Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.732369/2012-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - NÃO COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - NÃO COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.732369/2012-53
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948904
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.641
nome_arquivo_s : Decisao_10380732369201253.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 10380732369201253_5948904.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7572424
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418006388736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 57 1 56 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.732369/201253 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.641 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente JOSE WALTER ARAUJO FREITAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA NÃO COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 23 69 /2 01 2- 53 Fl. 57DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 13 a 18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$6.086,56, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 12 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 04/12/12, mediante as alegações relatadas a seguir: Esclarece o grau de parentesco que tem com cada um dos beneficiários cujas despesas com plano de saúde foram glosadas. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 12/11/2014, no acórdão 0364.643, às efls. 33 a 35, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 40 a 53 alegando, que Francisco Capistrano de Freitas, Rita de Cássia Araújo Freitas e Teresa Júlia Araújo são seus dependentes há mais de 20 anos. Suscita a aplicação do princípio da verdade material, da razoabilidade e proporcionalidade. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 31/12/2014, efls. 38, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 20/01/2015, efls. 40, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A autuação consiste na glosa de despesas médicas com diversos dependentes, conforme consta o relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10380.732369/201253 Acórdão n.º 2002000.641 S2C0T2 Fl. 58 3 A DRJ manteve a autuação sob o fundamento de que o contribuinte não declarou quaisquer dependentes em sua DAA: Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda despesas médicas do próprio contribuinte e as realizadas com dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. O impugnante não informou dependentes, de modo que não há como deduzir despesas médicas realizadas por terceiros, ainda que sejam parentes do contribuinte e que este tenha arcado com as despesas. Há que se esclarecer que, caso o interessado informe a existência de dependentes, os rendimentos deles devem ser adicionados aos rendimentos do sujeito passivo na apuração do imposto de renda. Desse modo, ainda que o contribuinte esclareça que os beneficiários do plano de saúde são seus parentes e alguns deles poderiam ser considerados dependentes, estes não constam da declaração de ajuste do contribuinte nem tiveram seus rendimentos adicionados aos do impugnante. . As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com Fl. 59DF CARF MF 4 exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10380.732369/201253 Acórdão n.º 2002000.641 S2C0T2 Fl. 59 5 comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de Fl. 61DF CARF MF 6 prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10380.732369/201253 Acórdão n.º 2002000.641 S2C0T2 Fl. 60 7 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Conforme DAA do contribuinte às efls. 21, de fato não constam nenhum dependente elencado, motivo pelo qual mantenho a decisão de piso por seus próprios fundamenteos, Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.002115/2003-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INTERPRETAÇÃO LITERAL
Deve ser interpretado literalmente o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, aplica-se o instituto da homologação tácita tão somente a compensações.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
SOCIEDADES CIVIS. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO DA COFINS
O STF, em repercussão geral, decidiu que a Lei n° 9.430/96 podia revogar a isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91.
Numero da decisão: 3301-005.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INTERPRETAÇÃO LITERAL Deve ser interpretado literalmente o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, aplica-se o instituto da homologação tácita tão somente a compensações. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 SOCIEDADES CIVIS. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO DA COFINS O STF, em repercussão geral, decidiu que a Lei n° 9.430/96 podia revogar a isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19679.002115/2003-45
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953676
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.571
nome_arquivo_s : Decisao_19679002115200345.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19679002115200345_5953676.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7582825
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418008485888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 244 1 243 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.002115/200345 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.571 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria COFINS Recorrente ESCOLA PANAMERICANA DE ARTES S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INTERPRETAÇÃO LITERAL Deve ser interpretado literalmente o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, aplicase o instituto da homologação tácita tão somente a compensações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 SOCIEDADES CIVIS. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO DA COFINS O STF, em repercussão geral, decidiu que a Lei n° 9.430/96 podia revogar a isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 21 15 /2 00 3- 45 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 245 2 Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Cuida o presente processo de pedido de restituição de R$1.387.105,62, protocolizado em 25/8/2003, consoante consta A fl. 1, acompanhado dos documentos as fls. 2 a 85. Consta as fls. 20 a 41 cópias de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) relativamente a eventuais pagamentos de contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS), código Receita 2172, realizados no período de 10/7/98 a 15/7/2003. Ademais, a interessada informou a ocorrência de pagamento, fundamentado no disposto no inciso II do art. 6° da Lei Complementar (LC) n.° 70/91 (fl. 52), para fins de motivar seu pedido de restituição (fls. 1 e 89). 2. Consta no Despacho Decisório às fls. 88 a 100 da Divisão de Orientação e Análise Tributária (Diort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) em São Paulo, que Autoridades Tributárias Federais, no exercício de competência legal, pois conferida pelo disposto na alínea "b" do inciso I do art. 6° da Lei n.° 10.593/2002, com nova redação dada pela Lei n.° 11.457/2007, decidiram à fl. 99 pelo [...] indeferimento do pedido de restituição de COFINS e pela não homologa Declarações de Compensação [apresentadas pela interessada a partir de 14/10/2 relacionadas no relatório [...] [do] despacho decisório [às fls. 89 a 92] [negrejouse]. Eis a fundamentação legal desse documento oficial: 2.1. Invocando o disposto nos art. 165, 168 e 170 da Lei n.° 5.172/66, é dizer, o Código Tributário Nacional (CTN), o Ato Declaratório SRF n.° 96/99, bem como o Parecer PGFN/CAT n.° 1.538/99, foi proferido o que segue (fls. 95 e 96): [...] [quanto] ao pedido de restituição, como se demonstrará, parte não pode prosperar, uma vez que na data da formalização do pedido em 25/08/2003, o direito de solicitar eventual restituição de parte do suposto indébito já tinha sido extinto, pois alcançado pela decadência, que se operou corn o decurso do prazo de cinco anos contados da data da e xtinção do crédito tributário pelo pagamento. Prejudicada, em conseqüência, parte da compensação com débitos tributários. [negrejouse] Evidentemente, esses pagamentos, antecipados pelo contribuinte, relativos aos períodos de apuração de 06/98 a 07/98, efetuados até 10/08/98, conforme cópias de Darfs juntados ao processo, nos termos da legislação de regência, extinguiram sob condição resolutória os créditos tributário desde as respectivas datas em que foram efetuados, e a partir das quais começou a fluir o prazo de decadência para o contribuinte pleitear a restituição (arts. 150, 0'1° e 40, 156, VII e 168, I do CT7V). Vale dizer, o ato jurídico sob condição resolutória vigora e produz todos os efeitos imediatamente, enquanto a condição não se realizar (vide art. 127 combinado como o art. 185 do CC, Lei 10.406 de 10/01/02). 2.2. Considerando o disposto no DecretoLei n° 2.397/87, A vista do que dispunha o inciso II do art. 6° da LC n.° 70/91; valendose do que prescreve o Parecer Normativo da CoordençãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit) n.° 3/94, foi registrado o seguinte: (fl. 98): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 246 3 [...] concluise que a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido ou real implica abdicação do regime de tributação do Imposto de Renda na pessoa fisica dos sócios, próprio da sociedade civil de profissão regulamentada, razão pela qual incide a Cofins. No caso em tela, o contribuinte fez opção pelo Lucro Real nos anos calendário de 1998 a 2003, conforme consulta ao sistema IBM de fl. 87. Logo, não faz jus 6 isenção concedida pelo art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991. 2.3. Invocando o art. 56 da Lei n.° 9.430/96, eis o que foi proferido (fls. 98 e 99): [...] verificase que corn a revogação dos arts. 1° e 2° do DecretoLei no 2.397, de 1987, pelo art. 88 da Lei 9.430, de 1996, o regime de tributação pelo imposto de renda diferenciado, aplicável as sociedades civis enquadradas no DecretoLei n° 2.397, de 1987, que lhes permitiam tributar o lucro integralmente nas pessoas fisicas dos sócios, deixou de existir, passando estas sociedades, em relação aos resultados auferidos a partir de 1° de janeiro de 1997, a serem tributadas pelo imposto de renda de conformidade com as normas aplicáveis as demais pessoas jurídicas. Por conseguinte, a isenção prevista no inciso II do art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991, também deixou de existir, uma vez que era concedida ás sociedades amparadas por aquele regime. 3. liresignada com a decisão a que se refere o item 2 deste Relatório, de que teve ciência em 25/9/2008 (fls. 101 e 102), a interessada apresentou, em 23/10/2008 (fl. 106), manifestação de inconformidade que consta as fls. 106 a 122, por meio da qual se ateve aos seguintes assuntos: 3.1. Opõese a interessada contra o fato de que, segundo alega à fl. 108, estaria o [...] despacho decisório [...] eivado de vicio insanável, que consiste na prescrição do direito da Fazenda de, APÓS TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS [desde a protocolização do pedido de restituição a fl. 1], PRETENDER INDEFERIR 0 PEDIDO DA REQUERENTE. HA alegação à fl. 109 de que o prazo para a Fazenda Nacional pronunciarse sobre restituição findaria em agosto de 2008, bem como que exerceu a interessada o direito de pleitear a restituição no prazo estabelecido no art. 168 do CTN. Reconhece a interessada a fl. 111 que, ainda que não houvesse prazo legal para que administração pública se manifestasse em processos de pedido de restituição, tal prazo deveria ser o mesmo contido no caput do art. 174 do CTN, por aplicação da analogia a que se refere o inciso I do art. 108 do mesmo Código. Demanda à fl. 113 a aplicação ao caso do principio da igualdade, [...] segundo o qual as partes em litígio devem receber tratamento igualitário, destacando que, [...] se ao sujeito passivo é imposto prazo para praticar todos os seus atos, esta regra também há de ser aplicada administração pública, e afirma à fl. 115 que [...] a omissão e a inércia da autoridade julgadora, sem justificativa, tal como ocorreu no presente caso, é condição suficiente para que sejam reconhecidos e aplicados os efeitos da prescrição, como forma de responsabilização por sua paralisação. Afirma, ainda, a fl. 116 que, no que toca ao prazo para apreciação deste processo, não teria sido observado o disposto no art. 49 da Lei n.° 9.784/99. 3.2. Afirma à fl. 117 que o [...] objeto do pedido de restituição [...] é o pagamento indevido de Cofins, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, nos termos do disposto no artigo 150 do CTN. Alega, ainda, que [...] todos os atos a serem praticados pela administração pública estão submetidos a determinado prazo, cuja regra geral é de 5 (cinco) anos a contar da declaração/ solicitação enviada. Logo, segundo a interessada, não [...] se pronunciando dentro deste prazo, restando inerte diante da declaração/ solicitação do sujeito passivo, Fl. 172DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 247 4 deverá suportar [a administração pública] os efeitos decorrentes, que é a decadência do direito de não concordar com o postulado pelo contribuinte. Por fim, pretende a interessada que, com fundamento em seu arrazoado, sejam homologadas e convalidadas as compensações (fl. 118). 3.3. Destaca a fl. 121 que, diante da negativa das Autoridades Tributárias em reconhecer a validade do disposto no inciso II do art. 6° da LC n.° 70/91, face a vigência do art. 56 da Lei n.° 9.430/96, invoca o parágrafo 2° da Lei de Introdução do Código afirmar que [...] a Lei n.° 9.430/96 L.] que trata de matéria geral [...] não tem o conda revogar as disposições de lei especifica n.° 70/91, como pretende a administração. 3.4. Por fim, requer as fls. 121 e 122 a interessada que o Despacho Decisório seja reformado, [...] reconhecendose a prescrição do direito da autoridade administrativa em não concordar com o crédito postulado, por ter transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos a que dispunha para fazêlo, acrescido do fato de que o direito da Requerente encontravase revestido de legalidade, pois amparado na súmula n.° 276 do Superior Tribunal de Justiça; bem como [...] seja declarada a decadência do direito da Fazenda, homologando o crédito da Requerente em sua integralidade, assim como convalidando todas as compensações realizadas com este crédito. Ademais, requer [...] a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, principalmente, documental e pericial, bem como, a apresentação de novos documentos e que sejam abertos novos prazos para que a Impugnante se manifeste sobre documentos juntados pela Impugnada. 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia por conta do disposto no despacho A. fl. 129. 5. É o relatório." Em 07/07/10, a DRJ em São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 1625.962 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reservase a perícia à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando, quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos. E prescindível a perícia quando presentes, nos autos, os elementos necessários e suficientes à formação da convicção do julgador para proferir sua decisão. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. 0 instituto da prescrição, assim como tratado pelo art. 174 do CTN, é dirigida à Fazenda Nacional, para estabelecer prazo para interposição de ação judicial para a cobrança do crédito tributário definitivamente constituído. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Havendo observado as Autoridades competentes o prazo legal de cinco anos para apreciar as Fl. 173DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 248 5 declarações de compensação encaminhadas pelo contribuinte, não há que se falar em ocorrência de nenhuma irregularidade no caso em tela em relação ao previsto no parágrafo 5° do art. 74 da Lei n.° 9.430/96 e alterações posteriores. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS NO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. PERÍODO POSTERIOR A ABRIL DE 1997. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. No que toca às sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, não cabe mais falar em isenção da COFINS para os fatos geradores ocorridos a partir do mês de abril de 1997, em observância ao disposto no art. 56 da Lei n.° 9.430/96. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que contesta o Despacho Decisório, quando consignou que teria decaído ou estaria prescrito o direito de pleitear a restituição dos pagamentos da COFINS efetuados antes de 25/08/98, e protesta pela declaração da preclusão administrativa do direito de a Fazenda Pública revisar o pedido de restituição, haja vista terem transcorrido mais de cinco anos entre a data do pleito (25/08/03) e a ciência do Despacho Decisório (25/09/08). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em 25/08/03, a recorrente protocolizou pedido de restituição da COFINS paga no período de 10/08/98 a 15/07/03, pois se dizia isenta desta exigência, com base no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91. De 14/10/03 a 29/08/08, transmitiu diversas declarações de compensação vinculadas ao crédito. Na data de 25/09/08, o contribuinte teve ciência do Despacho Decisório (fls. 91 a 103) que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações, por duas razões: a) já havia decaído o direito de o contribuinte pleitear restituição de pagamentos a maior referente aos períodos de apuração de junho e julho de 1998; e b) a isenção da COFINS prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91 foi revogada pelo inciso XIV do art. 88 da Lei n° 9.430/96, que produziu efeitos a partir de março de 1997, isto é, abrangendo a totalidade do período ao longo do qual foram efetuados os pagamentos. Passemos aos argumentos de defesa. "Da preclusão/prescrição administrativa nos autos do pedido de repetição de indébito" Fl. 174DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 249 6 Relembra que o pedido de restituição foi protocolizado em 25/08/03 e a ciência do despacho decisório em 25/09/08. Passados mais de cinco anos entre os eventos, teria sido então tacitamente deferida a restituição. Alega que ocorreu a preclusão administrativa, dada a inércia da autoridade administrativa, invocando o inciso LXVIII e o art. 37 da CF, que dispõem, respectivamente, sobre a duração razoável do processo administrativo e o princípio da eficiência no exercício da atividade pública. Uma vez instruído o processo, a RFB teria trinta dias para concluílo, nos termos do art. 49 da Lei n° 9.784/99. Protesta contra eventual argumento de que não haveria prazo legal para exame de pedido de restituição. Deve ser adotada a analogia (inciso I do art. 108 do CTN) e aplicado o prazo de cinco anos, indicado no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, válido determinação da homologação tácita de compensação. Cita doutrina no sentido de que, na ausência de prazo, a prescrição administrativa darseá em cinco anos. Traz o art 1° da Lei n° 9.873/99, que estabelece em cinco anos, contados da data da infração, o prazo de prescrição da ação punitiva da Administração Pública Federal. Por fim, menciona o art. 54 da Lei n° 9.784/99, que dispõe que decai em cinco anos o direito de a Administração anular os atos administrativos que produzam efeitos favoráveis a terceiros. Com o fito de robustecer seu argumento acerca da preclusão administrativa, a recorrente levanta a questão acerca da isenção da COFINS para sociedades civis, outrora concedida pelo inciso II do art. 6° da LC n° 70/91. Menciona que agiu de acordo com o citado dispositivo legal e com a Súmula STJ 276, que confirmou a isenção. Destaca que tem conhecimento de que, posteriormente, o STF decidiu que era possível a revogação da isenção pela Lei n° 9.430/96. Contudo, após terem se passado cinco anos do pedido de restituição. Não assiste razão à recorrente. De fato, não se me parece em linha com o princípio da segurança jurídica não estabelecer prazo para a revisão fiscal de pedidos de restituição e ressarcimento. Contudo, realmente, não há dispositivo legal que imponha limite temporal. E, tal qual pretendeu a recorrente, não se pode adotar para restituições e ressarcimentos, "por analogia (inciso I do art. 108 do CTN)", o prazo de cinco anos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96 "§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação." , porque dispositivo desta natureza deve ser interpretado literalmente. Também não ocorreu a homologação tácita das compensações (§ 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96), uma vez que a ciência do despacho decisório se deu em 25/09/08 e as declarações foram transmitidas a partir de 14/10/03. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 19679.002115/200345 Acórdão n.º 3301005.571 S3C3T1 Fl. 250 7 Por fim, cumpre mencionar que a isenção da COFINS, concedida pelo inciso II do art. 6° da LC n° 70/91, foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96, que entrou em vigor a partir de abril de 1997, o que abrange todos os supostos pagamentos a maior. E o STF, em sede do RE n° 377.4573/PR, com repercussão geral, decidiu que era possível a revogação da citada isenção, concedida por lei complementar, pela Lei n° 9.430/96. Em suma: a alegada preclusão administrativa não tem fundamento legal, não cabendo aplicar, por analogia, o instituto da homologação tácita (§ 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96) a pedidos de restituição; não se deu a homologação tácita das compensações (§ 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96); e não havia direito ao crédito, propriamente dito, pois o mesmo se fundava na isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91, o qual já se encontrava revogada, quando da efetivação dos pagamentos. Nego provimento aos argumentos. "Da não ocorrência da prescrição do direito do direito de repetição do indébito" Defende o direito à restituição dos pagamentos a maior de 06/98 e 07/98, negado pela DRF, cujo pleito foi registrado em 25/08/03. Sob o ponto de vista conceitual, está correto o contribuinte por meio da Súmula CARF n° 91, restou decidido que o prazo para pleitear a restituição é de dez anos, nos casos em que o pedido foi protocolizado até 09/06/05. Contudo, nego provimento aos argumentos, posto que, no tópico anterior, concluí que não havia créditos a restituir/compensar. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908238/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.646
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.908242/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10983.908238/2009-69
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946601
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-000.646
nome_arquivo_s : Decisao_10983908238200969.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10983908238200969_5946601.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.908242/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7567030
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418035748864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908238/200969 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.646 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de novembro de 2018 Assunto DIR CREDITO PAG A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL Recorrente COMPANHIA CATARINENSE DE ÁGUAS E SANEAMENTO CASAN Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 23 8/ 20 09 -6 9 Fl. 152DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. UTILIZAÇÃO COMO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, a título de estimativa mensal de IR ou de CSLL, não pode ser utilizado como crédito em compensação, pois esse valor só pode ser deduzido do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração a que se referir a estimativa, para fins de determinação do saldo a pagar ou do valor de eventual saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do mesmo período. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. Reclama que a negativa deuse com fundamento a restrição imposta por uma Instrução Normativa, norma secundária, que traz limitações indevidas ao direito do contribuinte, caracterizando injustiça fiscal e ferindo o Princípio da Razoabilidade. Relata que, na opção de tributação no regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais, pode ocorrer de o contribuinte efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal. O artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com suas posteriores alterações, confere ao sujeito passivo o direito de efetuar a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB e no rol do § 3º do art. 74 não consta a Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 4 3 limitação específica ao direito de compensar sustentada pela autoridade, portanto, não há óbice legal à compensação realizada. Assim, uma vez comprovado o recolhimento a maior, o direito à compensação é garantido pelo art. 74 mencionado. Anexa cópias das DIPJ's 2006/2005 e 2007/2006, que comprovam que no ano calendário 2005, ao final do período de apuração, com todas as compensações realizadas, ainda assim apresentava saldo negativo de () R$ 924.660,86 e de CSLL de () R$ 494.344,45; o mesmo ocorrendo em boa parte do anocalendário 2006. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.642, de 20/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.642): "2.1 Paradigma de lote. 12. Este processo nº 10983.908242/200927 foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos aos demais processos do lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: nº processo nº PER/Dcomp Data transmissão Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior Per Apur Data da arrecadaçã o 10983.903703/200975 37869.76998 28/10/2005 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.903848/200976 14576.04096 28/10/2005 (*) 10983.903847/200921 34936.56232 29/05/2006 (**) 10983.908238/200969 12079.09231 29/05/2006 2484 31/05/2005 30/06/2005 10983.908245/200961 23031.44220 29/05/2006 2362 28/02/2006 31/03/2006 10983.908399/200952 25266.25812 29/05/2006 (***) 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.908240/200938 05270.28894 29/05/2006 2484 31/01/2006 24/02/2006 10983.908242/200927 30111.93607 29/05/2006 2362 31/05/2005 30/06/2005 10983.908241/200982 23984.18321 29/05/2006 2484 28/02/2006 31/03/2006 10983.908239/200911 01348.47168 29/05/2006 2484 30/06/2005 29/07/2005 (*) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 15069.24782, de 28/09/2005 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 5 4 (**) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 38158.77039, de 31/08/2005 (***) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 37869.76998, de 28/10/2005 13. Verificouse que os DD destes processos que compõem o lote são de teor idêntico; e o motivo para os Acórdãos DRJ considerarem as manifestações de inconformidade foi o mesmo. 2.2 Restituição/compensação. Estimativa mensal. Valor indevido ou a maior. 14. As IN SRF nº 460, de 2004 e nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinavam que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (Grifouse.) 15. A IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, revogou a IN SRF nº 600, de 2005: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF nº 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB nº 831, de 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. 16. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 17. Foi editada a Súmula CARF nº 84 (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1201000.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006.: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. 18. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 9101 00.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 7 6 contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 19. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 Direito creditório. 20. O valor requerido se refere a estimativa mensal recolhida, mas que não foi objeto de verificação/confirmação pela Autoridade Administrativa; como a discussão se ateve ao direito ou não ao valor do crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, tampouco houve a análise visando confirmar o direito creditório requerido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 8 7 21. O contribuinte apresentou cópias das DIPJ referentes aos anoscalendário 2005 e 2006, págs. 77/149, originais, entregues em 27/06/2006 e 25/06/2007, respectivamente. 22. Consta das DIPJ na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por Estimativa, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduzem os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 23. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 10 (dez) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2005 e 2006. 24. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's; assim como algumas das PER/Dcomp se referem a crédito objeto de PER/Dcomps referentes a ainda outros processos), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 25. Há necessidade de: a) analisar os valores confessados e pagos e/ou objetos de compensação das estimativas tidas como recolhidas indevidamente ou a maior, informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; b) confirmar os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações que devem ser verificadas, se foram homologadas ou não; c) refazer as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas a maior quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; d) consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto verificar, ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; e) verificar se os saldos negativos anuais resultantes já não foram requeridos como direitos creditórios por meio de Per/Dcomps; f) emitir Parecer acerca do pedido constante dos PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10983.908238/200969 Resolução nº 1201000.646 S1C2T1 Fl. 9 8 compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passível de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. g) cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. h) Devolver o processo ao CARF, em seguida. 3 Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001125/2008-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.001125/2008-26
