Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16366.000238/2009-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DESPESAS COM SEGUROS. DIREITO AO CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível a apropriação de créditos da não cumulatividade, do PIS e da Cofins, sobre despesas de seguros, pois não se trata de um insumo aplicado no processo produtivo da recorrente. Além disso não é uma despesa de armazenagem do produto acabado.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos do PIS e da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-006.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DESPESAS COM SEGUROS. DIREITO AO CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a apropriação de créditos da não cumulatividade, do PIS e da Cofins, sobre despesas de seguros, pois não se trata de um insumo aplicado no processo produtivo da recorrente. Além disso não é uma despesa de armazenagem do produto acabado. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos do PIS e da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16366.000238/2009-72
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891914
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.875
nome_arquivo_s : Decisao_16366000238200972.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 16366000238200972_5891914.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7391065
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587138883584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16366.000238/200972 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.875 – 3ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria PIS/PASEP Recorrente EXPORT E IMPOR MARUBENI COLORADO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DESPESAS COM SEGUROS. DIREITO AO CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a apropriação de créditos da não cumulatividade, do PIS e da Cofins, sobre despesas de seguros, pois não se trata de um insumo aplicado no processo produtivo da recorrente. Além disso não é uma despesa de armazenagem do produto acabado. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos do PIS e da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 38 /2 00 9- 72 Fl. 409DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801001.508, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DESPESAS DE SEGURO. IMPOSSIBILIDADE. O dispêndio com seguro contratado para a armazenagem de mercadorias em armazéns gerais, ainda que cobrado conjuntamente com despesas de armazenagem, não gera direito a crédito por ausência de previsão legal. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. ” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo que: · O acórdão recorrido deve ser reformado a fim de deferir, de forma integral, o direito ao ressarcimento no que tange as taxas de seguro, pois como devidamente comprovado, configurase como despesa de armazenagem indispensável ao desempenho da atividade desenvolvida, nos termos do art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03; Fl. 410DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 4 3 · O reconhecimento do direito à incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária pela Selic sobre o crédito concedido em favor do sujeito passivo. Em Despacho às fls. 387 a 389, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso especial foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: · Na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a nãocumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Nos termos do dispositivo legal supra (Lei 9.250/95, art. 39, § 4º), a Taxa SELIC consiste em taxa de juros. Ora, juros legais é matéria de direito estrito que não permite a aplicação por analogia1, de modo que, diante da ausência de previsão legal específica, é indefensável a sua incidência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. O simples confronto das ementas comprova a divergência em relação às duas matérias suscitadas pelo sujeito passivo. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 5 4 Dessa forma, conheço o recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 6 5 Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 7 6 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 8 7 Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o Fl. 415DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 9 8 que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 10 9 As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] Fl. 417DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 11 10 § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; Fl. 418DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 12 11 e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 419DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 13 12 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 14 13 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 15 14 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 16 15 Nessa linha, apenas trago que o STJ ao apreciar, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 –trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Não obstante, o STJ deverá ainda apreciar os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, temse que a discussão envolve gastos com seguro que é cobrado pelos armazéns gerais no armazenamento dos produtos do sujeito passivo. Recordase que o sujeito passivo tem como objeto social o comércio, importação, exportação, benefício e rebenefício de café adquiridos de terceiros, pessoas físicas ou jurídicas. Sendo assim, pela atividade do sujeito passivo, inegável ser essencial os gastos com armazenagem de seus produtos. Não obstante, vêse que, em verdade, incluem se nos gastos de armazenagem, compondo esse custo de armazenagem, o seguro contratado pelo prestador de serviço, não havendo condições de contratar o serviço de armazenagem sem o custo do seguro. O que, por conseguinte, vêse que tal despesa teria em sua essência intrinsecamente natureza de despesa de armazenagem, e não de despesa de seguro. Somente seria despesa de seguro para o sujeito passivo, caso o contratante fosse o sujeito passivo. O que não é o caso. O sujeito passivo contratou o serviço de armazenagem e, como o prestador adquiriu seguro, compôs o custo da prestação e serviço de armazenagem o seguro contratado por terceiro. O que resta tratar tal custo como despesa de armazenagem. Não há que se deslocar a despesa de seguro ao sujeito passivo, eis que nem é parte do contrato de seguro. Tanto que a rubrica correta a ser considerada nesse caso é somente despesa de armazenagem, isso também em respeito ao CPC 47. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 17 16 Considerando o exposto, entendo que tal despesa é essencial à atividade do sujeito passivo, enquadrandose perfeitamente ao conceito de insumo, para fins de creditamento de que trata o art. 5º da Lei 10.637/02: “Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Frisese tal entendimento o acórdão 3803003.864, 3803003.861, 3803 003.860, 3803003.863, 3803003.862, 3803003.865 e 3201002.820. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 18 17 No que tange à possibilidade de aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais referentes ao PIS e a Cofins não cumulativos, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Vêse que, nos termos do art. 5º da Lei 10.637/02, os créditos constituídos podem ser utilizados mediante dedução do valor das mesmas contribuições a recolher ou para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, podendo, inclusive, ser objeto de ressarcimento em pecúnia se, até o final de cada trimestre do ano civil, a pessoa jurídica não conseguir utilizar o crédito nas formas prescritas em lei. Não obstante, tal ressarcimento deve observar a legislação específica aplicável à matéria. Recordase novamente o dispositivo (Grifos meus): “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 19 18 II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Nos termos do § 2º do art. 5º da Lei, a pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º do mesmo artigo, poderá solicitar o ressarcimento em dinheiro OBSERVADA A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA APLICÁVEL À MATÉRIA. Sendo assim, não há como se aplicar a vedação de se atualizar monetariamente ou aplicar os juros Selic trazida pelo art. 13 da Lei para todos os casos de ressarcimento, eis que se deve observar a legislação “específica” aplicável à matéria. Para melhor elucidar a aplicação desse dispositivo, importante recordar os dizeres dos art. 13 e 15 da Lei 10.833/03 (Grifos meus): “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Em breve leitura, podese entender que há vedação expressa para atualizar o crédito de PIS e Cofins não cumulativo passível de ressarcimento de que trata o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 20 19 No entanto, tal como traz o art. 5, §2º da Lei 10.637/02 – no ressarcimento devese observar a legislação aplicável à matéria. Considerando esse dispositivo, é de se ressurgir à jurisprudência assentada pelo STJ, que entende que o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fisco", na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ. O que, por conseguinte, vêse que o requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento. Conforme lição do Ministro Mauro Campbell Marques, temse que: "(...) a lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada 'resistência ilegítima' exigida pela Súmula n. 411/STJ [...]” Sendo assim, antes de se analisar se cabe ou não juros compensatórios no ressarcimento solicitado pelo sujeito passivo, devese observar o dispositivo que trata dessa matéria – qual seja, o art. 24 da Lei 11.457/2007, conforme expressamente impõe o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. Tal enunciado impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, nos seguintes termos: Fl. 427DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 21 20 “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” Considerando o conjunto da norma aplicável, vêse que o deferimento dos pedidos de ressarcimento deve observar o prazo legal. O que, por conseguinte, se for observado o prazo legal, não há que se falar em atualização monetária, eis que não haveria "resistência ilegítima". Caso contrário, devese aplicar sobre o crédito a ser ressarcido a taxa Selic desde a data de sua constituição até a data em que ocorrer o ressarcimento ou for utilizada para compensação. Frisese tal entendimento o recente REsp 1607697/RS, apreciado pelo STJ em 23 de agosto de 2016, que consignou a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. REQUISITO. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. MORA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DO PRAZO LEGAL PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. HISTÓRICO DA DEMANDA 1. Cingese a controvérsia a definir o termo inicial da correção monetária no ressarcimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos pagos, no âmbito administrativo, após o transcurso do prazo de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/2007). 2. No presente caso, a resistência ilegítima imputada ao Fisco diz respeito exclusivamente à mora observada para satisfação do crédito. 3. O acórdão recorrido decidiu que a atualização monetária é devida desde a data do protocolo dos processos administrativos. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO FISCO: PRESSUPOSTO PARA A CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO FISCAL (SÚMULA 411/STJ) 4. Segundo a jurisprudência assentada pelo STJ, o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em Fl. 428DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 22 21 outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fisco”, na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 3/8/2009, sob o regime do art. 543C do CPC). 5. O requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento caso dos autos , como aliás, ficou definido na fundamentação do acórdão paradigma (EAg 1.220.942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/4/2013). TERMO INICIAL CONDICIONADO À VERIFICAÇÃO DO ILEGÍTIMO ÓBICE ESTATAL, IN CASU, A MORA 6. No que concerne à sistemática do PIS e da Cofins não cumulativos caso dos autos , cumpre destacar que a própria legislação impede expressamente a correção monetária dos créditos fiscais quando aproveitados regularmente sob a forma de ressarcimento (arts. 6°, § 2°, 13 e 15, VI, da Lei 10.833/2003). 7. O art. 24 da Lei 11.457/2007 impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. 8. Nesse contexto, o deferimento dos pedidos de ressarcimento no prazo legal, ou seja, antes de escoados 360 dias do protocolo, não dá ensejo à atualização monetária, justamente pela ausência do requisito referente à "resistência ilegítima". 9. Em recente julgado, a Primeira Seção assentou que a correção monetária somente pode ser aplicada após o transcurso do aludido prazo do art. 24 da Lei 11.457/2007 (AgRg nos EREsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 1°/7/2015). No Mesmo sentido: AgRg no REsp 1.468.055/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 26/5/2015; AgRg no REsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9/3/2015; AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 23 22 10. A lógica dessa orientação decorre da premissa de que, "no caso do contribuinte acumular créditos escriturais em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, não havendo resistência ilegítima do Fisco para a pronta utilização do crédito, afigurase indevida a incidência de correção monetária, salvo se houver disposição legal específica para tanto" (AgRg no REsp 1.159.732/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 11/6/2015). 11. Não se está a confundir correção monetária com juros de mora, mas a reconhecer que a mora é a resistência ilegítima que dispara o cômputo da correção monetária. 12. Recurso Especial provido” Em vista do exposto, é de se concluir que caso o sujeito passivo acumule créditos em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, e restar caracterizada a resistência ilegítima para a pronta utilização do crédito, é de se aplicar a incidência dos juros compensatórios – taxa Selic, conforme preceitua o art. 5, § 2º, da Lei 10.637/02, não se podendo aplicar de forma genérica os arts. 13 e 15 da Lei 10.833/03 a todos os casos de ressarcimento. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo Fl. 430DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 24 23 do produto industrializado, assim como da incidência de juros sobre o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS não cumulativo. A discussão sobre o direito de apurar créditos sobre despesas incorridas pela pessoa jurídica gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da não cumulatividade previsto na Lei nº 10.637, de 2002. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as despesas incorridas com seguros de armazenagem de produtos destinados à venda e/ ou revenda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais despesas integram o custo da prestação de serviços de armazenagem de produtos. Contudo, ao contrário do seu entendimento, o contribuinte, segundo prova seu Contrato Social, é uma comercial exportadora e importadora e não uma prestadora de serviços. Também, do exame das copias dos DACON carreadas aos autos, verificase que ele não auferiu nenhum receita de prestação de serviços de armazenagem de produtos. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002 que trata das possibilidades de creditamento do PIS: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 431DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 25 24 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO); IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...). § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 432DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 26 25 I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...)." Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos do produtos adquiridos para revenda, em relação à atividade comercial, e os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda e na prestação de serviços, em relação à atividade industrial e de prestação de serviços. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Concordo que as despesas incorridas com seguros de armazenagem de produtos destinados à venda e/ ou revenda estão vinculadas às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos nem na prestação de serviços não é possível tal creditamento. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 27 26 Assim, por se tratar de gastos com bens que não foram utilizados no processo de produção dos bens produzidos/vendidos nem na prestação de serviços, mas em outros setores da empresas, devem ser mantidas as glosas dos créditos do PIS sobre as referidas despesas. Importante ressaltar também que não se trata de despesa de armazenagem diretamente a ela vinculada, a invocar a possível aplicação do inc. IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, pois não foram despesas de seguro contratada pela recorrente. Quanto à atualização monetária do ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS não cumulativo, de fato, pagamento de juros compensatórios calculados à taxa Selic, é expressamente vedada pela Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo da Cofins, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata aLei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...). VI no art. 13 desta Lei.” Assim, não há que se falar em atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos do PIS não cumulativo, pela taxa Selic. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720406/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Anocalendário:
2005, 2006, 2007, 2008
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO.
Consoante o art. 145, do CTN; uma das formas de alterar o lançamento de
oficio é por meio da impugnação do sujeito passivo. O art. 18, do Decreto .
70.235/72 também determina a devolução do prazo para impugnar somente
nos casos de agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da
fundamentação legal da exigência. A mera redução da alíquota e conseqüente
exclusão de parte do lançamento não ensejam a nulidade total do auto de
infração.
Retificase
a exigência, ante a comprovação de que o percentual de 10% foi
aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o
montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei.
PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE
SUSPENSA.
Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa
constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução
para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso
I, da Lei 9.249/1995. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições,
os acréscimos legais seguem a mesma norma de dedutibilidade.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA.
Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de
sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se
inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação.
