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Numero do processo: 13830.901050/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 50 /2 01 3- 16 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901050/201316 Acórdão n.º 1302002.204 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901050/201316 Acórdão n.º 1302002.204 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901050/201316 Acórdão n.º 1302002.204 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724388/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE OBSERVÂNCIA DOS ASPECTOS LEGAIS PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA
Descabe a declaração de nulidade do auto de infração quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 88.
A relação apresentada no anexo denonimado Relatório de Vínculos, que compõe o auto de infração lavrado unicamente contra a pessoa jurídica, não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, dada a sua finalidade meramente informativa (Súmula Carf nº 88).
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REQUISITOS.
As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que constituído o crédito tributário em data posterior.
Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos).
Nas hipóteses de empresas sob controle comum ou pertencentes a grupo econômico, antes da sucessão empresarial, é cabível também a imputação da multa por descumprimento de obrigação acessória à incorporadora, por infração cometida pela incorporada, ainda que lançada posteriormente ao evento de sucessão.
ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO.
Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tal mandamento aplica-se, inclusive, quando da exigência fiscal relativa ao descumprimento de obrigações acessórias correlatas.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades calculadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, isto é: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal.
LEI TRIBUTÁRIA. PENALIDADE. EXCESSO DE EXAÇÃO. DESPROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar a respeito de inconstitucionalidade de lei tributária que fixa o valor de penalidade pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória (Súmula Carf nº 2).
Numero da decisão: 2401-004.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para: a) excluir do lançamento os levantamentos"TX", "TX1" e "TX2", relacionados a cooperativas de trabalho; e b) excluir da multa aplicada no auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, CFL 68, os valores relativos a cooperativas de trabalho. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão, para limitar a multa aplicada nos autos de infração contendo obrigação principal ao percentual de 20% e, quanto ao auto de infração de obrigação acessória, CFL 68, efetuar o comparativo da multa considerando o disposto na Lei 8.212/91, art. 32-A. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 11/05/2017.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para: a) excluir do lançamento os levantamentos"TX", "TX1" e "TX2", relacionados a cooperativas de trabalho; e b) excluir da multa aplicada no auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, CFL 68, os valores relativos a cooperativas de trabalho. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão, para limitar a multa aplicada nos autos de infração contendo obrigação principal ao percentual de 20% e, quanto ao auto de infração de obrigação acessória, CFL 68, efetuar o comparativo da multa considerando o disposto na Lei 8.212/91, art. 32-A. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 11/05/2017. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE OBSERVÂNCIA DOS ASPECTOS LEGAIS PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA Descabe a declaração de nulidade do auto de infração quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 88. A relação apresentada no anexo denonimado Relatório de Vínculos, que compõe o auto de infração lavrado unicamente contra a pessoa jurídica, não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, dada a sua finalidade meramente informativa (Súmula Carf nº 88). CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REQUISITOS. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que constituído o crédito tributário em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Nas hipóteses de empresas sob controle comum ou pertencentes a grupo econômico, antes da sucessão empresarial, é cabível também a imputação da multa por descumprimento de obrigação acessória à incorporadora, por infração cometida pela incorporada, ainda que lançada posteriormente ao evento de sucessão. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tal mandamento aplica-se, inclusive, quando da exigência fiscal relativa ao descumprimento de obrigações acessórias correlatas. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades calculadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, isto é: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. LEI TRIBUTÁRIA. PENALIDADE. EXCESSO DE EXAÇÃO. DESPROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar a respeito de inconstitucionalidade de lei tributária que fixa o valor de penalidade pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória (Súmula Carf nº 2).
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EBC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE OBSERVÂNCIA DOS ASPECTOS LEGAIS PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA Descabe a declaração de nulidade do auto de infração quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 88. A relação apresentada no anexo denonimado “Relatório de Vínculos”, que compõe o auto de infração lavrado unicamente contra a pessoa jurídica, não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, dada a sua finalidade meramente informativa (Súmula Carf nº 88). CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REQUISITOS. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que constituído o crédito tributário em data posterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 43 88 /2 01 2- 41 Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.382 2 Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Nas hipóteses de empresas sob controle comum ou pertencentes a grupo econômico, antes da sucessão empresarial, é cabível também a imputação da multa por descumprimento de obrigação acessória à incorporadora, por infração cometida pela incorporada, ainda que lançada posteriormente ao evento de sucessão. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tal mandamento aplicase, inclusive, quando da exigência fiscal relativa ao descumprimento de obrigações acessórias correlatas. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades calculadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, isto é: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. LEI TRIBUTÁRIA. PENALIDADE. EXCESSO DE EXAÇÃO. DESPROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar a respeito de inconstitucionalidade de lei tributária que fixa o Fl. 2382DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.383 3 valor de penalidade pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória (Súmula Carf nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para: a) excluir do lançamento os levantamentos"TX", "TX1" e "TX2", relacionados a cooperativas de trabalho; e b) excluir da multa aplicada no auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, CFL 68, os valores relativos a cooperativas de trabalho. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão, para limitar a multa aplicada nos autos de infração contendo obrigação principal ao percentual de 20% e, quanto ao auto de infração de obrigação acessória, CFL 68, efetuar o comparativo da multa considerando o disposto na Lei 8.212/91, art. 32A. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 11/05/2017. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.384 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0434.513 (fls. 2.299/2.319): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE A empresa que resultar de fusão, transformação, incorporação ou cisão é responsável pelo pagamento das contribuições sociais previdenciárias e das contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, devidas pelas empresas fusionadas, transformadas, incorporadas ou cindidas, até a data do ato da fusão, da transformação, da incorporação ou da cisão VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO VINCULADA A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. RELAÇÃO DE PESSOAS VINCULADAS À EMPRESA A discussão de eventual coresponsabilidade de pessoas indicadas em anexo da peça fiscal como vinculadas à empresa deve ser realizada no foro próprio, distinto daquele em que se desenvolve o processo administrativo fiscal. SALÁRIO IN NATURA. HABITAÇÃO Não integram o saláriodecontribuição,exclusivamente, as importâncias recebidas a título de ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente, os valores correspondentes a habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas Fl. 2384DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.385 5 de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO A contribuição a cargo da empresa é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. JETON. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual, o membro de conselho fiscal de sociedade ou entidade de qualquer natureza. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 81/95, que o processo administrativo é composto por 5 (cinco) autos de infração (AI), compreendendo o período de 06/2007 a 12/2008, inclusive décimo terceiro salário, assim formalizados: (i) AI nº 37.370.1870, referente às contribuições previdenciárias da empresa incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, além da contribuição patronal devida sobre os pagamentos realizados a cooperativas de trabalho (fls. 4/29); (ii) AI nº 37.370.1888, relativo às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados: FPAS 566 Código 0099 (fls. 30/48); (iii) AI nº 37.370.1896, referente à contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, não arrecadada nem descontada pela empresa do respectivo saláriodecontribuição do trabalhador (fls. 49/65); (iv) AI nº 37.370.1900, relativo à contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados, arrecadada pela empresa mediante desconto do respectivo saláriodecontribuição do trabalhador, porém não recolhida (fls. 66/78); e (v) AI nº 37.370.1861 (obrigação acessória), por ter a empresa apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias Código de Fundamentação Legal CFL 68 (fls. 3). Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.386 6 2.1 Quanto às obrigações principais, expõe a fiscalização que o crédito tributário tem sua origem em: (i) prestação de serviços por segurados empregados e contribuintes individuais identificados por meio da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), cujas remunerações não foram incluídas em GFIP, tampouco nas folhas de pagamento digitais (fls. 1.824/1.840). Os valores omitidos foram incluídos nos Levantamentos Fiscais "DF", "DF1" e "DF2"; (ii) prestação de serviços por segurados empregados identificados nas folhas de pagamento digitais, cujas remunerações não foram incluídas em GFIP (fls. 252/965). Os valores constam dos Levantamentos Fiscais "ND", "ND1" e "ND2"; (iii) pagamento de aluguel a diretor não empregado (fls. 209), conforme Levantamentos Fiscais "AL" e "AL1"; (iv) contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, descontadas e não descontadas pela empresa (fls. 966/1.679 e 1.824/1.840, respectivamente). Os valores correspondentes foram incluídos nos Levantamentos Fiscais "AL", "AL1", "DF", "DF1", "DF2", "ND", "ND1" e "ND2"; e (v) prestação de serviços de cooperados taxistas por intermédio de cooperativas de trabalho (fls. 1.683). Os valores constam dos Levantamentos Fiscais "TX", "TX1" e "TX2". 2.2 No que tange ao período até 11/2008, para fins de aplicação da multa mais benéfica, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), foram comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 2.3 A aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) foi mais benéfica nas competências 06 a 07/2007, 09 a 11/2007 e 01/2008 a 11/2008, ao passo que a multa de 24% (vinte e quatro por cento) resultou favorável ao sujeito passivo nas competências 08/2007, 12/2007 e 13/2007 (fls. 203/208 e 1.680/1.681). 3. Esclarece a autoridade fiscal que a ação fiscal abrangeu a análise de fatos geradores oriundos da Empresa Brasileira de Comunicação S/A RADIOBRÁS, CNPJ 00.464.073/000134 ("Radiobrás"), assim como da sua incorporadora, ora recorrente, a Empresa Brasil de Comunicação EBC, CNPJ 09.168.704/000142 ("EBC"). Fl. 2386DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.387 7 3.1 Além do AI nº 37.370.1861 relativo a omissões de dados em GFIP, a fiscalização verificou o descumprimento de outras obrigações tributárias acessórias, cujos créditos foram constituídos por meio de autos de infração específicos que compõem o Processo nº 10166.724389/201295. 4. Com ciência pessoal das autuações em 31/5/2012, às fls. 3/4, 30, 49 e 66 por meio do gerente jurídico, o contribuinte impugnou a exigência fiscal separadamente por auto de infração lavrado (fls. 1.844/1.853, 1.893/1.900, 1.940/1.948, 1.988/1.996 e 2.036/2.046). 5. Intimada por via postal, em 7/1/2014, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 2.321/2.323, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 31/1/2014 (fls. 2.326/2.341). 5.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) nulidade das autuações em razão da confusão entre as empresas fiscalizadas, visto que Radiobrás e EBC são pessoas jurídicas distintas, autônomas e individualizadas até 12/6/2008, data em que se realizou a incorporação pela recorrente; (ii) nulidade dos autos de infração por ausência de observação dos aspectos legais e constitucionais para a lavratura dos documentos; (iii) o documento denominado "Relatório de Vínculos" apresenta incorreções quanto à vinculação de algumas pessoas físicas com a recorrente; (iv) as divergências apuradas entre os dados constantes de GFIP, Dirf e folhas de pagamento são explicadas pelo fato de ter havido desligamento de alguns segurados da extinta Radiobrás, nas respectivas competências, e devido a outros empregados lograrem êxito em ações trabalhistas movidas contra a empresa, com trânsito em julgado; (v) os valores relacionados a fatos geradores da extinta Radiobrás devem ser extirpados dos autos de infração, dado que a empresa incorporada não foi arrolada como sujeito passivo; (vi) quanto ao pagamento de aluguéis aos diretores, no período de junho a outubro de 2007, firmouse um único contrato de locação de imóvel residencial pela Radiobrás, de modo que é impossível imputar qualquer irregularidade à recorrente. De mais a mais, tais pagamentos são benefícios "in natura" com características indenizatórias; Fl. 2387DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.388 8 (vii) as contribuições devidas sobre os serviços prestados pelas cooperativas de táxi foram recolhidas e os valores correlatos declarados em GFIP; e (viii) as multas aplicadas pelo agente fiscal são descabidas, além de violar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Isso porque a recorrente sempre agiu com boafé, de maneira que o auditor fiscal deveria, em vez de lavrar de imediato auto de infração e aplicar multa desproporcional, conceder prazo razoável para a fiscalizada providenciar a correção das irregularidades formais que foram identificadas. É o relatório. Fl. 2388DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.389 9 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Julgamento em conjunto 7. Tendo em vista a prejudicialidade do julgamento em separado dos Processos nº 10166.724388/201241 e 10166.724389/201295, a apreciação dos respectivos recursos voluntários acontece na mesma sessão deste colegiado, a fim de manter a congruência decisória. Preliminares a) Nulidade: confusão entre as empresas 8. Pelos autos depreendese que a recorrente é uma empresa pública, criada pelo Decreto nº 6.246, de 24 de outubro de 2007, organizada sob a forma de sociedade anônima de capital fechada e vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (fls. 2.342/2.354). 9. A Medida Provisória nº 398, de 10 de outubro de 2007, convertida na Lei nº 11.652, de 7 de abril de 2008, determinou a integralização do capital da EBC mediante recursos provenientes da incorporação do patrimônio da Radiobrás, entre outras fontes ali mencionadas (art. 9º). 9.1 O ato de incorporação ocorreu em 12/6/2008, conforme aprovado em Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada pela EBC (fls. 1.889/1.892). 10. A incorporação significou que a Radiobrás foi absorvida pela EBC, que lhe sucedeu em todos os direitos e obrigações. Com a extinção da personalidade jurídica da empresa Radiobrás, a sucessora EBC passou a responder pelos tributos devidos pela sucedida até a data do ato da incorporação. 11. Nesse sentido, a disciplina legal da responsabilidade por sucessão empresarial prevista nos arts. 129 e 132 do CTN: Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.390 10 Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (...) Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. (GRIFEI) 12. Em 31/5/2012, data em que se intimou a EBC a respeito da constituição de ofício do crédito tributário, a Radiobrás era uma pessoa jurídica extinta. Logo, de forma escorreita a autoridade fiscal realizou o lançamento em nome da empresa sucessora, ora recorrente, tanto em relação aos fatos geradores praticados na qualidade de contribuinte (responsabilidade própria), quanto aos fatos geradores apurados na Radiobrás até a data de incorporação, na condição de responsável tributário pelos débitos nos termos dos arts. 129 e 132 do CTN (responsabilidade por sucessão). 