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Numero do processo: 10976.000320/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/07/2010
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
O fato da empresa ter apresentado os documentos em papel, não afasta a multa aplicada, tendo em vista, tratar-se de exigências distintas, fundamentadas em dispositivos legais diversos.
Numero da decisão: 2401-003.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim que davam provimento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relator
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A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. A exigibilidade dos arquivos está prevista no art. 11, §§1º, 3º e 4º da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8º da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. O fato da empresa ter apresentado os documentos em papel, não afasta a multa aplicada, tendo em vista, tratarse de exigências distintas, fundamentadas em dispositivos legais diversos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/07/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 03 20 /2 01 0- 76 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim que davam provimento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10976.000320/201076 Acórdão n.º 2401003.915 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 37.219.7183, em desfavor da recorrente, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 12, III da Lei 8.218/91. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 29, o contribuinte deixou de cumprir o prazo estabelecido pela RFB no Termo de Procedimento fiscal e no Termo de Intimação Fiscal, assinados respectivamente e, 22/04/2009 e 26/06/2009 para apresentação de arquivos digitais. Segunda a autoridade fiscal, configura infração ao art. 11, §§1°, 3° e 4 0 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991, com a redação dada pela MP n o 2.15835, de 24/08/2001, ensejando a lavratura do presente Auto de Infração. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 12/07/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/07/2010. Não concordando com a autuação apresentou a empresa notificada principal, defesa, fl. 34 a 38: Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 96 e seguintes. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 96 e seguintes, onde alega: 1. Nulidade da decisão de primeira instância, uma vez que deixou de analisar o pedido de novo prazo para apresentação dos arquivos digitais. 2. A empresa apresentou todos os livros físicos (em meio papel) solicitados pelo auditor, sendo que este atingiu os fins a que , ainda que de outra forma, não ocasionando nenhum prejuízo ao fisco federal, já que dos referidos documentos comprovouse a regularidade da empresa/recorrente, perante o fisco. 3. Verificase a falta de razoabilidade e proporcionalidade da multa na forma como aplicada tomandose como base a receita bruta, restando em valor astronômico e confiscatório, já que provado nos autos que o recorrente não agiu com dolo. 4. Constatase a irregularidade da ação fiscal ao deixar transcorrer a bel prazer do auditor o período de seis meses sem qualquer procedimento fiscal, e após incluir referido período na soma do tempo para aplicação da multa em total prejuízo a recorrente. 5. Requer seja acolhido o recurso para que se cancele o de´bito fiscal apurado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 117. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a alegada nulidade da decisão de primeira instância, entendo que razão não assiste ao recorrente. Embora não tenha expressamente negado o pedido do recorrente de novo prazo para apresentação dos arquivos, entendo que seu pedido restou afastado, uma vez que a autoridade fiscal, indicou precisamente a impossibilidade de existir relevação com a apresentação tardio dos mesmos, uma vez que expressamente indicou a revogação do art. 291, pelo Decreto 6.727/2009. Assim, se incabível a relevação, por consequência, indeferido estaria o prazo de prorrogação pretendido pelo recorrente, para corrigir a falta. Superadas as preliminares, passo ao mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito conforme prevê o do art. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 12, III da Lei 8.218/91, a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. Conforme descrito no relatório fiscal a exigibilidade destes arquivos pelo fisco está prevista no art. 11, §§1 0 , 3 0 e 40 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8 0 da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10976.000320/201076 Acórdão n.º 2401003.915 S2C4T1 Fl. 4 5 § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. O próprio recorrente assume que não efetuou a entrega tendo em vista erro no sistema, contudo, dito argumento não é suficiente para refutar o lançamento. Também não é suficiente a alegação de que apresentou os documentos em meio papel, tendo em vista que tratase de exigências diversas, sendo que não há como afastar o fato de que a não apresentação de arquivos digitais, acaba por dificultar a verificação do cumprimento da legislação previdenciária. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Não há que e falar que a entrega do documentos físicos, suprem a exigência, visto que tratamse de obrigações distintas, como objetivos específicos e previsão legal diversa. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, mas de servir como elemento inibidor quanto ao descumprimento das exigências fiscais. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, qual seja o art. 12, III da lei 8218/91, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. N mesmo sentido já se manifestou a autoridade julgadora, sendo que o recorrente não apresentou qualquer fato novo capaz de desconstituir o lançamento. Quanto a alegação de multa confiscatória, assim, como mencionado acima, a aplicação da mesma seguiu estritamente a legislação pertinente. Assim, não há erro no cálculo da aplicação da multa, pois o inciso III do art. 12 da Lei n o 8.218/91 estabelece que a multa é correspondente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta no período. No que tange a argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a aplicação de multa, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na aplicação de multa, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10976.000320/201076 Acórdão n.º 2401003.915 S2C4T1 Fl. 5 7 Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15215.720027/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. DESATENDIMENTO AO PRAZO LEGAL.
O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. O recurso interposto após esse prazo está perempto e não deve ser conhecido pelo Colegiado, pois a tempestividade é pressuposto intransponível para a apreciação do recurso.
Numero da decisão: 2201-002.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. DESATENDIMENTO AO PRAZO LEGAL. O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. O recurso interposto após esse prazo está perempto e não deve ser conhecido pelo Colegiado, pois a tempestividade é pressuposto intransponível para a apreciação do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad.
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DESATENDIMENTO AO PRAZO LEGAL. O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. O recurso interposto após esse prazo está perempto e não deve ser conhecido pelo Colegiado, pois a tempestividade é pressuposto intransponível para a apreciação do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 00 27 /2 01 2- 16 Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios 2008, 2009 e 2010, no qual se apurou o imposto de valor de R$ 521.143,67, acrescido da multa de ofício de 150%, no valor de R$ 781.715,49, e multa isolada de 50%, no valor de R$ 255.938,78. Sobre esses valores incidem os respectivos juros de mora. Conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 1.372 a 1.400), constatouse a omissão de rendimentos de R$ 107.962,85 no anocalendário 2007, R$ 144.570,27 em 2008 e R$ 550.210,11 em 2009, a partir de circularização dos pagamentos de honorário advocatícios declarados por pessoas físicas, aplicandose as respectivas multas isoladas pela falta de recolhimento mensal obrigatório. Na apuração do imposto foram deduzidos os dois dependentes declarados. Também foram apuradas omissões com base em depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada. Porém, neste caso, a soma dos depósitos foi dividida por três, que era o número de titulares da conta. A multa foi qualificada pelo fato de o contribuinte ter emitido documentos e registrado no livrocaixa, assim como na DAA, valores muito aquém dos efetivamente recebidos. A autoridade fiscal detalha em seu relatório as situações que a levaram a aplicar a multa de 150%, dentre as quais o confronto das informações declaradas pelo sujeito passivo com recibos fornecidos pelos clientes do escritório, ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho com a constatação da prática de registrar recebimentos de honorários por valores inferiores aos efetivamente praticados, representação de clientes do escritório ao Ministério Público Federal e à Secretaria da Receita Federal do Brasil noticiando a recusa do contribuinte e seus sócios em emitir recibos de honorários, e o alto valor dos rendimentos recebidos de pessoas físicas omitidos e dos depósitos em conta bancária com origem não comprovada. O interessado apresentou a impugnação, cujos argumentos foram assim relatados na decisão recorrida: Preliminarmente, requer a nulidade do Auto de Infração, no que tange ao lançamento do IRPF por omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e por depósitos bancários de origem não comprovada e da multa de ofício de 150%, por ausência de enquadramento legal das penalidades. Argumenta ter ocorrido cerceamento de defesa, na medida em que a Fiscalização teve quase 400 dias para realizar seu trabalho, ao passo que ao contribuinte foi assinalado o prazo de apenas 30 dias para preparar sua defesa, diminuído ainda pelos entraves burocráticos para a liberação de documentos. Ainda em preliminar, impugna todos os documentos carreados aos autos pela RFB, exceto os por ela gerados, por não conterem autenticação de fé pública, nos termos do Código de Processo Civil – CPC ou exibição em seu original, o que inquinaria de vício insanável todo o trabalho apresentado, por carência de provas. Alega ter sido quebrado ilegalmente o sigilo bancário do impugnante, sem recomendação expressa em decisão judicial, o que deve levar à anulação do Auto de Infração. Sustenta que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRPF, o prazo decadencial de cobrança ocorre após o transcurso de 5 anos do fato Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 15215.720027/201216 Acórdão n.º 2201002.652 S2C2T1 Fl. 3 3 gerador, estando portanto prescritos os créditos tributários (IRPF e multas) referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007. No mérito, o procurador do interessado informa que o escritório de advocacia do impugnante celebrou contrato de prestação de serviços com o Sindicato dos Ferroviários – Sindfer, a favor dos membros da categoria, denominados substituídos, em face da Vale S/A. Acrescenta que foram então movidas ações nos anos de 2004 até 2007, perante a Vara do Trabalho, especialmente nas comarcas de Governador Valadares, Coronel Fabriciano e Aimorés, sendo em sua maioria decididas favoravelmente, conforme se infere pelos diversos alvarás judiciais juntados aos autos. Aduz que, após o trânsito em julgado do processo judicial, iniciaramse os processos de execução, culminando com o pagamento aos substituídos, através de alvará judicial em nome do sindicato, com poderes para levantamento por meio do procurador, que seria um dos advogados do escritório de advocacia, inclusive o impugnante, com crédito em sua conta bancária. Esclarece que os saques da conta bancária para os pagamentos aos substituídos geralmente eram feitos de forma única, ou seja, o valor integral era levantado. Contudo, em diversas ocasiões o pagamento a alguns era feito posteriormente, por demora em sua localização, sendo o saldo restante novamente depositado, o que ocasionaria divergência entre os depósitos na conta do impugnante e os alvarás judiciais levantados. Acrescenta que somente permanecia na conta bancária do impugnante, com tributação do imposto de renda, o valor dos honorários advocatícios, com a emissão do correspondente recibo, quando o substituído aceitava proceder a este pagamento, não obrigatório, tendo sido inclusive celebrado acordo judicial em 24/10/2008, perante a 1ª Vara do Trabalho de Governador Valadares, com o Ministério Público do Trabalho, no sentido de não serem cobrados honorários advocatícios, pois a assistência jurídica prestada pelo Sindicato deveria ser feita de forma gratuita. Desta forma, prossegue, os valores oriundos de créditos em alvará judicial não traduzem remuneração própria do impugnante, pois seriam créditos de terceiros que apenas transitaram por sua conta bancária. Requer perícia contábil, indicando profissional e quesitos a serem respondidos, a fim de provar que todos os rendimentos auferidos na sua conta corrente seriam rendimentos de terceiros oriundos de crédito judicial, não podendo ser admitida simples análise pelo auditorfiscal como única forma de comprovação das diferenças a favor do Fisco. Reitera que a autoridade administrativa entendeu erroneamente que a todo e qualquer valor percebido a título de alvará judicial deveria ser aplicado honorário advocatício, o que não foi o caso, dado a seu caráter facultativo. Argumenta que, na pior das hipóteses, caso entenda devido o tributo sobre a movimentação financeira, esse deveria ter como base de cálculo os honorários advocatícios, cujo percentual era de 15% sobre o crédito, conforme acordo judicial citado e prática normal do escritório. Aduz que a movimentação financeira pode decorrer de rendimento já tributado, o que ocorreu com seus rendimentos próprios e declarados. Utilizar como base de cálculo todo o valor da movimentação financeira, prossegue, fere sobremaneira o princípio da legalidade, segurança jurídica e locupletamento sem causa, posto que o valor mencionado é decorrente de alvará judicial, sendo a conta corrente que tem como correntista os 3 sócios do escritório (Gilson, Mário e Geraldo) utilizada exclusivamente para esse fim. Ainda com relação à tributação dos depósitos bancários, alega que todos os três titulares da citada conta bancária sofreram procedimento fiscal próprio, conforme relatado pelo auditorfiscal, havendo intimação para comprovação da origem dos depósitos. Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Entretanto, prossegue, cada titular se manifestou no procedimento fiscal a qual estava submetido, o que implicou evidente prejuízo à defesa do impugnante, que desconhece o teor das justificativas e/ou comprovação dos demais titulares, bem como não conhece o teor das declarações anuais de ajuste de cada titular da conta corrente. Conclui o procurador do impugnante que, nesse sentido, não pode prosperar o lançamento sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, pela ausência de intimação de todos os titulares da conta corrente no presente procedimento fiscal. Pugna pela impossibilidade da cobrança de juros de mora sobre débitos de natureza fiscal pela taxa Selic, sendo o correto a aplicação apenas do percentual máximo de 1% ao mês. Combate a multa de ofício aplicada, que deveria ser limitada ao percentual de 2% ao mês, e sua qualificação em 150%, eleita por conclusão subjetiva da Fiscalização que se ancorou em depoimentos esparsos de alguns clientes, revestidos da condição de leigos, descuidados de sua organização documental, não sendo provada a intenção de dolosamente sonegar ou fraudar o Fisco, o que foi apenas presumido. Com relação à multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, argumenta que é pacífica a jurisprudência no sentido de que não é cabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com a multa isolada, devendo essa ser afastada. Por fim, o procurador do impugnante cita o princípio da capacidade contributiva, alegando que os critérios adotados na Fiscalização são decisivos para sua inserção no rol de inadimplentes, o que vai na contramão dos interesses público e governamental. Os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), por meio do Acórdão nº 0941.070, de 16 de agosto de 2002, consideraram o lançamento procedente. O contribuinte foi cientificado, por caixa postal eletrônica, em 5 de agosto de 2012 (fl. 1.603). Em 22 de outubro de 2012, foi emitido o termo de perempção, tendo em vista o transcurso do prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33) sem que o interessado tenha apresentado recurso à instância superior da decisão. Em 25 de outubro de 2012, às 12h35, o contribuinte tomou conhecimento da cartacobrança, pela abertura dos arquivos correspondentes no link “Processo Digital”, no “Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC)/opção Consulta Comunicados/Intimações” (fl. 1.614). Por meio do Memorando DRF/BHE/CAC – Contorno/EATPRO nº 4.781/2012, de 3 de dezembro de 2012, foi encaminhada ao SACAT/DRF/GVSMG a documentação protocolada em 30 de novembro de 2012, na qual inclui o recurso voluntário que reprisa as argumentações apresentadas na impugnação. É o relatório. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 15215.720027/201216 Acórdão n.º 2201002.652 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário está perempto, uma vez que foi apresentado após o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Vejamos a ordem cronológica dos fatos no quadro a seguir: Data/hora Folha Discrição 22/08/2012 1.602 O contribuinte abriu os arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção “Consulta Comunicados/Intimações”, tomando conhecimento do teor do Acórdão de Impugnação, da Intimação de Resultado de Julgamento, do Demonstrativo de Débitos e do DARF; 05/09/2012 1.603 Foi dada ciência ao contribuinte, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização do Acórdão de Impugnação, da Intimação de Resultado de Julgamento, do Demonstrativo de Débitos e do DARF, por meio da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 21/08/2012 Data da ciência por decurso de prazo: 05/09/2012 22/10/2012 1.608 Lavrado o Termo de Perempção, tendo em vista o transcurso do prazo regulamentar de 30 (trinta) dias disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, sem que o interessado tenha apresentado recurso voluntário. 25/10/2012 1.614 O Contribuinte abriu os arquivos (Carta/aviso de Cobrança, Demonstrativo de débitos e DARF), correspondentes no link “Processo Digital”, no “Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte” (Portal eCAC) por meio da opção “Consulta Comunicados/Intimações”: 10/11/2012 1.615 Foi dada ciência ao contribuinte, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização Carta/aviso de Cobrança, Demonstrativo de débitos e DARF, por meio da “Caixa Postal”, “Modulo eCAC” do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 25/10/2012 Data da ciência por decurso de prazo: 09/11/2012 30/11/2012 1618 Recepcionado na Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte o Recurso Voluntário. Assim, como a ciência se deu em 5 de setembro de 2012 e o recurso voluntário somente foi interposto em 30 de novembro de 2012, já havia fluído o trintídio legal, que teve seu termo final no dia 8 de outubro, segundafeira. O prazo para apresentação do recurso voluntário está disciplinado nos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe: Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O sujeito passivo deveria apresentar o recurso voluntário nos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão de primeiro grau. Após esse prazo, está materializada a preclusão do direito de recorrer e, conforme expresso no art. 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, cabe ao CARF julgar a perempção do recurso. Por esse motivo, este Colegiado fica impossibilitado de conhecer as razões de defesas suscitadas, tornandose definitiva na esfera administrativa a decisão de primeiro grau, nos termos do inciso I do art. 42 do Decreto acima citado. Ante ao exposto, uma vez comprovada a intempestividade do presente recurso voluntário, voto no sentido de não conhecêlo. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 18192.000072/2007-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO LANÇAMENTO REALIZADO. RENÚNCIA. SÚMULA CARF N. 01.
