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Numero do processo: 10880.928943/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-002.446
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 43 /2 00 9- 31 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 234 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 235 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 264/287 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 107/116) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: que em 11/03/2005, a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária nº 14358.3777 9.100505.1.3.043903 (efls. 01/03), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL Estimativa Mensal, código de receita 2484, do PA Abril/2005, data de vencimento 31/05/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 326.191,97; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 326.191,97. b) crédito utilizado: aproveitamento de direito creditório de R$ 322.962,35 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/03/2005, DARF no valor de R$ 2.912.518,13, data do recolhimento, arrecadação, 29/04/2005. Valor crédito na data de transmissão (valor original): R$ 322.962,35. Em 20/04/2009, a DERAT/São Paulo, mediante a emissão do Despacho Decisório de efl. 04, denegou o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: (...). Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 322.962,35. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência dio crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 236 4 (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art . 10 da Instrução Normativa SRF n° 600 , de 2005. Art. 74 da Lei 9.430 , de 2 7 de dezembro de 1996, (...) Ciente desse despacho decisório em 28/04/2009 conforme consta (efl.111), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/05/2009 (efls. 08/22), juntando ainda documentos (efls. 23/106), aduzindo as seguintes razões, em síntese: que sofreu cerceamento de defesa, por não ter sido intimada a prestar os devidos esclarecimentos/juntada de documentos, antes da emissão do despacho decisório; que a autoridade administrativa não cumpriu o dever referido no artigo 65 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, dispositivo que, combinado com o artigo 195 do Código Tributário Nacional, condiciona o indeferimento do pleito da contribuinte à verificação da exatidão das informações prestadas mediante realização de diligências necessárias ao esclarecimento do direito creditório; que, em relação à DCOMP objeto dos autos, tanto o crédito pleitedo do PA março/2005, quanto o débito confessado do PA abril/2005, estão com seus respectivos valores equivocados, ou seja: o débito confessado, compensável, na DCOMP, quanto ao PA abril/2005, na verdade, é menor do que o valor confessado; o crédito pleiteado é menor do que o valor informado na DCOMP. que, em relacão ao credito pleiteado, temse. a) que confessara na DCTF primitiva, relativo ao PA março/2005, débito da CSLL no valor de R$ 2.912.518,14 e que teria, inclusive, efetuado o pagamento desse valor em 29/04/2005 (não juntou cópia do comprovante de recolhimento); b) que, entretanto, em revisão de sua escrituração, constatou que o débito apurado da CSLL do PA março/2005 não seria o valor de R$ 2.912.518,14, mas sim R$ 2.840.336,59 conforme DIPJ 2006 (retificadora), Fichas 16, e Recibo de Entrega de 28/06/2006 (efls. 197/198); c) que, por conseguinte, houve recolhimento a maior de R$ 72.181,55 (valor original) a título de CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2005; d) que juntou aos autos escrituração contábil (cópia de folha do livro Diário e Razão) confirmando o débito apurado da CSLL de que trata a DIPJ 2006, anocalendário 2005, quanto ao PA março/2005, no valor de R$ 2.840.336,59 (Obs: diversamente do afirmado pela recorrente, juntou apenas cópia de folhas do livro razão e Diário que tratam do registro de pagamento da CSLL do PA mar/2005 R$ 2.912.518,13 efls.55 e 57 e pagamentos da CSLL do PA abril/2005 efls.58/65). que, em relacão ao débito confessado na DCOMP, temse. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 237 5 a) que se equivocou quanto ao valor do débito da CSLL Estimativa Mensal do PA abril/2005 confessado na DCTF e na DCOMP; b) que confessou na DCTF débito da CSLL, desse PA, valor R$ 1.931.683,44, mas que o débito – conforme DIPJ retificadora – perfaz R$ 2.075.311,80 (Obs: não apresentou DCTF retificadora para confessar a diferença do débito apurado, na DIPJ retificadora); c) que recolheu/pagou com DARF R$ 1.605.491,47 (principal) + R$ 440.180,91 (principal R$ 396.916,17 + acréscimos legais) e R$ 326.191,97, mediante compensação – DCOMP objeto dos autos. Obs: 1 que informou/utilizou – como crédito – para quitação do débito confessado na DCOMP – pagamento indevido da CSLL do PA março/2005, valor R$ 322.962,35 valor original, porém o direito creditório perfaz a quantia de apenas R$ 72.181,55 valor original; 2 que, ainda, em relação ao débito da CSLL PA abril/2005, também, há discrepância, pois: (i) tendo refeito a apuração da CSLL – Estimaiva Menal dessa competência, apurou débito de R$ 2.075.311,80 e não apenas R$ 1.931.683,44; (ii) que o débito da CSLL – Estimativa Mensal – competência abril/2005 – perfaz a quantia de R$ 2.075.311,80 e que já está informado na DIPJ 2006 (retificadora, de 28/06/2006), Ficha 16 (e fls. 197 e199); 3 que, então, promoveu, em 30/06/2005, recolhimento de diferença da CSLL Estimativa Mensal do PA abril/2005, valor R$ 396.916,97 (valor do principal ) + acréscimos = total R$ 440.180,91, de modo a sanar esses equívocos. Ou seja, que em relação ao débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA abril/2005 de R$ 2.075.311,80 sua quitação estaria configurada computados os recolhimentos em DARF de R$ 1.605.491,47 + R$ 440.180,91 + valor do direito creditório de R$ 72.181,55 (valor original), a ser considerado, na DCOMP de objeto dos autos; que, como demonstrado, na DCOMP utilizou direito creditório, em parte, inexistente, e, por outro lado, confessou débito a maior (necessidade de ajuste na DCOMP, quanto ao direito creditório e quanto ao débito); que, então, deve ser considerada válida a DCOMP objeto dos autos; que não houve a retificação da DCTF para aumentar o débito da CSLL – Estimativa Mensal – PA abril/2005 de R$ 1.931.683,44 para R$ 2.075.311,80 e também não houve a retificação da DCOMP para ajustar o direito creditório da CSLL do PA março/2005 de R$ 322.962,35 (valor original) para R$ 72.181,55 (valor original) e para ajustar o débito confessado na DCOMP do PA abril/2005 de R$ 326.191,97 para R$ R$ 72.903,36; que para comprovar os dados de apuração da CSLL Estimativa Mensal das competências de março e abril/2005, meses respectivamento do crédito e do débito, juntou cópia de folhas dos livro Razão, Diário é cópias dos comprovantes de recolhimentos (efls. 55/67); que a autoridade deve corrigir de ofício a DCOMP, em face das restrições dos arts. 77, 78 e 79 da IN RFB nº 900/2008, uma vez que restaram informados, de forma, equivocada o montante do crédito pleiteado (crédito em parte inexistente) e o montante do débito confessado (débito confessado a menor); que deve ser prestigiado o princípio da verdade material; que, por fim, ante tudo que foi exposto, a contribuinte pediu a retificação de ofício da DCOMP e extinção do débito, mediante homologação da compensação. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 238 6 A DRJ/São Paulo I (5ª Turma), sem adentrar no mérito quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado em face de óbice na legislação infralegal para restituição de mera antecipação de CSLL – Estimativa Mensal (IN SRF nº 600/2005, art. 10) e também argumenntando não configurar hipótese de retificação de ofício da DCOMP, julgou, de plano, a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 10/05/2011 (efls. 107/116), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/04/2005 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. INEXATIDÃO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da PER/DCOMP, não cabe a sua retificação de ofício, sendo admitida sua retificação, desde que se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente dessa decisão em 05/07/2011 – Aviso de Recebimento AR(efls. 230 e 175), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 04/08/2011 (efls.118/172), juntando ainda os documentos de efls. 173/229, reiterando as razões constantes da impugnação apresentada na instância a quo e já resumidas neste relatório. Acrescentando, ainda: a) que a decisão recorrida deve ser reformada ou anulada, pois teria comprovado o direito creditório de R$ 72.181,55 (valor orignal), referente pagamento indevido da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2005; b) que a decisão a quo não analisou as provas carreadas aos autos, apegando se a formalidades, em detrimento da verdade material; c) que, no sentido de ajustar o crédito e o débito declarados em face de erro material no preenchimento da DCOMP, dever ser corrigido de ofício, após a expedição do despacho decisório, prevalecendo a verdade material. Nesse sentido, citou precedente jurisprudencial do CARF (Acórdão nº 180300.681, de 10/1102010); Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 239 7 que, existindo divergência de informação quanto ao débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA abril/2005, entre a DIPJ retificadora e a DCTF/DCOMP, a autoridade fiscal deveria proceder diligência (IN RFB 900/2008, art. 65) e não simplesmente denegar o crédito pleiteado, não homologando a compensação tributária; que isso fere o princípio da verdade material; que não merece prosperar a decisão recorrida que negou fé à DIPJ e aos documentos de arrecadação; que se reforme ou anule a decisão recorrida para que outra seja proferida, determinandose, inclusive, a realização de diligência, para apuração da verdade material à luz da escrituração contábil; que, uma vez demonstradas as inexatidões materiais no preenchimento do DCOMP quanto ao crédito pleiteado e quanto ao débito a compensar, pediu a recorrente o reconhecimento do crédito e a extinção do débito, mediante homologação da compensação tributária. da inaplicabilidade do art. 10 da IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 (Acórdão nº 140100.420, de 26/01/2011); da aplicação retroativa da IN RFB 900/2008 (Acórdão nº 120200.466, de 25/01/2011); que o crédito pleiteado não foi levado para a declaração de ajuste anual (na apuração de saldo), que o procedimento – compensação mediante apresentação de DCOMP não configurou prejuízo à Fazenda Nacional, tampouco implicou utilização em duplicidade do crédito pleiteado, pugnando então pelo reconhecimento do crédito/restituição, pela aplicação do mesmo entendimento do precedente do CARF (Acórdão nº 180200.042, de 28/05/2009). Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu o reconhecimento do direito creditório e extinção do débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação. É o relatório. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 240 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária, pedido de reconhecimento de direito creditório da CSLL Estimativa Mensal (crédito pleiteado contra o fisco) e confissão de débito da CSLL – Estimativa Mensal, para extinção por compensação, mediante aproveitamento do referido crédito. A reccorrente argumenta que o valor do crédito pleiteado perfaz R$ 72.181,55 (valor original) quanto ao PA março/2005 por pagamento indevido da CSLL Estimativa Mensal; porém, na DCOMP, por erro de fato, pleiteou direito creditório valor de R$ 322.962,35 (valor original) . Além disso, aduz a recorrente que houve erro de fato quanto ao débito confessado na DCOMP quanto ao PA abril/2005, ou seja: que o débito apurado da CSLL – Estimativa Mensal do PA abril/2005 foi de R$ 2.075.311,80, conforme DIPJ retificadora; que recolheu em DARF, a título de CSLL – Estimativa Mensal do PA abril/2005, valores de R$ 1.605.491,47 (principal) + R$ 440.180,91 (principal + acréscimos legais); que, por conseguinte, o débito remanescente da CSLL –Estimativa Mensal do PA abril/2005 seria a diferença, ou seja, R$ 72.903,36; que, por erro material, confessou na DCOMP débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA abril/2005, valor de R$ 326.191,97. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado. A decisão a quo, com base aspectos meramente formais julgou a manifestação de inconformidade improcedente, ou seja: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 241 9 que não seria caso, para correção de ofício dos alegados erros de fato, erros materiais, no preenchimento da DCOMP, em relação ao crédito pleitado e ao débito confessado, em face da aplicação do entendimento do art. 77 da IN RFB 900/2008; que não é possível o aproveitamento de pagamento por estimativa mensal, sem antes leválo para o ajuste anual, para apuração de saldo negativo (art. 10 da IN SRF 600/2005). Nesta instância recursal, a recorrente busca a reforma/anulação da decisão recorrida, para que o crédito seja reconhecido e o débito extinto, por compensação.. Nas razões do recurso a contribuinte rebelase contra a decisão a quo, argumentando: que a decisão recorrida deve ser reformada ou anulada, para que se ajuste, corrija de ofício os erros materiais ou inexatidões materias constantes da DCOMP objeto dos autos, quanto ao crédito e quanto ao débito, em nome do princípio da verdade material e em consonância com o art. 65 da IN RFB nº 900/2008; que, em relação ao aproveitamento de crédito na DCOMP de estimativa mensal paga indevidamente, a restrição constante do art. 10 da IN nº 600/2005 seria ilegal, pois tal restrição não consta do art. 74 da Lei nº 9.430/96. que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior. Compulsando os autos, observase que no anocalendário 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real anual, com obrigação de efetuar antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário (CTN, art. 165, I). No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final do ano calendário (encerramento do exercício), exigindose a apresentação de declaração de ajuste anual; b) não há falar ou objetar recolhimentos mensais indevidos (pagamentos por antecipação), quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução); Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 242 10 c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo. Não obstante, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta mensal ou com o balanço de suspensão/redução mensal. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso indevido do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (pagamento não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) e sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Além disso, em face do erro material (inexatidões materiais) no preenchimento da DCOMP, erros invocados, constatados, pela contribuinte após ciência do despacho decisório, e inexistindo possibilidade de apresentação de DCOMP retificadora em face dos arts. 77, 78 e 79 da IN RFB 900/2008, mas devendo prevalecer o princípio da verdade material, entendo que é hipótese para ajustes de ofício na DCOMP, desde que haja prova dos erros materiais suscitados. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP, mormente a decisão a decisão recorrida que se limitou a consignar aspectos formais em detrimento da verdade material em relação à correção de ofício do erro material, e a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo no ajuste anual, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente (Súmula CARF nº 84) e, ainda, pelo fato da contribuinte, nas duas oportunidades que teve (por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário) não ter comprovado, de forma cabal, os alegados erros de fato (erro material) e a liquidez do crédito pleiteado, pois deixou de juntar prova cabal de escrituração contábil/fiscal, como cópia dos livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc, para confrontar a DIPJ retificadora e a DCTF primitiva e DCOMP, entendo cabível, no caso: a) afastar o óbice, quanto à necessidade de previa apuração do saldo negativo, pois pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo estimada do imposto ou contribuição ou balanço de suspensão/redução, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo (Súmula CARF nº 84); b) afastar o óbice de que não é possível fazer a retificação ou correção de ofício dos erros materiais ou inexatidões materiais na DCOMP quanto ao crédito e quanto ao débito suscitados nos autos, após a ciência do despacho decisório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 243 11 Como dito, ainda há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: a) quanto ao alegado erro de fato na apuração da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2005 de R$ 2.912.518,13, reduzindo para R$ 2.840.336,59 – DIPJ Retificadora, diversamente do afirmado pela recorrente, juntou apenas cópia de folhas do livro razão e Diário que tratam do registro de pagamento da CSLL do PA mar/2005 R$ 2.912.518,13 e fls.55 e 57 e pagamentos da CSLL do PA abril/2005 efls.58/65.Portanto, não comprovou o alegado erro de fato que gerou o crédito pleiteado, pois não juntou cópia da sua escrituração contábil que pudesse comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, no valor de R$ 72.181,55 (valor original). b) em relação ao erro de fato na apuração da CSLL do PA abril/2005, a contribuinte não juntou cópia da DCTF original, da DCTF retificadora e e os documentos da escritura contábil juntados são insuficientes para convicção do julgador para resolução do mérito da lide. Ainda, para evitar supressão de instância de julgamento (não houve análise de mérito pelas decisões anteriores nos presentes autos), para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório (necessidade de saneamento – instrução processual complementar), e tendo por escopo a verdade material, devem ser devolvidos os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DERAT/São Paulo, para que enfrente, no mérito, o direito creditório pleiteado e a compensação efetuada pela recorrente, tomando, antes, as seguintes providências: 1) Intime a contribuinte a comprovar o alegado erro de fato quanto à apuração da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2005, ou seja, a apresentar a escrituração contábil/fiscal (livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc) para confrontar a DIPJ e a DCTF primitiva quanto aos dados de apuração da CSLL do PA do crédito pleiteado; a) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, o alegado erro material na determinação do valor da base tributável ou na apuração da exação fiscal, quanto ao PA março/2005 (pagamento indevido); b) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de exação fiscal do mencionado PA por erro material (pagamento indevido), verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo do anocalendário 2005; Vale dizer, quanto ao PA março/2005 apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de base de cálculo estimada (pagamento indevido) ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento efetuada na forma da legislação de regência, ou se é nenhuma dessas hipóteses (inexistência de valor a restituir). 2) – Intime a contribuinte a comprovar o alegado erro de fato quanto à apuração da CSLL – Estimativa Mensal do PA abril/2005, ou seja, a apresentar a escrituração contábil/fiscal (livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc) para confrontar a DIPJ e a DCTF primitiva quanto aos dados de apuração da CSLL do PA do débito confessado na DCOMP. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.928943/200931 Acórdão n.º 1802002.446 S1TE02 Fl. 244 12 Diante do exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar os óbices que implicaram na não análise do mérito do direito creditório pelo despacho decisório e pela decisão a quo, e devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso a DRF/DERATSão Paulo para que enfrente, no mérito, o direito creditório pleiteado (alegado erro de fato), a questão do débito confessado na DCOMP (alegado erro de fato) e demais questões atinentes à DCOMP objeto dos autos. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13888.000238/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/10/2004
Ementa:
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo incidente em suas aquisições.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS.