Inteligência dos arts. 3o. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume,
deve ser expressa.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. SAPLI. INSTRUMENTO HÁBIL.
O SAPLI é alimentado por informações prestadas pelo próprio contribuinte,
portanto pode ser utilizado pela fiscalização como instrumento hábil de
controle dos prejuízos fiscais, devendo o contribuinte, para contraditálo,
fazer prova.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS.
Mantémse
o lançamento se não demonstrada a existência de saldo de
prejuízos fiscais em valor suficiente para amparar a compensação pleiteada
na declaração de rendimentos.
Numero da decisão: 1301-000.830
Decisão: Os membros da Turma acordam dar provimento parcial ao recurso
voluntário, para: a) por unanimidade, excluir da base de cálculo do IRPJ exigido o valor de R$68.197,35; b) pelo voto de qualidade, afastar a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade
suspensa da base tributável da CSLL. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier, e c) por maioria, afastar a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Waldir
Rocha e Alberto Pinto.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Consoante o art. 145, do CTN; uma das formas de alterar o lançamento de oficio é por meio da impugnação do sujeito passivo. O art. 18, do Decreto . 70.235/72 também determina a devolução do prazo para impugnar somente nos casos de agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. A mera redução da alíquota e conseqüente exclusão de parte do lançamento não ensejam a nulidade total do auto de infração. Retificase a exigência, ante a comprovação de que o percentual de 10% foi aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de dedutibilidade. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA. Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação. Inteligência dos arts. 3o. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. SAPLI. INSTRUMENTO HÁBIL. O SAPLI é alimentado por informações prestadas pelo próprio contribuinte, portanto pode ser utilizado pela fiscalização como instrumento hábil de controle dos prejuízos fiscais, devendo o contribuinte, para contraditálo, fazer prova. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Mantémse o lançamento se não demonstrada a existência de saldo de prejuízos fiscais em valor suficiente para amparar a compensação pleiteada na declaração de rendimentos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.720406/2010-40
conteudo_id_s : 5888620
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.830
nome_arquivo_s : Decisao_16327720406201040.pdf
nome_relator_s : Paulo Jakson da Silva Lucas
nome_arquivo_pdf_s : 16327720406201040_5888620.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Os membros da Turma acordam dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) por unanimidade, excluir da base de cálculo do IRPJ exigido o valor de R$68.197,35; b) pelo voto de qualidade, afastar a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa da base tributável da CSLL. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier, e c) por maioria, afastar a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Waldir Rocha e Alberto Pinto.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
id : 7382744
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587158806528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720406/201040 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.830 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2012 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente SANTANDER SEGUROS S/A (sucessora de ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Consoante o art. 145, do CTN; uma das formas de alterar o lançamento de oficio é por meio da impugnação do sujeito passivo. O art. 18, do Decreto . 70.235/72 também determina a devolução do prazo para impugnar somente nos casos de agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. A mera redução da alíquota e conseqüente exclusão de parte do lançamento não ensejam a nulidade total do auto de infração. Retificase a exigência, ante a comprovação de que o percentual de 10% foi aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de dedutibilidade. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA. Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação. Inteligência dos arts. 3o. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. SAPLI. INSTRUMENTO HÁBIL. O SAPLI é alimentado por informações prestadas pelo próprio contribuinte, portanto pode ser utilizado pela fiscalização como instrumento hábil de controle dos prejuízos fiscais, devendo o contribuinte, para contraditálo, fazer prova. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Mantémse o lançamento se não demonstrada a existência de saldo de prejuízos fiscais em valor suficiente para amparar a compensação pleiteada na declaração de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) por unanimidade, excluir da base de cálculo do IRPJ exigido o valor de R$68.197,35; b) pelo voto de qualidade, afastar a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa da base tributável da CSLL. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier, e c) por maioria, afastar a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Waldir Rocha e Alberto Pinto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da DEINF/SP, relativos aos anos calendário de 2005, 2006, 2007 a 2008, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado, na qualidade de sucessor do Banco ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S.A, CNPJ 05.515.360/000140, o imposto sobre a renda de pessoa jurídica no valor de R$ 2.261.112,92 (fls. 304/310) e a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL no valor de R$ 1.632.711,62 (fls. 311/317), acrescidos de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 295/303, a ABN DOIS PARTICIPAÇÕES optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, nos anos calendário em fiscalização. Em 30/06/2005 e 28/11/2008 ocorreram cisões parciais. Em 30/09/2009, a incorporação pelo interessado. A ABN DOIS PARTICIPAÇÕES questiona judicialmente alguns tributos e contribuições, entre eles o PIS e a COFINS incidentes sobre receita de juros sobre capital próprio (mandado de segurança nº 2005.61.00.0002329), adicionados à base de cálculo do IRPJ em 31/12/2005 (adição a menor em R$ 68.197,35), 31/12/2006, 31/12/2007 e 28/11/2008 (adição a maior em R$ 15.554.927,21) mas não adicionados à base de cálculo da CSLL. Os juros incidentes sobre os tributos suspensos não foram adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. As contrapartidas das despesas com tributos suspensos constam provisionadas nas contas do grupo 4.94.50.90 (PROVISÃO PARA RISCOS FISCAIS OUTROS). Na cisão ocorrida em 30/06/2005, houve a versão de 21,77% do patrimônio para outra empresa do grupo. De acordo com a DIPJ apresentada na data do evento, foi apurado prejuízo não operacional de R$ 2.802.273,46 e prejuízo fiscal de R$ 4.554.775,35. Observado o disposto no art. 36, § 6º, alínea “ a”, da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, o percentual remanescente da cisão parcial (78,23%), conforme demonstrado no sistema SAPLI, em 01/07/2005, resultou em saldo de prejuízo não operacional o valor de R$ 2.192.218,53 e de prejuízo operacional a compensar no valor de R$ 1.370.982,23. No período de 01/07 a 31/12/2005, o interessado compensou prejuízo fiscal no valor de R$ 1.917.086,75, ou seja, com excesso de R$ 546.104,52. Posteriormente, em 28/11/2008 (cisão parcial), compensou o prejuízo fiscal inexistente de R$ 2.306.956,08. Uma vez que os tributos com exigibilidade suspensa e os juros sobre eles incidentes correspondem a provisões frente a futuras incertezas, indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fiscalização procedeu ao lançamento tributário. Na apuração do crédito tributário, foram consideradas as reconstituições das compensações de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. Da autuação de IRPJ. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Provisões não dedutíveis relativas a tributos com exigibilidade suspensa. Enquadramento legal: art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/1995. Art. 344, § 1º, do RIR/1999. Da autuação de CSLL. Provisões não dedutíveis relativas a tributos com exigibilidade suspensa. Enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988. Art. 13, I da Lei nº 9.249/1995. Art. 28 da Lei nº 9.430/1996. Art. 37 da Lei nº 10.637/2002. Na impugnação de fls. 325/359, em 07/01/2011, acompanhada dos documentos de fls. 360/375, a interessada alega, em síntese, que: Houve erro na constituição do crédito tributário do IRPJ, pois foi aplicada a alíquota de 10% de adicional de imposto sobre a totalidade da base de cálculo ajustada em desconformidade com as determinações legais; De acordo com o art. 542 do Regulamento do Imposto de Renda, o adicional de imposto será devido somente sobre a parcela que excedeu ao montante mensal de R$ 20.000,00, proporcionalmente multiplicado pela quantidade de meses considerados na apuração do imposto; O vício apontado macula integralmente o lançamento; Na apuração de excesso de compensação de prejuízo fiscal, foi levado em consideração o SAPLI, sistema de uso privativo da Receita Federal do Brasil e que só possui efeitos se devidamente acompanhado de provas concretas das divergências, o que não ocorreu no presente caso, sendo certo que os valores declarados estão de acordo com a legislação de regência; Nulidade do auto de infração lavrado com base em equivocado fundamento legal, uma vez que os valores considerados indedutíveis não possuem a natureza de provisões, mas sim de despesas efetivas; A suposta “provisão” foi constituída em decorrência da suspensão da exigibilidade de obrigações tributárias, amparada pelo mandado de segurança nº 2005.61.00.0002329; Na qualidade de instituição securitária, é legalmente equiparada a uma instituição financeira, tipo de sociedade que deve observar de forma mais criteriosa possível as normas e princípios contábeis, incluindo as manifestações do Banco Central e da CVM; Buscando evidenciar os conceitos que seriam utilizados em suas normas, a CVM editou a Deliberação CVM nº 489/05, que aprovou o Pronunciamento do IBRACON NPC nº 22, sobre provisões, passivos, contingências passivas e ativas; Tratase de conceitos (classificações) distintos, cujo reconhecimento, nas demonstrações contábeis, também se dará de forma diferenciada; O item 8 do Pronunciamento evidencia que o termo provisões não se confunde com o termo contingências passivas e estas, por sua vez, se diferenciam dos passivos, pois são apenas passivos não reconhecidos; Evidenciase, assim, o erro material cometido pela fiscalização quando afirmou que foram deduzidas despesas com a constituição de provisões de juros referente a Fl. 533DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 3 5 tributos suspensos por medida judicial e dos próprios tributos com exigibilidade suspensa, quando, na verdade, nos termos da Deliberação CVM nº 489/05, o que se deduziu foram despesas com a constituição de passivos efetivos, decorrentes do surgimento de uma obrigação legal com prazo certo e valor determinado, gerado pelo dever de recolher tributos e seus acréscimos moratórios; O fato de o crédito tributário estar suspenso, como é o caso dos autos, não interfere em nada na natureza da obrigação. O crédito tributário decorre da obrigação principal e é constituído pelo ato de lançamento, nos termos dos arts. 139 e 142 do CTN, é esse também o entendimento expresso da CVM, conforme descrito no Anexo II da Deliberação nº 489/05; considerando que as despesas com juros incidentes sobre os tributos com exigibilidade suspensa seguem as mesmas regras de dedutibilidade aplicáveis a estes últimos, e, ainda, que a despesa com a constituição deste passivo foi deduzida da base de cálculo da CSLL exatamente conforme dispõe a legislação tributária e as normas da CVM, não poderá subsistir a autuação em questão; ad argumentandum, não há que alegar a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa e dos juros sobre eles incidentes da base de cálculo da CSLL, por falta de dispositivo legal que determine a adição desse montante; as regras de dedutibilidade previstas no art. 41, § 1º , da Lei nº 8.981/1995 aplicamse tão somente na determinação do lucro real; a Lei nº 9.249/195, por sua vez, ao dispor sobre os ajustes obrigatórios a serem feitos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL em nenhum momento fez menção à dedutibilidade ou não dos tributos e contribuições. E, desse modo, tendo em vista que a Lei nº 8.981/1995 apenas dispôs sobre a base de cálculo do IRPJ, não há como se exigir que o contribuinte seja tributariamente onerado, sem que haja previsão de lei expressa, em cumprimento ao princípio da estrita legalidade; impossibilidade de lançamento de multas na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão; nos termos do art. 132 do CTN, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Com relação às multas, devese averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída, para então se atribuir ou não a responsabilidade ao incorporador; a multa fiscal somente será transferida ao sucessor se lançada antes do ato sucessório; as multas lançadas somente poderiam ser imputadas ao interessado acaso as infrações tivessem sido cometidas por empresas incorporadas cujos administradores fossem os mesmos que os seus ou, ao menos, que as incorporadas pertencessem ao seu grupo econômico (Súmula CARF nº 47); não é o que se verifica no presente caso: o Banco Sudameris Brasil S/A foi incorporado pelo Banco ABN AMRO Real S/A e, posteriormente, este o foi pelo Banco Santander Brasil S/A, todos eles instituições financeiras pertencentes a diferentes grupos econômicos, com administração completamente distintas e independentes; Fl. 534DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 dessa forma, além das multas terem sido lançadas após a sucessão, sobre fatos de responsabilidade exclusiva da empresa incorporada, não se pode admitir, também, a transferência das penalidades em razão do seu caráter personalíssimo, conforme já assentou a jurisprudência judicial e administrativa sobre o tema; os juros calculados com base na taxa SELIC não podem ser exigidos sobre a multa lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Posteriormente, em 10/01/2011, o interessado retificou a impugnação no que diz respeito às informações sobre a incorporação: a ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S.A é que foi incorporada pelo interessado. Tratase de empresas pertencentes a diferentes grupos econômicos, com administrações completamente distintas e independentes (fl.376). A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio do Acórdão 1237.833, de 14/06/2011 da DRJ/RJI, (fls.381), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anos calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE Incabível a alegação de nulidade, comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e não se apresenta nos autos nenhum dos motivos apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, sujeitandose à incidência de juros Selic se não for paga tempestivamente. MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA INCORPORADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos créditos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a tributos, mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidas pelo descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois do evento sucessório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anos calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anos calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Segundo a legislação de regência, são indedutíveis na apuração do lucro real os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa por força de Fl. 535DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 4 7 provimento judicial. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de dedutibilidade. ERRO DE CÁLCULO DO ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA. Retificase a exigência, ante a comprovação de que o percentual de 10% foi aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Passo a seguir ao voto. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Vêse do relatório que tratase no presente processo de exigências de IRPJ e CSLL cumulados de multa de ofício de 75% e juros de mora, decorrentes de autos de infração, lavrados em 08/12/2010, em vista da constatação pela autoridade fiscal que a contribuinte: (I) excluiu indevidamente da base de calculo do IRPJ e CSLL tributos com a exigibilidade suspensa e os juros correspondentes e, (II) compensou em excesso prejuízos fiscais nos anos calendários de 2005 e 2008. A apreciação do recurso voluntário darseá na ordem que apresentada as matérias: I) “DA ILIQUIDEZ E INCERTEZA DO AUTO DE INFRAÇÃO” Neste ponto ataca a ora recorrente a nulidade do auto de infração alegando que a fiscalização aplicou a alíquota de 25% (15% + adicional de 10%) em desconformidade com a legislação (art. 542 do RIR/1999). Aduzindo que o vício apontado não só atinge a apuração do IRPJ, mas, também, com relação ao suposto excesso de compensação de prejuízo fiscal. A autoridade julgadora de primeira instancia assim decidiu: “Assiste razão ao interessado ao alegar erro no cálculo do adicional de IRPJ, uma vez que a fiscalização não observou o disposto no art. 542 do RIR/1999: Art. 542. A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de vinte mil reais pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeitase à incidência de adicional de imposto à alíquota de dez por cento. O percentual de 10% foi aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei. O cálculo manifestamente errado, ainda que reduza o crédito tributário anteriormente exigido, não macula a estrutura do lançamento, razão pela qual não dá causa a sua nulidade. Isto posto, é devido o IRPJ no valor de R$ 2.177.112,92” Na redução do IRPJ devido acima o relator de primeira instância considerou a compensação de prejuízos fiscais conforme demonstrado no voto condutor. Com relação a nulidade do lançamento, me filio às argumentações contida no voto, a saber: “A nulidade do lançamento só é levada a efeito quando se comprova que o auto de infração não foi formalizado com obediência a todos os requisitos de validade previstos no art. 142 do Código Tributário NacionalCTN e quando se apresenta no processo algum dos motivos apontados nos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, o que não ocorreu no caso presente. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 5 9 Se o crédito tributário foi apurado de forma equivocada, como alega o interessado, há que se reconhecer a improcedência total ou parcial da exigência, mas não inquina de nulidade o auto de infração” II) “DA INDEVIDA ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO PELA TURMA JULGADORA” Neste item a recorrente alega que “Ainda, em que pese ter sido reconhecido, acertadamente, pela Turma Julgadora, o equivoco cometido pela Fiscalização, com relação à conclusão não se pode atribuir o mesmo êxito aos Srs. Julgadores, que deixarem de cancelar integralmente o auto de infração de IRPJ, mesmo diante da nulidade apontada, para tentar consertálo determinando que o montante principal lançado fosse retificado de R$ 2.261.112,92 para R$. 1.177.112,92. Contudo a decisão recorrido merece ser reformada por esse E. Conselho, a fim de que o auto de infração seja integralmente cancelado, tendo em vista a evidente incompetência da Turma Julgadora para constituir novos lançamentos.” Cita diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes. Tal alegação, ao meu ver, não encontra respaldo no Direito Tributário. O art. 145 do CTN assim determina: "Art. 145. o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: 1— impugnação do sujeito passivo; II — recurso de oficio; III — iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149." Ou seja, é exatamente pela apreciação da impugnação que surge a oportunidade de ajustar o lançamento à legislação utilizada como ânimo. In casu, foi exatamente o que fez a autoridade julgadora a quo. Reduziu a base de cálculo e conseqüentemente o montante do crédito tributário anteriormente determinado com a finalidade de atender a todos os ditames legais que envolvem o lançamento, passíveis de serem corrigidos, afastando os vícios e erros de aplicação da lei, ou declarando nulo, em parte ou no todo, quando insanáveis. Por outro lado, o art. 18 do Decreto 70.235/72, que trata da realização de diligências, assim determina no § 3o.: 3° Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada." (g.n.) Da simples leitura do dispositivo acima constatase que a devolução do prazo para impugnação é numerus clausus, ou seja; é garantida legalmente somente em caso de "agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência". Fl. 538DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 E nenhuma dessas circunstâncias foi motivo para o provimento parcial da impugnação. Verificase nos acórdãos reproduzidos pela recorrente, como suporte aos seus argumentos, que os mesmos são referentes à ocorrência de um dos fatos narrados na norma, o que não é o caso dos presentes autos. Assim, inexistiram agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, existiu apenas correção de alíquota na apuração do crédito tributário com imperfeição pelo agente fiscal. Esse fato não enseja nulidade do procedimento, mas somente o seu aperfeiçoamento. Para isso existem as instâncias administrativas recursais. III) “DA NATUREZA DOS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA COMO OBRIGAÇÕES LEGAIS” IV) “DA AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ADIÇÃO À BASE DE CALCULO DA CSLL DOS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA” V) “DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS RELATIVOS A TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA” VI) “DA NECESSIDADE DE RESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA TIPICIDADE CERRADA” Aqui a recorrente protesta que os valores considerados indedutíveis não possuem a natureza de provisões, mas de despesas efetivas. De modo que o dispositivo aplicável não é o art. 13 da Lei 9.249/95, mas sim o art. 41, da Lei 8.981/95. Aduz, mais: “Diante da ausência de previsão legal para adição à base de calculo da CSLL dos tributos com exigibilidade suspensa e à base de calculo do IRPJ e da CSLL dos juros respectivos, verificase que a Turma Julgadora, ao manter a glosa das referidas despesas, desrespeitou o princípio constitucional da legalidade.” Cabe, de início, transcrever o art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável” Pois bem, antes de adentrar na matéria de fato discutida neste item, fazse necessário algumas considerações acerca das normas que tratam do regime de competência, da dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa, e por fim, do conceito de provisão e despesas (contas a pagar) que trará subsídios para definir a presente lide. De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404/76), a escrituração da companhia deve observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e Fl. 539DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 6 11 registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Por este regime, as receitas devem ser contabilizadas no períodobase em que constituído o direito ao seu recebimento, os custos e as despesas, naquele em que constituído o dever jurídico de efetuar o pagamento. Sendo assim, as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, independentemente do seu recebimento ou pagamento. Portanto, por estar condicionada a um evento futuro, que poderá resultar em efeitos favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, evidenciase que o valor do tributo/contribuição com exigibilidade suspensa é uma provisão e não despesas incorridas (contas a pagar) conforme entende a recorrente. Com o advento da Lei n° 8.981/95, seu artigo 41 reintroduziu o regime de competência para a dedutibilidade dos tributos e contribuições na determinação do lucro real, com exceção para os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172/66, havendo ou não depósito judicial, conforme disposto no § 1°. do referido dispositivo legal, a seguir transcrito: "Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n°5.172. de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial." Assim, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95 e tendo em vista a necessidade da formação da provisão para o registro dos tributos com exigibilidade suspensa, em função de sua contingência passiva em exercício futuro, os valores apropriados como despesa no anocalendário, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Da mesma forma em relação aos juros e atualização monetária correspondente às provisões, eis que o acessório sempre acompanha a natureza de seu principal, pois o mesmo inexiste sozinho. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho, vejamos alguns exemplos: "IRPJ. CSLL. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 10196.271, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 152.038, Relator Paulo Roberto Cortez, julgado em 09.08.2007)” "CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, Fl. 540DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 10195.727, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 135.395, Relator Valmir Sandri, julgado em 20.09.2006)” "PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Configurandose numa situação de solução indefinida que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos cuja exigibilidade estiver suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Publicado no D.O.U. n° 57, de 25/03/2008. (Acórdão 10323.339, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 136.419, Relator Leonardo de Andrade Couto, julgado em 22.01.08)” O fato é que, a razão para que a lei determine a indedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa é a simples inexistência da despesa efetiva, na medida em que os tributos sobre os quais incidem podem ou não serem devidos/pagos, dependendo do resultado final do processo judicial. Em sendo assim, por constituir os juros em acessórios do principal, seria ilógico admitir sua dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, e mais ilógico ainda querer uma norma especifica para tratar de sua dedutibilidade, eis que um não vive sem o outro (principal/juros). Sendo assim, não merece prosperar a alegação do contribuinte de que os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa representam verdadeiras despesas e não meras provisões, bem como os juros respectivos. VII “DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE MULTAS NA HIPÓTESE DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO” Da recorrente: “Caso não sejam acolhidos os argumentos até aqui expostos, suficientes para a reforma da decisão recorrida e o cancelamento integral do auto de infração objeto do presente processo, não poderá prosperar as multas de ofício mantida , pois ainda que se tivesse sido cometida alguma infração, o que se alega ad argumentandum, não teria sido cometida pela Recorrente, mas por sua incorporada ABN AMRO Brasil Dois Participações S/ª” Em convergência com reiteradas manifestações deste E. Conselho adoto a linha de raciocínio que em se tratando de responsabilidade da sucessora, nos termos do art. 132 do CTN, restringese ao tributo não pago pela sucedida, dele não fazendo parte a multa. Cabendo citar o Acórdão n. 10194.480, de 28/01/2004, cuja ementa tem a seguinte redação: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 7 13 "RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. O sucessor não responde pela multa de natureza fiscal que deve ser aplicada em razão de infração cometida pela pessoa jurídica sucedida, em exigência fiscal formalizada após a incorporação." E o Acórdão de n 10193.582, assim ementado: "RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. Multa. Tributo e multa não se confundem, eis que esta tem caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa. Inteligência dos arts. 3.° e 132 do CTN.» Decisão do STF no RE n.° 90.834MG, relator o Ministro DJACI FALCÃO, RTJ n.° 93, pág. 862)." Nesse sentido, peço vênia para transcrever trechos do voto proferido pela ilustre Conselheira Maria Tereza Martinez López, no Acórdão n° 20219.436, de 05/11/2008. O CTN reserva um capítulo específico à responsabilidade tributária (Capítulo V), dentre os inseridos no título da obrigação tributária. Composto pelos arts. 128 a 138, pode ser dividido em três partes: A primeira envolve uma disposição geral (art. 128), que em verdade dispõe mais especificamente sobre a responsabilidade por substituição tributária ou responsabilidade originária, em que o substituto é eleito em lugar do contribuinte de antemão, antes da ocorrência do fato jurídico tributário, nos termos em que a lei estabelecer; a segunda trata da responsabilidade tributária por transferência ou supletiva 3, relativa aos sucessores (arts. 129 a 133) e aos terceiros enumerados no art. 134 do CTN, em que os responsáveis somente assumem a responsabilidade tributária em virtude de fatos posteriores ao surgimento da obrigação tributária; a última se refere à responsabilidade por infrações, tratadas nos arts. 136 a 138. Interessa, na presente análise, a responsabilidade tributária por transferência, enquadrada como sujeição passiva indireta, regulada pelos arts. 129 a 135 do CTN. Mais especificamente a responsabilidade dos assim chamados sucessores (art. 132). No caso específico, a figura da incorporação. Nesse contexto, é de suma importância transcrever o disposto no art. 132 assim redigido: Art. 132 A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Uma primeira conclusão, não sujeita a contestação, quer doutrinária ou jurisprudencial, é a de que o "tributo" será sempre devido pela pessoa jurídica que resultar de incorporação. Isto porque a lei assim expressamente o diz. O CTN construiu sua sistematização em torno do art.3°, o qual define o tributo como: "uma prestação pecuniária compulsória, em moeda (...), que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei...". É importante ressaltar, pela própria dicção legal, o que não é tributo, ou seja: tributo não é sanção decorrente de ato ilícito. Em conseguinte, toda vez que o contribuinte efetuar um pagamento aos Fl. 542DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 cofres públicos por ter cometido um ilícito, tal prestação não constitui tributo, mas multa. E multa não é tributo. Por outro lado, a contrariu sensu, caberia a indagação de saber como o legislador, contrariando o art. 3° do CTN, classifica a penalidade pecuniária como uma espécie de obrigação tributária. Isto porque, o § 3° do art. 113 do CTN, ao dizer que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária" traz de forma contraditória o disposto na regra principal estabelecida pelo art. 3°. Em outras palavras, o art. 3° descarta a sanção como tributo para, depois, o art. 113, § 3°, do CTN transformar a pena pecuniária advinda da inobservância de uma obrigação legal, em obrigação tributária. Nesse embate, esta Conselheira fica na sistematização construída pelo art. 3° do CTN, regra matriz do ordenamento básico do próprio código tributário. A incorporação é de direito a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra sociedade. Em conseqüência dessa absorção extinguese a sociedade incorporada, sucedendolhe, em todos os direitos e obrigações, a sociedade incorporadora. A operação de incorporação pode ser realizada entre sociedades que tenham controle societário comum (dentro do mesmo grupo econômico) ou que não tenham vínculo algum, como é o caso dos autos. Em se tratando de responsabilidade tributária, as expressões utilizadas no CTN, numa interpretação literal, devem ser lidas como se referindo aos seguintes valores: "crédito tributário" engloba todos os valores concernentes à obrigação tributária: além do valor do tributo (principal), o dos juros e o das penalidades (multa de mora ou de oficio); "tributo" quer dizer valor principal, com inclusão dos juros de mora (mas não das penalidades), se o recolhimento for efetivado após o prazo de vencimento (os juros são aplicados em decorrência da mora, simplesmente, não se confundindo com penalidade) e; "penalidade" referese à multa de oficio ou à multa de mora (uma ou outra), embora saibamos que outras penas, como a de apreensão e perdimento de mercadoria também são utilizadas, em menor grau. De forma didática, confirase especificamente as expressões utilizadas no Código Tributário Nacional, pelo legislador: os arts. 128, 129, 130, 135 CTN crédito tributário; os arts. 131, 132 e 133 CTN Tributo; o art.134 CTN penalidades de caráter moratório. Em se tratando de imposição de multa, imprescindível a obediência ao princípio da legalidade e o da tipicidade, que se completam como instrumento de defesa da liberdade humana. Onde o legislador não faz referência, não cabe ao intérprete fazêlo. Feitas as considerações acima, podese dizer que, como regra geral, a denominação "tributo" inserida no art. 132 do CTN não é extensiva à multa. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 8 15 Há de se observar haver hipóteses em que o sucessor responde ou não pela multa. Para tanto, importante se dividir a matéria em três tópicos: "i créditos tributários definitivamente constituídos, isto é, as dívidas fiscais anteriores à sucessão; ii créditos tributários em curso de constituição, ou melhor, as dívidas fiscais que estavam sendo apuradas ou lançadas no momento da sucessão; e iii créditos tributários constituídos depois da sucessão, ou seja, as dívidas constituídas posteriormente à data da sucessão, embora originárias até a sucessão." Interessanos o grupo (iii) porque o início da fiscalização é posterior à incorporação. Neste grupo estão representados os créditos tributários constituídos depois da sucessão, ou seja, as dívidas constituídas posteriormente à data da sucessão, embora originárias até a sucessão. A jurisprudência dos tribunais superiores e de parte dos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, na interpretação do art. 132 do CTN, é pacífica no sentido de que a transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada (constituída) antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. Como prémencionado, não é o caso ora analisado, porque o início da fiscalização é posterior à incorporação. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. Se não há previsão, responsabilidade não há. Portanto, em se tratando de responsabilidade da sucessora, nos termos do art. 132 do CTN, restringese ao tributo não pago pela sucedida, dele não fazendo parte a multa. Neste item, dou provimento parcial ao recurso para afastar a multa de ofício por se tratar de incorporação antes do início da fiscalização. VIII “DA EFETIVA ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DO IRPJ DA DIFERENÇA DE R$.68.197,35” Aqui, também, cabe razão a recorrente. Constatase do Termo de Verificação Fiscal que o valor de R$.68.197,35 referente a PIS/COFINS do mês de dezembro/2005, com exigibilidade suspensa foi considerado pela fiscalização como não adicionado ao Lucro Real. No recurso voluntário a contribuinte anexa o “Demonstrativo do Lucro Real” do período de 01/01/2005 a 30/06/2005 onde encontrase registrado como ADIÇÃO o valor de R$ 4.357.338,76 e EXCLUSÃO o valor de R$ 4.289.141,41 a título de PIS/COFINS com exigibilidade suspensa, sendo a diferença no valor de R$ 68.197,35. O que de fato resta comprovado que o valor da diferença foi adicionado ao Lucro Real apurado quando da cisão parcial do período de 01/01/2005 a 30/06/2005. O saldo remanescente de R$.6.869.302,65 referese ao montante adicionado após cisão parcial (01/07/2005 a 31/12/2005). Portanto é de se concluir deva ser excluído da base de calculo do IRPJ exigido o valor de R$ 68.197,35. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 IX “DA INEXISTÊNCIA DE EXCESSO DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NO ANO BASE DE 2005” Ao contrario do alegado pela recorrente os fatos atestam a consistência dos valores constantes do demonstrativo SAPLI, a partir de informações prestadas pelo próprio contribuinte nas DIPJs. Observase, no Livro LALUR, que os prejuízos apurados em 30/06/2005 “Não Operacional” no montante de R$ 2.802.273,46 e “Prejuízo Fiscal” no montante de R$ 1.752.501,89 (fls. 202/203). Entretanto, em face da cisão parcial, só poderia dispor de 78,23% destes prejuízos, ou seja, “Prejuízo não operacional” 2.192.218,53 e “Prejuízo fiscal” de R$ 1.370.982,23. Verificase, no caso, divergência entre os valor de prejuízos controlados no SAPLI e os informados no LALUR, em 31/12/2005. “Prejuízo não operacional”, SAPLI: R$ 2.192.218,53 e LALUR: R$ 2.306.956,08; “Prejuízo Fiscal”, SAPLI: R$ 1.370.982,23 e LALUR: R$ 1.917.086,40. Resta demonstrado que a parcela correspondente ao valor vertido do prejuízo não operacional para outra empresa (R$ 610.054,93) não foi excluída do saldo de prejuízo controlado no LALUR. Relativamente ao prejuízo fiscal, a parcela excluída foi inferior à devida, ou seja, não corresponde ao percentual vertido de 21,77%. Quanto à alegada transferência de parte do prejuízo não operacional para operacional (R$ 495.317,38), cabe destacar que a alteração procedida no LALUR não encontra respaldo na DIPJ (fls.379/380) e no balancete de verificação de junho de 2005 (fl.224). Em ambos os demonstrativos, o prejuízo não operacional é de R$ 2.802.273,46, tal qual escriturado inicialmente no LALUR. Portanto a suposta transferência não tem qualquer efeito fiscal. Desta feita, se na apuração do lucro real do período de 01/07 a 31/12/2005, foi compensado prejuízo fiscal de R$ 1.917.086,75, conquanto o saldo existente fosse de R$ 1.370.982,23, houve sim compensação indevida de R$ 546.104,52. Na apuração do lucro real em 28/11/2008 (nova cisão parcial), também ocorreu compensação indevida de R$ 2.306.956,08. Isto porque, nesta data, o único prejuízo existente era o não operacional, que nos termos da legislação supracitada só poderia ser utilizado para compensar lucro de mesma natureza. Conforme demonstração de resultado transcrita na Ficha 06 A da DIPJ (fl.142), não foi apurado resultado não operacional positivo no período de 01/01 a 28/11/2008. Concluise, pois, que na apuração do crédito tributário, agiu corretamente a fiscalização ao reconstituir as compensações efetuadas pela contribuinte em conformidade com a legislação vigente, mesmo porque a recorrente não comprova, nos autos, as alegações de sua defesa. X DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA” Penso que a matéria deixa de ter importância em razão do entendimento acima relatado por este Conselheiro Relator de que em se tratando de incorporação, não há de se exigir a multa, nos termos do que dispõe o art. 132 do CTN. Em razão do exposto, prejudicada está a sua apreciação. É certo que também, somente na eventualidade de ser vencida pelos meus ilustres pares desta Eg. Turma, no que diz respeito à exclusão da multa, em face da incorporação, é que a questão deve ser enfrentada. Não sendo este o caso, desnecessária a sua análise. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 9 17 A vista do todo acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário no sentido de (I) excluir da base de calculo do IRPJ exigido o valor de R$ 68.197,35 e; (II) afastar a multa de ofício por se tratar de incorporação antes do início da fiscalização. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 546DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900875/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2011 a 30/06/2011
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL.
Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Numero da decisão: 3401-005.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2011 a 30/06/2011 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10384.900875/2012-41
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879167
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.127
nome_arquivo_s : Decisao_10384900875201241.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 10384900875201241_5879167.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7362144
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587178729472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.900875/201241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.127 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente ECB ROCHAS ORNAMENTAIS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2011 a 30/06/2011 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 08 75 /2 01 2- 41 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP o ressarcimento de crédito presumido de IPI apurado nos meses de abril, maio e junho de 2011 (2º trimestre), no valor de R$ 15.254,16. Em ato contínuo declarou, também, via PER/DCOMP a compensação desse crédito com débitos de IRPJ do 2º Trimestre de 2008 e do 4º Trimestre de 2011; e CSLL do 2º e 2º Trimestre de 2011. Do Despacho Decisório A DRF de Teresina em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório pela não homologação da compensação declarada, pela inexistência de crédito a ser utilizado (rastreamento nº 031029667 de 04/09/2012) e procedeu com a intimação da contribuinte para efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. O Despacho vem fundamentado nos seguintes termos: "Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho". Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a resposta a ela endereçada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade da qual se destaca os seguintes pontos: (i) que tem direito ao montante do crédito presumido de IPI requerido, pois a Lei nº 9.363/96 não faz restrição ao fato de o produto exportado ser ou não tributado pelo IPI, além da jurisprudência de nossos tribunais ser uníssona nesse sentido e transcreve diversos julgados; (ii) contesta a redução da base de cálculo do crédito presumido com a glosa das aquisições de pessoa física, cooperativa e transferência entre matriz e filial, porque o benefício tem como escopo principal desonerar os produtos finais para exportação, compensandose as contribuições do PIS/Pasep e da COFINS embutidos nos preços das matériasprimas e insumos usados no processo de fabricação, inclusive os recebidos de outro estabelecimento da mesma empresa, acrescidos do material de embalagem. Transcreve vasta jurisprudência a seu favor sobre a matéria. (iii) requer, ainda, o reconhecimento da correção monetária de seu crédito pela SELIC, desde a data do pedido de ressarcimento. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/BEL, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Cabe destacar do voto, com relação as demais matérias relacionadas a aquisições de cooperativa, de pessoas físicas e de transferências entre estabelecimentos da mesma empresa, que a decisão de piso atevese ao motivo para o indeferimento, citando a seguinte parte: “Não obstante as considerações anteriores, nos deparamos com impedimento legal para a concessão do Crédito Presumido do IPI requerido nas Per/Dcomps acima discriminadas, tendo em vista que toda a receita de exportação da empresa, no período 01/2009 a 09/2011 seja proveniente do produto quartzito mourisca, classificado sob o código 2506.20.00, da Tabela de Incidência do IPI, classificado NT, que, nos termos do art. 21 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 420/2004, não dá direito ao Crédito Presumido do IPI” Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, em sua literalidade e pugna por seu acolhimento, julgandose ao final improcedente a glosa realizada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 5 4 A peça recursal limitase a reproduzir aquilo que foi dito na Manifestação de Inconformidade, sem contestar nenhum ponto das razões que fundamentaram a decisão recorrida. A contribuinte, com base em seus registros fiscais, ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos conferidos pela Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, instituído para compensar valores de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem utilizados no processo produtivo de produtos destinados ao mercado externo. Estabelece a Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Vimos, portanto, que a mencionada lei contempla um incentivo fiscal e assim deverá ser tratada, respeitando a literalidade de seus termos, a fim de se evitar eventual prejuízo as partes por falha de interpretação, mesmo que se adote suporte conceitual de outros dispositivos legais. Partindo do texto da Lei nº 9.363/96, art. 1º, temos que quem faz jus ao crédito presumido de IPI é o produtor e exportador de mercadorias nacionais, tendo por finalidade a compensação do PIS e COFINS incidentes nas operações de aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, para utilização no processo produtivo. Já a forma de se calcular o crédito presumido de IPI, art. 2º da Lei nº 9.363/96, dividese em três partes: a 1ª é estabelecer o percentual correspondente a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor/exportador; a 2ª é fazer incidir o percentual encontrado na 1ª etapa sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME adquiridas no mercado interno, cujo resultado podemos chamar de base de cálculo; e a 3ª é aplicar o percentual previsto no § 1º (5,37%) sobre a base de cálculo encontrada na 2ª etapa. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 6 5 Quanto a verificação fiscal realizada, embora sendo por amostragem, sobre os documentos fiscais de compra de insumos no período e sua correta escrituração, efetuando glosas referente aquisições de pessoas físicas, de cooperativa e também, de produtos objeto de transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, a interessada preferiu defender simplesmente a tese de que o crédito é presumido e todos os custos de produção atinentes a matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, devem ser, irrestritamente, considerados. A lide, portanto, restringese a discussão sobre o enquadramento do produto exportado denominado “quartzitos”, classificado sob o código 2506.20.00 da tabela TIPI, considerada como produto NT, tido como único produto exportados no período, afastando, dessa forma, a totalidade do crédito pretendido. Os argumentos colocados no voto da decisão de piso tem por definição que estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (IPI), excluídos aqueles a que correspondem a notação “NT” (nãotributado). Esse, inclusive, foi o entendimento externado pela CSRF 3º Turma, contido no voto vencedor do acórdão nº 9303 004.890 (23/03/2017), que ao analisar os art. 2º e 8º do RIPI/2002, fez a seguinte colocação: Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Com relação a recorrente não há dúvida que a mesma seja estabelecimento industrial, pois o próprio fisco atesta que outros produtos são industrializados por ela e assim foram reconhecidos. A incidência do IPI não se dá pela classificação do estabelecimento, mas sim, se o produto foi ou não industrializado, se passou por alguma etapa do processo de industrialização. O conceito de produto industrializado está definido no art. 3º do Decreto 7.212/2010: “Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida no RIPI como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária”. O que caracteriza industrialização, está definido no art. 4º do mesmo Decreto: Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 7 6 IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Mais adiante, no art. 5º do Decreto 7.212/2010, está relacionado tudo que “Não se considera industrialização” e nenhum de seus itens relaciona o produto de classificação 2506.20.00, ou dos produtos classificados na TIPI como “NT”. Vem contribuir para a presente discussão o julgado a seguir transcrito: O IPI incide sobre o produto, não sobre a produção. Incide sobre o produto industrializado, não sobre a industrialização. Ou, como salientou o Ministro José Delgado, "não é o ato de industrialização que gera a incidência do IPI, posto que este recai no produto objeto da industrialização" (STJ, REsp 216.217/SP, 1ª Turma, DJ de 29/11/1999, p. 130) Em suma, a Constituição não estabelece a tributação da industrialização, mas prevê a incidência do imposto sobre a operação que tem produto industrializado como objeto. Não há, pois, óbice de natureza constitucional de que o contribuinte do IPI seja pessoa diversa daquela que realizou o processo de industrialização. A limitação contida no art. 153, IV, da Constituição diz respeito apenas ao alcance das expressões "produto" e "industrializado". Produto é aquilo que é criado, gerado, elaborado. É o bem com expressão econômica, destinado ao comércio ou consumo. E para estar sujeito à incidência do tributo, o produto deve ser industrializado, o que significa nos termos do art. 46 do CTN, ter sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (TRF4 501375927.2011.4.04.7108, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 08/08/2013). Até aqui poderíamos atribuir razão a recorrente, caso o fato restringisse apenas ao enquadramento do produto objeto da glosa, na classificação em código da TIPI na condição de NT – nãotributado. Mas o que afasta a pretensão da recorrente, do direito de se apropriar de crédito presumido de IPI nas exportações de “quartzitos”, classificação NCM 2506.20.00, é a completa ausência de provas de que o produto passou por algum processo ou submetido a qualquer operação que lhe modificasse sua natureza. Nada foi trazido aos autos em matéria de prova da submissão do produto “quartzitos” ao processo de industrialização. Diante da ausência de qualquer material informativo sobre o produto exportado, objeto de glosa de crédito presumido de IPI, levome a concluir que efetivamente realizouse a exportação de “quartzito” embalado em seu estado natural, na forma como Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 8 7 extraído da mina, sem ser submetido a nenhuma operação que o modificasse, impedindo seu enquadramento como produto industrializado. Com relação a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o crédito requerido, a partir do seu pedido, não assiste razão à recorrente. O pedido de ressarcimento veio acompanhado de declaração de compensação, que independentemente do resultado da análise fiscal e do resultado desse julgamento, não restará crédito a ser restituído. Totalmente despiciendo esse pedido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900307/2006-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Indefere-se o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência.
