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Numero do processo: 10925.001689/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO COMPROVADA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Rejeita-se os embargos de declaração interpostos quando não demonstrado a existência do alegado vício de omissão ou obscuridade no julgado embargado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3302-004.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO COMPROVADA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Rejeita-se os embargos de declaração interpostos quando não demonstrado a existência do alegado vício de omissão ou obscuridade no julgado embargado. Embargos Rejeitados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1362; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 956 1 955 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.001689/200887 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302004.813 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2017 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Embargante RENAR MÓVEIS LTDA. Interessado RENAR MÓVEIS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO COMPROVADA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Rejeitase os embargos de declaração interpostos quando não demonstrado a existência do alegado vício de omissão ou obscuridade no julgado embargado. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 16 89 /2 00 8- 87 Fl. 956DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração, tempestivamente opostos pela interessada, com o objetivo de suprir supostos vícios de obscuridade no acórdão nº 3803 03.099, de 26 de junho de 2012. Por meio dos referidos embargos, a recorrente alegou vícios de obscuridade no citado acórdão. Para a embargante o acórdão necessitava ser aclarado quanto à manutenção da glosa em relação à aquisição de combustíveis e lubrificantes, tendo em vista que a decisão não analisara os documentos juntados antes da interposição do recurso voluntário. Por meio do despacho de admissibilidade coligido aos autos, os embargos foram admitidos, para que fosse suprido vício de omissão. Segundo o referido despacho, o voto condutor do acórdão embargado expressara o entendimento firmado pela DRJ quanto à falta de comprovação do crédito relativo aos combustíveis e lubrificantes, mas não expôs qual era o seu próprio entendimento sobre a matéria. Logo, era flagrante a omissão havida na decisão embargada. Na Sessão de 26 de janeiro de 2017, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Relator, que submete a julgamento nesta Sessão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do vício de obscuridade, suscitado pela embargante, ou de omissão, apontado no despacho de admissibilidade. Para facilitar a análise dos referidos vícios, revelase de todo oportuno o conhecimento integral do texto do voto condutor julgado em que nobre Relator abordou a glosa em questão, que segue transcrito: DA GLOSA REFERENTE ÀS AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES No tocante às despesas com combustíveis e lubrificantes, constatouse que a contribuinte buscou o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de combustíveis e lubrificantes para diversos automóveis que não são utilizados no processo de produção, lavagem de veículos, dentre outros, o que não se enquadraria no conceito de insumos do ponto de vista da autoridade fiscal. A Recorrente defende que a planilha de fls. 219 corresponde às aquisições de combustíveis destinadas exclusivamente ao processo de produção e em sua manifestação de inconformidade juntou planos de contas e balancetes mensais, os quais a DRJ em Florianópolis não considerou como aptos a comprovar sua destinação específica às máquinas que participam do processo de produção. Argumenta, ainda, que os combustíveis e lubrificantes consumidos pelos diversos veículos não foram objeto de pedido Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 3302004.813 S3C3T2 Fl. 957 3 de ressarcimento justamente por não compor a apuração de créditos da COFINS. Por tal razão, estes valores foram contabilizados em contas distintas. As aquisições de combustíveis e lubrificantes objeto de glosas encontramse escrituradas no livro razão da requerente, discriminadas por centro de custos. Observando as notas fiscais apresentadas, constatase que as aquisições referemse em sua grande maioria à diesel comum, sendo que algumas notas fiscais correspondem a aquisição de lubrificantes, querosene e gás, e algumas notas fiscais de prestação de serviços de lavagem de veículos. Tendo em vista que a DRJ considerou serem insuficientes as notas fiscais, planos de contas e balancetes mensais sem a devida contextualização, a contribuinte aproveita o momento processual do recurso voluntário e acosta aos autos uma listagem analítica de bens com informações de aquisição das respectivas máquinas e descrição de cada máquina e equipamento que participam do processo produtivo. Reza o parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 que “a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Preceitua, ainda, o mesmo artigo 16 que da impugnação constará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que comprovem o direito do impugnante. Como se percebe, o momento processual para apresentar as provas que a Recorrente entendessem cabíveis foi a Manifestação de Inconformidade, de modo que não se conhecerá dos documentos acima elencados nesta instância recursal. Observese que não se presta esta instância à análise probatória, entendimento já consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Excepcionalmente, admitese a apresentação da prova documental em sede de Recurso Voluntário quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação no momento oportuno, ainda que por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Em qualquer destes casos, deverá o contribuinte requerer à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, efetivamente e com fundamentos, a ocorrência de uma destas condições que encontramse previstas no parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72. Não vislumbramos, por conseguinte, a ocorrência de nenhuma das hipóteses acima mencionadas no presente caso. Ressaltamos, ainda, que a recepção do novo conjunto probatório exige a relevância destas novas provas e que sejam estas aptas e idôneas a comprovar o direito do pleiteante. Fl. 958DF CARF MF 4 Pertinente ressaltar, que a ora Recorrente não se opôs a glosa dos valores pertinentes a serviços diversos e lavagem de veículos. Em assim sendo, e tendo em vista que o direito ao creditamento está previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, a qual autoriza o desconto de créditos calculados em relação a insumos, incluindo os combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda, tal qual o caso da contribuinte, e que tais valores não foram devidamente comprovados no momento oportuno, qual seja, na manifestação de inconformidade, correta está a glosa mantida a este título. Após leitura do voto condutor do julgado, este Conselheiro chegou a conclusão que inexiste, no julgado embargado, nenhum dos mencionados vícios. Não há o alegado vício de omissão, porque, o referido ponto foi abordado de forma exauriente no referido voto. Falta de clareza ou vício de obscuridade também não há, pois, o nobre Relator do referido voto expôs, com clareza, o motivo pelo qual manteve a glosa dos créditos apropriados a título de combustíveis e lubrificantes, ou seja, porque “tais valores não foram devidamente comprovados no momento oportuno, qual seja, na manifestação de inconformidade”. Logo, o motivo pelo qual foi mantida a glosa foi a falta de apresentação de provas e as que foram apresentada após a fase de manifestação de inconformidade não foram admitidas, em razão da preclusão determinada no art. 16 do Decreto 70.235/1972. Nos embargos em apreço, a recorrente alegou que houve obscuridade no voto condutor julgado, baseada em dois argumentos: a) o acórdão embargado limitarase a dizer que o acórdão da DRJ considerou não comprovada a utilização dos combustíveis no processo produtivo; e b) os documentos anexados com o recurso voluntário não poderiam ser analisados, pois