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Numero do processo: 13839.913072/2009-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/07/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/07/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 30 72 /2 00 9- 54 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913072/200954 Acórdão n.º 3801003.926 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Em julgamento recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa. Adoto o relatório do acórdão recorrido “Tratase de Despacho Decisório, que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica , sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. A interessada por sua vez, contesta a decisão alegando preliminarmente a nulidade do ato. Contesta a ausência absoluta do motivo da não homologação da compensação cerceando seu direito a ampla defesa. Aduz que o crédito em que se fundou a compensação decorre de pagamento a maior da Cofins [ou da contribuição para o PIS/Pasep], pois ao calcular o montante devido, incluiu na base de cálculo do tributo não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas como também as demais receitas, ampliandoa indevidamente. Assevera que a pretensão é legitima na medida em que utilizouse de algumas teses tributárias julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Invoca a alínea “a” do artigo 16 do Decreto 70.235/72, para postular a posterior produção de provas uma vez que , como dito de forma exaustiva, se nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, como poderia a manifestante defenderse adequadamente? Ao final, reitera suas alegações quanto à nulidade do despacho decisório, solicita a posterior produção de provas como também a baixa dos autos em diligência e o reconhecimento de seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme a seguinte ementa do acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913072/200954 Acórdão n.º 3801003.926 S3TE01 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 31/05/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência será indeferido quando se apresentar prescindível, nos moldes do art.18 do Decreto nº 70.235/72. POSTERIOR JUNTADA DE DOCUMENTOS É legalmente admissível quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação na contestação, por motivo de força maior, fato ou direito superveniente. Da leitura do recurso voluntário, conseguese depreender apenas que, segundo a contribuinte, teria ficado plenamente demonstrado que ocorreu pagamento a maior da contribuição, decorrente da incorreta inclusão de valores no cálculo da contribuição, e que este valores seriam relativos a operações de importação, simples remessas consideradas em duplicidade e outras operações não bem identificadas. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913072/200954 Acórdão n.º 3801003.926 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. À luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito, cabia a contribuinte a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913072/200954 Acórdão n.º 3801003.926 S3TE01 Fl. 6 5 Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Nos autos, não há nenhuma prova da certeza e liquidez do crédito. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913072/200954 Acórdão n.º 3801003.926 S3TE01 Fl. 7 6 Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.000547/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO
A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Artigo 4º, da Lei n.º10.666/2003
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
No auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não há hipótese de recolhimento parcial devendo ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional.
MULTA ÚNICA
A multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada. A fluência do prazo decadencial para algumas competências incluídas na autuação não altera o valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.518
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Auto de Infração de Obrigação Acessória por infração ao art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212/91, por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações dos segurados contribuintes individuais, as contribuições previdenciárias.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Artigo 4º, da Lei n.º10.666/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não há hipótese de recolhimento parcial devendo ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional. MULTA ÚNICA A multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada. A fluência do prazo decadencial para algumas competências incluídas na autuação não altera o valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Auto de Infração de Obrigação Acessória por infração ao art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212/91, por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações dos segurados contribuintes individuais, as contribuições previdenciárias. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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Artigo 4º, da Lei n.º10.666/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não há hipótese de recolhimento parcial devendo ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional. MULTA ÚNICA A multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada. A fluência do prazo decadencial para algumas competências incluídas na autuação não altera o valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 05 47 /2 00 9- 83 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Auto de Infração de Obrigação Acessória por infração ao art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212/91, por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações dos segurados contribuintes individuais, as contribuições previdenciárias. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10410.000547/200983 Acórdão n.º 2302003.518 S2C3T2 Fl. 63 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em 31/12/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 05/02/2009, por infração ao art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, já que deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações dos segurados contribuintes individuais, as contribuições previdenciárias nas competências de 01/2003 a 12/2006. Após a apresentação da impugnação, Acórdão da DRJ de Recife/PE, às fls. 37/40, julgou a autuação procedente. Inconformada a autuada interpôs recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que a nova sistemática de ingresso no serviço público de acordo com a Constituição Federal faz inexistente o vínculo jurídico com empregados investidos irregularmente no serviço público; b) que as contratações efetivadas pela Secretaria de Justiça e Defesa Social são nulas porque a mão de obra arregimentada é quase exclusiva para pessoas sem vínculo estatutário, admitidos sem concurso público, sendo inaplicável a esta "relação" as normas do RGPS; c) que não há vínculo legal entre os prestadores de serviço e o Estado de Alagoas na condição de empregados, nem de estatutários por isso inaplicável o artigo 30, I "a", da Lei n.º 8.212/91; d) que há necessidade da perícia, pois mesmo que se considere legal as exações lançadas, é necessário realizar novos cálculos para retirar parcelas já pagas. Por fim, requer o provimento do recurso para declarar a inexistência de responsabilidade do Estado de Alagoas pelas exações referidas e para que seja deferida a perícia. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Preliminarmente, cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Auto de Infração de Obrigação Principal. Já, descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o Auto de Infração de Obrigação Acessória. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Assim, no caso presente, a autuação decorre do descumprimento da obrigação acessória de ter deixado o ente público de arrecadar, mediante desconto nas remunerações pagas, as contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, no período de 01/2003 a 12/2006. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10410.000547/200983 Acórdão n.º 2302003.518 S2C3T2 Fl. 64 5 Tal conduta, infringiu o disposto no artigo 4º, da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, estando correta a autuação: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. As alegações da recorrente acerca da inexistência de vínculo empregatício ou estatutário, não se aplicam ao presente caso, eis que não se está discutindo relação de emprego, tampouco tratando de servidores estatutários, mas sim da contribuição do segurado contribuinte individual, que deveria ter sido descontada pela recorrente da remuneração paga ao mesmo. De acordo com a legislação acima citada a recorrente está obrigada a arrecadar a contribuição referente à cota dos segurados contribuintes individuais e recolhêla juntamente com a contribuição a seu cargo. Quanto à solicitação de realização de perícia, informo que em razão da natureza da autuação e dos elementos que foram examinados e lhe deram suporte, a mesma se torna inócua, eis que o fisco procedeu à autuação porque a recorrente descumpriu obrigação acessória de arrecadar a contribuição previdenciária da remuneração dos segurados contribuintes individuais, fato que não traz qualquer controvérsia e que a recorrente poderia ter colacionado aos autos provas que refutassem a autuação, mas não o fez. Ademais a recorrente solicita a realização de perícia para ver da existência de recolhimentos acerca das exações lançadas, mas também tal assunto não guarda relação com a presente autuação, que não trata da falta de recolhimentos de obrigação principal. Consequentemente, é prescindível a perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB N.º10875, DE 16 DE AGOSTO DE 2007 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. Assim, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria RFB N.º10875, de 16 de agosto de 2007, já que não se constitui em direito subjetivo do autuado e a prova de eventual desconto efetuado na remuneração dos contribuintes individuais a título de Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 contribuição previdenciária independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida aos autos pela recorrente, o que não foi feito. Destarte é de se ver que a obrigatoriedade da arrecadação da contribuição da remuneração do contribuinte individual surgiu com o artigo 4º, da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, cujo derradeiro artigo traz que a Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, quanto ao artigo 4º, entre outros, a partir de 1º de abril de 2003. Desta forma entendo que as competências de 01/2003 a 03/2003, não podem compor a presente autuação, porque desprovidas de suporte legal. Ainda é de se atentar para o prazo decadencial, pois o auto de infração abrange o período de 01/2003 a 12/2006 e foi cientificado ao sujeito passivo em 05/02/2009. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10410.000547/200983 Acórdão n.º 2302003.518 S2C3T2 Fl. 65 7 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo ser observada a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando há o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, por se tratar de auto de infração, onde não há hipótese de recolhimento antecipado, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2003, inclusive esta: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, de modo que não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Ainda que restasse apenas uma competência onde não houvesse o desconto da contribuição, o valor da multa se manteria íntegro. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 16561.000211/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2006
PRELIMINAR DE NULIDADE POR FUNDAMENTAÇÃO INADEQUADA DO AUTO.
Restando comprovado que existia, no auto de infração lavrado, todas as informações necessárias para a adequada identificação da imputação realizada e da matéria tributável considerada, descabe falar em qualquer nulidade do lançamento realizado.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ILEGALIDADE DAS DISPOSIÇÕES DA IN SRF 243/2002.
Restando verificável a incongruência das disposições da referida IN SRF 243/2002 e aqueloutras contidas nas disposições do art. 18 da Lei 9.430/96 (especificamente no período anterior às alterações promovidas pela Lei 12.715/2012), forçosa se faz a conclusão de sua ilegalidade naquele período, restando, pois, impossibilitada a glosa dos procedimentos da contribuinte da forma como efetivado.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. EXTINÇÃO EM VIRTUDE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE LEGAL. OBSERVÂNCIA.
Inexiste amparo para, à luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídico-tributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria.
Numero da decisão: 1301-001.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto em relação à discussão quanto a invalidade das disposições da IN SRF 243/2002, vencidos os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas, e, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO em relação à discussão relativa à inaplicabilidade da trava de 30% nas incorporações, vencido, neste tópico, o conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE POR FUNDAMENTAÇÃO INADEQUADA DO AUTO. Restando comprovado que existia, no auto de infração lavrado, todas as informações necessárias para a adequada identificação da imputação realizada e da matéria tributável considerada, descabe falar em qualquer nulidade do lançamento realizado. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ILEGALIDADE DAS DISPOSIÇÕES DA IN SRF 243/2002. Restando verificável a incongruência das disposições da referida IN SRF 243/2002 e aqueloutras contidas nas disposições do art. 18 da Lei 9.430/96 (especificamente no período anterior às alterações promovidas pela Lei 12.715/2012), forçosa se faz a conclusão de sua ilegalidade naquele período, restando, pois, impossibilitada a glosa dos procedimentos da contribuinte da forma como efetivado. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. EXTINÇÃO EM VIRTUDE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE LEGAL. OBSERVÂNCIA. Inexiste amparo para, à luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídico-tributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 539 1 538 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000211/200892 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.410 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS LIMITE Recorrente BAYER S.A. (incorporada pela empresa BAYER S.A., CNPJ n 18.459.628/000115) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE POR FUNDAMENTAÇÃO INADEQUADA DO AUTO. Restando comprovado que existia, no auto de infração lavrado, todas as informações necessárias para a adequada identificação da imputação realizada e da matéria tributável considerada, descabe falar em qualquer nulidade do lançamento realizado. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ILEGALIDADE DAS DISPOSIÇÕES DA IN SRF 243/2002. Restando verificável a incongruência das disposições da referida IN SRF 243/2002 e aqueloutras contidas nas disposições do art. 18 da Lei 9.430/96 (especificamente no período anterior às alterações promovidas pela Lei 12.715/2012), forçosa se faz a conclusão de sua ilegalidade naquele período, restando, pois, impossibilitada a glosa dos procedimentos da contribuinte da forma como efetivado. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. EXTINÇÃO EM VIRTUDE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE LEGAL. OBSERVÂNCIA. Inexiste amparo para, à luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 02 11 /2 00 8- 92 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 540 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto em relação à discussão quanto a invalidade das disposições da IN SRF 243/2002, vencidos os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas, e, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO em relação à discussão relativa à inaplicabilidade da “trava” de 30% nas incorporações, vencido, neste tópico, o conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 541 3 Relatório Tratam os presentes autos de Recurso Voluntário, interposto pela contribuinte em face das disposições do acórdão no 1621.029, exarado pela 5a Turma da DRJ/SPOI, cuja ementa é assim então especificamente apresentada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo a impugnante identificado o motivo exato da autuação e se defendido tempestiva e plenamente, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O lançamento regese pela legislação vigente à época dos fatos, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. LIMITE DE 30%. Para fins de determinação do saldo de imposto de renda a pagar, a compensação de prejuízos fiscais existentes em nome da pessoa jurídica está limitada a trinta por cento da base de cálculo, inclusive nos casos de baixa por incorporação. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente Cientificada a contribuinte em 18/05/2009 (Segundafeira), por ela foi então interposto, no dia 10/06/2009 o seu competente Recurso Voluntário, em que, pretendendo a reforma daquele julgado, assim então consigna: Sendo a contribuinte empresa atuante na fabricação, venda, importação e exportação de produtos químicos e farmacêuticos, é ela livre para a escolha de quaisquer dos métodos de determinação de preços de transferência de que trata o art. 18 da Lei 9.430/96, tendo então aplicado o conhecido Preço de Revenda menos o Lucro PRL60%. A matéria discutida nos autos, pelo que se verifica, além de tratar da discussão a respeito da aplicação das disposições da IN 243/2002 em confronto com as disposições da IN 32/2001 , tangencia ainda a questão da discussão a respeito impossibilidade de aplicação da limitação à compensação de 30% de prejuízos na apuração do IRPJ/CSLL, tendo em vista a ocorrência de incorporação, e, no caso, a impossibilidade de sua aplicação na hipótese. Em sede preliminar, mais uma vez, destaca a contribuinte a nulidade do auto de infração pelo cerceamento do direito de defesa, em decorrência da inadequada fundamentação contida no lançamento. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 542 4 No mérito, destaca a recorrente a existência de irregularidade na parte do lançamento que trata da discussão a respeito da apuração de diferenças relativas aos valores devidos/recolhidos a título de Preços de Transferência, sobretudo porque nas disposições da IN SRF 243/2002, sobretudo por inexistir, nas fundamentações legais próprias da matéria, a possibilidade de aplicação dos critérios ali então estabelecidos, entendendo, no caso, que as normas antes contidas nas disposições da IN SRF 32/2001encontravamse em melhor consonância com as disposições legais, sendo, portanto, completamente inválida a sua aplicação na presente vertente. Além desse ponto, destaca ainda a impossibilidade de aplicação da trava de 30% (trinta por cento) na compensação de prejuízos fiscais em virtude da incorporação sofrida pela contribuinte originária, não podendo ela, assim, ser prejudicada pela impossibilidade de aproveitamento integral do prejuízo consolidado, submetendose, assim, à tributação de patrimônio, o que, efetivamente, atenta contra a própria estrutura de incidência e aplicação das normas relativas à tributação pelo IRPJ. A partir desses fundamentos, pretende então a recorrente a reforma integral da decisão de primeira instância, e, por sua vez, a completa desconstituição do lançamento. ] Analisados os autos, ainda quando da vigência das disposições do Art. 62A do RICARF – que indicava pela origatoriedade de sobrestamento dos feitos nos casos em que o Supremo Tribunal Federal, aplicando as disposições do art. 543B do CPC, determinase a suspensão dos feitos em que houvesse reconhecida a repercussão geral da matéria , promovemos o Despacho de fls. 534, destacando, no caso, a existência do reconhecimento de Repercussão Geral nos autos do RE – 591340 pelo STF, e, nessa linha, determinando então o sobrestamento do feito até a decisão final a ser exarada naqueles autos. Entretanto, tendo sido publicado a Portaria n.º 545, do Ministério da Fazenda, em 20/11/2013, restaram pois revogadas as disposições dos parágrafos 1o e 2o do mencionado Art. 62A do RICARF, possibilitandose, assim, a sua inclusão em pauta para julgamento, o que, então, é promovido nesta oportunidade. Sendo esse o relatório, passo ao meu voto. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 543 5 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Da preliminar de nulidade do auto de infração por fundamentação inadequada Após as considerações gerais contidas no recurso, verificase que o primeiro ponto ali destacado referese à pretensão de reconhecimento de nulidade do lançamento, tendo em vista a suposta “confusão” contida na apresentação dos motivos do lançamento e, conseqüentemente, a dificuldade de compreensão de seus termos. Em suas razões, a recorrente destaca que a razão fundamental da dita nulidade, seria decorrente do fato de que teve que mobilizar todo o seu departamento jurídico e fiscal para identificar a que se refere o presente auto de infração, chegando à presunção de que se trata do método de apuração do preço de transferência de produtos importados, tendo a d. autoridade fiscal entendido pela aplicação dos métodos estabelecidos pela Instrução Normativa 243/2002, em detrimento do método previsto pela Instrução Normativa 32/2001, originalmente utilizado pela Recorrente. A razão dessa confusão, verificase, seria decorrente do fato de que, não havendo qualquer menção do Auto lavrado a respeito do regramento ou mesmo da indicação própria da sistemática aplicável às regras do Preço de Transferência, a sua identificação somente restou possível após a análise e estudo dos cálculos promovidos pelos agentes da fiscalização. Analisando os termos do Auto de Infração lavrado, verifico que, na Folha de Continuação, por ele apresentada, destacamse os seguintes fatos como elementos constantes das infrações verificadas: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo(s) "fiscal(is) apurado(s), tendo em vista a(s), reversão(6es) do prejuízo(s) após o lançamento da(s) infração(bes) constatada(s) no(s) lperiodo(s)base 2003, através deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 26/12/2006 R$ 2.363.531,35 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 544 6 002 ADIÇÕES PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NÃO ADIÇÃO DE PARCELA DE CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR PESSOA VINCULADA Valor apurado conforme TCVF Termo de Constatação e Verificação Fiscal emitido nesta data. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2003 R$ 8.225.314,17 75,00 DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) Imposto de Renda Pessoa Jurídica Art. 241 do RIR/99. Logo, ao contrário do que afirma o recorrente, existem sim, nos termos do Lançamento efetivado, todas as informações necessárias para a identificação das infrações apontadas como cometidas, bem como, ainda, a referência própria às normas/regulamentos aplicáveis, não se havendo falar, portanto, de forma alguma, em qualquer consideração a respeito do suposto cerceamento do direito de defesa, da forma como alegado. Nesses termos, afasto a preliminar de nulidade apontada. DO MÉRITO DO RECURSO Superada a preliminar avençada, adentrando agora no mérito, verifico que aqui se discutem, especificamente, dois tipos de infrações distintas a serem consideradas, quais sejam: 1) Preços de transferência: ilegalidade das disposições da IN 243/2002 2) Inaplicabilidade da trava de 30% na compensação de prejuízos nos casos de ocorrência de incorporação da contribuinte Passemos a análise de cada um dos pontos considerados: 1 Preços de transferência: ilegalidade das disposições da IN 243/2002 A primeira discussão travada nos autos, conforme já aqui antes demonstrado, referese ao debate em torno à discussão da validade do lançamento fiscal, efetivado em face da discordância entre a contribuinte e os agentes fazendários, a respeito da adequada e válida aplicação dos métodos de apuração dos conhecidos “Preços de Transferência”, de que tratam as disposições da IN 243/2002. A matéria, como se sabe, é tema de relevantes debates neste Conselho, envolvendo, em seu cenário, exatamente a discussão em torno da legalidade das disposições contidas na referida IN 243/2002, em face das disposições contidas na Lei 9.430/96, que, em suas disposições originárias, assim, á época, apresentavase: Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 545 7 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. § 9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente. (grifos e destaques nossos) Essas disposições, conforme apontado, eram as disposições originárias contidas na referida norma à época da ocorrência dos fatos tratados nos presentes autos, já tendo sido efetivada a pretensão de sua alteração (conforme apontado pela recorrente) a partir da inserção, em nosso sistema jurídico, das disposições da MP 478/2009 (não convertida), e, mais recentemente, da MP 563/2012, esta convertida na recente Lei 12.715/2012, de 17 de Setembro de 2012, que, promovendo relevantes alterações no sistema, será aqui ainda analisada. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 546 8 Nada obstante, cumpre destacar, a princípio, que, conforme destacado, a discussão fundamental havida nos autos referese à discussão a respeito da legalidade das disposições contidas na IN 243/2002, tendo em vista o apontamento efetivado pela recorrente de que este diploma regulamentar não teria observado, em suas disposições, as determinações contidas na respectiva legislação de regência, estando assim eivada de ilegalidade, nos termos apontados. Diante dessas considerações, destaquemos as expressas disposições da referida IN 243/2002, especificamente no que aqui especificamente nos interessa: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 547 9 § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Diante dessas circunstâncias, passemos então à análise das circunstâncias apontadas: Da (in)validade das disposições da IN 243/2002 Em relação a esse primeiro ponto de destaque, cumpre ressaltar que, de acordo com as disposições da r. decisão de origem, a matéria sequer fora especificamente analisada, tendo em vista apenas, e tão somente, o apontamento de que tratandose, na essência, de discussão a respeito da validade (legalidade) do ato normativo regulamentar, descaberia às Delegacias Regionais de Julgamento qualquer manifestação a seu respeito, tendo em vista a falta de competência para tanto. A discussão a respeito da legitimidade da avaliação da legalidade dos atos normativos infralegais pelos órgãos de julgamento, de fato, é tema hoje pacífico na doutrina e jurisprudência pátria, sendo aí relevante o destaque que se faz em relação á diferença entre às Delegacias da Receita Federal, responsáveis pela fiscalização e pelo lançamento de tributos contra os contribuintes, e os atos próprios das chamadas Delegacias Regionais de Julgamento – DRJ, cuja competência, a teor do que estabelecido nas disposições do Decreto 70.235/72, é, exatamente, a de controle de legalidade dos atos administrativos. Nessa linha, afasto, desde já, o apontamento contido na r. decisão de origem a respeito da impossibilidade de apreciação da legalidade das Instruções Normativas pelos órgãos administrativos julgados, sobretudo após a instauração da fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, sendo este, de fato, o momento propício e adequado para a devida e regular avaliação da legalidade do referido ato normativo. A limitação existente quanto à atuação dos órgãos julgadores, de fato, é relativa á constitucionalidade dos atos da administração e da própria legislação, inexistindo, entretanto, qualquer óbice à prática do controle de legalidade, como forma de garantir, Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 548 10 inclusive, a garantia de observância aos princípios da legalidade, moralidade, eficiência e economicidade, próprios que são da específica atuação administrativa brasileira. Feitas essas considerações, importante agora analisar a discussão havida nos autos, e, neste ponto, a especifica discussão em torno da (i)legalidade das disposições da referida IN 243/2002, que, segundo aponta a contribuinte, teria transbordado da competência que lhe fora conferida pela Lei de regência, não podendo, assim, ser aqui efetivamente aplicada. Nessa linha, cumpre destacar que, conforme apontado, a discussão em relação a esse específico tema nos autos cingese à verificação de que, nas disposições da referida IN 243/2002, teriam sido incluídos conceitos completamente inexistentes nas referidas disposições legais de regência, carecendolhes, assim, conforme apontado pela recorrente, o necessário amparo de legalidade. Vejamos. A primeira questão destacada pela contribuinte, seria decorrente da verificação de que, de acordo com as disposições então contidas na Lei 9.430/96, a apuração da margem de lucro de 60%, por ela determinada, deveria levar em conta, especificamente, o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço líquido da venda total, sendo essa, especificamente, a divergência verificada entre as disposições da Lei de regência e aquelas apontadas pela referida IN 243/2002. Para a adequada análise, comparemos aqui a específica redação dos dispositivos apontados: Lei 9.430/96: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) IN 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 549 11 § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A discussão em torno do confronto entre as referidas disposições, vale destacar, decorre do fato de que da leitura de cada uma delas extraemse diferentes conclusões matemáticas, fazendo nascer, assim, o imbróglio da adequada fórmula a ser aplicada nas operações praticadas pela contribuinte. Independentemente de toda a discussão relativa à adequação ou não do texto das normas apontadas, é relevante destacar que, a rigor, os métodos apontados são apresentados como instrumentos para a metrificação dos valores aplicados em decorrência de operações havidas entre partes relacionadas, especificamente como forma de garantir a impossibilidade da distribuição disfarçada de resultados, o que, insistase, é o cerne fundamental das normas relativas ao controle dos chamados “preços de transferência”. Nessa linha, é relevante o destaque de que, conceitualmente, o percentual da margem de lucro considerada (60%) deva incidir, especificamente, sobre o montante representativo do bem inicialmente importado na ulterior comercialização do bem produzido, não podendo, de forma alguma, ser aplicado sobre o total da venda posteriormente realizada, sob pena de causar conseqüências completamente exdrúxulas, conforme reiteramente exemplificado pelos estudiosos da matéria (ex.; o parafuso na produção do avião...). De fato, adequada interpretação das disposições originariamente contidas na lei 9.430/96 levam á necessária conclusão de que a apontada margem de lucro deve incidir, apenas e tão somente, sobre o montante econômico representativo do bem importado, sendo, por isso, necessárias as deduções e exclusões apontadas. Assim, a discussão apontada desbota, então, na construção das seguintes formulações matemáticas: 1) PP = PLV – 60%(PLVVAB) 2) PP = PLV – 60%(PLV) VAB A primeira hipótese, insta destacar, é a hipótese construída pela aplicação direta das disposições contidas na Lei 9.430/96, nos termos antes previstos nas disposições da Fl. 552DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 550 12 IN 32/2001, ao passo que a segunda, conforme se verifica, seria aquela construída a partir da aplicação das disposições da IN 243/2002, que, substituindo a primeira, passou, a partir de então, a pretender disciplinar a atuação dos contribuintes e dos agentes da fiscalização, inaugurando, assim, um atormentado período de debates a respeito de sua validade. Da forma como destacado, de fato, a distinção que se faz entre as duas hipóteses apresentadas é verificada pelo fato de que enquanto na primeira a margem de lucro a ser aplicada (60%) incidiria pelo valor líquido da transação (Preço líquido de venda, menos, o valor agregado no país), na segunda, aquela margem seria aplicada sobre o total do preço líquido de venda, sendo apenas posteriormente subtraído o valor agregado no Brasil. A discussão apontada era de tão grave relevância que, conforme antes aqui inclusive destacado, passouse a buscar a alteração das disposições da respectiva legislação de regência, com vistas a compatibilizar as suas disposições com aquelas constantes na referida IN 243/2002, o que, conforme se verifica, fora atualmente verificado, tendo em vista as disposições inseridas no mencionado art. 18 da Lei 9.430/96 pela MP 563/2012, agora recentemente convertida na Lei 12.715/2012. Eis as novéis disposições da Lei 9.430/96: "Art. 18. ....................................................................... I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda empreendidas pela própria interessada ou por terceiros, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio ponderado de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, acrescido dos impostos e taxas cobrados na exportação no país onde tiverem sido originariamente produzidos, e de margem de lucro de 20% (vinte por cento), calculada sobre o custo apurado. § 1o As médias aritméticas ponderadas dos preços de que tratam os incisos I e II do caput e o custo médio ponderado de produção de que trata o inciso III do caput serão calculados considerandose os preços praticados e os custos incorridos Fl. 553DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 551 13 durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. ............................................................................................. § 6o Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: I não vinculadas; e II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. § 6oA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. ............................................................................................. § 10. Relativamente ao método previsto no inciso I do caput, as operações utilizadas para fins de cálculo devem: I representar, ao menos, 5% (cinco por cento) do valor das operações de importação sujeitas ao controle de preços de transferência, empreendidas pela pessoa jurídica, no período de apuração, quanto ao tipo de bem, direito ou serviço importado, na hipótese em que os dados utilizados para fins de cálculo digam respeito às suas próprias operações; e II corresponder a preços independentes realizados no mesmo anocalendário das respectivas operações de importações sujeitas ao controle de preços de transferência. § 11. Na hipótese do inciso II do § 10, não havendo preço independente no anocalendário da importação, poderá ser utilizado preço independente relativo à operação efetuada no ano calendário imediatamente anterior ao da importação, ajustado pela variação cambial do período. § 12. As margens a que se refere a alínea d do inciso II do caput serão aplicadas de acordo com o setor da atividade econômica da pessoa jurídica brasileira sujeita aos controles de preços de transferência e incidirão, independentemente de submissão a processo produtivo ou não no Brasil, nos seguintes percentuais: I 40% (quarenta por cento), para os setores de: a) produtos farmoquímicos e farmacêuticos; b) produtos do fumo; c) equipamentos e instrumentos ópticos, fotográficos e cinematográficos; d) máquinas, aparelhos e equipamentos para uso odontomédicohospitalar; e) extração de petróleo e gás natural; e f) produtos derivados do petróleo; II 30% (trinta por cento) para os setores de: a) produtos químicos; b) vidros e de produtos do vidro; c) celulose, papel e produtos de papel; e d) metalurgia; e III 20% (vinte por cento) para os demais setores. § 13. Na hipótese em que a pessoa jurídica desenvolva atividades enquadradas em mais de um inciso do § 12, deverá ser adotada para fins de cálculo do PRL a margem correspondente ao setor da atividade para o qual o bem importado tenha sido destinado, observado o disposto no § 14. § 14. Na hipótese de um mesmo bem importado ser revendido e aplicado na produção de um ou mais produtos, ou na hipótese de o bem importado ser submetido a diferentes processos produtivos no Brasil, o preço parâmetro final será a média ponderada dos valores encontrados mediante a aplicação do método PRL, de acordo com suas respectivas destinações. § 15. No caso de ser utilizado o método PRL, o preço parâmetro deverá ser apurado considerandose os preços de venda no período em que os produtos forem baixados dos estoques para resultado. § 16. Na hipótese de importação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o Método do Preço sob Cotação na Importação PCI definido no art. 18A. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 552 14 § 17. Na hipótese do inciso I do § 10, não havendo operações que representem 5% (cinco por cento) do valor das importações sujeitas ao controle de preços de transferência no período de apuração, o percentual poderá ser complementado com as importações efetuadas no anocalendário imediatamente anterior, ajustado pela variação cambial do período." (NR) Ora, pela alteração legislativa apontada, verificase, agora sim, a consonância entre os critérios presentes na respectiva norma legal de regência e aquelas aplicadas pela Instrução Normativa apontada, o que, inegavelmente, anteriormente não se verificava. Diante dessas considerações, adotando, no caso, o preceito hermenêutico máximo de que “a lei não possui palavras inúteis”, a inclusão atual das disposições apontadas, inexistentes à época da efetivação do lançamento aqui discutido, simplesmente confirma a previsão de que, de fato, inexistia fundamento legal para as disposições da referida IN 243/2002, estando, por isso, desde antes, fadada de ilegalidade a conduta praticada pela fiscalização na presente vertente. Com base nesses fundamentos, entendo, neste particular, pela invalidade/ilegalidade das disposições contidas na IN SRF 243/2002 – especificamente em relação às disposições contidas em seu art. 12 , relativamente ao período anterior às alterações efetivadas pela MP 563/2012 (convertida na Lei 12.715/2012), não se podendo, assim, de forma alguma, admitir como válida a sua aplicação pela fiscalização nos presentes autos, e, por conseguinte, concluo pela adequada regularidade dos procedimentos adotados pela contribuinte quando da quantificação dos valores devidos a título de Preços de Transferência, nos termos por ela então especificamente sustentado. Da Inaplicabilidade da trava de 30% na compensação de prejuízos nos casos de ocorrência de incorporação da contribuinte Ultrapassada a questão em torno da sistemática de apuração e quantificação dos valores devidos a título de Preços de Transferência, relevante ainda destacar que, na autuação, falase ainda a discussão em torno da (in)validade dos procedimentos da contribuinte que, tendo a empresa BAYER S.A (CNPJ 14.372.981/000102) apurado prejuízo fiscal em exercícios anteriores – 2002 a 2006 , e, sendo ela incorporada pela empresa de mesmo nome, as de CNPJ no 8.459.628/000115, foi então promovido o aproveitamento de sua integralidade (sem a observância da “trava” de 30% de que tratam as disposições da Lei 9.065/95), tendo em vista a impossibilidade de transferência dos referidos créditos, e, ainda, a inexistência de possibilidade de compensação em períodos futuros, tendo em vista o encerramento das atividades da empresa originária. A discussão em torno da (in)aplicabilidade da limitação à compensação de prejuízos (“Trava de 30%”), nos casos de empresas submetidas a operações de incorporações societárias, de fato, é tema recorrente nos debates jurídicos acadêmicos, sobretudo porque, nesses casos, o que se está a considerar, sempre, é a circunstância fática da impossibilidade de utilização futura do apontado crédito, e, nessas circunstâncias, a limitação própria à incidência do Tributo sobre a Renda. A matéria, é importante ressaltar, ainda não é pacífica em nenhum dos campos próprios do debate jurídico tributário, sendo certo – conforme antes destacado em despacho proferido nestes autos – que o assunto aguarda, ainda, a devida apreciação pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, o que, por certo, há de ser realizado a quando do Fl. 555DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 553 15 julgamento do RE 591340, de relatoria do Ministro MARCO AURÉLIO, que, quando do reconhecimento da repercussão geral da matéria, assim então deixou consignado: RE 591340 REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Classe: RE Procedência: SÃO PAULO Relator: MIN. MARCO AURÉLIO Partes RECTE.