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Numero do processo: 15374.724354/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
ROBSON JOSE BAYERL- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da votação os conselheiros: MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA E ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da votação os conselheiros: MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA E ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 35 4/ 20 09 -1 9 Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 6 2 RELATÓRIO Em razão da exposição do julgador de 1ª instância relatar com precisão os fatos aqui discutidos, aproveito grande parte do seu conteúdo como relatório: “Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 40406.29134.300608.1.3.046685, de crédito no valor original de R$ 26.923.568,86, referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 14/11/2006, a título de Cofins, com débito de IRPJ no valor de R$ 31.659.424,62. A DEMAC/RJO, por meio do despacho decisório de fl. 3.300, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a declaração de compensação acima descrita. Do Parecer Conclusivo nº 097/2012 que fundamentou o despacho decisório cabe transcrever o seguinte trecho: .............. FUNDAMENTAÇÃO Direito Creditório “No presente caso, tendo em conta que a contribuinte originalmente declarou em DCTF a título de Cofins, código 6840, de outubro de 2006, o montante de R$ 505.113.313,65, recolhendo o referido valor por intermédio de DARF e Declarações de Compensação, e posteriormente retificou o tributo devido para R$ 478.895.463,00, com efeito, é preciso que a contribuinte demonstre o seu direito creditório, até porque o art. 147 do CTN estabelece que a retificação de declaração por iniciativa do sujeito passivo, quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do alegado erro. Considerando a legislação de regência, as informações e documentos trazidos em resposta às intimações e os dados constantes nos sistemas da RFB, realizase a seguir à análise dos créditos de Cofins não cumulativa referentes: aos serviços de utilizados como insumos, às despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; aos Bens do Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição; e aos obtidos por unidade de medida de produto. Serviços utilizados como insumos A Instrução Normativa SRF n.º 404, de 2004, prevê que a pessoa jurídica pode obter créditos oriundos de aquisições efetuadas no mês, de serviços utilizados como insumo na produção ou na prestação de seus serviços. Em outras palavras, geram créditos a aquisição de serviços utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pela contribuinte. Por oportuno, reproduzse a seguir o art. 8º da Instrução Normativa SRF n.º 404, de 2004: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 7 3 b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese Como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (...) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (...) Considerando o entendimento esposado, verificouse a composição dos créditos de serviços utilizados como insumos por intermédio da memória de cálculo fornecida pela contribuinte, arquivo: Definitiva – Ficha 16A – Cofins_Linha 03 outubro 2006 (Código de Autenticação SVA – 09741a9b8a7c192826b480c176f155a4). Na planilha eletrônica fornecida pela contribuinte, o valor mensal apurado a esse título para o mês de Outubro foi R$ 405.646.214,59. Entretanto, a análise do referido arquivo revela que a empresa computou vários serviços que não se enquadram nos dispositivos da IN SRF n.º 404, de 2004, dentre os quais, podem ser citados: Construção de Instalações e Montagens Industriais; Obras Portuárias, Reocadores portuários, Movimentação de cargas marítimas, Serviços de Praticagem, Amarração de navios, Manutenção em embarcações e unidades móveis; Serviços de Informática; Serviços de Consultoria; Projetos; Serviços de vigilância; Manutenção em equipamentos de informática; Fornecimento de Refeições, lanche e similar, Hotelaria, Táxi; Serviços de apoio; Serviços de lavanderia; Administração e Fiscalização de obras; Obras de Edificação, Conservação e limpeza predial; Manutenção de equipamentos de Telecomunicações e de ar condicionado. Ora, os serviços relativos à hotelaria, alimentação, transporte de pessoal, telecomunicações, condicionadores de ar, vigilância, como as próprias denominações esclarecem, não possuem qualquer relação com a produção de petróleo. Os serviços portuários, englobando a capatazia, a rebocagem, a praticagem, movimentação de cargas; e serviços de apoio diversos prestados a bordo de navio, também não podem ser considerados insumos de produção dos bens produzidos pela interessada. Tratase de serviços auxiliares executados, quando da venda ou do escoamento do que foi produzido. Da mesma forma, os serviços de capatazia (movimentação de mercadorias nas instalações portuárias, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega) e rebocagem (serviços executados por rebocadores para cumprir as manobras de atracação e desatracação de navios) não se subsumem em serviços que possam ser considerados insumos “aplicados ou consumidos” na fabricação. O entendimento exposto para os serviços portuários aplicase ainda às outras aquisições relacionadas. Com efeito, construção, projetos, serviços de informática, serviços de apoio, administração e fiscalização de obras, conservação e limpeza predial, não se enquadram Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 8 4 no conceito de insumo estabelecido no §4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF n.º 404, de 2004: Desta feita, os valores dos mencionados serviços devem ser desconsiderados no computo dos créditos da cofins não cumulativa. A Planilha Serviços Utilizados como Insumos out06 glosados relaciona as notas fiscais, a data de sua emissão, nome e CNPJ do fornecedor e os serviços glosados de ofício. Tais valores devem ser deduzidos dos montantes presentes na memória de cálculo da contribuinte (Definitiva – Ficha 16A – Cofins_Linha 03 outubro 2006 (Código de Autenticação SVA – 09741a9b8a7c192826b480c176f155a4). ... Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda A legislação em vigor permite que o sujeito passivo desconte da Cofins devida créditos decorrentes de despesas de armazenagem e frete, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n.º 10.833, de 2003, reproduzido a seguir: Lei n.º 10.833 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Em seu Dacon original, a contribuinte informou a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete nas operações de venda de outubro de 2006 a soma de R$ 242.630.240,27 (fl. 40). Posteriormente retificou o referido demonstrativo, aumentando o total de créditos da correspondente linha para R$ 427.191.454,08 (fl. 76). Após ser intimada, a contribuinte apresentou a planilha “item 2” (Código de Autenticação SVA – 35ad5b3eeae8e15a611b95569c852ce) e cópias de notas fiscais de prestação de serviços, faturas, conhecimentos de transporte e outros documentos fiscais, a fim de demonstrar o seu crédito. De fato, a planilha acostada aos autos relaciona serviços no montante de R$ 427.191.454,08. Entretanto, compulsando a documentação fiscal apresentada, verificase que a empresa considerou como crédito dispêndios que não correspondem a operações de armazenagem ou frete ocorrido em operações de venda, entre as quais podem ser citadas as despesas de serviços: de transporte de pessoas e de equipamentos, de translado de produtos entre os estabelecimentos da empresa, de apoio marítimo a plataformas, de mudanças de funcionários e etc. Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 9 5 É importante ressaltar que o direito relativo a esta rubrica está necessariamente ligado a uma operação de venda. Dessa maneira, os gastos com frete para simples transferência de produtos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não geram créditos. Considerando o exposto, na planilha Despesas de frete que não geram créditos, foram relacionadas as notas fiscais que não discriminam serviços de armazenagem ou de frete e aquelas nas quais se constata a inexistência com uma operação de venda de mercadorias. E, considerando que tais despesas não se enquadram no inciso IX do art. 3º da Lei n.º 10.833, de 2003, o total constante na referida planilha, R$ 40.125.686,09, deve ser glosado. Porém, além disso, verificase que entre a documentação entregue há notas fiscais (ver documentos de fls. 1460/1956), cuja discriminação do serviço não permite concluir se os serviços foram prestados dentro de uma operação de venda. Melhor especificando, verificase a existência de operações de afretamento de navios e de balsas, dispêndios com a utilização de gasodutos, despesas com praticagem e transporte terrestre de produtos, os quais somente se convertem em créditos quando relacionados às vendas da contribuinte. Contudo, a partir da documentação fiscal e das planilhas apresentadas não é possível verificar se os serviços tinham como finalidade a venda de produtos ou a movimentação de petróleo e seus derivados entre plataformas e estabelecimentos da empresa. Não é demais ressaltar que a interessada foi intimada a fornecer planilha com informações a respeito do respectivo Conhecimento de Transporte e da Nota Fiscal de Vendas e do Conhecimento de Transporte e não atendeu a solicitação fiscal. Apenas para dimensionar a questão, destacase a seguir: os maiores fornecedores e os correspondentes totais de gastos no mês: Cabe observar que na presente ação fiscal a contribuinte foi intimada a entregar também arquivos digitais relativos a suas notas fiscais, que poderiam ajudar a esclarecer a questão. A empresa apresentou mídia com os supostos arquivos. Entretanto os mais de 500 arquivos que constam da mídia entregue possuem nomes diferentes dos registrados nos recibos de entrega do SVA, motivo pelo qual não foi possível manusear os referidos dados. Importante esclarecer que o nome fora dos padrões estabelecidos não permite a correta leitura dos arquivos pelos programas da RFB. Noutro giro, por intermédio dos arquivos contábeis apresentados (nome do arquivo “Outubro 2006”, Código de Autenticação SVA – Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 10 6 0186abf17990874e6be505924cbbc542, fl. 101), constatase que as despesas de vendas com armazenagem e frete somam R$ 249.103.568,93, conforme as seguintes contas (ver Razão Despesas com armazenamento e Razão despesas com fretes): O referido valor é bem próximo do valor informado no DACON original, R$ 242.630.240,27, a título de despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. Enfim, como já se afirmou, é preciso que o sujeito passivo comprove o seu indébito. Nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre, daí, que o pedido de reconhecimento de indébito tributário deve ser necessariamente instruído com as provas no qual se fundamenta, sob pena de pronto indeferimento. E, no caso em questão, a manifestante, apesar de intimada, não apresentou documentação hábil para justificar a alteração do valor dos créditos referentes às despesas de armazenagem e de fretes na operação de venda. Pelo contrário, i) o balancete contábil do mês de outubro de 2006 coadunase com o valor informado no Dacon original; ii) a empresa computou despesas de transporte de pessoas e de equipamentos, de translado de produtos entre os estabelecimentos da empresa, de apoio marítimo a plataformas, de mudanças de funcionários que não constituem créditos de Cofins; e iii) a empresa, mesma intimada, deixou de fornecer ao fisco informações solicitadas nas intimações, principalmente no que diz respeito ao Conhecimento de Transporte e às Nota Fiscal de Vendas e de Conhecimento de Transporte, impedindo que fosse verificado se: operações de afretamento de navios e de balsas, a utilização de gasodutos, despesas com praticagem e transporte terrestre de produtos, se relacionavam às vendas da contribuinte. Desta forma, não pode ser admitida a retificação efetuada nesta linha, nem reconhecido o aumento dos respectivos créditos de armazenagem e fretes. E, por conseqüência, o valor dos mencionados créditos devem retornar ao valor originalmente declarado R$ 242.630.240,27. Créditos relativos a Bens do Ativo Imobilizado com base no Valor de Aquisição. Conforme as informações constantes no Demonstrativo original de Apuração das Contribuições de outubro de 2006, verificase que a Petrobrás inicialmente não havia apurado créditos sobre o custo de aquisição de ativos imobilizados. Posteriormente, retificou a informação da referida linha para considerar na composição de seu crédito o montante de R$ 57.706.617,60. Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 11 7 Atendendo a intimação fiscal, a contribuinte apresentou a planilha “Ficha 16ª linha 10 – Dacon Retificadora out06” (Código de Autenticação SVA – cf81b288cb5ff4d22ef0e37b0d338706 – fl. 250), na qual se encontram os cálculos efetuados para obtenção do valor deduzido da Cofins devida. Por intermédio da referida planilha, é possível constatar que os descontos de créditos ocorreram em 24 e 48 meses. Sobre o assunto, a legislação tributária em vigor, no caso os §14 do art. 3º, da Lei n.º 10.833, de 2003, e o art. 2º da Lei n.º 11.051, de 2004, determinam que essa espécie de crédito deve ter por base de cálculo mensal o valor equivalente a 1/48 avos ou 1/24 avos do custo de aquisição das máquinas e equipamentos destinados ao imobilizado. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal.(§14 do art. 3º, da Lei 10.833, de 2003) .... Art. 2º As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 2 (dois) anos, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição dos bens de que trata o art. 1º desta Lei. § 1º Os créditos de que trata este artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor correspondente a 1/24 (um vinte e quatro avos) do custo de aquisição do bem.(art. 2º da Lei n.º 11.051, de 2004) Por sua vez, os Pareceres Normativos n.º 07, de 1992, e n.º 19, de 1983, ambos da Coordenação do Sistema de Tributação, ao tratarem de recuperação acelerada de créditos relativos a bens do ativo imobilizado, dispõem que somente são assim entendidos os equipamentos e as máquinas classificados nos capítulos 84, 85 e 90 da TIPI/NCM. Assim, tendo em conta o referido entendimento, segundo o qual, na hipótese de a pessoa jurídica optar pela recuperação acelerada de créditos relativos a bens do ativo imobilizado à razão de 1/48 avos ou 1/24 avos do custo de aquisição, somente pode ser considerado como base de cálculo mensal do referido crédito o valor do custo de aquisição das máquinas e dos equipamentos classificados nos capítulos 84, 85 e 90 da TIPI/NCM, retificou se a planilha relativa à apuração dos créditos dessa espécie apresentada pela contribuinte. As aquisições referentes a máquinas e equipamentos classificadas nos códigos dos capítulos 84, 85 e 90, encontramse identificadas na planilha créditos sobre bens do ativo imobilizado aceitos 1 e créditos sobre bens do ativo imobilizado aceitos 2. Desta forma, desconsiderando os demais itens não sujeitos a recuperação acelerada de créditos, nos termos da legislação tributária vigente, os créditos advindos de Bens do Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição deve ser alterado de R$ 57.706.617,60 para R$ 19.306.752,16. Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 12 8 Créditos de Cofins Importação calculados por unidade de medida de produto. Em relação a estes créditos, a contribuinte retificou o seu Dacon, linha 12 da ficha 16B, aumentando o referido desconto de R$ 40.301.317,72 (fl. 42) para R$ 50.354.850,50 (fl. 78). A empresa informou, no decorrer desta ação fiscal, que a mencionada alteração resulta da inclusão de declarações de importação, as quais foram retificadas, no momento da chegada do produto e de sua conferência física, conforme Laudo de Arqueação emitido com a quantidade correta. Assim, considerando que a tomada de crédito aconteceria somente a partir da emissão da DI definitiva, a contribuinte apresentou planilha eletrônica Item 3 – Alíquota Específica Outubro de 2006 (Código de Autenticação SVA – 1b15ddb841e52e4de652656b31f280f1 – fl. 247), na qual constam os valores que integraram o mencionado crédito, inclusive as informações referentes às importações, tais como: número da Declaração de Importação; N.C.M; CNPJ importador; datas de entrada e de registro e etc. A tabela a seguir resume os valores dos créditos por produto importado: Com o objetivo de verificar as informações apresentadas pela interessada, foi efetuada pesquisa nos sistemas da RFB. Os extratos do sistema Siscomex mostram informações gerais referente às importações efetuadas pela empresa no ano de 2006, não tendo sido encontrada qualquer divergência. Em que pese os dados da planilha sobre as importações efetuadas encontrarem se em consonância com as informações extraídas dos sistemas da RFB, verificase que a apuração da contribuinte não está correta. Inicialmente, frisese que a justificativa da empresa para a retificação de seu Dacon não encontra respaldo na planilha apresentada. Os valores de ajuste relativos às DI complementares pouco alteram os valores originais declarados. Quanto à alegação de que a retificação das Declarações de Importação mudaria a data para a tomada de crédito, cabe observar que, mesmo se esta hipótese fosse admitida, a apuração estaria equivocada, já que integraram o total de crédito de Cofins Importação calculados por unidade de medida de produto, datas de registro da DI retificadora referentes a novembro de 2006. Em suma, analisandose a referida planilha, relativas ao detalhamento da composição do montante declarado na Linha 12 da Ficha 16B do Dacon Retificador, constatou se que a interessada nele incluiu os créditos apurados sobre o valor das importações efetuadas no mês de outubro de 2006 e também sobre o valor de outras aquisições a mesmo título efetuadas ao longo de outros meses [as datas de importação foram informadas pela interessada na coluna "Data Registro" e os valores do crédito de Cofins a deduzir na coluna "Cofins devido (a compensar)"]. Entretanto, conforme disposto na legislação de regência, os créditos relativos às aquisições de bens insumos ou para revenda, sejam elas efetuadas no mercado interno ou no Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 13 9 mercador externo, somente podem ser apurados sobre o valor das aquisições efetuadas no próprio mês de sua apuração. Por oportuno, reproduzse a seguir os art. 15 e 17 da Lei n.