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Numero do processo: 10480.917365/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.098
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 36 5/ 20 11 -3 4 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10480.917365/201134 Resolução nº 3401001.098 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.786. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10480.917365/201134 Resolução nº 3401001.098 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10480.917365/201134 Resolução nº 3401001.098 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007437/2008-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. TERMO DE RESPONSABILIDADE COM PODER PÚBLICO. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ART. 16, §§8º E 10 DA LEI
Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel e, nos casos de ser mero possuidor, haver comprovação pelo contribuinte da celebração de Termo de Responsabilidade com o Poder Público, desde que antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de Área de Preservação Permanente (APP) e da parte da Reserva Legal que não está averbada, nem foi objeto de termo de ajustamento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir do voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
Originalmente, nos termos do Art. 60 do anexo II do RICARF, os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri votaram por negar provimento ao recurso; Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos votaram por dar-lhe provimento parcial; Heitor de Souza Lima Júnior votou por dar provimento parcial ao recurso, em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGROLESTE CONSTRUCOES E AGROPECUARIA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. TERMO DE RESPONSABILIDADE COM PODER PÚBLICO. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ART. 16, §§8º E 10 DA LEI Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel e, nos casos de ser mero possuidor, haver comprovação pelo contribuinte da celebração de Termo de Responsabilidade com o Poder Público, desde que antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de Área de Preservação Permanente (APP) e da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 74 37 /2 00 8- 05 Fl. 377DF CARF MF 2 parte da Reserva Legal que não está averbada, nem foi objeto de termo de ajustamento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir do voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Originalmente, nos termos do Art. 60 do anexo II do RICARF, os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri votaram por negar provimento ao recurso; Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos votaram por darlhe provimento parcial; Heitor de Souza Lima Júnior votou por dar provimento parcial ao recurso, em menor extensão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo aos exercícios de 2004 e 2005. Conforme descrição dos fatos (fl. 109/112) a autuação fiscal pode assim ser resumida: 1) Área de Preservação Permanente e Área de Reserva legal: apresentação intempestiva de ADA. O Contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6 (seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 378 3 2) Valor da Terra Nua: o laudo de avaliação apresentado não atende aos requisitos exigidos na intimação, pois embora conste a informação de que o método empregado na determinação do valor da terra nua foi o Método Comparativo Direto de Dados de Mercado, c pesquisa de mercado e tratamento dos dados efetuados conforme recomendação da Norma NBR 14.6533 da ABNT, não são determinados ou indicados os graus de fundamentação e de precisão do laudo apresentado. O valor da terra nua foi arbitrado considerando as informações sobre preços de terras constantes do Sistema Integrado de Preços de Terra, exercícios de 2004 e 2005 para o Município de Guaraquegaba, conforme informado pela Secretaria Estadual de Agricultura. Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 118, e documentos. Preliminarmente arguiu a incompetência do agente fiscal e a nulidade do lançamento por ausência de motivação. No mérito defende ser o ADA instrumento dispensável devendo ser reconhecido ao contribuinte o direito à desoneração do ITR para as áreas de preservação permanente e reserva legal exaustivamente comprovadas por meio dos documentos juntados aos autos, especialmente termos de compromisso firmados com o Estado do Paraná, averbações e laudos técnicos; destacou que toda a propriedade está inserida na Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba (Decreto nº 90.883/85). Por fim questionou o critério adotado pela apuração do VTN e os juros e multas calculados. A Delegacia de Julgamento (fls. 204/218), negou provimento à impugnação e manteve o lançamento. No Recurso Voluntário (fls. 224/257) o Contribuinte reitera as alegações de defesa. Por meio do acórdão nº 2801002.330 a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento em parte ao Recurso Voluntário para, em ambos os exercícios, restabelecer os montantes de 590,38 ha a título de Área de Reserva Legal e 126,90 ha a título de Área de Preservação Permanente, bem como alterar o VTN arbitrado. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004, 2005 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. EXIGÊNCIA DE PROTOCOLIZAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. RECONHECIMENTO PELO IBAMA ANTERIORMENTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A partir do exercício 2001, para fins de exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da base de cálculo do ITR, fazse necessário a existência de ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA, sendo que tal exigência é suprida pelo reconhecimento por parte daquele órgão, em data anterior à ocorrência do fato gerador, da existência de tais áreas. Fl. 379DF CARF MF 4 VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE LAUDO TÉCNICO. Laudo técnico de avaliação elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), constitui documento hábil a comprovar o Valor da Terra Nua ali especificado. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a dispositivos constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA. Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, correta a lavratura de auto de infração para a exigência do tributo, aplicandose a multa de ofício de 75%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminares rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada a União, citando como paradigmas os acórdãos 301343552 e 30239144, interpôs recurso especial de divergência por meio do qual defende que a Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 379 5 apresentação de ADA tempestivo é requisito indispensável para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do ITR. Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso da Fazenda por ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas citados. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Antes de se apreciar o mérito do Recurso Especial interposto pela União, necessário tecer alguns comentários quanto ao seu conhecimento. Em sede contrarrazões o Contribuinte argumenta que os paradigmas utilizados para comprovação da divergência não se referem a situações análogas e não partiram de premissas fáticas idênticas às existentes no acórdão recorrido, pois não se referem a imóveis que apresentavam situação regular perante os órgãos ambientais competentes, ou seja, não apresentaram a prévia comprovação de regularidade fiscal. Para o Recorrido considerando que foram apresentados todos os documentos que comprovam a existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, teríamos uma situação fática distinta daquelas analisadas pelos Colegiados paradigmas, pois naqueles casos supostamente não teria ocorrido a apresentação das provas e documentos requeridos pela fiscalização. Em que pese o entendimento acima, entendo que o despacho de admissibilidade não apresenta qualquer impropriedade. Analisando o inteiro teor da decisões paradigmas concluo que o fato relevante que fundamentou o entendimento dos julgadores foi a não apresentação de ADA na data em que fixada pela legislação, em ambos concluise que a partir do exercício de 2001 a apresentação do Ato Declaratório Ambiental é requisito imprescindível para fins de exclusão das áreas de ARL e APP da base de calculo do ITR. Vale citar trechos do voto vencedor no acórdão 30134.352, onde fica cristalino que no caso concreto se quer se discutiu se as áreas questionadas existiam, sendo relevante apenas o fato não ter sido apresentado o respectivo ADA. Vejamos: O referido § 79 não teve essa redação nem foi essa a mens legis. Na realidade, a matéria foi tratada sob prisma diverso, de forma a dispor tãosomente sobre comprovação prévia à DITR, e não sobre apresentação de ADA, documento esse que é exigível em Fl. 381DF CARF MF 6 prazo de até 6 meses após a entrega da DITR e que nunca foi prévio ou exigido como instrucional à DITR. Concluise, daí, que a Lei e a Medida Provisória convivem hamioniosamente: a primeira, estabelecendo a exigência do ADA; a segunda, dispensando comprovação prévia para efeito de declaração do ITR de que as áreas excluídas de tributação efetivamente existam. Mas, como sublinhado, apenas para efeito de apresentação da DITR. Feitas essas observações, concluo pela inequívoca vigência plena da legislação que prevê a exigência do ADA a partir do exercício de 2001. De outra parte, e por relevante, cumpre ressaltar que não se cogita, na apreciação da lide, da verificação da efetiva existência das áreas objeto de exame, tendo em vista que a matéria objeto de lide, conforme se constata da motivação do Auto de Infração, é a falta do Ato Declaratório Ambiental. Diante do exposto, e considerando que a recorrente não apresentou o Ato Declaratório Ambiental, documento indispensável para a redução do ITR referente ao exercício de 2001, voto por que seja negado provimento ao recurso. Portanto, para essa Relatora o entendimento externado nos acórdãos paradigmas foi no sentido de que ainda que houvesse nos autos prova robusta quanto a existência da áreas com restrições impostas pela legislação ambiental, ainda assim não se reconheceria no caso concreto o direito à isenção haja vista não inexistência ou intempestividade do ADA. Referida tese é exatamente aquela defendida pela Fazenda Nacional que nos deixa claro que: Registrese que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de reserva legal e de preservação permanente. O que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação. A condição acima referida está vinculada ao aspecto temporal, não sendo coerente nem prudente que a regularização junto ao IBAMA das áreas excluídas da tributação do ITR pudesse ser feita a qualquer tempo, de acordo com a conveniência do contribuinte. No caso concreto, o contribuinte não apresentou ADA tempestivamente, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de reserva legal e de preservação permanente. Diante do exposto, conheço do recurso e reitero os fundamentos utilizados no respectivo despacho de admissibilidade. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 380 7 Do mérito: Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente e reserva legal do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Fl. 383DF CARF MF 8 Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 381 9 no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 385DF CARF MF 10 II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 382 11 de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Em contrapartida, por força dos §§4º, 8º e 10 do art. 16 para caracterização de Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. No presente caso, nos interessa discutir acerca dos requisitos que devem ser cumpridos pelo Contribuinte para que reste caracterizada a não incidência do ITR sobre áreas classificadas como de Reserva Legal e Preservação Permanente: Do requisito da averbação: Fl. 387DF CARF MF 12 Considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente a qual existe é pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. A própria Receita Federal do Brasil nos documentos "Perguntas e Respostas do ITR" manifestava expressamente no sentido de a legislação do ITR não exigir a averbação da área de preservação permanente no Cartório de Registro de Imóveis. Por outro lado a necessidade de averbação ou celebração de Termo de Ajustamento de Conduta, se for o caso, das áreas de Reserva Legal é exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de serem averbação e termo requisitos constitutivos da referida área. A averbação ou o termo são condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR o cumprimento desses requisitos devem ser anteriores à ocorrência do fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fim de não incidência do ITR a averbação no registro do imóvel ou a celebração de termo com o Poder Público em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. Do Ato Declaratório Ambiental ADA: A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, é um pouco mais polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 383 13 PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentase na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do Fl. 389DF CARF MF 14 imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância APP e ARL, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção: Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 384 15 1) à Área de Preservação Permanente devidamente comprovada nos autos e cujo ADA foi requerido antes do início da ação fiscal, e 2) à Área de Reserva Legal devidamente averbada à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Para a maioria o cumprimento destes requisitos formais supre a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Fl. 391DF CARF MF 16 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 385 17 autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou Fl. 393DF CARF MF 18 a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Diante de todo os exposto, reiterando meu entendimento de ser o ADA instrumento dispensável para fins de não incidência do ITR e considerando as provas juntadas aos autos concluo: 1) quanto à Área de Reserva Legal: considerando que se trata de recurso da Fazenda Nacional, com base no art. 16, §§ 8º e 10 Lei nº 4.771/65, mantenho o acórdão recorrido para afastar a incidência do ITR sobre a ARL de 590,38 ha, haja vista que os documentos de fls. 61 a 94 demonstram a existência da averbação e/ou termos de responsabilidade firmado entre o Contribuinte e o Governo do Paraná em data anterior ao fato gerador; 2) quanto à Área de Preservação Permanente: embora entenda pela não incidência do ITR sobre o total da área atestada pelo laudo de fls. 35/52, considerando que se trata de Recurso da Fazenda Nacional e sendo vedado o reformatio in pejus, mantenho a decisão recorrida afastando a incidência do ITR sobre a APP de 126,90 ha. Assim, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela nobre relatora, ouso discordar de seu posicionamento, tanto quanto à matéria de exclusão das áreas de Preservação Permanente como de exclusão da área de Reserva Legal. a) Quanto às áreas de Preservação Permanente: Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 386 19 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a Fl. 395DF CARF MF 20 apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 03/10/07 (e fl. 107), assim, posteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 27/08/07 (vide efls. 07/08). Assim, devese enfrentar agora a questão do momento da entrega efetuada pelo autuado, posterior ao prazo estabelecido infralegalmente, mas antes do início da ação fiscal, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR do exercício 2003. Com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 387 21 criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente Fl. 397DF CARF MF 22 embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10980.007437/200805 Acórdão n.º 9202005.180 CSRFT2 Fl. 388 23 Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA contendo a área de preservação permanente glosada, somente foi entregue em 03/10/07 (efl. 107), assim posteriormente ao início da ação fiscal (ocorrida em 27/08/07, conforme efls. 07/08), é de se manter a glosa da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR perpretada pela autoridade lançadora. Notese, ainda, que no referido ADA não foi declarada nenhuma área a título de área de preservação permanente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, mantendose a glosa de 180,2 ha. de área de preservação permanente, declarada pelo autuado como exclusão da base de cálculo do ITR/2003. b) Quanto à área de Reserva Legal: Em que pese concordar com os argumentos da Relatora, faço notar que, no bojo dos documentos de efls. 81/82 (Termo de ajustamento de conduta referente a área de 34,9 ha.), 89/90 (Termo de ajustamento de conduta referente a área de 25,9 ha.) e 94/95 (Termo de ajustamento de conduta referente a área de 137,4 ha.), há expressa retificação em seu fecho, as quais me fazem concluir terem sido tais termos firmados somente em 30/08/2005, assim, posteriormente ao fato gerador em questão, ocorrido em 01/01/03. Tal constatação faz, em meu entender, com que dos 590,38 ha., concedidos pelo Colegiado a quo a título de Reserva Legal, 198,20 ha. não tenham cumprido a condição de averbação nem tenham sido objeto de termo de ajustamento até a data do fato gerador, devendo assim ser restabelecida a glosa para esta parcela da Reserva Legal (198,2 ha.), dandose provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria. Diante do exposto, provimento parcial, para restabelecer a glosa de Área de Preservação Permanente (APP) e da parte da Reserva Legal (198,2 ha.) que não foi, até a data do fato gerador : a) devidamente averbada ou b) objeto de termo de ajustamento. É como voto (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 399DF CARF MF 24 Fl. 400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.728505/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 85 05 /2 01 2- 11 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10711.728505/201211 Acórdão n.º 3201002.552 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.155. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10711.728505/201211 Acórdão n.º 3201002.552 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10711.728505/201211 Acórdão n.º 3201002.552 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721757/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1102-000.160
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do presente Recurso Voluntário em favor de uma das Turmas da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-CARF/MF, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do presente Recurso Voluntário em favor de uma das Turmas da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-CARF/MF, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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RESOLVEM os membros da 2a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do presente Recurso Voluntário em favor de uma das Turmas da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF/MF, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 75 7/ 20 11 -5 9 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Resolução nº 1102000.160 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo Banco Votorantim S/A contra o Acórdão nº 1639.946, proferido pela 10ª Turma da DRJ/SP1, o qual julgou procedente o auto de infração de multa isolada por falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (fls. 7783) sobre supostos pagamentos realizados aos seus diretores estatutários. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 6876), foi realizada diligência numa outra empresa, a Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA, CNPJ 01.170.892/000131, da qual a autuada (BANCO VOTORANTIM) é a sócia majoritária, a fim de se verificar o motivo da desproporcionalidade dos lucros distribuídos aos sócios desta sociedade e eventuais reflexos tributários (fls. 68). A fiscalização constatou que a Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários era uma sociedade limitada com os seguintes sócios: Banco Votorantim S/A (autuado), detentor de 99,98% das cotas do capital; EVO Empreendimentos e Participações LTDA, CNPJ 04.530.785/0001 65, detentor de 0,02% do capital (fls. 68) Foi apurado pela fiscalização que os lucros distribuídos pela Votorantim Corretora se deram da seguinte forma, nos anoscalendário 2007 e 2008: Total dos Lucros Lucros recebidos Lucros recebidos Data Distribuídos – R$ Banco Votorantim – R$ Evo Participações – R$ 27/02/2007 10.000.000,00 2.500.000,00 7.500.000,00 02/08/2007 10.670.000,00 2.667.500,00 8.002.500,00 28/12/2007 48.000.000,00 12.000.000,00 36.000.000,00 05/09/2008 12.500.000,00 3.125.000,00 9.375.000,00 Observou ainda a Fiscalização que a EVO Participações era uma empresa cujos cotistas eram os diretores estatutários do Banco Votorantim (autuado) e de outras empresas financeiras do grupo econômico. Eleitos pela Assembléia do Banco Votorantim como diretores estatutários, passaram a figurar, pouco depois, como cotistas da EVO Participações, passando a receber dividendos desta, sendo que a única receita da EVO, no período fiscalizado, foi resultante da participação societária que possuía na Votorantim Corretora (fls. 69). Pelos fatos apresentados, concluiu a autoridade lançadora, dentre outras coisas que: Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Resolução nº 1102000.160 S1C1T2 Fl. 4 3 a) O Banco Votorantim S/A, no período fiscalizado, era uma sociedade anônima fechada, que tinha como principal acionista a Votorantim Finanças S/A com 99,94% do capital; b) O Banco Votorantim S/A resolveu ceder, no período de 2007 e 2008, R$60.861.266,00 de seus dividendos a que teria direito, pela sua participação na Votorantim Corretora, em favor da empresa EVO Participações; c) A empresa EVO Participações declarou, como receita na DIPJ, somente sua participação na Votorantim Corretora, cujos dividendos a que teria direito totalizariam R$14.234,00, no período de 2007 e 2008, não fosse a vontade "expressa do sócio" Banco Votorantim em transferir R$60.861.266,00 para a EVO. d) A EVO Participações tinha como sócios cotistas apenas diretores estatutários do Banco Votorantim S/A e outras empresas do ramo financeiro do grupo. Pouco tempo depois de eleitos como diretores, pela Assembléia da CIA, figuraram como cotistas da EVO. Estes diretores não eram controladores do Grupo Votorantim. A EVO não prestou serviço algum ao Banco Votorantim, nem tampouco à Votorantim Corretora; e) Os lucros distribuídos pela Votorantim Corretora foram pagos na mesma época, ou próxima, da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) atribuído aos empregados; f) Ficou evidente que a "expressa vontade" do Banco Votorantim S/A, ao ceder seus dividendos, objetivou gratificar seus diretores pelo