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Numero do processo: 10880.916651/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2000
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96.
ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96.
A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
Numero da decisão: 3201-004.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. Recorrente J. CARDOSO ASSESSORIA TRIBUTÁRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 66 51 /2 01 0- 99 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10880.916651/201099 Acórdão n.º 3201004.583 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP lastreada em recolhimento indevido ou a maior de COFINS. O contribuinte alega, em síntese, que é uma sociedade civil de profissão regulamentada, prevista na Lei Complementar 70/91, podendo gozar do direito ao crédito apontado em virtude de estar isenta da contribuição. Diante de tal fato, foi proferido despacho decisório eletrônico. O pleito foi indeferido sob o fundamento de que, embora tenha sido localizado o pagamento indicado na DCOMP em análise, os créditos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. Inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada pela DRJ/São Paulo. O Acórdão 16042.496 que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação da disponibilidade deve ser efetuada pelo Contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Tendo sido o pagamento constante do DARF, ao qual foi atribuído o crédito utilizado na DCOMP, integralmente alocado para a quitação de débitos confessados pelo Contribuinte, não cabe reforma do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da COFINS que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar no 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10880.916651/201099 Acórdão n.º 3201004.583 S3C2T1 Fl. 4 3 Não se conformando com a decisão de primeira instância apresentou Recurso Voluntário a este Conselho. Em síntese, alega: a) em preliminar, que ocorreu homologação tácita, pois a decisão foi proferida aos 360 (trezentos e sessenta) dias após o seu protocolo, afrontando o art. 24, da Lei 11.457/07; b) no mérito, que o artigo 56 da Lei 9.430/96, ao revogar a isenção das sociedades civis, descumpriu comando constitucional expresso no artigo 146, inciso III, que exige lei complementar para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.574, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.916643/201042, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.574): "O Recurso é tempestivo e o conheço. Inicialmente não se pode aplicar o art. 24, da Lei 11.457/07 no presente caso, pois, tal regramento não se trata de homologação tácita, mas sim, obrigatoriedade de analise de pedidos realizados pelo Contribuinte no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. Contudo, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9430, prescreve que o prazo para homologação tácita é de 5 (cinco) anos, caso que não ocorrido no caso em tela. Assim, deve ser REJEITADA a preliminar de homologação tácita. O mérito não merece ser provido. Pois o Contribuinte sustenta: No que respeita à decisão recorrida, o recorrente ora reafirma os termos da Manifestação de Inconformidade, pois aceitar a decisão contestada seria admitir que a não imposição fiscal da Lei Complementar 70/91, do inciso II do art. 6°, fosse anulada por norma impositiva do artigo 56 da Lei 9.430/96. Se, anteriormente, a Lei Complementar 70 tivesse imposto a cobrança às sociedades civis, seria possível que a lei ordinária eventualmente viesse a isentálas. O contrário, entretanto, como acontece neste caso, não é possível, pois representaria a criação de uma tributação sem que a Lei Complementar a tivesse instituído, isto é, não ocorreu a introdução de uma norma de isenção pela lei ordinária, mas a criação de imposição fiscal pela lei ordinária, por meio de revogação parcial de norma complementar que não a prevê. Tendo em consideração o expendido, reafirma as razões expostas na Manifestação de Inconformidade, no sentido da validade da restituição pleiteada. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.916651/201099 Acórdão n.º 3201004.583 S3C2T1 Fl. 5 4 Contudo, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese em repercussão geral no Recurso Extraordinário no 377.4573, vejamos: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6o, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei no 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Diante do exposto, REJEITO a preliminar de homologação tácita, e no mérito em NEGAR PROVIMENTO Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.723077/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2012
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.093
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/11/2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 77 /2 01 3- 14 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 12076.198. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: (i) o envio das informações relacionadas ao PIS e a COFINS no SPED Sistema Público de Escrituração Digital, inexistindo qualquer prejuízo para a entrega a destempo da declaração; (ii) a ausência de lesão ao fisco que justifique a aplicação da penalidade, vez que todos os tributos apurados foram pagos; (iii) a aplicação do instituto da retroatividade benigna do art. 106, do CTN, vez que o DACON foi definitivamente extinto com o advento da IN RFB 1.441/2014. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.092, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10665.723076/201370, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.092): "O Recurso Voluntário é tempestivo, e cabe ser conhecido. Inicialmente em seu Recurso, a empresa traz dois argumentos visando afastar a multa aplicada: a prestação das informações no SPED e a ausência de qualquer lesão ao erário, vez que os tributos foram devidamente pagos. Primeiramente, destaquese que, considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. Com efeito, descumprido o dever instrumental de enviar a declaração prevista na legislação tributária no prazo previsto pela Receita Federal, o contribuinte pode ser penalizado pela multa prevista no art. 7º, da Lei n.º 10.426/2002, que expressa: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 4 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" (grifei) Quanto à duplicidade das informações solicitadas no DACON em relação à EFDContribuições, ainda que as informações efetivamente pudessem ser por vezes duplicadas, observase que a Receita Federal, até 2014, buscou manter a obrigação de transmissão das duas declarações, como obrigações acessórias distintas. Com efeito, como bem pontuado pela r. decisão recorrida, especificamente para as empresas tributadas pelo lucro real, como a Recorrente, foi mantida, concomitantemente, as obrigações de envio tanto da EFD Contribuições, como do DACON: "Quanto à primeira alegação, é verdade que determinadas empresas obrigadas a adotar e escriturar a EFD Contribuições foram dispensadas da entrega da DACON. É o que ocorreu, por exemplo, com as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2013 (art. 1º, caput, da IN RFB nº 1.305, de 26/12/2012). Esta dispensa, porém, não alcançou as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, que continuaram obrigadas a entregar a DACON em relação aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2013 (IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, c/c IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014). Considerandose que a Interessada, no anocalendário em análise, foi tributada com base no lucro real (cfr. pesquisa, fl. 52), não há como dispensála da entrega da DACON referente ao mês 10/2012." (efl. 55) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 5 Com efeito, a exigência da transmissão do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013 é depreendida da expressão da Instrução Normativa n.º 1.441/2014, que extinguiu a referida declaração: "Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso." Assim, uma vez que a transmissão da EFDContribuições não dispensou a transmissão do DACON, o envio a destempo desta última declaração pode ser penalizada na forma da lei. Sob esta mesma perspectiva que, a meu ver, não se pode falar na hipótese de retroatividade benigna. Com efeito, a previsão do art. 106, II, do CTN é no sentido de garantir a aplicação retroativa da lei "quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo." No presente caso, a omissão do sujeito passivo, de entregar a Declaração a destempo, nunca deixou de ser penalizada pela legislação, mantendose irretocável a previsão do art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, acima transcrita. O que ocorreu foi a extinção de uma obrigação acessória anteriormente prevista (DACON), para a substituição por outra para evitar o envio duplicado de informações (EFD Contribuições), sendo que a partir de 2014 esta última declaração passou a abranger todas as informações anteriormente solicitadas no DACON. E, quando da extinção do DACON, a legislação tributária indicou com clareza a manutenção da exigência da entrega, tempestiva, da declaração, até os fatos geradores ocorridos em 31/12/2013. Assim, a entrega em atraso do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2013 não deixou de ser tratado como contrário à lei, sendo cabível a aplicação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 6 A multa pela apresentação em atraso da DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento." (Número do Processo 10320.722002/201155Data da Sessão 20/08/2014 Nº Acórdão 3802003.535 Relator Solon Sehn Redator designado Francisco José Barroso Rios grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2010 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. As obrigações tributárias acessórias, como o DACON, podem ser instituídas por instrução normativa da Receita Federal. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 7 encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento" (Número do Processo 10980.002055/201000 Data da Sessão 19/08/2014 Relator Bruno Maurício Macedo Curi Redator designado Francisco José Barroso Rios Nº Acórdão 3802 003.393 grifei) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.724782/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. NECESSIDADE.
A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no art. 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder / dever de lançar as contribuições previdenciárias. Assim, imprescindível a caracterização da relação empregatícia para a constituição do crédito tributário.
GENERALIZAÇÃO NA AÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Tratando-se de exigência fiscal embasada na caracterização de segurados empregados, com constatação expressa, pela autoridade administrativa fiscal, dos pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, quais sejam: serviços prestados por pessoa física, subordinação, habitualidade / não eventualidade e onerosidade, a autuação deve recair sobre as operações efetivamente fiscalizadas.
Numero da decisão: 2402-006.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário no que tange à caracterização do vínculo empregatício, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a autuação recaia, apenas, sobre os médicos efetivamente diligenciados pela Fiscalização, conforme tabelas constantes do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à aferição indireta da base de cálculo e quanto à responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico. Votaram pelas conclusões, em relação à responsabilidade solidária, os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à multa qualificada, reduzindo seu montante ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por manter a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à caracterização do vínculo empregatício, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
Julgamento iniciado na sessão de 3 de outubro de 2018, com início às 14h, e encerrado na sessão de 7 de novembro de 2018, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício de Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Recorrente HOB HOSPITAL OFTALMOLÓGICO DE BRASÍLIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. NECESSIDADE. A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no art. 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder / dever de lançar as contribuições previdenciárias. Assim, imprescindível a caracterização da relação empregatícia para a constituição do crédito tributário. GENERALIZAÇÃO NA AÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Tratandose de exigência fiscal embasada na caracterização de segurados empregados, com constatação expressa, pela autoridade administrativa fiscal, dos pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, quais sejam: serviços prestados por pessoa física, subordinação, habitualidade / não eventualidade e onerosidade, a autuação deve recair sobre as operações efetivamente fiscalizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 47 82 /2 01 6- 11 Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.143 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário no que tange à caracterização do vínculo empregatício, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a autuação recaia, apenas, sobre os médicos efetivamente diligenciados pela Fiscalização, conforme tabelas constantes do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à aferição indireta da base de cálculo e quanto à responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico. Votaram pelas conclusões, em relação à responsabilidade solidária, os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à multa qualificada, reduzindo seu montante ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por manter a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à caracterização do vínculo empregatício, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Julgamento iniciado na sessão de 3 de outubro de 2018, com início às 14h, e encerrado na sessão de 7 de novembro de 2018, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício de Redator Designado. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/RPO, consubstanciada no Acórdão nº 1464.541 (fls. 1.869), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de processo de constituição de crédito tributário em que foi lavrado auto de infração contra o contribuinte em epígrafe, relativo às contribuições sociais, devidas no período de 01/01/2012 a 31/12/2012, correspondentes às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, denominados "Terceiros" Salário Educação, Incra, Senac, Sesc e Sebrae, no valor total consolidado na emissão de R$ 2.114.696,56, com multa qualificada. Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.144 3 DO RELATÓRIO FISCAL Conforme Relatório fiscal, a auditoria informa que foram apuradas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos profissionais de saúde que prestaram serviços ao Hospital HOB OFTALMOLÓGICO DE BRASILIA LTDA por intermédio de pessoas jurídicas interpostas, na qualidade de segurados empregados. Para referida apuração utilizou as folhas de pagamento e contabilidade digitais, Notas fiscais, e informações prestadas pelo referido hospital ao Ministério da Saúde Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e diligências. A auditoria apurou, em análise da folha de pagamento do Hospital HOB OFTALMOLÓGICO (doravante denominado somente “HOB”), assim como das informações prestadas pelo estabelecimento em GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, que no decorrer do ano de 2012, não obstante se tratar de uma empresa com atuação na área de atendimento à saúde, não havia entre seus segurados empregados nenhum profissional médico. A fiscalização utilizouse também das informações constantes do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), prestadas pelo HOB ao Ministério da Saúde, para verificação e confirmação das informações relativas aos profissionais de saúde que exerceram suas atividades junto ao hospital no ano de 2012. Dessa forma, a auditoria apurou a existência de profissionais médicos informados, cujo vínculo com o hospital é “autonomo intermediado por empresa privada". Verificou que os pagamentos efetuados às pessoas jurídicas pelos serviços prestados pelos médicos, como despesa, estavam registradas na conta analítica 3.2.1.03.01.00 Serviços Médicos. Em atendimento ao TIF Termo de Intimação Fiscal n° 02, a fiscalizada apresentou relação dos médicos que prestaram serviços em cada uma das empresas interpostas e os valores mensais pagos às pessoas jurídicas. Apurou através do site do HOB, a relação nominal dos médicos diretores e chefes de departamento. Com exceção do Sr. Canrobert Oliveira (sócio), todos os demais foram contratados por intermédio de pessoas jurídicas, demonstrando que o hospital terceirizou toda a sua atividade fim. O mesmo ocorrendo com o Corpo Clínico do Hospital, cuja relação nominal das pessoas físicas denota a pessoalidade da relação. Que os contratos de prestação de serviços entre o HOB e as interpostas jurídicas, não foram firmados em documento físico, indício da pessoalidade, pois provavelmente estabelecidas diretamente com o médico, demonstrando a dispensabilidade da intermediação das empresas. Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.145 4 O HOB era responsável por toda a estrutura de atendimento, bem como era quem contabilizava, como próprias, todas as receitas e despesas provenientes dos serviços prestados. A fiscalizada, atendendo à intimação fiscal, informou que as decisões a respeito dos procedimentos para a organização e controle da assistência médica eram tomadas diretamente em reuniões de sócios do hospital. Apesar de o contribuinte afirmar que não há escala de médicos, na prática existe uma tabela que é composta todos os dias, na qual constam horário (manhã ou tarde), número do consultório e médico que vai atender naquele consultório (segundo o HOB BSB, conforme agenda disponibilizada pela pessoa jurídica) e os médicos que vão atender na EMERGÊNCIA (manhã, tarde e noite) e no AMBULATÓRIO (noite). A fiscalização promoveu diligência junto a 7 médicos pessoas físicas que prestaram serviços ao hospital, bem como em 10 pessoas jurídicas. Em síntese o apurado, a partir do depoimento das pessoas físicas, foi: os médicos prestaram serviços por longo período (quadro no Relatório Fiscal); o HOB não propôs a contratação deles como empregados, ou não se lembram de oferecida tal hipótese; entre as condições para contratação, estava a de serem vinculados a uma pessoa jurídica e que esta deveria emitir uma nota fiscal referente aos serviços prestados e disponibilizar uma conta bancária para o pagamento; contrato verbal; pagamento mensal em torno dos dias 20 a 25 de cada mês; pagamento proporcional aos serviços prestados e representava um percentual sobre as consultas, exames complementares e cirurgia, geralmente de 50%, 20% e 100% do honorário médico, respectivamente; que os materiais e equipamentos utilizados nas consultas e cirurgias eram fornecidos pelo HOB BSB, bem como todo o apoio logístico, material, marketing, telefonia, agendamento, papel timbrado etc; que os médicos tinham liberdade para definir a agenda, mas que normalmente eles seguiam um padrão de horário de atendimento. Exemplo: “de segunda a Sexta de 8 às 12:00h e de 14:00 até 18:00h” (Sra. Hanná), “geralmente trabalha segundas e quintas no centro cirúrgico e nos demais dias disponibiliza horários em consultório” (Sr.Eduardo); quando havia um paciente marcado e porventura eles não pudessem atender, que a empresa não apresentava nenhum outro médico substituto; Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.146 5 alguns deles prestavam serviços médicos também no HOB Taguatinga (Exemplo: Sra Hanná, Sr. Rui, Sr Fenelon); muitos médicos mudaram de empresa jurídica intermediadora sem que isto acarretasse interrupção da prestação dos serviços médicos no hospital, o que denota que o importante, neste caso era o MÉDICO e não a empresa (Exemplos: Sr. Fenelon: da TED para a PSMF, Sra. Doroteia: da BSB Oftalmo para VDJ); que houve caso em que apesar de a depoente ser sócia da empresa, não tinha certeza sobre quem eram os outros sócios e nem o endereço exato da empresa (Sra. Doroteia); o HOB, por mais estranho que possa parecer, contratou uma clínica odontológica, a Clínica Odontológica José Rios para prestação de serviços de oftalmologia (Sra. Maria Lúcia); que as pessoas jurídicas interpostas praticamente não tinham estrutura e que algumas funcionavam em endereços residenciais (Exemplos: IMO e Clínica Rocha); o papel da pessoa jurídica nesta relação específica com o HOB BSB era tãosomente o de emitir notas fiscais e disponibilizar uma conta bancária para o recebimento pelos serviços prestados. Quanto às diligências nas pessoas jurídicas, a auditoria concluiu, em síntese, que: nas GFIP’s das pessoas jurídicas interpostas não existe nenhum segurado declarado como MÉDICO – código CBO 2231 (Classificação Brasileira de Ocupação); não possuem bens, endereço sede é para recebimento apenas de documentos e escritório administrativo ou endereço residencial; não existe contrato escrito de prestação de serviços; A fiscalização concluiu pela caracterização como segurados empregados, pela constatação da pessoalidade, subordinação, habitualidade e onerosidade. Como a fiscalizada não apresentou para a auditoria, embora intimada, os valores recebidos pelos médicos, pessoas físicas, o lançamento da contribuição previdenciária foi aferido indiretamente, conforme previsto no §3° do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Aplicou multa de ofício qualificada, pois a autuada "adotou procedimentos visando mascarar sua verdadeira intenção de obter o resultado do trabalho dos médicos pessoas físicas vinculados a estas empresas, mas DE FATO, profissionais que prestaram serviços na qualidade de segurados empregados. Dessa forma, no intuito de efetivar os pagamentos das respectivas remunerações dessas pessoas físicas, travestiaos contabilmente como meras quitações de notas fiscais emitidas Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.147 6 pelas pessoas jurídicas interpostas. Tal prática, utilizada por parte do contribuinte, visava impedir ou ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal contribuições previdenciárias, modificando suas características essenciais, de modo a reduzir ou evitar o montante do imposto devido, ficando caracterizada a ocorrência de sonegação e fraude". Elaborou Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, pela ocorrência, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária art. 337A do Código Penal. DA IMPUGNAÇÃO Cientificados do lançamento a autuada e os responsáveis solidários apresentaram impugnações ao lançamento fiscal. A matéria que for específica de determinada impugnação será discriminada. Preliminares Ausência de motivação fática A impugnante alega que a fiscalização fez afirmações genéricas sobre a presença dos requisitos da relação empregatícia, e não apresentou provas. Que diversas empresas prestadoras de serviços, também prestaram serviços para outras empresas além do HOB Hospital, concomitantemente. Alega vício, pois a ausência de motivação factual inviabiliza o exercício do direito de defesa em sua plenitude. Incompetência em razão da Matéria Argumenta que a Receita Federal carece de competência legal para descaracterização de contrato de prestação de serviços de pessoa jurídica com a consequente caracterização de emprego, competência da Justiça do Trabalho, conforme art. 114 da Constituição Federal. Vício na base de cálculo adotada em aferição Que a base de cálculo utilizada pela fiscalização desconsiderou que sobre o valor faturado pela empresa contratada incidiu tributos que não foram deduzidos. Que apesar do Relatório Fiscal e planilha estarem confusas e contraditórias, constatou que há fatos geradores que inexistem. No Mérito Da Remuneração paga/creditada a segurados com utilização de empresas interpostas. A defendente alega que a documentação juntada aos autos demonstra que a notificação do caso em tela, não passa de mera presunção ou ficção. Que antes de descaracterizar a personalidade jurídica desses entes, deveria analisar o Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.148 7 estabelecimento físico, o recolhimento de tributos e cumprimento de obrigações contábeis e fiscais das prestadoras. Argumenta que o fisco ignorou a letra do artigo 129 da Lei 11.196/2005. Requer o afastamento do art. 116 do CTN, do qual a fiscalização se utilizou, pois depende de regulamentação por meio de lei ordinária, portanto de eficácia limitada. Da Dissimulação e Simulação Que não caracteriza a pessoalidade quando prestada por pessoas diversas ou por via indireta. Não há pessoalidade pois os serviços são prestados por diversas empresas constituídas regularmente e prestados por profissionais qualificados de profissão regulamentada. Aduz que no caso em concreto, constatase que não há continuidade, isto é, serviço realizado diariamente ou mais de dois dias por semana. Também não há subordinação pois os serviços são prestados por pessoas jurídicas que em seus quadros possuem profissionais qualificados, cuja execução é de sua exclusiva especialidade e responsabilidade, inclusive quanto ao métodos e metodologia empregada. Tratase de parceria uma vez que a administração do hospital não pratica qualquer ingerência, fiscalização ou controle das atividades desempenhadas pelos médicos. Aduz que apesar da prestação de serviços em atividadefim, verificase que é inegável a especialização desses serviços e a autonomia na forma em que prestado. Que embora se considere toda a estrutura e os equipamentos utilizados na prestação de serviços médicos serem da impugnante e apenas a mão de obra dos médicos, não há como caracterizar intermediação ilegal de mão de obra, por inexistir qualquer manifestação de vontade dos médicos para que a vinculação seja na forma de vínculo de emprego. Não pode ser considerado salário a remuneração paga a pessoa jurídica em decorrência da prestação de serviço, como ocorreu no caso em concreto. Da Desconsideração da personalidade jurídica Que a constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços intelectuais encontra respaldo constitucional, nos incisos XIII e XVII do artigo 5°, o livre exercício profissional e a liberdade de associação. Aduz que a aplicação do art. 50 do Código Civil deve ser afastada pois cabe a lei complementar matéria referente à desconsideração da personalidade jurídica. Argumenta que as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais não podem ser Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.149 8 descaracterizadas pelos agentes fiscais, como se os serviços prestados seriam regidos pela CLT, devendose aplicar o art. 129 da Lei 11.196/2005. Da Simulação e Fraude Multa qualificada A impugnante alega que não ficou comprovada a vontade, o dolo. Que a aplicação seria possível se ficasse comprovada a intenção de fraudar, prejudicar ou retardar o lançamento do tributo. Necessário o enquadramento do evidente intuito de fraude conforme previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Defende que não é entendimento subjetivo do agente fiscal que poderá atribuir o enquadramento em determinada conduta fraudulenta e sim a sua comprovação, o que não ocorreu no presente caso. Que devese observar que a autuação foi fundamentada em presunção, e se não há certeza nem mesmo da existência das supostas relações de emprego, como taxar o comportamento de doloso. Do Pedido Que seja considerada nula ou improcedente a autuação. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos da ementa do Acórdão nº 1464.541 abaixo transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E DE PROVAS. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DE AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. Os fatos ocorridos, com todas as circunstâncias descritas, acompanhados de documentação comprobatória, demonstrativos de cálculo e dos respectivos fundamentos legais do débito, discriminados de forma clara e sistematizada no Relatório Fiscal e demais anexos, propiciando ao contribuinte informações e esclarecimentos acerca da infração cometida, consubstanciam se em pressupostos suficientes para a exigência fiscal e, consequentemente, não ocorre violação da ampla defesa e do contraditório. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA TRIBUTÁRIA. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. É próprio da autoridade administrativa tributária, consignado no CTN, artigos 114, 116, 142 e 149, a possibilidade de buscar a realidade subjacente a quaisquer formalidades jurídicas, a partir da identificação concreta e material da situação legalmente necessária à ocorrência do fato gerador. O procedimento Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.150 9 adotado pela Auditoria atinge tão somente as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal, as quais são desconsideradas pela fiscalização, por não refletirem o que de concreto ocorreu, ou seja, a primazia da realidade sobre a forma. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PELOS SÓCIOS EM ATIVIDADE FIM DA CONTRATANTE. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Constatado que a contratação de pessoa jurídica deuse na atividade fim da empresa, e presentes os pressupostos laborais, impõese a configuração do fato gerador atinente à relação de emprego. O auditor poderá desconsiderar o vínculo pactuado com o trabalhador e enquadrar este como segurado empregado, conforme previsto no artigo 229, §2º do Decreto n° 3.048/99. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERCEIROS. A remuneração paga ou creditada a segurados a serviço da empresa, constituem fato gerador das contribuições sociais destinadas às outras entidades e fundos ("Terceiros"). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. PREVISÃO LEGAL. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, é devida a multa de ofício de no mínimo 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa deverá ser duplicado CONFLITO DE COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A competência da Justiça do Trabalho, prevista no art. 114 da Constituição Federal, não exclui a competência da RFB para a constituição dos créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias decorrentes da relação de emprego ou trabalhista, pois tratase de relação tributária entre Sujeito Ativo e contribuinte, e não de resolução de conflitos trabalhistas. Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.151 10 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresenta recurso voluntário (fls. 2.071), reiterando os argumentos defensivos aduzidos nas impugnações apresentadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. O Recorrente aduz, em sede de preliminar, as seguintes razões recursais: I. DISTINÇÃO ENTRE HOSPITAIS COM CORPO CLÍNICO ABERTO E HOSPITAIS COM CORPO CLÍNICO FECHADO; I.I DA ALEGAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NA ATIVIDADE FIM DO RECORRENTE; I.II – DA LEI Nº 13.429, DE 31 DE MARÇO DE 2017; II – DA GENERALIZAÇÃO ARBITRÁRIA NA INVESTIGAÇÃO REALIZADA PELO FISCO. Analisandose o conteúdo de tais alegações, verificase que estas se tratam de fundamentos que irão embasar a análise de mérito, confundindose com este, pelo que serão apreciadas como se razões de mérito fossem. Conforme se depreende dos autos, sumariamente relatado acima, temse que o lançamento tributário decorre da desconsideração, pela Fiscalização, da contratação realizada pela Recorrente da prestação de serviços médicos por meio de pessoa jurídicas, a chamada pejotização. Fazse necessário, assim, uma análise teórica sobre o tema, pelo que se recorre aos escólios do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, então presidente da 1ª TO d 2ª Câmara desta 2ª Seção, consubstanciados no Acórdão 2201004.378, in fine: Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.152 11 Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister. Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.153 12 de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. [...] Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. (destaquei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.154 13 Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. Dito de maneira diversa: para que haja o lançamento tributário por desconsideração da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica é ônus do Fisco a comprovação da existência da relação de emprego entre a pessoa física que prestou os serviços objeto da desconsideração da personalidade jurídica e o contratante desses serviços. A doutrina trabalhista é assente em reconhecer o vínculo de emprego quando presentes, simultaneamente, as características da pessoalidade, da onerosidade, da habitualidade e da subordinação. Confrontemos as disposições da melhor doutrina trabalhista com os ditames específicos da Lei nº 11.196/05, com o objetivo de encontrarmos a exata diferenciação entre a relação de emprego e a prestação de serviços por pessoa jurídica. Em primeiro lugar é necessário observar que a pessoalidade não é relevante no distinção em apreço. Tal afirmação se corrobora com a simples leitura do artigo 129 da Lei nº 11.196, que explicitamente afasta a questão do caráter personalíssimo e da atribuição de obrigações às pessoas que compõe a sociedade prestadora de serviços. Em segundo lugar, forçoso reconhecer que a habitualidade não apresenta relevância como fato distintivo entre a prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, vez que tanto numa como em outra, a habitualidade, ou ausência desta, podem estar presentes. Nesse ponto é necessário recordar que nas relações comerciais também se instaura uma relação de confiança, decorrente do conhecimento da excelência na prestação de serviços do fornecedor habitual. A análise da onerosidade também não ajuda no traço distintivo. Cediço que tanto no emprego quanto na mera relação comercial de prestação de serviços, o pagamento pelos serviços prestados está presente. Logo, o ponto fulcral da distinção é a subordinação. Somente na relação de emprego o contratante, no caso empregador, subordina o prestador de serviços, no caso, o empregado. Porém, não se pode, sob pena de ofensa ao direito, entender que qualquer forma de direção da prestação de serviços é a subordinação típica das normas trabalhistas. Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.155 14 Esta, a subordinação trabalhista, se apresenta em duas situações específicas. A primeira se observa quando o empregador, no nosso caso o contratante da prestação de serviços conduz, ordena, determina a prestação de serviços. É a chamada subordinação subjetiva onde o prestador de serviços, o trabalhador, recebe ordens específicas sobre seu trabalho, assim entendida a determinação de como trabalhar, de como executar as tarefas a ele, trabalhador, atribuídas. É a subordinação típica, aquela presente no modelo fordistataylorista de produção. Modernamente, encontramos o segundo modelo de subordinação, erroneamente chamado por muitos de subordinação jurídica. Não se pode admitir tal denominação, quanto mais a afirmação que esta subordinação decorre do contrato. Ora, qualquer contrato imputa direitos e deveres e por certo, desses decorre subordinação jurídica, posto que derivada de um negócio jurídico que atribui obrigações. Essa moderna subordinação é a chamada subordinação estrutural, nos dizeres de Maurício Godinho Delgado. É a subordinação consubstanciada pela inserção do trabalhador no modelo organizacional do empregador, na relação institucional representada pelo fluxo de informações e de prestação de serviços constante do negócio da empresa contratante desses serviços. Mister realçar que é por meio da subordinação estrutural que o empregador, o tomador de serviços que subordina o prestador, garante seu padrão de qualidade, uma vez que controla todo o fluxo da prestação dos serviços necessários a consecução do mister constante de seu objeto social, ou seja, é por meio de um modelo de organização que há o padrão de qualidade necessário e o controle das atividades e informações imprescindíveis para a prestação final dos serviços, para a elaboração do produto, para a venda da mercadoria que é o fim da atividade econômica pretendida pelo contratante dos serviços, pelo empregador. Com essas considerações, passemos à análise do caso concreto. A DRJ, corroborando o entendimento da fiscalização, concluiu que a contratação de segurados empregados por empresa interposta é ilegal, quando se trata da prestação de serviços em atividadefim, e presentes os requisitos da relação empregatícia, não cabendo a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005. Verificase, pois, que o núcleo da autuação está no binômio “contratação de prestação de serviços em atividade fim” e “requisitos da relação empregatícia”. Da Contratação de Prestação der Serviços em Atividade Fim Depreendese do acórdão da DRJ que: No presente caso, tratase de um hospital, que atua na prestação de serviços médicohospitalares no ramo oftalmológico – Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.156 15 consultas ambulatoriais, exames, cirurgias e internações, contando com uma estrutura física composta de 3 blocos, 36 consultórios, 4 salas de cirurgia, sala de emergência, 4 amplas salas de espera, 4 apartamentos (day clinic) e 7 salas de exames, não sendo crível que não dependa efetivamente, da mãoobra de médicos segurados empregados para a consecução do seu objeto social. Não obstante, a fiscalização demonstrou que não possuía nenhum médico em sua folha de pagamentos, terceirizando a sua atividadefim, mediante utilização de pessoas jurídicas interpostas entre o referido hospital e os médicos que lhe prestavam serviços. Ademais a auditoria em diligência nas pessoas jurídicas constatou, em síntese, que as empresas prestavam serviços exclusivamente pelos sócios, em áreafim da autuada e eram desprovidas de bens patrimoniais e estrutura física própria de empresas para a prestação de serviços a que se propõem, demonstrando que o risco do empreendimento era do HOB, nos termos do art. 15 da Lei 8.212/91. Não resta dúvidas da afronta à legislação previdenciária (notadamente os arts. 12 e 15 da Lei 8.212/91), ao se utilizar de empresas interpostas para uma relação empregatícia, atuando na atividade finalística do empregador. Tal situação encontra eco reiterado na jurisprudência, resultando na Súmula n° 331 do TST. (destaquei) O Recorrente, por seu turno, esclarece inicialmente que: Intuitivamente, pode haver confusão entre o conceito de serviços médicos (serviços intelectuais, de natureza científica, atinente ao exercício da medicina), os quais são prestados por profissionais médicos ou por grupos de profissionais constituídos em pessoas jurídicas, com os serviços hospitalares (consistentes no fornecimento de leitos, apartamentos, estrutura de enfermagem, nutrição, além de materiais, medicamentos e alimentação, especificamente solicitados pelos profissionais médicos), que são prestados pelos Hospitais. A própria Receita Federal utiliza a distinção para fins de tributação no regime do lucro presumido, aplicando percentual reduzido aos prestadores de serviços hospitalares, em razão do maior custo pela manutenção de uma estrutura coordenada e organizada sob a forma de empreendimento hospitalar, aberta 24h, envolvendo gastos com materiais, hotelaria, alimentação, enfermagem e lavanderia. Diante disso, serviços médicos são prestados exclusivamente por médicos, atuando como pessoa física ou constituídos em forma de pessoa jurídica, enquanto os serviços hospitalares são serviços auxiliares à atuação científica dos médicos, um suporte aos serviços médicos propriamente ditos, no qual são utilizados os meios possíveis para o aperfeiçoamento da ciência médica. Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.157 16 [...] Os estabelecimentos podem funcionar como hospitais abertos, que permitem que Operadoras de Planos de Saúde (OPS) e profissionais médicos da comunidade internem e tratem de seus beneficiários/pacientes em sua estrutura física. Esse é exatamente o caso do HOB, conforme, inclusive, deixa claro o médico depoente Leonardo Alan Rocha, ao afirmar que comparecia ao hospital apenas para acompanhar seus pacientes (fl. 45). Lado outro, os hospitais “fechados” possuem corpo clínico permanente e apenas tais profissionais podem exercer a medicina em suas dependências, havendo nítida interação entre os serviços médicos e os serviços hospitalares, uma vez que é o hospital, por meio de corpo clínico próprio, quem oferece os serviços médicos. Neste caso, somente mediante permissão especial, profissionais externos poderão exercer a medicina em seu interior. Como exemplo, podemos mencionar o Sírio Libanês e o Hospital Albert Einstein, localizados na cidade de São Paulo. Tal distinção é regulada pelo próprio Ministério da Saúde, que separa os hospitais em duas categorias distintas, e aceita, excepcionalmente, uma terceira, oriunda da fusão das outras modalidades: HOSPITAL DE CORPO CLÍNICO FECHADO: É o hospital onde não se permitem, em rotina, atividades de outros profissionais, que não os integrantes do próprio Corpo Clínico. HOSPITAL DE CORPO CLÍNICO ABERTO: É o hospital que, mesmo tendo Corpo Clínico estruturado, permite, a qualquer profissional habilitado da comunidade, internar e tratar seus pacientes. HOSPITAL DE CORPO CLÍNICO MISTO: É o hospital que, mesmo tendo Corpo Clínico fechado, faz concessão, por cortesia, a outros profissionais, para internar e assistir seus pacientes. Nesse diapasão, devese firmar desde logo o seguinte: os serviços médicos prestados dentro do estabelecimento hospitalar são prestados em três situações totalmente distintas: a) pessoas jurídicas especializadas que fornecem profissionais de medicina para atuarem no Hospital, sem habitualidade, pessoalidade ou relação de subordinação com o Hospital; b) médicos credenciados por Operadoras de Planos de Saúde em atendimento aos seus beneficiários; e c) médicos em atendimento a pacientes particulares. Não obstante, o Fisco considerou que TODA e QUALQUER prestação de serviço médico realizado por pessoa jurídica no Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.158 17 HOB, em 2012, realizada em atendimento a paciente particular ou a beneficiário de plano de saúde, deveria ser enquadrada como atuação realizada na condição de segurado empregado. [...] Somase a isso o total desconhecimento da realidade dos fatos, com base apenas na noção defeituosa de que todo hospital, obrigatoriamente, deve prestar serviços médicos por intermédio de profissionais na condição de empregados. Neste ponto, registrese inicialmente que os serviços médicos são serviços altamente especializados e os profissionais médicos desenvolvem habilidades próprias e pessoais dentro de cada segmento da medicina, que não podem ser desenvolvidas com a mesma técnica, precisão e competência por outros profissionais e, justamente isso, não é possível impedir que uma atividade com alto grau de especialização, como a medicina, seja enquadrada dentro de conceitos prédefinidos de atividadefim. A medicina, à medida que avança, busca ramos de especialidades cada vez mais precisos e limitados. Assim, vieram as especialidades médicas com suas tradicionais divisões, cardiologia, neurologia, anestesia, oftalmologia entre outras. Em seguida, com os constantes avanços médicos, os profissionais foram se aperfeiçoando em áreas ainda mais limitadas dentro das especialidades médicas e focando sua atuação em procedimentos específicos. No que tange à oftalmologia, ramo da medicina de interesse no caso vertente, esclarece a Autuada que os médicos foram se especializando em tratamento de catarata, retina, glaucoma, etc. E dentro dessas especializações foram se afeiçoando em procedimentos específicos de tratamento de cada uma dessas subespecialidades. Assim, hoje temos a realização da cirurgia refrativa com uso da técnica INTRALASE ou a técnica LASIK. Diante do alto grau de especialização em um determinado seguimento da oftalmologia o profissional que atua em uma área não atua em outra. Tampouco executa um procedimento médico diferente daquele que se especializou. Essa é a realidade dos profissionais que prestam serviços para o HOB. Verificase, sem muito esforço cognitivo, que, pela própria natureza da atividade médica, os profissionais da medicina com alto grau de especialização executam tarefas que são singulares às suas habilidades pessoais e, por esse motivo, não podem ser enquadrados como pertencentes a atividadefim de nenhuma empresa, pois desenvolvem um serviço específico, restrito àqueles profissionais especializados naquela área e/ou procedimento. No presente caso, verificase que a Fiscalização autuou, por exemplo, os serviços prestados por médicos anestesistas, o que evidencia, no mínimo, um equívoco na avaliação das especialidades e subespecialidades médicas diante da verdadeira atividadefim da empresa. No caso dos serviços prestados por médicos anestesistas, temse que a empresa AMO Anestesia e Monitorização em Oftalmologia S/C presta serviços apenas de anestesistas, seus sócios são anestesistas e não oftalmologistas e mesmo assim foi incluída dentro da “atividadefim” do HOB”. Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.159 18 É de se questionar: se a Autuada tem como “atividadefim”, genericamente falando, a prestação de serviços na área da oftalmologia, como enquadrar os serviços de anestesia como “atividadefim” desta? Resposta: não é possível!! Caso contrário, terseia que reconhecer que os serviços dos médicos anestesistas são “atividadefim” de toda e qualquer especialidade médica com suas tradicionais divisões já aqui mencionadas: cardiologia, neurologia, anestesia, oftalmologia entre outras. Não se pode, pois, tratar tal questão de forma tão ampla e generalizada. Diante deste cenário, afigurase imperioso aferir qual é a exata delimitação do objeto social da empresa dentro das especificidades e subespecialidades na prestação de serviços médicos e até mesmo dentro da prestação de serviços como um todo, o que não foi feito nem pela Fiscalização, nem pelo acórdão recorrido. Para o correto enfrentamento de todas as questões referentes aos serviços prestados, devese sempre ter em mente que as atividades desenvolvidas pelos prestadores de serviços detinham alto grau de especialização e que é impossível colocar um divisor claro entre quais tarefas estão dentro da atividadefim da empresa e quais estão fora. Seguindo a análise a respeito da prestação de serviços na atividadefim da empresa, destaca ainda o Recorrente que não existe nem nunca existiu qualquer lei vedando a terceirização da atividadefim da empresa, sendo que qualquer entendimento em sentido contrário ofende o princípio da reserva legal previsto no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal, e a liberdade de contratar prevista no art. 421, do Código Civil (“A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato”). Sobre o tema, registrese que o Supremo Tribunal Federal, no recente julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 324, declarou, conforme amplamente noticiado na mídia especializada, a legalidade da terceirização de serviços tanto na atividademeio quanto na atividadefim das empresas. Concluiu, pois, aquela Corte Suprema, no julgamento da ADPF nº 324, que é lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho em pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, revelandose inconstitucionais os incisos I, III, IV e VI da Súmula 331 do TST. Registrese, pela sua importância, que o Enunciado 331 do TST foi expressamente citado tanto pela Fiscalização, quanto pelo acórdão da DRJ, como parte da fundamentação da autuação, in verbis: Relatório Fiscal (fls. 19) A licitude de tais contratações não encontra guarida na legislação reguladora das relações de trabalho brasileira, haja vista o disposto na Súmula 331 do Tribunal Superior do TrabalhoTST, pela qual é vedada a terceirização de serviços referentes à atividadefim da empresa. Se a atividade principal do HOB BSB, como não poderia deixar de ser, é a prestação de serviços médicos, a terceirização desses mesmos serviços é ilícita, de acordo com o teor da referida súmula (grifo original) Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.160 19 Acórdão da DRJ (fls. 1.881) Não resta dúvidas da afronta à legislação previdenciária (notadamente os arts. 12 e 15 da Lei 8.212/91), ao se utilizar de empresas interpostas para uma relação empregatícia, atuando na atividade finalística do empregador. Tal situação encontra eco reiterado na jurisprudência, resultando na Súmula n° 331 do TST. (destaquei) Neste contexto, face ao até aqui exposto, concluise que não prospera o argumento da Fiscalização, corroborado pela DRJ, de que os prestadores de serviços são segurados empregados por terem atuado na atividadefim do Autuado. Dos Requisitos da Relação Empregatícia Da Pessoalidade No que tange à caracterização do vínculo empregatício entre a Autuada e os prestadores de serviços, a DRJ, corroborando o entendimento da Fiscalização, assim se manifestou em relação à pessoalidade, em síntese: Quanto à pessoalidade na relação empregatícias, esta caracterizase pela prestação de serviços pela mesma pessoa física, cujos bens jurídicos que se busca tutelar (saúde, lazer, integridade física, seguridade social) são inerentes à pessoa natural. Portanto, o trabalho que compete ao segurado empregado deve ser realizado por ele próprio. Assim, a pessoalidade se evidencia pela prestação de serviços pelos ‘sócios’ das interpostas, verificandose que o corpo clínico do hospital, o qual é divulgado na internet, é apresentado sempre com os profissionais responsáveis por procedimentos efetuados no hospital, em cada subespecialidade, por seu nome próprio, como pessoa física, e não o da pessoa jurídica interposta, o que denota a pessoalidade da relação, cujo interesse do empregador, no caso o hospital HOB, centralizase nas qualidades das pessoas naturais e suas especialidades na respectiva área médica. Além de que, a então fiscalizada não formalizou em documento físico, os contrato de prestação de serviços com as pessoas jurídicas interpostas, estabelecendo a relação provavelmente diretamente com o médico, demonstrando a dispensabilidade da intermediação das empresas. Houve médicos que trocaram de empresa intermediária, ou pertenciam a empresa de outro ramo, como clínica odontológica, sem que acarretasse interrupção da prestação dos serviços médicos, assim como outros que se quer tinham certeza sobre quem eram os outros sócios, nem o endereço exato da empresa, e ainda, caso não pudessem atender o paciente, não eram substituídos, demonstrando efetivamente a presença da pessoalidade na relação de prestadora de serviço. Por fim, concluindo, ficou demonstrado que as pessoas jurídicas eram desnecessárias à relação empregatícia que havia entre o HOB e as pessoas dos médicos, pois aquelas possuíam tão Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.161 20 somente a função de emitir notas fiscais e disponibilizar conta bancária para recebimento, pois desprovidas de bens patrimoniais próprios que viabilizassem o objetos sociais a que se propunham. E no que se refere à alegação de que não há exclusividade, vale registrar que a impugnante não traz nenhuma comprovação de qual médico estaria prestando serviços concomitantemente ao Hospital Oftalmológico e a outro contratante. Mesmo porquê tal fato não afasta, por si só, a pessoalidade na prestação dos serviços à impugnante, pois poderiam ter ocorrido em horários diversos. Enquanto a pessoalidade é pressuposto de relação empregatícia a exclusividade não é requisito, mas exigência que pode existir, desde que especificada em contrato de trabalho. Sobre o tema, convém esclarecer que a pessoalidade na relação de emprego é caracterizada pela infungibilidade do trabalhador na prestação do trabalho. Portanto, é uma obrigação intuitu personae, vez que não pode o empregado se fazer substituir por outro sem o consentimento do empregador. Ou seja, é uma obrigação personalíssima e, por isso, se não puder ser executada por aquela pessoa, tornase inviável a prestação do serviço por aquela pessoa. Assim, pelos próprios elementos caracterizadores da pessoalidade na relação de emprego, verificase que os elementos indicados na decisão da DRJ não guardam nenhuma relação com os elementos necessários a refletir a pessoalidade na relação de trabalho. Neste ponto, esclareceu a Recorrente que, quando um determinado médico não podia prestar o serviço por um motivo pessoal, exemplo viagem a passeio ou participação em um Congresso, os demais sócios da sua empresa continuavam prestando os serviços normalmente ao HOB sem que a ausência daquela pessoa em específico prejudicasse a relação mantida entre as partes, que, justamente, pela natureza de prestação de serviços do contrato entabulado não era comprometida pela ausência do médico “A” ou “B”. Assim, quando um médico simplesmente informava que não iria cumprir a sua agenda, os demais serviços da sua empresa não eram interrompidos ou prejudicados, pois os demais médicos daquela empresa continuavam a trabalhar regularmente. Ademais, não é o fato de os pacientes de um determinado médico remarcarem as suas consultas que denota a pessoalidade da relação. Os serviços médicos são prestados em sua grande maioria como obrigações personalíssimas, onde o paciente quer ser atendido por aquele médico em específico, por ser a pessoa de sua confiança. Tal relação se dá entre o médico e o seu paciente (obrigação infungível). Assim, não é possível confundir a relação entre o médico e o seu paciente com a relação entre a empresa prestadora de serviços e a contratante – no caso, o HOB, onde não existia nenhuma pessoalidade na relação para fins de comprovação da relação de emprego. Outro elemento que chama a atenção é a estrutura física de grande parte das clínicas contratadas. Os documentos trazidos aos autos demonstram que, ao contrário das premissas contidas no Auto de Infração, as principais clínicas contratadas tinham estrutura própria, com consultórios próprios para atendimento, corpo de funcionários próprios e médicos que atendiam tanto dentro do próprio estabelecimento quanto fora. Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.162 21 Esclarece a Recorrente, neste particular, que os atendimentos aconteciam fora da estrutura da pessoa jurídica contratada por dois motivos: primeiro, porque ante os altos custos dos equipamentos médicos, nem sempre compensa montar uma estrutura com máquinas que custam cifras expressivas e “pulverizar” o atendimento, o que aumentaria sensivelmente o custo dos serviços prestados; e segundo porque alguns médicos aproveitavam para conhecer mercados e tecnologias de outras regiões. Assim, alguns médicos de fora de Brasília/DF vinham para o Distrito Federal prestar serviços no HOB e promover o intercâmbio de conhecimentos, técnicas e procedimentos, em uma relação de simbiose absolutamente saudável para as duas empresas contratadas. Verificase, pois, que as pessoas jurídicas contratadas tinham organização própria e atuavam como um “corpo” para consecução do seu objeto social. Neste ponto, socorrese, mais uma vez, aos escólios do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira consubstanciado no Acórdão nº 2201004.378, in verbis: Ora, qualquer um dos milhares de médicos registrados no CRM são, potencialmente habilitados a prestar serviços médicos, tendo registro, formação e especialização, afastando de forma patente – para se usar a expressão da autoridade fiscal – a pessoalidade exigida para a caracterização do empregado. Assim, diversamente do entendimento da Fiscalização e, por conseguinte da DRJ, concluo que não restou caracterizada a pessoalidade da relação entre os prestadores de serviço e a Autuada, não se podendo, em hipótese nenhuma, confundir a relação existente entre médico / paciente com aquela que existe entre o prestador de serviço médico com o contratante. Da Não Eventualidade No que tange à não eventualidade (continuidade) dos serviços, concluiu a DRJ que: A não eventualidade ou continuidade, também encontrase apurada na presente situação. Considerase não eventual o trabalho necessário à atividade normal do empregador, cuja natureza de não eventual se define pela relação entre o trabalho prestado e a atividade da empresa. A necessidade do empregador pelos serviços médicos prestados são permanentes e correspondem à atividade fim da contratante, cujas atividades se dão de maneira contínua e que, sem atuação de médicos, estaria severamente comprometida. Neste ponto, verificase, mais uma vez que, partindo da premissa da impossibilidade de terceirização dos serviços vinculados à “atividadefim” da Autuada (matéria já examinada linhas acima), concluiu a DRJ que restaria configurada a não eventualidade dos serviços prestados pelos médicos no caso concreto. A indagação que se faz é: não fosse o serviço vinculado à “atividadefim”* da Autuada (*ressalvandose toda a análise já feita neste voto linhas acima), como, por exemplo, serviços gerais e/ou de limpeza, seria a hipótese de uma prestação de serviço eventual, não contínuo?! Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.163 22 Ou, noutras palavras, o fato de o serviço ser, nos termos empregados pela decisão da DRJ, necessário à atividade normal do empregador, é o suficiente para o caracterizar como não eventual, contínuo?! Não me parece ser esta a melhor conclusão, afigurandose tal entendimento deveras superficial, não tendo sido demonstrado, no caso vertente, a efetiva existência de habitualidade na prestação dos serviços por parte das pessoas físicas para demonstrar a presença de um dos elementos necessários ao reconhecimento do vínculo empregatício, mas sim do ponto de vista da necessidade do HOB quanto aos serviços contratados, o que além de não ser o requisito necessário, ainda serve para demonstrar a ausência de pessoalidade na prestação dos serviços. Da Onerosidade Do recorrido acórdão depreendese que: Outro requisito presente e caracterizador da relação empregatícia, é a onerosidade, a qual revelase pelo encargo bilateral, onde o contratante afere a produtividade para a devida e justa contrapartida de remuneração do prestador do serviço. A impugnante lançou despesas próprias com Serviços Médicos, e apurava produção médica, conforme já referenciado neste voto. Neste ponto, não se deve olvidar que tanto na relação de trabalho quanto na prestação de serviços existe o requisito da onerosidade. A onerosidade não é exclusiva, pois, do contrato de trabalho. O fato de o valor dos serviços ser calculado com base na produtividade médica, não caracteriza, por si só, vínculo empregatício entre o prestador de serviço e o contratante. Ressaltese, inclusive, que não existe nenhuma vedação na utilização dessa forma de remuneração nos contratos de prestação de serviços. Aliás, é muito mais comum que os serviços prestados sejam remunerados com base na medição ou produção dos serviços prestados do que por um valor fixo. E isso não guarda nenhuma relação com onerosidade para fins de reconhecimento de vínculo trabalhista. Assim, entendo que o requisito da onerosidade também não se encontra presente. Da Subordinação Eis, aqui, o elemento de maior relevância na caracterização de uma relação de emprego. A subordinação é a demonstração clara de que o trabalhador se submete ao seu empregador, agindo a seu mando, obedecendo às suas ordens e sujeito às suas sanções. A DRJ, neste ponto, concluiu que: Em que pesem tais alegações, entendo presente a subordinação jurídica. Quanto mais intelectual a atividade, maior a autonomia, contrapondose ao trabalho estritamente braçal. No entanto, a prevalecer o entendimento da impugnante, não existiriam no Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.164 23 mercado de trabalho médicos segurados empregados, o que na prática não é o que ocorre. Não obstante o contribuinte tenha informado à fiscalização que não possuía organograma organizacional dos setores médicos, devese considerar que a auditoria verificou na página do Hospital na internet, que havia segmentação de diretorias e gestores de departamento, cujas funções de chefia estão especificadas vide item ‘c’ fls. 39 do Relatório Fiscal. Presente portanto uma estruturação hierárquica. A atividade médica, conquanto possua elevado grau de especialização e tecnicidade, não possui autonomia absoluta, não devendo ser confundida autonomia profissional, com falta de controle dos procedimentos pelas partes ou direcionamento da aplicação da mão de obra envolvida. O próprio sujeito passivo, em resposta ao item 2, do TIF nº 2, relata que as decisões a respeito dos procedimentos para a organização e controle da assistência médica eram tomadas diretamente pelos sócios do HOB em reuniões de sócios. Que cabia ao Dr. Sérgio Luiz Kniggendorf, o atributo de médico responsável do setor de oftalmologia do HOB. Conforme constata a fiscalização, apesar de o contribuinte afirmar que não há escala de médicos, na prática existe uma tabela que é composta todos os dias, na qual constam horário (manhã ou tarde), número do consultório e médico que vai atender naquele consultório e os médicos que vão atender na EMERGÊNCIA (manhã, tarde e noite) e no ambulatório (noite) Anexo VII dos documentos comprobatórios. Por óbvio, não há como se considerar um hospital de tal magnitude, sem estruturação departamental e hierárquica, denotando o poder de organização e de controle. O Hob era responsável por toda a estrutura de atendimento, marcação de consultas, os materiais e equipamentos utilizados nas consultas e cirurgias eram fornecidos pelo HOB BSB, bem como todo o apoio logístico, material marketing, telefonia, agendamento, papel timbrado etc. A autuada quem contabilizava, como próprias todas as receitas e despesas provenientes dos serviços médicos prestados. Consequentemente os prestadores integraram a dinâmica produtiva do Hospital, destinatário dos serviços prestados caracterizando também a chamada subordinação estrutural em que há integração do trabalhador à dinâmica organizativa e operacional do tomador de serviços. No Magistério de Maurício delgado, a subordinação estrutural é a que se manifesta pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, seu processo de organização e funcionamento. Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.165 24 A subordinação deve demonstrar que o empregado está sujeito a ordens e fiscalização de um superior. É uma relação onde não existe autonomia entre as partes e as obrigações devem ser cumpridas pelo empregado contratado, especialmente referente a horário, regras e condutas, sob pena de alguma sanção. No caso em análise, temse que os médicos tinham ampla liberdade para fazer os seus horários, marcar e desmarcar consultas (o que era determinado por eles e operacionalizado pelas atendentes do HOB), conforme registrado inclusive no relatório fiscal (“que os médicos tinham liberdade para definir a agenda”) e reforçado pelos depoimentos pessoais (“que havia autonomia para organizar a agenda”; “que não tem superior hierárquico”). Restou demonstrado, pois, que os médicos contratados tinham ampla e total liberdade para dizer: (1) se iam prestar serviços para o HOB; (2) quando iriam prestar serviços para o HOB; (3) por quanto tempo prestariam serviços para o HOB; e (4) como iriam prestar serviços para o HOB. Também restou comprovado que os médicos não participavam de reuniões, deliberações do HOB, não estavam sujeitos a suas ordens nem tampouco estavam sujeitos a qualquer sanção por parte do HOB. É inquestionável que os médicos não estavam sujeitos a nenhum controle por parte do HOB. Não tinham suas atividades fiscalizadas nem muito menos qualquer sanção imposta caso não cumprissem o horário que tinha se comprometido a fazer. Diante deste cenário, questionase: como é possível falar na existência de subordinação estrutural? A teoria da subordinação estrutural consiste na inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber suas ordens diretas, mas bastando que acolha seu processo de organização e funcionamento. No caso, não há que se falar em inserção dos médicos na dinâmica do tomador de serviços, pois era o médico quem informava se ia, quando e por quanto tempo iria atender. Portanto, não havia a inserção do profissional médico dentro da estrutura de organização do HOB. O Fato de o Autuado indicar, por meio de uma tabela, os horários e os consultórios nos quais os médicos iriam atender os seus pacientes não configura, por si só, subordinação estrutural do prestador de serviço ao tomador. Tratase de organização – e não de subordinação – da rotina de trabalho, conforme as indicações dos próprios médicos de quando estariam presentes no HOB para atender seus pacientes. Assim, não há que se falar em subordinação estrutural no presente caso, pelo que, também por este motivo, deve ser reformada a decisão de piso. Do Entendimento da Justiça do Trabalho Por fim, mas não menos importante, e mesmo considerando ser prescindível para o deslinde do caso em análise, merece destaque as razões recursais referentes ao entendimento da justiça do trabalho nos casos em que médicos, exprestadores de serviços para o HOB, ajuizaram reclamações trabalhistas no intuito de ver reconhecido o vínculo de emprego e tiveram seus pedidos julgados improcedentes. No corpo do seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta o seguinte caso, in verbis: Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.166 25 Este é o caso específico analisado pela Justiça do Trabalho nos autos da Reclamação Trabalhista n.º 00419201302110000, movida por Graziella Rezende Vilela, da Clínica de Olhos Senna Garcez Ltda, CNPJ n.º 03.817.531/000160, uma das empresas que constam da autuação (folha 1.616 dos autos). Vejam que a médica em questão pediu “vínculo de emprego com o reclamado (...) na função de médica oftalmologista, mediante o salário mensal composto de parte fixa no valor de R$ 2.250,00 e comissões de 20% sobre os clientes atendidos pelo reclamado, perfazendo uma remuneração mensal de R$ 6.500,00, salientando que a última percebida foi no importe de R$ 28.000,00.” (relatório da sentença proferida na reclamação trabalhista). E teve o seu pedido negado com base nos seguintes fundamentos, in verbis: In casu, apesar de a reclamante eleger na exordial o preenchimento dos requisitos objetivos e subjetivos do liame de emprego CLT, artigos 2º e 3º , declarou em seu depoimento pessoal, ratificando a narrativa do reclamado, neste aspecto, que integrou pessoa jurídica no veiculado período, juntamente com outros sócios, não havendo valor fixo salarial e sim percepção remuneratória de acordo com a quantidade de pacientes atendidos por ela no mês, cuja média mensal era em torno de R$ 40.000,00 tendo sempre recebido o valor mensal conforme a quantidade de atendimento por ela efetuados, cujo pagamento mensal feito pelo reclamado era em valor global destinado à empresa que era sócia e que nesta empresa havia a divisão e repasse dos valores a cada um dos sócios médicos que prestavam serviços no reclamado, pois todos laboravam para o reclamado [...] [...] Portanto, tenho que a relação jurídica havida entre as partes se amoldou plena e regularmente ao contrato de prestação de serviços autônomos firmado entre o reclamado e a pessoa jurídica de que era sócia a reclamante, ante a ausência de subordinação jurídica e demais condições empregatícias, albergando, inclusive, a forma própria de pagamento global mensal com a divisão pecuniária promovida pelos próprios sócios da empresa prestadora autora sócia como declarado no próprio depoimento pessoal da reclamante, refletindo a mesma diretriz regular da prestação de serviços autônomos os documentos juntados aos autos pelas partes, pois denotam meros direcionamentos administrativos para a respectiva implementação. Nesse compasso, e sendo a subordinação jurídica condição indissociável da relação empregatícia, conjugada com as demais ordenadas pelos artigos 2º e 3º, da CLT, e uma vez inexistindo entre as partes, como Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.167 26 verificado, não há que se falar em relação de emprego e obrigações dela decorrentes. Em sede de Memoriais, o Recorrente apresentou outros dois casos, conforme abaixo demonstrado: Reclamante: Mário Jampaulo de Andrade Processo nº 000052510.2016.5.10.0004 Sentença Tratase a presente de reclamação trabalhista ajuizada por Mário Jampaulo de Andrade contra HOB Hospital Oftalmológico de Brasília Ltda., onde pretende o reclamante a decretação de nulidade da pejotização existente, reconhecimento do vínculo, anotação da CTPS de 02 de junho de 2007 a 04 de janeiro de 2016 (...) Passo a análise das provas. O email de fl. 63 de 22/09/2010 informa o pagamento na conta da pj e não de pessoa física para evitar problemas com fiscalização. O email de fl. 70 comprova que autor fazia sugestões e organizava cursos (anel de Ferrara). O email de fl. 71 informa que autor intermediava descontos em cirurgias. Os emails de fls. 71 e 72 informa que autor organizava a questão dos fellows, inclusive recebia agenda de entrevista de fellows junto com o sócio CANROBERT (email direcionado aos dois). O documento de fl. 89 comprova que autor era quem dava o fellow de cirurgia refrativa. No mesmo sentido email de fl. 142 sobre análise de currículo fellow. O email de fl. 81 comprova que autor representou o Hospital em um caso médico, relativo a um processo. (idêntico ao de fl. 155/156). Os emails de fls. 75, 76 comprovam que o autor solicitava bloqueio de sua agenda para treinamento em Goiânia, Porto Alegre. O email de fl. 79 comprova que autor desmarcou reunião em face de compromisso seu, sem grandes explicações. O email de fl. 82 comprova fechamento de agenda do autor para congresso nos EUAs por 7 e depois 8 dias. Os email de fls. 134 e 135 informam remarcação de paciente por ida do autor ao ortopedista e que solicitação para evitar encaixes, bem como por dores do autor. O email de fl. 140 informa que autor avisou que só atenderá 3 retornos conforme regra do HOB. O email de fl. 84 comprova que autor dava entrevistas, divulgando o hospital e os médicos. No mesmo sentido documentos de fls. 85 a 87, 91, 94 a 133. Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.168 27 O email de fl. 139 informa que autor tinha cartão de visitas, conforme fl. 156. Os documentos juntados pelo autor, ao contrário do alegado, comprovam autonomia do autor no fechamento de sua agenda e desmarcação de reunião segundo interesse do autor. O fato de usar o termo "solicita" não significa subordinação e que poderia haver uma negativa de fechamento e sim que a central de atendimento deveria fazer o bloqueio da agenda. [...] Ora, não vislumbro subordinação jurídica entre o reclamante e o reclamado. A relação entre hospital e médicos geralmente se faz da forma aqui informada. Os médicos parceiros disponibilizam os horários em que podem realizar atendimento, conforme sua própria conveniência, recebendo percentual das consultas, pois o pagamento é divido com hospital para lucro e cobertura de despesas. [...] Ante a inexistência de subordinação jurídica, inexiste o vínculo empregatício, improcedem todos os pedidos do reclamante (destaquei). *** Reclamante: Márcia Moreira Godoy Processo nº 000144721.2016.5.10.0014 – RECURSO ORDINÁRIO EMENTA RELAÇÃO DE EMPREGO. INEXISTÊNCIA. A CLT, em seu art. 3º, considera empregado "toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário". É de se esperar que tais elementos estejam necessariamente presentes em um contrato de trabalho, que, na definição de Orlando Gomes, é "[...] a convenção pela qual um ou vários empregados, mediante certa remuneração e em caráter não eventual, prestam trabalho pessoal em proveito e sob direção de empregador." (Contrato individual de trabalho. Forense, 1994. p. 118). Para a Justiça do Trabalho, o elemento definidor da existência de relação de emprego é a presença de subordinação jurídica entre as partes, o que não se verificou nos presentes autos. In casu, a inexistência de relação de emprego entre os litigantes emergiu, de modo inconteste, do conjunto probatório. Recurso ordinário conhecido e desprovido. MÉRITO Insurgese a reclamante contra a sentença de origem que negou a existência de vínculo empregatício entre as partes. Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.169 28 [...] A própria reclamante admitiu ao depor a constituição de empresa que prestava serviços ao reclamado. Não se desincumbiu, entretanto, do ônus de demonstrar, conforme alegou, que tivesse a constituído por exigência da recorrida. O depoimento também contraria a tese recursal de ausência de instrumento formal de pactuação de prestação de serviço autônomo, pois revelado que referida pactuação deuse verbalmente. Ademais, o fato de não haver contrato escrito da parceria havida entre as partes, denota tão somente o elevado grau de confiança existente, como restou claramente evidenciado na degravação do áudio colacionado aos autos, uma vez que a autora fez sua residência médica no reclamado e, ainda, por seu pai ser amigo de longa data de um dos sócios da parte reclamada (ID. 374b8a7 Pág. 8). Para além disso, a própria reclamante afirma, no início do áudio acima referido, que não tem intenção de formar esse tipo de vínculo (empregatício) com o reclamado (ID. 374b8a7 Pág. 2) e, ato contínuo, assevera que está "levantando voo sozinha" por perceber que não está sendo bem remunerada, mas que tem intenção de sair do hospital, ao passo em que deseja continuar sendo parceira do réu (ID. 374b8a7 Pág. 3). Em verdade, após cuidadosa análise da degravação do áudio registrada sob o ID. 374b8a7, o que se infere é que a relação havida entre as partes é de parceria e que a parte reclamante deseja findar a prestação de serviços para o reclamado, expondo os motivos para tanto e, de outro lado, o sócio do reclamado, preocupado com a sociedade empresária, requer a formalização do distrato. [...] No depoimento supratranscrito (Sr. VICTOR SAQUES NETO, médico oftalmologista, como a reclamante), chama atenção o fato da ausência de subordinação jurídica e pessoalidade na relação havida entre as partes, quando a testemunha assevera que ela, assim como a reclamante, podem fechar a agenda e fazerse substituir por outro profissional qualificado. E nem se diga que a necessidade de comunicação, através de formulário caracteriza a vindicada subordinação jurídica, porquanto pensar o contrário, ou seja, uma ausência de notificação formal ao reclamado, poderia trazer sérias consequências na imagem que o réu detém perante os pacientes. Outro fato importante é a remuneração pelos serviços prestados, que sempre foi objeto de consenso entre os prestadores de serviços e o reclamado, o que revela a paridade existente na relação. [...] Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.170 29 Como se percebe, o depoimento acima transcrito (Senhora JANAINA SALES DE JESUS NASCIMENTO) corrobora o da primeira testemunha, pois esclarece que os médicos prestadores de serviço, como a reclamante, disponibilizam os horários de atendimento, podendo fechar suas agendas, sem qualquer consequência ou punição, bastando informar o reclamado, por meio de um formulário. [...] As testemunhas, tanto da autora como do reclamado, como diligentemente apontado na sentença primária, confirmaram da liberdade de agenda daquela. Isso se torna ainda mais evidente quando da análise das correspondências eletrônicas colacionadas sob o ID. b98cf05, in litteris: [...] O depoimento da reclamante, aliado à prova oral e documental produzida contrariam os termos da inicial. Consoante emerge dessa prova, a autora não exercia suas funções sob a égide da disciplina trabalhista, uma vez que ausentes um dos principais requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício, qual seja: a subordinação. Tanto mais, quando evidenciada a autonomia na marcação e cancelamento de consultas, sem nenhuma penalidade por parte do hospital reclamado. A egrégia 2ª Turma deste Regional, em caso semelhante ao dos presentes autos, em que figurava como parte o reclamado, também entendeu pela existência de parceria entre o réu e o profissional médico que lhe prestava serviços. Peço, pois, vênia para transcrever o referido acórdão naquilo que interessa ao caso sub examine: [...] Valorados os aspectos acima indicados, entendo que não se confirmou nos autos a presença dos elementos do art. 3º da CLT. A r. sentença valorou com precisão o acervo probatório, culminando por concluir pela inexistência do vínculo de emprego entre as partes, conforme se infere da fundamentação. Restou demonstrada nos autos, a contento, a ausência de subordinação jurídica no desenvolvimento do trabalho prestado pela reclamante. Dessa forma, mantenho a sentença quanto à inexistência do vínculo de emprego. Registrese, pela sua importância, que a decisão em destaque da Terceira Turma do TRT da 10ª Região transitou em julgado no dia 27/03/2018, conforme se infere da imagem abaixo, extraída do sítio eletrônico daquela Corte: Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.171 30 Diante de todo o exposto, forçoso reconhecer a procedência das alegações recursais, nos termos acima declinados. Da Generalização na Investigação Realizada pelo Fisco Aduz o Recorrente que ao proceder ao lançamento, caberia ao Fisco comprovar a existência de uma relação de emprego supostamente disfarçada, de forma individualizada, com cada profissional da medicina que compõe cada pessoa jurídica que prestou os serviços para o Recorrente. Prossegue afirmando que a Fiscalização analisou um fato, geral, baseado nas diligências realizadas em 10 (dez) pessoas jurídicas e no depoimento de 7 (sete) médicos, que possuem evidente interesse pessoal nos fatos, e presumiu que todas as pessoas jurídicas estariam em situação de irregularidade, sem promover a devida comprovação fática pormenorizada. Ou seja, a Fiscal identificou uma possível situação de irregularidade em algumas empresas e, presumidamente, estendeu suas conclusões a todas as pessoas jurídicas que prestaram serviços ao hospital. Razão assiste ao Recorrente neste particular. Vejamos!! De fato, extraise do TVF as seguintes informações: 15.18 A fiscalização contava, então, com elementos suficientes para comprovar que o HOB BSB estava utilizando a “pejotização”, visto que sua atividade principal era (e continua sendo) a prestação de serviços médicos hospitalares no ramo oftalmológico – consultas ambulatoriais, exames, cirurgias e internações, constatandose a coincidência entre as atividades contratadas por interposta pessoa e a atividadefim do hospital. 15.19 No entanto ainda havia a necessidade de conhecer quem eram realmente os médicos (pessoas físicas) que prestaram Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.172 31 serviços no HOB BSB e qual era o valor recebido por eles. Foi, então, solicitado ao contribuinte, por meio do TIF no 2, que apresentasse arquivo digital, em formato excell, com as seguintes informações com referência a todos os médicos que prestaram serviços no HOB BSB em 2012: Nome completo do médico / CPF / CRM / especialidade / Nome da empresa intermediadora do serviço / CNPJ / jornada de trabalho mensal / carga horária cumprida no mês / Valor pago a cada médico por competência (mês). 15.20 Em atendimento ao termo, o sujeito passivo apresentou o arquivo “Produção Médica 2012”, no qual a “Plan 1” apresenta os valores mensais pagos às pessoas jurídicas interpostas e a “Plan 2” apresenta os médicos que prestaram serviços em cada uma dessas empresas. E prestou os seguintes esclarecimentos (ANEXO II, do Conjunto de Provas): 15.21 Assim, a auditoria fiscal obteve as informações referentes a quais pessoas jurídicas estavam vinculados os médicos e qual os valores mensais pagos pelo HOB BSB a estas pessoas jurídicas. Segundo o contribuinte eles não tinham como precisar o valor recebido por cada médico. Mais adiante, esclarece a Fiscalização que: DAS DILIGÊNCIAS PESSOAS FÍSICAS MÉDICOS E PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS 15.25 Com o objetivo de aprofundar o conhecimento da relação triangular estabelecida entre o HOB BSB e os médicos pessoas físicas / pessoas jurídicas interpostas e de confrontar as informações até então reunidas, a auditoria fiscal achou por bem realizar diligências junto a 7 médicos, pessoas físicas, dos 77 (setenta e sete) que prestaram seus serviços no HOB BSB (segundo o contribuinte) e junto a 10 (dez), das 47 (quarenta e sete) pessoas jurídicas identificadas na contabilidade, como se segue. DAS DILIGÊNCIAS PESSOAS FÍSICAS MÉDICOS Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.173 32 DAS DILIGÊNCIAS PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS 15.29 Antes de selecionar as pessoas jurídicas interpostas a serem diligenciadas, a auditoria fiscal comparou as informações contábeis do HOB BSB com informações dessas empresas, obtidas nos diversos sistemas internos da RFB, dos quais foram extraídas informações cadastrais e informações prestadas nas seguintes declarações: GFIP, DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) e DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte). Tais informações foram sintetizadas na Tabela 5 Informações das GFIP declaradas pelas pessoas jurídicas interpostas, na Tabela 6 Dados cadastrais (fonte DIPJ) e responsáveis pelas informações GFIP PJ Interpostas e na Planilha 1 Despesa conta 11065 Serviços Médicos HOB BSB x Receita Bruta/DIPJ e Rendimentos – DIRF / TERCEIROS / BENEFICIÁRIA (PJ interpostas) constantes do Anexo V do Conjunto de Provas. 