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Numero do processo: 10865.900774/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
Numero da decisão: 3401-005.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
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DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 07 74 /2 00 8- 81 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900774/200881 Acórdão n.º 3401005.180 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 23351.84781.150704.1.3.04 1676 a compensação de débito de COFINS (cód.5856) do período de apuração 06/2004 com crédito de PIS/PASEP por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 12/2003, arrecadado na data de 15/01/2004. Do Despacho Decisório A DRF LIMEIRA em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 20/05/2008 (efls.7), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação de débito do PIS/PASEP do período de apuração 31/12/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, justificando que: “Em janeiro de 2.003 houve um equivoco e aconteceu que a empresa recolheu a maior os valores do pis no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2.003 e alguns pelo código indevido também ( 8109 — antigo) mas a Receita nos orientou a fazer o Redarf se viesse alguma cobrança apenas, pois a empresa optou pelo cálculo através do regime não cumulativo sobre receita bruta auferida”; anexou cópia do DARF que reflete o valor do crédito indicado na PER/DCOMP e diante desses fatos, elaborou e juntou planilha a seguir transcrita, acreditando no direito que lhe é conferido, comprovado a inexistência de má fé e demonstrada a insubsistência do despacho decisório, requer o deferimento de seu pleito. STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTOA Saldo em 01/12/2002 Estoque: 0,65% de RS 574.328,40.............................................................................................. RS 3.733, 1 Mês/Ano 12/2002 Vendas R$ 144.543,59 Compras RS Saldo RS 72.799,26 PIS a Recolher R$ PIS Recolhido a Recuperar RS 1.183,78 01/2003 R$ 75.284,22 RS 71.120,90 RS 4.163,32 RS 68,69 R$ 1.243,01 R$ 1.174,32 02/2003 R$ 194.327,31 RS 142.238.41 RS 52.088,90 RS 859,47 R$ 3.206,40 R$ 2.346,93 03/2003 R$ 269.805,40 R$ 140.434, 12 RS 129.371,28 RS 2.134,63 RS 4.451,78 R$ 2.317,15 04/2003 RS 247.127,33 RS 167.687,22 RS 79.440, 11 RS 1.310,76 RS 4 077,60 RS 2.766,84 05/2003 RS 183.193,65 RS 141.965,71 RS 41.227,94 RS 680,26 RS 3.022,69 R$ 2.342,43 06/2003 RS 184.542,46 RS 180.365,51 RS 4.176,95 RS 68,92 R$ 3.044,95 R$ 2.976.03 07/2003 RS 115.829,07 RS 68.235,22 RS 47.593,85 RS 785,30 R$ 1.911,18 RS 1.125,88 08/2003 RS 80.982,53 RS 28.786,83 RS 52.195, 70 RS 861,23 R$ 1.336,22 RS 474,99 09/2003 RS 81.003,70 RS 38.669,64 RS 42.334,06 RS 698,51 RS 1.336,56 R$ 638,05 10/2003 RS 141.451,95 R$ 85.044,44 RS 56.407,51 RS 930,73 RS 2.333,96 R$ 1.403,23 11/2003 R$ 126.813,12 RS 87.247,01 RS 39.566. 11 RS 652,84 RS 2.092,42 RS 1.439,58 12/2003 R$ 120.042,52 RS 82.274,05 RS 37.768,47 RS 623,18 RS 1.980,70 RS 1.357,52 Total: R$ 1.964.946,85 R$ 1.305.813,39 R$ 659. 133,46 R$ 10.875,71 R$ 32.422,44 R$ 21.546,73 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900774/200881 Acórdão n.º 3401005.180 S3C4T1 Fl. 4 3 Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo demanda a comprovação da liquidez e certeza do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2004 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 41 a 44) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, limitandose a repisar os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, sem apresentar as provas pertinentes ao caso como bem observado pela autoridade julgadora de primeiro grau. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que se discute teve início com a apresentação de PER/DCOMP declarando a compensação de débito de COFINS (cód. 5856) do período de apuração Junho/2004, com crédito por pagamento indevido ou a maior de PIS (vide efls.4): Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10865.900774/200881 Acórdão n.º 3401005.180 S3C4T1 Fl. 5 4 A unidade de origem informou no despacho decisório que inexiste o crédito, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado de PIS/PASEP para o período 12/2003. A Contribuinte com base em alegações entende que não pode ser prejudicada pelo simples erro de forma, sem ter causado prejuízo ao erário. Demonstra na planilha acima reproduzida, que para o período de apuração 12/2002 a 12/2003, estaria sujeita ao recolhimento do PIS pelo regime não cumulativo na alíquota de 1,65% e por equívoco a empresa recolheu a respectiva contribuição, inclusive em alguns meses com o código 8109 (do regime cumulativo), sem levar em consideração, na apuração do valor devido, os créditos a que teria direito. Esse fato é que resultou no recolhimento indevido ou a maior, cuja diferença corresponde ao crédito que deu base à compensação realizada nas PER/DCOMP apresentadas. É de se destacar que o valor do PIS/PASEP apurado e declarado ao fisco é igual ao crédito vinculado, como pode ser observado pelas telas dos sistemas da Receita Federal do Brasil juntadas ao processo. Restringese a Recorrente a manifestar sua discordância com a não homologação da compensação praticada, sem nada comprovar quanto a disponibilidade do crédito através de seus registro contábeis ou apresentando declarações retificadoras (DACON e DCTF). Prendese única e exclusivamente ao fato alegado, consubstanciado pela planilha resumo, de que teriam ocorrido pagamentos a maior que o devido de PIS/PASEP no período de 12/2002 a 12/2003. O Auditor Fiscal da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que conduziu o voto do acórdão recorrido, fez constar que: “para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação”. Cabe ainda destacar do voto do acórdão recorrido: Com efeito, conforme se observa no extrato de fl. 30, o pagamento realizado em 15/01/2004 correspondeu exatamente ao valor do débito do tributo declarado na DCTF, não restando, assim, qualquer crédito passível de compensação relativamente a este pagamento. E também no DACON entregue pela contribuinte (fls. 27/29) o valor do débito apurado corresponde àquele declarado em DCTF. Mas, como se viu, informa a reclamante que o valor declarado não considerou a correta apuração do valor devido, conforme demonstrada em seu "resumo''. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10865.900774/200881 Acórdão n.º 3401005.180 S3C4T1 Fl. 6 5 Ora, para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação. Portanto, foi oportunizado a contribuinte exercer o seu amplo poder de defesa, conforme direito prescrito na Lei do PAF, nº 9.430/1996 e nada foi feito na fase recursal, nenhum demonstrativo contábil/fiscal foi apresentado, como também, declarações retificadoras (DACON e DCTF) ou mesmo a DIPJ, que resultasse em meio de prova a dar convencimento a uma melhor análise passível de atender a compensação requerida. Reflete, nesse caso, completo desinteresse da Recorrente de agir em favor de sua causa, quando repete em seu recurso as alegações anteriormente produzidas, sem se dar ao trabalho ou se empenhar na produção de provas básicas a dar suporte ao crédito relacionado com a compensação pretendida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720621/2012-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007, 2008
SIMPLES FEDERAL. SIMILITUDE E DIVERGÊNCIA.
Não é conhecido o recurso se não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária.
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIDO. FUNDAMENTO INATACADO.
O fundamento inatacado, que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas nº 126 do STJ e 283 do STF.
MULTA QUALIFICADA. LEI 9.430, ART. 44. OMISSÃO SUBSTANCIAL. SÚMULA CARF 25.
A omissão substancial de receita, devidamente identificada no lançamento tributário, legitima a aplicação de multa qualificada.
A Súmula CARF nº 25 trata da presunção legal de omissão de receita, impedindo a aplicação de multa qualificada sem a comprovação do dolo do contribuinte, na forma dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964.
O lançamento tributário expressamente trata do dolo do contribuinte, com a substancial omissão de rendimentos, aplicando-se o racional da Súmula CARF 25 para manutenção da multa.
Numero da decisão: 9101-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos dois primeiros temas relacionados à exclusão do Simples Federal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso quanto à multa qualificada e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. Julgamento iniciado na sessão de 08/2018 e concluído em 13/09/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007, 2008 SIMPLES FEDERAL. SIMILITUDE E DIVERGÊNCIA. Não é conhecido o recurso se não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIDO. FUNDAMENTO INATACADO. O fundamento inatacado, que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas nº 126 do STJ e 283 do STF. MULTA QUALIFICADA. LEI 9.430, ART. 44. OMISSÃO SUBSTANCIAL. SÚMULA CARF 25. A omissão substancial de receita, devidamente identificada no lançamento tributário, legitima a aplicação de multa qualificada. A Súmula CARF nº 25 trata da presunção legal de omissão de receita, impedindo a aplicação de multa qualificada sem a comprovação do dolo do contribuinte, na forma dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. O lançamento tributário expressamente trata do dolo do contribuinte, com a substancial omissão de rendimentos, aplicando-se o racional da Súmula CARF 25 para manutenção da multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos dois primeiros temas relacionados à exclusão do Simples Federal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso quanto à multa qualificada e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. Julgamento iniciado na sessão de 08/2018 e concluído em 13/09/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007, 2008 SIMPLES FEDERAL. SIMILITUDE E DIVERGÊNCIA. Não é conhecido o recurso se não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIDO. FUNDAMENTO INATACADO. O fundamento inatacado, que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas nº 126 do STJ e 283 do STF. MULTA QUALIFICADA. LEI 9.430, ART. 44. OMISSÃO SUBSTANCIAL. SÚMULA CARF 25. A omissão substancial de receita, devidamente identificada no lançamento tributário, legitima a aplicação de multa qualificada. A Súmula CARF nº 25 trata da presunção legal de omissão de receita, impedindo a aplicação de multa qualificada sem a comprovação do dolo do contribuinte, na forma dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. O lançamento tributário expressamente trata do dolo do contribuinte, com a substancial omissão de rendimentos, aplicandose o racional da Súmula CARF 25 para manutenção da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos dois primeiros temas relacionados à exclusão do Simples Federal. Acordam, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 06 21 /2 01 2- 21 Fl. 8938DF CARF MF 2 ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso quanto à multa qualificada e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. Julgamento iniciado na sessão de 08/2018 e concluído em 13/09/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por exclusão do Simples Federal, por meio de Ato Declaratório Executivo da Receita Federal de Osasco nº 14, de 12 de março de 2012 (fls. 4.274), no qual se identifica como causas de exclusão: O CHEFE DO SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA – SEORT, no uso da atribuição conferida pelo inciso V do artigo 1º, da Portaria DRFOSA nº 140 de 26 de outubro de 2011, publicada no DOU de 28 de outubro de 2011, considerado o disposto no artigo 28 e artigo 29, inciso VIII, da Lei Complementar 123 de 14 de dezembro de 2006 e o que consta no processo 10882.720621/201221, DECLARA: Art. 1º A exclusão de ofício do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01 de julho de 2007, da empresa LETEM ESTAMPARIA E SERVIÇOS LTDA., CNPJ 04.198.872/00001 67, por falta de escrituração do livro Caixa ou sua escrituração que não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. (...) Além disso, consta Ato Declaratório Executivo nº 15, emitido pela mesma Delegacia da Receita Federal, excluindo o contribuinte do Simples Nacional. No entanto, a análise do ADE 15 não foi devolvida a este Colegiado. Com a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional, o contribuinte sofreu autuação fiscal para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, quanto ao período de janeiro a junho de 2007 (TVF e Auto de Infração às fls. 4.278/4.326) e julho de 2007 a dezembro de 2008 (fls. 6.365/6.458). Fl. 8939DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.939 3 Destaquese trecho do Termo de Verificação Fiscal que trata da multa qualificada quanto ao segundo semestre de 2007 e ano de 2008 (fls. 6.365), tema ainda em debate nestes autos por recurso especial: Considerando que o contribuinte foi excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições – SIMPLES NACIONAL, a partir de 01/07/2007 (...) e tendo em vista que os valores acima descritos não tiveram suas origens comprovadas, mesmo depois de repetidas oportunidades dadas ao contribuinte no curso da fiscalização, como se pode constatar no confronto das reiteradas intimações para a comprovação da origem dos recursos e com as respostas apresentadas, os valores acima devem ser tidos como omissão de receitas, em face do que dispõe o art. 42 da Lei 9.430/96 e o art. 537 do Decreto nº 3000 (...). Com relação à multa qualificada, cabe assinalar que os documentos e informações constantes dos presentes autos, bem como o presente Termo de Verificação Fiscal, mostram, à evidência, que o contribuinte, por períodos sucessivos, não só do ano de 2007, como também do ano 2008, deixou de oferecer à tributação parte dos valores movimentados em sua conta corrente, tendo, também, deixado de escriturar contabilmente, de forma repetida e sucessiva, ao longo de vários períodos, sua movimentação bancária e financeira, sobretudo dos recursos que constituem a omissão de receitas objeto do presente lançamento. Essas práticas reiteradas só podem ser reputadas como evidente intuito de deixar à margem da tributação parte dos ganhos do contribuinte. Ademais, não se mostra plausível admitirse erro de não registro na contabilidade e de não oferecimento à tributação de valores de significativa grandez, auferidos em períodos sucessivos, restando, pois, como evidente o intuito de fraudar a lei tributária e sonegar informação ao Fisco sobre a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária, impondo se, pois, a multa prevista no art. 44, §1º, da Lei 9.430/96, em virtude da configuração das condutas descritas nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64. Diante da apresentação de Manifestação de Inconformidade (quanto à exclusão do Simples Federal e Simples Nacional) e Impugnação administrativa contra autos de infração, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas decidiu confirmar a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional, acolhendo em parte a impugnação quanto aos créditos tributários lançados (fls. 8.536/8.608). O acórdão restou assim ementado: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se cogita de nulidade, por cerceamento de defesa, de Atos Declaratórios de Exclusão de sistemática simplificada, se deles constou expressamente a descrição dos fatos que suscitaram a exclusão permitindo ao interessado compreender as acusações Fl. 8940DF CARF MF 4 que lhe foram formuladas de modo a desenvolver plenamente sua peça de inconformismo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 SISTEMÁTICA DO SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. A manutenção de Livro Caixa contendo a escrituração de toda a movimentação financeira e bancária é obrigação legal das empresas optantes pelo Simples e pelo Simples Nacional, sob pena de exclusão das referidas sistemáticas. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Constatada hipótese legal de exclusão do Simples e do Simples Nacional, cuja ocorrência não foi afastada pela defesa, mantémse a exclusão regularmente formalizada pela autoridade competente. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO ARBITRADO. Se a escrituração a que está obrigado o contribuinte não é mantida na forma da legislação de regência, deixando de abranger todos os atos e operações relativos à atividade, nos quais se incluem a totalidade da movimentação financeira e bancária, sujeitase a pessoa jurídica ao arbitramento do lucro. PAGAMENTOS EFETUADOS NAS MODALIDADES SIMPLIFICADAS. Excluemse do lançamento de ofício as parcelas correspondentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, integrantes de recolhimentos anteriores ao início do procedimento, efetuados na modalidade do Simples e Simples Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO. Imputada pela Fiscalização a ocorrência de fraude decorrente da prática reiterada de não contabilizar a movimentação Fl. 8941DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.940 5 bancária, inviabilizando a identificação das operações, denota o objetivo de obstar o conhecimento pela Administração Tributária do real faturamento e do resultado tributável circunstâncias não afastadas pela defesa , impõese a manutenção da multa no percentual de 150%. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de alegações relacionadas a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra tal decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 8.626), alegando, em síntese: (i) Com relação aos atos de exclusão do Simples Federal e Simples Nacional: (i.a) Teria corretamente escriturado seu Livro Caixa, eis que para o exercício de sua atividade prevista em contrato social (cobrança) o contribuinte movimenta valores de titularidade de clientes, que transitariam em suas contas correntes sem que estes valores pertençam a seu patrimônio. Assim, não se aplicaria o previsto no artigo 7º, §1º, alínea ‘a’ da Lei nº 9.317/1996, como tampouco o artigo 26, §2º, da Lei Complementar nº 123/2006; (i.b) Nulidade do Ato Declaratório nº 15/2012, por “desarmonia entre motivo que fundamentou o ato e o dispositivo legal apontado” (ii) Com relação aos Autos de Infração: (ii.a) decadência, aplicandose o prazo do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional; (ii.b) nulidade do arbitramento; (ii.c) sobre a omissão de receitas, que não teria sido comprovada pelo Fisco; a presunção relativa – se admitida – teria sido afastada por prova do contribuinte, violação ao princiípio da verdade material, pois teria demonstrado por amostragem a origem dos depósitos questionados; (ii.d) Sobre o auto de infração 1 (01/07 a 06/07), haveria contrato com a empresa Santa Cruz Fomento Comercial Ltda. e com a Klin Fomento Comercial prevendo abatimentos (deságio). No mesmo sentido, seriam os documentos relaciconados ao clientes Metalúrgica Tecnoestamp, DNP Indústria e Navetagação e Derech Indústria Metalúrgica; (ii.d) Relativamente ao Auto de Infração 2 (07/07 a 12/08) também haveria prova destes descontos contratualmente definidos; Fl. 8942DF CARF MF 6 (ii.e) a multa qualificada (150%) seria indevida, eis que confiscatória e não caracterizada a fraude ou sonegação. Nesse contexto, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deu parcial provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 2.971): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. A falta de escrituração da movimentação bancária no Livro Caixa é insuficiente para justificar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal com fundamento no art. 14, inciso II da Lei nº 9.317/96. EXIGÊNCIAS DECORRENTES. Não sendo possível inovar a exigência, mediante acréscimo de fundamentação legal e de critérios de cálculo segundo a sistemática simplificada de recolhimento, uma vez afastada a exclusão do Simples Federal devem ser canceladas as exigências formalizadas por meio de arbitramento dos lucros e segundo a sistemática cumulativa de apuração das contribuições sobre a receita. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. O art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006 autoriza a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional não só quando ela deixa de escriturar o Livro Caixa, como também quando o faz sem integrar a movimentação bancária mantida em contas de sua titularidade. ARBITRAMENTO. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). Uma vez cientificado da exclusão, o sujeito passivo não pode se abster de optar por uma das formas regulares de tributação do lucro, reconstituindo sua escrituração comercial e fiscal para fundamentála. Tal omissão implica o arbitramento dos lucros e, por conseqüência, a exigência das contribuições sobre a receita na forma cumulativa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OPERAÇÕES DE COBRANÇA. DESÁGIOS E DESCONTOS. Divergências entre o valor das notas fiscais cobradas e os depósitos cuja comprovação de origem é exigida, quando decorrentes de deságios e descontos, devem ser provadas por documento idôneo, emitido por empresa de fomento mercantil, Fl. 8943DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.941 7 caso esta figure como intermediária nas operações, ou pelo cliente que promove o pagamento com desconto. MULTA QUALIFICADA. A presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que verificada de forma reiterada, somente autoriza a qualificação da penalidade se demonstrada a natureza dos depósitos e a intenção do sujeito passivo em não computar na base tributável dos períodos fiscalizados valores que corresponderiam a receitas ou ganhos. De forma semelhante, irregularidades na escrituração que ensejam a exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros são insuficientes para justificar a aplicação de multa qualificada sobre os créditos tributários daí decorrentes. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). A Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário quanto a exclusão do Simples Federal, como também quanto às exigências de 01/01/07 a 30/06/07. Assim, negou provimento ao recurso voluntário quanto à exclusão do Simples Nacional e exigências posteriores a 30/06/07, mas deu provimento neste período para desqualificar a multa de ofício. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 09/09/2013 (fls. 8.734), interpôs recurso especial em 27/09/2013 (fls. 8.735), sustentando divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) Fatos que ensejaram a exclusão do Simples Federal, indicando como paradigmas os acórdãos nº 110200.344 e 10323.530; (ii) Fundamento da exclusão do Simples Federal, constando como paradigma o acórdão nº 1401000.894 e 1802001.296; (iii) Qualificação da multa de ofício, com os seguintes acórdãos paradigmas 9101001.504 e 120200.833 O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas pelo então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (fls. 8.784/8.793): 1) Cancelamento do Ato Declaratório nº 15/2012 e dos créditos tributários dele decorrentes (...) Trouxe como paradigmas para caracterizar a divergência os Acórdãos nºs. 110200.344 e 10323.530 (...) Embora os paradigmas tenhamse fundado em disposições legais diversas, há que se ressaltar que o foco do dissídio são os fatos imputados aos contribuintes; falta de escrituração da movimentação bancária e financeira no livro Caixa, de forma reiterada, os quais, por si sós, já seriam capazes de impulsionar a exclusão do Simples. Nesse sentido, resta comprovada a divergência porquanto, ao contrário da decisão combatida, os paradigmas mantiveram a Fl. 8944DF CARF MF 8 exclusão, ratificando os dizeres da autoridade fiscal no sentido de que a falta da escrituração de toda a movimentação bancária e financeira no Livro Caixa, reiteradamente, seria apta a ensejar a inclusão do contribuinte do regime do Simples. DOU SEGUIMENTO à matéria 2) Anulação da acusação fiscal por incorreto enquadramento legal Trouxe como paradigmas os Acórdãos nºs 1401000894 e 1802 001.296 (...) Por meio do cotejo entre decisão recorrida e seus paradigmas verificase que, enquanto na primeira decidiuse por cancelar o ADE por erro no enquadramento legal, os paradigmas adotaram o entendimento de que estando os fatos devidamente descritos pela autoridade fiscal e tendo o contribuinte apresentado plena defesa demonstrando total conhecimento dos fatos que lhe foram imputados, fica afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal. Assim, ante a diferença de entendimentos obtida no confronto das decisões que julgaram fatos semelhantes, constatase comprovada a divergência. DOU SEGUIMENTO à matéria 3) Afastamento da qualificação da multa. A Recorrente aponta como fatores a ensejar a manutenção da multa qualificada em 150% a omissão reiterada de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, de significativa grandeza, auferidos em períodos sucessivos, fato que configuraria o evidente intuito de fraude e o típico caso de dolo. Acostou como paradigmas os Acórdãos nº s 9101001.504 e 120200.833 (...) Esse acórdão trata de IRPJ, imposto sujeito às normas gerais de Direito Tributário, que embora possua arcabouço jurídico específico, se aplica à matéria em exame, pois se coaduna com o entendimento da Recorrente quanto à manutenção da multa, servindo à comprovação da divergência.(...) Esse paradigma, ao decidir sobre o Simples, julgou que o impedimento ou retardamento do conhecimento do fato gerador implica em dolo, a configurar a manutenção da qualificação da multa. Ao adotar a tese defendida pela recorrente quanto à caracterização dos fatos imputadores da multa qualificada, se prestou à comprovação da divergência. DOU SEGUIMENTO ao recurso quanto à insurgência relativa ao afastamento da multa qualificada. Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 8945DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.942 9 O contribuinte foi intimado em 10/09/2015 (fls. 8.799), apresentando contrarrazões ao recurso especial em 25/09/2015 (fls. 107), alegando, em síntese: (i) falta de divergência quanto à nulidade do ADE 15 (Simples Federal), inclusive porque os paradigmas tratariam de exclusão do Simples tratando de outro dispositivo legal (art. 14, V, da Lei n. 9317/96), quando no presente processo se analisou o artigo 14, II, da mesma Lei. (ii) No mérito, pede a manutenção do acórdão recorrido quanto ao ADE 15, em especial porque a Lei n. 9.317 não elegeu a “falta de escrituração” do Livro Caixa como causa de exclusão do Simples Federal; (iii) Pondera que não houve qualquer embaraço à fiscalização, hipótese tratada pelo artigo 14, II, da Lei n. 9317/96 e indevidamente utilizada para fundamentar o ADE 15; (iv) Requer também não seja conhecido o recurso quanto à multa qualificada, na medida em que os acórdãos paradigmas teriam entendimento convergente com o recorrido. Acrescenta que os fundamentos do acórdão recorrido não teriam sido objeto de divergência na interpretação da lei tributária; (v) Sustenta, ainda, que a multa de 150% teria caráter confiscatório, faltando, ainda, proporcionalidade entre infração e sanção. O recurso especial do contribuinte não foi admitido, por decisão do Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção (Conselheiro André Mendes de Moura, fls. 8917). O contribuinte foi intimado desta decisão por edital, em 05/04/2017, sem que tenha apresentado agravo. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento O recurso especial da Procuradoria é tempestivo, tendo o contribuinte questionado seu conhecimento diante da falta de divergência quanto a todos os temas de recurso especial. Assim, reavalio a divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos temas do recurso: Conhecimento – Exclusão do Simples Federal A exclusão do Simples Federal foi enfrentada pela Procuradoria em dois tópicos do seu recurso. O primeiro trata dos fatos sobre exclusão do Simples Federal com os Fl. 8946DF CARF MF 10 seguintes acórdãos paradigmas: 110200.344 e 10323.530. O segundo referese aos fundamentos da exclusão do Simples Federal, com paradigmas nº 1401000.894 e 1802001.296. Conhecimento – Exclusão do Simples Federal Atos A Procuradoria em seu recurso especial que "os paradigmas, ao revés da decisão recorrida, mantiveram a exclusão do contribuinte do SIMPLES, ratificando a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a falta de escrituração de toda a movimentação bancária e financeira no Livro Caixa (em sua forma reiterada)" seria motivo apto a ensejar a exclusão do contribuinte do regime simplificado". Foram apresentados dois acórdãos paradigmas, e segundo a Recorrente "o fato de os paradigmas estarem assentados em fundamento legal diverso (inciso V do art. 14) daquele estampado no ADE vinculado a este feito (inciso II do art. 14) não invalida o dissídio" Destacandose trecho do relatório do primeiro paradigma (nº 110200.344): Trata o presente processo de exclusão da empresa acima identificada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, e de lançamentos de oficio formalizados por meio dos autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativos ao ano calendário 2001, na modalidade do lucro arbitrado. (...) A fiscalização constatou que o Livro Caixa mantido pela fiscalizada não contemplava a escrituração da sua movimentação bancária. Conforme fls. 66 a 76, a empresa foi então intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários ali identificados individualmente, os quais totalizavam R$ 3.874.082,04 no ano. Em resposta, fls. 77, a empresa informou, verbis, "que não possui documentos hábeis para comprovar as origens das recursos utilizados nos depósitos em sua conta corrente 2.6042 junto ao Banco Bradesco S/A, sendo que os valores encontrados originaramse de vendas de mercadorias," Ante a comprovação da omissão de receitas, e a falta de escrituração da movimentação bancária no Livro Caixa, em todos os meses do anocalendário, a fiscalização propôs a exclusão da empresa da sistemática do Simples, por prática reiterada de infração A legislação tributária, a partir de 1º de janeiro de 2001, observando ainda que a receita bruta também excedia ao limite para a permanência no Simples, o que também motivaria a sua exclusão por excesso de receita a paitir de 1º de janeiro de 2002. A representação foi analisada pela autoridade administrativa, fls. 173174, e foi expedido o competente Ato Declaratório de Exclusão, com efeitos a partir de 1º de janeiro Fl. 8947DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.943 11 de 2001, por prática reiterada de infração à legislação tributária (fls. 175) Diante deste quadro fático, decidiu a Turma prolatora do primeiro acórdão paradigma (110200.344): O ato de exclusão, portanto, é meramente declaratório, uma vez que os efeitos da exclusão se produzem, neste caso, a partir, inclusive, do mês de ocorrência do fato mencionado (pratica reiterada de infração à legislação tributária por não escriturar no Livro Caixa a movimentação bancária referente a todos os meses de 2001), conforme dispõe o inciso V do art. 5 da Lei n° 9.317/96. É evidente que nestsa circunstâncias, se impõe a lavratura do auto de infração, pois não pode ficar a Fazenda à mercê do transcurso do prazo decadencial. Por outro lado, a sua lavr atura nenhum prejuízo traz ao contribuinte, urna vez que este, cientificado na mesma data tanto de sua exclusão do Simples, quanto do auto de infração, pode exercer plenamente a sua defesa, sendo certo que o julgamento da exclusão do simples constitui preliminar prejudicial ao julgamento do auto de infração, pois se a exclusão se mostrarindevida, a mesma sorte terão os autos de infração lavrados. (...) Consultandose os autos, verificase que a fiscalização intimou a ora recorrente, fls. 66 a 76, a comprovar a origem dos recursos financeiros creditados em suas contas correntes, tendo ela (lb. 77) não apenas reconhecido que não possuía documentos hábeis para comprovar as origens daqueles recursos, mas inclusive confirmado que se originavam de vendas de mercadorias.. Entendo que o primeiro paradigma (110200.344) não é apto a comprovar a divergência na interpretação da lei tributária porque a causa da exclusão do Simples Federal no paradigma foi outro dispositivo (art. 5º, V, da Lei nº 9.317/1996 "prática reiterada de infração à legislação tributária"), pronunciandose a Turma do acórdão paradigma mais sobre os efeitos do ato declaratório de exclusão; enquanto o recorrido trata da possibilidade de exclusão do Simples Federal à luz do artigo 5º, II, entendendo o Colegiado por afastálo no caso concreto por entender inocorrente o "embaraço à fiscalização" diante dos documentos apresentados nos autos. Assim, não conheço a primeira matéria quanto o recurso quanto ao paradigma 110200.344. O relatório do segundo paradigma (nº 10323.530) é parcialmente transcrito a seguir: Tratase de pessoa jurídica excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, por meio do Ato Declaratório DRF/FNS n° 64, de 7 de dezembro de 2005, de fl. 18, em razão de ter excedido o limite da receita bruta e pela prática reiterada de infração à legislação Tributária, tipificadas, respectivamente, nos incisos II do art. 9° e V do art. 14, ambos Fl. 8948DF CARF MF 12 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2002, conforme disposto no inciso V do art. 150 da Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996, e incisos V do art. 24 da Instrução Normativa SRF n" 355, de 29 de agosto de 2003. (...) Nesse contexto, decidiu a Turma prolatora do segundo acórdão paradigma (10323.530): A recorrente foi excluída do SIMPLES e após intimada não ter apresentado escrituração suficiente à determinação do Lucro Real (Livros Diário e Razão), teve o seu lucro apurado segundo as regras do lucro arbitrado, correspondente aos anos calendário de 2002 e 2003. (...) Ainda pretendendo justificar a nulidade do Ato Declaratório ou que seus efeitos só se iniciem em 2003, assevera que não praticou reiteradamente infração à legislação tributária uma vez que a opção pelo SIMPLES seria anual e, desta forma a ausência de comunicação sobre a exclusão do Programa no ano de 2003 não poderia ser considerada como prática reiterada tendo em vista que isso ocorreu apenas em um anocalendário e para configuração de prática de infração "reiterada" exigirse ia que a infração ocorresse várias vezes. Não merece maior sorte essa sua alegação. O conceito utilizado está certo, o problema é sua aplicação. A infração que nesse contexto se cogita é a da omissão de receitas por depósito bancários cujas origens não foram comprovadas (2002 e 2003), bem assim por não manter escriturado livro obrigatório, inclusive para o Simples (Livro Caixa) em 2002 e 2003. A recorrente se apega em outra situação (ausência de comunicação sobre a exclusão do SIMPLES). Ressaltese que o não registro da movimentação bancária, ocorreu em cada um dos meses dos 2 (dois) anoscalendário fiscalizados. Ademais a demonstração da ocorrência da hipótese prevista no inciso V do art. 14 da Lei n° 9.317/1996 está sendo discutida juntamente com a exclusão do Simples, não provocando qualquer tipo de cerceamento do direito de defesa.. O segundo paradigma, tal qual o primeiro, trata de dispositivo distinto da Lei nº 9.317/1996 (art. 14, V), não trazendo descrição de fatos similares aos analisados pelo acórdão recorrido (sendo determinante o atendimento à fiscalização para afastar a hipótese do art. 14, II "embaraço à fiscalização") Por tais razões também não conheço do recurso especial quanto ao segundo paradigma (10323.530) Nesse contexto, não conheço do recurso especial quanto à primeira matéria. Fl. 8949DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.944 13 Conhecimento – Exclusão do Simples Federal Fundamentos Legal da Exclusão do Simples Federal A Procuradoria sustenta quanto ao segundo tema (Fundamento legal da exclusão) que: O acórdão recorrido defende que o equívoco na capitulação expressa de determinado dispositivo legal na acusação fiscal implica o seu cancelamento. (...) Por outro lado, os acórdãos paradigmas ressaltaram que esse erro na capitulação legal não determina a nulidade da acusação fiscal, nos termos já consignados, pois não demonstrao o efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Ocorre que esta não foi a única razão para provimento ao recurso voluntário do contribuinte quanto ao Simples Federal. Com efeito, há razão autônoma e suficiente para manutenção daquela decisão, consistente na falta de subsunção do caso à disposição da Lei nº 9.317/96. Nesse sentido, é o voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa: Como se vê, embora presente referência à obrigação contida no art. 7º, §1o da Lei nº 9.317/96, acerca da escrituração exigida dos optantes pelo Simples Federal, os argumentos seguintes são totalmente direcionados às disposições da Lei Complementar nº 123/2006, que disciplina o Simples Nacional a partir de 01/07/2007, na forma de seu art. 89. E, em que pese o art. 26, §2o da Lei Complementar nº 123/2006 traga a mesma exigência contida no art. 7o, §1o, inciso I, da Lei nº 9.317/96 – escrituração do Livro Caixa integrada pela movimentação financeira, inclusive bancária – a hipótese de exclusão prevista no art. 29, inciso VIII da Lei Complementar nº 123/2006, vinculada àquela obrigação acessória, é distinta daquela contida na Lei nº 9.317/96, antes citada. Vejase o que dispõe a Lei Complementar nº 123/2006: (...) Em conseqüência, frente à motivação estruturada nos termos antes transcritos, o ato de exclusão da contribuinte do Simples Federal indicou como fundamento legal a ocorrência de embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional). Ocorre que ao estipular esta hipótese de exclusão do Simples Federal, o legislador incorporou