3.470, de 1958, com as alterações introduzidas pelo art. 71 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 [...]. Vencido o prazo, na data de 26.04.2006, a fiscalizada apresentou o Contrato Social e os DARFs. Alegando exigüidade de tempo para providenciar toda a documentação requerida, solicitou mais sessenta dias para atendimento do Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 10). [...] Esta fiscalização considerou que o prazo de 60 (sessenta) dias era exagerado, pois os documentos solicitados, por serem documentos que dizem respeito as operações da fiscalizada, deveriam estar contabilizados e de posse da fiscalizada e, portanto, serem apresentados no prazo de 05 (cinco) dias já concedidos, é o que determina a legislação citada no item 2. acima, contudo, concedemos 30 (trinta) dias de prorrogação, para entrega dos demais documentos (fl. 59). [...] Vencido o prazo da prorrogação, na data de 29.05.2006, a fiscalizada apresentou, Alteração do Contrato Social, Cartão do CNPJ e Livros Caixa de n° 03, 04, 05, 06, e 07. Tendo solicitado mais 30 (trinta) dias para apresentação dos extratos bancários, alegando dificuldades junto às instituições bancárias (fl. 60). [...] Na data de 29.06.2006 esgotouse o prazo da prorrogação solicitada, sendo que a fiscalizada não apresentou os documentos faltantes (extratos bancários), e sequer se pronunciou sobre o assunto. [...] Passados 75 dias da data da primeira intimação para que a fiscalizada apresentasse os extratos bancários, sem que tivesse apresentado, foi reintimada, na data de 03.07.2006, para que no prazo de 05 (cinco) dias úteis cumprisse a requisição (fl. 134). [...] 8. Esgotado o prazo da reintimação, a fiscalizada mais uma vez solicitou prorrogação do prazo por mais 30 (trinta) dias (fl. 135). [...] O até aqui exposto evidencia a fiscalizada ao efetuar sucessivas e injustificadas solicitações de prorrogação de prazo, tinha objetivos meramente protelatórios e que os extratos bancários não seriam apresentados, como de fato não foram. Assim o Delegado da Receita Federal de Santo Ângelo, com fulcro no art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724/2001, requisitou diretamente às instituições financeiras (Banrisul e Bradesco) os extratos 11 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 943 30 bancários das contas correntes movimentadas pela fiscalizada no período de 01.07.2001 a 31.12.2005 (fls. 150 a 376). [...] Com base nos extratos apresentados pelas instituições bancárias, procedemos levantamento dos créditos efetuados nas contas bancárias movimentadas pela fiscalizada. Na data de 18.09.2006, a fiscalizada foi intimada a, no prazo de 20 (vinte) dias, apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias (fls. 377 a 421). [...] Observamos que as instituições bancárias apresentaram os extratos requisitados pela Receita Federal, nas seguintes datas e prazos: a) o Banrisul apresentou os extratos na data de 24.07.2006, 06 (seis) dias após receber a requisição; b) o Bradesco '1111 apresentou os extratos na data de 05.09.2006, 49 (quarenta e nove) dias após receber a requisição. [...] A observação do item [...] acima, objetiva demonstrar que, mesmo que, quando da intimação para apresentar os extratos bancários, a contribuinte não estivesse de posse dos mesmos, poderia têlos solicitado as instituições financeiras e os teria obtido em prazo semelhante ao que eles foram fornecidos à Receita Federal. No entanto, até a data de 18.09.2006, quando a contribuinte foi intimada para comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, quando já passados 05 (cinco) meses da intimação inicial para apresentar os extratos, não os apresentou. A data de 18.09.2006 foi tomada por prazo final, pois, se naquela data a fiscalização estava intimando a contribuinte para comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, é porque já tinha obtido os extratos diretamente com os bancos. [...] Vencido o prazo, na data de 09.10.2006, a fiscalizada retomou a sua tática de solicitar prorrogações de prazo, agora, como deixou consignado no documento (fl. 422), por pelo menos mais 90 (noventa) dias. Ao usar a expressão "por pelo menos" deixou evidente que estava abrindo a possibilidade de solicitação de novas prorrogações. Solicitou também o fornecimento de cópia integral do procedimento e dos documentos que o compõem. [...] A fiscalização depois de mais uma vez esclarecer a fiscalizada sobre os prazos fixados pela legislação para apresentação de documentos e também sobre os documentos que até então compunham o procedimento, entregou a fiscalizada cópia das Requisições de Movimentação Financeira e dos Extratos Bancários apresentados pelas instituições financeiras. No mesmo documento concedeu mais 20 (vinte) dias para apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias (fls. 423 e 424). [...] Vencido o prazo, a fiscalizada, ao invés de apresentar os documentos, requereu o deferimento da prorrogação, antes solicitada, de pelo menos 90 (noventa) dias, sem apresentar nenhum documento que justificasse seu pleito (fl. 425). [...] Na data de 10/11/2006, a fiscalizada foi cientificada que a não apresentação de documentos que relativos a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias até a data de 17/11/2006, seria considerado pela fiscalização como não comprovação, dando ensejo a lançamento de ofício com fulcro no art. 42 da Lei 9.430/96. [...] Na data de 17.11.2006, portanto, 60 (sessenta) dias da intimação para que comprovasse a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, a contribuinte voltou a insistir na prorrogação por pelo menos 90 (noventa) dias, como havia solicitado no documento datado de 09.10.2006 (fl. 428). Observamos que a Fl. 946DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 944 31 fiscalizada até a presente data não apresentou nenhum documento que demonstrasse que de alguma forma vinha executando alguma ação no sentido de buscar elementos para atender a intimação da fiscalização, procedimento idêntico ao adotado quando da intimação para apresentar os extratos bancários, quando também não apresentou nenhum documento, apenas alegações. No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS expediu o MPF nº 10.1.08.002006001448, fl.12. Está registrado nas RMF nºs 10.1.08.002006000034 e 10.1.08.002006 000026, fls. 154 e 344: Requisito, termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, as informações especificadas nesta Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, que deverão ser apresentadas ao(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil abaixo identificados, ou encaminhados a esta DRF Florianópolis, no prazo e forma especificados. Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n°3.724, de 2001. [...] Código da RMF : 65993645 [...] Código da RMF : 65700150 [...] A exatidão das informações contidas neste Requisição poderá ser verificada, por intermédio da Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda gov.br>, mediante a utilização do código acima informado. No presente caso, tendo em vista que a própria Recorrente expressa seu entendimento de que não apresentou os extratos bancários por estar protegida pelo sigilo bancário, estão regulares os procedimentos fiscais. O Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS expediu os RMF nºs 10.1.08.002006000034 e 10.1.08.00200600002 6, fls. 154 e 344 com a motivação explícita, clara e congruente e ainda precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 945 32 A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para Fl. 948DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 946 33 comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada12. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo13. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade14, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui 12 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 13 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 14 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 947 34 quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi reiterada intimada de todos os procedimentos fiscais, Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.08.002006001448, fl. 12, Termo de Início de Fiscalização, fl. 13, Termo de Reintimação, fl. 138, Termo de Intimação, fls. 382427, Termo de Prorrogação de Prazo, fl. 429430, Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fl. 520. Ainda assim não escriturou toda a movimentação financeira no Livro Caixa, não apresentou os extratos bancários solicitados e não comprovou a origem dos recursos movimentados em conta de depósito, omitiu receitas em todos os meses objeto da ação fiscal. O lançamento fundamentase na omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 0604192906 da agência nº 037079 do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, fls. 155343 e na conta corrente nº 423807 da agência nº 32778 do Banco Bradesco S/A, fls. 346382. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 155 e 344 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, fls. 1962. Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão minuciosamente individualizados no Termo de Intimação, fls. 382427 e o correspondente Termo de Prorrogação de Prazo, fl. 429430, dos quais a Recorrente foi validamente notificada e não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, tampouco se houve algum valor indevidamente incluído no levantamento fiscal. O somatório dos valores mensalmente omitidos constam na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos Mês (A) Valores Creditados nas Instituições Financeiras R$ (B) Valores DSPJ R$ (C) Valores Omissão Receita R$ (D = BC) AnoCalendário 2001 Outubro 67.403,68 830,00 66.573,68 Novembro 72.204,48 810,00 71.394,48 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 948 35 Dezembro 141.029,44 900,00 140.129,44 AnoCalendário 2002 Janeiro 72.793,39 1.100,00 71.693,39 Fevereiro 46.836,41 1.200,00 45.636,41 Março 49.553,11 1.120,00 48.433,11 Abril 82.289,28 1.085,00 81.204,28 Maio 113.755,01 1.415,00 112.340,01 Junho 75.560,39 1.386,00 74.174,39 Julho 92.174,15 1.425,00 90.749,15 Agosto 80.142,18 1.384,00 78.758,18 Setembro 84.839,12 1.412,00 83.427,12 Outubro 70.697,59 1.558,32 69.139,27 Novembro 77.176,33 1.533,45 75.642,88 Dezembro 109.256,29 1.584,20 107.672,09 AnoCalendário 2003 Janeiro 108.373,16 1.514,65 106.858,51 Fevereiro 66.637,87 1.585,00 65.052,87 Março 44.002,32 1.830,90 42.171,42 Abril 59.238,77 1.835,48 57.403,29 Maio 59.127,66 1.683,35 57.444,31 Junho 71.940,53 1.694,70 70.245,83 Julho 103.489,02 1.579,80 101.909,22 Agosto 69.719,39 1.637,15 68.082,24 Setembro 63.401,87 1.380,17 62.021,70 Outubro 54.105,73 1.397,75 52.707,98 Novembro 72.117,40 1.326,33 70.791,07 Dezembro 68.905,39 10.800,00 58.105,39 AnoCalendário 2004 Janeiro 161.397,14 1.338,90 160.058,24 Fevereiro 68.547,75 1.477,72 67.070,03 Março 153.032,98 1.239,45 151.793,53 Abril 96.634,22 1.507,10 95.127,12 Maio 110.150,46 3.362,20 106.788,26 Junho 248.551,53 3.854,30 244.697,23 Julho 154.393,52 4.131,20 150.262,32 Agosto 120.716,55 0,00 120.716,55 Setembro 91.634,02 4.471,45 87.162,57 Outubro 108.237,24 4.709,60 103.527,64 Novembro 115.722,39 4.857,06 110.865,33 Dezembro 123.242,97 5.044,77 118.198,20 AnoCalendário 2005 Janeiro 122.915,96 5.369,12 117.546,84 Fevereiro 96.660,72 5.589,08 91.071,64 Março 128.311,69 5.955,30 122.356,39 Abril 97.410,33 6.209,98 91.200,35 Maio 155.678,65 5.629,90 150.048,75 Junho 138.448,27 4.562,20 133.886,07 Julho 151.272,67 2.582,90 148.689,77 Agosto 130.304,10 2.656,20 127.647,90 Setembro 116.303,50 2.662,00 113.641,50 Outubro 157.998,68 1.921,60 156.077,08 Novembro 93.024,52 1.999,60 91.024,92 Dezembro 148.201,24 2.057,30 146.143,94 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 949 36 Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 522528, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: EXCLUSÃO DO SIMPLES 18. Como a contribuinte havia exercido opção para tributação pelo SIMPLES, O Sr. Delegado da Receita Federal em Santo Ângelo/RS, após análise de REPRESENTAÇÃO FISCAL — EXCLUSÃO DO SIMPLES (fls. 01 a 07), expediu o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/SÃO n° 23 de 21 de novembro de 2006 (fl. 433), no qual DECLARA A EXCLUSÃO da empresa PAPELARIA BELINASO LTDA, CNPJ n° 03.107.296/000132, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos a partir de 1° de julho de 2001. 19. Em conseqüência de sua exclusão do SIMPLES a fiscalizada passa a ser tributada observando as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas, como determina o art. 16° da Lei 9.317/96, abaixo transcrito: Art. 16 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO 20. O art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, aprovado pelo Decreto 3.000/, de 29/03/1999, abaixo transcrito prevê as hipóteses de arbitramento do lucro: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 17, e Lei n° 9.430, 1.996, art. 1°): II — a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; 21. Na escrituração apresentada pela contribuinte (fls. 64 a 133) não há registros sobre movimentação bancária. Por oportuno transcrevemos abaixo decisão do Conselho de Contribuintes: ARBITRAMENTO — CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA — A existência de conta bancária mantida à margem dos registros da escrituração autoriza o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica. 1° Conselho de Contribuintes / 2' Câmara / ACÓRDÃO 10321.263 em 11.06.2003. Publicado no DOU em 18.02.2004. 22. Dessa forma impõese o ARBITRAMENTO DO LUCRO, com fulcro na alínea "a", do inciso II, do art. 530, do RIR199. QUANTIFICAÇÃO DAS RECEITAS DA FISCALIZADA 23. Como a fiscalizada, mesmo após decorridos mais de 60 (sessenta) dias da intimação, não logrou comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, limitando a solicitar prorrogações, sem apresentar uma justificativa Fl. 952DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 950 37 válida para tanto, esta fiscalização, em atenção ao prescrito no artigo 42 da Lei 9.430/96, a seguir transcrito, elaborou o demonstrativo abaixo, que evidencia os valores das receitas utilizados no lançamento de oficio: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...] 