Em 18 de junho de 2014, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha informou que o Sujeito Passivo ajuizou ação ordinária n. 2053-25.2011.4.01.3808 para questionar o mesmo débito, qual seja, aquele objeto do presente processo administrativo.
É cediço que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme enunciado da Súmula CARF n. 1:
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO LANÇAMENTO REALIZADO. RENÚNCIA. SÚMULA CARF N. 01. Em 18 de junho de 2014, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha informou que o Sujeito Passivo ajuizou ação ordinária n. 2053-25.2011.4.01.3808 para questionar o mesmo débito, qual seja, aquele objeto do presente processo administrativo. É cediço que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme enunciado da Súmula CARF n. 1: Recurso especial provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 6 1 5 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18192.000072/200797 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.479 – 2ª Turma Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria Concomitância Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CICLOPE CONSTRUCOES E SERVICOS LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO LANÇAMENTO REALIZADO. RENÚNCIA. SÚMULA CARF N. 01. Em 18 de junho de 2014, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha informou que o Sujeito Passivo ajuizou ação ordinária n. 2053 25.2011.4.01.3808 para questionar o mesmo débito, qual seja, aquele objeto do presente processo administrativo. É cediço que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme enunciado da Súmula CARF n. 1: Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 19 2. 00 00 72 /2 00 7- 97 Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n" 230101.755. proferido pela I" Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 01/12/2010 (11s. 3745/3750) interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 3754/3765. com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Segue abaixo trecho da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de oficio ou à parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento s6 pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. MULTA POR OMISSÕES OU INEXATIDÕES NA GFIP. FIXAÇÃO DA PENALIDADE POR MEIO DE LEI. A penalidade aplicável para o caso de omissões ou inexatidões relativas a GFIP estava prevista no art. 32 da Lei 8.212/91, sendo que o RPS apenas regulamentava o conteúdo da referida lei. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFI LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. Fl. 4164DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18192.000072/200797 Acórdão n.º 9202003.479 CSRFT2 Fl. 7 3 As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, bene fi ciar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n " 8.2124991. Conforme previsto no art. 106, inciso II , alínea "c" do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas as contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for Insurgese a Fazenda Nacional contra a decisão que deu provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento, devido a regra decadencial expressa no art. 173. I, do CTN, os fatos geradores ocorridos antes de 01/2001. porém entendendo que a contagem do prazo decadencial dase a partir do fato imponível, e para redução da multa pela regra do artigo 32A, inciso I. da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/09 (11s. 3745verso e 3750), enquanto a recorrente entende que o aresto merece reforma, visto que o acórdão recorrido diverge do entendimento mantido pelo CARF, também com fundamento no recurso repetitivo do STJ, de que a contagem da decadência regida pelo art. 173. I. do CTN, dáse partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (11s. 3763/3765), e, com relação à GFIP, diz que os paradigmas que apresenta divergem do acórdão recorrido em situação análoga à presente, visto que. segundo seu entendimento, o acórdão paradigma considerou ser legitima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente (fls. 3756/3759). Segundo a recorrente, o acórdão recorrido diverge do paradigma que apresenta, proferido pela lª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção (fls.3766/3788): Ac. 240100214 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 10/08/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS VALORES “EXTRA FOLHA” PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DEFESA. 15 DIAS. PEREMPTÓRIO. NÃO CERCEAMENTO DE DEFESA. DOCUMENTAÇÃO DISPONIBILIZADA PELO JUÍZO. NÃO OCORRÊNCIA DE ILICITUDE. PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § Fl. 4165DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. O prazo para apresentação de defesa é peremptório, não podendo ser dilatado pela autoridade administrativa. Não há cerceamento de defesa quando a autoridade aplica a lei. Não há ilicitude se a documentação foi regularmente disponibilizada à fiscalização pelo juiz de direito. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8: “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Os fatos que ensejaram a autuação ocorreram entre 10/1999 e 09/2001 e a lavratura do AI deuse em 10/08/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 28/09/2005. Face o exposto encontramse decadentes os fatos geradores até a competência 11/1999. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso especial para reformar o acórdão recorrido, restabelecendo a decisão de primeira instância. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção do CARF decidiu pelo seguimento do REsp [fls. 482 e ss]. Intimado, o interessado interpôs Recurso Especial que, por não atender os pressupostos regimentais, teve seu seguimento negado. Em 18 de junho de 2014, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha informou que o Sujeito Passivo ajuizou ação ordinária n. 205325.2011.4.01.3808 para questionar o mesmo débito, qual seja, aquele objeto do presente processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Sendo tempestivo o REsp interposto e demonstrada a divergência jurisprudencial, CONHEÇO do Recurso. Fl. 4166DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18192.000072/200797 Acórdão n.º 9202003.479 CSRFT2 Fl. 8 5 Insurgese a Fazenda Nacional contra a decisão que deu provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento, devido a regra decadencial expressa no art. 173. I, do CTN, os fatos geradores ocorridos antes de 01/2001. porém entendendo que a contagem do prazo decadencial dase a partir do fato imponível, e para redução da multa pela regra do artigo 32A, inciso I. da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/09 (11s. 3745verso e 3750), enquanto a recorrente entende que o aresto merece reforma, visto que o acórdão recorrido diverge do entendimento mantido pelo CARF, também com fundamento no recurso repetitivo do STJ, de que a contagem da decadência regida pelo art. 173. I. do CTN, dáse partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (11s. 3763/3765), e, com relação à GFIP, diz que os paradigmas que apresenta divergem do acórdão recorrido em situação análoga à presente, visto que. segundo seu entendimento, o acórdão paradigma considerou ser legitima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente (fls. 3756/3759). Em 18 de junho de 2014, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha informou que o Sujeito Passivo ajuizou ação ordinária n. 205325.2011.4.01.3808 para questionar o mesmo débito, qual seja, aquele objeto do presente processo administrativo. É cediço que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme enunciado da Súmula CARF n. 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Da análise dos autos verifico que há identidade de objeto, o que, per se, repercute renúncia à instância administrativa. DISPOSITIVO Por todo o exposto, VOTO por CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para que seja restabelecido o lançamento original. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 4167DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903775/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 75 /2 00 9- 51 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratam os autos da declaração de compensação nº 39931.03457.070406.1.3.040000,transmitida eletronicamente em 07/04/2006, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO: 30/09/2001 CÓDIGO DE RECEITA : 2089 VALOR TOTAL DO DARF : 21.040,09 DATA DE ARRECADAÇÃO: 30/11/2001 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 20/04/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 4), cuja decisão não homologou a declaração de compensação por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 406,32. Cientificado dessa decisão em 29/04/2009, o sujeito passivo apresentou em 28/05/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 4 3 Em síntese, a contribuinte esclarece que teria recolhido indevidamente três parcelas de IRPJ referentes ao período em análise. Uma vez constatado o recolhimento indevido, retificou suas declarações. Apresenta quadro demonstrativo e anexa aos autos cópias das declarações. Ao final, solicita a homologação da compensação requerida por meio do PER/DCOMP em análise, cancelandose o débito fiscal dela decorrente. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0356.217, de 17 de outubro de 2013, cientificado ao interessado em 20/12/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2001 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil/fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/01/2014. A Recorrente alega que: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 5 4 há equívoco na decisão recorrida ao sustentar que a pessoa jurídica deveria, em sua manifestação de inconformidade, provar, através dos seus assentamentos contábeis/fiscais embasando sua escrituração com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, fundamentando seus lançamentos contábeis com o comprovante de retençãoemitido em seu nome pela fonte pagadora; tal entendimento é totalmente descabido na análise do presente contencioso administrativo fiscal posto que a Recorrente em sua impugnação item "d" deixou claro que o todo alegado poderia ser devidamente comprovado através da Declaração de Informações Econômico Fiscais/2002, entregue e encaminhada à Secreraria da Receita Federal do Brasil; é cediço que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ é a reprodução integral dos assentamentos contábeis/fiscais do sujeito passivo e, os dados nela contidos, estão permanentemente à disposição de autoridade fiscal para apreciação, análise e contestações que se fizerem necessárias; o crédito tributário que deu origem ao pedido de compensação não homologado pela Autoridade Administrativo preparadora, não tem sua origem em imposto de renda retido na fonte como sugerido pela ilustre JulgadoraRelatora fls. 45 dos autos, mas sim da diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor devido constante da Declaração de Informações EconômicoFiscais, pertinente ao 3o Trimestre do AnoCalendário de 2001; conforme informado pela Recorrente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ código da receita 2089, referente ao 3o Trimestre de 2001, apurado e informado na DIPJ somou a quantia de R$ 6.627,82 (seis mil, seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e dois centavos), e o valor recolhido, conforme atestado através dos DARF's anexados aos autos somou a quantia de R$ 63.201,54 (sessenta e três mil, duzentos e um reais e cinquenta e quatro centavos); havendo receitas decorrentes de prestação de serviços e estando dentro dos limites previstos pela legislação tributária, a fonte pagadora deve proceder à devida retenção do imposto/contribuições devidos o qual, por sua vez, será deduzido do imposto ou contribuição a pagar/recolher; no Ano Calendário de 2001, submeteuse ao regime de tributação com base no Lucro Presumido e, no 3o Trimestre do período de apuração encerrado em 30 de setembro de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no montante de R$ 63.201,54 (sessenta e três mil, duzentos e um reais e cinquenta e quatro centavos), em três parcelas, conforme a seguir demonstrado, que foram devidamente informados em DCTF: IRPJ 3° Trimestre — PA 30/09/2001 Data vencimento/recolhimento Valor Recolhido em R$ I a Parcela 31/10/2001 20.831,79 2a Parcela 30/11/2001 21.040,09 3a Parcela 28/12/2001 21.329,66 TOTAL 63.201,54 após a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais do Exercício de 2002 Ano Calendário de 2001 constatou que o valor efetivamente devido no 3o Trimestre de 2001, era de R$ 6.627,82 (seis mil seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e dois centavos), fato este verificado em tempo posterior através de auditoria interna a fim de analisar os procedimentos de natureze contábil/fiscal adotados pela Recorrente; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 6 5 ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ fls. 15/19 dos autos e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF fls. 20/28 dos autos; diante da constatação das inconsistências acima apontadas a Recorrente concluiu que no 3o Trimestre de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, em valores acima do efetivamente devido no montante de R$ 56.573,72 (cinquenta e seis mil, quinhentos e setenta e três reais e setenta e dois centavos), abaixo demonstrado: IRPJ 3o Trimestre PA 30/09/2001 Data venct0/recolhimento Valor Recolhido em R$ Valor Devido em R$ Valor Recolhido a Maior I a Parcela 31/10/2001 20.831,79 6.627,82 14.203,97 2a Parcela 30/11/2001 21.040,09 21.040,09 3a Parcela 28/12/2001 21.329,66 21.329,66 TOTAL 63.201,54 6.627,82 56.573,72 o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento da quota recolhida em 30 de novembro de 2001, o qual está devidamente comprovado através das declarações apresentadas em sua impugnação; os valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 20/28 dos autos estão sobejamente comprovados através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 15/19 dos autos e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 12/14 . Finalmente requer provimento do recurso voluntário e protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 39931.03457.070406.1.3.040000 (fls.04/10), transmitido em 07/04/2006, em que a contribuinte pretende compensar débitos de IRRF, PIS/Pasep e CSRF no total de R$ 524,37, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$ 17.960,25, código – 2089, relativo ao Período de Apuração: 30/09/2001; Data de Arrecadação: 30/11/2001, no valor de R$ 21.040,09. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 7 6 Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 20/04/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 21.040,09, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está sobejamente comprovado por meio dos valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 20/28 através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 15/19 e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 12/14 . Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº 39931.03457.070406.1.3.040000, transmitido em 07/04/2006 e procedeu a retificação da DIPJ/2002 e DCTF relativa ao 3º trimestre de 2001 após a apresentação do PER/DCOMP ou seja em 29/12/2006. Portanto, na data da transmissão do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2002 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que, ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Diz que, ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF como explicitado acima. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 8 7 De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ... A Recorrente, genericamente, protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2002 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido, a se verificar qual o percentual de aplicação se 8% (retificadora) ou 32% como apurado nas declarações originais. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Como bem esclarecido na decisão recorrida, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 9 8 haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 07/04/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 20/04/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 28/05/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 13001.720016/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2013
TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS PELA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE.
Anula-se a decisão recorrida que, na apreciação de manifestação de inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, inova nos fundamentos desse indeferimento.