o que, paralelamente, está previsto no art. 33 da Lei nº 9.430/96, como causa de regime especial de fiscalização (...) No presente caso, como se vê às fls. 619/831, intimada a apresentar escrituração contábil e fiscal dos anoscalendário 2007 e 2008, a contribuinte apresentou não só o Livro Caixa, Fl. 8950DF CARF MF 14 como também os livros Diário e Razão, todos autenticados. Por sua vez, no depoimento prestado pela procuradora da contribuinte aos agentes fiscais em 20/01/2012, esta afirmou que teria entregue todos os documentos à disposição do contribuinte, não possuindo outros livros fiscais e contábeis além daqueles já apresentados (fl. 3874). É certo que houve retificação posterior deste depoimento, mas apenas com referência às atividades exercidas pela fiscalizada (fl. 4266/4268). Por sua vez, a auditoria fiscal foi desenvolvida a partir dos extratos bancários e outros documentos fornecidos pelo sujeito passivo, inexistindo notícia de qualquer intimação não atendida, ou mesmo de lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização. Assim, tem razão a recorrente quando contesta o fundamento legal adotado para sua exclusão do Simples Federal de 01/01/2007 a 30/06/2007. Não há provas suficientes nos autos para caracterizar a ocorrência prevista em lei, de modo que a exclusão não pode subsistir. O fundamento inatacado e que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida impede o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Nesse sentido, são os Enunciados da Súmula do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal: Súmula 283, do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos êles. Súmula 126, do STJ É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário. Portanto, não conheço quanto ao segundo tema (fundamento da exclusão do Simples Federal) pois não reformaríamos a causa que me parece principal da reforma da exclusão do Simples, consistente na falta de provas da ocorrência de embaraço à fiscalização, para fins de subsunção à norma da Lei nº 9.317/1996. Acrescento que não há similitude do caso dos autos com os paradigmas. Com efeito, o tema foi tratado em razões de recurso especial, confrontandose o julgamento do presente processo aos acórdãos paradigmas nº 1401000.894 e 1802001.296. O primeiro paradigma (140100894) tem o contexto fático descrito no seu relatório: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 89 a 92) relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ do anocalendário 2000 da empresa sucedida Banco Lloyds TSB S.A., CNPJ 33.852.567/000145, lavrado em razão do não reconhecimento do direito ao incentivo fiscal relativo à destinação, ao FINAM, de parte do IRPJ recolhido. De acordo com o relatório de fls. 7, o incentivo fiscal pleiteado pela. sucedida não foi reconhecido, por ocasião do processamento da DIPJ/2001, em rrazão de apuração de Fl. 8951DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.945 15 pendência fiscal. Está consignado, também, que não consta registro de PERC em relação ao anocalendário de 2000, o que indica não ter havido manifestação por parte da interessada no prazo legal. Considerandose que a empresa sucedida efetuou pagamentos com código específico para o FINAM, foi elaborado o demonstrativo de fls. 8, no qual se apurou recolhimento a menor de IRPJ no montante de R$2.800.000,00. Nesse panorama, decidiu a Turma prolatora do primeiro paradigma (1401 00894), nos termos do voto do Relator, Antonio Bezerra Neto: Conforme relatado, tratase de recurso contra lançamento de ofício de IRPJ decorrente da revisão da DIPJ do anocalendário de 2000, onde ficou constatado que a contribuinte recolheu Darf com código específico para o FINAM, com base em opção efetuada na DIPJ2001 – Ficha 16. (...) Preliminarmente, a recorrente imputa o presente AI com o vício da nulidade, por conter enquadramentos legais alternativos e absolutamente incompatíveis entre si, fato este que teria gerado cerceamento do seu direito de defesa. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: (...) Cabe salientar que em relação especificamente ao suposto erro no enquadramento legal, é pacífico o entendimento deste Colegiado no sentido de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa, como efetivamente aconteceu. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Analisando os termos do primeiro acórdão paradigma (140100894), entendo que não há similitude fática ou divergência na interpretação da lei tributária. Em que pese a decisão do paradigma não seja expressa sobre quais os fundamentos legais para sua conclusão, pareceme que a interpretação é do artigo 142, do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.2135, que não foi analisado pelo acórdão recorrido. O segundo acórdão paradigma nº 1802001.296 trata da seguinte situação de fato: Tratase de Recurso Voluntário de fls. 85/94 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 69/75) que julgou a impugnação Fl. 8952DF CARF MF 16 improcedente, mantendo o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, quanto ao anocalendário 2006. Quanto aos fatos, consta que, relativo aos períodos de apuração do anocalendário 2006, no regime do Lucro Presumido, em procedimento de fiscalização externa verificações obrigatórias (confrontação dos dados constantes da DIPJ, DCTF e da escrituração contábil), o fisco apurou diferença a pagar de IRPJ e de CSLL (não confessadas em DCTF), lavrando respectivos autos de infração, em 15/03/2010, na DRF/Aracajú, para exigência do principal dessas exações fiscais, juros de mora e multa de ofício de 75%. Analisando tal situação, decidiu a Turma no segundo acórdão paradigma (1802001.296): A recorrente, nas razões do recurso, suscitou preliminar de nulidade dos autos de infração, alegando a existência de vícios formais; que os autos de infração não satisfazem plenamente as exigências dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72; que a descrição do fato, prevista no art. 10, deve ser conjugada com o inciso III do art. 11, que prevê o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; que o art. 9º estabelece que os autos de infração devem ser distintos para cada infração ou penalidade; que, no caso, os autos de infração são oriundos são oriundos do mesmo e único MPF, o qual deu origem a mais de uma infração; que os autos de infração não estão individualizados por numeração específica, fato que poderá dificultar a defesa da contribuinte. Preliminar suscitada sem nexo, totalmente fora de propósito, pois sem fundamento plausível fáticojurídico; deve ser rechaçada de plano. Os autos de infração, diversamente do alegado pela recorrente, contêm descrição clara, precisa e objetiva dos fatos, matéria tributável, infração imputada e fundamentação legal pertinente, permitindo perfeito entendimento das infrações imputadas, não restando, por conseguinte, a caracterização de prejuízo algum à defesa, sendo, destarte, totalmente fora de propósito a alegação de cerceamento do direito de defesa. O lançamento fiscal foi efetuado por agente competente. O lançamento foi efetuado, em consonância com o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Ainda, não restou caracterizado vício algum de que trata o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que pudesse macular de nulidade o lançamento fiscal. Na verdade, somente a falta ou insuficiência de descrição dos fatos e a falta de capitulação legal ensejam, ou configuram, cerceamento de defesa e provocam a nulidade do lançamento fiscal por prejuízo à defesa (Decreto nº 70.235/71, art. 59, II), que não é o caso dos presentes autos, pois, como já dito, os autos de infração, objeto do litígio, não possuem vício algum, seja formal ou material que pudesse inquinar de nulidade o feito do fisco. Fl. 8953DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.946 17 Notase que este segundo paradigma também trata de requisitos de lançamento, tratados pelo art. 142, do CTN e dispositivos do Decreto 70235/72. Assim, entendo que não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária quanto a ambos os paradigmas, o que também justifica o não conhecimento do recurso especial da Procuradoria quanto ao segundo tema. Conhecimento – Qualificação da multa de ofício A multa qualificada não perde objeto diante do resultado quanto ao Simples Federal, pois há imputação de multa qualificada quanto a período posterior. Pois bem. A Procuradoria recorreu quanto à desqualificação da multa de ofício, apresentando dois acórdãos paradigmas 9101001.504 e 120200.833, ambos admitidos pelo Presidente da Câmara. Inicio a análise pelo acórdão paradigma 120200.833, cuja íntegra encontra se disponível no sítio do CARF. Destaco os fatos descritos no relatório: Foram aplicadas as seguintes multas de ofício: no percentual de 225%, prevista no art. 44, inciso I, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, nos casos de omissão de receita, tendo em vista a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, caracterizando situações previstas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e por ter deixado de atender intimações da Fiscalização; no percentual de 75%, prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, nos casos de insuficiência de recolhimento. Diante disso, decidiu a Turma prolatora do acórdão paradigma 1202 00.833, conforme voto condutor, da Conselheira Viviane Vidal Wagner: Sobre a multa de ofício aplicada no percentual de 225%, a recorrente sustenta ser indevida por não haver comprovação de fraude e/ou dolo, em face da acusação de conduta dolosa, no sentido de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada) e pelo não atendimentos das intimações para prestar esclarecimento (multa agravada), com fulcro no art. 44, inciso I, e §§1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. No caso, a recorrente declarou a menor expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2007 a 30/09/2007, não declarou nenhum valor no 4º trimestre do mesmo ano, e não escriturou no Livro Caixa a sua movimentação financeira, inclusive bancária, no período de 01/07/2007 a 31/12/2007. Fl. 8954DF CARF MF 18 Através desses procedimentos, verificase que a recorrente, intencionalmente, pretendeu, de forma reiterada, impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964, cabendo a qualificação da multa de ofício. Ademais, com esses procedimentos, no primeiro semestre de 2007, a recorrente obteve especial vantagem tributária, enquadrandose indevidamente em faixa de tributação inferior a que seria a correta, com evidente benefício pela redução indevida dos custos de manutenção da fonte produtiva e, ainda, criando uma forma de concorrência desleal em face dos demais prestadores de serviços. Entendo que há clara divergência entre o caso dos autos e o acórdão paradigma 120200.833, eis que ambos tratam de omissão de receita, sendo qualificada multa com fulcro nos artigos 71 e 72, da Lei nº 4.502/1964. A despeito da similitude, as Turmas concluíram de forma divergente, justificandose o conhecimento do recurso especial. Conhecimento Inconstitucionalidade Por fim, deixo de tomar conhecimento das alegações do Recorrido a respeito de inconstitucionalidade (não confisco, dentre outras), por força do artigo 26A, do Decreto nº 70.235/1972 e artigo 62, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015). Conclusão de conhecimento: Por tais razões, voto por não conhecer os dois primeiros temas relacionados à exclusão do Simples Federal, conhecendo o recurso especial quanto à multa qualificada. Mérito Passo à análise do mérito quanto ao tema conhecido por este Colegiado em sessão de julgamento: multa qualificada. A multa qualificada foi justificada pelo autuante em Termo de Verificação Fiscal quanto ao segundo semestre de 2007 e ano de 2008 (fls. 6.365): Com relação à multa qualificada, cabe assinalar que os documentos e informações constantes dos presentes autos, bem como o presente Termo de Verificação Fiscal, mostram, à evidência, que o contribuinte, por períodos sucessivos, não só do ano de 2007, como também do ano 2008, deixou de oferecer à tributação parte dos valores movimentados em sua conta corrente, tendo, também, deixado de escriturar contabilmente, de forma repetida e sucessiva, ao longo de vários períodos, sua movimentação bancária e financeira, sobretudo dos recursos que constituem a omissão de receitas objeto do presente lançamento. Fl. 8955DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.947 19 Essas práticas reiteradas só podem ser reputadas como evidente intuito de deixar à margem da tributação parte dos ganhos do contribuinte. Ademais, não se mostra plausível admitirse erro de não registro na contabilidade e de não oferecimento à tributação de valores de significativa grandez, auferidos em períodos sucessivos, restando, pois, como evidente o intuito de fraudar a lei tributária e sonegar informação ao Fisco sobre a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária, impondo se, pois, a multa prevista no art. 44, §1º, da Lei 9.430/96, em virtude da configuração das condutas descritas nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64. Os valores identificados pela fiscalização, movimentados pelo contribuinte em suas contas sem que tenha sido demonstrado à fiscalização, são os seguintes: 07/2007 R$ 636.838,22 08/2007 R$ 554.557,74 09/2007 R$ 1.241.581,83 10/2007 R$ 991.179,20 11/2007 R$ 1.525.346,69 12/2007 R$ 2.809.158,37 01/2008 R$ 885.639,24 02/2008 R$ 698.069,95 03/2008 R$ 1.057.8899,45 04/2008 R$ 1.239.310,56 05/2008 R$ 626.808,00 06/2008 R$ 266.616,62 07/2008 R$ 29.312,89 08/2008 R$ 74.076,14 09/2008 R$ 65.925,54 10/2008 R$ 72.012,79 11/2009 R$ 65.038,15 12/2009 R$ 109.089,41 O lançamento identifica como fundamento para a imposição de multa qualificada o disposto no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, que previa ao tempo dos fatos nos autos: Fl. 8956DF CARF MF 20 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O Relatório Fiscal ainda menciona o artigo 71, da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Consta da ementa do acórdão recorrido a análise da multa qualificada, concluindo o Colegiado: MULTA QUALIFICADA. A presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que verificada de forma reiterada, somente autoriza a qualificação da penalidade se demonstrada a natureza dos depósitos e a intenção do sujeito passivo em não computar na base tributável dos períodos fiscalizados valores que corresponderiam a receitas ou ganhos. De forma semelhante, irregularidades na escrituração que ensejam a exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros são insuficientes para justificar a aplicação de multa qualificada sobre os créditos tributários daí decorrentes. Colacionase trecho do voto condutor, no mérito, a respeito da multa qualificada: Extraise daí, que a multa deve ser qualificada quando há prova direta de receitas auferidas e está demonstrada a intenção do sujeito passivo de ocultálas do Fisco. Nos casos em que a prova da omissão de receitas decorre de presunção legal, a investigação fiscal deve estabelecer vínculos concretos entre a movimentação bancária e a atividade operacional da empresa, para assim afirmar que houve a intenção de ocultar receitas tributáveis do Fisco Federal. Por fim, a intenção do sujeito passivo deve ser objeto de acusação fiscal, para que no contencioso administrativo eventual prova em contrário seja produzida. Fl. 8957DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.948 21 No presente caso, a ausência de escrituração da movimentação bancária foi, ao menos em parte, justificada pela contribuinte, dado que a sua alegação de que atuava como agente de cobrança de outra pessoa jurídica, ou ao menos como repositório dos valores por ela auferidos, restou demonstrado em relação aos depósitos bancários de origem comprovada. Diante deste contexto, não é possível afirmar, com a certeza que a qualificação da penalidade exige, que os demais depósitos bancários de origem não comprovada seriam receitas da atividade da contribuinte, intencionalmente subtraídas da base tributável, por vários períodos de apuração consecutivos. Em verdade, os elementos reunidos nos autos apenas permitem afirmar a existência de receitas presumidamente omitidas, relativamente às quais a lei autoriza estabelecer a tributação em face do titular da conta bancária nas quais se verificaram os depósitos de origem não comprovada. Mas para afirmar que estes valores correspondem a receit as ou ganhos que a contribuinte sabidamente não computou na base tributável dos períodos fiscalizados, e inclusive subtraiu de sua escrituração fiscal para ocultálos do Fisco, o procedimento fiscal deveria ter sido direcionado para os depositantes destes valores, de modo a aproximarse um pouco mais da natureza dos créditos. Acrescentese que a autoridade lançadora também aplicou multa qualificada sobre os tributos exigidos em relação às receitas provenientes de notas fiscais emitidas pela contribuinte, e, em princípio, submetidas à tributação na sistemática simplificada de recolhimento. A autoridade julgadora de 1a instância, inclusive, reduziu a exigência em razão da dedução dos valores recolhidos naquela sistemática. E, relativamente às parcelas remanescentes, a qualificação da penalidade está sustentada, apenas, nas irregularidades formais constatadas na escrituração do sujeito passivo, aspecto que enseja, somente, a sua exclusão do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros, mas não a qualificação da penalidade sobre os créditos tributários daí decorrentes. Entendo que o acórdão recorrido merece reforma, eis que os fatos descritos pelo Termo de Verificação Fiscal – inclusive para justificar a qualificação da multa de ofício – atestam que houve substancial omissão pelo contribuinte (à época optante do Simples) e, assim, o dolo na sua conduta. Não há mero erro do contribuinte, mas conduta evidente de sonegação fiscal. Lembro que a Súmula CARF nº 25 trata da presunção legal de omissão de receita, impedindo a aplicação de multa qualificada sem a comprovação do dolo do contribuinte, na forma dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (grifo nosso) Fl. 8958DF CARF MF 22 No caso destes autos, o lançamento tributário expressamente referese ao intuito de fraude do contribuinte, comprovandoo com a substancial omissão de rendimentos. Assim, aplicando o racional da Súmula CARF 25, entendo pela procedência da multa qualificada. Conclusões Diante das razões expostas, voto por não conhecer os dois primeiros temas relacionados à exclusão do Simples Federal, conhecendo o recurso especial quanto à multa qualificada. Ademais, dou provimento ao recurso da Procuradoria quanto à multa qualificada. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 8959DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720481/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. DÉBITO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA.
