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Numero do processo: 11817.000200/2004-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. DIVERGÊNCIA. MINIATURAS DE VEÍCULOS AUTOMOTORES.
Modelos de veículos automotores em miniatura, em escala reduzida de 1:18 a 1:24/1:43, que reproduzem marcas e modelos de veículos automotores reais têm sua correta classificação fiscal no código NCM 9503.90.00, com base nas RGI n°1 e n° 6, bem como RGC-1 da Tarifa Externa Comum; além das penalidades cabíveis. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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DIVERGÊNCIA. MINIATURAS DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. Modelos de veículos automotores em miniatura, em escala reduzida de 1:18 a 1:24/1:43, que reproduzem marcas e modelos de veículos automotores reais têm sua correta classificação fiscal no código NCM 9503.90.00, com base nas RGI n°1 e n° 6, bem como RGC1 da Tarifa Externa Comum; além das penalidades cabíveis. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 02 00 /2 00 4- 16 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo sobre Autos de Infração lavrados para exigência de tributos, juros e multas (II, às fls. 02/14, e IPI, às fls. 15/32) decorrentes de reclassificação fiscal da mercadoria descrita pela importadora, em diversas Declarações de Importação, como “carros miniatura”, em diversas escalas, com classificação fiscal adotada em um dos códigos seguintes: 8306.29.00 “SINOS, CAMPAINHAS, GONGOS E ARTEFATOS SEMELHANTES, NÃO ELÉTRICOS, DE METAIS COMUNS; ESTATUETAS E OUTROS OBJETOS DE ORNAMENTAÇÃO, DE METAIS COMUNS; MOLDURAS PARA FOTOGRAFIAS, GRAVURAS OU SEMELHANTES, DE METAIS COMUNS; ESPELHOS DE METAIS COMUNS – Estatuetas e outros objetos de ornamentação – Outros”; 9705.00.00 “COLEÇÕES E ESPÉCIMES PARA COLEÇÕES, DE ZOOLOGIA, BOTÂNICA, MINERALOGIA, ANATOMIA, OU APRESENTANDO INTERESSE HISTÓRICO, ARQUEOLÓGICO, PALEONTOLÓGICO, ETNOGRÁFICO OU NUMISMÁTICO.”. A fiscalização, por seu turno, considera correta a classificação 9503.90.90, para importações realizadas até 31/12/2001 e 9503.90.00 para importações realizadas a partir de 01/01/2002. Embasa suas conclusões no argumento de que a mercadoria importada consiste em “modelos reduzidos de carros, motos, caminhões, capacetes e outros modelos reduzidos relacionados”, características que se coadunam com a descrição contida no item B das Notas Explicativas para aquela posição (9503). Argumenta, ainda, que a própria interessada corrobora o seu entendimento, já que teria corrigido outra Declaração de Importação, adotando a posição 9503 para produtos semelhantes. Como resultado, foram lavrados os autos de infração em referência para a cobrança do crédito tributário conforme descrito a seguir: Auto de Infração relativo ao Imposto de Importação, demonstrativo às fls. 13/14: · diferença de imposto, no valor de R$ 22.199,05; · multa proporcional de 75% do valor do imposto devido, relativa à falta de pagamento, conforme art. 44 da Lei nº 9.430/96, no valor de 16.649,29; · juros de mora sobre a diferença apurada de imposto, no valor de 6.705,59, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96; · multa de 1% do valor aduaneiro, limitado ao mínimo de R$ 500,00 por DI, para as DIs registradas a partir de 27/08/2001, por erro de classificação na TEC, de acordo com o art. 84, I, da MP 2.158, de 24/08/2001, no valor de R$ 2.500,00; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11817.000200/200416 Acórdão n.º 3802003.306 S3TE02 Fl. 314 3 · multa de 30% do valor aduaneiro pela importação de mercadorias não sujeitas ao licenciamento automático, que estejam sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, no valor de 35.792,19, conforme prescreve o artigo 633, II, do Regulamento Aduaneiro. Auto de Infração relativo ao Imposto de sobre Produtos Industrializados, demonstrativo às fls. 19/20: · diferença de imposto devido à reconstituição da base de cálculo, no valor de R$ 2.278,30; · multa proporcional de 75% do valor do imposto devido, relativa à falta de pagamento, conforme art. 44 da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 1.708,73; · juros de mora sobre a diferença apurada de imposto, no valor de R$ 1.313, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96; Cientificada do lançamento em 10/09/2004 (fls. 79), a interessada apresentou impugnação em 13/10/2004 (fls. 85/103) onde alegou, em síntese, o que se segue: apesar de a classificação adotada por si não estar correta, aquela utilizada pelo Fisco também não seria a apropriada, necessitando, para a correta classificação do produto, estudos aprofundados, inclusive com a obtenção de maiores informações sobre a sua fabricação e finalidade real, tarefa essa que caberia tanto à Contribuinte quanto aos Julgadores; em 14/04/2002 já havia sido autuada pela mesma razão. Na ocasião, fora nomeado pela Receita Federal um perito para apresentar laudo sobre a classificação dos produtos em tela. Tal autuação, compondo o processo administrativo nº 11817.000063/200258, foi julgada improcedente conforme Acórdão nº 5.374/2003 da Delegacia de Julgamento em São Paulo (fls. 203/208); discorda da conclusão do laudo acima referido e da Decisão SRRF/DIANA nº 297/99, que classificaram o produto como brinquedo, da posição 9503; entende que as mercadorias importadas seriam caracterizadas como “modelos reduzidos, mesmo que animados, de barcos, aeronaves, trens (comboios), veículos automóveis, que podem ser apresentados em conjunto com partes e acessórios, necessários à construção destes; excluindose conjuntos que apresentem características de jogos de competição” e, como tal, não seriam brinquedos como se refere a posição 9503. Tal entendimento é corroborado pelo laudo técnico do Instituto Falcão Bauer (fls. 187) e pela Carta Circular nº 382 do INMETRO (fls. 188); considera que a tipificação utilizada para o lançamento das multas e juros estaria equivocada e não refletiriam a real situação fática do lançamento. Jamais teria sua conduta baseada em dolo ou máfé. Não há nos autos a comprovação de que sua conduta fosse baseada nesses atributos. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR no 0812.804, de 31/01/2008, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. MODELOS DE VEÍCULOS AUTOMOTORES EM ESCALA REDUZIDA. Não têm característica de brinquedo os modelos de veículos automotores em escala reduzida destinados a coleções. Enquadramse, como tal, no código NCM 9503.90.00 aqueles importados a partir de 01/01/2002, haja vista o disposto nos seguintes dispositivos legais: Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 1 (texto de posição), RGI nº 6 (texto da subposição) e RGC 1 (texto do item e subitem) da Tarifa Externa Comum TEC. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 IPI NA IMPORTAÇÃO. Não havendo impugnação específica relativamente a esse imposto, as mesmas fundamentações postas no julgamento do II aplicamse mutatis mutandis ao lançamento do IPI. Lançamento Procedente em Parte. O julgamento foi considerado como procedente em parte, tendo em vista que as importações do produto realizadas até 31/12/2001 não podem ser classificadas no código 9503.90.90, já que tais produtos não se caracterizam como brinquedos e sim modelos reduzidos para colecionadores. Também, excluída a multa por falta de licença de importaçãoLI (30% do valor aduaneiro), por conta da descrição correta nas DIs, ou seja, com todos elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário. Aplicadas as mesmas considerações ao IPI. Mantida a classificação tarifária, a partir de 01/01/2002 como 9503.90.00, conforme reclassificação da fiscalização, assim como multa de ofício (75% sobre o valor da diferença do tributo) e a multa de 1% do valor aduaneiro, por erro de classificação fiscal na TEC. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Mantém ainda, a linha de defesa no tocante à multa por falta de Licença de ImportaçãoLI; a qual já fora excluída pela DRJ. Ressalta que a alíquota de salvaguarda seria para aplicar sobre produto brinquedo, o que não é o caso. Tendo em vista que em sede de recurso voluntário, a recorrente ressaltava que foi autuada pela mesma razão, através do processo administrativo nº 11817.000063/2002 58, bem como referência no Auto de Infração da Decisão SRRF/7ª RF/DIANA nº 297, de 27/10/1999 com abordagem sobre o assunto; diante do exposto, foi convertido o processo em DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, através da Resolução de n° 320100152/2010, para que fosse anexada cópia do processo nº 11817.000063/200258, bem como a Decisão SRRF/7ª RF/DIANA nº 297, de 27/10/1999, para esclarecimentos e prosseguimento no julgamento. Foi anexada cópia do processo referido, alertese como volume I do conjunto do atual processo ( no caso, a decisão DRJ julgou o lançamento improcedente, tendo em vista Fl. 298DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11817.000200/200416 Acórdão n.º 3802003.306 S3TE02 Fl. 315 5 que a fiscalização indicou uma terceira classificação fiscal (9503.20.00), que nem era do importador e nem a da fiscalização como correta para o produto). Sobre o processo nº 11817.000063/200258, a fiscalização entendeu ser correta a classificação 9503.20.00, relativa a "Modelos reduzidos, mesmo animados, em conjuntos para montagem, exceto os da subposição 9503.10" em virtude de se tratarem de objetos fabricados para fins comerciais, de a interessada já haver corrigido outra Declaração de Importação e também em função das Notas Explicativas. A interessada alega, em sua defesa, que apesar de sua classificação não estar correta, a classificação adotada pelo Fisco, referente a modelos reduzidos em conjuntos para montagem, também não está, em virtude de os modelos não necessitarem de qualquer adaptação e/ou montagem por parte do comprador. Ainda, a mercadoria foi identificada por Perito, nomeado pela Receita Federal, como miniaturas de marcas e modelos reais, já montadas, não consideradas brinquedos, mas sim artigos de coleção, decoração e ornamentação, utilizados por adultos, não apresenta correta classificação tarifária 9503.20.00, relativa a modelos reduzidos, mesmo animados, em conjuntos para montagem, conforme entendeu a Fiscalização. Daí, o julgamento ser improcedente. Apensada, também, a cópia da Decisão SRRF/7ª RF/DIANA nº 297, de 27/10/1999, da empresa Target Importação e Exportação, indicando a classificação 9503.90.90 para veículos automotores com escala reduzida de 1:18 e para importações até 12/2001 ( é o que se chega como conclusão). O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Considerando que a decisão de primeira instância julgou procedente em parte, tendo em vista que as importações do produto realizadas até 31/12/2001 não podem ser classificadas no código 9503.90.90, já que tais produtos não se caracterizam como brinquedos e sim modelos reduzidos para colecionadores. Também, excluída a multa por falta de licença de importação (30% do valor aduaneiro), por conta da descrição correta nas DIs, com todos elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário. Aplicadas as mesmas considerações ao IPI. Mantida a classificação tarifária, a partir de 01/01/2002 como 9503.90.00, conforme reclassificação da fiscalização, assim como multa de ofício (75% sobre o valor da diferença do tributo) e a multa de 1% do valor aduaneiro, por erro de classificação fiscal na TEC. Trata o presente processo de reclassificação fiscal da mercadoria descrita pela importadora, em diversas Declarações de Importação, como “carros miniatura”, em ato de revisão aduaneira, de acordo com Auto de Infração e seus anexos, às fls. 4 a 35 (pdf). O Fl. 299DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 enfoque será sobre a reclassificação 9503.90.00, a partir de 2002, tendo em vista exoneração do período anterior, pela DRJ. Destarte, para as importações realizadas até 31/12/2001, a subposição 9503.90 possuía dois desdobramentos: 9503.90.10 (outros brinquedos de fricção, corda ou mola) e 9503.90.90 (outros brinquedos). A partir de 01/01/2002 a subposição 9503.90 perdeu os desdobramentos, restando apenas o código 9503.90.00 (outros). Em sendo assim, o litígio referese à classificação fiscal dos produtos importados, o que reside na análise da classificação fiscal: 9705.00.00 (“COLEÇÕES E ESPÉCIMES PARA COLEÇÕES, DE ZOOLOGIA, BOTÂNICA, MINERALOGIA, ANATOMIA, OU APRESENTANDO INTERESSE HISTÓRICO, ARQUEOLÓGICO, PALEONTOLÓGICO, ETNOGRÁFICO OU NUMISMÁTICO.”, bem como 8306.29.00 (“SINOS, CAMPAINHAS, GONGOS E ARTEFATOS SEMELHANTES, NÃO ELÉTRICOS, DE METAIS COMUNS; ESTATUETAS E OUTROS OBJETOS DE ORNAMENTAÇÃO, DE METAIS COMUNS; MOLDURAS PARA FOTOGRAFIAS, GRAVURAS OU SEMELHANTES, DE METAIS COMUNS; ESPELHOS DE METAIS COMUNS – Estatuetas e outros objetos de ornamentação – Outros”;) e 9503.90.00 (OUTROS BRINQUEDOS; MODELOS REDUZIDOS E MODELOS SEMELHANTES PARA DIVERTIMENTO, MESMO ANIMADOS; QUEBRACABEÇAS ("PUZZLES") DE QUALQUER TIPO). As duas primeiras defendidas pela recorrente e a segunda pela autoridade fiscal. Assim como, a recorrente em algumas DIs (2) classificou o produto com 9503.90.00, no entanto sem acrescentar a alíquota de salvaguarda (diferença de recolhimento). No próprio relatório, como visto, a fiscalização argumenta, ainda, que a própria recorrente corrobora o seu entendimento, já que teria corrigido outra Declaração de Importação, adotando a posição 9503 para produtos semelhantes. Registrese que a escala utilizada para referência no colecionismo de miniaturas é a relação da proporção entre o modelo real e sua miniatura (quantas vezes o modelo real está diminuído em sua miniatura). Inclusive, noticia em revistas especializadas que colecionadores averiguam com paquímetro (é um instrumento usado para medir as dimensões lineares internas, externas e de profundidade de uma peça) se a medição está de fato condizente com o tamanho real do veículo. O enquadramento de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, em que se baseiam a Tarifa Externa Comum TEC e a Tabela de Incidência do IPI — TIPI, obedece a critérios universais que decorrem da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias celebrado em Bruxelas, em 14/06/1983. No Brasil foi ratificada pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11/10/1988 e promulgada no âmbito interno pelo Decreto Presidencial n° 97.409, de 23/12/1988. Os referidos critérios sobre classificação de mercadorias estão consubstanciados nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e Regra Geral Complementar (RGC), integrantes do texto da NCM. Cujas regras devem ser aplicadas seqüencialmente. Assim, prescreve a RGI n° 1: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapitulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (Regras 2 a 6.) Fl. 300DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11817.000200/200416 Acórdão n.º 3802003.306 S3TE02 Fl. 316 7 A recorrente classificou a mercadoria no código 8306.29.00 e 9705.00.00: 8306 SINOS, CAMPAINHAS, GONGOS E ARTEFATOS SEMELHANTES, NÃO ELÉTRICOS, DE METAIS COMUNS; ESTATUETAS E OUTROS OBJETOS DE ORNAMENTAÇÃO, DE METAIS COMUNS; MOLDURAS PARA FOTOGRAFIAS, GRAVURAS OU SEMELHANTES, DE METAIS COMUNS; ESPELHOS DE METAIS COMUNS 8306.10.00 SINOS, CAMPAINHAS, GONGOS E ARTEFATOS SEMELHANTES "Ex" 01 Sinos e carrilhões 8306.2 ESTATUETAS E OUTROS OBJETOS 8306.21.00 Prateados, dourados ou platinados 8306.29.00 Outros 9705.00.00 “COLEÇÕES E ESPÉCIMES PARA COLEÇÕES, DE ZOOLOGIA, BOTÂNICA, MINERALOGIA, ANATOMIA, OU APRESENTANDO INTERESSE HISTÓRICO, ARQUEOLÓGICO, PALEONTOLÓGICO, ETNOGRÁFICO OU NUMISMÁTICO.”. A fiscalização entende que a correta classificação da mercadoria é no código 9503.90.00 9503 OUTROS BRINQUEDOS; MODELOS REDUZIDOS E MODELOS SEMELHANTES PARA DIVERTIMENTO, MESMO ANIMADOS; QUEBRA CABEÇAS ("PUZZLES") DE QUALQUER TIPO 9503.10.00 TRENS (COMBOIOS) ELÉTRICOS, INCLUÍDOS OS TRILHOS (CARRIS), SINAIS E OUTROS ACESSÓRIOS "Trens (comboios) elétricos, incluídos os trilhos (carris), sinais e outros acessórios, exceto peças e componentes para fabricação dos brinquedos desta posição." 9503.20.00 MODELOS REDUZIDOS, MESMO ANIMADOS, EM CONJUNTOS PARA MONTAGEM, EXCETO OS DA SUBPOSIÇÃO 9503.10 9503.30.00 OUTROS CONJUNTOS E BRINQUEDOS, PARA CONSTRUÇÃO 9503.4 BRINQUEDOS REPRESENTANDO ANIMAIS OU CRIATURAS NÃO HUMANAS 9503.50.00 Instrumentos e aparelhos musicais, de brinquedo 9503.60.00 Quebracabeças ("puzzles") 9503.70.00 Outros brinquedos, apresentados em sortidos ou em panóplias 9503.80 Outros brinquedos e modelos, motorizados 9503.90.00 Outros Fl. 301DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Analisando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), a Posição 9503, pretendida pela fiscalização, é taxativa para elucidação da questão ao dispor: . ..São classificados na presente posição, entre outros: "A).../... B) Os modelos reduzidos (em escala) e modelos semelhantes para recreação: Tratase essencialmente de modelos reduzidos, mesmo animados, de barcos, aeronaves, trens (comboio), veículos automóveis, por exemplo, que podem apresentarse em conjuntos com as partes e acessórios necessários a construção desses modelos, excluídos os conjuntos que apresentem características de jogos de competição, da Posição 95.04 (Por exemplo, Conjunto de Carros de Corrida com os seus Circuitos). Também se incluem neste grupo as reproduções de artefatos com tamanho real ou aumentado desde que se trate de artefatos para divertimento". Dessa forma, não há dúvida de que os produtos importados – miniaturas em escalas (diversas: 1:18/1:24/1:43) de veículos, mesmo não se tratando de brinquedos, devem ser classificados na posição acima descrita. Ademais, a DECISÃO n° 297, de 27 de outubro de 1999, da DIANA 7ª Regido, publicada no DOU de 24/12/1999 (comentada no Auto de Infração/recurso voluntário), também concluiu pela classificação da mercadoria –veículos em miniatura no código 9503.90.90. Vejamos: "PRODUTO Nome vulgar e comercial: Automóvel de brinquedo; miniatura colecionável em escala 1:18. Fabricante: Dongguan Unique Toys Co. Ltd. — China Função principal: Brinquedo. Miniatura em escala colecionável. Classificação pretendida: 8306.29.00. FUNDAMENTOS LEGAIS A mercadoria objeto da consulta consiste em veiculo em miniatura, em escala 1:18, reproduzindo automóveis de marcas e modelos bem conhecidos. As portas, assim como a tampa do cofre do motor e do portamalas, abrem e fecham, e as rodas giram livremente. A Consulente apresenta a mercadoria como carro em miniatura para colecionadores, tendo como função principal a de decoração , e, desta forma, pretende sua classificação no código 8306.29.00 da Nomenclatura. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11817.000200/200416 Acórdão n.º 3802003.306 S3TE02 Fl. 317 9 E incabível a classificação pretendida pela consulente. As miniaturas a que se refere a consulta são fabricadas por uma indústria de brinquedos, como demonstra sua razão social, e tem a função precípua de servir de brinquedo. Só isso justificaria o giro livre das rodas, característica que acrescenta custo à sua produção, e que é desnecessária e mesmo inconveniente à finalidade de simples exposição do objeto. Assim sendo, a mercadoria deve ser classificada como brinquedo. Considerando as características do produto, proponho que seja a consulente orientada a adotar, para o produto objeto da consulta, o código 9503.90.90 da TEC aprovada pelo Decreto n°2376/1997 e da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2.092/1996." Pelo exposto acima, voto pela procedência do lançamento em relação à correta classificação da mercadoria. No entanto, já esclarecido que para as importações realizadas até 31/12/2001, a subposição 9503.90 possuía dois desdobramentos: 9503.90.10 (outros brinquedos de fricção, corda ou mola) e 9503.90.90 (outros brinquedos). A partir de 01/01/2002 a subposição 9503.90 perdeu os desdobramentos, restando apenas o código 9503.90.00 (outros). Então, a Regra Geral Complementar nº 1, em sua primeira parte, determina que as regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente. Logo, esta regra, combinada com a Regra Geral de Interpretação nº 1, que a posição 9503.90.00 é a correta para a classificação do produto importado a partir de 01/01/2002, conforme fiscalização. Só para concluir, a recorrente centraliza seus argumentos que o produto não seria brinquedo. A decisão a quo bem ressaltou que por conta dos documentos apresentados o laudo técnico do Instituto Falcão Bauer, e Carta Circular nº 382 do INMETRO, é de se concordar que a mercadoria importada não deve ser classificada como brinquedo. O referido laudo do Instituto de Qualidade Falcão Bauer define brinquedo (fl. 159pdf e papel): Conforme as embalagens, os produtos são indicados para maiores de 14 anos. A NBR 11786 define brinquedo como: "Qualquer objeto projetado como material de brincadeira, para crianças menores de 14 anos, inclusive réplicas em miniatura projetadas basicamente para servirem de brinquedos", Em sendo assim, e por conta do disposto na NESH para a posição 9503, em seu item B, incluemse os modelos reduzidos, caso deste julgamento. Logo correta a classificação indicada pela fiscalização. Ultrapassada a questão da divergência, esclareçase que não obstante, a recorrente corroborar com a classificação adotada vez que utilizou o código 9503.90.00 em algumas importações de modelos reduzidos por ela realizadas. Tal classificação, entretanto, possui alíquota de salvaguarda para produtos não provenientes dos países relacionados nos períodos discriminados, conforme Portarias Interministerial n°s 19/99 e 21/96. E, no caso, os Fl. 303DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 países de exportação/fabricantes são Alemanha, RPC e Japão. Por sua vez, a medida de salvaguarda fazse necessária para prevenir ou remediar prejuízo grave à indústria doméstica, com aplicação de adicional de imposto de importação. No tocante à MULTA DE OFÍCIO aplicada. É devida a multa de ofício, com fundamento no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (75% da diferença de Imposto) para os casos de falta de pagamento de tributo/declaração inexata, ainda que inexistindo ato doloso ou praticado com má fé. O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (…)” (Grifouse.) A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 75 % o legalmente previsto para a situação descrita no Termo de Verificação Fiscal. Cabe salientar, que não obstante quadroresumo do lançamento para o IPI, concluído pela DRJ, constar multa de ofício de 75% para as DIs registradas em 26/08/03, 28/11/02, 07/08/02, e 05/04/02; percebese, no entanto que houve erro de digitação, por conta do somatório total, e incidir a penalidade apenas sobre a diferença do imposto (fl. 216). Da mesma forma, a Recorrente não tem razão em relação à multa mínima de R$ 500,00 por erro de classificação, pois independe de a mercadoria ter ou não sido corretamente descrita ou de qualquer outro fator. É aplicada pelo simples fato de haver erro de classificação. Assim sendo, essa multa aplicada por erro na classificação fiscal da mercadoria, quando incorreta a classificação fiscal, é cabível a multa decorrente dessa infração, que é tipificada no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, in verbis: “Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; “ Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 304DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11817.000200/200416 Acórdão n.