Numero da decisão: 1803-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS PELA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Anula-se a decisão recorrida que, na apreciação de manifestação de inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, inova nos fundamentos desse indeferimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS PELA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Anulase a decisão recorrida que, na apreciação de manifestação de inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, inova nos fundamentos desse indeferimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 1. 72 00 16 /2 01 2- 16 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13001.720016/201216 Acórdão n.º 1803002.581 S1TE03 Fl. 56 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13001.720016/201216 Acórdão n.º 1803002.581 S1TE03 Fl. 57 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 33): A contribuinte acima qualificada teve o seu pedido de inclusão no Simples Nacional indeferido, tendo em vista a existência de 11 débitos previdenciários, cuja exigibilidade não está suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 16/02/2012 (fls. 13). Apresentou manifestação de inconformidade em 20/03/2012 (fls. 0205), alegando, em síntese, após fazer um histórico da trajetória da empresa, que parcelou todos os seus débitos, cuja exigibilidade está suspensa, conforme documentação anexa e, a final, requereu sua inclusão no Simples Nacional. Juntou cópias de documentos de fls. 06 e seguintes. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 32): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos previdenciários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 7/12/2013 (sábado) (fls. 39), a tempo, em 07/01/2014, apresenta a interessada Recurso de fls. 42 a 45, instruído com os documentos de fls. 46 a 51, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo, ainda, que sempre recolheu, tempestiva e regularmente, todas as parcelas dos parcelamentos e os mesmos foram deferidos, como demonstrado por meio dos documentos que acompanharam a manifestação de inconformidade. Em mesa para julgamento. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13001.720016/201216 Acórdão n.º 1803002.581 S1TE03 Fl. 58 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada sob o seguinte fundamento (fls. 33, grifouse): A interessada argumentou que os débitos indicados no Termo de Indeferimento foram parcelados, conforme documentação juntada (fls. 12), mas não trouxe a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros do referido período, o que comprovaria sua regularidade fiscal, nos termos do art. 205 do CTN. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. 5. Sucede que o fato a ser apreciado é se, na data de 31/01/2012, a Recorrente tinha ou não débitos que não estivessem sob efeito suspensivo, ou seja, se a Recorrente, na data de 31/01/2012, estava apta para a opção pelo Simples Nacional. 6. Esse fato é facilmente verificável nos sistemas da RFB, não podendo a mera falta de juntada de certidão negativa ou positiva de débitos servir de novo fundamento do indeferimento da opção pelo Simples Nacional. 7. Nesse sentido, é o contido no art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que “Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal”: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 8. Dessa forma, o indeferimento da manifestação de inconformidade, pela decisão recorrida, somente pode se fundar na inexistência de quitação ou de parcelamento de débitos, em 31/01/2012, após necessária pesquisa nos sistemas da RFB que comprove cabalmente esse fato. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13001.720016/201216 Acórdão n.º 1803002.581 S1TE03 Fl. 59 5 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para ANULAR O ACÓRDÃO RECORRIDO, por inovação nos fundamentos do indeferimento da opção pelo Simples Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 59DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10384.901091/2011-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 10 91 /2 01 1- 50 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de apreciar Manifestação de Inconformidade (fls. 2/20) interposta contra o Despacho Decisório (fl. 37) que não homologou a compensação declarada por meio de PER/DCOMP. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao segundo trimestre de 2005, com o débito de IRPJ respeitante ao período de apuração 01/10/ 2005, no valor de R$ 1.386,71. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts.165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que o pagamento de CSLL realizado não foi integralmente utilizado para a quitação do correspondente débito, aduz que “a DIPJ foi retificada e demonstra a existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF”. Ao finalizar a peça de defesa, o contribuinte requer a improcedência do Despacho Decisório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 4 3 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0826.093 , de 07 de agosto de 2013, cientificado ao interessado em 19/08/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, principalmente quando há inconsistência entre as informações fornecidas por ele à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/09/2013. A Recorrente alega, no essencial, que: existe o pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL, código 2372, conforme comprova a sua escrituração contábil acostada nos autos; a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escri turação contábil , esses fatos asseguram o direito da requerente; deve ser apresentada DCTF retificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escri turação contábil acostada nos autos; uma vez demonstrado que existe o pagamento indevido ou a maior que o devido da CSLL, deve ser reconhecido o crédito e homologado a compensação efetuada pela requerente; os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 5 4 os esclarecimentos e os documentos apresentados devem ser levados em consideração, uma vez que prova a existência do pagamento indevido ou a maior que o devido a ser reconhecido e compensado com os débitos apresentados no PER/DCOMP; enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta; o fisco não cumpriu com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária; a autoridade administrativa não homologou as compensações efetuadas sob o argumento de que não foi comprovado o pagamento indevido, o que não é verdade, porque de fato existe o pagamento indevido, “logo as PER/DCOMPs devem ser homologadas”. Finalmente requer provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 27136.49176.051007.1.3.041195, transmitido em 05/10/2007, em que a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade, com a utilização de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL no valor de R$ 2.528,05, código – 2372, relativo ao Período de Apuração: 30/06/2005; Data de Arrecadação: 28/07/2005, no valor de R$ 4.111,12. Consta do despacho decisório, emitido em 06/06/2011 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 4.111,12, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 6 5 No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está comprovado por meio dos valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do AnoCalendário de 2005, apresentada em 30/11/2010. E que deve ser apresentada DCTF ret ificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escrituração contábil acostada nos autos; Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº . 27136.49176.051007.1.3.041195, sem retificar a DCTF do 2º trimestre de 2005 e procedeu a retificação da DIPJ/2006 somente em 30/11/2010. Portanto, na data da transmissão (05/10/2007) do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2006 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escrituração contábil acostada nos autos e que, esses fatos asseguram o direi to da requerente. Pois bem, aqui não se discute a existência do pagamento da CSLL no valor de R$ 4.111,12, relativo ao 2º trimestre de 2005 mediante o DARF em 28/07/2005, mas se nesse pagamento restou indevido o valor de R$ 2.528,05 como alegado crédito indicado no PER/DCOMP. Para comprovar o crédito relativo ao ano calendário de 2005, a Recorrente juntou aos autos as seguintes cópias: a) Termo de Abertura do Livro Diário nº 021 datado de 01/01/2006 e Termo de Encerramento datado de 31/12/2006, com termo de autenticação na Junta Comercial datado de 16/07/2009; b) Fl.nº 136 do mencionado Livro Diário em que registrado no dia 30/12/2006, “ Vr.ref.CSLL paga a maior no exercício de 2005 ....R$ 48.544,72”; e, c) Fl.nº 129 do Livro Razão com registro em 31/12/2006 do mesmo valor: R$ 48.544,72, apesar de no saldo da conta CSLL a compensar em 01/01/2006 constar como saldo anterior apenas o valor de R$ 9.528,69. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 7 6 A frágil documentação contábil de 2006 juntada pela Recorrente não demonstra qual o erro na apuração da CSLL e da base de cálculo declarada pela Recorrente na DIPJ/2006 (original), portanto, a Recorrente não traz aos autos qualquer documento produzido em 2005 que demonstre a real base de cálculo da CSLL durante o ano calendário de 2005 em face de suas atividades operacionais, se 32% ou 12% sobre a receita auferida no 2° Trimestre de 2005 ou erro na aplicação da alíquota de 9% sobre o lucro presumido. Enfim, a Recorrente não traz aos autos provas para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2006, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2005. A simples escrituração em 2006 de supostos valores pagos a maior em 2005 não comprova o crédito alegado pela Recorrente. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ... A Recorrente, busca transferir ao Fisco sua obrigação de comprovar o direito creditório alegado. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2006 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido. A Recorrente diz que os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; Aduz que a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 8 7 Não há que se confundir, o ato administrativo do lançamento de ofício quando produzido pelo Fisco, com aquele produzido pelo contribuinte (PER/DCOMP) no qual declara o direito creditório para compensações efetuadas pelo interessado. Com efeito, o lançamento tributário é ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, a declaração é produzida pelo próprio contribuinte (PERDCOMP), que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação; é dizer, submetese ao poder dever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o artigo 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado pelo interessado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 9 8 obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 05/10/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 06/06/2011, e apresentou a manifestação de inconformidade. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 19679.000042/2003-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1995 a 31/10/1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem - ou não - ser viabilizadas, descabe aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL
A LC 118/2005 somente aplica-se aos litígios posteriores a 08/06/2005 (final da vacatio legis prevista na lei), de acordo com julgamento do Supremo Tribunal Federal em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria ora em análise (RE 566 621/RS). Nesse caso o direito de pleitear a restituição não está extinto, de acordo com a jurisprudência consagrada do e. STJ, dos cinco mais cinco anos (cinco anos previstos no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN combinados com os cinco anos do inciso I do artigo 168 do CTN).
PIS - ANTERIORIDADE NONAGESIMAL.
Em cumprimento ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal previsto na C.F., art. 195, parágrafo 6º, e a IN SRF 06/2000, as alterações introduzidas pela MP nº 1.212/1995 e suas reedições terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Para os períodos de apuração entre setembro de 1995 a fevereiro de 1996 aplica-se a LC nº 07/70.
Numero da decisão: 3803-006.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Demes Brito, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1995 a 31/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, descabe aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL A LC 118/2005 somente aplicase aos litígios posteriores a 08/06/2005 (final da vacatio legis prevista na lei), de acordo com julgamento do Supremo Tribunal Federal em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria ora em análise (RE 566 621/RS). Nesse caso o direito de pleitear a restituição não está extinto, de acordo com a jurisprudência consagrada do e. STJ, dos cinco mais cinco anos (cinco anos previstos no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN combinados com os cinco anos do inciso I do artigo 168 do CTN). PIS ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal previsto na C.F., art. 195, parágrafo 6º, e a IN SRF 06/2000, as alterações introduzidas pela MP nº 1.212/1995 e suas reedições terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Para os períodos de apuração entre setembro de 1995 a fevereiro de 1996 aplicase a LC nº 07/70. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 00 42 /2 00 3- 57 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Demes Brito, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O contribuinte acima identificado requereu em 24/07/2003, por meio do presente processo administrativo, a restituição/compensação de valores recolhidos a título de PIS para os períodos de apuração de novembro de 1995 a outubro de 1998 (cópia de DARF às fls. 19 a 37). 2. Mediante o Despacho Decisório datado de 12/06/2008 (fls. 44 a 46Verso) e cientificado em 12/09/2008, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em São Paulo decidiu: INCONSTITUCIONALIDADE. Na ADIN 1.4170, o STF declarou inconstitucional somente a parte final do art. 18 da Lei n.º 9.715/98, restringindose a decisão ao período de 1.º de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996. DECADÊNCIA. Descabe a restituição dos valores recolhidos a título de PIS relativos a pagamentos anteriores a 24/07/1998, tendo em vista que, considerando a data de protocolo do pedido, 24/07/2003, o direito respectivo foi alcançado pela decadência, que se deu pelo transcurso do prazo de 5 anos contados da extinção do crédito tributário, pelo pagamento. Assim, o Pedido de Restituição foi indeferido e as declarações de compensação, não foram homologadas. 3. Inconformado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte protocolou três manifestações de inconformidade: 3.1. Em 26/09/2008, protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 92 a 102 alegando: 3.1.1. O processo administrativo em epigrafe protocolizado em 2002, referese a pedido de compensação referente a débito tributário de Pis e Cofins 03/2002, cuja cópia já foi anexado ao presente. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 3 3 3.1.2. Nos termos do artigo 64 da IN/SRF n.º 600/2005 reproduzido, aplicase aos casos de compensações pendentes de análise em 01/10/2002 (que é o caso concreto da Requerente) o determinado no artigo 74, parágrafos 2.º, 4.º e 5.º da Lei 9430/96 reproduzido, ou seja, as Compensações foram realizadas há mais de 5 anos, estando homologadas tacitamente pela Receita Federal, a qual não se manifestou nesse período. Portanto, SMJ, deve ser entendida, por essa Autoridade Administrativa, como homologada a restituição, por inteligência e analogia de interpretação pela integração das normas tributárias, por falta de dispositivo legal que trate explicitamente da restituição tributária, uma vez que o processo estava aguardando manifestação por parte da Receita Federal. Nesta data pode se considerar homologado para o contribuinte o crédito oriundo desse processo pendente de análise, também por uma questão de segurança jurídica. 3.1.3. Quanto a homologação tácita da restituição, está plenamente evidenciado a relação havida entre a autora, ocorrida pelo protocolo de requerimento em 08/03/2001 e que até o presente momento está sem resposta por parte da SRF, com a letra da lei que dispõe acerca da homologação tácita como extinção definitiva do crédito tributário. 3.1.4. Por fim, diante dos documentos hábeis comprobatórios anexados, requer o reconhecimento da homologação tácita do direito à Restituição pleiteada e abandonada pela Administração Tributária para a compensação de débitos da requerente junto a esse órgão. 3.2. Em 26/09/2008, protocolou a Impugnação do Despacho Decisório, fls. 103 a 106 alegando: 3.2.1. A retroatividade do fato gerador do PIS à 01/10/95, prevista no artigo 18 da Lei 9715/98, publicada em 02/11/98 foi considerada inconstitucional de acordo com a decisão unânime do STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade 14170,no plenário de 02/08/99, cuja ata n.º 21/99 foi publicada no DJ extraordinário de 13/08/99, que circulou em 16/08/99, sendo já oficiado o Congresso Nacional e a Presidência da República, conforme movimentação processual. 3.2.2. Não se trata de um julgamento vinculado, mas de uma decisão de inconstitucionalidade do artigo 17 da MP 1325/96, 1212/95, 1249/95 e 1286/96 e posteriores reedições, que culminaram na Lei 9715/98 (artigo 18) no que se refere à retroatividade do fato gerador do PIS à 01/10/95, tornandose, então, inexistente o fato gerador no período considerado Inconstitucional, de 01/10/95 até a publicação da Lei 9715 em 25/11/98. 3.2.3. O STJ e o CC pacificaram em inúmeros acórdãos judiciais e administrativos, respectivamente, esse entendimento, que a prescrição do direito de pleitear restituição deve ter termo inicial após a extinção definitiva, ou seja contase 5 anos após a homologação tácita, que ocorre, após 5 anos do pagamento. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Temos, então, 10 anos do pagamento o prazo para pleitear a restituição. 3.3. Em 13/10/2008, protocolou a manifestação de inconformidade de fls. 70 a 83 alegando: 3.3.1 A Requerente protocolou seu pedido de Restituição em 24 de julho de 2003, e desde esta data não houve qualquer manifestação da autoridade administrativa anterior ao despacho decisório do qual foi dada ciência à empresa em 11 de setembro deste ano. 3.3.1.1. O prazo a que dispõe para decidir acerca do pleito da Requerente é de 5 anos, contados da data do protocolo do pedido e, portanto, findou em julho de 2008. 3.3.1.2. Quanto ao direito do contribuinte de restituir o que foi pago indevidamente, reproduz o art. 5º, XXII da CF e art. 165 do CTN. 3.3.1.3. Embora não há expressamente estabelecido prazo para a administração pública se manifestar em processos específicos de pedido de restituição e/ou ressarcimento, este há de ser definido por analogia, nos exatos termos em que preconiza o CTN, art. 108. 3.3.2. Quanto ao prazo para restituição de valores indevidamente recolhidos, o termo inicial a que se refere o inciso I do artigo 168, CTN, somente inicia com a homologação do pagamento antecipado, que no caso dos autos, ocorreu tacitamente. 