º 10.865, de 2004: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos dos arts. 2° e 3° das Leis n°s 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e 10.833. de 29 de dezembro de 2003. Poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1desta Lei, nas seguintes hipóteses: II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. (...) § 8a As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: (...) II produtos do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58A da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (...) II do §8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) §5º Na hipótese do § 8o do art. 8a desta Lei, os créditos serão determinados com base nas alíquotas específicas referidas no art. 23 desta Lei. Observese que o caput do art. 15 acima transcrito alude às pessoas jurídicas que apuram o PIS e a Cofins na forma instituída pela Lei 10.637, de 2002, qual seja, a lei que criou a sistemática da nãocumulatividade para tais contribuições, e, mais especificamente, alude ao Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 14 10 seu art. 3º, no qual foram previstas as regras gerais para apuração dos créditos a serem deduzidos da exação devida, entre elas a que determina que os créditos devem ter por base de cálculo o valor das aquisições no mês dos bens adquiridos para revenda ou para serem utilizados como insumo: Lei 10.637/2002 Art. 3º (...) §1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês: (...) Com efeito, enquanto a Lei n.º 10.637, de 2002: instituiu a sistemática da não cumulatividade; trouxe as hipóteses de creditamento sobre as aquisições efetuadas no mercado interno; e determinou as regras a serem seguidas na apuração dos créditos, a Lei n.º 10.865, de 2004, tratou das hipóteses em que é permitido o creditamento sobre aquisições efetuadas no mercado externo e determinou a sua respectiva base de cálculo, sem, no entanto, adentrar em detalhes quanto a regras de apuração uma vez que essas já se encontravam previstas na Lei n.º 10.637, de 2002. Nesse sentido, o Manual do PIS e da COFINS esclarece: "Como regra geral, se aplicam aos créditos a serem tomados em relação às importações as mesmas normas aplicáveis aos créditos tomados nas aquisições no mercado interno". É preciso ainda esclarecer que quando o §2° do art. 15 da Lei 10.865/2004dispõe que "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes" não está o mesmo a possibilitar a apuração, num mês, de créditos sobre aquisições de meses passados, mas sim está a dizer que se o montante do crédito apurado sobre as aquisições efetuadas num determinado mês for superior ao valor devido da contribuição neste mesmo mês, então o saldo remanescente deste crédito poderá ser aproveitado em meses subsequentes. De fato, em caso de apuração extemporânea de créditos, isto é, caso constatada a existência de créditos não considerados no mês de aquisição dos respectivos bens, a providência a ser tomada, para garantir a utilização dos créditos a que fizer jus o sujeito passivo, consiste, na verdade, na retificação do DACON relativo ao mês em que se deu a aquisição geradora do crédito. Assim sendo, à luz do que dispõe a legislação de regência e mais especificamente do que dispõe o §3° do art. 15 e o §5° do art. 17 da Lei 10.865, de 2004 c/c o inciso I do §1° do art. 3º da Lei 10.637, de 2002, a primeira conclusão à que se chega é que naquela Linha 12 da Ficha 16B do DACON relativo ao mês de outubro de 2006 somente poderiam ser deduzidos os créditos apurados sobre o valor das aquisições, por importação, efetuadas no citado mês, e não foi esse o procedimento adotado pela interessada. Cumpre elucidar que se considera como data de aquisição dos bens importados a data do registro da respectiva Declaração de Importação DI original no sistema SISCOMEX, haja vista o disposto nos artigos 3º, I, e 4º, I, da Lei 10.865, de 2004, que determinam que a Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 15 11 ocorrência da importação se dá na data de entrada do bem estrangeiro no território nacional, sendo esta caracterizada pela data de registro da respectiva DI. Conforme se constata nas planilhas apresentadas relativamente à composição da Linha em questão, a interessada deduziu da Cofins devida no mês de outubro de 2006 créditos apurados sobre importações efetuadas em outros períodos (ver planilha Créditos de cofins importação out06 glosados), as quais ao serem expurgadas diminuem o total do crédito para R$ 39.883.677,83 (ver planilha Créditos de cofins importação out06 aceitos), valor bem próximo ao que foi declarado originalmente. RJ RIO Considerando o resumo e a conseqüente redução realizada nos créditos de cofins apurados pela empresa em seu DACON retificador, a cofins devida passa de R$ 478.895.463,00 para R$ 517.219.432,52, razão pela qual, considerando os recolhimentos efetuados (R$ 504.907.914,19) e as compensações homologadas (R$ 211.948,88), não há que se falar em pagamento a maior que o devido. CONCLUSÃO Em face do exposto, cabe não reconhecer o direito creditório pleiteado e, por decorrência, a compensação constante na DCOMP n.º 40406.29134.300608.1.3.046685 deve ser não homologada. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 3.309/3.330, na qual alega, em síntese, que é legítimo o direito à integralidade dos créditos apontados. A DRJ – Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos seguintes termos: Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 16 12 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/11/2006 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO.CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. COMPROVAÇÃO. Os créditos decorrentes de despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda podem ser descontadas pelo sujeito passivo da Cofins. Os gastos com frete para simples transferência de produtos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não geram créditos. COFINS. CRÉDITOS REFERENTES AO ATIVO IMOBILIZADO. O crédito de Cofins relativo a bens incorporados ao ativo imobilizado pode, à opção do contribuinte, ser calculado no prazo de quatro anos, mediante aplicação da alíquota de 7,6% sobre a parcela correspondente a 1/48 do valor de aquisição do bem, restringindose tal opção às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” O interessado tomou ciência em 30/07/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. O interessado interpôs Recurso Voluntário às fls. 3423, tempestivamente em 27/08/2013, o qual foi distribuído para minha relatoria. VOTO Conselheiro ANGELA SARTORI O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento resultante do pagamento indevido da COFINS (cód. 6840), de outubro de 2006 informado na DCTF retificadora (fls. 252) e compensado através da PER/COMP 4040629134300608.1.3.046685, a qual deixou de ser homologada, conforme despacho decisório. A Recorrente deixou claro em seu recurso que a matéria ali trazida referese unicamente a discussão de direito, sendo elas: (i) créditos descontados relativos às aquisições de serviços utilizados como insumos; (ii) serviços portuários (capatazia, rebocagem, Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 17 13 praticagem, movimentação de cargas) e os serviços de apoio prestados a bordo de navios; (iii) créditos descontados relativos as despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda; e iv) créditos relativos aos bens do ativo imobilizado; (v) créditos de COFINS importação sem a retificação do DACON. Enquanto isso, o v. acórdão recorrido entendeu, em suma, manter a glosa dos créditos em virtude de serem “insumos indiretos” e/ou de não ter sido comprovada a utilização do insumo no processo produtivo. A problemática aqui refletida inferese da necessidade de se discutir o conceito de insumo para a atividade da Recorrente, e por conseguinte, aqueles que devem ser considerados aptos gerar créditos das contribuições. Insumo significa “tudo” aquilo que é utilizado direta ou indiretamente pela empresa para desenvolver suas atividades operacionais. É importante dizer que as Leis nº 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, exigem que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados como insumo pela empresa e não somente adquiridos1. Contudo, entendo que, conforme recentes decisões do CARF, para os créditos de COFINS, o conceito de insumo deveria ser definido com base em conceitos mais amplos que os previstos na legislação de tais contribuições. Veja, por exemplo, em recente decisão Acórdão n.º 3302002.674, julgamento em 19 de agosto de 2014, da 3ª Câmara / 2ª Turma ordinária, in verbis: “...Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes, com outros inevitavelmente inovadores, pois formados de significação específica para a sistemática de não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplicam, portanto, os critérios da não cumulatividade do IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma, na apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado, para determinar se ele dá ou não direito ao correspondente crédito. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, estabelecidos pelos artigos 2905 e 2996 do RIR/99. 1 Art. 3º ...bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 18 14 .... A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativos para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. ... Como dito, o fato de terem sido utilizados indiretamente na produção não é impeditivo para o aproveitamento do crédito, mas a sua efetiva aplicação na produção, é e justamente isso que não foi comprovado pela Recorrente. Realmente, houve apenas a alegação da Recorrente da utilização dos insumos na produção, sem qualquer outra forma de comprovação. Em virtude deste fato, para a concessão do crédito é preciso analisar o insumo e decidir se a característica do produto é suficiente para entender que está vinculado à produção...” (grifamos) No mesmo sentido, o Acórdão nº 930301.035 da Câmara Superior de Recursos Fiscais da 3ª Turma incluiu no conceito de insumo todos os gastos gerais que o contribuinte precisa incorrer para a produção industrial, conforme ementa: “CRÉDITO RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento de PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ele realizado.” De acordo com esses posicionamentos do CARF, os contribuintes têm a oportunidade de avaliar os créditos de COFINS apropriados, não se prendendo às restrições aplicáveis ao IPI ou IRPJ, porém, no caso em comento, houve apenas a alegação da Recorrente da utilização dos insumos na produção e serviços, sem qualquer outra forma de comprovação. Indispensável é analisar se para a concessão do crédito se os produtos e serviços está vinculado na produção, uma vez que, por conta das particularidades e do processo produtivo de cada empresa e de cada atividade industrial, é possível que determinados gastos Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724354/200919 Resolução nº 3401000.840 S3C4T1 Fl. 19 15 ou serviços sejam imprescindíveis ao processo produtivo de certas atividades e em relação outras não o sejam. Para que seja possível determinar a participação e a necessidade destas despesas e destes serviços é necessário determinar detalhadamente o processo produtivo e do que se tratam e que no final seja apresentado o termo final de diligencia pelo auditor fiscal. Do exposto entendo necessário se converter o presente processo em diligência para a Delegacia se origem avaliar se os produtos/serviços aqui descritos neste processo são utilizados no processo produtivo, que seja descrito o processo produtivo detalhadamente por item de que a fiscalização está entendendo que não possui direito a credito, demonstrando sua utilização e procedimento. Entendo que seja necessário juntar documento assinado por profissional competente da empresa informando este processo/procedimento produtivo. Após, seja notificado o contribuinte para se necessário se manifestar em 30 dias. Posteriormente que o processo retorne ao CARF para julgamento. ANGELA SARTORI Relator Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 15504.725234/2013-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. MATERIA REFLEXA DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ.
Quando o lançamento para exigência da Contribuição para o PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS têm origem em fatos apurados em fiscalização de IRPJ, deve-se declinar a competência do julgamento para a Primeira Seção do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento para a Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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MATERIA REFLEXA DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ. Quando o lançamento para exigência da Contribuição para o PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS têm origem em fatos apurados em fiscalização de IRPJ, devese declinar a competência do julgamento para a Primeira Seção do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento para a Primeira Seção de Julgamento do CARF. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 52 34 /2 01 3- 92 Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo de Autos de Infração à legislação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 7.203.001,69 e R$ 1.251.863,72 (fls. 02), respectivamente, aí incluídos principal, juros de mora e multa de ofício de 150%. A exigência do crédito tributário decorre da suspensão da isenção do Instituto autuado, suspensão esta objeto do processo 15504.731237/201284, apensado ao processo nº 15504.723037/201339, que formalizou lançamentos de IRPJ e CSLL. A suspensão da isenção e os lançamentos de IRPJ e CSLL, impugnados pela interessada, foram objeto do acórdão nº 1448.195, proferido em 21/01/2014 pela 13ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, que decidiu, por unanimidade, manter a suspensão da isenção e manter integralmente os lançamentos efetuados. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 4 a 25), a autoridade fiscal relata o histórico da autuada, a ação de fiscalização e as constatações que motivaram a propositura da expedição do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 013, em 15/01/2013, que suspendeu a aplicação dos benefícios de isenção do IRPJ e da CSLL previstos no art. 15 da Lei nº 9.532/1997, a partir de 01/01/2008 até 31/12/2010. Em relação aos lançamentos de PIS e Cofins, especificamente, o citado Termo assim dispõe: 13. Definida a suspensão da isenção do IMPOSTO DE RENDA e CSLL, perante a legislação tributária vigente, a empresa SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL tornouse uma pessoa jurídica em geral, prestadora de serviços, passando a estar sujeita à tributação das suas receitas com base no Lucro Real a partir de 01/01/2008 até 31/12/2010 e também ao recolhimento do PIS e da COFINS Não Cumulativos, pelo mesmo período. (...) 20.2. Nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 a fiscalizada, registrou em sua contabilidade diversas despesas/custos efetuados com prestação de serviços utilizados para a realização dos serviços contratados com as prefeituras. Algumas destas despesas/custos foram objeto de auditoria mais detalhada para averiguarmos a efetiva prestação dos serviços registrados nas notas fiscais dos fornecedores e o desembolso suportado pelo SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 20.3. Após análise dos documentos referentes às despesas/custos contabilizados pelo SIMINSTITUTO DE GESTAO FISCAL relatados neste item, consideramos diversos registros de custo/despesa inexistentes, por lançamento contábil amparado Fl. 2608DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15504.725234/201392 Acórdão n.º 3201001.722 S3C2T1 Fl. 2.608 3 em documento, nota fiscal de favor e pela não comprovação da efetiva prestação dos serviços. (...) 20.6. A análise desta fiscalização partiu da constatação de que foram contabilizadas diversas despesas, de valores relevantes tendo como prestadoras de serviço empresas que tinham como endereço cadastrado na SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB o mesmo da fiscalizada. Os sócios dessas empresas eram associados do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, seus parentes ou cônjuges, como a Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, a Sra. Luciane Veiga Borges de Almeida, e a Sra. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade. A Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade ainda era e é a responsável pela contabilidade do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, e de todas as empresas relacionadas que se diziam prestadoras de serviços. 20.7. Constatamos que a maioria dessas empresas prestadoras de serviços relacionadas tiveram suas receitas declaradas recebidas exclusivamente do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e distribuíram rendimentos a seus sócios, que coincidentemente, eram os associados do próprio SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, a título de distribuição de lucros, cuja natureza era não tributável. 20.8. No ANEXO VII – RELAÇÃO DAS EMPRESAS COM NOTAS FISCAIS GLOSADAS estão relacionadas as empresas cujos valores das notas fiscais foram glosadas. Das 7 (sete) empresas três delas tiveram suas atividades encerradas. (...) 29. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS 29.1. Com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/83, foi instituído o regime de incidência não cumulativo para o PIS a partir de 01/12/2002 e para a COFINS a partir de 01/02/2004, passando este novo regime, a partir de então, a ser a regra geral de apuração das contribuições. 29.2. A incidência não cumulativa alcança as Pessoas jurídicas que apuram o imposto de renda com base no lucro real, possibilitando a apropriação de créditos sobre insumos. 29.3. A base de cálculo das contribuições é o faturamento mensal excluídos os itens definidos na legislação própria. 29.4. Compõe a base de cálculo para apuração do PIS e da COFINS NÃO CUMULATIVOS da empresa SIM os valores referentes à conta 3.1 – RECEITAS OPERACIONAIS, conforme Balancete Analítico Mensal do período entre janeiro de 2008 e dezembro de 2010, apurados pela Fiscalização extraídos da contabilidade digital apresentada pela fiscalizada. 29.5. Somente dão direito ao crédito os bens ou serviços, custos ou despesas pagos, incorridos ou adquiridos devidamente autorizados pela legislação, e que estão discriminados nas planilhas intituladas: 29.5.1. ANEXO – XVII – DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/CONFINS – NÃOCUMULATIVO – ANO CALENDARIO 2008 APURADO PELA FISCALIZAÇÃO; Fl. 2609DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 29.5.2. ANEXO – XVIII – DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS – NÃOCUMULATIVO – ANO CALENDARIO 2009 APURADO PELA FISCALIZAÇÃO; 29.5.3. ANEXO – XIX – DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS – NÃOCUMULATIVO – ANO CALENDARIO 2010 APURADO PELA FISCALIZAÇÃO; 29.6. Cabe ressaltar que os custos e despesas que foram objeto de glosas em decorrência das irregularidades apuradas e descritas no presente Termo, foram igualmente excluídos da base de cálculo dos créditos das contribuições. 