º 3802003.306 S3TE02 Fl. 318 11 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13603.724631/2011-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado mediante as declarações de compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 24 63 1/ 20 11 -3 1 Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.444 2 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao ressarcimento ou à compensação demanda a comprovação, pela contribuinte, da existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS. Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo transporte, assim como o frete, integra o custo de aquisição de bens ou mercadorias adquiridas. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo credor apurado em decorrência de operações de importação, autorizada pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, alcança tãosomente os créditos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento, restituição ou compensação de créditos poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo que somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza para serem utilizados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O presente processo diz respeito a declarações de compensação – DCOMP relativas a saldo credor de PIS/PASEP apurado no período de 01/04/2010 a 30/04/2010, no valor total de R$ 1.279.142,71, em conformidade com o artigo 5º da Lei nº 10.637, de 2002. Desse montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de R$ 594.742,57. Por seu turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser também restabelecidos os créditos apropriados sobre a utilização de água e esgoto das filiais “Contagem” e “Curitiba”, bem como os créditos relativos aos seguros pagos pelos fretes de bens ou mercadorias adquiridas pela interessada. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.445 3 Especialmente em relação ao presente processo houve também o reconhecimento de crédito remanescente no montante de R$ 596.928,10 (conf. relatório fiscal elaborado em função da decisão de primeira instância), o qual corresponde à retificação de cálculos efetuados pela unidade de origem (item 12 do voto recorrido). Assim, com base nos cálculos elaborados posteriormente pela DRF Contagem em conseqüência da decisão da DRJ, segundo os quais a quantia adicional a ser creditada em favor do sujeito passivo corresponde a R$ 597.624,30 (ressalvado o desconto de alguma parcela outrora compensada evidenciada em alguns processos da empresa sobre a mesma matéria), temse que o montante em litígio corresponde a R$ 86.775,84. Segue, abaixo, o relato dos fatos transcrito da decisão recorrida, o qual é padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria: Com o intuito de verificar a apuração do IPI, bem como o PIS e a Cofins da pessoa jurídica, foi emitido, em 11/05/2011, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF n.º: 06.1.10.002011004273). Em decorrência, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Início de Fiscalização, intimando o sujeito passivo a apresentar, dentre outros elementos, arquivos digitais referentes aos itens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001, escrituração contábil digital, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 2007, relação dos produtos fabricados pelo estabelecimento, certidão de objeto e pé de ações judiciais referentes ao IPI, PIS e Cofins, relação das contas contábeis referentes a créditos, receitas e exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, memoriais de apuração das bases de cálculo utilizadas no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon e demonstrativo dos fretes de compras de bens utilizados como insumos. De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os memoriais de apuração das bases de cálculo dos Dacon e demais documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal. Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais): P.A. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. TOTAL ME/FAT MI ME jan/08 3,26 2.845,44 1.367,77 0,00 0,00 36,02 127.836,13 132.088,62 20,23% 105.371,64 26.716,98 fev/08 3,26 5.381,60 1.515,51 0,00 0,00 38,86 91.338,39 98.277,62 14,25% 84.274,71 14.002,91 mar/08 3,26 5.967,74 1.390,14 0,00 0,00 29,65 71.482,90 78.873,69 18,07% 64.623,36 14.250,33 abr/08 3,26 4.719,18 1.627,64 0,00 38,13 186,26 180.784,88 187.359,35 16,34% 156.741,83 30.617,52 mai/08 49,44 8.261,21 1.586,73 0,00 159,52 496,78 125.875,75 136.429,43 19,55% 109.752,61 26.676,82 jun/08 49,44 5.983,14 2.042,36 0,00 50,27 191,73 108.912,17 117.229,11 16,40% 98.001,10 19.228,01 jul/08 151,12 9.659,18 1.909,71 26,51 150,14 587,80 121.509,41 133.993,87 16,20% 112.289,14 21.704,73 ago/08 151,12 7.179,43 1.921,09 3,76 132,18 1.291,51 118.778,39 129.457,48 22,26% 100.645,30 28.812,18 set/08 168,13 3.074,82 1.883,11 6,96 217,27 1.647,18 104.600,83 111.598,30 24,00% 84.811,15 26.787,15 out/08 241,91 6.252,08 1.770,70 0,00 136,81 1.219,34 122.203,64 131.824,48 23,59% 100.727,26 31.097,22 Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.446 4 nov/08 318,76 8.491,53 1.719,92 8,63 91,80 1.456,49 70.934,88 83.022,01 22,87% 64.032,81 18.989,20 dez/08 532,25 4.150,69 1.471,63 0,20 112,63 1.467,26 131.074,08 138.808,74 37,59% 86.634,00 52.174,74 jan/09 532,25 5.385,90 1.179,67 0,00 173,76 1.879,16 51.684,90 60.835,64 14,79% 51.837,44 8.998,20 fev/09 532,25 11.673,37 1.262,98 33,26 104,68 3.510,75 64.575,01 81.692,30 15,53% 69.008,40 12.683,90 mar/09 532,25 10.388,31 441,21 7,40 25,91 2.776,46 44.105,65 58.277,19 16,48% 48.672,38 9.604,81 abr/09 532,25 2.838,07 1.572,35 1.164,99 40,14 3.401,09 24.839,83 34.388,72 9,90% 30.983,35 3.405,37 mai/09 532,25 5.261,01 874,84 2.569,55 27,06 3.012,90 45.330,66 57.608,27 7,28% 53.414,17 4.194,10 jun/09 532,25 3.246,92 958,43 0,00 14,04 2.405,55 50.649,08 57.806,27 18,59% 47.059,37 10.746,90 jul/09 532,25 7.110,54 720,28 2.897,56 59,09 3.385,00 34.676,13 49.380,85 17,15% 40.912,30 8.468,55 ago/09 532,25 1.953,83 1.175,60 92,21 46,59 1.767,91 33.182,54 38.750,93 8,12% 35.604,80 3.146,13 set/09 532,25 5.565,34 445,25 1.389,50 25,96 4.099,24 17.784,73 29.842,27 14,27% 25.583,88 4.258,39 out/09 532,25 4.171,09 2.445,14 1.917,99 14,83 2.016,65 29.949,93 41.047,88 7,37% 38.023,58 3.024,30 nov/09 532,25 5.999,82 1.378,43 1.289,05 20,70 4.449,68 33.600,99 47.270,92 9,53% 42.765,50 4.505,42 dez/09 532,25 3.670,03 1.580,37 4.930,84 37,09 11.126,51 39.091,41 60.968,50 8,26% 55.933,91 5.034,59 jan/10 532,25 3.502,79 2.203,49 20,65 27,72 1.117,50 14.467,59 21.871,99 8,45% 20.023,98 1.848,01 fev/10 532,25 7.916,35 1.523,09 0,00 18,55 3.337,67 90.260,30 103.588,21 6,86% 96.482,90 7.105,31 mar/10 532,25 1.633,53 1.589,22 299,59 33,98 3.206,79 54.032,80 61.328,16 13,04% 53.333,25 7.994,91 abr/10 532,25 18.149,44 1.551,72 474,12 33,89 3.384,16 213.636,74 237.762,32 14,80% 202.585,29 35.177,03 mai/10 532,25 6.014,24 1.054,57 190,05 46,59 5.760,11 52.717,10 66.314,91 7,27% 61.493,82 4.821,09 jun/10 532,25 8.552,18 1.487,26 72,44 41,18 2.397,81 93.602,34 106.685,46 11,08% 94.864,71 11.820,75 jul/10 532,25 8.892,22 1.229,17 3.311,98 44,16 6.016,23 64.426,44 84.452,45 13,12% 73.372,29 11.080,16 ago/10 532,25 10.200,72 1.366,51 2.038,99 41,63 1.732,96 37.199,94 53.113,00 10,40% 47.589,25 5.523,75 set/10 532,25 7.053,10 1.284,13 5.068,86 61,18 5.531,16 43.200,69 62.731,37 7,76% 57.863,42 4.867,95 LEGENDA: P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO; 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO; 3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS; 3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO; 3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES; 3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS. MI. MERCADO INTERNO ME. MERCADO EXTERNO ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO Como resultado, foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao mercado externo, sendo que, a fim de se apurar os saldos passíveis de ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade fiscal executou alguns ajustes. O primeiro deles, segundo ela, deriva do fato de que, em virtude do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, são passíveis de ressarcimento ou compensação. Durante a auditoria, constatouse que a contribuinte importou, para fins de revenda, diversas máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01 e 87.04 da Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.447 5 Nomenclatura Comum do Mercosul, previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de PIS/Cofins foram submetidos indevidamente ao rateio proporcional entre mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a ser reclassificado como não ressarcível. Já o segundo ajuste diz respeito, conforme a fiscalização, à possibilidade de compensação, antes do encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o ressarcimento dos créditos de importação, a compensação antecipada possibilitada pelo art. 42 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, menciona apenas aqueles créditos oriundos de aquisições no mercado interno. Por créditos de importação, entende aqueles do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Referese ao caput do art. 34 desta Instrução Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre para fins de pedido de ressarcimento. Assim, após efetuados os ajustes, prossegue a fiscalização, a contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos valores que demonstra. Afirma a autoridade fiscal que a reapuração dos saldos de PIS e Cofins não altera os valores passíveis de ressarcimento indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última PER/Dcomp para desconto das contribuições a recolher, é de R$ 9.048.196,92, de PIS e de R$ 12.349.027,24, de Cofins, respectivamente. Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado. Por fim, calcula os créditos passíveis de ressarcimento, elabora demonstrativos e sugere o deferimento parcial dos diversos pedidos de ressarcimento e compensações efetuados, de acordo com os valores que indica no Termo de Verificação Fiscal. As glosas efetuadas bem como as justificativas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade fiscal. Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em 27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57. Como base legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Cientificada em 27/02/2012, a contribuinte apresentou, em 28/03/2012, a manifestação de inconformidade às fls. 69 a 101 e 155, acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em síntese, que: A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial, com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972; As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram com que os créditos de PIS/Cofins fossem recalculados mensalmente. Obtidos os novos valores passíveis de ressarcimento e compensação, as compensações foram homologadas até esse limite, indeferindo, integral ou parcialmente, aqueles que o superaram; Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.448 6 Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas em parte e 34 receberam resposta negativa. Por sua vez, os respectivos despachos decisórios, em que tais entendimentos foram apresentados, constaram de 51 processos administrativos de crédito, dos quais 41 trouxeram resultados contrários aos interesses da requerente. A decisão recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade, é um desses. Como todos esses 41 processos se referem a uma mesma matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se requer; Segundo a fiscalização, a recorrente não estava autorizada a se creditar sobre as seguintes bases: ativo imobilizado – inclusão indevida de bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF), utilização de água e esgoto em processos industriais (item 3.3 do TVF), fretes – transporte de produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF), fretes – inclusão indevida do transporte de mercadorias destinadas ao imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes inclusão indevida do seguro pago (item 3.6 do TVF) e fretes – falta de identificação das mercadorias transportadas (item 3.7 do TVF). Mas ela estava, na verdade, haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria; Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não serem diretamente destinadas às atividades de industrialização. Entretanto, consoante art. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso, não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico; Item 3.2 do TVF. Esses serviços, ao contrário do que sustenta a fiscalização, são, sim, utilizados de forma direta na atividade industrial, sobretudo porque são a ela essenciais. Os insumos, na sistemática do PIS/Cofins, são aquelas despesas, custos ou encargos essenciais ao desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São, de acordo com doutrinadores, todos os elementos físicos ou funcionais (...) que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto. Jurisprudência administrativa do CARF apresenta o mesmo posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 320200.226, de 08/02/2010 e nº 930301.035, de 23/08/2010. Julgados dos Tribunais Regionais Federais e Superior Tribunal de Justiça também vão no mesmo sentido. No caso, os serviços são essenciais. Aqueles prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização, que depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time. (“produção enxuta, por demanda”). Conforme se afere dos contratos ora anexados (doc. 5), tais serviços consistem na gestão inteligente do fornecimentos de bens a serem aplicados no processo produtivo. Não se trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como pareceu entender a fiscalização. O que essa pessoa jurídica fornece é a otimização do processo industrial, serviço diretamente ligado à produção e cujo fator intelectual é preponderante. Esse tipo de serviço, sobretudo no setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há como afastar a sua natureza de insumo e, via de conseqüência, de gasto passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente vinculado à Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.449 7 produção, inclusive qualificado como verdadeiro custo de produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o desconto de créditos; Item 3.3 do TVF. Somente foram admitidas para efeito de creditamento a água aplicada nos processos industriais de “têmpera” e “lavagem e prova hídrica”, pois somente nesses casos haveria o contato direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a fiscalização glosou os créditos não apenas quanto aos dois últimos processos, mas em relação a todos eles, sob o argumento de que a contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há dúvida que a água empregada em todos esses quatro processos permite o aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de insumo e é empregada, de forma essencial, na produção, descabendo a exigência de contato físico direto com os produtos fabricados, consoante jurisprudência do CARF e julgados dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça; Item 3.4 do TVF. O fato de a transferência de bens entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado. E transportar as mercadorias entre os diversos estabelecimentos é fundamental para o curso regular das operações da pessoa jurídica principalmente por dois motivos: (a) A contribuinte possui um variado portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas (“Case”, “New Holland”, “Kobelco” e “Steyr”, por exemplo) para setores do mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas suas plantas industriais não estão preparadas para fabricarem todos esses produtos, até porque, aliás, isso demandaria investimentos de elevadíssima monta. Mormente pela variedade de estabelecimentos em todo o país, que também operam como centros de venda, fornecendo todos os produtos da marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do mercado, mesmo para aquelas mercadorias que não são fabricadas no próprio estabelecimento, de modo que valores consideráveis são gastos no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b) São produzidas máquinas e equipamentos pesados, os quais gozam de particularidades quanto à sua estocagem, sobretudo pelos grandes e diferenciados tamanhos. É possível, por isso, que devido a uma queda nas vendas, por exemplo, determinado estabelecimento fique sem espaço para alocar a sua produção, o que tornará necessária a busca por outras unidades. Nessas situações é desejável que seja feita a transferência para outro estabelecimento, pois a locação de espaços para tal pode se mostrar excessivamente onerosa muito em virtude das elevadas dimensões dos bens produzidos. Além disso, os fretes em exame são despesas vinculadas ao processo de produção, o que reforça a possibilidade de creditamento. De fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que elas sejam auferidas deve ser considerado insumo. Julgados do CARF e do Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese; Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na jurisprudência administrativa que o frete pago na aquisição de bens necessários Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.450 8 ao desenvolvimento da atividade industrial permite o creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual entendimento jurisprudencial sobre o tema, quaisquer custos de aquisição devem autorizar o desconto de créditos; Item 3.6 do TVF. Entendeu o fisco que o seguro, normalmente destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia ter se creditado com base no valor total do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira e única contratante desse serviço. O destaque no CTRC é apenas uma exigência legal instituída para permitir a identificação da composição do frete. O RICMS/MG, em seu art. 81, inciso XIII, trata o seguro como “valores dos componentes do frete”. O seguro, portanto, foi avençado pela transportadora, que apenas informa o seu respectivo valor em atendimento ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e, sendo o frete na aquisição de insumos passível de creditamento, agiu de forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigurase legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art. 289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles; Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornouse, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais um menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima; Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp ora examinados, e também daqueles outros apresentados no período fiscalizado, decorreram de aquisições realizadas no mercado interno e no exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam ter sido utilizados para efeito de ressarcimento e compensação, segundo a qual apenas as importações amparadas pelo art. 15 da aludida lei é que permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém, não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam nos mencionados arts. 15 e 17. Na verdade, todo o creditamento de PIS/Cofins – Importação deriva do Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.451 9 art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que seria o equivalente funcional dos arts. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que tratam de créditos no mercado interno. O art. 17 é apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns casos, e em conjunto com o art. 15. A função do art. 17 é, exclusivamente, tratar das situações em que o recolhimento de PIS/Cofins nãocumulativo deixa de ser feito com base nas alíquotas de 1,65% e 7,6% e passa a contemplar alíquotas diferenciadas, nos casos de aplicação do “regime monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos e serviços tratados no art. 17 é, justamente, quando cuida da quantificação do crédito. Ou seja, o art. 17 não vem trazer regulação especial para os créditos de produtos específicos, de forma a excluir a aplicação do art. 15. Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15 fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação. Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art. 17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil abona essa conclusão (Acórdão nº 3803000.885, de 27/10/2010, do CARF). Interpretação distinta representaria grave ofensa à isonomia tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam submetidas a tratamentos fiscais distintos, sem qualquer justificação. Na verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime monofásico), teriam o seu direito de crédito excessivamente limitado. Essa violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei nº 10.865, de 2004, foi justamente, segundo sua exposição de motivos, introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito às regras da proporcionalidade e razoabilidade, afinal, qual seria a razão jurídica para se permitir a utilização de créditos de importação em PER/Dcomp e excluir, ao mesmo tempo, esse direito daquelas operações abarcadas pelo art. 17? Razão não há, estando claro que o exame da legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo que deve ser descartada; Item 4.3 do TVF. Foram reposicionados parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. O procedimento teve efeito nefasto e desproporcional: vários dos débitos compensados, no período autuado, ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados para o último mês do trimestre correspondente, neste terceiro mês havia saldo suficiente para homologar, ainda que em parte, as compensações realizadas nos dois primeiros meses. Desse modo, caso se entenda por validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso de um ou dois meses, isto é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre; Erros de cálculo. Em cada mês em que os créditos foram recalculados ocorreram impropriedades na quantificação desses créditos, consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins abril a junho de 2008 (PER/Dcomp nº 41058.12544.220708.1.1.099018 e nº 33371.36444.290710.1.7.098945). Somente foi considerado o montante ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.452 10 seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 3.267.967,06 e não R$ 3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período. Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs – Valor utilizado valorado de acordo com o tipo de crédito” há valores que divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a última versão sobrepôs a primeira, fazendo com que os débitos fossem compensados com multa e juros. É de se notar que a data da transmissão original estava dentro do período para recolhimento (antes da data de vencimento) e que não houve aumento do débito compensado, somente redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins outubro a dezembro de 2008 (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.090408). Somente foi considerado o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 140). (c) Ressarcimento de Cofins julho a setembro de 2010 (PER/Dcomp nº 19382.21408.281010.1.1.090687). Não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 6.541.682,26 e não R$ 6.201.733,66, o que gerou uma diferença de R$ 339.948,90, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). (d) Ressarcimento de Cofins abril de 2010 (PER/Dcomp nº 02755.47816.300610.1.3.094563). O fisco partiu de montante de créditos de mercado externo diferente daquele que consta no PER/Dcomp, sendo considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 5.511.341,71 e não R$ 2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). Esses erros, que são verificados em todas as competências, são inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requerse, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que os referidos equívocos sejam definitivamente comprovados. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, em razão do exíguo tempo para recorrer, posto que são mais de 200 PER/Dcomp envolvidos, que devem ser revistos em todos os critérios apontados pela fiscalização, alguns deles complexos; Em 20/08/2012, a contribuinte juntou aos autos mídia em CD com o que entende ser as informações necessárias para que seja verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 do TVF com a compra de insumos, de modo a comprovar a legitimidade dos créditos aproveitados sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos). Ao final, requer a contribuinte: a) o julgamento conjunto dos processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade do procedimento fiscal e de seus correspondentes frutos, o TVF e os despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.453 11 vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das vinculações, conforme demonstrado; d) o reconhecimento da existência de todos os créditos de PIS/Cofins utilizados pela interessada nos pedidos de ressarcimento e compensação vinculados ao MPFF n.º: 06.1.10.002011004273, transmitidos entre janeiro de 2008 e setembro de 2010, com o conseqüente deferimento e homologação de todos os PER/Dcomp objetos deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados; f) caso os argumentos anteriores não sejam acatados, que os erros expressamente apontados sejam definitivamente corrigidos e g) subsidiariamente, sejam decotados os juros e multas decorrentes do reposicionamento de créditos efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fls. 1411). Inconformada, a mesma apresentou, em 28/01/2014, o recurso voluntário de fls. 1413/1440, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final: a) o julgamento conjunto deste com os demais processos da empresa, haja vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º, do Regimento Interno do CARF; b) seja determinada a realização de diligência para os esclarecimentos referentes à glosa de créditos calculados sobre fretes (item 3.7 do TVF), diligência cuja necessidade seria reforçada diante do reconhecimento, pela DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos; c) seja o recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do TVF, bem como reconhecida a regularidade da utilização dos créditos de PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF), e, finalmente, sejam descontados juros e multa calculados quando do reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), de modo que se refiram tãosomente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre). É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo, posto que apresentado (em 28/01/2014) dentro do prazo legal de 30 dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância (que ocorreu em 24/01/2014 conf. fls. 1411). Quanto aos demais requisitos de admissibilidade os mesmos se encontram presentes. Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.454 12 Da matéria em litígio Conforme relatado, vêse que a contenda envolve a homologação parcial de pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões relativas ao cômputo de créditos calculados sobre: a) bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção (item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF); b) serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF); c) fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF); d) fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); e, e) fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF). Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20051, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação. Assim, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da Lei em tela2 (dentre outros) – estes, por falta de previsão legal, não poderiam ser objeto de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. 1 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.455 13 Por fim, a lide envolve também a análise quanto à possibilidade ou não de compensação de créditos de importação vinculados a receita de exportação antes do encerramento do trimestre. Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao pleito do sujeito passivo. Nessa linha, ao analisar a lide, verificamos a necessidade de conversão do julgamento em diligência no tocante ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – TVF, nos termos tratados abaixo. Das glosas objeto do item 3.7 do TVF: fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas – Necessidade de diligência Quanto às glosas em vista dos fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal: Como demonstrado anteriormente, a possibilidade de creditamento nos casos em que se entende a despesa com frete como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos; assim, caso a pessoa jurídica adquira um bem de pessoa física, o transporte deste bem, mesmo feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não haverá créditos relacionados com as despesas de fretes. Não havendo informação, na Escrituração Fiscal, das notas fiscais dos bens considerados como insumos associados aos fretes, lavrouse em 14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte associasse, nota fiscal por nota fiscal, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendose observar layout específico para tanto. Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo adicional de vinte dias, por nós deferido. Em 24/10/2011, a empresa apresentou apenas dados parciais, e requereu mais algum tempo para terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por mais quinze dias o prazo final. Na data aprazada, o sujeito passivo entregou os arquivos, os quais, porém, não possuíam todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte. [...] No caso em tela, essencial era a vinculação entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por intermédio do arquivo de vínculos, que possuía tanto a identificação das notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou venda de mercadorias. Entretanto, nos arquivos entregues em 08/11/2011, anexos ao processo, duas falhas foram observadas: por um lado, notas fiscais de transporte relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.456 14 mercadorias indicadas no arquivo de vínculos não foram encontradas no “Arquivo de NF.txt”, nem na Escrituração Fiscal. Estas duas irregularidades foram relacionadas, respectivamente, nos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, em anexo. A título de exemplo, tomemos uma das diversas notas fiscais não encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as notas fiscais de transporte e as notas fiscais de mercadorias: o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única, emitido pela Transportadora Rodomeu Ltda, em anexo. Tratase de um documento relativo ao transporte de mercadorias importadas da CNH America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total somava R$ 65.741,50. Tal creditamento é vedado pela RFB, conforme dispõem várias consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84, da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo: “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS. O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da CofinsImportação, sujeitase ao disposto nos arts. 7º e 15, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004, que determinam que a base de cálculo desses créditos corresponde ao valor aduaneiro acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Assim, o frete pago para transportar bens importados, empregados como insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso) Deste modo, é forçoso concluir que a falta de vinculação entre os fretes e as mercadorias transportadas impede a constatação não só da irregularidade acima descrita, mas de quaisquer outras que a empresa porventura tenha cometido. [...] Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas 144238 PIS a recuperar insumos e 144239 COFINS a recuperar – insumos, e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, todo o valor das contribuições creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a falta de determinada associação impede o cálculo do valor creditado proporcionalmente. (os destaquem em negrito não constam do original) Extraise dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada pela fiscalização para a glosa dos créditos calculados sobre os fretes foi, essencialmente, a impossibilidade de vinculação “entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as notas fiscais de entrada dos insumos. A ausência desse vínculo impediu a autoridade administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.457 15 Decerto, “apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos”, muito embora a autoridade administrativa tenha afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo frete pago para transportar bens importados empregados como insumos do processo produtivo. Segundo a defesa apresentada pelo sujeito passivo: “[...] se há créditos de insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também, créditos referentes a seus correlatos fretes”. Ressalta ainda a reclamante que “a maioria esmagadora de tais fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101: Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”. Ainda segundo a recorrente: Os CFOPs das notas fiscais são provas cabais de que os correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e 2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em que, tendose em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a própria Receita Federal, aliás. Vejase um exemplo: “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins.” (Solução de Consulta n. 197, de 16 de Agosto de 2011 – sem destaques no original) Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente: segundo o inciso IX do citado art. 3º, o “frete na operação de venda” autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais. É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais de 50 mil linhas, na qual indicou, uma a uma, nota fiscal autuada e respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a maior parte dos fretes autuados se referia a situações em que o creditamento estava claramente autorizado. Sobre a planilha reportada e demais argumentos suscitados pelo sujeito passivo, asseverou a instância recorrida, verbis: 9. FRETES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF. Diante da ausência de informação, na escrituração fiscal, das notas fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos. Após algumas prorrogações, a recorrente apresentou a documentação solicitada, que, contudo, não apresentava todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias transportadas. Ponderou a autoridade fiscal que a falta de vinculação entre fretes e mercadorias Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.458 16 transportadas, além de impedir o creditamento, também impede a constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a exemplo de frete pago para transporte de bens importados, empregados como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril. Suscita a interessada, quanto ao tema, que a glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos, estornandose, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Solicita, para que não hajam dúvidas quanto ao seu direito a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, afirma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais ou menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por fim, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima. A contribuinte juntou aos autos mídia em CD, incluindo as informações que entendeu necessárias para o restabelecimento desses créditos, a qual foi convertida em documentos anexados aos autos. Examinando esses documentos, podese observar que se trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ). Não obstante, do exame dessa planilha não resta comprovada a vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto, faziase necessário que fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez. Em adição, podese observar que a aludida planilha apresenta mais de 50.000 linhas com dados para verificação, enquanto que a interessada, ao trazêla aos autos, limitouse a requerer fosse verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos. Ocorre que o ônus de prova do direito ao creditamento é da contribuinte, como adiante se melhor verá, a quem competia, no mínimo, apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para o fisco. Ressaltese que, para fins de creditamento, a legislação exige que o crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a alegação de que para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item. (grifos nossos) Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724631/201131 Resolução nº 3802000.249 S3TE02 Fl. 1.459 17 Sobre a questão, com a devida vênia, penso que a DRJ não caminhou da melhor forma. A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela instância a quo, é a de que esta não examinou adequadamente a documentação e os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. Isso porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação [...]”, onde a interessada alega que “[...] para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos [...]”, não foi efetivamente apreciada pela instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido acima. Como a própria DRJ afirma, o documento acostado aos autos pela reclamante “trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem sim subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório. Da conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto. Sala de Sessões, em 19 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10940.900521/2011-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 05 21 /2 01 1- 63 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900521/201163 Acórdão n.º 3801004.018 S3TE01 Fl. 75 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900521/201163 Acórdão n.º 3801004.018 S3TE01 Fl. 76 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 916016847 emitido eletronicamente em 01/04/2011, referente ao PER/DCOMP nº 36865.85697.200607.1.3.046400. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de Cofins, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$524,68, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/02/2007 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 31/05/2011, tendo feito um resumo dos fatos. Em seguida, tece considerações acerca da inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre o ICMS, fazendo referência à legislação pertinente, à jurisprudência do Judiciário e a entendimentos doutrinários que tratam do assunto em pauta, para concluir que as “receitas” provenientes do ICMS não podem integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ante ao fato de não representarem receita ou faturamento do contribuinte, mas sim do ente tributante. Diante das razões invocadas, o manifestante requer seja reconhecido o seu direito à compensação referente aos indevidos pagamentos a título de Cofins, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das atividades do contribuinte, bem Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900521/201163 Acórdão n.º 3801004.018 S3TE01 Fl. 77 4 como não haja a incidência de multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Anexa aos autos um “Relatorio aproveitamento”, no qual indica o valor do ICMS e o valor de Cofins correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que não pode haver qualquer diferenciação entre o tratamento tributário dado às instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da COFINS e do PIS, conforme o disposto nos artigos 5o e 150, II, ambos da Constituição, e de acordo com jurisprudência dominante do STF, devendo ser reconhecido o seu direito à restituição referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900521/201163 Acórdão n.º 3801004.018 S3TE01 Fl. 78 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos indevidos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades. A recorrente defende a isonomia de tratamento fiscal no que diz respeito à exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de despesas operacionais previstas na legislação aplicável às instituições financeiras. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. A Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, em seu art. 3º, § 6º, explicita as exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições para as instituições financeiras, seguradoras e assemelhadas, além daquelas facultadas as demais pessoas jurídicas. A recorrente alega que esse tratamento tributário diferenciado ofende ao princípio da igualdade encontrado no art. 5º, caput, da Constituição Federal, bem como o conseqüente princípio da isonomia ou igualdade tributária assegurado na Carta Magna, em seu art. 150, II.. No entanto, o referido tratamento está baseado em disposição literal de norma válida legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional cuja apreciação acerca de eventual inconstitucionalidade foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar tais hipóteses. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. Para firmar esse entendimento, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por força do disposto no Anexo II, art. 62, caput, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900521/201163 Acórdão n.º 3801004.018 S3TE01 Fl. 79 6 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas hipóteses de decisão vinculante do STF ou acolhida pela administração tributária. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, considerandose que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, o que não ocorreu no caso em tela, faltando ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. No tocante ao instituto da denuncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, este não se aplica ao caso vertente uma vez que tratamse os débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação, sujeitos portanto aos acréscimos moratórios previstos no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, segundo a Súmula 360 do STJ, “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10831.005551/2005-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PROVAS NOVAS - DECRETO 70.235/76 - ARTIGO 16 - ANULAÇÃO DA DECISÃO.