3.3.2.1. Assim, o prazo prescricional iniciouse após decorridos 5 anos do fato gerador dos tributos, não estando alcançados pela decadência, tal como pretende a autoridade tributante. Nesse sentido, reproduz o Recurso do CC. 3.3.3. No tocante à declaração de inconstitucionalidade do PIS, através da ADIN Nº 1.4170, do qual resulta a inexistência de relação jurídica para esta exação no período de novembro/1995 a outubro/1998. 3.3.3.1. Isto porque, em nosso ordenamento jurídico vigora o princípio da proibição da repristinação, segundo o qual, a lei revogadora de outra também sendo revogada ou declarada inconstitucional, tal como ocorreu no presente caso, não enseja que a lei revogada volte a ter vigência. 3.3.3.2. A declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.715/98, que teve por base os pagamentos realizados indevidamente pela Recorrente, não implica em restabelecimento da vigência da lei anterior, tal como pretende a autoridade administrativa. 3.3.3.3. Se assim concebermos, estaremos infringindo frontalmente o princípio da proibição da repristinação, previsto no § 3º do artigo 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, conforme reproduzido. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 4 5 3.3.4. Por fim, requer seja reconhecido o direito a crédito em sua integralidade, assim como homologando todas as compensações declaradas com este crédito e produção de todos os meios de prova admitidos em direito, principalmente, documental e pericial, bem como, a apresentação de novos documentos e que sejam abertos novos prazos para que a Impugnante se manifeste sobre documentos juntados pela Impugnada. A DRJ em São Paulo I/SP deferiu parcialmente a solicitação, ficando a decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1995 a 31/10/1998 RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. PIS ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal previsto na C.F., art. 195, parágrafo 6º, e a IN SRF 06/2000, as alterações introduzidas pela MP nº 1.212/1995 e suas reedições terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Para os períodos de apuração entre setembro de 1995 a fevereiro de 1996 aplicase a LC nº 07/70. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, descabe aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação. COMPENSAÇÃO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Após o transcurso deste prazo, não é dado à Administração pretender não homologar a compensação declarada. Solicitação Deferida em Parte Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Discordando da decisão de primeira instância, o interessado apresentou recurso voluntário, onde reitera os argumentos esgrimidos em primeira instância (homologação da restituição, por analogia e integração das normas tributárias; afastamento da decadência e inexistência de relação jurídica para esta exação no período de novembro/1995 a outubro/1998); ao final requer deferimento do recurso voluntário sub analisis, para reconhecer o direito à restituição pleiteada e homologar as compensações. Apresentado o recurso voluntário, a repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Em 15/02/2013, foi apresentada renúncia ao mandato, por parte da procuradora da recorrente. Relatado, passase ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar, penso que a renúncia ao mandato, por parte da procuradora da recorrente, só deve ter efeitos para o contencioso para além do julgamento do recurso voluntário, ficando totalmente preservado o direito de defesa da recorrente. DA INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA RESTITUIÇÃO Ainda in limine, devese atentar para a inexistência de homologação tácita da restituição, por analogia e integração das normas tributárias, como defende a recorrente. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 5 7 Nesse sentido, penso escorreita a fundamentação posta na decisão recorrida, e bem por isso deve ser ratificada nesta segunda instância, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99: 1 (...) 9. Quanto a aplicação da analogia (art. 108 do CTN) entre a homologação tácita do Pedido de Restituição e da Declaração de Compensação, cabe salientar que se trata de documentos completamente distintos, não havendo espaço para aplicar ao primeiro a homologação tácita prevista para o segundo. 9.1. Fazendo um breve histórico dos fatos para lembrar que, anteriormente, a compensação, conforme dispunha o art. 74 da lei 9.430 em sua primeira redação, deveria ser requerida. Reparese: Lei 9.430/96 “Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” 9.2. Posteriormente, o art. 49 da Medida Provisória 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei no 10.637, de 30.11.2002), trouxe nova redação ao art. 74 da lei no 9.430, de 1996, dando inovadores contornos ao instituto em debate ao instituir a compensação por via da Declaração de Compensação. 9.3. Noutras palavras, pelo regime da compensação declarada (atual redação da Lei 9.430/96, art. 74, § 1o) tudo se passa como se o contribuinte recebesse antecipadamente do Estado o numerário correspondente ao alegado direito creditório e o utilizasse para a imediata extinção dos seus débitos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...)”9.4. Com efeito, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A compensação se opera e é satisfeita desde logo, ainda que sob condição resolutória. 9.5. Diversamente, o pedido de restituição à Receita Federal em nenhuma hipótese é satisfeito desde logo. A Administração não entrega um cheque ao sujeito passivo, a título de restituição, sem antes deferir o pedido de restituição. 9.6. Aliás, o pedido de restituição é um requerimento, uma solicitação, um pedido, enfim. Daí, inclusive, a necessidade de haver uma decisão explícita – nunca tácita – da Administração, como, aliás, exige o art. 48 da Lei 9.784/99. Reparese: “Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência.” 9.7. Já no mecanismo compensatório estabelecido no art. 74 da Lei 9.430/96, com as inovações que principiaram com a Medida Provisória 66/2002, não existe um pedido de compensação, ou seja, não se requer ao Fisco a compensação. 9.8. A compensação não está vinculada a um pedido de compensação. A compensação se realiza desde logo pela entrega de uma “declaração de compensação”, não de um “pedido de compensação”. 9.9. Concluise não caber aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação, dado que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte. 9.10. Ademais, a segurança jurídica se alcança justamente com uma decisão expressa quanto ao pedido de restituição e com o respeito às leis, entre elas a Lei 9.784/99, a qual exige que as solicitações do Administrado e os processos administrativos sejam enfrentados por decisão explícita da Administração. 10. O regime jurídico ao qual se submetem as compensações de tributos foi alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637/2002, resultado da conversão em lei da Medida Provisória nº 66/2002, que modificou a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Com efeito, segundo o § 2º do artigo mencionado, as compensações declaradas extinguem o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Ademais, o § 4º deste mesmo artigo prescreve que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa devem Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 6 9 ser tratados como declarações de compensação, desde o seu protocolo. 10.1. Portanto, os pedidos de compensação ainda não apreciados, à data da edição da referida Medida Provisória, devem ser tratados como declaração de compensação, surtindo os efeitos legais correspondentes a esta figura. 10.2. A Medida Provisória nº 135, publicada em 31/10/2003, incluiu o § 5.º no art. 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual o prazo para homologação da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da entrega da declaração. Tendo em vista que a homologação ou não da compensação declarada gera efeitos na esfera jurídica do contribuinte, o ato só terá validade depois de sua intimação. Esta situação é similar à da lavratura de auto de infração, que exige a intimação do contribuinte para que o crédito tributário esteja constituído. Ora, considerando o disposto na Medida Provisória nº 135/2003, e que este ato legislativo prescreveu o prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada, há que se concluir que, uma vez transcorrido o prazo legal, não é dado à autoridade administrativa senão reconhecer a homologação das compensações declaradas. Cabe ainda salientar que a MP acima trata da declaração de compensação e não do Pedido de Restituição que continua sem previsão legal do prazo qüinqüenal para homologação tácita. (...) Por outro giro, a decadência parcial decretada pela Administração Tributária, não merece ratificação, porquanto em sede recursal já pacificouse entendimento diverso. DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO A extinção parcial do direito da recorrente pleitear restituição, decretada pelo despacho decisório e ratificada pela decisão recorrida não merece prosperar, uma vez que a LC 118/2005 somente aplicase aos litígios posteriores a 08/06/2005 (final da vacatio legis prevista na lei), de acordo com julgamento do Supremo Tribunal Federal em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria ora em análise (RE 566 621/RS). Bem por isso o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem aplicando reiteradamente tal decisão da Corte Suprema aos seus julgados, por força do RICARF, art. 62A. 2 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Corolário disso, temse por tempestivo o pedido da recorrente em 24/07/2003 se se levar em conta a jurisprudência consagrada do e. STJ, dos cinco mais cinco anos (cinco anos previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN combinados com os cinco do inciso I do artigo 168 do CTN). DA INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS Quanto ao mérito, nada de relevante veio aos autos desde a decisão recorrida, que mostrouse irretocável em seus fundamentos de fato e de direito. Vale apenas observar que a decisão de piso decretara a decadência parcial do pedido, e bem por isso referia ao período de 03/1996 a 10/1998, ao invés de referirse a todo o período de apuração pleiteado: No presente caso, para os períodos de apuração entre 03/1996 a 10//1998, após a Resolução nº 49/95 do Senado Federal, que suspendeu a execução dos Decretoslei nº 2.445/88 e nº 2.449/88, foi editada a Medida Provisória nº 1.212, em 28 de novembro de 1995, que passou a regular a referida contribuição. 8.1. A Medida Provisória nº 1.212/95 trazia, em seu art. 15, o seguinte comando: “Art.15. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995.” 8.1.1. A Medida Provisória nº 1.212/95 foi reeditada sucessivamente (1.249; 1.286; 1.325; 1.365; 1.407; 1.447; 1.495; 1.4958; 1.4959; 1.49510; 1.49511; 1.49512; 1.495 13; 1.54614; 1.54615; 1.54616; 1.54617; 1.54618; 1.546 19; 1.54620; 1.54621; 1.54622; 1.54623; 1.54624; 1.546 25; 1.54626; 1.62327; 1.62328; 1.62329; 1.62330; 1.623 31; 1.62332; 1.62333; 1.67634; 1.67635; 1.67636; 1.676 37; 1.67638), até ser convertida na Lei nº 9.715/98, publicada no DOU em 26/11/1998. Todas as reedições e a própria lei de conversão sustentavam a mesma redação contida no originário art. 15. Transcrevo o art. 18 da Lei nº 9.715/98: “Art 18. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995.” 8.2. Contra a Medida Provisória nº 1.325/96 foi proposta ação direta de inconstitucionalidade (ADIN 1.417). A ação compreendeu a apreciação de todas as reedições posteriores e da própria lei de conversão. Contra as normas foram argüidas várias inconstitucionalidades, dentre as quais, sendo a única acolhida, a que foi apontada contra o art. 18 da Lei nº 9.715/98, que impunha a aplicação da sistemática inaugurada pela Medida Provisória nº 1.212/95 sobre os fatos geradores ocorridos desde 01/10/1995, vulnerando o princípio da irretroatividade constante no art. 150, III, “a” da Constituição Federal. 8.3. No julgamento da medida cautelar, em 07/03/1996, o STF, por unanimidade, determinou a suspensão temporária da expressão “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 7 11 de 1º de outubro de 1995”, por entendêla contrária ao referido dispositivo constitucional. No julgamento meritório, em 02/08/1999, o Tribunal, também por unanimidade, confirmando o julgamento liminar, julgou inconstitucional a expressão acima transcrita. 8.4. Alega implicitamente o contribuinte que as sucessivas reedições da Medida Provisória nº 1.212/95, a cada 30 dias, impediram a fluência do prazo nonagesimal previsto no art. 195, § 6º, da Constituição Federal. 8.5. Segundo seu argumento, cada reedição do referido ato legal implicaria novo início da contagem do prazo, todavia tal raciocínio não se coaduna com a legislação e o entendimento jurisprudencial. O próprio STF, na invocada ADIN 1.417, no voto do Ministro Octávio Galotti, assim se manifestou a respeito: Recordo que data de 29 de novembro de 1995 a publicação da Medida Provisória nº 1.212, ponto de partida da estirpe legiferante ininterrupta de que ora nos ocupamos, e onde já se fazia presente (art. 15) a cláusula de vigência a partir de 1º de outubro de 1995. (grifei) 8.6. A expressão “estirpe legiferante ininterrupta” traduz o pensamento do STF quanto aos efeitos da Medida Provisória nº 1.212, de suas reedições e da Lei de conversão 9.715/98, mesmo anteriormente à Emenda Constitucional nº 32/2001. Se tal procedimento é considerado ininterrupto, ou seja, se os efeitos são produzidos desde a edição do ato inaugural, não se pode entender que a cada reedição ocorreria novo início do prazo nonagesimal. Da mesma forma, com a edição da lei de conversão, no que ela não diferir, permanecem os efeitos surgidos quando da edição da medida provisória originária. 8.7. Afirma também a inconformada que, com a declaração de inconstitucionalidade da expressão “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995”, tornase inexistente o fato gerador desde 01/10/95 até 31/01/99. Também não procede tal argumento em face do entendimento do STF esposado no item anterior, qual seja, os efeitos são produzidos desde a edição do ato inaugural. 8.8. A norma, editada em 29/11/95, visava a atingir eventos anteriores à sua vigência, por isso a decretação de sua inconstitucionalidade. Tal posicionamento foi tomado, tanto na apreciação da medida cautelar, como no julgado de mérito. Transcrevo, respectivamente, excerto da ementa e do voto do relator proferido na decisão da medida cautelar: “4. Liminar concedida, em parte, para suspender o efeito retroativo imprimido, à cobrança, pelas expressões contidas no art. 17 da M.P. no 1.32596.” “É, contudo, inegável o relevo da argüição de retroatividade da cobrança, expressamente estipulada na cláusula final do art. 17 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 do ato impugnado, em confronto com o princípio consagrado no art. 150, III”, a”, da Constituição. Satisfeitos pressupostos legais à sua concessão, defiro, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender os efeitos da expressão ‘aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995’, contida no art. 17 da Medida Provisória nº 1.325, de 9 de fevereiro de 1996”. 8.9. No exame do mérito não houve modificação do entendimento, pertencente à ementa a disposição abaixo: “Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 8.71598.” (sic) 8.10. É claro o entendimento de que a apreciação de inconstitucionalidade referiase apenas ao efeito retroativo impingido pela Medida Provisória nº 1.212, decidindo o Supremo Tribunal Federal que a dita medida provisória somente produz efeitos a partir de sua edição, ou seja, a partir de 29 de novembro de 1995. 8.11. Conforme exposto anteriormente, a lei de conversão nada mais fez do que transformar o que era provisório em permanente, sendo mantidos os efeitos desde a edição da norma originária. Portanto é completamente desprovida de fundamento a alegação do contribuinte de que inexistiu o fato gerador de 01/03/1996 a 31/01/1999. 8.12. Ressaltese que somente a parte final do art. 18 da Lei nº 9.715 foi julgada inconstitucional, o restante da norma é totalmente eficaz, não cabendo alegação de que os pagamentos de valores no período questionado se constituam em créditos restituíveis ou compensáveis, pois os referidos valores, incluindo eventuais consectários legais, são devidos. 8.13. A edição da IN nº 06/2000 está dentro do contexto dos itens 8.9 e 8.10 porque, uma vez declarada a inconstitucionalidade do art. 17 da Medida Provisória nº 1.212 e de suas reedições, e do art. 18 da Lei nº 9.715/98, no que se refere à retroação dos efeitos a 01/10/95, começa a correr o prazo nonagesimal a partir da publicação da norma inaugural. 8.14. Não cabe a este órgão administrativo questionar a validade da IN nº 06/2000. Conforme a mesma IN, a Lei Complementar nº 7/70 deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, sendo aplicável aos fatos geradores dos períodos subseqüentes a Medida Provisória nº 1.212 e suas reedições, convertidas em Lei nº 9.715/98, in verbis: “Art.8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: Izero vírgula sessenta e cinco por cento sobre o faturamento;” 8.15. Portanto, para os períodos relacionados pelo contribuinte neste processo, posteriores a 29 de fevereiro de 1996, aplicase a Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 8 13 MP nº 1.212/95 não havendo que se falar em repristinação de lei. Posto isso, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006058/2006-93
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. REVISÃO DO MONTANTE DO TRIBUTO DEVIDO.
Mesmo sob o pretexto de tão somente contestar o saldo negativo declarado pelo contribuinte, é vedado ao fisco revisar a apuração de tributo mediante glosa de despesas de depreciações, entre outras que influenciem a determinação da base tributável.
Tal situação ultrapassa a mera verificação da liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (o que ocorreria na hipótese da singela confirmação da existência de retenções e de pagamento das estimativas, à luz do disposto no Art. 2º, §4º da Lei 9.430/96), constituindo-se verdadeiro lançamento e, por isso, sujeito a prazo decadencial.
Numero da decisão: 1801-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. REVISÃO DO MONTANTE DO TRIBUTO DEVIDO. Mesmo sob o pretexto de tão somente contestar o saldo negativo declarado pelo contribuinte, é vedado ao fisco revisar a apuração de tributo mediante glosa de despesas de depreciações, entre outras que influenciem a determinação da base tributável. Tal situação ultrapassa a mera verificação da liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (o que ocorreria na hipótese da singela confirmação da existência de retenções e de pagamento das estimativas, à luz do disposto no Art. 2º, §4º da Lei 9.430/96), constituindo-se verdadeiro lançamento e, por isso, sujeito a prazo decadencial.