29.7. A partir do valor mensal a pagar de PIS e COFINS NÃO CUMULATIVOS, referentes aos anos de 2008, 2009 e 2010, apurado por esta fiscalização,elaboramos a demonstrativos: 29.7.1. ANEXO XX – DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DO PIS – ANO CALENDARIO – 2008 – (APURADO PELA FISCALIZAÇÃO); 29.7.2. ANEXO XXI – DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DO PIS – ANO CALENDARIO – 2009 – (APURADO PELA FISCALIZAÇÃO); 29.7.3. ANEXO XXII – DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DO PIS – ANO CALENDARIO – 2010 – (APURADO PELA FISCALIZAÇÃO) e; 29.7.4. ANEXO XXIII – DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DA COFINS –ANO CALENDARIO – 2008 – (APURADO PELA FISCALIZAÇÃO); 29.7.5. ANEXO XXIV – DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DA COFINS –ANO CALENDARIO – 2009 – (APURADO PELA FISCALIZAÇÃO); 29.7.6. ANEXO XXV – DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DO COFINS –ANO CALENDARIO – 2010 – (APURADO PELA FISCALIZAÇÃO); e descontamos o valor do crédito apurado já mencionados neste termo. Ao final deste demonstrativo apuramos o valor a pagar de PIS e COFINS NÃO CUMULATIVOS mensalmente dos anos de 2008, 2009 e 2010. 29.8. Na apuração do PIS NÃO CUMULATIVO A PAGAR foram descontados os valores recolhidos pela fiscalizada, no código do PIS S/ FOLHA DE PAGAMENTOS, no período compreendido entre 01/01/2008 e 31/12/2010, conforme cópia do sistema SINAL/DCTF em anexo e informação prestada pela fiscalizada. Justifica, na sequência, a aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente em 31/12/2004, tendo em vista a falta de apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS devidos por meio da conduta reiterada ocorrida nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010: 30.2. Se “auto transformar” numa entidade isenta do IRPJ e contribuições, conforme minuciosamente descrito neste Termo, afim de evitar a ampla concorrência com as demais empresas do setor, ao não ser necessária a licitação para assinar os contratos de prestação de serviços com as prefeituras; 30.3. Como entidade isenta deixou de apurar lucro tributável, deixando de recolher aos cofres públicos os impostos e contribuições; 30.4. Os sócios da empresa SIMSistemas de Informação de Municípios que se tornaram fundadores do instituto SIM se apropriaram indevidamente dos bens desta empresa antes de Fl. 2610DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15504.725234/201392 Acórdão n.º 3201001.722 S3C2T1 Fl. 2.609 5 transformála em um instituto e ainda, no ano de 2008, do valor integralizado em moeda corrente, pela empresa TEVALI que tem sede no Uruguai. 30.5. Reduzir a base imponível com a inserção na escrita de notas fiscais de favor, conforme minuciosamente descrito; 30.6. Distribuir rendimento não tributado aos sócios/fundadores através de empresas que não tinham condições de prestar tais serviços, conforme descrito neste Termo. 30.7. Enviar declarações dos anos calendário de 2008, 2009 e 2010 à RFB –DIPJ como entidade isenta baseadas nesta situação irregular. 30.8. Tais condutas configuram o descrito no inciso I do art. 71, art. 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, pois foram atos dolosos tendentes a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. (...) Consigna a Fiscalização, no item 32 de seu Termo, a inexistência de decadência por inaplicabilidade do art. 150, § 4º do CTN dada a ocorrência de dolo, em virtude de contabilização reiterada de despesa com base em nota fiscal de favor e sem a plena comprovação da efetiva prestação dos serviços, agravada pela saída de recursos para os fundadores/sócios. No item 33 de seu Termo aborda a Sujeição Passiva, como segue: 33. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA 33.1. Em vista dos fatos detalhados neste Termo de Verificação e Constatação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração cabe consignar, primeiramente, que o artigo 121 do CTN (Código Tributário Nacional) elenca como sujeito passivo da obrigação principal, juntamente com o contribuinte, a figura do responsável. 33.2. Tratando também da sujeição passiva, o art. 124, inciso I do CTN estabelece que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 33.3. E o artigo 135 do CTN, por sua vez determina que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 33.4. Nesse contexto, importa registrar os diversos atos praticados pelos sócios, que deixa evidente o interesse comum no fato gerador da obrigação principal: 33.5. Os sócios da empresa SIMSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS que se tornaram fundadores do instituto SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL se apropriaram indevidamente dos bens desta empresa antes de transformála em um instituto e ainda, do valor integralizado em moeda corrente, no ano de 2008, pela empresa TEVALI S/A que tem sede no Uruguai. 33.6. A “auto transformação” da empresa em instituto “isento de tributos e contribuições”, Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 6 33.7. A contabilização de despesas efetuadas com prestadoras de serviços cuja comprovação da efetiva prestação de serviços não ocorreu, mas que houve a efetiva transferência dos recursos, cujos sócios são associados do instituto. 33.8. E, principalmente, a distribuição de rendimentos não tributados pelas fornecedoras dos serviços a estes mesmos sócios e/ou associados, em detrimento do recolhimento dos tributos devidos. 33.9. Esse interesse, aliás, reflete genericamente a própria lógica da atividade empresarial, uma vez que os sócios são os grandes interessados nas operações da empresa, em razão do resultado que elas produzem, que são os lucros a eles distribuídos. 33.10. Nestes termos, registrase que os sócios da fiscalizada, agora empresa SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e/ou das outras empresas, “prestadoras dos serviços”, pelo disposto nas normas legais mencionadas acima, são sujeitos passivos solidários relativos ao lançamento de ofício decorrentes das operações realizadas em nome da empresa: 33.10.1. Nilton de Aquino Andrade CPF: 276.717.47653, 33.10.2. Sinval Drummond Andrade – CPF: 216.239.88691, 33.10.3. Nelson Batista de Almeida – CPF: 485.919.47649, 33.10.4. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, CPF: 643.250.59687, 33.10.5. Luciane Veiga Borges ,CPF nº: 001.485.43685, 33.10.6. Adriana Gonçalves de Assis Andrade, CPF nº: 894.510.23615, 33.10.7. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, CPF nº:503.23393691, 33.10.8. João Bosco Drummond Andrade, CPF nº: 387.250.376 68, 33.10.9. Gilberto Batista de Almeida, CPF nº: 297.321.23672, 33.10.10. Thales Batista de Almeida, CPF nº: 495.218.10653. Ao final, em conclusão, a Fiscalização informa a constituição do crédito tributário por meio de Autos de Infração de IRPJ, CSLL e IRRF (no processo 15504723.037/201339) e de PIS e COFINSNão Cumulativos no presente processo; noticia autuações de fatos geradores de 2006 e 2007 em processos anteriores (15504723.875/201141 e 15504723.876/201195) e a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais no processo 15504723.040/201352. A ciência da autuação se deu nas datas a seguir relacionadas e, em oposição, foram apresentadas em 22/07/2013, conforme fls. 2182/2189 e informação de fls. 2190, impugnações tempestivas como segue : (Interessado, Data da ciência, Impugnação) Pessoa Jurídica 21/06/2013 (fls. 92) Fls 1765/1794 (+ documentos de fls. 1795/1916) Nilton de Aquino Andrade (fls. 1682) 29/7/2013 (Edital fls. 1764) Fls. 2084/2119 (+ documentos de fls.2120/2130) Sinval Drummond Andrade (fls. 1688) 21/06/2013 (AR fls. 1694) Fls. 2084/2119 (+ documentos de fls.2120/2130) Nelson Batista de Almeida (fls. 1696) 21/06/2013 (AR fls. 1702) Fls. 2084/2119 (+ documentos de fls. 2120/2130) Cleide Maria de Alvarenga Andrade (fls. 1704) 21/06/2013 (AR fls. 1710) Fls. 1958/1993 (+ documentos de fls.1994/1998) Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15504.725234/201392 Acórdão n.º 3201001.722 S3C2T1 Fl. 2.610 7 Luciane Veiga Borges (fls. 1712) 22/06/2013 (AR fls. 1718) Fls. 2131/2166 (+ documentos de fls. 2167/2176) Adriana Gonçalves de Assis Andrade (fls. 1720) 21/06/2013 (AR fls. 1726) Fls. 1917/1952 (+ documentos de fls. 1953/1957) Leide Luiza de Castro Moreira Andrade (fls. 1728), 21/06/2013 (AR fls. 1734) Fls. 2043/2078 (+ documentos de fls. 2079/2083) João Bosco Drummond Andrade (fls. 1736) 21/06/2013 (AR fls. 1742) Fls. 1999/2034 (+ documentos de fls. 2035/2042) Gilberto Batista de Almeida (fls. 1744) 22/06/2013 (AR fls. 1750) Fls. 1999/2034 (+ documentos de fls. 2035/2042) Thales Batista de Almeida (fls. 1752) 21/06/2013 (AR fls. 1758) Fls. 2131/2166 (+ documentos de fls. 2167/2176) Nas peças de impugnação contra os lançamentos a interessada reprisa as razões de defesa opostas ao Despacho Decisório e Ato Declaratório de Suspensão da Isenção, objeto do processo 15504.731237/201284 e, com relação aos lançamentos do PIS e da Cofins acrescenta os argumentos a seguir sintetizados: Impugnação da pessoa jurídica Argúi, em preliminar, a Nulidade do procedimento fiscal por divulgação de dados econômicos e financeiros com violação do art. 198 do CTN, expondo que: a autoridade fiscal embasou a autuação através de informações extraídas das Declarações de imposto de renda de várias empresas, tal como se observa às fls. 20/27 do Termo de constatação e notificação fiscal, tendo a fiscalização elaborado de maneira bastante meticulosa uma planilha com informações que revelam a situação econômica e financeira de várias empresas sem a prévia instauração de Processo Administrativo; não houve o implemento da condição prevista no inciso II do § 1º do art. 198 do CTN, porquanto não comprovada a instauração de regular processo administrativo com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação; Argúi também a nulidade do ADE DRF/BHE nº 013/2013, alegando que: a impugnante jamais incorreu em qualquer ilegalidade ou descumpriu os requisitos do artigo 14 do CTN, bem como do artigo 12 e parágrafos da Lei nº 9.532/97, como já provado pelas centenas de documentos já entregues a esta Delegacia da Receita Federal. A prova de que o contribuinte jamais incorreu em qualquer ilegalidade ou descumpriu os requisitos dos dispositivos legais supra está na sua contabilidade, que atende a todos os requisitos formais e legais, bem como aos princípios de contabilidade geralmente aceitos. com certeza jamais houve remuneração por qualquer forma aos dirigentes do contribuinte e todos os recursos foram usados na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; todos os documentos contábeis já entregues demonstram a existência das despesas e seus efetivos pagamentos, pelo trânsito dos valores por conta corrente bancária. Tudo está devidamente comprovado. Toda vez que a entidade apresentou superávit em suas contas, determinouse a destinação do referido resultado à Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 8 manutenção e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais, de forma integral. todas as pessoas jurídicas ou físicas que prestaram serviços à entidade recolheram seus tributos devidamente à União, Estados e Municípios. Sob o título Da Insistência no Caráter Empresarial da Entidade, acrescenta: antes de ser Instituto, a pessoa jurídica já era dispensada de licitação por inexigibilidade. Não foi o fato de se tornar Instituto que deu este garante à entidade. Ela já o tinha !!! Inclusive endossado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, conforme julgados ao anexo 2; Ainda em oposição ao Ato Declaratório Executivo nº 13/2013 argumenta não ter sido nele mencionada a suspensão da isenção da COFINS e a forma reduzida de tributação do PIS, permanecendo incólumes a isenção sobre tais contribuições. Discorda da glosa de custos/despesas acusando a Fiscalização de: misturar conceitos de planejamento tributário com evasão fiscal, até se perder em sua vontade firme, deliberada, sob a base de um abuso de autoridade, de autuar a fiscalizada; cometer erros que custam a validade, regularidade do trabalho fiscal, tendo apurado o lucro real por amostragem, conforme trecho que transcreve. E continua: as alegações consignadas pela fiscalização são desprovidas de lastro probatório, não havendo prova cabal da ocorrência da simulação dos citados eventos econômicos – como exige a imputação de simulação e fraude; a fiscalização tomou os mesmos "eventos econômicos considerados irreais", e, pasmem, considerouos como reais e em seguida autuou; mesmo antes de se tornar entidade sem fins lucrativos, a antiga empresa, com fins lucrativos, já possuía o direito de celebrar contratos com Prefeituras sob a modalidade de dispensa de licitação, nos termos do artigo 24 da Lei nº 8.666/93 não sendo esse o motivo da transformação da empresa em associação; as irregularidades consignadas nos itens 20, 21, 27 e 29 são decorrentes da indevida descaracterização da impugnante como entidade imune do IRPJ e CSLL as quais deverão ser afastadas pelos motivos já declinados pela impugnante. Discorda da penalidade aplicada alegando inexistir razão jurídica plausível para sua aplicação e expondo que: a fiscalizada jamais necessitaria se transformar em entidade isenta do IRPJ para firmar contratos públicos com a Administração Pública sem licitação, pois antes da transformação, a fiscalização já detinha tal direito, como reafirmado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais e já mencionado; enquanto entidade isenta, realmente não tem que apurar lucro tributável, na medida em que apura superávits ou déficits, o que não é crime, não é prática dolosa, simulada ou fraudulenta. Todos os requisitos para sua manutenção foram atendidos; antes de se transformar em sociedade isenta, os sócios estão livres para fazer o que quiserem com o patrimônio societário. Esta é a regra societária. O que não se pode é fazer o inverso: Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15504.725234/201392 Acórdão n.º 3201001.722 S3C2T1 Fl. 2.611 9 iniciar as atividades como entidade isenta, tomar o mercado, construir um super patrimônio, enquanto entidade isenta e depois transformála em sociedade com fins lucrativos para o fim de apropriar dos bens desta entidade. Isto é errado. o contrário não é ilícito. Não constitui fraude, simulação ou dolo. É um direito. Se o patrimônio foi constituído enquanto entidade com fins lucrativos não há porque vedar o direito de distribuir os lucros ou patrimônio aos sócios, enquanto entidade com fins lucrativos, já que foi por seu trabalho que empresa construiu o que construiu; dizer que um sócio tem sede no Uruguai não é suficiente para afirmar que há dolo, fraude ou simulação. A fiscalização não esclareceu as razões pelas quais não aceita que no quadro societário figure uma pessoa jurídica sediada no Uruguai. Quanto ao ponto das empresas que prestaram serviços à fiscalizada, ficou evidenciado que tais serviços eram necessários ao Instituo para o cumprimento de seu desiderato associativo/social, foram prestados (como se comprovou pelos relatórios de serviços) e foram contratados a valor de mercado. Isto não pode ser tido como crime, até porque tais prestadoras de serviços, declararam suas receitas, tributaram suas receitas e recolheram os tributos decorrentes destas receitas. Se distribuíram os lucros, que já foram tributados na pessoa jurídica, não há qualquer ilegalidade ou crime neste ato. Quanto às declarações dos anos de 2009, 2009 e 2010 estão em plena consonância com a situação fática vivida pela fiscalização. Sequer ainda transitou em julgado o ato declaratório executivo que suspendeu sua isenção. Então não se pode afirmar que o fato de ter declarado como isenta é crime, especialmente porque a associação não tem fins lucrativos. Na sequência passa a defender que a multa tem caráter confiscatório, é ilegal e inconstitucional e que deve ser aplicado o percentual de 20% previsto no art. 61, § 2º da Lei 9.430/96, menos gravosa, em função do do art. 106, II, "c", do CTN. Discorda também do cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic, discorrendo extensamente acerca de seu entendimento de ofensa a princípio da legalidade, anterioridade, indelegabilidade da competência tributária, segurança jurídica e hierarquia das leis. Ainda, formula pedido de perícia técnicocontábil objetivando apurar a verdade real tributária da empresa. Para tanto indica seu perito e apresenta os seguintes quesitos: 1. Se as receitas das empresas que prestaram serviços à fiscalizada foram lançadas, levadas a tributação e pagas; antes da distribuição de lucros; 2. Se o valor dos serviços prestados ao Instituto estavam em consonância com o valor .de mercado; 3. Se os serviços foram prestados e eram necessários a atividade fim do instituto; 4. Se no ano calendário de 2008. 2009 e 2010. a entidade apresentou déficits durante todo o ano e qual a forma de cálculo do IRPJ/CSLL menos onerosa, lucro real anual ou trimestral, favor fazer os cálculos demonstrando; Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 10 5. Se houve imputação indevida na base de cálculo do IRPJ e CSLL, de forma a ter bis in idem; 6. Se os prejuízos utilizados, bem como as bases de cálculo do IRPJ estão corretos; 7. O valor tributado a título de Pesquisa e Desenvolvimento, autuado na rubrica 001 Custos ou despesas não comprovadas Glosa de despesas foi tributado a 35% de IRRF ao mesmo tempo como imposto de renda normal, fazendo parte da base de cálculo do IRPJ/CSLL; e se sofreu autuação sobre este valor de forma autônoma; 8. Se para o cálculo do IRRF. acrescido de 35% foi utilizado os valores como base de cálculo do item 02 do termo de verificação e constatação fiscal. Em caso positivo, em quanto se retrata o bis in idem; 9. Se foram utilizados, mensalmente, todos os créditos a que a legislação do PIS/COF1NS facultam na apuração das contribuições (PIS/COFINS). Finaliza requerendo o acolhimento da impugnação e o cancelamento do crédito tributário e que sejam as futuras intimações remetidas ao procurador e no endereço que indica. Impugnações das pessoas físicas Em nome das pessoas físicas foram apresentadas impugnações em que os interessados reprisam arguição de nulidade da autuação sob alegação de divulgação de dados econômicos e financeiros com violação do art. 198 do CTN, e salientam que: somente após o lançamento do crédito tributário é que os sócios das empresas tomaram conhecimento da ação fiscal, não tendo sido instaurado prévio processo administrativo em face das empresas que tiveram seus dados econômicos divulgados. No mérito repetem questionamentos acerca da validade dos arts. 12, § 2º, 13 e 14 da Lei n° 9.532/97, invocando ADINs 1.8023 e 2.028 e acrescentam: quanto à base de cálculo do IRPJ e CSLL, a fiscalização tomou por base o superávit apurado pelo contribuinte, o qual não pode ser equiparado ao lucro líquido nem ao lucro real; a única distribuição de lucros que houve, depois de devidamente tributadas as receitas, ocorreu nas empresas prestadoras de serviços, sendo que todas elas recolheram religiosamente em dia seus tributos federais como faz prova os documentos anexados. não houve remuneração de dirigentes, mas de serviços prestados por pessoas jurídicas, não se pode admitir que haja excesso neste caso. Defendem a inexistência de responsabilidade solidária dos Impugnantes à luz dos fatos reais e do direito positivo e a não configuração de grupo econômico, item em que expõem que: o ato de lançamento é totalmente vinculado, vinculado a pressupostos fáticos (motivo fático) e jurídico (motivo jurídico) sendo que a desconexão entre esses elementos implica em nulidade do auto de infração; uma vez colhidas as provas, que servem para a comprovação da situação de fato que ensejaria a "responsabilidade solidária", na forma do art. 124, I, do CTN, havendo a descaracterização de tais provas (inexistente, pois,o motivo fático/base de fato) NULO Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15504.725234/201392 Acórdão n.