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Numero do processo: 10480.720022/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
RETIFICAÇÃO DE DCTF E PARCELAMENTO DE DÍVIDA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
A denúncia apresentada pelo sujeito passivo da obrigação, após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração, não se considera espontânea. Desta forma, não surte efeito sobre o lançamento de ofício a apresentação da DCTF ou o parcelamento, após o início do procedimento fiscal, relativamente aos débitos lançados de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
As multas de ofício aplicadas ao lançamento decorrem de expressa determinação legal. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos pontos relativos ao créditos de IRPJ e CSLL e os consectários legais; e b) por voto de qualidade, manter a multa isolada por falta de recolhimento dos tributos sobre as bases estimadas. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Hélio Eduardo de Paiva Araújo
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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PERDA DA ESPONTANEIDADE. A denúncia apresentada pelo sujeito passivo da obrigação, após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração, não se considera espontânea. Desta forma, não surte efeito sobre o lançamento de ofício a apresentação da DCTF ou o parcelamento, após o início do procedimento fiscal, relativamente aos débitos lançados de ofício. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. As multas de ofício aplicadas ao lançamento decorrem de expressa determinação legal. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos pontos relativos ao créditos de IRPJ e CSLL e os consectários legais; e b) por voto de qualidade, manter a multa isolada por falta de recolhimento dos tributos sobre as bases estimadas. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Hélio Eduardo de Paiva Araújo (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 00 22 /2 01 0- 78 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.720022/201078 Acórdão n.º 1302001.377 S1C3T2 Fl. 729 2 Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BERACA SABARÁ QUÍMICOS E INGREDIENTES S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1139.038, de 27/11/2012, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância descreve de modo sucinto e objetivo o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo: Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 04 a 07) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.11 a 14), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 1.132.242,11. 2. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 18 a 23), o lançamento decorreu da falta de recolhimento dos tributos, verificada do confronto entre os registros contábeis, DCTFs apresentadas e pagamentos efetuados. Lançaramse multas isoladas por falta de pagamento de estimativas. 3. Apresentouse impugnação (fl. 515 a 534) contrapondose, em síntese, que: a) a infração teria sido sanada por meio da confissão dos débitos em DCTF retificadora, e inclusão destes no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009; b) restaria claro, em face dos percentuais das multas, teriam sido violados os princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco; e c) “ao desconsiderar unilateralmente o parcelamento protocolado pela impugnante”, o autuante não teria observado “o princípio constitucional da ampla defesa”. A 3ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1139.038, de 27/11/2012 (fls. 649/654), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes Fl. 729DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.720022/201078 Acórdão n.º 1302001.377 S1C3T2 Fl. 730 3 para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 IRPJ. CSLL. PARCELAMENTO DE DÍVIDA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A denúncia apresentada pelo sujeito passivo da obrigação, após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração, não se considera espontânea. Não surte efeito, assim, no lançamento de ofício a apresentação da DCTF ou o parcelamento, após o início do procedimento fiscal, relativamente aos débitos lançados de ofício. Ciente da decisão de primeira instância em 17/05/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 661, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/06/2013 conforme carimbo de recepção à folha 663. No recurso interposto (fls. 663/681), após historiar os fatos, sob sua ótica, a interessada aduz suas razões, em apertada síntese: O parcelamento por ela efetuado teria fundamento no art. 1º da Lei nº 11.941/2009. Tal lei não traria qualquer restrição à adesão ao parcelamento, seja por início ou durante o procedimento de fiscalização. A fiscalização não poderia, portanto, desconsiderar as disposições legais. Acrescenta que “o Acórdão que julgou a defesa administrativa manteve o Auto de Infração impugnado, integralmente, não fazendo distinção entre o crédito principal e o valor da multa de 50% exigida isoladamente, [...] o que gera, na Recorrente, grande insegurança jurídica, uma vez que o parcelamento do crédito principal, juros e multa já foi consolidado e está sendo pago de forma correta”. A seguir, a contribuinte reclama que a multa aplicada, de 125% (75% + 50%, respectivamente incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996) sobre o valor principal, constituiria violação aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, bem assim ao princípio da vedação ao confisco. Colaciona doutrina e jurisprudência em favor de sua tese. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno de auto de infração para constituição de créditos tributários escriturados mas não declarados nem pagos. De plano, observase que não há litígio Fl. 730DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.720022/201078 Acórdão n.º 1302001.377 S1C3T2 Fl. 731 4 acerca dos valores dos tributos lançados, mas tão somente das multas aplicadas, diante da entrega, pela então fiscalizada, de DCTF retificadora e adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 ainda durante o procedimento de fiscalização. Não pode prosperar o entendimento da recorrente. De fato, suas alegações de que o parcelamento teria sido desconsiderado não procedem. A contribuinte poderia, como efetivamente o fez, aderir ao parcelamento, mas esse ato não tem o condão de afastar as multas de ofício sobre os tributos, haja visto que se encontrava sob procedimento fiscal. Esse ponto ficou esclarecido nos parágrafos 12 e 13 do acórdão recorrido (fls. 651/652), a seguir transcritos: 12. Antes de mais nada, o autuante não concluiu, ou afirmou, que o contribuinte estava impedido de efetuar o referido parcelamento. Da leitura do Relatório Fiscal, vêse, o que se afirmou foi que a adesão ao parcelamento, bem assim a retificação da DCTF, “não proporcionou em relação à falta de recolhimento das estimativas e do ajuste anual do IRPJ e da CSLL nenhuma consequência benéfica, haja vista que o sujeito passivo estava sob procedimento de fiscalização e encontravase com sua espontaneidade excluída para fins de denunciar irregularidades”. O fato de a Lei nº 11.941, de 2009, não “fazer restrição ao parcelamento”, nada tem a ver com a feitura do lançamento. 13. A DCTF retificadora, bem assim o parcelamento, vez que efetuados de forma não espontânea (art. 138, Parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 1966, e art. 7º, §§ 1º e 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972) não produzem qualquer efeito no lançamento de ofício. Resta evidenciado, assim, que a contribuinte não estava impedida de aderir ao parcelamento. Mantido o lançamento, deve procurar sua unidade local para verificar o que já está incluído no parcelamento e buscar formas de regularizar o restante, em especial, no que se refere às multas, as diferenças entre os valores lançados e os parcelados. Ressaltese que o lançamento ora discutido não implica, em absoluto, a exclusão da contribuinte do parcelamento, muito menos a cobrança do principal em duplicidade, o que parece ser o receio da recorrente. A seguir, a contribuinte reclama que a multa aplicada, de 125% sobre o valor principal, constituiria violação aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, bem assim ao princípio da vedação ao confisco. Colaciona doutrina e jurisprudência em favor de sua tese. Esclareçase, a propósito, que as multas aplicadas encontram fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, já com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 731DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.720022/201078 Acórdão n.º 1302001.377 S1C3T2 Fl. 732 5 [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Em assim sendo, inexiste multa de 125%, como afirma recorrente, mas sim multa de 75% sobre o tributo apurado no ajuste anual (inciso I, acima) e multa de 50% sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser feito (inciso II, b), em se tratando, como é o caso, de pessoa jurídica optante pela apuração anual do lucro. Quanto aos argumentos contrários a essas multas, a interessada traz princípios constitucionais que entende aplicáveis. No entanto, este Colegiado não é competente para se pronunciar acerca de alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da súmula nº 2 deste CARF, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 732DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720561/2007-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ITR - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA E DE INTERESSE ECOLÓGICO - AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA. A norma expressa no artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada e de interesse ecológico. O ADA restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico.
ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE
Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) do imóvel rural deve ser obrigatoriamente informada em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000. No presente caso, a APP não foi informada em ADA, motivo da manutenção do lançamento neste ponto.
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Providência não adotada.
ITR ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL IMPRESCINDIBILIDADE
DE AVERBAÇÃO PARA FINS DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO.
Para que a área de reserva particular do patrimônio natural possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel, conforme exigem o artigo 21 da Lei n° 9.985/2000, o artigo 13 do Decreto n° 4.382/2002 e o artigo 1° do Decreto n° 5.746/2006. No caso, inexiste a averbação.
ITR ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO DECLARAÇÃO MEDIANTE ATO ESPECÍFICO REQUISITO LEGAL.
Para fins de ITR, a área de interesse ecológico não será considerada tributável, apenas e tão somente quando declarada como tal por órgão competente, federal ou estadual, com ampliação das restrições de uso relativas às áreas de preservação permanente e de reserva legal. Exigência não cumprida.
Numero da decisão: 9202-002.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira e Gustavo Lian Haddad. No mérito: 1) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. 2) Por maioria de
votos, negar provimento ao recurso quanto à reserva legal e a RPPN. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. 3) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto à área de interesse ecológico.
Designado para redigir o voto vencedor em relação à área de preservação permanente o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira e Gustavo Lian Haddad. No mérito: 1) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. 2) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à reserva legal e a RPPN. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. 3) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto à área de interesse ecológico. Designado para redigir o voto vencedor em relação à área de preservação permanente o Conselheiro Marcelo Oliveira.
