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Numero do processo: 10930.904075/2013-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não expressamente contestada na manifestação de inconformidade deve, dada sua inovação, ser considerada preclusa quando apresentada tão somente em sede de recurso voluntário, impossibilitando seu conhecimento pelo colegiado ad quem.
Numero da decisão: 3001-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não expressamente contestada na manifestação de inconformidade deve, dada sua inovação, ser considerada preclusa quando apresentada tão somente em sede de recurso voluntário, impossibilitando seu conhecimento pelo colegiado ad quem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 70 a 93) interposto em face do Acórdão 0262.068, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (efls. 61 a 64), que, em sessão de julgamento realizada em 11.11.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório nela pleiteado. Da ementa da decisão de 1ª instância AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 40 75 /2 01 3- 47 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 97 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE, ao indeferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 CRÉDITO DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do pagamento comprovadamente indevido subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizadas em compensações anteriores. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Relatório DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 74900085, emitido eletronicamente em 13/01/2014, referente ao PER/DCOMP nº 21315.85928.300813.1.3.045054. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 15.121,11, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 24/09/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do Darf discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que efetuou pagamento indevido no valor de R$ 15.121,11, que este crédito não havia sido integralmente Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 98 3 utilizado e que a compensação foi feita nos moldes legais e nos limites do crédito apurado. Do recurso voluntário Não se conformando com a decisão a quo, o contribuinte, por meio do presente recurso voluntário, aduz que a mesma, no que toca aos aspectos material e legal, merece ser reformada, primeiro porque a RFB, ao homologar seu direito em compensar os valores em testilha, não atentouse quanto à incidência dos juros e da correção monetária que tinha direito; segundo porque o acórdão recorrido, ao não aplicar a taxa Selic sobre o valor pago a maior quando do seu recolhimento, nega vigência ao parágrafo 4º do artigo 39 da Lei nº 9.259, de 1995 e ao artigo 83 da IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012, uma vez que ambas as normas autorizam a incidência de juros equivalente a taxa Selic aos valores passíveis de restituição ou compensação, sob pena de, ao assim não proceder, desrespeitar o princípio constitucional da isonomia, uma vez que à Fazenda Nacional é assegurado o direito de cobrança de seus créditos com a aplicação da referida taxa. Por fim, requer seja reconhecido o direito ao aproveitamento integral do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recorrente foi cientificado do acórdão vergastado em 05.06.2015 (sexta feira), quando, então, recebe o Aviso de Recebimento AR contendo a Intimação nº 716/2015 (efls. 68/69). Em 30.05.2015 (terçafeira) protocola, perante a CAC/DRFLondrina, o presente recurso voluntário, conforme depreendese do carimbo aposto na "folha de rosto" da referida petição. Na hipótese dos autos, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235 de 1972) e do disposto no Ricarf/2015, termo ad quem para a apresentação do recurso voluntário era 07.07.2015 (terçafeira). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo, contudo, pelas razões logo adiante deduzidas, não será conhecido. Do contexto fático Compulsando o Despacho Decisório nº de rastreamento 074900085, emitido em 13.01.2014, evidenciase que a autoridade competente da unidade fiscal de jurisdição do contribuinte DRF/Londrina, esclareceu que o exame do direito creditório pleiteado limitouse ao "crédito original na data de transmissão", informado no Per/Dcomp 21315.85928.300813.1.3.045054, no valor de R$ 15.121,11, ocasião em que reconheceu a importância de R$ 7.021,29, igualmente considerando tão somente o valor do crédito original, na medida em que, a partir das características do Darf nele discriminado, o respectivo Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 99 4 pagamento foi localizado; porém, advertiu que parte dele já tinha sido utilizado para quitação de débitos do contribuinte declarados no Per/Dcomp 06167.27245.280112.1.3.048619 (R$ 8.099,82), razão pela qual o saldo disponível, no montante de R$ 7.021,29, foi insuficiente para compensação da totalidade dos débitos informados no presente Per/Dcomp. Por seu turno, a decisão vergastada atentou para o fato de na manifestação de inconformidade apresentada, o contribuinte, ao contestar os termos do despacho decisório, limitouse a apresentar objeções genéricas, alegando, tão somente, "que efetuou pagamento indevido no valor de R$ 15.121,11, que este crédito não havia sido integralmente utilizado e que a compensação foi feita nos moldes legais e nos limites do crédito apurado". Do voto condutor do acórdão recorrido colhese, quanto ao tema tratado no parágrafo acima, o que segue, verbis: (...) CRÉDITO DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO. As razões de defesa ficam, em parte, prejudicadas, porque o despacho contestado já reconhece pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é a insuficiência do pagamento a maior, considerando sua utilização em PER/DCOMP anteriores. Nos PER/DCOMP, há o campo intitulado “Crédito Original na Data da Transmissão”. Conforme instruções de preenchimento do programa gerador do PER/DCOMP, o valor a ser informado nesse campo é o valor do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizadas em compensações anteriores. Quando nenhuma parcela do pagamento indevido ou a maior tiver sido restituída ou utilizada em compensação anterior, ou seja, no primeiro PER/DCOMP em que o crédito for utilizado, o valor informado no campo "Crédito Original na Data da Transmissão" será igual ao do campo “Valor Original do Crédito Inicial”. A cada novo PER/DCOMP que utiliza o mesmo pagamento, o valor do campo "Crédito Original na Data da Transmissão" deve ser menor do que o do PER/DCOMP anterior. Portanto, na análise da compensação em litígio, não se pode desconsiderar as compensações anteriores que utilizam o mesmo DARF, salvo as canceladas e as não homologadas. O despacho decisório discrimina as parcelas do crédito original utilizado em compensações anteriores. Na manifestação de inconformidade, o interessado se omite quanto a esses dados. De acordo com o art. 17 do Dec. nº 70.235, de 1972, considera se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532 de 1997). (g.n.) (...) Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 100 5 Assiste razão ao colegiado a quo quando assenta, no voto condutor do acórdão recorrido, que o recorrente omitese quanto aos valores discriminados no despacho decisório discrimina, relativamente às parcelas do crédito original utilizado em compensações anteriores, uma vez que, ao assim proceder, revela que na espécie em trato não houve contestação e, por conseguinte, deve tal circunstância processual ser tratada como matéria não impugnada. Perscrutando o recurso voluntário evidenciase que o contribuinte, mais uma vez vem discutir os termos pelos quais a DRF/Londrina, ao emitir o Despacho Decisório nº de rastreamento 074900085, homologou em parte a compensação. Desta feita, inovando ainda mais, para solicitar a aplicação da taxa Selic sobre o valor recolhido por meio do Darf identificado no Per/Dcomp 21315.85928.300813.1.3.045054, cujo direito creditório o despacho decisório contestado já havia reconhecido como tratandose de pagamento indevido ou a maior, mas que parcela deste crédito original fora utilizada para compensação anterior à declarada, no Per/Dcomp 06167.27245.280112.1.3.048619. Do Juízo de Admissibilidade Reafirmando, assiste razão à decisão recorrida quando concluiu pela inexistência de contestação do crédito original empregado na compensação de parte dos débitos declarados pelo contribuinte no Per/Dcomp 21315.85928.300813.1.3.045054, posto que não foi objeto de contestação em sede de manifestação de inconformidade, uma vez que, repitase, limitouse a alegar genericamente "que efetuou pagamento indevido no valor de R$ 15.121,11, que este crédito não havia sido integralmente utilizado e que a compensação foi feita nos moldes legais e nos limites do crédito apurado", portanto, ainda mais insuscetíveis de conhecimento em grau recursal, quando, por via tortuosa, implementa outros e novos argumentos. Relembrando, a peça impugnatória, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento; considerandose, por conseguinte, não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, pois apenas a regular contestação é capaz de atrair o poder dever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada, in casu, com a homologação parcial da compensação declarada no respectivo Per/Dcomp, mas efetivamente instaurada com a apresentação da sua peça contestatória. É o que impõe o Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, verbis: (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 101 6 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Em reforço, convém transcrever os excertos do Código de Processo Civil (CPC) Lei nº 13.105, de 16.03.2015, que discorre sobre a matéria, verbis: (...) Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. (...) Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. (...) Art. 329. O autor poderá: I até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do réu; II até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar. Parágrafo único. Aplicase o disposto neste artigo à reconvenção e à respectiva causa de pedir. (...) Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. (...) Justamente em função da falta de expressa e concreta contestação dos termos que fundamentaram o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado que agiu com correção o colegiado a quo 2ª Turma da DRJ/BHE ao concluir prejudicada a matéria que o contribuinte, de forma inusitada e inovadora, busca suscitar, desta feita, em sede de recurso voluntário, posto que seu conhecimento representaria o aviltamento do princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 102 7 Neste ponto cabe pontuar também que as regras legais que tratam da preclusão são imprescindíveis ao devido processo legal. Portanto, plenamente compatíveis com o princípio da ampla defesa e do contraditório. Por fim, não é demais realçar que o caso destes autos trata de inovação defensiva recursal, uma vez que o recorrente apresenta, como visto, argumentos não trazidos em sua petição inaugural, o que, por si só, já é suficiente para evidenciar sua preclusão consumativa. Da conclusão Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expendidos e na legislação de regência, encaminho meu voto pela preclusão da matéria apresentada, razão pela qual proponho o não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903155/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 55 /2 00 9- 24 Fl. 55DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10725.903155/200924 Acórdão n.º 1402003.353 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: Fl. 57DF CARF MF 4 O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10725.903155/200924 Acórdão n.º 1402003.353 S1C4T2 Fl. 1.113 5 homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em Fl. 59DF CARF MF 6 face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. 3. CONCLUSÃO: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10725.903155/200924 Acórdão n.º 1402003.353 S1C4T2 Fl. 1.114 7 Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900320/2006-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA.
Descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 9101-003.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a independência do presente processo em relação aos processos 10510.900339/2006-13, 10510.900324/2006-47 e 10510.900344/2006-18. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luis Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA. Descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a independência do presente processo em relação aos processos 10510.900339/2006-13, 10510.900324/2006-47 e 10510.900344/2006-18. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luis Flávio Neto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10510.900320/200669 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.659 – 1ª Turma Sessão de 4 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA. Descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a independência do presente processo em relação aos processos 10510.900339/200613, 10510.900324/200647 e 10510.900344/200618. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luis Flávio Neto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 03 20 /2 00 6- 69 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte BANESE Banco do Estado de Sergipe S/A em face da decisão proferida no Acórdão nº 1101000.125 (efls. 122 e segs.), pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 18 de junho de 2009, pela qual o Colegiado, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário. O processo analisa o direito creditório do interessado, que foi parcialmente reconhecido no montante de R$ 179.899,68 (conforme Dcomp de fls. 3 a 5), cuja origem foi o pagamento a maior da estimativa da CSLL do período de apuração de abril de 2001, compensado, até este limite, com o débito do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) do período de apuração de abril de 2003, no valor original de R$ 78.774,30. Conquanto o contribuinte alegue ter um crédito de R$ 218.826,95, a Delegacia da Receita Federal de origem, ao analisar o pedido, reconheceu apenas parcialmente o valor pleiteado, por força dos seguintes argumentos: Em consonância com os dados acima, realmente, houve pagamento a maior da estimativa da CSLL de abril/2001, porém, equivocase o contribuinte ao vincular uma DCOMP ao débito apurado na DCTF retificadora, para com isso pleitear a devolução total do pagamento efetuado por ocasião da DCTF original, quando o procedimento correto seria manter a vinculação do recolhimento em DARF ao débito apurado na retificadora e pleitear a devolução da diferença, no valor de R$ 179.899,68; Restituir todo o valor recolhido em DARF implica, na prática, a troca do pagamento em DARF pelo crédito apresentado na DCOMP n° 17269.22817.240903.1.3.040840, transformando, com isso, um pagamento a maior em pagamento indevido; Resta evidente que o contribuinte somente faz jus ao crédito de R$ 179.899,68, sendo totalmente descabida, por ausência de dispositivo legal que a autorize, a devolução integral do pagamento reivindicado, pois o art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN) prevê apenas a restituição total ou parcial do pagamento, não a sua permuta por outro tipo de crédito. Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual relatou a origem do crédito e defendeu que devem prevalecer as Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 4 3 informações constantes das declarações retificadoras do período (DCTF e DIPJ), para que seja reconhecido o montante integral postulado. A DRJ/Salvador julgou improcedente a manifestação de conformidade, considerando inadmissível o reconhecimento integral do crédito, por entender que no momento em que o contribuinte apresentou a DCTF retificadora o débito nela declarado já se encontrava extinto mediante o pagamento de R$ 218.826,95, anteriormente efetuado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repisou os argumentos já formulados. Na sessão de 18 de junho de 2009, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção negou provimento ao recurso interposto, em decisão assim ementada: CSLL COMPENSAÇÃO INDÉBITO TRIBUTÁRIO O pagamento, modalidade de extinção do crédito tributário, pode se revelar indevido ou a maior que o devido e, como tal, passível de restituição total ou parcialmente. Na hipótese de pagamento a maior que o devido a expressão do excesso aflora tão logo atingida a satisfação do valor integral do crédito tributário. Reputamse indébitos fiscais o excesso apurado e eventuais adimplementos que sucedem a liquidação, inclusive aqueles efetuados a conta de compensação tributária. O sujeito passivo não detém poder de administrar a ordem dos pagamentos, substituindo os segundos pelo primeiro, e com isso objetivar a repetição daquele que originariamente solveu o débito, pois não se concebe renascimento da obrigação regularmente extinta. Foi interposto recurso especial (fls. 154 e ss.) em que o contribuinte defende a possibilidade de uma DCTF retificadora servir não apenas para alterar o valor dos débitos nela declarados, mas também para vincular novos créditos para sua extinção, em substituição às formas de pagamento originalmente declaradas na DCTF original. Aduz que as informações prestadas na DCTF original foram substituídas em sua integralidade, de modo que o valor de R$ 38.927,27 constituído na DCTF Retificadora deve ser interpretado como um novo débito, que foi extinto mediante outra compensação (objeto do processo nº 10510.900339/200613). Por fim, alega que a decisão recorrida não possui amparo legal e ofende o princípio da moralidade administrativa. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 225 e ss. Por seu turno, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 231), em que pugna pela manutenção da decisão recorrida, por entender que não há que se falar em indébito para restituição, posto que o valor de R$ 38.927,27 era devido e foi integralmente quitado. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso especial do contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 225 e ss., por ter atendido aos requisitos para seguimento do dissenso jurisprudencial, relativo à possibilidade de a retificação da DCTF ensejar, além da alteração dos valores declarados, a vinculação de novos créditos para sua extinção, em substituição às formas de pagamento anteriormente declaradas na DCTF original. Nesse contexto, conheço do recurso especial do contribuinte, ratificando os termos do referido despacho de admissibilidade. Quanto ao mérito, a questão central do autos em que o contribuinte pretende o reconhecimento integral do direito creditório referente ao pagamento de CSLL a título de estimativa no período de abril de 2001, diz respeito à possibilidade de se reconhecer o recálculo efetuado pelo contribuinte e considerálo, como este deseja, como débito tributário novo por força da DCTF retificadora apresentada. Em outras palavras, o objeto da restituição pleiteada é o reconhecimento de determinado valor, a título de crédito, que foi, originalmente, objeto de quitação na modalidade pagamento (art. 156, inciso I, do CTN) e que, posteriormente, a partir da entrega de DCTF retificadora, foi alterado em valor e em modalidade de quitação (para compensação, nos termos do art. 156, inciso II, do CTN). Apesar de a mesma sistemática ter sido adotada pela Recorrente nos processos de nºs 10510.900320/200669, 10510.900324/200647, 10510.900339/200613, 10510.900344/200618 e 10510.900317/200645, todos distribuídos a esta relatora, verificase que inexiste prejudicialidade entre eles. Muito embora a Recorrente sustente seu direito de apresentar declarações retificadoras para alterar as informações de débitos e créditos como bem entender, a Administração Tributária considerou as declarações retificadoras entregues pela Recorrente, de sorte que não foi este o fundamento para o indeferimento do direito creditório. Com efeito, verificase, a partir do que foi apurado ao longo do processo, que inexiste valor a ser restituído ou compensado. A matéria em discussão objetiva saber se o contribuinte tem direito à restituição integral do valor de R$ 218.825,95 (ref. à CSLL de abril de 2001) ou apenas à diferença entre o que foi pago por estimativa naquele período e o valor apurado como devido ao final do exercício, visto que o interessado retificou a DCTF para alterar o valor da estimativa do mês de abril de 2001 para R$ 38.927,27, vinculando este débito com outro crédito via DCOMP no processo nº 10510.900344/200618. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 6 5 Cabe referir que, embora a Recorrente manifestese no sentido de que "o DARF recolhido em 31 de maio de 2001 no valor de R$ 218.826,95 NUNCA foi utilizado para fins de quitar o valor da estimativa da CSLL de abril/2001, DEVENDO SER CONSIDERADO PAGAMENTO A MAIOR QUE 0 DEVIDO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO VIGENTE, cabendo à Recorrente a sua integral restituição, operacionalizada através das compensações realizadas" (fls. 107 original com destaque) e que o valor da estimativa de abril/2001 teria sido quitado em parte com pagamento de R$ 100.250,00 e parte com outra compensação, não é o que se verifica dos autos. Dos documentos de fls. 2 a 9 do presente processo verificase que consta da DCTF original o valor de R$ 218.826,95 declarado como débito de CSLL do período de abril/2001 e vinculado ao DARF pago em 31/05/2001 no mesmo exato valor. Em seguida, consta a DCTF retificadora com o valor de R$ 38.927,27 declarado como débito de CSLL de abril/2001 e vinculado a uma DCOMP (objeto do processo nº 10510.900344/200618). Assim, serão considerados na presente análise apenas os valores e vinculações informados nas DCTF original e retificadora referentes ao débito de CSLL de abril de 2001 (fls.2 a 6). É certo que, dentre as modalidades de extinção do crédito tributário encontramse tanto o pagamento quanto a compensação, nos termos do art. 156, incisos I e II do Código Tributário Nacional, respectivamente. Mais à frente, o mesmo estatuto jurídico disciplina o direito à restituição, incluindo o pagamento indevido ou maior que o devido, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (destacamos) Sobre a compensação, cumpre destacar que essa modalidade de extinção do crédito tributário pressupõe a liquidez e certeza do crédito, a teor do disposto no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A compensação em análise ainda deve observar as seguintes regras dispostas no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, vigentes à época da entrega da DCOMP: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 7 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Consoante o caput do art. 74 acima transcrito, somente pode ser utilizado, na compensação de débito próprio de tributos administrados pela RFB, o crédito apurado pelo sujeito passivo que for "passível de restituição ou de ressarcimento". Sobre a possibilidade de restituição ou compensação de valor pago a maior ou indevidamente a título de estimativa, é de se reconhecer o caráter interpretativo do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro 2008, que retirou a restrição anteriormente existente em relação aos indébitos decorrentes de estimativas, sendo aplicável aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Nesse sentido, cabe referir o voto vencedor do Acórdão CARF nº 1101 00.330, da lavra da exConselheira Edeli Pereira Bessa, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, julgado em 9 de julho de 2010, que dispõs: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Considerando o ônus probatório, para ter direito à restituição do crédito e utilizálo em compensação, cumpre ao interessado demonstrar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Assim, não se trata aqui de desconsiderar o direito da Recorrente de apresentar uma DCTF retificadora para alterar o valor do débito. Mas o que interessa para a solução do litígio referente à pretendida restituição integral do pagamento é a demonstração de que o montante integral do pagamento, via DARF, realizado em 31/05/2001, caracterizase como pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art.165, inciso I, do CTN. A possibilidade de criação de um indébito pela simples alteração na modalidade de quitação, quando se declara que o valor devido não é X, mas Y, não parece conforme ao ordenamento jurídico acima exposto, o qual pressupõe que o crédito a ser utilizado na compensação deve ser líquido e certo. A certeza, nesse caso, deve ser pautada em fundamentos fáticos e jurídicos sólidos, o que não se verifica no caso de se declarar que se Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 8 7 deve um tributo referente a determinado período de apuração ao mesmo tempo em que se pleiteia um indébito referente ao mesmo tributo e período de apuração. Podese afirmar, assim, que descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação. Com isso, o valor recolhido inicialmente serviu para extinguir, nos termos do art. 156 do Código Tributário Nacional CTN, o crédito tributário declarado na DCTF retificadora, mostrandose descabida a pretensão da Recorrente de aproveitar como indébito o que não era indébito. Com efeito, verificase, a partir do que foi apurado ao longo do processo, que inexiste valor a ser restituído ou compensado. Nesse contexto, não merece reparos a decisão recorrida, que negou provimento ao recurso do contribuinte, nos seguintes termos: Mostrase equivocada a tese trazida nas razões recursais de que o débito de estimativa da CSLL do mês de abril de 2001, originariamente declarada pelo valor de R$ 218.826,95, ao ser mitigada para a importância de R$ 38.927,27 mediante DCTF retificadora, passou a constituir um NOVO débito (expressão utilizada pela Recorrente), pois o que se modificou foi tão somente sua expressão quantitativa, o quantum debeatur, é dizer, a dívida não perdeu sua natureza. Uma vez definitivado o quantum da dívida sua extinção ocorre por diversas modalidades, assim expressamente previstas no artigo 156 do Código Tributário Nacional (CTN). São elas: o pagamento, compensação, transação, remissão, prescrição e decadência, conversão do depósito em renda, homologação do pagamento antecipado (artigo 150 e seus §§ 1° e 4°), decisão administrativa irreformável e decisão judicial passada em julgado. Especificamente quanto ao pagamento este se afigura indevido quando realizado com erro na identificação do sujeito passivo, imputado para liquidação diversa daquele tributo originariamente apurado (imposto de renda ao invés de territorial rural, v.g.), realizado com base em lei que venha ser expungida da ordem jurídica, etc. Já o pagamento maior que o devido ocorre quando, mantidas a perfeita identificação do sujeito passivo e natureza da dívida, se realiza em monta superior àquela resultante da aplicação da alíquota aplicável sobre a base de cálculo prevista na norma de regência (CTN, artigo 165) ou que diga respeito a parcela cuja lei de exigência tenha a eficácia recusada pelo Poder Judiciário ou afastada por Resolução do Senado da República, a exemplo da majoração da alíquota do FINSOCIAL (Lei n° 7.738, de Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 9 8 1989), o alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS (Lei n° 9.718, de 1998), etc. Na hipótese de pagamento a maior que o devido a questão se resume à apuração do excesso recolhido, uma vez que o adimplemento se deu, via de regra, em uma única vez. Se assim não for, isto é, acaso o débito tenha sido pago em parcelas ou em duplicidade a ordem cronológica dos pagamentos se impõe, amortizandose a obrigação à medida em que ingressados os recursos nos cofres públicos, até integral liquidação, caracterizando excesso o que sobrevier a este evento. Há que se ter em mente, pois, que a extinção da obrigação tributária é o marco regulatório na cadeia sucessiva. Acrescentese que eventual cobrança em duplicidade do valor declarado como débito em outra Dcomp é afastada pela autoridade fiscal que analisou o processo na Delegacia da Receita Federal do Brasil, ratificada pela decisão colegiada de primeira instância (DRJ), conforme transcrições abaixo, que integram o presente julgado. Do Despacho decisório DRF/AJU nº 471, de 18/06/2007 (fls.1618 do vol.1), se extrai: Como se vê, resta evidente que o contribuinte somente faz jus ao crédito de R$ 179.899,68. sendo totalmente descabida, por ausência de dispositivo legal que autorize, a devolução integral do pagamento reinvindicado. Conforme está transcrito alhures, o CTN prevê apenas a restituição total ou parcial do pagamento, não a sua permuta por outro tipo de crédito. Por fim, cabe assinalar que em contrapartida ao reconhecimetno parcial do crédito pleiteado, não deverá ser cobrada a parcela do débito objeto da DCOMP nº 17269.22817.240903.1.3.04 0840. (grifouse) Do Acórdão nº 1514.151, da 2ª Turma da DRJ/SDR, de 09/11/2007 (fls.60 65 do vol.1), se extrai: Também, cabe ratificar a afirmação contida no Despacho Decisório da DRJ / AJU no sentido de que em contrapartida ao reconhecimento parcial do crédito pleiteado, não deverá ser cobrado o débito objeto da DCOMP 17269.22817.240903. 1.3.040840 por já se encontrar extinto por pagamento. (grifou se) Igualmente não prospera o argumento da Recorrente acerca de qualquer ofensa a princípios constitucionais, pois as decisões proferidas nos autos atenderam, como visto, aos preceitos normativos que regem a matéria. Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso especial do Contribuinte e, no mérito, por NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 10 9 Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.726844/2016-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2011 a 30/11/2011, 01/03/2012 a 31/03/2012, 01/05/2013 a 31/05/2013, 01/11/2012 a 31/01/2013, 01/03/2013 a 31/03/2013, 01/07/2013 a 31/07/2013
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO SEM TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA.
Só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito declarado em GFIP e não comprovado carece de liquidez e certeza.
Não havendo o trânsito em julgado da ação, não há também o direito do contribuinte em efetuar tais compensações.
MULTA ISOLADA. DIREITO LIQUIDO E CERTO. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EM GFIP.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% do valor da glosa da compensação.
Falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado
SUJEIÇÃO PASSIVA
A compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135, III do CTN.
Numero da decisão: 2301-005.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO SEM TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA. Só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito declarado em GFIP e não comprovado carece de liquidez e certeza. Não havendo o trânsito em julgado da ação, não há também o direito do contribuinte em efetuar tais compensações. MULTA ISOLADA. DIREITO LIQUIDO E CERTO. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% do valor da glosa da compensação. Falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado SUJEIÇÃO PASSIVA AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 68 44 /2 01 6- 45 Fl. 6444DF CARF MF 2 A compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135, III do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório 1. Tratase de julgar recursos voluntários (efls 6306/6341; efls 6376/6389; e de efls 6410/6441) interpostos em face do Acórdão nº 09061.468 (efls 6277/6292), prolatado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente impugnação apresentada em face dos autosdeinfração referente a Multa Isolada por compensação com falsidade na declaração, mediante inserção de créditos inexistentes ou insuficientes a título de contribuição para a Seguridade Social apurados no período de 09/2006 a 06/2008 e compensados com os débitos da mesma contribuição de 09/2011 a 05/2013, conforme declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. 2. Esclareçase que as razões trazidas nos recursos voluntários do contribuinte (efls 6306/6341) e dos responsáveis solidários (efls 6376/6389 e de efls 6410/6441), com poucas exceções, são idênticas àquelas que constam nas peças impugnatórias, motivo que nos leva a transcrever o relatório da decisão de primeira instância, suficiente para a compreensão do contexto do litígio. Relatório1 Tratase o presente processo no valor de R$ 39.229.493,47 (trinta e nove milhoes, duzentos e vinte e nove mil, quatrocentos e noventa e tres reais e quarenta e 1 Acórdão 09061.468, efls 6278. Fl. 6445DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.445 3 sete centavos) referente a Multa Isolada por compensação com falsidade na declaração, mediante inserção de créditos inexistentes ou insuficientes a título de contribuição para a Seguridade Social apurados no período de 09/2006 a 06/2008 e compensados com os débitos da mesma contribuição de 09/2011 a 05/2013, conforme declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. A autoridade lançadora incluiu como responsáveis solidários da obrigação tributária os sócio administradores da autuada no período da infração, de 01/11/2011 a 31/07/2013, Sr. JOSÉ JACOBSON NETO, CPF 643.171.53815 e (2) BERARDINO ANTONIO FANGANIELLO, CPF 033.467.06834, por força do disposto no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Segundo o relatório fiscal o contribuinte foi regularmente intimado e não atendeu a intimação, informou que uma outra ação fiscal estava em andamento e que, por tal motivo, não apresentaria nenhum documento e solicitou a suspensão do procedimento até a conclusão da outra ação. Informou haver grande volume de documentos para ser apresentado em curto espaço de tempo mas não solicitou dilação de prazo. A autoridade lançadora informa que em uma reunião agendada com o contribuinte foi esclarecido que apesar de ser período coincidente em parte com a outra ação fiscal os procedimentos são distintos e o escopo das fiscalizações são diferentes, e que foi informado pelo procurador da empresa que o sujeito passivo possui ação judicial onde se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de Horas Extras e Adicional Constitucional de Férias nos processos 2010.61.04.0086271 (2a Vara), 2010.61.05.0149101 (4» Vara), e 2010.61.00.0212149 (11ª Vara). 2 O procurador da empresa, segundo relatório fiscal, informou não dispor do memorial de cálculo, mas afirma que o crédito apurado tem origem nos pagamentos efetuados no ano de 2005. Contudo, não apresentou nenhuma decisão judicial para amparar as compensações realizadas, nem exibiu o controle financeiro de apuração e aproveitamento do suposto crédito. Disse mais, que, apesar de ter conhecimento da prescrição dos créditos solicitados, esse instituto não os afetou, haja vista estarem amparados pelo questionamento judicial. Após citar dispositivo do CTN a autoridade lançadora diz: Desta forma, os pagamentos efetivados pelo sujeito passivo aos cofres públicos que se refira a tributo, objeto de contestação judicial, somente poderão ser compensados, nos termos do Código Tributário Nacional, após o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Portanto, é defeso ao contribuinte a compensação de tributo ainda carente de decisão definitiva. A autuada não apresentou qualquer elemento de prova de constituição dos créditos aproveitados, nesse sentido, inclusive, a depor contra sua própria pretensão, estão as GFIP por ela enviadas em que se verifica a inconsistência do crédito pretendido. Ressaltese que a fiscalização cuidou de apurar os dados sobre a última declaração exportada e não cancelada. Intimada, mediante procedimento eletrônico, a indicar a origem dos créditos, a requerente indicou o período de 09/2006 a 06/2008. Todavia, no período de 2 Acórdão 09061.468, efls 6279. Fl. 6446DF CARF MF 4 aquisição dos créditos, verificase relevante diferença entre o montante dos créditos disponíveis nos meses indicados e os valores compensados. Tratase de utilização de saldo de crédito inexistente, portanto, incapaz de extinguir o crédito tributário regularmente constituído na declaração apresentada (GFIP). Destarte, restou comprovada a máfé da conduta do sujeito passivo ao arriscarse a lançar mão de créditos, por ele sabido inexistentes, talvez apostando na inércia do poder fiscalizatório da Administração Fazendária. Após o relatado a autoridade lançadora disserta sobre os dispositivos que fundamentam a aplicação da multa isolada e completa: 5.3. Verificase a prática reiterada de entrega de declaração de compensação de créditos inexistentes, pois o período de compensação estendeuse de 07/11/2011 a 11/07/2013, envolvendo um total de 53 (cinquenta e três) declarações. Esta conduta configura abuso de direito, caracterizado pela inserção de dados falsos, relativos a crédito de contribuição previdenciária na GFIP. Frisase que a autuada praticou os atos reiteradamente por vários meses e em momentos diversos, fatos que comprovam, portanto, a intenção clara do sujeito passivo em falsificar e fraudar o pagamento da contribuição previdenciária. Informa que pela intenção do contribuinte de iludir a autoridade fazendária, configurouse em tese, o Crime Contra a Ordem Tributária, conforme lei 8.137/90 e devido a isto foi lavrada a competente Representação Fiscal Para fins Penais. 3 Da Sujeição Passiva Diz a autoridade lançadora: 7.5 Foi lavrado o presente Auto de Infração em nome do sujeito passivo (empresa), que abrange a infração de compensação indevida e consequente Multa Isolada por Compensação Indevida, relativo ao descumprimento das obrigações principais e tem por objetivo identificar a natureza e a origem das contribuições previdenciárias apuradas e devidas pelo contribuinte em epígrafe, bem como explicar a metodologia que se adotou no levantamento dessas, proporcionando ao contribuinte o exercício do direito constitucional da ampla defesa e do contraditório. 7.6 Conforme já, exaustivamente demonstrado neste relatório, bem como no AI e seus anexos que acompanham este termo, a empresa GP GUARDA PATRIMONIAL DE SÃO PAULO LTDA, através de seu representante legal (sóciosadministradores), acima identificados, infringiu a legislação tributária e, em tese, a legislação penal, quando efetuou compensações sem o respectivo suporte legal, declarando nas GFIP relacionadas, no campo "Compensação Valor Compensado", valores a compensar de retenção não comprovada, com a clara intenção de iludir a administração fazendária. 7.7 Pelas razões expostas, o sócioadministrador é solidariamente responsável com seu patrimônio particular pelos créditos devidos pelo sujeito passivo, referente ao período 07/11/2011 a 11/07/2013, na forma do art. 135 do CTN interpretado pelo Parecer PGFN/CRJ/CAT/n° 55/2009. A contribuinte foi cientificada através de sua caixa postal eletrônica, tendo dois documentos emitidos e postados pelo auditor responsável, sendo que após a 3 Acórdão 09061.468, efls 6280. Fl. 6447DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.446 5 análise constatouse que a data correta de consideração da ciência do contribuinte é 28/06/2016, conforme folha 5982 do processo. A interessada apresentou impugnação em 12/07/2016. Abaixo segue síntese das alegações: Preliminarmente suscita a duplicidade do lançamento em virtude de outro procedimento fiscal no período de 01 a 12/2011 que resultou processo n°10830.727919/201510 no valor atualizado de R$28.297.723,69. Alega que o procedimento de lançamento da glosa da compensação está equivocado por não atender ao disposto no art.25 da lei 11.457/2007 que "unificou a Receita Federal do Brasil e excluiu a compensação previdenciária do rito adotado pela Lei 9.430 e Decreto 70.235". Ressalta que a habilitação dos créditos decorrentes de ação judicial ainda não foi normatizada, neste sentido cita o Parecer 11 Cosit de 19/02/2014. Em relação a multa isolada diz que não pode prosperar visto que tem créditos a compensar regularmente informado em GFIP e que o Crédito da multa isolada foi constituído como reflexo da glosa da compensação do processo 10830.723962/2016 97 devendo o mesmo ser julgado em conjunto com tal processo. Diz: 4 "Fica claro ainda a incompentência quanto ao agente que praticou o ato posto que o auto de infração deveria ser feita na forma de NOTIFICAÇÃO pelo titular da Unidade da Receita Federal do Brasil, o seu Delegado e jamais por auditor fiscal sem essa titularidade." Alega caráter confiscatório da Multa Isolada e diz que esta matéria já foi decidida pelo STF inclusive com repercussão geral e que deve ser obedecido pela Receita Federal do Brasil e pelo CARF, assim cita a Lei n°12.844/13 e o Recurso Extraordinário 582.461/SP Acusa que o Relatório Fiscal é confuso e que no processo não há nenhum elemento que norteie o entendimento das planilhas e o valor apurado como compensação indevida. Ressalta que por ser empresa prestadora de serviços de vigilância tem retenção de contribuição social em todas as notas fiscais emitidas pela prestação de serviço e que tal retenção é tratada como substituição tributária, como já decidido pelo STJ e que nesta seara o sujeito passivo da obrigação tributária é o substituto na obrigação, conforme a lei determina, cita ainda a decisão no Recurso Especial 1.036.375/SP do STF. Desta forma, está convicto de que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas não poderia ter procedido ao lançamento na forma apresentada. Transcreve artigos (224 e 302) do Regimento Interno da RFB aprovado pela Portaria MP 203 de 14/05/2012 e afirma: Ocorreu, portanto, a NULIDADE prevista no artigo 42 do Decreto 7.574 de 29/09/2011 pela ausência de autorização escrita para revisão de lançamento fiscal anterior e também em relação ao artigo 59, I d o Decreto 70.235 (são 4 Acórdão 09061.468, efls 6281. Fl. 6448DF CARF MF 6 nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente) e também artigo 12 do Decreto 7.574 de 29/09/2011. A não homologação de compensação informada em GFIP é ato privativo de DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, não sendo possível o referido procedimento ser de autoria de auditor fiscal integrante do quadro da referida unidade, mas apenas do chefe da unidade, não cabendo sequer designação, é ato privativo. Alega ainda que o MPF emitido para o procedimento fiscal tem o escopo FISCALIZAÇÃO e de acordo com a portaria 3014/2011 nos casos de revisão interna de declaração não será emitido tal documento. Ressalta que o lançamento é nulo por ter desobedecido as formalidades para sua feitura e que neste caso é vício formal. Identifica erroneamente do que se trata o processo (multa isolada e não lançamento referente aos valores não recolhidos da contribuições patronais) e a seguir ressalta que a informação no relatório fiscal da autoridade lançadora, de que as compensações foram feitas e que a empresa não comprovou a existência de tais créditos, carece de fundamento uma vez que o lançamento foi na verdade na forma de arbitramento. Alega que não foi verificado o faturamento contabilizado, aplicada alíquota de 11% e comparado com os valores informados em GFIP, que possuía os créditos devidamente contabilizados de retenções ainda não utilizadas em períodos anteriores à nova sistemática de compensações trazidas pela lei 11.941/2009 e que a planilha de retenções não foi devidamente confrontada com os registros contábeis, não foi confrontada com as notas fiscais, ainda que por amostragem. 