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Numero do processo: 12259.001676/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2000, 2001
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2000, 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 16 76 /2 00 9- 14 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001676/200914 Acórdão n.º 2803002.679 S2TE03 Fl. 92 2 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001676/200914 Acórdão n.º 2803002.679 S2TE03 Fl. 93 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma a quo que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento do disposto art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999, ao deixar de apresentar os livros diários de períodos de 2000 e 2001, reconhecendo também a existência de grupo econômico. A ciência do lançamento deuse em 04.07.2001. O recurso foi tempestivo, conforme declaração da fiscalização (fls.60) por ausência de retorno do Aviso de Recebimento, e alegou que não descumpriu a obrigação, em que os livros estavam disponíveis à fiscalização, e que quanto ao período 01.01.2001 a 30.03.2001, seria um abuso a exigência em 23.04.2001 do seu registro quando apenas havia 90(dias) do início do seu exercício, alegou cerceamento de defesa pois em 09.12.2002 não solicitou o livro devidamente registrado. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Assim, os autos vieram à presente turma especial para apreciação. Este é o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001676/200914 Acórdão n.º 2803002.679 S2TE03 Fl. 94 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso voluntário é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, logo deve ser conhecido. Está correto Auto de Infração, a obrigação de apresentar os documentos requisitados pela fiscalização está estabelecida art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Conforme, a declaração de fls. 40, a fiscalização foi deferida (fls. 26) dilação de prazo de 30(trinta) dias para que os documentos fossem solicitados, na forma solicitado, mas que nada foi apresentado. Não trouxe aos autos quaisquer elementos que indicassem o cumprimento, mesmo que tardio da obrigação. Não houve cerceamento de defesa, pois inclusive, como demonstrado nos autos foi ofertada várias oportunidades para cumprir o solicitado, não havendo prejuízo à defesa da parte, nos termos do art. 5º, IV, da Constituição Federal. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Isso posto, voto por conhecer o recurso, mas, no mérito, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001676/200914 Acórdão n.º 2803002.679 S2TE03 Fl. 95 5 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002188/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2003
AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE E FILHA. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator) e Alexandre Naoki Nishioka. Redator designado o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE E FILHA. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal. Recurso Voluntário Negado
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CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE E FILHA. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator) e Alexandre Naoki Nishioka. Redator designado o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Souza – Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Luiz Bonet Allage Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 58/73) interposto em 07 de agosto de 2009 (fl. 55) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 48/53), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de julho de 2009 (fl. 57), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 16/18, lavrado em 17 de agosto de 2007, em decorrência de deduções indevidas de pensão alimentícia judicial, verificada no ano calendário de 2003. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003 PENSÃO ALIMENTÍCIA AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS ART 24, DA LEI 5.478/68 CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM O CÔNJUGE E FILHOS NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Pagamentos realizados em virtude de acordo homologado judicialmente, nos autos de Ação de Oferta de Alimentos, conforme previsão contida no art. 24, da Lei 5.478/68, quando a pessoa responsável pelo sustento da família não deixe a residência comum, não possuem natureza de obrigação de prestar alimentos e, portanto, não podem ser utilizados para a dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, como pensão alimentícia. Tais pagamentos são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro entre os cônjuges e entre estes e os filhos e não do dever obrigacional de prestar alimentos. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Lançamento Procedente. Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 58/73), pedindo a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA Processo nº 10850.002188/200758 Acórdão n.º 210101.761 S2C1T1 Fl. 2 3 O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. No que se refere ao mérito, verificase que o presente recurso cingese à aferição da dedutibilidade de valores decorrentes de pensão alimentícia judicial, paga pelo Recorrente em favor de Renata Aparecida Aguilar Quines, companheira do recorrente em regime de união estável. Decidiram os doutos julgadores a quo não reconhecerem a dedutibilidade do montante gasto a título de pensão alimentícia, eis que, segundo se posicionaram, referidos pagamentos não podem ser confundidos com a obrigação de prestar alimentos e que o fato de existir a homologação judicial do acordo não altera a natureza de suas despesas, em razão de não ter havido saída efetiva nem tampouco o animus de o contribuinte deixar a residência em comum com sua família. Nada obstante o entendimento manifestado pelo órgão a quo, entendo legítima a dedução pretendida na espécie. Nesse sentido, dispõe o art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99) que: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Na esteira do referido dispositivo legal, o Código Civil de 2002, da mesma forma que já dispunha em linhas gerais o Estatuto de 1916, estabelece, em caráter geral, o dever dos pais de sustentar os filhos, independentemente, vale ressaltar, de sua idade. No tocante ao capítulo específico relativo aos “alimentos”, determina o citado codex o seguinte: “Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA 4 (...) Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou darlhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor.” À luz dos aludidos normativos, observase que, no presente caso, o contribuinte autorizou, consoante se infere dos autos, que sua respectiva fonte pagadora descontasse, de seu salário, o montante de 66% de sua remuneração, a título de pensão alimentícia, que deveria ser repassado diretamente à companheira Renata Aparecida Aguilar Quilles. Com vistas à obtenção de sentença declaratória de seu direito, o ofertante ajuizou, em 16/11/2000, ação consensual de fixação de alimentos. Relativamente à referida ação judicial, foram acostados aos autos parecer favorável do Ministério Público Estadual (fl. 29), bem como decisão judicial acatando, em caráter expresso, a pretensão contida na exordial, determinandose o desconto pela fonte pagadora dos rendimentos do impugnante (fls. 31), desconto esse que teve início em maio de 2001 (fl. 33); e, a partir de então, deixou de ter, o Recorrente, disponibilidade jurídica, na forma do art. 43 do CTN, sobre referida verba alimentar. Por esta razão, pois, havendo decisão judicial dos efeitos da prestação de alimentos por parte do contribuinte, e, bem assim, reconhecendose a inexistência de disponibilidade jurídica por parte do Recorrente, no tocante aos valores descontados diretamente em sua folha de salários em favor da companheira Renata Aparecida Aguilar Quines, entendo que merece reforma o acórdão recorrido, admitindose a dedutibilidade, na forma do art. 78 do RIR/99, aplicandose, à hipótese vertente, a seguinte diretriz jurisprudencial, in verbis: “IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).” Neste sentido, havendo comprovação satisfatória acerca da existência de decisão judicial com efeitos declaratórios, reconhecendo, destarte, a oferta de alimentos desde 2001, há que se admitir referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal. (...) Recurso parcialmente provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Acórdão 2.10101.161). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia objeto da ação consensual de fixação de alimentos. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA Processo nº 10850.002188/200758 Acórdão n.º 210101.761 S2C1T1 Fl. 3 5 Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Voto Vencedor Em que pese os fundamentos declinados pelo i. Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Souza, peço vênia para divergir do seu entendimento. A matéria em litígio versa sobre a possibilidade de dedução do valor designado como pensão alimentícia da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física. Tal valor foi definido por acordo homologado judicialmente, razão pela qual a defesa requer que o mesmo seja aceito, e que o auto seja julgado improcedente. Os alimentos foram oferecidos pelo autuado nos termos do art. 24 da Lei nº 5.478, de 25 de julho de 1968 (fls. 56 a 61). Confirase. Art. 24. A parte responsável pelo sustento da família, e que deixar a residência comum por motivo, que não necessitará declarar, poderá tomar a iniciativa de comunicar ao juízo os rendimentos de que dispõe e de pedir a citação do credor, para comparecer à audiência de conciliação e julgamento destinada à fixação dos alimento a que está obrigado. Por sua vez, a fiscalização glosou a dedução a título de pensão alimentícia judicial, por esta derivar de Ação de Oferta de Alimentos impetrada por deliberação pessoal e por acordo familiar, sem dissolução da sociedade conjugal. O Órgão julgador de primeiro manteve integralmente a glosa, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 PENSÃO ALIMENTÍCIA AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS ART 24, DA LEI 5.478/68 CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM O CÔNJUGE E FILHOS NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Pagamentos realizados em virtude de acordo homologado judicialmente, nos autos de Ação de Oferta de Alimentos, conforme previsão contida no art. 24, da Lei 5.478/68, quando a pessoa responsável pelo sustento da família não deixe a residência comum, não possuem natureza de obrigação de prestar alimentos e, portanto, não podem ser utilizados para a dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa fisica, como pensão alimentícia. Tais pagamentos são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro entre os cônjuges e entre estes e os filhos e não do dever obrigacional de prestar alimentos. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA 6 possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Lançamento Procedente Do exame dos elementos de prova nos autos, firmo convencimento de que a decisão a quo não merece qualquer reparo. O artigo 8o, inciso II, alínea “f”, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõe que são dedutíveis dos rendimentos tributáveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124 A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil. O recorrente alega que, por não precisar declarar a razão pela qual estava saindo de casa, o fato de ele precisar se mudar de cidade para lá desempenhar as suas funções seria motivo suficiente para que o mesmo reservasse parte do seu salário a título de pensão alimentícia. Nos termos do artigo 1.708 do Código Civil, o casamento, a união estável ou o concubinato do excônjuge credor, faz cessar o dever de prestar alimentos para o devedor. Perguntase, então: se sequer houve o rompimento do vínculo conjugal, qual a natureza jurídica das parcelas mensais que o “cônjuge” devedor transfere ao “cônjuge” credor para pagamento de despesas e manutenção da casa? Se o dever de pagar alimentos cessa com o casamento, concubinato ou união estável do cônjuge credor, o que dizer em relação ao pagamento de alimentos para a própria esposa ou companheira. Se não houve o rompimento do vínculo conjugal o único propósito da mesada estipulada no acordo homologado na justiça é a sua dedução como pensão alimentícia para fins do imposto de renda, pois na vida em comum se compartilham a saúde e a doença, a abundância e a escassez. O dever de pagar alimentos surge com o rompimento do vínculo conjugal, o que não aconteceu no presente caso, conforme afirma expressamente a petição judicial juntada aos autos. É certo que o recorrente agora nega a vida em comum com a sua companheira, contudo, não apresentou qualquer elemento de prova neste sentido, relacionado a qualquer período, muito menos ao anocalendário de 2003. Seguindo os ensinamentos de Maria Helena Diniz, "não se deve confundir a obrigação de prestar alimentos com os deveres familiares de sustento, assistência e socorro que tem o marido em relação à mulher e viceversa e os pais para com os filhos menores, devido ao poder familiar, pois seus pressupostos são diferentes". (Curso de Direito Civil Brasileiro, 5º Volume, Direito de Família, Editora Saraiva, 2002, pg. 460). A denominada Ação Consensual de Fixação de Alimentos, petição inicial às fls. 20/22, após esclarecer que os requerentes vivem em regime de união estável e que desta união nasceu a menor impúbere Ana Luisa Aguilar Duran, e que o autuado encontrase lotado na cidade de Barretos/SP (próxima à cidade de Olímpia/SP), requer a fixação do porcentual de 66% (sessenta e seis por cento) dos ganhos líquidos auferidos, a serem depositados na conta corrente nº 020010067345, Banco Banespa S/A., agência de Olímpia (SP) em nome da requerente Renata Aparecida Aguilar Quilles, e ainda estipula que, de comum acordo, após cessados os motivos do afastamento do cônjuge varão do lar do casal, cessam os alimentos, bastando apenas uma comunicação unilateral para sua exoneração. Perguntase: desde quando a fixação de alimentos, em cumprimento das normas do Direito de Família, pode ser alterado unilateralmente, sem a avaliação pelo poder Judiciário do binômio necessidade/possibilidade e Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA Processo nº 10850.002188/200758 Acórdão n.º 210101.761 S2C1T1 Fl. 4 7 da verificação de alteração da situação de fato do alimentante ou alimentando em relação à época em que os alimentos foram fixados? Estaria homologado o acordo neste aspecto, que também afronta integralmente princípios basilares das normas do Direito de Família? A resposta da lei, da doutrina e da jurisprudência é uníssona: não. E também não o será para fins tributários. No julgamento do Agravo de Instrumento nº 740865 / RS, realizado em 17/09/2009, a Min. ELLEN GRACIE manifesta o entendimento a seguir transcrito, repercutindo mansa e pacífica jurisprudência do Pretório Excelsior no mesmo diapasão: Ademais, não ofende o mencionado dispositivo constitucional (art. 227, § 6º), decisão que, com base na situação de desigualdade de cada um dos filhos, acolhe ou não pedido de revisão de alimentos, em face da análise da situação financeira do alimentante e dos alimentados (“binômio necessidade/ possibilidade”). No mesmo sentido decidem os demais Tribunais de Justiça. Confirase: “ALIMENTOS Sentença que os fixa com dosimetria, considerandose o binômio necessidadepossibilidade Apelo sem condições de provocar a alteração do julgado, eis que reprisa matéria alegada em contestação e superada na aludida decisão Recurso não provido.” (TJSP Apelação Cível n. 279.4821 São Paulo 2ª Câmara de Direito Privado – Relator Des. Donaldo Armelin 23.02.96 v.u.) UNIÃO ESTÁVEL. PARTILHA. EXCLUSIVO. ALIMENTOS. BINÔMIO NECESSIDADE/POSSIBILIDADE. I O valor comprovadamente pertencente a um dos conviventes antes do início da união estável deve ser excluído do patrimônio a ser partilhado. II A fixação dos alimentos deve atender ao binômio necessidadepossibilidade. III Apelação parcialmente provida. Unânime. (TJDFT 20060810048926APC, Relator VERA ANDRIGHI, 1ª Turma Cível, julgado em 17/10/2007, DJ 06/11/2007 p. 102) APELAÇÃO CÍVEL. EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS. ACORDO PRETÉRITO REALIZADO ENTRE AS PARTES. PERMANÊNCIA DAS NECESSIDADES DA EXESPOSA. Inviável a exoneração dos alimentos fixados em favor da ex esposa do apelante quando, por acordo realizado nos autos da ação de divórcio consensual, comprometeuse o recorrente a alcançálos por tempo indeterminado. Ademais, não restou comprovada qualquer modificação no binômio necessidade/possibilidade. Ainda que a apelada esteja apta ao trabalho, há de se considerar que nunca trabalhou e dedicouse ao lar durante o período em que durou a união, necessitando ainda do auxílio material do exmarido. Recurso desprovido monocraticamente. (Apelação Cível Nº 70020193215, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: José Ataídes Siqueira Trindade, Julgado em 02/07/2007) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA 8 Como se vê, a fixação de alimentos em cumprimento às normas do Direito de Família não pode ser alterada unilateralmente, como estabelecido no caso em exame, sem a ponderada e criteriosa avaliação pelo poder Judiciário do binômio necessidade/possibilidade, consoante determina o artigo 1.694 do Código Civil. Com efeito, a sentença de homologação não poderá ser modificada sem nova manifestação judicial, ao contrário do que prevê a petição de fls. 20/22. Desta forma, induvidoso que os termos da Ação Consensual de Fixação de Alimentos, homologada judicialmente, têm que ser analisados com parcimônia e razoabilidade, pois o artigo 1.699 do Código Civil dispõe expressamente que qualquer alteração que se pretenda nos alimentos fixados deve ser reclamada ao juiz: Art. 1.699. Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo. A rigor, o que se passa no presente caso é o óbvio ululante: um planejamento tributário sem qualquer disfarce, que não se adequa aos ditames da legislação fiscal, assim como não se adequa à legislação civil a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados. Ademais, com a união estável ou o casamento resta cristalino que inexiste o requisito necessidade para fixação dos alimentos, pois se compartilham os recursos e as dificuldades, as alegrias e as tristezas. Por outro lado, muito estranho a fixação do percentual de 66% sobre a totalidade dos rendimentos líquidos, a título de pensão alimentícia. Nem quando há alimentando com doença crônica. Quem produz a renda, e tem ônus financeiro para isso, compartilha igualmente o salário com os alimentandos, sem qualquer justificativa plausível. Sabese que as questões humanas são complexas e mais ainda quando envolve dinheiro. Pareceme evidente, portanto, que o único propósito do autuado é ficar na faixa de isenção da tabela progressiva do imposto de renda, conforme se constata no Demonstrativo à fl. 16. Ademais, desde quando o trabalho em município diverso da residência do casal, com todas as facilidades de comunicação e transporte dos tempos atuais, transações bancárias instantâneas, conta corrente em conjunto etc, é motivo para pagamento de pensão alimentícia, para que a esposa e filha “não passem por dificuldades”. O mais impressionante no caso em tela é que a cidade de Barretos/SP dista da cidade de Olímpia/SP em menos de 50 km. Ou seja, o único fato apresentado como fundamento ao pedido da fixação consensual de alimentos é bisonho, inadequado. É importante distinguir o dever de prestar alimentos do dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal, e aquele responsável pelo amparo financeiro vai morar em outro local. Vale ressaltar que, quando o artigo 24 da lei 5.478/68 usa a expressão “deixar a residência”, o legislador não se refere ao simples fato de o cônjuge responsável pelo sustento precisar trabalhar em outro local, e sim à verdadeira separação, entre as partes, cominando no rompimento do animus da convivência. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA Processo nº 10850.002188/200758 Acórdão n.º 210101.761 S2C1T1 Fl. 5 9 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Numero do processo: 10880.008899/2002-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO.
Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, gerando duplicidade nos valores declarados, deve ser cancelado o lançamento de ofício para exigência dos valores supostamente não recolhidos.
Numero da decisão: 1102-001.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, gerando duplicidade nos valores declarados, deve ser cancelado o lançamento de ofício para exigência dos valores supostamente não recolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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INSUFICIENCIA DE DECLARAÇÃO / RECOLHIMENTO Recorrente DELOITTE TOUCHE TOHMATSU AUDITORES INDEPENDENTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, gerando duplicidade nos valores declarados, deve ser cancelado o lançamento de ofício para exigência dos valores supostamente não recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Todas as indicações de folhas no presente relatório e voto a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 88 99 /2 00 2- 74 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.008899/200274 Acórdão n.º 1102001.189 S1C1T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto por DELOITTE TOUCHE TOHMATSU AUDITORES INDEPENDENTES contra acórdão proferido pela 7ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI (São Paulo ISP), cuja ementa a seguir se transcreve: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1997 CSLL. ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovado o suposto erro de fato no preenchimento da DCTF, é de manterse o lançamento em face da insuficiência de prova documental. CSLL. DCTF. INSUFICIÊNCIA E/OU FALTA DE PAGAMENTO DE DÉBITO PRINCIPAL. Comprovada a falta de pagamento integral do débito da contribuição confessada em DCTF, é de manterse o lançamento do débito principal, acrescido de multa de ofício e juros de mora vinculados, na forma legislação aplicável.” Contra a empresa foi emitido Auto de Infração eletrônico (fls. 312), para cobrança de CSLL referente ao mês de dezembro de 1997, apurada em procedimento de auditoria interna executada em Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF na qual foi constatada falta ou insuficiência de pagamento do principal. As cobranças referemse ao valor de R$ 465.820,88 informado em DCTF Complementar do 4° trimestre de 1997, com período de apuração 12/97 e vencimento em 30/01/1998. Em sua defesa inicial, aduziu o contribuinte que a referida DCTF Complementar fora corretamente preenchida e que os tributos declarados já haviam sido recolhidos em data e valor correto, anexando as guias DARF de recolhimento como prova. A DRJ, contudo, manteve o lançamento por considerar não ter feito o contribuinte prova de suas alegações, entendendo que os pagamentos feitos se encontravam vinculados a débitos de períodos anteriores, que não apresentavam saldos disponíveis para apropriação ao crédito tributário reportado no auto de infração. No recurso voluntário, aduz o contribuinte tratarse de mero erro de fato no preenchimento da referida DCTF Complementar. Informa que apurou a CSLL a pagar, no ano calendário de 1997, pelo critério da estimativa mensal, tendo recolhido mensalmente exatamente os valores informados e declarados na DIPJ/1998, com relação a todos os meses, inclusive dezembro. Contudo, por equívoco, na DCTF original do 4° trimestre, declarou, com relação ao mês de dezembro, que nada havia a recolher. Foi para sanar esta irregularidade que apresentou a DCTF complementar. Ocorre que, por equívoco, em vez de declarar como devido somente o saldo de R$ 13.623,40, decorrente da sua apuração anual, declarou no referido mês o somatório da Fl. 372DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.008899/200274 Acórdão n.º 1102001.189 S1C1T2 Fl. 4 3 CSLL apurada em todo o ano de 1997, o que gerou, aos olhos da Receita Federal, um débito declarado e não pago, mas que, em verdade, referese a valores declarados em duplicidade. Por não ter constatado tempestivamente o equívoco, deixando de retificar a DCTF Complementar apresentada, sofreu a imposição do auto de infração questionado. Não há, portanto, tributo devido, representando o auto de infração um verdadeiro “bis in idem”. Anexa cópias das DCTF e DIPJ apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O erro de preenchimento na DCTF Complementar afigurase evidente. Mesmo antes de a recorrente alegar (reconhecer) que errara, a simples análise dos DARF apresentados pelo contribuinte, vis a vis os valores exigidos por meio do auto de infração eletrônico e os valores declarados pelo contribuinte na DIPJ, cujos demonstrativos de apuração da CSLL mensal já se encontravam nos autos antes mesmo da apresentação do recurso voluntário, já era possível perceber o evidente erro de preenchimento da DCTF Complementar. Ora, os valores que estão sendo exigidos correspondem exatamente àqueles que foram recolhidos pelo contribuinte por estimativa ao longo do ano em questão. Ocorre que, ao apresentar a DCTF Complementar para corrigir a informação relativa ao mês de dezembro de 1997 (que erroneamente informara como zero), em vez de simplesmente informar na DCTF Complementar o valor do saldo devido de R$ 13.623,40 (e também tempestivamente recolhido), informou como devido o valor total do ano, a ele opondo em quitação do devido os mesmos pagamentos antes recolhidos como estimativas mensais. Conforme dito, o erro é evidente, pois não seria razoável imaginar que o valor devido em dezembro correspondesse precisamente ao somatório da contribuição devida sobre os lucros de todo o ano calendário. E, por fim, a DIPJ apresentada pelo contribuinte cerca de um ano antes da emissão do contestado auto de infração corrobora integralmente as alegações recursais, permitindo concluirse que tudo não passou de um mero erro de preenchimento da DCTF Complementar. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.008899/200274 Acórdão n.º 1102001.189 S1C1T2 Fl. 5 4 O quadro elaborado pela recorrente às fls. 77, neste sentido, é bastante elucidativo, pelo que abaixo o reproduzimos: De se observar que os valores informados na DIPJ foram todos integralmente recolhidos. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento de ofício. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 374DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.008899/200274 Acórdão n.º 1102001.189 S1C1T2 Fl. 6 5 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10932.000652/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO INICIAL. NOTIFICAÇÃO ORIGINÁRIA ANULADA POR VÍCIO FORMAL. APLICABILIDADE ARTIGO 173, INCISO II, CTN. Tratando-se de lançamento substitutivo de notificação fiscal anulada por vício formal, o prazo decadencial para constituição do crédito previdenciário desloca-se para a contagem inscrita no artigo 173, inciso II, do Códex Tributário, o qual estabelece como termo inicial a data da definitividade da decisão que decretar a nulidade da autuação por vício formal.
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO.
Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório.
Recursos de Ofício Provido e Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negava provimento. II) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro Vieira e Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO INICIAL. NOTIFICAÇÃO ORIGINÁRIA ANULADA POR VÍCIO FORMAL. APLICABILIDADE ARTIGO 173, INCISO II, CTN. Tratandose de lançamento substitutivo de notificação fiscal anulada por vício formal, o prazo decadencial para constituição do crédito previdenciário deslocase para a contagem inscrita no artigo 173, inciso II, do Códex Tributário, o qual estabelece como termo inicial a data da definitividade da decisão que decretar a nulidade da autuação por vício formal. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório. Recursos de Ofício Provido e Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 06 52 /2 00 8- 42 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negava provimento. II) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro Vieira e Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000652/200842 Acórdão n.º 2401003.252 S2C4T1 Fl. 242 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por INSTITUTO METODISTA DE ENSINO SUPERIOR e recurso de ofício interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão de fls. que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.184.8741, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e destinadas ao GILRAT, incidentes sobre a remuneração creditada a segurados empregados a seu serviço. Consta do Relatório Fiscal o presente Auto de Infração foi lavrado em substituição da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n°. 35.685.2121, de 24/06/2004 que foi considerada nula conforme Decisão de Notificação n°. 21.434.4/0147/2004. Ademais, também esclarece o fiscal que o presente lançamento se justificou pela obrigatoriedade de recolhimento da contribuição previdenciária referente à parte patronal, tendo em vista a Decisão n° 10/2008A Processo 2008.34.00.0190765 — Ação Civil Pública —, que deferiu o Pedido Liminar formulado pelo Ministério Público Federal, onde determinou a suspensão do CEBAS — Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social concedido pelo CNAS ao Instituto Metodista de Ensino Superior, incluindo o período do qual faz parte este levantamento de débito. O lançamento compreende os períodos de 01/2002 a 13/2003, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 18/12/2008 (fls. 01) Preliminarmente, pugna pela manutenção da decisão recorrida, na parte em que acolheu a decadência parcial da exigência fiscal, sobretudo em razão da edição da Súmula Vinculante nº 08 pelo Supremo Tribunal Federal. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla a imunidade e/ou isenção, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da pretensa isenção da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 14 do CTN e, bem assim, no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente sendo detentora do CEBAS desde 1972, ininterruptamente, em virtude dos pedidos de renovação efetivados, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Argumenta que a adesão da contribuinte ao PROUNI, nos termos da legislação de regência, lhe confere o direito de usufruir da isenção inscrita no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, inclusive abrangendo os dois últimos triênios. Defende que a Medida Provisória nº 446/2008 assegurou a todas as entidades beneficentes a isenção dos tributos em referência, independentemente de decisão exarada pelo Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 CNAS, sobretudo por ter contemplado que os pedidos de renovação do CEBAS foram automaticamente deferidos. Arremata pleiteando sejam aplicadas à hipótese vertente as disposições contidas na Lei nº 11.941/2009, a qual trouxe regras mais benéficas ao contribuinte, devendo retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000652/200842 Acórdão n.º 2401003.252 S2C4T1 Fl. 243 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso voluntário, dele conheço. Também conheço do recurso de ofício, tendo em vista que o contribuinte quando do julgamento de primeira instância fora exonerado de crédito tributário em montante superior a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), conforme Portaria MF n. 03/2008. Passo, pois, inicialmente, a análise do recurso de ofício. Recurso de Ofício. Na oportunidade em que o lançamento foi anulado, verifico que referida decisão restou fundamentada no simples erro do cálculo da multa imposta, por ter sido indevidamente aplicada a redução de 50%, já que equivocadamente entendeu a fiscalização que as contribuições lançadas estavam declaradas em GFIP. Todavia, não o foram. Vejamos os fundamentos adotados pela r. Decisão Notificação ao anular o lançamento originário: 4.3 Assim, as contribuições levantadas nesta NFLD não encontravamse declaradas nas respectivas GFIP, não possuindo a empresa o direito a redução da multa de mora em cinqüenta por cento; 4.4 Diante da impossibilidade de saneamento da referida falta, pelas limitações impostas pelo sistema informatizado desta Secretaria, temos um vicio insanável, nos termos do Parágrafo único, do art. 31, da Portaria MPS no 520, de 19/05/2004: O julgamento, naquela oportunidade, restou assim ementado: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA DE MORA. VÍCIO INSANÁVEL. Constituise em vicio insanável a multa de mora aplicada a menor, devido a impossibilidade técnica de agravamento da'exigência inicial. NULIDADE DO LANÇAMENTO Tal situação, a meu ver, se caracteriza como mero erro formal, que gerou efeitos apenas com relação ao aspecto da exteriorização do fato gerador do lançamento, na medida em que se trata de mero erro na aplicação da multa e que não se enquadra nas situações descritas no art. 142 do CTN, de modo a macular a própria substância do fato gerador. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 6 A correção levada a efeito, como se verifica na presente oportunidade, simplesmente corrigiu o erro no cálculo da multa, de modo que os demais fundamentos adotados pela fiscalização para justificar o lançamento em momento algum deixaram de atender aquilo o que disposto no art. 142 do CTN e repetiram até o que constava no lançamento originário. Dessa forma, não vejo outra conclusão possível de ser adotada, senão pela aplicação ao presente caso do art. 173, II, do CTN, afastado no entendimento do v. acórdão de primeira instância. Logo, tendo em vista se tratar de um erro de caráter meramente formal, o disposto no supramencionado artigo do CTN, tem o condão de deslocar o termo inicial da contagem do prazo decadencial como sendo, a partir de então, a data do trânsito em julgado da decisão que anulou o lançamento. Uma vez que o trânsito se deu em 13/12/2004, data de sua homologação (fls. 86) e considerando que a ciência do presente lançamento se deu em 18/04/2008, tenho que não subsistem períodos decadentes a serem reconhecidos na presente assentada. Em face de tais considerações, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício e, passo, então, ao julgamento do recurso voluntário. Recurso Voluntário. No que se refere ao julgamento do recurso voluntário, ao analisar detidamente todos os argumentos constantes da peça, verifico que todos são idênticos, aos lançados no recurso voluntário julgado nos autos do processo administrativo n. 10932.000653/200897, acórdão n. 2401002.645, na assentada de setembro/2012. Em referido julgamento foram lançadas as contribuições destinadas a terceiros e que decorreram do reconhecimento da nulidade também da NFLD n. 35.685.2121, incidentes sobre os mesmos fatos geradores objeto do presente processo administrativo. Aqui, no entanto, foram lançadas as contribuições parte da empresa e aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa do ambiente de trabalho – GILRAT. Tendo em vista que naquela oportunidade o Em. Relator. Dr. Rycardo Henrique M. de Oliveira, trouxe substancioso voto, o qual, no tocante a análise do recurso voluntário fora acompanhado por esta Turma, à unanimidade, peço vênias ao mesmo, para adotar como razões de decidir na presente oportunidade aquelas por ele bem lançadas na ocasião: Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte da exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade/isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 14 do Código Tributário Nacional e 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, a começar pelo CEBAS, detentora desde 1972, ininterruptamente, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal. A corroborar esse entendimento, argumenta que a adesão da contribuinte ao PROUNI, nos termos da legislação de regência, Fl. 282DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000652/200842 Acórdão n.º 2401003.252 S2C4T1 Fl. 244 7 lhe confere o direito de usufruir da isenção inscrita no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, inclusive abrangendo os dois últimos triênios. Acrescenta que a Medida Provisória nº 446/2008 assegurou a todas as entidades beneficentes a isenção dos tributos em referência, independentemente de decisão exarada pelo CNAS, sobretudo por ter contemplado que os pedidos de renovação do CEBAS foram automaticamente deferidos. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Como se verifica, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...]§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 8 II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão recorrida, a contribuinte em momento algum logrou comprovar ser efetivamente entidade isenta, cumpridora de todos os requisitos para tanto, inobstante as inúmeras alegações nesse sentido. Ao contrário, como se extrai do bojo da decisão de primeira instância, a contribuinte não obteve êxito em sua empreitada no sentido de demonstrar que requereu o reconhecimento da isenção em epígrafe, na forma que exige a legislação previdenciária, especialmente o artigo 208 do Decreto n° 3.048/99, então vigente, não havendo que se falar na pretensa isenção argüida pela notificada. Observese, ainda, que os pressupostos do benefício fiscal sob análise estabelecidos na norma legal supratranscrita, devem ser observados cumulativamente, razão pela qual o fato de a contribuinte deter o CEBAS, na forma que sustenta, seja por conta dos eventuais pedidos e/ou renovações ou mesmo em face da adesão ao PROUNI, não tem o condão de rechaçar a pretensão fiscal, uma vez não comprovado o cumprimento dos demais requisitos. Aliás, com a finalidade de afastar qualquer dúvida quanto à matéria, impende registrar que a autoridade previdenciária competente emitiu em 06 de Setembro de 1999, o Ato Cancelatório nº 001/1999, de fl. 133, cancelando a partir de 01/01/1994, a isenção da contribuinte, diante da inobservância dos incisos III, IV e V, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, o que veio a ser corroborado pela 4a Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social –CRPS, consoante se infere do Acórdão nº 04/00299/2003, às fls. 136/138. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000652/200842 Acórdão n.º 2401003.252 S2C4T1 Fl. 245 9 Dessa forma, não há se falar em irregularidade e/ou ilegalidade no procedimento adotado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância aos dispositivos legais que regulamentam a matéria. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Entendo, pois, que tais razões de decidir englobam por completo todas aquelas constantes no presente recurso voluntário, de modo que, não vejo outra conclusão a ser aplicada ao presente caso, senão a mesma já dada à contribuinte por esta Eg. Turma. Ante todo to exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 10283.001580/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2007
MERCADORIA IMPORTADA COM OS INCENTIVOS FISCAIS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE BENEFÍCIO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL.
A isenção ou redução dos tributos, quando vinculada à destinação dos bens, ficar condicionada ao cumprimento das exigências legais. Constatado em diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento a correta destinação dos bens, deve-se cancelar o lançamento de acordo com as informações apuradas na diligência fiscal.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3201-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2007 MERCADORIA IMPORTADA COM OS INCENTIVOS FISCAIS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE BENEFÍCIO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A isenção ou redução dos tributos, quando vinculada à destinação dos bens, ficar condicionada ao cumprimento das exigências legais. Constatado em diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento a correta destinação dos bens, devese cancelar o lançamento de acordo com as informações apuradas na diligência fiscal. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 15 80 /2 00 9- 23 Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/09/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso de Ofício interposto pela 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE. Por bem descrever os fatos adoto o relatório da primeira instância que passo a descrever. “Trata o presente processo de lançamento constituído para cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 6.292.250,09, referente ao Imposto de Importação e tributos vinculados: Imposto sobre Produtos Industrializados, Pis//Pasep e Cofins, as multas previstas no art. 83, inc. I, da Lei nº 4.502, de 30/11/64 e no art. 106, inc. I, alínea ‘a”, do Decretolei (DL) nº 37, de 18/11/66, multas de ofício e juros de mora (fls. 1705/1742 – vol.1 [deslocado1]). A fiscalização informa que, em procedimento de auditoria nos estoques de mercadorias importadas pela empresa no ano de 2005 com os benefícios deferidos pelo Decretolei nº 288, de 28/02/67, foi constatada, em alguns casos, diferença a menor no estoque final escriturado, denotando desvio de finalidade das mercadorias para as quais foram concedidos os incentivos fiscais. Nesse caso, verificouse a saída de matériaprima estrangeira sem a correspondente documentação comprobatória da sua aplicação na finalidade para a qual foi importada, implicando na perda do direito à isenção e consequente cobrança dos tributos suspensos, acrescidos das respectivas multas e juros moratórios. Por outro lado, em outras mercadorias, no cotejo do estoque final apurado com o estoque final escriturado (inventário), foi verificada diferença positiva neste último, o que caracteriza o ingresso de mercadorias estrangeiras sem a comprovação de sua regular importação, passível da imposição da multa capitulada no art. 83, inc. I, da Lei nº 4.502/64. O interessado foi cientificado pessoalmente dos autos de infração em 26/03/09 e apresentou, em 27/04/09 (segundafeira), a impugnação de fls. 1851/1875 (vol. 1), onde alegou existirem diversas inconsistências no lançamento, afirmando inicialmente que: não foram consideradas perdas ou quebras no processo de fabricação, no transporte ou no manuseio, o que é um absurdo e fere a realidade de qualquer indústria. Todas as diferenças do total de entradas que impliquem percentagens inferiores à taxa de perdas e quebras observada em dezembro/2006, que é de 3,674%, devem ser desprezadas; embora tenha informado as quantidades de insumos ingressados em seu estabelecimento de maneira acertada, ou seja, de acordo com os dados de suas notas fiscais de entrada, que assinalam as datas da efetiva ocorrência e escrituração, a fiscalização abandonou esses dados, não os juntou aos autos, e adotou as datas de registro das Declarações de Importação (DI) no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) no ano de 2005, que geralmente Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/09/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10283.001580/200923 Acórdão n.º 3201001.659 S3C2T1 Fl. 1.958 3 não coincidem com as datas reais de entrada das mercadorias no estabelecimento do contribuinte; a autoridade deixou de considerar em seus levantamentos insumos descritos em DI registradas em um mês, mas ingressados em meses seguintes e, principalmente, aqueles descritos em DI registradas em 2005, mas que verdadeiramente ingressaram no estabelecimento a partir de 01/01/06, porque as importações estavam em trânsito, aguardando liberação pelas repartições federais e estaduais, não tendo ainda sido escrituradas nos estoques. Assim, devese considerar imprestável a planilha de componentes ingressados no estabelecimento da impugnante elaborada pela fiscalização, pois não corresponde a realidade. Em seguida, a empresa apresenta o que alega serem erros do feito fiscal relacionados a diversos produtos, afirmando que: houve erro na quantidade das entradas registradas para os produtos de códigos 187683317, 187933671, 188030903, 188085453, 188254251, 188336079, 188459260,188460185, 188521532, 188600916, 188600945, 188690329, 251263976, 251809264, 251823537, 287031879; não está correta a quantidade que foi considerada como consumida na produção, relacionada ao componente de código 188153194; não foi considerado o estorno das saídas do componente de código 188153595. Além das ocorrências acima expostas, a impugnante assume que não alertou a fiscalização sobre o fato de que um mesmo produto e/ou seus componentes podem receber na empresa códigos internos distintos, o que influenciou nos valores lançados relacionados aos códigos 188153194, 188415515, 188459260, 251791962 e 287052422. A empresa ainda afirma que devem ser desprezadas “as diferenças relativas aos componentes dos Códigos 188152142, 188276182, 188277311, 188384976, 188629247, 188741816, 188752009, 251400040, 251508531 e 251874563, que, se não foram incorporadas aos produtos finais saídos ou em estoque a que eles se destinam, nem foram fruto de quebras e perdas, é porque foram agregados a outros componentes para formar produtos intermediários em estoque”. E, concluindo a defesa, solicitou que, caso ainda se entendesse não estarem reunidos todos os elementos necessários à formação do convencimento quanto à matéria, fosse determinada a realização de perícia, com base na sua escrituração contábil e fiscal, nas estruturas de composição dos produtos, nas DI e nos demais documentos de suporte das operações. Nesse mister, com fulcro no art. 16, inc. IV, do Decreto nº 70.235/72, formulou quesitos referentes aos exames desejados e indicou o nome e o endereço do seu perito. A impugnação foi instruída com os documentos de fls. 1876/1910 (vol. 1) e 206/241 (vol. 2). Em 01/10/09 foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls. 243/254 (vol. 2) intitulado pelo interessado como aditamento à impugnação. Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/09/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 O interessado ratificou no referido documento “como se reproduzidos estivessem” todos os argumentos aduzidos quando da apresentação da impugnação e, embora entendendo que naquela ocasião tenha exaurido a matéria de sua defesa, demonstrando tratarse de crédito integralmente improcedente, julgou cabível acrescentar que o autuante computou em duplicidade as quantidades de entrada dos componentes de códigos 187683317, 187933671, 188030903, 188085453, 188254251, 188336079, 188459260, 188460185, 188521532, 188600916, 188600945, 251809264, 251823537, 287031879, pois somou as registradas na Declaração de Admissão em Entreposto Aduaneiro com as da Declaração de Consumo. Por fim, a empresa concluiu o aditamento à impugnação reforçando o pedido de que fosse exonerada integralmente das exigências fiscais contestadas ou que fosse determinada a realização de perícia tal como requerido na peça de impugnação e apresentou os documentos que foram acostados nas fls. 255/432 (vol. 2) e 437/565 (vol. 3) dos autos. Após a análise da impugnação, verificandose a consistência de parte das alegações trazidas pela empresa, lastreadas em provas documentais, constatouse a ocorrência de falhas no lançamento. Assim, por meio da Resolução nº 2001, de 29/10/10, desta 2ª Turma (fls. 568/574 vol. 3) o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: [...] à luz dos princípios que devem nortear as atividades da Administração Pública, destacandose, em particular, o da verdade material, e, ainda, considerando que os documentos anexados não são suficientes para a verificação da procedência de todos os argumentos de defesa apresentados, e, além disso, tendo em vista que fazse mister averiguar a ocorrência ou não de renúncia às instâncias administrativas em virtude de que, por meio do Memorando nº 267/2010 – PFN/CE (fl. 558 – vol. 03), a Procuradoria da Fazenda Nacional no Ceará solicita o encaminhamento destes autos “para fins de instruir Defesa Judicial”, voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência, com o retorno do processo à unidade de origem, onde deverão ser tomadas as seguintes providências, que abarcam as solicitações apresentadas pela impugnante na sua petição (fl. 164): a) revisão do lançamento, à vista de todos os fatos alegados na defesa, conforme documentos de fls. 141/165 (vol. 1) e de fls. 239/250 (vol. 2), resumidos nesta resolução, prestando especiais esclarecimentos acerca: a.1) das datas de entrada consideradas para a confecção da Planilha 4, de fls. 77/81, em cotejo com as informações apresentadas pela impugnante nas fls. 168/199 (vol. 1) e fls. 202/233 (vol. 2); a.2) da alegação de que não foram levados em conta nos cálculos os índices de perdas das matériasprimas; a.3) do argumento de que houve cômputo a maior das entradas dos produtos citados nas fls. 244/249 (vol. 2) em virtude de terem sido computadas as quantidades das Declarações de Admissão no Entreposto Aduaneiro com as registradas na Declaração de Consumo vinculada; b) intimação do interessado para esclarecer se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo, se for Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/09/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10283.001580/200923 Acórdão n.º 3201001.659 S3C2T1 Fl. 1.959 5 o caso, ser juntada cópia da petição inicial, nos termos do art. 16, inc. V, do Decreto nº 70.235/72, bem como de eventuais decisões acaso proferidas. Acrescentese que, sem prejuízo da realização da diligência e caso a fiscalização julgue necessário, pode ser designado perito da União para aferição dos índices de perdas e quebras constantes do documento de fl. 235 (vol. 2) e/ou para verificação de outras questões técnicas relacionadas às estruturas dos produtos apresentadas nas planilhas de fls. 57/76, ou, ainda, para outro objetivo relevante a juízo das autoridades administrativas. Lembrando que, nesse caso, o perito indicado pelo sujeito passivo deverá também ser intimado a realizar os mesmos exames requeridos, nos termos do § 1º, art. 18, do Decreto nº 70235/72. Ressaltando também a imprescindibilidade da observância do § 3º, do mesmo artigo: [...] Após a diligência foram trazidos aos autos os documentos de fls. 580/645 (vol. 3), 650/852 (vol. 4), 856/1058 (vol. 5), 1062/1266 (vol. 6), 1270/1472 (vol. 7) e 1446/1690 (vol. 8), destacandose dentre eles a Informação Fiscal – EQFIS/ALF/MNS 038/2011 – fls. 1649/1664 (vol. 8) que narra as providências tomadas com vistas ao atendimento da determinação desta segunda turma. Na revisão, após várias intimações à empresa para apresentação de esclarecimentos e documentos, a fiscalização concluiu pela procedência de parte das alegações trazidas pela impugnante, cabendo aqui destacar, apenas as seguintes afirmações do autuante: ao contrário do que insinua a empresa em sua impugnação, a fiscalização não atuou de forma desleixada e arbitrária, pois, utilizando os dados extraídos do Siscomex, teve o cuidado de considerar como entradas efetivas somente as DI que tiveram seus desembaraços ocorridos no ano de 2005, e, ao se deparar com a magnitude das diferenças submeteu seus levantamentos ao crivo da empresa, a fim de evitar uma autuação indevida; seja por negligência ou por motivos administrativos, o fato é que a empresa não realizou nenhum tipo de conferência nos levantamentos, sendo que a fiscalização ficou aguardando por quase cinco meses pela resposta, e esta quando foi apresentada nada esclareceu; a conferência que foi solicitada não exige nenhum conhecimento técnico, visto que depois de lavrado o auto, a empresa rapidamente apresentou sua impugnação abastecida com farta documentação; no item 3.1 da peça impugnatória a empresa afirmou que “o autuante considerou em seu levantamento de entrada, mercadorias constantes de DI’s que embora tenham sido registradas em 2005, só ingressaram efetivamente no exercício de 2006, com isso tornando imprestável este levantamento”, mas, na revisão, apesar de reiteradamente intimada a se pronunciar sobre a alegação acima (intimações 026, 040 e 051/2011), mantevese silente. Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/09/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Assim, uma vez que “não apresentou nenhuma comprovação documental, com referência a este item da impugnação não houve nenhum reparo no levantamento de entradas”; no item 6 da impugnação a empresa alega que “a fiscalização cerrou os olhos para uma devolução de 1103 unidades do produto final identificado pelo Código 252210317, e este fato causou erro na apuração do estoque”. No entanto, quando foi demandada a apresentar cópia das notas fiscais de devolução, por meio do Termo de Intimação 051/2011, a empresa não apresentou nenhuma justificativa ou documentação, assim essa alegação não foi considerada; quanto às alegadas quebras e perdas ocorridas no processo produtivo, em virtude de ser impossível a realização de perícia na linha de produção da empresa, uma vez que esta já encerrou suas atividades, a fiscalização, por meio do Termo de Intimação 091/2011, demandou a empresa a apresentar relatórios de perdas e seus respectivos lançamentos contábeis de ajuste de estoques e custos. Em resposta, a empresa apresentou apenas uma relação de componentes que foram objeto de baixa de estoque por perdas, documento que não foi considerado pela fiscalização como comprovante, uma vez que não estava acompanhado dos respectivos registros contábeis e fiscais pertinentes à sua apropriação. Também causou estranheza o fato de haver na relação, para alguns componentes, quantidades de perdas com natureza positiva e outros com quantidades de natureza negativa. O interessado foi cientificado pessoalmente, em 14/10/11, do resultado da diligência e apresentou, em 17/11/11, o documento de fls 1687/1688 – vol. 8, por meio do qual, dirigindose à “Colenda 2ªª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza”, afirma que: [...].está de acordo com os ajuste e conclusões do I. Fiscal diligenciante, que, após exaustiva perícia realizada nos autos, com análise da impugnação e demais documentos apresentados, em procedimento de revisão do lançamento impugnado, em decorrência da Resolução nº 2.001 – 2ª Turma da DRJ/FOR, concluiu que a impugnante é devedora dos seguintes créditos e penalidades: [...] Por oportuno, a IMPUGNANTE esclarece que procederá ao pagamento dos créditos tributários (principal, multa e juros) remanescentes. Em 09/12/11, a empresa novamente compareceu aos autos para requerer que esta 2ª Turma se digne em “aceitar a revisão do lançamento efetuada na diligência, acatando os novos valores apresentados e, julgandoos extintos, em decorrência dos pagamentos aqui comprovados, nos termos do artigo 156, I do Código Tributário Nacional”. Nas fls. 1694/1698 encontramse anexados DARF com valores recolhidos em 29/11/11." Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/09/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10283.001580/200923 Acórdão n.º 3201001.659 S3C2T1 Fl. 1.960 7 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento parcial a impugnação exonerando parcialmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005 EXIGÊNCIA APURADA EM DILIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR NÃO FORMALIZADO. INOCORRÊNCIA DE LANÇAMENTO. Lançamento é ato administrativo vinculado à forma e conteúdo. A consignação de valores em informação fiscal, apurados em diligência, não é meio hábil para constituir o crédito tributário pelo lançamento. PAGAMENTO PARCIAL DE VALOR LANÇADO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. A constatação no processo de recolhimento parcial e espontâneo de valores apurados em diligência, não opera a extinção do crédito tributário em litígio, tampouco afasta a análise de mérito pelo órgão colegiado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MERCADORIA IMPORTADA COM OS INCENTIVOS FISCAIS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. DESVIO DE FINALIDADE. OCORRÊNCIA. EXIGIBILIDADE DOS TRIBUTOS E MULTA. A isenção ou redução dos tributos, quando vinculada à destinação dos bens, ficar condicionada ao cumprimento das exigências legais. Constatado nos autos o desvio de finalidade, tornamse exigíveis os tributos e a multa específica de 100% (cem por cento), proporcional ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IMPORTAÇÃO IRREGULAR. CARACTERIZAÇÃO. MULTA IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Apuradas diferenças positivas no estoque, sem comprovação regular de sua importação, tornase cabível a imposição de multa igual ao valor comercial da mercadoria. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” A decisão da DRJ, que exonerou parcialmente o lançamento foi assim resumida no voto vencedor da autoridade de piso.. “Concluise portanto que o valor R$ 15.154,06 remanescente quando da realização da diligência referente à multa por importação irregular, capitulada no art. 83, inc. I,da Lei nº 4.502/64, cuja base de cálculo é o valor comercial da mercadoria, decorrente da constatação de diferença positiva de mercadorias não integra o lançamento objeto deste processo, conseqüentemente não compõe a lide que ora se discute. Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/09/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Ate o exposto, voto por JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, para : a) CONSIDERAR não lançado o valor R$ 15.154,06 remanescente quando da realização da diligência referente à multa por importação irregular, capitulada no art. 83,inc. I, da Lei nº 4.502/64, cuja base de cálculo é o valor comercial da mercadoria, decorrente da constatação de diferença positiva de mercadorias; b) EXONERAR: a.1) R$ 2.685.128,61 do valor original dos tributos, respectivos juros de mora e as multas de 75%, relativas aos lançamentos de IPI,Pis/PasepImportação e CofinsImportação; a.2) R$ 762.420,37 relativo à multa de 100% proporcional ao Imposto de Importação, prevista no art. 106, inc. I, do DL 37/66; MANTER: b.1) R$ 177.229,60 do valor original dos tributos, respectivos juros demora e as multas de 75%, relativas aos lançamentos de IPI,Pis/PasepImportaçãoe CofinsImportação; b.2) R$ 36.352,13 relativo à multa de 100% proporcional ao Imposto deImportação, prevista no art. 106, inc. I, do DL 37/66; b.3) R$ 886,27 equivalente à multa igual ao valor comercial, de que trata oart. 83, inc. I, da Lei nº 4.502/64.” Sendo o valor exonerado superior ao valor de alçada, previsto na Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, foi proposto o competente recurso de ofício. A Recorrente foi cientificada do julgamento da primeira instância e decorrido o prazo regulamentar não apresentou recurso voluntário, sendo portanto inconteste o valor mantido no julgamento. Restando para apreciação desta turma o recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado a lide gira em torno de benefício fiscal utilizado pela Recorrente sob o amparo do DecretoLei nº 288/67 que disciplina o funcionamento da Zona Franca de Manaus. A fiscalização apurou, em sede de fiscalização, divergências documentais o que levou a conclusão do descumprimento parcial do regime beneficiário, ensejando o lançamento. Na apreciação da impugnação a autoridade de piso decidiu pela realização de diligências para averiguar a procedência das alegações e documentos apresentados pela Recorrente na impugnação. Ao final da diligência, a Fiscalização da Receita Federal concluiu Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/09/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10283.001580/200923 Acórdão n.º 3201001.659 S3C2T1 Fl. 1.961 9 por acatar em sua maioria as alegações constantes da impugnação. Diante das conclusões da diligência, a DRJ exonerou parcialmente o lançamento. A exoneração parcial do lançamento foi decidida a partir de procedimento de diligência realizada pela Receita Federal, confirmando os argumentos apresentados pela Recorrente, não existindo nenhum reparo a ser feito na decisão da primeira instância. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Winderley Morais Pereira Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/09/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722289/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006,2007
PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
O restabelecimento de prejuízo de período anterior, em razão de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa, permite a compensação e o aproveitamento do montante pelo contribuinte do IRPJ.
BASES NEGATIVAS DE CSLL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se às bases negativas de CSLL, decorrente de tributação reflexa, a possibilidade de compensação na hipótese de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1201-000.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Roberto Carrapoz de Almeida
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Numero do processo: 10530.901531/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO.
Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinando-se à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO. Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinando-se à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO. Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinandose à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 15 31 /2 00 9- 23 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 364 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 365 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 306/314 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (efls. 296/301) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 09/11/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 18544.37259.091105.1. 3.040971 (fls.36/39), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA outubro/2005, data de vencimento 30/11/2005, assim especificado: principal: R$ 663,00; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 663,00. b) crédito utilizado: aproveitamento de direito creditório de R$ 656,17 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA 31/12/2004, DARF valor de R$ 26.126,33 (valor original), data do recolhimento 31/01/2005. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 11), consta, quanto ao PA 31/12/2004, débito informado do IRPJ estimativa mensal o valor de R$ 26.126,33, com base na receita bruta e acréscimos (efl. 187). Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado do IRPJ = R$ 26.126,33 (efl. 71). Por isso, o despacho decisório da DRF/Feira de Santana, de 25/03/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (efl. 34), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 656,17. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados Fl. 365DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 366 4 para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 30/04/2009 (efl. 288), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de efls. 04/19 em 13/05/2009, conforme protocolo (efls. 268/270) e despacho de efl. 289. Em suas razões, a Contribuinte, em síntese, frisou: que apurou prejuízo fiscal no anocalendário 2004 (Lucro Real negativo e Base de Cálculo Negativa da CSLL); da “impossibilidade de se evitar a compensação integral dos prejuízos, sob pena de criar tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda e o lucro”; insurgese, por conseguinte, contra a trava de 30% (Lei nº 8.981/95, arts. 42 e 58; e Lei 9.065/96, art. 15); Obs: aqui, convém esclarecer, que a Contribuinte, data venia, fez confusão entre compensação de prejuízos e compensação de débitos com créditos; Em anexo à Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte juntou: I cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004 (efls. 179/251), onde consta informado que: a) apurou prejuízo contábil no anocalendário 2004 (R$ 675.524,73) – Ficha Ficha 6A – Demonstração do Resultado (efls. 183/184); b) apurou Lucro Real negativo ( R$ 675.524,73) – Ficha 09A Demonstração do Lucro Real (efl. 184) e Base de Cálculo Negativa da CSLL (R$ 675.524,73) – Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (efl. 194); c) apurou IRPJ e CSLL, estimativas mensais, com base na receita bruta e acréscimos, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa (efls. 185/188) e Ficha Ficha 16 – Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa (efls. 190/193); d) preencheu parcialmente a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – efl. 189 (informou apenas Lucro Real negativo) e a Ficha 17 – Cálculo da CSLL – efl. 194 (informou base de cálculo negativa da CSLL). Ou seja, deixou de apurar, informar eventual saldo negativo dessas exações fiscais; II juntou comprovante de pagamento do IRPJ estimativa mensal do PA 31/12/2004, no valor de R$ 26.126,33 – cópia do DARF de 31/01/2005, valor R$ 26.126,33; Fl. 366DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 367 5 III – juntou cópia de Balanço Patrimonial dos anoscalendário 2004 e 2005; Demonstração dos Custos dos Serviços; Demonstração do Custo das Mercadorias e Demonstração do Resultado dos anoscalendário 2004 e 2005 (efls. 252/269). Posteriormente, por meio do requerimento (efl. 276) datado de 14/07/2009 e com o intuito de comprovar a existência do crédito utilizado na compensação em análise, a Contribuinte fez a juntada das DCTF retificadoras relativas aos quatro trimestres do ano calendário de 2004, retirando, "zerando" todos os débitos informados, confessados nas DCTF primitivas, quanto às estimativas mensais do IRPJ e da CSLL desse anocalendário (efls. 277/286). Por sua vez, a DRJ/Salvador, apreciando a lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (efls. 296/301), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Nesse sentido, consta da fundamentação do voto condutor do citado acórdão (efls. 300/301): (...) Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n2 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, à luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder à compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório n° de rastreamento 824957946, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, que não reconheceu o direito creditório, no valor original de R$656,17 (seiscentos e Fl. 367DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 368 6 cinqüenta e seis reais e dezessete centavos), referente a irecolhimento de estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração de dezembro/2004, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP de n° 18544.37259.091105.1.3.04 0971 (fls. 34 a 37). (...) Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 (efls. 309/317) , conforme Despacho de Encaminhamento (efl. 324). Nas razões do Recurso Voluntário consta, in verbis: (...) O credito foi originário do DARF 5993 IRPJ de dezembo de 2004 para pagamento de debito (IRPJ e CSLL) referente a MAIO de 2005. A compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, por entender inexistir o crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála. Apresentada manifestação de inconformidade fora a mesma julgada improcedente não sendo reconhecido o crédito e consequentemente negando a compensação efetuada no sentido de que: ...os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurar pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. Examinando a Ficha 09A Demonstração do Lucro Real da DIPJ/2005 (fl.186), vêse que a pessoa jurídica apurou prejuízo fiscal, referente ao ano calendário de 2004, no montante de R$ 675.524,73. Entretanto, todos os campos de preenchimento de valores da Ficha 12 A Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real encontramse zerados. ... o contribuinte não apresentou prova documental de que o valor do recolhimento da estimativa de IRPJ, relativa ao mês de dezembro de 2004, não foi apurado em consonância com as determinações legais... Dessa forma, o recolhimento da estimativa de IRPJ do mês de de dezembro 2004, efetuado pela Contribuinte, no valor constante do DARF utilizado para a compensação em analise, não constitui pagamento indevido ou a maior, (...) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 369 7 Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n. 