15.31 Depois da análise destas informações, foram selecionadas as pessoas jurídicas a serem diligenciadas: Prosseguindo, a Fiscalização, já avançando para suas conclusões e após manifestarse acerca “Da Caracterização como Segurados Empregados” (fls. 34 do TVF), esclarece que:DA DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS VERBAIS DE SERVIÇOS MÉDICOS COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. 17. Preliminarmente, é importante destacar que 45 (quarenta e cinco) das 47 (quarenta e sete) empresas relacionadas, na PLANILHA 1 do Anexo V deste relatório, tiveram desconsiderados seus contratos de prestação de serviços, ainda que verbais, para fins previdenciários, exceção feita à Clínica de Olhos Santa Paula e Banco de Olhos Sorocaba que não tiveram seus valores considerados no presente lançamento. 18. Tais contratos foram desconsiderados em vista da realidade fática apurada nesta ação fiscal, qual seja, a existência de vínculo Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.174 33 de emprego dos médicos vinculados às empresas interpostas diretamente com o HOB BSB. 19. Constatouse que a contratação de empresas médicas para prestar serviços ao HOB BSB é uma camuflagem jurídica para acobertar, de fato, a contratação direta de médicos, conforme exaustivamente demonstrado neste relatório fiscal. 20. Os médicos identificados na presente auditoria são os informados pelo contribuinte em atendimento ao TIF no 2 – Anexo II do Conjunto de Provas (77 médicos), complementado pelos médicos identificados nas diligências (5 médicos), que não constavam da relação entregue: Como se vê dos excertos supra reproduzidos do TVF, a Fiscalização expressamente afirma que, para fins de incidência da contribuição previdenciária, foram consideradas 45 (quarenta e cinco) empresas e 82 médicos, enquanto que as diligências, conforme consta no próprio TVF, foram realizadas junto a 07 (sete) médicos e 10 (dez) pessoas jurídicas. Neste contexto, tratandose de exigência fiscal embasada na caracterização de segurados empregados, com constatação expressa, pela autoridade administrativa fiscal, dos pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, quais sejam: serviços prestados por pessoa física, subordinação, habitualidade / não eventualidade e onerosidade, questionase: como a fiscalização concluiu que tais pressupostos se aplicam a 82 médicos, tendo diligenciado junto à apenas 07?! Razão assiste à Recorrente quando afirma que o curioso é que a própria Fiscal reconhece que das 10 empresas diligenciadas 2 operavam em conformidade com seu entendimento sobre a matéria, razão pela qual excluiu do auto as receitas pagas às empresas Clínica de Olhos Santa Paula e Banco de Olhos Sorocaba. Assim, impossível não questionar: por que a fiscal não estendeu o entendimento que deve dessas 2 empresas para as 37 demais empresas que não sofreram qualquer ação pela fiscalização? Não existe resposta legal a esse questionamento. E a fragilidade do auto se torna ainda nítida quando constatamos que, se essas duas empresas não tivessem sido convocadas pela Fiscal, seus rendimentos estariam integrando o auto. Portanto, não existe outra conclusão a se chegar a não ser o da ilegalidade da conduta da Fiscal e do auto. Neste contexto, não pode prevalecer o argumento da fiscalização no sentido de que há generalizada terceirização da atividade fim Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.175 34 do hospital autuado, mediante a adoção de "pejotização", considerando que o Fisco, conforme acima exposto, não analisou cada uma das empresas prestadoras de serviços, tampouco cada médico pessoa física considerada segurado – empregado! Assim, caso restem superadas as conclusões alcançadas nos itens precedentes, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para que a autuação recaia sobre os médicos efetivamente diligenciados pela Fiscalização, conforme tabelas abaixo, extraídas do TVF, excluindo o profissional Leonardo Alan Rocha, referente à Clínica de Olhos Santa Paula Ltda, já excluída da autuação pela própria fiscalização: Da Aferição Indireta da Base de Cálculo Neste ponto, aduz a Recorrente que no tocante à apuração da base de cálculo dos tributos lançados mediante aferição indireta, a autoridade fiscal utilizou critério que sequer permite constatar de forma exata o suposto “salário” alegadamente pago pelo HOB. E prossegue afirmando que no caso vertente, o pagamento realizado para uma clínica pessoa jurídica, via de regra constituída por mais de um sócio, foi simplesmente convertido integralmente em pretenso salário das tantas pessoas físicas existentes na clínica. Isso significa que o valor total mensalmente auferido a título de prestação de serviço pela pessoa jurídica como um todo, foi atribuído na íntegra a cada sócio pessoa física! Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.176 35 Razão não assiste ao Recorrente neste particular. Vejamos! Nos termos do TVF, temse que: 37. Cabe ainda ressaltar que, como o HOB BSB não apresentou para a fiscalização os valores recebidos pelos médicos, pessoas físicas (motivo pelo qual foi lavrado o auto de infração acessório CFL 35), o lançamento da contribuição previdenciária devida será realizado por AFERIÇÃO INDIRETA, conforme previsto no §3o do artigo 33, da Lei no 8.212/1991: Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n° 11.94 1, de 2009). § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). [...] § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.177 36 § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifo original) Mais adiante esclarece a Fiscalização que: 53. A base de cálculo utilizada para apuração das contribuições foram os valores repassados a pessoas jurídicas interpostas, consideradas pela fiscalização como remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados. A apuração se deu com base nos valores lançados na contabilidade do HOB BSB, como despesa, na conta analítica 3.2.1.03.01.00 / conta reduzida 11065 SERVIÇOS MÉDICOS – Anexo V do Conjunto de Provas (Ressaltase que foram excluídos os valores destinados à Clínica de Olhos Santa Paula e ao Banco de Olhos Sorocaba). 54. A tabela abaixo apresenta o valor da base de cálculo considerada no presente lançamento, consolidada por competência: Pois bem! Analisandose o Anexo V RAZÃO DA CONTA DE DESPESA 11065 SERVIÇOS MÉDICOS (CUSTOS DE SERVIÇOS / SERVIÇOS DE TERCEIROS / PESSOA JURÍDICA) (fls. 1628 e seguintes), verificase que os valores utilizados pela fiscalização como BC para a apuração das contribuições devidas não correspondem, conforme faz crer a Recorrente, aos pagamentos realizados para uma clínica pessoa jurídica, convertidos integralmente em pretenso salário das tantas pessoas físicas existentes na clínica. Tais valores – extraídos da contabilidade da própria Recorrente, registrese correspondem sim a pagamentos realizados para as clínicas, mas não foram “multiplicados” por tantas pessoas quanto existentes nas clínicas. O que fez a fiscalização foi, identificados na conta contábil em destaque lançamentos referentes àquelas clínicas objeto da autuação – 45 (quarenta e cinco), rememorando – contabilizou os respectivos valores na apuração da base de cálculo. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.178 37 A título meramente exemplificativo, somandose os valores da Coluna “Valor” do susodito Anexo V (fls. 1628) referentes ao mês de janeiro/2012, excluídos os valores destinados à Clínica de Olhos Santa Paula e ao Banco de Olhos Sorocaba, chegase a um montante de R$ 1.184.075,26 de base de cálculo, conforme se infere da Tabela abaixo: 2.338,06 2.338,06 1.674,04 2.338,06 18.470,11 1.144,28 1.327,19 987,87 2.266,65 2.338,06 2.338,06 2.338,06 2.338,06 2.338,06 3.850,35 2.338,06 2.338,06 2.338,06 2.338,06 12.986,11 57.920,09 177.832,72 1.273,07 26.177,73 34.122,84 90.126,55 5.874,24 17.596,98 10.789,16 37.023,77 152.918,69 96.864,02 87.277,56 4.476,63 9.002,35 2.770,72 1.751,59 12.395,41 168.348,97 2.321,69 1.167,49 1.635,00 Valor de 14.645,68 não considerado, referente à Clínica de Olhos Santa Paula 21.842,96 5.608,26 16.691,84 2.537,88 2.151,73 1.624,47 634,09 1.875,85 3.837,99 Valor de 220,00 não considerado, referente ao Banco de Olhos Sorocaba 2.847,82 1.211,15 10.521,18 2.688,80 1.807,89 29.529,99 2.066,76 2.338,06 3.827,95 1.184.075,26 Neste ponto, em face do quanto acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário neste particular. Da Responsabilidade Tributária Neste ponto, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adotase os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: O art. 124 do CTN trata de regra geral de Responsabilidade Solidária, onde são solidários perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (inciso I) e os designados expressamente pela lei (inciso II). Vejamos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.179 38 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. No caso do inciso I, a regra é geral, aplicável a qualquer tributo, condicionada ao interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Já para o inciso II, não se exige necessariamente o interesse comum, mas deve ocorrer a previsão de lei (do tributo respectivo) definindo a solidariedade, considerada ex lege, no qual o legislador busca maiores garantias no recebimento do tributo. O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, citado pela Autoridade Fiscal autuante, é aplicável às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, o qual dispõe que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias, conforme reproduzido abaixo: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifamos) Observese que legislação acima transcrita impõe a utilização do instituto da solidariedade frente a grupo econômico de qualquer natureza, de modo a abarcar tanto aqueles que foram regularmente constituídos, nos moldes do artigo 265 da Lei n° 6.404/76, quanto aos “grupos de empresas” com direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. No âmbito da legislação previdenciária, o conceito de “grupo econômico” está expresso no artigo 494 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, in verbis: Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Por sua vez, o art. 2.º, § 2º da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), estatui que: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.180 39 constituindo grupo industrial, comercial ou de que qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. É visível a similitude de redação entre o dispositivo inserto na CLT e o constante da Instrução Normativa (IN) citada, sendo viável que conceitos doutrinários trabalhistas correlatos sejam utilizados na seara previdenciária, inclusive em face do estreito liame que conecta estes dois ramos do direito. Ao comentar o conceito ínsito na CLT, Délio Maranhão elucida: O parágrafo citado fala em ‘empresa principal’ e ‘empresas subordinadas’. Para que se configure, entretanto, a hipótese nele prevista não é indispensável a existência de uma sociedade controladora (holding company). Vimos que a concentração econômica pode assumir os mais variados aspectos. E, desde que ao juiz se depare esse fenômeno, o dever lhe impõe a aplicação daquele dispositivo legal. O controle sobre diferentes sociedades pode ser exercido por uma pessoa física, detentora da maioria de suas ações e, em tal caso, não há por que deixar de aplicarse o § 2° (SÜSSEKIND, Arnaldo. Instituições de Direito do Trabalho, 14ª ed., São Paulo, LTr, 1993)(g.n.) ; Mas a existência do grupo do qual, por força da lei, decorre a solidariedade, provase, inclusive, por indícios e circunstâncias. Tal existência é um fato, que pode ser provado por todos os meios que o direito admite (in Instituições de Direito do Trabalho, vol. 1 – 15ª ed. – São Paulo: LTr, 1995, p.297). Portanto, a solidariedade, abrange quer os grupos de direito, quer os de fato. Daí se extrai que os grupos econômicos de fato podem se dar de forma horizontal (modalidade de coordenação), ou vertical (subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, a direção ou a administração. Também, o conceito de grupo econômico, formulado pelo Prof. Wladimir Novaes Martinez, está em consonância com os dispositivos legais acima: Grupo econômico pressupõe a existência de duas ou mais pessoas jurídicas de direito privado, pertencentes as mesmas pessoas, não necessariamente em partes iguais ou coincidindo os proprietários, compondo um conjunto de interesses econômicos subordinado ao controle de capital. [...] O importante, na caracterização da reunião dessas empresas, é o comando único, a posse de ações ou quotas capazes de controlar a administração, a convergência e políticas mercantis, a padronização de procedimentos e, se for o caso, mas sem ser exigência, o objetivo Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.181 40 comum.(em Comentários à Lei Básica da Previdência Social – Tomo II, LTR, 1994, pg. 340) Oportuno ainda, como subsídio, trago à colação algumas posições jurisprudenciais, de âmbito trabalhista e tributário previdenciário: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. EMBARGOS DE TERCEIRO. GRUPO ECONÔMICO. PENHORA DE BENS. VALIDADE. A declaração judicial da existência de grupo econômico entre a executada e a terceira embargante, em razão da existência de sócio majoritário em comum e da atuação das empresas no mesmo ramo empresarial, como fundamento para legitimar a penhora realizada em bem da embargante, não atenta contra as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, tampouco ofende o princípio da legalidade estrita, na medida em que o Tribunal recorrido procurou resguardar o crédito trabalhista da ocorrência de fraude de execução. Violação direta e literal do artigo 5º, II, LIV e LV, da Constituição Federal não configurada. Agravo de instrumento a que se nega provimento. (Agravo de Instrumento em Recurso de Revista n° TST AIRR1071/20030290340.0, Rel. Walmir Oliveira da Costa, 5ª Turma,02/08/2006) EMENTA: GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO Para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico, basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente do controle e fiscalização de uma empresalíder. Basta uma relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2º, parágrafo 2º da CLT. EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO. O parágrafo 2° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que o seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma subordinação específica em relação a uma empresa mãe, mas sim uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados, fartamente, o Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.182 41 controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (PROCESSO TRT/15ª REGIÃONº 00902200108315 000RO (22352/2002RO9) RECURSO ORDINÁRIO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS). Acórdão. Origem: TRIBUNAL QUARTA REGIÃO Classe: AG AGRAVO DE INSTRUMENTO Processo: 200304010562371 UF: SC Data da decisão: 03/08/2005 AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. OITIVADA PARTE INTERESSADA. DESNECESSIDADE. PRESCRIÇÃO. 1. Os elementos constantes dos autos evidenciam a ocorrência de grupo econômico entre a devedora principal e as ora agravantes, não havendo motivos para, em sede de agravo de instrumento, modificasse o conteúdo da decisão que deferiu o redirecionamento da execução fiscal, na forma dos artigos 124, inc. II, do CTN e 30, inc. IX, da Lei nº 8.212/91. [...] 6. Agravo de instrumento parcialmente provido, apenas para decretar a prescrição do direito ao redirecionamento, relativamente a uma das quatro execuções que tramitam reunidas, nos termos da fundamentação. Portanto, relativamente às alegações de não caracterização do grupo econômico as mesmas não podem prosperar. Inicialmente trazemos ao contexto os elementos fáticos coligidos pela fiscalização, que demonstram a existência de grupo econômico de fato. O quadro de sócios administradores elaborado pela auditoria em seu Relatório Fiscal item 40 (abaixo reproduzido) demonstra o mesmo grupo de pessoas como administradores das envolvidas, revelando a direção em comum, centralizada e coordenada pelas mesmas pessoas. Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.183 42 Oportuno observar ainda, conforme o relatório da fiscalização, que o referido grupo possuía site mantido na internet (www.hobbr.com.br) cujas informações se apresentam de maneira em comum, tanto do HOB Brasília quanto do HOB Taquatinga. O próprio corpo clínico de ambos os hospitais são apresentados em um mesmo quadro na referida página. Tais fatos demonstram que agiam efetivamente como o mesmo grupo econômico, externando tal condição de maneira pública. Corrobora tal situação pelos depoimentos prestados pelos médicos, onde os hospitais tinham o mesmo padrão de contratação e de relacionamento com as pessoas jurídicas interpostas, onde muitas vezes, mesmo médico prestava serviços em ambos hospitais. Todas as integrantes do grupo atuam na mesma atividade econômica, o setor de Oftalmologia, demonstrando objetos comuns e complementares. Vide quadro: Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.184 43 Outro fato a demonstrar a coesão das empresas em grupo, decorre de que as declarações em GFIP, transmitidas para a Receita Federal, possuem como responsável pelas informações/remessa os endereços eletrônicos do Grupo HOB @hobrbr.com.br. Havia também identidade de endereços entre certas integrantes do grupo, como a Assistência Oftalmológica Multifoccus com a Clínica Foccus, bem como a Contact Gel e HOB Brasília. Tanto HOB Brasília quanto a Hob Taguatinga possuem mesmo número de telefone e endereço eletrônico de SAC, denotando certa confusão operacional e patrimonial, onde mesmo endereço e mesma estrutura física possuem como conseqüência que o relacionamento com clientes e fornecedores tende a ficar centralizado. Por fim, a fiscalização verificou na contabilidade do HOB BSB a ocorrência de várias transações comerciais e financeiras entre as empresas do Grupo Econômico, como operações de empréstimos, pagamentos de aluguéis, água e energia, o que demonstra efetivamente confusão financeira. Quanto à alegação da necessidade de vinculação das envolvidas com o fato gerador das contribuições lançadas, cabe observar que a presente solidariedade decorre de lei, e alcança o Grupo econômico de qualquer natureza, em decorrência do previsto no art. 124, II do CTN. Portanto, para a configuração de grupo econômico, no âmbito do Direito Previdenciário e do Direito do Trabalho, não há a necessidade de as empresas formalizarem juridicamente essa união, nem manterem estrita relação de subordinação, onde, uma relação de coordenação já é suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, hipótese em que não há prevalência formal de uma empresa sobre a outra, mas conjugação de interesses com vistas à ampliação da credibilidade e dos negócios. Na presente situação, a disposição societária, com controle centralizado, empresas atuando no mesmo ramo, em mesmo endereço, confusão financeira entre as envolvidas demonstram um liame inequívoco, com a composição de grupo econômico de fato, combinando recursos e esforços, buscando a projeção no Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.185 44 ramo em que atuam, de maneira que não fosse a participação em grupo, não ganhariam a representatividade alcançada. Correto, portanto, o procedimento fiscal, quanto à imputação de solidariedade às componentes do grupo econômico, Hob Taguatinga, ContactGel Ltda, Assistência Oftalmológica Multifoccus e Clínica de Assistência Ofalmológica Foccus, nos termos do art. 124, I do Código Tributário Nacional e art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91. Da Multa Qualificada A Fiscalização aplicou, no caso em análise, multa de ofício no percentual de 150%, nos termos do § 1º do art.44 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Com vistas a embasar a aplicação da multa no percentual de 150%, a Fiscalização pontuou que: Dos fatos apurados pela fiscalização, relatados mais especificamente nos itens 11 a 38 deste Relatório, concluiuse que o HOB BSB, a partir da contratação de diversas pessoas jurídicas para a prestação de serviços na área de saúde, adotou procedimentos visando mascarar sua verdadeira intenção de obter o resultado do trabalho dos médicos pessoas físicas vinculados a estas empresas, mas DE FATO, profissionais que prestaram serviços na qualidade de segurados empregados. Dessa forma, no intuito de efetivar os pagamentos das respectivas remunerações dessas pessoas físicas, travestiaos contabilmente como meras quitações de notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas interpostas. Tal prática, utilizada por parte do contribuinte, visava impedir ou ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal contribuições previdenciárias, modificando suas características essenciais, de modo a reduzir ou evitar o montante do imposto devido, ficando caracterizada a ocorrência de sonegação e fraude. Neste ponto, cabe esclarecer que, para a constatação de fraude, sonegação ou conluio, deve restar patente a ação ou omissão dolosa, devendo restar provada, sem sombra Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.186 45 de dúvidas, a presença do elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que o contribuinte quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64. A autoridade fiscal, ao descrever a aplicação da multa qualificada não descreveu diretamente a existência do dolo específico. Para a aplicação da multa qualificada, há necessidade de caracterização inequívoca do intuito doloso do contribuinte em ludibriar o fisco (prova), pois o dolo integra a figura típica da norma que enseja a penalidade, sendo que a mera omissão (descumprimento de obrigação tributária) não é apta a ensejar a aplicação da multa qualificada. Portanto, a descrição a ser realizada pela autoridade fiscal não deve se limitar à infração tributária ocorrida, mas deve especificar e demonstrar a conduta de fraude, conluio ou sonegação, mediante a presença de dolo. Por estas razões, deve ser afastada a multa qualificada de 150%, reduzindoa ao patamar de 75%. Conclusão Face ao exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Com a maxima venia, divirjo do Ilustre Relator quanto a não caraterização da relação de emprego, quanto à manutenção da autuação apenas em relação aos médicos diligenciados pela Fiscalização e quanto à desqualificação da multa aplicada, porém, considerando que somente a nossa divergência em relação a não caracterização da relação de emprego é que restou vencedora, trataremos, no presente voto, apenas dessa questão. Pois bem, ao tratar da caracterização da relação de emprego, duas questões são abordadas pelo Relator: a terceirização da atividadefim e os requisitos da relação empregatícia. Quanto à terceirização de atividadefim, não vemos qualquer necessidade de retoque, tanto no relatório fiscal quanto na decisão de primeira instância, pois, em que pese o grau de especialização de cada profissional de saúde, se a Recorrente atua na área médica, com foco na oftalmologia, é óbvio que todas as atividades afetas a essa área estarão ligadas à sua atividadefim. Por exemplo, para ser realizado um procedimento cirúrgico oftalmológico, além do médico cirurgião, será necessário um anestesista e, quiçá, outros profissionais da área médica, e todos, efetivamente, atuarão na atividadefim da empresa. O mesmo não ocorrerá, Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.187 46 por exemplo, se a Recorrente terceirizar as atividades de limpeza e segurança, pois tais atividades não dizem respeito à sua atividadefim. De qualquer modo, convém destacar que a Fiscalização não enquadrou os prestadores de serviços “pejotizados” como empregados da Recorrente apenas por terem atuado na atividadefim da empresa, mas, também, pela presença dos elementos caracterizadores da relação empregatícia, os quais trataremos a seguir. Em seu voto, o Relator transcreve parte de um voto do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, consubstanciado no Acórdão 2201004.378, no qual é conferida pouca relevância à pessoalidade, à habitualidade e à onerosidade como elementos caracterizadores da relação de emprego, e destacada a importância da subordinação como elemento caracterizador. De fato, também entendemos dessa forma, pois a subordinação é, realmente, o mais emblemático elemento a demonstrar a presença da relação de emprego. Todavia, em que pese a maior importância da subordinação, os demais elementos caracterizadores da relação empregatícia também estão sendo apreciados no presente julgamento. A pessoalidade restou evidenciada pela prestação pessoal dos serviços médicos pelos sócios das empresas contratadas, e, muitas vezes, sem o efetivo protagonismo das pessoas jurídicas nas tratativas, conforme assim restou consignado na decisão de primeira instância, contra a qual o recurso voluntário foi interposto. Vejase: Quanto à pessoalidade na relação empregatícias, esta caracterizase pela prestação de serviços pela mesma pessoa física, cujos bens jurídicos que se busca tutelar (saúde, lazer, integridade física, seguridade social) são inerentes à pessoa natural. Portanto, o trabalho que compete ao segurado empregado deve ser realizado por ele próprio. Assim, a pessoalidade se evidencia pela prestação de serviços pelos ‘sócios’ das interpostas, verificandose que o corpo clínico do hospital, o qual é divulgado na internet, é apresentado sempre com os profissionais responsáveis por procedimentos efetuados no hospital, em cada subespecialidade, por seu nome próprio, como pessoa física, e não o da pessoa jurídica interposta, o que denota a pessoalidade da relação, cujo interesse do empregador, no caso o hospital HOB, centralizase nas qualidades das pessoas naturais e suas especialidades na respectiva área médica. Além de que, a então fiscalizada não formalizou em documento físico, os contratos de prestação de serviços com as pessoas jurídicas interpostas, estabelecendo a relação provavelmente diretamente com o médico, demonstrando a dispensabilidade da intermediação das empresas. Houve médicos que trocaram de empresa intermediária, ou pertenciam a empresa de outro ramo, como clínica odontológica, sem que acarretasse Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.188 47 interrupção da prestação dos serviços médicos, assim como outros que se quer tinham certeza sobre quem eram os outros sócios, nem o endereço exato da empresa, e ainda, caso não pudessem atender o paciente, não eram substituídos, demonstrando efetivamente a presença da pessoalidade na relação de prestadora de serviço. Quanto à presenta da habitualidade ou nãoeventualidade (continuidade) dos serviços prestados, assim constou no julgado a quo: A não eventualidade ou continuidade, também encontrase apurada na presente situação. Considerase não eventual o trabalho necessário à atividade normal do empregador, cuja natureza de não eventual se define pela relação entre o trabalho prestado e a atividade da empresa. A necessidade do empregador pelos serviços médicos prestados são permanentes e correspondem à atividade fim da contratante, cujas atividades se dão de maneira contínua e que, sem atuação de médicos, estaria severamente comprometida. Em relação à onerosidade, a situação não é diferente, uma vez que também restou evidenciada. Vide o seguinte excerto da decisão recorrida: Outro requisito presente e caracterizador da relação empregatícia, é a onerosidade, a qual revelase pelo encargo bilateral, onde o contratante afere a produtividade para a devida e justa contrapartida de remuneração do prestador do serviço. A impugnante lançou despesas próprias com Serviços Médicos, e apurava produção médica, [...]