5 Afirma que: Ademais, o Impugnante tem também direito a compensação decorrente de liminares concedidas em Mandados de Segurança que autorizaram a referida compensação em razão de recolhimento sobre verbas consideradas como não integrantes do salário de contribuição. Transcreve por competência os valores que originaram o processo ora analisado e ressalta que o lançamento sequer nomeia os estabelecimentos onde ocorreu a compensação não homologada, não faz alusão às retenções de 11% nas notas fiscais e deixa de considerar que a impugnante possui créditos tributários decorrentes de autorização de compensação nos processos 201061040086271, 2a Vara Federal São Paulo, 201061050149101 4a Vara Federal de São Paulo e 201061000212149 11a Vara Federal de São Paulo e afirma que todos os documentos foram apresentados durante a ação fiscal. Alega a inexistência da fundamentação legal do débito e reafirma ser a retenção de 11% substituição tributária conforme Parecer PGFN/CAT 135/2009 e 2793/2009 e diz: Pelo referido parecer, empresas submetidas à retenção de 11% sobre o faturamento estariam isentas da contribuição previdenciária, posto que a retenção seria forma substitutiva da contribuição devida por prestadores de serviço com cessão de mão de obra. Como toda a prestação de serviços do IMPUGNANTE tem retenção de 11% discriminada na Nota Fiscal de Prestação de Serviços, ocorreu a substituição tributária, que passa a ser dos tomadores de serviço. 5 Acórdão 09061.468, efls 6282. Fl. 6449DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.447 7 Afirma que os fatos narrados no relatório fiscal não são verdadeiros pois informou ao auditor a natureza da compensação, apresentando documentação comprobatória do seu direito, tendo direito a créditos decorrentes de compensação não efetuada de retenções anteriores. Diz: Ocorre, portanto, que não tendo a IMPUGNANTE utilizado referidos créditos nos anos anteriores, o fez nas competências a partir de 2010 devem os mesmos serem considerados válidos. Com o advento da MP 449 convertida na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009, as sobras de retenção deverão ser alocadas em todos os estabelecimentos, sendo que os valores não utilizados deverão ser considerados para as competências seguintes. Este saldo em favor do IMPUGNANTE FOI devidamente informado em GFIP, podendo ser utilizado inclusive em relação ao décimo terceiro salário. Alega confisco em relação a aplicação da multa moratória e requer a retificação dos valores aplicados com relação à multa de mora, no que tange à redução de 50% em todo o período. 6 Cita a Súmula CARF n° 52 que dispõe que somente os tributos objeto de compensação indevida formalizada em pedido de compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF ensejam o lançamento de ofício Alega que por ser a GFIP confissão de dívida o que se discute é apenas a compensação havida que não pode ser atacada via auto de infração de ofício, mas homologação ou não homologação do direito creditório. Ressalta que há conflito no relatório fiscal alegando: Ao mesmo tempo que aponta no item 1 a natureza do Débito como contribuições patronais à Seguridade social devidas pela empresa, incidente sobre o total das remunerações pagas, deixa de informar o salário de contribuição, a apuração das contribuições, o valor devida a título de segurados, o valor devido a t 'titulo de contribuição ao GILRAT. Não informa as bases de cálculo. Não apura as contribuições, conforme está estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal. Ora, se não apurou é porquanto homologou os valores lançados em GFIP como salário de contribuição. Tendo homologado a informação dos fatos geradores em GFIP, não resta qualquer outro ato a ser praticado por auditor fiscal da Delegacia Jurisdicionante conforme a PORTARIA MF 203 (DOU 17/05/2012.... Informa novamente que tem créditos a compensar de retenção de 11% do tomador do serviço e que o relatório fiscal não aponta sequer intimação ao Representante Legal do Contribuinte para se manifestar sobre a natureza da compensação, que os termos são vagos e que não justificam o lançamento e que não existe prova de que ela (a impugnante0 não tinha sobra de retenções de 11% para utilização em GFIP e que além das sobras ainda detêm créditos decorrentes de decisão judicial nos processos que tramitam perante o TRF da 3a Região, números 000862743.2010.4.03.6104, 001491079.2010.4.03.6105, 0021214 12.2010.4.03.6100. 6 Acórdão 09061.468, efls 6283. Fl. 6450DF CARF MF 8 Alega que tais processos possuem decisões autorizando as compensações e que assim o auto de infração deveria ter sido emitido com EXIGIBILIDADE SUSPENSA e sem aplicação da multa. Ao final pede o reconhecimento da nulidade do lançamento pela incompetência do auditor fiscal que procedeu a notificação, o acatamento do Parecer da PGFN/CAT N°466/2014 que conclui que a retenção de 11% nas notas fiscais de prestação de serviços é hipótese clara de substituição tributária, que seja acatado seu direito de proceder a compensação de créditos válidos referente as retenções e que seja acatada a impugnação dandolhe provimento para o fim de alcançarse declaração de manifesta insubsistência da autuação, por ser medida de direito e da mais lídima. Das impugnações dos responsáveis solidários JOSÉ JACOBSON NETO/BERARDINO ANTONIO FANGANIELLO Alegam que jamais poderiam figurar como coresponsáveis pelo suposto débito, conforme arbitrariamente e ilegalmente lançado no aludido auto de infração, uma vez que não existem razões para o lançamento fiscal incluílos como tal, haja vista não serem eles sujeitos passivos da obrigação tributária. 7 Ressaltam que o auto de infração referese a compensação de contribuições previdenciárias declaras em GFIP e que a legislação determina como sujeito passivo o próprio empregador. Assim, somente a empresa estaria inicialmente obrigada ao cumprimento desta obrigação tributária e conseqüentemente pelo auto de infração, as outras hipóteses onde os sócios e procuradores poderiam ser responsabilizados estão previstas nos artigos 134 e 135 do CTN e não ocorreram no presente caso. Alegam que não existem razões para imputação desta responsabilidade sendo este ato totalmente ilegal e arbitrário e: "A IMPUGNANTE encontrase em plenas condições de saldar a dívida nestes autos exigida, não está tentando se esquivar de suas obrigações legais, e nenhum ato foi praticado com abuso de poder ou infração ao disposto no estatuto social da companhia." Colacionam julgados e alega que a Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13 da lei 8.620/93, indo ao encontro do entendimento do STJ, que somente em caso de dolo ou culpa, ou seja a hipótese prevista no inciso III do artigo 135 do CTN os sócios poderiam ser responsabilizados, sendo que a auditoria fiscal não produziu qualquer prova da ocorrência da hipótese legal. Diz: Não houve por parte da auditoria fiscal a prova da existência de abuso, fraude de caráter penal, sonegação, uso de testasdeferro, condutas dolosas, etc. O fisco não conseguiu provar a ocorrência de qualquer elemento do artigo 135 do CTN, aplicando tese de responsabilidade subjetiva, culpa presumida. ... A auditoria fiscal não detalha onde, como e quando ocorreu a hipótese de excesso de poderes ou infração de lei, posto que a não entrega de GFIP ou entrega de GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de obrigação previdenciária é apenas uma obrigação acessória, que gerou um auto de 7 Acórdão 09061.468, efls 6284. Fl. 6451DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.448 9 infração que sequer foi incluído entre os débitos com sujeição passiva solidária. Assim, alegam que não havendo comprovação da prática dos atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto a responsabilidade solidária de ambos deve ser afastada. Neste sentido cita acórdão do STF em julgamento do RE 562.276 que decide na mesma linha por ele defendida. Faz considerações acerca da inexistência do ARROLAMENTO DE BENS dos responsáveis, citando o parágrafo 4° do artigo 2° da IN 1171 de 07 de julho de 2011 e conclui que sendo o patrimônio do contribuinte suficiente para satisfação do crédito tributário, a sujeição passiva solidária é imprópria, mesmo antes do juízo de sua admissibilidade. Na impugnação do Sr. Berardino, ele alega ainda, que de acordo com a Súmula 435 do STJ, onde redireciona a execução fiscal para o sócio gerente em caso de dissolução irregular da empresa que deixar de funcionar em seu domicílio sem as devidas comunicações aos órgãos competentes, e analisando o art.134, VII do CTN, não há responsabilidade solidária plena . Alega que além de subsidiária essa responsabilidade (do art. 134 do CTN), o sócio só responde pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica presente os requisitos de liquidação de sociedade de pessoas, ou, impossibilidade de exigência do tributo do contribuinte e/ou atos que intervierem ou pelas omissões de que foram responsáveis. 8 Ressalta que a responsabilidade solidária não pode ser deduzida de um ato de terceiro, esta deve ser interpretada dentro do sistema jurídico como um todo. Continua alegando que a Sumula 435 STJ está embasada no art.135, III do CTN, e: A exemplo do artigo antecedente, aqui, também, afastada se acha a responsabilidade objetiva. a responsabilidade, neste caso, que é pessoal e não solidária, surge apenas de atos comissivos, ou seja, dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos de que resultem créditos tributários. Exemplo: contrabando ou descaminho; exploração de atividade não prevista no contrato social etc. A falta de pagamento de tributo declarado, como no caso presente, freqüentemente confundida com a hipótese de infração legal de que cuida o dispositivo sob comento, não enseja a responsabilidade solidária do sócio ou administrador, porque não configura infração legal da qual resultou o tributo. Nesse sentido, aliás, é a súmula 430 do STJ editada recentemente. Durante as impugnações, ambos reiteram todos os demais argumentos contidos na impugnação da empresa autuada. Pedem a improcedência do auto de infração e da responsabilidade solidária, nos termos das razões apresentadas e pela decisão do STF no julgamento do RE562.276/PR em que foi adotado o procedimento do artigo 543B do CPC, REPERCUSSÃO GERAL, de entendimento também obrigatório pelo CARF; E por fim, dizem que o fisco não comprovou a ocorrência da hipótese do artigo 135 do CTN e que não o fazendo descumpriu os termos da Portaria PGFN 180 de 25 de fevereiro de 2010. 8 Acórdão 09061.468, efls 6285. Fl. 6452DF CARF MF 10 Pedem finalmente que sejam julgados em conjunto todos os lançamentos ocorridos na ação fiscal em curso. (termina aqui a transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 09061.468) 3. Os acréscimos possíveis de se divisar no recurso voluntário interposto pelo contribuinte podem ser sintetizados como se segue: 3.1. Sustenta não ter sido observado o rito da compensação indevida previsto na Solução de Solução de Consulta nº 03 Cosit (efls 6335/6338) e pede nulidade da autuação. 3.2. Inconformismo quanto à aplicação da multa isolada de 150% com base na incorreta declaração da GFIP (efls 6338/6339) É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço, tanto o interposto pelo contribuinte (efls 6306/6341), como os recursos protocolados pelos responsáveis solidários (efls 6376/6389 e de efls 6410/6441). RREECCUURRSSOO VVOOLLUUNNTTÁÁRRIIOO DDOO CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEE 5. Como visto, parte substancial da peça recursal interposta pelo contribuinte repete as mesmas argumentações, suscita as mesmas questões e formula os mesmos pedidos constantes na peça impugnatória. 5.1. Há uma aparente inovação, no que respeita às alegações relatadas no subitem 3.1 que se traduz em mero reforço das mesmas questões de cunho procedimental trazidas na impugnação e já muito bem analisadas pela decisão de primeira instância, não havendo nenhum equívoco ou prejuízo as averiguações levadas a cabo pelo procedimento fiscal que culminou na lavratura do autodeinfração ora questionado. 5.2. No que respeita à alegação trazida no subitem 3.2, não há de prosperar, em vista da de ter sido configurada a falsidade na declaração apresentada, como muito bem analisado pela decisão de primeira instância. 9 Também não há de se considerar esta parte diferenciada da peça recursal como novas razões. 5.3. Com respeito às razões recursais que reputamos idênticas à da peça impugnatória, serão abordadas no item 8 infra do presente voto, à luz do Regimento Interno do CARF. RREECCUURRSSOO VVOOLLUUNNTTÁÁRRIIOO DDOOSS RREESSPPOONNSSÁÁVVEEIISS TTRRIIBBUUTTÁÁRRIIOOSS.. 6. As peças recursais apresentadas pelos responsáveis tributários são absolutamente idênticas às peças impugnatórias de cada um deles. Também aplicável o dispositivo do Regimento Interno do CARF a que se refere o item subseqüente. 9 Acórdão 09061.468, efls 6290/6291. Fl. 6453DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.449 11 RRIICCAARRFF:: AARRTTIIGGOO 5577 §§ 33ºº 7. De acordo com o disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa tanto pelo Contribuinte, e nem pelo Responsável Tributário, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: Voto10 A impugnação é tempestiva por isto dela tomase conhecimento. Primeiramente a impugnante alega "bis in idem" em relação ao período do procedimento fiscal, em análise verificouse que as competências coincidentes são 09 e 13/2011, entretanto somente a competência 09/2011 deste processo é conflitante, uma vez que neste processo e no processo 10830.7272919/201510 há valor glosado de compensação e que gerou a multa isolada. 11 Verificando a GFIP e o processo citado chegase à conclusão que o valor ora lançado de R$17.946,57 corresponde, na verdade, a glosa de valores compensados no campo "Compensações", da GFIP e equivalem a compensações de valores diferentes da retenção de 11%. Já no outro processo citado pela impugnante a glosa efetivamente se refere à compensação de valores retidos e lançados no campo "Retenção" da GFIP, portanto, não se trata de "bis in idem", pois são compensações de origens diferentes. Quanto à nova fiscalização no mesmo período que a impugnante alega não ser possível sem autorização expressa do Delegado da unidade, importa esclarecer que tal autorização foi dada através do MPF n°08.1.90.00201402445 conforme informado pela autoridade lançadora na folha 06 do Relatório Fiscal. Em relação à Nulidade suscitada por falta de competência da autoridade lançadora, há que se esclarecer que a atividade de lançamento é competência privativa da autoridade administrativa de acordo com o art.142 do CTN. Estudo da Unafisco define muito claramente a autoridade administrativa a saber: Este é o artigo, no meu entender, que define quem é a "Autoridade Administrativa" a qual possui o poderdever de constituição do crédito tributário mediante o lançamento. A função de confiança que é exercida pelos Delegados das Unidades da SRF, apesar de ser um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB o ocupante, tal não possui esta atribuição de lançamento do crédito tributário e nenhuma outra que seja atribuição fim da SRF, pois estas são desempenhadas pelos servidores detentores de atribuições específicas e privativas. Se ele não possui esta atribuição, não é portanto, a "Autoridade Administrativa" a que se refere o CTN e demais legislações. Há ainda que mencionar que, de acordo com o CTN, delimita o início da fiscalização é o Termo de Início de Fiscalização lavrado pela autoridade administrativa e não o MPF que é o emitido pelo delegado da unidade. 10 Acórdão 09061.468, efls 6287. 11 Acórdão 09061.468, efls 6286. Fl. 6454DF CARF MF 12 Sendo assim, a autoridade administrativa com competência de lançamento tributário previsto no CTN é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não restando desta forma qualquer dúvida acerca da afirmação incorreta da impugnante. No que diz respeito a compensação e posterior glosa, a impugnante cita em sua peça impugnatória a lei 11.457/2007 para solidificar seu entendimento de que o procedimento está equivocado, pois bem, o instituto da compensação é previsto e normatizado na legislação previdenciária no art.89 da Lei 8212/91, art.56 a 59 da IN 1300/2012 e no art.66 da lei 8383/91, abaixo transcritos: Lei 8383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei n° 9.250, de 1995) (grifei) § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 4° As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) Lei 8212/91 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (grifei) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e Fl. 6455DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.450 13 de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). (grifos nosso) IN/RFB 1300/2012 Art. 56. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1°, passível de restituição ou de reembolso, inclusive o crédito relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 1° Para efetuar a compensação o sujeito passivo deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, ressalvados os débitos cuja exigibilidade esteja suspensa. § 2° O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições previdenciárias devidas. § 3° Caso haja pagamento indevido relativo a obra de construção civil encerrada ou sem atividade, a compensação poderá ser realizada pelo estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 4°A compensação poderá ser realizada com as contribuições incidentes sobre o décimo terceiro salário. § 5°A empresa ou equiparada poderá efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. Fl. 6456DF CARF MF 14 § 6 ° É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. § 7°A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação, observado o disposto no § 8°. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 8°A compensação de débitos da CPRB com os créditos de que trata o caput será efetuada por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário constante do Anexo VII desta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório, e observará o disposto no parágrafo único do art. 26 da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1557, de 31 de março de 2015) Art. 57. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Art. 58. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Art. 59. É vedada a compensação, pelo sujeito passivo, das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. A compensação é feita quando se tem o direito líquido e certo dos créditos a serem compensados, a impugnante alega ter decisão judicial favorável e que podia fazer tais compensações, bem como que possui créditos de retenções efetuadas pela prestação de serviço. 