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Numero do processo: 10380.004615/2001-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do
STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da
Administração tributária (RESP 993.164)
Numero da decisão: 9303-002.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC Recorrente CASCAVEL COUROS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto Fl. 231DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/08/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Inconformado com o julgamento desfavorável de seu recurso voluntário pela Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, valese o sujeito passivo acima identificado do recurso previsto no art. 7º do Regimento Interno daquele órgão, substituído pelo CARF. A decisão combatida debruçouse mais uma vez sobre o direito estabelecido na Lei 9.363/96, decidindo, entre outros aspectos, não haver direito à inclusão no montante das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, que comporão a base de cálculo do incentivo, daquelas efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas. Entendeu ainda o colegiado recorrido não existir previsão para acrescer ao valor deferido a taxa de juros selic, ainda que travestida de correção ou atualização monetária. Embora o apelo pretendesse a rediscussão de todos os aspectos julgados em seu desfavor, somente foi recebido no tocante aos dois pontos acima indicados, mesmo depois de formalizado agravo regimental. É o Relatório, sucinto porquanto as matérias postas a deslinde da instância especial já se encontram pacificadas. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como indicado no relatório, ambas as matérias já se encontram sobejamente pacificadas na instância administrativa, mormente após a introdução do art. 62A no vigente regimento baixado pela Portaria MF 256, que nos impõe reproduzir o conteúdo de decisões proferidas pelos tribunais superiores na sistemática do art. 543 do CPC. E é bem sabido que o e. Superior Tribunal de Justiça já definiu ambas as questões favoravelmente ao sujeito passivo. Limitome, por isso, a reproduzir o conteúdo da decisão proferida no recurso 993.164 a fim de dar provimento ao recurso do contribuinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO Fl. 232DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/08/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10380.004615/200121 Acórdão n.º 9303002.051 CSRFT3 Fl. 2 3 CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas Fl. 233DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/08/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural Fl. 234DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/08/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10380.004615/200121 Acórdão n.º 9303002.051 CSRFT3 Fl. 3 5 (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Comprovado que a a obstaculização da Fazenda pública ao recebimento pelo contribuinte de parte dos valores pleiteados decorreu de ato normativo tido por ilegal pelo e. Superior Tribunal de Justiça, cabível, por aplicação obrigatória do entendimento do mesmo Tribunal, a adição de juros ainda que calculados com base na taxa Selic utilizada aqui como “índice de atualização monetária”. Voto, assim, por dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/08/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000323/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO EM DESACORDO COM SEUS FUNDAMENTOS. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa.
É nula a Decisão de 1ª Instância cujos termos encontram-se
em total desacordo com as razões que a fundamentam, circunstância que representa flagrante preterição do direito de defesa do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.701
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO EM DESACORDO COM SEUS FUNDAMENTOS. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância cujos termos encontram-se em total desacordo com as razões que a fundamentam, circunstância que representa flagrante preterição do direito de defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DECISÃO EM DESACORDO COM SEUS FUNDAMENTOS. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revelase o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância cujos termos encontramse em total desacordo com as razões que a fundamentam, circunstância que representa flagrante preterição do direito de defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: Janeiro/2004 a Dezembro/2004 Data da lavratura do Auto de Infração: 10/11/2008 Data da Ciência do Auto de Infração: 12/11/2008 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da entidade em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias correspondentes à parte patronal destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de pessoas físicas caracterizadas como segurados empregados e de segurados contribuintes individuais, conforme delineado no Relatório Fiscal a fls. 101/108. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 123/129. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa corporificada no Acórdão a fls. 161/167, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27 de janeiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 171. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 173/186, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que a Sra. Cléia Wandsberg da Rocha foi erroneamente enquadrada como empregada no exercício da profissão de músico, pois é uma "ministra de confissão religiosa", estando suas remunerações ao abrigo da isenção de contribuições previdenciárias; • Que a instituição mantinha junto à Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista um Convênio para a realização de estágio por prazo indeterminado, firmado em 01/03/2009; • Requer a relevação da multa de mora e das multas por descumprimento de obrigação acessória; Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000323/200883 Acórdão n.º 230201.701 S2C3T2 Fl. 227 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/01/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 26 de fevereiro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECISÃO RECORRIDA Pondera o Recorrente que a Sra. Cléia Wandsberg da Rocha foi erroneamente enquadrada como empregada no exercício da profissão de músico, pois é uma "ministra de confissão religiosa", estando suas remunerações ao abrigo da isenção de contribuições previdenciárias. Com efeito, o presente lançamento houve por lavrado subdividido em dois levantamentos distintos, conforme arrolamento no discriminativo a fls. 98/100, a saber: a) "CSE" Caracterização de Segurado Empregado – Constituído pelo Salário de Contribuição de segurados cuja relação jurídicoprevidenciária com o Recorrente, no entendimento da Autoridade Lançadora, se enquadrava na condição de segurado empregado; b) "SCI" — Segurados Contribuintes Individuais – Constituído pelo Salário de Contribuição de segurados qualificados como segurados contribuintes individuais. Com relação ao levantamento CSE Caracterização de Segurado Empregado, a decisão recorrida reconheceu que a musicista Cléia Wandsberg da Rocha não reunia os elementos suficientes para ser enquadrada na condição de ministro de confissão religiosa. Nessa prumada, o órgão julgador de 1ª instância, mesmo considerando estarem presentes diversos indícios caracterizadores da relação de emprego, pautouse por considerar não ser possível se afirmar a existência de vínculo empregatício entre a musicista e Fl. 8DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 a instituição religiosa, razão pela qual houve por considerar ser procedente o seu enquadramento como segurado contribuinte individual, na qualidade de “segurado autônomo” (sic), excluída do conceito de ministro de confissão religiosa para os fins previdenciários. Ocorre, contudo, que a conclusão do voto em relação à musicista em tela fez rimar açúcar com sal, num “Samba do crioulo doido” de fazer o Stanislaw tirar o chapéu, eis que a considerou como segurada contribuinte individual, ao passo que, no lançamento, ela se houve por caracterizada como segurada empregada. Assim finalizou o relator, ipsis litteris: “Embora presente esse indício de relação de emprego, não é possível com certeza, no âmbito deste julgamento, a existência do vínculo empregatício entre a musicista e a instituição religiosa, pelo que é de se considerar procedente o seu enquadramento pelo autuante como contribuinte individual, na qualidade de segurado autônomo, excluída do conceito de ministro de confissão religiosa para os fins previdenciários”. (grifos nossos) Ora, mas o auditor fiscal autuante não a havia enquadrado como segurada contribuinte individual, mas, sim, como segurada empregada, eis que excluída do conceito de ministro de confissão religiosa, estes sim, legalmente definidos como segurados contribuintes individuais, nos termos do art. 12, V, ‘c’ da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; (Redação dada pela Lei nº 10.403, de 2002). O fechamento do acordão não foi outro senão a improcedência das impugnações apresentadas e a manutenção integral do crédito tributário. Conclusão Por todo o exposto, em face das razões e circunstâncias ora aduzidas e tudo o mais que dos autos consta, voto pela total improcedência das impugnações apresentadas, com a consequente manutenção do crédito tributário objeto do presente processo (n° 19311.000323/200883 (Debcad n° 37.173.7460)) e dos processos a este juntados por apensação (n° 19311.000324/2008 2: (Debcad n° 37.173.7478), n° 19311.000325/200872 (Debcad n° 37.173.7486) e n° 19311 100326/200817 (Debcad n° 37.173.7494), ressalvada, para este último, a eventual aplicação retroatividade benigna. (grifos nossos) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000323/200883 Acórdão n.º 230201.701 S2C3T2 Fl. 228 5 Muita calma nessa hora. Se o auditor fiscal autuante efetuou o lançamento enquadrando a segurada em realce como segurada empregada, mediante a desconsideração de sua condição de ministra de confissão religiosa para fins previdenciários, e assim, desqualificandoa como segurada contribuinte individual, e a decisão de primeira instância, mesmo reconhecendo a existência de indício de relação de emprego, admitiu ser procedente o seu enquadramento como segurada contribuinte individual, na qualidade de “segurado autônomo” (sic), a conclusão do acórdão jamais poderia apontar para a procedência global do lançamento e a manutenção integral do crédito tributário lançado. Anotese que a entidade autuada, em sede de recurso voluntário, retornou à carga atacando a qualificação de segurada empregada mantida pela decisão hostilizada, a qual, conforme indicado, já houvera admitido não ser possível afirmar a existência de vínculo empregatício e que correto era o enquadramento da musicista como segurada contribuinte individual. Nesse cenário, avulta de forma flagrante que os fundamentos da decisão são incompatíveis com a conclusão do acórdão hostilizado, circunstância que culminou por provocar embaraços no direito de defesa do contribuinte. Tal situação conduz, inexoravelmente, à nulidade da decisão recorrida em razão do flagrante cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, a teor do art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto pela declaração de nulidade do Acórdão recorrido, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 10DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 16682.900181/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não tendo sido demonstrada pelo sujeito passivo a existência de crédito de saldo negativo de IRPJ, impõe-se a não homologação das compensações com ele pleiteadas.
Numero da decisão: 1102-000.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho votou pelas conclusões.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente PETROBRAS DISTRIBUIDORA S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não tendo sido demonstrada pelo sujeito passivo a existência de crédito de saldo negativo de IRPJ, impõese a não homologação das compensações com ele pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho votou pelas conclusões. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900181/201064 Acórdão n.º 110200.720 S1C1T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório No presente recurso insurgese a recorrente contra a decisão da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 que não acolheu a solicitação de reforma do despacho eletrônico da Demac/RJ, o qual por sua vez, não homologara as compensações por ela pretendidas. Na Declaração de Compensação apresentada, foi informado como origem do crédito o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, no valor original de R$ 11.703.430,44. De acordo com o Despacho Decisório nº 863963223 (fls. 178 a 198), não foi confirmada a existência do crédito informado, pois, embora coincidente o mesmo com aquele informado na DIPJ/2004, nem todas as parcelas que compunham o crédito ali informado puderam ser confirmadas. Conforme as tabelas anexas ao Despacho, de um total de R$ 8.685.004,21 informado como retenção de fonte, somente R$ 155.682,71 foi confirmado. Além disto, com relação às estimativas, apenas o montante de R$ 102.672.261,22 foi confirmado como o total de estimativas pagas ou compensadas com outros pagamentos indevidos ou a maior. Cientificada do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 62 a 67), argumentando, em síntese, o seguinte: • Foram formalizados quatro PER/DCOMPs: A de número 29140.22485.171008.1.7.022122, retificadora da PERD/COMP nº 39359.84605.190204.1.3.021308, para a compensação do Saldo Negativo de IRPJ do período 01/01/2003 a 31/12/2003 de R$ 11.703.430,44 conforme DIPJ/2004. Esta PER/DCOMP foi utilizada parcialmente para pagamento de IRPJ de Janeiro/2004 no valor de R$ 10.272.119,55. • Solicitamos RETIFICAR a DCTF do 1° Trim. de 2004 no mês de Janeiro/2004, informando o número do PER/DCOMP correto: 29140.22485.171008.1.7.022122, tendo vista que não foi possível retificar eletronicamente a DCTF em virtude da prescrição. • Parte do saldo restante da DCOMP 29140.22485.171008.1.7.022122 foi utilizada para pagamento do IRPJ referente à competência de Fevereiro de 2004 no valor de R$ 1.000.775,64. Após análise, verificamos a existência de duas DCOMP de mesmo valor para quitação do mesmo débito, sendo que a correta é a DCOMP 19300.62422.301107.1.3.03 8862, portanto solicitamos o cancelamento do PER/DCOMP 07447.50670.240304.1.3.020133. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900181/201064 Acórdão n.