houve a preclusão do direito de apresentação de provas. Em relação a primeira alegação, a recorrente asseverou que o nobre Relator do voto condutor julgado embargado sequer analisara os documentos anexados aos autos na fase de manifestação de inconformidade, os quais, para ela, eram suficientes para comprovar o crédito glosado na aquisição de combustíveis e lubrificantes. A afirmação da embargante é, expressamente, negada pela assertiva contida no referido voto no sentido de que as notas fiscais apresentadas pela recorrente referiamse “em sua grande maioria à diesel comum, sendo que algumas notas fiscais correspondem a aquisição de lubrificantes, querosene e gás, e algumas notas fiscais de prestação de serviços de lavagem de veículos”. Essa informação revela que o nobre Relator analisou sim os citados documentos, porém não os acatou pelas razões que foram apresentadas. Nesse contexto, a menção ao voto da DRJ foi apenas para ressaltar o motivo pelo qual a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, os documentos que foram mencionados. De fato, a leitura do texto transcrito revela que a referência ao julgado da DRJ foi apenas para justificar a apresentação dos documentos na fase recursal e não para fim de fundamento da rejeição dos mencionados documentos como prova, como equivocadamente foi alegado nos embargos e no despacho de admissibilidade. Também não corrobora a alegação da embargante, o teor do trecho do voto condutor do acórdão nº 3403002.389, proferido nos autos do processo nº 13986.000148/2005 62, que trata da glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, relativa ao 2º Trimestre Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 3302004.813 S3C3T2 Fl. 958 5 de 2005. A leitura dos excertos transcritos pela embargante revela que, no citado julgado, o crédito foi restabelecido não por comprovação documental, mas por mera presunção do Relator, ou seja, por presunção simples ou hominis, o que, no entendimento deste Relator é expressamente vedado, para fim de reconhecer crédito perante a Fazenda Nacional. A propósito, cabe consignar que o art. 29 do Decreto 70.235/1972 e o art. 371 do CPC permite o livre convencimento do julgador com base na prova (convencimento motivado), mas jamais de forma arbitrária (convicção íntima). Para que não reste dúvida a respeito, leiase o fragmento a seguir reproduzido, extraído dos embargos: Verifico, primeiramente, que os veículos em questão são tratores, empilhadeiras e carregadeiras, e que a contribuinte exerce a atividade de industrialização de madeiras, de modo que não faz sentido condicionar o crédito à prova do emplacamento destes veículos, nem é razoável presumir que tais bens seriam usados para outra finalidade se não a participação no processo produtivo. Com efeito, dada a natureza dos bens e da atividade desenvolvida pelo contribuinte, a presunção é de que os bens são aplicados na atividade produtiva, admitindose prova em contrário. E não o inverso. (grifos não originais) No caso, o que a recorrente pretende é que os documentos analisados e rejeitados como prova no acórdão embargado seja novamente analisada e valorado por este Colegiado. Em outras palavras, a recorrente pretende a realização de novo julgamento, o que não é possível pelas vias estreitas dos embargos de declaração, que se destina a apenas a suprir viços de obscuridade, contradição e omissão no julgado embargado. Pela mesma razão, não há como esse Colegiado reapreciar e decidir novamente sobre a impossibilidade de analisar os documentos apresentados com o recurso voluntário, em razão da preclusão. Assim, se o motivo para o não acatamento como prova dos documentos apresentados e para a não apreciação dos referidos documentos foi apresentado e devidamente fundamentado, com clareza e de forma exauriente, decerto, não há vício de omissão ou de obscuridade no julgado embargado. Por todo o exposto, votase pelo conhecimento dos presentes embargos de declaração, porém, por não existir os alegados vícios de omissão e obscuridade, rejeitaos para ratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 960DF CARF MF 6 Fl. 961DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.001504/2006-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO.
A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada.
Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal.
Enquanto que para Área de Reserva Legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 9202-005.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para Área de Reserva Legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para Área de Reserva Legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 15 04 /2 00 6- 13 Fl. 234DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 280100.365, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de fls. 01/09 e 22/23, no qual a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 2.644,95, correspondente ao lançamento do ITR12002, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 31/10/2006, incidente sobre o imóvel rural “Projeto Gongo”. De acordo com o Auto de Infração, a autoridade fiscal lavrou o citado auto de infração, com a glosa parcial das áreas declaradas de utilização limitada (224,6 ha) e de preservação permanente (133,5 ha), reduzidas para 165,3 ha e 51,4 ha, respectivamente, com o consequente aumento das áreas tributável/aproveitável, da alíquota de cálculo, pela redução do GU, e do VTN tributável, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 1.075,58, conforme demonstrativo de fls. 08. O Contribuinte apresentou impugnação, à fl. 23/35. A DRJ de Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, fls. 123/128. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 132/144, requerendo, em síntese, fosse reformado o acórdão recorrido, para o cancelamento da exigência fiscal, haja vista a comprovação nos autos de que a área de Preservação Permanente corresponde a 107,0 ha e a de Reserva Legal a 249,59 ha, bem com o fato de que a jurisprudência desse Eg. Conselho de Contribuintes reconhece que tais áreas podem ser deduzidas para fins de apuração do ITR, independentemente de averbação na matricula e da apresentação do ADA, ou, quando menos, deve ser cancelada a exigência fiscal, acatandose as áreas de Reserva Legal de 224,6 ha. e de Preservação Permanente de 133,5 ha., declaradas pela Recorrente. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 151/157, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13629.001504/200613 Acórdão n.º 9202005.590 CSRFT2 Fl. 10 3 AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL ATO DECLARATORIO AMBIENTAL OBRIGATORIEDADE A partir do exercício de 2001, sendo obrigatória, por expressa previsão legal, a utilização do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tomase indispensável que o contribuinte comprove que informou ao Ibama ou a órgão conveniado, tempestivamente, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR. AREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO OBRIGATORIEDADE As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente ate a data de ocorrência do fato gerador. Recurso negado. Às fls. 164/182, o Contribuinte interpôs Recurso Especial por divergência em relação às seguintes matérias: glosa da APP – Área de Preservação Permanente e glosa da ARL – Área de Reserva Legal em relação a prescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA, em contrariedade ao entendimento do acórdão recorrido. Às fls. 215/216, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso especial em relação às matérias arguidas, expondo que diferentemente dos paradigmas, o acórdão recorrido não acatou as áreas de preservação permanente e reserva legal por falta de comunicação tempestiva ao IBAMA ou órgão conveniado da existência das referidas áreas e pela ausência de averbação na margem da matrícula do imóvel da área de utilização limitada/reserva legal. Às fls. 218/231, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, alegando, no mérito, a imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA junto ao IBAMA, sob pena de não reconhecimento pela SRF das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de fls. 01/09 e 22/23, no qual a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 2.644,95, correspondente ao lançamento do ITR12002, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 31/10/2006, incidente sobre o imóvel rural “Projeto Gongo”. Fl. 236DF CARF MF 4 O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à glosa da APP – Área de Preservação Permanente e à glosa da ARL – Área de Reserva Legal. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13629.001504/200613 Acórdão n.º 9202005.590 CSRFT2 Fl. 11 5 submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de preservação permanente é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da comprovação da área como de preservação permanente e de reserva legal. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. Em linhas gerais temos condições diferentes para reconhecimento da isenção quando se trata de (a) área de reserva legal e (b) área de preservação permanente. (a) Assim quanto a área de Reserva Legal, e meu ver não existe prazo para comprovação de sua existência, logo não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é isso que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. (b) Já quanto a área de preservação permanente, para que esta seja considerada isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, não considero a apresentação de ADA como prova exclusiva de sua existência, pois a meu ver existem outros documentos hábeis a esta comprovação, como, por exemplo, laudos, fotos, averbações. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, a autuação se refere ao imóvel Projeto Congo Soco, exercício 2002, cujas área controvertidas declaradas pelo contribuinte se refere a área de Preservação Permanente e de Reserva Legal. O Contribuinte declarou valor maior do que aquele que restou apurado pela fiscalização. Tendo sido declarado 133,5 ha a título de APP e 224,6 ha a título de ARL, tendo sido apurado pela fiscalização respectivamente, 51, 4 ha e 165,3 ha. Compulsando os autos observo que de fato o Contribuinte não logrou êxito em comprovar a natureza das porções de área glosadas, embora haja nos autos ADA e averbação na matricula do imóvel estas se referem as porções já reconhecidas pela fiscalização. Mesmo o mapa juntado, que no meu posicionamento poderia servir para demonstração da área de preservação permanente, este não possui nenhuma informação que forme convicção objetiva. Fl. 238DF CARF MF 6 Cumpre registrar que a maioria do colegiado vota pelas conclusões em razão do entendimento um pouco mais restritivo, qual seja: (a) Para ARL o ADA precisa ser apresentado ao IBAMA até a data do fato gerador, e sua ausência pode ser suprida por averbação nas mesmas condições. (b) Para APP o ADA pode ser posterior ao exercício fiscal mas deve obrigatoriamente ser anterior ao inicio da ação fiscal. Desse modo, não há que se falar em reforma do julgado, devendo ser mantido o lançamento na sua integralidade. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.002996/2005-05
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 DIFERENÇAS DE BASES DE CÁLCULO COTEJO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E DIPJ- SIMPLES. Saldo Credor de Caixa As diferenças de bases de cálculo apuradas em auditoria fiscal como resultado do cotejo de valores escriturados no Livro de Apuração do ICMS, com aqueles declarados em DIPJ- Simples, devidamente comprovada nos autos pela juntada dos respectivos elementos probatórios e que indicam a omissão de receitas, levam à exigência, de ofício, dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática simplificada.
Numero da decisão: 1801-000.682
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 DIFERENÇAS DE BASES DE CÁLCULO COTEJO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E DIPJ- SIMPLES. Saldo Credor de Caixa As diferenças de bases de cálculo apuradas em auditoria fiscal como resultado do cotejo de valores escriturados no Livro de Apuração do ICMS, com aqueles declarados em DIPJ- Simples, devidamente comprovada nos autos pela juntada dos respectivos elementos probatórios e que indicam a omissão de receitas, levam à exigência, de ofício, dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática simplificada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DIFERENÇAS DE BASES DE CÁLCULO COTEJO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E DIPJ SIMPLES. Saldo Credor de Caixa As diferenças de bases de cálculo apuradas em auditoria fiscal como resultado do cotejo de valores escriturados no Livro de Apuração do ICMS, com aqueles declarados em DIPJ Simples, devidamente comprovada nos autos pela juntada dos respectivos elementos probatórios e que indicam a omissão de receitas, levam à exigência, de ofício, dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 363DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ/Simples, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL/Simples, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS/Simples, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS/Simples e Contribuição para a Seguridade Social INSS/Simples que exigem da contribuinte acima identificada o crédito tributário no valor total de R$ 459.415,87, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura (fls. 03 a 49), tendo em conta a constatação das seguintes irregularidades, apuradas no anocalendário 2002, e assim descritas na folha de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos autos de infração: “... 001 Insuficiência de Recolhimento Insuficiência de valor recolhido, apurada conforme abaixo descrito: O contribuinte foi intimado, através do Termo de Inicio de fiscalização que lhe foi entregue em 02.06.2005, conforme anexos às fls. 91/91 , a apresentar, entre outros documentos, o livro caixa e as notas fiscais de compras. Em 13.06.2005, o representante da empresa solicitou prorrogação do prazo de entrega do livro caixa (doc. anexo a fl. 92). Posteriormente apresentou seu livro caixa onde registrava entradas de caixa no valor de R$ 3.808.386,50. Valor este incompatível com uma receita declarada de apenas R$ 1.318.386,50, num ano em que o único empréstimo registrado foi de R$ 22.819,34. Sua DECLARAÇÃO ANUAL SIMPLIFICADA encontrase anexa às fls. 87/90. A comparação desses números evidenciava a existência de receita não declarada ao fisco. Os históricos dos lançamentos do livro caixa eram muito genéricos, não permitindo a perfeita identificação das receitas. Parte das entradas e saídas de caixa é descrita apenas como "recebimento de títulos" e "pagamento de títulos". Procurando melhor identificar os lançamentos do livro caixa, reintimei o contribuinte (intimação an. à fl. 93 ), a apresentar seus respectivos documentos comprobatórios. Em resposta à intimação a empresa informou (doc. anexo fl. 94) não os ter encontrado. Continuando as verificações, com base nas informações que consegui reunir, passei a calcular, no quadro anexo as fls. 52/53 , a receita que o contribuinte teria que ter tido, adicionalmente à receita declarada, para conseguir saldar os pagamentos correspondentes às compras registradas (R$ 1.898.585,50) em seu livro de entrada de mercadorias (cópias anexas As fls. 54/78), às notas fiscais de compra informadas pela Secretaria da Fazenda do Estado do Piauí e não lançadas (R$ 493.954,29) em Fl. 364DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.002996/200505 Acórdão n.