12 Primeiramente, em relação a liquidez e certeza só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito oriundo de um pagamento tido como indevido por tese jurídica bastante contestada judicialmente não é líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do trânsito em julgado da respectiva ação judicial ou depois que a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente. Quanto a decisões judiciais o CTN em seu art.170A veda a compensação de créditos referentes a ações ainda não transitadas em julgado. A saber: Art.170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifos não constam do original) No mesmo sentido, o art. 74 da Lei n° 9.430/96: 12 Acórdão 09061.468, efls 6289. Fl. 6457DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.451 15 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) (grifos não constam do original) É cabível ainda ressaltar que, os processos judiciais informados pela impugnante continuam sem o trânsito em julgado e que nas decisões dos três processos constam: Diante do exposto, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido formulado na petição incial. PROCEDENTE para excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária as verbas referentes ao terço constitucional de férias. IMPROCEDENTE quanto à exclusão das horas extras da base de cálculo. A impetrante poderá realizar a compensação administrativa, após o transito em julgado, dos valores pagos nos últimos 5 (cinco) anos (período de 10/2005 a 10/2010). A resolução do mérito dáse nos termos do artigo 269, inciso I do Código de Processo Civil. (grifos nosso) Assim, ainda que as decisões lhe dessem o direito aos valores compensados e que as ações tivessem transitado em julgado, o que não aconteceu, não constam nos autos documentos comprobatórios do direito creditório, o despacho decisório emitido foi claro ao conceder a contribuinte o direito a restituição dos valores que lhe foram retidos (o que por si só já responde a alegação da impugnante de que os valores retidos não foram considerados) e glosar os valores que o contribuinte não apresentou provas, nem naquela época e nem fez juntar a presente impugnação, não lhe assistindo desta forma razão. 13 Assim, alegações por parte da impugnante sem documentos comprobatórios, são alegações inócuas não tendo assim o condão de alterar a decisão proferida no Despacho Decisório emitido. Quanto a multa isolada, que é o objeto deste processo, a realidade jurídica da recorrente era a não existência de créditos líquidos e certos, como dito anteriormente. Ao declarar que os possuía, declarou fato falso, fato diverso da realidade jurídica. Fez declaração contendo informação diversa da que se esperava, uma vez que se esperava que só declarasse a compensação de créditos líquidos e certos. O que pode ser comprovado pela compensação de valores discutidos judicialmente e que não foi autorizada a compensação pela justiça. Assim o art.89, da Lei 8212/91 diz: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). 13 Acórdão 09061.468, efls 6290. Fl. 6458DF CARF MF 16 § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). Falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado. O que se esperava de um crédito que o contribuinte utiliza para compensar créditos tributários da União? Esperase aquilo que o CTN exige: que seja líquido e certo, ou seja, que o contribuinte tenha o direito, que o valor compensado corresponda ao realmente pago e que seja aquele reconhecidamente pago incorretamente. 14 A falsidade na declaração feita pelo contribuinte em meu entendimento foi comprovada e devido a isto é cabível a multa isolada no montante de 150% como prevê o §10° do art.89 da lei 812/91, não tendo desta forma o julgador administrativo que é vinculado à lei vigente e às normas regulamentares, deixar de aplicála por efeito de confisco como requer a impugnante. A respeito das alegações da contribuinte acerca do relatório fiscal, as bases de cálculo do lançamento foram retiradas das GFIPs da empresa, quando a autoridade lançadora informa que o lançamento referese ao não recolhimento das contribuições entendese na verdade que o não recolhimento provem da glosa de compensação declarada indevidamente em GFIP e que originou uma redução incorreta do valor a recolher de contribuição social à época da declaração, a glosa da compensação tem o condão de restaurar o valor correto que devia ter sido recolhido. Outra consideração é que consta no processo, folhas 16/17, a planilha demonstrativa dos valores que foram glosados e que serviram de base de cálculo para o lançamento da multa isolada, identificando o CNPJ do estabelecimento, competência, valor compensado e o excedente e a própria impugnação demonstra a compreensão dos fatos, sendo assim não cabe guarida as alegações da contribuinte. 15 No que diz respeito às multas aplicadas, fazse necessário ressaltar que, ao contrário do que informado pelo impugnante, estas respeitaram integralmente o que dispõe o art. 89 da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 11.941/2009, ou seja, o lançamento da glosa sofreu multa de 20% (art. 89, §9°) e a multa isolada foi aplicada à razão de 150% (art. 89, §10). Da mesma maneira, não há contradição no fato do Relatório Fiscal citar os artigos 20 a 22 da Lei 8.212/1991 e remitir ao art. 89 da mesma lei. Reparase que no Relatório Fiscal também há citação do art. 89. Ambos relatórios, na verdade, tratamse de documentos complementares nos termos do art. 486 da Instrução Normativa RFB 971/2009. Não há que se falar também em confisco, no que diz respeito às multas aplicadas. A uma, porque se tratam das exatas determinações do art. 89 da Lei 8.212/1991. A duas, porque, em sede administrativa, é vedado o afastamento de lei ou ato normativo em vigor ao argumento de inconstitucionalidade (art. 59, Decreto 7.574/2011). Salientese, nesse ponto, que não há notícia de que alguma decisão em repercussão geral tomada pelo STF tenha alterado ou impedido a aplicação do citado art. 89. Conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB 1/2014, para que a RFB 14 Acórdão 09061.468, efls 6290. 15 Acórdão 09061.468, efls 6291. Fl. 6459DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.452 17 seja vinculada à esse tipo de decisão, é necessário que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) a oficie, o que não consta ter sido efetuado. Quanto ao Parecer PGFN/CAT n°466/2014 que trata sobre o assunto da retenção, no Despacho Decisório, a autoridade fiscal aceitou e homologou as retenções declaradas e posteriormente compensadas em GFIP, não sendo necessário desta forma mudança de entendimento, uma vez que foram aceitas as compensações desta matéria. Em relação a Súmula 52 do CARF, a compensação aqui tratada não é formalizada através de pedido de compensação PERD/COMP, as contribuições previdenciárias possui rito próprio para sua compensação como anteriormente descrito e não carece de autorização para que seja efetuada. Há ainda que reiterar que a impugnante afirma, exaustivamente, ser ela prestadora de serviços e que devido a isto possui créditos de retenção de 11% sofridas, tendo direito compensatório em qualquer estabelecimento conforme legislação. Pois bem, o que se discute neste processo é a multa isolada decorrente de glosa de compensação de valores declarados em GFIP e NÃO COMPROVADOS pelo contribuinte, como dito anteriormente não basta declarar em GFIP valores a compensar há que se COMPROVAR O DIREITO CREDITÓRIO, isto a impugnante não fez quando da análise da compensação e nem o fez agora. Quanto a responsabilidade solidária dos Sócios, as alegações não merecem guarida, uma vez que, a compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135 do CTN. O conjunto dos elementos probantes descritos no Relatório Fiscal firma a convicção de que houve sim a prática de conduta dolosa dos representantes da empresa em autorizar a compensação de valores com pleno conhecimento da falta de permissão, haja vista a decisão judicial onde, além de só decidir parcialmente o pedido, condicionou a compensação ao trânsito em julgado da ação. Fato ignorado pelos representantes legais da empresa. 16 Regular, portanto, a imputação da responsabilidade solidária dos sócios administradores à luz do art. 135 inciso III do CTN. Por todo o exposto, votamos pela improcedência da impugnação da empresa autuada e dos responsáveis solidários e pela manutenção do crédito tributário. (término da transcrição do voto inserto no Acórdão nº 09061.468 ) CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 8. Concordando integralmente com os termos da decisão de primeira instância administrativa, VOTO por CONHECER dos recursos voluntários para rejeitar as preliminares e no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) 16 Acórdão 09061.468, efls 6291/6292. Fl. 6460DF CARF MF 18 Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 6461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900308/2008-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
Numero da decisão: 1003-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Numero do processo: 10410.000238/98-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993
TRIBUTÁRIO. ILL. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. CONTRATO SOCIAL. LUCRO. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. INAPLICABILIDADE. POSSIBILIDADE.
O colendo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, fixando o entendimento de que, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo quinquenal para a restituição de indébito deve ser aplicado apenas em relação às demandas ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Aplicação da Súmula 91 do E. CARF. Crédito reconhecido.
Numero da decisão: 2201-004.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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ILL. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. CONTRATO SOCIAL. LUCRO. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. INAPLICABILIDADE. POSSIBILIDADE. O colendo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, fixando o entendimento de que, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo quinquenal para a restituição de indébito deve ser aplicado apenas em relação às demandas ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Aplicação da Súmula 91 do E. CARF. Crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 02 38 /9 8- 17 Fl. 165DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 112/117 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados. Em razão do recebimento em 10/02/1998 do comunicado n° 000020445 de 04/02/1998 referente à sua inclusão no Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados aos órgãos e Entidades Federais, a empresa acima qualificada requer, fls. 01 a 03, compensação de quantias pagas a título de Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL) no montante de R$ 716.367,06, para os períodos de apuração listados no demonstrativo de fl. 06, com débitos relativos Contribuição e Adicional sobre o Açúcar e o Álcool (CAA) constantes do processo n° 10410.000274/9295. Além da solicitação de compensação, requer ainda concessão de parcelamento do saldo remanescente da CAA, redução para 75% da multa lançada de oficio, exclusão da cobrança de juros com base na TRD no período de fevereiro a julho de 1991 e exclusão da empresa do CADIN. Consta às fls. 09 a 23 dados relativos aos pagamentos efetuados pela contribuinte a título de ILL. Acatando os termos do Parecer n° 42/02, fls. 28/29, o Chefe da SAORT/DRF/Maceió expediu Despacho Decisório de fl. 30, por meio do qual indefere a solicitação de fls. 01 a 03. Segundo consta do mencionado Parecer em seu item 2.2, a IN/SRF/n° 63/1997 não autorizou a devolução dos valores pagos a título de ILL, pois a Resolução do Senado Federal n° 82/1996 suspende a execução do art. 35 da Lei n° 7.713/1988 com efeito "exnunc". Inconformada, a contribuinte apresenta, tempestivamente, manifestação de fls. 43 a 47, onde defende seu direito a. compensação das parcelas pagas indevidamente a título de ILL, respaldandose, para tanto, no Parecer ST n° 249/1999 da própria Delegacia da Receita Federal em Maceió, que serviu de base para que a titular do referido órgão reconhecesse seu direito de crédito como solicitado no processo n° 10410.200878/9509, cópia do Parecer e do Despacho Decisório as fls. 48 a 51. Cita, ainda, jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, transcrevendo, inclusive, ementa de Acórdão proferido pela Primeira Turma do referido Tribunal, nos autos do Agravo Regimental 2000/01355520, fls. 46/47. Requer seja deferida sua solicitação de compensação. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10410.000238/9817 Acórdão n.º 2201004.752 S2C2T1 Fl. 159 3 Através do Acórdão n° 4.229, de 28 de março de 2003 a 3' Turma de Julgamento desta DRJ decidiu por não conhecer a manifestação de inconformidade e declarar nulo o Despacho Decisório com base no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, conforme trecho transcrito a seguir: "Assim, não compete à DRJ pronunciarse sobre questões relativas a concessão de parcelamento, redução da multa, exclusão da TRD e exclusão da empresa do CADIN (letras "h" a "e" à fl. 03), eis que o montante relativo à Contribuição e Adicional sobre o Açúcar e o Álcool constitui crédito definitivo em favor da Fazenda Nacional, não se tratando de objeto de litígio, no presente processo. De igual sorte, nenhum pronunciamento é cabível quanto h solicitação de compensação (cuja competência é do Delegado da Receita Federal em Maceió), devendo esta autoridade julgadora se manifestar única e exclusivamente acerca do pretendido direito de crédito por recolhimento tido pela contribuinte como indevido do Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL). Outrossim, não cabe a esta Delegacia de Julgamento efetuar qualquer análise de mérito, sob pena de ferir o princípio do duplo grau de jurisdição. Neste aspecto, não pode atender a solicitação da interessada no sentido de declarar a procedência do pedido de reconhecimento de direito creditório, vez que o mérito da questão não foi apreciado pelo órgão competente, no caso a Delegacia da Receita Federal em Maceió. Portanto, a matéria a ser aqui examinada prendese a questão de ordem preliminar, quais sejam os efeitos decorrentes da Resolução do Senado Federal nº 82/1996 c da IN/SRF/n° 63/1997. Conclusivamente, ao contrário do pronunciamento da DRF/Maceió, é possível, sim, a restituição de quantias pagas indevidamente pela contribuinte a título de Imposto sobre o Lucro Líquido, desde que analisadas outras questões (preliminares e/ou de mérito), as quais, pelas já expostas disposições do artigo 203, I da Portaria MF nº 259/2001, deverão ser apreciadas, inicialmente, pela Delegacia da Receita Federal em Maceió, cabendo pronunciamento desta Delegacia de Julgamento somente se, diante de nova análise feita pelo órgão a quo, a contribuinte apresentar manifestação em contrário." Posteriormente, acatando os termos do Parecer de fls. 88 a 90, o Delegado da Receita Federal em Maceió expediu o Despacho Decisório de fl. 91, em 02 de agosto de 2004, por meio do qual com base no Ato Declaratório SRF n° 96 de 1999 e no documento de fl. 73 reconhece o direito creditório no valor originário (moeda da época do pagamento) de Cr$ 345.172.300,00 e Cr$ 50.017.266,00, pagamentos efetuados em 31/03/1993 e 30/06/1993 respectivamente, autorizando as Fl. 167DF CARF MF 4 compensações com os débitos declarados. Às fls. 33 a 38 até o limite do crédito reconhecido. E, considera abrangidos pela decadência os pagamentos efetuados anteriormente conforme listados A fl. 06. Conforme Aviso de Recebimento, AR, à fl. 96 a contribuinte tomou ciência do novo Despacho Decisório em 30/04/2010, apresentando, tempestivamente, em 13/05/2010, a manifestação de inconformidade. Às fls. 97 a 104, fazendo, em síntese, as seguintes alegações: discorda veementemente da DRF Maceió quanto ao reconhecimento apenas dos créditos nos valores originais de Cr$ 345.172.300,00 e Cr$ 50.017.266,00 pagos em 31/03/1993 e 30/06/1993 respectivamente, desconsiderando os demais pagamentos efetuados anteriormente, sob a alegação de transcurso de prazo decadencial, conforme tabela A fls. 99/100; cita doutrina e jurisprudência do STJ, fls. 100/101, que consideram a contagem do prazo decadencial a partir da publicação da decisão do STF que declara a inconstitucionalidade da lei, no caso a Resolução do Senado Federal foi publicada em 18/11/1996, portanto, dentro do prazo decadencial, cita também ementa de Acórdão do 1° Conselho de Contribuintes A fl. 102; informa que, em razão do lapso temporal, em 30/11/2009 aderiu ao parcelamento previsto da Lei n° 11.931/2009 incluindo os débitos da CAA objeto do processo n° 10410.000274/9295 e vem cumprindo pontualmente as obrigações relacionadas ao referido parcelamento; requer seja deferido o crédito de R$ 550.749,87 referente aos pagamentos efetuados no período de 31/05/1990, 31/05/1991, 30/06/1992 a 26/02/1993, sujeitos h SELIC e seja autorizada a compensação com débitos de origens diversas que serão indicados em PER/DCOMP; que o crédito já reconhecido seja atualizado de acordo com a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no 08/1997 e Boletim Central n° 93/1995, sujeito a juros SELIC a partir de 01/01/1996, autorizando a compensação com débitos de outras origens por meio de PER/DCOMP; excluir os débitos declarados às fls. 33 a 38 dos autos em razão de ter aderido ao parcelamento de que trata a Lei n° 11.941/2009. 2 – A decisão da DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10410.000238/9817 Acórdão n.º 2201004.752 S2C2T1 Fl. 160 5 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte fls. 121/132. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – As razões recursais fundamse no questionamento da contribuinte quanto ao entendimento do Delegado da Receita Federal de Alagoas e DRJ/Recife, quanto ao termo inicial do prazo prescricional do direito de restituição/compensação do ILL, declarado inconstitucional pelo STF. 6 Pretende a recorrente, basicamente, que, caso seu pedido administrativo seja considerado regular que seja compensado os tributos indicados nas DComp de fls. 33 a 38 de acordo com parecer da autoridade fiscal às fls. 89/91, que reconheceu apenas em parte a possibilidade de compensação dos créditos de ILL pagos em 31/03/93 e 30/06/93 (fls. 07, 08 e 73) serão passíveis de devolução (compensação). 7 – A decisão da DRJ está calcada no Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal n° 96, de 26 de novembro de 1999 no âmbito da SRF que diz: Fl. 169DF CARF MF 6 "O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o teor do Parecer PGFN/CAT n° 1.538, de 1999, declara: 1 o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165, I e 168, Ida Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). 8 – Prosseguindo, diz a decisão da DRJ: “Portanto, o direito de o sujeito passivo pleitear o reconhecimento de direito credit6rio de tributo ou contribuição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contado da data da extinção do crédito tributário, inclusive, como no caso, na hipótese do pagamento ter sido efetuado com base em dispositivo posteriormente declarado inconstitucional. Logo, considerando que a solicitação de restituição/compensação ocorreu em 02/03/1998, apenas os pagamentos efetuados em 31/03/1993 e 30/06/1993 não foram alcançados pela decadência. Estando extinto o direito da interessada à utilização do crédito restante postulado, tendo em vista que na data da solicitação, 02/03/1998, já havia decorrido o prazo de cinco anos desde o último pagamento, que se deu em 26/02/1993, conforme planilha de fl. 06.” 9 Ao contrário da decisão da DRJ, entendo que no caso concreto o recurso voluntário do contribuinte cabe provimento, e estejamos tecnicamente tratando de regra de prescrição e não de decadência, vejamos. 10 – Cumpre salientar que o Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 172.058, já firmou entendimento acerca da inconstitucionalidade do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido – ILL em relação ao art. 35 da Lei 7.713/88 (13/10/1995), sendo que, o pedido administrativo de restituição/compensação data de 02/03/1998 e o tributo em questão foi recolhido no período de 31/05/1990 a 30/08/1993 (fls. 6/23). 11 Dessa forma, há que se reconhecer que não houve a extinção parcial da pretensão do recorrente, ao entendimento da autoridade fiscal que deferiu apenas em parte o pleito do contribuinte, uma vez que o fez em desacordo com a jurisprudência das cortes Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10410.000238/9817 Acórdão n.º 2201004.752 S2C2T1 Fl. 161 7 superiores no que tange ao termo inicial da contagem do prazo, qual seja, a data do recolhimento indevido (art. 156, I, CTN). 