º 110200.720 S1C1T2 Fl. 3 3 • O saldo remanescente da DCOMP 29140.22485.171008.1.7.022122 foi utilizado para pagamento do IRPJ referente a competência de Maio de 2004 no valor de R$ 740.311,69, através da DCOMP 32534.49342.301107.1.3.029203. • Solicitamos retificar a DCTF do 2° Trim. de 2004 no mês de Maio/2004, informando o número da PER/DCOMP correta: 32534.49342.301107.1.3.029203 tendo vista que não foi possível retificar eletronicamente a DCTF em virtude da prescrição de prazo. • Em síntese: os valores recolhidos não se alteraram em momento algum, apenas houve imputação dos pagamentos por meio das PER/DCOMP informadas (1a, 2a e 3a ) e retifícação das: DCTF do 1° Trim. 2004, nos meses de Janeiro e Fevereiro/2004 e DCTF do 2° Trim. 2004, no mês de Maio/04. Na fl. 207 consta o resumo das solicitações feitas, ratificando o que deverá constar nas DCTF do 1° e 2° Trim. de 2004. • Na decisão em tela negouse a homologação integral do pleito pelo fundamento da inexistência do crédito. Ora, como já se informou, a questão é de simples compreensão. O pagamento deuse tempestivamente através das PERD/COMPs relacionadas, conforme demonstrado acima. O que. ocorreu após foi apenas o uso dos PERD/COMPs para quitação de débitos com o crédito demonstrado. • Não houve pagamento novo ou intempestivo, apenas se procedeu a informação que viabilizava imputação de pagamento já efetuado. Todos os valores devidos já estavam nos cofres da Receita Federal desde o primeiro DARF. • Requer a homologação das compensações. A 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, e destacou que o contribuinte não acostou ao feito qualquer documento que comprovasse as retenções de IRPJ, nem apresentou qualquer argumento ou documento que comprovasse a existência de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, limitandose a solicitar retificações de DCTF relativas ao ano de 2004, e cancelamento de PER/DCOMP apresentado, itens que não fazem parte do litígio. Apesar disto, observou a DRJ que, em razão de duplicidade de declaração dos mesmos débitos em duas PER/DCOMP, de fato não deve ser objeto de cobrança o débito da PER/DCOMP 07447.50670.240304.1.3.030133, de estimativa de IRPJ de 02/2004, no valor de R$ 1.000.775,64, e que, portanto, a mesma deve ser considerada como cancelada. O Acórdão 1234.978, fls. 225 a 229, está assim ementado: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFICÁCIA. Não há como abrigar manifestação de inconformidade que não logra desconstituir os fundamentos do despacho decisório. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900181/201064 Acórdão n.º 110200.720 S1C1T2 Fl. 4 4 A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição/compensação, devendo o contribuinte comproválo.” Cientificada desta decisão em 30/12/2010, conforme AR de fls. 235, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/01/2011, fls. 236 a 241, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: O fato é que os códigos na PER/DCOMP em litígio foram todos informados como sendo 1708 (IRRF – REMUNERAÇÃO SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA) devido à impossibilidade do Sistema Contábil utilizado na época, no qual não foi possível utilizar os códigos corretamente de acordo com a retenção feita. Ratificamos que todos os créditos informados referentes a impostos retidos na fonte são reais, haja vista que nossos créditos referentes aos impostos retidos na fonte anualmente supera o valor de R$ 15 milhões/ano. Anexamos alguns informes de rendimentos (Docs. 05 a 08) que estão em nosso poder para ratificar o exposto acima. Entendemos que o problema ocorrido quanto a não localização por parte da RFB dos créditos informados, devese somente à informação do código da receita (1708) e não quanto a sua existência. Solicitamos a essa repartição verificação das retenções sofridas pela BR Distribuidora em relação aos seguintes códigos: 3426, 6147,8739. Apesar de a RFB ter acolhido o pedido de cancelamento da PER/DCOMP n° 07447.50670.240304.1.3.030133, conforme voto da 8ª Turma da DRJ/RJ1, a mesma emitiu uma cobrança através do DARF nº de referência 16682900.301/201023, no valor total atualizado de R$ 2.052.690,90, do que decorrem a inexistência de valor cobrado e a improcedência da decisão no que se refere a tal quantia. Finaliza requerendo o provimento do recurso, o cancelamento da cobrança do DARF acima especificado, e o reconhecimento de que o presente feito nada tem a ver com a PETRÓLEO BRASILEIRO S/A — PETROBRAS, CNPJ 33.000.167/000101, razão pela qual não seria legitimo qualquer impacto a sua regularidade fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Cediço que o regime jurídico da compensação tributária, em vigor a partir da Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requisita a iniciativa do contribuinte, que, mediante a apresentação da Declaração de Compensação, informa ao Fisco que efetuou o encontro de contas entre seus Fl. 292DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900181/201064 Acórdão n.º 110200.720 S1C1T2 Fl. 5 5 débitos e créditos, o qual possui o efeito de extinção dos débitos fiscais ali indicados, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Ao fisco cabe verificar a consistência das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Compensação, em especial quanto ao crédito por ele alegado, posto que somente créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública podem ser compensados, conforme reza o artigo 170 do CTN. As informações prestadas no PER/DCOMP, portanto, situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. No caso concreto, o crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, no valor original de R$ 11.703.430,44. No Despacho Decisório, consta que o somatório das parcelas de composição do crédito informado na DIPJ é de R$ 155.577.919,47, e que o IRPJ devido é R$ 143.874.489,04, do que decorreria, por subtração, o referido saldo negativo. Ocorre que, consoante o mesmo Despacho Decisório, das parcelas de composição do crédito, somente foram confirmados os montantes de R$ 102.672.261,22, a título de estimativas pagas ou compensadas com outros pagamentos indevidos ou a maior, e de R$ 155.682,71, a título de imposto retido na fonte, donde a inexistência do alegado saldo negativo. Em lugar de demonstrar, com provas consistentes, que efetivamente recolhera ou compensara estimativas em valor superior aos R$ 102.672.261,22 informado no Despacho, ou que efetivamente sofrera as retenções de fonte no valor de R$ 8.685.004,21, a defesa inicial do contribuinte apresentouse completamente desconexa dos fatos em litígio, posto que limitouse a apontar incorreções no preenchimento de várias DCTF relativas a trimestres do ano de 2004, enquanto o crédito em litígio é do ano calendário de 2003. Mesmo após ter tomado conhecimento, por meio do acórdão ora recorrido, de tais impropriedades, em sede recursal limitase a apresentar cópias de apenas quatro comprovantes de retenções de IRRF, totalizando R$ 475.816,03, e almeja repassar à administração tributária a responsabilidade por identificar as demais retenções alegadamente por ela sofridas, sob códigos distintos daqueles por ela apresentados no PER/DCOMP, o que se revela uma total impropriedade ante o ônus da prova que lhe compete. A simples alegação de impossibilidade técnica do sistema contábil utilizado na época para indicar o correto código de arrecadação sob o qual se fez a retenção tampouco pode ser acatada, posto que desacompanhada de qualquer prova de sua efetiva existência, além do que soa desarrazoada, ante o porte da empresa de que aqui se trata. Além disto, destaquese que a recorrente sugere que, no lugar do código 1708, a RFB pesquise as retenções por ela sofridas nos códigos: 3426, 6147, e 8739. Contudo, dentre as inúmeras retenções relacionadas no PER/DCOMP, pelo menos uma foi informada como tendo sido feita sob o código 6147 (fls. 15), fato este que depõe contra a alegada impossibilidade técnica do sistema contábil. Destaquese ainda que a referida retenção foi pesquisada pela RFB, naturalmente sob este código, contudo, a mesma não foi confirmada (fls. 180). Fl. 293DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900181/201064 Acórdão n.º 110200.720 S1C1T2 Fl. 6 6 Por fim, de se registrar também que, além de remanescerem sem qualquer comprovação mais de 90% das retenções de fonte informadas, tampouco houve qualquer contestação por parte da recorrente quanto ao fato de somente terem sido confirmadas estimativas pagas ou compensadas no montante de R$ 102.672.261,22, de sorte que, ainda que porventura viessem a ser comprovadas todas as demais retenções para as quais a recorrente não juntou qualquer comprovante, o fato é que o somatório das parcelas de composição do crédito permaneceria insuficiente para produzir saldo negativo, ante o valor do IRPJ informado como devido na DIPJ. Assim, em face da inexistência do direito creditório alegado, a decorrência legalmente prevista é a não homologação das compensações com ele pleiteadas. Quanto ao pedido de cancelamento da cobrança do DARF afeto à PER/DCOMP cujo cancelamento a DRJ reconhecera devido, observo que tal providência deve ser demandada junto à própria unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte, sendo matéria alheia ao presente litígio. Da mesma forma, não faz parte do presente litígio qualquer reconhecimento quanto à regularidade ou irregularidade fiscal da empresa mencionada pela recorrente, assim não há por que esta Turma julgadora pronunciarse a respeito. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 294DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 16095.000752/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. FALTA DE ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Independentemente da empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO. AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA PARCELA POR BENEFICIÁRIO. DISPONIBILIZAÇÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. FALTA DE PREVISÃO EM NORMA COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES
A disponibilização do seguro de vida em grupo a todos os empregados e dirigentes da empresa, quando não se pode identificar a parcela destinada a cada segurado, não sofre incidência de contribuições sociais, ainda que não
haja previsão do benefício em norma coletiva de trabalho.
ABONO. PAGAMENTO A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO SALARIAL.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Caracterizando-se o abono, mesmo quando pago em parcela única, como antecipação de reajuste salarial, há de exigir as contribuições sociais sobre o mesmo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.499
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para que sejam excluídos do lançamento os levantamentos "PAT" e “SEG”.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FALTA DE ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Independentemente da empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA PARCELA POR BENEFICIÁRIO. DISPONIBILIZAÇÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. FALTA DE PREVISÃO EM NORMA COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES A disponibilização do seguro de vida em grupo a todos os empregados e dirigentes da empresa, quando não se pode identificar a parcela destinada a cada segurado, não sofre incidência de contribuições sociais, ainda que não haja previsão do benefício em norma coletiva de trabalho. ABONO. PAGAMENTO A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Caracterizandose o abono, mesmo quando pago em parcela única, como antecipação de reajuste salarial, há de exigir as contribuições sociais sobre o mesmo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para que sejam excluídos do lançamento os levantamentos "PAT" e “SEG”. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000752/200783 Acórdão n.º 2401002.499 S2C4T1 Fl. 507 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.079.4354, lavrada contra o contribuinte acima identificado para exigência da contribuição dos segurados e das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, e para outras entidades e fundos. De acordo com o Relatório Fiscal, as contribuições lançadas incidiram sobre: a) valores gastos com alimentação dos empregados, sem que a empresa comprovasse a sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Tais pagamentos foram verificados na escrita contábil, sob a intitulação de “gastos com restaurantes”, dos quais, na composição da base de cálculo, foram excluídas as quantias descontadas dos empregados; b) valores de prêmios de seguro de vida em grupo para os empregados, sem que tal benefício estivesse previsto em norma coletiva de trabalho. As bases de cálculo foram obtidas da contabilidade em conta denominada “seguro de vida em grupo”; c) pagamento de abono anual, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, o qual é repassado aos empregados a título de antecipação de reajuste salarial, tendo reflexo em todas as demais verbas trabalhistas, a exemplo de férias, 13.º salário, etc. As bases de cálculo foram também extraídas da contabilidade. A empresa ofertou impugnação, na qual, em apertada síntese, alegou que o abono não pode ser caracterizado como saláriodecontribuição, posto que não foi pago com habitualidade, é previsto em Convenção Coletiva de Trabalho e expressamente desvinculado do salário. Sustenta que a alimentação in natura fornecida aos empregados não representa parcela salarial e, portanto, é insuscetível de incidência de contribuições. Advoga ainda que o plano de seguro de vida em grupo era fornecido a todos os empregados e dirigentes da empresa, não se caracterizando como salário. Assim, não pode ser objeto da exigência efetuada no presente lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Campinas declarou procedente em parte o lançamento. Foi excluída do lançamento a contribuição dos segurados, sob a justificativa de que o fisco não motivou a apuração por arbitramento, não cabendo, então, na espécie, a adoção da alíquota mínima para obtenção da contribuição devida. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso, no qual apresenta, em síntese, as alegações já ventiladas na impugnação. É o relatório. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Alimentação fornecida in natura Sem maiores delongas, devo aplicar para fins de resolução da lide, na parte relativa a rubrica “alimentação”, o posicionamento da própria Administração Tributária, exarada no Ato Declaratório n.º 03, de 20/12/2011, da Procuradoria da Fazenda Nacional, o qual se baseou no Parecer PGFN CRJ n.º 2.117/2011. Eis o disposto no referido Ato Declaratório: ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Diante desse entendimento, e constando dos autos que a alimentação foi fornecida aos empregados no próprio restaurante do empregador, deve ser afastado do lançamento o levantamento denominado “PAT PROGRAMA DE ALIMENT DO TRABALHADOR”. É bom que se diga que, nos termos do art. 19, §§ 4º e 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, a lavratura de ato declaratório também possui o condão de impedir a constituição do crédito tributário relativo ao presente caso pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, obrigandoa, inclusive, a rever, de ofício, os lançamentos já efetuados. Seguro de vida em grupo Fl. 509DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000752/200783 Acórdão n.º 2401002.499 S2C4T1 Fl. 508 5 Também em relação ao seguro de vida em grupo, para os casos em que não haja a individualização da parcela do prêmio para cada segurado beneficiado, foi exarado o Parecer PGFNCRJ n.º 2.119/2011, no qual se baseou o Ato Declaratório n.