º 180100.682 S1TE01 Fl. 361 3 seu livro de entrada de mercadorias (anexas às fls. 79/85), e aos outros documentos fornecidos pela empresa fiscalizada (anexo à fl. 86). A movimentação do caixa da empresa, refeita, conforme documento anexo às fls. 52/53 , apontou que, para efetuar, apenas os pagamentos identificados pelo auditor, já seria necessária uma receita anual de R$ 2.252.484,42, conforme resumo mostrado no quadro I, anexo à f1.50. O que já representaria a existência de uma receita anual, não declarada, de R$ 933.662,43. Comparando o livro caixa do contribuinte (anexo às fls. 126/212) com o extrato da conta da empresa, no Banco do Brasil (anexo às fls. 215/309), constatei que o caixa confundese com a própria conta banco, ou seja, todo ingresso no caixa é também um ingresso na conta do banco as entradas no caixa representavam, efetivas entradas de valores para a empresa. Constatando ainda, que os ingressos mensais no caixa da empresa, eram bem superiores às receitas declaradas, intimei o contribuinte a apresentar documentos que comprovassem os possíveis ingressos de valores na sua conta banco, que não fossem originários de receitas da empresa. Intimação anexa à fl. 96. O contribuinte respondeu a essa intimação, apresentando o documento anexo às fls. 98/125, onde faz os ajustes às entradas na conta do banco, para que, após os mesmos, os valores das entradas passassem a representar as receitas mensais. A justificativa dos ajustes feitos pelo contribuinte encontrase anexa as fls. 98/99. De maneira que, consolidando, por mês, as entradas e os ajustes feito pelo contribuinte, as receitas da empresa no ano de 2002 seriam as mostradas na quarta coluna do quadro II anexo à fl. 50. Entre os ajustes feitos pela empresa, encontrase, no entanto, a exclusão dos créditos referentes aos cheques descontados. Exclusão essa que não faz sentido, uma vez que os cheques prédatados de clientes, descontados, efetivamente representavam vendas realizadas. Essas vendas só estariam sendo computadas duas vezes, caso os cheques correspondentes fossem devolvidos, por qualquer motivo, e, posteriormente, seus valores fossem, novamente, depositados no banco. Neste caso, os valores dos cheques descontados estariam sendo contados, duas vezes, como receita. Acontece, porem, que os valores dos cheques devolvidos já são motivo de ajuste, sob o titulo de "cheques devolvidos". De maneira que não faria sentido eliminarse das entradas na conta do banco, também, os valores dos cheques descontados. Acrescentese ainda, que ao descontar o cheque prédatado do cliente, o banco depositava na conta da empresa, apenas o valor liquido já descontados os juros. De maneira que as receitas eram, de fato, maiores que os valores depositados pelo banco. Dentre os ajustes feitos pelo contribuinte, às entradas na sua conta do Banco do Brasil, para fazêla representar, fielmente, as suas receitas mensais, não aceitamos apenas, os valores dos cheques descontados. De maneira que, após a exclusão desse ajuste, realizada na planilha anexa à fl.50, chegamos às receitas mensais apuradas pela empresa no ano de 2002. Verificamos na sexta coluna desta planilha, que a receita anual da empresa foi de R$ 3.264.784,56, o que demonstra a ocorrência de R$ 1.945.962,57 de receita não declarada no ano de 2002. No quadro III, anexo à fl. 51, calculamos o SIMPLES a pagar. ...” Cientificada das exigências, em 20/09/2005, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que a fiscalização deveria ter lançado, tão somente, os Fl. 365DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 valores relativos às notas fiscais de saídas não declaradas, informadas pela Secretaria de Fazenda do Estado do Piauí e não os valores relativos à movimentação bancária da empresa que não constituiria signo adequado para quantificar a base de incidência das obrigações, observando que somente um procedimento específico de levantamento de estoques estaria apto a quantificar a omissão de receitas. Defende que a adoção do arbitramento da receita bruta deveria ter observado o regramento legal, que é medida extrema a ser adotada diante da imprestabilidade da escrita fiscal. Pelo Acórdão no 0813.407, a 4a. Turma da DRJ em Fortaleza/CE julgou o lançamento procedente, ao argumento de que a fiscalização não presumiu a omissão de receitas da empresa com base no artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, mas efetivamente detectou a omissão de receitas por meio do confronto direto entre escrituração, declarações apresentadas à RF e informações colhidas junto à Secretaria de Estado da Fazenda do Piauí. Intimada da decisão, em 26/06/2008, como comprova a cópia do A.R. à fl. 344, verso, a contribuinte apresentou, em 25/07/2008, o Recurso Voluntário de fls. 345 a 358 na qual reproduz os mesmos argumentos de defesa deduzidos na impugnação aos lançamentos. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como bem ressaltou a autoridade julgadora da DRJ em Fortaleza/CE, as exigências não tiveram por fundamento legal a presunção erigida no artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, segundo a qual tributamse como omissão de receitas os depósitos bancários sobre os quais o titular, devidamente intimado, não comprove a origem dos recursos neles utilizados. No presente caso a omissão de receitas não foi presumida, mas apurada por prova direta como resultado do confronto entre (i) os valores declarados pela empresa contribuinte na Declaração do Simples – DPJS, como receita bruta auferida no anocalendário 2002; (ii) Pagamentos escriturados no livro de apuração do ICMS; (iii) Pagamentos de notas fiscais não escrituradas e (iv) outros pagamentos diversos. De posse dessas informações a auditoria fiscal constatou a existência de saldo credor no caixa nos meses de março a dezembro do anocalendário 2002 (com exceção do mês de outubro). Considerando que o caixa da empresa apresentava entradas no valor de R$ 3.808.386,50 (para suportar a quantidade de despesas) incompatível com o total das receitas declaradas, de R$ 1.318.386,50, num ano em que o único empréstimo registrado foi de R$ 22.819,34, a Fiscalização intimou o contribuinte a reescriturar o Livro Caixa, conforme retratado em demonstrativo próprio. Os ajustes efetuados foram parcialmente acatados, tendo Fl. 366DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.002996/200505 Acórdão n.º 180100.682 S1TE01 Fl. 362 5 sido rejeitados os valores dos cheques descontados, porquanto eram cheques prédatados de clientes, descontados e que efetivamente representavam vendas realizadas. Com base nas entradas de Caixa e considerando os ajustes feitos pelo contribuinte, com a exclusão dos valores dos cheques descontados, a Fiscalização apurou os valores das receitas efetivamente auferidas, de R$ 3.264.784,56, subtraindo o valor total das receitas declaradas, de R$ 1.318.821,99, apurando, pela diferença, o valor das receitas omitidas de R$ 1.945.962,57(fls. 50). Dos valores dos tributos devidos assim apurados pela auditoria ainda foram descontados os valores que já haviam sido pagos ou parcelados pela empresa com base na receita declarada. Verificase, pois, que não houve tributação com base em depósitos bancários, tampouco a exigência se deu com base no arbitramento dos lucros. Os valores apurados foram calculados nos moldes do Simples. Quanto aos fatos propriamente ditos, ou seja, a omissão de receitas apurada com base nos registros mantidos pela empresa e as informações obtidas da Secretaria de Estado da Fazenda do Piauí, a recorrente nada deduziu em sua defesa. Comprovada a omissão de receitas, deve ser mantido o lançamento nos moldes em que lavrado o lançamento. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 367DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Fl. 368DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720149/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de omissão na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3201-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão no Acórdão. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o Advogado Ricardo Alvares da Silva Campos Júnior, OAB/ES 9374.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de omissão na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão no Acórdão. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o Advogado Ricardo Alvares da Silva Campos Júnior, OAB/ES 9374. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 49 /2 01 1- 11 Fl. 905DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201002.400, que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para a COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte A embargante alega que a decisão foi omissa e obscura por não se manifestar quanto ao fato da matéria já ter sido parcialmente decidida no Processo Administrativo nº 15586.001586/201043. Os embargos foram admitidos, nos seguintes termos. Entendo assistir razão a embargante. O acórdão recorrido não se manifestou sobre a possibilidade da matéria já ter sido enfrentada e resolvida na decisão administrativa proferida pela Segunda Turma Ordinária no Acórdão 3302002.228 no Processo Administrativo nº 15586.001586/201043. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 15586.720149/201111 Acórdão n.º 3201002.982 S3C2T1 Fl. 3 3 Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da omissão alegada pela Recorrente, existindo a omissão da decisão quanto a alegação que o mérito da lide teria sido solucionada no julgamento do Processo Administrativo nº 15586.001586/201043. A discussão sobre a decisão de mérito no Processo Administrativo nº 15586.001586/201043 foi matéria tratada na decisão da primeira instância, conforme pode ser verificado no trecho abaixo extraído do voto condutor do Acórdão da DRJ. Cabe informar que o processo nº 15586.001586/201043 foi julgado pela 5ª Turma da DRJ RJ2 por meio do acórdão 1334.003. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ2 acolheu parcialmente as alegações, por entender que o contrato de compra e vendas das pelotas de minério de ferro firmado entre a Nibrasco e a Companhia Vale do Rio Doce CVRD, as cartas de correção das notas fiscais em conjunto com os Memorandos de Exportação eram suficientes para comprovar a venda realizada com o fim específico de exportação. Destacando, porém, que tais documentos foram apresentados somente quanto às notas fiscais emitidas até junho de 2008, não existindo provas quanto ao mês de outubro de 2008. Por conseguinte, determinou o cancelamento do auto de infração, para excluir aquelas notas fiscais cuja exportação foi considerada provada. Contudo, manteve o crédito tributário formalizado para o período de abril de 2008, calculado sobre a receita decorrente da transferência de crédito de ICMS, correspondente à Cofins no valor principal de R$ 2.178.379,29 e ao PIS no valor principal de R$ 472.937,61, a ser acrescido de multa de ofício e juros moratórios. O processo foi remetido ao CARF para julgamento dos recursos de ofício e voluntário interpostos, respectivamente pela DRF e pela contribuinte. O CARF, por meio do acórdão nº 3302002.228 de 24 de julho de 2013 (fls. 666/684), deu provimento ao recurso de ofício nos seguintes termos: Assim, concluindo, diferentemente do contido na decisão da DRJ/RJ2, de que não há juntada de documentação que dê suporte às alegações de que os produtos foram remetidos diretamente para embarque ou para o pátio da CVRD, no sentido de comprovar o fim específico de exportação, consoante regra constante na legislação tributária federal, deve ser dado provimento ao recurso de ofício, reformandose a decisão de primeira instância, no que atine a esta questão. Quanto ao recurso voluntário foi dado provimento parcial para: cancelar parcialmente o Auto de Infração no que se refere ao lançamento sobre a receita decorrente da cessão de créditos de ICMS para a CVRD, fato gerador ocorrido em 30/abril/2008, mantendo, porém, o lançamento sobre receitas de vendas efetuadas no mercado interno para a Companhia Vale do Rio Doce, no período de apuração de 01 a 31 de outubro de 2008. Assim, a matéria já julgada não pode ser novamente apreciada, destacandose que se refere ao mesmo período e mesmo tributo. Fl. 907DF CARF MF 4 A decisão do processo de compensação deve considerar a decisão proferida no processo do auto de infração. Portanto, deixo de apreciar as alegações referentes ao reenquadramento das vendas informadas no DACON como com fim específico de exportação para venda no mercado interno, uma vez que tal matéria foi tratada no processo 15586.001586/201043, já decidido pelo CARF. De acordo com a decisão da primeira instância e também do que se depreende da leitura do relatório fiscal, o Processo Administrativo nº 15586.001586/201043 possui lançamento fiscal referente ao período tratado no presente processo. A questão da conexão processual é tratada no art. 6ª do Regimento do CARF, que determina os procedimento a serem adotados na distribuição de processos vinculados ou conexos. Entretanto, as determinações do RICARF não se aplicam ao presente caso, pois, a decisão prolatada no Processo 15586.001586/201043 já tinha sido realizada pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção no Acórdão 3302002.228 e o processo encontravase aguardando o julgamento de recurso especial na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste CARF. Assim, não sendo possível a distribuição do processo para que o julgamento ocorresse de forma conjunta, caberia a turma se pronunciar sobre o presente processo, que foi enfrentado no acórdão ora embargado. Ao realizar o julgamento, a turma poderia ter decidido por sobrestar o processo, se assim entendese, para aguardar o julgamento do recurso especial no Processo 15586.001586/201043 pela CSRF. Mas, também não existia óbice, ao meu sentir, para que o julgamento enfrentando todas as matérias também pudesse ser realizado pela turma. Entretanto, também está confirmado a informação, que não existe uma manifestação clara no acórdão sobre a decisão da turma referente a conexão do presente processo e o Processo 15586.001586/201043. Caberia agora, em sede de embargos, a turma aclarar o entendimento a ser adotado. Entretanto, fato relevante ocorreu com o Processo 15586.001586/201043, que teve o julgamento definitivo do recurso especial na CSRF, formalizado no Acórdão 9303004.233, que recebeu a seguinte ementa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008 VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. Consultando o Acórdão é possível identificar que a decisão da 3ª Turma da CSRF caminha no mesmo sentido da decisão adotada no presente processo. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 15586.720149/201111 Acórdão n.º 3201002.982 S3C2T1 Fl. 4 5 A partir da conclusão do julgamento na CSRF, considerada a primeira hipótese, em que a turma estaria apta a prolatar a decisão sobre parte total do mérito discutido na lide, ou utilizando a segunda hipótese, de conferir a este processo a mesma decisão do processo submetido a CSRF, ambas estaria atingindo a mesma decisão, que é dar provimento ao recurso voluntário para considerar as vendas realizadas pela Recorrente com o fim especifico de exportação aptas a usufruir do benefício da isenção do PIS e da COFINS. Portanto, entendo não ser necessário realizar qualquer alteração quanto ao Acórdão recorrido, por entender acertado a decisão da turma em se manifestar quanto ao mérito da lide. Sanada a omissão apontada no recurso, voto no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para enfrentar a questão referente a conexão do presente processo ao Processo nº 15586.001586/201043 nos termos citados acima. Mantendo a decisão prolatada no Acórdão 3201002.400. Winderley Morais Pereira Fl. 909DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904874/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.989
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 87 4/ 20 11 -6 4 Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10530.904874/201164 Resolução nº 3201000.989 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10530.904874/201164 Resolução nº 3201000.989 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10530.904874/201164 Resolução nº 3201000.989 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10530.904874/201164 Resolução nº 3201000.989 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.012563/88-74
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 1994
Numero da decisão: CSRF/01-00.071
Decisão: RESOLVEM os Membros da câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER 0 julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Afonso Celso Mattos Lourenço
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score : 1.0
Numero do processo: 13052.000326/2006-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2006, 2007
RECEITA BRUTA. LUCRO PRESUMIDO.
Os valores do crédito presumido de IPI como ressarcimento do Pis e da Cofins e da cessão do crédito de ICMS para terceiros devem ser acrescidos à base de cálculo do lucro presumido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidos, porque a receita bruta total, nos termos legais, compreende todos as receitas, os ganhos, os rendimentos, os resultados positivos, inclusive as quantias recuperadas correspondentes a custos e despesas.
