Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10920.007780/2008-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10920.007780/2008-56
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5287688
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-000.470
nome_arquivo_s : Decisao_10920007780200856.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IVAN ALLEGRETTI
nome_arquivo_pdf_s : 10920007780200856_5287688.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5046483
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046170948861952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1.198 1 1.197 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.007780/200856 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.470 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2013 Assunto RESSARCIMENTO PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO Recorrente KAVO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fls. 2/31) combinado com Declarações de Compensação (fls. 4/12), por meio do qual o contribuinte apresenta como crédito o saldo de PIS nãocumulativo relativo à exportação, acumulado no 2º trimestre de 2006. A Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC (DRF) proferiu Despacho Decisório (fls. 476/481) reconhecendo apenas em parte o direito de crédito, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. 1 O número de folhas referese à numeração do eprocesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 07 78 0/ 20 08 -5 6 Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.007780/200856 Resolução nº 3403000.470 S3C4T3 Fl. 1.199 2 A redução do valor do crédito ocorreu devido às seguintes glosas (fl. 480): 1. Linha 02 do Dacon (Mercado Interno) — R$29.541,01 — Bens Utilizados como Insumos. Foram glosadas as notas fiscais do fornecedor de CNPJ 00.457.089/000110, pois as mesmas também foram lançadas na linha 06 do Dacon como Despesas de Aluguel de Máquinas e Equipamentos. 2. Linha 03 do Dacon — R$24.099,98 — Serviços Utilizados como Insumos. Foi glosada a diferença entre a base de cálculo declarada pelo contribuinte e os valores de reembolso de salários e encargos constantes nas notas fiscais. Valores como por exemplo vale transporte, refeição, taxa administrativa, etc. não dão direito a crédito (fls. 126 e 176). 3. Linha 02 do Dacon (Importação) — R$65.295,76 — Bens Utilizados como Insumos. Foram glosados os valores de crédito de Pis/Pasep lançados nos arquivos digitais com o CFOP 3.127 (art 3º, § 2ª, inciso II, da Lei 10.637/2002). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 488/509) sustentando o seguinte: 1. em relação à glosa das notas fiscais do fornecedor de CNPJ 00.457.089/0001 10, explicou que o valor do aluguel de máquinas e equipamentos foi retirado do somatório dos bens utilizados como insumos e foi aplicado exclusivamente como despesas de aluguéis e equipamentos, conforme demonstra por meio da planilha "Apuração dos Créditos de PIS mercado interno". 2. em relação à glosa de serviços utilizados como insumos, argumenta que o art. 3° das Leis 10.637/02 e 10.833/03 assegura o direito de crédito em relação aos serviços utilizados como insumos, explicando que “o crédito (bens e serviços utilizados como insumos) corresponde ao valor total bruto da nota fiscal emitida pelo prestador de serviços. Isso porque, quando a Recorrente contrata da pessoa jurídica a mãodeobra (prestação de serviço), aquela tem como despesa o valor total da nota fiscal, ou seja, incluise no valor dos serviço prestado: salários, encargos, taxa administrativa temporária, vale transporte e, não apenas o valor do salário pago. Assim, o valor que deve ser considerado como crédito para dedução das contribuições ao PIS e a COFINS é o valor total bruto da nota fiscal emitida por pessoa jurídica em virtude da prestação de serviços realizados.” (fl. 497). Sustenta, portanto, que todos os custos da mãodeobra (salários, encargos, taxa administrativa temporária, vale transporte) estão inclusos no preço do serviço (valor bruto da nota fiscal) prestado à recorrente, devendo ser considerados como insumos, gerando créditos. 3. em relação à glosa de bens utilizados como insumos, adquiridos no mercado externo, o contribuinte alegou que o arquivo digital apresentado à Fiscalização estava com erros, mas que as notas fiscais que anexou comprovam seu direito ao crédito, pois permitem verificar que foi realizado o recolhimento de PIS/Cofins Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.007780/200856 Resolução nº 3403000.470 S3C4T3 Fl. 1.200 3 referente a nota de compra de industrialização, o que gera direito à ressarcimento de crédito. 4. em relação à exigência de juros com base na Selic e à aplicação de multa de 20%, argumenta que tais débitos deveriam compor a Dacon do mês seguinte, já que não se permite a incidência de juros compensatórios nos créditos (art. 72, §5º IN/SRF 900/2008), devendo ser retificadas todas as demais Dacon dos anos seguintes, de modo a se utilizar tais débitos mês a mês, excluindose a multa e os juros ora exigidos. Ao final, o contribuinte requer o reconhecimento integral do crédito ou, subsidiariamente, que se permita que os débitos decorrentes da parte não homologada da compensação possam ser incluídos como débitos na Dacon do trimestre seguinte, e assim sucessivamente, retificandose todas as posteriores, de modo a excluir a multa os juros ora exigidos; ou que seja afastada ou reduzida a multa aplicada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos em Florianópolis/SC (DRJ), por meio do Acórdão n° 0726.671, de 11 de novembro de 2011 (fls. 750/759), julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA APLICADA DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO DE BENS. Desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência, geram direito a créditos no regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins os valores pagos a outra pessoa jurídica em decorrência da locação de mãodeobra diretamente aplicada na produção ou na fabricação de bens destinados a venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MERCADORIA IMPORTADA. DRAWBACK. Mercadoria importada sob o regime aduaneiro de drawback não gera direito a créditos no regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O voto condutor do acórdão concluiu pelo reconhecimento do direito de crédito em relação às aquisições no mercado interno, mas manteve a glosa em relação aos créditos na importação. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 766/791) alegando a nulidade da decisão em face da não apreciação dos documentos comprobatórios trazidos aos autos e, portanto, o cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.007780/200856 Resolução nº 3403000.470 S3C4T3 Fl. 1.201 4 Afirma que, se a DRJ tivesse realmente analisado as notas fiscais, teria verificado que apenas uma parte se refere a importações submetidas ao regime especial de drawback, mas que outras são importações regulares, em que houve recolhimento dos tributos, inclusive de PIS/Cofins. Por isso, entende que foram violados também os princípios da verdade material, da legalidade e da motivação. Também protesta pela produção de prova pericial, formulando quesitos e indicando o perito. A propósito da demonstração do seu direito de crédito, reitera as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, das quais se transcreve o seguinte trecho: Em decorrência da importação Declaração de Importação nº 06/04434183, foram emitidas duas notas fiscais – NF nº 659 (produtos sujeitos ao recolhimento das contribuições ao PIS e a Cofins) e NF nº 660 (regime drawback). (...) Observase que nos DADOS ADICIONAIS (campo superior ao lado esquerdo da nota fiscal) consta que ambas as Notas Fiscais correspondem a Declaração de Importação n° 06/04434183. No entanto, o campo da NATUREZA DA OPERAÇÃO/CFOP (campo superior central da nota fiscal) demonstra que a nota fiscal n° 659 corresponde ao código 3.101 compra para industrialização, o qual há a incidência das contribuiçôes ao PIS e a Coins e, a nota fiscal nº 660 referese a operação de drawback : Ocorre que, equivocadamente, no arquivo digital entregue à autoridade administrativa na época da fiscalização, o crédito acima gerado foi rateado para as duas notas fiscais e, portanto, o auditor fiscal foi induzido a entender que o crédito utilizado também originou se da nota fiscal de drawback, sendo que, o crédito na realidade era da nota fiscal de compra para industrialização – erro que foi devidamente corrigido quando da juntada do novo arquivo digital juntado nos autos (doc. 02) É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 04/05/2012 (fl. 766), dentro do prazo de trinta dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 04/04/2012 (fl.765). Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.007780/200856 Resolução nº 3403000.470 S3C4T3 Fl. 1.202 5 Por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. O único tema em discussão no presente recurso é o direito de crédito na aquisição de bens importados utilizados como insumo na produção. A respeito deste tema, o acórdão da DRJ negou provimento à impugnação com a seguinte motivação: Em análise as notas fiscais apresentadas pela contribuinte, quais sejam as notas fiscais cujos créditos foram glosados e os extratos das declarações de importação, verificase que todas as notas fiscais correspondem a operações de drawback. Observase ainda que os registros das Declarações de Importação são explícitos ao informar que as aquisições referidas nas notas fiscais não foram objeto de tributação pela Contribuição ao PIS ou pela Cofins. (fl. 745; grifo editado) O contribuinte, em seu recurso, sustenta que a DRJ violou o seu direito de defesa, porque a verdade dos fatos é de que nem todas as operações correspondem a operações de drawback, o que ficaria patente das notas fiscais e declarações de importação apresentadas com a impugnação. De fato, as provas juntadas pelo contribuinte ainda cm a impugnação – notas fiscais e declarações de importação (p.ex. fls. 730/731, 734/739) – demonstram que houve operações de importação regularmente tributadas – ou seja, que não são de drawback –, em relação às quais houve o recolhimento de tributos, inclusive PIS/CofinsImportação. Tal demonstração confere plausibilidade à sua alegação de que o primeiro arquivo eletrônico, apresentado à Fiscalização, incorreu em equívoco ao tratar todas as notas fiscais de importação como se se tratassem igualmente de operações de drawback, quando de fato não são. Tendo em vista que a Recorrente trouxe aos autos todas as notas fiscais e declarações de importação pertinentes ao período, bem como apresentou novo arquivo digital em que faz a separação entre as operações de drawback e as importações ordinárias, demonstrando o valor de PIS/Cofins recolhido, o mais prático e eficaz parece ser a conversão do presente julgamento em diligência para confirmar a higidez de tais informações. Voto, pois, pela conversão em diligência, para que os presentes autos sejam remetidos à Delegacia de origem para as seguintes providências: 1. detalhar, por valor, entre os montantes glosados, aqueles que decorrem de (a) operações de importação sujeitas a drawback e (b) operações de importação de bens destinados a industrialização, regularmente tributadas; 2. levantar, a partir das notas fiscais e declarações de importação, o valor total de PIS/Cofins que foi recolhido em operações de importação de bens destinados a industrialização,certificando se confere com o valor alegado pelo recorrente, constantes no arquivo digital apresentado com a manifestação de inconformidade; Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.007780/200856 Resolução nº 3403000.470 S3C4T3 Fl. 1.203 6 3. demonstrar e informar, tendo em conta o valor apurado destes créditos, se são suficientes para o reconhecimento integral do direito de crédito pleiteado pelo contribuinte e para a homologação de suas compensações. É como voto. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10510.903749/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10510.903749/2009-51
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5301501
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-000.355
nome_arquivo_s : Decisao_10510903749200951.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 10510903749200951_5301501.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5126971
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046170976124928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1299; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.903749/200951 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.355 – 2ª Turma Especial Data 09 de outubro de 2013 Assunto Diligência Recorrente RÁDIO CARMÓPOLIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .9 03 74 9/ 20 09 -5 1 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.355 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 19/04/2006 o PER/DCOMP eletrônico n° 42088.08004.190406.1.3.047520, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de Simples, código 6106, onde consta: a) débito compensado Simples (código de receita 6106) Período de apuração: março/2006; vencimento: 20/04/2006 principal: R$ 4.436,49; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 4.436,49. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 02916.31065.200306.1.3.045359 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 2.916,49 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 2.573,82 Crédito Atualizado: R$ 4.436,49 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 4.436,49 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 2.573,82 Saldo do Crédito Original: R$ 0,00 A DRF/Aracajú emitiu Despacho Decisório (fl. 10), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 2.573,82. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.355 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 02/09/2003. Porém, como apresentara em 03/04/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, cancelada em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 19/04/2006 COMPENSAÇÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/08/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/09/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. Em 07/05/2013, por unanimidade de votos, esta Turma através da Resolução nº 1802000.214, baixou o processo em diligência para que a DRF Aracajú: “a) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; b) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.355 S1TE02 Fl. 5 4 c) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; d) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a março de 2002; e) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar.” Em 23/07/2013, antes de concluída a diligência pela DRF de Aracajú para cumprimento da diligência a Recorrente veio a requerer a desistência do presente processo, conforme consta do pedido de fls. 66. “A empresa RÁDIO CARMÓPOLIS LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 16.467.358/000103, vem perante V.Sa., por meio de seu representante legal ao final firmado, requerer a desistência de ação administrativa constante nos processos administrativos abaixo relacionados. Processos : 10510.903.804/200911; 10510.903.805/200957; 10510.903.878/200949; 10510.903.879/200993” Em seguida a DRF de Aracajú mediante profere o seguinte Despacho de Encaminhamento: “O contribuinte acima apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário apresentado em processos de compensação abaixo listados. Na petição, o mesmo informa os processos de débitos relativos às compensações não homologadas, no entanto o que se encontra em julgamento de Recurso Voluntário são os respectivos processos de Crédito, conforme tabela abaixo. Estes recursos voluntários foram convertidos em diligência pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme Resolução acima. Proponho, então, que o processo retorne àquele conselho para o mesmo se manifeste sobre o pedido de desistência e demais providências. PROCESSO DE COBRANÇA PROCESSO DE CRÉDITO EM JULGAMENTO 10510.903.804/200911 10510.903.651/200901 10510.903.805/200957 10510.903.652/200948 10510.903.878/200949 10510.903.749/200951 10510.903.879/200993 10510.903.750/200985” É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.355 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado o contribuinte apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário em relação ao processo de cobrança eletrônico nº 10510.903.878/200949 e não do processo nº 10510.903.749/200951 em que se analisa o crédito vinculado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos. Como cediço, o processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) é o objeto do processo em que se analisa o direito creditório e a declaração de compensação nãohomologada ou homologada parcialmente. Com efeito, a persistir a contenda tratada nos presentes autos, os mesmos devem retornar a DRF de Aracaju para, cumprindo a diligência requerida por este colegiado, verificar e informar: a) sobre a exclusão do SIMPLES relativa ao ano calendário de 2002, afirmada pela Recorrente; b) sobre a forma de tributação da recorrente, em relação ao ano calendário de 2002; c) sobre os débitos e pagamentos efetuados pelo contribuinte em relação ao ano calendário de 2002. d) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; e) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido; f) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; g) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Aracaju/SE, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do crédito pleiteado, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção do débito de que tratam os presentes autos. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903749/200951 Resolução nº 1802000.355 S1TE02 Fl. 7 6 Concluída a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000230/2008-56
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/03/2008
RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.790
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/03/2008 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 14751.000230/2008-56
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5305252
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.790
nome_arquivo_s : Decisao_14751000230200856.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 14751000230200856_5305252.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5159566
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046171091468288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000230/200856 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.790 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria Auto de Infração. Obrigação Acessória Recorrente JOSÉ RIBEIRO FARIAS JÚNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2008 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 02 30 /2 00 8- 56 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14751.000230/200856 Acórdão n.º 2803002.790 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14751.000230/200856 Acórdão n.º 2803002.790 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório O recorrente, dirigente de órgão público, foi autuado por descumprimento da legislação previdenciária, por ter entregue GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com ausência de fatos geradores. O r. acórdão – fls 232 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · O Recorrente entende que teve seu direito à ampla defesa cerceado, não apenas porque carece de razoabilidade e proporcionalidade o prazo oferecido, mas também, mormente, pelo fato de que não sendo mais Prefeito, e o adversário político do atual, o acesso a documentação necessária para comprovação de sua defesa lhe vem sendo dificultada, portanto, causandolhe atraso e, até mesmo, a impossibilidade de conseguir tais documentos. · O Julgador sequer levou em consideração a documentação apresentada em tempo hábil, o que já demonstra certa propensão à condenação de qual quer forma do Recorrente. · Para que se possa falar em responsabilidade direta do exprefeito por ato que praticou no exercício de suas funções teria que ser provado, de forma clarividente, que este agiu com dolo ou culpa, extrapolando seus poderes de representação. · O pedido de pericia foi injustificadamente indeferido. · Requer a declaração de improcedência do auto lavrado. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14751.000230/200856 Acórdão n.º 2803002.790 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento referese a auto de infração aplicado contra o Sr. JOSÉ RIBEIRO FARIAS JUNIOR, que ocupava o cargo prefeito do município de CabedeloPB, por entregar GFIP com ausência de fatos geradores. A responsabilidade do dirigente dos órgãos públicos encontrava respaldo no art. 41 da Lei 8.212/1991, como segue: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Referido artigo foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, afastando assim a base legal de imputação de responsabilidade ao dirigente de órgão público, na hipótese sub examine. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim sendo, revogada a lei que determinava a responsabilidade pela infração, há que se dar provimento ao presente recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14751.000230/200856 Acórdão n.º 2803002.790 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003083/2002-08
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998
REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ - ART. 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).
DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO. TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL. DATA DO FATO GERADOR.
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, consolidou o entendimento segundo o qual, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os casos em que se constata pagamento parcial, deve-se aplicar, na contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9900-000.243
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão que dava
provimento.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Claudemir Rodrigues Malaquias
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Pleno
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ - ART. 62-A DO ANEXO II DO RICARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO. TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL. DATA DO FATO GERADOR. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, consolidou o entendimento segundo o qual, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os casos em que se constata pagamento parcial, deve-se aplicar, na contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10320.003083/2002-08
conteudo_id_s : 5297932
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9900-000.243
nome_arquivo_s : Decisao_10320003083200208.pdf
nome_relator_s : Claudemir Rodrigues Malaquias
nome_arquivo_pdf_s : 10320003083200208_5297932.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão que dava provimento.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
id : 5108780
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046171164868608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2156; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 151 1 150 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10320.003083/200208 Recurso nº 148.894 Extraordinário Acórdão nº 990000243 – Pleno Sessão de 7 de dezembro de 2011 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida EME EMPREENDIMENTOS MARANHENSE DE ENGENHARIA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO. TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL. DATA DO FATO GERADOR. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, consolidou o entendimento segundo o qual, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os casos em que se constata pagamento parcial, devese aplicar, na contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão que dava provimento. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 3 1/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10320.003083/200208 Acórdão n.º 990000243 CSRFPL Fl. 152 2 (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffman, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, Joao Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Pedro Anan Junior. Relatório Com fundamento nos arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, a Fazenda Nacional, irresignada com o teor do Acórdão CSRF nº 0106.005, de 12.08.2008 (fls. 115/127), interpôs Recurso Extraordinário (fls. 131/146), com vistas à uniformização de divergência entre decisões de turmas desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em sede de recurso especial da Fazenda Nacional, a Primeira Turma, por maioria de votos, negou provimento ao apelo, assentando o entendimento de que o prazo decadencial deve ser contado a partir da data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), sendo que a ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento por homologação. A decisão restou assim ementada: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998 CSLL DECADÊNCIA A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido tem natureza de tributo e sujeitase à modalidade de apuração por homologação. A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da sua natureza e modalidade originária de apuração, para a CSLL aplicase a regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Deve, ainda, ser observada a Súmula Vinculante nº 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08, restando Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 3 1/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10320.003083/200208 Acórdão n.º 990000243 CSRFPL Fl. 153 3 impossível a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Recurso especial negado." Para configurar a divergência necessária à admissibilidade do recurso extraordinário, a Recorrente alega que a decisão recorrida conferiu interpretação divergente da assentada pela Segunda Turma da Câmara Superior quando proferiu o Acórdão CSRF nº 02 02.288, de 25.04.2006, cuja ementa da decisão é a seguinte: “PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173,1, do CTN. Recurso Especial Negado. " Como se depreende das ementas acima transcritas, apesar dos julgados se referirem a tributos distintos, a matéria a ser uniformizada pelo Pleno desta Corte diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação. O acórdão recorrido entendeu que a contagem se inicia a partir da data do fato gerador, enquanto que para a decisão paradigma, na ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ante a comprovação do dissenso jurisprudencial e o atendimento aos demais requisitos processuais, o Presidente Substituto do CARF deu seguimento ao recurso, conforme Despacho nº 910000.518, de 14.01.2011 (fls. 148/149). Regularmente intimado (fls. 150), a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório no essencial. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual, dele tomo conhecimento. Tratam os presentes autos de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, com vistas a resolver divergência de interpretação entre duas turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais em relação ao termo inicial para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário. Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 3 1/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10320.003083/200208 Acórdão n.º 990000243 CSRFPL Fl. 154 4 22.06.2009, o recurso extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do art. 40 do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no antigo Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25.06.2007 (RICSRF). Conforme dito acima, a questão a ser dirimida por este Colegiado cingese em definir qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a data do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do art. 173, inciso I do Código Tributário. De início, cumpre salientar, que em razão da recente alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, DOU de 22.12.2010), os colegiados desta Corte deverão reproduzir em suas decisões o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido definitivamente julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis o que estabelece o art. 62A do Anexo II, do RICARF: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” No que diz respeito ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão de 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, consolidou entendimento daquele Tribunal, em decisão assim ementada, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 3 1/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10320.003083/200208 Acórdão n.º 990000243 CSRFPL Fl. 155 5 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destacouse) O acórdão acima, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação. Contrariu sensu, nos casos em que se verifica o pagamento antecipado, como é o caso dos autos, a contagem do prazo decadencial iniciase na data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Por outras palavras, conforme assentado pelo e. Tribunal Superior, havendo pagamento parcial ou declaração prévia de débito, devese computar o prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º do CTN e, caso contrário, não se verificando o pagamento parcial e inexistindo declaração prévia de débito ou nos casos de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, referido prazo deve ser computado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 3 1/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10320.003083/200208 Acórdão n.º 990000243 CSRFPL Fl. 156 6 No caso dos presentes autos, a autuação teve origem em procedimento de revisão da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIRPJ) relativa ao anocalendário de 1997, exercício de 1998. A autoridade fiscal verificou que a Contribuinte efetuou compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL, referente ao 4º Trimestre de 1997, pela inobservância do limite de redução de 30%, previsto no art. 16 da Lei nº 9.065/1995. A Contribuinte consignou em sua DIRPJ/1998 (fls. 13), valor de CSLL retido por órgão público, tendo inclusive proporcionado saldo negativo de CSLL. Conforme consta na Ficha 11 da declaração, no 4º Trimestre de 1997 a Contribuinte apurou CSLL devida no valor de R$ 1.486,10 (Linha 21) e compensou o débito com a CSLL Retida por Órgão Público, no montante de R$ 2.101,78 (Linha 25), apurando Saldo (Negativo) de Contribuição Social no valor de R$ 615,68 (Linha 31). A compensação efetuada na declaração, que resultou na extinção do débito equivale ao “pagamento antecipado”, razão pela qual deve ser aplicada a regra prevista no art. 150, § 4º do CTN, computandose o prazo decadencial a partir da data do fato gerador. Desta forma, tendo em conta as datas de ocorrência do fato gerador do tributo (4º Trimestre de 1997 31.12.1997), a existência de retenção de CSLL por órgão público, conforme se constata pela DIRPJ/1998 (fls. 13), e a ciência do lançamento ocorrida em 03.01.2003, impõese o reconhecimento da decadência, em observância ao disposto no art. 150, § 4º do CTN, na inteligência que lhe deu o E. Superior Tribunal de Justiça, conforme decisão acima transcrita. Desta forma, não há qualquer reparo à decisão recorrida, porquanto a mesma observou este critério para reconhecer a decadência e afastar a exigência da CSLL. Pelas razões expostas, NEGO provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, mantendose inalterada a decisão recorrida. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 3 1/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 12719.001862/2009-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 14/09/2005 a 02/11/2006
DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO.
Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawback-suspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare. A inexistência dessa vinculação rende ensejo ao lançamento de ofício para a exigência dos tributos indevidamente suspensos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões, por entender que os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para comprovar o adimplemento do regime. Sustentou pela recorrente o Dr. Richard Spíndola Silva, OAB/SC nº 21.733.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 14/09/2005 a 02/11/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawback-suspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare. A inexistência dessa vinculação rende ensejo ao lançamento de ofício para a exigência dos tributos indevidamente suspensos. Recurso negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12719.001862/2009-99
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5287711
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.415
nome_arquivo_s : Decisao_12719001862200999.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 12719001862200999_5287711.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões, por entender que os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para comprovar o adimplemento do regime. Sustentou pela recorrente o Dr. Richard Spíndola Silva, OAB/SC nº 21.733. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5046506
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046171284406272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 5 1 4 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12719.001862/200999 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.415 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria Imposto de Importação Drawback Recorrente AGROVÊNETO S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/09/2005 a 02/11/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare. A inexistência dessa vinculação rende ensejo ao lançamento de ofício para a exigência dos tributos indevidamente suspensos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões, por entender que os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para comprovar o adimplemento do regime. Sustentou pela recorrente o Dr. Richard Spíndola Silva, OAB/SC nº 21.733. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de autos de infração relativos ao Imposto de Importação, ao PIS e à Cofins na importação, com ciência do contribuinte por via postal em 19/01/2010 (fl. 2442), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 18 62 /2 00 9- 99 Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 lavrados para exigir os tributos devidos em razão da não comprovação de cumprimento do regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão. Segundo o relatório de ação fiscal, o contribuinte importou milho em grãos (NCM 1005.90.10) e farelo de soja (NCM 2304.00.10) sob o regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão, com base nos atos concessórios especificados na Tabela 1 (fl. 63) para utilizar esses produtos como insumos na produção de carne de frango. Ao final das verificações, constatou a fiscalização a inexistência de registros de exportação vinculados aos atos concessórios 20050237780, 20050244280, 20050274864, 20050274880, 20050283553, 20050314718, 20060007540, 20060044675 e 20060099500. Tendo em vista a falta de comprovação do adimplemento da condição que subordinou a concessão do regime especial, foram lançados de ofício os tributos suspensos por ocasião das importações. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Nulidade do procedimento de verificação e dos autos de infração, em razão da prorrogação do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) estar eivada de vício insanável. A fiscalização descumpriu o art. 9º, parágrafo único, da Portaria nº 11.371/2007, que estabelece a obrigatoriedade da entrega formal do termo de prorrogação do MPF ao contribuinte; 2) No mérito, alegou "que quando do cadastro dos Registros de Exportação, incorreu em equivoco o contribuinte, deixando de informar no campo próprio da RE a informação de que tal exportação estava vinculada a um Ato Concessório na modalidade Drawback". 3) Alegou também que "na apresentação dos documentos, foram apresentadas todas as documentações que comprove a efetividade da exportação, mesmo que o código da RE esteja faltando, tais informações comprovam a efetividade das exportações". 4) Ainda quanto à comprovação da exportação, afirma que os "relatório de comprovação de Drawback", juntados às fls. 809, 855, 907, 952, 997, 1047, 1170, 1343, 1403 e 1754, apresentados para cada ato concessório em atendimento ao termo de início de ação fiscal, demonstram o cumprimento do compromisso assumido por ocasião da concessão do regime de drawback suspensão, não obstante ter incorrido "em equívoco ao registrar com o código errado o Registro de Exportação no sistema SISCONEX (...) ocasionando a não vinculação das exportações com as importações no regime de suspensão DRAWBACK”, pois "a vinculação física do produto importado com o produto exportado fica evidenciada, comprovando efetivamente a importação de insumos e sua posterior exportação"; 5) Colacionou jurisprudência da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (processo n° 10074.000015/200238) e da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (processo n° 10314.002321/9882) para corroborar sua tese; 6) Acrescentou que o fato de destinar aproximadamente 80% de sua produção para o mercado externo é motivo suficiente para demonstrar o emprego dos insumos importados com suspensão dos tributos nos produtos exportados, ainda mais que se excluir os referidos insumos do seu processo produtivo não há como produzir ao montante dos produtos exportados, evidenciando sua utilização naqueles produtos destinados ao mercado externo; Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12719.001862/200999 Acórdão n.º 3403002.415 S3C4T3 Fl. 6 3 7) Finalizando sua defesa, alegou que a fiscalização restringiu sua análise às obrigações acessórias não cumpridas pela beneficiária, sem avaliar corretamente a realidade dos fatos, posto que sequer solicitou os livros fiscais da impugnante, o que torna sem sentido a alegação do fisco de que não cumpriu com a condição resolutória ínsita nos atos concessórios de drawback suspensão. Por meio do Acórdão 26.387, de 21 de outubro de 2011, a 2ª Turma da DRJ – Florianópolis julgou a impugnação improcedente. Foi rejeitada a alegação de nulidade da ação fiscal por vício no MPF, sob o argumento de que as prorrogações de prazo ocorrem conforme determina a Portaria 11.371/2007 e que tais prorrogações independem da ciência ou da anuência do sujeito passivo, que pode acessar a situação do MPF via internet, por meio do código próprio que lhe foi informado no MPF inicial. No mérito, decidiu a DRJ que a legislação pertinente ao regime de drawback impõe de forma contundente que o contribuinte deve comprovar a vinculação entre o insumo importado e a mercadoria a ser exportada ao amparo do regime de drawbacksuspensão, de modo a propiciar à administração tributária o efetivo controle do emprego e destinação desses bens. Tal vinculação no drawback suspensão somente é comprovada quando os registros de exportação estiverem inequivocamente vinculados ao ato concessório do regime, o que não ocorreu no caso concreto, conforme admitiu o próprio contribuinte em sua defesa. Regularmente notificado daquele acórdão em 22/02/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/03/2012 no qual reprisou e reforçou tanto a preliminar de nulidade, quanto as alegações de mérito oferecidas na impugnação. Acrescentou que toda a documentação que comprova a vinculação física dos insumos importados com o produto fabricado e exportado foi apresentada à fiscalização em resposta à intimação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Alegou o contribuinte a nulidade dos autos de infração porque a fiscalização não teria informado ao contribuinte as duas prorrogações de prazo do MPF. O dispositivo tido como violado pelo contribuinte é o art. 9º, parágrafo único, da Portaria SRF nº 11.371/2007, que estabelece o seguinte: “As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração.” Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Embora o Auditor incumbido do procedimento deva cientificar o contribuinte das alterações introduzidas no MPF, não existe obrigatoriedade de que o ato seja formalizado por escrito. A eventual omissão da fiscalização em efetuar a comunicação não rende ensejo à nulidade dos atos praticados, pois nem a Portaria SRF 11.371/2007 e tampouco o Decreto nº 70.235/72 cominaram essa consequência jurídica à falta de comunicação da prorrogação de prazo da fiscalização ao contribuinte. Ademais, se o art. 15 da Portaria SRF 11.371/2007 estabelece que não existe nulidade em relação aos atos que tiverem sido praticados com o MPF vencido, não será a mera falta de comunicação da prorrogação de prazo do MPF, fato susceptível de eivar de nulidade os autos de infração lavrados no caso concreto. Preliminar de nulidade rejeitada. No mérito, a questão posta para deslinde por parte deste colegiado consiste em saber se o contribuinte está ou não obrigado a vincular os registros de exportação aos atos concessórios do regime especial de drawback, para fins de comprovação de adimplemento do regime, ou se esta prova pode ser feita por meio de demonstrativos ou qualquer outro documento que o contribuinte venha a apresentar. O regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão, está previsto no art. 78, II, do Decretolei n° 37/1966, que foi restabelecido pelo art. 1°, I, da Lei n° 8.402/1992 e regulamentado nos arts. 317 a 319 do RA/1985 e nos arts. 338, 340 e 342 do RA/2002. O beneficiário do regime tem direito à suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso, firmado na forma da legislação de regência, de aplicálos na fabricação e/ou elaboração de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos estipulados nos correspondentes atos concessórios (AC) expedidos pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A Portaria Secex nº 14, de 17/11/2004, estabelece o seguinte: (...) Art. 136. Os documentos que comprovam as operações de importação e exportação vinculadas ao Regime de Drawback são os seguintes: I Declaração de Importação (DI); II Registro de Exportação (RE) averbado; III Registro de Exportação Simplificado (RES) averbado; (...) Art. 141. As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de comprovação. (...) ANEXO "G" EXPORTAÇÃO VINCULADA AO REGIME DE DRAWBACK Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12719.001862/200999 Acórdão n.º 3403002.415 S3C4T3 Fl. 7 5 1. As exportações vinculadas ao Regime de Drawback estão sujeitas às normas gerais em vigor para o produto, inclusive no tocante ao tratamento administrativo aplicável. 2. Um mesmo RE não poderá ser utilizado para comprovação de Atos Concessórios de Drawback distintos de uma mesma beneficiária. 3. É obrigatória a vinculação do RE ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, RE contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante da Tabela de Enquadramento da Operação do SISCOMEXExportação, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante).” (Grifei) As mesmas exigências foram mantidas nas Portarias Secex que se sucederam no tempo (Portaria Secex nº 35, de 24/11/2006 e Portaria Secex nº 36, de 22/11/2007), as quais, por economia, abstenhome de transcrever. Assim, ao contrário do alegado pela recorrente, a legislação obriga o beneficiário do regime a vincular os registros de exportação aos respectivos atos concessórios de drawback suspensão, a fim de possibilitar à fiscalização a faculdade de verificar se os insumos importados foram de fato aplicados direta e fisicamente na produção das mercadorias exportadas. A defesa alegou que as provas da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados foi apresentada à fiscalização em resposta à intimação. Com tal alegação, a defesa se refere aos documentos juntados a partir da fl. 845, que consistem em demonstrativos que mencionam os números dos registros de exportação que correspondem a cada ato concessório acompanhados das cópias dos registros de exportação. Em relação aos RE que não indicam a qual ato concessório se referem, a documentação anexada não pode ser admitida como prova da vinculação física entre os insumos importados com suspensão e os produtos exportados, pois essa vinculação está sendo feita por meio dos demonstrativos apresentados fora do sistema Siscomex, o que não é admitido pelas Portarias da Secex acima citadas. A razão dessas Portarias exigirem que cada RE mencione o ato concessório a que se vinculam é impossibilitar que um mesmo RE seja utilizado para a comprovação de mais de um ato concessório. Aceitar que a vinculação seja feita por meio de documentos que estão fora do Siscomex (demonstrativos elaborados pelo contribuinte) significa abrir as portas para a fraude e ignorar ordem escrita constante das Portarias da Secex. Não tendo a recorrente se desincumbido do dever legal de consignar em cada registro de exportação o número do ato concessório para fins de comprovação do adimplemento do drawbacksuspensão, há que se manter a exigência dos tributos ora lançados. Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10875.720290/2008-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA TEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR.
A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17-O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000.
Hipótese em que o contribuinte apresentou o ADA intempestivamente e, intimado, não comprovou a APP mediante documentação complementar que defina os limites do imóvel referenciando-o a legislação estadual que estabeleceu a criação de áreas de preservação.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2801-003.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA TEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17-O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000. Hipótese em que o contribuinte apresentou o ADA intempestivamente e, intimado, não comprovou a APP mediante documentação complementar que defina os limites do imóvel referenciando-o a legislação estadual que estabeleceu a criação de áreas de preservação. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10875.720290/2008-31
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285875
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-003.099
nome_arquivo_s : Decisao_10875720290200831.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 10875720290200831_5285875.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Eivanice Canário da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5032306
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046171304329216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2101; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 466 1 465 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.720290/200831 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.099 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria ITR Recorrente LUIZ PAULO FRANCO ESPÓLIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA TEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000. Hipótese em que o contribuinte apresentou o ADA intempestivamente e, intimado, não comprovou a APP mediante documentação complementar que defina os limites do imóvel referenciandoo a legislação estadual que estabeleceu a criação de áreas de preservação. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 02 90 /2 00 8- 31 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 2 Tania Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Eivanice Canário da Silva. Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrada, em 03/11/2008, a Notificação de Lançamento nº 08111/00010/2008 de fls. 05/08, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 15.778,22, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, do exercício de 2003, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 11.833,66 e mais juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Capuava I”, cadastrado na RFB, sob o nº 6.933.2975, com área declarada de 116,6 ha, localizado no Município de Guarulhos/SP. A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Intimação Fiscal constante das fls. 16 a 19, datado de 16/06/2008, entregue ao contribuinte em 25/06/2008 (AR na fl. 21) considerando que a declaração apresentada para o referido imóvel rural incidiu em parâmetros de Malha Fiscal, “em trabalho de revisão interna e com a finalidade de comprovação dos dados informados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural”. O contribuinte apresentou a documentação que entendeu pertinente, em resposta à intimação fiscal, conforme fl. 23 a 47. A Notificação de Lançamento traz extensa e detalhada descrição dos fatos, com manifestação da Autoridade Fiscal sobre os pontos que nortearam seu trabalho, da qual, por oportuno, transcrevemos partes neste Relatório: “Declaração de ITR do sujeito passivo incidiu em Malha Fiscal, nos parâmetros Áreas Não Tributáveis e Cálculo do Valor da Terra Nua VTN . Verificouse, em consulta ao sistema SINAL (relatório juntado aos autos), que o contribuinte não efetuou o pagamento do ITR devido, declarado na DITR 2003. Por conseguinte, não ocorreu a extinção do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Em relação às Áreas não Tributáveis o sujeito passivo informou na Declaração de Informação e Apuração do ITR DIAT 2003, no quadro Distribuição da Área do Imóvel, 116,6 ha como Área de Preservação Permanente, visando a exclusão dessa área da incidência do ITR. Regularmente intimado, o interessado apresentou para comprovação dos valores informados em sua declaração, objeto de análise pelo Grupo de Malha Fiscal, o Ato Declaratório Ambiental intempestivo, datado de 14/07/2005. (...) Fl. 467DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 3 0 ADA está previsto na Politica Nacional de Meio Ambiente Lei n° 6.938, de 31/08/1981/ artigo 170, § 1°, com a redação dada pelo artigo I o da Lei n° 10.165, de 27/12/2000. (...) Além do exposto, o sujeito passivo não apresentou Laudo Técnico para comprovação da existência da Área de Preservação Permanente (artigo 2°, da Lei n° 4.771/1965) para a identificação do imóvel a partir do memorial descritivo, contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais, georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro. O sujeito passivo não apresentou Certidão do órgão público competente que comprovasse a existência da Área de Preservação Permanente, nos termos do artigo 3 o da Lei n° 4.771/1965. O sujeito passivo também não entregou Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos identificados que comprovassem o Valor de Terra Nua VTN informado na Declaração do ITR DITR. Quanto ao Valor da Terra Nua declarado pelo sujeito passivo, este foi contestado à vista do artigo 14 da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, transcrito a seguir: (...) Para o imóvel objeto desta Notificação de Lançamento, localizado no município de Guarulhos, o valor constante do SIPT, para o exercício de 2003, está descrito na consulta a este sistema juntada aos autos. Com base nesses dados, foi então utilizado o Valor da Terra Nua VTN para o exercício 2003, em R$ 6.770,25/ha, perfazendo um total de R$ 789.411,15 (setecentos e oitenta e nove mil, quatrocentos e onze reais e quinze centavos) conforme demonstrado... (...) Desta forma, considerando o não atendimento às exigências contidas no Termo de Intimação Fiscal n° 08111/00004/2008, a seguir discriminadas: (...) lavrouse o presente lançamento de ofício, exercício 2003, alterouse o valor da terra nua declarado pelo sujeito passivo, glosouse a área de 116,6 há relativa à Área de Preservação Permanente, em cumprimento ao art. 14 da Lei n° 9.393, de 19/12/1996.” (grifei e sublinhei) O contribuinte apresentou Impugnação, em 03 de dezembro de 2008 (fl. 58), acompanhada de farta documentação, manifestandose inconformado com a desconsideração da área declarada como de preservação permanente que, no caso, corresponde á área total do imóvel. Em seu voto vencedor, ressalta o julgador a quo que é improcedente e carece de fundamentação legal o pedido de nulidade do lançamento, pois: “No presente caso, a notificação de lançamento identificou as Fl. 468DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 4 irregularidades apuradas e motivou, de conformidade com a legislação, cada alteração efetuada na DITR/2003, de forma clara, como se depreende na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de fls. 04 a 06, em consonância, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, possibilitando assim, que o interessado apresentasse sua defesa, onde expôs os motivos de fato e de direito, os pontos discordantes da autuação, suscitando preliminares e o mérito relativamente às matérias envolvidas. O que realmente importa, é que o contribuinte tenha tomado ciência da Notificação de Lançamento e tenha exercido, dentro do prazo, o seu direito de defesa, consubstanciado na impugnação apresentada às fls. 44 a 46 e os documentos constantes dos autos.” Também discorre sobre a legalidade do lançamento. Quanto à área de preservação permanente, defende a exigência do ADA nos termos e condições fixados em atos legais e infralegais. “Assim, tornase imprescindível que as áreas ambientais, para fins de exclusão da tributação, tenham sido objeto de ADA, protocolado em tempo hábil, no Ibama. Não sendo coerente nem prudente que o requerimento do ADA junto ao IBAMA pudesse ser feito a qualquer tempo, de acordo com a conveniência do contribuinte”. Em relação a “Mata Nativa”, entende que: “Registrese que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei n° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea " e " ao art. 10, parágrafo Io , inciso II, da Lei n° 9.393, de 1996, anteriormente transcrito. E, portanto, não há justificativa para se reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária da Mata Atlântica, conforme indicadas no Inventário Florestal estavam isentas de ITR antes dessa alteração no artigo citado. Com a adoção desses procedimentos evitamse distorções, garantindo estar a exclusão do crédito tributário em consonância com a realidade material do imóvel, além de contribuir para maior obediência às normas ambientais em vigência.” Por fim, esclarece que o VTN arbitrado pela autoridade fiscal, alterando aquele declarado pelo contribuinte, não foi objeto de questionamento e considera não impugnada a matéria. Nestes termos, decidiu a 1ª Turma da DRJ/CGE por rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 20/07/2011, conforme AR na fl. 258, apresentou Recurso Voluntário em 04 de agosto de 2011, onde, em síntese, aduz que: Fl. 469DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 5 a área é de preservação permanente e de utilização não permitida – restrição total – e, tendo em vista que a interdição se deu por ato do Governo do Estado de São Paulo, para atender a finalidades hidrológicas, é desnecessário apresentar Laudo Técnico e ADA. Cita jurisprudência do STJ; conclui que “tendo o impugnante demonstrado a eficácia do laudo técnico e que de acordo com o Decreto Estadual” e outras legislações, toda a área é de preservação permanente, a lavratura da Notificação de Lançamento mostrase descabida, pugnando pelo seu cancelamento ou anulação. Protesta pela juntada de novos documentos esclarecedores ou que forem determinados; É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. Primeiramente, é imperioso observar que o recorrente não traz novos fatos a serem observados na apreciação deste recurso voluntário, concentrando, como ele expressamente reporta, sua manifestação de inconformidade quanto ao não reconhecimento de áreas isentas ou não tributadas, por conta da exigência de formalidades bem esclarecidas pelo julgador de 1ª instância. Porém, ressaltamos que o valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte, foi alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB) pela autoridade lançadora. Não obstante, esta matéria não foi mencionada pelo recorrente em seu recurso e, tendo em vista o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/1972, considerarseá não impugnada e não será objeto de análise. Façamos ainda breve digressão sobre o instituto da isenção tributária: CTN Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração Natureza da isenção. Conforme art. 175, caput, a isenção exclui o crédito tributário, ou seja, surge a obrigação, mas o respectivo crédito não será exigível; logo, o cumprimento da obrigação resta dispensado. Para Rubens Gomes de Souza, favor legal consubstanciado na dispensa do pagamento de tributo. Para Alfredo Augusto Becker e José Souto Maior Borges, hipótese de nãoincidência da norma tributária. Para Paulo de Barros Carvalho, o preceito de isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério antecedente ou do conseqüente da norma tributária, paralisando a atuação da regra matriz de incidência para certos e determinados casos.