trabalho e os lucros que estes geraram para este grupo financeiro, e não fazer simplesmente uma doação à empresa EVO, que não contribuiu em nada para o resultado obtido, a não ser receber os dividendos desproporcionais e repassar aos cotistas pessoas físicas diretores do Banco Votorantim. Afirma o auditor que, caso o Banco Votorantim S/A não se utilizasse da pessoa jurídica da EVO para gratificar seus administradores e o fizesse através das folhas de pagamento, não se consideraria desonerado do recolhimento das contribuições previdenciárias e da retenção do imposto na fonte do beneficiário da gratificação como rendimento do trabalho (fl. 70). Diante desses fatos lavrou o auditor a multa isolada em face da falta de retenção por parte do Banco Votorantim do Imposto de Renda Retido na Fonte relativo a estas gratificações atribuídas aos diretores estatutários, cujos pagamentos ocorreram através da distribuição de lucros cedidos pelo Banco Votorantim à EVO Participações caracterizados nesta fiscalização como rendimento do trabalho excluindo destes valores os 0,02% das cotas de capital que a EVO teria direito como cotista. A base de cálculo utilizada está na planilha do anexo I do Auto de Infração, denominada Base de Cálculo Multa e Juros Isolados, cujos dados foram fornecidos pelo contribuinte (fls. 72). A impugnante aduziu em breve síntese no mérito pela legalidade da distribuição desproporcional de lucros, pela inexistência de abuso de forma, inocorrência de simulação, ausência de vantagem fiscal decorrente da mera existência de EVO Participações Ltda., da ausência de liame jurídicotributário a deflagrar exigência da retenção do IRRF sobre distribuição de dividendos, dentre outros argumentos. Na decisão de 1ª Instância, os membros da 10ª Turma de Julgamento da DRJSP decidiram, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e no Fl. 688DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Resolução nº 1102000.160 S1C1T2 Fl. 5 4 mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, por entender, conforme ementa, que uma vez demonstrado nos autos que os atos negociais praticados deramse em direção contrária a norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, cabível a exigência do tributo incidente sobre a real operação. A recorrente apresenta recurso voluntário, reiterando as razões apresentadas em 1ª instância. Este é o relatório Voto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como narrado no relatório, tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da da DRJ/SP1 que julgou procedente o auto de infração de multa isolada por falta de retenção de IRRF (fls. 7783) devido aos supostos pagamentos de remuneração aos diretores estatutários da autuada (Banco Votorantim). Pela matéria, estarse diante de competência da Segunda Seção, conforme previsão explícita na Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 3º, in verbis: “Art. 3º À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)” À Primeira Seção somente cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário sobre Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, nos termos art. 2º, V do mesmo Regimento, verbis: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; No presente caso, a fiscalização iniciada pelo MPFF n. 0816600/00582/10 foi finalizada pelo Termo de Encerramento às fls. 307 apenas com a presente autuação de multa Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Resolução nº 1102000.160 S1C1T2 Fl. 6 5 isolada por falta de retenção de IRRF, demonstrando não haver qualquer procedimento conexo, decorrente ou reflexo com os tributos de competência desta 1a. Seção. Pelo exposto, declino da competência para julgamento do presente Recurso Voluntário em favor de uma das Turmas da 2a Seção de Julgamento do CARF, propondo sua devolução ao SESEJ para redistribuição. É como voto. Documento assinado digitalmente. Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Fl. 690DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005054/2001-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1992, 1993
ILL. SOCIEDADE ANÔNIMA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF.
Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratando-se de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, Imposto Sobre o Lucro Líquido - ILL exigido das sociedades anônimas, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para fins de afastar a decadência do direito de pedir restituição formulado pelo contribuinte, determinando o retorno dos autos à Delegacia de origem para apreciação das demais questões atinentes a esse pedido, ainda não enfrentadas.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 1992, 1993 ILL. SOCIEDADE ANÔNIMA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF. Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratandose de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL exigido das sociedades anônimas, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 50 54 /2 00 1- 82 Fl. 129DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para fins de afastar a decadência do direito de pedir restituição formulado pelo contribuinte, determinando o retorno dos autos à Delegacia de origem para apreciação das demais questões atinentes a esse pedido, ainda não enfrentadas. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10410.005054/200182 Acórdão n.º 2402005.625 S2C4T2 Fl. 205 3 Relatório O processo em tela já foi objeto de exame pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, motivo pelo qual peço vênia para transcrever a bem exposta síntese dos fatos realizada por aquele Colegiado: Cuida o presente de Pedido de Restituição de valores pagos a titulo de ILL, no valor total de R$ 47.224,56. Em Parecer n.° 150/04 e Despacho Decisório (fls. 69), não foi reconhecido o direito creditório pleiteado, sob o fundamento de que o prazo para restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente é de 5 anos contados da extinção do crédito tributário, prazo este já ultrapassado no presente caso. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou, no prazo legal, manifestação de inconformidade, alegando, em resumo, o seguinte: nos anos de 1992 e 1993 efetuou o pagamento de ILL, com base no artigo 35 da Lei n.° 7713/88,tendo o Senado Federal suspendido a execução do termo "acionista" do referido artigo através da resolução n.° 82, de 18/11/96; aplicação do artigo 1°, parágrafos 1° e 2° do Decreto 2346/97; que apenas a partir da publicação da Resolução do Senado é que se iniciou o prazo para restituição do indébito tributário; e que o posicionamento do STJ é de que o prazo para repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação é de 5 anos contados a partir da homologação do lançamento (5 anos), perfazendo o total de 10 anos. A 5ª Turma da DRJ de Recife/ PE, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação constante da manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório, sob o fundamento de que o Ato Declaratório SRF n.° 96, de 26/11/99, contém em seu item I orientação no sentido de que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior, inclusive na hipótese de pagamento com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extinguese em cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 87/97), alegando, em síntese, que: o STJ já consagrou o entendimento do prazo de "cinco mais cinco" para repetição do indébito tributário; e caso não seja acolhido o entendimento do STJ, que o prazo de 5 anos começa a correr a partir da publicação da Resolução do Senado. Por intermédio do Acórdão nº 180200.260 (fls. 121/124) a precitada Turma declinou de competência para a 2ª Seção de Julgamento do CARF, consubstanciando seu entendimento na seguinte ementa: Fl. 131DF CARF MF 4 PAF — COMPETÊNCIA — face ao comando contido nos artigos 3 ° e 7° do Regimento Interno do CARF, é da 2a Seção de Julgamento desta Corte Administrativa a competência para julgar pedidos de restituição de supostos créditos decorrentes da retenção indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Liquido ILL. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10410.005054/200182 Acórdão n.º 2402005.625 S2C4T2 Fl. 206 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. Como visto, a recorrente postulou restituição dos valores pagos a título de ILL (Imposto de renda sobre o Lucro Líquido), tendo em vista o fato de a Resolução do Senado Federal nº 82, de 18/11/1996, ter suspendido a eficácia do termo "acionista" constante do art. 35 da Lei nº 7.713/88, em consonância com decisão do Pretório Excelso proferida no RE nº 138.2848. Entretanto, tal pedido foi denegado pela DRF/Maceió (fl. 73), fundamentadose a decisão no decurso do prazo decadencial para o exercício desse direito. A respeito dessa matéria, houve pronunciamento do STF em sede de repercussão geral no RE nº 566.621 (j. 4/8/2011), e do STJ sob o rito de recurso repetitivo nos REsp nº 1.002.932/SP (j. 25/11/2009) e nº 1.269.570/MG (j. 23/5/2012), julgados os quais deve este Colegiado observar, tendo em vista o disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento do CARF (Portaria MF nº 343/15). O entendimento exarado por esses tribunais superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tais como o ILL, para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, antes de 9/6/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º do CTN, somado ao prazo de cinco anos previsto no artigo 168, I desse Código. Em outros termos, os contribuintes têm nessas situações o prazo total de dez anos, a partir do fato gerador, para pleitear restituição do tributo indevidamente recolhido. Nesse rumo, diversas decisões da CSRF já se pronunciaram, como por exemplo os Acórdãos nos 9900000.382 (j. 28/8/2012), 9202003176 (j. 6/5/2014) e 9202 004.021 (j. 12/5/2016). Foi editada, inclusive, súmula nesse sentido pelo Pleno em sessão de 9/12/2013: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De sua parte, a Procuradoria, em interpretação do RE nº 566.621, aprovou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1247/2014, no qual concluiu que: (...) os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema nº 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da “tese dos cinco mais cinco”. Fl. 133DF CARF MF 6 Traçado esse sintético panorama do tema, temse no caso concreto que o contribuinte protocolizou pedido de restituição em 14/11/2001 (fls. 2/8), relativamente a recolhimentos efetuados no decorrer dos anoscalendário 1992 e 1993 (fls. 33/48), correspondentes, respectivamente, a fatos gerados ocorridos em 31/12/1991 e 31/12/1992. Tendo em vista as decisões e orientações jurisprudenciais e administrativas acima relatadas, cumpre reconhecer que o direito de pedir restituição dos valores em comento não se encontra decaído, havendo sido exercido dentro do prazo decenal aplicável à espécie. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de afastar a decadência do direito de pedir restituição formulado pelo contribuinte, determinando o retorno dos autos à Delegacia de origem para apreciação das demais questões atinentes a esse pedido, ainda não enfrentadas. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720552/2014-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009
IRRF. EMPRÉSTIMO OBTIDO NO EXTERIOR. REGISTRO CONTÁBIL DOS JUROS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDAS OU PROVENTOS PELO CREDOR. INEXISTÊNCIA.
O mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos pelo credor, devendo ser afastada a incidência do imposto de renda na fonte.
