Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11065.723859/2012-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CONCURSO DE AGENTES. COMUNHÃO DE DESÍGNIOS.SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUTUAÇÃO. LANÇAMENTO. ATOS DESCONSIDERADOS.
Se houver convencimento de que a conduta dos agentes, em concurso, configura materialidade delitiva, a comunhão de desígnios impõe autuar ambos contribuintes infratores. Cumpre, no mínimo, intimar por solidariedade o partícipe sob pena de caracterizar cerceamento de defesa para o único autuado na medida em que, nos autos, não se tenha sido oportunizado a devida manifestação do segundo, mormente na hipótese em que sobre este ,majoritariamente, recaia os argumentos que motivarem o lançamento.
Na forma do contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional - CTN, a Autoridade Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento à preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Daniele Souto Rodrigues.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CONCURSO DE AGENTES. COMUNHÃO DE DESÍGNIOS.SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUTUAÇÃO. LANÇAMENTO. ATOS DESCONSIDERADOS. Se houver convencimento de que a conduta dos agentes, em concurso, configura materialidade delitiva, a comunhão de desígnios impõe autuar ambos contribuintes infratores. Cumpre, no mínimo, intimar por solidariedade o partícipe sob pena de caracterizar cerceamento de defesa para o único autuado na medida em que, nos autos, não se tenha sido oportunizado a devida manifestação do segundo, mormente na hipótese em que sobre este ,majoritariamente, recaia os argumentos que motivarem o lançamento. Na forma do contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional - CTN, a Autoridade Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11065.723859/2012-02
anomes_publicacao_s : 201511
conteudo_id_s : 5543773
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.706
nome_arquivo_s : Decisao_11065723859201202.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11065723859201202_5543773.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento à preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
id : 6174427
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122599407616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.723859/201202 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.706 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CALÇADOS D'LUNA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CONCURSO DE AGENTES. COMUNHÃO DE DESÍGNIOS.SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUTUAÇÃO. LANÇAMENTO. ATOS DESCONSIDERADOS. Se houver convencimento de que a conduta dos agentes, em concurso, configura materialidade delitiva, a comunhão de desígnios impõe autuar ambos contribuintes infratores. Cumpre, no mínimo, intimar por solidariedade o partícipe sob pena de caracterizar cerceamento de defesa para o único autuado na medida em que, nos autos, não se tenha sido oportunizado a devida manifestação do segundo, mormente na hipótese em que sobre este ,majoritariamente, recaia os argumentos que motivarem o lançamento. Na forma do contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional CTN, a Autoridade Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 38 59 /2 01 2- 02 Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento à preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Na forma do descrito no Relatório Fiscal de fls. 23, podese resumir que foram lançados em nome da Calçados D’Luna Ltda créditos tributários referentes às remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais, apuradas por aferição indireta, com base nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs e respectivas folhas de pagamento da empresa Calçados Gugui Ltda., CNPJ n.º 07.765.218/000186, porquanto caracterizados tais trabalhadores como segurados da Calçados D’Luna Ltda. Abaixo trechos que elucidam o encimado: “1. Da ação Fiscal Este relatório é parte integrante do processo administrativo nº 11065.723.859/201202 integrado pelos Autos de Infração abaixo discriminados: 1.1. AI DEBCAD nº 37.341.4080, referente a contribuições previdenciárias patronalsobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados econtribuintes individuais, apuradas por aferição indireta. 1.2. AI DEBCAD nº 37.341.4099, referente a contribuições devidas pela empresaa Outras Entidades (SENAI, SESI, SEBRAE, INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO), apuradas poraferição indireta. 2. O período de lançamento do crédito previdenciárioO período corresponde a 01/2008 a 12/2008 (inclusive 13º salário). 3. Quanto ao fato gerador dos Autos de Infração emitidos 3.1. O fato gerador dos créditos previdenciários é as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais apuradas por aferição indireta com base nas Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e respectivas folhas de pagamento da empresa CALÇADOS GUGUI LTDA., CNPJ nº 07.765.218/000186, doravante denominada GUGUI, caracterizados por esta fiscalização como segurados da CALÇADOS D`LUNA LTDA., doravante denominada D`LUNA. Em anexo GFIP e folha de pagamento de 02/2009 e 10/2009, por amostragem, da Gugui. 3.1.1. A identificação dos segurados empregados e contribuintes individuais, as competências e as remunerações pagas constam no “ANEXO 1 – Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 REMUNERAÇÃO APURADA POR AFERIÇÃO INDIRETA COM BASE NA FOLHA DE PAGAMENTO DA EMPRESA CALÇADOS GUGUI LTDA CNPJ Nº 07.765.218/000186”. 3.1.2. Intimamos também a empresa Gugui a apresentar documentos conforme o Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, de 26/04/2012. 3.1.3. A partir dos elementos constantes neste relatório, demonstraremos que a empresa Gugui, optante pelo SIMPLES desde a sua constituição em 27/12/2005, foi utilizada para criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. Estas 2 (duas) empresas de fato constituem uma única entidade empresarial desde a constituição da Gugui. A D`Luna vinha utilizando a mão de obra dos empregados e contribuintes individuais cadastrados como da Gugui para reduzir a tributação sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que “de fato” trabalhavam para a D`Luna”(grifos de minha autoria) Destacando que os elementos de prova estão basicamente assentados na Diligência fiscal realizada na empresa denominada CALÇADOS GUGUI LTDA , conforme descrito no item 3.1.3 do Relatório Fiscal , esta fora constituída meramente para a criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`LUNA sujeito passivo da autuação em comento, verbis: “3.1.3. A partir dos elementos constantes neste relatório, demonstraremos que a empresa Gugui, optante pelo SIMPLES desde a sua constituição em 27/12/2005, foi utilizada para criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. Estas 2 (duas) empresas de fato constituem uma única entidade empresarial desde a constituição da Gugui.(..) ” ( grifos de minha autoria) Conforme o registrado no item 17 do sobredito Relatório Fiscal, aduz que houvera sido procedida concomitante ação fiscal na empresa CALÇADOS GUGUI LTDA :” Na seqüência aludiu suspeição quanto aos endereços das empresas : “3.3.3. A Gugui foi constituída em 27/12/2005 praticamente no mesmo endereço da D`Luna 3.3.4. Na figura 1 mostra o endereço da D`Luna localizada no nº600 e na figura 2 o endereço da Gugui de nº 586. Verificase que ambos indicam o mesmo complexo industrial ” Entendeu a Autoridade autuante que a suspeição adquiriu maiores contornos de ilicitude pelo fato do número de telefone nas notas fiscais e fatura telefônica de 03/2007, EXTEMPORÂNEA à ação fiscal , ressaltese , datada de 10/10/2012 ; “3.3.5. Para corroborar, verificamos que nas notas fiscais confeccionadas pela Gugui, consta impresso o “Fone: (51) 35471433” como seu telefone, conforme cópia em anexo. Entretanto, esse número pertence à D`Luna conforme cópia da Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 4 5 nota fiscal da própria fiscalizada, e fatura do telefone da Brasil Telecom de 03/2007, em anexo.” Continuando, em razão também do vínculo familiar, afirma que com os elementos que até então dispusera teria chegado a conclusão da ilicitude aventada: “3.4.2. As informações dos demonstrativos acima revelam que os sócios da D`Luna e Gugui têm forte vínculo familiar. 3.4.3. Gustavo Timmen Schmidt e Guilherme Timmen Schmidt são irmãos e são filhos de Geraldo José Schmidt. 3.4.4. Chegamos a conclusão de que a existência da Gugui era apenas de fachada, justificada somente para abarcar os empregados da fiscalizada. É evidente que a administração das 2 (duas) empresas é única pois de fato não existe separação entre elas. Ajudaram a formar convencimento da suposta irregularidade o fato de que no mês 01/2006, primeiro mês de funcionamento da Gugui, dos 211 empregados admitidos, 204 eram oriundos da D`Luna que migraram para a nova empresa : “3.6.1. Analisando os vínculos dos segurados empregados das empresas D`Luna e Gugui, por meio das informações prestadas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP constatamos que houve um movimento de migração de funcionários da fiscalizada para a Gugui. Essa constatação fortalece ainda mais a nossa convicção de que a Gugui foi constituída com o fim específico de cadastrar os empregados que de fato prestavam serviços para a D`Luna. No mês 01/2006, primeiro mês de funcionamento da Gugui, dos 211 empregados admitidos, 204 eram oriundos da D`Luna.” As sobreditas informações foram obtidas no sistema interno da Receita Federal do Brasil “DATAPREV/CNISCadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS Cidadão/Período de Contribuição: “3.6.3. Por meio das fichas de vínculos extraídos do sistema interno da Receita Federal do Brasil “DATAPREV/CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS Cidadão/Período de Contribuição” Referindose aos elementos da empresa que não foi autuada, a Autoridade autuante firmou convicção de que restara evidente que houvera manipulação de resultados: “3.7.2. Quanto ao faturamento da Gugui, é evidente que houve manipulação de resultados para manter a receita abaixo do limite de enquadramento no SIMPLES (R$2.400.000,00 a partir de 2006). 3.7.3. Quanto à análise do faturamento versus massa salarial, percebese que o percentual da massa salarial sobre as receitas relativa à Gugui é bem superior à da D`Luna. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Enquanto que na Gugui esse percentual vai de 67,86 % a 88,32%, na fiscalizada é 1,09% a 1,94%. Em 2005, antes da constituição da Gugui, esta relação era de 11,46% o que corresponde mais à realidade conforme demonstrado na coluna (5) da tabela.” Às fls 27, efetuaramse cálculos baseados em competências 2005 a 2009: “ 3.7.1. Elaboramos a tabela abaixo com dados das 2 (duas) empresas relativos ao número de empregados, faturamento e massa salarial dos anos 2005 a 2009. Quanto ao número de empregados, consideramos a média mensal de empregados de cada empresa por ano. O resultado revela que a soma dos empregados da 2 (duas) empresas se manteve constante (coluna 6). É nítido que no ano 2006, quando foi constituída a Gugui, o número de empregados da D`Luna diminuiu drasticamente. Entretanto, apesar da redução de empregados da D`Luna, seu faturamento aumentou ano a ano (coluna 3). (...) 3.9 Ausência de Patrimônio (Máquinas e Equipamentos) e Custo com a Produção Por meio dos registros contábeis e do Balanço Patrimonial da Gugui constatamos que ela não possui máquinas e equipamentos para a utilização na prestação de serviços de industrialização. Também não foram constatados lançamentos com custos de fabricação tais como insumos, água, energia elétrica, manutenção de equipamentos, depreciação ou aluguéis de equipamentos, somente valores relativos à mão de obra. Isso vem reforçar a evidência de que a Gugui não existiu de fato. Tudo indica que ela foi constituída unicamente para abarcar parte das despesas com folha de pagamento da fiscalizada. O demonstrativo de resultados abaixo demonstra claramente isso. A Receita Bruta é calculado na medida para cobrir as despesas com pessoal. (...) A síntese dos argumentos para autuação poderia ser apresentada tal qual o descrito no item 4 do Relatório Fiscal: “4. Quanto ao “planejamento tributário” 4.1. Em face dos fatos relatados, ficou claro que o “planejamento tributário” utilizados pela D`Luna, com a utilização da empresa Gugui optante pelo SIMPLES, teve como propósito criar uma situação jurídica com vistas a dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. As constatações relatados no item “3” evidenciam a intenção da empresa em reduzir a tributação através do artifício de utilizar empresas optantes pelo SIMPLES” Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 5 7 DA IMPUGNAÇÃO Compulsados os autos, corroborando os destaques, transcrevo o que fora alegado na forma do descrito no Relatório a quo: “em preliminar, argüi a nulidade dos lançamentos, haja vista a ocorrência de vícios no procedimento fiscal, os quais terlheiam cerceado o direito de defesa. Mais especificamente, a um, o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fl. 64/65) menciona o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n.º 1010700.2012.00355, enquanto que o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fl. 68) faz referência ao MPF n.º1010700.2011011238, do qual a empresa não teria tomado conhecimento; a dois, embora intimada a apresentar notas fiscais utilizadas na base de cálculo do crédito do PIS/COFINS em 15 de junho de 2012, o MPF somente foi alterado para abranger tais tributos em 22 de junho de 2012. No mérito, examina, inicialmente, os indícios da ação fiscal, quais sejam aqueles concernentes aos objetivos sociais, ao domicílio fiscal, ao quadro societário, à relação faturamento x custo da mãodeobra, à exclusividade nas atividades, à inexistência de maquinário próprio e custo com a produção, à energia elétrica, aos aportes financeiros e à correta interpretação da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho TST. Analisa, ainda, outros aspectos relevantes, “não levantados pela fiscalização”, quais sejam as razões empresariais, o risco econômico do empreendimento e a impossibilidade de desconsiderar negócios jurídicos indiretos. Insurgese também contra as multas aplicadas, apontando a impossibilidade de aplicação da multa qualificada e a inexistência de dolo específico. Finalmente, refere a necessidade de compensação dos valores recolhidos na sistemática de tributação estabelecida pelo Simples. No tocante aos indícios considerados na ação fiscal, observa, inicialmente, que as operações realizadas encontram respaldo e estão em perfeita consonância com as leis vigentes no País, nada podendo ser imputado à empresa que contrarie qualquer norma legal, pois não existe lei que proíba a terceirização de atividades produtivas, bem como é evidente que todas as operações são realizadas às claras e com registro documental. Tem, Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 assim, que a Fiscalização não logrou êxito em demonstrar que os atos praticados não foram realizados ou não eram válidos, como também não demonstrou a existência de negócio jurídico oculto, sem o qual não há que falar em dissimulação. Observa, ainda, que a Lei Complementar n.º 104/2001, que abriu a possibilidade de as autoridades administrativas desconsiderarem atos ou negócios dos contribuintes, até a presente data, não se encontra regulamentada por lei ordinária. Logo, não pode servir como embasamento legal para o lançamento ora impugnado. Em relação aos objetivos sociais, tem como evidente que a atividade das duas empresas não é a mesma. Mais especificamente, enquanto a impugnante é fabricante de calçados, detentora de marcas próprias, e responsável pelo desenvolvimento de coleções, fabricação e comercialização, a Calçados Gugui Ltda. dedicavase, de fato, ao beneficiamento de calçados, isto é, constituíase em autêntico “atelier” que executava etapas/fases da cadeia produtiva do calçado. As atividades, embora integrantes do mesmo ramo – setor calçadista –,eram completamente distintas. Quanto ao domicílio fiscal, aponta evidente erro na identificação dos domicílios das empresas por parte da Fiscalização – provavelmente porque os fatos mencionados no Relatório Fiscal foram coletados a partir de um cenário bastante modificado, tendo em vista que a Calçados Gugui Ltda. encerrou suas atividades empresariais no ano de 2010. Ressalta, ainda, que o Relatório Fiscal é omisso em relação a questões relevantes e capazes de evidenciar a realidade dos fatos, qual seja a efetiva separação física entre os estabelecimentos industriais – a exemplo do que ainda hoje ocorre em relação à empresa que atualmente ocupa o imóvel onde outrora ficava a sede da Calçados Gugui Ltda. Ademais, inexiste vedação legal a que duas ou mais empresas operem na mesma área geográfica ou no mesmo complexo industrial. Quanto ao número de telefone impresso nas notas fiscais da Calçados Gugui Ltda., número este pertencente à autuada, afirma que se trata de “extremo apego ao formalismo” por parte da Fiscalização. A semelhança de leiaute das notas fiscais, decorrente do fato de que os talonários foram confeccionados pela mesma gráfica, pode ter induzido a esta em erro. De qualquer sorte, a Calçados Gugui Ltda. possuía telefone próprio, suportando os ônus financeiros daí decorrentes, inclusive com apropriação das despesas em sua contabilidade. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 6 9 No que pertine ao quadro societário, considera que o fato de os sócios das empresas Calçados D’Luna Ltda. e Calçados Gugui Ltda. serem parentes não é suficiente para a descaracterização das relações empresariais entre elas existentes. Também nada há de ilegal em haver parentes ou exempregados no quadro societário das empresas em análise, ou mesmo no fato de manterem estreito trato comercial. No tocante à relação faturamento x custo da mãodeobra das empresas em questão, a impugnante admite ser ela que, em face das peculiaridades inerentes à terceirização/descentralização de etapas/fases do processo de fabricação de calçados (industrialização por encomenda), compra a matériaprima e a remete para ser industrializada em outras empresas, executando, ao depois, as etapas/fases finais do processo produtivo e realizando a venda final do produto. Assim, em razão da terceirização, e visando a melhor eficiência de suas operações e melhor competitividade, o custo com pessoal representa um menor peso em relação ao seu faturamento. Já a Calçados Gugui Ltda. seria uma empresa especializada na prestação de serviços de industrialização por encomenda, cuja execução exige menos produtos intermediários e mais empregados, o que representa, logicamente, um maior peso em relação ao custo total de sua atividade. Quanto à exclusividade nas atividades da Calçados Gugui Ltda., assevera a impugnante que, não raro, existem estabelecimentos industriais com número extremamente reduzido de clientes a quem prestam serviços, muitas vezes, de forma exclusiva, sem que isso represente simulação de negócios. Refere, ainda, a um, que jamais houve exclusividade de parte da autuada para com a Calçados Gugui Ltda., tanto que outras empresas executavam a mesma etapa/fase da industrialização realizada por esta última; a dois, que, a partir de agosto de 2009, a Calçados Gugui Ltda. passou a prestar serviços de industrialização para outras empresas, tais como a Calçados Peres Ltda.; e, a três, que devem ser excluídos do lançamento os períodos nos quais não há comprovação de emissão de notas fiscais da Calçados Gugui Ltda. para a impugnante. Em relação à inexistência de maquinário próprio, esclarece que, na indústria calçadista é bastante comum que máquinas sejam cedidas em comodato para a empresa executora da industrialização encomendada, nada havendo de ilegal nisso. Ressalta, ainda, que a cessão de máquinas para a executora da etapa terceirizada tem o Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 objetivo de “garantir a produção e a qualidade que talvez a prestadora dos serviços não conseguisse alcançar com maquinário próprio, muitas vezes ultrapassado do ponto de vista tecnológico, além do risco de estragar a matéria prima.” Não se trata, portanto, de um “benefício” ou “ingerência”, mas tãosomente de preocupação com a qualidade dos produtos que irá ofertar no mercado. Quanto à ausência de lançamentos com custos de fabricação, sustenta, a um, que, conforme demonstrativos contábeis constantes dos autos, existem registros correspondentes a aluguéis, telefone, despesas com veículos e manutenção de equipamentos; a dois, que a água consumida era oriunda de poço artesiano; e, a três, que, tendo em vista que as máquinas foram cedidas em comodato, não haveria que se falar em “depreciação” ou “aluguéis” pelo seu uso. No tocante à energia elétrica, a impugnante assinala que o pagamento dessa despesa seria, por força contratual, de sua responsabilidade. Também não vê qualquer problema ou impedimento em “se acertar, no preço contratado pelos serviços de industrialização, o abatimento do valor correspondente a eventuais rubricas suportadas pela encomendante”. No que pertine aos aportes financeiros efetuados em benefício da Calçados Gugui Ltda., explica tais repasses tendo em vista o vínculo afetivo/familiar existente entre os sócios das empresas, o que obviamente facilitou a relação de parceria entre elas. Acresce que tais recursos não foram simplesmente transferidos, sendo devidamente contabilizados como empréstimos (passivos/ativos, conforme o caso) e pagos (devolvidos) periodicamente, “inclusive através da ‘compensação’ nos valores antecipados para a GUGUI por conta de industrializações em andamento (conta ‘adiantamento a fornecedores’ da autuada).” Finalmente, tem como equivocada a interpretação da Súmula 331 do TST, na medida em que os pressupostos da relação de emprego (notadamente a subordinação, principal elemento caracterizador) não estão explicitamente comprovados nos autos. Aduz que, atualmente, seja em decorrência das novas necessidades econômicas, seja pela prevalência do entendimento de que a legislação pátria não proíbe a intermediação de mãodeobra, admitese a terceirização da atividade principal da empresa, não havendo que se falar em fraude, desde que ausente a pessoalidade e a subordinação à empresa contratante. “Em verdade, se o serviço do obreiro é essencial à atividade econômica da empresa tomadora, até pode a terceirização ser Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 7 11 considerada ilícita, mas somente se provada a subordinação e a pessoalidade, o que não se visualiza no presente caso.” (Grifado no original.) “Essa nova posição é refletida na Súmula 331 do TST, conforme expresso no item IV desse verbete jurisprudencial.” Em relação a outros aspectos relevantes não levantados pela Fiscalização, a impugnante elenca, por primeiro, as razões empresariais que a levaram a terceirizar etapas/fases do processo produtivo, quais sejam, em síntese, a um, a minimização de problemas de rotatividade de mãodeobra, permitindo a manutenção de um quadro de empregados estável para atender a determinado nível de produção, de maneira que eventuais demandas seriam supridas por meio da contratação de empresas que se dedicam à industrialização por encomenda; e, a dois, a melhora de sua eficiência e competitividade em um mercado cada vez mais globalizado, mantendo seu foco nas atividades de maior valor agregado. Não se trata, portanto, de simulação “uma vez que o negócio jurídico não foi efetuado com único propósito de escapar de tributos, mas sim com objetivos econômicos e empresariais verdadeiros, ainda que o resultado proporcione uma economia tributária”. Seria, no máximo, um planejamento tributário, aceito tanto na doutrina como na jurisprudência. Ademais, a estrutura de negócio montada pela impugnante é legítima, nada sendo realizado de forma oculta. Afirma também que o argumento de que a operação de terceirização (industrialização por encomenda) foi realizada apenas para economizar tributos não é apto para a desconsideração de negócios jurídicos praticados sem qualquer ilicitude. Ainda quanto à licitude da relação empresarial entre as empresas arroladas pela Fiscalização, salienta, a título exemplificativo, que, apenas nos meses de setembro de 2008 e setembro de 2009, foram emitidas pela impugnante centenas de notas fiscais de remessa de matériaprima para industrialização por terceiros. Tal operação foi realizada com diversas outras empresas além da Calçados Gugui Ltda., inclusive da mesma etapa/fase do processo produtivo e com exclusividade – revelada pela ordem seqüencial das notas fiscais. Sob esta ótica, o contribuinte não pode ser acusado de fraude fiscal por organizar suas atividades de modo menos Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 oneroso do ponto de vista fiscal, respeitando, assim, os princípios constitucionais da legalidade e da livre iniciativa. Inclusive, um dos grandes princípios da boa gestão negocial é buscar formas de reduzir custos e, via de conseqüência, economizar tributos. Além disso, se a impugnante é, como aponta a Fiscalização, engenhosa a ponto de construir uma seqüência de atos apenas para evitar a tributação a que estaria sujeita caso registrasse a mãodeobra como se fosse sua, bastaria que ela tivesse contratado empresas informais que empregam, em geral, mãodeobra que trabalha sem vínculo empregatício, caracterizando uma situação de informalidade na relação trabalhista. Quanto ao risco econômico do empreendimento, sustenta que a Calçados Gugui Ltda. assumia integralmente o risco econômico do empreendimento. “Portanto, não existe a alegada relação de dependência econômica entre as empresas. Era a Calçados Gugui Ltda. que efetivamente pagava suas contas, inclusive sendo responsável por buscar recursos financeiros junto a instituições financeiras quando necessário. Enfim, era efetivamente autônoma e independente, não havendo qualquer indício de ingerência da impugnante na administração de seus negócios.” Refere, neste passo, que os Balanços Patrimoniais e os Demonstrativos do Resultado do Exercício que se encontram nos autos demonstram que as despesas e os custos operacionais – por exemplo, indenizações trabalhistas, aluguel, telefone, despesas com veículos e manutenção de equipamentos – eram suportados integralmente pela Calçados Gugui Ltda. e devidamente apropriados em sua contabilidade. Ademais, aponta, como prova de que a Calçados Gugui Ltda. funcionava como empresa independente, os registros de despesas típicas de uma empresa “normal”, tais como material de limpeza, material de expediente, honorários de contador, transporte de empregados e honorários médicos. Refere, ainda, a existência de empregados do setor administrativo e de apoio na Calçados Gugui Ltda., consoante se depreende das folhas de pagamento juntadas aos autos pela Fiscalização. Concluindo, afirma que os lançamentos contábeis acima indicados convergem para o mesmo sentido: a impugnante é uma empresa que entrega sua matériaprima para que outras realizem o beneficiamento, porém não arca com os custos destas, “hipótese que poderia ensejar a conclusão de simulação.” Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 8 13 Finalmente, aponta a impossibilidade de desconsiderar negócios jurídicos indiretos, na medida em que “não há qualquer ilicitude na hipótese de o contribuinte escolher o caminho menos oneroso do ponto de vista fiscal, sob pena de, absurdamente, se ter de admitir que o contribuinte deve sempre escolher o caminho da maior onerosidade fiscal.” “Isso porque o contribuinte tem o direito de se auto organizar, não estando obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa. Esta busca da menor carga tributária legalmente possível envolve o uso das liberdades individuais prestigiadas pela Constituição (por exemplo, da livre iniciativa: art. 1.º, IV e art. 170, ‘caput’; e da livre concorrência: art. 170, IV).” Afirma que a principal diferença entre o negócio indireto e a simulação é a de que nesta “há desconformidade entre o desejado e o praticado, obrigando as partes a realizar atos paralelos ocultos para desfazer ou neutralizar os efeitos do praticado. Já no negócio indireto as partes desejam e mantêm o ato praticado, assumindo as consequências e os ônus da forma jurídica escolhida, que poderá resultar eventual economia de tributos.” “Enfim, as partes têm liberdade para, diante de uma determinada situação fática, optar por regulála por meio de uma estrutura jurídica usual (negócio jurídico direto) ou de uma estrutura jurídica não usual (negócio jurídico indireto). Inexiste no ordenamento jurídico brasileiro qualquer dispositivo que vede seja adotado o negócio jurídico indireto (terceirização), muito menos que obrigue seja utilizado o negócio jurídico direto (contratação direta). Obviamente, desde que não haja simulação, como no presente caso, eis que o negócio praticado apóiase num motivo empresarial, tendo apenas por efeito eventual redução da carga tributária.” Conclui que, no caso em apreço, não há simulação porque todas as cláusulas do negócio jurídico realizado são verdadeiras: a contratação da Calçados Gugui Ltda.foi verdadeira, não há simulação na remessa das matériasprimas nem na industrialização realizada pelas empresas; “não há mentira na cobrança dos serviços prestados, muito menos nos valores faturados; todos os tributos incidentes sobre a operação escolhida foram recolhidospelas partes; enfim, não há mentira na adoção da estrutura jurídica escolhida.” Em relação às multas aplicadas, a impugnante aponta, inicialmente, a impossibilidade de aplicação da multa Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 qualificada de 150%, haja vista a inexistência de dolo específico. Entende que a multa estabelecida no artigo 44, parágrafo 1.º, da Lei n.º 9.430/96, somente se justifica nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que deve ser interpretada restritivamente. Aduz que não ficou demonstrado nos autos o “evidente intuito de fraude” por parte da impugnante, capaz de justificar a extrapolação da multa. Tratase, no caso, de aplicar o princípio da legalidade estrita e da correta interpretação da legislação, inclusive em face do disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional CTN. “Via de conseqüência, meros indícios não servem como prova de fraude.” “Em verdade, todas as operações da impugnante foram praticadas de forma lícita, legítima e às claras, sem qualquer ocultação, não havendo qualquer ato ou negócio mascarado passível de imposição de multa qualificada por fraude.” Não existiu, assim, o dolo específico pedido no “caput” dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, “elemento essencial para se promover a qualificação da multa de ofício.” Por derradeiro, no que pertine à compensação dos valores recolhidos, observa a impugnante que não há um único argumento ou alegação da autoridade fiscal no sentido de que a Calçados Gugui Ltda. não cumpriu com os requisitos legais para adesão ao regime tributário especial do Simples, donde conclui que tanto o faturamento como a atividade por ela desenvolvida não representam óbice à tributação privilegiada. Em assim sendo, caso prevaleça o entendimento levado a efeito para constituição dos créditos tributários lançados, “consubstanciado na tese de ‘empresa de fachada’ c/c ‘as duas empresas de fato são uma só’”, considera que todos os recolhimentos efetuados no regime simplificado seriam indevidos e passíveis de repetição. Por outras palavras, “o Fisco, ao requalificar os fatos para considerar as duas empresas como uma só entidade empresarial, reconhece que parte do tributo devido foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outra rubrica.” (Grifado no original.) Observa que, no período objeto da fiscalização, os valores recolhidos no regime tributário simplificado totalizam R$ 275.062,68, os quais poderão ser validados/confrontados com o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 9 15 Ademais, haja vista que compete à RFB fiscalizar as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos tributos federais recolhidos através do Simples Federal (artigo 17 da Lei n.º 9.317/96) e do Simples Nacional (artigo 33 da Lei Complementar n.º 123/2006), a eles é aplicável o disposto no artigo 74 da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.637/2002 Portanto, em regra, todos os tributos sob a administração da Secretaria da Receita Federal são compensáveis, ainda que uns sujeitos ao Simples e outros submetidos ao sistema usual, não havendo qualquer vedação legal à pretendida compensação, na remota hipótese de subsistência do lançamento. Assim, impõese a compensação, mês a mês, e sem qualquer limitação de percentual, dos valores relativos aos tributos federais recolhidos indevidamente pelas empresas por via do Simples Federal e Nacional, com os créditos ora constituídos, eis que todos são tributos administrados pelo mesmo órgão. Salienta, por oportuno, que o artigo 23 da Lei n.º 9.317/96 e o Anexo II da LC n.º 123/2006 permitem a visualização do montante referente a cada um dos tributos federais consolidados nos respectivos regimes, o que afasta qualquer óbice à compensação por eventual dificuldade de operacionalização deste procedimento. Em não sendo acatados tais argumentos, pelo menos o montante da contribuição patronal previdenciária inserido no recolhimento unificado do Simples (R$ 154.637,68) deverá ser compensado, sob pena da ocorrência de “bis in idem”, vedado pelo ordenamento jurídico. A não ser assim, em prevalecendo o lançamento tributário impugnado, haverá nova exigência, integral, da mesma contribuição, sem contemplar a diferença já recolhida, ocorrendo, portanto, uma sobreposição tributária. Ao final, requer seja acolhida a preliminar suscitada, anulandose todos os autos de infração por conta dos erros/vícios apontados. No mérito, postula seja declarada a improcedência dos lançamentos, cancelandose os autos de infração impugnados. Sucessivamente, caso não sejam eles desconstituídos integralmente, requer (a) seja desconsiderada a imputação de simulação para fins de aplicação da multa de 150%; e (b) sejamcompensados, mês a mês, os valores relativos aos Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 tributos recolhidos pela Calçados Gugui Ltda., na sistemática do Simples, com os créditos ora constituídos.”( Grifos de minha autoria) DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Porto ( RS) DRJ/ POA, em 13 de março de 2013, exarou Acórdão de n°1042.793 fls.1.223, negando provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. Fls.1.257, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação. DA DILIGÊNCIA Às fls. 1.297, em 17de setembro de 2013, na forma da Resolução n° 2403000.184, este Colegiado anui pedido do Relator para os autos retornem em DILIGÊNCIA à origem de modo que fosse providenciada a juntada dos seguintes elementos: “Mandado de Procedimento Fiscal – MPF ; Relatório Fiscal da ação fiscal ; Auto( s) de infração; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal –TEPF; Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta; Resposta da Autoridade Administrativa quanto a EXCLUSÃO DO SIMPLES;e Informação se houve IMPUGNAÇÃO da empresa quanto ao ATO DE EXCLUSÃO do SIMPLES, bem como qual é o número do eventual processo onde a empresa estaria refutando a motivação da penalidade lhe imposta.” DA RESPOSTA DA DILIGÊNCIA Às fls. 1.335, o Relatório da ação fiscal registra que : “Tratase de MPF de Diligência expedida com o objetivo específico de proceder à coleta de informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda. Assim, através da Diligência fiscal, foram requisitados e obtidos os documentos e informações necessárias. Em relação à empresa Calçados Gugui Ltda não houve lançamento fiscal (Auto de Infração) e, por conseguinte, a necessidade de elaboração de Relatório Fiscal relativo à diligência. Auto(s) de Infração: Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 10 17 Não foram constituídos Autos de Infração, tendo em vista que o MPF de Diligência tinha o objetivo específico de coletar informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda e pelo fato da empresa Calçados Gugui Ltda ter atendido ao requisitado pela fiscalização no procedimento de DILIGÊNCIA. Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta: A referida Informação Fiscal não foi efetuada tendo em vista que, por ocasião do encerramento da DILIGÊNCIA FISCAL, a empresa já havia sido excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/01/2011, por motivo de débito com a Fazenda Pública Federal. Em consulta à Suíte de Aplicativos da RFB/Portal de Serviços/Cálculo e Pagamentos/Simples NacionalAcesso para Entes Federativos, verificase que a Calçados Gugui Ltda se encontra excluída do SIMPLES. Incluímos ao processo cópia da consulta do Histórico dos Eventos pelo Simples Nacional às fl. 671. Resposta da Autoridade Administrativa quanto a EXCLUSÃO DO SIMPLES e Informação se houve IMPUGNAÇÃO da empresa quanto ao ATO DE EXCLUSÃO do SIMPLES, bem como qual é o número do eventual processo onde a empresa estaria refutando a motivação da penalidade lhe imposta: Conforme informamos no item anterior não foi efetuada Informação Fiscal de Exclusão do SIMPLES. Após a exclusão do sistema SIMPLES NACIONAL com efeitos a partir de 01/01/2011, a empresa protocolou, via Internet, nova solicitação em 31/01/2011 que foi indeferida por problemas fiscais (por possuir débitos previdenciários e não previdenciários com a Receita Federal do Brasil).” DAS CONTRARAZÕES Às fls. 1066, contrapondo os argumentos dispostos na Resposta da Diligência, a recorrente reitera que não assiste razão na motivação do lançamento. Aduz que a Resposta da Diligência bem como as contrarazões, concomitante a tudo mais que instruíra o auto em comento, serão analisados de modo sistêmico na condução do voto. É o relatório. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Extraído do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, o registro abaixo transcrito revela que a ação fiscal fora autorizada para analisar as competências 01/2008 a 12/2009: “PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO (..) PERÍODOS : 01/2008 a12/2009” Às fls. 66, na emissão do Termo de início de Procedimento se confirma que a ação fiscal foi iniciada para apuração do período supra, 01/2008 a 12/2009. Entretanto, excedendo ao que fora determinado, a Autoridade autuante requereu documentação retroativa a 01/2005 : “ Fica o sujeito passivo INTIMADO a apresentar os elementos discriminados abaixo, com base no inciso III do art. 32 e nos § 1° e 2° do art. 33, ambos da Lei n° 8.212/1991, nos prazos respectivos, estabelecidos no art. 19 caput e § 12 da Lei ns 3.470/1958, com a redação dada pela Medida Provisória n 2.15835/2001. Prazo: 20 dias Período de apuração: 01/2005 a 12/2009 Balanços patrimoniais (Ativo, Passivo e Demonstração Resultados) Contrato social e todas as alterações Cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador Cópia do Certificado de Registro de Veículo dos veículos de sua propriedade constantes no Ativo Imobilizado/Veículos na contabilidade Documentos de caixa 01/2006, 09/2006, 03/2007, 12/2007, 04/2008, 11/2008, 03/2009 e 12/2009 Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 11 19 Notas fiscais de entrada 02/2006, 10/2006, 02/2007, 10/2007, 03/2008, 12/2008, 04/2009 e 11/2009 Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados mesmas meses acima O s arquivos em meio digital solicitados se referem a: Folha de Pagamento e contabilidade período 01/2005 a 12/2009 Registro de empregados de Adão Leal, Ailton Hanich, Carina Salazer Timmen, Eder Horbach, Gladenor Adriano Roos, Laerte Alexandre Wust, Luiz Antonio Schmidt e Vilma Bernadete da Silva Relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado, com respectivos valores, e cópia das escrituras ” Às fls.181, consta Recibo de Entrega de Arquivos Digitais confirmando que a autuada fez entrega da documentação solicitada. CONFORME FLS. 67, O TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FOI ENTREGUE EM 26/04/2012.ASSIM, AS COMPETÊNCIAS 03/07 E ANTERIORES QUE AUXILIARAM A ARGUMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO DE PERÍODO POSTERIOR, NA OPORTUNIDADE JÁ TERIAM SIDO ALCANÇADAS PELO INSTITUTO DA DECADÊNCIA. N( 173, 1) Os itens 3.7.1, 3.9 e , 4.4 do Relatório Fiscal registram que a Autoridade autuante pautou seu convencimento utilizandose de elementos da documentação decaída. Na forma do comando do art. 60 do Decreto 70.235/72, por influir na solução, tal procedimento macula a conclusão: “ Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. “ 3.7.1. Elaboramos a tabela abaixo com dados das 2 (duas) empresas relativos ao número de empregados, faturamento e massa salarial dos anos 2005 a 2009. Quanto ao número de empregados, consideramos a média mensal de empregados de cada empresa por ano. O resultado revela que a soma dos empregados da 2 (duas) empresas se manteve constante (coluna 6). É nítido que no ano 2006, quando foi constituída a Gugui, o número de empregados da D`Luna diminuiu drasticamente. Entretanto, apesar da redução de empregados da D`Luna, seu faturamento aumentou ano a ano (coluna 3). (...) Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 3.9 Ausência de Patrimônio (Máquinas e Equipamentos) e Custo com a Produção Por meio dos registros contábeis e do Balanço Patrimonial da Gugui constatamos que ela não possui máquinas e equipamentos para a utilização na prestação de serviços de industrialização. Também não foram constatados lançamentos com custos de fabricação tais como insumos, água, energia elétrica, manutenção de equipamentos, depreciação ou aluguéis de equipamentos, somente valores relativos à mão de obra. Isso vem reforçar a evidência de que a Gugui não existiu de fato. Tudo indica que ela foi constituída unicamente para abarcar parte das despesas com folha de pagamento da fiscalizada. O demonstrativo de resultados abaixo demonstra claramente isso. A Receita Bruta é calculado na medida para cobrir as despesas com pessoal. Calçados Gugui 2006 2007 2008 2009 ReceitaBruta1.762.988,142;123.873,3;2..014.624,90; 1.452.827,65 (...) 4. Quanto ao “planejamento tributário” 4.1. Em face dos fatos relatados, ficou claro que o “planejamento tributário” utilizados pela D`Luna, com a utilização da empresa Gugui optante pelo SIMPLES, teve como propósito criar uma situação jurídica com vistas a dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. As constatações relatados no item “3” evidenciam a intenção da empresa em reduzir a tributação através do artifício de utilizar empresas optantes pelo SIMPLES (...) 4.4. Assim, os fatos relatados no item “3”, na forma identificada reduz a tributação da empresa, bem como a utilização dos conceitos de “abuso de forma, abuso de direito e simulação”, temas abordados no item “6” deste relatório, ficou identificado que quem realmente remunerou os empregados da empresa Gugui foi a empresa fiscalizada. Portanto a empresa D`Luna é contribuinte em relação aos fatos geradores relativos à remuneração auferida pelos empregados da empresa Gugui. ” .Destacandose que o crédito fora constituído para o período 01/2009 a 12/2009, não obstante, no Relatório Fiscal, conforme registro às fls 21, a Autoridade autuante afirma no item 3.1.3 que “.. a empresa Gugui, optante pelo SIMPLES desde a sua constituição em 27/12/2005, foi utilizada para criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. Estas 2 (duas) empresas de fato constituem uma única entidade empresarial desde a constituição da Gugui.” Conforme registro no item 3.1.3 do Relatório Fiscal, se a Autoridade autuante constatou que a infração vinha ocorrendo desde 12/2005 no caso em comento, crime tributário continuado caracterizado nos autos como simulação – para as competências Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 12 21 compreendidas no período 04/07 a 04/2012, não alcançadas pela decadência, não haveria óbice para se constituir créditos. A emissão de novo mandado retroagindo a ação fiscal para 04/2007 ( REVER PATA RA 173 . )e ampliando para 04/2012 teria fulcro na obrigação prevista no parágrafo único do art. 142 do Código tributário Nacional – CTN: “Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” “2.2 O período corresponde a 01/2009 a 12/2009 (inclusive 13º salário). (..) 3.1.3. A partir dos elementos constantes neste relatório, demonstraremos que a empresa Gugui, optante pelo SIMPLES desde a sua constituição em 27/12/2005, foi utilizada para criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. Estas 2 (duas) empresas de fato constituem uma única entidade empresarial desde a constituição da Gugui. A D`Luna vinha utilizando a mão de obra dos empregados e contribuintes individuais cadastrados como da Gugui para reduzir a tributação sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que “de fato” trabalhavam para a D`Luna. ” ( grifos de minha autoria) DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA Conforme o § 3o do art. 31 da Lei n 8.212/91 cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza, verbis:“ § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. ( Redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998)” DA RETENÇÃO O sobredito artigo determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, verbis : “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.” Cumpre ressaltar que somente a partir de 01.01.2009, as empresas optantes pelo SIMPLES, que prestarem serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada não estão mais sujeitas à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços emitidos. PERÍODO ANTERIOR AO CRÉDITO CONSTITUÍDO No item 3.8.1 do Relatório Fiscal a Autoridade autuante registra que a receita da empresa Gugui, nos autos como interposta pessoa, é constituída exclusivamente de serviços de industrialização por encomenda prestada para a fiscalizada: “3.8 – Industrialização por encomenda 3.8.1. A Receita da Gugui é constituída exclusivamente de serviços de industrialização por encomenda prestada para a fiscalizada. No ANEXO 4 – RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR CALÇADOS GUGUI LTDA., listamos as notas fiscais, por competência, escolhida de forma aleatória. Podemos verificar que, além da emissão de notas fiscais de serviços serem exclusivas à fiscalizada, elas são seqüenciais e periódicas. Podemos também constatar por meio das cópias do Razão da conta contábil 31 01 01 00300 Serviços Prestados P/Terceiros dos anos 2006 a 2009 da Gugui, em anexo, que o total da receita mensal é igual à soma das notas fiscais relativos à mãodeobra emitidas para a D`Luna relacionadas no Anexo 4 com exceção do ano de 2009 que corresponde a 88% do faturamento. 3.8.2. Por outro lado, na fiscalizada as despesas com a industrialização está registrada na conta 4.1.01.04.02123 – Industr. Efetuadas por Terceiros.” Diante do acima, se constatados nos contratos e notas fiscais que houvera prestação de serviços caberia autuar a empresa contratante nos períodos anteriores a 01.01.2009 em razão da obrigação de reter 11% do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. DA SOLIDARIEDADE Conforme o descrito no Relatório Fiscal, as duas pessoas jurídicas arroladas tinham interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores da obrigação principal. O art. 124 do Código Tributário Nacional CTN define que nestas circunstâncias são solidárias as pessoas envolvidas,verbis : “ Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; ” Na forma do art. 151 da Instrução normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, vigente por ocasião do lançamento, são solidariamente obrigadas as pessoas que Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 13 23 tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal: “Art. 151. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal.” No mesmo diapasão do sobredito, o art. 152 da mesma referida Instrução RFB nº 971 atribui solidariedade aos entes abaixo transcritos : “ art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei n 8.212,de 1991; IV a empresa tomadora de serviços com a empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, até a competência janeiro de 1999; V a empresa tomadora de serviços com a empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, conforme disposto no art. 31 da Lei n 8.212,de 1991; VII as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal, conforme dispõe o art. 124 do Código Tributário Nacional – CTN; ” Desse modo, a empresa CALÇADOS GUGUI LTDA, classificada como interposta pessoa, deveria ter sido intimada por solidariedade. Aduz que consultado os autos, não registra que houvera intimação com o propósito em tela. DA AUSÊNCIA DE AUTUAÇÃO DA INTERPOSTA PESSOA Na forma do Relatório de Fundamentos Legais FLD, às fls.03, o item 703.01 revela que a penalidade imputada à Recorrente teve fulcro no art. 44 , §1°, onde nos casos de lançamento de ofício, são aplicadas multas de 150% valor este em princípio previsto no percentual de 75% mas que fora duplicado posto que cometera ilícito previsto nos comandos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964: “703 SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO 703.01 Competências : 12/2008 a 13/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, parágrafo1. da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 50% (75% x 2) 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Aplicar em dobro sonegação, fraude ou conluio Lei 9430/96, art. 44, parágrafo 1º: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. ” Muito embora a penalidade imposta revele que a Autoridade autuante concluiu ter havido CONLUIO entre a empresas que sofreram concomitante ação fiscal, na Resposta da Diligência às fls.1.335, fez registro não foram constituídos autos de infração para a empresa partícipe. Justificou que não o fizera tendo em vista que o procedimento fiscal naquela empresa teve o objetivo específico de coletar informações e documentos: “ Auto(s) de Infração: Não foram constituídos Autos de Infração, tendo em vista que o MPF de Diligência tinha o objetivo específico de coletar informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda e pelo fato da empresa Calçados Gugui Ltda ter atendido ao requisitado pela fiscalização no procedimento de DILIGÊNCIA.” Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 14 25 Do exposto, se houve conluio constatado não se pode deixar de autuar os partícipes até porque a omissão vislumbra permissão para manutenção das operações tidas como ilícitas . DAS ALEGAÇÕES EM CONTRARAZÕES Às fls. 1.341, a Recorrente interpôs ContraRazões à Resposta da Diligência e argüiu “ A descaracterização de uma pessoa jurídica não pode se dar de forma súbita, sem que a pessoa jurídica efetivamente atacada (no caso, CALÇADOS GUGUI LTDA) se defenda em processo administrativo próprio ” Na seqüência alegou que “ Portanto, tendo em vista que a fiscalização negou existência de fato de uma pessoa jurídica regularmente constituída (GUGUI), relegandoa a mero departamento da autuada, a ausência de defesa da , CALÇADOS GUGUI LTDA em processo administrativo próprio encerra, indubitavelmente, cerceamento de defesa. ” DOS RECOLHIMENTOS DA EMPRESA NÃO AUTUADA Na forma do texto abaixo transcrito, não tendo logrado êxito em sede de impugnação a Recorrente reiterou em grau de recurso solicitação para apropriar os valores recolhidos pela empresa CALÇADOS GUGUI LTDA que o fizera na forma do Regime Simplificado de Tributação SIMPLES : “ Mesmo assim, por máxima cautela e para argumentar, a prevalecer o procedimento levado a efeito para constituição dos créditos tributários lançados no presente auto de infração, consubstanciado na tese de "empresa de fachada" c/c "as duas empresas de fato são uma só", significa dizer que todos os recolhimentos efetuados no regime simplificado são indevidos Em outras palavras, o Fisco, ao requalificar os fatos para considerar as duas empresas como uma só entidade empresarial, reconhece que parte dotributo devido foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outrarubrica. Nesse sentido, no período objeto da fiscalização, os valores recolhidos no" regime tributário simplificado totalizam R$ 275.062,68 (does. anexo 07 do . Processo nò 11065.723.859/201202). Tais valores poderão ser validados/confrontados com o sistema informatizado da RFB Impende ressaltar que compete a Secretaria da Receita Federal1 fiscalizar as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos tributos federais recolhidos através do Simples Federal (art. 17 da Lei n° 9.317/96) e com o Simples Nacional (art". 33 da LC n° 123/06).(...) Em não sendo acatados os argumentos acima, pelo menos, o montante da 'contribuição patronal previdencia ria" inserido no recolhimento unificado do SIMPLES ("INSS/CPP" R$ 154.637,68) deverá ser compensado, sob pena da ocorrência de "bis in idem", vedado pelo ordenamento jurídico Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 Nesse sentido, é lícito concluir que o Ente tributante está cobrando mais de um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador, vez que já havia sido recolhida a parcela de contribuição revidenciária patronal dentro dopagamento único tributário simplificado. A prevalecer o lançamento tributário impugnado, haverá nova exigência, integral,, da jnesma contribuição, sem contemplar a diferença já recolhida, havendo, portanto, uma sobreposição tributária. De forma incoerente, a autoridade fiscal atribui à impugnante a intenção de fraudar e de se locupletar, de iludir o Fisco, enquanto que ao mesmo tempo procura cobrar duplamente a contribuição previdenciária sem ressalvar "diferenças em favor do contribuinte, ou seja, sem se limitar à diferença daquilo que seria devido caso realmente fossem procedentes suas alegações.” Entendo pertinente abater os valores recolhidos posto que se fosse caso de terem sido efetuados mediante GPS esses teriam sido apropriados de ofício . Lido o Relatório Fiscal e compulsado com os autos, muito embora os razoáveis indícios trazidos à colação, estes ficaram maculados pelos sobreditos vícios que inquinaram de nulidade o lançamento. A recorrente argüiu nulidade. Ainda que não o fizesse, a nulidade é matéria de ordem pública. É cediço que, a teor dos arts. 267 , § 3º , e 301 , § 4º , do CPC – subsidiariamente exortado, as matérias de ordem pública podem e devem ser conhecidas ex officio pelo órgão jurisdicional. DA NULIDADE A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 ,nas circunstancias , impõe observar a nulidade: “ Art. 59. São nulos: § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.”. Os vícios instalados na produção do auto, em sua dinâmica, caracterizaram defeito de composição insanável que influíram na solução do litígio. Na forma do art. 60 c/c 61, impõe declarar a nulidade: “ Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” De tudo que foi exposto, tendo havido convencimento de que a conduta dos agentes, em concurso, configurara materialidade delitiva, a comunhão de desígnios impõe autuar ambos contribuintes infratores. Cumpre, no mínimo, intimar por solidariedade o partícipe sob pena de caracterizar cerceamento de defesa do único autuado sem que nos Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 15 27 autos tenha sido oportunizado a devida manifestação do segundo até porque sobre este recai a quase totalidade dos argumentos que motivarem o lançamento. A circunstância descrita inquina de nulidade o crédito constituído. Na forma do ocorrido, o lançamento em comento restou eivado de vício material comprometedor do crédito então constituído Na hipótese desta Colenda Turma não esposar os argumentos até aqui trazidos, na forma do previsto no § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/72, adentro ao mérito para dar provimento ao contribuinte: Art. 59. São nulos: (..) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ( Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993) DO MÉRITO DA DILIGÊNCIA Às fls. 1.297, em 17de setembro de 2013, na forma da Resolução n° 2403000.184, este Colegiado anui pedido do Relator para os autos retornem em DILIGÊNCIA à origem de modo que fosse providenciada a juntada dos seguintes elementos: “Mandado de Procedimento Fiscal – MPF ; Relatório Fiscal da ação fiscal ; Auto( s) de infração; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal –TEPF; Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta; Resposta da Autoridade Administrativa quanto a EXCLUSÃO DO SIMPLES;e Informação se houve IMPUGNAÇÃO da empresa quanto ao ATO DE EXCLUSÃO do SIMPLES, bem como qual é o número do eventual processo onde a empresa estaria refutando a motivação da penalidade lhe imposta.” DA RESPOSTA DA DILIGÊNCIA Às fls. 1.335, o Relatório da ação fiscal registra que : “Tratase de MPF de Diligência expedida com o objetivo específico de proceder à coleta de informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda. Assim, através da Diligência fiscal, foram requisitados e obtidos os documentos e informações Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 necessárias. Em relação à empresa Calçados Gugui Ltda não houve lançamento fiscal (Auto de Infração) e, por conseguinte, a necessidade de elaboração de Relatório Fiscal relativo à diligência. Auto(s) de Infração: Não foram constituídos Autos de Infração, tendo em vista que o MPF de Diligência tinha o objetivo específico de coletar informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda e pelo fato da empresa Calçados Gugui Ltda ter atendido ao requisitado pela fiscalização no procedimento de DILIGÊNCIA. Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta: A referida Informação Fiscal não foi efetuada tendo em vista que, por ocasião do encerramento da DILIGÊNCIA FISCAL, a empresa já havia sido excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/01/2011, por motivo de débito com a Fazenda Pública Federal. Em consulta à Suíte de Aplicativos da RFB/Portal de Serviços/Cálculo e Pagamentos/Simples NacionalAcesso para Entes Federativos, verificase que a Calçados Gugui Ltda se encontra excluída do SIMPLES. Incluímos ao processo cópia da consulta do Histórico dos Eventos pelo Simples Nacional às fl. 671. Resposta da Autoridade Administrativa quanto a EXCLUSÃO DO SIMPLES e Informação se houve IMPUGNAÇÃO da empresa quanto ao ATO DE EXCLUSÃO do SIMPLES, bem como qual é o número do eventual processo onde a empresa estaria refutando a motivação da penalidade lhe imposta: Conforme informamos no item anterior não foi efetuada Informação Fiscal de Exclusão do SIMPLES. Após a exclusão do sistema SIMPLES NACIONAL com efeitos a partir de 01/01/2011, a empresa protocolou, via Internet, nova solicitação em 31/01/2011 que foi indeferida por problemas fiscais (por possuir débitos previdenciários e não previdenciários com a Receita Federal do Brasil).” e a impossibilidade de desconsiderar negócios jurídicos indiretos. Observa, ainda, que a Lei Complementar n.º 104/2001, que abriu a possibilidade de as autoridades administrativas desconsiderarem atos ou negócios dos contribuintes, até a presente data, não se encontra regulamentada por lei ordinária. Logo, não pode servir como embasamento legal para o lançamento ora impugnado. Como se vê no destaque abaixo extraído da resposta da Diligência, embora toda a argumentação do mérito do lançamento esteja assentada nos documentos obtidos na diligência realizada na empresa tida como interposta, razão pela qual teriam sido desconsiderados os atos por ela praticados em relação ao recorrente, nenhuma penalidade fora imposta à diligenciada. A empresa sequer fora notificada de que seus atos em relação à autuada Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2403002.706 S2C4T3 Fl. 16 29 teriam sido invalidados. Desse modo , os argumentos do mérito no lançamento se apresentam mitigados : "Em relação à empresa Calçados Gugui Ltda não houve lançamento fiscal (Auto de Infração) e, por conseguinte, a necessidade de elaboração de Relatório Fiscal relativo à diligência. Auto(s) de Infração: Não foram constituídos Autos de Infração, tendo em vista que o MPF de Diligência tinha o objetivo específico de coletar informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda e pelo fato da empresa Calçados Gugui Ltda ter atendido ao requisitado pela fiscalização no procedimento de DILIGÊNCIA. Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta: A referida Informação Fiscal não foi efetuada tendo em vista que, por ocasião do encerramento da DILIGÊNCIA FISCAL, a empresa já havia sido excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/01/2011, por motivo de débito com a Fazenda Pública Federal." DO ARTIGO 116 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Não obstante o sobredito, a autuada exorta o contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional CTN ressaltando que a Autoridade Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. ( Incluído pela Lcp n 104, de 10.1: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. ( Incluído pela Lcp n 104, de 10.1.2001) Deveras, incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001, o Parágrafo Único do art. 116 admite que autoridade administrativa desconsidere atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, entretanto determina que sejam observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.Desse modo, ainda que se Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 configure fortes indícios o lançamento não prospera em razão de que se impõe à Autoridade Administrativa observar norma específica ainda por ser estabelecida. DA ECONOMIA PROCESSUAL De tudo que foi exposto, por economia processual, deixo de enfrentar demais alegações do mérito. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004671/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.509
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja dado ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente
(assinado digitalmente)
WALKER ARAUJO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Walker Araujo, Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.004671/2010-58
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566975
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-000.509
nome_arquivo_s : Decisao_19515004671201058.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515004671201058_5566975.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja dado ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA - Presidente (assinado digitalmente) WALKER ARAUJO - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Walker Araujo, Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6274227
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122611990528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004671/201058 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.509 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2016 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente AGRISUL AGRÍCOLA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja dado ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente (assinado digitalmente) WALKER ARAUJO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Walker Araujo, Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo. Relatório. Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta do acórdão de piso nº 1634.988, da DRJ/SP1, de fls. 330346: 4. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 96 a 99), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 08.02.2011 (fl. 101), constituindo crédito tributário no valor total de R$ 11.933.644,49, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 67 1/ 20 10 -5 8 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.004671/201058 Resolução nº 3302000.509 S3C3T2 Fl. 3 2 30.01.2011, referente à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS dos meses de 06.2006 a 12.2006, e 02.2007 a 12.2007, com enquadramento legal exposto às fls. 94, 95 e 99. 5. No Termo de Verificação de fls. 85 a 89 a autoridade fiscal autuante informa que: i) Em 08/12/2009 foi lavrado Termo de Início de Fiscalização com a ciência na mesma data. Em 31/03/2010 o sujeito passivo foi Intimado, através do Termo de Intimação Fiscal, a apresentar: “...1) Planilha(s) eletrônica(s), os valores contabilizados, no período compreendido entre 01/2005 a 12/2008, dos seguintes tributos: IRPJ, CSLL, PIS, COF1NS, IPI, CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS e IRRF. As referidas planilhas devem estar acompanhadas de cópias das folhas do livro razão correspondentes aos valores informados, as quais deverão estar autenticadas pelo representante legal da empresa; 2) Planilha eletrônica os códigos de recolhimento de todos os tributos e contribuições com a respectiva conta contábil (arquivo de relacionamento)..."; ii) Em 23/11/2010 o contribuinte forneceu o Razão da conta contábil n° 21116001e 21030106 (COFINS a Recolher); iii) Do cotejo entre as informações do Razão e as constantes das DCTFs apresentadas, foram elaboradas planilhas apontando divergências entre os valores constantes de sua escrita contábil e os informados nas DCTFs. Tal fato foi submetido ao sujeito passivo através do Termo Intimação Fiscal, lavrado em 25/11/2010 a fim de que fossem apresentadas as devidas justificativas no prazo de 05 dias, contados da data da ciência desses termos, juntamente com documentos/elementos que lhe desse suporte; iv) Em l4/12/2010 o contribuinte foi reintimado a apresentar os documentos e informações sobre o não recolhimento de COFINS, solicitadas por meio do Termo de Intimação lavrado em 14/12/2010; v) Em face da não manifestação por parte do sujeito passivo em resposta aos termos de início de fiscalização e demais termos de intimação fiscal o Auto de Infração foi lavrado com a multa agravada (art. 44 da lei nº 9.430/96, com as alterações promovidas pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/2007 c/c art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN); vi) Assim, face à inexistência de outros elementos para subsidiar a auditoria foi utilizada a informação contida no histórico do lançamento do Razão, conforme demonstrativo de fls. 86/87. 6. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs em 03.03.2011 a impugnação de fls. 103 a 114, acompanhada dos documentos de fl.s 115 a 325, onde alega, em síntese, o que se segue: 6.1 Em que pese constar no Livro Razão, devidamente entregue à Fiscalização, a existência de créditos de COFINS, o d. Fiscal Autuante não os considerou quando da apuração das supostas divergências entre a escrituração contábil, DCTF's e DACON's, devendo ser realizada perícia para identificação dos referidos créditos de COFINS, referentes aos meses de 06 a 12/2006 e 01 a 12/2007; 6.2 A realização da perícia se faz necessária para verificação do faturamento existente nas competências de 06 a 12/2006 e 01 a 12/2007, bem como dos Fl. 749DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.004671/201058 Resolução nº 3302000.509 S3C3T2 Fl. 4 3 créditos de COFINS a serem computados, tudo isso buscando alcançar o princípio da verdade material, norteador dos processos administrativos. A Impugnante desde já se põe à disposição para entregar, novamente, sua escrituração contábil tão logo seja intimada, para que seja verificada de forma acurada pelo d. Perito. Porém, de logo já apresenta as DACON´s e DCTF's onde estão registrados os valores divergentes da Autuação. Indica perito e formula quesitos (fl. 106); 6.3 O lançamento em apreço, levado a efeito pelo fisco Federal, funda se em evidente nulidade, visto que não há valores devidos, inexistindo, assim, constituição válida do lançamento; 6.4 Consoante consta no Termo de Verificação, o contribuinte apresentou o Razão da conta contábil nº 21116001 e nº 21030106, referente ao COFINS a recolher. No entanto, em que pese a apresentação dos documentos que comprovam os créditos de COFINS, o d. Fiscal Autuante elaborou planilhas apontando divergências entre os valores constantes na escrita contábil da ora Impugnante e os informados na DCTF's. Ocorre que, consoante se observa no Termo de Verificação, não forem considerados os valores declarados pela Impugnante em suas DCTF's, resultando num valor a maior de COFINS a Recolher; 6.5 De acordo com as informações prestadas pela impugnante em suas DACON´s e DCTF´s só há imposto a recolher nos meses de agosto, setembro, outubro e dezembro/2006, outubro, novembro e dezembro/2007, conforme demonstrativo de fls. 110/111; 6.6 Desta forma, restou demonstrada as insubsistências do demonstrativo do d. Fiscal, em face da não consideração dos valores informados pela Impugnante em suas DCTF's, que serão confirmadas quando da realização da diligência e perícia já solicitadas. 6.7 Cumpre salientar que os valores não recolhidos, referentes aos meses de agosto, setembro, outubro e dezembro/2006 e outubro, novembro e dezembro/2007 foram incluídos no parcelamento de que trata a Lei n° 11.941/2009, encontrandose, por conseguinte, com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 , VI, do CTN; 6.8 A majoração da multa é totalmente indevida, uma vez que, conforme "Protocolo de Recebimento de Documentos" (Doc. 05), quando regularmente intimada, a ora Impugnante apresentou todos os Livros e DCTFs, requeridos no Termo de Intimação Fiscal, fornecendo, assim, toda a sua escrituração contábil fiscal, não se abstendo em nenhum momento de fornecer informações à Fiscalização; 6.9 Por fim, convém esclarecer que a 1º Turma da Câmara Superior o Conselho de Recursos Fiscais CARF fixou entendimento no sentido da impossibilidade da incidência dos juros sobre a multa, consoante notícia recentíssima do jornal "Valor Econômico". No caso em tela, o valor da multa foi atualizado pela taxa SELIC, o que não poderia ter ocorrido, vez que os juros só devem incidir sobre o principal e não sobre a multa, como o fez o presente auto de infração, devendo, ainda, ser expurgado do montante da multa o valor referente aos juros; 6.10 Quando da constituição do crédito tributário, o d. Fiscal Autuante não considerou os valores declarados na contabilidade da Autuada, e não considerou os créditos de COFINS dos meses de 06 a 12/2006 e 01 a 12/2007, devidamente informados, conforme o Recibo de Entrega das DCTF's já anexados. Assim, por consequência, lavrou o Auto de Infração com valores indevidos. Cumpre ressaltar, ainda, que tais Fl. 750DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.004671/201058 Resolução nº 3302000.509 S3C3T2 Fl. 5 4 valores foram parcelados através da Lei n.° 11.941/2009, não tendo que se falar em quaisquer valores a recolher; 6.11 Assim, a lavratura deste Auto de Infração fora ensejada apenas pela apuração equivocada do d. Fiscal Autuante que além de não ter considerado os valores a serem computados a título de crédito, desconsiderou as informações sobre o faturamento do Contribuinte; 6.12 Sendo assim, a Impugnante cumpriu com suas obrigações, uma vez que apresentou a escrituração contábil ao d. Fiscal Autuante onde constava faturamento menor e créditos não considerados pelo Fiscal, restando, portanto, insubsistente o Auto de Infração; 6.13 Diante do exposto, o Auto de Infração ora impugnado resta eivado de nulidade posto que além da a ausência de constituição válida do lançamento, não há clareza, bem como restam ausente a sua liquidez e certeza. A DRJ/SP1, por meio do acórdão de fls. 330346, julgou improcedente a impugnação mantendo integralmente o lançamento objeto do presente processo, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. ATOS PRATICADOS APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. Para fins de lançamento e aplicação de penalidade somente podem ser considerados pela fiscalização os atos praticados antes do início do procedimento fiscal, pois a partir daí é que o contribuinte tem sua espontaneidade excluída (art. 7º do Decreto n. 70.235/72 e art. 138 do CTN). A retificação de DCTF, DACON e a solicitação de inclusão em parcelamento, uma vez efetuadas no curso de procedimento fiscal, não são hábeis para infirmar o Auto de Infração. IMPUGNAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. PROVAS. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para a revisão do lançamento. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. De acordo com a legislação tributária, é cabível o agravamento da multa de ofício nos casos em que a intimação para prestar esclarecimentos não é atendida, entendida essa falta como o comportamento da contribuinte que não explica, não elucida, não torna claro ou compreensível o motivo do não atendimento daquilo que é solicitado na intimação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.004671/201058 Resolução nº 3302000.509 S3C3T2 Fl. 6 5 A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 11.05.2012 (fls. 352), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06.06.2012 (fls. 353370), requerendo em sede preliminar a nulidade do acórdão de primeira instância por cerceamento de defesa, considerando o indeferimento da perícia requerida e, no mérito, apresentou os seguintes argumentos: i) em respeito ao princípio da verdade material, o fato da retificação da declaração ter sido apresentada após o início do procedimento fiscal não pode servir como argumento para a fiscalização deixar de analisar todos os fatos e documentos apresentados na demanda; ii) que o contribuinte está submetido ao regime da nãocumulatividade ao PIS e a COFINS e, bem por isso, possui o direito de abatimento do valor devido, diante do direito ao aproveitamento de créditos. Dessa forma, para apuração efetiva do fato gerador, há que serem verificados todos os insumos utilizados na atividade da Recorrente, o que não foi efetuado pela autoridade fiscal, em total desacordo com o artigo 142, do CTN; iii) não cabe agravamento da multa, sob o argumento de que não houve atendimento às intimações fiscais, vez que, a própria decisão reconhece que o contribuinte ofereceu resposta apresentando as declarações DACON e DCTF do período requerido; e iv) a incidência de juros sobre multa não deve subsistir, conforme entendimento reiterado deste Tribunal, por falta de previsão legal; (cita decisões). Em 29 de janeiro de 2013, por meio da Resolução nº 3302000275, foi determinada a conversão do julgamento em diligência com base nos fundamentos apresentados pelo antigo Relator Alexandre Gomes, cujo voto peço vênia para transcrever: Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, trata o presente processo e auto de infração de COFINS NÃO CUMULATIVA decorrente de diferenças entre o valor escriturado pela Recorrente, na conta COFINS a Recolher e o valor registrado em suas DCTFs originais. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.004671/201058 Resolução nº 3302000.509 S3C3T2 Fl. 7 6 A questão que entendo ser relevante a ponto de ser primeiro analisada, diz respeito à espontaneidade ou não das DCTFs retificadoras apresentadas pela Recorrente. Parta melhor análise faço a seguinte tabela temporal dos atos práticos no processo: Ciência Histórico Prazo 08/12/09 Lavratura e ciência do Termo de Início de Fiscalização 23/02/10 Retificadora apresentadas pela Recorrente 31/03/10 Termo de Intimação Fiscal que solicita apresentação de documentos 10 dias 23/11/10 Apresentado Razão da Conta Contábil nº 21116001 e 21030106 5 dias 25/11/10 TIF requerendo justificativa para divergências 5 dias 14/12/10 Reintimação para apresentação de docs. e informações 08/02/11 Lavratura do Auto de Infração 03/03/11 Impugnação apresentada Como se percebe, as retificações das DCTFs e DACONs foram apresentadas posteriormente à ciência do Termo de Início de Fiscalização, mas precisamente no dia 23/02/2010. Também se pode verificar que, entre a ciência do inicio do procedimento de fiscalização e o primeiro ato da fiscalização praticado posteriormente (TIF de 31/03/2010), passaramse exatos 113 dias. A decisão judicial assim resumiu a discussão: Os valores que a impugnante afirma que são os corretos somente foram informados em DCTF´s e DACON´s retificadoras transmitidas em 23.02.2010 (fls. 59 a 81, 146 a 315), portanto, após o início do procedimento fiscal, que foi em 08.12.2009 (fl. 07). Os valores que a Autoridade Fiscal Autuante utilizou para elabora o “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS DIFERENÇAS – Contábil x DCTF – COFINS” (fls. 86/87) foram os que constavam das DCTF´s quando do início da ação fiscal. 16. Como os atos efetuados pelo contribuinte foram feitos posteriormente ao início da fiscalização, não estava ele amparado pelo que os atos por ele praticados deveriam ser considerados por terem sido realizados antes da lavratura do Auto de Infração, isto porque segundo o sistema tributário nacional somente podem ser considerados os atos praticados antes do início do procedimento fiscal, pois é a partir daí que o contribuinte tem sua espontaneidade excluída. O art. 7o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, assim normatiza o procedimento fiscal: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 753DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.004671/201058 Resolução nº 3302000.509 S3C3T2 Fl. 8 7 II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1 o, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Este tema, inclusive se encontra sumulado no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Lembro que ao julgador administrativo deste colegiado é imposto a obrigatoriedade de aplicação das súmulas editadas pelo CARF Assim, passados 60 dias sem a prática de qualquer ato que indique o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização fica restabelecida a espontaneidade do sujeito passivo da obrigação tributária. É exatamente o que aconteceu no presente processo. Neste norte, tanto a fiscalização como as decisões exaradas até o momento não poderiam ter, em hipótese alguma, ignorado a existência das DCTFs e DACONs retificadoras. A Recorrente, tanto em sua Impugnação como em seu Recurso Voluntário, pugnou pela realização diligências com a finalidade de verificação da correção das informações lançadas nas declarações retificadoras. Diante do contexto tal como posto acima, entendo por bem baixar o presente processo em diligência para que a autoridade preparadora verifique: a) se, em relação às informações apresentadas nas DCTFs e DACONs retificadoras, existe documentação contábil que comprove sua veracidade; b) a correção dos créditos apontados nas declarações retificadoras; c) o efetivo parcelamento, nos termos da Lei 11.941/09, dos débitos apontados; Por fim, para que a DRF de origem opine, considerando o acima exposto, sobre a manutenção do auto de infração ora analisado. Por fim, deve ser dada ciência para apresentação de manifestação sobre o resultado da diligência proposta ao Recorrente. É como voto Em atendimento a solicitação, a autoridade fiscal prestou esclarecimentos (fls. 731742) e juntou documentos às folhas 404730, informando inicialmente que o sujeito Fl. 754DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.004671/201058 Resolução nº 3302000.509 S3C3T2 Fl. 9 8 passivo não adquiriu espontaneidade suscitada pelo antigo Relator, considerando que a fiscalização não ficou inerte em prazo superior a 60 (sessenta) dias, conforme o histórico de atos processuais por ela apresentado. Já em relação aos questionamentos objeto da diligência solicitada pelo antigo Relator, a autoridade fiscal informou o seguinte: a) Em relação às informações apresentadas nas DTCFs e DACONs, retificadoras, verificamos que não se deve analisar as informações apresentadas após o início do procedimento fiscal, conforme determina a o inciso III, do parágrafo 2º, do artigo 10º da IN 482/2004 c/c com o art. 7º do Decreto 70.235/72, em razão dos Termos de Intimação lavrados durante o curso da ação fiscal, abaixo: IN 482/2004 “Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º ... § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II cujos valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Decreto 70.235/72. “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” O sujeito passivo foi intimado e reintimado durante o procedimento fiscal a justificar as divergências apontadas na planilha de fls. 82 e 83, e a apresentar a contabilidade, conforme Termo de Verificação de fls. 87. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.004671/201058 Resolução nº 3302000.509 S3C3T2 Fl. 10 9 Como o sujeito passivo não apresentou e não esclareceu as divergências apuradas através da contabilidade, durante o procedimento fiscal, esta fiscalização efetuou o lançamento de ofício com base nos valores encontrados. b) Fica prejudicada a análise do item “b”, fls. 396, em razão da falta de exclusão da espontaneidade apontado nas declarações retificadoras. c) Com relação ao parcelamento da Lei 11.941/09, durante o curso da fiscalização, verificamos que o sujeito passivo estava habilitado, mas a consolidação dos débitos não havia sido realizada pela RFB até o termino do procedimento fiscal, conforme extrato apresentado pelo sujeito passivo. As DTFCs retificas, durante o procedimento fiscal, não foram consideradas pela fiscalização e o crédito tributário foi lançado de ofício conforme Termo de Verificação. Solicitamos os extratos, atualizados, dos parcelamentos da Lei 11.941, do sujeito passivo e verificamos que todos os pedidos efetuados pela empresa foram rejeitados na consolidação, conforme extrato de parcelamentos em anexo ao PAF nº 19515.004671/201058. Portanto ficou prejudicada a análise deste item em razão do exposto acima. 3 Da Conclusão: Em decorrência das informações solicitadas pelo CARF, no despacho de fls 396, e em razão da Informação Fiscal e anexos elaborados durante este processo de diligência fiscal,encaminho o presente processo ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF, terceira seção de julgamento, 3ª Câmara/ 2º Turma Ordinária para análise e julgamento. Posteriormente, o processo foi remetido à este Colegiado para julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado anteriormente, após a decisão de primeira instância contra a qual fora interposto Recurso Voluntário, foi determinada a realização de diligência para obter informações sobre os procedimentos adotados pelo contribuinte em relação as declarações apresentadas. A autoridade fiscal prestou esclarecimentos (fls. 731742) e juntou documentos às folhas 404730. Posteriormente o processo foi remetido à este Colegiado para julgamento. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.004671/201058 Resolução nº 3302000.509 S3C3T2 Fl. 11 10 Contudo, constatase que a Recorrente não foi intimada do resultado da referida diligência (fls.743747), situação esta, que no meu entendimento, fere o princípio do devido processo legal e o direito ao contraditório e ampla defesa, previstos nos incisos LIV e LV, do artigo 5º, da Constituição Federal, in verbis: Art. 5º (...) LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Além disso, a Lei nº 9.784/99 que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28 prevêem: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. No mesmo sentido, citase o dispositivo legal previsto no artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). Deste modo, com intuito de evitar futuras nulidades (art.59, II, do Dec. 70.235/72), entendo que deve ser dada ciência ao contribuinte das informações e dos documentos apresentados pela autoridade fiscal às fls. 404742, com abertura de prazo para sobre ela se manifestar, em total respeito os preceitos normativos anteriormente citados. Diante do exposto, entendo por bem baixar o presente processo em diligência para que a Recorrente seja devidamente intimada do resultado de diligência (fls.404742), para, querendo, apresentar sua manifestação. É como voto. Walker Araujo Relator Fl. 757DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por WALKER ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720613/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
Ementa:
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional.
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se de tributos ou contribuições cuja exigibilidade encontra-se suspensa, diante do fato de que, nessa situação, a obrigação passa a ser incerta, visto que dependente do crivo da autoridade julgadora competente, já não cabe mais falar em despesa incorrida, pois estará ela sujeita a uma manifestação futura acerca da sua própria existência. Indedutíveis, pois, ex vi do disposto no parágrafo 1º do art. 41 da Lei nº. 8.981/95, o PIS e a COFINS, lançadas por via reflexa e contestadas administrativamente.
CRÉDITOS BANCÁRIOS. DESPESAS VINCULADAS. DEDUTIBILIDADE.
A dedutibilidade de dispêndios, supostamente vinculados a créditos bancários não contabilizados, condiciona-se à apresentação, por parte do sujeito passivo, de documentos hábeis e idôneos capazes de tornar indubitável tal suposição, em especial no que diz respeito à comprovação de que não foram apropriados na apuração do resultado correspondente.
SALDO DA CONTA CAIXA. REGISTROS. INCORREÇÕES. RECOMPOSIÇÃO. NECESSIDADE.
Identificadas incorreções na apuração do saldo da CONTA CAIXA ou, tendo o contribuinte fiscalizado aportado ao processo elementos capazes de demonstrar que determinados valores não foram considerados pela autoridade fiscalizadora, a recomposição do referido saldo é medida que se impõe.
PEDIDO DE PERÍCIA. IMPROCEDÊNCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente.
Numero da decisão: 1301-001.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de tributos ou contribuições cuja exigibilidade encontra-se suspensa, diante do fato de que, nessa situação, a obrigação passa a ser incerta, visto que dependente do crivo da autoridade julgadora competente, já não cabe mais falar em despesa incorrida, pois estará ela sujeita a uma manifestação futura acerca da sua própria existência. Indedutíveis, pois, ex vi do disposto no parágrafo 1º do art. 41 da Lei nº. 8.981/95, o PIS e a COFINS, lançadas por via reflexa e contestadas administrativamente. CRÉDITOS BANCÁRIOS. DESPESAS VINCULADAS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade de dispêndios, supostamente vinculados a créditos bancários não contabilizados, condiciona-se à apresentação, por parte do sujeito passivo, de documentos hábeis e idôneos capazes de tornar indubitável tal suposição, em especial no que diz respeito à comprovação de que não foram apropriados na apuração do resultado correspondente. SALDO DA CONTA CAIXA. REGISTROS. INCORREÇÕES. RECOMPOSIÇÃO. NECESSIDADE. Identificadas incorreções na apuração do saldo da CONTA CAIXA ou, tendo o contribuinte fiscalizado aportado ao processo elementos capazes de demonstrar que determinados valores não foram considerados pela autoridade fiscalizadora, a recomposição do referido saldo é medida que se impõe. PEDIDO DE PERÍCIA. IMPROCEDÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10469.720613/2008-89
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5563239
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-001.910
nome_arquivo_s : Decisao_10469720613200889.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10469720613200889_5563239.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6263661
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122620379136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2401; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.551 1 1.550 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.720613/200889 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.910 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITA Recorrente F. NUNES FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de tributos ou contribuições cuja exigibilidade encontrase suspensa, diante do fato de que, nessa situação, a obrigação passa a ser incerta, visto que dependente do crivo da autoridade julgadora competente, já não cabe mais falar em despesa incorrida, pois estará ela sujeita a uma manifestação futura acerca da sua própria existência. Indedutíveis, pois, ex vi do disposto no parágrafo 1º do art. 41 da Lei nº. 8.981/95, o PIS e a COFINS, lançadas por via reflexa e contestadas administrativamente. CRÉDITOS BANCÁRIOS. DESPESAS VINCULADAS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade de dispêndios, supostamente vinculados a créditos bancários não contabilizados, condicionase à apresentação, por parte do sujeito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 06 13 /2 00 8- 89 Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.552 2 passivo, de documentos hábeis e idôneos capazes de tornar indubitável tal suposição, em especial no que diz respeito à comprovação de que não foram apropriados na apuração do resultado correspondente. SALDO DA CONTA CAIXA. REGISTROS. INCORREÇÕES. RECOMPOSIÇÃO. NECESSIDADE. Identificadas incorreções na apuração do saldo da CONTA CAIXA ou, tendo o contribuinte fiscalizado aportado ao processo elementos capazes de demonstrar que determinados valores não foram considerados pela autoridade fiscalizadora, a recomposição do referido saldo é medida que se impõe. PEDIDO DE PERÍCIA. IMPROCEDÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.553 3 Relatório F. NUNES FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas decorrente da ausência de escrituração de resultados derivados de operações de factoring; b) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 649/730), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que teria decaído o direito de lançamento em relação aos fatos geradores correspondentes ao PIS e à COFINS dos meses de janeiro e fevereiro de 2003; que deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores do PIS e da COFINS lançados de oficio e as despesas bancárias relativas à conta mantida no BCN (fls. 661 a 664), cuja movimentação não fora contabilizada; que a operação de nº 2.499, relativa ao cheque de R$ 5.723,03, especificada às fls. 34, teria sido contabilizada, conforme comprovaria lançamento do Livro Razão, às fls. 564; que em diversas operações de factoring a Conta Caixa teria sido debitada do valor líquido da operação (débito Caixa x crédito Banco Conta Movimento) em data posterior ao lançamento relativo à entrega do cheque ao favorecido (crédito Caixa x débito Títulos a Pagar), o que teria afetado o saldo da Conta Caixa ; que, apesar de a conta do BCN não ter sido escriturada, as operações de factoring realizadas por meio dela teriam sido escrituradas a crédito de Caixa e a débito de Títulos a Pagar, o que teria afetado substancialmente o saldo da Conta Caixa; que a quantia de R$ 30.120,64, registrada como crédito da Conta Caixa pela Fiscalização (tabela 03, às fls. 36), por falta de comprovação do lançamento, tratarseia de ajuste efetuado em virtude da falta de contabilização, em 30/12/2002, dos eventos descritos às fls. 702; que diversos lançamentos a crédito da Conta Caixa não refletiriam a efetiva saída de recursos, sendo que não teriam sido contabilizados como entradas os descontos, os cheques sem fundos e os valores quitados, relativos a operações anteriores (relação de Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.554 4 contratos às fls. 713 e 714), e que algumas operações, inclusive, não refletiriam pagamento algum; que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa quanto à infração 001, por não ter sido indicado nos demonstrativos das fls. 34 e 35, de onde foram extraídos os seus dados, além do que não teriam sido discriminados os custos envolvidos nas operações; que solicitara ao Banco do Brasil cópias de todos os cheques de sua conta corrente, não tendo sido atendida, motivo pelo qual requereu o "enquadramento no parágrafo 5° do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972"; que, uma vez que teria provado que não houvera saldo credor de caixa no lançamento do Processo n° 10469.710262/200725, seria imprescindível que o julgamento desse processo fosse efetuado na ordem cronológica dos fatos, em face das repercussões nos saldos de caixa dos períodos subseqüentes. A contribuinte requereu, ainda, a realização de diligência e apresentou complementação à impugnação, por meio da qual juntou novos documentos. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, analisando os feitos fiscais e as peças de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1125.364, de 12 de fevereiro de 2009, pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA INFRAÇÃO. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa, por deficiência na descrição da infração, quando os fatos apurados, bem assim a legislação subsunsora, estão detalhados no Quadro da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos os elementos necessários à formação da convicção da autoridade julgadora. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A falta de escrituração contábil evidencia omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. Eventuais erros ou omissões que, comprovadamente, operam influência no saldo da conta caixa, devem ser considerados no cálculo da omissão. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.555 5 O prazo para a constituição de crédito relativo às contribuições sociais sujeitas a lançamento por homologação , quando não há pagamento da dívida, é de cinco anos, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art 173 do CTN). Havendo pagamento, o prazo extinguese após cinco anos, a partir da data do fato gerador. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 1.246/1.316, por meio do qual sustentou: anulação da decisão de primeira instância, em virtude de cerceamento do direito de defesa, vez que não foram apreciados documentos, fatos e alegações apresentados na impugnação; decadência do direito de constituir crédito tributário relativo ao PIS incidente sobre o fato gerador ocorrido no mês de fevereiro de 2003; equívoco no cálculo dos valores exonerados; dedutibilidade das contribuições lançadas (PIS e COFINS) e dos juros correspondentes das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; dedutibilidade das despesas bancárias pagas e incorridas que não foram contabilizadas; Adiante, a contribuinte explicitou os documentos, fatos e alegações que, para ela, não foram apreciados pela autoridade julgadora de primeiro grau. Nessa linha, argumentou ter havido: cerceamento do direito de defesa em razão do não acatamento de operações com cheques do BCN, operações essas comprovadas e aceitas pela Fiscalização; falta de apreciação, em primeira instância, dos argumentos relativos à exclusão de valor tributado indevidamente; apuração incorreta da movimentação da Conta CAIXA; falta de apreciação dos equívocos cometidos na apuração dos saldos das contas BANCO CONTA MOVIMENTO e CAIXA em 31 de dezembro de 2002; conclusão equivocada da Turma Julgadora de primeira instância acerca da influência da contabilização incorreta de operações nos saldos credores de caixa; contabilização de pagamentos a maior de operações de factoring; equívoco da decisão recorrida acerca da influência de saldos credores de caixa apurados em outros processos administrativos em relação aos determinados nos presentes autos; Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.556 6 cerceamento do direito de defesa em razão da inobservância da ordem cronológica no julgamento de processos administrativos; cerceamento do direito de defesa em virtude do indeferimento injustificado do pedido de perícia. Às fls. 1.327/1.329, consta petição da fiscalizada, dirigida ao Delegado da Receita Federal em Natal e datada de 26 de maio de 2009, por meio da qual é requerida a autenticação de documentos e apresentada complementação ao recurso voluntário, tendo sido juntado os documentos de fls. 1.330/1.360. A 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara, por meio do acórdão nº 130200.668, de 03 de agosto de 2011, decidiu anular a decisão de primeira instância, por entender que determinados argumentos e documentos trazidos pela contribuinte via defesa inaugural não haviam sido analisados, revelando, assim, cerceamento do direito de defesa. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, não obstante tenha assinalado que, possivelmente, a redação da decisão anterior é que tenha contribuído para conclusão de que os argumentos e documentos não haviam sido apreciados, decidiu reapreciálos, não modificando, contudo, sua decisão no sentido considerar a impugnação interposta apenas parcialmente procedente. Registro, inclusive, que a ementa da nova decisão exarada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (fls. 1.423/1.424) em 18 de janeiro de 2012, não revela alteração significativa em relação a correspondente à decisão anulada (prolatada em 12 de fevereiro de 2009). Cientificada da nova decisão em 20 de março de 2012 (aviso de recebimento às fls. 1.449), a contribuinte, pelo que se pode depreender, encaminhou via Correios o recurso voluntário de fls. 1.457/1.527, no qual sustentou: necessidade de julgamento em ordem cronológica do presente processo com os de nº 10469.720262/200725 e 10469.721334/200832, haja vista que nos três processos foi imputada idêntica infração (omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa), e, sendo o caixa seqüencial, os seus saldos transportamse para os períodos seguintes; decadência do PIS relativo ao mês de fevereiro de 2003; dedutibilidade das contribuições lançadas relativas ao PIS e à COFINS, bem como dos juros incidentes, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; dedutibilidade das despesas bancárias incorridas, pagas e das incorridas e não contabilizadas; cerceamento do direito de defesa em razão de a Turma julgadora de primeiro grau não ter acatado operações bancárias com cheques do BCN, comprovadas e aceitas pela Fiscalização; falta de apreciação, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, de operação contabilizada; Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.557 7 apuração incorreta da movimentação da conta CAIXA; equívocos na apuração dos saldos das contas BANCOS CONTA MOVIMENTO e CAIXA em 31 de dezembro de 2002; influência da contabilização equivocada de operações nos saldos credores de caixa; contabilização das operações de factoring, a maior, a crédito de caixa, de forma indevida; influência dos saldos credores de caixa apurados em processos anteriores no julgamento dos posteriores; falta de apreciação, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, de “adendo” datado de 22 de maio de 2009; A contribuinte requereu, caso remanescesse dúvida, a realização de perícia contábil para que fossem respondidos os quesitos formulados nos itens 240 e 241 da impugnação. Sustentou, ainda, a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, em virtude do indeferimento do pedido perícia veiculado por meio da impugnação anteriormente apresentada. Por meio de despacho, foi apresentada proposição no sentido de que fossem distribuídos, para fins de apreciação conjunta com o presente, os processo nºs 10469.720262/200725 e o de nº 10469.721334/200832 (fls. 1.532/1.533). Na medida em que os processos acima referenciados encontravamse em procedimento de diligência, o julgamento do presente foi sobrestado até que os referidos procedimentos fossem concluídos (Resolução nº 1301000.184, de 11 de fevereiro de 2014). É o Relatório. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.558 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas decorrente da ausência de escrituração de resultados de operações de factoring; b) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa. Em uma primeira apreciação, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara decidiu anular a decisão de primeira instância, por entender que encontravamse presentes elementos caracterizadores de cerceamento do direito de defesa. Em sede de julgamento em primeira instância, a ora Recorrente foi exonerada do pagamento das seguintes exigências: a) PIS e COFINS de janeiro de 2003 e COFINS de fevereiro de 2003, em razão de caducidade; b) PARCELA DO IRPJ e REFLEXOS, em virtude da redução dos saldos credores apurados no primeiro trimestre de 2003. A exoneração em referência não deu causa à interposição de recurso de ofício, haja vista o não enquadramento na condição estampada na Portaria MF nº 3, de 2008. Aprecio, pois, os argumentos expendidos pela autuada em sede de recurso voluntário. JULGAMENTO DE PROCESSOS EM ORDEM CRONOLÓGICA A Recorrente informa que contra ela foram lavrados autos de infração, o que motivou a formalização dos seguintes processos: 10469.720262/200725, que alcançou o 2º, 3º e 4º trimestres de 2002; 10469.720613/200889 (o presente processo), que alcançou o 1º trimestre de 2003; 10469.721334/200832, que alcançou o 2º, 3º e 4º trimestres de 2003. Argumenta a Recorrente que nos três processos foi imputada à ela a infração de omissão de receita, caracterizada por saldo credor de caixa. Diz que, nesse caso, como o CAIXA é seqüencial, há necessidade de que os processos sejam apreciados em ordem cronológica dos fatos. Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.559 9 Esclareço que o solicitado pela Recorrente foi atendido, conforme despacho de fls. 1.532/1.533 (numeração do arquivo digital). No que diz respeito aos efeitos da recomposição da conta CAIXA promovida em cada um dos feitos fiscais, pronunciome adiante. DECADÊNCIA DO PIS RELATIVO AO MÊS DE FEVEREIRO DE 2003 Refutando o argumento de ausência de pagamento, utilizado pela decisão recorrida para não reconhecer a caducidade do direito de se efetuar o lançamento do PIS relativo ao mês de fevereiro de 2003, a contribuinte sustenta que este “Colegiado tem julgado diversos litígios, segundo o princípio de que a ausência de pagamento não desnatura, nem desqualifica, o lançamento por homologação”. De fato, inúmeros pronunciamentos deste Colegiado foram dirigidos no sentido de que a ausência de pagamento, por si só, não implicaria desprezar a aplicação das disposições do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Entretanto, a partir da introdução do art. 62 A no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal posicionamento teve que ser revisto. Por bem sintetizar os fatos que interferem na questão que ora se aprecia, sirvome do pronunciamento do Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha acerca da matéria. [...] A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.560 10 Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.561 11 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.562 12 imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. Embora entenda que a aplicação das disposições estabelecidas pelo parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional esteja condicionada à realização da atividade ali prevista, sendo ela o objeto da homologação e não o pagamento, em virtude do comando regimental, curvome ao entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça nos julgados antes transcritos. No presente caso, a contribuinte foi cientificada dos lançamentos tributários em 26 de março de 2008, conforme registros de fls. 06, 13, 20 e 27, logo, relativamente ao fato gerador ocorrido em fevereiro de 2003, período em relação ao qual não foi identificado pagamento de PIS, a Fiscalização ainda detinha poderes para constituir o crédito tributário, eis que a datalimite para tal era 31 de dezembro de 2008. DEDUTIBILIDADE DO PIS E DA COFINS Alega a Recorrente que a Fiscalização incorreu em equívoco ao não deduzir os valores lançados do PIS e da COFINS, bem como os correspondentes aos juros incidentes sobre essas contribuições. No que diz respeito à dedução dos valores de PIS e de COFINS das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ressalto, primeiramente, que não existe controvérsia quanto ao entendimento de que, uma vez ocorrido os respectivos fatos geradores, os tributos e contribuições são dedutíveis, observado, no caso de pessoas jurídicas submetidas ao lucro real, o regime de competência. Resta indubitável, portanto, que, ainda que contabilmente possam revelar constituição de provisão, os tributos e contribuições representam, nas condições aqui explicitadas, despesas efetivamente incorridas. Em outra vertente, quando tratamos de tributos ou contribuições cuja exigibilidade encontrase suspensa, diante do fato de que, nesta situação, a obrigação passa a ser incerta, visto que dependente do crivo da autoridade julgadora competente, já não cabe mais falar em despesa incorrida, pois estará ela sujeita a uma manifestação futura acerca da sua própria existência, descabendo, assim, falarse em dedução. Refuto, aqui, argumentações no sentido de que, por ocasião da lavratura dos autos de infração, os créditos tributários de PIS e de COFINS não se encontravam com suas exigibilidades suspensas. Alinhome, no caso, ao entendimento esposado pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa no acórdão nº 1101.00659, cujo excerto reproduzo a seguir. [...] 9.a) Dedutibilidade de PIS, COFINS, IRRF: Pretendeu a recorrente que as exigências de IRPJ e CSLL fossem recalculadas, para admitirse a dedução de valores a título de PIS, COFINS e IRRF que fossem mantidos no presente julgamento, bem como dos juros de mora, na Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.563 13 medida em que a apuração do IRPJ e da CSLL pressupõe a existência de acréscimo patrimonial. Como bem ressalta a autoridade julgadora de 1ª instância, embora o regime de competência seja a regra para determinação dos valores que integram a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, há exceções previstas em lei, e uma delas é a estipulada no art. 41 da Lei nº 8.981/95, que alcança os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Deflui daí que os valores lançados de ofício, sujeitos a recurso administrativo e efetivamente questionados administrativamente, não são dedutíveis enquanto sua exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, inciso III, do CTN. A recorrente discorda deste entendimento, na medida em que a alegada suspensão da exigibilidade não estava presente à época da lavratura do Auto de Infração, momento em que deveria ter sido corretamente realizada a recomposição da base de cálculo. Todavia, o lançamento à época em que formalizado não era exigível, em razão do prazo concedido para sua discussão administrativa. De fato, a doutrina processual civil é forte no sentido de que a suspensão dos efeitos da sentença se dá com a mera recorribilidade do ato judicial: prolatada e publicada a sentença, seus efeitos já se encontram suspensos, independentemente da interposição da apelação. A efetiva interposição do recurso recebido no efeito suspensivo altera o título da suspensão dos efeitos da sentença . Enquanto cabível o recurso, durante o prazo estipulado pela legislação, a regra é que se produza o também o efeito suspensivo . Neste sentido são as lições de Nelson Nery Jr. e Rosa Maria Andrade Nery (in Código de Processo Civil Comentado, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 716), bem como de Vicente Greco Filho (in Direito Processual Civil Brasileiro, São Paulo, Saraiva, 2000, v. 2, p. 296). No que diz respeito aos juros incidentes sobre os tributos e contribuições que se encontrarem com a exigibilidade suspensa, penso que, não obstante a lacunosidade da legislação, a questão deve ser apreciada tendose por base os conceitos estampados na lei civil acerca do que é PRINCIPAL e o que é ACESSÓRIO. Nesse diapasão, me parece não restar dúvida de que o tributo (ou contribuição), existindo, concretamente, sobre si, é coisa PRINCIPAL. Os juros, por sua vez, supõem a existência do tributo ou da contribuição, sendo, assim, acessórios destes. Nesse sentido, se partimos da premissa de que a indedutibilidade do principal repousa em fundamento consistente, não me parece que outra sorte devam merecer os seus acessórios. Transcrevo, abaixo, pronunciamento deste Colegiado na mesma linha do entendimento aqui esposado. Acórdão 10195727 20/09/2006 JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.564 14 No acórdão nº 10196.423, a ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni assinalou: A regra a comandar dedutibilidade dos juros deve ser a mesma que comanda a dos tributos sobre os quais incidem, dada sua natureza de acessório, que segue o principal. Não colhe a alegação da Recorrente, de que os juros de mora não se caracterizam como acessório, porque não têm natureza tributária. A condição de "acessório" independe de terem os juros, natureza "tributária". Os juros de mora são "acessório" porque não existem sem o débito tributário sobre o qual incidem, a ele se agregando sem o integrarem. Entre outros, o verbete "Acessório" tem os seguintes significados : "2. Que se acrescenta a uma coisa, sem fazer parte integrante dela; suplementar; adicional 3. Aquilo que se junta ao objeto principal, ou é dependente dele; complemento; achega." No caso concreto, temse como procedente a acusação fiscal. Os tributos discutidos judicialmente representam obrigações fiscais que não têm data definida de pagamento e que apresentam certo grau de incerteza quanto à sua ocorrência, dependendo da decisão judicial final. Da mesma forma, os juros sobre eles incidentes que, como acessório, acompanham o principal, e serão ou não devidos, conforme a decisão judicial julgue devidos ou não os tributos. Por conseguinte, os respectivos valores têm a natureza de provisão para riscos fiscais. Deixo de acolher, pois, os argumentos da Recorrente relativamente a esse item. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS BANCÁRIAS Alega a Recorrente que aqui também a autoridade fiscal cometeu equívoco, visto que, embora tenha submetido à tributação a omissão de receitas apurada na conta não contabilizada (BCN), não computou as despesas e encargos debitados nos extratos bancários correspondentes. Cabe destacar que, aqui, embora os valores tributáveis tenham sido apurados com base em movimentação bancária, não estamos diante de autuação com fundamento nas disposições do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (depósitos bancários de origem não comprovada). Tratase, no caso, de apuração de receitas da atividade econômica explorada pela Recorrente que, de acordo com a peça acusatória, não foram contabilizadas. Em uma situação (BCN), a própria conta bancária não foi contabilizada, no outro (BANCO DO BRASIL), apesar da conta bancária ter sido contabilizada, determinadas receitas não o foram. No que tange ao pretendido aproveitamento de despesas bancárias, penso que, ainda que se possa admitir que determinados valores possam estar vinculados às receitas tidas como omitidas, a dedutibilidade de tais dispêndios estaria condicionada à apresentação, por parte da contribuinte, de documentos hábeis e idôneos capazes de tornar indubitável tal ilação, em especial no que diz respeito à comprovação de que não haviam sido apropriados na apuração do resultado correspondente. Aqui, alinhome ao entendimento esposado na decisão recorrida no sentido de que "não foram apresentadas provas de que as despesas bancárias não foram computadas no cálculo do lucro líquido" e de que "por meio apenas do extrato não se há nem como estabelecer a correlação entre as receitas e as despesas". Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.565 15 Rejeito, também, eventual realização de diligência, eis que tal providência não se presta para produzir prova que deveria ter sido aportada ao processo pela Recorrente. Com efeito, não identifico obstáculo capaz de ter impedido a contribuinte de ter carreado aos autos demonstrativo correlacionado à receita tributada as despesas bancárias correspondentes, bem como o plano de contas e as folhas do Razão comprovando quais as despesas dessa natureza foram consideradas no resultado. Penso que, no presente caso, revelase absolutamente inadequado falarse em PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA. FALTA DE APRECIAÇÃO, POR PARTE DA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, DE OPERAÇÃO CONTABILIZADA A alegação da Recorrente de que apontou, como indevida, a tributação, a título de omissão de receitas, operação que foi devidamente contabilizada, não merece acolhimento. Como ela própria admite, "a DRJRecife abordou o fato, no item 43, de fl. 1.434", quando pronunciouse pelo acatamento do valor de R$ 6.781,56 para fins de recomposição do CAIXA, mas, como a Recorrente também afirma, tal fato não guarda relação com a tributação com base no pressuposto de que a receita correspondente à operação (R$ 393,34) foi omitida. A Recorrente comprova que o valor de R$ 6.781,56 foi registrado a crédito da conta CAIXA (página do Razão às fls. 564), mas não aporta ao processo qualquer comprovação de a receita auferida na citada operação foi registrada como receita. DEMAIS QUESTIONAMENTOS, ASSOCIADOS À IMPUTAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR SALDO CREDOR DE CAIXA (ITENS VI, VIII, IX, X e XI do Recurso) No que tange ao ITEM VI, em que a Recorrente alega cerceamento do direito de defesa em razão de uma suposta ausência de apreciação por parte da Turma Julgadora de primeiro grau, observo que ela própria, a Recorrente, ao discorrer sobre a questão, reproduz fragmento da decisão recorrida em que, relativamente às operações referenciadas, é assinalado que "considerarseá, entretanto, apenas os lançamentos em que existe correspondência de valor e de data entre a conta caixa e o extrato bancário, uma vez que as explicações quanto aos demais estão desprovidas de elementos probatórios". Inexistente, portanto, o motivo que poderia dar causa a uma eventual decretação da nulidade da decisão. No que diz respeito às razões associadas à omissão de receitas com base na constatação de saldo credor de CAIXA, penso ser dispicienda a análise dos argumentos aportados ao processo em sede de recurso voluntário, vez que, em virtude dos fundamentos adiante esposados, tenho que a imputação feita pela Fiscalização não pode subsistir. Com efeito, tenho que, como regra, a auditoria da conta CAIXA deve levar em conta o saldo inventariado, respeitandose, assim, o denominado princípio da independência dos exercícios. No caso presente, contudo, em que a autoridade fiscal analisou variados períodos de apuração e identificou a prática de infrações continuadas (saldos credores contabilizados e reforços fictícios), tendo procedido, em virtude da apuração dessas infrações, a recomposição da conta contábil em questão, penso que, diante da efetiva constatação de erros e ausências de contabilização de ingressos e saídas do CAIXA, constatação essa efetuada tanto em sede de julgamento como em decorrência de procedimentos de diligência, não se pode simplesmente abandonar os saldos apurados e considerar o valor escriturado no Razão. Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.566 16 Como destacado pela Recorrente, entre outras autuações, foram formalizadas, de ofício, exigências em relação ao 2º, 3º e 4º trimestres de 2002 (processo nº 10469.720262/200725); 1º trimestre de 2003 (presente processo); e 2º, 3º e 4º trimestres de 2003 (processo nº 10469.721334/200832). Em todas essas autuações, foram identificados erros e ausências de contabilização de ingressos e saídas do CAIXA que resultaram na retificação da recomposição da referida conta contábil efetuada pela Fiscalização, retificação essa que, a meu ver, não pode ser simplesmente desprezada, eis que lastreada em revisão promovida pela própria Administração Tributária. Rejeito, assim, especificamente em relação às autuações acima referenciadas, o argumento estampado no voto condutor da decisão de primeiro grau para não acolher a interdependência entre os saldos da conta CAIXA apurados nos processos formalizados contra a Recorrente. Por outro lado, acolho a argumentação da Recorrente de que a apreciação das controvérsias instaladas no presente processo e nos de nºs 10469.720262/200725 e 10469.721334/200832 deve ser feita observandose a ordem cronológica dos períodos de apuração auditados, e que, para fins de análise da recomposição da conta CAIXA espelhada em cada um dos referidos processos, devese levar em conta o saldo apurado no período precedente, ainda que citada apuração tenha sido levado a efeito em outro processo administrativo. Nessa linha, esclareço que nos autos do processo administrativo nº 10469.720262/200725, que auditou os fatos geradores ocorridos no 2º, 3º e 4º trimestres de 2002, foi apurado um saldo devedor na conta CAIXA em 31/12/2002 de R$ 799.550,44, conforme demonstrativo de fls. 5.023/5.027 daquele processo, fazendo, com isso, desaparecer os saldos credores apontados no presente processo e que dizem respeito aos fatos geradores ocorridos no 1º trimestre de 2003. Além disso, nos autos do processo nº 10469.721334/200832, que tratou dos fatos geradores ocorridos no 2º, 3º e 4º trimestres de 2003, o saldo inicial em 01/01/2003, apontado no recomposição de fls. 2.843/2.848 daquele processo, foi de R$ 816.118,60, ficando demonstrado que em todo o ano de 2003 não foi identificada ocorrência de saldo de credor de caixa. Em virtude de tais considerações, penso que a imputação de omissão de receita consubstanciada em saldo credor de CAIXA não pode subsistir. PEDIDO DE PERÍCIA Como já disse, por entender que os elementos reunidos ao processos revelam se suficientes à solução da controvérsia, julgo dispensável o pedido de perícia técnica. Não custa ressaltar que, nos termos do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, a autoridade julgadora é livre para decidir sobre pedidos de perícia ou diligência, podendo indeferilos quando considerar referidos procedimentos prescindíveis. No caso vertente, também como já consignado, não identifico razões capazes de ter impedido a Recorrente de aportar aos autos os elementos necessários à comprovação das suas alegações, motivo pelo qual julgo desnecessária a realização da perícia requerida. Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10469.720613/200889 Acórdão n.º 1301001.910 S1C3T1 Fl. 1.567 17 ADENDO DATADO DE 22/05/2009 FALTA DE APRECIAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Como destacado, o adendo em referência foi apresentado em 22/05/2009, ou seja, em data posterior ao primeiro julgamento realizado em primeira instância. Obviamente, o fato de a decisão proferida em 12/02/2009 ter sido anulada por meio do acórdão nº 1302 00.668 não devolveu à contribuinte o direito de aportar novas razões à impugnação anteriormente interposta. Nesse diapasão, revelase descabida a argumentação acerca de um suposto cerceamento do direito de defesa, vez que as razões não apreciadas em primeira instância não foram apresentadas na impugnação interposta. Como é cediço, em conformidade com a norma processual em vigor, é na impugnação que o contribuinte deve declinar os motivos de fato e de direito que servem de fundamento para sua contestação, indica os pontos de discordância, as razões e as provas que possui, de modo que, se a matéria não foi ali suscitada, ela tida como não impugnada, estando, assim, fora de litígio. Registro que os adendos à peças de contestação, quando, embora não atendam às prescrições do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (força maior; fato ou direito superveniente; ou contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos), são admitidos, devem ser restritos à apresentação de prova documental, não se prestando para que sejam aditadas novas questões de direito. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para cancelar as exigências formalizadas com base na imputação de OMISSÃO DE RECEITAS caracterizada por SALDO CREDOR DE CAIXA. Sala das Sessões, em 21 de janeiro de 2016 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907127/2011-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 19/03/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 19/03/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10930.907127/2011-75
anomes_publicacao_s : 201510
conteudo_id_s : 5537482
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.183
nome_arquivo_s : Decisao_10930907127201175.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10930907127201175_5537482.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 6163654
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122634010624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 122 1 121 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907127/201175 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.183 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COFINS PER/RESTITUIÇÃO Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 19/03/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 27 /2 01 1- 75 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 121), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.506, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 03305.84928.300605.1.2.047575, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472587). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 633,46, referente ao pagamento efetuado em 19/03/2002, de Cofins, código de receita 2172, no valor total de R$ 89.786,99. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 2172, do Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907127/201175 Acórdão n.º 3802004.183 S3TE02 Fl. 123 3 período de apuração de 28/02/2002, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 19/03/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 121), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907127/201175 Acórdão n.º 3802004.183 S3TE02 Fl. 124 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907127/201175 Acórdão n.º 3802004.183 S3TE02 Fl. 125 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Conclusão Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001803/2002-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO.