(PAULSEN. Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 10 ed – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1179) Fl. 470DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 6 MÉRITO DO ADA COMO REQUISITO PARA ISENÇÃO A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. A jurisprudência da Câmara Superior deste CARF já se manifestou em julgamento no Acórdão 9202 – 002.383 no seguinte sentido: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 7 I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe ressaltar que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á Fl. 472DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 8 aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) O órgão de controle, Ibama, a seu turno, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a supra mencionada Portaria, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório AmbientalADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR ; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 9 Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Bem, não estamos, ainda, discutindo a existência da área de preservação permanente, frisese. A não existência ou a não preservação poderia ensejar, para o proprietário, outras repercussões ou sanções previstas na legislação ambiental/penal. Na esfera tributária, o que nos cabe discutir e avaliar, creio, é se os requisitos estabelecidos para que seja aproveitada uma isenção estão presentes. Não me parece que a exigência do ADA não tenha previsão legal. Tampouco que ela não esteja disciplinada e ainda que não seja, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. Notese que a lei que estamos citando é de 2000 (Lei nº 10.165) e o exercício tributário para fins de ITR o de 2003. E ainda que o procedimento administrativo deuse em 2008. Oito anos se passaram, portanto. Com o devido respeito à jurisprudência colacionada pelo contribuinte recorrente, entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, desta feita, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Contudo, entendendo a autoridade fiscal que se faz necessária comprovação, principalmente no que diz respeito a uma isenção pleiteada pelo declarante, cabe a este atendê Fl. 474DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 10 la. Quando não o faz, na forma prevista em diploma legal, que, portanto, revestese de todas as prerrogativas e formalidades que possamos aqui discutir, é de entenderse que restou não comprovada a veracidade da declaração. Assim, data vênia, não vejo que o dispositivo legal tenha vindo a criar uma isenção sem condições ou requisitos para sua fruição ou mesmo permita entender que outros documentos possam vir a suprir um especificamente indicado por Lei. Também não vislumbro que caiba ao Fisco provar que o contribuinte não satisfaz os requisitos para isenção, cabendo apenas regularmente intimálo para tal, estando a cargo do declarante comprovar a veracidade das informações. DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ADA. No que diz respeito ao prazo para apresentação do ADA, a legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR. A DITR do exercício de 2003 deveria ser entregue até o dia 30 de setembro de 2003, conforme dispunha o art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 344, de 23 de julho de 2003. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2003 poderia ser entregue até o dia 31 de março de 2004. Já tendo sido decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste CARF a necessidade de sua apresentação, conforme citado, há outra controvérsia a ser tratada. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Vejase, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 11 requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira)(grifei) Mais uma vez, com o devido respeito à jurisprudência, agora administrativa, peço vênia para discordar, por dois aspectos: o primeiro, de cunho formal, entendendo que a lei não fixou prazo para apresentação do ADA e não deveria mesmo fazêlo, competindo aos órgãos administrativos disciplinarem esta entrega, estabelecendo modelos, formulários, vias de apresentação e prazo. É o que é feito em todas as declarações a serem apresentadas pelo contribuinte e estava previsto no Decreto que regulamenta o ITR, nº 4.382/2002, já transcrito. O segundo, de interesse material, pois como a idéia subjacente a essa finalidade, da exigência do ADA, é de informar ao órgão ambiental sobre as áreas isentas do ITR, para que este possa, se assim desejar, verificar a real existência dessas áreas, deve haver um “tempo” para tal, não podendo o contribuinte fazer isso a seu bel prazer. Considerando que existe fixada a data de ocorrência do fato gerador, o prazo para entrega de declaração do ITR, o prazo decadencial para eventual constituição de crédito tributário, não creio razoável aceitar que o contribuinte possa entregar o ADA até o início da ação fiscal, o que não daria tempo ao IBAMA de verificar se as áreas realmente existem, efetuar o controle ambiental e informar à RFB a eventual irregularidade, a ser considerada na mesma ação fiscal. Quando fixa o prazo para a entrega do ADA em até seis meses após a data de entrega da DITR, além de estar atendendo ao comando legal de que não é necessária “prévia comprovação” para valerse da isenção na DITR, mostrase benéfica ao contribuinte, já que, se não o fizesse, o cumprimento da exigência deveria se reportar então à data de ocorrência do fato gerador, onde se apura a situação do imóvel para efeitos de lançamento do imposto, sujeito a lançamento por homologação. Na esteira dessa Decisão da CSRF deste CARF surgiram outras, como a seguinte, que, com as ressalvas que fizemos acima, estabelecendo nosso entendimento a respeito do prazo, aplicamse perfeitamente ao deslinde do caso em questão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Como a lei não fixou prazo para a obrigação, é possível admitir a apresentação do documento até o início da ação fiscal. Entretanto, o contribuinte deve comprovar a existência da área com documentação complementar. Precedentes da CSRF. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 12 Hipótese em que o contribuinte apresentou o ADA intempestivamente antes do início da ação fiscal, mas não comprovou a APP mediante documentação complementar.(Acórdão 2101001.838 1ª Câmara 1ª Turma Ordinária) (grifei) DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA. Pois bem, juntamente com seu recurso voluntário o contribuinte anexa extensa documentação a fim de comprovar suas razões, que passamos a analisar. Primeiro, traz a Lei nº 898 de 18 de dezembro de 1975, do Governo do Estado de São Paulo, que disciplina o uso do solo para a proteção de recursos hídricos na região metropolitana da cidade de São Paulo; a seguir a Lei nº 1.172 de 17 de novembro de 1976, também do Estado de São Paulo, que delimita as áreas de proteção relativas aos mananciais a que se refere o art. 2º da Lei supracitada. Essa Lei nº 1.172 de 1976, diz que “ficam delimitadas, como áreas de proteção, as contidas...conforme levantamento gráfico constante da coleção de cartas planialtimétricas, em escala 1: 10.000, do levantamento aerofotogamétrico do sistema cartográfico metropolitano, efetuado em 1974, registrado no Estado Maior das Forças Armadas, sob nº 95/74, e cujos originais serão autenticados e depositados na Secretaria de Negócios Metropolitanos”. (art. 1º) Também colaciona o contribuinte o Decreto nº 9.714, de 19 de abril de 1977, onde o governo estadual disciplina a aplicação das leis acima mencionadas e onde também se verifica que mediante aprovação da Secretaria dos Negócios Metropolitanos, é possível a utilização das áreas em comento para diversas atividades, inclusive loteamentos, industriais e recreativas, dentre várias outras (art. 5º) Na folha 361, Roberto Aparecido Franco, requer, em 14 de outubro de 1986, ao Diretor da Divisão de Proteção de Recursos Naturais do Município de São Paulo que “se digne a expedir um laudo de aproveitamento econômico” para uma gleba com 261,45 hectares situada no Município de Guarulhos. Na folha 360, a Diretora da Equipe Técnica da DPRN comunica o indeferimento de seu pedido, por se tratar de área de reserva ecológica e de preservação permanente. Chamo a atenção que o requerente não é o contribuinte aqui recorrente e a extensão de área mencionada não corresponde à área aqui em discussão. Nas fls. 362 e 363 constam recibo de ADA formulário 2007, protocolado em 14/09/2007 e recibo de ADA formulário 2004 protocolado em 14/07/2005, respectivamente. Foi apresentado ainda um “inventário florestal” datado de 1994, com a finalidade de espelhar as condições de recobrimento florestal do imóvel que descreve, de propriedade de Eda Franco e outros, em ação ordinária de indenização que movem contra a Fazenda Pública Municipal, datada de 1992. Mencionase um imóvel com 640,96 hectares. (fl. 367). O Engenheiro Florestal, que subscreve o inventário, menciona que existe anexado, dentre outros: “planta planialtimétrica das áreas do imóvel objeto da ação, na escala 1:10.000, elaborada pela Emplasa.” Mas tal anexo não consta do processo. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 13 Por fim, observo que na fl. 26 consta Certidão expedida por Cartório de Registro de Imóveis onde se verifica que Estevam Franco e esposa, Palmira Franco, Eda Franco, Luiz Paulo Franco e Roberto Aparecido Franco adquiriram, em 26 de março de 1974, por doação com reserva de usufruto, um imóvel rural denominado Fazenda Capuava, com 1.510, 55 hectares, localizado no Município de Guarulhos/SP. Observase na Certidão, ainda, que esta área original teve destinações diversas, tendo inclusive sido transferida uma parte para uma indústria de bebidas. Desta feita, com o que consta dos autos, penso que não é possível ao julgador firmar convicção de que a área de 116,6 hectares, da Fazenda Capuava I, conforme informado na DITR, declarada por Luiz Paulo Franco, esteja totalmente enquadrada nos dispositivos de lei estadual, haja vista a análise exposta, sendo necessária a apresentação de Laudo Técnico, expedido pro profissional habilitado, com georeferenciamentos e conclusões claras apontando para tal. Portanto, discordo das alegações do contribuinte de que tal Laudo não seja necessário ao deslinde da questão. CONCLUSÃO A despeito de trazer documentos e argumentos que possam levar a crer a existência de áreas não tributáveis em sua propriedade rural, o contribuinte não apresentou Laudo Técnico que comprove suas alegações de que a totalidade da área de seu imóvel declarado está inserida em legislação estadual que estabeleceu área de proteção ambiental nem providenciou tempestivamente os atos formais necessários ao reconhecimento de seu direito à isenção. Tais atos são importantes para que seja possível o cadastro e a fiscalização pelos órgãos estatais competentes e se atinjam fins maiores de preservação ambiental e direitos coletivos. A isenção tributária, a meu ver, figura como incentivo ao fim colimado e os atos formais como meio de controle a este mesmo fim. No caso de isenção tributária, compete à lei estabelecer quais sejam os requisitos e formalidades para seu aproveitamento e à legislação infralegal disciplinar os meios para seu cumprimento. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN 14 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000667/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração apenas para sanar obscuridade, contradição ou omissão, não podendo ser utilizados com a finalidade de novo julgamento sobre matéria já enfrentada.
Numero da decisão: 3301-001.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração apenas para sanar obscuridade, contradição ou omissão, não podendo ser utilizados com a finalidade de novo julgamento sobre matéria já enfrentada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13502.000667/2007-88
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5292144
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.688
nome_arquivo_s : Decisao_13502000667200788.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANDREA MEDRADO DARZE
nome_arquivo_pdf_s : 13502000667200788_5292144.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé - Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
id : 5063063
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046171902017536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 10 1 9 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000667/200788 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301001.688 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2013 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Embargante COPENOR CIA PETROQUÍMICA DO NORDESTE. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração apenas para sanar obscuridade, contradição ou omissão, não podendo ser utilizados com a finalidade de novo julgamento sobre matéria já enfrentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Copenor Cia Petroquímica do Nordeste contra a o Acórdão nº 3301001.444, proferido na sessão de 26 de abril de 2012. Alega a Embargante, em apertada síntese, que teria havido contradição e obscuridade do acórdão recorrido, por não ter homologado seu pedido de compensação, a despeito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 06 67 /2 00 7- 88 Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 reconhecer a existência de decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL, Em face da razão apresentada, requereu fossem acolhidos e providos os embargos de declaração opostos, a fim de que fosse sanada a omissão apontada. Voto Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Pois bem. Alega a Embargante contradição por não ter a decisão recorrida, a despeito de reconhecer a existência de decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL, homologado seu pedido de compensação. Ocorre que basta uma simples leitura do acórdão recorrido para constatar a total improcedência da presente alegação. Afinal, a quase totalidade do voto foi dedicada à análise do conteúdo da decisão transitada em julgado, a fim de verificar a existência de qualquer manifestação judicial proibindo a compensação dos créditos reconhecidos: Conforme é possível perceber do relato acima, a solução da presente controvérsia requer, preliminarmente, a verificação (i) da existência de sentença transitada em julgado reconhecendo o indébito tributário, (ii) bem como da inexistência de qualquer manifestação judicial proibindo a compensação desses créditos. Afinal, apenas diante de resposta positiva à essas questões é que se será necessário observar se, no caso concreto, foram atendidas as demais condições legais para se pleitear administrativamente a compensação de indébitos reconhecidos judicialmente. Pois bem. A ora Recorrente propôs Ação Ordinária, protocolada no sob o n° 92/3478, objetivando a declaração de inexigibilidade do FINSOCIAL, face a sua inconstitucionalidade, desobrigando se as autoras ao seu recolhimento e condenandose a ré a restituir todos os valores recolhidos a esse título. Em 24 de novembro de 1994 transitou em julgado sentença que julgou parcialmente procedente o pedido da Autora, declarando apenas a inexigibilidade da contribuição para o FINSOCIAL com as alterações de sua base de cálculo e alíquotas promovidas pela legislação ordinária após a Constituição de 1988. Relativamente ao pedido de restituição, restou decido que, para seu deferimento seria indispensável a comprovação do recolhimento, prova esta inexistente nos autos.(fl. 233) Posteriormente, ainda nos autos a ação ordinária, a ora Recorrente pleiteou fosse declarado o direito à compensação dos créditos relativos aos valores efetivamente recolhidos ao Fisco Federal com alíquota majorada acima de 0,5%, o que foi expressamente indeferido pelo MM. Juízo a quo. No entender da autoridade julgadora, o pedido fugiria aos limites objetivos da Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13502.000667/200788 Acórdão n.º 3301001.688 S3C3T1 Fl. 11 3 coisa julgada, uma vez que não teriam restado comprovados nos autos os pagamentos indevidos. Contra a decisão que indeferiu a compensação, foi interposto Agravo de Instrumento. Em 14 de setembro de 2000, foi proferido acórdão negando provimento ao recurso, contra o qual foi interposto Recurso Especial, o qual foi retido até ser prolatada decisão final da causa. Durante o trâmite do referido Agravo de Instrumento, ora Recorrente deu início à liquidação da sentença por artigos. Em 14 de março de 2002, foi deferida a realização de prova pericial. Nesta decisão, ressaltouse que o Tribunal Regional Federal teria mantido a decisão que indeferiu o pedido de restituição (certidão de fls. 465, daqueles autos). No dia 28 de agosto de 2007, foi proferida sentença, submetida ao duplo grau de jurisdição obrigatório, julgando provados os artigos de liquidação, acolhendo as conclusões da perícia contábil e fixando os seguintes montantes: R$ 1.215.728,15 à empresa METANOR S/A METANOL DO NORDESTE; R$ 1.192.385,10 à empresa COPENOR COMPANHIA PETROQUÍMICA DO NORDESTE e R$ 414.607,49 à empresa GASNOR GASES DE SINTESE DO NORDESTE, atualizados até maio de 2004. Em 12 de setembro de 2007, o recurso de apelação interposto pela ora Recorrente e o reexame necessário foram recebidos com efeito suspensivo. Desde 24 de novembro de 2008 referidos recursos encontramse conclusos ao Relator Des. Fed. Leomar Amorim. A narrativa foi longa, porém necessária. Com efeito, do exame detalhado dos fatos inferese que, a despeito de a ora Recorrente, efetivamente, ter ao seu favor sentença judicial transitada em julgado reconhecendo a inexigibilidade do FINSOCIAL, face a sua inconstitucionalidade, desobrigandoa ao seu recolhimento, neste mesmo processo restou indeferido o seu direito à compensação. De fato, com provimento judicial transitado em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade da majoração do FINSOCIAL, a ora Recorrente não precisaria de manifestação específica do Poder Judiciário para exercer o seu direito à compensação dos valores indevidamente pagos nas vias administrativas. Para isso, seria suficiente a apresentação da documentação contábil e fiscal suficiente para apuração do indébito. Ocorre que, tendo a ora Recorrente optado por pleitear ao Poder Judiciário o reconhecimento expresso do seu direito à compensação e tendo aquele órgão indeferido o seu pedido (decisão esta que não foi reformada até o presente momento), não cabe a este colegiado, ignorar a existência de pronunciamento judicial específico proibindo a compensação dos valores indevidamente pagos a título de FINSOCIAL. Atitude Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 em sentido contrário implicaria descumprimento de decisão judicial, o que é vedado pelo sistema brasileiro. Tecidos estes comentários, inferese que é justamente pela existência de decisão judicial específica proibindo a compensação dos valores indevidamente pagos que a ora Recorrente não poderá apresentar validamente pedido administrativo de compensação. Mesmo que munida de coisa julgada reconhecendo a inconstitucionalidade da majoração da FINSOCIAL, enquanto não for afastada a decisão que proibiu a compensação, não poderá a ora Recorrente optar por esta via para a restituição dos valores indevidamente pagos. Notese que não se tem aqui, propriamente, violação ao art. 170A, do Código Tributário Nacional. De fato, a ora Recorrente possui sentença judicial transitada em julgado ao seu favor. O que se verifica no caso concreto, reafirmese, é apenas e tão somente a existência de decisão judicial vedando a compensação de valores indevidamente pagos. Sendo assim, caso a contribuinte obtenha provimento judicial reformando a decisão que indeferiu seu pedido à compensação, poderá a apresentar nova PER/DCOMP, desde que renuncie à execução judicial do título e o faça no prazo de cinco anos a contar da renúncia, nos termos da IN 900 da SRF. Postas essas razões jurídicas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Por outro lado, vale ressaltar que a própria Recorrente reconhece nos seus Embargos de Declaração que o Poder Judiciário indeferiu seu pedido de compensação, o que, tratandose de decisão judicial transitada em julgado, certo ou errado, impede este colegiado de reanalisar a matéria. Diante do exposto, rejeito os Embargos de Declaração opostos. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Relatora Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720621/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. A falta de escrituração da movimentação bancária no Livro Caixa é insuficiente para justificar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal com fundamento no art. 14, inciso II da Lei nº 9.317/96. EXIGÊNCIAS DECORRENTES. Não sendo possível inovar a exigência, mediante acréscimo de fundamentação legal e de critérios de cálculo segundo a sistemática simplificada de recolhimento, uma vez afastada a exclusão do Simples Federal devem ser canceladas as exigências formalizadas por meio de arbitramento dos lucros e segundo a sistemática cumulativa de apuração das contribuições sobre a receita.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. O art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006 autoriza a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional não só quando ela deixa de escriturar o Livro Caixa, como também quando o faz sem integrar a movimentação bancária mantida em contas de sua titularidade. ARBITRAMENTO. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). Uma vez cientificado da exclusão, o sujeito passivo não pode se abster de optar por uma das formas regulares de tributação do lucro, reconstituindo sua escrituração comercial e fiscal para fundamentá-la. Tal omissão implica o arbitramento dos lucros e, por conseqüência, a exigência das contribuições sobre a receita na forma cumulativa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OPERAÇÕES DE COBRANÇA. DESÁGIOS E DESCONTOS. Divergências entre o valor das notas fiscais cobradas e os depósitos cuja comprovação de origem é exigida, quando decorrentes de deságios e descontos, devem ser provadas por documento idôneo, emitido por empresa de fomento mercantil, caso esta figure como intermediária nas operações, ou pelo cliente que promove o pagamento com desconto. MULTA QUALIFICADA. A presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que verificada de forma reiterada, somente autoriza a qualificação da penalidade se demonstrada a natureza dos depósitos e a intenção do sujeito passivo em não computar na base tributável dos períodos fiscalizados valores que corresponderiam a receitas ou ganhos. De forma semelhante, irregularidades na escrituração que ensejam a exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros são insuficientes para justificar a aplicação de multa qualificada sobre os créditos tributários daí decorrentes. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1101-000.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 01) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do Simples Federal e às exigências pertinentes ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do Simples Nacional, em relação ao período posterior a 30/06/2007, votando pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido a partir de 01/07/2007 (arbitramento); e 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. A falta de escrituração da movimentação bancária no Livro Caixa é insuficiente para justificar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal com fundamento no art. 14, inciso II da Lei nº 9.317/96. EXIGÊNCIAS DECORRENTES. Não sendo possível inovar a exigência, mediante acréscimo de fundamentação legal e de critérios de cálculo segundo a sistemática simplificada de recolhimento, uma vez afastada a exclusão do Simples Federal devem ser canceladas as exigências formalizadas por meio de arbitramento dos lucros e segundo a sistemática cumulativa de apuração das contribuições sobre a receita. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. O art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006 autoriza a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional não só quando ela deixa de escriturar o Livro Caixa, como também quando o faz sem integrar a movimentação bancária mantida em contas de sua titularidade. ARBITRAMENTO. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). Uma vez cientificado da exclusão, o sujeito passivo não pode se abster de optar por uma das formas regulares de tributação do lucro, reconstituindo sua escrituração comercial e fiscal para fundamentá-la. Tal omissão implica o arbitramento dos lucros e, por conseqüência, a exigência das contribuições sobre a receita na forma cumulativa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OPERAÇÕES DE COBRANÇA. DESÁGIOS E DESCONTOS. Divergências entre o valor das notas fiscais cobradas e os depósitos cuja comprovação de origem é exigida, quando decorrentes de deságios e descontos, devem ser provadas por documento idôneo, emitido por empresa de fomento mercantil, caso esta figure como intermediária nas operações, ou pelo cliente que promove o pagamento com desconto. MULTA QUALIFICADA. A presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que verificada de forma reiterada, somente autoriza a qualificação da penalidade se demonstrada a natureza dos depósitos e a intenção do sujeito passivo em não computar na base tributável dos períodos fiscalizados valores que corresponderiam a receitas ou ganhos. De forma semelhante, irregularidades na escrituração que ensejam a exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros são insuficientes para justificar a aplicação de multa qualificada sobre os créditos tributários daí decorrentes. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10882.720621/2012-21