CSLL.
Tratando-se de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal.
Numero da decisão: 1801-000.346
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006, 2007 RECEITA BRUTA. LUCRO PRESUMIDO. Os valores do crédito presumido de IPI como ressarcimento do Pis e da Cofins e da cessão do crédito de ICMS para terceiros devem ser acrescidos à base de cálculo do lucro presumido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidos, porque a receita bruta total, nos termos legais, compreende todos as receitas, os ganhos, os rendimentos, os resultados positivos, inclusive as quantias recuperadas correspondentes a custos e despesas. CSLL. Tratando-se de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T23:33:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2028953_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-18T23:33:22Z; Last-Modified: 2010-11-18T23:33:22Z; dcterms:modified: 2010-11-18T23:33:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2028953_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:69b3fb08-336f-4cbd-8b15-c37055a46a04; Last-Save-Date: 2010-11-18T23:33:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T23:33:22Z; meta:save-date: 2010-11-18T23:33:22Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2028953_0.doc; modified: 2010-11-18T23:33:22Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-18T23:33:22Z; created: 2010-11-18T23:33:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-11-18T23:33:22Z; pdf:charsPerPage: 1757; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-18T23:33:22Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 230 1 229 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13052.000326/2006-77 Recurso nº 501.348 Voluntário Acórdão nº 1801-00.346 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de novembro de 2010 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Recorrente ALLYEN CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006, 2007 RECEITA BRUTA. LUCRO PRESUMIDO. Os valores do crédito presumido de IPI como ressarcimento do Pis e da Cofins e da cessão do crédito de ICMS para terceiros devem ser acrescidos à base de cálculo do lucro presumido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidos, porque a receita bruta total, nos termos legais, compreende todos as receitas, os ganhos, os rendimentos, os resultados positivos, inclusive as quantias recuperadas correspondentes a custos e despesas. CSLL. Tratando-se de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Fl. 233DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório I - Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 04/09, com a exigência do crédito tributário no valor de R$209.362,84, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao quarto trimestre do ano-calendário de 2005 e ao primeiro e ao segundo trimestres do ano-calendário de 2006 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Em conformidade com o Relatório da Ação Fiscal, fls. 16/22, a infração se fundamenta na falta de inclusão na base de cálculo do tributo das receitas decorrentes do crédito presumido de IPI como ressarcimento do Pis e da Cofins e da cessão do crédito de ICMS para terceiros. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 224, art. 518, art. 519 e art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 10/15 a exigência do crédito tributário no valor de R$77.298,89 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, inciso II do art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como parágrafo único do inciso II do art. 6º da Medida Provisória nº 1.991-13, de 13 de janeiro de 2000 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificada em 08/11/2006, fls. 04 e 10, a Recorrente apresentou a impugnação em 08/12/2006, fls. 82/105. Aponta argumentos que levam à nulidade dos procedimentos. Diz que o lucro presumido é apurado pela aplicação do coeficiente específico sobre a receita bruta, em cujo conceito não podem ser incluídas as parcelas referentes aos direitos creditórios de tributos. Defende assim que não há que se falar em exclusão indevida de valores da base de cálculo de tributos. Entende que a quantia originária do aproveitamento do crédito presumido de IPI não é receita, mas tão-somente restituição do montante pago a título de Pis e de Cofins. Aduz que também o valor decorrente da cessão do crédito de ICMS para terceiros não é receita pois deriva de imunidade tributária (inciso X do § 2º do art. 155 da Constituição da República Federativa do Brasil). Suscita que os fatos que alega podem ser provados. Indica a legislação que rege a matéria e ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Fl. 234DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13052.000326/2006-77 Acórdão n.º 1801-00.346 S1-TE01 Fl. 231 3 Ante os fatos acima expostos requer sejam cancelados os autos de infração que pretenderam, ilegalmente, tributar as transferências de ICMS para terceiros e o crédito presumido de IPI, tendo. em vista que se constituem em receita da empresa apta a constar como base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Estes são os termos em que, Pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 18-10.833, de 04/06/2009, fls. 166/173: “Lançamento Procedente”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS E CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. DEMAIS RECEITAS. Para efeito de tributação do IRPJ, consideram-se demais receitas os valores auferidos com a cessão de créditos de ICMS a terceiros e com o crédito presumido do IPI. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS E CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. As receitas provenientes de cessão de créditos de ICMS e decorrentes de créditos presumidos do IPI integram a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido. Notificada em 17/07/2009, fl. 178, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14/08/2009, fls. 179/201, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Evidentemente que a jurisprudência aqui citada e a transcrita na impugnação ao auto de infração não vinculam obrigatoriamente a recorrente, tendo em vista que delas não faz parte, mas não haja dúvidas que não obtendo resultado satisfatório com este recurso voluntário ingressará a mesma em juízo, com ação ordinária anulatória de débito fiscal e que certamente será provido, onerando a União com ônus desnecessários, como custas processuais e o pagamento de honorários advocatícios. Não se quer aqui constranger ninguém e nem atingir o cancelamento do auto de infração pela probabilidade de isto acontecer na Justiça; mas espera-se que este Conselho entenda que a jurisprudência dos Tribunais já se formou uníssona no Fl. 235DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 mesmo sentido do entendimento do contribuinte. Não acatar o presente recurso pelo mérito é protelar o seu reconhecimento na Justiça, razão pela qual é lamentável que a DIU, aliás, que não derruba auto algum (a não ser por erro formal), se utilize de justificativa tão frágil, própria de quem possa por capricho desconhecer que as decisões reiteradas para outros contribuintes não venha a ser aplicada aos demais, como a requerente. [...] À vista do exposto, demonstrada a insubsistência do Auto de infração, bem como, e em especial, do acórdão da DRJ, requer seja recebido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, e, reconhecendo a procedência dos argumentos já expostos, tornar insubsistente o auto de infração, cancelando-o, por medida de inteira Justiça. Estes são os termos em que, Pede e espera deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente alega que os procedimentos são nulos, porque não teve oportunidade de participar do procedimento de fiscalização.. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumpri-los ou impugná-los no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Ela tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF-F) nº 10.1.11.00-2006-00096-0 em 29/08/2006, fl. 01, do Termo de Início de Ação Fiscal em 29/08/2006, fls. 23/24, e do Termo de Encerramento de Fiscalização em 08/11/2006, fl. 25, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, o procedimento fiscal se alongou tempo suficiente para que a Recorrente apresentasse seus esclarecimentos acompanhados de documentos comprobatórios (art. 7º da Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954). Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade dos atos administrativos discutidos. Além disso, foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil - CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Desta forma, a sua alegação não tem fundamento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, Fl. 236DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13052.000326/2006-77 Acórdão n.