Numero da decisão: 2402-005.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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REGISTRO CONTÁBIL DE JUROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SCF COMPANHIA SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 IRRF. EMPRÉSTIMO OBTIDO NO EXTERIOR. REGISTRO CONTÁBIL DOS JUROS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDAS OU PROVENTOS PELO CREDOR. INEXISTÊNCIA. O mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos pelo credor, devendo ser afastada a incidência do imposto de renda na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 52 /2 01 4- 07 Fl. 2398DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Por meio dos autos de infração, fls. 1.509 a 1.522, são exigidas da contribuinte acima identificada as importâncias relacionadas na seguinte tabela, referente ao anocalendário 2009, acrescidas de multa de ofício de 75 % e de juros de mora. 1. DA DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Da descrição dos fatos e enquadramento legal, às folhas 1.510; 1.514 e 1.519, verificase que a autuação se deu em razão de: 1.1 Infração nº 01 – PIS e COFINS Não inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS da receita proveniente do perdão de juros de empréstimos obtidos com empresa vinculada no exterior que, pelos princípios contábeis, se caracteriza por receita nova e por ter sido despesa de captação redutora da base de cálculo dessas contribuições, deveria ter sido considerada para fins de cálculo dessas exações tributárias Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º , §8º, II da Lei nº 9.718/98. 1.2 Infração nº 02 – IRRF Não recolhimento do IRRF sobre obrigações relativas a juros de empréstimos obtidos no exterior. O fato gerador do IRRF é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda por parte da credora, caracterizada com o crédito reconhecido pela devedora. Perdão de dívida de juros incorridos e vencidos caracteriza hipótese prevista no art. 685 do RIR/99. Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 30/01/2009 e 31/12/2009: Arts. 674; 675; 682; 685; 702; 703 e 725 do RIR/99. 2. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Fl. 2400DF CARF MF 4 Assim se manifestou a autoridade autuante, fls. 1.525/1.548, em síntese: [...] Dos Fatos · Através do Termo de Início, com ciência no dia 13/02/2014 , intimei a contribuinte a detalhar e esclarecer as informações prestadas na DIPJ 2010, anocalendário de 2009, referente a ficha 06A, linha 23, "Outras Receitas Financeiras de R$ 70.487.463,76; e linha 37, "Outras Receitas Operacionais de R$ 32.606.194,09, uma vez que os recolhimentos de PIS e da COFINS estavam bem abaixo do valor declarado de receitas operacionais. · Em resposta, apresentou o razão contábil das contas de apuração do PIS e da COFINS, memória de cálculo mensal dessas contribuições, que colamos abaixo, e razão contábil das contas "Outras Receitas Operacionais" compostas pelos grupos identificados pelos códigos: 3.1.10.31.0001 a 3.1.10.31.0005 e 3.1.10.32.0001 e 3.1.10.32.0002, referente ao valor lançado na Ficha 06A, linha 23; e razão contábil das contas "Outras Receitas Financeiras" compostas pelos grupos: 3.1.10.35.0001, 3.2.10.11.0002 a 3.2.10.11.0004, 3.2.20.11.0003 a 3.2.20.11.0004 e 3.3.20.33.0001, referente ao valor lançado na Ficha 06A, linha 23. Apresentou também balancete de dezembro de 2009 com os saldos anuais das contas relacionadas acima. · A contribuinte fundamenta a dedução da sua despesa de captação no art. 3o, § 8o, II, da Lei 9.718/98. · Por intermédio da Intimação Fiscal 0001, verificouse que as contas que compõem a rubrica de despesas de captação, "Outras Exclusões" do DACON, estão identificadas contabilmente como: código 3.3.20.31.0007 Juros sobre Empréstimo R$ 22. 942.876,45 anual; e código 3.3.20.31.0008 Juros sobre Empréstimo 2 R$14.742.208,97 anual. · Analisandose a escrituração contábil digital SPED da contribuinte, tais débitos nas contas de juros têm como contrapartida os créditos em conta de passivo exigível a longo prazo: o débito na conta 3.3.20.31.0007 Juros Sobre Empréstimos credita a conta de passivo n° 2.2.20.12.0001 LBI Group Inc.; e a conta 3.3.20.31.0008 Juros sobre Empréstimo 2, credita a conta 2.2.20.12.0002 Lehman Brothers Special Financing Inc.. A contribuinte não faz lançamentos individualizados, segregando no passivo o que é referente a juros a pagar e IRRF a recolher do que é de valor principal tomado como empréstimo. · A contribuinte vem desde o início do empréstimo creditando em mesma conta de passivo: código 2.2.20.12.0001 LBI Group Inc, os juros a pagar e o IRRF a recolher. E, em contrapartida, debitando mensalmente pro rata tempore as despesas de juros e acréscimos (nesse caso os acréscimos são os valores de IRRF retidos e não recolhidos aos cofres da Fazenda Nacional), deduzindo essas despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 4 5 e da base do PIS e da COFINS, como despesas de captação. As despesas financeiras de juros, não efetivamente pagos, e as despesas de IRRF, calculadas com base reajustada conforme o art. 725 do RIR/99, foram contabilizadas em obediência ao regime da competência. · Foi perdoado um total de R$ 66.707.074,00, referente aos dois empréstimos, esse perdão gerou uma receita contabilizada no grupo de Outras Receitas Operacionais, conta cód. 3.1.10.35.0001 Receita de Perdão de Dívida (juros). Essa receita foi considerada nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de 2009, mas não foi considerada nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. No tópico 5, “Do Direito”, esclareceremos que deveria ter sido tributado esse valor para fins do PIS e da COFINS, uma vez que se trata de receita nova e de uma reversão de despesa que fora redutora das bases dessas contribuições nos períodos anteriores. Do Direito em relação à infração de n° 01 PIS/COFINS · A contribuinte, quando questionada na Intimação Fiscal 0002 a apresentar justificativa legal para a não consideração na base de cálculo do PIS e da COFINS da Receita de Perdão de Dívida (juros), conta 3.1.10.35.0001, no valor de R$ 66.707.704,00, argumentou que o resultado financeiro decorrente da renegociação não foi incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por que não se subsume ao artigo 3o da Lei 9.718/98. Esta Fiscalização diverge do entendimento da contribuinte como a seguir será demonstrado. · Os juros transcorridos contabilizados por competência, quando não pagos, são passivos genuínos, devendo ser registrado no passivo a título de juros a pagar. · O perdão de uma dívida de juros por empresa coligada no exterior consubstanciase em uma extinção de um passivo sem o desaparecimento concomitante de um ativo, tratandose, portanto, de uma realização de uma nova receita ocorrida na data do perdão. · As despesas de juros transcorridos e não pagos, os juros a pagar, bem como, o IRRF a recolher, sobre empréstimos no exterior, serviram para deduzir as bases de cálculo do PIS e da COFINS como despesas de captação. · A despesa de captação é considerada operacional, porque é da operação da securitizadora captar recursos no mercado e remunerar o investidor pelo recurso financeiro aplicado que, no caso em questão, a captação foi através dos juros contratados. Tanto é típico da atividade da securitizadora, do seu objeto social, que tais despesas foram incluídas na legislação como redutora das bases do PIS e da COFINS. · A captação de remuneração é essencial a execução do objeto social das securitizadoras, logo a receita de perdão de dívida, Fl. 2402DF CARF MF 6 resultante de despesa de captação, tratase de receita operacional típica da atividade. · Sendo assim, a sua reversão através do perdão da dívida de juros, seria uma nova receita a ser adicionada na base dessas contribuições, uma vez que elas, quando despesas de captação, reduziram anteriormente essas bases, tendo a mesma natureza operacional da sua contrapartida. · Se não fosse esse o entendimento, teríamos aqui um verdadeiro descompasso na legislação tributária, dando margem a planejamentos tributários entre partes relacionadas, por exemplo: a empresa vinculada, devedora do empréstimo, após vários exercícios não efetuaria o pagamento dos juros transcorridos à sua credora vinculada, contabilizando no passivo as contrapartidas de despesa, reduzindo por anos as bases do PIS e da COFINS; depois, ao final de 5 anos das obrigações contabilizadas no passivo, receberia um perdão dos juros, finalizando o planejamento, com a não consideração da receita nova nas bases das contribuições. Situação essa, que seria um planejamento tributário digamos "perfeito", totalmente prejudicial ao Fisco, pois, mesmo que consiga descaracterizálo não poderia atuar para lançar as exações inadimplidas, uma vez que estas já estariam decaídas. · A depender do tipo de atividade empresarial constante do objeto social das instituições financeiras e suas equiparadas, determinadas receitas financeiras se enquadram no conceito de faturamento ou receita bruta para fins da exação das contribuições do PIS e da COFINS. · A base de cálculo da contribuição é o faturamento mensal, entendido como o valor da receita bruta da pessoa jurídica decorrente da venda de bens ou da prestação de serviços (art. 3o da Lei nº 9.718/98). · O art. 79, inciso XII, da Lei no 11.941/2009 revogou o §1° do art. 3o da Lei no 9.718/98, restringindo assim o conceito de receita bruta para fins de incidência da contribuição cumulativa. · As despesas financeiras de captação nas securitizadoras são operacionais, são da atividade empresarial típica constante do seu objeto social, concluindose que as correspondentes reversões dessas despesas, através do perdão de juros, também terão a mesma natureza de receitas financeiras de captação operacionais que se sujeitam às exações do PIS e da COFINS. Do Direito em Relação à Infração de n° 02 IRRF · Como relatado na descrição dos fatos, a contribuinte, embora tenha creditado no passivo os juros incorridos, vencidos : não pagos, não efetuou o recolhimento dos impostos retidos nos momentos da apropriação das despesas de juros relativo a empréstimos obtidos no exterior. · A hipótese de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda na Fonte sobre a remessa de juros ao exterior tem situação prevista em lei para identificar o momento do fato gerador do Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 5 7 IRRF no caso de remessa de juros para o exterior, in casu o art. 685 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7ºe8º): (grifos nossos) I à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: a)os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; · Grifamos "creditados", uma vez que, se os juros vencidos forem creditados como obrigação no passivo, na data de vencimento contratual, mesmo não pagos, configurase a ocorrência do fato gerador do IRRF. · No art. 725 do RIR/99 é tratado a situação em que a base de rendimentos é reajustada em função do responsável pela retenção assumir o ônus do imposto, como é nesse caso: Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art.5º e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, §2º). · Quanto