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5967872
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.498
nome_arquivo_s : Decisao_13888001125200826.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13888001125200826_5967872.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7629388
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418039943168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1615; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.001125/200826 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.498 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HARPEX ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 11 25 /2 00 8- 26 Fl. 215DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (Debcad nº 37.142.0849) relativa a contribuições sociais, correspondente à parte dos empregados e parte da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, além das destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidente sobre bolsas de estudo e cestas básicas distribuídas aos segurados empregados. Em sessão plenária de 19/04/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280301.517 (fls. 131 a 137), assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 02/2004 a 12/2004 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação enquadrase na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido O processo foi encaminhado à PGFN em 28/05/2012 (Despacho de Encaminhamento de fl. 139) e, em 28/05/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 140/154 (Despacho de Encaminhamento de fl. 191), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a matéria “fornecimento de alimentação in natura, sem adesão ao PAT”. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 610/2013, datado de 18/09/2013 (fls. 193 a 195). A Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: o presente apelo objetiva esclarecer que os valores fornecidos em pecúnia aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriode contribuição, já que pagos em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT); de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.001125/200826 Acórdão n.º 9202007.498 CSRFT2 Fl. 3 3 a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais. Porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991; conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976; para fins de beneficiarse da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte; inexistindo comprovação de participação do contribuinte no PAT, é inequívoco que a verba paga a título de auxílioalimentação não está incluída na hipótese legal de isenção, prevista na alínea “c”, § 9º, art. 28, da Lei nº 8.212/1991; ainda que o contribuinte estivesse regularmente inscrito no PAT, outro requisito que deve ser observado: que o auxílioalimentação seja pago “in natura”, de acordo com a expressa disposição do art. 28, da Lei nº 8.212/1991 e 3º, da Lei nº 6.321/76; o PAT não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia, consoante se depreende do art. 4º, do Decreto nº 5/1991 que regulamenta o programa; a alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT; a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I; ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/1991, o que vai de encontro com a legislação tributária; onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de se violar os princípios da reserva legal e da isonomia; caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela paga em pecúnia referente ao auxílioalimentação teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga “in natura” não integra o saláriodecontribuição; a Lei n ° 10.243/01 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica; Fl. 217DF CARF MF 4 o art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriode contribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes; as parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/91; a prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal; conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei; pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário; não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento; Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 18/03/2015 (Aviso de Recebimento AR de fl. 215), o Contribuinte, em 23/03/2015 ofereceu as Contrarrazões de fls. 200 a 210, alegando, em síntese, o que segue: o número do processo referido no Recurso Especial da Fazenda Nacional é diferente daquele atribuído aos presentes auto; o recurso é interposto contra a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal e, no presente feito, a requerida é a empresa Harpex Artfatos de Madeira LTDA; a recorrente sustenta que não se conforma com o acórdão que foi prolatado as fls. 295/300 dos presentes autos. Ocorre que este processo não tem as folhas apontadas, sendo que o acórdão foi prolatado as fls. 131/137; o recurso é parcialmente equivocado no que se refere a duas informações que são passadas para os julgadores: · sustenta a recorrente que somente a entrega de produtos in natura é que autoriza a isenção pretendida (junta inclusive decisões do Superior Tribunal de Justiça neste sentido); · sustenta ainda que a requerida não era inscrita no PAT; salientase que a empresa autuada, entrega aos empregados exatamente os alimentos in natura, no caso cestas básicas, então a informação passada pela recorrente está totalmente equivocada e divorciada das provas dos autos; a empresa autuada era sim anteriormente inscrita no PAT, mas por falha dos departamentos daquela quando da fiscalização tinham esquecido de renovar a inscrição, que foi obrigatório até o ano de 2000, quando a inscrição passou a ser feita uma única vez; no recurso da fazenda Nacional argumentase que, conforme decisões reiteradas e pacificas do STJ, somente no caso de entrega de alimento in natura é que seria passível de isenção a empresa autuada e junta uma série de decisões do STJ; Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.001125/200826 Acórdão n.º 9202007.498 CSRFT2 Fl. 4 5 o posicionamento da recorrente converge exatamente para a realidade dos fatos, pois como dito anteriormente a empresa autuada entregava exatamente alimentos in natura aos empregados; a tese apresentada pela recorrente ó favorável à empresa autuada, afastando o interesse da fazenda em recorrer em face dos argumentos apresentados; A lei n° 6.321/1976 instituiu o PAT, sendo que tal norma foi regulamentada pelo Decreto n° 05 de 14/01/1991; pela ausência de cadastro junto ao PAT por um determinado período, entendeu a agente fiscalizadora que a cestas básicas entregues sempre in natura aos trabalhadores, passariam a ter natureza tributável, circunstância não autorizada pela lei; a norma acima determina que poderá ocorrer a perda do incentivo fiscal e a aplicação das penalidades cabíveis, assim as multas já foram aplicadas na DEBCAD 37.142.0857, e a perda do incentivo fiscal, se refere ao direito de dedução no imposto de renda, não quanto a eventual alteração da natureza jurídica e tributária dos alimentos in natura fornecidos ao empregado; A grande diferença é que existem empresas que nunca forma filiadas ao PAT e outras que eram filiadas e por falha administrativa não efetuaram a renovação anualmente; esta segunda condição é a que se enquadra a empresa autuada, ou seja, estava devidamente inscrita no PAT já há muitos anos e por uma falha administrativa de seus empregados esqueceu de renovar a inscrição, o que para a justiça é uma falha administrativa passível de reparo, que não importa na isenção do benefício; neste sentido os tribunais têm decidido que o pagamento de cesta básica in natura ao empregado, não importa em aplicação de contribuição previdenciária sobre tais parcelas; somente poderíamos debater a possibilidade de integração de tal verba na contribuição previdenciária, se ocorresse a ausência de filiação/cadastro ao PAT e o pagamento de tal verba fosse efetuada em dinheiro o que não é o caso. Reproduz jurisprudência; conforme pode ser verificado na normalização vigente desde 1999 a exigência de renovação anual acabou por força da Portaria Interministerial n° 5, de 30 de novembro de 1999, alterada pela portaria ministerial n°. 70 de 22/07/2008; a própria norma administrativa entendeu que a renovação anual era uma exigência despropositada, revendo seu posicionamento anterior, a recorrida foi beneficiada pela norma revista que isentava a empresa de renovar a inscrição no PAT novamente; Requer, por fim, a manutenção da decisão a quo. Fl. 219DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Conforme relatado, temse NFLD relativa a exigência de contribuições sociais, correspondente à parte dos empregados e da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, além das destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidente sobre bolsas de estudo e cestas básicas distribuídas aos segurados empregados. Contudo, a matéria trazida à apreciação deste Colegiado cingese à incidência de referidas contribuições, quando descumprido o requisito legal de inscrição do sujeito passivo no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Primeiramente, importa salientar que erros meramente formais identificados no apelo (número do processo, nome da empresa, número das folhas do acórdão recorrido ou outros do gênero) por não importar em prejuízo ao contribuinte ou mesmo ao exame das alegações recursais, a meu ver, não constituem óbice a seu conhecimento. De outra parte, no acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário ao argumento de que o valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda. A Fazenda Nacional, por sua vez, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido e restaurar o inteiro teor da decisão de primeira instância administrativa, visto que os valores fornecidos em pecúnia aos empregados, a título de auxílioalimentação, integram o saláriodecontribuição, já que pagos em desacordo com o PAT. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a contribuinte recorre a jurisprudência STJ que entende não incidir contribuições previdenciárias em relação ao auxílio alimentação pago in natura. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que estamos diante de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face do mesmo arcabouço jurídiconormativo. Feitas essa breves considerações, afigurase necessário esclarecer que, no caso do acórdão recorrido, o recurso voluntário foi provido tendo em vista que, mesmo sem adesão ao PAT, a empresa forneceu aos segurados empregados alimentação in natura, ou seja, cestas básicas. Esse fato é corroborado pelo Relatório Fiscal (fls. 33/35) o qual esclarece: 5.2. Contribuições devidas sobre o salário in natura, cestas básicas, fornecidas aos empregados no período 09/2004 a Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.001125/200826 Acórdão n.º 9202007.498 CSRFT2 Fl. 5 7 12/2004, sem que a empresa estivesse devidamente inscrita no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador, conforme Notas Fiscais lançadas na conta "3500200134 — PROGRAMA DE ALIM. TRABALHO", Levantamento CB. 5.2.1. O valor das cestas básicas, sem a devida inscrição da empresa no PAT , integra o saláriodecontribuição, para todos os fins e efeitos, conforme artigo 28, § 9% letra "c", da Lei n° 8.212/91, c/c art. 214, § 9% inciso III, e § 10 do RPS — Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. (Grifouse) Vejase que, a despeito do que afirma a Fazenda Nacional, não há nos autos qualquer evidência de que o pagamento tenha sido feito em dinheiro. O Relatório Fiscal e claro no sentido de que a empresa forneceu cestas básicas a seus empregados. Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar – fornecimento de alimentação in natura (cestas básicas ou mesmo refeições preparadas) se entendesse pela incidência das contribuições devidas à Seguridade Social em vista da não inscrição da empresa no PAT. Entretanto, analisando o inteiro teor do primeiro paradigma Acórdão nº 20601.313 verificase que a decisão ali adotada foi motivada pelo fato de a parcela intitulada “ajuda alimentação” ter sido paga em pecúnia. Confirase: No que tange aos auxílios alimentação e transporte, os dispositivos que tratam dos mesmos são as alíneas "c" e "f' do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/1991, respectivamente, abaixo transcritos: [...] A alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT, as quais podem se dar pelas seguintes modalidades: [...] Portanto, o fornecimento de alimentação em pecúnia paga junto com a folha de salários integra o salário de contribuição. (Grifouse) Com efeito, a leitura dos excertos colacionados, permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. No recorrido, verificouse que a empresa fornecia cestas básicas aos trabalhadores, contudo sem a devida inscrição no PAT. Diferentemente disso, no paradigma o que motivou o lançamento foi o pagamento de ajuda alimentação em pecúnia que, segundo consta, não se constitui em qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no Programa de Alimentação administrado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Nestas circunstâncias, em virtude da ausência de similitude fática, não se verificou caracterizada a divergência. Fl. 221DF CARF MF 8 Quanto ao segundo paradigma Acórdão 20601.462 percebese mais uma vez que as circunstâncias descritas em referida decisão não guardam a necessária identidade com aquela retratada no decisum atacado. É que no aresto paradigmático, conquanto a contribuinte não esteja regularmente inscrita no PAT, a concessão do benefício é feita por meio de vale alimentação/refeição e não com o fornecimento de cestas básicas, como, repisese, verificase no caso em questão. Senão vejamos trechos do Acórdão 20601.462: Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do "beneficio" em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem qualquer observância às normas legais. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados Vale Alimentação/Refeição e Indenização do labor em intervalo para descanso e/ou alimentação (intervalo intrajomada), sem levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. (Grifouse) Forçoso concluir mais uma vez pela inexistência de dissídio interpretativo, tendo em vista que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim das especificidades fáticas de cada um dos casos. Em razão da dessemelhança entre situação retratada nos autos e os casos trazidos a cotejo, não há como se afirmar que os colegiados prolatores de tais decisões chegariam a conclusão análoga, caso estivessem diante do cenário aqui refletido. Em razão do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados não lograram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720381/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.533
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosPaulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.720381/2012-05
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948113
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.533
nome_arquivo_s : Decisao_16682720381201205.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16682720381201205_5948113.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheirosPaulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7570623
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418048331776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 6.762 1 6.761 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720381/201205 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.533 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de novembro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente RAÍZEN COMBUSTÍVEIS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheirosPaulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. RELATÓRIO Por bem deduzir todos os termos do mencionado Processo Administrativo Fiscal, reproduzo o relatório do Acórdão da DRJ, vejamos: Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 25081.57680.060511.1.1.100485, no valor de R$ 55.829.129,89, e de Declarações de Compensação a ele vinculadas, com crédito de PIS não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 38 1/ 20 12 -0 5 Fl. 6803DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.763 2 cumulativo vinculado à receita não tributada no mercado interno, relativo ao 4º trimestre de 2009. No Despacho Decisório, a autoridade fiscal informa, dentre outras coisas, que: “(...) 3 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL QUANTO AO PERCENTUAL DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS (...) 5 AUDITORIA: O trabalho de auditoria consistiu, basicamente, na verificação dos percentuais apurados pela fiscalizada e utilizados nas DACON; contabilização das receitas que redundaram nos percentuais apurados; contabilização das bases de cálculo dos créditos nas Linhas das Fichas 06A e 06B das DACON; obtenção de listagem de todas as notas fiscais que totalizaram as Linhas das Fichas 06A e 06B das DACON e verificação, por amostragem, das notas fiscais listadas que serviram de base à apuração dos créditos não cumulativos de PIS a fim de podermos ter certeza da liquidez dos créditos pleiteados. Para as avaliações acima discriminadas, lavramos o Termo de Início de Fiscalização que foi recebido na data de 27/04/2012, Em virtude das dificuldades em se obter dados suficientes e necessários à análise do pedido do contribuinte, lavramos cinco Termos de Intimação (Anexo 03) e, aos 20/12/2012, lavramos ainda um Termo de Constatação que informou à fiscalizada que as análises se processariam com base nos documentos apresentados até aquele momento (Anexo 04). Registrese que, aos 27/12/2012, após o prazo estipulado no referido Termo de Constatação, a fiscalizada ainda apresentou arquivos magnéticos contendo cópias de inúmeras notas fiscais a fim de que fossem utilizadas na presente auditoria. Esses arquivos também foram utilizados na presente auditoria. Em oito meses de trabalhos, foram inúmeros os pedidos do prazo por parte da fiscalizada e há Mesmo assim, a documentação solicitada não foi apresentada em sua totalidade e se mostrou insuficiente à constatação de certeza e liquidez dos créditos pleiteados, como veremos mais adiante. Em vista da relevância do assunto aqui em análise não resta dúvida de que a documentação que embasou o preenchimento das DCTF; DACON e da PERDCOMP deveria estar à disposição da fiscalização para uma simples conferência de valores. Isso foi ressaltado no Termo de Constatação apresentado. Considerando a legislação de regência, as informações e documentos disponíveis que foram trazidos em resposta às intimações, somados aos dados constantes nos sistemas da RFB, realizase a seguir à análise dos créditos da contribuição para o PIS não cumulativo. As análises da documentação apresentada e as conclusões obtidas serão explanadas passo a passo. Fl. 6804DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.764 3 O contribuinte apresentou planilha demonstrando como foram obtidos os percentuais de rateio para os meses em análise (Anexo 05). Notese no quadro superior da referida planilha que, do total das receitas auferidas, mais de 90% correspondem a operações de revenda de mercadorias. Em suma, os percentuais das receitas não cumulativas, apurados pela fiscalizada no trimestre foram os seguintes: (...) 6 ANÁLISE DOS CRÉDITOS (...) As intimações enviadas à fiscalizada visaram, entre outras solicitações, vislumbrar a contabilização de cada um dos montantes acima nos respectivos balancetes da empresa, entretanto, apenas os fretes foram comprovados via balancetes. Todos os demais itens foram conciliados através de relatórios de TI (Tecnologia da Informação), amparados por listagens de notas fiscais referentes a cada rubrica/ Linha das Fichas 06 das DACON. Da análise das notas fiscais verificamos que os créditos da fiscalizada originamse primordialmente da revenda de produtos derivados do petróleo. A fiscalizada aufere créditos também na produção e venda de óleos lubrificantes e graxas. A conciliação dos dados de TI x Notas Fiscais pode ser analisada através do Anexo 07. Solicitamos ainda, via amostragem, cópias de notas fiscais para que dessem suporte aos dados apresentados e, certeza da veracidade das bases de cálculo declaradas nas linhas das DACON (vide Termo de Intimação 05). O quantitativo de notas gira em torno de trinta mil notas/mês e a amostragem solicitada visou a que se obtivesse valores máximos em função do menor volume de notas, ou seja, priorizamos os maiores valores transacionados. Passaremos agora à análise dos itens que auferiram bases de cálculo relevantes de crédito à fiscalizada. (...) 6.1 BENS PARA REVENDA MERCADO INTERNO (...) No que tange aos créditos referentes a aquisições de Bens para Revenda, como já afirmado, a fiscalizada não acostou os montantes acima devidamente contabilizados através de balancetes. A fim de comproválos nos apresentou as bases mensais extraídas de relatórios de TI, acompanhados e fulcrados em listagens específicas de notas fiscais que dão sustentação aos montantes extraídos. Tais montantes são os que seguem abaixo. (...) As listagens de notas fiscais apresentadas, como já informado, somam exatamente os valores dos relatórios de TI discriminados na planilha acima. Fl. 6805DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.765 4 As diferenças dos Anexos de conciliação (Anexo 07) ocorridas entre os Bens de Revenda e os Insumos, matematicamente, se anulam. Essas diferenças ocorridas entre os totais das Notas Fiscais, nestas parcelas, não afetam a auditoria visto que os montantes declarados nas DACON é que serão considerados em nossas análises. Com base na listagem de notas apresentadas, como já informado, elaboramos uma amostragem para que a fiscalizada nos fornecesse cópias (Anexo 08). Poucas foram as cópias de notas apresentadas referentes ao trimestre (Anexo 08). Em não se comprovando a amostragem solicitada, reconheceremos, apenas, o montante das notas que foram comprovadas como sendo passível de creditamento. (...) 6.2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) Pela legislação vigente, geram créditos na sistemática do PIS não cumulativo, somente os insumos consumidos no processo produtivo. Por oportuno, reproduzse a seguir o §4° do art. 8º da Instrução Normativa SRF n° 404, de 2004: (...) Ressaltamos ainda que, em sintonia com as decisões exaradas pelo CARF, somente deve ser considerado insumo, para fins de creditamento, aquilo que seja inerente ao processo de produção do bem destinado à venda e ao ato de prestação de um serviço dos quais decorra uma receita tributada. Então, apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens, dos quais decorra o auferimento de uma receita, é que podem ser considerados insumos. Há que existir uma inerência direta entre os dispêndios ocorridos e os processos produtivos e serviços prestados para que se configure direito ao crédito. No presente caso a fiscalizada praticou preponderantemente operações de revenda de mercadorias e, em muito menor proporção, venda de produtos e exportação de mercadorias. Assim sendo, os insumos com direito a crédito devem ter correlação direta com essas operações e nada mais. Foram estas operações que geraram as respectivas receitas e os rateios. Da análise da listagem de notas fiscais apresentadas, de plano, glosamos aquelas que se referem a Operações de Offshore e produtos submarinos posto que as operações de prospecção e exploração de petróleo nada têm a ver com as operações geradoras de crédito do presente caso. Essas notas serão, de plano, desconsideradas/glosadas (Anexo 09). Solicitamos, também por amostragem e nos mesmos moldes praticados quanto aos Bens para Revenda, a apresentação de cópias de notas Fl. 6806DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.766 5 fiscais de insumos consumidos nos procedimentos de vendas e fabricação. As notas de insumos que foram solicitadas encontramse no Anexo 10. Em que pesem as glosas acima apontadas, a fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais da amostragem que lhe foi solicitada via intimação. Quanto ao mês de outubro, a sua amostragem foi cumprida, entretanto, quanto aos meses de novembro e dezembro não tiveram a amostragem cumprida. Dessa forma, as notas de outubro serão todas consideradas, entretanto, quanto a novembro e dezembro, somente consideraremos as notas apresentadas. Apenas duas notas referentes a julho foram apresentadas e nada mais. Dessa forma, as bases de cálculo retificadas de ofício são demonstradas no quadro abaixo: (...) 6.3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) Em análise do creditamento dos serviços utilizados como insumos, cabe o mesmo entendimento aplicado aos bens usados como insumo (IN SRF n.° 404, de 2004). A pessoa jurídica pode obter créditos oriundos de aquisições efetuadas no mês, de serviços utilizados como insumo na produção ou na prestação de serviços e, somente geram créditos, as aquisições de serviços utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pelo contribuinte. Solicitamos, por amostragem e nos mesmos moldes praticados quanto aos Insumos (item 6.2), a apresentação de cópias de notas fiscais de serviços consumidos nos procedimentos de vendas e fabricação. A amostragem das notas de serviços/insumos que foi solicitada encontra se no Anexo 11. Todas as notas fiscais solicitadas foram apresentadas, entretanto, da análise combinada da listagem das notas fiscais com as cópias das notas de serviços utilizados como insumos que nos foram apresentadas, verificamos que, no período, as notas que se referem a serviços de apoio logístico; portuário; aduaneiro; operações de logística offshore; assistência técnica; despacho aduaneiro; afretamento de embarcações e aeronaves; compra de óleo diesel para navios; equipamentos de perfuração petrolífera e serviços de exploração de petróleo que nada têm a ver com as operações praticadas no presente caso. Verificamos até mesmo, inúmeras notas de serviços prestados por empresas não domiciliadas no país, cujo creditamento é vedado por lei. Analisando não somente a lista de amostragem, mas, todas as notas de serviços como insumos, verificamos que todas elas se mostraram fora de possibilidade de creditamento. Assim sendo, todas as notas de serviços utilizados como insumos serão desconsideradas. Com base no Anexo 07, consideraremos, apenas, os Serviços de Fabricação por encomenda ICOLUB. Fl. 6807DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.767 6 (...) 