(S) PÓLO INDUSTRIAL POSITIVO E EMPREENDIMENTOS LTDA ADV.(A/S) FERNANDA ELÍSSA DE CARVALHO AWADA RECDO.(A/S) UNIÃO PROC.(A/S)(ES) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Matéria: DIREITO TRIBUTÁRIO | Contribuições | Contribuições Sociais | Contribuição Social sobre o Lucro Líquido | Compensação de Prejuízo DIREITO TRIBUTÁRIO | Crédito Tributário | Base de Cálculo IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 07/11/2008ATA Nº 27, de 04/11/2008 DJE nº 211, divulgado em 06/11/2008 A par dessas considerações, analisando a discussão especificamente apontada, destaco que, pelo meu entendimento, de fato, merece guarida a tese que sustenta a inaplicabilidade da limitação no caso específicos das incorporações societárias, sobretudo porque, conforme se verifica, ao estabelecer o legislador ordinário a limitação quantitativa da compensação mensal de prejuízos (30% trinta por cento), a ele não se aplica nenhum critério de limitação temporal (prescrição/decadência), demonstrando, assim, que a opção efetivada pelo legislação pressupunha, sobretudo, a aplicação do princípio da continuidade da empresa. Vejamos o que apontavam os respectivos dispositivos: Lei 8.981/95 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. (Vide Lei nº 9.065, de 1995 Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, Fl. 556DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 554 16 apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. (Vide Lei nº 9.065, de 1995. Lei 9.065 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. (Produção de efeito) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. (Produção de efeito) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. A não admissão da compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados, por certo, representaria a tributação direta do patrimônio das entidades, o que, por sua vez, afrontaria diretamente a composição constitucional da tributação sobre a renda, dissonância integral com os conceitos estabelecidos pelos artigos 43, 44 e também o artigo 110 do CTN. No caso, tenho para mim que o estabelecimento de limite à tributação de prejuízo – no patamar indicado de 30% , apresentase, indubitavelmente, como norma redutora de liberdade, o que, por sua vez, importa na identificação e aplicação estrita às hipóteses para as quais foi entabulada. A análise dessa questão, é relevante destacar, foi muito bem delineada no voto proferido pelo ilustre Conselheiro MARCOS SHIGUEO TAKATA, que, no julgamento do Recurso Voluntário no 1103000.619, nos autos do PAF 16095.000635/200809, assim, inclusive, manifestouse: Número do Processo 16095.000635/200809 Contribuinte JS ADMINISTRACAO DE RECURSOS S/A Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 31/01/2012 Relator(a) MARCOS SHIGUEO TAKATA Nº Acórdão 1103000.619 Tributo / Matéria IRPJ glosa de compensação de prejuízos fiscais Decisão Fl. 557DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 555 17 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: “TRAVA” DE 30% PARA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES NEGATIVAS NA INCORPORAÇÃO A finalidade da “trava” de compensação não é ceifar a compensação de prejuízos fiscais, mas manter ou aumentar o fluxo de caixa de arrecadação, tanto que se revogou o limite temporal de compensação. A regra de limitação quantitativa da compensação só tem sentido no tempo (“vida” da pessoa). Como o lucro é apurado segundo cortes temporais mais ou menos arbitrários, porém necessários, por imperativo de ordem prática a limitação quantitativa de compensação de prejuízos fiscais implica essa periodicidade (e a interperiodicidade). Diante da “morte” da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limitadora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo. Para que fique registrado, não desconhecemos o entendimento já manifestado pela Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF a respeito da matéria, que, no julgamento do Recurso Especial do Procurador no 164.165, prolatou o Acórdão no 9101001.337 nos autos do PAF 11065.001759/200756, no qual, por voto de qualidade, entendeuse pela a ausência de previsão legal para a inaplicabilidade da Trava na incorporação da forma como pretendida, o que, entretanto, restando vencidos, naquela oportunidade, os Conselheiros Valmir Sandri (Relator originário), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, João Carlos Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. Nada obstante, por não se ter ainda uma posição definitiva a respeito da matéria, manifestamos aqui o nosso pessoal entendimento, claro, com todo o respeito àqueles que eventualmente entendam de forma diversa. Conclusão Em face de todas essas considerações, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário ofertado, reconhecendo, no caso i) a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere à definição dos critérios para o cálculo dos valores devidos pela contribuinte a título de Preços de Transferência; e, ainda ii) a inaplicabilidade da limitação (“Trava”) de 30% à compensação de prejuízos fiscais à compensação no caso de incorporação da pessoa jurídica. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 558DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 556 18 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Em que pese os valiosos argumentos expendidos pelo Ilustre Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, pronunciouse de forma diversa relativamente à possibilidade de aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL sem observância do limite de 30% previsto na lei, no caso versado nos autos. Antes de tudo, convém destacar que tanto os argumentos expendidos na peça recursal, como os que serviram de suporte para o pronunciamento do Ilustre Relator, foram direcionados no sentido de que, tratandose de extinção da pessoa jurídica detentora de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, ainda que em razão de reorganização societária, existe fundamentação jurídica capaz de autorizar a compensação dos referidos saldos sem que seja observada a limitação de 30% imposta pela lei. Em apertada síntese, alegou a Recorrente que, no caso de incorporação de empresas cindidas, a compensação integral do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL é permitida, isto é, não incide o limite de 30% estabelecido pela Lei nº 9.065, de 1995. O entendimento majoritário do Colegiado, entretanto, dirigiuse em outro sentido. Não se trata exatamente de explicar, ainda que por meio de fundamentos jurídicos, a JUSTIÇA do pleito, mas, sim, de buscar na legislação de regência autorização para que o limite imposto seja simplesmente desconsiderado. Nessa linha, entendeu a Turma Julgadora, pelo voto de qualidade, que não existe amparo na legislação para que o contribuinte, na circunstância versada nos autos, compense de forma integral os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas. Têmse, pois, que, tratandose de declaração final decorrente de extinção provocada por processo de reorganização societária, em virtude da absoluta ausência de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acima do limite de 30% estabelecido pelos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, verbis: ... Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 557 19 Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. Perscrutandose a legislação tributária acerca da aplicação do limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais (e de bases negativas), verificase que, por expressa determinação legal, tal limite não é aplicável aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividade rural, quando compensados com o lucro real da mesma atividade, bem como aos apurados pela empresa industrial titular de Programas Especiais de Exportação aprovados até 03 de junho de 1993 pela Befiex, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981, de 1995, na redação dada pela Lei nº 9.065, também de 1995. Não se identifica, portanto, (e nem a Recorrente aponta) disposição de lei capaz de recepcionar a pretensão deduzida na peça de defesa. Cumpre lembrar, também, que na conceituação de LUCRO REAL a lei é taxativa no sentido de que as compensações devem estar prescritas ou autorizadas pela legislação tributária, senão vejamos: DECRETO LEI Nº 1.598/77 Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. Não é demais lembrar que, em seara administrativa, a leitura do princípio da legalidade revestese de especificidade, qual seja, o aplicador só está autorizado a fazer aquilo que a lei lhe autoriza, por mais justa que seja a pretensão do administrado. Assim, por entender que não existe dispositivo de lei autorizando a compensação nos termos pretendido pela Recorrente, decidiu o Colegiado negarlhe provimento ao recurso em relação a essa matéria. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator designado Fl. 560DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000211/200892 Acórdão n.º 1301001.410 S1C3T1 Fl. 558 20 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Numero do processo: 10932.000303/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 26/06/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que nega provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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FATOS GERADORES Recorrente INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PINÇAS GRASSI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/06/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 03 /2 00 7- 40 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que nega provimento. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000303/200740 Acórdão n.º 2402004.443 S2C4T2 Fl. 197 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada em 28/06/2007 pelo descumprimento da obrigação acessória que consiste em deixar de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos no período de 01/02/2000 a 31/01/2007. Seguem transcrições de alguns trechos do relatório fiscal que melhor sintetizam os fatos e a lide: Relatório Fiscal Nas GFIPs apresentadas pela empresa nas competências discriminadas no anexo, esta deixou de informar ou declarar parte dos valores pagos a título de salários aos seus empregados e pro labore aos sócios, considerados salário de contribuição, infringindo o art. 32, inc. IV, parágrafo S. da Lei 8.212191, com redação dada pela Lei n. 9.528/97 Não constam Autos de Infração lavrados contra a empresa, em ações fiscais anteriores e nem a ocorrência de outras circunstancias agravantes. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar a autuação procedente em parte excluindose valores relativos aos fatos corrigidos pelo recorrente. Segue transcrição da ementa do acórdão recorrido: DEIXAR A EMPRESA DE INFORMAR CORRETAMENTE POR INTERMÉDIO DE DOCUMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP' S Guias de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social com dados inexatos relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA. A multa será relevada nas competências 13 0/04; 05 e 06/05;11,12 e 13°/05; 01 a 05/06;09 e 10/06 e 13°706 e 01/07, posto que, a empresa corrigiu integralmente a falta cometida nas ocorrências específicas, dentro do prazo de defesa, é primária e ausente as circunstâncias agravantes. ... Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: Por Preliminar — Que os fatos geradores foram supostamente praticados a partir de fevereiro de 2000, no entanto em que pese o disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91, tal instituto não se Fl. 198DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 harmoniza com a ordem constitucional que vigora. Entende aplicável ao crédito em exame a prescrição qüinqüenal do artigo 173 do CTN. Sendo o valor pretendido oriundo de créditos decaídos pretende a declaração de nulidade do lançamento. Do mérito — Que as GFIP'S tidas como incorretas pela fiscalização foram efetivamente retificadas como fazem prova os protocolos de envio ora juntados.Invocando o §10 do artigo 291 do Decreto 3.048/99 solicita a relevação da multa aplicada. Assim solicita a relevação da multa e subsidiariamente o reconhecimento da prescrição de parte da multa vez que prescritos os fatos geradores. Referese, ainda, aos documentos anexados ao processo administrativo,concluindo pela sua improcedência e insubsistência sustentando a tempestividade da Impugnação e requerendo a sua acolhida. Documentos apensados aos autos, às folhas 21/64 pelo Impugnante: documento pessoal do representante legal da empresa, a via recebida pelo contribuinte da presente autuação com todos os anexos inclusive com o Relatório Fiscal Complementar e protocolos de envio de arquivos conectividade social da GFIP' S do período de 11/03 a 10/06, não contínuos. ... Da Segunda Impugnação O Impugnante entende que reabertura de prazo se deu porque uma parte das competências corrigidas no curso da fiscalização foi reduzida em 50%, assim espera a relevação em sua integralidade.' Argumenta ainda, que os créditos entre fevereiro de 2000 e maio de 2002 estão prescritos, por força do que disciplina o artigo 173 do CTN, sendo assim seus efeitos se estendem às obrigações acessórias. Em função da prejudicialidade para o julgamento, foram buscados os processos relativos às obrigações principais coincidentes com os fatos geradores omitidos. A partir da diligência e pesquisas no eprocesso constatase que os processos principais foram objeto de confissão de dívida e quitação por parcelamento especial. É o Relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000303/200740 Acórdão n.º 2402004.443 S2C4T2 Fl. 198 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 200DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000303/200740 Acórdão n.º 2402004.443 S2C4T2 Fl. 199 7 Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. ... Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. ... Fl. 202DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase que se trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória, portanto lançamento de ofício, daí deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Assim, considerada a ciência do lançamento em 26/06/2007 estão alcançados pela decadência os valores referentes aos meses 02/2000 a 11/2001. No mérito Os fatos geradores considerados omitidos da GFIP foram após a fiscalização reconhecidos e confessados para fins de parcelamento especial. Assim, a discussão sobre a incidência ou não de contribuições previdenciária cessou com a confissão do recorrente. Multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000303/200740 Acórdão n.º 2402004.443 S2C4T2 Fl. 200 9 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000303/200740 Acórdão n.º 2402004.443 S2C4T2 Fl. 201 11 Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000303/200740 Acórdão n.º 2402004.443 S2C4T2 Fl. 202 13 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000303/200740 Acórdão n.º 2402004.443 S2C4T2 Fl. 203 15 Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso nos termos do parágrafo anterior, retroatividade benéfica, e quanto à decadência parcial do crédito. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10983.903701/2009-86
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 37 01 /2 00 9- 86 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas nos autos. Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da DRJ em Florianópolis/SC: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual argúi, em síntese, o seguinte: O art. 74 da Lei n° 9.430/96, com suas posteriores alterações, confere ao sujeito passivo o direito de se efetuar a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF; O rol taxativo previsto no § 3° do art. 74 da referida lei, à época dos fatos (04/01/2005), não trazia em seus incisos a limitação específica ao direito de compensar sustentada pela autoridade fiscalizadora, levando à inevitável conclusão de que a compensação realizada é legítima e pertinente, devendo, desta feita, ser homologada pelo agente público em atenção à vinculação dos atos administrativos; Ao não homologar a compensação realizada, deveria a autoridade administrativa especificar diretamente a norma legal desrespeitada, não servindo para tanto normas secundárias regulamentares (IN 600/05), as quais não se prestam a criar obrigações ou impor limitações aos contribuintes; A lei em vigor tem efeito imediato e geral (Lei de Introdução ao Código Civil, art. 6 º), o que mostra que a norma jurídica, em regra, projeta sua eficácia para o futuro. Isso não impede que, em certas situações, possa a lei reportarse a fatos pretéritos, dandolhes efeitos jurídicos, ou modificando os efeitos jurídicos que decorreriam da aplicação, àqueles fatos, da lei vigente à época de sua ocorrência; Por conseqüência lógica do que acima foi expendido, no presente caso, tem se que a homologação objeto de discussão ocorreu no dia 04/01/2005, portanto, não estando sujeita à aplicação da Instrução Normativa n° 600/2005, publicada em Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10983.903701/200986 Acórdão n.º 1801002.229 S1TE01 Fl. 3 3 30/12/2005, ficando, pois a recorrente afastada de sua observância, sendolhe aplicada a norma imediatamente anterior; Assim sendo, a motivação dada pelo respeitável auditor encontrase equivocada, dando ensejo imediato à reconsideração do despacho decisório exarado, para readequação da fundamentação legal apresentada; Com o advento da Lei n° 10.833/03, que incluiu o § 11 ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, a apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito (tem efeito suspensivo). Desta feita, impõese a aplicação desta norma ao caso concreto ora em discussão. A Turma Julgadora de 1a. Instância adotou o mesmo entendimento do órgão de jurisdição da recorrente, no sentido de que não seria possível a compensação de débitos com direito creditório a título de recolhimentos por estimativa. Cientificada da decisão, em 05/08/2011, apresentou a interessada em 06/09/2011, recurso voluntário, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No mérito observase que o órgão de jurisdição da recorrente, acompanhado pela Turma Julgadora de 1a. instância, indeferiu o pleito ao argumento de que não pode haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário a gerar um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi superada neste órgão de julgamento como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se a recorrente comprovar, perante o órgão de sua jurisdição, que o valor efetivamente pago o foi de forma indevida, ou em valor superior ao devido, seja com base na Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Mas ressalto. Tal possibilidade somente abarca a hipótese de erro, na apuração ou no recolhimento, com base na receita bruta ou com base em balanço/balancete de suspensão, de acordo com a opção da recorrente exercida à época da apuração da estimativa. No presente caso, a contribuinte afirma ter efetuado o recolhimento de estimativa de CSLL do mês de fevereiro de 2005, indevidamente ou em valor maior que o devido. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante o órgão de jurisdição, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. Em virtude de o mérito da decisão daquele órgão ter sido a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não nos permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade da DRF em Florianópolis/SC centrou sua decisão na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela DRF em Florianópolis/SC, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de um novo despacho decisório quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser permitida a apresentação de manifestação de inconformidade junto à DRJ de sua jurisdição, e, caso a referida decisão lhe seja desfavorável e em respeito ao duplo grau de jurisdição, a apresentação de novo recurso voluntário, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação em todas as instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pelo órgão de jurisdição da recorrente, com o conseqüente retorno dos autos àquela autoridade, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10983.903701/200986 Acórdão n.º 1801002.229 S1TE01 Fl. 4 5 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13847.000120/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos mediante a prolação de um novo acórdão.