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IRPJ CSLL. Recorrente EDITORA JORNAL DO COMMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. REVISÃO DO MONTANTE DO TRIBUTO DEVIDO. Mesmo sob o pretexto de tão somente contestar o saldo negativo declarado pelo contribuinte, é vedado ao fisco revisar a apuração de tributo mediante glosa de despesas de depreciações, entre outras que influenciem a determinação da base tributável. Tal situação ultrapassa a mera verificação da liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (o que ocorreria na hipótese da singela confirmação da existência de retenções e de pagamento das estimativas, à luz do disposto no Art. 2º, §4º da Lei 9.430/96), constituindose verdadeiro lançamento e, por isso, sujeito a prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 58 /2 00 6- 93 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte face a acórdão (e fl. 702) da Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção em seu nome e desde que seja comprovada a inclusão das receitas correspondentes no cômputo do lucro real apurado. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis os custos e despesas que, além de preencherem os requisitos legais de necessidade e usualidade, ficam sujeitos à comprovação por documentação hábil e idônea da ocorrência e quitação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de perícia e diligência que não atende aos requisitos legais estabelecidos para sua formalização. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Consoante se verifica nas PER/DCOMPs de folhas 04 a 22 e 244/247, o contribuinte objetivou compensar pretensos créditos de saldos negativos de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2000 com débitos diversos próprios referentes ao IRPJ, PIS e COFINS. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 19647.006058/200693 Acórdão n.º 1801002.069 S1TE01 Fl. 758 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Recife, entretanto, através do despacho decisório de efl. 376, com base no Termo de Verificação Fiscal (efls. 310328) e Termo de Informação Fiscal (efl. 374), não homologou as referidas compensações, determinando o encaminhamento à cobrança dos créditos não extintos, tudo em conformidade com a legislação. A destacar ainda, que, à efl. 681/683, em cumprimento às exigências da Lei n° 11.941/2009, o contribuinte já havia desistido parcialmente ao direito em que se funda a presente lide, mantendoa apenas no que se refere a parte do IRPJestimativas de abril e maio de 2002. Irresignado face ao acórdão da DRJ, o contribuinte apresenta recurso voluntário (efl. 721), aduzindo: a) Não poderia, em 11/08/08 (data do despacho decisório), proceder o, fisco, o refazimento da apuração fiscal do anocalendário de 2000, em virtude da decadência; que o prejuízo fiscal obtido no anocalendário 2000 foi homologado pela administração em 2005, ou seja, cinco anos após ocorrência do fato gerador. Não há de ser mais objeto de fiscalização fato já consumado pela própria administração; b) Que não pode prosperar o argumento trazido pelo órgão julgador que insiste em afirmar que é legal a exigência de apresentação de documentação, por ocasião de realização de diligência para verificação da existência de crédito fiscal, mais de 05 anos depois da ocorrência do fato gerador. Isso por que Auditoria somente se iniciou em 2006 e teve término no ano de 2008, portanto, portanto mais de 5 (cinco) anos da apuração do crédito; c) Quanto às Glosas e adições apuradas que o acórdão recorrido deixou de analisar os documentos que foram apresentados pela Recorrente que busca aqui o reconhecimento do seu direito; d) Quanto às Adições ao Lucro Real — Provisão para contingências, referente à diferença entre o registro do custo/despesa decorrente de provisão para contingências de INSS/FGTS, no valor de R$ 4.140.527,92 (fl.224), e o adicionado ao LLE (Lucro Líquido do Exercício), na apuração do Lucro Real, no montante de R$ 3.926.000,00, argumentou que foi adicionado ao LALUR mais que o valor lançado em custos e despesas em razão de ser considerado para efeito de adição o saldo das contas do passivo e não o contabilizado em despesas; que quando da provisão para o FGTS, apenas foi complementada a provisão, pois já existia saldo dos exercícios anteriores (ano de 1999) no valor de R$ 257.186,02, conforme informação já acostada no processo nas fls. 63; que dessa feita, o valor lançado no resultado do anocalendário de 2000 foi de R$ 3.511.813,98 para o FGTS, sendo tais informações de conhecimento da fiscalização que inclusive teve acesso ao LALUR do período, conforme documento fls. 81 e 81verso do processo; que, no entanto, a fiscalização comparou valores lançados em despesas na contabilidade de R$ 4.140.527,91 como parte da adição efetuada no LALUR no montante de R$ 3.926.000,00, chegando assim a uma diferença indevida de R$ 214.527,91, considerandoa indedutível; e) Glosa indevida de valores referentes às despesas e custos Desconsideração de quase todos os valores das despesas operacionais, no que tange a prestação de serviço por pessoa jurídica e outros custos (de R$ 14.944.243,00, apenas foi considerado o montante de R$ 8.663.644,20): que em seu caso específico, cada prestador de serviço pessoa jurídica poderá ter uma mesma nota relacionada em vários centros de custo; que em virtude do Fl. 759DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 4 grande lapso temporal decorrido entre a fiscalização e o período fiscalizado não foi possível a obtenção de documentos comprobatórios (notas fiscais) dos pagamentos realizados, contudo, foram apresentados registro contábeis referente às fichas financeiras de cada empresa e livro razão das operações realizadas que fazem prova em favor do contribuinte; que as pessoas jurídicas que não foram incluídas na DIRF, referente a lojistas e distribuidores que a época, e ainda hoje, fazem parte da carteira de prestadores de serviço da ora Recorrente, também obtiveram faturamento junto a esta, apresentando em sua defesa da mesma forma, declarações informando o faturamento obtido junto à Recorrente no anocalendário em debate; que no total somase um montante de R$ 2.459.378,94 de despesas obtidas naquele período pela Recorrente, todas efetivamente provadas; f) Glosa indevida de valores referentes à depreciação do maquinário e equipamento todas, referentes a maquinário adquirido em 1999, que, inicialmente, faziam parte da conta ativo imobilizado em andamento, e que, após a instalação total, passaram a integrar a conta ativo: que o maquinário relacionado foi financiado pela Recorrente no ano de 1999 pagandose de entrada 5% do valor total do bem; que inicialmente tais custos foram contabilizados na conta do ativo permanente em andamento; que mês a mês foi calculada e contabilizada sobre o saldo devedor o montante da variação cambial, que efetivamente faz parte do custo do maquinário, o que não foi considerado pela Autoridade Fiscal e pela DRJ, bem como contabilizou toda a despesa, despesas geradas para importação e instalação do equipamento que da mesma forma fazem parte do custo de aquisição do equipamento; que é inaceitável ter sido glosado todos os valores referentes à variação cambial, despesas com contratação e deslocamento de equipe técnica responsável pela instalação do maquinário e até mesmo o tributo pago a título de IPI e II; que a Recorrente não pode se creditar do IPI pago em virtude dos bens ao qual se refere o imposto ser direcionado ao ativo permanente da empresa, logo são irrecuperáveis, que assim sendo, tal valor só poderia ser considerado “custo”, e não pode sofrer glosa como pretende a Fiscal; que toda documentação referente ao procedimento acima relatado foi oferecido a fiscalização e desconsiderado sem fundamentos; g) Da homologação parcial do crédito de IR e CSLL retido na fonte por órgão público, código 6190: que o acórdão recorrido deixou de considerar que o não reconhecimento do crédito de IR e CSLL por parte da Empresa se deu única e exclusivamente por falta de informação em DIRF pelos órgãos públicos que não informaram as retenções realizadas, dificultando o trabalho da Recorrente para apresentação na sua defesa; que na impossibilidade de apresentar os demonstrativos de rendimento, a Recorrente juntou os extratos dos clientes e planilhas extraídos de sua contabilidade, acurando as retenções realizadas por esses órgãos, tudo a fim de demonstrar que efetivamente a retenção realizada pelas pessoas jurídicas de direito público efetivamente ocorreram; que a contabilidade faz prova em favor do contribuinte, razão pela qual os elementos até então apresentados devem ser considerados no deslinde do processo com espeque no parágrafo 1º do artigo 9º do DecretoLei n°. 1598; h) Do princípio da verdade material: que se faz necessário a revisão do despacho decisório ora combatido tendo por base a documentação acostada pela recorrente, em homenagem ao princípio da verdade material, devendo todos os documentos acostados em sua manifestação ser devidamente analisados, fato este não visualizado até este momento; i) Do in dubio pro contribuinte no mínimo paira dúvida quanto à interpretação da norma jurídica. E neste caso é de se aplicar o princípio da interpretação benigna constante do art. 112 do CTN, o que, certamente, resultará no reconhecimento do direito creditório; É o relatório. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 19647.006058/200693 Acórdão n.º 1801002.069 S1TE01 Fl. 759 5 Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. Tenho como pertinente a irresignação do contribuinte quando argumenta que não poderia o fisco, em 11/08/08 (data do despacho decisório), revisar a apuração fiscal do anocalendário de 2000, sendo esta prejudicial em relação às demais. Isso por que tal comportamento fiscal, ainda que sob o pretexto de tão somente contestar o crédito declarado pelo contribuinte, acaba por revisar a apuração de tributo, na medida em que procede à incursão de despesas de depreciações, entre outras que influenciam a determinação da base tributável (conforme termo de verificação fiscal de efls 310 a 328). Não se trata, portanto, de mera verificação da liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (o que ocorreria na hipótese de uma singela confirmação da existência de retenções e de pagamento das estimativas, à luz do disposto no Art. 2º, §4º da Lei 9.430/96). A situação encaixase, a bem da verdade, no caput do Art. 142 do CTN, posto que pretende revisar, para o intuito de se fazer exercer o direito da fazenda pública de recebimento do tributo, a apuração realizada pelo contribuinte: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O exercício do direito da Fazenda verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinando a matéria tributável, entretanto, está sujeito ao prazo temporal da decadência. Dormientibus non succurrit jus. Voto, portanto, em dar provimento ao recurso voluntário, homologandose as compensações intentadas. Alexandre Fernandes Limiro relator (assinado digitalmente) Fl. 761DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 6 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722445/2011-87
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SISTEMA SIMPLES. ADE. EXCLUSÃO. EFEITOS.
Os efeitos do Ato Declaratório Executivo - ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional.
Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhê-las como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.147
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SISTEMA SIMPLES. ADE. EXCLUSÃO. EFEITOS. Os efeitos do Ato Declaratório Executivo - ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional. Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhê-las como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.722445/201187 Recurso nº 10.920.722445201187 Voluntário Acórdão nº 2803004.147 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CLAUDECIR JOSÉ EGER ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SISTEMA SIMPLES. ADE. EXCLUSÃO. EFEITOS. 1. Os efeitos do Ato Declaratório Executivo ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional. 2. Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 24 45 /2 01 1- 87 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, Relativamente a contribuições devidas à Seguridade Social e a Terceiros, parte patronal e GILRAT (AI DEBCAD Nº 37.266.6019); Terceiros (AI DEBCAD nº 37.266.6035), bem como sobre desconto do segurado referente ao prólabore (AI DEBCAD Nº 37.266.6027). No batimento GFIP e GPS identificouse que o contribuinte fazia os recolhimentos como sendo optante pelo regimento tributário do Simples. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de novembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato de exclusão. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 5 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente foi notificada em 28 de novembro de 2011, do conteúdo dos autos de infração de nº 37.266.6019, 37.266.6027 e 37.266.6035, os quais, em função de sua exclusão do Simples Nacional e Federal, efetuaram fiscalização no período de janeiro de 2007 a outubro de 2010. Do lançamento a recorrente apresentou as devidas impugnações, as quais foram objeto de julgamento pela DRJ de Campo Grande – MS. Em que pesem os motivos que nortearam a decisão proferida a mesma não pode remanescer, devendo ser cancelado o auto de infração. O auto de infração foi gerado pelo fato de o contribuinte ter sido excluído do programa Simples. Embora tal situação esteja em discussão no processo próprio (10920.721793/201137 – Simples Nacional e 10920.721792/201192 – Simples Federal), foi igualmente trazida à discussão nestes autos, eis que legadas umbilicalmente as situações. A decisão que se recorre igualmente entende pela exclusão da empresa do simples, por entender que a mesma promove locação de mãodeobra. Porém, não há como subsistir tal decisão. Quando da lavratura do ato declaratório de exclusão, a fiscalização também já havia se apoiado no disposto no Parecer Cosit nº 69/1999. Por todos os motivos expostos, vêse que deve ser revista a decisão que sugeriu a exclusão da Impugnante do simples, eis que não ocorre sua atividade tratase de contrato de prestação de serviço, e não de locação de mãodeobra. Outra ilegalidade que a Receita Federal vem procedendo é em relação aos efeitos retroativos da exclusão. O auto de infração ora combatido originouse do processo de exclusão da empresa do Simples, processo de exclusão este que encontrase em fase de discussão administrativa. O presente auto de infração depende exclusivamente da decisão quanto à validade da exclusão do Simples. Decidindose tal exclusão de forma favorável à Recorrente, cairão por terra os lançamentos efetuados. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 6 5 A decisão da qual se recorre, não reconheceu o direito de se compensar os valores lançados com aqueles já recolhidos dentro da sistemática do Simples. Diante do exposto, requerse a reforma da decisão proferida pela DRJ, cancelandose assim o AI lavrado. Caso não seja este o entendimento, que se determine a suspensão deste processo até que se decida os processos que tratam da exclusão do Simples, o que esta sendo tratado em processos específicos; caso mantida a exclusão da empresa, requer sejam considerados os valores já recolhidos pela recorrente junto ao Simples, para fins de compensação com os valores ora lançados, bem como que referida compensação surta seus efeitos nos valores lançados a título de multa e juros. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de processo administrativo fiscal decorrente da exclusão do contribuinte do Sistema Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo – ADE nº 209, de 10/11/2011, da DRF/Joinville/SC. Com a exclusão, operouse o efeito retroativo a partir de 1º de julho de 2007, conforme dispõe o inciso II do artigo 31 da Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Em razão do ADE já referido, foram lançadas, nestes autos, as diferenças de alíquotas, pois a empresa passou a contribuir como aquelas não optantes. Em relação à exclusão propriamente dita, a empresa se defende do ato em outro processo administrativo que, na segunda instância, tramitará na primeira seção do CARF. O fato de haver outro processo administrativo além do que ora se discute não significa que aquele imporá efeito suspensivo relativamente a este. Os processos tramitam separados e um não depende do outro. No ponto, sem razão o contribuinte. Portanto, não há que se cogitar de invalidade do lançamento que originou este processo. Está bem evidenciado que a autoridade lançadora observou regiamente os mandamentos relativos à sua atividade e constituiu o crédito tributário em estrita observância às regras contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Os efeitos do Ato Declaratório Executivo – ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional. Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão. De mais a mais, é também vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. Destarte, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907012/2011-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso em análise: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, assim especificados pela empresa.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO.