12 – Com efeito, o colendo Supremo Tribunal Federal, apreciando a controvérsia que envolve os pedidos de restituição de indébito de tributos sujeitos a lançamento por homologação e as diretrizes traçadas pela Lei Complementar nº 118/05, assim se pronunciou: "DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 171DF CARF MF 8 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido." (RE nº 566.621, Rel. Min. ELLEN GRACIE, Plenário, DJe 11/10/11) 13 Em suma, o v. acórdão da turma de piso diverge da orientação do Supremo Tribunal Federal, logo impõese a necessária adequação, pois diante do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, reconhecendo o prazo prescricional quinquenal é aplicável apenas às ações ajuizadas após o decurso de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005, de modo que, em relação às demandas propostas antes de 09/06/2005, deve ser observado o prazo prescricional decenal para restituição do indébito tributário. 14 Considerando que, no caso concreto, a demanda do contribuinte (pedido de restituição/compensação) foi proposto em 02/03/1998 aplicase o prazo prescricional decenal, contado retroativamente da data do pedido de restituição/compensação, motivo pelo qual não há parcelas prescritas. 15 Ocorre que, a jurisprudência firmou a tese de que a extinção da pretensão do contribuinte só vem a ocorrer após 10 anos do recolhimento (tese dos 5 + 5), de modo que não há como declarar a decadência ou prescrição integral da restituição pleiteada administrativamente. Nesse sentido: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ILL. PRESCRIÇÃO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 168, I E 156, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. RECURSO PROVIDO. 1. Toledo do Brasil Indústria de Balanças e Outro desafiaram recurso especial pelas alíneas 'a" e 'c' da permissão constitucional contra acórdão assim ementado: DIREITO CONSTITUCIONAL, ECONÔMICO E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ARTIGO 35 DA Lei 7713/88: INCONSTITUCIONALIDADE DA EXPRESSÃO "O ACIONISTA". PRESCRIÇÃO. 1. Prescrição qüinqüenal, com termo inicial na data do pagamento e final no ajuizamento da Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10410.000238/9817 Acórdão n.º 2201004.752 S2C2T1 Fl. 162 9 ação. 2. Apelação da União Federal e remessa oficial providas. As recorrentes sustentam violação dos artigos 168, I e 156, I, do Código Tributário Nacional e dissídio pretoriano por o acórdão impugnado emprestar aos citados dispositivos ".. interpretação literal, objetiva e augusta, que limita o direito de compensação/restituição de tributos inconstitucionalmente exigidos pelos entes públicos, tãosomente, aos contribuintes que acorram ao Judiciário no lapso temporal, máximo definitivo de 5 (cinco) anos, contados da data de recolhimento desses tributos inconstitucionalmente exigidos". Afirmam, também a inaplicabilidade ao caso concreto da LC 118/2005. Contra razões apresentadas. 2. A 1ª Seção deste colendo Sodalício, no julgamento dos ERESP 435.835/SC( Rel. p/ o acórdão Min. José Delgado), sessão de 24.03.2004, consagrou o entendimento segundo o qual o prazo prescricional para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, contados da data da homologação do lançamento, que, se for tácita, ocorre após cinco anos da realização do fato gerador — sendo irrelevante, para fins de cômputo do prazo prescricional, a causa do indébito. No caso presente , não ocorreu a prescrição pois a ação foi proposta em 17/11/1998 e os créditos a serem compensados datam de 1990 e 1991. Portanto, não consumouse prazo para pleitear a sua restituição/compensação. 3. No concernente à inovação introduzida pelo artigo 3º da LC 118/2005 este Sodalício, por sua Corte Especial, acolheu a Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 644.736/PE, em julgamento realizado em data de 06/06/2007, assentando o entendimento de que: a) o art. 3º da LC 118/05 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo sobre situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência; b) o art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, que determina a aplicação retroativa do art. 3º, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos Poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). Assim, levandose em consideração que a presente ação foi proposta anteriormente à edição da retrocitada lei complementar, não poderá sofrer os efeitos desta. 4. Recurso especial provido para reconhecer a nãoocorrência da prescrição e determinar o reenvio dos autos ao Tribunal a quo a fim de que este se pronuncie acerca das questões de mérito atinentes à apelação e à remessa oficial. (RESP 200601581587, JOSÉ DELGADO, STJ PRIMEIRA TURMA, DJ DATA:30/08/2007 PG:00221.) TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE DA MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DO FINSOCIAL PARA EMPRESAS QUE NÃO SEJAM EXCLUSIVAMENTE PRESTADORAS DE SERVIÇO COMPENSAÇÃO PRESCRIÇÃO (5+5) EXPURGOS INFLACIONÁRIOS JURISPRUDÊNCIA DO E. STJ. 1. O STF reconheceu a inconstitucionalidade da elevação das alíquotas do FINSOCIAL quanto às empresas que não sejam Fl. 173DF CARF MF 10 exclusivamente prestadoras de serviços, como é o caso da impetrante, conforme se dessume da análise de seu objeto social ("atividade de indústria e comércio de produtos cerâmicos em geral, comércio de artigos e materiais de construção"). Dessa forma, resta clara a inconstitucionalidade da elevação de alíquotas do FINSOCIAL, tendo direito à compensar os valores pagos com a incidência de alíquota acima de 0,5% 2. "Consolidado no âmbito desta Corte que, no caso do PIS, tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data do reconhecimento de sua inconstitucionalidade pelo STF, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. Precedente: REsp 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 21.5.2010, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08" (REsp n. 935889/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2ª Turma do e. S.T.J., DJ de 27/09/2010). 3. "Com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova" (AI nos Embargos de Divergência em REsp n. 644.736PE, DJ de 27/08/2007) (INAMS n. 2006.35.02.0015150, Rel. Des. Federal Leomar Barros Amorim de Sousa, Corte Especial do e. T.R.F da 1ª Região, eDJF1 de 17/11/2008, pág. 2). 4. A matéria está definitivamente pacificada na medida em que o e. STF, no Recurso Extraordinário n. 566621 entendeu ser de dez anos o prazo para pleitear a restituição quando tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. Manifestouse, ainda pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da LC 118/2005, que determinou a aplicação retroativa do seu art. 3º norma que, ao interpretar o art. 168, I, do Código Tributário Nacional, fixou em cinco anos, desde o pagamento indevido, o prazo para o contribuinte buscar a repetição de indébitos tributários relativamente a tributos sujeitos a lançamento por homologação. 5. Tratandose de recolhimento de tributos antes da entrada em vigor da LC n. 118/05, tendo sido ajuizada a ação em 31 de julho de 2001, atingidas pela prescrição as parcelas anteriores a 31 de julho de 1991. 6.. A compensação deverá observar o artigo 66 da Lei 8383/91, uma vez que, em que pese ter sido ajuizada a ação após a Lei 9.430/96, não foi demonstrada a existência de requerimento administrativo de compensação já formulado, compensandose os valores recolhidos indevidamente de Finsocial com débitos vencidos e vincendos da Cofins. (...) Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10410.000238/9817 Acórdão n.º 2201004.752 S2C2T1 Fl. 163 11 14. Peças liberadas pelo Relator, em 28/05/2012, para publicação do acórdão. (AC 2001.37.00.0057572/MA, Rel. Juiz Federal Silvio Coimbra Mourthé, 6ª Turma Suplementar,eDJF1 p.323 de 06/06/2012) 16 – Aplicando ao caso os termos do art. 62 do RICARF e Súmula CARF nº 91: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Conclusão 17 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito, lhe DOU PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.000521/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Somente caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RECEITA.A falta de intimação para o contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários infirma a presunção legal de omissão de receita em relação a estes depósitos.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE.
A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
RMF. INDISPENSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES REQUISITADAS.
A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF, emitida por autoridade competente, com base no art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, presume indispensabilidade das informações requisitadas, conforme o § 8º do mesmo artigo do mencionado Decreto.
Numero da decisão: 1201-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Somente caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RECEITA.A falta de intimação para o contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários infirma a presunção legal de omissão de receita em relação a estes depósitos. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 RMF. INDISPENSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES REQUISITADAS. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF, emitida por autoridade competente, com base no art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, presume indispensabilidade das informações requisitadas, conforme o § 8º do mesmo artigo do mencionado Decreto.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Somente caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RECEITA.A falta de intimação para o contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários infirma a presunção legal de omissão de receita em relação a estes depósitos. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 05 21 /2 00 6- 70 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 3 2 RMF. INDISPENSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES REQUISITADAS. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, emitida por autoridade competente, com base no art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, presume indispensabilidade das informações requisitadas, conforme o § 8º do mesmo artigo do mencionado Decreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 7/47, relativos ao anocalendário 2001, no regime do lucro presumido, que exigem: R$297.421,98 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo a: 001 Omissão de Receitas, Depósitos bancários não contabilizados; R$173.567,85 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reflexo da mesma infração; R$482.132,98 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, reflexa; R$104.462,09de Contribuição para o PIS, reflexa. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício de 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Constatação e Encerramento, págs. 10/24. 2. Cientificado em 24/02/2006, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva de págs. 344/359, cujo teor foi resumido pela DRJ/RJ1: O interessado apresentou a impugnação de fls. 331/348. Em sua defesa, alega, em síntese, que: é nulo o Auto de Infração lavrado com cerceamento do direito de defesa; só tomou ciência do Termo de Constatação e Encerramento juntamente com o Auto de Infração, não tendo o direito de se pronunciar a propósito; a capacidade produtiva da empresa foi superestimada pela fiscalização, que, tomou como único ponto de referência os extratos bancários, sem compreensão das peculiaridades da empresa, tanto por conta da sazonalidade inversa do seu ciclo Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 4 3 produtivo anual, quanto por conta dos mecanismos financeiros heterodoxos a que recorreu para obter capital de giro, tendo havido a equiparação de empréstimos a receitas e a inclusão repetitiva de créditos relativos a uma mesma receita; não é possível, em apenas 30 dias, esgotar o cotejo de todos os lançamentos dos extratos bancários. Encerra protestando pela juntada de novas provas. 3. Posteriormente, em 21/01/2010, juntou o aditamento de fls. 595/598 no qual alega, em síntese, que: a fiscalização apenas informa a existência de indícios de incompatibilidade entre os rendimentos e a movimentação financeira, o que, por si só, não autoriza o exame das informações bancárias; não houve prévia intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários; a fiscalização não indicou a razão pela qual não aceitou as justificativas apresentadas. 4. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ1, no Acórdão nº 1228.335, de 04/02/2010, págs. 629/633, julgou a impugnação improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. 5. O contribuinte tomou ciência em 03/03/2010, pág. 637, e apresentou recurso voluntário tempestivo em 05/04/2010, págs. 638/647. 6. Do exame das Informações Relativas à Movimentação Bancária: que a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, art. 6°, e o Decreto n° 3.724, de mesma data, art. 2°, § 5°, estabelecem que o exame das informações atinentes à movimentação financeira do contribuinte sob fiscalização somente poderá ser levado a efeito quando houver procedimento de fiscalização em curso, instaurado mediante outorga de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização e tenha sido constatada hipótese de indispensabilidade prevista no artigo 3° do Decreto regulamentar; porém, o Autuante consignou no Termo de Constatação e Encerramento, que verificaramse indícios de movimentação financeira incompatível com a receita bruta, o que, por si só, não autoriza o exame das informações bancárias, pois não consta Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 5 4 tal situação entre as hipóteses de indispensabilidade previstas no artigo 3°, do Decreto n° 3.724, de 2001. 7. Dos Depósitos como Presunção de Omissão de Rendimentos: que a tributação não pode ultrapassar o conceito de renda previsto nos arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional; por isso, os depósitos bancários não podem ensejar a presunção válida de omissão de rendimentos se desacompanhados de outros indícios, uma vez que podem se referir à renda não tributável, já tributada ou tributada de forma diversa; essa posição tem sido adotada pela Jurisprudência, conforme Súmula 182 do TFR; além disso, o Fiscal, conforme planilhas anexas ao Termo de Constatação e Encerramento, incluiu, como omissão de renda decorrente de depósitos não contabilizados, centenas de valores creditados sem que houvesse prévia intimação para que a recorrente pudesse comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A regra contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é clara e estabelece a necessidade de regular intimação do contribuinte, para tanto. 8. Conclui resumindo que: a) Os extratos bancários que sugerem omissão de rendimentos, a partir dos depósitos de suposta origem não comprovada, foram examinados sem que houvesse enquadramento em quaisquer das hipóteses de indispensabilidade previstas no artigo 3°, do Decreto n° 3.724, de 2001, conforme artigo 2°, §5°, do mesmo Decreto; b) Para a maioria dos depósitos listados na relação contida no Termo anexo ao auto de Infração que ensejaram o lançamento, não houve a regular intimação a que alude o artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, o que afasta o enquadramento da situação concreta na hipótese abstratamente estabelecida na norma legal; e c) O ilustre Fiscal também não justifica o porquê de não ter aceitado os documentos apresentados para a comprovação da origem dos valores depositados, não permitindo a recorrente identificar qual a documentação que deveria e/ou deve apresentar. 9. A 3ª Turma Ordinária, da 1ªCâmara, da Primeira Seção do CARF converteu o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 110300026, de 30/03/2011: Assim, a afirmação da recorrente de que vários valores não foram objeto de intimação me parece razoável. Portanto, salvo melhor juízo, devese acatar a solicitação da recorrente para saber se: 1 Houve prévia intimação para se comprovar a origem, mediante documentação hábil e idônea, da totalidade dos depósitos relacionados na lista anexa ao TERMO DE CONSTATAÇÃO E ENCERRAMENTO ? 2 Se houve, juntar cópia das referidas intimações. 3 Após, a resposta dos quesitos a autoridade diligenciante deve elaborar relatório circunstanciado com os valores, remanescentes do auto de infração. 10. A diligência e conclusões consta às págs. 665/681. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 6 5 11. É o relatório. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 12. Cientificado dos autos em 24/02/2006, págs. 338, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 30/03/2006, conforme atestado à pág. 608, a impugnação aos autos, resumida pela DRJ/RJ1; somente em 21/01/2010, apresentou o Aditamento de págs. 612/627, cujos argumentos reapresentou no Recurso Voluntário, dos quais, a argumentação acerca de não intimação de parte dos depósitos, foi aceita pela 3ª Turma Ordinária, da 1ªCâmara, da Primeira Seção do CARF, que determinou a diligência a respeito. 13. A Recorrente produz charque: recebe carne fresca, que é desossada, salgada, temperada e curada (tombo da carne) com sal marinho, exposta ao sol em "varal" no setor de seca ao ar livre, é inspecionada pela saúde pública, cortada, classificada e embalada para comercialização. 14. A autuação se iniciou mediante o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) datado de 05/02/2004, e prorrogado sucessivamente até 25/01/2006. 1 Do exame das Informações Relativas à Movimentação Bancária. 15. Relatou o autuante que, após reiteradamente intimado, no Termo de Início de Fiscalização de 09/02/2004, págs. 67/68, e nos Termos de Prorrogação de Prazo 002, 003, 004 e no Termo de ReIntimação Fiscal 005 em que se especificou extratos de contas nos bancos Bradesco, BCN e Rural, o contribuinte não entregou os extratos de movimentação nos bancos Bradesco, Rural e BCN, no anocalendário 2001. Assim a fiscalização: Em 02/06/2004, persistindo o silêncio da interessada, foi solicitada a quebra do seu sigilo bancário, resultando na emissão, em 09/06/2004, das respectivas Requisições de Movimentação Financeira (RMF) para cada um dos bancos acima mencionados. 16. Verificase que, da extensa lista de documentos e dados requeridos no Termo de Início de Fiscalização, a Recorrente apenas apresentou: a) Contrato Social e alterações b) Recibos de DCTF c) Recibos de DIRF d) Recibos de DIPJ (pág. 69), em 26/02/2004; 1 Livro Diário volumes 05, 06, 07 e 08, 2 Contrato/Estatuto Social e suas alterações, 3 Recibos de Entrega das últimas declarações DCTF mensais e DIRF anuais, 4 DARF de IRPJ e de CONT. SOCIAL (recolhimento mensal/estimativa), 5 DARF de IRFonte e de PIS e Cofins s/faturamento, em 16/06/2004, pág. 80; extratos bancários do Banco Bradesco, em 05/07/2004, pág. 84. 17. Após o Termo de ReIntimação Fiscal 005, cientificado em 18/05/2004, sem ter sido atendido, foram emitidas Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, datadas de 09/06/2004, págs. 76/78, assinadas pelo delegado da Receita Federal da DRF em Niterói/RJ, nos seguintes termos: Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 7 6 Requisito, nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, as informações especificadas nesta Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, que deverão ser apresentadas aos Auditores Fiscais da Receita Federal abaixo identificados, ou encaminhados a esta DRF NITERÓI, no prazo e forma especificados. Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001. 