O saldo devedor de IPI decorrente da re-escrituração fiscal, após glosas de créditos do imposto, sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos, considerados os recolhimentos feitos a menor previamente ao início da ação fiscal como parcelas redutoras da exigência a ser formulada.
CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ÔNUS DA PROVA.
Ao buscar o reconhecimento de créditos do IPI, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza, devendo produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Apresentação parcial de documentos fiscais. Análise pontual de cada nota fiscal apresentada.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS.
A inexistência de evidências de que a conduta do contribuinte tenha impedido ou retardado o conhecimento do fato gerador da obrigação principal por parte da autoridade fazendária, nem tampouco, tenha impedido ou retardado sua ocorrência ou, ainda, modificado suas características essenciais, impossibilita a qualificação da multa de ofício.
NULIDADE. FALTA DE PRORROGAÇÃO DO TDPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. SUMULA CARF 46.
Não é nulo o lançamento por prorrogação do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal - TDPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do TDPF, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência do Termo.
NULIDADE. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS. NÃO OCORRÊNCIA.
O procedimento fiscal refere-se a análise dos créditos escriturados pelo contribuinte, que busca o aproveitamento do IPI destacado nas aquisições de insumos para reduzir os débitos do imposto nas saídas de mercadorias. Neste sentido, é o contribuinte que deve fazer prova do seu pleito: ao escriturar créditos de IPI deve encaminhar o elemento material (documental) comprobatório efetivamente capaz de conferir certeza e liquidez aos valores aproveitados em sua escrita fiscal: as notas fiscais de entrada das respectivas aquisições de mercadorias.
Numero da decisão: 3401-005.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, acompanhando as conclusões da DRJ, e em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar declaração de voto em relação à preliminar de nulidade por falta de prorrogação do TDPF. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração, sendo considerada não formulada, nos termos do parágrafo 7º, do artigo 63, Anexo II, do RICARF.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. DÉBITO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA. O saldo devedor de IPI decorrente da reescrituração fiscal, após glosas de créditos do imposto, sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos, considerados os recolhimentos feitos a menor previamente ao início da ação fiscal como parcelas redutoras da exigência a ser formulada. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ÔNUS DA PROVA. Ao buscar o reconhecimento de créditos do IPI, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza, devendo produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Apresentação parcial de documentos fiscais. Análise pontual de cada nota fiscal apresentada. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. A inexistência de evidências de que a conduta do contribuinte tenha impedido ou retardado o conhecimento do fato gerador da obrigação principal por parte da autoridade fazendária, nem tampouco, tenha impedido ou retardado sua ocorrência ou, ainda, modificado suas características essenciais, impossibilita a qualificação da multa de ofício. NULIDADE. FALTA DE PRORROGAÇÃO DO TDPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. SUMULA CARF 46. Não é nulo o lançamento por prorrogação do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do TDPF, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência do Termo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 04 81 /2 01 6- 19 Fl. 827DF CARF MF 2 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS. NÃO OCORRÊNCIA. O procedimento fiscal referese a análise dos créditos escriturados pelo contribuinte, que busca o aproveitamento do IPI destacado nas aquisições de insumos para reduzir os débitos do imposto nas saídas de mercadorias. Neste sentido, é o contribuinte que deve fazer prova do seu pleito: ao escriturar créditos de IPI deve encaminhar o elemento material (documental) comprobatório efetivamente capaz de conferir certeza e liquidez aos valores aproveitados em sua escrita fiscal: as notas fiscais de entrada das respectivas aquisições de mercadorias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, acompanhando as conclusões da DRJ, e em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar declaração de voto em relação à preliminar de nulidade por falta de prorrogação do TDPF. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração, sendo considerada não formulada, nos termos do parágrafo 7º, do artigo 63, Anexo II, do RICARF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício contra Acórdão 0963.271, da 3ª Turma da DRJ/JFA, que veio a julgar procedente em parte a Impugnação relativa a lançamento de ofício para a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo aos meses compreendidos entre janeiro de 2013 e dezembro de 2014. Do Lançamento de Ofício Fl. 828DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 828 3 Foi lavrado Auto de Infração (fls. 295 a 305), com a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido da multa de ofício qualificada e dos juros de mora, referente ao imposto não declarado e não pago no período compreendido entre 2013 e 2014. Os motivos que levaram ao lançamento foram: (...) Entretanto os valores dos débitos e créditos de IPI informados no RAIPI não guardam qualquer relação com os valores informados em DIPJ (relativamente a 2013, ano em que foi apresentada a Declaração). Embora, como já referido, o valor a recolher apurado pelo confronto entre as duas parcelas esteja igual nosdois documentos. Ampliando a análise, a Fiscalização apurou o valor do IPI destacado nas Notas Fiscais eletrônicas emitidas pelos fornecedores da fiscalizada e identificou divergências entre o valor efetivamente destacado pelos fornecedores e o valor dos créditos informado pelo contribuinte no RAIPI. No Anexo I deste Relatório demonstramos o valor mensal do IPI destacado nas Nfe emitidas pelos fornecedores. Nas Tabelas a seguir, demonstramos o confronto entre os créditos escriturados no RAIPI e o valor efetivamente destacado nas Nfe dos fornecedores: (...) É importante ressaltar que o contribuinte destacou o IPI em suas notas de venda. O IPI destacado foi pago e utilizado pelos adquirentes, conforme verificamos em cruzamentos efetuados nos sistemas internos da RFB. Todavia, para dissimular o saldo devedor de IPI que deveria ser recolhido mensalmente, escriturou créditos inexistentes no RAIPI. Adicionalmente, cabe informar que o contribuinte já havia apurado débitos de IPI em todos os meses do período fiscalizado. Assim, a totalidade das diferenças deverá ser objeto de lançamento de ofício. Intimado acerca dessas diferenças, por intermédio dos Termos de Intimação Fiscal nº 05, 06, 07, 08 e 09, o contribuinte limitouse a não responder ou a responder com manobras protelatórias. Transcorridos cerca de cinco meses da primeira intimação, sem qualquer justificativa da parte do contribuinte, não resta outra alternativa a não ser o lançamento de ofício das diferenças indicadas nas Linhas C das Tabelas 1 a 4. (...) Verificase com clareza que o contribuinte omitiu deliberadamente em suas declarações o valor efetivamente devido a título de IPI e, diante do procedimento de Fiscalização, procurou dissimular a situação escriturando no RAIPI créditos de IPI inexistentes. Assim, está configurada a sonegação o que representa a prática de ato contrário à lei. Destarte, o sóciogerente no período fiscalizado praticou atos com infração à lei e incorreu na hipótese de solidariedade passiva prevista no Art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Diante disso, é lavrado Termos de Solidariedade Passiva em desfavor de Herman Brian Elias Moura – CPF nº 170.127.78830 – que consta no sistema CNPJ e no Contrato Social como sócioadministrador. Fl. 829DF CARF MF 4 (...) A aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no inciso I do caput c/c § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, pressupõe a existência de fraude, sonegação ou conluio, nos termos do disposto nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. De pronto, cabe destacar que estes três institutos somente estarão caracterizados quando da existência de dolo. O conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do DecretoLei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, segundo o qual crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Isso significa que o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. No caso específico, o contribuinte inicialmente informou em DIPJ valores de débitos de IPI muito inferiores ao efetivamente apurado com base nas Nfe de sua própria emissão. Por outro lado, os valores de créditos de IPI informados em DIPJ estão próximos aos efetivamente apurado com base nas Nfe emitidas pelos fornecedores. Assim, ao sonegar a informação do valor do IPI efetivamente destacado em suas vendas, o contribuinte informou um valor devido do tributo muito inferior ao valor real. Assim que iniciado o procedimento fiscalizatório, o contribuinte – ciente de que a Fiscalização já havia identificado a fraude – buscou ainda o artifício de reescriturar o RAIPI, desta vez com os débitos corretos, mas criando créditos fictícios de IPI de forma a manter o valor a pagar igual ao apurado em DIPJ e declarado em DCTF. Consideramos que, no presente caso, não se pode afirmar que esse fato tenha sido decorrente de um simples erro da fiscalizada, restando configurada a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento, pelo fisco, do fato erador do tributo. Para fins de enquadramento, consideramos que fica caracterizada a fraude. Isto porque, num sentido mais abrangente, fraude consiste em uma ação ou omissão, promovida com máfé, tendente a ocultar uma verdade ou a fugir de um dever. De forma mais específica, o art. 72 da Lei nº 4.502/64 estabelece que fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Assim, concluímos que, no caso em pauta, por presentes os pressupostos estabelecidos pela legislação que rege a matéria, cabe a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os valores do IPI devido, tendo sido providenciada, ainda, a Representação Fiscal para Fins Penais (Processo 11065720.479/2016 31) estabelecida pelo Decreto n° 2.730/98. Da Impugnação Irresignado, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls.382 e seguintes), alegando, em síntese, que: I.I Preliminar: Nulidade do Procedimento Fiscal. Ausência de Prorrogação Válida e Tempestiva. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 829 5 O Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF, que deu origem ao Auto de Infração a que se refere o presente Processo Administrativo, tem por data inicial o dia 05/05/2015, conforme se observa do documento anexo, e deveria ter sido concluído no prazo de cento e vinte dias, nos termos como determina atualmente a Portaria RFB nº 1.687/2014 (art. 11), pois se cuida de Procedimento Fiscal de Fiscalização. (...) Assim, o prazo de validade do procedimento se encerrou no dia 02/09/2015, oportunidade em que o TDPF em questão deveria ter sido concluído, observado o que estabelece o art. 12 da Portaria SRF nº 1.687/2014. Ou seja, a partir de 03/09/2015 o prazo de validade do MPF já estava extinto, como visto acima, uma vez que a Fazenda Nacional em nenhum momento notificou a Impugnante sobre a prorrogação do ato fiscalizatório, nos termos como prevê o §1º do art. 11 da Portaria RFB 1.687/2014 e tampouco a data em que foi ocorrida tal prorrogação. (...) Ante o exposto, por ter ocorrido prorrogação irregular e intempestiva do TDPF, há violação ao art. 11,”I”, da Portaria SRF nº 1.687/2014, motivo pelo qual requer a Impugnante que seja reconhecida a nulidade do procedimento fiscal objeto do TDPF nº 08.1.65.002015004518 e, consequentemente, do auto de infração e do respectivo lançamento fiscal. I.II Preliminar: Nulidade do Auto de Infração. Cerceamento de Defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Ausência de Documentos imprescindíveis para apuração do lançamento fiscal. Violação ao art. do decreto n° 70.235/72. Conforme Relatório que compõe o Auto de Infração, a autoridade fazendária alega que a Impugnante teria informado em sua DIPJ valores de débitos e créditos de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) totalmente diversos daquelas apurados com base nas NFs emitidas pela empresa e pelos seus fornecedores, de modo que os créditos informados em seu RAIPI seriam muito superiores ao créditos efetivamente destacados na NFs emitidas por seus fornecedores. A infração da Impugnante se substanciaria, portanto, no aproveitamento de créditos indevidos/inexistentes de IPI, relativamente aos anos de 2013 e 2014, o que teria sido constatado a partir do somatório dos valores de IPI destacado nas NFs emitidas pelos Fornecedores da empresa (valores este que seria inferior aquele informado pelo contribuinte no RAIPI). Ou seja, a prova substancial das alegações constante no Relatório da Ação Fiscal repousa na análise das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores da Impugnante no período fiscalizado. Ocorre, contudo, que absolutamente nenhuma Nota Fiscal integrou o Auto de Infração em cotejo, restando prejudicada a apreciação da matéria suscitada pelo Auditor Fiscal. (...) Desta feita, ante tudo que foi exposto, tendo em vista que o Auto de Infração foi formado sem a presença de documentos indispensáveis para a sua propositura, requer a Impugnante seja reconhecida sua nulidade, seja pelo desrespeito ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, seja pela ofensa ao seu corolário, o princípio do devido processo legal, isso tudo com base no que estabelecem os Fl. 831DF CARF MF 6 incisos LIV e LV, artigo 5º da Carta Magna, bem como ao disposto no art. 9º do decreto 70.235/72. I.III Preliminar: Nulidade do Auto de Infração. Omissão Dolosa de Documentos pelo Fisco. Como pode ser verificado nos termos do Relatório Fiscal do Auto de Infração, a empresa Lordplastics Embalagens Plásticas S/A, hoje Impugnante, e também parte de seus clientes, foram intimados para apresentar informações da contabilidade e informações relacionadas às atividades comerciais da empresa. Estes documentos foram entregues ao Fisco através de Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – Recibo de Entrega de Documentos Digitais ou mesmo por meio físico, mas foram juntados apenas em parte aos autos. Embora entregues a Fiscalização, tais documentos foram omitidos dolosamente do procedimento administrativo, o que causa enormes prejuízos à Impugnante tendo em vista que seus dados são comparados com informações e documentos advindos de outras empresas, dados estes que a Impugnante desconhece e que não foram juntados no processo. Tais documentos fazem parte do conjunto probatório apresentado ao Fisco, mas foram unilateralmente descartados do procedimento por ele. (...) II RAZÕES PARA A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL II.I. Da Ação fiscal sem qualquer subsídio fático. Apuração totalmente equivocada por parte do fisco do valor de IPI destacado nas Notas Fiscais. (...) No entanto, absolutamente nenhuma Nota Fiscal foi juntada ao Auto de Infração ou teve sua chave de acesso indicada. Ora, se o Fiscal diz ter se baseado exclusivamente nas Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores para considerar o crédito a que a Autuada teria efetivamente direito, o mínimo que se poderia esperar é que essas Notas fossem ao menos indicadas no relatório da Ação Fiscal, no Anexo I(intitulado "IPI destacado NFe Fornecedores") ou que fossem juntados ao Auto de Infração. É impossível à Autuada saber de onde foram extraídas as informações referidas pelo Fisco e qual o critério adotado para apuração do "IPI NFe Fornecedores (Anexo I)". Por simples amostragem de fornecedores é possível verificar que os valores não guardam qualquer relação com as Notas Fiscais. Se há algo de fictício in casu não se trata dos créditos escriturados pela Impugnante em seu Livro RAIPI, mas sim os créditos referidos no Anexo I do Auto de Infração pelo Sr. Fiscal, os quais não guardam qualquer relação com as NFes dos Fornecedores da Autuada, tendo sido extraídos, por certo, do imaginário do Autuador. A título exemplificativo podemos citar as seguintes inconsistências, as quais podem ser facilmente demonstradas tanto pelas chaves de acesso indicadas nas tabelas abaixo, como nos documentos que instruem a presente Impugnação: (...) Ora, por simples amostragem aleatória é capaz de se demonstrar que os valores a título de crédito de IPI referidos pelo Sr. Fiscal como extraídos das Notas Fiscais dos Fornecedores da Autuada não guardam qualquer relação com a verdade. (...) Alternativamente, não sendo esse o entendimento deste Julgador de Primeiro Grau, requer a Impugnante a realização de perícia contábil, a fim de se aferir os valores a que a Autuante teve direito de crédito no período fiscalizado, bem como para atestar a legitimidade da escrituração promovida pela Impugnante. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 830 7 II.II. Da Inexistência de Fraude ou Simulação. Inocorrência de Reescrituração do RAIPI pela autuada. Solicitação extemporânea de documentos pelo fisco. No caso em tela não houve qualquer conduta ilícita do Contribuinte, que utilizou de meios lícitos em todas suas condutas. (...) Não há qualquer demonstração da ocorrência de Fraude por parte da Impugnante ou de seus representantes. Não pode o agente fiscalizador arguir a ocorrência de Fraude sem promover prova robusta que substancie suas alegações. No caso vertente, por simples deliberação dos fiscais, a Administração Pública resolveu por entender que houve reescrituração dos livros RAIPI da impugnante. (...) Sendo assim, por não ter incorrido em qualquer meio de fraude, bem como por não ter promovido a reescrituração do Livro RAIPI, nem ter promovido a tomada de crédito irregular de IRI, requer a impugnante que seja afastado o lançamento fiscal contido no Auto de Infração. III. DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE INAPLICABILIDADE DE MULTA EM DOBRO No caso sob análise é inaplicável a imposição de multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento), pois não existe qualquer prova de dolo na conduta da Impugnante. Muito pelo contrário, tanto não havia intuito de fraude que o Fisco deixou de juntar os documentos contábeis no procedimento a fim de iludir o julgador sobre a real situação tática. (...) Sendo assim, o lançamento fiscal deve ser modificada, no sentido de excluir a multa aplicada pelo Sr. Auditor Fiscal. Da mesma forma, ante a não configuração de fraude, não da se falar em responsabilidade do sóciogerente. IV DAS DEDUÇÕES NECESSÁRIAS EM CASO DE DESPROVIMENTO DO RECURSO IV.I. Aproveitamento dos Tributos Pagos a maior Pela Impugnante (...) Dessa forma, requer a Impugnante a utilização dos créditos dos tributos pagos a maior nos últimos cinco anos como compensação junto ao Lançamento Fiscal ora impugnado, devendo ser realizada perícia contábil para aferição dos corretos valores a serem compensados. IV.II. Da Não Incidência da Contribuição Social Previdenciária Patronal Sobre Parcelas Indenizatórias (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, necessário que, em vista da inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária patronal sobre as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, inclusive os valores pagos pelo empregador ao empregado durante os 15 (quinze) primeiros dias que antecedem à concessão dos auxílios doença ou acidente, tais valores pagos indevidamente pela Impugnante nos últimos 5 anos devem ser utilizados para compensação dos valoras referidos no Lançamento Fiscal. Da mesma forma, essencial fazse a declaração de não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o adicional de um terço (1/3) de férias, sobre o abono de férias e utilização dos valores pagos indevidamente pela Impugnante para compensação do débito referido no lançamento fiscal. Fl. 833DF CARF MF 8 IV.III. Da necessária exclusão do ICMS da Base de Cálculo do PIS e da Cofins (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, é necessário que seja declarada a ilegalidade da inclusão do ICMS na base de Cálculo do PIS e da Cofins, bem como reconhecido o direito da empresa Impugnante a promover a compensação dos tributos (PIS e COFINS), pagos a maior, com os valores referidos no Lançamento Fiscal. IV.IV. Da não incidência de IPI na operação de revenda de produto importado Nesse passo, admitir a incidência do IPI na importação e, posteriormente, novamente na comercialização no mercado interno, além de caracterizar bis in idem, viola o princípio da isonomia, de modo a onerar em excesso o importador (pela incidência dos incisos I e II do artigo 46 do CTN) em relação ao industrial interno (que se encaixo única e exclusivamente no inciso II do supracitado artigo). (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, Imperioso se faz, portanto, seja reconhecida a não incidência do IPI saídas dos produtos importados acabados do estabelecimento da Impugnante, devendo os valores recolhidos indevidamente serem utilizados para compensação dos valores referidos no lançamento fiscal. V DA IMPOSSIBILIDADE DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS V.I Ilícito penal. Fraude. Inocorrência. Impossibilidade de constatação mediante prova produzida pelo próprio contribuinte. Do Relatório Fiscal, depreendese que o Auditor entendeu que o aproveitamento de crédito pela empresa Lord Ind e Comércio de embalagens Plásticas Ltda se deu de forma irregular, o que acarretaria em fraude à legislação tributária, o que teria dado ensejo à Representação Fiscal para Fins Penais, da qual a Autuação ainda não restou cientificada.(...) Sendo assim, requer a impugnante que seja declarada por esta autoridade julgadora a não constatação de crime contra ordem tributária e, por consequência, a impossibilidade de representação fiscal para fins penais e de consequente comunicação ao Ministério Público Federal. Da Diligência Fiscal Diante da argumentação do contribuinte de que não teve acesso aos documentos fiscais considerados pelo fisco para legitimar parte dos créditos escriturados pelo contribuinte, por meio do "confronto entre os créditos escriturados no RAIPI e o valor efetivamente destacado nas Nfe dos fornecedores", o processo retornou em diligência à Autoridade Fiscal por intermédio do Despacho 04 da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA, às fls. 716/720. Em resposta, a Autoridade Fiscal, por meio do Relatório da Diligência Fiscal às fls. 722/725, verificou que houve erro em determinados cálculos e apurou redução dos tributos exigidos no Auto de Infração. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 831 9 Instado a se manifestar, o contribuinte replicou às fls. 731/734, alegando, em síntese, que não teve acesso ao documento não paginável referido à fl. 721, "documento descrito como “[...] relação de todas NFe emitidas tendo como destinatário a fiscalizada, nos anos de 2013 e 2014 [...]” que "o Sr. Auditor esqueceu de sobre o valor do novo crédito considerado como legítimo, aplicar a redução também da multa e dos juros que haviam sido inseridos no Auto de Infração", concluindo que "a situação do feito permanece exatamente a mesma da situação anterior a do Relatório da Diligência Fiscal, ou seja, sem a mínima condição de se auferir quais créditos foram considerados como legítimos e quais foram considerados como ilegítimos pela autoridade fiscal". Da Decisão de 1ª Instância Por meio do Acórdão 0963.271, exarado pela 3ª Turma da DRJ/JFA, em 12.05.2017, foi mantido em parte o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. DÉBITO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA. O saldo devedor de IPI decorrente da reescrituração fiscal, após glosas de créditos do imposto, sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos, considerados os recolhimentos feitos a menor previamente ao início da ação fiscal como parcelas redutoras da exigência a ser formulada. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ÔNUS DA PROVA. Ao buscar o reconhecimento de créditos do IPI, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza, devendo produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Apresentação parcial de documentos fiscais. Análise pontual de cada nota fiscal apresentada. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE ELEMENTOS. A inexistência de evidências de que a conduta do contribuinte tenha impedido ou retardado o conhecimento do fato gerador da obrigação principal por parte da autoridade fazendária, nem tampouco, tenha impedido ou retardado sua ocorrência ou, ainda, modificado suas características essenciais, impossibilita a qualificação da multa de ofício. Princípio da estrita tipicidade na aplicação de penalidades. Aplicação da multa em percentual básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 NULIDADE. FALTA DE PRORROGAÇÃO DO TDPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não é nulo o lançamento por prorrogação do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do TDPF, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência do Termo. Fl. 835DF CARF MF 10 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS. NÃO OCORRÊNCIA. O procedimento fiscal referese a análise dos créditos escriturados pelo contribuinte, que busca o aproveitamento do IPI destacado nas aquisições de insumos para reduzir os débitos do imposto nas saídas de mercadorias. Neste sentido, é o contribuinte que deve fazer prova do seu pleito: ao escriturar créditos de IPI deve encaminhar o elemento material (documental) comprobatório efetivamente capaz de conferir certeza e liquidez aos valores aproveitados em sua escrita fiscal: as notas fiscais de entrada das respectivas aquisições de mercadorias. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Assim, a Delegacia de Julgamento veio a afastar o agravamento da multa de oficio, além de homologar as conclusões da diligência realizada anteriormente, de modo a reduzir uma pequena parte do lançamento ora impugnado.. Do Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo apenas a reprisar os argumentos apresentados na impugnação: É o relatório Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado relator Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Quanto ao Recurso de Ofício, uma vez que o montante suprimido no Acórdão em exame supera o atual limite de alçada, também deve ser conhecido. i. Do Recurso de Ofício Fl. 836DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 832 11 O Recurso de Oficio ocasionou da redução do lançamento em razão de a Delegacia de Julgamento ter acatado a revisão feita pela unidade de origem quando da diligência efetuada antes do julgamento de primeiro grau, de modo que a DRJ apenas homologou o ajuste no lançamento de ofício. Por isso mesmo, não merece qualquer reforma. A outra parcela do lançamento desonerada deveuse ao afastamento da multa agravada imposta no lançamento original. Sobre esse ponto, tendo a concordar com a decisão recorrida no que tange à falta de evidências de conluio, fraude ou simulação para que restasse configurada a hipótese de multa agravada constante no artigo 80, da Lei Federal 4.502/1964. Não parece haver dúvidas de que o contribuinte, como se verá adiante, apropriouse de crédito indevido, porém, tal conduta, per si, não se amolda às definições previstas nos artigos 71 a 73, da Lei Federal 4.502/1996, a saber: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Assim inexistindo tal suporte probatório, é de se afastar o agravamento da multa. Passo ao Recurso Voluntário. ii. Do Recurso Voluntário Das Preliminares a. Falta de prorrogação do TDPF A recorrente alega a nulidade do aludido auto de infração porque “o prazo de validade do procedimento se encerrou no dia 02/09/2015, oportunidade em que o TDPF em questão deveria ter sido concluído, observado o que estabelece o art. 12 da Portaria SRF n° 1.687/2014". Fl. 837DF CARF MF 12 Contudo, tal fato não é causa de nulidade do lançamento de ofício. As causas de nulidade estão expressamente previstas no artigo 59, do Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Essa também a conclusão que pode ser extraída da Súmula CARF 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Uma vez que o auto de Infração foi elaborado por autoridade competente, devidamente investida das atribuições legais inerentes ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e isso não deixou existir pela mera ausência de prorrogação, não vislumbro violação ao direito de defesa da Recorrente. b. Cerceamento de Defesa Não assiste razão à Recorrente ao alegar que a ausência de notas fiscais teria prejudicado sua ampla defesa. O próprio relatoria realiza um escrutínio das operações fiscais da Recorrente, identificando os casos em que os créditos foram apropriados indevidamente. Diante disso, restando insubsistente a razão que a Recorrente indica para fundamentar o pretenso cerceamento de defesa e inexistindo qualquer outra evidência de que houve violação do artigo 59, do Decreto 70.235/1972, não acolho a preliminar. c. Omissão Dolosa de Documentos pelo Fisco À luz das alegações da Recorrente, não houve qualquer comprovação por sua parte que pudesse indicar que o auditorfiscal teria “montado” uma situação fática para prejudicar o contribuinte, de maneira que mantenho a decisão recorrida pelos próprios fundamentos, para não reconhecer a nulidade apontada. Do Mérito Conforme se denota da peça recursal, não restaram argumentos de mérito que possam vir a ser analisados por esse Colegiado; se existem não foram trazidos à baila no prazo recursal, tampouco até a presente sessão de julgamento. Na verdade, a Recorrente discorre algumas laudas sobre a falta de subsídio fático da ação fiscal para tentar desconstituir o lançamento, porém sem trazer qualquer Fl. 838DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 833 13 elemento de prova ou de direito que pudesse servir de contraponto aos argumentos da fiscalização. Desse modo, restando insubsistentes os argumentos trazidos pela Recorrente, não há o que se reformar na decisão de primeiro grau. Dos Pedidos de Aproveitamento de Créditos para quitação do débito em caso de não acolhimento do Recurso Da mesma forma que a Delegacia de Julgamento, o CARF não tem competência para liquidar os termos do lançamento ora impugnado, bem como não possui competência para reconhecer de ofício créditos fiscais que não tenham sido objeto do presente litígio. Por todo o exposto, conheço dos Recursos, porém negolhes provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 839DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19726.000430/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/07/1997 a 30/09/1998
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
É de cinco anos o prazo decadencial das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2301-005.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. É de cinco anos o prazo decadencial das contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 72 6. 00 04 30 /2 00 9- 11 Fl. 492DF CARF MF Processo nº 19726.000430/200911 Acórdão n.º 2301005.339 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o Relatório objeto do Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 12267.000363/200869, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias. Inconformada, o sujeito passivo apresentou impugnação alegando que o prazo decadencial aplicável é de cinco anos. A decisão de primeira instância, todavia, entendeu aplicável o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação original, que previa o prazo decadencial de dez. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário no qual, a despeito de outras alegações, sustentou a ocorrência da decadência quinquenal. É o relatório necessário". Fl. 493DF CARF MF Processo nº 19726.000430/200911 Acórdão n.º 2301005.339 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro João Bellini Júnior Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 12267.000363/200869, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro João Maurício Vital, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Destaquese, inicialmente, que este voto foi proferido com base no § 1º do art. 47 do Regimento Interno do Carf e será aplicado a distintos processos nos quais os recursos se fundam em idêntica questão de direito, qual seja, a aplicação da regra decadencial quinquenal. A decisão recorrida entendeu aplicável a regra decadencial prevista na redação original do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia ser de dez anos o prazo para a decadência do direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos Constatase, de pronto, a ocorrência de decadência, em face do Súmula Vinculante STF nº 8, de 12/06/2008, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. Para os períodos em que tenha havido, comprovadamente, antecipação de pagamento, devese aplicar a regra decadencial é a prevista no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), cujo termo inicial do prazo de decadência é a data do fato gerador. Para os períodos em que não estejam comprovados, nos autos, antecipação de pagamento, a regra de decadência é a do inc. I do art. 173 do CTN, que estabelece o termo a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Independentemente da regra de decadência quinquenal aplicável, todos os períodos contidos no lançamento já foram atingidos pela norma extintiva do crédito tributário. Considerando que a análise da decadência é suficiente para a solução definitiva do contencioso sem que haja prejuízo ao Fl. 494DF CARF MF Processo nº 19726.000430/200911 Acórdão n.º 2301005.339 S2C3T1 Fl. 5 4 sujeito passivo, deixo de apreciar eventuais alegações adicionais, preliminares ou de mérito, por despiciendas. Conclusão Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator" Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro João Bellini Júnior Fl. 495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.720837/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO.
Havendo omissão, obscuridade ou contradição, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que seja esclarecida a obscuridade, eliminada a contradição ou suprida a omissão.
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. NÃO CABIMENTO.
1. Segundo o voto condutor do acórdão de recurso voluntário, o recurso interposto no processo de exclusão do Simples Federal tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15, § 3º, da Lei 9317/96.
2. Logo, e ao contrário do que constou do acórdão ora embargado, não houve determinação de sobrestamento do processo, mas sim de suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão definitiva daquele outro PAF.
Numero da decisão: 2402-006.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de modo que seja integrado ao dispositivo e à ementa do acórdão de recurso voluntário referência à suspensão da exigibilidade do crédito tributário até decisão definitiva do PAF nº 10935.001431/2008-61.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Havendo omissão, obscuridade ou contradição, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que seja esclarecida a obscuridade, eliminada a contradição ou suprida a omissão. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. NÃO CABIMENTO. 1. Segundo o voto condutor do acórdão de recurso voluntário, o recurso interposto no processo de exclusão do Simples Federal tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15, § 3º, da Lei 9317/96. 2. Logo, e ao contrário do que constou do acórdão ora embargado, não houve determinação de sobrestamento do processo, mas sim de suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão definitiva daquele outro PAF.