Existindo recolhimento de imposto de renda no curso do ano-calendário, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficientes os valores recolhidos, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do crédito tributário.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO. Existindo recolhimento de imposto de renda no curso do ano-calendário, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficientes os valores recolhidos, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10882.001803/2002-27
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573961
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.875
nome_arquivo_s : Decisao_10882001803200227.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10882001803200227_5573961.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do crédito tributário. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6308199
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122637156352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 349 1 348 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.001803/200227 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.875 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF Recorrente WALMIR PEREIRA MODOTTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO. Existindo recolhimento de imposto de renda no curso do anocalendário, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficientes os valores recolhidos, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do crédito tributário. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 18 03 /2 00 2- 27 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10882.001803/200227 Acórdão n.º 2201002.875 S2C2T1 Fl. 350 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 96.284,47, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, relativo ao exercício de 1997, anocalendário de 1996. As infrações apuradas pela Autoridade lançadora foram as seguintes: a) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício; b) despesas de livrocaixa deduzidas indevidamente; e c) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Após a apresentação de impugnação pelo contribuinte o lançamento foi julgado procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 305/318 deste processo digital. Cientificado da decisão de primeira instância em 17/07/2013 (fl.325), o Interessado interpôs, em 09/08/2013, o recurso de fls. 326/342. Na peça recursal aduz, dentre outros pontos, a decadência do direito de o Fisco constituir o presente crédito tributário. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso concreto, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e houve recolhimentos durante o anocalendário de 1996, conforme comprova a declaração de ajuste anual acostada aos autos em fls. 213/216 (ainda que se considere a glosa de R$ 2.450,09 de imposto compensado indevidamente). Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do § 4º do art. 150 do CTN, cujo termo a quo é a data da ocorrência do fato gerador (31/12/1996). A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 224, revela que o mesmo foi lavrado em 24/04/2002. O Interessado foi cientificado do lançamento em 26/04/2002 (fl. 230). Fl. 350DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10882.001803/200227 Acórdão n.º 2201002.875 S2C2T1 Fl. 351 3 Logo, ocorreu a decadência do direito de o Fisco constituir o presente crédito tributário, porquanto ultrapassado o termo final para feitura do lançamento (31/12/2001). Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de o Fisco constituir o presente crédito tributário. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 351DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 35464.002012/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2006
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2402-004.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2006 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Embargos Acolhidos
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 35464.002012/2007-81
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5557216
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.801
nome_arquivo_s : Decisao_35464002012200781.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 35464002012200781_5557216.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
id : 6243560
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122639253504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 639 1 638 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35464.002012/200781 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402004.801 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DECADÊNCIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO SANTANDER BRASIL S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no acórdão guerreado, na forma suscitada pela embargante, impõese o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2006 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 20 12 /2 00 7- 81 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35464.002012/200781 Acórdão n.º 2402004.801 S2C4T2 Fl. 640 3 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, apresentados pela Fazenda Nacional, desafiando o Acórdão n.º 2401000.559– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 20/08/2009. No julgado sob enfoque a turma do CARF, por maioria, decidiu afastar por decadência parte do crédito. Foram expurgadas, com esteio na norma inserta no § 4.º do art. 150 do CTN, as competências de 08/1999 a 11/2001. Além disso, decidiuse afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. A embargante (ver fls. 380 e segs.) aponta obscuridade na decisão, alegando que o voto condutor do acórdão não indica a justificativa para concluir que o lapso decadencial deveria ser aferido pela regra acima mencionada. Às fls. 557 e segs. a empresa apresentou petição requerendo a extinção do feito, haja vista que outros créditos lançados na mesma ação fiscal e conexos ao que ora se julga foram extintos por decisão administrativa de segunda instância, portanto, por uma questão de coerência, o presente feito deveria ter o mesmo destino. É o relatório. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Os embargos da PFN merecem conhecimento, posto que tempestivos, haja vista que a ciência do acórdão do CARF ocorreu em 18/11/2009 (fl. 377) e a interposição dos aclaratórios deuse em 23/11/2009, fl. 379. Quanto à petição de fls. 557 apresentada pelo sujeito passivo não merece ser conhecida por falta de previsão legal. As supostas divergências entre decisões das turmas do CARF são atacáveis pela via do recurso especial, regulado pela art. 67 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, o qual somente pode ser manejado após o julgamento dos embargos de declaração. Ressaltese, todavia, que essa peça foi acompanhada de documentos que interferem diretamente na apreciação dos embargos de declaração, os quais devem ser levados em conta na apreciação do mérito. Mérito Na decisão embargada reconheceuse a decadência por aplicação da regra do § 4.º do art. 150 CTN. Nos termos do voto condutor, o fato do fisco não haver demonstrado a inexistência de pagamento seria causa determinante para se aferir a contagem do prazo decadencial por essa norma. O colegiado decidiu reconhecer a decadência de 08/1999 a 11/2001. A PFN embargou a decisão, afirmando que os elementos constantes dos autos seriam suficientes para demonstrar a inexistência de recolhimentos para o período fiscalizado e, portanto, caberia a contagem do prazo decadencial pela regra do inciso I do art. 173 do CTN. Assim, a questão posta diz respeito à definição da regra mais adequada para contagem da decadência na situação sob enfoque. A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Apreciando o Relatório de Documentos Apresentados RDA, fls. 43 e segs., o qual indica todos os recolhimentos efetuados pela empresa no período, não se vislumbra Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35464.002012/200781 Acórdão n.º 2402004.801 S2C4T2 Fl. 641 5 recolhimentos no CNPJ do sujeito passivo para as competências de 01/2000 a 03/2001 e de 05 a 07/2001. Assim, quando da apreciação dos embargos, sugeri o seu encaminhamento ao colegiado de modo que se apreciasse a possibilidade de alteração do aresto embargado, em razão da omissão da Turma em apreciar documento essencial para conclusão acerca da decadência, qual seja o RDA. Ocorre que posteriormente o sujeito passivo juntou petição, onde acostou comprovantes de recolhimento, fls. 561 e segs., os quais obrigatoriamente devem ser considerados na análise dos embargos, posto que interferem na contagem da decadência. Caso esses elementos sejam desprezados, incorreremos em flagrante atropelo ao princípio da verdade material, tão caro ao processo administrativo fiscal. Os documentos colacionados são cópias de comprovantes recolhimentos que não constam do RDA e comprovam que para o período de 11/2000 a 08/2001 a empresa fez antecipação de pagamento para o CNPJ 61.472.676/000172 (único contemplado no lançamento). Nos termos da Súmula n.º 99 do CARF esses recolhimentos devem ser considerados independentemente da empresa haver reconhecido a incidência de contribuições sobre a rubrica lançada, como se pode ver do seu texto: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Passemos à aferição da decadência. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 12/12/2006, seja por aplicação do § 4.º do art. 150, seja pela norma do inciso I do art. 173, ambos do CTN, estariam decadentes as competências de 08/1999 a 11/2000. Com a comprovação de recolhimentos para o período de 12/2000 a 07/2001 (guias apresentadas) e de 09 a 11/2001 (RDA), a contagem da decadência para esse período tem como dies a quo a data do fato gerador (§ 4.º do art. 150), portanto, quando o contribuinte tomou ciência do lançamento, em 12/12/2006, já havia transcorrido o lapso decadencial para o período que vai de 12/2000 a 11/2001. De se concluir então que, embora os embargos mereçam acolhimento para suprir a omissão quanto à fundamentação da decadência, não haverá modificação do resultado do julgamento, posto que, conforme vimos, para o período de 08/1999 a 11/2001 o fisco já havia perdido o direito de lançar as contribuições. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Conclusão Voto por conhecer dos embargos e acolhêlos para sanear a omissão apontada, sem, no entanto, darlhes efeitos infringentes. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000686/2004-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/11/2004
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário.
A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado.
RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3402-002.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício por reconhecer a concomitância com processo judicial.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/11/2004 RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10111.000686/2004-77
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5571652
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.936
nome_arquivo_s : Decisao_10111000686200477.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10111000686200477_5571652.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício por reconhecer a concomitância com processo judicial. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6297616
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122641350656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10111.000686/200477 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3402002.936 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Matéria II/IPI COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AUTOTRAC COMERCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/11/2004 RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício por reconhecer a concomitância com processo judicial. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 06 86 /2 00 4- 77 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso de Ofício da decisão da DRJ/FOR que julgou por unanimidade de votos a impugnação do contribuinte procedente para considerar o lançamento nulo e exonerar o crédito tributário objeto da presente lide. Entretanto, o contribuinte veio aos autos informar e juntar documentos provando que entrou na Justiça e , portanto, desistiu do processo administrativo correspondente. É o retatório Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso de Ofício é tempestivo e pertinente, mas dele NÃO tomo conhecimento por reconhecer em face do pedido do contribuinte recorrido, a concomitância da questão na esfera judicial e administrativa. Também, é sumula nesse Conselho o seguinte: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. ” Isto Posto, não conheço do Recurso de Ofício. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10111.000686/200477 Acórdão n.º 3402002.936 S3C4T2 Fl. 3 3 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907079/2011-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/02/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/02/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10930.907079/2011-15
anomes_publicacao_s : 201510
conteudo_id_s : 5537455
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.156
nome_arquivo_s : Decisao_10930907079201115.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10930907079201115_5537455.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 6163576
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122688536576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 92 1 91 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907079/201115 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.156 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria PIS/Pasep PER/RESTITUIÇÃO Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/02/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 79 /2 01 1- 15 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.479, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 29653.47507.300605.1.2.042675, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472508). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 325,66, referente ao pagamento efetuado em 15/02/2002, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 22.202,38. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109, do período de apuração de 31/01/2002, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907079/201115 Acórdão n.º 3802004.156 S3TE02 Fl. 93 3 Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso... É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/02/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907079/201115 Acórdão n.º 3802004.156 S3TE02 Fl. 94 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907079/201115 Acórdão n.º 3802004.156 S3TE02 Fl. 95 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Conclusão Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000491/2003-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1.134.665-SP).
JULGAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. SOLUÇÃO. LIDE.
O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente.
CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29.
A não intimação de todos os co-titulares da conta bancária, no caso, para a comprovação da origem dos depósitos, torna inseguro o lançamento efetuado, uma vez que a base de cálculo não foi corretamente levantada e, assim, fere-se aspecto material da hipótese de incidência.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO. LIMITES NO CASO DE PESSOA FÍSICA. SÚMULA CARF N.º 61.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Súmula CARF n.º 61.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em relação à conta corrente no HSBC, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal. Em relação às contas correntes no Banco Nossa Caixa e Santander, por unanimidade de votos, cancelar o lançamento.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1.134.665-SP). JULGAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. SOLUÇÃO. LIDE. O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. A não intimação de todos os co-titulares da conta bancária, no caso, para a comprovação da origem dos depósitos, torna inseguro o lançamento efetuado, uma vez que a base de cálculo não foi corretamente levantada e, assim, fere-se aspecto material da hipótese de incidência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO. LIMITES NO CASO DE PESSOA FÍSICA. SÚMULA CARF N.º 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Súmula CARF n.º 61. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.000491/2003-78
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559618
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.067
nome_arquivo_s : Decisao_19515000491200378.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000491200378_5559618.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em relação à conta corrente no HSBC, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal. Em relação às contas correntes no Banco Nossa Caixa e Santander, por unanimidade de votos, cancelar o lançamento. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6255765
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122718945280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 316 1 315 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000491/200378 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.067 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria IRPF Recorrente PAULO ROBERTO DE SOUZA JATENE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1.134.665SP). JULGAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. SOLUÇÃO. LIDE. O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 91 /2 00 3- 78 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000491/200378 Acórdão n.º 2202003.067 S2C2T2 Fl. 317 2 instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. A não intimação de todos os cotitulares da conta bancária, no caso, para a comprovação da origem dos depósitos, torna inseguro o lançamento efetuado, uma vez que a base de cálculo não foi corretamente levantada e, assim, fere se aspecto material da hipótese de incidência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO. LIMITES NO CASO DE PESSOA FÍSICA. SÚMULA CARF N.º 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Súmula CARF n.º 61. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em relação à conta corrente no HSBC, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal. Em relação às contas correntes no Banco Nossa Caixa e Santander, por unanimidade de votos, cancelar o lançamento. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000491/200378 Acórdão n.º 2202003.067 S2C2T2 Fl. 318 3 Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 1999, ano calendário de 1998, onde lhe foram exigidos R$ 65.319,46 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. No Termo de verificação Fiscal, que consta da folha 90e seguintes, narra a Autoridade Fiscal que, regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a origem dos recursos representados por créditos identificados em contas correntes de sua titularidade, o que ensejou a lavratura da autuação, com base na omissão de rendimentos caracterizada por tais depósitos. Esclareceu também que os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte, após intimação fiscal. Descreve o procedimento adotado e aponta o enquadramento legal, eminentemente, no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A omissão de rendimentos foi constatada em contas mantidas em três instituições financeiras, quais sejam: Banco HSBC S/A, Banco Nossa Caixa e Banco Santander (sucessor do Banco Sudameris). Inconformado com o lançamento tributário, o Contribuinte apresentou Impugnação, conforme fl. 103 e seguintes, onde alegou, em suma, que os dados obtidos de movimentação financeira foram ilegalmente utilizados; é inconstitucional a aplicação retroativa do artigo 11, § 3º da Lei nº 9.311/1996, alterada pela Lei nº 10.174/2001; com base na verdade material, cabe ao Fisco demonstrar renda omitida ou acréscimo patrimonial, como fato gerador do tributo, não sendo possível o lançamento apenas fundado em extratos bancários e é inconstitucional a presunção de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; é inconstitucional a aplicação da taxa Selic para atualização de créditos tributários. Sua manifestação foi tratada pela DRJ em Fortaleza/CE, que, em resumo, assentou que a lei tributária procedimental aplicase a fatos geradores ocorridos antes de sua edição, como dispõe o artigo 144, § 1º do CTN; defendeu a tributação com base na presunção de omissão de rendimentos estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; falou que sigilo bancário não é um direito absoluto, cedendo diante de um dever maior do Estado de identificar a capacidade contributiva dos contribuintes para fins de tributação e entendeu correta a aplicação da Taxa Selic, para a correção de débitos fiscais federais. Assim, deuse a decisão de 1ª instância, para rejeitar as preliminares suscitadas e considerar procedente o lançamento. Cientificado em 31/10/2008 (sexta feira), conforme Aviso de Recebimento na folha 190, o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/12/2008, com protocolo na folha 196. Em sede de recurso, assim, resumidamente, manifesta sua inconformidade: a) preliminar de nulidade, por cerceamento de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida não se manifestou sobre os documentos trazidos aos autos que comprovam que a conta corrente mantida no Banco HSBC, Ag. 0956, era conjunta e, em momento algum, os demais correntistas foram intimados a demonstrar a origem dos depósitos ali realizados. Cita jurisprudência administrativa; b) diz ainda que não houve análise da DIPJ da empresa Seca Cirúrgica e Anestesia Ltda, da qual o Recorrente é sócio na proporção de 50%; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000491/200378 Acórdão n.º 2202003.067 S2C2T2 Fl. 319 4 c) diz ainda que o Julgamento recorrido não enfrentou a questão da ausência de acréscimo patrimonial do contribuinte; d) volta então a bater nos mesmos pontos da Impugnação, acerca da aplicação no tempo do § 3º do artigo 11, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/201; da ilegalidade de "quebra de sigilo bancário"; da inconstitucionalidade da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. e) fala ainda das provas juntadas para justificar os depósitos, referindose especificamente à sociedade Seca Serviços Cirúrgicos e Anestésicos. PEDE anulação do Auto de Infração pela não intimação de todos os co titulares da conta bancária ou, alternativamente, no mérito, que se observe a quebra de sigilo bancário, a incorreta aplicação retroativa da lei, a inexistência de acréscimo patrimonial e a possibilidade de juntada de novos documentos. Posteriormente, pugnou pela realização de sustentação oral, no julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, uma vez que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. Destaco que a ciência da decisão de 1ª instância deuse em 31/10/2008, dia de sextafeira, iniciandose a contagem do prazo regulamentar para sua interposição somente em 03/11/2008. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético. (formato .pdf) De início, como o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada, esclareço que o contribuinte, regularmente intimado, apresentou à fiscalização os extratos que serviram de base à apuração fiscal, como ele mesmo diz no recurso (fl. 203). Destaco, outrossim, que o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Nesse sentido: “O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos Fl. 319DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000491/200378 Acórdão n.º 2202003.067 S2C2T2 Fl. 320 5 fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no Resp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados." (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Ademais, trago à colação o § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: "Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprilhe a falta." Feitas essa considerações, apesar de meu entendimento (Acórdão 2801 003.946, Sessão de 21 de janeiro de 2015, por exemplo), sobre a possibilidade de acesso de dados bancários pelo Fisco, quando há regular procedimento fiscal instaurado, com base na Lei Complementar nº 105, de 2001, artigo 6º, tendo em vista que o STF não declarou sua inconstitucionalidade, manifestandose pela repercussão geral da matéria e sobrestamento dos recursos a ela atinentes, na origem, e a posição do STJ, em sede de recurso repetitivo, entendendo pela desnecessidade de ordem judicial, nesses casos, e inclusive pela aplicação retroativa dos dispositivos legais autorizadores, creio desnecessário tratar do tema, como se verá na questão de mérito, a seguir. Não obstante, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. MÉRITO DA TITULARIDADE DAS CONTAS BANCÁRIAS Fl. 320DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000491/200378 Acórdão n.º 2202003.067 S2C2T2 Fl. 321 6 O contribuinte diz que a conta bancária mantida junto à intituição financeira HSBC, Ag. 0956, era conjunta, havendo mais de um titular, e que não foi observada a determinação de que todos eles deveriam ser intimados para comprovar a origem dos recursos, o que configuraria cerceamento do direito de defesa. Os extratos da tal conta, que serviram de base para a apuração fiscal estão nas folhas 70 e seguintes. De início, nos meses de janeiro e fevereiro, consta como cliente apenas o nome de Paulo Roberto Jatene. Entretanto, a partir de março, o extrato que está na folha 73, já traz o nome de dois clientes, incluindo Maria Cristina Vargas Jatene, que também era cotitular na conta corrente mantida junto ao Banco Sudameris (sucedido pelo Santander), como se pode observar nos extratos de folhas 30 e seguintes, apesar do recorrente falar apenas da conta do HSBC. Até houve a preocupação da Fiscalização com a apuração do fato das contas serem conjuntas, como se observa no Termo de Intimação Fiscal de folha 18: Para os efeitos do disposto no parágrafo 6° do art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/1996, deverá o contribuinte declarar se a conta 217173 mantida junto à Agência 956 do Banco HSBC BANCO BRASIL S/A foi, no ano calendário de 1998, mantida em conjunto... Mas, posteriormente, a Auditora Fiscal, mesmo diante da indicação constante dos extratos que analisou, acima descrita, não procedeu à apuração da titularidade da conta nem intimou a cotitular a comprovar a origem dos depósitos. Nesse caso, importante transcrever Súmula CARF nº 29, de observância obrigatória neste julgamento, conforme disposição regimental interna: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (sublinhei) Tendo a Fiscalização, no curso do procedimento fiscal, constatado que a conta pertencia a mais de um titular, tinha por obrigação intimar os dois, para a comprovação da origem dos depósitos. Não o fez. Não há nos autos a comprovação da intimação de Maria Cristina e sequer menção ao fato no Termo de Verificação Fiscal. A inteligência da Súmula decorre da exigência contida no parágrafo 6º, incluído no artigo 42 da lei em comento. É de se destacar que tal parágrafo só foi incluído pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e considerando que o Auto de Infração foi lavrado em 17/02/2003, a lei estava em vigor e produzindo efeitos. Vejamos: Art. 58. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5o e 6o: (...) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em Fl. 321DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000491/200378 Acórdão n.º 2202003.067 S2C2T2 Fl. 322 7 separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares."(NR) Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de outubro de 2002, em relação aos arts. 29 e 49; II – a partir de 1o de dezembro de 2002, em relação aos arts. 1o a 6o e 8o a 11; III a partir de 1o de janeiro de 2003, em relação aos arts. 34, 37 a 44, 46 e 48; IV a partir da data da publicação desta Lei, em relação aos demais artigos. Brasília, 30 de dezembro de 2002; 181o da Independência e 114o da República.(sublinhei) Também, observando os autos, a declaração de rendimentos do Fiscalizado (DIRPF/1999) está na folha 6 e seguintes e não foi entregue em conjunto com a cotitular da conta, Maria Cristina. Diz o artigo 142, do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Colho na doutrina de Regina Helena Costa: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 205) Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o Fl. 322DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000491/200378 Acórdão n.º 2202003.067 S2C2T2 Fl. 323 8 sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Segundo Geraldo Ataliba, a base de cálculo ou base imponível é a "dimensão do aspecto material da hipótese de incidência" (Hipótese de Incidência Tributária, p. 97). Paulo de Barros Carvalho, didaticamente, identifica três funções da base de cálculo, segundo transcreve Regina Helena Costa: a) a função mensuradora, pois mede as reais proporções do fato; b)função objetiva, porque compõe a específica determinação da dívida, e c)função comparativa, posta em comparação com o critério material da hipótese, é capaz de confirmálo, infirmálo ou afirmar aquilo que consta do texto da lei, de modo obscuro. (Op. Cit p.229) A não intimação de todos os cotitulares da conta bancária, no caso, para a comprovação da origem dos depósitos, torna inseguro o lançamento efetuado, uma vez que a base de cálculo não foi corretamente levantada. Além disso, no caso de apresentação de declaração em separado, que não foi tratado pela Fiscalização, a lei determina a divisão do montante proporcionalmente ao número de cotitulares. Assim, feriramse aspectos materiais da hipótese de incidência e o vício apontado na Súmula CARF nº 29, acima transcrita, a macular o lançamento, é de cunho material. DOS LIMITES PARA A TRIBUTAÇÃO COM BASE NOS DEPÓSITOS, NO CASO DE PESSOA FÍSICA Observo o seguinte comando legal, contido no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(com alteração promovida pela Lei nº 9.481, de 1997) (sublinhei) Esclareceu a jurisprudência deste CARF, através da Súmula nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000491/200378 Acórdão n.º 2202003.067 S2C2T2 Fl. 324 9 Explicando melhor, excluídos os depósitos acima de R$ 12.000,00, é de ser verificado se o somatório dos demais ultrapassa ou não R$ 80.000,00. É que a lei diz “seu somatório” referindose, especificamente, a esses iguais ou inferiores a R$ 12.000,00. Excluindose a conta do HSBC, onde foi verificada a maioria dos depósitos considerados como omissão de rendimentos, em virtude da inexistência de intimação da co titular, tratada no item anterior, os depósitos efetuados nas outras duas contas, dos Bancos Sudameris (sucedido pelo Santander) e Nossa Caixa, são todos inferiores a R$ 12.000,00, e o somatório não ultrapassa R$ 80.000,00 no ano fiscalizado. Vejamos na descrição do Termo de Verificação Fiscal (fl. 90), o que também se constata na listagem da folha 92: Da análise da documentação apresentada, elaborouse a planilha aposta às fls. , na qual pode ser verificada que o contribuinte apresentou um total de créditos nas suas contas bancárias no valor de R$ 11.340,0 (onze mil e trezentos e quarenta reais Banco Nossa Caixa), no valor de R$ 236.903,42( duzentos e trinta e seis mil, novecentos e três reais e quarenta e dois centavos HSBC Bank Brasil S/A .) e o de valor de R$ 4.991,00 (quatro mil e novecentos e noventa e um reais do Banco Santander S/A), sem contudo se manifestar a respeito das origens dessas referidas quantias. CONCLUSÃO Pelas conclusões a que chegamos, desnecessário tratar dos demais pontos levantados no recurso e resumidos no relatório. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, VOTO por dar provimento ao recurso para anular por vício material (insegurança na apuração da base de cálculo) o lançamento efetuado em relação à conta corrente no HSBC, considerando que tinha dois titulares bem identificados e a ausência de intimação da cotitular Maria Cristina para comprovação da origem dos depósitos, aplicandose a Súmula CARF nº 29; e para cancelar o lançamento em relação aos demais depósitos, constatados nas contas correntes restantes, considerando que não ultrapassam os limites previstos para o estabelecimento da presunção em relação às pessoas físicas, com base na Súmula CARF nº 61. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000491/200378 Acórdão n.º 2202003.067 S2C2T2 Fl. 325 10 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10746.001075/2004-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS QUE NÃO SÃO RELATIVOS A TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL
A compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal (que abrange os créditos que nem mesmo tem natureza tributária) enseja a aplicação de multa isolada, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. As meras mudanças de redação, de terminologia e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. O que houve em determinado momento, no contexto da Lei nº 11.051/2004, foi a exasperação da multa para os casos de compensação considerada como não declarada, incluindo-se aí a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal. É inadequado pensar em retroação benigna da Lei nº 11.051/2004, para fins de afastar penalidade sobre conduta que deixou de ser apenada. O que cabe retroagir é o percentual da multa previsto na lei, que voltou a aplicá-la em 75%, nos casos em que não houvesse a caracterização de fraude, e foi exatamente esse o efeito da decisão recorrida, uma vez que a multa foi reduzida de 150% para 75%.