24. No demonstrativo acima os valores da coluna "CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS", correspondem aos créditos líquidos mensais, assim, os valores que foram creditados e depois estornados, não compõem o valor da coluna. Os créditos e os estornos estão discriminados nas planilhas de fls. 380 a 421. 25. Os valores da coluna "RECEITAS OMITIDAS", correspondem aos créditos bancários não comprovados, diminuídos dos valores declarados pela fiscalizada em suas Declarações Anuais Simplificadas. 26. Observamos que as RECEITAS DECLARADAS, foram declaradas no SIMPLES e, como a fiscalizada foi excluída do SIMPLES, o Arbitramento dos Lucros, além das RECEITAS OMITIDAS também incidiu sobre as RECEITAS DECLARADAS. Obs: No curso dos trabalhos, na data de 09.10.2006 (vide fls. 434 a 437) a fiscalizada promoveu as seguintes alteração cadastrais: a) Nome Empresarial de PAPAELARIA BELLINASO LTDA para COMÉRCIO DE VEÍCULOS BELLINASO LTDA; b) Atividade Econômica de COMÉRCIO VAREJISTA DE ARTIGOS DE PAPELARIA para COMÉRCIO A VAREJO DE AUTOMÓVEIS; c) Endereço de RUA BORGES DE MEDEIROS, 289 para RUA SOUZA LOBO, 401. Por esse motivo o Nome Empresarial e o Endereço constantes do Auto de Infração diferem dos constantes nos demais documentos do processo (MPF, Termo de Inicio de Fiscalização, Termos de Intimação). O coeficiente de Arbitramento dos Lucros utilizado no Auto de Infração é o previsto para a Atividade Econômica exercida na época da ocorrência das infrações apuradas qual seja COMÉRCIO VAREJISTAS DE ARTIGOS DE PAPELARIA. Não há que se falar em ocorrência do fato gerador fictício. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Verificase assim a relevância da quantia que foi efetivamente omitida da tributação no período. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 951 38 Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês15. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200916 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF17. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos18. 15 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 16 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 17 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 18 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 952 39 No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente afirma que deve ser afastada a exclusão do Simples e seus efeitos. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Tem cabimento no caso em que a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado e ainda por prática reiterada à legislação tributária. A exclusão surte efeito a partir do mês da ocorrência do fato. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas 19. Consta na Representação Fiscal de Exclusão do Simples, fls. 0411, cujas informações estão comprovadas nos autos: 1. Na data de 19/04/2006, o contador e procurador da empresa foi cientificado do início da fiscalização, ocasião em que tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n° 10108002005001448 (fl. 08) e do Termo de Início de Fiscalização (fl. 09). Chamou a atenção desta fiscalização o fato de que no endereço da empresa existe uma residência , não havendo nenhuma identificação de empresa. 2. Na data de 26/04/2006 a empresa apresentou DARFs de julho/2001 a dezembro/2005 e o Contrato Social da empresa. Na mesma data solicitou prorrogação de prazo para apresentação do restante da documentação solicitada no Termo de Início de Fiscalização (fl. 10). Foi concedida, por esta fiscalização, a prorrogação de prazo solicitada. 3. Na data de 29/05/2006 a contribuinte fiscalizada apresentou a Alteração do Contrato Social, o cartão do CNP) e os livros Caixa números 03, 04,05, 06 e 07(fl. 60). Não apresentou, no entanto, os extratos bancários, solicitando nova prorrogação de 30 dias para apresentálos. Os extratos bancários foram solicitados tendo em vista 19 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 953 40 que a análise da CPMF evidencia substancial movimentação bancária no período fiscalizado. 4. No dia 03/07/2006 reintimamos a contribuinte para apresentação dos extratos bancários. No dia 07/07/2006 a mesma solicitou mais 30 dias para disponibilização dos extratos. Cabe ressaltar que, desde o início da fiscalização até o dia 03/07/2006 transcorreram 79 dias, tempo suficiente para que fossem providenciados os extratos bancários solicitados. 5. No dia 18/07/2006, exatamente 90 dias após o início da fiscalização, e não tendo a contribuinte apresentado os extratos bancários, foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira aos Bancos Banrisul e Bradesco. Ressaltese que o Banrisul enviou os extratos no dia 24/07/2006 e o Bradesco enviou no dia 05/09/2006, 49 dias após a emissão do RMF. Visto que os bancos enviaram os extratos bancários num prazo bastante inferior aos 90 dias concedidos ao contribuinte fiscalizado, comprovase a intenção do mesmo de obter sucessivas prorrogações com o fim de protelar a fiscalização. 