13. Aquilo que a recorrente denomina de "confusão entre as empresas" é resultado da sua própria conduta irregular durante o procedimento fiscal, uma vez que disponibilizou à autoridade tributária um único arquivo digital para as folhas de pagamento do período fiscalizado, sem fazer distinção, nas competências de operação simultânea, entre os fatos geradores ocorridos na Radiobrás e EBC. 13.1 A autoridade lançadora registrou as dificuldades encontradas em tópico específico do Relatório Fiscal, que reproduzo abaixo (item 43, às fls. 93/94): 43. Cabe destacar que durante a fiscalização foram encontradas algumas dificuldades pontuais, tais como: a) Quando da geração dos arquivos digitais solicitados, a empresa gerou em um mesmo arquivo de forma integrada e sem distinção de estabelecimentos os dados de folha de pagamento da antiga RADIOBRAS e da atual EBC (incorporadora da Radiobrás), alegando que não seria possível separar os dados das duas empresas por problemas técnicos na geração dos arquivos. (...) d) Por ter a empresa gerado os dados de folha de pagamento da RADIOBRAS e da EBC de forma unificada, Fl. 2390DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.391 11 foi necessário unificar os dados existentes nos sistemas da fiscalização (GFIP, DIRF e GPS) para permitir uma comparação completa dos valores a serem apurados e um aproveitamento adequado de todas as guias de pagamento existentes. (...) 14. Alega a recorrente que as folhas de pagamento sempre estiveram separadas por empresa. Entretanto, cuidase apenas de um discurso retórico, desprovido de qualquer esteio em prova hábil e documental nos autos. 15. Observo, ainda, que o procedimento de lançamento adotado pela autoridade fiscal, devido à apresentação deficiente dos arquivos digitais, não resultou em prejuízo concreto à parte recorrente. Tampouco é correto dizer que a fiscalização confundiu uma empresa com a outra. 15.1 Com efeito, as planilhas juntadas pela fiscalização detalham os fatos geradores e bases de cálculo apuradas, discriminando a competência do fato gerador, o nome do trabalhador, a remuneração paga ou creditada, o número de inscrição do segurado e a empresa a quem o trabalhador prestou serviço, Radiobrás ou EBC, tornando viável, desse modo, o pleno exercício do direito de defesa e contraditório em face da pretensão fiscal (fls. 252/1.679 e 1.824/1.840). 16. Sem razão, portanto, a recorrente quanto à alegação de nulidade da autuação fiscal. b) Nulidade: inobservância dos aspectos legais para a lavratura dos autos de infração 17. Aduz a recorrente a falta de clareza dos autos de infração quanto às penalidades aplicadas e suas gradações, sequer fazendo parte do relatório algum item explicativo a respeito dos juros e das multas incidentes sobre as contribuições. A peticionante afirma também que os autos de infração não distinguem quais segurados empregados estavam ou não relacionados em GFIP. 18. Assim não me parece. Li e reli o Relatório Fiscal, bem como os seus anexos, e não constatei a falta de clareza da acusação fiscal ou o alegado cerceamento do direito de defesa. 19. Não só pela descrição pormenorizada dos fatos que são imputados ao sujeito passivo, o Relatório Fiscal expõe igualmente de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. 20. O Relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD" contém os dispositivos legais, em separado, dos juros e das multas (fls. 27/29, por exemplo). Em razão do período do débito, sobre o tributo não pago incidiu apenas o percentual básico da multa punitiva estabelecido em lei, o que dispensa esclarecimentos adicionais. 21. Além disso, o Relatório Fiscal inclui uma explicação transparente sobre o critério utilizado pela fiscalização para aplicar, em relação à multa, a retroatividade benigna Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.392 12 prevista na alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN (itens 46 a 48 e anexos às fls. 203/208 e 1.680/1.681). 22. Quanto aos segurados empregados identificados nas folhas de pagamento digitais, porém cujas remunerações não foram incluídas em GFIP, as planilhas de fls. 252/965 indicam a relação nominal dos trabalhadores e respectiva remuneração omitida nos documentos. 23. De modo tal que a autoridade fiscal motivou de forma adequada o ato administrativo, por meio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção à regra matriz de incidência, conforme exigido pelos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e pelo art. 142 do CTN. 24. Ausentes vícios quanto aos pressupostos e elementos do ato administrativo, entendo que descabe cogitar, mais uma vez, a nulidade do lançamento fiscal. c) Exclusão de representantes legais 25. No tocante ao pedido de exclusão de representantes legais do polo passivo da relação tributária, é importante esclarecer que o Relatório de Vínculos, acostado às fls. 119/120, é um documento administrativo de caráter apenas informativo, não havendo atribuição de responsabilidade tributária por parte do Fisco às pessoas físicas qualificadas como diretor, presidente, administrador ou sócio ali indicadas. 26. A matéria foi objeto de súmula neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), redigida nos seguintes termos: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. 27. Destarte, não incumbe ao colegiado manifestarse acerca do tema, pois tais questões ventiladas no recurso voluntário não comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Mérito a) "Valores Dirf x Folha e GFIP", "Valores GFIP x Folha" e "Aluguel de moradia pago a diretor" 28. No que se refere ao crédito tributário apurado mediante confronto entre Dirf, GFIP e folhas de pagamento, a recorrente pondera a presença de inconsistências nos levantamentos realizados pela autoridade lançadora. Fl. 2392DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.393 13 28.1 Alguns empregados já haviam se desligado da extinta Radiobrás, no mês de competência, e não integravam mais a folha de pagamento da recorrente, razão pela qual não figuravam na GFIP. Outros, lograram êxito em ações trabalhistas e receberam indenizações, após o trânsito em julgado das respectivas ações. 28.2 Em suma, a petição reclama que não há que se falar em qualquer irregularidade cometida que possa acarretar a lavratura de auto de infração, conforme comprova a documentação apresentada à fiscalização. 29. Pois bem. Como pontuou a decisão de piso, a defesa optou por uma negativa geral, sem apontar efetivamente quais são as bases de cálculo discriminadas individualmente pela fiscalização que não espelham a realidade, porque apresentam incongruências com os fatos ou não ostentam natureza salarial. 30. Como dito alhures, o Fisco motivou o lançamento e descreveu os elementos comprobatórios da ocorrência do fato jurídico, assim como das circunstâncias em que foi verificado, respaldando o nascimento da relação jurídica por meio de suporte na linguagem das provas. 31. Compete ao autuado provar a inocorrência dos fatos alegados pela fiscalização, pela existência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito invocado pela acusação fiscal, com amparo em prova material. 32. Em outros dizeres, ao afirmar o Fisco, por meio de linguagem de provas, que houve determinados fatos jurídicos, caberia ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência desses fatos alegados, igualmente por meio de provas. O que não o fez. 33. Quanto aos aluguéis pagos a diretores, a recorrente também não apresentou qualquer elemento de prova que possa afastar o caráter contraprestativo do pagamento realizado a título de moradia. 33.1 Via de regra, a moradia do trabalhador deve ser custeada com a sua remuneração, de maneira que o pagamento habitual de aluguéis de diretores, mesmo sem vínculo empregatício, estará submetido à tributação da contribuição previdenciária, salvo se comprovada que a utilidade fornecida é uma medida necessária para viabilizar o desenvolvimento do trabalho. Caso contrário, a parcela devida como parte da retribuição pelo contrato firmado entre as partes caracteriza uma vantagem remuneratória pelo trabalho prestado. 33.2 No caso sob apreço, a recorrente não se desincumbiu do ônus de demonstrar a natureza não salarial dos valores pagos indiretamente a seus diretores. 34. Em vista do exposto, não merece qualquer reforma a decisão de piso que manteve a pretensão fiscal. b) Cooperativas de Trabalho 35. Apurouse crédito tributário relacionado a pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, em contrapartida da prestação de serviços de táxi. Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.394 14 36. Acontece que em sessão do STF realizada no dia 23/4/2014, o plenário da Corte, no julgamento do RE nº 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999. Eis a ementa desse julgado: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (GRIFEI) 36.1 Em 18/12/2014, ao apreciar os embargos de declaração interpostos pela União no RE nº 595.838/SP, a Corte rejeitou o pedido de modulação de efeitos da decisão que declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. 36.2 Por fim, o RE nº 595.838/SP transitou em julgado em 9/3/2015. Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.395 15 37. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 38. Como se vê, o dispositivo de lei que justificava o lançamento da contribuição previdenciária foi considerado em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, devendo tal entendimento ser reproduzido no âmbito deste Conselho. 39. Dessa feita, afastado o fundamento jurídico que sustentava a obrigação principal, tornase improcedente o correlato crédito tributário apurado por meio dos Levantamentos Fiscais "TX", "TX1" e "TX2". c) Multas aplicadas 40. O parágrafo único do art. 142 do CTN preceitua que a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Inexiste margem para juízo de conveniência ou oportunidade da autoridade fiscal, na medida em que tanto o tributo quanto as penalidades estão submetidas ao princípio da legalidade. 41. Na redação revogada do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, antes da vigência da MP nº 449, de 2008, havia a previsão de incidência de multa sobre as contribuições sociais em atraso, a qual não poderia ser relevada. 42. Com a introdução do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, nos casos de lançamento de ofício passouse a aplicar obrigatoriamente sobre o tributo não pago nem declarado a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no percentual básico de 75%. 43. O lançamento da multa em seu percentual trivial, como ora se cuida, independe da existência de boafé do sujeito passivo. Por outro lado, a máfé ou dolo, quando comprovado pela fiscalização, implicará a aplicação da multa qualificada, em percentual exarcebado (art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996). 44. Além dos mais, instaurado o procedimento fiscal, a espontaneidade do sujeito passivo fica excluída. Quer dizer, a incidência da multa de ofício sobre o tributo não pago nem declarado não será afastada ainda que o infrator regularize, o que não foi o caso dos autos, a situação fiscal no curso do procedimento investigatório (art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.396 16 45. Observo ainda que a lavratura dos autos de infração não ocorreu de imediato ao início do procedimento fiscal. A primeira intimação da fiscalização para fins de apresentação das folhas de pagamento em formato digital, com dados separados pela Radiobrás e EBC, foi recebida pela empresa em 17/2/2012 (fls. 131/133). Uma segunda intimação foi expedida para a mesma finalidade, com ciência em 8/3/2012 (fls. 134/135). Por fim, os autos de infração foram lavrados somente em 31/5/2012. 46. À vista dos fatos e da legislação expostos, não há que se falar em discricionariedade da autoridade fiscal na aplicação das penalidades, tampouco que a legislação tributária determine a notificação prévia do sujeito passivo para a correção das faltas de caráter formal, para só depois, se não corrigida a irregularidade, aplicar a penalidade prevista em lei. 46.1 Com o início da ação fiscal, uma vez constatada a conduta ilícita do sujeito passivo é dever da autoridade tributária aplicar a lei tributária, sob pena de responsabilidade funcional. 47. Quanto à avaliação de eventual excesso do legislador ordinário ao fixar o percentual da multa punitiva, de uma forma exorbitante e desproporcional, é tarefa exclusiva do Poder Judiciário, porquanto implica verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. 48. Como sabido, argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. d) Aplicação da retroatividade benigna 49. Devido às alterações promovidas na Lei nº 8.212, de 1991, pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, em matéria de penalidade relacionada a infrações anteriores a 12/2008, isto é, até a competência 11/2008. 50. São várias as vertentes interpretativas, inclusive no âmbito do contencioso administrativo, a respeito da aplicação do princípio da retroatividade benigna ao regime de multas estatuído na Lei nº 8.212, de 1991. 51. Em que pese todos os bons argumentos, tenho entendido como mais adequado, até o momento, o mesmo critério de cálculo utilizado pela fiscalização e acatado pela decisão de piso, visto que respeita a proibição de dupla penalização pela prática de uma mesma conduta infracional e compara penalidades incidentes sobre condutas idênticas. 52. Dessa feita, com fez a autoridade fiscal, às fls. 203/208 e 1.680/1.681, para se verificar a situação mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, há que se realizar a seguinte comparação de penalidades entre mesmas contribuições, por competência: Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.397 17 a) legislação anterior: somatório da multa aplicada nos moldes do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (obrigação principal), e das multas aplicadas na forma dos §§ 4º a 6º do art. 32 da mesma Lei (obrigação acessória); e b) legislação atual: multa de ofício de 75%, prevista no art. 35 A da Lei nº 8.212, de 1991, e introduzida pela MP nº 449, de 2008, sem qualquer limitação, acrescentado, se for o caso, a multa pela incorreção ou omissão de informações relativa a fato gerador não contemplado pela aplicação da multa de ofício. 53. Nada obstante, deverá ser refeito o cálculo da multa para efeitos da retroatividade benigna, quando da execução do julgado, devido ao afastamento da tributação sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho. 53.1 Vale dizer, no que toca às penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias até a competência 11/2008, deverá ser reavaliada a situação final mais benéfica à recorrente por competência, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, nos seguintes termos: i) legislação anterior: multa no percentual de 24% + multa do AI CFL 68; e ii) legislação atual: multa no percentual de 75%. 54. O procedimento de exclusão dos valores pagos a cooperativas de trabalho provocará alteração no cálculo do montante da penalidade aplicada por intermédio do AI nº 37.370.1861 (CFL 68). 54.1 A despeito dos ajustes necessários, a autuação no CFL 68 deverá ser mantida naquelas competências em que o comparativo das multas for mais benéfico ao contribuinte, conforme critério da retroatividade benigna. 55. Para o lançamento fiscal reflexo no tocante às contribuições previdenciárias da empresa, relativo às contribuições para outras entidades e fundos, o percentual da multa equivale a 24% para as competências até 11/2008 e, com relação à competência 12/2008, a 75%. Nessa hipótese, não há qualquer reparo a fazer no procedimento adotado pela fiscalização. e) Multas na sucessão de empresa por incorporação 56. Tendo em conta o inconformismo da parte recorrente em face da responsabilidade pelos tributos e pelas multas devidas pela sucedida Radiobrás até antes o ato de incorporação consolidado em 12/6/2008, oportuno aprofundar, como último tema do recurso voluntário, a análise a respeito da matéria. 57. A sucessão empresarial implica sucessão tributária. A fim de orientar o viés interpretativo, ressalto que o patrimônio é composto por um conjunto de bens, direitos e Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.398 18 obrigações, de maneira que o sucessor não recebe somente os bens e direitos, mas também as obrigações integrantes do patrimônio do sucedido. 58. Conquanto o art. 132 do CTN refirase tão somente aos tributos, ao interpretálo conjuntamente com o art. 129, dispositivo que inaugura a Seção denominada "Responsabilidade dos sucessores", chegase à conclusão de que a regra também aplicase aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos. 58.1 Para maior clareza do raciocínio, reproduzo novamente os artigos mencionados do CTN: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (...) Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (grifouse) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. 59. O momento da constituição do crédito tributário pelo ato de lançamento, que compreende também a penalidade, consoante o § 1º do art. 113 do CTN, acaba tornandose irrelevante, porquanto o que interessa é a data da ocorrência do fato gerador. 60. Essa linha de pensamento é prevalente no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo da decisão no Recurso Especial (REsp) nº 923.012/MG, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, da relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja ementa reproduzo parcialmente, na parte que interessa ao presente feito: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.399 19 punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) (...) 