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MBR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA E DE INTERESSE ECOLÓGICO AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. A norma expressa no artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada e de interesse ecológico. O ADA restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico. ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) do imóvel rural deve ser obrigatoriamente informada em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000. No presente caso, a APP não foi informada em ADA, motivo da manutenção do lançamento neste ponto. ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Providência não adotada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 61 /2 00 7- 55 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 399 2 ITR ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL IMPRESCINDIBILIDADE DE AVERBAÇÃO PARA FINS DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. Para que a área de reserva particular do patrimônio natural possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel, conforme exigem o artigo 21 da Lei n° 9.985/2000, o artigo 13 do Decreto n° 4.382/2002 e o artigo 1° do Decreto n° 5.746/2006. No caso, inexiste a averbação. ITR ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO DECLARAÇÃO MEDIANTE ATO ESPECÍFICO REQUISITO LEGAL. Para fins de ITR, a área de interesse ecológico não será considerada tributável, apenas e tão somente quando declarada como tal por órgão competente, federal ou estadual, com ampliação das restrições de uso relativas às áreas de preservação permanente e de reserva legal. Exigência não cumprida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira e Gustavo Lian Haddad. No mérito: 1) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. 2) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à reserva legal e a RPPN. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. 3) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto à área de interesse ecológico. Designado para redigir o voto vencedor em relação à área de preservação permanente o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Fl. 418DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 400 3 (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 401 4 Relatório Em face de Minerações Brasileiras Reunidas S.A., CNPJ n° 33.417.445/002689, foi lavrado o auto de infração de fls. 0104, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2003, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado Fazenda dos Gorduras Parte, situado no município de Nova Lima (MG). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 02): Área de preservação permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Área de Utilização Limitada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de utilização limitada no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. O contribuinte não protocolou o ADA e também não averbou a área de utilização limitada (ao menos tais provas não foram produzidas no processo). Na DITR consta como área total do imóvel 397,8 ha e as áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas de 207,4 ha para 0,0 ha e de 160,0 ha para 0,0 ha, respectivamente (fls. 03). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 158170). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a Primeira Turma Especial da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF proferiu o acórdão n° 280100.589, que se encontra às fls. 203207, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL e RESERVA PARTICULAR DO Fl. 420DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 402 5 PATRIMÔNIO NATURAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou ao Ibama ou a órgão conveniado, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de uma APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições impostas pelo órgão ambiental. Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. Recurso negado. A decisão recorrida, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Julio Cezar da Fonseca Furtado, Eivanice Canário da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto, que deram provimento parcial ao recurso para acatar as áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural pleiteadas. Intimada do acórdão em 23/11/2010 (fls. 213), a empresa, devidamente representada, interpôs recurso especial às fls. 215246, acompanhado dos documentos de fls. 247353, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Muito embora a Recorrente tenha comprovado, através de laudo técnico, elaborado com anotação de responsabilidade técnica, a existência das áreas de preservação permanente, de reserva legal, de reserva particular do patrimônio natural e de interesse ecológico na Fazenda dos Gorduras que fundamentam a desconstituição do lançamento tributário aqui tratado, as decisões proferidas nestes autos entenderam, mesmo reconhecendo a existência de tais áreas não tributáveis, que o auto de infração em análise deveria ser mantido, pois: i) as áreas não tributáveis existentes no imóvel, apesar de estarem comprovadas por laudo técnico, não constam de Ato Declaratório Ambiental (ADA) tempestivo, no que tange à DITR/2003; (ii) as áreas de declarado interesse ecológico não teriam sido reconhecidas por ato específico para a Fazenda dos Fl. 421DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 403 6 Gorduras; e (iii) as áreas de reserva legal e reserva particular do patrimônio natural existentes no imóvel não tinham sido averbadas na matrícula imobiliária até 01/01/2003; b) Um dos dispositivos legais que foram interpretados de forma divergente pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF foi o artigo 10, § 7°, da Lei n° 9.393, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001; c) Ao analisar esse comando legal, o acórdão ora recorrido decidiu que a falta de apresentação do ADA, no tocante ao lançamento de ITR relativo ao exercício de 2003, poderia fundamentar este auto de infração, muito embora, de forma incontroversa, tenha sido comprovada a existência de áreas não tributáveis na Fazenda dos Gorduras; d) Em outras palavras, o acórdão ora recorrido se posicionou na direção de que, com base no artigo 10, § 7°, Lei n° 9.393, de 1996 (com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001), a apresentação tempestiva do ADA seria imprescindível (independentemente do fato de a Recorrente ter comprovado a existência das áreas declaradas como não tributáveis), para que a Recorrente fizesse jus a não incidência do ITR sobre essas áreas; e) Em 24/05/2007, ao julgar o Recurso Voluntário n° 134.911, interposto pela própria Recorrente nos autos do Processo Administrativo n° 13603.002391/200491, a 1ª Câmara do antigo 3° Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão n° 30133.929, segundo o qual a apresentação de ADA deixou de ser obrigatória, justamente em virtude da edição da Medida Provisória n° 2.16667, de 2001; f) A similitude entre os fatos que originaram esta autuação e os que deram ensejo à autuação que originou o Processo Administrativo n° 13603.002391/200491 é evidente. Ambos os casos tratam da mesma questão: não apresentação do ADA, no prazo de seis meses a contar da entrega da respectiva DITR, para fins de não incidência do ITR; g) Outro precedente serve como paradigma para embasar a interposição deste recurso especial de divergência. Tratase do Acórdão n° 30335.422, proferido pela 3ª Câmara do antigo 3° Conselho de Contribuintes ao julgar o Recurso Voluntário n° 138.006, interposto nos autos do Processo Administrativo n° 10183.006137/200543; h) Ao julgar o recurso voluntário interposto pela Recorrente nestes autos, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, no tocante ás áreas de declarado interesse ecológico da Fazenda dos Gorduras, manifestouse na direção de que, para o reconhecimento da não tributação dessas áreas, também seria necessária a apresentação do ato específico que tivesse classificado tais áreas como de declarado interesse ecológico; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 404 7 i) Tratase de entendimento manifestado após equivocada interpretação, no entender da Recorrente, do disposto no artigo 10, § 1° , inciso II, alínea 'b', da Lei n° 9.393, de 1996; j) Analisando o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea ‘b’ da Lei n° 9.393, de 1996, o acórdão ora recorrido manifestouse na direção de que o decreto estadual e a lei estadual, ambos do Estado de Minas Gerais, que instituíram a Região APA SUL, na qual a Fazenda dos Gorduras está comprovadamente situada, não serviria para fundamentar a não incidência do ITR sobre tais áreas de declarado interesse ecológico; k) Interpretando esse dispositivo de maneira absolutamente divergente, as 1ª e 3ª Câmaras do antigo 3° Conselho de Contribuintes proferiram os Acórdãos nos 30132.038 e 30332.725, respectivamente, em 11/08/2005 e 25/05/2006, através dos quais o mesmo decreto e a mesma lei foram considerados como suficientes para embasar a não incidência do ITR sobre áreas situadas na Região APA SUL; l) Além disso, da análise do Código Florestal e Regulamento do ITR, o acórdão ora recorrido se pronunciou na direção de que, para fins de não incidência do ITR, seria indispensável a averbação na matrícula imobiliária da Fazenda dos Gorduras, antes do fato gerador (01/01/2003), das áreas de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural existentes nesse imóvel; m) Dito entendimento, no entanto, difere do manifestado pelas 1ª e 3ª Câmaras do antigo 3° Conselho de Contribuintes, nos julgamentos dos processos 13866.000334/0064 e 13971.000175/200502 (para a reserva legal) e 10660.001940/200438 e 11516.000505/200170 (para a reserva particular do patrimônio natural); n) Em outras palavras, enquanto o acórdão ora recorrido entendeu, com base no artigo 16 do Código Florestal e 13 do Regulamento do ITR, que a averbação na matrícula imobiliária da Fazenda dos Gorduras, até 01/01/2003, das áreas de reserva legal e reserva particular do patrimônio natural seria indispensável, para fins de não tributação, as 1ª e 3ª Câmaras do antigo 3° Conselho de Contribuintes se manifestaram na direção de que tal requisito não era imprescindível, para que o contribuinte pudesse fazer jus a não tributação dessas áreas; o) Aliás, como muito bem ressaltado em um dos acórdãos paradigmas, as referidas áreas, quando existentes, não deixam de ser tributadas simplesmente por estarem citadas em um ato declaratório, nem muito menos por estarem averbadas no registro imobiliário, mas porque estão enquadradas na definição legal dada pelo próprio Código Florestal (Lei n° 4.771, de 1965); p) Não há que se falar em obrigatoriedade da apresentação de ADA, para fins de não incidência do ITR, eis que a desnecessidade de sua apresentação foi determinada pelo § 7° do artigo 3° da Medida Provisória n° 2.166 67, de 2001, que alterou a redação do artigo 10 da Lei n° 9.393, de 1996; Fl. 423DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 405 8 q) Ressaltese que se trata de norma posterior à previsão do artigo 170, § 1°, da Lei n° 6.938, de 1981, com redação dada pelo artigo 10 da Lei n° 10.165, de 2000, que instituiu a necessidade de apresentação do ADA; r) No tocante às áreas de declarado interesse ecológico, o acórdão ora recorrido, além de ter decidido pela necessidade de apresentação tempestiva de ADA, também concluiu que as áreas inseridas na Região APA SUL não poderiam ser excluídas dessa tributação; s) No entanto, tratase de entendimento equivocado, tendo em vista que a área de declarado interesse ecológico denominada Região APA SUL foi instituída pelo Decreto de Minas Gerais n° 35.624, de 08/06/2004; t) O Município no qual o imóvel autuado está localizado foi expressamente inserido na Região APA SUL (Nova Lima); u) Em 26/07/2001, tratando do mesmo assunto, foi publicada a Lei Estadual n° 13.960, que, entre outras coisas, acrescentou novos Municípios ao artigo 1° do Decreto Estadual n° 35.624, de 1994; v) O artigo 10 da Lei n° 9.393, de 1996, estabelece que a área de interesse ecológico deve ser declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. No caso da APA SUL RMBH, a declaração foi feita pelo próprio Estado de Minas Gerais, através do Decreto n°35.624/1994 e da Lei n°13.960/2001; w) De acordo com o laudo técnico em anexo à impugnação apresentada nestes autos pela Recorrente, a Fazenda dos Gorduras possuía, em 01/01/2003, 168,50 hectares de área de reserva particular do patrimônio natural; x) Assim, muito embora a Recorrente não tenha declarado a referida área na DITR/2003, a existência da mesma pode ser demonstrada por meio do laudo técnico em questão; y) Conforme já aduzido, a Fiscalização glosou toda a área declarada como reserva legal. De fato, a Recorrente cometeu um equívoco ao declarar, na DITR/2003, a existência de 160,00 hectares de área de reserva legal na Fazenda dos Gorduras, mas a verdade é que, ainda sim, a DITR/2003 apresentou uma área tributável muito inferior à efetivamente existente; De acordo com o laudo técnico em anexo à impugnação, a Fazenda dos Gorduras possuía, em 01/01/2003, 40,76 hectares de área de reserva legal, área essa inferior aos 160,00 hectares declarados na DITR/2003; z) Requer o conhecimento e o provimento do recurso, para que se reconheça a total improcedência do lançamento. Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 210100093/2011 (fls. 355357), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contrarrazões às fls. 360397, onde Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 406 9 defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, pois as teses suscitadas pelo contribuinte, relativamente ao ADA e à averbação da área de reserva legal, estariam superadas, além do que, com relação ao ADA, os acórdãos divergentes teriam analisado legislação diversa daquela envolvida neste feito. Quanto ao mérito, pugnou, fundamentalmente, pela manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 407 10 Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Sob minha ótica, a preliminar argüida pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões não merece prosperar, na medida em que as teses levantadas no recurso não estão superadas e ainda geram bastante debate no âmbito deste Colegiado. E mais, conforme consta no despacho n° 210100093/2011 (fls. 356357): Da exigência de apresentação tempestiva do ADA, para fins de não incidência do ITR, após a edição da MP n ° 2.16667/01 O Acórdão n° 30335.422, citado como paradigma, mesmo tratando de julgamento de lançamento de ITR/2000, considerou, com fundamento do art. 10, § 7° , da Lei n° 9.393/96, alterado pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, que a comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do ADA, no prazo estabelecido, bastando a simples declaração do contribuinte quanto a existência de tais áreas, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. Assim, não obstante o lançamento apreciado pelo paradigma citado referirse ao ITR/2000, quando ainda não estava em vigência a obrigatoriedade da apresentação do ADA com base no art. 170 da Lei n° 6.938/81, com a redação dada pela Lei IV 10.165/2000, o questionamento dessa obrigatoriedade pelo paradigma foi fundamentado em legislação posterior, a Medida Provisória n° 2.16667/2001. Ou seja, houve aplicação retroativa desta norma para dispensar a exigência do ADA, sendo que o acórdão recorrido entendeu pela sua inaplicabilidade a matéria em discussão. Vejamos abaixo trecho do paradigma que abordou esse tema: Quanto à obrigatoriedade da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental — ADA, previamente ratificado pelo IBAMA, com a indicação das áreas de reserva legal e preservação permanente, fazse mister salientar, que com base na redação do art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, alterado pela Medida Provisória n° 2.16667, depreendese que, as declarações para fim de isenção das áreas de reserva legal, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, não obstante ser de responsabilidade do mesmo qualquer comprovação posterior por parte quando solicitado pela fiscalização. Vale dizer que o acórdão recorrido não contestou a existência de tais áreas, mas somente a ausência de comprovação da Fl. 426DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 408 11 comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental da existência das áreas de interesse ecológico incluídas na DITR, e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Por conseguinte não há como negar a identidade fática entre o acórdão recorrido e o paradigma em questão e a existência de decisões divergentes, o que enseja a admissibilidade do recurso especial no tocante a esta matéria. Estou integralmente de acordo com tal conclusão e conheço do recurso. Ultrapassada essa questão, reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Segunda Seção do CARF, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. Segundo a recorrente, restou incontroversa nos autos a existência de 109,00 hectares de áreas de preservação permanente, 168,50 hectares de áreas de reserva particular do patrimônio natural, 40,76 hectares de áreas de reserva legal e 757,60 hectares de áreas de declarado interesse ecológico, sendo desnecessária a apresentação tempestiva do ADA e a averbação das áreas de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural. E mais, não há incidência do ITR sobre as áreas do imóvel localizadas na Região APA SUL, a qual foi declarada como de interesse ecológico pelo Estado de Minas Gerais. Eis as matérias em litígio. Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alíneas “a” e “b” e § 7°, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal Fl. 427DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 409 12 ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior. (...) § 7°. A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal vigente ao tempo dos fatos em apreço (Lei n° 4.771/65), bem como as áreas de interesse ecológico, estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada tinham contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal anterior, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 410 13 f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 411 14 I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 412 15 ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a Fl. 431DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 413 16 aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Estas eram as previsões do Código Florestal em vigor ao tempo dos fatos em apreço a respeito das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Tais áreas foram glosadas pela ausência de comprovação e a decisão recorrida ressaltou que a contribuinte não apresentou o ADA e não comprovou a averbação da área de reserva legal. Quanto à apresentação do ADA, devo destacar que em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2003. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir Fl. 432DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 414 17 da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório das áreas de preservação permanente, de utilização limitada e de interesse ecológico. Sob minha ótica, para tal finalidade, no que se refere à área de preservação permanente pode ser levado em conta a apresentação de laudo técnico emitido por engenheiro Fl. 433DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 415 18 agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART. Já para a área de reserva legal, a averbação ou o Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) são fundamentais. Quanto à área de interesse ecológico, a declaração do órgão competente, federal ou estadual, específica para o imóvel, é imprescindível. No caso, o laudo de fls. 122, elaborado pelo Engenheiro Agrícola Ricardo Petrillo Sampaio, CREA/MG n° 81036, acompanhado pela respectiva ART, atesta o seguinte: A existência de uma área de 109 ha ao longo dos córregos existentes no imóvel de 30 metros de ambos os lados, e num raio de 50 metros das nascentes conforme determina a Lei 4.771 (Código Florestal) de 15 de setembro de 1965, Artigo 2°, deve ser classificada como área de Preservação Permanente. Entendo, pois, que o laudo é convincente com relação à área de preservação permanente, a qual está perfeitamente descrita e identificada, motivo pelo qual deve ser restabelecida a dedução da base de cálculo do ITR da área de preservação permanente de 109,0 ha. O recurso deve ser provido, nesta parte. Com relação à área de utilização limitada, a necessidade ou não de sua averbação no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, conforme defende o recorrente, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, a averbação não está comprovada (apenas mencionada no laudo de fls. 122). O contribuinte não trouxe aos autos cópia da matrícula do imóvel. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 416 19 Conseqüentemente, com relação à área de reserva legal, o recurso não pode prosperar. Também é improcedente a pretensão da recorrente com relação à exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva particular do patrimônio natural, pois, para tanto, a legislação que trata da matéria exige a sua averbação até a data da ocorrência do fato gerador do ITR, o que não ocorreu no caso. Nesse sentido, importa trazer à colação o artigo 21 da Lei n° 9.985/2000, segundo o qual: Art. 21. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. (Regulamento) § 1o O gravame de que trata este artigo constará de termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. § 2o Só poderá ser permitida, na Reserva Particular do Patrimônio Natural, conforme se dispuser em regulamento: I a pesquisa científica; II a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais; III (VETADO) § 3o Os órgãos integrantes do SNUC, sempre que possível e oportuno, prestarão orientação técnica e científica ao proprietário de Reserva Particular do Patrimônio Natural para a elaboração de um Plano de Manejo ou de Proteção e de Gestão da unidade. A questão da averbação está prevista também no artigo 13 do Decreto n° 4.382/2002, da seguinte forma: Art. 13. Consideramse de reserva particular do patrimônio natural as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21). Parágrafo único. Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. No mesmo sentido, o artigo 1° do Decreto n° 5.746/2006 determina que: Art.1o A Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN é unidade de conservação de domínio privado, com o objetivo de Fl. 435DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 417 20 conservar a diversidade biológica, gravada com perpetuidade, por intermédio de Termo de Compromisso averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. Parágrafo único. As RPPNs somente serão criadas em áreas de posse e domínio privados. Portanto, a averbação da área de reserva particular do patrimônio natural é imprescindível para sua exclusão da base de cálculo do ITR. No caso, inexistindo a averbação, a tese da recorrente não pode ser acolhida. Por fim, quanto à área de interesse ecológico, de acordo com a alínea “b”, do inciso II, do § 1°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, acima transcrita, ela está excluída da base de cálculo do ITR, desde que declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, com restrição de uso maior dos que as áreas de preservação permanente e de reserva legal, cujos contornos estão estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 da Lei n° 4.771/65, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001. Nos termos do artigo 16 da Lei n° 9.985/2000, que regulamenta o artigo 225, § 1°, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências: Art. 16. A Área de Relevante Interesse Ecológico é uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizálo com os objetivos de conservação da natureza. No caso, o contribuinte não cumpriu os requisitos estabelecidos em lei, pois não comprovou a existência de ato específico para o imóvel em apreço, emanado de órgão federal ou estadual que o declare de interesse ecológico, com ampliação das restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada. De acordo com a Relatora do acórdão recorrido, Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (fls. 206v e 207): A interessada pondera, ainda, que a totalidade de seu imóvel está inserida dentro da Área de Preservação Ambiental (APA) instituída pelo Decreto Estadual/MG n° 35.624, de 8 de junho de 1994 (APA SUL RMBH). Vale lembrar que a Lei 9.985, de 18 de julho de 2000, Regulamentou o art. 225, § 1, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza — SNUC. Nos termos da mencionada lei, constituem Unidades de Uso Sustentável, sendo que as áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de uma APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental gestor. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 418 21 Inclusive, da leitura do Decreto Estadual de Minas Gerais n° 35.624, de 1994 e da Lei Estadual de Minas Gerais n° 13.960, de 26 de julho de 2001 para a implantação da APA Sul RMBH se faz necessário realizar o zoneamento ecológico e econômico (art. 3°, inciso I). Assim é porque as restrições variam dentro de uma APA, de forma que o zoneamento ecológicoeconômico indicará as atividades a serem encorajadas em cada zona e as que deverão ser limitadas, restringidas ou proibidas (vide Decreto 35.624, de 1994, art. 4°, § 3°). Portanto, quando se fala que tem que ter o reconhecimento específico do poder público, se quer saber, para fins de isenção do ITR, em que zona(s) ecológica(s) e econômica(s) se insere a propriedade (ou frações desta). Essa informação não consta dos autos. Ademais, conforme se vê do parágrafo único do art. 5° do Decreto, a seguir transcrito, antes deste zoneamento as atividades empreendidas na área abrangida pela APA SUL RMBH não se sujeitam à legislação especifica das Áreas de Proteção Ambiental: (...) Portanto, não basta que se comprove que o imóvel rural está dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico. É necessário, também, o reconhecimento específico de órgão competente estadual, no caso, para a área da propriedade particular. Concordo inteiramente com tais ponderações e adotoas como razões de decidir. Tal posicionamento tem sido adotado por este Colegiado, conforme ilustra a ementa do seguinte julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS. ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, ainda que apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 419 22 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. DECLARAÇÃO DE ÓRGÃO COMPETENTE, FEDERAL OU ESTADUAL. ÁREA TRIBUTÁVEL REQUISITO. A área de interesse ecológico não será considerada área tributável, para fins de ITR, se forem declaradas como tal por órgão competente, federal ou estadual, e ampliarem as restrições de uso contidas nas áreas de preservação permanente. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. (Acórdão n° 9202001.907, Relator Conselheiro Marcelo Oliveira, julgado em 30/11/2011) A pretensão da empresa também é improcedente com relação à área de interesse ecológico, de modo que a decisão recorrida deve ser confirmada, nesta parte. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial interposto pelo contribuinte, para restabelecer a dedução de 109,0 hectares como área de preservação permanente. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 420 23 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de sua conclusão sobre a dedução da base de cálculo do ITR da área de preservação permanente (APP). Para o nobre Relator, a área referente à APP deve ser deduzida pois: Entendo, pois, que o laudo é convincente com relação à área de preservação permanente, a qual está perfeitamente descrita e identificada, motivo pelo qual deve ser restabelecida a dedução da base de cálculo do ITR da área de preservação permanente de 109,0 ha. Em nosso entender, a legislação determina requisitos para que os contribuintes obtenham o benefício fiscal da isenção de ITR para as APP e existência de laudo não é capaz de suprir um desses requisitos, que é a correta apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, e pela busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe esclarecer que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essa benesse estatal, isenção, buscase, portanto, uma conduta dos contribuintes. No caso, o objetivo é a preservação das áreas declaradas, pela fiscalização dessas áreas, que é possível pela informação constante em ADA. Buscase, portanto, estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Feito o ressalte, cabe analisarmos, no caso em questão, se o contribuinte agiu conforme a legislação. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 421 24 O lançamento referese ao ano de 2003 e nos autos não encontramos ADA entregue ao IBAMA. Na análise dos autos, é nosso dever verificar se a exigência está em consonância com o que determina a legislação sobre a matéria. Portanto, cabe a este colegiado decidir sobre a causa, aplicando o direito à espécie. Na legislação está expressa a determinação para a entrega do ADA. Lei 6.938/1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Esclarecemos, também, que a exigência de entrega do ADA não foi alterada pela mudança da Lei 9.393/1996, incluída pela Medida Provisória (MP) 2.16667, de 2001: Lei 9393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. ... § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De forma clara a legislação afirma que a declaração (ADA) para fim de isenção do ITR não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante. Ou seja, o declarante deve informar o que conceitua como correto, sem prévia comprovação da sua parte, cabendo aos órgãos da administração pública solicitarem, ou não, a posterior comprovação do que foi declarado. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10680.720561/200755 Acórdão n.º 9202002.630 CSRFT2 Fl. 422 25 Não se deve confundir prévia comprovação do declarado com entrega de declaração, que são dois atos totalmente distintos. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação nesse sentido. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Portanto, como o ADA não foi apresentado com dados sobre a APP, correto está o lançamento neste ponto analisado. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 441DF CARF MF Impresso em 25/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 10935.002646/2002-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/12/1995 a 15/03/1996
AFASTAMENTO DE PRELIMINAR SUSCITADA PELA DRJ. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE MÉRITO NA DECISÃO DE PISO. IMPOSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REENVIO AO TRIBUNAL DE PISO.
Na hipótese de o acórdão do CARF afastar decisão de primeira instância, restrita a alegação preliminar (v.g. de decadência), tendo sido dispensada a análise de mérito do contencioso pelo tribunal de piso, incumbe-se o reenvio a tal tribunal para apreciação dos demais argumentos expostos na impugnação, a partir do decidido no CARF, para que não se configure supressão de instância.
Numero da decisão: 3403-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar reconhecida pela DRJ, determinando-se o retorno dos autos àquele tribunal para apreciação das razões de mérito.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/12/1995 a 15/03/1996 AFASTAMENTO DE PRELIMINAR SUSCITADA PELA DRJ. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE MÉRITO NA DECISÃO DE PISO. IMPOSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REENVIO AO TRIBUNAL DE PISO. Na hipótese de o acórdão do CARF afastar decisão de primeira instância, restrita a alegação preliminar (v.g. de decadência), tendo sido dispensada a análise de mérito do contencioso pelo tribunal de piso, incumbe-se o reenvio a tal tribunal para apreciação dos demais argumentos expostos na impugnação, a partir do decidido no CARF, para que não se configure supressão de instância.