aos juros vencidos e não pagos, não resta dúvida da concretização da hipótese da ocorrência do fato gerador, definidas legalmente, bem como as relações advindas desta hipótese. · Em 2009, conforme descrição dos fatos acima, a fiscalizada mensalmente creditava no passivo os juros incorridos, vencidos e não pagos, portanto, sendo obrigada ao pagamento do Imposto de Renda na Fonte sobre os juros creditados, remetidos ou não. · O que caracteriza a incidência do IRRF é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica da renda por parte da credora, caracterizada com o crédito reconhecido pela devedora, a Libro, atualmente SCF, conforme disposto no art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 2404DF CARF MF 8 de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. · Verificase que a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda na Fonte não está necessariamente vinculada á remessa dos rendimentos ao exterior, bastando que haja o crédito, conforme previsto no art.702 do RIR: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 28). · A Lei Ordinária enumerou uma tipologia de atos que geram a incidência do tributo (pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa), para definir, cada um deles como a aquisição da disponibilidade de renda, conforme previsto no art. 43 do CTN. · Pelo exposto, não restam dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador do IRRF, cód. 0481, dos juros incorridos, vencidos e não pagos nos finais de trimestres de 2009, no contrato de empréstimo com a LBI Group Inc., e nos finais dos meses de 2009, no contrato de empréstimo junto a LBSF. [...] A contribuinte apresentou sua impugnação às folhas 1.553 a 1.608, acompanhada dos documentos de fls. 1.609 a 2.203, na qual, após uma síntese dos fatos, expõe suas razões de irresignação, [...] A DRJ, contudo, julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão acima ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 30/01/2009 a 31/12/2009 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REMESSAS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO CALCULADO TENDO COMO DATA DO FATO GERADOR A DATA DOS CRÉDITOS CONTÁBEIS. IMPOSSIBILIDADE. O fato gerador do imposto de renda na fonte, pelo crédito dos rendimentos, relacionase, necessariamente, com a aquisição da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica. A hipótese de incidência exige que as importâncias sejam pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários domiciliados no exterior, por fonte situada no País. Assim, para que ocorra o fato gerador do imposto de renda é necessário que exista renda e que esta esteja disponível, seja no sentido econômico ou jurídico. Por sua vez, Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 6 9 disponibilidade significa que o dinheiro (disponibilidade econômica) ou o crédito (disponibilidade jurídica) esteja a disposição do credor, isto é, que estejam livres, sem condicionantes ou reservas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 17/12/2009 PIS. REGIME CUMULATIVO. REVERSÃO DE DESPESA DE CAPTAÇÃO. PERDÃO DE JUROS PASSIVOS. ART. 3º, §8º, DA LEI Nº 9.718/98. Para as pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de crédito financeiro, cuja legislação autoriza a dedução da base de cálculo das despesas de captação, a reversão desta despesa, por ocasião do perdão da dívida, deve ser acrescida à receita bruta, no mês de sua reversão, para apurar a base de cálculo da contribuição para o PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 17/12/2009 COFINS. REGIME CUMULATIVO. REVERSÃO DE DESPESA DE CAPTAÇÃO. PERDÃO DE JUROS PASSIVOS. ART. 3º, §8º, DA LEI Nº 9.718/98. Para as pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de crédito financeiro, cuja legislação autoriza a dedução da base de cálculo das despesas de captação, a reversão desta despesa, por ocasião do perdão da dívida, deve ser acrescida à receita bruta, no mês de sua reversão, para apurar a base de cálculo da contribuição para a COFINS. Diante do montante exonerado, a DRJ recorreu de ofício a este Conselho. A contribuinte foi intimada da decisão em 04 de março de 2015 (fl. 2230) e interpôs recurso voluntário em 02 de abril de 2015, o qual está fundamentado, basicamente, nas seguintes teses: 1. Ilegitimidade da cobrança referente ao PIS/COFINS; 2. Análise do fato gerador do PIS e COFINS: o perdão da dívida não é faturamento ou receita bruta, nos termos da Lei 9718/1998; 3. O posicionamento da jurisprudência de que perdão de dívida não integra a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS: a jurisprudência administrativa é no sentido de que os valores registrados a título de perdão de dívida não integram a base de cálculo do PIS e COFINS; Fl. 2406DF CARF MF 10 4. A receita operacional típica das securitizadoras: o perdão de dívida não é receita operacional ou receita típica da recorrente; 5. Ausência de previsão legal para a tributação da reversão/recuperação de despesa de juros (perdão de dívida) impossibilidade de equiparar a tributação pelo IRPJ/CSLL à tributação do PIS/COFINS no presente caso: o fato gerador do IRPJ e da CSLL em nada se assemelha ao fato gerador do PIS e da COFINS; 6. Excesso na constituição do crédito tributário: deve ser excluída a incidência de juros sobre a parcela da multa aplicada. Em sessão realizada em 17 de agosto de 2016 (v. fls. 2362/2372), o julgamento do feito foi convertido em diligência, para que fossem tomadas as providências necessárias para desmembrar o presente processo administrativo, a fim de remanescer nesta Seção apenas o recurso de ofício (IRRF), remetendose à Seção competente o recurso voluntário (PIS/COFINS). Em 02/12/2016, foi efetuado o desmembramento (fl. 2379), mediante transferência dos débitos de PIS e COFINS para o processo nº 6151720.199/201678. Em 07/12/2016, a recorrente teve vistas dos autos (fl. 2396) e não apresentou manifestação. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Conforme relatado anteriormente, remanesce nestes autos apenas o recurso de ofício, interposto pela DRJ com base no art. 1º da Portaria MF nº 3/2008, mais precisamente porque a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00. Em primeiro lugar, cumpre observar que a Portaria MF nº 63/2017 estabeleceu um novo limite para a interposição de tal recurso, elevando o aludido limite para R$ 2.500.000,00. Vejase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Em segundo lugar, cabe destacar que a Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância. Verbis: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Neste caso, observase que o crédito tributário alusivo ao IRRF, exonerado pela decisão a quo, ultrapassa a citada monta de R$ 2.500.000,00, de tal maneira que o recurso de ofício deve ser conhecido. 2 Do IRRF A controvérsia se restringe em saber se o registro contábil de juros devidos em empréstimo obtido no exterior, pelo sujeito passivo, caracteriza a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos, pelo credor, a fim de atrair a incidência do imposto de renda na fonte, ex vi do art. 685 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 2408DF CARF MF 12 No entender da autoridade autuante, como o citado artigo emprega o vocábulo "creditados", o registro contábil dos juros caracterizaria a disponibilidade, de tal forma que deveria haver a incidência na fonte. Pois bem. O art. 153, inc. III, da Constituição Federal, ao outorgar à União a competência para instituir o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, indiretamente definiu a sua hipótese de incidência como sendo a ocorrência de um acréscimo patrimonial, resultante da obtenção de riqueza nova. Também definiu, indiretamente, o sujeito passivo como sendo o titular dessa riqueza. Singrando essa determinação Constitucional, o art. 43 do Código Tributário Nacional prevê a incidência do imposto de renda quando houver um efetivo acréscimo patrimonial, em decorrência da disponibilidade econômica ou jurídica de rendas (inc. I) ou proventos de qualquer natureza (inc. II). Da leitura da norma do art. 153, inc. III, da Constituição Federal, e do art. 43 do Código, facilmente se percebe que o imposto de renda somente pode incidir sobre a obtenção de uma riqueza nova. Quanto à incidência do imposto na fonte sobre a remessa de valores, por fonte situada no país, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, o art. 685 do Regulamento do Imposto de Renda preleciona a sua ocorrência em caso de rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos. Vejase: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): [...] Ora, é intuitivo que o mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade econômica ou jurídica pelo credor. Tal registro, aliás, pode ser feito à revelia da parte interessada. Expressandose de outra forma, o registro dessa despesa na contabilidade não quer dizer que os valores tenham sido realmente creditados, muito menos que haja renda efetiva e que ela esteja disponível ao credor. Por concordar com estes fundamentos da decisão recorrida (fls. 2225/2226), vale transcrevêlos, adotandoos como razões de decidir: Temse, a partir de uma interpretação sistêmica do ordenamento jurídico, que o significado dos verbos “pagos”, “creditados”, “entregues”, “empregados” ou “remetidos”, são atos (ação positiva) praticados pelo devedor (fonte pagadora dos rendimentos) em benefício do credor, de tal forma que os valores se tornem disponíveis ao credor, isto é, prontos para uso imediato, sem a necessidade da prática por terceiro de nenhum outro ato. Assim, na interpretação jurídica do termo “creditados”, devese levar em conta o disposto no art. 43 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 16327.720552/201407 Acórdão n.º 2402005.720 S2C4T2 Fl. 8 13 [...] Destarte, para que ocorra o fato gerador do imposto de renda é necessário que exista renda e que esta esteja disponível, seja no sentido econômico ou jurídico. Por sua vez, disponibilidade significa que o dinheiro (disponibilidade econômica) ou o crédito (disponibilidade jurídica) esteja a disposição do credor, isto é, que estejam livres, sem condicionantes ou reservas. Diante da exposição acima, é notório que o registro de uma obrigação na contabilidade do devedor não faz nascer o fato gerador da obrigação de pagar o IRRF sobre rendimentos de juros de empréstimos contraídos no exterior. Para tal desiderato, fazse necessário que os valores se encontrem a disposição do credor, o que, no caso em concreto, não ocorreu. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 2410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36266.007293/2005-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA OU NÃO. DEMONSTRAÇÃO.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Ausentes esses pressupostos, os embargos de declaração devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 2302-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos para manter o Acórdão embargado, que pugnou pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reconhecer a homologação tácita do crédito tributário, com fulcro no artigo 150 §4º, do Código Tributário Nacional.