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, a luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da D1PJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder a compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Contudo tal decisão não merece prosperar pelos motivos que passaremos a expor. (...) I IMPOSSIBILIDADE DE SE EVITAR A COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS POR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. = DESARRAZOABILIDADE E DESPROPORCIONALIDADE. Entendeu o Nobre Julgador por desconsiderar o crédito objeto da compensação pleiteada tendo em vista o erro no preenchimento da DIPJ/2005 e DCTF. (...),tal erro se deu devido ao fato de estar zerado na DIPJ/2005 a FICHA 12 A e, a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A. Contudo, tal retificação não pode ser feita neste momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto a apresentação. Diante disto não pode ser prejudicada a ora recorrente pelo mero erro formal apontado. O crédito existe! Tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial (em anexo), o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$ 675.524,73. (...) Por fim, Recorrente pediu provimento ao recurso, para reconhecimento do crédito pleiteado e extinção dos débitos mediante homologação da compensação. Em face das alegações da Recorrente e tendo em vista o entendimento da Súmula CARF nº 84, na Sessão de 11/06/2013 está Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência Resolução nº 1802000.230 (efls. 326/333), baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, para realização de instrução processual complementar, conforme fundamentação do voto condutor (efls. 331/333): (...) Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 370 8 Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado ano calendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual contribuição já superada pelos recolhimentos efetuados ou apuração de prejuízo, esse fato não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário ou apuração de CSLL cujas estimativas pagas já superaram a exação fiscal apurada no ajuste anual, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele extrapola, ou seja, não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), já no próprio ano calendário, sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 371 9 1) Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA dezembro/2004: a) embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do anocalendário 2004(Ficha 09) e que a Ficha 12A da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou, seja, de forma incompleta, sem indicação do IRPJ pago por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, não consta dos autos a escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil se o IRPJ estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência; b) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de preenchimento da citada Ficha 12A, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípío da verdade mterial; c) entretanto, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DRF/Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou se simplesmente os recolhimentos antecipados foram maiores do que o imposto apurado no ajuste anual; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 372 10 Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (...) Realizada a instrução complementar do processo, conforme Relatório de Diligência Fiscal (efls. 357/359), retornaram os autos para julgamento da lide. Antes disso, foi dada ciência do resultado da diligência à Recorrente para se manisfetar, em querendo, porém deixou transcorrer o lapso temporal in albis. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 373 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida, para reconhecimento do direito creditório pleiteado e extinção dos débitos mediante homologação da compensação objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a análise do mérito. A Recorrente demanda o reconhecimento do crédito de R$ 656,17 (valor original), referente pagamento do IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA 31/12/2004, valor de R$ 26.126,33 (valor original), data do recolhimento 31/01/2005, sob alegação de que: a) esse pagamento fora efetuado a maior ou indevidamente, pois no ano calendário 2004 apurou prejuízo contábil, inclusive Lucro Real negativo e Base de Cálculo Negativa da CSLL; b) que cometeu errou ou equívoco formal ao deixar de preencher parte da Ficha 12 – Cálculo do Imposto (na 1ª parte, apurou Lucro Real negativo de R$ 675.524,73, porém deixou de preencher a 2ª parte, ou seja, os campos atinentes à apuração do imposto, pagamento antecipado de estimativa, e saldo a pagar ou a restituir= saldo negativo); c) que o crédito existe e esse erro ou equívoco não pode, por si só, impedir a restituição do valor pleiteado. O despacho decisório, como já narrado no relatório, negou o direito creditório pleiteado, pois o valor recolhido fora totalmente alocado, consumido, pelo débito estimativa mensal do IRPJ do referido PA confessado na DCTF. Por sua vez, a decisão recorrida, ao denegar o crédito, acrescentou mais um fundamento, conforme voto condutor do acórdão (efls. 300/301): (...) Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 374 12 Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n2 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, à luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder à compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório n° de rastreamento 824957946, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, que não reconheceu o direito creditório, no valor original de R$656,17 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e dezessete centavos), referente a irecolhimento de estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração de dezembro/2004, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP de n° 18544.37259.091105.1.3.04 0971 (fls. 34 a 37) (...) Como visto, a lide envolve matéria de fato. Para resolução da contenda, tornase necessário verificar nos autos se há elementos de convicção, ou seja: a) se há provas da existência do prejuízo fiscal, Lucro Real negativo do ano calendário 2004 à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte, que possam justificar o crédito pleiteado e relevar o citado erro formal de preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) se há elementos de provas de que houve pagamento indevido de estimativa mensal do IRPJ (pagamento totalmente desvinculado da receita bruta mensal e acréscimos) ou se trata de mero recolhimento estimativa mensal do IRPJ nos termos da legislação de regência, mas que deve ser restituído como saldo negativo, em face da apuração de prejuízo fiscal, ou Lucro Real negativo, no encerramento do anocalendário; O fato da Recorrente ter deixado de preencher os campos da Ficha 12A atinentes à apuração do saldo negativo, por si só, não configura óbice à resitituição do crédito, conforme Súmula CARF 84. Nesse contexto, na sessão de julgamento de 11/06/2013 está Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência Resolução nº 1802 000.230 (efls. 326/333), baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, para realização de instrução processual complementar, conforme fundamentação do voto condutor (efls. 331/333), já transcrita no relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 375 13 Realizada a instrução complementar do processo pela fiscalização da RFB (DRFFeira de Santana), conforme Relatório de Diligência Fiscal (efls. 357/359), temse que a irresignação da Recorrente merece prosperar, pois restou comprovado o prejuízo fiscal e Lucro Real negativo, anocalendário 2004, e que o crédito pleiteado deve ser restituído como saldo negativo, pois o recolhimento da estimativa deuse com base na receita bruta e acréscimos, nos termos da legislação de regência. A propósito, transcrevo os fundamentos e a conclusão do Relatório de Diligência (efls. 357/359), in verbis: (...) 01.A presente diligência foi motivada com o objetivo de prestar esclarecimentos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de dar seguimento à apreciação de Recurso Voluntário contra decisão da 2a Turma da DRJ/Salvador que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (fls.. 296/301). 02.Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 alegando impossibilidade de se evitar a compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ 2005) e, também, da DCTF, acrescentando que tal fato não seria razoável e, além disso, desproporcional. Tal erro se deu devido ao fato de estar zerada na DÍPJ 2005 a Ficha 12A e a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ 2005, a fim de se proceder ao cálculo do Saldo Negativo de CSLL na própria Ficha 12A. 03.Contudo, tal retificação não poderia ser feita naquele momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto à apresentação e, diante disto, não poderia ser prejudicada pelo mero erro formal apontado. Alegou, ainda, que o crédito existe e que tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial, o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$ 675,524,73. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. 04.Conforme Voto do nobre relator, Conselheiro Nelso Kichel, há falhas na instrução do processo. Embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do anocalendário 2004 e que a Ficha 12A da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou seja, de forma incompleta, sem indicação do IRPJ pago por antecipação nesse anocalendárío e sem apuração do saldo negativo, não consta nos autos a escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil e se o IRPJ estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência. Do mesmo modo, não há cópia da escrituração contábil (Livros Razão, Diário e Lalur) para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados corretamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 376 14 05.Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento em diligência, com retorno dos autos à DRF Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) à luz da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento que extrapolou, ou seja, sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido feito exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou a CSLL apurada foi superada pelos recolhimentos por antecipação; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarazões. 06. Visando trazer aos autos os elementos necessários que pudessem atender à diligência soliciitada, o interessado foi intimado, mediante Intimação DRF/FSA/SEORT n° 617/2013, à fl. 335, da qual tomou ciência em 22/11/2013, conforme Aviso de Recebimento AR, à fl. 336, a apresentar os Livros Razão e Diário do AnoCalendário 2004, mais o Livro Lalur. 7. Dentro do prazo concedido, o interessado apresentou os documentos solicitados. 8. Iniciouse a análise da documentação solicitada buscandose confirmar as informações contidas na DIPJ 2005 (ano calendário 2004) e DCTF. 9. Observandose a conta "IRPJ a Recuperar" (conta 12.6916), verificouse que o lançamento relativo ao mês de dezembro/2004 (31/12), no valor de R$ 26.126,33, vide fl. 337, corresponde ao valor declarado na DIPJ 2005, na Ficha 11, vide fl. 349, e, também, na DCTF Original vide fl.. 351. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 377 15 10. Em seguida, observouse outra conta, "'IRPJ Recolher"' (conta 23.1012), e nessa conta também foi escriturado o mesmo valor, RS 26.126,33, relativo ao mês de dezembro/2004, pago em 31/01/2005, vide fl. 338. 11Analisandose a Receita Bruta da Empresa (Base de Cálculo do IRPJ), vendas à vista + vendas a prazo, observouse que o lotal da Receita Bruta correspondeu a R$ 1.322.067,05, R$ 748.455,49 {vendas à vista) + R$ 573.611,56 (vendas a prazo), vide fls. 352 a 355. Aplicandose o percentual de 8,0 % sobre a receita bruta da empresa chegase à base de cálculo do IRPJ, R$ 105.765,36, e, finalmente, aplicandose o percentual de 15,0 % sobre a base de cálculo do IRPJ, mais o adicionnal de 10,0% sobre a parcela da base de cálculo que exceder o limite mensal de R$ 20.000,00, encontrase o valor devido para o IRPJ, RS 24.441,34. 12. Observouse uma pequena divergência (menor que 10 %) em relação ao valor declarado em DIPJ e DCTF pelo interessado, porém, resta demonstrado, a partir das verificações realizadas, bem como da documentação juntada aos autos, qual seja, páginas do Livro Razão, DIPJ 2005 e DCTF, que, no mês de dezembro de 2004, o IRPJ devido foi calculado nos termos da Legislação de Regência, ou seja, com base na Receita Bruta e Acréscimos. A diferença declarada a maior (R$ 1.684,99) em DIPJ, vide fl. 349, e DCTF, vide fl. 351, referese, muito provavelmente, aos acréscimos à receita bruta (rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas; ganhos auferidos na alienação de participações societárias; ganhos auferidos em operações de cobertura (hedge); receita de locação de imóvel: variações monetárias ativas; ganhe» de capital; dentre outros). Confirmouse no sistema interno da Receita Federal do Brasil, Sinal 05, o pagamento de IRPJ (código: 5993), no valor de R$ 26.126,33, realizado em 31/01/2005, vide fl. 356. 14.Verificouse, por meio ela Ficha 06A, Demonstração do Resultado, vide fls. 339 e 340,que o interessado apurou Lucro Líquido Negativo no anocalendário 2004, R$ 675.524,73, c, conseqüentemente, apurou Lucro Real Negativo (Prejuízo), no valor de R$ 675.524,73, vide fl. 342. 15.No presente caso, a apuração do lucro líquido foi demonstrada pelo contribuinte naFicha 06A, vide fls. 339 e 340, da DIPJ 2005. Conferimos as Fichas 04A e 05A e confrontamos os valores de custo dos produtos de fabricação própria vendidos bem como o custo das mercadorias revendidas e despesas operacionais ali apurados com os valores lançados na Demonstração do Resultado. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 378 16 16.Ao preencher a Ficha 12A da DIPJ 2005, vide fl. 350, o interessado deveria ter lançado na linha 17 a totalidade do IRPJ Mensal Pago por Estimativa, ao longo de todo o anocalendário 2004, e que está discriminado, mensalmente, na Ficha 11, vide fls. 343 a 349. Somandose todo o IRPJ efetivamente pago, de janeiro a dezembro, chegase ao valor de RS 262.295,28, conforme tabela abaixo: Mês Valor Pago Mês Valor Pago Mês Valor Pago Janeiro R$ li.405,66 Março R$ 23.478,88 Maio RS 26.483,23 Fevereiro R$ 15.272,70 Abril RS 18.585,75 Junho RS 31.322,78 Julho R$ 20.592,38 Setembro RS 20.732,08 Novembro R$ 24.363,07 Agosto R$ 23.701,60 Outubro RS 20.230,82 Dezembro RS 26.126,33 TOTAL= R$ 262.295,28 Com o lançamento da totalidade do "IRPJ Mensal Pago Por Estimativa", na Ficha 12A (linha 17), seria apurado um Saldo Negativo de IRPJ, na Linha 20, de RS 262.295,28. No presente caso, a hipótese é de restituição de Saldo Negativo e não de Pagamento Indevido de estimativa mensal de IRPJ, pois a antecipação da estimativa mensal foi apurada exatamente nos termos da Legislação de Regência e no encerramento do ano calendário houve apuração de Prejuízo. Concluise, portanto, que houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004, e que existe o direito creditório, mas na forma de Saldo Negativo e não de pagamento indevido de estimativa mensal de IRPJ, pois o pagamento, por antecipação, referente ao mês de dezembro de 2004 foi feito exatamente nos termos da legislação de regência. (...) Conforme resultado do Relatório de Diligência Fiscal (transcrito acima), restou comprovada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original utilizado) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer, por conseguinte, o crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo, e respectiva atualização na forma da legislação de regência. Fica sem efeito a DCTF retificadara relativa ao PA objeto do crédito pleiteado, permanecendo válida a DCTF primitiva, restando considerada a Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004, como a seguir: Ficha 12A – Cálculo do Imposto a) apuração do imposto = 0,00; b) estimativas pagas = R$ 262.295,28; e c) IRPJ a pagar “saldo negativo” = R$ 262.295,28. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 379 17 Portanto, reconheço o crédito pleiteado, objeto dos autos, de R$ 656,17 (valor original), referente pagamento do IRPJ estimativa mensal do PA dezembro/2004, na condição de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2004, a ser corrigido na forma da legislação de regência, e determinar à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10830.907406/2011-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 74 06 /2 01 1- 67 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 56 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 65), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 56). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907406/201167 Acórdão n.º 3802002.926 S3TE02 Fl. 68 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909837/2006-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2000
BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES.
Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparam-se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição.
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2000 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparam-se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido.
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BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparamse a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 37 /2 00 6- 13 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 30/06/00 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 909,86;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 12 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 3 Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos citando trechos da decisão recorrida. Postula a reforma do acórdão da DRJ argumentando que, de fato, as operações de bonificação praticadas pela recorrente não possuíam a natureza de desconto incondicional aplicado às suas vendas no período e que a recorrente não fundamentou sua manifestação de inconformidade segundo essa premissa. Pugna pela homologação da compensação em análise com base no fundamento de que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, ou seja, foram realizadas gratuitamente (sem auferimento de receita). Sustenta que a inexistência de vínculo entre suas operações de bonificação e as vendas praticadas no caso concreto é patente, pois suas bonificações decorreram do cumprimento de obrigações pactuadas contratualmente junto a seus clientes: bonificálos (premiálos) com mercadorias em face da ocorrência de fatos específicos (aniversário de loja, renovação de contrato, aniversário contratual, superação de metas de vendas, etc). Apresenta trechos de contratos firmados com os destinatários das mercadorias oferecidas em bonificação. Pontua que as operações de bonificação têm como objetivo o estreitamento do vínculo comercial entre vendedor e comprador, proporcionando a fidelização de suas relações comerciais. Tece comentários sobre a espécie de bonificação comumente conhecida no âmbito empresarial como “dúzias de treze”. Insiste que as operações de bonificação da recorrente não se caracterizam como “dúzias de treze”. Destaca o caráter de gratuidade de que se revestem as operações de bonificação praticadas pela recorrente, impossibilitando a incidência da contribuição sobre o montante das notas fiscais que as documentaram. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 4 Alega que nas bonificações praticadas pela recorrente não houve qualquer recebimento de receita supostamente integrante do resultado do período. Colaciona jurisprudência do CARF. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e homologado o crédito compensado. Posteriormente apresenta petição requerendo a juntada das cópias das notas fiscais, do balancete contábil e da planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais ora tratadas. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. A controvérsia desse litígio administrativo cingese a verificar se as bonificações concedidas em produtos podem ser excluídas da receita bruta na composição da base de cálculo da contribuição. A recorrente sustenta que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, ou seja, foram realizadas gratuitamente (sem auferimento de receita). Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. A legislação de regência, art. 3º, § 2º, inciso I da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, disciplina: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (grifouse) Pelos documentos comprobatórios juntados aos autos, constatase que, de fato, as saídas de produtos a título de bonificações foram autônomas, isto é, não estavam vinculadas as operações de vendas específicas, portanto não configuram descontos incondicionais. Cabe, mais, acrescentar que as bonificações em discussão caracterizamse como doações, sendo que o estabelecimento vendedor entrega ao adquirente uma quantidade de produtos, sem vinculação com uma venda, isto é, não é cobrado qualquer valor do cliente pela quantidade excedente de produtos entregues. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 6 O fato gerador da contribuição em discussão é o auferimento de receita pela pessoa jurídica. Diferentemente do fato gerador do Imposto Sobre Produtos Industrializados, a saída do produto do estabelecimento não implica na incidência da contribuição. Resta evidente que a incidência da contribuição está associada ao ingresso de receita, o que não ocorreu no presente caso. Colhese do processo que não houve o ingresso de recursos financeiros no patrimônio da interessada. É de se ver, portanto, que as operações em discussão não podem ser consideradas como bonificações, mas sim, como doações. Assim, a saída de mercadorias a título de doações não está no campo de incidência da contribuição. Neste sentido a Solução de Consulta Solução de Consulta editada pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, de nº 130, de 03 de maio de 2012, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA.. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.(rgifou se) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 7 Na mesma direção a Solução de Consulta editada pela Divisão de Tributação da 10ª Região Fiscal, de nº 136, de 21 de agosto de 2012: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO. A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita. Dispositivos Legais: CF, de 1988, art. 195, I, “b”; Lei nº 10.406, de 2002, Código Civil, art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, arts. 1º, §§ 1º e 2º, e 3º, I e II; Lei nº 10.833, de 2003, arts. 3º, IX, e 15, II; IN SRF nº 51, de 1978; PN CST nº 113, de 1978. (grifouse) No caso vertente restou comprovado que as bonificações em tela caracterizamse como doações e não estão sujeitas à incidência da contribuição porque não configuram receitas. Tratase de uma despesa operacional da pessoa jurídica. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Registrese, por oportuno, que não se exige para o reconhecimento do indébito a retificação da DCTF, pois o importante é aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). No caso em discussão, o direito creditório se apresentou líquido e certo nos conjunto probatório. Registrese, por fim, que essa decisão reconhece apenas o direito material da recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição Cofins, período de apuração de 30/11/1999, os valores das notas fiscais a título de bonificações. Incumbe à Delegacia de Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 8 origem com base na escrituração fiscal (Livros, DCTF, etc) e contábil apurar o valor do pagamento indevido ou a maior (quantum) e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido (atualizável pela taxa Selic). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de excluir da receita bruta na composição da base de cálculo da Cofins as bonificações concedidas em produtos e homologar a compensação até o limite do crédito a ser apurado pela Delegacia de origem. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10746.721026/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a possibilidade de apresentar defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES. INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE.
Demonstrados os requisitos do art. 135, III, do CTN, deve ser declarada a responsabilidade solidária pela obrigação tributária dos sócios e/ou representantes da empresa contribuinte.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO.
Quando o contribuinte é intimado diversas vezes para apresentar os livros e documentos fiscais e deixa de fazê-lo, resta à autoridade fiscalizatória realizar o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-001.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: mar
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a possibilidade de apresentar defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES. INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE. Demonstrados os requisitos do art. 135, III, do CTN, deve ser declarada a responsabilidade solidária pela obrigação tributária dos sócios e/ou representantes da empresa contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. Quando o contribuinte é intimado diversas vezes para apresentar os livros e documentos fiscais e deixa de fazêlo, resta à autoridade fiscalizatória realizar o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 10 26 /2 01 1- 96 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 2 Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.076 3 Relatório Tratase de análise de recurso voluntário. Exigese, na origem, tributos não recolhidos em razão de omissão de receitas. Em suma, tratase de IRPJ (R$ 10.956.361,80) e CSLL (R$ 4.963.333,65), constituídos no processo n. 10746.721026/201196 (fls. 03/16). Separadamente, exigese PIS (R$ 2.877.715,56) e COFINS (R$ 13.281.765,10), constituídos processo n. 10746.721027/2011 31(fl. 04/19). Os processos mencionados foram decididos separadamente na DRJ, mas, ao serem distribuídos no CARF, foi determinada a reunião em razão da conexão (Res. n.º 1302 000.220), razão pela qual a presente decisão envolve ambos os procedimentos. Isto posto, temse que o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Relatório Fiscal (fl. 18/28 do PAF 10746.721026/201196): (i) Que a empresa foi intimada do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 11/03/2010 (fl. 37/40) para apresentar documentos contábeis e fiscais; (ii) A empresa respondeu ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, através da sócia (Ana Paulina Meneses da Costa), informando a suspensão de suas atividades em setembro/2007 e indicando o nome de uma contadora como responsável pela prestação de informações à RFB (fl. 41). Não apresentou nenhum documento solicitado. (iii) A partir de 03/05/2010 todos os documentos lavrados e enviados pelos Correios à empresa recorrente retornaram, com a informação de que mudou de endereço. Dessa Forma, entendeu o AFRFB pela notificação da empresa por meio de editais (art. 10, IV, do Dec. 7.574/11) (fl. 42/66); (iv) Foram abertos, em 09/06/2010, sete Mandados de Procedimento Fiscal – Diligência (fl. 67/80), com o fim de coletar informações junto a clientes da empresa recorrente, solicitando as notas fiscais de compras realizadas na empresa recorrente durante o anobase fiscalizado, com os respectivos comprovantes de pagamento (fl. 275/930); (v) Expediuse ofício à Junta Comercial solicitando o Contrato Social da empresa (fl. 82/119). Solicitouse também as guias de informação e apuração mensal do ICMS (GIAM) (fl. 120) e os arquivos Sintegra da empresa. Foi informado que a empresa apresentou apenas as GIAMs dos meses de janeiro a julho e de outubro de 2007 (fls. 120/148940/941); (vi) Em 29/10/2010 foram lavrados Termos de Cientificação e Intimação Fiscal em nome dos sócios da empresa recorrente – Sra. Ana Paulina Meneses da Costa e Frinorte Empreendimentos Participações Ltda. –, bem como em nome dos sócios da Frinorte Empreendimentos Participações Ltda. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 4 (Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Roberto Augusto Menezes da Costa e Renato Mauro Menezes Costa), sendo enviado pelos Correios (fl. 149/175); (vii) Dos Termos acima citados, apenas a Sra. Ana Paulina Meneses da Costa foi cientificada pela via postal (fl. 151), sendo os demais devolvidos pelos Correios. Assim, foi publicado o edital n.º 02/2011 para ciência do Termo lavrado em nome da Frinorte Empreendimentos e Participações (fl. 152). Não houve nenhuma manifestação ou apresentação de documentos; (viii) A empresa recorrente não entregou nenhuma DCTF e/ou DIPJ, nem realizou qualquer recolhimento de IRPJ ou CSLL para o período em análise; (ix) Que a empresa teria que apurar o IRPJ pelo lucro real trimestral, pois não optou pelo lucro presumido e teve receitas superiores a R$ 48.000.000,00 em 2007; (x) Que a empresa não apresentou nenhum livro ou documento contábil ou fiscal, apesar de intimada várias vezes, o que impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável, segundo o art. 530, III, do Dec. n.º 3000/99; (xi) Para fins de determinação do lucro, utilizouse dos valores declarados pela empresa à SEFAZ/TO, através das GIAMs, para os meses de janeiro a julho e outubro, de 2007, conforme anexo I (fl. 29); (xii) Para os meses de agosto e setembro de 2007, utilizouse como receita bruta de vendas as notas fiscais de saída, emitidas pela empresa recorrente, obtidas junto aos principais clientes desta, segundo anexo II e III (fl. 30/33); (xiii) Desta forma, o lucro arbitrado foi determinado mediante a utilização do percentual de 9,6% sobre a receita bruta trimestral, de acordo com o art. 16, Lei n. 9.249/95, c.c. art. 27, da Lei n. 9.430/07; (xiv) Com relação à CSLL, a sua base de cálculo foi determinada pelo valor correspondente a 12% da receita bruta trimestral, conforme Lei n. 9.430/96, art. 29, I, c.c. e IN SRF n.º 93/97, art. 56, I; (xv) Os valores do lucro arbitrado e da base de cálculo da CSLL, bem como a apuração do IRPJ e CSLL, estão demonstrados no anexo IV (fl. 34); (xvi) Para fins de apuração do PIS e da COFINS foi realizada a apuração pelo regime cumulativo, de acordo com a Lei n. 10.637/02, art. 8º, II, e a Lei n. 10.833/03, art. 10, II; (xvii) A base de cálculo do PIS/COFINS para os meses de janeiro a julho e outubro de 2007, foi determinada através das vendas brutas, descontadas as devoluções, informadas pela empresa recorrente à SEFAZ/TO, desconsiderando as vendas realizadas para o exterior, tudo conforme anexo V (fl. 35); (xvii) Para os meses de agosto e setembro de 2007 foi utilizado para obtenção da receita bruta, os valores das notas fiscais de saída emitidas pela empresa (anexos II e III – fl. 30/33), sendo apurado o PIS/COFINS conforme anexo VI (fl. 36); Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.077 5 (xviii) Ficou demonstrada a intenção do sujeito passivo de ocultar os valores de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS uma vez que informou os valores de vendas somente à SEFAZ/TO através de GIAM, caracterizando prática reiterada e incorrendo a empresa em sonegação, segundo o art. 71, I, da L. n.º 4.502/64, razão pela qual aplicouse a multa qualificada de 150% (art. 44, I, e §1º, da Lei n. 9.430/96); (xix) A multa qualificada foi agravada para 225% (art. 44, §2º, da Lei n. 9.430/96), uma vez que não foi apresentado nenhum livro comercial ou fiscal, bem como os arquivos em meio digital relativos à contabilidade e às notas fiscais, solicitados no decorrer da fiscalização; (xx) Que o contrato social da empresa recorrente (Frinorte Alimentos Ltda.) demonstra que o quadro societário é formado por Ana Paulina Meneses da Costa (10%) e Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. (90%); (xxi) Por sua vez, a Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. tem o quadro societário composto por Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa (10% cada), e Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. (70%); (xxii) Que a empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. tem como diretores os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa; (xxiii) Que a partir da 4ª alteração contratual da empresa recorrente (fl. 98/105) houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. em quaisquer transações bancárias, além da assinatura da sócia Ana Paulina Meneses da Costa, evidenciado funções administrativagerenciais dos Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa; (xxiv) Que a empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. aparece na 5ª alteração contratual da empresa (fl. 107/113); (xxv) Que os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa tomaram vultosos empréstimos da empresa recorrente, segundo informações das Declarações de IRPF; (xxvi) Que a Confederação Nacional da Indústria – CNI publica em seu sítio virtual como principal executivo da empresa recorrente o Sr. Renato Mauro Menezes Costa; (xxvii) Que a Associação Brasileira de Frigoríficos – ABRAFRIGO publicou notícia na qual o Sr. Rogério Marcio Menezes Costa aparece como diretor da empresa recorrente (fl. 942); (xxiii) Que o Ministério Público Federal do Tocantins apresentou denúncia de crime de sonegação de contribuição previdenciária sobre os Srs. Renato Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 6 Mauro Menezes Costa e Rogério Marcio Menezes Costa, citados como proprietários da empresa recorrente (fl. 943); (xxix) Assim, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária individualizado para os sócios da empresa recorrente Sra. Ana Paulina Meneses da Costa, e os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa, com base no art. 135, III, do CTN, por omissão na declaração e recolhimento dos tributos federais referente ao período fiscalizado, de maneira reiterada, pois a omissão ocorreu durante todo o anocalendário de 2007, caracterizando assim a prática de sonegação, conforme art. 71, I, da L. n.