61. Ressalvo, no entanto, o ponto de vista pessoal que a multa moratória e/ou punitiva analisada e mencionada no julgado diz respeito ao descumprimento da obrigação principal, decorrente do não pagamento de tributo na época do vencimento, coerente assim com a interpretação conjunta dos arts. 129 e 132 do CTN, antes referida. 62. Pareceme que nesse sentido foi redigido o voto nos Embargos de Declaração do mesmo REsp nº 923.012/MG, de lavra do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Transcrevo a respectiva ementa no ponto em que vinculada à questão em debate: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543 C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. (...) 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.400 20 esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. (...) (GRIFEI) 63. Com a devida vênia, estender simplesmente a interpretação para as obrigações acessórias significa um passo adiante, de maneira que não estou convencido que a decisão no rito dos recursos repetitivos pretendeu abarcar consciente e explicitamente também a situação de aplicação da multa pelo descumprimento de um dever instrumental, não associada diretamente ao desatendimento da obrigação principal. 64. Sob a ótica do direito tributário, os §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN prescrevem a respeito da obrigação acessória: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 65. É evidente que a obrigação acessória não se converte imediatamente em principal pelo fato da sua inobservância, conforme a dicção do § 3º do art. 113. Se assim fosse, o sujeito passivo poderia pagar a multa e não cumprir a prestação positiva ou negativa estabelecida na legislação. 66. Quer dizer o dispositivo de lei que uma vez identificado pelo Fisco o descumprimento do dever instrumental, será imposta uma multa, de cunho patrimonial, reportandose ao momento do seu fato gerador e sendo exigida e cobrada por intermédio dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos. 67. Enquanto não aplicada a penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória, a multa fiscal não passa a integrar o passivo da empresa, não sendo correto afirmar, ainda que relativa à obrigação tributária surgida até a data da sucessão, que fazia parte do patrimônio da sucedida. 68. Penso, todavia, que tal interpretação estrita deve ceder na hipótese de empresas sob controle comum ou pertencentes a grupo econômico, antes da sucessão empresarial, todas sabedoras das condutas perpetradas por uma e outra relativamente a fatos tributários preexistentes ao ato sucessório. 69. Essa posição encontra, inclusive, amparo na jurisprudência administrativa, consoante enunciado da Súmula Carf nº 47, assim vazado: Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.401 21 Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. 70. É verdade que, a rigor, o enunciado da Súmula nº 47 retrata a jurisprudência construída à època em torno da multa de ofício imposta como sanção pela falta de recolhimento espontâneo de tributo. Porém, entendo que seus fundamentos podem também ser aplicados nas questões relativas à multa por inadimplemento de obrigação acessória. Daí porque a hipótese excepcional é perfeitamente admissível ao caso descrito nos autos. 71. Com efeito, de acordo com o Decreto nº 2.958, de 8 de fevereiro de 1999, a Radiobrás era uma empresa pública federal com personalidade de direito privado, organizada sob a forma de sociedade por ações, vinculada à Secretaria de Estado de Comunicação do Governo Federal. 71.1 Sob o controle acionário da União, a empresa estatal tinha como objeto social gerir, operar e explorar os serviços de radiodifusão do Governo Federal. 72. A EBC, ora recorrente, veio a substituir as funções da Radiobrás. Com maioria das ações ordinárias nominativas de titularidade da União, foi concebida para a prestação de serviços de radiodifusão pública e serviços conexos, além da criação de uma televisão pública de âmbito nacional (Decreto nº 6.246, de 2007). 72.1 A viabilização operacional da nova empresa se deu por intermédio da incorporação da Radiobrás, de quem herdeu os bens e o pessoal permanente, necessários ao início das atividades. A EBC sucedeu a Radiobrás nos seus direitos e obrigações, e absorveu, mediante sucessão trabalhista, os empregados integrantes do seu quadro de pessoal (MP nº 398, de 2007, convertida na Lei nº 11.652, de 2008). 73. Nesse quadro de reorganização efetuada pela União, na qualidade de acionista majoritário, para a execução de atividades de seu interesse, por meio de empresas dotadas de personalidade jurídica de direito privado, não é concebível evitar a aplicação de qualquer penalidade sob o pretexto de falta de responsabilidade tributária do sucessor. 74. Por ocasião da incorporação da Radiobrás, em 12/6/2008, a situação fiscal da empresa extinta já havia sido avaliada e identificada, inclusive quanto ao descumprimento das obrigações tributárias acessórias, devendo integrar o passivo tributário da empresa incorporada as multas de qualquer natureza relativamente aos fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que constituído o crédito tributário em data posterior. 75. Em síntese, as mudanças societárias não podem servir de instrumento à liberação do encargo fiscal, inclusive penalidades, quando a sucessora conhecia perfeitamente as obrigações tributárias da empresa sucedida não cumpridas nos moldes exigidos pela legislação. 76. Responde a recorrente, nessa hipótese, não só pelas sanções fiscais garantidoras do cumprimento do dever tributário principal pela empresa incorporada, como também pelas aplicadas em face da inobservância dos deveres instrumentais, mesmo que tenham sido objeto de lançamento de ofício posterior ao evento de sucessão. Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 10166.724388/201241 Acórdão n.º 2401004.790 S2C4T1 Fl. 2.402 22 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para: (i) excluir as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho (Levantamentos Fiscais "TX", "TX1" e "TX2"); e (ii) recalcular quando da execução do julgado, tendo em vista a exclusão dos valores pagos a cooperativas de trabalho, as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias até a competência 11/2008, inclusive o valor da multa de obrigação acessória (AI nº 37.370.1861 CFL 68), de maneira a reavaliar a situação mais benéfica à recorrente por competência, utilizandose do mesmo critério de cálculo para a retroatividade benigna adotado pela autoridade lançadora. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001261/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2803-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Relatório
Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informa-se que no E-Process há a duplicação dos autos digitais do processo.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
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Numero do processo: 10469.725099/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.884
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 99 /2 01 2- 54 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10469.725099/201254 Acórdão n.º 3302003.884 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.451. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10469.725099/201254 Acórdão n.º 3302003.884 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10469.725099/201254 Acórdão n.º 3302003.884 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10469.725099/201254 Acórdão n.º 3302003.884 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10469.725099/201254 Acórdão n.º 3302003.884 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.001004/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DOCUMENTOS JUNTADOS APÓS DECISÃO DA DRJ. VERDADE MATERIAL. ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. OMISSÃO. LANÇAMENTO. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OPERAÇÃO DE CRÉDITO. DESCONTO DE NOTA PROMISSÓRIA. DUPLICIDADE.
Em respeito ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, devem ser acatados e analisados os documentos e argumentos apresentados pelo contribuinte após a decisão da DRJ, quando isso não inviabilizar o julgamento do processo.
Deve ser afastada a presunção de omissão de receita em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada quando ficar demonstrado que se referem a operação de empréstimo bancário ou quando, em operação de desconto de nota promissória, restar comprovado que a fiscalização considerou como crédito cuja origem deve ser comprovada tanto a operação de desconto, como a sua posterior quitação.