De acordo com o Decreto-lei 70.235/76, que rege as regras do processo administrativo fiscal federal, devem ser aceitas as provas apresentadas a destempo que se referirem a fato ou direito superveniente (artigo 16, § 4º, alínea b. In casu, o contribuinte apresentou provas novas adquiridas após a apresentação do recurso de impugnação (portanto não poderiam ter sido apresentadas anteriormente) e sete anos antes de ser proferida a decisão de primeira instância administrativa. Ademais, a prova apresentada, se tivesse sido considerada pelos julgadores poderia ter alterado o resultado de julgamento, razão para anular o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão recorrida, nos termos do voto da redatora designada. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
(Assinado Digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
EDITADO EM: 03/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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De acordo com o Decretolei 70.235/76, que rege as regras do processo administrativo fiscal federal, devem ser aceitas as provas apresentadas a destempo que se referirem a “fato ou direito superveniente” (artigo 16, § 4º, alínea ‘b’. In casu, o contribuinte apresentou provas novas adquiridas após a apresentação do recurso de impugnação (portanto não poderiam ter sido apresentadas anteriormente) e sete anos antes de ser proferida a decisão de primeira instância administrativa. Ademais, a prova apresentada, se tivesse sido considerada pelos julgadores poderia ter alterado o resultado de julgamento, razão para anular o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão recorrida, nos termos do voto da redatora designada. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 55 51 /2 00 5- 53 Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 11 2 (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. (Assinado Digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS EDITADO EM: 03/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão 1758.453 1a Turma da DRJ/SP2, de 20 de março de 2012. Na origem, foi realizado o procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações assumidas no âmbito do REGIME AUTOMOTIVO, do qual a contribuinte era beneficiária, nos anoscalendário de 1998 e 1999, conforme o Certificado de Habilitação MICT/SPI/ nº 218/98 e o Certificado de Habilitação MICT/SPI/ nº 054/96, e também na forma do pactuado pela contribuinte e a ABIMAQ/SINDMAQ em Acordo firmado em 16/09/1998 e homologado pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo SPI/MICT em relação ao Certificado MICT/SPI n° 218/98, tudo nos termos da Lei n° 9.449, de 15/03/97, regulamentada pelo Decreto n° 2072, de 14/11/96 e Portaria Interministerial MF/MICT n° 001, de 05/01/1996, que resultou na lavratura de auto de infração para aplicação das seguintes penalidades: AUTO DE INFRAÇÃO VALOR/R$ Multa regulamentar — descumprimento proporção Bens de Capital Nacionais x Bens de Capital Importados, conforme o Certificado de Habilitação MICT/SPI/ nº 218/98 e Acordo firmado em 16/09/1998 pela contribuinte com a ABIMAQ/SINDMAQ (70% do valor FOB das importações que contribuíram para o descumprimento da proporção) 1.242.034,19 Multa regulamentar — descumprimento da proporção Insumos Importados x Exportação Líquidas, conforme o Certificado de Habilitação MICT/SPI/ nº 054/96 (70% do valor FOB das importações que contribuíram para o descumprimento da proporção) 150.440,76 TOTAL 1.392.474,05 Irresignada, a contribuinte apresenta em 21 de junho de 2005, tempestivamente, a sua impugnação ao lançamento, na qual argúi, em síntese: Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 12 3 Preliminarmente: ● a nulidade do Auto de Infração, alegando que o mesmo não atende aos requisitos mínimos previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, bem como não oferece à Impugnante elementos indispensáveis à correta compreensão da infração a ela imputada e ao exercício pleno de sua defesa, mencionando erro na fundamentação legal, violação aos princípios basilares do processo administrativo fiscal e não indicação da penalidade aplicável; ● Decadência do direito do Fisco à imposição de penalidade, posto que o auto de infração referese fundamentalmente ao Imposto de Importação relativo aos equipamentos importados durante o exercício fiscal de 1998 e o lançamento deuse em maio de 2005, afrontando o disposto no artigo 173, do Código Tributário Nacional. No mérito quanto à Multa regulamentar por descumprimento da proporção Bens de Capital Nacionais x Bens de Capital Importados, conforme o Certificado de Habilitação MICT/SPI/ nº 218/98 e Acordo firmado em 16/09/1998 pela contribuinte com a ABIMAQ/SINDMAQ, argúi que: ● não descumpriu o acordo com a ABIMAQ / SINDMAQ. Tal acordo previu a importação de equipamentos de bens do ativo fixo até o limite máximo de US$ 3.405.000,00, aproximadamente. Teria importado menos do que poderia, ou seja, US$ 2.782.000,00, deixando de utilizar a totalidade de incentivos fiscais de importação a que teria direito, e não poderia ser autuado por isso. ● adquiriu no mercado nacional quantidade maior de bens do que acordara com o ABIMAQ / SINDMAQ e que está sendo punida por ter comprado maior quantidade de equipamentos fabricados no Brasil do que aquela quantia a que havia se comprometido no acordo. ● o engenheiro designado para ir à fábrica da impugnante, tirou fotos dos equipamentos ali existentes. Sem justificativas técnicas, levou a autoridade fiscal a desqualificar a compra de equipamentos nacionais que integram efetivamente o ativo fixo da impugnante, eis que os mesmos foram comprados de indústrias brasileiras de notória reputação, que emitiram o competente documento fiscal e receberam o preço acordado através de pagamentos feitos pelo sistema bancário. ● esses equipamentos acabaram sendo incorporados, também, à linha produtiva da Impugnante, fazendo parte integrante de todo o sistema produtivo juntamente com os equipamentos importados. No mérito quanto à Multa regulamentar — descumprimento da proporção Insumos Importados x Exportação Líquidas, conforme o Certificado de Habilitação MICT/SPI/ nº 054/96 argúi que: ● os cálculos apresentados às fls. 21 do Termo de Constatação e que embasaram a infração estão equivocados. ● O valor apurado como Exportações Líquidas (US$5.034.972,75) está equivocado pois não levou em consideração os valores das "Exportações Adicionais", conforme previsto no artigo 2o. Inciso X do Decreto 2.072/96. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 13 4 ● a Impugnante efetuou importações muito abaixo do limite permitido pelo Decreto 2072/96 ● Pleiteia seja o julgamento convertido em diligência, para realização de perícia contábil e de engenharia, sobre os bens objeto da autuação. Indica o Perito e formula quesitos contábeis e de engenharia. Posteriormente à apresentação de sua impugnação, a contribuinte apresenta petições protocolizadas em 03/11/05 e em 02/12/2005, de efls 651/652 e 654/656, por meio das quais solicita a anexação, respectivamente, da Manifestação da ABIMAQ/SINDIMAQ sobre o cumprimento das obrigações firmadas no Acordo lavrado em 16/09/1998 (anexado à e fl. 653) e Manifestação do Ministério de Desnvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a respeito da aplicação do Decreto nº 2072, de 14/11/1996 (anexado à efl. 657). Após a conversão do processo em diligência e a análise da impugnação e do resultado da diligência, parte do auto de infração foi cancelada pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, restando mantida apenas a multa aplicada por descumprimento da proporção entre Bens de Capital Nacionais x Bens de Capital Importados, no valor de R$ 1.242.034,19 (hum milhão, duzentos e quarenta e dois mil, trinta e quatro reais e dezenove centavos), conforme consta da decisão prolatada em 20 de março de 2012, por meio do Acórdão 1758.453 Ia Turma da DRJ/SP2, ora recorrido, consoante se demonstra pela ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 REGIME AUTOMOTIVO. MULTA. BENS DE CAPITAL NACIONAIS VERSUS BENS DE CAPITAL IMPORTADOS COM BENEFÍCIO. Descumprido o requisito referente à proporção de Bens de Capital Nacionais versus Bens de Capital Importados, aplicase a multa incidente sobre o valor FOB das matériasprimas importadas excedentes, conforme Decreto n° 2.072/96, art. 6o, de 70% sobre a parte respectiva que tenha contribuído para o referido descumprimento. REGIME AUTOMOTIVO. MULTA. INSUMOS IMPORTADOS COM BENEFÍCIO VERSUS EXPORTAÇÕES LÍQUIDAS. Se comprovado o cumprimento da proporção prevista entre Insumos Importados com benefício versus Exportações Líquidas, descabe a aplicação da multa prevista no art. 9o do Decreto n. 2.072/96, art. 9o. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração; 01/01/1998 a 31/12/1998 REGIME AUTOMOTIVO. DECADÊNCIA. A multa por descumprimento das proporções e índices do Regime Automotivo somente pode ser aplicada depois de transcorrido o prazo legal para o cumprimento das condições Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 14 5 avençadas. Assim, para esses casos aplicase o art. 173,1, do CTN, ou seja, o prazo decadencial somente passa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, haja vista que antes do termo da condição não é possível à SRF proceder à exigência do crédito tributário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo a multa por descumprimento da proporção entre Bens de Capital Nacionais x Bens de Capital importados , no valor de R$ 1.242.03A 19 T.am milhão, duzentos e quarenta e dois mil e trinta e quatro reais e dezenove centavos), e cancelando a multa por descumprimento da proporção entre Insumos Importados x Exportações Líquidas , no valor de R$ 150.440,76 (cento e cinqüenta mil, quatrocentos e quarenta reais e setenta e seis centavos).” Cientificada da decisão de 1ª Instância de Julgamento administrativo em 23/04/2012 (Aviso de Recebimento – AR de efl 843), por meio da Intimação nº 251/2012 (efl 840), a contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 22/05/2012, o seu recurso voluntário, por meio do qual pretende que seja julgado procedente o recurso voluntário para determinar a reforma parcial do v. acórdão n° 1758453 e, em conseqüência, que se reconheça que o auto de infração é indevido, devendo o mesmo ser cancelado na íntegra. Suas argumentações encontramse dispostas nos seguintes itens e subitens do seu recurso voluntário: I DO AUTO DE INFRAÇÃO II DA MANUTENÇÃO PARCIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO III DA DECISÃO RECORRIDA ACÓRDÃO N° 1758453 3 IV DAS RAZÕES PELAS QUAIS O AUTO DE INFRAÇÃO NÃO DEVE SER MANTIDO V DO REGIME AUTOMOTIVO E SUA FINALIDADE VI DAS PROPORÇÕES E DOS LIMITES PREVISTOS NO DECRETO 2.072/96 VII DA PRÉVIA HABILITAÇÃO E DA HOMOLOGAÇÃO DO ACORDO FIRMADO COM A ABIMAQ/SINDIMAQ VIII DO ACORDO FIRMADO ENTRE A TENNECO E A ABIMAQ/SINDIMAQ LX DO CUMPRIMENTO DA PROPORÇÃO ILEGALIDADE DA MULTA Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 15 6 X DO ADITAMENTO DO ANEXO II E DO CUMPRIMENTO DO ACORDO ATESTADO PELA ABIMAQ/SINDIMAQ XI DA JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA XI DO CUMPRIMENTO DO ACORDO INDICADO PELO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR XII DA POSSIBILIDADE DA FLEXIBILIZAÇÃO CONFIRMADA PELO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR XIII SUMÁRIO Em suma, Nobres Julgadores, verificase destes autos que: 1) a multa regulamentar de 70% do valor FOB das importações (art. 13, I, da Lei 9.449/97) mantida pelo V. Acórdão é IMPROCEDENTE porque cabível apenas no caso de descumprimento da proporção, o que não ocorreu no caso em julgamento; 2) a Recorrida adquiriu bens de capital no mercado nacional em valor superior (US$4.329.000,00) ao previsto no acordo homologado (US$4.274.000,00); 3) a Recorrida cumpriu, portanto, a proporção prevista no acordo (1,255 / 1,00); '4) as alterações havidas na relação de equipamentos que a Recorrente se comprometeu em adquirir no mercado nacional foram informadas à ABIMAQ/SINDIMAQ; 5) ABIMAQ/SINDIMAQ concordou com as mudanças e chancelou a relação de bens de capital apresentada pela Recorrente, apontando, ainda, um saldo positivo no valor US$ 55.000,00 (fls. 627/629); 6) ABIMAQ/SINDIMAQ deu por cumprido o acordo homologado entre ela e a Recorrente; 7) Por fim, o Ministério da Indústria e do Comércio, órgão do Poder Executivo responsável por fiscalizar e atestar o fiel cumprimento dos acordos relativos ao Regime Automotivo, confirmou a Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 16 7 possibilidade de flexibilização desde que atingida à proporção firmada. XIV DO PEDIDO XV DA SUSTENÇÃO ORAL PEDIDO DE INTIMAÇÃO Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente por advogado devidamente nomeado e constituído, preenchendo, em regra, os requisitos de admissibilidade. Verificase que no Recurso Voluntário persiste o litígio unicamente acerca do mérito referente à multa aplicada por descumprimento da proporção entre Bens de Capital Nacionais x Bens de Capital Importados, haja vista que a recorrente não mais argúi as preliminares de nulidade e de decadência e que a Autoridade de julgamento Administrativo a quo cancelou a Multa regulamentar por descumprimento da proporção Insumos Importados x Exportação Líquidas, conforme o Certificado de Habilitação MICT/SPI/ nº 054/96. Da análise dos autos, contatase que os argumentos de defesa contra a multa aplicada por descumprimento da proporção entre Bens de Capital Nacionais x Bens de Capital Importados apresentados no recurso voluntário divergem daqueles apresentados na impugnação. Nesta, conforme relatado acima, a contribuinte argüia não ter descumprido o acordo com a ABIMAQ / SINDMAQ, sob a alegação de que teria importado US$ 2.782.000,00, menos do que poderia, tendo em vista que o acordo previu a importação de equipamentos de bens do ativo fixo até o limite máximo de US$ 3.405.000,00, deixando de utilizar a totalidade de incentivos fiscais de importação a que teria direito e, também, que havia adquirido no mercado nacional quantidade maior de bens do que acordara com o ABIMAQ / SINDMAQ, e, portanto, estava sendo punida por ter comprado maior quantidade de equipamentos fabricados no Brasil do que aquela quantia a que havia se comprometido no acordo. Que a fiscalização havia sido influenciada pelo laudo do engenheiro que a levou a desqualificar a compra de equipamentos nacionais que integram efetivamente o ativo fixo da impugnante. No recurso voluntário, entretanto, a contribuinte alega não ter descumprido o acordo com a ABIMAQ / SINDMAQ, baseado, porém, em outros argumentos. Afirma que as alterações ou substituições de uma máquina por outra (flexibilização) foram devidamente informadas à ABIMAQ/SINDIMAQ (fls. 627/629) que, após concordância expressa, atestou o cumprimento do acordo pela recorrente e reconheceu, inclusive, saldo positivo no valor de US$ 55.000,00, através do documento DTE/DEAT/3.5217/05. Aduz que cabe à ABIMAQ/SINDIMAQ, na qualidade de órgãos Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 17 8 técnicos, possui a competência para a verificação do adimplemento das condições para gozo dos benefícios do Regime Automotivo. Acrescenta que a Lei n° 9.449, de 14 de março de 1997, que trata da redução do imposto de importação e rege o acordo firmado entre a Recorrente e a ABIMAQ/SINDIMAQ atribuiu competência ao Poder Executivo para estabelecer (i) requisitos para habilitação das empresas e (ii) os mecanismos de controle necessários à verificação do fiel cumprimento do acordo. E que o referido órgão do Poder Executivo é Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, conforme Portaria Interministerial n° 1, de 05/01/06, que também indicou o adimplemento do acordo, conforme ofício n° 339/00SDP/COGIFI encaminhado para a própria Recorrente (fl. 108). Informa ter formulado consulta junto à Secretaria de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, através da qual questionouse se, para fins de cumprimento do acordo firmado entre esta e a ABIMAQ/SINDIMAQ, seria relevante a natureza/valor/quantidade dos equipamentos adquiridos no mercado nacional, para cumprimento do critério da proporcionalidade. E que , em resposta, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, teria se manifestado (fls. 630/633) de forma inquestionável que, para fins de cumprimento do acordo relativo ao Regime Automotivo, nos termos do Decreto n° 2.072/96, seria irrelevante a natureza e eventuais alterações na quantidade e valor das máquinas e equipamentos adquiridos no mercado nacional, desde que atendida à proporcionalidade prevista. Em resumo afirma: “Há nestes autos prova de que a Recorrente adquiriu bens de capital no mercado nacional em valor superior ao exigido no acordo firmado. Há também documentos que comprovam que a ABIMAQ/SINDIMAQ aceitou as alterações (flexibilização) havidas na relação das máquinas indicadas no anexo II do acordo. Por fim, existe, nesces autos, a confirmação de que para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio são irrelevantes as alterações relativas à natureza, aos valores e às quantidades, desde que cumprida à proporcionalidade.” Nesta questão, em relação ao acórdão recorrido, efetua a afirmativa que a seguir se transcreve: “Notese que, em nenhum momento, foram sequer citados os documentos apresentados pela Recorrente às fls. 627/629 e 630/633. Tais documentos comprovam que a ABIMAQ/SINDIMAQ. bem como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, concordam com as alterações relativas ao Anexo II (flexibilização) e reconhecem o cumprimento do acordo pela Recorrente, uma vez que as máquinas e equipamentos adquiridos no mercado nacional atingiram a proporção exigida pelo Decreto n° 2.072/96.” Sobre esta última afirmativa, constatase que. de fato, o Acórdão recorrido não faz qualquer referência a tais documentos.É que a impugnação da contribuinte, como já ressaltado, nada abordou sobre os mesmos , até porque, tais argumentos só foram trazidos no recurso voluntário. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 18 9 Os documentos mencionados, quais sejam, Manifestação da ABIMAQ/SINDIMAQ sobre o cumprimento das obrigações firmadas no Acordo lavrado em 16/09/1998 (anexado à efl. 653) e a Manifestação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a respeito da aplicação do Decreto nº 2072, de 14/11/1996 (anexado à efl. 657), são documentos pós constituídos. Sabese que a juntada de documentos e provas em momento posterior à impugnação é vedada pelos parágrafos 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, salvo nas hipóteses descritas no parágrafo 4º mencionado1. A Manifestação da ABIMAQ/SINDIMAQ anexado à efl. 653 (Fl física 629) referese ao FAX 61 21097328, de 24/out /2005, da ABIMAQ e SINDIMAQ dirigido ao MDIC/Secretaria de Desenvolvimento de Produção. Em sendo um documento efetuado pelas entidades de classe representativas da indústria e referente ao programa de investimentos de interesse da então Walker do Brasil Auto Peças Ltda, amparado pelo Regime Automotivo Brasileiro, sob habilitação número 218/98, deve ser acolhido e analisado no recurso voluntário, por ser fato superveniente, consoante permissão contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. O que, em decorrência, leva a se conhecer e analisar as alegações efetuadas no recurso voluntário a ele pertinentes. Já, a Manifestação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior anexado à efl. 657 é atinente ao Ofício nº 119, de 30 de novembro de 2005, enviado do MDIC/Secretaria do Desenvolvimento da Produção/ Departamento das Indústrias de Equipamentos de Transportes para o SR. Marco Antonio de Freitas, Procurador da Tenneco, o qual foi emitido por provocação da contribuinte. Portanto, tratase de documento pós constituído com o objetivo de fazer prova a favor da contribuinte nos presentes autos. E, em sendo assim, em regra, não atende ao disposto no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Contudo, em face da alegação da recorrente de que o mesmo foi o instrumento de confirmação pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior acerca da possibilidade de flexibilização do acordo, tendo, segundo alegação, correlação com a Manifestação da ABIMAQ/SINDIMAQ anexado à efl. 653, devese acolhê lo e analisálo. Entrementes, tais documentos, constituídos respectivamente em 24 de outubro de 2005 e 30 de novembro de 2005, não servem ao propósito almejado pela recorrente 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...). III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). (...). § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 19 10 de comprovar as alterações dos termos do Acordo lavrado em 16/09/1998 e firmado entre a recorrente e a ABIMAQ/SINDIMAQ, consoante se demonstra a seguir. Para melhor entendimento dos fatos e compreensão do posicionamento da relatora, fazse uma breve referência ao programa de investimentos de interesse da então Walker do Brasil Auto Peças Ltda, amparado pelo Regime Automotivo Brasileiro, sob habilitação número 218/98. DO REGIME AUTOMOTIVO E SUA FINALIDADE O Regime Automotivo Geral foi um Programa de Investimento e de Exportação instituído pelo Governo Federal, por meio da Lei nº 9449, de 14/03/1997 (D.O.U 15/03/97 – conversão da MPV (Medida Provisória) nº 1.024, de 13/06/1995 e reedições), regulamentada pelo o Decreto nº 2.072, de 14/11/1996, com a finalidade de expansão da Indústria Automotiva Brasileira através do qual as indústrias se comprometiam a aumentar o investimento no país e/ou exportações, mediante concessão de renúncia parcial do imposto de importação, obedecidos os requisitos e condições estabelecidos na legislação de regência. Para fruição da redução do Imposto de Importação o contribuinte dependia de prévia habilitação junto à Secretaria de Política Industrial — SPI do Ministério da Indústria e Comércio Exterior MIDIC que juntamente com o Ministério da Fazenda MF, estabeleceram as normas e procedimentos para a habilitação dos beneficiários. Após análise dos prérequisitos previstos na legislação (art. 3o, do Decreto n° 2.072/96) e aprovação do Programa de Investimento/Exportação pelo Secretario de Política Industrial do MICT (Termo de Aprovação) era, então, expedido o CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO, que autorizava a empresa a usufruir da redução do imposto de importação. No caso específico foram emitidos o Certificado de Habilitação ao Regime Automotivo MICT/SPI nº. 218/98 ( efls 113 a 115) e o Termo de Aprovação nº 218/98 (efls 116 e 117), ambos de 29/06/1998, para a empresa " Walker do Brasil Auto Peças Ltda, CNPJ: 44.023.471/000190" sediada à Praça Vereador Marcos Portiolli nº 26, sala 02, Mogi Mirim SP. Conforme Ata de Reunião dos Sócios Quotistas da empresa " Walker do Brasil Auto Peças Ltdal , CNPJ : 44.023.471/000190", de 31/12/1998 (efls 72 a 82), foi efetuada, naquela data, entre outras coisas, a alteração da denominação social da sociedade para " TENNECO AUTOMOTIVE BRAZIL LTDA ", logo o Certificado de Habilitação ao Regime Automotivo MICT/SPI/nr.218/98 inicialmente concedido para a empresa “WALKER" passou a ser de interesse da empresa " TENNECO”. O Certificado de Habilitação ao Regime Automotivo MICT/SPI nº. 218/98 e o Termo de Aprovação nº 218/98 estabeleceram o benefício de redução de 45% (quarenta e cinco por cento) do imposto de importação incidente sobre máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição destinados ao seu ativo permanente, vinculado, contudo, ao cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos na legislação de regência, ou seja, respeitado o disposto no parágrafo 1o do artigo 4o e no artigo 6o do Decreto n° 2.072/97 e o artigo 55 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 20 11 O art. 6º do Decreto n° 2.072/97 assim dispõe: “Art. 6o A proporção entre as aquisições de "Bens de Capital", produzidos no País, e as importações de "Bens de Capital" com redução do imposto de importação, deverá ser, no mínimo, por ano calendário, de um por um até 31 de dezembro de 1997 e de um e meio por um a partir de 1 o de janeiro de 1998. (...) § 2o A proporção a que se refere o caput deste artigo poderá ser alterada por acordo entre as entidades de classe representativas da indústria brasileira de bens de capital e a empresa interessada, homologado pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo." (grifei) Com base na permissão contida no §2º do art. 6º do Decreto n° 2.072/97 acima transcrito, a contribuinte, levando em conta o projeto de implantação de uma nova planta fabril em Curitiba para fornecimento de componentes para a VW/AUDI, firmou em 16/09/98, Acordo relativo ao Regime Automotivo com a ABIMAQ/SINDIMAQ, entidades de classe representativas do setor de Bens de Capital, devidamente homologado pela Secretaria de Política Industrial do MIDIC (comprovação às efls 120 a ), por intermédio do qual : 1 alterouse a proporção entre as aquisições de "Bens de Capital", produzidos no País, e as importações de "Bens de Capital" com redução do imposto de importação, com a flexibilização da proporção legal de 1,50/1,00 para 1,255/1,00; 2 estabeleceuse o período de 1998 a 2000 para as aquisições no mercado nacional, visando regularizar o desbalanceamento ocorrido com as importações efetuadas em 1998; 3 descreveu e relacionou no ANEXO I do Acordo (efls 125 e 126), devidamente visado, as máquinas e equipamentos a serem importadas no montante de US$ 3 .405 .500 .00 . (Três milhões, quatrocentos e cinco mil e quinhentos dólares), a qual se processaria com o benefício fiscal da redução de 45% das alíquotas de Imposto de Importação correspondentes, . sendo que US$ 2, 605 , 500 . 