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AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE MÉRITO NA DECISÃO DE PISO. IMPOSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REENVIO AO TRIBUNAL DE PISO. Na hipótese de o acórdão do CARF afastar decisão de primeira instância, restrita a alegação preliminar (v.g. de decadência), tendo sido dispensada a análise de mérito do contencioso pelo tribunal de piso, incumbese o reenvio a tal tribunal para apreciação dos demais argumentos expostos na impugnação, a partir do decidido no CARF, para que não se configure supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar reconhecida pela DRJ, determinandose o retorno dos autos àquele tribunal para apreciação das razões de mérito. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 26 46 /2 00 2- 12 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre pedido de restituição em formulário (fl. 31), apresentado em 18/10/2002, acompanhado de petição (fls. 5 a 14), na qual se alega que: (a) a Fazenda exigiu indevidamente o pagamento de PISFaturamento da cooperativa, com base na Medida Provisória no 1.212/1995, abarcando fatos geradores anteriores à própria edição da MP; (b) por meio de guias autenticadas (fls. 46 a 73, com demonstrativo à fl. 45), comprova o pagamento de PIS incidentes sobre o faturamento entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, com base na citada MP; (c) o art. 15 da MP, que atribuía efeitos de retroatividade, foi declarado inconstitucional pelo plenário do STF, que manteve a anterioridade nonagesimal para exigência da contribuição, que poderia ser exigida somente a partir de março de 1996; e (d) a Receita Federal, na Instrução Normativa no 06/2000, determinou a revisão de ofício dos lançamentos efetuados em relação à matéria. Por meio do despacho decisório no 412, de 12/12/2011 (fls. 93/94), a unidade local indefere o pleito, informando que o direito creditório está extinto pela prescrição quinquenal, nos termos do art. 168 do CTN e da Lei Complementar no 118/2005. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 98 a 108), a empresa alega que o prazo prescricional para pleitear a restituição é de dez anos, eis que o pedido foi protocolizado antes da edição da Lei Complementar no 118/2005, e que a matéria já foi superada pelo STF (que declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da referida Lei Complementar, considerando como válida a aplicação do novo prazo quinquenal somente às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, mantendose o prazo de dez anos para as restituições demandadas antes), e está contemplada na jurisprudência do STJ e do CARF. No mais, reitera a argumentação exposta no pedido de restituição. Em 18/04/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 111 a 115), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, reconhecendo a aplicação do prazo de cinco anos, por não haver ação ajuizada pela empresa, nos moldes da decisão do STF. Cientificada do acórdão da DRJ em 24/04/2013 (AR à fl. 117), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 26/04/2013 (fls. 118 a 129), no qual basicamente reitera o alegado em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10935.002646/200212 Acórdão n.º 3403002.731 S3C4T3 Fl. 137 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Tanto o indeferimento da restituição quanto o julgamento de primeira instância detectaram preliminar temporal que inviabiliza o pedido. Os pagamentos indevidos foram efetuados entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, o que é incontroverso nos autos. O pedido de restituição data de 18/10/2002, o que também é incontroverso. Também é incontroverso que houve a declaração de inconstitucionalidade do art. 15 da MP no 1.212/1995, que aplicava a nova tributação a partir de 01/10/1995, devendo ser observada a anterioridade nonagesimal (RE no 232.896, julgado em 02/08/1999, DJ 01/10/1999). Apesar de ter sido proferida pelo pleno da corte, a decisão não alastrou, à época, efeitos a terceiros. O comando do art. 15 da MP no 1.212/1995, reeditada pelas MP no 1.249/1995 (no qual figurava como art. 17), no 1.286/1996 (art. 17), no 1.365/1996 (art. 17), no 1.407/1996 (art. 17), no 1.447/1996 (art. 17), no 1.495/1996 (art. 17), no 1.4958 a 13/1996 (art. 17/art. 18), no 1.546/1996 (art. 18), no 1.54615 a 26/1997 (art. 19), no 1.62327 a 33/1998 (art. 19), e no 1.67634 a 38/1998 (art. 18), foi mantido inclusive quando da conversão na Lei no 9.715, de 25/11/1998 (art. 18). A suspensão da execução dos referidos dispositivos de status legal (mediante alastramento dos efeitos da decisão do STF) somente veio a ocorrer com a publicação da Resolução no 10, de 07/06/2005 (DOU de 08/06/2005), do Senado Federal, dentro da competência que lhe confere a Constituição Federal (art. 52, X). É certo que a Receita Federal assimilou com mais brevidade que o Senado a decisão do STF, editando a Instrução Normativa no 06, de 19/01/2000, que, pela objetividade, merece a integral transcrição: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso de suas atribuições e tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 232.8963PA, declarou a inconstitucionalidade do art. 15, in fine , da Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, e do art. 18, in fine , da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e, finalmente, considerando o que determina o art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, resolve: Art. 1º Fica vedada a constituição de crédito tributário referente à contribuição para o PIS/PASEP, baseado nas alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212, de 1995, no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, inclusive. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Parágrafo único. Aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplicase o disposto na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º Os Delegados e Inspetores da Receita Federal deverão rever, de ofício, os lançamentos referentes à matéria mencionada no artigo anterior, para fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito tributário. Art. 3º Os Delegados da Receita Federal de Julgamento subtrairão a aplicação do disposto na Medida Provisória nº 1.212, de 1995, quando o crédito tributário tenha sido constituído com base em sua aplicação, no período referido no art. 1º, cujos processos estejam pendentes de julgamento. Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.” (grifos nossos) Reparese que a norma objetiva três situações específicas (e nem poderia ampliar a outras, como a restituição, em face da limitada autorização concedida pelo art. 4o do Decreto no 2.346/1997): vedação à constituição dos créditos, revisão dos lançamentos efetuados e aplicação aos processos pendentes de julgamento. Assim, cabível seria a aplicação do disposto no art. 168, I do CTN, que afirma que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. E a Lei Complementar no 118/2005, com o caráter declaradamente interpretativo, estabeleceu, em seu art. 3o, que: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” (grifo nosso) Contudo, o STF entendeu como inconstitucional a parte final do art. 4o da Lei Complementar, no julgamento do RE no 566.621/RS (de reconhecida Repercussão Geral), acordando que: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10935.002646/200212 Acórdão n.º 3403002.731 S3C4T3 Fl. 138 5 tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE no 566621, Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, maioria, 04.ago.2011, Publ. 11.out.2011).” (grifos nossos) Tendo a Lei Complementar no 118/2005 sido publicada em 09/02/2005, foi admitido pelo STF, em nome da segurança jurídica, que empresas ajuizassem ação para restituição do indébito com a fórmula então dominante jurisprudencialmente (dez anos do fato gerador). No caso concreto aqui analisado, não se dá conta nos autos de que houve ajuizamento de ação. E o julgador a quo interpreta essa informação como decisiva para reconhecer que a empresa não faz jus à tese dos “dez anos”, em matéria de restituição. No entanto, este CARF tem, em diversas decisões acolhido a tese de que também ao pedido administrativo se aplica a decisão do STF. Sintetizamos tais decisões em um julgamento recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do qual se transcreve a ementa e excerto do voto, acolhido unanimemente: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER 0 DIREITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recurso negado. (...) Do outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal.” (grifos nossos) (CSRF, Acórdão n. 9303002.214, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 13.mar.2013) A série de precedentes serviu inclusive para que houvesse proposta de súmula do CARF a esse respeito. E tal súmula foi aprovada na sessão de 09/12/2013, pelo pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (e publicada no DOU de 18/12/2013, p. 31/32), com o seguinte texto: “Súmula 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador”. Nesse contexto, incabível sustentarse ter ocorrido prescrição (ou decadência, como afirma a DRJ) no presente caso. E, não havendo obstáculo temporal ao pedido de restituição, este deve ser analisado. Para amparar o pedido de restituição, a empresa indica como origem dos créditos pagamentos de Contribuição para o PISFaturamento efetuados ao amparo da Medida Provisória no 1.212/1995, quando a legislação aplicável seria (o que é incontroverso, em face de declaração de inconstitucionalidade) a Lei Complementar no 07/1970. A planilha com o demonstrativo de pagamentos está à fl. 45, indicando valor atualizado (pela Taxa SELIC) até outubro/2002 de R$ 133.791,10. Os DARF de pagamento estão às fls. 46 a 73. Ocorre que tal tema (apuração do valor a restituir) jamais foi apreciado no presente contencioso. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10935.002646/200212 Acórdão n.º 3403002.731 S3C4T3 Fl. 139 7 O despacho decisório da unidade local afirmou que estava “prejudicada a apuração do valor do indébito, porquanto inexistente diante da prescrição quinquenal”. E o julgador de piso destacou que “à vista da decadência constatada, deixamse de analisar as demais alegações propostas relativamente ao mérito do pedido, bem como resta prejudicada a apuração do valor do indébito pleiteado”. Assim, a análise do mérito diretamente por este CARF implicaria supressão de instância, ocasionando preterição do direito de defesa da recorrente. Necessário, então, remeterse o processo à DRJ, para apreciação dos demais argumentos expostos na impugnação, a partir do decidido por esta turma do CARF, se necessário, com auxílio da unidade local, via diligência, para confirmação dos pagamentos indicados nos DARF de fls. 46 a 73, e para verificação se o montante recolhido corresponde à diferença entre os valores que seriam devidos pela aplicação da MP no 1.212/1995 (afastada para o período) e os valores que seriam devidos pela aplicação da Lei Complementar no 7/1970. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a preliminar reconhecida pela DRJ, e determinando o retorno dos autos àquele tribunal para apreciação das razões de mérito. Rosaldo Trevisan Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 11610.001634/2003-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta
Participaram do julgamento Carlos Alberto Donassolo, Andrada Marcio Canuto Natal, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Participaram do julgamento Carlos Alberto Donassolo, Andrada Marcio Canuto Natal, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno RELATÓRIO DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA apresentou, em 31 de janeiro de 2003, pedido de compensação de créditos, através de Declaração de Compensação (fls. 1 e 2), no valor de R$ 4.432.555,27, dividido entre R$ 4.126.122,47 a título de IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), e R$ 306.432,80, de CSLL (Contribuição sobre o Lucro Líquido), relativos ao anocalendário de 2000. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 01 63 4/ 20 03 -7 9 Fl. 941DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 11610.001634/200379 Resolução nº 1202000.174 S1C2T2 Fl. 3 2 Também foi apresentada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), fls. 713/738, transmitida em 28 de janeiro de 2005, com o total de crédito a ser utilizado de R$ 814.328,09, referente ao anocalendário de 2000. Ao apreciar o pedido, em Despacho Decisório (fls. 750/755), a DERAT/SPO/DIORT/EQPIR decidiu por não reconhecer o direito creditório da contribuinte, bem como em não homologar as compensações declaradas, com fulcro nos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional CTN, artigo 74 da Lei nº 9430/96, artigo 837 do RIR/99 Decreto nº 3.000/99, e artigo 21 da Instrução Normativa SRF n° 210/2002. A decisão contida no Despacho Decisório foi pela não homologação das compensações requeridas em sede de Declaração de Compensação tendo em vista à lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL, relativos ao anocalendário de 2000 – mesmo período da Declaração de Compensação requerida, que resultou no Processo Administrativo nº 16327.000622/200516. Logo, ante a existência de saldo devedor no anocalendário de 2000 e com a informação de que os lançamentos de oficio foram julgados procedentes na primeira instância administrativa, a autoridade fiscal houve por bem afastar o direito creditório e não homologar, com base nos dispositivos legais lá mencionados. A contribuinte foi intimada da decisão em 28 de dezembro de 2007 (fl. 757), e apresentou a Manifestação de Inconformidade (fls. 766/769) onde aduz, inicialmente, que a decisão impugnada reconhece a possibilidade de compensação, mas não homologou o pedido devido à decisão DRJBSB n°. 