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Numero do processo: 12897.000610/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2005
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA.
O Auto de Infração foi lavrado em sintonia com o art. 142 do Código Tributário Nacional, já que o autuante observou o rito processual aplicável, identificou o sujeito passivo, a origem e os fundamentos da penalidade.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INFRAÇÃO CARACTERIZADA
Tendo o sujeito passivo reconhecido como procedente o Auto de Infração lavrado para cobrança da contribuição previdenciária que deixou de ser arrecadada mediante desconto na remuneração dos segurados individuais que lhe prestaram serviço e não sendo acolhidas as arguições de nulidade, a multa aplicável pelo descumprimento da obrigação acessória de realizar tal desconto deve ser mantida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Kléber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2005 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. O Auto de Infração foi lavrado em sintonia com o art. 142 do Código Tributário Nacional, já que o autuante observou o rito processual aplicável, identificou o sujeito passivo, a origem e os fundamentos da penalidade. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INFRAÇÃO CARACTERIZADA Tendo o sujeito passivo reconhecido como procedente o Auto de Infração lavrado para cobrança da contribuição previdenciária que deixou de ser arrecadada mediante desconto na remuneração dos segurados individuais que lhe prestaram serviço e não sendo acolhidas as arguições de nulidade, a multa aplicável pelo descumprimento da obrigação acessória de realizar tal desconto deve ser mantida. Recurso Voluntário Negado.
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OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. O Auto de Infração foi lavrado em sintonia com o art. 142 do Código Tributário Nacional, já que o autuante observou o rito processual aplicável, identificou o sujeito passivo, a origem e os fundamentos da penalidade. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INFRAÇÃO CARACTERIZADA Tendo o sujeito passivo reconhecido como procedente o Auto de Infração lavrado para cobrança da contribuição previdenciária que deixou de ser arrecadada mediante desconto na remuneração dos segurados individuais que lhe prestaram serviço e não sendo acolhidas as arguições de nulidade, a multa aplicável pelo descumprimento da obrigação acessória de realizar tal desconto deve ser mantida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 06 10 /2 00 9- 91 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/12 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Kléber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/12 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 12897.000610/200991 Acórdão n.º 2401003.749 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.212.5352 CFL 59), que objetiva a cobrança de multa no valor de R$ 1.329,18, lavrado em decorrência de o contribuinte ter deixado de arrecadar, nas competências 08/2005 a 12/2005, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos contribuintes individuais que lhe prestam serviços. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 86/88, em virtude da ausência de circunstâncias agravantes, o valor da multa é o mínimo para este tipo de infração, ou seja, R$ 1.329,18, conforme estabelece o Regulamento da Previdência Social RPS, atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 48 de 12/02/09. Em 25/09/2009, o contribuinte tomou ciência da Ação Fiscal (fl. 94) e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 97/106) alegando, em síntese: · Que não houve nenhum sentimento de fraude a respeito da suposta ilicitude que lhe está sendo imputada. · Que não há tipicidade no comportamento da empresa para justificar a lavratura do presente auto de infração. · Que o lançamento não observou os requisitos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional, sendo, portanto, nulo. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo totalmente o crédito tributário, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a omissão da empresa em arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, ensejando a aplicação de multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. A obrigação tributária acessória é aquela decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, a teor do artigo 113 § 2º do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/12 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Devidamente intimada em 12/07/2012 (fl. 155), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10/08/2012 (fls. 159/168), rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. Na sessão de julgamento ocorrida em 22 de janeiro de 2014, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF decidiu converter o processo em diligência, a fim de que fossem adotadas as seguintes providências: a) Caso ainda pendentes de julgamento os processos principais, este presente processo fique sobrestado no órgão onde aqueles tramitam. b) Em já havendo decisão definitiva, informese sobre o resultado do julgamento. Em resposta, o Auditor informou que o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração decorrente do descumprimento da obrigação principal DEBCAD 37.241.5938 – PAF 12897.000514/200943 – foi incluído no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, o que implicaria em desistência de qualquer recurso administrativo. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/12 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 12897.000610/200991 Acórdão n.º 2401003.749 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Recurso voluntário tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Da Nulidade Examinando criteriosamente as razões do recurso voluntário, não foi possível identificar quais dos aspectos formais ou materiais não teriam sido observados no procedimento de constituição do crédito tributário, já que os argumentos de direito trazidos não foram adequadamente relacionados com o caso concreto. As alegações recursais aduzidas pelo sujeito passivo foram sobremodo genéricas, resumindose à afirmação de inexistência do ânimo fraudulento de suas condutas e à suposta nulidade da autuação, ao argumento de que o lançamento tributário não observou os requisitos exigidos pelo art. 142 do CTN. No entanto, a alegada desobediência às regras dispostas no mencionado art. 142 não se sustenta. O que se verifica dos autos, especialmente do relatório que instruiu a peça acusatória, é que a autoridade fazendária cumpriu fielmente os ditames legais, tendo determinado a matéria tributável – as contribuições que deixaram de ser arrecadadas mediante desconto das remunerações dos contribuintes individuais – e aplicado sanção pecuniária cabível pelo descumprimento do dever instrumental exigido pela legislação previdenciária. Ora, ao descrever a infração apurada no procedimento fiscalizatório, o Autuante foi claro ao afirmar que o sujeito passivo deixou de reter as contribuições devidas pelos contribuintes individuais a seu serviço nas competências de 08/2005 a 12/2005, cuja relação consta do Anexo III do AIOP n. 37.241.5938. Ou seja, a autoridade lançadora identificou o sujeito passivo, descreveu claramente a infração cometida, apontou os documentos de que se valeu para concluir pela ocorrência do ilícito, justificou a gradação da multa, além de ter discriminado no Anexo III do Auto de Infração relativo à obrigação principal os contribuintes individuais cujas contribuições não foram descontadas, razão pela qual não há falar em nulidade. Do Mérito Quanto ao mérito, o sujeito passivo afirma ter recolhido as contribuições lançadas, daí porque a penalidade aplicada seria insubsistente. Ocorre que, conforme relatado, em cumprimento à Resolução 2401000.340, deliberada por essa 1ª Turma Ordinária, o Auditor Fiscal informou que o Processo Administrativo referente à obrigação principal – DEBCAD 37.241.5938, ao qual se vincula Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/12 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 diretamente o presente Auto de Infração, referente à multa por descumprimento de obrigação acessória, foi incluído no Parcelamento instituído pela Lei n. 11.941/2009. Para comprovar a notícia trazida aos autos, a autoridade fazendária anexou o extrato do referido PAF, no qual consta a situação INCLUIDO PARC. ESP/ORD/SIMPLIF (fls. 217), o que implicaria na desistência do recurso voluntário interposto nos autos em análise. Foi constatado, ainda, que o sujeito passivo apresentou petição de desistência nos autos do PAF relativo ao Auto de Infração DEBCAD 37.241.5938, em cumprimento às normas que disciplinam a mencionada moratória. Portanto, uma vez admitida a procedência da acusação fiscal apontada no AIOP n. 37.241.5938, que tem por objeto as contribuições previdenciárias, tornase incontroverso que a empresa autuada descumpriu a obrigação acessória correspondente, a saber, a de arrecadar, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos contribuintes individuais a seu serviço. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/12 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13971.721476/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2008
DESISTÊNCIA DO RECURSO. PARCELAMENTO.
A desistência do recurso ocorreu por força da imposição normativa estabelecida na Portaria PGFN/RFB nº 13/2014 cujo art. 8º estabelece que a para pagamento à vista ou inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos.
APROVEITAMENTO DOS VALORES PAGOS PELA EMPRESA CONTRATADA (ATO SIMULADO). SIMPLES NACIONAL.
Reputo válido o pleito do contribuinte no sentido de possibilitar o aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, para abatimento do valor do débito lançado (cota patronal).
Recurso Voluntário PARCIALMENTE PROVIDO.
Crédito Tributário PARCIALMENTE EXONERADO.
Numero da decisão: 2302-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida, em relação ao Auto de Infração de Obrigação Principal nº AI 37.360.619-2, dar-lhe parcial provimento, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES NACIONAL pela empresa ARM Confecções Ltda EPP. correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado e não pago, no período de 11/2008, 12/2008 e 13/2008. Vencidos na votação os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liège Lacroix Thomasi, por entenderem não ser possível a compensação das contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES por sujeito passivo distinto daquele que procedeu aos recolhimentos
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2008 DESISTÊNCIA DO RECURSO. PARCELAMENTO. A desistência do recurso ocorreu por força da imposição normativa estabelecida na Portaria PGFN/RFB nº 13/2014 cujo art. 8º estabelece que a para pagamento à vista ou inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos. APROVEITAMENTO DOS VALORES PAGOS PELA EMPRESA CONTRATADA (ATO SIMULADO). SIMPLES NACIONAL. Reputo válido o pleito do contribuinte no sentido de possibilitar o aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, para abatimento do valor do débito lançado (cota patronal). Recurso Voluntário PARCIALMENTE PROVIDO. Crédito Tributário PARCIALMENTE EXONERADO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida, em relação ao Auto de Infração de Obrigação Principal nº AI 37.360.619-2, dar-lhe parcial provimento, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES NACIONAL pela empresa ARM Confecções Ltda EPP. correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado e não pago, no período de 11/2008, 12/2008 e 13/2008. Vencidos na votação os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liège Lacroix Thomasi, por entenderem não ser possível a compensação das contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES por sujeito passivo distinto daquele que procedeu aos recolhimentos Liege Lacroix Thomasi Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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PARCELAMENTO. A desistência do recurso ocorreu por força da imposição normativa estabelecida na Portaria PGFN/RFB nº 13/2014 cujo art. 8º estabelece que a para pagamento à vista ou inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos. APROVEITAMENTO DOS VALORES PAGOS PELA EMPRESA CONTRATADA (ATO SIMULADO). SIMPLES NACIONAL. Reputo válido o pleito do contribuinte no sentido de possibilitar o aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, para abatimento do valor do débito lançado (cota patronal). Recurso Voluntário PARCIALMENTE PROVIDO. Crédito Tributário PARCIALMENTE EXONERADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida, em relação ao Auto de Infração de Obrigação Principal nº AI 37.360.6192, darlhe parcial provimento, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES NACIONAL pela empresa ARM Confecções Ltda EPP. correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado e não pago, no período de 11/2008, 12/2008 e 13/2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 14 76 /2 01 2- 94 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Vencidos na votação os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liège Lacroix Thomasi, por entenderem não ser possível a compensação das contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES por sujeito passivo distinto daquele que procedeu aos recolhimentos Liege Lacroix Thomasi –Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2302003.649 S2C3T2 Fl. 8 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ de Fortaleza (fls. 566/585): “Dos Autos de Infração Tratase de processo no nome da contribuinte em epígrafe, doravante mencionada simplesmente como contribuinte, autuada ou OBJETO BRASIL, por meio do qual foi formalizado crédito tributário incluindo o período 07/2007 a 12/2008, com contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades (terceiros), além de multa por descumprimento de obrigação acessória, no montante total de R$ 263.259,40, ao qual foram acrescidos multa e juros, totalizando R$.507.494,10. As contribuições e multas foram distribuídas nos seguintes Autos de Infração: 1) Auto de Infração nº 37.360.6192, com valor principal de R$ 189.138,71 e total consolidado em 25/05/2012 de R$ 393.251,78, no qual foram incluídas as seguintes contribuições incidentes sobre as remunerações de segurados empregados: contribuição para o FPAS (Lei 8.212/91, art. 22, I) e contribuição destinada ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Lei 8.212/91, art. 22, II), doravante citada simplesmente como RAT; 2) Auto de Infração nº 37.360.6206, com valor principal de R$ 49.863,84 e total consolidado em 25/05/2012 de R$ 89.985,56, no qual foram incluídas as contribuições destinadas às seguintes entidades (terceiros): Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE (SalárioEducação), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Serviço Social da Indústria – SESI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI e Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas – SEBRAE. 3) Auto de Infração nº 37.360.6184 (Código de Fundamentação Legal CFL 68), lavrado por descumprimento à Lei n.º 8.212/91, art. 32, IV e §5º, ao apresentar a declaração a que se refere o seu art. 32, IV, (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP) com Fl. 803DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A multa resultou em R$.24.256,80. Em ambos os Autos de Infração de obrigações principais constam os seguinte levantamentos: “SE – SEGURADOS EMPREGADOS”, “SE1 – SEGURADOS EMPREGADOS” e “SE2 – SEGURADOS EMPREGADOS”. Do Relatório Fiscal Consta no Relatório Fiscal que: Da Caracterização dos Empregados como sendo da OBJETO BRASIL I) A empresa mantém empregados alocados em empresa distinta (ARM CONFECÇÕES LTDA.), constituída em apartado para ser optante pelo SIMPLES, com o objetivo de afastar as contribuições patronais, pois a OBJETO BRASIL foi tributada pelo Lucro Real no anocalendário 2007 e pelo Lucro Presumido nos anoscalendário 2008 a 2010. II) Os empregados registrados formalmente na empresa fictícia ARM CONFECÇÕES LTDA. executavam suas atividades com empregados registrados na empresa OBJETO BRASIL, utilizando veículos, instalações, máquinas e equipamentos pertencentes a esta última. Na verdade, a empresa ARM CONFECÇÕES LTDA. foi criada apenas no papel, com o fim de ter faturamento que não ultrapasse os limites estabelecidos na legislação do SIMPLES. Assim, a OBJETO BRASIL deixou de recolher valores correspondentes à cota patronal das contribuições previdenciárias da maior parte de seus empregados, que foram registrados na empresa fictícia. III) Uma vez que o único objetivo da criação da empresa fictícia foi simular os limites estabelecidos pela legislação do SIMPLES, houve simulação, sendo flagrante a ilegalidade, já que a empresa fictícia foi criada sem qualquer estrutura organizacional e administrativa independente da empresa verdadeiramente existente. IV) Na própria lei do SIMPLES (Lei nº 9.317/1996, art. 9º, IX SIMPLES Federal e Lei Complementar nº 123/2006, art. 9º, §4º, IV SIMPLES Nacional) há proteção contra a prática de possíveis fraudes e/ou desvirtuamento do regime, para que médias e grandes empresas não venham a se dividir em micro e pequenas empresas para obter os benefícios fiscais do regime. Nas situações legalmente previstas, sendo os mesmos os sócios, devem ser consideradas as receitas brutas em conjunto, “a menos, é claro, que viessem a ser ilicitamente utilizados sócios ‘laranjas’ nestas empresas, de modo a garantir o formal, Fl. 804DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2302003.649 S2C3T2 Fl. 9 5 mas inverídico, atendimento aos dispositivos legais mencionados”. V) A empresa OBJETO BRASIL iniciou suas atividades em 02/05/2002, tendo como sócios André Ricardo Manzke e Mauro Tiedt. Em 12/05/2003, este último retirouse da sociedade e ingressou Sandra Hornburg Manzke, na época esposa de André Ricardo Manzke. Em 31/01/2006, Sandra Hornburg Manzke retirouse da sociedade e ingressou Beatriz Manzke, filha de André Ricardo Manzke, a qual retirouse da sociedade em 13/06/2011, quando André Ricardo Manzke passou a ter apenas 1% da participação direta, passando 99% da sociedade para M. Bir Administradora de Bens, Empreendimentos, Participações e Investimentos Ltda., que contém em seu quadro societário André Ricardo Manzke (participação de 94%), sua atual companheira Fernanda Grauppe Manzke (participação de 3%) e sua filha Beatriz Manzke (participação de 1%). VI) A ARM CONFECÇÕES LTDA., doravante mencionada simplesmente como ARM, foi constituída em 17/02/2006, tendo como sócias Sandra Hornburg Manzke e Beatriz Manzke, menor com 5 anos de idade na época. Em 01/12/2007, Sandra Hornburg retirouse da sociedade e Adamiro Manzke, pai de André Ricardo Manzke, adquiriu suas cotas. Em 16/07/2008, retirouse da sociedade Beatriz Manzke e ingressou Fernanda Grauppe. VII) Os sócios da empresa fictícia estão ligados diretamente ao sócio administrador da empresa OBJETO BRASIL, sendo evidente, após análise dos demais elementos expostos no relatório, que apenas emprestaram o nome para forjar a criação de empresa autônoma. VIII) Após análise do PPRA da empresa ARM, foi constatado que esta iniciou as contratações de empregados em 02/2006, porém alguns eram alocados em seu endereço (empregados relacionados às funções de costura) e outros eram alocados nas dependências da OBJETO BRASIL. “As entrevistas (DOC 03) realizadas com os empregados formalmente registrados na ARM anteriormente a mudança de seu endereço da rua Karl Guenter para Erich Dallmann confirmam que já estavam alocados nas dependências da OBJETO BRASIL...”. IX) Embora os empregados do setor de costura estivessem formalmente registrados na ARM e alocados em galpão alugado entre o período 02/2006 a 07/2008, as máquinas de costura e outros imobilizados necessários ao desenvolvimento da atividade eram de propriedade da OBJETO BRASIL. No imobilizado da ARM não consta Fl. 805DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 aquisição de máquinas de costura, sendo a única aquisição de equipamento de escritório. Já no imobilizado da OBJETO BRASIL há várias aquisições de máquinas e equipamentos de costura nos anos de 2005 a 2007. X) Em 07/2008, o setor de costura foi desativado e as costureiras foram demitidas. Nesse mesmo mês, a sede da ARM foi transferida para o endereço da OBJETO BRASIL e por sua vez a OBJETO BRASIL alterou seu endereço no contrato social. Entretanto, de fato, os empregados formalmente registrados em ambas as empresas estão alocados no mesmo endereço. Na verdade, na época dessa mudança de endereço, no período de 05/2008 a 10/2008, houve a migração dos empregados que estavam registrados na OBJETO BRASIL para a ARM. Assim, a partir de 11/2008, a OBJETO BRASIL passou a contar com apenas 7 empregados e mesmo assim aumentou significativamente sua receita bruta. Em entrevista com os empregados das empresas, foi constatado que, na prática, os empregados continuaram executando os mesmos trabalhos, no mesmo local e para o mesmo empregador. XI) Em visita à sede da OBJETO BRASIL para ciência do Termo de Início da Fiscalização, constatouse que no seu endereço havia apenas uma agropecuária, cujos empregados informaram que a OBJETO BRASIL situavase na rua ao lado. Ao chegar lá o Auditor Fiscal foi informado pela recepcionista de que lá funcionavam ambas as empresas:OBJETO BRASIL e ARM. XII) Foram efetuadas as entrevistas com os empregados e foi constatado que ambas as empresas estão estabelecidas no mesmo parque fabril, em um local que possui entrada pelos dois endereços, apesar de, na prática, todos os empregados entrarem pelo mesmo acesso. Além disso, o supervisor de produção, o qual acompanhou as entrevistas, declarou que supervisiona a empresa como um todo, menos o setor administrativo, e todos os empregados, com exceção de um, informaram que o proprietário da empresa é André Ricardo Manzke. Alguns dos empregados registrados na ARM também informaram que trabalhavam para a OBJETO BRASIL. Há empregados registrados na OBJETO BRASIL que declararam estar subordinados a empregados da ARM e viceversa. XIII) Perguntados sobre quem era o responsável pelo RH, os empregados de ambas as empresas deram o nome de Vilmar Piske, registrado na ARM e com procurações outorgadas por ambas as empresas para assinar documentos relacionados a demissões, advertências e suspensões, carteira de trabalho, atestado de afastamentos e salários, discriminações de parcelas de salário, entre outros. A descrição do cargo de Vilmar Piske no PPRA, Fl. 806DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2302003.649 S2C3T2 Fl. 10 7 supervisor de controladoria, deixa evidente a gerência única de ambas as empresas. XIV) Um motorista registrado na ARM informou que dirige caminhão de propriedade da OBJETO BRASIL, ressaltandose que a ARM não possui veículos no seu ativo imobilizado. XV) Extraise também das atas de eleição e reuniões da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA de ambas as empresas que se trata de empresa única, sendo uma ata praticamente o espelho da outra. O treinamento da CIPA é feita no mesmo período e no mesmo local para ambas as empresas. XVI) Nos documentos bancários há correspondências onde a OBJETO BRASIL solicita antecipação de pagamentos a cliente, constando no cabeçalho o email do supervisor financeiro, o qual é formalmente registrado na empresa ARM. Além disso, há vários emails que demonstram pertencerem todos os empregados a uma única empresa. XVII) Verificase pela lista de ramais disponibilizada pela recepção da empresa que na verdade há uma única estrutura empresarial. Há ramais utilizados por dois ou mais empregados, registrados formalmente na ARM e na OBJETO BRASIL. Ademais, não há registro de despesas essenciais pela ARM, como água e despesas com manutenção e reparo de máquinas e equipamentos, imóvel e veículos, depreciação de aluguel e outros. As despesas encontradas na contabilidade da ARM referemse basicamente a mãodeobra e seus encargos e impostos. XVIII) Apesar de constar que o faturamento da ARM deve se em parte à prestação de serviços para a OBJETO BRASIL e em parte à venda de produtos, o supervisor de produção informou que a ARM somente presta serviços para a OBJETO BRASIL, não possuindo produção própria. Não consta na ARM aquisição de matériasprimas, aviamentos e outros insumos e/ou mercadorias que suportem as transações relativas a vendas de produtos. Nos anos de 2007 e 2008, há um valor considerável de Custo dos Produtos Vendidos, porém não há custos de insumos essenciais. Nos anos de 2009 e 2010, os valores relativos aos Custos de Produtos Vendidos relativos às matérias primas e outros insumos é incompatível com o valor da receita de Vendas de Produtos. XIX) O imóvel ocupado pela ARM é de propriedade da OBJETO BRASIL e não há pagamento de aluguel. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 8 XX) Diante do exposto, entende a auditoria que os empregados da ARM atendem aos pressupostos necessários à caracterização como segurados empregados da OBJETO BRASIL, consoante art. 3º da CLT e art. 12, I, “a”, da Lei nº 8.212/1991: pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade. Da Multa XXI) Para aplicação da multa, foi observado o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, tendo sido efetuada comparação mensal entre os valores da multa da legislação atual e a passada, conforme descrito no Auto de Infração 37.360.6184. XXII) Por ter sido identificada a prática de sonegação e conluio previstas nos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 teve seu percentual duplicado (multa qualificada). A qualificação da multa foi aplicada a partir da competência 12/2008, pois a aplicação dos dispositivos mencionados às contribuições previdenciárias somente ocorreu a partir da edição da Medida Provisória MP nº 449/2008. Da Omissão em GFIP XXIII) A empresa enviou as GFIPs das competências 07/2007 a 11/2008 com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, uma vez que não declarou as contribuições relativas às remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados da empresa ARM CONFECÇÕES LTDA., todos caracterizados como empregados da OBJETO BRASIL. XXIV) A multa aplicada foi a do art. 32, IV, §5º, da Lei nº 8.212/1991, c/c art. 284, II, do Regulamento a Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, após constatação de que as multas aplicadas no sistema anterior são mais benéficas em comparação com o sistema atualmente vigente, após a edição da MP 449/2008. XXV) O infrator é primário e não foram registradas circunstâncias agravantes nem atenuantes da penalidade previstas nos arts. 290 e 291 do RPS. Da Ocorrência de Crime XXVI) Os fatos apurados configuram, em tese, o crime previsto no art. 337A do Código Penal, em relação às contribuições previdenciárias, e o crime previsto no art. 1º, I, da Lei nº 8.137/1990, em relação às contribuições destinadas a terceiros, devendo ser objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2302003.649 S2C3T2 Fl. 11 9 Da Notificação e Da Impugnação A notificação da contribuinte ocorreu em 01/06/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR anexo aos autos. Em 26/06/2012, apresentou as impugnações, nas quais, argumenta, em síntese, que: AUTO DE INFRAÇÃO Nº 37.360.6192 A Impugnante não pode ser responsabilizada por empregados de terceira pessoa 1) A liberdade de iniciativa é princípio básico do liberalismo econômico e está previsto no art. 1º , IV, da Constituição Federal. Nada impede que uma empresa contrate outra para realizar serviços que se coadunam com sua atividade meio ou mesmo com sua atividadefim. No caso, não houve ordens relacionadas aos serviços da ARM partidas da impugnante, mas sim a exigência da qualidade dos serviços, os quais consistiam em industrializar mercadorias por encomenda. 2) O Primeiro Conselho de Contribuintes já decidiu que não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica, com o desmembramento das tributária (Acórdão nº 10323.357/2008), decisão aplicável aos autos. 3) A pessoa jurídica tem autonomia patrimonial e seus atos e responsabilidades não se vinculam aos seus sócios e administradores. Especificamente quanto aos serviços de facção, já há algum tempo o TST vem afastando a súmula 331, IV, reconhecendo a natureza civil do contrato e que o seu objetivo é o fornecimento de produtos acabados e a terceirização da mãodeobra. Nulidade da Notificação – Iliquidez e Incerteza – Valores a Serem Excluídos 4) Há diversas verbas que não podem ser objeto de tributação (auxíliodoença, saláriomaternidade, terço constitucional de férias, etc.). Não sendo possível a autoridade julgadora precisar o valor devido, já que essas rubricas não estão isoladas, na pior das hipóteses impõese o cancelamento da autuação, pela iliquidez e incerteza do crédito tributário. Se persistir valor em aberto, a multa deve ser reduzida, porém o cálculo do montante efetivamente devido depende de novas diligências, o que apenas poderá ocorrer através de novo processo administrativo. 5) Na apuração efetivada pelo Auditor Fiscal não foram considerados os pagamentos implementados pela terceira Fl. 809DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 10 empresa no âmbito do SIMPLES. Esses pagamentos deveriam ter sido excluídos, sob pena de bis in idem, já que sendo consideradas ambas as empresas como uma só, os pagamentos de uma aproveitam à outra (CTN, art. 125, I). O Fisco deve se pautar pelo princípio da verdade material para apurar a realidade dos fatos, tanto contra quanto a favor dos contribuintes. A desconsideração desses pagamentos configura confisco, esbulho patrimonial, totalmente inviável em face dos arts. 5º e 150, IV, da Constituição Federal. 6) Em relação aos valores pagos pelo SIMPLES, está se diante de crédito tributário extinto, (CTN, art. 156, I), sendo totalmente inviável “ressuscitar o débito”, sendo a pretensão fazendária natimorta. 7) Caso não se entenda de pronto pela iliquidez e incerteza do Auto de Infração ante a exigência de valores indevidos, os valores devem ser excluídos através de diligência, com a reabertura de prazo para impugnação. Rubricas a serem excluídas 8) Os conceitos de direito privado utilizados pelo legislador constitucional, expressa ou implicitamente, não podem ser alterados pelo legislador tributário e muito menos pelo aplicador da norma. Apesar de essa conclusão decorrer da própria unicidade do direito pátrio, pedagogicamente tal assertiva foi incluída no art. 110 do CTN. 9) Dessa forma, a interpretação do art. 195, I, “a”, da Constituição Federal e do art. 22, I e II, da Lei nº 8.212/1991 requer necessariamente a análise de conceitos do Direito do Trabalho. Nesse sentido, o conceito de remuneração no Direito do Trabalho é a de uma prestação obrigacional de dar, em retribuição pelos serviços prestados pelo empregado ao empregador, em decorrência de um contrato de trabalho. A remuneração, por ser conceito amplo, abarca tanto o salário quanto os demais rendimentos do trabalho, havendo precedentes do E. Supremo Tribunal Federal – STF no sentido de considerar que a expressão “folha de salários” do texto constitucional deve ser interpretada à luz do conceito trabalhista, pelo qual é a expressão econômicofinanceira da contraprestação do serviço realizado sob regime de execução subordinada. 10) As rubricas que não se enquadram no conceito de remuneração são as seguintes: saláriomaternidade (art. 72 da Lei nº 8.213/1991, auxíliodoença (art. 59 da Lei nº 8.213/1991, o terço de férias (art. 7º, XVII, da Constituição Federal), as férias indenizadas (art. 143 da CLT), o auxíliocreche (art. 389, §§1º e 2º, da CLT) e os adicionais Fl. 810DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2302003.649 S2C3T2 Fl. 12 11 noturnos (art. 73 da CLT), de insalubridade (art. 192 da CLT), de periculosidade (art. 193, §1º, da CLT) e de horas extras (art. 59, §1º, da CLT). Esses pagamentos não são habituais, não sendo periódicos, pois somente são devidos durante lapso de tempo prédeterminado, e não têm como causa a prestação de serviços ou o tempo posto à disposição da empresa. Na verdade, essas verbas tem natureza de prestações previdenciárias ou indenizações. 11) Ademais, o E. STF e o C. STJ pacificaram entendimento de que os abonos e demais verbas de natureza indenizatória não sofrem incidência de contribuições previdenciárias. É pacífica também nesses tribunais entendimento de que o terço constitucional de férias não sobre incidência de contribuição previdenciária. Multa de 150% 12) A multa qualificada somente pode ser aplicada quando há ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte, com o intuito de encobrir o surgimento da obrigação tributária. A prova da prática dolosa é imprescindível, pois o dolo não se presume. 13) Conforme entendimento exposto no enunciado nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. No caso, o pretenso conluio está baseado em meros indícios e suposições. 14) “Para que reste totalmente afastado o dolo presumido adotado pela autoridade notificante, cumpre lembrar que os fatos geradores notificados foram todos declarados em GFIP’s (e tanto é verdade que a base de cálculo foi delas extraída), havendo, única e tão somente, a desclassificação de uma informação, atinente à opção do SIMPLES”. Quem quer ilidir o pagamento de tributos não assume tal conduta, quedandose silente. 15) Ao final, pede a impugnante que seja recebida e regularmente processada a sua impugnação, a fim de ser extinta por completo a notificação fiscal, pela inexistência de justa causa para a desconsideração da personalidade jurídica de terceira empresa e/ou pela nulidade do débito em face de sua iliquidez e incerteza, uma vez que foram incluídas verbas indevidas, sem possibilidade de individualização. Caso assim não se entenda, pede que sejam excluídas da base de cálculo as verbas que não consistem em remuneração. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 12 Pede, ainda, que seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de multa qualificada. Requer a produção de todas as espécies de prova admitidas em direito, especialmente a documental acostada, sem prejuízo de novos documentos, bem como a produção de prova testemunhal, diligências, pericial, entre outras pertinentes. AUTO DE INFRAÇÃO Nº 37.360.6184 1) A impugnante repete os argumentos relativos a ser responsabilizada por empregados de “terceira empresa”. Houve Declaração dos Fatos Geradores em GFIP 2) Não há que se falar em penalidade, uma vez que a empresa inscrita no SIMPLES informou as remunerações na sua GFIP, não podendo uma única informação equivocada ter o condão de fundamentar a multa exigida. Conforme Lei nº 8.212/1991, art. 32, IV e §5º, e RPS, art. 225, IV e §1º, as empresas somente são obrigadas a informar os fatos geradores das contribuições, ou seja o pagamento de salários, requisito atendido no caso concreto. De acordo com o princípio da tipicidade, somente pode ser aplicada multa se o fato se enquadrar perfeitamente em todos os elementos descritivos do tipo legal. Na Pior das Hipóteses, Deve ser Aplicado o Art. 32A da Lei nº 8.212/1991 3) A auditoria entendeu, com base no comparativo que apresentou, que a multa do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/1991 seria mais benéfica para o contribuinte para as competências até 11/2008. Entretanto, a multa do art. 32A da mesma lei é mais benéfica, pois o agente fiscal fundiu indevidamente duas espécies de multa (isolada e de ofício), mediante aplicação retroativa da Lei nº 11.941/2009, alterando a natureza da penalidade em confronto com as regras vigentes ao tempo dos fatos geradores. 4) Portanto, caso se entenda pela aplicação da multa, esta merece revisão para aplicação da multa prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/1991. 5) Ao final requer seja recebida e julgada a impugnação, para se extinguir por completo a notificação fiscal, em face da inexistência de justa causa para desconsideração da personalidade jurídica de “terceira empresa” e/ou em virtude de a GFIP ter sido apresentada em época própria. Sucessivamente, peque que seja reconhecido que a falta supostamente cometida foi a prestação incorreta da GFIP, aplicandose o disposto no art. 32A da Lei nº 8.212/1991. Requer a produção de todas as espécies de prova admitidas em direito, especialmente a documental acostada, sem prejuízo de novos documentos, bem como a produção de Fl. 812DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2302003.649 S2C3T2 Fl. 13 13 prova testemunhal, diligências, pericial, entre outras pertinentes. AUTO DE INFRAÇÃO Nº 37.360.6206 Com exceção da ausência do argumento relativo ao aproveitamento dos pagamentos efetuados pela regras do SIMPLES, a impugnação ao Auto de Infração nº 37.360.6206 é igual à impugnação ao Auto de Infração nº 37.360.6192, inclusive quanto aos pedidos.” Em 29 de setembro de 2013, a 6ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE julgou procedente o lançamento (fls. 566/585). Devidamente intimado do julgado (fls. 294/299), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 591/678) reiterando as razões apresentadas na impugnação. Posteriormente, às fls. 750/781, a empresa anexou pedido de desistência irrevogável e irretratável do recurso e defesa apresentados em relação aos lançamentos: AI 37.360.6184 (desistência total – pagamento à vista do débito); AI 37.360.6192 (desistência parcial – permanecendo em discussão o período de 11/2008, 12/2008 e 13/2008 referente aos pagamentos implementados no âmbito do SIMPLES pela terceira empresa) e AI 37.360.6206 (desistência total – pagamento à vista do débito). É o relatório. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 14 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa OBJETO BRASIL com a finalidade de cobrarlhe o pagamento das contribuições previdenciárias cota patronal e as destinadas a outras entidades (terceiros), além de multa por descumprimento de obrigação acessória, no montante total de R$ 263.259,40, ao qual foram acrescidos multa e juros, totalizando R$.507.494,10 , no período 07/2007 a 12/2008. Embora protocolado o recurso em tempo hábil, a empresa, posteriormente, protocolou uma petição, às fls. 750/781, requerendo expressamente a desistência total dos Autos de Infração nºs 37.360.6184 e 37.360.6206 e parcial do AI 37.360.6192. De acordo com aquele requerimento, a desistência do recurso ocorreu por força da imposição normativa estabelecida na Portaria PGFN/RFB nº 13/2014 cujo art. 8º estabelece que para pagamento à vista ou inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos. Sendo assim, em relação aos Autos nºs 37.360.6184 e 37.360.6206, entendo que não há mais nada a ser analisado por esta Corte. Em relação ao Auto de Infração nº AI 37.360.6192 (cota patronal), aduz o contribuinte às fls. 755/761 que após a edição da Lei nº 12.996/14, a empresa pagou parcialmente os débitos correspondentes às competências de 11/2008, 12/2008 e 13/2008 com os descontos concedidos pela respectiva legislação, permanecendo em aberto, neste período, tão somente a parcela correspondente ao valor pago pela empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP (contratada – ato simulado) no âmbito do SIMPLES NACIONAL. Neste toar, pretende o contribuinte o abatimento do valor lançado e não pago, nas competências 11/2008, 12/2008 e 13/2008, com o montante recolhido pela empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP, ficando, com isso, a discussão administrativa restrita a este período e ao aproveitamento do respectivo valor. Daí porquê pleiteou a desistência parcial do Recurso Voluntário. A auditoria realizada na empresa Objeto Brasil Confecções Ltda. EPP constatou a simulação na contratação de empregados por interposta pessoa jurídica. Por causa disso, procedeu à apuração da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a folha de pagamento dos empregados que estavam formalmente registrados através da empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP, mas que trabalhavam para a empresa OBJETO BRASIL CONFECÇÕES LTDA EPP. Isto posto, em decorrência das remunerações discriminadas na folha de pagamento da empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP terem dado origem a apuração do valor lançado, reputo válido o pleito do contribuinte (OBJETO BRASIL CONFECÇÕES Fl. 814DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2302003.649 S2C3T2 Fl. 14 15 LTDA EPP) no sentido de possibilitar o aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ARM CONFECÇÕES LTDA EPP). Apenas para ilustrar, esclareço que em relação às contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, não há que se falar em dedução de recolhimentos efetuados, uma vez que as empresas que aderiram ao SIMPLES NACIONAL não recolhem contribuição a Terceiros. Por todo o exposto: NÃO CONHEÇO dos Recursos Voluntários relacionados aos Autos de Infração nºs 37.360.6184 e 37.360.6206, em decorrência do requerimento de desistência total. CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário apresentado em relação ao Auto de Infração nº 37.360.6192 e, na parte conhecida, DOU PROVIMENTO PARCIAL devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES NACIONAL pela empresa ARM Confecções Ltda EPP. correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado e não pago, no período de 11/2008, 12/2008 e 13/2008, por meio do AI 37.360.6192. É como voto. Sala das Sessões, 12 de Fevereiro de 2015. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 815DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
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Numero do processo: 10384.901092/2011-02
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 10 92 /2 01 1- 02 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901092/201102 Acórdão n.º 1802002.525 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de apreciar Manifestação de Inconformidade (fls. 12/30) interposta contra o Despacho Decisório (fl. 47) que não homologou a compensação declarada por meio de PER/DCOMP. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao terceiro trimestre de 2005, com o débito de IRPJ respeitante ao período de apuração 0110/ 2005, no valor de R$ 271,46. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts.165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que o pagamento de CSLL realizado não foi integralmente utilizado para a quitação do correspondente débito, aduz que “a DIPJ foi retificada e demonstra a existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF”. Ao finalizar a peça de defesa, o contribuinte requer a improcedência do Despacho Decisório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901092/201102 Acórdão n.º 1802002.525 S1TE02 Fl. 4 3 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0826.094 , de 07 de agosto de 2013, cientificado ao interessado em 19/08/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, principalmente quando há inconsistência entre as informações fornecidas por ele à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/09/2013. A Recorrente alega, no essencial, que: existe o pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL, código 2372, conforme comprova a sua escrituração contábil acostada nos autos; a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escri turação contábil , esses fatos asseguram o direito da requerente; deve ser apresentada DCTF retificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escri turação contábil acostada nos autos; uma vez demonstrado que existe o pagamento indevido ou a maior que o devido da CSLL, deve ser reconhecido o crédito e homologado a compensação efetuada pela requerente; os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901092/201102 Acórdão n.º 1802002.525 S1TE02 Fl. 5 4 os esclarecimentos e os documentos apresentados devem ser levados em consideração, uma vez que prova a existência do pagamento indevido ou a maior que o devido a ser reconhecido e compensado com os débitos apresentados no PER/DCOMP; enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta; o fisco não cumpriu com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária; a autoridade administrativa não homologou as compensações efetuadas sob o argumento de que não foi comprovado o pagamento indevido, o que não é verdade, porque de fato existe o pagamento indevido, “logo as PER/DCOMPs devem ser homologadas”. Finalmente requer provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 05687.30432.051007.1.7.040617, transmitido em 05/10/2007, em que a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade, com a utilização de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL no valor de R$ 5.847,37, código – 2372, relativo ao Período de Apuração: 30/09/2005; Data de Arrecadação: 31/10/2005, no valor de R$ 12.904,85. Consta do despacho decisório, emitido em 06/06/2011 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 12.904,85, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901092/201102 Acórdão n.º 1802002.525 S1TE02 Fl. 6 5 apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está comprovado por meio dos valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do AnoCalendário de 2005, apresentada em 30/11/2010. E que deve ser apresentada DCTF ret ificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escrituração contábil acostada nos autos; Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº . 05687.30432.051007.1.7.040617, sem retificar a DCTF do 3º trimestre de 2005 e procedeu a retificação da DIPJ/2006 somente em 30/11/2010. Portanto, na data da transmissão (05/10/2007) do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2006 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escrituração contábil acostada nos autos e que, esses fatos asseguram o direi to da requerente. Pois bem, aqui não se discute a existência do pagamento da CSLL no valor de R$ 12.904,85, relativo ao 3º trimestre de 2005 mediante o DARF em 31/10/2005, mas se nesse pagamento restou indevido o valor de R$ 5.847,37 como alegado crédito indicado no PER/DCOMP. Para comprovar o crédito relativo ao ano calendário de 2005, a Recorrente juntou aos autos as seguintes cópias: a) Termo de Abertura do Livro Diário nº 021 datado de 01/01/2006 e Termo de Encerramento datado de 31/12/2006, com termo de autenticação na Junta Comercial datado de 16/07/2009; b) Fl.nº 136 do mencionado Livro Diário em que registrado no dia 30/12/2006, “ Vr.ref.CSLL paga a maior no exercício de 2005 ....R$ 48.544,72”; e, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901092/201102 Acórdão n.º 1802002.525 S1TE02 Fl. 7 6 c) Fl.nº 129 do Livro Razão com registro em 31/12/2006 do mesmo valor: R$ 48.544,72, apesar de no saldo da conta CSLL a compensar em 01/01/2006 constar como saldo anterior apenas o valor de R$ 9.528,69. A frágil documentação contábil de 2006 juntada pela Recorrente não demonstra qual o erro na apuração da CSLL e da base de cálculo declarada pela Recorrente na DIPJ/2006 (original), portanto, a Recorrente não traz aos autos qualquer documento produzido em 2005 que demonstre a real base de cálculo da CSLL durante o ano calendário de 2005 em face de suas atividades operacionais, se 32% ou 12% sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2005 ou erro na aplicação da alíquota de 9% sobre o lucro presumido. Enfim, a Recorrente não traz aos autos provas para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2006, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2005. A simples escrituração em 2006 de supostos valores pagos a maior em 2005 não comprova o crédito alegado pela Recorrente. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ... A Recorrente, busca transferir ao Fisco sua obrigação de comprovar o direito creditório alegado. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2006 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido. A Recorrente diz que os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901092/201102 Acórdão n.º 1802002.525 S1TE02 Fl. 8 7 Aduz que a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 Não há que se confundir, o ato administrativo do lançamento de ofício quando produzido pelo Fisco, com aquele produzido pelo contribuinte (PER/DCOMP) no qual declara o direito creditório para compensações efetuadas pelo interessado. Com efeito, o lançamento tributário é ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, a declaração é produzida pelo próprio contribuinte (PERDCOMP), que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação; é dizer, submetese ao poder dever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o artigo 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado pelo interessado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901092/201102 Acórdão n.º 1802002.525 S1TE02 Fl. 9 8 sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 05/10/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 06/06/2011, e apresentou a manifestação de inconformidade. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901092/201102 Acórdão n.º 1802002.525 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10783.004214/86-65
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 1987
Ementa: IRF - Lucros automaticamente distribuídos.
Constituem lucros automaticamente distribuídos, sujeitos á tributação na fonte, "ex vi" do artigo 89 do Decreto-lei n9 2065/83, as diferenças nos resultados da pessoa jurídica verificadas, em ação fiscal, em decorrência quer de omissão de receita, quer de registro de despesa/custo inexistente.
- Recurso não provido.
