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Numero do processo: 10380.905555/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente IJB Câmbio e Turismo LtdaME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A Recorrente transmitiu pedido de ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 55 55 /2 01 2- 18 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10380.905555/201218 Acórdão n.º 3301004.529 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de origem emitiu despacho decisório eletrônico no qual indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado, diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Em manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte que entre a data de transmissão do PER até a ciência do despacho decisório transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e do art. 29 da IN SRF nº 600/2005. Logo, requer a homologação tácita do pedido de ressarcimento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, pois entendeu a 1ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão n° 02052.320, que não há previsão legal para o pleito do contribuinte. Inconformada, a Recorrente, tempestivamente, protocolizou o recurso voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.528, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10380.905554/201273, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.528): "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento e não pedido de compensação, logo não há falarse de homologação tácita, por inexistência de previsão legal. Dispõe o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Esse dispositivo legal trata de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.905555/201218 Acórdão n.º 3301004.529 S3C3T1 Fl. 4 3 também diversos. Como bem apontado pela DRJ, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação, dado que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Em suma, a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação. Observese que neste processo não houve qualquer vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Assim, inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos, dessa forma, não há como se acolher o requerimento do contribuinte. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.914400/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 44 00 /2 01 1- 54 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13839.914400/201154 Acórdão n.º 3301004.455 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.772, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de COFINS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13839.914400/201154 Acórdão n.º 3301004.455 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13839.914400/201154 Acórdão n.º 3301004.455 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13839.914400/201154 Acórdão n.º 3301004.455 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13839.914400/201154 Acórdão n.º 3301004.455 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13839.914400/201154 Acórdão n.º 3301004.455 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13839.914400/201154 Acórdão n.º 3301004.455 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13839.914400/201154 Acórdão n.º 3301004.455 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900385/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 85 /2 00 8- 16 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.900385/200816 Acórdão n.º 3401004.928 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.585, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.900385/200816 Acórdão n.º 3401004.928 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.900385/200816 Acórdão n.º 3401004.928 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.900385/200816 Acórdão n.º 3401004.928 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.900385/200816 Acórdão n.º 3401004.928 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720097/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124 DO CTN.
O interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária principal, norteia a hipótese de responsabilização solidária encrustada no art. 124, inciso I do CTN.
INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária.
MULTA QUALIFICADA.
A sonegação fiscal é conduta que autoriza a qualificação da multa, nos ditames do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplicam-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, os mesmos fundamentos aplicados ao IRPJ, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
Numero da decisão: 1201-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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DE OLIVEIRA ESTIVAS EM GERAL ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124 DO CTN. O interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária principal, norteia a hipótese de responsabilização solidária encrustada no art. 124, inciso I do CTN. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária. MULTA QUALIFICADA. A sonegação fiscal é conduta que autoriza a qualificação da multa, nos ditames do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicamse às contribuições sociais reflexas, no que couber, os mesmos fundamentos aplicados ao IRPJ, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 97 /2 00 9- 41 Fl. 1114DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratamse dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, cuja a cobrança reportase aos anoscalendário de 2005 e 2006, com crédito total apurado no valor de R$ 9.935.135,78, incluindo o principal, a multa e os juros de mora atualizados até a data de 27/02/2009. De acordo com a Descrição dos Fatos dos Autos de Infração, o contribuinte, juntamente ou por intermédio dos sujeitos passivos solidários, quais sejam, CASA DA CARNE SOUZA LTDA, PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA e SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA, incorreu em omissão de receitas operacionais. O lucro do contribuinte foi arbitrado em razão da falta de apresentação do Livro Diário e Razão e sobre a exigência principal foi aplicada a multa de 150% (qualificada) em razão da conduta do contribuinte se subsumir à hipótese abstrata da sonegação. Impugnações A empresa fiscalizada não contestou o lançamento, mas os sujeitos passivos solidários apresentaram as respectivas impugnações. Foram sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância as principais alegações ali constantes, de modo que peço vênia para aqui reproduzilas em parte a seguir: “3.1. Casa da Carne Ltda. CNPJ 03.449.490/000104, fls. 253/272, de 30/04/2009 (...) b) o Fisco Federal jamais foi afetado pelo esquema de internação fraudulenta de mercadorias na Zona Franca de Manaus, que visava o creditamento do ICMS pelas sociedades Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10283.720097/200941 Acórdão n.º 1201002.092 S1C2T1 Fl. 3 3 empresárias remetentes das mercadorias para os contribuintes sediados na Zona Franca de Manaus; (...) d) Fato algum foi confessado pela Impugnante, haja vista que o interrogado foi seu sócio, o Sr. Paulo Afonso Jacob de Souza, que tem responsabilidade distinta de pessoa jurídica; e) Se se observar detidamente o depoimento do representante legal da Impugnante na Polícia Federal, não se pode olvidar que não há qualquer menção ao período em que o Sr. Paulo Afosno Jacob de Souza iniciou sua participação no esquema, o que impossibilita a responsabilidade solidária. Nos anos calendários de 2005 e 2006 a Impugnante, nem seu sócio, tiveram qualquer envolvimento nos esquemas desvendados pela Polícia Federal ou mesmo relação comercial com a autuada, conforme cópia do livro de registro de entrada dos anos calendários de 2005 e 2006. f) A imputação de responsabilidade somente deve ser feita pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme jurisprudência da Conselho de Contribuintes; g) A confissão só tem validade em desfavor do representante legal da Impugnante; h) A D. Fiscalização deveria ter instruído a autuação com todos os elementos que cabalmente comprovassem a participação da impugnante no esquema criminoso durante os anos calendários de 2005 e 2006, para que a imputação da responsabilidade pudesse ser válida. O ônus de provar cabe a quem alegar; i) A multa qualificada é multa punitiva e não pode ser transferida. A multa qualificada é improcedente porque não comprovado o dolo; (...)” Exatamente nos mesmos termos ofertou sua peça de defesa o sujeito PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA. O impugnante SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA diverge um pouco na construção de sua defesa, mas mantémse em linha semelhante aos demais sujeitos passivos: “O AFRFB argumenta que, por diversas vezes, tentou obter documentos fiscais da empresa, os quais, por motivos diversos não foram apresentados. Sabese que o impugnante sofre processo federal, sob o N. 2007.32.00.0014922 e (Operação Rio Nilo), que ainda tramita na 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Amazonas. Fl. 1116DF CARF MF 4 Ora, primeiramente indagase como pode um Processo Criminal, por sonegação fiscal, ser instaurado sem a justa causa oriunda de procedimento administrativo fiscal terminado? Outrossim, como pode o presente procedimento administrativo fiscal ter como substrato informações enviadas pela Superintendência da Polícia Federal, cujo processo criminal de apuração ainda está correndo? Verificase que, ou o processo criminal deve ser anulado, por falta de justa causa, posto que a sonegação fiscal ainda está sendo apurada no presente processo ao qual se faz a impugnação, ou o contrário, o presente processo administrativo deve ser anulado. A imposição tributária é arbitrária, pois, apontam como total e únicas fontes dos fatos geradores das obrigações fiscais os atos da empresa SEVERINO G DE OLIVEIRA ESTIVAS EM GERAL – ME. Por este simples apontamento, desconsiderando que outras empresas e pessoas físicas também respondem pelos mesmos fatos, entendese que o presente auto de infração, por não refletir a realidade, padece de nulidade. Assim já se manifestou o judiciário. Apurar fatos geradores, com base em colheita preliminar de investigação policial, no curso de processo penal, onde há a garantia da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, é querer atropelar o procedimento, visando, claramente, favorecer alguns em detrimento de outros. “Da não apresentação de documentos Os documentos requisitados, e ditos negados relatório do presente auto de infração, conforme apurado pelo AFRFB, estão em poder da JUSTIÇA FEDERAL nos autos do processo anteriormente citados. Os mesmos ainda estão em trâmite, sem qualquer sentença condenatória, inclusive sendo ADEQUADOS AO NOVO PROCEDIMENTO CRIADO PELA LEI N. 11.719/08. Inclusive, todos os depoimentos dos envolvidos serão novamente efetuados e o presente relatório os toma como verdade irrefutável. Assim, segundo o AFRFB que lavrou o presente auto impugnado, o PROCURADOR do sujeito passivo “apesar de ter sido regularmente intimado e certificado de todos os termos fiscais lavrados em desfavor de SEVERINO G. DE OLIVEIRA ESTIVAS EM GERAL – ME, não apresentou a documentação requerida e nem se manifestou, ignorando os termos fiscais que lhe foram encaminhados”. Perguntase: como responder se a documentação já estava em poder da Polícia Federal? VI – DO PEDIDO VI.1 Desta forma, em razão do fato de que a documentação requerida estava em poder da Polícia Federal na data de requerimento anterior, não houve fraude ou sonegação de informações, de acordo com as afirmações do AFRFB. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10283.720097/200941 Acórdão n.