Numero da decisão: 1002-000.294
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Indefere-se o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10940.900307/2006-40
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894753
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.294
nome_arquivo_s : Decisao_10940900307200640.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 10940900307200640_5894753.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente - Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7403770
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587200749568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 34 1 33 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.900307/200640 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.294 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Simples PER/DCOMP Recorrente R. A. CASTRO GREIDANUS SERVIÇOS AGRÍCOLAS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Indeferese o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 03 07 /2 00 6- 40 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 35 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 32) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 23/29), proferida em sessão de 05 de fevereiro de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0620.905, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 02) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 03), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 01947.98945.271003.1.3.040126, transmitido em 27/10/2003, e não homologou a compensação declarada, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO . DECADÊNCIA. A apresentação depois de decorrido o prazo decadencial de Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, a qual deveria substituir a Declaração Anual Simplificada, em face da a contribuinte ter sido excluída do beneficio, impede a apreciação do pleito de compensação. Compensação não Homologada Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o processo de pedido de PER/DCOMP N.º 01947.98945.271003.1.3.040126, protocolizado em 27/10/2003, no valor de R$ 1.202,75, atinentes ao período de apuração 30/06/2002, com valores supostamente apurados pelo Lucro Presumido, relativos ao anocalendário de 2002, em decorrência de a interessada ter sido excluída da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002. Instruindo o pedido consta cópia de DARFSimples (código de receita 6106) de fl. 8. A DRF em Ponta Grossa/PR, por meio do despacho decisório de fls. 02, tomou a seguinte decisão Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 1.202,75. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 36 3 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte foi cientificada em 04/08/2008 (AR de fl. 13), e apresentou, em 21/08/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 01, onde esclarece que ao ser excluída do Simples, efetuou levantamento do valor total dos débitos pelo lucro presumido e recolheu as diferenças devidas, compensando com os valores já recolhidos sob o código 6106, por meio de PER/DCOMP, razão pela qual entende que o pleito deve ser deferido. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2002 6106 R$ 1.394,32 23/07/2002 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 1278305231 R$ 1.394,32 DB: cód 6106 PA 01/06/2002 R$ 1.394,32 Valor Total R$ 1.394,32 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a não homologação da compensação. A decisão recorrida não acolheu o pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, quando já presente a decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002. Eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Assim, tendo sido excluída do Simples a contribuinte tinha a obrigação de retificar a declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples. (...) Ocorre que tal providência não foi adotada e a interessada se limitou a pedir a compensação dos valores recolhidos sob a sistemática do Simples, com parcelas decorrentes de apuração de seu resultado pelo Lucro Presumido, sem proceder a entrega da declaração referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido. Conforme consta dos documentos acostados ao processo, tal iniciativa só foi adotada depois que a contribuinte tomou conhecimento da não homologação do pleito, ou seja, a declaração retificadora foi apresentada, apenas, em 13/08/2008. Cabe também ressaltar que ela não apresentou as DCTF do ano calendário de 2002, conforme tela do sistema SIEF. Assim, quando da análise dos pedidos de PER/DCOMP, a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada entregue à época própria e cujos valores já haviam sido quitados por DARF específico. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 37 4 Para estabelecer se a entrega da declaração retificadora obedeceu ao prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, importa analisar em qual modalidade de lançamento o Simples está inserido, ou seja, se ela constitui lançamento por declaração ou por homologação. (...) No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no último dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (último dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n.º 437.546. Neste caso há que se reconhecer que a administração tributária, depois de efetuar a exclusão da interessada, deixou fluir o prazo decadencial sem adotar medidas concretas, visando o efetivo cumprimento da norma, em relação ao anocalendário de 2002, razão pela qual entendo que o pleito da interessada é inócuo. A inércia da autoridade fiscal e a intempestividade da ação do contribuinte contribuíram para que só se tomasse conhecimento da situação irregular da interessada, com relação ao anocalendário de 2002, depois de já decorrido o prazo decadencial. Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (específico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. Indeferido o pleito, a contribuinte foi cientificada em 04/08/2008. Só então, providenciou a apresentação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido, conforme tela de fl. 19, que foi recepcionada em 13/08/2008. Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 38 5 das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) quando da transmissão das PER/DCOMP a interessada deixou de apresentar a competente Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido que daria suporte a apreciação do pleito, portanto, quando da apreciação do pedido o que a autoridade fiscal constatou foi a existência de uma Declaração Anual Simplificada, cujos débitos haviam sido extintos pelos DARF que a interessada pretende utilizar para abater débitos do Lucro Presumido; ii) as PER/DCOMP apresentadas em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto terem sido transmitidas antes da vigência das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003; iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de dívida; iv) quando da recepção das PER/DCOMP não se procedeu ao lançamento dos valores nelas informados com vistas a preserválos do instituto da decadência já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação obedece ao disposto no § 4.º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, qual seja, cinco anos a contar da data fato gerador; v) a apresentação intempestiva da Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, ocorrida depois de a contribuinte ter tomado ciência do indeferimento ao pedido de compensação é inócua pois, em se tratando de empresa que era do Simples, os fatos geradores do anocalendário de 2002 já foram atingidos pela decadência, sendo improcedente; e vi) finalmente, deve ser declarada improcedente qualquer tentativa de a autoridade fiscal vir a exigir algum valor por ventura remanescente. Conclusão do Voto Isso posto, voto por não acolher a reclamação contra o indeferimento do pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, protocolizado em 27/10/2003, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, em face da decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002, e por manter a não homologação das compensações declaradas. No recurso voluntário, o contribuinte alega que a decisão vergastada não acatou o PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte na qual se compensavam valores anteriormente recolhidos na modalidade do Simples com valores devidos no lucro presumido. Diz que, após ter realizado os cálculos pelo lucro presumido, recolheuse os valores devidos em espécie, compensandose os valores anteriormente recolhidos na sistemática do Simples. Sustenta que o Conselho de Contribuintes em decisão unânime já reconheceu que os valores recolhidos na sistemática do Simples obrigatoriamente devem ser compensados com os tributos devidos pelo regime do lucro presumido (Acórdão n.º 10323414, Diário Oficial da União, Seção 1, de 3 de setembro de 2008, página 28). Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 39 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Vencido Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 20/02/2009, sextafeira, efls. 30/31, e protocolo em 11/03/2009, efl. 32), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito observo que assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 40 7 Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento, em Despacho Decisório (DD), de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto, supostamente, não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da suposta situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da suposta utilização integral do valor recolhido, de modo que não restaria saldo residual para restituição. Ocorre que, é equivocado afirmar que houve a utilização integral do DARF em quitação de definitivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), pois o recolhimento se processou no código 6106 (Simples) para apuração de tributação no Regime Especial, no entanto o contribuinte foi excluído do Simples e, exatamente, por isso, gerou o pedido compensação, objetivando aproveitar os pagamentos no código 6106 para integralizar o que era devido a partir da apuração dos novos valores tributáveis com base no lucro presumido (vide PER/DCOMP efls. 4/8). Tanto é que a DRJ reconheceu esta problemática, reconhecendo que não houve utilização integral do DARF em efetivo e definitivo crédito tributário, porém, pasmem, ao meu ver criando novo impasse, modificou o critério jurídico da decisão do despacho decisório, que era pela inexistência de saldo do DARF, para afirmar que, na verdade, tinhase uma questão de decadência. De qualquer sorte, aplico o § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com suas alterações, para não decretar a nulidade. Ora, a não homologação do PER/DCOMP teve por critério jurídico a inexistência de saldo do DARF; a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada do Simples entregue à época própria e cujos valores foram quitados com o DARF. Reconhece a DRJ que, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106, os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, face a não transmissão da declaração retificadora (Declaração Anual pelo Lucro Presumido). Logo, resta evidente que a DRJ reconhece que este critério jurídico é equivocado e não subsiste, porém, em contraponto à vedação do art. 146 do CTN, a primeira instância sustenta alegada decadência do direito de restituição (outro critério jurídico para não homologar a compensação). Deveras, a DRJ informa que o sujeito passivo foi excluído do Simples e, neste diapasão, fundamenta que ele estaria obrigado a retificar a sua declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples, sendo que, neste contexto, o sujeito passivo não teria tomado a providência a tempo e modo, assim Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 41 8 incidindo na decadência para os recolhimentos no código 6106 (código do Simples), de forma que não poderia haver a compensação, pois, com a entrega da declaração retificadora, referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido, apenas em 13/08/2008, estarseia diante da decadência para fatos geradores do anocalendário 2002. Não me parece razoável concordar com a mudança do critério jurídico, de toda sorte, é bom anotar que a DRJ vai mais além e, apesar de não ter homologado a compensação, a primeira instância consigna que os PER/DCOMP apresentados em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto que foram transmitidos antes da vigência das alterações que o caracterizaram como tal, também atesta que não se transmitiu DCTF, que também caracterizaria uma eventual confissão de dívida, e, por fim, informa que não se procedeu ao lançamento dos valores informados no PER/DCOMP com vistas a preserválos do instituto da decadência do lançamento de ofício (relativo as diferenças) já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação, obedece ao disposto no § 4.º do art. 150 do CTN, concluindo que é improcedente qualquer tentativa da autoridade fiscal exigir algum valor porventura remanescente no PER/DCOMP não homologado. Portanto, a DRJ reconhece a decadência do contribuinte e reconhece, de igual modo, a decadência da Administração Tributária, mas no dispositivo, na conclusão do voto, fala só na decadência do contribuinte. De mais a mais, observo o disposto na Súmula CARF n.º 76, a qual enuncia que: "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 180301.000, de 2/8/2011, 910101.037, de 27/6/2011, 910100.949, de 29/3/2011, 1402 00.017, de 28/7/2009, 10517.110, de 26/6/2008. Além disto, tornouse vinculante conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Vejase. O objeto em comento é PER/DCOMP com créditos lastreados em DARF, com Código 6106 (Simples), no qual se utiliza o crédito para compensar recolhimento do lucro presumido para período de apuração originalmente do Simples, que foi recalculado por força da exclusão do regime especial. Neste diapasão, a conclusão é uma só, qual seja, não há óbice ao aproveitamento de pagamentos realizados com o código 6106 (Simples), quando for utilizado o crédito para compensar tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime adotado justamente em razão da exclusão do Simples. Isto porque, de acordo com a Súmula CARF n.º 76, nem mesmo seria preciso a apresentação de PER/DCOMP quando esse encontro de contas abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período, casos em que o aproveitamento do pagamento deveria ser realizado por simplória dedução, logo,neste contexto, não teríamos as decadências. Se foi a própria Administração Tributária quem excluiu o sujeito passivo do Simples, não se pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão ou, ainda, alegar decadência do direito a restituição. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 42 9 Por fim, repitase, novamente, que a DRJ afirma que não se pode cobrar o contribuinte, sob o argumento de que decaiu o direito de constituição, não tendo o PER/DCOMP do caso concreto força de confissão de dívida, face à época em que transmitido, enfrentando, inclusive, o óbice de outro enunciado sumular, qual seja, a Súmula CARF n.º 52 ("Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício."). Entendo, pois, que devese resolver o caso em favor do contribuinte como melhor medida ao litígio tributário. Considerando o esposado, entendo pela reforma do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento, reformando integralmente a decisão recorrida para homologar o PER/DCOMP. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Voto Vencedor Conselheiro Aílton Neves da Silva Redator designado. Peço vênia para discordar do voto proferido pelo Ilustre conselheiro Leonam que dava provimento à declaração de compensação, por acreditar não haver crédito tributário apto a ser compensado nos presentes autos, o que conduziria à não homologação do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, porém, com fundamento diverso do consignado no Despacho Decisório que não homologou a referida compensação. Explico a seguir. Primeiramente, revisitando os fatos processuais, constato, às efls. 3, que a compensação declarada não foi homologada, conforme indicado no excerto abaixo: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 43 10 O PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte apresentava as seguintes características (efls. 09/10): Como se observa, o PER/DCOMP pretendeu compensar débitos do Simples Federal do período de apuração de 30/06/2002 (código 6106) com débitos de COFINS (código 2172) e IRPJ (código 2089) do anocalendário de 2002 decorrentes de apuração pelo regime de Lucro Presumido. Observase, ainda, que o indeferimento do PER/DCOMP foi calcado na constatação de que o pagamento de R$ 1.394,32 já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do Simples Federal, constando, inclusive, DARF de recolhimento nos autos comprovando o fato (efls. 09). Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 44 11 Para continuidade da análise, convém tecer alguns comentários acerca do instituto da compensação. É cediço que a compensação tributária é instituto jurídico previsto em lei e forma de extinção de crédito tributário, o qual opera pelo encontro de contas relativas a créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública. Logo, para que seja possível aferir a escorreição do ato administrativo que não homologou a declaração de compensação perpetrada no Despacho Decisório, penso ser necessário, primeiramente, reconhecer ou não a higidez de seus elementos componentes, quais sejam, o débito e o crédito dela constantes. Nessa trilha, verifico que, com relação ao crédito (pagamento indevido), o Despacho Decisório de não homologação da compensação teve como fundamento a não caracterização do recolhimento de R$ 1.394,32 como direito creditório do contribuinte, eis que o autor do Despacho Decisório entendeu que o referido recolhimento estava indisponível, em razão de ter sido alocado a débitos de tributos apurados no regime do Simples Federal do ano calendário de 2002. A relatora do Acórdão de Impugnação pronunciouse sobre essa matéria, entendendo que foi equivocada a conclusão da autoridade administrativa que considerou não disponível o recolhimento de R$ 1.394,32 para fins de compensação, conforme excerto abaixo: Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (especifico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. De fato, assiste razão à relatora do Acórdão de Impugnação, eis que a Declaração do Simples do anocalendário de 2002 não poderia ter sido considerada no Despacho Decisório que não homologou a compensação porque deixou de ter validade jurídica, em razão da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002 (efls. 16), tanto assim que foi posteriormente cancelada (efls. 19). O fato de o recolhimento de R$ 1.394,32 ter sido alocado a um crédito tributário que deixou de existir caracterizou o pagamento indevido a partir do cancelamento da declaração do Simples do anocalendário de 2002, gerando um crédito líquido, certo e apto a compor declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, na forma do artigo 165 do CTN1. 1 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 45 12 Com base nesse breve relato, reconheço a legitimidade do crédito pleiteado no PER/DCOMP no valor de R$ 1.394,32. Quanto ao débito (crédito tributário), vejo que no PER/DCOMP apresentado constou a informação de apuração de tributos para o anocalendário de 2002 no regime do Lucro Presumido. Compulsando os autos constato que a Declaração do Simples do ano calendário de 2002, que foi cancelada em virtude da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002, foi substituída pela declaração no regime do Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 para aquele mesmo período DIPJ/2003 a qual encontravase na situação cadastral "liberada". Dos fatos até aqui relatados e diante de uma análise perfunctória, poderseia concluir pela higidez do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte e, conseqüentemente, por sua homologação, porquanto a DIPJ/2003 pelo lucro presumido encontravase liberada para o ano de 2002 e porque o recolhimento feito a título de Simples sob código 6106 ficou disponível para compensação a partir do cancelamento da Declaração do Simples do anocalendário de 2002. Ocorre que a aplicação do instituto da compensação exige, além do reconhecimento de créditos líquidos e certos a favor do contribuinte, a existência de crédito tributário a liquidar. É o que diz o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse sentido, constato que a DIPJ/2003 não tinha caráter constitutivo de crédito tributário à época dos fatos, e o entendimento pacificado, tanto na Administração Tributária quanto na Jurisprudência, é que somente os saldos a pagar de tributos declarados em DCTF é que poderiam ser inscritos em Dívida Ativa da União. O art. 1º da IN SRF nº 77/98 caminha nesse sentido: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 46 13 Dívida Ativa da União. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000) Constato, ainda, que os débitos informados na DIPJ/2003 não foram constituídos por meio de DCTF, eis que as informações constantes do processo indicam que não houve entrega da DCTF pelo contribuinte nesse período. Vejase trecho extraído do Acórdão de Impugnação nesse sentido: Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) (...) (...) iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de divida; (...) Considerando que a DIPJ possuía apenas caráter informativo e que não houve lançamento em DCTF do débito declarado no PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, aplicarseia ao caso em questão o art. 23 da IN SRF nº 210/2002 (grifos nossos): Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. Em resumo, chegase à conclusão de que o débito constante da PER/DCOMP no valor de R$ 1.394,32 deveria, à época dos fatos, ter sido constituído por meio de lançamento de ofício; a uma, porque referido débito não foi lançado por DCTF e, a duas, porque, inobstante constar no PER/DCOMP transmitido em 27/10/2003 a confissão do débito de R$ 1.394,32, os efeitos de confissão de dívida só foram atribuídos às declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, conforme bem pontuado no Acórdão de Impugnação (in verbis): Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 47 14 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Constato não haver nos autos qualquer documento indicando que os débitos informados no PER/DCOMP foram constituídos por meio de auto de infração na forma do artigo 23 da IN SRF nº 210/2002. Assim, por qualquer ângulo de análise e à luz da legislação regente da matéria e dos documentos constantes do processo, podese afirmar que o débito constante do PER/DCOMP debatido neste processo não foi constituído nem por DCTF, nem por DCOMP e nem por auto de infração, o que nos leva à corroborar a conclusão externada no Acórdão de Impugnação abaixo transcrita, segundo a qual operouse a decadência do direito de lançamento da referida obrigação tributária, em razão de tratarse de lançamento por homologação e por ter transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data de ocorrência do fato gerador do tributo (in verbis): No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no Ultimo dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (Ultimo dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n° 437.546. Portanto, considerando que os débitos fiscais apurados na DIPJ/2003 e informados no PER/DCOMP não foram objeto de lançamento e, portanto, não possuíam a qualificação jurídica de crédito tributário tal qual exigido pelo artigo 170 do CTN, correta foi a negativa de homologação da declaração de compensação pela autoridade administrativa, sendo, porém, equivocado o fundamento utilizado no Despacho Decisório de não homologação, porque a invalidade da compensação caracterizouse não pela ausência de crédito líquido e certo, mas por inexistência de débito compensável, evidenciada pela falta de constituição do pretenso crédito tributário decorrente dos débitos fiscais informados na DIPJ/2003. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 48 15 Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.921412/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte.
Não tendo o contribuinte de desincumbido do seu ônus probatório no caso concreto analisado, correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido apresentado.
Numero da decisão: 3002-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte. Não tendo o contribuinte de desincumbido do seu ônus probatório no caso concreto analisado, correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido apresentado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.921412/2009-11
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897500
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.281
nome_arquivo_s : Decisao_10830921412200911.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10830921412200911_5897500.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7409256
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587205992448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 129 1 128 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.921412/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.281 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria ÔNUS DA PROVA. Recorrente TEKINOX MANUTENÇÃO E MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte. Não tendo o contribuinte de desincumbido do seu ônus probatório no caso concreto analisado, correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 14 12 /2 00 9- 11 Fl. 129DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 95 dos autos: Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta por Tekinox Manutenção e Montagens Industriais Ltda, CNPJ 57.521.825/000179, em contrariedade ao indeferimento integral do ressarcimento pleiteado no PER/DCOMP nº 11010.71537.030609.1.5.012049, referente ao saldo credor de IPI apurado no 1º trimestre de 2007, no montante de R$ 15.254,40 (quinze mil, duzentos e cinquenta e quatro reais, quarenta centavos). De acordo com o despacho decisório (fl. 11), o valor pleiteado não foi reconhecido em face da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado e de que houve utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Cientificada da decisão em 05/11/2009, a interessada manifestou a sua inconformidade em 24/11/2009. Em síntese, a sua defesa se resumiu aos seguintes termos: I – DOS FATOS A matéria debatida se funda especificamente em pedido de PER/DCOMP, por manter os créditos em sua escrita fiscal, oriundos na Lei 9.779/99. A fazenda não reconheceu os créditos, no entanto, é mister que a origem dos créditos estão devidamente comprovados, conforme documentos anexo (sic), dando suporte à totalidade do pedido. II – DAS PROVAS O Contribuinte apresenta os documentos que suportaram os seu pedido, quais sejam: • Cópias do Livro Registro de Apuração do IPI. • Cópias da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Além da documentação relatada, juntada às fls. 12/58, o contribuinte também juntou com sua manifestação de inconformidade (fls. 02/03): i) cartão de CNPJ (fl. 4); ii) atos de constituição e representação da Empresa (fls. 05/10); iii) Despacho decisório (fl. 11 e 85); iv) PER/DCOMP (fls. 59/84); v) demonstrativo de créditos e débitos (fls.86/88). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.921412/200911 Acórdão n.º 3002000.281 S3C0T2 Fl. 130 3 Considerase não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada, não integrando, assim, o objeto da lide. PRODUÇÃO DE PROVA. RAZÕES DA CONTESTAÇÃO. Alegar genericamente e juntar papéis não é prova. Dessarte, não cabe à autoridade julgadora de primeiro grau, diante do conjunto de documentos apresentados na impugnação, demonstrar que cada um deles possibilita comprovar o que a defesa pretende, ainda mais se nem ao menos há alguma alegação específica do que se pretende. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão da primeira instância (fls. 94/97) fundamentouse, assim, na ausência de indicação específica das discordâncias da manifestante acerca do despacho decisório e na ausência de correlação, na defesa, de seu conteúdo com os documentos apresentados. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 07/12/2012 (vide Termo de ciência por decurso de prazo à fl. 100 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/12/12, Recurso Voluntário (fls. 102/116). Em seu recurso, o recorrente alega que: i) houve cerceamento de defesa por falta de fundamentação do despacho decisório; ii) tem o direito de requerer o ressarcimento do saldo credor, conforme o artigo 11 Lei 9.779/99; iii) obedeceu aos ditames da IN SRF 600/05; iv) a autoridade administrativa não requereu outros documentos comprobatórios, simplesmente não homologou os créditos, sem fundamentação e eletronicamente; v) sobre a afirmação do acórdão de não ter o contribuinte justificado sua discordância e os documentos apresentados, afirma que juntou o livro de apuração do IPI para comprovar a existência de crédito. Em seus pedidos, requereu, preliminarmente, o cancelamento da decisão de primeira instância, por inobservância do artigo 19 da IN 600/05. No mérito, a homologação do crédito pretendido. Alternativamente, pediu a devolução do processo à primeira instância, para fiscalização da documentação referente ao crédito e realização, ou não, de sua homologação, sob pena de cerceamento de defesa. Nesta oportunidade, reapresentou a documentação de representação da empresa (fls. 117/126). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 131DF CARF MF 4 Consoante acima narrado, constou do despacho decisório que o pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte fora indeferido em face da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado e de que houve utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sua defesa, o contribuinte alegou, de forma genérica, que possuiria direito ao ressarcimento da integralidade do crédito tributário alegado, tendo anexado, nesta oportunidade, livro de apuração do IPI, no intuito de comprovar o alegado. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por indeferir a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, visto que a defesa apresentada não teria indicado, de forma específica, as discordâncias da manifestante acerca do despacho decisório, nem a correlação eventualmente existente entre o seu conteúdo e os documentos apresentados. Em seu recurso voluntário, então, o contribuinte alegou, resumidamente que: i) teria havido cerceamento do seu direito de defesa por falta de fundamentação do Despacho Decisório; ii) teria direito de requerer o ressarcimento do saldo credor, conforme o artigo 11 lei 9.779/99; iii) teria obedecido aos ditames da IN SRF 600/05; iv) a autoridade administrativa não requereu outros documentos comprobatórios, simplesmente não homologou os créditos, sem fundamentação e eletronicamente; v) sobre a afirmação do acórdão de não ter o contribuinte justificado sua discordância e os documentos apresentados, afirma que juntou o livro de apuração do IPI para comprovar a existência de crédito. Quanto a tais argumentos, entendo que não assiste razão ao contribuinte, consoante restará devidamente analisado em sucessivo. No que tange ao argumento preliminar disposto no item i) acima, é fácil constatar que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, com a indicação das razões que levaram ao indeferimento do pleito, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Quanto à alegação disposta no item ii), de fato, é certo que o contribuinte possui o direito de requerer o ressarcimento de saldo credor que eventualmente entende fazer jus, o que não lhe foi vetado. Porém, da mesma forma que lhe é garantido o direito de petição, é dever da administração pública indeferilo quando constatar a inconsistência do pedido apresentado. E foi justamente o que ocorreu no caso vertente. No que concerne ao item iii), penso que a mera alegação de que teria obedecido aos ditames da IN 600/05 não possui o condão de afastar a fundamentação constante do despacho decisório no sentido de que o crédito já teria sido utilizado em períodos subsequentes. Competia ao contribuinte requerente comprovar o direito creditório pleiteado, o que inocorreu. Quanto ao item iv), entendo que, no momento do despacho decisório, a fiscalização não está obrigada a exigir documentação comprobatória do contribuinte, podendo este ser proferido tanto manualmente quanto eletronicamente, quando constatada a inconsistência do pleito apresentado conforme dados constantes do sistema da Receita Federal do Brasil. E é justamente por essa razão que se admite que o contribuinte inicie a fase de contraditório por meio de apresentação de manifestação de inconformidade, oportunidade em que deverá trazer aos autos, para fins de julgamento, não apenas os argumentos de defesa, como também a documentação comprobatória do seu direito creditório pleiteado. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.921412/200911 Acórdão n.º 3002000.281 S3C0T2 Fl. 131 5 Sobre este assunto, trazse à colação esclarecimento quanto ao procedimento adotado no caso de análise eletrônica de PER/DCOMP, constante do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: 14. Como o caso em tela tem como peculiaridade a análise eletrônica do PER/DCOMP, convém descrever sucintamente como ela ocorre. 14.1. Primeiramente, o sujeito passivo transmite o PER/DCOMP informando os créditos aos quais julga ter direito e confessando os débitos. 14.2. Via de regra, objetivando dar maior celeridade ao processo, a análise deste PER/DCOMP é feita eletronicamente, de forma automática, mediante “batimento” das informações contidas no PER/DCOMP com os dados dos sistemas da RFB, inclusive os declarados em DCTF. 14.3. Após a análise preliminar do PER/DCOMP, encontrada alguma inconsistência entre essas informações, é dada ao sujeito passivo a oportunidade de verificar as informações prestadas à RFB e corrigilas, se for o caso – tratase do serviço denominado Autorregularização. De acordo com a Nota Corec nº 30, de 2013, o acompanhamento do processamento eletrônico do PER/DCOMP motivou a disponibilização desse serviço, tendo em vista a observação de que uma parte das decisões proferidas de forma automática, e posteriormente levada ao contencioso, era decorrente de erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento do próprio PER/DCOMP ou das declarações que embasavam as informações nele contidas. 