Numero da decisão: 101-77.279
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Cristovão Anchieta de Paiva
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'W,:. • MINISTÉRIO DA FAZENDA e agosto de 19. £32. Sessão de 17 d ACORDÃO N° 1.0.1-77.279 Recurso n° 48.869 - IRF - ANOS: 19 83 A 1985 Recorrente BLOKOS ENGENHARIA LTDA. Recorrido DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM VITÓRIA (ES) IRF - Lucros automaticamente distribuídos. Constituem lucros automaticamente distribuídos, sujeitos ã tributa ção na fonte, "ex vi" do artigo 89 do Decreto-lei n9 2065/83, as diferenças nos resultados da pes soa jurídica verificadas, em ação fiscal, em decorrência quer de omissão de receita, quer de re gistro de despesa/custo inexiste-n te. - Recurso não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto de re curso interposto por BLOKOS ENGENHARIA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse_ lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao re curso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das SessOes (DF), 17 de agosto de 1987. URGE à7-iR/7 L El I LOPE.v. - PRESIDENTE i 7/-24--(1---1---V/,,--c---z-----, , ' C .ISTUÃO ANCHIETA DE PAIVA - RELATOR -- yVISTO EM: AGOSTINHO FLORES - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: 4 1ue NACIONAL, , u t -'-' RECURSO DA FAZENDA NACIONAL N9 RP/101-0.070 Participaram, ainda , do presente julgamento os seguintes Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CELSO ALVE FEITOSA, RAUL PIMENTEL, ALCEU DE AZEVEDO FONSECA PINTO e JOSÉ EDUARD RANGEL DE ALCKMIN. 2 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783/004.214/86-65 RECURSO N9: 48.869 ACCUIDÃON9: 101-77.279 RECORRENTE N9: BLOKOS ENGENHARIA LTDA. RELATÓRIO BLOKOS ENGENHARIA LTDA, inscrita no CGC sob o n9 30.735.773/0001-87, recorre (fls. 108) a este Conselho da decisão n9 99 (fls. 103) da Delegacia da Receita Federal de Vitória (ES) de que tomou ciência em 28.04.87 (fls. 106). Trata-se neste processo de exigência reflexa, com ba se no artigo 89 do Decreto-lei n9 2065/83, resultante de diferença verificada, em ação fiscal, nos resultados da pessoa jurídica, por omissão de receita e outros meios que implicaram redução do lucro líquido dos exercícios de 1984, 1985e 1986, anos-base de 1.983 f 1984 e 1985, respectivamente, tal como se vê no processo matriz de n9 10783-004.076/8623, cujo auto e elementos de instrução foram ane xados a este feito de fls. 4/30. O auto (fls. 01) tributa, na fonte, mediante ,,aplica ção da aliquota de 25%, como lucros automaticamente distribuídos as seguintes importâncias constantes do auto do processo matriz: 1.Cui5saes de receita - Exercício 1984, base 1983: a) passivo fictício : Cr$ 21.869.889 (infração 3.5,no auto matriz) . h) integralização de capital: Cr$ 15.600.000 (infração 3.6) DMF - DF/19 C-C - Secgraf 1600/75 3 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783/004.214/86-65 ACÓRDÃO N9 101-77.279 2. Despesas particulares de sócios: Exercício 1984, base 1983: Cr$ 9.944.584 (infração 3.2) Exercício 1985, base 1984: Cr$ 10.845.867 (infração 4.1) 3. Despesas corroboradas por documentação inidõnea: Exercício 1984, base 1983: Cr$ 221.680.338 (infrações 3.7-3.8-3.9) Exercício 1985, base 1984: Cr$ 513.376.833 (infrações 4.6 e 4.7) Exercício 1986, base 1985: Cr$ 616.098.880 (infrações 5.1 - 5.2 - 5.3 e 5.4) O credito tributário autuado perfaz o total de Cz$.... 2.975.950,48, integrado por imposto, correção, multa e juros de mora (Demonstrativo fls. 2A/3) e foi notificado ao sujeito passivo em 11.07.86 (fls. 32), sexta-feira. Em 12.08.86, é apresentada a defesa em que a autuada pede seja sobrestado o feito ate que se decida o pro cesso matriz, oportunamente impugnado conforme os elementos que faz juntar de fls. 33/75. Na informação (fls. 77), os fiscais opinam no sentido de o feito ser julgado em consonância com o processo principal, cuja decisão de 19 grau é anexada de fls. 78. A autoridade monocrática negou provimento à impugnação em conformidade do que ficou decidido no feito principal. Tempestivamente, o recurso é apresentado em 21.05.87 (fls. 107). Por ele quer a recorrente revisão do julgado a fim de que o julgamento se harmonize com o acórdão a ser prolatado no processo matriz, em face do apelo nele interposto. Acrescento, ainda, que, nesta Câmara, a cobrança do processo matriz, relativa às infrações que refletem no feito ora em julgamento, foi julgada inteiramente procedente pelo acórdão número 101-77.273. Este é o relatório /7 4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783/004.214/86-65 ACÓRDÃO N9 101-77.279 VOTO Conselheiro CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, RELATOR: O recurso tempestivo. Tomo conhecimento. Trata-se neste processo, como se viu do relatório, de exigencia reflexa embasada no artigo 89 do Decreto-lei n9 2065/83, o qual tributa, na fonte, mediante aplicação da aliquota de 25%, como lucro automaticamente distribuído, diferenças_ nos resultados da pes soa jurídica, por omissão de receita ou outros expedientes que impli caram redução do lucro liquido dos exercícios de 1984 a 1986, tal como apurado no processo matriz (10783-004076/86-23). Ora, pelo acórdão n9 101-77.273, desta Câmara, que jul gou o recurso 91.369, interposto no, processo principal, ficou decidi do que a recorrente realmente infringira a legislação do imposto de renda em relação a todos os latos que ocasionaram a autuação decorren te, ora em julgamento. Seja no que diz respeito às omissaes de recei 4— seja no que pertine às despesas/custos. inexistente, por corrobo radas com documentação inidõnea ou por se referirem a despesas de sócios. Um e outro caso, (falta de registro de receita e contabiliza ção de despesa/custo inexistente) implicam necessariamente redução do lucro líquido dos exercícios correspondentes, gerando a diferença que, nos termos do art. 89 do Decreto-Lei n9 2065/83, deve ,sujeitar- se à imposição, na fonte, como lucro automaticamente distribuído. Por isso, voto negando provimento ao recurso. CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13502.001178/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para comprová-las.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Comprovada a omissão de rendimentos mediante a apresentação de DIRFs e declaração da fonte pagadora, o lançamento deve ser mantido.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para comproválas. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovada a omissão de rendimentos mediante a apresentação de DIRFs e declaração da fonte pagadora, o lançamento deve ser mantido. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 11 78 /2 00 8- 24 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 72/78) interposto em 23 de fevereiro de 2011 contra o acórdão de efls. 62/64, do qual o Recorrente teve ciência em 25 de janeiro de 2011 (efl. 70), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 19/23, lavrada em 17 de junho de 2008, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas e de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, verificadas no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 RENDIMENTOS INFORMADOS PELA FONTE PAGADORA. Ineficaz a alegação de não recebimento de rendimentos informados pela fonte pagadora se não apresentadas provas suficientes. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO INDEVIDA. Mantémse indevida a dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual quando não comprovada a efetiva realização das despesas declaradas. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 62). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 72/78), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. Em 19 de junho de 2012, o julgamento foi convertido em diligência, “para que o órgão preparador (a) providencie a juntada aos autos da cópia da DIRF apresentada pela COMÉRCIO DE PEÇAS E SERVIÇOS MARY REI LTDA.; (b) intime a COMÉRCIO DE PEÇAS E SERVIÇOS MARY REI LTDA. e a REI MARY CAR SERVIÇOS LTDA. para confirmar ou não os pagamentos efetuados ao Recorrente; (c) elabore relatório circunstanciado sobre as conclusões relativas à apuração realizada; e (d) intime o Recorrente para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias.” Realizada a diligência (efls. 100/101), os autos retornaram ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13502.001178/200824 Acórdão n.º 2101002.715 S2C1T1 Fl. 108 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão sob análise cingese à dedução indevida de despesas médicas e com plano de saúde realizadas pelo contribuinte com tratamento próprio e de terceiros, bem como à omissão de rendimentos de trabalho com ou sem vínculo empregatício. Em relação à glosa de despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento”. Cabe mencionar, ainda, que, no entender deste Conselheiro, a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar os recibos de despesas dedutíveis eventualmente acostados aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade dos recibos, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13502.001178/200824 Acórdão n.º 2101002.715 S2C1T1 Fl. 109 5 “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pela Recorrente, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas que foi mantida pelo acórdão recorrido, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. No presente caso, foram glosadas despesas com a Sul América Saúde (R$ 4.146,80), pois os beneficiários Rita Santos, Camila Pinto e Natalia Pinto não seriam dependentes do Recorrente, bem como com as profissionais Thaiane Ferreira Araújo (R$ 3.000,00) e Livia Andrade de Oliveira (R$ 7.000,00), pela falta de comprovação do efetivo pagamento dos serviços prestados. Quanto à Sul América Saúde, o único dependente declarado foi o filho do Recorrente, Lucca Oliveira Soares Pinto, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser mantida. No que se refere às duas outras profissionais, entendo que a natureza do serviço (fisioterapia e RPG), os valores dos recibos, o não preenchimento dos requisitos legais quanto à indicação dos beneficiários dos tratamentos e do endereço de uma das profissionais exigiriam a apresentação de outros documentos que comprovassem o efetivo pagamento dos serviços. No que atine à omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora inscrita no CNPJ n.º 06.092.313/000101, o contribuinte em seu recurso repisa os argumentos ventilados em sua impugnação, sustentando que, ao informar em sua Declaração de Ajuste Anual os valores recebidos, cometeu “um erro de preenchimento da declaração”, fazendo constar que o montante de R$ 7.170,00 foi pago pela COMÉRCIO DE PEÇAS E SERVIÇOS MARY REI LTDA. (CNPJ n.º 34.153.817/000111), em vez de informar a fonte pagadora correta, qual seja REI MARY CAR SERVIÇOS LTDA. (CNPJ n.º 06.092.313/000101). Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Compulsando os autos, constatouse que o Recorrente, na tentativa de retificar o erro material apontado, emitiu uma declaração retificadora que, no entanto, não foi transmitida ao banco de dados da Receita Federal, conforme se depreende das fls. 37/44 dos autos. A Recorrida, analisando as alegações contidas na impugnação, houve por bem julgar procedente o lançamento, inclusive nessa parte, por entender que o Recorrente recebeu no anocalendário em análise valor de idêntica ordem das duas fontes pagadoras (COMÉRCIO DE PEÇAS E SERVIÇOS MARY REI LTDA. e REI MARY CAR SERVIÇOS LTDA.), uma vez que ambas as fontes teriam declarado pagamentos nesse montante, bem como por não ter sido feita, pelo contribuinte, prova do não recebimento de valores da COMÉRCIO DE PEÇAS E SERVIÇOS MARY REI LTDA. Diante dos fundamentos da decisão recorrida para manter a glosa concernente à omissão de rendimentos, cumpre registrar que, além de não haver possibilidade de se fazer prova negativa, a Recorrida afirmou que as duas supostas fontes pagadoras apresentaram DIRF informando o pagamento de valores ao Recorrente, muito embora conste nos autos somente a DIRF da REI MARY CAR SERVIÇOS LTDA. (efl. 59). Tudo recomendou, portanto, a conversão do julgamento em diligência, para que o órgão preparador (a) providenciasse a juntada aos autos da cópia da DIRF apresentada pela COMÉRCIO DE PEÇAS E SERVIÇOS MARY REI LTDA.; (b) intimasse a COMÉRCIO DE PEÇAS E SERVIÇOS MARY REI LTDA. e a REI MARY CAR SERVIÇOS LTDA. para confirmar ou não os pagamentos efetuados ao Recorrente; (c) elaborasse relatório circunstanciado sobre as conclusões relativas à apuração realizada; e (d) intimasse o Recorrente para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Convertido o julgamento em diligência, os autos retornaram para julgamento, com o relatório de diligência de efls. 100/101, que indica o recebimento dos mesmos valores anuais pelas duas fontes pagadoras, sem qualquer retenção, confirmando, assim, as conclusões do acórdão recorrido. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13502.001178/200824 Acórdão n.º 2101002.715 S2C1T1 Fl. 110 7 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10805.720007/2005-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3401-000.031
Decisão: RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar na origem o desfecho do Processo n° 13820.000101/2001-68.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar na origem o desfecho do Processo n° 13820.000101/200 /1-4, . • ,../ sou Maced• Aos- • Presidente /V-4,211 Emanue_r--2, Relator 41' EDITADO EM 15/1 •/2010 Participaram do iresente julg.mento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi erzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Luciano Pontes de Maya Gomes (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relat),rio O processo trata das Declarações de Compensações de fls. 01/110, transmitidas eletronicamente entre 17/05/2003 e 14/12/2004, todas vinculadas a processo administrativo anterior, de n° 13820.000101/2001-68, que contém pedido de restituição referente do PIS nos períodos de apuração entre outubro de 1995 e outubro de 1998, por conta da declaração de inconstitucionalidade de parte do art. 18 da Lei n°9.715, de 1998. • 1 Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: A autoridade jurisdicionante proferiu o Despacho Decisório de fis. 116, cuja fundamemação remeteu ao não reconhecimento do direito creditório no âmbito do PAF n° 13820.000101/2001-68 para não homologar as compensações declaradas. Conforme cópia juntada às fls. 114/115, o indeferimento do direito creditó rio foi fiindamentado seguinte forma: ...é devido o PIS com fundamento na LC 7/70 nos períodos de outubro/95 a fevereiro/96 e RIP n o 1.212/95, convertida na Lei n° 9.715/98, a partir de Março/96. Não tem fundamento a alegação da interessada da inexistência do fato gerador no período de 01/10/1995 até a publicação da Lei n°9715/98. Cientificada em 12/02/2007, a contribuinte apresentou, em 13/03/2007 a Manifestação de Inconformidade de fls. 122/128, cuja folha de rosto faz remissão a processo judicial, o que é corrigido na primeira página interna com referência ao processo onde se discute a restituição. Á interessada, em sua manifestação, argumenta, em síntese, no seguinte sentido: a instituição ou modificação da exigência da contribuição ao PIS devem ser veiculadas por meio de lei complementar e não por lei ordinária ou medida provisória; com a declaração de inconstitticionaliclade dos Decretos-Lei n°2.445 e 2.449, ambos de 1998, hestaram indevidos os recolhimentos ao PIS que tivessem excedido a aliquota de 5%, incidente sobre o Imposto de Renda, prevista na Lei Complementar 7/70, sendo direito das empresas contribuintes que enquadravam nesta previsão legal, repetir ou compensar tais débitos; não é cabível, ainda, a alegação de que com o advento da Lei 9.715/98, decorrente da conversão de medida provisória, seja infundida eficácia às modificações irregularmente inseridas na legislação do PIS. A reiterada reedição de medidas provisórias não superam a anterioridade nonagesimal própria das contribuições e burlam a provisoriedade de sua natureza constitucional. A prática de legislar por via de medida provisória viola os princípios da legalidade, da anterioridade e segurança jurídica; a recorrente tem o direito constitucionalmente garantido de proceder a restituição/compensação dos valores indevidamente recolhidos da contribuição ao PIS em conformidade com a Lei Complementar n° 7/70, afastando-se as alterações promovidas pela Medida Provisória 1212/95 e subseqüentes reediçiões. Reitere-se, a conversão da Lei 9.718/98 piei, da última medida provisória, sucedânea da Medida Provisória n° 1212/95, não tem o condão de sanar o vicio de que padece toda a série de reedições, uma vez que a lei exigida no caso em tela, lei complementar, possui rito especifico, que não se coaduna com o da lei referida, e muito menos com as sucessivas medidas provisórias. A 3a Turma da DR.' ratificou a decisão de origlmantendo a não homologação da compensações. 4" • - — 2 Processo n° 10805.72000742005-52 S3-C4TI Resolução nã) 3401-00.031 Fl. 245 Após asseverar que "existe uma ligação de dependência entre o Pedido de Restituição formalizado no PAF n° 13820.000101/2001-68 e as compensações aqui sob exame" e reconhecer a conveniência da juntada deste processo àquele, julgou de forma separada em homenagem ao principio da celeridade processual, e embora tenha recomendado a juntada dos autos pela autoridade preparadora. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste nas compensações, pretendendo que o PIS seja exigido nos termos da LC n° 7/70 e não na forma prevista na MP n°1212/95. É o relatório. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais exigidos pelo Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por depender do desfecho do pedido de restituição objeto do processo n° 13820.000101/2001-68. Como relatado, os créditos são oriundos de indébito do PIS debatido naquele processo, ainda em trâmite e que em 31/08/2007 foi movimentado para a Procuradoria da Fazenda Nacional em Santo-André-SP, conforme os sistema comprot (consulta na intemet, em 22/02/2009). Em face da dependência, é necessário aguardar o término daquele processo, que definirão direito creditório alegado nas compensações discutidas neste. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, determinando que se aguarde a decisão final no processo n° 13820.000101/2001-68. Após, deve ser acostada ao presente cópia da decisão definitiva naquele proc so, com retomo dos autos a este Colegiado para apreciação. • Off) ,4 Emanuel asi .• • sis 'V _ 3
score : 1.0
Numero do processo: 14485.002073/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 12/12/1999 a 31/12/2005
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
Verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n.( 8.212/91 e devem constar de GFIP.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.476
Decisão:
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 12/12/1999 a 31/12/2005 AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. Verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n.( 8.212/91 e devem constar de GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Fatos Geradores Recorrente TELESP CELULAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 12/12/1999 a 31/12/2005 AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. Verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n.° 8.212/91 e devem constar de GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 20 73 /2 00 7- 20 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14485.002073/200720 Acórdão n.º 2302003.476 S2C3T2 Fl. 327 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências de 12/1999 a 12/2005, as remunerações pagas a empregados, a título de prêmio, através de cartões eletrônicos com a intermediação da empresa Incentive House S/A. A base de cálculo para aferição da remuneração foi tomada nas notas fiscais emitidas pela empresa que intermediava o pagamento, as quais foram confrontadas com os lançamentos contábeis da notificada. Após a apresentação da defesa, os autos baixaram em diligência, porque a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que tratava da obrigação principal conexa a esta obrigação acessória tinha sido baixada em diligência. Como eventual retificação na NFLD, implicaria em retificação no Auto de Infração, foi comandada a diligência, cujo Relatório de fls. 191/192, manteve a autuação, por não restar retificada a NFLD. O contribuinte foi devidamente intimado do resultado da diligência, com abertura de prazo para manifestação, após o que Acórdão de fls. 196/211, pugnou pela procedência parcial da autuação, para excluir as competências até 05/2000, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Restaram no presente Auto de Infração as competências de 07/2001 a 12/2005. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde reitera os argumentos expendidos na impugnação de que não cabe a autuação, pois a autuada entende indevida a rubrica e por isso não a informou em GFIP; que somente após o julgamento definitivo da obrigação principal é que poderia ser exigido o acessório e , por fim requer que a multa seja reduzida nos moldes do artigo 32A da Lei n.º 8.212/91. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Em preliminar, é de se ver que a obrigação principal consubstanciada no PAF Processo Administrativo Fiscal 14485.001775/200796, foi julgada por este Colegiado na sessão de 13/08/2014, sendo proferido o Acórdão 2302003.296, que negou provimento a Recurso de Ofício e deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, interposto pelo contribuinte, com a seguinte Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Portanto, é de se ver que quanto ao mérito foi mantido o lançamento que considerou os valores pagos aos segurados a título de prêmio através de cartões magnéticos, como salário de contribuição. Assim, ao não informar os valores relativos à remuneração de todos os segurados que lhe prestaram serviço, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14485.002073/200720 Acórdão n.º 2302003.476 S2C3T2 Fl. 328 5 n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Os valores pagos através de cartões de premiação foram considerados salário, e passíveis de inclusão em GFIP por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito, conforme decisão exarada no PAF que trata da obrigação principal A legislação é expressa em dizer que para o contribuinte individual, ou seja, para aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego (art. 12, V letra “g” da Lei n. 8.212/91),categoria na qual foi levantado o débito, o salário de contribuição, sujeito à incidência da contribuição previdenciária é a remuneração ganha em uma ou mais empresas pelo exercício de sua atividade: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º . (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, mas fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ainda, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Portanto, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade e todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, devendo constar das GFIP’s, nas competências correspondentes ao pagamento efetuado, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias não declaradas já foram objeto de inúmeros julgamentos por este colegiado que sempre os entendeu como passiveis de incidência contributiva previdenciária. Entretanto, no que concerne à multa aplicada, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14485.002073/200720 Acórdão n.º 2302003.476 S2C3T2 Fl. 329 7 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A , inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19740.000269/2007-35
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:2003
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
LANÇAMENTO DE IRPJ. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO
É legítimo o lançamento por insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados. Caracterizada a falta de pagamento integral do IRPJ, ressalva-se à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
