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Numero do processo: 10120.731437/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
OPERAÇÕES COM DEBÊNTURES. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. ABUSO DE DIREITO. INDEDUTIBILIDADE.
O fato de os atos ou negócios jurídicos virem a ser executados de acordo com as formalidades previstas na legislação societária e comercial, não garante por si só, a dedutibilidade prevista na legislação tributária.
Empréstimos entre coligadas e emissão de debêntures, com utilização de empresa veículo, quando o negócio substancialmente realizado teria sido o de subscrição e integralização de capital, visando a redução da carga tributária, condutas articuladas antes mesmo da ocorrência do fato gerador, implica em planejamento tributário abusivo, mais especificamente, elisão abusiva.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL.
Mantida a glosa das despesas de participação de debêntures, procedem também as exigências referentes à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, conseqüentes da glosa das despesas de participação de debêntures, tendo em vista que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL.
CONFRONTO ENTRE VALORES ESCRITURADOS COM OS DECLARADOS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. IRPJ E CSLL.
Quando comprovado que, apesar de o contribuinte não ter declarado certos débitos em DCTF, extinguiu parte desses débitos mediante compensação, o lançamento de ofício se revela descabido nessa parte, tendo em vista que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101-002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202-003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303-003.385, CSRF, 3ª Turma).
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. CABIMENTO.
É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, fraude e conluio caracterizados pela comprovação de atos simulados.
Numero da decisão: 1402-002.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário quanto ao mérito da exigência. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à imputação da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por reduzir a multa ao percentual de 75%. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor em relação a essa matéria.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto De Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. ABUSO DE DIREITO. INDEDUTIBILIDADE. O fato de os atos ou negócios jurídicos virem a ser executados de acordo com as formalidades previstas na legislação societária e comercial, não garante por si só, a dedutibilidade prevista na legislação tributária. Empréstimos entre coligadas e emissão de debêntures, com utilização de empresa veículo, quando o negócio substancialmente realizado teria sido o de subscrição e integralização de capital, visando a redução da carga tributária, condutas articuladas antes mesmo da ocorrência do fato gerador, implica em planejamento tributário abusivo, mais especificamente, elisão abusiva. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL. 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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 14 37 /2 01 2- 28 Fl. 9973DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.974 2 Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303 003.385, CSRF, 3ª Turma). MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, fraude e conluio caracterizados pela comprovação de atos simulados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário quanto ao mérito da exigência. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à imputação da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por reduzir a multa ao percentual de 75%. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor em relação a essa matéria. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto De Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Fl. 9974DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.975 3 Relatório Adoto a integra do relatório da DRJ, com as necessárias atualizações. Tratase de autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A. para exigir IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2007, 2008, 2009 e 2010, no valor total de R$ 736.061.772,54. Nos referidos lançamentos, a autoridade fiscal imputou à contribuinte as seguintes infrações: (1) despesas inexistentes de participação de debêntures com reflexos na apuração do IRPJ e da CSLL; (2) compensação indevida de prejuízo fiscal; (3) compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL; (4) falta de recolhimento e de declaração em DCTF do IRPJ; e (5) falta de recolhimento e de declaração em DCTF da CSLL. Na apuração do crédito tributário referente às infrações (1), (2) e (3), o agente fiscal aplicou a multa ex officio qualificada de 150%, enquanto que na apuração do crédito tributário referente às infrações (4) e (5), o agente fiscal aplicou a multa ex officio de 75%. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Das despesas inexistentes de participação de debêntures A ação fiscal foi instaurada para a verificação da regularidade da operação de emissão de debêntures, pela fiscalizada, e dos respectivos efeitos tributários relacionados à dedução, na apuração do lucro real, do valor calculado a título de participação de debêntures nos mencionados anos. De acordo com a autoridade fiscal, durante o procedimento, foram utilizados os seguintes elementos probatórios: (1) informações e documentos apresentados pela fiscalizada, pela debenturista e por terceiros relacionados às operações investigadas, em atendimento a intimações da fiscalização; (2) declarações prestadas pelos representantes legais da fiscalizada, da debenturista e de terceiros, lavradas em termos de declarações; (3) documentos apresentados pelas juntas comerciais; (4) informações obtidas junto aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (RFB). (3) Do extenso e detalhado Relatório Fiscal de fls. 8.930/9.095, merecem destaque as seguintes informações iniciais que dizem respeito à contextualização do grupo Yamaha: 4. No decorrer dos trabalhos verificamos que a controladora indireta da fiscalizada captou recursos no exterior (por meio de empréstimos e de ações colocadas no mercado) e transferiu esses recursos para o Brasil, a título de empréstimos entre coligadas, para outra empresa do mesmo grupo. Esta, por sua vez, utilizou tais recursos para aquisição das debêntures emitidas pela fiscalizada e por uma terceira empresa do mesmo grupo que também emitiu debêntures. 5. Desse modo, houve a necessidade de ampliar a análise fiscal ao conjunto de operações que compõem essa estrutura montada com a finalidade de capitalizar a fiscalizada (e outra empresa do mesmo grupo que também emitiu debêntures), conforme detalharemos adiante. Fl. 9975DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.976 4 6. Com base na análise dos elementos probatórios colhidos durante a ação fiscal demonstraremos, ao longo do presente relatório, que o aporte de recursos na fiscalizada para o desenvolvimento de suas atividades de mineração tratase, na sua essência, de integralização de capital travestido de operação de emissão de debêntures participativas, tendo como único objetivo a redução da carga tributária. (...) 10. Para fins de uniformização e clareza, damos abaixo a definição adotada para os termos e nomes de empresas mais utilizados no presente relatório. 10.1 "Grupo Yamana" significa o conjunto de empresas, situadas em diversos países, controladas direta ou indiretamente pela empresa canadense Yamana Gold Inc. 10.2 "Yamana" significa Yamana Gold Inc., empresa sediada no Canadá, constituída sob as leis daquele país, controladora, direta ou indireta, das empresas que compõem o Grupo Yamana. 10.3 "Amulet"" significa Amulet Limited, empresa constituída sob as leis das Ilhas Cayman. 10.4 "DPL" significa Debênture de Participação nos Lucros. 10.5 "Maracá" ou "fiscalizada" significa Mineração Maracá Indústria e Comércio S.A. empresa constituída sob as leis do Brasil, conforme acima identificada. 10.6 ""Emissora", no presente relatório, significa a Maracá Indústria e Comércio S.A., empresa constituída sob as leis do Brasil, conforme acima identificada, na condição de emissora de DPL. 10.7 ""Serra da Borda" significa Serra da Borda Mineração e Metalurgia S.A., empresa integrante do Grupo Yamana, constituída sob as leis do Brasil, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o n° 05.640.971/000170. 10.8 "PTAPAR" significa PTAPAR Participações Ltda, empresa integrante do Grupo Yamana, constituída sob as leis do Brasil, inscrita no CNPJ sob o n° 06.225.177/0001 72. 10.9 "Debenturista" significa a PTAPAR na qualidade de adquirente de DPL emitidas pela Maracá. 10.10 "YDM" significa Yamana Desenvolvimento Mineral S.A., empresa integrante do Grupo Yamana, constituída sob as leis do Brasil, inscrita no CNPJ sob o n° 05.725.958/000163. 10.11 "DIKAIOS" significa DIKAIOS Serviços Empresariais LTDA, empresa constituída sob as leis do Brasil, inscrita no CNPJ 05.324.334/000134. 10.12 "Price" significa PricewaterhouseCoopers Corporate Finance & Recovery Ltda., empresa contratada pela Maracá para elaborar um relatório, no qual são identificadas referências de mercado relativas ao retorno sobre investimentos em mineração no Brasil, com base em informações disponíveis publicamente. 10.13 "Minera" significa Minera Yamana Inc., CNPJ 09.583.496/000148, empresa sediada no Canadá, constituída sob as leis daquele país, controlada diretamente pela Yamana. (...) Fl. 9976DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.977 5 11. A Maracá é uma sociedade anônima fechada, integrante do Grupo Yamana, sediada no Município de Alto Horizonte/GO, que tem como atividade principal, junto ao CNPJ, a Extração de Minerais Metálicos NãoFerrosos não especificados, Código de Atividade Econômica Principal CNAE n° 07294, e que está submetida à apuração de seu resultado tributável com base no Lucro Real. 12. Constituída em 1994, a Maracá sucedeu e incorporou, em 1998, a Mineração Alonte, que, por seu turno, havia sucedido, em 1994, a Mineração Serras do Leste, que era uma subsidiária brasileira da mineradora canadense INCO1. Dessa forma, a Maracá se tornou detentora de 100% dos direitos minerários e dos direitos de propriedade da mina Chapada. Em 2003, a Mineração Santa Elina, que era a sócia majoritária da Maracá, foi adquirida pela Yamana, passando esta a deter todos os direitos sobre a mina Chapada, fl. 4. 13. O Projeto Chapada (ou Mina Chapada), assim denominado pelo Grupo Yamana, localizado em Alto Horizonte/GO, consiste em uma mina a céu aberto, com previsão inicial de 19 anos de vida útil e produção esperada de 172 mil toneladas de concentrado de cobre e ouro por ano, sendo que a implantação e a exploração do projeto couberam à Maracá na condição subsidiária brasileira da Yamana. 14. A Yamana, controladora indireta da Maracá, é uma mineradora sediada no Canadá que, por meio de suas subsidiárias, explora propriedades minerais situadas em diversos países, principalmente no Brasil, Argentina, Chile e América Central. É uma sociedade de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Valores de Toronto (TSX) sob o símbolo "YRI", na Bolsa de Nova York (NSYE) sob o símbolo "AUY" e na Bolsa de Valores de Londres (LSE) sob o símbolo "YAU".(...) 15. Os relatórios financeiros anuais divulgados ao mercado, fls. 5419/5571, demonstram que a Yamana, até 2004, era uma empresa com pouca representatividade econômica dentro do segmento de mineração. Das 05 (cinco) minas que possuía (Santa Cruz, na Argentina; Fazenda Nova, São Francisco/São Vicente, Fazenda Brasileiro e Chapada, no Brasil), somente duas estavam em operação: Fazenda Brasileiro e Fazenda Nova. Em 2004, a meta de crescimento do Grupo Yamana, como um todo, estava focada, primordialmente, na implantação/desenvolvimento dos projetos São Francisco/São Vicente2, no Mato Grosso, e Chapada, em Goiás, sendo que este último representava a maior aposta da Yamana, no Brasil, para produção de ouro e cobre. 16. Com o êxito verificado na exploração do projeto Chapada, a Maracá passou a obter expressivos resultados operacionais a partir de 2007, fato determinante para o vertiginoso fortalecimento da posição da Yamana no mercado, tendo sido verificada uma valorização excepcional de suas ações simultaneamente aos investimentos realizados no Brasil, tendo como carro chefe, as operações da Maracá. 17. Conforme será demonstrado neste relatório, a subsidiária Yamana Desenvolvimento Mineral S/A (YDM), CNPJ 05.725.958/000163, sediada em São Paulo/SP, coordena, no Brasil, a exploração dos empreendimentos minerários da Yamana como um todo, envolvendo os aspectos gerenciais, operacionais, administrativos, dentre outros. Ainda no referido Relatório Fiscal a autoridade promove a análise detalhada das informações e dos documentos obtidos durante a auditoria, cujo teor é exteriorizado em diferentes capítulos sucessivos, a saber: (1) Operação com debêntures formalizada pela fiscalizada; (2) Financiamento das operações do Grupo Yamana no Brasil; (3) Escritura de fideicomisso celebrada no exterior e partes envolvidas; (4) Do poder de comando da Amulet; (5) Da não utilização das debêntures para captação de recursos; (6) Da integralização das debêntures; (7) Empresa veículo PTAPAR; (8) Fl. 9977DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.978 6 Operações entre partes relacionadas; (9) Inconsistência do ágio; (10) Da negação da existência do ágio; (11) Do risco do investimento não assumido pela PTAPAR; (12) Crítica aos estudos da DIKAIOS definição do ágio e dos demais termos pela Fiscalizada; (13) Vantagem de manter controle acionário incoerência dos argumentos; (14) Não alienação das debêntures no caso concreto de insucesso do empreendimento contradição de seus próprios argumentos; (15) Alterações do percentual de remuneração inconsistência lógica; (16) Alterações do percentual de remuneração inconsistência jurídica; (17) Análise de outras inconsistências da operação com debêntures; (18) Do não pagamento do principal e da remuneração das debêntures conforme a escritura de emissão; (19) Demonstração do ganho do Grupo Yamana; (20) Da operação efetivamente realizada integralização de capital; e (21) Da simulação. Em arremate, o autor do feito fiscal asseverou que, após o início da fiscalização, a Maracá e a PTAPAR praticaram diversos atos com o intuito de legitimar sua operação de debêntures. Para corroborar essa afirmação, o agente fiscal ressaltou os seguintes aspectos, no mesmo Relatório Fiscal: ""(...) 495. Nesse sentido, em primeiro lugar, para justificar o atraso nos pagamentos das remunerações e de principal das debêntures, de milhões, conforme visto no tópico Do não pagamento do principal e da remuneração das debêntures conforme a escritura de emissão, a Maracá e a PTAPAR firmaram os Termos de Quitação, em 03/08/2010 e 27/12/2010, nos quais foram relacionados os pagamentos efetuados e confessados os saldos pendentes de pagamento nas respectivas datas de assinatura desses documentos. 496. No Termo de Quitação de 27/12/2010, além de registrar os valores pagos e o saldo pendente de pagamento, foi consignada a necessidade de se renovar o estudo econômico financeiro feito por empresa especializada de forma a investigar o possível desequilíbrio nas premissas da operação. Assim, a Maracá se comprometeu a contratar um novo estudo de uma empresa especializada e a Maracá e a PTAPAR concordaram em, até 30 de junho de 2011, com base em tal estudo, revisar e, se fosse o caso, renegociar os termos da Emissão por meio da assinatura do devido aditamento à Escritura, para preservar o alegado "equilíbrio econômicofinanceiro" da operação. 497. Em segundo lugar, em 2010, a PTAPAR adquiriu debêntures de uma nova emissão da Serra da Borda. Desta feita, porém, a operação de debêntures foi realizada nos padrões normais de mercado, isto é, sem ágio e remuneração com base em juros fixos (Termo de Declarações PTAPAR 26/04/2011 pergunta 27, fls. 3810/3849, e Escritura Particular da 2a. Emissão Privada de Debêntures arquivada na Junta Comercial do Estado do Mato Grosso, fls 8210/8232). 498. Em momento posterior, diante da dificuldade de esclarecer as dezenas de inconsistências demonstradas por esta fiscalização, a Maracá e a PTAPAR passaram a apresentar argumentos e justificativas que alterariam a natureza da operação realizada. 499. Nesse sentido, e como visto no tópico "Da negação da existência do ágio", a PTAPAR, que vinha se reportando a esta fiscalização sobre a questão do ágio elevado, após mais de um ano e meio de fiscalização na Maracá e mais seis meses de fiscalização na PTAPAR, passou a negar a existência desse ágio e criou uma nova tese para explicar a operação com debêntures. Passou a dizer que as "operações com debêntures se aproximam a "empréstimos onerosos" e que o "montante total entregue pelo debenturista nele incluído o principal e o prêmio de subscrição, corresponde ao valor emprestado que lhe deve ser restituído". 500. Como se percebe, as empresas, ao serem fiscalizadas e ao terem suas teses questionadas pela equipe da Receita Federal do Brasil, praticaram as ações acima na Fl. 9978DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.979 7 tentativa de legitimar sua operação de debêntures e de dar a aparência de que elas estariam vivenciando os seus efeitos. E, diante da dificuldade de esclarecer as inconsistências e contradições demonstradas por essa equipe, passaram, ao final, a apresentar justificativas que, na verdade, desnaturam a própria operação realizada." 2. Da compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL Constataram os agentes fiscais que a contribuinte compensou, em 2010, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL relativos ao anocalendário de 2009, no valor de R$3.813.431,10, cada. Com a glosa das participações de debêntures relativas ao ano de 2009, os mencionados prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL restaram inexistentes, razão pela qual os autores do feito procederam à glosa dos citados prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL compensados indevidamente pelo contribuinte. 3. Da falta de recolhimento e de declaração em DCTF do IRPJ e da CSLL Constataram os agentes fiscais que o contribuinte deixou de recolher e de declarar nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), parte do IRPJ e da CSLL devidos, relativos ao anocalendário de 2008, nos valores de R$ 3.655.938,35 e de R$ 3.800.446,04, respectivamente. A infração foi detectada pelo confronto dos dados escriturados com os valores declarados, o que gerou insuficiência de recolhimento desses tributos. II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 12/12/2012, a contribuinte MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A., irresignada, apresentou, em 10/01/2013, a impugnação de fls. 9.136/9.222. Em sua extensa peça de defesa, inicia a recorrente asseverando, em síntese, que as autoridades fiscais (1) tiraram conclusões pessoais sobre os fatos e informes recebidos, a fim de se permitirem concluir ter havido falsidade e dolo específico; (2) fizeram interpretações errôneas sobre os fatos e informes recebidos, inclusive sob o ponto de vista estritamente jurídico; (3) misturaram a situação da recorrente com ocorrências relativas à obrigações tributárias da debenturista (PTAPAR), inclusive questionando o critério contábil que esta utilizou para deduzir a amortização do prêmio de subscrição, e afirmando que foi adotado para esconder a dedução da amortização do ágio, que seria indevida; (4) deixaram de aplicar corretamente a lei, pois o que ocorreu na debenturista (PTAPAR), caso errado, deveria motivar autos de infração contra ela, não contra a emitente das debêntures (recorrente); (5) ignoraram os Pareceres Normativos CST n. 347/70, 23/77 e 4/81, no sentido de que a forma de contabilizar é de livre escolha do contribuinte, desde que não altere o lucro real, que é o que se deu na PTAPAR; (6) chegaram a suposições falsas, mediante sucessivas solicitações de esclarecimentos, sobre fatos já esclarecidos em documentos ou anteriores depoimentos de representantes da recorrente, mas que voltaram a ser objeto de novas inquirições e de cruzamento com inquirições a representantes da debenturista; a despeito da coerência entre a contabilidade e os documentos e as declarações prestadas em mais de uma vez e por mais de uma pessoa, os auditores fiscais, num procedimento mais afeito aos inquéritos policiais; (7) não se deram conta de que as relações econômicas não se desenrolam sempre e necessariamente com a imutabilidade das categorias jurídicas que proclamaram em tese, até porque, em qualquer ato ou negócio jurídico, não há qualquer Fl. 9979DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.980 8 impedimento para as partes repactuarem cláusulas e condições anteriormente acertadas; (8) não consideraram que as variações nos preços do metal e as alterações nas normas contábeis brasileiras modificaram completamente as previsões que se tinham sobre os lucros da recorrente quando da emissão das debêntures. Prossegue a recorrente, agora para rebater, um a um, o que, no seu entender, seriam os argumentos da autuação, ressalvando que se limitaria a contestar o que seria o essencial para demonstrar a improcedência do feito fiscal. Em síntese, apresenta a suplicante as seguintes considerações. 1. Do argumento fiscal de que a emissão de debêntures pela recorrente representaria simulação, eis que encobriria real aumento de capital Sustenta a contribuinte que não há como se confundir um ato jurídico com outro, uma vez que ambos têm disciplinas legais distintas e produzem efeitos jurídicos diferentes. Afirma que não altera esta distinção essencial o fato de que parte do valor captado na emissão de debêntures não seja restituível, uma vez que: (1) a própria lei prevê a possibilidade da cobrança de prêmio de subscrição; e (2) seu valor, segundo a mesma lei, não é creditado à conta de capital em proveito de quem o aporta, pois fica em uma reserva de capital para, caso capitalizada, ser distribuída proporcionalmente a todos os acionistas, sejam eles quem forem no momento da capitalização, o que pode inclusive não acontecer se a reserva for absorvida por prejuízos. Reportando à jurisprudência do antigo 1o Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aponta acórdãos que (1) consideraram indedutíveís apenas as parcelas de participação nos lucros atribuídas à debêntures nos casos em que não tenha havido efetiva captação de recursos novos; (2) reconheceram a dedutibilidade da amortização dos prêmios de emissão (ou ágios), mesmo nos casos de debêntures emitidas para subscrição dentro do grupo e com tais características; (3) mantiveram a glosa das participações atribuídas às debêntures, mas consideraram aplicável a multa de 75%, por entenderem que esta é aplicável quando se trate de qualificação jurídica do ato de emissão de debêntures, passível de discussões e opiniões distintas, acarretando inclusive a necessária aplicação do art. 112 do CTN, não sendo, portanto, hipótese de dolo intencional, que requer conhecimento inequívoco da ilegalidade e premeditada intenção de praticála. Entende que a fiscalização não pode pretender deixar de aplicar a norma prevista no art. 462, I, do RIR/99, sob a alegação de que as despesas foram inexistentes, quando houve o efetivo ingresso dos recursos financeiros pelos quais as debêntures foram subscritas, além de que eles foram aplicados nas atividades da recorrente, as quais geraram seus lucros tributáveis e asseguraram o direito de participação da debenturista. Sustenta que o art. 299 do RIR/99 somente poderia ser invocado em detrimento da norma especial se os valores ingressados no patrimônio da recorrente, por meio das debêntures, não tivessem sido aplicados nas suas atividades. Assevera, por outro lado, que a acusação de simulação colide com o próprio conceito de simulação, em suas duas vertentes pelas quais esse vício jurídico vem sendo abordado pela doutrina desde o Código Civil de 1916, a saber: (1) a subjetiva, que identifica a simulação pela desconformidade entre a vontade interna das partes e a vontade manifestada no ato ou negócio jurídico (a recorrente fez exatamente o que queria fazer, isto é, captar dinheiro para suas atividades por meio de debêntures, e não por meio de aumento de capital, ou de mútuo); e (2) a objetiva, que identifica a Fl. 9980DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.981 9 simulação pela causa jurídica do ato ou negócio jurídico, ou seja, por sua função econômica ou social, ou função de atribuição patrimonial que a lei lhe atribui, e pela desconformidade entre o comportamento das partes e essa causa (a recorrente agiu em perfeita consonância com a causa das debêntures, ou seja, com a sua função de instrumento regulado por lei para captação de recursos à margem do capital social da companhia, pois recebeu dinheiro em pagamento dos títulos e efetuou as devoluções que lhe eram próprias). Alega que, sobre a ótica da intenção da recorrente, o próprio Relatório Fiscal a atesta quando diz que a recorrente quis emitir debêntures porque estas lhe propiciariam a dedução das participações da debenturista nos lucros. Ou seja, ela queria mesmo emitir debêntures, e o fez de acordo com a sua intenção (que, segundo a fiscalização, seria a de obter economia fiscal, a qual, contudo, dependia de haver despesa decorrente da captação de recursos). Portanto, o fez sem simulação, não importando se queria economia fiscal ao lado de outros motivos, porque o motivo não se confunde com a causa jurídica do ato. Ressalta que a doutrina e a jurisprudência reconhecem com correção que o motivo e a causa são coisas distintas. Embora o motivo acarrete a intenção de praticar determinado ato, ele não se confunde com a causa jurídica do ato praticado. Também é pacífico em doutrina e jurisprudência que subsiste sempre a liberdade de organização e reorganização das atividades empresariais, a qual se constitui em direito constitucional, assim como é direito constitucional a liberdade de escolha do caminho ou estruturação negocial que se apresentar o menos oneroso perante a tributação. Cita precedentes do antigo 1o Conselho de Contribuintes. Afirma que a decisão de emissão de debêntures, e não de aumento de capital ou mesmo mútuo, levou em conta, pelo lado da recorrente (que é o relevante neste processo), além de relevantes motivos econômicos, a dedutibilidade da despesa gerada pelas debêntures (qualquer que fosse a espécie de remuneração) e também as despesas que poderiam ser geradas com o ingresso dos recursos como aumento de capital (JCP) ou como mútuo (juros). Já pelo lado da debenturista, as considerações importantes devem ser a dedução da amortização do prêmio de emissão, em contrapartida à tributação (inclusive na fonte) das participações, ambos os efeitos inexistentes em dividendos, ou a tributação de juros ou outras formas de remuneração do seu capital. Mas isto é matéria atinente à PTAPAR, a qual, se tivesse cometido qualquer ilegalidade, deveria ter sido autuada, não a recorrente. Ressalta o subscritor da peça de impugnação, o i. Professor Ricardo Mariz de Oliveira, que a Fiscalização, para subsidiar suas conclusões, transcreveu trechos de uma de suas obras doutrinárias, que, no entanto, não lhes dão respaldo. A recorrente, após ressaltar que indícios não são provas definitivas, e afirmar que aqueles que servem para determinadas situações podem não se ajustar a outras, passa a examinar, um a um os aludidos indícios apontados pelas autoridades fiscais, a saber: a) proximidade temporal de atos e disparidade infundada de valores entre eles: estes dois indícios são empregados geralmente em conjunto, como, por exemplo, numa transferência de propriedade por pessoa jurídica a sócio seu, a valor de livro, seguida, em curto tempo, de uma venda pelo sócio a terceiro por valor de mercado (no presente caso, não ocorreu qualquer coisa semelhante, pois há um único ato emissão de debêntures segundo valor e condições pactuadas nos documentos da respectiva contratação, não havendo outro ato anterior ou posterior, com valor diferente, que pudesse induzir à crença de simulação na emissão dos títulos e nos valores envolvidos na operação; Fl. 9981DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.982 10 b) desfazimento dos efeitos do ato simulado: não houve desfazimento nem da emissão das debêntures, nem dos efeitos jurídicos e econômicos por elas gerados; este indício corresponde, na teoria objetiva ou causalista da simulação, ao comportamento das partes quando inadequado à causa do ato simulado, o que se explica porque o ato simulado não é o desejado, mas gera efeitos que precisam ser desfeitos ("in casu", todos os efeitos das debêntures foram mantidos porque desejados, como declarou o próprio Relatório Fiscal); c) prática de certos atos entre partes ligadas: o emprego deste indício requer cautela e atenção, porque a maior parte dos atos ou negócios jurídicos praticados entre partes ligadas é real e válida, servindo a ligação entre elas apenas como um alerta que, em si e isoladamente, é inconclusivo; d) existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal: a recorrente tinha um propósito negocial para emitir as debêntures a captação de dinheiro e o atingiu efetivamente, tendo podido arcar com seus gastos empresariais através dos recursos recebidos por meio delas; e) exagerada arrumação dos fatos: aqui também não houve qualquer arrumação, muito menos arrumação exagerada, dado que se tratou de ato isolado, consistente na emissão de debêntures para imediata subscrição por uma única debenturista: se os agentes fiscais pretenderam vincular este indício aos fatos anteriores ao fato que é objeto da glosa neste processo, isto é, à origem do dinheiro, fizeram vinculação indevida, pois a origem do dinheiro é fato adstrito à área de atuação da debenturista. Em seguida, a recorrente comenta algumas conclusões das autoridades fiscais constantes do Relatório Fiscal, asseverando que, embora reais os fatos, as referidas conclusões não se sustentam, notadamente a de simulação. Reafirma que houve aporte de recursos financeiros na autuada, o que já é suficiente para justificar as despesas nascidas em decorrência do aporte, ao contrário de tantos outros casos em que debêntures foram utilizadas em procedimentos considerados abusivos porque violavam a principal função econômica e jurídica das debêntures, que justamente é a captação de dinheiro para as atividades empresariais da sua emitente. Assevera que a conclusão fiscal revela o inconformismo dos agentes do Fisco quanto à possibilidade válida de qualquer pessoa estruturar e reestruturar suas atividades por qualquer modo previsto no ordenamento jurídico, e que o meio escolhido possa ser algum menos oneroso do que outros perante as regras tributárias, que são distintas para uns e para outros. Sobre a invocação da Amulet pela fiscalização, alega a recorrente que não pode provar, nem precisa provar, a origem do dinheiro que a Amulet empregou no seu negócio com a Yamana, mesmo perante a alegações fiscais de que por paraíso fiscal passam dinheiro de atos ilícitos, tais como de lavagem, de tráfico, de sonegação, etc. Assevera que não há que se negar que paraísos fiscais são utilizados por traficantes e criminosos, mas também não se pode negar que para eles também são destinados recursos legítimos que buscam apenas as vantagens que suas leis oferecem. Sustenta que o que é realmente importante para esta lide é que (1) a Yamana enviou dinheiro por vias oficiais para a PTAPAR, do qual menos da metade tinha algum vínculo com seu negócio anterior com a Amulet; e (2) o dinheiro veio a título de mútuo para a PTAPAR, e assim foi registrado perante o Banco Central, cujo registro é a prova legal da operação para todos os efeitos de direito. Fl. 9982DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.983 11 Conclui, então, que restou demonstrado que a debenturista (PTAPAR) realmente tinha recursos para pagar as debêntures, obtidos por mútuos internacionais, embora se trate de prova subsidiária não necessária, porque a recorrente não pode ser envolvida na origem dos recursos pelos quais as suas debêntures foram pagas. 