º 1801-00.346 S1-TE01 Fl. 232 5 de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ademais, no exercício da função pública, a autoridade administrativa, de forma vinculada e obrigatória, lavrou os Autos de Infração, fls. 04/15, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Assim, seu pleito deve ser indeferido. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Restou esclarecido que não houve adição dos valores decorrentes do crédito presumido de IPI como ressarcimento do Pis e da Cofins e da cessão do crédito de ICMS para terceiros ao montante tributável dos tributos, em conformidade com o Demonstrativo de Cálculo dos Impostos do quarto trimestre do ano-calendário de 2005 e do primeiro e do segundo trimestres do ano-calendário de 2006, fls. 19/21 e 67/69, Demonstrativo de Apuração de Crédito Presumido (DCP), fls. 26/49, Livro de Registro de Apuração de ICMS, fls. 50/59, Livro Razão, fls. 60/66 e Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 70/81. Sobre o lucro presumido, o RIR, de 1999, determina: Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). [...] Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Fl. 237DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 [...] Art.516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano- calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no ano-calendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). [...] Art.518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei n o 9.430, de 1996, arts. 1 o e 25, e inciso I). Art.519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera- se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. [...] Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no §3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). Por seu turno, a Lei nº 9.430, de 1996, fixa: Art.53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. A pessoa jurídica que faz opção pela tributação com base no lucro presumido deve determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Em relação à receita decorrente do crédito presumido de IPI como ressarcimento do Pis e da Cofins pela exportação de mercadorias, a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, prevê: Fl. 238DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13052.000326/2006-77 Acórdão n.º 1801-00.346 S1-TE01 Fl. 233 7 Art. 1° - A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Art. 2 º -A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º - O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. [...] § 3º - O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. [...] Art. 3°- Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. I°, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único — Utilizar-se-á subsidiariamente, a legislação do imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria- prima, produtos intermediários e material de embalagem [...] Art. 4º - Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, far-se-á o ressarcimento em moeda corrente. Resumidamente que a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais tem direito ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento do Pis e da Fl. 239DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 Cofins. Cabe o ressarcimento deste crédito presumido de IPI, na impossibilidade de sua utilização na compensação do tributo devido nas operações de venda no mercado interno. Infere-se que legislação ordinária consagra o crédito presumido do IPI como receita bruta para efeito de determinação do lucro presumido. No que se refere à receita oriunda da cessão do crédito de ICMS para terceiros, inclusive para fornecedores para aquisição de insumos, a Lei Complementar n o 87, de 13 de setembro de 1996, que dispõe sobre o ICMS, fixa: Art. 19. O imposto é não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado. Art. 20. Para a compensação a que se refere o artigo anterior, é assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria, real ou simbólica, no estabelecimento, inclusive a destinada ao seu uso ou consumo ou ao ativo permanente, ou o recebimento de serviços de transporte interestadual e intermunicipal ou de comunicação. [...] Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensando-se os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I - imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II - havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. Pode-se concluir que os saldos credores acumulados podem ser transferidos pelo sujeito passivo a terceiros, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. Neste sentido, a norma de regência da matéria reconhece o crédito de ICMS como receita bruta para efeito de determinação do lucro presumido. A jurisprudência administrativa versa sobre a questão no seguinte sentido (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 14/10/2010): Nº Recurso 161289 Número do Processo 11065.000469/2006-12 Turma 8ª Câmara Fl. 240DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13052.000326/2006-77 Acórdão n.º 1801-00.346 S1-TE01 Fl. 234 9 Contribuinte IND E COM DE CALÇADOS MALU LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 18/12/2008 Relator(a) Irineu Bianchi Acórdão nº 108-09792 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o advogado da Recorrente Dr. Celso Luiz Bernardon – OAB 18.157-RS. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 [...] IRPJ - CSLL - OMISSÃO DE RECEITA - CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI - ARBITRAMENTO DE LUCRO - O crédito presumido do IPI a que se referem os artigos 1º e 2º, da Lei nº 9.363, de 1996, integra a receita bruta operacional e, na hipótese de arbitramento de lucro, deve compor a receita conhecida. IRPJ - CSLL - OMISSÃO DE RECEITA - TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS NÃO COMPENSADO - O crédito de ICMS registrado como tributo a recuperar, quando transferido a terceiros, constitui disponibilidade econômica e integra a receita bruta operacional e, portanto, deve compor a receita bruta conhecida para efeito de arbitramento de lucro. Os valores do crédito presumido de IPI como ressarcimento do Pis e da Cofins e da cessão do crédito de ICMS para terceiros, no período objeto da ação fiscal, devem ser acrescidos à base de cálculo do lucro presumido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidos, porque a receita bruta total, nos termos legais, compreende todos as receitas, os ganhos, os rendimentos, os resultados positivos, inclusive as quantias recuperadas correspondentes a custos e despesas. Logo, não cabem reparos aos procedimentos fiscais. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Atinente à CSLL, tratando-se de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal de IRPJ. Em face de o exposto, voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 241DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Fl. 242DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 11128.007508/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/10/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.452
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/10/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 75 08 /2 00 9- 65 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.007508/200965 Acórdão n.º 3402004.452 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.259da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/10/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.007508/200965 Acórdão n.º 3402004.452 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 01/10/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/10/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.007508/200965 Acórdão n.º 3402004.452 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.007508/200965 Acórdão n.º 3402004.452 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.007508/200965 Acórdão n.º 3402004.452 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.007508/200965 Acórdão n.º 3402004.452 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.007508/200965 Acórdão n.º 3402004.452 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.007508/200965 Acórdão n.º 3402004.452 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000134/2001-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA NÃO CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. INDEVIDA.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
No presente caso, a Contribuinte fez o pedido e vinculou a pedidos de compensação antes de qualquer oposição de ato estatal, normativo ou administrativo.