º 1201002.092 S1C2T1 Fl. 4 5 Outrossim, não existindo fraude ou sonegação comprovada, posto que o procedimento penal ainda obedecerá aos ditames da Lei 11.719/08, devendo o lançamento de ofício ser anulado, em virtude que, os fatos geradores não podem ser imputados simplesmente à empresa SEVERINO G. DE OLIVEIRA ESTIVAS EM GERAL – ME, sem levar em consideração o envolvimento de diversas pessoas respondendo pelos fatos em apuração pela JUSTIÇA FEDERAL, ONDE SE REVELARÁ OS REAIS RESPONSÁVEIS.” Acórdão nº 0115.564 – 2ª Turma da DRJ/BEL Omissão de Receitas À Autoridade Julgadora restara evidenciada a omissão de receitas, de acordo com o art. 186 do RIR/99, o qual prescreve que considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (Lei nº 9.317, de 1996, art. 2º, §2º). Multa Qualificada Constatouse que a multa qualificada pressupõe elementos de prova que autorizem o convencimento de prática de fraude ou qualquer outro procedimento no qual o dolo específico seja elementar. Entendeuse, então, presente o requisito, tendose em vista que o contribuinte, deliberadamente, declarou à Receita Federal valor inferior ao faturado (§1º do art. 44, c/c art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96). Solidariedade Reputouse comprovado nos autos (através da confissão à Polícia Federal) a solidariedade entre empresa e proprietário que detinha amplos poderes com o fim de obter vantagem econômica através de fraude: compra de mercadorias de forma simulada para proteger terceiros da tributação. Também devido à confissão de Paulo Afonso Jacob de Souza à Polícia Federal considerouse comprovado, na forma do art. 124, I do CTN que são solidariamente obrigados os terceiros CASA DA CARNE SOUZA LTDA e PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, beneficiados com a simulação, devido ao seu interesse comum na situação que constituiu o fato gerador dos tributos lançados. Observouse que o esquema foi constituído há mais de 10 anos (a contar do interrogatório citado), englobando os anos calendários de 2005 e 2006. Reafirmase que a fraude foi confessada pelas Impugnantes pessoas físicas. Deste modo concluise que a responsabilidade tributária deva ser estendida às pessoas jurídicas beneficiadas, na forma do art. 124, I, do CTN. Fl. 1118DF CARF MF 6 No que se refere à afirmação do Impugnante de que a imputação de responsabilidade somente deveria ser feita pela PGFN, destacouse que, na forma do art. 142 do CTN, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Entendeuse, então que como espécie de sujeito passivo desponta os responsáveis, de acordo com o art. 121, CTN, responderão estes tanto pelo tributo devido quanto pela penalidade aplicável. Recurso Voluntário Dentre os sujeitos passivos solidários, apenas PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA e CASA DA CARNE SOUZA LTDA interpuseram o respectivo recurso voluntário, de forma conjunta. Os recorrentes repisam a maioria dos pontos trazidos em sede de impugnação. Merecem destaque, no entanto, aqueles norteadores da lide: “Em reforço ao que se sustenta não participação do esquema durante os anoscalendários 2005 e 2006 os recorrentes juntaram aos autos cópia do livro de registro de entrada dos anoscalendário de 2005 a 2007, para demonstrar que a relação comercial com SEVERINO G. DE OLIVEIRA ESTIVAS EM GERAL ME começou apenas no anocalendário 2007, o que revela a ausência da participação dos recorrentes no aludido esquema, relativamente aos anoscalendários 2005 e 2006 (...) Portanto, tendo em vista que esses documentos comprobatórios da efetiva participação dos recorrentes encontramse em poder de um terceiro (Polícia Federal no Amazonas) e que esse material está sendo compartilhado com a Receita Federal do Brasil, caso esse d. órgão de julgamento entenda necessário a realização de diligência, a qual terá por fim a análise dos documentos apreendidos para fins de delimitação da extensão do ilícito, o que desde já se requer. (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10283.720097/200941 Acórdão n.º 1201002.092 S1C2T1 Fl. 5 7 O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Introdução Cumpre observar que a matéria aqui enfrentada coincide com os fatos apurados no processo administrativo fiscal nº 10283.720104/200913, cuja a relatoria também compete ao presente julgador. A empresa aqui fiscalizada possui, conforme se verá adiante, a mesma função da entidade ali fiscalizada, MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA ME, no esquema fraudulento desvendado pela autoridade administrativa. Desta forma, salvo algumas peculiaridades pontuais, serão aqui delineadas exatamente as mesmas razões adotadas naquela ocasião para examinar a responsabilidade das pessoas de PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA e CASA DA CARNE SOUZA LTDA e a multa qualificada aplicada por ocasião do ilícito tributário elucidado pela fiscalização. Responsabilidade Tributária O depoimento de PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, o ora recorrente, representa um marco neste procedimento administrativo, especificamente no tocante à determinação da infração tributária e à atribuição de responsabilidade aos sujeitos passivos solidários que concorreram para a prática do ilícito. Tanto é assim que a empresa fiscalizada e o principal mentor de toda a operação fraudulenta desvendada (SIDONEI) quedaramse inertes durante todo este procedimento fiscal, até o presente momento. As informações ali dispendidas caracterizaram uma genuína confissão, em que o sujeito reconhece a existência de um esquema fraudulento, premeditado e planejado, voltado exclusivamente para a sonegação fiscal, ou seja, para evitar o impacto tributário inerente as atividades desempenhadas pelos agentes envolvidos. Provavelmente faltaram provas e argumentos às partes que se omitiram, dada a força probante do referido depoimento. Neste sentido vejamos os esclarecimentos do recorrente: “QUE é proprietário do estabelecimento comercial, denominado CASA DA CARNE SÃO PEDRO, há aproximadamente 10 (dez) anos; QUE tem movimentação financeira referente a mercadorias adquiridas para seu estabelecimento comercial no montante de RS 1.000.000,00 (um milhão de reais); QUE tem como maior fornecedor de carne bovina para a sua empresa a FRIBOI, esclarecendo que a empresa FRIBOI é o abatedouro e a mencionada compra é feita por uma empresa interposta denominada SEVERINO G.DE OLIVEIRA, cujo proprietário é Fl. 1120DF CARF MF 8 SIDONEI; QUE não se recorda o sobrenome do mesmo; QUE esclarece o Interrogado que as suas* compras não se resumem somente à carne bovina, tendo outros fornecedores em menor escala de carne de aves; QUE o despachante responsável pelo recebimento e desembaraço de suas mercadorias é o senhor de nome ADILSON ou AGILSON, sendo que não se recorda, também, do seu sobrenome; QUE seu relacionamento com o senhor SIDONEI é estritamente comercial, sendo que o mesmo trabalhou juntamente com o seu pai na Prefeitura do Município de Careiro Castanho há mais de 20 (vinte) anos atrás; QUE confessa a realização de compras de mercadorias para a sua empresa se utilizando das empresas MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA e SEVERINO G. DE OLIVEIRA, ambas de propriedade do senhor SIDONEI; que tal operação era com intuito de se livrar da tributação incidente sobre essas transações comerciais; QUE esclarece ainda que tal procedimento, hoje, é oferecido com extrema facilidade, não só para ele, mas como para vários comerciantes locais: QUE esclarece ainda o Interrogado que não é o único que se utiliza das duas empresas supramencionadas para tal fim, podendo citar outros empresários, como da JK FRIGORÍFICOS, e ARI FRIGORÍFICOS BAHIA, QUE as compras realizadas através da empresa de SIDONEI também eram realizadas por sua mãe ANTONIA CAVALCANTE DE SOUZA e seu irmão ANTONIO AFONSO JACOB DE SOUZA, esclarecendo que tais compras eram centralizadas pelo Interrogado, para que o mesmo pudesse ter o maior poder de barganha: QUE confessa que as empresas criadas pelo senhor SIDONEI teriam um período certo de existência, entretanto, o mesmo não sabe precisar tal tempo; QUE sabe que tais empresas tinha um tempo certo de existência, pois sabe que tais empresas iriam "espocar", ou seja, não poderiam mais ser utilizadas em virtude do grande volume de impostos sonegados: QUE se recorda de uma conversa com o senhor SIDONEI em que o mesmo falou que só poderia usar a empresa a SEVERINO G. DE OLIVEIRA, posto que iria parar o funcionamento da empresa MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA, dizendo ainda que não importaria o tempo gasto, mas um dia ele iria limpar o nome de sua esposa: QUE esclarece que MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA é esposa do senhor SIDONEI GONÇALVES ". A Polícia Federal, em diligência anterior a instauração desta ação fiscal, já constatara que o senhor SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA realiza compras em nome de suas empresas (entre elas SEVERINO G. DE OLIVEIRA ESTIVAS EM GERAL ME, a empresa fiscalizada) para outros empresários do setor de carnes e estivas de Manaus, assumindo a carga tributária devida e eximindo os empresários beneficiados do pagamento dos tributos federais, mediante o recebimento de um percentual daquilo que seria devido, ocorrendo que a "contabilidade" de SIDONEI escritura apenas uma pequena parte de sua movimentação, a fim de, inclusive, não permitir que as suas empresas saiam do limite do SIMPLES. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10283.720097/200941 Acórdão n.º 1201002.092 S1C2T1 Fl. 6 9 Cumpre reproduzir, à título complementar, a confissão de SIDONEI, a qual se mostra elucidativa quanto aos termos em que se materializava a operação: "QUE é o responsável de fato pelas empresas MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA e SEVERINO G. DE OLIVEIRA e FL DE OLIVEIRA; QUE admite a utilização das empresas MARIA ALCILENE G. DA SILVA e SEVERINO G. DE OLIVEIRA para a realização de compras de mercadorias em favor de terceiras empresas a fim de eximilas da integralidade da carga tributária devida; QUE iniciou este tipo de atividade com a empresa MARIA ALCILENE G. DA SILVA no ano de 2002; QUE há esta época a empresa funcionava em um pequeno estabelecimento localizado no bairro de São José; QUE, ainda nessa época foi convidado por um indivíduo conhecido como MARCELINHO para que realizasse compras se utilizando do nome da empresa MARIA ALCILENE em proveito das empresas CASA DA CARNEJK; para o empresário MOAB, com estabelecimento no bairro de São José na antigamente chamada Rua Marginal; para o FRIGORÍFICO BEM HUR de propriedade do empresário VALTER,na Cidade Nova; para a CASA DA CARNE SÃO PEDRO, de propriedade de PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA; FRIGOSOUZA, DE propriedade de ANTÓNIA CAVALCANTE DE SOUZA; para o empresário ARI BAHIA, cujo estabelecimento fica no bairro Cidade Nova, na Av. Noel Nutels, ao lado do posto de combustíveis Equatorial, em frente a casa de shows Manaus Show Clube; FRIGORÍFICO VITELO e MANAUS SUL; QUE MARCELINHO era um despachante que atuava na região da CEASA; QUE alega ter perdido contato com o mesmo; QUE a negociação feita com MARCELINHO era para que o reinquirido cobrasse o percentual de8% (oito por cento) sobre o valor da mercadoria comprada; QUE desses 8%, cinco seriam para o pagamento do ICMS logo na entrada da mercadoria; QUE os três por cento restantes eram divididos meioameio com MARCELINHO; QUE a empresa MARIA ALCILENE era adepta ao regime de tributação simplificada SIMPLES; QUE grande parte desses internamentos não eram escriturados em sua contabilidade a fim de que a empresa não saísse do limite de faturamento estabelecido pelo SIMPLES; QUE igual procedimento foi adotado com relação a empresa SEVERINO G. DE OLIVEIRA; QUE os internamentos realizados através da empresa SEVERINO G. DE OLIVEIRA, já se deram através de negociação direta com os empresários beneficiados, sem a participação de MARCELINHO;QUE foram beneficiados com o não pagamento de tributos através de internamentos realizados pela empresa SEVERINO G. DE OLIVEIRA os empresários PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, RISOMAR GOMES DE SOUZA (DISTRIBUIDORA OMAR), ANTONIAS CAVALCANTE DE SOUZA, ARI BAHIA (ARIVALDO ANDRADE DE ALMEIDA) e ANTONIO AFONSO JACOB DE SOUZA; QUE o valor acertado para a realização desses internamentos, já descontado o ICMS variava entre2,5% a 3%; QUE constituiu ainda a empresa FL DE OLIVEIRA em nome de sua mãe; QUE o objetivo da constituição da FL DE OLIVEIRA era transferir Fl. 1122DF CARF MF 10 para ela as atividades da SEVERINO G.DE OLIVEIRA; QUE a SEVERINO G. DE OLIVEIRA foi constituída em nome de seu pai, falecido em fevereiro de 2006; QUE determinou a falsificação de um instrumento público de procuração assinado pelo seu pai, a fim de que pudesse manter em atividade a empresa SEVERINO G. DE OLIVEIRA". Deflagrada a operação, foram presos SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA e o empresário PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, identificado como o principal beneficiado do esquema. Confessaram, ambos, os crimes cometidos contra o chamado sistema de internamento de mercadorias na Zona Franca de Manaus. Ora, está escancarado nos autos que o recorrente PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA participa ativamente da operação que culmina no ato de sonegação fiscal por essa ação fiscal desvendado. Tratase de indício veemente e inequívoco, reconhecido pelo próprio autor do crime, de que este tem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador desta obrigação principal, trazendo à tona a hipótese de responsabilização solidária encrustada no art. 124, inciso I do CTN. Ainda que não se possa atestar com absoluta certeza que o recorrente efetivamente adotou esta prática exatamente no período autuado, este afirma como se ordinariamente e repetidamente o tivesse feito, sem qualquer especificação temporal. Neste caso a comprovação pendente para determinar este fato depende das informações do próprio recorrente, mas este se manteve passivo e omisso, não trazendo à tona qualquer lastro documental que apontasse em sentido contrário. Na verdade, na ocasião específica deste procedimento administrativo, os recorrentes alegam ter juntado cópia do livro de registro de entrada dos anoscalendário de 2005 a 2007, para demonstrar que a relação comercial da entidade responsável (e seu sócio) com SEVERINO G. DE OLIVEIRA ESTIVAS EM GERAL ME começou apenas no ano calendário 2007, eximindo a responsabilidade lhes atribuída pelo crédito tributário vinculado aos anoscalendário de 2005 e 2006. Ocorre que, diante de todo o contexto dos autos, excepcionalmente no que concerne à PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, não há como atribuir validade a um documento unilateral, ainda mais pois a omissão de receitas em uma ponta de uma operação fraudulenta significa a ocultação das despesas dispendidas em outra. A confissão do recorrente, neste passo, exerce uma força enorme contra a veracidade desta prova. Este assume o conhecimento e, além, envolvimento, em toda a ação fraudulenta, a concorrência para a concretização de seu intuito puramente sonegatório, de modo que é até natural assumir que este tenha incorrido em práticas que impedissem a fiscalização de identificar a ocorrência do fato gerador dos tributos, na parte que lhe coubesse. Para tanto, ocultar a entrada das mercadorias (notas fiscais)através do livro que as controla, que é justamente o objetoalvo da operação sonegatória, seria uma medida esperada, dadas as circunstâncias fáticas e lógicas, razão pela qual não há como acatar a prova frágil apresentada pelo recorrente. O recorrente ainda alega que não apresentou outros documentos essenciais à identificação de sua participação no esquema fraudulento, pois estes estariam apreendidos pela Polícia Federal. No entanto, caberia ao contribuinte diligenciar nos autos do processo criminal para obtêlos,fazendo valer seu direito de petição perante a órgãos públicos, previsto no art. 5º, Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10283.720097/200941 Acórdão n.