A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL.
Não há como reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural, por falta de expressa autorização em Lei.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO.
Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis - não cumulativo.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins - não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.
Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10637/2992 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÕES DE BENS PARA MERCADO REVENDA NO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A utilização dos créditos do PIS - Não cumulativo para fins de compensação ou ressarcimento só poderá ser realizada em relação a custos, despesas e encargos vinculados As receitas decorrentes de exportação de mercadorias para o exterior, não abrangendo, assim, os custos de aquisições de mercadorias para revenda no mercado interno.
PRELIMINAR. "PRECLUSÃO". COMPENSAÇÃO EXPRESSAMENTE HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DO DÉBITO. FALTA DE OBJETO.
Rejeita-se, por falta de objeto, pleito preliminar acerca de alegada "preclusão" do direito de o Fisco "desconsiderar a compensação realizada", em face do transcurso do prazo legal para homologação expressa, ante à constatação da extinção do débito a ela relativo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Regra geral, considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes.
Numero da decisão: 3401-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Robson José Bayerl divergiram quanto às despesas com oficinas; e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite Queiroz Lima e a Conselheira Ângela Sartori que davam provimento também quanto às despesas de arrendamento. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Eduardo Borges OAB/SP n.º 153.881.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 30/10/2004 Ementa: CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. Não há como reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural, por falta de expressa autorização em Lei. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis - não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins - não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10637/2992 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÕES DE BENS PARA MERCADO REVENDA NO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A utilização dos créditos do PIS - Não cumulativo para fins de compensação ou ressarcimento só poderá ser realizada em relação a custos, despesas e encargos vinculados As receitas decorrentes de exportação de mercadorias para o exterior, não abrangendo, assim, os custos de aquisições de mercadorias para revenda no mercado interno. PRELIMINAR. "PRECLUSÃO". COMPENSAÇÃO EXPRESSAMENTE HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DO DÉBITO. FALTA DE OBJETO. Rejeita-se, por falta de objeto, pleito preliminar acerca de alegada "preclusão" do direito de o Fisco "desconsiderar a compensação realizada", em face do transcurso do prazo legal para homologação expressa, ante à constatação da extinção do débito a ela relativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Robson José Bayerl divergiram quanto às despesas com oficinas; e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite Queiroz Lima e a Conselheira Ângela Sartori que davam provimento também quanto às despesas de arrendamento. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Eduardo Borges OAB/SP n.º 153.881. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite Queiroz Lima.
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INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 02 38 /2 00 5- 61 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Não há como reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural, por falta de expressa autorização em Lei. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10637/2992 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÕES DE BENS PARA MERCADO REVENDA NO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A utilização dos créditos do PIS Não cumulativo para fins de compensação ou ressarcimento só poderá ser realizada em relação a custos, despesas e encargos vinculados As receitas decorrentes de exportação de mercadorias para o exterior, não abrangendo, assim, os custos de aquisições de mercadorias para revenda no mercado interno. PRELIMINAR. "PRECLUSÃO". COMPENSAÇÃO EXPRESSAMENTE HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DO DÉBITO. FALTA DE OBJETO. Rejeitase, por falta de objeto, pleito preliminar acerca de alegada "preclusão" do direito de o Fisco "desconsiderar a compensação realizada", em face do transcurso do prazo legal para homologação expressa, ante à constatação da extinção do débito a ela relativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Robson José Bayerl divergiram quanto às despesas com oficinas; e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite Queiroz Lima e a Conselheira Ângela Sartori que davam provimento também quanto às despesas de arrendamento. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Eduardo Borges OAB/SP n.º 153.881. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida das Declarações de Compensação por meio da qual requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição para a PIS Mercado Externo, do regime não cumulativo, nos termos do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e, no que couber, Lei 10.833/2003 A contribuinte alega possuir créditos no valor de R$ 590.272,62, no período de apuração OUTUBRO DE 2004, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. A parcela de R$ 2,17 do citado crédito foi utilizada para a dedução da própria contribuição para a PIS apurada no período, como estabelece o art. 2° da citada Lei, restando, segundo a contribuinte, o valor de R$ 590.270,45 desse crédito para efetuar compensações com outros tributos de sua responsabilidade ou solicitar o ressarcimento ao final do período de apuração. A contribuinte requereu o aproveitamento desse valor restante de crédito, por meio de declarações de compensação (DCOMP), identificadas pelo Despacho Decisório DRF/PCA n. 1048/2009, às fls. 235/242. A auditoria fiscal (Termo às fls. 104/121) propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa no Despacho Decisório DRF Piracicaba n. 1048/2009, que, somadas, resultaram em R$ 301.923,05 e reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte para o valor de crédito reconhecido E DISPONÍVEL para as compensações para R$ 288.347,40. Foram as seguintes as glosas e respectivas justificativas constante dessa decisão da unidade de jurisdição: (i) bens utilizados como insumos Fl. 494DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 "Entendese como insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam, incluídos no ativo imobilizado (IN 404/04, art. 8o, § 4o c/c § 9o). Aliás, este conceito de insumo já se encontra consolidado na legislação do IPI, há muito tempo, dando suporte ao item 11 do Parecer CST n° 65 de 05/11/1979, o qual definiu claramente o conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem: " item 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente da ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis, geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente". Acrescentese: Pelo que se depreende do texto, acima citado, para gerar o direito ao crédito do imposto, o insumo tem que estar relacionado diretamente ao processo produtivo de fabricação do produto final; nele se transformando, a exemplo da madeira se transformando em móveis ou nele se consumindo, química e fisicamente, exemplo a lixa que se consume em contato com o produto final. Em decorrência da definição de insumo, todas as despesas e custos lançados nos centros de custo não diretamente relacionados ao processo produtivo deixaram de ser considerados, pela fiscalização como passíveis de gerar créditos. Quatro planilhas relacionam despesas e custos glosados pela fiscalização (fls.63/82), no valor de R$ 23.392,48 (= R$ 4.244,66+ R$ 10.220,55+ R$ 2.068,34 + R$ 6.858,93)." As citadas planilhas do Termo de Informação Fiscal se referem às seguintes despesas e custos e aos seguintes valores para apuração de créditos do PIS relacionados ao mercado externo (ME) PARA O MÊS DE OUTUBRO DE 2004: centro de custo descrição tipos de despesas valor total do mês outubro de 2004 DIRETORIA INDUSTRIAL combustíveis, materiais de manutenção R$ 21,20 MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL ferramentas operacionais, materiais manutenção civil, materiais de manutenção, materiais elétricos R$ 8,31 PROGRAMA ALIMENTAÇÃO TRABALHADORES alimentações R$ 1.598,14 oficinas mecânica (manutenção automotiva), elétrica (instrumenta) e de caldeiraria. serviços auxiliares e limpeza operativa. combustíveis; ferramentas operacionais; lubrificantes, material manutenção, materiais elétricos. R$ 597,60 armazéns de açúcar; armazém externo de açúcar; tonéis de álcool; tonéis de melaço. lubrificantes, material manutenção, consumo água, ... R$ 793,09 balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório industrial e micro; laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção armazenagem; transporte industrial; combustíveis; materiais manutenção, .... R$ 5.986,57 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 4 5 tratamento do caldo, armazéns de açúcar; armazém externo de açúcar; tonéis de álcool; tonéis de melaço; rede de restilo; refinaria granulado. contas 4301232301 e 4301181831 e 4301181929 e 4301181836 alimentações, materiais de construção, materiais elétricos, materiais e utensílios. R$ 4.797,01 TOTAL R$ 13.801,92 (iiA) Serviços utilizados como insumo: "São insumos os serviços prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos destinados à venda (IN SRF 404/04, art. 8o, § 4o c/c/ § 9o). Em decorrência da definição de insumo, todas as despesas e custos lançados nos centros de custo não diretamente relacionados ao processo produtivo não foram considerados, pela fiscalização, como passíveis de gerar créditos. Quatro planilhas relacionam despesas e custos glosados pela fiscalização ( fls. 71/72), no valor de R$ 28.804,85 (= R$ 6.326,76 + R$ 9.229,34+ R$ 7.823,18 + R$ 5.425,57)." As citadas planilhas do Termo de Informação Fiscal se referem às seguintes despesas e custos e aos seguintes valores para apuração de créditos do PIS relacionados ao mercado externo (ME) PARA O MÊS DE OUTUBRO DE 2004: centro de custo descrição tipos de despesas valor total do mês de outubro de 2004 oficinas mecânica (manutenção automotiva), caldeiraria e elétrica (instrumenta) mão de obra de manutenção PJ; mão de obra de terceiros PJ; serviços prestados PJ.. R$ 181,13 MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL mão de obra de manutenção PJ; mão de obra de terceiros PJ;. R$ 10,93 administração industrial corporativa e diretoria industrial, administração e planejamento industrial mão de obra de manutenção PJ; mão de obra de terceiros PJ; serviços prestados PJ.. R$ 857,71 brigada de combate a incêndio mão de obra PJ R$ 13,40 funcionários afastados industria mão de obra de terceiros PJ R$ 25,32 incentivo vale transporte indu. transporte de empregados R$ 2.409,04 armazéns de açúcar; armazéns externo de açúcar; toneis de alcool; toneis de melaço. mão de obra de manutenção PJ; mão de obra de terceiros PJ; serviços de máquinas PJ; serviços prestados PJ; mão de obra contratada; R$ 4.082,60 ÁREA DE VENDAS: contas contábeis 6101141407, 6101141411, 6101141413. mão de obra de terceiros PJ; serviços prestados PJ;. R$ 2.140,75 TRANSPORTE DE PESSOAL: contas contábeis 4301202003 E 4301202001. transporte TURMAS E EMPREGADOS PJ. R$ 4.810,83 TOTAL R$ 66.883,57 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Para a autoridade fiscal os serviços de manutenção em instalações próprias para armazenagem não dão direito a crédito, pois não são considerados insumos, tendo em vista que não foram consumidos no processo de fabricação das mercadorias, que obviamente já estavam acabadas por ocasião da armazenagem; e não dão direito a crédito as despesas de serviços prestados por PJ que "não são insumos do processo produtivo das mercadorias, pois são despesas específicas da área de vendas." (iiB) Gastos relacionados a bens adquiridos para revenda: A autoridade fiscal consigna que a contribuinte registrou custos e gastos "na conta contábil 3101043204 (CUSTO DE VENDAS MERCADO INTERNO) e calculou créditos sobre estes custos, vinculando, por rateio, uma parcela desses créditos às receitas do mercado externo (ME). Entretanto, pela própria descrição da conta utilizada, verificase que são custos vinculados exclusivamente ao mercado interno (MI). Assim sendo, tais créditos não podem ser utilizados para compensação, apenas para dedução ou desconto da contribuição. Rejeitados, portanto, para fins de compensação os seguintes créditos em OUTUBRO de 2004: conta custos de venda mercado interno = R$ 12.994,80. (iii) despesas de arrendamento: "É vedado o aproveitamento de créditos sobre o valor dos aluguéis de bens, quando devidos a pessoa jurídica domiciliada no País e não se enquadrem no conceito de prédios, máquinas e equipamentos, como por exemplo, o aluguel ou arrendamento de terrenos e propriedades rurais, entre outros ( Lei 10.833/2003, art. 3o, inciso IV). Pelo demonstrativo da contribuinte, constam despesas com arrendamento de propriedades rurais, as quais não se pode admitir, em face da legislação citada e transcrita. Glosado, por conseguinte, neste item, o montante de R$ 61.051,25." As citadas planilhas do Termo de Informação Fiscal se referem às seguintes despesas e custos e aos seguintes valores para apuração de créditos do PIS relacionados ao mercado externo (ME) PARA O MÊS DE OUTUBRO DE 2004: centro de custo descrição tipos de despesas valor total do outubro 2004 contas contábeis 4301212101, 4301212119, 4301212105. arrendamento agrícola PJ; arrendamento manaca/s.an; arrendamento agrícola coligadas.. R$ 28.971,95 (iv) bens e serviços adquiridos de pessoas físicas: "Há permissão legal para o aproveitamento de crédito presumido relativo às aquisições de bens ou serviços utilizados como insumos, em operações junto a pessoa física, a partir de 01/02/2003, quando da edição da Lei 10.684/2003, art. 25, ao Introduzir o § 10 ao art. 3o da Lei 10.637/2002 e Lei 10.925/2004, art. 16,1. a). Lei 10.684 de 30 de maio de 2003, art. 25. Nos centros de custo examinados observase que houve introdução de diversos custos e despesas, contratados junto a pessoas físicas, que não se enquadram como insumos, por isso, glosados como demonstrado por planilha à fl. 107, no valor de R$ 110.585,32." A autoridade fiscal reconheceu que as despesas pagas a pessoas físicas e vinculadas por rateio às receitas do mercado externo, podem ser usadas para apurar crédito presumido e desconto ou dedução da própria contribuição, MAS NÃO PARA COMPENSAÇÃO OU Fl. 497DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 5 7 RESSARCIMENTO. Ademais há gastos com pessoas físicas que a contribuinte pretendeu apurar crédito e que foram glosados, como demonstrado a seguir. As citadas planilhas do Termo de Informação Fiscal se referem às seguintes despesas e custos e aos seguintes valores para apuração de créditos do PIS relacionados ao mercado externo (ME) PARA O MÊS DE OUTUBRO DE 2004: centro de custo descrição tipos de despesas valor total de outubro 2004 contas contábeis 4301212116, 61011202017 e 4740 arrendamento agrícola PF; . R$ 78,25 contas 4210 e 4720 matérias primas fornecedores PF; geração de vapor (caldeiras). R$ 82.667,00 TOTAL v despesas com exportação: A contribuinte registrou na conta contábil 6101242421 (Despesas Portuárias) R$ 7.184.225,93 no período de apuração em questão. Desse total, a autoridade fiscal glosou R$ 5.351.935,31 por se referirem a despesas com serviços de operações portuárias e de embarque, e elas não poderiam se enquadrar como despesas de armazenagem e frete. Após essa glosa, restou o saldo de R$ 1.832.290,62. A autoridade fiscal também glosou neste mês em discussão as despesas de estadia (conta 6101242422), valor do crédito R$ 2.556,96, por não corresponder a serviço de frete ou armazenagem. Mas a autoridade fiscal apurou também que a contribuinte é comercial exportadora, que revende no mercado externo bens adquiridos no mercado interno. E o § 4º do artigo 6º da Lei n. 10.833, de 2003, c/c inciso III do art. 15 da mesma Lei, veda a apuração de créditos vinculados à receita desse tipo de exportação. Dessa forma, as parcelas dos encargos de exportação (despesas portuárias, despesas transporte rodoviário e despesas transporte ferroviário) proporcionais às receitas como comercial exportadora não podem ser aproveitadas como crédito. Somente a parcela proporcional às receitas com mercadorias de produção própria é que podem ser aproveitadas. O Despacho Decisório assim resume a apuração consoante essa proporcionalidade e o disposto no § 4º do art. 6º da Lei 10.833/2003: Considerando a atuação da empresa também como comercial exportadora, na proporção de 40,39% em outubro, 40,76% em novembro e 48,70 % em dezembro de 2004, fará jus ao crédito sobre as despesas de exportação, que após todas as glosas, montam: outubro R$ 8.706.692,94, novembro R$ 6.140.375,78 e dezembro R$ 6.278.488,95, realizando a seguinte operação: outubro ( 8.706,692,94 X 59,61% = R$ 5.190.059,66 X 1,65%= R$ 85.635,98) obtémse R$ 85.635,98 de crédito permitido. Em novembro (6.140.375,78 X 59,24% ). R$ 3.637.558,61 X 1,65% = R$ 60.019,72 de crédito permitido e em dezembro ( 6.278.488,95X 51,30%) = R$ 3.220.864,83 X 1,65% = R$ 53.144,30 de crédito permitido. Assim, considerando que a empresa havia calculado créditos de R$ 231.967,37, R$ 134.025,81 e R$ 132.916,91, respectivamente para os meses de outubro, novembro e dezembro as glosas efetuadas nos referidos meses foram de R$ 148.331,39, R$ 74.006,90 e R$ 79.772,61, perfazendo o importe de R$ 300.110.09. Também glosadas DESPESAS DE ESTADIAS, Conta 6101242422, nos meses de outubro a dezembro/2004, uma vez que não se caracterizam como insumos no processo produtivo e nem podem ser classificados como serviços de frete ou armazenagem. Valor da glosa no trimestre R$ 4.473,89. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 o a não cumulatividade do PIS e da COFINS é distinto da não cumulatividade do IPI e do ICMS; o conceito de insumo para o PIS e a COFINS não pode se basear no que determina a legislação do IPI; há vicio de ilegalidade; o especificamente em relação às glosas relativas aos bens utilizados como insumos. elas não podem prevalecer porquanto "tratamse de ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal". o sobre as despesas com combustíveis "... com relação aos combustíveis adquiridos para o transporte do produto para exportação e indispensáveis a atividade agroindustrial. Não há como se negar que a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços, e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, seja na colheita e nos transporte de matériaprima dos fundos agrícolas para a indústria, seja no transporte de máquinas, eguipamentos e, sobretudo, adubos e produtos guímicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados. Sem mencionar o transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização. Em decorrência da necessidade de constante vigilância das lavouras, em todo o seu estágio, são necessárias diligências diárias aos diversos fundos agrícolas por agrimensores, agrônomos e demais empregados qualificados para a finalidade de tratar da cultura." Todo esse transporte se faz em sua grande parte por meio de veículos próprios e de terceiros movidos à gasolina ou álcool ou, na hipótese de ônibus, óleo diesel. Sem combustível, portanto, não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeaçúcar. ... resta patente que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção intrinsecamente ligados ao processo agroindustrial e, conseqüentemente, à atividade da Recorrente. o "no item de serviços utilizados como insumos. todas as glosas são equivocadas e indevidas, tendo em vista que todos os itens indicados pela fiscalização também estão diretamente ligados ao processo produtivo". o são também indevidas as glosas dos custos relacionados com armazenagem e transporte do produto para fins de exportação, inclusive as demais despesas portuárias. "Não há como negar que essas despesas estão diretamente ligadas ao processo produtivo"; não pode ser aceita a glosa com as despesas de exportação, pois se referem a "serviços com o recebimento, armazenagem e embarque, ... e transporte rodoviário para os terminais portuários cujo nítido propósito é o transporte para exportação. ... O mesmo com as despesas de estadia .. que se referem ao custo adicional ao frete pela demora no recebimento da mercadoria pelo terminal portuário." E elas encontram amparo nos §§ 1º a 3º do art. 6º da Lei 10.833/2003. o "no amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado também o arrendamento de propriedades rurais, razão pela qual é legítimo o crédito pleiteado". E que, juridicamente, o imóvel rural pode ser considerado um "prédio rústico", como prescreve o art. 4o do Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64), conceito este posteriormente incorporado no texto da Lei n° Fl. 499DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 6 9 8.629/93, que tratou da reforma agrária. Neste sentido, aplicase à espécie o disposto no art. 1 1 0 do CTN; o não deve prosperar a indevida glosa dos créditos dos veículos utilizados pela recorrente, na medida em que também estão vinculados ao seu processo produtivo, com o transporte de cana (caminhões) e locomoção de funcionários do setor agrícola nas lavouras de canadeaçúcar. Destarte, deve prevalecer um conceito mais amplo de equipamentos e máquinas, de modo a abranger também os veículos utilizados no processo de produção agroindustrial. o sobre os bens e serviços adquiridos de pessoas físicas "não há dúvida de que os serviços de pessoas físicas mencionados (transporte de resíduos industriais vinhaça para aplicação na lavoura de cana de açúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar, etc), também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de créditos de Pis não cumulativo. " o sobre a glosa pela receita de exportação de mercadorias adquiridas no mercado interno "Igualmente não pode a recorrente se resignar com a glosa alusiva as despesas com exportação excluídas por proporcionalidade, porquanto tal exclusão vulnera a não cumulatividade do PIS e da COFINS, como acima elucidado." o sobre glosa das perdas com operações derivativas "Igualmente não há razões para a glosa das despesas relacionadas com perdas com operações derivativas (despesas e perdas com aplicações financeiras) porquanto o seu aproveitamento encontra amparo no artigo 3º, inciso V, da lei n. 10.833, 2003." Os julgadores a quo apreciaram a contestação, a autuação e demais documentos que instruem o processo, e firmaram as seguintes considerações e conclusões: 1. não apreciar as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade; 2. afastar a preliminar de "preclusão do direito do fisco desconsiderar a compensação, tendo em vista o disposto no § 5º do artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996, decurso dos cinco anos entre o pedido da DCOMP de 26/01/2005 e a decisão da administração em 03/02/2010; os julgadores de primeiro piso entenderam que não houve oposição á compensação, tendo sido ela homologada, e o débito informado na referida DCOMP não está incluído na cobrança decorrente do parcial reconhecimento do direito creditório; 3. considerar definitiva a glosa quanto a crédito presumido de agro indústria, por não ter sido contestada na impugnação; 4. analisaram a questão das glosas nos mesmos termos genéricos postos pela recorrente, sem se debruçar especificamente e individualizadamente nos itens glosados pela fiscalização (identificados pelas respectivas notas fiscais de aquisição); 5. sobre bens utilizados como insumos "nenhum dos itens relacionados pela recorrente, já reproduzidos (ferramentas operacionais e materiais de manutenção), podem efetivamente ser enquadrados na eonceituaçâo de insumos recém transcrita, porquanto não se tratam de matériasprimas ou Fl. 500DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 materiais de embalagem e tampouco desgastamse em contato direto com o produto em fabricação." 6. sobre combustíveis utilizados no transporte "a legislação equiparou os combustíveis aos demais bens considerados como insumos. desde que aqueles também sejam utilizados diretamente no processo produtivo, de fabricação do açúcar e do álcool destinado à venda. Portanto, não há que se falar em creditamento na aquisição de combustíveis utilizados no transporte da produção para a exportação ou mesmo da mãodeobra utilizada no processo agrícola, como pleiteou expressamente a recorrente. Em resumo, a aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda." 7. sobre serviços utilizados como insumos "também neste caso o direito arguido reportase ao conceito de insumos. Ou seja, apenas os serviços efetivamente utilizados (aplicados ou consumidos) na fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem gerar créditos do PIS/COFINS Não cumulativo. Tendo a fiscalização observado este critério nas glosas procedidas, reputo como também correio o procedimento fiscal, nesse aspecto." 8. sobre aluguel de propriedade rural " ..... as normas que criam direitos em matéria tributária devem ser interpretadas de forma restritiva. Isto porque tais direitos implicam, em última análise, cm renúncia fiscal a favor de uns em detrimento do interesse público da arrecadação de tributos. Nesse sentido, penso que ao intérprete/aplicador destas normas não é dado o direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendêlos a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de autoridade administrativa. Destarte, a meu sentir o direito à apuração de créditos do PIS Não cumulativo só alcança as despesas de aluguéis de prédios (obviamente, utilizados nas atividades da empresa), no sentido estrito da palavra, que não abrange a propriedade rural." 9. despesas de exportação as glosas se justificaram pela constatação que as despesas (despesas com embarque, despesas portuárias s/retenção) não podiam ser associadas a encargos com frete e armazenagem na operação de venda. E a contribuinte não apresentou prova do direito material que alega. E sobre a glosa pela proporcionalidade entre receitas de exportação e receitas de exportação com revenda, ela corresponde à prescrição legal que veda o aproveitamento de créditos de encargos desse tipo de receita de exportação por revenda. O Acórdão n.º 1434.308 proferido por unanimidade de votos em 27/06/2011 pela mui respeitável 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 PRELIMINAR. "PRECLUSÃO". COMPENSAÇÃO EXPRESSAMENTE HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DO DÉBITO. FALTA DE OBJETO. Rejeitase, por falta de objeto, pleito preliminar acerca de alegada "preclusão" do direito de o Fisco "desconsiderar a compensação realizada", em face do transcurso do prazo legal para homologação expressa, ante à constatação da extinção do débito a ela relativo. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 7 11 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento *da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS[PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS Não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos que dão direito ao creditamento do PIS Não Cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados A venda. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação As despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado A venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Pis Não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito de PIS Não Cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha, adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados A receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 No contexto de interpretação restritiva de norma que implica em renúncia fiscal, não há como reconhecer o direito A. apuração de créditos do PIS Não cumulativo em relação As despesas de aluguel de propriedade rural. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÕES DE BENS PARA MERCADO REVENDA NO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A utilização dos créditos do PIS Não cumulativo para fins de compensação ou ressarcimento só poderá ser realizada em relação a custos, despesas e encargos vinculados As receitas decorrentes de exportação de mercadorias para o exterior, não abrangendo, assim, os custos de aquisições de mercadorias para revenda no mercado interno. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário contra essa decisão e repisou as razões que compuseram sua contestação apreciada pela instância de 1º piso. Pede nulidade do acórdão recorrido e do despacho decisório ante a ausência de motivação da glosa ampla e genérica de todos os insumos vinculados á área rural, argumentando que prejudicou o direito à ampla defesa e ao exercício do contraditório. Pede, ainda, a realização de perícia ou diligência, indica quesitos e perito. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminares: Pedido de Nulidade das decisões por cerceamento do direito de defesa e prejuízo ao contraditório. A recorrente argumenta que a autoridade fiscal e os julgadores de primeiro piso realizaram glosa ampla e genérica baseada em um único fundamento: a descaracterização de todas as despesas vinculadas à área agrícola como insumos do processo produtivo do açúcar e do álcool. E que temse insuficiência da motivação, prejudicando o exercício do direito ao contraditório e ampla defesa pela recorrente, motivo por que ela pede nulidade do Acórdão recorrido e do Despacho Decisório. Após ler as peças da ação fiscal, as informações prestadas pela contribuinte, a sua manifestação de inconformidade, o acórdão recorrido e o recurso voluntário, chego a conclusão divergente da recorrente. A meu ver, o termo de informação fiscal e o despacho Fl. 503DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 8 13 decisório que o aprova e incorpora traz identificação detalhada dos itens glosados e os valores, e apresenta pormenorizadamente as razões para tanto. Do mesmo modo, o Acórdão recorrido, em nenhum momento, deixa de analisar as glosas, reportandose claramente ao disposto na decisão administrativa e termo de informação fiscal, e ao teor da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. O entendimento que fundamenta essas razões de glosa está consoante o disposto na IN SRF que a autoridade lançadora cita e que disciplina a matéria. O fato desse entendimento se reproduzir para cada ítem glosado não constitui uma razão genérica e ampla. Ao contrário, ele é suficientemente específico, preciso e claro. Tanto é assim, que não vi prejuízo à defesa e ao contraditório nesse âmbito. A recorrente pode combater esse entendimento e trazer entendimentos diferentes para argumentar pela sua insubsistência. O mesmo não se pode constatar na manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra a decisão administrativa. A contribuinte, nessa peça, não logrou, em muitos dos itens glosados, apresentar as razões específicas por que elas não devem ser mantidas, e também, a contribuinte não logrou demonstrar ou comprovar o que alegou ou argumentou. Os Julgadores a quo constataram essa característica da manifestação de inconformidade e tiveram que analisar o contraditório, considerando o que a contribuinte trazia de argumentos, evidências e provas, para chegar à conclusão e julgamento. Os julgadores de primeiro piso não podiam suprir o que a própria contribuinte deixou de apresentar em sua contestação. Portanto, entendo que não procede a afirmação da recorrente, de que o Acórdão e o Despacho Decisório se basearam em entendimento genérico e amplo. Do mesmo modo, não vi prejuízo à defesa e ao contraditório, inclusive por que a recorrente não os demonstram. Proponho que não seja aceita a preliminar de nulidade. Pedido de realização de perícia ou diligência: A recorrente solicita a realização de diligência e perícia. Indica perito e quesitos. Mas elas não me parecem necessárias. As informações fiscais e os documentos acostados aos autos são suficientemente detalhados para que possamos apreciar o mérito e chegarmos a conclusões. Por outro lado, não acolho a visão processual que favorece à realização de diligência ou perícia que acaba por suprir o que caberia à recorrente ter providenciado pretérita e oportunamente. Sendo assim, proponho a este Colegiado o indeferimento do pedido de realização de diligência, por entender que ele nada de efetivamente substantivo acrescentaria ao processo. Pedido de reconhecimento preliminar de "preclusão" para a administração desconsiderar a ocorrência da homologação da declaração de compensação pelo decurso do prazo de cinco anos: A recorrente retoma o pedido, também feito na manifestação de inconformidade, para que se reconheça a homologação tácita do pedido de compensação que ele afirma ter sido realizado em outubro de 2004 (fls. 457). A seu ver, teria se dado o decurso Fl. 504DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 do prazo de cinco anos e, nessa situação, se aplicaria o disposto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. O Acórdão recorrido não negou o reconhecimento desse direito, e explicou que a referida compensação está abrangida pela parte favorável à contribuinte na decisão que considerou homologada parte das declarações de compensação. às fls. 236, no Despacho Decisório da autoridade administrativa, podemos verificar que a contribuinte apresentou vários pedidos de compensação, procurando aproveitar o direito creditório aqui em discussão. O primeiro deles se deu em 26/01/2005. É a esse primeiro pedido de compensação que a recorrente se refere, e não aos outros que o sucederam. Nesse particular, vejo que a decisão dos julgadores de primeiro piso não merece reparos. De fato, o direito creditório parcialmente reconhecido foi aproveitado para as declarações de compensação até o limite desse valor reconhecido, e entre elas, sem dúvida, se inclui aquela declaração de compensação (entregue em 26/01/2005) cuja homologação se deu pelo decurso do prazo do § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996. Por esposar de igual entendimento, peço licença para reproduzir aqui o argumento e conclusão dos julgadores a quo a esse respeito: Carece de objeto a preliminar aduzida pela recorrente quanto ao seu pleito pelo reconhecimento da preclusão do direito de o Fisco "desconsiderar a compensação declarada por meio da DCOMP que inaugurou o processo administrativo em julgamento. Explico. Com efeito, vêse que o processo foi formalizado em 26/01/2005. E. como visto, a ciência da decisão recorrida só foi procedida em 03/02/2010. quando. de fato, já havia transcorrido prazo superior àquele que a lei prescreveu para que o Fisco pudesse se opor à compensação declarada, ex vi do art. 74, § 5°, da Lei n°9.430/1996, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação. de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n.º 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega. pelo sujeito passivo de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (incluído pela Lei n.º 10.637, de 2002); § 2" A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n.º 10.637, de 2002); (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n.º 10.833, de 2003) Ocorre que o Fisco não se opôs à referida compensação. tendo ela sido expressamente homologada em face da existência de crédito suficiente para tanto, como se denota nos extratos de fls. 252/258. Em conseqüência da homologação expressa, o debito informado na referida DCOMP não está incluído na cobrança decorrente do parcial reconhecimento do direito creditório (suspensa em face da reclamação que ora se julga), razão pela qual há que se concluir pela falta de objeto do protesto preliminar. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 9 15 Proponho a este colegiado não acolher a preliminar de 'preclusão', por falta de objeto. Mérito Prolegômenos O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social. Ela, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. A Constituição Federal cria a incidência desses tributos sobre a receita ou a faturamento. Mas, são as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção. Além disso, essas leis, regulam o PIS e a COFINS e pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, prevêem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. A regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. E mesmo as regras das Leis acima citadas, que se apresentam como sob o manto desse regime de não cumulatividade, não correspondem à lógica e regime previsto para o IPI. Mas o uso da mesma expressão pareceme pode causar confusão para os neófitos da matéria. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Para disciplinar o creditamento, que abate o valor devido, essas leis informam e disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade desse tributo está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 16 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Apesar de mal traçadas, essas breves considerações representam, a meu ver, a lógica da não cumulatividade do PIS e da COFINS expressa na leitura conjugada dos artigos dessas Leis. Não faz sentido que se possa gerar creditamento a partir da ocorrência de fatores que não tenham relação de causação ou de concorrência para com a geração da receita a ser tributada. Contradiz essa lógica ler os incisos e §§ do artigo 3º desconectados dos demais artigos da mesma Lei, principalmente os artigos 1º e 2º. Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. As duas primeiras perspectivas, (1º) para se tratar insumos no PIS e na COFINS a partir da legislação do IPI, malgrado ser a esposada pela Receita Federal em suas normativas, e (2ª) a que se alinha com a legislação do Imposto de Renda, vêm sendo questionadas recorrentemente. Reproduzo, a título de exemplos, trecho do bem fundamentado voto do I Conselheiro Maurício Taveira e Silva proferido no Acórdão n. 3301000.954, refletindo a intensidade crescente dos debates: Fl. 507DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 10 17 O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. (...) Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. A recorrente invoca o entendimento do IRPJ para servir de fonte aos critérios de determinação dos insumos para o PIS e para a COFINS. Mas não me parece que seja ele adequado. É verdade que a legislação do IRPJ possui uma longa trajetória de existência e consolidação, mas, a principio, creio que a sua simples transposição pode gerar mais Fl. 508DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 18 imprecisões que soluções. Aproveito também o raciocínio da I Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas a esse respeito, em seu alentado Acórdão 3302002.262: Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 290 e 299 do RIR/99. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e Cofins não cumulativos. Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essa decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito Fl. 509DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 11 19 de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumoprocessoproduto/serviço destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. Perdoemme mais uma vez pela brevidade nas considerações. Reconheço que Conselheiros desta Alta Corte têm dedicado longos estudos à matéria e têm produzido artigos e votos que, pela profundidade do conhecimento e da análise, acabam por se constituir em ensinamentos e abastadas fontes para nossa aprendizagem e reflexão. Este voto nada pretende acrescer nos debates em andamento. Está sendo ele proferido sob o manto da cautela, mas com convicção, pela constatação de que, apesar das leis em comento estarem vigentes, o direito correspondente ainda está em construção. Fazme necessário esclarecer que entendo que produção abrange fabricação; mas o inverso não é verdadeiro: fabricação está contida em produção. E também industrialização está contida em produção. Mas nem fabricação, nem industrialização compreende a totalidade das possibilidades da produção. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 20 Quando se industrializa, se produz. Quando se fabrica, se produz. Mas há produções que não são industrialização e que não são fabricação. Produzir, em um sentido lato, é dar existência, gerar, fornecer, fazer, realizar, fabricar, manufaturar. Mas, para o âmbito da Lei em discussão, produzir subentende um agir humano, deliberado e com propósito, e capaz de atrair interesse jurídico. Há criação resultante de um esforço físico e mental. Ainda para o âmbito da Lei em discussão, as atividades de produção de bens, regra geral, não se confundem com outras atividades do empreendimento, tais como: vendas, publicidade, comercialização, finanças, administração, pesquisa e desenvolvimento, projetos, e outras. Muito bem, prosseguindo: a meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Mérito propriamente dito Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 12 21 Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. No caso em discussão neste processo, e divergindo da autoridade fiscal e dos julgadores a quo, entendo que o preparo da cana de açúcar para ser ela um insumo da industrialização do açúcar e do álcool é, sim, etapa do processo de produção do açúcar e do álcool. E, sendo assim, há que se identificar que despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. As informações presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. Das glosas dos bens utilizados como insumos: Inicialmente, neste tópico, esclareço que me parece informação evidente, de domínio público, que o processo de colheita de cana e o seu aproveitamento para o processo de produção de açúcar e álcool, quando em escala industrial, implica em operações realizadas ininterruptamente, dia e noite, durante semanas, até meses. Ademais, não só essa extensão, intensidade e freqüência de uso, mas também os efeitos abrasivos e erosivos da natureza do Fl. 512DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 22 material colhido, promovem desgaste substantivo nos instrumentos usados nessas operações. Por isso, julgo razoável que as ferramentas de operação e os materiais elétricos e de manutenção efetivamente aplicados no processo de colheita e tratamento dessa matéria prima possam ser considerados como não ativados ou imobilizados. Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas (a) Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços de limpeza operativa, de serviços auxiliares, de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atendem ao critério para caracterização como insumos. (b) CONTUDO, as despesas relacionadas aos centros de custos: "Diretoria Industria,", "Manutenção Conservação Civil" e "Programa Alimentação trabalhador" (valor total no período = R$ 1.627,65), não têm demonstradas pela recorrente a sua característica de insumo e a sua vinculação com o processo de produção propriamente dito e com os produtos vendidos. por falta de comprovação e previsão legal, entendo que as glosas devem ser mantidas. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste item. Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Proponho dar provimento ao recurso neste item. Sobre as despesas relacionadas a armazenamento Pareceme que as despesas e custos glosadas neste processo não são de armazenagem. As atividades que cuidam dos estoques dos insumos, dos bens em fase de processamento, dos semiacabados e dos acabados que ainda não estão prontos para comercialização podem ser, a meu ver, como necessárias ao processo de produção. Portanto, divirjo das decisões anteriores, pois entendo que as despesas com materiais de manutenção, materiais de acondicionamento, materiais elétricos, lubrificantes e combustíveis empregados nas atividades de estocagem são insumos no processo de produção da cana de açúcar e do açúcar e do álcool. Proponho dar provimento ao recurso neste item. Sobre a glosa das despesas de materiais elétricos e de alimentação das contas contábeis 4301181829 e 4301232301 A autoridade fiscal efetuou esta glosa porque eles não teriam sido diretamente consumidos na produção da matéria prima cana de açúcar. A recorrente não contesta especificamente essa glosa, e também não apresenta elementos que possam invalidála, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção. Por falta de comprovação de se tratar de insumo e falta de amparo legal, proponho manter a glosa. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 13 23 Das glosas dos serviços utilizados como insumos: Glosa das despesas e custos com serviços de manutenção das oficinas e dos armazéns pagos a pessoas jurídicas a autoridade fiscal afirma que esses tipos de despesas não correspondem ao conceito de insumo pois não estão diretamente relacionados ao processo da fabricação do açúcar e do álcool. Mas pareceme que razão assiste à recorrente. Como já visto anteriormente, o conceito de insumo não pode ficar adstrito ao haurido a partir da legislação do IPI. Separo a apreciação dessas glosas em dois itens. (a) As atividades das oficinas e de estocagem que atendem as outras atividades de preparo da cana de açúcar e de fabrico do açúcar e do alcool são parte do processo de produção. As despesas pagas a pessoas jurídicas para a manutenção dos equipamentos e instalações pertencentes às oficinas e depósitos dedicados ao processo de produção podem gerar creditamento. (b) Contudo, a recorrente não demonstra se tratar de insumos ou como se integram com o processo de produção os serviços prestados por pessoa jurídica para os seguintes centros de custo: "MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL", " ADMINISTRAÇÃO INDUSTRIAL CORPORATIVA", ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO INDUSTRIAL", DIRETORIA INDUSTRIAL, FUNCIONÁRIOS AFASTADOS INDÚSTRIA, INCENTIVO VALE TRANSPORTE INDUSTRIAL, BRIGADA DE INCÊNDIO (valor total no período R$ 3.316,40), donde concluo que, por falta de comprovação e falta de previsão legal, elas não podem gerar crédito pelos valores pagos. Essas glosas, a meu sentir, devem ser mantidas. Proponho dar parcial provimento ao recurso neste item. Glosa das despesas pagas a pessoas jurídicas e lançadas nas contas contábeis 6101141407, 6101141411 e 610114113 A autoridade fiscal glosou por se referirem ao setor de vendas da contribuinte, e não ter relação com a produção. A recorrente não contesta especificamente essa glosa, e também não apresenta elementos que possam invalidála, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção. Por falta de comprovação de se tratar de insumo e falta de amparo legal, proponho manter a glosa. Glosa das despesas de transporte lançadas nas contas contábeis 4301202001 e 4301202003 pagos a PJ a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não podem ser consideradas insumo e não podem gerar credito na apuração do PIS. Nesse ponto, entendo que razão assiste à recorrente quando se trata de custos agrícolas, pois elas se referem a transporte de pessoal no âmbito das colheitas, e, a meu ver, guardam relação direta com a produção de cana de açúcar. Entendo que a glosa não deve ser mantida, pois se trata de insumo necessário tendo em vista as especificidades do processo da colheita de cana de açúcar. Proponho dar provimento ao recurso neste aspecto. Glosa referente às despesas relacionadas aos bens adquiridos para revenda no mercado interno: As autoridades fiscal e administrativa identificam que a contribuinte registrou custos e gastos "na conta contábil 3101043204 (CUSTO DE VENDAS MERCADO Fl. 514DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 24 INTERNO) e calculou créditos sobre estes custos, vinculando, por rateio, uma parcela desses créditos às receitas do mercado externo (ME). Entretanto, pela própria descrição da conta utilizada, verificase que são custos vinculados exclusivamente ao mercado interno (MI). Assim sendo, em sua visão, tais créditos não podem ser utilizados para compensação, apenas para dedução ou desconto da contribuição. Rejeitam, portanto, para fins de compensação os créditos em OUTUBRO relacionados a custos de venda mercado interno = R$ 12.994,80. A recorrente alega que há previsão legal. E que os bens vendidos para o exterior permitem que o exportador aproveite créditos nos termos do art. 3º (§ 8º) da Lei 10.833/03 e compense com débitos próprios. E que não há razão para a glosa, pois l lançamento na conta de custo de vendas no mercado interno foi feito por simples impossibilidade de saber no momento da operação o que seria exportado e o que seria vendido no mercado nacional. Pareceme que a recorrente não logra demonstrar o suposto direito que alega. Nesse ponto, concordo com os julgadores a quo, cuja argumentação reproduzo: "De fato, não se trata aqui de apropriar créditos relativos a despesas comuns a operações sujeitas à cumulatividade e não cumulatividade, como alegou a recorrente, e, sim, tão somente, do destino das créditos apropriados, relativos à aquisições de bens no mercado interno. Ou seja, a glosa procedida pela fiscalização não correspondeu a uma negativa do direito ao creditamento realizado pela contribuinte, como incorretamente entendeu a recorrente. OS créditos, em si, não foram contestados pela autoridade fiscal. O que foi contestado foi apenas a sua utilização, que não poderia se dar para fins de compensação ou ressarcimento, como feito pela contribuinte, porquanto não se relacionavam com operações de exportação. (..) Em resumo, a utilização dos créditos da contribuição em regime não cumulativo para fins de compensação ou ressarcimento só poderá ser realizada em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de mercadorias para o exterior, não abrangendo, assim, os custos de aquisições de mercadorias para revenda no mercado interno." Por esposar o mesmo entendimento dos julgadores de primeiro piso, proponho não se dar provimento ao recurso voluntário neste item. Glosas de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas a autoridade fiscal glosou arrendamento agrícola pago a pessoa física, despesas de geração de vapor caldeiras pagos a pessoas físicas e gastos de fornecimento pagos a pessoas físicas. A recorrente alega que os gastos pagos a pessoas físicas "(transporte de resíduos industriais — vinhaça — para aplicação na lavoura de canadeaçúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar, etc.) , também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de crédito de PIS não cumulativo. A meu ver, a recorrente não apresenta argumento congruente com os itens glosados, e silencia a respeito das despesas de arrendamento pagos a pessoas físicas. Entendo que a legislação não acode a recorrente: o § 5º do artigo 3º da Lei n. 10.833, de 2003, e a Lei n. 10.637/2002 (art. 3º § 10), admitiam que se pudesse deduzir do PIS Fl. 515DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 14 25 devido em cada período de apuração os créditos presumido calculado sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas e usados como insumos ao processo de produção. § o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do art. 2o; I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) A meu ver, correto foi o entendimento fiscal que identificou e delimitou os gastos pagos a pessoas físicas que podem dar direito ao aproveitamento de crédito presumido no mês de apuração do tributo (a partir de 01/02/2003, quando da edição da Lei 10.684/2003, art. 25, ao Introduzir o § 10 ao art. 3o da Lei 10.637/2002 e Lei 10.925/2004, art. 16,1. a). Lei 10.684 de 30 de maio de 2003, art. 25.). Ademais as despesas de arrendamento não podem ser aceitas, pois a recorrente não contesta a glosa, nem traz elementos que demonstrem que elas se constituem em insumos. Proponho não dar provimento ao recurso neste item. Glosa das despesas com aluguel e arrendamento rural A autoridade fiscal propôs a glosa das despesas com arrendamento agrícola e rural por não se enquadraram na hipótese do inciso IV do art. 3º das Leis em comento. Não consigo acompanhar a recorrente em sua argumentação de que o vocábulo 'prédios' desta hipótese legal abrange as propriedades rurais. A meu ver, não há essa equivalência e carece, no texto legal, a expressa autorização para creditamento desse tipo de gasto (arrendamentos rural e agrícola). Proponho não dar provimento ao recurso neste item, por falta de previsão legal. Glosa das despesas portuárias e de estadia nas operações de exportação a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não faziam jus ao creditamento por que lhes falta a previsão legal. Elas se referem a gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação e embarque e estadia. A esse respeito a recorrente afirma, sem demonstrar, que elas estão ligadas diretamente ao processo de produção ou que elas deveriam ser consideradas como de frete ou armazenagem. Os valores de despesas com estadia foram integralmente glosados (R$ 2.556,96). As despesas portuárias foram parcialmente glosadas: valor total de despesas portuárias R$ 7.184.225,93 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 26 valor glosado R$ 5.351.935,31 valor despesas portuárias não glosados R$ 1.832.290,62 Concluo sublinhando que, a meu ver, as despesas glosadas não se confundem com o frete ou a armazenagem, nem podem ser consideradas insumos, como propõe a recorrente, e que não há previsão legal para o creditamento desse tipo de despesa. Proponho não dar provimento ao recurso neste aspecto. Glosas das despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação Do valor das despesas portuárias não glosadas (R$ 1.832.290,62), e das despesas de transporte rodoviário (conta 6101242401) que somam no trimestre R$ 6.842.717,55 e das despesas de transporte ferroviário (conta 6101242411_ que somaram R$ 31.684,77 , a autoridade fiscal aplicou o que dispõe o § 4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, c/c inciso III art. 15 da mesma Lei, ou seja, apurou o valor correspondente à proporção de receitas de exportação de bens adquiridos no mercado interno sobre o total das receitas. A recorrente não se resigna com a glosa alusiva às despesas com exportação excluídas por proporcionalidade. Ela firma que essa exclusão vulnera a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Contudo, a contribuinte não apresentou prova do que alega. Ocorre que o texto do § 4º do artigo 6º da Lei n. 10.833, de 2003, c/c inciso III art. 15 da Lei 10.637/2002, é cristalino a respeito: art. 6º A COFINS não incidirá sobre sa receitas decorrentes das operações de: (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedado, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. A recorrente não contradita o fato de ser comercial exportadora e ter receita de exportação proveniente de bens adquiridos no mercado interno e exportados, nem contesta a apuração dos percentuais adotados pela autoridade fiscal para os cálculos. Foi correta a glosa pela proporcionalidade entre receitas de exportação e receitas de exportação com revenda, pois ela corresponde à prescrição legal que veda o aproveitamento de créditos de encargos desse tipo de receita de exportação por revenda. Do total de R$ 231.967,37 de crédito inicialmente calculado pelo próprio contribuinte, a autoridade fiscal corretamente glosou R$ 146.331,39, e manteve o crédito de R$ 85.635,98. Proponho manter a glosa e não dar provimento ao recurso neste item. Conclusão: Concluindo, proponho dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos exposto neste voto, e considerar homologadas as compensações até o limite do valor líquido assim determinado, após a dedução das glosas e do valor que foi aproveitado como crédito para deduzir a própria contribuição. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000238/200561 Acórdão n.º 3401002.887 S3C4T1 Fl. 15 27 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 518DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10715.001367/2010-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Considera-se intimado o contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, que fica limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração..