0318.512, proferida no bojo do Processo Administrativo nº 16327.000622/2005016, que alterou o saldo negativo de IRPJ e CSLL transformandoos em tributos a pagar. Informa que dessa decisão houve Recurso Voluntário e que, nesse momento, os valores reclamados no Auto de Infração estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, III, do CTN e junta cópia do aludido processo administrativo. Busca afastar a argumentação da autoridade julgadora, informando que não é possível a autoridade administrativa considerar devido o lançamento de oficio estando sua exigibilidade suspensa uma vez que só poderia ocorrer na hipótese de decisão administrativa definitiva desfavorável, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9430/96. Nesse passo, esclarece que a compensação pretendida pela contribuinte cumpriu a hipótese legal de compensação, conforme o artigo 74 da Lei nº 9430/96, não cabendo aqui a invalidação do pleito por falta de previsão legal. Cita o artigo 45 do Decreto nº 70.235/72, a saber: "No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio". Esclarece seu entendimento de que “tal dispositivo legal dá a exata noção de que quando um procedimento decorre de outro devese atribuir a ambos a mesma decisão, para o fim de evitar decisões contraditórias.” Traz jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que entende amparar sua decisão. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 11610.001634/200379 Resolução nº 1202000.174 S1C2T2 Fl. 4 3 Requer assim, o sobrestamento do feito, até o julgamento do Recurso Voluntário interposto no Processo nº 16327.000622/200516. Alternativamente, requer o apensamento do presente feito ao mencionado processo, de modo a evitar decisões divergentes. A 3ª Turma da DRJ – SPO I, ao julgar o feito no Acórdão n. 1619.403 (fls. 833/835), houve por bem indeferir a solicitação da contribuinte. Explica que, nos termos do artigo 170 do CTN, a compensação é condicionada à liquidez e certeza dos créditos reclamados, o que não ocorre no caso concreto. Tais débitos seriam oriundos do Processo Administrativo n. 16327.000622/200516, onde, inclusive, houve a interposição de recurso, de modo a discutir a legitimidade do procedimento fiscal lastreado pelos Autos de Infração e que tal faculdade não afeta a interpretação da autoridade competente para as compensações aqui requeridas. Em relação ao pleito de apensamento do presente feito ao mencionado Processo Administrativo até a decisão daqueles autos, com o sobrestamento deste, informa que não há legislação que ampare tal possibilidade no Decreto nº 70.235/72. Ainda, informa que entre os princípios que regem o processo administrativo fiscal, encontrase o da oficialidade, ante o qual é obrigação da administração dar andamento ao feito até sua decisão final, sendo vedado à administração, sem que haja permissivo legal, sobrestar o julgamento. Traz os termos da Portaria da RFB 666/2008, onde em seu entender também não tem amparo sua solicitação: “que dispõe sobre formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Logo, entende improcedente o pedido de sobrestamento do julgamento do feito por ausência de previsão legal e por violação ao princípio da oficialidade. Acresce que, tendo em vista que a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar procedentes os lançamentos, é correta a decisão de afastar o direito creditório e considerar indevido o aproveitamento requerido. Lembra que, na hipótese de julgamento favorável na lide onde se analisa os lançamentos de ofício, é responsabilidade do órgão administrativo de origem proceder aos ajustes referentes a eventual direito creditório e compensações invocadas nestes autos. A contribuinte foi intimada do Acórdão em 16 de fevereiro de 2009 (fl. 836), e apresentou Recurso Voluntário em 16 de março do mesmo ano, (fls. 837/842). Portanto, tempestivamente. Destaca que, quando da apresentação da Declaração de Compensação, inexistia manifestação do Fisco no sentido de que aludidos saldos seriam questionados e que, portanto, naquele momento, os valores eram líquidos e certos, em cumprimento ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9430/96, que disciplina os artigos 165 e 170 do CTN, motivo pelo qual entende pertinente a homologação da compensação pleiteada e que os valores discutidos no Processo nº 16327.000622/200515 estão sob discussão administrativa, em virtude do oferecimento de Recurso Voluntário, e portanto, nos termos do artigo 151, III, do CTN estão com a exigibilidade suspensa. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 11610.001634/200379 Resolução nº 1202000.174 S1C2T2 Fl. 5 4 Aduz que não pode ser considerado devido o lançamento de ofício para que se apure o saldo a pagar, já que somente decisão definitiva em desfavor da contribuinte ensejaria a cobrança do aludido valor. Nesse ponto, pugna que o julgamento deste caso sem que se tenha o desfecho do processo administrativo mencionado, não haverá resultado conclusivo, já que a decisão aqui proferida deverá ser revista, na esfera administrativa ou mesmo judicialmente. A aludida relação de dependência é determinada já que o resultado do julgamento do Recurso Voluntário do Processo nº 16327.000622/200515, será o fator que autorizará ou não a compensação pleiteada neste feito. Tal situação indica a necessidade de sobrestamento do feito aqui discutido ou, ao menos, o apensamento deste àquele, ante a conexão existente. Informa precedentes deste Conselho sobre apensamento de processos em casos similares (Acórdão n° 20212088, Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e Acórdão n° 30332136, Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em 16/06/2005). Assim, requer seja acolhido o Recurso, determinandose a suspensão do julgamento deste Processo Administrativo até decisão final nos autos do Processo n° 16327.000622/200515, ou subsidiariamente, o apensamento deste processo àquele. Com o Recurso Voluntário, vieram os autos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. VOTO Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, tomamos conhecimento do Recurso. Conforme relatado, a interessada pleiteou a compensação através de Declaração de Compensação (fls. 1 e 2), no valor de R$ 4.432.555,27, assim dividido: R$ 4.126.122,47 (IRPJ) e R$ 306.432,80 (CSLL), relativos ao anocalendário de 2000. Ocorre que, antes que fosse apreciada a pretendida compensação, houve lançamento que ensejou o Processo Administrativo nº 16327.000622/200516, no qual foram apurados tributos a pagar desconstituindo os valores (créditos) a restituir inicialmente pleitados. De acordo com a autoridade fiscal, o saldo negativo do IRPJ e da CSLL antes apurados pela contribuinte revelouse incorreto, pois não foram feitos os devidos ajustes na determinação de suas bases de cálculo. Para melhor esclarecimento, trouxemos aqui o que a decisão recorrida sustentou, in verbis: “Quanto à possibilidade de apensamento e, por conseguinte, sobrestamento da decisão até o deslinde do citado processo administrativo, cumpre assinalar que tal pleito não pode ser acatado, pois no ordenamento preconizado pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, não Fl. 944DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 11610.001634/200379 Resolução nº 1202000.174 S1C2T2 Fl. 6 5 existe determinação para que este, nas circunstâncias do presente caso, tenha o seu trâmite suspenso, no aguardo de decisão definitiva de outro processo em andamento. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não podendo a autoridade administrativa sobrestar o julgamento na inexistência de impeditivo legal. Acrescentese que a Portaria RFB 666/2008, que dispõe sobre formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, também não dá guarida à reclamação da interessada.” A recorrente argúe, em sede de Recurso, que a compensação atende ao disposto no artigo 74 da Lei n° 9430/1996, portanto não pode ser invalidada. Afirma que não haverá resultado conclusivo enquanto não tiver decisão definitiva na esfera administrativa ou mesmo judicialmente, tendo em vista a dependência do julgamento do Recurso Voluntário do Processo nº 16327.000622/200515, motivo pelo qual requer a suspensão do julgamento do presente processo até que seja proferida uma decisão final no Processo nº 16327.000622/200515. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96 prevê um prazo para que a Administração Tributária se manifeste sobre a homologação da compensação tributária declarada pela contribuinte: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (destacouse) Assim, temos que houve esclarecimento, por parte do legislador, que a compensação de qualquer crédito, inclusive resultante da apuração de saldos negativos do IRPJ e CSLL, é declarada sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Isso quer dizer que compete à autoridade fiscal realizar diligências para verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado numa compensação. É certo, contudo, que a verificação deve ser feita, antes de esgotado o prazo de homologação, quando, por meio da denominada homologação tácita, serão considerados extintos os débitos tributários compensados, na forma do artigo 156, inciso II, do CTN. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 11610.001634/200379 Resolução nº 1202000.174 S1C2T2 Fl. 7 6 No presente caso, vale observar que a autoridade fiscal, ao proceder ao lançamento relativo ao ano calendário de 2000, recompôs as bases de cálculos do IRPJ e CSLL para o mesmo período, apurando tributos a pagar, ao final. Ao proceder dessa forma, a Administração Tributária sinaliza que o crédito alegado pela recorrente não é o que ela informou na DCOMP, mas aquele que a fiscalização apurou, isto é, inexiste crédito. Sobre a desconstituição do crédito tributário por parte da administração, cabe Recurso, portanto, enquanto não houver decisão definitiva em relação aos valores discutidos no Processo nº 16327.000622/200515 não há também o que se falar em utilização efetiva do crédito para compensação de débitos tributários. É nesse ponto que a contribuinte tem razão. Ademais, nos termos do artigo 170 do CTN, a compensação tributária somente é possível na existência de créditos líquidos e certos, tendo sido constatado que o crédito utilizado na DCOMP anexada ao processo é inexistente, não cabe, neste momento, reconhecê lo como válido, nem tampouco como inválido, enquanto não se tornar definitivo o lançamento que resultou em IRPJ e em CSLL a pagar, visto que poderá ser restabelecido o crédito decorrente desses saldos negativos de IRPJ e CSLL, caso seja considerado improcedente ou parcialmente procedente o referido lançamento. Tanto o crédito tributário apurado pelo fisco no Processo nº 16327.000622/200515, como também o crédito tributário indevidamente compensado na DCOMP em análise neste processo, encontramse com a exigibilidade suspensa, por força do artigo 151, III, do CTN, até que sejam definitivamente julgados. Para esta sessão, foi feita consulta ao COMPROT e ficou constatado queo Processo Administrativo nº 16327.000622/200515 ainda está em andamento no CARF. Corroborando o entendimento acima exarado, também o Código de Processo Civil trata como questão prejudicial como forma de suspensão do processo a dependência de julgamento de outra causa, consoante o artigo 265, IV, “a”, a saber: “Art. 265. Suspendese o processo: ..... IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente;” Considerandose a suspensão da exigibilidade da exigência no Processo 16327.000622/200515, resta inviável a verificação da compensação declarada pela recorrente neste processo. Em vista disso, a decisão é que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade de origem junte a decisão definitiva sobre o crédito a ser exarada no Processo nº 16327.000622/200515. Após a análise, procedase ao retorno a essa turma julgadora. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora Fl. 946DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA
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Numero do processo: 10630.902731/2011-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA.
Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS.
O art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08 não garantem aos contribuintes o direito à inclusão de todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora no cálculo dos créditos do regime não-cumulativo.
CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS.
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA.
Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO ACABADO.
As despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose ocorrem na fase de comercialização do produto acabado e caracterizam despesas operacionais, não gerando créditos no regime da não-cumulatividade.
CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (celulose).
CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO.
É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria.
CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FASE AGRÍCOLA.
É legítima a tomada de créditos em relação ao custo de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC.
É vedada a correção do ressarcimento por expressa determinação legal.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas de créditos efetuadas pela fiscalização, exceto quanto às glosas dos créditos tomados sobre as despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern que negou provimento também quanto à reversão das glosas relativas às despesas com veículos.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS. O art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08 não garantem aos contribuintes o direito à inclusão de todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora no cálculo dos créditos do regime não-cumulativo. CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO ACABADO. As despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose ocorrem na fase de comercialização do produto acabado e caracterizam despesas operacionais, não gerando créditos no regime da não-cumulatividade. CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (celulose). CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FASE AGRÍCOLA. É legítima a tomada de créditos em relação ao custo de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. É vedada a correção do ressarcimento por expressa determinação legal. Recurso voluntário provido em parte.