º 1201002.092 S1C2T1 Fl. 7 11 XXXIV, alínea a, da Magna Carta, e requerendo, eventualmente, a devolução destes documentos, por ocasião da ação fiscal. O recorrente não manifestou qualquer esforço neste sentido, limitandose a arguir não ter acesso aos meios que julga necessário para desincumbirse do ônus que lhe é imputado. Uma vez firmado que o recorrente era o maior beneficiário do esquema e que não foi apto a provar que não participou deste nos períodos de 2005 e 2006, não resta outra alternativa senão manter a aplicação do art. 124 do CTN ao caso concreto. A responsabilização atribuída deixa de ser uma presunção relativa quando o contribuinte não é definitivamente apto a ilidila. E de fato, na derradeira oportunidade que teve, por meio do presente Recurso Voluntário, limitase a lançar argumentos superficiais, meras alegações, sem o respectivo lastro documental. A fiscalização, em contrapartida, a despeito da ausência de documentação fiscal e contábil hábil a demonstrar a real condição econômica do contribuinte, lança a presunção de omissão de receitas das vendas realizadas pelo contribuinte, com base na incompatibilidade entre as informações prestadas à RFB (declarações como SIMPLES) e os Demonstrativos de Apuração Mensal DAM, referentes aos anos calendários de 2005 e 2006, que lhe foram disponibilizados pela DRFManaus. Tais fatos, ornando perfeitamente com as informações trazidas pelos depoentes e, especialmente quanto ao recorrente, escancaram o contexto fático em que a maioria das empresas as quais detinha gestão se beneficiavam de forma fraudulenta, esquivandose da devida tributação. Os atos omissivos perpetrados pela pessoa jurídica ora fiscalizada, indiretamente, criam as condições favoráveis para que também o recorrente atue ao arrepio da legislação pátria, propiciando a sonegação fiscal. Deste modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária atribuída à PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA. Em último esforço, o recorrente alega a incompetência da atividade fiscal para imputação da responsabilidade solidária. Neste passo ratifico, no entanto, o racional desenvolvido pelo v. acórdão recorrido, firmando que o art. 121 do CTN equipara o contribuinte aos responsáveis, sendo ambos considerados sujeitos passivos da obrigação principal. Daí porque merecida a aplicação do art. 142 do CTN, especialmente no que concerne a competência da autoridade administrativa para identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, abarcando assim, a atribuição de reponsabilidade tributária a quem de direito. A jurisprudência do CARF atesta tal entendimento: INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 1124DF CARF MF 12 Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária. (Acórdão nº 2202003.853 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10/05/2017) Assim, também não há respaldo para acatar as alegações do recorrente neste ponto. Multa Qualificada Diante de todo o exposto no tópico pretérito e, essencialmente considerando as confissões dos sujeitos passivos responsabilizados, denotase o caráter fraudulento e iminentemente doloso da operação, que em um de seus efeitos concretos culminou na infração identificada na presente autuação, evidenciando aqui a inequívoca intenção de frustrarse a devida tributação. Tal prática, caracteriza hipótese de qualificação da multa, nos termos do §1º do art. 44 da Lei nº 9430/96. Nitidamente a conduta da empresa fiscalizada e, de modo geral, o esquema proporcionado por SIDONEI, finalizam uma ação ou omissão tendente a impedir totalmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária pela autoridade fazendária. É cediço que o ato, por si, norteia o quanto disposto no art. 71 da Lei nº 4.502/64, caracterizando, portanto, a sonegação fiscal. O §1º do art. 44 da Lei nº 9430/96, por sua vez, elenca a medida sonegatória como uma das hipóteses autorizadoras da qualificação da multa: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Reiterese, uma vez que o recorrente participou de forma ativa de todo o esquema que visava à sonegação, nada mais justo e válido do que estender a ele, Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10283.720097/200941 Acórdão n.º 1201002.092 S1C2T1 Fl. 8 13 solidariamente, a cobrança da referida multa qualificada, representando a contraprestação punitiva por medidas das quais também atuou de forma direta e ativa. Desta forma rejeito as arguições do recorrente, para manter intacto o lançamento e a respectiva multa qualificada aplicada. Lançamentos Reflexos Aplicamse aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ, quais sejam, a CSLL, o PIS e a COFINS, os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002783/2005-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO FORMAL.
Comprovado a contradição no acórdão onde a decisão está em desacordo com o voto prolatado, cabe a admissibilidade dos embargos com efeitos infringentes para alteração da decisão para refletir o voto condutor do Acórdão embargado.
Numero da decisão: 1201-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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CONTRADIÇÃO. ERRO FORMAL. Comprovado a contradição no acórdão onde a decisão está em desacordo com o voto prolatado, cabe a admissibilidade dos embargos com efeitos infringentes para alteração da decisão para refletir o voto condutor do Acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 27 83 /2 00 5- 52 Fl. 1136DF CARF MF 2 Relatório Recebidos os embargos tempestivos de efls. 1.101/1.102, nos termos do inciso I, do art. 64, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que a FAZENDA alega CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 110300.368, de 14/12/2010, proferido pela extinta 3ªTurma/1ªCâmara/1ªSeção do CARF, conforme trecho dos Embargos que abaixo trago a colação: "O acórdão ora embargado deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da tributação parcela vinculada a lavratura da escritura de compro e venda do contrato de fls. 402404. Eis a ementa do acórdão na parte que é pertinente: RELATIVA À EXIGIBILIDADE DE PARCELA DO PREÇO. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO REGIME DE CAIXA. CONTRATO. EXISTÊNCIA DE CONDIÇÃO. Não pode a Administração Pública, a vista da contratação (ainda que ocultada pelo contribuinte) considerar quitado o preço apenas pela existência da relação, desconsiderando a existência de termo ou condição que , salvo prova em contrario, presumese existentes. Com efeito, assim se manifestou o relator: Especificamente no que atine a transação identificada pelo código 7.3.3 (venda de apartamento 301 BOX “7" do Edifício Cambas), entendo assistir razão a Recorrente. Com efeito, incluiu a autoridade lançadora na receita omitida o valor referente à última parcela do preço de venda, exigível somente quando da lavratura da escritura pública de compra e venda dos imóveis o que não havia ocorrido na época da formalização do lançamento". Face ao trecho transcrito percebese que o douto relator deu provimento parcial ao recurso somente para excluir da tributação o valor do parcela condicionada a lavratura da escritura de compra e venda. Analisando o contrato de compra e venda de fls. 402404 percebese que o valor total do transação de R$ 15.000,00 composto pela parcela de R$ 5.000,00 que foi pago no momento do assinatura do contrato (dia 17 de dezembro de 2001) e pela parcela a que o relator se referiu, prevista na cláusula segunda item B do contrato de compra e venda no valor de R$ 10.000,00. Contudo o resultado do acórdão assim consignou: "Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR o preliminar e , no mérito, DAR provimento parcial ao recurso , paro determinar o exclusão do base de cálculo da parcelo de RS 15.000,00 (contrato de fls. 402404. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 11080.002783/200552 Acórdão n.º 1201002.154 S1C2T1 Fl. 1.137 3 [...]. Verificase, assim, que houve erro material na lavratura do acórdão, uma vez que no resultado foi determinado a exclusão da base de cálculo valor superior (R$ 15.000,00) ao valor referente a ultima parcela exigível quando da lavratura do escrituro de compro e vendo (R$ 10.000,00). Dessa forma, se faz necessário acolher os embargos de declaração, com efeitos declaratórios, poro fazer reratificar o acórdão no sentido de constar o valor correto do valor a ser excluído da tributação, qual seja o de R$ 10.000,00. Ante o exposto, requer o UNIÃO (Fazenda Nocional) sejam os presentes embargos de declaração julgados procedentes com o fito de sanar a contradição apontada. O Acórdão ora embargado, por unanimidade de votos, REJEITOU a preliminar e, no mérito, DEU provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão da base de cálculo da parcela de R$ 15.000,00 (contrato de fls. 402/404). É o Relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Os requisitos de admissibilidade dos presentes embargos já foram analisados através do competente despacho de admissibilidade. Sendo assim, passo à análise do mérito dos embargos. Assiste razão à embargante. Constatase que na decisão embargada constou o seguinte excerto: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão da base de cálculo da parcela de R$ 15.000,00 (contrato de fls.. 402/404). O Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald votou pela ampliação do provimento para abranger também as operações de permuta, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ocorre que, pela própria ementa e pelo teor do voto do relator em cotejo com o contrato de compra e venda é possível compreender que a decisão foi a de excluir da tributação apenas a parcela de R$ 10.000,00. Temse no voto condutor: "Não resta dúvida de que há comprovação do negócio jurídico (fls. 402404) e de que tal contratação foi deixada à margem da escrituração regular, caracterizando omissão de receitas. Fl. 1138DF CARF MF 4 Porém, diante a existência de condição contratual expressa vinculando parcela significativa do preço à formalização da escritura pública de compra e venda, não poderia a autoridade lançadora, ciente de que a condição não havia se materializado, considerar que a Recorrente tinha recebido a totalidade do preço; na falta de finalização da escritura, presumese, por força da disposição contratual, o não recebimento da parcela do preço cuja exigibilidade estava vinculada à ocorrência do evento, e não o contrário. Não pode a Administração, à vista de contratação (ainda que ocultada pelo contribuinte) considerar quitado o preço apenas pela existência da relação, desconsiderando a existência de termo ou condição que, salvo prova em contrário, presumese existentes e efetivos. " Constatase que no contrato de compra e venda de fls. 402404 (volume 3), O PREÇO total certo e ajustado desta transação é de R$15.000,00 (Quinze Mil Reais) a serem pagos da seguinte forma: A) O valor de R$ 5.000,00 (Cinco mil reais) pagos neste ato em moeda corrente nacional valendo como sinal e principio de pagamento sendo esse instrumento o recibo. B) O valor de R$ 10.000,00 (Dez Mil Reais) a serem pagos mediante a outorga da escritura publica de compra e venda, marcada durante o mês de janeiro de 2002, a ser marcado o dia apropriado para ambas as partes. Na ementa consta de modo expresso: REGIME DE `CAIXA. CONTRATO. EXISTÊNCIA DE CONDIÇÃO RELATIVA A EXIGIBILIDADE~ DE PARCELA DO PREÇO. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Não pode a Administração, à vista de contratação (ainda que ocultada pelo contribuinte) considerar quitado o preço apenas pela existência da relação, desconsiderando a existência de termo ou condição que, salvo prova em contrário, presumese existentes e efetivos. Portanto, é de se conhecer os presentes embargos de declaração sem efeitos infringentes e darlhe provimento, com vistas a alteração e consequente correção da decisão embargada para que passe a constar o seguinte excerto na parte que proclama o resultado do julgado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão da base de cálculo da parcela de R$ 10.000,00 (contrato de fls.. 402/404). O Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald votou pela ampliação do provimento para abranger também as operações de permuta, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 11080.002783/200552 Acórdão n.º 1201002.154 S1C2T1 Fl. 1.138 5 José Carlos de Assis Guimarães Fl. 1140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721210/2011-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.