º 3201001.722 S3C2T1 Fl. 2.612 11 é o lançamento e quanto a isso não há dúvida na doutrina que cita. Transcrevem excerto do Termo de Verificação e argumentam: em apertada síntese, esses foram os motivos de fato admitidos como verdadeiros pela fiscalização para imputar responsabilidade solidária aos impugnantes, mas que, conforme restará sobejamente comprovado, não assam de falácias, mentiras, distorções da realidade fática e, ainda que assim não fosse, não valem como provas para a tentativa de imputação de responsabilidade tributária (art. 124, inciso I do CTN dispositivos esse que, digase, desde logo, não se presta a interpretação conferida pela fiscalização) porquanto não provam o fato, a teor do artigo 219, parágrafo único do Código Civil c/c art.. 368, parágrafo único do Código de Processo Civil, diplomas que regulam a validade das provas e extensão e efeitos destas no ordenamento jurídico pátrio. Invocam o princípio da presunção de inocência, consignam inexistir dúvidas quanto ao ônus da prova atribuído ao Fisco e expõem: caso permaneça o entendimento fazendário, chegaríamos ao absurdo de estar se criando hipótese nova de atribuição de responsabilidade tributária, obviamente não prevista em lei, qual seja, o grau de parentesco; a presunção fiscal de que a Impugnante seria uma das reais proprietárias das empresas autuadas não têm qualquer sustentação e é facilmente ilidida através da vasta documentação acostada à presente impugnação; o instituto da presunção não pode ser aplicado de qualquer forma, vez que existem limites constitucionais e infraconstitucionais que restringem o seu uso; Reportamse a espécies de presunção e alegam: no presente caso, o trabalho do agente fiscal se pautou em provas críticas e representativas, espécie de presunção simples; a autuação e imposição de severas penalidades com base em meras presunções simples, como praticada nos presente autos, afrontam o ordenamento jurídico vigente. Daí surge a necessidade da fiscalização comprovar os fatos e não autuar com base em meras suspeitas, abandonando a posição de tributar por indícios não suficientemente investigados, ilações desproprositadas e presunções, com flagrante arbitrariedade. Citam doutrina e continuam: no caso dos autos, ... o grande indício da fiscalização é totalmente frágil e é facilmente desconstituído através da ampla documentação acostada aos autos. Acrescentam que no que tange a imputação de responsabilidade, caso superada a questão da nulidade do motivo de fato, .... mister esclarecer que o art. 124, I, do CTN não tem a extensão e alcance pretendidos pela fiscalização. Reportamse ao art. 146 do CTN e alegam que: o legislador ordinário ao determinar a aplicação de solidariedade na seara tributária violou a CF/88 e ainda o CTN, porquanto não há nesse diploma legal qualquer disposição que verse acerca da responsabilização solidária de pessoas físicas por débito de Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 12 pessoa jurídica não pertencente, não sendo válida a invocação de grupo econômico. Transcrevem dispositivos da Lei 6.404/76 para defender que: para caracterização de grupo econômico é extremamente necessária a existência de subordinação, controle e comando, dentre as sociedades associadas, inexistindo previsão de grupo econômico envolvendo pessoas físicas; a simples vinculação entre pessoas jurídicas não é suficiente para a atribuição da sujeição passiva atinente à configuração de grupo econômico. Acerca do art. 124 do CTN alegam estar incluído no Capítulo da Sujeição Passiva, sessão da Solidariedade, não se tratando de norma que estabelece responsabilidade tributária, discorrendo acerca de seu entendimento e assim concluindo: ... não se pode aplicar o art. 124 isoladamente, este somente tem aplicação àquelas hipóteses em que a responsabilidade tributária esteja definida por lei, quer no próprio CTN que em lei ordinária; além de inexistir dispositivo legal que atribua responsabilidade a terceiros em hipóteses como a dos autos, os Impugnantes jamais estiveram vinculados ao fato gerador possivelmente detectado pelo fisco, ou seja não praticaram o fato gerador invocado pelo fisco. Também entendem inexistir responsabilidade das pessoas físicas mencionadas no Auto de Infração à luz do art. 135, III, do CTN e da atualizada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, tem em que expõe que: o CTN somente admite a responsabilidade do sócio gerente de empresa se decorrente de atos por ele praticados com violação ao contrato social e à lei; desta fora não há como prosperar a imputação de responsabilidade solidária aos defendentes, quer não subsunção da situação de fato real e comprovada com a defesa ao disposto no art. 135 c/c 124, I, do CTN. Finalizam expondo: À vista dos argumentos expendidos no corpo desta impugnação, pugna pelo reconhecimento da insubsistência do auto de infração, determinandose o cancelamento do débito fiscal reclamado. Requer, eventualmente, a redução da autuação e multa de ofício nos termos expedidos acima." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento as impugnações, mantendo integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PRELIMINAR DE NULIDADE. Rejeitamse as preliminares de nulidade, quando não demonstrado cerceamento do direito de defesa dos interessados, tendo sido obedecidos, tanto no procedimento de suspensão de isenção como no lançamento do imposto e da contribuição devidos, todos os requisitos legais inerentes a essas atividades. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Não se configura quebra do sigilo fiscal a utilização dos dados fiscais das pessoas jurídicas trazidas à auditoria por meio de Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15504.725234/201392 Acórdão n.º 3201001.722 S3C2T1 Fl. 2.613 13 pesquisas aos sistemas informatizados, quando evidenciado o vínculo e o interesse comum daquelas com a pessoa jurídica fiscalizada, mormente se demonstra a Fiscalização a existência de administração e/ou sócios em comum, muitos deles parentes entre si, bem como o objetivo de gerar documentos fiscais destinados à redução do resultado da pessoa jurídica objeto de auditoria. IMPUGNAÇÃO. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008, 2009, 2010 SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. COFINS. Suspensa a isenção do imposto de renda e da contribuição social, segundo os procedimentos estabelecidos em lei, é cabível o lançamento desses tributos para os respectivos períodos em que houve a suspensão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2008, 2009, 2010 SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. PIS. Suspensa a isenção do imposto de renda e da contribuição social, segundo os procedimentos estabelecidos em lei, é cabível o lançamento desses tributos para os respectivos períodos em que houve a suspensão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não afastada a imputação fiscal de prática de atos dolosos tendentes a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, mantémse a multa de ofício aplicada no percentual de 150%. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelo crédito correspondente às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 14 Cientificados da decisão da DRJ, foram interpostos recursos da Recorrente SIMInstituto de Gestão Fiscal e dos responsáveis solidários: Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida, Sinval Drummond Andrade, Thales Batista de Almeida, Luciane Veiga Borges de Almeida, João Bosco Drummond Andrade, Gilberto Batista de Almeida, Adriana Gonçalves de Assis Andrade, Cleide Maria de Alvarenga Andrade e Leide Luiza de Castro Moreira Andrade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, os fatos que ensejaram o lançamento tiveram origem em procedimento anterior de fiscalização do IRPJ, sendo o auto de infração, controlado no presente processo, reflexo daquela fiscalização. Tal posição é confirmada pela Autoridade Fiscal Autuante, no Termo de Verificação Fiscal, do qual transcrevo o trecho abaixo, onde é confirmada a origem dos fatos que embasaram o presente lançamento. "9. Da criteriosa análise dos fatos e documentos, constatamos que o SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL apesar de se considerar uma entidade isenta, não preenchia todos os requisitos legais para se beneficiar da isenção do Imposto de Renda, porque a Lei nº 9.532/97 não estava sendo atendida na sua totalidade. 10. No dia 30/11/2012 foi lavrado o Termo de Constatação e Notificação Fiscal contra o SIM–INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL expondo os fatos e as irregularidades apuradas e propondo a suspensão da isenção do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a partir de 01/01/2008 até 31/12/2010, tendo sido protocolizado o processo nº 15504731237/201284. 11. Após análise da impugnação, o Sr. DelegadoSubstituo da Receita Federal em Belo Horizonte expediu o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BHE nº 013, em 15/01/2013, que SUSPENDEU A APLICAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DE ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO previstos no art. 15 da Lei nº 9.532/1997, a partir de 01/01/2008 até 31/12/2010. 12. Ressaltamos que o Sujeito Passivo foi fiscalizado anteriormente para o período de 01/01/2006 a 31/12/2007 e que pelos mesmos motivos e após análise da impugnação, a Sra. Delegada da Receita Federal em Belo Horizonte expediu o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BHE nº 060, em 31/03/2011, que SUSPENDEU A APLICAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DE ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15504.725234/201392 Acórdão n.º 3201001.722 S3C2T1 Fl. 2.614 15 previstos no art. 15 da Lei nº 9.532/1997, a para o período de 01/01/2006 até 31/12/2007. 13. Definida a suspensão da isenção do IMPOSTO DE RENDA e CSLL, perante a legislação tributária vigente, a empresa SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL tornouse uma pessoa jurídica em geral, prestadora de serviços, passando a estar sujeita à tributação das suas receitas com base no Lucro Real a partir de 01/01/2008 até 31/12/2010 e também ao recolhimento do PIS e da COFINS Não Cumulativos, pelo mesmo período.." Os fatos constantes dos autos não deixam dúvidas que lançamento teve origem na auditoria de IRPJ e decorre da suspensão da isenção do IRPJ e da CSLL, previstos no art. 15 da Lei nº 9.532/97, constante do Processo 15504.731237/201284, que posteriormente foi apensado ao processo nº 15504.723037/201339, onde estão formalizados os lançamentos de IRPJ e CSLL. Ao analisar a competência desta Seção para apreciar o recurso em questão, faz se necessária acatar a determinação do Regimento Interno do CARF, que define à Primeira Seção a competência para julgar recursos de oficio e voluntário, dos tributos conexos, decorrentes ou reflexos, cuja exigência esteja lastreada em fatos apurados em fiscalização do IRPJ, conforme previsto no inciso IV, do artigo 2º do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, transcrito abaixo. “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 16 VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções.” No case em tela, confirmado que a exigência do PIS e da COFINS, decorre de fatos apurados em fiscalização de IRPJ, voto no sentido de não conhecer do recurso e declinar a competência do julgamento à Primeira Seção do CARF. Winderley Morais Pereira Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10730.904666/2009-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .9 04 66 6/ 20 09 -9 4 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904666/200994 Resolução nº 3801000.822 S3TE01 Fl. 267 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DComp nº 38549.85649.140906.1.3.044139, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 15/02/2006, a título de Cofins, atinente ao período de apuração janeiro06, com débito da própria interessada. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, o Delegado da DRF Niterói não homologou a compensação declarada, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débito de Cofins, período de apuração dezembro05, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp. Cientificada, a Interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de folha 2, na qual alega, em síntese: Tratarse de empresa prestadora de serviços no ramo de Engenharia e que exerce atividades de conservação e restauração de estradas, conservação de áreas verdes e tem como clientes Órgãos Públicos Federais, Estaduais e Municipais; Que apura impostos federais por estimativa mensal e usa como base de cálculo as receitas efetivamente auferidas no mês (regime de caixa); Enquadrarse para fins de recolhimento da Cofins e do PIS, tanto nos regimes cumulativo quanto não cumulativo; O recolhimento em questão, código 5856, foi apurado tomandose como base de cálculo o valor de R$ 484.310,37. Posteriormente verificou ter usado base de cálculo a maior, em decorrência da inclusão de receitas oriundas de contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada ou subempreitada, que conforme Lei 10.865/04, artigo 10, inciso XX, sujeitamse à alíquota da contribuição cumulativa. Assim, verificou recolhimento a maior .no montante de R$ 21.237,66. Em tempo, retificou a DCTF do período acima em 22/05/2009. Solicita homologação da compensação e cancelamento da cobrança decorrente do indeferimento.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2006 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904666/200994 Resolução nº 3801000.822 S3TE01 Fl. 268 3 Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904666/200994 Resolução nº 3801000.822 S3TE01 Fl. 269 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF conforme Recibo 39196.77:51.2986 de 22/05/2009. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na apuração em janeiro de 2006 de Cofins não cumulativos na qual verificouse pagamento a maior em decorrência da inclusão de receitas oriundas de contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada ou subempreitada, que conforme LEI 10.865/04 (sic), Art 10. inciso XX, sujeitam se à alíquota da contribuição cumulativa. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Portanto, mesmo que haja a retificação extemporânea da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. No entanto, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904666/200994 Resolução nº 3801000.822 S3TE01 Fl. 270 5 Apesar da complementação da documentação comprobatória ter sido apresentada apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o pagamento a maior em decorrência da inclusão na base cálculo de Cofins não cumulativo de receitas oriundas de contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada ou subempreitada que se sujeitaria à alíquota da contribuição cumulativa. O Art 10. inciso XX da Lei 10.833/2003 assim dispõe: Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014) E segundo entendimento da Receita Federal exposto na Solução de Consulta Nº 21 de 27 de Outubro de 2006: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: "OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL". SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Para fins de aplicação do disposto no inciso XX do art. 10 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, enquadramse no conceito de obras de construção civil as obras e serviços auxiliares e complementares de construção, tais como aquelas relacionadas no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 30, de 1999. Consoante o citado Ato Declaratório enquadramse como construção civil as seguintes atividades: construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; sondagens, fundações e escavações; construção de estradas e logradouros públicos; construção de pontes, viadutos e monumentos; terraplenagem e pavimentação; pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Assim, segundo a recorrente, ela apurou o imposto referente a janeiro de 2006 código 5856, com base de cAlculo no valor de R$484.310,37 e constatou que houve Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904666/200994 Resolução nº 3801000.822 S3TE01 Fl. 271 6 recolhimento com a alíquota de 7,6%; onde deveria ser de 3,00%, originando um recolhimento a maior no valor de R$21.237,66(vinte um mil duzentos e trinta e sete reais sessenta e seis'centavos). Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · Cópias autenticadas da Nfs. para comprovação da Base de Cálculo; · Cópias autenticadas das páginas do Livro Diário que contém a escrituração contábil, bem como Termo de Abertura c Encerramento; · Cópias autenticadas dos Contratos de Serviços: · Cópia autenticada dos DARF; · Cópia do Contrato Social: · Demonstrativo Base de Cálculo da Cofins Regime Não Cumulativo; · Demonstrativo Base de Cálculo credito da Cofins Regime Não Cumulativo. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS, conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; b) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 14098.000259/2009-70
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ART. 44 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 303, DE 2006. PERDA DE EFICÁCIA. EFEITOS.
Uma vez perdida a eficácia da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, restaurou-se a dicção anterior do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tal como era anteriormente ao advento daquela Medida Provisória, sem qualquer interrupção.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. APLICABILIDADE.
Será aplicada multa exigida isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido por estimativa, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente.