Numero da decisão: 2201-003.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para, sanando a omissão apontada, atribuir-lhe efeitos infringentes nos termos do voto vencedor. Vencida a Conselheira Relatora que dava efeitos infringentes em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 15/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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DOCUMENTOS JUNTADOS APÓS DECISÃO DA DRJ. VERDADE MATERIAL. ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. OMISSÃO. LANÇAMENTO. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OPERAÇÃO DE CRÉDITO. DESCONTO DE NOTA PROMISSÓRIA. DUPLICIDADE. Em respeito ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, devem ser acatados e analisados os documentos e argumentos apresentados pelo contribuinte após a decisão da DRJ, quando isso não inviabilizar o julgamento do processo. Deve ser afastada a presunção de omissão de receita em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada quando ficar demonstrado que se referem a operação de empréstimo bancário ou quando, em operação de desconto de nota promissória, restar comprovado que a fiscalização considerou como crédito cuja origem deve ser comprovada tanto a operação de desconto, como a sua posterior quitação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para, sanando a omissão apontada, atribuirlhe efeitos infringentes nos termos do voto vencedor. Vencida a Conselheira Relatora que dava efeitos infringentes em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 10 04 /2 00 6- 04 Fl. 946DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 15/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pelo contribuinte (fls. 808 902), em que aponta omissão na decisão embargada (fls 780784), que deixou de se manifestar acerca de documentos juntados por ele após a decisão da DRJ, em 13 de agosto de 2008 (fls. 522). Originalmente, foi lançado contra o embargante crédito tributário totalizando R$ 584.727,50. Esse lançamento teve por fundamento: 1. glosa de dedução indevida de despesas no livro caixa ajuste anual; 2. glosa de dedução indevida de despesas no livro caixa carnêleão; 3. depósitos bancários de origem não comprovada; 4. multa isolada por falta de recolhimento de IRPF a título de carnêleão (auto de infração nas fls. 352 e ss). Dentre esses fundamentos, o valor mais expressivo diz respeito ao terceiro item, em que foi considerada como movimentação financeira de origem não comprovada R$ 855.011,34. Para se chegar a esse valor, a fiscalização apurou um total de créditos nas contas bancárias do contribuinte no valor de R$ 1.508.987,13, e dele deduziu: devoluções e estornos R$ 122.468,87; rendimento PJ declarado R$ 65.600,11; Receita atividade rural declarada R$ 465.906,81 (fls 361). Constitui objeto de análise nesses embargos apenas o item 3, pois através da documentação que teria sido inicialmente protocolada em 26/03/2009 e 02/04/2009, o contribuinte procura justificar a origem dos recursos e afastar o lançamento a título de omissão decorrente de depósitos de origem não comprovada. Compulsandose os autos, vêse que, através da petição do dia 02/04/2009, o contribuinte procurou juntar um contrato particular de compra e venda de uma aeronave, no valor de R$ 32.000,00, com o que justificaria um depósito de R$ 25.000,00 no Banco do Brasil no dia 20/02/2001 e um outro depósito de R$ 7.000,00. Pela petição protocolada em 26/03/2009, o contribuinte pretendia comprovar a origem dos seguintes valores: Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10120.001004/200604 Acórdão n.º 2201003.573 S2C2T1 Fl. 939 3 1. Créditos que totalizavam R$ 87.494,16 referentes à parceria agrícola, mensalmente depositada no Banco Bradesco S/A Docs.1/13; 2. Depósitos de R$ 9.000,00 e R$ 5.000,00 feitos em 03/05/2001 e 14/05/2001 decorrentes de empréstimo pessoal concedido pelo banco HSBC Docs. 14/15; 3. R$ 97.114,17 referentes a descontos de títulos no Banco do Estado de Goiás (Docs. 16/28); 4. O depósito no valor de R$ 107.590,62 em 15/01/2001 referirseia a crédito decorrente de transferência da agência de Lins/Sp, originária de nota fiscal expedida pelo Frigorífico Bertin Ltda. Docs. 29/30; 5. Apresenta a planilha IV onde pretende provar a concessão de empréstimos bancários obtidos junto ao Banco do Brasil e banco Bradesco Docs. 68/79 e rendimentos recebidos de pessoas jurídicas com retenção na fonte Docs. 80/81; 6. No dia 30/01/2001, o crédito de R$ 44.940,18 referirseia a desconto de nota promissória rural no valor de face de R$ 46.210,55. Em relação a essas operações, a fiscalização teria considerado em duplicidade os créditos, já que teria consignado como origem tanto o valor da operação de desconto, quanto a sua posterior liquidação. Esse fato teria se repetido em todas as operações listadas no quadro abaixo: Os embargos foram admitidos através do Despacho s/n desta 1ª TO, de 28 de novembro de 2016 (fls 936/937). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 948DF CARF MF 4 Conforme consta do relatório, foi reconhecida a omissão apontada pelo embargante em despacho a cujas conclusões me submeto, mesmo considerando que parte dos argumentos e da documentação constituem inovação no processo apresentados após a decisão da DRJ. E o faço em respeito aos princípios da verdade material, razoabilidade e eficiência, por entender que se trata de prova cuja análise se faz independentemente de nova diligência. Ou seja, que a documentação e argumentos apresentados de maneira extemporânea não prejudicam o julgamento do processo na forma em que se encontra. Passo então à análise dos argumentos do recorrente e da documentação juntada por ele. Petição protocolada em 02/04/2009 venda de avião Pela petição protocolada em 02/04/2009, o contribuinte faz juntar aos autos cópia de contrato particular de compra e venda de um avião Cessna, pelo valor total de R$ 32.000,00. Esse documento não traz qualquer inovação ao processo, já que havia cópia dele pelo menos nas fls. 185, 593 e 667. Além disso, vêse na declaração de bens da atividade rural que ele estava declarado pelo valor zero, com data de aquisição em 07/1989, mas sem qualquer menção à sua alienação no anocalendário de 2001 (fls 488 verso). Não há também qualquer comprovação de apuração e tributação de ganho de capital. O contrato juntado, cujas cláusulas contém contradição, já que no início se referem a apenas dois pagamentos, sendo um já realizado, mas depois prevêem a hipótese de rescisão caso haja atraso nas prestações por mais de 90 dias, não se faz acompanhar de qualquer comprovação da efetiva transferência do bem. Em face das razões expostas, não considero que esse contrato seja apto a justificar qualquer origem para os créditos ocorridos no anocalendário de 2001. Petição protocolada em 26/03/2009 Item 1 Créditos no valor total de R$ 87.494,16 referentes à parceria agrícola, mensalmente depositada no Banco Bradesco S/A Docs.1/13 Em relação a esses valores, vejo que efetivamente integram o demonstrativo de fls. 359 e ss como crédito sem origem comprovada. Contudo, o único documento utilizado para justificar a natureza da operação é um extrato emitido em 24/11/2008 com o título "Histórico adiantamentos/contratos parceria agrícola". Entretanto, não foi juntado qualquer contrato e não se sabe quem assinou esse extrato e que poderes tinha para tanto. Por isso, não me convenço da força probante deste documento (fls 822). Item 2 Depósitos de R$ 9.000,00 e R$ 5.000,00 feitos em 03/05/2001 e 14/05/2001 decorrentes de empréstimo pessoal concedido pelo banco HSBC Docs. 14/15 Nesse caso, há uma declaração do Banco HSBC de que as operações se referem a "crédito parcelado" e vejo que nas datas em que realizados é cobrada também uma tarifa pela prestação de serviços, que tem como descrição financiamento HSBC no valor de R$ Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10120.001004/200604 Acórdão n.