1- A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em bis in idem. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente.
2- A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. 1- A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em bis in idem. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. 2- A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. 1 A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em bis in idem. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. 2 A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 12 10 /2 01 1- 07 Fl. 11903DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao afastamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1301001.346, de 06/11/2013, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, por maioria de votos, afastar a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLl.. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 Ementa: DESPESAS COM BONIFICAÇÕES. A fiscalização não glosou a efetividade da despesa ou questionou se a contribuinte efetivamente suportou, tampouco pretendeuse reputar que tais despesas não seriam normais e usuais às atividades desenvolvidas pela contribuinte, apegandose apenas no fato de terse emitido nota fiscal isolada para as bonificações, não podendo subsistir a glosa. Fl. 11904DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 4 3 DESPESAS DE VIAGEM. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Tratandose de gastos com viagem, para fins de dedução, não basta que sejam apresentados elementos que demonstrem que a despesa foi efetivamente paga, é essencial que sejam reunidos ao processo documentos que comprovem que o dispêndio era necessário à fonte produtora dos rendimentos. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Não assiste razão à decisão recorrida ao considerar que os pagamentos foram de fato realizados “sem causa”, impedindose a tributação, exclusivamente na fonte, dos rendimentos recebidos pelos terceiros, não havendo pagamento irregular, com exceção dos valores pagos ao Beneficiado “Caco de Telha”. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Seguramente os gastos realizados pelas pessoas jurídicas só podem afetar o resultado na medida em que se apresentem necessárias à manutenção da fonte produtiva, de sorte que despesas que aproveitem a mais de uma pessoa jurídica não podem ser deduzidas integralmente em apenas uma delas. MULTA ISOLADA. DA DUPLICIDADE DE COBRANÇA NÃO CABIMENTO DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO. Ponto que reclama detida análise respeita à impossibilidade de cobrança cumulativa da multa de ofício e da multa exigida isoladamente, de sorte que ainda que a Recorrente tenha recolhido valor a menor de IRPJ e CSLL por estimativa, não pode haver sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO: 1) Despesas indevidas de bonificações: Dado provimento por unanimidade. 2) Falta de comprovação e da necessidade de despesas de viagens: Negado provimento pelo voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. 3) Pagamentos sem causa: Dado provimento parcial por maioria. 4) Despesas indedutíveis: Negado provimento por unanimidade. 5) Multa isolada: Dado provimento por maioria. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos a seguir: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL Fl. 11905DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 5 4 observase a existência de dissídio jurisprudencial entre o entendimento encampado pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, em contraposição ao posicionamento firmado por outros órgãos julgadores deste eg. Conselho Administrativo; o acórdão ora recorrido, proferido pela e. Turma Ordinária a quo, afastou a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, em relação a período posterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, por considerar ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício; vêse, portanto, que a e. Turma Ordinária a quo entendeu que, incidindo a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9430/96, incabível é a aplicação da denominada multa de ofício isolada; diferentemente, a e. Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF considerou ser legítima, a partir do anocalendário 2007, a aplicação cumulativa de duas multas de ofício, que, no caso em tela, eram as multas previstas no art. 44, inc. I e no art. 44, II, “b”, ambas da Lei nº 9.430/96, uma vez que decorrem de infrações diversas, razão por que não há que se falar em bis in idem; eis a ementa do acórdão paradigma nº 1401000.761: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007 IRPJ. CSLL. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória “é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. No caso de recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória Fl. 11906DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 6 5 converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL AO DIREITO TRIBUTÁRIO. DIVERSIDADES DE CONTEXTOS. DIVERSIDADE DA NATUREZA DAS SANÇÕES. As normas e princípios do direito penal, relativas a excludentes de ilicitude ou dirimentes, tendo em conta as sanções restritivas de liberdade ali cominadas, não são aplicáveis às sanções administrativas de caráter exclusivamente patrimonial, previstas no âmbito do direito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, DAR provimento em relação aos períodos anteriores a 2007. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira; e II) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação à multa isolada do anocalendário de 2007. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias." (Processo nº 19311.000021/201020, Acórdão nº 1401000.761, 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, Rel. Cons. Antonio Bezerra Neto, sessão de 10/04/2012) registrese que no acórdão suprareferido, indicado como paradigma, discutiuse a possibilidade de cobrança concomitante da multa isolada com a multa de ofício em relação aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. O Colegiado, por maioria de votos, resolveu cancelar a cobrança da multa isolada nos anos de 2005 e 2006. Manteve, entretanto, a exigência da multa isolada em relação ao anocalendário 2007, em face da mudança legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96; tal conclusão, aliás, restou estampada no voto proferido pelo Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, vencedor no que toca aos anos de 2005 e 2006, mas vencido no que tange à possibilidade de cobrança da multa isolada concomitante com a multa de ofício a partir do anocalendário 2007. Confirase: [...]; pois bem. Uma vez relatado o contexto em que foi proferido o acórdão paradigma, transcrevese trecho do voto proferido pelo Conselheiro Antonio Bezerra Neto, que se sagrou vencedor em relação ao ano de 2007, a fim de melhor demonstrar a divergência jurisprudencial: [...]; notese que o acórdão recorrido considera incabível a aplicação concomitante da multa de ofício e da denominada multa isolada prevista no art. 44, inc. II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96; Fl. 11907DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 7 6 por outro lado, o acórdão apontado como paradigma, considera, em clara divergência com o acórdão recorrido, ser cabível a aplicação da multa de ofício em concomitância com a multa isolada prevista para penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal do tributo com base no regime de estimativa; sendo assim, o acórdão ora recorrido, ao afirmar que a multa de ofício e a multa isolada são excludentes, diverge do acórdão paradigma, que entende ser plenamente possível a exigência de ambas as multas, por se referirem a infrações distintas, mormente em face da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96; de fato, conforme a tese esposada no acórdão indicado como parâmetro de divergência, a multa de ofício decorre da omissão de rendimentos tributáveis, enquanto a multa isolada decorre do não cumprimento, pelo contribuinte, do regime de antecipação mensal do pagamento do imposto; por outro lado, desponta ainda outro julgado ora indicado como paradigma, a saber, o acórdão nº 910100.947, proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Tal Colegiado sinalizou ser possível a cobrança concomitante da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após a entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, tendo no caso então sob exame cancelado a exigência da multa isolada por se tratar de período anterior à alteração legislativa; eis a ementa do citado julgado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1998 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Havendo obscuridade no acórdão embargado, acolhese os embargos de declaração interpostos para suprir a omissão apontada. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996.” (Processo nº 10120.005430/200102, Acórdão nº 9101000.947, 1ª Turma da CSRF, Rel. Cons. Claudemir Rodrigues Malaquias, sessão de 28/03/2011) conforme já registrado, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso então analisado, excluiu do lançamento a multa isolada por se tratar de período anterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Deixou registrado, entretanto, que após a alteração legislativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, é possível a exigência concomitante da multa isolada com a multa de ofício. In verbis: “É necessário destacar que a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. A partir de janeiro de 2007, o mencionado art. 44 passou a apresentar a seguinte redação, verbis: [...] Fl. 11908DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 8 7 Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. [grifos no original] Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de ofício passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos.” resta claro, pois, que os órgãos prolatores dos paradigmas, em análise de casos similares, interpretaram o art. 44 da Lei nº 9.430/96 de modo diverso ao esposado pela E. Turma Ordinária a quo; de fato, diferentemente do colegiado a quo, os órgãos prolatores dos acórdãos paradigmas consideraram ser possível, a partir de 2007, a cobrança de multa isolada devido ao não recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada, assim como a cobrança da multa de ofício juntamente com o tributo devido; em todos os casos os fatos são similares. Entretanto, as soluções dadas pelos colegiados são inteiramente diferentes; enquanto a Turma Ordinária a quo entendeu que não pode ser exigida a multa por lançamento de ofício e a multa isolada concomitantemente, mesmo quando a primeira incide sobre os valores de tributos apurados pela própria autoridade fiscal, e a segunda sobre os valores que não foram recolhidos pelo contribuinte, que desobedeceu o regime de estimativa, a Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF e a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgaram que, a partir de 2007, as duas multas podem ser exigidas simultaneamente, sem ofensa a qualquer dispositivo do Código Tributário Nacional; dessa forma, uma vez evidenciado o dissídio jurisprudencial existente no que toca à possibilidade, ou não, de aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício a partir de 2007, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado nos paradigmas, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido; assim, estando demonstrada a divergência jurisprudencial diante dos acórdãos paradigmas em anexo, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial, consoante o disposto no art. 67 do RICARF; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO Fl. 11909DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 9 8 quanto à possibilidade de cumulação da multa de ofício com a multa isolada, apresentamse as seguintes razões; a Recorrida deve pagar a multa disposta no art. 44, inciso II, alínea “b”, pois não se configura, no presente caso, hipótese que dispense a exigência; a teor do referido dispositivo legal, a “multa isolada” é devida em função do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa, ainda que o contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa; no caso, não há dúvida de que o Recorrido optou por recolher o IRPJ e a CSLL pelo regime de estimativa. Por outro lado, também não há dúvida de que o Recorrido descumpriu o regime, pois não recolheu integralmente o tributo, e não justificou o não recolhimento mediante a apresentação dos balancetes de suspensão ou redução; a Turma Ordinária a quo aduz que não poderia ser exigida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas juntamente com a multa de lançamento de ofício porque não pode incidir duas penalidades sobre a mesma infração; data maxima venia, há equívoco na afirmação de que o Fisco estaria exigindo duas multas sobre uma única infração ou estaria ocorrendo no caso uma “dupla punição”. Vale dizer, inicialmente, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; por outro lado, vale destacar que não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades distintas; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito; analisandose os autos, vêse que a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, resultou de infrações às regras de determinação do lucro real praticadas pelo sujeito passivo, relativo ao anocalendário de 2007 (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata). Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento, pelo recorrido, do modo de pagamento do IRPJ sobre base de cálculo estimada (art. 2º da Lei 9.430/96), relativo ao anocalendário de 2007; com efeito, as infrações apenadas pela chamada “multa de ofício” e pela “multa isolada” são diferentes. A multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa; observese, nesse ponto, que essa sistemática de recolhimento se justifica diante da necessidade que possui a União de auferir receitas no decorrer do ano, precisamente a fim de fazer face às despesas em que incorre também nesse período. Caso não ocorresse essa antecipação mensal, a União apenas teria acesso às receitas decorrentes da arrecadação do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário, ou no exercício seguinte, por ocasião do Ajuste Anual; logo, observase que com a sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada, o contribuinte desses tributos auxilia a União a fazer frente às Fl. 11910DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 10 9 despesas incorridas durante o anocalendário, o que não ocorreria se a referida exação apenas fosse paga no exercício seguinte; sob essa ótica, percebese que o não pagamento de referidos tributos sobre bases estimadas é infração bastante diversa daquela consistente em desrespeito às regras de determinação do lucro real praticada pelo sujeito passivo. Sendo assim, nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da infração às normas de determinação do lucro real decorre a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, enquanto que do descumprimento da sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada decorre a multa isolada prevista no art. 44, II, alínea “b” da mesma Lei; notese, nesse ponto, que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual. Por outro lado, a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa do IRPJ e CSLL, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto. É o que se extrai do art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, segundo o qual a multa isolada será devida ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; sendo assim, com a multa isolada o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar a União a fazer frente às despesas incorridas no decorrer dos anos, pelo regime de pagamento de estimativas, e não, propriamente, por não pagar o IRPJ e a CSLL, até porque, como se percebe da Lei nº 9.430/96, tal multa será devida ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para tais tributos; por fim, importa destacar que a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual; já a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas. Essas antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo, são meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Como se sabe, nem sempre o conjunto dessas antecipações pagas equivalerá ao tributo efetivamente devido, já que, no cálculo do tributo, feito por ocasião do Ajuste Anual, o contribuinte poderá deduzir determinadas despesas incorridas no decorrer do ano; em suma, as multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem, como entendido pela e. Turma a quo, quando afirma que ao se penalizar o todo, não se pode penalizar parte deste todo. Por conseqüência é indevida a aplicação do princípio da consunção nesta hipótese; portanto, não se pode concluir que estaria havendo dupla penalidade pela mesma falta. Data maxima venia, o recorrido cometeu dois atos ilícitos, previstos em lei, e a lei dispõe uma pena para cada um deles; se não há nenhuma dúvida de que o recorrido cometeu o ilícito acusado pela fiscalização, como deflui pelo próprio teor da decisão hostilizada e dos elementos colacionados Fl. 11911DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 11 10 aos autos, não há que se falar em dispensa da punição, apenas porque do contribuinte autuado já havia sido exigida multa em decorrência de outro ilícito. Essa não pode ser a ratio da Lei nº 9.430/96; em abono à tese exposta, é importante transcrever o seguinte aresto do TRF 5ª Região que se pronunciou sobre o assunto: [...]; o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte, verbis: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. o fato de estar sendo exigido do contribuinte a multa de ofício decorrente do não pagamento de tributo não impede a incidência da multa prevista no art. 44, II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96, uma vez que a lei não dispensa a cobrança de penalidade nesses casos. Sob essa ótica, vêse que a e. Turma a quo criou nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, de multa de ofício decorrente do não pagamento do tributo, o que não pode ser admitido; diante das considerações acima postas, inegável que a decisão externada pelo órgão recorrido diverge do entendimento sedimentado no seio deste Eg. Conselho Administrativo; ademais, inferese que o órgão recorrido procurou atenuar o suposto “rigor” do art. 44, II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96; data maxima venia, este raciocínio não deve prevalecer à medida que cria nova hipótese de dispensa de multa isolada, inovando no ordenamento jurídico; o próprio CTN, em seu art. 108, IV, § 2º, dispõe que o emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Como o art. 108 está inserido no capítulo sobre a interpretação da lei tributária, e também face ao art. 172 do CTN, podese concluir que o Código está consentâneo com o art. 127 do CPC. A eqüidade somente pode ser utilizada pelo intérprete para a dispensa de crédito tributário quando existe previsão legal que o permita. Fora dessa hipótese, o intérprete não poderá se valer do juízo de eqüidade para dispensar a exigência de crédito tributário; aqui resta claro o óbice para a dispensa da multa exigida do recorrido. Não há, no presente caso, norma específica que permita ao aplicador da lei relevar a cobrança da multa prevista no art. 44, II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96, atendendo “a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso”. Como inexiste norma que permita a dispensa da multa prevista no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96 por considerações de eqüidade, a posição adotada pela e. Turma a quo também, portanto, incorre em conflito com o art. 172 do CTN; de todo o exposto, resta claro que sempre foi cabível a cobrança concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício; Fl. 11912DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 12 11 entretanto, após o advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há sequer espaço para discussão do assunto, em face da clareza do texto legal. Confirase: [...]; assim, conforme bem pontuou o Conselheiro Antônio Bezerra Neto, relator do acórdão paradigma nº 1401000.761, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 “foi alterado pela lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago”; frisese que até as bases de cálculo das citadas multas foram diferenciadas, afastandose, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. Com efeito, segundo texto dado pela Lei nº 11.488/2007, a base de cálculo da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, no percentual de 75%; por fim, cabe registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já sinalizou ser possível a cobrança concomitante da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após a entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Confirase, por oportuno, o que ficou registrado no acórdão nº 910100.947: [...]; diante do exposto e considerando que restou plenamente configurado o desrespeito do sujeito passivo ao disposto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 e, ainda, que o fato gerador do presente feito é posterior ao advento da MP nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), não há qualquer dúvida sobre a possibilidade/necessidade de cobrança da multa isolada, exigida em face do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa; a União (Fazenda Nacional) requer, à luz da exaustiva demonstração acerca da existência de divergência jurisprudencial, seja conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o respeitável acórdão recorrido, com o conseqüente restabelecimento da multa isolada. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1300 000.128, exarado em 27/04/2015, deu seguimento ao recurso, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Ao analisar a questão suscitada pela Fazenda Nacional, em face aos acórdãos ditos paradigmas, verifico que o ponto suscitado como divergente é a possibilidade da cobrança da multa isolada devida pelo não recolhimento das estimativas mensais e da multa de ofício exigida em decorrência do tributo devido e não recolhido, ao final do período, de forma concomitante, a partir da nova redação dada ao artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a partir do anocalendário de 2007. Eis que a Procuradoria da Fazenda Nacional logrou comprovar que houve interpretação diferente entre Câmaras deste Conselho, quanto à Fl. 11913DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 13 12 interpretação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com alteração dada pela Lei nº 11.488/07. Por conseguinte, restando configurada a divergência arguida pela recorrente, devese dar seguimento ao presente Recurso Especial. Em 26/05/2015, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 08/06/2015, ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: CRÍTICAS AO SEGUIMENTO DO RECURSO tomado o fundamento adotado pela d. Presidência quanto aos acórdãos paradigmas citados e, em especial, o de nº 9101000.947, cabe ponderar não ter agido com a costumeira correção jurídica a digna Autoridade competente para o juízo de admissibilidade do recurso especial fazendário, na exata medida em que não se pode cobrar, ainda que válida fosse a pretensão envolvendo situações divergentes abrangendo o tempo: antes, durante e depois de 2007; isto porque nos paradigmas não se tem notícia, como no caso presente, de ausência de base para cobrança de estimativas por prejuízos durante todos os meses de 2007, fato este facilmente aferível às fls. 11/19 dos autos; concluindo, diante do que se está afirmando e que pode ser facilmente comprovado segundo o exame dos autos, cabe requerer que o Recurso Especial não seja conhecido pelo colegiado, vez que não atende, salvo a tempestividade, aos demais pressupostos regimentais de admissibilidade; MÉRITO ainda que ultrapassada a questão preliminar (conhecimento do Recurso Especial), o que somente se admite por amor ao debate, não há reparo algum a fazer ao muito bem lançado e criterioso acórdão recorrido, pelas suas próprias razões e reiterada jurisprudência do CARF, que acabou por provocar a edição da Súmula 31 desse órgão julgador; pois bem! Então cuida o recurso de buscar uma distinção ente os períodos antes e depois da Lei n. 11.488/2007, justificandose em entendimento de que a parcela de estimativa paga ou devida mensalmente, sujeita a balanço de suspensão/redução, não seria tributo, mas sim adiantamento de tributo calculado no final do ano; cabe tomar algumas afirmações da Recorrente para, desde logo, demonstrar o uso de um jogo de palavras sem base científica, a exigir meditação; o que significa afirmar que: i) a aplicação da multa de ofício envolve a falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata enquanto a denominada multa isolada importa em aplicação em razão do descumprimento, pelo recorrido, do modo de pagamento do IRPJ sobre base de cálculo estimada? Fl. 11914DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 14 13 ii) a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar, enquanto a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto? iii) a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas que não equivalem ao tributo devido, mas meros adiantamentos do tributo? iv) nem sempre o conjunto dessas antecipações pagas equivalerá ao tributo efetivamente devido? v) portanto, não se pode concluir que estaria havendo dupla penalidade pela mesma falta? as respostas, entende a Recorrida, estão ligadas ao conceito de tributo do CNT (art. 3º); então indagase: se o imposto de renda a pagar se ajusta ao conceito tributo, a parcela de estimativa o que é? a parcela de estimativa é prestação compulsória a ser liquidada em moeda, decorrente de ato lícito, instituída por lei ordinária mediante atividade administrativa vinculada? pode se afirmar que também se encaixa na figura o IRPJ apurado no final do ano? O apurado trimestralmente? Mensalmente ? será que a forma de apuração anual, mensal, trimestral ou outra teria o condão de transformar a estimativa em algo diverso de tributo, no caso imposto federal de competência da União? poderia ser exigida pela União no exercício de sua competência tributária sem o enquadramento no quanto fixado pelo artigo 3º citado, do CTN? onde estariam as bases distintas para o recolhimento do IRPJ, justificadas na afirmativa da Recorrente de que as parcelas de estimativas de IRPJ e CSLL seriam: "... meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Como se sabe, nem sempre o conjunto do tributo, feito por ocasião do Ajuste Anual, o contribuinte poderá deduzir determinadas despesas incorridas no decorrer do ano " ? cabendo repetir o afirmado no recurso pela contradição: "Já a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas. Essas antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo, são meros adiantamentos do tributo"; o "efetivamente devido" qualificando o tributo, constante do recurso equivale a mera "saída" sem fundamento ao menos técnico, nada traduz de jurídico, resta solto, eleito por necessidade recursal; antes e depois da Lei 11.488/2007 ou MP IM. 351/2007, a situação tributo se apresenta a mesma, não valendo os fins para justificar os meios utilizados, como emerge fácil do argumento econômico, mas não jurídico, da Recorrente; Fl. 11915DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 15 14 ora cultos julgadores, em matéria tributária o contribuinte não pode ser penalizado por não