14.4. Com a disponibilização do serviço de Autorregularização, dáse ao contribuinte, nos casos por ela contemplados, a possibilidade de, previamente à emissão do despacho decisório, tomar conhecimento da análise completa do direito creditório, que pode ser por ele consultada pelo eCAC durante o prazo improrrogável concedido para autorregularização (45 dias a partir da data de envio da mensagem para sua caixa postal). 14.5. A partir dessa análise preliminar, caso se identifiquem erros nas informações prestadas no PER/DCOMP ou em outras declarações (como a DCTF), o contribuinte terá oportunidade de corrigilos pela sua retificação ou, ainda, pelo cancelamento do PER/DCOMP. 14.6. Findo o prazo concedido para autorregularização, a análise automática do direito creditório será novamente realizada, considerando os elementos atualizados que a embasam. Mantidos o reconhecimento parcial ou não reconhecimento do direito creditório ou constatada a insuficiência para homologação da compensação, será emitido despacho decisório. 14.7. Caso não seja detectada nenhuma inconsistência ou esta tenha sido sanada por ocasião da autorregularização, o sistema homologa automaticamente o PER/DCOMP. 14.8. A análise eletrônica do PER/DCOMP equivale àquela executada manualmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do sujeito passivo; inclusive o despacho decisório emitido eletronicamente apresenta a assinatura eletrônica do titular da DRF. 14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de reconhecimento do crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua jurisdição. Fl. 133DF CARF MF 6 15. Caso o contribuinte não tenha seu pedido deferido ou a compensação integralmente homologada, está garantido seu direito de manifestar inconformidade sob o rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com esteio no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430, de 1996. Na hipótese de discordância da análise preliminar acima referida, concluindo o sujeito passivo ser incabível a retificação de declarações ou o cancelamento do PER/DCOMP no prazo a ele conferido para autorregularização, é por ocasião da manifestação de inconformidade que deve apresentar justificativas ou documentos comprobatórios que julgar pertinentes. Ademais, é válido destacar que o art. 19 da IN 600/05 confere à autoridade fiscal a faculdade de, caso entendam necessário, requerer a produção de provas complementares para fins de julgamento da demanda. Notese que o referido dispositivo legal possui em sua redação o verbo "poderá". Ocorre que, no presente caso, diante da completa inexistência de argumentos de combate ao teor do despacho decisório proferido, por falha do próprio contribuinte, não houve como a DRJ sequer identificar qual a matéria objeto de defesa, tendo concluído pela desnecessidade de produção de novas provas. Ao assim proceder, entendo que tampouco cerceou o direito de defesa do contribuinte, visto que a realização de diligência para este fim é apenas uma faculdade, a depender da avaliação acerca da sua necessidade. Por fim, no que compete ao item (v), penso que a mera juntada do livro de apuração de IPI, sem que seja feita qualquer conciliação entre a documentação apresentada com os fatos que pretende o contribuinte comprovar, ou mesmo com os fatos indicados no despacho decisório que pretende combater, não surte os efeitos pretendidos pelo recorrente. Da leitura da peça recursal apresentada, verificase que o contribuinte insiste na mesma falha já constante da sua manifestação de inconformidade, limitandose a repisar que teria direito à integralidade do direito creditório alegado, contudo, não tendo se insurgido de forma específica acerca das razões constantes do despacho decisório, em especial no que tange à afirmativa de que já teria utilizado o saldo credor em períodos subsequentes. Ainda que a documentação acostada aos autos fosse apta a comprovar a integralidade do saldo credor alegado pelo contribuinte, é certo que este determinado crédito poderia ter sido utilizado pelo contribuinte posteriormente, o que sequer foi refutado pelo contribuinte nos presentes autos. Nesse contexto, concordo com a fundamentação constante da decisão da DRJ no sentido de que o contribuinte não trouxe aos autos elementos suficientes a se contrapor ao conteúdo do despacho decisório. Até porque, é cediço que o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de ressarcimento e/ou compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de ressarcimento) quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10830.921412/200911 Acórdão n.º 3002000.281 S3C0T2 Fl. 132 7 Sobre o assunto, trazse à colação os ensinamentos de Humberto Theodoro5: "[...] Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrálo ou exercêlo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte." Nessa mesma linha de raciocínio, reproduzse a ementa do voto condutor do julgado proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10480.904515/200844: “No caso específico dos pedidos de restituição e compensação de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Da conclusão Diante das razões acima expostas, voto no sentido de rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.946804/2012-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas.
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.284
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.946804/2012-94
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887630
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.284
nome_arquivo_s : Decisao_10880946804201294.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 10880946804201294_5887630.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7375758
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587232206848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 114 1 113 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.946804/201294 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.284 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Simples PER/DCOMP Recorrente ESCOLA DE ENSINO BASICO FILHOS DO SOL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 68 04 /2 01 2- 94 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 115 2 A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 57/64) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 45/49), proferida em sessão de 13 de janeiro de 2015, consubstanciada no Acórdão n.º 0365.571, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/12) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 03/07/2012 (efl. 34), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 33951.42518.290208.1.3.040020, transmitido em 20/02/2008, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 116 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 SIMPLES FEDERAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo Simples Federal tem como base para recolhimento a receita bruta mensal, podendo ser deduzidas somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, vedada qualquer outra exclusão. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de n.º 33951.42518.290208.1.3.040020, transmitida eletronicamente em 29/02/2008, com base em créditos relativos ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: Período de Apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2007 6106 R$ 4.414,50 16/02/2007 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 03/07/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 34), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 7.365,96. Cientificado dessa decisão em 12/07/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 10/08/2012, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 12, acrescida de documentação anexa, alegando, em síntese que: a) a discussão referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins é uma discussão entabulada pelos contribuintes há muitos anos; b) a exclusão da base se cálculo do PIS/Cofins se impunha pois o seu valor não é abrangido pelo conceito de faturamento, Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 117 4 sendo o ICMS receita do Erário Estadual; nenhum agente econômico fatura o imposto, mas apenas as mercadorias ou serviços; c) após a decisão prolatada nos autos do Recurso Especial n.º 240.785, a base de cálculo do PIS/Cofins não poderia englobar receita ou faturamento de terceiros, sob pena de desvirtuar a estrutura de arrecadação dos impostos, entendimento que é compartilhado com alguns doutrinadores; d) por força dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, foi realizado o trabalho de recuperação dos valores indevidamente pagos, utilizando os instrumentos legais postos à disposição do contribuinte; e) a aplicação de nova legislação viola os princípios da segurança jurídica e da não surpresa do contribuinte, uma vez que este já estava preparado para realizar a compensação como sempre fez, sendo, portanto, inconstitucional a modificação da regra no meio do jogo; f) o art. 74, § 3.º, inciso IX, da Lei n.º 9.430, de 1996, incluído pela MP 449, de 2008, pode e deve ser questionado perante o Poder Judiciário; g) os pressupostos trazidos pela IN 900/2008 não podem ser de tal ordem a inviabilizar o direito dos beneficiados com o afastamento do instituto da compensação previsto na Constituição Federal. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2007 6106 R$ 4.414,50 16/02/2007 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 3377676441 R$ 4.414,50 DB: cód 6106 PA 31/01/2007 R$ 4.414,50 Valor Total R$ 4.414,50 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: No caso em concreto, a opção em ser tributado pelo Simples Federal foi exercida pela contribuinte. O Simples é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 118 5 criado pela Lei n.º 9.317, de 1996, e alterações posteriores, estabelecido em cumprimento ao que determina o art. 179 da Constituição Federal de 1988. É uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta mensalmente auferida. As ME e as EPP inscritas no Simples Federal não poderão gozar de nenhum outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado ou mais favorecido, além daqueles expressamente previstos na legislação específica, inclusive em relação a substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução da base de cálculo, isenção, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O art. 5.º da Lei n.º 9.317/96 estabelece que a apuração do montante mensalmente devido será determinado mediante a aplicação de percentual sobre a receita bruta mensal auferida pela pessoa jurídica, conforme transcrição a seguir. Art. 5.º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais (...) Ainda, nos termos do § 2.º do art. 2.º da Lei n.º 9.317, de 1996, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Portanto, se a previsão legal determinou que o percentual seria aplicado sobre a receita bruta mensal, não cabe a interpretação de que a incidência se daria sobre a receita líquida, considerando a exclusão dos impostos incidentes sobre a receita bruta, tais como: ICMS, PIS, Cofins e ISS. Por fim, os precedentes jurisprudenciais dos citados órgãos de julgamento coletivo, invocados pela interessada, aplicamse ao caso em concreto, não se enquadrando ao caso em exame. Dessa forma, não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a Administração Tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do Código Tributário Nacional. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão proferida pela autoridade administrativa. No recurso voluntário, o contribuinte inova e apresenta argumentos diversos da manifestação de inconformidade. Nesta a discussão dos créditos devese a discussão, levantada pelo contribuinte, referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS. Acerca desta temática a DRJ se manifestou e afastou o alegado crédito por entender que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo, logo não reconhecia o crédito. No recurso, inovando nos debates, o contribuinte agora alega que o tema a ser discutido é uma suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação no valor de R$ 7.365,96, que não foi homologado por inexistir o crédito, enquanto o próprio pedido de reconhecimento do créditos seria num montante menor. Alega que o pedido de compensação Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 119 6 contém erro de fato. Haveria equívoco entre o declarado em 2007 e a PER/DCOMP de 2008, mas não poderia cancelar o PER/DCOMP, pois já havia despacho decisório de indeferimento da compensação. Sustenta, outrossim, em inovação, que é uma escola estando sujeita ao ISS e não ao ICMS. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 10/11/2015, terçafeira, efls. 50/51, e protocolo em 09/12/2015, efl. 56), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto as matérias não apresentadas na manifestação de inconformidade e discutidas no recurso voluntário, quais sejam, as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, sob argumento de que o pedido de compensação contém erro de fato, havendo equívoco entre o declarado em 2007 e a PER/DCOMP de 2008, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS. Vejase, o suposto erro no preenchimento do pedido de compensação não foi relatado na manifestação de inconformidade, logo após a intimação do teor do despacho decisório, sendo uma inovação alegada no recurso voluntário. Por outro lado, não compete a segunda instância administrativa o procedimento de cancelamento ou de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitada aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte, que, no mínimo, deveria ter procedido com a retificação, ainda que a destempo, a fim de emitir nova norma jurídica constitutiva. Eventual erro de fato, neste momento e após despacho decisório, deve ser, inicialmente, objeto de pedido de revisão de ofício junto às Delegacias da Receita Federal do Brasil (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III) requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício do crédito tributário constituído e da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 120 7 A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 121 8 Logo, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da utilização integral do valor recolhido, de modo a não restar saldo residual para restituição, demais disto não havendo causa de indébito, vale dizer, o DARF foi alocado em efetivo recolhimento de crédito tributário devido. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Na manifestação de inconformidade o contribuinte defende o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, de modo que, por decorrência desta premissa, passaria a haver saldo relativo ao recolhimento (recolhimento a Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 122 9 maior), porém não lhe assiste razão, até porque no recurso voluntário o contribuinte diz que sequer é contribuinte do ICMS, sendo contribuinte do ISS. Além disto, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez em eventuais hipotéticos créditos que pudessem ser apurados a partir da eventual exclusão do ICMS ou do ISS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, visto que inexiste apuração ou elementos documentais que possibilitassem efetivar o respectivo levantamento. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Segundo, a matéria concernente à exclusão do ICMS (ou do ISS) da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS vem sendo debatida judicialmente há muitos anos, defendendo os contribuintes que a receita decorrente do ICMS não configura faturamento e, portanto, sobre ela não poderia incidir o PIS/COFINS, no entanto o debate tem cunho constitucional, pois depende da declaração de inconstitucionalidade de lei e, neste caso, o Colegiado não pode adentrar na temática, sendo assunto sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2 que reza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Com efeito, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para definição de base de cálculo de tributo ou para definição dos limites semânticos de conceitos adotados pelo constituinte na instituição de tributos, como é o caso da discussão envolvendo a exclusão do ICMS ou do ISS da base de cálculo do PIS/COFINS, para fins de constituição de créditos contra a Administração Tributária passíveis de compensação, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que deu suporte à atividade arrecadatória, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS, e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 123 10 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903217/2008-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito na DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido.