º 2201003.573 S2C2T1 Fl. 940 5 5,00 cada (fls 836). Por isso, considero justificada a origem de R$ 14.000,00, como decorrente de operação de crédito. Item 3 R$ 97.114,17 referentes a descontos de títulos no Banco do Estado de Goiás Docs. 16/28 De acordo com o Banco Itaú, que emitiu o doc. 16, os valores que compõem a planilha totalizando R$ 97.114,17 referemse a descontos de títulos de crédito. Nesse caso, como já foi esclarecido para o contribuinte, é necessário justificar a origem do crédito demonstrando que já foram estes tributados. Logo, quanto a esse item, considero que a documentação apresentada não se presta a comprovar a origem dos recursos. Item 4 Depósito no valor de R$ 107.590,62 em 15/01/2001 crédito decorrente de transferência da agência de Lins/Sp originária de nota fiscal expedida pelo Frigorífico Bertin Ltda. Docs. 29/30 Os documentos de número 29 e 30 comprovam que o contribuinte vendeu bois e vacas para abate, logo essa é uma receita tributável. Ou ela está incluída no valor que a fiscalização já considerou como receita da atividade rural e neste caso não serve para justificar a origem de valores não acobertados por essa receita, ou ela não está incluída nessa parcela já tributada e, nesse caso, também deve ser oferecida à tributação. Em qualquer uma das hipóteses não há alteração do cálculo já realizado pela fiscalização. Item 5 Planilha IV empréstimos bancários obtidos junto ao Banco do Brasil e banco Bradesco Docs. 68/79 , e rendimentos recebidos de pessoas jurídicas com retenção na fonte Docs. 80/81 Os valores que estão na planilha IV como recursos de empréstimo do Banco do Brasil e do banco Bradesco não compõem o demonstrativo de fls 359 e ss de depósitos bancários de origem não comprovada. Ou seja, esses valores já foram expurgados pela fiscalização. O mesmo ocorre com os valores constantes dos Docs. 80/81, que já foram considerados como origem pela fiscalização, tendo sido excluídos do valor total da movimentação financeira. Portanto, nenhum dos valores apresentados nesses docs. se presta a comprovar as origens dos recursos que deram ensejo à presunção de omissão de receita. Item 6 Desconto de nota promissória rural créditos considerados em duplicidade Nesse item o embargante alega que as notas promissórias rurais foram consideradas em duplicidade como crédito de origem não comprovada uma vez no momento da contratação da operação e uma segunda no momento da quitação, em que haveria um débito e um crédito do mesmo valor a demonstrar que houve pagamento. Comparandose a documentação juntada por ele, os extratos bancários e o demonstrativo de fls 359 e ss verifico que lhe assiste alguma razão. O Doc. 32 consiste em aviso de lançamento de 30/01/2001, relativo a operação de desconto de nota promissória no valor de R$ 46.210,55 que, deduzidos encargos, Fl. 950DF CARF MF 6 gerou um crédito de R$ 44.940,18. Na planilha utilizada pela fiscalização, há, no dia 30/01/2001, uma operação com histórico "operação desconto comercial" nesse mesmo valor (R$ 44.940,18) e, no dia 01/03/2001, "Doc crédito automático" no valor de R$ 46.210,55. Ocorre que nesta última data não há um débito desse valor, o que caracterizaria a quitação da operação de desconto. Há sim um crédito do Banco do Brasil. Por outro lado, os Docs. 38 e 40 consistem em avisos de lançamento de 16/04/2001 e 20/03/2001 relativos a desconto de nota promissória no valor de R$ 30.215,18, com crédito de R$ 29.375,48. Ambos os valores estão na planilha da fiscalização. No extrato do Bradesco (doc. 74), no dia 16/04/2001 há a liquidação de cobrança a crédito e nota promissória a débito no mesmo valor R$ 30.215,18, por isso, entendo que está caracterizada a duplicidade mencionada pelo embargante em relação a esses valores. O mesmo ocorre com o valor da Nota Promissória quitada em 09/07/2001, no valor de R$ 10.010,52 (docs. 51/52) valor do crédito original de R$ 9.629,46, em 12/06/2001. Em relação a algumas NP, como os extratos apresentados pelo embargante estão incompletos, só consegui estabelecer a correspondência entre débito (nota promissória) e crédito (liquidação de cobrança) utilizando os extratos juntados pela fiscalização. Foi assim em relação ao valor: de R$ 12.150,81, NP quitada em 25/05/2001 (fls 99); de R$ 11.306,15 no dia 11/06/2001 (fls 100). Os créditos originais desses descontos são: R$ 11.697,03, em 26/04/2001; R$ 10.876,96, em 14/05/2001. Portanto, em relação a essa matéria, considero que foi comprovada a duplicidade dos créditos tidos por origem e que devem ser afastados da base de cálculo os seguintes valores, que correspondem à quitação da operação de desconto: R$ 30.215,18; R$ 10.010,52; R$ 12.150,81 e R$ 11.306,15. Total a ser excluído da base de cálculo: R$ 63.682,66. Conclusão: À vista do exposto, voto por conhecer dos embargos de declaração apresentados e, no mérito, lhes dar parcial provimento para excluir da base de cálculo relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada o valor de R$ 14.000,00 relativo às operações de crédito comprovadas junto ao banco HSBC e R$ 63.682,66 relativo às operações de desconto de nota promissória cujos créditos foram considerados em duplicidade (uma vez na operação de desconto e outra na quitação da operação). (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10120.001004/200604 Acórdão n.º 2201003.573 S2C2T1 Fl. 941 7 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. Divirjo, com a devida permissão, da eminente Relatora quanto à comprovação dos valores de venda da aeronave segundo contrato anexado às folhas 802. Vejo o depósito de R$ 25.000,00 lançado às folhas 364 na planilha elaborada pela autoridade lançadora, exatamente na conta indicada pelo instrumento e na mesma data da confecção do contrato. Porém, não identifico, nem o faz a Embargante, o depósito remanescente, ou seja, os R$ 7.000,00 faltantes para integrar o valor total da venda de R$ 32.000,00 da aeronave. Assim, e por respeito à dialética das provas no processo, entendo que houve a comprovação parcial de fato modificativo no lançamento, posto que da alegação da origem dos valores depositados pela venda da aeronave, restou comprovado o valor identificado acima. Do exposto, voto por excluir, em acréscimo ao voto da Relatora, da base de cálculo relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada o valor de R$ 25.000,00 relativo a venda da aeronave. Por amor à clareza, acresço minha decisão à proferida pela Relatora: voto por conhecer dos embargos de declaração apresentados e, no mérito, lhes dar parcial provimento para excluir da base de cálculo relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada os valores de R$ 14.000,00 relativo às operações de crédito comprovadas junto ao banco HSBC; de R$ 25.000,00 relativo a venda da aeronave, e de R$ 63.682,66 relativo às operações de desconto de nota promissória cujos créditos foram considerados em duplicidade (uma vez na operação de desconto e outra na quitação da operação). (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Redator designado. Fl. 952DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910109/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2009
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2009 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2009 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos sobre pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS, informado como oriundo de recolhimento efetuado a maior, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 01 09 /2 01 2- 87 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11020.910109/201287 Acórdão n.º 3402004.058 S3C4T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 14046.822, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.034, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/201200, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.034): "Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11020.910109/201287 Acórdão n.º 3402004.058 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Ressaltese que, neste processo, as contas especificadas como origem dos créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13922.720002/2015-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PENSÃO JUDICIAL. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
É aplicável a isenção a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, prevalecendo o laudo emitido por unidade de saúde pública sobre aquele emitido por entidade privada, ainda que seja ente paraestatal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTE
Fica mantido o lançamento incidente sobre rendimentos oriundos de locação de imóveis recebidos por dependentes e omitidos na declaração de ajuste anual do titular.