00 não possuiriam similar nacional; 4 descreveu e relacionou no ANEXO II do Acordo (efl 127), devidamente visado, os bens de capital (máquinas e equipamentos) que seriam adquiridos até dezembro/2000 de procedência efetivamente nacional no montante de US$ 4 , 274 , 000 . 00 (Quatro milhões duzentos e setenta e quatro mil dó l a r es ) . A fiscalização não registrou nenhuma irregularidade na aquisição de bens importados relacionados no Anexo I.do Acordo. As irregularidades que conduziram ao descumprimento da proporção de 1,255/1,00 estabelecida no Acordo firmado decorreram das aquisições bens de capital (máquinas e equipamentos) de procedência efetivamente nacional relacionados no ANEXO II. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 21 12 O Acordo previa o Comprometimento da contribuinte na aquisição no mercado nacional das máquinas e equipamentos conforme descritos e relacionados no ANEXO II do Acordo, devidamente visado e estabelecia que eventuais alterações que se revelassem necessárias na composição daquele acordo, deveriam ser objeto de entendimento prévio entre as partes e, logicamente, por imposição legal, complementase, da respectiva homologação pela Secretaria de Política Industrial do Ministério de Indústria, Comércio e Transportes MICT. O item 23 do Anexo II referiase, naquele momento, a “itens a serem definidos”, no valor de US$ 869,300. Conforme esclarecido no Termo de Constatação de efls 31 a 52, o contribuinte teria que apresentar oportunamente a Lista com a descrição destes equipamentos para análise e visto da ABIMAQ/SINDMAQ e posterior homologação do SPI/MICT. Isso não se deu. Por isso é que, no decorrer da fiscalização, com base no Termo denominado “TENNECO ATIVOS DE 1998, 1999 E 2000", protocolado pelo contribuinte no SEFIA/ALF. de VIRACOPOS em 23/07/2004 e em 11/11/2004, e em face dos não contestados Laudos Técnicos Periciais emitidos pelo Engenheiro Luiz Antonio, após minuciosas verificações físicas e documentais efetuadas junto à TENNECO, em atendimento aos denominados “Registros de Assistência Técnica Fiscal /GFIS/ALF. de VIF nº. 007/04 a 019/04 ( efls 428 a 593), excluiuse dos cálculos da proporção, os bens de capital de aquisição nacional que não correspondiam aos bens descritos e relacionados no ANEXO II, concluindo pelo descumprimento da proporção, nos termos acordados com a ABIMAQ/SINDIMAQ, em 24/09/98, motivando a penalidade da multa de 70% do valor FOB das importações que contribuíram para o descumprimento da proporção, nos termos do art. 13, inciso I, da Lei n° 9.449/97 e art. 14, inciso I, do Decreto 2.072/96. 2 Na impugnação, a contribuinte não alega a existência de alteração dos termos do Anexo II, e no julgamento do litígio por esta iniciada a Autoridade de Julgamento a quo manifestouse acerca do não questionamento dos laudos , afirmando que estes comprovam que parte dos bens adquiridos no mercado interno destoam dos pactuados no Acordo (Anexo II), e que não bastaria atender à proporção de 1,255, mas que também seria necessário que os bens adquiridos fossem os constantes do Acordo e que qualquer alteração teria que ser objeto de entendimento prévio entre as partes, o que não ocorreu. Que não pode, portanto, a TENNECO a seu próprio critério e a despeito de qualquer autorização, descumprir o acordado com a ABIMAQ/SINDMAQ e devidamente homologado pela SPI/MICT, pois ao fazêlo incorreu em irregularidade. Como dito, apenas no recurso voluntário, a contribuinte traz a alegação de flexibilização do acordo. 2 Lei nº 9.449/97: Art. 13. A inobservância ao disposto nas proporções, limites e índices a que se referem os arts. 2° e 7o estará sujeita a multa de: I setenta por cento sobre o valor FOB das importações de "Bens de Capital" realizadas nas condições previstas no inciso I do art. 4o, que contribuir para o descumprimento da proporção a que se refere o art. 6o;" "Decreto n° 2.072/96: Art. 14. A inobservância ao disposto neste Decreto sujeitará o "Beneficiário" ao pagamento de multa de: I setenta por cento sobre o valor FOB das importações de "Bens de Capital" realizadas nas condições previstas no inciso I do art. 4o, que contribuir para o descumprimento da proporção a que se refere o art. 6º;" Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 22 13 Mas, a Manifestação da ABIMAQ/SINDIMAQ anexado à efl. 653 (Fl física 629) referente ao FAX 61 21097328, de 24/out /2005, da ABIMAQ e SINDIMAQ dirigido ao MDIC/Secretaria de Desenvolvimento de Produção, no qual participa àquela Secretaria a sua concordância com o cumprimento do Acordo lavrado em 16/09/1998 e por meio do qual pretende comprovar a alegada flexibilização, é documento constituído depois de apresentado a impugnação e não demonstra que tenha havido a devida comunicação prévia das alterações desejadas pela Tenneco e a correspondente concordância da ABIMAQ e SINDIMAQ, ou, como diz a recorrente, a prévia flexibilização nas descrições e relações das máquinas e equipamentos constantes do Anexo II do acordo, que deveriam ser adquiridas no mercado nacional, nem que tenha havido a homologação dessa flexibilização pela SPI/MICT. Portanto, não comprova a argüida flexibilização dos termos acordados. Portanto, a flexibilização cuja previsão a recorrente alega estar contida no próprio acordo, dependia de prévio conhecimento, análise e aprovação das entidades de classe e a respectiva homologação pela Secretaria de Política Industrial do Ministério de Indústria, Comércio e Transportes –MICT, e a contribuinte não logrou comprovar a sua ocorrência, conforme exigido. Ressaltese que a lei concedeu à Associação de Classe apenas a competência para modificar por meio de acordo a proporção legal estabelecida entre as aquisições de "Bens de Capital", produzidos no País, e as importações de "Bens de Capital" com redução do imposto de importação. 3 Mas, a competência para verificação do cumprimento dos requisitos para a ocorrência do benefício fiscal era da então a Secretaria de Política Industrial e da Secretaria da Receita Federal. Verifiquese que o Ofício n° 339/OOSDP/COGIFI, de 04 de outubro de 2000 emitido pela Secretaria do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (de efl. 132), ao informar a aprovação do encerramento dos programas do regime automotivo geral firmados pela empresa TENNECO AUTOMOTIVE. BRAZIL LTDA com base no Certificado de Habilitação n° 218, de 29 de junho de 1998 faz alusão à indicativo de adimplemento contratual em decorrência de acordo firmado pela Tenneco com a ABIMAQ/SINDIMAQ, efetuada com base nas informações prestadas por essas empresas, mas, efetua ressalva acerca da sujeição da verificação fiscal e cambial, informando que a documentação do Programa estaria sendo encaminhada à Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro, da Secretaria da Receita Federal para as providências cabíveis. Isso significa que, nem mesmo a provável aprovação de encerramento dos programas do regime automotivo efetuada pela Secretaria do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com base, no caso, na 3 O art. 6º do Decreto n° 2.072/97 assim dispõe: “Art. 6o A proporção entre as aquisições de "Bens de Capital", produzidos no País, e as importações de "Bens de Capital" com redução do imposto de importação, deverá ser, no mínimo, por ano calendário, de um por um até 31 de dezembro de 1997 e de um e meio por um a partir de 1o de janeiro de 1998. (...) § 2º A proporção a que se refere o caput deste artigo poderá ser alterada por acordo entre as entidades de classe representativas da indústria brasileira de bens de capital e a empresa interessada, homologado pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo." Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 23 14 informação prestada pela ABIMAQ/SINDIMAQ por meio do FAX 61 21097328, de 24/out /2005, anexado à efl. 653 (Fl física 629), ilide a fiscalização do órgão competente, a Secretaria da Receita Federal, para a verificação do cumprimento do benefício fiscal. Por sua vez, a Manifestação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior anexado à efl. 657 (folhas físicas fls. 630/633), atinente ao Ofício nº 119, de 30 de novembro de 2005, enviado do MDIC/Secretaria do Desenvolvimento da Produção/ Departamento das Indústrias de Equipamentos de Transportes para o SR. Marco Antonio de Freitas, Procurador da Tenneco, repitase, foi emitida por provocação da contribuinte, tratando se de documento pós constituído com o objetivo de fazer prova a favor da contribuinte nos presentes autos. Tal documento, referindose à correspondência datada de 07/11/2005, protocolizada pela Tenneco naquele Ministério sob o n° 52000.030625/200512 em 28.11.2005, informa que “o compromisso exigido pelo art. 6o do Decreto 2.072, de 14.11.1996 é de valor mínimo, desta forma, não importa a natureza das máquinas e equipamentos produzidos no País que foram adquiridos e nem eventuais alterações na quantidade e valor, e sim que o valor total dessas aquisições atenda a proporção.” Ressaltese que a recorrente não traz aos autos a mencionada correspondência dirigida àquela Secretaria do Desenvolvimento da Produção/ Departamento das Indústrias de Equipamentos de Transportes/ MDIC, para que se conheça os termos de suas indagações. Mas, independentemente dos termos indagados, o certo é que o Ofício nº 119, de 30 de novembro de 2005, enviado do MDIC/Secretaria do Desenvolvimento da Produção/ Departamento das Indústrias de Equipamentos de Transportes para o SR. Marco Antonio de Freitas, Procurador da Tenneco, não faz referência ao Acordo firmado pela contribuinte com as associações de classe ABIMAQ/SINDIMAQ. Este apenas esclarece que o compromisso exigido pelo art. 6o do Decreto 2.072, de 14.11.1996 é de valor mínimo. O que é verdade. Essa assertiva é deduzida facilmente na leitura do mencionado dispositivo legal. Tal hipótese, contudo, não se aplica ao presente caso, haja vista que, por iniciativa da própria contribuinte, como já mencionado diversas vezes, foi firmado o acordo com as associações de classe ABIMAQ/SINDIMAQ, no qual se estabeleceu a alteração da proporção legal exigidas no art. 6o. do Decreto 2.072/96 e que constavam da clausula 2o. do Termo de Aprovação nº 218/98 SP1/MICT , entre as aquisições de "Bens de Capital", produzidos no País, e as importações de "Bens de Capital" com redução do imposto de importação, assumindo a contribuinte,em contrapartida, as obrigações pactuadas no Acordo, inclusive as de importar e adquirir bens de capital no mercado nacional em conformidade com as descrições e relações constantes dos anexos I e II do citado Acordo, que foram visados pela ABIMAQ/SINDIMAQ e homologadas pelo SPI/MICT. Tratamse, assim, de requisitos quantitativos e qualitativos que teriam que ser rigorosamente obedecidos, salvo se tais requisitos houvesse sido previamente alterados e homologados. Concluise, pois, que tal documento, ao contrário do alegado, não se refere à possibilidade de flexibilização dos requisitos qualitativos acerca dos bens de capital adquiridos no mercado nacional. Portanto, não importa que a Recorrente tenha adquirido no mercado nacional máquinas e equipamentos em valor total superior ao que estava previsto no acordo, posto que, para fins de cálculo da proporção acordada, devem ser consideradas unicamente as aquisições Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 24 15 que guardem estrita concordância com os bens descritos e relacionados no ANEXO II, cujas alterações alegadas não foram comprovadas. Desta forma, resta comprovado que a contribuinte não cumpriu com o requisito de adquirir no mercado interno Bens de Capital nas descrições e valores pactuados no Anexo II do Acordo ABIMAQ/SINDIMAQ, de 24/09/98, homologado pelo SPI/MICT em 27/11/98. nos itens citados no Termo de Constatação, motivo pelo o qual não merece reforma a decisão recorrida. CONCLUSÃO De acordo com a fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Conforme relatado, tratase de auto de infração que constituiu multa regulamentar decorrente do suposto descumprimento, por parte do Contribuinte, de Regime Automotivo do qual era beneficiária no ano – calendário de 1998. Discutese, nos autos, a efetiva ocorrência do descumprimento dos requisitos previstos como necessários para atender ao citado Regime Automotivo. A I. Conselheira Relatora assim resumiu o litígio constante destes autos: “Da análise dos autos, contatase que os argumentos de defesa contra a multa aplicada por descumprimento da proporção entre Bens de Capital Nacionais x Bens de Capital Importados apresentados no recurso voluntário divergem daqueles apresentados na impugnação. Nesta, conforme relatado acima, a contribuinte argüia não ter descumprido o acordo com a ABIMAQ / SINDMAQ, sob a alegação de que teria importado US$ 2.782.000,00, menos do que poderia, tendo em vista que o acordo previu a importação de equipamentos de bens do ativo fixo até o limite máximo de US$ 3.405.000,00, deixando de utilizar a totalidade de incentivos fiscais de importação a que teria direito e, também, que havia adquirido no mercado nacional quantidade maior de bens do que acordara com o ABIMAQ / SINDMAQ, e, portanto, estava sendo punida por ter comprado maior quantidade de equipamentos fabricados no Brasil do que aquela quantia a que havia se comprometido no acordo. Que a fiscalização havia sido Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 25 16 influenciada pelo laudo do engenheiro que a levou a desqualificar a compra de equipamentos nacionais que integram efetivamente o ativo fixo da impugnante. No recurso voluntário, entretanto, a contribuinte alega não ter descumprido o acordo com a ABIMAQ / SINDMAQ, baseado, porém, em outros argumentos. Afirma que as alterações ou substituições de uma máquina por outra (flexibilização) foram devidamente informadas à ABIMAQ/SINDIMAQ (fls. 627/629) que, após concordância expressa, atestou o cumprimento do acordo pela recorrente e reconheceu, inclusive, saldo positivo no valor de US$ 55.000,00, através do documento DTE/DEAT/3.5217/05. Aduz que cabe à ABIMAQ/SINDIMAQ, na qualidade de órgãos técnicos, possui a competência para a verificação do adimplemento das condições para gozo dos benefícios do Regime Automotivo. Acrescenta que a Lei n° 9.449, de 14 de março de 1997, que trata da redução do imposto de importação e rege o acordo firmado entre a Recorrente e a ABIMAQ/SINDIMAQ atribuiu competência ao Poder Executivo para estabelecer (i) requisitos para habilitação das empresas e (ii) os mecanismos de controle necessários à verificação do fiel cumprimento do acordo. E que o referido órgão do Poder Executivo é Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, conforme Portaria Interministerial n° 1, de 05/01/06, que também indicou o adimplemento do acordo, conforme ofício n° 339/00 SDP/COGIFI encaminhado para a própria Recorrente (fl. 108). Informa ter formulado consulta junto à Secretaria de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, através da qual questionouse se, para fins de cumprimento do acordo firmado entre esta e a ABIMAQ/SINDIMAQ, seria relevante a natureza/valor/quantidade dos equipamentos adquiridos no mercado nacional, para cumprimento do critério da proporcionalidade.E que , em resposta, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, teria se manifestado (fls. 630/633) de forma inquestionável que, para fins de cumprimento do acordo relativo ao Regime Automotivo, nos termos do Decreto n° 2.072/96, seria irrelevante a natureza e eventuais alterações na quantidade e valor das máquinas e equipamentos adquiridos no mercado nacional, desde que atendida à proporcionalidade prevista. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 26 17 Em resumo afirma: “Há nestes autos prova de que a Recorrente adquiriu bens de capital no mercado nacional em valor superior ao exigido no acordo firmado. Há também documentos que comprovam que a ABIMAQ/SINDIMAQ aceitou as alterações (flexibilização) havidas na relação das máquinas indicadas no anexo II do acordo. Por fim, existe, nestes autos, a confirmação de que para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio são irrelevantes as alterações relativas à natureza, aos valores e às quantidades, desde que cumprida à proporcionalidade.” Nesta questão, em relação ao acórdão recorrido, efetua a afirmativa que a seguir se transcreve: “Notese que, em nenhum momento, foram sequer citados os documentos apresentados pela Recorrente às fls. 627/629 e 630/633. Tais documentos comprovam que a ABIMAQ/SINDIMAQ. bem como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, concordam com as alterações relativas ao Anexo II (flexibilização) e reconhecem o cumprimento do acordo pela Recorrente, uma vez que as máquinas e equipamentos adquiridos no mercado nacional atingiram a proporção exigida pelo Decreto n° 2.072/96.” Sobre esta última afirmativa, constatase que. de fato, o Acórdão recorrido não faz qualquer referência a tais documentos.É que a impugnação da contribuinte, como já ressaltado, nada abordou sobre os mesmos , até porque, tais argumentos só foram trazidos no recurso voluntário. Os documentos mencionados, quais sejam, Manifestação da ABIMAQ/SINDIMAQ sobre o cumprimento das obrigações firmadas no Acordo lavrado em 16/09/1998 (anexado à efl. 653) e a Manifestação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a respeito da aplicação do Decreto nº 2072, de 14/11/1996 (anexado à efl. 657), são documentos pós constituídos.” Necessário se faz analisar os fatos descritos pela I. Relatora. Disse a relatora que a Recorrente inovou seus argumentos trazendo em sede de Recurso Voluntário alegações referentes ao cumprimento das exigências do Regime Automotivo pelo atendimento à proporção. Neste aspecto a Recorrente trouxe documentos nos quais o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior apresenta exatamente este entendimento, de que “não importa a natureza das máquinas e equipamentos produzidos no País que foram adquiridos e nem eventuais alterações na quantidade e valor, e sim que o valor total dessas aquisições atenda a proporção.” Relata ainda a Conselheira que estes documentos (Manifestação da ABIMAQ/SINDIMAQ – efls. 653/657), não foram considerados pelas autoridades administrativas de primeira instância, posto que apresentados após o recurso de impugnação. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 27 18 Ainda, da leitura do voto da Conselheira Relatora percebese que os documentos foram aceitos como prova, posto que são documentos novos, expedidos após a apresentação da Impugnação. Realmente, conforme se depreende da análise das Manifestações, os documentos anexados às efls 563/657 tratamse de documentos novos, uma vez que datados de 24/10/2005 e 30/11/2005, respectivamente e a Impugnação foi interposta em 21/06/2005 e lfls. 603 e segs.). De acordo com o Decretolei 70.235/76 que rege as regras do processo administrativo fiscal federal, deverão ser aceitas as provas apresentadas a destempo que se referirem a “fato ou direito superveniente”, verbis: Decretolei 70.235/76 “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.” – destaquei É exatamente esta a questão dos autos. Estes documentos não foram considerados pelos julgadores administrativos quando da análise dos autos e decisão. Inclusive esclarece a Conselheira Relatora: “de fato, o Acórdão recorrido não faz qualquer referência a tais documentos.É que a impugnação da contribuinte, como já ressaltado, nada abordou sobre os mesmos , até porque, tais argumentos só foram trazidos no recurso voluntário.” E mais, o Decreto 2.072/83, artigo 6º, §2º, prevê a possibilidade de alteração da proporção, o que daria “validade” aos documentos e à análise dos documentos trazidos à colação pela Recorrente, as saber: Decreto n° 2.072/97 “Art. 6o A proporção entre as aquisições de "Bens de Capital", produzidos no País, e as importações de "Bens de Capital" com Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10831.005551/200553 Acórdão n.º 3302002.696 S3C3T2 Fl. 28 19 redução do imposto de importação, deverá ser, no mínimo, por ano calendário, de um por um até 31 de dezembro de 1997 e de um e meio por um a partir de 1 o de janeiro de 1998. (...) § 2o A proporção a que se refere o caput deste artigo poderá ser alterada por acordo entre as entidades de classe representativas da indústria brasileira de bens de capital e a empresa interessada, homologado pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo." (destaquei) Desta forma, a meu sentir, a decisão de primeira instância administrativa que deixou de analisar os documentos novos trazidos pela Recorrente 7 anos antes do acórdão deve ser anulada para que outra seja proferida, agora com a análise dos documentos apresentados. Ante o exposto, é o presente para conhecer do recurso e ANULAR a decisão de primeira instância para que outra seja proferida. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.911307/2009-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 30 7/ 20 09 -9 9 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911307/200999 Resolução nº 3801000.629 S3TE01 Fl. 495 2 Relatório Tratase de processo de PER/DCOMP em que a Delegacia da Receita Federal de origem não homologou a compensação declarada. O despacho decisório baseouse em análise do direito de crédito limitada ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, que constatou que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não tendo restado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN) e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 26/12/1996. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual afirma que: i) Incluiu na base de cálculo da contribuição social receita de serviços prestados a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, o que acarretou pagamento indevido ou maior que o devido do tributo, tecendo argumentos de direito sobre a matéria. ii) Retificou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDACON para excluir as receitas provenientes do exterior da base de cálculo do tributo. iii) Em 15/07/2009, retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF para alteração do débito anteriormente declarado e, com isso, poder utilizar o pagamento indevido na compensação objeto da DCOMP previamente formalizada. iv) O DACON e a DCTF retificadores não devem ter sido processados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, o que teria motivado a não homologação da compensação. v) O processamento das obrigações acessórias retificadoras evidenciaria que o DARF informado no PER/DCOMP não se encontra vinculado a nenhuma outra quitação e, por conseguinte, disponível para compensação com outros tributos federais. Pede o processamento das retificações, confirmandose a existência do crédito em seu favor, e que a decisão seja reformada, reconhecendose o crédito e homologandose a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CORREÇÃO DE INFORMAÇÕES. COMPROVAÇÃO. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911307/200999 Resolução nº 3801000.629 S3TE01 Fl. 496 3 Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes, consistentes na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de dívida.” Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual, entendendo que a decisão de primeira instância administrativa fundamentase no fato de que a data da DCOMP é anterior à da DCTF retificadora e que não foram apresentadas provas fiscais e contábeis do crédito, assevera que: i) Em virtude do expressivo volume de documentos e livros que comprovam seu direito ao crédito pleiteado, junta planilha e cópias de contratos, fichas e documentos que comprovam algumas operações exemplificativas do que alegado; ii) Em razão das retificações promovidas, há indébito tributário, uma vez que o valor recolhido deixou de ser totalmente utilizado para pagamento de tributo. iii) A DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF apresentada anteriormente, nos termos da IN RFB nº 903/2008, vigente à época da retificação. iv) A retificação entregue, de forma espontânea, no prazo legal e segundo as formalidades previstas, torna o valor apontado na declaração retificadora legítimo e faz prova a favor da contribuinte, motivo pelo qual qualquer discussão sobre o montante apontado na DCTF retificadora deveria ter sido iniciada pela autoridade fiscalizadora, não pela Delegacia de Julgamento. v) O despacho decisório não alega ou contesta nada em relação às retificadoras. vi) O despacho decisório e o acórdão recorrido cercearam o direito de defesa, por isso são nulos, ma vez que: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911307/200999 Resolução nº 3801000.629 S3TE01 Fl. 497 4 a) o primeiro não lhe deu oportunidade para, em momento anterior a sua emissão, apresentar justificativas e documentação detalhadas e não contém fundamentação coerente que lhe desse a conhecer as razões que levaram à decisão. b) o segundo apresenta argumento até então não considerado, o de serem necessárias provas robustas sobre a verdade material, quando não seria mais possível apresentar tais provas. Tece, novamente, argumentos sobre o direito aplicável. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911307/200999 Resolução nº 3801000.629 S3TE01 Fl. 498 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Ambas as decisões estão fundamentadas e permitiram à contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, ainda que o despacho decisório contenha erro, como se verá adiante. Para o presente caso, os artigos 165 e 170 do CTN deixam claro a necessidade de que tenha ocorrido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido e que o direito de crédito seja líquido e certo. Aquele que alega possuir direito deve proválo, conforme dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente. O pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF, logo, tributo devido, e, por isso, o DARF referente a este pagamento não provava a existência de indébito líquido e certo, uma vez que a DCTF retificadora não havia sido considerada no despacho eletrônico. A falta de apresentação de provas em contrário implica considerar verdadeiros os valores informados na DCTF. Logo, a necessidade de apresentação de provas quanto ao direito de crédito está presente desde o início do processo. Não é algo que surge apenas no acórdão recorrido. Mesmo se não estivesse, em se tratando de processos de PER/DCOMP eletrônico, em que não tenha havido intimação da RFB exigindo documentos antes da expedição do despacho decisório, admitemse provas com o recurso voluntário, quando se prestem a contrapor as decisões de primeira instância administrativa, em obediência ao art. 16, §4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, assegurandose, assim, o direito de defesa. De fato, a contribuinte juntou documentos ao recurso voluntário com a intenção de provar seu direito, cuja análise não se promoverá apenas por restar prejudicada, em virtude do que se propõe no decorrer deste voto. Concluise que não houve cerceamento do direito de defesa. Sobre a DCTF retificadora. A contribuinte formalizou e transmitiu DCTF retificadora que foi recebida via internet por agente receptor SERPRO em 15/07/2009, antes da emissão do despacho decisório em 01/02/2012. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911307/200999 Resolução nº 3801000.629 S3TE01 Fl. 499 6 A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da recepção da DCTF retificadora, dispunha: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (...) § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.” O comando de que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB nº 903, de 2008. No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria efeitos. Logo, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de crédito, não a original. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911307/200999 Resolução nº 3801000.629 S3TE01 Fl. 500 7 Para tanto, a RFB poderia efetuar os procedimentos fiscais que entendesse necessários para apurar a idoneidade das informações da DCTF retificadora e a liquidez e certeza do crédito. Por basearse em elementos incorretos, o despacho decisório deve ser anulado. O CARF já se manifestou neste sentido, conforme ementa do acórdão nº 3403 001.288, de 09/11/2011, da 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em que o Conselheiro Ivan Allegretti foi designado para redigir o voto vencedor. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA BASEADA EM DADOS DEFASADOS DE DCTF. INFORMAÇÕES RETIFICADAS POR DCTFRETIFICADORA APRESENTADA EM MOMENTO ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO. Decisão eletrônica que nega homologação à Declaração de Compensação pelo fundamento de que o DARF, do qual teria originado o crédito indicado pelo contribuinte na compensação, teria sido integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF em relação ao mesmo período de apuração. A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já haviam sido alterados por meio de DCTFretificadora transmitida antes da notificação da decisão. Decisão anulada.” Sobre os efeitos da anulação do despacho decisório O Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911307/200999 Resolução nº 3801000.629 S3TE01 Fl. 501 8 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A distinção entre nulos e sanáveis mostra que o Decreto nº 70.235, de 1972, aceita a separação entre atos nulos e anuláveis, logo, aceita a possibilidade de que a anulação de um ato ou uma decisão administrativa produza efeitos ex nunc. No caso deste processo, o despacho decisório foi proferido por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa, logo, a irregularidade verificada pode sanada. Em decorrência, propõese que a anulação do despacho decisório se opere com efeitos a partir desta decisão. Os demais argumentos do recurso voluntário restam prejudicados. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular o despacho decisório com efeitos ex nunc, devendo a Delegacia da Receita Federal de origem proceder à nova análise do direito de crédito pleiteado com base na DCTF retificadora, inclusive quanto à questão de mérito, submetendo o novo despacho decisório ao rito do Decreto nº 70.235, de 1972, nos termos do art 74, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911307/200999 Resolução nº 3801000.629 S3TE01 Fl. 502 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Redator Designado Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas que teriam sido pagas a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON e DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação da DCTF feita pela recorrente foi posterior à apresentação da DCOMP e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Tal procedimento é disciplinado em atos normativos da Receita Federal do Brasil, conforme autorização prevista no art. 74 da Lei 9.430/1996. Em relação a alegação de nulidade, conforme dispõe o art. 59 do PAF, ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso vertente, a recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS a receita decorrente dos serviços prestados a clientes residentes ou domiciliada no exterior, apresentando ainda as razões de direito atinentes ao caso e juntando documentação comprobatória. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Assim, entendo não ser passível de nulidade o despacho decisório guerreado se presentes os requisitos legais atinentes e o devido processo legal foi obedecido, em especial, o contraditório e ampla defesa. Não obstante as alegações da recorrente, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911307/200999 Resolução nº 3801000.629 S3TE01 Fl. 503 10 que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Registrese, por oportuno, que, apesar de não existir norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, no caso em tela a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo, sendolhe ofertada posteriormente essa oportunidade quando da instalação do contraditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de 1ª Instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto das contribuições do PIS e da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior das contribuições do PIS e da COFINS, conforme as operações apontadas pela recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais elementos que julgar necessários; b) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10070.001019/2003-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS. PRAZO.
A aferição dos requisitos de liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, trazidos em declaração de compensação, é dever da Autoridade Fazendária, e deve ser feita no prazo legal de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1302-001.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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SALDO NEGATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. PROVA. IRRF. DIREITO AO APROVEITAMENTO. Ao restar comprovado que as receitas financeiras em questão impactaram positivamente tanto o resultado contábil quanto o fiscal, deve ser reconhecido o direito do contribuinte ao aproveitamento do correspondente imposto retido na fonte. Irrelevante, para fins do imposto de renda, se o impacto positivo se deu mediante crédito em conta de receita ou, como no caso concreto, mediante crédito em conta de despesa, reduzindo despesa e, da mesma forma, majorando o resultado do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS. PRAZO. A aferição dos requisitos de liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, trazidos em declaração de compensação, é dever da Autoridade Fazendária, e deve ser feita no prazo legal de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 10 19 /2 00 3- 54 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10070.001019/200354 Acórdão n.º 1302001.448 S1C3T2 Fl. 383 2 Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório COMPANHIA BRASILEIRA DE OFFSHORE, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I / RJ, que deferiu parcialmente os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DERAT/RJ. Trata a lide de três Declarações de Compensação (fls. 3/9) – em que o direito creditório alegado é o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002, no valor de R$ 1.927.372,61. O ocorrido foi bem sintetizado no relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. 2 A autoridade lançadora, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJO), após ter instruídos os autos com as consultas às fls. 16/55, proferiu o Despacho Decisório/Parecer Conclusivo n. 179, de 14.05.2008, (fls.55/60), de cuja fundamentação se extrai: a) segundo consulta à Dirf, o interessado auferiu rendimentos brutos de R$ 18.158.942,51 (fls.28/32), sofrendo retenções de IRRF, de R$ 3.632.121,75; b) porém, na DIPJ do anocalendário de 2002 (ficha 6A Demonstração do Resultado e ficha 43 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte), informou, a título de Outras Receitas Financeiras (linha 24 da ficha 6A), o valor de apenas R$ 10.478.081,20; c) por isso, a autoridade lançadora considerou que o declarante contrariou o art. 2º, § 4º, inciso III, da Lei n°. 9.430, de 1996, segundo o qual devem ser computados na determinação do lucro real os rendimentos referentes ao IRRF deduzido no cálculo do IRPJ; d) a autoridade lançadora glosou o valor total deduzido a título de IRRF na ficha 12A (R$ 1.853.583,06), observando que "os elementos constantes do processo não permitem concluir pelo valor do IRRF", por não estar demonstrada e comprovada a composição da base de cálculo da receita de R$ 10.478.081,20, que poderia comportar aplicação de alíquotas diferenciadas e abranger receitas Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10070.001019/200354 Acórdão n.º 1302001.448 S1C3T2 Fl. 384 3 de juros, descontos obtidos, lucro em operação de reporte, prêmio de resgate de títulos ou debêntures, e variações monetárias ativas; e) as estimativas a pagar informadas na DIPJ somam R$ 923.532,89 (fevereiro: R$ 242.495,36 e março: R$ 449.922,19, às fls.21; abril: R$ 59.527,51 e agosto: R$ 171.577,83, às fls.22), enquanto que, na composição do saldo negativo, o interessado declarouas pelo valor de R$ 2.701.727,35 (fls.25), infringindo, segundo a autoridade lançadora, o disposto no art. 2º, par. 4º, inciso I, da Lei no. 9.430, de 1996; f) ante a isso, a autoridade lançadora expurgou da ficha 12A da DIPJ (fls.25) o valor do IRRF declarado, e retificou o valor das estimativas (de R$ 2.701.727,35 para R$ 923.532,89); g) assim, em lugar de saldo negativo de IRPJ, a autoridade lançadora apurou IRPJ a pagar, no valor de R$ 1.704.404,98 (quadro abaixo), e não reconheceu o direito creditório pleiteado nem homologou as compensações efetuadas, determinando a cobrança dos débitos indevidamente compensados, informando, ainda, que a ocorrência seria objeto de representação fiscal à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Rio de Janeiro: [Quadro II Cálculo do IRPJ a Pagar Ficha 12A da DIPJ do anocalendário de 2002 – fl. 260] 3 Agora, em Manifestação de Inconformidade, às fls.74/83, o interessado diz que o Despacho Decisório "está completamente equivocado, na medida em que a requerente procedeu ao correto reconhecimento de suas receitas e à exata dedução das antecipações do imposto". 4 Afirma que a auditoria na DIPJ "deveria ter sido promovida até 31.12.2007, à luz do § 4º do art. 150 do CTN, e, o que o Fisco homologa "não é o pagamento feito, mas a atividade exercida pelo contribuinte de verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificarse como sujeito passivo e informar o fisco". 5 Sustenta que Fisco e contribuinte estão submetidos ao mesmo prazo decadencial no que se refere a alterações em DIPJ, de sorte que, "ultrapassado o termo final, a atividade do contribuinte resta tacitamente homologada, e, o eventual débito tributário, extinto", tornando imutáveis os dados declarados. 6 Reproduz ementas dos Conselhos de Contribuintes, aduzindo que "também existem precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes em matéria análoga, tratando sobre o prazo para a fiscalização efetuar a glosa dos saldos de prejuízo fiscais e bases negativas de CSLL" (Ac. 10806921, de 17.04.2002). 7 Reafirma que, ainda que tivesse omitido receitas, "competiria à fiscalização, porém dentro do prazo legal e com fundamento no art. 149, inc.V, do CTN, efetuar o lançamento de ofício, com a exigência de eventual diferença de imposto". 8 No mérito, propriamente dito, afirma que não discute o fato de que os rendimentos auferidos totalizaram R$ 18.158.942,51, "mesmo porque esse é exatamente a somatória dos rendimentos informados na ficha 43 da DIPJ", conforme quadro que elabora, às fls.78, abaixo reproduzido: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10070.001019/200354 Acórdão n.º 1302001.448 S1C3T2 Fl. 385 4 [Quadro III – fls. 261/262] 9 Diz que a alegação de omissão de receitas não se sustenta porque, na DIPJ, nem todos os valores estão informados sob a mesma rubrica, pois o valor de R$ 7.790.507,83, constante dos rendimentos fornecidos pelo Banco Votorantim S/A, está incluído na linha 36, na ficha 6A, destinada a "Outras Despesas Financeiras", referindose a resultado positivo apurado em contrato de hedge, celebrado em moeda estrangeira, que teve por base financiamentos lastreados em moeda estrangeira, e que, por se referir à dívida, foi contabilizado em conta de variação monetária passiva. 10 Acrescenta que, "apesar de a conta variação monetária passiva sobre hedge ter saldo credor de R$ 22.109.243,12, as demais contas do grupo possuem saldo devedor. Em 31.12.2002, o grupo de contas denominado "Outras Despesas Financeiras" apresenta saldo devedor de R$ 19.281.500,39, conforme consta da ficha 6A, linha 36 da DIPJ". 11 Conclui que, dessa forma, "a inclusão dos rendimentos constantes do informe apresentado pelo Banco Votorantim na linha 36 da ficha 06A implicou tão somente a redução do saldo correspondente às "Outras Despesas Financeiras" da requerente, não acarretando qualquer diminuição de seu resultado tributável, relativo ao anocalendário de 2002". 12 Diz que, embora os informes de rendimentos "dificilmente coincidirão com os da DIPJ, uma vez que outros valores deverão ser adicionados ou subtraídos dos rendimentos constantes dos informes", está apresentando demonstrativos e respectivos lançamentos contábeis (doc. 10 e 11), restando "cabalmente comprovada a exatidão dos valores informados na DIPJ e a inexistência da omissão de receitas alegada pela fiscalização que serviu de fundamento para não homologar o direito creditório". 13 No que tange às estimativas, sustenta que a evidência de que a presunção do Fisco é totalmente infundada está no confronto entre os valores declarados na DIPJ como antecipação (IRRF e estimativas), e as informações do Despacho Decisório, conquanto, naquela, as antecipações somam R$ 4.555.310,41, enquanto que este último admite que as antecipações somam R$ 4.555.310,55 (R$ 3.631.787,66, de IRRF; e R$ 923.522,89, de estimativas recolhidas). 14 Afirma que, em razão disso, "globalmente considerados não há diferença substancial entre os montantes declarados na DIPJ, a título de antecipação do imposto de renda (IRRF e estimativas mensais) e aqueles efetivamente recolhidos", e "o máximo que poderia ter ocorrido seria um erro na distribuição das linhas correspondentes ao IRRF e às estimativas, mas que em nenhum momento poderia macular o direito creditório da requerente". 15 Diz que foram ignoradas as seguintes instruções de preenchimento da DIPJ/2003, baixadas pela própria Receita Federal, relativamente à Linha 12A/13: Indicar o valor correspondente ao imposto de renda retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto devido. Informar, também, o valor do imposto pago ou retido na fonte do período, a título de antecipação, correspondente a rendimentos ou receitas que integram o lucro real, inclusive o retido sobre rendimentos auferidos em operações day trade. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10070.001019/200354 Acórdão n.º 1302001.448 S1C3T2 Fl. 386 5 Atenção: No caso de apuração anual do imposto, não devem ser incluídos os valores do imposto retido ou pago durante o anocalendário e que tenham sido deduzidos nos recolhimentos mensais do imposto. Os valores excedentes de imposto de renda retido na fonte não utilizados na apuração do imposto de renda mensal, no transcorrer do anocalendário devem ser informados nesta linha, independentemente de limite; Não há limite de dedução do imposto de renda na fonte para as pessoas jurídicas que apuram o imposto de renda trimestral; Linha 12A/16 Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativas Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação de pagamento a maior e/ou indevido, compensação do saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, compensação solicitada por meio de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos por meio de darf 16 Assim, prossegue, do total retido pelas fontes pagadoras R$ 3.631.787,66 , R$ 1.778.204,46 foram utilizados na dedução das estimativas mensais a recolher, restando R$ 1.853.583,06, que foi o valor informado na ficha 12A, linha 13 da DIPJ, e que, somandose R$ 1.778.204,46 ao montante recolhido por meio de darfs (R$ 923.522,89), temse R$ 2.701.727,35, que é o valor informado na ficha 12A, linha 16 da DIPJ. 17 Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de documentos e pela realização de perícia. 18 Requer a reforma do Despacho Decisório com a subseqüente homologação das declarações de compensação apresentadas. Informa, por fim, que a matéria não foi submetida à apreciação judicial. 19 Com a Manifestação de Inconformidade vieram os documentos de fls.84/228, entre eles, informes de rendimentos e folhas do Livro Razão A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I / RJ analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1226.108, de 11/09/2009 (fls. 257/270), deferiu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PROVA PERICIAL. REJEIÇÃO. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10070.001019/200354 Acórdão n.º 1302001.448 S1C3T2 Fl. 387 6 Indeferese o pedido para a realização de perícia, formulado sem a observância dos requisitos estabelecidos na lei de regência, ainda mais quando concernente a provas que a lei determina sejam apresentadas com a manifestação de inconformidade. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PRAZO PARA REVISÃO. Para fins de reconhecimento de direito creditório, a comprovação da certeza e liquidez do saldo negativo de IRPJ não está limitada pelo prazo decadencial a que está submetido o lançamento de ofício. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA SOBRE HEDGE. As alegações desacompanhadas de provas não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal. COMPENSAÇÃO. RECEITAS TRIBUTADAS. IRRF. Integram o saldo negativo de IRPJ o valor das retenções na fonte cujas receitas correspondentes foram oferecidas à tributação. Por pertinente, esclareço que a decisão acima considerou comprovado que o contribuinte incluiu em sua declaração rendimentos no valor de R$ 10.368.434,60, aos quais corresponde imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 2.073.686,09 (Quadro VI, fl. 268). Esse valor de IRRF foi aceito a reduzir o imposto devido. Ciente da decisão de primeira instância em 08/09/2011, conforme documento de fl. 302, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 07/10/2011 (registro de recepção à fl. 304, razões de recurso às fls. 305/318), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, a recorrente reitera suas alegações acerca da decadência do direito do Fisco efetuar a revisão da DIPJ apresentada pelo contribuinte, entendendo aplicável o art. 150, § 4º, conjugado com art. 149, § único, ambos do CTN. No mérito, a recorrente busca mais uma vez esclarecer a correção de seus procedimentos, que todos os rendimentos teriam sido incluídos na apuração e que provas disso constariam dos autos. Em suas palavras (fl. 316): Com efeito, às fls. 175 destes autos, a recorrente acostou um demonstrativo, por ela elaborado, dos rendimentos e IRRF decorrentes de operações de Swap no Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10070.001019/200354 Acórdão n.