. Portanto, estando demonstrada a presença da pessoalidade, da habitualidade e da onerosidade, resta, agora, verificarmos se a subordinação também esteve presente. De início, insta trazermos à baila o seguinte esclarecimento constante do relatório fiscal, fl. 49: Subordinação: conforme informado pelo sujeito passivo, em resposta ao item 2, do TIF no 2, as decisões a respeito dos procedimentos para a organização e controle da assistência médica eram tomadas diretamente pelos sócios do HOB BSB em reuniões de sócios, contando, às vezes, com assessoria contábil, jurídica ou administrativa de consultores. No item 1 informa que o médico responsável técnico do setor de oftalmologia do HOB BSB no ano de 2012 era o Dr. Sérgio Luiz Kniggendorf, E no item 3, ainda do mesmo TIF no 2, o contribuinte informa que o Setor de Faturamento do HOB BSB era responsável pela contagem da produção médica das pessoas jurídicas (ANEXO II do Conjunto de Provas e reproduzido no subitem 15.22 do presente relatório). Ressaltase que autonomia profissional, no caso em exame, não deve ser confundida com falta de controle dos procedimentos pelas partes (empregador e empregado), estando configurada a subordinação jurídica, estrutural e hierárquica na relação de trabalho. Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.189 48 (Grifos no original) E complementando essas informações, transcrevemos o seguinte excerto da decisão de primeira instância: Conforme constata a fiscalização, apesar de o contribuinte afirmar que não há escala de médicos, na prática existe uma tabela que é composta todos os dias, na qual constam horário (manhã ou tarde), número do consultório e médico que vai atender naquele consultório e os médicos que vão atender na EMERGÊNCIA (manhã, tarde e noite) e no ambulatório (noite) Anexo VII dos documentos comprobatórios. Por óbvio, não há como se considerar um hospital de tal magnitude, sem estruturação departamental e hierárquica, denotando o poder de organização e de controle. O HOB era responsável por toda a estrutura de atendimento, marcação de consultas, os materiais e equipamentos utilizados nas consultas e cirurgias eram fornecidos pelo HOB BSB, bem como todo o apoio logístico, material marketing, telefonia, agendamento, papel timbrado etc. A autuada quem contabilizava, como próprias todas as receitas e despesas provenientes dos serviços médicos prestados. Consequentemente os prestadores integraram a dinâmica produtiva do Hospital, destinatário dos serviços prestados caracterizando também a chamada subordinação estrutural em que há integração do trabalhador à dinâmica organizativa e operacional do tomador de serviços. No Magistério de Maurício delgado, a subordinação estrutural é a que se manifesta pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, seu processo de organização e funcionamento. Conforme se observa, a Recorrente não se constitui simplesmente num espaço físico onde pessoas jurídicas da área médica atendem seus pacientes. Não se trata de um centro médico, como muitos que existem no Brasil, onde cada prestador de serviço aluga ou compra o seu espaço e gerencia livremente a sua atividade, assumindo, integralmente, os riscos a ela inerentes. Temos, no caso da Recorrente, uma verdadeira subordinação dos médicos à sua rotina de funcionamento e à sua estrutura de atendimento (escalas médicas, definição de consultórios para atendimento, etc.). Além do mais, a Recorrente é a responsável por todos os materiais e equipamentos utilizados nas consultas e cirurgias, e contabiliza como suas as receitas e as despesas provenientes da prestação dos serviços médicos. Tal quadro nos permite concluir que há, sim, uma verdadeira subordinação à estrutura da Recorrente, situação essa que nos leva à lição de Maurício Godinho Delgado1, o qual informa haver uma dimensão estrutural pela qual também se revela a subordinação 1 DELGADO, Maurício Godinho. Direitos fundamentais na relação de trabalho. Revista LTr, São Paulo: LTr, v. 70, n. 06, junho de 2006, p. 667. Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.190 49 jurídica e que se expressa “pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização e funcionamento”. Além do mais, em que pese os médicos terem alguma autonomia (“liberdade”), segundo apontado pelo Relator, essa autônoma se mostra mais de cunho profissional, ou seja, no exercício das técnicas médicas próprias de cada especialidade, do que uma autonomia ampla dentro do hospital, e isso é fácil de se constatar. Considerando que a Recorrente não possui nenhum médico em sua folha de pagamento, segundo demonstrado pela Fiscalização, e que atua na prestação de serviços médicohospitalares, no ramo oftalmológico, realizando consultas ambulatoriais, exames, cirurgias e internações, contando, ainda, com uma estrutura física composta de 3 blocos, 36 consultórios, 4 salas de cirurgia, sala de emergência, 4 amplas salas de espera, 4 apartamentos (day clinic) e 7 salas de exames, não é crível que o funcionamento dessa estrutura dependa, exclusivamente, de médicos absolutamente independentes, ou seja, sem que haja um comando estabelecendo diretrizes. Nesse particular, insta transcrevermos o seguinte trecho da decisão de primeira instância: O próprio sujeito passivo, em resposta ao item 2, do TIF nº 2, relata que as decisões a respeito dos procedimentos para a organização e controle da assistência médica eram tomadas diretamente pelos sócios do HOB em reuniões de sócios. Que cabia ao Dr. Sérgio Luiz Kniggendorf, o atributo de médico responsável do setor de oftalmologia do HOB. Ora, se a atuação dos médicos “pejotizados” dependia da sua sujeição às decisões tomadas pelos sócios da Recorrente, quanto ao funcionamento do hospital, e não vemos como ter sido diferente, é inquestionável a existência de subordinação às diretrizes definidas pela Recorrente, bem como à sua estrutura e à sua dinâmica operacional. Sendo assim, temse por demonstrada a presença de todos os elementos caracterizadores da relação de emprego. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 2190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000288/2006-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 01/05/2003
PRODUÇÃO DE FILMES E FITAS DE VÍDEO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA.
A produção de filmes não apenas se assemelha à produção de espetáculo,
como constitui-se em uma de suas espécies, a exemplo da produção de peças
teatrais e circenses. A vedação de opção pelo Simples federal encontra
guarida no art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, ao prever que não poderá optar a
pessoa que preste serviços profissionais assemelhados aos ali descritos.
LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
O direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar nº
123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus
dispositivos não tem o condão de afastar restrição contemplada no regime
jurídico da Lei nº 9.317/96. Aplicação da Súmula CARF nº 81 (“É vedada a
aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao
ingresso na sistemática do Simples”).
Numero da decisão: 1103-000.917
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
Nome do relator: ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. A produção de filmes não apenas se assemelha à produção de espetáculo, como constituise em uma de suas espécies, a exemplo da produção de peças teatrais e circenses. A vedação de opção pelo Simples federal encontra guarida no art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, ao prever que não poderá optar a pessoa que preste serviços profissionais assemelhados aos ali descritos. LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. O direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar nº 123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus dispositivos não tem o condão de afastar restrição contemplada no regime jurídico da Lei nº 9.317/96. Aplicação da Súmula CARF nº 81 (“É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples”). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 02 88 /2 00 6- 22 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 85 2 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório O processo trata de exclusão do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/05/03, decorrente do exercício, em tese, de atividade vedada disposta no art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96 (“atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos”), conforme Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 486.424, de 07/08/03 (fl.02). Tal decisão foi mantida pela Primeira Turma da DRJ – São Paulo I (SP), conforme acórdão nº 1621.956, de 26/06/09, que recebeu a seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. PRODUTOR CINEMATOGRÁFICO.. VEDAÇÃO Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que presta serviços profissionais de produção de filmes, por vedação na Lei criadora do regime simplificado. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. APLICABILIDADE. O princípio da isonomia tributária tem como finalidade assegurar a igualdade entre os sujeitos passivos da obrigação tributária que se encontrem em situações equivalentes, vedando distinção de qualquer natureza. Não há que se exigir a sua aplicação para empresas que se encontram em situação distinta. Devidamente cientificado do acórdão em 28/01/10 (fl.71), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 24/02/10 (fls.72/81), em que sustenta, em síntese: tal decisão não teria observado os princípios constitucionais que regem o Sistema Tributário Nacional: finalidade, pelo qual a Lei Complementar 123/2006 teria o objetivo de beneficiar a micro e pequena empresa, de maneira que a realização de trabalho diverso do objeto social não resultaria na exclusão do Simples; motivação, ao se pautar apenas na natureza dos filmes produzidos, ressentiria de fundamentação; razoabilidade, por ter se limitado a aspectos formais, divagando sobre a impossibilidade de se fazer filmagens sem a contratação de profissionais especializados; legalidade, pois de acordo com art.108, §1º, do CTN, não poderia a exclusão ter sido fundamentada sob o enfoque de “assemelhado” às atividades não autorizadas; interesse Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 86 3 público, pois não teria realizado justiça, no sentido de se construir uma sociedade livre, justa e solidária; e ampla defesa, pois na data do julgamento estaria em vigor o art.17, XI, da Lei Complementar nº 123/06, que daria mais chance de defesa ao contribuinte; o vocábulo “espetáculo” não poderia ser tratado como “assemelhado”; se o legislador tivesse a intenção de incluir a atividade de produção de vídeos no rol de atividades vedadas, fáloia de forma clara e explícita; a analogia não poderia ser empregada para impor regime mais oneroso ao contribuinte; conforme alterações na Lei Complementar nº 123/06, “...empresas de produção cinematográfica, seja de filmes meramente institucionais ou produções comerciais estão expressamente autorizadas a aderir ao Simples Nacional”, devendo ser aplicadas retroativamente, nos termos do art.106, II, do CTN, e decisões do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 30134.745 e 39300.020); pois cessado o impedimento a Lei do Simples Nacional teria atendido aos anseios do art.170 da Constituição Federal, ao beneficiar as micro e pequenas empresas; negar o direito de adesão ao Simples seria violar o princípio da isonomia. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. De início, afastase a pretensão do Recorrente quanto à aplicação retroativa da Lei Complementar nª 123/2006, que instituiu o Simples Nacional, infirmandose por conseguinte todos os argumentos de defesa relacionados à incidência daquela lei na hipótese. Tal controvérsia já restou pacificada no âmbito do CARF, conforme o seguinte enunciado de sua súmula de jurisprudência, de aplicação cogente por seus membros1: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Os regimes jurídicos do Simples Federal (Lei nº 9.317/96) e do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/06) eram distintos, de maneira que só se poderia falar em isonomia quando em contraste contribuintes que realizassem a mesma atividade, sob idêntico regime jurídico A vedação, pelo legislador, de inclusão ou permanência no Simples federal, com regras específicas, não implicou necessariamente na impossibilidade de opção pelo Simples Nacional. Em outros termos, a permissão de inclusão no Simples Nacional, à luz de regras próprias, não poderia implicar em autorização de enquadramento no regime simplificado anterior, retroativamente. Andou bem este E. Conselho ao vedar o hibridismo normativo, ou 1 Conforme art.72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, "As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF". Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 87 4 seja, ao proibir a extração, como sustentam os contribuintes, apenas de normas que lhes fossem favoráveis em cada um dos sistemas, pois assim estaria agindo como legislador positivo na criação de um terceiro regramento reservado a situações particularizadas. Ao decidir pela exclusão do Simples, a fiscalização não se valeu de analogia. Ao revés, prestigiou o art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, tendo em conta que o contribuinte teria exercido “atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos”: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Tal dispositivo legal autoriza a vedação de opção pelas pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais assemelhados aos ali relacionados, a exemplo dos assemelhados aos de produtor de espetáculos. Quanto ao acórdão da DRJ, vêse que foi motivado, não tendo sido, como defende o Recorrente, lastreado apenas na natureza dos filmes produzidos, tampouco se limitado a aspectos formais. O cerne da questão sob enfoque é saber se o exercício das “atividades de produção de filmes e fitas de vídeo” implicaria na exclusão do Simples federal. A fiscalização identificou tais atividades a partir do Código e Descrição da Atividade Econômica Principal, constante do seu CNPJ (“92.11802 – Ativ prod filmes, fitas vid – exc estud fot”), constando do contrato social o seguinte objeto: “exploração da prestação de serviços em vídeo e filmes em geral”, com possibilidade de “contratar pessoal necessário, inclusive profissionais vinculados a cooperativas e instituições especializadas” (fl.26). Na impugnação, o contribuinte acostou notas fiscais que, no seu entender, demonstrariam a “...prestação de serviços a empresas, com foco em divulgar novas técnicas de produção, novos produtos, nova sistemática etc, para ciência de seus funcionários, através de vídeos coorporativos, sendo um informativo que atinge o grupo, a massa interna, por meio de fitas e vídeos. A atividade, assim, muito embora seja por meio de vídeos, é vem diferente da vedada pela lei, aproximandose mais de uma assessoria de comunicação interna das empresas (v.g. CNAE nº 74160/02), diferindo largamente da produção de vídeos e filmes a qual pretende a lei afastar dos benefícios do SIMPLES”. Das notas fiscais de prestação de serviços apresentadas constam as seguintes descrições: “reproduções em DVD”, “Legendagem vídeo Prêmio Embraco de Ecologia”; “Legendagem/dublagem vídeos 50 anos” e “Transcrição fita K7” (fls.31/35). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 88 5 A DRJ entendeu que o Recorrente dedicarseia à produção cinematográfica, atividade que necessariamente demandaria a participação de profissionais especializados. In verbis: “[...] não há como imaginar que a recorrente não agregue profissionais especializados, que coordenam as diversas etapas de um roteiro previamente preparado, com sincronização de sons e imagens, e que conferem, ao produto final, uma característica própria de um filme, direcionado, como ela própria reconhece, à divulgação de novas técnicas de produção, novos produtos, nova sistemática, etc. 11. Efetuada consulta ao sítio da interessada na internet (www.canvas24p.com.br), no quesito Perfil, observase a seguinte mensagem (fl. 54): “A Canvas 24p é uma produtora de filmes publicitários e conteúdo, baseada em São Paulo e Los Angeles. Seu casting de diretores se diferencia pela experiência em diversos formatos audiovisuais e novas tecnologias.” 12. Constam, ainda, referências acerca dos diretores da empresa (fl.56), atividades no segmento de Cinema, Tv, Corporativo e Web (fl.58), e Comerciais produzidos (fl.57). 13. Constatouse, ainda, em pesquisa efetuada no sítio da internet http://www.portaldapropaganda.com/comunicacao/2004/12/0009, notícia acerca de filme publicitário produzido pela requerente, com referência explícita ao sócio e representante legal da recorrente (Sr. Wiland Pinsdorf Junior fl. 49), nos seguintes e exatos termos (fl. 59): ‘10/1212004 10:23 Captação dos sonhos Estefânia Basso Provocar inquietação nos telespectadores. Foi com este intuito que a Canvas 24p Filmes produziu um comercial para a Diesel, exibido no Resfest — Festival de Cinema Digital, em novembro. O vídeo está sendo utilizado para divulgar o projeto ‘Diesel Dreams’, em que 30 diretores de todas as partes do mundo foram convidados a criar filmes curtos dentro do conceito ‘Dreams’. Com criação livre, em filme, vídeo digital, animação 2D e 3D, o projeto visou a ‘penetrar e explorar as camadas mais profundas do subconsciente’; Para comunicar o trabalho, a Canvas 24p Filmes realizou uma edição desses materiais e elaborou um comercial, que segue a mesma linha ‘Dreams’. ‘Criamos uma abertura e encerramento em computação gráfica e fizemos uma edição com as imagens mais 'perturbadoras’. O objetivo é realmente incomodar, chamar a atenção das pessoas, gerar uma curiosidade em cima do projeto, fugindo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 89 6 completamente do 'realismo’ e 'mimetismo’ a que estamos tão acostumados’, revela Wiland Pinsdorf diretor da Canvas. A partir de janeiro de 2005, um DVD com todos os filmes será distribuído para os clientes da Diesel no Brasil. No País, o comercial já está sendo veiculado e pode ser visto no endereço: (...). A produção é da Canvas 24p Filmes, com direção e montagem de Wiland Pinsdorf, produçãoexecutiva de Simone Esser Pinsdorf, finalização de Gustavo Gonçalves e som de Felipe Vassão.’(grifos acrescidos) 14. Inegável, portanto, que a recorrente se dedica à produção cinematográfica.” Quanto à interpretação do inciso XIII do art.9º da Lei nº 9.317/96, o voto condutor do acórdão recorrido dispôs que encerraria expressa vedação à opção pelo Simples a prestação de serviços de diretor ou produtor de espetáculos: “17. Cabe esclarecer que o óbice inserto no supracitado dispositivo legal não está endereçado unicamente a profissões cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida, conforme comumente se quer entender. Primeiramente o dispositivo prevê uma lista específica de ocupações que impedem a opção pelo Simples. A seguir estabelece que os serviços assemelhados aos dessa lista específica igualmente vedam á opção. Por último, dispõe genericamente que a prestação de serviços inerentes a qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida também implica a vedação à opção. 18. Dessa maneira, no caso dos serviços constantes da lista específica e daqueles assemelhados, sempre haverá restrição ao enquadramento no Sistema, quer o exercício profissional dependa ou não de habilitação legalmente exigida. Já no caso da prestação de serviços vinculados a outras profissões, somente ficará inviabilizada a opção se o exercício profissional depender de habilitação legalmente exigida. 19. Trazendo a questão ao ponto, é indiscutível que a prestação de serviços de diretor ou produtor de espetáculos impede a opção pelo Simples, haja vista estar textualmente listado na Lei criadora do regime simplificado. 20. Nesta linha de raciocínio, vejase o que registra o dicionário Michaeles acerca do vocábulo ‘espetáculo’: ‘espetáculo s. m. 1. Tudo o que atrai a vista ou prende a atenção. 2. Vista grandiosa ou notável. 3. Qualquer representação pública que impressiona ou é destinada a impressionar. 4. Representação teatral, cinematográfica, circense etc. 5. Exibição de trabalhos artísticos. 6. Objeto de escândalo ou desdém.’(grifos acrescido) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 90 7 21. Corroborando este entendimento, transcrevese a descrição das atividades dos Diretores de Espetáculos e Afins e dos Produtores de Espetáculos, constantes da Classificação Brasileira de Ocupações elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego: ‘Diretores de Espetáculos e Afins Os diretores de cinema, teatro, televisão e rádio dirigem, criando, coordenando, supervisionando e avaliando aspectos artísticos, técnicos e financeiros referentes a realização de filmes, peças de teatro, espetáculos de dança, ópera e musicais, programas de televisão e rádio, vídeos, multimídia e peças publicitárias. Produtores de Espetáculos Planejam, coordenam e geram recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros para assegurar a realização de espetáculos cênicos (teatro, dança, ópera e outros) e audiovisuais (cinema, vídeo, televisão e rádio).’(g.a) 22. Assim, há óbice à sua permanência na sistemática simplificada, nos temos do art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996. 23. Neste sentido, assinalese o que expressa o Acórdão n° 301 32.532, prolatado pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 23/02/2006: ‘SIMPLES. EXCLUSÃO. VEDAÇÃO À OPÇÃO. PRODUÇÃO DE FILMES. A pessoa jurídica que se dedica à atividade de produção cinematográfica ou videofonográfica está impedida de optar pelo Simples, por se enquadrar na vedação de prestação de serviços de produção de espetáculos ou assemelhados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO’ 24. Esclareçase que as cópias das Notas Fiscais juntadas aos autos, de n°s 001 (20/05/2003 fl.32), 292 (19/09/2005 fl.34), 300 (27/09/2005 fl.35) e 358 (23/03/2006 fl.31), ainda que revelem simples prestação de serviços de reproduções em DVD e legendagem, não constituem conjunto probatório suficiente para desconstituir o registrado nos autos, porquanto não abarcam período amplo de faturamento, na seqüência correta de numeração.” Poderseia até pensar em conversão do julgamento em diligência para oportunizar ao contribuinte anexar as demais notas fiscais de prestação de serviço, porém, mesmo após a decisão de primeira instância, em que se alertou que a amostragem não seria suficiente, com o recurso voluntário nenhuma outra foi acostada. De fato, o exercício de “atividades de produção de filmes e fitas”, constante do ADE Derat/SPO nº 486.424/03 e do objeto social do contribuinte, não foi mencionado expressamente no art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. Porém, a parte final do dispositivo, ao se Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 91 8 referir a “assemelhados”, após uma relação de profissões e antes da expressão “e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida”, permitia o enquadramento de outras profissões na norma proibitiva, ainda que não dependessem de habilitação legal. A produção de filme não apenas se assemelha à produção de espetáculo, mas se constitui em uma de suas espécies, a exemplo da produção de peças teatrais e circenses, como bem posto pela decisão recorrida. Ao concluir pela vedação, o Fisco levou em conta exatamente, à luz do dispositivo legal, tal interpretação. Dado o vasto leque de atividades exercidas na sociedade, não se vislumbra qualquer impropriedade em o legislador valerse da expressão “assemelhados” para ampliar, além daquelas expressamente relacionadas, o rol de pessoas jurídicas impedidas de optar pelo Simples, desde que os serviços prestados tenham pertinência com os constantes do dispositivo legal, o que ocorre no caso concreto. Sendo assim, considerando o disposto no contrato social e a ausência de apresentação das demais notas fiscais ou de contratos de prestação de serviços, que poderiam indicar o exercício apenas de atividades de reproduções em DVD, legendagem, transcrições de fitas cassetes, ou outras similares, como indicam as 5 (cinco) notas fiscais apresentadas em sede de impugnação, não resta outra alternativa, à luz dos autos, senão considerar que o contribuinte, de fato, exerceu atividade que impedia a sua permanência no Simples federal. Por fim, sobre a necessária observância do interesse público, precisamente com a finalidade de se construir uma sociedade livre, justa e solidária, como sustenta o Recorrente, tal valoração já foi realizada pelo legislador ao estipular as hipóteses de vedação. Ainda que se vislumbrasse inconstitucionalidade do art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, não poderia no âmbito administrativo ser declarada, conforme enunciado nº 2 da súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906784/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.592