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EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ROCAMP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Havendo omissão, obscuridade ou contradição, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que seja esclarecida a obscuridade, eliminada a contradição ou suprida a omissão. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. NÃO CABIMENTO. 1. Segundo o voto condutor do acórdão de recurso voluntário, o recurso interposto no processo de exclusão do Simples Federal tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15, § 3º, da Lei 9317/96. 2. Logo, e ao contrário do que constou do acórdão ora embargado, não houve determinação de sobrestamento do processo, mas sim de suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão definitiva daquele outro PAF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de modo que seja integrado ao dispositivo e à ementa do acórdão de recurso voluntário referência à suspensão da exigibilidade do crédito tributário até decisão definitiva do PAF nº 10935.001431/200861. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 08 37 /2 01 1- 42 Fl. 313DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Do acórdão embargado Este colegiado conheceu e acolheu os embargos de declaração do contribuinte, opostos em 08/12/2015, conforme ementa e resultado a seguir transcritos: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma (art. 65 do RICARF). Embargos Acolhidos. Dos Embargos de Declaração Cientificada da decisão, a PGFN opôs os embargos, alegando omissão, contradição e obscuridade. Da alegada omissão No entender da PGFN, a ementa do presente acórdão embargado não dispõe sobre o sobrestamento, que foi a matéria objeto dos embargos, o que configuraria omissão. Das alegadas contradição e obscuridade A PGFN também entende que houve contradição, vez que o acórdão embargado determinou o sobrestamento do processo, mas ao mesmo tempo teria proferido decisão de mérito provendo parcialmente o recurso voluntário. Por fim, a obscuridade residiria na confusão entre sobrestamento do processo e suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10935.720837/201142 Acórdão n.º 2402006.589 S2C4T2 Fl. 3 3 Do exame de admissibilidade Conforme despacho/decisão de fls. 266/270, os embargos foram admitidos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Admissibilidade Conforme detalhado no exame de admissibilidade de fls. 266/270, os embargos são tempestivos e foram objetivamente apontados os pontos que deveriam, no entender da PGFN, ser clareados. Em sendo assim, o recurso deve ser conhecido. 2 Da omissão Segundo a PGFN, a ementa do acórdão embargado não tratou do sobrestamento, que foi a matéria objeto dos embargos do contribuinte. Realmente, a ementa foi omissa nesse tocante e os embargos devem ser acolhidos para que seja suprida a omissão. A ementa acima, portanto, refletirá o resultado do julgamento do recurso voluntário, com as inclusões decorrentes desta decisão. 3 Da contradição e da obscuridade Analisandose o voto condutor do acórdão de recurso voluntário, verificase que, ao contrário do que constou no acórdão ora embargado pela PGFN, a Turma julgadora não havia determinado o sobrestamento do processo, mas sim a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até a decisão definitiva do PAF nº 10935.001431/200861. Vejase: Diante disso, convém ressaltar que a decisão deste processo ficará sobrestada até a decisão definitiva sobre o direito da recorrente ao regime do SIMPLES FEDERAL, uma vez que o recurso interposto naquele processo tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15 § 3o da Lei 9.317/96. Isso porque realmente houve decisão de mérito, mais precisamente para, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vejase o teor do acórdão proferido: ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do Fl. 315DF CARF MF 4 lançamento de parte do período, vencidos o relator e os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Para que não pairem dúvidas, eis o teor do dispositivo do voto condutor do acórdão: Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, excluindo as contribuições patronais e as devidas aos terceiros, lançadas no período de 07/2007 a 12/2008, período em que a recorrente era optante pelo regime tributário diferenciado do SIMPLES NACIONAL. Portanto, o que havia sido determinado pela Turma julgadora era, realmente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (também denominada, talvez por equívoco, em sobrestamento da decisão), até a decisão definitiva daquele outro PAF. Vejase que se afirmou, textualmente, que "o recurso interposto naquele processo tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15 § 3o da Lei 9.317/96", muito embora se tenha cogitado em sobrestamento da decisão. Em sendo assim, o acórdão de embargos de declaração jamais poderia ter, com a finalidade de mero suprimento da omissão então apontada pelo sujeito passivo, ter alterado o conteúdo do acórdão de recurso voluntário e determinado o sobrestamento do processo. Logo, os embargos devem ser acolhidos, para esclarecer essa obscuridade e eliminar qualquer contradição entre a decisão do acórdão de recurso voluntário e a decisão do acórdão ora embargado. Em síntese, deveria ser integrado ao dispositivo do acórdão de recurso voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão definitiva do PAF nº 10935.001431/200861. Ao mesmo tempo, a fundamentação adotada pela Turma julgadora, para determinar a aludida suspensão, deveria ter constado da ementa. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007315/2004-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 14/07/1998, 22/07/1999, 28/10/2000, 10/04/2000, 28/11/2000, 01/03/2001
DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR NÃO CONFIGURADO.
O inadimplemento do compromisso de exportar, assumido em regime de Drawback, enseja a cobrança de tributo, juros de mora e multa de ofício. No caso, a Recorrente logrou êxito em demonstrar que efetuou tempestivamente os pedidos de prorrogação nos processos de drawback suspensão, logo o auto de infração deve ser cancelado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 14/07/1998, 22/07/1999, 28/10/2000, 10/04/2000, 28/11/2000, 01/03/2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR NÃO CONFIGURADO. O inadimplemento do compromisso de exportar, assumido em regime de Drawback, enseja a cobrança de tributo, juros de mora e multa de ofício. No caso, a Recorrente logrou êxito em demonstrar que efetuou tempestivamente os pedidos de prorrogação nos processos de drawback suspensão, logo o auto de infração deve ser cancelado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 73 15 /2 00 4- 08 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 349 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado pelo inadimplemento do compromisso de exportar no Regime de DrawbackSuspensão, Ato Concessório nº 200099/0005217, emitido em 08/11/1999 e Ato Concessório nº 200099/0003963, emitido em 29/06/1998. Do Ato Concessório de DrawbackSuspensão nº 200099/0005217 Conforme Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte (fls. 55 e 56), o Drawback em questão objetivava a importação de embalagens (sacos ou bolsas assépticas) utilizadas para acondicionamento de polpa de banana não acidificada, a ser exportada. Em 08/11/1999 foi concedido o benefício, que permitiu a importação, com suspensão de tributos, de 3.990 unidades de sacos plásticos num valor FOB total de 35.815,50, com a condição de que o contribuinte efetuasse até 06/05/2000, a exportação de 1.600 toneladas de purê de polpa de banana num valor FOB total de US$ 480.000, (fls. 57). Em 28/02/2000, foi concedido ao beneficiário diversas alterações aos elementos originais do Ato Concessório. O prazo para exportação, no entanto, não foi alterado (fls. 58). Em 16/05/2000, foi concedida a prorrogação do prazo para exportação de 06/05/2000 para 06/08/2000 (fl. 59). Em 10/08/2000 nova prorrogação foi concedida, passando o prazo para exportação de 06/08/2000 para 04/11/2000 (fl. 60). O mesmo ocorreu em 26/10/2000, onde se concedeu prorrogação do prazo para exportação, de 04/11/2000 para 03/01/2001 (fl. 61). Em 24/11/2000, novas alterações foram concedidas, acrescentandose um novo modelo de saco asséptico a ser importado e reduzindose a quantidade de um dos modelos de saco previstos dentre os elementos originários do Ato Concessório em questão (fl. 62). Em 09/01/2001, nova prorrogação de prazo para exportação foi concedida, sendo este alterado de 03/01/2001 para 03/04/2001 (fl. 63). Em 26/07/2001, mais uma vez, a data final para exportação foi adiada, desta vez de 03/04/2001 para 02/07/2001 (fls. 64). Em 25/07/2003 a interessada providenciou o recolhimento do II, da multa de mora e dos juros de mora correspondentes, referentes a uma parcela das mercadorias importadas com suspensão de tributos (fls. 65 a 71). Em 04/08/2003 o Banco do Brasil enviou a Secretaria da Receita Federal Comunicação de Baixa Parcial do Ato Concessório nº 200099/0005217 juntamente com cópia do Relatório Unificado de Drawback (folhas 72 a 77) e Carta de Nacionalização (fl. 65). Ocorre que o Aditivo de 16/05/2000, foi concedido após 10 (dez) dias a data limite para a exportação, 06/05/2000. Inclusive o contribuinte, embora tenha sido intimado a apresentar solicitações e protocolos enviados a Secex/Banco do Brasil, não respondeu a intimação (fls. 49 e 50 item 1). Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 350 3 Acrescentou ainda a fiscalização em seu relatório que, levando em conta esta intempestividade de prorrogação, percebese que outras intempestividades posteriores ocorreram; sendo a última prorrogação de prazo concedida mais de três meses após a data limite teórica (e errônea – 03/04/2001) para a exportação. E mais, nenhum protocolo ou solicitação referente aos aditivos (em especial o de 16/05/2000) foi enviado à fiscalização pelo Banco do Brasil, em resposta ao Ofício 501/2004 (fls. 54 e item 1). Assim, destacou, por fim a fiscalização que todos os aditivos ao Ato Concessório, efetuados posteriormente a 06/05/2000, deveriam ser desconsiderados, também o sendo as exportações e importações efetuadas posteriormente a este período, ainda que se refiram (erroneamente) ao Ato Concessório em questão. Também, a liquidação do Compromisso de exportar não poderiam ser consideradas, tendo em vista o não cumprimento das condições necessárias para sua efetivação (ver item 2.7) do Auto de Infração. À fl. 32 a fiscalização faz uma minuciosa demonstração da operacionalização do Ato Concessório 200099/0005217 e um demonstrativo dos tributos devidos pelo inadimplemento. Do Ato Concessório de DrawbackSuspensão nº 200098/0003963 Conforme Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte (fls. 99 a 101), o Drawback em questão objetivava a importação de embalagens (sacos ou bolsas assépticas) utilizadas para acondicionamento de polpa de banana não acidificada, a ser exportada. Em 29/06/1998 foi concedido o benefício, que permite a importação, com suspensão de tributos, de 17.700 unidades de sacos plásticos num valor FOB total de 139.275,00, com a condição de que o contribuinte efetuasse até 29/06/1999, a exportação de 3.870 toneladas de purê de polpa de banana num valor FOB total de US$ 1.161.000,00. (fl. 102). Em 16/06/1999 foi concedida alteração do código da mercadoria a serem exportadas, somente (fl. 103); Em 14/07/1999, foi concedida a prorrogação do prazo para exportação, de 29/06/1999 para 27/09/1999 (fl. 104). Em 27/10/1999, nova prorrogação foi concedida, passando o prazo de 27/09/1999 para 25/03/2000 (fl. 105). O mesmo ocorreu em 26/04/2000, onde se concedeu prorrogação do prazo para exportação de 25/03/2000 para 25/06/2000 (fl. 106). Em 25/07/2003 a interessada providenciou o recolhimento do II, da multa de mora e dos juros de mora correspondentes, referentes a uma parcela das mercadorias importadas com suspensão de tributos (fls. 107 a 110). Em 04/08/2003 o Banco do Brasil enviou, à Secretaria da Receita Federal, Comunicação de baixa Parcial do Ato Concessório nº 200098/0003963 juntamente com cópia do Relatório Unificado de Drawback e anexos a esse (fls. 111 a 144) e Carta de Nacionalização (fls. 107). Ocorre que o Aditivo de 14/07/1999, foi concedido mais de 10 (dez) dias a data limite para a exportação, 29/06/1999. Inclusive o contribuinte, embora tenha sido intimado a apresentar solicitações e protocolos enviados a Secex/Banco do Brasil, não respondeu a intimação. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 351 4 Acrescentou ainda a fiscalização em seu relatório que, levando em conta esta intempestividade de prorrogação, percebese que outras intempestividades posteriores ocorreram; sendo as outras duas prorrogações posteriores concedidas um mês após a data limite para a exportação. E mais, nenhum protocolo ou solicitação referente aos aditivos (em especial o de 14/07/1999) foi enviado à fiscalização pelo Banco do Brasil, em resposta ao Ofício 501/2004 (fls. 54). Assim, destacou, por fim a fiscalização que todos os aditivos ao Ato Concessório, efetuados posteriormente a este período, deveriam ser desconsiderados, também o sendo as exportações e importações efetuadas posteriormente a este período, ainda que se refiram (erroneamente) ao Ato Concessório em questão. Também, a liquidação do Compromisso de exportar não poderia ser considerada, tendo em vista o não cumprimento das condições necessárias para sua efetivação (ver item 2.7) do Auto de Infração. À fl. 35 e seguintes, a fiscalização faz uma minuciosa demonstração da operacionalização do Ato Concessório 200098/0003963 e um demonstrativo dos tributos devidos pelo inadimplemento. Ciente do Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação de fls. 171/178, onde alegou, em síntese do necessário: a autuação imposta à Impugnante está calcada na alegação de que as exportações das mercadorias importadas ao abrigo do regime DrawbackSuspensão foram realizadas após as datas limites originalmente estabelecidas nos Atos Concessórios; o argumento fático utilizado pela Autoridade Fiscal é que os prazos de validade de ambos os regimes de Drawback Suspensão concedidos à Impugnante não foram validamente prorrogados, fazendo com que os impostos suspensos na importação fossem devidos com as penalidades e acréscimos legais cabíveis; de acordo com o que determina os artigos 16 e 18 da Portaria SECEX nº 04, de 11/06/1997, vigentes à época dos fatos, claro está que para se obter a prorrogação do prazo de validade dos Atos Concessórios de Drawback, o beneficiário deverá solicitar a prorrogação dentro do prazo de validade; em nenhum momento o texto regulamentar determina que a prorrogação seja concedida pelo órgão responsável dentro do prazo de validade do Ato Concessório. Ao contrário, no próprio item 3 do art. 8.11 do Comunicado DECEX nº 21/97, a apreciação pelo órgão responsável do pedido de prorrogação está condicionada à apresentação desse pedido, pelo interessado, dentro do prazo de validade do Regime; a Impugnante, com relação aos dois Atos Concessórios questionados na autuação ora impugnada, efetivamente realizou todos os pedidos de prorrogação dentro dos respectivos períodos de validade, conforme protocolados junto ao Banco do Brasil, juntados à presente na forma de anexos. Vide quadros às fls. 176 da impugnação; prova adicional da correção do procedimento adotado pela Impugnante foi a própria concessão pelo Banco do Brasil, das prorrogações solicitadas, em todos os casos em que houve o pedido, sempre tempestivos; feita esta comprovação, tornamse descabidas as alegações da Autoridade Fiscal quanto à intempestividade das prorrogações, devendo ser consideradas como válidas as prorrogações realizadas e, por consequência, liquidados os compromissos de exportar a que a Impugnante estava vinculada pelos Atos Concessórios de DrawbackSuspensão objeto da Auditoria Fiscal; claro está que a discussão e a própria autuação cingiuse à intempestividade das prorrogações realizadas pela Impugnante, pois nada mais com relação às demais obrigações foi arguido pela Autoridade Fiscal; demonstrada a total improcedência do Auto de Infração, serve a presente para requerer o cancelamento integral da exigência fiscal. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 352 5 A DRJ/SPII negou provimento ao apelo, com decisão assim ementada: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 14/07/1998, 22/07/1999, 28/10/2000, 10/04/2000, 28/11/2000, 01/03/2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O inadimplemento do compromisso de exportar, assumido em regime de Drawback, enseja a cobrança de tributo, juros de mora e multa de ofício. Lançamento Procedente. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa os argumentos de sua impugnação e, em especial, ratifica que efetivamente realizou todos os pedidos de prorrogação dentro dos respectivos períodos de validade, conforme protocolados junto ao Banco do Brasil, anexados com impugnação, efls. 187 a 203. Ao final pede a improcedência da ação fiscal. A 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Resolução n° 3101000.128, converteu o julgamento em diligência para que: a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimea a trazer os originais dos documentos apontados às fls. 187 a 203, bem como cópias legíveis deles (notadamente dos carimbos de protocolo), a fim de serem verificadas a autenticidade, o conteúdo e o prazo dos mesmos. Elabore a autoridade preparadora um relatório fiscal conclusivo acerca da autenticidade, conteúdo e prazo dos documentos apresentados, relativamente aos Atos Concessórios originários, e dê ciência do relatório à recorrente, em prestígio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. A diligência foi cumprida, cf. relatório fiscal de efls.330334. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência e sobre ela se manifestou favoravelmente. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A controvérsia referese ao regime especial de importação DRAWBACK SUSPENSÃO, notadamente, o suposto inadimplemento do compromisso de exportar assumido pela empresa, decorrente da anterior autorização concedida através de ato concessório. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 353 6 A acusação fiscal apontou que, em relação ao Ato Concessório n° 2000 99/0005217, o Aditivo de 16/05/2000 foi concedido após 10 (dez) dias da data limite para a exportação, 06/05/2000 e, em relação ao Ato Concessório n° 200098/0003963, o aditivo de 14/07/1999 foi concedido mais de 10 (dez) dias da data limite para a exportação, 29/06/1999. Por sua vez, entendeu a DRJ que os documentos anexados pela Recorrente não comprovariam que os pedidos de prorrogação foram feitos dentro dos respectivos períodos de validade. O voto condutor aduziu que os documentos comprovam a concessão da prorrogação e não o seu pedido dentro do prazo. Por conseguinte, para a DRJ houve inadimplemento do Regime, não poderia a interessada continuar com a manutenção do benefício, sendo procedente a autuação para a cobrança dos tributos suspensos. A Portaria SECEX n° 04 de 11/06/1997, vigente à época dos fatos relacionados aos Atos Concessórios de Drawback ora analisados, estabelece em seu art. 16 e no caput de seu art. 18, que: Artigo 16. A empresa beneficiária poderá solicitar alterações das condições gerais estabelecidas quando da concessão do Regime, desde que devidamente justificado e dentro do prazo de validade do Ato Concessório de Drawback. Por sua vez, o Comunicado DECEX n° 21, de 11/07/1997, vigente à época dos fatos relacionados aos Atos Concessórios de Drawback ora tratados, determina em seu capítulo III, itens 8.8, 8.9 e 8.11: 8.8 0 prazo de validade do Ato Concessório de Drawback é determinado pela datalimite estabelecida para a efetivação das exportações vinculadas e será compatibilizado ao ciclo produtivo do produto a exportar, com o objetivo de permitir a exportação no menor prazo possível. 8.9 Qualquer alteração das condições concedidas pelo Ato Concessório de Drawback deverá ser solicitada, dentro do prazo de sua validade, por meio de formulário Aditivo ao Pedido de Drawback. 1. Os pedidos de alteração somente serão passíveis de análise quando formulados até o último dia de validade do Ato Concessório de Drawback ou no primeiro dia útil subsequente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. (8.11 Poderá ser solicitada uma ou mais prorrogações do prazo de validade de Ato Concessório de Drawback, desde que devidamente justificado, respeitado o limite de 2 (dois) anos para a permanência da mercadoria importada no País, com suspensão dos tributos. 3. Os pedidos de prorrogação somente serão passíveis de análise quando formulados até o último dia de validade do Ato Concessório de Drawback ou no primeiro dia útil subseqüente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 354 7 Ressaltese que a diligência fiscal comprovou a veracidade das alegações da Recorrente. Com isso, acolho o resultado da diligência e transcrevo os fundamentos expostos no relatório fiscal (efls. 330334): Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 355 8 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 356 9 Como a própria autoridade fiscal reconheceu, os documentos apresentados pela Recorrente foram autenticados por notários, logo devem ser considerados legítimos. E, restou demonstrado que a Recorrente efetuou tempestivamente os pedidos de prorrogação nos processos de drawback suspensão, motivo pelo qual o auto de infração deve ser cancelado. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 356DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000298/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2007
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). COMPETÊNCIA PARA A EMISSÃO. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL. AUTORIDADE COMPETENTE PARA O LANÇAMENTO.