O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtê-lo.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.550
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, desde que tais bens tenham sido assim descritos em documentos da recorrente. No que se refere ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, o provimento parcial é para reconhecer o cálculo com a alíquota determinada em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtê-lo. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho, que deram provimento em maior extensão para reconhecer o crédito também em relação a uniformes. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões quanto aos pallets e aos fretes entre estabelecimentos. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ no 32.641.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(Sucessora de SADIA S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso em análise: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, assim especificados pela empresa. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 70 12 /2 01 1- 50 Fl. 5332DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, desde que tais bens tenham sido assim descritos em documentos da recorrente. No que se refere ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, o provimento parcial é para reconhecer o cálculo com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho, que deram provimento em maior extensão para reconhecer o crédito também em relação a uniformes. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões quanto aos pallets e aos fretes entre estabelecimentos. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ no 32.641. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre PER (retificador) de no 41046.65702.291210.1.5.09 8512 (fls. 4624 a 4628)1, criado em 29/12/2010, para demandar crédito de COFINS não cumulativa / Exportação (§ 1o do art. 6o da Lei no 10.833/2003) relativo ao 3o trimestre de 2008, no valor de R$ 34.957.429,21. As declarações de compensação (DCOMP) correspondentes constam às fls. 4629 a 4969 (e são relacionadas no quadro de fls. 4970 a 4972). Na Informação Fiscal de fls. 4970 a 5013, que se presta ainda à análise da Contribuição para o PIS/PASEP (processo administrativo no 10925.907013/201102) no mesmo trimestre, e culmina na lavratura de auto de infração para exigência de multa isolada, levado a cabo no processo administrativo no 11516.722096/201308, narrase que: (a) foram glosados nas linhas 02 (“Bens Utilizados como Insumos”) e 03 (“Serviços Utilizados como 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 5333DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.280 3 Insumos”) das fichas 06A e 16A os créditos contabilizados nas contas contábeis indicadas na tabela de fl. 4979 a 4981, individualizados no relatório “02NICTBNF” (“cuja contabilização indica não se enquadrarem no conceito de insumo ou serviço com direito a crédito”), e os materiais de ativo permanente (glosados por conta e listados exemplificativamente às fls. 4982 a 4985), com informações individualizadas (item a item) nas planilhas arroladas à fl. 4985; e (b) nos casos de duplicidade de registro nas linhas 02/03 (v.g., aluguéis, foi considerado o crédito nas linhas 05 e 06. A síntese das glosas é detalhada na tabela que figura após o relato da manifestação de inconformidade (coluna da esquerda). A fiscalização encontrou ainda incorreção no rateio proporcional de receitas tributadas no mercado interno, não tributadas no mercado interno e de exportação, por não terem sido consideradas as vendas para a Zona Franca de Manaus e algumas receitas tributadas (mas não efetuou correções, admitindo o declarado, tendo em vista que após as glosas, a totalidade de créditos foi insuficiente para pagamento dos débitos informados em DACON, restando saldo devedor lançado em autuação). Com base na Informação Fiscal é proferido o Despacho Decisório de fls. 5014 a 5017, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações vinculadas. Cientificada do despacho decisório em 15/07/2013 (AR à fl. 5047), a empresa apresenta manifestação de inconformidade postada em 14/08/2013 (fls. 5134, e 5049 a 5092) sustentando que o conceito de insumos na legislação que rege as contribuições é mais amplo que o presente na legislação do IPI, e abarca “todas e quaisquer aquisições para emprego na produção de bens e serviços objeto da atividade fim, bem como os custos incorridos e as despesas necessárias ao processo produtivo”, conforme jurisprudência do CARF (o que abrange, v.g., a indumentária de utilização obrigatória na agroindústria). Em relação às glosas em espécie, as razões de defesa estão expostas, por razões didáticas, na coluna da direita na planilha a seguir. Cabe ainda registrar a demanda por perícia (fls. 5090/5091), para possibilitar investigação mais apurada, tendo em vista aspectos técnicos envolvidos no processo industrial, e a solicitação para juntada posterior de laudo técnico. GLOSAS DEFESA Fl. 5334DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 FICHA 16A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 4986/4993) a) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (v.g., pallet, luva de látex, avental); b) aquisições que não têm direito a crédito na linha 2, por se tratarem de gastos para manutenção predial e aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado; c) aquisições de pessoas físicas, sem direito a crédito na linha 2; d) fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, tendo sido oportunizado o detalhamento de contas que tratavam indiscriminadamente de fretes de produtos acabados e matériasprimas; e) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero, em função do disposto no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003; f) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; e g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições, em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006. FICHA 16A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 5064/5071, 5073/5077, e 5089) a) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo: os custos com uniformes (vestuário, luvas, botas, avental e material de proteção, como óculos especiais, meias térmicas e protetor auricular) e materiais de limpeza, desinfecção e higienização (para manutenção das condições exigidas pela legislação) são obrigatórios pelas normas do Ministério da Saúde, em relação a estabelecimentos que industrializam alimentos para o consumo humano. Da mesma forma, são imprescindíveis as despesas com aquisição de produtos para utilização no laboratório, para análise de controle de qualidade. No que se refere a “pallets”, também são essenciais às atividades da empresa, tendo em vista as rigorosas normas de higienização e manutenção da qualidade. Também sustenta a empresa que as aquisições de combustíveis (como GLP e lenha para combustão) são ensejadores de créditos, conforme disposição expressa da lei de regência das contribuições. b) aquisições que não têm direito a crédito na linha 2, no que se refere a aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado: pedese a reformulação da decisão, para que seja tomada em consideração na glosa a parcela de depreciação dos bens do ativo imobilizado (1/24), conforme art. 3o, § 1o, I das leis de regência. (...) d) fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa: os produtos industrializados são perecíveis, necessitando de permanente refrigeração, e estando sujeitos a normas de higiene sanitária, cabendo o crédito com base no art. 3o, IX das leis de regência, conforme já entendeu o CARF, devendo ser ainda reconhecido o crédito em relação a custos com armazenagem. e) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero: em tais aquisições, a empresa faz jus ao crédito presumido de que trata a Lei no 10.925/2004. E quanto ao demais produtos, a não manutenção do crédito fere o princípio da nãocumulatividade. (...) g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições: a suspensão somente se tornou obrigatória com a Instrução Normativa RFB no 977/2009, que incluiu o vocábulo “obrigatória”. E ao menos o crédito presumido deve ser reconhecido, com base no art. 8o da Lei no 10.925/2004. Fl. 5335DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.281 5 FICHA 16A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fls. 4993/4995) a) aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (v.g., válvula, transporterefeições); b) aquisições que não têm direito a crédito na linha 3, por se tratarem de gastos para manutenção predial, aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado, ou sem relação com o processo produtivo; c) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens ou serviços nem outra operação com direito a crédito; e d) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero, em função do disposto no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003, e de a linha 03 tratar de serviços. FICHA 16A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fls. 5087/5088) (...) b) aquisições que não têm direito a crédito na linha 3: a empresa se insurge contra glosas referentes a despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, manutenção e suporte de software e manutenção predial, por entendê las como essenciais ao processo produtivo. (...) FICHA 16A LINHA 05 Despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica (fl. 4995) aluguéis pagos a pessoas físicas e pagamentos a restaurantes e centros esportivos. (...) FICHA 16A LINHA 06 Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica (fls. 4995/4997) aluguéis de veículos (caminhões, carros, veículos de transporte de funcionários, de transporte de ovos etc) e locação de software, locação de toalhas, aluguel de som, guincho, Sky TV por assinatura etc. FICHA 16A LINHA 06 Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica (fls. 5077/5079) a exigência legal de que o bem seja “utilizado nas atividades da empresa” não implica, como entendeu o fisco, que estejam necessariamente vinculados ao setor de produção da empresa. FICHA 16A LINHA 10 Bens do Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição ou construção (fl. 4997/5000) aplicação indevida do desconto de créditos à razão 1/48 para edificações e benfeitorias, quando a legislação o prevê somente para máquinas e equipamentos (glosandose somente as diferenças em relação ao que seria a depreciação correta), bens erroneamente classificados como ativo imobilizado (v.g., óleo lubrificante sintético, locação andaime, diárias serviços gerais), e bens cuja descrição não permite a identificação (tendo a empresa sido intimada a detalhar os bens, sem retorno). FICHA 16A LINHA 10 Bens do Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição ou construção (fl. 5071/5073, e 5088) aplicação indevida do desconto de créditos à razão 1/48 para edificações e benfeitorias, quando a legislação o prevê somente para máquinas e equipamentos: a empresa sustenta que a legislação ampara seu direito expressamente no art. 3o, § 1o, III das leis de regência, e que a Lei no 11.488/2007 (art. 6o) proporcionou ainda a opção pela depreciação à razão de 1/24 (não havendo impedimento para o crédito em tais moldes a partir de janeiro de 2007). Fl. 5336DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 FICHA 16A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 5000/5006) crédito solicitado com base no inciso incorreto do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925/2004, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos, e notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda. FICHA 16A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 5079/5087) de acordo com a Exposição de Motivos da Medida Provisória convertida na Lei no 10.925/2004, o crédito presumido tem por finalidade anular os efeitos da incidência das contribuições nas etapas anteriores. Portanto, legítimo o crédito ainda que os produtos tenham sido adquiridos com alíquota zero. E o valor do direito aos créditos presumidos é conferido pelos percentuais (60%, 50% e 35%) do valor das alíquotas “cheias”, dependendo da classificação do produto fabricado. Assim, o crédito é calculado pela aplicação dos percentuais do valor do insumo adquirido, sendo que o percentual a ser aplicado depende da NCM do produto elaborado, conforme jurisprudência do CARF. Sobre as aquisições para revenda, informa que geram direito a crédito, conforme inciso I do art. art. 3o da Lei no 10.833/2003. FICHA 16B LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 5006/5007) a) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (v.g., ventilador, engrenagem, gerador); e b) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero, em função do disposto no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003. (...) Em 05/02/2014 (fls. 5155 a 5211), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) o conceito de insumo é o estabelecido nas Instruções Normativas no 247/2002 e no 404/2004, que apenas esclareceram o conteúdo das leis de regência; (b) nos processo administrativos relativos a ressarcimento/compensação, o ônus probatório é do postulante, não tendo se desincumbido de tal ônus a empresa, em relação a diversos itens; (c) para reconhecimento do crédito pelos encargos de depreciação, a empresa deveria ter registrado os itens glosados como ativo imobilizado, em linha própria do DACON (ou efetuada a retificação correspondente); (d) não existe previsão normativa para tomada de créditos em relação a fretes de produtos acabados entre estabelecimento da empresa; (e) é vedada a tomada de créditos em aquisições com alíquota zero, não cabendo a análise pela DRJ de demanda que sequer consta no DACON correspondente (crédito presumido); (f) o fato de as vendas à empresa terem sido efetuadas sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permitem a tomada de créditos pelo adquirente, novamente descabendo a análise de pedido alternativo não expresso em DACON; (g) não há previsão para tomada de créditos em relação a aluguéis de veículos; (h) o § 14 do art. 3o da Lei no 10.833/2003 não se aplica a edificações e benfeitorias, e o REIDI (Lei no 11.488/2007) somente se aplica a pessoas jurídicas previamente habilitadas pela RFB; (i) para fins de aproveitamento do crédito presumido da agroindústria, o percentual a ser aplicado depende do produto adquirido; (j) a legislação não prevê crédito presumido no caso de bens para revenda; e (k) os elementos constantes dos autos são suficientes ao julgamento, sendo prescindível a perícia demandada. Fl. 5337DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.282 7 Cientificada da decisão de piso em 29/03/2014 (fl. 5237), a empresa apresenta recurso voluntário em 09/04/2014 (fls. 5238 a 5276), reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade, e acrescentando jurisprudência e considerações no sentido de que: (a) não pode ser negado o direito ao crédito sob o simples fundamento de que houve equivocado preenchimento de DACON (erro no cumprimento de obrigação acessória); (b) a DRJ entende ter havido ausência de contestação em relação a diversos itens que a empresa expressamente trata em sua manifestação de inconformidade; e (c) não é crível sustentar que alguns combustíveis (como hexano, óleo de xisto, diesel e GLP) sejam utilizados veículos para transporte de pessoas. No mais, não renova os questionamentos em relação a energia elétrica e material para laboratório, e insere discussão nova sobre embalagens de transporte. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cabe de início destacar que verifiquei que a análise referente aos três primeiros trimestres de 2007, em relação à mesma empresa, e basicamente às mesmas matérias, foi efetuada em 24/09/2013, no âmbito desta Terceira Turma, em nove processos, todos sob minha relatoria, assim detalhados: Período Processos Acórdãos 1o trimestre de 2007 10925.720046/201212 (auto de infração); 10925.905351/201100 (DCOMPPIS); e 10925.905352/201146 (DCOMPCOFINS) 3403002.469, 3403 002.472 e 3403002.473, respectivamente 2o trimestre de 2007 10925.720686/201222 (auto de infração); 10925.905353/201191 (DCOMPPIS); e 10925.905355/201180 (DCOMPCOFINS) 3403002.470, 3403 002.474 e 3403002.476, respectivamente 3o trimestre de 2007 10925.721257/201272 (auto de infração); 10925.905354/201135 (DCOMPPIS); e 10925.905356/201124 (DCOMPCOFINS) 3403002.471, 3403 002.475 e 3403002.477, respectivamente As ementas dos acórdãos correspondentes asseveraram que: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. Fl. 5338DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo); fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA. Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO. É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em Fl. 5339DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.283 9 função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê lo.”(Acórdãos no 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, exceto em relação a lavagem de uniformes e incidência de juros de mora sobre multa de ofício, este último tema presente apenas nas autuações, sessão de 24.set.2013) (grifo nosso) Tal verificação é relevante e pertinente, pois as matérias analisadas nestes autos são majoritariamente as mesmas, e sob os mesmos fundamentos, resguardadas algumas especificidades que serão anotadas ao longo deste voto. E, de lá para cá, alteramos nosso posicionamento somente em relação a um tópico, como também se destaca no voto. 1. Considerações iniciais sobre ônus probatório nos processos referentes a ressarcimento/compensação As presentes considerações inicias sobre o ônus probatório nos processos de ressarcimento/compensação são necessárias à análise da demanda por diligência, e de alguns itens para os quais a empresa não tratou de carrear aos autos documentos que amparariam seu direito a crédito. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, inclusive, no caso de insumos, a forma de vinculação dos bens ao processo produtivo. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador, cabível seria a demanda pericial. No entanto, não se pode acolher pedido de perícia para produzir no processo elementos probatórios a cargo de uma das partes (no caso, a postulante do crédito), elementos esses que já deveriam figurar nos autos, e cuja ausência tem por implicação a negativa de reconhecimento dos créditos correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente esta Terceira Turma, inclusive nos citados processos da mesma recorrente: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” Fl. 5340DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Desse modo, incabível acolher o pleito de realização de diligência, pois restam claras nos autos as motivações das glosas, que foram compreendidas a contento pela recorrente, que, por sua vez, ao invés de trazer ao processo elementos probatórios de seu direito, inclusive no que se refere ao processo produtivo, posterga a discussão para eventual diligência. Assim, tendo em conta as considerações iniciais sobre o ônus probatório em processos do gênero, indeferese a realização de diligência/perícia. 2. Aspectos constitucionais da nãocumulatividade da COFINS Também a título de considerações preliminares, pois a matéria só é alegada de forma transversa nas peças recursais, incumbe esclarecer que a nãocumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, Fl. 5341DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.284 11 sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. 3. Do conceito de insumos na COFINS O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. Fl. 5342DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem também unanimemente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto (à luz dos elementos trazidos aos autos sobre o processo produtivo da empresa) permitirá um enquadramento mais preciso. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos. Seguiremos a ordem das glosas constante em nosso relatório, apenas alterandoa para reunir o primeiro e o último tema, que guardam identidade: bens utilizados como insumos (fichas 16A e 16B do DACON). E, sobre tal ordem, acrescentaremos os argumentos de defesa, nos tópicos em que eles efetivamente tiverem sido apresentados. Por 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 5343DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.285 13 exclusão (em verdade, por preclusão), deixam de ser reconhecidos os direitos de crédito em relação a matérias e itens sequer especificamente questionados pela recorrente. 4. Das glosas em espécie As glosas em espécie, como relatado de início, foram subdivididas, de acordo com as fichas do DACON, em seis grupos: bens utilizados como insumos; serviços utilizados como insumos; despesas de aluguéis e prédios; despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; bens do ativo imobilizado; e crédito presumido de atividade industrial. 4.1. Bens utilizados como insumos Em relação aos bens glosados por não se enquadrarem no conceito de insumos adotado pelo fisco (relacionados nas planilhas de fls. 308 a 536, 537 a 1346, 1347 a 1359, 1360 a 1410, e 1411 a 2021), a recorrente questiona apenas alguns: custos com uniformes (vestuário, luvas, botas, avental e material de proteção, como óculos especiais, meias térmicas e protetor auricular) e materiais de limpeza, desinfecção e higienização (para manutenção das condições exigidas pela legislação). Assevera que ambos são obrigatórios pelas normas do Ministério da Saúde, em relação a estabelecimentos que industrializam alimentos para o consumo humano. Em manifestação de inconformidade chega ainda a questionar despesas com aquisição de produtos para utilização no laboratório, para análise de controle de qualidade, mas não mantém o tema contencioso em seu recurso voluntário. E questiona ainda a glosa sobre pallets, acrescentando no recurso voluntário argumentação sobre a improcedência das glosas em relação a embalagens de transporte (tema que não restou especificamente contencioso em sua manifestação de inconformidade), versando ainda sobre combustíveis. Assim, diante da preclusão que opera em relação às matérias que não foram devidamente questionadas tanto na instância de piso quanto na peça recursal após a decisão da DRJ, passase a analisar somente a pertinência das glosas em relação a uniformes (vestuário, luvas, botas, avental e material de proteção, como óculos especiais, meias térmicas e protetor auricular), materiais de limpeza, desinfecção e higienização (para manutenção das condições exigidas pela legislação), pallets e combustíveis, assim como temas específicos (v.g., aquisições com alíquota zero e fretes de transferência entre estabelecimentos). Cabe destacar ainda que há ainda um tópico da defesa destinado a questionar as glosas sobre bens importados utilizados como insumos, nos quais se confunde a motivação das glosas externadas pelo fisco. Não há nenhuma glosa no presente processo que tenha sido motivada pelo simples fato de os bens serem importados. As glosas estão ligadas a razões como o não enquadramento no conceito de insumos ou ao fato de a aquisição ser efetuada com alíquota zero (todos temas a serem tratados neste tópico 4.1). Incumbe derradeiramente esclarecer que a DRJ, ao delimitar a lide, ao início do voto condutor do acórdão de piso, efetivamente relacionou itens sobre os quais a empresa não se manifesta especificamente em sua peça inaugural de defesa. No recurso voluntário, alegase que a empresa teria efetivamente se defendido em relação aos temas. Contudo, não era Fl. 5344DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 aos temas que se referia a DRJ, mas aos itens específicos dentro dos temas (a empresa não questiona, por exemplo, especificamente, itens da glosa de notas fiscais com CFOP que não representam aquisições de bens ou outras operação com direito a crédito). Portanto, estão as partes a conversar sobre coisas diferentes. Esclareçase, assim, que todos os temas e itens efetivamente tratados na manifestação de inconformidade foram enfrentados pela DRJ, não havendo qualquer prejuízo à defesa. 4.1.1 Uniformes Os itens glosados especificamente questionados pela recorrente nesta categoria são: vestuário, luvas, botas, avental e material de proteção, como óculos especiais, meias térmicas e protetor auricular. A recorrente entende que tais bens são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, e evitam contaminações, seguindo determinação da ANVISA. Os precedentes do CARF em favor de tal argumento estão longe de constituir posicionamento dominante no tribunal. Vejase, a título ilustrativo, acórdão decidido por maioria, em turma especial desta terceira sessão, e acórdão, também por maioria, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo): “Tratandose de prestação de serviços de catering e de handling, ensejam o creditamento os gastos com uniformes, serviços de lavanderia, de remoção e incineração de resíduos e análises laboratoriais, por guardarem relação de essencialidade e pertinência a tais processos produtivos.” (Acórdão no 3803 004.025, Rel. Cons. Alexandre Kernvencido, maioria em relação ao tema, sessão de 19.mar.2013) “Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo.” (Acórdão no 930301.741, Rel. Cons. Nanci Gama, maioria, sessão de 9.nov.2011) Esta terceira turma não tem comungado de tal entendimento, e negou recentemente, por unanimidade, o direito a creditamento das contribuições em relação a uniformes e equipamentos de proteção tanto em relação a industrial calçadista (Acórdãos no 3403.001.893 a 896, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2013), quanto em relação a fabricante de fertilizantes (Acórdãos no 3403.001.937 a 944, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimeem relação ao tema, sessão de 19.mar.2013). E negou também unanimemente o direito ao crédito sobre luva, avental, respirador, bota, botina, protetor auricular, máscara, meia, óculos, sapato, touca, capacete e japona nos nove processos da mesma recorrente aqui citados, referentes a períodos anteriores (Acórdãos no 3403002.469 a 477). Fl. 5345DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.286 15 No caso concreto, a nosso ver, todos os bens relacionados podem até ter relação indireta com a produção (seja pela exigência sanitária, ou por poder sua ausência afetar a qualidade do produto final, ou a segurança dos funcionários), mas não são diretamente empregados no processo produtivo/fabril, ou necessários à obtenção do produto final. Correta, assim, a glosa efetuada para tais bens. 4.1.2. Materiais de limpeza, desinfecção e higienização Alega a recorrente que os materiais de limpeza, desinfecção e higienização se prestam à manutenção das condições exigidas pela legislação no processo produtivo. Nesse caso, embora também ainda não haja posição assentada neste CARF, entendese que merece prosperar a argumentação da recorrente, pois diante da ausência de limpeza e desinfecção, é improvável que se possa chegar ao produto final. E, em relação às despesas com higienização, matéria na qual fui vencido nos processos anteriormente julgados por esta Terceira Turma, revejo meu posicionamento, acordando com o colegiado que efetivamente sem a higienização também dificilmente se chegaria ao produto final fabricado pela empresa. Assim, deve ser afastada a glosa efetuada pelo fisco em relação a materiais de limpeza, desinfecção e higienização. 4.1.3. Pallets Ativo Imobilizado A recorrente sustenta que os pallets são essenciais às atividades da empresa, tendo em vista as rigorosas normas de higienização e manutenção da qualidade, e afirma que os pallets, além de exercerem função primordial para a movimentação de cargas, são fundamentais para impedir o contato do produto com a superfície do chão”. Narra também que os pallets “são ainda utilizados no processo produtivo, pois nas diversas das suas etapas são necessários para o deslocamento das matériasprimas, em condições de higiene, sendo ainda utilizados para armazenagem de produtos acabados, até que sejam transportados para comercialização”. Há que se destacar, contudo, nossa acordância com entendimento já externado nesta turma pela Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, de que os pallets são bens a serem contabilizados no ativo não circulante: “Relativamente aos “paletes de madeira” “tábuas” e “barrotes de eucalipto” utilizados para movimentação interna dos produtos industrializados, entendo que não se enquadram no conceito de insumo tal como previsto no inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03, até porque pelo valor e tempo de vida útil desses bens eles não podem ser deduzidos com despesa operacional e devem ser contabilizados no ativo não circulante (art. 301 do RIR/99) sujeitandose à depreciação, cuja despesa dela decorrente pode ser aproveitada para crédito do PIS e da Fl. 5346DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 16 COFINS não cumulativos, nos termos do inciso III do § 1o do artigo3o da mesma Lei 10.833/03. Nesse sentido há diversas soluções de consulta da Secretaria da Recita Federal do Brasil (...)”(Acórdão no 3403.001.935, Rel. Cons. Raquel Motta Brandão Minatel, maioria, sessão de 20.mar.2013) Assim, da mesma forma em que decidido unanimemente por este colegiado nos nove processos citados, mantémse a glosa em relação aos pallets. E o raciocínio externado em relação a pallets se aplica ainda aos demais bens considerados como insumos pela recorrente e que constituem, na verdade, aquisições destinadas ao ativo imobilizado. Não se pode admitir o crédito integral em relação a tais bens, por absoluta carência de amparo normativo. E avaliar o pedido alternativo de crédito proporcional equivale a ignorar a própria escrituração da empresa, e a analisar pedido diverso daquele que ensejou o despacho decisório (peça cuja ciência deu início ao contencioso). Nesse sentido a decisão unânime da turma nos multicitados nove processos da mesma empresa julgados em 2013: “A nosso ver, restaria preliminarmente bem explicada a utilização no processo produtivo, cabendo o creditamento, não fosse o fato de constituírem os bens/semoventes (como informa a própria recorrente) ativo imobilizado. E não parece seguir em sentido diferente o julgador de primeira instância, que refuta o enquadramento como insumo tãosomente pelo fato de constar o bem no ativo imobilizado. E, estando no ativo imobilizado, o enquadramento seria no inciso VI, e não no inciso II do art. 3o das leis que tratam do creditamento para as contribuições (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003): “VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” (grifo nosso) É preciso alertar, contudo, que a forma/quantificação de creditamento do inciso VI é diferente daquela constante do inciso II, como esclarece o § 1o do art. 3o das leis: “§ 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;” Como destaca o julgador a quo, tal posicionamento deveria ter sido informado em DACON pela recorrente, antes do procedimento fiscal. Flexibilizando tal entendimento do julgador de piso, em nome da verdade material, consideramos que uma alteração da DACON, mesmo posteriormente ao procedimento fiscal (o que, destaque Fl. 5347DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.287 17 se, não obsta as penalidades eventualmente disso decorrentes), desde que acompanhada de documentos comprobatórios do alegado, deveria ser tomada em conta pelo fisco. Contudo, não é o que se vê no presente caso. Vale, assim, a mesma máxima expressa no tópico anterior: ou os bens são enquadrados no inciso II, como insumos (e aí não devem constar do ativo imobilizado), ou constam do ativo imobilizado, aplicandose a regra do inciso VI. Assim, procedente a glosa em relação a tais bens/semoventes.” Pelo exposto, são também mantidas as glosas em relação a bens indicados, escriturados e declarados ao fisco como insumos (inciso II do art. 3o das leis de regência) que na verdade se tratavam de aquisições destinadas ao ativo imobilizado. 4.1.4. Combustíveis Em relação às glosas de combustíveis, sustenta a empresa que as aquisições de combustíveis como GLP e lenha para combustão são ensejadores de créditos, conforme disposição expressa da lei de regência das contribuições. A DRJ mantém as glosas diante da impossibilidade de se saber se os combustíveis foram efetivamente utilizados no processo produtivo. No recurso voluntário, a empresa revela que não é crível sustentar que alguns combustíveis (como hexano, óleo de xisto, diesel e GLP) sejam utilizados veículos para transporte de pessoas. Há, aqui, que se acordar com a empresa em relação ao hexano, ao óleo de xisto e a GLP, seja pela dificuldade em imaginar utilizações outras para tais bens que não no processo produtivo, seja pela descrição de como se utiliza cada bem na peça recursal (fl. 5255). No mesmo sentido nosso raciocínio sobre a lenha. E, em relação ao diesel, parece pouco crível também que seja utilizado em veículos de transporte de pessoas. Nesse sentido, essa Terceira Turma já decidiu unanimemente, em caso no qual havia dúvidas sobre a utilização de combustíveis em veículos de propriedade de empresa: “Pelo teor do recurso voluntário, notase que a empresa possui um caminhão Mercedes Benz placa IND 4688, um GOLF placa IYM 2222, e uma KOMBI placa IMH 3302. E utilizou os veículos locados de placas ILS 3241, IMS 2985, ILX 0497, IMA 4137, IND 8997 e INL 8932. A empresa afirma que “todos os veículos são ou foram utilizados nas operações de transporte de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem entre os diversos estabelecimentos da empresa e por empregados vinculados aos departamentos comercial e industrial”. E acrescenta que “em alguns períodos, o GOLF e a KOMBI também são utilizados Fl. 5348DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 18 para o transporte de funcionários da produção, que fazem horas extras”. Como a empresa não detalha quais são os veículos locados, referindose no recurso somente a suas placas, efetuei, em nome da verdade material, buscas às referidas placas, na web, em sítio que informa dados do DETRANRS (www.checkmeucarro.com.br), obtendo os seguintes resultados: placa ILS 3241 (YAMAHA/YBR 125K Roxa, à gasolina, ano 2003/2004), placa IMS 2985 (FIAT/Uno Mille Fire Flex branco, gasolina/álcool, ano 2005/2006), placa ILX 0497 (GM/Celta 3 portas branco, gasolina, ano 2004/2004), placa IMA 4137 (VW/GOL 1.0 branco, gasolina, ano 2004/2005), placa IND 8997 (FIAT/Uno Mille Fire Flex branco, gasolina/álcool, ano 2006/2006) e placa INL 8932 (VW/GOL 1.0 branco, gasolina/álcool, ano 2005/2006). Não se entende como atividade relacionada ao processo produtivo, necessária à obtenção do produto final, o transporte de passageiros (ainda que funcionários da empresa, e ainda que eventualmente) pelas KOMBIS, nem aqueles efetuados por veículos de passeio e motocicletas. Assim recentemente decidiu esta turma, de forma unânime (Acórdãos no 3403002.783, e 784). Por carência probatória (detalhamento da forma de utilização no processo produtivo), então, afastase o direito creditório em relação ao combustível utilizado para abastecer tais veículos. No entanto, é perfeitamente crível que o caminhão Mercedes Benz, placa IND 4688 (Mercedes Benz/MBAtego 2425, azul, diesel, ano 2006/2006), movido a óleo diesel, tenha efetivamente sido utilizado para transportar materiais necessários à obtenção do produto final gerado pela empresa. Assim, afastase somente a glosa referente às despesas de abastecimento do caminhão Mercedes Benz, placa IND 4688. Como não se tem detalhamento preciso dos abastecimentos nos presentes autos, incumbe à autoridade responsável pela liquidação intimar a empresa a apresentar as referidas notas de abastecimento, que só poderão ser computadas para efeito de crédito se vinculadas estritamente a óleo diesel ou ao citado caminhão.” (Acórdãos no 3403000.912 a 917, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, 24.abr.2014) Assim, incumbe afastar as glosas em relação a hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, desde que tais bens tenham sido assim descritos em documentos da recorrente (escrituração, notas fiscais de aquisição do período etc.). Caso a documentação da recorrente trate genericamente de “despesas de combustíveis”, incabível o direito ao crédito, pela ausência de comprovação do direito, conforme esclarecido no tópico 1, referente a ônus probatório. 