º 4.502/64; (xxx) Ressaltou ainda o AFRFB que a empresa fiscalizada estava com o CNPJ ativo junto à RFB e o seu contrato social não faz menção de encerramento das atividades, caracterizando dissolução irregular da sociedade com fundamento no art. 135, III, do CNT, c/c a Súmula 435/STJ, por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal. Encerrada a fiscalização, os recorrentes tiveram ciência dos autos de infração em 30/11/2011, como se verifica de fl. 946/950, do PAF 10746.721026/201196 (IRPJ e CSLL), e fl. 949/953, do PAF 10746.721027/201131 (PIS/COFINS). Na sequência, os recorrentes apresentaram impugnação em 27/12/2011 em ambos os processos. Em análise das defesas, a DRJ entendeu pela integral improcedência dos argumentos. É o que se nota da ementa do acórdão exarado no PAF 10746.721026/201196 (fl. 990/1019): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2007. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, regularmente intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos em conformidade com as normas de escrituração comercial e fiscal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.078 7 crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem fatos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2003 ACÓRDÃO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. TRANSCRIÇÃO NA ÍNTEGRA. NECESSIDADE. Deve ser transcrito o acórdão desde o assunto, anocalendário etc., até o resultado. ACÓRDÃO. FORMA DE ELABORAÇÃO. CONSULTAR MANUAL DE REDAÇÃO. Tenho um manual de redação do CARF com indicações de como fazer a ementa. Lançamento Procedente. No mesmo sentido está a ementa do acórdão proferido no PAF 10746.721027/201131 (fl. 994/1020): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano calendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 8 crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem atos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem fatos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimados das decisões supratranscritas (fl. 1029/1039 do PAF 10746.721026/201196; fl. 1031/1040 e 1084 do PAF 10746.721027/201131), os recorrentes Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.079 9 apresentaram, então, recursos voluntários, nos quais ventilam exatamente as mesmas argumentações para ambos os processos. Em resumo: (i) Cerceamento ao direito de defesa e do contraditório, pois alegam que não tiveram oportunidade de se manifestar sobre o arbitramento realizado uma vez os processos correram à revelia, requerendo nulidade dos mesmos; (ii) Que o AFRFB desconsiderou a personalidade jurídica da empresa recorrente de forma arbitrária e sem respaldo legal, pois, segundo o art. 50, do CC, esta somente pode ser realizada pelo Poder Judiciário e sob a presença de requisitos legais, o que não se comprovou no caso; (iii) Que o art. 134, do CTN, somente permite a responsabilização por terceiros quando se demonstra a impossibilidade do cumprimento pela obrigação tributária e, ainda, apenas com relação às matérias de caráter moratório (penalidades); (iv) Que o art. 135, do CTN, apresenta as pessoas que serão responsabilizadas no caso de prática de atos com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatutos, não se configurando o mero inadimplemento hipótese de responsabilidade subsidiária dos sócios, conforme entendimento do STJ; (v) Que segundo o entendimento pacífico do STJ e doutrina majoritária a responsabilidade prevista nos art. 134 e 135, do CTN, é de natureza subsidiária, pelo que devem os recorrentes pessoas físicas serem excluídos do polo passivo do lançamento tributário; (vi) Inexistência de fraude e sonegação, pois, a empresa recorrente observava o método de apuração do lucro real para determinar os tributos federais devidos; (vii) Absoluta boafé quando da instauração do procedimento fiscal, pois colocou à disposição do AFRFB contador responsável pelas transmissões de suas informações fiscais, o qual nunca foi contatado; (viii) Que o AFRFB não pode presumir a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária, sendo que a presunção do art. 42, da Lei 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou provento para ampliar seu conceito, conforme art. 110, do CTN. Juntou jurisprudência que trata o tema; (ix) Que a empresa recorrente não pode ser submetida ao recolhimento do tributo uma vez que o arbitramento realizado exorbita o valor real do imposto devido; (x) Que a penalidade imposta possui caráter confiscatório, superando sua capacidade contributiva, o que é vedado pela Constituição Federal; (xi) Que não foram observados os princípios da capacidade econômica, razoabilidade ou proporcionalidade; Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 10 (xii) Que a multa qualificada e agravada, no importe de 225%, é desproporcional e desarrazoada, pois não houve oportunidade para que os sócios responsabilizados prestassem informações e esclarecimentos necessários; (xiii) Que o STF reconheceu a repercussão geral das multas/sanções exorbitantes, devendo o processo administrativo fiscal ser sobrestado até o pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria (no RE 640.452/RO); (xiv) Preliminarmente, requereu a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa e a exclusão dos sócios da empresa por ilegalidade da desconsideração da personalidade jurídica em âmbito administrativo e por ilegalidade da declaração de responsabilidade solidária, quando sua natureza é subsidiária; (xv) No mérito, requereu a improcedência do auto de infração, pois as obrigações teriam sido prescritas de forma inadequada. Alternativamente, requer a exclusão da multa ou sua aplicação de acordo com os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva do contribuinte e vedação ao confisco, em respeito à Constituição Federal; (xvii) Por fim, pede o sobrestamento do processo administrativo até o pronunciamento definitivo pelo STF acerca do RE n.º 640.452/RO. É o relatório. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.080 11 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Das Alegações Preliminares 1.1 Do Direito à Defesa e ao Contraditório Os recorrentes alegam o cerceamento ao direito de defesa e ofensa ao princípio do contraditório, pois não teriam tido a oportunidade de se manifestarem sobre o arbitramento do lucro que originou o crédito tributário combatido. Assim, invocaram a nulidade do processo administrativo com amparo no art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72. O princípio do contraditório e da ampla defesa traduz a necessidade de dar conhecimento da existência da ação e dos atos a ela inerentes, bem como de facultar às partes o uso dos meios de defesa e a possibilidade de manifestaremse, como bem ensina Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: (...) O princípio do contraditório tem íntima ligação com o da igualdade das partes e se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência da ação de todos os atos do processo às partes e, de outro, pela possiblidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis, ou seja, os litigantes têm direito de deduzir pretensões e defesas, realizarem provas que requereram para demonstrar a existência do direito, em suma, direito de serem ouvidos paritariamente no processo em todos os seus termos. (NEDER, Marcos Vinicus; LÓPEZ, Maria Teres Martínez; Processo administrativo fiscal federal comentado; 3 ed.; São Paulo: Dialética, 2010) Isto posto, e considerando o que nos autos consta, é possível concluir que o direito dos recorrentes à ampla defesa e ao contraditório foi observado em todo o procedimento fiscal e administrativo, pois estes tiveram a possibilidade de contraditar os atos da autoridade fiscalizadora. Melhor esclarecendo. Consoante se denota do art. 14, do Decreto n.º 70.235/72, a instauração da fase litigiosa apenas se realiza com a apresentação da impugnação do contribuinte, após o lançamento do crédito tributário, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 12 Concluise, portanto, que até a apresentação da impugnação o procedimento desenvolvese inquisitorialmente, ou seja, até que o sujeito passivo seja intimado da lavratura do auto de infração e do lançamento do crédito tributário, inexiste caráter contencioso conflito de interesses, mas apenas dever de fiscalização do Fisco e dever de colaboração do contribuinte. Nesta fase, o sujeito ativo apenas deverá ser cientificado naquelas situações expressamente previstas na lei, tal como ocorre por meio do “Termo de Início da Verificação Fiscal”, onde consta o número do Mandado de Procedimento Fiscal e a senha para seu acesso pelo sítio eletrônico da RFB. Examinando os autos, observase que a empresa recorrente foi devidamente intimada do início do procedimento fiscal (fl. 37/40 PAF 10746.721026/201196; fl. 40/43 PAF 10746.721027/201131), tanto que inclusive respondeu à intimação, na pessoa de sua sócia Ana Paulina Menezes da Costa (fls. 41 PAF 10746.721026/201196; fl. 44 PAF 10746.721027/201131). Não bastasse isto, como já relatado, todos os demais atos do AFRFB foram devidamente informados aos recorrentes por intimação pela via postal, a princípio, e por edital, quando aquelas foram devolvidas pelos Correios (fl. 149/175 PAF 10746.721026/201196; fl. 152/178 PAF 10746.721027/201131), tudo conforme art. 23, do Decreto 70.235/72. Tanto é assim que os recorrentes buscam a anulação do procedimento fiscal apenas por não terem sido intimados a se manifestarem sobre o arbitramento do lucro realizado pelo AFRFB. Merece destaque o fato de que os recorrentes não responderam a nenhuma das intimações realizadas durante o procedimento fiscal, não entregaram quaisquer livros ou documentos fiscais e contábeis da empresa, restando ao AFRFB proceder conforme determina o art. 530, inciso III, e art. 537, ambos do Decreto 3.000/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). No caso da omissão de receita, prevista no art. 537, supratranscrito, não há nenhuma previsão de que o contribuinte deve ser intimado a apresentar esclarecimentos antes de o AFRFB realizar o lançamento, sendo que, no presente caso, não havendo a entrega dos livros e documentos fiscais solicitados, determinouse o lucro pelo arbitramento, sobre o qual ocorreu a incidência tributária, como bem esclarecido no Relatório Fiscal e seus anexos (fl. 18/28 PAF 10746.721026/201196; fl. 21/31 PAF 10746.721027/201131). Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.081 13 Depois de realizado o lançamento tributário através dos Autos de Infração, os recorrentes foram regularmente intimados (fl. 946/950 PAF 10746.721026/201196; fl. 949/953 PAF 10746.721027/201131) para apresentarem suas impugnações, oportunidade em que poderiam ter se insurgido contra o arbitramento de forma a demonstrar sua receita no exercício fiscalizado e comprovar a insubsistência da forma de determinação do imposto. Ou seja, neste momento, poderiam fazer valer seu direito à ampla defesa e ao contraditório. No mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho: ARBITRAMENTO DO LUCRO. CONTRADITÓRIO. DIREITO DE DEFESA. É na impugnação apresentada ao auto de infração que o contribuinte exerce seu direito de defesa e exercita o contraditório ao arbitramento do lucro e não durante a apuração do crédito tributário no curso do processo investigatório. (...) (Primeiro Conselho de Contribuinte. Acórdão n.º 120100.080. Rel. Regis Magalhães Soares Queiroz. Sessão de 14/05/2009) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. (...) (CARF. Acórdão n.º 3102 001.870. Rel. Winderley Morais Pereira. Sessão de 23/05/2013) NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa, principalmente quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação das exigências. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. É cabível o arbitramento dos lucros quando o sujeito passivo não apresenta os livros e documentos de sua escrituração contábil. (...) (CARF. Acórdão n.º 1202000.960. Rel. Geraldo Valentim Neto. Sessão de 09/04/2013) PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. CIÊNCIA POR AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, nos prazos devidos, o seu direito Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 14 de defesa. (...) (CARF. Acórdão n.º 2801003.053. Rel. Marcio Henrique Sales Parada. Sessão de 18/06/2013). PREVIDENCIÁRIO. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados e praticados. AFERIÇÃO INDIRETA. A fiscalização previdenciária tem suporte legal para apurar as importâncias devidas por meio de arbitramento quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, constituindose em presunção legal relativa, cumprindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. (...) (CARF. Acórdão n.º 2403001.563. Rel. Ivacir Júlio de Souza. Sessão de 14/08/2012) Dessa forma, voto por afastar a preliminar de nulidade do processo administrativo por cerceamento de defesa, uma vez que tal direito foi oportunizado aos recorrentes. 1.2 Da Responsabilidade Tributária Os recorrentes alegam ilegalidades na responsabilização dos sócios da empresa fiscalizada, postulando a exclusão da Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e dos Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa do polo passivo da obrigação tributária. Em um primeiro momento, importa destacar que as argumentações sobre o art. 50, do CC, e o art. 134, do CTN, encontramse desconexos com a fundamentação dos Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios da empresa recorrente, pois estes fundamentamse no art. 135, III, do CTN , e Súmula 435/STJ (fl. 932/939 PAF 10746.721026/201196; fl. 935/942 PAF 10746.721027/201131), pelo que se faz desnecessário maiores dilações sobre tais alegações. Sob a visão das autoridades precedentes, a responsabilização pessoal dos sócios da empresa com fundamento no art. 135, III, do CTN seria justificada pelo fato da empresa recorrente não ter entregue nenhuma DCTF e/ou DIPJ, não ter recolhido IRPJ ou CSLL durante o período fiscalizado, mesmo auferindo renda, como se verificou das informações declaradas ao SEFAZ/TO e das notas fiscais de vendas obtidas junto aos seus principais clientes. Inobstante a prática dos atos acima, entendo que o fundamento principal deve centrarse no teor da súmula 435 do STJ, uma vez que é incontroverso que a Frinorte Alimentos efetuou a baixa regular de sua inscrição junto à Administração Fazendária Estadual, o mesmo não ocorrendo no âmbito federal. Assim, quanto à sócia Ana (administradora), aplica se o verbete abaixo: Súmula 435, STJ. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Quanto aos demais sócios, ficou comprovado pelo AFRFB que estes detinham relevante influência sobre as decisões que são próprias dos administradores de Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.082 15 sociedades empresariais, consoante esclarece o AFRFB na seguinte passagem, que adoto como razões de decidir (fls. 27 e ss.): 45. A inclusão dos Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, CPF 574.915.26691, Renato Mauro Menezes Costa, CPF 574.915.50649, e Roberto Augusto Menezes da Costa, CPF 564.238.02653, no pólo passivo dessa ação fiscal deuse pelos seguintes fatos: A partir da 4ª alteração do Contrato Social da Frinorte – Alimentos Ltda, em 16/08/2004, houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e Participações Ltda (Roberto, Renato ou Rogério) em quaisquer transações bancárias, tais como assinaturas de cheques, ordens de pagamentos, contratos de empréstimos e transferências financeiras, além da assinatura da sócia Ana Paulina Meneses da Costa, evidenciando funções administrativo gerenciais dos três citados; A empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S/A está com a situação cadastral não habilitado pelo fisco de Goiás, desde de 2003, segundo página do SINTEGRA. No entanto, aparece em alteração contratual da Frinorte – Alimentos Ltda na data de 05/04/2007, com assinatura dos Srs. Renato Mauro Menezes Costa e Rogério Márcio Menezes Costa. Os três citados anteriormente (Roberto, Renato ou Rogério) tomaram empréstimos junto à Frinorte – Alimentos Ltda, nos valores de R$300.000,00, R$1.420.000,00 e R$1.480.000,00, respectivamente, segundo informações declaradas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos mesmos; Em página da internet da Confederação Nacional da Indústria – CNI, especificamente no catálogo de exportadores brasileiros, o Sr. Renato Mauro Menezes Costa aparece como o principal executivo da Frinorte – Alimentos Ltda; Em notícia no site da Associação Brasileira de Frigoríficos – ABRAFRIGO, datada de 18/06/2007, o Sr. Rogério Márcio Menezes Costa aparece como Diretor da Frinorte – Alimentos Ltda; O Ministério Público Federal do Tocantins apresentou denúncia de crime de sonegação de contribuição previdenciária sobre os Srs. Renato Mauro Menezes Costa e Rogério Márcio Menezes Costa, citados na notícia como proprietários da Frinorte – Alimentos Ltda. (grifo não original) Não bastasse isto, a empresa fiscalizada não apresentou nenhum livro ou documento contábil e fiscal, mesmo após intimada diversas vezes, nem os apresentou nas oportunidades em que exerceu o contraditório e a ampla defesa (impugnação e recurso voluntário). Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 16 Assim, correta foi a responsabilização das pessoas físicas recorrentes, pois o lançamento da obrigação tributária se originou dos atos realizados pela empresa e pelas pessoas físicas em afronta à legislação tributária, como ficou comprovado através do Relatório Fiscal (fl. 18/28 PAF 10746.721026/201196; fl. 21/31 PAF 10746.721027/201131), quando aqueles encontravamse na função de representantes da empresa recorrente. No mesmo sentido, não subsiste a alegação dos recorrentes de que o mero inadimplemento não implica na responsabilização dos sócios da contribuinte, uma vez que existem provas em sentido diverso, consoante dito acima. Já com relação à suposta ilegalidade na responsabilização solidária dos sócios quando presente os requisitos do art. 135, III, do CTN, não guardam razão as alegações dos recorrentes, visto que o entendimento deste Conselho tem se dirigido em sentido contrário, observese: (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. FRAUDE FISCAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. A sequência de atos, robustamente comprovados nos autos, demonstra o intuito doloso da contribuinte em modificar as características essenciais da ocorrência do fato gerador, caracterizando a fraude fiscal, e corresponde a tipo previsto na lei de crimes contra a ordem tributária, razão pela qual os sóciosadministradores devem ser responsabilizados solidariamente com a pessoa jurídica, consoante norma do artigo 135, inciso III do CTN. (...) (CARF. Acórdão n.º 1402001.316. Rel. Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Sessão de 05/03/2013) (...) SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÃO. (...) Os mandatários, administradores, prepostos, diretores, gerentes, sócios, sejam eles de fato ou de direito, só se tornam terceiros responsáveis nos casos em que, por ação ou omissão, praticarem uma das condutas descritas nos artigos 134, 135 e 137, do CTN. (...) (CARF. Acórdão n.º 1402001.188. Rel. Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Sessão de 11/09/2012) SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO RETIRANTE DA SOCIEDADE. A responsabilidade solidária de sócio por dividas tributárias da sociedade só pode ser imposta quando presentes os requisitos do art. 135 do CTN, qual seja, quando os créditos tributários sejam "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos".(...) (CARF. Acórdão n.º 120100.217. Rel. Regis Magalhães Soares de Queiroz. Sessão de 28/01/2010) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — Para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei N„_ 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, entendese como responsável solidário o sócio, pessoa fisica ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.083 17 conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. (...) (CARF. Acórdão n.º 110200.322. Rel. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Sessão 02/09/2010) Nestes termos, voto no sentido de manter a Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e os Srs. Rogério Márcio Menezes Costa e Renato Mauro Menezes Costa, todos recorrentes, como responsáveis solidários da obrigação tributária lançada em desfavor da empresa recorrente, pelos fatos acima descritos. Como bem observou o julgador da DRJ, em seu acórdão, com relação ao Sr. Roberto Augusto Menezes da Costa não há procuração nos autos para sua representação e sequer seu nome consta na qualificação dos recorrentes, no prefácio na peça recursal, pelo que não se poderia conhecer qualquer pleito em nome deste, subsistindo sua sujeição passiva pela obrigação tributária tal como realizado pelo fisco. 2. Do Mérito 2.1. Da Alegação de Inexistência de Fraude ou Sonegação Os recorrentes buscam desqualificar o lançamento tributário sobre o lucro arbitrado alegando que o montante do tributo lançado exorbita o valor real que seria devido. Contudo, há de se ressaltar que os recorrentes em nenhum momento demonstram qual seria o suposto valor real do tributo devido, não apresentam nenhum documento contábil ou fiscal capaz de afastar arbitramento do seu lucro, apenas se esmeram num discurso que trata sobre presunções, referindose inclusive ao art. 42, da Lei n. 9.430/96, que em nada tem relação com o lançamento ora em discussão, correlacionandoo com a impossibilidade das normas tributárias alterarem os conceitos de direito privado. Assertivas que em nada lhe aproveitam nesta oportunidade. O fato é que a empresa recorrente, bem como seus sócios, foram intimados diversas vezes para tomar ciência do procedimento fiscal e, também, para apresentação de documentos solicitados pelo fisco (fl. 37/40; 149/175 PAF 10746.721026/201196; fl. 40/43; 152/178 PAF 10746.721027/201131), sendo que em nenhum momento atenderam à solicitação do AFRFB, não justificaram a impossibilidade ou pediram prorrogação de prazo para fazêlo. Sobre o tema, convém observar a jurisprudência deste Conselho: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. DEIXOU DE EXIBIR LIVROS OU DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de exibir quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias, consoante art. 33, §2º da Lei nº 8.212/91. (CARF. Acórdão n.º 2401003.076. Rel. Carolina Wanderley Landim. Sessão de 19/06/2013) Assim, restou ao AFRFB proceder ao arbitramento do Lucro da empresa recorrente, nos moldes do art. 530, III, do RIR, que assim ensina: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 18 arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º):[...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] Importa destacar, mais uma vez, que mesmo na oportunidade da impugnação do lançamento tributário, ou do recurso voluntário, não houve qualquer comprovação da existência dos procedimentos fiscais e contábeis mantidos pela empresa contribuinte, atendose os recorrentes em fundamentar sua defesa em inexistente e incabível irregularidade formal do lançamento. Desta forma, entendo correto o proceder do AFRFB pelo arbitramento do lucro e lançamento do tributo conforme o art. 537, do RIR, através das informações transmitidas pela empresa recorrente ao fisco estadual e, também, das notas fiscais de saídas obtidas com seus maiores clientes, como bem descrito no Relatório Fiscal (fl. 18/28 PAF 10746.721026/201196; fl. 21/31 PAF 10746.721027/201131). Ademais, os recorrentes admitem a falta de transmissão ao fisco da DIPJ e a DCTF referente ao anocalendário fiscalizado, mesmo tendo ordinariamente realizado a transmissão de informações da sua receita ao fisco estadual, ou seja, é evidente o dolo dos recorrentes em não informar ao fisco federal as receitas obtidas, com o fim de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Dessa forma, voto no sentido de manter o lançamento tributário sobre o Lucro arbitrado uma vez que, mesmo intimada várias vezes, a empresa contribuinte ou seus representantes não apresentaram os livros e documentos fiscais e contábeis, nem demonstraram na oportunidade da impugnação e deste recurso quaisquer informações que pudessem desabonar o valor da obrigação tributária lançada. 2.2. Da Incompetência para Pronúncia sobre Inconstitucionalidade. Da Multa Qualificada e Agravada. Os recorrentes se insurgem contra o valor do lançamento tributário, inclusive no que tange a multa no percentual de 225%, alegando ofensa a diversos princípios constitucionais. Contudo, este Conselho é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei, observese: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, uma vez que os recorrentes invocam princípios como a vedação ao confisco e a capacidade contributiva para combater o lançamento tributário, temse a impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre o tema. O lançamento realizado pelo AFRFB está em consonância com a legislação vigente, devidamente demonstrada no Relatório Fiscal, razão pela qual é improcedente o recurso voluntário neste ponto. Buscam ainda os recorrentes o sobrestamento do processo administrativo em face do julgamento RE n.º 640.452/RO no que tange as multas/sanções aplicadas. Entretanto não há compatibilidade entre a matéria tratada no presente feito (multa de ofício qualificada e agravada) e no recurso especial paradigma (que versa sobre multas isoladas aplicadas por descumprimento de obrigação tributária acessória, em razão da prática de atos dos quais não decorra crédito tributário). Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.084 19 Assim, voto no sentido de manter o lançamento tributário. 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, para manter os créditos tributários lançados a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como a multa de ofício oriunda dos mesmos, nos termos do relatório e voto. E manter a responsabilidade tributária da sócia e administradora Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e os dos administradores de fato os Srs. Rogério Márcio Menezes Costa e Renato Mauro Menezes Costa. Ressaltando que o sócio Sr. Roberto Augusto Menezes da Costa permanece como responsável tributário por não ter recorrido. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 20 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia ao entendimento do nobre Conselheiro Relator, divirjo da existência de responsabilidade tributária dos Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa. Sobreleva considerar a disposição contida no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III. os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por força do artigo 135, III, é condição indispensável para a responsabilização tributária. Como também é indispensável que estes figurassem como diretores, gerentes ou representantes da devedora (Frinorte Alimentos Ltda.). Com relação à responsabilidade tributária atribuída nestes autos, é importante mencionar que são reproduzidos os seguintes fundamentos em cada um dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, com relação aos Sr. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa: “contribuiu para a omissão na declaração e recolhimento dos tributos federais referentes ao período fiscalizado” e, ainda, que “ficou caracterizado também a dissolução irregular da Frinorte – Alimentos Ltda, já que a situação cadastral no Sistema Integrado \de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços – SINTEGRA é, desde 20/11/2007, não habilitado, ainda que o CNPJ do contribuinte esteja ativo perante à RFB e o seu Contrato Social e Alterações não faça nenhuma menção de paralisação ou encerramento das atividades.” Nesse contexto, com a aplicação do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional e do Enunciado nº 435, da Súmula do Superior Tribunal de Justiça lhes foi atribuída a responsabilidade tributária. Ocorre que o Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa não figuravam como sócios e tampouco como administradores da pessoa jurídica autuada (Frinorte Alimentos Ltda.), mas apenas sócios de uma das cotistas desta sociedade. Este fato é confirmado pelos documentos sociais acostados aos autos às fls. 83 a 119: Nesse contexto, inadequada a aplicação do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Destaquese precedente do E. Superior Tribunal de Justiça, quando trata da atribuição de responsabilidade na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. ART. 135 DO CTN. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.085 21 1. Esta Corte Superior firmou entendimento, no REsp 1.101.728/SP, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, no sentido de que o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente da empresa somente é cabível quando comprovado que ele agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. 2. O redirecionamento da execução fiscal, na hipótese de dissolução irregular da sociedade, pressupõe a permanência do sócio na administração da empresa ao tempo da ocorrência da dissolução. 3. Agravo regimental não provido. (Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial n. 473765, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21.03.2014) Portanto, também na hipótese de dissolução irregular é imprescindível que a pessoa física figure como administrador da pessoa jurídica devedora, exigindose, ainda, que exerça tal função ao tempo da dissolução irregular. Sobreleva considerar que, especificamente quanto aos Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa, consta no Relatório Fiscal de fls. 18 a 28: A inclusão dos Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, CPF 574.915.26691, Renato Mauro Menezes Costa, CPF 574.915.50649, e Roberto Augusto Menezes da Costa, CPF 564.238.02653, no pólo passivo dessa ação fiscal deuse pelos seguintes fatos: A partir da 4ª alteração do Contrato Social da Frinorte – Alimentos Ltda, em 16/08/2004, houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e Participações Ltda (Roberto, Renato ou Rogério) em quaisquer transações bancárias, tais como assinaturas de cheques, ordens de pagamentos, contratos de empréstimos e transferências financeiras, além da assinatura da sócia Ana Paulina Meneses da Costa, evidenciando funções administrativogerenciais dos três citados; Os exatos termos da cláusula do contrato social referida no Relatório Fiscal são os seguintes: CLÁUSULA OITAVA – DA ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. A administração dos negócios da sociedade será exercida pela sócia ANA PAULINA MENEZES DA COSTA, conforme indicada na forma deste Instrumento, que representará a sociedade ativa e passiva, judicial e extrajudicialmente. Parágrafo Primeiro – Todas as transações bancárias, tais como assinaturas de cheques, ordens de pagamento, contratos de empréstimos e transferências financeiras, serão sempre Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 22 realizados com assinaturas em conjunto, sendo uma das assinaturas da sócia ANA PAULINA MENEZES DA COSTA e a outra de um dos administradores do sócio FRINORTE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Tais transações poderão também ser realizadas por intermédio de procuradores com poderes expressos para tal finalidade, mediante instrumentos públicos outorgados por ambos os sócios. Notase, assim, que s representantes da Frinorte Empreendimentos e Participações Ltda. (Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa) não passaram a ter poderes amplos de administração da Frinorte Alimentos Ltda., mas apenas para assinatura de documentos relacionados às transações bancárias. E estas assinaturas em transações bancárias certamente não lhes atribuem poderes para a prática de eventuais atos com excesso de poderes, infração de lei, do contrato social ou estatutos, na forma tratada pelo artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Diante de tais razões, rendendo minhas homenagens ao voto do Ilustre Conselheiro Relator, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, excluindo do pólo passivo os Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa. (assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA – Conselheira. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA
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