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289299
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1101-000.918
nome_arquivo_s : Decisao_10882720621201221.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 10882720621201221_5289299.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 01) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do Simples Federal e às exigências pertinentes ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do Simples Nacional, em relação ao período posterior a 30/06/2007, votando pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido a partir de 01/07/2007 (arbitramento); e 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
id : 5051669
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172029943808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.720621/201221 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.919 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2013 Matéria SIMPLES Exclusão e Omissão de Receitas Recorrente LETEM ESTAMPARIA E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. A falta de escrituração da movimentação bancária no Livro Caixa é insuficiente para justificar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal com fundamento no art. 14, inciso II da Lei nº 9.317/96. EXIGÊNCIAS DECORRENTES. Não sendo possível inovar a exigência, mediante acréscimo de fundamentação legal e de critérios de cálculo segundo a sistemática simplificada de recolhimento, uma vez afastada a exclusão do Simples Federal devem ser canceladas as exigências formalizadas por meio de arbitramento dos lucros e segundo a sistemática cumulativa de apuração das contribuições sobre a receita. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. O art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006 autoriza a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional não só quando ela deixa de escriturar o Livro Caixa, como também quando o faz sem integrar a movimentação bancária mantida em contas de sua titularidade. ARBITRAMENTO. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). Uma vez cientificado da exclusão, o sujeito passivo não pode se abster de optar por uma das formas regulares de tributação do lucro, reconstituindo sua escrituração comercial e fiscal para fundamentála. Tal omissão implica o arbitramento dos lucros e, por conseqüência, a exigência das contribuições sobre a receita na forma cumulativa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OPERAÇÕES DE COBRANÇA. DESÁGIOS E DESCONTOS. Divergências entre o valor das notas fiscais cobradas e os depósitos cuja comprovação de origem é exigida, quando decorrentes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 06 21 /2 01 2- 21 Fl. 8705DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 3 2 deságios e descontos, devem ser provadas por documento idôneo, emitido por empresa de fomento mercantil, caso esta figure como intermediária nas operações, ou pelo cliente que promove o pagamento com desconto. MULTA QUALIFICADA. A presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que verificada de forma reiterada, somente autoriza a qualificação da penalidade se demonstrada a natureza dos depósitos e a intenção do sujeito passivo em não computar na base tributável dos períodos fiscalizados valores que corresponderiam a receitas ou ganhos. De forma semelhante, irregularidades na escrituração que ensejam a exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros são insuficientes para justificar a aplicação de multa qualificada sobre os créditos tributários daí decorrentes. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 01) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do Simples Federal e às exigências pertinentes ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do Simples Nacional, em relação ao período posterior a 30/06/2007, votando pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido a partir de 01/07/2007 (arbitramento); e 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 8706DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório LETEM ESTAMPARIA E SERVIÇOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE manifestação de inconformidade interposta contra exclusões da contribuinte do SIMPLES Federal e do SIMPLES Nacional, e PARCIALMENTE PROCEDENTE impugnação interposta contra lançamentos formalizados em razão daquelas exclusões. Por meio dos Atos Declaratórios Executivos DRF/Osasco nº 14 e 15, ambos de 12/03/2011 (fls. 4274/4275), a contribuinte foi excluída do Simples Federal a partir de 01/01/2007 (arts. 12 e 14, inciso II, da Lei nº 9.317/96), e do Simples Nacional a partir de 01/07/2007 (arts. 28 e 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006), por ter deixado de escriturar, nos anos de 2007 e 2008, a movimentação bancária da contacorrente n.º 1128847, agência 248, Banco Unibanco, e da conta poupança de n.º 2287915, da mesma agência e banco. (fl. 4272). Para exclusão do Simples Federal também foi anotada a falta de apresentação do Livro Registro de Inventário. Em razão destas exclusões, seu lucro foi arbitrado a partir das receitas presumidas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, bem como decorrentes de serviços prestados, resultando em dois grupos de lançamentos, o primeiro pertinente aos dois primeiros trimestres de 2007, cientificado em 27/03/2012, no valor total de R$ 3.254.457,67 (fls. 4278/4326), e o segundo pertinente aos dois últimos trimestres de 2007 e ao anocalendário 2008, cientificado em 18/06/2012, no valor total de R$ 7.610.156,52 (fls. 6365/6458). Além do IRPJ e da CSLL sobre o lucro arbitrado, também foram exigidas Contribuição ao PIS e COFINS sobre as receitas apuradas. Os extratos bancários foram apresentados pela fiscalizada, e a partir deles a autoridade lançadora exigiu a comprovação da origem dos valores ali creditados, subsistindo alguns sem qualquer comprovação, e outros com comprovação insuficiente, dada a não coincidência com os valores e datas dos depósitos em sua conta bancária. A autoridade fiscal observou que a maior parte dos valores comprovados são atinentes a recursos das empresas Tecnoestamp Ind. e Com. Ltda, CNPJ 05.632.850/000126, e Metalúrgica Tecnoestamp Ltda., CNPJ 57.507.345/000153, movimentados na conta do contribuinte, tendo sido apresentados extratos de títulos de movimentação bancária, notas fiscais em nome dessas empresas, além de ter sido realizado procedimento de diligência, junto às empresas DECTECH INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA., CNPJ 02.243.006/000115, VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA., CNPJ 59.104.422/000150 e DNP INDÚSTRIA E NAVEGAÇÃO LTDA., CNPJ 05.992.519/000117, com o fito de analisar a origem e titularidade dos referidos recursos, através do confronto e cotejo de informações. O lucro foi arbitrado em face da desqualificação da escrita fiscal e contábil do contribuinte, pela falta da escrituração de sua movimentação bancária no Livro Caixa e por ter deixado de registrar sua movimentação financeira, o que resultou na exclusão do SIMPLES, consoante dispõe o art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda. Na medida em que a contribuinte informou prestar serviços de estamparia para industrialização, e Fl. 8707DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 5 4 de declarar todos seus rendimentos como sendo originários de prestação de serviços, a autoridade fiscal adotou o coeficiente de 38,4% para arbitramento dos lucros. As exigências foram acrescidas de multa qualificada, porque evidenciado que o contribuinte, por períodos sucessivos, não só do ano de 2007, como também do ano 2008, deixou de oferecer à tributação parte dos valores movimentados em sua contacorrente, tendo, também, deixado de escriturar contabilmente, de forma repetida e sucessiva, ao longo de vários períodos, sua movimentação bancária e financeira, sobretudo dos recursos que constituem a omissão de receitas objeto do presente lançamento. Essas práticas reiteradas só podem ser reputadas como evidente intuito de deixar à margem da tributação parte dos ganhos do contribuinte. Ademais, não se mostra plausível admitirse erro de não registro na contabilidade e de não oferecimento à tributação de valores de significativa grandeza, auferidos em períodos sucessivos, restando, pois, como evidente intuito de fraudar a lei tributária e sonegar informação ao Fisco sobre a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária, impondose, pois, a multa prevista no art. 44, § 1º da Lei 9.430/96, em virtude da configuração das condutas descritas nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64. Impugnando as exigências, a autuada alegou que a titularidade dos valores das contas auditadas seria de seus clientes (para os quais executaria serviços de cobrança); que o auto de infração era ilegal por não se verificar sonegação ou fraude; e que o arbitramento era nulo porque baseado, apenas, na falta de escrituração das movimentações bancárias no Livro Caixa, aspecto insuficiente para caracterizar a imprestabilidade de sua escrituração, além de não estar ela obrigada a escriturar em seus livros movimentações de terceiros. Arguiu a decadência dos créditos tributários correspondentes aos fatos geradores de 01/2007 a 03/2007, posto que houve pagamento e não há dolo, fraude ou simulação. Apontou erro no cálculo do arbitramento, porque não abatidos os recolhimentos feitos na sistemática simplificada, e afirmou confiscatória a multa aplicada. Invocou jurisprudência administrativa contrária ao arbitramento dos lucros em razão da falta de escrituração de parte da movimentação bancária, bem como em favor da prévia intimação da fiscalização para regularização de sua escrituração, antes do arbitramento. Opôsse à imputação de omissão de receitas porque não comprovada a efetiva aquisição de disponibilidade econômica e jurídica de renda, especialmente ante os fortes indicativos de que esses valores percentem a clientes da empresa. Discordou das exigências feitas pela Fiscalização acerca da coincidência de datas e valores para comprovação da origem dos depósitos, dado que a lei não traz estas referências, e fez menção aos esclarecimentos prestados para justificar as divergências. Reportouse a documentos apresentados à Fiscalização que comprovariam não ser sua a titularidade dos valores movimentados nas contas questionadas, e detalhou a atividade de cobrança que seria por ela realizada, para justificar os valores autuados. Asseverou que a multa aplicada ofende os princípios da proporcionalidade e do não confisco, e que não houve fraude ou sonegação, mormente tendo em conta a boafé da contribuinte ao apresentar ao Fisco todos os documentos de que dispunha. Disse que foi presumida sua máfé, sem qualquer fundamento. E invocou a legislação civil contrária à aplicação de penalidade superior ao principal devido. Manifestando inconformidade contra os atos de exclusão, argumentou que não restou configurada a falta de escrituração do Livro Caixa ou de sua movimentação financeira, na medida em que os valores movimentados em suas contas seriam de titularidade Fl. 8708DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 6 5 de terceiros. Acrescentou que não houve prejuízo ao Fisco, porque estas informações poderiam ser obtidas diretamente junto aos outros contribuintes e reiterou argumentos de sua impugnação. Mencionou que o Ato Declaratório nº 15 seria nulo em razão da disparidade entre o motivo e o enquadramento legal nele referido. Aduziu que o art. 29, inciso VIII da Lei Complementar nº 123/2006 não trata da exclusão do regime simplificado, e que não houve discussão acerca de embaraço à fiscalização. A Turma julgadora rejeitou as manifestações de inconformidade argumentando que a conseqüência prevista em lei, no caso de não manutenção do Livro Caixa contendo a movimentação financeira e bancária, é justamente a exclusão do regime, quer por falta de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, quer por prática reiterada de infração à legislação tributária, como também pela própria constatação de ausência do registro da movimentação financeira e bancária no Livro Caixa apresentado. Observou que eventual insuficiência ou erro no enquadramento legal não enseja a nulidade do feito fiscal se narrados adequadamente os fatos imputados, permitindo regular defesa do interessado. E, ainda que provada a origem dos depósitos bancários, a exclusão subsistiria, ante a falta de escrituração da movimentação bancária, mesmo que resultante de atividades de cobrança. Quanto às impugnações, reconheceu sua parcial procedência, mas apenas para excluir da exigência os valores recolhidos na sistemática simplificada de recolhimento. Os demais argumentos da defesa foram assim rejeitados: · A contribuinte estava obrigada a registrar todas as suas operações, ainda que resultantes de atividade de cobrança, como alegado. E não logrando ela demonstrar a origem dos valores depositados em contas de sua titularidade, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza a presunção de que receitas foram omitidas. A Súmula CARF nº 26, por sua vez, dispensa o Fisco de provar o consumo da renda nestes casos; · Os lançamentos não abarcam todos os créditos verificados em suas contas correntes, mas apenas os depósitos cuja origem não foi comprovada. Intimada, a contribuinte não logrou apresentar prova suficiente, e em impugnação a mera alegação de que os valores depositados pertenceriam aos seus clientes é insuficiente para afastar a exigência. · A amostragem apresentada acerca de operações da Tecnoestamp com empresas de fomento comercial é insuficiente porque não comprovado que os valores recebidos foram repassados ao efetivo titular dos créditos. De outro lado, as diligências pretendidas pela impugnante são injustificáveis, porque é seu o ônus da prova. Além disso, não foram atendidos os requisitos legais para requerimento de perícia. · Quanto ao arbitramento, registrou que a contribuinte foi intimada a se manifestar acerca de sua opção pelo regime de tributação do IRPJ e da CSLL, trazendo a documentação necessária, na medida em que a escrituração até então apresentada ensejava o arbitramento dos lucros. Mas preferiu a contribuinte discordar da exclusão, informando que apresentaria defesa contra ela. · Reconhecida a falta de escrituração de movimentação financeira no Livro Caixa, pertinente o arbitramento com fundamento no art. 530, inciso II do Fl. 8709DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 7 6 RIR/99. Por sua vez, os questionamentos contra estas disposições legais dirigemse à declaração de sua inconstitucionalidade, providência impossível no âmbito do contencioso administrativo. · O fato de a contribuinte ter movimentado recursos em contas de sua titularidade e deixar de escriturar a sua movimentação bancária e financeira, por vários períodos, omitindoos da tributação, não podem ser atribuídos apenas a erros, mas denotam intuito de deixar à margem da tributação parte dos ganhos auferidos. A alegação de que os recursos pertenceriam a terceiros não a exonera de registrar a movimentação bancária e demonstrar a real receita auferida, mesmo porque a interessada não demonstra que teria repassado tais recursos aos terceiros deles titulares. Pertinente a qualificação da penalidade não só quando o procedimento fraudulento adotado pelo contribuinte vise a impedir o conhecimento direto do fato jurídico tributário, mas também seu conhecimento indireto, por meio das presunções legais, criando óbices ao conhecimento do fato indiciário. · O alegado caráter confiscatório da penalidade remete a questão para a apreciação de constitucionalidade da norma, inadmissível no contencioso administrativo. · Não se verificou a decadência em relação a qualquer parcela exigida, na medida em que a imputação de fraude remete a contagem do prazo para o art. 173, inciso I do CTN. O crédito tributário exonerado totalizou menos de R$ 1.000.000,00, razão pela qual a Turma Julgadora não submeteu sua decisão a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/12/2012 (fl. 8622), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 03/01/2013 (fls. 8624/8694). Inicialmente abordando os atos de exclusão do Simples, contesta os argumentos expostos na decisão recorrida, afirmando correta a escrituração de seu Livro Caixa, porque ali discriminadas as entradas e saídas concernentes ao seu patrimônio. Aponta que a atividade de cobrança integra seu objeto social, e que no seu desenvolvimento acaba movimentando, em contas bancárias próprias, valores de titularidade de seus clientes, a fim de viabilizar a cobrança e o recebimento de títulos inerentes ao seu trabalho. Diz ser inviável a movimentação pelos próprios clientes, assevera que tais valores não se confundem com aqueles pertencentes ao seu patrimônio, e que a Lei nº 9.317/96 e a Lei Complementar nº 123/2006 somente exigem a escrituração de sua movimentação financeira e bancária. Diz que não cabe à Administração Tributária realizar uma análise tão ampliativa do comando previsto naquelas normas, prejudicando a contribuinte que cumpriu a lei. Insiste na correção de seu procedimento, mesmo porque, as D. Autoridades fiscalizadoras e a própria empresa não possuem qualquer interesse na escrituração das movimentações dos bens de outros contribuintes! Enfatiza que não houve prejuízo ao Erário, e que informações de outros contribuintes devem ser exigidas destes. Acrescenta que os recursos decorrentes da atividade de cobrança são aqueles recebidos pela Recorrente a título de remuneração pelos serviços prestados, e somente estes devem ser escriturados. Também discorda da necessidade de demonstração, no Livro Caixa, da saída desses recursos das contas bancárias em análise, pois esta não é a finalidade do Livro Caixa, Fl. 8710DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 8 7 inexistindo legislação neste sentido. Afirma ser notório existir inúmeros meios para identificação das operações realizadas por uma empresa, e que as informações requeridas poderiam ser verificadas, por exemplo, por meio da análise de extratos bancários. Conclui, assim, que jamais poderia ter sido excluída do Simples e do Simples Nacional. Reportandose à motivação contida nos atos de exclusão, enfatiza que não ocorreu a falta de escrituração do Livro Caixa, e na absurda hipótese de se entender que a escrituração não foi realizada de modo correto, evidentemente são distintas as condutas. Afirma, assim, que a exclusão somente seria possível ante a ausência do Livro Caixa, sendo impróprio equivaler qualquer escrituração diversa à falta do mencionado livro. Acrescenta que o art. 29, inciso VII da Lei Complementar nº 123/2006 não traz como hipótese de exclusão ”escrituração do Livro Caixa que não permite a identificação da movimentação financeira”, pois a simples análise gramatical da norma evidencia que a “não identificação da movimentação financeira” não está ligada à escrituração do Livro Caixa, e sim a todos os documentos idôneos possuídos pela empresa. Ainda, a forma de utilização do verbo nas duas hipóteses daquele dispositivo também evidenciaria que não há vinculação entre elas. Na medida em que a movimentação financeira da recorrente foi demonstrada pela vasta documentação juntada aos autos, inclusive a permitir a presunção de omissão de receitas, não se justifica a sua exclusão do Simples sob aquela fundamentação. Observa que a afirmação, pela autoridade julgadora, de que a apresentação dos extratos bancários não dispensa a manutenção do livro Caixa, é desprovida de fundamentação legal, doutrinária ou jurisprudencial. Especificamente em relação ao Ato Declaratório nº 15/2012, argúi sua nulidade, porque apresenta como fundamento legal a ocorrência de embaraço à fiscalização (art. 14, inciso II da Lei nº 9.430/96) e como motivação a falta de escrituração do Livro Caixa ou sua escrituração que não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, hipótese não prevista na referida Lei. Diz que embaraço, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, não se verificou, sendo evidente que a apresentação de Livro Caixa supostamente incompleto ou com escrituração equivocada absolutamente não caracteriza embaraço à fiscalização! De toda sorte, observa que já esclareceu a ausência de escrituração das contas bancárias identificadas pelo Fisco. Observa que o embaraço à fiscalização não está mencionado no despacho de exclusão, e que os D. Julgadores preferiram fazer encaixar o dispositivo legal em análise à hipótese de exclusão descrita no Ato Declaratório, configurando clara negativa de prestação jurisdicional. Conclui, assim, que ante a ausência de um dispositivo semelhante ao art. 29, inciso VIII da Lei Complementar nº 123/2006 na legislação que lhe antecedeu, as autoridades administrativas tentaram encaixar esta hipótese em outra genérica antes prevista. Menciona prejuízo à ampla defesa e ao contraditório, por ausência de imputação clara e específica, observando que não se defendera da acusação de embaraço à fiscalização, a qual foi validada pela decisão recorrida. Discorda, ainda, da existência de mero erro formal na indicação do dispositivo legal, porque esta situação criou dúvida real à Recorrente dos fatos infracionais dos quais está sendo acusada. Acrescenta que, se houve erro, Fl. 8711DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 9 8 subsiste dúvida quanto ao inciso correto do art. 14 para fundamentar a exclusão, permitindo inferir que foi completamente ilegal a exclusão da Recorrente do Simples. Requer, por estas razões, a declaração de nulidade do Ato Declaratório nº 15/2012, mas subsidiariamente assevera que não houve embaraço à fiscalização, porque sempre atendeu às intimações fiscais, eventualmente requerendo prazo suplementar, mas sem nada omitir, declarando os documentos que não possuía, nunca tendo se negado injustificadamente a exibir documentos a que estava obrigada ou deixando de fornecer as informações solicitadas, utilizandose dos meios e provas ao seu alcance. Argúi a decadência dos valores exigidos de janeiro a março/2007, porque a lei não exige a efetivação de pagamento, mas de toda sorte eles estão reconhecidos. Quanto à suposta má fé, seria ela mera presunção desprovida de qualquer fundamento probatório, até porque integralmente justificada sua prática de não submeter à tributação os valores questionados, e ausentes fundamentos legais hábeis a demonstrar tal acusação de forma inequívoca, ou mesmo