Numero da decisão: 2402-005.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial no sentido de reconhecer a isenção para os rendimentos de aposentadoria.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Waltir Carvalho e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 PENSÃO JUDICIAL. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. É aplicável a isenção a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, prevalecendo o laudo emitido por unidade de saúde pública sobre aquele emitido por entidade privada, ainda que seja ente paraestatal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTE Fica mantido o lançamento incidente sobre rendimentos oriundos de locação de imóveis recebidos por dependentes e omitidos na declaração de ajuste anual do titular.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial no sentido de reconhecer a isenção para os rendimentos de aposentadoria. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Waltir Carvalho e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. É aplicável a isenção a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, prevalecendo o laudo emitido por unidade de saúde pública sobre aquele emitido por entidade privada, ainda que seja ente paraestatal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTE Fica mantido o lançamento incidente sobre rendimentos oriundos de locação de imóveis recebidos por dependentes e omitidos na declaração de ajuste anual do titular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 2. 72 00 02 /2 01 5- 53 Fl. 96DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial no sentido de reconhecer a isenção para os rendimentos de aposentadoria. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Waltir Carvalho e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13922.720002/201553 Acórdão n.º 2402005.837 S2C4T2 Fl. 96 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 71 a 91) interposto contra exarada no Acórdão nº 1054.432 8ª Turma da DRJ/POA (Fls. 57 a 61) que negou provimento a impugnação (Fls 02 a 32) apresentada em face da Notificação de Lançamento (Fls 37 a 41) tendo por objeto o Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre valores classificados indevidamente como isentos em razão de beneficio fiscal concedido a portadores de moléstia grave. Em complementação as informações já registradas transcrevemos o relatório da decisão recorrida por ser demonstração fiel do ocorrido no processo: "Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 37/41, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de ofício e juros de mora no valor total de R$ 10.851,13, calculados até 28/11/2014, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2011, anocalendário de 2010. A fiscalização informa às fls. 38 que constatou omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de R$ 95.345,08 e, às fls. 39, omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoa jurídica pelo dependente cadastrado com o cpf 100.402.69949. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/08 alegando que os rendimentos recebidos da fonte pagadora Paraná Previdência, CNPJ 03.165.607/000110, no valor de R$ 60.863,80, são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. Afirmou que é portador de cardiopatia grave (CID I44.2) há muitos anos e que o agravamento da doença ocorreu a partir de 2007, conforme laudo médico pericial municipal anexado. Discorreu sobre a evolução da doença, reafirmando que era portador de moléstia grave antes de 12/06/2012, data considerada pela fiscalização para fixação do início da isenção. Esclareceu que foram informados na Declaração de Ajuste AnualDAA original os rendimentos das duas fontes pagadoras como tributáveis e que o imposto apurado foi pago conforme declarações anexadas e relatório de arrecadação retirado do site da Receita Federal do Brasil. Quanto ao rendimento pago pelo município de Iporã, no valor de R$ 34.481,28, reconheceu que estão sujeitos à tributação, pois não era aposentado por aquele Ente Público no respectivo anocalendário. Em relação à omissão dos rendimentos de aluguéis recebidos pelo dependente, informou que o aluguel não foi declarado pelo fato do locador não ter apresentado o comprovante de rendimentos." É o relatório. Fl. 98DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Dada a tempestividade e presentes as demais condições de admissibilidade, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário. A Recorrente comprova a condição de portadora de cardiopatia grave (CID I44.2) tendo o ano de 2007 como período provável de início da moléstia grave em condições limitantes, conforme laudo emitido por perito municipal. Conforme previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." Postas as condições legais para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, o enquadramento da Recorrente. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13922.720002/201553 Acórdão n.º 2402005.837 S2C4T2 Fl. 97 5 Inicialmente, conforme registrado, somente proventos de aposentadoria percebidos por portadores de moléstias graves previstas na legislação de referência são alcançado pela isenção. No presente feito, a própria recorrente reconhece na impugnação que os valores pagos pelo Município de Iporã não decorrem de aposentadoria, portanto, tributáveis. Já os valores pagos pelo Órgão Paraná Previdência seriam decorrentes de aposentadoria, assim, caso a Recorrente comprove por meio de documentos hábeis e idôneos a sua condição de portadora de moléstia grave em período compatível com aquele em que recebeu os proventos, estaríamos diante da hipótese legal concessiva de isenção de IRPF incidente sobre tais valores. A controvérsia gira em torno de divergência de datas de inicio da doença com a gravidade que autorizaria a concessão da isenção em lide. A fonte pagador Paraná Previdência realizou perícia médica em 05/02/2014 fixando a data provável de inicio da cardiopatia grave em 07/05/2013, tendo revisado seu entendimento e fixado nova data de inicio provável da doença como sendo 12/06/2012. Segundo o Laudo, 12/06/2012 é a data "...a partir de quando estaria caracterizada a cardiopatia como grave, que é o que confere o direito ao enquadramento para isenção”. A Recorrente juntou ao processo cópia do Laudo Médico Pericial expedido pelo Município de Iporã atestando que "...o agravamento da patologia iniciouse em fevereiro de 2007” gerando divergência quanto ao momento de agravamento da patologia." O relator da DRJ, ante a divergência de datas, optou por considerar a data informada pela Paraná Previdência como a correta, entretanto, não fundamentou sua decisão quanto a esta opção. Analisando a natureza jurídica da Paraná Previdência, verificamos que a mesma foi instituída pela Lei Ordinária Estadual de nº Lei 12.398/98 , de 30 de dezembro de 1998 que, em seu Art. 2º, a define como instituição, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica de direito privado, natureza de serviço social autônomo paradministrativo, com patrimônio e receitas próprios e com autonomia técnica e financeira. (disponível em http://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=8486&indi ce=1). O §4º do artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 determina que, "Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Postas as questões de validação definidas pela legislação, somente pode ser considerado como serviço médico oficial o Laudo emitido pelo serviço medico municipal, eis que o laudo de uma entidade privada não se prestaria aos fins previstos na legislação em análise. Fl. 100DF CARF MF 6 Ainda que fosse possível considerar o serviço médico da entidade privada Paraná Previdência como serviço médico oficial, manteríamos nosso entendimento no sentido de considerar como data válida, para os fins de inicio do beneficio ora pleiteado, aquela prevista no laudo emitido pelo Município de Itaporã. Fundamentamos tal entendimento no que dispõe o Código Tributário Nacional em seu artigo 112: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." Quanto a omissão de rendimentos de dependentes provenientes de locação de imóveis, a própria recorrente não nega ter omitido tais valores, tendo se limitado apenas a informar que não os declarou pelo fato do dependente não os ter informado. Assim, neste ponto, o recursão não merece acolhimento. Conclusão Ante o exposto, VOTO por julgar o Recurso Voluntário procedente em parte, reconhecendo o mês de fevereiro de 2007 como data de inicio da moléstia grave e, por conseqüência, para o gozo do beneficio de isenção incidente sobre os proventos de aposentadoria. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905577/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.798
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 77 /2 01 2- 65 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.905577/201265 Acórdão n.º 3201002.798 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.325, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.905577/201265 Acórdão n.º 3201002.798 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.905577/201265 Acórdão n.º 3201002.798 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.905577/201265 Acórdão n.º 3201002.798 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.905577/201265 Acórdão n.º 3201002.798 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.905577/201265 Acórdão n.º 3201002.798 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13888.905577/201265 Acórdão n.º 3201002.798 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13888.905577/201265 Acórdão n.º 3201002.798 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 135DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.901120/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.425
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 20 /2 01 2- 10 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10940.901120/201210 Acórdão n.º 3302004.425 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10940.901120/201210 Acórdão n.º 3302004.425 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10940.901120/201210 Acórdão n.º 3302004.425 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.238. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10940.901120/201210 Acórdão n.º 3302004.425 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10940.901120/201210 Acórdão n.º 3302004.425 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10940.901120/201210 Acórdão n.º 3302004.425 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.720014/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
Numero da decisão: 2401-004.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 00 14 /2 00 8- 17 Fl. 149DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10820.720014/200817 Acórdão n.º 2401004.837 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada a Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2005, conforme peça inaugural, às efls. 02/06, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 23/06/2008 (Doc. de efl. 125), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, a exigência do presente crédito tributário encontra guarida nas seguintes Autuações: "Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. [...] Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa.[...]" A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS entendeu por bem julgar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário, por entender restar comprovado que o Parque Estadual foi criado em data anterior a da ocorrência do fato gerador do Exercício aqui tratado, que o imóvel foi desapropriado para instalação desse Parque e dentro dele está localizado, e que a interessada apresentou Ato Declaratório Ambiental junto ao Fl. 151DF CARF MF 4 Ibama, impõese reconhecer o direito à isenção do ITR sobre o total da área declarada do imóvel, por se tratar de área de interesse ecológico, nos termos da legislação ambiental, apesar do erro de preenchimento da DIRT/2005, onde a área foi informada como sendo de preservação permanente, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 04 23.822/2011, de efls. 134/138, sintetizados na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO. Comprovada a desapropriação do imóvel por pessoa jurídica de direito privado delegatária ou concessionária de serviço público, para fins de instalação do parque estadual, e a apresentação do ADA no prazo legal pela desapropriante impõese reconhecer que a área do imóvel se enquadra na definição legal de interesse ecológico e que está isenta do ITR. Lançamento Improcedente" Em observância ao disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou improcedente o lançamento fiscal. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10820.720014/200817 Acórdão n.º 2401004.837 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, 14 de março de 2017. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em parcial consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE Fl. 153DF CARF MF 6 NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, em face de o montante de crédito Tributário exonerado situarse abaixo do limite de alçada vigente, pelas razões de fato e direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 154DF CARF MF
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