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9.
"É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considerase intimado o contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, que fica limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração.. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 13 67 /2 01 0- 28 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.001367/201028 Acórdão n.º 3801005.346 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.001367/201028 Acórdão n.º 3801005.346 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos do auto de infração e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através de Declarações de Exportação (DE's) listadas na planilha de folhas 10 a 13, no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no artigo 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005. Conforme demonstrado na planilha anexa ao auto de infração, as mercadorias foram embarcadas, mas os "dados de embarque" no SISCOMEX foram registrados após o prazo de 2 dias para tal registro. Assim, entendendo estar caracterizada a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 para cada veículo transportador em que a informação de dados de embarque não foi prestada, no SISCOMEX, no prazo (2 dias). Cientificada, via postal (AR fl. 16) em 08/04/2010 a interessada não apresentou impugnação tempestivamente, vindo somente a apresentar a peça de defesa em 07/07/2010, onde, entre outras alegações, suscita como preliminar a tempestividade da peça de defesa. Aduz que só tomou conhecimento do presente feito ao efetuar consulta rotineira sobre sua situação fiscal, requerendo então, cópia integral do presente processo, só vindo a ser cientificada na data do recebimento da citada cópia. Que não possui em seus quadros funcionário ou representante legal com o nome daquele que "recebeu" a correspondência. Que tal pessoa é porteiro do prédio localizado no número 311, mas a impugnante fica localizada na Loja B do número 311, a correspondência foi entregue em endereço errado. Requer seja acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração, subsidiariamente seja reconhecida a improcedência do auto de infração e, que as intimações sejam enviadas ao seu advogado. Posteriormente à apresentação da peça de defesa a interessada anexou aos autos: a) documento requerendo seja concedido o benefício da retroatividade benigna em razão. da modificação introduzida pela Instrução Normativa RFB n° 1.096/10, que Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.001367/201028 Acórdão n.º 3801005.346 S3TE01 Fl. 5 4 ampliou o prazo para registro da informação (7 dias); b) cópias de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais relacionadas à casos semelhantes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) não conheceu da Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, não se devendo dela conhecer. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando: · a preliminar de tempestividade da impugnação apresentada e a necessidade de análise do mérito; · que a correspondência foi enviada para o endereço correto, mas foi entregue no endereço errado, não tendo sido recebida por prepostos da Recorrente; · que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010 deixouse de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias; · e pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia espontânea ao presente caso ; · que não houve qualquer dano ao Erário devendo ser encaminhado ao Secretário da Receita Federal do Brasil para apreciação do presente pedido de relevação da pena, o qual encontra amparo no artigo 736, do Regulamento Aduaneiro/2009. É o Relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.001367/201028 Acórdão n.º 3801005.346 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente, verificase que impugnação apresentada não foi conhecida pela autoridade julgadora de 1ª Instancia face a intempestividade da mesma. A recorrente alega que a correspondência foi enviada para o endereço correto, mas foi entregue no endereço errado, não tendo sido recebida por prepostos da Recorrente. A intimação/citação teria sido recebida pelo Sr. Francisco S. Lima, que não pertence aos seus quadros de funcionários e/ou representantes legais e que seria porteiro do prédio localizado no número 311, em 08/04/2010, no endereço localizado na Avenida Rio Branco n.° 311, no entanto o endereço da Recorrente fica localizado na LOJA B do n.°311, onde estava localizada a sua sede. Tendo sido suscitada como preliminar a tempestividade da impugnação foi analisada a questão no acórdão recorrido,chegandose a conclusão de que a intimação realizada é plenamente válida e tendo sido apresentada a peça de defesa fora do prazo previsto no artigo 15 do Decreto n° 70.235/72, resta caracterizada a sua intempestividade. De fato, nesse aspecto, não assiste razão à recorrente. O artigo 15 do Decreto n.º 70.235/1972 dispõe sobre o prazo para interposição de impugnação da exigência pela lavratura de auto de infração:. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. No presente caso foi lavrado Auto de Infração, cuja ciência se deu por via postal comprovada por aviso de recebimento –AR com data de 08/04/2010, de fls. 15. A impugnação, às fls. 19/40 foi protocolada em 07/07/2010, ultrapassado portanto o prazo regulamentar previsto para a interposição do recurso. O inc. II do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72 autoriza a intimação por via postal, com prova do recebimento, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.001367/201028 Acórdão n.º 3801005.346 S3TE01 Fl. 7 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (grifado) Alega a recorrente que a pessoa que firmou o AR não pertence aos seus quadros de funcionários e/ou representantes legais e que a intimação foi enviada a endereço incorreto ensejando a nulidade da citação. O domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo era, como se depreende do extrato de folhas 18: AV RIO BRANCO, 311 LOJA B SUBSOLO E SOBRELOJA CENTRO RIO DE JANEIRO – RJ, CEP 20040009, que coincide com o endereço para o qual foi enviada via postal a intimação, constando no aviso de recebimento –AR a assinatura do recebedor da correspondência, o Sr. FRANCISCO S. LIMA. Comprovado que o endereço para o qual foi enviada via postal a intimação coincide com o endereço postal por ele fornecido, afastase a nulidade nesse aspecto. Quanto ao fato de que o aviso de recebimento não tenha sido firmado por preposto da empresa, o entendimento é que é regular o recebimento do AR por qualquer pessoa que se encontre no domicílio do contribuinte. Neste sentido segue jurisprudência: INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL – REGULARIDADE. A intimação por via postal considerase perfeita quando o AR tenha sido encaminhado para o domicílio fiscal do contribuinte, ainda que recebido pelo porteiro. (Acórdão n.º 10806.254, Sessão de 18/10/2000) Este entendimento também consta na Súmula nº 09 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ,que deve ser observada pelos Conselheiros, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF: SÚMULA CARF N.o 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.001367/201028 Acórdão n.º 3801005.346 S3TE01 Fl. 8 7 Não há, portanto, o que se falar em qualquer tipo de nulidade no ato notificatório, já que o contribuinte foi notificado regularmente, conforme previsto no art. 23, inciso II do Decreto Nº 70.235/72. Assim, não vislumbro qualquer vício quanto à ciência da intimação e, conseqüentemente, foi intempestiva a impugnação. No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei, sem que ocorra a apresentação da Impugnação, não se instaura o litígio, tal como estipulado no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, ficando assim prejudicada a análise das questões de mérito, não merecendo reforma o Acórdão recorrido. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 203DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13161.720182/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, quanto: (a) à exata localização das glebas e seus limites, para fins de verificação de contiguidade e (b) às àreas constantes da DITR, do ADA e da Averbação no Registro de Imóveis, referentes à Reserva Legal e à Área de Preservação Permanente de cada gleba, nos termos do voto da relatora. Especificamente quanto ao item (a) deverá ser elaborado relatório circunstanciado dos fatos apurados, com abertura do prazo de 30 dias, para manifestação da contribuinte.
LUIZ EDUARDO DE OLIVERIA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, quanto: (a) à exata localização das glebas e seus limites, para fins de verificação de contiguidade e (b) às àreas constantes da DITR, do ADA e da Averbação no Registro de Imóveis, referentes à Reserva Legal e à Área de Preservação Permanente de cada gleba, nos termos do voto da relatora. Especificamente quanto ao item (a) deverá ser elaborado relatório circunstanciado dos fatos apurados, com abertura do prazo de 30 dias, para manifestação da contribuinte. LUIZ EDUARDO DE OLIVERIA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .7 20 18 2/ 20 08 -0 1 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720182/200801 Resolução nº 2101000.201 S2C1T1 Fl. 3 2 Recurso Voluntário e de Ofício contra a decisão proferida no Acórdão 04 24.924 da 1a. Turma da DRJ/CGE, que considerou procedente em parte a impugnação do contribuinte relativamente ao crédito tributário lançado para o imóvel rural denominado Fazenda Barra Dourada remanescente Gleba 2 (incluindo também as áreas das Glebas 3A e 3B), NIRF 03528472, localizado no município de DouradosMS. A decisão do Acórdão de Impugnação restou assim ementada: AREA CONTÍNUA. Para fins de tributação pelo ITR, as áreas continuas de um mesmo proprietário formam um único imóvel rural. AREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é necessário comprovação de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao IBAMA, no prazo previsto na legislação tributária. Tratase de um imóvel rural que fora dividido em 5 glebas, sendo que três delas pertenciam à recorrente no ano calendário. Foram apresentadas 3 Declarações de ITR pela recorrente. Apesar disso, em um primeiro momento, a autoridade fiscal entendeu que, na data do fato gerador, as 5 glebas eram de propriedade da recorrente. Assim, modificou as informações do imóvel Gleba 2 para conter os dados de toda a propriedade antes da divisão. Desta forma, teria incluído duas glebas que não mais pertenciam à contribuinte. Na análise da Impugnação, a DRJ, baixou o processo em diligência para que as glebas pertencentes à recorrente fossem consideradas contínuas e sob um único NIRE. As áreas restantes da divisão por georreferenciamento, isto é, Gleba 2, Gleba 3A e 3B, compreendem um total de 6.560,9ha. A ciência ao Acórdão de Impugnação ocorreu em 30/06/2011 e o Recurso Voluntário foi interposto em 01/08/2011(fl. 299 numeração manual). O contribuinte repisa as razões da impugnação e mais as que seguem. 1. Até o ano de 2005 o imóvel possuía um único cadastro no INCRA e na SRF, números 913.065.034.2740 e 3528472 (NIRF), respectivamente, que englobava uma área de 9.019,30ha. 2. A partir de 2005, em razão da aprovação do georreferenciamento do imóvel, o mesmo foi dividido em cinco glebas de terras distintas, cujas matrículas são: 76.035, 77.187, 76.504, 76.505 e 75.788, do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Dourados/MS, assim distribuídos: GLEBA ÁREA NIRF INSC. IMOB. PROPRIETÁRIO 1 1.107,6740ha Cia. Pazo de Ribas 2 3.065,2047ha 03528472 77.187 Aglaé Mazorra Fernandez 3A 3.062,7513ha 71768556 76.504 Aglaé Mazorra Fernandez 3B 432,9867ha 71769447 76.505 Aglaé Mazorra Fernandez Fl. 672DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720182/200801 Resolução nº 2101000.201 S2C1T1 Fl. 4 3 4 1.647,085ha C&J Serviços Empresariais e Participações Ltda. 3. A partir de 2006 efetuou as declarações de ITR somente dos imóveis de sua propriedade, individualmente, Glebas 2, 3A e 3B. 4. Recebeu notificação de lançamento (01402/00096/2008) relativo à Gleba 2, no valor total de R$ 4.205.884,12. Não foram consideradas as áreas de reserva legal nem as de preservação permanente (por falta de Ato Declaratório Ambiental ADA) e ainda se procedeu ao lançamento de uma área maior que as da propriedade (9.316,70ha). 5. A recorrente havia efetuado a Declaração de ITR da referida gleba, utilizandose das exclusões tributárias estabelecidas em lei conforme art. 2 e 16 da Lei 4.771/65. Entende que as áreas cobertas por florestas, declaradas pela recorrente como de utilização limitada não poderiam ter sido desconsideradas em razão da não apresentação de ADA junto ao IBAMA referente ao exercício 2006. 6. Com a divisão da matrícula, a partir de 1/01/2006, somente as Glebas 2, 3A e 3B da antiga Fazenda Barra Dourada, com extensão de 6.560,9427ha, matrículas imobiliárias 77.187(Gleba 2: 3.065,2047ha), 76.504 (Gleba 3A: 3.062,7523ha) e 76.505 (Gleba 3B: 432,9867ha) pertencem à recorrente. 7. Por não ser mais a proprietária das Glebas 1 e 4 a partir de 1/01/2006 e por já haver procedido a declaração e recolhimento dos impostos das Glebas 3A e 3B, não considera correto que a Gleba 2 tivesse lançamento suplementar, incluindo áreas de terceiros e áreas já declaradas isoladamente. O julgador a quo excluiu os lançamentos sobre as áreas Gleba 1 e Gleba 4, mas indevidamente considerou como área contínua, na forma do art. 1 da Lei 9393/1996, os imóveis da recorrente (Gleba 2, Gleba 3A e Gleba 3B), englobando as três Glebas no NIRF 0.352.8472. Isso porque os imóveis não são áreas contíguas e não se confrontam, conforme determina o parágrafo 2o, art. 1 da lei 9393/96 que considera área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizadas na zona rural do município. Não concorda com o argumento do Acórdão de Impugnação, em que a recorrente deveria apresentar mapa e/ou planta que descrevesse devidamente a localização de cada Gleba, o que não foi apresentado. Entende que o registro imobiliário é prova absoluta da propriedade, com caráter juris et de jure. 8. As matrículas da propriedade possuem as informações suficientes para a identificação e discriminação do imóvel, na forma do art. 228 do Regulamento dos Registros Públicos. Não pode então se condicionar a eficácia da Matrícula Imobiliária à apresentação complementar de planta ou mapa. 9. A decisão no Acórdão 30333.876/2006 havia considerado 1.379,09098 ha. de Área de Preservação Permanente para a área de 9.019,30ha. Entretanto, neste processo, a DRJ estaria considerando apenas 778,80 ha de APP para a mesma área. Explicando, os proprietários das Glebas 1 e 4 declararam 227,40ha de APP e o julgador a quo considerou que apenas 551,40ha de APP seriam relativos ao imóvel da recorrente. Entende que o Acórdão a Fl. 673DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720182/200801 Resolução nº 2101000.201 S2C1T1 Fl. 5 4 quo glosou 600,2909ha. de APP das matrículas que ficaram com a recorrida. Tal glosa não se mostra correta em função do acórdão citado, referente à mesma área em anos anteriores, que considerou o total de 1.379,09098ha de APP para toda a propriedade. 10. Protesta pela exclusão do lançamento tributário incluindo multa e juros, assim como a ilegal determinação de se considerar imóvel único as Glebas 2, 3A e 3B. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. Antes do desmembramento a propriedade possuía um total de 9.019,30 ha., sendo 1.411,6ha de Área de Preservação Permanente e 2.038,9ha de Área de Reserva legal, conforme Ato Declaratório Ambiental apresentado em 2003 (fls. 192 numeração manual). A recorrente enviou Declaração de ITR individualizada para as 3 glebas de sua propriedade. A autoridade fiscal, entretanto, unificou as NIRF´s dos 3 imóveis, tendo em vista têlos considerado contínuos. Conforme o documento de fls. 143 dos autos, o imóvel Gleba 01 pertencia, em 21/11/2005 ao banco BRADESCO S/A. Em 05 de janeiro de 2006 teria sido vendido para Cia. Pazo de Ribas. O acórdão de impugnação reconheceu para a Gleba 2 (incluindo todas as glebas de propriedade da recorrente: 2, 3A e 3B), com área de 6.590,9ha, a existência de 551,4ha de área de preservação permanente e de 1.312,10ha de reserva legal. O imóvel tem averbação da existência de Reserva Legal de 20% (toda a matrícula) em conformidade com as leis 4.771/65 e 7803/89 (ver fl. 15 numeração manual). Nas DIAT´s das Glebas 4 e 5, anexadas aos autos pela recorrente, estão declarados 127,7 ha de APP e 329,4 de Reserva Legal para a Gleba 4; e 99,7ha de APP e 221,4 de Reserva Legal para a Gleba 5. A distribuição das áreas está como na tabela a seguir. gleba área total APP ARL 1 1.107,67 99,70 221,53 2 3.065,20 613,04 3A 3.062,75 612,55 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720182/200801 Resolução nº 2101000.201 S2C1T1 Fl. 6 5 3B 432,99 86,60 4 1.647,09 127,70 329,42 total 9.315,70 1.411,60 1.863,14 Não constam nos autos informações sobre as áreas de preservação permanente declaradas para as outras áreas de propriedade da recorrente (Glebas 3A e 3B). Contudo, se consideradas as áreas de propriedade da recorrente, teria a mesma direito a uma área de preservação permanente de aproximadamente 1.184,20ha, dado que a área total declarada em ADA, para as 5 glebas, era de 1.411,60ha. Constato que a propriedade do imóvel da recorrente foi reduzida, conforme documentação trazida aos autos. A análise das informações constantes nas matrículas relativas às coordenadas de posicionamento geográfico, que poderiam esclarecer sobre a continuidade das terras da recorrente, exigem conhecimentos específicos que devem ser analisados e interpretados por profissional habilitado. A autoridade fiscal, entretanto, detectou a existência de um ponto comum entre as áreas de propriedade da recorrente, conforme fl. 241(numeração manual), o que é contestado pela mesma, com base nas confrontações contidas no registro do imóvel (anexo da fl. 150numeração manual). Por outro lado, no INCRA, as Glebas 2/3 estão sob um único número de cadastro 130650342740. Devido à controvérsia, corroboro o entendimento da DRJ sobre a necessidade da recorrente apresentar laudo georreferenciado no qual constem as limitações exatas das três glebas que lhe pertencem, com planta, memorial descritivo e relatório detalhado e conclusivo, feito por profissional habilitado, com prova de anotação de responsabilidade técnica, sobre as confrontações e contiguidade/continuidade das mesmas e, preferencialmente, registrado nas matrículas dos imóveis e no INCRA. No caso, deverão também ser informadas as coordenadas geográficas determinantes para o entendimento de que duas ou as três glebas são contínuas. Por derradeiro, entendo que, com base no registro dos imóveis, existe a possibilidade de que a Gleba 2 não seja contínua com as Glebas 3A e 3B. Então, talvez seja necessário restaurar a Declaração de ITR entregue pela recorrente para a Gleba 2 e também reavaliar as informações das Glebas 3A e 3B. Assim, é imprescindível também que a autoridade fiscal junte aos autos as Declarações de ITR para as Glebas 3A e 3B, apresentadas pela recorrente. Dado o exposto, voto para converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, quanto: (i) à exata localização das glebas (2, 3A e 3B) e seus limites/confrontações, para fins de verificação de contiguidade, e (ii) às áreas constantes das DITR´s das 3 glebas pertencentes à proprietária, do ADA e da Averbação no Registro de Imóveis, referentes à Reserva Legal e à Área de Preservação Permanente de cada gleba. A recorrente deverá ser cientificada do resultado desta diligência, dispondo de prazo de 30 dias para, querendo, apresentar manifestação. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 675DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10715.005564/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2004 a 27/11/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 55 64 /2 00 9- 82 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005564/200982 Acórdão n.º 3801004.902 S3TE01 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005564/200982 Acórdão n.º 3801004.902 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.005564/200982, contra o acórdão nº 0728.353, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 22 de julho de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 85.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005564/200982 Acórdão n.º 3801004.902 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 85.000,00 para R$25.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/11/2004 a 27/11/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 79/97, expondo que: 1 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005564/200982 Acórdão n.º 3801004.902 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005564/200982 Acórdão n.º 3801004.902 S3TE01 Fl. 7 6 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005564/200982 Acórdão n.º 3801004.902 S3TE01 Fl. 8 7 No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005564/200982 Acórdão n.º 3801004.902 S3TE01 Fl. 9 8 Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005564/200982 Acórdão n.º 3801004.902 S3TE01 Fl. 10 9 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005564/200982 Acórdão n.º 3801004.902 S3TE01 Fl. 11 10 exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902870/2008-78
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
DCOMP. SALDO NEGATIVO. PROVA.
Homologa-se a compensação até o limite do crédito de saldo negativo devidamente assentado nos registros contábeis e fiscais do contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DCOMP. SALDO NEGATIVO. PROVA. Homologase a compensação até o limite do crédito de saldo negativo devidamente assentado nos registros contábeis e fiscais do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 28 70 /2 00 8- 78 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10120.902870/200878 Acórdão n.º 1801002.330 S1TE01 Fl. 3 2 Relatório ALGODOCÉU BENEFICIADORA DE ALGODÃO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0347.871 (fl. 54), pela DRJ Brasília, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação nº 10195.10980.311006.1.7.028400 (fl. 31). Verificada divergência entre o saldo negativo demonstrado na referida DCOMP (R$ 9.370,46) e aquele declarado em DIPJ (R$ 32.573,03), o contribuinte foi intimado para sanear a inconsistência (fl. 4). Expirado o prazo dado na intimação, a DCOMP foi não homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 3, com a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que afirma que o saldo negativo é aquele apontado em sua DIPJ e que demonstrou na DCOMP apenas o saldo negativo remanescente após a realização de duas autocompensações, em 2002. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 54), em razão de o reclamante não ter demonstrado, com sua escrituração contábil, aquilo que havia alegado. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 SALDO NEGATIVO. SALDO REMANESCENTE. Não trazendo o sujeito passivo a comprovação contábil do saldo negativo que afirma ter remanescido após as compensações que efetuou de modo escritural, não há como reconhecer o direito creditório. Cientificado dessa decisão, o contribuinte impetrou o recurso voluntário de fl. 62, afirmando que desconhecia a necessidade de apresentar a sua contabilidade, fazendoo agora. Juntou documentos. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10120.902870/200878 Acórdão n.º 1801002.330 S1TE01 Fl. 4 3 O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Conforme o contribuinte descreve em sua manifestação de inconformidade (fl. 2), ele apurou saldo negativo de IRPJ relativo a 2001 no valor de R$ 32.573,03. Por meio de autocompensações, utilizou R$ 26.324,53 deste saldo para quitar as estimativas de IRPJ devidas em março e abril de 2002, remanescendo disponível R$ 9.370,46, que pretende utilizar na presente compensação. Para demonstrar sua afirmação, agora em sede de recurso voluntário, apresentou parte de seu Livro Diário de 2001 (fls. 70/79), parte do Livro Razão de 2001 (fls. 80/81), parte do Livro Diário de 2002 (fls. 82/85) e parte do Livro Razão de 2002 (fls. 86/87). Compulsando os referidos documentos, podese verificar no Livro Razão de 2002 (fl. 86) que a conta contábil “112050010 IRPJ P/ESTIM. A COMP./01 (003875)” iniciou o ano com o saldo de R$ 29.884,97, portanto já inferior ao saldo negativo declarado em DIPJ. Nessa mesma conta, estão registradas as autocompensações apontadas pelo recorrente (em março e abril), que levaram o saldo dessa conta a R$ 3.560,34. Prosseguindo na verificação dessa conta, constatase que ela foi debitada pelo valor de R$ 5.165,50, a título de correção monetária, o que levou o seu saldo a R$ 8.725,84. Esse valor foi utilizado para compensar o IRPJ de dezembro de 2002, levando a zero o valor remanescente do saldo negativo de 2001. Esses registros são compatíveis com o relato contido na manifestação de inconformidade. Todavia, o valor do crédito é inferior ao pleiteado: primeiro porque o saldo negativo registrado na contabilidade é inferior àquele apontado na DCOMP; segundo porque o contribuinte acresceu ao saldo negativo um valor a título de correção monetária, o que não tem suporte legal, no aspecto tributário. Assim, o crédito de saldo negativo a ser reconhecido limitase ao valor de R$ 3.560,34, conforme os registros contábeis e fiscais constantes dos autos. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o crédito de R$ 3.560,34 relativo ao saldo negativo do IRPJ do ano 2001 e homologar parcialmente a compensação em tela até o limite desse crédito, desde que ainda disponível, a ser verificado pela unidade de jurisdição do contribuinte. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Numero do processo: 13819.002805/2002-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE.
A constitucionalidade da aplicação da Selic para fins tributários foi declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 582.461, em regime de repercussão geral. Essa decisão que deve ser aplicada compulsoriamente pelo CARF, na forma do art. 62A do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Mantido.
Numero da decisão: 3802-004.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade da aplicação da Selic para fins tributários foi declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 582.461, em regime de repercussão geral. Essa decisão que deve ser aplicada compulsoriamente pelo CARF, na forma do art. 62A do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Mantido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 134 1 133 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.002805/200295 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.107 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria IPI SELIC Recorrente ZURICH IND. E COM. DERIVADOS TERMOPLÁSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade da aplicação da Selic para fins tributários foi declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 582.461, em regime de repercussão geral. Essa decisão que deve ser aplicada compulsoriamente pelo CARF, na forma do art. 62A do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 28 05 /2 00 2- 95 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente impugnação apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 98): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 PAGAMENTO PARCIAL. Tendo o pagamento sido efetivado parcialmente, mantémse a exigência da diferença que deixou de ser recolhida, juntamente com os acréscimos legais. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Arguições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial Selic tem previsão legal. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Lançamento Procedente em Parte. Por bem descrever as questões de fato e de direito discutidas nos presentes autos, cumpre transcrever o Relatório da decisão da DRJ: Em auditoria interna de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) de que tratam a IN SRF n° 045, de 1998, e a IN SRF n° 077, de 1998, foi constatado falta de pagamento, relativamente ao quarto trimestre do ano de 1997, consoante capitulação legal consignada à fl. 37 (quadro 10 do auto de infração) e, então, foi lavrado o auto de infração para exigir R$ 680.922,76, inclusos multa de mora e juros. A empresa apresentou a impugnação de fl. 01, na qual contestou a exigência, alegando que os valores foram parcialmente recolhidos e que estes pagamentos não foram levados em consideração. Para provar o alegado, anexou cópias das guias de recolhimento (Darf) ao processo. Alegou, ainda, que ocorreram alguns erros no preenchimento da DCTF, mas que não pode ser tão severamente penalizado, uma vez que o próprio CTN admite a remissão total ou parcial do crédito tributário quanto ao erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo quanto a matéria de fato, e protege o contribuinte de boafé, que por motivos alheios a sua vontade e sem intenção de lesar o Fisco , cometa enganos em caso de dúvida (artigo 1 12). Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13819.002805/200295 Acórdão n.º 3802004.107 S3TE02 Fl. 135 3 Continuou solicitando que os valores pagos (a maior) sejam considerados e que o saldo seja abatido do débito que eventualmente existir. Questionou, ainda, a aplicação da taxa Selic como juros de mora, tendoa por ilegal e inconstitucional e a aplicação dos juros, por seu caráter confiscatório. Considerando os fatos trazidos ao processo pela manifestante, o lançamento foi revisado pela autoridade administrativa, com a proposta de cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes do demonstrativo de fl. 49, que fez imputação do pagamento, tendo apurado saldo remanescente de R$ 131.219,74 (valor referente ao principal) e R$ 98.414,80 (multa vinculada). Tendo em vistas as alegações do sujeito passivo de que cometera erros no preenchimento da DCTF, o que se poderia comprovar pelos documentos juntados (cópia do livro de apuração do IPI) e em homenagem ao principio da ampla defesa, o processo foi baixado em diligência, para que o órgão de origem se manifestasse quanto a certeza e autenticidade dos documentos apresentados, informando se, realmente, ocorreram os erros de preenchimento na DCTF em questão, refazendo a imputação de pagamento, se for o caso, e especificando os valores não recolhidos ou recolhidos parcialmente. Em resposta, houve nova revisão do lançamento com a proposta de cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes do demonstrativo de fl. 89, que fez imputação do pagamento, tendo apurado saldo remanescente de R$ 133.969,67 (valor referente ao principal) e R$ 100.447,26 (multa vinculada). Nenhuma questão foi levantada quanto ao livro de apuração do IPI, sua autenticidade e sobre os valores ali apurados”. A Recorrente, em suas razões recursais de fls. 117 e ss., limitase a sustentar a ilegalidade e a inconstitucionalidade da taxa Selic. Requer o conhecimento e o provimento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 04/11/2008 (fls.107), ao passo que o recurso foi protocolizado, em 04/12/2008 (fls.117), dentro do prazo legal. Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. De acordo com a Súmula CARF nº 4, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais é devida a partir de 1º de abril de 1995: Súmula CARF n 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A constitucionalidade da aplicação da Selic para fins tributários, por outro lado, foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 582.4611, em regime de repercussão geral, tornando aplicável o disposto no art. 62A do Regimento Interno2. Votase pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator 1 Descrição do objeto: "Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 150, I, III, IV; e 155, II, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da inclusão do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços ICMS em sua própria base de cálculo, do emprego da taxa SELIC para fins tributários e da fixação de multa moratória em 20% do valor do tributo." Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2606882&numeroP rocesso=582461&classeProcesso=RE&numeroTema=214#. Acesso em 27/07/2011. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720294/2013-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2011
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO - FAP. ALÍQUOTA. INCORREÇÃO. DIFERENÇA. LANÇAMENTO.
É procedente o lançamento que vise a cobrança da diferença de contribuição previdenciária resultante da aplicação da alíquota do FAP em percentual menor que o divulgado pela Previdência Social.