IRRF. DEDUÇÃO DO IRPJ. REQUISITOS.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do IRRF, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LANÇAMENTO DE IRPJ. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO É legítimo o lançamento por insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados. Caracterizada a falta de pagamento integral do IRPJ, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. IRRF. DEDUÇÃO DO IRPJ. REQUISITOS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do IRRF, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 69 /2 00 7- 35 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 225 2 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 8186, com a exigência do crédito tributário no valor de R$114.297,70, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real e multa de ofício isolada por falta de recolhimento do tributo determinada sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2002. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 226 3 001 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme descrito no Item 01 do Relatório de Encerramento, parte integrante deste lançamento. [...] Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. 002 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Recolhimento a menor de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Item 02 do Relatório de Encerramento, parte integrante deste lançamento. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ para o mês de dezembro de 2002, no valor de R$57.642,52 e os declarados em DCTF, no valor de R$29.935,88 e os recolhimentos efetuados, conforme consta do Relatório de Encerramento da Revisão de Declaração anexo a este lançamento. [...] Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, .§ 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66. Consta no Relatório de Encerramento, fls. 5058: O contribuinte em epígrafe foi intimado a esclarecer a inconsistência entre os valores declarados como Estimativas Mensais do IRPJ na DIPJ/2003, anocalendário 2002 e os valores efetivamente recolhidos. Os valores declarados como Imposto de Renda mensalmente a pagar de IRPJ, na DIPJ/2003, soma o valor de R$292.952,67, e os valores mensais efetivamente recolhidos, conforme o Sistema Sinal07 totalizam o valor de R$260.042,23, o que geraria uma diferença de R$32.910,44, encontrada no procedimento de Revisão Interna. Intimado a esclarecer a diferença, o contribuinte informou ser referente a uma compensação contábil/gerencial não informada em DCTF, com crédito de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001, DIPJ/2002. Anexou aos seus esclarecimentos um resumo do Razão tentando demonstrar o alegado. Esclarece também que iria efetuar alterações na DIPJ e na DCTF, ao que foi solicitado que assim não procedesse até que tivesse autorização desta autoridade fiscal. Anexou também cópia da Ficha 12B da DIPJ/2002, anocalendário 2001, demonstrando que o saldo negativo daquele ano foi de R$10.034,79. Apresentou também dois comprovantes de rendimentos de IRRF, um no valor de R$24.340,16 e outro de R$9.000,00, que somam R$33.340,16, referentes ao ano calendário de 2001. Entretanto, só houve entrega de DIRF pela Bes Securities (Fonte sobre Comissão de Corretagem), referente ao primeiro valor. Não houve entrega de Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 227 4 DIRF pela Companhia Brasileira de Custódia [CBLC] tendo como beneficiária a Bes Securities, conforme documentação constante do dossiê, o que não permite a confirmação do documento apresentado, no valor de R$9.000,00. Entretanto, este fato não possui relevância, já que este valor não poderia mais ser utilizado (deduzido) no cálculo do Imposto do anocalendário 2001, tendo em vista o ano de retenção ter decaído. Do valor de IRRF recolhido no anocalendário de 2001, no total de R$24.340,16, somente foi levado para o cálculo de ajuste na DIPJ/2002 o montante de R$10.034,79 (Ficha 12B/linha 08). O Saldo Credor (Ficha 2B/linhal3) foi apurado em R$10.034,79, sendo este o valor do saldo credor (Ficha 12B/linha 13), já que não foi apurado Imposto, nem Adicional a pagar. Nenhum documento contábil foi apresentado. ITEM 01: Intimado novamente, agora para apresentar os comprovantes dos valores informados em sua primeira planilha (transcrição do Razão, como IRRF AC 200), que teriam sido utilizados para compensar com IRPJ a pagar, o contribuinte apresentou as seguintes informações: 1. Valor de R$44.551,23: apresentou comprovante de rendimentos de retenção sobre corretagem no valor de R$20.573,18 (anocalendário de 2002) e outro referente ao anocalendário de 2001, no valor de R$24.340,16, também sobre corretagem. (item 5, do razão contábil) O valor de R$20.573,18, não foi informado em DIRF. Entretanto no Sistema Sinal foram encontrados pagamentos sob o código 8045 no total de R$20.508,78. A partir do ano de 2002, a declaração do IRRF/Corretagem s/ Comissão, recolhidos sob o código 8045, deverão ser informados na DIRF da Fonte Pagadora, apesar de serem retidos e recolhidos pelo próprio beneficiário, conforme consta dos art. 15 e 16 da IN n° 269/2002 [...]. Quanto ao valor de IRRF de R$24.340,16, é referente ao anocalendário de 2001, sendo uma parte já utilizada no cálculo do Imposto de Renda, na DIPJ/2002, no valor de R$10.034,79. 2. Valor de R$9.000,00: Apresentou um Informe de Rendimentos supostamente emitido pela Companhia Brasileira de Liquidação, com o valor retido de R$9.000,00. (item 6 do razão contábil) Não foi encontrada DIRF neste valor. O que ocorre é que no anocalendário de 2002, a Cia. Brasileira de Liquidação efetuou duas retenções, tendo como beneficiário a Bes Securides. Uma no valor de R$4.500,00 e outra no valor de R$9.000,00, perfazendo um total de R$13.500,00, e não uma retenção de R$9.000,00 e outra de R$13.500,00, como quis nos fazer compreender o contribuinte. Logo esta retenção já está incluída no valor de R$13.500,00, que será analisada no próximo item. 3. Valor de R$13.500,00: Apresentou um informe de Rendimentos supostamente emitido pela Companhia Brasileira de Liquidação, com o valor retido de R$13.500,00. (item 7, do razão contábil). Já explicado no item anterior. 4. Valor de R$5.356,19: O contribuinte explica que há alguns comprovantes emitidos pelo Banco Itaú identificando a retenção de IRRF sobre juros sobre capital Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 228 5 pagos pela Seiva, nos valores de R$77,94 e R$74,75, que totalizam R$152,69. Explica ainda que há uma compensação na DIPJ no valor de R$9.152,69, que corresponde no Razão Contábil a R$5.356,19, acrescido de R$3.796,50 (diferença de provisão). (item 8 do razão contábil). Em relação aos valores retidos pelo Itaú para a Seiva, encontramos DIRF entregue pela própria Seiva, no valor total de R$386,05, que engloba os dois valores informados pelo contribuinte. Assim, alguns dos valores informados pelo contribuinte já estão incluídos no valor de R$16.804,27 declarados em DIRF referente ao anocalendário de 2002, conforme consta dos sistemas da, RFB (SIEF/DIRF), não procedendo, portanto, o valor informado de R$43.293,48 (total de IRRF declarado mensalmente e deduzido no cálculo do Imposto na Ficha 12B/linha 11) na DIPJ/2003, o que alteraria o cálculo do valor de Imposto de Renda a Pagar. O total de Imposto Retido na Fonte, portanto, no anocalendário de 2002 foi de R$37.313,04 ) (R$16.804,27, declarado em DIRF de diversas Fontes Pagadoras e R$20.508,78 oriundos de recolhimentos sob o código 8045). Do valor de Fonte de R$37.313,04, foram usados no cálculo do Imposto Mensal o valor de R$25.131,70 de janeiro a dezembro. O valor de R$12.181,34 não foi utilizado, devendo ser deduzido no cálculo do Imposto Anual na Ficha 12B/Linha 08. [...] ITEM 02: Além da mudança no cálculo do Imposto de Renda Anual (Ficha 12B), os valores de Estimativa a recolher nos meses de setembro e outubro no anocalendário de 2002, devem ser recalculados, pois os valores de IRRF usados como dedução foram feitos a maior, do que o efetivamente retido, [...]. Em relação ao mês de Dezembro/2002, cujo valor de Imposto de Renda a Pagar declarado foi de R$57.642,52, o contribuinte recolheu em DARF o valor de R$23.937,05 e utilizou o crédito do PA03/02, no valor de R$5.998,83 para totalizar o valor declarado em DCTF de R$29.935,88, como devido para o PA12/02. Há, portanto uma inconsistência entre a DIPJ/2003 e o declarado em DCTF. (DIPJ: R$57.642,52 e DCTF: R$29.935,88). Em relação a esta diferença de R$27.935,88 também será lançada multa isolada, prevista no art. 44 da lei n° 9.430. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 115159, com as alegações a seguir. Tece esclarecimentos sobre os fatos e que apresenta a peça de defesa tempestivamente suscitando que: Entretanto, como será demonstrado a seguir, o auto de infração aqui impugnado, relativamente ao seu Item 01, acima demonstrado, é totalmente descabido, despropositado e ilegal, na medida em que (i) os valores relativos ao IRRF, no montante de R$9.000,00 [...], foram regularmente retidos e recolhidos pela CBLC; (ii) os valores que correspondem a R$24.340,16 [...], foram integralmente compensados pela Impugnante, com os créditos líquidos e certos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2001, estando refletidos nos seus livros contábeis; (iii) os demais valores desconsiderados pela Fiscalização foram efetivamente retidos na fonte, no montante correspondente a R$5.550,52 [...], sendo certo que, em caso de apuração de alguma diferença a Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 229 6 recolher, a Fiscalização deveria promover a compensação de ofício com os que créditos disponíveis a que a Impugnante faz jus, de forma que os créditos tributários de IRPJ, apurados na referida autuação, devem ser julgados totalmente improcedentes, porque a totalidade do imposto devido no ano de 2002 foi quitada pela Impugnante. Com relação ao Item 02, a Impugnante esclarece que o auto de infração ora impugnado é da mesma sorte, descabido, despropositado e ilegal, pelos seguintes motivos: (i) ilegalidade da cobrança de multa isolada relativamente às estimativas de setembro e outubro de 2002, em vista do seu tempestivo e integral recolhimento; (ii) existência de mo cometido pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por ocasião da apuração das bases de incidência das multas isoladas; (iii) impossibilidade de cobrança da multa isolada após o término do respectivo período de apuração anual; (iv) ilegalidade da cobrança concomitante das multas de ofício de 75% [...] e isolada de 50% [...], por afronta ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade e por configurar manifesto "bis in idem ; e (v) inaplicabilidade da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) no caso de débitos apurados a partir de procedimento de "auditoria interna". É o que será demonstrado a seguir: III DO MÉRITO III.1 Os VALORES RELATIVOS AO IRPJ, APURADOS NO ANO CALENDÁRIO DE 2002, FORAM INTEGRALMENTE PAGOS PELA IMPUGNANTE: [...] De acordo com o disposto no artigo 9°, § 3°, inciso I, da Lei n° 9.249, de 26.12.1995, [...] o IRRF será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos, caso a beneficiária seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real. No caso presente, a Impugnante não apurou imposto devido na referida declaração de rendimentos, muito pelo contrário, de maneira que a totalidade do IRRF retido e recolhido ao longo do ano calendário, em hipótese alguma, poderia servir de antecipação de algo que não é devido. Nesse contexto, a partir do momento em que restar comprovada a apuração de prejuízo fiscal pela Impugnante no ano calendário de 2001, o imposto em comento, objeto de retenção e recolhimento, deverá ser integralmente devolvido à Impugnante, seja na modalidade de restituição ou compensação, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. [...] No presente caso, vêse que a Impugnante, ao longo do anocalendário de 2001, percebeu inúmeros rendimentos, a título de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), totalizando o montante de R$66.898,72 [...], que deram ensejo à retenção e ao recolhimento do IRRF, no valor de R$10.034,79 [...], conforme podem fazer prova as Fichas do Livro Razão e dos documentos a elas relacionados, que ora seguem acostados à presente (doc. n° 04). A Impugnante recebeu, ainda, diversos rendimentos, por conta da prestação de serviços de corretagem, totalizando a quantia equivalente a R$1.622.698,31 [...], que ensejaram a incidência na fonte do IRRF, no valor de R$24.340,46 [...], conforme podem fazer prova os documentos fiscais (DIRF e Informe de Rendimentos) e a planilha contábil que ora seguem acostados à presente (doc. n° 05). Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 230 7 Nesse contexto, considerando que a Impugnante amargou prejuízo fiscal no ano de 2001, e tendo em vista que os valores pagos, a título de IRRF, ao longo do referido anocalendário, não podem servir de antecipação de imposto que devido não é, temse que a Impugnante, na verdade, acabou por apurar crédito fiscal (saldo negativo de IRPJ), no montante correspondente a R$34.374,95 [...], conforme se extrai da leitura da anexa Composição do Crédito Fiscal ao anocalendário de 2001 (doc. n° 06). A despeito de a Impugnante ter informado na DIPJ de 2002 que apurou saldo negativo de IRPJ, no valor de R$10.034,79 [...], em verdade, pela leitura dos documentos ora apresentados, constatase que tal saldo negativo representa a quantia de R$34.374,95 [...]. No mais: ainda que se considere que a ora Impugnante tenha cometido algum equívoco por ocasião do preenchimento da DIPJ de 2002, relativa ao ano de 2001, o que só se admite para fins de argumentação tal hipótese não poderia, de maneira nenhuma, servir de fundamento ao nãoreconhecimento dos créditos líquidos e certos a que a Impugnante faz jus. Isto porque, é indubitável que o cometimento de erro no preenchimento de declarações e formulários, de cunho fiscal, não legitima a ocorrência de fato gerador da obrigação tributária, nem tampouco poderia servir de fundamento ao não reconhecimento do direito de créditos manifestamente líquidos e certos. [...] Como se vê, é manifestamente liquido e certo o crédito fiscal a que a Impugnante faz jus em decorrência da apuração de saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2001, no montante correspondente a R$34.374,95 [...]. Por outro lado, a Impugnante, por ocasião do encerramento do anocalendário de 2002, auferiu lucro real (base de cálculo positiva de IRPJ), o que gerou a apuração de imposto de renda devido no montante correspondente a R$336.246,15 [...] conforme informado na Ficha 12B da DIPJ de 2003 (relativa ao anocalendário de 2002), que ora segue acostada à presente (doc. n° 07). Referido saldo de imposto de renda devido no anocalendário de 2002 foi integralmente quitado pela Impugnante da seguinte forma: (i) mediante o recolhimento das estimativas mensais, no valor total equivalente a R$260.041,23 [...], conforme podem fazer prova os 11 (onze) Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF’s), que ora seguem acostados à presente (doc. n° 08); (ii) mediante a retenção e o recolhimento do IRRF pela própria Impugnante, que recaiu sobre os rendimentos percebidos na qualidade de prestadora de serviços de corretagem de valores mobiliários (autoretenção), no valor total equivalente a R$20.573,18 [...], conforme podem fazer prova os 55 (cinqüenta e cinco) Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF’s), que ora seguem acostados à presente (doc. n° 09); (iii) mediante a retenção e o recolhimento do IRRF pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), que recaiu sobre os rendimentos percebidos pela Impugnante, a título de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), no valor total de R$22.500,00 [...], que corresponde ao somatório das parcelas retidas nos meses de setembro e dezembro de 2002, nos valores de R$9.000,00 [...] e R$ 13.500,00 [...], respectivamente, conforme podem fazer prova os Comprovantes de Rendimentos Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 231 8 Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitidos pela entidade em comento, que ora seguem acostados à presente (doc. 10); (iv) mediante a compensação contábil de parcela do crédito fiscal, decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao anocalendário de 2001, acima evidenciado, no montante correspondente a R$34.374,95 [...] que está refletida nas páginas do Razão Analítico da Impugnante 6, que ora seguem acostadas à presente (doc. n° 11); e (v) mediante a utilização de diversas parcelas do IRRF que foram retidas na fonte ao longo do ano calendário de 2002, por terceiros, o que foi reconhecido pela própria Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Entretanto, a despeito de ter o IRPJ, devido no anocalendário de 2002, sido integralmente quitado pela Impugnante, conforme acima fartamente demonstrado e cabalmente comprovado, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil, por razões que até mesmo a Razão desconhece, (i) glosou os créditos de IRRF que teriam sido retidos na fonte pela CBLC, no valor de R$9.000,00 [...]; (ii) não reconheceu compensação realizada contabilmente pela Impugnante, no valor de R$24.340,46 [...], mediante a utilização de créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao ano calendário de 2001, e, ainda, (iii) desconsiderou diversos créditos de IRRF, objeto de retenção na fonte ao longo do referido ano calendário, no valor de R$5.550,52 [...]. Com relação ao item (i) acima, a Impugnante informa que no curso do ano calendário de 2002, percebeu rendimentos, a título de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), que foram pagos pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), nos meses de março, setembro e dezembro, nos valores de R$30.000,00 [...], R$60.000,00 [...], respectivamente, conforme podem fazer prova os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitidos pela entidade em comento (vide doc. n°10). De se notar que tais quantias foram devidamente contabilizadas pela Impugnante como receitas decorrentes do recebimento de JCP, o que pode ser demonstrado pela simples leitura do Razão Analítico, que também segue acostado à presente (doc. n° 12), e, também, pelas Atas de Assembléia da CBLC autorizando o pagamento do referido JCP à Impugnante (doc. n° 13). Como não poderia deixar de ser, por ocasião do pagamento do JCP em comento, a CBLC efetuou a retenção na fonte e o recolhimento do IRRF que recaiu sobre tais rendimentos, perfazendo os montantes equivalentes a R$4.500,00 [...], R$9.000,00 [...] e R$13.500,00 [...], respectivamente (vide doc. n° 10), sendo certo que o IRRF em comento foi devidamente contabilizado pela Impugnante no Livro Razão Analítico, acima mencionado (doc. nº 12) . Notese que, além dos rendimentos acima mencionados (R$60.000,00 e R$90.000,00), a Impugnante percebeu rendimentos, advindos também da CBLC, a título de JCP, no mês de março de 2002, no montante de R$30.000,00 [...], que ensejou a retenção e o recolhimento do IRRF, no valor de R$4.500,00 [...], sendo certo que tal crédito não foi considerado pela Impugnante para fins de quitação do IRPJ devido no ano de 2002. A par dessas informações, constatase que é totalmente inverídica a afirmação feita pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil de que "a Cia. Brasileira de Liquidação efetuou duas retenções, tendo como beneficiário a Bes Securities, uma no valor de R$4.500,00 e outra no valor de R$9.000,00, perfazendo Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 232 9 um total de R$13.500,00, e não uma retenção de R$9.000,00 e outra de R$13.500,00", na medida em que a Impugnante foi submetida, na verdade, a três retenções de IRRF pela CBLC, nos valores de R$4.500,00 [...], R$9.000,00 [...] e R$13.500,00 [...], totalizando o montante correspondente a R$27.000,00 [...].. Nesse contexto, considerando que é perfeitamente legítimo o aproveitamento pela Impugnante do IRRF, objeto de retenção pela CBLC, no valor de R$9.000,00 [...], e, ainda, que a Impugnante possui saldo de crédito de IRRF, no valor de R$4.500,00 [...], concluise que a glosa efetuada pela Fiscalização é totalmente descabida e ilegal, [...]. Com relação ao item (ii) acima, a Impugnante pede venia a V.Sa. para afirmar que o não reconhecimento da compensação, no valor de R$24.340,46 [...], que foi realizada contabilmente pela Impugnante, mediante a utilização de créditos líquidos e certos, decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao ano calendário de 2001, é totalmente descabido, arbitrário e ilegal. Como visto acima, a Impugnante, por ocasião do encerramento do ano calendário de 2001, em razão da percepção de prejuízo fiscal, acabou apurando créditos fiscais líquidos e certos (saldo negativo de IRPJ), no montante correspondente a R$34.374,95 [...] conforme se extrai da leitura da anexa Composição do Crédito Fiscal relativo ao anocalendário de 2001 (vide doc. n°06). Conforme acima mencionado, a Impugnante, para fins de quitação do IRPJ devido no anocalendário de 2002, utilizouse de parcela dos referidos créditos fiscais, decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ em 2001, no montante equivalente a R$34.374,95 [...] promovendo, assim, a compensação de parte dos aludidos de débitos de IRPJ, apurados no referido ano de 2002, mediante o lançamento realizado no seu Livro Razão Analítico, em 28.02.2003 (vide doc. n°11). Com efeito, entende a Impugnante que a compensação com tributos de mesma espécie, exatamente como ocorre no caso presente, pode ser realizada, por iniciativa do próprio contribuinte, bastando que haja sua veiculação na contabilidade, sem a necessária participação da Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] A compensação realizada pela Impugnante, no presente caso, utiliza créditos de IRPJ (decorrentes da apuração de saldo negativo no ano de 2001) com débitos de imposto de renda (mesma natureza), apurados no ano de 2002, cabendo ressaltar, por oportuno, que tal compensação foi devidamente contabilizada pela Impugnante no respectivo Livro Razão (vide doc. nº 11) . É indevido, portanto, o não reconhecimento da compensação, no valor de R$24.340,46 [...], que foi realizada contabilmente pela Impugnante, mediante a utilização de créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao ano calendário de 2001, com débitos do aludido imposto apurados em 2002. No que se refere ao item (iii) acima, a Impugnante esclarece que os demais valores de IRPJ desconsiderados pela Fiscalização, que perfazem o montante correspondente a R$5.550,52 [...], em verdade, foram quitados pela Impugnante, mediante a utilização dos créditos decorrentes da retenção do mencionado imposto na fonte, por terceiros, e, também, pela utilização de parcela dos créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao ano calendário de 2001, no montante de R$34.374,95 [...] conforme acima demonstrado. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 233 10 A própria Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece a existência de saldo positivo de IRRF (não considerado pela Impugnante para fins de quitação do IRPJ devido no ano calendário de 2002), no "Relatório de Encerramento", anexo à autuação, quando cuida da cobrança da multa isolada (item III.2 da presente impugnação), ressaltando que o montante de R$16.804,27 [...] equivale à totalidade do IRRF, objeto de retenção, que recaiu sobre os rendimentos pagos por terceiros à Impugnante. Descontando a quantia de R$13.500,00 [...] que se refere justamente à parcela considerada pela Impugnante para fins de quitação do IRPJ devido no ano calendário de 2002 verificase que tal saldo positivo de IRRF (não utilizado pela Impugnante), perfaz o montante de R$3.019,62 [...]