Numero da decisão: 9101-002.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Quanto à primeira matéria (Possibilidade de manifestação de Ofício), Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos. Quanto à segunda matéria (Aplicação da Multa de 75%), recurso conhecido e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. A Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada) votou pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS QUE NÃO SÃO RELATIVOS A TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL A compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal (que abrange os créditos que nem mesmo tem natureza tributária) enseja a aplicação de multa isolada, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. As meras mudanças de redação, de terminologia e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. O que houve em determinado momento, no contexto da Lei nº 11.051/2004, foi a exasperação da multa para os casos de compensação considerada como não declarada, incluindo-se aí a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal. É inadequado pensar em retroação benigna da Lei nº 11.051/2004, para fins de afastar penalidade sobre conduta que deixou de ser apenada. O que cabe retroagir é o percentual da multa previsto na lei, que voltou a aplicá-la em 75%, nos casos em que não houvesse a caracterização de fraude, e foi exatamente esse o efeito da decisão recorrida, uma vez que a multa foi reduzida de 150% para 75%.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10746.001075/2004-80
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572224
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.200
nome_arquivo_s : Decisao_10746001075200480.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10746001075200480_5572224.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Quanto à primeira matéria (Possibilidade de manifestação de Ofício), Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos. Quanto à segunda matéria (Aplicação da Multa de 75%), recurso conhecido e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. A Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada) votou pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6299853
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122742013952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 557 1 556 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10746.001075/200480 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.200 – 1ª Turma Sessão de 01 de fevereiro de 2016 Matéria Multa sobre DCOMP Recorrente COMPANHIA DE ENERGIA ELÉTRICA DO ESTADO DO TOCANTINS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS QUE NÃO SÃO RELATIVOS A TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL A compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal (que abrange os créditos que nem mesmo tem natureza tributária) enseja a aplicação de multa isolada, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. As meras mudanças de redação, de terminologia e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. O que houve em determinado momento, no contexto da Lei nº 11.051/2004, foi a exasperação da multa para os casos de compensação considerada como não declarada, incluindose aí a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal. É inadequado pensar em retroação benigna da Lei nº 11.051/2004, para fins de afastar penalidade sobre conduta que deixou de ser apenada. O que cabe retroagir é o percentual da multa previsto na lei, que voltou a aplicála em 75%, nos casos em que não houvesse a caracterização de fraude, e foi exatamente esse o efeito da decisão recorrida, uma vez que a multa foi reduzida de 150% para 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Quanto à primeira matéria (Possibilidade de manifestação de Ofício), Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos. Quanto à segunda matéria (Aplicação da Multa de 75%), recurso conhecido e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. A Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada) votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 10 75 /2 00 4- 80 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 558 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à aplicação de multa isolada por compensação indevida de COFINS, PIS, IRPJ, CSLL e IOF, tendo em vista a utilização de crédito de natureza não tributária e de créditos não passíveis de compensação por expressa disposição legal, referentes aos períodos de apuração correspondentes aos anos de 2003 e 2004. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 30238.310, de 07/12/2006 (efls. 232/238 do vol. I no eprocesso), por meio do qual a antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário anteriormente apresentado, para fins de reduzir a multa de 150% para 75%. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 Ementa: TÍTULOS DA ELETROBRÁS. COMPENSAÇÃO. Incabível a compensação de débitos relativos a tributos e contribuições federais, com créditos referentes a Títulos da Eletrobrás, por falta de previsão legal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. INTUITO DE FRAUDE. Não se pode aplicar a multa de oficio agravada quando não resta comprovado, nos autos, o evidente intuito de fraude, por parte da autuada. Multa Isolada —Evidente Intuito de Fraude. Não caracterizado, na hipótese dos autos. À época dos fatos geradores, a regra levava o julgador à conclusão pela procedência da penalidade prevista (art. 18 da Lei n° 10.833/2003). Esta Lei foi Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 559 3 alterada pela Lei n° 11.196/2005 (e, concomitantemente, a IN SRF que tratava do assunto). A nova Instrução Normativa editada, de n° 600/2005, em seu art. 31, § 5°, inciso I, estabeleceu que "a multa isolada sobre o valor total do débito cuja compensação for considerada não declarada será de 75%", do valor exigido, com exceção dos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 71 e 73 da Lei n°4.502/1964". Na hipótese dos autos, o contribuinte compensou créditos não admitidos pela legislação — títulos públicos — sem restar comprovado o "evidente intuito de fraude", razão pela qual não há que ser mantida a penalidade agravada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos para a matéria acima referida. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: no julgado recorrido, decidiuse pela redução da multa isolada para o patamar de 75%, que fora constituída no percentual de 150%, por compensação regularmente pleiteada (ou seja, mediante as declarações e requisições necessárias) pela recorrente, com créditos tidos pelo Auditorfiscal como de "natureza não tributária"; o recurso voluntário foi parcialmente provido, por unanimidade, para afastar a majoração da multa, concluindose pela não caracterização de fraude, de dolo, que pudesse fundamentar a qualificação da sanção; o não provimento in totum do recurso, deriva da não manifestação da Câmara (mesmo após requerimento de juntada de aditamento, e oposição de embargos de declaração) quanto à Lei nº 11.051/2004, que foi editada posteriormente à autuação, e que implica na insubsistência total da multa isolada aplicada nestes autos; a referida lei limitou as hipóteses de aplicação da multa isolada aos casos em que houvesse dolo no pleito de compensação. Não sendo verificado o dolo (e isto já resta assentado, in casu), não há multa aplicável; o E. Colegiado recorrido não se manifestou quanto à Lei nº 11.051, sob a alegação de que a recorrente não havia feito menção àquela tese no recurso voluntário; em petição aviada antes do julgamento, e especificamente, nos Embargos Declaratórios opostos, a recorrente expôs a inadequação de que se vislumbrasse preclusão quanto à matéria reconhecível de ofício, que versa exclusivamente a completude da aplicação das normas em vigor; não se tratava de argüição de prova esquecida, ou de pedido inédito; postulouse a declaração do julgado, para que, na recomposição cronológica das leis aplicáveis ao caso, fosse considerada a Lei nº 11.051, cuja leitura vinha sendo reiteradamente aduzida nos Conselhos no sentido de afastar a multa isolada, em casos tais como o presente; Cabimento do recurso especial: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 560 4 o acórdão proferido pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes diverge do posicionamento adotado na 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos acórdãos e respectivas ementas que seguem anexados; há plena identificação entre as matérias versadas no acórdão recorrido e nos paradigmas apresentados; outrossim, as questões deduzidas neste recurso encontramse devidamente préquestionadas, inclusive por meio de embargos de declaração, tendo sido ventiladas no acórdão guerreado, restando atendido também o requisito expresso no §5º do art. 7º da norma regimental aplicável à espécie; são 2 (dois) os aspectos divergentes aqui apontados. O primeiro relativo à possibilidade de manifestação de ofício, ou mesmo por provocação do recorrente após o recurso voluntário, com relação à retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051/04, nos termos do artigo 106 do CTN; o segundo ponto é o relacionado ao mérito da autuação, sobre ser insubsistente a multa isolada cominada nas compensações sem presença de dolo, já que a Lei nº 11.051, posterior à autuação, limitou a imputabilidade de tal multa aos casos atrelados à esfera penal; o paradigma para a primeira divergência (preliminar) é o Acórdão nº 105 17.042: Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EFEITOS MODIFICATICOS POSSIBILIDADE — A constatação de que o voto condutor da decisão embargada deixou de observar lei tributária penal vigente à época da constituição do crédito tributário, autoriza o conhecimento dos embargos, nos exatos termos do disposto no capuz do art. 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Se da supressão da omissão resultar entendimento diverso do expendido no acórdão guerreado, sua parte dispositiva deve ser objeto de retificação. vale destacar que os dois processos confrontados acima, são de contribuintes do mesmo grupo empresarial. Tanto os recursos como os embargos de declaração contaram com a mesma argumentação, a mesma estrutura textual; enquanto nestes autos a plena análise do ordenamento jurídico foi vetada pelo suposto empecilho processual, no paradigma anotado, asseverase que o colegiado administrativo deve se manifestar acerca de lei superveniente que deixou de punir o fato sob apreço no julgamento; portanto, enfrentando a mesma situação táticoprocessual (argüição de retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051, em momento posterior à interposição do recurso voluntário), uma Câmara entendeu pela preclusão, não analisando a suscitada aplicabilidade da Lei, e a outra manifestou a plena viabilidade de tal manifestação, pois se trata de mera verificação da norma tributária (penal, nas palavras do d. Relator) aplicável ao caso; a retroatividade da lei nos termos do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, é matéria apreciável de ofício, por representar mera aferição do direito aplicável à lide submetida ao julgador. Aliás, este é o ofício primordial da atividade judicante, administrativa ou judicial: decretar qual a lei aplicável ao caso concreto; Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 561 5 não se trata de argüição de tese, ou de levantamento de fatos em favor de uma ou de outra parte. É o caso de aplicação da lei, especificamente, a lei mais benéfica, que por força do CTN, incide sobre os atos não julgados definitivamente; do provimento do especial quanto à preliminar deverá decorrer o retorno do processo à Câmara (atual Turma) ordinária para que aprecie a retroatividade benigna da Lei nº 11.051, ou, caso assim entendam V. Sas., para que seja reformado no mérito o acórdão, já em Instância Superior, determinandose o cancelamento total da multa isolada; para a segunda divergência (mérito), o paradigma indicado é o Acórdão nº 10516.900: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA ESTATUÍDA NO ART. 106, II, a) do CTN Uma vez descrita a situação fática, subjacente ao lançamento da multa isolada com base no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, por compensação indevida com crédito de natureza não tributária e advento da Lei n° 11.051/2004, que deixou de definir tal hipótese como infração sujeita a multa isolada, é de se reconhecer a aplicação do art. 106, II, "a" do CTN, para cancelar a exigência pela retroatividade benigna infracional. Recurso voluntário conhecido e provido. enquanto o julgado recorrido afirma que mesmo após a edição da Lei nº 11.051/04, é de ser mantida a multa isolada no patamar de 75% no caso de compensação sem caracterização de dolo, o acórdão paradigma registra o contrário; que a Lei nº 11.051, posterior às compensações enfocadas, deixou de cominar sanção (multa isolada) nos casos de pleitos por compensação em que não houve conduta dolosa; nos mesmos moldes, podese apurar divergência com outro precedente do Conselho (já trazido aqui no que tange ao 1º ponto divergente), que no julgamento de Embargos opostos pela empresa acolheu a retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051, como segue: "... a compensação indevida em razão da utilização de créditos de natureza não tributária submetiase a penalidade, representada por multa isolada, no percentual de 150% ou 225%, conforme o caso. Contudo, ex vi do disposto no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, na redação que lhe foi dado pela Lei n° 11.051, de 2004, para que tal multa fosse aplicada seria necessário ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64." verificase que o acórdão recorrido admite a manutenção da multa isolada mesmo que não se configure o dolo, e o paradigma aponta que somente haveria lugar à multa isolada em casos de comprovada prática criminosa; a divergência é tão mais flagrante, quando se verifica que os dois paradigmas colacionados foram proferidos em processos de empresas do mesmo grupo empresarial da ora recorrente. Os procedimentos de compensação foram todos promovidos nos mesmos moldes e em datas quase coincidentes. Foram veiculados em processos afastados simplesmente por tratarem de débitos de empresas diversas, de uma mesma holding; Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 562 6 desse modo, apenas o julgado prolatado nos presentes autos destoa da jurisprudência dominante, pois manteve a multa isolada, embora reconhecendo a ausência de dolo, e mesmo diante da norma mais benéfica introduzida pela Lei nº. 11.051/04; Mérito: Da retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº. 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº. 11.051/04 a aplicação de multa isolada às compensações realizadas pelos contribuintes sofreu inúmeras alterações legislativas no decorrer do tempo, o que determina a análise da questão segundo as regras vigentes ao tempo da formalização das declarações de compensação protocolizadas pela recorrida (tempus regit actum). registrese que a autuação debatida nos presentes autos foi formalizada, com a intimação à empresa, em outubro de 2004; o caput do art. 18 da Lei 10.833/2003 previa a imposição de multa isolada nas seguintes hipóteses: 1. o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal; 2. crédito ser de natureza nãotributária; 3. ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº. 4.502, de 30 de novembro de 1964. já o §2º do dispositivo supracitado previa a aplicação, conforme o caso, das multas de 75% e 150% previstas, respectivamente, nos incisos I e II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96; tal redação vigorou até a edição da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004; a limitação introduzida pela Lei nº 11.051/04 às hipóteses de cabimento da multa é flagrante. Enquanto o caput do art. 18 da Lei nº. 10.833/03, em sua redação originária, previa a possibilidade de imputação de multas isolada nas três hipóteses supracitadas (vedação legal à compensação, crédito de natureza nãotributária e evidente intuito de fraude), a redação implementada pela Lei nº 11.051/04, limitou a aplicação da multa isolada a apenas uma e única situação: "hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502, de 30 de novembro de 1964", o que não ocorreu no caso dos autos; ratificando este entendimento, verificase que o §2º do art. 18, em sua redação originária, previa a possibilidade de imputação de multas de 75% e 150% (Lei nº 9.430/96, art. 44, inc. I e II), enquanto que o §2º, do art. 18, na redação dada pela Lei nº 11.051/04, passou a prescrever a aplicação da multa isolada apenas nos moldes do inciso II do artigo 44 da Lei nº . 9.430/96, no percentual de 150%; por fim, o §4º, acrescido ao art. 18, nada mais faz do que autorizar a aplicação da "multa isolada a que se refere o caput deste artigo", ou seja, a multa de 150%, Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 563 7 cabível na hipótese de evidente intuito de fraude, também às compensações consideradas não declaradas nas hipóteses do art. 74, § 12, II, da Lei nº. 9.430/96. Vale destacar que a previsão legal para a expedição de ato administrativo que qualifique uma compensação como "não declarada" surgiu somente com a própria edição da Lei nº 11.051/04; aliás, cerca de 11 (onze) meses após a alteração promovida pela Lei nº 11.051/04, a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/03 foi novamente alterada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, a qual RESTABELECEU, no campo do "deverser" normativo, a aplicação da multa isolada pelo percentual de 75% (setenta e cinco por cento), previsto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; tal fato demonstra que em dezembro de 2004, quando sobreveio a Lei nº 11.051, foi diretamente atingida a aplicação da multa isolada no casos dos presentes autos, por força da retroatividade benigna. Não há que se cogitar que a Lei nº 11.196 tenha vindo "repetir" o que já constava no ordenamento. Certamente, e como aqui se evidencia, veio introduzir, ou reintroduzir a multa que restara extirpada do sistema jurídico pela Lei nº 11.051; portanto, correta a orientação consignada nos paradigmas ora invocados, ao aplicar a retroatividade benigna (lex mitior) do art. 25, da Lei nº 11.051/2004, em face da nova redação dada ao art. 18, da Lei nº 10.833/03, por conta da observância da regra prevista no art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional; a seguir, são consignados precedentes que tratam da aplicação do artigo 106, CTN, no que tange à retroação de norma que beneficia o sujeito passivo, reduzindo ou afastando sanção anterior (ementas transcritas); contrariando o entendimento exposto acima, sustentase no aresto recorrido a inaplicabilidade da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "a", do CTN, ao caso em tela; ora, o § 4º do art. 18 da Lei n° 10.833/03, não é o § 4° introduzido pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, mas sim o § 4° introduzido pela Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005; o que está posto em debate é a retroatividade benigna das regras introduzidas pela Lei n° 11.051/2004 e não das regras previstas na Lei n° 11.196/2005, que somente foi editada quase 11 (onze) meses após a Lei n° 11.051/2004; ainda que se admita ad argumentandum tantum que o §4° do art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pela Lei 11.051/04, constituiu hipótese autônoma e dissociada do caput e, portanto, prescinda da caracterização do "evidente intuito de fraude" para a aplicação da multa de 150%, dois fatores nos levam a também concluir pelo cancelamento da multa imposta. São eles: 1. A Lei n° 11.051/04, ao alterar a redação do art. 18, da Lei 10.833/03, não mais previu a hipótese de aplicação de multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96; e 2. Estar a aplicação da multa de 150%, temporalmente limitada às compensações formalizadas após a edição da Lei 11.051/04, que introduziu a Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 564 8 hipótese da "nãodeclaração" de compensação apresentadas pelos contribuintes. na primeira situação, estando ou não a conduta típica condicionada à caracterização do "evidente intuito de fraude", é certo que, em ambos os casos, a Lei 11.051/04 deixou de definir como infração as hipóteses para a imputação da multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, como ocorre exatamente no caso dos autos; no segundo caso, conforme reza expressamente o §4º, a multa do caput será aplicada somente "quando a compensação for considerada não declarada". Ora, as hipóteses de compensações "não declaradas" somente surgiram com a edição da Lei 11.051/04, sendo inaplicáveis, portanto, àquelas compensações formalizadas em momento anterior à vigência, por expressa aplicação do Princípio da lrretroatividade das Leis; passados mais de dois anos de vigência do regime de compensação instituído pela Lei nº 10.637/2002, o Governo Federal sancionou a Lei 11.051, de 29.12.04, que restringiu significativamente a disciplina do procedimento da compensação até então vigente; o pedido de restituição e as declarações de compensação foram apresentados pela recorrente em 2003 e 2004, em datas bastante anteriores à edição da Lei n° 11.051/04, e enquanto vigente legislação que considerava como "declaradas" todas as compensações formalizadas pelo contribuinte e resguardava a este o direito à ampla defesa e ao contraditório administrativo; não havia previsão no Direito Pátrio, à época e até a edição da Lei 11.051/04, do instituto da "compensação nãodeclarada". Os pedidos de compensação formulados anteriormente à vigência dessa Lei, foram expressamente abarcados por essa, são considerados "declaração de compensação". Forçoso concluir, portanto, que todas as compensações realizadas pela recorrente são "compensações declaradas", ex vi legis (Lei 9.430/96, art. 74, com redação dada pela Lei 10.637/2002), as quais pela lei, têm o condão de extinguir créditos tributários sob condição resolutória e asseguraram à recorrente todos os meios para a defesa dos teus direitos; assim, resta demonstrada a legitimidade do cancelamento total da multa isolada imposta contra a Recorrente, em face da aplicação retroativa (CTN, art. 106, II, "a") da Lei nº 11.051/04, ao dar nova redação ao art. 18 da Lei nº. 10.833/03. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, por meio do Despacho exarado em 19/06/2015, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência das divergências suscitadas, nos seguintes termos: [...] O contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidenciam as divergências existentes entre o entendimento exarado no Acórdão recorrido e os Acórdãos paradigmas, apontando as divergências nos seguintes pontos: i) em relação à retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº. 11.051/04, nos termos do artigo 106 do CTN, e Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 565 9 ii) relacionado ao mérito da autuação, sobre ser insubsistente a multa isolada cominada nas compensações sem presença de dolo, já que a Lei nº 11.051/04, posterior à autuação, limitou a imputabilidade de tal multa aos casos atrelados à esfera penal. Destacase que os processos confrontados, são de contribuintes do mesmo grupo empresarial. Tanto os recursos como os embargos de declaração contaram com a mesma argumentação, a mesma estrutura textual. O acórdão recorrido: i) enfrentando a situação fáticoprocessual, qual seja, argüição de retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051/04, em momento posterior à interposição do recurso voluntário, entendeu pela preclusão, não analisando a suscitada aplicabilidade da Lei. ii) o julgado recorrido afirma que mesmo após a edição da Lei nº 11.051/04, é de ser mantida a multa isolada no patamar de 75% no compensação sem caracterização de dolo. Os acórdãos paradigmas: i) asseverase que o colegiado administrativo deve se manifestar acerca de lei superveniente que deixou de punir o fato sob apreço no julgamento, pois se trata de mera verificação da norma tributária aplicável ao caso. ii) registra que a Lei nº 11.051/04, posterior às compensações enfocadas, deixou de cominar sanção (multa isolada) nos casos de pleitos por compensação em que não houve conduta dolosa. Com essas considerações, entendo ter sido apresentada e comprovada a divergência jurisprudencial. Na seqüência, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e o referido órgão optou por não apresentar contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 566 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento de multa isolada por compensação indevida de COFINS, PIS, IRPJ, CSLL e IOF, em razão da utilização de crédito de natureza não tributária e de créditos não passíveis de compensação por expressa disposição legal, referentes aos períodos de apuração correspondentes aos anos de 2003 e 2004. A multa foi aplicada inicialmente no percentual de 150%. A autuação fiscal foi integralmente mantida na primeira instância administrativa, mas na segunda instância, a multa foi reduzida para o percentual de 75%. Conforme as normas regimentais da época, o julgamento do recurso voluntário se deu no âmbito do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que seria hoje equivalente à 3ª Seção de Julgamento do CARF. Entretanto, em razão da atual distribuição regimental de competências, o julgamento da matéria em pauta cabe agora à 1ª Seção de Julgamento do CARF, e, conseqüentemente, à 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que passaram a deter a chamada competência residual (art. 2º, VII, c/c art. 9º, I, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015). É por essa razão que o julgamento do recurso especial foi submetido a esta 1ª Turma da CSRF. Com a divergência suscitada em sede de recurso especial, a contribuinte pretende o cancelamento total da multa. Para tanto, ela alega divergência em relação a dois aspectos, o primeiro como sendo uma matéria preliminar, e o segundo tratado como questão de mérito: 1 possibilidade de manifestação de ofício, ou mesmo por provocação do recorrente após o recurso voluntário, com relação à retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051/04, nos termos do artigo 106 do CTN; e 2 insubsistência da multa isolada cominada nas compensações sem presença de dolo, já que a Lei nº 11.051/2004, posterior à autuação, limitou a imputabilidade de tal multa aos casos atrelados à esfera penal. É preciso inicialmente fazer alguns esclarecimentos em relação à primeira divergência, registrando desde já que a decisão de segunda instância administrativa (consubstanciada no Acórdão nº 30238.310, de 07/12/2006, que julgou o recurso voluntário; e confirmada no Acórdão nº 30240.018, de 10/12/2008, que rejeitou os embargos de declaração contra o acórdão anterior) não incorreu em vício de nulidade por cerceamento de direito de defesa, por omissão na apreciação de matéria argüida, ou algo semelhante. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 567 11 A decisão de segunda instância administrativa não foi especificamente no sentido de recusar a apreciação de matéria argüida pela contribuinte, relativamente à retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051/04, em razão de preclusão processual. A declaração de voto contida no Acórdão nº 30238.310 esclarece bem os contornos que levaram o colegiado a decidir pelo provimento parcial do recurso voluntário para fins de apenas reduzir a multa de 150% para 75%, e não cancelála totalmente, como pedia a contribuinte: Declaração de Voto Conselheiro Luis Antonio Flora Conforme relatado e destacado no voto da ilustre Conselheira Relatora houve, no caso, ou seja, diante de um pedido de compensação de débitos com títulos públicos, que foi indeferido, a aplicação da multa isolada com o percentual agravado, por aplicação do disposto no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, considerando o autuante que teria ocorrido evidente intuito de fraude. Comungo do entendimento da Relatora, eis que, também, "não consigo vislumbrar nenhum intuito de fraude neste procedimento". E o voto acrescenta, que "ao contrário, devemos reconhecer que houve, por parte da recorrente, boafé, o que não poderíamos afirmar com certeza se fosse o caso, por exemplo, de ter havido uma compensação feita apenas na contabilidade da empresa, com posterior informação — via DCTF — de que não haveria nenhum tributo a ser pago". Todavia, a presente declaração de voto tem apenas o intuito de esclarecer o posicionamento da Câmara que houve por bem dar "provimento parcial ao recurso". A conclusão decorre do fato de que a recorrente em seu apelo recursal propugna pela redução da multa agravada (de 150% para 75%). E isso foi deferido. No entanto, ao final do recurso a recorrente requer o cancelamento integral da autuação. Logo as razões de recurso e a fundamentação jurídica são contraditórias com o pedido. Cumpre esclarecer que em nenhum momento a recorrente trouxe aos autos nas razões de recurso outros argumentos jurídicos para o cancelamento integral da exigência, salvo em sede de memoriais, quanto apresentou jurisprudência do egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, posicionandose que em caso idêntico a contribuinte foi exonerada integralmente da multa punitiva isolada (Acórdão 106 15776 da 6ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes — Sessão de 17/08/2006). Ademais, dada a complexidade da matéria, em virtude da existência de densa legislação regulando a questão, o processo ficou em pauta por três sessões, com pedidos de vista, para que os Conselheiros pudessem melhor estudar e entender o emaranhado legislativo de regência. De minha parte, a jurisprudência, como fonte (mediata de direito), não pode ser desprezada, mas a recorrente poderia ter apresentado os novos fundamentos atempadamente. E isso não ocorreu. Apresentou os memoriais quando o recurso, após muitos debates e estudos, já se encontrava maduro para sentenciamento. Sequer houve a defesa oral para demonstrar e esclarecer se o referido acórdão efetivamente teria cabimento no caso em tela. De minha parte, ainda, entendo que no momento do julgamento não teria condições de analisar detidamente a orientação jurisprudencial tardiamente apresentada, já que toda análise do processo partiu das próprias premissas expostas pela recorrente. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 568 12 Destarte, tendo havido contradição entre as razões de recurso e o pedido é que me posicionei pelo "provimento parcial". A quem pondere que o recurso, pelos próprios fundamentos, teria sido "provido integralmente". Fico com o entendimento do provimento parcial eis que a exigência ficou mantida pela metade, isto é, não foi cancelada como requerido na parte final do recurso, embora em tese, sem fundamentos. Era o que tinha a declarar. Na seqüência, a contribuinte apresentou embargos de declaração, alegando vício de omissão no Acórdão nº 30238.310, mas a conclusão foi de que não houve omissão e os embargos foram rejeitados, conforme o voto que orientou o Acórdão nº 30240.018: Voto Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Relatora A empresa identificada interpôs embargos de declaração em face de suposta omissão no acórdão n° 30238.310, de 7 de dezembro de 2006, relativo a não inclusão da Lei nº 11.051, de 30 de dezembro de 2004, a qual entende ser de aplicação nesta causa. Ocorre que em seu recurso a empresa jamais mencionou qualquer razão para exclusão da multa aplicada, e jamais mencionou a ora citada Lei, mas sempre argumentou quanto à inexistência de fraude ou dolo em seu ato, inclusive trazendo jurisprudência relativa ao abrandamento para 75% em diversos casos. Ocorre também, que a nova jurisprudência trazida em sede de embargos não se refere à matéria aqui tratada. E a exclusão de fato ou ato tipificado como infração não pode ser realizada por analogia. Enfim, e mais importante, ainda que argumentado pela embargante o cancelamento parcial da multa — quero me referir à cobrança de 75% ao invés de 150% seu pedido final foi no sentido de cancelar integralmente a multa, razão pela qual o colegiado entendeu de dar provimento parcial ao recurso. Diante desses fatos encaminho minha posição no sentido de conhecer o embargo e negarlhe provimento. Importante destacar que o escopo dos embargos era sanar vício de omissão, e esse vício não foi constatado. Não deixo de perceber que os votos acima transcritos abordaram, direta ou indiretamente, o problema do aspecto temporal nas questões suscitadas pela contribuinte, mas ao mesmo tempo esses votos apresentaram outras razões que conduziram o julgamento para um resultado diferente do pretendido pela contribuinte, em relação ao próprio mérito. De acordo com a declaração de voto no Acórdão nº 30238.310 (que julgou o recurso voluntário), no momento em que tratou dos memoriais apresentados "quando o recurso, após muitos debates e estudos, já se encontrava maduro para sentenciamento", "sequer houve a defesa oral para demonstrar e esclarecer se o referido acórdão (precedente trazido pela contribuinte) efetivamente teria cabimento no caso em tela". E de acordo com o voto que orientou o Acórdão nº 30238.310 (que julgou os embargos de declaração), "a nova jurisprudência trazida em sede de embargos não se refere à matéria aqui tratada. E a exclusão de fato ou ato tipificado como infração não pode ser realizada por analogia." Fl. 578DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 569 13 Com efeito, a questão do momento de apresentação dos argumentos relativos à retroatividade benigna nem mesmo foi tratada diretamente pelo acórdão que julgou os embargos de declaração. A abordagem dessa questão só pode ser visualizada de forma indireta, no contexto do exame do vício de omissão no acórdão embargado. Sequer houve menção ao fenômeno da preclusão processual. O fato é que essa questão do momento de apresentação dos argumentos relativos à retroatividade benigna não foi a única, tampouco a razão principal para que a decisão recorrida chegasse a um resultado divergente do pretendido pela contribuinte. O exame do recurso voluntário ocorreu precisamente no contexto dos argumentos apresentados pela contribuinte, e o exame dos embargos de declaração se deram no âmbito da caracterização de omissão no acórdão embargado, o que não tinha ocorrido. Cabe assinalar que os embargos de declaração, apesar de rejeitados, foram exitosos no que toca à caracterização do prequestionamento da matéria, que é requisito de admissibilidade do recurso especial. Em razão dos embargos, a matéria foi tida como prequestionada, mas o resultado do julgamento continuou desfavorável à contribuinte pelas razões já mencionadas. Como se vê das transcrições acima, o que foi apresentado em relação à Lei nº 11.051/2004 não foi tido como suficiente, no entendimento dos julgadores, para o atendimento do pedido de cancelamento integral da multa. Não há dúvida de que o resultado dos paradigmas foi mesmo divergente do que ocorreu nos presentes autos. Mas essas considerações iniciais servem para esclarecer que não é caso de anular a decisão recorrida; de dizer que o colegiado de origem deveria ter analisado com mais profundidade as implicações da Lei nº 11.051/2004 em relação ao lançamento sob exame; de determinar um novo julgamento do recurso voluntário, ou dos embargos de declaração; etc. A divergência que houve é em relação às conclusões diante do que foi exposto sobre a Lei 11.051/2004. Independentemente do acerto ou do erro em relação ao mérito da decisão recorrida, e de um eventual equívoco na compreensão seja do precedente apresentado pela contribuinte, seja de seus argumentos, vêse que o problema a ser aqui examinado reside mesmo é no mérito do que restou decidido no julgamento do recurso voluntário. A divergência é uma só, quanto ao mérito da questão relativa à retroatividade benigna do art. 25 da Lei 11.051/2004, e é nesse contexto que deve ser conhecido o recurso especial. Deixo, portanto, de conhecer da divergência relativa à "possibilidade de manifestação de ofício, ou mesmo por provocação da recorrente após o recurso voluntário", em relação à matéria acima referida. Quanto ao mérito da questão relativa à retroatividade benigna do art. 25 da Lei 11.051/2004, é necessário explicitar o tipo dos créditos utilizados nas compensações, que Fl. 579DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 570 14 motivaram a aplicação da multa isolada em questão. O auto de infração traz as seguintes informações a esse respeito: 12.1. Os créditos oriundos de uma condenação da União em Ação de Indenização em razão de prejuízos decorrentes da fixação do preço do açúcar e do álcool abaixo dos custos de produção, utilizados nos pedidos de compensação cujos processos são citados à coluna "E" das planilhas Anexo I a Anexo III, tratamse de créditos de natureza não tributária. 12.2. Os créditos oriundos do recolhimento de empréstimo compulsório destinado ao financiamento das atividades desenvolvidas pelas Centrais Elétricas do Brasil Eletrobrás ("empréstimo compulsório Eletrobrás"), tratamse de créditos não passíveis de compensação por expressa disposição legal, uma vez que o Art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n° 10.637/02, restringe os créditos passíveis de restituição ou ressarcimento àqueles relativos a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal. E para melhor visualizar a divergência suscitada pela recorrente, é oportuno transcrever as várias e sucessivas redações do art. 18 da Lei 10.833/2003: Lei 10.833, de 29/12/2003 – redação original Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Lei 11.051, de 29/12/2004 Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) Fl. 580DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 571 15 § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (NR) Lei 11.196, de 21/11/2005 Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 18 . ........................................................................................ ........................................................................................................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo.” (NR) Lei 11.488, de 15/06/2007 Art. 18. Os arts. 3o e 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ................................................ § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo.” (NR) Fl. 581DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 572 16 A observação das várias redações do art. 18 da Lei 10.833/2003, evidencia que desde o início há um núcleo que não se alterou até os dias de hoje. O fato é que o legislador, logo após modificar toda a sistemática para a compensação de tributos federais, mediante as alterações promovidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, estabeleceu pelo art. 18 da Lei 10.833/2003 multa isolada para as hipóteses em que o crédito ou o débito envolvido no encontro de contas não era passível de compensação por expressa disposição legal; em que o crédito era de natureza não tributária; ou em que ficasse caracterizada a prática de fraude. Para o caso concreto, vale registrar que o art. 74 da Lei 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei 10.637/2002) só admite a compensação de débitos com créditos próprios, e desde que estes créditos sejam relativos a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal. Quanto a esse aspecto, as várias redações do art. 18 da Lei 10.833/2003 em nada alteraram os pressupostos para a aplicação da multa isolada em questão. Oportuno destacar que um dos tipos de crédito utilizado pela contribuinte nas várias compensações que realizou nem mesmo tem natureza tributária, pois decorre de "indenização em razão de prejuízos decorrentes da fixação do preço do açúcar e do álcool abaixo dos custos de produção", enquanto o outro tipo de crédito não corresponde a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal (empréstimo compulsório Eletrobrás). Nesse sentido, a vedação de compensação que utilize créditos que não correspondam a tributos administrados pela Receita Federal, já existente antes da Lei 11.051/2004, também consta expressamente entre as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/1996 (incluído pela Lei 11.051/2004), situação em que a compensação passou a ser designada como “não declarada”. Tal hipótese, para a qual o legislador previu a multa isolada desde a redação original da Lei 10.833/2003, apenas foi retirada do caput do art. 18 desta lei e passou a constar do § 4º deste mesmo dispositivo, eis que, como dito acima, está exatamente entre aquelas que a lei passou a designar como “compensação não declarada”. Com efeito, a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal (que abrange os créditos que nem mesmo tem natureza tributária) enseja a aplicação da multa isolada em questão, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. Para esses casos, a norma que se extrai do texto legal é exatamente a mesma, e não podemos confundir a norma com o texto que a veicula. Nesse caso, as meras mudanças de redação, de terminologia e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. O que houve em determinado momento, no contexto da Lei nº 11.051/2004, foi a exasperação da multa para os casos de compensação considerada como não declarada, incluindose aí a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal. Nesse caso, a multa que já era prevista nos percentuais de 75% ou 150%, Fl. 582DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 573 17 passou a ser aplicada apenas no percentual de 150%, independentemente de haver ou não caracterização de fraude. Isto porque o fato de a contribuinte apresentar DCOMP com crédito que manifestamente não pode ser utilizado em procedimento de compensação, revela conduta compatível com a exasperação da multa, principalmente num contexto normativo (desde a Lei nº 10.637/2002) em que a compensação declarada à Receita Federal adquiriu relevantes efeitos favoráveis aos contribuintes, extinguindo o crédito tributário sob condição resolutória. Ocorre que posteriormente, já com a edição da Lei nº 11.196, de 21/11/2005, essa situação foi modificada, prevendose novamente os percentuais de 75% e 150% para a multa nos casos de compensação não declarada, dependendo da ocorrência ou não de fraude. Vale registrar novamente: a Lei nº 11.051/2004 não suprimiu a hipótese normativa em questão para a incidência da multa, o que ela fez foi apenas exasperar o percentual da multa para essa hipótese. Importante destacar que não é o tamanho da sanção que define a hipótese de incidência da norma sancionadora. E conforme indicado acima, há razões que justificam o aumento da penalidade para os casos de utilização de créditos que manifestamente não podem ser utilizados em procedimento de compensação tributária no âmbito da Receita Federal. Nesse contexto, é inadequado pensar em retroação benigna da Lei nº 11.051/2004, para fins de afastar penalidade sobre conduta que deixou de ser apenada. Também não se trata de retroagir a Lei nº 11.196/2005, para fins de suprir hipótese normativa inexistente para a incidência da norma sancionadora. Como visto, por força do próprio caput do art. 74 da Lei 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei 10.637/2002) a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal sempre constou como hipótese de incidência da norma sancionadora. O que cabe retroagir é o percentual da multa previsto na lei, que voltou a aplicála em 75%, nos casos em que não houvesse a caracterização de fraude, e foi exatamente esse o efeito da decisão recorrida, uma vez que a multa foi reduzida de 150% para 75%. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 583DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
score : 1.0