Estando presentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. O Auditor-Fiscal da Receita Federal é a autoridade legalmente competente para efetuar o lançamento de contribuições previdenciárias. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento administrativo que não suprime e nem limita a autoridade fiscal. É válido o MPF emitido por unidade diferente da que jurisdiciona o sujeito passivo.
PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA.
Nos termos do art.,28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91, integra o salário de, contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a lei 10.101/2000.
TAXA SELIC.
A utilização da taxa selic para cobrança os juros moratórios incidentes sobre os créditos constituídos está pacificada nos termos da súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF conforme a íntegra de sua edição: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, c, do Código Tributário Nacional CTN, observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei.
MULTA
É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente compará-los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso.
Numero da decisão: 2301-005.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403-002.381, de 12/02/2015, rerratificá-lo e fazer constar em seu dispositivo: "(...) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se aplique a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008".
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). COMPETÊNCIA PARA A EMISSÃO. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL. AUTORIDADE COMPETENTE PARA O LANÇAMENTO. Estando presentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. O AuditorFiscal da Receita Federal é a autoridade legalmente competente para efetuar o lançamento de contribuições previdenciárias. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento administrativo que não suprime e nem limita a autoridade fiscal. É válido o MPF emitido por unidade diferente da que jurisdiciona o sujeito passivo. PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. Nos termos do art.,28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91, integra o salário de, contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a lei 10.101/2000. TAXA SELIC. A utilização da taxa selic para cobrança os juros moratórios incidentes sobre os créditos constituídos está pacificada nos termos da súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF conforme a íntegra de sua edição: “ A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais ” RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 98 /2 00 8- 57 Fl. 446DF CARF MF 2 Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, “c”, do Código Tributário Nacional CTN, observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. MULTA É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403 002.381, de 12/02/2015, rerratificálo e fazer constar em seu dispositivo: "(...) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se aplique a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008". (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratamse de embargos interpostos pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 2403002.381 (efls. 383 a 395). A embargante sustenta que teria havido omissão no julgado, porquanto não foi apreciada matéria impugnada e constante do recurso voluntário, correspondente à preliminar de incompetência da Delegacia da Receita Federal em Vitória para promover a ação fiscal. O presidente desta turma admitiu os embargos por vislumbrar a omissão apontada (efl. 444) e, a despeito das considerações do relator (efls. 440 a 443), entendeu que somente o colegiado possui competência para se manifestar sobre questões preliminares e de mérito conduzidas no recurso. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 15586.000298/200857 Acórdão n.º 2301005.565 S2C3T1 Fl. 447 3 É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. Verificase, de fato, que o acórdão embargado não fez qualquer menção à questão trazida na impugnação e no recurso voluntário afeta à competência para proceder à ação fiscal. Diante disso, passo a discorrer sobre o tópico omisso e deixo de apreciar as matérias já decididas pela turma. Em razão de se enquadrar na classificação de instituição financeira, a recorrente alegou que a Delegacia da Receita Federal em Vitória seria incompetente para promover a fiscalização tributária, que somente poderia ser levada a efeito pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras, única unidade do Fisco que poderia ter emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A matéria foi apreciada pelo colegiado de primeira instância e a recorrente não aduziu novas razões de defesa, razão pela qual, nos termos do § 3º do art. 57 do Regimento Interno do Carf (Ricarf), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, proponho, no que se refere exclusivamente à matéria em apreço, a confirmação e adoção da decisão recorrida, que assumo como minhas próprias razões de decidir e abaixo transcrevo: DA COMPETÊNCIA DA DRF VITÓRIA: 11. Requer a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal n° 07.2.01.002008 000751 e os atos dele decorrentes, inclusive a presente NFLD, por serem atos praticados por autoridade incompetente. Considera que a DRF Vitória não tinha competência para fiscalizar e autuar instituições financeiras, uma vez que, os atos pertinentes à fiscalização e autuação da impugnante, estão em desacordo com a Portaria 23, do Ministério da Fazenda, de 30/01/2008, com efeitos retroativos a 02/01/2008. 12. Tal alegação não cabe pelos motivos abaixo expostos: 12.1. O Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, foi devidamente emitido em 14 de janeiro de 2008, nos termos da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, vigente na época da emissão do MPF; 12.2. O Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF, documento através do qual o sujeito passivo foi notificado de que se encontrava sob ação fiscal, conforme o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei 11.457/2007, foi emitido e cientificado em 28 de janeiro de 2008; 12.3. O Decreto n° 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal, dispõe em seu art. Art. 7°: O procedimento fiscal tem inicio com: (Vide Decreto n" 3.724, de 2001) Fl. 448DF CARF MF 4 1 o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (grifei) 12.4. Ora, não há que se questionar que à época do início do procedimento fiscal, foram respeitadas todas as exigências legais. No presente caso, temos servidor competente, à época do início da ação fiscal e, portanto, não há que se falar em nulidade de ato quando despido de qualquer vício. Os procedimentos acima citados demonstram claramente que em momento algum foram tomadas atitudes contrárias aos procedimentos legais exigíveis à época da transição. 12.5. Tais fatos são corroborados pelo disposto na Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB, dispõe: Art. 4° O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. (grifei) Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 14. O MPF se extingue: 1 pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. (...) Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. 12.6. Cabe salientar que a Portaria 23 veio alterar o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente o disposto no art. 169. De acordo com a Fl. 449DF CARF MF Processo nº 15586.000298/200857 Acórdão n.º 2301005.565 S2C3T1 Fl. 448 5 redação anterior, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da previdência social, não integravam a competência das Delegacias Especiais de Instituições Financeiras. Tal contribuição deixou de ser exceção com as alterações da Portaria 23, de 30/01/2008, que dispõe em seu artigo 2°: Art. 2° Esta Portaria entra em vigor na data da sua publicação, retroagindo seus efeitos a 2 de janeiro de 2008. 12.7. A Portaria foi publicada no DOU de 31/01/2008, e, portanto, seus efeitos retroativos só poderiam ter aplicabilidade para os casos em que não ocorreu o início da ação fiscal, conforme dispositivo legal, mesmo porque passou a vigorar a partir de 31/01/2008, conforme disposto no próprio texto. 12.8. Atentese ainda para o fato de que a Portaria 23 trata de Regimento Interno, ou seja, gerenciamento de procedimentos e, portanto, não tem o condão de anular os atos válidos, ou seja, procedimentos embasados no ordenamento legal aplicável à época de seu início. Às razões contidas no acórdão recorrido aduzo que as nulidades no processo administrativo fiscal são as que contam do art. 59 do Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972, e se resumem a apenas duas hipóteses: 1) termos e atos lavrados por autoridade incompetente e 2) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não vejo, pois, qualquer das hipóteses de nulidade que tenha viciado o lançamento em razão de o MPF ter sido expedido pela DRF/Vitória. Inicialmente, constatase que não consta dos autos nenhum despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente e o sujeito passivo exerceu plenamente o seu direito de defesa. A notificação de lançamento foi lavrada por AuditorFiscal da Receita Federal, que é a autoridade competente para efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias, como dispõe a alínea a do inc. I do art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. O Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, instituiu o MPF como mecanismo de controle administrativo, mas não tem o condão de suprimir ou limitar a competência legal atribuída ao cargo público. Eventual inobservância do controle administrativo poderá acarretar consequências funcionais, mas não macula o lançamento efetuado nos limites da competência legal e com a observância dos artigos 7º a 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Ademais, como já decidido por esta turma inúmeras vezes, o MPF é apenas um instrumento de controle administrativo, que também permite ao contribuinte fiscalizado certificarse se a ação fiscal em curso foi regularmente instaurada, bem como identificar as Autoridades Fiscais responsáveis pela condução do inquérito fiscal. Eventuais irregularidades no MPF, que no caso sequer foram demonstradas, não prejudicariam o lançamento. Fl. 450DF CARF MF 6 O lançamento, enquanto atividade plenamente vinculada, não decorre do MPF, mas da lei. Invoco o Acórdão nº 9303003.876, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que bem ilustra o entendimento predominante no Carf sobre a matéria: PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Conclusão Voto por acolher os embargos e rerratificar o acórdão embargado para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que se aplique a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720338/2017-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF.
Numero da decisão: 2402-006.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 86/94) em face do Acórdão n. 12 96.234 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1 (efls. 69/75), que julgou improcedente a impugnação de efls. 52/59 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 03 38 /2 01 7- 80 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10680.720338/201780 Acórdão n.º 2402006.608 S2C4T2 Fl. 102 2 manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 02/01/2017 (efl. 18) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2015/915441630460931 Exercício 2015 no valor total de R$ 91.019,39 sendo R$ 64.156,90 de imposto (Cód. Receita 0211); R$ 12.831,38 de multa de mora não passível de redução; e R$ 14.031,11 de juros de mora calculados até 29/12/2016 (efls. 11/14), com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de efls. 52/59, julgada improcedente pela DRJ/RJ1, nos termos do Acórdão n. 1296.234 (efls. 69/75), de cujo teor tomou ciência em 05/03/2018 (efls. 79/80), havendo interposto recurso voluntário na data de 04/04/2018 (efl. 81). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator. O Recurso Voluntário (efls. 86/94) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), vez que, no entendimento do Recorrente, a responsabilidade pelo não recolhimento do tributo é exclusiva da fonte pagadora, tendo em vista que o IRRF consta de DIRF. É oportuno ressaltar que no Recurso Voluntário (efls. 86/94) o Recorrente não aduz novas razões de defesa. Muito bem. Para uma melhor contextualização da análise em curso, é oportuno resgatar que o Recorrente apresentou a DIRPF/2015 ND 06/73.803.293 Data de Entrega: 27/04/2015 informando rendimentos tributáveis de R$ 314.354,53 e IRRF de R$ 65.057,64, configuração que lhe conferia imposto a pagar de R$ 5.496,57. Todavia, em razão da glosa de IRRF R$ 64.156,90 decorrente do trabalho de Malha Fiscal, resultou um lançamento com fulcro em compensação indevida de IRRF de R$ 91.019,39, conforme discriminado na Notificação de Lançamento IRPF n. 2015/915441630460931 (efls. 11/14). O Recorrente, ressaltese, é sócioadministrador (diretor) da fonte pagadora Estamparia S/A CNPJ 19.791.987/000138 que declarou em DIRF o IRRF no valor de R$ 64.156,90, objeto de glosa pela Fiscalização da RFB. Com relação a este fato, assim se pronuncia a decisão recorrida: No caso, e como já exposto, a autoridade fiscal verificou que o contribuinte é sócio administrador (diretor) da fonte pagadora Estamparia S/A (CNPJ 19.791.987/0001 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.720338/201780 Acórdão n.º 2402006.608 S2C4T2 Fl. 103 3 38), como se observa da “tela” de fl. 42, devidamente confirmada. Notese constar dos sistemas da RFB Termo de Intimação Fiscal (fls. 66/67), solicitando ao interessado, na hipótese de ser proprietário ou administrador da fonte pagadora, o comprovante de recolhimento do IRRF, pedidos de compensação e DCTF. O referido Termo foi recepcionado em 19/10/2016 (fl. 68). No entanto, não foram apresentados, na ocasião, tais documentos, daí a glosa efetuada. Assim, na condição de sócioadministrador, o Recorrente é responsável solidário com a empresa pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do IRRF (art. 8°. do DecretoLei n. 1.736/1979 e art. 723 do RIR/99), o que condiciona a compensação do IRRF em seu desfavor do imposto devido apurado na declaração de ajuste anual, à comprovação do devido recolhimento do valor retido (no caso concreto, R$ 64.156,90), não sendo prova bastante a DIRF emitida pela fonte pagadora, nem muito menos o comprovante de rendimentos pagos e de IRRF, quando desacompanhadas do referido comprovante de recolhimento. É oportuno ressaltar que o Recorrente, na peça recursal de efls. 86/94, ou em qualquer outro momento processual, não ilide a natureza de seu vínculo com a fonte pagadora Estamparia S/A CNPJ 19.791.987/000138. No tocante à alegação do Recorrente de que os tributos devidos teriam sido objeto de compensação, via Per/Dcomp, é esclarecedor o arremate da decisão recorrida: Quanto à alegação de que os tributos retidos teriam sido objeto de compensação, via pedido de compensação, informação esta que, segundo o contribuinte, poderia ser facilmente identificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, há que se esclarecer, inicialmente, que é dever dos contribuintes em geral instruir a impugnação / defesa com os elementos necessários e suficientes à comprovação do direito que pleiteia, observada a legislação de regência da matéria e nos termos dos art. 15 e inciso III, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. É de se ressaltar, entretanto, que a autoridade revisora, antes de lavrar o Despacho Decisório, efetuou pesquisas junto aos sistemas da RFB para fins de localizar recolhimentos sob o código de receita 0561 (rendimentos do trabalho assalariado), efetuados pela empresa Estamparia S/A (CNPJ 19.791.987/000138), como se observa da "tela" de fl. 43, sendo que não obteve registro nesse sentido, daí a manutenção da glosa do IRRF. Igualmente, pesquisas aos sistemas da RFB, efetuadas por este julgador, resultaram infrutíferas. É cediço que é ônus do Recorrente em fazer acompanhar do recurso voluntário todo o conjunto probatório necessário a amparar as suas alegações (arts. 15 e 16, III, do Decreto n. 70.235/1972). No caso concreto, o Recorrente não traz aos autos nenhum elemento de prova com força probatória suficiente a respaldar as suas alegações, observandose ser esta a terceira oportunidade que lhe é concedida para provar o efetivo recolhimento do IRRF informado em DIRF e no comprovante de rendimentos (efls. 15/16 e 38/39), vez que, por força do rito processual estabelecido na Instrução Normativa RFB n. 958/2009, pode se defender do lançamento em lide diretamente junto à autoridade lançadora (impugnação efl. 02), bem assim impugnar a decisão consubstanciada no Despacho Decisório em sede de revisão de ofício (efls. 46/48) junto ao órgão julgador de primeira instância, e, por fim, apresentar recurso voluntário à segunda instância em face da decisão de primeira instância de julgamento, sem que em nenhuma dessas oportunidades fizesse prova de suas alegações. Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.720338/201780 Acórdão n.º 2402006.608 S2C4T2 Fl. 104 4 Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 86/94) para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722888/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
NULIDADE DA DECISÃO A QUO.
É nula a decisão que deixou de analisar os argumentos da Impugnação, devendo ser proferida nova decisão, referindo-se expressamente aos fundamentos invocados pelo Contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, determinando-se o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. É nula a decisão que deixou de analisar os argumentos da Impugnação, devendo ser proferida nova decisão, referindo-se expressamente aos fundamentos invocados pelo Contribuinte.