Numero da decisão: 1001-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito na DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13896.903217/2008-43
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878660
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.613
nome_arquivo_s : Decisao_13896903217200843.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13896903217200843_5878660.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7360071
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587250032640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 327 1 326 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.903217/200843 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.613 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de junho de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente GENESIS EMPREENDIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito na DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 32 17 /2 00 8- 43 Fl. 327DF CARF MF 2 Tratase nestes autos de processo principal de um grupo de cinco autos vinculados. Neste apreciouse Declaração de Compensação (efls. 56/60), de 21/11/2006, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (IRPJ PA: 30/06/2002, R$ 16.943,59). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 781192024 (efl. 53), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Declaração de Compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada pela DRJ Ribeirão Preto. Assim dispôs o relatório da decisão recorrida (efls. 243/247): EMPREENDIMENTOS S.A. contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Número do Processo Tributo 13896903220200867 CSLL 13896903219200832 CSLL 13896903221200810 IRPJ 13896903218200898 IRPJ 13896903217200843 IRPJ Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 13896903217200843, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma materia em litigio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 38 e seguintes do “processo principal” transmitida em 21/11/2006 que se refere ao recolhimento do IRPJ relativo ao período de apuração de junho/2002. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 31 do “processo principal”, proferido em 12/8/2008, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, tal qual às fls. 2 e seguintes do processo principal, alegando que equivocouse na apuração do IRPJ/CSLL devidos, daí o recolhimento a maior. Todavia deixou de apresentar as DCTF retificadoras, ensejando o indeferimento, falha corrigida após a ciência do despacho decisório. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.903217/200843 Acórdão n.º 1001000.613 S1C0T1 Fl. 328 3 Ao final requer seja acolhida a DCTF Retificadora, bem com reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus, alem das declarações retificadas. É o relatório.” A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 14 48.035 5ª Turma da DRJ/RPO, efl. 243/247). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o recorrente não retificou a DCTF que constituiu o débito alegadamente pago a maior e não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não poderia ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Cientificada em 22/06/2015 (efl. 254), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 20/07/2015 (efl. 283), repetindo os argumentos levados à primeira instância e alegando, em resumo, que a autoridade julgadora administrativa deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal, e que na oportunidade anexa documentos de forma a comprovar o alegado crédito. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado em PERDCOMP e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. A DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Desta forma, e em consonância ao prescrito no art. 147, § 1° do CTN, preliminarmente cabe fixar ser necessário a retificação da DCTF para o sujeito passivo ter direito a um crédito que ele confessou em DCTF, como é o caso analisado nos presentes autos, além da necessária comprovação do erro que motivaria tal retificação. Isso porque os débitos tributários confessados na DCTF decorrem do lançamento por homologação (art. 150, do CTN) dos tributos federais citados no art. 6º da IN RFB nº 1.110, de 2010. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Fl. 329DF CARF MF 4 Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. A legislação aplicável à restituição e à compensação prescreve que a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas a posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. Mas cabe ao contribuinte comprovar de maneira inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Assim, adiro às razões da decisão de primeira instância e à conclusão que se aplica a todos os processos apensos. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001668/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
RECEITAS OMITIDAS.
Constatada a omissão de receitas, é cabível lançamento. Inconsistências em suas declarações, que foram comprovadas por informações bancárias e de terceiros. Sem a devida informação fiscal que comprove a tributação, caracteriza-se como receita omitida.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MANUTENÇÃO.
De se manter a responsabilidade tributária quando verificada a participação da pessoa, que obteve proveito econômico na ação fraudulenta praticada.
Numero da decisão: 1301-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 RECEITAS OMITIDAS. Constatada a omissão de receitas, é cabível lançamento. Inconsistências em suas declarações, que foram comprovadas por informações bancárias e de terceiros. Sem a devida informação fiscal que comprove a tributação, caracteriza-se como receita omitida. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MANUTENÇÃO. De se manter a responsabilidade tributária quando verificada a participação da pessoa, que obteve proveito econômico na ação fraudulenta praticada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15586.001668/2009-54
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5881473
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.164
nome_arquivo_s : Decisao_15586001668200954.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
nome_arquivo_pdf_s : 15586001668200954_5881473.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7365146
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587286732800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.544 1 1.543 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001668/200954 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.164 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente EUCALIPTUS INDÚSTRIA COMÉRCIO DE CARVÃO E MADEIRA E SERVIÇOS FLORESTAIS LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 RECEITAS OMITIDAS. Constatada a omissão de receitas, é cabível lançamento. Inconsistências em suas declarações, que foram comprovadas por informações bancárias e de terceiros. Sem a devida informação fiscal que comprove a tributação, caracterizase como receita omitida. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MANUTENÇÃO. De se manter a responsabilidade tributária quando verificada a participação da pessoa, que obteve proveito econômico na ação fraudulenta praticada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 68 /2 00 9- 54 Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.545 2 Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório EUCALIPTUS INDÚSTRIA COMÉRCIO DE CARVÃO E MADEIRA E SERVIÇOS FLORESTAIS LTDA. ME, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1 (fls. 1510 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do contribuinte e manteve o lançamento de SIMPLES, referente ao anocalendário de 2005, o valor total de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) —Simples no valor de R$15.836,54, de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) — Simples no valor de R$15.836,54, de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) — Simples no valor de R$25.563,90, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — Simples no valor de R$51.127,82, de Contribuição para a Seguridade Social — INSS — Simples no valor de R$107.164,77, totalizando R$666.686,30, decorrente de omissão de receitas em razão de diferença entre o declarado para o Fisco Federal com informações prestadas por terceiros, com imputação de multa qualificada e juros de mora. Houve a emissão de Termo de Sujeição Passiva. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foi a omissão de receitas, que não foram escrituradas. Em decorrência do desenvolvimento do programa de trabalho associado à operação fiscal CRUZAMENTO CLIENTES X FORNECEDORES, e do Mandado de PROCEDIMENTO FISCAL, auditouse a empresa no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, onde se verificou que a contribuinte apresentou Declaração SIMPLES sem informação de valores de receitas, todos os campos zerados. Já os clientes da fiscalizada informaram em suas declarações elevadas compras realizadas na empresa Eucaliptus, revelando plena atividade comercial, e auferimento de renda. Foi constatada também a intervenção de terceira pessoa, alheia ao quadro societário da empresa, mas que se beneficiou das operações realizadas. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.546 3 Intimada a apresentar documentos fiscais, houve o retorno de que a empresa havia se mudado, intimouse então os sócios, Sra. Nilzeth Pinheiro Flores, e Sra. Marquires Aguiar de Oliveira, que retornou como desconhecido. A Sra Nilzeth apresentou algumas documentações e prestou esclarecimentos. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 1501/1.504, que aduziu os seguintes argumentos: reconhece apenas os fatos geradores referentes as operações de venda das notas fiscais da planilha 1; nunca praticou as operações apresentadas nas planilhas 2 e 3; não reconhece a veracidade da procuração para o Sr. Antonio Lucio Caliman; "possivelmente pode ter ocorrido apenas o empréstimo de uma nota fiscal ou no máximo duas a terceiros"; a multa deve ser reduzida. Requer o arquivamento dos Autos e provar o alegado. Antonio Lucio Caliman, arrolado como sujeito passivo solidário (fl. 1.482), cientificado em 21/12/2009 (fl. 1.487), apresentou, em 08/01/2010, a impugnação de fls. 1.490/1.495. Alega, em síntese, que: não há, nos Autos, prova de que o lançamento tenha sido efetuado por fiscais no gozo de suas funções; nunca efetuou transações comerciais em nome da empresa Eucaliptus, nem fez parte desta. Requer sua exclusão do pólo passivo e a mitigação das penalidades. Protesta por todos os meios de prova. Em julgamento realizado em 30 de agosto de 2013, a 3ª Turma da DRJ/FOR, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0826.491 assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.547 4 RECEITAS OMITIDAS. Constatada a omissão de receitas, é cabível lançamento. MULTA DE OFÍCIO. Mantémse a multa de 150%, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Apenas o responsável solidário apresentou recurso voluntário às fls. 1521 e ss, onde requer sua exclusão do pólo passivo, já que nunca fez parte da empresa. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 23/02/2018. É o relatório. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.548 5 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo ao anocalendário de 2005, totalizando o crédito tributário de R$666.686,30, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada por edital, às fls. 1519, no dia 15/07/2010, e não apresentou recurso voluntário, já o responsável tributário Sr. Antonio Lucio Caliman, foi intimado em 02/08/2010 (AR de fl. 1.520), e apresentou em 16/08/2010, recurso voluntário, juntado às fls. 1.521 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. A ação fiscal identificou omissão de receitas em razão de receitas não escrituradas em 2005, que se baseou em inconsistências entre as informações prestadas pelo contribuinte na sua DIPJ com as informações prestadas por terceiros. A sua Declaração foi apresentada toda com valores de receitas zerados, ou seja, sem o auferimento de receitas em 2005. Já os clientes da empresa informaram elevadas compras da empresa, o que revelou a plena atividade comercial e a geração de receitas no período. Ademais, foi contatada a utilização de terceiras pessoas no quadro societário da empresa, que se beneficiou das operações realizadas, gerando a responsabilização tributária do Sr. Antonio Lucio Caliman e a qualificação da multa. A própria fiscalizada apresentou no curso da fiscalização o talonário de notas fiscais de saída, o que também foi confirmado através dos seus clientes. A fiscalização identificou por fim, a existência de um bloco paralelo e/ou notas fiscais "calçadas" em que eram emitidas notas fiscais relativas às vendas realizadas para a Siderúrgica Ibiraçu Ltda em operações próprias ou como empréstimos para acobertarem operações do Sr. Antonio Lucio Caliman, a quem foi atribuída a responsabilidade tributária, nos termos do art. 124, I e 135, III, do CTN. A fiscalização identificou que o Sr. Antonio era representante, contato , procurador e recebedor de valores da empresa junto a uma das clientes, e quem fazia os descontos na "boca do caixa", utilizouse também da empresa em proveito próprio, quando admitiu que usava as notas fiscais da empresa para acobertar operações de vendas de carvão que lhe pertencia, assim, em que pese não pertencer aos quadros societários da empresa, manteve com ela vinculação econômica. Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.549 6 O recurso apresentado pelo responsável solidário se resume a uma folha, sem que se tragam provas ou esclarecimentos acerca da sua participação no esquema fraudulento. Assim, de se manter o lançamento e sua responsabilidade tributária. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário do Sr. Antonio Lucio Caliman e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.907152/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.907152/2011-63
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878618
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.655
nome_arquivo_s : Decisao_10980907152201163.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980907152201163_5878618.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7360029
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587304558592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.907152/201163 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.655 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de maio de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA SPEI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 07 15 2/ 20 11 -6 3 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.907152/201163 Resolução nº 3301000.655 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.907152/201163 Resolução nº 3301000.655 S3C3T1 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.907152/201163 Resolução nº 3301000.655 S3C3T1 Fl. 5 4 converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725495/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2011
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.969
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13811.725495/2012-22
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5882513
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.969
nome_arquivo_s : Decisao_13811725495201222.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13811725495201222_5882513.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7368477
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587306655744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.725495/201222 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.969 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA Recorrente MANPOWER STAFFING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 54 95 /2 01 2- 22 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13811.725495/201222 Acórdão n.º 3201003.969 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.440, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13811.725495/201222 Acórdão n.º 3201003.969 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13811.725495/201222 Acórdão n.º 3201003.969 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13811.725495/201222 Acórdão n.º 3201003.969 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