O CARF não é competente para julgar procedimento e orientações adotados pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas da Previdência Social para obtenção do índice do fator FAP atribuído ao contribuinte, nem benefícios previdenciários decorrentes da Lei 8.213/91 e Resoluções MPS/CNPS n°s 1.308 e 1.309.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2011 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO - FAP. ALÍQUOTA. INCORREÇÃO. DIFERENÇA. LANÇAMENTO. É procedente o lançamento que vise a cobrança da diferença de contribuição previdenciária resultante da aplicação da alíquota do FAP em percentual menor que o divulgado pela Previdência Social. O CARF não é competente para julgar procedimento e orientações adotados pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas da Previdência Social para obtenção do índice do fator FAP atribuído ao contribuinte, nem benefícios previdenciários decorrentes da Lei 8.213/91 e Resoluções MPS/CNPS n°s 1.308 e 1.309. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
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FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO FAP. ALÍQUOTA. INCORREÇÃO. DIFERENÇA. LANÇAMENTO. É procedente o lançamento que vise a cobrança da diferença de contribuição previdenciária resultante da aplicação da alíquota do FAP em percentual menor que o divulgado pela Previdência Social. O CARF não é competente para julgar procedimento e orientações adotados pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas da Previdência Social para obtenção do índice do fator FAP atribuído ao contribuinte, nem benefícios previdenciários decorrentes da Lei 8.213/91 e Resoluções MPS/CNPS n°s 1.308 e 1.309. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 02 94 /2 01 3- 21 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.010 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de créditos constituídos pela fiscalização, referentes às contribuições previdenciárias, a cargo da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas as outras entidades ou fundos, bem como à penalidade aplicada relacionada à incorreção de informações em GFIP. No relatório fiscal de fls. 07/31 a fiscalização informou, em síntese, que lançou: AI nº 51.038.2576 referente às diferenças de contribuição para o SESI e SENAI não recolhidas no período de 01 a 13/2009; AI nº 51.038.2584 referente às diferenças de contribuição destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do GILRAT, no período de 01/2010 a 13/2011, decorrentes da informação do Fator Acidentário Previdenciário FAP com duas casas decimais; AI nº 51.038.2592 relativo às diferenças de contribuição para o INCRA não recolhidas, nem declaradas em GFIP, na competência 08/2011; AI nº 51.038.2606 relativo às diferenças de contribuição destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do GILRAT, no período de 09/2010 a 13/2010, decorrentes da informação incorreta do RAT/FAP em GFIP; AI nº 51.028.3705 relativo à penalidade aplicável em razão da apresentação de GFIP, no período de 08/2008 a 13/2010, com incorreção nos campos da alíquota RAT, Código de Outras Entidades e FAP/RAT Ajustado. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando defesa. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente os créditos tributários. O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: o FAP de 2010 da Recorrente foi estabelecido em 1,08644. Ou seja, a contribuição destinada ao custeio da aposentadoria especial e das demais prestações decorrentes dos riscos ambientais do trabalho ("SAT") da Recorrente, no ano de 2010, passou a corresponder à alíquota de 3% multiplicada por 1,0864, perfazendo um total de 3,2592%, o que Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.011 3 representou um aumento de quase 10% (dez por cento) nos valores das contribuições destinadas ao SAT no ano de 2010; a Recorrente teve contra si lavrado o Auto de Infração DEBCAD n.° 51.038 2606 para a cobrança de suposto valor recolhido a menor a título de contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, relativa às competências de 09/2010 a 13/2010; Preliminarmente: a nulidade da decisão recorrida por ausência de motivação. O voto condutor se limitou a consignar genericamente que a Recorrente não teria arguido nem demonstrado qualquer circunstancia de fato ou ilegalidade no lançamento. Que atacou apenas a legislação que estabeleceu a metodologia para o cálculo do FAP e que não teria competência para afastar a aplicação de ato normativo em plena vigência. O acórdão foi omisso em relação à apreciação dos fundamentos e provas apresentados, como: a) inexistência de dados de fator acidentário para o cálculo, b) Inexistência de relação entre os riscos ambientais de trabalho da Recorrente e os dados utilizados pelo INSS para cálculo do FAP a ela atribuído, c) Indevida a inclusão das doenças caracterizadas pelo NTEP nos registros de doenças do trabalho como base de cálculo do FAP, d) Impossibilidade de vinculação dos acidentes de trabalho aos riscos ambientais, e) Indevida adoção das comunicações de acidentes de trabalho – CAT com dados para apreciação do desempenho da empresa, e f) Existência de decisão do STJ já transitada em julgado, que determinou que a alíquota do SAT da Recorrente deve ser verificada para cada estabelecimento; contextualiza a legislação que instituiu o FAP, concluindo pela necessidade de reconhecimento da correção do procedimento adotado no ano de 2010 para a recorrente; as prestações previdenciárias concedidas em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho únicos dados a serem utilizados no cálculo do FAP; a orientação adotada pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas da Previdência Social é equivocada na medida em que considera todo e qualquer afastamento independente da natureza ou período de tempo no cômputo do cálculo do FAP. Cita a legislação da Previdência Social, Lei 8.213/91. Assevera que somente os benefícios de aposentadoria porinvalidez, auxíliodoença e auxílioacidente integram o cálculo para apuração dos riscos ambientais. Assim, o cálculo do FAP deveria se limitar à apuração do desempenho do contribuinte a partir tão somente das prestações deferidas em razão da incapacidade laborativa. Menciona, ainda, a legislação do acidente de trabalho, da doença profissional, da doença do trabalho; o FAP imputado à Recorrente, com base nas Resoluções MPS/CNPS n°s 1.308 e 1.309, extrapolou o limite, tendo em vista que foi incluído na base de cálculo do FAP todos os benefícios previdenciários pagos aos seus segurados; menciona os vícios do FAP na análise dos dados utilizados pelo INSS para cálculo do FAP da recorrente, pois há ausência de benefícios concedidos em razão dos riscos ambientais do trabalho. Há impossibilidade de vinculação dos acidentes de trabalho aos riscos ambientais. O FAP ilegítimo e há ilegalidade nos percentuais de ordem. O FAP deve ser apurado por estabelecimento; Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.012 4 por fim, requer que: a) seja anulada a decisão recorrida, em vista da ausência de fundamentação; b) seja reformada a decisão recorrida para que seja julgado improcedente o Auto de Infração n.° 51.038.2606, cancelandose o crédito tributário constituído. c) protesta pela sustentação oral, requerendo que seja intimada nas pessoas dos seus representantes legais. É o relatório. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.013 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, pressuposto de admissibilidade cumprido, passase ao exame das questões suscitadas. Em relação às matérias tratadas nos Autos de Infração nº 51.038.2576 (diferença de SESI, SENAI), 51.038.2584, 51.038.2592 (diferença de INCRA) não houve manifestação do contribuinte, sendo consideradas não impugnadas nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, ficando os créditos mantidos. Os demais autos de infração (AI nº 51.038.2584, AI nº 51.038.2606 e AI nº 51.028.3705) relativos ao FAP serão analisados. DO RELATÓRIO FISCAL Consta do relatório fiscal, item 29, fls. 7/31 dos autos digitalizados, as considerações apresentadas pela fiscalização. Considerações sobre o RAT Ajustado: A Lei 8.212/1991, artigo 22, inciso II, prevê a contribuição para o RAT e, no §3° do artigo, trata da realização de estatísticas para estimular investimento da empresa na redução de acidentes de trabalho, são os termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei ne 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n° 9.732, de 1998). a)1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3° O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.014 6 efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. O Decreto n° 6.042 de 12 de fevereiro de 2007 (DOU de 13/02/2007) incluiu o artigo 202A no Decreto 3.048/1999 e introduz o conceito de Fator Acidentário de Prevenção – FAP. Art. 202A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP. § 1° O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinqüenta centésimos (0,50) a dois inteiros (2,00), desprezandose as demais casas decimais, a ser aplicado à respectiva alíquota. § 2° Para fins da redução ou majoração a que se refere o § 1o, procederseá à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade, por distanciamento de coordenadas tridimensionais padronizadas (índices de freqüência, gravidade e custo), atribuindose o fator máximo dois inteiros (2,00) àquelas empresas cuja soma das coordenadas for igual ou superior a seis inteiros positivos (+6) e o fator mínimo cinqüenta centésimos (0,50) àquelas cuja soma resultar inferior ou igual a seis inteiros negativos (6). O Decreto n° 6.957, de 09 de setembro de 2009 (DOU de 10/09/2009) deu nova redação a alguns parágrafos do artigo 202A do Decreto 3.048/1999, como segue: Art. 202A. (...) § 1o O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) § 2° Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, procederseá à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) O FAP é, portanto, um multiplicador que ajusta a alíquota RAT, aumentando a ou diminuindoa, de acordo com a estatística de acidentes de trabalho de cada empresa em um determinado período de tempo. A fiscalização consultou o Sistema de Cadastramento Online SISCOL da Receita Federal (RFB). O FAP do contribuinte o ano de 2010 é igual a 1,0864. Ainda de Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.015 7 acordo com consulta ao SISCOL, o contribuinte, por meio do processo 44000004903201015, questionou administrativamente, em duas instâncias, o FAP estabelecido para a empresa no ano de 2010. Impetrou, ainda, Mandado de Segurança em fevereiro de 2010 (processo n° 639224.2010.4.01.3400), com o objetivo de que fosse concedido efeito suspensivo ao FAP no recurso administrativo. Em 18/02/2010, o contribuinte obteve liminar com direito suspensivo do recurso na esfera administrativa. A Juíza Federal da 13a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal na liminar deferiu o depósito judicial. Em 23/06/2010, o Grupo de Trabalho "Análise das Contestações à Apuração do FAP" do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional exarou a DecisãoNotificação GT/DPSO n° 000.003.185/2010. Em 19/11/2012, o processo n° 639224.2010.4.01.3400 foi julgado extinto pelo Juiz Federal Substituto da 13a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, em razão do contribuinte ter reconhecido perda superveniente do objeto da ação. Em consulta realizada em 09/04/2013, verificouse que o processo n° 6392 24.2010.4.01.3400 ainda não transitou em julgado. Por essa razão, para prevenir a decadência, os valores depositados judicialmente pelo contribuinte (de 02/2010 a 08/2010) foram apurados no AI n° 51.038.2614, que compõe processo COMPROT n° 16682.720292/201331. Em relação ao ano de 2011, o SISCOL informa que o FAP do contribuinte é igual a 0,6712. O contribuinte havia questionado judicialmente também a alíquota RAT por meio da ação n° 99.00189060, já transitada em julgado com conversão dos depósitos judiciais (realizados até a competência 09/2010) em pagamento definitivo em favor da União. De outra forma, estabelecido o FAP do contribuinte pelo órgão competente, tendo analisado: a) a existência ou não de dados de fator acidentário para o cálculo, b) a existência ou não de relação entre os riscos ambientais de trabalho da Recorrente e os dados utilizados pelo INSS para cálculo do FAP a ela atribuído, c) a devida ou não inclusão das doenças caracterizadas pelo NTEP nos registros de doenças do trabalho como base de cálculo do FAP, d) a possibilidade ou não de vinculação dos acidentes de trabalho aos riscos ambientais, e) a devida ou não adoção das comunicações de acidentes de trabalho – CAT com dados para apreciação do desempenho da empresa, não cabe a fiscalização questionar o índice aplicado ao FAT da empresa pelo órgão competente. Desse modo, o acórdão não foi omisso em relação à apreciação dos fundamentos e provas apresentados pelo contribuinte, pois os lançamentos fiscais estão motivados e fundamentados. Ressaltase que a fiscalização mencionou no relatório fiscal que, por meio do Al n° 51.038.2584, foram apurados os valores não recolhidos pela empresa em razão do truncamento do FAP (quatro casas decimais), no período de 01/2010 a 13/2011, asseverando que foram confrontados, por estabelecimento/competência, os valores declarados em GFIP e os recolhidos em GPS, não tendo sido encontrados recolhimentos em GPS em valor equivalente à diferença decorrente do truncamento do FAP em GFIP. Considerações acerca do Anexo V Diferenças de RAT Ajustado: Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.016 8 O Anexo V Diferenças de RAT Ajustado demonstra os procedimentos utilizados para encontrar as diferenças de RAT ajustado. Os dados foram obtidos das GFIP do contribuinte relacionados na planilha "ANEXO I RELAÇÃO DE GFIP CONSIDERADAS (PERÍODO DE 01/2009 a 13/2011)". Apuração das diferenças do RAT Ajustado (casas decimais): Para o período de 01/2010 a 13/2010 e de 01/2011 a 13/2011, a empresa, de acordo com a orientação existente da RFB na internet, deveria ter informado nas GFIP o FAP igual a, respectivamente, 1,08 e 0,67. Entretanto, a empresa deveria ter calculado a contribuição previdenciária devida, considerando as quatro casas decimais do FAP. Assim, por meio do Al n° 51.038.2584 foram apurados os valores não recolhidos pela empresa em razão do truncamento do FAP (quatro casas decimais), no período de 01/2010 a 13/2011. Apuração do RAT Ajustado não declarado e não recolhido: Na verificação da planilha "ANEXO V DIFERENÇAS DE RAT AJUSTADO (PERÍODO DE 01/2010 A 13/2011)" constatase que foi apurada, por meio do Al n° 51.038.2606, diferença de contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do GIILRAT, para o período de 09/2010 a 13/2010, contribuição essa não declarada em GFIP e não recolhida. Quanto ao AI n° 51.028.3705, o Manual GFIP/SEFIP Versão 8.4, por sua vez, previa que, ainda que o contribuinte decidisse discutir judicialmente alguma obrigação, deveria informar a GFIP normalmente de acordo com a legislação. Portanto, não deveria elaborar a GFIP de outro modo que não estabelecido na norma. Campo RAT da FIP: Com relação ao campo RAT, ao contribuinte discutiu judicialmente, por meio do processo n° 99.00189060, a contribuição destinada ao RAT no período de 03/2008 a 09/2010. Como se verifica na planilha "ANEXO VI RELAÇÃO DE GFIP CONSIDERADAS (PERÍODO DE 03/2008 A 13/2008)", o contribuinte informou o RAT igual a 1% em todo o período de 03/2008 a 13/2008, enquanto o correto seria ter informado 2%. Como se verifica na planilha "ANEXO I RELAÇÃO DE GFIP CONSIDERADAS (PERÍODO DE 01/2009 A 13/2011)", o contribuinte informou em GFIP o campo RAT igual a 1% em todo o período de 01/2009 a 13/2009, enquanto o correto seria ter informado 2%. Para o período de 01/2010 a 09/2010, a empresa informou em GFIP o campo RAT igual a 1%, quando o correto seria 3%. Assim sendo, para o período de 08/2008 a 09/2010, cabe autuação por descumprimento de obrigação acessória em relação à incorreção no campo RAT das GFIP. Campo FAP da GFIP: Como se verifica na planilha "ANEXO V DIFERENÇAS DE RAT AJUSTADO (PERÍODO DE 01/2010 a 13/2001)", anexa aos autos, o contribuinte informou o Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.017 9 FAP igual a 1,00 no período de 01/2010 a 09/2010, quando o correto seria ter informado 1,08; e FAP igual a 0,67 no período de 10/2010 a 13/2010, quando o correto seria ter informado 1,08; e FAP igual a 0,67 no período de 01/2011 a 13/2011, corretamente. Em razão disso, a incorreção no campo FAP deve ser considerada na lavratura de Auto de Infração AI por descumprimento de obrigação acessória nas competências 01/2010 e de 09/2010 a 13/2010. Campo RAT ajustado: No período de 01/2010 a 09/2010, o RAT ajustado foi informado em GFIP igual a 1,00%, quando o correto seria 3,24%. No período de 10/2010 a 13/2010, o RAT ajustado foi informado em GFIP igual a 2,01%, quando o correto seria 3,24%. Destarte, essa incorreção foi considerada na emissão do Al por descumprimento de obrigação acessória. DA DECISÃO Como se pode notar do relatório fiscal, da decisão recorrida e dos documentos constante dos autos, em que pesem os argumentos do recorrente, os autuações fiscais devem ser mantidas, pois estão demonstrados nos autos os motivos e as fundamentações legais para a autuação. O contribuinte argumentou a ilegalidade da lei e normas que estabeleceram critérios para mensuração do Fator Acidentário Previdenciário – FAP, na empresa, para ajuste da alíquota RAT aplicável no cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do GILRAT. Os créditos tributários apurados nos lançamentos fiscais encontram respaldo na lei 8.212/91 e demais normas mencionadas pela fiscalização, conforme demonstrado no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD e relatório fiscal, constante dos autos. Destarte, não há que se falar em anulação da decisão recorrida, tampouco, em ausência de fundamentação dos lançamentos fiscais. Aplicada a multa na forma da lei seu valor não pode ser considerado confiscatório, pois o juízo de admissibilidade foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto 70.325/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, o CARF não é competente para julgar procedimento e orientações adotados pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas da Previdência Social para obtenção do índice do fator FAP atribuído ao contribuinte Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.018 10 no ano de 2010, nem benefícios previdenciários decorrentes da Lei 8.213/91 e Resoluções MPS/CNPS n°s 1.308 e 1.309. SUSTENTAÇÃO ORAL Não há necessidade de citação pessoal dos procuradores quanto a data da sessão do julgamento do processo com intuito de promoverem sustentação oral. Os dias das sessões são publicados no Diário Oficial da União DOU e no sítio do CARF (www.conselhos.fazenda.gov.br), com antecedência, informando local e horário. Tais direitos são garantidos e encontramse respaldados no parágrafo único do art. 55 e art. 58, inciso II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria MF n º 256, de 22 de junho de 2009, como segue: Art. 55. A pauta da reunião indicará: ... Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. ... Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; ... A ciência ao contribuinte deve ser no seu domicílio tributário, nos termos do art. 127 do CTN (Lei 5.17266). Os créditos tributários encontramse revestidos das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, a base de cálculo, o Discriminativo de Débito – DD, a Instrução para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relatório Fiscal, e planilhas de cálculo, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os Autos de Infração AI nº 51.038.2576, AI nº 51.038.2584, AI nº 51.038.2592, AI nº 51.038.2606 e AI nº 51.028.3705. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16682.720294/201321 Acórdão n.º 2803004.195 S2TE03 Fl. 1.019 11 Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10670.004382/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MÚTUO. Os depósitos comprovados com contrato de mútuo devidamente registrados em cartório à época do fato são considerados de origem justificada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. O acréscimo patrimonial não comprova a origem de depósitos bancários.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA UTILIZAÇÃO DOS VALORES. O lançamento fiscal baseado em depósitos de origem não comprovada/justificada independe da prova de utilização/consumo dos valores. (Súmula CARF n. 26)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para deduzir da base de cálculo do tributo os valores relativos à conta bancária conjunta com a sra. Mariana Fernandes Oliveira Santos e também aos dois depósitos decorrentes de empréstimo bancário (R$60.000,00 e R$ 50.000,00).