º 12, de 20/12/2011, que carrega a seguinte configuração: ATO DECLARATÓRIO Nº 12 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2119 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles.” JURISPRUDÊNCIA: REsp 759.266/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/11/2009, DJe 13/11/2009; REsp 839.153/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/12/2008, DJe 18/02/2009; REsp 701.802 / RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA julgado em 06/02/2007, DJ 22/02/2007 p. 166; REsp 1121853 / RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 14/10/2009; AgRg no REsp 720.021/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 26/08/2009; AgRg no Ag 903.243/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06.11.2007, DJe 31.10.2008; REsp 794.754/CE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14.03.2006, DJ 27.03.2006; e REsp 441.096/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 03.08.2004, DJ 04.10.2004. Analisando os autos, não se vislumbra a individualização da parcela relativa a cada segurado, percebendose que o seguro era disponibilizado indistintamente a cada um dos beneficiários. Diante dessa constatação, deve ser excluído da NFLD o levantamento denominado “SEG SEGURO DE VIDA EM GRUPO”. Abono salarial Fl. 510DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Coincidentemente há um Ato Declaratório também cuidando do pagamento de abono previsto em norma coletiva de trabalho, todavia, ao contrário do meu entendimento quanto às demais rubricas constantes do lançamento, para esta verba, tenho a impressão de que o pronunciamento da PFN não se amolda à forma como pagamento foi feito aos empregados a serviço da recorrente. Apresentemos o teor do Ato Declaratório n.º 16, de 20/12/2011: ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Na situação posta a análise, verifico que há dois condicionantes expressos no Ato Declaratório para desconsideração do abono único como saláriodecontribuição que não são atendidos pelos pagamentos incluídos na apuração fiscal: a desvinculação do salário e a habitualidade. Quanto ao abono ser desvinculado do salário, é fácil verificar, pela Cláusula da Convenção que estipula que as empresas que anteciparem o adiantamento salarial estariam dispensadas de concederem o abono, que este tem vinculação direta com o salário. Vejamos, a título exemplificativo, a Cláusula n.º 2, itens “e” e “f”, do aditamento à Convenção Coletiva de Trabalho firmada no ano de 2004 entre o SINDPEÇAS e a Federação dos Trabalhadores: "e) As empresa que optarem em conceder o aumento salarial de 9,95%( nove virgula noventa e cinco por cento) no mês de novembro de 2004, ficam desobrigadas da concessão do Abono Especial e complementar, estabelecidos na cláusula n° 1. f) As empresas que concederem aumento salarial a titulo de antecipação de data — base, poderão complementar a diferença entre o percentual já concedido e o percentual de 9,95%( nove virgula noventa e cinco por cento), ern novembro de 2004, e neste caso ficam desobrigados da concessão do Abono Especial e complementar , estabelecidos na cláusula n° 1.”(grifei) Não é difícil se inferir das disposições acima que, embora a Convenção mencione que o abono é desvinculado do salário, a natureza do pagamento é diversa, haja vista Fl. 511DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000752/200783 Acórdão n.º 2401002.499 S2C4T1 Fl. 509 7 que o mesmo é feito como forma de antecipação salarial, repassado em valores distintos, num percentual do saláriobase do empregado. É o que se pode ver da previsão convencional: “1) Abono Especial As empresas concederão, em caráter especial e eventual, aos seus empregados, um Abono Especial de 30% (trinta por cento) do salário base vigente em 1.º de março de 2004, totalmente desvinculado do salário, até a parcela salarial de R$2.950,00 (dois mil novecentos e cinquenta reais), a ser pago em duas parcelas na forma e condições abaixo:” Verificase assim que, embora haja um teto para a verba em questão, os valores a serem repassados sob o título de abono poderiam sofrer variações de acordo com o padrão salarial do empregado. Sobre essa questão, vale a pena trazer à colação jurisprudência adotada pela PGFN para elaboração do Parecer n.º 2.114/2011, do qual foi originado o Ato Declaratório n.º 16/2011. Vejamos: EMENTA: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E FGTS. ABONO ÚNICO PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ART. 28, § 9º, 'E', ITEM 7, DA LEI 8.212/91. EVENTUALIDADE E DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO, NO CASO. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA 1ª SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. VOTOVISTA O EXMO. SR. MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI: 1. Tratase de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que, em mandado de segurança preventivo visando à afastar a incidência da contribuição previdenciária e do FGTS sobre o abono único pago em função da Cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2002/2003, deu provimento às apelações do INSS e da Fazenda Nacional e à remessa oficial, reformando a sentença que concedera a ordem. (...)Pedi vista. 2. Acompanho o relator apenas quanto à inexistência de violação ao artigo 535 do CPC. Divirjo, todavia, em relação à questão da incidência ou não da contribuição previdenciária e do FGTS sobre os valores pagos a título de "abono único" decorrentes de convenção coletiva de trabalho. (...) Ora, considerando a disposição contida no art. 28, § 9º, 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba , e não tem vinculação ao salário notese que, no caso, o Fl. 512DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 benefício tem valor fixo para todos os empregados e não representa contraprestação por serviços, tendo em vista a possibilidade dos empregados afastados do trabalho também receberem a importância. Nesse contexto, é indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias recebidas a título de "abono único" previstas na cláusula acima referida. (...) (grifouse) (STJ, REsp 819.552/BA, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/ acórdão Teori Albino Zavascki, DJe 18/5/2009) Observese que a exigência de desvinculação do salário não se prende a mera redação lançada na norma coletiva de trabalho, mas deve ser verificada na forma como a verba é paga. No caso sob holofotes, verificase que o abono tem natureza de verdadeira antecipação de salário, não prevalecendo a natureza eventual e falta de vinculação com a prestação de serviços pelos empregados. Quanto a habitualidade, é mais fácil de se aferir que a mesma estava presente nos pagamentos dos abonos “especiais” efetuados pela recorrente. Houve pagamentos a esse título nas competências 01/2003; 12/2003; 12/2004; 01/2005 e 12/2005. Essa evidência desmorona a tese de que os pagamentos eram feitos sem habitualidade. Cabenos ainda indicar que o pagamento do abono, da forma como realizada pela recorrente, não se subsume à hipótese de desoneração prevista no item 7, da alínea “e” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) Fl. 513DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000752/200783 Acórdão n.º 2401002.499 S2C4T1 Fl. 510 9 Em absoluto dá prá considerar que uma verba paga como antecipação de aumentos salariais não tem qualquer vinculação com o salário. Além de que a sua quantificação era efetuada em relação a um percentual do salário base dos trabalhadores. Assim, por não encontrar justificativa para exclusão do saláriode contribuição do abono pago pela recorrente aos seus trabalhadores nos exercícios de 2003 a 2005, entendo que o levantamento ABO deve ser mantido no lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para que sejam excluídas da NFLD os levantamentos “PAT” e “SEG”. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 514DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10510.003039/2010-62
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007 LANÇAMENTO EM DECORRÊNCIA DE EXCLUSÃO DO SIMPLES - INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTO QUE RESULTARAM DA APLICAÇÃO DO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO (LUCRO REAL) Uma vez revertida a exclusão do Simples, conforme restou decidido no processo nº 10510.002435/2007-77, não resta outra medida a não ser cancelar as exigências fiscais que decorreram desta exclusão, em razão da relação de dependência que o lançamento possui com o decidido naquele outro processo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-001.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007 LANÇAMENTO EM DECORRÊNCIA DE EXCLUSÃO DO SIMPLES INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTO QUE RESULTARAM DA APLICAÇÃO DO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO (LUCRO REAL) Uma vez revertida a exclusão do Simples, conforme restou decidido no processo nº 10510.002435/200777, não resta outra medida a não ser cancelar as exigências fiscais que decorreram desta exclusão, em razão da relação de dependência que o lançamento possui com o decidido naquele outro processo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 285 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 286 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 1 a 25, nos valores de R$ 103.377,76 e R$ 52.344,70, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. Para descrever os fatos que antecederam o recurso sob exame, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1529.765, às fls. 252 a 261: Consta dos autos Relatório Fiscal, fls. 29 a 31, no qual o Auditor Fiscal responsável pelo lançamento descreve fatos ocorridos no curso da fiscalização e os fatos que deram origem ao nascimento da obrigação tributária. A respeito dos fatos, consta do referido Relatório Fiscal: “A empresa constituída em 06 de novembro de 1991, sob a razão social Colégio Albert Einstein Ltda (alterada para Sistema Educacional Intellectus Ltda em 15/05/2000), tendo por objeto social a prestação de ensino (pré escolar, primeiro e segundo graus) e, como tal, impedida de optar pelo SIMPLES. […] O Contrato Social foi alterado em 10/01/2001 para exclusão da atividade de prestação de ensino médio, que vedava a opção pelo SIMPLES. Ato contínuo foi constituída a empresa Sistema Educacional Intellectus Ltda, CNPJ n° 04.292.464/000170 para prestação dos serviços de ensino médio. Com o desmembramento das atividades, a pessoa jurídica Sistema Educacional Intellectus Ltda, inscrição no CNPJ n° 32.832.834/000150, optou pelo SIMPLES com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2001. Ocorre que o sujeito passivo em epigrafe, por disposição expressa contida no inciso XVII do art 9° da Lei 9.317/96, não poderia optar por esse regime de tributação favorecido, pois a legislação veda este regime às pessoas jurídicas resultantes de cisão ou qualquer outra forma desmembramento. […] Tais fatos levaram ao ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 40, de 25 de setembro de 2007 o qual excluiu do SIMPLES, com efeito a partir de 01/01/2002, o Fl. 286DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 287 4 sujeito passivo em epigrafe, nos termos do § 1º Inciso II, do art. 24, da IN SRF n° 608/2006. Inconformado com a citada exclusão, o contribuinte entrou com recurso (processo de n° 10510.002435/200777) junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil de JulgamentoSalvador, o qual julgou improcedente. Atualmente o citado processo encontrase aguardando julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais MF CARF.” Em seguida afirma que, apesar de intimado, o sujeito passivo não entregou à fiscalização o Livro de Apuração do Lucro Real e que, dessa forma, procedeu ao lançamento do IRPJ e da CSLL apurada com base no Lucro Real Trimestral, conforme planilhas anexas, cujos valores apurados foram superiores aos recolhidos pelo contribuinte através do SIMPLES. Em sua impugnação, fls. 168 a 189, o sujeito passivo apresenta os argumentos a seguir resumidos: Alega que o Auto de Infração se baseia em alegação equivocada de que houve omissão de receita e não recolhimento dos tributos correspondentes, desconsiderando o fato de que havia Recurso Voluntário contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 40/2007, que excluíra a empresa do SIMPLES. Afirma que, no período fiscalizado, que vai de 07/2005 a 06/2007, estava regularmente inscrita no Simples Federal, permanecendo nessa condição, sem ser contrariada pela RFB até 25/09/2007, data do já referido ADE. Assim, seria ilógico e arbitrário o entendimento da RFB que imputa a ela a culpa pela sua exclusão em decorrência de não a ter requerido anteriormente. Esse entendimento exarado no ADE nº 40/2007 seria prova inconteste da transferência de responsabilidade e da notória morosidade do exercício legal de fiscalizar, fato que somente penaliza e fere mortalmente o direito da empresa manifestante. Neste mesmo sentido ainda dispõe: “Isto porque, para optar pelo Simples, a Impugnante cumpriu todos os requisitos legais e se submeteu ao crivo e as exigências da RFB, órgão que tinha, à época de sua opção, competência e responsabilidade/dever legal de fiscalizar e deferir ou não as inscrições das empresas que pleiteavam ser optantes pelo regime diferenciado de tributação. Preenchendo os requisitos legais, a Impugnante teve a sua inscrição aceita em janeiro de 2001, desde quando vem agindo regularmente como optante pelo SIMPLES sem qualquer tipo de oposição por parte da RFB até o ADE 40/07. Por isso, jamais poderia imaginar que pudesse ser Fl. 287DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 288 5 excluída do SIMPLES porque a Autoridade tributária entendeu, quase sete anos depois de sua opção, que ela é uma empresa resultante de cisão ou desmembramento de outra pessoa jurídica ocorrida em 2001, por conseguinte, deveria ter solicitado a sua exclusão. Diante das circunstâncias fáticas e jurídicas que envolvem o caso em exame, é ilógico exigir do contribuinte que acreditando ser, de boafé, optante pelo Simples, solicitasse a sua exclusão como está exarado no ADE 40/07 que está sendo impugnado administrativamente.” Dispõe também que o auto de infração sob exame só teria sido lavrado em função de a Autoridade Fiscal ter entendido que a exclusão via ADE nº 40/2007 fora definitiva e o crédito dela decorrente não poderia ser legalmente exigido, estando suspenso nos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional (CTN). Assevera que tal entendimento seria equivocado e beiraria o abuso de autoridade, tendo em vista que existindo Recurso Voluntário impetrado pela Impugnante, sem decisão administrativa irrecorrível, qualquer crédito originário do ato impugnado teria sua exigibilidade suspensa e não poderia ser cobrado do contribuinte. Afirma que, ao fiscalizar contribuinte optante pelo Simples Federal ou Nacional a Autoridade Fiscal é obrigada, por força do disposto no art. 1º e 12 da Lei nº 9.841/99, a dispensar um tratamento jurídico diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, que consistiria na obrigação de primeiro proceder à orientação e depois lavrar o auto de infração (“regra da dupla visita nas fiscalizações”). Alega que, ao tempo do lançamento, o crédito referente à competência 07/2005 já se encontrava decaído por força do art. 150, §4º do CTN. Sendo assim, a sua exigência se configuraria no confisco proibido pelo art. 150, IV da CF/88. No que se refere à multa de 75% incidente sobre o valor do tributo não recolhido, afirma que não houvera recolhido porque acreditava, de boa fé, ser uma empresa regularmente optante pelo Simples Federal e, por conseguinte, não estava e não está obrigada a fazer o recolhimento objeto desta autuação. Transcreve doutrina e ementas de decisão judicial que seguiria o mesmo entendimento. Afirma que são também aplicadas à multa, as alegações concernentes à suspensão da exigibilidade do crédito em função da existência de impugnação administrativa contra o ADE nº 40/2007 não definitivamente julgada e à decadência da competência 07/2005. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 289 6 Ainda quanto à multa, afirma que, por força do art. 52, §1º da Lei nº 8.078/90, com a redação dada pela Lei nº 9.298/96, estabelece que a multa não pode ser superior a 2%. Desta forma, a multa deveria ser reduzida ao patamar de 2% ou, no caso da não aplicação desse percentual, deverá ser adotado índice menor do que 20% por ser mais benéfico para a empresa reclamante. Isto porque, o Supremo Tribunal Federal, em decisão inédita datada de 22.10.2009, prolatada no RE/582.461SP, reconhecendo a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, firmou posição no sentido de que a multa moratória estabelecida em 20% do valor do tributo tem natureza confiscatória. Alega que a taxa de juros a ser aplicada deveria ser limitada ao percentual de 1%, nos termos do art. 59 da Lei nº 8.383/91, tendo em vista que as leis 9.250/95, 9.430/96 e 11.941/09 não a revogaram. Alega também que a taxa SELIC, pretendida pela Fazenda Pública posteriormente a janeiro/96, é manifestamente inconstitucional. Isto porque, não obstante a SELIC tenha sido implantada por uma lei ordinária, sua regulamentação efetiva, inclusive quanto a seus índices, ocorre através de atos normativos inferiores a lei/regulamento do Conselho Monetário Nacional do BACEN, autarquia federal que tem competência financeira, mas não tributária, ferindo o princípio da indelegabilidade tributária insculpido na Lei Maior da República e ao princípio da legalidade previsto no seu art. 150, I. Argumenta que segundo o entendimento pacífico do STJ, no caso de utilização da SELIC não se pode mais acrescentar juros de 1% a.m. Por fim requer sejam acolhidas as preliminares argüidas, decretandose a nulidade plena do auto impugnado, mas, no caso de serem ultrapassadas, no mérito deverá ser julgada procedente a presente Impugnação, para fins de reconhecer a ocorrência de nulidade absoluta do Auto de Infração por exigir recolhimento de crédito tributário em desacordo com o mandamento legal (art. 156, V) e, se mantido o auto impugnado, a sua suspensão deverá ser decretada por força do que determina o CTN (art. 151, III); em caso de manutenção da exigência fiscal, requerse o desconto das contribuições alcançadas pela decadência (competência de julho/2005); a redução da multa para índice inferior a 20% (vinte por cento), tendo em vista que esse patamar é considerado como sendo de natureza confiscatória no entendimento do Supremo Tribunal Federal, bem como seja adequada a taxa de juros de mora ao percentual estabelecido no art. 59 da Lei 8.383/91 ( 1% a. m.), taxa esta que deverá incidir até a data do efetivo pagamento; e requer seja realizado o julgamento simultâneo dos autos de infração de IR/CSLL/PIS e COFINS e todos pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal n°. 0520100/00095/10, em Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 290 7 razão da conexão, e das provas/documentos acostados ao presente processo, conforme determina inclusive o §1° do artigo 9º do Decreto 70.235/72 e a competência do 1º Conselho de Contribuintes; e, ainda, requer a juntada dos doze documentos que apresentara em anexo. Como mencionado, a DRJ Salvador/BA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007 PESSOA JURÍDICA. CISÃO. DESMEMBRAMENTO. EXCLU SÃO DO SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento não poderá optar pelo SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES em decorrência de ser resultante de cisão ou desmembramento sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. MULTA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. O Código de Defesa do Consumidor não compõe o rol da legislação tributária, pois não versa no todo ou em parte sobre tributos, sendo inaplicável às relações jurídicas a eles pertinentes. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa do SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 291 8 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/03/2012, a Contribuinte apresentou em 23/03/2012 o recurso voluntário de fls. 267 a 281, de onde destacamos os seguintes argumentos: desde o início, a Recorrente vem defendendo que técnica e juridicamente não pode ser enquadrada como uma empresa resultante de cisão ou desmembramento. Isto porque os atos e circunstâncias que a levaram à opção pelo regime simplificado de tributação, certamente, a caracterizam como sendo uma empresa remanescente, não havendo, portanto, vedação legal, à época, para a sua adesão ao Simples Federal, haja vista que a lei vigente proibia a opção de empresa resultante de cisão ou qualquer desmembramento e não a empresa remanescente (art. 9º, XVII, Lei 9.317/96); embora os lançamentos sejam autônomos/independentes, não se pode negar o fato de que são originários da exclusão sumária da Recorrente do Simples Federal. Além do mais, sem esse ADE excludente não teria havido a guerreada e, por conseguinte, a Recorrente permaneceria normalmente no Simples Federal e não existiriam as diferenças de tributos apuradas constantes nos autos de infração, as quais estão sendo, no momento, indevidamente exigidas; o crédito tributário que lhe está sendo exigido decorre exclusivamente da sua exclusão do Simples Federal pelo ADE 40/2007, conforme podemos observar no Relatório Fiscal que é parte integrante dos autos de infração que ensejaram a presente exação fiscal. Como o ADE 40/2007 é objeto de Recurso Voluntário e aguarda julgamento no CARF, o crédito tributário dele originário não pode ser exigido porque está com sua exigibilidade suspensa por força do CTN (art. 151, III) até que ocorra decisão irrecorrível; não entendemos por que razão a Impugnante não poderia ser enquadrada no Simples, se os negócios jurídicos realizados visavam à sua adequação as leis; no caso em julgamento, devemos observar que a empresa Sistema Educacional Intellectus Ltda., quando alterou seu contrato social excluindo a atividade de ensino médio deixou, definitivamente, a atividade impeditiva; segundo o entendimento da RFB, manifestado no manual “Perguntas e Respostas”, o impedimento é para a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva e não para quem já obteve receita (no passado). Assim sendo, a Impugnante, quando fez a opção pelo Simples, se enquadrava perfeitamente nas condições exigidas; a Impugnante não se conforma com o resultado da diligência fiscal e o consequente Ato Declaratório Executivo que decretou sua exclusão em setembro de 2007, alegando que foram praticados atos com o intuito de maquiar a realidade fática com o fito de burlar o Fisco, ou seja, que a retirada de atividades contribuiu para diminuir a receita bruta anual da empresa para que ela pudesse optar pelo SIMPLES; este fato não expressa a verdade, porque a receita bruta anual das duas empresas Sistema Educacional Intellectus Ltda.(CNPJ 32.832.834/000150) e Sistema Educacional Intellectus I Ltda. (CNPJ 04.292.464/000170), não ultrapassava o valor de R$ 1.200.000,00, estabelecido pela Lei 9.317/96 como limite à opção pelo Simples Federal; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 292 9 diante dessa situação fática e jurídica, não tem sentido afirmar com mínimo de certeza que a empresa recorrente alterou seu contrato com o fito de burlar o Fisco, porque que o que ela fez foi apenas uma adequação às novas exigências legais; foi para se adequar às novas regras legais que a empresa requerente fez a alteração de seu contrato social, para continuar desenvolvendo a atividade que permitia a opção pelo sistema diferenciado de tributação. Portanto, a Requerente não praticou nenhuma ilegalidade ou ato que a impedisse de fazer a opção pelo Simples Federal em 2001; a exclusão sumária da empresa Recorrente do Simples Federal decretada pelo ADE 40/2007 se torna um contra senso entre os objetivos da política governamental de apoio e incentivos às micro e pequenas empresas; as empresas são excluídas antes para depois se defenderem. Ou seja, primeiro há condenação (exclusão) e depois de condenada (excluída) é que a empresa poderá se defender. Esse fato constitui flagrante violação do direito ao contraditório e à ampla defesa garantidos pela Constituição Federal. Por essa razão, há diversos acórdãos do TRF5ª considerando inconstitucionais as exclusões decretadas, desta forma, pelos ADEs; a Recorrente, deste o início, requereu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apurado através procedimento fiscal derivado da sua exclusão do Simples Federal, decretada pelo ADE 40/2007, que ainda aguarda julgamento administrativo; existindo a impugnação administrativa do ato excludente, a Recorrente, legal e juridicamente, não pode ser tratada ou enquadrada pela RFB como uma empresa excluída em definitivo, porque não há decisão irrecorrível acerca da matéria, logo, tal entendimento é caracterizado como a prática de flagrante violação das normas estabelecidas pelo processo administrativo e pela Constituição Federal; diante dos recursos administrativos apresentados, a Autoridade Fazendária não poderia exigir o crédito tributário objeto desta exação fiscal (art. 151, III, CTN); o maior questionamento da Recorrente não é quanto ao lançamento do crédito tributário, mas da indevida exigência. O crédito tributário poderia até ser apurado e lançado, mas o Fisco jamais poderia exigir da Recorrente o pagamento imediato porque está impedido de fazêlo, tendo em vista a existência de recurso administrativo que suspende a exigibilidade do referido crédito por determinação legal; a lei não fala e não poderia determinar que a exclusão operasse seus efeitos de imediato, sem antes ter sido observado o direito à ampla defesa. A exclusão do Simples que está sendo impugnada não pode operar seus efeitos imediatamente, antes de seu final julgamento, sob pena de violentar princípios basilares da Constituição Federal; quanto à aplicação da multa, também, discordamos do entendimento justificativo apresentado pelo voto do relator, por conseguinte, do próprio acórdão; como há ilegalidade na exigência do referido crédito tributário, muito mais ilegal ainda é aplicar e cobrar multa pelo não recolhimento do tributo que está sendo exigido dessa forma; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 293 10 nos autos não há indícios ou provas de que a Recorrente tenha agido de má fé ou tenha sonegado ou omitido receitas para recolher a menos o imposto de renda e a CSLL devidos, nem tão pouco fez recolhimento atrasado de GFIP; na verdade, a Recorrente como empresa optante pelo Simples Federal, por quase sete anos até sua exclusão sumária, não estava obrigada a fazer o recolhimento dos tributos na forma que estão sendo exigidos. E se os débitos tributários vierem a existir, serão relativos a diferenças de recolhimento de tributos devido a exclusão da Requerente do Simples Federal e não porque tenha praticado sonegação ou omissão fiscal. Portanto, não se vislumbra no caso, a sonegação ou omissão de receitas com o fito de pagar/recolher menos tributos; a multa aplicada e cobrada além da flagrante ilegalidade que a caracteriza é revestida de caráter nitidamente confiscatório, devido ao índice de 75% incidente sobre o valor do crédito tributário exigido, apesar de sua previsão legal; se o crédito tributário tivesse sido constituído em definitivo e confirmado o atraso no recolhimento, os acréscimos moratórios mais benéficos para a Recorrente as multas e juros deverão ser aqueles estabelecidos pelo § 2ºo do art. 61 da Lei 9.430, de 27/12/1996, vigente ainda na época dos fatos geradores, ou seja, “o percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento”, em obediência ao princípio da benignidade; a acerca do percentual aplicado às multas moratórias e aos juros/Taxa SELIC, a Administração Fazendária e o Poder Judiciário terão que observar que o Supremo Tribunal Federal, corte máxima do Judiciário brasileiro, em decisão datada de 22.10.2009, prolatada no RE/582.461SP, reconhecendo a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, firmou posição no sentido de que: “ICMS. Inclusão do montante do imposto em sua própria base de cálculo. Princípio da vedação do bis in idem. / Taxa SELIC. Aplicação para fins tributários. Inconstitucionalidade. / Multa moratória estabelecida em 20% do valor do tributo. Natureza confiscatória.”(RE/582.461 SP, Rel. Min. Cezar Peluso, julg. 22.10.2009). Este é o Relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 294 11 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, este processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL, abrangendo o período de 07/2005 a 06/2007. O auto de infração de IRPJ descreve a seguinte infração: Insuficiência de recolhimento do imposto de renda devido verificado após confronto entre os valores apurados pelo Lucro Real e os recolhimentos efetuados por meio do Sistema Integrado de Pagamento do Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, conforme Relatório Fiscal que faz parte integrante deste Auto de Infração. O relatório fiscal esclarece que o objeto social da Contribuinte era a atividade de prestação de ensino (préescolar, primeiro e segundo graus), e que em 10/01/2001, houve alteração do Contrato Social para exclusão da atividade de prestação de ensino médio, que vedava a opção pelo SIMPLES. Na verdade, ocorreu um desmembramento das atividades, e o ensino médio foi transferido para uma outra pessoa jurídica. Diante desse fato, a Administração Tributária entendeu que a Contribuinte se enquadrava na condição de pessoa jurídica “resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento”, o que também configurava hipótese de impedimento ao Simples, conforme art. 9º, XVII, da Lei 9.317/96. Por este motivo, foi editado o Ato Declaratório Executivo n° 40, de 25 de setembro de 2007, que excluiu a interessada do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2002. Este ato de exclusão foi objeto do processo nº 10510.002435/200777. Em conseqüência da exclusão do Simples, os recolhimentos efetuados pela Contribuinte se mostraram insuficientes para a quitação dos tributos, e as diferenças relativas ao IRPJ e CSLL estão sendo exigidas no presente processo. Percebese que a exclusão do Simples configura uma questão prejudicial para este processo, porque os lançamentos ora examinados tiveram como motivação principal o ato de exclusão, do qual são totalmente dependentes. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003039/201062 Acórdão n.º 180201.258 S1TE02 Fl. 295 12 A Controvérsia sobre a exclusão do Simples já foi dirimida no processo nº 10510.002435/200777, julgado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 16/01/2012, conforme acórdão nº 110200.652, assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2002 EMPRESA REMANESCENTE – Desmembramento ocorrido em 01/01/2001 para beneficiarse da tributação simplificada (Lei 10034 de 24/10/2000. art.1º.) incluise no rol da elisão fiscal que era permitida até o advento da Lei Complementar 123 de 14/12/2006, que expressamente proibiu à remanescente de optar pelo SIMPLES. Concluiu aquela decisão que a empresa “remanescente” realmente não estava impedida de aderir ao Simples Federal, porquanto o inciso XVII do art. 9º da Lei 9.317/1996 só falava em empresa “resultante” de cisão ou desmembramento. A vedação para as remanescentes só teria vindo com o art. 3º, § 4º, IX, da Lei Complementar 123/2006, dispositivo que não poderia ser aplicado retroativamente para alcançar fatos ocorridos em 2001. Vêse, portanto, que a autuada conseguiu reverter sua exclusão do Simples. A solução dada no outro processo prejudica a análise de todas as demais questões aqui suscitadas, porque as autuações deixam de ter fundamento. Deste modo, uma vez revertida a exclusão do Simples, conforme restou decidido no processo nº 10510.002435/200777, não resta outra medida a não ser cancelar as exigências fiscais que decorreram desta exclusão, em razão da relação de dependência que o lançamento possui com o decidido naquele outro processo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para o fim de cancelar as exigências fiscais a título de IRPJ e CSLL contidas neste processo. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10665.000688/2001-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/10/1991 a 31/05/1993, 31/08/1993 a 30/09/1994, 30/11/1994 a 28/02/1995, 30/04/1995 a 31/03/1997, 01/06/1997 a 30/06/1997, 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/02/2000 a 29/02/2000