Embargos Acolhidos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-003.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão nº 2102-02.685, de 17/09/2013, sem alteração do resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos mediante a prolação de um novo acórdão. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão nº 2102-02.685, de 17/09/2013, sem alteração do resultado do julgamento. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 83 1 82 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13847.000120/200943 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.206 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria Embargo de Declaração Recorrente OSWALDO FERNANDES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos mediante a prolação de um novo acórdão. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão nº 210202.685, de 17/09/2013, sem alteração do resultado do julgamento. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 7. 00 01 20 /2 00 9- 43 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional, através dos Embargos de Declaração às fls. 78/80, se reporta à obscuridade no Acórdão nº 210202.685, proferido em 17/09/2013, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. No voto condutor do Acórdão embargado consta que resta em litígio a questão da dedutibilidade de pensão alimentícia no valor de R$33.656,14 (trinta e seis mil seiscentos e cinqüenta e seis reais e quatorze centavos), conforme mostram os recibos de fls. 21 a 23. Contudo, a soma dos recibos citados no próprio voto resumemse a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Ao final, requer o saneamento do vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. Nos termos do artigo 67 c/c 76 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão. Desta forma, com suporte nos artigos 65 e 66 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 e alterações posteriores, acolho os embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para saneamento do vício apontado. É evidente a obscuridade indicada nos embargos, pois o voto condutor do acórdão embargado informa que resta em litígio a questão da dedutibilidade de pensão alimentícia no valor de R$33.656,14, conforme mostram os recibos de fls.21 a 23. Ocorre que a soma dos referidos recibos perfazem o total de R$20.000,00. Conforme Descrição dos Fatos da Notificação de Lançamento (fls. 15) foi realizada a glosa de R$20.000,00, razão pela qual foi dado provimento integral ao recurso voluntário, vez que restabelecida integralmente a dedução realizada pelo contribuinte a título de pensão alimentícia judicial. Confirase o excerto (fl. 76): Assim sendo, entendo que o contribuinte apresentou provas que atendem diretamente a legislação regente transcrita e tem sim o direito da dedução pleiteada, suprindo os requisitos legais, pagamento das pensões sob tutela judicial. Pelo exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso, para que seja aceita a dedução de R$20.000,00 a título de pensão alimentícia. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13847.000120/200943 Acórdão n.º 2102003.206 S2C1T2 Fl. 84 3 Em face ao exposto, acolho os embargos, para rerratificar o Acórdão nº 2102 02.685, de 17/09/2013, sem alteração do resultado do julgamento. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13873.000086/99-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/10/1995 a 31/12/1995
NORMAS PROCESSUAIS. REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Para que seja admitido o especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, além da tempestividade, faz-se necessário que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas seja específica. Tratando o dissídio sobre matérias diferenciadas, não deve ser aberta a via especial, na parte em que não se comprove o dissídio jurisprudencial.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Para que seja admitido o especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, além da tempestividade, fazse necessário que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas seja específica. Tratando o dissídio sobre matérias diferenciadas, não deve ser aberta a via especial, na parte em que não se comprove o dissídio jurisprudencial. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 00 86 /9 9- 93 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 609 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Tratase de auto de infração cuja notificação ocorreu em 08/10/1999, por meio do qual se exige da contribuinte a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativa aos fatos geradores de 10/95 a 12/95, com a aplicação de multa qualificada de 150% (fls. 2/4). O auto de infração descreveu que determinadas notas fiscais "foram emitidas sob o código de operação 7.11, como destinadas ao exterior. No entanto, como descrito na folha de continuação do Auto de Infração objeto do processo n° 10907000888/9708, fl. 22, e documentos que o instruem, confirmado pela Decisão n. 212/98, fls. 42 a 49, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CuritibaPr., o contribuinte não promoveu a exportação dos produtos" (fl. 2). O AuditorFiscal cuidou de trazer para os presentes autos não apenas o auto de infração relativo ao Processo Administrativo n2 10907000888/9708, em que houve o lançamento de IPI quanto ao mesmo período, mas trouxe também cópia das notas fiscais e dos documentos que demonstram que a mercadoria não foi exportada, além do acórdão proferido pela DRJ naquele caso. Por bem descrever os fatos, transcrevo o seguinte trecho do relatório constante da decisão recorrida (fls. 167/179): "O lançamento decorreu do fato de o estabelecimento industrial ter simulado exportações de cerveja para o Chile. Conforme se depreende dos documentos acostados, o estabelecimento industrial em epígrafe fora anteriormente autuado pela Inspetoria da Receita Federal em Paranaguá, relativamente ao Imposto Sobre Produtos Industrializados, sob a acusação de ter efetuado exportações fictícias de cerveja. Ou seja, as notas fiscais (fls. 50/97), seriam destinadas a uma empresa importadora chilena, mas a cerveja, em verdade, teria sido distribuída no mercado interno com supressão do recolhimento de tributos. O lançamento de IPI está albergado nos autos n°10907.000888/9708, cujas peças foram anexadas por cópia às fls. 17/48 (auto de infração, impugnação e decisão da DRJ/Curitiba). Intimado pela DRF/Bauru a comprovar o recolhimento das contribuições sociais correspondentes àquelas operações, o estabelecimento informou que não efetuara o recolhimento em razão da natureza das mesmas (fl. 09). Fl. 609DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 610 3 Os autos estão instruídos com documentos colhidos em diligências procedidas pela Inspetoria de Paranaguá, dando conta de que os despachos de importação indicados às fl. 19, não foram faturados pelos despachantes, em razão da cerveja não ter sido embarcada nas datas e nos navios onde deveria ter embarcado (fls. 10/16). Regularmente notificado do lançamento em 08/04/1999, apresentou a impugnação de fls. 100/118 em 07/05/1999, instruída com os documentos de fls. 120/163 e com a procuração de fl. 119, onde nomeou seus procuradores os advogados Jorge Luiz Batista Pinto e João Antônio Calsolari Pontes. Alegou em preliminar que a autuação é antijurídica, abusiva, injusta e arbitrária, tendo em vista que é originária do procedimento administrativo n° 10907.000888/9708, que está eivado de nulidade, uma vez que lhe teria sido negado o direito ao contraditório, em face da inexistência de análise pelo fisco dos documentos em poder do estabelecimento. Assim, a presente autuação teria herdado todos os vícios do procedimento anterior. Entende que não poderia ter sido autuada à distância, conforme ocorrera naquele processo, pois o fisco deveria ter desenvolvido o procedimento no seu estabelecimento, notificandoa de todas as fases a fim de que pudesse apresentar os documentos em seu poder para análise. Todas as provas da lisura das operações estavam à disposição da fiscalização no estabelecimento, as quais foram juntadas àqueles autos com a impugnação. Por todas essas razões, e levando em conta que o processo originário ainda não foi definitivamente julgado pelo Conselho de Contribuintes, o presente auto de infração não tem condições de prosperar, já que o ato no qual se funda ainda não se constituiu num título líquido e certo, hábil a dar suporte à presente autuação. Ainda em preliminar, impugnou a inflição da multa por infração qualificada, pois além de 'não estar em sintonia com a verdade dos fatos', o agravamento teria sido indevido, já que fundamentado nos mesmos fatos do processo originário, que ainda não tem decisão definitiva. Considera que se o agravamento for julgado improcedente naquele processo, significará que os documentos que o instruem são plenos e capazes de afastar todo e qualquer dolo imputado à empresa. Deixou consignado que, quando da confecção do presente lançamento os exatores desconsideraram e não analisaram a veracidade dos comprovantes de exportação que a empresa possui e que ora requer sua juntada aos autos. Impugnou a exigência dos juros de mora na forma posta no lançamento, pois a taxa Selic é muito superior a qualquer outro índice de correção e já teria sido abolida tanto pelo Judiciário, como pelo Conselho de Contribuintes. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 611 4 No mérito, alegou que o auto de infração não possui fundamento legal para prosperar, porquanto os documentos fiscais juntados com a impugnação, demonstram que os produtos foram destinados ao mercado externo, obedecendo rigorosamente a formalização fiscal tributária dessas exportações.' Como as vendas foram efetivadas sob a cláusula FOR, toda e qualquer despesa relativa a essas verbas corre por conta do adquirente, que é quem contratou o frete, o carreto, a armazenagem, o agente marítimo e etc., incluindose aí os impostos incidentes sobre a exportação. Colacionou excerto de doutrina para corroborar a sua tese e requereu a juntada de documentos para comprovar as vendas sob aquela cláusula, os quais estariam anexos à impugnação. Informou que a responsabilidade da empresa cessara no momento em que a mercadoria fora colocada nos caminhões, pois a cláusula FOB a isenta de toda e qualquer responsabilidade para com o fisco, principalmente no que tange ao imposto ora guerreado, cabendolhe tão somente fazer prova da efetiva exportação da mercadoria, tendo em vista que fiscalizar cabe ao fisco e não ao contribuinte.' Acrescentou que os documentos emitidos pela própria Receita Federal, juntados com a impugnação (fls. 135/163), comprovam que as exportações foram realizadas, não havendo como imputarlhe a prática de crime contra a ordem tributária e que, tampouco, existe base legal para que o fisco a obrigue ao lançamento e recolhimento de imposto que não é devido na forma da lei. Reprisou as alegações de que o auto de infração está baseado no equívoco de que não possui documentos que comprovam as exportações e que este procedimento é oriundo de outro que apresenta vícios e irregularidades, que se encontra em grau de recurso voluntário na segunda instância administrativa. Colacionou ementas de dois acórdãos do Conselho de Contribuintes dando provimento a recursos voluntários. No primeiro, ao que tudo indica, a fiscalização não lograra demonstrar ocorrência do fato gerador e a destinação diversa da legalmente prevista. No segundo, a empresa lograra demonstrar que o desvio ocorrera por circunstância alheias à sua vontade (roubo da mercadoria). Referenciou também ementas de três acórdãos do Tribunal de Impostos e Taxas do estado de São Paulo, os quais se referem a exportações efetuadas por empresas comerciais exportadoras. Reprisou que não existem as irregularidades apontadas pelo fisco, que possui a documentação comprobatória emitida pela própria Receita. Acrescentou que se a impugnação não for deferida, ficará à mercê de uma interpretação equivocada que lhe dificultará a venda para o mercado externo, o que poderá causar a sua falência. Reiterou a improcedência do principal e dos acessórios e requereu: a)o cancelamento do auto de infração; b) a retirada da Fl. 611DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 612 5 empresa do cadastro de inadimplentes; c) a não inscrição do débito na dívida ativa; d) a produção de provas por todos os meios admitidos, depoimentos de testemunhas, perícias e etc. Com o despacho de fl. 166, ascenderam os autos a julgamento." A DRJ em Ribeirão Preto SP negou provimento à impugnação e manteve o lançamento, conforme sintetizado na ementa da Decisão nº 1.029, de 23 de junho de 1999 (fls. 167/179): "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1995 Ementa: PERÍCIA. Desconsiderase o pedido de perícia que desatenda aos requisitos legais. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A instrução processual é concentrada no momento da impugnação. NULIDADE. A ausência de contraditório antes da formalização do lançamento não anula o ato. DÍVIDA ATIVA E CADASTRO DE INADIMPLENTES. A inscrição em dívida ativa e o eventual lançamento do contribuinte no cadastro de inadimplentes, só pode ocorrer na hipótese de não pagamento, posteriormente ao advento de decisão definitiva e desfavorável à empresa. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÕES. Os conhecimentos de embarque consignando a data do embarque da mercadoria são os documentos hábeis para comprovar a exportação, sendo insubstituíveis pelas telas do Siscomex. MULTA Configurada a sonegação e demonstrado o evidente intuito defraude é cabível a inflição da multa qualificada. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. Estando o ilícito tributário descrito em norma penal incriminadora, é cabível a imputação de crime contra a ordem tributária. JUROS DE MORA. É cabível a exigência de juros de mora da forma estabelecida em lei. LANÇAMENTO PROCEDENTE". A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 187/216), no qual praticamente reitera os argumentos apresentados na impugnação, em especial reforçando, em preliminar: (i)a nulidade por cerceamento ao seu direito de defesa, porque não teria sido oportunizado o contraditório na confecção do auto de infração que deu origem ao processo administrativo, bem como Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 613 6 por não ter sido deferida a produção de perícia; (ii) que "o procedimento legal de exportação foi efetivamente cumprido"; (iii) a ilegalidade da aplicação da multa qualificada, pois foi aplicada apenas porque também havia sido aplicada no auto de infração de IPI, sem qualquer fundamentação especifica para este caso; (iv) a ausência da preclusão do direito de juntar novos documentos; e (v) a ilegalidade da taxa Selic, "por não exprimir a inflação do período, pois é superior a qualquer outro índice de correção existente". No mérito, reiterou que sua responsabilidade "termina, no exato momento em que as mercadorias foram colocadas nos caminhões, e seguiram para seus destinos", alegando ainda que os documentos apresentados com a impugnação fariam prova da efetiva exportação das mercadorias. Em razão da falta de apresentação da garantia recursal, esta Segunda Câmara do Segundo Conselho negou conhecimento ao recurso por meio do Acórdão nº 20213.799 (fl.305/310): "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O recurso voluntário interposto com amparo em medida judicial provisória que obrigava a recorrente de instruílo com o comprovante do depósito de 30% do crédito tributário mantido pela decisão fustigada não deve ser conhecido quando denegado o arrimo jurisdicional." Dessa decisão, foram opostos embargos de declaração (fls. 320/323), os quais foram rejeitados pelo Relator e Presidente (fls. 341/342). Agora o contribuinte peticionou pugnando, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade da garantia recursal pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 547.451, que fossem devolvidos os autos para este Conselho para o devido julgamento do mérito do Recurso Voluntário (fl. 387). Julgando o feito, o Colegiado recorrido negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. O procedimento de fiscalização não se confunde com o processo administrativo fiscal. O primeiro tem caráter apuratório e prece e a formalização do lançamento, enquanto o segundo somente e inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. s garantias do contraditório e da ampla defesa são próprias o processo administrativo fiscal. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 614 7 PERÍCIA. Considerase inexistente o pedido de perícia formulado m desacordo com as formalidades previstas no Decreto n2 70.235/72. COFINS. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. Tendo sido demonstrado que as mercadorias não foram exportadas, é devido o lançamento da Contribuição sobre a receita respectiva. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. Tendo sido evidenciado o intuito de fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE. É legítima a aplicação da taxa Selic ao ativo fiscal, nos termo do art. 13 da Lei nº 9.065/95. A administração tributária deve observar a presunção de constitucionalidade da lei, o que impõe a aplicação do referido índice. Recurso negado. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso especial contra o acórdão que negou provimento ao seu recurso voluntário. Nesse apelo são reeditadas, em síntese, as razões apresentadas no Recurso voluntário e volta a postular o cancelamento do lançamento fiscal. O apelo do sujeito passivo foi parcialmente admitido pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, mais precisamente quanto à qualificação da multa de ofício, conforme despacho de exame de admissibilidade, fls. 590 a 592, e de reexame de admissibilidade, fl. 596. Contrarrazões vieram às fls. 599 a 604. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo, mas não deve ser admitido por lhe faltar um dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o da divergência jurisprudencial, conforme demonstrarseá linhas abaixo. Analisando as razões que levaram o Colegiado recorrido a manter o lançamento fiscal, vêse que os julgadores a quo entenderam que: Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 615 8 Foi demonstrado que a contribuinte promovia sistematicamente tais operações, em que se simulavam operações formais de exportação, quando na verdade estas mercadorias não eram exportadas, o que evidencia o intuito de fraude justificador da multa majorada.” Deste modo, é correta a exigência da Contribuição sobre a receita das saídas das mercadorias, pois não foram exportadas, e também deve ser mantida a aplicação da multa majorada, tendo em vista tratarse de conduta reiterada, envolvendo simulação e revelando o intuito de fraude. Para melhor esclarecimento das razões adotadas pela Câmara recorrida, transcrevese excerto do voto condutor do acórdão vergastado: No mérito, melhor sorte não merecem os argumentos de defesa, pois as imputações fiscais encontramse todas comprovadas nos autos, não trazendo a reclamante provas ou argumentos consistentes para infirmálas. O conjunto probatório acostado aos autos não deixa margem à dúvida, de fato, a autuada utilizouse de um grande esquema montado com a colaboração de empresas laranjas, fornecedoras de notas fiscais frias, como a Comercial Nova Era, e de testasdeferro da cervejaria, como o Sr. Moacir Carraro – para simular operações de exportações e, na prática, comercializar as "mercadorias exportadas" no território nacional. Esse esquema foi muito bem documentado no processo principal, referente ao auto de infração de IPI e primorosamente resumido no decisum de primeira instância daquele processo. A decisão monocrática enfrentou item por item os argumentos da recorrente e os rebateu, um a um, com argumentos sólidos calcados na legislação e nas provas dos autos, demonstrando, insofismavelmente, não merecerem eles acolhida." (acórdão 20216.162, j. 23/02/2005) Da mesma forma no presente caso, foi demonstrado que as mercadorias não foram exportadas. O auto de infração explicou que as notas fiscais "foram emitidas sob o código de operação 7.11, como destinadas ao exterior. No entanto, como descrito na folha de continuação do Auto de Infração objeto do Processo nº 10907000888/9708, fl. 22, e documentos que o instrui, confirmado pela Decisão nº 212/98, fls. 42 a 49, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR, o contribuinte não promoveu a exportação dos produtos" (fl. 2). Também se cuidou de trazer para os presentes autos não apenas o auto de infração relativo ao Processo Administrativo nº 10907000888/9708, em que houve o lançamento de IPI quanto ao mesmo período, como também a cópia das notas fiscais e dos documentos que demonstram que a mercadoria não foi exportada, além do acórdão proferido pela DRJ naquele outro caso. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 616 9 De outro lado, os paradigmas trazidos para comprovar a divergência não tratam da mesma situação fática destes autos, Senão vejamos. O Acórdão nº 10806.434, fls. 467 a 471, trata de lançamento de IRPJ, referente à omissão de receita decorrente de depósitos efetuados em conta bancária. O Colegiado, ao examinar a questão, anotou que: A fiscalização constatou diversos lançamentos a crédito da mencionada conta, com contrapartida na conta Bancos, referentes, em sua maioria, a depósitos efetuados no Banco Safra S/A. Intimada a demonstrar e justificar a origem dos valores lançados (Termo de Intimação às fls. 12/13), a autuada responde que houve um equívoco operacional, pois os lançamentos deveriam ter sido efetuados na conta corrente de mútuo mantido entre a sociedade e o diretor presidente. Acrescenta que os créditos referemse a devolução de retiradas efetuadas anteriormente. No Relatório de Atividade Fiscal que descreve as infrações apuradas, os autuantes relatam o fato, sem qualquer comentário ou justificativa para o lançamento da multa de 150%. Como bem salientou a d. autoridade julgadora a quo, é pacifico na doutrina e na jurisprudência que a aplicação da penalidade agravada demanda, necessariamente à caracterização, nos autos, do elemento objetivo que a justifica, ou seja, o evidente, intuito de fraude. Compete ao fisco trazer aos autos a prova irrefutável da presença do dolo, do comportamento intencional com o intuito de fraudar. Esta prova não: foi produzida. Aliás, nem sequer justificam os autuantes a razão de terem entendido presente tal comportamento. Cotejando o acórdão recorrido com o paradigma, verificase que não tratam de situação fática semelhantes, no primeiro, o Colegiado consignou que as provas carreadas aos autos demonstraram indubitavelmente a fraude na exportação, e que a conduta reiterada, envolvendo simulação, revelava o intuito de fraude, já no paradigma, os conselheiros entenderam que o Fisco não se incumbiu de trazer as auto a prova irrefutável da presença do dolo, do comportamento intencional com o intuito de fraudar. Esta prova não teria sido produzida, no entender desse colegiado. Do cotejo acima, percebese, sem qualquer esforço elucubrativo, que as situações em nada são assemelhadas, o que, por si só, afasta a admissibilidade do recurso. Melhor sorte não assiste à recorrente, no tocante ao segundo paradigma (Acórdão 30329.156) trazido para justificar a desqualificação da multa, pois a matéria tratada no mencionado acórdão referese à multa do art. 532 do RA, que tem natureza eminentemente cambial, e, nas palavras dos julgadores que prolataram o acórdão: Podese considerar, portanto, que a fraude a que alude o artigo 532 do RA, tem natureza eminentemente cambial, e não fiscal. As infrações por ele apenadas não estão relacionadas com o pagamento de tributos, mas sim com os prejuízos cambiais advindos de divergências quanto a qualidade e, consequentemente, quanto ao preço do produtos. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 617 10 O mero equívoco quanto à classificação do produto exportado não pode ser tratado como prova de fraude, mormente o fato de que não está relacionado com ó balanço. de divisas. Assim sendo, por não se confundir o sentido da expressão "classificação"; utilizada pela Lei 5.025/66, base legal da penalidade do artigo 532, I do RA, com a classificação fiscal de mercadorias, a parte da fundamentação baseada no enquadramento tarifário, usado pela fiscalização para caracterizar a fraude na exportação, fica prejudicada. Com relação a fraude cambial, esta cai por terra no momento em que o DECEX informa às fls. 75 que não houve prejuízo cambial para o país, uma vez que à época o preço praticado pela empresa era compatível com o produto efetivamente embarcado. Aqui, também, não há similitude fática entre a situação tratada no acórdão recorrido, com a versada nesse paradigma. Finalmente, o terceiro e último acórdão (20217.702) trazido para comprovar a divergência, indiscutivelmente, não socorre a recorrente, pois a situação nele tratada não serve de comparação com a enfrentada no acórdão recorrido, pois a decisão da Segunda Câmara do Segundo Conselho foi no sentido de afastar a multa prevista no art. 365, II, do RIPI/82, vez que, no entender daquele colegiado: O elemento nuclear da infração da espécie é a emissão de nota fiscal, que não corresponda à saída efetiva de produto nela descrito do estabelecimento emitente, daí que não tipifica a infração quando a inidoneidade imputada é tãosomente em face do destino/destinatário designado na nota fiscal. Nesse julgado, os julgadores entenderam que: "Esse dispositivo legal, portanto, é aplicável sem prejuízo de, outras sanções administrativas ou penais; no que se refere à saída efetiva dos produtos, é de se esclarecer que as notas fiscais, discriminadas às fls. 02/03, foram emitidas com a finalidade de exportação, que não se concretizou, conforme comprovado nos autos, ou seja, não houve saída efetiva dos produtos para o exterior, diante de tais fatos concluise que as mercadorias foram consumidas no mercado interno e sem emissão da respectiva nota fiscal, o que justifica a imposição da penalidade." (subscritei), Enfim, se os produtos descritos nas notas fiscais autuadas não foram exportados, foram consumidos no mercado interno e sem emissão das respectivas notas fiscais. Ora, "consumir mercadoria no mercado interno sem emissão da respectiva nota, fiscal" nada tem a ver com o tipo da infração prevista na 1ª parte do inciso II do art. 365 do RIPJ/82: "Art. 365 – Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na Nota Fiscal, respectivamente: Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13873.000086/9993 Acórdão n.º 9303003.132 CSRFT3 Fl. 618 11 I – (...); II – os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, p estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e DecretoLei n° 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); Parágrafo único. No caso do inciso I, a imposição da pena não prejudica a que é aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e, no caso do inciso II, independe da que é cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto em razão da utilização da nota (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, § 1º.” (subscritei) Da parte subscrita deste dispositivo, observase que a infração ali prevista é justamente "emitir, fora dos casos permitidos no Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente". Portanto, no consumir mercadoria no mercado interno sem emissão da respectiva nota fiscal, está ausente o elemento nuclear da infração em comento, ou seja, como se diz no jargão do Direito Penal, falta a materialidade, no caso, a nota fiscal. Como se pode ver, as situações tratadas no paradigma e no acórdão recorrido são distintas, inclusive, a natureza das multas e a legislação que as regem são totalmente diferentes. Diante do exposto, entendo que não merece o apelo do sujeito passivo ser admitido, também, nesta parte. Assim, voto no sentido de não conhecer do recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13766.720334/2013-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Mauricio Macedo Curi.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Mauricio Macedo Curi. Relatório e Voto Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 42): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2013 ISENÇÃO. DEFICIENTE MENTAL. REQUISITOS. O benefício da isenção do IPI na aquisição de veículo por portador de deficiência mental só alcança aquele que, segundo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 66 .7 20 33 4/ 20 13 -1 6 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13766.720334/201316 Resolução nº 3802000.320 S3TE02 Fl. 55 2 atestado em laudo médico que atende os requisitos normativos, apresente a deficiência nos níveis severo/grave ou profundo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Exercício: 2013 ISENÇÃO. DEFICIENTE MENTAL. IMPOSSIBILIDADE. A isenção do IOF é destinada a pessoas portadoras de deficiência física, cujo laudo de perícia médica especifique o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais e que possuam habilitação para dirigir veículos com adaptações especiais, não se aplicando aos portadores de deficiência mental. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. A aplicabilidade da isenção foi indeferida pelo despacho decisório de fls. 2326, que, por sua vez, recebeu a seguinte fundamentação: “Ementa: Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, quando adquiridos por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal. Deficiência mental é o funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos, e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente. Solicitações Indeferidas” O sujeito passivo, por intermédio de seu curador, em suas razões recursais de fls. 49 e ss., sustenta que possui deficiência mental severa “que o acomete desde que o mesmo (recorrente) foi vitima de um acidente automobilístico deixando sequelas definitivas, em seu raciocínio e compreensão das coisas e das pessoas e familiares que rodeiam, e que de fato cuidam do mesmo [...]”, devidamente comprovado no laudo acostado aos autos, nos termos do que determina o Decreto n.º 3.298/1999. Alega que o fato de ser o seu curador o responsável por dirigir o veículo automotor não afastaria o gozo das isenções, porquanto a razão finalística dos benefícios legais teria sido alcançada. Afirma que é lógico que aqueles que estão acometidos de doença mental grave não possuem a capacidade de conduzir veículos, o que não deve afastar a aplicação da isenção, sob pena de afronta ao princípio da isonomia. Requer a reforma da decisão recorrida, para fins de reconhecimento da isenção. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13766.720334/201316 Resolução nº 3802000.320 S3TE02 Fl. 56 3 Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 10/01/2014 (fls. 48) e o protocolo do recurso, em 07/02/2014 (fls. 49). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Do exame dos autos, notase que, que embora o Recorrente tenha apresentado um requerimento de isenção por deficiência física (fls. 03), foi adotado o modelo de laudo de deficiência mental do Anexo X da IN RFR nº 988/2011 (fls. 14). Os profissionais médicos signatários do laudo, entretanto, descreveram a deficiência como uma “trauma crânio encefálico grave com lesão frontotemporal bilateral. Com alteração de comportamento e memória”, de sorte que não é possível saber se a mesma constitui deficiência mental ou física. Diante disso, entendese que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem intime o Interessado, por meio de seu curador qualificado nos autos, para que este esclareça, mediante laudo médico, na forma da Instrução Normativa RFB nº 988/2011, se a doença descrita tem natureza de deficiência mental ou deficiência física. Após a realização a apresentação dos esclarecimentos, os autos devem ser remetidos à Procuradoria da Fazenda Nacional para eventual manifestação no prazo legal, retornandose em seguida para julgamento. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13829.000260/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO III, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO III, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 9. 00 02 60 /2 00 7- 78 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13829.000260/200778 Acórdão n.º 2401003.760 S2C4T1 Fl. 222 3 Relatório BERTIN LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1416.557/2007, às fls. 166/178, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a contribuinte, com fulcro no artigo 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso III, do RPS, por ter deixado de apresentar os documentos e esclarecimentos/informações solicitadas pelo fisco durante a ação fiscal, muito embora devidamente intimada para tanto mediante TIAD’s, em relação ao período de 01/1997 e 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14/19, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração (obrigações acessórias), lavrado em 26/04/2007, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 119.512,33 (Cento e dezenove mil, quinhentos e doze reais e trinta e três centavos), com base nos artigos 283, inciso II, alínea “b”, c/c artigo 292, inciso IV, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 193/203, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende a contribuinte seja decretada a nulidade do feito, por entender que a ação fiscal fora desenvolvida em local diverso da sede da empresa, localizada no Município de São Paulo, Capital, inscrita no CNPJ n° 01.597.168/000199, o que maculou a competência dos fiscais autuantes em proceder o lançamento que ora se contesta. Acrescenta que o fato de o estabelecimento autuado ser o centralizador da empresa, não desloca sua sede, sobretudo quando referida centralização apenas resulta a obrigação de serem mantidos neste local a documentação suficiente integral de todos os estabelecimentos da empresa, nos termos do artigo 743 da IN SRP n° 03/2005. Defende que a sujeição passiva deverá recair sobre o estabelecimento sede da empresa representado pelo seu domicílio fiscal, in casu, localizado no Município de São Paulo, capital. Suscita, ainda, a nulidade do feito, aduzindo para tanto que o fiscal autuante não detinha competência para lavrar a presente autuação, por não estar lotado em uma Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária. Pretende seja mantido o entendimento levado a efeito pela autoridade julgadora de primeira instância, relativamente ao pretenso erro de direito incorrido pela fiscalização ao classificar a contribuinte como indústria, enquanto o correto seria na condição de agroindústria. Ainda em sede de preliminar, requer seja reconhecida a nulidade do lançamento, argumentando que a fiscalização incorreu em erro de direito, uma vez que a Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 obrigação de apresentar documentos seria aquela realizada perante o INSS ou a DRF, não aplicável mais à espécie após a edição da Lei n° 11.098/2005, que criou a Secretaria da Receita Previdenciária, órgão competente quando da lavratura da autuação. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que a contribuinte não praticou infração à legislação, eis que os dados supostamente não fornecidos a SRP têm relação com supostos fatos geradores de contribuições incidentes sobre valores de prêmios pagos pela Recorrente para os seus empregados, considerados como remunerações nos autos da NFLD n° 37.069.6956, onde a autuada demonstrou que tais verbas não podem ser caracterizadas como salário, além da necessária classificação da empresa como agroindústria. Assim, explicita que por não existir obrigação tributária de efetuar pagamento de contribuições sobre tais valores, da mesma forma, inexiste obrigação de fornecer os dados a eles relacionados para a SRP, porque isto somente seria necessário caso possuíssem a natureza de valores integrantes da base de cálculo das contribuições devidas. Contrapõese à multa aplicada, por entender não haver reincidência passível de suportar o cálculo procedido pela fiscalização ao lançar a penalidade, sobretudo em razão de os diversos Autos de Infração citados pela autoridade lançadora terem sido baixados por DN ou por liquidação, não se prestando, assim, a amparar a reincidência admitida. Aduz, ainda, que a penalidade aplicada, mesmo que procedente, não observou o limite imposto pela legislação de regência, mais precisamente artigos 283, caput, 290, inciso V, e 292, inciso IV, do Decreto n° 3.048/99, no valor de R$ 63.617,35, impondo seja estabelecida essa importância como limite da multa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13829.000260/200778 Acórdão n.º 2401003.760 S2C4T1 Fl. 223 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o presente crédito tributário fora lavrado em razão de a contribuinte deixar de apresentar à fiscalização os documentos e esclarecimentos/informações na forma solicitada pela autoridade lançadora, listados no Relatório Fiscal, relativamente ao período de 01/1997 e 12/2006, muito embora devidamente intimada para tanto, mediante TIAD’s. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada com fundamento no disposto no artigo 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente de multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso II, alínea “b”, do RPS, que assim prescrevem: “ Lei nº 8.212/91 “Art. 32. A empresa também é obrigada a: [...] III – prestar ao INSS [...] todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;” “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. “Art. 225. A empresa é também obrigada a: [...] III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;” “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: [...] II – a partir de R$ 6.361,73 nas seguintes infrações: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 [...] b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, a fiscal autuante, não se cogitando em improcedência do lançamento como pretende a recorrente. PRELIMINARES DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Em suas razões de recurso, a contribuinte basicamente pugna pela decretação da nulidade do lançamento, suscitando inúmeras pretensas incorreções no procedimento fiscal, a começar pela eleição equivocada do estabelecimento (centralizador) para desenvolvimento da ação fiscal, em detrimento do domicílio tributário da empresa, localizado no Município de São Paulo, capital. Em defesa de sua pretensão, argumenta que a centralização apenas resulta a obrigação de serem mantidos neste local a documentação suficiente integral de todos os estabelecimentos da empresa, nos termos do artigo 743 da IN SRP n° 03/2005. Ainda em sede de preliminar, requer a contribuinte seja anulado o feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram as autuações, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que o fiscal autuante não detinha competência para lavrar a presente autuação, por não estar lotado em uma Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária. Mais a mais, acrescenta que a autoridade lançadora incorreu em erro de direito ao eleger como fato gerador das contribuições previdenciárias as Notas Fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços de marketing de incentivo. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento não apresenta qualquer vício capaz de ensejar a sua nulidade, seja de natureza material ou formal, ao contrário do que sustenta a recorrente. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Relatório Fiscal da Infração”, às fls. 14/17, Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13829.000260/200778 Acórdão n.º 2401003.760 S2C4T1 Fl. 224 7 “Relatório Fiscal da Aplicação da Multa”, às fls. 18/19, e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do Auto de Infração. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores da penalidade ora aplicada, não se cogitando na nulidade do procedimento. Por outro lado, quanto ao insurgimento da contribuinte em relação ao pretenso erro de direito na eleição do dispositivo legal utilizado como lastro do lançamento, impende registrar que a recorrente simplesmente repisa os argumentos suscitados em sede de impugnação, os quais já foram devidamente rechaçados pelo julgador recorrido, razão pela qual peço vênia para transcrever excerto da decisão de primeira instância e adotar como razões de decidir, in verbis: “[...] Ambos os artigos acima são citados pela Impugnante como embasadores do eventual Erro de Direito ocorrido. No entanto, claro está nos mesmos textos legais, que a SRP foi criada com o intuito de atuar em nome do INSS e em seu interesse. Correta está a informação constante da Impugnação, de que desde a criação da SRP é a ela que a empresa deve prestar informações e apresentar os livros e documentos pertinentes. Inclusive, o Auditor Fiscal autuante, no momento da lavratura do presente A.I., encontravase lotado na SRP. E a SRP atuava em nome do INSS, não ocorrendo, portanto, nenhum Erro de Direito na presente autuação e dessa forma, não existe nenhum elemento que nos leve a concluir pela ocorrência de nulidade insanável no Auto em questão. [...]” Dessa forma, ao contrário do que sustenta a contribuinte, não se cogita em erro de direito na adoção do 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91, para fins de imputação da penalidade aplicada, tendo havido a perfeita subsunção do fato à norma vigente e correta. Por derradeiro, em relação nulidade arguida em razão de suposto equívoco na fiscalização conduzida no estabelecimento centralizador da contribuinte e não em seu domicílio tributário, além da pretensa ausência de competência para o fiscal autuante proceder ao lançamento, igualmente, a irresignação da recorrente não merece acolhimento. A rigor, como restou muito bem delineado nos autos da NFLD n° 37.069.6956, a então Secretaria da Receita Previdenciária, com esteio no artigo 127, § 2°, do Código Tributário Nacional, recusou o domicílio tributário eleito pela contribuinte, com endereço na Av. Brigadeiro Faria Lima, n° 2012 – 5o andar – Sala 01, Bairro Jardim Paulistano, São Paulo/SP, o alterando de ofício para o estabelecimento centralizador, com CNPJ n° 01.597.168/001322, localizado em Lins/SP, pertencente à circunscrição da DRP em Araçatuba/SP. Aliás, tal procedimento da então autoridade previdenciária está mais do que justificado, uma vez que os documentos fiscais, contábeis, etc, se encontravam guardados no estabelecimento centralizador, como a própria contribuinte reconhece em seu recurso voluntário, razão pela qual a fiscalização ocorrera neste estabelecimento, nos precisos termos da legislação de regência, sendo conduzida por auditor fiscal lotado na DRP de Araçatuba/SP, Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 portanto, competente para condução da ação fiscal e prática do ato do lançamento, sobretudo quando amparado por Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fl. 06. Mais a mais, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, impõese ao fiscal lavrálo quando e no local da constatação da infração, o que se vislumbra no caso dos autos. Em tempo, não procede, igualmente, a alegação de incompetência da autoridade lançadora para constituir o presente crédito previdenciário, a partir da criação da Receita Federal do Brasil, tendo em vista que tal fato somente ocorrera em 02/05/2007, primeiro dia útil do segundo mês subsequente à data da publicação da Lei n° 11.457/2007 (artigo 51 da mesma lei), após a lavratura da autuação que ora cuidamos, o que rechaça de pronto a argumentação da recorrente. Destarte, é direito da contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, que o lançamento não fora devidamente formalizado e fundamentado na legislação de regência, a partir de meras alegações infundadas e/ou desprovidas de qualquer prova. Ademais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontrase maculado por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. MÉRITO No mérito, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência em sua plenitude, aduzindo para tanto que a empresa não praticou infração à legislação, eis que os dados supostamente não fornecidos a SRP tem relação com supostos fatos geradores de contribuições incidentes sobre valores de prêmios pagos pela Recorrente para os seus empregados, considerados como remunerações nos autos da NFLD n° 37.069.6956, onde a autuada demonstrou que tais verbas não podem ser caracterizadas como salário, além da necessária classificação da empresa como agroindústria. Neste sentido, sustenta que por não existir obrigação tributária de efetuar pagamento de contribuições sobre tais valores, da mesma forma, inexiste obrigação de fornecer os dados a eles relacionados para a SRP, porque isto somente seria necessário caso possuíssem a natureza de valores integrantes da base de cálculo das contribuições devidas. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, impende frisar que, não obstante tratarse de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente aos lançamentos de obrigações principais promovidos contra a empresa, bem como a propósito de matérias alheias ao presente lançamento, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento do recurso voluntário, por trazer em seu bojo questões estranhas ao auto de infração sob análise. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais, e outras obrigações acessórias. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13829.000260/200778 Acórdão n.º 2401003.760 S2C4T1 Fl. 225 9 Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de apresentar informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, situação que se amolda ao caso sub examine. Assim, por serem independentes, os fatos ensejadores dos demais Autos de Infração/NFLD’s lavrados contra a contribuinte não guardam relação de causa e efeito com a presente autuação, sobretudo quando a infração incorrida diz respeito a não apresentação de documentos solicitados pela autoridade lançadora. Nesse sentido, inobstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte ao longo do seu arrazoado, sua pretensão não merece ser acolhida, mormente em razão de se vincular, em parte, com descumprimento de obrigações tributárias principais, estranhas ao presente caso. DA REINCIDÊNCIA E CÁLCULO DA MULTA Por fim, opõese à multa aplicada, por entender não haver reincidência passível de suportar o cálculo procedido pela fiscalização ao lançar a penalidade, sobretudo em razão de os diversos Autos de Infração citados pela autoridade lançadora terem sido baixados por DN ou por liquidação, não se prestando, assim, a amparar a reincidência admitida. Aduz, ainda, que a penalidade exigida, mesmo que procedente, não observou o limite imposto pela legislação de regência, mais precisamente artigos 283, caput, 290, inciso V, e 292, inciso IV, do Decreto n° 3.048/99, no valor de R$ 63.617,35, impondo seja estabelecida essa importância como limite da multa. Mais uma vez, em que pese o esforço da recorrente, seu insurgimento não tem o condão de rechaçar a penalidade aplicada, impondo seja mantida na forma lançada, senão vejamos. Com efeito, restou devidamente demonstrado pela autoridade julgadora recorrida que os autos de infração lavrados em face da contribuinte, os quais serviram para fins de comprovação da reincidência, foram mantidos pelas decisões de primeira instância e, posteriormente, quitados pela contribuinte, ou mesmo já diretamente pagos pela autuada, a partir da inclusão em Parcelamento, como segue: “[...] Questiona a Empresa a existência de reincidência, considerada pelo Auditor Fiscal para fins de gradação da multa aplicada. Alega que os processos lavrados em ações fiscais anteriores que embasaram a conclusão pela reincidência, relacionados no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, foram baixados por D.N. ( Decisão Notificação ) ou por liquidação, e que em função disso, nos casos de BAIXADOS POR D.N a própria autoridade administrativa considerou a penalidade indevida, não sendo a Empresa considerada infratora e nos casos de BAIXADOS POR LIQUIDAÇÃO a Empresa apenas pagou o A.I., não sendo discutido suas razões para ser considerada infratora à legislação. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Neste sentido, em consulta aos sistemas informatizados da Previdência Social, constatamos que: A.I. n° 35.373.8794 — Baixado por D.N., homologada em 27/08/2002, em decorrência de pagamento do mesmo, dentro do prazo de recurso. A.I. n° 35.373.8905 — D.N procedente em 06/09/2002, recurso não provido em 23/06/2003. Baixado por liquidação posteriormente, devido inclusão em parcelamento especial. A.I. n° 35.516.6909 — D.N. procedente em 18/03/2003. Baixado por liquidação posteriormente, em decorrência de pagamento. A.I. n° 35.516.6771 — Baixado por D.N., homologada em 14/11/2002, em decorrência de pagamento com redução do valor da multa. A.I. n° 35.373.8972 — Baixado por D.N., homologada em 22/07/2002, em decorrência de pagamento com redução do valor da multa. Como pode ser verificado acima, a Impugnante efetuou pagamento ou inclusão em parcelamento especial de todos os débitos citados pelo Auditor Fiscal, mesmo nos casos em que constam como baixados por D.N., não restando nenhuma dúvida quanto ao seu efetivo pagamento. Porém, é mister ressaltar que todos os débitos acima relacionados foram objeto de julgamento, em conformidade ao constante no art. 293, parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social — R.P.S; aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com redação A época do julgamento, e julgados procedentes, com posterior pagamento ou inclusão em parcelamento pela Empresa: [...]” Como se observa, todos os autos de infração admitidos na reincidência da contribuinte, considerados no cálculo da gradação da multa, foram julgados procedentes em decisões de primeira instância, com o respectivo pagamento posteriormente, o que representa desistência e confissão da exigência fiscal, implicando dizer que se prestavam para o fim pretendido pela fiscalização. Ou seja, nenhum auto de infração encimado fora julgado improcedente ou procedente em parte, de maneira a não fazer incidir a hipótese de gradação da multa inscrita na legislação de regência, na forma que pretende fazer crer a contribuinte. Por outro lado, no que tange ao argumento da recorrente que a penalidade deveria ser limitada ao valor de R$ 63.617,35, ainda que admitisse a reincidência arguida, igualmente, a pretensão da autuada não merece prosperar. Destarte, nos termos do artigo 102 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, as multas inseridas nas normas legais pertinentes serão objeto de reajustamento, com os mesmos índices utilizados para o reajuste dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, como segue: “Lei n° 8.212/91 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13829.000260/200778 Acórdão n.º 2401003.760 S2C4T1 Fl. 226 11 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).” “Decreto n° 3.048/99 Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.” Partindo dessas premissas, não há se falar em irregularidade no cálculo da multa, seja em face da configuração da reincidência incorrida pela contribuinte, ou mesmo por conta do valor admitido nesta empreitada, lastreado no artigo 9°, incisos V e VI, da Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, vigente à época do lançamento, devendo ser mantida a penalidade na forma lançada. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a exigência fiscal em sua plenitude, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 15758.000919/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/07/2004 a 31/12/2004
AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos.
Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes.
Numero da decisão: 3101-001.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por qualidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (relatora) Demes Brito e Luiz Roberto Domingo que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
RODRIGO MINEIRO FERNANDES
Redator designado
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, José Henrique Mauri e Demes Brito.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/07/2004 a 31/12/2004 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 09 19 /2 00 8- 83 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 4 2 ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por qualidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (relatora) Demes Brito e Luiz Roberto Domingo que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, José Henrique Mauri e Demes Brito. Relatório Por bem relatar, adotase o relatório de fls. 262 versos a 266 emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto da relatora Ana Paula Guimarães Haydt, nos seguintes termos: “Tratase dos autos de infração à legislação da Contribuição para o Financiamento da seguridade Social — COFINS e do PIS/Pasep, fls. 144/156, lavrados em 27/11/2008 contra a contribuinte acima qualificada, formalizando o crédito tributário no total de R$ 6.134.210,91, já incluídos o principal e os juros de mora calculados até 31/10/2008. O 'TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL' de fls. 140/142, traz a seguinte descrição dos fatos detectados: 1. CONTEXTO No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em epígrafe e suas prorrogações, foram desenvolvidos, junto à empresa contribuinte supra, trabalho de Fiscalização do IRPJ e eventuais reflexos no PIS, COFINS e CSLL do ano calendário de 2004. Nesta verificação foi constatada a matéria fiscal a seguir: 2 PROCEDIMENTOS ADOTADOS E VERIFICAÇÕES EFETUADAS Em 14/03/2007 demos ciência via postal (AR) ao contribuinte do Termo de Início de Fiscalização, datado de 12/03/2007, desse MPF intimandoo, dentre outros, para apresentar no prazo de 20 dias os esclarecimentos/livros/documentos nele especificados e também apresentar os comprovantes dos repasses dos recursos relativos aos produtos vendidos pelo contribuinte acima identificado e recebidos através de cartões de crédito Fl. 501DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 5 3 durante o ano de 2004, objeto da fiscalização, fornecidos pelas respectivas administradoras. Em 11/04/2007, o contribuinte compareceu tendo apresentado para nossa posterior analise documentação/livros, conforme Termo de Intimação lavrado. Durante o período da fiscalização, o contribuinte foi intimado/reintimado por várias vezes a apresentar vários esclarecimentos/documentos/livros, sendo a primeira em 11/04/07 e a ultima em 18/11/2008 e tem atendido na medida das suas possibilidades ao que lhe foi solicitado. Por vezes solicitou prorrogação de prazo, explicando as dificuldades operacionais que tinha para atender ao que lhe estávamos solicitando, devido, dentre outros, a contabilidade em 2004 ser terceirizada, o processo de contabilização na época ser riais arcaico e ao grande número de dados que lhe eram solicitados. Considerando os dados/documentos/livros/esclarecimentos, apresentados pelo contribuinte e as análises efetuadas, decidimos pela conclusão dos trabalhos de fiscalização, com base nos dados disponíveis até apresente data. Após analisarmos todo o material acima, apresentado pelo contribuinte, referentes aos valores recebidos através dos cartões de crédito, durante o ano de 2004, relativos aos serviços vendidos pelo contribuinte acima identificado, apuramos: A CVC é declarante pelo lucro real anual, levantando balancetes mensais de suspensão, ou redução do IRPJ. A empresa opera no ramo de turismo, oferecendo principalmente serviços de operacionalização de viagens e excursões que compreendem a organização, contratação e execução de programas roteiros e itinerários oferecendo pacotes de viagem, sejam eles préelaborados, que o cliente da CVC aceita como está, sejam eles montados especificamente para as necessidades do cliente. Em qualquer dos casos, a empresa vende o pacote a seu cliente e se responsabiliza por concretizálo mediante o preço acordado entre ambos. O cliente paga a CVC, nas condições acordadas, e a empresa, por sua vez compra todos os recursos necessários para a concretização dos serviços, utilizandose de sua estrutura operacional e seu poder de negociação com fornecedores, emergindo deste procedimento o conceito de venda do que se poderia chamar um "produto/serviço", composto, no caso, em sua maior parte, de uma sequência de serviços, o auferimento de receita e a incursão em seus custos correspondentes. Assim, embora o contribuinte tenha indicado a legislação sobre a qual ampara seus procedimentos, quais sejam o decreto n° 84.934, de 21/07/80 e mais recentemente o decreto 5.406, de 30/03/2005, estes diplomas legais não versa'', sobre matéria tributária e, por conseguinte, por não se encontrar excetuada na legislação de regência a entrada de recursos financeiros na empresa provenientes de sua operação enquanto entidade jurídica com fins lucrativos encaixase no conceito de faturamento definido nas leis tributárias, especialmente naquelas que regem o PIS e a COFINS, nos seus dois regimes: LEI 9.818 de 27/11/1998: (PIS E COFISN regime cumulativo) Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 6 4 § lº Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Lei 10.833 de 29/12/2003 COFINS (regime nãocumulativo) Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem: como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § lº Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Lei 10.637 de 30/12/2003 PIS (regime nãocumulativo) Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § lº Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. A CVC, em sua contabilidade, e conforme a análise efetuada sobre a documentação apresentada, reconhece como faturamento próprio apenas parte do que recebeu de seus clientes, aquilo que considera receita de intermediação, sob o argumento de que os verdadeiros donos da outra parte seriam seus fornecedores (as Cias. de aviação, hotéis, etc). No entanto, a base legal que indicou, decreto n° 84.934, de 21/07/80 e mais recentemente o decreto 5.406, de 30/03/2005, não dá respaldo para esse procedimento. Caracterizada a forma de operação da empresa e de reconhecimento de receita, resta analisar o impacto em cada um dos tributos a que está sujeita. A) IRPJ e CSLL Em principio, a forma de contabilização de receitas e custos do contribuinte não afeta o lucro sujeito ao IRPJ e CSLL, uma vez que os valores excluídos das receitas são os mesmos excluídos dos custos, nada resultando a lançar. B) PIS e COFINS Aqui, a prática contábil adotada implica em bases de cálculos indevidamente reduzidas, conforme demonstrada na planilha anexa, cujas diferenças serão objeto de lançamento através de auto de infração. Considerando que a legislação do PIS e COFINS do setor a que pertence a empresa sofreu alterações significativas no período sujeito a lançamento, abaixo segue uma análise das alterações ocorridas: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 7 5 PIS: A CVC, por força da legislação vigente, foi de janeiro de 2004 até 25/07/2004 PIS não cumulativo e a partir dai PIS cumulativo. COFINS: A CVC, por força da legislação vigente, foi em Janeiro de 2004, COFINS CUMULATIVO. De 01/02/2004 até 25/07/2004, COFINS NÃO CUMULATIVO, e a partir daí COFINS CUMULATIVO. No período em que foi NÃO CUMULATIVO PARA 0 PIS/COFINS, considerando como sendo da CVC, todos os valores das receitas recebidas dos cartões de crédito, os quais omitiu por repassálos para seus parceiros comerciais, deveríamos incluilas como receitas e excluilas da base de cálculo como custos/despesas e dessa forma o resultado do PIS e da COFINS, no regime não cumulativo, não se altera, nada resultando a lançar. No período em que foi CUMULATIVO PARA 0 PIS/COFINS, incluindo no seu faturamento os valores dessas receitas, as quais omitiu pelo fato de repassá las para seus parceiros comerciais, resulta valores a tributar conforme planilha que anexamos e que faz parte do Auto de Infração lavrado nesta data. 3. PROVIDÊNCIAS ADOTADAS Objetivando salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional estamos lavrando nesta data o Auto de Infração para a constituição do Crédito Tributário, do qual faz parte integrante este Termo de Verificação e Constatação Fiscal e planilha anexa, cujos valores serão utilizados para lançamento da COFINS e do PIS no período objeto dessa fiscalização, visando seja a cobrança dos Tributos devidos e não recolhidos, seja dos Juros de Mora e da Multa de Oficio. 4. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES A presente ação fiscal foi realizada por amostragem e com os elementos disponíveis, observandose exclusivamente o disposto no MPF retrocitado não implicando, entretanto, na inexistência de outras irregularidades, razão pela qual ressalvase o direito da Fazenda Nacional de efetuar posteriores verificações para cobrança do devido, inclusive sobre a mesma matéria/exercício, em virtude de documentos, fatos e/ou circunstancias não conhecidos/considerados nesta oportunidade. Para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo, o qual é parte integrante do Auto de Infração, lavrado nessa data para a COFINS e o PIS do anocalendário de 2004, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinadas por mini, Auditor Fiscal da Receita Federal, sendo uma via encaminhada ao contribuinte por via postal, com aviso de recebimento (AR), nos termos do artigo 23, inciso II, do Decreto número 70.235, de 06 de março de 1972. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL Tendo tomado ciência da autuação em 08/12/2008, a contribuinte interpôs, por meio de seu advogado e bastante procurador (procuração de fl. 199), em 05/01/2009, as impugnações de fls. 162/197, relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, e As fls. 211/247, dirigida à exigência de PIS/PASEP, apresentando suas razões de fato e de direito conforme se resume adiante. Discorre sobre as atividades praticadas pela empresa, afirmando que do preço do serviço cobrado de seus clientes, a parte que lhe caberia restringese a comissão devida pela intermediação entre os consumidores e a rede hoteleira, companhias aéreas etc. Defende que o que constitui receita da impugnante, ou seja, a contraprestação aos serviços por ela prestados, é contabilizado na conta destinada a "RECEITA DA EMPRESA", que Fl. 504DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 8 6 engloba o seu faturamento, ou a receita operacional da atividade por ela exercida, e demais receitas de outras naturezas, (como receita financeira, aluguéis etc.) pertencentes à empresa, integrando a base do recolhimento dos tributos federais e municipais por ela devidos. E continua: Já os valores recebidos dos clientes e destinados a outros prestadores de serviços para os quais a impugnante desempenha atividade de intermediação, tais como o valor correspondente a passagens aéreas, diárias de hotéis e receptivos, são contabilizados deforma separada, como "VALORES DE TERCEIROS" em posse transitória da impugnante. De observar que, na prestação dos serviços, a impugnante opera, ainda, de duas fornias: diretamente, ou seja, em lojas próprias; ou mediante agentes de viagens terceirizados/credenciados, hipótese em que, consoante previsão contratual, a comissão destes é por eles retida e o restante entregue à impugnante, como receita dela, operadora. Assim, por exemplo, considerando um pacote a um prego de R$ 1.000,00, a distribuição seria a seguinte: PREÇO DE VENDA = 1000 VALORES DE TERCEIROS = 750 (passagens, hotéis, etc) COMISSÃO DO AGENTE = 150 COMISSÃO DA OPERADORA =100 Já em se tratando de venda direta, processada nas lojas da impugnante, fica a operadora com a integralidade da comissão. Assevera que, apesar da matéria ter sofrido inúmeras alterações ao longo dos anos, deve a mesma ser entendida em consonância com as disposições constitucionais e os princípios que regem a tributação em nosso Pais, o que impediria a inclusão na base de cálculo da COFINS de meros ingressos, que não constituam receita da pessoa jurídica, por resultarem receita ou faturamento de terceiros. Insurgese contra o entendimento esposado pela autoridade fiscal, ao classificar sua atividade como venda do que se poderia chamar de produtoserviço, determinando que a Impugnante reconheça como receita de suas atividades não são as comissões recebidas, como também os demais valores a ela pagos por seus clientes. Alega que a interpretação dada pela fiscalização à legislação disciplinadora dos tributos geraria a cobrança sem que tenha ocorrido o respectivo fato gerador, o que ofenderia diversos princípios constitucionais. Passa a discorrer sobre o histórico das alterações relativas à legislação regente do assunto, destacando decisões do Supremo Tribunal Federal (Recursos extraordinários n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084) que declararam ser inconstitucional o parágrafo 1°, do artigo 3° da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 9 7 Questiona, então, a subsistência do lançamento, uma vez que entende que a fiscalização teria lavrado o auto considerando que, sob o regime cumulativo, a base de cálculo, tanto do PIS como da COFINS, abrangeria todos os ingressos percebidos pela pessoa jurídica, ou seja, não apenas o faturamento e as receitas próprias, assim entendidas as operacionais, advindas da exploração da atividade que constitui a finalidade social da pessoa jurídica, e de outras atividades, como receitas financeiras, de aluguéis etc mas também as receitas de terceiros, que a empresa apenas repassa a outros prestadores de serviços a quem presta intermediação, tais como companhias aéreas, hotéis, etc. Afirma que a insubsistência desse procedimento é flagrante de vez que luz da Constituição e da própria legislação ordinária, tanto no conceito de "faturamento", como no de "receita", ainda que tomados como sinônimos de "receita bruta", só podem ser incluídos os ingressos destinados a remunerar algum tipo de atividade exercida efetivamente pela própria empresa, e não aqueles que, em virtude da atividade de intermediação por ela exercida, se destinam a ser transferidos a terceiros, e, como receitas destes, ser tributados. Entende a contribuinte que tal entendimento não poderia prevalecer, uma vez que a norma explicitadora (inciso III, §2, art. 3 0 da Lei 9.718/1998) foi revogada. Em relação exclusivamente ao PIS, defende que a constitucionalização do PIS nos moldes em que foi constituído, assegura ás prestadoras de serviços o cálculo dessa contribuição à alíquota de 5% sobre o imposto de renda efetivamente devido, não podendo tal disciplina ser alterada senão por emenda constitucional. Assim, entende que toda a legislação ordinária que veio regular a contribuição seria manifestamente inconstitucional. Questiona, ainda, a Impugnante a ocorrência de violação aos arts. 195, inciso I, art. 239 e inciso I do art 150, todos da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional. Isto porque a autoridade lançadora teria adotado conceito de faturamento mais abrangente do que aquele disciplinado em leis de direito privado, mais precisamente a Lei Complementar 70 de 1991, ferindo os citados dispositivos. Explica que a referida LC 70/1991 define faturamento como "somatório dos valores das vendas de mercadorias e prestação de serviços a vista ou a prazo". 7 Sustenta que conquanto o faturamento seja uma espécie de receita, a reciproca não é verdadeira. Receitas de outra natureza ou seja, não provenientes da venda de bens ou serviços prestados pelo contribuinte, como, p. ex., as financeiras, provenientes de investimentos em bens, numerários e créditos juros, ágios, etc. lido podem incluirse no conceito de faturamento, razão pela qual o Supremo Tribunal considerou inconstitucional o art. 3° da Lei 9718/98. E completa: Ora, com muito maior razão não é legitimo incluir no conceito de "faturamento" receitas de terceiros, que não representam contraprestação de atividade efetivamente prestada pelo contribuinte, e que são por ele recebidas na qualidade de mero intermediário, para repassálas aos efetivos prestadores das atividades que visam a remunerar. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 10 8 Tampouco é possível considerar como "receita" do contribuinte, para fins de base de cálculo da COFINS ou do PIS, o ingresso de valores por ele recebidos para serem repassados a terceiros. Em face do principio da supremacia da Constituição, a definição do alcance dos conceitos insertos na Lei Maior, mormente daqueles utilizados para atribuir competência, há de ser buscada nos parâmetros estabelecidos no próprio texto supremo, e não na legislação infraconstitucional. Traz à colação doutrina e jurisprudência que embasariam seu entendimento. Analisa, então, as definições constantes do Decreto n° 5.406 de 2005 quanto à atividade de agências de turismo, argumentando que, apesar de alguns dos serviços serem por ela prestados diretamente (compondo seu faturamento), quanto à maioria deles, agiria a Impugnante como mera intermediadora, repassando os valores recebidos diretamente aos fornecedores dos serviços. Cita decisão da Superintendência Regional da Receita Federal da 7ª Regido, abaixo transcrita: Decisão n9 350, de 15 de dezembro de 1998 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para P1S/PASEP. EMENTA: VENDAS EM CONSIGNAÇÃO. A agencia responsável pela emissão de conhecimentos aéreos, recebidos em consignação, de empresas de transporte aéreo, considerará como base de cálculo, nestas operações, para fins de recolhimento das contribuições para o PIS e COFINS, o valor da comissão recebida. Dispositivos legais: art. 226 RIR/94 (Decreto n° 1041/94, arts. 2 e 32 da Lei 9715/98, art.2, Lei Complementar 70/91). Transcreve, ainda, ementas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no mesmo sentido: "PIS. FATURAMENTO. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AGENCIAMENTO DE CARGAS. A base de cálculo do PIS Faturamento é o valor decorrente da receita própria. Para a sua determinação, quando relativa a serviços, é indispensável definir qual o serviço prestado e o valor cobrado pelo mesmo, não servindo o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo. No caso de agenciamento de cargas, é este o serviço prestado, nele não se englobando o valor inequivocamente destinado a quem prestou o serviço de transporte, contribuinte desta parte, visto que tal faturamento a ele está afeiçoado. Recurso provido." RV 123057, Iª Câmara do Conselho de Contribuintes). "COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo. Recurso especial negado." (RV 203120.710, 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 11 9 Com base nos argumentos acima detalhados, conclui que vedar a exclusão dos ingressos repassados a terceiros, da base de cálculo do PIS e da COFINS quando essas contribuições estão submetidas a regime cumulativo, significa fazer com que incidam sobre algo diverso do que está previsto nos art. 239 e 195 I da CF, na redação da EC 20/98, violando as normas de competência e o principio da legalidade, inserto no art. 150,1 da CF., o que, considera, feriria os princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e da vedação ao confisco. Ressalta que o entendimento exarado pela Fiscalização nos lançamentos ora combatidos contraria aquele adotado pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que a IN n° 480, de 15 de dezembro de 2004 determina que as agências de turismo devem informar entidade pagadora os dados do efetivo prestador do serviço, destinatário da receita, em nome do qual é expedido o respectivo comprovante de retenção, quando da prestação de serviços a entidades da administração pública federal. Alega que não seria razoável sustentar que a base de cálculo das contribuições seja diferente somente por ser o usuário do serviço uma entidade pública. Por fim, defende a ilegitimidade da aplicação da SELIC, uma vez que não se confundiria com os juros moratórios aplicáveis, tendo natureza remuneratória, consistindo sua aplicação em enriquecimento ilícito. Afirma, ainda, que a taxa Selic encontraria limite no art. 192 §3° da CF que veda a cobrança de juros de mora em índice superior a 12% ao ano, questionando a inobservância da Lei 9.430, de 1996 aos ditames inscritos no CTN.” Levado a julgamento o presente processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas – DRJ/CPS, através da 5º Turma proferiram o Acórdão 0535.645 em sessão de 19 de março de 2012, cuja ementa é o seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 AGÊNCIAS DE TURISMO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. As agências de turismo sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento auferido, configurando custos da autuada os valores transferidos para outra pessoa jurídica no exercício de sua atividade econômica. NORMAS INFRALEGAIS. BASE DE CALCULO. ALTERAÇÃO DE DEFINIÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. A partir da interpretação de ato infralegal que estabelece a sistemática de retenção de tributos, não é razoável inferir que seus efeitos tenham sido propagados de forma a alterar a definição legal da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, relativa à atividade da autuada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/07/2004 a 31/12/2004 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 12 10 AGÊNCIAS DE TURISMO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. As agências de turismo sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento auferido, configurando custos da autuada os valores transferidos para outra pessoa jurídica no exercício de sua atividade econômica. NORMAS INFRALEGAIS. BASE DE CALCULO. ALTERAÇÃO DE DEFINIÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. A partir da interpretação de ato infralegal que estabelece a sistemática de retenção de tributos, não é razoável inferir que seus efeitos tenham sido propagados de forma a alterar a definição legal da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, relativa à atividade da autuada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/07/2004 a 31/12/2004 CONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para análise de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, de apreciação exclusiva do Poder Judiciário, restringindose o contencioso administrativo ao controle de legalidade dos atos praticados pelos agentes do fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte, apresentou seu Recurso Voluntário onde resumidamente alega: I – Que a Recorrente é agência de turismo que pratica as atividades descritas no art. 4º do Decreto 5406/2005, atuando na intermediação de negócios entre o consumidor e as diversas entidades que compõem a indústria do turismo (companhias aéreas, rede hoteleira, seguradoras, etc.). No período de janeiro de 2004 a 25 de julho de 2004, a Recorrente esteve adstrita à observância da sistemática cumulativa para recolhimento da COFINS e do PIS, regulamentados pela Lei 9718/989, cujo art. 2º sofreu censura pelo Em. Supremo Tribunal Federal, para consagrar a interpretação de que a base de cálculo a ser adotada é o faturamento, assim entendido como a receita bruta operacional. Assim, entendeu que o acórdão recorrido chancela o entendimento fiscal de ingressos que não constituem receita da recorrente, mas sim, das empresas que ela contrata por conta e ordem de seus clientes para prestarem os serviços de transporte, hospedagem, alimentação, etc., seriam receita operacional bruta e, portanto, ensejariam o recolhimento de COFINS. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 13 11 A Recorrente, entendeu que a r.decisão recorrida, viola, ostensivamente, a Lei 9718/98, na interpretação que lhe conferiu o STF, o art. 110 CTN, e os arts..., e a jurisprudência tanto do CARF quanto do STJ sobre o tema. Daí que preliminarmente pleiteia o reconhecimento da nulidade do v.acórdão por cerceamento de defesa, em virtude de não ter apreciado todos os fundamentos em embasam a pretensão da recorrente. II – Da nulidade da r.decisão recorrida – nessa a autoridade julgadora não fez o que era da sua atribuição, ou seja, não verificou se o lançamento está em conformidade com a legislação vigente (fls. 340) – ocorrendo em cerceamento do direito de defesa. II – Das Razões de Reforma da R. Decisão Recorrida – repetindo os argumentos já relatados e apresentados em sua impugnação III – Da Ilegitimidade da Aplicação da SELIC – também, repetindo dos argumentos já relatados e apresentados em sua impugnação. IV – Do Pedido: Preliminarmente o reconhecimento da nulidade da r. decisão recorrida, por violar os princípios do contraditório e da ampla defesa. Subsidiariamente, a recorrente requer a forma da decisão recorrida com o consequente cancelamento da autuação, em relação ao art. 10 da IN 480, art. 4º do Decreto 5406/2005, arts 2º e 3º da Lei 9718/98, 110 CTN, 5º LIV, 145 § 1º, 149, 150 I e IV, 195 I, 212 § 12 e 239 CF e à vasta jurisprudência mencionada no seu Recurso Voluntário. Ainda, subsidiariamente, a recorrente requer, o cancelamento da exigência com relação à taxa SELIC. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. A Recorrente que pertence ao segmento de turismo, pois, é conhecida nacionalmente como uma agência e operadora de turismo, atuando na intermediação de negócios entre o consumido e as diversas entidades que compõem a indústria do turismo como companhias aéreas, rede hoteleira, seguradoras, etc. vive, com especial intensidade, o drama dos “repasses”. Portanto, é certo, afirmar que na consecução de suas atividades, as empresas do setor comumente ou, melhor até, necessariamente encetam contatos com uma variada gama de fornecedores de insumos e serviços necessários à realização das viagens. Por uma imposição natural do mercado, normalmente a relação com todos esses fornecedores é estabelecida diretamente pela operadora de turismo, que orça os respectivos custos e os submete à prévia aprovação do seu cliente, ou mesmo, oferece pacotes já orçados para determinados lugares. Assim, os valores desses serviços subcontratados Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 14 12 transitam pela conta da operadora de turismo, que ato contínuo repassaos aos seus verdadeiros credores, que são os respectivos fornecedores. Daí, debatese, nos presentes autos, se a base de cálculo do Pis e da Cofins da Recorrente deve ou não contemplar tais “repasses”, que não raro montam cifras muitíssimo mais expressivas do que o montante que efetivamente remanesce consigo. Desde a revogação do artigo 3º, parágrafo 2º, inciso III da Lei 9.718/1998 — que, no interregno em que vigeu, tinha sua eficácia condicionada a uma regulamentação infralegal que nunca sobreveio —, não havia no Direito positivo previsão expressa que, apaziguando o debate, determinasse a exclusão dos repasses da base dos tributos incidentes sobre a receita. A doutrina, até aqui sem grande eco na jurisprudência, procura explicar que não se pode excluir de uma grandeza algo que a ela nunca se integrou. A previsão revogada da Lei 9.718/1998 não excluía verdadeiramente os repasses da grandeza denominada “receita bruta”, mas apenas aclarava, pedagogicamente, que aqueles não integravam este conceito. Pois a Lei 11.771/2008 — conhecida como “Lei Geral do Turismo – LGT” — jogou, a nosso ver, luzes novas à questão, ao menos para o segmento específico da Recorrente. Com o escopo de instituir a “Política Nacional de Turismo”, a lei catalogou as empresas “prestadoras de serviços turísticos”, obrigandoas a se cadastrar no Ministério do Turismo (artigo 22). Dentre essas prestadoras de serviços turísticos, a LGT inseriu, juntamente com meios de hospedagem, agências de turismo, transportadoras etc. Ao julgar inconstitucional o artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei 9.718/1998 (RExt 390.8405), o STF manteve as dimensões de base de cálculo definidas na Lei Complementar 70/1991. Para o regime nãocumulativo das contribuições, contudo, a Lei 10.833/2003 cuidou de novamente disciplinar a alagarlhes a base; e, sendo esse veículo legislativo posterior à Emenda Constitucional 20, não padeceu do mesmo vício identificado pelo STF na Lei 9.718/1998. Assim, para o regime nãocumulativo, a extensão da base de cálculo para a receita bruta não é passível de ser contestada. Mas, no regime cumulativo, a base imponível do PIS e da Cofins segue limitada aos contornos da LC 70/91, portanto circunscrita às receitas provenientes de “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza” (artigo 2º). Assim, para se identificar, com clara e pacífica precisão, a base imponível do PIS e da Cofins cumulativos, basta saber o que sejam “preço de venda de mercadorias” e “preço de venda de serviços”. As agências de viagem, tal qual a Recorrente, defendem, são apenas canais de distribuição, elas apenas tentam ofertar o serviço de alguém ao público consumidor. A LGT em seu artigo 27 estabelece: Das Agências de Turismo Art. 27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 15 13 fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornecedores diretamente. § 1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. § 2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultandose à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. § 3o As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I passagens; II acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e III programas educacionais e de aprimoramento profissional. § 4o As atividades complementares das agências de turismo compreendem a intermediação ou execução dos seguintes serviços: I obtenção de passaportes, vistos ou qualquer outro documento necessário à realização de viagens; II transporte turístico; III desembaraço de bagagens em viagens e excursões; IV locação de veículos; V obtenção ou venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos, culturais e outras manifestações públicas; VI representação de empresas transportadoras, de meios de hospedagem e de outras fornecedoras de serviços turísticos; VII apoio a feiras, exposições de negócios, congressos, convenções e congêneres; VIII venda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens, passeios e excursões e de cartões de assistência ao viajante; IX venda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e X acolhimento turístico, consistente na organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de interesse turístico. § 5o A intermediação prevista no § 2o deste artigo não impede a oferta, reserva e venda direta ao público pelos fornecedores dos serviços nele elencados. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 16 14 (Grifos nossos) A LGT, portanto, consagra a exclusão dos repasses da base de cálculo de PIS e Cofins das agências de turismo. Faz, para esse especial segmento, o que o artigo 3º, parágrafo 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998 tentou, mas nunca conseguiu, fazer para todos os contribuintes. A decisão recorrida, como há quem recuse os efeitos aqui enxergados para o artigo 27, parágrafo 2º, da LGT, ao argumento de que a LGT não seria uma “lei tributária”. Entretanto, o entendimento é insustentável por ao menos três razões. Em primeiro lugar, porque não existe “lei tributária” ou “lei civil” ou “lei comercial” etc. Tratase de taxionomia afeita à ciência do Direito, não ao Direito positivo. Ao prescrever que cada lei terá um único objeto, vedada a inserção de matérias a ele estranhas, o artigo 7º, incisos I e II da Lei Complementar 95/1998 não disse que cada lei somente pode abordar um único ramo da dogmática jurídica. A LGT obedece à LC 95/1989 porque é, sim, monotemática, disciplina um único objeto, qual seja, o Sistema Nacional de Turismo, em todos os seus aspectos: comerciais, administrativos e, por que não, fiscais/tributário. Em segundo lugar, o próprio artigo 5º, inciso XV da LGT enumera, como um de seus objetivos, “contribuir para o alcance de política tributária justa e equânime”. É, pois, de se esperar que se extraiam de seus enunciados normas com repercussão tributária. Finalmente, não há outra finalidade ou utilidade potencial para o artigo 27, parágrafo 2º, da LGT que não a de formatar a base de cálculo dos tributos incidentes sobre a receita. Se esse dispositivo não disciplina a base imponível de tributos, e se os enunciados prescritivos não têm excertos inúteis, não consigo imaginar qual seja a sua eficácia normativa. Reconheço, que a Receita Federal ainda não manifestou, até aqui, sua compreensão acerca do artigo 27, parágrafo 2º, da LGT, seja em atos declaratórios normativos, seja em soluções de consultas. Tampouco a doutrina do Direito Tributário dedicouse ao tema, e mesmo as empresas do setor, as grandes beneficiárias da previsão legal. Sobre outros aspectos, vale dizer, “meros ingressos de recursos que não sejam de titularidade do Recorrente”, cabe reflexão nesse processo, ou seja, nos termos do artigo 195, I, “b” da Constituição Federal, o PIS e a COFINS podem incidir sobre “a receita ou o faturamento” das pessoas jurídicas. Quando apuradas na sistemática cumulativa, tais contribuições incidem sobre o “faturamento”, equiparado à “receita bruta da pessoa jurídica” no que decorrente de vendas de bens ou de prestação de serviços. Como esclarece há mais de 35 anos o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/77, “A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados”. Já se apurados na sistemática não cumulativa, o PIS e a COFINS têm “como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, o que Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 17 15 “compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica”. Uma leitura apressada dos dispositivos atinentes à apuração não cumulativa poderia levar à interpretação de que a referência a “operações em conta própria ou alheia” implicaria ser obrigatória a consideração da totalidade dos valores atinentes às operações em conta alheia, ao invés de tão somente a parte de seu resultado cabível a quem tenha intermediado o negócio. Esta não seria, contudo, a melhor interpretação, na medida em que, incidindo tais contribuições sobre as “receitas auferidas”, acacianamente não poderão incidir sobre as “receitas não auferidas” ou auferidas por terceiros. Assim é que, no que respeita às operações por conta alheia, apenas deverá ser considerado o seu resultado (isto é, a parcela cabível ao contribuinte em razão da intermediação havida), como prevê de forma mais clara o Regulamento do Imposto de Renda (art. 224), aplicando o disposto no art. 31 da Lei nº 8.981/95. Ainda quanto ao que deva ser considerado “receita” em si, Bulhões Pedreira afirma que assim se caracterizam os bens e direitos originários de outro patrimônio “cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes de seu resultado. (...) O processo de recebimento de receita consiste, portanto, na aquisição de um direito patrimonial e de poder sobre o objeto desse direito, que tem um valor financeiro. (...) Receita é valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária”. O Supremo Tribunal Federal, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, consignou que receita “(...) designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero)”. Tecnicamente, para fins contábeis, determina o item7 da Norma Brasileira de Contabilidade NBC TG nº 30 que “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários”, definição está igualmente constante da Norma de Pronunciamentos Contábeis CPC 30. No, entanto, no que importa ao presente julgamento é que receita implica, necessariamente, bens e direitos recebidos com a finalidade de se agregarem ao patrimônio existente. Pretender classificar como receita meros ingressos de recursos que não sejam de titularidade do contribuinte implica desnaturar o seu conceito técnico, em clara violação ao quanto disposto no artigo 195, I, “b” da Constituição Federal, nas Leis nºs. 9.718/98, 10.637/2007 e 10.833/2003, e no artigo 110 do CTN. Portanto, entradas, ingressos ou créditos pertencentes a terceiros não se qualificam como receitas de quem não seja seu efetivo proprietário e por quem tais recursos tenham meramente transitado, por não serem considerados na formação do resultado do período e nem terem sua propriedade adquirida, já que não há o poder completo de disposição (que caracteriza a propriedade). É o que ocorre, por exemplo, com os valores recebidos pela pessoa jurídica na qualidade de mera depositória, em que o devedor tenha conhecimento, por força de regra Fl. 514DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 18 16 legal ou contratual anterior, que parte do montante a ela transferido destinase a remunerar outrem que não a recebedora depositária, a qual fica obrigada a receber e transferir a parcela pré ajustada, por força da venda de mercadoria ou da prestação de serviço em favor do pagador. Está a situação do escritório de arquitetura que adquire móveis e materiais para seus clientes, sendo por eles reembolsado. O mesmo se diga em relação ao valor da comissão da agência publicitária, pago diretamente pelo anunciante ao agente veiculador do anúncio para que este o repasse àquela. Refirase, ainda, a sistemática do cost sharing, ou rateio de despesas por serviços compartilhados, em que determinada empresa concentra os pagamentos de serviços compartilhados com outras do mesmo grupo econômico e os rateia, sem acréscimos, dentre as beneficiárias de tais serviços. Tratase de mera recomposição (e não acréscimo) patrimonial, não caracterizando receita para fins de PIS/COFINS, como já entendeu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Há, de outro lado, situações em que não se verifica mero reembolso de despesas incorridas ou cujos recursos são recebidos sem que o pagador saiba qual parte será destinada a terceiros (ou até mesmo desconheça a existência de terceiros que sejam os reais destinatários e proprietários dos recursos). Mesmo nestes casos, é ilegítima a tributação da parcela recebida que, passível de apuração no próprio momento de seu recebimento, não seja computada como receita porque já esteja o seu recebedor obrigado, por contrato ou lei anterior, ao repasse dos respectivos montantes a terceiros que tenham participado das atividades geradoras dos recursos recebidos. Independentemente do conhecimento do pagador, a relação jurídica existente entre o recebedor e o(s) terceiro(s) implicará, desde que preenchidos os requisitos supra indicados, não ser ele o real proprietário dos recursos, que por ele apenas transitarão sem que se possa cogitar, sequer em tese, que tal lhe acarretará qualquer acréscimo patrimonial. Não se trata, também em tal hipótese, de receita. Assim se verifica, por exemplo, em relação à parcela dos valores recebidos pelas empresas de telefonia, mas devida a outras empresas de telefonia em razão de roaming e de interconexão, estes existentes por força de lei. Em tais situações, os valores são obrigatoriamente cobrados em conjunto, de cada usuário, pela respectiva operadora por ele contratada, sendo vedada a cobrança direta por parte das demais operadoras quanto às parcelas que lhes caibam. Assim, no momento do recebimento dos recursos já se tem conhecimento das parcelas devidas às demais operadoras. São elas então identificáveis, ainda que o usuário possa desconhecer o fato ou sua efetiva apuração ocorra apenas posteriormente. Não por outras razões, já decidiu o CARF que as “receitas de ‘roaming’, mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato, não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida”, na medida em que a “base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre a terceiros, como pretendido ‘faturamento bruto’ para, sobre ele, exigir o tributo”. Assim, nas hipóteses acima mencionadas, dizem respeito à impossibilidade de receitas de terceiros serem tratadas como se fossem receitas próprias, o que não se confunde com a exclusão de receitas próprias que venham a ser transferidas a terceiros. Quanto a estas últimas, a não incidência do PIS ou da COFINS depende de previsão legal específica, tendo Fl. 515DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 19 17 sido revogado, antes mesmo de regulamentado, o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que autorizava a exclusão dos “valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”. Contudo, somente devem ser considerados como receita, para fins do PIS e da COFINS, os bens e direitos que impliquem efetivo aumento patrimonial, vale dizer, que realmente influenciem o resultado do período, tendo sido recebidos com a finalidade de se agregarem ao patrimônio existente. Isto não ocorre com os valores que forem identificáveis como pertencentes a terceiros nas próprias datas de seus recebimentos (por força de lei ou de contrato e conforme registros contábeis pertinentes), independentemente destes terceiros integrarem a relação jurídica existente entre o pagador e o recebedor / transmitente dos recursos. Em algumas oportunidades a Receita Federal, ao responder consulta acerca do SIMPLES, sempre entendeu que as Agências de Viagens assemelhamse ao representante comercial, uma vez que sua atividade é de intermediação e a remuneração é representada pela comissão, donde se conclui que não integra a receita da agência a parcela da pessoa jurídica representada. Por fim, de forma expressa e consentânea com a melhor interpretação da Lei n° 9.718/1998, a Divisão de Tributação DISIT da 6ª Região Fiscal, respondendo à Consulta, ratificou o entendimento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS das Agências de Turismo é composta apenas das comissões recebidas, sendo que “Os valores de propriedade de terceiros, relativos a pagamento de passagens aéreas e rodoviárias, de hotéis, aluguel de veículos e prestação de serviços afins, não constituem receita bruta das agências de turismo”: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DISIT – 6ª Região Fiscal SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 241 de 10 de Dezembro de 2001 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. EMENTA: AGÊNCIAS DE TURISMO. RECEITA BRUTA. Os valores de propriedade de terceiros, relativos a pagamento de passagens aéreas e rodoviárias, de hotéis, aluguel de veículos e prestação de serviços afins, não constituem receita bruta das agências de turismo e não compõem a base de cálculo da Cofins. Isto posto, deixo de apreciar as preliminares para no mérito DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para cancelar o auto de infração. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Voto Vencedor Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 20 18 Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, redator designado. Inobstante os relevantes argumentos trazidos pela Ilustre Conselheira Relatora, ouso descordar de suas conclusões quanto à exclusão dos valores transferidos para outra pessoa jurídica no exercício de sua atividade econômica, da base de cálculo de PIS e Cofins da recorrente. O entendimento atual da Receita Federal acerca do assunto é divergente daquele apresentado pela relatora, que reproduziu a ementa da superada Solução de Consulta nº 241, da Divisão de Tributação – DISIT da 6ª Região Fiscal. Adotamos como fundamento e razão de decidir do presente voto vencedor os fundamentos da Solução de Consulta nº 17, de 13 de março de 2013, da Divisão de Tributação – DISIT da 10ª Região Fiscal, reproduzida abaixo: “2. Percebese que a controvérsia em questão reside, basicamente, em se definir se determinados valores recebidos pela peticionante (agência de turismo) devem ser considerados como receita bruta e, por conseguinte, incluídos na base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 3. Inicialmente, cabe destacar que a CoordenaçãoGeral de Tributação na Solução de Divergência nº 3, de 30 de abril de 2012, adotou entendimento que, mesmo examinando matéria relacionada ao Simples Nacional, pode ser empregado no caso presente. Transcrevese a ementa da SDCosit n° 3, de 2012: Assunto: Simples Nacional SIMPLES NACIONAL. AGÊNCIAS DE TURISMO. RECEITA BRUTA. Para fim de cálculo da receita bruta de que trata o § 1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, a receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos a atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Em qualquer das hipóteses, permitida apenas a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, art. 3º, § 1º, e Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008, art. 27. 4. A posição adotada na SDCosit n° 3, de 2012, está baseada no § 1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, o qual dispõe (grifouse): Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 21 19 Art. 3º (...) § 1º Considerase receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. 5. Os arts. 224 e 279 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), definem receita bruta de maneira idêntica ao § 1º do art. 3º da LC nº 123, de 2006. 6. A Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008 (Lei Geral do Turismo), que estabelece normas sobre a Política Nacional de Turismo, aborda aspectos relevantes para a solução da controvérsia em estudo ao disciplinar a prestação de serviços turísticos e classificar os prestadores de serviços turísticos (grifouse): Art. 27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. § 1º São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. § 2º O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultandose à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. § 3º As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I passagens; II acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e III programas educacionais e de aprimoramento profissional. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 22 20 § 4º As atividades complementares das agências de turismo compreendem a intermediação ou execução dos seguintes serviços: I obtenção de passaportes, vistos ou qualquer outro documento necessário à realização de viagens; II transporte turístico; III desembaraço de bagagens em viagens e excursões; IV locação de veículos; V obtenção ou venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos, culturais e outras manifestações públicas; VI representação de empresas transportadoras, de meios de hospedagem e de outras fornecedoras de serviços turísticos; VII apoio a feiras, exposições de negócios, congressos, convenções e congêneres; VIII venda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens, passeios e excursões e de cartões de assistência ao viajante; IX venda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e X acolhimento turístico, consistente na organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de interesse turístico. § 5º A intermediação prevista no § 2º deste artigo não impede a oferta, reserva e venda direta ao público pelos fornecedores dos serviços nele elencados. § 6º (VETADO) § 7º As agências de turismo que operam diretamente com frota própria deverão atender aos requisitos específicos exigidos para o transporte de superfície. 7. Depreendese, da leitura do dispositivo legal acima, que as agências de turismo podem atuar de duas formas: na qualidade de intermediadora dos serviços (emissão de passagens aéreas ou marítimas, os meios de hospedagem dos viajantes e excursionistas, pacotes turísticos de operadoras turísticas, dentre outros serviços ligados ao turismo) e na qualidade de fornecedora direta dos serviços (organizar e promover o serviço, englobando o transporte e a hospedagem dos viajantes e excursionistas). Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 23 21 8. Essas duas situações produzem consequências jurídicas distintas por ocasião da escrituração de suas receitas. No primeiro caso – intermediadora – a agência de turismo aufere como receita apenas o valor da comissão recebida dos fornecedores dos serviços por ela vendidos, de modo que a receita bruta deve ser o valor da comissão por ela recebida. 9. Já no segundo caso – fornecedora direta – a agência de turismo aufere como receita o valor total pago pelo viajante, de modo que a receita bruta deve ser o preço total por ela recebido do viajante. 10. Observese que a venda e comercialização de passagens, passeios, viagens e excursões, bem como a realização de reservas em restaurantes ou de acomodações para hospedagem, assim como outros serviços turísticos, poderão ser realizadas por agência de turismo na qualidade de apenas intermediadora do negócio sem, contudo, atuar em nome próprio, ou seja, sem que a obrigação da prestação do serviço recaia sobre ela. 11. Portanto, quando uma agência de turismo atua como intermediadora de negócios relativos à atividade turística prestados por conta e em nome de terceiros, a receita auferida para fim de aferição da receita bruta de que tratam os arts. 224, 279 e 519 do RIR/1999, aplicáveis ao IRPJ, deverá corresponder à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos, por tratar se do preço do serviço por ela prestado. 12. De outra forma, caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores recebidos de seus clientes. Em qualquer das hipóteses, permitida apenas a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. 13. Assim sendo, em face do entendimento acima expendido, aplicase a mesma posição para a CSLL, Contribuição para o PIS e Cofins, dado que o conceito de receita bruta é o mesmo por ocasião da apuração de suas respectivas bases de cálculo, como será abaixo explicitado. [...] 15. No respeitante à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep têmse a Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, arts. 2º, I, e 3º, caput, a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, arts. 2º e 3º, caput, e a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, arts. 79, XII, e 80, e a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 1º, § 1º, e da Cofins a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 2º, caput, e 10, parágrafo único, e a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 1º, § 1º. [...] Diante do exposto, concluise que: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15758.000919/200883 Acórdão n.º 3101001.747 S3C1T1 Fl. 24 22 a) a receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos; b) caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes.” No mesmo sentido, temse a já citada Solução de Divergência nº 3 de 30 de abril de 2012. Como os serviços foram prestados em nome da recorrente, e como não foram segregados os valores correspondentes à comissão em razão da intermediação de serviços turísticos, os valores auferidos pela recorrente de seus clientes são considerados em sua receita bruta, sujeitandose à incidência das contribuições do PIS e da COFINS. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARIN HEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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