provas robustas para suportar acusações tão gravosas e infamatórias. Assim, em 27/03/2012 já transcorrera os cinco anos previstos no art. 150, §4o do CTN para formalização do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses supracitados. Afirma nulo, também, o arbitramento realizado sob a alegação de o “contribuinte não ter mantido a escrituração do seu Livro Caixa com o registro contábil de sua movimentação financeira”. Reitera que não estava obrigada a escriturar os valores questionados e observa que o arbitramento somente é autorizado em casos excepcionais. Quanto à intimação que lhe exigiu a indicação do regime de apuração de IRPJ e CSLL a ser aplicado a partir de 2007, diz que não estava obrigada a esta opção enquanto não definitiva a sua exclusão. Defende o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade, e conclui que sua conduta não justificaria o arbitramento dos lucros. Ademais, entende que sua manifestação não significa que ela não teve interesse em reconstituir o aludido Livro Caixa, ainda que para ali constar as movimentações de recursos que não eram de sua titularidade. Assevera que a Fiscalização não lhe deu oportunidade de reconstituir o Livro Caixa desta forma, e que a falta de escrituração de duas contas bancárias não o invalidaria. Reitera seus argumentos acerca do caráter excepcional do arbitramento, asseverando que eles não foram abordados na decisão recorrida, observando que não restou caracterizada hipótese válida a ensejar tal procedimento, dado que o art. 530, inciso II, do RIR/99 cogita de deficiências irremediáveis ou inexistência de controles contábeis e fiscais do patrimônio e das operações comerciais, ao passo que no caso houve, no máximo, erro na escrituração. Transcreve ementas de vários julgados administrativos em favor de seu entendimento, e diz ser irrazoável e arbitrária a caracterização de seu livro Caixa como imprestável para fins de apuração contábil, mormente tendo em conta a identificação dos fatos por meio dos extratos bancários. Recorda que caracterizada a irregularidade da escrituração, a recorrente deveria ter sido intimada a regularizála, evidenciandose ilegal o auto de infração. Na seqüência, discorre sobre a impossibilidade de se tributar os valores identificados nas contas bancárias, dado: · A ausência de comprovação por parte do Fisco da ocorrência dos fatos infracionais imputados à Recorrente, dado que não comprovado que os depósitos que ingressaram nas contas bancárias da Fl. 8712DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 10 9 Recorrente corresponderam efetivamente a rendimentos omitidos, consoante exigido em julgados administrativos cujas ementas reproduz; · A acusação fundada em presunção relativa admite prova em contrário, e a recorrente, quando intimada, apresentou toda documentação comprobatória da origem dos depósitos bancários efetuados nas contas correntes de sua titularidade, valendose a Fiscalização de suposta falta de identidade entre os valores e as datas dos depósitos bancários em relação aos documentos apresentados, exigência não contida na Lei, que se contenta com a apresentação de indícios sólidos suficientes a demonstrar a efetiva origem daqueles valores, mormente tendo em conta os deságios e abatimentos nas atividades de cobrança. · A efetiva comprovação da origem dos valores creditados nas contas correntes da Recorrente, mediante vasta documentação apresentada ao Fisco, aí incluídos contrato de prestação de serviços firmado com a Tecnoestamp Indústria e Comércio Ltda, planilha demonstrativa do histórico de depósitos e identificação da origem, esclarecimentos, históricos de movimentação bancária, extratos bancários, notas fiscais e borderôs correspondentes às peculiaridades das operações realizadas, que descreve. Apresentou tudo que estaria a seu alcance e esclareceu as diferenças decorrentes de abatimentos, deságios ou retenções na fonte, novamente abordando extensamente estas ocorrências. · A violação ao princípio da verdade material, pois diante de todas as provas e explicações, preferiram os D. Julgadores consignar que nada foi comprovado pela recorrente, exigindo a demonstração do repasse dos valores em análise, supostamente exigindo identidade entre os documentos e os depósitos, a qual reputa impossível. Também inviável seria demonstrar as saídas em favor de inúmeras empresas e operações, e afirma suficientes as provas apresentadas, não podendo subsistir a simples presunção das infrações autuadas. Por esta razão, o Fisco somente pode lançar quando tiver provas da real ocorrência da infração, não podendo se limitar a acusar o contribuinte ou empreender investigações rasas. Acrescenta que seu pedido de diligência na sua sede, e na de seus clientes, foi devidamente fundamentado, e teria esclarecido várias dúvidas e presunções. De toda sorte, reitera a demonstração de operações com Santa Cruz Fomento Comercial Ltda e Klin Fomento Comercial, além das planilhas apresentadas pelos clientes da Metalúrgica Tecnoestamp Ltda, enfatizando tratarse de comprovação por amostragem Afirma a ilegalidade da multa de 150% exigida, porque evidenciada sua boa fé, mediante apresentação das mais de 4.000 folhas que compõem o presente processo. Entende que a simples presunção de omissão de receitas sem que tenha sido apresentado qualquer indício válido para sustentar a acusação de fraude não autoriza a presunção de má fé. Inexistindo dano ao Erário ou mesmo intenção de fraudar, a multa prestase apenas a advertir e orientar o contribuinte, não podendo ser aplicada no percentual de 150%, inclusive em Fl. 8713DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 11 10 afronta ao princípio do nãoconfisco. Reportase a decisões do Supremo Tribunal Federal acerca do caráter confiscatório destas penalidades, e invoca os arts. 411 e 412 do Código Civil. Pede, assim, que sejam anulados os Atos Declaratórios nº 14 e 15, bem como que sejam declarados improcedentes os autos de infração. Requer, ainda, a realização de toda e qualquer diligência que este Conselho entender necessária para corroborar os documentos e informações apresentados no processo e protesta pela realização de sustentação oral. Fl. 8714DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 12 11 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente questiona, inicialmente, a validade dos atos de exclusão do Simples Federal e Nacional. O Ato Declaratório Executivo DRF/Osasco nº 15/2012 (fl. 4275) está assim redigido: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 15, DE 12 DE MARÇO DE 2012 Declara excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES o contribuinte que menciona. O CHEFE DO SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA SEORT , no uso da atribuição conferida pelo inciso V do artigo 1.º, da Portaria DRFOSA n.º 140 de 26 de outubro de 2011, publicada no DOU de 28 de outubro de 2011, considerado o disposto no artigo 12 e artigo 14, inciso II, da Lei 9.317 de 05 de dezembro de 1996 e o que consta no processo 10882.720621/2012 21, declara: Art. 1º A exclusão de ofício do SIMPLES, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2007, da empresa LETEM ESTAMPARIA E SERVICOS LTDA, CNPJ n.º 04.198.872/000167, por falta de escrituração do livro Caixa ou sua escrituração que não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Art. 2º Poderá a contribuinte, no prazo de 30 (trinta ) dias da ciência, manifestarse por escrito contra esse ato, junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento , assegurado o contraditório e ampla defesa nos termos do que dispõe o Decreto 70.235 de 06 de março de 1972 , e alterações posteriores. Art. 3° Tornarseá definitiva a exclusão após prazo de manifestação acima indicado. NAILTO JOSÉ DA SILVA AGOSTINHO Por sua vez, a Lei nº 9.317/96 assim estabelece nos dispositivos adotados como fundamento legal do referido ato: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); Fl. 8715DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 13 12 [...] Nestas condições, o art. 15, inciso V, da mesma lei estabelece os efeitos da exclusão a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados no inciso II do art. 14 da Lei nº 9.317/96. Todavia, a constatação fiscal que motivou a exclusão foi expressa em análise única, tanto no âmbito do Simples Federal, como do Simples Nacional. Para maior clareza, transcrevese o correspondente despacho, às fl. 4272/4273: Trata o presente processo de representação fiscal para exclusão de ofício do Simples, a partir de 01/01/2007, bem como do Simples Nacional, a partir de 01/07/2007, com base nos fatos apurados no curso do procedimento fiscal, que deu origem ao processo administrativo nº 10882.720621/201221, em que a empresa foi intimada diversas vezes a apresentar seus livros contábeis e fiscais, tendo apresentado somente os livros Caixa, Diário e Razão e afirmado, conforme depoimento reduzido a termo, que não dispunha de outros livros para serem apresentados. No entanto, segundo prescreve o art. 7º, § 1º, “a”, da Lei n.º 9.317/1996, as empresas inscritas no SIMPLES ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário e todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos. Outrossim, o art. 26, § 2º, da Lei Complementar n.º 123/2006, estabelece que as empresas inscritas no SIMPLES NACIONAL devem manter livro Caixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Por sua vez, o art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar n.º 123/2006, estabelece que a falta de escrituração do livro Caixa ou sua escrituração que não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, configuram hipóteses de exclusão do SIMPLES NACIONAL. No tocante ao caso presente, constatouse que, a partir da observação do livro Caixa, integrante desse processo, o contribuinte deixou de registrar contabilmente, nos anos de 2007 e 2008, a movimentação bancária da contacorrente n.º 1128847, agência 248, Banco Unibanco, e da conta poupança de n.º 2287915, da mesma agência e banco. Assim, pela análise do Livro Caixa, bem como pela análise dos demais livros apresentados pelo contribuinte, notase claramente que suas contas bancárias ficaram à margem da escritura contábil, numa flagrante violação à legislação tributária do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, incidindo, destarte, nas hipóteses de exclusão desses referidos regimes especiais de tributação. Diante do exposto e considerando que o contribuinte deixou de escriturar sua movimentação bancária e de registrar em seus livros sua movimentação financeira, PROPONHO a emissão do ADE (Ato Declaratório de Exclusão) do contribuinte do Simples Federal, a partir de 01/01/2007, e do Simples Nacional, a partir de 01/07/2007. Como se vê, embora presente referência à obrigação contida no art. 7o, §1o da Lei nº 9.317/96, acerca da escrituração exigida dos optantes pelo Simples Federal, os Fl. 8716DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 14 13 argumentos seguintes são totalmente direcionados às disposições da Lei Complementar nº 123/2006, que disciplina o Simples Nacional a partir de 01/07/2007, na forma de seu art. 89. E, em que pese o art. 26, §2o da Lei Complementar nº 123/2006 traga a mesma exigência contida no art. 7o, §1o, inciso I, da Lei nº 9.317/96 – escrituração do Livro Caixa integrada pela movimentação financeira, inclusive bancária – a hipótese de exclusão prevista no art. 29, inciso VIII da Lei Complementar nº 123/2006, vinculada àquela obrigação acessória, é distinta daquela contida na Lei nº 9.317/96, antes citada. Vejase o que dispõe a Lei Complementar nº 123/2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; [...] § 1o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Em conseqüência, frente à motivação estruturada nos termos antes transcritos, o ato de exclusão da contribuinte do Simples Federal indicou como fundamento legal a ocorrência de embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional). Ocorre que ao estipular esta hipótese de exclusão do Simples Federal, o legislador incorporou o que, paralelamente, está previsto no art. 33 da Lei nº 9.430/96, como causa de regime especial de fiscalização: Art.33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; II resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades do sujeito passivo, ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; III evidências de que a pessoa jurídica esteja constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; IV realização de operações sujeitas à incidência tributária, sem a devida inscrição no cadastro de contribuintes apropriado; Fl. 8717DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 15 14 V prática reiterada de infração da legislação tributária; VI comercialização de mercadorias com evidências de contrabando ou descaminho; VII incidência em conduta que enseje representação criminal, nos termos da legislação que rege os crimes contra a ordem tributária. §1º O regime especial de fiscalização será aplicado em virtude de ato do Secretário da Receita Federal. §2º O regime especial pode consistir, inclusive, em: I manutenção de fiscalização ininterrupta no estabelecimento do sujeito passivo; II redução, à metade, dos períodos de apuração e dos prazos de recolhimento dos tributos; III utilização compulsória de controle eletrônico das operações realizadas e recolhimento diário dos respectivos tributos; IV exigência de comprovação sistemática do cumprimento das obrigações tributárias; V controle especial da impressão e emissão de documentos comerciais e fiscais e da movimentação financeira. §3º As medidas previstas neste artigo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, por tempo suficiente à normalização do cumprimento das obrigações tributárias. §4º A imposição do regime especial não elide a aplicação de penalidades previstas na legislação tributária. § 5o Às infrações cometidas pelo contribuinte durante o período em que estiver submetido a regime especial de fiscalização será aplicada a multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 desta Lei, duplicandose o seu percentual. (Redação dada Lei nº 11.488, de 2007) (negrejouse) É neste contexto, portanto, que devem ser interpretadas as disposições do art. 14, inciso II da Lei nº 9.317/96. Ou seja, a exclusão do Simples Federal pode ser promovida com efeitos imediatos quando o sujeito passivo pratica atos enquadrados na hipótese descrita no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430/96, a qual, em outras condições, ensejaria uma ou mais das conseqüências expressas no §2o do da Lei nº 9.430/96, com amparo no que assim autorizado pelo Código Tributário Nacional: Art. 200. As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da força pública federal, estadual ou municipal, e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções, ou quando necessário à efetivação dê medida prevista na legislação tributária, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção. (negrejouse) Tendo em conta a gravidade das conseqüências estipuladas no §2o do art. 33 da Lei nº 9.430/96, as hipóteses de sua aplicação devem ser interpretadas literalmente, o mesmo se verificando com o art. 14, inciso II da Lei nº 9.317/96. Significa dizer que a exclusão do sujeito passivo do Simples Federal com esta motivação deve estar lastreada na efetiva negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, e/ou no não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e não apenas na apresentação parcial destes elementos, mormente quando justificada, de forma admissível ou não, a ausência dos elementos faltantes. Fl. 8718DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 16 15 No presente caso, como se vê às fls. 619/831, intimada a apresentar escrituração contábil e fiscal dos anoscalendário 2007 e 2008, a contribuinte apresentou não só o Livro Caixa, como também os livros Diário e Razão, todos autenticados. Por sua vez, no depoimento prestado pela procuradora da contribuinte aos agentes fiscais em 20/01/2012, esta afirmou que teria entregue todos os documentos à disposição do contribuinte, não possuindo outros livros fiscais e contábeis além daqueles já apresentados (fl. 3874). É certo que houve retificação posterior deste depoimento, mas apenas com referência às atividades exercidas pela fiscalizada (fl. 4266/4268). Por sua vez, a auditoria fiscal foi desenvolvida a partir dos extratos bancários e outros documentos fornecidos pelo sujeito passivo, inexistindo notícia de qualquer intimação não atendida, ou mesmo de lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização. Assim, tem razão a recorrente quando contesta o fundamento legal adotado para sua exclusão do Simples Federal de 01/01/2007 a 30/06/2007. Não há provas suficientes nos autos para caracterizar a ocorrência prevista em lei, de modo que a exclusão não pode subsistir. Em tais condições, a exigência tributária somente seria mantida se formalizada segundo a sistemática do Simples Federal. Na medida em que o IRPJ e a CSLL foram calculados na sistemática do lucro arbitrado, e a Contribuição ao PIS e a COFINS na sistemática cumulativa, não há como manter, ao menos em parte, a exigência fiscal, pois para tanto necessário seria não só o acréscimo de fundamentação legal distinta daquela estampada nos lançamentos, como também de critérios de cálculos e alíquotas específicas, previstas na sistemática simplificada de recolhimento. Por estas razões, relativamente à exclusão do Simples Federal e às exigências pertinentes ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o Ato Declaratório Executivo DRF/Osasco nº 15/2012 e os créditos tributários dele decorrentes, o que dispensa a apreciação da argüição de decadência veiculada pela interessada relativamente aos períodos de janeiro a março/2007. Com referência às demais exigências, a exclusão da contribuinte do Simples Nacional está assim afirmada no respectivo ato: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 14, DE 12 DE MARÇO DE 2012 Declara excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional a contribuinte que menciona. O CHEFE DO SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA SEORT , no uso da atribuição conferida pelo inciso V do artigo 1.º, da Portaria DRFOSA n.º 140 de 26 de outubro de 2011, publicada no DOU de 28 de outubro de 2011, considerado o disposto no artigo 28 e artigo 29, inciso VIII, da Lei Complementar 123 de 14 de dezembro de 2006 e o que consta no processo 10882.720621/201221, declara: Art. 1º A exclusão de ofício do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01 de julho de 2007, da empresa LETEM ESTAMPARIA E SERVICOS LTDA, CNPJ n.º 04.198.872/000167, por falta de escrituração do livro Caixa ou sua escrituração que não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Art. 2º Poderá a contribuinte, no prazo de 30 (trinta ) dias da ciência, manifestarse por escrito contra esse ato, junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento , Fl. 8719DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 17 16 assegurado o contraditório e ampla defesa nos termos do que dispõe o Decreto 70.235 de 06 de março de 1972 , e alterações posteriores. Art. 3° Tornarseá definitiva a exclusão após prazo de manifestação acima indicado. NAILTO JOSÉ DA SILVA AGOSTINHO As informações contidas nos autos, resumidas no Despacho de fls. 4272/4273, evidenciam que, a partir da observação do livro Caixa, integrante desse processo, o contribuinte deixou de registrar contabilmente, nos anos de 2007 e 2008, a movimentação bancária da contacorrente n.º 1128847, agência 248, Banco Unibanco, e da conta poupança de n.º 2287915, da mesma agência e banco. A hipótese legal adotada é aquela antes transcrita (art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006), qual seja: falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. O Livro Caixa apresentado para o ano de 2007 pela interessada é singelo. Exibe em uma página todos os cerca de 10 (dez) movimentos de cada mês, correspondentes, em regra, a registros únicos de recebimentos de clientes e pagamentos de fornecedores, de salários e de tributos. Em alguns meses há maior detalhamento acerca das rubricas componentes de salários e dos tipos de tributos recolhidos, aumentando o número de registros. Em dezembro o movimento é anormal, em razão do pagamento de participação nos lucros, registrados de forma individualizada por empregado. O saldo inicial de Caixa em julho/2007 representa R$ 108.850,74 e encerra em dezembro/2007 com saldo de R$ 4.651,90, muito embora em vários meses, neste intervalo, o saldo final mensal represente mais de R$ 100.000,00. Já o Livro Caixa apresentado para o ano de 2008 evidencia maior movimentação, mas inicia em janeiro/2008 com saldo de R$ 2.075,76 e encerra em dezembro/2008 em R$ 3.782,14, também apresentado vários saldos finais mensais superiores a de R$ 100.000,00. Como dito, a contribuinte apresentou à Fiscalização os Livros Diário e Razão e, nestes, verificase que, além de a conta Caixa apresentar os movimentos escriturados no Livro Caixa, não existe conta representativa de Bancos. De outro lado, em resposta à primeira intimação que instrui os autos, a contribuinte apresentou os extratos bancários da conta corrente n.º 1128847, agência 248, Banco Unibanco, e da conta poupança de n.