Numero da decisão: 1803-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani e Meigan Sack Rodrigues ficaram vencidos com relação às matérias sobre a retroatividade benigna em razão da perda de eficácia da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, e sobre a exigência de multa de ofício isolada por estimativa, em razão da existência de prejuízo fiscal. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Arthur José André Neto Relator
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ART. 44 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 303, DE 2006. PERDA DE EFICÁCIA. EFEITOS. Uma vez perdida a eficácia da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, restaurou-se a dicção anterior do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tal como era anteriormente ao advento daquela Medida Provisória, sem qualquer interrupção. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. APLICABILIDADE. Será aplicada multa exigida isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido por estimativa, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani e Meigan Sack Rodrigues ficaram vencidos com relação às matérias sobre a retroatividade benigna em razão da perda de eficácia da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, e sobre a exigência de multa de ofício isolada por estimativa, em razão da existência de prejuízo fiscal. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Sumula CARF nº 11) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ART. 44 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 303, DE 2006. PERDA DE EFICÁCIA. EFEITOS. Uma vez perdida a eficácia da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, restaurouse a dicção anterior do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tal como era anteriormente ao advento daquela Medida Provisória, sem qualquer interrupção. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. APLICABILIDADE. Será aplicada multa exigida isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido por estimativa, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani e Meigan Sack AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 02 59 /2 00 9- 70 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Rodrigues ficaram vencidos com relação às matérias sobre a retroatividade benigna em razão da perda de eficácia da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, e sobre a exigência de multa de ofício isolada por estimativa, em razão da existência de prejuízo fiscal. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Arthur José André Neto – Relator (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa SANTANA TÊXTIL MATO GROSSO S/A em face de acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento do débito tributário. 2. De acordo com o auto de infração (fls. 5 a 8 e 14 a 16), o contribuinte foi autuado para recolher multas isoladas (estimativas não pagas) relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), nos períodos de janeiro, fevereiro e junho de 2005 e janeiro, fevereiro e maio de 2006. 3. Segundo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeira instância, “o lançamento ocorreu em razão de ser imputada à contribuinte a falta de pagamento das estimativas dos referidos períodos, conforme descrito pelo autuante nos autos de infração e demonstrativos de fls. 24 a 26”. 4. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 51 a 61), sustentando apenas a ilegitimidade da multa transitória quando inexiste lucro final a tributar. A decisão de primeira instância (fls. 98 a 109) restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000259/200970 Acórdão n.º 1803002.411 S1TE03 Fl. 139 3 IRPJ. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A multa isolada por não recolhimento de estimativas de IRPJ é aplicada mesmo em se apurando prejuízo fiscal ao final do anocalendário. MEDIDA PROVISÓRIA. DECURSO DE PRAZO PARA CONVERSÃO EM LEI. RETROATIVIDADE BENIGNA. O princípio da retroatividade benigna há de ser aplicado para reduzir o percentual das multas já lançadas com base em dispositivo anterior, mas não para excluir totalmente as multas ou reduzir seu percentual a zero. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO. Aplicamse ao lançamento das multas relativas à CSLL, os mesmo argumentos expendidos para o lançamento relativo às multas do IRPJ, pela similitude dos motivos de autuação e razões de impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. Cientificado tempestivamente da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 120 a 134), aduzindo, primordialmente: a) que o prazo adotado pelo administrador fiscal para proferir a decisão recorrida foi superior a 360 dias, tendo ocorrido, dessa forma, a preclusão; “do contrário, o caput do art. 37 combinado com o art. 5º, inciso LXXVIII, ambos da CF, combinado com os artigos 49 da Lei Geral do Processo Administrativo Federal e art. 24 da Lei da SuperReceita seriam simples quadros de brincadeiras a colocar na moldura do Diário Oficial, com o evidente desperdício de papel”; b) o auto de infração utilizou o art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 como dispositivo legal infringido pela recorrente, porém a autoridade lançadora não considerou que este dispositivo ganhou nova redação (mais benigna) pela MP 303/2006, que reduziu a multa de 75% para 50%, embora não tenha sido convertida em lei. c) a penalidade prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 somente veio a ser restabelecida em 2007, através da MP 351, de 22/01/2007, portanto, a configuração legal para punir a infração “desapareceu” do ordenamento jurídico no período de novembro de 2006 a janeiro de 2007. 6. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 Voto Vencido Conselheiro Relator Arthur José André Neto DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA PREVISTA NA MP 303/2006 Conforme relato fiscal, houve lançamento da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ calculado por estimativa, a qual teve como fundamentação legal o artigo 44, caput e inc. II, alínea “a” da Lei nº 9.430/96. Como a própria decisão a quo reconhece “essa redação foi dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Antes disso, porém, a redação original havia sido alterada pelo art. 18 da Medida Provisória n. 303, de 29 de junho de 2006, tendo sido diminuído o percentual da referida multa que, anteriormente à essa MP era de 75%”. Na sequência, reconhece que a Medida Provisória perdeu a eficácia em 27 de outubro de 2006, e entende que esse fato não possui o condão de afastar por completo toda e qualquer aplicação de multa isolada até a edição da MP nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Peço vênia para, nesse ponto, discordar do argumento utilizado pela fazenda, para, por consequência, acolher as alegações do contribuinte. A referida Medida Provisória entrou em vigor em 29 de junho de 2006, no entanto, não foi aprovada pelo legislativo e perdeu sua eficácia em 27 de outubro do mesmo ano. Há aqueles que entendem que estaria de novo em vigor a redação anterior da Lei 9.430/96 e válida a exigência da multa isolada. No entanto, entendo que durante o período de vigência da MP não estavam os contribuintes sujeitos à aplicação da multa isolada, pois uma vez que a penalidade deixou de ser aplicada naquele período, foram perdoados todos os que praticaram o ato objeto da multa. Desse modo, o posterior ressurgimento da multa com a perda da eficácia da MP só poderá atingir fatos posteriores a essa nova vigência, ou seja, somente aos fatos posteriores a 27 de outubro de 2006 poderá ser aplicável a multa isolada. Neste ponto, trago a fundamentação sucinta e didática utilizada no acórdão nº 3801002.083, referente ao processo nº 10421.000068/200342, proferido pelo Conselheiro Relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e seguida por unanimidade pelos demais Conselheiros da 1ª Turma Especial da 3ª Seção deste Conselho, em 22 de agosto de 2013. Vale acrescentar que, naqueles autos, o auditor fiscal classificou a multa de ofício como multa isolada, mas o conselheiro, atacando as duas multas, assim se manifestou: “[...] Ambas foram revogadas pela Medida Provisória nº 303/2006 e posteriormente pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000259/200970 Acórdão n.º 1803002.411 S1TE03 Fl. 140 5 O Código Tributário Nacional consagra o princípio da aplicação retroativa da lei posterior mais benéfica às penalidades, no art. 106, sendo descipiendo que a lei ordinária determine de forma explícita seu efeito retroativo. A alínea ‘a’ do inciso II ajustase perfeitamente à hipótese presente, uma vez que se cuida de lei que deixa de definir ato como infração; assim, a revogação da multa, seja ela revogada ou isolada, retroage automaticamente, apagando os efeitos do ato que antes era considerado ilícito. As multas estão destituídas de caráter tributário, não se aplicando o princípio tempus regit actum, podendo sofrer alteração até o efetivo pagamento, sem comprometer a liquidez do título executivo. Nesse sentido, colho, dentre outros, o seguinte precedente do STJ: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. REDUÇÃO DE MULTA. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE. 1. A Primeira Seção consolidou o entendimento de que a redução da penalidade aplicase aos fatos futuros e pretéritos, por força do princípio da retroatividade da lex mitior consagrado no art. 106 do CTN. Precedentes: REsp 204799/SP, 2ª Turma, Min. João otávio de Noronha, DJ de 30/06/2003; REsp 464372/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 02/06/2003. 2. Aplicase retroativamente a redução da multa moratória, por ser mais benéfica ao contribuinte, aos débitos objeto de execução não definitivamente encerrada, entendendose como tal aquela em que não foram ultimados os atos executivos destinados à satisfação da prestação. Precedentes: REsp 491242/RS, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ de 06.06.2005; EDcl no REsp 332.468/SP, 2ª Turma, Min. Castro Meira, DJ de 21.06.2004. 3. Recurso esp ecial a que se nega provimento." (REsp 824655/SE, PRIMEIRA TURMA, DJ 25/05/2006, PÁGINA 97, Relator Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI) O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em algumas oportunidades já julgou o assunto, conforme a jurisprudência abaixo: LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO NO TEMPO. REGRA MENOS GRAVOSA – Aplicase a lei tributária a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – A redação do art. 44 da lei nº 9.430, de 1996, dada pelo art. 18 da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, exclui da incidência da multa de ofício isolada nas hipóteses em que pagamento do tributo sem a multa de mora realizado após o vencimento. Recurso provido. (Acórdão nº 10615848, Proc.16327.001191/0049, Sexta Câmara). MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – Lei nº 9.430/96, artigo 44, § 1º, inciso II, revogado pela MP nº 303/2006 – Aplica se a fato pretérito a legislação que deixa de considerar o fato como infração, consoante dispõe o art. 106, inciso II, ‘a’, do Código Tributário Nacional. (Acórdão 10195713, Proc. 16327.001870/0091, 1ª Câmara).” Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 Utilizandome dos mesmos argumentos acima esposados, entendo que, nos termos do art. 106, inciso II, do CTN, deve ser aplicada a fato pretérito a legislação que deixa de considerar o fato como infração. No tocante ao argumento da recorrente de que ocorreu a preclusão, eis que se passou mais de 360 dias para que fosse proferida a decisão recorrida, deixo de apreciálo, vez que, por um só dos argumentos, já formei o meu convencimento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos supramencionados. Arthur José André Neto Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000259/200970 Acórdão n.º 1803002.411 S1TE03 Fl. 141 7 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Prescrição intercorrente Com relação à alegação da Recorrente de ter sido superado o prazo de 360 dias para proferimento da decisão recorrida, aplicase a Súmula CARF nº 11, de seguinte teor: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ineficácia da Medida Provisória nº 303, de 2006 A Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, teve sua vigência encerrada, conforme Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional de nº 57, de 31 de outubro de 2006, de seguinte teor: O PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL, nos termos do § único do art. 14 da Resolução nº 1, de 2002CN, faz saber que a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que “Dispõe sobre parcelamento de débitos junto à Secretaria da Receita Federal, à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional do Seguro Social nas condições que especifica e altera a legislação tributária federal.”, teve seu prazo de vigência encerrado no dia 27 de outubro do corrente ano. Por decorrência, aplicase o disposto no § 3º do art. 62 da Constituição Federal (grifouse): Art. 62. [...]. [...]. 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) Assim, uma vez perdida a eficácia da Medida Provisória nº 303, de 2006, restaurouse a dicção anterior do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tal como era anteriormente ao advento daquela Medida Provisória, sem qualquer interrupção. Colhese, nesse sentido, a magistral lição do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello: Sabemos todos que a medida provisória possui vigência e eficácia imediatas. Dela, contudo, não decorre a pronta Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 revogação dos atos estatais com ela incompatíveis. Por dispor de eficácia temporal limitada (30 dias), a medida provisória, enquanto não se der a sua definitiva conversão em lei, somente paralisará os efeitos dos atos do Poder Público a ela anteriores ou com ela conflitantes, inibindoos, transitoriamente, em seu conteúdo eficacial. [...]. Só após a conversão da medida provisória, com efeito ab rogante, em lei, é que se consumará, em caráter definitivo, a revogação dos atos anteriores ou com ela incompatíveis. Até que isso ocorra, porém, nenhum será o seu efeito derrogatório. Não se operando, porém, a sua conversão legislativa, restaurar seá a eficácia jurídica, até então meramente suspensa ou paralisada, dos diplomas afetados pela superveniente edição do ato normativo provisório. Essa restauração de eficácia inconfundível com o instituto da repristinação será ex tunc, ou seja, desde a data de edição da medida provisória não convertida. (Voto na ADIN nº 2210DF, in RTJ nº 151, pág.348) A doutrina é nesse mesmo entender, conforme se vê abaixo: Publicada a medida provisória e tendo ela força de lei, as demais normas do ordenamento, que com ela sejam incompatíveis, terão a sua eficácia suspensa. Rejeitada a medida provisória, a lei que teve a sua eficácia suspensa volta a produzir efeitos (lembrando que não foi revogada pela medida provisória). Aprovada e convertida em lei, a nova lei (fruto da conversão) revogará a lei anterior, se com ela incompatível, ou se tratar inteiramente de matéria de que tratava a lei anterior. (LENZA, PEDRO. Direito constitucional esquematizado. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 677) Exigência da multa de ofício isolada Primeiro que tudo, oportuno se faz recordar a magistral advertência de Carlos Maximiliano [Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1933. p. 118], no sentido de que: Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e, deste modo, encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto ideias apenas existentes no próprio cérebro ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém não revolucionária, aguda, mas sempre atenta respeitadora da lei. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação original (grifouse): Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000259/200970 Acórdão n.º 1803002.411 S1TE03 Fl. 142 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, [...]; II cento e cinquenta por cento, [...]. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...]; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Da atenta leitura desse dispositivo legal, observase o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Haja vista que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, e não “ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei; b) se a multa isolada é aplicável “ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente” (negrito da transcrição), também é, ela, exigível quando apurado resultado positivo. Seguese, daí, que nada impede a cobrança dessa multa, mesmo que, sobre esse resultado positivo, venha a incidir tributo e respectiva multa de ofício, prevista no inciso I do § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (“juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos”); Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 10 c) a infração da falta de pagamento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do ano calendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é nem jamais poderia ser condicional, não admitindo uma espécie de “retroatividade benigna”, no sentido de desfazer os seus efeitos. Dessa forma, tendose verificado a hipótese de incidência da multa isolada, fatos posteriores sãolhe de todo estranhos. Há que se destacar, também, que, quando do cometimento da infração (falta de pagamento de estimativas), não era, ainda, conhecido o resultado anual da empresa; d) se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração anual, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido (art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), senão pela falta de cumprimento de obrigação autônoma que, com aquela, não guarda qualquer nexo de dependência, a saber: o pagamento da estimativa mensal (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), condição suficiente para a aplicação da penalidade. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem que, por sinal, somente se aplica a tributos. Advirtase, por pertinente, que a tentativa de se excluir a aplicação da multa isolada ao argumento da suposta “inexistência de prejuízo ao fisco” ou da “não repercussão na órbita do tributo”, esbarra no contido no art. 136 do CTN (“a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”); e) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, ao depois, se mostrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas base de cálculo dessa penalidade revelaremse, ao final do período de apuração anual (portanto, após o cometimento da infração), total ou parcialmente indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo. Essa infração não se desmaterializa pelo fato de, na apuração anual, o imposto efetivamente devido vir a ser menor. Não por outro motivo, aliás, dita multa é denominada “isolada”, ou seja, não possui qualquer vínculo com o tributo devido ao final do período de apuração anual; f) a base de cálculo das estimativas e a do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Ao tempo que as estimativas são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por conseguinte, o simples fato de as Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000259/200970 Acórdão n.º 1803002.411 S1TE03 Fl. 143 11 bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre a mesma base de cálculo apurada em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu critério, que a base de cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido multa de valor fixo para aquela infração, adequando convenientemente a dosagem da correspondente penalidade; g) a lei é clara ao admitir a cobrança de multa isolada por insuficiências de estimativas, mesmo quando apurado resultado negativo ao final do período de apuração anual (ausência de tributo devido). Com que fundamento, então, pode o simples intérprete e aplicador da lei fixar limitações a essa multa, vinculandoa à existência de tributo devido? h) nada impede que o sujeito passivo que não tenha recolhido estimativas ao longo do ano venha a pagar o tributo apurado ao final do período anual: nesse caso, serlheia aplicada apenas a multa por falta de recolhimento de estimativas. Também o sujeito passivo pode ter atendido às condições para apuração do lucro real anual, não efetuando, porém, o pagamento do saldo remanescente do ajuste ao final do ano: nesse caso, serlheia cobrada apenas a diferença de tributo acompanhada da multa de ofício correspondente. Já na hipótese de ter havido omissão total por parte do sujeito passivo, tanto no que diz respeito ao recolhimento de estimativas, quanto no que se refere ao pagamento do saldo anual do imposto, serlheão exigidas as duas penalidades, por se tratar de infrações distintas. A eventual concomitância, portanto, será decorrente desse fato (dupla infração). Acrescentase, por pertinente, que insurgências quanto ao possível montante desproporcional da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinquenta por cento), não mais prevendo sua duplicação ou aumento de metade, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Por derradeiro, revelase bemvinda a lição de Francesco Carrara (Interpretação e Aplicação das Leis. 2. ed. Coimbra: 1963. p. 129) que, sobre o tema, prelecionou: [...] nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que na lei não está, por preferência, ou dela retirar o que nela está, por não lhe agradar o princípio. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 12 E também esta, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voto proferido pelo eminente Ministro Oscar Corrêa (Revista Brasileira de Direito Processual. Ed. Forense, vol. 50, p. 159): Não pode o juiz, sob alegação de que a aplicação do texto da lei à hipótese não se harmoniza com o seu sentimento de justiça ou equidade, substituirse ao legislador para formular, de próprio, a regra de direito aplicável. Mitigue o Juiz o rigor da lei, apliquea com equidade e equanimidade, mas não a substitua pelo seu critério. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para que – se ainda não o foi quando do lançamento – seja considerada a redução da multa de ofício aplicada, de 75% para 50% (Medida Provisória nº 303, de 2006 retroatividade benigna). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Ass inado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900998/2009-15