DECADÊNCIA PARA LANÇAR.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS-Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.871
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.781 1 1.780 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10665.000688/200157 Recurso nº 226.260 Especial do Contribuinte Acórdão nº 930301.871 – 3ª Turma Sessão de 06 de março de 2012 Matéria Auto de Infração PIS Decadência 150, § 4º x 173, I x 8212 Recorrente CHEVEL VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/1991 a 31/05/1993, 31/08/1993 a 30/09/1994, 30/11/1994 a 28/02/1995, 30/04/1995 a 31/03/1997, 01/06/1997 a 30/06/1997, 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/02/2000 a 29/02/2000 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PISPasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A decisão a quo assim descreveu os fatos: Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a decisão recorrida de fls. 1.639 a 1.651. “(...) Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 03/07), relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 848.261,33, incluindo multa e acréscimos regulamentares, correspondente a períodos compreendidos entre 31/10/1991 e 29/02/2000 (fls. 31/38). A autuação ocorreu em virtude da insuficiência de recolhimento da contribuição nos períodos acima identificados. As bases de cálculo se referem a vendas de mercadorias e serviços prestados, conforme escrituração nos livros fiscais e contábeis. As bases de cálculo para os períodos de 1997, 1998 e 1999 foram extraídas das Declarações de Imposto de Renda dos exercícios de 1998, 1999 e 2000, respectivamente, por estarem de acordo com os citados livros. O débito surgiu da conferência dos valores para compensação de acordo com a decisão judicial, favorável ao contribuinte, quanto à inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, sendo que foram apresentados em juízo bases de cálculo menores e vencimento da obrigação diferente das legislações aplicáveis. A decisão judicial transitou em julgado em 02/10/1996. O levantamento foi feito a partir de 1988, período inicial do questionamento dos valores na justiça, constatandose a inexistência de restituição. A apuração do PIS devido, com as respectivas compensações, encontrase discriminada nas planilhas de fls. 17/30. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração, conforme a seguir: art. 3º, alínea “b”, da Lei Complementar nº 07/70; art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73; Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF nº 142/82; arts. 2º, inc. I, 3º, 8º, inc. I e 9º, da MP nº 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.715/98; arts. 2º, inc. I, 3º, 8º, inc. I e 9º, da MP nº 1.249/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.715/98; arts. 2º, inc. I, 8º, inc. I e 9º da Lei nº 9.715/98; e arts. 2º e 3º da Lei 9.718/98. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10665.000688/200157 Acórdão n.º 930301.871 CSRFT3 Fl. 1.782 3 Irresignado, tendo sido cientificado em 05/06/2001 (fl. 03), o autuado apresentou, em 05/07/2001, acompanhadas dos documentos de fls. 593/1142, as suas razões de defesa (fls. 583/592), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente Auto de Infração, aduz que a fiscalização incorreu em equívoco ao elaborar as planilhas para o cálculo do faturamento da empresa, base de cálculo da contribuição. Isso porque não observou aspectos operacionais específicos da atividade de mecânica de automóveis, que envolve o fornecimento de peças e serviços. Na elaboração das planilhas, o fisco levantou a venda de mercadorias somando os valores escriturados no Livro de Apuração do ICMS com os códigos 5.12 e 6.12 e em seguida abateu os valores das devoluções. Ao resultado foi acrescentado o valor referente à venda de serviços, extraído do Livro de Registro de Prestação de Serviços. Ocorre que o impugnante emite nota fiscal com itens correspondentes ao fornecimento de peças e mão de obra mecânica. O valor total da nota fiscal é escriturado no Livro de apuração do ICMS na coluna “valor contábil” e o valor correspondente às peças é consignado na coluna “base de cálculo do ICMS”. Assim, podese concluir que a fiscalização considerou o valor da mão de obra em duplicidade, já que somou os valores da coluna “valor contábil” (códigos 5.12 e 6.12) do Livro de Apuração do ICMS com os valores escriturados no Livro de Apuração do ISS. Para comprovar suas alegações o impugnante anexa cópias das notas fiscais dos meses de abril/1995 e março/2000, destacando o valor da mão de obra agregada ao seu valor total e suas inserções no Livro de Registro de Serviços Prestados. Aduz que o fisco considerou como receita de serviços para o mês de julho/1988 um valor incorreto, fato que comprova através da cópia do Livro de Registro de Serviços Prestados para o citado período. Argumenta, ainda, que para a planilha à fl. 19, referente às compensações do PIS recolhido a maior com o PIS devido, além de serem considerados os valores de faturamento calculados equivocadamente, foram registradas datas de vencimento da contribuição em desconformidade com a LC nº 07/1970, o que se traduz em “flagrante desrespeito à decisão judicial”. Pelos equívocos cometidos, considera que todas as planilhas elaboradas pelo fisco estão incorretas. Assim, anexa novas planilhas às fls. 593/597 com os valores que entende como corretos para o faturamento mensal e para as compensações. Por fim, requer a nulidade e o cancelamento do Auto de Infração. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Em decorrência de suas alegações, retornaramse os autos em diligência, a fim de que a fiscalização dela se manifestasse a respeito, nos termos da Resolução DRJ/BHE nº 218, de 7 de abril de 2003, de fls. 1141/1144. Após as correções efetuadas na apuração da base de cálculo do PIS, conforme “Termo de Diligência” às fls. 1582/1594 e “Complemento do Termo de Diligência” às fls. 1609/1610, foram apurados os valores devidos a serem mantidos no presente Auto de Infração, de acordo com a coluna “Vr. devido no Auto” do “Anexo 12 Resumo do Resultado da Diligência PIS”, às fls. 1606/1607. Também foram apuradas diferenças a recolher que foram constituídas em outro Auto de Infração, sendo o presente processo juntado, por apensação, ao processo 10665.001848/200347 (fl. 1595). Cientificado do “Termo de Diligência” (fls. 1582/1594) em 07/10/2003 (fl. 1595) e do “Complemento do Termo de Diligência” (fls. 1609/1610) em 28/10/2003 (fl. 1610), o autuado apresentou, em 04/11/2003, impugnação à exigência (fls. 82/95 do Processo nº 10665.001848/200347) conforme as razões de defesa a seguir sintetizadas: Preliminarmente, argúi a decadência do direito à cobrança do crédito tributário de PIS dos períodos de julho de 1992 a maio de 1997, uma vez que deve ser observado o prazo qüinqüenal previsto no §4º do art. 150 do CTN. Sobre o assunto, cita jurisprudência dos tribunais. Entende que o fisco, equivocadamente, utilizou como justificativa para cobrar os créditos tributários no prazo decadencial de dez anos, a decisão judicial que reconheceu o direito a esse mesmo prazo para a compensação dos valores pagos a maior de PIS. Argumenta que o fisco não aplicou a semestralidade prevista na Lei Complementar nº 07/1970, que prevê o recolhimento do PIS utilizandose a alíquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, entende que deveria recolher o PIS apenas nos moldes da legislação vigente à época (LC nº 07/1970) e não com as alterações posteriores. Nesse sentido, transcreve decisões do STJ e do Conselho de Contribuintes. Aduz que o fisco cometeu um equívoco ao elaborar o “anexo 7”, ficando faltando as informações dos pagamentos relativos aos meses de 12/89 (vencimento 10/01/90), no valor de NCZ$ 28.651,50; 03/90 (vencimento 27/04/90), no valor de NCZ$ 190.328,99; 12/90 (vencimento 10/03/91), no valor de NCZ$ 736.151,90; e considerado um valor a menor no depósito judicial realizado em 07/07/1994 (R$ 236,61). Por fim, requer a nulidade e o cancelamento do Auto de Infração. Em decorrência de suas alegações, precisamente quanto aos pagamentos e depósito judicial não considerados na elaboração das planilhas pelo fisco, retornaramse os autos em diligência, a Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10665.000688/200157 Acórdão n.º 930301.871 CSRFT3 Fl. 1.783 5 fim de que a fiscalização dela se manifestasse a respeito, nos termos da Resolução DRJ/BHE nº 337, de 01 de dezembro de 2003, de fls. 1612/1615. É o relatório. (...)”O julgamento de primeira instância foi no sentido de dar provimento parcial à impugnação e o Acórdão DRJ/Belo HorizonteMG no 5.219, de 26 de janeiro de 2004, está assim ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/1991 a 29/02/2000 Ementa: Os equívocos cometidos quando do lançamento devem ser corrigidos, a fim de que esse possa adequarse à realidade dos fatos. O prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social entre elas o PIS encontrase fixado em lei. A exegese correta da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, desautoriza entendimento que propugne pela existência de um lapso de tempo entre o fato gerador da obrigação e a base de cálculo da contribuição. Lançamento procedente em parte”. Cientificada da decisão em 03/02/2004 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 1.654, a recorrente interpôs recurso voluntário a este Conselho em 03 de março de 2004 (fls. 1.656 a 1.675), onde, praticamente reitera a argumentação já apresentada na impugnação, inclusive repetindo ou apontando erros que já haviam sido corrigidos pela fiscalização quando da realização das diligências, conforme será mais adiante explicitado. À fl. 1.685 consta o arrolamento de bens para seguimento do recurso. Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/1991 a 31/05/1993, 31/08/1993 a 30/09/1994, 30/11/1994 a 28/02/1995, 30/04/1995 a 31/03/1997, 01/06/1997 a 30/06/1997, 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/02/2000 a 29/02/2000 Ementa: PIS. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADES. Não há que ser anulado auto de infração quando todos os atos estão revestidos de suas formalidades essenciais e quando estão minuciosamente relacionados todos os fatos e dispositivos legais que o ensejaram, possibilitando à recorrente o pleno exercício do seu direito de defesa. PIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS/Pasep é de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 PIS. SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS, até 29/02/1996, é, segundo a interpretação do parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 7/70, dada pelo STJ e pela CSRF, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Recurso provido em parte. Irresignado, o sujeito passivo apresento recurso especial onde pede que seja reconhecida a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, com base no § 4º do art. 150 do CTN, e não nos termos do art. 45 da Lei 8.212/2001. Sem contrarrazões por parte da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito ao termo inicial do prazo para repetição de indébito. De um lado, a câmara a quo entendeu que esse termo seria a data de publicação da Medida Provisória 1.110/1995, de outro lado, a PGFN defende que o termo a quo da prescrição em comento seria a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento, nos termos do art. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. Ainda no entender da Fazenda Nacional, ao afastar a aplicação desse dispositivo legal, a câmara recorrida teria feito controle incidental de inconstitucionalidade de lei, matéria reservada ao Judiciário, com isso, o acórdão vergastado seria nulo. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão do prazo e do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publicar lançar crédito tributário relativo ao PIS/Pasep. A Câmara recorrida entendeu que o prazo é de 10 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991, enquanto o sujeito passivo defende o prazo qüinqüenal contado a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10665.000688/200157 Acórdão n.º 930301.871 CSRFT3 Fl. 1.784 7 Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. No caso dos autos, houve antecipação do pagamento da contribuição, haja vista o lançamento ter sido efetuado pelas diferenças entre o tributo declarado/recolhido e o efetivamente devido. Desta feita, o termo inicial é a data de ocorrência do fato gerador. Assim, considerando que a ciência do lançamento deuse em 05 de junho de 2001, nessa data, o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de maio de 1996 encontravase decaído. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo para reconhecer a decadência do créditos pertinente a fatos geradores ocorridos até o período de apuração referente a maio de 1996. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18336.000611/2003-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Data do Fato Gerador: 28/08/2002
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA MULTA DE MORA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Deve ser cancelada a multa de ofício lançada pela aplicação retroativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com fundamento no art. 106, II, “a” do CTN.
Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9303-001.799
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Marcos Aurélio Pereira Valadão
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 28/08/2002 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA MULTA DE MORA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser cancelada a multa de ofício lançada pela aplicação retroativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com fundamento no art. 106, II, “a” do CTN. Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
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FALTA DE PAGAMENTO DA MULTA DE MORA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser cancelada a multa de ofício lançada pela aplicação retroativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com fundamento no art. 106, II, “a” do CTN. Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo _ Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente); Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declararamse impedidos de votar. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: Tratase de Auto de Infração de fls. 01/05, no qual se exige o recolhimento de juros e multa de mora relativa à complementação da CIDE, demonstrada na descrição dos fatos (fls. 02/03), referente à declaração de Importação n° 02/09917860 registrada em 07/11/2002 na modalidade antecipada (fls. 6/9). Segundo procedimento fiscal de verificação, em relação DI em questão ora registrada e desembaraçada alicerçada na quantidade declarada (fls.12/13), conforme preconiza a IN SFR 175/02, diesel é uma mercadoria importada a granel, a arqueação foi realizada com respaldo na art. 5° da citada IN, o arqueador emitiu um laudo de arqueação, onde foi constatada diferença de volume descarregado a mais. Visando sanar as irregularidades apresentadas, a Petrobrás solicitou a retificação da DI em 08/11/2002 instruída pelo DARF (fls. 17), com o recolhimento da CIDE para a mercadoria descarregada a mais. Da assinatura do Termo de Responsabilidade (fls. 18) a empresa tem até vinte dias para realizar o recolhimento, o qual foi feito tempestivamente, sem o recolhimento da multa moratória. Fundamentaramse as exigências nos arts. 43, 44, inciso I e § 1°, inciso 11 e art. 61, 1°§ e 2§, da Lei n° 9.430/96, art. 6° da Lei n° 10.336/01, art. 570 do Decreto n° 4.543/02 bem como art. 161 da Lei n° 5.172/66. Ciente do Auto de Infração o contribuinte apresenta tempestiva impugnação de fls. 24/34 e documentos de fls. 35/38, alegando, em síntese, que: (i) em matéria idêntica a esta lide, foram dadas 26 decisões a seu favor, as quais é importante que sejam observadas afim de que todas as unidades da Receita Federal se mantenham firmes e coerentes; (ii) com as mudanças constantes do preço do petróleo, bem como as variações apresentadas de volume, ambos inconstantes, apenas com a chegada no porto de destino, com o inicio de procedimento fiscal é que se dará a regularização fiscal da importação; (iii) devido à retificação feita pelo contribuinte que caracteriza a denúncia espontânea (atividade de colaboração entre contribuinte e o fisco), é incabível a aplicação de multa de mora, portanto efetuou o pagamento da diferença do CIDE, com juros, mas sem multa, ressaltando que não se encontrava sob procedimento fiscal instaurado; Fl. 243DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 18336.000611/200382 Acórdão n.º 930301.799 CSRFT3 Fl. 243 3 (v) por se tratar de uma matéria reservada a Lei Complementar (não pode ser alterada por lei ordinária) não pode ser alterado o instituto da denuncia espontânea. Frente aos argumentos citados, o contribuinte requer seja declarado nulo por ilegalidade, ou se assim não entender, seja dado como improcedente este AI. Para afirmar seus argumentos faz uso de Jurisprudências do 1°, 2° e 3° Conselho de Contribuintes, do STJ e TRF 2ª Região, doutrinas, bem como do art. 138 do CTN. Encaminhados os autos a DRJFORTALEZA/CE, esta entendeu pela Procedência do Lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/11/2002 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a arguição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/11/2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO DO DOMÍNIO ECONÔMICO —CIDE, APÓS 0 VENCIMENTO DO PRAZO, SEM O ACRÉSCIMO DE MULTA MORATÓRIA. 0 recolhimento do tributo, fora dos prazos previstos na legislação, não tem amparo no artigo 138 do CTN, para excluir a responsabilidade pela multa moratória. Lançamento Procedente Irresignado corn a decisão singular, o contribuinte apresentou tempestivo Recurso Voluntário, fls.60/78, e documentos de fls. 56/59; reiterando todos os argumentos e pedidos apresentados em sua peça impugnatória, ressaltando, ainda, que: (i) anteriormente a CSRF julgou 5 processos a seu favor em matéria idêntica, assim como o 3° Conselho de Contribuintes, em 24 oportunidades; (ii) o impugnante se vê indagado, sobre a quem compete o "controle da constitucionalidade e ou legalidade’ das leis, sendo que a administração deve tornar sem efeito os atos viciados; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 (iii) é importante ressaltar que a Lei n° 9.430/96 só poderia se aplicar ao contribuinte se não fosse à expedição feita pelo Secretário da Receita Federal no Ato Declaratório SRF n°. 13/2002, o qual desconsiderou infração punível a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional; (iv) ademais, o fato gerador é anterior ao advento do Ato Declaratório n° 13/02 (norma complementar), sendo assim não há como subsistir a aplicação da multa proporcional imposta pelo Fisco. Em garantia ao seguimento do Recurso Voluntário, apresentou Relação de Bens e Direitos para Arrolamento, fls. 79/80. Tendo em vista o disposto na Portaria MF n° 314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até ás fls. 169, última. É a seguinte a ementa da decisão recorrida: DENUNCIA ESPONTÂNEA A teor do art. 138 do CTN, se a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e ocorrer antes do inicio de qualquer procedimento fiscalizatório, não é devido o pagamento da multa de mora ou da multa de oficio, vinculadas ao fato gerador. RECURSO PROVIDO. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à legislação tributária, às fls. 182/191, por meio do qual requereu a reforma do acórdão da 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Foi alegado que não se configurou a denúncia espontânea da infração, uma vez que a denúncia não foi acompanhada do recolhimento integral do tributo e acréscimos moratórios devidos. O recurso foi admitido pela presidente da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio de despacho às fls. 193/195. Devidamente intimada, a sociedade empresária não apresentou contra razões. É o Relatório. Voto Fl. 245DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 18336.000611/200382 Acórdão n.º 930301.799 CSRFT3 Fl. 244 5 Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço o Recurso Especial da Fazenda Nacional, admitido, conforme acima mencionado, em boa forma. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à questão da configuração, ou não, da denúncia espontânea. Contudo, no caso em questão outra questão se antepõe a esta. É que a multa aplicada no auto de infração teve sua base legal modificada, não mais existindo, o que implica conseqüências que adiante se analisa. A multa isolada exigida no presente auto de infração foi aplicada com base no art. 44, inciso I e § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; O art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, passando a regular a matéria da seguinte forma: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 246DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991 § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Examinando as hipóteses de imposição de multa de oficio isolada, constantes do novel dispositivo supratranscrito, constatase que aquela que fundamentou o presente lançamento não mais encontra amparo legal. Assim, com fundamento no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), a contribuinte deve ser exonerada da totalidade da multa de oficio, pela aplicação retroativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 18336.000611/200382 Acórdão n.º 930301.799 CSRFT3 Fl. 245 7 De observar que o recurso especial foi interposto antes do advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, razão pela qual à época foi admitido. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 248DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10280.003388/2004-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano-calendário: 2004
Ementa: IRRF. COMPENSAÇÃO. PERDCOMP.
RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DECISÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A PERDCOMP
deve apontar créditos existentes no momento da sua apresentação, e a homologação ou não da compensação decorre, dentre outros aspectos, da verificação da existência ou não de tais créditos. Posterior apresentação de DCTF retificadora, da qual resulte crédito em favor do declarante, não enseja a revisão da decisão administrativa de não homologação da PERDCOMP por inexistência dos créditos pleiteados.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.685
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano-calendário: 2004 Ementa: IRRF. COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DECISÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A PERDCOMP deve apontar créditos existentes no momento da sua apresentação, e a homologação ou não da compensação decorre, dentre outros aspectos, da verificação da existência ou não de tais créditos. Posterior apresentação de DCTF retificadora, da qual resulte crédito em favor do declarante, não enseja a revisão da decisão administrativa de não homologação da PERDCOMP por inexistência dos créditos pleiteados. Recurso negado
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COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DECISÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A PERDCOMP deve apontar créditos existentes no momento da sua apresentação, e a homologação ou não da compensação decorre, dentre outros aspectos, da verificação da existência ou não de tais créditos. Posterior apresentação de DCTF retificadora, da qual resulte crédito em favor do declarante, não enseja a revisão da decisão administrativa de nãohomologação da PERDCOMP por inexistência dos créditos pleiteados. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 20/08/2012 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório ALBRAS – ALUMÍNIO BRASILEIRO S/A interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELÉM/PA que indeferiu pedido de restituição/compensação de IRRF, no valor de R$ 35,73, formulado por meio de PERDCOMP, confirmando a decisão da Delegacia da Receita Federal de Belém – PA, que não homologou a compensação. O fundamento da Delegacia da Receita Federal em Belém – PA, consubstanciado no Parecer e Despacho Decisório de fls. 31/34, foi o de que o pagamento apontado como tendo sido feito a maior foi integralmente utilizado para quitar outro débito. Segundo o referido parecer a restituição pleiteada referese a parte do pagamento de R$ 6.956,56, feito em 08/01/2004 o qual foi utilizado para liquidação de débito de IRRF, código 1708, referente ao período de apuração 0101/2004 (fls. 22). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que houve o alegado pagamento a maior, e referese a DCTF retificadora que teria alterado o valor do crédito liquidado por meio do DARF em que teria sido feito o pagamento a maior. A DRJBELÉM/PA indeferiu o pedido de compensação, confirmando a decisão da DRFBELÉM/PA, com base, em síntese, na consideração de que a requerente não logrou comprovar o alegado pagamento a maior. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/07/2007 (fls. 99v) e, em 17/08/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 100/106, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação e, por fim, formula pedido nos seguintes termos: Ante o exposto, requer a postulante: seja integralmente provido o presente Recurso Voluntário, para o fim de ser prontamente reformada a decisão constante do mesmo, fundada no despacho decisório contido no Parecer SEORT/DRF/BEL N° 414/2006, afastandose as glosas das compensações de IRRF recolhido a maior no 1° trimestre de 2004 com o IRRF da 3° semana do mês de janeiro de 2004, reformandoo, uma vez que houve o regular e legítimo aproveitamento dos pedidos de compensação apurado no período da 3a semana de janeiro de 2004, e seja procedida perícia, com indicação de assistente técnico para formulação de quesitos a fim de se confirmar e aferir a utilização do crédito compensado no valor de R$ 35,72 (trinta e cinco reais e setenta e dois centavos) para compensação com débito de IRRF, no código 170801, período de apuração da 3ª semana de janeiro de 2004, desde já indicando como Assistente Técnico, o Sr. Sebastião José Rosa, inscrito no CRC/RJ, sob o n° 039332/04, residente e domiciliado na cidade de Barcarena/PA, sito na Tv. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10280.003388/200497 Acórdão n.º 220101.685 S2C2T1 Fl. 2 3 Lino José Gomes, 223, CEP 68447000 por ser esta medida de pleno Direito. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de pedido de restituição/compensação. A Contribuinte afirmou inicialmente que houve pagamento a maior e, segundo a autoridade administrativa, o suposto crédito não existe posto que o pagamento apontado foi integralmente utilizado. Vem a Contribuinte, então, e apresenta DCTF retificadora, alterando o valor do débito a que o pagamento estava vinculado. Ora, o pedido de restituição/compensação por meio de DCOMP é procedimento pelo qual os contribuinte, por sua própria conta, indicam créditos referentes a pagamentos feitos a maior ou indevidamente, ou outro tipo de situação que implique em créditos, para que estes sejam utilizados para liquidação de débitos. Cabe à autoridade administrativa homologar ou não esta compensação. Portanto, o crédito pleiteado deve existir no momento da apresentação da PERDCOMP. E, se neste momento, conforme expôs a autoridade administrativa, o crédito apontado não existia porque o pagamento fora integralmente utilizado, não havia direito creditório a ser homologado. Neste caso a DCTF foi retificada em 30/11/2006 (fls. 90), após a apreciação, pela autoridade administrativa, do pedido de compensação, conforme despacho decisório de fls. 33. A retificação da DCTF posteriormente não tem o condão de alterar este fato, mormente quando esta retificação é feita após a apreciação e não homologação da PER DCOMP. Até porque, caberia à autoridade administrativa examinar o processamento da DCTF retificadora para verificar a existência ou não do crédito pleiteado. Notese que o que se aprecia neste processo é a homologação ou não da compensação pleiteada via PERDCOMP, e, no momento da apresentação da DCOMP, não havia crédito/compensação a se homologar. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10820.001421/2005-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA DE OPÇÃO. PLANOS DE AUXILIO FUNERAL A pessoa jurídica que promove a venda de "planos de auxilio funeral", por caracterizar capitalização de valores e administração de fundo com a finalidade de cobrir serviço funerário se na vigência do contrato ocorrer ou não o evento objeto do plano, é vedada opção pelo Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATO ADMINISTRATIVO DE NATUREZA DECLARATÓRIA. RETROATIVIDADE NÃO CONFIGURADA O ato declaratório executivo de exclusão do Simples, ainda que impugnado administrativamente não tem efeito suspensivo quanto ao início da eficácia jurídica da exclusão; não tem caráter constitutivo de direito, mas sim natureza declaratória de situação jurídica previamente constituída, reportando-se à data de ocorrência da infração, a partir da qual o contribuinte, por expressa previsão legal, deixou de preencher, de pleno direito, as condições para figurar no regime simplificadado de tributação, ficando, por conseguinte, sujeito às normas de apuração dos tributos aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ATIVIDADE VEDADA DE OPÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÚIÇÃO O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02).