º 1302001.448 S1C3T2 Fl. 388 7 anocalendário de 2002. Neste quadro, ela aponta que o rendimento de R$ 7.790.507,83, auferido em dezembro daquele ano, encontravase registrado na conta 3.2.03.09.0013 de seu livro razão, assim como o registro do IRRF de R$ 1.558.101,56 na conta 1.1.05.02.0011 do mesmo livro. No entanto, no mesmo documento de fls. 175, a recorrente esclarece, em nota, que o valor do rendimento de R$ 7.790.507,83 havia sido originalmente contabilizado na conta 3.2.03.09.0012, em 26.12.2002, mas sido transferido, em 30.12.2002, para a conta 3.2.03.09.0013. Ora, a cópia do livro razão com a conta 3.2.03.09.0012, onde foi feito originalmente o registro do rendimento de R$ 7.790.507,83, foi acostada à manifestação de inconformidade, e encontrase às fls. 221 destes autos. Da mesma forma também o registro do IRRF incidente sobre aquele rendimento foi acostado aos autos e encontrase às fls. 176. Da mesma forma que às fls. 150 se encontram o Informe de Rendimentos referente ao anocalendário de 2002, emitido pelo Banco Votorantim S. A. constando o rendimento auferido, o IRRF e o valor líquido recebido pela recorrente. De modo que não procede a alegação de que a recorrente não teria juntando aos autos documentos que comprovem o oferecimento à tributação do rendimento de R$ 7.790.507,83. [...] Não obstante, apenas para que não restem mais dúvidas quanto à correção do cálculo do saldo negativo do anocalendário de 2002 levado a termo pela recorrente, ela pede vênia para acostar novamente a estes autos cópia do livro razão onde consta o registro do rendimento na conta 3.2.03.09.0012 e de sua transferência em 31.12.2002 (doc. 1), bem como a cópia do razão onde consta, na conta 3.2.03.09.0013, o registro da transferência do rendimento (doc. 2) e a cópia do razão que registra, na conta 1.1.01.02.0001 (doc. 3), em 26.12.2002, o valor de R$ 6.232.406,26, referente ao rendimento apurado já líquido do IRRF (R$ 7.790.507,83 R$ 1.558.101,56 = R$ 6.232.406,26). Seguem também cópias do Contrato de Swap (doc. 4), do Termo de negociação da operação (doc. 5) e dos comprovantes de contratação e liquidação da avença (docs. 6 e 7), onde se pode ver o valor bruto da liquidação do contrato, o montante retido de IRRF e o valor líquido, correspondentes aos valores informados na DIPJ/2003 e registrados na contabilidade da requerente, conforme acima exposto. Com isso, a interessada entende ter provado suas alegações. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10070.001019/200354 Acórdão n.º 1302001.448 S1C3T2 Fl. 389 8 Preliminarmente, deve ser examinada a alegação da recorrente acerca da decadência do direito do Fisco efetuar a revisão da DIPJ apresentada, entendendo aplicável o art. 150, § 4º, conjugado com art. 149, § único, ambos do CTN. Não assiste razão à recorrente. Os dispositivos legais por ela mencionados, especialmente o art. 150 do CTN, dizem respeito à decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários mediante lançamento. Diversa, no entanto, é a situação sob exame. Tratase, aqui, de declarações de compensação, nas quais o contribuinte traz um alegado direito creditório para encontro de contas e extinção de débitos tributários, também de sua titularidade. Não se trata, pois, de lançamento para constituição de crédito tributário, mas de compensação tributária, com regramentos específicos, a saber, o art. 170 do CTN e o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10070.001019/200354 Acórdão n.º 1302001.448 S1C3T2 Fl. 390 9 Como se vê, a compensação somente pode ser feita se presentes os requisitos de liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A aferição desses requisitos constitui obrigação da Autoridade Fazendária a quem incumbe a homologação da compensação declarada, e deve ser feita no prazo legal de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso concreto, as declarações foram apresentadas em 15/05/2003 (fls. 3, 6 e 8), e a decisão da Autoridade Fazendária foi proferida em 14/05/2008 (fl. 68), com ciência pessoal ao representante do contribuinte na mesma data (fl. 69). Referida decisão nada mais fez do que verificar a liquidez e certeza do crédito alegado, dele expurgando as parcelas que considerou tratarse de deduções indevidas. Não há que se falar, portanto, nem em decadência do direito de constituir crédito tributário (pois não se discute aqui lançamento), nem em homologação tácita das declarações apresentadas. No mérito, após a decisão de primeira instância, a lide se resume às receitas financeiras no montante de R$ 7.790.507,83 e ao correspondente imposto de renda retido na fonte de R$ 1.558.101,57. A Unidade de origem considerou que as receitas não teriam sido oferecidas à tributação, pelo que o imposto retido a elas correspondente não poderia ser aproveitado no ajuste, entendimento esse confirmado pela Turma Julgadora a quo. Não há litígio acerca de terem sido efetivamente auferidos os rendimentos, nem sobre o imposto ter sido de fato retido pela fonte pagadora Banco Votorantin S/A (vide extrato da DIRF à fl. 39). A questão é se os rendimentos teriam ou não sido oferecidos à tributação. Sustenta a interessada que sim, e que a fiscalização não teria identificado as receitas na DIPJ em virtude de terem sido contabilizadas não como receitas, propriamente, mas como redução de despesas (crédito em conta de despesa). Justifica seu procedimento afirmando que a receita em questão teria sido auferida em operação de hedge, vinculada a dívida contraída em moeda estrangeira. Assim, apesar de se tratar de receita, foi contabilizada como redução de despesa. Sem discutir a correção ou não do procedimento adotado, do ponto de vista contábil, o fato é que, para fins do imposto de renda, não haveria distinção entre a contabilização de uma receita majorada ou de uma despesa a menor. Resta verificar se as afirmações da interessada são sustentadas pelas provas acostadas ao processo. A Autoridade Julgadora em primeira instância já havia procedido à análise das alegações da interessada, em particular da composição da linha 36 da Ficha 6A “Outras Despesas Financeiras” da DIPJ (fl. 19), no total de R$ 19.281.500,38, vide itens 47 e 48, além do Quadro VII, da decisão recorrida. De fato, constam dos autos (fls. 200/246) extratos do razão de todas as contas de despesas cujos saldos (devedores) vieram a integrar o montante levado a débito do resultado na linha 36 da Ficha 6A da DIPJ. Naquela ocasião, no entanto, entendeu o julgador em primeira instância que faltou exatamente o extrato da conta 3.2.03.09.0013, cujo saldo (credor), ao ser levado ao resultado, reduziria o montante das “Outras Despesas Financeiras”. E é exatamente esta a prova (ou melhor, a complementação da prova) trazida agora aos autos. Compulsando os autos, encontro: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10070.001019/200354 Acórdão n.º 1302001.448 S1C3T2 Fl. 391 10 · Doc. 01 – fls. 359/361 – Extrato do razão da conta 3.2.03.09.0012 (0946212) – Var. Mon. Passiva s/ Empréstimos. Em 26/12/2002 há lançamento a crédito de R$ 7.790.507,82, com o histórico “Ganho s/ swap de taxas Banco Votorantin”. Em 31/12/2002, o mesmo valor foi lançado a débito, com o histórico “Transf. P/cta 0946213”. · Doc. 02 – fls. 362/363 – Extrato do razão da conta 3.2.03.09.0013 (0946213) – Var. Mon. Passiva s/ Hedge. Em 31/12/2002 há lançamento a crédito de R$ 7.790.507,82, com o histórico “Transf. P/cta 0946213”. Na mesma data, a conta foi encerrada, sendo seu saldo de R$ 22.109.243,12 (credor) transferido mediante débito de igual valor para o resultado do exercício. · Fls. 367/379 Contrato de SWAP entre a interessada e o Banco Votorantin S/A, e Termo de Negociação referente à operação específica aqui tratada, além de documentos comprobatórios da liquidação da operação, coincidente em data (26/12/2002) e valores (tanto o rendimento quanto o imposto retido) com os registros contábeis. Considero, então, provado que os ganhos financeiros em operação de hedge contratada com o Banco Votorantin S/A, no montante de R$ 7.790.507,82, impactaram positivamente o resultado contábil e, em decorrência, também o resultado fiscal. Em assim sendo, o contribuinte faz jus ao aproveitamento do correspondente imposto retido na fonte, no total de R$ 1.558.101,57. Irrelevante se esse impacto positivo no resultado se faz mediante crédito em conta de receita ou, como no caso concreto, mediante crédito em conta de despesa, posto que o efeito no resultado é o mesmo. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário interposto, reconhecendose ao contribuinte o direito ao aproveitamento, no saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, de IRRF no valor de R$ 1.558.101,57 além do montante já reconhecido em primeira instância e homologando as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13888.004173/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2008
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
BOLSA DE ESTUDOS. DEPENDENTES DOS FUNCIONÁRIO. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos aos empregados, mesmo em sendo os beneficiários os dependentes dos mesmos, insere-se na norma de não incidência.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores relativos à bolsa de estudos a dependentes de funcionários e, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Recorrente CASA DOS VELHINHOS DE SÃO PEDRO E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2008 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. BOLSA DE ESTUDOS. DEPENDENTES DOS FUNCIONÁRIO. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos aos empregados, mesmo em sendo os beneficiários os dependentes dos mesmos, inserese na norma de não incidência. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 41 73 /2 00 9- 57 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores relativos à bolsa de estudos a dependentes de funcionários e, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.004173/200957 Acórdão n.º 2402004.146 S2C4T2 Fl. 693 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra contribuinte que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 62/85) referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, no período de 12/2004 a 12/2008, dos estabelecimentos matriz e filial. O lançamento tem por fatos geradores i) o pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais por serviços prestados à empresa auditada; ii) as mensalidades de bolsa de estudo concedida pela escola a dependentes de segurados empregados a serviço da filial 0002, em função da previsão nas Convenções Coletivas de Trabalho; iii) caracterização da segurada Talita C. marine como empregada. Nos termos do relatório fiscal, a Casa dos Velhinhos de São Pedro e o Colégio Cidade de Piracicaba celebraram contrato prestação de serviços de gestão escolar na escola São Vicente de Paulo, sendolhes atribuída solidariedade tributária com a emissão de termo de sujeição passiva solidária n° 01/2009. Ainda nos termos do relatório fiscal, foi lavrada Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção das Contribuições Previdenciárias em face da Casa dos Velhinhos de São Pedro, por descumprimento dos incisos III, IV e V do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Em 26/04/2007 foi expedido Ato Cancelatório de Recolhimento da Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/001/2007, com efeitos retroativos a 01/01/2002. Em face do ato cancelatório foi interposto recurso que, através do acórdão n° 20600.881 de 03/06/2008, teve provimento negado com manutenção do cancelamento da isenção. Intimada da autuação, a primeira Recorrente – Casa dos Velhinhos de São Pedro – apresentou impugnação de fls. 381/391. Por sua vez, às fls. 413/423, a segunda Recorrente – Colégio Cidade de Piracicaba – apresentou suas razões de impugnação. Ás fls. 377/378 foram apensados ao presente processo os de n° 13888.004174/200900, 13888.004175/200946, 13888.004176/200901, 13888.004177/2009 35 e 1388.004172/200911. Às fls. 528/540, foi proferido acórdão julgando as impugnações improcedentes sob os seguintes fundamentos: 1) Com relação à impugnação da Casa dos Velhinhos de São Pedro, impossível a análise da isenção da contribuição patronal vez que a matéria é objeto de processo judicial, restando não conhecida a impugnação nesse aspecto; Fl. 694DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2) As bolsas de estudos fornecidas aos dependentes dos funcionários não atendem aos requisitos estabelecidos em lei para gozo de isenção previdenciária; 3) A simples disposição na convenção coletiva de que os valores recebidos a título de bolsa de estudos a dependentes não integram o salário de contribuição não tem força de alterar a sua natureza, uma vez que predominam as normas de direito público, sendo inafastáveis por convenções particulares; 4) O enquadramento da segurada contribuinte individual Talita Cassia Marine como segurada empregada encontrase devidamente justificado no relatório fiscal (fls. 79/80), onde estão devidamente demonstrados todos os pressupostos do art. 12, I, alínea a da Lei n° 8.212/91, quais sejam a pessoalidade, a não eventualidade, a subordinação e a onerosidade; 5) O ato cancelatório de isenção tem natureza meramente declaratória, devendo seus efeitos retroagirem à data em que a entidade deixa de respeitar um dos requisitos legais, nos termos do art. 233, § 6°, da IN n° 971/2009; 6) Sobre a impugnação do Colégio Cidade de Piracicaba, as impugnantes não estão em situação de bilateralidade. Estão no mesmo pólo da relação com interesses iguais; 7) O interesse comum na relação constitui o fato gerador da obrigação, criando solidariedade entre as partes. Intimadas do resultado do julgamento, as Recorrentes interpuseram recursos voluntários de fls. 547/558 e 573/583 (Casa dos Velhinhos) e fls. 603/613 (Colégio Cidade de Piracicaba), nos quais alegaram, respectivamente: Casa dos Velhinhos de São Pedro: 1) Não há concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo uma vez que naquela a Recorrente trata da necessidade ou não do cancelamento da isenção e neste se discute questões atinentes ao valor devido; 2) Necessária aplicação do art. 62, Decreto n° 70.235/72 para suspensão do processo administrativo durante a pendência do processo judicial, tendo em vista a decisão que determinou a suspensão da exigibilidade das contribuições patronais porventura apuradas; 3) Descabida a cobrança de contribuições previdenciárias em face da Recorrente porque não feridos os requisitos da lei n° 8.212/91; 4) Não incidência das contribuições sobre os valores pagos a título de bolsa de estudos a dependentes de empregados, uma vez que a lei não estabelece a quem o benefício deva ser direcionado, devendo apenas visar a educação básica, o que é obedecido pela Recorrente; 5) As bolsas de estudos concedidas ficam limitadas à idade escolar; Fl. 695DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.004173/200957 Acórdão n.º 2402004.146 S2C4T2 Fl. 694 5 6) Somente ao juiz trabalhista cabe o reconhecimento de vínculo empregatício entre duas partes, não podendo a autoridade fiscal assim fazer; 7) A segurada Talita C. Marine foi contratada pela Recorrente somente em março/2009 como empregada, podendo somente a partir desta competência ser considerada segurada empregada; 8) Descabida a retroatividade do ato cancelatório de isenção por sua natureza constitutiva, devendo ser excluídas todas as competências anteriores à data da notificação da Requerente acerca da decisão final que ratificou o Ato Cancelatório; 9) O Colégio Cidade de Piracicaba ao gerir a casa dos velhinhos de São Pedro descumpriu cláusula de contrato de gestão, beneficiandose ao utilizar o nome da entidade beneficente e se confundir com a mesma, resultando o desvio de finalidades institucionais e equiparandoa a uma empresa com fins lucrativos; 10) Não foi a pessoa jurídica que teve sua finalidade desvirtuada, e sim a pessoa física por ela responsável que agiu de forma ilícita, devendo a responsabilidade ficar integralmente a cargo do Colégio Cidade de Piracicaba, nos termos da Cláusula 2,4 do Contrato de Gestão celebrado; Colégio Cidade de Piracicaba: 1) A Recorrente foi contratada para administrar, gerir, organizar, supervisionar e planejar o Colégio São Vicente de Paula (filial da primeira recorrente) a pagamento fixo mensal, não tendo sua remuneração vinculada ao faturamento ou lucro da contratante; 2) Não há solidariedade da responsabilidade tributária em face do Colégio Cidade de Piracicaba, vez que ausente interesse comum na situação que dá origem ao fato gerador. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, os recursos voluntários atendem a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual deles conheço. Sem preliminares. Recurso da Casa dos Velhinhos de São Pedro Da decisão judicial proferida em favor da Recorrente Pretende a Recorrente a suspensão do processo administrativo fiscal nos termos do art. 62 do Decreto n° 70.235/72 sob o fundamento da existência de decisão judicial proferida em sede de antecipação de tutela que determinou a suspensão da exigibilidade das contribuições previdenciárias supostamente apuradas. A medida judicial a que a Recorrente faz referência é ação declaratória de n° 2009.61.09.0130721, em trâmite perante a 1ª Vara Federal de Piracicaba, em que figura como autora e discute a anulação do Ato Cancelatório de Isenção expedido com fundamento no descumprimento de requisitos previstos pelo art. 55, III, IV e V da Lei n° 8.212/91. A Recorrente obteve decisão favorável datada de 18/12/2009, determinando a suspensão da exigibilidade de créditos relacionados às contribuições patronais pautados no Ato Cancelatório. Na mesma linha, em 03/11/2011 foi proferida sentença julgando procedente o pedido da Recorrente, nos seguintes termos: “[...] Assim, a anulação do ato cancelatório n. 21.424.1/001/2007 é medida que se impõe. Pelo exposto, com fundamento no artigo 269, inciso I do Código de Processo Civil, JULGO PROCEDENTES os pedidos expostos na inicial, para determinar a anulação do ato cancelatório n. 21.424.1/001/2007, bem como, sua decisão notificação, devendo ainda a ré se abster de efetuar o lançamento do montante apurado em relação à contribuição previdenciária patronal e de lavrar certidão de dívida ativa ou ajuizar execução fiscal. [...]” A União Federal, por sua vez, interpôs recurso de apelação face a sentença proferida e, em despacho proferido em 12/06/2012, o juízo de primeira instância recebeu o recurso em seu duplo efeito, sustando os efeitos da sentença de procedência até o julgamento final do feito. Os autos atualmente aguardam julgamento do recurso. Assim, não conheço do Recurso no que tange o gozo do benefício, em função da existência de discussão judicial, nos termos da Súmula nº 1 deste Conselho. Da delimitação do objeto da autuação O presente auto de infração tem por objeto as contribuições patronais não recolhidas pela primeira Recorrente, especificamente no que diz respeito aos pagamentos realizados aos prestadores de serviços, às bolsas de estudos por ela fornecidas aos dependentes Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.004173/200957 Acórdão n.º 2402004.146 S2C4T2 Fl. 695 7 de seus empregados e o equivocado enquadramento da segurada Talita como contribuinte individual quando na verdade seria segurada empregada. A autuação decorreu da emissão do ato cancelatório da isenção até então gozada pela Recorrente em razão de sua qualidade de entidade beneficente sem fins lucrativos, mas não cabe neste processo a discussão quanto a sua validade, sendo a questão discutida em processo administrativo próprio (PAF n° 35418.000591/200511) não julgado, bem como no processo judicial acima mencionado. Neste processo, portanto, cabenos exclusivamente verificar as contribuições a serem recolhidas diante do cancelamento da isenção, nos termos do relatório fiscal. Do recolhimento das contribuições sobre os pagamentos realizados a prestadores de serviços Com relação aos serviços prestados à Recorrente, a autoridade fiscal apurou que esta, no gozo da isenção posteriormente cancelada, efetuou recolhimentos apenas referentes à parte dos segurados, deixando de efetuar os recolhimentos na forma do art. 22, I, da Lei n° 8.212/91. O levantamento foi efetuado mediante análise das notas fiscais emitidas no período e sequer foi rebatido pela Recorrente em sede de recurso voluntário, razão pela qual mantenho o crédito nesse ponto. Da incidência de contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos concedidas a dependentes de empregados Discutese se as bolsas de estudos concedidas pela Recorrente aos dependentes de seus funcionários, que estejam em idade escolar, nos termos da convenção coletiva, devem ser inclusas na base de cálculo das contribuições previdenciárias por sua natureza remuneratória. A autoridade fiscal considerou para inclusão destas verbas na base de cálculo das contribuições o fato de as benesses não serem fornecidas diretamente aos empregados e sim a seus dependentes, bem como que a previsão legal que exclui a verba do conceito de salário (Art. 458, da CLT) deve ser aplicada para fins trabalhistas exclusivamente. Neste ponto, pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas, entendese que a pretensão da Recorrente deva ser acatada. Os requisitos para aplicação da regra de isenção estão previstos no art. 28, § 9°, alínea ‘t’, da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.711/1998, que eram: i) o valor não poderia ser utilizado em substituição de parcela salarial; ii) o plano educacional deveria ser disponibilizado a todos os empregados e dirigentes. Posteriormente, houve alteração dessa regra pela Lei n° 12.513/2011, modificando os requisitos para a obtenção da isenção, inclusive não exigiu mais o requisito de que o acesso ao plano educacional deveria ser extensivo a todos os empregados (requisito ii), e incluiu, no âmbito da isenção, a concessão de bolsa de estudos aos dependentes dos empregados. Assim, considerando o grau de retroatividade média da norma previsto pelo art. 106, I, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sujeito passivo face as alterações trazidas, que é a inserção dos dependentes dos segurados empregados dentro da regra de isenção. De acordo com o § 2° do art. 458, da CLT, os valores pagos a titulo de educação não compreendem salário pago aos funcionários, não havendo amparo legal para exigência da contribuição sobre esta rubrica: CLT: Art. 458. [...] § 2°. Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; Ademais, em matéria tributária não se pode autorizar a incidência de tributo porque a lei não a exclui expressamente da sua base de cálculo. Tratandose de contribuição compulsória, é necessário que haja explícita previsão legal determinando a sua incidência. Neste mesmo sentido: “[...] BOLSAS DE ESTUDO. FORNECIDAS AOS DEPENDENTES E AOS FUNCIONÁRIOS (EMPREGADOS). NÃO INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A concessão de bolsas de estudo aos empregados e aos dependentes, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que atenta os requisitos da legislação previdenciária, inserese na norma de não incidência. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do auxílioeducação aos segurados empregados e aos dependentes, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. [...] Recurso Voluntário Provido em Parte.” (CARF, PAF 17883.000288/201015, Acórdão 2402003.868, Relator Cons. Ronaldo de Lima Macedo, sessão de 21/01/2014) Diante deste contexto, entendese que os valores relativos às bolsas de estudos concedidas aos dependentes de seus funcionários devem ser excluídos dos levantamentos BOLSA DE ESTUDO. Da condição de empregada da segurada Talita Cassia Marine O Relatório Fiscal, às fls. 79/80, aponta para o fato de que a segurada trabalhava como professora de literatura na escola (filial), ou seja, na atividade fim do estabelecimento. Ainda de acordo com a fiscalização, “havia subordinação ao cumprimento do horário estipulado para as aulas e de procedimentos administrativos obrigatórios, como Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.004173/200957 Acórdão n.º 2402004.146 S2C4T2 Fl. 696 9 preenchimento do Diário de Classe – assinado pela professora – com anotação de presença/ausência dos alunos, com matéria ministrada em cada aula, com notas de aproveitamento dos alunos [...]’