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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M. CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 06 78 4/ 20 09 -5 4 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, "diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada".. Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º semestre de 2005. Em 28/05/2009, o contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.583, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.900409/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.583): "Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 2º trimestre de 2000, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). No entanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 4 3 e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, mediante a escrituração fiscal e contábil, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado. Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e anexou documentos que comprovariam sua pretensão. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 5 4 endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 6 5 indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996." Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 7 6 anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000380/2008-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11686.000380/200801 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303007.838 – 3ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria COFINS INSUMOS Recorrentes FAZENDA NACIONAL YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 80 /2 00 8- 01 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de Recursos Especiais de Divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3201000.753, de 11 de agosto de 2011 (fls. 130 a 140 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS; e por maioria de votos negou provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany). A discussão dos presentes autos tem origem no Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação da COFINS – Não Cumulativa, em relação a créditos da contribuição referentes ao 2º trimestre de 2007, em decorrência da venda no mercado interno com alíquota zero, com base no disposto no artigo 16 da Lei n° 11.116/2005, no valor de R$ 3.744.920,59. Nos despacho decisório exarado foi reconhecido parcialmente o direito creditório em favor do Contribuinte, no valor de R$ 3.259.361,98, restando indeferido um saldo no valor de R$ 485.558,61. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa. O interessado discorda da glosa parcial, alegando não ter realizado alienação onerosa de créditos de ICMS a terceiros, conforme afirma a fiscalização, a quem incumbiria o Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 4 3 ônus de provar tal alegação. Considera que exigir de sua parte prova em contrário seria inviável, pois se trataria de prova negativa. Esclarece que a empresa seria titular de incentivo fiscal, outorgado pelo estado do Rio Grande do Sul, que consistiria em um desconto dos valores devidos a título de crédito presumido de ICMS na ordem de 75% sobre o valor incidente nas saídas interestaduais de fertilizantes, conforme documento que anexou a sua manifestação. Conclui, então, que a questão aqui seria diferente da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Afirma, ao final, que tal crédito presumido não seria um ativo e nem constituiria receita, renda ou faturamento a ensejar a incidência das contribuições. Não se conforma, também, com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência entre matriz e filiais ou entre filiais, pois entende tratar se de etapa essencial â atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do pais. Para embasar seus argumentos, o manifestante discorre sobre as dimensões continentais do Brasil, cita diversos municípios nos quais possui filiais e comenta sobre a importância que o agronegócio teria para o país, além disso, considera que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes conforme calculado e pensamento diverso esbarraria em inconstitucionalidade. Cita e transcreve soluções de consulta proferidas pela SRFB que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o art. 30 da Lei nº 10.833/03. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso no tocante a não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS; e por maioria de votos negou provimento ao recurso quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany), conforme acórdão assim ementado in verbis: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. O “crédito presumido do ICMS”, mero incentivo fiscal, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, está fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor a sua base de cálculo. Não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). DESPESAS DE FRETES NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. NÃO DÁ DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da COFINS, nãocumulativos, sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF Nº. 02. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 154 a 162) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao reconhecer a não incidência da COFINS sobre as receitas referentes aos os créditos presumidos de ICMS. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma os acórdãos de números 20179.596 e 280300.087. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documento de fls.154 a 162. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 6 5 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme os despachos de fls. 165 a 168, sob o argumento que pelo confronto das ementas do acórdão recorrido e das ementas dos acórdãos paradigmas ficou evidenciada a divergência suscitada pela Fazenda Nacional. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls.216 a 225, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 176 a 196) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte foi em razão da decisão recorrida ter afastado as despesas relativas a fretes intercompany da base de cálculo dos créditos da Cofins. O recorrente sustenta que teria direito aos referidos créditos em qualquer circunstância, seja sobre fretes de produtos acabados, seja de matérias primas. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 330100.424 e 320200.226. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão nº3202 00.226, documento de fls. 201 a 2015, bem como, pela transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 237 a 240. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 242 a 254, em que manifestou pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório em síntese. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Entendo que o Recurso Especial da Fazenda não deve ser conhecido pelos seguintes fatos: Analisando o processo, verificase que a autoridade fiscal concluiu que a Contribuinte teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios. Em manifestação de inconformidade, a Contribuinte alegou não ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. O acordão recorrido assim decidiu: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 8 7 A priori, devemos entender qual é a natureza do crédito presumido do ICMS. O Fisco Estadual concede o crédito presumido sobre operações de comercialização interestadual de produtos (fertilizantes), na forma de um incentivo fiscal, para estimular o setor (vide Termo de Acordo – fls. 57/ss – cláusula primeira: concessão de crédito presumido no montante de 75% o do ICMS sobre o valor do imposto incidente sobre as saídas interestaduais de fertilizantes de produção própria). Este crédito presumido será lançado na escrituração fiscal da empresa para ser compensado com ICMS devido pela empresa. Portanto, neste caso pareceme claro que não há ingresso novo de receita, mas mera redução de custo no pagamento do ICMS devido. Assim, é inequívoco que “incentivo fiscal” não pode ser confundido com ingresso de receita. Destaquese que, efetivamente, não restou comprovado nos autos a transferência dos citados créditos de ICMS a terceiros, como argumentou a Recorrente. A fiscalização afirma que “o contribuinte efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros” (fls. 18) sem, entretanto, apresentar qualquer elemento probante que comprovasse esta afirmação. O ônus da prova cabe às partes, nos termos do que dispõe o artigo 333 do CPC, verbis: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 9 8 As partes devem desincumbirse de provar os fatos que alegam. Ao autor cabe provar os fatos constitutivos de seu direito, no caso, o Fisco alegou que o crédito presumido foi transferido à terceiro, mas não provou; ao réu, cabe provar os fatos modificativos, extintivos e impeditivos do direito que o autor assevera ter, entretanto, não cabe à Recorrente, por sua vez, fazer prova de fato que alega não existir, uma vez que não há como fazer prova de fato inexistente (prova negativa). Contudo, mesmo se a Recorrente houvesse transferido os créditos de ICMS a terceiros, entendo que também não haveria a incidência da COFINS. A legislação do ICMS, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, permite que o contribuinte creditese dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura um saldo de “ICMS a recuperar”, que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem como realizar seu saldo de créditos. Portanto, mesmo no caso de cessão de créditos a terceiros não há que falar receita nova auferida, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizasse dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento para com seus fornecedores, por exemplo. Não há como tratar “créditos de ICMS” como mercadorias. A nãocumulatividade é uma técnica que tem por objeto evitar o "efeito cascata" da incidência de alguns tributos (como é o caso do ICMS), permitindose, em cada uma das etapas do processo produtivo, a dedução do imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias e/ou matériasprimas necessárias a sua industrialização. (...) Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 10 9 Entendo que os “créditos presumidos do ICMS”, por se tratarem de mero incentivo fiscal que servirão de meio de pagamento de ICMS a recolher, não se tratam de receitas auferidas pela empresa, portanto, estão fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor, assim, a sua base de cálculo. Veja que não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não s instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária/ obrigação tributária). Houve uma economia no pagamento de ICMS, uma mera redução de custos de impostos a pagar pela compensação do crédito presumido, e não o auferimento de receitas. Verificase que há dois fundamentos no acordão Recorrido: 1 Ele entente que crédito presumido será lançado na escrituração fiscal da empresa para ser compensado com ICMS devido pela empresa. Portanto, neste caso pareceme claro que não há ingresso novo de receita, mas mera redução de custo no pagamento do ICMS devido. Assim, é inequívoco que “incentivo fiscal” não pode ser confundido com ingresso de receita. 2 Contudo, mesmo se a Recorrente houvesse transferido os créditos de ICMS a terceiros, entendo que também não haveria a incidência da COFINS. A legislação do ICMS, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, permite que o contribuinte creditese dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura um saldo de “ICMS a recuperar”, que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem como realizar seu saldo de créditos. Portanto, mesmo no caso de cessão de créditos a terceiros não há que falar receita nova auferida, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizasse dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 11 10 para com seus fornecedores, por exemplo. Não há como tratar “créditos de ICMS” como mercadorias. Diante disto, a Fazenda deveria juntar paradigma que tratem do mesmo assunto. Mas não o fez. Os acórdãos paradigmas juntados pela Fazenda Nacional, 20179.596 e 280300.087 tiveram os seguintes fatos: No acordão paradigma n.º 20179.596 somente a ementa do processo consta a matéria, senão vejamos: COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. A partir de 01/02/1999, os créditos presumidos do ICMS integram a base de cálculo da Cofins. Trechos do voto: Quanto à alegação de que as diferenças exigidas pela Fiscalização para o ano de 1998 correspondem a valores transferidos à chamada "Divisão Itaipu", seguimento autoral decorrente, a análise da documentação carreada aos autos não socorre a recorrente. De efeito, exame da documentação comprobatória da base de cálculo â contribuição em espécie (planilha de fl. 180) demonstra que os valores apurados estão em consonância com os balancetes mensais comidos nos autos. Ademais disso, como bem registrou a insigne DRJ, a análise das planilhas de fis184 e 185 relativas ao ano de 1998 evidencia que foram deduzidos da base de cálculo da contribuição em espécie valores referentes a "transferências segmentos fonográfico para fonomecânica", que coincidem com os valores de receitas de serviços cód. 3.5.1.03 "arrecadação fonomecânica internacional Odeon" da planilha de fl. 180. De tudo resulta que inexistem nos autos elementos que embasem o alegado pela recorrente, ou seja, que as indigitadas Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 12 11 diferenças decorrem de transferências contábeis e não da omissão de receitas que deveriam integrar a base de cálculo da contribuição em espécie. Ao analisar o inteiro teor do acordão, o voto sequer tratou do credito presumido de ICMS (subvenção governamental), ou seja, crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado ou de cessão de créditos a terceiros e os fatos ali narrados são totalmente diversos do aqui tratado. No acordão paradigma n.º 280300.087 tratam de crédito presumido de IPI e de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, os fatos são totalmente diversos do acordão Recorrido. Nem sequer trata (subvenção governamental), ou seja, crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado ou de cessão de créditos a terceiros. Trechos do voto: “A base de cálculo da contribuição, como demonstrou saber o recorrente, está positivada nos arts. 2° e 3" da Lei n° 9.71 8, de 1998, abaixo transcrito para maior clareza: (...) A partir da edição da Lei n.º 9.718, de 1998, a tributação da contribuição adotou base universal, incidindo, regra geral, sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, "....sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas' . (art. 3 0, § in fine). Ora, se a regra geral é a tributação em bases universais, o rol das exclusões admitidas na base de cálculo, constante do § 2° do art. 3", acima transcrito, deve ser entendido como de numerus clausus. Não constando desse rol, o crédito presumido do IPI deve ser computado na base de cálculo da contribuição, no mês em que a receita a ele correspondente for auferida, ou seja, no mês em que ocorrer a exportação ou a venda para sociedade comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Raciocínio idêntico deve ser feito em relação ao valor da indenização de seguro, que também não se inclui entre as exclusões autorizadas.” Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 13 12 Analisando os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido verificase que estamos tratando de fatos totalmente diversos. Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento. Diante do exposto não conheço o Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 265 a 268. O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da Cofins decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany), sob o fundamento de que se tratam de fretes não vinculados à operações de venda. Por sua vez, o primeiro acórdão paradigma (330100.424) firma entendimento diverso em relação à mesma matéria, decide que as despesas com o transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica gera direito a crédito, desde que estejam estes bens em fase de industrialização, vez que compõe o custo do bem. Ou seja, Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 14 13 entendeu que existe o direito creditório mesmo que se trate de fretes desvinculados das operações de venda. Com essas considerações, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial da Contribuinte. É como Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém discordo de suas conclusões quanto ao conhecimento do recurso especial do contribuinte. O recurso especial é tempestivo, mas não deve ser conhecido por não ter cumprido com o requisito atinente à comprovação do dissídio jurisprudencial. Nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é necessário que o contribuinte demonstre que outras turmas do CARF, analisaram a mesma matéria e deram à legislação tributária interpretações diferentes em relação ao acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) Em seu recurso, o contribuinte apresentou dois acórdãos paradigmas que supostamente teriam dado interpretação divergente da legislação tributária. Ocorre que eles não apresentam semelhanças fáticas com o acórdão recorrido. Para que o recurso especial seja conhecido, necessário se faz, que os acórdãos paradigmas tenham debruçado sobre fatos Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 16 15 semelhantes e tenham aplicado soluções jurídicas distintas em seu desfecho. Portanto, é sabido que o recurso especial de divergência não se presta para reapreciar os elementos de prova trazidos ao processo. Na verdade, nunca se desprezam os elementos de prova, mas eles servem somente para aferir o contexto da divergência interpretativa. Passemos então a analisar o acórdão recorrido em contraponto com os acórdãos paradigmas apresentados. A matéria trazida pelo contribuinte em seu recurso especial referese à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade, sobre fretes no transporte de mercadorias entre estabelecimentos da empresa. O acórdão recorrido negou provimento ao seu recurso voluntário nos seguintes termos: 2. Negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany). O acórdão recorrido entendeu que tais fretes não decorrem da operação de venda, cujo crédito está previsto no inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Portanto, concluiu que não existe previsão legal para a apropriação dos créditos. Por sua vez os acórdãos paradigmas apontados tratam de situação diversa, qual seja, a possibilidade de aproveitamento de créditos sobre fretes no transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos da empresa. O seguinte trecho do voto do acórdão paradigma deixa evidente que os créditos que foram acatados são somente os decorrentes do transporte de insumos e produtos em elaboração entre os estabelecimentos, tendo sido glosados os créditos decorrentes da transferência de produtos acabados. (...) Portanto, hão de ser considerados os créditos oriundos de fretes sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados (criadores de aves e suínos) e as filiais do contribuinte, os quais compõe o custo de produção do produto final, nos termos do art.3°, II, das Leis IV 10.637/02, e n° 10,833/03, o que não se confunde com atividades de transporte do produto acabado entre quaisquer estabelecimentos. (..) Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 17 16 Portanto, os contextos fáticos são totalmente diferentes e não se prestam para comprovar a divergência jurisprudencial. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial impetrado pelo contribuinte. Assinado digitalmente Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 275DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.010442/2008-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/10/2008
COMPENSAÇÃO.
Deixa-se de homologar a compensação quando inexiste o crédito objeto da Declaração de Compensação eletrônica - DCOMP.
Numero da decisão: 1001-000.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Deixase de homologar a compensação quando inexiste o crédito objeto da Declaração de Compensação eletrônica DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 04 42 /2 00 8- 68 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 188 a 202) interposto contra o Acórdão nº 1541.288 (revisando acordão nº 37868), proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (fls. 163 a 167), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/10/2008 COMPENSAÇÃO. Deixase de homologar a compensação quando inexiste o crédito objeto da Declaração de Compensação eletrônica DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de “Solicitação de Pedido de Compensação e Restituição” apresentada em 08/08/2008 pelo interessado às folhas 01/05, na qual pretende compensar créditos do Simples Federal apurados nos anos base de 2004, 2005, 2006 e 2007 com os débitos referentes às competências 07/2007, 08/2007 e 09/2007 do Simples Nacional. O contribuinte também pretende compensar parte do crédito com os débitos do Simples Federal referentes às competências 04/2004, 01/2007, 02/2007 e 06/2007, por meio do Per/Dcomp nº 20471.97615.290508.1.3.048963 (fls. 10/17). Por fim, ao final das compensações pretendidas, afirma fazer jus à restituição de um crédito no valor de R$93.193,14. Posteriormente, em 09/01/2012 foi apresentado Pedido de Restituição retificador, anexado às folhas 46/53. Nos termos do Despacho Decisório às folhas 87/92, proferido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo/SP, a retificação do Pedido de Restituição foi considerada “não admitida”; o Pedido de Restituição, “não formulado”; as compensações relativas ao pedido de compensação, “não declaradas”; e a compensação referente à Declaração de Compensação gerada eletronicamente, “não homologada”. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 4 3 1. Em 08/08/2008, elaborou pedido de restituição de valores recolhidos a maior dos tributos federais abrangidos pelo Simples, em decorrência da aplicação equivocada de alíquota, e diante da possibilidade de retificação do mencionado pedido, conforme previsto na legislação que versa sobre a matéria, em 06/01/2012 apresentou pedido de restituição retificador, mas em que pese a clareza do seu direito, a DERAT/SP proferiu despacho decisório não admitindo a retificação, considerando não formulado o pedido de restituição e não declaradas as compensações informadas, bem como não homologando o PER/DCOMP nº 07153.85481.011008.1.3.047854; 2. Havendo previsão legal acerca da possibilidade de restituição de valores pagos indevidamente ou a maior, a RFB exerceu sua competência para disciplinar a matéria, por meio das Instruções Normativas nº 600/2005 e nº 900/2008, vigentes à época do pedido de restituição e do pedido retificador, respectivamente; 3. Da análise dos referidos atos normativos, em momento algum constatase a restrição trazida pelo despacho decisório, ou seja, não há que se falar na impossibilidade de se retificar pedido de restituição apresentado em formulário quando esse deveria ter sido gerado pelo programa PER/DCOMP; 4. Logo, se a retificação foi feita atendendo aos requisitos necessários quando da sua formulação, in casu, em consonância com o quanto disposto sobre as retificações na IN nº 900/2008, de rigor o reconhecimento da sua admissibilidade, e entender de outra forma significaria a prevalência de um formalismo absurdo e descabido à legalidade, configurandose o enriquecimento sem causa por parte do erário; 5. Transcreve ementas de julgado do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em igual sentido, deferindo a restituição de importância superior àquela requerida pelo contribuinte, pois foi constatada a existência de crédito, que, se não fosse restituído, restaria caracterizado o enriquecimento ilícito por parte do Erário, caso semelhante ao presente, onde a existência do crédito é evidente e não foi contestada pela fiscalização, que se apegou a um formalismo descabido para não admitir a retificação efetuada em conformidade com os ditames da IN nº 900/2008; 6. Na mesma linha, o 3º Conselho de Contribuintes concluiu que falhas formais cometidas no encaminhamento do pedido de restituição não devem impedir o reconhecimento do direito à restituição; 7. De acordo com o § 12 do artigo 3º da IN RFB nº 900/2008, em vigor no momento da apresentação do pedido retificador, os pedidos de restituição abrangidos pelo Simples devem ser formalizados por meio de formulário denominado “Pedido de Restituição”; 8. Outra exigência para a admissibilidade do pedido retificador era a ausência de decisão administrativa na data da sua apresentação, conforme o disposto no artigo 77 da IN RFB nº 900/2008; 9. Assim, tais requisitos e os procedimentos foram observados pela requerente na formalização do seu pedido retificador, donde se conclui foi feito com atenção às regras que disciplinam esse procedimento, Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 5 4 demonstrando ser imperiosa a sua admissão, pois o mesmo substituiu na integralidade o pedido originário; 10. É cediço que a retificação de declaração de tributos tem a mesma natureza da declaração originária, conforme o disposto no art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001, convertida na Lei nº 10.274, de 10 de setembro de 2001; 11. A Receita Federal exerceu sua competência para estabelecer as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração, através da Instrução Normativa SRF nº 166/1999, que em seu artigo 2º, § 2º, incisos I e II, determinou que as declarações retificadoras terão a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, sendo pacífica a jurisprudência nesse sentido; 12. Mutatis mutandis, este entendimento é aplicável aos pedidos de restituição retificadores, tanto é que a própria IN RFB nº 900/2008, ao dispor sobre as retificações em seu artigo 80, traz a determinação de que, admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora, sendo de 05 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação efetuada pelo contribuinte, contado da declaração retificadora; 13. Portanto, verificase que a RFB optou por aplicar o entendimento de que o pedido retificador substitui o pedido originário, tanto que para fins de contagem do prazo para homologação da declaração de compensação considerase o termo a quo a data do pedido retificador, descartandose por completo o pedido originário; 14. Desta forma, resta claro e evidente que o pedido retificador apresentado pela requente substituiu por completo o pedido originário, e por ter cumprido todos os requisitos de admissibilidade estipulados na Instrução Normativa nº 900/2008, pela incontestável existência dos créditos pleiteados e pela proibição de enriquecimento ilícito por parte da Fazenda Nacional, a referida retificação deveria ter sido admitida, com a consequente restituição dos valores recolhidos indevidamente; 15. A requerente, como optante do Simples, recolheu de forma unificada e mensalmente os seus tributos federais, aplicando sobre a base de cálculo uma alíquota única, prevista em lei, mas ocorre que, com relação às competências 03/2004, 12/2004, 04/2005, 12/2005, 03/2007, 04/2007, 05/2007, devido à aplicação de alíquota equivocada, houve recolhimento a maior, o que ensejou o pedido de restituição. ”. Em 12/12/2014 esta mesma turma exarou o Acórdão nº 1537.868 dando parcial provimento à Manifestação de Inconformidade da Contribuinte nos seguintes termos: "Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecer o crédito objeto do Per/Dcomp nº 20471.97615.290508.1.3.048963 no valor Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 6 5 original de R$5.330,89 e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado." Contudo, após exarado o acórdão supracitado, chegou ao conhecimento da Turma de Julgamento responsável que o crédito tratado já havia sido analisado em outro processo administrativo, assim, optaram aqueles julgadores por exarar novo acórdão retificando o anterior, conforme colaciono: "(...) No Acórdão DRJ/SDR nº 37.868/2014 foi reconhecido o direito creditório parcial no valor original de R$5.330,89, objeto da DCOMP nº 20471.97615.290508.1.3.048963, considerandose que a declaração de compensação traz em si mesma um pedido de restituição no exato valor do débito a compensar. Porém, a referida DCOMP já fora tratada eletronicamente no processo nº 10880.981909/201117, tendo sido reconhecido integralmente o crédito no valor de R$6.162,78. Logo, nos termos do que prevê o artigo 27 da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, atendidos os pressupostos de admissibilidade e uma vez que a contribuinte não foi cientificada do Acórdão DRJ/SDR nº 37.868/2014, tomo o despacho de encaminhamento à folha 171 como oposição de embargos, e deles tomo conhecimento. (...)" Desta feita, o acórdão ora Recorrido foi lavrado nos seguintes termos: Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, retificar o Acórdão DRJ/SDR nº 37.868/2014, considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade e não homologar a compensação declarada na DCOMP nº 07153.85481.011008.1.3.047854, nos termos do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise nos exatos mesmos termos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 7 6 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) No Despacho Decisório DERAT/SP às folhas 87/92 a retificação do Pedido de Restituição foi considerada “não admitida”; o Pedido de Restituição, “não formulado”; e as compensações relativas ao pedido de compensação, “não declaradas”. Essas são matérias contra as quais não cabe a apresentação de Manifestação de Inconformidade, nos termos do que prevê o § 8º do art. 66 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Ressaltese, contudo, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário cujas compensações foram consideradas “não declaradas”, por força de sentença prolatada nos autos da Execução Fiscal nº 005587069.2012.4.03.6182, ao acolher a exceção de pré executividade apresentada pela interessada, conforme consulta ao sítio da Seção Judiciária de São Paulo do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cujo trecho a seguir transcrevo: (...) Como apontado na decisão de fls. 157, o excipiente fez prova de que apresentou manifestação de inconformidade (fls. 120/32) tempestivamente (fls. 118 e 120) contra a decisão (fls. 111/16) que havia indeferido o seu pedido de restituição/compensação.