6.4 DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA] No tocante às despesas com energia elétrica, constatamos nas listagens das notas fiscais que nos foram apresentadas que inúmeras delas nada informam acerca do CNPJ dos adquirentes e nenhuma delas tem o seu número de referência. Notese ainda que nas listagens há notas fiscais emitidas foram computadas notas de transportadoras, SABESP e BR Distribuidora que não são produtoras de energia elétrica. Todas as notas da listagem foram desconsideradas de plano haja vista a incerteza e generalidade da referida listagem (Anexo 12). (...) 6.5 DESPESAS COM ALUGUÉIS DE IMÓVEIS Sem maiores críticas às listagens de notas fiscais apresentadas, fica registrado apenas que os valores totais das listagens apresentadas são inferiores aos montantes totais declarados nas DACON. Serão considerados os montantes das listas de TI (Anexo 07), conforme quadro abaixo. (...) 6.6 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA (...) Com relação à estas bases de cálculo, as maiores divergências entre os contribuintes e a RFB reside nas transferências de mercadorias entre bases do mesmo contribuinte. A RFB não aceita o creditamento referente a essas transferências. A fiscalizada, por sua vez, formulou processo de consulta em que lhe foi garantido o direito a esse creditamento para fins de apuração do valor devido a título de PIS e COFINS não cumulativos. Tratase da Solução de Consulta 497 de 05/12/2005. (...) Tal Solução de Consulta foi revogada pela Solução de Divergência Cosit n° 26, publicada na data de 09/06/2008. Sobre as conseqüências da revogação de uma consulta, definiu a Lei na 9.430/1996, em seu art.48, §12, que se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorrerem após a ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. (...) Por conseguinte, para os fatos geradores ocorridos até o mês de junho de 2008, mês da publicação da referida Solução de Consulta no DOU, estava a contribuinte protegida ainda pela Solução de Consulta n° 497 de 05/12/2005, cabendo qualquer ação cominatória por parte desta fiscalização somente para os fatos geradores ocorridos a partir de julho de 2008. Portanto, no tocante ao presente trimestre, todas as transferências praticadas pela fiscalizada devem ser glosadas. Fl. 6808DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.768 7 Este assunto já foi totalmente exaurido em virtude de auditoria realizada através do MPF 071852012000471. Do referido MPF foi constituído um auto de infração cujo processo de acompanhamento é o de nº 16682.721219/201204. As transferências foram analisadas e glosadas conforme disposto no Anexo 16. Este anexo foi extraído do supracitado auto de infração. As bases a serem consideradas são as dispostas no quando abaixo. (...) 6.7 BENS PARA REVENDA – IMPORTAÇÃO (...) Analisando as listagens das notas fiscais do período, encontramos despesas ali enquadradas que devem ser rechaçadas haja vista nem mesmo se tratarem de bens para revenda. Em verdade se tratam de notas fiscais referentes à tecnologia de informação, cujo serviço é prestado por empresas estrangeiras e, o seu creditamento é expressamente vedado por lei e explícito no § 4º do art. 8º da IN 404/2004 abaixo transcrito novamente. (...) Além das citadas glosas, solicitamos, também por amostragem e nos mesmos moldes praticados quanto às demais rubricas, a apresentação de cópias de notas fiscais para uma maior análise. As notas de insumos que foram solicitadas/glosadas encontramse no Anexo 14. A fiscalizada não apresentou nenhuma nota da amostragem solicitada. (...) 6.8 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS IMPORTADOS (...) Verificando as listagens de notas fiscais apresentadas pela fiscalizada, concluímos que em outubro, a bases declarada na DACON está errada, ou seja, ela foi declarada na Dacon com montantes superiores aos montantes de notas fiscais que lhes dá suporte. Dessa forma, as bases a serem analisadas são as do quadro abaixo. (...) Nesta rubrica, ao analisar a listagem das notas fiscais apresentadas, não vislumbramos possíveis glosas. Solicitamos, também por amostragem e nos mesmos moldes praticados quanto às demais rubricas, a apresentação de cópias de notas fiscais (Anexo 15). A fiscalizada não apresentou nenhuma nota da amostragem solicitada. (...) 7 RECOMPOSIÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO E APURAÇÃO DOS CRÉDITOS (...) 8 APURAÇÃO DOS CRÉDITOS EM FUNÇÃO DAS NOVAS BASES APURADAS (...) Fl. 6809DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.769 8 9 APURAÇÃO DE OFÍCIO DO RESSARCIMENTO OU TRIBUTO DEVIDO (...)Os créditos apurados de ofício, ao serem deduzidos dos valores das contribuições a recolher apuradas no 4º trimestre de 2009 foram integralmente consumidos e não há valores a serem ressarcidos. Há montantes ainda devidos a serem lançados de ofício. Em síntese, constatamos que a fiscalizada não acostou aos autos um conjunto probatório suficientemente capaz de embasar o seu pedido de ressarcimento. Como já explicitado, em se tratando de reconhecimento de direito de créditos tributários, o dever da comprovação recai sobre o sujeito passivo que alega tal direito. A Fiscalização cabe a verificação da existência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da interessada, o que foi levado a efeito por intermédio da presente ação efetuada pela Administração Tributária. (...)” (n.n) O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 30/01/2013, por ciência pessoal, e em 01/03/2013 apresentou Manifestação de Inconformidade. Em resumo, assim se pronunciou: “(...) III NULIDADES (...) III.1 – DA AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE NA EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE 3.700 NOTAS FISCAIS DE UM UNIVERSO DE 900.000 NOTAS FISCAIS EM 15 DIAS (...) III.2 – VÍCIO NA ELEIÇÃO DAS NOTAS FISCAIS PARA FINS DE Fl. 6810DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.770 9 AMOSTRAGEM – DESCONSIDERAÇÃO DOS VOLUMES DE CRÉDITOS X NÚMEROS DE NOTAS EXIGIDAS PARA AFERIÇÃO DE REPRESENTATIVIDADE (...) III.3 – VÍCIO DO CRITÉRIO JURÍDICO ADOTADO – ABANDONO DA AMOSTRAGEM PARA VERIFICAÇÃO INDIVIDUAL SEM A INTIMAÇÃO DA IMPUGNANTE PARA APRESENTAÇÃO DE TODAS AS NOTAS FISCAIS – NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA VERDADEIRO ARBITRAMENTO SEM OBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO CORRESPONDENTE (...) III.4 – NULIDADE POR AUSÊNCIA DE SEGURANÇA JURÍDICA QUANTO ÀS BASES SOBRE AS QUAIS DEVERÁ SE MANIFESTAR A IMPUGNANTE PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO ORIGINALMENTE PLEITEADO IV – DO DIREITO (...) IV.1 – DO DIREITO AO CRÉDITO DA “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS” e “COFINS” NA AQUISIÇÃO DE BENS PARA VENDA OU REVENDA, TANTO NAS AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO QUANTO NAS REALIZADAS POR MEIO DE IMPORTAÇÃO (LINHA 01) (...) IV.2 – DO DIREITO AO CRÉDITO DA “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS” E DA “COFINS” NA AQUISIÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS TANTO OS ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO QUANTO IMPORTADOS (LINHA 02) Fl. 6811DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.771 10 (...) IV.3 – DO DIREITO AO CRÉDITO DA “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS” E DA “COFINS” NA AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS TANTO OS ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO QUANTO IMPORTADOS (LINHA 03) (...) IV.4 – DA HIGIDEZ DOS CRÉDITOS DECORRENTES DE ENERGIA ELÉTRICA (LINHA 04) – PREVISÃO LEGAL – DESCABIMENTO DA GLOSA INTEGRAL (...) IV.5 – DA IMPOSSIBILIDADE EM DESCARTAR AS INFORMAÇÕES CONSIGNADAS EM “DACON” – HIGIDEZ DOS CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS COM ALUGUÉIS (LINHA 05) (...) V – ALTERNATIVAMENTE – ELEIÇÃO DE NOVA AMOSTRAGEM ANTE AS DEFICIÊNCIAS DAQUELA REALIZADA – AUSÊNCIA DA PROPORCIONALIZAÇÃO EM RELAÇÃO ÀS NOTAS FISCAIS APRESENTADAS DIANTE DO VOLUME TOTAL – VÍCIO NO CRITÉRIO JURÍDICO ADOTADO – MAJORAÇÃO INDEVIDA DA AUTUAÇÃO (...) VI – VINCULAÇÃO À CONCLUSÃO A SER CONSIGNADA NOS AUTOS DO MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2009.51.01.0085880 NO QUE SE REFERE AOS CRÉDITOS DECORRENTES DE FRETES ENTRE BASES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS (...) VII – DA DILIGÊNCIA (...) VIII CONCLUSÕES Ao longo da Manifestação de Inconformidade, a REQUERENTE pôde demonstrar, por vários meios, as nulidades que fulminam o “Despacho Decisório” ora combatido, bem como as razões de mérito que determinam a homologação integral dos créditos nela pleiteados. Restou demonstrado, portanto, que, em sede de preliminar, diversas nulidades maculam integralmente e, de forma insanável, o presente “Despacho Decisório”, quais sejam: i) ocorrência de cerceamento do direito de defesa ante a ausência de prazo razoável para que fossem apresentadas 3.700 (três mil e setecentas) Notas Fiscais, eis que estas deveriam ser localizadas dentro de um universo total de 900.000 (novecentas mil) Notas Fiscais, espalhadas por 25 (vinte e cinco) bases da REQUERENTE no Brasil, tudo isso em 15 (quinze) dias no mês de dezembro. ii) vício na forma de eleição da amostragem realizada, pois a D. Autoridade Fiscal não solicitou nenhum documento relativo às despesas com energia elétrica e aluguéis e, tampouco as Notas Fiscais solicitadas refletem de forma proporcional os créditos a serem validados pela D. Autoridade Fiscal frente aos créditos lançados na escrita fiscal da REQUERENTE. Fl. 6812DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.772 11 iii) vício no critério jurídico do lançamento e cerceamento do direito de defesa, eis que a D. Autoridade Fiscal simplesmente abandonou o critério de amostragem, passando à análise individual somente dos documentos fiscais anteriormente solicitados para amostragem, sem que tenha procedido com qualquer intimação da REQUERENTE para que procedesse com a apresentação do volume total das Notas Fiscais que possuísse. iv) vício no critério jurídico do lançamento, realizado mediante arbitramento efetivado de forma indevida, sem observar o procedimento e requisitos legais, eis que a D. Autoridade Fiscal fez uso de uma “amostragem negativa” para proceder com o arbitramento da base de cálculo do lançamento tributário, uma vez que glosou os créditos lançados pela REQUERENTE em sua escrita fiscal sem realizar qualquer verificação dos mesmos. (iv.1) o vício no arbitramento realizado fica ainda mais evidente à luz da total ausência de um critério único e uniforme, para estipulação de uma base de cálculo, eis que cada modalidade de linha de crédito constante da “DACON” recebeu um tratamento diverso, ao bel prazer da D. Autoridade Fiscal. A D. Autoridade Fiscal reputou válidas as informações constantes em “DACON” apenas quando elas eram inferiores àquelas mencionadas nas listagens apresentadas pela REQUERENTE, ao passo que quando eram superiores, a D. Autoridade Fiscal considerava as informações constantes das referidas listagens. As nulidades acima reiteradas, por óbvio, deverão determinar o cancelamento da autuação, eis que fulminam o procedimento fiscal realizado e, por via de consequência, todo o crédito tributário constituído e mesmo o glosado a partir dele. Na improvável hipótese de que o mérito venha a ser analisado, a REQUERENTE igualmente pôde demonstrar: v) que os créditos por ela aproveitados são legítimos e válidos, estando devida e regularmente amparados em documentos fiscais, os quais, caso tivessem sido examinados pela D. Autoridade Fiscal, seriam validados. A prova acerca dessa higidez se verifica tanto diante do fato de que quase todas as Notas Fiscais analisadas foram referendadas pela D. Autoridade Fiscal, sendo que as não reconhecidas decorrem ou de erros de interpretação e/ou falta de sua apresentação naquele exíguo prazo que foi concedido. vi) a necessidade de reconhecimento dos créditos decorrentes de atividades offshore, eis que a REQUERENTE exercia, à época, atividades de produção de petróleo, comprovada pelos documentos ora acostados. vii) a necessidade de reconhecimento dos créditos decorrentes de despesas de energia elétrica e aluguéis de imóveis, eis que diretamente relacionadas com a sua atividade fim. Fl. 6813DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.773 12 viii) a necessidade de realização de diligência fiscal e perícia técnica, mediante análise das 900.000 Notas Fiscais que originaram os créditos apropriados, caso superadas as nulidades acima destacadas, ou então; viii.1) alternativamente, a necessidade de realização de uma nova amostragem, sem os vícios contidos na realizada pela D. Autoridade Fiscal, ou então, para fins do reconhecimento do direito creditório, que o mesmo seja ao menos proporcionalizado em relação a sua totalidade com base no montante auferido parcialmente na amostragem. ix) ao final, a necessidade de reunião de todas as Manifestações de Inconformidade decorrentes do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0718500.2012.00597, e com a Impugnação apresentada nos autos do processo administrativo nº 16682.720069/201394, eis que evidente o caráter de prejudicialidade e conexão entre todos aqueles; e, ainda, x) a necessidade de suspensão dos processos em razão da existência da Ação Judicial nº 2009.51.01.0085880, onde se discute o direito à utilização de créditos parcialmente aqui glosados, ou então; x.1) alternativamente, o desmembramento dessas parcelas em uma nova autuação, sendo vedada, inclusive, a imposição de multa de ofício em relação a parcela para a qual existe decisão judicial válida até o momento. X – DOS PEDIDOS Diante de todo o até aqui exposto, a REQUERENTE pugna a Vossa Senhoria que: i) preliminarmente, em caráter de prejudicialidade, a reunião da presente Manifestação de Inconformidade com as demais apresentadas nos Despachos Decisórios decorrentes do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0718500.2012.00597 e com a Impugnação apresentação no processo administrativo nº 16682.720069/201394. ii) preliminarmente, se digne a decretar a nulidade do “Despacho Decisório” em razão das seguintes nulidades: ii.1) cerceamento do direito de defesa da REQUERENTE, em razão da concessão de prazo incompatível com o volume de documentos a serem manuseados para localização daqueles requeridos pela D. Autoridade Fiscal; ii.2) vício na forma de eleição da amostragem, a qual não refletia todas as rubricas que deram origem aos créditos pleiteados pela REQUERENTE, nem tampouco a participação daqueles créditos frente às Notas Fiscais solicitadas; ii.3) vício no critério jurídico do lançamento e consequente cerceamento do direito de defesa da REQUERENTE, em razão do abandono do critério de amostragem, sem a necessária intimação da REQURENTE para apresentação de todos os seus documentos fiscais, e tampouco verificação e análise daqueles, o que denota arbitramento indevido e sem respeito aos procedimentos legais; ii.4) vício no critério jurídico de determinação da base de cálculo, em razão de arbitramento realizado sem critério único e uniforme para Fl. 6814DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.774 13 todas as classes de créditos escriturados nos livros fiscais da REQUERENTE; E, no mérito, ad argumentandum, se digne a dar provimento a presente Manifestação de Inconformidade, a fim de: iii) reconhecer a higidez da totalidade dos créditos registrados pela REQUERENTE; ou ainda, alternativa e sucessivamente, iii.1) o reconhecimento do direito aos créditos glosados decorrentes das atividades offshore da REQUERENTE; iii.2) o reconhecimento do direito aos créditos decorrentes de energia elétrica e de aluguéis; iii.3) a necessidade de desmembramento dos valores relativos às despesas com frete entre suas bases primária e secundária, eis que a questão já em sede judicial e com decisão favorável à REQUERENTE. E, em caráter subsidiário, caso os elementos trazidos nessa Manifestação de Inconformidade não sejam suficientes para decretar a homologação integral dos créditos pleiteados, a REQUERENTE pugna: iv) pela realização de diligência fiscal para análise das 900.000 (novecentas mil) Notas Fiscais, para que sejam respondidos os quesitos já apresentados no item VII supra; iv.1) alternativamente, a realização de diligência com base em novo espaço amostral, o qual deverá refletir proporcionalmente todos os créditos registrados pela REQUERENTE para o período sob análise e o reconhecimento proporcional do direito creditório frente a totalidade dos créditos com base no montante auferido na amostragem;” Em 21/02/2013 o contribuinte protocolou um Pedido de Cópia de processo (fl. 2529). No mesmo dia foi entregue ao interessado um CD/DVD com cópia integral do presente processo, conforme fl. 2535. Tendo em vista que na amostra utilizada não foram contempladas todas as linhas do DACON que foram objeto de glosa e que os elementos constantes dos autos, bem como o critério adotado pela autoridade fiscal na eleição e na análise da amostra não foram suficientes para firmar a convicção deste julgador quanto ao crédito em litígio, em 05/06/2013 os autos retornaram à Unidade de Origem para que a autoridade fiscal efetuasse diligência junto à empresa para: a) efetuar as diligências necessárias, considerando a escrituração e os demonstrativos do contribuinte, bem como os documentos fiscais que os respaldam1, a fim de relacionar os valores glosados referentes a todas as linhas da DACON e os motivos das glosas; Fl. 6815DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.775 14 b) verificar se a empresa efetivamente realizou operações de produção de petróleo no período e se existe crédito oriundo da referida atividade; c) refazer, se for o caso, o cálculo dos créditos e manifestarse quanto à homologação das compensações declaradas. Em 20/06/2013 foi proferido o Despacho Decisório Demac/RJO/Diort nº 147/2013, que não homologou as compensações declaradas, vinculadas ao presente pedido de ressarcimento. De acordo com o Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fl. 2552, em 12/07/2013 foi dada ciência ao contribuinte do referido Despacho Decisório, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal (27/06/2013), Modulo eCAC do Site da Receita Federal. O contribuinte não se manifestou contra a não homologação das compensações2. Em resposta à diligência, foi efetuado o “Resultado de Diligência” que esclarece em minúcias todos os procedimentos efetuados, demonstra os créditos apurados de ofício na Diligência e também a apuração dos montantes ainda devidos de PIS e COFINS: “(...) 2 – AUDITORIA ORIGINAL: O trabalho original de auditoria consistiu, basicamente: da verificação dos percentuais das receitas não cumulativas em relação à receita total, apurados pela fiscalizada e utilizados nas DACON; contabilização das receitas que redundaram nos percentuais apurados; contabilização das bases de cálculo dos créditos nas Linhas das Fichas 06A e 06B das DACON; obtenção de listagem de todas as notas fiscais que totalizaram as Linhas das Fichas 06A e 06B das DACON e, verificação, por amostragem, das notas fiscais listadas que serviram de base à apuração dos créditos não cumulativos a fim de termos certeza da liquidez dos créditos pleiteados. O contribuinte apresentou planilha demonstrando como foram obtidos os percentuais de rateio de receitas para os meses em análise (Anexo 05). Notese no quadro resumo da referida planilha que, do total das receitas auferidas, mais de 90% correspondem a operações de revenda de mercadorias. Fl. 6816DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.776 15 O resultado do trabalho original de auditoria, conforme Despacho Decisório exarado pela Demac/RJO/Difis, resultou no não reconhecimento do crédito tributário alegado pela interessada e, resultou ainda, nos seguintes montantes a serem Lançados de Ofício: (…) 4 NOVA ANÁLISE DOS CRÉDITOS EM VISTA DAS NOTAS APRESENTADAS EM FASE DE INCONFORMIDADE E IMPUGNAÇÃO: CRITÉRIOS ADOTADOS NA AUDITORIA ORIGINAL E NESTA DILIGÊNCIA: Na auditoria original, no intuito de analisarmos as bases geradoras de crédito de PIS e COFINS declaradas nas DACON (Fichas 06 e 16), solicitamos à fiscalizada que nos demonstrasse como havia apurado aqueles valores mensais. Queríamos que, simplesmente, a empresa nos “detalhasse” aqueles valores. Nesse sentido a intimamos que nos apresentasse listagens de todas as notas fiscais que redundavam em cada linha das DACON apresentadas. Atendo às intimações, a fiscalizada nos apresentou listagens que foram por ela denominadas como “listagens TI”. Acontece que, em inúmeros períodos, os totais das listagens de TI ora se mostravam inferiores ora se mostravam superiores aos montantes declarados nas Fichas 06 e 16 das DACON. Em outros casos, as listagens de TI apresentavam diferenças entre as bases de Bens de Revenda com as bases dos Insumos que, matematicamente, se compensavam de forma perfeita. Isto estava discriminado claramente nos demonstrativos dispostos no Anexo 07. Dessa forma, face ao que nos foi apresentado e, a fim de não descartar completamente as bases das DACON que não fossem devidamente comprovadas, considerandoas não comprovadas de plano (critério esse que seria muito radical), optamos pelos critérios abaixo discriminados que, em nosso entendimento, foram benéficos à fiscalizada. Critérios utilizados no trabalho de auditoria original e na presente diligência: a) Quando o valor de uma base de crédito declarada na DACON (Fichas 06 ou 16)apresentava valor maior que a base referente à listagem de notas fiscais de TI (Anexo 07), concluímos que o montante em DACON foi declarado a maior, e estava sem lastro de notas fiscais probantes que lhe dessem sustentação. Nesses casos, consideramos, de plano, o montante de TI como a base de crédito passível de análise e ser comprovada por amostragem; b) Por outro lado, quando uma base declarada em DACON apresentou se menor que a base da listagem de notas fiscais de TI, consideramos o Fl. 6817DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.777 16 montante declarado em DACON posto que, se a interessada não quis utilizar todas as suas notas fiscais geradoras de crédito, tratase de uma prerrogativa exclusiva dela e não da fiscalização; c) Nos casos em que a listagem de TI apresentou diferenças entre duas bases de cálculo e essas diferenças se compensaram, como o foi nos casos de Bens de Revenda e Insumos, consideramos as bases declaradas nas DACON, pois, concluímos que nas listagens de TI houve inclusão inadvertida de notas fiscais de uma base em outra no momento da extração dos dados para atender às intimações. Dessa forma, nenhum ônus foi causado à interessada e tampouco à RFB. DILIGÊNCIA: Conforme já informado, boa parte das notas fiscais solicitadas a título de amostragem não haviam sido apresentadas no decorrer da auditoria original. Em fase recursal, foram juntadas aos autos. Mesmo assim, a fim de facilitar as análises na presente diligência, intimamos a interessada a nos reapresentar as notas fiscais restantes, assim como, solicitamos a apresentação de uma amostragem referente às notas fiscais de energia elétrica, conforme indicação da DRJ. Um segundo Termo de Intimação também foi enviado à fiscalizada a fim de que ela informasse acerca das operações de prospecção e venda de petróleo (ambos os Termos estão no Anexo de DILIGÊNCIA 01). Em resposta, a fiscalizada confirmou aquilo que já havia deixado claro em sua manifestação de inconformidade, ou seja, confirmou que no período aqui analisado, praticou operações de prospecção e exploração de petróleo. Haja vista as cópias de notas fiscais ora apresentadas completando as amostragens solicitadas na auditoria original, passemos à análise dos itens que auferiram bases de cálculo relevantes de crédito à fiscalizada. Ressaltamos que, listagens de bases de cálculo em que as discriminações das notas fiscais não despertaram inconsistências/dúvidas à fiscalização, como foi o caso de Despesas com Aluguéis de Prédios de Pessoas Jurídicas e Despesas com Fretes, foram simplesmente considerados sem solicitação de cópias de notas fiscais. Causanos estranheza o fato de a fiscalizada ter se inconformado quanto a esse procedimento da fiscalização uma vez que os montantes foram considerados sem qualquer questionamento pela fiscalização. Apenas aplicamos os critérios já esclarecidos anteriormente a fim de estabelecer a base de cálculo geradora de crédito (montantes da listagem de TI ou montantes das DACON). Passemos à diligência. (...) 4.1 BENS PARA REVENDA MERCADO INTERNO: (...) Fl. 6818DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.778 17 A fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais que complementaram a amostragem anteriormente solicitada nos induzindo à sua veracidade (Anexo de DILIGÊNCIA 02). (...) 4.2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) Em sintonia com as decisões exaradas pelo CARF (já especificadas na auditoria original), somente deve ser considerado insumo, para fins de creditamento, aquilo que seja inerente ao processo de produção do bem destinado à venda e ao ato de prestação de um serviço dos quais decorra uma receita tributada. Então, apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens, dos quais decorra o auferimento de uma receita, é que podem ser considerados insumos. Há que existir uma inerência direta entre os dispêndios ocorridos e os processos produtivos e serviços prestados que geraram receitas para que se configure direito ao crédito. No presente caso a fiscalizada praticou preponderantemente operações de revenda de mercadorias e, em muito menor proporção, venda de produtos e exportação de mercadorias. Assim sendo, os insumos com direito a crédito devem ter correlação direta com essas operações e nada mais. Foram estas operações de revenda que geraram as respectivas receitas não cumulativas e os seus respectivos rateios (anexo 05). Os dispêndios geradores de crédito, portanto, devem ter correlação com as operações de revenda de mercadorias e não com qualquer operação praticada pela empresa. Da análise da listagem de notas fiscais apresentadas, de plano, glosamos aquelas que se referem a Operações de Offshore e produtos submarinos posto que as operações de prospecção e exploração de petróleo nada têm a ver com as operações geradoras de crédito do presente caso. Essas notas serão, de plano, desconsideradas (Anexo 09). Em que pesem as glosas acima citadas, a fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais que complementaram a amostragem anteriormente solicitada (Anexo de DILIGÊNCIA 03). (...) 4.3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) Em análise do creditamento dos serviços utilizados como insumos, cabe o mesmo entendimento aplicado aos bens usados como insumo (IN SRF n.