º 2287915, da mesma agência e banco, ambas de sua titularidade. Referidos extratos apresentam extensa movimentação, exposta ao longo das fls. 9 a 102 destes autos. Não há duvida, portanto, que a movimentação bancária verificada nas referidas contas corrente e de poupança não foi reproduzida no Livro Caixa, e nem mesmo nos Livros Diário e Razão apresentados à Fiscalização. A recorrente assevera que atendeu à legislação fiscal, escriturando sua movimentação financeira e bancária, ou seja, as entradas e saídas concernentes ao seu patrimônio. Contudo, diz exercer, também, atividade de cobrança em razão da qual acaba movimentando, em contas bancárias próprias, valores de titularidade de seus clientes, a fim de viabilizar a cobrança e o recebimento de títulos inerentes ao seu trabalho. Tais valores, em seu entender, não se confundem com aqueles pertencentes ao seu patrimônio. Fl. 8720DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 18 17 Sem adentrar, ainda, à comprovação destas alegações, o fato é que mesmo admitindose que a recorrente realizava operações de cobrança em favor de seus clientes, esta movimentação financeira ainda assim deveria estar registrada em seu Livro Caixa. Os valores recebidos e transferidos deveriam estar ali identificados de forma a demonstrar que resultaram das alegadas operações de cobrança. Afinal, em atividades desta espécie, ao menos temporariamente os valores recebidos permanecem sob a posse do prestador de serviços, antes de serem repassados aos efetivos titulares. E, neste interregno, o Livro Caixa, integrado pela movimentação financeira e bancária, deve espelhar aquela realidade patrimonial. Além disso, não é crível que os recebimentos e pagamentos decorrentes das demais atividades exercidas pela contribuinte eram realizados em dinheiro, e mantidos efetivamente em Caixa, ainda que representassem mais de R$ 100.000,00 ao final de alguns meses. É razoável supor que as operações escrituradas em seu Livro Caixa também foram, ao menos em parte, promovidas por meio daquelas contas bancárias de sua titularidade, na medida em que outras não foram identificadas. E, neste contexto, a escrituração de todos os recebimentos e pagamentos é essencial não só para o Fisco, como também para o próprio controle do sujeito passivo, de modo a distinguir o que representaria recursos próprios ou, como alegado, recursos de terceiros. Estes contornos evidenciam que a conduta da contribuinte amoldase perfeitamente à hipótese legal de a escrituração do Livro Caixa não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Não houve qualquer análise ampliativa do comando legal e o Fisco tem evidente interesse em tudo que foi movimentado em contas bancárias de titularidade do sujeito passivo, até para poder admitir que se trata, como alegado, de movimentações dos bens de outros contribuintes. Somente em face de uma escrituração distinguindo o que corresponderia a operações próprias e eventuais operações de “cobrança”, poderia o Fisco direcionar suas investigações para estes outros contribuintes, como aduz a recorrente. Diversamente do que alegado, o Livro Caixa dos optantes pelo Simples Nacional tem, sim, a finalidade de apresentar, também, a saída desses recursos das contas bancárias em análise, dada a exigência expressa neste sentido, na Lei Complementar nº 123/2006: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. § 1o O MEI fará a comprovação da receita bruta mediante apresentação do registro de vendas ou de prestação de serviços na forma estabelecida pelo CGSN, ficando dispensado da emissão do documento fiscal previsto no inciso I do caput, ressalvadas as hipóteses de emissão obrigatória previstas pelo referido Comitê. § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. (negrejouse) Fl. 8721DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 19 18 A recorrente impropriamente pretende restringir a hipótese de exclusão à falta de escrituração do Livro Caixa, mas o dispositivo legal adotado pela Fiscalização é claro no sentido de que a esta circunstância equiparase a escrituração de modo a não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. As condutas, de fato, são distintas, mas ambas estão previstas na lei. Argumenta, ainda, que a “não identificação da movimentação financeira”, expressa na lei, não está ligada à escrituração do Livro Caixa, e sim a todos os documentos idôneos possuídos pela empresa. Contudo, também aqui a interpretação da recorrente é incorreta. O legislador trouxe a primeira conduta (“houver falta de escrituração do livrocaixa”) e ao expor a segunda conduta (“não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária”), claramente a construiu com uma elipse de sujeito, que no caso somente pode ser a “escrituração do livrocaixa”, mormente tendo em conta o dispositivo anterior que expressamente exigiu a escrituração da movimentação financeira e bancária no Livro Caixa. Correto, portanto, equivaler os efeitos da falta de escrituração do Livro Caixa à sua escrituração de modo a não permitir a identificação da movimentação financeira e bancária. Assim, não há reparos à conclusão da autoridade julgadora de que a apresentação dos extratos bancários não dispensa a manutenção do livro Caixa. A lei é expressa neste sentido. Não se pode negar que as informações requeridas poderiam ser verificadas, por exemplo, por meio da análise de extratos bancários, desde que seus movimentos fossem devidamente associados à documentação de suporte. Mas a obrigação acessória em questão está claramente fixada em lei, e seu descumprimento enseja, como exposto, a exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional, com efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a inobservância da norma, na forma do §1o do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Válida, portanto, a exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/07/2007. Assim, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. Prossegue a recorrente questionando o arbitramento dos lucros. Disse a autoridade fiscal, em nota de rodapé do Termo de Verificação Fiscal: Em face da desqualificação da escrita fiscal e contábil do contribuinte, pela falta de escrituração da sua movimentação bancária no Livro Caixa e por ter deixado de registrar sua movimentação financeira, o que resultou na sua exclusão do SIMPLES, procedemos à apuração do lucro por arbitramento, conforme dispõe o art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda. Às fls. 6337/6338 a autoridade fiscal juntou Termo de Intimação Fiscal, no qual exigiu: Tendo em vista a exclusão do contribuinte do SIMPLES NACIONAL, conforme o Ato Declaratório Executivo nº 14, de 12/03/2012 – em anexo a este Termo de Intimação – e, em face do que dispõe o art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, fica o contribuinte INTIMADO a informar por escrito, no prazo de 05 (cinco) dias, qual é a sua opção com relação ao regime de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, indicando se a apuração tributária do segundo semestre de 2007 e do anocalendário 2008, deve se dar segundo o lucro presumido, lucro real trimestral ou anual, trazendo, dentro do prazo estipulado, todos os elementos, livros e documentos necessários para que seja possível a apuração, por esta fiscalização, segundo a opção do contribuinte. Vale assinalar que os livros fiscais e contábeis trazidos à fiscalização até o Fl. 8722DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 20 19 presente momento impõem a tributação pelo arbitramento, em virtude da falta de escrituração da movimentação bancária e financeira, dos anos de 2007 e 2008, nos referidos livros. Em resposta, a contribuinte assinalou que, por não concordar com a sua exclusão do SIMPLES e do SIMPLES Nacional, apresentaria a competente defesa, de modo que a apuração de seu IR e da sua CSLL deve continuar a ser realizada por meio do SIMPLES Nacional. A jurisprudência deste Conselho, consolidada na Súmula CARF nº 77, expressa que a possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Por sua vez, a Lei Complementar nº 123/2006 estabelece: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. § 1o Para efeitos do disposto no caput deste artigo, na hipótese da alínea a do inciso III do caput do art. 31 desta Lei Complementar, a microempresa ou a empresa de pequeno porte desenquadrada ficará sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando efetuado antes do início de procedimento de ofício. § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. § 3o Aplicase o disposto no caput e no § 1o em relação ao ICMS e ao ISS à empresa impedida de recolher esses impostos na forma do Simples Nacional, em face da ultrapassagem dos limites a que se referem os incisos I e II do caput do art. 19, relativamente ao estabelecimento localizado na unidade da Federação que os houver adotado. (negrejouse) A exclusão, no presente caso, opera efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a inobservância da regra expressa no art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em conta o disposto no §1o do mesmo artigo. Considerando que a discussão administrativa do ato de exclusão não impede o lançamento tributário, correto o procedimento fiscal que facultou ao sujeito passivo optar por uma das formas de tributação expressas na lei. Vejase que a recorrente chegou a mencionar da tribuna, em esclarecimento de circunstância fática no momento em que este voto era proferido, que existiria ação judicial proposta com vistas a suspender os efeitos da exclusão aqui em debate. Contudo, não logrou sequer identificar sua numeração e órgão de propositura, nem mesmo esclarecer que o objeto da ação judicial alcançaria, também, a possibilidade de se formalizar lançamento de ofício resultante da exclusão aqui em debate. Por sua vez, ao insistir em protelar os efeitos da exclusão, o sujeito passivo impediu que a tributação se fizesse segundo as regras do lucro presumido ou do lucro real. Diante do contexto fático verificado, impôsse, então, o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Fl. 8723DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 21 20 Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; [...] (negrejouse) Como extensamente abordado, não só o Livro Caixa, como também os Livros Diário e Razão apresentados à Fiscalização não continham quaisquer registros acerca da movimentação bancária mantida pela contribuinte nas contas por ela movimentadas. As operações estavam contabilizadas como se realizadas com recursos mantidos em caixa, e inexistia qualquer correlação com os volumosos depósitos e saques estampados nos extratos bancários. Destaquese que não se trata, apenas, da falta de escrituração de duas contas bancárias, mas sim de toda a movimentação bancária da contribuinte, expressa nestas duas contas, o que impede, inclusive, dizer o quão irremediáveis são as deficiências da escrituração, e se há controle contábil e fiscal do patrimônio e das operações comerciais, como requer a recorrente. Logo, não se trata de mero erro de escrituração, e é irrelevante a possibilidade de identificação dos fatos por meio dos extratos bancários, sem a prévia escrituração destes valores. Este é, precisamente, um dos casos excepcionais previstos na legislação, nos quais o arbitramento se apresenta como a base de cálculo mais segura para a apuração do IRPJ e da CSLL devidos. Aliás, sequer há notícia, nos autos, de demonstrações financeiras que pudessem servir de ponto de partida para a apuração do lucro real. Por sua vez, a opção pelo lucro presumido exigiria a reconstituição do Livro Caixa, na medida em que o RIR/99 estabelece, para esta forma de tributação, o mesmo requisito que, não observado, ensejou a exclusão da contribuinte do Simples Nacional: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). [...] Fl. 8724DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 22 21 Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] (negrejouse) Subsidiariamente a recorrente questiona os termos da intimação fiscal, aduzindo que sua manifestação, em resposta a ela, não significa que ela não teve interesse em reconstituir o aludido Livro Caixa, oportunidade que não lhe foi dada pela Fiscalização. Todavia, a intimação é clara no sentido de que os livros fiscais e contábeis trazidos à fiscalização até o presente momento impõem a tributação pelo arbitramento, em virtude da falta de escrituração da movimentação bancária e financeira, dos anos de 2007 e 2008, nos referidos livros, bem como de que a contribuinte deveria trazer todos os elementos, livros e documentos necessários para que seja possível a apuração, por esta fiscalização, segundo a opção do contribuinte. Evidente, portanto, que além da optar por uma outra forma de tributação, a contribuinte também foi intimada a reconstituir sua escrituração segundo as exigências legais. Por estas razões, não há reparos à forma de tributação adotada, pela Fiscalização, para determinação do IRPJ e da CSLL devidos. Quanto à Contribuição ao PIS e à COFINS, o art. 8, inciso II da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 10, inciso II da Lei nº 10.833/2003, obrigam as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado a recolher aquelas contribuições calculadas segundo a sistemática cumulativa, como exigido pela autoridade lançadora (fls. 6391/6458). Para apurar o lucro arbitrado e a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, a autoridade fiscal somou a receita bruta aferida a partir das notas fiscais emitidas pela contribuinte às receitas presumidas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96. A recorrente afirma a impossibilidade de se tributar os valores identificados nas contas bancárias, porque o Fisco não teria se desincumbido do seu dever de prova, não demonstrando que os depósitos que ingressaram nas contas bancárias da Recorrente corresponderam efetivamente a rendimentos omitidos. Todavia, os agentes fiscais intimaram o sujeito passivo a comprovar a origem dos depósitos bancários verificados em contas corrente e de poupança, de sua titularidade, examinaram os elementos apresentados, e individualizaram às fls. 6374/6384 os créditos de origem não comprovada, que pela falta absoluta de apresentação de documentação, ou por não apresentar coincidência dos valores e datas descritos nos pretensos documentos comprobatórios, com os valores e datas dos recursos em conta bancária do contribuinte. Na intimação de fls. 1373/1385, reiterada às fls. 1389/1390, a autoridade fiscal expressamente consignou que os documentos apresentados não relacionam de forma unívoca e individualizada os valores de depósitos e transferências na contacorrente com os valores dos borderôs e demonstrativos de duplicatas – há, inclusive, alguns casos em que os borderôs apresentados pelo contribuinte como justificativa para determinados créditos em sua conta perfazem um valor bem abaixo do referido crédito. Além desses créditos, cuja Fl. 8725DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 23 22 documentação de comprovação de origem trazida é insuficiente e incompleta, há vários outros depósitos e transferências na referida contacorrente que não foram sequer justificados ou não tiveram documentação comprobatória de sua origem – como, por exemplo, aqueles atinentes a vendas de sucata, cujas operações não foram demonstradas por notas fiscais ou outros documentos comprobatórios e aqueles atinentes a depósitos de cheques cuja origem não foi comprovada por documentação hábil, idônea e suficiente (cópias dos cheques, contratos, etc.). Desse modo, o contribuinte deve complementar suas informações, trazendo à fiscalização todos os documentos que comprovam de forma suficiente a origem e a titularidade dos créditos movimentados em sua conta e descritos na planilha em anexo. Cuidaram os agentes fiscais de individualizar as operações que não foram comprovadas, e especificar a causa de cada conclusão, tendo em conta o que genericamente expresso na intimação. Uma vez não prestados os esclarecimentos exigidos, a Lei nº 9.430/96 autoriza o Fisco a presumir a existência de receitas omitidas, nos seguintes termos: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 8726DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 24 23 A validade desta presunção, inclusive, é pacífica na jurisprudência deste Conselho, como se infere da Súmula CARF nº 26 (A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada). Conseqüência disto é a inversão do ônus da prova, atribuindose ao sujeito passivo o dever de comprovar, no contencioso administrativo, que os créditos tiveram origem em operações não sujeitas a tributação ou regularmente tributadas. A recorrente argumenta que a lei não exige a identidade entre os valores e as datas dos depósitos bancários, e se contenta com a apresentação de indícios sólidos suficientes a demonstrar a efetiva origem daqueles valores, mormente tendo em conta os deságios e abatimentos nas atividades de cobrança. A lei, porém, exige comprovação da origem das operações mediante documentação hábil e idônea, bem como a análise individualizada dos créditos. Logo, não basta a afirmação de que todas as operações teriam determinada origem, acompanhada da apresentação de alguns documentos neste sentido. A causa de cada depósito deve ser individualmente provada, e a correspondência entre o depósito e a causa somente pode ser estabelecida mediante coincidência de data e valores, sob pena de admitirse provada uma operação quando os documentos, em verdade, correspondem a outra semelhante, verificada em momento próximo. A recorrente reportase aos documentos apresentados no curso do procedimento fiscal (contrato de prestação de serviços de cobrança à Tecnoestamp Indústria e Comércio Ltda, planilha correlacionando o histórico dos depósitos e os documentos que provam sua origem, extratos bancários, notas fiscais de serviços por ela prestados, notas fiscais emitidas por Tecnoestamp e correspondentes borderôs de cobrança) e conclui: Assim, os valores devidos pelos clientes da Tecnoestamp eram depositados em seu favor nas contas do Unibanco ora em análise, sendo essas contas de titularidade da Recorrente apenas em decorrência da atividade de cobrança que realizava. Isto é: a Tecnoestamp realizava um serviço ao seu cliente ou vendia uma mercadoria, a Recorrente cobrava este cliente a remuneração da Tecnoestamp pelo serviço prestado ou bem vendido, e, por fim, este cliente fazia o depósito nas contas de titularidade da Recorrente. Os valores depositados eram utilizados para realização de pagamentos de despesas da Tecnoestamp. Aduz que as diferenças constatadas entre o valor dos depósitos e dos borderôs decorrem de abatimentos relativos a deságio ou retenção na fonte inerentes à cobrança de valores. Defende não ser razoável presumir que, apenas pelo fato de existirem pequenas diferenças entre a quantia depositada e aquela constante no borderô, não se refiram, ambos, à mesma operação. Exemplifica como causa das diferenças: (i) por vezes os créditos decorrentes de operações de venda foram objeto de cessão para recebimento antecipado dos valores correspondentes, conforme praxe mercantil; (ii) do valor da Nota Fiscal é efetuada uma retenção tributária na fonte, na porcentagem de 0,006%, o que altera, portanto, o valor a ser depositado; (iii) em diversas oportunidades ocorre deságio na operação financeira de fomento mercantil, por ocasião da cessão de créditos para recebimento antecipado, o que Fl. 8727DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 25 24 também ocasiona o recebimento de valor menor do que o consignado no documento; e (iv) também ocorre o abatimento de parte do valor a ser depositado pelos clientes em face de necessidade de retrabalho de peças, erro na contagem de peças enviadas etc. Pretende, assim, que todas as operações justificadas nestes termos à Fiscalização sejam admitidas. De início releva notar que do confronto entre mencionada planilha correlacionando o histórico dos depósitos e os documentos que provam sua origem, apresentada ao Fisco, e a relação dos depósitos de origem não comprovada, constatase que vários depósitos justificados pela fiscalizada não integraram a base tributável. Citese, apenas como exemplo, os créditos de R$ 324.058,56, R$ 213.159,17 e R$ 510.745,73 verificados no primeiro mês de autuação em decorrência da exclusão da contribuinte do Simples Nacional (julho/2007). O primeiro valor indicado na planilha, mas classificado como depósito bancário de origem não comprovada, no montante de R$ 28.507,12, está vinculado ao histórico (Borderô 54/07 – Traw Mac Ind e Com Ltda). E, para demonstrálo, a contribuinte apresentou o documento nº 188, consistente em relatório elaborado por Tecnoestamp, apontando o nº 54/2007, mas tendo como destinatário Antonio Carvalho, relacionando notas fiscais no valor total de R$ 29.743,66, e individualizando valores a título de juros que, descontados, resultam no valor líquido de R$ 28.828,25. A coincidência do número do borderô é desmerecida pelo fato de o documento ter sido elaborado pela própria Tecnoestamp, e a proximidade dos valores também perde relevo quando há dois outros envolvidos, um no borderô (Antonio Carvalho) e outro no histórico do depósito (Traw Mac Ind e Com Ltda). Nestas condições, como dito, subsiste a possibilidade de o documento apresentado corresponder a outra operação em momento próximo e semelhante. Além de reprisar os documentos apresentados à Fiscalização, validamente rejeitados como acima exposto, a recorrente reportase ao Doc. 13, juntado à impugnação, consistente no contrato de fomento mercantil firmado entre Tecnoestamp e Santa Cruz Fomento Comercial, destacando a cláusula que estabelece o deságio na compra de títulos negociados, fixado em razão de custo de oportunidade dos recursos da contratada, despesas operacionais e de cobrança, carga tributária e expectativa de risco e de lucro. Nestes termos, referido contrato apenas prova a possibilidade de deságio, mas não evidencia o valor praticado em cada operação. Por sua vez, os demais elementos juntados por amostragem relativamente às operações com Santa Cruz Fomento (documentos de nº 14 a 22) são, todos, pertinentes a fatos geradores integrantes do 1o semestre de 2007, e assim alcançados pela exoneração decorrente do cancelamento do ato de exclusão do sujeito passivo do Simples Federal. No mesmo sentido, operações contratadas com Klin Fomento Comercial, apresentadas por amostragem (documentos de nº 23 a 45), correspondem, apenas, a depósitos verificados naquele mesmo período. Por esta razão, inclusive, é desnecessário debater o critério adotado pela autoridade julgadora de 1a instância para rejeitar estes documentos, e que resultou na exigência Fl. 8728DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 26 25 de que fosse provado o repasse dos valores recebidos à Tecnoestamp. De toda sorte, registrese que este argumento seria razoável porque, se há uma autorização da Tecnoestamp determinando o crédito daqueles valores na conta bancária da autuada, esta pode decorrer não só da alegada prestação de serviços de “cobrança” por parte desta, como também da participação da autuada nas receitas decorrentes das notas fiscais que justificaram aqueles créditos, mormente tendo em conta que seu objeto social também inclui atividades de estamparia. A recorrente também se reporta às planilhas que integram os documentos de nº 46 e 47, emitidas por clientes da Tecnoestamp, evidenciando que os pagamentos por serviços prestados por esta não só eram pagos a ela, como também a factorings (Direção S/A, Klin Fomento, Santa Cruz Fomento, etc.) e à recorrente. Entende que estes documentos comprovam que a Tecnoestamp negociava seus títulos com empresas de factoring, justificando os depósitos destas na conta da recorrente. Todavia, este não foi o óbice oposto pela Fiscalização. Os esclarecimentos exigidos dizem respeito a cada depósito, individualmente, e não à generalidade da operação. Bastaria a contribuinte demonstrar por meio de documento idôneo – produzido por fontes externas – que a diferença especificamente identificada entre o documento apresentado e o depósito que se pretendeu comprovar, decorria do alegado deságio. Prosseguindo, agora especificamente com referência aos períodos já sob os efeitos de sua exclusão do Simples Nacional, a recorrente apresenta quadros demonstrativos, sendo que no primeiro correlaciona informações de planilhas emitidas por cliente da Tecnoestamp, indicativas de pagamentos feitos à Klin Fomento Comercial, por conta de notas fiscais da Tecnoestamp que estão relacionadas no Borderô nº 59/2007, emitido em 16/07/2007. Destaca que tais notas fiscais totalizam R$ 61.727,37, o qual equivaleria à omissão de receitas que lhe foi imputada em 16/07/2007 no valor de R$ 55.943,23, sob o histórico TED RECEBIDA BRADESCO KLIN FOMENTO, e acrescenta que a disparidade entre os valores é explicada pelo desconto na negociação dos títulos. Mais uma vez, porém, o documento que estabelece a relação entre as notas fiscais e o depósito não comprovado é, apenas, um borderô emitido pela Tecnoestamp, sem qualquer intervenção de terceiros. Como agente de cobrança da Tecnoestamp, esperado seria que a autuada detivesse relatórios emitidos pela Klin Fomento Comercial detalhando o motivo do depósito efetuado em sua conta bancária, e não se valesse, apenas, de documento emitido pela Tecnoestamp. Os demais quadros demonstrativos reproduzem ocorrências do mesmo tipo, ou correlacionam as informações das planilhas emitidas por cliente da Tecnoestamp com depósitos bancários efetuados diretamente na conta da recorrente, e assim admitidos pela Fiscalização como comprovados. Pretende, assim, demonstrar que os clientes da Tecnoestamp a reconheciam como agente de cobrança, mas, como dito, a prova desta sua condição em relação aos depósitos pelas empresas de fomento comercial não foi adequadamente produzida. Por fim, a recorrente reportase especificamente ao depósito de R$ 311.709,98, que teria sido promovido por um dos clientes da Tecnoestamp (Volkswagen), novamente afirmando que a divergência constatada decorreria de descontos na cobrança dos títulos. As notas fiscais indicadas, somadas, representam R$ 238.192,37, e o pagamento teria sido feito mediante compensação, dissociado de qualquer outro esclarecimento que justificasse, no caso, o acréscimo de R$ 73.517,61. Fl. 8729DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 27 26 A recorrente menciona a dificuldade em estabelecer a identidade exigida pela Fiscalização, tendo em conta o volume de operações realizadas, mas é preciso recordar que, nos termos da legislação tributária, era sua obrigação manter o registro destas operações processadas em suas contas bancárias. Caso tivesse se desincumbido desta obrigação tempestivamente, a Fiscalização poderia identificar, por meio de sua escrituração, a origem dos depósitos questionados, e a comprovação documental das operações não ficaria relegada a um momento em que exigida pelos agentes fiscais. Considerando que, ao final, nada foi provado nas defesas apresentadas, subsiste a acusação fiscal acerca da ausência ou imprestabilidade da documentação apresentada para comprovar a origem dos depósitos verificados em conta bancária de sua titularidade. Referida prova é de natureza documental, deveria ter sido apresentada em impugnação (art. 16, §4o do Decreto nº 70.235/72), mostrandose impróprio o pedido de diligência na sua sede, e na de seus clientes, regularmente indeferido na decisão de 1a instância. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido a partir de 01/07/2007. Por fim, a recorrente questiona a aplicação da multa qualificada, invocando sua boa fé ante a apresentação de volumosa documentação ao longo do procedimento fiscal, afirmando tratarse de simples presunção de omissão de receitas sem que tenha sido apresentado qualquer indício válido para sustentar a acusação de fraude. Em tais condições, a multa prestase apenas a advertir e orientar o contribuinte, não podendo ser aplicada no percentual de 150%, inclusive em afronta ao princípio do nãoconfisco. Os agentes fiscais entenderam pertinente a qualificação da penalidade porque o contribuinte, por períodos sucessivos, não só do ano de 2007, como também do ano de 2008, deixou de oferecer à tributação parte dos valores movimentados em sua contacorrente, tendo, também, deixado de escriturar contabilmente, de forma repetida e sucessiva, ao longo de vários períodos, sua movimentação bancária e financeira, sobretudo dos recursos que constituem a omissão de receitas objeto do presente lançamento. Em seu entendimento, essas práticas reiteradas só podem ser reputadas como evidente intuito de deixar à margem da tributação partes dos ganhos do contribuinte. Ademais, não se mostra plausível admitirse erro de não registro na contabilidade e de não oferecimento à tributação de valores de significativa grandeza auferidos em períodos sucessivos, restando, pois, como evidente o intuito de fraudar a lei tributária e sonegar informação ao Fisco sobre a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária, impondo se, pois, a multa prevista no art. 44, §1o, da Lei 9.430/96, em virtude da configuração das condutas descritas nos arts. 71 e 72 da 4.502/64. A qualificação da penalidade é objeto de freqüentes debates nesta Turma de Julgamento e, por ocasião das sessões de julgamento de abril/2012, esta Relatora teve a oportunidade de especificar alguns critérios relevantes para a manutenção deste tipo de exigência, em declaração de voto ao Acórdão nº 110100.725: Os debates havidos durante as sessões de julgamento permitiramme bem delinear os critérios que adoto para exigência da multa de ofício qualificada. No primeiro caso apreciado, estivemos frente a um contribuinte que havia omitido significativo volume de receitas, apuradas com base na presunção do art. 42 da Lei Fl. 8730DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 28 27 nº 9.430/96. Ou seja, frente a depósitos bancários de origem não comprovada, concluiu a autoridade lançadora pela existência de valores tributáveis. A contribuinte apresentara livros contábeis que precariamente reproduziam a movimentação bancária questionada, fazendo transitar a maior parte dos valores apenas por contas patrimoniais, e reconhecendo como receita de vendas somente os valores expressos nas notas fiscais emitidas. Consoante reproduzido pelo I. Relator, a contribuinte limitouse a argüir, sem qualquer prova documental, que em virtude da natureza perecível das mercadorias, havia operações de revenda de mercadorias que seguiam diretamente do produtor rural para os clientes da empresa, acobertadas pela Nota Fiscal de Produtor Rural; o pagamento ocorria de forma informal, de vez que realizava pagamentos aos produtores rurais e posteriormente recebia de seus clientes a quitação das mercadorias revendidas. A qualificação da penalidade decorreu do fato de a contribuinte não ter emitido notas fiscais, não ter escriturado a maior parte de suas receitas e não ter declarado à Receita Federal sua efetiva receita, tentando passar a falsa impressão que a sua receita de vendas de mercadorias foi de apenas R$ 1.107.598,81, quando na realidade foi de R$ 7.109.024,52. Entendi, frente a estes elementos, que não se tratava da simples apuração de omissão de receitas, à qual se reporta à Súmula CARF nº 14. O volume de receitas presumidamente omitidas era significativo, e deficiências na escrituração demonstravam a desídia da contribuinte na manutenção de seus assentamentos contábeis. Todavia, embora estes elementos permitissem a imputação de omissão de receitas, eles ainda eram insuficientes para afirmar a intenção dolosa de deixar de recolher tributo. Necessário seria que a Fiscalização investigasse um pouco mais, estabelecendo vínculos concretos entre a movimentação bancária e a atividade operacional da empresa, para assim afirmar que houve a intenção de ocultar receitas tributáveis do Fisco Federal. Evidências como a apuração de depósitos decorrentes de liquidação de títulos de cobrança, ou circularização de alguns depositantes, já permitiriam criar esta inferência. No segundo caso apreciado, as receitas omitidas foram apuradas a partir das informações do Livro Registro de Saídas, que apresentava expressivo volume de operações, ao passo que as DIPJ, DACON e DCTF não continham qualquer registro de resultados tributáveis ou débitos apurados. Ainda assim, a Fiscalização circularizou um dos clientes da fiscalizada, e identificou outras operações que sequer haviam sido escrituradas no Livro Registro de Saídas. Ao final, concluiu a autoridade fiscal que apesar de ter auferido vultosa receita, a contribuinte agiu dolosamente com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias principais, apresentando declarações zeradas. Acompanhei a Turma que, à unanimidade, manteve integralmente o crédito tributário ali exigido, com a aplicação da multa qualificada. No presente caso, também está presente o significativo volume de receita omitida, à semelhança dos demais casos. Além disso, a constatação de que receitas foram subtraídas à tributação decorre de fatos coletados da própria escrituração contábil/fiscal da contribuinte: seus registros escriturais e as informações prestadas à Fazenda Estadual prestaramse como prova direta dos valores tributados. E, no meu entender, estes aspectos já são suficientes para afastar a Súmula CARF nº 14, como antes já mencionei A distinção deste caso, em relação ao anterior, está na acusação fiscal. A autoridade lançadora justifica a qualificação da penalidade em razão da omissão mediante declaração ao Fisco Federal de somente R$ 129.557,60 do total de R$ R$ 13.947.987,53 das vendas registradas em sua contabilidade, cujo total foi registrado em sua escrituração fiscal e contábil e informado ao Fisco do Estado do Paraná, conforme demonstrado nos subitens "2.3.1", "2.3.2" e "2.3.3", Fl. 8731DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 29 28 nos quais limitase a descrever os valores extraídos da escrituração contábil, da escrituração fiscal e das GIAS/ICMS e da declaração simplificada apresentada à Receita Federal. A autoridade lançadora não acusou a contribuinte de ocultar receitas sabidamente tributáveis, de modo que o litígio não se estabeleceu em relação à intenção da contribuinte em deixar de recolher tributos. A dúvida ganha maior relevo quando observo, no Termo de Verificação Fiscal, que cerca de 50% dos valores omitidos decorrem de CAFÉ DESTIN EXPORTAÇÃO e CAFÉ C/ SUSP PISCOFINS, cuja exclusão da base de cálculo do SIMPLES Federal poderia decorrer de interpretação da legislação tributária. Assim, embora entenda que não é o caso de aplicação da Súmula CARF nº 14, concordo com o afastamento da qualificação da penalidade, proposto pela I. Relatora. Extraise, daí, que a multa deve ser qualificada quando há prova direta de receitas auferidas e está demonstrada a intenção do sujeito passivo de ocultálas do Fisco. Nos casos em que a prova da omissão de receitas decorre de presunção legal, a investigação fiscal deve estabelecer vínculos concretos entre a movimentação bancária e a atividade operacional da empresa, para assim afirmar que houve a intenção de ocultar receitas tributáveis do Fisco Federal. Por fim, a intenção do sujeito passivo deve ser objeto de acusação fiscal, para que no contencioso administrativo eventual prova em contrário seja produzida. No presente caso, a ausência de escrituração da movimentação bancária foi, ao menos em parte, justificada pela contribuinte, dado que a sua alegação de que atuava como agente de cobrança de outra pessoa jurídica, ou ao menos como repositório dos valores por ela auferidos, restou demonstrado em relação aos depósitos bancários de origem comprovada. Diante deste contexto, não é possível afirmar, com a certeza que a qualificação da penalidade exige, que os demais depósitos bancários de origem não comprovada seriam receitas da atividade da contribuinte, intencionalmente subtraídas da base tributável, por vários períodos de apuração consecutivos. Em verdade, os elementos reunidos nos autos apenas permitem afirmar a existência de receitas presumidamente omitidas, relativamente às quais a lei autoriza estabelecer a tributação em face do titular da conta bancária nas quais se verificaram os depósitos de origem não comprovada. Mas para afirmar que estes valores correspondem a receitas ou ganhos que a contribuinte sabidamente não computou na base tributável dos períodos fiscalizados, e inclusive subtraiu de sua escrituração fiscal para ocultálos do Fisco, o procedimento fiscal deveria ter sido direcionado para os depositantes destes valores, de modo a aproximarse um pouco mais da natureza dos créditos. Acrescentese que a autoridade lançadora também aplicou multa qualificada sobre os tributos exigidos em relação às receitas provenientes de notas fiscais emitidas pela contribuinte, e, em princípio, submetidas à tributação na sistemática simplificada de recolhimento. A autoridade julgadora de 1a instância, inclusive, reduziu a exigência em razão da dedução dos valores recolhidos naquela sistemática. E, relativamente às parcelas remanescentes, a qualificação da penalidade está sustentada, apenas, nas irregularidades formais constatadas na escrituração do sujeito passivo, aspecto que enseja, somente, a sua exclusão do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros, mas não a qualificação da penalidade sobre os créditos tributários daí decorrentes. Fl. 8732DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 1101000.919 S1C1T1 Fl. 30 29 Assim, como os valores remanescentes, exigidos após a exclusão da contribuinte do Simples Nacional, sustentamse apenas na presunção legal estabelecida a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada, bem como nos efeitos da exclusão do Simples Nacional por inobservância da forma de escrituração determinada em lei, infrações que incorporam a falta de escrituração das contas bancárias correspondentes, é de se concluir que não restou provado o intuito de fraude que o art. 44, §1o da Lei nº 9.430/96 exige para duplicação do percentual da multa de ofício. E, quanto às alegações de inconstitucionalidade da penalidade aplicada, em razão de seu caráter confiscatório, estando seu percentual previsto em lei, resta apenas invocar a Súmula CARF nº 2, no sentido de que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por estas razões, relativamente à exclusão do Simples Nacional e às exigências pertinentes ao período de 01/07/2007 a 31/12/2008, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para validar o Ato Declaratório Executivo DRF/Osasco nº 15/2012, mas reduzir a penalidade ao percentual básico de 75%. Em resumo, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 8733DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720680/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009
PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTOS. LEI Nº 10.147/2000. REGIME ESPECIAL. CASSAÇÃO. ANÁLISE DO PROCESSO RESPECTIVO. COMPETÊNCIA. PAF.
Está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF, a análise do mérito e fatos relativos à tramitação do processo relativo à concessão ou cassação de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara fiscal, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária.
FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA A QUO PARA NOVO JULGAMENTO.
Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância a quo para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa.
Preliminar Acolhida.
Nulidade Reconhecida.
Numero da decisão: 3402-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009 PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTOS. LEI Nº 10.147/2000. REGIME ESPECIAL. CASSAÇÃO. ANÁLISE DO PROCESSO RESPECTIVO. COMPETÊNCIA. PAF. Está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF, a análise do mérito e fatos relativos à tramitação do processo relativo à concessão ou cassação de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara fiscal, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária. FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA A QUO PARA NOVO JULGAMENTO. Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância a quo para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa. Preliminar Acolhida. Nulidade Reconhecida.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16682.720680/2011-51
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5296328
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.178
nome_arquivo_s : Decisao_16682720680201151.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16682720680201151_5296328.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5097504
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172043575296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2110; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.395 1 1.394 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720680/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.178 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria COFINS Recorrente MANTECORP INDUSTRIA QUIMICA E FARMACEUTICA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009 PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTOS. LEI Nº 10.147/2000. REGIME ESPECIAL. CASSAÇÃO. ANÁLISE DO PROCESSO RESPECTIVO. COMPETÊNCIA. PAF. Está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF, a análise do mérito e fatos relativos à tramitação do processo relativo à concessão ou cassação de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara fiscal, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária. FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA “A QUO” PARA NOVO JULGAMENTO. Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância “a quo” para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa. Preliminar Acolhida. Nulidade Reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 80 /2 01 1- 51 Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720680/201151 Acórdão n.º 3402002.178 S3C4T2 Fl. 1.396 3 Relatório Por estar bem delineado e resumir os elementos fáticos deste processo, reproduzo o relatório contido do Acórdão 1339.583 da 5ª Turma da DRJ/RJ2: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 523/535 em virtude da apuração de falta de recolhimento de COFINS no período de 31/10/2006 a 31/05/2009, que exige contribuição de R$ 101.943.324,44, multa de ofício de R$ 76.457.493,22 e juros de mora de R$ 35.776.365,93, perfazendo o total de R$ 214.177.183,59. No Termo de Verificação de Infração (fls. 536/551), o AFRFB autuante esclarece que: 1. A interessada solicitou a habilitação ao Regime Especial de Utilização de Credito Presumido da Contribuição para o PIS e a COFINS por meio do processo nº 15374.00083/200821, conforme preceitua o art. 63, §1º, incisos I e II da Instrução Normativa SRF nº 247 de 2002; 2. O pedido foi indeferido em 26/12/2008 e a interessada foi cientificada em 07/05/2009. 3. Em 04/06/2009, a empresa apresentou nova petição considerada como renovação do pedido, de acordo com o que preceitua o art. 2º, § 7º do Decreto nº 3.803/2001 e o art. 63, § 5º da IN SRF nº 247/2002. 4. Tal pedido foi deferido, sendo emitido o Ato Declaratório Executivo nº 67 de 13/04/2010 habilitando a interessada a partir de 04/06/2009 (data da renovação). 5. O procedimento fiscal foi direcionado para o lançamento relativo a insuficiência de declaração e recolhimento do PIS e da COFINS, no período de 10/2006 a 05/2009. 6. O §2º do art. 3º do Decreto nº 3.803/2001 dispõe que, no caso do indeferimento do requerimento, as contribuições que deixaram de ser pagas, serão consideradas devidas desde o início da fruição indevida do benefício; 7. A interessada impetrou ação judicial (MS 2009.51.01.01.0148130) pleiteando que fosse desobrigada da apresentação da CND no processo no qual pleiteia o reconhecimento do seu direito ao regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição ao PIS e a COFINS. O MS teve a segurança denegada. Foi negado seguimento ao Agravo de Instrumento. E foi negado provimento ao embargos de Declaração no Agravo. 8. Nas competências de 10/2006 a 04/2009, a Mantecorp não efetivou qualquer registro contábil relativo à apuração e à utilização do crédito presumido da contribuição para o PIS. 9. Em relação à competência de 05/2009, a empresa efetivou depósito judicial no valor de R$ 4.480.847,92 mais multa no valor de R$ 73.933,94, perfazendo um total registrado contabilmente de R$ 4.554.781,86. O valor do débito consta na DCTF, mas não foi especificado na DACON. O enquadramento legal encontrase no auto de infração (fls. 523/535). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou Impugnação e, em virtude da DRJ ter sintetizado os fatos de maneira clara e eficiente, transcrevo a síntese dos fatos por ela relatados quando da decisão de Primeira Instância: Cientificada em 26/08/2011, a interessada apresentou em 23/09/2011 a impugnação de fls. 554/602, na qual alegou que: Protocolizou junto à CMED, em 18/04/2007 o Pedido de Aditamento ao Requerimento Inicial de Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Habilitação para a Concessão de Credito Presumido, instruído com os documentos previstos nas alíneas do item 5 do Comunicado nº 9/01, com o objetivo de alterar a apresentação do medicamento LIORAM; As certidões que instruíam o processo encontravamse perfeitamente válidas; Após a análise da CMED o pedido foi encaminhado a RFB, por meio do ofício nº 1561 de 2007, expressando a regularidade dos preços e enquadramentos dos medicamentos comercializados pela Impugnante; O processo foi encaminhado indevidamente para DIORT São Paulo que o remeteu para o Rio em 29/11/2007; O processo somente foi formalizado em 17/01/2005; Em 17/04/2008 a impugnante foi intimada para que comprovasse o pagamento de supostos débitos apontados no relatório Informações de Apoio para Emissão de Certidão, que prestou esclarecimentos em .25/04/2008; Em 26/12/2008 a DERAT indeferiu a habilitação da impugnante ao regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS por entender que não foram atendidas as exigências do artigo 2º do Decreto nº 3803/01. A impugnante não foi intimada a prestar esclarecimentos a estes novos débitos que motivaram o indeferimento do pedido; A impugnante foi cientificada em 07/05/2009 e nesta data, já havia se passado mais de um ano da data em que a impugnante prestou esclarecimentos à Derat; Em 04/06/2009 a Impugnante apresentou petição requerendo a reconsideração do indeferimento; O pedido de Habilitação foi deferido sendo publicado o Ato Declaratório Executivo nº 67/10, em 14/04/2010; Embora a petição solicite a reconsideração do indeferimento do regime especial de crédito presumido, a DERAT entendeu que se tratava de uma renovação, de tal sorte que o deferimento em comento somente passaria a produzir efeitos a partir da data de seu protocolo 04/06/2009; A impugnante não tomou conhecimento de que o seu pedido de reconsideração havia sido tratado como renovação do pedido, visto que tal informação conta apenas em documento interno do processo de habilitação; A impugnante cumpre os requisitos previstos na legislação para a fruição do regime especial desde 2001 e a RFB jamais se pronunciou sobre o assunto a despeito das previsões no artigo 2º do Decreto nº 3.803/2001; Embora a impugnante já fizesse jus ao regime especial desde a data do protocolo do primeiro requerimento junto à Câmara de Medicamentos e estando diante de um Pedido de Aditamento ao Requerimento Inicial de Habilitação para Concessão de Crédito Presumido, a Receita Federal tratou o, desde o primeiro momento, como um pedido de concessão de regime especial de crédito presumido; A RFB não cumpriu os prazos previstos no artigo 2º do Decreto nº 3.8013/2001 e no artigo 63 da IN SRF nº 247/2002 o que gera o deferimento automático do regime especial de crédito presumido conforme previsto no §2º do artigo 63 da IN citada; Não ocorreu a suspensão do prazo, uma vez que quando a interessada foi intimada o prazo já estava esgotado; A finalidade do deferimento automático é a de assegurar uma mínima segurança jurídica aqueles que se utilizam do regime especial, haja vista que os preços são desde logos reduzidos em função do aproveitamento do crédito presumido, em benefício dos consumidores, não havendo possibilidade de posterior ressarcimento; que as certidões a serem analisadas seriam aquelas apresentadas em 2007 e que o indeferimento ocorreu em razão de débitos que estavam com a exigibilidade suspensa; que o pedido efetuado em 2009 foi um pedido de reconsideração e não uma renovação do pedido, uma vez que foram apenas reiterados os argumentos já apresentados pela impugnante no curso do processo, não sendo sanadas quaisquer irregularidades que tenham dado ensejo ao indeferimento do pedido.; que uma vez que o pedido apresentado em 2007, diferentemente do que entendeu a DERAT não era um pedido de habilitação, e sim, um pedido de aditamento, haja vista que a impugnante utiliza o crédito presumido desde 2001, o seu indeferimento somente poderia abranger o produto objeto da alteração, e não a totalidade dos produtos farmacêuticos comercializados pela impugnante, havendo incorreção na base de cálculo apurada pela fiscalização; os juros não podem ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal; A interessada junta cópia do processo de habilitação ao crédito presumido de PIS e COFINS. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720680/201151 Acórdão n.º 3402002.178 S3C4T2 Fl. 1.397 5 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, e após realização da diligência, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, RJ, proferiu o Acórdão de nº. 1339.583, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009 REGIME ESPECIAL. MEDICAMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO. EXCLUSÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não cabe às Delegacias de Julgamento apreciar oposição a indeferimento do regime especial de utilização do crédito presumido do PIS e da Cofins de que trata o art. 3º da Lei nº 10.147, de 2000. Indeferido o pedido de habilitação, correto o lançamento do tributo inadimplido decorrente do indevido aproveitamento de créditos. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Não cabe o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito judicial do seu montante integral. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros moratórios sobre o crédito tributário que esteja com sua exigibilidade suspensa por depósito judicial do seu montante integral. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Inicialmente a DRJ, entendeu não ser competente para apreciar oposição a indeferimento do regime especial de utilização de crédito presumido do Pis e da Cofins, de que trata o art. 3º da Lei 10.147/00, nos termos do art. 229 do Anexo à Portaria MF nº 587 de 2010, deixando, portanto, de analisar as alegações da contribuinte acerca de sua regularidade fiscal. Quanto ao lançamento de ofício, a DRJ considerou correta a autuação fiscal, vez que o indeferimento vedava a contribuinte de efetuar aproveitamento de crédito presumido e mesmo assim, a contribuinte valeuse dos créditos, portanto, válida a ação do Fisco em exigir tributo não recolhido por uso indevido de crédito presumido. No que tange à multa e juros de mora, a DRJ verificou foi lançado o valor do débito de PIS no período de 05/2009, declarado em DCTF, com exigibilidade suspensa tendo em vista haver depósito do montante integral, julgando, assim, pelo cancelamento da multa e dos juros de mora constantes do lançamento de ofício quanto ao período em questão, mantendo a autuação nos demais quesitos. DO RECURSO Ciente em 09/04/12 do Acórdão nº. 1339.583, e não se conformando com a manutenção parcial das exigências a ele impostas, o contribuinte apresentou em 03/05/12 Recurso Voluntário a este Conselho. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, reiterou os argumentos alegados em sede de Impugnação, acrescentando de nulidade da decisão da DRJ e da competência da DRJ para análise dos atos ilegais praticados nos autos. Quanto à nulidade da decisão da DRJ, sustenta a recorrente, em apertada síntese, que a referida delegacia não apreciou todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente na impugnação, alegou que deveria a DRJ ter analisado as alegações de nulidade do processo administrativo de habilitação no regime especial de crédito presumido de nº 15374.000083/200821, pois desse processo se originou o lançamento de ofício. Portanto, o fato de a DRJ não analisar tais alegações, torna impossível refutar o lançamento de ofício sem que a Recorrente demonstre as nulidades do referido processo de concessão do regime especial de crédito presumido de Pis/Cofins. Alega ainda, em síntese, que a DRJ é competente para analisar as alegações de atos ilegais praticados no processo administrativo em respeito aos Princípios da Legalidade e da Autotutela, a DRJ possui competência para apreciar a existência de vício insanável de ilegalidade em razão da afronta ao art. 63, II, da IN SRF nº 247/2002, pois cabe à Administração rever os seus próprios atos em obediência à norma legal vigente. Ao fim, requereu o provimento do recurso, seja em razão da preliminar, para declarar nula a decisão proferida pela DRJ, seja em razão do mérito, com o consequente cancelamento do lançamento de ofício. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado até a folha 1399 (um mil novecentos e dez), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720680/201151 Acórdão n.º 3402002.178 S3C4T2 Fl. 1.398 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O recurso atende aos pressupostos de tempestividade e de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A análise dos autos permite concluir que o Recurso Voluntário apresentado pretende a reforma da decisão da DRJ/RJOII, que manteve lançamento de ofício, o qual visa constituir crédito tributário pela glosa do usufruto do direito ao crédito presumido de PIS e COFINS previsto no art. 3º, da Lei nº 10.147/2000 (relativo à importação ou fabricação de medicamentos), sob o fundamento fiscal de que o sujeito passivo, no período da autuação (out/2006 a mai/2009), não detinha regularidade fiscal que lhe propiciasse gozar do incentivo, mas apenas a partir de 04/06/2009, quando teria renovado seu pedido de habilitação e comprovado sua regularidade fiscal. Afirma a Recorrente em suas razões, em apertadíssima síntese, além das preliminares de nulidade tanto da autuação em si quanto da decisão da DRJ, no mérito, de que não se trataria de Pedido de Habilitação ao Regime Especial, e sim de mero Aditamento para inclusão de dois novos tipos de medicamentos, já que seria usufrutuária do benefício desde muito tempo antes de que tenha protocolizado o Requerimento que ensejou a formação do Processo nº 15374.00083/200821; bem como que diante do decurso do prazo de 30 dias previsto no Decreto nº 3.803/2001, teria se operado o deferimento automático do regime especial, não se podendo aplicar retroativamente os efeitos do indeferimento posterior; que, quando foi instada a promover a regularização de débitos que estariam registrados em seu desfavor, simplesmente comprovara estarem os mesmos inexigíveis, o que motivara o deferimento, não cabendo tratar referidos “esclarecimentos” como renovação do pedido, para que não se lhe aplique efeitos retroativos ao regime especial. Por fim, sucessivamente, pleiteia a redução da exigência, pela limitação da autuação aos medicamentos que pretendera incluir com o pedido em questão, assim como para que seja afastada a incidência dos juros sobre a multa. A análise dos autos permite concluir que o deslinde da controvérsia aqui instalada passa, necessariamente (embora não exclusivamente, por óbvio), pelo exame da cronologia dos fatos, assim como, principalmente, pela regularidade do sujeito passivo ao longo do tempo em que tramitara o Processo nº 15374.00083/200821, porém, como visto e observado da leitura do relato dos autos, a Delegacia de Julgamento abstevese de apreciar tais matérias, declarandose incompetente para adentrar na análise dos motivos determinantes do indeferimento do Regime Especial que ampara o crédito presumido que aqui é “reflexo”,deixando de apreciar ponto que, a meu ver, é crucial e essencial ao deslinde da causa. Tenho que, ainda que tramitando por Órgão que não seja do Ministério da Fazenda, mas ainda assim componente do “Poder Público”, o processo de concessão/cassação do Regime Especial perseguido pela empresa foi o principal motivador do lançamento aqui discutido, e, neste tocante, deveria a instância de julgamento a quo ter proferido juízo de valor acerca dos fatos, pronunciando seu entendimento acerca de estar ou não a empresa devidamente amparada pelo já citado regime, sua natureza (se de aditamento, renovação ou Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 outra natureza) para com isso deixar de recolher a contribuição exigida, lastreando assim de validade o lançamento que aqui se cuida. Neste tocante, a DRJ/RJ2 assim se pronunciou: “Como se vê, não cabe às Delegacias de Julgamento apreciar oposição a indeferimento do regime especial de utilização do crédito presumido do PIS e da Cofins de que trata o art. 3º da Lei nº 10.147, de 2000. Nesse contexto, as alegações da defesa endereçadas contra os procedimentos e os atos da administração tributária que resultaram, ao fim, no indeferimento do pedido de habilitação ao regime especial, deixam de ser examinadas por exorbitarem da esfera de atuação deste órgão.” Ainda que, como dito, tendo sua tramitação em esfera diversa desta em que é apreciado o Processo Administrativo Fiscal, a omissão acerca dos “motivos determinantes” para a realização do ato administrativo de lançamento nestes autos versado, é ofensiva ao direito ao contraditório e ampla defesa garantido aos contribuintes no âmbito do PAF (sob pena de cerceando do direito de defesa do mesmo), bem como, macula de vício o devido processo administrativo fiscal, ao qual a legalidade – dos atos administrativos em geral – é condição sine qua non para sua válida existência. A real posição do contribuinte em relação ao Regime Especial pleiteado, para a qual existiriam reflexos diretos em sua condição tributária, é situação sobre a qual deveria ter se pronunciado a Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ2), aprofundando a questão quanto a verdade material ocorrida nos autos, a fim de validar ou não os efeitos jurídicos que decorrem daquele Regime Especial, já que constituise na “causa” que lastreia o lançamento questionado. O próprio julgamento de mérito que se pudesse fazer sobre o que destes autos consta, sem que se tenha adentrado no conhecimento do mérito do Processo nº 15374.00083/200821, e da cronologia de sua tramitação, fica inviabilizado. Vejase, por exemplo, que sequer encontrase nos autos cópia integral do precitado processo. Ademais, seria necessário, sob a ótica deste julgador, entender se o mesmo tratase de “Aditamento” ou de “Pedido de Habilitação” de novos tipos/classes de medicamentos. Ademais, a análise da cronologia dos acontecimentos seria também crucial para o cabal entendimento dos fatos que permearam toda a tramitação processual daquele referido processo, permitindo saber se mesmo antes de protocolizar o requerimento que culminou na formação do Processo nº 15374.00083/200821, o contribuinte já era detentor do Regime Especial do Crédito Presumido de que trata o art. 3º, da Lei nº 10.147/2000, para outros remédios e classes de medicamentos. E ainda, se quando do recebimento do Ofício SE/CMED nº 1.561, de 09/11/2007, que culminou na formação do referido Processo nº 15374.00083/200821, o sujeito passivo possuía regularidade fiscal (entendida nos termos dos arts. 151, 205 e 206, do CTN), e se durante toda a tramitação do referido processo, ou seja, a partir de 18/04/07 (data do protocolo do pedido junto à CMED) e a data do deferimento do Regime Especial pelo Ato Declaratório Executivo nº 67/2010, perdeu essa regularidade fiscal; e, em caso de haverem débitos, apontar quais que foram informados ao contribuinte, relacionados às folhas 14, 17, 18 e 23, pela Intimação de folhas 43 e 44 (todas do Processo nº 15374.00083/200821) que estariam a impedir a certificação da regularidade fiscal do sujeito passivo, e que acabaram por motivar o indeferimento do regime. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720680/201151 Acórdão n.º 3402002.178 S3C4T2 Fl. 1.399 9 Ou seja, toda a matéria de fato restara prejudicada pelo fato de ter o Órgão julgador e piso, se abstido de adentrar na análise efetiva do mérito e na cronologia da tramitação do Processo nº 15374.00083/200821, redundando por certo em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, e quiçá impossibilitando a completa e exauriente análise que seria necessário ser realizada para um justo julgamento que se pretenda realizar no âmbito desta Casa. Entendese perfeitamente a premissa adotada pela DRJ, e sobre esse posicionamento se compreende que realmente restaria apenas aplicar o que restara decidido no âmbito do Processo referenciado; porém, se dos acontecimentos daquele processo está o substrato de motivação do ato administrativo de lançamento que aqui se avalia, entendese indispensável conhecer todas as suas nuances para que se possa proferir julgamento sobre a legalidade do ato de lançamento tributário, de modo que entendese haver competência para referida análise. Neste sentido, ainda que tratando de regime diverso (Regime Automotivo), e com órgão regulatório diverso (MDIC), porém em situação análoga (Crédito Presumido), pode se verificar que esta Casa têm apreciado este tipo de temática, emitindo seu entendimento acerca da concessão/cassação de Regimes Especiais, na análise de validade dos lançamentos tributários, a se verificar: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 31/12/1997 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência da infração. REGIME AUTOMOTIVO. PROPORÇÃO. MDIC. HOMOLOGAÇÃO. ACORDO. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considerase adimplida a condição estabelecida em Lei quando observados os critérios definidos em acordo firmado entre a beneficiária e as entidades de classe ABIMAQ/SINDIMAQ e homologado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Recurso Voluntário Provido Recurso de Ofício Negado” (CARF Acórdão 310201.483 3ª Seção 1ª Cam. 2ª TO. Rel. Ricardo Paulo Rosa. Julg. Em 24/04/2012) – Grifouse. “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 18/07/2000 PROTEC ÃO À BANDEIRA BRASILEIRA Para os efeitos do Decretolei nº 666/69, considerase de bandeira brasileira o navio afretado por empresa brasileira devidamente autorizada a funcionar no transporte de longo curso. EX TARIFÁRIO Para fazer jus a um Ex tarifário, a mercadoria importada deve coincidir perfeitamente com a descric ão do Ex, o que ocorreu na presente hipótese, haja vista os documentos e os laudos tećnicos acostados aos autos. REGIME AUTOMOTIVO. Não comprovac ão do descumprimento da condic ão onerosa do regime automotivo pelo contribuinte, tendo a autoridade autuante se bastado em assertivas que não são corroboradas pelos documentos que foram acostados aos autos, notadamente Acordo firmado com a ABIMAQ, não sendo devida, portanto, a multa prevista no artigo 13 da Lei n° 9.447/97. REGIME AUTOMOTIVO. IMPOSTO DE IMPORTAC ÃO E IPI VINCULADO. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 Fundado em interpretac ão da PGFN, o Parecer Cosit n 13/2004 tratou da matéria de forma profunda e abrangente e considerou descabida a exige ncia desses tributos no caso de inadimplemento do regime. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DA PROPORC ÃO PREVISTA NO REGIME AUTOMOTIVO. HOMOLOGAC ÃO DE ACORDOS COM A ABIMAQ/SINDIMAQ. Os acordos com entidades de classe representativas da indústria brasileira de bens de capital e a beneficiária do regime automotivo estão previstos no art. 6 do Decreto nº 2.072/96 apenas para o efeito alterar a proporc ão estabelecido nessa norma para as aquisic ões de bens de capital produzidos no País e os importados. A lei não previu a homologac ão de acordos que extrapolem o prazo do beneficio, o qual teve vige ncia até 31/12/1999 (art. 1, da Lei nº 9.449/97). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE” (3º CC – 1ª Câmara – Acórdão nº 30134.376 – Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda – j. 23.01.2008) grifouse. Verificase, portanto, que muitas têm sido as oportunidades em que se adentra na análise do mérito da concessão ou não de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara tributária, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária que está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF. Deste modo, a DRJ e esta Casa detém competência para analisar o Regime Especial, para avaliar se os efeitos tributários que dela emanam revestemse dos atributos necessários para sustentar o lançamento tributário praticado pela Administração. Assim sendo, em estrita observação aos princípios resguardados à qualquer das partes litigantes em processo, seja judicial, seja administrativo, por absoluto respeito à Constituição Federal, com a devida vênia das autoridades julgadoras de primeiro grau, entendo nula a decisão administrativa proferida neste processo, merecendo estes autos retornarem à instancia a quo para novo julgamento, a fim de que todos os pontos argüidos pelo sujeito passivo tenham a devida apreciação de mérito. Na esteira das considerações acima, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para anular a decisão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002251/2006-74
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
ABONO VARIÁVEL JUIZES CLASSISTAS RESTITUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas pelos juízes classistas, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 ABONO VARIÁVEL JUIZES CLASSISTAS RESTITUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas pelos juízes classistas, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.002251/2006-74
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5301864
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-002.541
nome_arquivo_s : Decisao_10680002251200674.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10680002251200674_5301864.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
id : 5130800
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172081324032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1691; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 142 1 141 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.002251/200674 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.541 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria IRPF Recorrente RAIMUNDO GUILHERME TEIXEIRA CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 ABONO VARIÁVEL JUIZES CLASSISTAS RESTITUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas pelos juízes classistas, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 22 51 /2 00 6- 74 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Por bem retratar os fatos objeto deste processo até a impugnação, sirvo do relatório produzido em primeira instância. “Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte. Pleiteou o interessado, á fl. 01, restituição decorrente da aplicação da Resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal. A Delegacia da Receita Federal proferiu despacho decisório às fls. 32 a 34, indeferindo o pleito. Cientificado em 07/11/2008, fl. 35, o contribuinte apresenta, em 26/11/2008, por meio de representante (fl. 43), o recurso às fls. 37 a 42, na qual alega, em síntese, que o Supremo Tribunal Federal editou a Resolução n° 245, regulando o abono previsto na Lei 10.474, de 2002, objeto do lançamento. Aduz que o STF determinou, através de norma legal e não decisão jurisdicional isolada, para todos os efeitos legais, que é de natureza jurídica indenizatória o abono precitado e autorizou a restituição ou compensação diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal.” A autoridade julgadora de primeira instância, através das fls. 48/53, indeferiu a solicitação anteriormente pleiteada pelo contribuinte, conforme ementa que segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebi 'dos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Solicitação Indeferida Inconformado com a r. decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls.50/54, por meio do qual: · Argumenta que o. Acórdão recorrido equivocouse ao manter a cobrança, de restituições do Imposto de Renda que considerou indevidas, referentes ao exercício de 2001,2002 e 2003. · Ressalta que as restituições referemse ao Imposto de Renda que incidiu sobre o abono variável de que trata o art. 2°, da Lei 10.474/2002, considerada parcela de natureza indenizatória, não sujeita a tributação, no v. Acórdão proferido no Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, nos autos do Recurso Administrativo 010502003 00003009. · Observa que o Acórdão entendeu que as restituições em exame seriam indevidas citando, de inicio, precedente do Supremo Tribunal Federal no sentido de que inexiste direito a tratamento igualitário entre Juizes Fl. 63DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.002251/200674 Acórdão n.º 2802002.541 S2TE02 Fl. 143 3 Togados e Juizes Classistas e de que ambos estão submetidos a regimes jurídicos distintos. · Destaca que com base no teor do citado precedente, o Acórdão argumentou que "não se pode automaticamente concluir que a natureza jurídica indenizatória do abono variável e provisório concedido pelo art. 6° da Lei 9.655, de 1998, com alteração do art. 2° da Lei 10.474, de 2002, estabelecida na Resolução n ° 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal, seja aplicável aos juizes classistas". · Observa que o Acórdão considerou aplicável, à sua situação , a regra geral estabelecida no § 1º do art. 3 ° da Lei n ° 7.713/88, no sentido de que "constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim, também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados". · Alerta que o referido acórdão está equivocado e não pode prevalecer, vez que de seus fundamentos se extrai que a natureza jurídica da parcela por ele recebida, foi alterada, "negando" o seu enquadramento como abono variável, diante da função de Juiz Classista por ele exercida. Assim, escapou, no entanto; à sua percepção, que recebeu, efetivamente, o abono variável previsto no art. 2 °, da Lei 10.474, que também foi pago aos Juizes Togados. · Realça que isto transparece de forma nítida no v. Acórdão proferido no Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, nos autos do Recurso Administrativo n ° 010502003 00003009, verbis: “Acomodado o referido auxiliomoradia à cunha de ser prestante à inclusão no cálculo daquele abono variável, chancelada a natureza jurídica indenizatória daquele, até para o resultado deste, não se pode negar, d.v., que quando foi pago a Classistas aquele auxilio moradia, estavase, também diante de Juizes Togados, considerando que a parcela tinha natureza contraprestativa. (...) Sobrevindo norma legal que alcança a mesma parcela e lhe imprime natureza indenizatória, como superior e finalmente deliberou o Supremo Tribunal Federal (Resolução nº 245, de 2002), não há como se negar que o pagamento a titulo de auxilio moradia teve, sim, essa natureza indenizatória. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Por isto que é caso de serem: recalculados os valores para informação à Secretaria da Receita Federal, retificando para a natureza indenizatória os pagamentos jeitos a titulo de auxiliomoradia, abarcando todos a quem foi paga a parcela ,e não sob a consideração de ter outra natureza e gerar recolhimento de imposto de renda na fonte". · Assevera que recebeu o abono variável (auxiliomoradia) previsto no art. 2 °, da Lei 10.474/02 e que este fato não pode ser alterado. · Observa que Acórdão do Recurso Administrativo nº 010502003000 03009 reconheceu uma situação de fato préexistente, isto é, o efetivo recebimento do abono variável pelo contribuinte, que possui natureza indenizatória. · Destaca que a decisão impugnada não pode alterar o ato jurídico perfeito e acabado (recebimento do abono) e o seu direito adquirido à restituição do Imposto de Renda que incidiu, de forma indevida, sobre parcela de natureza indenizatória. · Adverti que as considerações do Acórdão recorrido sobre a não vinculação entre os regimes jurídicos dos Juizes Togados e dos Juizes Classistas, prevista na Lei 9.655/98, são irrelevantes para modificar a natureza jurídica indenizatória do abono variável. · Aponta que o abono variável lhe foi pago quando era Juiz Classista aposentado. A sua aposentadoria ocorreu antes da vigência da Lei 9.655/98. · Ressalta que a Lei 9.655/98 se aplica aos Juizes Classistas em atividade. Que argumentos do Acórdão recorrido sobre a não vinculação dos regimes jurídicos dos Juizes Togados e dos Juizes Classistas poderiam repercutir, em tese, no direito material do contribuinte ao recebimento do abono variável previsto na Lei 10.474/02, o que não é a situação em exame. · Afirma que as restituições, por ele recebidas – exercícios 2001, 2002 2003, estão corretas, vez que abono variável lhe foi pago nos períodos em que houve a incorreta tributação de Imposto de Renda, objeto da restituição em exame. Assim, a natureza da parcela é indenizatória não está sujeita a tributação do Imposto de Renda de Pessoa Física, como reconheceu a Resolução STF n ° 245, de 12 de dezembro de 2002 e o v. Acórdão proferido no Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, nos autos do Recurso Administrativo 01050 200300003009. É o relatório. Voto Fl. 65DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.002251/200674 Acórdão n.º 2802002.541 S2TE02 Fl. 144 5 Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. As fls. 35 a 40, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, insurgindose contra a decisão de fls. 32 a 34, que indeferiu o pedido de restituição protocolado pelo Interessado. No presente caso, o Interessado – juiz classista apresentou declaração retificadora enquadrando no campo de rendimentos isentos parcela relativa ao 13° salário de verbas declaradas como de natureza indenizatórias pelo Supremo Tribunal Federal, Resolução n° 245/2002, ocorridas entre 1998 e 2002, resultando, em razão disso, imposto menor do que o apurado na declaração original. Assim o litígio gira em torno da existência ou não de direito de tratamento igualitário entre os juizes togados e os temporários (classistas) , no que se refere a natureza jurídica indenizatória do abono variável e provisório concedido pelo art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com alteração do art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, estabelecida pelo art. 1º da Resolução n° 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal. Observando que a discussão não diz respeito ao auxílio moradia. Como já bem explicitado no voto do acórdão recorrido o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que "os representantes classistas da Justiça do Trabalho, ainda que ostentem títulos privativos da magistratura e exerçam função jurisdicional nos órgãos cuja composição integram, não se equiparam e nem se submetem, só por isso, ao mesmo regime jurídico constitucional e legal aplicável aos magistrados togados. A especificidade da condição jurídicofuncional dos juizes classistas autoriza o legislador a reservarlhes tratamento normativo diferenciado daquele conferido aos magistrados togados. 0 juiz classista, em conseqüência, apenas faz jus aos benefícios e vantagens que lhe tenham sido expressamente outorgados em legislação especifica". Deste modo, não se pode automaticamente concluir que a natureza jurídica indenizatória do abono variável e provisório concedido pelo art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com alteração do art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, estabelecida pelo art. 1º da Resolução n° 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal, seja aplicável aos juizes classistas. Sendo assim, aplicase ao caso a regra geral prevista no § 1º do art. 3° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que determina que "constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados". Essa norma é reproduzida no art. 37 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda). Assim o acórdão recorrido deve ser mantido por seus próprios e jurídicos fundamentos. Ante o exposto voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Dayse Fernandes Leite Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