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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MÚTUO. Os depósitos comprovados com contrato de mútuo devidamente registrados em cartório à época do fato são considerados de origem justificada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. O acréscimo patrimonial não comprova a origem de depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA UTILIZAÇÃO DOS VALORES. O lançamento fiscal baseado em depósitos de origem não comprovada/justificada independe da prova de utilização/consumo dos valores. (Súmula CARF n. 26) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para deduzir da base de cálculo do tributo os valores relativos à conta bancária conjunta com a sra. Mariana Fernandes Oliveira Santos e também aos dois depósitos decorrentes de empréstimo bancário (R$60.000,00 e R$ 50.000,00). LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 43 82 /2 00 8- 77 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO Relatório O Recurso Voluntário visa reverter a decisão proferida no Acórdão 09.34.281 da 6a. Turma da DRJ/JFA que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o lançamento tributário de ofício objeto deste processo, tendo em vista que não foram comprovadas/justificadas as origens dos depósitos bancários nas contas do contribuinte nos anos considerados. A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu em 19/04/2011. O Recurso Voluntário foi interposto em 17/05/2011. O recorrente repisa os argumentos da impugnação, que, em suma, estão a seguir delineados. 1. A negativa do pedido de prova pericial cerceia o direito de ampla defesa. A análise pericial poderia comprovar a inexistência de omissão de rendimentos objeto da tributação. 2. A evolução patrimonial nos anos 2005 e 2006 estão declaradas e demonstradas nas DIRPF. O Fisco não produziu qualquer prova de que a omissão de rendimentos teria gerado acréscimo patrimonial além do que fora declarado. 3. Inexiste omissão na receita tributável relativamente aos valores data depósito justificativa valor lançado 31/08/2005 a ser elidido com o depósito de 17/08/2005 (25.518,23) ref. resgate título capitalização com tributação exclusiva R$ 26.151,21 16/08/2004 Empréstimo Credimontes(origem de terceiros) cc.01988, banco 999 ag.001 R$ 60.000,00 27/10/2004 Empréstimo Credimontes(origem de terceiros) R$ 50.000,00 Na fl. 545, o recorrente faz menção a redepósitos, contudo, não comprovou a existência de redepósito como origem justificada dos valores constantes nas contas bancárias. 4. Entende que o exame isolado da coluna créditos não poderia ser utilizada para o lançamento e somente os saldos ao final de cada mês. Mais ainda, os saldos devedores em cada mês devem ser deduzidos do valor tributável por configurar empréstimo bancário. 5. Por outro lado, apenas a variação patrimonial não explicada pelo cálculo entre origens e aplicações de recursos ao final do exercício é que deveria ser tributada. E toda a variação patrimonial experimentada na DIRPF está devidamente explicada pelas origens de recursos declaradas. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10670.004382/200877 Acórdão n.º 2101002.680 S2C1T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminarmente o recorrente alega nulidade da decisão tendo em vista que a negação do pedido de perícia terlheia cerceado o direito de defesa. A perícia se presta a esclarecer aos julgadores, fatos existentes no processo que não puderam ser comprovados com documentação hábil e idônea, ou que tal documentação não seja passível de compreensão pelo julgador. Contudo, não é o caso. Os documentos existentes no processo referemse a extratos bancários e contratos que não demandam a realização de perícia para a sua compreensão. Apesar das argumentações, o contribuinte não comprovou de forma efetiva e individualizada a origem de todos os depósitos em suas contas bancárias. Contudo, anexou aos autos um contrato de mútuo e um aditivo de refinanciamento do primeiro contrato, aquele firmado em 12/08/2004, no valor de R$ 60.000,00 da CREDIMONTES (ver fl. 63 numeração manual), com registro em cartório datado de 16/08/2004, e este (aditivo), em 26/10/2004 (fls. 64numeração manual). Desta forma, entendo que os empréstimos realmente ocorreram e devem ser desconsiderados do lançamento, pois devidamente justificados pelo contrato de mútuo anexado aos autos, com registro em cartório. Não assiste razão ao contribuinte o argumento de que os valores decorrentes de débitos do cheque especial devam ser "decotados" do lançamento. Não existe ligação entre os valores que o contribuinte deve e os valores que são depositados em conta bancária. No caso do cheque especial, existe uma saída de recursos maior do que o saldo em conta, deixando esta com saldo negativo. No caso do depósito, existe um ingresso de recursos que se soma ao saldo existente. Assim, são dois institutos distintos que não se prestam ao pleiteado pelo recorrente. Observase que a lei 9430/96 é clara quanto ao assunto: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 § 3 ° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Como se depreende da leitura do texto legal, não há dúvidas de que os valores a serem lançados são aqueles que não tiveram a origem comprovada com documentação hábil e idônea, individualizadamente. Assim, além de não ser possível considerar lançamentos fiscais de forma cumulativa (isto é, agrupando depósitos seja por mês ou por ano), também não é possível justificar tais valores com explicações gerais para depósitos agrupados(mais de uma ocorrência) ou com a justificativa do acréscimo patrimonial da declaração de ajuste anual. O lançamento é feito de forma individualizada, por depósito, para facilitar a identificação da origem do mesmo pelo contribuinte. Se assim não fosse, estaria o fisco incorrendo em cerceamento de defesa. Convém salientar o entendimento sumulado deste Conselho, a seguir transcrito, sobre a "compensação" de valores, ou seja, os depósitos de um mês não servem para justificar os depósitos de meses subsequentes. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Também carece de legalidade a argumentação do recorrente no sentido de que o fisco deveria comprovar o consumo da renda ou o acréscimo patrimonial decorrente dos depósitos. Conforme a súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto à argumentação relativa ao resgate do título de capitalização, o Relatório Fiscal (efl. 7 vol. 1), a seguir transcrito, esclarece que o referido depósito não foi objeto de questionamento e não teria sido incluído no lançamento tributário. É necessário ressaltar que o crédito relativo a resgate de título de capitalização não consta dentre aqueles cuja comprovação de origem foi solicitada do contribuinte, através do termo de intimação 0004. (Relatório Fiscal, efl. 7, vol.1) Os depósitos cuja origem foi solicitada comprovação estão explicitados no Termo de Intimação Fiscal 004 (efl. 45, vol. 1). Observouse que não foi feita intimação específica para a dependente, Mariana Fernandes Oliveira Santos, e, portanto, entendo que depósitos na conta 1.0017595 da agência 1248 do Banco Real (275), não deveriam ser objeto de lançamento fiscal. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10670.004382/200877 Acórdão n.º 2101002.680 S2C1T1 Fl. 4 5 Voto para prover em parte o recurso do contribuinte para deduzir da base de cálculo do tributo os valores relativos à conta bancária conjunta com a Sra. Mariana Fernandes Oliveira Santos e também os dois depósitos decorrentes de empréstimo bancário (R$60.000,00 e R$ 50.000,00). MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 406DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11610.021103/2002-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AFASTADA A PRESCRIÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. REMESSA DOS AUTOS A DELEGACIA DE ORIGEM.
Afastado o óbice da prescrição, os autos deverão retornar a Delegacia de origem para novo exame de mérito e apuração de eventual crédito em favor do contribuinte.
Numero da decisão: 1802-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AFASTADA A PRESCRIÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. REMESSA DOS AUTOS A DELEGACIA DE ORIGEM. Afastado o óbice da prescrição, os autos deverão retornar a Delegacia de origem para novo exame de mérito e apuração de eventual crédito em favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 02 11 03 /2 00 2- 11 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.021103/200211 Acórdão n.º 1802002.496 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório A ora Recorrente apresentou, em 27/11/2002, Pedido de Restituição, às fls. 02, por meio do qual solicita restituição de valor de IRPJ–estimativa supostamente recolhido a maior no mês de junho de 1996. A DRF em São Paulo/SP, através do Despacho Decisório de fls. 264/266, indeferiu o pedido de restituição, com fundamento na decadência do direito de pleitear a referida restituição. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de folhas 274/283, alegando que, por se tratar o IRPJ de imposto sujeito ao lançamento por homologação e a estimativa antecipação do pagamento, entendese que o prazo de cinco anos começa a ser contado a partir da homologação expressa ou tácita do pagamento (extinção), e como não houve homologação expressa, o prazo para pleitear a restituição ou compensação findou em junho de 2006. Em 29 de agosto de 2013, a 3ª Turma da DRJ/REC proferiu o Acórdão nº 1142.315, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho da DRF de São Paulo, sob o seguinte fundamento: "... Tem se, portanto, que o direito de o sujeito passivo pleitear o reconhecimento de direito creditório de tributo ou contribuição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contado da data da extinção do crédito tributário. No caso concreto e na melhor situação para a contribuinte, considerandose que o fato gerador só se conformou em 31 de dezembro de 1996, por se tratar a estimativa de antecipação de pagamento, o prazo extintivo do direito a pleitear a restituição teve seu curso iniciado em 01/01/1997, em face do que o direito de pleiteála pereceu em 31/12/2001, enquanto o pedido da interessada somente foi formalizado em 27/11/2002. Logo, no presente caso, ocorreu a decadência do direito a pleitear a restituição, razão pela qual deve ser indeferido o pedido pela inexistência de crédito passível de ser restituído." Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.021103/200211 Acórdão n.º 1802002.496 S1TE02 Fl. 4 3 Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 08/01/2013, reiterando, em síntese, os argumentos invocados na manifestação de inconformidade. Esse o Relatório. Segue meu Voto. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.021103/200211 Acórdão n.º 1802002.496 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 09/12/2013 e o Recurso Voluntário foi interposto em 08/01/2014. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito Em que pese o entendimento da Douta DRF de São Paulo SP, no sentido de que no presente caso ocorreu a decadência do direito para requerer a restituição, cumpre aqui esclarecer que o prazo estipulado para pleitear a restituição de valores recolhidos a maior sobre IRPJ deve ser regido pela regra anterior à Lei Complementar 118/2005, dada a ocorrência do fato gerador, ou seja, junho de 1996. A tese dos "cinco mais cinco", aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, nas ações de repetição de indébito, de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tem como fundamento legal a interpretação dada ao art. 168, inciso I, combinado com o art. 156, inciso VII, todos do CTN. O ponto central de defesa da referida tese repousa na definição da data da extinção do crédito tributário, que, nos dizeres do art. 168, I, do CTN, é o termo inicial do prazo extintivo de 5 (cinco) anos para se exercer o direito de pleitear a restituição. E assim, ficou definido, segundo julgados do STJ, que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em não havendo a homologação expressa, a data da extinção do crédito tributário efetivamente estaria fixada nos cinco anos do fato gerador, com a homologação tácita (CTN, art. 150, § 4º c/c art. 156, VII). Desse modo, ficou pacificado que a extinção do crédito tributário só se efetiva, quando não expressamente homologado, após o decurso do prazo legal da Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.021103/200211 Acórdão n.º 1802002.496 S1TE02 Fl. 6 5 homologação tácita, podendo perfazer um prazo de até 10 (dez) anos, a partir do fato gerador do tributo, para se pleitear a repetição do indébito. Com a edição da Lei Complementar nº 118, de 2005, no entanto, deuse nova interpretação ao tema, e a data da extinção do crédito tributário, disciplinada no art. 168, I, do CTN, ficou definida como sendo a data do pagamento, antecipado ou não, eliminando de vez discussões a este respeito. Suscitaramse, com isso, grandes discussões, e então se firmou o entendimento no STJ, que a tese dos "cinco mais cinco" será aplicada nas "ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a título de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005, data em que entrou em vigência a LC nº 118, de 2005. Não obstante, o caso em tela referese a pedido de restituição do valor de IRPJ estimativa recolhido a maior no mês de junho de 1996. Por analogia, e considerando a teoria do "cinco mais cinco", entendo que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de IRPJ expirou em junho de 2006, e tendo a Recorrente protocolado seu requerimento em novembro de 2002, o mesmo era tempestivo. Nesse sentido, inclusive, citese a Súmula n. 91, do CARF: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contados do fato gerador" Dessa forma, dou provimento parcial ao recurso para afastar o óbice da decadência, remetendo os autos à DRF para exame do mérito e apuração de eventual crédito em favor do contribuinte e, em caso de confirmação de sua existência, seja efetivada a respectiva restituição. É o meu VOTO (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.021103/200211 Acórdão n.º 1802002.496 S1TE02 Fl. 7 6 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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