4.1.5. Aquisições de pessoas físicas Também clara a ausência de fundamento normativo para demanda de créditos de aquisições de pessoas físicas com base no inciso II do art. 3o das leis de regência. E a recorrente não questiona especificamente tal item, restringindo sua argumentação a pedido Fl. 5349DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.288 19 alternativo para que se acate o crédito presumido da agroindústria de que trata a art. 8o da Lei no 10.925/2004. O pedido alternativo e inovador, além de contradizer a escrituração e a declaração da empresa prestada ao fisco, e o pedido de ressarcimento que motiva o despacho decisório (peça cuja ciência inaugura este contencioso), demandaria análise de pertinência individualizada das aquisições ao regramento (requisitos e condições) estabelecidos no art. 8o da Lei no 10.925/2004. E essa correspondência individualizada e documentada estava a cargo da recorrente, ao demandar o pedido alternativo, não havendo nos autos vestígios de tal comprovação. Assim, múltiplos são os motivos para manutenção das glosas em relação a aquisições de pessoas físicas que demandaram crédito com base no inciso II do art. 3o das leis de regência, mantendo a linha unânime já adotada quando da apreciação dos nove processos da mesma empresa aqui reiteradas vezes citados. 4.1.6. Fretes entre estabelecimentos São glosados os fretes de transferência de produtos entre unidades da empresa (em conta relacionada a produtos acabados). E narra o fisco que oportunizou à empresa detalhara se se tratavam de fretes de matériasprimas, produtos intermediários ou produtos acabados. E a empresa não logrou comprovar que os fretes glosados se tratavam de operações com direito a crédito. Assim, a glosa é por carência probatória. Em sua defesa, a empresa alega que os produtos industrializados são perecíveis, necessitando de permanente refrigeração, e estando sujeitos a normas de higiene sanitária, cabendo o crédito com base no art. 3o, IX das leis de regência, conforme já entendeu o CARF, devendo ser ainda reconhecido o crédito em relação a custos com armazenagem. Contudo, não detalha nem comprova a quais vendas se referem os fretes. Persiste, assim, a carência probatória ensejadora da glosa, que deve ser mantida. 4.1.7. Aquisições com alíquota zero As glosas em relação a tais aquisições são motivadas pela vedação expressa constante no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003. A empresa, em sua defesa, sustenta que em tais aquisições, a empresa faz jus ao crédito presumido de que trata a Lei no 10.925/2004. E, quanto ao demais produtos, a não manutenção do crédito fere o princípio da nãocumulatividade. Em relação à primeira alegação, remetase às razões para negativa expressas no tópico 4.1.5 deste voto, que trata das aquisições de pessoas físicas, diante de pedido inovador do crédito presumido em sede contenciosa. Recordese que haveria necessidade de análise de pertinência individualizada das aquisições ao regramento (requisitos e condições) estabelecidos no art. 8o da Lei no 10.925/2004. E essa correspondência individualizada e Fl. 5350DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 20 documentada estava a cargo da recorrente, ao demandar o pedido alternativo, não havendo nos autos vestígios de tal comprovação. No que se refere à segunda alegação, reiterese que não há possibilidade de, em nome da nãocumulatividade, afastar dispositivo legal vigente (em função da Súmula CARF no 2), como já exposto no tópico 2 deste voto. Devem ser mantidas, então, as glosas em relação a aquisições com alíquota zero, também na linha do que já decidiu unanimemente a turma nos nove processos anteriores da mesma empresa. 4.1.8. Aquisições com suspensão A fiscalização aponta que as notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições, em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006, não são ensejadoras de créditos. A recorrente, por sua vez, alega que a suspensão somente se tornou obrigatória com a Instrução Normativa RFB no 977/2009, que incluiu o vocábulo “obrigatória”. E ao menos o crédito presumido deve ser reconhecido, com base no art. 8o da Lei no 10.925/2004. Tanto o apontamento do fisco quanto as razões de defesa são idênticos aos presentes nos citados nove processos da mesma empresa já apreciados por esta Terceira Turma, aos quais remetemos: “Foram ainda glosados créditos de aquisições de insumos cuja venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004, assim como os fretes a elas correspondentes, pela sujeição somente ao crédito presumido de atividades agroindustriais. Em relação a tal tópico, informa a recorrente que até o advento da Instrução Normativa RFB no 977, de 14/12/2009, não era obrigatória a suspensão, e, diante da faculdade, as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão (não estando nas Notas Fiscais detalhada a suspensão), sendo legítimo o crédito. No julgamento de piso, esclarecese que: “Em relação à situação posta, observa se que a impugnante não questiona o fato de que os produtos adquiridos enquadramse nas situações previstas no art. 9o da Lei n o 10.925/2004, que prevê a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Já no que tange à obrigatoriedade da receita da venda destes produtos ser efetuada com suspensão de incidência, esclarecese que, ao contrário do alegado pela contribuinte, desde a edição da Instrução Normativa SRF n o 636, de 24 de março de 2006, com a efetiva implementação de termos e condições, a suspensão da incidência é obrigatória, independente de o contribuinte ter ou não destacado em suas notas fiscais a suspensão.” Fl. 5351DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.289 21 De fato, a Instrução Normativa de 2006 já estabelecia a suspensão (com a expressão “fica suspensa”, que não parece, nem de longe, estabelecer uma faculdade). Não há que se falar, assim, em aproveitamento de créditos, sendo procedente a glosa.” Aliás, em diversos julgados recentes (e unânimes) desta Terceira Turma, inclusive com a formação atual do colegiado, concluise que a suspensão é aplicada bem antes da Instrução Normativa RFB no 977/2009: “SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada.” (Acórdão no 3403003.507, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.jan.2015) (No mesmo sentido o Acórdão no 3403003.337, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 15.out.2014) Não há, assim, o direito de aproveitamento do crédito em relação à operação, diante das disposições normativas vigentes. 4.2. Serviços utilizados como insumos As considerações efetuadas ao longo do tópico 4.1 deste voto por certo se alastram à disciplina dos serviços como insumos. Por decorrência, são serviços compatíveis com o conceito de insumos aqueles que são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Não há, nas peças de defesa, questionamentos específicos em relação aos itens glosados com enquadramento de serviços utilizados co mo insumos, mas as considerações sobre aquisições com alíquota zero, CFOP incompatível e não enquadramento no conceito são idênticas às expostas no tópico 4.1., não demandando qualquer complementação. E nos únicos itens questionados especificamente no que se refere a serviços (glosas referentes a despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, manutenção e suporte de software e manutenção predial), a empresa se defende com a alegação de que tais serviços são essenciais ao processo produtivo. Em relação a despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, não faz prova a recorrente de que efetivamente as máquinas e equipamentos são utilizados no processo produtivo. Sequer cita uma glosa específica para documentar eventual equívoco do fisco. Limitase a laborar a defesa de forma genérica, crendo que todo e qualquer gasto registrado como manutenção de máquinas e equipamentos, e não detalhado, seria ensejador do crédito integral, o que não é admissível. Fl. 5352DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 22 E é da mesma forma genérica que a defesa questiona as glosas referentes a manutenção e suporte de software e manutenção predial, ainda mais distantes, e igualmente de vínculo não comprovado ao processo produtivo. No que se refere às despesas com manutenção predial, é preciso destacar que o fisco glosou aquelas nas quais a própria empresa demandou crédito integral (com base no inciso II do art. 3o das leis de regência), não estando o presente item a tratar do crédito a que se refere o inciso VII do art. 3o das leis de regência (que trata de créditos com base nos encargos de depreciação). Assim, corretas as glosas em relação a serviços utilizados como insumos. 4.3. Despesas de Aluguéis de máquinas e equipamentos Não havendo questionamento específico na defesa em relação à motivação das glosas sobre despesas de aluguéis de prédios (aluguéis pagos a pessoas físicas e pagamentos a restaurantes e centros esportivos), trata o presente tópico somente das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, efetuadas sob o fundamento de que os aluguéis de veículos (caminhões, carros, veículos de transporte de funcionários, de transporte de ovos etc) e locação de software, locação de toalhas, aluguel de som, guincho, Sky TV por assinatura etc. não constituem gastos com “máquinas e equipamentos” utilizados nas atividades da empresa de que trata o inciso IV do art. 3o das leis de regência. Na Informação Fiscal que ampara o despacho decisório o fisco afirma que as condições para a tomada de crédito, no caso, são duas: a primeira relativa à natureza do bem locado (máquina ou equipamento) e a segunda com relação à utilização (utilizado nas atividades da empresa). E que diante da descrição genérica das contas, intimou a empresa a esclarecer seu conteúdo, tendo sido, após as respostas, glosadas (fl. 4996): “notas fiscais relativas a aluguel de veículos (caminhões, carros, veículos de transporte de funcionários, de transporte de ovos, etc), fretes, locação de toalhas, aluguel de som, guincho, entre outros, por não se enquadrarem na condição de serem máquinas ou equipamentos e máquina de café, Sky tv por assinatura, entre outros, por não serem utilizados nas atividades da empresa”. (grifo nosso) Em relação ao primeiro motivo de glosa (não ser máquina ou equipamento), aplicável a veículos e toalhas, som, guincho etc., sequer se manifesta a empresa no recurso voluntário, mesmo após as considerações específicas sobre o tema efetuadas pela DRJ. No que se refere à segunda motivação (aplicável às glosas de máquina de café, Sky tv por assinatura etc.), a recorrente se defende no sentido de que a exigência legal de que o bem seja “utilizado nas atividades da empresa” não implica, como entendeu o fisco, que estejam necessariamente vinculados ao setor de produção da empresa. Há que se acordar, nesse aspecto, com a recorrente, no sentido de que a expressão utilizada no inciso IV do art. 3o das leis de regência é “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. A expressão não se confunde, por exemplo, coma a empregada no inciso VI do mesmo artigo: “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou Fl. 5353DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.290 23 fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Utilizar “na atividade da empresa” não se confunde, de fato, com utilizar “na produção”. Ademais, por certo, seria difícil um prédio, por exemplo, ser efetivamente utilizado na produção. A diferença seria clara se o bem glosado, por exemplo, fosse uma impressora ou uma máquina fotocopiadora locada. Por certo, tal equipamento seria utilizado nas atividades da empresa (mas não no setor produtivo). Mas não é isso que se vê pelos bens glosados: locação de máquina de café e pagamento de TV por assinatura “Sky”. Além de tais “equipamentos” não se destinarem a atividades produtivas da empresa, também não se destinam a atividades da empresa. Não vejo necessidade de a atividade de uma empresa agroindustrial incluir uma máquina de café ou TV por assinatura (ou ainda outros bens relacionados na lista de glosas de fls. 4615 a 4619, não questionados especificamente pela recorrente, como “mesas Totobol” e “mesas jogos”). Assim, corretas as glosas efetuadas pelo fisco, que devem ser mantidas. 4.4. Bens do Ativo Imobilizado As glosas efetuadas em relação ao ativo imobilizado se referem a aplicação indevida do desconto de créditos à razão 1/48 para edificações e benfeitorias, quando a legislação o prevê somente para máquinas e equipamentos (glosandose somente as diferenças em relação ao que seria a depreciação correta), bens erroneamente classificados como ativo imobilizado (v.g., óleo lubrificante sintético, locação andaime, diárias serviços gerais), e bens cuja descrição não permite a identificação (tendo a empresa sido intimada a detalhar os bens, sem retorno). Não há questionamento específico em relação às razões das glosas para incorreta classificação como ativo imobilizado e bens cuja descrição não permite a identificação. No que se refere à depreciação de 1/48, a recorrente sustenta que a legislação ampara seu direito expressamente no art. 3o, § 1o, III das leis de regência, e que a Lei no 11.488/2007 (art. 6o) proporcionou ainda a opção pela depreciação à razão de 1/24 (não havendo impedimento para o crédito em tais moldes a partir de janeiro de 2007). Vejamos o conteúdo (na redação vigente à época) do referido art. 3o: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) Fl. 5354DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 24 §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) §14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2 o desta Lei.” (grifo nosso) Cristalino, pelo texto do artigo, que a depreciação de 1/48 aplicase a máquinas e equipamentos, e não a edificações e benfeitorias, como pretende a recorrente. Assim, não há a opção que a empresa acredita existir, da depreciação prevista no § 14 do art. 3o. E a depreciação normal, no caso, já foi reconhecida pela fiscalização. Por fim, a demanda recursal pela aplicação da depreciação prevista na Lei no 11.488/2007 dependeria de prova de que a empresa faz jus a tal benefício, cumprindo os diversos requisitos estabelecidos em tal lei, o que sequer é ventilado no presente processo pela recorrente, que novamente não se desincumbe de seu ônus probatório. Também nesse tópico, então corretas as glosas, que devem ser mantidas. 4.5. Crédito presumido agroindústria Em relação a créditos presumidos da agroindústria, previstos no art. 8o da Lei no 10.925/2004, a fiscalização alega que a demanda foi efetuada com fundamento no inciso incorreto do § 3o do art. 8o, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos. E informa ainda que há notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, e não há crédito presumido em operações para revenda. Sobre este último tema, defendese a recorrente indicando que a base para o crédito na revenda é o inciso I do art. 3o das leis de regência. Confunde, assim, os créditos básicos (nos quais incidem diversas vedações, como em relação a aquisições de pessoas físicas, etc) com os créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004. Se houvesse demandado créditos básicos, e comprovado que cumpre os requisitos para obtêlos, cabível seria a tomada em relação a revenda, por força do invocado inciso I. Mas não é o que consta no presente processo, em que a empresa demanda crédito presumido com base no art. 8o da Lei no 10.925/2004 (sequer cogitando de comprovar que não incide nas vedações para a obtenção de Fl. 5355DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.291 25 créditos básicos). Assim, corretas as glosas de notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados. No que se refere ao argumento do fisco de que teria a recorrente demandado o crédito com fundamento no inciso incorreto do § 3o do art. 8o, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos, a questão merece melhor detalhamento. Tanto o fisco quanto a recorrente reproduzem o mesmo dispositivo legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), cada um afirmando que sua própria interpretação é a correta. A fiscalização defende que a alíquota aplicável (ou o inciso com a alíquota aplicável) varia em função dos insumos, enquanto que a recorrente defende que é em função dos produtos elaborados/fabricados. Vêse que aqui a discussão não envolve aspectos probatórios, sendo a matéria exclusivamente ligada à interpretação do art. 8o da Lei no 10.925/2004. O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de 35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos. Na letra da lei: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Fl. 5356DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 26 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (a Lei no 11.488/2007 incluiu um inciso, com alíquota de 50%, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI) (grifo e atualização nossos) A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema, mantendoo lógico, coerente e harmônico. Tal tarefa foi originalmente empreendida por esta turma em junho de 2013, que unanimemente chegou à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281, Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo Fl. 5357DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.292 27 percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. (...) Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através (sic) do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: ‘4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores Fl. 5358DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 28 da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” E nos nove processos da mesma recorrente julgados em setembro de 2013 chegou a turma à mesma conclusão: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo.” (Acórdãos no 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 24.set.2013) A endossar o entendimento da turma a Lei no 12.865, de 09/10/2013, que acrescentou (art. 33) o seguinte § 10 ao art. 8o da Lei no 10.925/2004: “§ 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Contudo, desnecessário cogitar de interpretação benigna retroativa da Lei no 12.865/2013, pois esta turma já entendia, antes do avento da referida Lei, que as alíquotas são aplicadas em função do produto fabricado, e não do insumo adquirido. Concluise, então, neste tópico, que deve ser reconhecido o crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004 com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, desde que tais bens tenham sido assim descritos em documentos da recorrente. No que se refere ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, o provimento parcial é para reconhecer o cálculo com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Rosaldo Trevisan Fl. 5359DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão n.º 3403003.550 S3C4T3 Fl. 5.293 29 Fl. 5360DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
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