(...) É certo, pois, que, ao tempo da propositura da execução (27/11/2012), quiçá do próprio ato de inscrição em dívida ativa (19/10/2012), o crédito tributário estampado no correspondente título executivo encontravase com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional (CTN), diante da pendência de decisão administrativa nos autos do processo nº 11610.010442/200868, prolatada, como demonstrado, em 12/12/2014.(...) Uma vez que no caso dos autos há prova de que o crédito tributário era inexigível à época do ajuizamento do processo executivo porque estava sob os efeitos do inciso III, do artigo 151 do CTN, forçoso reconhecer que a cobrança foi promovida indevidamente e que, consequentemente, o título executivo se mostra nulo. Isso posto, acolho a exceção de préexecutividade para reconhecer a inexigibilidade do crédito tributário constante da certidão de dívida ativa nº 80.4.12.03775393.(...) Ainda naquele Despacho Decisório, a Unidade de origem da RFB considerou “não homologada” a compensação referente à DCOMP nº 07153.85481.011008.1.3.047854 (fls. 71/74), matéria contra a qual é cabível a apresentação da Manifestação de Inconformidade. Vejase trecho do Despacho Decisório DERAT/SP (fls.87/92): 12. Quanto à Declaração de Compensação eletrônica da tabela I, a extinção dos débitos mediante compensação requer a existência de créditos líquidos e certos do contribuinte contra à Fazenda Pública (Lei nº 5.172/66 – CTN, arts. 156, II, 170), o que não se verifica no presente caso, uma vez que o pedido de restituição Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 8 7 formulado em desacordo com a legislação, ao qual está vinculada a Declaração de Compensação gerada eletronicamente, é considerado não formulado e, como consequência, a compensação NÃO É HOMOLOGADA. Neste particular, inexiste reparo a se fazer no Despacho Decisório ora em litígio, pois deixase de homologar a compensação quando inexistente o crédito objeto da DCOMP. No presente caso, o Pedido de Restituição foi considerado como “não formulado”. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908435/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em discussão, emprego como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Juiz de Fora/MG quando da lavratura do acórdão n. 0936.799 (fls. 35/43), o que passo a fazer nos seguintes termos: Em análise no presente processo a DCOMP n° 05905.65557.150205.1.3.046399, transmitida pela contribuinte retro identificada em 15/02/2005, por meio da qual pretendeu a extinção de débito do IPI sob código 5123 no montante originário de R$3.029,39 do mês de novembro/2004, tendo como lastro para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 08 43 5/ 20 09 -1 0 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10166.908435/200910 Resolução nº 3402001.752 S3C4T2 Fl. 58 2 credito decorrente de pagamento indevido/a maior do IPI, no mesmo valor originário do crédito, recolhido por DARF (código 1097) em 29/11/2004. A análise da DCOMP do interessado se deu por via eletrônica, da qual resultou o despacho decisório de fl. 06, que reconheceu o crédito informado na DCOMP, mas homologou em parte a compensação declarada, fundamentando que o crédito reconhecido era insuficiente para quitar a integralidade do débito confessado na DCOMP. (...). O detalhamento relativo ao direito creditório reconhecido no despacho decisório acima se encontra na fl. 29. Cientificado do despacho decisório supra em 18/06/2009 (conforme consulta ao sistema Sucop Imagem — fl. 26), a interessada manifestou em 17/07/2009 sua inconformidade de fls. 02/05 nos termos transcritos abaixo: (...). 2. Devidamente processada, a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, conforme se observa da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 29/11/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. Os débitos declarados em DCOMP revestemse, nos termos da legislação tributária, do status jurídico de "débitos confessados" pelo sujeito passivo, ficando a parcela não compensada apta 6. cobrança executiva (§ 6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pelo art. 17 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Tal status jurídico de confissão de divida para os débitos declarados na DCOMP não possui caráter exclusivamente formal, assumido também uma conotação material, já que: 1) o débito declarado/confessado na DCOMP traduzse de imediato em crédito tributário da Unido dotado da presunção legal de certeza, liquidez, validade e eficácia, ficando, assim que transmitida a DCOMP e em razão da compensação nela declarada, extinto sob condição resolutória nos termos do § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 (incluido pelo art. 17 da Lei n° 10.637, de 2002); it) a DCOMP se conforma em titulo executivo extrajudicial relativamente aos débitos nela declarados/confessados e cuja compensação não foi homologada. O crédito tributário da Unido decorrente da confissão de divida declarada em DCOMP regularmente transmitida só tem a presunção legal de veracidade afastada pelo sujeito passivo transmitente se ele realizar a contento os procedimentos determinados na legislação de regência, dentre eles o cancelamento de DCOMP antes de ter tomado ciência do despacho decisório que apreciou a compensação declarada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10166.908435/200910 Resolução nº 3402001.752 S3C4T2 Fl. 59 3 Data do Fato Gerador: 29/11/2004 DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Desconsiderase o pedido de realização de diligência que se revelam prescindíveis ao deslinde e solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 48/52, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 5. Conforme se observa do recurso voluntário interposto, bem como da manifestação de inconformidade e, em especial, dos documentos com ela acostados (fls. 22/27), o presente caso se resume a discussão quanto a erro formal promovido pelo contribuinte quanto ao procedimento para a recuperação de valores supostamente pagos a maior por parte do contribuinte. Tal equívoco, por seu turno, é bem explicitado pela decisão recorrida nas seguintes passagens do voto: (...). No mérito, verificase que a interessada pretende, em síntese, que o débito originário do IPI de codificação 5123, referente ao período de apuração mensal novembro/2004, cuja data de vencimento foi 15/12/2004 (conforme estabelecido pela agenda tributária indicada no Anexo do Ato Declaratório Normativo n° 97, de 24 de novembro de 20042), assim declarado/confessado na DCOMP n° 05905.65557.150205.1.3.046399 transmitida em 15/02/2005, seja extinto integralmente com crédito seu decorrente de pagamento indevido do IPI de codificação 1097 realizado por DARF em 29/11/2004 no mesmo valor originário. A pretensão acima se funda na simples alegação da reclamante de que o IPI de código 1097 recolhido em 29/11/2004 era, na verdade, exatamente aquele de código 5123 que se visava extinguir na DCOMP, tendo ela apenas errado na identificação do tributo quando preenchera o DARF, bem no instrumento utilizado para correção desse erro: transmissão de DCOMP em vez de REDARF. (...). Por pertinente, vale destacar que, se o intento da interessada era corrigir informações constantes do DARF pelo qual recolhera o IPI de código 1097 em 29/11/2004, o procedimento correto que ela deveria ter tomado era protocolar perante a Receita Federal um REDARF com indicação das correções pretendidas no recolhimento efetuado, e, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10166.908435/200910 Resolução nº 3402001.752 S3C4T2 Fl. 60 4 ainda, antes da emissão do despacho decisório de fl. 06, ter cancelado a DCOMP transmitida. Mas nada disso foi efetuado pela interessada, tornandose preclusos os exercícios dos direitos a correções via REDARF ou a cancelamento da DCOMP transmitida. (...). 6. Da análise dos documentos acostados nos autos e, ainda, conforme constatado pela própria decisão recorrida, o que aconteceu aqui foi um erro no preenchimento da sua DCOMP decorrente da inexistência de emissão de um REDARF por parte do contribuinte, o qual teria por escopo ajustar os códigos de recolhimento do IPI pago em 29/11/2004. 7. Diante deste cenário fático e levando em consideração o princípio do formalismo moderado, resolvo baixar o presente caso em diligência para que, diante dos documentos já acostados nos autos e de outros que possam vir a ser solicitados junto ao contribuinte: (i) a unidade preparadora esclareça se o DARF de fls. 22 materialmente se refere ao IPI de código 5123, ou seja, se o preenchimento do código 1097 de fato foi um erro formal do contribuinte. 8. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, (ii) o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 8. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.720659/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. INOCORRÊNCIA.
Não procede a tese de nulidade do auto lavrado quando constatada a improcedência das alegações apresentadas pelo contribuinte, que defendiam a nulidade do lançamento praticado, e quando verificada a sua regularidade (auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária).
NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO PROCESSUAL E BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA.
Improcedente a alegação de quebra de sigilo processual e bancário do contribuinte quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado de todos os termos no curso do procedimento fiscal e a autuação lastreou-se em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e que não foram retirados de documentos fornecidos por instituições financeiras.
NULIDADE, FALTA DE INTIMAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA, CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Improcedente a argüição de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente representado por mandatário, o qual tem ciência de todos os termos do procedimento fiscal e quando o contribuinte apresenta sua impugnação também de forma regular, através de advogado, que exerce plenamente a sua defesa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA DA OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NOS ARTS. 68 e 71 A 73 DA LEI Nº 4.502/64. NECESSIDADE DE NEXO CAUSAL E CORRELAÇÃO COM A INFRAÇÃO APURADA. AFASTAMENTO.
A simples afirmação no termo de verificação fiscal, genérica e abstrata, de que os fatos apurados se amoldam às hipóteses dos arts. 68 e 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 não dá ensejo à qualificação da multa de ofício. Deve se proceder à demonstração específica de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, estabelecendo o nexo causal entre a sua prática e as infrações tributárias apuradas ou mesmo de que tais posturas ilícitas permitiram a sua ocorrência (elemento sine qua non).
TRIBUTAÇÃO CONEXA. CSLL.
Aplica-se ao lançamento conexo o decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, eis que possui os mesmos elementos de prova.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS LARANJAS. COMPROVAÇÃO DA GERÊNCIA E ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA PELOS SÓCIOS DE FATO.
Verificada a existência de interpostas pessoas (laranjas) e comprovados os verdadeiros sócios administradores da empresa, deve ser mantida a estes a responsabilidade pelo crédito tributário constituído.
Numero da decisão: 1402-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e manter a imputação de glosa de despesas; por maioria de votos, afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a a 75%, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e o Conselheiro Evandro Correa Dias, que mantinham a exasperação. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. INOCORRÊNCIA. Não procede a tese de nulidade do auto lavrado quando constatada a improcedência das alegações apresentadas pelo contribuinte, que defendiam a nulidade do lançamento praticado, e quando verificada a sua regularidade (auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária). NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO PROCESSUAL E BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Improcedente a alegação de quebra de sigilo processual e bancário do contribuinte quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado de todos os termos no curso do procedimento fiscal e a autuação lastreouse em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e que não foram retirados de documentos fornecidos por instituições financeiras. NULIDADE, FALTA DE INTIMAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA, CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Improcedente a argüição de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente representado por mandatário, o qual tem ciência de todos os termos do procedimento fiscal e quando o contribuinte apresenta sua impugnação também de forma regular, através de advogado, que exerce plenamente a sua defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 06 59 /2 01 3- 51 Fl. 6875DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.876 2 O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA DA OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NOS ARTS. 68 e 71 A 73 DA LEI Nº 4.502/64. NECESSIDADE DE NEXO CAUSAL E CORRELAÇÃO COM A INFRAÇÃO APURADA. AFASTAMENTO. A simples afirmação no termo de verificação fiscal, genérica e abstrata, de que os fatos apurados se amoldam às hipóteses dos arts. 68 e 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 não dá ensejo à qualificação da multa de ofício. Deve se proceder à demonstração específica de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, estabelecendo o nexo causal entre a sua prática e as infrações tributárias apuradas ou mesmo de que tais posturas ilícitas permitiram a sua ocorrência (elemento sine qua non). TRIBUTAÇÃO CONEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento conexo o decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, eis que possui os mesmos elementos de prova. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS “LARANJAS”. COMPROVAÇÃO DA GERÊNCIA E ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA PELOS SÓCIOS DE FATO. Verificada a existência de interpostas pessoas (“laranjas”) e comprovados os verdadeiros sócios administradores da empresa, deve ser mantida a estes a responsabilidade pelo crédito tributário constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e manter a imputação de glosa de despesas; por maioria de votos, afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa a 75%, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e o Conselheiro Evandro Correa Dias, que mantinham a exasperação. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fl. 6876DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.877 3 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a defesa da Recorrente. Resumo dos fatos: A Autoridade Lançadora começou a analise da documentação na base de dados com informações de notas fiscais baixadas do sistema Sintegra, da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, informadas pelo Contribuinte, no período de 2008 a 2010. Essa coleta foi feita por meio de acesso, regulado por convênio entre a Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia. No ano de 2009, a análise ficou prejudicada, pois não havia informações de todos os meses do ano. Em 2008 e 2010, as informações foram coletadas para posterior batimento com as informações contidas nos livros contábeis e fiscais. Através da análise das informações entregues pelo Contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, em Declaração e Apuração Mensal do ICMS DMA, constatouse que as informações contidas na DMA e no Sintegra eram completamente divergentes. Em seguida, narra a Autoridade Fiscal que analisou as demais informações contidas nos Livros Razão e Diário do ano de 2008 e das informações contidas na Escrituração Contábil Digital ECD, relativas aos anosbase 2009 e 2010. Novamente, foi constatada uma total divergência das informações, contidas nas diversas bases, declarações, livros e ECDs. São apresentadas tabelas com as divergências encontradas (fl. 6587). A Autoridade Fiscal ressaltou que os arquivos magnéticos não foram entregues pelo Contribuinte; os Livros de Entrada, Saída e Apuração de ICMS foram entregues parcialmente, o que impossibilitou a utilização das informações na apuração da base de cálculo dos tributos objetos da fiscalização. Lembrou que os arquivos de notas fiscais no formato do Sintegra, foram inicialmente, embora validados, entregues com senha; após, foram entregues sem validação e contendo algumas poucas informações de compras nos anos de 2009 e 2010, além de os valores serem totalmente diferentes dos arquivos no formato Sintegra entregues à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. (À fl. 6588, é apresentada tabela com os valores.) Assim, a Autoridade Lançadora, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, utilizou as informações contidas nos Livros Diário e Razão, para o ano Fl. 6877DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.878 4 base de 2008; e na Escrituração Contábil Digital ECD, para os anosbase 2009 e 2010. Também foi utilizada a base de dados com informações de notas fiscais baixadas do sistema Sintegra, da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, informadas pelo Contribuinte, além das declarações: Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Federais DACON. Em relação as compras e vendas, o Contribuinte foi intimado a apresentar justificativas para as diferenças encontradas entre as compras e as receitas de vendas de mercadorias escrituradas nos livros Razão, Diário e balancetes dos Livros Diário, anos calendário 2008 a 2010, com as informações prestadas à Secretaria da Receita Federal em DIPJ, DCTF e DACON. Como as justificativas solicitadas pela Fiscalização não foram apresentadas pela Recorrente, os valores apurados conforme livros Razão, Diário e balancetes dos Livros Diário, foram utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (tabela fl. 6589 dos autos). Desta forma, foram glosadas as despesas/custos que foram considerados não comprovados pela Fiscalização. Vejamos as despesas que foram glosadas: Intimado, o Contribuinte comprovou parte das despesas questionadas em termo de intimação. As despesas não comprovadas foram glosadas, conforme tabelas de fls. 6590 a 6592. 25. Na tabela de fls. 6593 a 6594, consta relação de lançamentos aceitos pela Fiscalização a título de juros financeiros. Os demais, com esse título, por não terem sido comprovados, foram glosados. 26. Nas tabelas de fl. 6594, estão os valores de frete glosados pela Fiscalização. 27. Com relação às doações efetuadas à “Creche Meira”, a Autoridade Fiscal apresentou na tabela de fl. 6596 os valores aceitos e aqueles que foram glosados por estarem acima do limite estabelecido pela legislação fiscal. A Fiscalização também reuniu informações para chegar aos reais proprietários da empresa. As informações são as seguintes: Em seguida, a Autoridade Fiscal reúne informações, acerca das pessoas físicas Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias, que levam à conclusão de que são os reais proprietários da Fl. 6878DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.879 5 empresa. De forma resumida, são os seguintes os fatos que levam à citada conclusão: – pesquisas efetuadas no site www.supermercadosmeira.com.br, inclusive entrevista prestada por Herbert Moreira Dias; – no contrato social apresentado, constam sócios que passaram pela empresa cadastrados como auxiliar de escritório, trabalhadores de serviços administrativos, pintor de obra, empregada doméstica, dentre outros. – sócios da empresa “laranjas” (empregados de outras empresas do “Grupo Meira”); – salário de contribuição dos diversos sócios da empresa em média pouco superior ao salário mínimo vigente na época; – fichas cadastrais da pessoa jurídica em instituições financeiras, procurações assinadas pelos sócios (“Luciana e Larissa”, sobrinhas de Herbert; outros sócios), outorgando poderes a terceiros para movimentar as contascorrentes da empresa, dando amplos poderes às pessoas físicas Herbert Moreira Dias, CPF n°: 163.914.54515, e Valdeana Meira Souto e Dias, CPF n° 426.972.12515, inclusive para representálas perante qualquer órgão público e instituições financeiras; – as procurações feitas pelos sócios que entravam no quadro societário da empresa apontam fortes indícios da utilização de interpostas pessoas, visando a encobrir a identidade dos reais proprietários da empresa, Herbert e Valdeana, que apesar de não aparecerem como sócios da empresa, tinham amplos poderes para transacionar em nome dela, de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido; – a empresa está sediada no mesmo endereço (ou em endereços próximos de outras empresas do Grupo), com o mesmo objeto social; – a sede da empresa Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda ME se localizava na Rua Uruguaiana, n° 898. Nesse mesmo endereço, conforme Termo de Constatação, funciona atualmente o depósito da filial da empresa Dalnorde, CNPJ 04.259.757/000317, localizada nesta mesma rua no n° 220; – apesar dos estabelecimentos terem números diferentes, tratase do mesmo imóvel comercial; – a composição do quadro societário do Contribuinte, com base em informações constantes do Cadastro CNPJ, CNIS, e das DIPJ anoscalendário 2008 a 2010, em comparação com os sócios das outras empresas do grupo (Comercial de Estivas Matos Ltda, Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda – ME) demonstra o revezamento dos sócios nas empresas do grupo; Fl. 6879DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.880 6 29. Dos fatos acima resumidos, a Fiscalização concluiu não restar dúvidas de que Herbert e Valdeana, desde o início, são os verdadeiros sócios da empresa fiscalizada, sócios de fato, que possuíam amplos poderes para dirigir, controlar e administrar, da forma que bem entendessem, as sociedades do Grupo. Foram também coletados dados junto a Polícia Federal que comprovam que a Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto são os reais proprietários da Recorrente. E por fim, Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto foram considerados sujeitos passivos responsáveis solidários do crédito tributário nos termos do artigo 124, inciso I do CTN e no artigo 135, incisos II e III do CTN. Também foi aplicado multa qualificada fundamentada nos seguintes termos. Para a Autoridade Lançadora, restaram caracterizados o evidente intuito de fraude e a prática reiterada de sonegação fiscal, conforme definido nos arts. 68, 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, pelo que foi aplicada a multa prevista no art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96. A DRJ manteve integralmente a autuação. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando as mesmas alegações da impugnação. Importante ressaltar que os responsáveis solidários não interpuseram Recurso Voluntário face o v .acórdão recorrido, apenas apresentando um tópico no Recurso Voluntário da empresa autuada sobre a impossibilidade de responsabilizálos solidariamente, eis que não restou comprovado nos autos que a empresa Recorrente pertencia a um grupo econômico. É o relatório. Fl. 6880DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.881 7 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares: Em preliminar, a Recorrente alega ter ocorrido nulidade dos autos de infração por erro na identificação do sujeito passivo, eis que o Auto de Infração foi lavrado face Dalnorde Supermercado e Distribuidora de Alimentos LTDA., sendo que a razão social da empresa é Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda. Tal alegação não procede, pois conforme pode se verificar o Auto de Infração foi lavrado face a empresa correta, a Dalnorde Comérico Importação e Exportação de Alimentos Ltda. Um documento que comprova que a autuação foi corretamente lavrada é a Procuração lavrada no Cartório de Tabelionato e Protestos de IbicaraíBA, outorgada pela “sócia” da firma Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda, Larissa Dias Matos, para Joadison Silva dos Santos, concedendolhe poderes especiais para representar a outorgante, entre outros órgãos, junto à Secretaria da Receita Federal. Assim, entendo que o Auto de Infração foi lavrado face a empresa correta (sujeito passivo correto), com a razão social Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda. Desta forma, rejeito a preliminar da Recorrente de nulidade do Auto de Infração por erro na indicação do sujeito passivo. Ademais, pode se verificar que o auto de infração contém todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o simples cotejamento dos autos de infração lavrados com cada requisito enumerado pelo dispositivo acima indicado não permite duvidar de obediência plena às determinações legais, inclusive no que se refere à descrição dos fatos. Da mesma forma, não se verifica ofensa ao art. 5º, LV, CF/88, pois houve ciência do auto de infração e oportunidade para o contraditório e a ampla defesa, bem como não se detecta violação aos art. 3º e 142 do CTN, pois, há indiscutível base legal nos Autos de Infração para o lançamento de ofício e para exigência de multa. Fl. 6881DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.882 8 Para concluir, os Autos de Infração foram lavrados por autoridade competente com todos os requisitos estabelecidos nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), e não resta alternativa senão rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas. Da preliminar relativa a utilização de informações protegidas por sigilo bancário sem autorização judicial. Em relação a quebra de sigilo bancário sem autorização do judiciário e a argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001, o Pretório Excelso, decidiu da seguinte forma, conforme pode se verificar da ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do Fl. 6882DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.883 9 princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) No mesmo sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20 112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Sendo assim, mesmo que a ação judicial da Recorrente se encontre aguardando o julgamento de Recurso Extraordinário, o C. Supremo Tribunal de Federal já decidiu sobra a matéria pela sistemática de repercussão geral, entendendo ser legitimo e constitucional o art. 6º da Lei Complementar 105/01, eis que segundo a Corte Suprema não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Desta forma, entendo que tal alegação relativa a quebra de sigilo bancário deve ser afastada. Da falta de intimação dos sócios da empresa: Fl. 6883DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.884 10 Tal alegação não procede. A Recorrente apresentou procuração elegendo como seu procurador o Sr. Joadison Silva dos Santos, concedendolhe poderes especiais para representar a outorgante, inclusive junto à Secretaria da Receita Federal. Assim, como a própria pessoa que a Recorrente desejava que tivesse sido intimada como seu procurador para representála no procedimento fiscal, bem como para tomar ciência do auto de infração e demais documentos, o que torna sem sentido agora defender a falta de intimação dos seus “sócios”. Ademais, no presente caso, os sócios foram intimados por edital para apresentar Recurso. De resto, adoto a fundamentação do v. acórdão recorrido para motivar meu voto em relação a este ponto. 