Numero da decisão: 9303-005.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA NÃO CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. INDEVIDA. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. No presente caso, a Contribuinte fez o pedido e vinculou a pedidos de compensação antes de qualquer oposição de ato estatal, normativo ou administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 01 34 /2 00 1- 17 Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 13811.000134/200117 Acórdão n.º 9303005.414 CSRFT3 Fl. 1.469 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 3403001.728, proferido pela 4º Câmara/3º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: a) Dou provimento no tocante às aquisições de pessoas físicas e cooperativas; b) Nego provimento no tocante ao crédito de energia elétrica e combustíveis; c) Nego provimento relativamente à atualização do pedido de ressarcimento pela taxa SELIC, pois no caso, a demora em requisitar foi ocasionada pelo contribuinte. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O presente processo trata de pedido de ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, relativo ao segundo trimestre de 1998, no valor de R$ 9.453.447,17, sendo que desse valor R$ 6.070.278.90 são referentes ao valor original do crédito, e R$ 3.383.168,27 a juros. O contribuinte apresentou declarações de compensação que consumiram a integralidade do crédito. O pleito foi deferido parcialmente pela DRF, no montante de R$ 2.166.838,86 em razão da exclusão da base de cálculo do crédito presumido as compras de mercadorias de pessoas físicas e cooperativas; de insumos importados e de valores referentes energia elétrica e combustíveis, além de negar a correção monetárias dos valores, por falta de amparo legal. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, utilizados na industrialização dos produtos exportados. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. De acordo com a Súmula CARF 19, não integram a basede cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 13811.000134/200117 Acórdão n.º 9303005.414 CSRFT3 Fl. 1.470 3 produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. RESSARCIMENTO ATUALIZAÇÃO PELA SELIC Não há que se falar em atualização do pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, quando o contribuinte faz o pedido e já vincula a ele pedidos de compensação, antes de qualquer oposição de ato estatal, normativo ou administrativo. Inconformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo a reforma do acórdão recorrido, a fim de que as decisões reiteradas praticadas pelo CARF e CSRF sejam fielmente cumpridas. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Contribuinte aponta como paradigmas os acórdãos nº3202.00471 e CSRF/0202.204. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso, fls. 1451/1452. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo a negativa de provimento ao Recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito incidência ou não da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido do IPI. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Com efeito, na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 13811.000134/200117 Acórdão n.º 9303005.414 CSRFT3 Fl. 1.471 4 a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (REsp 993.164). In caso, bem decidiu o acórdão recorrido ao negar provimento ao Recurso da Contribuinte, considerando que não houve oposição estatal. Vejamos parte que interessa do aresto: "no caso em questão o contribuinte atualizou o crédito presumido de IPI relativo ao 2º trimestre de 1998 antes de qualquer oposição estatal, pois quando protocolizou o pedido de ressarcimento, em 19/01/2001 (fl.01), já o fez com a atualização até esta data, conforme expõe na petição anexa ao pedido (fls 02 a 07), cujo trecho se extrai: Por outro lado, requer a Requerente que Vossa Senhoria determine que o valor de R$ 6.070.278,90 lhe seja restituído corrigido, conforme a variação da taxa SELIC, contada até a data da efetiva restituição, totalizando, nesta data, R$ 9.453.447,17 (doc. 218). Assim, no caso em tela não há o que se falar em atualização do ressarcimento pela taxa SELIC, uma vez que a demora foi por parte do contribuinte, que levou quase 3 (três) anos para pedir o ressarcimento e, além disso, já apresentou em seguida pedidos de compensação a ele vinculados". Diante de tudo que foi exposto, por ausência de oposição estatal, voto no sentido de negar provimento ao Recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 13811.000134/200117 Acórdão n.º 9303005.414 CSRFT3 Fl. 1.472 5 Fl. 1472DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13011.000294/2004-24
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. Verificada a situação prevista no art. 9 o, IX, da lei 9.317/96, a empresa será excluída do SIMPLES. VIGÊNCIA DA EXCLUSÃO. A exclusão passa a vigorar a partir do mês subseqüente à verificação da ocorrência (art. 15-II da Lei 9.317/1996). Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. Verificada a situação prevista no art. 9 o, IX, da lei 9.317/96, a empresa será excluída do SIMPLES. VIGÊNCIA DA EXCLUSÃO. A exclusão passa a vigorar a partir do mês subseqüente à verificação da ocorrência (art. 15-II da Lei 9.317/1996). Recurso Voluntário Negado.
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Verificada a situação prevista no art. 9o, IX, da lei 9.317/96, a empresa será excluída do SIMPLES. VIGÊNCIA DA EXCLUSÃO. A exclusão passa a vigorar a partir do mês subseqüente à verificação da ocorrência (art. 15II da Lei 9.317/1996). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente) Ana Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes Fl. 60DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13011.000294/200424 Acórdão n.º 1801000.661 S1TE01 Fl. 57 3 Relatório Pelo Ato Declaratório Executivo DRF/VAR nº 504.146, de 02 de agosto de 2004, a contribuinte foi excluída do SIMPLES pelo motivo de que sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2002 ultrapassou o limite legal. O Ato baseouse no art. 9º, IX, art. 12; art. 14, I e art. 15 da Lei 9.317/1996 e suas alterações. Considerando a ocorrência do fato em 31/12/2002, a exclusão do SIMPLES passou a vigorar a partir de 01/01/2003, de acordo com as disposições dos artigos 15 e 16 da Lei 9.317/1996. Cientificada do Ato Declaratório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27 de setembro de 2004, com as seguintes alegações: I Não se aplica ao caso o inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/96, porque a outra empresa é de sociedade de advogados, atividade diferente da interessada. II Há ofensa a princípios constitucionais. III Os efeitos da exclusão devem ser a partir do ato excludente. IV Em matéria tributária, a interpretação deve ser feita de maneira mais favorável ao contribuinte; e V requer que seja reconsiderada a decisão que determinou sua exclusão e que se determine sua permanência no Simples. A DRJ em BrasíliaDF, indeferiu a solicitação em 28 de junho de 2007, no Acórdão 0312.252 – 4ª Turma da DRJ/BSA, assim ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES AnoCalendário: 2003 Ementa: Opção pelo Simples — Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais d as vedações à opção estabelecidas em lei. Solicitação Indeferida Fl. 61DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Cientificada da decisão em 29 de agosto de 2007, interpôs Recurso Voluntário em 28 de setembro de 2007, onde repete as mesmas alegações contidas na Manifestação de Inconformidade e pede que: I – o Recurso Voluntário seja conhecido e provido, cancelandose o Ato Declaratório; II – na hipótese de prevalecer a exclusão do SIMPLES, para que esta não seja retroativa, ou seja, para que a exclusão produza seus efeitos apenas a partir da prática do ato. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13011.000294/200424 Acórdão n.º 1801000.661 S1TE01 Fl. 58 5 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. A recorrente foi excluída do SIMPLES por se enquadrar na situação impeditiva prevista no inciso IX do ar. 9º da Lei 9.317/96. e o Ato Declaratório de Exclusão encontrase legalmente fundamentado. O argumento trazido à baila pela empresa não a socorre para o fim de mantê la na sistemática do Simples, visto que se encontrava em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso IX do art. 9° da Lei 9.317/1996 (cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2"). Como se vê, o inciso IX do art. 9º não especifica a natureza e/ou tipo de empresa em que o sócio participa. Quanto à ofensa a princípios constitucionais e legais, registrese que matéria de natureza constitucional e de legalidade não pode ser oposta na esfera administrativa, dado que cabe ao judiciário apreciar a constitucionalidade e/ou legalidade das normas jurídicas. Por outro lado, o Regimento do CARF, em seu artigo 62, veda aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Sobre a matéria , foi editada a a Súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange aos efeitos da exclusão, registrese que, no caso, a exclusão do Simples surte efeito a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nos termos do art. 15II, da Lei 9.317/1996. Assim, a exclusão vigorará a partir de janeiro de 2003, estando correto o Ato Declaratório e a retroatividade prevista em lei. Relativamente à interpretação da legislação tributária, notase que a lei tributária que define infrações interpretase da maneira mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida e não em qualquer situação (CTN 112, incisos 1 a IV). Além disso, o Simples é sistema diferenciado e simplificado de tributação que segundo o CTN interpretase literalmente. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Diante do exposto, conheço do Recurso e voto no sentido de negarlhe provimento. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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