2. Do argumento fiscal de que a remuneração de debêntures não pode ser exclusivamente por participação nos lucros, devendo haver juros Sustenta a recorrente que ante os termos do art. 56 da Lei n. 6.404/76, nada justifica a inferência de que juros representam forma obrigatória de remuneração, seja isolada, seja em conjunto com as outras duas. A invocação de Modesto Carvalhos, feita pela Fiscalização, é descabida como verdade inconteste, uma vez que a afirmação nela contida foi contrariada por inúmeros outros autores de igual porte. Reportase à obra de Nelson Eizirik (Lei das S/A Comentada, Ed. Quartier Latin, 2011), na qual o autor pontifica que "(...) Os rendimentos que a companhia pode atribuir às debêntures de sua emissão juros, participação no lucro e prêmio de reembolso são facultativos; não são, portanto, cumulativos ou obrigatórios. Poderão ser atribuídas às debêntures todas as vantagens previstas neste artigo ou apenas uma delas (...) ". Ressalta que mesmo Modesto Carvalhosa, em edição mais recente do que a utilizada pela fiscalização, manifesta o entendimento de que é possível haver debênture sem juros. Realmente, embora louvandose na lei de recuperação judicial, mas estendendose além dela, em seus "Comentários à Lei das Sociedades Anônimas" (edição de 2009), ele diz que a substituição de juros por participação "se justifica apenas em situações drásticas, na quais há, por um lado, a impossibilidade do pagamento dos juros na datas pactuadas, e, por outro, a perspectiva de que a emissora poderá gerar lucros suficientes para remunerar os debenturistas". Conclui a recorrente que no caso dos autos, havia uma situação similar à referida por Carvalhosa, dado que não lhe era possível, na sua fase préoperacional ou inicial de operações, assumir o compromisso de pagar juros certos e em datas fixas, mas tinha uma perspectiva de gerar lucros com os quais poderia remunerar a debenturista, e ainda emparelharia as despesas com as receitas geradoras dos lucros, o que é medida salutar na administração. 3. Do argumento fiscal de que o prêmio na subscrição das debêntures, no valor de 90% do montante dos respectivos valores de lançamento, ou 900% do valor de face dos títulos, foi "elevadissismo" e "pernicioso aos interesses da PTAPAR", e que, por isto, foi "ágio artificial elevado", ou "ágio fictício Alega a suplicante que nem a Lei n° 6.404/76 nem a lei fiscal (Decretolei n° 1.598/77) estabelecem limites máximos, seja para a participação nos lucros, seja para o prêmio de emissão. Ressalta que, em virtude da norma contida no art. 47 da Lei n. 4506 e repetida no art. 299 do RIR/99, o conceito de despesa dedutível é qualitativo, isto é, prendese à natureza da despesa, no sentido de que, se a despesa, por sua natureza (não por seu valor), for inerente à atividade da empresa, ou dela decorrente, ou com ela relacionada, ou surgir em virtude da simples existência da empresa e do papel social que ela desempenha, será necessária e dedutível. Fl. 9983DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.984 12 Reportase a precedentes do antigo 1o Conselho de Contribuintes para destacar que devese levar em consideração cada caso específico, porque não há parâmetro definido acerca do percentual aceitável para efeito de dedutibilidade. Assevera que o prêmio é a parte do preço da aquisição da debênture que não retorna para o debenturista, pois consta da lei como devendo ser creditada à reserva de capital para futura capitalização ou absorção por prejuízos. Conclui que quanto maior for o prêmio, maior será a vantagem da companhia emissora das debêntures, ou seja, sob a perspectiva da tomadora dos recursos financeiros, ela somente tem a ganhar com o prêmio elevado. Reitera que o prêmio de emissão não integra o valor a ser restituído ao debenturista, representando, portanto, um valor imediatamente integrado ao patrimônio líquido da emitente dos títulos (daí o crédito à reserva de capital). Este fato acarreta impacto imediato nas condições de emissão e subscrição das debêntures, diretamente vinculado ao montante do prêmio de emissão ou dos juros, no sentido de que, quanto maior o prêmio (portanto, maior a vantagem da emitente das debêntures) maior deve ser a remuneração do debenturista (para compensar sua perda). Isto é assim porque o debenturista receberá a restituição de menor parcela do valor investido nas debêntures, mas, em contrapartida, terá direito a juros e/ou participação em montante mais elevado. Aduz que é bem provável que o pensamento da fiscalização tenha sido no sentido de que o prêmio poderia ter sido menor e também menor a porcentagem de participação nos lucros, com o que a recorrente não teria tido exclusão tão grande do seu lucro tributável e a debenturista teria tido menor amortização do prêmio. Porém, se estas tivessem sido as condições da emissão e subscrição, certamente outras seriam as formas de remuneração, para se chegar a um mínimo razoável. Quer dizer, se houvesse menor participação nos lucros, certamente haveria juros conjuntamente com a participação, ou, se não houvesse qualquer participação, certamente os juros seriam ainda maiores. Ou então, em qualquer dos casos, também poderia haver, conjunta ou isoladamente, prêmio de reembolso. 4. Do argumento fiscal de que a porcentagem original de 95% de participação nos lucros foi reduzida por alterações da escritura, para 65% e 75%, o que contrariaria a natureza jurídica do título Alega a recorrente que não há base legal para pretender a desclassificação da emissão de debêntures em virtude de alteração no porcentual de participação a elas atribuído, nem para as críticas feitas pelos fiscais às informações que receberam em depoimentos de representantes da recorrente a este respeito. Afirma que, na verdade, houve redução acordada dos 95% iniciais, antes mesmo de que houvesse alguma distribuição de 95% de lucros para a debenturista, e isto não é vedado pela lei e também poderia ter acontecido após a ocorrência de uma ou mais distribuições de participações naquele patamar. 5. Do argumento fiscal de que debêntures são títulos para captação de recursos públicos, perante um grupo de debenturistas, e não para emissão privada subscrita por uma única pessoa jurídica pertencente ao mesmo grupo empresarial da emitente Assevera que os art. 38 e 58 do Decretolei n° 1.598/77 não contêm, em seus antecedentes hipotéticos, a distinção entre debêntures subscritas privada ou publicamente, assim como Fl. 9984DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.985 13 não distinguem as debêntures por seus tipos de remuneração, ou pelo montante desta, ou por qualquer outra circunstância. Por sua vez, a Lei n° 6.404/76 admite que debêntures sejam emitidas para subscrição pública ou privada, com a mesma liberdade que outorga para a adoção deste ou daquele tipo de remuneração, além de outras características e condições dos títulos. 6. Do argumento fiscal de que as debêntures foram emitidas para atender à política de dividendos da controladora do grupo empresarial, sediada no Canadá, a qual tomou recursos financeiros no mercado internacional, parte junto à empresa sediada em paraíso fiscal, e os mutuou à debenturista, sua controlada indireta, para que esta pudesse pagar o preço das debêntures Reitera a recorrente que o importante é que houve captação comprovada de recursos financeiros através de debêntures, que tais recursos foram utilizados na consecução dos objetivos empresariais da recorrente, e que geraram uma espécie de despesa que é dedutível por ter sido necessária à captação de dinheiro, na correta consecução da função das debêntures (art. 462, inciso I), e também necessária na perspectiva do art. 299 do RIR/99. 7. Do argumento fiscal de que a debenturista era empresa de papel, por não ter empregados nem sede, tendo sido utilizada como mera empresaveículo para o dinheiro chegar à emitente das debêntures Assevera a suplicante que é pessoa jurídica registrada na Junta Comercial e inscrita no CNPJ (onde figura como regular), que entrega DIPJs e outras declarações fiscais, que contrata terceiros, que recebe dinheiro do exterior, que faz aplicações de dinheiro, que recolhe impostos e contribuições e os declara em sua declarações fiscais, que tem operações financeiros internacionais admitidas a registro no Banco Central do Brasil, mediante os quais adquire direitos de repatriamento de principal e de remessas de rendimentos. Ressalta que a jurisprudência do CARF, farta em questões relacionadas a ágios e suas transferências, tem admitido que nem toda pessoa jurídica, interposta no caminho de alguma estruturação ou reestruturação societária, pode ser taxada de empresaveículo ilegalmente utilizada. Sustenta que as empresasveículo têm vida efêmera, sendo extintas logo após cumprirem o papel para o qual foram criadas, e que no caso dos autos, a empresa dada como veículo não se prestou a qualquer desses papéis para permitir a dedução de despesas da recorrente, inclusive porque continua existindo e operando, e não foi criada para realizar uma única operação. Destaca que o um dos componentes da simulação é a existência de um motivo para simular e que, no caso da recorrente, ela não precisava simular a recepção de dinheiro da PTAPAR por via de debêntures, eis que poderia obtêlo diretamente com a entidade que financiou a aquisição das debêntures pela PTAPAR, ou seja, a recorrente não precisava de uma empresaveículo para emitir as debêntures e captar o dinheiro necessário para seus negócios. 8. Do argumento fiscal de que o principal e os encargos das debêntures não foram pagos nos respectivos vencimentos, como previsto na escritura Afirma a contribuinte que, no caso dos autos, os pagamentos em atraso se deveram à dificuldades de caixa, inclusive havendo que se considerar a empresa (e todo o seu grupo no Brasil) em fase inicial de operações, com novas necessidades de recursos. Fl. 9985DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.986 14 Ressalta, contudo, que a dedutibilidade de qualquer despesa não depende do seu pagamento, salvo quando expressamente na lei haja a colocação do pagamento como condição para a redução do lucro tributável. Assevera que houve mora na devolução do principal e no pagamento das participações, cujo fato, ao ocorrer, foi procedido como deveria têlo sido, ou seja, como devolução do valor de face de debêntures e como pagamento de participações de debêntures nos lucros (não de dividendos, inclusive com retenção de 15% na fonte, que teria sido descabida se se tratasse de pagamento de dividendos). 9. Da acusação fiscal de despesa inexistente, apesar de a autuação estar fundamentada (a) no art. 299 do RIR/99, (b) além do art. 149, inciso VII, do CTN (casos de comprovação de simulação) (a) Art. 299 do RIR/99 Reitera a recorrente que a situação fática dos autos está sujeita ao art. 462, inciso I, do RIR/99, o qual, ao permitir a exclusão das participações atribuídas à debêntures, para determinação do lucro real, traz implicitamente o reconhecimento de que os respectivos encargos contribuem para a formação do lucro e à manutenção da fonte produtora, uma vez que as debêntures carrearam recursos para serem empregados nessas finalidades e requerem remuneração dos respectivos debenturistas Assevera que a norma refletida no inciso I do art. 462 prescinde do art. 299, base da autuação, sobrepondose a este, e que, mesmo que não houvesse a norma do art. 462, as despesas com debêntures seriam dedutíveis pela regra geral de dedutibilidade das despesas financeiras, contida no art. 17 do Decretolei n° 1.598/77 (refletido no inciso I do art. 374 do RIR/99). Aduz que o inciso I do art. 374, tal como o art. 17, inclusive reconhece como despesa financeira dedutível o deságio na colocação de debêntures, o que significa que, se a recorrente quisesse criar uma despesa fictícia, também poderia ter lançado mão desta outra alternativa, pois poderia têlas lançado com deságio, ao invés de ágio, além de que também poderia pagar juros, e assim também teria despesas dedutíveis. Sustenta que, mesmo tendo a fiscalização adotado fundamentação inadequada, porque aplicou o art. 299, as despesas incorridas pela recorrente são dedutíveis, também segundo os preceitos desta norma geral, pois a norma especial do art. 462, assim como a do art. 374, justificamse dentro da sistemática de determinação do lucro tributável por trataram de gastos relacionados e inerentes à empresa, que são os atributos das despesas necessárias às quais se aplica o art. 299 por não serem objeto de qualquer norma especial. Cita precedentes do antigo 1o Conselho de Contribuintes que examinaram o conceito de despesas necessárias. Contesta o trabalho fiscal que comparou as debêntures emitidas pela recorrente com outras lançadas no mercado, para dizer que, neste, a maioria foi remunerada com juros, contrariamente às debêntures deste processo, pois as condições de lançamentos e as condições das emitentes eram totalmente distintas do que se passava com a recorrente. No caso presente, a necessidade decorre de vários fatores, tais como: (1) havendo falta de capital necessário à empresa, é normal e usual que esta busque os recursos financeiros de que Fl. 9986DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.987 15 necessita, sob pena de não evoluir ou sequer subsistir; (2) na busca de recursos, é possível que eles sejam captados mediante aumento de capital, mútuos, debêntures ou outras formas de operações financeiras, sendo normal e usual a adoção de qualquer delas, sem que qualquer uma possa ser considerada exclusiva, ou a "mais normal" ou "mais exclusiva"; (3) ao adotar um destas formas de captação de dinheiro, as respectivas características e condições serão necessariamente diferentes das que seriam existentes nas outras formas, e mesmo diferentes das que existam em outros negócios, entre partes diversas, que adotem a mesma forma; estas distinções são normais e usuais, pois decorrem de variações inerentes às atividades da economia privada e aos fatores individuais que ingerem decisivamente para o fechamento de cada negócio. (b) Art. 149, inciso VII, do CTN No que se refere ao inciso VII do art. 149 do CTN, dado como fundamento da autuação, a recorrente reitera que agiu dentro da lei, nada escondendo do fisco e de ninguém, inclusive da fiscalização desde o momento em que ela se iniciou, lembrandose que é da essência da simulação esconder o ato desejado e exibir o indesejado, que precisa ser desfeito. Assevera que, no presente caso, mesmo que a intenção e a realidade fossem de aumento de capital, este não estaria encoberto, porque transpareceria do conjunto de fatos documentados e contabilizados, através dos quais os fiscais entenderam haver aumento de capital: quer dizer, nem este estaria escondido, mas à vista. Lembra que o art. 149, inciso VII, do CTN requer, para que seja aplicado, que "se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação" . Sustenta que em nenhum momento os agentes fiscais provaram a existência do requisito inerente ao dolo, ou seja, a exata noção da ilegalidade dos atos a serem praticados, e a deliberada prática dos mesmos com a sapiência da ilegalidade. Aduz que não há a menor condição para a invocação do art. 149, inciso VII, do CTN, pois, ao invés de provas de dolo, fraude ou simulação, há controvérsia jurídica que se mantém até hoje, pois a recorrente, mesmo após a cuidadosa leitura do longo Relatório Fiscal, está convicta de que emitiu debêntures e o fez com guarda das disposições legais que lhes são pertinentes. Cita precedentes do antigo 1o Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que afastaram a qualificação da multa de ofício quando ausente a prova do dolo, bem assim quando tudo é feito às claras pelo contribuinte e disponibilizado à Fiscalização. 10. Da qualificação da multa sob a alegação de dolo por parte da recorrente e das demais empresas do grupo a que esta pertence, com base no art. 44 da Lei n. 9.430/96, em combinação com os art. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64 Assevera a recorrente que esse item é uma continuação do item anterior, em que o mesmo aspecto foi abordado perante o disposto no art. 149, inciso VII, do CTN, mormente em face da falta da prova cabal do dolo, da fraude e da simulação. Partindo de uma interpretação histórica da norma da qualificação da multa de ofício e da leitura criteriosa dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 e do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conclui a recorrente que o intuito doloso é prérequisito inafastável para a aplicação da multa majorada. Fl. 9987DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.988 16 Sustenta que o dolo não se presume, devendo ser cabalmente provado, o que não permite supor a sua existência tãosomente em virtude da ocorrência de falha que tenha acarretado falta de pagamento de tributo, inclusive quando, como no presente caso, qualquer eventual infração dependa de julgamento final após amplo debate de teses jurídicas que estão se apresentando nos autos, ou, se se preferir, quando o fisco divirja da qualificação jurídica dos atos praticados pelo contribuinte. Alega que o conceito de erro de proibição, existente no direito penal quanto à própria punibilidade do ato criminoso, é perfeitamente aplicável no direito tributário quanto à graduação da penalidade. Ressalta que o erro de proibição existe quando o autor do ilícito supõe estar agindo dentro da lei, e que há diversos precedentes na jurisprudência do antigo 1o Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que afastaram a qualificação da multa pela razoabilidade do desconhecimento da ilicitude do ato praticado. Conclui a suplicante que a multa qualificada pressupõe inequívoca ciência da ilicitude pelo agente da mesma, e intuito de fraudar a lei através de ato que sabe ser ilícito, o que estaria muito distante das situações em que haja mero erro de conduta por erro de direito, isto é, na qualificação jurídica do ato, ou em que a infração derive de outras falhas não cercadas de dolo. Cita precedente do Supremo Tribunal Federal (Habeas corpus 725848RS, 2a Turma, em 17/10/1995) que afastou a existência de crime tributário em caso no qual um contribuinte creditou erroneamente determinada parcela de ICMS, adotando o seguinte entendimento: "A fraude pressupõe a vontade livre e consciente. Longe fica de configurála, tal como tipificada no inciso II do art. 1o da Lei n. 8137, de 27 de dezembro de 1990, o lançamento de crédito, considerada a diferença das alíquotas praticadas no Estado de destino e no de origem. Descabe confundir interpretação errônea de normas tributárias, passível de ocorrer quer por parte do contribuinte ou da Fazenda, com o ato penalmente glosado, em que sempre se presume o consentimento viciado e o objetivo de alcançar proveito sabidamente ilícito." Rechaça, no presente caso, a incidência do art. 71 da Lei n° 4.502/64, que implica em atos que ocultem do fisco a ocorrência do fato gerador, dado que aqui a própria conclusão da fiscalização decorre dos documentos de lançamento das debêntures. Também protesta para que não se confunda o que foi feito com a descaracterização do fato gerador, segundo a definição de fraude do art. 72, pois fato gerador somente haveria se outra fosse a situação fática e jurídica. Lembra, por fim, que em situações de dúvidas quanto a existir ou não infração, ou à qualificação jurídica dos fatos, não somente merecerem multa não qualificada, nos estritos termos das Leis n. 9.430/96 e 4.502/64, mas também merecerem a proteção do art. 112 do CTN. 11. Quanto à dedução, do valor das exigências, de valores de IRPJ e CSL pagos pela debenturista Alega a recorrente, em síntese, que não existe norma legal que permita ao lançador ignorar a existência de uma pessoa jurídica regularmente constituída perante a Junta Comercial para, com base nessa desconsideração, tributar outra pessoa jurídica que com ela tenha transacionado, mas deduzir, dos tributos cobrados desta última, o montante dos tributos pagos pela outra. Fl. 9988DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.989 17 12. Considerações finais da recorrente quanto à acusação fiscal de despesas inexistentes de participação de debêntures Nesse item reitera a recorrente que teria razões extratributárias para emitir as debêntures, destacando, entre outros, que (1) Se o intento fosse produzir ilícita redução da carga tributária mediante debêntures, a recorrente teria repetido a prática, ou feito como nos casos julgados pelo 1° Conselho de Contribuintes e pelo CARF, nos quais houve emissões meramente documentais, sem efetivo ingresso de dinheiro novo; (2) sendo empresa nova, a recorrente não conseguiria obter recursos no mercado financeiro, ou para isso dependeria de avais e de custos mais elevados; a própria controladora do grupo, em sua terra natal (Canadá), para obter parte do dinheiro que enviou ao Brasil, teve que dar em penhor todos os bens da recorrente; (3) a fonte de financiamento mais barata disponível no mercado financeiro seria o BNDES, mas este supriria no máximo 30% do custo dos investimentos; (4) o financiamento cobrindo 100% de custos de desenvolvimento de jazidas teve que ser feito por fontes internas ao grupo da recorrente; (5) os títulos foram emitidos com alto valor de prêmio, o que garantiu à recorrente a obrigação de restituição da menor parte do dinheiro recebido, além disso sem acréscimo de juros ou de variação cambial; (6) a recepção do prêmio a crédito de reserva de capital melhorou a avaliação econômica da recorrente, em comparação com a situação em que os mesmos recursos tivessem sido tomados como mútuo, os quais figurariam pelo total como obrigação a pagar no passivo; (7) sendo em reais, as debêntures permitiram que a recorrente não incorresse em riscos cambiais, que existiriam caso os recursos fossem por ela obtidos no exterior; (8) em 2003 não houve sequer um lançamento na BOVESPA; (9) 2007 e 2008 foram anos de grande turbulência no mercado financeiro mundial; (10) não havia segurança de que os custos de captar recursos seriam compatíveis com o mercado da venda do metal. 13. Quanto ao comportamento da fiscalizada após o início dos trabalhos fiscais Reportando ao item do Relatório Fiscal em que as autoridades fiscais identificam diversos atos que teriam sido praticados com o intuito de legitimar as operações com debêntures, a recorrente demonstra a sua irresignação, ao afirmar que "não se cansou de atender a fiscalização, com atenção e veracidade, tendo dito tudo o que seria necessário para satisfazer os senhores fiscais, mas somente não poderia assegurar que o que dissesse os satisfaria". 14. Quanto às outras infrações Ressalta a suplicante que as acusações de compensação indevida de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL no ano de 2010 são conseqüentes das glosas realizadas em relação a despesas com debêntures, visto que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSL. Assim, ratifica todos os argumentos anteriormente articulados. Quanto à acusação de falta de recolhimento e declaração em DCTF do IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2008, reconhece não ter declarado esses tributos em DCTF, mas informa que extinguiu esses débitos mediante a via da compensação. Elabora demonstrativos e junta documentos. 15. Quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício Sustenta a recorrente que a norma geral de incidência de juros e de sua taxa mensal de 1% somente se aplica no silêncio da lei, o que não ocorre atualmente, em virtude do conjunto normativo (arts. 3° e 161 do CTN, art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, entre outros), que prevê juros Fl. 9989DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.990 18 SELIC apenas sobre o valor dos tributos e contribuições, mas não sobre a multa proporcional ao valor deles. Pede o provimento da impugnação. III. DA FORMALIZAÇÃO DE AUTOS APARTADOS Recepcionada a impugnação, a repartição fiscal, por meio do despacho de fls. 9.358 (do processo n° 10120.731437/201228), informou que os lançamentos foram impugnados apenas em parte, razão pela qual, com fundamento na Informação Fiscal de fls. 9.334/9.338 (do processo n° 10120.731437/201228), a parte do crédito tributário considerada não impugnada foi transferida do processo n° 10120.731437/201228 para este processo de n° 13116.720490/201331. Na referida Informação Fiscal, o autor do procedimento elaborou demonstrativo da parte do crédito tributário que, no seu entender, não foi impugnada, promovendo a seguinte análise da peça de impugnação apresentada pelo contribuinte MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A: "(...) Somente em dois trechos de sua impugnação (nas páginas 5 e 47/48), abaixo transcritos, o contribuinte afirma que não está contestando integralmente o lançamento (não há, na impugnação, outros esclarecimentos sobre essa manifestação): Página 5, Nota de Rodapé 1: "A impugnante esclarece desde este momento que admite não haver condições, na jurisprudência administrativa, para sustentar neste processo a dedução das participações quanto à diminuta parte das debêntures que foi integralizada com a conversão de mútuo da qual era devedora. Por esta razão, a impugnação que faz quanto a esta parte, e também quanto à importância da CPMF, é pertinente à qualificação da multa." Páginas 47/48: "Realmente, para a glosa das despesas seria necessário que a fiscalização tivesse provado que elas não eram necessárias às atividades da empresa da (sic) impugnante ou à manutenção da sua fonte pagadora (sic). Ou que os recursos financeiros não tivessem ingressado na impugnante, ou que, mesmo ingressados, não tivessem sido aplicados naquelas finalidades que justificam a necessidade da despesa. Todavia, os autos dão conta exatamente do inverso, pois, no caso da impugnante, ao contrário do que ocorreu em outros julgados da jurisprudência administrativa, foi dinheiro novo que integralizou as debêntures, com exceção de pequena parcela que está sendo impugnada apenas quanto à multa qualificada (videnota (1) retro)."