auxiliar a União a fazer frente às suas despesas. O tributo imposto importa em exação não vinculada, é devido por imposição legal, nada mais. Ocorrido o fato gerador, descumprido o pagamento no final do exercício (mensal ou trimestral) ou no seu decorrer, um só fato impõe a multa: o não pagamento, pouco importando se vai auxiliar ou não o pagamento de despesa, se pago por mês ou ao final de um tempo; ademais no caso de estimativa deve ser considerados o instituto da suspensão redução art. 22 da Lei 9.430/96 , presente no caso; no caso em julgamento, tomada a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no pertinente ao Imposto de Renda e à CSLL, envolvendo o tema estimativas, não considerou a Recorrente que nos resultados mensais durante os 12 meses janeiro a dezembro de 2007 presentes valores nulos (zerados) ou mesmo negativos (pagamentos a maior) de IR/CSLL no resultado acumulado (desde janeiro), como consequência justamente da presença de balancetes de suspensão, o que justificaria o não pagamento das parcelas, agora recompostas pelo pagamento da reclamação do item autuado; sobre o tema específico em que embasa a Recorrente o seu inconformismo com o decidido na decisão administrativa atacada, traz a Recorrida recentíssima decisão do STJ (março de 2015), em sentido oposto ao seu pleito, assim revelada: REsp 1496354 / PR [...]; assim, com as presentes considerações e diante dos demais elementos de prova que do processo constam, confia a Recorrida, inicialmente, que o apelo da Fazenda não seja conhecido e, caso superada a questão da admissibilidade, no mérito, seja negado provimento ao Recurso Especial combatido, mantendo, na íntegra, o bem lançado Acórdão recorrido no tópico objeto do inconformismo Fazendário. Cabe ainda registrar que a contribuinte, além das contrarrazões acima mencionadas, também apresentou recurso especial contra a parte do Acórdão nº 1301001.346 que lhe foi desfavorável, mas esse recurso não foi admitido, conforme o despacho exarado em 20/07/2015 pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. E a negativa de seguimento desse recurso especial da contribuinte foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 23/07/2015. É o relatório. Fl. 11916DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 16 15 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL apurados em relação ao ajuste anual do anocalendário de 2007 (Lucro Real). As exigências decorreram da glosa de despesas que teriam reduzido indevidamente o lucro do período (despesas indevidas de bonificações; falta de comprovação e da necessidade de despesas de viagens; e despesas não necessárias à manutenção da fonte produtiva). A mesma glosa de despesas resultou na recomposição das bases de cálculos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, e na aplicação de multa isolada sobre os valores que deixaram de ser recolhidos a título de estimativa. Houve ainda lançamento de IRfonte por pagamento sem causa. As exigências fiscais foram mantidas pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, afastou parte da glosa das despesas. Afastou também parte da exigência do IRfonte. E cancelou integralmente a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, apontando o problema da concomitância da multa isolada com a multa de ofício que incidiu sobre o tributo devido no ajuste anual. O recurso especial da PGFN busca restabelecer o lançamento da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ/CSLL. A contribuinte, em sede de contrarrazões, apresenta uma preliminar de não conhecimento do recurso. Segundo ela, "nos paradigmas não se tem notícia, como no caso presente, de ausência de base para cobrança de estimativas por prejuízos durante todos os meses de 2007, fato este facilmente aferível às fls. 11/19 dos autos". A preliminar é improcedente. Em primeiro lugar, pelos próprios documentos indicados pela contribuinte (partes de sua DIPJ), vê que ela não apurou prejuízos durante todos os meses de 2007. As estimativas foram apuradas "Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução", e em vários meses (fevereiro, abril, maio, junho, setembro, e outubro) a base de cálculo da estimativa (resultado acumulado até então) apresenta valor positivo. Fl. 11917DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 17 16 O que aconteceu é que os valores retidos na fonte ou recolhidos a título de estimativa no início do ano tinham sido suficientes para quitar as estimativas de IRPJ/CSLL apuradas nos balancetes de suspensão cumulativos de meses posteriores, o que é muito diferente de afirmar que a contribuinte apurou prejuízos durante todos os meses de 2007. De qualquer forma, essa alegada diferença em relação aos paradigmas não prejudica em nada a caracterização da divergência jurisprudencial. Vêse que a Fiscalização, conforme planilha de efls. 1404, recompôs mês a mês o resultado acumulado que constava dos balancetes de suspensão/redução da contribuinte, computando neles a glosa das despesas, e isso fez com que surgissem diferenças nas estimativas, ou seja, valores de estimativas não recolhidos. Essa mesma glosa também gerou lançamento de IRPJ e CSLL no ajuste anual, e é justamente isso que faz surgir a alegada questão sobre a concomitância de multas. O fato de a glosa das despesas, em relação ao balancete de um determinado mês, gerar a reversão de prejuízo para lucro (caracterizando falta de pagamento de estimativa => multa isolada) ou ampliar o lucro que já tinha sido apurado pela contribuinte (também caracterizando falta de pagamento de estimativa => multa isolada), pouco importa. O alegado problema da concomitância das multas (isolada e de ofício no ajuste anual) é exatamente o mesmo, tanto em uma situação, quanto em outra. Nesses termos, rejeito a preliminar de não conhecimento do recurso. Quanto ao mérito, há que se reconhecer a procedência da pretensão da Fazenda Nacional. O objeto da contestação se refere ao entendimento exposto no acórdão recorrido no sentido de que a multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício devida por conta da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual. O acórdão recorrido adotou tal entendimento em relação ao anocalendário 2007. Até o advento da MP nº 351/2007 e da Lei nº 11.488/2007, a multa isolada devida por ausência de pagamento das estimativa mensais de IRPJ e de CSLL tinha a seguinte previsão: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 11918DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 18 17 § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"; passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser pago na forma prevista no art. 2º da mesma lei; (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do §1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editou se a multicitada Súmula CARF nº 105: Fl. 11919DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 19 18 Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Mas com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Friso que a Súmula CARF nº 105 é explícita ao mencionar a impossibilidade de cobrança concomitante da "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996" com a "multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual". Tendo sido a Súmula editada pela 1ª Turma da CSRF apenas em 08/12/2014, muito tempo após a revogação do inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o início da vigência da Lei nº 11.488/1997, seria esperado que ela fizesse alguma referência genérica como "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida (...)" caso não desejasse se referir especificamente à multa isolada prevista no dispositivo revogado em 2007. Neste mesmo sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (Grifouse) Fl. 11920DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 20 19 Interpretando a contrario sensu a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. Em sede de contrarrazões, a contribuinte não faz menção à Súmula CARF nº 105, mas sim à Súmula CARF nº 31. Ocorre que esta súmula trata da antiga "multa de ofício isolada (que era) exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal", matéria estranha aos autos, de modo que não há nenhuma consideração a ser feita em relação a ela. Ainda quanto ao mérito, considero oportuno reproduzir os fundamentos de uma outra decisão do CARF, o Acórdão nº 1802001.408, em que foi negado provimento a recurso voluntário do contribuinte que pedia o cancelamento da multa isolada, a partir do mesmo tipo de argumentação das contrarrazões que foram apresentadas nos presentes autos: Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. A previsão dessa penalidade está contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei 11.488/2007, já vigentes à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Ao determinar que a multa isolada será aplicada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, a norma legal evidencia aspectos importantes. Primeiramente, a clareza do texto não admite outra leitura, senão a de que a referida multa será aplicada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa (...)”. Não há espaço para outra interpretação, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Fl. 11921DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 21 20 Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, um entendimento contrário (de que essa multa não incidira em caso de prejuízo ...) implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido na alínea “b” acima transcrita (ainda que tenha sido apurado prejuízo ...). Vêse também que o texto diz “ainda que tenha sido apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tais aspectos não deixam nenhuma dúvida de que as estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual, em 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação subsiste mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido no ajuste. Com mais razão, portanto, ela deve existir quando há tributo devido ao final do ano, e é esse o nosso caso. Realmente não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido no ajuste), e, sendo assim, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Finalmente, é preciso ressaltar que não há um regime de tributação de IRPJ/ CSLL em que o contribuinte apure o tributo anualmente e o recolha somente no ajuste, com vencimento no último dia útil do mês de março do ano subseqüente. O que há é um regime de apuração anual (opcional) no qual o contribuinte fica obrigado a realizar recolhimentos mensais no decorrer do ano, por meio de estimativas, ressalvada a possibilidade de suspender ou reduzir estes recolhimentos mensais mediante a elaboração de balancetes cumulativos de suspensão ou redução desta obrigação. Fosse o caso de um tributo com fato gerador instantâneo, ocorrido em 31 de dezembro, e com vencimento no mês de março subseqüente, todo o problema relativo ao descumprimento da obrigação estaria resolvido Fl. 11922DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 22 21 (compensado) pela multa normal de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, com as suas devidas majorações, quando cabíveis. Mas tratandose de tributo com fato gerador complexivo, como é o caso do IRPJ e da CSLL, em que a opção pela apuração anual impõe também a obrigação de recolhimentos mensais (as chamadas “antecipações”), a multa de 75%, embora puna o descumprimento da obrigação vencida em março do ano seguinte (ajuste anual), não resolve todos os problemas, porque ela não compensa o atraso no ingresso dos recursos, que deveriam ter sido recolhidos ao longo do próprio ano. O prejuízo sofrido pelos cofres públicos em relação ao atraso nas “antecipações” ficaria a descoberto, não fosse a multa isolada em questão, que está prevista justamente para preencher esta lacuna, dando eficácia ao regime de apuração anual com estimativas mensais. Se não houvesse essa multa isolada, nenhum contribuinte faria recolhimento de estimativas mensais, deixando para recolher todo o tributo de uma só vez, e somente no ajuste, em março do ano seguinte. Vejo com bastante clareza que a multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Com efeito, estamos diante de penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. Nestes termos, também em relação à multa isolada, nego provimento ao recurso voluntário. A aplicação das duas penalidades mencionadas acima é perfeitamente possível, uma vez que elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/ fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos. O voto acima transcrito elucida com clareza esses aspectos. A contribuinte, ao deduzir despesas em excesso no curso do anocalendário de 2007, acarretou dois prejuízos aos cofres públicos. Um deles, é de não ter recolhido integralmente, em 31/03/2008, o tributo devido no ajuste anual (o que justifica a multa de ofício exigida juntamente com o tributo lançado em 17/05/2011). Antes disso, porém, já havia causado outro prejuízo, na medida em que valores já deveriam ter ingressado nos cofres públicos no curso do próprio ano de 2007, via recolhimento de estimativas mensais (o que justifica a multa isolada por falta das "antecipações"). Não é razoável pensar que a multa isolada somente pode ser exigida quando não existe valor de principal a ser exigido, na hipótese de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL, ou de já se ter recolhido o tributo. Fl. 11923DF CARF MF Processo nº 10855.721210/201107 Acórdão n.º 9101003.499 CSRFT1 Fl. 23 22 Ora, se a multa isolada deve ser aplicada "ainda" que não haja tributo devido no ajuste (em razão de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, conforme o texto da lei), com mais razão ela deve ser exigida se há tributo devido ao final do ano, e ainda não quitado. A noção de justiça força essa conclusão, e o fato de a lei utilizar a expressão "ainda", apenas a confirma. Não seria razoável punir por falta de "antecipações" aquele que nada deveu no ajuste anual, e exonerar dessa penalidade aquele que era realmente devedor de tributo. Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007. Portanto, relativamente ao pedido de restabelecimento da exigência das multas isoladas lançadas em vista do não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas ao longo do anocalendário 2007, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 11924DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.904384/2011-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 43 84 /2 01 1- 91 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10805.904384/201191 Acórdão n.º 3002000.183 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa o pagamento indevido ou a maior de Cofins e requer a compensação de R$ 8.431,16, relativos ao período de apuração outubro/2005, com débito também de Cofins (fls. 2 a 6). Por meio de despacho decisório à fl. 24, a Delegacia da Receita Federal em Santo André decidiu pela não homologação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais e requereu o reconhecimento do direito ao crédito decorrente de sua exclusão (fls. 28 a 34). Instruiu sua manifestação de inconformidade com cópia do despacho decisório, procuração, peças de identificação dos procuradores e contrato social (fls. 35 a 52). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba proferiu o Acórdão nº 0643.554 (fls. 58 a 62), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o julgamento pelo STF não atende aos requisitos legais para tornarse vinculante (o acórdão é de 2013, ao passo que o julgamento do mérito pelo STF deuse apenas em 2017), que há previsão legal para inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições e que o contribuinte não logrou demonstrar por meio de documentos fiscais ou contábeis a certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10805.904384/201191 Acórdão n.º 3002000.183 S3C0T2 Fl. 4 3 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 17/04/2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 65, e protocolizou seu recurso voluntário em 06/05/2014, conforme carimbo aposto à página inicial (fl. 66). O recurso voluntário é uma cópia da manifestação de inconformidade. Assim, apenas repete a alegação de inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo de PIS/Cofins. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. É de amplo conhecimento que o tema da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais encontrase sob o crivo dos Tribunais Superiores e que este Colegiado é vinculado às decisões definitivas de mérito que tenham sido proferidas em julgamentos afetados pela sistemática dos recursos repetitivos, conforme definido pelo § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Carf (Ricarf), in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifado) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10805.904384/201191 Acórdão n.º 3002000.183 S3C0T2 Fl. 5 4 O Supremo Tribunal Federal decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo no julgamento do RE 574.706/PR, afetado pela repercussão geral, cujo acórdão foi publicado em 02/10/2017 e está assim ementado: EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Entretanto, até a data desta sessão de julgamento, essa decisão ainda não transitou em julgado. Foram interpostos embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, visando à modulação de seus efeitos. Importa frisar que se trata de questão relevante, tendo em vista a segurança jurídica e a definitividade das decisões administrativas contrárias à Fazenda Nacional. Nesse contexto, partilho do entendimento prevalecente em diversos julgamentos realizados neste ano, no sentido de que tal situação não se enquadra na hipótese da decisão definitiva de mérito de que trata o § 2º do art. 62 do Ricarf vide Acórdãos nº 3301 004.397 do conselheiro Antônio Carlos, nº 3402004.699 da conselheira Maria Aparecida, nº 3201003.375 do conselheiro Paulo Moreira (voto vencedor) e nº 3201003.254 do conselheiro Marcelo Giovani, entre outros. A ausência de definitividade da decisão, na fase em que se encontra, se expressa até mesmo pelo Código de Processo Civil, haja vista: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10805.904384/201191 Acórdão n.º 3002000.183 S3C0T2 Fl. 6 5 Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. (...) Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterála: I para corrigirlhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo; II por meio de embargos de declaração. (...) CAPÍTULO V DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUE RECONHEÇA A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA PELA FAZENDA PÚBLICA Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir: I falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia; II ilegitimidade de parte; III inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; (...) § 5o Para efeito do disposto no inciso III do caput deste artigo, considerase também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. § 6o No caso do § 5o, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, de modo a favorecer a segurança jurídica. (grifado) Certamente estáse diante de tema complexo e polêmico, que gera posicionamentos especialmente divergentes, mas entendo como certo que a fase atual do processo ainda permite alteração que pode afetar a temporalidade de sua aplicação. Nesse sentido, não é ainda definitiva. Todavia, a despeito da posição externada, as razões de decidir deste julgamento vão repousar sobre outro aspecto, qual seja, a ausência da demonstração do direito, uma vez que a recorrente nunca juntou ao processo qualquer documento para demonstrar se, de fato, o ICMS afetou o cálculo do Cofins por ele pago e em que extensão. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10805.904384/201191 Acórdão n.º 3002000.183 S3C0T2 Fl. 7 6 Toda a defesa está centrada em questões de direito, sem abordar, em único momento, questões de fato. Não se sabe se incide ICMS sobre uma parte ou a totalidade das operações do contribuinte, não se sabe como contribuinte chegou ao montante que pretende compensar, não foi trazida uma memória de cálculo, não foram juntadas notas fiscais do período, enfim, não há nada a demonstrar a certeza ou a liquidez do crédito. A recorrente pede que este Colegiado lhe reconheça o direito de compensar um valor específico exclusivamente com base em uma decisão em tese do STF. Porém, a demonstração da liquidez e certeza é essencial para a autorização de uma compensação, condição essa firmada pelo CTN em seu art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) A essa condição se some que, o ônus probatório do direito alegado pertence ao requerente, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art.28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Dessa forma, entendo que, ainda que se adotasse a decisão proferida pelo STF, em acordo com a recorrente, como ao longo do processo nunca foram apresentados documentos fiscais ou contábeis visando conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado, resta sem comprovação o seu direito creditório. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.724072/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.
Afastada a concomitância anteriormente reconhecida pela D.R.J. cabe o enfrentamento das questões, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância.
Numero da decisão: 2402-006.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, restituindo-se os autos à primeira instância administrativa de modo que sejam analisadas as alegações trazidas na impugnação e não abrangidas na ação judicial
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Ementa:SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância anteriormente reconhecida pela D.R.J. cabe o enfrentamento das questões, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, restituindo-se os autos à primeira instância administrativa de modo que sejam analisadas as alegações trazidas na impugnação e não abrangidas na ação judicial (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho
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DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância anteriormente reconhecida pela D.R.J. cabe o enfrentamento das questões, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 40 72 /2 01 1- 19 Fl. 755DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, restituindose os autos à primeira instância administrativa de modo que sejam analisadas as alegações trazidas na impugnação e não abrangidas na ação judicial (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 756DF CARF MF Processo nº 11060.724072/201119 Acórdão n.º 2402006.146 S2C4T2 Fl. 756 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 678 usque 732, voltado contra Acórdão da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Impugnação apresentada. Eis o relatório da r. decisão: Mediante Notificação de Lançamento, Demonstrativos e Descrição dos Fatos, fls. 514 a 556, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 78.403,12, calculados até 30/11/2011, em virtude da constatação de infringência a dispositivos legais, referente ao anocalendário de 2007, descrita a seguir. A autoridade lançadora detectou omissão de ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas não negociadas em Bolsa. Enquadramento legal: Arts. 43, 105, 109, 111, inciso I, 144, 151, inciso II e 178, do código Tributário Nacional; arts. 1° a 3° e §§, 16 e §§, 19 e 58, da Lei n° 7.713/1988; arts. 1° e 2°, da Lei n° 8.134/1990, arts. 7° e 21 da lei n° 8.981/1995; art. 10, § único e 17 da Lei n° 9.249/95; arts. 117, 123 inciso I, 126, 128, § 9°, 130 e §§, 131, 135, 138, 140 e 142 do Decreto n° 3.000/1999 – RIR/1999; arts. 7° e 16, da Instrução Normativa SRF 84/2001, fl 516. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 562 a 611, alegando que a fiscalização produziu o cálculo do imposto de renda sem considerar o direito adquirido à isenção de tributo sobre as ações adquiridas até 31 de dezembro de 1983, que foi reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.71.02.001467 2, impetrado pelo impugnante, com o objetivo de garantir o direito à isenção do imposto de renda, lembra também o DecretoLei n° 1.510/1976. Salienta que a fiscalização reconhece que ele impetrou Mandado de Segurança para o fim de garantir o direito à isenção do imposto de renda. Afirma que a fiscalização realizou o lançamento de oficio considerando como tributável o lucro obtido com a venda das ações adquiridas até 31 de dezembro de 1983. Invoca a nulidade do lançamento, devido à incorreta apuração do custo médio ponderado, no qual foram consideradas, também, as ações alcançadas pela isenção e também pela exigência de imposto sobre matéria cuja exigibilidade esteja suspensa, conforme a legislação. E mesmo havendo exclusão da parcela devida relativo ao ganho de capital sobre ações Fl. 757DF CARF MF 4 adquiridas até 31121983, há a alteração do valor encontrado, invalidando integralmente o lançamento. Alega, também, que a fiscalização somente poderia efetuar o lançamento para fins de prevenção de decadência, determinando a suspensão da cobrança do crédito tributário até o deslinde da ação judicial. Porém promoveu a imediata cobrança, inclusive com os acréscimos de multa e juros de mora. Discorre com relação ao princípio da unicidade da jurisdição, afirmando que a fiscalização violou tal princípio ao sustentar a inexistência do direito adquirido à isenção, lançando o tributo sobre a parcela cuja discussão encontrase sob o crivo do Poder Judiciário. Conclui que, se o órgão de julgamento administrativo não pode examinar a mesma questão levada ao Poder Judiciário, tão pouco poderia ser levantada qualquer questão pela fiscalização, por completa incompetência e submissão à decisão judicial. Embora não tenha havido o trânsito em julgado da referida ação, aguardase apenas o julgamento de um último recurso (Embargos de Declaração), interposto pela Fazenda nacional junto ao Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, não há como coexistir duas normas sobre o mesmo fato. A fiscalização entende como inaplicável o artigo 169 da lei n° 6.404/1976 como critério de rateio das bonificações recebidas pelo impugnante, além de que não tem o condão de produzir efeitos tributários de isenção. Tendo como argumentos, que a proporcionalidade prevista em lei trata apenas da obrigatoriedade que as bonificações sejam distribuídas de acordo com o percentual de cada acionista, que as ações distribuídas em bonificação não seriam acessórias em relação às ações que lhes deram origem. Tais argumentos não merecem prosperar, pois são dissociados de premissas básicas do direito societário e tributário. Afirma que para a ação recebida em bonificação, seja de natureza de ação nova subscrita, é necessário verificar se há ingresso de recursos do acionista para o recebimento das bonificações. Assim, não havendo qualquer subscrição de novas ações pelo impugnante, pelo fato de que sequer era necessário o recebimento de ações em bonificação, permitindose a simples alteração do valor nominal das ações já existentes, não se tratando, portanto, de transferência de patrimônio da companhia para o acionista ou aumento patrimonial. Com relação ao rateio das bonificações, acredita ser incorreto o auto de infração ao sustentar que para fins tributários, as ações recebidas em bonificação, sejam consideradas como ações novas e que a forma de rateio utilizada pelo impugnante tenha se baseado em normas revogadas. O contribuinte afirma, que realizou depósito judicial do imposto de renda diante os autos do Mandado de Segurança, que foi reconhecido no auto de infração. Requer, ao final,o acolhimento da preliminar de nulidade do Auto de Infração, não sendo esse o entendimento, que seja Fl. 758DF CARF MF Processo nº 11060.724072/201119 Acórdão n.