Numero da decisão: 1802-001.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA DE OPÇÃO. PLANOS DE AUXILIO FUNERAL A pessoa jurídica que promove a venda de "planos de auxilio funeral", por caracterizar capitalização de valores e administração de fundo com a finalidade de cobrir serviço funerário se na vigência do contrato ocorrer ou não o evento objeto do plano, é vedada opção pelo Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATO ADMINISTRATIVO DE NATUREZA DECLARATÓRIA. RETROATIVIDADE NÃO CONFIGURADA O ato declaratório executivo de exclusão do Simples, ainda que impugnado administrativamente não tem efeito suspensivo quanto ao início da eficácia jurídica da exclusão; não tem caráter constitutivo de direito, mas sim natureza declaratória de situação jurídica previamente constituída, reportando-se à data de ocorrência da infração, a partir da qual o contribuinte, por expressa previsão legal, deixou de preencher, de pleno direito, as condições para figurar no regime simplificadado de tributação, ficando, por conseguinte, sujeito às normas de apuração dos tributos aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ATIVIDADE VEDADA DE OPÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÚIÇÃO O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02).
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EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA DE OPÇÃO. PLANOS DE AUXILIO FUNERAL A pessoa jurídica que promove a venda de "planos de auxilio funeral", por caracterizar capitalização de valores e administração de fundo com a finalidade de cobrir serviço funerário se na vigência do contrato ocorrer ou não o evento objeto do plano, é vedada opção pelo Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATO ADMINISTRATIVO DE NATUREZA DECLARATÓRIA. RETROATIVIDADE NÃO CONFIGURADA O ato declaratório executivo de exclusão do Simples, ainda que impugnado administrativamente não tem efeito suspensivo quanto ao início da eficácia jurídica da exclusão; não tem caráter constitutivo de direito, mas sim natureza declaratória de situação jurídica previamente constituída, reportandose à data de ocorrência da infração, a partir da qual o contribuinte, por expressa previsão legal, deixou de preencher, de pleno direito, as condições para figurar no regime simplificadado de tributação, ficando, por conseguinte, sujeito às normas de apuração dos tributos aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ATIVIDADE VEDADA DE OPÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÚIÇÃO O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). Fl. 221DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.196/213 contra decisão da 6ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls.186193/) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão do Simples desde 01/01/2002, consoante ADE, de 12/02/2009 (fl. 147). Quanto aos fatos, consta do ADE (fl. 147): (...) Data da opção pelo Simples: 22/05/1997 Situação excludente: Exercício de Atividade Econômica Vedada (306) Descrição: Capitalização de Valores e Serviços de Administração de Fundo. Data da ocorrência: anocalendário 1997 (22/05/1997). Fundamentação legal: Lei Federal n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9°, inciso IV; art. 12; art. 13, inciso II, "a", art. 14, inciso I; art. 15, § 3 0, e art. 16. (...) Ainda, quanto aos fatos, consta do Parecer SACAT, de 22/02/2009, que fundamentou a emissão do citado ADE (fls.142/146): (...) Nos documentos relativos à constituição e alterações posteriores da pessoa jurídica e documentos relacionados com a sua atividade, se verificou que a mesma tem por objeto social, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 3 3 "FUNERÁRIA E ADMINISTRAÇÃO DE FUNDO MUTUO EM GERAL" (v. fls. 21/25). Referidos documentos revelam que a empresa presta serviços próprios de funerária e administra "fundo mutuo" que consiste na arrecadação de valores entregues pelas pessoas aderentes ao "Contrato de Prestação de Serviço Funerário", (fls. 22 e 22 verso), onde informa inclusive os beneficiários (fls. 23) e escolhe PLANO 1 (fls. 24), podendo aderir aos SERVIÇOS PERSONALIZADOS (fls. 25). Pelas próprias cláusulas do "contrato de prestação de serviço funerário" se constata que, em síntese, tratase de fato, de um seguro funeral com captação antecipada dos recursos para posterior prestação dos serviços, com a condição ainda, do aderente ao plano prosseguir no pagamento das mensalidades após a prestação dos serviços. Isso caracteriza venda com recebimento antecipado e parceladamente, de bens e/ou serviços, sujeitos à ocorrência do sinistro (morte do aderente ou do(s) beneficidrio(s)s indicado(s) no "plano"), ou seja, captação de poupança popular para determinada venda de mercadorias e/ou serviços. (...) Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IV — cuja atividade seja banco comercial, banco de investimento, banco de desenvolvimento, caixa econômica, sociedade de crédito, financiamento e investimento, sociedade de crédito imobiliário, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e cambio, distribuidora de títulos e valores imobilidrios, empresa de arrendamento mercantil, cooperativa de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta; (grifos nossos). (...) Inconformado com a exclusão do Simples, o contribuinte, comerciante individual, apresentou manifestação de inconformidade junto à DRJ/Ribeirão Preto (fls. 151/170), cujas razões, em síntese, são as seguintes: ilegalidade do ato de exclusão do Simples: que não pode ser efetuada a exclusão retroativa à data da infração (data de opção pelo Simples); que, embora conste da declaração de firma individual objeto social “serviços funerários e administração de fundo mútuo em geral”, essa última atividade é meramente simbólica; que o código de atividade da empresa é CNAE 96.03.304 "serviços funerários"; que a outra atividade citada não se mensurou a sua quantificação em relação à prestação de serviços funerários; que, considerando o art. 179 da Constituição Federal, não se pode, simplesmente, falar em exclusão da empresa com base no enunciado do art. 9°, inciso IV, da Fl. 223DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 4 4 referida Lei n° 9.317, de 1996; que a maioria das vedações, dessa lei, é inconstitucional, mormente a vedação contida no art. 9°, inciso IV; que essas vedações, ainda, ferem art. 150 da Carta Magna, pois implicam tratamento desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente em razão de ocupação profissional ou função exercida; que a vedação de opção do regime tributário previsto na Lei n° 9.317/96, por força do disposto em seu art. 9°, IV, dirigese, exclusivamente, aos titulares de profissão de natureza civil, reconhecida e regulamentada por lei, que se organizam para explorar suas atividades profissionais sob a forma de sociedade civil, que não é caso; que, por qualquer ângulo que se olhe a questão, é nula a exclusão do Simples com base no art. 9º, IV, da Lei nº 9.317/96 e ainda mais por ter efeitos retroativos, ferindo o principio da irretroatividade da lei; que não houve prática ou conduta ilegal em pedir sua inclusão no Simples Federal; que solicitou a inclusão no Sistema em 19 de maio de 1997 e sua exclusão deuse mediante o Ato Declaratório, com data de 12 de fevereiro de 2009; que é ilegal a cobrança retroativa dos tributos por outro regime de apuração e tributação, em face da exclusão retroativa do Simples, pois a empresa sempre esteve em dia com todas as obrigações tributárias; que a lei não pode prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; que seja julgado improcedente a exclusão retroativa do Simples, para que surta efeito apenas a partir da expedição do ADE, e que tais efeitos somente sejam exigidos ou impostos a partir da decisão definitiva na esfera administrativa. Não obstante, a DRJ/Ribeirão Preto, ao apreciar as razões da manifestação de inconformidade, denegou a solicitação de revisão da exclusão do Simples, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir (fl. 186): (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADE VEDADA. PLANOS DE AUXILIO FUNERAL. A pessoa jurídica que promove a venda de "planos de auxilio funeral", por caracterizar capitalização de valores e administração de fundo com a finalidade de cobrir serviço funerário se na vigência do contrato ocorrer morte, é vedada de optar pelo Simples. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 5 5 EFEITOS DA EXCLUSÃO. Ocorrida a situação excludente até 31/12/2001 e efetuada a exclusão a partir de 2002, seus efeitos ocorrem a partir de 01/01/2002, conforme legislação de regência. NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. Incabível aplicar a nulidade prevista no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, ao ato administrativo lavrado por pessoa competente, que além disso, contém a descrição do fato excludente e as normas às quais este se subsume, não configurando o cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÚIÇÃO. É competência atribuida, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio (...) Irresignado com esse decisum do qual tomou ciência em 06/05/2010 (fl. 195), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21/05/2010 de fls. 196/213, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que o ADE impingiu ao recorrente atividade diversa do contrato social, capitulando no art. 9º, IV, da Lei 9.317/96; que, embora conste da declaração de firma individual o objeto de atuação “serviços funerários e administração de fundo mútuo em geral”, essa última atividade é meramente simbólica; que a empresa atua no ramo de prestação de serviços funerários, cujo Código de Atividade é 96.03.304 Serviços Funerários; que, por conseguinte, é incabível a exclusão do Simples com base no inciso IV do art.9º da Lei nº 9.317/96; que, ademais, tal vedação da Lei é inconstitucional, pois fere o disposto nos arts. 150, II, e 179 da CF; que a exclusão não pode ser retroativa; que, nesse sentido, há precedentes jurisprudenciais do STJ, os quais transcreveu; que a empresa quando optou pelo SIMPLES já exercia as atividades em tela; que, então, não seria situação de exclusão e sim de indeferimento da opção. Se a opção foi admitida, temse ato administrativo revestido da presunção de legitimidade, que só pelos meios próprios poderá ser desconstituido; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 6 6 que é ilegal a cobrança retroativa dos tributos por outro regime em face da exclusão retroativa do Simples, pois a empresa sempre esteve em dia com todas as obrigações tributárias no Simples. Por fim, o recorrente pediu que seja julgada improcedente a exclusão retroativa do Simples, para que surta efeito tãosomente após a expedição do ADE ou após decisão definitiva na instância administrativa. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exclusão do Simples pelo ADE de 12/02/2009, com efeito a partir de 01/01/2002, pelo exercício de atividade vedada de opção – art. 9º, inciso IV, Lei nº 9.317/96 (fl. 147). O contribuinte alegou, em síntese, que foi impingida, imputada, pelo ADE atividade diversa da constante do ato constitutivo da pessoa jurídica; que a exclusão do Simples com base no citado dispositivo legal, limitador do exercício de atividade econômica no Simples, seria inconstitucional; que a exclusão retroativa pelo ADE seria ilegal, pois implicaria a cobrança retroativa dos tributos por regime de tributação diverso do Simples, e que a empresa sempre esteve em dia com todas as obrigações tributárias do Simples; que a empresa, quando optou pelo Simples, se já exercia atividade impedida de opção, a hipótese então não seria de exclusão e sim de indeferimento de opção. Se a opção foi admitida, temse ato administrativo revestido da presunção de legitimidade, que só pelos meios próprios poderá ser desconstituído; que a lei não pode prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Colocados os principais pontos do litígio, passo à análise do mérito da contenda. Quanto à argúição de inconstitucionalidade da Lei nº 9.317/96 (art. 9º, IV), não cabe ao órgão de julgamento administrativo conhecer, no mérito, dessa questão, conforme Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne ao ato de exclusão do Simples, diversamente do alegado pelo recorrente, a atividade econômica de “Capitalização de Valores e Serviços de Administração de Fundo” compõe o objeto de atuação da empresa. Nesse sentido, transcrevo, a seguir, a descrição da atividade econômica da empresa, extraída da Declaração de Firma Individual de 19/05/1997 (fls. 21, 46, 174/176), in verbis: (...) OBJETO (ATIVIDADE ECONÔMICA): FUNERARIA E ADMINISTRAÇÃO DE FUNDO MÚTUO EM GERAL. (...) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 8 8 Não obstante, a exclusão do Simples, no caso de contribuinte com atuação em atividades econômicas múltiplas previstas no objeto social da empresa e sendo alguma delas vedada de opção no Simples, requer do fisco, em tal situação, outros elementos de prova, além do ato constitutivo de pessoa jurídica, conforme precedentes jurisprudenciais deste CARF. Senão vejamos: Ementa: EXCLUSÃO. MÚLTIPLAS ATIVIDADES. Se a empresa tem múltiplas atividades, a Administração Tributária tem de provar que aquelas vedadas pela legislação que rege o SIMPLES são desenvolvidas efetivamente pela pessoa jurídica, não basta constar tãosomente da cláusula do contrato social que trata do objeto social da pessoa jurídica.(Acórdão nº 302 38.280, Sessão de 06/12/2006). Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. CONTRATO SOCIAL. MÚLTIPLAS ATIVIDADES.. Nos termos do Boletim CentrallCosit n° 55/97, admitese a existência no contrato social das atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, condicionandose neste caso, porém, a possibilidade de opção e permanência no SIMPLES, ao exercício tão somente das atividades não vedadas.