(Grifamos). Vêse, contudo, que o contribuinte admitiu, na impugnação, que são indedutíveis as despesas de participação de debêntures relativas à conversão de mútuos em integralização e em relação à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF incidente sobre o pagamento das debêntures. Em relação à glosa dessas despesas de participação (pertinentes à conversão de mútuos e à CPMF) ele está impugnando apenas a multa qualificada de 150% (a multa de oficio de 75%, sobre essa parte, não está sendo contestada). Releva esclarecer, inicialmente, que a conversão de mútuos e de juros sobre mútuos em integralização, no montante de R$47.380.000,00, foi realizada pelas empresas do Grupo Yamana (Mineração Maracá, PTAPAR Participações Ltda e Yamana Desenvolvimento Mineral S.A.), no mês de junho de 2005, para integralização da I a série das debêntures, Fl. 9990DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.991 19 conforme constam dos contratos apresentados, dos esclarecimentos prestados e da própria escrita fiscal da Maracá. Sobre os aludidos mútuos, foram calculados juros até o momento em que eles foram convertidos em integralização de parte da j a série das debêntures, em junho/2005. Além disso, o art. 59, parágrafo 3°, da Lei 6.404/76 (revogado em 2010), em vigor quando da formalização da operação de debêntures em questão, estabelecia que: (...) Portanto, de acordo com a operação de debêntures formalizada e conforme a previsão legal, não há dúvidas de que a empresa só poderia iniciar as chamadas de capital para integralização da segunda série, por exemplo, depois que toda a primeira série tivesse sido integralizada, a menos que tivesse cancelado eventual saldo não integralizado da primeira série. No caso concreto, não houve cancelamento de saldo. A Maracá efetivamente considerou a conversão de mútuos na integralização da primeira série, conforme demonstrativos e contratos apresentados por ela, bem como contabilizações e esclarecimentos prestados. Só então se iniciou a integralização da segunda série. A integralização vinha sendo considerada regular até a autuação, quando então, na impugnação, o contribuinte reconhece que a operação sem ingresso de "dinheiro novo" não é válida. Já os valores de CPMF pagos pela PTAPAR (e também considerados como integralização), no montante de R$2.204.249,63, representam a soma de parcelas das debêntures de cada série que de fato não foram integralizadas, uma vez que esses valores não foram efetivamente recebidos pela Maracá. Com base no exposto, elaboramos o demonstrativo de integralização das debêntures (anexo), evidenciando os valores efetivamente pagos à Maracá e os valores não integralizados (CPMF) ou integralizados sem ingresso de novos recursos (conversão de mútuos/juros), e apuramos os percentuais que estes valores representam em relação ao valor total de cada uma das seis séries das debêntures. Esses percentuais correspondem à parcela (do valor total de cada série das debêntures) em relação à qual o contribuinte admite serem indedutíveis as despesas de participação de debêntures. (■■■)" IV. DA CONTESTAÇÃO Cientificada, em 15/03/2013, da Intimação de fls. 9.309/9.313, para recolher a parte do crédito tributário não impugnado, a contribuinte MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A apresentou, em 26/03/2013, a contestação de fls. 9.315/9.335, por meio da qual sustenta, em síntese: 1. Não procede a alegação que consta da Informação Fiscal de que a recorrente não contestou integralmente os lançamentos, com base na nota de rodapé constante da página 5 da sua impugnação, na qual a recorrente declarou que não havia como sustentar as cobranças com relação ao valor das debêntures que foi integralizado mediante a conversão de créditos da debenturista contra a emitente, dado que a jurisprudência administrativa tem entendido que esses títulos requerem a captação de dinheiro novo. Fl. 9991DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.992 20 2. A recorrente impugnou essa parte dos créditos, em virtude da qualificação da multa aplicada sobre as despesas geradas pelas debêntures, submetendoa também, por necessário e evidente, aos demais pedidos prejudicial e geral feitos na impugnação, como os de nulidade dos autos de infração e de descabimento da incidência de juros sobre a multa proporcional ao principal de cada tributo. 3. A recorrente afirmou que não havia condições para defender a dedutibilidade no processo, exclusivamente em virtude da jurisprudência administrativa, mas não disse que considerava indedutíveis as participações relativas a ela, uma vez que tem o direito à dedução com base em fundamentos jurídicos que justificam a integralização de debêntures com créditos já detidos pela debenturista. 4. A título exemplificativo, a recorrente destaca trecho da impugnação apresentada no processo n. 10120.731437/201228, em que foi alegada a nulidade dos autos de infração: "A autuação não especificou em que inciso do parágrafo 1o fundamentou sua acusação de ter havido simulação, e esta omissão representa cerceamento do direito de defesa e nulidade dos autos de infração por falta de cumprimento da obrigação, do agente lançador, de motivar o lançamento com indicação dos respectivos fundamentos. Isto é exigência dos art. 10 e 11 do Decreto n. 70235, do art. 2° da Lei n. 9784, e tem fulcro no art. 37 da Constituição Federal. A Lei n. 9784, a par do Decreto n. 70235, exige que a motivação seja explicita, que dizer, não deixe de aclarar qual seja e em qual disposição legal especifica se lastreie". 5. A impugnação abarcou a totalidade das debêntures emitidas, eis que, se a decisão final do processo n. 10120.731437/201228 reconhecer a nulidade apontada nas suas razões, mesmo a parte das debêntures, integralizada com os créditos, será atingida pela invalidade dos lançamentos. Isto porque, tendo as despesas sido questionadas nos autos de infração também sob o art. 299 do RIR/99, o afastamento da acusação de simulação, ainda que pelo vício da nulidade, será influente sobre a apreciação da matéria total daquele processo. 6. Se a decisão final do processo n. 10120.731437/201228 excluir a incidência de juros sobre a multa, seja ela de 75% ou 150%, ou se alterar a taxa de juros de SELIC para 1% ao mês, o que for julgado se estenderá à multa relativa aos valores das debêntures integralizados com os créditos da debenturista. 7. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da impugnação apresentada no processo n. 10120.731437/201228 se espraia para o presente, pois cada crédito tributário é indecomponível. 8. Quando o fato é um só, qualquer lançamento tributário sobre ele é único, por dizer respeito à mesma matéria. 9. No caso destes autos, o fato é somente um a emissão única de debentures, por uma única escritura de emissão autorizada em uma única assembléia realizada em 18.5.2005 e concretizada no dia seguinte mediante escritura de emissão e respectivo boletim de subscrição (doc. 3) , cuja unicidade não desaparece pelo fato de haverem sido emitidas em mais de uma série, já que a totalidade foi subscrita em 19.5.2005 pela PTAPAR, ou porque parte das debêntures foi integralizada com créditos da debenturista e outra parte em dinheiro, sendo que nem este último aspecto invalida os títulos ou altera sua natureza jurídica conferida pela Lei n° 6.404/76. Fl. 9992DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.993 21 10. Mesmo que tivesse havido impugnação parcial, e, por isso, pudesse ser aplicado o parágrafo 1o do art. 21 do Decreto n° 70.235, de 1972 (revelia), a cobrança, tal como está sendo processada, contém vícios que a invalidam, de direito e de fato quanto aos respectivos valores. 11. O primeiro defeito é que o critério ora empregado, adotado na Informação Fiscal que gerou a cobrança, difere daquele adotado nos lançamentos originais e impugnados, pois dividiu as séries de emissão das debêntures como se fossem coisas separadas e distintas, ao passo que a emissão foi única e naqueles lançamentos a totalidade da emissão foi glosada sob os mesmos argumentos e os cálculos foram efetuados não em função das séries e das integralizações, mas em função dos valores deduzidos em cada períodobase. Requereu, ao final, a contribuinte que fosse recebida a contestação, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, e do art. 14 do Decreto n. 70.235, de 1972, e que o processo fosse encaminhado a DRJ de Brasília para o respectivo julgamento, juntamente com o julgamento do processo n. 10120.731437/201228, ou para que ficasse na dependência da que fosse proferida neste último. A Segunda Turma de Julgamento, examinando a referida contestação apresentada pelo sujeito passivo, nos autos do processo de n° 13116.720490/201331, julgou procedente a irresignação da contribuinte contra a cobrança imediata da parte do crédito tributário que havia sido considerada não impugnada, conforme Acórdão n° 03052.310, de 24/05/2013, assim ementado: IMPUGNAÇÃO PARCIAL. INOCORRÊNCIA. COBRANÇA IMEDIATA. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a adoção da providência de formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte do crédito tributário considerada não contestada, quando restar demonstrado que a contribuinte apresentou razões de defesa em sua peça de impugnação aos autos de infração que, se acolhidas, inviabilizariam integralmente os lançamentos, na parte objeto de apartação. Pelo despacho de fls. 9.409/9.410, o presente processo foi encaminhado à DRF/Anápolis (GO), para que aquela repartição fiscal, em conformidade com a decisão prolatada por esta mesmaTurma de Julgamento no referido acórdão, pudesse adotar as devidas providências com vistas a que a parte do crédito tributário então controlada no processo de n° 13116.720490/201331, voltasse a ser controlada no presente processo de n° 10120.731437/201228. Diante da impugnação da recorrente, a Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente sua defesa, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 REMUNERAÇÃO DE DEBENTURISTA. SIMULAÇÃO. Caracteriza negócio simulado a demonstração, por meio de robusto escopo probatório, de que a operação de emissão de debêntures, adquiridas unicamente por pessoa ligada à emitente, com remuneração exclusiva de 95% dos lucros, fora da finalidade societária que lhe é própria, qual seja, de captar recursos, pois estes já estavam captados no exterior por meio de emissões de ações da controladora e por empréstimo obtido com empresa sediada em paraíso fiscal (financiador oculto), serviu (1) como meio de integralização de capital; (2) como forma de devolver dividendos aos acionistas; e, principalmente, (3) como artifício para Fl. 9993DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.994 22 reduzir as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, pela transferência dos lucros das empresas operacionais para empresa veículo, empresa em que se deu a anulação desses resultados com o prêmio (ágio) criado de forma artificial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL. Mantida a glosa das despesas de participação de debêntures, procedem também as exigências referentes à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, conseqüentes da glosa das despesas de participação de debêntures, tendo em vista que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. COTEJO ENTRE VALORES ESCRITURADOS COM OS DECLARADOS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. Comprovado que, apesar de a contribuinte não ter declarado certos débitos em DCTF, extinguiu parte desses débitos mediante compensação, o lançamento de ofício revelase descabido nessa parte, tendo em vista que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Diante do parcial provimento, vieram os recursos voluntário e de ofício. É o relatório. Fl. 9994DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.995 23 Voto Vencido Conselheiro Demetrius NIchele Macei O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme consignado no extenso relatório, a Fiscalização promoveu lançamentos tributários em face da pessoa jurídica MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A, a quem imputou a prática das seguintes infrações: (1) despesas inexistentes de participação de debêntures com reflexos na apuração do IRPJ e da CSLL; (2) compensação indevida de prejuízo fiscal; (3) compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL; (4) falta de recolhimento e de declaração em DCTF do IRPJ; e (5) falta de recolhimento e de declaração em DCTF da CSLL. Quanto ao itens 4) e 5) constataram, os agentes fiscais que a contribuinte deixou de recolher e de declarar nas DCTF, IRPJ e CSLL devidos, relativos ao anocalendário de 2008 no valor de R$ 3.655.938,35 e 3.800.446,04, respectivamente. Em sua impugnação, a contribuinte assevera que os valores são indevidos, pois, apesar de realmente não ter declarado em DCTF, extinguiu esse débito mediante compensação, o que foi reconhecido, dando azo a decisão parcialmente procedente em primeira instância e correspondente recurso de ofício. 1. DA ACUSAÇÃO FISCAL DE DESPESAS INEXISTENTES DE PARTICIPAÇÃO DE DEBÊNTURES Segundo os agentes fiscais, a emissão das debêntures pela fiscalizada faz parte de uma complexa estruturação baseada em diversos contratos e negócios envolvendo, essencialmente, empresas de um mesmo grupo econômico. Constataram as autoridades fiscais que a controladora indireta da fiscalizada captou recursos no exterior e transferiu esses recursos para o Brasil, a título de empréstimos entre coligadas, para outra empresa do mesmo grupo. Esta, por sua vez, utilizou tais recursos para aquisição das debêntures emitidas pela fiscalizada e por uma terceira empresa do mesmo grupo que também emitiu debêntures. Com base nos elementos probatórios colhidos durante a ação fiscal, concluíram os auditoresfiscais que o aporte de recursos na fiscalizada para o desenvolvimento de suas atividades de mineração tratase, na sua essência, de integralização de capital travestido de operação de emissão de debêntures participativas, tendo como único objetivo a redução da carga tributária. Segundo os agentes fiscais, a forma concebida de anulação de lucro da Maracá, mediante a distribuição de dividendos (isentos) como se despesas de participação de debenturistas fossem, transferindo assim rendimentos tributáveis para a PTAPAR, onde supostamente seriam tributados, e a criação de despesas nesta sociedade (amortização do ágio Fl. 9995DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.996 24 ou prêmio e a dedução de "juros" sobre empréstimos remetidos a esse título para a Yamana) de forma a reduzir a sua tributação, demonstrariam de forma cabal a falsidade da operação. De acordo com o Fisco, a transação evidenciaria simulação de empréstimos entre coligadas e de emissão de debêntures (fatos simulados), com utilização de empresa sem qualquer empreendimento empresa veículo, pois o negócio efetivamente realizado teria sido o de subscrição e integralização de capital (negócio dissimulado). Assim, entendeu a Fiscalização que as operações de debêntures deixaram de produzir os efeitos tributários pretendidos e considerou que as despesas de participação de debêntures seriam indedutíveis, razão pela qual constituiu os créditos tributários de IRPJ e CSLL em face da MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A, deduzindo os tributos pagos/retidos pela Maracá e pela PTAPAR nas aludidas operações, aplicando também a multa qualificada de 150%. A contribuinte, por sua vez, impugnando o feito, alegou que os agentes fiscais tiraram conclusões pessoais sobre os fatos e informes recebidos, fizeram interpretações errôneas sobre esses fatos, inclusive sob o ponto de vista estritamente jurídico e misturaram a situação da recorrente com ocorrências relativas à obrigações tributárias da debenturista (PTAPAR), inclusive questionando o critério contábil que esta utilizou para deduzir a amortização do prêmio de subscrição. Para sustentar a improcedência do feito fiscal, a recorrente identificou o que seriam os pilares da acusação fiscal e os rebateu um a um, com base em posições doutrinárias e, principalmente, em precedentes do antigo 1° Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Em suma, alegou a recorrente que não é possível, quer pela substância de um aumento de capital, quer pela sua forma e pelos requisitos que a lei lhe prescreve, substituir mútuo ou debênture por aumento de capital, pois são distintas as disciplinas jurídicas desses atos, inclusive os efeitos que produzem em virtude da causa de cada um, e diferentes os seus requisitos formais e de validade. Entendo correto o entendimento da DRJ em relação à solução dada ao caso. À toda evidência, estamos diante do que se denomina planejamento tributário, cabendo a este Colegiado decidir se os atos engendrados pela contribuinte configuram planejamento tributário abusivo, como concluiu o Fisco, ou se são lícitos e não podem ter os seus efeitos desconsiderados, conforme sustentou a recorrente. Nesse tema, filiome à corrente que entende que o fato de os atos ou negócios jurídicos virem a ser executados de acordo com as formalidades previstas na legislação societária e comercial, como, p. ex., assembléias de deliberação para emissão de debêntures, instrumento particular de escritura de emissão de debêntures, boletins de subscrição de debêntures, contratos de mútuo, registro dos atos, etc, não garante à contribuinte, por si só, a dedutibilidade prevista na legislação tributária. Com efeito, a legalidade dos atos é condição essencial para que a conduta do contribuinte possa ser considerada lícita, mas não suficiente para que se conclua que os Fl. 9996DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.997 25 efeitos resultantes de seu conjunto estejam em conformidade com o ordenamento jurídico. Em outras palavras, é possível que cada um dos atos praticados pelo contribuinte, individualmente considerado, esteja de acordo com as exigências formais de alguma norma específica, mas que, em seu conjunto, não surta os efeitos esperados pelo ordenamento jurídico. Nesse sentido leciona Marco Aurélio Greco, in Planejamento Tributário, 2a Edição, Dialética, pag. 123: "A questão fundamental é saber como devemos enxergar a realidade, pois ela comporta mais de uma perspectiva. Pode ser vista fotograficamente, quadro a quadro, e com isto chegaremos a uma conclusão positiva ou negativa em relação a cada quadro isolado. Mas também pode ser vista cinematograficamente, vale dizer, o filme inteiro. Qual das perspectivas adotar? Normalmente só sabemos qual é a história quando chegamos ao final, só no final entendemos o significado real de tudo o que aconteceu. Esta é uma perguntachave porque fotograficamente determinada opção pode ser plenamente protegida e até mesmo querida pelo ordenamento jurídico, mas da perspectiva do filme ela pode aparecer como instrumento para um planejamento inaceitável." Portanto, a discussão acerca da licitude da conduta adotada pelos contribuintes na busca da economia fiscal não está restrita ao campo do legal ou ilegal, mas deve ser balizada pelos demais valores que permeiam o ordenamento jurídico. Ensina o referido autor (pag. 194): "(...) cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça. Partindo dessa abordagem, embora reconheça que o contribuinte tem o direito de organizar sua vida (desde que o faça atendendo aos requisitos da licitude dos meios, previedade em relação ao fato gerador, inexistência de simulação sem distorções ou agressões ao ordenamento), sou imediatamente conduzido à conclusão (aliás, aceita de forma praticamente unânime nos países ocidentais) de que um direito absoluto e incontrastável no seu exercício é figura que repugna à experiência moderna de convívio em sociedade, fundamentalmente informada pelo princípio da solidariedade social e não pelo individualismo exacerbado'" (negritei) Nesse contexto, o autor traz à baila a figura do abuso do direito e sua inoponibilidade em face de terceiros, dentre os quais o Fisco, conforme considerações à pág. 195 da citada obra: "É preciso distinguir entre critérios ligados à existência do direito e critérios ligados ao seu uso. A doutrina até aqui se preocupou com os primeiros, bem identificando os requisitos da existência do direito. Cabe agora examinar se há limites ligados ao plano do exercício desse direito, e Fl. 9997DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.998 26 se existirem (como é minha opinião), quais as conseqüências que advirão na hipótese de os limites serem ultrapassados e se estes efeitos consistem na ilegalidade do ato, ou então, na ineficácia fiscal dos atos realizados no exercício desse direito, independentemente de haver ilegalidade ou ilicitude de conduta. Neste passo, tem pertinência o tema do 'abuso do direito', categoria construída para inibir práticas que, embora possam encontrarse no âmbito da licitude (se o ordenamento positivo assim tratar o abuso), implicam, no seu resultado, uma distorção no equilíbrio do relacionamento entre as partes, (i) seja pela utilização de um poder ou de um direito em finalidade diversa daquela para a qual o ordenamento assegura sua existência, (ii) seja pela sua distorção funcional, por implicar inibir a eficácia da lei incidente sobre a hipótese sem uma razão suficiente que a justifique. De qualquer modo, seja o ato abusivo considerado lícito ou ilícito a conseqüência perante o Fisco será sempre a sua inoponibilidade e de seus efeitos." Merece registro o fato de que, com o advento do Código Civil veiculado pela Lei n° 10.406, de 2002, o abuso do direito passou a ser considerado um ato ilícito, nos termos de seu artigo 187: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Assim, a doutrina que defendia a legitimidade de ações e estruturas elaboradas pelo contribuinte com finalidade exclusiva de economizar tributos ao fundamento de estar atuando sob permissivo legal foi posta em xeque pela mudança da concepção de licitude, que já era inferida do estudo do texto constitucional, mas que foi explicitada pela lei civil, tendo o prestigiado autor registrado essa mudança de paradigma, conforme lição de pag. 199: "Depois do Código Civil de 2002, como o abuso de direito passou a ser expressamente qualificado como ato ilícito, a questão tributária é muito mais relevante, pois o abuso faz desaparecer um dos requisitos básicos do planejamento, qual seja, o de se apoiar em atos lícitos. Vale dizer, a configuração de um ato ilícito (por abusivo) implica não estarmos mais diante de um caso de elisão, mas sim de evasão." Inferese que a liberdade de autoorganização e de exercício de atividade empresarial, ou seja, de o contribuinte conduzir sua vida, encontra limites nos demais princípios que informam nossa matriz constitucional, em especial, o da capacidade contributiva, da isonomia fiscal e da função social do contrato, valendo dizer que o negócio jurídico entabulado ou o planejamento tributário efetuado devem estar assentados em fundamentos econômicos que não se restrinjam à pretensão de fugir de tributação. Assim, mesmo sob a hipótese de os atos praticados pelo contribuinte estarem devidamente formalizados, se não se vislumbra um propósito negocial em seu conjunto, ou se identifica a presença de simulação, com distorções ou agressões ao ordenamento, seus efeitos não podem ser admitidos pelo Fisco. Vale lembrar que, consoante estabelece o art. 167 do vigente Código Civil (Lei 10.406/2002), a simulação induz à nulidade do negócio jurídico. Vejamos, verbis: Fl. 9998DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 9.999 27 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. (negritei) § 1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2° Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. A propósito do tema da simulação, na jurisprudência do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), encontramse casos de planejamentos tributários com operações de emissão de debêntures adquiridas unicamente por pessoas ligadas à emitente, e com remuneração exclusiva em função dos lucros desta, em percentuais elevados (até 95%). É o caso do Acórdão n° 110100.006, de 11/03/2009, que traz a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: REMUNERAÇÃO DE DEBENTURISTAS. SIMULAÇÃO. "Operação de emissão de debêntures adquiridas unicamente por pessoas ligadas à emitente, com remuneração exclusiva de 95% dos lucros, sem pagamento de juros e prêmio utilizado para aumento de capital caracteriza negócio simulado para encobrir operação de subscrição de participação societária. O prejuízo ao Fisco se revela na remuneração dos (falsos) debenturistas, lançandose lucro travestido de despesa na apuração do lucro real. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A utilização de negócio simulado comprova a intenção de fraudar do contribuinte e autoriza a imposição da multa qualificada de 150% prevista pelo art. 44, II, da Lei 9.430/96." Do seu voto condutor, destaco as seguintes considerações sobre o tema: "(...)Predomina na doutrina a classificação da simulação em duas espécies: absoluta e relativa. Na simulação absoluta, forjase a celebração de um negócio jurídico quando, na verdade, não se tem intenção de efetivar nenhum negócio. Fl. 9999DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.000 28 Na relativa, as partes envolvidas celebram um contrato (negócio dissimulado) mas, na realidade, o encobrem com um outro (negócio simulado) distinto do primeiro, na intenção de ludibriar terceiros. O contrato do negócio simulado encerra a falsa vontade declarada das partes, enquanto no negócio dissimulado se encontra a verdadeira intenção dos contratantes, ocultada pela simulação. Para Alberto Xavier, no que concerne ao fato gerador, a simulação é necessariamente relativa, uma vez que a vontade real das partes é a realização do ato ou negócio jurídico tipificado como fato constitutivo da obrigação tributária ("Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva", São Paulo, 2001, Dialética, pág. 56). Exemplifica o autor: "Se a lei fiscal tributa por qualquer forma o mútuo, os simuladores aparentam uma doação, pactuando paralelamente, às ocultas, contra declaração pela qual o donatário aparente se obriga a restituir os valores aparentemente doados. Se a lei fiscal tributa a doação por alíquota superior à da compra e venda, os simuladores ostentam às claras uma compra e venda, combinando na sombra o perdão da dívida de preço. Se a lei fiscal tributa o mútuo concedido a pessoa jurídica, as partes efetuam à luz do sol um aumento de capital, enquanto na penumbra ajustam uma subseqüente redução de capital acrescida de juros. E os exemplos podem multiplicarse ao infinito " O Fisco está subordinado à realidade dos efeitos jurídicos dos atos praticados nos limites da lei pelos contribuintes. Entretanto, por outro lado, não se vincula à denominação por eles atribuída aos seus negócios. Na simulação, os negócios simulados são falsos, são forjados por meio de utilização de mentiras, com o intuito de enganar e prejudicar terceiros. O aplicador da lei deve, inicialmente, pesquisar o real conteúdo do negócio contratado, independentemente da denominação (nomen iuris) dada pelas partes contratantes, identificando precisamente o conceito legal próprio a ele correspondente, para, então, avaliar as conseqüências tributárias dos seus efeitos jurídicos.