º 404, de 2004). A pessoa jurídica pode obter créditos oriundos de aquisições efetuadas no mês, de serviços utilizados como insumo na produção ou na prestação de serviços e, somente geram créditos, as aquisições de serviços utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pelo contribuinte. Fl. 6819DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.779 18 Foram as operações de revenda que geraram as respectivas receitas não cumulativas e os seus respectivos rateios (anexo 05). Os dispêndios geradores de crédito devem, portanto, ter correlação com as operações de revenda de mercadorias e não com qualquer operação praticada pela empresa. Há que se considerar que, se 90% das receitas da fiscalizada são oriundos de revendas, há ainda outros 10% de receitas passíveis de originar créditos. Conforme disposto no Anexo 05, verificamos que há receitas oriundas de produção por encomenda (produção de óleos lubrificantes e graxas) que, inegavelmente, incluemse neste 10% restantes. Ao produzir determinado produto por encomenda a empresa arca com dispêndios (insumos) que lhe são creditáveis. Assim sendo, os insumos inerentes aos Serviços de Fabricação por encomenda ICOLUB (Anexo 07) serão considerados. A fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais da amostragem anteriormente solicitada nos comprovando a existência de todas as notas listadas (Anexo de DILIGÊNCIA 04), entretanto, da análise combinada da listagem das notas fiscais com as cópias das notas de serviços utilizados como insumos que nos foram apresentadas, verificamos que, no período, as notas que se referem a serviços de apoio logístico; portuário; aduaneiro; operações de logística offshore; assistência técnica; despacho aduaneiro; afretamento de embarcações e aeronaves; compra de óleo diesel para navios; equipamentos de perfuração petrolífera e serviços de exploração de petróleo que nada têm a ver com as operações praticadas no presente caso. Analisando não somente a lista de amostragem, mas, todas as notas de serviços como insumos, verificamos que todas elas se mostraram fora de possibilidade de creditamento. Assim sendo, todas as notas de serviços utilizados como insumos serão desconsideradas. Com base no Anexo 07, consideraremos, apenas, os Serviços de Fabricação por encomenda ICOLUB. As bases de cálculo retificadas de ofício são demonstradas no quadro abaixo: (...) 4.4 DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA (...) Todas as notas da amostragem foram apresentadas (Anexo de DILIGÊNCIA 05). 4.5 DESPESAS COM ALUGUÉIS DE IMÓVEIS (...) Sem maiores críticas às listagens de notas fiscais apresentadas não solicitamos cópias das mesmas. Consideramos as bases mediante os critérios acima. Fl. 6820DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.780 19 4.6 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA (...) Com relação à estas bases de cálculo, as maiores divergências entre os contribuintes e a RFB reside nas transferências de mercadorias entre bases do mesmo contribuinte. A RFB não aceita o creditamento referente a essas transferências. A explanação completa desta base de cálculo encontrase no Despacho Decisório original. Neste período as supracitadas transferências foram glosadas e lançadas no auto de infração, cujo processo de acompanhamento é o de nº 16682.721219/201204. Os mesmos créditos que neste auto de infração foram desconsiderados, aqui também o serão (Anexo 16). O que está sendo feito aqui é considerar as glosas de créditos que foram apuradas no auto de infração. Nada mais.] 3 Sem maiores críticas às listagens de notas fiscais apresentadas não solicitamos cópias das mesmas.(...) 4.7 BENS PARA REVENDA – IMPORTAÇÃO (...) Analisando as listagens das notas fiscais do período, encontramos despesas ali enquadradas que devem ser rechaçadas haja vista nem mesmo se tratarem de bens para revenda. Em verdade se tratam de notas fiscais referentes à tecnologia de informação cujo serviço é prestado por empresas estrangeiras e, o seu creditamento é expressamente vedado por lei e explícito no § 4º do art. 8º da IN 404/2004 abaixo transcrito novamente.Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês:(...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços;(...) (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: b) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços Fl. 6821DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.781 20 prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação dos serviços (...) (grifos nossos) As notas glosadas encontramse no Anexo 14A. Em que pesem as glosas acima citadas, a fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais que complementaram a amostragem anteriormente solicitada nos induzindo à sua existência (Anexo de DILIGÊNCIA 06). O quadro a seguir demonstra as bases dos créditos de bens para revenda importados que serão considerados de ofício na apuração dos créditos a descontar do PIS não cumulativo devido: (...) 4.8 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS IMPORTADOS (...) Nesta rubrica, ao analisar a listagem das notas fiscais apresentadas, a princípio, não vislumbramos possíveis glosas. (...) 5 – RECOMPOSIÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO E APURAÇÃO DOS CRÉDITOS (...) 6 – APURAÇÃO DOS CRÉDITOS EM FUNÇÃO DAS NOVAS BASES APURADAS (...) 7 – APURAÇÃO DE OFÍCIO DO RESSARCIMENTO OU TRIBUTO DEVIDO: (...) Os créditos apurados de ofício, ao serem deduzidos dos valores das contribuições a recolher apuradas no 4º trimestre de 2009 foram integralmente consumidos e não há valores a serem ressarcidos. Há montantes ainda devidos a serem lançados de ofício. Notese na planilha acima que, no presente período, foram deduzidos os montantes já lançados de ofício nos trâmites do já citado processo RFB de nº 16682.721219/201204 (auto de infração). 8 – CONCLUSÃO DA DILIGÊNCIA Após análise da impugnação apresentada pela fiscalizada, observamos que a mesma não concordou com alguns critérios adotados pela auditoria fiscal, porém, face à apresentação das cópias das Notas Fiscais, das diversas amostragens, as Bases de Cálculo que originaram créditos foram todas confirmadas, mediante a aplicação dos critérios já explicitados no item 04. A única celeuma restante é aquela referente às glosas dos insumos e aos serviços oriundos de exploração e prospecção de petróleo. Como já explicado, as receitas da fiscalizada são referentes preponderantemente a revendas de mercadorias; venda de mercadorias e produção de óleos e graxas por encomenda, sendo incabível trazer créditos de dispêndios que não têm qualquer relacionamento com as retrocitadas receitas. Fl. 6822DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.782 21 Traçando um paralelo comparativo, uma empresa cuja receita é oriunda da revenda de móveis não pode trazer créditos de insumos utilizados em uma fazenda de sua propriedade que opere em plantio de árvores para reflorestamento. No tocante às bases de cálculo em DACON referentes às locações de prédios de pessoas jurídicas, informamos que, na auditoria original, as bases foram todas concedidas sendo aplicado apenas o critério dos valores TI x DACON. Nem mesmo solicitamos cópias de notas. Finalizando, o resultado desta Diligência corrobora o resultado da auditoria original mantendose o não reconhecimento do crédito tributário alegado pela interessada, entretanto, há que serem alterados/reduzidos os Lançamentos anteriormente efetuados, conforme valores dispostos no quadro abaixo: (...) Dessa forma, afastadas quaisquer dúvidas acerca da materialidade (Notas Fiscais existentes) quanto aos créditos pleiteados, restando somente a análise qualitativa (efetividade do direito creditório) daqueles documentos fiscais. No entender da REQUERENTE, a análise qualitativa das Notas Fiscais apresentadas deveria determinar o cancelamento integral da autuação. Contudo, não foi este o posicionamento adotado pela D. Autoridade Fiscal. Esta, em sua análise, procedeu com a retificação da autuação original, reduzindoa substancialmente, mas ainda não reconheceu a integralidade do direito creditório pleiteado pela REQUERENTE. (...) O Relatório de Diligência exarado nos autos do processo administrativo nº 16682.720381/201205 não contou com nenhum anexo. Daí, exsurge a primeira ilegalidade desta intimação. Explicase. A diligência faz menção a uma série de anexos, quais sejam: i) Anexo 01; ii)Anexo 05; iii) Anexo 07; iv) Anexo 09; v) Anexo 14A; vi) Anexo 16. Vejase, abaixo, a menção a cada um dos referidos anexos: (...) A leitura do trecho acima transcrito demonstra a importância dos Anexos mencionados na referida Diligência, os quais deveriam, necessariamente, ter sido encaminhados à REQUERENTE para que fosse possível o exercício pleno e amplo do seu direito de defesa. Contudo, isto não foi feito pela D. Autoridade Fiscal. Então, neste ponto, reside mais uma ilegalidade incorrida pela D. Autoridade Fiscal, na medida em que a REQUERENTE foi obrigada a elaborar a presente peça sem ciência plena da integralidade das diligências realizadas pela D. Autoridade Fiscal e suas correspondentes conclusões. Por este motivo, requer desde logo que seja concedido novo prazo para manifestação da REQUERENTE, em complementação a Fl. 6823DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.783 22 presente, após serlhe dada ciência da íntegra de todos os anexos e documentação que perfazem a diligência, conforme requerido ao final. (...) Ora, como visto, a Diligência teve o resultado positivo de reconhecer que foram apresentados todos os documentos necessários à análise da legitimidade dos créditos pleiteados (Notas Fiscais), tanto que deu ensejo à redução substancial dos valores exigidos da REQUERENTE. Por outro lado, a Diligência demonstrou, ainda, que a D. Autoridade Fiscal deixou de dar cumprimento ao quanto solicitado por meio dos itens “a”, “b” e c” do Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, eis que, respectivamente: i) não foram realizadas as diligências necessárias no tocante à identificação dos valores glosados em relação a todas as linhas da “DACON”; ii) a D. Autoridade Fiscal não apurou efetivamente se a REQUERENTE, no período da autuação, teria realizado operações de produção de petróleo, tampouco informou a existência de créditos oriundos dessa atividade; iii) também deixou de se manifestar sobre a questão da duplicidade acerca da glosa dos valores relativos ao crédito extemporâneo e aos créditos relativos aos Os lançamentos efetuados anteriormente através de processo de auto de infração da RFB de nº 16682.720069/201394 foram considerados e descontados do devido, redundando assim nos valores do quadro acima. Registrese que há PERDCOMP vinculada ao PER de ressarcimento aqui analisado. (...)”. Cientificado do referido Resultado de Diligência em 13/11/2014, o contribuinte apresentou, em 12/12/2014, razões adicionais de defesa, nos seguintes termos: “(...) Após a apresentação da Manifestação de Inconformidade por parte da RAÍZEN COMBUSTÍVEIS S/A, adiante denominada REQUERENTE, e antes de se manifestar sobre os pontos de direito ali suscitados, a D. Autoridade Julgadora determinou a realização de diligência com os seguintes objetivos: (...) A solicitação era bastante clara: i) determinava a realização de diligências, com vistas à identificação das glosas realizadas em face das linhas da “DACON”; ii) Fl. 6824DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.784 23 que fosse verificada a existência de duplicidade quanto aos créditos extemporâneos e os valores relativos aos fretes entre bases primárias e secundárias, e que foram tratados no processo administrativo nº 16682.721219/201204; iii) verificação acerca da efetiva realização de operações de produção de petróleo para o período autuado, e se existia crédito oriundo dessas atividades; e iv) a apresentação de novos cálculos e apuração de tributos, se fosse o caso. Por meio da diligência realizada, a REQUERENTE deveria proceder com a apresentação de todas as Notas Fiscais solicitadas por meio da amostragem eleita pela D. Autoridade Fiscal. Nas respostas às intimações recebidas, a REQUERENTE pôde apresentar praticamente a integralidade das Notas Fiscais solicitadas, tanto que a D. Autoridade Fiscal considerou como completamente atendida essa obrigação, como se vê do trecho extraído do Relatório de Diligência, abaixo reproduzido: (...) fretes entre bases primárias e secundárias, tratados no processo administrativo nº 16682.721219/201204. Dessa forma, resta evidente o não atendimento integral ao quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora, o que, naturalmente, compromete o conhecimento acerca de todos os pontos inerentes à demanda, trazendo nítidos prejuízos à formação da convicção dos julgadores acerca do quanto alegado em sede de Manifestação de Inconformidade. A REQUERENTE evidenciará o descumprimento do quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora, pugnando pela realização de nova diligência, sem a qual restará comprometido o prosseguimento da análise em tela, ao menos para a apreciação de todos os elementos necessários à garantia do contraditório, da ampla defesa, e, principalmente, do respeito ao princípio da busca pela verdade material, conforme consignado no Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora. É o que se passa a fazer. CONSIDERAÇÕES ACERCA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA Tendo em vista o reconhecimento de que foram apresentadas as Notas Fiscais solicitadas pela D. Autoridade Fiscal, resta proceder com a comprovação acerca dos pontos consignados na Diligência, e que deixaram de ser atendidos pela D. Autoridade Fiscal. O primeiro deles se refere à violação ao princípio da busca pela verdade material, consignado pela D. Autoridade Julgadora como essencial, e que deveria nortear a diligência a ser realizada pela D. Autoridade Fiscal. Vejase. Fl. 6825DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.785 24 A busca pela verdade material foi descumprida pela D. Autoridade Fiscal quando deixaram de ser realizadas as diligências necessárias a fim de relacionar os valores glosados referentes a todas as linhas da “DACON”. Por seu turno, a D. Autoridade Fiscal pautou sua análise, superficial, apenas nas diferenças apontadas entre a “DACON” e a listagem de notas fiscais, constante de uma planilha apresentada pela REQUERENTE, sendo adotado como parâmetro o menor valor entre aquelas duas bases – ou seja, sempre que para determinado período o menor valor de crédito constava na “DACON” (em confronto com a planilha), aceitouse o valor da “DACON”; sempre que o menor valor de crédito constava na planilha, utilizouse o valor da planilha. O fiscal autuante não buscou conciliar as duas bases de informação e apurar qual seria o valor correto dos créditos, limitouse a utilizar sempre o critério mais prejudicial à REQUERENTE. Dessa forma, resta evidente a violação a um dos corolários mais caros ao processo administrativo fiscal, o qual, inclusive, foi destacado de forma expressa pela D. Autoridade Julgadora, a saber, o princípio da busca pela verdade material. Nada mais descabido! O outro ponto que merece críticas é a absoluta ausência de resposta quanto ao questionamento aduzido pela D. Autoridade Julgadora, por meio da qual foi requerida a verificação acerca da efetiva realização de operações de produção de petróleo e dos créditos vinculados àquela atividade, durante o período autuado. Quanto a este questionamento, a D. Autoridade Fiscal simplesmente não o respondeu, limitandose a aduzir, sem a devida demonstração, de que “A única celeuma restante é aquela referente às glosas dos insumos e aos serviços oriundos da exploração e prospecção de petróleo. Como já explicado, as receitas da fiscalizada são referentes preponderantemente a revendas de mercadorias; venda de mercadorias e produção de óleos e graxas por encomenda, sendo incabível trazer créditos de dispêndios que não tem qualquer relacionamento com as retrocitadas receitas.” Entretanto, apresentou tal assertiva, sem efetivamente apurar a existência dos supostos créditos decorrentes da fase de “exploração e prospecção de petróleo” que teriam sido supostamente utilizados pela REQUERENTE, e por este motivo glosados (quando em verdade, não ocorreu a utilização de créditos de tal natureza por parte da REQUERENTE, como se irá demonstrar adiante. Ademais, não foi respondida a questão nodal apontada pela D. Autoridade Julgadora, qual seja, a determinação se, no perídio autuado, a REQUERENTE teria realizado atividades de produção de petróleo. Quanto a este ponto, também mais a frente, a REQUERENTE comprovará a realização das referidas atividades. Fl. 6826DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.786 25 AUSÊNCIA DE SEGURANÇA JURÍDICA QUANTO ÀS BASES SOBRE AS QUAIS DEVERÁ SE MANIFESTAR A IMPUGNANTE PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO ORIGINALMENTE PLEITEADO O comando emanado do Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora não dava margem a dúvidas: (...) Ou seja, a D. Autoridade Fiscal deveria proceder com as diligências necessárias, isto tendo em vista a escrituração (contabilidade) e os demonstrativos do contribuinte (DACON), bem como os documentos fiscais que os respaldam (Notas Fiscais), a fim de relacionar os valores glosados referentes a todas as linhas da “DACON”, com o destaque dos motivos das glosas. Não obstante a determinação constante daquele comando, a D. Autoridade Fiscal, responsável pela realização do atendimento da Diligência, aduziu que “a fiscalizada apresentou listagens de notas fiscais (TI) em montantes inferiores àqueles declarados nas DACON e, assim sendo, consideramos os montantes destas listagens. Não houve comprovação total dos montantes declarados nas DACON”. Frente ao quanto exigido pela D. Autoridade Julgadora (busca pela verdade material acrescida da realização de diligências à luz de vários documentos, inclusive, das Notas Fiscais), jamais a D. Autoridade Fiscal poderia ter consignado a informação de que os valores informados em suas planilhas seriam menores àqueles declarados em “DACON”, o que ensejaria o entendimento de que os montantes declarados em “DACON” não teriam sido comprovados. (...) Como comprovado, a D. Autoridade Fiscal, ao contrário daquilo que afirmou, apenas desconsiderou os valores informados em “DACON” quando superiores aos indicados nas listagens de notas fiscais, vez que, quando inferiores, aquelas informações foram as que balizaram a análise do direito creditório. Além de contraditório, este comportamento se distancia do quanto solicitado pelo Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, que foi assertivo ao aduzir que deveriam ser efetuadas “as diligências necessárias, considerando a escrituração e os demonstrativos do contribuinte, bem como os documentos fiscais que os respaldam, a fim de relacionar os valores glosados referentes a todas as linhas da DACON e os motivos das glosas”, isto em observância ao princípio da busca pela verdade material. A D. Autoridade Fiscal, ao invés de buscar qual daquelas bases estaria correta, como determinado pelo Despacho proferido pela 1ª Turma da Fl. 6827DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.787 26 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, simplesmente adota a menor entre as duas, como limite do direito creditório a ser analisado. O descabimento deste tipo de procedimento é manifesto, seja por deixar de cumprir o quanto determinado pela D. Autoridade Julgadora, seja por não desconsiderar de forma clara a validade das informações prestadas pela REQUERENTE, passando a adotar o expediente e observar os requisitos próprios do arbitramento, seja por deixar de dar cumprimento ao princípio da busca pela verdade material, ínsito ao processo administrativo fiscal, culminando, por certo, com o cerceamento do direito de defesa da REQUERENTE. Por qualquer um dos pontos anteriormente mencionados, o procedimento adotado pela D. Autoridade Fiscal, no tocante à comprovação dos montantes declarados em “DACON” deve ser revisto, sendo determinada a realização de nova diligência, que, enfim, atenda ao quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora. O caminho tortuoso percorrido pela D. Autoridade Fiscal fica evidente, vez que busca adotar sempre o menor valor, e não aquele que é o certo, conforme determinado pela Diligência. Assim, a D. Autoridade Fiscal ora invalida o que está informado em “DACON”, ora as planilhas apresentadas pela REQUERENTE, utilizando as duas como bases dentro de um mesmo mês, a depender dos valores e da natureza dos créditos. Por óbvio tal expediente não se afigura correto. Ou as informações prestadas em “DACON” são inservíveis e merecem ser desconsideradas, sendo adotado de forma clara e transparente o procedimento do arbitramento, com o respeito a todos os seus requisitos, ou, alternativamente, deveria a D. Autoridade Fiscal ter procedido com as verificações próprias do procedimento de fiscalização para que fosse determinado qual daquelas duas bases de informação refletia, com mais correção, os créditos acumulados pela REQUERENTE, isto em homenagem ao princípio da busca pela verdade material, bem como ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, como, aliás, solicitado de forma expressa pela D. Autoridade Julgadora. Ao descaracterizar as informações constantes de documentos fiscais da REQUERENTE, sem observar o procedimento próprio do arbitramento, a D. Autoridade Fiscal macula a validade do Resultado da Diligência. Aliás, esta é a orientação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre o tema: (...) Ora, a simples divergência entre a “DACON” e a planilha apresentada não pode ser configurada como razão suficiente para desconsiderar as informações constantes da Fl. 6828DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.788 27 “DACON”, eis que as informações constantes da “DACON” foram consideradas para determinadas linhas de crédito. Tampouco pode servir de fundamento a simples adoção do menor valor entre as duas bases de informação (“DACON” e planilha”), eis que este não é um critério que possua amparo jurídico ou seja razoável. Com efeito, ao encontrar as divergências, a D. Autoridade Fiscal deveria ter procedido com a intimação da REQUERENTE para que esta explicitasse a razão daquelas inconsistências e informasse qual seria a base correta a ser adotada, como exigido pela D. Autoridade Julgadora no Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora. Contudo, tal não se verificou. Ao deixar de fazêlo, negando vigência ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, a D. Autoridade Fiscal, por mais este viés, fulmina neste aspecto a validade do Resultado da Diligência em tela. Este entendimento encontra amparo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (...) No presente caso, a D. Autoridade Fiscal, sem qualquer amparo razoável ou justificado ora procedeu com a desconsideração das informações prestadas em “DACON”, ora das planilhas apresentadas pela REQUERENTE. Além de esvaziar por completo a segurança do contribuinte, o procedimento ignorou o comando emanado do Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, que era no sentido da observância do princípio da busca pela verdade material, como determinado originalmente pela D. Autoridade Julgadora, sob pena de nulidade da autuação fiscal. AUSÊNCIA DE RESPOSTA QUANTO AO QUESTIONAMENTO EMANADO DA D. AUTORIDADE JULGADORA, ACERCA DA EFETIVA REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO NO PERÍODO AUTUADO, BEM ASSIM SE EXISTIRAM CRÉDITOS DESTA ORIGEM Um ponto nevrálgico da Diligência determinada pela D. Autoridade Julgadora era o esclarecimento quanto à efetiva realização de operações de produção de petróleo por parte da REQUERENTE durante o período autuado, bem assim a indicação acerca da existência de créditos dessa atividade. (...) Ao invés de proceder com a verificação acima, a D. Autoridade Fiscal, em mais uma clara demonstração de descumprimento quanto à determinação emanada da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, assim, se pronunciou: Relatório de Diligência: Fl. 6829DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.789 28 “(...)A única celeuma restante é aquela referente às glosas dos insumos e aos serviços oriundos da exploração e prospecção de petróleo. Como já explicado, as receitas da fiscalizada são referentes preponderantemente a revendas de mercadorias; venda de mercadorias e produção de óleos e graxas por encomenda, sendo incabível trazer créditos de dispêndios que não tem qualquer relacionamento com as retrocitadas receitas(...)”O descompasso entre a pergunta e a resposta é evidente. A D. Autoridade Julgadora determinou que fosse verificado se foram efetivadas operações de produção de petróleo durante o período objeto da autuação, com a informação acerca dos créditos a elas vinculados, e a D. Autoridade Fiscal respondeu no sentido de que os insumos referentes à exploração e a prospecção não guardariam nenhuma relação com as receitas do período. Ora, a resposta prestada não condiz com o questionamento feito. A D. Autoridade Fiscal deveria ter informado se a REQUERENTE efetivamente realizou operações de produção de petróleo no período da autuação. Contudo, essa resposta não foi prestada, o que impossibilita a formação da convicção por parte da D. Autoridade Fiscal. Por seu turno, a REQUERENTE informa e comprova que, sim, realizou, no período da autuação, quando ainda atuava sob a denominação de SHELL BRASIL LTDA., operações de produção de petróleo.Ora, a Lei nº 9.478/97, também conhecida como Lei do Petróleo, define, no âmbito regulatório, quais são as fases de um campo de petróleo, conforme adiante destacado: em que declarada a sua comercialidade, sendo certo, que, a partir de então, já se inicia a fase de produção. Com efeito, é certo que, de acordo com a Lei nº 9.478/97, a fase de exploração se presta às análises das áreas a serem avaliadas para determinação da existência de petróleo e gás natural, sendo certo que, ao final desse período, o concessionário tem duas opções: devolver a área à “ANP” ou declarar a comercialidade dos campos ora explorados. Em linha com o que dispõe a referida Lei, a REQUERENTE informa que se aproveita dos créditos somente dos insumos à produção do petróleo, pelo que não assiste razão à D. Autoridade Fiscal, conforme se demonstra, de forma inequívoca, a seguir. A REQUERENTE, imbuída de sua costumeira boafé e diligência, realizou a análise de TODAS as 468 Notas Fiscais que, segundo o entendimento apontado pela D. Autoridade Fiscal, não dariam direito aos créditos de “PIS” e de “COFINS”, por serem de exploração e prospecção, e verificou que 100% (cem por cento) dessas Notas Fiscais são relativas às aquisições de serviços, mercadorias e alugueres de ativos que já se encontravam em produção à época! Fl. 6830DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.790 29 Tal informação pode ser facilmente corroborada da leitura dos documentos anexados à petição protocolizada em 17 de setembro de 2014 que, nada mais são, do que as Declarações de Comercialidades dos referidos ativos, bem como a aprovação dos planos de desenvolvimento dos mesmos perante a ANP, como ilustrado abaixo: Vêse, portanto, que todas as 468 Notas Fiscais referemse, efetivamente, a insumos afeitos à produção, visto que tais ativos já se encontravam na fase de produção de petróleo. Ora, negar direito ao crédito da REQUERENTE com base na presunção de que tais aquisições foram correlatas à exploração e prospecção de petróleo, é, no mínimo, uma leviandade que vai de encontro contra todos os princípios inerentes à Administração Pública, mormente o da busca pela verdade material. Apenas a título exemplificativo, a REQUERENTE realizou uma análise qualitativa de parte dessas notas fiscais. Em uma análise preliminar, a REQUERENTE verificou que todas as referidas notas fiscais foram posteriores às respectivas Declarações de Comercialidade, sendo certo que, junta a presente, a título de amostragem (em torno de 5% do total das 468 Notas Fiscais), cópia das notas fiscais (Doc. nº 03) que deram azo ao aproveitamento do crédito ora vergastado. Neste levantamento preliminar, a REQUERENTE tomou como base dois de seus quatro maiores fornecedores, tendo analisado, aproximadamente, 40% (quarenta por cento) do valor glosado em relação a esses dois prestadores, de modo a comprovar, de forma inequívoca, a certeza, liquidez e higidez em seu procedimento de aproveitamento dos créditos de “PIS” e da “COFINS”, mormente em face de não ter considerado nenhum gasto relativo à fase de exploração e prospecção, ao contrário do que afirma a D. Autoridade Fiscal. Lei nº 9.478/97: “Art. 24. Os contratos de concessão deverão prever duas fases: a de exploração e a de produção. § 1º Incluemse na fase de exploração as atividades de avaliação de eventual descoberta de petróleo ou gás natural, para determinação de sua comercialidade. (...) Art. 28. As concessões extinguirseão: (...) IV ao término da fase de exploração, sem que tenha sido feita qualquer descoberta comercial, conforme definido no contrato; Art. 44. O contrato estabelecerá que o concessionário estará obrigado a: (...) Fl. 6831DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.791 30 III realizar a avaliação da descoberta nos termos do programa submetido à ANP, apresentando relatório de