(Acordão nº 30238.218, Sessão de 09/11/2006). SIMPLES. EXCLUSÃO. EFETIVO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. PROVA. A descrição no contrato social da empresa de atividade vedada aos optantes do Simples, quando desacompanhada de elementos que comprovem o exercício efetivo daquela atividade, não tem fôlego para embasar a exclusão da empresa daquele regime. (Acórdão nº 140200.501, Sessão de 31/03/2011). SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. OBJETO SOCIAL MÚLTIPLO. ÔNUS DA PROVA. Havendo mais de uma atividade no objeto social da empresa, e nem todas vedadas à opção pelo SIMPLES, no procedimento de exclusão do regime cabe à Administração Tributária provar que a recorrente praticava pelo menos uma das atividades vedadas constantes de seu contrato social, ou mesmo não constante desse, e não à recorrente fazer prova negativa de que não praticava nenhuma atividade vedada, portanto, é indevida a exclusão. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30239.589, Sessão de 20/06/2008). SIMPLES. EXCLUSÃO. ÔNUS DA PROVA. Não se admite a exclusão do SIMPLES baseada em interpretação de cláusula em contrato social. Imperativa a prova de que o contribuinte exerce atividade impeditiva para justificar a exclusão. Não há, no caso, margem à inversão do ônus da prova, porque equivale a exigir se prova negativa. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO POR UNANIMIDADE. (Acórdão nº 30130.810, Sessão de 05/11/2003). Compulsando os autos, constatase que, além de cópia do instrumento de Declaração de Firma Individual com seu objeto social (fls. 21 e 46), há cópia do instrumento de Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 9 9 contrato de prestação de serviço funerário (Planos de Adesão a Serviços Básicos e Personalizados) – prazo de vigência do plano 50 meses, contribuição mensal de 2% sobre o preço base contratado pelo aderente, sujeito à renovação automática do plano caso o evento “morte” não tenha ocorrido no período vencido, em relação ao aderente ou beneficiário indicado) fls. 22/25. Tais documentos foram juntados aos autos em face de intimação fiscal, conforme Despacho Decisório da DRF/Araçatuba (fl. 43), in verbis: (...) Prosseguindo na instrução do processo administrativo, foi expedida a INTIMAÇÃO SACAT n° 10820/028/2006, de 19/01/2006, encaminhada ao endereço cadastral da pessoa jurídica interessada, intimandoa para apresentar: 1) contrato social de constituição e alterações posteriores (cópias autenticadas); 2) exemplar do contrato de prestação de serviços funerários e anexos, originais e em branco; 3) exemplar do contrato de Plano de Assistência Funeral e anexos, originais, em branco, fls. 18/19. Em atendimento, a pessoa jurídica apresentou cópia do contrato de Serviços Funerários e anexos, fls. 20/25. Foram anexadas as consultas CNPJ/IRPJ de fls. 26/41. (...) A atividade de comercialização de Planos de Assistência Funeral (seguro funeral) é expressamente vedada de opção no Simples, conforme art. 9º, IV, da Lei nº 9.317/96: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IV cuja atividade seja banco comercial, banco de investimentos, banco de desenvolvimento, caixa econômica, sociedade de crédito, financiamento e investimento, sociedade de crédito imobiliário, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresa de arrendamento mercantil, cooperativa de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta; (grifei) Essa questão já foi enfrentada pela DRF/Araçatuba pelo Parecer SACAT, de 22/02/2009, que fundamentou a emissão do ADE objeto dos autos, e que também adoto como razão de decidir, in verbis (fls.142/146): (...) Nos documentos relativos à constituição e alterações posteriores da pessoa jurídica e documentos relacionados com a sua atividade, se verificou que a mesma tem por objeto social, "FUNERÁRIA E ADMINISTRAÇÃO DE FUNDO MUTUO EM GERAL" (v. fls. 21/25). Referidos documentos revelam que a empresa presta serviços próprios de funerária e Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 10 10 administra "fundo mutuo" que consiste na arrecadação de valores entregues pelas pessoas aderentes ao "Contrato de Prestação de Serviço Funerário", (fls. 22 e 22 verso), onde informa inclusive os beneficiários (fls. 23) e escolhe PLANO I (fls. 24), podendo aderir aos SERVIÇOS PERSONALIZADOS (fls. 25). Pelas próprias cláusulas do "contrato de prestação de serviço funerário" se constata que, em síntese, tratase de fato, de um seguro funeral com captação antecipada dos recursos para posterior prestação dos serviços, com a condição ainda, do aderente ao plano prosseguir no pagamento das mensalidades após a prestação dos serviços. Isso caracteriza venda com recebimento antecipado e parceladamente, de bens e/ou serviços, sujeitos à ocorrência do sinistro (morte do aderente ou do(s) beneficidrio(s)s indicado(s) no "plano"), ou seja, captação de poupança popular para determinada venda de mercadorias e/ou serviços. (...) Logo, diversamente do alegado no recurso, a atividade de Fundo Mútuo (Plano de Seguro Funeral), além de prevista como objeto social nos atos constitutivos da empresa, tratase de atividade desempenhada pela empresa, conforme cópia do Instrumento de Contrato juntado aos autos. Portanto, não há que se falar em imputação de atividade diversa da estatuída no objeto social da empresa. Nas razões do recurso, o recorrente, ainda, alegou que o fisco não fizera a mensuração, segregação, de quanto da receita de faturamento seria oriundo da comercialização do Plano de Assistência Funeral, por período de apuração. De qualquer forma, essa quantificação ou mensuração do valor da receita (faturamento) decorrente da comercialização do Plano de Assistência Funeral (Plano de Seguro Funeral) é despicienda, pois os elementos de prova constantes dos autos são suficientes para caracterização do exercício de atividade vedada de opção no Simples (cópia do instrumento de constituição da empresa – objeto social e cópia do contrato de prestação de serviços Plano de Assistência Funeral (fls. 20/25). Nesse sentido, transcrevo e adoto como razão de decidir, a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida que abordou a questão com propriedade (fl. 191), in verbis: (...) Conforme se verifica do formulário de contrato apresentado pela contribuinte, juntada à fls. 22/25, tratase de contratação de "plano de auxilio funeral" que caracteriza atividade prevista na norma acima citada, pois capta valores mensalmente do contratante para prestação de serviços futuros, se ocorrer o evento morte, administrando financeiramente fundo monetário com o objetivo de garantir o funeral. Embora não se confunda com a do Simples Federal, cabe ressaltar que a legislação do Simples Nacional continua impedindo o ingresso dessas empresas em sistema simplificado, Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 11 11 conforme se depreende do Anexo I da Resolução CGSN n° 6, de 2007. Tal anexo relaciona os códigos previstos na CNAE, impeditivos ao Simples Nacional, que devem ser observados quando da opção e dentre esses consta o CNAE 65111/02 "Planos de Auxilio Funeral". Esse CNAE é igualmente impeditivo para o Simples Federal. Observese que a contribuinte somente conseguiu realizar sua opção, porque das informações cadastrais no CNPJ constava apenas código permissivo, CNAE 9303 3/04 — "serviços de funerárias", conforme pesquisa de fl. 28. No entanto, a Declaração de Firma Individual (fl.21) demonstra que desde o inicio de suas atividades a empresa realiza "administração de fundo mutuo em geral", atividade corroborada pelos contratos de prestação de serviços funerários que prevê em sua cláusula 4, a opção pelo auxilio funeral (fls. 22/25). Portanto, de acordo com as normas acima citadas, o exercício dessa atividade não permite sua permanência no Simples, devendo ser mantida a exclusão. (...) Por fim, o recorrente alegou que a RFB aplicou o ADE retroativamente, ferindo direito adquirido ou ato jurídico perfeito. Esse argumento do recorrente, também, não merece prosperar. O ADE – como o próprio nome indica – não tem caráter constitutivo de direito, nem condenatório, mas sim meramente declaratório de uma situação jurídica já ocorrida, previamente constituída ou consumada; reportase à data da ocorrência da infração a partir da qual o contribuinte – por expressa previsão legal – deixou, de pleno direito, de figurar no Simples, sujeitandose às normas de apuração dos tributos aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme arts. 15 e 16 da Lei nº 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I – (omissis) II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 16º A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 12 12 Ainda, a Instrução Normativa SRF nº 600/2006 (art. 24, § 1º, II), não obstante a situação de exclusão do Simples ter ocorrido em 22/05/1997 (data de opção pelo Simples de atividade vedada), determinou os efeitos da exclusão a partir de 01/01/2002, in verbis: Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: (...) § 1º Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XIII e XVI a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar seá a partir: I – (...) II de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. (...) No caso, a infração, como já mencionado, restou configurada na data de opção pelo Simples Federal, em 22/05/1997, porém por questão de política tributária os efeitos da exclusão foram imputados tãosomente a partir de 01/01/2002, conforme ADE (fl. 147). Portanto, em relação ao ato declaratório de exclusão do Simples não há que se falar violação ao princípio da irretroatividade ou em violação ao direito adquirido ou ato jurídico perfeito, pois esse ato administrativo não tem caráter constitutivo de direito, nem condenátório, mas sim declaratatório de situação jurídica previamente constituída ou consumada (ocorrência da infração excludente do Simples), reportandose à data da infração que, de pleno direito, afastou ou retirou o contribuinte do Simples, ficando sujeito às normas de tributação aplicáveis aos demais contribuintes. Os precedentes de jurisprudência invocados não beneficiam o recorrente, pois tratam de decisões proferidas em processos de terceiros, nos quais não foi parte, cujo efeito é apenas inter partes. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.001421/200571 Acórdão n.º 1802001.079 S1TE02 Fl. 13 13 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 15504.019744/2010-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRRF. 13º SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BHE/BH. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 97 44 /2 01 0- 84 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.019744/201084 Acórdão n.º 2801002.989 S2TE01 Fl. 85 2 “Contra o contribuinte José Geraldo Veloso, CPF 010.545.626 87, foi constituída Notificação de Lançamento, fls. 03 a 05, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, anocalendário 2008, formalizando a exigência de crédito tributário no valor de R$ 2.140,04, acrescidos de multa de mora e de juros de mora. O lançamento reportase aos dados informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, entre os quais foi alterado o valor de imposto de renda retido na fonte de R$ 44.444,48 para R$ 41.021,67, em razão da glosa do valor de R$ 3.422,81 informado como tendo sido retido pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Na declaração originariamente apresentada, fls. 24 a 29, foi apurado saldo de imposto a restituir no valor de R$ 1.282,77. Cientificado da exigência em 29/10/2010, fl. 16, em 29/10/2010, o contribuinte apresenta impugnação, fl. 01, instruída com os documentos de fls. 02 a 12, alegando que o imposto de renda retido no valor de R$ 3.422,81 consta no comprovantes de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, consoante documentos anexados.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 39/42, que restou assim ementado: DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. O décimo terceiro salário é tributado exclusivamente na fonte, sendo incabível sua compensação na declaração de ajuste anual. Regularmente cientificado daquele acórdão em 21/03/2011 (fl. 46), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 47/49, em 30/03/2011. Em sua defesa, requer seja cancelada a exigência fiscal, pois o valor cobrado já foi recolhido na fonte pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil e, obedecendo à ordem judicial, depositado legalmente. Aduz, ainda, que jamais declarou o imposto retido referente ao 13° salário como a ser deduzido do imposto a pagar, tendo simplesmente informado os valores depositados judicialmente na coluna de rendimentos, por não existir coluna adequada à informação atípica. Requer, em caso de se manter a cobrança, seja esta feita por inclusão nos autos do processo 2004.34.00.0017575 em trâmite na 9ª Vara Federal Jurisdição de Brasília DF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 15504.019744/201084 Acórdão n.º 2801002.989 S2TE01 Fl. 86 3 Pelo que dos autos consta, não há dúvidas de que o lançamento cuida da glosa do imposto de renda retido relativo ao décimo terceiro salário, cujo valor foi depositado judicialmente por força de decisão prolatada no Processo 2004.34.00.0017575, no qual o contribuinte discute a incidência de imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria recebidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Como bem esclareceu a decisão recorrida, o imposto retido sobre o décimo terceiro salário sujeitase à tributação exclusivamente na fonte, não sendo, portanto, cabível a compensação do valor retido na declaração de ajuste anual. Considerando a informação do recorrente no sentido de que já transitou em julgado em seu favor o referido processo, o valor de imposto retido na fonte incidente sobre o décimo terceiro salário será lhe devolvido quando da execução da decisão, provavelmente mediante levantamento do correspondente depósito judicial. Aliás, como o contribuinte fez opção pela via judicial relativamente à matéria concernente à exigência do imposto de renda em questão, somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, devendo o processo retornar à unidade de origem para que seja adequado aquilo que consta nos presentes autos o decidido na esfera judicial. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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