(...)" Pois bem. No caso sob exame, a própria recorrente não questiona os aspectos fáticos identificados pela Fiscalização, na medida em que reconhece que "os fatos coletados pelos auditores fiscais ocorreram efetivamente " (fl. 9.137). O dissenso diz respeito à valoração jurídica desses fatos. Dentre tantos outros fatos narrados pelo autuante, que constam do relatório que integra este acórdão, merecem registro os seguintes: (1) Declarações dos representantes das empresas de que o ágio foi pago em função do risco da operação, sem obrigatoriedade de retorno para a debenturista e que a extinção das obrigações da emissora, de acordo com a escritura, se daria com o pagamento do valor de face; ou seja, dos US$245.000.000,00 investidos na Maracá e na Serra da Borda, em função do ágio criado artificialmente, de pronto, US$220.500.000,00 (90%) não tinham obrigação de retorno para a PTAPAR; Fl. 10000DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.001 29 (2) O estudo elaborado pela Dikaios também mostrou que o ágio não seria devolvido; (4) Declarações do Diretor da Maracá no sentido de que o investimento na Maracá, por meio de debêntures, tinha a natureza de investimento e que a rentabilidade das debêntures era baseada no resultado da empresa emissora; (5) Nos estudos da Price e da Dikaios, todo o investimento em debêntures foi referenciado em ações; (6) Ao término das chamadas de capital relativas às debêntures, que ocorreram ao longo de 2005, 2006 e 2007, a Maracá, então capitalizada com o valor do ágio (R$566.685.000,00) registrado em Reserva de Capital, incorporou esse valor ao Capital; (7) Os mútuos por meio dos quais a Yamana destinou recursos de US$ 245.000.000,00 à PTAPAR, sem fixação de quaisquer penalidades à mutuária no caso do não pagamento, foram celebrados com o estabelecimento de cláusula permitindo prorrogações do vencimento da dívida, pelo prazo total de 18 anos, equivalente ao prazo de vida útil da Minas Chapada, e superior ao prazo de vida útil das Minas São Francisco e São Vicente; (8) Em diversos relatórios anuais divulgados no mercado canadense, a Yamana, categoricamente, afirmou que a dívida (mútuos) poderia nunca ser amortizada, ou seja, informou que os recursos ingressaram sem obrigação efetiva de retorno; (9) Em 2010, em razão das novas normas em vigor no Brasil sobre subcapitalização, dos US$245.000.000,00 repassados à PTAPAR, US$116.249.599,92 foram convertidos em integralização de capital por meio da Minera, e essa integralização só não foi feita diretamente pela Yamana por questões burocráticas; (10)As alterações de percentual de remuneração das debêntures emitidas pela Maracá em função do seu lucro (95%, originalmente, 65% e 75%, em momento posterior) foram adotadas para fazer frente às necessidades financeiras do Grupo Yamana e para a atender a política de dividendos desse grupo, que "prevê um rendimento de dividendo que está em conformidade com o rendimento das taxas de dividendos de empresas semelhantes, e será revisada periodicamente e avaliada em relação ao crescimento do fluxo de caixa operacional da Yamana". Ora, os fatos supra destacados, a meu ver, evidenciam cabalmente operação de integralização de capital na Maracá e na Serra da Borda, travestido de operação de emissão de debêntures participativas, visando exclusivamente a economia tributária. Com efeito, como bem destacaram os autores do procedimento fiscal, os recursos totais obtidos (US$ 245.000.000,00) foram repassados pela Yamana à PTAPAR, sob a forma de empréstimo, para que esta adquirisse as debêntures participativas emitidas pela Maracá e pela Serra da Borda, cujas condições foram previamente definidas pela Yamana e seu financiador oculto. Nesse cenário, utilizouse uma empresa veículo para viabilizar a evasão de tributos, mediante a prática de simulação, eis que o negócio real, dissimulado, foi a Fl. 10001DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.002 30 integralização do capital na Maracá e na Serra da Borda, e os negócios simulados (formalizados), para enganar o fisco, foram os dois empréstimos que totalizaram US$245.000.000,00 e as duas operações com debêntures totalmente fora dos padrões de mercado. A empresa veículo (PTAPAR), formalizada apenas no papel, participou da operação de debêntures apenas para criar o ágio artificial e deduzilo das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, ou seja, recebendo a remuneração de debêntures das empresas operacionais, Maracá e Serra da Borda, para que essa remuneração fosse anulada com as despesas de ágio, criadas artificialmente. Nas palavras dos agentes fiscais, as debêntures foram formatadas fora da finalidade societária que lhe é própria, qual seja, de captar recursos, pois estes já estavam captados no exterior por meio de emissões de ações da Yamana e por empréstimo obtido com empresa sediada em paraíso fiscal. As debêntures da Maracá também fogem à realidade do mercado no que se refere aos riscos assumidos pelo debenturista, pois o "excesso" de remuneração pago em determinada série vem sendo "considerado" para repactuação da remuneração das séries subseqüentes, o que, se fosse uma operação real (de mercado), imporia aos portadores destas séries repactuadas perdas significativas. Como o negócio real (dissimulado) foi a integralização de capital e a Yamana tinha que cumprir sua política de dividendos, a Maracá e a PTAPAR tiveram que alterar o percentual de remuneração das debêntures; ou seja, as empresas tiveram que neutralizar os efeitos indesejáveis da operação que elas simularam (operação de debêntures). A Maracá necessitou de mais recursos para o desenvolvimento de suas atividades e, ao mesmo tempo, não necessitou pagar dividendos em valores superiores à média de retorno de mineradoras atuantes no Brasil. Em suma, as debêntures serviram (1) como meio de integralização de capital, (2) como forma de devolver dividendos aos acionistas da Yamana e, principalmente, (3) como artifício para reduzir as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, pela transferência dos lucros das empresas operacionais para empresa veículo (PTAPAR), empresa em que se deu a anulação desses resultados com os ágios criados de forma artificial. Não se ignoram os precedentes do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) apontados pela suplicante em sua alentada peça de impugnação. Não obstante, com todo o respeito que merece o seu subscritor, patrono da recorrente, Professor Ricardo Mariz de Oliveira, tais precedentes não têm aplicação plena ao caso dos autos. A uma porque, utilizando as lições de Marco Aurélio Greco, alguns julgados examinaram outro "filme"; ou seja, os vários precedentes apontados pela recorrente não podem ser considerados isoladamente, pinçandose conclusões pontuais, adotadas em casos específicos. Fl. 10002DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.003 31 A duas porque, mesmo que alguns desses precedentes pudessem ter aplicação ao caso sob exame, na própria jurisprudência dos referidos tribunais administrativos se encontram entendimentos divergentes sobre os variados aspectos. A despeito das conclusões já externadas por este Relator, no sentido da pertinência do trabalho fiscal, passo ao exame das principais alegações da contribuinte. Sustentou a recorrente que aplicação da multa qualificada de 150% requer o conhecimento inequívoco da ilegalidade e premeditada. Comungo desse entendimento da DRJ. Estabelecer a linha divisória entre a conduta dolosa e a não dolosa é uma árdua tarefa. Mesmo o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por vezes, prolata acórdãos conflitantes com a sua jurisprudência dominante. Os julgadores administrativos se deparam, no diaadia com situações semelhantes que a própria fiscalização ora procede à qualificação da multa de ofício, ora não. Evitar, pois, a banalização da aplicação da multa de ofício qualificada é missão que se lhes impõe. Penso que para que uma ação seja dolosa não basta que o contribuinte tenha tido consciência dos atos que praticou. É necessário que haja a consciência de que tais atos são contra o Direito. Ocorre que, no caso sob exame, conforme entendimento já externado por este Relator, todo o conjunto probatório coletado pela Fiscalização, em seu robusto trabalho de investigação e auditoria, permite concluir que o presente caso retrata, efetivamente, integralização de capital travestido de operação de emissão de debêntures participativas, tendo como único objetivo a redução da carga tributária, sendo certo que a fiscalização logrou demonstrar, de forma cabal, que a empresa autuada tinha a aludida consciência, razão pela qual é procedente à qualificação da multa de ofício. Alegou também a suplicante que o Grupo tinha relevantes motivos econômicos para engendrar as aludidas operações e que houve efetivo aporte de recursos financeiros na empresa autuada, o que já seria suficiente para justificar a dedutibilidade das despesas de participação de debêntures. Ora, não bastassem as inconsistências apontadas pela Fiscalização nos tópicos referentes ao ágio ou prêmio, à manutenção do controle acionário e às alterações do percentual de remuneração de debêntures, os demais elementos probatórios já destacados por Relator linhas atrás permitem por si sós descaracterizar tais operações como fez o Fisco. Por essas mesmas razões, o fato de ter havido efetivo aporte de recursos financeiros na empresa autuada, não autoriza per se a dedutibilidade das despesas de participação de debêntures. Asseverou ainda a autuada que, como o prêmio de emissão não integra o valor a ser restituído ao debenturista, este receberá a restituição de menor parcela do valor investido nas debêntures, mas, em contrapartida, terá direito a juros e/ou participação em montante mais elevado. Ora, reiterase, esse aspecto (ágio ou prêmio na emissão de debêntures) é apenas um elemento nessa complexa estruturação baseada em diversos contratos e negócios envolvendo, essencialmente, empresas do mesmo grupo econômico. Fl. 10003DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.004 32 Por outro lado, salta aos olhos a atipicidade da operação, praticada com parâmetros absolutamente fora da realidade do mercado, mesmo entre partes relacionadas, com a fixação de (1) remuneração de debêntures à base de 95% de participação nos lucros; e (2) ágio ou prêmio na subscrição das debêntures, no valor de 90% dos valores de lançamento. Suscitou também a recorrente vício na capitulação legal do auto de infração, na medida em que a acusação é de despesa inexistente enquanto o enquadramento legal é o art 299 do RIR/99, que trata do conceito de despesas operacionais. Não procede a alegação da suplicante, se não vejamos a dicção do referido dispositivo legal: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2°). (negritei) § 3° O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. " Ora, as autoridades fiscais, para chegarem à conclusão de que as despesas de participação de debêntures eram inexistentes, e por conseguinte, desconsiderarem os efeitos tributários dessas operações, partiram, dentre outros, do consagrado conceito de despesa operacional. À toda evidência, como já demonstrado, as aludidas despesas não se enquadram no referido conceito, pois em testilha com o comando legal supratranscrito, especialmente o seu § 2°, que estabelece que as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. A propósito da desconsideração dos efeitos tributários promovida pelos agentes fiscais, sustentou também a recorrente que não existe norma legal que permita ao lançador ignorar a existência de uma pessoa jurídica regularmente constituída para, com base nessa desconsideração, tributar outra pessoa jurídica que com ela tenha transacionado, mas deduzir, dos tributos cobrados desta última, o montante dos tributos pagos pela outra. Ora, ainda que se admita serem relevantes as razões da suplicante na espécie, a manifestação deste órgão julgador sobre o tema revelase absolutamente inócua, pois estaria em conflito com os princípios da efetividade e da eficiência da Administração Pública. Com efeito, qualquer entendimento sobre o tema que viesse a ser adotado por este órgão julgador em nada aproveitaria à suplicante, na medida em que, caso favorável, não competiria a este Colegiado determinar a exclusão da dedução de tributos promovida pelos agentes fiscais, sendo certo ainda que tal hipótese não constituiria causa de nulidade a macular o lançamento como um todo. Fl. 10004DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.005 33 Asseverou também a recorrente que (1) não é possível a invocação do art. 149, inciso VII, do CTN, pois, ao invés de provas de dolo, fraude ou simulação, haveria controvérsia jurídica e a empresa está convicta de que emitiu debêntures e o fez com guarda das disposições legais que lhes são pertinentes; (2) o conceito de erro de proibição, existente no direito penal quanto à própria punibilidade do ato criminoso, é perfeitamente aplicável no direito tributário no que tange à graduação da penalidade; (3) é inaplicável, no presente caso, o art. 71 da Lei n° 4.502/64, que implica em atos que ocultem do fisco a ocorrência do fato gerador, dado que aqui a própria conclusão da fiscalização decorre dos documentos de lançamento das debêntures; e (4) não se pode confundir o que foi feito com a descaracterização do fato gerador, segundo a definição de fraude do art. 72 da Lei n° 4.502/64, pois fato gerador somente haveria se outra fosse a situação fática e jurídica. Todo o conjunto probatório coletado pela Fiscalização, em seu profundo trabalho de investigação e auditoria, permite concluir que o presente caso retrata, efetivamente, de integralização de capital travestido de operação de emissão de debêntures participativas, tendo como único objetivo a redução da carga tributária. MULTA QUALIFICADA Entendeu a DRJ que simulação de empréstimos entre coligadas e de emissão de debêntures com a utilização de empresa veículo, sem qualquer empreendimento, o que justificaria a alusão ao art. 149, inciso VII, do CTN, verbis: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...); VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (negritei) (...). " Identificouse também, na espécie, a aplicação plena dos artigos 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei n° 4.502/64, notadamente a fraude (art. 72), na medida que, conforme restou demonstrado, a contribuinte expressou sua vontade livre e consciente ao enveredar pelo caminho da simulação, participando de negócios jurídicos que afrontam o ordenamento pátrio. Eis a dicção dos referidos dispositivos da Lei n° 4.502/64: "Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 10005DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.006 34 Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Tratandose de planejamento tributário, ainda que abusivo, entendo não restar caracterizado o dolo específico apto a ensejar a qualificação da penalidade, mormente quando não há ocultação da prática e da intenção final dos negócios levados a efeito. Entendo correta a tese suscitada pela recorrente de que seria aplicável ao caso o conceito de erro de proibição, existente no direito penal. Sempre é bom lembrar que à época em que o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes deu início à mudança de sua antiga jurisprudência, que seguia a corrente da estrita legalidade, bastando que os atos ou negócios jurídicos fossem realizados de acordo com as formalidades previstas em lei, o novo tribunal que o sucedeu CARF passou a adotar o entendimento encampado neste voto, no sentido de que a legalidade dos atos é condição essencial para que a conduta do contribuinte possa ser considerada lícita, mas não suficiente para que se conclua que os efeitos resultantes de seu conjunto estejam em conformidade com o ordenamento jurídico. O planejamento tributário se caracteriza, na maior parte das situações, pelo seu caráter preventivo. Isto significa que as diversas alternativas existentes são analisadas e avaliadas antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Desse modo, o contribuinte que pretende planejar, com vista à economia de impostos, terá de dirigir a sua atenção para o período anterior à ocorrência do fato gerador e nesse período adotar as opções legais disponíveis. Alguns autores utilizam expressões para definir o tipo de ato praticado pelo contribuinte. Temos, basicamente: elisão, evasão e elusão. A elisão poderia ser definida como as opções legítimas que o ordenamento apresenta ao contribuinte, já a elisão com abuso de direito, ou elusão, se restringiria aos casos em que o contribuinte, utilizandose de liberdades negociais, utiliza negócio jurídico legítimo e válido, mas com causa alheia àquela natural do negócio, com o intuito único de economia tributária. Já a chamada evasão se dá após a ocorrência do fato gerador, consistindo em sua ocultação “com o objetivo de não pagar o tributo devido de acordo com a lei, sem qualquer modificação na estrutura da obrigação ou na responsabilidade do contribuinte.[...] Compreende a sonegação, a simulação, o conluio e a fraude contra a lei, que consistem na falsificação de documentos fiscais, na prestação de informações falsas ou na inserção de elementos inexatos nos livros fiscais, com o objetivo de não pagar o tributo ou de pagar importância inferior à devida. Fl. 10006DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.007 35 No caso concreto, não há dúvidas de que a conduta praticada pelo contribuinte enquadrase no conceito de elisão abusiva (ou se preferir, elusão), uma vez que as provas indicam que todos os atos foram praticados antes da ocorrência do fato gerador, devidamente contabilizados em calcados em documentos formalmente corretos, e, nesse cenário, quer se enquadre tal conduta como abuso de direito (o que implica a requalificação dos fatos). Também não há que se falar em sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64), uma vez que todos os atos foram devidamente declarados à Receita Federal, excluindose a possibilidade de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Portanto, tratandose de planejamento tributário, ainda que abusivo, entendo não restar caracterizado o dolo apto a ensejar a qualificação da penalidade, mormente quando não há ocultação da prática e da intenção final dos negócios levados a efeito. Logo, ausentes elementos que permitam enquadrar a conduta da autuada nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), voto por reduzir a penalidade para 75%. JUROS SOBRE A MULTA Por fim, quanto a alegação da recorrente de que não é cabível a incidência dos juros sobre a multa de ofício, importa registrar que a exigência de acréscimos moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento ora em litígio, do qual consta a indicação de juros apenas sobre o valor principal. No que se refere ao tema, porém, sendo pacífico o entendimento desta Turma Julgadora, cabe simplesmente registrar que a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentes de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao Fl. 10007DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.008 36 pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303 003.385, CSRF, 3ª Turma). Rejeito, pois, as alegações da recorrente também neste item. 2. DA ACUSAÇÃO FISCAL DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL As exigências referentes à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no ano de 2010 são conseqüentes da glosa das despesas de participação de debêntures, tendo em vista que foi a dedução dessas despesas que gerou os referidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. Assim, considerando que a glosa das despesas de participação de debêntures foi julgada procedente, conforme entendimento externado em item anterior, é de se manter as exigências de que trata o presente item. DO RECURSO DE OFICIO DA ACUSAÇÃO FISCAL DE FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO IRPJ E DA CSLL a) Do IRPJ Constataram os agentes fiscais que o contribuinte deixou de recolher e de declarar nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), parte do IRPJ devido, relativo ao anocalendário de 2008, no valor de R$ 3.655.938,35. A infração foi detectada pelo confronto dos dados escriturados com os valores declarados, o que gerou insuficiência de recolhimento do imposto. Em sua impugnação, a contribuinte asseverou que a cobrança de IRPJ é indevida, pois, apesar de realmente não ter declarado em DCTF, extinguiu esses débitos mediante compensação. Primeiramente, destaca a suplicante que a base de cálculo utilizada pela fiscalização está equivocada, pois foi considerado o valor do Lucro Real de R$ 170.440.699,78, que constou da DIPJ do anocalendário de 2008 (fls. 7944/7977), a qual foi retificada pela recorrente. Informa a contribuinte que, conforme DIPJ retificadora (fls. 7978/8011), transmitida em 26/10/2010, a correta base de cálculo do IRPJ devido no anocalendário de 2008 é de R$ 166.962.436,41. Dessa forma, o imposto a pagar seria de R$ 41.740.609,10. Esclarece, no entanto, que efetuou pagamentos e compensações no montante de R$ 42.309.030,03, ou seja, valor maior do que o efetivamente devido. Prossegue esclarecendo que a extinção do referido débito se deu da seguinte maneira: (1) R$ 38.930.236,60 a título de estimativa, conforme informado pelos Fl. 10008DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.009 37 autores do procedimento no próprio Relatório Fiscal; e (2) R$ 3.378.793,43, por meio de quatro PERDCOMP, todos com o código 243001, referente ao ajuste anual de IRPJ para pessoas jurídicas obrigadas ao regime de estimativas mensais. Preliminarmente, importa consignar que não pode ser acolhida a pretensão da recorrente de se considerar a DIPJ retificadora (fls. 7978/8011), transmitida em 26/10/2010, na qual o Lucro Real, base de cálculo do IRPJ devido no anocalendário de 2008, teve o seu montante reduzido de R$ 170.440.699,78 para R$ 166.962.436,41. Com efeito, iniciado o procedimento por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 29/01/2010 (fls. 24/25), é defeso ao contribuinte promover a retificação da DIPJ para reduzir o valor de tributo anteriormente declarado como devido, sem que o interessado esclareça o motivo e comprove o alegado, o que não foi feito no presente caso. Nesse sentido é a jurisprudência do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme entendimento sumulado abaixo: "Súmula CARF n° 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício". Por outro lado, examinandose os referidos PERDCOMP anexados à impugnação (26094.15623.231209.1.3.040073, 23039.66993.070110.1.3.045600, 34723.14318.070110.1.3.040389 e 06265.18898.170310.1.3.025855), transmitidos em 23/12/2009, 07/01/2010, 07/01/2010 e 17/03/2010, respectivamente, confirmamse as alegações da suplicante, na medida em que os débitos, nos montantes de R$ 3.312.474,79, R$ 1.412,91, R$ 28.052,36 e R$ 36.853,37, respectivamente, totalizando os R$ 3.378.793,43, se encontram confessados às fl 9.297, 9.311, 9.315 e 9.319, respectivamente, com a indicação (1) do código 243001, referente ao ajuste anual de IRPJ para pessoas jurídicas que apuram o imposto sob a modalidade de estimativas mensais; e (2) do vencimento em 31/03/2009. Registrese, contudo, que, (1) por equívoco, a contribuinte informou o período como sendo 2009, quando o correto é o de 2008; e (2) o quarto PERDCOMP, transmitido apenas em 17/03/2010, é considerado espontâneo, pois tanto o citado Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 29/01/2010 como o primeiro termo seguinte (Termo de Intimação Fiscal lavrado em 1504/2010), tratam de intimação para apresentação de livros e documentos pertinentes à matéria emissão, subscrição e remuneração de debêntures participativas, ou seja, diversa daquela a que se refere o débito confessado no mencionado PERDCOMP. Assim, segundo o entendimento da decisão a quo, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado (art. 74, § 6°, Lei n° 9.430, de 1996), portanto o lançamento de ofício sob exame revelase descabido, razão pela qual resolveu deduzir do valor lançado pela Fiscalização a título de IRPJ (R$ 3.655.938,35), relativo ao anocalendário de 2008, o montante de R$ 3.378.793,43. b. Da CSLL Fl. 10009DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.010 38 Constataram, também, os agentes fiscais que a contribuinte deixou de recolher e de declarar nas DCTF, parte da CSLL devida, relativa ao anocalendário de 2008 no valor de R$ 3.800.446,04. Em sua impugnação, a contribuinte assevera que a cobrança de CSLL é indevida, pois, apesar de realmente não ter declarado em DCTF, extinguiu esse débito mediante compensação. Informa que extinguiu esse débito por meio de duas compensações, uma de R$ 221.000,00 (PERDCOMP n° 26094.15623.231209.1.3.040073, transmitido em 23/12/2009) e outra de R$ 3.579.446,04 (PERDCOMP n° 19381.33017.231209.1.3.044130, também transmitido em 23/12/2009). Examinandose os referidos PERDCOMP, anexados à impugnação, confirmamse as alegações da suplicante, na medida em que os referidos débitos, totalizando os R$ 3.800.446,04 lançados pela fiscalização, se encontram confessados às fl 9.298 e 9.307, respectivamente, com a indicação (1) do código 677301, referente ao ajuste anual de CSLL para pessoas jurídicas que apuram o IRPJ sob a modalidade de estimativas mensais; e (2) do vencimento em 31/03/2009. Registrese, contudo, que, por equívoco, a contribuinte informou o período como sendo 2009, quando o correto é o de 2008. Assim, entendeu também que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débito indevidamente compensado (art. 74, § 6°, Lei n° 9.430, de 1996), o lançamento de ofício sob exame revelase descabido, razão pela qual é de se afastar a exigência a título de CSLL, no valor de R$ 3.800.446,04, relativa ao anocalendário de 2008. Entendo correto o entendimento da DRJ quanto aos dois pontos (IRPJ e CSLL). Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, exclusivamente para afastar a multa qualificada, reduzindoá ao patamar de 75%. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius NIchele Macei – Relator Fl. 10010DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.011 39 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar das conclusões do i. Conselheiro Relator em relação à qualificação da multa de ofício. Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 10011DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.012 40 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Retornando ao caso concreto, segundo o I. Conselheiro Relator estaríamos diante de um caso de elisão tributária, ainda que ilícita, o que impediria a qualificação da penalidade. Entendo de modo diverso. Analisando o caso concreto concluo que estamos diante de um caso de simulação, o que impõe, a toda evidência, a qualificação da penalidade. Há vários fatos que demonstram a existência de simulação: a) os representantes da Yamana e da Maracá registram junto ao Banco Central do Brasil a existência de um empréstimo, e não um aumento de capital; b) esses mesmos representantes da Yamana e da Maracá adquiriram uma “empresa de prateleira”, utilizandose tão somente de suas contas bancárias para trânsito de recursos, registrando ainda uma operação de emissão de debêntures, na Junta Comercial, quando, na realidade, tratavase de evidente integralização de capital; c) Na própria empresa veículo, e também nas DIPJ por essa transmitidas, não houve o registro dos ágios. Além disso, a autoridade fiscal autuante demonstrou que Amulet financiador oculto , além de provedor de recursos da Yamana (com parcela de recursos de origem desconhecida), detinha ainda alto poder de comando nas decisões de investimento da Yamana no Brasil, em especial no que atine à estruturação de financiamento por meio de debêntures participativas. Fl. 10012DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.013 41 A meu ver, há elementos de prova suficientes que permitem concluir que restou comprovado também que as operações de debêntures foram preconcebidas, em conjunto com instituições sediadas no exterior. Além disso, é possível se extrair dos autos que Yamana e o seu financiador oculto (representado pela Amulet) definiram toda a sequência de operações com o objetivo predeterminado de evitar o pagamento integral dos tributos devidos. Isso porque, na escritura de trust, Yamana e o financiador oculto definiram que os valores repassados à PTAPAR, por Yamana, seriam na forma de empréstimo. Também acordaram que PTAPAR iria investir os valores recebidos em Maracá (Mina Chapada) e em Serra da Borda (Mina São Francisco e Mina São Vicente) em certos intervalos de tempo e quando necessário, para financiar os projetos em debêntures participativas, debêntures essas que seriam penhoradas à fiduciária imediatamente após a emissão suas emissões. Há de se destacar ainda que, nos termos contidos no contrato de subscrição, Amulet seria a única responsável pela obtenção de consultoria tributária, de investimentos, jurídica e outras consultorias profissionais. A meu sentir, a autoridade fiscal angariou elementos de prova suficientes e aptos a comprovar suas conclusões: a operação levada a efeito foi uma integralização de capital, e não uma operação de emissão de debêntures. E frisese que, para tanto, realizouse uma ampla e profunda investigação, demandando praticamente três anos de procedimento fiscal, por meio do qual foi colhido um robusto conjunto probatório composto por mais de 9.000 (nove mil) folhas. Portanto, entendo absolutamente despropositados os argumentos da Recorrente de que “mesmo que a intenção e a realidade fossem de aumento de capital, este não estaria encoberto, porque transpareceria do conjunto de fatos documentados e contabilizados, através dos quais os fiscais entenderam haver aumento de capital”. Ao contrário do alegado em recurso, tais elementos probatórios não se encontravam “às claras” e nem permitiriam, por uma análise perfunctória (nas palavras da Recorrente) identificar a operação real praticada (integralização). Por essas razões, as conclusões extraídas da operação realizada não foram simplesmente extraídas da mera análise dos “fatos documentados e contabilizados”, mas sim pela análise conjunta de todas os elementos de prova arduamente produzidos pela equipe de fiscalização responsável pela autuação, incluindo provas não sujeitas à contabilização, como, por exemplo, documentos publicados no exterior. Portanto, o fato apontado pela Fiscalização como realmente ocorrido a integralização de capital – jamais foi evidenciado pela Recorrente, mas sim acobertado atos simulatórios. Especificamente a respeito da caracterização de sonegação, fraude ou conluio (respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), esclareço: a) a Recorrente argumenta que deveria haver uma espécie de embaraço à Fiscalização para comprovarse a ocorrência de sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64) de modo a caracterizar o não conhecimento do fato gerador por parte da autoridade tributária. Contudo, não é esse o escopo da norma. A caracterização da sonegação (“impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais”) pode ser facilmente extraída dos seguintes fatos: • Informar, na DIPJ da PTAPAR, o valor do ágio, deduzido na apuração do resultado, como despesas de participação de debenturistas, enquanto a PTAPAR não é (e nem poderia ser) emissora de debêntures. Fl. 10013DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.014 42 Não informar na DIPJ da PTAPAR o ágio baixado como despesa; Informar na DIPJ da Maracá despesas a título de remuneração de debêntures, quando eram, na realidade, dividendos; Informar na DIPJ da PTAPAR receitas a título de remuneração de debêntures, quando se tratava, de fato, de receita de dividendos (para fins de repasse à controladora Yamana). b) em relação à fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64), argumenta a Recorrente que tal dispositivo legal trata do próprio fato gerador, cuja ocorrência se impede ou retarda por modo doloso, vale dizer, por via sabidamente ilegal e que adultere a realidade do fato gerador ou dos seus elementos, podendo consistir em simulação absoluta ou relativa. Alega, todavia, que o artigo não impede o exercício regular do direito de organização e reorganização, nem de escolha de alternativas legais, através do que também se visa economia fiscal, mas por meios legais e não dolosos, principalmente quando praticados à luz do dia. Ocorre que, conforme já abordado, não estamos diante de escolha de alternativas legais, mas sim de simulação, uma vez que a Recorrente adulterou a realidade dos fatos: diante de evidente integralização de capital, houve registro de mútuo entre coligadas e operação de debêntures. c) no que diz respeito ao conluio (art. 73 da Lei nº 4.502/64) além da necessidade de dolo nas ações abrangidas pelos art. 71 e 72 (sonegação ou fraude), também é necessário o pacto doloso. E, no caso concreto, não há dúvidas sobre sua ocorrência: os administradores/representantes das empresas Yamana, Maracá, Serra da Borda e PTAPAR, além do investidor oculto, participaram em conluio dos atos que configuraram sonegação e fraude. Em resumo, a intencionalidade da divergência entre a vontade interna e a declarada é a característica fundamental do negócio simulado, e, conforme já exposto, entendo que há prova suficiente a caracterizar a ocorrência de simulação no caso concreto. É importante ressaltar que a multa qualificada foi aplicada em relação à infração referente às despesas inexistentes de participação de debêntures (IRPJ e CSLL), e as infrações decorrentes (compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL), o que considero acertado. Já em relação às infrações relativas à falta de recolhimento e de declaração em DCTF (IRPJ e CSLL) a autoridade fiscal autuante, corretamente, já cominou a penalidade de 75%. Desse modo, entendo estarem preenchidos os requisitos para qualificação da penalidade. Isso posto, voto por negar provimento também em relação à multa qualificada, mantendo a penalidade de 150%. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado Fl. 10014DF CARF MF Processo nº 10120.731437/201228 Acórdão n.º 1402002.325 S1C4T2 Fl. 10.015 43 Fl. 10015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000536/2004-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO
Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno.