6. Com base nos extratos bancários apresentados pelos bancos foi elaborado um demonstrativo dos créditos em conta bancária. O contribuinte foi intimado, no Termo de Intimação nº 002 a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos movimentados na conta corrente. Cabe ressaltar que a movimentação financeira não foi escriturada no Livro Caixa da empresa. 7. Na data de 09/10/2006 a empresa protocolou pedido de prorrogação de prazo de 90 dias para atender às solicitações do Termo de Intimação nº 002. Apesar de considerar suficiente os 20 dias de prazo concedidos na referida intimação, esta fiscalização concedeu prorrogação de prazo de mais 20 dias para apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovassem a movimentação financeira nas contas correntes bancárias mantidas pela empresa. 8. No dia 01/11/2006 a empresa fiscalizada protocolou novo pedido de prorrogação de prazo, pedido este indeferido por esta fiscalização. O sucessivo pedido de prorrogação de prazos, sem apresentação de documentação hábil e idônea somente pode ser interpretado como protelação. Fosse diferente disto, os extratos bancários solicitados no Termo de Início de Fiscalização seriam apresentados no prazo concedido na primeira prorrogação ao referido termo, visto que os bancos responderam ao RMF expedido pela Receita Federal em prazo bem inferior aos 90 dias que a contribuinte teve para apresentar os extratos. Mesmo assim esta fiscalização concedeu nova prorrogação, de 15 dias, para o contribuinte apresentar os documentos solicitados. 9. Transcorridos os 15 dias da nova prorrogação, novamente o contribuinte protocolou pedido de prorrogação de prazo. Não apresentou também os documentos de receitas, custos e despesas requisitados por esta fiscalização no Termo de Intimação. .Diante disto, consideramos como não comprovados os valores dos créditos em conta bancária [...]. Portanto, do exposto acima, evidenciamos que o contribuinte fiscalizado praticou as seguintes irregularidades: ao não escriturar a movimentação financeira no Livro Caixa da empresa, infringiu o § 1º do art. 7° da Lei 9.317/96. ao não apresentar os extratos bancários solicitados no Termo de Início de Fiscalização, incorreu no inciso II do art. 14 da Lei 9.317/96. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 954 41 ao não comprovar a origem dos recursos movimentados em conta corrente, omitiu receitas em todos os meses fiscalizados, incorrendo do inciso V do art. 14 da Lei 9.317/96. No presente caso, a exclusão deuse de ofício, uma vez que comprovadamente a Recorrente incorreu em embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato, ou seja, 01.07.2001. Em conformidade com a decisão de primeira instância de julgamento o lançamento tem o período de apuração inicial em 01.10.2001 e por essa razão os efeitos devem ser a partir de 01.11.2001. Restou comprovada a motivação do ato de exclusão em relação ao embaraço à fiscalização e à prática reiterada de infração à legislação tributária, cujo efeito surtiu a partir do mês da ocorrência do fato por não escriturar toda a movimentação financeira no Livro Caixa, não apresentar os extratos bancários solicitados e não comprovar a origem dos recursos movimentados em conta de depósito, omitiu receitas em todos os meses objeto da ação fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso20. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade21. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 22.. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. A Recorrente argui que o arrolamento de bens não poderia ser promovido. 20 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 21 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 22 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 955 42 Na oportunidade em que é lavrado o Auto de Infração pode ser também efetivados o arrolamento de bens e direitos nos estritos termos normativos, não cabendo ao CARF pronunciarse sobre esse procedimento23. Ademais, o arrolamento de bens está formalizado no processo 11070.001849/200697 que se encontra no Seção de Controle e Acompanhamento Tributário desde 18.12.200624. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 23 Fundamentação legal: art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 585 do Código de Processo Civil e art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997, Decreto nº 7.573, de 29 de setembro de 2011, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002 e art. 2º da Lei nº 8.397, de 06 de janeiro de 1992, bem como Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011. 24 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=11070001849200697> . Acesso em 05 fev.204. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