18. A Recorrente acusa, no termo aditivo, extemporâneo, reiterado no Recurso Especial que a Lei Complementar n° 105, de 2001, art. 6°, e o Decreto n° 3.724, de 2001, art. 2°, § 5°, estabelecem que o exame das informações atinentes à movimentação financeira do contribuinte sob fiscalização somente poderá ser levado a efeito quando houver procedimento de fiscalização em curso, instaurado mediante outorga de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização e tenha sido constatada hipótese de indispensabilidade prevista no artigo 3° do Decreto regulamentar; porém, o Autuante consignou no Termo de Constatação e Encerramento, que verificaramse indícios de movimentação financeira incompatível com a receita bruta, o que, por si só, não autoriza o exame das informações bancárias, pois não consta tal situação entre as hipóteses de indispensabilidade previstas no artigo 3°, do Decreto n° 3.724, de 2001, cuja redação em 2004 era: Art.2ºA Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. §1ºEntendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. §2ºO procedimento de fiscalização somente terá início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído em ato da Secretaria da Receita Federal, ressalvado o disposto nos §§3º e 4º deste artigo. (...) Art.3oOs exames referidos no caput do artigo anterior somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: Isubavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; IIobtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 8 7 IIIprática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IVomissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; Vrealização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VIremessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VIIprevistas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIIIpessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b)inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; IXpessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; Xnegativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XIpresença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. §1oNão se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. Art. 4o Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. §1oA requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: (...) § 2oA RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 9 8 § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (...) § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. (Grifou se.) 19. Em síntese, foi instaurado procedimento de fiscalização mediante MPFF; a Recorrente foi reiteradamente intimada a apresentar os extratos bancários, e mesmo depois de sucessivas prorrogações, não os entregou; a RMF foi emitida por autoridade competente, constando da mesma que foi com base no art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001: Art.4o Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. (...) § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (...) 20. Cabe destacar que o § 8º do mesmo artigo, já reproduzido, estatui que a expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos do mencionado Decreto. 2 Intimação. 21. A Lei nº 9.430, de 1996, Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 22. A diligência requerida concluiu, no que tange às questões postas na Resolução do CARF: 1 Houve prévia intimação para se comprovar a origem, mediante documentação hábil e idônea, da totalidade dos Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 10 9 depósitos relacionados na lista anexa ao TERMO DE CONSTATAÇÃO E ENCERRAMENTO? Resposta: Não. Na planilha que estamos anexando nesta data, "CRÉDITOS INTIMADOS AO CONTRIBUINTE", estão listados todos os valores que foram localizados nos Termos de Intimação que o contribuinte tomou ciência. O valor total é de R$2.255.227,32 (dois milhões, duzentos e cinquenta e cinco mil, duzentos e vinte e sete reais e trinta e dois centavos). Cabe salientar que só foram intimados corretamente valores do Banco Bradesco. Na planilha “CRÉDITOS NÃO INTIMADOS AO CONTRIBUINTE”, também anexada, estão listados os valores que NÃO foram localizados nos Termos de Intimação que o contribuinte tomou ciência. O valor total é de R$13.808.377,04 (treze milhões, oitocentos e oito mil, trezentos e setenta e sete reais e quatro centavos). (Grifouse.) 23. Sobre as intimações informou: 2 Se houve, juntar cópia das referidas intimações. Resposta: O contribuinte tomou ciência dos seguintes termos para comprovar a origem dos créditos bancários: TERMO DE INTIMAÇÃO 009, com ciência pessoal em 28/09/2004 (Folhas 250 a 256 Volume 2), TERMO DE REINTIMAÇÃO 010, com ciência pessoal em 10/11/2004 (Folhas 258 a 266 Volume 2), TERMO DE INTIMAÇÃO 011, com ciência pessoal em 22/12/2004 (Folhas 276 a 278 Volume 2), TERMO DE REINTIMAÇÃO 012, com ciência pessoal em 21/02/2005 (Folhas 280 a 282 Volume 2), TERMO DE INTIMAÇÃO 013, com ciência pessoal em 20/04/2005 (Folhas 286 a 289 Volume 2), TERMO DE REINTIMAÇÃO 014, com ciência pessoal em 20/05/2005 (Folhas 290 a 293 Volume 2), TERMO DE INTIMAÇÃO 016, com ciência pessoal em 26/10/2005 (Folhas 299 a 302 Volume 2) e TERMO DE REINTIMAÇÃO 017, com ciência pessoal em 30/11/2005 (Folhas 304 a 307 Volume 2). Todos estes termos já fazem parte do processo 10730.000521/200670. 24. De fato, confirmouse que constam estas intimações no presente processo. 25. Respondeu ainda o autor da diligência: 3 Após, a resposta dos quesitos a autoridade diligenciante deve elaborar relatório circunstanciado com os valores, remanescentes do auto de infração. Resposta: Todos os valores remanescentes estão listados na planilha "CRÉDITOS INTIMADOS AO CONTRIBUINTE", que estamos anexando ao processo. 26. Das respostas transcritas se evidencia que nem todos depósitos/créditos em contas bancárias foram listados nas intimações ao sujeito passivo, o que conduz à improcedência Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 11 10 parcial da autuação, relativamente aos depósitos/créditos autuados como omissão de receitas, mas dos quais o contribuinte não foi intimado a justificar/comprovar a origem. 27. As presunções legais possibilitam à autoridade lançadora imputar fatos não diretamente comprovados a partir de outros fatos, chamados indiciários, cuja ocorrência é ônus da autoridade acusadora. 28. A omissão de receita não é legalmente presumida a partir de simples depósitos bancários, mas somente daqueles qualificados pela não comprovação de origem. Não basta à autoridade indicar os depósitos bancários, mas é condição essencial que intime o sujeito passivo, especificamente, em relação a cada depósito/crédito, individualizado, para que o contribuinte possa apresentar a comprovação de que se trata de valores oferecidos à tributação, ou não tributáveis, ou tributados na fonte, ou meras transferências entre contas do mesmo titular, ou recursos de terceiros, enfim, para que possa oferecer comprovantes para elidir a presunção de omissão de receitas. 29. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, prevê que somente fica caracterizada a presunção de omissão de receita quando o sujeito passivo deixa de apresentar tais comprovações, em face da intimação para comprovação da origem dos recursos. 30. No caso em que tal intimação deixar de ser devidamente efetuada pela fiscalização, o que foi o caso, para uma parte dos depósitos/créditos bancários autuados neste processo, os correspondentes valores autuados, não se subsomem à hipótese de incidência da capitulação legal consignada pela autoridade lançadora. 31. Em relação a tais valores, devese considerar improcedente a autuação. 3 Documentos comprobatórios apresentados pelo contribuinte. 32. Reclama que Fiscal não justificou porque não aceitou os documentos apresentados para a comprovação da origem dos valores depositados, não permitindo a recorrente identificar qual a documentação que deveria e/ou deve apresentar. 33. Consta do Termo de Constatação e Encerramento: CFiscalização 2ª Parte (Estendida) Tendo sido verificados indícios de movimentação financeira incompatível com a receita bruta declarada, submetemos a exames adicionais, com resultado, os extratos bancários da fiscalizada relativos a 2001 nos bancos BRADESCO, RURAL e BCN, nas circunstâncias relatadas nos comemorativos relatados no Tópico II. Os resultados produzidos por esses procedimentos de auditoria adicionais encontramse sintetisados no tópico seguinte, denominado Apuração da Matéria Tributável, e compreendem 1o) Quanto a natureza das operações: a) depósitos em dinheiro; b) depósitos em cheques; c) créditos decorrentes de liquidação de cobrança. 2°) Quanto aos fatores determinantes de sua inclusão na base de cálculo do Auto de Infração: em primeiro lugar, os créditos em relação aos quais a interessada não apresentou nenhuma justificativa; em segundo lugar, os créditos cujas justificativas foram terminantemente recusadas Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 12 11 por se revelarem ineptas ou desprovidas de qualquer comprovação no curso da auditoria; c) Por último, mas não menos expressivos, os créditos cujas justificativas, ainda que em tese passíveis de serem comprovadas, mostraram comprovação insuficiente. 34. A Recorrente declarou a Receita Bruta de R$2.030.225,00, no anocalendário 2001, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ de págs. 48/66. 35. À pág. 12, o autuante informou que o total de créditos analisados foi R$43.738.218,25, dos quais foram excluídos R$24.088.053,66, restando R$19.652.164,59 a serem comprovados. Destes, tiveram justificativas aceitas pelo Fiscal, créditos no montante de R$3.591.063,23, tendo sido objeto de autuação os restantes R$16.071.101,36, como depósitos bancários não contabilizados e de origem não esclarecida; destes: a. R$4.295.018,50 justificativa ausente; b. R$3.046.995,47 justificativa não aceita; c. R$8.729.087,39 justificativa insuficientemente comprovada. 36. Às págs. 13/24, consta a listagem individualizada, identificando para cada depósito, a avaliação pelo autuante: "Ausente", "Recusada", "Just/Insuf". 37. Como já descrito, a diligência requerida informou que, dos valores autuados como depósitos/créditos recebidos, sem origem comprovada, R$2.255.227,32, foram corretamente intimados ao contribuinte, a fim de que justificasse a origem. 38. Estes R$2.255.227,32, corretamente intimados ao contribuinte estão listados às págs. 667/668, que informa que foram intimados ao contribuinte mediante o TIF n º 9. 39. Portanto, cabe avaliar qual foi a resposta do contribuinte em relação a este TIF. 40. A Recorrente foi intimada Termo de Intimação TIF 009, págs. 257/266, em 28/09/2004, a comprovar a origem dos depósitos bancários recebidos no banco Bradesco, listados neste termo requereu prorrogação de prazo; reintimada no Termo de Reintimação 010, em 10/11/2004, págs. 267/276, respondeu, pág. 276/984: Em resposta à intimação de VS questionando a origem dos créditos bancários no Banco Brasileiro de Descontos — BRADESCO S/A ocorridos em nossa conta no ano de 2001, elaboramos um demonstrativo sob a forma de planilha eletrônica, demonstrando a procedência imediata e remota, caso a caso, das operações que conseguimos identificar até o presente. Em se tratando de demonstrativo autoexplicativo, acreditamos haver atendido parcialmente ao que foi exigido. Solicitamos dilatação do prazo para conclusão das pesquisas relativas aos créditos em fase de identificação Anexamos a estes esclarecimentos escritos cópia impressa da referida planilha bem como o arquivo magnético a partir do qual ela foi impressa Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 13 12 a. As planilhas são: i. Quadro I, planilha intitulada "Créditos recebidos pela liquidação de cobrança das operações relacionadas nos Quadros II e III" que informa para cada valor o histórico "DEPOSITO" e o nº do documento; ii. Quadro II, que informa para cada valor o histórico "DEPOSITO" e o nº do documento e que, "Tratase de adiantamentos automáticos, proporcionais a um valor referencial recalculado antes de cada crédito. Esse valor de referência corresponde ao seguinte somatório: a. I A soma dos depósitos decorrentes das operações relacionadas no Quadro III (cheques Predatados) b. II A soma dos demais recebíveis disponibilizados para cobrança até aquele determinado momento." iii. Quadro III, que informa para cada valor o histórico "DEPOSITO" e o nº do documento e: 1. "Origem: Depósitos de cheques para futura compensação, que entram a crédito apenas para registro. OBS.: Sendo simultaneamente levados a débito na conta garantida, sempre devedora, eles não representam ingresso de receitas no sistema contábil da empresa, no momento em que são lançados." 41. Foi ainda intimada Termo de Intimação 016, págs. 308/312, em 26/10/2005, a comprovar a origem dos depósitos bancários recebidos nos bancos Bradesco, BCN e Rural, listados neste termo; requereu dilação de prazo, reintimada no Termo de Reintimação 017, em 30/11/2005, págs. 313/316; não constam mais respostas. 42. Analisandose a listagem "CRÉDITOS INTIMADOS AO CONTRIBUINTE", da diligência, verificase que se tratam todos de valores recebidos em "depósito em dinheiro", "depósito em cheque" e apenas dois "liquidação em cobrança", recebidos no Banco Bradesco, estando explicitados também a data do recebimento e valor. 43. Como a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, inverte o ônus da prova, sobre o que se discorre adiante, neste voto, cabe ao interessado comprovar documentalmente que tais valores foram oferecidos à tributação ou não são tributáveis. Por exemplo, apresentar a nota fiscal de venda emitida, apresentar a contabilização e que os valores contabilizados correspondem aos declarados na DIPJ; ou apresentar contrato de financiamento tomado e a documentação correspondente ao correspondente depósito na conta; ou apresentar o correspondente débito de mesmo valor na mesma data comprobatório de que se trata de valor transferido de outra conta do contribuinte. 44. Não se vislumbra que seja difícil ao contribuinte identificar que documentos deve apresentar de comprovação. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 14 13 3.1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO ESCLARECIDA. 45. A exigência tem como fundamento a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 46. Esclareçase que, nessa forma de apuração, o que se tributa não são os depósitos bancários como tais considerados, mas sim a omissão de receitas ou rendimentos que eles representam. Os depósitos são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receitas objeto da tributação, porque não satisfatoriamente comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. 47. Conforme se depreende do texto legal, tratase de presunção legal juris tantum, que autoriza a caracterização de omissão de receita. É a própria lei que determina que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus da prova. 48. Primeiramente, vejase o que determina a legislação pertinente, Lei nº 9.430, de 1996: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...) I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (Grifouse.) 49. Convém deixar claro que o autuante explicou no TVF que as transferências de recursos entre contas do mesmo titular foram excluídas dos depósitos bancários considerados na autuação, assim como empréstimos tomados, depósitos estornados e cheques devolvidos (pág. 145). 50. É oportuno um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, a fim de aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. 51. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: “Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 15 14 §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Grifouse.) ” 52. À vista de tais regras, temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte; a omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. 53. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ser disciplinado de forma diferente do previsto na Lei n.º 8.021, de1990: foi promulgada a já transcrita Lei n.º 9.430, de 1996, que no art. 42, e 88, XVIII, com a alteração do art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997, e que revogou a o §5.º do art. 6.º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990. 54. Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos; não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte; há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. 55. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei nº 8.021, de 1990, condicionavase a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. 3.2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. 56. Reclama a litigante que o fisco, ao intimála dos créditos/depósitos recebidos nas contas bancárias, não aponta o que é crédito fundado em notas fiscais e faturamento examinado, e crédito não identificado (que é tarefa do fisco), forçando o contribuinte a provar todos os créditos (2.400 lançamentos). 57. Cabe aduzir a seguinte explanação sobre a presunção legal já descrita: via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais – a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que ilidam a presunção de omissão resultante. 58. Presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções juris et jure e em relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 16 15 atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. 59. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. 60. Logo, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. 61. No texto a seguir reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTECRJ, 1979, pág. 806, José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. (Grifouse.) 62. Nesse sentido, são também brilhantes as lições de Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário (São Paulo, Dialética, 2001, págs. 91/92): Discordamos do entendimento de que as presunções ferem a segurança jurídica porque, como meio de prova indireta que são, portam elevado grau de incerteza, prejudicando a necessária apuração dos fatos. Entendemos que as presunções não devam ser aplicadas em casos de dúvida e incerteza, mas somente nas hipóteses de impossibilidade de comprovação direta do evento descrito no fato, já que seu principal fim é o de suprir deficiências probatórias. A certeza e a convicção (...) é inatingível objetivamente, estando, nessa perspectiva, também ausente na prova direta. Sobre a questão da certeza, manifestouse Moacyr Amaral dos Santos, para quem ‘há certeza, relativamente a um fato quando o espírito se convence de sua existência ou inexistência’. A previsibilidade (inerente ao princípio da segurança jurídica) quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 17 16 incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, e tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas, indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu. Caso não tenha ocorrido, até para a garantia de observância da segurança jurídica, é permitido ao contribuinte produzir todas as provas juridicamente admitidas para os fins de demonstrar a inveracidade fática do fato imputado. (...) A Administração tem o deverpoder de cumprir com certas finalidades, sendolhe obrigatória essa tarefa para a realização do interesse da coletividade, indicado na Constituição e nas Leis. Conseqüência dessa premissa é a indisponibilidade do interesse público. A utilização de presunções para a instituição de tributos é uma forma de atender ao interesse público, já que essas regras são passíveis de evitar que atos que importem evasões fiscais deixem de provocar as conseqüências jurídicas que lhe seriam próprias não fosse o ilícito. É, nesse sentido, instrumento que o direito coloca à disposição da fiscalização, para que obrigações tributárias não deixem de ser instauradas em virtude da prática de atos ilícitos pelo contribuinte, tendentes a acobertar a ocorrência do fato típico. (Grifouse) 63. Logo, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. 64. Temse que os depósitos recebidos não foram justificados como referentes a receitas declaradas, ou que fossem não tributáveis, isentos ou que pertencessem a terceiros, ou outra justificativa que elidisse a autuação. 65. No caso, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se deu pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados. 66. A única forma de elidir a presunção legal é a apresentação de provas hábeis e idôneas que demonstrem a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. E essas Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 18 17 provas, se não apresentadas por ocasião da fiscalização, devem ser apresentadas junto com a peça de defesa. Na peça impugnatória, examinamse os elementos de prova se apresentados; quanto aos valores não justificados, permanece a presunção legal de omissão de receita e as correspondentes exigências de imposto e contribuições. 3.2.1 Súmula 182 do TRF. 67. A respeito da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos TFR, citada pelo litigante, referese a momento histórico distinto, no qual não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários; por conseguinte, não abrange o caso em comento, que tem por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cuja legalidade e constitucionalidade não consta tenham sido objeto de decisão judicial erga omnes, nem que tivessem sido judicialmente questionadas pelo interessado, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. 68. Já o art. 43 do CTN, trata do IR e, entre outras definições estipula no§ 2º que: § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 69. E o art. 44: Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. 70. Portanto, de fato, aplicáveis ao presente caso. 4 Conclusão. 71. Voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reduzir o montante de Omissão de Receitas para os R$2.255.227,32, constantes da listagem "CRÉDITOS INTIMADOS AO CONTRIBUINTE", de págs. 667/668. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 702DF CARF MF
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Numero do processo: 13853.000157/2006-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997
PEDIDO NÃO FORMULADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INADMISSIBILIDADE.