Numero da decisão: 9101-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 05 36 /2 00 4- 17 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 2 DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório A Turma ordinária decidiu o recurso voluntário em acórdão que restou vazado na seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA CSL DECADÊNCIA — CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO A Contribuição Social sobre o Lucro, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrita à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 40 do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. CSL — OMISSÃO DE RECEITAS — Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. CSL APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA — A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, calculada por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento da CSL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei no 9.430/96. 0 lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada em procedimento fiscal, acompanhada da correspondente multa de oficio. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000536/200417 Acórdão n.º 9101002.276 CSRFT1 Fl. 3 3 INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos os tributos devidos pelo sucedido. 0 que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato,gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei e a evidencia de provas, onde pede que seja dado provimento ao recurso para restabelecer a multa isolada no percentual de 150% sob a responsabilidade da sucessora. Admitido o Recurso da Fazenda Nacional, o acordão de recurso especial conheceu e lhe deu provimento, “determinando o retorno dos autos a Câmara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente”. O acórdão da CSRF foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: MULTA DE OFICIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. Consta na parte final do voto do relator: Assim conheço em parte do RE e das ContraRazões, e no mérito dou provimento e determino o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 4 Encaminhado o processo ao colegiado a quo e sorteado entre os seus membros, o relator contemplado foi o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. O referido conselheiro apresentou Embargos de Declaração abaixo transcrito: Conforme o termo de verificação de infração de fls. ..., todo um conjunto de auditorias levou à autuação da empresa MG Master Ltda em razão de omissões praticadas por 24 (vinte quatro) empresas sucedidas. Foram 24 (vinte quatro) autuações de IRPJ e seus reflexos e 46 (quarenta e seis) autuações relativas a multas isoladas de IRPJ e CSLL (vinte e três para cada tributo). Só uma das empresas incorporadas não sofreu autuação de multas isoladas por adotar o regime do lucro presumido. O presente feito é uma dessas quarenta e seis autuações de multa isolada e está relacionado com uma das vinte e quatro autuações de CSLL e seus reflexos. É, portanto, similar a várias dezenas de outros, dos quais vários nos foram distribuídos por retorno determinado pela Câmara Superior. Por meio do acórdão ..., a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte havia dado provimento integral ao recurso voluntário ..., sob o fundamento de ilegalidade da aplicação de multa de ofício na sucessora. Já a Câmara de Superior de Recursos Fiscais ao analisar o recurso especial da Fazenda Nacional, deulhe provimento por meio do acórdão ... sob o fundamento de ser legal a aplicação de multa de ofício, uma vez comprovado nos autos que ambas as sociedades sucessora e sucedida sempre estiveram sob controle comum, e determinou o retorno dos autos à “Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto”. Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão ..., entendemos que todas as questões suscitadas no recurso voluntário foram enfrentadas pelo relator, que negava provimento ao recurso voluntário. Abaixo, as relacionamos: a) decadência; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta delitiva; b) nulidade em razão de sua lavratura em separado; c) multa na sucessora; d) adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; e) falta de base legal e constitucional para a aplicação de juros à taxa SELIC; f) concomitância da multa isolada com a multa de ofício; e g) caráter confiscatório da multa. Foi o voto de divergência, porém, que prevaleceu. Poderíamos supor, então, que alguns pontos constantes do voto vencido teriam sido prejudicados pelo voto vencedor. Neste, porém, há a seguinte afirmação: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000536/200417 Acórdão n.º 9101002.276 CSRFT1 Fl. 4 5 Inicialmente gostaria de enaltecer a clareza do relatório e profundidade do voto proferido [...] peço vênia para dele discordar somente quanto a aplicação da multa isolada nos casos de incorporação [...] Ademais, todos os pontos suscitados pela defesa, inclusive aqueles que poderiam ter sido prejudicados, constam da ementa, como a concomitância com a multa de ofício. Dessarte, não identificamos nenhuma questão suscitada pela defesa a ser enfrentada, o que nos levou à conclusão de ter havido supostamente contrariedade ou omissão do acórdão ... . Só haveria a redução passível de iniciativa de ofício do patamar sancionador de 150% para 50% em razão das alterações supervenientes da redação do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, interpomos embargos de declaração com o fito de se sanear a contrariedade ou a omissão do acórdão ... para se esclarecer quais questões devem ser enfrentadas por esta turma. Encaminhado o processo à Primeira Turma da CSRF, os Embargos foram admitidos por despacho do Presidente da CSRF. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Preliminarmente, há uma questão a ser respondida, qual seja: se um relator de Turma Ordinária que recebeu um processo com decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) determinando o retorno a turma a quo poderia, ou não, embargar esse Acórdão, visando esclarecer os contornos e limites do retorno. O tema ganha relevância, pois estarseá a definir a autonomia da decisão da Câmara Superior, se é possível a interpretação autêntica ou se sua interpretação deverá ser avaliada pela turma ordinária que lhe dá cumprimento. O art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, apresenta, em seu parágrafo primeiro, o seguinte rol de legitimados para oposição de Embargos de Declaração (vale ressaltar que essa redação era a mesma existente no Regimento Interno anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e com redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. A partir dos regramentos transcritos, podese discutir o enquadramento nos incisos I e V. a.1) Ao se eleger como legitimado o ‘conselheiro do colegiado’, é defensável que o termo ‘colegiado’ acima envolva a turma de julgamento que tem interesse no que está sendo decidido; assim, poderseia defender que estariam aí os conselheiros do colegiado que julgará o retorno da decisão da CSRF. Não obstante, também é defensável que o colegiado abrange apenas a turma prolatora do acórdão (ainda mais com o acréscimo que se fez no atual regimento interno incluindo a expressão “inclusive pelo próprio relator”). Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000536/200417 Acórdão n.º 9101002.276 CSRFT1 Fl. 5 7 a.2) A tradição da Casa entende que a segunda alternativa é a mais apropriada, a ela me alio, sob pena de abrir um precedente que poderia evoluir no sentido de que nesse dispositivo caberiam todos os colegiados do Conselho (tendo em vista a subjetividade do que seria um colegiado que tem interesse no julgamento); o que, evidentemente, não é o que desejou o legislador do regimento interno. b.1) Em se tratando do titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, poderseia interpretar que a turma a quo poderia ocupar a posição de unidade da administração tributária e que esse “titular” poderia, por analogia, ser o relator ou o Presidente (nesse caso, faleceria competência no caso concreto, pois os Embargos não foram subscritos pelo Presidente), já que é natural pensar que a turma para o qual o processo retornou está “executando” o acórdão. b.2) Mais uma vez, reconhecendo a engenhosidade da alternativa de interpretação, sigo a prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do Código Tributário Nacional) ou a tradição, sem adentrar no campo do direito administrativo que conceituaria “unidade da administração tributária”, para rejeitar a possibilidade e continuar entendendo que o inciso V do art. 65 está apenas voltado para a unidade preparadora. A Portaria MF nº 197, de 23 de abril de 2015, dispôs sobre consulta pública relativa a alterações a serem promovidas no Regimento Interno do CARF. Confiramse alguns de seus dispositivos: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) realizará consulta pública com o objetivo de receber contribuições por escrito para aperfeiçoamento do Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. ... §2º A minuta de Regimento Interno do CARF objeto da consulta será disponibilizada no endereço eletrônico referido no § 1º, acompanhada da exposição de motivos, com indicação dos objetivos institucionais que se pretende alcançar com a nova regulamentação. §3º A apresentação das sugestões, a ser efetivada por meio de formulário próprio disponível juntamente com a consulta, deverá atender à seguinte estrutura: I redação proposta para artigo, parágrafo, inciso, alínea ou item a que se refira; e II justificativa para cada item da proposta, que demonstre a pertinência e o atendimento dos objetivos institucionais. § 4º As contribuições deverão ser enviadas por meio de correio eletrônico para o endereço ricarf_Consulta@carf.fazenda.gov.br, com anexação do formulário próprio de que trata o § 3º. Art. 2º As sugestões recebidas e que atenderem ao disposto no § 3º do art. 1º poderão ser consideradas total ou parcialmente na definição do texto do novo regimento. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 8 Parágrafo único. O CARF publicará em seu sítio na internet relatório com as justificativas das sugestões não acatadas. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Com base nesta louvável1 iniciativa do CARF para o aperfeiçoamento de seu regimento interno, apresentei a proposta de nº 128 com quatro sugestões de mudanças, entre elas estava a seguinte inovação: Novo inciso no parágrafo 1º do art. 65: VI – por relator de turma ordinária, relativamente à decisão da CSRF com providência de retorno a turma a quo, considerandose a ciência como a indicação para o processo em pauta. Na oportunidade, motivei da seguinte forma: Há casos de acórdãos da CSRF que decidem com retorno a turma ordinária, mas não é possível identificar exatamente qual a providência que a turma ordinária deverá tomar. Assim, fazse necessário que o relator desses acórdãos nas turmas ordinárias tenha competência para embargar a decisão da CSRF. Poderia ser utilizado o inciso I, mas esse é voltado apenas ao colegiado no qual o acórdão é proferido. Também poderia ser utilizado o inciso V, entendendose o presidente de turma como titular da unidade da administração tributária para execução do acórdão, ou seja, a turma a quo estaria “executando” o acórdão, mas também essa interpretação é questionável. O CARF justificou o não acatamento afirmando que: Se, após passar por todas as autoridades que têm legitimidade para embargar, ninguém que tomou ciência desta decisão da CSRF embargou, o relator do processo nessas hipóteses irá decidir com os elementos de que dispõe nos autos. Verificase que, embora a motivação do não acatamento tenha sido bem suscinta, foi suficientemente clara em delegar ao relator o poder de interpretar a decisão da CSRF (superando omissões/contradições/obscuridades como bem entender caso não as leve a julgamento ou não sejam identificadas pelos outros Conselheiros – ou apresentando propostas de saneamento – caso decida leválas a julgamento), submetendoa a seu juízo prévio. A partir do estudo dos “anais” de elaboração do regimento interno, podese concluir que foi dada oportunidade ao legislador regimental enfrentar a disciplina da questão e, em tendo este se manifestado no sentido de não acolher a modificação proposta, me permito extrair uma interpretação histórica com a seguinte orientação: nos atuais incisos do art. 65 não há guarida para se incluir entre o rol dos legitimados o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno; estando, 1 Do que tenho notícia foi a primeira vez que um Tribunal resolveu escutar a sociedade civil ao tratar da sua lei orgânica, estão de parabéns as autoridades que assim decidiram! Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000536/200417 Acórdão n.º 9101002.276 CSRFT1 Fl. 6 9 portanto, afastadas as duas possíveis interpretações a que já fiz menção ao tratar dos incisos I e V. Assim, por todo o exposto, o relator deverá interpretar a decisão da Turma da CSRF que determina o retorno para determinada turma ordinária e, caso encontre omissões/contradições/obscuridades, leválaás a julgamento da turma, como foi feito no julgamento que restou no Acórdão nº 1201001.173, sessão de 04/03/2015, da qual participei, onde os contornos da decisão da Turma da CSRF foram dados pela decisão da Turma Ordinária do CARF, conforme se pode perceber da parte dispositiva do acórdão, abaixo transcrito: “... os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTARAM a preliminar de decadência de dezembro de 1997, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que o acompanhou pelas conclusões; por unanimidade de votos, ENTENDERAM que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade material dos autos de infração dos anos calendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário dos anoscalendário de 2001 a 2003.” Nesse sentido, voto por NÃO ACOLHER os Embargos de Declaração, por ausência de legitimidade ativa do Conselheiro que os opôs, e determinar o retorno dos autos a Turma a quo. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 10166.722768/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 22 76 8/ 20 14 -1 1 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 108 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO, que julgou procedentes autos de infração de obrigações tributárias principais referentes às contribuições previdenciárias, sendo o DEBCAD.51.038.4153 atinente ao levantamento patrocínio de futebol profissional, e o DEBCAD 51.038.4161, referente a pagamento de PLR em desacordo com a legislação, além de 3 (três) autos de infração relativos ao descumprimento de obrigações acessórias, DEBCADs nos 51.038.4170, 51.038.4188, e 51.038.4196, respectivamente CFLs 30, 34 e 83 (fls. 2/198). O relatório da decisão contestada (fls. 567/569) bem descreve os termos da autuação e da correspondente impugnação: O presente processo administrativo referese a contribuições devidas à Seguridade Social: Art. 22, III e §§ 6º, 7º e 9º da Lei 8.212/91. 2. Tais exações são incidentes sobre: valores pagos a contribuintes individuais, dirigentes da empresa, a título de participação nos resultados. pagamentos de patrocínios efetuados pela impugnante em favor das associações de futebol profissional Club de Regatas Vasco da Gama, CNPJ 33.617.650/000145 e América Futebol Clube (NATAL RN), CNPJ 08.333.783/000137. 2.1. A retenção de 5%, sobre os valores brutos repassados a título de patrocínio, não foi efetuada, conforme verificação dos lançamentos contábeis efetuados na conta 2113181600 – C. PrevINSS Retido Fonte Terc. P. Jurídica, e nem recolhidos em GPS, código 2500. Também não foram informados em GFIP. 2.2. Em relação ao pagamento de PLR a contribuintes individuais, dirigentes não empregados, constam dos Termos de Pactuação (e seu complementar) a previsão dessa verba aos dirigentes da empresa, conforme Cláusula 9ª, item 91.1, desde que houvesse Autorização em AGO. Tais autorizações foram concedidas pela 51ª e 52ª Assembléia Geral Ordinária. 3. As contribuições previdenciárias foram apuradas através do exame dos seguintes elementos de prova: [omissis] 4. As contribuições previdenciárias lançadas não foram declaradas em GFIP. 5. Também houve a lavratura de autosdeinfração por descumprimento de deveres jurídicotributários instrumentais, a saber: CFL 30 Art. 32, I, da Lei no 8.212/91 e art. 225, I e § 9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 109 3 CFL 34 Art. 32, II, da Lei no 8.212/91 e art. 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. CFL 83 Art. 22, §9º, da Lei no 8.212/91 e art. 205, § 3º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Da Impugnação 6. Notificado pessoalmente do lançamento dos Créditos Tributários em 30/04/2014 (fls. 03), apresenta o sujeito passivo suas impugnações em 21/05/2014 (fls. 427 e 560), com as seguintes razões, em apertada síntese: 6.1. Indevida inclusão em dívida ativa. 6.2. O patrocínio ao Vasco, através dos desembolsos, foi por ordem judicial, em ações ajuizadas pelo sindicato dos empregados em face do Vasco, dada a natureza alimentar de tais pagamentos. 6.3. Os desembolsos foram pagos a credores das obrigações trabalhistas contraídas pelo Vasco. Ainda que a Eletrobrás entendesse que a retenção deveria ser feita, haveria preterição do credor trabalhista em prol do crédito tributário, ferindo o Art. 186 do Código Tributário Nacional. Os depósitos foram em favor de terceiros que não o Vasco, afastando os §§ 6º e 9º do Art. 22 da Lei 8.212/91. 6.4. Se o recebimento não foi pela associação desportiva, não há subsunção à hipótese de incidência. 6.5. O §11 do mesmo artigo estabelece que a referida substituição tributária só se aplica às sociedades empresárias, o que não é o caso do Vasco. 6.6. Para o contrato envolvendo o América – RN, aponta normas do Ministério dos Esportes e fala sobre captação mínima, o que não houve, conforme a informação do próprio Ministério, descaracterizando o patrocínio. O que houve foi a liberação para a conta vinculada ao contrato. 6.7. O objeto do contrato não foi atendido e a marca Eletrobrás não foi exposta. Reafirma a questão das sociedades empresárias. Menciona que o contrato era voltado para financiamento das categorias de base e a incidência é para os patrocínios ao futebol profissional. Elenca requisitos. Remete ao Art. 22, §11A e aponta requisitos da Lei 9.615/98. 6.8. Se a contribuição previdenciária não incide sobre o pagamento de PLR aos trabalhadores, não há como se exigila sobre o pagamento aos Diretores não empregados. A Constituição Federal de 1988 e a Lei não fazem distinção entre trabalhador com ou sem vínculo. Remete à Lei 10.101/00 e ao Art. 176 do CTN. Cumpridos os requisitos do Art. 28, §9º, “j”, da Lei 8.212/91. Aponta os mesmos requisitos para o AIOA 51.038.4170 6.9. Em relação ao AIOA 51.038.4188 (Vasco e América), a obrigação da empresa era de lançar mensalmente os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Ocorre que não existiram os fatos geradores, conforme demonstrado. 6.10. Não havendo a obrigação tributária, não pode a Eletrobrás ser autuada por descumprimento de dever imposto à substituta tributária, pois não o é. Improcedente o AIOA 51.038.4196. A instância de primeiro grau manteve a exigência (fls. 564/576), motivando a interposição de recurso voluntário em 2/6/2015 (fls. 597/769), no qual são repisadas as razões vertidas na impugnação e argumentado, ainda, que na decisão que determinou a penhora das Fl. 813DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 110 4 cotas de patrocínio destinada ao Vasco, foi prescrita a preferência dos créditos trabalhistas sobre os tributários, sendo que seu cumprimento estendido no tempo dada a insuficiência daquelas cotas para pagamento dos citados créditos. É o relatório. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 111 5 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Parte da autuação versa, como narrado mais acima, sobre verbas de patrocínio destinadas pela contribuinte ao Clube de Regatas Vasco da Gama, conforme contrato de fls. 688/703 . Alega a recorrente que tais desembolsos teriam sido pagos a credores de obrigações trabalhistas daquele clube, por força de ordem judicial, nos autos do processo nº 000061748.2010.5.01.0036, que tramitou na 36ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro/RJ. Compulsando os autos, temse que, efetivamente, existe decisão naquele processo de execução (fls. 718/724), na qual o magistrado assevera: DETERMINO A PENHORA DAS COTAS DE PATROCÍNIO VENCIDAS, até o limite do crédito apurado, devendo a ELETROBRÁS ser intimada por mandado a não proceder a qualquer pagamento do valor das referidas cotas ao Vasco, e colocar à disposição deste Juízo quantia que basta a solver a dívida do executado, conforme a conta já elaborada (fls. 131). Observese que a disposição alude a cotas já vencidas, ou seja, anteriores à prolação da sentença em 18/8/2010, enquanto os fatos geradores das contribuições previdenciárias objeto de lançamento são posteriores, compreendendo os anoscalendário 2011 e 2012. Entretanto, a empresa argumenta que ordens judiciais posteriores de penhora ultrapassavam o valor das cotas de patrocínio, assim, "antes mesmo da fatura poder ser lançada o valor já estava comprometido ao Juízo. Suprida aquela ordem judicial, quase que de imediato já existia outra formando uma sequência contínua de mandados de penhora, bloqueio e avaliação, considerando, inclusive, liberações futuras". Para comprovar tais explicações, colacionou alguns documentos de sua lavra ("Memorandos"), que fazem referências a ordens judiciais, emanadas daquele processo (fls. 712, 715) e também de outro, nº 003703200.2007.8.19.0001 (fl. 710). Juntou também guias de pagamentos associados a esses processos e ao processo nº 0000123.05.2012.5.01.0008 (fls. 705/709, 711/717). Não resta claro, contudo, a abrangência de tais ordens judiciais, relacionadas à fl. 704 pela contribuinte, até mesmo por serem, em parte, atinentes a outros processos que não o que tem sua sentença juntada nos autos, como mencionado. Assim, ainda que haja indícios relevantes de que os valores penhorados compreendam todas as cotas de patrocínio a serem pagas ao clube em evidência no período, sem a cópia das ordens judiciais (ofícios, mandados, etc.), bem como das decisões (sentença ou Fl. 815DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.722768/201411 Resolução nº 2402000.574 S2C4T2 Fl. 112 6 acórdão) prolatadas nos processos de nº 003703200.2007.8.19.0001 e 0000123.05.2012.5.01.0008 que estão relacionadas com tais penhoras, está prejudicada a compreensão adequada dos fatos sob exame. Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem intime a contribuinte a apresentar cópia dos documentos judiciais por ela discriminados na tabela à fl. 704 (eprocesso) dos autos, bem como as decisões exaradas nos processos de nº 003703200.2007.8.19.0001 e nº 0000123.05.2012.5.01.0008, que estejam vinculadas a tais ordens judiciais, devendo na sequência a fiscalização manifestar se se os valores comprovadamente retidos abrangem todos os que foram objeto do lançamento veiculado neste processo, facultandose ao sujeito passivo prazo legal para se pronunciar sobre a manifestação do Fisco. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13161.001380/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 80 /2 00 7- 83 Fl. 351DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 353DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.267. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 355DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 357DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 359DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 361DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 363DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 365DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 367DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 369DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 371DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 373DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 375DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 377DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 379DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 381DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 383DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 385DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 387DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 389DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 391DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 393DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 395DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13161.001380/200783 Acórdão n.º 3302003.267 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 397DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 398DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720906/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
PIS - OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO CUSTOS DA REDE PRÓPRIA.
Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98 entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
PIS - RETENÇÃO NA FONTE - DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA.
Os valores de PIS retidos na fonte são considerados como antecipação do devido pelo contribuinte ao final do período de apuração, podendo ser deduzidos da contribuição devida, relativa aos fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Sustentou pelo Contribuinte o Dr. Silvio Augusto Campos Mesquita, OAB-SP nº 119.076.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: Domingos de Sá Filhio
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PIS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO CUSTOS DA REDE PRÓPRIA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98 entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. PIS RETENÇÃO NA FONTE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. Os valores de PIS retidos na fonte são considerados como antecipação do devido pelo contribuinte ao final do período de apuração, podendo ser deduzidos da contribuição devida, relativa aos fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Sustentou pelo Contribuinte o Dr. Silvio Augusto Campos Mesquita, OABSP nº 119.076. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 09 06 /2 01 2- 02 Fl. 5478DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidase de Recurso de Ofício em razão do provimento da impugnação, consequentemente, pelo fato da exoneração total do crédito tributário constituído por meio de lançamento, afastando à exigência da exação consignada por meio do auto de infração relativo ao PIS/COFINS. Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar bem a situação dos autos: “Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência de PIS, incidência cumulativa, relativo aos períodos de apuração 01/2008 a 12/2009 (fls. 5.191 a 5.200), totalizando R$ 29.385.708,93, com multa de ofício de 75%, e juros de mora calculados até 10/2012, sendo R$ 13.941.184,31 correspondentes à contribuição. Também foi lavrado auto de infração para exigência da Cofins relativa aos mesmos períodos de apuração e com os mesmos acréscimos legais, totalizando R$ 139.599.070,10, sendo R$ 66.196.361,01 correspondentes à contribuição (fls. 5.201 a 5.208). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.182 a 5.190) a autoridade lançadora informa, em resumo, que: O contribuinte tem por objetivo o desenvolvimento, a administração e a comercialização de planos de saúde para cobertura médica, hospitalar e odontológica, a ser prestada por terceiros aos contratantes desses planos; A autuada opera com planos de assistência à saúde, apurando, nos períodos lançados, o PIS e a Cofins sobre o faturamento, nos termos da Lei nº 9.718/98, alterada pela MP nº 2.15835/2001; A partir da documentação apresentada pelo contribuinte no curso da fiscalização (demonstrativos de apuração das contribuições e balancetes), verificouse: a não inclusão das receitas financeiras (conta 340000000), a exclusão de valores contabilizados a título de “Eventos Ocorridos Efetivamente Pagos” (conta 212119000000) e a exclusão de valores relativos à variação da provisão de eventos ocorridos e não avisados (conta 414000000) Em relação ao segundo item, o art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, alterado pela MP nº 2.15835/2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base Fl. 5479DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 16 3 de cálculo das contribuições as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes); Tal entendimento foi acatado em soluções de consultas formuladas junto à RFB (SRRF/7ªRF/Disit nº 316/2002, SRRF/6ªRF/Disit nº 58/2007 e Cosit nº 6/2010); Da análise dos balancetes apresentados não foram encontrados registros em contas específicas, de acordo com o plano de contas da ANS, que comprovassem transações operacionais com outras operadoras de planos de saúde com o objetivo de justificar as exclusões efetuadas na apuração das contribuições, relativas a despesas e custos operacionais relacionados com atendimentos médicos a título de responsabilidade assumida; Tais contas seriam as seguintes: “Contraprestações de Corresponsabilidade Assumida de Assistência Médico hospitalar” (Grupo 3113), “Contraprestação de Corresponsabilidade Assumida de Assistência Odontológica” (Grupo 3114), “Eventos em Co rresponsabilidade Assumida de Assistência Médicohospitalar” (Grupo 4115) e “Eventos em Corresponsabilidade Assumida de Assistência Odontológica” (Grupo 4116); Intimado a esclarecer as questões acima, o contribuinte, em relação à não inclusão das receitas financeiras na apuração das contribuições, anexou decisões em RE nos processos 1999 61.00.0196470 (Cofins) e 199961.00.0257457 (PIS), nas quais o STF reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não cabendo, portanto, a inclusão de outras receitas que não fizessem parte da atividadefim da empresa; Em relação à exclusão de valores relativos à variação da provisão de eventos ocorridos e não avisados, apresentou cópia da RN nº 209/2009, por meio da qual a ANS, em seu art. 9º, determina que as operadoras de planos de saúde constituam, mensalmente, entre outras provisões técnicas, a Provisão para Eventos/Sinistros Ocorridos e Não Avisados –RJ RIO DE JANEIRO DRJ; PEONA, estimada atuarialmente para fazer frente ao pagamento dos eventos/sinistros que já tenham ocorrido e que não tenham sido registrados contabilmente pela empresa; Em pesquisa realizada no site da ANS, a RN nº 209/2009 revogou e substituiu a RN nº 160/2007, nela a determinação para que as operadoras de planos de saúde constituíssem a provisão para eventos ocorridos e não avisados está prevista em seu art. 12; Em relação à dedução dos pagamentos relativos a indenizações correspondentes a eventos ocorridos, efetivamente pagos, a título de responsabilidade assumida, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo; Fl. 5480DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Posteriormente, o contribuinte complementou sua resposta, apresentou relação mensal das indenizações correspondentes aos eventos, efetivamente pagos, ocorridos entre jan/2008 e dez/2009, e cópia do Livro Razão, demonstrando os correspondentes lançamentos no período citado, além de tecer comentários sobre a legislação que autorizou a dedução destas despesas; Analisando tal documentação, verificouse que a informação apresentada se referia a pagamentos de indenizações relacionadas a despesas médicas com seus próprios clientes, informação diferente da solicitada por meio de anterior intimação, a qual se referia a indenizações correspondentes a eventos ocorridos a título de responsabilidade assumida; A Solução de Consulta COSIT nº 6/2010 trata da questão, entendendo que o disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, alterado pela MP nº 2.158 35/2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo das contribuições as despesas e custos operacionais relacionados com atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento mensal, e não sobre o resultado; Tal dispositivo somente autoriza as operadoras a deduzir o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes a outra operadora, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade; Tal entendimento é adotado pacificamente pela jurisprudência do CARF, conforme acórdãos citados; Assim, concluise que os valores referentes a indenizações, efetivamente pagas, correspondentes a eventos relacionados com os atendimentos médicos realizados com seus próprios clientes devem ser glosados da apuração das contribuições do período entre jan/2008 e dez/2009; Diante do exposto, foi efetuado o presente lançamento, com a finalidade de glosar os valores excluídos indevidamente da apuração do PIS e da Cofins, no referido período, conforme planilha anexa; Dos valores apurados foram deduzidos os declarados em DCTF. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 29/10/2012 (fls. 5.191 e5. 