. Mais ainda, a fiscalização demonstra claramente a caracterização do vínculo empregatício com a presença dos requisitos estabelecidos pelo art. 3° da CLT, quais sejam a subordinação, permanência, pessoalidade, onerosidade (com pagamentos mensais, inclusive), etc. A Recorrente, por sua vez, não traz argumentos que desconstituam os dados colocados pela fiscalização, limitandose a afirmar que a segurada somente foi formalmente contratada na qualidade de empregada a partir de março/2009, sem esclarecer o vínculo verificado no período de 06/2007 a 11/2008. Desta feita, mantenho o crédito neste ponto. Da multa aplicada Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/1991). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP n° 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. O Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência de parte dos fatos geradores, são duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.004173/200957 Acórdão n.º 2402004.146 S2C4T2 Fl. 697 11 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. A regra acima mencionada, portanto, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso das demais competências, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Assim, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Recurso do Colégio Cidade de Piracicaba Da Responsabilidade Solidária O recurso da Recorrente limitase a alegar ausência na responsabilidade solidária junto à primeira Recorrente, sob o fundamento de que sua remuneração não era vinculada ao faturamento ou lucro da escola e que seus objetivos não eram comuns como afirmado pela fiscalização. O contrato de gestão juntado nos presentes autos tem por objeto a gestão escolar da ‘Escola de Educação Infantil, Ensino fundamental e Médio ‘São Vicente de Paulo’ pela Segunda Recorrente. A fiscalização, ao tratar da responsabilidade solidária das Recorrentes afirmou que: “16. Em matéria tributária, a solidariedade abrange pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, insto é, interesse e participação direta. [...] 20. Por parte da Casa dos velhinhos de São Pedro, [...] tornase óbvio o interesse, visto que a Escola de Educação Infantil Fundamental e Ensino Médio ‘São Vicente de Paulo’ é filial, enquadrandose na finalidade de ‘explorar a atividade educacional’, presente no Estatuto [...]. 21. Por parte do Colégio Cidade de Piracicaba [...] o interesse na gestão escolar da Escola de Educação Infantil Fundamental e Ensino Médio ‘São Vicente de Paulo’ fica bem especificado nas declarações presentes tanto na Informação Fiscal quanto no acórdão do Conselho de Contribuintes. 22. Assim, tal Gestão Escolar é interessante à empresa Contratada que, indiretamente, se beneficiava da isenção de contribuições que gozava a Contratante. [...] 24. Como a contratada é empresa comercial, com fins lucrativos, caso resolvesse instalar uma filial na cidade de São Pedro, arcaria com toda a parte previdenciária, todo o ônus trabalhista e demais responsabilidades. Assim, esse contrato de gestão escolar permite que se opere uma escola com, no mínimo, baixo ônus previdenciário, visto que se resume a contribuição da parte dos segurados, paga pela Contratante.” A cláusula 3.1 do Contrato de Gestão, por sua vez, prevê que: “3.1 – Os honorários serão pagos de acordo com o desempenho financeiro da Escola de Educação Infantil Fundamental e Ensino Médio ‘São Vicente de Paulo, objeto deste contrato, que será correspondente ao valor do superávit apresentado Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.004173/200957 Acórdão n.º 2402004.146 S2C4T2 Fl. 698 13 mensalmente, após a dedução da transferência referida no item 2.10.” Ou seja, tanto para a primeira quanto para a segunda Recorrente, o bom funcionamento e desempenho da escola seriam interessantes, não restando dúvidas de que seus interesses nesta relação são comuns, atingindo o disposto no art. 124, I, do CTN que estabelece: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...]” Em complemento, o contrato de gestão, em suas cláusulas 2.6 e 2.7.1 estabelece a responsabilidade integral da contratada em arcar com todos os débitos previdenciários contraídos durante a gestão. Sendo assim, mantenho a responsabilização solidária e, portanto, nego provimento ao recurso da segunda recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto pelo conhecimento em parte do recurso da primeira Recorrente, para, na parte conhecida, reconhecer a exclusão dos valores relativos à bolsa de estudos a dependentes de funcionários e, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Conheço o recurso da segunda Recorrente e a ele nego provimento. Em função da pendência de julgamento da Ação Judicial n° 2009.61.09.0130721, determino a suspensão dos atos executórios consequentes desse acórdão até o trânsito em julgado da referida demanda. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.906279/2012-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/07/2010
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 79 /2 01 2- 91 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/07/2010 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906279/201291 Acórdão n.º 1802003.246 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11831.003691/2001-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1988 a 31/03/1992
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões de mérito.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1988 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões de mérito. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente Substituto (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1988 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões de mérito. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 36 91 /2 00 1- 26 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Cuidase de recurso especial fundado no art. 37, § 2º, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 67, e seguintes, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, interposto em face do Acórdão nº 310100.265, sob a ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/11/1988 a 31/03/1992 Finsocial. Restituição. Decadência. O direito à restituição de indébitos decai em cinco anos. Nas restituições de valores recolhidos para o Finsocial mediante o uso de alíquotas superiores a 0,5%, o dies a quo para aferição da decadência é 31 de agosto de 1995, data da publicação da Medida Provisória 1.110, expedida em 30 de agosto de 1995. Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Cuidase de pedido de reconhecimento de direito creditório, decorrente de recolhimentos indevidos mediante a aplicação de alíquotas superiores a 0,5% vinculados aos fatos geradores do período de : 01/11/1988 a 31/03/1992. Foi protocolizado o pedido de compensação em 14/12/2001. Assim, assiste razão ao recorrente, em relação à nova tese apresentada no Recurso Especial, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11831.003691/200126 Acórdão n.º 9303003.035 CSRFT3 Fl. 226 3 sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de compensação em 14/12/2001, os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição, o que não ocorreu em algumas competências no presente caso, pois o fato gerador mais remoto foi em novembro de 1988. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, está prescrito o direito a se pleitear a restituição nas competências novembro de 1988 a novembro de 1991. Ante o exposto voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo para considerar não prescrito o direito ao pedido nas competências de dezembro de 1991 a março de 1992. O provimento foi total porque o pedido se ateve à aplicação dos dez anos anteriores ao protocolo do pedido. Os autos devem retornar à unidade preparadora para a análise do mérito em relação ao período não prescrito especificado acima. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003535/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES.
Não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas ao segurado empregado a título de terço constitucional de férias e sobre a remuneração devida pelo empregador nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Integram o salário de contribuição as parcelas pagas ao segurado empregado a título de horas extras e abonos não excluídos pela lei, por constituírem remuneração para fins previdenciários.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, auxílio-doença nos primeiros quinze dias de afastamento e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Vencida a relatora quanto à multa aplicada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Redator Designado.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas ao segurado empregado a título de terço constitucional de férias e sobre a remuneração devida pelo empregador nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Integram o salário de contribuição as parcelas pagas ao segurado empregado a título de horas extras e abonos não excluídos pela lei, por constituírem remuneração para fins previdenciários. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA DE MORA. Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, auxílio-doença nos primeiros quinze dias de afastamento e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Vencida a relatora quanto à multa aplicada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Redator Designado. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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SUBROGAÇÃO. Recorrente MUNICÍPIO DE CODÓ CÂMARA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas ao segurado empregado a título de terço constitucional de férias e sobre a remuneração devida pelo empregador nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Integram o salário de contribuição as parcelas pagas ao segurado empregado a título de horas extras e abonos não excluídos pela lei, por constituírem remuneração para fins previdenciários. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 35 35 /2 00 9- 10 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, auxíliodoença nos primeiros quinze dias de afastamento e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Vencida a relatora quanto à multa aplicada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Redator Designado. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 155 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0344.315 da 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ BrasíliaDF, f. 97106, com ciência ao sujeito passivo em 12/12/2011, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP lavrado sob o Debcad no 37.226.2619. De acordo com o relatório fiscal de f. 4345, o AIOP se refere à exigência de contribuições para a Seguridade Social a cargo dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais, arrecadadas mediante desconto sobre a remuneração dos segurados e não integralmente repassadas à Seguridade Social, no período de 01/2005 a 12/2008. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento dos segurados empregados e dos recibos de pagamentos/notas de empenhos de pagamentos a contribuintes individuais. Os beneficiários dos pagamentos, os valores pagos e as fontes dos dados estão discriminados em planilhas juntadas ao Processo Principal no 10.320.003536/200964 (Debcad no 37.226.2627), acompanhadas de cópias dos documentos que embasaram o lançamento, juntadas por amostragem. O lançamento se refere à parte não informada em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, conforme discriminativo de f. 4647. Foi feita representação ao Ministério Público Federal para, se assim entender, propor ação penal por crime de apropriação indébita previdenciária. A empresa autuada apresentou impugnação abrangendo todas as matérias do lançamento tributário. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. Em 20/12/2011 o sujeito passivo, por intermédio de advogado qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, f. 120146, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Alega que parte das contribuições exigidas no auto de infração é indevida porque se refere a parcelas da remuneração que não integram o salário de contribuição, pagas aos servidores a título de 1/3 de férias, horas extras e a devida nos quinze primeiros dias de afastamento do ambiente de trabalho por motivo de doença. Sustenta que o valor devido pela empresa nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença tem a mesma natureza do benefício do auxílio doença, pois lhe falta o caráter de contraprestação de atividade laboral, requisito da remuneração, conforme definição do art. 3o caput da CLT, no qual se esteia o art. 195 inc I da CF/88, ao definir a folha de salários como hipótese de incidência de contribuições previdenciárias. Apresenta doutrina neste sentido. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Argumenta que o adicional de 1/3 de férias não possui natureza remuneratória, pois o empregado não está efetivamente prestando serviços ou à disposição do empregador, o que contraria o art. 28 da Lei 8.212/91. Cita decisão do Supremo Tribunal Federal proferida no RE nº 389.903DF, reconhecendo a natureza indenizatória dessa verba. Entende descabida a incidência de contribuições sobre as horas extras e os abonos pagos porque não integram os proventos de aposentadoria. Cita decisão do Superior Tribunal de Justiça proferida no ROMS nº 14346DF, corroborando seu entendimento. Com relação à penalidade aplicada, suscita a inconstitucionalidade do art. 35 da Lei nº 8.212/91, argumentando que esse dispositivo possui percentuais progressivos de multa no decorrer do tempo e em razão da prática de atos administrativos, funcionando também como compensação pela mora do contribuinte, cujo papel cabe, na verdade, aos juros de mora, em verdadeira sobreposição. Argumenta, ainda, que a multa progressiva no tempo não guarda adequação e congruência com a conduta objeto de punição, o que ofende o princípio da razoabilidade, da proibição do excesso e da vedação ao confisco, pois o percentual de multa pode variar até 100% do valor do crédito tributário. Acrescenta que o Supremo Tribunal Federal vem coibindo multas excessivas mediante invocação do art. 150, inc. IV, da CF. Suscita a inconstitucionalidade da taxa Selic, argumentando ser aplicável a Lei 11.960/2009, que alterou o art. 1o – F da Lei 9.494/97, determinando a incidência, nas condenações impostas à Fazenda Pública, dos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, a TR – Taxa Referencial, conforme dispõe a Lei nº 8.660/93. Pede pela declaração de nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos para sua admissibilidade. Terço Constitucional de Férias. Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou entendimento no sentido de que o adicional de 1/3 constitucional de férias e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença não possuem caráter remuneratório, afastando a incidência da contribuição previdenciária sobre essas verbas. Consolidou este entendimento a decisão do STJ no REsp nº 1.230.957, submetido ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), cujos trechos da ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 156 5 DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9°, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção Documento desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". (...) 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3°, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2a Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2a Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1a Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1a Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 (...) Com relação ao terço constitucional de férias, o STJ acompanhou a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme se vê nos trechos das seguintes decisões do STJ: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1. A Primeira Seção do STJ considerava legitima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão da natureza jurídica do terço constitucional de férias, considerado como verba compensatória e não incorporável à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose à posição sedimentada no Pretório Excelso, no sentido de que não incide Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional de férias, dada a natureza indenizatória dessa verba. Precedentes: EREsp 956.289/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe 10/11/2009; Pet 7.296/PE, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 10/11/2009. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1123792/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/03/2010, DJe 17/03/2010) EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. INOVAÇÃO RECURSAL. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCABIMENTO. VIOLAÇÃO DA CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. INOCORRÊNCIA. (...) 2. "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas." (AgRgEREsp n° 957.719/SC, Relator Ministro Cesar Asfor Rocha, Primeira Seção, in DJe 16/11/2010). (...) (AgRg no REsp 1.221.674/SC, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, DJe 18/04/2011). Em se tratando de temas já absolutamente pacificados no âmbito do STF e STJ, não vejo como deixar de adotar o mesmo entendimento, o que não significa afastar a aplicação de norma ou legislação de direito tributárioprevidenciário, mas tão somente adotar precedentes os quais claramente, ao se discutir acerca da natureza de cada uma das verbas em Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 157 7 questão, fixaram entendimento de que não se tratam de retribuição para o trabalho, situação que as afasta da incidência das normas previstas no art. 28 da Lei 8.212/1991. Com base no exposto, concluise que as verbas pagas a título de terço constitucional de férias e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença não integram o salário de contribuição, dada a sua natureza indenizatória. Horas Extras. Abonos Integram o salário de contribuição as horas extras e os abonos, conforme previsto no art. 28 da Lei 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Deixo de apreciar a alegação de incompatibilidade do art. 28 da Lei 8.212/91 com o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, por força da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Para fins previdenciários, a remuneração é composta por todos os ganhos, ainda que variáveis e eventuais, com exceção das parcelas elencadas no § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91, o qual não excluiu do salário de contribuição os valores recebidos pelo segurado empregado a título de horas extras e abonos permanentes. No mesmo sentido o § 1o do art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) dispõe que integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, horas extras, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. O STJ tem jurisprudência no sentido de que o recebimento de horas extras, para efeitos de incidência de contribuição previdenciária, configura remuneração e não indenização. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. SALÁRIO MATERNIDADE. HORASEXTRAS, ADICIONAIS NOTURNO, DE INSALUBRIDADE E DE PERICULOSIDADE. NATUREZA JURÍDICA. VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA. ACÓRDÃO Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 RECORRIDO QUE DECIDIU A CONTROVÉRSIA À LUZ DE INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL. (...) As verbas recebidas a título de horas extras, gratificação por liberalidade do empregador e adicionais de periculosidade, insalubridade e noturno possuem natureza remuneratória, sendo, portanto, passíveis de contribuição previdenciária. (...) (STJ, AgRg no Ag 1330045/SP, Ministro Relator Luiz Fux, Primeira Turma, Data do Julgamento: 16/11/2010, Data da Publicação: 25/11/2010). Portanto, rejeito a alegação, mantendo a incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamento de horas extras e abonos. Multa de Mora O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 158 9 contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106, inciso II, do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo (art. 35 A), pois incluído em lançamento tributário (chamada de multa de ofício) que é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento de débito nos casos de ii) falta de declaração ou de iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: para a primeira, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; para a segunda, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 O caso em exame trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento não espontâneo, incluído em lançamento tributário que é o caso conforme visto, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. Ressaltase que não é possível negar vigência ao art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da Lei 9.528/97 porque o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 02. No caso concreto, o relatório fundamentos legais do débito, f. 4041, revela que sobre os valores lançados nas competências 02/2007 a 11/2008, houve incidência da multa a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 159 11 prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99 e na competência 12/2008 foi aplicada a multa de que trata o art. 35A da Lei 8.212/91, incluído pela MP 449/2008. Ficou consignado nos autos que, no momento do pagamento, a multa mais benéfica será calculada de acordo com a sistemática aqui apontada, nos termos do art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Diante disso, ratifico a sistemática da multa aplicada, observado o limite de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Juros. Taxa Selic A apreciação de arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa Selic) também é incabível na esfera administrativa, nos termos do Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. O art. 1oF da Lei 9.494/97 limitase às hipóteses de pagamento de verbas remuneratórias devidas a servidores e empregados públicos, conforme jurisprudência do STJ. Ademais, há legislação específica tratando da taxa de juros aplicáveis em matéria tributária, a qual deve prevalecer, por se tratar de lei especial. Com efeito, a utilização da Taxa Selic como taxa de juros está embasada na Lei 8.212/91, art. 34, para os fatos geradores ocorridos até 11/2008 e art. 35, na redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c Lei 9.430/96, art. 61, para os fatos geradores ocorridos após 12/2008, não podendo, a autoridade administrativa, deixar de observar a lei, sob pena de incorrer em ilegalidade. O Código Tributário Nacional embora, em seu art. 161, § 1º, refira à taxa de 1% ao mês, o faz em caráter supletivo, deixando à lei, expressamente, a possibilidade de dispor de modo diverso. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) Convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Em síntese, são rejeitadas as alegações sobre essa matéria, de modo que se mantém a taxa de juros aplicada com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic. Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias e sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 160 13 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes – redator designado Multa de mora Insurgese a recorrente a multa moratória. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo a essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 161 15 recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão6: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; 6 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 162 17 c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 163 19 publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003535/200910 Acórdão n.º 2402004.153 S2C4T2 Fl. 164 21 Por tudo, voto pelo provimento parcial para ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, auxíliodoença nos primeiros quinze dias de afastamento e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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