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
EDITADO EM: 25/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA OU NÃO. DEMONSTRAÇÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Ausentes esses pressupostos, os embargos de declaração devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos para manter o Acórdão embargado, que pugnou pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reconhecer a homologação tácita do crédito tributário, com fulcro no artigo 150 §4º, do Código Tributário Nacional. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. EDITADO EM: 25/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 72 93 /2 00 5- 03 Fl. 405DF CARF MF 2 Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, relator original, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, estou procedendo à formalização na condição de redator ad hoc. Esclareço que em virtude de não ter sido localizada a minuta de voto do conselheiro originário, utilizo como base o registro da ata e/ou votos do mesmo conselheiro em processos similares. Feito o registro. Tratase de embargos de declaração da União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), que alegou: Analisando o inteiro teor da decisão, constatase que a e. Turma possui o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tão somente diante da existência de pagamento parcial das contribuições devidas. Por outro lado, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. Contudo, o Colegiado não aplicou o prazo previsto no art. 173, I do CTN para as rubricas Ad rat 25 anos das competências 02, 03, 06 e 08 de 2000, onde não houve nem um ínfimo recolhimento, conforme aponta o discriminativo de fls. 13/15. Desse modo, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar a contradição acima exposta. É o relatório, Voto Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, relator original, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, estou procedendo à formalização na condição de redator ad hoc. Esclareço que em virtude de não ter sido localizada a minuta de voto do conselheiro originário, utilizo como base o registro da ata e/ou votos do mesmo conselheiro em processos similares. Feito o registro Os embargos devem ser rejeitados. A teor da Súmula CARF 99, “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza Fl. 406DF CARF MF Processo nº 36266.007293/200503 Acórdão n.º 2302003.557 S2C3T2 Fl. 3 3 pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. Pois bem, o Relatório de Documentos Apresentados (RDA) registra a existência de guias da previdência social (GPS) para as competências 03, 06 e 08 de 2000 (e fls. 67 e 68). Os próprios demonstrativos citados pela embargante (efls. 14 a 16) também demonstram o pagamento de contribuições previdenciárias nos períodos considerados. Assim sendo, não há qualquer contradição, omissão ou obscuridade no acórdão embargado a possibilitar o acolhimento dos embargos de declaração. Conclusão Pelas razões retro, voto por rejeitar os Embargos de Declaração opostos para manter o Acórdão embargado, que pugnou pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reconhecer a homologação tácita do crédito tributário, com fulcro no artigo 150 §4º, do Código Tributário Nacional. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Redator ad hoc Fl. 407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720016/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1.
1. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo.
2. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não há interesse recursal do sujeito passivo em relação à multa, a qual não foi lançada pela fiscalização.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação da contribuinte e das verbas aplicáveis; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. JUROS MORATÓRIOS. CABIMENTO.
É cabível a inclusão de juros moratórios nos lançamentos preventivos da decadência, sendo vedado apenas a incidência de multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-005.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. 1. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo. 2. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não há interesse recursal do sujeito passivo em relação à multa, a qual não foi lançada pela fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação da contribuinte e das verbas aplicáveis; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. JUROS MORATÓRIOS. CABIMENTO. É cabível a inclusão de juros moratórios nos lançamentos preventivos da decadência, sendo vedado apenas a incidência de multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. 1. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo. 2. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não há interesse recursal do sujeito passivo em relação à multa, a qual não foi lançada pela fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação da contribuinte e das verbas aplicáveis; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 16 /2 01 4- 24 Fl. 508DF CARF MF 2 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. JUROS MORATÓRIOS. CABIMENTO. É cabível a inclusão de juros moratórios nos lançamentos preventivos da decadência, sendo vedado apenas a incidência de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15956.720016/201424 Acórdão n.º 2402005.765 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida: Tratase de Impugnação em resistência ao Auto de Infração – AI DEBCAD: 51.052.8031, no valor total de R$ 9.729.004,11 – referente às Contribuições devidas pela empresa (2%) e às Contribuições para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho (0,1%), lançadas a partir de três Levantamentos: 1 RURAL PF 0008, 2 RURAL PF 0010 e 3 RURAL PF 0011. Noticia, em síntese, o Relatório Fiscal, fls. 21/22, que: “Tratase de empresa cuja atividade econômica se enquadra como frigorífico (abate de bovinos e suínos) e comércio atacadista de carnes bovinas, suínas e derivados. A produção rural (bovinos e suínos) foi adquirida de produtores rurais pessoas físicas para a industrialização” “A base de cálculo das contribuições sociais devidas pelo produtor rural é o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção”. “A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural é da empresa adquirente, na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física. Na condição de subrogada a empresa é diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física. Estas contribuições devidas não foram recolhidas e não foram arrecadadas pela empresa mediante descontos nos pagamentos referentes aos valores dos fornecimentos da produção rural”. A receita bruta da comercialização da produção rural foi verificada “na empresa fiscalizada, através de seus ‘Lançamento Contábeis’ e apurados através de suas ‘Notas Fiscais de Entradas, Próprias e Não Canceladas”. Segundo a peça fiscal as Contribuições devidas pela “Comercialização da Produção – Pessoa Física” não foram informadas em GFIP. Em sua Impugnação, fls. 426/441, a Interessada, por meio de seu advogado, fl. 443, alega, em síntese, que: “Entende o impugnante que o auto de infração apresenta vício insanável o que determina seja decretada sua nulidade em observância ao art. 37 da Lei 8.212/81 c/c inciso III, do art. 11 do Decreto nº 70.235/72”. Fl. 510DF CARF MF 4 Defende a inconstitucionalidade dos incisos I e II, do artigo 25 da Lei 8.212/91 e da Lei 10.256/2001, conforme julgamento do STF no Recurso Extraordinário 363.852/MG. Informa também que “o Impugnante ajuizou Ação Declaratória em face da União, distribuída sob nº 000274905.2013.4.01.3901, com trâmite perante a 2ª Vara Federal de Marabá/PA, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos incisos I e II, do art. 25 da Lei 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal”. “Na ação supracitada foi proferida sentença de mérito que julgou procedente o pedido do impugnante”. Reafirma que “o fato gerador e a base de cálculo do FUNRURAL continuaram inconstitucionais, mesmo após a vigência da Lei 10.256/01”, já que nesta Lei não há previsão de qual seria a base de cálculo, a alíquota ou o fato gerador do tributo. Portanto, também é inconstitucional a subrogação dos adquirentes de produtos comercializados pelos produtores rurais pessoas físicas, com base no artigo 30, IV da Lei 8.212/91. Assevera que, no presente caso, a aplicação da multa e dos juros de mora são incabíveis, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso V do art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Requer o cancelamento da autuação fiscal, a nulidade do Auto de Infração e a insubsistência da cobrança da multa e juros. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão que pode ser resumida nos seguintes termos: Preambularmente, observase a inexistência de nulidade do Auto de Infração que compõe o presente processo, pois o procedimento fiscal foi realizado por agente competente, AuditorFiscal da Receita Federal, e sem preterição do direito de defesa da Impugnante art. 59, Decreto 70.235/72. [...] Observase a identidade de partes e de objeto, pois tanto no processo judicial como no administrativo o debate gira em torno dos mesmos dispositivos legais art. 25, I e II c/c art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91. [...] Chamase atenção para o fato de que no Auto de Infração, DEBCAD 51.052.8031, não foi lançada nenhuma multa, apenas juros. Este procedimento se reputa correto, pois no caso sob exame, tratase de lançamento para prevenir a decadência, relativo a tributo cuja exigibilidade esteja suspensa por antecipação de tutela. A contribuinte foi intimada da decisão por meio eletrônico em 22/12/2015 (fl. 493) e interpôs recurso voluntário em 21/01/2016 (fls. 496/502), no qual deduziu as seguintes teses: Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15956.720016/201424 Acórdão n.º 2402005.765 S2C4T2 Fl. 4 5 a) Nulidade do Auto de Infração: a fundamentação legal foi genérica, não sendo possível ao contribuinte identificar qual o dispositivo legal infringido; b) Impossibilidade de aplicação da multa e dos juros de mora: (i) em razão do disposto no inc. V do art. 151 do CTN, não é possível a aplicação de multa moratória; (ii) se o tributo não pode ser cobrado, não se pode dizer que o contribuinte se encontra em mora; (iii) sendo a cobrança do Funrural inconstitucional, não podem ser cobrados os juros respectivos. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 512DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. 1.1 DA CONCOMITÂNCIA, DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E DO QUESTIONAMENTO ACERCA DA MULTA A argumentação segundo a qual o Funrural é inconstitucional, de forma que não podem ser cobrados os juros respectivos, não deve ser conhecida. Como bem frisado pela decisão a quo, o sujeito passivo ajuizou em face da União Fazenda Nacional ação ordinária para declarar a inexistência de relação jurídico tributária que o obrigasse ao recolhimento das contribuições em referência, sendo inteiramente aplicável o verbete sumular CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescentese, como razões de decidir, os seguintes fundamentos da decisão atacada: Observase a identidade de partes e de objeto, pois tanto no processo judicial como no administrativo o debate gira em torno dos mesmos dispositivos legais art. 25, I e II c/c art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91. Logo, não deve ser conhecida a alegação de que o Funrural é inconstitucional e de que não são devidos juros por esse fundamento. Outra fundamentação que não deve ser conhecida é aquela atinente à multa. Com efeito, e conforme se vê à fl. 2, a fiscalização lançou apenas o principal e os juros, já que o lançamento foi meramente preventivo da decadência (v. fl. 21), tendo se afirmado, de forma categórica, o não "lançamento da multa de ofício" (fl. 21). Em sendo assim, a recorrente não tem interesse recursal nesse tocante, não devendo ser conhecida tal alegação. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15956.720016/201424 Acórdão n.º 2402005.765 S2C4T2 Fl. 5 7 2 Da nulidade do Auto de Infração Ao contrário do que alegou a recorrente, a fundamentação legal do Auto de Infração não foi genérica. Isso porque a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação da contribuinte e dos juros aplicáveis; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Dito de outra forma, negase provimento ao recurso neste ponto. 3 Da impossibilidade de aplicação de multa e juros Diferentemente do que sustenta a recorrente, são cabíveis os juros moratórios no presente lançamento. Conforme já decidido pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, "o art. 63, caput e § 2º, da Lei 9.430/96 afasta tão somente a incidência de multa de ofício no lançamento tributário destinado a prevenir a decadência na hipótese em que o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida em mandado de segurança ou em outra ação ou de tutela antecipada"1. Isto é, a lei veda a incidência da multa de ofício, mas não dos juros moratórios, o mesmo se podendo afirmar em relação à Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Com apoio na doutrina, cabe acrescentar que: A liminar tem natureza precária, por conta e risco do Impetrante, garantindo os atos praticados enquanto em vigor, apenas no caso de ser confirmada, ao final, pela decisão meritória de última instância. A sua revogação é, pois, dotada de eficácia ex tunc, sempre projetando efeitos retroativos à data em que foi deferida. 2 Tais observações, atinentes à liminar em mandado de segurança, são aplicáveis, mutatis mutandis, às liminares ou tutelas antecipadas concedidas em outras espécies de ações judiciais. 1 EREsp 839.962/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/02/2013, DJe 24/04/2013 2 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 1035. Fl. 514DF CARF MF 8 Logo, o recurso deve ser desprovido neste ponto. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 515DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903915/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. PROVA.
Restou comprovado nos autos o equívoco na determinação do valor devido de estimativa mensal de CSLL, que as retificações de DIPJ e DCTF ocorreram antes do despacho decisório que analisou a compensação declarada, e que o contribuinte não buscou duplo benefício por ocasião do ajuste anual do tributo. Em tais condições, deve ser reconhecido o direito creditório por pagamento a maior, correspondente à diferença entre o recolhimento em DARF e o valor de estimativa efetivamente devido.
Numero da decisão: 1301-002.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ARRENDAMENTO MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. PROVA. Restou comprovado nos autos o equívoco na determinação do valor devido de estimativa mensal de CSLL, que as retificações de DIPJ e DCTF ocorreram antes do despacho decisório que analisou a compensação declarada, e que o contribuinte não buscou duplo benefício por ocasião do ajuste anual do tributo. Em tais condições, deve ser reconhecido o direito creditório por pagamento a maior, correspondente à diferença entre o recolhimento em DARF e o valor de estimativa efetivamente devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 39 15 /2 00 9- 72 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 234 2 Relatório SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL (nova denominação de REAL LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL), já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, em parte. Trata o presente processo da declaração de compensação nº 22215.82774.120106.1.3.04.9384, de pagamento de CSLL, código de receita 2469, relativo a fevereiro de 2005, no valor de R$ 712.747,72, com débito de Cofins. Em 20/04/2009 (fls. 16) foi emitido despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 288.881,11 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Reproduzo quadro do despacho decisório em que são demonstradas as características do pagamento utilizado como direito creditório e sua utilização: A contribuinte protocolou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: [...] Em resposta à intimação1 a impugnante alega o seguinte: 1 Diligência determinada pelo Julgador em primeira instância Resolução nº 16.000.324, fls. 36/39. Nota do Relator de segunda instância. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 235 3 a) Na sistemática de apuração da base de cálculo da CSLL via balanço/balancete suspensão ou redução, as pessoas jurídicas referidas no art. 1º da MP nº 2.15835/2001, poderiam optar por escriturar em seu ativo, como crédito compensável com débitos de CSLL, o valor de 18% sobre a soma da base de cálculo negativa e de valores adicionados temporariamente ao Lucro Líquido. b) A matéria crédito de CSLL 18% art. 8º da MP 2.15835/2001, foi auditada pela Receita Federal, por intermédio do RPF nº 08.1.66.00.2008.0005080, conduzido pelo AFRFB Dorival Bertaglia (SIPE nº 27.942), que foi concluído sem qualquer apontamento quanto à constituição do crédito e sua amortização/consumo. c) A justificativa para o erro de fato cometido, que ensejou o recolhimento a maior de DARF, competência março/2005, foi a ausência do cômputo da dedução mensal do crédito de CSLL a 18% MP 2.15835/2001, na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme ficha 16 da DIPJ 2006/2005. d) Analisando a DIPJ e o relatório gerencial “Demonstração da Contribuição Social – 2005, verificase que não há inconsistência na apuração da base de cálculo da CSLL, mas tão somente a ausência de dedução mensal de R$ 156.380,15, que totalizado no período de janeiro a fevereiro/2005 corresponde a R$ 411.997,10.. e) Com o objetivo de demonstrar a liquidez e certeza do crédito tributário anexamos o balancete CADOC Bacen 4010 de fev/2005. Salientamos que assim que recebermos o razão contábil juntaremos no presente processo. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1654.023, de 09/01/2014 (fls. 73/79), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ciente da decisão de primeira instância em 28/02/2014, conforme documento de fl. 87, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 18/03/2014 (registro de recepção à fl. 89, razões de recurso às fls. 90/106). Após historiar os fatos, sob sua ótica, a interessada aduz argumentos que podem ser sintetizados como segue, conforme os tópicos da peça recursal: · Da possibilidade de compensação do recolhimento a maior ou indevido no próprio ano calendário. A recorrente aduz razões sobre essa matéria (embora já superada pela decisão de primeira instância). · Do crédito tributário apurado conforme o artigo 8º da MP nº 1.807/1999 (reeditada pela MP nº 2.15835/2001) e de sua contabilização pela recorrente. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 236 4 A recorrente reafirma seu direito ao crédito em referência; sustenta ser exatamente essa a origem da diferença entre a base de cálculo que deu origem ao recolhimento original (sem o cômputo do crédito) e a base de cálculo do valor efetivamente devido (com o cômputo do crédito); afirma que contabilizou o crédito em seu ativo na conta 1.8.8.25.208 (conforme razão contábil, que anexa); lembra que a Receita Federal possui o controle dos créditos recuperáveis no SAPLI e que essa matéria teria sido auditada pela Receita Federal (RPF nº 08.1.66.00.2008.0005080) e homologada sem qualquer apontamento de sua utilização. Conclui este tópico como segue (grifo no original): Com efeito, agiu corretamente a Recorrente ao deduzir o crédito recuperável de que trata o artigo 8º da MP nº 2.15835/2001, no percentual máximo de 30%, do valor a título de CSLL apurado para o mês de fevereiro de 2005, com base em balancetes de suspensão e redução. A este propósito, insta esclarecer que a Recorrente apurou em fevereiro de 2005 um saldo devedor de CSLL correspondente a R$ 1.373.323,66 conforme evidencia a DIPJ do anocalendário de 2005 (Doc. 05) e demais documentos contábeis acostados aos autos (balancete e descritivo contábil). E, para promover a recuperação do crédito de CSLL a que alude a MP nº 2.15835/2001 ela aplicou sobre este saldo devedor o percentual de 30%, do que resultou o valor a ser deduzido de R$ 411.997,09, o qual foi devidamente imputado pela Recorrente em sua DIPJ retificadora do anocalendário de 2005. · Da correta apuração da estimativa mensal de CSLL de fevereiro de 2005 e da dedução da parcela do crédito de CSLL a 18% MP 2.158/35/2001. A recorrente busca comprovar a correção do valor de estimativa de CSLL de fevereiro/2005, R$ 364.887,02, e não o valor inicialmente declarado de R$ 712.747,72. Para tanto, faz referência aos documentos dos autos e à decisão recorrida. Demonstra os cálculos no quadro à fl. 104. Ao final, afirma que colacionou aos autos a “íntegra do Razão do Ativo onde se pode apurar o crédito e a baixa do valor utilizado para compensar a CSLL de Fevereiro de 2005 no montante de R$ 411.997,09”. Tem, assim, por comprovada a regularidade de seus procedimentos e a existência de recolhimento a maior, conforme consta da DCOMP. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno do alegado direito creditório, a ser utilizado em compensação tributária, no montante de R$ 411.997,09, correspondente à diferença entre o Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 237 5 valor recolhido em DARF (R$ 712.747,72) e o valor da estimativa mensal de CSLL do mês de fevereiro de 2005. Sustenta a recorrente que o valor correto da estimativa seria R$ 364.887,02. Por outro lado, o total originalmente declarado em DCTF foi de exatos R$ 712.747,72, posteriormente retificado para R$ 364.887,02. A questão em discussão, como se vê, é qual seria o correto valor da estimativa de CSLL de fevereiro de 2005. Inicialmente, foi negada homologação à compensação declarada, ao fundamento de que estimativas somente poderiam ser objeto de aproveitamento ao final do anocalendário, por ocasião do ajuste anual. Não se procedeu, naquele momento, a qualquer análise mais aprofundada do direito creditório, sendo a preliminar suficiente para a decisão então tomada. Essa preliminar foi superada já em primeira instância. A questão é atualmente pacífica, tanto no âmbito da Receita Federal quanto neste CARF, cabendo lembrar a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nesta fase processual, não há mais qualquer litígio a esse respeito. No entanto, superada a questão preliminar ainda em primeira instância, a autoridade julgadora a quo avançou na análise do direito creditório, o que entendo correto. O reconhecimento do direito creditório para fins de homologação impõe o exame minucioso por parte da autoridade administrativa, não residindo aí qualquer nulidade. A realização de diligência evidenciou a origem da diferença entre o valor da CSLL originalmente apurado pela contribuinte (R$ 712.747,72) e aquele a seguir tido por ela própria como correto (R$ 364.887,02). Tratase, supostamente, do abatimento de crédito com base no art. 8º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, a seguir transcrito. Art.1o A alíquota da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor PúblicoPIS/PASEP, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, fica reduzida para sessenta e cinco centésimos por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999. [...] Art.8o As pessoas jurídicas referidas no art. 1o, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. §1o A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 238 6 correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. §2o A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8o da Lei no 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. §3o O direito à compensação de que trata o § 2o limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. O art. 1º, acima, faz menção ao § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991: eis o referido § 1º (grifo não consta do original): § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). A interessada, de fato, exerce atividade de arrendamento mercantil, encaixandose, hipoteticamente, na situação acima. E digo hipoteticamente porque há que se comprovar que possuía bases negativas de CSLL e valores adicionados, temporariamente, à base de cálculo dessa contribuição em períodos de apuração até 31/12/1998, e que, além disso, optou pelo crédito do art. 8º da MP 2.15835/2001, escriturandoo em seu ativo. A Turma Julgadora em primeira instância considerou insuficientes os esclarecimentos e os documentos acostados aos autos, afirmando ainda faltarem “elementos da escrituração contábil e fiscal da contribuinte para demonstrar claramente a existência do direito creditório pleiteado”. Em sede recursal, a interessada reafirma seus argumentos e pleiteia o reconhecimento do alegado indébito. Cabe aqui um parêntese. O presente processo discute direito creditório por alegado pagamento a maior de estimativa de CSLL de fevereiro de 2005, no valor de R$ 411.997,09. Esses são rigorosamente os mesmos direito creditório e valor discutidos nos autos do processo administrativo nº 16327.903765/200905, julgado por este Colegiado nesta mesma sessão de julgamento. É comum, em tais casos, que as declarações de compensação sejam reunidas em um único processo administrativo. Por razões que não cabe aqui perquirir, isso não Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 239 7 ocorreu neste caso. Ademais, houve uma diferença na instrução processual, fazendo com que no processo nº 16327.903765/200905 tenham sido juntados pela unidade preparadora documentos às fls. 75/118 relevantes para a decisão, como se há de verificar, documentos esses que deixaram de ser juntados a este processo. Por se tratar do mesmo crédito, não há como proferir decisões diferentes, muito menos se há de ignorar documentos que constam do outro processo recémjulgado e são, portanto, do conhecimento deste Colegiado. Nos parágrafos seguintes farei referência a documentos de ambos os processos, especificando, quando for o caso, tratarse do processo nº 16327.903765/200905. Em primeiro lugar, devese ressaltar que se cuida, aqui, de estimativa mensal da CSLL. As estimativas são valores cujo recolhimento é obrigatório, nos termos e limites estabelecidos em lei, mas que não são, ainda, a expressão do tributo efetivamente devido ao final do período de apuração anual. Os valores de estimativas efetivamente pagos serão levados ao ajuste anual, a reduzir o valor devido apurado nesse ajuste. Tendo isso em mente, é de se verificar qual foi o valor de estimativa da CSLL de fevereiro/2005 levado ao ajuste pela interessada. O exame da DIPJ (fls. 752 e segs., ND 1397384, entregue em 25/08/2007) revela que o valor de CSLL mensal paga por estimativa foi de R$ 4.158.337,97 (Ficha 17, Linha 52, fl. 803). Esse valor corresponde (a menos de centavos) ao somatório dos débitos declarados em DCTF a cada mês, conforme DCTFs retificadoras às fls. 81/994. Ademais, para o mês de fevereiro/2005, o débito de R$ 364.887,02 também corresponde ao valor da Linha 11, Ficha 16, à fl. 765. Com isso, é possível concluir que a interessada não buscou se beneficiar, no ajuste anual, da diferença aqui pleiteada como indébito de estimativa mensal. Em outras palavras, não ocorreu a tentativa de duplo benefício. Essa constatação também foi esposada pelo AuditorFiscal que empreendeu a diligência determinada pelo julgador a quo, no despacho de fl. 1186, verbis: [...] Ademais, conforme informações extraídas dos sistemas da RFB, constatase que o direito creditório em questão, decorrente da estimativa paga a maior, não foi utilizado para formação do Saldo Negativo da CSLL do ano calendário de 2005, [...] Indo adiante, constatase que a declaração de compensação sob exame foi transmitida em 12/01/2006 (fl. 18), que a DIPJ retificadora do anocalendário 2005 foi transmitida em 25/08/2007 (fl. 757) e que a DCTF retificadora de fevereiro/2005 foi transmitida em 09/04/2007 (fl. 26). Em todos esses documentos o valor da estimativa mensal de CSLL de fevereiro é de R$ 364.887,02. Todos esses documentos são anteriores ao Despacho Decisório, prolatado em 20/04/2009 (fl. 16) que negou homologação à compensação. Avançando quanto ao mérito da questão, propriamente, não há qualquer litígio acerca da base de cálculo da estimativa de CSLL em fevereiro/2005, nem sobre o valor da CSLL apurada, conforme Linhas 01 e 02 da Ficha 16 da DIPJ (fl. 768). A diferença aqui pleiteada como pagamento a maior (R$ 411.997,09) está discriminada na linha 03 como 2 Processo nº 16327.903765/200905. 3 Processo nº 16327.903765/200905. 4 Processo nº 16327.903765/200905. 5 Processo nº 16327.903765/200905. 6 Processo nº 16327.903765/200905. 7 Processo nº 16327.903765/200905. 8 Processo nº 16327.903765/200905. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.903915/200972 Acórdão n.º 1301002.253 S1C3T1 Fl. 240 8 Recuperação de Crédito de CSLL (MP nº 1.807/1999, art. 8º). E também aqui as evidências são favoráveis à recorrente. Ressaltese que no despacho de fl. 1189, o AuditorFiscal é expresso ao declarar que: Ademais, [...] , assim como a parcela referente à recuperação de crédito da CSLL a que alude o art. 8º da MP nº 1.807/99 encontrase controlada no SAPLI Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL. O mencionado demonstrativo do SAPLI está às fls. 114/11610, restando claro o registro do crédito em questão desde o anocalendário 1999, com a recuperação ano a ano de partes do total, inclusive no ano de 2005. Observo, por relevante, que não se trata neste processo de validar a existência do crédito, o que demandaria procedimento específico de auditoria fiscal. Aqui, o relevante é a constatação de que a interessada não alterou a base de cálculo nem a CSLL apurada em fevereiro/2005. No entanto, em um primeiro momento, deixou de considerar o crédito do art. 8º. Em um segundo momento revisou seus cálculos, abatendo da CSLL apurada a parcela do crédito que considerava cabível, caracterizando, desta forma, um pagamento a maior de estimativa, objeto da declaração de compensação. Ressalto, por relevante, que as DIPJ e DCTF retificadoras foram apresentadas muito antes do Despacho Decisório sobre a DCOMP. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório declarado na DCOMP, devendo ser homologados os débitos declarados até o limite do direito creditório reconhecido. Registro que se trata do mesmo direito creditório objeto do processo administrativo nº 16327.903765/200905. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 9 Processo nº 16327.903765/200905. 10 Processo nº 16327.903765/200905. Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.722701/2010-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 27 01 /2 01 0- 25 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10680.722701/201025 Acórdão n.º 9202004.834 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 251DF CARF MF
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