201) e apresentou conforme doutrina citada, segundo o princípio da legalidade tributária, a Administração Pública não pode criar, alterar ou extinguir direitos, deveres e obrigações, mas apenas regulamentar, disciplinar, orientar e explicitar condutas impostar e delimitadas em lei; impugnação tempestiva em 26/11/2012 (fl. 5.214), alegando, em resumo, que: Nos termos do art. 3º, § 9º, inciso III da Lei nº 9.718/98, alterado pela MP nº 2.15835/2001, a base de cálculo das contribuições Fl. 5481DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 17 5 sobre o faturamento das operadoras de planos de saúde, desde dez/2001, deve ser ajustada por meio da dedução dos valores por elas pagos em razão dos eventos passíveis de cobertura nos termos dos planos comercializados, valores esses correspondentes ao quanto destinado aos prestadores de serviços de saúde consumidos pelos titulares de planos; Não se identifica no texto normativo a aplicação restritiva que pretende dar a Fiscalização, pois nada no texto legal permite concluir que a dedução voltase apenas aos valores pagos em decorrência de atendimento de clientes de outras operadoras de planos de saúde, em lugar dos pagamentos realizados em razão da atuação empresarial do contribuinte, ou seja, voltados aos seus clientes; Conforme se conclui pela leitura da Exposição de Motivos que justificou a edição da MP nº 2.15835/2001, o próprio legislador identificou, como forma de dar efetividade à medida determinante da constituição de reservas técnicas, o tratamento tributário equivalente entre as operadoras de planos de saúde e as seguradoras que operam segurossaúde; Esta vontade legislativa de implementar a igualdade de tratamento tributário entre as operadoras de planos de saúde e as seguradoras de saúde impõe a transcrição da norma voltada a estas sociedades, contida na MP nº 2.15835/2001, por meio da inserção do inciso II ao § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; Neste dispositivo também não se identifica a restrição pretendida pela Fiscalização; A fim de viabilizar a continuidade de instituições financeiras voltadas à exploração de seguros e das empresas operadoras de planos de saúde, similares daquelas em sentido econômico, o legislador permitiu a dedução dos valores necessários ao custeio dos atendimentos médicos e hospitalares demandados por sua clientela, ao mesmo tempo em que impôs a ambas a constituição de determinadas reservas técnicas (para suportar essa demanda, e não a eventual demanda de clientes de terceiros); As demonstrações financeiras da impugnante demonstram que, no período da autuação, o próprio lucro auferido mostrase ínfimo em face do valor do tributo lançado, sem considerar os encargos; A interpretação da norma dada pela Fiscalização não se compatibiliza com a premissa de “crescimento sustentado do setor”, baseado este no princípio da legalidade tributária; O posicionamento fazendário destoa da explícita previsão legal e ofende o conteúdo do dispositivo e o princípio da legalidade, afastandose da vinculação da atividade administrativa à vontade legislativa; O posicionamento fiscal busca inserir na regra expressões, reduções ou ampliações não desejadas pelo legislador; Fl. 5482DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Citase entendimento doutrinário e jurisprudencial sobre a questão; A previsão normativa tem sido deturpada por interpretação dada pela RFB, conforme soluções de consulta mencionadas pela Fiscalização; É de se notar que a SRRF/4ºRF (processo de consulta 01/07, decisão publicada em 20/03/2007 e processo de consulta 27/11, decisão publicada em 07/04/2011) manifestouse sobre a questão; As respostas às citadas consultas, bem como o lançamento em análise, não trazem qualquer outro conteúdo normativo para exame senão aquele já mencionado, concluindose que o posicionamento fazendário deriva da adoção de leitura segundo a qual a base de cálculo das contribuições, por corresponder ao faturamento, não poderia ser afetada por elementos que configurem o custeio da própria atividade da empresa, sob pena de desvirtuamento do conceito de faturamento para atingir o do resultado da operação; Para desempenhar seu objetivo social, a impugnante celebra contratos cujas características aleatórias aproximamse daquelas de contrato de seguro, pois recebe valores dos contratantes em troca da obrigação de cobrir eventuais riscos futuros, decorrentes de assistência médicohospitalar que venha a ser prestada por terceiros (rede credenciada); Ou seja, a impugnante custeia, em favor de sua clientela, as despesas médicohospitalares e laboratoriais quando da ocorrência de tais eventos, nos termos do art. 1º, incisos I e II da Lei nº 9.656/98; Assim, as receitas auferidas pela empresa não decorrem de serviços por ela prestados, mas da assunção de riscos de suportar o adimplemento de obrigação alheia, correspondendo à definição contida no art. 757 do CC de 2002; Desta forma, concluise que cabe à administradora, ou seja, à impugnante, o custeio ou o reembolso, nos limites do contrato firmado, das despesas realizadas pelo titular de plano de saúde em virtude da contratação de profissionais ou estabelecimentos prestadores de serviços médicos; Citase doutrina acerca da questão; Os valores percebidos pela impugnante na qualidade de receitas de planos de saúde, possuindo característica e definição legais próprias, não podem ser integralmente atingidos pelas contribuições, sendo certo que a observância da obrigação contratual em nada se aproxima do pretendido conceito de custo da atividade empresarial, conceito aplicável às entidades que venham a prestar serviços médicohospitalares; Citase jurisprudência do STF e do STJ, relativa à incidência do ISS; Fl. 5483DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 18 7 Delimitada materialmente a receita passível de oneração pelo ISS, é de se concluir que os montantes correspondentes aos eventos suportados pela impugnante em razão dos atendimentos demandados por sua clientela não podem guardar relação com o conceito de custos da atividade empresarial, caindo por terra o obstáculo identificado pela Fiscalização à admissão das deduções em questão; A Fiscalização deu excessiva relevância ao trecho final do ato legal, sobrepujando a parte inicial do mesmo inciso, que expressamente possibilita a dedução pretendida; A impugnante sustenta que o conteúdo normativo concentrase na parte inicial do texto legal, entendimento que atende à sua estrutural gramatical e à coerência lógica que deve nortear a produção normativa; Quanto ao aspecto gramatical, destaquese o emprego do verbo “deduzir” no particípio, concluindose que cabe ao contribuinte promover a dedução do valor correspondente às indenizações pagas em razão dos eventos derivados dos planos de saúde que opera; Já sob o prisma da consistência lógica, concluise que o verbo “deduzido” atrelase ao texto anterior da frase, caracterizando elemento redutor da grandeza apurada a título de indenizações pagas; O objetivo do legislador fica claro com a leitura da Exposição de Motivos, como já dito anteriormente; A ordem lógica da norma se manifesta pela compreensão de que um mesmo inciso cuida de um mesmo e único assunto, tratado no caput do artigo; Não é viável supor, como faz a Fiscalização, que apenas na parte final do último inciso do nono parágrafo do dispositivo legal pretendesse o legislador delimitar apenas aos casos de custeio de atendimentos de saúde dirigidos a beneficiários de outras operadoras de planos a hipótese de dedução tratada ao longo de todo o dispositivo; Cita decisão judicial que fundamentaria seu entendimento; Outra questão diz respeito aos valores das contribuições retidos na fonte, os quais não foram considerados pela autoridade fiscal, uma vez que dos valores apurados deduziu apenas aqueles declarados em DCTF, que correspondem ao valor líquido; Tais retenções (informes anexos) correspondem a pagamentos antecipados, devendo ser considerados efetivamente pagos, assim como aqueles informados em DCTF. Em 03/04/2013, por meio da Resolução nº 12000.208 (fls. 5.325 a 5.332), esta 16ª Turma de Julgamento determinou a realização de diligência junto à unidade local, nos seguintes termos: Fl. 5484DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 1. Apurar as retenções na fonte de PIS e Cofins sofridas pelo contribuinte passíveis de utilização no período fiscalizado; 2. Apurar os valores referentes a tais retenções efetivamente utilizados pelo contribuinteara fins de dedução na apuração do PIS e da Cofins, considerando os correspondentes registros contábeis; 3. Verificar a natureza das “Outras Deduções” informadas pelo contribuinte no DACON nos meses de abril, julho, agosto, outubro e novembro de 2009; 4. Efetuar novo cálculo das contribuições devidas, considerando as deduções relativas à retenção na fonte apurada conforme acima e, se for o caso, as demais deduções informadas em DACON (item anterior); 5. Dos valores apurados no item anterior excluir aqueles declarados em DCTF; 6. Dar ciência ao contribuinte do resultado da diligência solicitada, abrindo prazo de trinta dias para se manifestar, se assim desejar, especificamente em relação a tal procedimento; 7. Retornar o processo a esta DRJ para julgamento. Em 02/07/2013 (fls. 5.403 a 5.407) a empresa apresentou petição nos seguintes termos: A impugnante entende conveniente trazer aos autos o Acórdão nº 3403 002.049, proferido em 23/04/2013 pelo CARF, cuja ementa se mostra explícita quanto à acolhida dos fundamentos postos na impugnação: “PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. APLICAÇÃO. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS. CONCEITO. ALCANCE. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.” Tratase de julgado que acolhe integralmente o quanto sustentado pela impugnante, em reforço ao posicionamento doutrinário e oriundo do Poder Judiciário já trazidos na impugnação; A identidade fática e de enquadramento normativo entre o julgado ora trazido e a motivação das autuações em análise fica Fl. 5485DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 19 9 evidente a partir do seguintes trecho, exraído do relatório adotado naquele acórdão: “A motivação da exigência fiscal, conforme o mesmo Termo de Constatação Fiscal (...) é dividida nas seguintes partes: A) Exclusão indevida da base de cálculo do PIS e da COFINS dos custos e despesas da empresa: (...) Da análise dos demonstrativos e informações apresentadas, constatase que no período de (...) o contribuinte deduziu da base de cálculo do PIS e da COFINS todos os valores pagos aos associados e conveniados/fornecedores (hospitais, laboratórios) relacionados ao atendimento dos clientes de todos os planos de saúde da própria UNIMED, (...), ou seja, a empresa acabou deduzindo da base de cálculo do PIS e da COFINS os custos e despesas da empresa, sem previsão legal. De acordo com a empresa, as referidas exclusões foram realizadas com base no inciso III, § 9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, introduzido pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001, (...).” O posicionamento fazendário empregado nestes autos e naqueles relativos ao acórdão trazido mostrase consentâneo, conforme trecho abaixo, extraído do relatório proferido pelo CARF: O posicionamento fazendário empregado nestes autos e naqueles relativos ao acórdão trazido mostrase consentâneo, conforme trecho abaixo, extraído do relatório proferido pelo CARF: “Destacamos que os valores passíveis de dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS com base no inciso III, do § 9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, são relativos aos eventos pagos em relação ao atendimento de clientes/associados de outras operadoras de plano de saúde e não os custos e despesas relacionados aos eventos pagos em relação ao atendimento dos associados/clientes de planos de saúde da própria UNIMED, como pretende a empresa.” A situação analisada pelo CARF é em tudo similar àquela ora submetida a julgamento, tendo aquele colegiado decidido nos termos em que defendido pela autuada, conforme trecho destacado, extraído do voto condutor do acórdão em exame; Tratase de valioso precedente decisório que retrata a posição do CARF acerca da integralidade dos argumentos de defesa trazidos na impugnação nestes autos, razão pela qual junta também os acórdãos nºs 3403001.989 e 3403001.986, reiteração da decisão trazida. Em resposta à diligência solicitada, foi elaborado pela DEMAC/RJ, em 04/04/2014, o relatório de fls. 5.396 a 5.398, com as seguintes informações: O contribuinte foi intimado a, em relação aos valores informados no DACON (fichas 15 A e 25 A, linhas 08 e 18), Fl. 5486DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 referentes aos anos calendário de 2008 e 2009, identificar aqueles que compõem cada parcela deduzida mensalmente, bem como a empresa responsável pela retenção e o mês em que esta ocorreu, comprovando tais valores por meio dos registros constantes das folhas do Livro Razão das contas “PIS a Compensar” e “Cofins a Compensar”; Em resposta, a empresa apresentou planilhas contendo os valores deduzidos do PIS e da Cofins apurados nos meses de jan/2008 a dez/2009, demonstrando aqueles que compõem as parcelas mensais deduzidas, bem como a identificação da empresa responsável pela retenção e o mês do evento; Também foram apresentadas cópias do Livro Razão das contas acima mencionadas, referentes áqueles valores deduzidos; Em relação aos valores de PIS retidos na fonte por órgãos públicos, o contribuinte informa que a retenção foi realizada de acordo com a apuração da época, ou seja, a empresa se encontrava amparada por liminar, assegurando a apuração da referida contribuição nos moldes da LC nº 7/70 (5% do IRPJ apurado); Informa, ainda, que desistiu da ação para fins de adesão ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. Desta forma, na apuração do PIS conforme a Lei nº 9.718/98, foram deduzidas as parcelas retidas pelos órgãos públicos, no período de janeiro a outubro de 2008; Em relação ao período entre nov/2008 e dez/2009, informa a empresa que aderiu ao parcelamento ordinário para quitar o débito de PIS e que, na apuração desta contribuição apenas foram considerados os valores retidos nos meses de novembro e dezembro de 2008; Observa, por fim, que, conforme orientação da DEMAC/RJ, os respectivos DACON não foram retificados com relação às compensações dos órgãos públicos, uma vez que na data de sua entrega estes espelhavam as apurações vigentes nos períodos citados; As planilhas apresentadas pelo contribuinte foram conferidas e confrontadas com os documentos apresentados na impugnação (fls. 5.299 a 5.318), sendo, em conseqüência, refeita a apuração da base de cálculo das contribuições (fls. 5.390 a 5.395), de onde os valores retidos por órgãos públicos demonstrados foram deduzidos das contribuições apuradas, conforme sugerido pela autoridade julgadora. Cientificado do resultado da diligência em 02/05/2014 (fl. 5.444), o contribuinte apresentou na mesma data a petição de fls. 5.438 a 5.441, em complemento à impugnação anteriormente apresentada, com as seguintes alegações: Da análise do termo de encerramento da diligência informa a requerente ter havido a adequação dos critérios de apuração da base de cálculo das contribuições dos períodos lançados, tendo havido a devida observância dos valores retidos por órgãos públicos, restando acatada a pretensão trazida na impugnação, Fl. 5487DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 20 11 na qual a empresa sustenta, por cautela, a consideração do quanto retido na fonte ao longo do período lançado; Ainda assim, destaca a requerente que em 25/10/2013 foi publicada a Lei nº 12.873, da qual transcreve o artigo 19; A inclusão do § 9º A ao artigo 3º da Lei nº 9.718/98 traz solução à presente demanda, na medida em que torna ilegal toda a premissa adotada como fundamento do lançamento combatido, pautado no entendimento de que “o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, (...) não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo do PIS e da COFINS as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários”, como consta no termo de verificação fiscal que instrui os autos de infração lavrados; Destaquese que o texto de lei citado explicita tratarse de norma editada “Para efeito de interpretação”, atraindo o conteúdo do art. 106 do CTN; Assim, em que pese restar acolhida a pretensão subsidiária manifestada na impugnação, reitera a requerente os argumentos trazidos naquela peça, os quais se mostram agora reforçados pela inafastável aplicação da Lei nº 12.873/2013, explicitamente interpretativa e, portanto, de aplicação retroativa, impondo o imediato cancelamento das exigências combatidas. É o relatório.” Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso de Ofício, atende os requisitos necessários, pois o valor do crédito tributário exonerado é superior ao valor de alçada, por essas razões deve ser conhecido. A contenda centra em deduções permitidas para as operadoras de plano de saúde com espeque no inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, que autoriza a dedução da base de cálculo das contribuições sociais os valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, o julgado ampliou o entendimento para abarcar o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários dos planos de saúde, incluindo os custos da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Em síntese o único ponto de discórdia dirimido pelo julgador de primeira instância: exclusão de valores relativos à variação de provisão de eventos ocorridos e não avisados – conta 41400000. Fl. 5488DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 O lançamento ocorreu em razão da informação prestada pelo contribuinte de que deduziram da base de cálculo todos os pagamentos e indenizações relacionados a despesas médicas com seus próprios clientes e beneficiários. Sendo assim, entendeu a fiscalização de proceder ao lançamento consubstanciado pelo entendimento pacificado no seio da Receita Federal do Brasil, que os custos relacionados com atendimento dos beneficiários em unidades próprias ou pela rede credenciada não podem ser excluídos da base de cálculo, dando ao dispositivo, precisamente, o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, uma interpretação restritiva. A autorização de dedução da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, na visão do Fisco se reduz as indenizações efetivamente pagas por uma operadora referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora, deduzidas das importâncias recebidas a mesmo título, por essa razão decorreu as glosas objeto do lançamento. O julgado, a meu sentir, deu contorno jurídico acertado ao caso, essa Turma vem caminhando no sentido de assentar entendimento em relação a essa matéria após o evento da Lei nº 12.995/2014. A novel legislação alterou substancialmente a interpretação dispensada ao inciso III do parágrafo 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, estendendo autorização de dedução aos custos incorridos pelos atendimentos dos beneficiários da própria operadora. Como se vê do brilhante voto proferido pelo Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledé, dessa Turma, ao apreciar essa matéria nos autos do processo de nº 10380.004529/200622: “... Por fim, em sua última manifestação, efls. 676/677, a recorrente pugnou novamente pela dedução dos valores previstos no §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, em vista da alteração promovida pelo artigo 19 da Lei nº 12.873/2013, ao incluir o §9ºA, imprimindo interpretação autêntica da expressão "valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos", conforme transcrito abaixo: Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) [...] § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 5489DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 21 13 § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013.) A interpretação promovida na lei relativa àquela expressão alterou substancialmente o entendimento da Receita Federal quanto à base de cálculo das operadoras de planos de assistência à saúde, expressa, por exemplo, na Solução de Consulta COSIT nº 6/2010, cuja ementa transcrevese: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Dispositivos Legais: §§ 2º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Cofins, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a Fl. 5490DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO 14 deduzirem da base de cálculo da Cofins o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Dispositivos Legais: §§ 2º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Este entendimento restritivo foi modificado pela inclusão do §9ºA, nos termos do artigo 106, inciso I do CTN1, pois enquanto este determinava que as indenizações por eventos efetivamente pagos se restringia aos efetuados em beneficiários de outra operadora de plano de saúde, o novo parágrafo dispôs que a expressão referese ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, alargando a possibilidade de deduções permitidas.” Como se vê do texto extraído do voto acima mencionado, a interpretação trazida pela novel norma se aplica aos casos anteriores ao ingresso da lei ao mundo jurídico. Sendo assim, andou bem o julgador de piso, motivo pelo qual deve ser mantida intacta a decisão submetida ao exame dessa corte. No que concerne a utilização dos valores retidos pelo tomador de serviços, também não cabe reforma, haja vista, estar à decisão coerente com as normas vigentes. Os valores de PIS/COFINS retidos na fonte são considerados como antecipação pelo que é devido pelo contribuinte ao final do período de apuração, podendo ser deduzidos da contribuição devida, relativa aos fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Portanto, o julgado não merece qualquer reparo, devendo ser mantido pelos seus próprios fundamentos jurídicos. Assim sendo, nego provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho 1 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (grifei) Fl. 5491DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.720906/201202 Acórdão n.º 3302003.258 S3C3T2 Fl. 22 15 Fl. 5492DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721020/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Robson Jose Bayerl Presidente
Augusto Fiel Jorge d' Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Robson Jose Bayerl – Presidente Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relatório: Em 23/08/2012, foi lavrado Auto de Infração para a cobrança de valores a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ("COFINS"), cujos fatos geradores teriam ocorrido nos meses de Novembro e Dezembro de 2008, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, em razão de suposta "insuficiência de declaração e recolhimento da Cofins em razão do valor informado em DACON (R$21.202.383,26) estar superior ao informado em DCTF (R$18.428.796,98) ou superior ao valor recolhido em R$2.773.586,28". O contribuinte foi cientificado do lançamento em 27/08/2012, apresentando Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I ("DRJ/SP1"), na sessão do dia 07/02/2013, conforme decisão de fls. 209 e seguintes, que possui a seguinte ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 02 0/ 20 12 -1 7 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Resolução nº 3401000.952 S3C4T1 Fl. 298 2 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2008, 31/12/2008 EMPRESA DE SEGUROS E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. A realização de investimentos e a administração da alocação dos recursos em diferentes aplicações financeiras constituem atividade empresarial típica desse ramo de negócios, sendo inerentes ao desenvolvimento das atividades que compõem o objeto social. Assim, as receitas decorrentes de aplicações financeiras devem compor a base de cálculo da Cofins. EMPRESA DE SEGUROS E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS PROVENIENTES DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. A locação de bens imóveis não se caracteriza como atividade empresarial típica das sociedades seguradoras e de previdência complementar, estando as respectivas receitas excluídas da incidência da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2008, 31/12/2008 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial importa em renúncia à discussão na via administrativa da matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação em relação à matéria não discutida no processo judicial." Como se depreende da leitura da decisão em referência, parte das matérias de defesa suscitadas pela contribuinte não foram conhecidas, em razão de ter o contribuinte ingressado com medida judicial para a sua discussão no âmbito do Poder Judiciário. São elas: "i) inconstitucionalidade da base de cálculo da Cofins prevista nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98; ii) isenção de Cofins prevista no art. 11, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70/91 e iii) interpretação do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91 relativamente à definição da base de cálculo da Cofins para as seguradoras e entidades de previdência privada" (fls. 210). Porém, quanto às matérias não discutidas no Poder Judiciário e impugnadas pelo contribuinte na esfera administrativa, as mesmas foram conhecidas para "julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, exonerando o crédito tributário relativo às receitas de aluguel de imóveis e mantendo o crédito tributário referente às receitas financeiras" (fls. 210). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Resolução nº 3401000.952 S3C4T1 Fl. 299 3 Nessa parte da impugnação que foi conhecida, a decisão recorrida expôs a seguinte fundamentação para determinar a exclusão do crédito tributário relativo às receitas de aluguel e a manutenção do crédito tributário relativo às receitas financeiras: "Como já citado, a impugnante exerce atividades de previdência complementar e de seguros de vida. Assim, a locação de imóveis não está entre suas atividades empresariais típicas, devendo ser excluídas as respectivas receitas na apuração da base de cálculo da contribuição, o que resulta na exoneração de créditos tributários nos valores de R$2.059,21 em novembro/2008 e R$2.059,21 em dezembro/2008. Em relação às aplicações financeiras, cabe observar que a realização de investimentos financeiros e sua administração cotidiana são atividades inerentes às sociedades seguradoras e de previdência complementar, que recebem recursos de seus clientes (prêmios de seguros e contribuições para previdência) e têm o dever de, eventual e/ou futuramente, pagar os valores contratados. Assim, tratandose de operações típicas da atividade empresarial da impugnante, as receitas financeiras devem compor a base de cálculo da Cofins, excetuandose a exclusão já tratada neste voto". (grifos nossos) Contra essa decisão, a contribuinte, ora Recorrente, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 225236, pelo qual pediu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) ilegitimidade da cobrança da COFINS das instituições financeiras na forma prevista pelos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998; (ii) impossibilidade de inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores recebidos a título de rendimentos de aplicações financeiras, pois somente poderiam ser incluídos na base de cálculo da referida contribuição as receitas de atividades inerentes ao objeto social da Recorrente, que seriam apenas as operações com apólices de seguro e previdência complementar, operações que compõem a atividadefim da Recorrente, de acordo com o seu Estatuto, sendo as receitas financeiras meramente acessórias, secundárias; (iii) a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) deveria ser cancelada, tendo em vista que o crédito tributário lançado estaria com a exigibilidade suspensa (artigo 151, V, do CTN), por força de medidas judiciais ingressadas pela Recorrente. Às fls. 275276, a Recorrente apresenta petição, na qual informa a extinção do crédito tributário discutido e pede a extinção do presente processo administrativo, com o seu arquivamento definitivo. Em seguida, os autos foram distribuídos à minha relatoria na sessão de julgamento do dia 17/03/2016. É o relatório. Voto: Como relatado, após a interposição do Recurso Voluntário, a Recorrente noticia que o crédito tributário discutido nos autos deste processo administrativo estaria extinto, nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN, tendo em vista que: (i) a Recorrente teria optado pelo pagamento à vista, com os benefícios do artigo 39 da Lei nº 12.865/20131, de crédito tributário 1 Art. 39. Os débitos para com a Fazenda Nacional relativos à contribuição para o Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, de que trata o Capítulo I da Lei no Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Resolução nº 3401000.952 S3C4T1 Fl. 300 4 discutido nos autos de outro processo administrativo de interesse da Recorrente, o de nº 16327.721227/201372; e (ii) este outro processo administrativo, de nº 16327.721227/201372, decorreria de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para a cobrança da COFINS relativa aos meses de Outubro de 2008 a Dezembro de 2008, incluindo, dessa maneira, o crédito tributário discutido nos autos deste processo administrativo, de nº 16327.721020/2012 17, que trata da COFINS dos meses de Novembro e Dezembro de 2008. Em seguida, a Recorrente pede "a extinção do presente feito e seu arquivamento definitivo". Desse modo, em princípio, o presente caso poderia ser resolvido à luz do disposto no artigo 78 do Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), que prevê o seguinte:"Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente". (grifos nossos) Isso porque, a hipótese de extinção do crédito tributário após a interposição de Recurso Voluntário implica a desistência do recurso, por ausência de interesse recursal, e leva ao seu não conhecimento. Por outro lado, não reconhecida a extinção do crédito tributário, não há que se falar em desistência de recurso, sendo o caso de conhecimento do recurso apresentado, com a apreciação das matérias de defesa suscitadas pela Recorrente. No presente caso, contudo, não há nos autos informação da autoridade competente a respeito da extinção do crédito tributário discutido nesses autos. Tampouco, a Recorrente desiste expressamente de seu Recurso Voluntário, limitandose a afirmar que a extinção do crédito tributário levaria à desistência do recurso administrativo, de acordo com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 08/2013, que regulamentou o artigo 39 da Lei nº 12.865/2013, fundamento legal dos benefícios de que teria se utilizado a Recorrente para pagamento do crédito tributário. Dessa maneira, entendo que o processo não está apto a julgamento no presente momento, sendo essencial que se confirme a informação trazida pela Recorrente, a respeito da extinção do crédito tributário aqui discutido. 9.718, de 27 de novembro de 1998, devidos por instituições financeiras e equiparadas, vencidos até 31 de dezembro de 2013, poderão ser: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) I pagos à vista com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 80% (oitenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; ou I pagos à vista com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de cem por cento das multas isoladas, de cem por cento dos juros de mora e de cem por cento sobre o valor do encargo legal; ou (Redação dada pela Medida Provisória nº 627, de 2013) I pagos à vista com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 100% (cem por cento) das multas isoladas, de 100% (cem por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; ou (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Resolução nº 3401000.952 S3C4T1 Fl. 301 5 Diante disso, proponho a esse Colegiado a conversão do julgamento em diligência à unidade administrativa de jurisdição, para determinar que se manifeste a respeito da informação trazida pela Recorrente às fls. 275 e seguintes, com o objetivo de (i) informar a relação existente entre o crédito tributário lançado nos autos do processo administrativo nº 16327.721227/201372 e o lançado nos autos deste processo administrativo, de nº 16327.721020/201217; (ii) confirmar a extinção ou subsistência do crédito tributário discutido nos autos do processo administrativo ora em julgamento, assim como prestar as demais informações que entender relevantes. Após, a Recorrente deverá ser intimada do teor da informação fiscal para que, querendo, se manifeste dentro do prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos ao CARF, para julgamento. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724850/2013-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO PREVIAMENTE À LAVRATURA DO AUTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESE DE NULIDADE NÃO CONFIGURADA. SÚMULA 46 CARF.
O procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade, no qual a autoridade fiscal reúne o acervo fático-probatório suficiente à formação de seu convencimento acerca da infração. Desta forma, não há obrigatoriedade da notificação do responsável tributário nesta fase preparatória. Não obstante, o recorrente foi notificado do lançamento, teve acesso ao processo e apresentou impugnação e o presente recurso, não caracterizando o alegado cerceamento de defesa. Ademais, a Súmula nº 46 do CARF desobriga o Fisco de proceder à referida notificação.
ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NO PERCENTUAL DE 150%. OCORRÊNCIA DE FRAUDE FISCAL. CORRETO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO.
Restou comprovada a existência de dolo do recorrente nas infrações praticadas tanto no período em que administrava a empresa, quanto à partir de 01/2009, período de seu afastamento e oportunidade em que se tornou administrador de fato da mesma. Logo, correta a qualificação da multa prevista no artigo 44, § 1º da Lei n.º 9.430/96, por restarem configuradas as hipóteses de sonegação fiscal, fraude e conluio, ínsitos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64.
EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. QUESTÃO CONCERNENTE À CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA N.º 02 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÓCIO. INTERPOSTA PESSOA DE SÓCIO DE FATO. CONSCIÊNCIA E CONIVÊNCIA. ESQUEMA.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O recorrente, mesmo após sua aparente saída de direito do quadro da empresa, continuou a promover atos de gestão no comando gerencial da sociedade, na qualidade de sócio de fato. Assim, resta configurado seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação. Desta forma, responde solidariamente pelo débito.
DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Sendo comprovado que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
EXTRATOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. BASE
DE CÁLCULO. NOTAS FISCAIS.
Incabível a alegação de que o contribuinte foi autuado tão somente por conta dos extratos bancários quando, da leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos constantes dos autos, se verifica que os valores utilizados para o arbitramento da base de cálculo dos tributos foi o somatório das notas fiscais emitidas pelo contribuinte.
EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL ACERCA DOS LANÇAMENTOS DE PIS/COFINS.
O ingresso judicial de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, e desistência do recurso interposto.