Não cabe manifestação de inconformidade contra decisão administrativa que considerou "não formulado" o pedido de restituição/ressarcimento.
Numero da decisão: 3401-005.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997 PEDIDO NÃO FORMULADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INADMISSIBILIDADE. Não cabe manifestação de inconformidade contra decisão administrativa que considerou "não formulado" o pedido de restituição/ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 3. 00 01 57 /2 00 6- 40 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 339 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 300 e seguintes) contra decisão da 2ª Turma da DRJ/RPO, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Despacho Decisório 0812300, exarado pela DRF/FCA/SAORT, em 28.02.2008, que considerou não formulado pedido de restituição do crédito de IPI, referente ao período de apuração compreendido entre janeiro de 1996 a dezembro de 1997. Do Despacho Decisório Naquela ocasião, a D. Fiscalização considerou não formulado processo de pedido de restituição, no valor de R$ 124.869,56 (cento e vinte e quatro mil, oitocentos e sessenta e nove reais e cinquenta e seis centavos), referente ao período de apuração compreendido entre janeiro de 1996 a dezembro de 1997, por meio de formulário aprovado pela IN SRF n° 460/2004, conforme se segue: Trata o presente processo de pedido de restituição de IPI protocolado em 31/10/2006, por meio do formulário aprovado pela IN SRF n°460/2004 (fls. 1). O pedido foi protocolado por insistência do contribuinte (fls. 1) e não consta, na documentação anexa, qualquer justificativa sobre a não utilização do programa PER/DCOMP para formalizar o pedido (fls. 1 a 246). O crédito pleiteado neste pedido é composto por crédito básico de IPI proveniente de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, ocorridas no período de jan11996 a dez/1997; e pela atualização monetária destes créditos pela taxa SELIC (fls. 2 a 5). Os produtos adquiridos são isentos, nãotributados, imunes e com alíquota zero; e sua origem é justificada pelo contribuinte, conforme segue (fls.2) (...) Preliminarmente, verificase que houve prescrição do direito de pleitear o crédito. O art. 1.° do Decreto n.° 20.910, de 06 de janeiro de 1932, determina: "Art. 1. As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram.". Este prazo foi confirmado, nos casos de reivindicação de créditos de IPI, pelo Parecer Normativo CST n.° 515, de 10 de agosto de 1971, publicado na página 6.917 no DOU de 27 de agosto de 1971. Visto que o crédito pleiteado referese ao período de jan/1996 a dez/1997 (fls. 5) e a solicitação do contribuinte foi protocolada em 31/10/2006 (fls. 1), concluise que o direito de pleitear os créditos encontrase prescrito. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 340 3 Em relação ao pedido formulado pelo contribuinte, este é improcedente, visto que créditos de IPI constituídos em períodos anteriores a 01/01/1999 não podem ser utilizados em pedido de ressarcimento ou de compensação, devido à ausência de previsão legal. Somente a partir da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, o direito utilização do saldo credor de IPI em ressarcimento ou compensação foi concedido, conforme segue: (...) Devido ao fato dos créditos pleiteados se originarem no período de jan/1996 a dez/1997, não é possível a utilização destes em pedido de ressarcimento ou de compensação. Em relação ao crédito pleiteado, tratase de crédito básico de IPI proveniente de aquisições sem o recolhimento do imposto. Nestas operações, não há crédito a favor do comprador. (...) Por fim, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determina que a formalização do pedido deverá ser realizada por meio do programa PER/DCOMP e, somente quando não for possível a utilização deste programa, é cabível a utilização de formulário para formalizar o pedido, conforme segue: (...) No caso em questão, não houve comprovação e nem justificativa do motivo da não utilização o programa PER/DCOMP, apesar do presente parecer relatar várias situações que poderiam levar a rotina de consistência do programa PER/DCOMP rejeitar o pedido do contribuinte. A rotina de consistência é composta por conjuntos de instruções previamente programadas, de acordo com a legislação vigente, cujo objetivo é garantir que as informações fornecidas ao programa sejam corretas e consistentes. Ao contrário das rotinas de consistência, falha no programa representa qualquer anomalia que impossibilite o funcionamento deste conforme o planejado. Enquanto que ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no programa corresponde às hipóteses previstas na legislação e não contempladas no programa. Devido à ausência de comprovação e de justificativa da não utilização do PER/DCOMP, o pedido do contribuinte é considerado não formulado e o direito manifestação de inconformidade é afastado, conforme determinação contida na IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, descrita a seguir. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório, em 07.03.2008 (fl. 264 e seguintes), e interpôs impugnação, em 02.04.2008 (fls. 270 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 341 4 · Inocorrência da prescrição em razão de jurisprudência do STJ; · Possibilidade do creditamento do IPI nas aquisições de insumos isentos, alíquota zero e imunes em razão do princípio da não cumulatividade; · Possibilidade de correção monetária e atualização compensatória dos créditos. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 14037.386 (fls 287 e seguintes), exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO , em 25.04.2012, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 06.12.2012 (fl. 298), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997 PEDIDO NÃO FORMULADO. MANIFESTAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Não cabe manifestação de inconformidade contra decisão administrativa que considerou não formulado o pedido de restituição/ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado, Relator Da Admissibilidade Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 342 5 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Apesar de haver outras questões substantivas quanto à impossibilidade jurídica de pleitear crédito presumido de IPI concedida pelo artigo 11, da Lei Federal 9.779/1999, relativa à períodos anteriores da vigência da referida Lei, prefiro aterme a uma questão formal levantado pelo próprio "despacho decisório" que considerou o pedido de ressarcimento não formulado. De fato, a Recorrente solicitou o ressarcimento por meio de petição administrativa sem observar os ritos exigidos pela legislação em vigor à época 31.10.2006, qual seja, a de apresentação de um PER/DCOMP em formato eletrônico, não havendo hipótese distinta para tal pedido. A Lei Federal 9.430/1996 estabeleceu que os pedidos de compensação e ressarcimento de tributos federais administrados pela Receita Federal seguiriam as normas procedimentais editadas por essa. Nesse ínterim, a Instrução Normativa 600/2005, assim dispõe: Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: (...) § 3º O pedido de ressarcimento e a compensação previstos no § 2º serão efetuados mediante utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. Ocorre que, o contribuinte, até o presente momento, nunca justificou, nem comprovou as razões para sua impossibilidade, o uso de petição ao invés do formulário eletrônico para o pedido de ressarcimento, razão pela qual restaria incontroverso que houve irregularidade na formação do seu pleito. Daí porque entendo ser correta o despacho decisório quanto ao seu status de "não formulado", entendimento também confirmado na decisão a quo, tendo em vista a previsão no artigo 31, da refrida IN: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 343 6 Nesse diapasão, diante da negativa de ressarcimento por considerar o pedido "não formulado", em 28.02.2008, não caberia apresentação de Manifestação de Inconformidade, em razão da expressa vedação prevista no artigo 66, paragrafo 8º, da Instrução Normativa 900/2008, que passou a regulamentar o processo de ressarcimento e compensação de tributos federais: Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. (...) § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. (..) § 8º Não cabe manifestação de inconformidade contra a decisão que considerou não declarada a compensação ou não formulado o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, bem como da decisão que não admitiu a retificação de que tratam os arts. 76 a 79 ou indeferiu o pedido de cancelamento de que trata o art. 82. Como forma a contornar impossibilidade de Manifestação de Inconformidade, e garantir o direito ao duplo grau de jurisdição prevista na Constituição Federal e o disposto no artigo 56, da Lei Federal 9.784/1999, foi editada a Portaria RFB 666/2008, que regulamentou a possibilidade de apresentação de Recurso Hierárquico, que segue rito distinto do presente processo. A conferir: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 344 7 c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada. § 1º O disposto no inciso I aplicase inclusive na hipótese de inexistência de crédito tributário relativo a um ou mais tributos. § 2º Também deverão constar do processo administrativo a que se referem os incisos I, II e III as exigências relativas à aplicação de penalidade isolada em decorrência de mesma ação fiscal. § 3º Sendo apresentadas pelo sujeito passivo manifestação de inconformidade e impugnação, as peças serão juntadas aos processos de que tratam os incisos II e III. § 4º As DComp baseadas em crédito constante de pedido de restituição ou ressarcimento indeferido ou em compensação não homologada pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), apresentadas após o indeferimento ou não homologação, serão objeto de processos distintos daquele em que foi prolatada a decisão. § 5º Para efeito do disposto nos incisos II e III, havendo lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou da Contribuição Previdenciária, estes deverão constituir processos distintos. Art. 2º Os autos serão apensados nos seguintes casos: I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; II recurso hierárquico relativo ao indeferimento de pedido de retificação, cancelamento ou desistência de Pedido de Restituição ou Ressarcimento e de Declaração de Compensação e à manifestação de inconformidade contra indeferimento do Pedido de Restituição ou Ressarcimento ou a nãohomologação da Declaração de Compensação originais; III de exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes às Contribuições Previdenciárias e àquelas relativas a terceiros. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 345 8 Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Art. 4º O disposto no art. 2º aplicase aos processos formalizados a partir da publicação desta Portaria. Concluise, portanto, que a análise do presente Recurso, sendo consequência de uma manifestação de inconformidade ilegítima – uma vez que o recurso processual era outro – está fora da órbita de competência desse colegiado, não nos cabendo exercer qualquer atividade jurisdicionante. Ressaltese que não se trata de excesso de formalismo, mas de exigir que o contribuinte cumpra aquilo que está previsto em lei, porque é lei e porque o formalismo na esfera administrativa tem o condão de garantir imparcialidade e isonomia perante os demais contribuintes, além da possibilidade de melhor controle dos atos administrativos pelos administrados e pelos outros entes governamentais. Ao ignorar a forma adequada para requerer o seu ressarcimento, a despeito dos vícios apontados pela unidade de origem e pelo acórdão recorrido, a Recorrente assumiu o risco de ter seu pleito indeferido, ao continuar insistindo em forma de contencioso indevida. Por todo o exposto, não conheço da peça recursal. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 345DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000865/2009-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2002
LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA.
Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitam-se à incidência das contribuições para o PIS e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal.