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmem Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 09 98 /2 00 9- 15 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900998/200915 Acórdão n.º 1803001.708 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 14/09/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 305.518,96 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 31/08/2004, no valor originário de R$ 683.206,38. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Inconformada com a aludida decisão, a empresa apresentou impugnação sustentando em síntese que: a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito; b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto; c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido; d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004; e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento; f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Em sede de cognição ampla a DRJ manteve o lançamento impugnado, sob o fundamento em síntese que o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Inconformada com a r. decisão, a autuada interpôs Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos que respaldaram a impugnação. É o simples relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900998/200915 Acórdão n.º 1803001.708 S1TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Admito o Recurso Voluntário por observar os requisitos legais, mormente quanto a sua tempestividade. Preliminarmente rejeito a nulidade invocada sob o argumento de que houve cerceamento de defesa quanto o indeferimento do pedido de diligência, uma vez que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/1972, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos do art. 18, caput, do mesmo Decreto. A realização de diligência e perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. No presente caso, tais motivos são inexistentes, uma vez que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Preliminarmente é irrelevante toda a discussão encetada pela Recorrente com relação ao Ato Declaratório nº 58, de 4 de abril de 2005 [redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais não restituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004], como também a referência feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) acerca desse ato. No presente caso, admite a própria Recorrente que deveria ter indicado o pagamento de estimativa mensal na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) devido ao final do período de apuração, compondo o saldo negativo correspondente. Assim, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900998/200915 Acórdão n.º 1803001.708 S1TE03 Fl. 5 4 Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003557/2001-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.325
Decisão: RESOLVEM os membros Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB 210198.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. A Conselheira Andréa Medrado Darzé declarou-se impedida.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB 210198. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. A Conselheira Andréa Medrado Darzé declarou-se impedida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB 210198. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. A Conselheira Andréa Medrado Darzé declarouse impedida. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fls. 2/3) de saldo crédito básico do IPI apurado no 1º trimestre de 2001, no valor de R$ 27.332,03, acompanhado do Pedido de Compensação de fl. 4, em que pleiteada a compensação do referido crédito com os débitos da Contribuição para PIS/Pasep e Cofins do mês março de 2001, discriminados no extrato de fl. 58. Com respaldo na Informação Fiscal de fls. 53/55, a autoridade julgadora da unidade da Receita Federal de origem, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 60, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações pleiteadas, com base no argumento de que a contribuinte dera saída a produtos de sua fabricação com classificação fiscal equivocada e sem o lançamento do imposto devido. Em consequência, fora reconstituída RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 03 55 7/ 20 01 -7 2 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.003557/200172 Resolução nº 3102000.325 S3C1T2 Fl. 101 2 a escrita fiscal da interessada e, ao invés saldo credor, foi apurado saldo devedor do IPI no referido trimestre. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada apresentou as suas razões de defesa que foram assim resumidas no relatório encartado na decisão recorrida: 1. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo, pois o auto de infração que gerou a reconstituição da escrita fiscal foi lavrado posteriormente ao Despacho, e por isso, o indeferimento por falta de saldo credor somente poderia ocorrer após a lavratura do auto; 2. Pela impossibilidade de refazer a escrita da contribuinte relativa ao 1º trimestre de 2001, em virtude do prazo decadencial, o indeferimento do pedido de ressarcimento é totalmente improcedente; 3. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados da data da entrega da declaração de compensação, nos termos exatos do artigo 74, § 5º da Lei n° 9.430/96. Desta forma, o pedido de compensação está tacitamente homologado, pois foi protocolado em 17/05/2001, e o auto de infração que reconstituiu a escrita somente foi cientificado em 18/05/2001 [18/5/2006]; 4. O mérito desse processo de ressarcimento/compensação é dependente e vinculado ao processo de auto de infração de IPI n° 10830.002310/200643, assim, o exame do mérito desses autos deve ser sobrestado até o julgamento final na esfera administrativa do auto de infração relativo à mesma matéria; 5. Houve mudança de critério fiscal, pois o mesmo pedido foi deferido para a empresa Vita Alimentos; 6. Protesta contra a cobrança dos débitos compensados enquanto estiver pendente a discussão sobre a legitimidade dos procedimentos adotados pela contribuinte; requereu, ainda, seja sustada a precipitada cobrança, consignandose a suspensão da exigibilidade das parcelas indicadas nesta. Por fim, requer o reconhecimento da improcedência do Despacho Decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 195/211), em que, por unanimidade de votos, foi indeferida a solicitação, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: IMPOSTOS SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.003557/200172 Resolução nº 3102000.325 S3C1T2 Fl. 102 3 Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. Solicitação Indeferida Em 11/1/2007, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 213). Inconformada, em 8/2/2007, apresentou o recurso voluntário de fls. 214/238, em que reafirmou os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade e reiterou que fossem considerados os créditos das mercadorias devolvidas, assim como o seu pedido de diligência registrado na manifestação de inconformidade anteriormente apresentada para confirmar tais devoluções. Em 31/8/2011, por meio da petição de fls. 271/272, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso voluntário, por meio do qual renunciou às alegações suscitadas em relação às compensações e manteve as razões recursais atinentes ao direito creditório pleiteado. Na Sessão de 29 de janeiro de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.294 (fls. 307/313), este Colegiado, por maioria de votos, conheceu do recurso voluntário, na parte em que se discutia o direito de crédito, vencido este Conselheiro Relator, que não tomava conhecimento do recurso. Em seguida, resolveram, por unanimidade de voto, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem aguardasse a decisão definitiva do processo do auto de infração correspondente (processo nº 10830.002310/2006 43). Em 25/7/2014, por meio do Despacho de fl. 315, os autos foram devolvidos a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento, tendo em vista que o recurso objeto do processo 10830.002310/200643 fora provido por este Conselho e, como não houve interposição de recurso especial pela PGFN, a referida decisão tornouse definitiva na esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, mas, em face do pedido de desistência apresentado pela recorrente em relação ao procedimento de compensação, será conhecido apenas as razões de defesa atinentes ao direito creditório, pleiteado por meio da Pedido de Ressarcimento de fl. 2. Inicialmente, cabe esclarecer que, com o voto contrário deste Conselheiro, que defendia a tese da desistência integral do recurso, consignada no voto vencido encartado na Resolução nº 3102000.294 (fls. 307/313), este Colegiado decidiu que o pedido de desistência do recurso em tela referiase apenas ao procedimento de compensação, devendo ser conhecido a parte relativa ao referido pedido de ressarcimento. Em respeito a referida decisão, este Conselheiro curvase ao entendimento da maioria e, em consequência, entende que devam ser analisadas as razões de defesa suscitadas pela recorrente, atinentes apenas ao direito de ressarcimento do valor crédito pleiteado. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.003557/200172 Resolução nº 3102000.325 S3C1T2 Fl. 103 4 Previamente, cabe esclarecer que a causa do indeferimento parcial do valor do crédito pleiteado foi o trabalho de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, realizado pela fiscalização, conforme explicitado no Demonstrativo de fl. 52. Em relação ao 1º trimestre de 2001, período objeto do pedido em apreço, após os ajustes consignados no citado Demonstrativo, a fiscalização apurou saldo devedor do IPI, no valor de R$ 16.565,14, ao invés do saldo credor de R$ 27.332,03, pleiteado pela recorrente. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 53/55, a causa da glosa do saldo credor do IPI, no valor de R$ 27.332,03, foi o erro da classificação fiscal atribuída aos produtos fabricados e comercializados pela recorrente, ou seja, bebidas da marca XTAPA, contendo carboidratos e vitamina C. Segundo a fiscalização, tais produtos classificarseiam no código 2202.90.00 da TIPI e não no código 2106.90.30 da TIPI, como, equivocadamente, procedera a recorrente na sua escrituração fiscal. Para melhor compreensão da questão, recomendase a leitura do trecho extraído da referida Informação Fiscal, que segue reproduzido: O contribuinte classificou, indevidamente, no 4º trimestre de 2001, as saídas das bebidas da marca XTAPA, contendo carboidratos e vitamina C, que se enquadram como “repositor energético para atletas”, nos termos do Anexo à Portaria n° 222/1998, da Secretaria de Vigilância Sanitária, no código 2106.90.30 Preparações Alimentícias Complementos Alimentares, quando o correto seria no Capítulo 22 Bebidas código 2202.90.00 Alimentos para praticantes de atividade física nos termos da portaria 222, de 24 de março de 1988, da extinta Secretaria Sanitária, atual Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde, conforme legislação abaixo. (grifos do original) Em decorrência do mencionado erro, a fiscalização procedeu a reconstituição da escrita fiscal, especificamente do livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento industrial, para inclusão dos débitos relativos à tributação das referidas bebidas e reincorporação dos valores dos estornos de créditos realizados por conta dos ingressos dos pedidos de ressarcimento que foram glosados. Dada essa circunstância, fica evidenciado que os elementos colacionados autos não são insuficientes para análise do direito creditório pleiteado. Por essa razão, votase pelo conhecimento parcial do recurso voluntário, apenas em relação a parte que trata do direito creditório, porém, em face da deficiência da instrução processual, propõese a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal: a) junte aos autos a decisão definitiva deste Conselho, proferida no âmbito do processo 10830.002310/200643 e demais peças processuais que entenda necessárias para o deslinde da presente controvérsia; b) proceda nova análise o Pedido de Ressarcimento de fl. 2 e, se for o caso, apure o novo valor do crédito a que tem direito a recorrente, tendo em conta o teor da decisão definitiva proferida no âmbito do citado processo; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.003557/200172 Resolução nº 3102000.325 S3C1T2 Fl. 104 5 c) após, cientifique a recorrente do resultado da análise do direito creditório, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias, para que, querendo, apresente as considerações que entenda pertinentes; e d) por fim, após expirado o prazo fixado para manifestação da recorrente, com ou sem pronunciamento desta, devolva os autos a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /11/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902170/2010-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO.
Por falta de previsão legal, são incabíveis atualização monetária e juros calculados pela Taxa Selic aos ressarcimentos de créditos do IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, são incabíveis atualização monetária e juros calculados pela Taxa Selic aos ressarcimentos de créditos do IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 70 /2 01 0- 31 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.902170/201031 Acórdão n.º 3801003.142 S3TE01 Fl. 3 2 “Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) – DDE do Delegado da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP, que reconheceu integralmente o direito de crédito pleiteado pelo interessado através do PER/DCOMP nº 12619.06492.080408.1.1.015328, transmitido em 08/04/2008, no valor de R$ 5.286,87, o qual, todavia, foi insuficiente para quitar integralmente os débitos vinculados ao crédito, resultando na homologação parcial das compensações. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva (fl. 22 e seguintes), na qual o contribuinte alega que teria havido erro no encontro de contas praticado pela autoridade fiscal, pois o débito escriturado sofreu acréscimo de juros e correção monetária, o mesmo não ocorrendo com o crédito, o que resultou na diferença que está sendo exigida. Finalizando, solicita o acolhimento da manifestação de inconformidade e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, no termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de atualização monetária e de juros calculados pela Taxa Selic aos ressarcimentos de créditos do IPI..” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em que limitase a discutir sobre o cabimento de atualização monetária incidente sobre o pedido de ressarcimento de créditos de IPI, aduzindo que ao manejar PER/DCOMP, os créditos de IPI deixam de ser escriturais, passando a ser passíveis de atualização monetária. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Sobre a admissibilidade do recurso. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.902170/201031 Acórdão n.º 3801003.142 S3TE01 Fl. 4 3 Sobre a atualização monetária do ressarcimento. O ressarcimento não se trata de restituição de indébito tributário, pois não decorre de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem de erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Não há lei que determine seja o ressarcimento corrigido monetariamente ou acrescido de juros, não se aplicando ao caso o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. São precedentes no âmbito do CARF os seguintes: Acórdão 20402.945, de 22/11/2007, da 4ª Câmara do 2º CC: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializado IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000. Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A figura do ressarcimento não se confunde com a da restituição. Inexistindo previsão legal, impossível o acréscimo de juros ao valor pleiteado em ressarcimento, ainda que isso venha denominado como "atualização monetária. Recurso Voluntário Negado.” Acórdão 20181.500, de 10/10/2008, da 1ª Câmara do 2º CC. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao PIS e da Cofins no fornecimento ao produtor exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CÁLCULO. Não são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com combustíveis, energia elétrica, consoante Súmula n9 12 do Segundo Conselho de Contribuintes, e outros que, embora sendo necessários ao estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, visto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. 1NAPLICABILIDADE. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.902170/201031 Acórdão n.º 3801003.142 S3TE01 Fl. 5 4 O ressarcimento não se confunde com a restituição pela inocorrência de indébito. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos, visto não haver previsão legal. Recurso voluntário negado. No julgamento do recurso especial 1.035.847/RS, representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”. Esta decisão, que transitou em julgado em 10/03/2010, não pode ser aplicada ao caso, pois não ocorreu oposição por resistência ilegítima do Fisco. Como salientado na decisão recorrida, o direito de crédito pleiteado pela contribuinte foi integralmente reconhecido pela administração tributária. A Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009 (DJe 16/12/2009), evidencia a necessidade de que tenha ocorrido resistência ilegítima do Fisco para que seja devida atualização monetária em direitos de crédito de IPI. Vejase seu enunciado: “Correção Monetária Creditamento do IPI Resistência Ilegítima do Fisco. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” Logo, não se está diante de fatos que, por força do art. 62A do RICARF, ensejariam a reprodução da decisão judicial. Conclusão. Pelo exposto, tendo em vista que o pedido de ressarcimento foi integralmente deferido, que não houve resistência ilegítima do Fisco e que não há previsão legal para atualização monetária de ressarcimento de IPI, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.902170/201031 Acórdão n.º 3801003.142 S3TE01 Fl. 6 5 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13931.000395/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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ANTUNES TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 39 5/ 20 10 -6 1 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 13931.000395/201061 Resolução nº 2401000.396 S2C4T1 Fl. 112 2 Relatório L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão nº 0632.122/2011, às fls. 91/93, que julgou procedente o lançamento fiscal, lavrado em 12/08/2010, referente às contribuições sociais devidas ao INSS, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento e outros documentos, em relação ao período de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 28/34, consubstanciado no seguinte Auto de Infração: 1) AIOP n° 37.244.0860 – Contribuições Sociais relativas à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além de diferenças de acréscimos legais; De conformidade com o Relatório Fiscal, a autuação consubstanciada no lançamento em epígrafe decorre de Representação Fiscal – Processo Administrativo n° 12571.000018/200962, em que a contribuinte fora excluída do regime de tributação do SIMPLES, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/PTG n° 09, de 11/03/2009. Ressalta, ainda, que os efeitos do ato de exclusão do SIMPLES se operam a partir de 01/01/2006. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 102/105, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo, suscita a ilegalidade do procedimento eleito pela autoridade lançadora no sentido de promover o presente lançamento com base em ato de exclusão do regime de tributação do SIMPLES sem que tenha havido julgamento definitivo da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 12571.000018/200962. Em defesa de sua pretensão, transcreve a legislação de regência reconhecendo que a interposição de manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do regime de tributação do SIMPLES suspende os seus efeitos, impedindo, assim, a lavratura de auto de infração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 13931.000395/201061 Resolução nº 2401000.396 S2C4T1 Fl. 113 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da demanda nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o lançamento inscrito no auto de infração sob análise decorre de procedimento de exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, consubstanciado no processo administrativo n° 12571.000018/200962, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/PTG n° 09, de 11/03/2009, operando efeitos a partir de 01/01/2006. Em que pese a autoridade julgadora de primeira instância haver reconhecido o nexo causal do presente lançamento com o processo que trata da exclusão do SIMPLES, achou por bem dar seguimento ao feito, inferindo que: “[...] Podese até mesmo concordar que a tributação, neste caso, é precária no sentido de que depende diretamente da conclusão do processo de exclusão, mas ainda que precária, a constituição do crédito é obrigatória assim que passe a ser exigível da empresa excluída. Assim, tendo a autoridade fiscal notícia da exclusão e tendo condições de apurar que haveria créditos tributários a serem constituídos pelo lançamento, restalhe obrigatória essa atividade. [...]” Extraise daí inexistir dúvida de que o processo sob análise encontrase atrelado ao resultado final a ser levado a efeito nos autos do processo de exclusão do SIMPLES, em evidente prejudicial do exame da demanda, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. Neste sentido, somente após a decisão administrativa definitiva exarada em face da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 12571.000018/200962, é que se poderá adentrar a análise da regularidade deste feito. Dessa forma, existindo referido processo de exclusão do SIMPLES, esse, por guardar íntima relação de causa e efeito com a autuação sub examine, deverá ser julgada primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. Ocorre que, em consulta formulada no site do CARF (www.carf.fazenda.gov.br), constatamos que o processo n° 12571.000018/200962 encontrase Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 13931.000395/201061 Resolução nº 2401000.396 S2C4T1 Fl. 114 4 pendente de julgamento, mais precisamente aguardando distribuição de Câmara/Turma da Primeira Seção de Julgamento do Conselho, competente para julgamento de processos pertinentes ao regime de tributação do SIMPLES, o que impõe o sobrestamento deste feito até seja proferida decisão definitiva nos autos daquele processo. Assim, ao contrário do entendimento encampado pelo julgador de primeira instância, em face do caráter de prejudicialidade do mencionado processo frente o Auto de Infração em epígrafe, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente venham para apreciação por esse Colegiado após o trânsito em julgado do processo n° 12571.000018/200962, onde se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento – SIMPLES. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, sobrestando o exame meritório do presente Auto de Infração, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo n° 12571.000018/200962, devendo estes autos ser encaminhado para a DRF de origem para as providências cabíveis. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720573/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ARBITRAMENTO. DEVIDO.