Numero da decisão: 1302-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade por falta de notificação do responsável tributário (recorrente) antes da lavratura do auto de infração. No mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário: 1 - para manter a qualificação da multa de ofício; 2 - para manter a imputação de responsabilidade solidária em face do recorrente Miceno Rossi Neto; 3 - para afastar a alegação de decadência; 4 - para manter a base do arbitramento; e 5 - para não conhecer as alegações relativas ao PIS e COFINS, por existência de concomitância com ação judicial., nos termos do voto do Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO PREVIAMENTE À LAVRATURA DO AUTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESE DE NULIDADE NÃO CONFIGURADA. SÚMULA 46 CARF. O procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade, no qual a autoridade fiscal reúne o acervo fático-probatório suficiente à formação de seu convencimento acerca da infração. Desta forma, não há obrigatoriedade da notificação do responsável tributário nesta fase preparatória. Não obstante, o recorrente foi notificado do lançamento, teve acesso ao processo e apresentou impugnação e o presente recurso, não caracterizando o alegado cerceamento de defesa. Ademais, a Súmula nº 46 do CARF desobriga o Fisco de proceder à referida notificação. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NO PERCENTUAL DE 150%. OCORRÊNCIA DE FRAUDE FISCAL. CORRETO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO. Restou comprovada a existência de dolo do recorrente nas infrações praticadas tanto no período em que administrava a empresa, quanto à partir de 01/2009, período de seu afastamento e oportunidade em que se tornou administrador de fato da mesma. Logo, correta a qualificação da multa prevista no artigo 44, § 1º da Lei n.º 9.430/96, por restarem configuradas as hipóteses de sonegação fiscal, fraude e conluio, ínsitos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64. EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. QUESTÃO CONCERNENTE À CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA N.º 02 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÓCIO. INTERPOSTA PESSOA DE SÓCIO DE FATO. CONSCIÊNCIA E CONIVÊNCIA. ESQUEMA.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O recorrente, mesmo após sua aparente saída de direito do quadro da empresa, continuou a promover atos de gestão no comando gerencial da sociedade, na qualidade de sócio de fato. Assim, resta configurado seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação. Desta forma, responde solidariamente pelo débito. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Sendo comprovado que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. EXTRATOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. BASE DE CÁLCULO. NOTAS FISCAIS. Incabível a alegação de que o contribuinte foi autuado tão somente por conta dos extratos bancários quando, da leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos constantes dos autos, se verifica que os valores utilizados para o arbitramento da base de cálculo dos tributos foi o somatório das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL ACERCA DOS LANÇAMENTOS DE PIS/COFINS. O ingresso judicial de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, e desistência do recurso interposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade por falta de notificação do responsável tributário (recorrente) antes da lavratura do auto de infração. No mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário: 1 - para manter a qualificação da multa de ofício; 2 - para manter a imputação de responsabilidade solidária em face do recorrente Miceno Rossi Neto; 3 - para afastar a alegação de decadência; 4 - para manter a base do arbitramento; e 5 - para não conhecer as alegações relativas ao PIS e COFINS, por existência de concomitância com ação judicial., nos termos do voto do Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO PREVIAMENTE À LAVRATURA DO AUTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESE DE NULIDADE NÃO CONFIGURADA. SÚMULA 46 CARF. O procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade, no qual a autoridade fiscal reúne o acervo fáticoprobatório suficiente à formação de seu convencimento acerca da infração. Desta forma, não há obrigatoriedade da notificação do responsável tributário nesta fase preparatória. Não obstante, o recorrente foi notificado do lançamento, teve acesso ao processo e apresentou impugnação e o presente recurso, não caracterizando o alegado cerceamento de defesa. Ademais, a Súmula nº 46 do CARF desobriga o Fisco de proceder à referida notificação. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NO PERCENTUAL DE 150%. OCORRÊNCIA DE FRAUDE FISCAL. CORRETO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO. Restou comprovada a existência de dolo do recorrente nas infrações praticadas tanto no período em que administrava a empresa, quanto à partir de 01/2009, período de seu afastamento e oportunidade em que se tornou administrador “de fato” da mesma. Logo, correta a qualificação da multa prevista no artigo 44, § 1º da Lei n.º 9.430/96, por restarem configuradas as hipóteses de sonegação fiscal, fraude e conluio, ínsitos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 48 50 /2 01 3- 19 Fl. 7296DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.296 2 EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. QUESTÃO CONCERNENTE À CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA N.º 02 DO CARF. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” SÓCIO. INTERPOSTA PESSOA DE SÓCIO DE FATO. CONSCIÊNCIA E CONIVÊNCIA. ESQUEMA.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O recorrente, mesmo após sua aparente saída de direito do quadro da empresa, continuou a promover atos de gestão no comando gerencial da sociedade, na qualidade de sócio de fato. Assim, resta configurado seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação. Desta forma, responde solidariamente pelo débito. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Sendo comprovado que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. EXTRATOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. BASE DE CÁLCULO. NOTAS FISCAIS. Incabível a alegação de que o contribuinte foi autuado tão somente por conta dos extratos bancários quando, da leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos constantes dos autos, se verifica que os valores utilizados para o arbitramento da base de cálculo dos tributos foi o somatório das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL ACERCA DOS LANÇAMENTOS DE PIS/COFINS. O ingresso judicial de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, e desistência do recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade por falta de notificação do responsável tributário (recorrente) antes da lavratura do auto de infração. No mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário: 1 para manter a qualificação da multa de ofício; 2 para manter a imputação de responsabilidade solidária em face do recorrente Miceno Rossi Neto; 3 para afastar a alegação de decadência; 4 para manter a base do arbitramento; e 5 para não conhecer as alegações relativas ao PIS e COFINS, por existência de concomitância com ação judicial., nos termos do voto do Relator. Fl. 7297DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.297 3 LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Para a devida síntese do presente processo, adoto trechos do relatório da DRJ, relativos às alegações do responsável MICENO ROSSI NETO, complementandoo ao final, a fim de que o presente relato abarque todos os fatos ocorridos até o presente momento. Vejamos: “Cuidase de impugnações, apresentadas pelo contribuinte Euro Petróleo do Brasil e responsáveis solidários com o fito de ver desconstituídos Autos de Infração (AI), fls. 2 a 184, através dos quais foram lançados créditos tributários relativos ao Imposto de Renda (IRPJ), no valor original de R$ 25.763.502,80; à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor original de R$ 11.625.976,24; à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor original de R$ 111.672.446,00; e à Contribuição para o PIS/Pasep (PIS), no valor original de R$ 24.265.623,30, aos quais se somam juros de mora e multa de ofício qualificada, perfazendo, na data da consolidação, o total de R$ 493.658.051,17. Os AI foram lavrados em face da pessoa jurídica Euro Petróleo do Brasil Ltda., na qualidade de contribuinte, e de dois outros responsáveis solidários: José Luis Ricardo (a quem também chamaremos de primeiro responsável solidário) e Miceno Rossi Neto (a quem também chamaremos de segundo responsável solidário). O AuditorFiscal responsável pelo lançamento lavrou Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 103 a 181, no qual afirma que a Contribuinte é uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada e tem por objeto social o comércio atacadista de combustíveis líquidos, derivados de petróleo e álcoois, lubrificantes, participação no capital de outras sociedades nacionais ou estrangeiras, na qualidade de acionista ou sócia cotista, armazenamento de combustíveis líquido em geral, locação do espaço útil a terceiros para depósito de combustíveis de qualquer natureza, bem como a prestação dos serviços de recebimento, armazenamento e carregamento dos produtos. Fl. 7298DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.298 4 Afirma que a composição do quadro societário da Contribuinte registrado na JUCESP seria composto como segue: Além disso, de acordo com os contratos sociais registrados na JUCESP, no período fiscalizado a administração da sociedade foi exercida conforme segue: No que tange à situação de regularidade das declarações apresentadas pela empresa dispõe o AuditorFiscal autuante: 4. A fiscalizada apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no ano calendário de 2008, pela sistemática do Lucro Real Anual, com prejuízo fiscal de R$ 329.612,41. Para os anos calendário de 2009 e 2010 a fiscalizada encontrase omissa na entrega da DIPJ. 5. Em relação às Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a fiscalizada deixou de declarar os valores referentes ao IRPJ e CSLL de 2008 a 2010, bem como não declarou os valores referentes ao PIS e COFINS referentes aos anoscalendário de 2008 a 2011. Em seguida narra um esquema fraudulento que teria sido engendrado e executado pelos dirigentes da Contribuinte. Aponta como motivo para a fiscalização a constatação de discrepância entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira, bem como a omissão na entrega de DCTF comparandose com os valores constantes dos relatórios anuais da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Discorre sobre os fatos que ocorreram no desenvolvimento da ação fiscal, destacando os termos apresentados, as respectivas respostas, bem como os dados obtidos a partir das informações bancárias, incluindo cheques e informações cadastrais obtidas nas instituições financeiras em que a Contribuinte mantinha contas. Fl. 7299DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.299 5 Transcreve trechos de depoimentos do Sr. José Luis Ricardo, sócio da Contribuinte, e da Sra. Regina Reiko Tanaka, apontada como responsável pelo setor financeiro da Contribuinte e procuradora com amplos poderes para prestar e complementar os necessários esclarecimentos, trazendo em seguida comentários e impressões sobre os depoimentos. No que tange à apuração do crédito tributário, afirma que apurou o IRPJ e a CSLL, referente aos anoscalendário de 2008 a 2010, pela sistemática do lucro arbitrado, considerando como receitas conhecidas os valores contidos nas notas fiscais apresentadas e o PIS e a Cofins referentes aos anoscalendário de 2008 a 2011, no regime cumulativo, tendo sido consideradas na apuração da base de cálculo apenas as receitas correspondentes à comercialização de álcool para fins carburante (etanol hidratado). Qualifica a multa de ofício aplicada em função de entender que o sujeito passivo teria incorrido nas situações previstas em lei para a sua aplicação. Atribui a José Luis Ricardo, sócio da Contribuinte, e a Miceno Rossi Neto, sócio da Contribuinte até 09/12/2008 e, em seu entender, sócio de fato a partir dessa data, a responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário, sob a alegação de que teriam praticado atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, caracterizados pela existência de cheques da Contribuinte assinados por Miceno Rossi Neto após a 09/12/2008, bem como abertura de contas bancárias e envio de declarações com a sua assinatura eletrônica. Por essa razão lavrou os correspondentes Termos de Sujeição Passiva Solidária. [...] O responsável solidário Miceno Rossi Neto foi cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 6.487 e 6.488, no dia 23/09/2013, que corresponde ao 15º contado da data da publicação do Edital DRF/CPS/SEFIS 10830/174/2013, ocorrida no dia 06/09/2013, conforme se lê às fls. 6.491 e 6.492, e apresentou impugnação no dia 21/10/2013, fls. 6.571 a 6.628, na qual apresentou as alegações já constantes da impugnação da empresa fiscalizada e do responsável solidário José Luis Ricardo e outras que ora passamos a discorremos resumidamente: Preliminarmente alega a nulidade do auto de infração em função de não lhe ter sido expedida nenhuma notificação, seja noticiando o início do procedimento de fiscalização instaurado contra o contribuinte Euro Petróleo do Brasil Ltda., seja durante o procedimento fiscal que lhe resultou em atribuição de responsabilidade tributária, fatos que, eu seu entender, vão de encontro aos princípios que informam o processo administrativo tributário e a dispositivos da Lei nº 9.784/1999 e do Decreto 70.235/1972. No que tange aos argumentos apresentados pelo AuditorFiscal autuante em seu TVF afirma: Toda a descrição dos fatos pelo Auditor Fiscal no Termo de Verificação Fiscal denota que a intenção da fiscalização desde o início era atribuir ao Sr. Miceno Rossi, a responsabilidade pelos débitos da empresa Autuada Euro Petróleo do Brasil Ltda., no entanto, não lhe foi notificado o procedimento fiscal. Fl. 7300DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.300 6 […] Consta, ainda, no Termo de Verificação Fiscal que a motivação da ação fiscal foi a omissão na entrega da DIPJ e DCTF nos anoscalendário 2008 a 2010, e ter havido movimentação financeira incompatível com tal procedimento, bem como o fato da contribuinte (Euro Petróleo do Brasil Ltda.) ter sido incluída conjuntamente ao Sr. Miceno Rossi Neto no processo criminal nº 05004.0151786/00, em trâmite pela 10ª Vara Criminal do Foro Regional da Barra Funda, na Comarca de São PauloCapital, por fraudes na compra e distribuição de álcool. A respeito desta citada ação penal, cumpre destacar que além de não ter sido instaurada contra o ora Impugnante, ela foi julgada improcedente, conforme indica pesquisa realizada no site do TJ/SP. Logo, esta conduta fraudulenta não é verdadeira. Sustenta que, por força do art. 3º, II, da Lei nº 9.784/1999, todo administrado tem o direito de ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas. No que se refere à alegação de inexistência de simulação, dolo ou fraude que justificasse a aplicação da multa agravada, acrescenta às alegações apresentadas pelos outros devedores a menção de que, em relação à inadimplência da Euro Petróleo do Brasil Ltda. da Cofins e do Contribuição do PIS, existia ação judicial declaratória (proc. Nº 2007.61.05.0147940, em trâmite pela 6ª Vara Federal de Campinas/SP), ajuizada em 06/12/2007, cujo objeto era ver reconhecido o direito de reduzir a zero as alíquotas da Contribuição do PIS e da Cofins incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool etílico hidratado carburante, realizada por distribuidor e revendedor varejista, conforme dispõe o dispositivo legal, mas que a ação foi julgada improcedente e está em fase de julgamento de recursos extraordinário e especial. Assim, conclui: Ora, se a empresa exerceu um direito constitucionalmente garantido de discutir judicialmente a aplicação de uma norma benéfica tributária, entendendo fazer jus, é porque jamais pretendeu omitir ou procrastinar o crédito tributário. Não pode ser considerado doloso o ato de não recolher o tributo se entende cabível um benefício legal e, ainda por cima, discutilo judicialmente. Não pode ser considerada uma ação tendente a retardar ou impedir o conhecimento pela autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador. Ressaltese que até 12/2008, data em que o Impugnante deixou de ser administrador da contribuinte autuada, a base de cálculo do crédito tributário estava devidamente informada nas obrigações tributárias acessórias, razão pela qual é completamente indevida a aplicação da multa agravada no período. Fl. 7301DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.301 7 No mérito, o Impugnante em tela afirma que, apesar de têlo qualificado como “verdadeiro beneficiário das receitas e rendas havidas pela Euro Petróleo do Brasil Ltda.”, em momento algum, o AuditorFiscal autuante teria indicado quais “benefícios” teria obtido após a venda da empresa em 09/12/2008. Em seu entender o AuditorFiscal autuante não teria apresentado nenhum documento que comprovasse que ele teria recebido algum valor da empresa após a venda, direta ou indiretamente, nem teria se preocupado com tal prova, essencial para vinculálo à prática do ilícito tributário imputado. Assim seria evidente a nulidade do AI, pois da narrativa dos fatos aduzidos pela Autoridade Fiscal não decorreria a sua conclusão de que o Impugnante fora beneficiado pela receita do sujeito passivo originário da obrigação tributária. Adiante aponta que: A simples inferência de que o Impugnante teria se beneficiado das receitas advindas do descumprimento da obrigação tributária da primeira autuada, a empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda., não pressupõe que este tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a fim de lhe ser atribuída a responsabilidade solidária. Em seguida, após discorrer sobre o instituto da responsabilidade tributária, assevera: A responsabilidade tributária de terceiro passa a ser direta e pessoal, independente da impossibilidade de exigir a obrigação tributária do contribuinte, nas hipóteses descritas no caput do art. 135 do Código Tributário Nacional, ou seja, quando as obrigações tributárias decorrerem de “excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. Não se trata, portanto, de solidariedade tributária, mas de responsabilidade direta do administrador na hipótese de pratica de conduta ilegal ou que infrinja as disposições societárias. […] Portanto, a responsabilidade pessoal do administrador prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional, tratase, na realidade, de um instituto jurídico aplicável em casos específicos, em que tenha havido fraude ou abuso de direito, cometidos por meio da personalidade da sociedade. É preciso que haja o desvirtuamento da personalidade jurídica para que seja diretamente responsabilizado o administrador da empresa. E este desvirtuamento, necessariamente, significa a utilização da pessoa jurídica não para a sua finalidade de exercício de uma atividade empresarial, mas, sim, para o prejuízo de terceiros e enriquecimento indevido daqueles que dela se utilizam para tal mister. […] Após apresentar o seu entendimento sobre a matéria, conclui que haveria inúmeros erros nos argumentos aduzidos pelo AuditorFiscal. Isso porque nem os cheques Fl. 7302DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.302 8 assinados por Miceno Rossi Neto nem o fato de os cadastros junto à ANP e à SEFAZ/SP terem ficado em seu nome seriam capazes de comprovar que ele seria um dos beneficiários das receitas da empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda. Por um lado porque emitir cheque não é crime, nem infração tributária, muito menos denotaria que o Impugnante obteve vantagens de qualquer natureza da contribuinte. De outro lado, seria certo que era do comprador da empresa o dever de atualizar os cadastros junto aos bancos, ANP, certificado digital, etc., não podendo, contudo, responsabilizar o Impugnante Miceno Rossi Neto pelo fato de o comprador não tê lo realizado. Voltando aos cheques emitidos sustenta que, conforme narrado no depoimento da Sra. Regina, teria assinado cheques em branco antes da venda da empresa para cumprimento de obrigações da empresa com fornecedores no ano de 2009. O fato de cheques terem sido assinados não implicaria que ele teria vínculo com o fato gerador da obrigação tributária, que não é aquisição de combustíveis, mas a sua revenda. Assim, qualquer responsabilidade imputada ao Impugnante, só poderia lhe ser atribuída até a data da venda da empresa, ou seja, data do efetivo registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo. Alega ser incontestável não ter havido fraude, eis que nos autos não se encontra tal prova, restando comprovado apenas o não pagamento de tributo devido. Discorre sobre o conceito de fraude, afirmando que todo o crédito tributário apurado tem por base as informações lançadas em DCTF, ou seja, dívida fiscal declarada. Argumenta que o AuditorFiscal autuante não teria apresentado nenhuma prova plausível de que teria havido transferência patrimonial da empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda. para o seu patrimônio. Transcreve parte do depoimento de Regina Reiko Tanaka salientando sua afirmação de que foi por decisão do sócio José Luis Ricardo que os cadastros da empresa junto a instituições bancárias não foram alterados e os cheques assinados por Miceno Rossi Neto continuaram sendo utilizados. Afirma que, apesar de estar fiscalizando a empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda., ao colher o depoimento de Regina Reiko Tanaka, o AuditorFiscal autuante questionou apenas sobre José Luis Ricardo e os cheques assinados pelo Impugnante Miceno Rossi Neto, utilizados após a sua saída da sociedade. Assim, não haveria qualquer dúvida de que seu único e exclusivo objetivo seria inquirila sobre os fatos em que pretendia fundamentar a desconsideração da operação societária em que o Impugnante Miceno Rossi Neto se retirou da sociedade. Isso apontaria para um desvirtuamento pela autoridade fiscal da finalidade da intimação e real intenção, o que tornaria nulo de pleno direito o ato inquisitório. Destaca o fato de que Regina Reiko Tanaka teria afirmado que quando assumiu a administração dos assuntos bancários da empresa fiscalizada já havia cheques assinados em branco pelo Impugnante Miceno Rossi Neto e que questionou José Luis Fl. 7303DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.303 9 Ricardo sobre a questão e foi por ele orientada a utilizar os cheques para pagar as despesas e fornecedores da empresa. Além disso, ao ser questionada sobre a participação de Miceno Rossi Neto na administração da empresa fiscalizada e da Euro Representações Comerciais de Combustíveis Ltda. afirmou que nunca mais o viu na empresa. Conclui que os fatos apurados pela fiscalização denotariam que o Impugnante Miceno Rossi Neto não participou de forma alguma da administração das empresas Euro Petróleo do Brasil Ltda. e Euro Representações Comerciais de Combustíveis Ltda. após a sua saída da empresa que se deu em 09/12/2008. Conclui também que teria havido a utilização irregular pela administração da empresa fiscalizada de cheques em branco assinados por ele após a sua saída da sociedade e que o sócio José Luis Ricardo deliberadamente adotou esse procedimento. Partindo dessas conclusões questiona: Se o Impugnante não participou da administração da Euro Petróleo do Brasil Ltda., não foi comprovado qualquer fato ou ato que denotem ter ele se beneficiado, direta ou indiretamente, das receitas oriundas da atividade da empresa, como pode a conclusão do Auditor Fiscal estar de acordo com a Lei para lhe atribuir a responsabilidade tributária solidária? Adiante assevera: As conclusões da fiscalização são completamente falaciosas, pois partem da premissa de que o Impugnante é o “cabeça” de um esquema de sonegação fiscal, sem, contudo, lastro factual. O único fato levantado é que o Sr. José Luis Ricardo era quem tomava as decisões e ordenava pagamento, assim como foi quem decidiu utilizar cheques assinados pelo Impugnante e não atualizar os cadastros da empresa junto aos bancos. Ora, se houve a quebra do sigilo bancário da empresa, e não foram encontradas pela fiscalização operações bancárias que demonstrassem que o Impugnante recebeu valores indevidamente, não há uma prova plausível que de guarida ao argumento do Auditor Fiscal. Alega que o AuditorFiscal não tem competência para inquirir testemunhas, acrescentando que os depoimentos foram tomados sem observância ao direito de ampla defesa e contraditório, sem a presença de nenhuma testemunha, bem como ao direito do contribuinte de se fazer representar e ser assistido por um advogado, conforme previsão do art. 3º da Lei nº 9.784/1999. Sendo assim, tais depoimentos não podem ser considerados como prova. No que tange à transação de compra da participação societária, assim dispõe o Impugnante: Da mesma forma, que não há um elemento consistente no auto de infração que demonstre que a venda da empresa não aconteceu em 2008. Aliás, os documentos mostram o contrário, que a venda de fato e de direito ocorreu em sua plenitude. Vejamos. Fl. 7304DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.304 10 Em 10/08/2008, o Impugnante firmou com o Sr. José Luis Ricardo um contrato pelo qual vendeu 1.369.863 quotas da empresa EURO REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS DE COMBUSTÍVEIS LTDA., que, dentre outros negócios, detém participações de controle societário da empresa Euro Petróleo do Brasil Ltda., tendo sido ajustado o pagamento do preço de R$ 1.510.000,00 (um milhão, quinhentos e dez mil reais), sendo R$ 252.200,00 (duzentos e cinquenta e dois mil e duzentos reais) pela cessão de um crédito representado numa apólice da dívida pública, e R$ 1.251.800,00 (um milhão, duzentos e cinquenta e um mil e oitocentos reais), por um cheque. O cheque dado em pagamento retornou sem fundos, razão pela qual o Impugnante moveu uma ação de execução com base no contrato contra o Sr. José Luis Ricardo, processo n° 002203567.2010.8.13.0647, que tramitou pela 1ª Vara Cível da Comarca de São Sebastião do Paraíso/MG, na qual as partes acordaram o pagamento parcelado da dívida em 34 (trinta e quatro) parcelas de R$ 44.500,00 (quarenta e quatro mil e quinhentos reais). De fato, o acordo foi homologado por sentença judicial e cumprido pelo devedor que efetuou os pagamentos convencionados, conforme denotam os comprovantes que o Sr. José Luis Ricardo apresentava ao Impugnante a cada pagamento realizado. Portanto, resta comprovado que o Sr. José Luis Ricardo firmou um contrato de aquisição das quotas sociais sem ter recursos disponíveis para pagar o preço ajustado. Fica claro também que o negócio entabulado foi verdadeiro e cumprido, inclusive comprovado pelas operações bancárias correspondentes. Assim, não há que se falar em fraude ou simulação. Deste modo, não há que se falar em responsabilidade de terceiros pelo crédito tributário, eis que inexiste qualquer fundamento ou comprovação de que houve fraude tributária ou sonegação fiscal. No que tange ao arbitramento da base de cálculo, apresenta os argumentos que a seguir transcrevemos: Do processo em questão podemos extrair que o Auditor Fiscal utilizou como fonte para arbitramento da base de cálculo dos tributos, a suposta movimentação bancária da empresa no período fiscalizado. Porém, tal conduta está eivada de vícios e leva forçosamente ao entendimento de que o arbitramento e, consequentemente, o suposto crédito tributário está errado. Observe que o próprio auditor reconhece que as notas fiscais apontadas na escrita fiscal estariam adequadas à movimentação bancária. Fl. 7305DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.305 11 Ora, se as notas fiscais estão de acordo com a escrita fiscal, o auditor não poderia simplesmente desconsiderar a contabilidade e não acolher a escrita contábil, seja no que tange aos recebimentos, seja no que tange às despesas da distribuidora, o que foi desconsiderado, tanto que o auditor fiscal arbitrou a suposta disponibilidade financeira da empresa autuada sem considerar as despesas por ela efetivadas para a compra de combustíveis que ela posteriormente revendia. E, caso se considerassem as despesas com aquisição dos combustíveis, a fiscalização teria condições de verificar que o "lucro tributável" seria menor que o utilizado pela fiscalização para lavratura do auto de infração. Portanto, o crédito tributário aqui discutido não se reveste de certeza nem liquidez, razão pela qual deve ser anulado o presente lançamento. Sobre o crédito de Contribuição do PIS e da Cofins referente ao período de janeiro a novembro de 2008, alega que a empresa ajuizou ação para discutir a vigência do art. 91 da Lei 10.833/2003 e, estando a questão sub judice, não há que se falar em lançamento e constituição do crédito tributário. Por fim requer, o conhecimento da impugnação para acolher os argumentos apresentados e decidir pela improcedência da autuação, declarando a nulidade do AI. Sucessivamente requer: redução da multa qualificada; limitação da eventual responsabilidade ao período de janeiro a novembro de 2008; afastamento da responsabilidade solidária; exclusão do lançamento dos créditos tributários referentes a Contribuição do PIS e a Cofins; aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. Também requer que as intimações para quaisquer atos sejam realizadas em nome do seu advogado.” No julgamento das impugnações mencionadas, o colegiado da DRJ Salvador acordou na parcial procedência da impugnação, apenas para excluir a responsabilidade solidária de José Luis Ricardo referente ao crédito tributário da Contribuição do PIS e da Cofins do período de janeiro a novembro de 2008, bem como do IRPJ e CSLL do 1º, 2º e 3º Trimestres de 2008, sendo mantido o auto de infração em face das demais alegações. Destarte, procedeuse ao envio do resultado do julgamento aos interessados por AR, porém, todos retornaram sem que houvesse sucesso na cientificação do contribuinte e responsáveis, por motivos de desatualização do endereço, ou mesmo, por desconhecimento do mesmo. Infrutíferas as intimações pela via postal, determinouse a cientificação via edital eletrônico, os quais após 15 (quinze) dias tiveram sua ciência registrada automaticamente (fls. 6865/6867). Paralelamente ao processo administrativo, foram propostas duas ações judiciais: uma medida cautelar fiscal proposta pela União, e um mandado de segurança proposto pelo responsável solidário Miceno Rossi Neto. A medida cautelar fiscal, ajuizada na 3ª Vara Federal de Campinas (fls.6909/6931) obteve decisão favorável à inclusão dos responsáveis JOSE LUIS Fl. 7306DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.306 12 RICARDO e MICENO ROSSI NETO no polo passivo da CDA. Inscrição esta posteriormente procedida. No entanto, um dos responsáveis, o Sr. Miceno Rossi Neto impetrou mandado de segurança alegando a irregularidade da notificação da decisão da DRJBA, posto que, desde o dia 10/01/2014 é optante do domicílio tributário eletrônico (DTE), regulamentado pela Portaria SRF 259/2006 e Portaria MF 527/2010, e que o referido edital eletrônico nunca foi enviado à sua caixa postal eletrônica, o que impediu a regular ciência do v. acórdão 1536.729. Desta feita, o Sr. Miceno Rossi Neto obteve liminar (fls. 6945/6948) e teve devolvido o prazo para apresentação do recurso voluntário, e, consequentemente, procedeuse o cancelamento das inscrições anteriormente procedidas (fl. 7058). Em sede de recurso voluntário, o responsável solidário MICENO ROSSI NETO alegou, preliminarmente, nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa em razão de ausência de notificação do recorrente, responsável solidário, previamente à lavratura do auto de infração. Ainda em sede de preliminar, aduz a nulidade da multa de ofício qualificada no percentual de 150%, pois, a seu sentir, não houve apuração de sonegação fiscal, fraude ou conluio, bem como tece considerações sobre o efeito confiscatório da multa. No mérito, sustenta a nulidade das provas obtidas; a impossibilidade de imposição de responsabilidade tributária com fulcro no artigo 124, inciso I, do CTN por falta de demonstração do interesse comum e dos benefícios auferidos pelo recorrente/responsável, além de não ser possível a incidência do PIS e da COFINS no presente caso por conta do benefício do art.91 da Lei n. 10.833/2003 e, por fim, a aplicação do prazo decadencial previsto no parágrafo 4, do art. 150 do CTN. A PGFN manifestouse em contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 7224/7249). É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Tendo em vista a reabertura do prazo para interposição de Recurso Voluntário, motivada por decisão judicial (fls. 6945/6948), afigurase a tempestividade do presente recurso interposto no dia 30/06/2015, portanto, dele conheço. Importante ressaltar, também, que devidamente notificados os integrantes do polo passivo da relação jurídica tributária EURO PETRÓLEO DO BRASIL LTDA., JOSÉ LUIZ RICARDO e MICENO ROSSI NETO, acerca do Acórdão exarado pela DRJBA, apenas este último apresentou Recurso Voluntário. Fl. 7307DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.307 13 Com relação à preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, a recorrente alega que, em função da ausência de sua notificação previamente à lavratura do auto de infração, esta restaria tolhida em seu direito de produzir provas. Neste âmago, é preciso estabelecerse a distinção entre o procedimento administrativo, enquanto caminho para consecução do ato de lançamento (inclusive fiscalização tributária e imposição de penalidades); e o processo administrativo, como meio de solução administrativa dos conflitos fiscais. Pois bem, o procedimento administrativo culmina com o ato de lançamento, que contém em seu bojo a descrição da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e, se for o caso, a aplicação da penalidade cabível, conforme determina o art. 142 do CTN. Para que o ato administrativo venha revestido de tais atributos, fazse necessária uma série de expedientes determinados. Ao conjunto de tais expedientes dá se o nome de procedimento administrativo. Este procedimento que, como vimos, é preparatório do ato de lançamento é governado por princípios próprios que conferem aos órgãos da Administração fiscal um conjunto de poderesdeveres e também limitações. Dentre esses, está o princípio do inquisitório, que confere o caráter investigatório ao procedimento. E, dependendo do quanto se apure nesta investigação, o procedimento pode vir a tornarse um processo, ou não. Assim, o princípio do inquisitório permite uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, sendo de sua faculdade a requisição de colaboração do contribuinte. Neste sentido, James Marins (DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 2005), preceitua que: “Então, o procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade no sentido de que os poderes legais investigatórios (princípios do dever de investigação) da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares (princípios do dever de colaboração) que não atuam como parte, já que na etapa averiguatória sequer existe, tecnicamente, pretensão fiscal. Conquanto a função fiscalizatória fiscal se apresente como atividade ex officio conduzida sob a égide do princípio da inquisitoriedade, dáse sob o signo da legalidade objetiva; além disso, caráter inquisitório não se confunde com caráter arbitrário, pois a arbitrariedade não se concilia com o Direito.” Logo, concluise que o procedimento administrativo é inquisitório, mas o processo administrativo não o é. Fl. 7308DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.308 14 Isto posto, curial lembrar no caso em voga, o procedimento de fiscalização foi instaurado contra o contribuinte EURO PETRÓLEO DO BRASIL LTDA., para análise da discrepância entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira, bem como a omissão na entrega de DCTF comparandose com os valores constantes dos relatórios anuais da Agência Nacional do Petróleo (ANP). No momento do início da fiscalização, não se tinha certeza sobre todos os envolvidos nas infrações, nem mesmo se podia garantir que havia de fato alguma infração. Por este motivo, foram colhidos documentos para devida instrução, até que ficasse clarividente a participação dos integrantes do polo passivo do processo. Sendo assim, a ausência de notificação do recorrente, previamente à lavratura do auto de infração, não é motivo apto a ensejar a nulidade dos autos, pelo fato de a administração tributária dispor de liberdade em sua tarefa de fiscalização e apuração dos eventos de interesse tributário. Ademais, o próprio CARF dispõe de entendimento sumulado nesse sentido, senão vejamos: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade em decorrência da falta de notificação do recorrente, anteriormente à lavratura do auto de infração. Com relação à alegação de nulidade da multa de ofício qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), e seu respectivo efeito confiscatório, a recorrente afirma não ter ocorrido sonegação fiscal, fraude ou conluio, ademais, pelo fato de ser responsabilizada por infrações datadas de período em que, sequer, fazia parte da empresa. Porém, diante de tudo quanto consta nos autos, resta claro que a infração se deu mediante fraude. Nesta senda, importante cabe destacar a seguinte passagem constante no Termo de Verificação Fiscal (fls. 103/181), na qual o Auditor autuante conclui: “Assim, em suma, a Contribuinte: • não entregou a DIPJ dos anoscalendário 2009 e 2010, apesar de, no mesmo período, ter movimentado em contas bancárias que mantinha junto à instituições financeiras montante próximo a um bilhão de reais; • não entregou a DCTF com os débitos de IRPJ e CSLL dos anos calendário 2008 a 2010, bem como não declarou os valores referentes à Contribuição do PIS e à Cofins referentes aos anoscalendário de Fl. 7309DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.309 15 2008 a 2011. Porém, no mesmo período, emitiu notas fiscais e declarou à ANP receitas que somavam quase um bilhão e meio de reais; • não foi capaz de justificar os valores que informou à RFB na DIPJ do ano calendário 2008 e nem comprovar a apuração do prejuízo fiscal nela veiculado; • deixou de elaborar e apresentar a escrituração contábil (Diário e Razão), referente aos anoscalendário 2008 a 2011; • entregou as Dacon dos anoscalendário 2008 a 2011 “zeradas.” Ciente das constatações acima elencadas, o Auditor fiscal formou seu convencimento e entendeu, corretamente, a meu ver, que os gestores da contribuinte deliberaram, de forma consciente, utilizar dos meios necessários para evitar que o Fisco Federal tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos. Isto fica comprovado com o fato existência de cheques da Contribuinte assinados por Miceno Rossi Neto após a 09/12/2008, bem como abertura de contas bancárias e envio de declarações com a sua assinatura eletrônica. Portanto, à luz de toda documentação colhida na fase instrutória, reputo existir dolo por parte do recorrente, tanto no período em que administrava a empresa, quanto à partir de 01/2009, período de seu afastamento e oportunidade em que se tornou administrador “de fato” da mesma. Razão pela qual entendo pela necessidade de qualificação da multa prevista no artigo 44, § 1º da Lei n.