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É nula a decisão que deixou de analisar os argumentos da Impugnação, devendo ser proferida nova decisão, referindose expressamente aos fundamentos invocados pelo Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, determinandose o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 28 88 /2 01 6- 17 Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativos aos anos calendário 2011 e 2012, bem como multa isolada por falta de recolhimento de estimativas devidas, multa de ofício e juros de mora. No âmbito da mesma ação fiscal, foram identificadas pela fiscalização, adicionalmente, operações apontadas como sujeitas à incidência do IOF, o qual foi objeto de autuação em separado, controlada pelo processo 10480.722891/201622, o qual se encontra atualmente na DRJ. Por bem relatar os fundamentos da autuação, reproduzo trechos do relatório fiscal de fls. 36 e seguintes: 2. DOS FATOS IDENTIFICADOS 2.1 DAS “OUTRAS EXCLUSÕES” AO LUCRO LÍQUIDO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DOS ANOS CALENDÁRIO DE 2011 E 2012 10. A empresa informou em seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e em suas DIPJ dos anoscalendários de 2011 (linha 78) e 2012 (linha 87), da ficha 09A, à título de “outras exclusões”, os valores de R$ 5.522.933,21 e R$ 4.658.826,36, respectivamente. 11. Intimada a detalhar a composição conforme o plano de contas e escrituração, e a comprovar documentalmente tais valores, através do Termo de Início de Fiscalização cientificado em 20/02/2015 e do Termo de Reintimação Fiscal cientificado em 22/06/2015; a empresa limitouse a informar que tais valores teriam sido “provenientes de juros de atualização de mútuos”; não apresentando nenhuma documentação comprobatória que justificasse tais exclusões. 12. Da mesma forma, quando da apuração da base de cálculo da CSLL, nos seus livros de apuração (LALUR) e nas fichas 17 das DIPJ dos anos calendário de 2011 (linha 61) e 2012 (linha 63), a empresa também registrou a exclusão de tais valores. 13. Do exposto, por não terem sido devidamente comprovadas e justificadas pelo contribuinte, através de documentação hábil e idônea, tais exclusões serão objeto de glosa por esta fiscalização, através do lançamento de autos de infração do IRPJ e da CSLL. 2.2 DOS “AJUSTES DO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO (RTT)” NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DOS ANOS CALENDÁRIO DE 2011 E 2012 14. A empresa informou em seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e em suas DIPJ dos anoscalendários de 2011 e 2012, na ficha 09A, linha 02, à título de “Ajuste do Regime Tributário de Transição (RTT)”, os valores de ajustes negativos de R$ 47.857.104,86 e R$ 9.483.651,00, respectivamente. 15. A mesma foi intimada, através do Termo de Início de Fiscalização cientificado em 20/02/2015, e reintimada, através do Termo de Reintimação Fiscal cientificado em 22/06/2015, a detalhar a composição, conforme o plano de contas e escrituração, e a comprovar documentalmente tais valores. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 4 3 16. Decorridos os prazos estipulados, o mesmo apenas apresentou a esta fiscalização a informação de que tais valores teriam sido provenientes do “resultado da consolidação do REFIS”, não apresentando nenhuma documentação comprobatória que justificasse tal exclusão. 17. Da mesma forma, quando da apuração da base de cálculo da CSLL no seu Livro de apuração (LALUR) e nas suas DIPJ dos anos calendários de 2011 e 2012, a empresa excluiu indevidamente estes mesmos valores, conforme consta na linha 02, da ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). 18. Destacamos que, em relação ao anocalendário de 2012, na Demonstração do Lucro Real no LALUR, a empresa informou o ajuste negativo do RTT sob o título de “Consolidação REFIS” e “IRPJ + CSLL Diferido”, considerando como exclusões da Parte A do referido Livro Fiscal. Tal procedimento, apesar de divergente daquele informado em sua DIPJ, não altera a forma de tributação ou o resultado apurado de ofício. 19. Portanto, tais ajustes negativos, por não terem sido justificados e comprovados pelo contribuinte, serão objeto de glosa por esta fiscalização, através de lançamento de autos de infração do IRPJ e da CSLL. (...) 3. DA TRIBUTAÇÃO DOS FATOS 3.1. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE OUTRAS EXCLUSÕES AO LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO E DOS AJUSTES (NEGATIVOS) DO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO (RTT) NA DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL Ô TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL DOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2011 e 2012 29. Conforme exposto nos itens 2.1 e 2.2, nos anos calendários de 2011 e 2012, a empresa, quando da apuração do IRPJ e da CSLL, deixou de comprovar os valores lançados à título de “outras exclusões” e dos “ajustes do regime tributário de transição (RTT)”, apurados em sua DIPJ e no Livro de Apuração do Lucro Real . 30. A apuração do IRPJ devido no Ajuste Anual dos anos calendário de 2011 e 2012, encontrase no demonstrativo de apuração do IRPJ – “Quadro C –Apuração do IRPJ no Ajuste Anual”. 31. A apuração da CSLL devida no Ajuste Anual dos anos calendário de 2011 e 2012, encontrase no demonstrativo de apuração da CSLL “Quadro C –Apuração da CSLL no Ajuste Anual”. 32. Na apuração dos valores devidos com os ajustes decorrentes das infrações identificadas por esta fiscalização, foram efetuadas, de ofício, as compensações de prejuízos fiscais de períodos anteriores e de base de cálculo negativa da CSLL, limitadas a 30% dos valores devidos ajustados e à existência desses saldos, conforme valores controlados no sistema – SAPLI, da RFB. 3.2. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL MULTA ISOLADA PELA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL DEVIDAS POR ESTIMATIVA MENSAL TRIBUTAÇÃO DOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2011 e 2012 33. Tendo em vista que, nos anos calendários de 2011 e 2012, a empresa optou pela forma de tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 5 4 sujeitas ao pagamento das estimativas mensais, e, em considerando as infrações apuradas por esta fiscalização, conforme exposto nos itens 2.1 e 2.2, que alteraram os resultados fiscais dos períodos, apuramos que a fiscalizada deixou de efetuar o pagamento do IRPJ e da CSLL a título de estimativas mensais. 35. No cálculo das estimativas mensais, foram considerados os valores apurados conforme o LALUR e a DIPJ apresentado pelo contribuinte. 36. Diante do exposto, calculamos as multas devidas, cujos valores se encontram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do IRPJ – Quadro ‘A’ – Apuração das Estimativas Mensais e da Multa Isolada por Falta de Pagamento” e no “Demonstrativo de Apuração da CSLL –Quadro ‘A’ – Apuração das Estimativas Mensais e da Multa Isolada por Falta de Pagamento”, onde estão detalhados os valores das estimativas mensais devidas, decorrentes dos ajustes efetuados pelas infrações apuradas e não pagas, assim como, as multas devidas pelos seus não recolhimentos. Notificado, o Contribuinte apresentou, em 19/04/2016, Impugnação aduzindo: I) preliminarmente: a) indeterminação em relação ao sujeito passivo do IOF; b) utilização de critério diverso na fixação da base de cálculo do IOF; II) no mérito: a) que não se trata de operações de mútuo, mas sim de um fluxo de caixa entre empresas vinculadas; b) impossibilidade de incidência de IOF em operações não realizadas por instituições financeiras e seguradoras; c) erro na metodologia de apuração da base de cálculo do IOF. Em razão de erro do contribuinte, a Impugnação que versava sobre os tributos cobrados nesse processo foi juntada no processo 10480.722891/201622, referente ao IOF, e viceversa, questão que foi saneada posteriormente. Em 14/02/2017, foi lavrado termo de solicitação de juntada de documentos (fl. 433), indicando como justificativa "Saneamento por erro de referência do contribuinte", juntado aos autos nova Impugnação, que aduziu: a) que os valores R$5.522.933,21 de 2011 e R$4.658.826,36 de 2012, são referentes a juros de atualização de mútuos entre empresas coligadas; b) Os valores R$47.857.104,86 de 2011 e R$9.483.651,00 de 2012, são referentes ao resultado da consolidação do Refis conforme determina a Lei 11.941 de 2009; c) da ilegalidade da concomitância da multa de ofício com a multa isolada; d) por fim, solicitou a realização de perícia contábil. A DRJ julgou improcedente a Impugnação apresentada, através do Acórdão nº 1464.778 (fls. 528541), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Constatada a falta/insuficiência do recolhimento das estimativas devidas, fica a pessoa jurídica sujeita à multa de ofício isolada sobre os valores inadimplidos. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 6 5 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. O artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição (definitivos) não significa duplicidade de tipificação de uma mesma infração ou penalidade. Ao tipificar essas infrações o artigo 44 da Lei nº.9.430, de 1996, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e não se excluem. DESPESAS DIVERSAS DESNECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. Constatado que as despesas objeto da autuação se configuram desnecessárias aos objetivos sociais desta última, não é permitida sua dedução para fins de imposto de renda. PARCELAMENTO ESPECIAL LEI 11.941/09. REDUÇÕES. DEDUTIBILIDADE. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal. RTT. AJUSTES. Os ajustes ao RTT buscam neutralidade tributária frente às alterações contábeis instituídas pela Lei nº 11.638/07, não se enquadrando no que seriam ajustes regulares ao Lucro Real. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. NECESSIDADE. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 7 6 A impugnação deve ser instruída com os elementos de provas das alegações nela contidas. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando as razões de sua Impugnação, e alegando também a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, ao rejeitar o pedido de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. O fundamento da autuação é, basicamente, insuficiente comprovação documental de exclusões e ajustes feitos na apuração do IRPJ e CSLL cobrados no ano calendário 2011 e 2012. Quanto a preliminar de nulidade por negativa da realização de diligências e perícias, define o Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF): Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993) O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, prestase, pois, a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo. Demais disso, devem ser observados os requisitos para sua formulação, sob pena de indeferimento. Não se justifica a sua realização, porém, quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. Desse modo, não vislumbro a nulidade arguida. I) Das "outras exclusões" Atualização de mútuo Aduz a Recorrente que os valores excluídos de R$5.522.933,21 de 2011 e R$4.658.826,36 de 2012, como dito na impugnação, são referentes a juros de atualização de mútuos, motivo pelo qual a fiscalização não poderia têlos glosado através do lançamento de auto de infração do IRPJ e da CSLL. Afirma que em sendo coligadas ou controladas as empresas que realizaram operação de mútuo com a Recorrente, não é exigido o reconhecimento de nenhuma receita Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 8 7 financeira por parte da mutuante nos contratos de mútuo, ou seja, não é exigida a cobrança de encargos em mútuos entre empresas ligadas. A Recorrente juntou cópias dos contratos de mútuo estabelecidos com outras empresas do mesmo grupo econômico, para justificar que as receitas financeiras seriam oriundas de mútuos entre partes ligadas, justificando o montante excluído da apuração do Lucro Real. Pois bem, qual não foi a surpresa deste relator quando leu a decisão recorrida, versada nos seguintes termos (fls. 536 e ss.): Considerase sólido o argumento do impugnante de que os valores pagos como juros em contratos de mútuo entre empresas ligadas podem ser considerados despesas dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Acresçase que tal dedutibilidade escorase em três condições: A existência de contrato; a previsão do pagamento de juros; e a correta destinação dos recursos para persecução das atividades da empresa, mostrandose necessária. (...) Analisando os quadros acima, tornase óbvia a conclusão de que as despesas das grandezas de R$5.522.933,21 em 2011 e R$4.658.826,36 em 2012 não são decorrentes ou tampouco destinadas à manutenção das atividades objeto da sociedade. Por conseguinte, indedutíveis de pronto tais valores pretendidos pelo impugnante. Ora, a discussão não versa sobre dedutibilidade de despesas, na apuração do lucro real, e sim sobre a exclusão de receitas advindas de juros recebidos em contratos de mútuos com empresas ligadas. A decisão recorrida, portanto, claramente deixou de analisar os fundamentos alegados pela Recorrente, razão pela qual reconheço, de ofício, a sua nulidade, devendo ser proferida nova decisão, adequada à matéria sob julgamento. Prejudicada a análise dos demais pontos suscitados. IV) Conclusão Ante o exposto, voto por reconhecer de ofício a nulidade do acórdão recorrido, determinando que seja realizado novo julgamento, considerando o conteúdo da impugnação do Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 9 8 Fl. 632DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002619/2009-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 26 19 /2 00 9- 83 Fl. 1018DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 2301002.679, proferido na Sessão de 14 de março de 2012, e que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 SOBRESTAMENTO. ART. 62A DO RICARF E PORTARIA CARF 001/2012. O sobrestamento previsto no §1º do art. 62A do RICARF somente é de ser aplicado quando o Supremo Tribunal Federal (STF) tiver determinado o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral, conforme prevê a Portaria CARF 001/2012. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária. Ausentes provas que infirmem os fatos apontados pela fiscalização, o lançamento deve prevalecer. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 11 3 anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. A Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, os quais foram acolhidos, ensejando a prolação do Acórdão de Embargos nº 2301004.026, na Sessão de 13 de maio de 2014, cuja decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Fl. 1020DF CARF MF 4 Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. O recurso visa rediscutir a retroatividade benigna das multas em razão da mudança legislativa introduzida pela MP/449 (cesta de multas). O Presidente da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. nº 921 a 925. Em seu apelo a Fazenda Nacional aduz que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido; que esta lei, ao mesmo tempo em que alterou a redação do art. 35 da lei nº 8.212, de 1991, introduziu o art. 35 A pelo qual instituiu uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais, adotando a mesma sistemática da aplicada aos demais tributos; que à semelhança do que acontece com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento dos tributos devidos e não declarou na GFIP todos os dados relacionados aos fatos geradores, cumpre à Fiscalização aplicar a multa prevista no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996; que a incidência da multa de mora deve ocorrer naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Sustenta a Fazenda Nacional que: “...no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941/09. É o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei nº 8.212,...” E acrescenta à guisa de conclusão: Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 12 5 Cientificado dos Acórdãos nºs 2301002.679 e 2301004.026, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme se atestou no Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial de efls. 921 a 925, o qual não merece reparos. Conheço, portanto, do recurso. Quanto ao mérito, a matéria em discussão diz respeito à definição da(s) penalidade(s) aplicável(eis) no caso de lançamento de ofício, quando se apure infrações relacionadas às contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/1991, após as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em razão da aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, a seguir reproduzido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a Lei nº 8.212, de 1991 previa, nos lançamento de ofício de contribuições sociais de que trata os incisos “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11, a incidência de uma penalidade para o caso de falta de declaração em GFIP de verba tributável (art. 32, § 5º) e outra penalidade pelo recolhimento insuficiente (art. 35, II). Eis a redação dos referidos dispositivos, antes da MP n° 449, de 2008: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. [...] Fl. 1022DF CARF MF 6 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Incidiam, portanto, duas penalidades para duas infrações materialmente distintas: a falta de declaração de verba tributável e o recolhimento insuficiente do tributo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, essas duas penalidades foram substituídas por uma só: a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 13 7 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). Para aferir qual a penalidade mais benigna, se a prevista anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008 ou a posterior à mudança legal, devemos sopesar, consideradas as naturezas materiais das infrações previstas, isto é, a relação entre as condutas e as infrações previstas, aquela menos onerosa para o infrator, segundo entendimento consolidado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016): AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 1024DF CARF MF 8 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duascondutas. Como, para as duas condutas: a falta de declaração e o pagamento insuficiente, para as quais a legislação anterior previa a incidência de duas penalidades, cumulativamente, a nova legislação prevê apenas a incidência de uma única penalidade, na aplicação da retroatividade benigna, devese comparar a soma das multas previstas anteriormente (arts. 35, II, e 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 1991) à multa prevista na nova legislação (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991). Mais especificamente, como a nova legislação prevê multa de 75%, na ausência de evidente intuito de fraude, haverá retroatividade benigna se a penalidade aplicável, segundo a legislação vigente à época do lançamento, ultrapassar esse percentual. No caso de incidência das multa previstas nos §§ 4º e 5º, do art. 32 e do art. 35, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à MP nº 449, de 2008, se a soma das duas penalidades for superior a 75%. No caso de aplicação, por qualquer razão, de apenas uma das penalidades, a comparação deve ser feita com o valor desta. Esse é o entendimento compatível com a posição da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, segundo entendimento também consolidado deste Colegiado, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 14 9 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 1026DF CARF MF 10 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 15 11 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A citada Portaria 14, de 2009, que, vale ressaltar, está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF, é clara quanto aos procedimentos a serem observados para aplicação, em cada caso, da retroatividade benigna. Vejamos: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1028DF CARF MF 12 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 16 13 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Em face do exposto, conheço do recurso e doulhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1030DF CARF MF
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