comercialidade e declarando seu interesse no desenvolvimento do campo; IV submeter à ANP o plano de desenvolvimento de campo declarado comercial, contendo o cronograma e a estimativa de investimento;” Na mesma linha, a Portaria ANP nº 90 define: Portaria ANP nº 90: “3. Definições (...) i) Produção conjunto de operações coordenadas de extração de petróleo ou gás natural de uma jazida e de preparo para sua movimentação. (...) n) Declaração de Comercialidade notificação escrita do Concessionário à ANP declarando uma jazida como descoberta comercial na área de concessão.” Da leitura dos referidos diplomas legais concluise que: a fase exploratória se inicia com a concessão da “ANP” ao concessionário e se estende até o momento Portanto, resta demonstrado que ao contrário do que indicado pela D.Autoridade Fiscal, a REQUERENTE (a) realizou operações de produção de petróleo no período autuado;(b) tais operações de produção resultaram na apuração de créditos que foram corretamente utilizados pela REQUERENTE, não havendo razão para que fossem glosados; e (c) não restou demonstrada pela D. orientação do antigo Conselho e Contribuintes do Ministério da Fazenda sobre esse tipo de situação, como se depreende do aresto abaixo: (...) A conclusão acima consignada é a mesma que deve ser estendida ao presente caso. Isto porque, é imperativo que os questionamentos feitos pela D. Autoridade Julgadora sejam respondidos de forma assertiva e clara, indicando se a REQUERENTE realizou ou não atividades de produção de petróleo no período autuado, bem assim o valor dos créditos vinculados àquelas atividades. A resposta ao questionamento será nitidamente positiva, em linha com os documentos aqui apresentados, sendo de rigor apenas que a D. Autoridade Fiscal indique o montante dos créditos vinculados a estas atividades, reconecendoos como válidos e reformando a autuação na parte relativa à glosa dos mesmos, a partir do que será possível delimitar a matéria remanescente desta autuação. VI – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO QUANTO AOS ANEXOS MENCIONADOS NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO – IMPOSSIBILIDADE DE VERIFICAÇÃO ACERCA DAS GLOSAS REALIZADAS Como anteriormente mencionado, a autuação em tela decorre do lançamento Fl. 6832DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.792 31 de crédito tributário correspondente aos valores de “PIS” e de “COFINS” que seriam devidos em razão das glosas dos créditos aproveitados pela REQUERENTE durante os anos de 2008 e 2009. Dessa forma o lançamento tributário também é resultado da glosa dos Pedidos de Ressarcimento de “PIS” e de “COFINS” formalizados pela REQUERENTE durante aquele período. O Relatório de Diligência exarado nos autos do processo administrativo nº 16682.720381/201205 procede com a análise, por trimestre, dos valores pleiteados pela REQUERENTE, confrontandoos com as operações do período, para que seja alcançado o valor efetivamente passível de ressarcimento. Nestes anexos, a D. Autoridade Fiscal procede com a análise, por trimestre, dos valores pleiteados pela IMPUGNANTE, confrontandoos com as operações do período, para que seja alcançado o valor efetivamente passível de ressarcimento. Daí, a importância da análise das informações contidas em cada um dos anexos mencionados no resultado de Diligência, quais sejam: i) Anexo 01; ii) Anexo 05; iii) Anexo 07; iv) Anexo 09; v) Anexo 14A; vi) Anexo 16. Vejase, abaixo, a menção a cada um dos referidos anexos: (...) Contudo, e para a surpresa da REQUERENTE, o resultado da Diligência veio incompleto, na medida em que não contemplaram os respectivos anexos. Explicase. (...) Como visto, o Resultado de Diligência exarado no processo administrativo nº 16682.720381/201205, faz menção a uma série de anexos, nos quais são demonstradas as operações e as Notas Fiscais consideradas (Anexos 5 e 7), bem assim as Notas Fiscais glosadas (Anexos 9 e 14A). Autoridade Fiscal a utilização de créditos da fase de exploração de petróleo (e portanto nada haveria a glosar a este título). Esta é uma comprovação simples e fácil que faz ruir toda a glosa dos créditos relativos às atividades offshore, vez que são demonstrações claras de que, sim, a REQUERENTE realizava atividades de produção de petróleo durante o período objeto da autuação. Dessa maneira, cumpriria à D. Autoridade Fiscal ter verificado esse fato, o qual foi demonstrado pela REQUERENTE em sua Manifestação de Inconformidade, bem como destacado na Diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, e corroborado na presente manifestação, restando validados os valores dos créditos vinculados àquelas atividades de produção de petróleo. Fl. 6833DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.793 32 Ao deixar de fazêlo, a D. Autoridade Fiscal macula a validade e o próprio escopo da Diligência determinada pela D. Autoridade Julgadora, na medida em que permanece sem resposta esse importante questionamento, o qual é determinante para a conclusão da análise a ser feita acerca da Manifestação de Inconformidade apresentada pela REQUERENTE. Neste ponto, a relevância do questionamento feito pela D. Autoridade Julgadora é nítida, pois não há dúvidas acerca do direito aos créditos de “PIS” e de “COFINS” quanto às atividades de produção de petróleo. Além dos documentos ora trazidos, cumpre destacar que, em sua Manifestação de Inconformidade, a REQUERENTE apresentou, ainda, documentos que comprovavam as vendas de óleo (Doc. nº 20 da Impugnação) e de gás natural (Doc. nº 21 da Impugnação) por ela realizadas, as quais corroboram o desempenho das atividades de produção offshore. Logo, desnecessário mencionar que a D. Autoridade Fiscal se pautou em premissas equivocadas para afirmar que a REQUERENTE, em relação ao período fiscalizado, não procedia com atividades de produção de petróleo. Tal equívoco, provavelmente, decorre do fato de que, atualmente (desde meados de 2011), a REQUERENTE não mais se dedica àquelas atividades, isto após a criação da RAÍZEN COMBUSTÍVEIS, empresa que passou a se dedicar à distribuição (operações denominadas como “Downstream” pela indústria de Óleo e Gás), sendo que toda as operações denominadas de upstream (exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural) foram transferidas para a pessoa jurídica SHELL BRASIL PETRÓLEO LTDA. Contudo, tal transferência ocorreu apenas em 2011, ou seja, momento posterior ao período sob questionamento. Demonstrada a ausência de resposta objetiva quanto ao questionamento feito pela D. Autoridade Julgadora, o qual é de vital importância para deslinde do caso sob exame, e à luz das provas carreadas pela REQUERENTE, deve ser determinada a realização de nova diligência, que responda efetivamente os pontos suscitados pela D. Autoridade Julgadora, bem assim que verifique as provas apresentadas pela REQUERENTE, sob pena de nulidade. Aliás, esta é a Dessa maneira, resta evidente a necessidade de que tais anexos instruíssem o Relatório de Diligência exarado no presente processo administrativo. Isto porque, sem estes documentos, a ampla defesa e o direito ao contraditório da REQUERENTE restam esvaziados. Ora, como seria possível fazer a defesa de que determinadas Notas Fiscais não deveriam ter sido glosadas, sem que se conheça o universo, natureza e motivação destas glosas? Como é possível verificar se todas as operações foram consideradas, se não disponibilizado o rol destas operações validadas pela D. Autoridade Fiscal? Fl. 6834DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.794 33 A resposta aos dois questionamentos é a mesma: é impossível fazer a defesa sem o conhecimento/análise destes elementos!!! Então, é imperativo que, além da realização de nova diligência, nos termos já requeridos, quando da intimação da REQUERENTE quanto aos novos resultados alcançadas, sejam encaminhados todos os elementos que nortearam a referida análise, permitindose que a REQUERENTE exerça seu direito de defesa de forma ampla, como lhe garante a Constituição Federal. Naturalmente, ao deixar de proceder com o envio desses documentos, afigurase nítida a ilegalidade incorrida pela D. Autoridade Fiscal, na medida em que restringiu o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório por parte da REQUERENTE. É de rigor reconhecer que a ausência de envio de todos os elementos que deram ensejo à formação da convicção da D. Autoridade Fiscal para a retificação do lançamento, com a manutenção de valores em detrimento da REQUERENTE, importa em clara e manifesta violação ao seu direito de ampla defesa e contraditório, o que é vedado pela Constituição Federal (artigo 5º, inciso LV). VII DOS PEDIDOS Diante de todo o até aqui exposto, clama a REQUERENTE, inicialmente, pela concessão de novo prazo para manifestação acerca do Relatório de Diligência exarado no processo administrativo em tela, agora com o envio de todos os elementos necessários à sua ampla verificação, com a disponibilização de todos os documentos mencionados no Relatório de Diligência em tela, bem como nos seus anexos, dada a sua vinculação à conclusão a ser perseguida neste processo, sob pena de materialização de violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Ademais, diante da comprovação de que a diligência ora comentada pela REQUERENTE, malgrado tenha reduzido substancialmente o valor da autuação (como já era esperado), deixou de responder adequadamente a todos os questionamentos apontados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, além de haver explicitado premissas equivocadas no tocante aos créditos decorrentes de “DACON” e à suposta inexistência de operações de produção de petróleo e gás por parte da REQUERENTE, pugna esta a Vossa Senhoria que seja determinada a realização de nova diligência. Nesta, que se dê integral cumprimento ao quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora, sendo adotadas todas as diligências necessárias para a correta indicação dos valores passíveis de aproveitamento por parte da REQUERENTE, bem assim com a informação acerca da efetiva realização de atividades de produção de petróleo, com os créditos vinculados a esta atividade no período autuado, e com a resposta do questionamento acerca da duplicidade de glosas, em razão do crédito extemporâneo e dos valores relativos aos fretes entre suas bases primárias e secundárias, tudo em homenagem ao princípio da busca pela verdade material, sob pena de nulidade, na esteira da orientação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 6835DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.795 34 Em virtude das alegações acima, e tendo em vista que não houve ciência ao contribuinte dos Anexos de Diligência do “Resultado de Diligência”, para evitar qualquer possibilidade de cerceamento de direito de defesa, os autos foram encaminhados novamente à DEMAC/RJ, em 07/06/2016, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, para que fosse dada ciência ao contribuinte, no presente processo, dos anexos do “Resultado de Diligência e reaberto prazo de 30 (trinta) dias para manifestação do contribuinte. Em 14/06/2016 o contribuinte acessou o teor dos documentos acima citados, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos. Em 14/07/2016, o interessado apresentou razões adicionais de defesa, que além das alegações já aduzidas na resposta à diligência anterior trouxe novos argumentos, nos seguintes termos: “(...) I – DA TEMPESTIVIDADE (...) II – SÍNTESE DOS FATOS E DO TERMO DE INTIMAÇÃO ORA RESPONDIDO (...) III – PRELIMINAR – MANUTENÇÃO DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA –AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO QUANTO A TODOS OS ANEXOS MENCIONADOS NO RESULTADO DE DILIGÊNCIA – INTIMAÇÃO EXCLUSIVA EM RELAÇÃO AOS CHAMADOS “ANEXOS DE DILIGÊNCIA” Como mencionado, o “Resultado de Diligência” de fls. xx, exarado nos autos do processo administrativo nº 16682.720381/201205, procede com a análise, por trimestre, dos valores pleiteados pela REQUERENTE, confrontandoos com as operações do período, para que seja alcançado o valor efetivamente passível de ressarcimento, fazendo menção, em seu corpo a dois tipos de anexos, chamados de (i) “anexos simples” e (ii) “anexos de diligência”. Nada obstante a REQUERENTE ter realizado pedido expresso em sua última manifestação (fls. xx) para que fosse intimada acerca de todos os anexos mencionados no referido Resultado de Diligência, por meio do último Termo de Intimação exarado nestes autos, houve a intimação exclusiva acerca dos chamados “anexos de diligência” (fls. xx), mas não em relação aos “anexos simples”. Contudo, são os mencionados “anexos simples”, quais sejam: i) Anexo 01; Fl. 6836DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.796 35 ii)Anexo 05; iii) Anexo 07; iv) Anexo 09; v) Anexo 14A; vi) Anexo 16 que efetivamente conferem informações necessárias para prosseguir com uma análise qualitativa sobre o “Resultado da Diligência”, permitindo realizar uma defesa plena, pois aqueles outros nada mais são que os documentos que foram apresentados pela própria REQUERENTE em sede de diligência. Daí exsurge a importância da análise das informações contidas em cada um daqueles “anexos simples” mencionados no resultado de Diligência. Vejase, abaixo, a menção a cada um dos referidos anexos, denotando que as informações sobre notas fiscais consideradas (anexos 05 e 07) e, principalmente, daquelas glosadas (anexos 09 e 14A) são extraídas de seus documentos. (...) Por outro lado, os “anexos de diligência” – dos quais a Requerente foi intimada– se referem, única e exclusivamente, ao termo de intimação já respondido pela REQUERENTE (Anexo de Diligência 01), além das notas fiscais de bens e serviços que instruíram às referidas respostas (Anexos de Diligência 02, 03, 04, 05, 06 e 07), nada acrescentando para nova manifestação da REQUERENTE. Vejase as menções aos referidos anexos no “Resultado de Diligência”, que comprovam o quanto arguido acima: (...) Ou seja, a REQUERENTE já possuía plena ciência acerca desses documentos e não tem o porquê de questionálos nesse momento, vez que, em geral, todas as notas fiscais apresentadas foram consideradas pela autoridade fiscal no Resultado de Diligência. A leitura do trecho acima transcrito demonstra a importância da cientificação acerca dos anexos simples mencionados na referida Diligência, os quais deveriam, necessariamente, ter sido encaminhados à REQUERENTE nessa nova intimação para que fosse possível o exercício pleno e amplo do seu direito de defesa. Nesse sentido, novamente o resultado da Diligência veio incompleto, na medida em que não contemplaram os referidos anexos simples (anexo 01, anexo 05, anexo 09, anexo 14A, etc...). Ora, como será possível fazer uma defesa acerca de que determinadas Notas Fiscais não deveriam ter sido glosadas, sem que se conheça o universo, natureza e motivação destas glosas? Como é possível verificar se todas as operações foram consideradas, se não disponibilizado o rol destas operações validadas pela D. Autoridade Fiscal? A resposta aos dois questionamentos é a mesma: é impossível fazer uma defesa plena sem o conhecimento/análise destes elementos! Então, é imperativo que, além da realização de nova diligência, nos termos conforme se reiterará doravante, quando da intimação da Fl. 6837DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.797 36 REQUERENTE quanto aos novos resultados alcançadas, sejam encaminhadas os chamados “anexos simples”, que repitase à exaustão, não são aqueles mencionados nas fls. xx, permitindose que a REQUERENTE exerça seu direito de defesa de forma ampla, como lhe garante a Constituição Federal. IV – CONSIDERAÇÕES ACERCA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA – DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE NOVA DILIGÊNCIA FISCAL E DAS IMPROPRIEDADES ALI CONTIDAS (...) IV.1 – AUSÊNCIA DE SEGURANÇA JURÍDICA QUANTO ÀS BASES SOBRE AS QUAIS DEVERÁ SE MANIFESTAR A REQUERENTE PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO ORIGINALMENTE PLEITEADO (...)IV.2 – AUSÊNCIA DE RESPOSTA QUANTO AO QUESTIONAMENTO EMANADO DA D. AUTORIDADE JULGADORA, ACERCA DA EFETIVA REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO NO PERÍODO AUTUADO, BEM ASSIM SE EXISTIRAM CRÉDITOS DESTA ORIGEM (...) IV.3 – DA RESTRIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO PELA AUTORIDADE FISCAL – BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS O último ponto que merece ser observado, se refere aos itens onde a autoridade administrativa trata dos bens e serviços utilizados como insumos pela REQUERENTE e que lhe geraram direito ao crédito de PIS e COFINS. Vejase abaixo o entendimento da autoridade administrativa: (...) Não obstante esse entendimento já tenha sido rechaçado quando da elaboração da manifestação de inconformidade, a Autoridade Fiscal mantém sua posição de glosar os créditos atrelados aos gastos exploratórios, de desenvolvimento e na produção de petróleo, o que, como já ressaltado anteriormente, não pode prosperar, visto que a REQUERENTE à época da tomada dos créditos (conforme disposto na subseção IV.2 acima) possuía como seu escopo primordial às referidas atividades. Desse modo, sendo superado este entendimento, ainda assim é de rigor refutar a restrição do conceito de insumo em que se arvora a autoridade administrativa, consubstanciada na Instrução Normativa SRF n.º 404/2004. A legislação infraconstitucional, regulamentando o artigo 195, parágrafo doze, da Constituição Federal, estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS na aquisição de bens e serviços “utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, sem, contudo, manifestarse acerca da extensão do conceito de “insumo”, a ser adotado pelos contribuintes. Sobre este aspecto, vejase a redação do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/032: (...) Portanto, exceto por aquela vedação legal, todos os demais créditos relacionados a bens e serviços tomados pelo contribuinte para a fabricação dos seus produtos, destinados à venda, são considerados insumos. Ocorre que não há, na lei, uma conceituação positiva de “insumo”. Entretanto, ultrajando o Princípio da Legalidade Tributária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio das Instruções Normativas SRF nos 247/02, 358/03 e 404/04, buscou delimitar o conceito de “insumo” para fins de apuração de créditos do PIS e da COFINS às hipóteses em que os bens e serviços são Fl. 6838DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.798 37 empregados diretamente na prestação de serviços ou na fabricação ou produção de bens4. Como visto anteriormente, esse é o entendimento em que se baliza a autoridade administrativa no caso em apreço. Isto é, a Secretaria da Receita Federal do Brasil adotou um conceito de “insumo” idêntico àquele previsto na legislação do IPI, condicionando os créditos da COFINS e do PIS à integração no serviço ou no produto oferecido pelo contribuinte, embora as hipóteses de incidência tributária desse imposto e das Contribuições em questão em nada se assemelhem. No entanto, a definição de insumo contida naquelas instruções normativas não revela uma interpretação coerente com o regime não cumulativo instituído para o PIS e para a COFINS. A doutrina tributária defende que a conceituação do termo “insumo”, para fins de creditamento de PIS e de COFINS, não pode ser tão restritiva quanto o é para a legislação do IPI, tendo em vista que tais contribuições sociais incidem sobre a receita do contribuinte, motivo pelo qual os bens e serviços (insumos) passíveis de creditamento devem refletir sua regra matriz de incidência. (...) Tendo em vista a nítida divergência quanto à amplitude do conceito, a jurisprudência histórica do “CARF” oscilou em três principais grupos decisórios: (i) em um primeiro momento, acatou o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil “SRFB” quanto ao entendimento restritivo similar ao “IPI”; (ii) paralelamente, em alguns períodos, houve julgados que entenderam que o conceito seria bem mais amplo, comparado aos custos e despesas dedutíveis no lucro real em consonância com a legislação do “IRPJ”; e (iii) o atual conceito, adotando amplitude intermediária aos dois anteriores, entende que “insumo” é tudo aquilo que for despesa essencial para a produção de bens e prestação de serviços do contribuinte, compondo seu custo de produção8. Este conceito do vocábulo “insumo”, intermediário, ligado à essencialidade do bem ou serviço para a produção dos bens e serviços finais, é originado dos Acórdãos nºs 9303 01.035 e 930301.036, ambos de Relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, julgados pela 3ª Turma da “CSRF” – Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de julgamento de 23 de agosto de 2010, cuja ementa do primeiro aresto se transcreve abaixo: (...) A 3ª Turma da “CSRF” sedimentou esse conceito de “insumo” nos julgamentos que seguiram, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 930301.740 e 930301.741 (sessão de 09.11.2011); 9303002.651, 9303002.652, 9303002.653 e 9303.002 655 (julgados Fl. 6839DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.799 38 em 14.11.2013); 9303003.069 (sessão de 13.08.2014); 9303 003.079 (julgado em 13.08.2014); 9303 003.193 e 9303003.194 (sessão de 26.11.2014); 9303003.308 e 9303003.309 (sessão de 25.03.2015); bem como no mais recente julgamento dos Processos Administrativos nºs 10925.720046/201212 e 10925.720686/201222, realizados na sessão de julgamento de 25 de fevereiro de 2016, cujos Acórdãos ainda não foram formalizados. Através do conceito sedimentado no bojo da jurisprudência mais atual do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – “CARF”, os “insumos” passíveis de creditamento dessas Contribuições são aqueles bens e serviços “necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo”, os quais integram o custo de produção. Com efeito, as Turmas Ordinárias do “CARF” seguem a mesma linha do conceito definido tanto pela “CSRF”, quanto pelo Superior Tribunal de Justiça. Transcrevese abaixo recentes julgados da 3ª Seção do “CARF” que mostram a atualidade do conceito intermediário de “insumo”, ligado à essencialidade do bem e do serviço para a produção do contribuinte, afirmando a pacificação do tema no Conselho: (...) O entendimento acima esposado acolhe o quanto pleiteado pela RECORRENTE, eis que todos os bens e serviços em face dos quais se tomou o crédito do PIS e da COFINS guardam estreita relação com as etapas produtivas relacionadas com as atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo. Verificado, portanto, que o conceito do “insumo” para a atual e recente histórica jurisprudência da CSRF e das Turmas Ordinárias CARF é todo bem e serviço essencialmente utilizados na produção de bens e serviços pelo contribuinte, sejam eles aplicados direta ou indiretamente, resta claro o descompasso com o posicionamento arguido pela autoridade administrativa. VI – DOS PEDIDOS Diante de todo o até aqui exposto, clama a REQUERENTE, inicialmente, pela concessão de novo prazo para manifestação acerca do Resultado de Diligência exarado no processo administrativo em tela, agora com o envio dos mencionados “anexos simples” (anexo 01, anexo 05, anexo 07, anexo 09, anexo 14A e anexo 16), que não estão contemplados nas fls. xx, relativos aos anexos dos quais a REQUERENTE foi cientificada no Termo de Intimação nº xxx/2016, dada a sua vinculação à conclusão a ser perseguida neste processo, sob pena de materialização de violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Ademais, diante da comprovação de que a diligência ora comentada pela REQUERENTE, malgrado tenha reduzido substancialmente o valor da autuação (como já era esperado), deixou de responder adequadamente a todos os questionamentos apontados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, além de haver explicitado premissas equivocadas no tocante aos créditos Fl. 6840DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.800 39 decorrentes de “DACON” e à suposta inexistência de operações de produção de petróleo e gás por parte da REQUERENTE, pugna esta a Vossa Senhoria que seja determinada a realização de nova diligência. Nesta, que se dê integral cumprimento ao quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora, sendo adotadas todas as diligências necessárias para a correta indicação dos valores passíveis de aproveitamento por parte da REQUERENTE, bem assim com a informação acerca da efetiva realização de atividades de produção de petróleo, com os créditos vinculados a esta atividade no período autuado, e com a resposta do questionamento acerca da duplicidade de glosas, em razão do crédito extemporâneo e dos valores relativos aos fretes entre suas bases primárias e secundárias, tudo em homenagem ao princípio da busca pela verdade material, sob pena de nulidade, na esteira da orientação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” Foi apresentado Recurso Voluntário refutando todos os argumentos do Acórdão nos termos da Manifestação de Inconformidade, ainda, requer reforma que foi contestada todos os indeferimentos de compensações. É o relatório. VOTO Laércio Cruz Uliana Junior – Relator O Recurso é tempestivo. Inicialmente cumpre ressaltar que foi reconhecida conexão dos seguintes Processos Administrativos Fiscais: Ainda, compulsando os autos, me deparo com a seguinte informação extraída do Acórdão: Nos termos do § 7º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 21 do Decreto nº 70.235/72, deve ser efetuada a cobrança imediata dos débitos declarados nas declarações de compensação, tendo em vista que a não homologação das declarações de compensação não foi contestada. (Acórdão DRJ fl. 6397 eprocesso). Ainda, houve intimação Fiscal em fl. 6492 (eprocesso): Segue, em anexo, cópia do Acórdão nº 0960.945 (fls. 6.395/6.451), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade Fl. 6841DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.801 40 apresentada nos autos do processo em epígrafe e determinou a cobrança imediata dos débitos declarados nas declarações de compensação, tendo em vista que a não homologação das referidas declarações de compensação não foi contestada, tornandose matéria não impugnada. Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO dessa decisão e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir de sua ciência, efetuar os pagamentos dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de recurso voluntário, dentro do mesmo prazo, conforme disposto no § 10 do artigo 74 da lei 9.430, de 27 de dezembro de 1.996. Quatro DARFs em anexo. Não havendo pagamentos, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, os débitos indevidamente compensados serão encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva, em atendimento ao Acórdão nº 0960.945, que determinou a imediata cobrança dos mesmos. Contudo, realizando pesquisa no sítio do Tribunal Regional Federal da 2ª. Regional encontro uma Execução Fiscal e Embargos à Execução – 0025946 72.2018.4.02.51.01 (2018.51.01.02.94688) em trâmite perante a 12ª. Vara Federal do Rio de Janeiro, envolvendo os PAF’s 16682.720381/201205 e 16682.720390/201298. É de ressaltar que foi proferida sentença proferida nos autos judiciais, aparenta que algumas matérias discutidas possam impactar no julgamento deste Processo Administrativo. Por questões de segurança jurídica, se faz necessário converter o presente feito em diligência, determinando que no prazo de 30 (trinta) dias, o Contribuinte traga aos autos cópia das petições que envolvem a Execução e os Embargos à Execução mencionados, respectivas impugnações, Recursos e demais peças que entenda importante, devendo ser juntado em ordem cronológica, após, abrase vista para Procuradoria da Fazenda Nacional por igual prazo. Ainda, existindo qualquer outra demanda judicial envolvendo os processos conexos que não noticiado nos autos, no mesmo prazo, deverá o contribuinte informar e juntar cópia nos autos para evitar qualquer prejuízo. Finalmente, diante das conexões, os demais processos devem ser julgados em conjunto com este, para isso, devem ser sobrestados até o retorno desse processo. Laércio Cruz Uliana Junior Relator (assinado digitalmente) Fl. 6842DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003887/2008-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando- se o art. 173, inciso I, do CTN.