Numero da decisão: 9303-007.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Votou pelas conclusões a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Votou pelas conclusões a conselheira Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 65 /2 00 9- 70 Fl. 2056DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de pedidos de compensação com base em restituição de créditos de Cofins e PIS, à efl. 763, decorrente de pagamento a maior em face de indevido alargamento da base de cálculo promovido pela Lei nº 9.718 de 27/11/1998. Os recolhimentos eram relativos aos períodos de fevereiro de 1999 a julho de 2002. O pedido se fundamentava em título judicial transitado em julgado no bojo do MS 2003.61.00.0057334, então patrocinado pela pessoa jurídica FNC – Comércio e Participações Ltda. (CNPJ 34.061.077/000193), incorporada à requerente em 30/06/2009, que lhe garantiria a apuração da contribuição em epígrafe sobre o faturamento, tal como definido pela LC 07/70 e Lei nº 9.715/98. A decisão do referido mandado transitou em julgado em 14/08/2006 e a FNC efetuou pedido de habilitação dos créditos que foi deferido em 16/07/2008 (efl. 843). No despacho decisório que apreciou os pedidos de compensação, às efls. 1506 a 1516, a DIORT/DEINF/SP, após examinar o inteiro teor das decisões judiciais proferidas no mandado de segurança respectivo, fundada no Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, deferiu em parte o pedido formulado, excluindo da apuração do indébito os recolhimentos oriundos das receitas das atividades de factoring e da locação de imóveis, por se qualificarem como advindas do exercício das atividades mercantis típicas da pessoa jurídica, que não estariam incluídas no conceito ampliado de faturamento, na acepção do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Cientificada desse despacho em 25/04/2012 (efl. 1591), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 25/05/2012, às efls. 1640 a 1651. A 10ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 1650.198, prolatado em 05/09/2013, às efls. 1771 a 1784, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ressaltando que as receitas de factoring não foram contestadas e por isso tornouse definitivo o não reconhecimento dos respectivos créditos. Cientificada do acórdão da DRJ em 25/09/2013 (efl. 1805), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 10/10/2013, às efls. 1807 a 1823. Invocou, como preliminar, o sobrestamento do julgamento, em razão do reconhecimento da existência de repercussão geral acerca do tema: incidência de PIS e Cofins sobre locação de imóveis, o que atrairia as disposições do art. 62A do RICARF. No mérito, em apertada síntese: a) argui ofensa à coisa julgada, pois a caracterização de faturamento constante do Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007 não se compaginaria com aquele exposto na Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.057 3 ação judicial própria, que o circunscreveu à receita da venda de bens e serviços, nos termos da LC 70/91 e Lei nº 9.715/98; b) destaca que a natureza das receitas de locação de imóveis não possuiria correlação com o conceito de faturamento, assim entendido o produto da venda de mercadorias e/ou serviços; e, c) afirma que a locação de imóveis, nada obstante constar de seu estatuto social, não seria sua atividade empresarial típica, mas sim a participação em outras sociedades, perfazendo a receita correspondente a essa atividade 54,06% do total de suas recitas, enquanto as indigitadas receitas de aluguel importam em 0,75% apenas. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 24/08/2016, resultando no acórdão nº 3401003.225, às efls. 1355 a 1359, que tem a seguinte ementa: REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Os parágrafos 1º e 2º do art. 62A, do RICARF, que previam o sobrestamento dos recursos administrativos sempre que igual medida fosse determinada pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Poder Judiciário, nos moldes do art. 543B do Código de Processo Civil, foram revogados pela Portaria MF nº 545/2013, de 18/11/2013, não mais havendo respaldo regimental para adoção de tal providência. COISA JULGADA. EFEITOS. LIMITES OBJETIVOS. ALCANCE. Segundo a teoria processual, a delimitação da lide circunscreve se ao pedido formulado na petição inicial, devendo a decisão judicial proferida, por sua vez, a ele se vincular, limitandose objetivamente os efeitos da coisa julgada ao que consta exclusivamente do dispositivo da sentença. LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre S. Pacheco, OAB/SP 160.078. Fl. 2058DF CARF MF 4 O voto condutor, à efl. 1958, resume as considerações que motivaram a decisão: Assim, considerando que não houve definição expressa do conceito de faturamento nas decisões exaradas no MS 2003.61.00.0057334; considerando que o Supremo Tribunal Federal assentou que faturamento corresponde à soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (RE 371.258 AgR); considerando que a locação de bens imóveis compunha o objeto social da pessoa jurídica incorporada (FNC – Comércio e Participações Ltda. CNPJ 34.061.077/000193) ; e, por fim, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é remansosa em admitir a incidência da Cofins sobre as receitas de locação de móveis e imóveis, seja sob a égide da Lei Complementar nº 70/91, seja pela Lei nº 9.718/98, concluo que o despacho decisório e a decisão de primeiro grau administrativo não merecem qualquer reparo, devendo ser mantidos pelos seus próprios fundamento. Recurso especial da contribuinte Intimada do acórdão em 21/10/2014 (efl. 1977), a contribuinte apresentou recurso especial em 21/10/2014, às efls. 1979 a 1997, no qual aponta divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma nº 340300.566. O acórdão paradigma aplicou literalmente a decisão proferida pelo STF que definia faturamento como a receita decorrente da venda de mercadorias e prestação de serviços, não podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira e outras operacionais, como é o caso das receitas de locação. Já a decisão recorrida aponta para inclusão da receita de locação de bens imóveis na base de cálculo do PIS e da Cofins, dando interpretação diversa daquela proferida pelo STF nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela empresa incorporada pela contribuinte, com ofensa à coisa julgada. ao inovar o conceito de faturamento. Ao final, requer o conhecimento e provimento do recurso especial, para que se reforme o aresto recorrido para restabelecerse a decisão de primeira instância . O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência do sujeito passivo em 1º/07/2015, no despacho de e fls. 2039 a 2041, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de efls. 2039 a 2041, em 07/07/2015 (efl. 2024), e apresentou contrarrazões em 14/07/2015, às efls. 2043 a 2054. No seu arrazoado afirma: In casu, estamos diante uma atividade que consta no objeto social da empresa. (...) diante da orientação atual do Supremo Tribunal Federal, no sentido de equiparar o faturamento à receita bruta obtida em Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.058 5 decorrência da atividadefim da empresa, entendese que todo o tipo de ingresso definitivo obtido pelo contribuinte como resultado das relações jurídicas firmadas no desenvolvimento da atividade empresarial deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, na vigência da Lei n° 9.718/98. Sob a ótica do entendimento consagrado pelo STF, a receita sobre locação de bens imóveis não pode ser excluída da base de cálculo do PIS/COFINS, por compor o resultado de atividade desenvolvida normalmente pela contribuinte. (Negritos do original) Pelas razões apresentadas, pugna pela negativa do provimento do recurso especial da contribuinte, para manutenção do acórdão recorrido, por seus próprios fundamentos. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência do sujeito passivo é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. A única matéria que se encontrava em discussão nessa esfera é referente à tributação pelas contribuições para o PIS e Cofins dos ingressos de valores a título de locação de imóveis: são esses valores passíveis de serem considerados parte da receita bruta da contribuinte ou não se encaixam nessa classificação. A contribuinte afirma que os valores recebidos a título de aluguéis pela empresa por ela incorporada não compunham as receitas para fins de incidência do PIS e da Cofins, em razão da restrição ao que seria receita bruta decorrente da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998. Essa inconstitucionalidade da norma foi afirmada, em definitivo, na decisão no Recurso Extraordinário nº 478.6320, como corolário processual do Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0057334, interposto pela empresa incorporada, sem, contudo, que essa decisão explicitasse o conceito de faturamento ou receita bruta. Assim, conforme minudentemente explanado no voto condutor do acórdão recorrido, às efls. 1949 a 1953, que me furtarei de reproduzir, não houve qualquer acinte à coisa julgada, uma vez que ela não se estabeleceu sobre os conceitos de faturamento ou de receita bruta, até porque não houve pedido específico para que fosse apurado o faturamento pelo critério que esposava a impetrante do MS. Logo, bastaria a incidência do caput dos arts. 2º e 3º1 daquela Lei para haver possibilidade de tributação da receita bruta pelas contribuições. 1 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 2060DF CARF MF 6 Portanto, a questão a ser apreciada é a de serem, ou não, os aluguéis recebidos pela FNC Comércio e Participações Ltda. parte da sua receita bruta. Nesse sentido, o relator do acórdão recorrido fez percuciente análise, às efls. 1953 a 1958, com base em jurisprudência do STJ, e, no meu sentir, chegou à melhor exegese, pois compõem o objeto social da empresa incorporada, as atividades de compra, venda, locação e administração de imóveis, e assim não há como negar que os valores decorrentes dessas atividades façam parte de sua receita bruta, independentemente de quanto estes ingressos representem no total da sua receita. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Primeiramente, importante esclarecer que essa Conselheira, nesse processo, não está impedida de apreciar a matéria trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Recordo que me declarei impedida, por zelo, nos processos 16327.904333/200822, 16327.904322/200842 e 16327.903228/200876, considerando que: · O Itaú Unibanco havia comprado as operações de varejo do Citibank em meados de 2017, mediante condições previstas em acordo de controle de concentrações a ser firmado entre as partes; · Ainda que os períodos tratados nesses processos sejam anteriores à aquisição e indiretamente serem relacionados ao varejo – por envolverem contratos de mútuos firmados com determinadas empresas; o que, por conseguinte, o resultado não traria nenhum reflexo ao banco, no momento da sessão de julgamento, essa conselheira não tinha conhecimento sobre a responsabilidade das contingências fiscais envolvendo indiretamente o varejo de períodos anteriores à aquisição. Sendo assim, por zelo, independentemente da “escrow account” nessa operação, declareime impedida de julgar esses processos. Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.059 7 Não obstante, quanto a esse processo em questão, vêse que não posso me abster de apreciar a matéria, vez que envolve operações próprias não vinculadas ao “varejo”, não trazendo o resultado desse julgamento prejuízo, tampouco benefício ao Itaú Unibanco. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide posta em Recurso Especial que envolve o PIS e a Cofins sobre a receita de aluguel auferida pela empresa incorporada pelo Banco Citibank. Para tanto, é de se sintetizar o que traz a recorrente: · O crédito utilizado nos presentes autos diz respeito aos Pedidos de Habilitação de Crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado; · A decisão restou explicita em relação ao conceito de faturamento: “receita decorrente das vendas de bens e da prestação de serviços, conforme definido no art. 3º da Lei 9.715/98 e no art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, não atingindo qualquer outra receita, quer de caráter operacional, quer de natureza financeira”; · Faturamento somente pode ser o produto da venda de serviços e/ou de mercadorias; · Locação não seria venda de bens ou serviços. O período em questão envolve a apuração das contribuições de fevereiro/99 a julho/02 da empresa sucedida FNC Comércio e Participações Ltda – incorporada em 30.6.09, ou seja, antes da vigência da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03. Sendo assim, o que restava decidido efetivamente com a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98 era o alargamento da base de cálculo das contribuições, restando decidido que o faturamento (base das contribuições) seria a receita pela prestação de serviço e venda de mercadorias – tal como também restou definitivamente decidido em medida judicial própria da empresa incorporada. O ponto em discussão, a meu sentir, não envolveria o objeto social da empresa incorporada – se tinha como objeto social a administração de bens imóveis, compra e venda e locação, mas sim se a “locação de imóveis” seria efetivamente serviço. Eis que o conceito de faturamento pela Lei 9.718/98, considerando o período em questão, se restringiu a receita pela prestação e serviço e venda de mercadorias. E inclusive a empresa incorporada detinha decisão transitada em julgado no bojo do MS 2003.61.00.0057334 que lhe garantiria a apuração da contribuição sobre o faturamento, tal como definido pela LC 07/70 e Lei nº 9.718/98 – ou seja, sobre a receita de prestação de serviço e venda de mercadorias. Nem dando margem a entender que o conceito de faturamento abrangeria receitas empresariais, pois o conceito definido por meio da LC 7/70 efetivamente se restringiu a receita da prestação de serviço e venda de mercadorias. Ademais, frisese o decidido em RE 346.084, RE 357.950 e RE 390.840 (Grifos meus): Fl. 2062DF CARF MF 8 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº. 20, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Nessa toada, cabe apenas clarificar que a manifestação do Ministro Cezar Peluso naquela ocasião, quando trouxe que o faturamento poderia abranger a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais sobrepujou o objeto do recurso. Vejam os diálogos: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Mas ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça. [...] Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. Sendo assim, data vênia, acredito que não cabe alargar um conceito definido pelo Colegiado na apreciação daqueles REs com tal manifestação. Não obstante, tendo em vista que a empresa incorporada já havia obtido decisão transitada em julgado garantindo a observância do conceito de faturamento mais restrito, qual seja, aquele definido pela LC 7/70, não me parece prudente afastar a conceituação Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.060 9 de faturamento daquela lei complementar, sob pena de afrontarmos a decisão judicial definitiva. Em sequência, ensina o Prof. Pontes de Miranda, in Tratado de Direito Privado, 1958, que serviço é qualquer prestação de fazer – servir é prestar atividade a outrem. Evidente que a prestação de serviço envolve uma obrigação de fazer, ainda que vincule ao emprego de materiais e equipamentos. Ora, se determinada pessoa loca um carro para outra – é de se constatar que estamos diante de uma obrigação de dar. No entanto, se ela disponibiliza um motorista juntamente com o carro – estamos diante de uma obrigação de fazer. Sendo assim, é de se clarificar que a receita de locação de imóveis está fora do campo de incidência de PIS e Cofins, vez que não poderia se enquadrar no conceito de “faturamento” está dissociada de alguma prestação de serviço. Somente há nesse evento uma obrigação puramente de dar – o que não configura receita pela prestação de serviço. Ora, a disponibilização de um bem, quer seja móvel ou imóvel, não configura uma prestação de serviço. Ademais, importante trazer que essa discussão se tornou mais confortável quando o STF, na apreciação do RE 116.121, em 2000, entendeu que a locação de bens móveis não pode ser qualificada como serviço e declarou a inconstitucionalidade da expressão "locação de bens móveis", constante do item 79 da lista de Serviços anexa ao Decreto Lei 406/68. E nessa linha foi aprovada a Súmula Vinculante 31 – STF em 2010, in verbis: É inconstitucional a incidência do imposto sobre serviços de qualquer natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis. Posteriormente, com o advento da LC 116/03, temse que seu art. 1º traz que o ISS tem como fato gerador a prestação de serviços constante da lista anexa à norma. E, quando da promulgação da norma, o item 3.01 – Locação de bens móveis foi efetivamente vetado pelo Presidente da República. É de se recordar a transcrição da razão do veto: Item 3.01 da Lista de serviços "3.01 – Locação de bens móveis." Razões do veto Verificase que alguns itens da relação de serviços sujeitos à incidência do imposto merecem reparo, tendo em vista decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. São eles: O STF concluiu julgamento de recurso extraordinário interposto por empresa de locação de guindastes, em que se discutia a constitucionalidade da cobrança do ISS sobre a locação de bens móveis, decidindo que a expressão "locação de bens móveis" constante do item 79 da lista de serviços a que se refere o Fl. 2064DF CARF MF 10 DecretoLei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, com a redação da Lei Complementar nº 56, de 15 de dezembro de 1987, é inconstitucional (noticiado no Informativo do STF no 207). O Recurso Extraordinário 116.121/SP, votado unanimemente pelo Tribunal Pleno, em 11 de outubro de 2000, contém linha interpretativa no mesmo sentido, pois a "terminologia constitucional do imposto sobre serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo a contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprios, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, práticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável." Em assim sendo, o item 3.01 da Lista de serviços anexa ao projeto de lei complementar ora analisado, fica prejudicado, pois veicula indevida (porque inconstitucional) incidência do imposto sob locação de bens móveis. Importante trazer ainda que o STF ao apreciar o RE 592.905/SC, decisão publicada em 2017, ao entender que o leasing financeiro é serviço e, portanto, caberia a incidência de ISS, não tratou especificamente de locação de imóveis. O que desprezo a aplicação desse julgado como forma de considerar a receita de locação como receita pela prestação de algum serviço. Vêse que restringiu sua análise as operações de leasing financeiro e leaseback. Tanto é assim que o item da LC que trazia referência à locação foi devidamente “vetado”. Em vista de todo o exposto, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Ademais, considerando que foi suscitado pelo sujeito passivo a aplicação do art. 24 do DecretoLei 4.657/42 – Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – redação dada pelo art. 1º da Lei 13.655/18, adicionalmente, podese entender que aplicarseia esse dispositivo para o caso em comento para dar provimento ao sujeito passivo. Para tanto, recordo o art. 24 (Grifos meus): Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Vêse que, nos termos daquele dispositivo, a princípio, o sujeito passivo que considerar as orientações gerais à época, entre outros, a jurisprudência judicial majoritária estaria respaldado, não podendo ser considerados os procedimentos cobertos como inválidos. Primeiramente, quanto à observância do dispositivo a esse Conselho, entendo, a princípio, que o CARF não poderia de se abster em aplicar. Vêse que até mesmo o Professor Floriano de Azevedo Marques Neto, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, um dos formuladores do dispositivo, traz que “Se alguém achar que existe algum Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.061 11 órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito” (in https://www.jota.info/tributoseempresas/tributario/lindbflorianoentrevistacarf06082018). Após breves considerações, entendo, a princípio, que tal dispositivo não se aplica somente a atos públicos, vez que o parágrafo único do art. 24, reflete que se consideram orientações gerais as interpretações contidas em jurisprudência judicial majoritária. Nessa linha, à época dos fatos geradores em discussão, vêse que restava consolidado pelo STF o decidido em RE 116.121 – que trazia ser inconstitucional considerar locação e bens móveis como prestação de serviço. Sendo assim, quer sejam, bens móveis ou imóveis, a locação desses bens não se configurava como prestação e serviço, vez que não se originava de uma obrigação de fazer, mas de dar. Sendo o conceito de faturamento restrito, haja vista a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, não há que se falar em considerar a receita de locação como base de cálculo do PIS e da Cofins. E, apenas complementando como mais um suporte, para quem entenda que o art. 24 da LINDB seria aplicável ao CARF, poderseia aplicar os dizeres desse dispositivo ao caso em questão. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 2066DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.902146/2009-19
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PER/DCOMP ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PER/DCOMP ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 21 46 /2 00 9- 19 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10830.902146/200919 Acórdão n.º 1003000.223 S1C0T3 Fl. 115 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 59/68) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 30, que não homologou a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de Simples Federal, código de receita 6106 (tributo sujeito a lançamento por homologação) , tendo em vista a constatação de que na data da transmissão da DCOMP nº 03477.40344.120405.1.3.040028 já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF (10/01/2000) e a data de transmissão do PER/DCOMP (12/04/2005). A recorrente, às folhas 75/82, em síntese, alega a decadência não atingiu o direito creditório que fundamentou as referidas compensações, pois o prazo de 5 anos determinado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, segundo decisão exarada pelo STF em regime de repercussão geral, no julgamento do RE nº 566.621RS, só se aplica em relação a pleitos formulados depois de 09/06/2005, momento em que a referida lei passou a vigorar. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Para que haja direito à compensação, a Recorrente deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteável a título de restituição, no presente caso, de tributo sujeito a lançamento por homologação. Antes, porém, é necessário analisar se houve extinção temporal do direito de pleitear tal restituição. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.902146/200919 Acórdão n.º 1003000.223 S1C0T3 Fl. 116 3 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa, que dividiu a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial por tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10830.902146/200919 Acórdão n.º 1003000.223 S1C0T3 Fl. 117 4 Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante da inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 9 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 9 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10830.902146/200919 Acórdão n.º 1003000.223 S1C0T3 Fl. 118 5 jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em razão de tal decisão, o CARF acabou por adotar tal entendimento mediante Súmula: Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 118DF CARF MF
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