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AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matériaprima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS. O art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08 não garantem aos contribuintes o direito à inclusão de todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora no cálculo dos créditos do regime não cumulativo. CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 27 31 /2 01 1- 90 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO ACABADO. As despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose ocorrem na fase de comercialização do produto acabado e caracterizam despesas operacionais, não gerando créditos no regime da nãocumulatividade. CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (celulose). CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FASE AGRÍCOLA. É legítima a tomada de créditos em relação ao custo de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. É vedada a correção do ressarcimento por expressa determinação legal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas de créditos efetuadas pela fiscalização, exceto quanto às glosas dos créditos tomados sobre as despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern que negou provimento também quanto à reversão das glosas relativas às despesas com veículos. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902731/201190 Acórdão n.º 3403002.823 S3C4T3 Fl. 5 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Cofins nãocumulativa decorrente e exportações, transmitido em 13/08/2010, relativo ao 2º Trimestre de 2010, cumulado com declarações de compensação. Por meio do despacho decisório notificado ao contribuinte em 22/12/2011, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito de crédito e homologou parcialmente a compensação. Segundo o relatório fiscal, o objeto social do contribuinte compreende atividades de produção e comercialização de celulose e seus derivados; papel, papelão e derivados; produção e comercialização de insumos químicos; serviços de florestamento e reflorestamento; preparo, beneficiamento e comercialização de toras de madeira apropriadas para a fabricação de celulose e para consumo energético. Em inspeção procedida no estabelecimento produtivo da recorrente, constatou a fiscalização que as atividades de florestamento e reflorestamento são desempenhadas com o fim exclusivo de produzir a própria matériaprima para a fabricação de celulose. Em relação aos bens utilizados como insumos, foi adotado o conceito de insumo estabelecido nas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04. Com base neste entendimento, foram glosados, os créditos relativos a insumos aplicados na atividade de florestamento e reflorestamento e também no tratamento de efluentes, pois não teriam sido aplicados na fabricação de produtos destinados à venda. Em relação a serviços utilizados como insumos, a fiscalização glosou os insumos classificados como "frete produção celulose fábrica" por se tratarem de fretes relativos ao transporte de madeira de produção própria para a fábrica, não estando vinculados a compras de matériaprima. Foram glosados custos com serviços de inspeção, movimentação e embarque de celulose, por falta de previsão legal e por não terem sido aplicados diretamente na produção. Em relação aos créditos tomados sobre o custo de aquisição de bens do ativo imobilizado, a fiscalização constatou que uma parte dos bens eram empregados na produção própria da matériaprima. Com base no mesmo critério adotado anteriormente (matériaprima de produção própria não é bem destinado à venda e, portanto, não gera crédito) a fiscalização glosou o crédito tomado com base no custo dos bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção da celulose destinada à venda. Relativamente aos valores informados na Linha 13 das Fichas 06A e 16A dos DACON "Outras operações com direito a crédito", a fiscalização glosou integralmente os valores, pois os memoriais de apuração de créditos apresentados pelo contribuinte foram relacionadas aquisições sujeitas à alíquota zero, as quais não dão direito ao crédito. Irresignado com as glosas, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual, em síntese, descreveu as várias etapas do seu processo produtivo e insurgiuse contra o conceito de insumo adotado pela autoridade administrativa. Alegou que as instruções normativas que adotaram para as contribuições o mesmo conceito de insumo da Fl. 571DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 legislação do IPI são ilegais, por violarem o art. 109 do CTN e não existir previsão legal para que a Receita Federal estabeleça o que é insumo. Tendo em vista que a base de incidência das contribuições é semelhante à base de incidência do imposto de renda, devem ser aplicados os arts. 290 e 299 do RIR/99, a fim de se considerar insumo todos os custos e despesas do contribuinte. Com base em sua interpretação do art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03, entende que todos os custos e despesas que contribuíram para gerar a receita de exportação são passíveis de gerarem o crédito. Tal interpretação seria respaldada pelo art. 27 da IN nº 900/08. Na sequência, lançou motivos específicos para justificar a reversão das glosas efetuadas e pleiteou a correção do ressarcimento pela taxa Selic. A 1ª Turma da DRJ Juiz de Fora julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Foi considerada não impugnada a glosa dos créditos apropriados sobre "Outras operações com direito a crédito", relativa à Linha 13 Fichas 06A e 16A dos DACON. Relativamente ao conceito de insumo, ficou decido que as Instruções Normativas da Receita Federal não são ilegais e que as hipóteses de crédito são aquelas taxativamente previstas na lei. Especificamente quanto aos valores classificados como "Frete produção celulose fábrica", ressalvou a DRJ que a glosa foi motivada no fato desses valores se referirem a "transporte de madeira", que são despesas em relação às quais não existe previsão legal para o crédito. Relativamente à glosa de créditos tomados sobre o custo de aquisição do ativo imobilizado, a DRJ entendeu que a glosa foi pertinente porque os bens em relação aos quais o crédito foi glosado eram aplicados não só na produção de bens destinados a venda, mas também em outras atividades da empresa, como por exemplo, na produção de madeira (matériaprima), tratamento de efluentes e manutenção florestal. Quanto à interpretação dada pelo contribuinte ao art. 6º, § 3º da Lei nº 10.833/03, a DRJ entendeu que o que a lei determina é que será permitido crédito sobre custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, caso esses dispêndios observem o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, que é o regramento matriz para tais créditos, ou seja, somente na hipótese de tais encargos se enquadrarem como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à exportação é que os mesmos poderão compor a base de cálculo dos créditos de Cofins passíveis de ressarcimento. Assim, não procede o argumento de que todas as despesas necessárias ao auferimento da receita de exportação gerariam crédito. Quanto à correção monetária dos créditos pela taxa Selic, o pedido foi negado com base na vedação expressa contida no art. 13 da Lei nº 10.833/03 e nas instruções normativas subsequentes que a regulamentaram. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 13/05/2013, o contribuinte postou seu recurso voluntário nos Correios em 12/06/2013, no qual reprisou as alegações oferecidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se verifica nos autos, a fiscalização não só adotou o conceito de insumo estabelecido para o IPI, por meio das instruções normativas da Receita Federal; mas também seccionou a atividade do contribuinte em duas etapas: a produção da matériaprima (madeira) e a extração da celulose (produto final industrializado a ser exportado). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902731/201190 Acórdão n.º 3403002.823 S3C4T3 Fl. 6 5 Ao assim proceder a fiscalização acabou por considerar como "produção" apenas a etapa industrial do processo produtivo, como se estivesse analisando um processo de ressarcimento de IPI, esquecendose de que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 utilizam os termos "produção" e "fabricação". Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime nãocumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação" de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar", "dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota "transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art. 1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária, "agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza a secção da atividade do contribuinte, tal como foi feito pela autoridade administrativa. Portanto, com base nos dispositivos legais acima, tanto em relação ao cumprimento de obrigações tributárias, quanto para o fim de aproveitamento de créditos das contribuições, o processo produtivo da recorrente deve ser visto como um todo único, Fl. 573DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 iniciandose com a criação das mudas de eucalipto e terminando com o corte e o enfardamento das folhas de celulose, conforme descrito nos recursos apresentados. Outro ponto controvertido nos autos, foi o conceito de insumo adotado pelas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04. Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados, a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido naqueles atos administrativos, os quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de Fl. 574DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902731/201190 Acórdão n.º 3403002.823 S3C4T3 Fl. 7 7 que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº Fl. 575DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08, pois esses dispositivos teriam encampado o entendimento da recorrente no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida tanto no dispositivo legal, quanto no art. 27, caput, da Instrução Normativa, alude aos gastos incorridos no auferimento das receitas especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em outras palavras: o direito à tríplice forma e aproveitamento dos créditos gerados por operações de exportação referese unicamente aos créditos apurados com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. E como já se viu alhures, este dispositivo legal não instituiu o direito à tomada do crédito sobre todos os custos e despesas necessários à manutenção da atividade da empresa. A desconsideração da secção da atividade da recorrente e a adoção do custo de produção como significado do vocábulo "insumo", conduzem a conclusões diametralmente opostas às da fiscalização e às do contribuinte. Embora as partes não tenham anexado nenhum documento ao processo que permita ao julgador aferir a veracidade das alegações, os fatos são incontroversos e o confronto do relatório fiscal com o recurso do contribuinte permitem a este colegiado proferir decisão certa quanto aos créditos glosados. Vejamos. Relativamente à fase agrícola do processo produtivo, consistente na criação de mudas, plantio, manejo e colheita dos eucaliptos, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa expurgue dos cálculos os custos incorridos com insumos na floresta, sob o argumento de que a madeira lá produzida não se destina à venda, mas sim a consumo próprio. Isto porque, conforme já ficou assentado antes, a atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, em razão de que: (i) pela interpretação literal do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, que alude à insumos aplicados na "produção ou fabricação" de bens e serviços destinados à venda, fica claro que a lei contemplou com o direito de crédito tanto a "produção" quanto a "fabricação"; e (ii) pela aplicação da definição legal de "agroindústria" prevista no art. 22A da Lei nº 8.212/91, a atividade econômica do contribuinte consiste na "industrialização de produção própria", ou seja, a lei considera que a produção da madeira e a extração da celulose é uma atividade única. No âmbito das contribuições nãocumulativas não 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 576DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902731/201190 Acórdão n.º 3403002.823 S3C4T3 Fl. 8 9 existe um conceito de industrialização específico como ocorre no âmbito do IPI (art. 3º da Lei nº 4.502/64). Sendo assim, devem ser revertidas as glosas dos créditos relativos aos custos incorridos com os bens e serviços sob as rubricas: a) manejo das plantações de eucalipto; b) frete na manutenção de equipamentos florestais; c) manutenção de equipamentos florestais; d) fretes manutenção viveiro de mudas; e) manutenção do viveiro de mudas de eucalipto; e f) frete no manejo das plantações de eucalipto. Todos esses gastos caracterizamse como custo de produção (art. 290, I, do RIR/99), pois são incorridos no processo produtivo do contribuinte e sem eles restaria inviabilizada a extração da celulose, que o produto final exportado. Devem, portanto, gerar crédito das contribuições com base nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos valores glosados a título de frete sobre o transporte de madeira, é fato incontroverso nos autos que se tratam de custos incorridos pelo contribuinte no transporte da matériaprima (madeira) entre a floresta de eucaliptos e a fábrica. O entendimento deste colegiado quanto ao direito à tomada de crédito em relação a custos com fretes foi bem sintetizado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz no voto condutor do Acórdão 3403001.556, que permitome transcrever: "(...) Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matérias primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3º, inciso II; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo art. 3º. (...)" Tratandose de fretes relativos ao transporte de matériaprima entre a floresta e a fábrica, esses fretes são identificados com a hipótese listada no item "c" do excerto acima transcrito. Em outras palavras: a glosa efetuada pela fiscalização deve ser revertida, pois esses gastos integram o custo de produção da celulose (art. 290, I, do RIR/99) e, assim, geram créditos da contribuição nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Observase que os fretes relativos ao transporte de madeira entre a floresta e a fábrica foram incluídos na rubrica "frete produção celulose fábrica". Entretanto, nas planilhas de glosa juntadas em outros processos da mesma empresa que se encontram sob julgamento nesta assentada, encontramos a denominação "Transporte de madeira produzida" ora seguida da rubrica "Frete Produção Celulose Fábrica", ora da rubrica "Produção Celulose Fábrica" e ora da rubrica "Manutenção equipamentos indústria". Apesar de a fiscalização não ter juntado as planilhas de glosa específicas deste processo, deve ser esclarecido que devem ser revertidas todas as glosas referentes a transporte de madeira entre a floresta e a fábrica classificadas sob quaisquer das rubricas acima identificadas. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 A fiscalização, em outros processos da empresa sob julgamento nesta assentada, detectou que o contribuinte tomou créditos sobre despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose. Esses créditos foram contabilizados sob a rubrica "Produção Celulose Fábrica" e foram glosados sob o argumento de que a previsão legal alcança apenas os fretes na operação de venda, não sendo possível uma interpretação extensiva para se admitir créditos sobre aquelas despesas. Neste processo, verificase nos cálculos elaborados pela fiscalização que houve a glosa de valores sob a rubrica "Produção Celulose Fábrica". Neste tópico há que se concordar com fiscalização, pois segundo as alegações do próprio contribuinte, essas despesas são incorridas sobre o produto acabado, na fase de comercialização. Se são despesas incorridas após a fase de produção elas não integram o custo de produção e, portanto, não geram créditos das contribuições. Nesta fase, onde o contribuinte incorre em despesas sobre o produto acabado, os arts. 3º, IX das Leis nº 10.637/02 e 10833/04 só garantem o crédito sobre fretes na operação de venda e com despesas de armazenagem (aluguéis de armazéns). Tratandose de despesas operacionais do contribuinte, deve ser mantida a glosa dos créditos tomados sobre as despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose. Relativamente aos "custos e despesas de manutenção no tratamento de efluentes" e de "custos e despesas de frete na manutenção de tratamento de efluentes", a glosa foi fundamentada no fato de que esses custos não são aplicados na fabricação de produtos destinados à venda. A defesa alegou, em síntese, que esses custos são incorridos para a manutenção das estações de tratamento de água e tratamento biológico, que são necessários para permitir o reaproveitamento da água utilizada em seu processo industrial. Segundo a descrição do processo industrial, a água adicionada de soda cáustica é utilizada em um equipamento denominado digestor, no qual ocorre o cozimento, sob pressão, dos cavacos de madeira. Posteriormente ao cozimento, ocorre a injeção de água no digestor para iniciar o processo de lavagem da celulose. Como se vê, a água tem participação significativa no processo de fabricação da celulose (produto destinado à venda) e os custos necessários à sua reciclagem, embora não sejam aplicados diretamente no produto em fabricação, constituem custos de produção da celulose (art. 290, I, RIR/99), estando aptos a gerarem créditos, nos termos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04. Com esses fundamentos, deve ser revertida a glosa efetuada sob rubrica "custos e despesas de manutenção no tratamento de efluentes" e "custos e despesas de frete na manutenção de tratamento de efluentes". Relativamente à glosa do crédito tomado sobre o custo de aquisição de bens do ativo permanente, o motivo invocado para a glosa foi que os bens em relação aos quais houve glosa "são utilizados não só na produção de bens destinados à venda, como também em outras atividades da empresa, como, por exemplo, a produção de madeira (matériaprima), tratamento de efluentes e a manutenção florestal." Tendo em vista que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não dão amparo para que a atividade do contribuinte seja seccionada e que a definição legal de "agroindústria", estabelecida no art. 22A da Lei nº 8.212/91, considera como atividade do Fl. 578DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902731/201190 Acórdão n.º 3403002.823 S3C4T3 Fl. 9 11 contribuinte a "industrialização de produção própria", devem ser revertidas as glosas dos créditos tomados com base no custo de aquisição dos bens do ativo permanente. No que tange ao crédito tomado sobre bens e serviços aplicados na manutenção de veículos externos (caminhões e tratores), a fiscalização motivou a glosa no fato de que os veículos foram utilizados em atividades alheias à produção de bens destinados à venda. Conforme citado pela fiscalização, a glosa recaiu sobre o custo de bens e serviços aplicados em caminhões e tratores utilizados no cultivo dos eucaliptos, que segundo a fiscalização não constitui processo produtivo de bem destinado à venda. Esta glosa deve ser revertida com base no mesmo argumento utilizado para reverter as glosas dos créditos tomados sobre custos e serviços aplicados na floresta de eucaliptos, ou seja, além da interpretação literal dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não autorizar a secção da atividade do contribuinte, a definição de "agroindústria", estabelecida no art. 22A da Lei nº 8.218/91, considera que a atividade do contribuinte é a "industrialização de matériaprima de produção própria", ou seja produção e industrialização constituem uma atividade única e indivisível. Por fim, no que toca ao pedido de correção do ressarcimento pela taxa Selic, deve prevalecer a vedação legal expressa nos arts. 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833/03. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas de créditos efetuadas pela fiscalização, exceto quanto às glosas dos créditos tomados sobre as despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose. Antonio Carlos Atulim Fl. 579DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10830.912988/2009-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA.
Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 Juros Recebidos; 3.23.02 - Descontos Obtidos; 3.23.04- Variação Monetária Ativa; 3.23.05 Créditos de operações diversas; 3.23.06 Taxa Cambial e 3.23.08 Receitas de Aplicação Financeira, homologando-se o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA. Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeira, homologandose o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 88 /2 00 9- 89 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 . Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidam os presentes autos de discussão relacionada com compensação de crédito próprio oriundo de pagamento a maior ou indevido com débito do contribuinte não homologado relativamente ao período de apuração de 01/09/2002 a 30/09/2002, referente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. A razão da não homologação, segundo infere dos autos, decorre da inexistência de saldo credor disponível informado em DCTF por ter sido integralmente utilizados para quitação de débitos confessados. Tomando conhecimento da negativa por meio do Despacho Decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando ausência da apresentação de DCTF retificadora, fazendoa imediatamente a ciência da decisão. Conhecida a manifestação, restou improcedente ao argumento de ser necessária, além da retificação da DCTF, a demonstração do real motivo que levou o contribuinte a proceder à modificação para menos do débito declarado, afirmando, ainda, que poderia ter sido justificado por meio de documentos contábeis, DIPJ e DACON. Irresignada com o resultado do julgamento em primeira instância apresenta Recurso Voluntário, sustentando a tese de que o pagamento a maior adveio da inclusão de receitas à base de cálculo não sujeitas à incidência das Contribuições para o PIS e a COFINS ao ensejo de que encontra submetida ao regime cumulativo de que trata a Lei nº 9.718/98. Cuidou, nessa fase processual, acostar planilhas destacando as receitas que compõe o grupo de “Outras Receitas” incluído à base de cálculo indevidamente, bem como, cópias de peças contábeis. Argumenta também que o fato de não apresentar DCTF retificadora se traduz em mero erro, passível de correção. Esse caderno processual retorna a esse Colegiado em razão do Acórdão proferido em 07 de julho de 2011, que converteu o julgamento em diligência para que fosse apurado: 1) o verdadeiro faturamento da empresa informado em DIPJ e em outras declarações obrigatórias; 2) se a recorrente estava submetida ao regime cumulativo; 3) que fosse detalhado as receitas que compõe o grupo “Outras Receitas”, informando se as mesmas estavam sujeitas ou não à incidência da contribuição. O resultado da diligência fiscal encontra assim: “INFORMAÇÃO FISCAL PROCESSO N: 10.830.912.988/200989 COMPETÊNCIA: 09/2002 TRIBUTO: PIS/PASEP Contribuinte Nome / Nome Empresarial CPF / CNPJ COIM BRASIL LTDA 65.426.538/000108 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.912988/200989 Acórdão n.º 3403002.676 S3C4T3 Fl. 9 3 Logradouro Número Complemento R. ANGELO BEVILÁQUA, 527 Bairro Cidade / UF CEP DISTRITO INDUSTRIAL VINHEDO /SP 13.280000 Conforme Despacho de Diligência, contido neste processo, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara resolveu converter o Julgamento em Diligência, para: 1) que seja averiguado por meio da contabilidade, da DIPJ e outras declarações obrigatórias o verdadeiro faturamento da empresa; 2) verificar se a empresa está realmente sujeita ao regime cumulativo; 3) detalhar as receitas que compõem o grupo “outras receitas”, informando se estão ou não sujeitas à incidência da contribuição. Resposta ao item 1; 1.1 Através da contabilidade e documentos correlatos apuramos o valor de R$ 27.649.660,43 referente ao Faturamento da Empresa, e o valor de R$ 22.008.110,08 referente a Base de Cálculo da contribuição. 1.2 – Conforme solicitado, estamos anexando os Demonstrativos do total Faturamento e da Base de Cálculo original, para o PIS/PASEP e COFINS, declarado pelo contribuinte em suas Fichas 19 A (cálculo da contribuição para o PIS/PASEP) e 20 A (cálculo da contribuição para a COFINS), integrantes da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ. (= R$ 21.905.387,78) 1.3 Estamos também anexando uma planilha “MEMÓRIA DE CÁLCULO” de origem contábil, onde contém todo o Faturamento da empresa e demonstra: A Base de Cálculo PIS/COFINS reconhecida hoje pela empresa: B Base de Cálculo Outras Receitas e Receitas Financeiras (origem do pedido de ressarcimento); C Base de Cálculo original, que é a soma de A + B (= R$ 22.008.110,08); Resposta ao item 2; 2.1 – A sistemática da Cumulatividade foi alterada com o advento da Medida Provisória n. 66, de 29/08/2002, convertida posteriormente na Lei n. 10.637 de 30/12/2002, que introduziu a sistemática NÃO CUMULATIVA do PIS/PASEP. A NÃO CUMULATIVIDADE da COFINS veio em seguida, por meio da Medida Provisória n. 135, de 30/12/2003, convertida em Lei n. 10.833 de 29/12/2003. Então, a partir de 01/12/2002, em relação ao PIS/PASEP, e 01/02/2004, em relação à COFINS, passamos a conviver com os dois regimes de apuração das contribuições, o CUMULATIVO e o NÃO CUMULATIVO. Portanto neste Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 processo, nesta contribuição aqui tratada, relativamente a este mês de competência, a sistemática utilizada ainda é a CUMULATIVA. Resposta ao item 3; 3.1 – Antes da Lei n. 9.718/1998, a Base de Cálculo do PIS/PASEP e da COFINS era sobre o Faturamento da Pessoa Jurídica, porém com a edição da Lei n. 9.718/1998, a Base de Cálculo passou a ser a RECEITA BRUTA da Pessoa Jurídica, ocorrendo o denominado ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Com a edição da Lei n. 11.941/2009 de 28/05/2009 em seu inc. XII do art. 79, foi revogado o dispositivo da abrangência da Base de Cálculo, reconhecido como inconstitucional. Assim, depois disto, somente as receitas decorrentes do objeto social da Pessoa Jurídica são Bases de Cálculos para o PIS e COFINS, ficando de fora as demais Receitas, como por exemplo as Receitas Financeiras e de Aluguéis de Imóveis. 3.2 Entendemos então, que até a edição da Lei n. 11.941/2009 de 28/05/2009, todas as Receitas do grupo Outras Receitas, bem como as Receitas Financeiras, tinham a incidência tributária e integravam a Base de Cálculo tanto do PIS/PASEP, quanto da COFINS. O detalhamento das Receitas que compõe o Grupo de contas 3.15.00 Outras Receitas/Despesas Operacionais e 3.23.00 Receitas Financeiras, encontramse abaixo discriminados: 3.15.01 Receitas Diversas Operacionais Nesta conta foram lançados créditos de R$ 24.008,35 em 2001, R$ 31.429,81 em 2002 e 53.977,25 em 2003, distribuídos em diversos valores lançados ao longo de cada mês. Se referem a descontos concedidos por fornecedores ou juros pagos por clientes, que acabaram por serem registradas nestas contas. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.02 Recuperação de Despesas Lançamento de devolução de prêmio de seguro cobrado à maior. Lançamento de valor recebido de sinistro causado por dano elétrico. Foram oferecidos à tributação e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.03 Amortização de Ágio/Deságio de Investimento Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes ao ágio apurado na aquisição da empresa, em 60 (sessenta meses). 3.15.05 – Recuperação de Custo Realizado Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS (pois a contribuinte entende que não se enquadram no conceito de faturamento e da Base de Cálculo). Os valores referentes aos meses de outubro e dezembro de 2002 foram tributados, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.06 Honorários Advocatícios Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.912988/200989 Acórdão n.º 3403002.676 S3C4T3 Fl. 10 5 devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes pagamento de serviços prestados honorários de advogados. 3.15.07 – Despesas com Indenizações a Terceiros Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois não se enquadram no conceito de faturamento. Os valores referentes ao mês de julho de 2002 referese despesa com serviços prestados a empresas Owaco. 3.15.08 Amortização de Ágio Novacote Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes ao ágioNovacote apurado na aquisição da empresa, em 60 (sessenta meses). 3.23.00 Receitas Financeiras 3.23.01 Juros Recebidos Lançamentos de juros recebidos através de duplicatas vencidas de Clientes. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.02 – Descontos Obtidos Lançamentos de descontos obtidos através de pagamento de Fornecedores. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.04 Variação Monetária Ativa Lançamentos de atualização de créditos de IRPJ e CSLL a recuperar, pela taxa Selic. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.05 – Créditos de operações diversas Lançamento de estorno de recebimento indevido no mês de fevereiro de 2001, referente ao cliente “Maxdel” (houve movimento desta conta somente em Agosto de 2001). Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.06 – Variação Cambial Ativa Lançamentos de Variação Cambial Ativa de Clientes ou Fornecedores mediante a Taxa Cambial utilizada no mês de referência. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras Lançamento de Receitas obtidas em função das aplicações financeiras bancária mensal, conforme data da aplicação. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. Diante do acima exposto, encaminhese o presente processo a 3 a.Turma da 4 a. Câmara do CARF. Campinas, em 07 de agosto de 2012. AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Nome Matrícula Assinatura RADAMÉS ASSAD JÚNIOR 877.852 SP CAMPINAS DRF”. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuida de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A discussão travada entre o Fisco e o Contribuinte é da inexistência do indébito apontado oriundo de pagamento a maior decorrente da inclusão à base de cálculo de receitas não provenientes do faturamento da empresa. A negativa da Administração Tributária se prende ao episódio da ausência de apresentação de DCTF retificadora antes do Despacho Decisório que negou o pleito. Em sede recursal entendeu o Colegiado em transformar o julgamento em diligência para verificação de três pontos, o que restou a meu sentir esclarecido pelo Agente Fiscal como se infere da transcrição consignada no relatório. Há entendimento de que cabe ao Interessado comprovar no primeiro momento em que consubstancia o direito buscado, em sede administrativa, também existe aqueles cujos juízos são de que esse tempo de comprovação é mais largado, tudo isso em homenagem ao princípio da verdade. É o que ocorreu neste caderno. O rigor em obediência ao rito penso que é necessário em razão da importância do instituto processual, no entanto, cabe ao Julgador Administrativo, em certas oportunidades temperálo, é o caso tratado nesse processado. Vejo que a diligência foi de grande valia e luminosa ao julgamento, tomando como fonte a informação fiscal que, definitivamente esclareceu que há inclusão à base de cálculo de receitas não oriundas do faturamento. Sendo um ponto relevante ao deslinde da querela, portanto, não há como deixar de enxergar o direito subjetivo do contribuinte em estar nessa sede debatendo para ver reconhecido o seu pleito. Nesse sentido a diligência fiscal dissecou as contas: 3.15.00 “Outras Receitas/Despesas Operacionais” e 3.23.00 “Receitas Financeiras” “... todas as Receitas do grupo Outras Receitas, bem como as Receitas Financeiras, tinham a incidência tributária e integravam a Base de Cálculo tanto do PIS/PASEP, quanto da COFINS. O detalhamento das Receitas que compõe o Grupo de contas 3.15.00 Outras Receitas/Despesas Operacionais e 3.23.00 Receitas Financeiras, encontramse abaixo discriminados: Com a segurança traduzida pelas informações colhidas em diligência, a toda evidência, que a contribuinte fez incluir à base de cálculo receitas não sujeita a exação da contribuição exigida. Corrobora ainda com afirmação de que no período de apuração do indébito a recorrente encontrava submetida ao regime cumulativo das contribuições destinadas para o PIS e a COFINS, fato esse suficiente o bastante para aplicar a regra traçada pela Lei nº 9.718/98. Assim, demonstra que as receitas contabilizadas nas contas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.912988/200989 Acórdão n.