104. A Impugnante propugnou pela nulidade do procedimento fiscal pela falta de intimação dos sócios da empresa contribuinte. 105. Argumentou que o legislador não pode eleger responsáveis de forma aleatória, sob pena de acarretar uma insegurança jurídica. No presente procedimento fiscal, não houve qualquer intimação dos sócios do Contribuinte para que se manifestassem acerca do seu teor. Para a Impugnante, a Fiscalização deveria ter incluído os sócios da empresa, mas, ao contrário, direcionaram para terceiros, fundado em um julgamento antecipado lastreado em informações não conclusivas. 106. No item “Erro na Identificação do Sujeito Passivo”, destacamos que a “sócia” da empresa (Larissa Dias Matos) outorgou Procuração para Joadison Silva dos Santos, concedendolhe poderes especiais para representar a outorgante, entre outros órgãos, junto à Secretaria da Receita Federal. Ora, a própria pessoa que a Impugnante desejava que tivesse sido intimada elegeu o seu procurador para representála no procedimento fiscal bem como para tomar ciência do auto de infração e demais documentos, o que torna sem sentido agora defender a falta de intimação dos seus “sócios”. 107. Portanto, o Contribuinte foi representado em todo o procedimento fiscal por seu procurador, indicado pelo próprio “sócio” da empresa. Uma vez que o contribuinte esteja legalmente representado por um procurador, não há norma que imponha, no curso de um procedimento fiscal, a intimação dos sócios. Nesses casos, o Contribuinte teve, através de seu mandatário, conhecimento de tudo o que ocorria na fiscalização, não Fl. 6884DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.885 11 havendo qualquer motivo para supor o contrário. Foi ele regularmente intimado de todos os termos do processo, teve deles plena ciência e oportunidade para apresentar documentos, provas, explicações e justificativas. 108. Além disso, a defesa foi regularmente apresentada pelo Contribuinte ora Impugnante após a autuação, ou seja, os “sócios” foram defendidos através da peça impugnatória. 109. Quanto ao “direcionamento para terceiros”, essa questão está relacionada com a responsabilidade tributária, que será discutida adiante. 110. Dessa forma, também descabida esta alegação de nulidade proposta pela Impugnante. Desta forma, rejeito a alegação da Recorrente de que teria ocorrido a nulidade do procedimento fiscal, devido a falta de intimação dos sócios da empresa Recorrente. Passo a analisar a alegação quanto ao não cumprimento do prazo para execução e encerramento dos trabalhos fiscais (auditoria fiscal): Esta matéria já foi analisada varias vezes por este D. Colegiado, restando sedimentado a jurisprudência de que o prazo para a auditoria fiscal pode ser renovado varias vezes. A título exemplificativo, segue a ementa de um julgado no qual esta C. Turma decidiu sobre tal matéria: [...] Para complementar a fundamentação do meu voto e tendo em vista que o Recurso Voluntário não apresentou novas alegações em relação as feitas na impugnação, adoto os argumentos do v. acórdão recorrido. 111. Como última nulidade do procedimento administrativo fiscal, a Impugnante alegou o não cumprimento do prazo para execução e encerramento dos trabalhos após a citação do Contribuinte. 112. Defendeu a Impugnante que a Fiscalização não respeitou os prazos para o encerramento ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal. Como o procedimento fiscal ultrapassou o prazo legal de 120 dias, a Impugnante requereu a sua nulidade por decurso do prazo. 113. Os argumentos relativos ao Mandado de Procedimento Fiscal são improcedentes. Fl. 6885DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.886 12 114. O MPF – Mandado de Procedimento Fiscal é antes de tudo um instrumento instituído com a missão de propiciar à Administração Fiscal Federal o planejamento, o controle e a gerência das atividades de fiscalização. O MPF foi criado pela Portaria SRF nº 1.265/99 e posteriormente regulado pelo Decreto nº 3.724/01 do Presidente da República, o qual tratou da regulamentação do sigilo bancário. 115. As competências dos Auditores Fiscais estão estabelecidas em lei e não podem ser alteradas por dispositivos infralegais como os acima mencionados. O art. 142 do Código Tributário Nacional conferiu expressamente à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, de acordo com o art. 7º da Lei nº 2.354/1954, e com o Decreto nº 2.225/1985, é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. 116. Por essa linha de raciocínio, mesmo a falta do MPF não acarreta nulidade do lançamento realizado, até por que o Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, não exige a emissão de MPF. Segundo o artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972 basta ato de ofício emitido por servidor competente e cientificado ao sujeito passivo para que o procedimento fiscal tenha início: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. [...] 117. Devese destacar, ainda, que o regramento acerca do Mandado de Procedimento Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que estão submetidos os agentes fiscais tributários. A obrigatoriedade da prática do lançamento tributário pela autoridade lançadora encontrase estatuída no art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional do agente, caso constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo da obrigação tributária. 118. O Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual CARF, tem entendido a questão da mesma maneira, ou seja, que o MPF constitui instrumento de mero controle Fl. 6886DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.887 13 administrativo, e que eventuais irregularidades em sua emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. Vejamos as seguintes ementas extraídas do citado Tribunal Administrativo: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 1º CC nº 10706820, sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero) NULIDADE INOCORRÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Ac. 1º CC nº 10807079, Sessão de 22/08/2002, Relator Luiz Alberto Cava Maceira) 119. Em determinados casos, o MPF sequer é exigido, conforme disposto no § 3º do artigo 2º do Decreto nº 3.724/2001, com a redação dada pelo artigo 1º do Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007: §3o O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). Fl. 6887DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.888 14 (meu destaque.) 120. Em resumo, não se verifica qualquer vício ou ilegalidade no procedimento fiscal e tampouco no lançamento praticado que levasse à nulidade da autuação. Desta forma, voto por rejeitar as preliminares dos Autos de Infração. Mérito: Em relação ao mérito, não resta dúvida de que a infração restou devidamente comprovada, bem como que a Recorrente não trouxe nenhuma prova aos autos para afastar a acusação de glosa de despesas. As provas dos autos nos levam a conclusão de que as infrações de fato ocorreram. Quanto a alegação de que seria indevido o arbitramento, também nego provimento, eis que o Auto de Infração não arbitrou o lucro, mas a exigência foi feita pelo lucro real. Quanto as demais alegações de que a fiscalização deixou de verificar e deduzir da base tributável as despesas de manutenção e investimento da atividade da Recorrente, realizadas no anocalendário da 2008. Tal alegação não procede, eis que a Recorrente não apresentou documentos para comprovar tais despesas alegadas. Ademais, as alegações feitas pela Recorrente são concernentes a PIS/COFINS, matéria que está sendo tratada em outro processo de numero 10508.720.658/201315, não podendo ser analisadas nos autos deste processo. Assim, pode se extrair dos autos, que a infração não foi baseada em meros indícios como alega a Recorrente, mas está lastreada com conteúdo probatório robusto a ponto de não deixar dúvida de que a irregularidade tributária realmente ocorreu. Caberia a Recorrente apresentar nos autos argumentos e provas para afastar a acusação, entretanto não se desincumbiu de tal obrigação, motivo pelo qual não resta alternativa senão manter os Autos de Infração. Da multa qualificada: Em relação a multa qualificada, adoto os argumentos do v. acórdão recorrido. Importante ressaltar, que foram constatadas no TVF, a simulação das operações por meio de utilização de empresas interpostas, sendo que as pessoas físicas Sr. Fl. 6888DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.889 15 Herbert Moreira Dias e de Valdeana Meira Souto e Dias eram os proprietários de fato das empresa que participaram das operações que ocasionaram a glosa de despesas. A Fiscalização também se utilizou de provas emprestadas obtidas junto a Policia Federal, encontrou procurações outorgadas pelo responsáveis solidários aos laranjas, comunicação entre Shauana e Luciana Oliveira, para a realização de um depósito autorizado por Beto (Herbert Moreira Dias), que se tratava de autorização feita por ele, Herbert Moreira, referente a depósitos mensais automáticos nas contas correntes de Mariene Moreira Dias e Larissa Dias Matos, com referência ao pagamento do FGTS. Foram encontrados bens de propriedade de Herbert Moreira Dias registrados em nome de terceiros, dentre outras provas que não deixam dúvida da intenção de reduzir de forma irregular a carga tributária. Desta forma, entendo que restou comprovado nos autos a hipótese prevista no artigo 44, parágrafo primeiro da Lei 9.430/96, devendo ser mantida a multa qualificada no importe de 150%. De resto colaciono os fundamentos do v. acórdão recorrido para motivar meu voto. DO NÃO CABIMENTO DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA 128. Defendeu a Impugnante que como a Autoridade Fiscal utilizouse de lastro probatório nulo, por vício de ilegalidade, restou prejudicada a sustentação da referida qualificadora da multa prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, devendo ser aplicado o percentual de 75% no presente caso. 129. Não possui razão a Impugnante. Há nos autos do presente processo administrativo fiscal elementos suficientes que justificam e legitimam a aplicação da multa qualificada. 130. De forma sintética, os seguintes fatos implicam na qualificação da multa aplicada: – diferenças de valores apurados nas diversas declarações apresentadas e livros escriturados pelo Contribuinte; – As informações obtidas nas “fontes públicas”, resumidas no Relatório Fiscal”, que ligam as pessoas físicas Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias à empresa fiscalizada (assim como com outras empresas); – “laranjas” integrando o quadro societário da empresa (empregada doméstica, pintor de obra, sobrinha e filha das pessoas citadas, etc); – existência de procurações outorgadas pelos “sócios laranjas” à Herbert e Valdeana, concedendolhes amplos poderes de representação, inclusive perante órgãos públicos e instituições financeiras; – provas colhidas pela Polícia Federal (já relatadas de forma sintética), as quais reproduzimos abaixo: Fl. 6889DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.890 16 – utilização de duas razões sociais por loja; – criação das pessoas jurídicas interpostas, com o fito de não pagar os tributos devidos; – agenda apreendida com escritos diversos, relativos ao ano de 2008, a partir da qual verificamse anotações de códigos para cada loja do grupo empresarial investigado, além de relações com os valores associados às empresas do grupo; – dos referidos documentos, podese atestar a referência específica à empresa Contribuinte, bem como a comprovação de sua administração por Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias; – comunicação entre Shauana e Luciana Oliveira, para a realização de um depósito autorizado por Beto (Herbert Moreira Dias), que se tratava de autorização feita por ele, Herbert Moreira, referente a depósitos mensais automáticos nas contas correntes de Mariene Moreira Dias e Larissa Dias Matos, com referência ao pagamento do FGTS. – verificase que a gerência da empresa era exercida pelo Sr. Herbert Moreira Dias, na medida em que o mesmo era quem autorizava a realização dos referidos depósitos, de modo que as pessoas que constavam do Contrato Social eram pessoas interpostas; – a apreensão dos documentos (Auto de Apreensão n° 63/2012) foi efetuada na Rua Uruguaiana, 896, Malhado, Ilhéus/BA, que é o endereço da sede das empresas Comercial de Estivas Matos Ltda e Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda, bem como o do depósito de uma das filiais da empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda; – bens de propriedade de Herbert Moreira Dias registrados em nome de terceiros; – Herbert Moreira Dias encontrase cadastrado na Previdência Social como empregado da Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda; gravações de vídeo com funcionário da empresa indicam ser ele o proprietário do estabelecimento; – entre os documentos apreendidos, encontrase a Carteira de Trabalho (CTPS) de Herbert Moreira Dias, na qual consta como último registro a gerência da empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda; – a empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda tem como sócia Shauana Souza Dias, filha de Herbert Moreira Dias. Também são sócias Larissa Dias Matos e Luciana Dias Matos, ambas sobrinhas de Herbert Moreira Dias, fatos que denotam a formação de grupo familiar, com pessoas interpostas, mas com o controle e a direção da empresa Fl. 6890DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.891 17 exercidos de fato pelos seus reais proprietários, Herbert e Valdeana; – diversas procurações, inclusive com poderes de gestão, foram outorgadas pelos sócios interpostos do Contribuinte para Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto, seus reais proprietários; – documentos contendo orientações e comandos tais como “abrir empresa em nome de Breno e Shauana”, “Cecília fazer contabilidade paralela conf. Informações do programa mostrando a realidade dos impostos estaduais e federais”, “Dr. Ricardo embargar os débitos”, “ver uma empresa que compre as bebidas em nome dela e ela repasse com nota da BA p/ MEIRA”, “Jéferson, verificar com Ricardo sobre conseguir notas com ICMS/CHEIO”; – documento apreendido, do qual consta a relação de empresas do grupo Meira, com os respectivos CNPJs e contas correntes, demonstram que a empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda é utilizada de forma fictícia para explorar a Rede de Supermercados Meira; – agenda apreendida de cor azulmarinho (Auto de Apreensão nº 65/2012) permite concluir, através da análise do seu conteúdo, que a administração de todas as lojas da Rede de Supermercados Meira é centralizada na pessoa de Herbert Moreira Dias; – de outra agenda apreendida, que seria de propriedade de Shauana Souza Dias, há um discriminativo das razões sociais utilizadas para a exploração da Rede de Supermercados Meira e das procurações outorgadas pelas pessoas físicas interpostas; das anotações dessa agenda, extraemse informações referentes as três empresas do Grupo Meira, quais sejam, Comercial de Estivas Matos Ltda, Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda e Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda; – do Item 54 do Auto de Apreensão n° 65/2012, consta a referência de diversas procurações particulares e públicas em que há transferência de poderes entre as pessoas referidas na fiscalização, existindo preponderância na outorga de poderes para gerir as diversas pessoas jurídicas ao Sr. Herbert Moreira Dias; – do Item 58 do Auto de Apreensão n° 65/2012, consta a informação de que fora apreendida uma relação de telefones, na qual figura o Sr. Herbert como diretor; – ainda do Auto de Apreensão n° 66/2012, consta informação de que foram apreendidas 04 cópias de contrato de parceria comercial, firmados pela empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda com diversas empresas, sendo que em todos os referidos contratos constam o logotipo dos “Supermercados Meira”; Fl. 6891DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.892 18 – foram apreendidas 02 (duas) cópias de solicitação de patrocínio para evento recreativo/cultural, sendo que ambas foram direcionadas ao Sr. Herbert Moreira Dias, o que evidencia ser ele o proprietário e diretor das empresas da Rede de Supermercados Meira. 131. Do conjunto dos fatos acima descritos, bem como de todo o enredo que consta dos autos do presente processo administrativo fiscal, entendo que a multa de ofício foi corretamente aplicada 132. As multas punitivas encontramse previstas no art. 44 da Lei n° 9.430/96, conforme texto legal abaixo transcrito: [...] 133. Portanto, o comportamento do Contribuinte conforme demonstrado nos autos enquadrase na norma legal cujo texto acima transcrevemos, o qual prescreve a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Desta forma voto por manter a multa, qualificada. Da não participação da empresa contribuinte em grupo econômico: Tais alegações não merecem ser acolhidas, eis que o lançamento se referem apenas a grupo de despesas analisadas a partir da escrituração da própria contribuinte. Em relação a imputação de responsabilidade solidária as pessoas físicas Sr. Herbert Moreira Dias e de Valdeana Meira Souto e Dias, deixo de analisalas eis que os responsáveis solidários não interpuseram recurso, embora devidamente cientificados, subsistindo o que decido pela DRJ. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 6892DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.893 19 Voto Vencedor Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento adotado pela I. Conselheiro Relator, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, em seu fundamentado e robusto voto, exclusiva e especificamente em relação à manutenção da qualificação da multa de ofício, na monta de 150%. Nesse sentido, analisando a Autuação e seus fundamentos, primeiro verifica se que no item do TVF referente especificamente a tal agravamento sancionatório, a Autoridade Fiscal não específica as condutas e os atos concretamente ocorridos e apurados que amoldaramse às previsões dos arts. 68 e 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Confirase: Assim, de um ponto de vista técnico e formal, tal justificativa apresentase extremamente vaga, abstrata e genérica, simplesmente afirmando que teriam restado caracterizadas tais circunstâncias que permitem à Administração Tributária dobrar a pena aplicada. Registrese aqui que, indiscutivelmente, tal remissão genérica tem impacto na defesa do Contribuinte, que não pode vislumbrar uma precisa delimitação dos fatos que se referem diretamente a tal elemento acusatório do lançamento de ofício. Não obstante e mais importante, analisando o restante dos termos do TVF verificase que, de fato, consta lá a descrições de circunstâncias que até poderiam se revestir como típicas de simulação ou fraude. Fl. 6893DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.894 20 Contudo, não há demonstração de vinculação de tais atos e práticas com as infrações de dedução indevida de custos e despesas que motivaram a exação tributária em tela. Ainda que tenha se identificado fortes indícios de confusão patrimonial e mencionase a suposta utilização de terceiros para figurarem como titulares das pessoas jurídicas do Grupo, não existe qualquer esforço para estabelecer uma conexão de tais fatos com a infração tributária apurada de deduzir indevidamente custos e despesas da apuração do Lucro Real. E tratandose de ferramenta punitiva do Estado, compondo o ius puniendi (ainda que formalmente contidas no sistema jurídico tributário), o estabelecimento do nexo causal entre a conduta e a sanção aplicável é indispensável para sua validade, não podendo prevalecer apontamentos genéricos sobre a ocorrência das hipóteses legais. Entendese que é necessária a demonstração de que tais supostas simulações e fraudes perpetradas dolosamente colaboraram para a ocorrência da infração ou foram elemento prévio ou simultâneo que permitiu a sua ocorrência (elemento sine qua non). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo seu percentual para 75%. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 6894DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.913706/2006-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
Numero da decisão: 1001-001.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 37 06 /2 00 6- 22 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.913706/200622 Acórdão n.º 1001001.065 S1C0T1 Fl. 113 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 88/100) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 1633.618, de 06/09/2011, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), efls. 74/76, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza e completa o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) NUTRISPORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VESTUÁRIOS LTDA., apresenta manifestação de inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT (fls. 30 a 37) que não homologou as PER/DCOMP apresentadas pela contribuinte, relativas ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. 2 Ao analisar o direito creditório declarado, o auditor fiscal verificou que a contribuinte recolheu em DARF, relativamente às estimativas devidas durante o anocalendário de 2000, o valor total de R$ 141.492,32 , que foram declaradas em DCTF, mas os valores declarados como estimativas na DIPJ/2001, não conferem com esses valores. Uma vez que apenas a DCTF é considerada confissão de dívida e o valores declarados em DCTF, conferem com os valores recolhidos em DARF, foram esses os valores considerados na análise do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. 3 Relativamente ao IRRF do período, o sistema SIEF/DIRF (fls. 17/20), informou valor de retenção de R$ 5.016,65, cujas receitas foram devidamente oferecidas à tributação. 4 Não houve compensações sem processo, declaradas nas DCTF do período. 5 Assim o valor apurado do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 foi de R$ 24.036,94. 6 O auditor fiscal constatou que esse saldo negativo foi inteiramente consumido em compensações sem processo de estimativas de IRPJ do ano calendário seguinte, 2001, conforme cálculo do sistema SAPO (28 a 29), não restando qualquer saldo passível que ser aproveitado na presente PER/DCOMP. 7 Cientificada em 17/06/2008, conforme AR de fls. 38/verso, a contribuinte apresentou, em 17/07/2008, manifestação de inconformidade de fls. 39 a 40, onde alega que teria efetuado compensações sem processo de estimativas, e apresenta um demonstrativo com os valores que alega ter compensado, requerendo Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.913706/200622 Acórdão n.º 1001001.065 S1C0T1 Fl. 114 3 também que seja acolhida a manifestação de inconformidade e cancelado o débito fiscal reclamado. A DRJ considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ COMPENSAÇÕES SEM PROCESSO Não é suficiente para comprovar o crédito pretendido, a alegação que teria efetuado compensações de estimativas de IRPJ sem processo com saldos de períodos anteriores, se a contribuinte não declara essas compensações em DCTF e não apresenta qualquer comprovação do que afirma. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão de primeira instância em 22/11/2011, conforme Aviso de Recebimento à efl. 87, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 20/12/2011, conforme carimbo aposto à efl. 88. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Quanto ao valor da lide nesta segunda instância administrativa, temse que a empresa em epígrafe solicita, por meio do PER/DCOMP nº 07788.12235.180603.1.3.021012 (efls. 2/6), a compensação de débitos no valor total de R$ 61.294,22, com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000. Após a análise do pedido, a DRF homologou as compensações até o valor de "R$ 24.036,94, (...) sendo que sobre tal(tais) valor(es) incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, nos termos dos artigos 52 e 53 da IN/SRF n° 600/05". Neste sentido, tendo em vista que o valor em litígio não ultrapassa o limite de alçada das turmas extraordinárias, conforme estabelece o art. 23B do RICARF, entendo que o presente recurso deve ser julgado por esta turma. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.913706/200622 Acórdão n.º 1001001.065 S1C0T1 Fl. 115 4 No recurso interposto, a recorrente repete todos os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, que na verdade acumulou crédito de R$ 167.032,44, conforme a DIPJ apresentada (anexa novamente as Fichas 20A e 13A efls. 57/58) e DARFs (efls. 53/56) e repete quadro demonstrativo dos valores. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados no aresto de primeira instância e, por concordar com todos os seus termos, peço vênia para transcrever, a seguir, o voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF. 10 Observase no presente processo que, embora a reclamante alegue ter efetuado compensações sem processo de estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000, no valor total de R$ 167.032,44, conforme demonstrativo que apresenta às fls. 40, não apresentou qualquer comprovação do que alega. 11 Além disso, não declarou, sequer, as supostas compensações nas DCTF do período, impossibilitando qualquer análise do que alega. 12 A documentação apresentada junto à manifestação de inconformidade, tampouco serve para esclarecer ou comprovar suas alegações, impondose a conclusão que a reclamante limitouse a alegar sem embasar seus argumentos em documentação cabível. 13 Desse modo, indeferese as argumentações da contribuinte mantendo se, na integra, o decidido no despacho contestado. 14 Assim sendo, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Afirma, agora, no recurso voluntário que "preencheu indevidamente campo do PER/DCOMP [criado em 03/06/2003 (fls. 15)], bem como de forma inadequada preencheu as DCTFs (fls. 23 —27)" e que "tudo foi realizado em conformidade com a orientação "do funcionário da Receita Federal do Brasil em São Paulo ....", Tratase de argumentos novos, não apresentados pela defesa em sede de manifestação de inconformidade, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, implicando a ocorrência da preclusão consumativa. Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 135DF CARF MF
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