. A diferença de imposto apurada de aproximadamente R$2.530,90 [...] jamais poderá ser cobrada da Impugnante (R$5.550,52 R$3.019,62), sem que antes a Secretaria da Receita Federal do Brasil promova a compensação de ofício dos créditos fiscais de IRPJ, detidos pela Impugnante, sejam em decorrência da manutenção de parcela remanescente de saldo negativo de IRPJ no ano de 2001 (ainda não utilizado), aproximadamente no valor de R$10.034,79 [...], sejam, também, em razão da apuração de crédito de IRRF, no valor de R$4.500,00 [...], objeto de retenção pela CBLC, que não foi utilizado pela Impugnante, até o presente momento. Até porque, cabe à Fiscalização, de ofício, ainda mais nesse caso, em que demonstrou ciência da existência de créditos fiscais a que faz jus a Impugnante, efetuar a devida compensação, de acordo com o disposto no art. 150, § 3º, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de desvirtuar a própria sistemática do lançamento. [...] Com base nas considerações acima expostas, constatase que o auto de infração aqui impugnado, relativamente ao seu Item 01, acima demonstrado, é totalmente descabido, despropositado e ilegal, na medida em que (i) os valores relativos ao IRRF, no montante de R$9.000,00 [...], foram regularmente retidos e recolhidos pela CBLC; (ii) os valores que correspondem a R$24.340,46 [...], foram integralmente compensados pela Impugnante, com os créditos líquidos e certos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2001, estando refletidos nos seus livros contábeis; (iii) os demais valores desconsiderados pela Fiscalização, no montante correspondente a R$5.550,52 [...], foram quitados pela Impugnante, mediante a utilização dos créditos decorrentes da retenção do mencionado imposto na fonte, por terceiros, e, também, pela utilização de parcela dos referidos créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, em 2001, no montante de R$34.374,95 [...], sendo certo que, em caso de apuração de alguma diferença a recolher, a Fiscalização deveria ter promovido a compensação de ofício com os que créditos disponíveis a que a Impugnante faz jus. Portando, devem os créditos tributários de IRPJ, apurados na referida autuação, ser julgados totalmente improcedentes, por essa Delegacia de Julgamento, porque a totalidade do IRPJ apurado no ano de 2002 foi quitada pela Impugnante, conforme acima evidenciado e documentado. III.2 DA INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA RELATIVAMENTE AOS MESES DE SETEMBRO E OUTUBRO DE 2002, FACE AO INTEGRAL E TEMPESTIVO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 234 11 Como já relatado, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil está exigindo da Impugnante o pagamento de multa isolada em decorrência de suposto recolhimento a menor das estimativas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativamente aos meses de setembro e outubro de 2002. Pela leitura do Item 02, do "Relatório de Encerramento" anexo ao auto de infração ora impugnado, concluise que as supostas diferenças apontadas pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, decorrem da desconsideração, por parte de tal autoridade, dos valores relativos ao IRRF retidos e recolhidos por terceiros. Ocorre que, conforme fartamente demonstrado e cabalmente comprovado, por meio do farto conjunto probatório acima produzido, os valores relativos ao IRRF, nos montantes de R$4.500,00 [...] de R$9.000,00 [...], foram regularmente retidos e recolhidos pela CBLC, nos meses de março e setembro de 2002 e os demais valores desconsiderados pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil foram efetivamente retidos na fonte, representando, sem qualquer sombra de dúvidas, um crédito a favor da Impugnante, passível de compensação com os valores devidos a título de estimativas mensais. Dessa forma restando afastada a ilegal e arbitrária glosa levada a efeito por meio da autuação ora impugnada, tornase inviável, por manifesta ausência de cabimento, a aplicação da multa isolada em questão, impondose, por via de conseqüência, seu imediato cancelamento por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento. III.3 DO ERRO COMETIDO PELA FISCALIZAÇÃO POR OCASIÃO DA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DAS MULTAS ISOLADAS APLICADAS: Conforme se verifica da simples leitura da planilha constante do item 2, do "Relatório de Encerramento" anexo ao auto de infração ora impugnado, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ignorando o disposto no parágrafo único, do artigo 229, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, deixou de considerar, para fins de apuração das bases de cálculo das multas isoladas impostas, os saldos das retenções realizadas no mesmo exercício, não utilizadas nos meses anteriores. [...] Vêse, portanto, que a Fiscalização da Receita Federal, além de glosar créditos líquidos e certos da Impugnante, desconsiderou, de forma completamente ilegal e arbitrária, os valores retidos a título de IRRF no mesmo exercício, porém não utilizados para a quitação das estimativas dos meses anteriores. Nesse contexto, ao ajustar a planilha elaborada pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fim de, por um lado, adicionar os créditos indistintamente glosados e, por outro lado, aproveitar os saldos das retenções desconsideradas, temse que: Competência Retido (DIRF) Sinal 8045 Total Retido na Fonte Saldo Acumulado (meses anteriores) Total de Retenções a Compensar Compensado Mensal (DIPJ 2003) Janeiro 157,65 1.328,49 1.486,14 0,00 1.486,14 795,05 Fevereiro 305,45 942,77 1248,22 691,09 1.939,31 0,00 Março 4.818,641 3.160,51 7.979,15 1.939,31 9.918,46 0,00 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 235 12 Abril 217,24 808,22 1.025,46 9.918,46 10.943,92 0,00 Maio 215,29 720,12 935,41 10.943,92 11.879,33 0,00 Junho 378,45 1.017,76 1.396,21 11.879,33 13.275,54 912,55 Julho 125,57 1.157,29 1.282,86 12.362,99 13.645,85 1.157,29 Agosto 254,21 1.497,70 1.751,91 12.488,56 14.240,47 1.497,70 Setembro 9.258,671 2364,83 11.623,50 12.742,77 24.366,27 11.142,79 Outubro 352,83 2.186,99 2.539,82 13.223,48 15.763,30 2.656,40 Novembro 242,26 3.017,68 3.259,94 13.106,90 16.366,84 0,00 Dezembro 13.978,01 2.306,47 16.284,48 16.366,84 32.651,32 32.651,32 Como se vê, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao ignorar as normas que regem a matéria, em manifesto desrespeito ao disposto no artigo 37, da Constituição Federal de 1988, acabou por aplicar, de uma só vez, e na melhor das hipóteses, duas penalidades em decorrência de infrações que jamais se verificaram (estimativas de setembro e outubro) e uma penalidade calculada sobre base de cálculo manifestamente majorada (estimativa de dezembro). Em vista de todo o exposto, impõese o parcial provimento da presente impugnação, para que sejam considerados, no cálculo das multas isoladas em questão, os valores retidos por terceiros a título de IRRF durante o anocalendário de 2002 e não utilizados para quitar as estimativas dos meses anteriores. III.4 DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE MULTAS ISOLADAS COM BASE NA INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS, APÓS O TÉRMINO DO RESPECTIVO ANOCALENDÁRIO: Como já informado nas presentes razões, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou o auto de infração ora impugnado, objetivando: (i) a constituição de supostos créditos tributários a título de multa isolada, que decorrem da suposta insuficiência no recolhimento das estimativas do IRPJ relativas aos meses de setembro, outubro e dezembro de 2002, bem como (ii) a cobrança do próprio tributo (IRPJ), apurado no mesmo anocalendário, acrescido dos juros de mora e da multa de lançamento de ofício de 75% [...]. Ocorre, que, como será demonstrado a seguir, findo o período de apuração do IRPJ, é manifestamente incabível a imposição de multa isolada em razão da ausência ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais [art. 2º da Lei nº 9.430, de3 27 de dezembro de 1996]. [...] Notese que o recolhimento com base nas estimativas é considerado devido até o final do período de apuração, ocasião em que, a partir do lucro real do exercício, calculase o imposto devido. Se superior ao montante recolhido com base em estimativas mensais, o contribuinte deverá recolher a diferença. Se inferior, a diferença será passível de restituição ou compensação. Vêse, portanto, que, o imposto calculado mensalmente a título de estimativa revestese de caráter eminentemente provisório, isto é, produz os regulares efeitos da obrigação tributária até a sua efetiva apuração (quantificação), ao final do respectivo anocalendário. E é justamente neste lapso temporal vencimento da estimativa mensal até a apuração do lucro real anual que faz sentido a imposição da multa isolada, originariamente cominada no artigo 44, 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, hoje revogada, e atualmente prevista na letra "b", do inciso II, do mesmo dispositivo legal. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 236 13 Após o encerramento do período de apuração, poderá a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal, apenas e tãosomente, cobrar o tributo devido e não recolhido por ocasião do ajuste, acompanhado, em sendo o caso, da multa aplicável. Nesse contexto, considerando que o presente auto de infração foi lavrado, quando já passados mais de quatro anos da entrega da declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2003 e, ainda, que, como fartamente demonstrado no item III.1, acima, não restou configurado qualquer prejuízo ao Fisco, tendo sido todo o imposto devido recolhido pela Impugnante, é manifestamente incabível a imposição da multa isolada em questão. [...] III.5 DA DESCABIDA COBRANÇA CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA SOBRE UMA ÚNICA (SUPOSTA) INFRAÇÃO: Além de todas as demais arbitrariedades já apontadas, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil está exigindo, de uma só vez, duas penalidades sobre uma única (suposta) infração, fato que configura manifesta afronta ao principio da proporcionalidade, além de inaceitável "bis in idem". Vejase: Como visto, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil (i) glosou os créditos de IRRF que teriam sido retidos na fonte pela CBLC valor de R$9.000,00 [...]; (ii) não reconheceu compensação realizada contabilmente pela Impugnante, no valor de R$24.340,46 [...], mediante a utilização de créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao ano calendário de 2001; e, ainda, (iii) desconsiderou diversos créditos de IRRF, utilizados pela Impugnante, valor de R$5.550,52 [...]. Em decorrência, está sendo exigido da Impugnante o recolhimento de suposto crédito tributário de IRPJ no valor de R$38.890,98 [...], acrescido dos juros de mora (SELIC e de multa de oficio de 75% [...] esta última totalizando o montante de R$29.168,23 [...].. Ao mesmo tempo e com relação ao mesmo fato parcela do lucro auferido pela Impugnante no anocalendário de 2002 a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil entendeu por aplicar outra penalidade, desta vez a título de multa isolada, no percentual de 50% [...] totalizando a quantia de R$18.275,88 [...]. A aplicação concomitante das duas penalidades sobre quase que a totalidade do montante do IRPJ supostamente devido e não recolhido apurado em procedimento de oficio, acaba por beirar o absurdo, na medida em que importa, em última análise, na imposição de punição mais severa que aquela cominada às faltas qualificadas pelo embaraço à fiscalização (44, § 2°, da Lei n° 9.430/96). [...] Tanto é que não se admite sequer a aplicação concomitante da multa de ofício de 75% [...] com a multa de mora de 20% [...], multa esta sensivelmente menor que a multa isolada de 50% [...]. Dessa forma, é evidente que a penalidade imposta pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos presentes autos, não se afigura proporcional à infração tida por cometida, afrontando, de forma completamente injustificável, o principio da razoabilidade, norteador de toda a atividade administrativa. Vale dizer: conforme posicionamento unânime da mais autorizada doutrina pátria, as autoridades administrativas, gênero em que se enquadram as autoridades fiscais, devem aferir qual dentre as medidas de que dispõe afigurase mais adequada, Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 237 14 econômica e proporcional ao fim a que se destina. O agente administrativo deve, ainda, verificar se a medida a ser implementada é efetivamente necessária. [...] Pois bem. Em que pese a obrigatoriedade de pautar sua conduta nos rígidos limites impostos pelo princípio em questão, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao optar pela imposição concomitante da multa de oficio de 75% [...] e da multa isolada de 50% [...], acabou impondo à Impugnante penalidade manifestamente majorada, violando, assim, gravemente o principio da proporcionalidade, em seus três aspectos: Primeiro, porque a penalidade aplicada não é adequada, na medida em que, como visto, a imposição de multa de isolada de 50% [...] só é cabível até a data do ajuste anual e, como será mais bem demonstrado adiante, a aplicação da multa de ofício de 75% [...] não é cabível nos casos de lançamento efetuados com base no confronto de informações prestadas pelo próprio contribuinte (procedimento de auditoria interna, ou de malha fiscal). Segundo, porque a penalidade aplicada não é exigível; na medida em que a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil dispunha de meio menos oneroso para alcançar o fim público almejado a aplicação de apenas uma multa , meio este que, se escolhido, causaria prejuízos sensivelmente menores à Impugnante. Terceiro, porque a penalidade aplicada não é proporcional em sentido estrito, na medida em que a vantagem pretendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil a cobrança de tributos , por mais louvável que seja, não supera as desvantagens decorrentes de tal conduta, corporificadas, sobretudo, no desrespeito de diversos direitos fundamentais da Impugnante. Ademais, como já antecipado, o procedimento utilizado pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil acaba por fazer incidir duas penalidades distintas sobre os valores apurados durante o procedimento de ofício, o que acaba por configurar um verdadeiro bis in idem, expediente vedado no ordenamento jurídico brasileiro. [...] III.6 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO) NOS CASOS DE DÉBITOS APURADOS EM PROCEDIMENTO DE AUDITORIA INTERNA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL Como se verifica da análise do "Relatório de Encerramento" anexo ao auto de infração ora impugnado, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatou que a Impugnante declarou regular e corretamente, em sua DIPJ relativa ao exercício de 2003, os créditos tributários de IRPJ ora exigidos. Ou seja: a Impugnante, independentemente de qualquer ação das autoridades fiscais competentes, verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinou a matéria tributável e, por fim, calculou e informou em sua DIPJ o montante do Imposto sobre a Renda que está sendo exigido. Segundo informações constantes do referido "Relatório de Encerramento" , o lançamento em questão decorre de suposta "inconsistência entre as valores declarados como estimativas mensais do IRPJ [...], anocalendário 2002 e os valores efetivamente recolhidos" . Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 238 15 Como se vê, o auto de infração ora impugnado decorre do cruzamento efetuado pelo sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações prestadas pela Impugnante em suas declarações. Isto é, teve como ponto de partida um procedimento de "auditoria interna". Em tais hipóteses, inaplicável a imposição de multa de oficio de 75% [...], na medida em que a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil dispõe de todos os elementos para efetuar a cobrança dos créditos tributários em questão, os quais, sem exceção, são devidamente apurados e informados pelo contribuinte por meio de suas declarações. Nesse contexto, no presente caso, não restou a cargo da Fiscalização da Receita Federal do Brasil a apuração de quaisquer elementos da obrigação tributária principal, cabendo ressaltar, uma vez mais, que as imposições fiscais ora combatidas tiveram origem a partir de simples procedimento de auditoria interna da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Com base nas considerações acima expostas, a Impugnante requer seja julgado totalmente improcedente o lançamento de IRRF efetuado na autuação, a título de principal, multa de oficio e juros de mora, e, também, de multa isolada, bem como sejam canceladas as exigências fiscais dele decorrentes, ante a sua manifesta ilegalidade e arbitrariedade. Requer, sucessivamente, que o percentual da multa de oficio de 75% [...] seja reduzido para 20% [...], nos termos da fundamentação contida no item III.6, acima. Por fim, a Impugnante protesta, desde já, pela posterior juntada de outros documentos fiscais e contábeis, além daqueles anexados à presente impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1224.741, de 26.06.2009, fls. 164174: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÕES. É da interessada o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito utilizado para fins de quitar estimativas informadas em DIPJ. Não efetuada a comprovação, cabível o recálculo do imposto anual e a cobrança das diferenças acrescidas de multa de oficio. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. Conforme IN SRF 93/97, constatado pagamento a menor de estimativas após o fim do período base, impõese o lançamento da multa isolada e da multa de oficio incidente sobre o IR anual que tenha deixado de ser recolhido. Lançamento Procedente Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 239 16 Notificada em 27.07.2009, fl. 177, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.08.2009, fls. 178220, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que apresenta a peça de defesa tempestivamente arguindo que: III DO MÉRITO [...] III.1 Os VALORES RELATIVOS AO IRPJ, APURADOS NO ANO CALENDÁRIO DE 2002, FORAM INTEGRALMENTE PAGOS PELO RECORRENTE: [...] De acordo com o disposto no artigo 9°, § 3°, inciso I, da Lei n° 9.249, de 26.12.1995, [...] o IRRF será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos, caso a beneficiária seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real. No caso presente, o Recorrente não apurou imposto devido na referida declaração de rendimentos, muito pelo contrário, de maneira que a totalidade do IRRF retido e recolhido ao longo do ano calendário, em hipótese alguma, poderia servir de antecipação de algo que devido não é. Nesse contexto, a partir do momento em que restar comprovada a apuração de prejuízo fiscal pelo Recorrente no ano calendário de 2001, o imposto em comento, objeto de retenção e recolhimento, deverá ser integralmente devolvido ao Recorrente, seja na modalidade de restituição ou compensação, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. [...] No presente caso, vêse que o Recorrente, ao longo do anocalendário de 2001, percebeu inúmeros rendimentos, a título de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), totalizando o montante de R$66.898,72, que deram ensejo à retenção e ao recolhimento do IRRF, no valor de R$10.034,79, conforme comprovado pelas Fichas do Livro Razão e dos documentos a elas relacionados [...]. O Recorrente recebeu, ainda, diversos rendimentos, por conta da prestação de serviços de corretagem, totalizando a quantia equivalente a R$1.622.698,31, que ensejaram a incidência na fonte do IRRF, no valor de R$24.340,46, conforme podem fazer prova os documentos fiscais (DIRF e Informe de Rendimentos) e a planilha contábil [...]. Nesse contexto, considerando que o Recorrente amargou prejuízo fiscal no ano de 2001, e tendo em vista que os valores pagos, a título de IRRF, ao longo do referido anocalendário, não podem servir de antecipação de imposto que devido não é, temse que o Recorrente, na verdade, acabou por apurar crédito fiscal (saldo negativo de IRPJ), no montante correspondente a R$34.374,95, conforme se extrai da leitura da anexa Composição do Crédito Fiscal ao anocalendário de 2001 [...]. A despeito de o Recorrente ter informado na DIPJ de 2002 que apurou saldo negativo de IRPJ, no valor de R$10.034,79, em verdade, pela leitura dos documentos ora apresentados, constatase que tal saldo negativo representa a quantia de R$34.374,95. No mais, ainda que se considere que a ora Recorrente tenha cometido algum equívoco por ocasião do preenchimento da DIPJ de 2002, relativa ao ano de 2001, o que só se admite para fins de argumentação tal hipótese não poderia, de maneira Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 240 17 nenhuma, servir de fundamento ao nãoreconhecimento dos créditos líquidos e certos a que o Recorrente faz jus. Isto porque, é indubitável que o cometimento de erro no preenchimento de declarações e formulários, de cunho fiscal, não legitima a ocorrência de fato gerador da obrigação tributária, nem tampouco poderia servir de fundamento ao não reconhecimento do direito de créditos manifestamente líquidos e certos. [...] Como se vê, é manifestamente líquido e certo o crédito fiscal a que o Recorrente faz jus em decorrência da apuração de saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2001, no montante correspondente a R$34.374,95. Por outro lado, o Recorrente, por ocasião do encerramento do anocalendário de 2002, auferiu lucro real (base de cálculo positiva de IRPJ), o que gerou a apuração de imposto de renda devido no montante correspondente a R$336.246,15 conforme informado na Ficha 12B da DIPJ de 2003 (relativa ao anocalendário de 2002), [...]. Referido saldo de imposto de renda devido no anocalendário de 2002 foi integralmente quitado pelo Recorrente da seguinte forma: (i) mediante o recolhimento das estimativas mensais, no valor total equivalente a R$260.04123, conforme podem fazer prova os 11 (onze) Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF’s), [...]; (ii) mediante a retenção e o recolhimento do IRRF pelo próprio Recorrente, que recaiu sobre os rendimentos percebidos na qualidade de prestadora de serviços de corretagem de valores mobiliários (autoretenção), no valor total equivalente a R$20.573,18, conforme podem fazer prova os 55 (cinqüenta e cinco) Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF’s), [...]; (iii) mediante a retenção e o recolhimento do IRRF pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), que recaiu sobre os rendimentos percebidos pelo Recorrente, a título de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), no valor total de R$22.500,00, que corresponde ao somatório das parcelas retidas nos meses de setembro e dezembro de 2002, nos valores de R$9.000,00 e R$13.500,00, respectivamente, conforme podem fazer prova os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitidos pela entidade em comento, [...]; (iv) mediante a compensação contábil de parcela do crédito fiscal, decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao anocalendário de 2001, acima evidenciado, no montante correspondente a R$34.374,95 que está refletida nas páginas do Razão Analítico do Recorrente, [...]; e (v) mediante a utilização de diversas parcelas do IRRF que foram retidas na fonte ao longo do ano calendário de 2002, por terceiros, o que foi reconhecido pela própria Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Entretanto, a despeito de o IRPJ, devido no anocalendário de 2002, haver sido integralmente quitado pelo Recorrente, [...], a Fiscalização da Receita Federal do Brasil (i) glosou os créditos de IRRF que teriam sido retidos na fonte pela CBLC, no valor de R$9.000,00; (ii) não reconheceu compensação realizada contabilmente pelo Recorrente, no valor de R$24.340,46, mediante a utilização de créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao ano calendário Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 241 18 de 2001, e, ainda, (iii) desconsiderou diversos créditos de IRRF, objeto de retenção na fonte ao longo do referido ano calendário, no valor de R$5.550,52 [...]. Com relação ao item (i) acima, o Recorrente informa que no curso do ano calendário de 2002, percebeu rendimentos, a título de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), que foram pagos pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), nos meses de março, setembro e dezembro, nos valores de R$30.000,00, R$60.000,00 e de R$90.000,00, respectivamente, conforme podem fazer prova os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitidos pela entidade em comento [...]. De se notar que tais quantias foram devidamente contabilizadas pelo Recorrente como receitas decorrentes do recebimento de JCP, o que pode ser demonstrado pela simples leitura do Razão Analítico, [...], e, também, pelas Atas de Assembléia da CBLC autorizando o pagamento do referido JCP ao Recorrente [...]. Como não poderia deixar de ser, por ocasião do pagamento do JCP em comento, a CBLC efetuou a retenção na fonte e o recolhimento do IRRF que recaiu sobre tais rendimentos, perfazendo os montantes equivalentes a R$4.500,00, R$9.000,00 e R$ 13.500,00, respectivamente [...], sendo certo que o IRRF em comento foi devidamente contabilizado pelo Recorrente no Livro Razão Analítico [...]. Notese que, além dos rendimentos acima mencionados (R$60.000,00 e R$90.000,00), o Recorrente percebeu rendimentos, advindos também da CBLC, a título de JCP, no mês de março de 2002, no montante de R$30.000,00, que ensejou a retenção e o recolhimento do IRRF, no valor de R$4.500,00, sendo certo que tal crédito não foi considerado pelo Recorrente para fins de quitação do IRPJ devido no ano de 2002. [...] Nesse contexto, considerando que é perfeitamente legítimo o aproveitamento pelo Recorrente do IRRF, objeto de retenção pela CBLC, no valor de R$9.000,00, e, ainda, que o Recorrente possui saldo de crédito de IRRF, no valor de R$4.500,00, concluise que a glosa efetuada pela Fiscalização e confirmada pela Delegacia de Julgamento é totalmente descabida e ilegal, impondose a reforma da decisão de primeira instância administrativa por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Com relação ao item (ii) acima, entende o Recorrente que o não reconhecimento da compensação, no valor de R$24.340,46, que foi realizada contabilmente pelo Recorrente, mediante a utilização de créditos líquidos e certos, decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao ano calendário de 2001, é totalmente descabido, arbitrário e ilegal. Como visto acima, o Recorrente, por ocasião do encerramento do ano calendário de 2001, em razão da percepção de prejuízo fiscal, acabou apurando créditos fiscais líquidos e certos (saldo negativo de IRPJ), no montante correspondente a R$34.374,95 conforme se extrai da leitura da anexa Composição do Crédito Fiscal relativo ao anocalendário de 2001 [...]