RELEVAÇÃO DE MULTA. NECESSIDADE DE PEDIDO DENTRO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO.
Incabível a relevação da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, quando o respectivo pedido não foi apresentado dentro do prazo de impugnação.
Numero da decisão: 9202-007.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando- se o art. 173, inciso I, do CTN. RELEVAÇÃO DE MULTA. NECESSIDADE DE PEDIDO DENTRO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. Incabível a relevação da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, quando o respectivo pedido não foi apresentado dentro do prazo de impugnação.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15504.003887/2008-50
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961988
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.484
nome_arquivo_s : Decisao_15504003887200850.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 15504003887200850_5961988.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7610628
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418059866112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 349 1 348 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.003887/200850 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.484 – 2ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria DECADÊNCIA E RELEVAÇÃO DE MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado POTENCIAL SERVIÇOS GERAIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratandose de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando se o art. 173, inciso I, do CTN. RELEVAÇÃO DE MULTA. NECESSIDADE DE PEDIDO DENTRO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. Incabível a relevação da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, quando o respectivo pedido não foi apresentado dentro do prazo de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 38 87 /2 00 8- 50 Fl. 349DF CARF MF 2 Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 15504.003886/200813 37.143.3894 (AI38) Obrig. Acessória Recurso Voluntário 15504.003887/200850 37.143.3908 (AI68) Obrig. Acessória Recurso Especial 15504.003888/200802 37.143.3916 (AI69) Obrig. Acessória Recurso Especial 15504.003889/200849 37.143.3924 (AI85) Obrig. Acessória Dívida Ativa 15504.003890/200873 37.143.3932 (AI86) Obrig. Acessória Recurso Voluntário O presente processo trata do Debcad 37.143.3908 (AI68), lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos períodos de 01/2003 a 12/2004. A ciência do lançamento ocorreu em 18/03/2008 (fls. 13/14). Em sessão plenária de 12/07/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001.533 (efls. 292 a 300), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RELEVAÇÃO DA MULTA. A multa deve ser relevada se o contribuinte retifica a falha que deu ensejo à multa isolada no prazo da Impugnação, mesmo que não faça o requerimento. DECADÊNCIA PARCIAL. PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, aplicamse as disposições do CTN para fins do cômputo da decadência. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 15504.003887/200850 Acórdão n.º 9202007.484 CSRFT2 Fl. 350 3 Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2001 a 12/2004, o lançamento foi realizado em 17/03/2008, tendo a notificação ocorrido em 18/03/2008, dessa forma decaído o período compreendido entre 01/2003 e 02/2003. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INOBSERVÂNCIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de apresentar a declaração no prazo fixado ou apresentála com incorreções ou omissões. Obrigatoriedade expressamente contida na norma do art. 32, IV, da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconheço a decadência parcial das competências 01/2003 e 02/2003, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso a fim de relevar a multa concernente à competência de 04/2003." O processo foi encaminhado à PGFN em 17/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 301) e, em 18/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 308), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 302 a 307, rejeitados conforme Despacho nº 2403112, de 12/12/2012 (efls. 310/311). Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 08/02/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 312) e, em 26/02/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 313 a 329 (Despacho de Encaminhamento de efls. 330), com fundamento nos arts. 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: decadência; e requisitos necessários para relevação da multa. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 149/2014, de 10/02/2014 (efls. 332 a 335). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Da decadência no presente caso, tratandose de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é sempre de ofício, e não por homologação, não existe dispositivo legal que autorize deslocar o termo inicial da decadência para o fato gerador, devendo ser aplicada a regra geral do artigo 173, I, do CTN. Dos requisitos para relevação da multa Fl. 351DF CARF MF 4 o Colegiado a quo resolveu relevar a multa, no que toca à competência 04/2003, em que pese não tenha o Contribuinte formulado pedido expresso nesse sentido; todavia, tal decisão contraria o disposto no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048, de 1999), vigente à época da autuação; o citado dispositivo legal é claro ao prescrever a necessidade de o Contribuinte formular pedido expresso dentro do prazo de defesa, para que haja a relevação da multa; não tendo o Contribuinte adotado tal providência, mostrase inviável a relevação da multa. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, mantendose o lançamento. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (efls. 343 a 347). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de Auto de Infração (Debcad 37.143.3908) lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos períodos de 01/2003 a 12/2004. A ciência do lançamento ocorreu em 18/03/2008 (fls. 13/14). Quanto à primeira matéria decadência no acórdão recorrido, mediante a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, foi declarada a decadência das competências 01/2003 e 02/2003. A Fazenda Nacional, por sua vez, pleiteia a aplicação do art. 173, inciso I, do mesmo Código. Com efeito, o presente processo trata de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é levado a cabo na modalidade de ofício, e não de homologação, portanto não se harmoniza com a problemática de existência ou não de pagamento antecipado. Assim, o dispositivo do CTN a ser aplicado é o artigo 173, inciso I, sem possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data do fato gerador. Destarte, considerandose que a Contribuinte foi cientificada do Auto de Infração em 18/03/2008, e que os fatos geradores ora tratados ocorreram no período de 01/2003 a 12/2004, aplicandose o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência. Quanto à segunda matéria requisitos para relevação da multa destacase que, à época do lançamento, vigorava o art. 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, com a seguinte redação: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15504.003887/200850 Acórdão n.º 9202007.484 CSRFT2 Fl. 351 5 "Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)" (grifei) Com efeito, verificase que um dos requisitos para a concessão desse favor fiscal era o requerimento dentro do prazo de impugnação, o que não foi feito pela Contribuinte em sua peça de defesa. Destarte, não tendo a Contribuinte adotado tal providência, mostrase inviável a apreciação do pedido de relevação da multa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905944/2008-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.905944/2008-19
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5962038
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.635
nome_arquivo_s : Decisao_11020905944200819.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
nome_arquivo_pdf_s : 11020905944200819_5962038.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7611681
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418085031936
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-03T23:38:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-03T23:38:59Z; Last-Modified: 2019-02-03T23:38:59Z; dcterms:modified: 2019-02-03T23:38:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:ec808a35-e5e2-4528-9f21-8d7263b2a2f7; Last-Save-Date: 2019-02-03T23:38:59Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-03T23:38:59Z; meta:save-date: 2019-02-03T23:38:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-03T23:38:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-03T23:38:59Z; created: 2019-02-03T23:38:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-02-03T23:38:59Z; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-03T23:38:59Z | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.905944/200819 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.635 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria COFINS. PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 44 /2 00 8- 19 Fl. 82DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11020.905944/200819 Acórdão n.º 3001000.635 S3C0T1 Fl. 3 3 produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte Fl. 84DF CARF MF 4 comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11020.905944/200819 Acórdão n.º 3001000.635 S3C0T1 Fl. 4 5 atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Fl. 86DF CARF MF 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11020.905944/200819 Acórdão n.º 3001000.635 S3C0T1 Fl. 5 7 tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente,. da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000078/2007-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2002-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (relatora) que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13971.000078/2007-73
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5955013
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.507
nome_arquivo_s : Decisao_13971000078200773.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
nome_arquivo_pdf_s : 13971000078200773_5955013.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (relatora) que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7584733
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418088177664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1351; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 168 1 167 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.000078/200773 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.507 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria IRPF MOLÉSTIA GRAVE Recorrente JORGE LUIS NASCIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (relatora) que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 00 78 /2 00 7- 73 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 169 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 28/35) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005, onde se apurou: Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/04) alegando que seus rendimentos são isentos por ser aposentado e portador de doença grave (CIDC71), conforme documentos anexados. A impugnação foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/FNS por não ter sido apresentado laudo oficial para fins de isenção dos rendimentos recebidos a titulo de aposentadoria (efls. 46/50). Cientificado do acórdão de impugnação em 17/09/2009 (efls. 58), o interessado ingressou com recurso voluntário em 19/10/2009 (efls. 66/80) com os argumentos a seguir sintetizados: Alega que, ao contrário do que restou assentado na decisão alvejada, o recorrente se insurgiu sim contra os valores lançados a titulo de deduções tidas como indevidas, pois o argumento invocando a isenção prevista no inciso XIV do art. 6° da Lei n°7.713/88 é mais que suficiente para questionálos. Entende que o que efetivamente impediu a revisão do lançamento impugnado foi o apego ao formalismo previsto no § 1° do art. 30 da Lei n° 9.250/95, que exige a comprovação da moléstia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Nesse contexto, indica a juntada ao presente recurso do Laudo de Exame Médico Pericial emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social em 15/09/2008, o qual comprova ser aquele portador de neoplasia maligna classificada com o CID C71.3, considerada complexa e irreversível e cuja conclusão foi no sentido de considerálo beneficiário da isenção do imposto de renda. Aduz que, da declaração firmada em 18/09/2008 pelo Supervisor Operacional de Benefícios e Arrecadação da agência do INSS de Rio do Sul, que acompanha o laudo supramencionado, extraise que a data de inicio da incapacidade (DII) é 30/01/2001, assim como se vê assegurada a isenção do desconto de imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria por invalidez previdenciária do ora recorrente mantido naquela Agência da Previdência Social. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 170 3 Voto Vencido Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Sobre a isenção por moléstia grave, aplicase o disposto no art. 39, XXXI e XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 171 4 II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção em comento. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o outro está relacionado com a existência de moléstia tipificada no texto legal, comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso concreto a certidão emitida pelo INSS (efls. 26) demonstra que o contribuinte já se encontrava aposentado por invalidez no ano calendário 2004. Por outro lado, a declaração e o laudo pericial do INSS juntados pelo recorrente para contrapor as razões trazidas pela DRJ (efls. 88/98) indicam que este era portador de neoplasia maligna (CID C.71) à época, fazendo jus, portanto, à isenção pretendida. Cumpre ressaltar que não consta dos autos nenhum documento capaz de comprovar que os rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal foram pagos a título de aposentadoria ou pensão, devendo ser mantida a omissão correspondente a essa fonte pagadora (efls. 33). No que concerne às deduções indevidas apuradas, verificase que nenhum argumento ou elemento de prova foi apresentado na impugnação para contestar o lançamento, motivo pelo qual a decisão de piso considerou as matérias não impugnadas (efls. 47). Com efeito, de acordo com os arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72, todos os documentos comprobatórios devem ser apresentados juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses previstas no §4º do art. 16, o que não restou configurado no caso concreto. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para cancelar a omissão de rendimentos relativa às fontes pagadoras INSS e FUSESC. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 172 5 Voto Vencedor Conselheiro Virgílio Cansino Gil Redator Inicialmente peço vênia para adotar o minudente relatório elaborado pela Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Não acompanho a relatora quanto ao tratamento dado aos rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal. É certo que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção pleiteada, como apontado pela i. relatora. Na apreciação da impugnação, a decisão recorrida indica quais seriam esses dois requisitos, consignando que o sujeito passivo não preenchera apenas um deles: a apresentação de laudo médico oficial. É o que se extrai do trecho a seguir reproduzido: “Como se vê dos dispositivos transcritos a isenção está condicionada ao reconhecimento da doença através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e que os rendimentos se refiram aposentadoria. Em análise aos autos, entretanto, verificase que o sujeito passivo não traz o laudo pericial emitido por serviço médico oficial. 0 contribuinte junta as folhas 05 a 12, tãosomente resumos de internamento, relatórios médicos e atestados emitidos por médicos particulares. No caso, a legislação é clara. Ainda que os documentos apresentados pelo contribuinte indicam a existência de moléstia grave, estes não suprem a exigência de que, para o reconhecimento da isenção, é indispensável a apresentação de "laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios".” Como em seu recurso, o recorrente juntou o laudo médico oficial, é de se reconhecer a isenção pleiteada não só para os rendimentos auferidos do INSS e da FUSESC, mas também da Caixa Econômica Federal, uma vez que a natureza desses rendimentos não foi questionada pela decisão de piso. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 173 6 Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720134/2016-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA.
SÚMULA CARF Nº 115. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS.
Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), deve-se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação.
MÉTODO PRL. NOVO REGRAMENTO DA LEI Nº 12.715/2012. NECESSIDADE DE OPÇÃO.
As novas regras relativas à obtenção dos preços parâmetros introduzidas pela Lei nº 12.715/2012 somente são aplicáveis ao ano-calendário de 2012 mediante opção irretratável do contribuinte realizada na DIPJ/2013.
MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS - PIC. AJUSTES RELACIONADOS A QUANTIDADES NEGOCIADAS. OMISSÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Diante da omissão do sujeito passivo, após intimação para tanto, cabível o ajuste de ofício, com as informações disponíveis e sob critério razoável, dos valores dos bens, serviços ou direitos, de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, em razão das quantidades negociadas.
PREÇO PRATICADO. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS FORNECEDORES VINCULADOS.
A legislação de preço de transferência visa verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS.
Não há contradição entre as disposições legais para determinação de ajustes de preço de transferência e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação firmados pelo Brasil.
Numero da decisão: 1402-003.577
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, i) acerca da ilegalidade de IN 243/2002; ii) em relação a possíveis equívocos na apuração dos métodos PRL e PIC pela autoridade fiscal - inexistência de regra de controle por fornecedor individual; iii) quanto à aplicação do novo PRL da lei nº 12.715/2012; iv) quanto à aplicação do tratado Brasil-Coréia; v) em relação à imposição de juros sobre a multa de ofício - Súmula CARF nº 108; por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente, i) à inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado, divergindo, em relação ao mérito e entendendo pela inaplicabilidade da Súmula CARF nº 115 ao tema, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento; ii) ao item restrição ao método PIC - critério da representatividade mínima de 5%, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 115. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), deve-se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL. NOVO REGRAMENTO DA LEI Nº 12.715/2012. NECESSIDADE DE OPÇÃO. As novas regras relativas à obtenção dos preços parâmetros introduzidas pela Lei nº 12.715/2012 somente são aplicáveis ao ano-calendário de 2012 mediante opção irretratável do contribuinte realizada na DIPJ/2013. MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS - PIC. AJUSTES RELACIONADOS A QUANTIDADES NEGOCIADAS. OMISSÃO DO SUJEITO PASSIVO. Diante da omissão do sujeito passivo, após intimação para tanto, cabível o ajuste de ofício, com as informações disponíveis e sob critério razoável, dos valores dos bens, serviços ou direitos, de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, em razão das quantidades negociadas. PREÇO PRATICADO. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS FORNECEDORES VINCULADOS. A legislação de preço de transferência visa verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. Não há contradição entre as disposições legais para determinação de ajustes de preço de transferência e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação firmados pelo Brasil.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16561.720134/2016-09
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948921
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.577
nome_arquivo_s : Decisao_16561720134201609.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCO ROGERIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 16561720134201609_5948921.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, i) acerca da ilegalidade de IN 243/2002; ii) em relação a possíveis equívocos na apuração dos métodos PRL e PIC pela autoridade fiscal - inexistência de regra de controle por fornecedor individual; iii) quanto à aplicação do novo PRL da lei nº 12.715/2012; iv) quanto à aplicação do tratado Brasil-Coréia; v) em relação à imposição de juros sobre a multa de ofício - Súmula CARF nº 108; por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente, i) à inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado, divergindo, em relação ao mérito e entendendo pela inaplicabilidade da Súmula CARF nº 115 ao tema, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento; ii) ao item restrição ao método PIC - critério da representatividade mínima de 5%, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7572543
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418117537792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.158 1 2.157 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720134/201609 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.577 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria IRPJ PREÇO DE TRANSFERÊNCIA Recorrente LG ELECTRONICS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 115. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL. NOVO REGRAMENTO DA LEI Nº 12.715/2012. NECESSIDADE DE OPÇÃO. As novas regras relativas à obtenção dos preços parâmetros introduzidas pela Lei nº 12.715/2012 somente são aplicáveis ao anocalendário de 2012 mediante opção irretratável do contribuinte realizada na DIPJ/2013. MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS PIC. AJUSTES RELACIONADOS A QUANTIDADES NEGOCIADAS. OMISSÃO DO SUJEITO PASSIVO. Diante da omissão do sujeito passivo, após intimação para tanto, cabível o ajuste de ofício, com as informações disponíveis e sob critério razoável, dos valores dos bens, serviços ou direitos, de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, em razão das quantidades negociadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 34 /2 01 6- 09 Fl. 2158DF CARF MF 2 PREÇO PRATICADO. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS FORNECEDORES VINCULADOS. A legislação de preço de transferência visa verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. Não há contradição entre as disposições legais para determinação de ajustes de preço de transferência e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação firmados pelo Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, i) acerca da ilegalidade de IN 243/2002; ii) em relação a possíveis equívocos na apuração dos métodos PRL e PIC pela autoridade fiscal inexistência de regra de controle por fornecedor individual; iii) quanto à aplicação do novo PRL da lei nº 12.715/2012; iv) quanto à aplicação do tratado BrasilCoréia; v) em relação à imposição de juros sobre a multa de ofício Súmula CARF nº 108; por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente, i) à inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado, divergindo, em relação ao mérito e entendendo pela inaplicabilidade da Súmula CARF nº 115 ao tema, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento; ii) ao item restrição ao método PIC critério da representatividade mínima de 5%, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.159 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG, que julgou IMPROCEDENTE, integralmente, a impugnação da agora recorrente. Da autuação fiscal: O presente processo versa sobre autos de infração de IRPJ e da CSLL, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2012. O valor autuado decorre de ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferência, não adicionados ao lucro líquido do período, para determinação do lucro real, no montante de R$ 660.805.912,73. Em decorrência da infração anterior, houve também autuação inerente à compensação indevida de prejuízo operacional, no montante superior ao saldo desse prejuízo de R$ 24.862.938,96. Envolve o montante autuado de R$ 494.926.039,50, assim discriminado: Tributo Principal Multa 75% Juros Total IRPJ 165.245.981,70 123.934.486,26 74.761.719,13 363.942.187,09 CSLL 59.472.532,13 44.604.399,09 26.906.921,19 130.983.852,41 Total 224.718.513,83 168.538.885,35 101.668.640,32 494.926.039,50 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até fevereiro/2017) Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante do Auto de Infração de IRPJ, a auditorfiscal autuante relatou o seguinte: ADIÇÕES PREÇOS DE TRANSFERÊNCIAS INFRAÇÃO: CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR PESSOA VINCULADA Valor de ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferência, relativo a custos, despesas e encargos de importação de bens adquiridos de pessoa vinculada no exterior ou de pessoa em país com tributação favorecida, não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme relatório de auditoria fiscal anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) Fl. 2160DF CARF MF 4 31/12/2012 660.805.912,73 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 241, 244, 245, 247 e 249, inciso I, do RIR/99 SALDO INSUFICIENTE INFRAÇÃO: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL O sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, conforme detalhamento nos demonstrativos de apuração e no relatório de auditoria fiscal anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2013 24.862.938,96 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2013: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99 No lançamento de CSLL foram apontadas as mesmas infrações apontadas no lançamento de IRPJ. No Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante dos autos de infração, às fls. 2/29, foi relatado, em resumo, o seguinte: Em 14/05/2015, deuse início à fiscalização no contribuinte acima para apuração do IRPJ/CSLL do anocalendário 2012, referente ao ajuste de preço de transferência – operações de importação, conforme documentação contida no anexo nº 1. [...] Em 30/05/2016, o contribuinte apresentou novas memórias de cálculo, e intempestivamente as complementou em 14/06/2016 com informações que haviam faltado sobre o método CPL. Em 01/06/2016, a fiscalização, a pedido do contribuinte, com ele se reuniu para tirarlhe algumas dúvidas e ouvirlhe alguns esclarecimentos. As novas memórias de cálculo, sua complementação e a correspondência entre fiscalização e contribuinte constam do anexo nº 6. Por fim, em 28/06/2016, o contribuinte apresentou de modo próprio novas memórias de cálculo, em substituição às anteriores, constantes do anexo nº 7. Estas últimas memórias de cálculo, a fiscalização não as pôde aceitar, pelas razões expostas no item seguinte. 3. INACEITABILIDADE DO TERCEIRO CONJUNTO DE MEMÓRIAS DE CÁLCULO As memórias de cálculo de 28/06/2016 foram apresentadas pelo contribuinte, acompanhadas de correspondência de onde se destaca a passagem abaixo: “Nos termos do artigo 20A da Lei nº 9.430/96 (conforme redação dada pela Lei nº 12.715/12), os contribuintes podem optar pela aplicação do Novo PRL, para ajustes de preços de transferência, em relação ao anocalendário de 2012. Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.160 5 Caso se desconsidere o PRL da Lei nº 9.430/96 (critério adotado pela Fiscalizada), devese considerar o Novo PRL da Lei nº 12.715/12, conforme cálculos anexos.” Correspondência do contribuinte de 28/06/2016. A lei nº 12.715/2012 alterou a lei nº 9.430/1996, estabelecendo novas regras de preço de transferência. Tais regras são imediatamente aplicáveis ao ano calendário 2013 e seguintes, independentemente de opção do contribuinte. Para o anocalendário 2012, elas só se aplicam por opção do contribuinte, conforme facultado pelo art. 52 da lei nº 12.715/2012, transcrito abaixo: [...] Assim, para fazer uso das novas regras, o contribuinte deveria por elas optar na DIPJ 2013 AC 2012, sendo essa opção irretratável. Não foi isso o que o contribuinte ora autuado fez, como consta na sua DIPJ (anexo nº 8 A). Nela vêse, conforme extrato abaixo, que o contribuinte optou por não aplicar as novas regras de preços de transferência. Sendo essa opção irretratável, a fiscalização não pôde aceitar as memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte em 28/06/2016, baseadas nas novas regras de preços de transferência, visto que o contribuinte já não mais podia fazer uso delas. [...] 4. EXAME DAS MEMÓRIAS DE CÁLCULO [...] A fiscalização examinou cada um desse itens das primeiras memórias de cálculo, e informou ao contribuinte qual o erro encontrado em cada um deles (anexo nº 4). Os seguintes erros foram informados: 1 – no método PRL, o preço praticado não incluiu o frete, seguro e imposto de importação, em desacordo com o art. 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002; 2 – no método PRL 60, o preço parâmetro foi calculado com metodologia contrária ao art. 12, § 11, da IN SRF nº 243/2002; 3 – no método PIC, em alguns produtos, a composição do preço parâmetro não foi informada, em desacordo com o art. 8º, caput, da IN SRF nº 243/2002; 4 – no método PIC, na maioria dos produtos, os valores dos bens não foram ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços comparados, por diferenças nas quantidades negociadas, contrariando o art. 9º, caput, § 1º, inciso II, e § 4º, da IN SRF nº 243/2002; 5 – no método CPL, os custos de produção não foram demonstrados, contrariando o art. 13, § 2º, da IN SRF nº 243/2002. Em substituição às primeiras memórias de cálculo, o contribuinte apresentou novas memórias (anexos nº 6 C e 6 E). [...] Fl. 2162DF CARF MF 6 Além das alterações de método mostradas acima, o contribuinte, variando de item para item, também fez alterações no preço praticado, no preço parâmetro e na composição do preço parâmetro. A fiscalização examinou novamente cada um dos 20.335 itens nas novas memórias de cálculo e encontrou erros em 10.103 itens que, corrigidos pela fiscalização, geraram ajuste de R$ 660.905.912,73, demonstrado no anexo nº 10. Os demais itens, embora vários tenham apresentado erros, não geraram ajuste, de modo que não são mencionados doravante nem entram nas quantificações abaixo. A tabela nº 2 abaixo, mostra o ajuste declarado pelo contribuinte na DIPJ 2013 AC 2012 e nas suas memórias de cálculo, e o ajuste obtido pela fiscalização. DIPJ 2013 primeiras memórias segundas memórias fiscalização 0,00 0,00 26.162.993,76 660.805.912,73 Tabela nº 2 – comparativo de ajustes Nas novas memórias de cálculo, a fiscalização encontrou mais uma vez os quatro primeiros erros das memórias anteriores, mas não encontrou o erro nº 5. Em compensação, inexistente nas primeiras memórias, apareceu nas novas memórias o erro nº 6. O erro nº 6 ocorreu porque, nos produtos com mais de um fornecedor, o preço praticado não foi individualizado por fornecedor, contrariando o disposto no caput do art. 1º (“operações praticadas por pessoa jurídica no Brasil com pessoa jurídica no exterior” – pessoa no singular) e no caput do parágrafo único do art. 8º (“por esse método, os preços dos bens adquiridos de uma empresa vinculada serão comparados” – empresa no singular) da IN SRF nº 243/2002, ambos fundados no art. 18 da lei nº 9.430/1996 (“nas operações efetuadas com pessoa vinculada” – pessoa no singular. [...] 10. PRL APURADO Ao lidar com os erros examinados acima, em duas situações a fiscalização foi obrigada a considerar imprestáveis os documentos apresentados pelo contribuinte: > no erro nº 3: as planilhas Ajustes e Média Preços são incompatíveis entre si, pois na primeira planilha o contribuinte optou pelo método PIC, mas na segunda adotou o método PRL. > no erro nº 4: nos itens comparados totalmente afetados pelo expurgo, conforme detalhado no tópico nº 8.6 deste relatório, a planilha PIC não se presta para sustentar o preço parâmetro informado na planilha Ajustes, pois o contribuinte deixou de fazer o ajuste de quantidade necessário. [...] Tendo sido intimado dos erros acima e recebido o prazo de 60 dias para corrigilos, o contribuinte permaneceu incorrendo nos mesmos erros, apesar de apresentar à fiscalização novas memórias de cálculo e de informarlhe que os corrigira. A fiscalização, então, recorreu a informações prestadas pelo contribuinte no ambiente SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, módulo NFe – Notas Fiscais Eletrônicas, e juntamente com as informações das planilhas Ajustes, Saldos de Inventário, Vendas e PRL 60% das segundas memórias de cálculo, determinou novo preço parâmetro aplicando o método PRL. Este procedimento é identificado no Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.161 7 anexo nº 10, na planilha demonstrativo de ajuste, coluna método fiscalização, com a expressão PRL apurado. Nos casos mencionados acima, a fiscalização determinou o preço parâmetro com base nos documentos de que dispunha, aplicando o método PRL, em vez do método PIC adotado pelo contribuinte. A demonstração do novo preço parâmetro e o detalhamento de seu cálculo encontramse no anexo nº 18. 11. RESUMO DOS ERROS A tabela nº 16 abaixo apresenta uma sinopse dos erros incorridos nas segundas memórias de cálculo, com a providência adotada pela fiscalização para corrigilos. erro método preço incorreto descrição correção 1 PRL praticado sem frete, seguro e II incluído o frete, seguro e II 2 PRL 60 parâmetro metodologia incorreta corrigida a metodologia 3 PIC parâmetro composição não informada PRL apurado 4 PIC parâmetro sem ajuste de quantidade expurgado nível comercial < 5% (a) PIC contribuinte (b) PIC corrigido (c) PRL apurado 6 PRL e PIC praticado fornecedor não individualizado individualizado o fornecedor 12. AUTOS DE INFRAÇÃO O exame da DIPJ 2013 AC 2012 (anexo nº 8 A) mostra que, tanto na demonstração do lucro real (ficha 09A) quanto no cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido (ficha 17), o contribuinte nada adicionou a título de ajustes decorrentes de métodos – preços de transferências (linha 09), declarando ajuste zero. Assim, o ajuste de R$ 660.805.912,73 encontrado pela fiscalização é integralmente adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, procedendose à lavratura de auto de infração, para constituição do crédito tributário daí resultante. Com a adição do ajuste acima, aumentou a compensação de prejuízo fiscal do contribuinte, zerando o saldo no anocalendário de 2012. Com isso, houve compensação indevida de prejuízos no ano seguinte, pelo que a fiscalização autuou também essa infração, formalizando tudo em um único processo, visto que a comprovação dos ilícitos depende dos mesmos elementos de prova, nos termos do § 1º do art. 9º do decreto nº 70.235/1972. No anexo nº 19, temse o demonstrativo dessa infração. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Fl. 2164DF CARF MF 8 Cientificada do lançamento em 23/02/2017, a interessada apresentou impugnação em 22/03/2017, às fls. 1.791/1.839, na qual, consoante os argumentos ali aduzidos, ao final assim se manifestou: 185. Ante todo exposto, podese concluir que: (i) deve ser reconhecida a ilegalidade da IN 243/02, seu artigo 12 e parágrafos (em especial o § 11). A Requerente demonstrou que a IN 243/02 inovou em relação ao artigo 18 da Lei 9.430/96 (artigo 18, inciso II), trazendo nova sistemática para o PRL 60, o que resultou em majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSL. As principais inovações da IN 243/02 ao PRL 60, que caracterizam ilegalidade, estão relacionadas: a) à introdução do chamado "critério de proporcionalidade", com base no qual o preço parâmetro seria definido com base na participação do insumo sobre produto final revendido no Brasil, e não mais com base no valor absoluto dessa revenda; e b) à exclusão da variável "valor agregado no País" das fórmulas para determinação do preço parâmetro do PRL 60, cuja utilização era expressamente determinada pelo texto da Lei 9.430/96 (artigo 18, inciso II, "d"); (ii) por meio de cálculos elaborados por auditores independentes da Deloitte e parecer matemático (elaborado pelo Prof. Dr. Vladimir Belitzky, da USP), a Requerente comprovou, no caso concreto, que o PRL 60 da IN 243/02: a) não guarda nenhuma relação direta com a Lei 9.430/96, não podendo ser obtido através de nenhuma interpretação do texto legal (finalística, gramatical ou matemática); e b) efetivamente resulta em ajustes tributários superiores aos da lei (majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSL), invariavelmente, em todas as operações de importação examinadas no caso concreto (e em toda e qualquer operação que se possa examinar); (iii) a Requerente demonstrou que a majoração de tributação por instrução normativa configura ilegalidade e inconstitucionalidade da autuação, por violação direta aos artigos 3°, 97 e 114 do CTN, em afronta aos princípios de legalidade, capacidade contributiva, vinculação do ato administrativo, dentre outros; (iv) somente uma lei poderia inserir os critérios de proporcionalidade e afastar uma variável expressamente indicada em lei anterior, resultando em majoração de tributação. A lei em questão somente foi editada em 2012 (Lei 12.715/12), tornando ainda mais clara a ilegalidade do PRL 60 da IN 243/02 (e a ausência de sua fundamentação lógica), pois: a) a Lei 12.715/12 produz efeitos para períodos posteriores a 2013, sem efeitos retroativos para os fatos geradores de 2012, discutidos nos presentes autos (observado o princípio da anterioridade); e b) ao introduzir o critério de proporcionalidade (da IN 243/02) ao ordenamento legal, o legislador teve o cuidado de reduzir a margem de lucro do PRL de 600/o para 20%. (v) se aplicável ao presente caso (considerando os valores efetivamente praticados pela Requerente, conforme cálculos da Deloitte), a metodologia da Lei 12.715/12 não resultaria em ajustes tributáveis (ou ao menos estes seriam muito inferiores aos do auto de infração), o que torna patente a regularidade dos preços praticados pela Requerente e a ausência de lógica do PRL 60 da IN 243/02, em especial no caso concreto; Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.162 9 (vi) restou demonstrado que o critério de proporcionalidade, trazido de forma ilegal pela IN 243/02 e legal pela Lei 12.715/12, somente teria lógica se aliado à redução da margem de lucro (de 60% para 20%, observada a realidade de qualquer mercado), caso contrário, a sua aplicação resultaria em distorções e abusos (seria incompatível com a realidade de mercado e com o princípio arm's length); (vii) também ficou clara a impossibilidade de utilização do preço CIF+I.I., devendo prevalecer a metodologia adotada pela Requerente, que preconiza a utilização do preço FOB, em conformidade com a legislação aplicável. A edição posterior da Lei 12.715/12 apenas confirma a correção do procedimento adotado pela Requerente; (viii) também foi demonstrada, de forma clara e incontestável, a impossibilidade de as autoridades fiscais restringirem a utilização do método PIC pela Requerente, tendo em vista que o critério de representatividade mínima de 5%, adotado como referencial pelas autoridades fiscais, não encontra previsão nem na Lei 9.430/96, nem na IN 243/02, decorrendo de mera liberalidade. No caso, as autoridades fiscais não exerceram o seu ônus de comprovar que as diferenças de quantidades exerceriam efetiva interferência no preço praticado, conforme exige a legislação, com base em documentação disponibilizada pelos vendedores. A regra de representatividade mínima, como visto, foi introduzida ao ordenamento legal somente após a edição da Lei 12.715/12, sem efeitos retroativos para o caso concreto, conforme inclusive reconhecido pela DRJ em caso análogo; e (ix) a exigência de que os métodos PRL e PIC considerassem apenas operações com fornecedores individualizados, para fins de determinação do preço praticado, não encontra nenhuma previsão legal ou normativa. A finalidade da regra transcrita é apenas de indicar quais operações estariam sujeitas ao controle de preços de transferência, e não individualizar o preço praticado por fornecedor com cada produto. Em termos práticos, não é viável o preenchimento da DIPJ e da ECF com a informação individualizada. O próprio sistema exige que no campo "preço praticado" a pessoa jurídica informe o "preço médio ponderado de aquisição nas importações dos bens", não existindo referência a informação por fornecedores individualizados (ficha 32 da DIPJ); (x) em caráter subsidiário, a Requerente demonstrou ainda a impossibilidade de ajustes tributáveis com base no artigo 9° do Tratado Internacional firmado entre Brasil e Coreia para evitar a Dupla Tributação ("Tratado"), pois: a) o Tratado se sobrepõe à legislação brasileira, nos termos do artigo 98 do CTN; e b) o Tratado somente admite ajustes tributáveis quando as autoridades fiscais comprovarem a transferência indevida de lucros tributáveis do Brasil para a Coreia do Sul (profit shifting), o que não ocorreu no caso dos autos; e (xi) por fim, a Requerente apontou as inconsistência da aplicação dos juros SELIC sobre a multa de mora. Considerando que a SELIC teria sido instituída para fins de atualização dos valores de principal (tributo), foi demonstrada a ilegalidade de sua exigência sobre o valor da multa, com base em precedente da CSRF. 186. Ante o exposto nos itens acima, a Requerente pleiteia o acolhimento integral da presente Impugnação e o cancelamento da exigência fiscal consubstanciada no auto de infração, com o consequente arquivamento do processo administrativo, seja pelo reconhecimento da ilegalidade do PRL da IN 243/02, seja pelo reconhecimento da necessidade de ajustes com base na aplicação do método Fl. 2166DF CARF MF 10 PIC, os quais devem afastar, in totum, a presunção dos supostos erros do Termo de Verificação Fiscal, que deram origem à autuação. 187. Apenas para fins de argumentação, na remota hipótese de serem desconsiderados os argumentos acima apresentados, com base nos quais deve ser reconhecida a inaplicabilidade do PRL da IN 243/02, bem como a aplicabilidade do método PIC, a Requerente pleiteia, em caráter subsidiário, seja deferida a comprovação da adequação dos preços de transferência com base no "novo PRL" da Lei 12.715/12, tendo em vista sua aplicação facultativa para o anocalendário de 2012 (artigo 20A da Lei 9.430/96), aceitandose como válida a documentação de suporte apresentada no curso do procedimento de fiscalização. 188. A Requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos, nos termos do artigo 16, § 40, alínea "a" do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL à mesma, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. Constatada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de ofício em conformidade com as determinações expressas em normas legais e administrativas, não sendo passível na esfera administrativa a discussão de eventuais imperfeições porventura contidas nessas normas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL. NOVO REGRAMENTO DA LEI Nº 12.715/2012. NECESSIDADE DE OPÇÃO. As novas regras relativas à obtenção dos preços parâmetros introduzidas pela Lei nº 12.715/2012 somente são aplicáveis ao anocalendário de 2012 mediante opção irretratável do contribuinte realizada na DIPJ/2013. MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS PIC. AJUSTES RELACIONADOS A QUANTIDADES NEGOCIADAS. OMISSÃO DO SUJEITO PASSIVO. Diante da omissão do sujeito passivo, após intimação para tanto, cabível o ajuste de ofício, com as informações disponíveis e sob critério razoável, dos valores dos bens, serviços ou direitos, de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, em razão das quantidades negociadas. Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.163 11 PREÇO PRATICADO. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS FORNECEDORES VINCULADOS. A legislação de preço de transferência visa verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. Não há contradição entre as disposições legais para determinação de ajustes de preço de transferência e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação firmados pelo Brasil. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. “A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” [Acórdão CSRF nº 9101002.749, sessão de 04/04/2017.] DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. O decidido quanto ao lançamento principal aplicase aos lançamentos decorrentes dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: quanto à discordância da recorrente sobre a metodologia de cálculo do PRL adotada pela IN SRF nº 243/2002, que padeceria de ilegalidade, por estar em desacordo com o art. 18 da Lei nº 9.430/1996, não cabe às DRJs apreciar questões acerca da eventual ilegalidade de instrução normativa editada pela Receita Federal. Por conseguinte, não há reparos ao procedimento da fiscalização. Contudo, mesmo assim fez uma análise detalhada do comparativo de ambos normativos legais, concluindo que para não ocorrer distorções no preço praticado, deverá ter em sua composição tais custos, algo já previsto tanto na lei quanto na IN; quanto ao erro nº 4 Método Preços Independentes Comparados PIC a recorrente alegou tal critério adotado pela fiscalização não encontra previsão nem na Lei nº 9.430/1996 e nem IN nº 243/2002, e não teve acesso aos documentos de emissão da empresa vendedora. Contudo, 98% dos itens parâmetros são de fornecedores vinculados à recorrente, e a fiscalização buscou os critérios para dar cumprimento ao art. 9º da IN SRF nº 243/2002, o que fez a contento conforme demonstra no relatório fiscal; quanto ao erro nº 6 Métodos PRL e PIC alegou a recorrente na sua impugnação que o preço praticado do PRL e do PIC é fixado a partir da média por produtos, considerando múltiplos fornecedores. Contudo, a legislação aplicável é na lógica que cada fornecedor deve ser individualmente considerado, no sentido de se buscar os efeitos com pessoa vinculada, o que prospera o realizado pela fiscalização; Fl. 2168DF CARF MF 12 quanto ao novo PRL instituído pela Lei nº 12.715/2012, tendo em vista a sua aplicação facultativa para o anocalendário de 2012 (art. 20A da Lei nº 9.430/1996) arguidos pela recorrente na sua impugnação, não prosperaram pois fizera opção irretratável na sua DIPJ/2013 de não seguir as novas regras; sobre a alegação de impossibilidade de ajustes por conta de tratado internacional entre BrasilCoréia, não foi incorporado o item 2 do modelo OCDE, que trata de ajustes como o do caso concreto, assegurando a aplicação da legislação brasileira ao tema de preços de transferência; Do Recurso Voluntário: A recorrente tomou ciência da decisão a quo em 01/08/2017, e apresentou recurso voluntário em 30/08/2017, ou seja, tempestivamente. Em essência, sua peça recursal repisa os mesmos elementos e alegações da sua peça impugnatória, os quais destaco a seguir: o PRL 60 ilegalidade da IN 243/2002 a autoridade administrativa é competente para apreciar a ilegalidade ou não da IN; a metodologia da IN 243/2002 é inovadora em relação à metodologia da Lei 9.430/1996; impossibilidade de majoração de tributo pela IN 243/2002; improcede o argumento que a IN 243/2002 tem fundamento lógico ou finalístico; a MP 478/09 e a Lei 12.715 reconhecem expressamente a ilegalidade da IN; PRL 20 e PRL 60 Inaplicabilidade do Preço CIF + II para determinação do preço praticado ; indevida restrição à utilização do método PIC (erro nº 4 do TVF Inaplicabilidade do critério de representatividade mínima de 5%; equívocos na apuração dos métodos PRL e PIC pela autoridade fiscal (erro nº 6 do TVF) inexistência de regra de controle por fornecedor individual; a aplicação do novo PRL da lei nº 12.715/2012; aplicação do tratado BrasilCoréia; impossibilidade de aplicação dos juros sobre a multa de ofício; IV. CONCLUSÃO 219. Considerando o quanto acima exposto, podese concluir que: (i) o presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser regularmente processado e julgado pelo CARF; (ii) os ajustes baseados no PRL 60 da IN 243/02 são totalmente improcedentes, em vista da ilegalidade do normativo em questão. A metodologia da IN 243/02 inova (e não interpreta) em relação à Lei 9.430/96, ao criar um critério de proporcionalidade (isolamento do insumo) e afastar a variável "valor agregado no País" de suas fórmulas do PRL 60. Além disso, a aplicação da Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.164 13 IN 243/02 necessariamente resulta em ajustes tributários superiores aos da Lei 9.430/96, o que é comprovado pelos cálculos da Deloitte e parecer matemático elaborado pelo Prof. Dr. Vladimir Belitzky, da USP. A inovação da metodologia e a majoração de tributação, no caso, caracterizam a ilegalidade da IN 243/02; (iii) também ficou clara a impossibilidade de utilização do preço CIF+I.I, devendo prevalecer a metodologia adotada pela Recorrente, que preconiza a utilização do preço FOB, em conformidade com a legislação aplicável, para fins de determinação do preço praticado do PRL. A edição posterior da Lei 12.715/12 apenas confirma a correção do procedimento adotado pela Requerente); (iv) foi demonstrada, de forma clara e incontestável, a impossibilidade de as autoridades fiscais restringirem a utilização do método PIC pela Recorrente, tendo em vista que o critério de representatividade mínima de 5%, adotado como referencial pelas autoridades fiscais, não encontra previsão nem na Lei 9.430/96, nem na IN 243/02, decorrendo de mera liberalidade. No caso, as autoridades fiscais não exerceram o seu ônus de comprovar que as diferenças de quantidades exerceriam efetiva interferência no preço praticado, conforme exige a legislação, com base em documentação disponibilizada pelos vendedores. A regra de representatividade mínima, como visto, foi introduzida ao ordenamento legal somente após a edição da Lei 12.715/12, sem efeitos retroativos para o caso concreto, conforme inclusive reconhecido pela DRJ em caso análogo (Caso Nissan); (v) a exigência de que os métodos PRL e PIC considerassem apenas operações com fornecedores individualizados, para fins de determinação do preço praticado, não encontra nenhuma previsão legal ou normativa. A finalidade da regra transcrita é apenas de indicar quais operações estariam sujeitas ao controle de preços de transferência, e não individualizar o preço praticado por fornecedor com cada produto. Em termos práticos, não é viável o preenchimento da DIPJ com a informação individualizada. O próprio sistema exige que no campo "preço praticado" a pessoa jurídica informe o "preço médio ponderado de aquisição nas importações dos bens", não existindo referência a informação por fornecedores individualizados (ficha 32 da DIPJ). Exigir o cumprimento de obrigação acessória impossível, decorrente da interpretação equivocada da legislação que regula a obrigação principal (regras de preços de transferência), demandaria prova impossível, caracterizando a chamada probatio diabólica; (vi) de forma subsidiária (caso os argumentos acima fossem desconsiderados), a Recorrente demonstrou no curso dos autos que as regras do "novo PRL" da Lei 12.715/12 (opcional para o anocalendário de 2012) seriam mais benéficas do que o PRL 60 da IN 243/02, por resultar em menores ajustes (devendo Fl. 2170DF CARF MF 14 prevalecer no caso dos autos, nos termos dos artigos 18, § 4o, e 20A, da Lei 9.430/96); (vii) para fins de argumentação, em se tratando de matéria de ordem pública, a Recorrente demonstrou a impossibilidade de ajustes tributáveis com base no artigo 9o do Tratado Brasil Coréia. Em seus termos, somente caberiam ajustes se comprovado (pelas autoridades fiscais) que houve transferência indevida de recursos tributáveis do Brasil para o exterior (Coréia do Sul). Essa prova inexiste no caso concreto (pelo contrário, o método PRL 60 da IN 243/02 exige ajustes em patamares totalmente incompatíveis com a realidade de mercado). A Recorrente, sabidamente, é uma multinacional que observa necessariamente condições de mercado (inclusive para fins de compliance) em suas operações com partes vinculadas. O Tratado prevalece sobre o dispositivo da IN 243/02 (artigo 98 do CTN); e (viii) por fim, deve ser reconhecida a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de mora. Nesse particular, considerando que a Selic foi instituída para fins de atualização dos valores de principal, é claramente ilegal a sua exigência sobre o valor da multa, conforme jurisprudência desse CARF. 220. Portanto, a Recorrente requer seja julgado INTEGRALMENTE PROCEDENTE o presente Recurso Voluntário, para o fim de que sejam totalmente cancelados os débitos de IRPJ e CSL objeto do processo administrativo, em vista da patente ilegalidade dos ajustes de preços de transferência realizados pelas autoridades fiscais. 221. Apenas para fins de argumentação, na remota hipótese de serem desconsiderados os argumentos acima apresentados, com base nos quais deve ser reconhecida a inaplicabilidade do PRL da IN 243/02, bem como a aplicabilidade do método PIC, a Recorrente pleiteia, em caráter subsidiário, seja deferida a comprovação da adequação dos preços de transferência com base no "novo PRL" da Lei 12.715/12, tendo em vista sua aplicação facultativa para o anocalendário de 2012 (artigo 20 A da Lei 9.430/96), aceitandose como válida a documentação de suporte apresentada no curso do procedimento de fiscalização. 222. Ademais, em observância ao princípio da verdade material, a Recorrente protesta ainda pela juntada oportuna de quaisquer documentos aptos a demonstrar a realidade fática dos autos, acaso necessários. Termos em que pede deferimento. É o relatório. Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.165 15 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Dos pontos suscitados na peça recursal: Quanto à ilegalidade da IN 243/2002 Alega a recorrente da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, e que a autoridade administrativa é competente para apreciação desta questão. Destaca, no seu entender, as inovações do PRL 60 da IN SRF nº 243/2002 em relação à Lei nº 9.430/1996, em extenso arrazoado na sua peça recursal. Contudo, tal questão há anos vem sendo discutida no âmbito do CARF, tendo conformada a posição que resultou na recentemente publicada súmula CARF nº 115: A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Ou seja, independentemente da posição meritória aqui a se discutir, a qual individualmente indico posição já adotada anteriormente em outros votos em que vou de encontro ao pleito da recorrente, tal matéria, no momento em que passa a ser sumulada, é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do caput art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf)). Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Quanto à inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado Alega a recorrente da impossibilidade de utilização do preço CIF+II, devendo prevalecer a sua metodologia aplicada, que preconiza a utilização do preço FOB, em conformidade com a legislação aplicável, para fins de determinação do preço praticado do PRL. Fl. 2172DF CARF MF 16 Contudo, a apuração do preço parâmetro, dos valores relativos a frete e seguro, cujo o ônus tenha sido do importador, e dos tributos incidentes na importação está expressamente consignado no art. 18 da lei nº 9.430/1996, caput e § 6º, dada antes da alteração promovida pela lei nº 12.715/2012, assim transcrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: [...] III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: [...] (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. E a própria IN SRF nº 243/2002, no seu § 4º, do artigo 4º não vacila sobre acompanhar o mesmo entendimento: Art. 4º (...) § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Destarte, a pretensão da recorrente que a apuração do preço praticado deve ser o de valor FOB (free on board) da mercadoria importada, não merece acolhida. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado, devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. Do contrário, haveria distorções com o preço parâmetro, que são as operações entre pessoas não vinculadas. É necessário manter ambos os valores preço praticado e preço parâmetro no mesmo nível comparativo. E de qualquer forma, na nova redação dada pela lei nº 12.715/2012 não alterou tal entendimento, apenas ao permitir a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na apuração do preço praticado, na mesma toada do preço parâmetro, ou seja, mantendo a mesma base de comparação e grandeza dos valores. Dito isto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso quanto a este item. Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.166 17 Quanto à restrição ao método PIC (erro nº 4 do TVF) critério da representatividade mínima de 5%; Alega a recorrente que haveria a impossibilidade das autoridades fiscais de restringirem a utilização do método PIC, tendo em vista que o critério de representatividade mínima de 5%, adotado como referencial pelas autoridades fiscais, não encontra previsão nem na Lei 9.430/96, nem na IN 243/02, decorrendo de mera liberalidade. A regra da representatividade mínima só teria sido introduzida ao ordenamento legal após a edição da lei nº 12.715/2012, sem efeitos retroativos. Traz a tona decisão da DRJ sobre o tema, o qual chamou de caso Nissan (processo nº 16561.720101/201146). Tal matéria foi objeto de decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, no sentido de acatar o procedimento da autoridade fiscal, pois o ato de desprezar as comparações com nível comercial menos que 5% buscou tão somente minimizar os efeitos sobre os preços comparados, decorrentes das quantidades negociadas, em conformidade com o disposto no art. 9º da IN SRF nº 243/2002. Compulsando os autos, verificase que o relatório de auditoria fiscal aplicou as seguintes disposições da IN SRF nº 243/2002, no que tange ao método PIC: Art. 9º Os valores dos bens, serviços ou direitos serão ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, por diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo. § 1º No caso de bens, serviços e direitos idênticos, somente será permitida a efetivação de ajustes relacionados com: [...] II quantidades negociadas; [...] § 4º Os ajustes em função de diferenças de quantidades negociadas serão efetuados com base em documentos de emissão da empresa vendedora, que demonstrem a prática de preços menores quanto maiores as quantidades adquiridas por um mesmo comprador. [Grifei.] Na disposição normativa acima, verificase a necessidade de ajuste de preço em razão da quantidade negociada. Agregase a isso o que foi salientado no relatório de auditoria fiscal e na decisão a quo, que a recorrente concordou com tal postura durante a execução do procedimento fiscal, após intimada para tanto. Nos autos, constatase que 98% dos itens parâmetros eram de fornecedores vinculados à recorrente, conforme trecho destacado do relatório de auditoria fiscal: Vêse que o ajuste de quantidade necessita de documentos da empresa vendedora. Seriam tais documentos inacessíveis a LG Electronics do Brasil Ltda., de modo que teria sido esta a razão por que não fez o ajuste de quantidade? Esta hipótese dificilmente se sustenta, tendo em vista que 98,0% dos itens parâmetro tinham um fornecedor vinculado ao contribuinte, Fl. 2174DF CARF MF 18 conforme mostra a tabela nº 11 abaixo (vide planilha itens parâmetro, coluna tipo, no anexo nº 13). O que poderia obstar ao contribuinte o acesso a documentos necessários ao ajuste de quantidade, documentos que demonstrassem a prática de preços menores quanto maiores as quantidades adquiridas por um mesmo comprador, quando tais documentos seriam de emissão de empresa do mesmo grupo LG? Nenhuma informação com base em documento dessa natureza foi apresentada pelo contribuinte à fiscalização, apesar de muitas outras informações terem sido obtidas de vinculadas e apresentadas à fiscalização pelo contribuinte. Isto se deu em todas as planilhas PIC, ao mostrar milhares de operações entre vinculadas e clientes no exterior, e particularmente quando o contribuinte corrigiu o erro nº 5, ao demonstrar no método CPL os custos de produção (anexo nº 6 E), atendendo o disposto no art. 13, § 2º, da IN SRF nº 243/2002. E aqui, peço vênia e me valho da decisão a quo que faz a seguinte ponderação a respeito: Na falta das informações prestadas pela contribuinte sobre as empresas vendedoras, restou à fiscalização buscar elementos e critérios para dar cumprimento ao art. 9º da IN SRF nº 243/2002. Segundo o critério adotado, o método PIC só foi aceito quando as operações entre as partes independentes (utilizadas como base para fixação do preço parâmetro do método PIC) têm nível de representatividade (nível comercial) superior a 5%, em relação à quantidade de importações realizadas pela interessada com o mesmo produto em operações com partes vinculadas (sujeitas ao controle de preços de transferência). Assim, se a contribuinte importou 100 unidades de uma empresa vinculada, deve comparar com pelo menos 6 unidades transacionadas por partes independentes (nível comercial = 6%). Foram feitas 259.079 comparações pelo método PIC preços independentes comparados. A tabela abaixo, extraída do relato fiscal, mostra que a grande maioria dos itens comparados tem baixo nível comercial. Por exemplo, em 77,8% das comparações o nível comercial é menor que 5%. Ou seja, na ausência de informações prestadas pela recorrente sobre as empresas vendedoras, restou à autoridade fiscal autuante buscar elementos para aplicação do art. 9º da IN SRF nº 243/2002. Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.167 19 No relatório de auditoria fiscal consta que a recorrente comparou preços de compra com preços de revenda, em quantidades relativas a atacado com relativas a varejo, o que suscitou a necessidade de promover os ajustes para minimizar as diferenças decorrentes de condições de negócios distintas. Como salientou a decisão a quo: Se assim não fosse, a não apresentação dos documentos de emissão da empresa vendedora implicaria, neste caso concreto, aceitação pelo Fisco de comparações de preço em níveis comerciais, por exemplo, de 0,001%, como ocorreu para o produto “0CK104BF56A”, em que foram comparados preços unitários de compras, entre transações que envolveram aproximadamente 214 milhões de unidades e transações que envolveram apenas 8 unidades. As alegações da recorrente quanto ao caso Nissan, invocado tanto na impugnação quanto na peça recursal, que entendeu em primeiro grau afastar a regra de representatividade mínima antes da edição da lei nº 12.715/2012, entendo que além de ser um caso e julgados próprios, o fato da edição da MP nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012, que deu nova redação ao artigo 18 da Lei nº 9.430/1996 que passou a exigir a representatividade mínima de 5%, não foi o aplicado no presente caso. Aqui se aplicou a normativa então vigente já citada anteriormente, na aplicação do artigo 9º da IN SRF nº 243/2002. Em nenhum momento a autoridade fiscal autuante invoca o novo ordenamento legal, apesar de estar fiscalizando em 2016 e 2017 o ano calendário de 2012. Apenas se valeu de critérios para minimizar os efeitos, conforme consigna no relatório da auditoria fiscal: Notese que isto não elimina os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, pois permanecem as comparações com nível comercial maior ou igual a 5% e menor que 100%. Mas duas razões sustentam esse procedimento: 1º) mesmo o ajuste de quantidade não elimina, mas minimiza os efeitos, conforme o caput do art. 9º da IN SRF nº 243/2002; 2º) há uma gradação nesses efeitos, que são inversamente proporcionais ao nível comercial, isto é, quanto menor o nível comercial maior o efeito provocado sobre os preços comparados, o que decorre diretamente da prática de preços menores quanto maiores as quantidades adquiridas por um mesmo comprador, mencionada no § 4º, in fine, do art. 9º da IN SRF nº 243/2002. Assim o corte a 5% a um tempo minimiza distorções e limitase ao que é mais danoso. Eliminadas as comparações com nível comercial inferior a 5%, três situações diferentes surgem com relação aos itens comparados: Ø 1ª) itens comparados não afetados pelo expurgo: são os itens cujas comparações apresentaram todas nível comercial igual ou maior que 5%. Nesse caso, não havendo comparação a ser expurgada, o preço parâmetro calculado pelo contribuinte foi aceito pela fiscalização, sendo mantido o método PIC. Fl. 2176DF CARF MF 20 Ø 2ª) itens comparados parcialmente afetados pelo expurgo: são os itens cujas comparações apresentaram umas nível comercial menor que 5% e outras nível comercial igual ou maior que 5%. Nesse caso, a fiscalização expurgou todas as comparações com nível comercial inferior a 5%, manteve as comparações com nível comercial igual ou maior que 5%, e recalculou o preço parâmetro com base nas comparações não expurgadas, sendo mantido o método PIC, cujo cálculo está demonstrado no anexo nº 16. Ø 3ª) itens comparados totalmente afetados pelo expurgo: são os itens cujas comparações apresentaram todas nível comercial menor que 5%. Nesse caso, sendo expurgadas todas as comparações, não foi possível a manutenção do método PIC, e a fiscalização determinou o preço parâmetro com base em outros documentos, com a adoção do método PRL, detalhado no tópico nº 10 deste relatório e demonstrado no anexo nº 17. [Grifos do original.] Ou seja, o critério utilizado está devidamente fundamentado nos autos, mostrandose razoável e proporcional, dadas as informações disponíveis . Nesse sentido, vejo nesta postura do procedimento fiscal apenas dar efetividade ao artigo 9º da IN SRF nº 243/2002 ao caso concreto. Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item. Quanto aos equívocos alegados na apuração dos métodos PRL e PIC pela autoridade fiscal (erro nº 6 do TVF) inexistência de regra de controle por fornecedor individual; Alega a recorrente que não há previsão legal para que se considerem apenas as operações com fornecedores individualizados para determinação do preço praticado para os métodos PRL e PIC. Sustenta que o preço praticado do PRL e do PIC é fixado a partir da média por produto, considerando múltiplos fornecedores. Ademais, sustenta que a DIPJ não comporta tal tipo de informação individualizada. Verificandose aos argumentos para a decisão a quo sobre este ponto, entendo que lhe cabem razão. A legislação de preço de transferência objetiva verificar, para cada fornecedor vinculado ou sediado em país de tributação favorecida, individualmente considerado, se os preços praticados estão compatíveis com os preços de mercado (transações entre partes independentes). Essa é a lógica aplicável dos preços de transferência. A legislação aplicável, já salientada na decisão a quo vai nesse sentido, nos termos do caput do art. 18 da Lei nº 9.430/19961 e arts. 1º, 5º e. 8º da IN SRF nº 243/20022: 1 Lei nº 9.430/96: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos:” Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.168 21 No que tange ao preenchimento das obrigações acessórias, no que tange à DIPJ, como suscitado pela recorrente, peço vênia para destacar o que consta no manual de preenchimento da DIPJ, algo que já ocorreu na decisão a quo: Ficha 33 Operações com o Exterior Contratantes das Importações Esta ficha é habilitada ao se incluir cada operação na Ficha 32. Para cada operação incluída na Ficha 32, a pessoa jurídica deve informar, em ordem decrescente de valor, até 30 (trinta) pessoas vinculadas (subitem 20.1), domiciliadas em países com tributação favorecida ou cuja legislação oponha sigilo à composição societária, ou ainda, a partir de 1º de janeiro de 2009, que gozem, nos termos da legislação, de regime fiscal privilegiado (subitem 20.2), ainda que empreendidas por meio de interpostas pessoas, que sejam contratantes das importações ou operações financeiras. [...] A pessoa jurídica deve preencher os seguintes campos: 1) Nome da Pessoa (Jurídica/Física) Indicar nesta coluna o nome ou razão social da pessoa física ou jurídica contratante da transação, que seja domiciliada no exterior. 2) País 2 IN SRF n° 243/2012: “Art. 1º Para efeito da legislação do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a dedutibilidade de custos de bens, serviços e direitos importados e o reconhecimento de receitas e rendimentos derivados da exportação, em operações praticadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, consideradas vinculadas, será efetuada de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa.” Art. 5º Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. [...] § 5º Se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for inferior àquele utilizado como parâmetro, nenhum ajuste com efeito tributário poderá ser efetuado.” Art. 8º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; II adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; III em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou não residentes.” Art. 5º Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. [...] § 5º Se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for inferior àquele utilizado como parâmetro, nenhum ajuste com efeito tributário poderá ser efetuado.” Fl. 2178DF CARF MF 22 Informar o país onde a pessoa física ou jurídica contratante, no exterior, é domiciliada. 3) Valor da Operação Informar os valores das transações que compõem cada operação inserida na Ficha 32 agrupados por pessoa física ou jurídica contratante, desde que originadas do mesmo país. 4) Condição da Pessoa Envolvida na Operação Assinalar se a pessoa física ou jurídica contratante é: Considerada Vinculada (subitem 20.1); Interposta Pessoa – Transação com Vinculada; ou Residente/Domiciliada em País com Tributação Favorecida, ou ainda, a partir de 1º de janeiro de 2009, que goze, nos termos da legislação, de regime fiscal privilegiado (subitem 20.2). Ou seja, há um nítido sentido de comparações por preços individualizados. Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item. Quanto à aplicação do novo PRL da lei nº 12.715/2012; Alega a recorrente que novo PRL da Lei nº 12.715/2012 (opcional para o ano calendário de 2012 e o período em que fora fiscalizada e autuada) seria mais benéfico que o PRL60 da IN SRF nº 243/2002, por resultar menores ajustes, e que portanto, deveria prevalecer no caso dos autos. Ocorre que quando da edição da Lei nº 12.715/2012, a eventual adoção às novas regras relativas à obtenção dos preços parâmetros somente seriam aplicáveis ao ano calendário de 2012 mediante opção irretratável do contribuinte, a ser realizada na DIPJ/2013. Nos termos da Lei nº 12.715/2012: Art. 52. A pessoa jurídica poderá optar pela aplicação das disposições contidas nos arts. 48 e 50 desta Lei para fins de aplicação das regras de preços de transferência para o ano calendário de 2012. § 1o A opção será irretratável e acarretará a observância de todas as alterações trazidas pelos arts. 48 e 50 desta Lei. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá a forma, o prazo e as condições de opção de que trata o caput. Nos termos da IN RFB nº 1312/2012, que regulamentou as normas contidas na Lei nº 12.715/2012: Art. 56. A pessoa jurídica poderá optar pela aplicação das disposições contidas nos arts. 11, 12, 16, 34 e 38 desta Instrução Normativa, para fins de aplicação das regras de preços de transferência para o anocalendário de 2012. Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.169 23 § 1º A opção será irretratável e acarretará a observância de todas as alterações trazidas pelos arts. 11, 12, 16, 34 e 38. § 2º A opção de que trata este artigo deverá ser efetuada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário de 2012. Compulsando os autos, verificase que a recorrente não fez a referida opção na DIPJ/2013 no campo próprio, ficha 01 Dados Iniciais Opção pela Aplicação das Regras de Preços de Transferência Prevista no Artigo 52 da Lei nº 12.715/2012: Não (fl. 1.324). No que tange à eventual aplicação do art. 20A da lei nº 12.715/2012, cabe destacar que tal aspecto foi tratado durante o procedimento fiscal, nos seguintes termos e conforme emails tratados: Em 29/03/2016, após exame das memórias de cálculo apresentadas, a fiscalização solicitou ao contribuinte novas memórias, para correção de cinco erros identificados, conforme documentação contida no anexo nº 4. Inicialmente a fiscalização deu prazo de vinte dias para atendimento da solicitação, mas posteriormente o alterou para sessenta dias, de forma a atender pedido de prorrogação do contribuinte e também o disposto no art. 20A, caput, da lei nº 9.430/1996, conforme anexo nº 5. A recorrente então suscitou apresentar novos cálculos, mas com o PRL vigente com as modificação da Lei nº 12.715/2012, o que a autoridade fiscal não aceitou, tendo consignado o seguinte: Notese que erra o contribuinte ao tentar adotar as novas regras de preços de transferência com base na opção prevista no art. 20A da lei nº 9.430/2012, artigo este introduzido pela mesma lei nº 12.715/2012, no seu art. 51. O art. 20A diz respeito tanto às novas regras quanto às anteriores, não se aplicando à opção entre elas. Tal artigo se aplica à opção entre os métodos que cada conjunto de regras contém. Tendo optado pelas regras anteriores, um contribuinte pode optar por qualquer método dentro das regras anteriores. Do mesmo modo, tendo optado pelas novas regras, um contribuinte pode optar por qualquer método dentro das novas regras. Primeiro um contribuinte opta por que regras ele vai usar, se as novas ou as anteriores; depois opta por que métodos vai usar, se PIC, PRL, CPL ou PCI, conforme permita sua primeira opção, pois se optar pelas regras anteriores, não poderá optar pelo método PCI, inexistente sob as regras anteriores. O que o contribuinte fez com o art. 20A, mencionado em sua correspondência de 28/06/2016, foi erroneamente aplicálo à opção entre as regras, opção esta que não se rege pelo art. 20A da lei nº 9.430/1996, mas pelo o art. 52 da lei nº 12.715/2012. Registrese que o contribuinte pretendeu optar pelas novas regras somente para o método PRL, ignorando que as novas regras trouxeram alterações também para o método PIC. A opção pelas novas regras não é seletiva, como fez o contribuinte, aplicandoas apenas ao método PRL. A opção pelas novas regras “acarretará a observância de todas as alterações trazidas Fl. 2180DF CARF MF 24 pelos art. 48 e 50” da lei nº 12.715/2012, conforme o § 1º do seu art. 52, transcrito acima. Ou seja, a recorrente teria a oportunidade de optar por um dos métodos vigentes então. No momento que não exerceu a opção pelas regras introduzidas pela Lei nº 12.715/2012 quanto aos novos cálculos de preços parâmetros, deveria optar entre os métodos vigentes pela IN SRF nº 243/2002, e não querer aplicar apenas o PRL da nova norma legal, que, frisese, não optou. Consoante tal ausência de opção pela recorrente então, descabe qualquer aplicação das novas regras introduzidas pela Lei nº 12.715/2012, NEGANDOSE PROVIMENTO quanto a este item. Quanto à aplicação do tratado BrasilCoréia; Alega a recorrente da impossibilidade de ajustes tributáveis com base no artigo 9o do Tratado BrasilCoréia. Esta matéria, tem alguns julgados recentes, inclusive nesta turma. Peço vênia para transcrever os fundamentos do voto do i. Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira no acórdão 1402002.814: Em relação aos tratados internacionais apontados, não assiste razão ao contribuinte. Os tratados convivem harmonicamente com as normas de preços de transferência, via art. 9º (CMOCDE). A única questão que pode ser colocada em relação a tratados, que não é o caso, são as hipóteses de pessoas vinculada prevista no art. 23 que não se enquadram na redação do tratado. O desvio das margens predeterminadas, conforme a Lei, que definem o padrão arm´s length, já é razão suficiente para aplicação das regras de TP, cumprindo com o requisito do tratado. Esta c. Turma já apreciou a matéria em recente julgado que peço vênia para incorporar às minhas razões de decidir: (...) Ocorre que os acordos então vigentes não definiram, nem limitaram, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas "preço de transferência". Apenas possibilitaram a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, os Acordos não prevêem a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preço de transferência se encontram delineados nos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96 não colidem com os suscitados acordos internacionais. (Proc. n. 10283.720642/201114 , Acórdão n.1402002.122 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Vale notar que há resposta Solução de Consulta sobre a matéria cuja transcrição se faz por oportuna: COSIT n° 6, de 23/11/2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.170 25 Ementa: Aplicamse os ajustes previstos na Lei n° 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9° do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções, e os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, que inserem e tributam os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm's length Do exposto não vejo como prosperar a pretensão da recorrente neste ponto na medida em que o tratado contra bitributação em absolutamente nada obsta a aplicação das regras de Preço de Transferência. Ou seja, o Brasil não adotou em seus tratados o previsto no art. 9º, §2º, da Convenção Modelo da OCDE, mas o somente o §1º dela. O preceito contido neste autoriza a aplicação de ajustes de preços de transferência por um Estado contratante se, nas relações entre empresas associadas ou vinculadas situadas nos Estados contratantes, não for observado o arm's lenght price. Igualmente, há outras várias decisões no âmbito do CARF sobre o tema, com decisões que corroboram esse entendimento, das quais cito duas ementas exemplificativamente: TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA. Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length. [Acórdão 1301003.291, de 15/08/2018] AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA DA LEI Nº 9.430/96. COMPATIBILIDADE COM TRATADOS FIRMADOS COM HOLANDA E URUGUAI A previsão do art. 9º do Tratado BrasilHolanda para tributação dos ajustes de preços de transferência nas operações entre empresas associadas, não exclui a aplicação dos arts. 18 a 24 da Lei nº 9.430/96, que dispõem sobre o controle e tributação dos preços de transferência nas operações realizadas entre empresas vinculadas. A aplicação da legislação nacional de preços de transferência às operações realizadas entre partes vinculadas no Brasil e Uruguai são compatíveis com o Tratado de Assunção e não se constituem em obstáculos à realização de negócios. [Acórdão nº 1301002.185, de 25/01/2017.] Destarte, NEGO PROVIMENTO da alegação da recorrente sobre a aplicação do tratado BrasilCoréia. Quanto à impossibilidade de aplicação dos juros sobre a multa de ofício; Fl. 2182DF CARF MF 26 Alega a recorrente da ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de mora. Contudo, tal questão há anos vem sendo discutida no âmbito do CARF, tendo conformada a posição que resultou na recentemente publicada súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Ou seja, independentemente da posição meritória aqui a se discutir, a qual individualmente indico posição já adotada anteriormente em outros votos em que vou de encontro ao pleito da recorrente, tal matéria, no momento em que passa a ser sumulada, é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do caput art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf)). Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Conclusão Por conseguinte, VOTO POR NEGAR INTEGRALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Nos debates acerca da matéria "inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado" cogitouse da aplicação, também neste ponto, da Súmula CARF nº 115 (A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.) A dúvida possivelmente decorre do fato de o tema em questão também se reportar às disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96, ainda que em seu §6º, o que torna sua disciplina aplicável, inclusive, ao método estipulado no inciso II do referido dispositivo. Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.171 27 Contudo, para além de, dos dezenove precedentes da referida súmula, onze deles não se reportarem à matéria regida pelo art. 18, §6º da Lei nº 9.430/96 (Acórdãos nº 110200.610, 120100.658, 1103000.672, 1301002.617, 1302001.164, 1401000.848, 1401 002.122, 9101002.175, 9101002.514, 9101003.094, 9101003.373), importa observar que o enunciado da súmula trata, apenas, da sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, reportandose expressamente ao capítulo da referida Instrução Normativa, assim redigido: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; Fl. 2184DF CARF MF 28 II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Acrescentese que o debate presente nos paradigmas está localizado em um ponto específico do citado capítulo da Instrução Normativa, concernente à definição das Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.172 29 parcelas admitidas como redutoras dos preços de revenda dos bens ou direitos, indicadas em incisos e alíneas do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, em comparação com o exposto em alíneas e itens do art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Ademais, a pretendida "inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado" era tratada no capítulo referente a "Normas Comuns aos Custos na Importação", nos seguintes termos: Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, nãoresidente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Resta evidente, assim, que nada no enunciado da Súmula CARF nº 115, ou em seus paradigmas, autoriza a interpretação de que ela se aplicaria ao debate erigido a partir das disposições do art. 18, §6º da Lei nº 9.430/96, ou do art. 4º, §4º da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Com estes esclarecimentos, acompanho o relator em sua interpretação acerca do disposto no art. 18, §6º da Lei nº 9.430/96, bem como nos demais pontos por ele expostos, para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira. Fl. 2186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904442/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/1999
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.859
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/1999 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10280.904442/2011-42
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961999
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-005.859
nome_arquivo_s : Decisao_10280904442201142.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10280904442201142_5961999.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7611418
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418128023552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904442/201142 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.859 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/1999 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 44 42 /2 01 1- 42 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.269. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.060, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 3 modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela inexistência de recolhimento a maior, não sendo possível o reconhecimento do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.856, de 27 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900095/201260, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.856): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.051, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441253 ocorreu via postal na data de 10/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, deve o recurso ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Com já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, quanto o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.051 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Por sua vez, a matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2 do RICARF. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que "....as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por e para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 8 financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 9 mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração da COFINS do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