Foi diante de claros e bem descritos fatos, ausência de escrituração de movimentação financeira, ausência de livros auxiliares, saldo credor de caixa, passivo fictício, omissão de compras, que se deu o arbitramento
Numero da decisão: 1301-001.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 ARBITRAMENTO. DEVIDO. Foi diante de claros e bem descritos fatos, ausência de escrituração de movimentação financeira, ausência de livros auxiliares, saldo credor de caixa, passivo fictício, omissão de compras, que se deu o arbitramento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrente EMBRATRIGO EMPRESA BRASILEIRA DO TRIGO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ARBITRAMENTO. DEVIDO. Foi diante de claros e bem descritos fatos, ausência de escrituração de movimentação financeira, ausência de livros auxiliares, saldo credor de caixa, passivo fictício, omissão de compras, que se deu o arbitramento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 05 73 /2 01 3- 39 Fl. 6367DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG. Verificase pela análise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente lavrados os Autos de Infração (fls. 2 52), para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP. De acordo com a Fiscalização, o lançamento de IRPJ, do qual decorrem os demais, foi resultado de arbitramento do lucro da recorrente e conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 53 – 95), após as intimações para apresentação da documentação solicitada, ressaltouse que a contribuinte deixou de apresentar os extratos de sua movimentação financeira no BANCO DO BRASIL S/A, exibindo apenas os extratos bancários fornecidos pelos bancos SAFRA e BRADESCO, apesar de intimada a entregar os extratos de todas as instituições financeiras nas quais mantinha movimentação bancária no anocalendário 2009. Frisou a Fiscalização que a contribuinte, em seu plano de contas, omite a existência da mencionada conta no BANCO DO BRASIL e segundo informações prestadas pelas instituições bancárias ao Fisco Federal por meio de DIMOF (Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira), a soma dos valores creditados à recorrente nos mencionados bancos foi de R$ 23.484.753,87, superior aos R$ 19.177.250,74 por ela declarados em DIPJ, como constituindo sua receita bruta correspondente ao anocalendário 2009 (diferença entre DIMOF e DIPJ é de R$ 4.307.503,13. Considerou a Fiscalização ainda, que analisando o extrato bancário fornecido pelo BANCO DO BRASIL, verificouse “intensa movimentação de recursos a crédito na conta em questão”, e “inúmeras compensações de cheques relativas a pagamentos realizados pela FISCALIZADA”, sem o correspondente registro na escrituração, reputando que a contribuinte, rotineiramente, valiase da prática de movimentar a conta “Caixa” por pagamentos na verdade realizados por meio de operações bancárias (v.g. cheques, transferências eletrônicas disponíveis – TED ou transferências bancárias – TB, etc. – ver fl. 76) e após o efetivo pagamento, estas entradas fictas não eram canceladas, criandose portanto um falso saldo devedor da conta “Caixa” (fl. 83 e fls. 96 103), destacandose ainda, que ao não escriturar a movimentação bancária da conta mantida do Banco do Brasil na contabilidade, a empresa cometeu falha que, por sua essência, instaura insegurança quanto à fidelidade da escrita, infringindo o artigo 251 e seu parágrafo único do RIR/99 e tendo em vista o teor do artigo 1.184 do Código Civil, a Fiscalização intimou a recorrente, diversas vezes, a “apresentar o registro auxiliar das contas ‘VALORES EM TRÂNSITO’ e ‘CLIENTES DIVERSOS’ referente ao período de janeiro de 2009 a dezembro de 2009”, sendo que em resposta, a empresa fiscalizada afirmou “não ter livros auxiliares a sua disposição como: Livro Razão, Auxiliar das contas caixa, clientes diversos e valores em trânsito. Todos os livros disponíveis estão em poder da FISCALIZAÇÃO ESTADUAL”. Consta ainda do TVF que fornecedores da autuada informaram haverlhe feito vendas que não foram contabilizadas por ela. Intimada a apresentar a respectiva documentação, a interessada alegou que também tai documentos se encontrariam em poder do Fisco Estadual, esclarecendo a Fiscalização que em diligência ao Fisco Estadual, não localizou tais livros auxiliares nem a referida documentação, de sorte que a presença de OMISSÃO DE Fl. 6368DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13603.720573/201339 Acórdão n.º 1301001.429 S1C3T1 Fl. 3 3 COMPRA confirmaria a falta de credibilidade da escrituração contábil o que impossibilita a apuração do lucro real, restando como alternativa o arbitramento. Salientouse no TVF, que a contribuinte também mantinha em sua conta de “Fornecedores” (compras a prazo) valores inteiramente divorciados da realidade, citando, por exemplo, que a contribuinte pagou a um destes fornecedores R$ 5.098.651,07 e registrou um pagamento de R$ 4.897.569,21 (fl. 85) e em outra ocasião registrou compras à vista como se houvessem sido feitas a prazo (fl. 86), levando a Fiscalização a afirmar que houve manipulação de valores e datas de pagamento de alguns fornecedores, sendo que a escrituração de valores e pagamentos não se confirmam com as informações prestadas diretamente pelos fornecedores, revelando a falta de credibilidade da escrituração contábil apresentada o que prejudica a apuração do lucro real, sendo indicado aplicação do arbitramento. A Fiscalização ainda mencionou que a contribuinte descumpriu a intimação de entrega do Livro Registro de Inventário, observando que a apuração do resultado depende, fundamentalmente, do levantamento dos estoques no encerramento do exercício e que a inexistência do Livro Registro de inventário justifica o abandono da escrituração e o consequente arbitramento do lucro. Não foram apresentados os livros de registros auxiliares das contas Caixa, Valores em Trânsito, Clientes Diversos e, diante da utilização de registro no Livro Diário por partidas mensais sem a necessária e indispensável individuação com clareza em ordem cronológica dos fatos em livros auxiliares, constitui mais uma hipótese dentre outras já citadas anteriormente de arbitramento de lucro da pessoa jurídica. Diante de tais fundamentos, o lucro da contribuinte foi arbitrado, tomandose por base sua receita bruta conhecida, concluindo a Fiscalização pela ausência de escrituração de movimentação financeira, ausência de livros auxiliares, saldo credor de caixa, passivo fictício, omissão de compras evidenciando, diversas falhas na escrituração, revelando manipulação de valores e total falta de credibilidade da contabilidade apresentada, não sendo possível verificar a receita real da empresa, bem como o lucro real, fatos que caracterizariam a sonegação e a fraude, previstos nos artigos 71 e 72 da Lei n°. 4.502/64, qualificandose a multa de ofício lançada (150%), conforme artigo 44, da Lei nº 9.430/96 e artigo 957 do RIR/99. A contribuinte foi devidamente cientificada (fl. 20), e apresentou Impugnação (fls. 6.264 – 6.308), alegando em relação ao saldo credor de caixa que a Fiscalização não compreendeu seus lançamentos fiscais, já que a empresa realizou muitos pagamentos utilizandose de um mesmo cheque, de sorte que o fisco não conseguiu conciliar vários desses cheques com as despesas sob quitação, defendendo que isso não seria motivo para desqualificar a escrita contábil, já que todos os registros lançados da conta Caixa estão lastreados na farta documentação apresentada, e o que não foi feito é a conciliação, por parte do fisco, de tais lançamentos. Reputou ainda, que ao contrário do que afirmado pela agente fiscal, responsável pela autuação, a empresa respondeu a todas as intimações, apresentando documentos e esclarecimentos, cumprindo, assim, seu dever de contribuir com a investigação fiscalizatória e que não há deficiência na conta Caixa da empresa que autorize a desconsideração da escrita contábil para fins de arbitramento dos tributos. Afirmou em relação à constatação de “OMISSÃO DE COMPRAS”, que mais uma vez não agiu correto o fisco, indagando que acaso houvesse omissão de registro de Fl. 6369DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 compras efetuadas pela empresa, não seria então caso de cobrar os tributos por tais compras não registradas, considerando que o fisco as destacou em seu relatório, mas delas somente utilizou para fundamentar a desconsideração de toda a escrita fiscal? Aduziu que a mácula deveria ser o que faltou a registrar nos livros contábeis, e não o que estava devidamente lançado e tributado. Defendeu a ilegalidade do arbitramento, mencionando que houve a falta de compreensão do fisco quanto aos lançamentos contábeis e fiscais da empresa. No caso, o fisco, não conseguindo conciliar os lançamentos da conta Caixa com as operações mercantis da empresa, entendeu não serem confiáveis tais lançamentos, preferindo desconsiderar a escrita contábil. Porém, os documentos fiscais solicitados, e com base naqueles já de conhecimento do fisco, permitiam aferir os lançamentos e sua exatidão, o que lhes conferem o caráter de legítimos. Relembrou a contribuinte que além da incompreensão quanto aos lançamentos da conta Caixa, o fisco ainda fundamentou seu ato de desclassificar TODA a escrita fiscal do período de 2009 ao fato de a empresa não apresentar registro de movimentos bancários na ordem de R$ 4. 307. 503,13, e também por não registrar algumas notas fiscais de compras, tecendo considerações sobre o arbitramento do lucro e aduzindo que o agente fiscal entendeu que as descrições dos históricos dos lançamentos, nos livros razões e diários, revelam falta de credibilidade, mas o fez por interpretação própria ao não conseguir conciliar os pagamentos feitos pela empresa com as despesas declaradas, propugnando que não haveria mácula naqueles registros passível de desconsideração da escrita fiscal para fins de arbitramento do lucro. Segundo a contribuinte, partindose da premissa de que as descrições dos históricos dos lançamentos, nos livros razões e diários, não eram deficientes, nem careciam de credibilidade, então há de se questionar sobre a falta de registro de notas fiscais de comprar e a falta de registro de parte da movimentação bancária fundamenta o arbitramento do lucro. Afirmando que no presente caso, a autoridade fiscal deveria computar o montante omitido para a determinação da base de cálculo do imposto e do adicional (art. 24 da Lei nº 9.249/95). Contudo, assim não o fez, visto que a base de cálculo arbitrada correspondeu à totalidade dos valores declarados na DIPJ/2009. Reconheceu que configurada a omissão de receita, o lucro líquido deverá ser arbitrado e irá considerar, para fins de sua apuração, os valores omitidos. Defendo, in casu, que a parcela omitida foi o valor movimentado em banco, não registrado, ou seja, R$ 4.307.503,13. Daí que o arbitramento do lucro, por conseguinte, não poderia configurar a totalidade da receita, ou da movimentação financeira, devidamente declarada, mas apenas a parte não declarada, salientando que o legislador está autorizado a arbitrar o lucro em situações como a descrita no caso presente. Porém, atrita com o sistema de uniforme justiça fiscal a pretensão do Fisco Federal de arbitrar como lucro líquido o total dos valores declarados e já tributados. Afirmou ainda, que o Fisco ao adotar sua receita bruta anual como base de cálculo do lucro arbitrado, haveria incidido em erro que tornaria “os valores indevidos, irreais e exorbitantes”, contaminaria o lançamento “com vício insanável de ilegalidade” e o tornaria “nulo de pleno direito”. Reiterou que “a pretensão do fisco em desclassificar a escrita fiscal da autuada” decorreria de incompreensão quanto aos mesmos por não conseguir conciliálos, embora assim não se apresentam posto que refletem a realidade da dinâmica operacional da empresa e por isso podese afirmar que não há defeitos na conta Caixa capaz de toda escrita Fl. 6370DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13603.720573/201339 Acórdão n.º 1301001.429 S1C3T1 Fl. 4 5 fiscal da autuada no período sob fiscalização, aduzindo ainda, que por cautela, e em razão do princípio da eventualidade, caso fosse verificada alguma irregularidade, seria então pelo movimento bancário não contabilizado, e o montante desse seria o objeto do arbitramento, e jamais todos os valores faturados pela empresa em 2009, conforme acima já historiado. Por fim, requereu a realização de perícia contábil, asseverando que não bastam as razões e presunções arguidas pelo fisco, de forma a afirmar simplesmente que houve sonegação de tributos por apresentar saldo positivo na conta Caixa. A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 6.313 a 6.326, julgou o lançamento procedente, concluindo, em relação ao arbitramento do lucro, que a recorrente, embora intimada, não exibiu seu Livro de Registro de Inventário, obrigatório para toda pessoa jurídica que submetese à tributação pelo Lucro Real, por força dos artigos 260, inciso I, e 261, do RIR/99, de sorte que a simples falta deste ou de qualquer outro livro obrigatório seria motivo suficiente para a adoção do Lucro Arbitrado como base de cálculo dos tributos ora em exame. Ademais, assentou entendimento de que não procederia o argumento da contribuinte no sentido que o lançamento “poderia” ser realizado sem consulta a este livro, pois a legislação não considera o Livro Registro de Inventário quase obrigatório, semiobrigatório ou facultativamente obrigatório, uma vez que o dito livro seria sim obrigatório e sua falta motivo bastante para o arbitramento do lucro. A decisão recorrida manifestouse acerca do argumento da contribuinte de que a lavratura dos autos de infração decorreriam da incapacidade da Fiscalização em compreender os lançamentos que examinou, reputando a decisão recorrida que a contabilidade, assim como a matemática, é uma linguagem, com vocabulário e sintaxe bem definidos, destinada a exprimir o fluxo de recursos dentro de um patrimônio. E, assim como a matemática adota expressões inequívocas e universais, sendo que a contabilidade se vale de fórmulas bem conhecidas e assentes para exprimir os fatos econômicos e financeiros que constituem seu domínio e a sintética expressão “Clientes a Vendas a prazo” deve ser necessariamente entendida como o lançamento de um mesmo valor, na mesma data, com o mesmo histórico, a débito da conta “Clientes” (que representa a soma de documentos representativos de vendas efetuadas a prazo, ainda não recebidas) e a crédito da conta “Vendas a prazo”: eis, em essência, o método das partidas dobradas, evidenciando, para um recurso pecuniário, sua origem (a receita de vendas) e sua destinação (a conta “Clientes”). Mencionou a decisão, ainda, que se tratando de uma linguagem técnica, sobretudo, aquilo que nela se exprime deve inteligível, de modo claro e imediato, para todos aqueles que a dominem, sendo que no caso vertente, se à recorrente fosse conveniente reunir suas disponibilidades sob um mesmo título genérico, como alega haver feito, deveria necessariamente detalhar em subcontas estas disponibilidades (v.g. “Caixa” propriamente dito, “Bancos conta movimento”, “Aplicações de liquidez imediata”, etc.) e não, como o fez, manter assentos contábeis enigmáticos, que omitiram completamente mais de quatro milhões de reais creditados em conta do BANCO DO BRASIL S/A. Dito isso, conclui a decisão recorrida que se a escrita de uma sociedade empresária (aqui, adequadamente, “escrita” tem tanto o sentido de “documento escrito” quanto o de “escrituração contábil”) não transmite a informação do verdadeiro fluxo de recursos dentro do patrimônio desta sociedade, não se pode atribuir a culpa deste desentendimento a quem a lê, mas, antes, a quem a escreveu. Se a escrita não é inteligível por si mesma, deduzse Fl. 6371DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 que foi intencionalmente manipulada para ocultar informações de terceiros, de sorte que a alegação de que a Fiscalização não entendeu as operações, revelaria na verdade que a contribuinte lastima que estas hajam sido compreendidas bem demais, pois ficou bem claro que a conta “Caixa” era, no mínimo, uma ficção, que debitada por valores que jamais transitaram por ela e jamais creditada pelos pagamentos supostamente nela registrados. Na sequência, cuidouse da alegação da contribuinte de que “todos os registros lançados da conta Caixa estão lastreados na farta documentação apresentada”, afirmando a decisão recorrida que no TVF há inúmeras referências a intimações à apresentação de livros e documentos que foram descumpridas pela interessada, como, por exemplo, o “Livro de Registro de Inventário”, os livros “Valores em Trânsito” e ”Clientes Diversos” e as notas fiscais relacionadas na resposta da própria interessada à fl. 537, alegadamente entregues ao Fisco estadual, mas que lá não foram localizados. Afirmouse em conclusão, portanto, que o arbitramento foi correto e calculado de forma acertado, mantendo o lançamento principal e os reflexos, afastando a necessidade de realização de perícia. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 6.335 – 6.364), reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 6372DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13603.720573/201339 Acórdão n.