º 3403002.676 S3C4T3 Fl. 11 7 Financeiras, as formam a base de cálculo, e, sendo assim, apuração da contribuição é maior do que o valor correto a ser apurado incidente sobre o faturamento. Infere da leitura das explicações elaboradas durante a diligência aqui anotadas que tratam de receitas não sujeitas à incidência de contribuição: 3.23.00 Receitas Financeiras 3.23.01 Juros Recebidos Lançamentos de juros recebidos através de duplicatas vencidas de Clientes. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.02 – Descontos Obtidos Lançamentos de descontos obtidos através de pagamento de Fornecedores. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.04 Variação Monetária Ativa Lançamentos de atualização de créditos de IRPJ e CSLL a recuperar, pela taxa Selic. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.05 – Créditos de operações diversas Lançamento de estorno de recebimento indevido no mês de fevereiro de 2001, referente ao cliente “Maxdel” (houve movimento desta conta somente em Agosto de 2001). Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.06 –mediante a Taxa Cambial utilizada no mês de referência. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos Variação Cambial Ativa Lançamentos de Variação Cambial Ativa de Clientes ou Fornecedores pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras Lançamento de Receitas obtidas em função das aplicações financeiras bancária mensal, conforme data da aplicação. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa”. Assim, em que pese o comentário de que toda e qualquer receita até ao advento da Lei nº 11.941/2009, mesmo sabedor da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.818/98 pelo STF, estava sujeita à incidência da contribuição é interpretação subjetiva do Auditor Fiscal. Estando submetida ao regime cumulativo das contribuições, como é de toda sabença, o faturamento é receita proveniente da venda de mercadorias, prestação de serviços, ou venda de mercadorias e prestação de serviços como restou declarado pela mais alta corte do judiciário. Em sendo assim, o entendimento de alcance extendido a todo e qualquer receita há muito restou decididamente sepultada, e, não há como acolher tal entendimento trazido em diligência quanto à eficácia do inciso 1ºm do art. 3º da Lei nº 9.818/98 até ao acontecimento da Lei nº 11.941/2009, não encontra respaldo na doutrina e tampouco na jurisprudência forense, assim como, administrativa. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Por força do Regimento Interno, as decisões relativas à declaração de inconstitucionalidade pelo STJ e do STF deve ser aplicadas de pronto ao procedimento administrativo. Confirmado a inclusão à base de cálculo, além do faturamento, de outras receitas que em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.818/98 deixaram de ser consideradas para efeitos de incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Assim, milita em favor da contribuinte o direito de reaver da Fazenda Pública o que pagou a maior, dúvida não há mais quanto à inclusão de receitas diferentes do faturamento à base de cálculo. Há entendimento dessa Turma que a retificação de DCTF não é determinante no reconhecimento do direito de pedir indébito, em sendo assim, mantenho fiel a esse posicionamento. Certo do direito exercido, entendendo administração de que o valor demonstrado em planilha juntada com o resultado da diligência esteja correto, embora afiançado pelo Auditor Fiscal encarregado do trabalho, deve ser reconhecido. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial, reconhecendo o direito da contribuinte em afastar da base de cálculo as receitas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras. O provimento é parcial porque essa decisão limitou a reconhecer o direito da exclusão da base de cálculo em relação aos valores oferecidos à tributação conforme constatado em diligência. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 15374.916795/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO II / RJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 16 79 5/ 20 08 -6 4 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 201 ___________ Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido em 14/10/2004 (fls.03/07), pelo qual se pretende o ressarcimento do PIS pago supostamente de modo indevido no período de apuração de janeiro de 2003. A delegacia de origem indeferiu o crédito, fundamentando que, apesar de ter localizado o pagamento, ele foi utilizado integralmente para quitação de outros débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível (fl.09). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fl.11), mas a DRJ Rio de Janeiro II, no estado do Rio de Janeiro, manteve o indeferimento do crédito, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “ALEGAÇÃO DE CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO IDÔNEA. A alegação de mudança na lei de regência bem como declaração em DACON não constituem prova idônea para demonstrar a existência de direito creditório contra a Fazenda Nacional. O DACON Tal declaração constitui demonstrativo da composição da base de cálculo das contribuições sociais, cuja apresentação não exime o contribuinte da apresentação da DCTF, a qual fornece à RFB os fatos geradores e constitui declaração de confissão de débitos segundo a legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada para o acórdão da DRJ em 05/07/2011 (fl. 45) e interpôs recurso voluntário em 08/08/2011 (fls.46/59), com as alegações resumidas abaixo: 1. A DRJ considerou que inexiste prova de como foi calculado o crédito da Recorrente. Contudo, em busca da verdade material, a Administração pode fazer as diligências necessárias para que fique provado o alegado; 2. No mês de janeiro de 2003, a Requerente calculou o PIS com a alíquota de 1,65%, contudo, não fez o creditamento da nãocumulatividade, previsto na Lei nº 10.637/02. Essa falta de creditamento gerou um pagamento a maior e, consequentemente, um crédito para a Recorrente; 3. O débito do PIS cuja origem era as vendas de mercadorias, era de R$ 22.819,43. Todavia, existia um crédito de R$ 15.199,11, referente à Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 15374.916795/200864 Resolução nº 3401000.790 S3C4T1 Fl. 202 3 compra de bens para revenda. Sendo assim, o valor do PIS que deveria ter sido recolhido era de R$ 7.620,32. Assim, como recolheu o valor de R$ 22.725,22, em vez de R$ 7.629,32, restou um crédito de R$ 15.104,90. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja homologada a compensação declarada. Subsidiariamente, pediu a realização de diligência para que seja feita a apuração do crédito. Por último, pediu que a intimação deste julgamento fosse feito na pessoa de sua advogada. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento do PIS supostamente pago a maior, referente ao período de apuração do mês de janeiro de 2003. A Recorrente alega que tinha direito ao crédito em relação a bens adquiridos para revenda no mês de janeiro de 2003, todavia, deixou de utilizálos no cálculo do PIS a recolher, o que ocasionou o recolhimento a maior. Todavia, quando confrontados o DARF com a DCTF, chegouse a conclusão de que o valor constante no DARF havia sido utilizado para o pagamento do débito declarado na DCTF apresentada. Apesar disso, a Recorrente alega que declarou o valor devido incorretamente na DCTF, mas o valor do crédito já estava declarado na DACON (fl. 14). Posteriormente, foi apresentada DCTF retificadora (fl.17). Ocorre que a DCTF retificadora foi apresentada somente em 29/08/2008, após a emissão do despacho decisório, que é de 12/08/2008 (fl.09). Em um exame frio da letra legal, chegarseia à conclusão de que a Recorrente não tem direito de ver seu crédito reconhecido, pois o § 1o, do art. 147, do CTN, dispõe que a retificação da declaração deve ocorrer antes da notificação do lançamento. Como a declaração de compensação é confissão de dívida, nos termos § 6o, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, o lançamento, no caso, seria a homologação por meio do despacho decisório, ou seja, a Recorrente deveria apresentar a retificação antes da emissão do despacho decisório. Não obstante, este Conselheiro e esta Câmara vêm entendendo que essa regra deve ser flexibilizada, pois ela busca inibir erros dolosos na declaração, com o fim de ludibriar o fisco (PAFs nº 10983.901056/200886 e nº 16707.004367/200689). Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 15374.916795/200864 Resolução nº 3401000.790 S3C4T1 Fl. 203 4 No caso em tela, verificase que o suposto erro na DCTF excluiu os créditos da Recorrente, e não os da Fazenda, o que evidencia a falta de vontade de fraudar a arrecadação, visto que ninguém comete fraude para prejudicar a si mesmo. Os elementos que estão nos autos não são suficientes para demonstrar se realmente houve o erro no preenchimento da DCTF, mas o fato de a Recorrente ter transmitido a DACON com valor do crédito, em 31/04/2004 (fl.14), antes da transmissão da PER/DCOMP que se deu em 14/10/2004, demonstra o indício de que realmente houve erro no preenchimento da DCTF. Indício suficiente a causar dúvida neste relator e ensejar a realização de diligência para que se busque a verdade material. Diante disso, proponho a diligência para que os autos retornem à delegacia de origem, a fim de que sejam analisados os documentos já constantes nos autos, bem como outros, inclusive a relação dos fornecedores, livros de entrada e de saída, que podem ser requeridos da Contribuinte, a fim de que sejam respondidas as seguintes questões: 1. A Recorrente tinha crédito do PIS, relativo à aquisição de bens para revenda no mês de janeiro de 2003? Qual o valor do crédito? 2. Considerando o valor do crédito em favor da Contribuinte, qual o verdadeiro valor do PIS era devido para o mês de janeiro de 2003? 3. Quanto foi pago? 4. Restou crédito a ser ressarcido em relação ao DARF apontado na PER/DCOMP objeto deste processo? 5. O crédito restante é suficiente para realizar a compensação declarada da PER/DCOMP objeto deste processo? 6. Incluir informações que julgue necessárias. Depois de realizada a diligência, deverá ser elaborado um relatório conclusivo, com as respostas aos quesitos acima, do qual a Recorrente deve ser intimada a se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Ultrapassado o trintídio, os autos devem retornar a este conselho, ainda que a Recorrente não tenha se manifestado, para julgamento do mérito. Ex positis¸ converto o julgamento em diligência nos termos propostos acima. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902195/2012-60
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 19/10/2007
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 19/10/2007 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 95 /2 01 2- 60 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902195/201260 Acórdão n.º 3801003.091 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902195/201260 Acórdão n.º 3801003.091 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902195/201260 Acórdão n.º 3801003.091 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902195/201260 Acórdão n.º 3801003.091 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902195/201260 Acórdão n.º 3801003.091 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902195/201260 Acórdão n.º 3801003.091 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902195/201260 Acórdão n.º 3801003.091 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11020.901559/2012-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-002.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 59 /2 01 2- 89 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901559/201289 Acórdão n.º 3802002.804 S3TE02 Fl. 97 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901559/201289 Acórdão n.º 3802002.804 S3TE02 Fl. 98 5 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11020.901550/2012-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-002.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 50 /2 01 2- 78 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901550/201278 Acórdão n.º 3802002.795 S3TE02 Fl. 95 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901550/201278 Acórdão n.º 3802002.795 S3TE02 Fl. 96 5 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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