º 9.430/96, por restarem configuradas as hipóteses de sonegação fiscal, fraude e conluio, ínsitos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64. Por último, relativamente à atribuição de caráter confiscatório à presente multa, ressaltase que a instância administrativa não é a via adequada para se perquirir a excessividade ou a proporcionalidade de multa decorrente de imposição legal, sob pena de se incidir em análise vedada de inconstitucionalidade da norma, conforme preceitua Súmula nº 02 do CARF. “Súmula 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em se tratando do mérito deste recurso, o recorrente sustenta a nulidade das provas obtidas e afirma a impossibilidade de imposição de responsabilidade tributária com fulcro no art. 124, inciso I, do CTN por falta de demonstração do interesse comum e dos benefícios por si auferidos. Primeiramente, com relação à nulidade das provas, é necessário lembrar que o sistema de valoração de provas adotado pelo nosso sistema é o do livre Fl. 7310DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.310 16 convencimento motivado, não admitindo arbitrariedade na produção da prova e na sua apreciação. Pressupõe, também, razoabilidade entre o conteúdo das provas e a conclusão obtida a partir delas. O Fisco tem de provar, primeiramente, a autoria da infração, a partir da premissa de que o infrator não é apenas aquele que praticou materialmente o fato, mas também os que com ele colaboraram (partícipes) e os que determinaram a execução da conduta (mandantes). Assim, não basta indicar o nome de todos os sócios constantes do contrato social, imperioso que se individualize o autor das irregularidades, demonstrando ao menos qual o sócio geria a sociedade, e decidia pela prática dos negócios empresariais tipificados como fatos jurídicos tributários (ou que, de alguma forma, pudessem resultar em obrigações tributárias). E para tanto comprovar, admitem se as provas diretas e indiretas. Com efeito, a autoridade fiscal apurou que o Sr. Miceno Rossi Neto, apesar de aparentemente terse desligado da empresa EURO PETROLEO LTDA., continuou atuando na mesma, razão pela qual ostentou a qualificação de sócio de fato da mesma, conforme consta no item V.V do TVF. Vejamos: 68. Diante dos elementos e fatos apurados no curso do procedimento fiscal, verificamos que a fiscalizada atuou nos anoscalendário de 2008 a 2011 no comércio atacadista de combustíveis. Suas atividades, como constatado, foram realizadas sob a gestão de seus administradores: Miceno Rossi Neto e José Luis Ricardo. 69. Conforme exaustivamente demonstrado, de posse das cópias dos cheques dos bancos Bradesco S/A e Unibanco, verificamos que os mesmos foram assinados pelo Sr. Miceno Rossi Neto, o que corrobora que ele, administrou de fato a fiscalizada mesmo após a sua venda ao Sr. José Luis Ricardo em 10/12/2008. Registrese ainda que no Banco Bradesco S/A, o Sr. Miceno consta como responsável pela fiscalizada, com ficha de proposta de abertura de conta assinada em 05/01/2009. Tal situação enseja caracterizálo como sócioadministrador de direito até 09/12/2008 e sócio de fato a partir de 10/12/2008 . Sendo assim, entendemos que sua participação como sócio administrador deva ser considerada para os anoscalendário de 2008 a 2010. 70. Ressaltamos ainda que além do acima exposto, conforme DACON ( Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais) entregues pela fiscalizada no período de 01/2008 a 04/2010, aponta que o Sr. Miceno Rossi Neto permaneceu na gestão da mesma na condição de responsável legal, assinando os respectivos demonstrativos pela fiscalizada por meio de certificação digital, como exemplo que segue referente a 04/2010: Fl. 7311DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.311 17 Sr. Miceno Rossi Neto, a responsabilidade tributária pela sua participação como sócio de fato da fiscalizada, com base no disposto do Art. 124, inciso I, da Lei 5.172 de 1966 (CTN), e pela prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, com base no Art. 135, inciso III do CTN c/c Art. 137 do CTN. 72. Seguindo no mesmo diapasão, conforme documentação apresentada e depoimentos tomados a termo, concluímos que o Sr. José Luis Ricardo é interposta pessoa no quadro societário da fiscalizada, porém demonstrou estar conivente e consciente da situação ora apresentada. O início de sua participação como sócio administrador de acordo com a 13ª Alteração do Contrato Social da fiscalizada foi em 10/12/2008. 73. Desta forma, entendemos que deva ser atribuída em face do contribuinte Sr. José Luis Ricardo, a responsabilidade tributária tendo em vista a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, com base no Art. 135, inciso III do CTN c/c Art. 137doCTN. 74. Ressaltamos que a fiscalizada não só deixou de recolher os tributos, mas também está omissa na DIPJ 2009 e 2010 e em relação às Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a fiscalizada deixou de declarar os valores referentes ao IRPJ/CSLL/PIS/COFINS de 2008 a 2011. Referindose ainda ao PIS e COFINS, a fiscalizada entregou Demonstrativos de Apuração de Fl. 7312DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.312 18 Contribuições Sociais (DACON) no período de 01/2008 a 04/2010 "ZERADAS" e no período de 05/2010 a 12/2011 está omissa na entrega. Registrese que para os anoscalendário de 2008 a 2011 a fiscalizada apresentou o seguinte faturamento, com base nas notas fiscais: Consoante o exposto, fica claro que o afastamento do Sr. Miceno Rossi Neto foi apenas uma tentativa de elidirse de responsabilidade, de forma que continuou a promover atos de comando gerencial da sociedade, na qualidade de sócio de fato. De outro bordo, apurouse que o depoimento do Sr. José Luiz Ricardo veio carregado de indícios que fizeram a autoridade fiscal chegar à conclusão de tratar se de interposta pessoa. Com base nisso, recorro à lógica jurídica para esclarecer que a comprovação indireta é formada por indícios, vestígios, indicações, sinais, circunstâncias e fatos conhecidos aptos a nos levar, por meio do raciocínio indutivo, ao conhecimento de outro fato, não conhecido diretamente. A prova indireta remete a um fato conhecido, fazendo referência objetiva de tempo e espaço a um evento, também conhecido. No entanto, da perspectiva fática, o evento, em que pese ser provável, é sempre presumido. Em outras palavras, só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não há como ser alcançado de forma objetiva: independentemente de a prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo juridicamente certo e fenomenicamente provável. Esta, é a realidade impondo limites ao conhecimento jurídico. Voltando ao caso em espeque, existentes cheques emitidos pelo Sr. Miceno Rossi Neto, após o período em que supostamente desligouse da empresa, além da abertura de conta e cartão de assinaturas no Banco Bradesco em nome da fiscalizada Euro Petróleo desacompanhado de outros sócios ou administradores. Bem como a fragilidade demonstrada no depoimento do Sr. José Luis Ricardo, ao não saber indicar alguns dos principais fornecedores, ou mesmo a composição de sua própria renda mensal, geraram no Auditor responsável, a clareza necessária a ensejar a autuação. Logo, há que se distinguir a responsabilidade da pessoa jurídica, contribuinte decorrente de fato jurídico tributário propriamente dito (ato lícito – evento Fl. 7313DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.313 19 econômico: faturamento, lucro, circulação de riquezas, entre outros). De outro lado, a responsabilidade que emerge para os responsáveis tributários (de fato ou de direito). Emerge em razão da ocorrência de uma infração à lei ou excesso de poderes (ato ilícito), conforme se depreende do artigo 135 do CTN. Configuram, portanto, obrigações autônomas em sua origem, mas dependentes entre si, posto que o pagamento extingue ambas. Portanto, no tocante a Miceno Rossi Neto, entendo perfeitamente aplicável a exegese adotada pela União, no sentido que a responsabilidade tributária atribuída deve ser pela participação como sócio de fato da fiscalizada, consoante estatuído no art. 124, inciso I, do CTN, bem como pela prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, por exemplo a sonegação de impostos, com base no art. 135, inciso III do CTN c/c Art. 137 do CTN. Consequentemente, configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, como aqui está demonstrada, aplicase a disposição do artigo 173, inciso I, que determina como termo inicial da contagem do prazo de decadência, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Logo, o IRPJ e a CSLL referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2008 e a Contribuição do PIS e de Cofins referente aos meses de janeiro a novembro de 2008 poderiam ser lançados até o dia 31/12/2013, enquanto que a Contribuição do PIS e a Cofins referente ao mês de dezembro e o IRPJ e a CSLL referente ao 4º Trimestre de 2008 poderiam ter sido lançados até o dia 31/12/2014. Ocorrendo a cientificação do lançamento em 05/09/2013, não assiste razão, portanto, ao recorrente. Também, não se admite a alegação do recorrente de que incabível a alegação de que fora autuado tão somente por conta dos extratos bancários quando, da leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos constantes dos autos, se verifica que os valores utilizados para o arbitramento da base de cálculo dos tributos foi o somatório das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. Com relação ao tópico da particularidade no lançamento de PIS/COFINS, em que o recorrente pleiteia o reconhecimento do benefício fiscal estabelecido no artigo 91 da Lei nº 10.833/2003. Em outras palavras, requer que seja reconhecido o seu direito de aplicar as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS reduzidas a zero sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool etílico hidratado carburante, realizada por distribuidor e revendedor varejista. Pois bem, a ação judicial declaratória em trâmite na 6ª Vara Federal de Campinas/SP (proc. Nº 2007.61.05.0147940) atualmente registrada sob o nº 0014749 24.2007.4.03.6105, compete frisar que a sentença julgou improcedente o pedido do autor e, na mesma linha, a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação da contribuinte. Os autos encontramse aguardando admissibilidade dos recursos interpostos aos tribunais superiores naquele TRF. À vista disso, não conheço deste tópico recursal posto estar pendente de apreciação judicial, o que importa a renúncia à jurisdição administrativa. Fl. 7314DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.724850/201319 Acórdão n.º 1302001.953 S1C3T2 Fl. 7.314 20 Por tudo exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade por falta de notificação do responsável tributário (recorrente) antes da lavratura do auto de infração. No mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário: 1 para manter a qualificação da multa de ofício; 2 para manter a imputação de responsabilidade solidária em face do recorrente Miceno Rossi Neto; 3 para afastar a alegação de decadência; 4 para manter a base do arbitramento; e 5 para não conhecer as alegações relativas ao PIS e COFINS, por existência de concomitância com ação judicial. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 7315DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 13642.720171/2015-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico e uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. Recorrente KLEBER JOSELITO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico e uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 72 01 71 /2 01 5- 30 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720171/201530 Acórdão n.º 2402005.486 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta Notificação de Lançamento (fls. 4/9) para a exigência de crédito tributário apurado no valor de R$ 7.126,02, relativo ao anocalendário 2011, tendo sido apurado pela auditoria: · omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 30.997,87, pagos pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, indevidamente declarados como isentos por moléstia grave. De acordo com o laudo médico apresentado, a doença foi contraída em 06/04/2015. Assim, somente a partir desta data o declarante teria direito à isenção; · compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 377,08, referente à fonte Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ: 05.461.142/0001 70. O imposto retido sobre o décimo terceiro salário não pode ser recuperado se o contribuinte não comprova as condições para usufruir de isenção por moléstia grave. Na impugnação (f. 2), o sujeito passivo alega, em síntese, que a retificação da Declaração de Ajuste Anual (DAA) foi feita de maneira incorreta pois ele não sabia que as deduções ora lançadas deveriam permanecer na DAA. A impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão no 1672.555 17a Turma da DRJ/SPO, fundamentado nos seguintes termos: O laudo médico de fls. 10 e 11, emitido pela Diretoria de Perícias Médicas do Hospital da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais em 21/05/2015, traz a informação que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015, posteriormente, portanto, ao anocalendário objeto desta Notificação de Lançamento (Anocalendário 2011). Sendo assim, tendo em vista o acima exposto, concluise que a documentação anexada aos autos não atende aos requisitos legais para a concessão da isenção, e a tributação dos rendimentos e a respectiva glosa do imposto retido na fonte, correspondente ao 13º salário serão mantidas. Há que se concluir, finalmente, que a mera alegação do interessado de que errou no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual não tem o condão de refutar o lançamento em análise. Diante do exposto, voto por considerar IMPROCEDENTE a impugnação de fl. 02. Cientificado da decisão em 11/05/20116 (f. 32), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 34/36), em 08/06/2016, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 1. que jamais omitiu rendimentos ou tentou usar laudos médicos para confundir ou tentar requerer, de forma indevida, a restituição, mas foi orientado, por funcionário da RFB, de maneira equivocada; 2. foram lançadas na declaração as informações que o contribuinte possuía em mãos, nada mais além da verdade, a qual ainda considera despesas dedutíveis do imposto de renda; 3. não há dúvida de que o laudo informa que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015. O que se solicita não é a validação do laudo pericial, mas a possibilidade de nova entrega de DAA; 4. a solicitação inicial do contribuinte é a de poder ter considerada, pela Receita Federal, a declaração original transmitida em 19/03/2012, onde as receitas foram devidamente lançadas, para que a multa seja considerada indevida. Requer o acolhimento do recurso e cancelamento do débito fiscal. Juntou documentos (fls. 37/59). É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720171/201530 Acórdão n.º 2402005.486 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. O contribuinte admite, no recurso, que o laudo médico somente diagnosticou sua enfermidade a partir de 06/04/2015. Logo, somente teria direito à isenção a partir desta data. Argumenta, no entanto, que cometeu um erro, e que não pretendia confundir ou requerer restituição de forma indevida. No entanto, a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente, como estabelece o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, ao contrário do que aduz no recurso, as informações apresentadas na Declaração de Ajuste Anual (DAA, fls. 14/19) retificadora, entregue em 03/06/2015, e que serviu de base para o lançamento, não correspondem à realidade, eis que declara como isentos os rendimentos no valor de R$ 30.997,87, recebidos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, quando o sujeito passivo não preenchia os requisitos para o exercício do benefício fiscal. Fica, assim, caracterizada a omissão de rendimentos apontada na notificação de lançamento. O recorrente alega, ainda, que foi incorretamente orientado por funcionário da Receita Federal do Brasil (RFB). No entanto, não comprova tal alegação, pelo que resulta impossível de ser acolhida. Quanto à possibilidade de apresentação de nova declaração de ajuste, não teria repercussão sobre a notificação de lançamento sob exame. Acontece que, uma vez iniciado o procedimento fiscal, está excluída a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do §1o, do art. 7o, do Decreto no 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (grifouse) Desse modo, a apresentação de nova Declaração de Ajuste Anual não excluiria a responsabilidade pela infração, consoante dispõe o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse sentido foi pacificada a jurisprudência deste Conselho: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Resulta, portanto, rejeitado o pedido para apresentação de nova declaração de ajuste para a finalidade de afastar o lançamento. No tocante à declaração retificadora, assim estabelece a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014 (DOU 30/10/2014): Art. 82. Eventuais erros ou omissão de informações verificados na DAA, depois de sua apresentação, devem ser retificados pelo contribuinte por meio de declaração retificadora, desde que não esteja sob procedimento de ofício, independentemente de autorização administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida no caput: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso; e II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. (grifouse) Desse modo, também é impossível considerar a declaração original, transmitida em 19/03/2012, dado que a retificadora substituiua integralmente, conforme parágrafo único, do art. 82, da Instrução Normativa RFB nº 1500/2014. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720171/201530 Acórdão n.º 2402005.486 S2C4T2 Fl. 5 7 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11080.914821/2012-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.282
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.821, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 21 /2 01 2- 41 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914821/201241 Acórdão n.º 9303004.282 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914821/201241 Acórdão n.º 9303004.282 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 213DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10283.002313/98-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993
PROVAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
No caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova dos fatos ali alegados é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento, é deste o ônus da prova quanto à existência de suas razões.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-001.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 07/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 07/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 PROVAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova dos fatos ali alegados é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento, é deste o ônus da prova quanto à existência de suas razões. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 07/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 23 13 /9 8- 50 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, nos valores históricos totais de R$ 22.582,95 e R$ 20.983,07 respectivamente, incluindo encargos legais. As infrações apuradas pela fiscalização, originadas de revisão de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 1993 (DIRPJ/94) e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, decorreram de transporte a menor do lucro líquido do período base para as demonstrações do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Conforme relatado no acórdão da DRJ: Inconformado com a exigência, apresentou o contribuinte, através de seu representante legal, impugnação em 16.04.98, fls. 01/05, alegando, em síntese, o seguinte: 1) ICMS SOBRE VENDAS: O primeiro erro referese ao esquecimento de fazer constar no Anexo 1, Quadro 04, Linha 07, em todos os meses do anocalendário de 1993, os valores pertinentes ao ICMS sobre vendas e demais impostos sobre vendas, conforme demonstrativo às fls. 13/15. 2) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS: Alega que desde o períodobase de 1991, passou a acumular prejuízos fiscais, conforme resumo do LALUR às fls. 09/10. Novos erros de preenchimento foram constatados na declaração IRPJ do anocalendário de 1993, no Anexo 2, Quadro 04, Linhas 41,42,43 e 44, abaixo demonstrados: 3)BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: Aduziu a autuada que em todos os meses do anocalendário de 1993 observouse base de cálculo negativa da CSLL, sendo, portanto, indevida a cobrança da contribuição social nos meses autuados. Corrobora seu entendimento sobre "erro de fato", transcrevendo ensinamentos de tributaristas sobre o assunto. 4) PROVA PERICIAL: Solicitou a realização de perícia, indicando como perito o Sr. MARCOS EDUARDO COSTA PIMENTEL, brasileiro, casado, auditor contábil independente, residente e domiciliado à Rua 4, Casa 17, Conjunto Celetramazon, nesta cidade de Manaus (AM), inscrito no CRCAM n° 35560/4, formulando os seguintes quesitos: a) Há erros formais no preenchimento da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/94? Se a resposta for positiva, identificálos. b)Houve realização a maior de Lucro Inflacionário? Se a resposta for positiva, qual o valor. c)Há Prejuízos Fiscais acumulados em períodosbase anteriores? Se a resposta for positiva, demonstrar por período base. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002313/9850 Acórdão n.º 1401001.723 S1C4T1 Fl. 253 3 A DRJ/MANAUS, à época, verificou, pelo exposto, que não havia elementos suficientes para o deslinde do litígio, assim, nos termos do artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 (com as alterações da Lei nº 8.748/93), foi proposto o encaminhamento do presente processo à DRF/Manaus (AM) para que, em procedimento de diligência junto aos assentamentos contábeis e fiscais da empresa, fossem tomadas as seguintes providências: Verificar a veracidade do demonstrativo de fls. 13/15, em especial quanto ao valor do ICMS e demais impostos sobre vendas; Analisar qual. o valor dos prejuízos fiscais e respectivas compensações a partir do períodobase de 1991, procedendo as alterações cabíveis no SAPLI; Verificar a ocorrência de erro na Base de Cálculo Negativa da CSLL, a partir do anocalendário de 1992, considerandose o demonstrativo de fls. 06/07 e 11/12 e o demonstrativo SAPLI de fls. 69/73; Persistindo total ou parcialmente, as irregularidades objeto da revisão da declaração, calcular qual o valor do IRPJ e a CSLL remanescente. Ao final, elaborar relatório conclusivo, inclusive, carreando informações outras que sejam de interesse para o deslinde do presente processo. A DRF/MANAUS elaborou o seguinte relatório acerca do assunto: Para fins instrução no processo em epígrafe e em atendimento ao despacho exarado às suas fls. 81/82, pela DRJ, à época dos fatos sediada em Manaus, temos a informar o que segue: 1 No tocante a verificação da veracidade das informações contidas nas fls. 13/15, não pode ser comprovada, pelo exame procedido nos livros comerciais da interessada, do anocalendário de 1993, visto os mesmos não apresentarem valores compatíveis com os informados nas planilhas, mormente, os relativos aos ICMS e demais impostos sobre venda, o que, inclusive, pode ser comprovado pelas cópias dos balancetes mensais da pessoa jurídica, anexos a esta; 2 Quanto aos prejuízos fiscais e respectivas compensações, em decorrência de não haver correspondência entre os registros contábeis, elementos essenciais para a apuração dos lucros reais dos períodos, visto serem os supedâneos para apuração do lucro real, e os demonstrativos apresentados pela impugnante, deixase de fazer as alterações cabíveis no SAPLI. Reforçando, entendese que só se poderia proceder alterações no aludido sistema se existisse correspondência entre os dados que o alimentariam e a escrita comercial da pessoa jurídica, o que não é o caso como restou constatado na diligência; 3 O item 3 do despacho da DRJ, também não pode ser atendido em virtude de não terem sido disponibilizados os livros comerciais dos anoscalendário de 1991 e 1992. Foram apresentados apenas cópias de balanços gerais, sem a indicação das fls. do Diário onde estariam registrados os mesmos, ademais a cópia do balanço do anocalendário de 1993, não está assinada, nem pelo profissional responsável pela contabilidade, nem pelo representante legal da pessoa jurídica. 4 Considerando então, não terem sido apresentados na diligência, os elementos necessários a corroboração dos demonstrativos Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 apresentados pela pessoa jurídica impugnante, entendese não ser mister recalcular o valor do IRPJ e da CSLL, visto que, do crédito tributário levantado em desfavor da mesma, nada pode ser alterado. É a informação. Assim, o processo fora retornado ao contencioso, desta vez à DRJ/BELÉM, para seu deslinde. Ocorre, entretanto, que o objetivo da ciência ao interessado, descrito no Decreto 70.235/72, visa a que o mesmo tenha conhecimento dos fatos do processo, a ele pertinentes. Após a instauração do contencioso é necessário, para não cercearmos o direito de defesa do impugnante, que, a cada inserção de informações por parte da fiscalização, haja a ciência do interessado, bem como abertura de prazo para .que este se manifeste sobre aquilo que tomara conhecimento. Desta forma, fora solicitado, através do Despacho nº 37 da DRJ/Belém, encaminhamento à unidade de origem para que se procedesse à ciência do resultado da diligência ao impugnante, incluso o despacho da unidade de origem nas fls.85/86, e que a este fosse concedido o prazo para a apresentação de novos argumentos, caso assim deseje. Atentouse, ainda, que fosse aposto no processo documentação demonstrando tanto a ciência como o conteúdo desta ciência ao impugnante. Em atenção ao solicitado pela DRJ/Belém, foi efetivada a citação, conforme fl. 177. Não houve manifestação do interessado no tocante às informações contidas na citação. Em 23 de junho de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) manteve o lançamento, proferindo o acórdão 0129.434, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 PROVAS. COMPENSAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No que concerne às provas, temos que no caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova é do fiscal “autuante”; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento o ônus da prova é deste quanto à existência de suas razões. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 22/10/2014, o contribuinte então apresentou recurso voluntário tempestivamente em 19/09/2014, alegando, em síntese (fls. 197 a 218): (i) nulidade da decisão de primeira instância por comprovação do erro de fato: sustenta que o poder que a Receita Federal tem de examinar livros e documentos não a Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002313/9850 Acórdão n.º 1401001.723 S1C4T1 Fl. 254 5 exime de proceder ao levantamento criterioso das deduções do ICMS e outras deduções de vendas constantes dos sistemas informatizados e declarados pela Recorrente. (ii) a legislação garante o direito às deduções de vendas canceladas, que não se incluem na receita bruta. (iii) o contador da Recorrente se equivocou ao deixar de informar as deduções restou saldo a pagar de IRPJ e CSLL, porém a empresa possuía prejuízo fiscal e saldo negativo de CSLL, o que compensaria os valores devidos. (iv) é falácia da autoridade fiscal que conduziu o julgamento que a Recorrente não comprovou com documentação hábil e idônea os seus argumentos na peça impugnatória; a autoridade fiscal carece de conhecimento técnico para proceder à análise necessária, não tendo acessado os sistemas da Receita Federal para ter certeza de que a Recorrente possuía no sistema SAPLI estoque elevado de prejuízo fiscal. (v) ofensa ao princípio da moralidade administrativa pois a empresa não foi cientificada das inúmeras prorrogações a que se submeteu o MPF originário. (vi) falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação. Junta à peça recursal planilhas e demonstrativos que, conforme ressalta a fls. 219, já constam dos autos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como relatado, a impugnação apresentada foi julgada improcedente tendo em vista que, mesmo após a conversão do julgamento em diligência, a empresa não logrou demonstrar a efetividade dos erros em sua escrituração ali apontados. Em nenhum momento se negou a possibilidade, em tese, de dedução das despesas ou do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL, ou seja, a controvérsia no caso concreto não é de direito mas de fato. A diligência apurou que (i) os livros comerciais do anocalendário de 1993 não apresentaram valores compatíveis com os informados nas planilhas anexadas aos autos; e (ii) não foram apresentados os livros fiscais dos anoscalendário de 1991 e 1992 para fins de comprovação do alegado prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Em seu recurso voluntário a empresa não traz qualquer argumento novo capaz de alterar o quanto decidido na decisão da DRJ. Neste sentido, entendo que esta deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Vejamos: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 No caso concreto: a impugnante alega suas contrarazões mas não traz provas quanto ao alegado em sua impugnação; existe um “iter” na apuração do crédito tributário: a) os fatos econômicos acontecem na vida quotidiana; b) os fatos econômicos são descritos nos documentos que retratam e comprovam as situações específicas; c) uma vez documentados, os fatos são registrados na “contabilidade” das empresas, seguindo as técnicas legalmente aceitas; d) as informações, registradas e condensadas nos registros contábeis, são levadas às declarações fiscais para, nestas, serem calculados os valores de tributos; Assim, se há “erro” em alguma etapa desta seqüência, cabe ao impugnante, pois fora ele quem alegou, que apresente o “locus” do erro, e as provas deste erro; Não basta, ainda, simplesmente, apresentar documentos, ou a própria contabilidade, é necessário que estes elementos estejam concatenados de forma a demonstrar os fatos corretos que deveriam ter sido tributados; A impugnante não logrou demonstrar em sede de impugnação, nem nas diligências que houve no presente processo, as razões que alegou em sua impugnação! Destarte, diante da ausência de provas robustas e mais detalhadas, que deveriam ter sido apresentadas pela recorrente, sobre o direito pleiteado, aliado às declarações, e aos controles dos sistemas internos da Receita Federal, alimentados pelo próprio recorrente, que demonstram a ocorrência dos fatos geradores dos tributos cobrados no lançamento. Vale notar que não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de que a autoridade fiscal não acessou os sistemas da Receita Federal para ter certeza de que a Recorrente possuía no sistema SAPLI estoque elevado de prejuízo fiscal. Tanto este sistema foi consultado que, conforme relatado, a diligência apurou que não havia correspondência entre os dados que o alimentariam e a escrita comercial da pessoa jurídica. Assim, novamente a empresa não se desincumbiu de provar, com sua escrita comercial, os fatos que alega terem ocorrido. Os capítulos finais da peça impugnatória sustentam argumentos inovadores que, mesmo que se ignorasse a sua preclusão, não mereceriam acolhimento. Nomeadamente, a alegação de que teria havido ofensa ao princípio da moralidade administrativa pelo fato de a empresa não ter sido cientificada das inúmeras prorrogações a que se submeteu o MPF originário não parece ser o caso, pois não consta dos autos que o MPF tenha sido prorrogado. Por sua vez, no capítulo intitulado "falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação", a Recorrente se limita a discorrer sobre o conceito de erro de direito e sobre a impossibilidade de se alterar o critério jurídico do lançamento, sem indicar especificamente como tal argumento se encaixa em seu caso. Pois tais razões, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002313/9850 Acórdão n.º 1401001.723 S1C4T1 Fl. 255 7 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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