º 1301001.429 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como detalhado no relatório acima, o qual integra o presente voto para todos os fins, a recorrente foi autuada em relação ao IRPJ e reflexos, por meio de arbitramento do lucro, tendo a Fiscalização apurado (vide TVF de fls. 53 – 95), considerável omissão de receitas. Segundo relatado pela Fiscalização, após intimar a recorrente para apresentação da documentação, a contribuinte deixou de apresentar os extratos de sua movimentação financeira no BANCO DO BRASIL S/A, conquanto tenha sido intimada a entregar os extratos de todas as instituições financeiras nas quais mantinha movimentação bancária no anocalendário 2009, destacouse ainda, que em seu plano de contas, a recorrente omitiu a existência da mencionada conta no BANCO DO BRASIL e segundo informações prestadas pelas instituições bancárias ao Fisco federal por meio de DIMOF (Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira), a soma dos valores creditados à recorrente nos mencionados bancos foi de R$ 23.484.753,87, superior aos R$ 19.177.250,74 por ela declarados em DIPJ, como constituindo sua receita bruta correspondente ao anocalendário 2009 (diferença entre DIMOF e DIPJ é de R$ 4.307.503,13. Considerou a Fiscalização ainda, que analisando o extrato bancário fornecido pelo BANCO DO BRASIL, observavase “intensa movimentação de recursos a crédito na conta em questão”, e “inúmeras compensações de cheques relativas a pagamentos realizados, sem o correspondente registro na escrituração, reputando que a contribuinte, rotineiramente, valiase da prática de movimentar a conta “Caixa” por pagamentos na verdade realizados por meio de operações bancárias (v.g. cheques, transferências eletrônicas disponíveis – TED ou transferências bancárias – TB, etc. – ver fl. 76) e após o efetivo pagamento, estas entradas fictas não eram canceladas, criandose um falso saldo devedor da conta “Caixa” (fl. 83 e fls. 96 103), destacandose ainda, que ao não escriturar a movimentação bancária da conta mantida do Banco do Brasil na contabilidade, a empresa cometeu falha que, por sua essência, instaura insegurança quanto à fidelidade da escrita, infringindo o artigo 251 e seu parágrafo único do RIR/99 e tendo em vista o teor do artigo 1.184 do Código Civil, a Fiscalização intimou a recorrente, diversas vezes, a “apresentar o registro auxiliar das contas ‘VALORES EM TRÂNSITO’ e ‘CLIENTES DIVERSOS’ referente ao período de janeiro de 2009 a dezembro de 2009”, sendo que em resposta, a recorrente afirmou “não ter livros auxiliares a sua disposição como: Livro Razão, Auxiliar das contas caixa, clientes diversos e valores em trânsito. Todos os livros disponíveis estão em poder da FISCALIZAÇÃO ESTADUAL”. Não se pode perder de vista, ainda, que a Fiscalização apurou que fornecedores da recorrente informaram haverlhe feito vendas que não foram contabilizadas por ela e, intimada a apresentar a respectiva documentação, a recorrente alegou que também tais documentos se encontrariam em poder do Fisco Estadual, esclarecendo a Fiscalização que em diligência ao Fisco Estadual, não localizou tais livros auxiliares nem a referida Fl. 6373DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 documentação, de sorte que a presença de OMISSÃO DE COMPRA confirmaria a falta de credibilidade da escrituração contábil o que impossibilita a apuração do lucro real, restando como alternativa o arbitramento. Consta do presente processo, ainda, que a contribuinte também mantinha em sua conta de “Fornecedores” (compras a prazo) valores inteiramente divorciados da realidade, citando, por exemplo, que a contribuinte pagou a um destes fornecedores R$ 5.098.651,07 e registrou um pagamento de R$ 4.897.569,21 (fl. 85) e em outra ocasião registrou compras à vista como se houvessem sido feitas a prazo (fl. 86), levando a Fiscalização a afirmar que houve manipulação de valores e datas de pagamento de alguns fornecedores, sendo que a escrituração de valores e pagamentos não se confirmam com as informações prestadas diretamente pelos fornecedores, revelando a falta de credibilidade da escrituração contábil apresentada o que prejudica a apuração do lucro real, sendo indicado aplicação do arbitramento. Como bem reconheceu a decisão recorrida a contribuinte descumpriu a intimação de entrega do Livro Registro de Inventário, observando que a apuração do resultado depende, fundamentalmente, do levantamento dos estoques no encerramento do exercício e que a inexistência do Livro Registro de inventário justifica o abandono da escrituração e o consequente arbitramento do lucro, também não foram apresentados os livros de registros auxiliares das contas Caixa, Valores em Trânsito, Clientes Diversos e, diante da utilização de registro no Livro Diário por partidas mensais sem a necessária e indispensável individuação com clareza em ordem cronológica dos fatos em livros auxiliares, constitui mais uma hipótese dentre outras já citadas anteriormente de arbitramento de lucro da pessoa jurídica. Foi diante destes claros e bem descritos fatos que o lucro da contribuinte foi arbitrado, tomandose por base sua receita bruta conhecida, concluindo a Fiscalização pela ausência de escrituração de movimentação financeira, ausência de livros auxiliares, saldo credor de caixa, passivo fictício, omissão de compras. Quer me parecer pela clareza dos fatos articulados acima, que a decisão recorrida não merece qualquer reparo. Ao contrário do que argumenta a contribuinte, o arbitramento não deveuse “falta de compreensão” da sua escrituração, antes disso, foram apurados ausência de escrituração de movimentação financeira, ausência de livros auxiliares, saldo credor de caixa, passivo fictício, omissão de compras. Consideradas as imputações da Fiscalização, a prevalência da decisão recorrida e do consequente arbitramento do lucro, decorre da mera textualização do artigo 530 do RIR/99, confirase: Art. 530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Fl. 6374DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13603.720573/201339 Acórdão n.º 1301001.429 S1C3T1 Fl. 6 9 b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. De rigor concluirse pelo acerto da decisão recorrida ao manter o arbitramento do lucro, encaminhando meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 11 de março de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 6375DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 15374.928833/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES. REGISTRO NO CNAS. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Para a empresa possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, é necessário comprovar, dentre outros requisitos, os constantes no art. 14 do CTN, pressuposto para o gozo da imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal.
Numero da decisão: 3401-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o conselheiro Julio César Alves Ramos
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: Angela Sartori
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ENTIDADES BENEFICENTES. REGISTRO NO CNAS. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Para a empresa possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, é necessário comprovar, dentre outros requisitos, os constantes no art. 14 do CTN, pressuposto para o gozo da imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o conselheiro Julio César Alves Ramos JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 88 33 /2 00 9- 11 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de lide administrativa, instaurada por meio da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte (fls. 1017) contra o despacho decisório que indeferiu compensação pleiteada (fl. 08). Há nos autos pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social PIS somando o valor de R$ 40.129,82, combinado com pedido de compensação de débitos vincendos de IRRF PERDCOMP n° 24118.60016.021006.1.7.04 3210. Instruem o processo a declaração de suposto pagamento indevido de fl. 03, referente ao período de 02/2000, os pedidos de compensação de fls. 0206, certidão emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (fls. 3335), recibo de entrega da DIPJ 2001, espelhos do SIEF contendo pedido de restituição (fls. 3839). A DERAT da DRF/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 08, indeferiu a solicitação do contribuinte em razão de que "foram localizados um ou mais pagamentos", mas "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados". Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 1017, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição do PIS, cumulada com a compensação de débitos de IRRF, alegando, em resumo, o seguinte: O débito a que alude o despacho decisório é o próprio PIS, equivocadamente declarado em DCTF como devido, erro esse decorrente do fato de a requerente fazer jus à imunidade e à isenção ao PIS, nos termos do art. 195, § 7o da Constituição Federal e do art. 55 da Lei 8.212/91. A contribuição para o PIS é uma contribuição social para a seguridade social, na medida em que a finalidade que lhe é atribuída pelo art. 239 da Constituição se situa no âmbito da seguridade social, que, segundo o art. 194, compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade destinados a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. V Segundo o art. 239 e §§, o PIS se destina a financiar o programa do seguro desemprego e o abono anual de um salário mínimo devido aos empregados que percebam remuneração mensal de até dois salários mínimos, um dos objetivos da previdência e assistência social. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.928833/200911 Acórdão n.º 3401002.358 S3C4T1 Fl. 6 3 Quanto ao segurodesemprego, isto se revela de forma evidente, na medida em que o artigo 201, III prevê como sendo um dos objetivos da previdência social a proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário. No que se refere ao abono anual de um salário mínimo, apesar de o artigo 203 não mencionálo expressamente, a relação de inclusão se evidencia pelo fato de tratarse de benefício de caráter marcadamente assistencial. O STF tem afirmado a natureza jurídica de contribuição social para a seguridade social do PISi Em precedente transcrito, este tribunal reconheceu que se trata de contribuição social para a seguridade social, se lhe aplicando, pois, a anterioridade mitigada prevista no art. 195, § 6o da Constituição, aplicável apenas às contribuições cuja finalidade é financiar a seguridade social. Nos termos do art. 195, § 7o , "são isentas da contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei". Referido dispositivo é regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212/91. A requerente é uma sociedade civil sem fins lucrativos, registrada como entidade de assistência social no Conselho Nacional de Assistência Social, sendo, no período em referência, portadora do antigo certificado de entidade de fins filantrópicos. Ainda como prova de que preenche os quesitos legais e faz jus à imunidade tributária, a requerente apresenta os recibos da DIPJ relativos aos exercícios em questão, onde consta que é imune ao imposto sobre a renda e dispensada do recolhimento das contribuições sociais para a seguridade social. No período em questão, o contribuinte não teve sua condição de imune questionado pela RFB, que não instaurou para este fim o procedimento de suspensão de imunidade, nos termos do art. 32 da Lei 9.430/96. Pede, por fim, que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade. A DRJ decidiu em síntese: A s s u n t o : C o n t r i b u i ç ã o p a r a o P I S / P a s e p Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Sujeitamse normalmente à incidência da PIS/PASEP as receitas decorrentes da prestação de serviços de ensino, conforme descrito na hipótese de incidência tributária. IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 O usufruto do benefício da imunidade das contribuições para a seguridade social só pode efetivarse mediante o atendimento cumulativo das condições expressamente previstas em lei. PROVA ADMINISTRATIVA. O ônus da prova de que o contribuinte atende a benefício pleiteado, cumprindo os requisitos dispostos em lei regulamentar, devem ser trazidos junto com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” O Recorrente apresentou Recurso voluntário reiterando os argumentos acima. É o relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O recurso é tempestivo, conforme documento de fl., e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DA IMUNIDADE É sabido que as entidades beneficentes de assistência social gozam da imunidade tributária em relação às contribuições sociais para a seguridade social, dentre elas o PIS/PASEP, consagrada no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, in verbis: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Vêse, portanto, que o dispositivo condicionou o usufruto da imunidade ao cumprimento dos requisitos previstos em lei infraconstitucional, notadamente, no art. 14 do CTN. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.928833/200911 Acórdão n.º 3401002.358 S3C4T1 Fl. 7 5 II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Importa ressaltar que tais exigências são cumulativas, razão pela qual a não observância de qualquer dos incisos importará na possibilidade de suspensão da imunidade tributária concedida. Neste sentido, a DRJ desconsiderou a imunidade tributária do Recorrente ao argumento de inobservância dos requisitos acima expostos, eis que a empresa possuía seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) com validade ultrapassada à época do protocolo do processo administrativo, assim como inexistência, por parte da empresa, de elementos comprobatórios que a convençam do contrário. Em contraponto, algumas considerações devem ser suscitadas. Primeiramente, a empresa acostou, em sede de Impugnação, certidão na qual atesta seu registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), deferido em 03/10/1968, assim como narra a concessão e as sucessivas renovações do CEBAS (antigo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF). Ao que consta da certidão, por meio da Resolução CNAS nº. 030/99, a entidade manteve válido seu certificado durante o período de 01/01/1998 a 31/12/2000, concluindose que ela gozava da imunidade tributária à época do pagamento indevido e consequente direito creditório. Para que haja o registro junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, Renato Poltronieri (Aspectos jurídicos do terceiro setor/Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto, coordenadores; Carla Bertucci Barbieri, et al. – 2ª Ed., São Paulo: MP Ed., 2008, p. 373/400) esclarece: O registro no Conselho Nacional de Assistência Social será concedido à entidade cujo estatuto, contratos, atos constitutivos etc. estabelecer que (a) suas receitas e resultados operacionais sejam obtidas integralmente no território nacional e aplicadas na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais; (b) não haverá distribuição de resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcela do seu patrimônio, sob nenhuma forma; e (c) seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores ou equivalentes não receberão qualquer tipo de remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos. Vêse, pois, que o registro no CNAS demanda o cumprimento dos mesmos requisitos elencados no art. 14 do CTN, o que já a enquadra como entidade beneficente de assistência social. Ademais, para haver a concessão e renovação do certificado, Renato Poltronieri continua: O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social somente poderá ser concedido ou renovado para entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente: (i) estar legalmente constituída no País e em efetivo funcionamento nos três anos imediatamente anteriores ao requerimento; (ii) estar previamente inscrita no Conselho Municipal de Assistência Social da localidade de sua sede, se houver, ou no Conselho Estadual de Assistência Social ou Conselho de Assistência Social do Distrito Federal; (iii) estar previamente registrado no CNAS; (iv) aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos 20% da receita proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeiras, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruídas; (v) ter em seus estatutos ou atos constitutivos todos aqueles requisitos exigidos para o registro no CNAS. Tais obrigações são decorrentes do disposto no Decreto n. 2.536/98, que vigia à época dos fatos geradores e da renovação, e foi revogado em através do Decreto 7.237/2010. O texto aplicável, vigente à época confirma as exigências, in verbis: Art. 3º Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:(Redação dada pelo Decreto nº 4.499, de 4.12.2002) I estar legalmente constituída no País e em efetivo funcionamento nos três anos anteriores à solicitação do Certificado;(Redação dada pelo Decreto nº 4.499, de 4.12.2002) II estar previamente inscrita no Conselho Municipal de Assistência Social do município de sua sede se houver, ou no Conselho Estadual de Assistência Social, ou Conselho de Assistência Social do Distrito Federal; III estar previamente registrada no CNAS; IV aplicar suas rendas, seus recursos e eventual resultado operacional integralmente no território nacional e manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais; V aplicar as subvenções e doações recebidas nas finalidades a que estejam vinculadas; VI aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeira, de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.928833/200911 Acórdão n.º 3401002.358 S3C4T1 Fl. 8 7 locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída; VII não distribuir resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob nenhuma forma ou pretexto; VIII não perceberem seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores ou equivalente remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; IX destinar, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, o eventual patrimônio remanescente a entidades congêneres registradas no CNAS ou a entidade pública; X não constituir patrimônio de indivíduo ou de sociedade sem caráter beneficente de assistência social. XI seja declarada de utilidade pública federal. (Inciso incluído pelo Dec 3.504, de 13.06.2000) § 1º O Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos somente será fornecido a entidade cuja prestação Assim, milita a favor da Recorrente que os requisitos exigidos no art. 14 do CTN já foram cumpridos e comprovados pelo CNAS, quando de seu registro, e posteriores renovações do Certificado. Para tanto, basta ver que após o transcurso do prazo de validade do certificado vigente à época do fato gerador, foi analisado o triênio anterior que, concluindo pelo cumprimento das exigências, promoveu a renovação do Certificado. Importa salientar que independe a situação do Recorrente à época do início do processo administrativo em epígrafe, e sim a da competência do fato gerador, eis que ali é que surgiu o direito creditório. Portanto, não sobejam dúvidas quanto à regularidade da empresa como entidade beneficente de assistência social, assim como, devidamente detentora da imunidade tributária esculpida no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, razão pela qual se reconhece o seu direito creditório para decidir pela procedência da compensação realizada. Neste sentido salientese que esta mesma turma julgou processo idêntico em 21 de agosto de 2013, Acórdão 3401.002.358, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES. REGISTRO NO CNAS. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Para a empresa possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, é necessário comprovar, dentre outros requisitos, os constantes no art. 14 do CTN, pressuposto para o gozo da imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso para dar provimento. Angela Sartori Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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