. Conforme acima mencionado, o Recorrente, para fins de quitação do IRPJ devido no anocalendário de 2002, utilizouse de parcela dos referidos créditos fiscais, decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ em 2001, no montante equivalente a R$34.374,95 promovendo, assim, a compensação de parte dos aludidos de débitos de IRPJ, apurados no referido ano de 2002, mediante o lançamento realizado no seu Livro Razão Analítico, em 28.02.2003. [...] Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 242 19 Com efeito, entende o Recorrente que a compensação com tributos de mesma espécie, exatamente como ocorre no caso presente, pode ser realizada, por iniciativa do próprio contribuinte, bastando que haja sua veiculação na contabilidade, sem a necessária participação da Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] A compensação realizada pelo Recorrente, no presente caso, utiliza créditos de IRPJ (decorrentes da apuração de saldo negativo no ano de 2001) com débitos de imposto de renda (mesma natureza), apurados no ano de 2002, cabendo ressaltar, por oportuno, que tal compensação foi devidamente contabilizada pelo Recorrente no respectivo Livro Razão [...]. É indevido, portanto, o não reconhecimento da compensação, no valor de R$24.340,46, que foi realizada contabilmente pelo Recorrente, mediante a utilização de créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao ano calendário de 2001, com débitos do aludido imposto apurados em 2002. No que se refere ao Item (iii) acima, o Recorrente esclarece que, ao contrário do que foi afirmado por meio do acórdão recorrido, este tópico foi devidamente impugnado, não havendo como prosperar o entendimento da Delegacia de Julgamento de que "a interessada não apresentou razões de defesa específicas para o item da autuação em análise". O Recorrente pede vênia para transcrever o correspondente trecho da impugnação [...] Nesse contexto, o Recorrente vem requerer a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que reconheça que o item (iii) acima foi devidamente impugnado, bem como reiterar suas alegações no sentido de que os demais valores de IRPJ desconsiderados pela Fiscalização, que perfazem o montante correspondente a R$5.550,00 em verdade, foram quitados pelo Recorrente, mediante a utilização dos créditos decorrentes da retenção do mencionado imposto na fonte, por terceiros, e, também, pela utilização de parcela dos créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao anocalendário de 2001, no montante de R$34.374,95. Com base nas considerações acima expostas, constatase que o auto de infração aqui impugnado, relativamente ao seu Item 01, acima demonstrado, é totalmente descabido, despropositado e ilegal, na medida em que (i) os valores relativos ao IRRF, no montante de R$9.000,00, foram regularmente retidos e recolhidos pela CBLC; (ii) os valores que correspondem a R$24.340,46, foram integralmente compensados pelo Recorrente, com os créditos líquidos e certos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2001, estando refletidos nos seus livros contábeis; (iii) os demais valores desconsiderados pela Fiscalização, no montante correspondente a R$5.550,52, foram quitados pelo Recorrente, mediante a utilização dos créditos decorrentes da retenção do mencionado imposto na fonte, por terceiros, e, também, pela utilização de parcela dos referidos créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, em 2001, no montante de R$34.374,95, sendo certo que, em caso de apuração de alguma diferença a recolher, a Fiscalização deveria ter promovido a compensação de ofício com os que créditos disponíveis a que o Recorrente faz jus. Portando, devem os créditos tributários de IRPJ, apurados na referida autuação, ser julgados totalmente improcedentes, por essa Delegacia de Julgamento, porque a totalidade do IRPJ apurado no ano de 2002 foi quitada pelo Recorrente, conforme acima evidenciado e documentado. III.2 DA INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA RELATIVAMENTE AOS MESES DE SETEMBRO E OUTUBRO DE 2002, Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 243 20 FACE AO INTEGRAL E TEMPESTIVO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS: Como já relatado, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil está exigindo do Recorrente o pagamento de multa isolada em decorrência de suposto recolhimento a menor das estimativas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativamente aos meses de setembro e outubro de 2002. Pela leitura do Item 02, do "Relatório de Encerramento" anexo ao auto de infração ora impugnado, concluise que as supostas diferenças apontadas pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, decorrem da desconsideração, por parte de tal autoridade, dos valores relativos ao IRRF retidos e recolhidos por terceiros. Ocorre que, conforme fartamente demonstrado e cabalmente comprovado, por meio do farto conjunto probatório acima produzido, os valores relativos ao IRRF, nos montantes de R$4.500,00 de R$9.000,00, foram regularmente retidos e recolhidos pela CBLC, nos meses de março e setembro de 2002 e os demais valores desconsiderados pela Fiscalização foram efetivamente retidos na fonte, representando, sem qualquer sombra de dúvidas, créditos a favor do Recorrente, passíveis de compensação com os valores devidos a título de estimativas mensais. Dessa forma restando afastada a ilegal e arbitrária glosa levada a efeito por meio da autuação ora impugnada, tornase inviável, por manifesta ausência de cabimento, a aplicação da multa isolada em questão, impondose, por via de conseqüência, a reforma da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. III.3 DO ERRO COMETIDO PELA FISCALIZAÇÃO POR OCASIÃO DA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DAS MULTAS ISOLADAS APLICADAS: Conforme se verifica da simples leitura da planilha constante do item 2, do "Relatório de Encerramento" anexo ao auto de infração ora impugnado, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ignorando o disposto no parágrafo único, do artigo 229, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, deixou de considerar, para fins de apuração das bases de cálculo das multas isoladas impostas, os saldos das retenções realizadas no mesmo exercício, não utilizadas nos meses anteriores. [...] Vêse, portanto, que a Fiscalização, além de glosar créditos do Recorrente, desconsiderou os valores retidos a título de IRRF no mesmo exercício, porém não utilizados para a quitação das estimativas dos meses anteriores. Nesse contexto, ao ajustar a planilha elaborada pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fim de, por um lado, adicionar os créditos indistintamente glosados e, por outro lado, aproveitar os saldos das retenções desconsideradas, temse que: Competência Retido (DIRF) Sinal 8045 Total Retido na Fonte Saldo Acumulado (meses anteriores) Total de Retenções a Compensar Compensado Mensal (DIPJ 2003) Janeiro 157,65 1.328,49 1.486,14 0,00 1.486,14 795,05 Fevereiro 305,45 942,77 1248,22 691,09 1.939,31 0,00 Março 4.818,641 3.160,51 7.979,15 1.939,31 9.918,46 0,00 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 244 21 Abril 217,24 808,22 1.025,46 9.918,46 10.943,92 0,00 Maio 215,29 720,12 935,41 10.943,92 11.879,33 0,00 Junho 378,45 1.017,76 1.396,21 11.879,33 13.275,54 912,55 Julho 125,57 1.157,29 1.282,86 12.362,99 13.645,85 1.157,29 Agosto 254,21 1.497,70 1.751,91 12.488,56 14.240,47 1.497,70 Setembro 9.258,671 2364,83 11.623,50 12.742,77 24.366,27 11.142,79 Outubro 352,83 2.186,99 2.539,82 13.223,48 15.763,30 2.656,40 Novembro 242,26 3.017,68 3.259,94 13.106,90 16.366,84 0,00 Dezembro 13.978,01 2.306,47 16.284,48 16.366,84 32.651,32 32.651,32 Como se vê, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao ignorar as normas que regem a matéria, em manifesto desrespeito ao disposto no artigo 37, da Constituição Federal de 1988, acabou por aplicar, de uma só vez, e na melhor das hipóteses, duas penalidades em decorrência de infrações que jamais se verificaram (estimativas de setembro e outubro) e uma penalidade calculada sobre base de cálculo manifestamente majorada (estimativa de dezembro). Em vista de todo o exposto, impõese o parcial provimento da presente impugnação, para que sejam considerados, no cálculo das multas isoladas em questão, os valores retidos por terceiros a título de IRRF durante o anocalendário de 2002 e não utilizados para quitar as estimativas dos meses anteriores. III.4 DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE MULTAS ISOLADAS COM BASE NA INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS, APÓS O TÉRMINO DO RESPECTIVO ANOCALENDÁRIO: Como já informado nas presentes razões, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou o auto de infração ora impugnado, objetivando: (i) a constituição de supostos créditos tributários a título de multa isolada, que decorrem da suposta insuficiência no recolhimento das estimativas do IRPJ relativas aos meses de setembro, outubro e dezembro de 2002, bem como (ii) a cobrança do próprio tributo (IRPJ), apurado no mesmo anocalendário, acrescido dos juros de mora e da multa de lançamento de ofício de 75% [...]. Ocorre, que, como será demonstrado a seguir, findo o período de apuração do IRPJ, é manifestamente incabível a imposição de multa isolada em razão da ausência ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais [art. 2º da Lei nº 9.430, de3 27 de dezembro de 1996]. [...] Notese que o recolhimento com base nas estimativas é considerado devido até o final do período de apuração, ocasião em que, a partir do lucro real do exercício, calculase o imposto devido. Se superior ao montante recolhido com base em estimativas mensais, o contribuinte deverá recolher a diferença. Se inferior, a diferença será passível de restituição ou compensação. Vêse, portanto, que, o imposto calculado mensalmente a título de estimativa revestese de caráter eminentemente provisório, isto é, produz os regulares efeitos da obrigação tributária até a sua efetiva apuração (quantificação), ao final do respectivo anocalendário. E é justamente neste lapso temporal vencimento da estimativa mensal até a apuração do lucro real anual que faz sentido a imposição da multa isolada, originariamente cominada no artigo 44, 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, hoje revogada, e atualmente prevista na letra "b", do inciso II, do mesmo dispositivo legal. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 245 22 Após o encerramento do período de apuração, poderá a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal, apenas e tãosomente, cobrar o tributo devido e não recolhido por ocasião do ajuste, acompanhado, em sendo o caso, da multa aplicável. Nesse contexto, considerando que o presente auto de infração foi lavrado, quando já passados mais de quatro anos da entrega da declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2003 e, ainda, que, como fartamente demonstrado no item III.1, acima, não restou configurado qualquer prejuízo ao Fisco, tendo sido todo o imposto devido recolhido pelo Recorrente, é manifestamente incabível a imposição da multa isolada em questão. [...] III.5 DA DESCABIDA COBRANÇA CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA SOBRE UMA ÚNICA (SUPOSTA) INFRAÇÃO: Além de todas as demais arbitrariedades já apontadas, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil está exigindo, de uma só vez, duas penalidades sobre uma única (suposta) infração [...]. Ora, não obstante a previsão contida na mencionada instrução normativa, é evidente que tal exigência configura manifesta afronta ao principio da proporcionalidade, além de inaceitável "bis in idem". Vejase: Como visto, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil (i) glosou os créditos de IRRF que teriam sido retidos na fonte pela CBLC valor de R$9.000,00; (ii) não reconheceu compensação realizada contabilmente pelo Recorrente, no valor de R$24.340,46, mediante a utilização de créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, relativamente ao ano calendário de 2001; e, ainda, (iii) desconsiderou diversos créditos de IRRF, utilizados pelo Recorrente, valor de R$5.550,52. Em decorrência, está sendo exigido do Recorrente o recolhimento de suposto crédito tributário de IRPJ no valor de R$38.890,98, acrescido dos juros de mora (SELIC e de multa de oficio de 75% [...] esta última totalizando o montante de R$29.168,23. Ao mesmo tempo e com relação ao mesmo fato parcela do lucro auferido pelo Recorrente no anocalendário de 2002 a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil entendeu por aplicar outra penalidade, desta vez a título de multa isolada, no percentual de 50% [...] totalizando a quantia de R$18.275,88. A aplicação concomitante das duas penalidades sobre quase que a totalidade do montante do IRPJ supostamente devido e não recolhido apurado em procedimento de oficio, acaba por beirar o absurdo, na medida em que importa, em última análise, na imposição de punição mais severa que aquela cominada às faltas qualificadas pelo embaraço à fiscalização (44, § 2°, da Lei n° 9.430/96). [...] Tanto é que não se admite sequer a aplicação concomitante da multa de ofício de 75% [...] com a multa de mora de 20% [...], multa esta sensivelmente menor que a multa isolada de 50% [...]. Dessa forma, é evidente que a penalidade imposta pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos presentes autos, não se afigura proporcional à infração tida por cometida, afrontando, de forma completamente injustificável, o principio da razoabilidade, norteador de toda a atividade administrativa. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 246 23 Vale dizer: conforme posicionamento unânime da mais autorizada doutrina pátria, as autoridades administrativas, gênero em que se enquadram as autoridades fiscais, devem aferir qual dentre as medidas de que dispõe afigurase mais adequada, econômica e proporcional ao fim a que se destina. O agente administrativo deve, ainda, verificar se a medida a ser implementada é efetivamente necessária. [...] Pois bem. Em que pese a obrigatoriedade de pautar sua conduta nos rígidos limites impostos pelo princípio em questão, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao optar pela imposição concomitante da multa de oficio de 75% [...] e da multa isolada de 50% [...], acabou impondo ao Recorrente penalidade manifestamente majorada, violando, assim, gravemente o principio da proporcionalidade, em seus três aspectos: Primeiro, porque a penalidade aplicada não é adequada, na medida em que, como visto, a imposição de multa de isolada de 50% [...] só é cabível até a data do ajuste anual e, como será mais bem demonstrado adiante, a aplicação da multa de ofício de 75% [...] não é cabível nos casos de lançamento efetuados com base no confronto de informações prestadas pelo próprio contribuinte (procedimento de auditoria interna, ou de malha fiscal). Segundo, porque a penalidade aplicada não é exigível; na medida em que a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil dispunha de meio menos oneroso para alcançar o fim público almejado a aplicação de apenas uma multa , meio este que, se escolhido, causaria prejuízos sensivelmente menores ao Recorrente. Terceiro, porque a penalidade aplicada não é proporcional em sentido estrito, na medida em que a vantagem pretendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil a cobrança de tributos , por mais louvável que seja, não supera as desvantagens decorrentes de tal conduta, corporificadas, sobretudo, no desrespeito de diversos direitos fundamentais do Recorrente.[...] III.6 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% NOS CASOS DE DÉBITOS APURADOS EM PROCEDIMENTO DE AUDITORIA INTERNA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL Como se verifica da análise do "Relatório de Encerramento" anexo ao auto de infração ora impugnado, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatou que o Recorrente declarou regular e corretamente, em sua DIPJ relativa ao exercício de 2003, os créditos tributários de IRPJ ora exigidos. Ou seja: o Recorrente, independentemente de qualquer ação das autoridades fiscais competentes, verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinou a matéria tributável e, por fim, calculou e informou em sua DIPJ o montante do Imposto sobre a Renda que está sendo exigido. Segundo informações constantes do referido "Relatório de Encerramento" , o lançamento em questão decorre de suposta "inconsistência entre as valores declarados como estimativas mensais do IRPJ [...], anocalendário 2002 e os valores efetivamente recolhidos". Como se vê, o auto de infração ora impugnado decorre do cruzamento efetuado pelo sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações prestadas pelo Recorrente em suas declarações. Isto é, teve como ponto de partida um procedimento de "auditoria interna". Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 247 24 Em tais hipóteses, inaplicável a imposição de multa de oficio de 75%, na medida em que a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil dispõe de todos os elementos para efetuar a cobrança dos créditos tributários em questão, os quais, sem exceção, são devidamente apurados e informados pelo contribuinte por meio de suas declarações. Nesse contexto, no presente caso, não restou a cargo da Fiscalização da Receita Federal do Brasil a apuração de quaisquer elementos da obrigação tributária principal, cabendo ressaltar, uma vez mais, que as imposições fiscais ora combatidas tiveram origem a partir de simples procedimento de auditoria interna da Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, o Recorrente vem requerer a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente reforma do acórdão recorrido, de modo que sejam julgados totalmente improcedentes os lançamentos efetuados na autuação, a título de principal, multas e juros de mora, bem como sejam canceladas as exigências fiscais deles decorrentes. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 248 25 indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridades Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 8186 e o Acórdão da 2ª 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 249 26 TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1224.741, de 26.06.2009, fls. 164174, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente discorda do lançamento de IRPJ por falta de pagamento no ajuste anual relativo ao anocalendário de 2002 no valor total de R$38.890,98 decorrente do somatório (a) de imposto de renda retido na fonte pela CBLC no valor de R$9.000,00, (b) da compensação do valor de R$24.340,16 com o saldo negativo do anocalendário de 2001 e (c) de imposto de renda retido na fonte no valor de R$5.550,52. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O lucro real, trimestral ou anual, é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 250 27 É legítimo o lançamento por insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados. Caracterizada a falta de pagamento integral do IRPJ, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente6. Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referentes aos códigos de arrecadação nºs 5706 juros sobre capital próprio (art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995); e 8045 comissões e corretagens pagas à pessoa jurídica (art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 6º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente informou na DIPJ do anocalendário de 2002, fls. 154158 do Anexo I – Volume 1, os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Valores informados na DIPJ no anocalendário de 2002 Meses (A) IRPJ Devido no Mês Estimativa R$ (B) IRPJ Devido em Meses Anteriores Estimativa R$ (C) Dedução Incentivo Fiscal R$ (D) Dedução IRRF R$ (E) IRPJ a Pagar R$ (F) Janeiro 25.613,45 795,05 24.818,40 Fevereiro 768,62 768,62 25.613,45 (24.844,83) Março 0,00 25.613,45 0,00 0,00 (25.613,45) Abril 0,00 25.613,45 0,00 0,00 (25.613,45) Maio 38.124,67 25.613,45 0,00 0,00 12.511,22 Junho 44.925,28 1.126,21 912,55 42.886,52 Julho 55.053,95 1.369,29 1.157,29 52.527,37 Agosto 30.858,77 788,61 1.497,70 28.572,46 Setembro 84.526,52 2.075,18 11.142,79 71.308,55 Outubro 5.522,57 180,54 2.656,40 2.685,63 Novembro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dezembro 345.104,66 253.471,93 8.858,51 25.131,70 57.642,52 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 251 28 Descrição Valor – R$ IRPJ Devido 345.104,66 () Programa de Alimentação do Trabalhador 8.858,51 () IRPJ Pago por Estimativa 336.246,15 (=) IRPJ a Pagar 0,00 No que se refere ao imposto de renda retido na fonte a título de juros sobre capital próprio pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) no valor de R$9.000,00, temse que consta no Relatório de Encerramento, fls. 5058: 2. Valor de R$9.000,00: Apresentou um Informe de Rendimentos supostamente emitido pela Companhia Brasileira de Liquidação, com o valor retido de R$9.000,00. (item 6 do razão contábil) Não foi encontrada DIRF neste valor. O que ocorre é que no anocalendário de 2002, a Cia. Brasileira de Liquidação efetuou duas retenções, tendo como beneficiário a Bes Securides. Uma no valor de R$4.500,00 e outra no valor de R$9.000,00, perfazendo um total de R$13.500,00, e não uma retenção de R$9.000,00 e outra de R$13.500,00, como quis nos fazer compreender o contribuinte. Logo esta retenção já está incluída no valor de R$13.500,00, que será analisada no próximo item. 3. Valor de R$13.500,00: Apresentou um informe de Rendimentos supostamente emitido pela Companhia Brasileira de Liquidação, com o valor retido de R$13.500,00. (item 7, do razão contábil). Já explicado no item anterior. Na DIPJ do anocalendário de 2002 a Recorrente ofereceu à tributação a receita de juros sobre capital próprio no montante de R$193.012,35 (linha 38 da Ficha 06B – Demonstração do Resultado, fl. 132 do Anexo I, Volume 1). Para exame da questão é essencial ter em conta que na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do IRRF, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 80. A Recorrente apresenta os Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte da fonte pagadora Cia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) com os rendimentos de R$30.000,00, de R$60.000,00 e de R$90.000,00 correspondentes aos impostos de renda retidos na fonte (código 5706) nos valores de R$4.500,00, de R$9.000,00 e de R$13.500,00 respectivamente nos meses de março, setembro e dezembro do anocalendário de 2002 (fl. 137 do Anexo I, Volume 2). Na DIRF apresentada pela fonte pagadora a RFB, fls. 63, está registrado o rendimento no valor de R$90.000,00 correspondente ao imposto de renda retido na fonte no valor de R$13.500,00 no mês de dezembro do anocalendário de 2002 (fls. 138 e 142 do Anexo I, Volume 2). No Livro Razão Analítico estão escrituradas as compensações de IRRF nos valores de R$9.000,00 e de R$13.500,00. Em setembro e dezembro do anocalendário de 2002 há os rendimentos R$60.000,00 e de R$90.000,00 (fls. 143145 do Anexo I, Volume 2). Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 252 29 Nas Circulares Externas expedidas pela fonte pagadora Cia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) dão conta de que em março, setembro e dezembro do ano calendário de 2002 foram efetuados pagamentos de juros sobre o capital próprio aos acionistas (fls. 147151 do Anexo I, Volume 2). Examinando detidamente o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica do anocalendário de 2002 apresentado pela fonte pagadora Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) referente a filial da Recorrente, CNPJ 53.894.445/000464, verificase que ficou comprovada a clareza do conjunto probatório apresentado pela Recorrente para fins de considerar como correto o IRRF a título de juros sobre capital próprio no valor de R$9.000,00 (fl. 136 do Anexo I, Volume 2) e que houve o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Esse valor não foi considerado no decorrer da ação fiscal, pois somente foram avaliados os valores pelo ângulo da matriz da Recorrente, CNPJ 53.894.445/000111 (fl. 137 do Anexo I, Volume 2). Por essa razão o valor de IRRF a título de juros sobre capital próprio no valor de R$9.000,00 deve ser deduzido do valor do IRPJ apurado de ofício. Atinente à alegação constante no recurso voluntário de que “(iii) mediante a retenção e o recolhimento do IRRF pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), que recaiu sobre os rendimentos percebidos pelo Recorrente, a título de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), no valor total de R$22.500,00, que corresponde ao somatório das parcelas retidas nos meses de setembro e dezembro de 2002, nos valores de R$9.000,00 e R$13.500,00, respectivamente, conforme podem fazer prova os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitidos pela entidade em comento” tem se que está registrado no Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 24.741, de 26.06.2009, fls. 164174: Intimada (fls 02) a justificar a diferença entre os valores das estimativas informadas em sua DIPJ e os recolhimentos efetivamente realizados, conforme registros eletrônicos da SRFB, a interessada respondeu, às fls 07, que a referida diferença corresponderia a compensações sem processo realizadas mediante registro contábil à conta 4.9.4.10.00.0000015 — Imposto de Renda (fls 10) e utilização de crédito oriundo de saldo negativo do ano de 2001. Constatando que os registros da interessada faziam menção a créditos oriundos de IRRF e não de saldo negativo, conforme anteriormente informado, a mesma foi mais uma vez intimada, às fls 26, a apresentar os comprovantes do IRRF que, conforme cópia do Razão às fls 10, teriam sido utilizados para compensar as estimativas do ano de 2002 . Em resposta a tal intimação foi apresentada a carta de fls 28/29, acompanhada dos documentos de fls 30 a 37. Por não acatar, na íntegra, os referidos documentos para fins de ratificar a liquidez e certeza dos créditos alegados, a autoridade lançadora glosou as compensações referentes às seguintes estimativas : a) R$24.340,16, parte integrante do valor de R$44.551,23 — (item 05 do razão de fls 10); b) R$9.000,00, (item 06 do razão de fls 10) Ressalto, por relevante, que as estimativas acima relacionadas, cujas compensações foram não acatadas, somam R$33.340,16 e que a autoridade Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 253 30 lançadora considerou glosado, no auto de infração, a quantia de apenas R$32.910,44. Como o equivoco é benéfico à interessada, passo a análise dos valores glosados nos termos seguintes. [...] Nos termos da descrição de fatos apresentada, o IRRF no valor de R$9.000,00 corresponderia a retenção sobre rendimentos a título de juros sobre capital próprio recebidos da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. Afirma a autoridade autuante que o valor em questão, utilizado para compensar estimativas de igual montante, seria parte integrante de outro crédito, já esgotado, no valor total de R$13.500,00, também referente a IRRF incidente sobre juros recebidos da mesma fonte pagadora. De fato, os arquivos eletrônicos da SRFB registram que a interessada teria sofrido apenas duas retenções de juros recebidos da Cia Brasileira de Liquidação e Custódia: uma de R$ 4.500,00, outra de R$9.000,00, totalizando R$13.500,00. Segundo tal informação, conforme relato da autoridade autuante, o valor de R$9.000,00 integraria crédito maior já utilizado. Em defesa do argumento de que haveria um IRRF de R$9000,00, além das retenções que totalizam R$13.500,00, a interessada apresentou os comprovantes de rendimentos de fls 32/33 e fls. 335/336. Constato, porém, que os comprovantes de rendimentos de fls 32/33 não contêm informações integralmente coincidentes com os de fls. 335/336 fato este que, por si só, enfraquece a prova da qual a interessada pretende beneficiarse. Constato, ainda, que apesar de informada de que a DIRF entregue pela Cia Brasileira de Liquidação e Custódia continha divergências, se comparada aos comprovantes de rendimentos que entendia corretos, a interessada não apresentou quaisquer documentos que demonstrassem , individualizadamente, os créditos correspondentes aos rendimentos sobre os quais teria incidido o IRRF que é o cerne da lide. À vista de tal configuração de fatos, prevalecem, no processo de contraposição de provas, as informações extraídas dos arquivos eletrônicos da SRFB, alimentados por Dirf's entregues pela Cia Brasileira de Liquidação e Custódia, segundo as quais esta última teria retido da interessada, no ano de 2002, o total de R$13.500,00 a título de juros sobre capital próprio. Ratifico, portanto, a glosa da compensação no valor de R$9.000,00. Relativamente à motivação da decisão, o Supremo Tribunal Federal como “guardião da constituição” em seu sítio institucional indica jurisprudência como parâmetro de interpretação dos dispositivos da Carta Magna no ícone “A Constituição e O Supremo”7. Sobre o inciso IX do art. 93 da CF tem cabimento colacionar os seguintes entendimentos: “Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, ‘a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente’ (AI 650.375AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e ‘o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões 7 Disponível em:<http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 02 dez.2014. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 254 31 de seu convencimento’ (AI 690.504AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).” (AI 747.611AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 13102009,Primeira Turma, DJE de 13112009.) No mesmo sentido:AI 811.144AgR, Rel. Min. Rosa Weber, julgamento em 2822012, Primeira Turma, DJE de 1532012; AI 791.149ED, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 1782010, Primeira Turma, DJE de 2492010; AI 791.441AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 38 2010, Segunda Turma, DJE de 2082010; AI 701.567AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 1º62010, Primeira Turma, DJE de 2782010. [...] Não viola o art. 93, IX, da CF o acórdão que adota os fundamentos da sentença de primeiro grau como razão de decidir.” (HC 98.814, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 23 62009,Segunda Turma, DJE de 492009.)No mesmo sentido:HC 94.384, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 23 2010, Primeira Turma, DJE de 2632010.Vide:AI 789.441AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 9112010, Primeira Turma, DJE de 25112010; AI 664.641ED, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 1692008,Primeira Turma, DJE de 2022009; MS 25.936ED, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1362007, Plenário, DJE de 1892009; HC 86.533, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 8112005,Primeira Turma, DJ de 2122005. [...] A falta de fundamentação não se confunde com fundamentação sucinta. Interpretação que se extrai do inciso IX do art. 93 da CF/1988.” (HC 105.349AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 23112010, Segunda Turma, DJE de 1722011.) [...] O art. 93, IX, da CF exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão.” (AI 791.292QORG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 236 2010, Plenário, DJE de 1382010, com repercussão geral.) No mesmo sentido:AI 737.693AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 9112010, Primeira Turma, DJE de 26112010; AI 749.496AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1882009, Segunda Turma, DJE de 1192009; AI 697.623AgREDAgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 962009, Primeira Turma, DJE de 1º72009; AI 402.819 AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 1282003, Primeira Turma, DJ de 592003. [...] A CF não exige que o acórdão se pronuncie sobre todas as alegações deduzidas pelas partes." (HC 83.073, Rel. Min. Nelson Jobim, julgamento em 1762003,Segunda Turma, DJ de 202 2004.) No mesmo sentido: HC 82.476, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 362003,Segunda Turma, DJ de 2982003, RE 285.052AgR, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 116 2002,Segunda Turma, DJ de 2862002. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 255 32 Verificase que o referido item iii da peça de defesa foi examinado e a autoridade julgadora formou livremente sua convicção na apreciação da prova, em face do princípio da persuasão racional (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim esse tópico foi impugnado e regularmente analisado mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão da Recorrente. Pertinente à compensação do valor de R$24.340,16 (incluído no total de R$34.394,95) a título de saldo negativo do anocalendário de 2001, cabe esclarecer que consta no Relatório de Encerramento, fls. 5058: Intimado novamente, agora para apresentar os comprovantes dos valores informados em sua primeira planilha (transcrição do Razão, como IRRF AC 2002, que teriam sido utilizados para compensar com IRPJ a pagar, o contribuinte apresentou as seguintes informações: 1. Valor de R$44.551,23: apresentou comprovante de rendimentos de retenção sobre corretagem no valor de R$20.573,18 (anocalendário de 2002) e outro referente ao anocalendário de 2001, no valor de R$24.340,16, também sobre corretagem. (item 5, do razão contábil) O valor de R$20.573,18, não foi informado em DIRF. Entretanto no Sistema Sinal foram encontrados pagamentos sob o código 8045 no total de R$20.508,78. A partir do ano de 2002, a declaração do IRRF/Corretagem s/ Comissão, recolhidos sob o código 8045, deverão ser informados na DIRF da Fonte Pagadora, apesar de serem retidos e recolhidos pelo próprio beneficiário, conforme consta dos art. 15 e 16 da IN n° 269/2002 [...]. Quanto ao valor de IRRF de R$24.340,16, é referente ao anocalendário de 2001, sendo uma parte já utilizada no cálculo do Imposto de Renda, na DIPJ/2002, no valor de R$10.034,79. Na Ficha 12B – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real e na Ficha 43 – Demonstrativo de Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ do anocalendário de 2001 (fls. 41 e 64 do Anexo I, Volume 1) foi informado que o saldo negativo do IRPJ é no valor de R$10.034,79. A Recorrente defende a tese de que a quantia correta é de R$34.394,95 e que o valor de R$24.340,16 referese a IRRF (código 8045) não indicado na referida DIPJ por erro. Na DIRF apresentada pela fonte pagadora a RFB, fls. 59, está registrado o rendimento no valor de R$1.622.698,31 correspondente ao imposto de renda retido na fonte (código 8045) pela própria Recorrente no valor de R$24.340,16 no anocalendário de 2001 (fl. 82 do Anexo I, Volume 1). A Recorrente, como corretora de títulos e valores mobiliários, apresenta o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte da fonte pagadora com o rendimento R$1.622.698,31 correspondente ao imposto de renda retido na fonte (código 8045) no valor total de R$24.340,16 do anocalendário de 2001 (fl. 83 do Anexo I, Volume 1). Os valores individualizados foram declarados em DCTF no referido período (fls. 84143 do Anexo I, Volume). Na DIPJ do anocalendário de 2001 a Recorrente ofereceu à tributação a renda de prestação de serviços no montante de R$1.992.739,02 (linha 32 da Ficha 06B – Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 256 33 Demonstração do Resultado, fl. 35 do Anexo I, Volume 1). O valor de R$24.340,16 a título de IRRF correspondente não foi utilizado pela Recorrente. Temse que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração (Per/DComp) e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de 27 de dezembro de 1996). Até então a compensação entre tributos da mesma espécie deveria constar nos assentos contábeis (art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21 de 10 de março de 1997). Ainda que a Recorrente tenha incorrido em erro, não apresenta a escrituração completa de forma clara, explícita e congruente, para que se possa aferir a compensação entre tributos da mesma espécie, tampouco os Per/DComp correspondentes aos períodos. Assim, os requisitos para promover a compensação de ofício não estão preenchidos (Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, que regulamenta o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em relação ao imposto de renda retido na fonte no valor de R$5.550,52, que, de acordo com a afirmação da Recorrente, foram quitados “mediante a utilização dos créditos decorrentes da retenção do mencionado imposto na fonte, por terceiros, e, também, pela utilização de parcela dos referidos créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ, em 2001”, vale ressaltar que consta no Relatório de Encerramento, fls. 5058: 4. Valor de R$5.356,19: O contribuinte explica que há alguns comprovantes emitidos pelo banco Itaú identificando a retenção de IRRF sobre juros sobre capital pagos pela Seiva, nos valores de R$77,94 e R$74,75, que totalizam R$152,69. Explica ainda que há uma compensação na DIPJ no valor de R$9.152,69, que corresponde no Razão Contábil a R$5.356,19, acrescido de R$3.796,50 (diferença de provisão). (item 8 do razão contábil). Em relação aos valores retidos pelo Itaú para a Seiva, encontramos DIRF entregue pela própria Seiva, no valor total de R$386,05, que engloba os dois valores informados pelo contribuinte. Assim, alguns dos valores informados pelo contribuinte já estão incluídos no valor de R$16.804,27 declarados em DIRF referente ao anocalendário de 2002, conforme consta dos sistemas da RFB (SIEF/DIRF), não procedendo, portanto, o valor informado de R$43.293,48 (total de IRRF declarado mensalmente e deduzido no cálculo do Imposto na Ficha 12B/linha 11) na DIPJ/2003, o que alteraria o cálculo do valor de Imposto de Renda a Pagar. O total de Imposto Retido na Fonte, portanto, no anocalendário de 2002 foi de R$37.313,04 ) (R$16.804,27, declarado em DIRF de diversas Fontes Pagadoras e R$20.508,78 oriundos de recolhimentos sob o código 8045). Do valor de Fonte de R$37.313,04, foram usados no cálculo do Imposto Mensal o valor de R$25.131,70 de janeiro a dezembro. O valor de R$12.181,34 não foi utilizado, devendo ser deduzido no cálculo do Imposto Anual na Ficha 12B/Linha 08. [...] A Recorrente afirma que foram desconsiderados diversos créditos de IRRF, objeto de retenção na fonte ao longo do referido ano calendário, no valor de R$5.550,52. Restou esclarecido que todo o valor de IRRF do anocalendário de 2002 devidamente Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 257 34 comprovado foi regularmente utilizado para fins constituição do crédito tributário pelo lançamento direto. Não foram identificados dados suficientes para demonstrar a alegação nas cópias do Livro Razão Analítico fls. 140142 do Anexo I, Volume 2. O argumento oferecido pela defendente, assim sendo, está inequivocamente demonstrada em parte. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício isolada no ano calendário de 2002. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes de suspensão ou redução devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). Por seu turno, o enunciado da Súmula CARF nº 93 determina que “a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa”. O pressuposto é de que a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Em relação a matéria vale indicar a redação original da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determinava: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 258 35 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, foi alterada pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2003, que entrou em vigor em 30.06.2006, e perdeu sua eficácia pelo Ato do Presidente da Mesa Congresso Nacional nº 57, de 2006 em 27.10.2006, em com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 259 36 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Conforme previsto nos §§ 3º e 7º do art. 62 da Constituição Federal, as medidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, ou seja com efeito retroativo, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, foi alterada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, com vigência a partir de em 22.01.2007, com seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 260 37 §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. A Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, foi convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que passou a vigorar em 15.06.2007 com seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 261 38 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. A medida provisória convertida em lei deixa de ser medida provisória para tornarse lei, em sentido formal e material. Sobre a interpretação da redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe transcrever excertos do Acórdão 1ª Turma da CSRF nº 9101001.261, de 22.11.20118: O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1°, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, [...]. Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo. [...] Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa [...]. Consta na Ata da Reunião de Julgamento de 08.12.2014 e 09.12.2014 da Câmara Superior De Recursos Fiscais Pleno9: 13ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 8 Disponível em: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf. Acesso em 09 jan.2015. 9 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/SessoesJulgamento/Atas/consultarAtas.jsf>. Acesso em: 09 jan.2015. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 262 39 Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101 001.203, de 17/10/2011; 9101 001.238, de 21/11/2011; 9101 001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 1102 00.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012. Manifestação a favor da aprovação: Marco Aurélio Pereira Valadão Resultado da votação: APROVADA Numeração sequencial recebida: 105 Assim, a redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, permanece inalterada até 21.01.2007, quando começou a vigorar a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, que foi convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. A partir de 22.01.2007, caso a obrigação tributária não seja cumprida, a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento) aplicada isoladamente sobre o montante não recolhidos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada exigida ao mesmo tempo da multa de ofício proporcional por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual10. Nesse sentido, a aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação dos ilícitos tributários previsto na legislação de regência, ou seja, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Distintas, são as aplicações das multas de ofício isoladas por falta de recolhimentos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada, ainda que o sujeito passivo tenha sido apurado prejuízo fiscal para o IRPJ e base de cálculo negativa para a CSLL, no anocalendário correspondente11. Essas infrações, com as alterações legislativas do art. 44 da Lei nº 9.430. de 27 de dezembro de 1996, são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação, por essa razão não há que se falar em duplicidade ilegal de aplicação de multas de ofício12. A multa de ofício isolada por falta de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada referente ao anocalendário de 2002 deve ser exonerada por força da Súmula CARF nº 105, porque está sendo exigida ao mesmo tempo da multa de ofício proporcional por falta de pagamento de IRPJ apurado no ajuste anual. Nesse sentido, o lançamento correspondente ao Item 2 do Auto de Infração “Multas Isoladas” é improcedente, haja vista a concomitância com o lançamento da multa de ofício proporcional. A contestação aduzida pela defendente, por isso, pode ser sancionada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação 10 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 11 Fundamentação Legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 12 Fundamentação legaç: art. 74 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 263 40 legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos13. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância14. No presente caso, houve constituição dos créditos tributários pelos lançamentos direitos e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic, como acréscimo legal. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês15. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da 13 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 14 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 15 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 264 41 Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200916 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF17. Assim, é legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso18. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade19. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para: (a) deduzir o IRRF a título de juros sobre capital próprio no valor de R$9.000,00 do valor do IRPJ apurado de ofício; 16 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 17 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 18 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 19 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000269/200735 Acórdão n.º 1803002.515 S1TE03 Fl. 265 42 (b) excluir o lançamento correspondente ao Item 2 do Auto de Infração “Multas Isoladas”. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 11065.002217/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “O estabelecimento equiparado a industrial acima qualificado foi autuado por AuditoresFiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO), por falta de lançamento do IPI nas notas fiscais de saída, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota dos produtos vendidos pelo estabelecimento, conforme discriminação que segue: a) Auto de Infração das fls. 287 a 291 (vol. II), e anexos, referente a períodos de apuração decendiais, lavrado para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 56.094,15, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75 %, por falta de lançamento do imposto, inclusive nos casos em que houve cobertura de créditos; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 02 21 7/ 20 07 -0 9 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 501 2 b) Auto de Infração das fls. 305 a 308 (vol. II), e anexos, referente a períodos de apuração quinzenais, lavrado para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 40.817,09, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75 %, por falta de lançamento do imposto; e c) Auto de Infração das fls. 315 a 318 (vol. II), e anexos, referente a períodos de apuração mensais, lavrado para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 96.451,23, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75 %, por falta de lançamento do imposto. As autuações antes referidas somaram a importância de R$ 463.409,90, na data dos lançamentos de ofício, cuja motivação se encontra explicitada no Relatório de Ação Fiscal das fls. 329 a 344 (vol. II), a seguir resumido. Tratase de estabelecimento comercial atacadista, designado no âmbito da pessoa jurídica como Centro de Distribuição, sendo equiparado a estabelecimento industrial por força do disposto no art. 9 2, III, do Decreto n 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, e que dá saída a barras de cereais, ou cereais em barra, designados genericamente como "Neston Barra de Cereais", cujos ingredientes são, em especial: xarope de glicose, aveia em flocos, flocos de cevada, gordura vegetal e frutas desidratadas. Esses produtos são classificados pelo interessado no código 1904.20.00 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), referente a "Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados ou de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou expandidos", ao qual corresponde alíquota zero do IPI, classificação e alíquota com as quais a fiscalização não concordou. O Relatório de Ação Fiscal menciona a existência de consulta sobre a classificação fiscal de barras de cereais similares ao Neston Barra de Cereais, sem cacau na composição, indicando e transcrevendo o teor da Solução de Divergência Coana nº 1, de 18 de abril de 2001, com ementa publicada no Diário Oficial da União de 23 de maio de 2001, segundo a qual "Produto de confeitaria à base de flocos de arroz tostados, xarope de milho, óleo de girassol, frutose, carbonato de cálcio, carbonato de magnésio, contendo aromatizante (aroma natural de baunilha), edulcorante (sorbitol não cristalino), antioxidante (tocoferol), umectante (glicerina) e espessaste (lecitina de soja), apresentado em caixa de papelão, contendo oito barras, embaladas separadamente, cada uma com. 22 gramas, denominado comercialmente `Snack Sense’ , classificase no código 1704.90.90 da TEC” ao qual corresponde alíquota de 5% do IPI. O mesmo Relatório menciona a existência de consulta sobre a classificação fiscal de barras de cereais similares ao Neston Barra de Cereais, dessa feita com cacau na composição, indicando e transcrevendo o teor da Decisão SRRF/10ªRF/Diana nº 73, de 8 de agosto de 2000, com ementa publicada no Diário Oficial da União de 10 de outubro de 2000, segundo a qual "Produto de confeitaria contendo cacau, composto de glucose, açúcar, mel, açúcar mascavo, maltodextrina, gordura vegetal hidrogenada, lecitina de soja, flocos de aveia, flocos de arroz, flocos de milho, castanhas, passas de uva, coco ralado e gotas ou lascas de chocolate misturadas à massa de xarope e cereais, apresentado em barras ou tabletes com peso líquido de 12 e 25 gramas, denominado `CerealMix' " classificase no código 1806.32.20 da TIPI, ao qual também corresponde alíquota de 5% do IPI. Tais divergências de classificação e de alíquota do imposto em discussão justificaram as autuações de início referidas. As infrações foram enquadradas nos dispositivos citados nas fls. 291, 308 e 318 (vol. II). Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 502 3 Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI, inclusive nos casos em que houve cobertura de créditos, conforme art. 80, I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros de mora, previstos no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamento de ofício em 26 de setembro de 2007, segundo consta nas fls. 287/288, 305/306 e 315/316 (vol. II), e apresentou impugnação tempestiva, em 24 de outubro de 2007, por meio do arrazoado das fls. 347 a 354 (vol. III), firmado por advogado, credenciado pela procuração da fl. 412 (vol. III), e instruído com os documentos das fls. 355 a 411 e 413 a 430 (vol. III), alegando, em suma, o que segue. Diz que as autuações impostas encontramse eivadas de ilegalidades e inconstitucionalidades que lhes retiram a validade, razão pela qual deverão ser anulados os Autos de Infração. Na sequência, afirma que a classificação fiscal adotada pelos autuantes para os cereais em barra, sem e com chocolate, nesse caso com menos de 6% em peso, de cacau, não é correta, porque não está em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH). Informa que os produtos cuja classificação se discute são fabricados com os seguintes ingredientes: mix de aveia, flocos de cevada, flocos de trigo, cereal de base láctea, frutas, aromas, gorduras, açúcar, corante, lecitina de soja e sal refinado. Invoca a Regra Geral nº 3 (RGI 3) para Interpretação do SH, para sustentar que a classificação na posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, motivo pelo qual a classificação adotada pelo estabelecimento estaria correta. O impugnante esclarece que classificou seus produtos no código 2106.90.90 da TIPI, até 14 de agosto de 2002, e no código 1904.20.00 da mesma tabela, a partir de 15 de agosto de 2002, aos quais corresponde alíquota zero do IPI, discordando da reclassificação efetuada neste processo, porque os cereais em barra não são produtos de confeitaria. A defesa também menciona o Laudo CIAL n 080/2005, do Instituto de Tecnologia de Alimentos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, segundo o qual "Dentro da tabela de imposto sobre produtos industrializados — TIPI, concluímos que o mais adequado para o produto Neston Barra seria a classificação fiscal NCM 1904.20.00, ou seja, `Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados ou de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou expandidos". Mudando de tópico, o impugnante alega ilegalidade e inconstitucionalidade da multa de ofício de 75% do IPI, dizendo que essa penalidade caracteriza confisco e que o art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, destinase a punir a falta de lançamento ou de recolhimento do referido imposto, o que não ocorreu no caso concreto. Além disso, em caso de dúvida, a legislação deve ser interpretada de modo favorável ao infrator, segundo o art. 112 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Pede a improcedência do Auto de Infração contestado, solicitando a juntada de novos documentos e declarações e a produção de prova pericial técnica, para que seja determinada a correta classificação fiscal dos produtos objeto da autuação.” Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 503 4 A DRJPorto Alegre/RS julgou a impugnação improcedente (efls. 438/449), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOSI NDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2003,,15/01/2004 a 30/09/2004, 31/10/2004 a 31/12/2006 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Cereais em barra ou barras de cereais, contendo mix de aveia, flocos de cevada, flocos de trigo, cereal de base láctea, frutas, aromas, gorduras, açúcar, corante, lecitina de soja e sal refinado, sem cacau, classificamse no código 1704.90.90 da TIPI, ao qual corresponde alíquota de 5% para o IPI, e os mesmos produtos, com cacau, classificamse no código 1806.32.20 da TIPI, ao qual corresponde alíquota de 5% para o IPI. MULTA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, e vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,bem assim deixar de aplicar penalidade devidamente prevista em lei. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixou de atender aos requisitos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls.459/469), onde, em síntese, alega o seguinte: que, por aplicação da RGI/SH nº 3, devese adotar a classificação fiscal mais específica em detrimento da mais genérica, razão pela qual a classificação fiscal por ela adotada é a correta, posto que descreve com maior proximidade as características dos produtos fabricados pela empresa; que os produtos têm a seguinte composição: mix de aveia, flocos de cevada, flocos de trigo, cereal de base láctea, frutas, aromas, gorduras, açúcar, corante, lecitina de soja e sal refinado. Desta composição, 48% (quarenta e oito por cento) dos produtos industrializados são formados pelas matériasprimas de base cereal, tais como aveia, cevada, flocos de trigo e cereal com base láctea, enquanto que o restante de sua composição é formada pelos considerados coadjuvantes tecnológicos, tais como gordura vegetal hidrogenada, oleína de palma, xarope de glicose, lecitina, corantes e aromatizantes. Em razão desse alto percentual de cereal, entende que as barras de cereais, revestidas ou não de chocolate, não podem ser classificadas como produtos de confeitaria, devendo ser classificadas como preparações à base de cereais; em relação às barras de cereais revestidas com chocolate, alega que a adição mínima de cacau ao produto não subverte a natureza do produto original, impossibilitando, assim a sua classificação no capítulo 18; Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 504 5 quanto à multa de ofício, entende que esta não é cabível, tendo em vista que efetuou o lançamento do IPI que entendia devido, mesmo sendo este à alíquota zero; que o percentual de 75% confere à multa o caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição; que, havendo dúvida na capitulação legal do ou sobre qual seja a penalidade aplicável, a solução deve ser a mais favorável ao acusado do ilícitos, por força do princípio contido no artigo 112 do CTN; e que, mantendose a multa, esta não pode ultrapassar o percentual de 20%, sob pena de ferir o disposto no art. 150, IV, da Constituição. Ao final, requereu o cancelamento dos Autos de Infração; caso estes sejam mantidos, seja a multa reduzida ao patamar de 20%. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O cerne da questão cingese à correta classificação fiscal dos produtos identificados como barra de cereais e barra de cereais com chocolate, independente do nome comercial adotado. Pretende a contribuinte a classificação do produto identificado como barras de cereais, com ou sem chocolate, no código 1904.20.00, enquanto a Fiscalização adota a reclassificação para os códigos 1704.90.90, para as barras de cereais sem chocolate, e 1806.32.20, para as barras de cereais com chocolate. Os textos das posições pretendidas são os seguintes: 1904.20.00 – Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados, de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou expandidos 1704.90.90Outros produtos de confeitaria, sem cacau (incluído o chocolate branco) 1806.32.20 Outras preparações alimentícias contendo cacau, não recheadas Acontece que, pesquisando na internet sobre o produto “Neston Barra de Cereal”, encontrei, no endereço eletrônico http://www.jusbrasil.com.br/diarios/70252850/trf3 judicialicapitalsp14052014pg199, a informação de que a Nestlé Brasil Ltda ajuizou, perante a Justiça Federal de São Paulo, ação ordinária em que se discute exatamente a mesma matéria dos autos. Por sua vez, consultando o sítio eletrônico da Justiça Federal em São Paulo, no endereço http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/, confirmei a informação, sendo que, na movimentação de número 137, temse o inteiro teor da sentença, que é o seguinte: REG. Nº ______/14TIPO A AUTOS DE Nº 000627811.2012.403.6100 AUTORA: NESTLÉ BRASIL LTDA. RÉ: UNIÃO FEDERAL 26ª VARA FEDERAL CÍVEL Vistos etc. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 505 6 NESTLÉ BRASIL LTDA., qualificada na inicial, propôs a presente ação em face da UNIÃO FEDERAL, pelas razões a seguir expostas: Afirma, a autora, que foi autuada em razão de suposto equívoco na classificação fiscal adotada para determinadas mercadorias fabricadas e comercializadas por ela, o que teria ensejado aplicação de alíquota de IPI inferior àquela que a ré entende devida. Alega que o auto de infração nº 0811900/00682/06 deu origem ao processo administrativo nº 10932.000437/200761. Alega, ainda, que o lançamento tributário diz respeito a valores de IPI nos anos de 2002 a 2006, com relação a produtos da marca Nestlé: barra de cereais Neston banana, barra de cereais Neston morango, barra de cereais Neston coco tostado, barra de cereais Neston light damasco, pêssego e maçã, barra de cereais Neston light frutas silvestres, barra de cereais Neston light frutas silvestres com chocolate e Galak ball. Afirma que, para os produtos Neston (barra de cereais), adotou a classificação descrita como preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais 1904.20.00, quando, segundo a ré, deveria ter adotado a classificação relativa a produtos de confeitaria 1704.90.90 e, para a barra de cereal com chocolate, produto de cacau e suas preparações 1806.32.20. Para o Galak ball, adotou a classificação relativa a produto de chocolate branco 1704.90.10, quando, segundo a ré, deveria ter considerado como produto feito a base de caramelos, confeitos, dropes, pastilhas e produtos semelhantes 1704.90.20.Sustenta que a classificação fiscal adotada pela ré é equivocada, já que não considerou as características das barras de cereais e do Galak ball, tratando os produtos como meros doces.Acrescenta que a esfera administrativa já se esgotou, tendo sido mantida a autuação.Sustenta, ainda, que a classificação fiscal feita pela autora leva em consideração questões técnicas, que dizem respeito à composição do produto por conta dos ingredientes utilizados.Alega que a autuação não teve como base um laudo técnico, que pudesse afastar os critérios utilizados por ela para enquadrar as barras de cereais, razão pela qual não pode prevalecer. Alega, ainda, que as barras de cereais Neston são uma preparação alimentar, cujos ingredientes principais são cereais (mix de aveia, flocos de cevada, flocos de trigo, cereal de base láctea), concentrados de frutas e mel, destinados à manutenção da saúde e do bem estar dos consumidores, por terem baixo teor de gorduras e serem ricos em fibras, adequando se perfeitamente ao subitem NCM 1904.20.00.Com relação ao Galak ball, alega que se trata de um produto de confeitaria, por ter açúcar, mas que é um produto feito à base de chocolate branco e cereal de milho (produto de confeitaria sem cacau chocolate branco), não devendo ser enquadrado como caramelo, confeito e pastilha, como indicado pela ré.Pede, assim, que a ação seja julgada procedente para que seja determinado o cancelamento integral do auto de infração nº 0811900/00682/06 (processo administrativo nº 10932.000437/200761) e eventual inscrição em dívida ativa da União, que venha a ser efetuada. Às fls. 140/142, foi indeferida a tutela, mas deferida a liminar para que a autora apresentasse carta de fiança em garantia do crédito tributário, a fim de suspender sua exigibilidade. A carta de fiança foi apresentada às fls. 148/221.A União Federal interpôs agravo de instrumento contra a decisão que deferiu a liminar, ao qual foi deferido o efeito suspensivo pretendido (fls. 316/321).Citada, a União apresentou contestação às fls. 265/298. Nesta, afirma que a autora Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 506 7 pretende a desconstituição do crédito representado pela CDA nº 80.3.12.00051532 e que não cabe prestação de fiança bancária para suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Alega que o pedido de prestação de fiança bancária não guarda relação com a tutela final pretendida e que a garantia prestada não pode suspender a exigibilidade do crédito tributário e impedir o ajuizamento da execução fiscal, razão pela qual entende que o feito deve ser extinto sem resolução do mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI do CPC. Afirma, ainda, que se constatou que a autora promoveu a saída do seu estabelecimento de produtos tributados com falta ou insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, em relação a alguns produtos.Sustenta ter havido a correta classificação fiscal dos produtos, em razão da composição dos mesmos.Afirma, assim, que as barras de cereais não são verdadeiramente um complemento alimentar, mas um produto alimentício enriquecido com cálcio e magnésio, com característica típica de produto de confeitaria, com adição de vários tipos de açúcares, devendo ser enquadradas na posição TIPI 1704.90.90. Afirma, também, que a barra de cereal coberta de chocolate é um produto de confeitaria, uma preparação alimentícia obtida a partir de uma mistura de cereais e açúcar, adicionada de uma tala de chocolate ao longo de uma de suas faces maiores, isto é, contendo cacau, enquadrandose na posição TIPI 1806.32.20.Com relação ao produto Galak ball, afirma que não há polêmica quanto ao fato de ser um produto de confeitaria, composto por cereal Galak pequenas esferas de farinha de milho e de trigo cobertas com xarope açucarado, coberto por chocolate branco (massa galak), devendo ser enquadrado no código 1704.90.20.Defende a legalidade da multa de ofício aplicada, já que o erro de classificação fiscal resultou na falta de lançamento do valor total do IPI, com relação aos cereais em barra e com chocolate, e na falta de lançamento parcial do IPI, com relação ao Galak ball.Pede que a ação seja julgada improcedente.Foi apresentada réplica.Foi dada ciência às partes da redistribuição do feito a este Juízo (fls. 341).A autora requereu a produção de prova pericial. Requereu, ainda, o desentranhamento da fiança bancária prestada, já que foi ajuizada execução fiscal nº 0006615.55.2012.403.6114, perante a 2ª Vara da Justiça Federal de São Bernardo do Campo (fls. 342/355), o que foi deferido às fls. 356.Foi deferida a produção de prova pericial, bem como a juntada de novos documentos (fls. 365).Somente a autora apresentou quesitos e indicou assistentes técnicos. Em seguida, foi nomeado perito especialista em engenharia química (fls. 371).A parte autora comprovou o pagamento dos honorários periciais provisórios.Laudo pericial às fls. 382/533.As partes se manifestaram sobre o laudo pericial apresentado.Às fls. 562, foram fixados os honorários periciais definitivos. Na mesma oportunidade, foram indeferidos os quesitos complementares, apresentados pela autora, em razão da preclusão temporal. A autora interpôs agravo retido.As partes apresentaram alegações finais e os autos vieram conclusos para sentença. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente, verifico que, embora a ré tenha requerido o acolhimento da preliminar e a extinção do feito nos termos do artigo 267, inciso VI do Código de Processo Civil, não indicou a falta de nenhuma das Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 507 8 condições da ação. Limitouse a alegar não ser possível a prestação de garantia para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas tão somente para antecipar os efeitos de futura penhora perante a Subseção Judiciária de São Bernardo do Campo, local em que se situa o estabelecimento fiscalizado e autuado. Passo ao exame do mérito propriamente dito. A fim de verificar as alegações da autora, de que houve, por ela, a correta classificação fiscal dos produtos da marca Nestlé: barra de cereais Neston banana, barra de cereais Neston morango, barra de cereais Neston coco tostado, barra de cereais Neston light damasco, pêssego e maçã, barra de cereais Neston light frutas silvestres, barra de cereais Neston light frutas silvestres com chocolate e Galak ball, foi realizada perícia. Analiso o laudo pericial. Consta, do mesmo, o que segue: 3 Processo de Fabricação das Barras de Cereais.O processo de produção das barras de cereais, começa com o recebimento da matéria prima (anexo 1), que são uma mistura de flocos de cereais embalados à vácuo, que compreende: aveia em flocos, flocos de trigo, flocos de cevada e de arroz e a Polpa de frutas que englobam frutas vermelhas e amarelas como pêssego, banana, abacaxi, etc, e adição de corantes e aromatizantes (fls. 386).(...) No caso das barras de cereais com chocolate, estas quando já cortadas passam por uma câmara onde são adicionados chocolate ao leite apenas parcialmente na parte inferior das barras (fls. 391).(...) 4 Processo de Fabricação do Galak Ball.O processo de produção do produto Galak Ball, consiste em recebimento da matéria prima que são bolinhas de milho expandido por extrusão fornecida pela empresa CPW. Estas bolinhas de milho eram recebidas em BigBags e colocadas na drageadeira com adição de chocolate branco, e após atingir o peso do produto com o chocolate, era adicionada uma solução de brilho contendo goma, açúcar, etc. (fls. 393).(...) 5 Da Composição das Barras de Cereais:(...) a) Barra de cereais de Banana:(...) A composição apresenta 20% de xarope de glicose e 7,83% de açúcar e 1,80% de Mel, e emulsão de modo que somando os açucares o total de açúcar na barra é de 49%. E de mix de cereais que englobam Mix de aveia 19,64%, flocos de cevada 12,37%, flocos de trigo 4,99% e Neston cereais 4,85% e 4,97% de fruta desidratada totalizando 51% de produtos cereais e frutas (fls. 396).(...) Ou seja, 49% referemse ao xarope e açucares e demais ingredientes presente no produto no processo de mistura e ou produção, e os outros 49% referese a frutas e o mix de cereais de frutas. Neste contesto, as barras de cereais possuem na composição final de açúcares e mel para dar liga e fornecer carbohidratos.Assim também se apresentam as outras barras de cereais de sabores coco e frutas vermelhas e frutas amarelas (fls. 397).(...) 6 Da Composição do Galak ballA composição básica do Galak Ball é constituída de um floco de cereal expandido coberto de açúcar Fl. 507DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 508 9 (sacarose) e coberta de chocolate branco. (anexo 3) Considerando que 78% referese a cobertura de chocolate branco, temos que o cereal puro contém cerca de 44% de açúcar e 57% de cereal e o peso médio de 1,2g do cereal coberto de chocolate temos: 0,93g de chocolate e 0,27g de cereal, mas o cereal contem 44% de açúcar então temos que: 0,27g x 0,54 = 0,14 de cereal e 0,11g de açúcar puro.Portanto contando com a cobertura de chocolate e o açúcar do cereal temos que 1,06g corresponde a cobertura de chocolate e açúcar puro. Portanto o Galak ball se assemelha a confeitos feitos que na maioria compõese de açúcar (sacarose) e goma (fls. 400). Concluiuse, por fim, o que segue: 11 Conclusão:De acordo com o vistoriado e a legislação pesquisa conclui a Perita que: Os produtos barras de cereais frutas vermelhas e frutas amarelas não apresentam características de confeitos por se apresentar teor de açúcar menor que a de confeitos e tendo como sua função principal o ingrediente mix de cereais e frutas desidratadas em maior proporção como fontes de fibras. Que o processo de fabricação das barras de cereais não é o mesmo de produtos normalmente tido como confeitos. Que o produto confeito apresenta em sua composição maior teor de açúcar o qual reveste as sementes e ou cereais além de teor de goma. Que os produtos barras de cereais apresentam em sua composição xarope de glicose utilizado para dar liga as barras e as fibras, estas de caráter funcional, diferente da composição do Galak Ball e dos confeitos que o mesmo é conformado com alto teor de açúcar (sacarose) pura e goma. Que a melhor classificação em que o produto barras de cereais e barra de cereais light frutas silvestres com chocolate se enquadram é o da posição 1904.20.00, pois a função principal são os cereais. Além disso, a posição 18.0631 excluem os produtos que contém menos de 6% de cacau é o caso das barras de cereais frutas silvestres com chocolate a qual apresenta 1% de teor de cacau. Que a melhor classificação em que o produto Galak Ball se assemelha é o da posição 1704.9020 tida como produtos de confeitos e assemelhados pela maior adição de açúcar e pelo processo de fabricação da maioria dos confeitos (fls. 414/415). Ao responder aos quesitos da autora, a perita judicial esclareceu que as barras de cereais Neston, objeto da autuação fiscal, devem ser consideradas preparações alimentícias a base de cereais, pela quantidade de cereais e de frutas que cada barra carrega (resposta ao quesito 5 fls. 417) e que o Galak ball apresenta em sua formulação o cereal expandido coberto com 44% de sacarose (açúcar puro) e mais 70% de chocolate branco e goma, portanto suas características é semelhante a confeitos (resposta ao quesito 6 fls. 417). Fl. 508DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 509 10 Assim, de acordo com a perícia judicial, a classificação fiscal das barras de cereais (tanto normal, light ou com chocolate) é 1904.20.00 (fls. 414) e do Galak Ball é 1704.90.20 (fls. 415). Ora, o auto de infração lavrado contra a autora indicou que houve erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota em relação aos produtos já mencionados na presente decisão. Indicou que deveria haver alteração da classificação fiscal para 1704.90.90, com relação ao produto cereais em barra Neston, para 1806.32.20, com relação ao produto Neston light frutas silvestres com chocolate e para 1704.90.20 para o produto Galak ball (fls. 68 e 69/70).No entanto, a perícia judicial expressamente afastou a classificação da ré com relação às barras de cereais, aceitando como correta a classificação dada pela autora. Desse modo, entendo que a lavratura do auto de infração nº 0811900/00682/06 foi indevida tão somente com relação aos produtos barra de cereais Neston banana, barra de cereais Neston morango, barra de cereais Neston coco tostado, barra de cereais Neston light damasco, pêssego e maçã, barra de cereais Neston light frutas silvestres e barra de cereais Neston light frutas silvestres com chocolate. Em consequência, deve ser retificada a inscrição em dívida ativa da União nº 80.3.12.00051532, decorrente do referido auto de infração. Diante do exposto, julgo parcialmente procedente a presente ação, nos termos do artigo 269,, inciso Ido Código de Processo Civil, para determinar o cancelamento de parte do auto de infração nº 0811900/00682/06 (processo administrativo nº 10932.000437/200761) e de parte da inscrição em dívida ativa da União nº 80.3.12.00051532, no que diz respeito aos produtos barras de cereais (barra de cereais Neston banana, barra de cereais Neston morango, barra de cereais Neston coco tostado, barra de cereais Neston light damasco, pêssego e maçã, barra de cereais Neston light frutas silvestres e barra de cereais Neston light frutas silvestres com chocolate), devendo a autuação ser mantida com relação ao produto Galak ball.Tendo em vista que a parte autora decaiu de parte mínima do pedido e obedecendo ao disposto no artigo 21, parágrafo único do Código de Processo Civil, condeno a ré a pagar os honorários advocatícios, em favor da autora, que arbitro, por equidade, em R$ 10.000,00, com fundamento no artigo 20, 4º do Código de Processo Civil, bem como a devolver as despesas processuais. Sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição. Publiquese. Registrese. Intimemse. São Paulo, de abril de 2014 SÍLVIA FIGUEIREDO MARQUES JUÍZA FEDERAL Consultando o sítio do TRF 3ª Região, verifiquei que o processo encontrase naquele Tribunal, aguardando o julgamento das apelações interpostas pela União e pela Nestlé Brasil Ltda, pela Relatora Des. Fed. Mairan Maia. (grifos não constantes do original) Fl. 509DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002217/200709 Resolução nº 3202000.368 S3C2T2 Fl. 510 11 Uma vez que, na ação judicial, discutese a classificação fiscal dos mesmos produtos (barras de cerais, com ou sem chocolate) e os mesmos códigos NCM pretendidos nestes autos (tanto pela contribuinte quanto pelo Fisco), resta saber se diz respeito à mesma filial autuada ou à matriz desta, para fins de se verificar a existência de concomitância. Pelo exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora informe se a empresa que ajuizou a referida ação judicial (processo nº 000627811.2012.403.6100, em trâmite perante a 26ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo) é a empresa matriz da Nestlé Brasil S/A ou se se trata da mesma filial objeto da autuação a que se referem estes autos. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 510DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10580.911727/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 27 /2 00 9- 31 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911727/200931 Acórdão n.º 3802004.223 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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