º 2402006.146 S2C4T2 Fl. 757 5 cancelado o Auto de Infração em razão de incorreta interpretação acerca da natureza jurídica das ações recebidas em bonificação, ou então, que seja afastada a aplicação de multa e juros de mora sobre os valores depositados judicialmente. Em seu recurso, alega o recorrente que o fundamento para não conhecimento da Impugnação (prévia ação judicial) não deve ser mantido, uma vez que a matéria tratada naquela demanda judicial não se refere ao objeto da presente demanda fiscal. Em seguida, aduz que, conforme entendido pela própria d. Fiscalização em seu relatório, a discussão judicial abrange apenas pequena parte das ações, não abarcando as aquelas recebidas após 31/12/1983 (recebidas em bonificação), razão pela qual pugna pelo prosseguimento do procedimento fiscal e conhecimento da defesa apresentada. De tal forma, a Impugnação deveria ser conhecida para, conforme parecer PGFN nº 1.159/1999, readequar o lançamento ao que determinado na decisão judicial transitada em julgado, para reconhecer o direito à isenção da Recorrente. A seu ver, resta como inquestionável a necessidade de conhecimento da impugnação para a desconstituição do auto de infração, uma vez que, se mantido, seria cobrado valor muito maior do que possivelmente devido. Além disso, argui, ainda de forma preambular, que as preliminares de mérito apresentadas não teriam sido objeto de exame pela d. DRJ, devendo ser, nesta oportunidade verificadas, para que não subsista auto de infração eivado de nulidades. Assim, requer a reforma do acórdão para que a impugnação seja conhecida e acolhida nos termos em que redigida. No mais, reprisa os mesmos argumentos lançados em sua peça de Defesa (fls. 562/611), requerendo, ao final, que seja acolhida a preliminar de nulidade do auto em razão da isenção no cálculo de apuração do imposto, ou seja determinado o cancelamento do crédito tributário e sua extinção ou, ainda, seja afastada a aplicação de multa e juros de mora sobre os valores depositados na esfera judicial. Junta, às fls. 734/738 a decisão judicial do Mandado de Segurança nº 200771020014684. Às fls. 741, colaciona a Certidão de Transito em Julgado da ação mandamental. Às fls. 747/753, junta a Fazenda Nacional o Acórdão nº 2202002.550, em que a 2ª Turma Ordinária desta Câmara haveria reconhecido a concomitância parcial de processo administrativo com mandado de segurança, tendo em vista que o objeto da ação se restringiu à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital auferido antes de 31 de dezembro de 1983. Transcrevese a ementa do referido julgado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I RPF Exercício :2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Fl. 759DF CARF MF 6 Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida pela DR.I. cabe o enfrentamento das questões , pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância Embargo acolhido." Com isso, o processo veio para julgamento. É o relatório. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 11060.724072/201119 Acórdão n.º 2402006.146 S2C4T2 Fl. 758 7 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo, entretanto, interposto contra decisão que, em razão de concomitância com ação judicial, não conheceu da impugnação, portanto, este tema deve permear a análise de admissibilidade do mesmo. O voto emitido pelo Relator da decisão recorrida, de inicio, aborda a questão da concomitância, nos seguintes termos: "Verificamos, segundo informações do próprio interessado e no relatório fiscal, que ele possui ação judicial, segundo os documentos, fls. 421 a 459 e 597 a 621, tratando da tributação sobre o ganho de capital, com a instituição pelo DecretoLei nº 1.510/1976, invocando a isenção para alienações das ações após o período de cinco anos, inclusive para as vendas após a Lei nº 7.713/1988, ressaltando o direito adquirido e assegurado à isenção. Embora na petição inicial, mesmo truncada, fls. 421 a 454, não verificamos a demanda específica sobre as bonificações e o cálculo de apuração do ganho de capital, entendemos que estas matérias dependem diretamente da decisão judicial, em caráter definitivo, sobre o reconhecimento da isenção do imposto para as ações solicitadas pelo contribuinte e sua interdependência. Assim, a questão já se encontra sob a tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, fato que torna inútil qualquer pronunciamento da esfera administrativa quanto ao mérito do pleito contido na peça impugnatória, relativa à omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa. Desta forma, para essa infração, está caracterizada a renúncia à esfera administrativa, na forma do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/1980. [...] Diante de todo o exposto e por tudo que do processo consta, voto pelo NÃO CONHECIMENTO da impugnação, haja vista a renúncia à instância administrativa pela interposição de medida judicial." A ação judicial em questão é o Mandado de Segurança nº 2007.71.02.0014684 tendo por objeto o reconhecimento da isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido pela venda de participação societária de ações adquiridas antes de 31 de dezembro de 1983 e mantidas no patrimônio dos impetrantes por mais de 5 anos, mas não abrangendo a totalidade dos lançamentos realizados. Como se depreende da leitura do trecho do voto colacionado, o próprio Relator da decisão de piso reconhece que a referida ação judicial não abrange integralmente o lançamento, em especial as bonificações e o calculo de apuração de ganhos de capital, entendendo, porém, haver prejudicialidade ao seguimento do feito, em que pese o pedido estar restrito a isenção. Fl. 761DF CARF MF 8 Sobre o tema, a PGFN, através da manifestação de Fls 747 a 753, registra ser apenas parcial a concomitância sustentada na decisão de piso emitida no presente processo. Registrou ainda a existência de precedente da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção, relacionado a ação judicial de mesma natureza e com o mesmo objeto daquela que foi erigida pelo Recorrente como impeditiva da continuidade do feito. Tratase de decisão emitida através do Acórdão n° 2202002.550, cuja cópia consta as fls 747 a 753, onde o colegiado, por unanimidade, entendeu haver concomitância apenas parcial e, em respeito ao principio do duplo grau de jurisdição, determinou o retorno do feito para manifestação da DRJ abrangendo a matéria não decida. O precedente colacionado possui extrema semelhança com o caso ora analisado, eis que as o provimento buscado tem por base os mesmos fundamentos e incide sobre ações da mesma empresa adquiridas em condições semelhantes. Desse modo, a questão não apresenta grande complexidade a merecer maiores dilações argumentativas, tanto o Recorrente em suas manifestações preliminares, quanto a PGFN, indicam de modo claro que a concomitância é apenas parcial, devendo a decisão de piso ser parcialmente reformada para que os autos retornem e a parcela dos lançamentos não contidos no objeto do MS tido por concomitante, seja reapreciada garantindo ao feito o duplo grau de jurisdição. Nosso convencimento é neste sentido, portanto, o Recurso deve ser apenas parcialmente conhecido eis que não existe concomitância total, entretanto, na parte conhecida restaria prejudicado ante a evidente supressão de instância que impõe a anulação parcial da decisão recorrida para que o processo volte a origem de modo a que o órgão julgador a quo possa decidir sobre os temas não abrangidos pela ação judicial em questão. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, restituindose os autos à primeira instância administrativa de modo que sejam analisadas as alegações trazidas na impugnação e não abrangidas na ação judicial (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 762DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912770/2009-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/12/2002
PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA.
Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa.
Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
Numero da decisão: 9303-006.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 13/12/2002 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
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INCIDÊNCIA. FOLHA DE PAGAMENTOS. Recorrente FEDERAÇÃO INTERF. DAS COOP. DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/12/2002 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 70 /2 00 9- 95 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3301001.968, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação gerada pelo Contribuinte pelo programa PER/DCOMP, transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese exclusivamente à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal. Assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. A Segunda Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, que teve seu provimento negado pelo Colegiado a quo. Prevaleceu o entendimento de que as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %., bem como de que a restituição/compensação de indébito tributário está condicionado à certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. O Contribuinte opôs embargos de declaração, sendo que estes foram rejeitados. O Contribuinte interpôs então o Recurso Especial de Divergência ora em apreço, suscitando divergência quanto à incidência da Contribuição PIS sobre a Folha de Salários. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, foram apresentados e apreciados os acórdãos 3403002.500 e 340100.680., nos termos do § 5º, art. 67 do RICARF. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que fosse mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.545, de 10 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.912761/200902, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.545): Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que, à época dos fatos, as sociedades cooperativas estavam sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. O acórdão paradigma nº 3403002.500 decidiu, em sede de embargos de declaração, que havia omissão no acórdão embargado, passível de Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 5 4 integração e com efeitos infringentes, adotando, por derradeiro, o entendimento de que, com base no que fora expresso na Solução de Consulta 412/2004, a empresa, por não preencher as condições para o tratamento fiscal do art. 13, não estava sujeita à Contribuição sobre a Folha de Salários. Com estas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Do Mérito. Tratase pedido de compensação não homologado por despacho decisório que entendeu que o crédito declarado de PIS/Folha seria inexistente, eis que já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do Contribuinte daquela mesma natureza. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, entendeu, de forma diferente da fiscalização em Despacho Decisório, que, enquanto Federação de Cooperativas, a Federação não estaria dispensada do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, em razão do disposto no artigo 32, § 4o, do Decreto n.º 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Em face de tal decisão o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual foi demonstrado a existência da Solução de Consulta n.º 412/2004, na qual a própria Receita Federal a afasta do rol de contribuintes do PIS Folha. No entanto, foi negado provimento, mantendo o entendimento exarado pela 2a Turma de Julgamento da DRJ/BHE. No presente caso devemos inicialmente analisar a Solução de Consulta n.º 412/2004, que tem efeito vinculante para o Contribuinte. Verificase que da análise da Solução de Consulta n.° 412/2004, a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Ou seja, a própria Receita Federal afastou a Contribuinte do rol de contribuintes deste tributo. Vale ressaltar que o Contribuinte quando realizou a Consulta fez o questionamento referente a sua sujeição ou não ao PIS/ Folha, decorrente do entendimento de que estaria enquadrada dentre as entidades que a lei enquadra como contribuintes daquele tributo, no caso o artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835, quais seja, entidades imunes/isentas ao PIS Faturamento, senão vejamos: Relatório da Superintendência Regional da Receita Federal da 6a Região Fiscal: "Relatório Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 6 5 1. A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n.° 5.764/71 e de seu estatuto. Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência e atuação, tratando se também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. 2. Cita o disposto no art. 13 da Medida provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao qual faz menção aos sindicados, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Coftns as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários. 3. Aduz que, aplicandose à consulte tal dispositivo, combinado com o art. 60 da Lei n° 5.764/71, temse que ela está sujeita ao PIS com base unicamente na folha de salários. E, quanto à Cofins, a taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição. 4. Isso posto, pergunta se está correto o seu entendimento quanto à isenção da Cofins sobre as mencionadas receitas e o pagamento do PIS com base na folha de salários, como exposto na consulta." (destaques nossos) Fundamentos Legais (...) 9. No que diz respeito ao PIS e à Cofins, a Medida Provisória n. ° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, tem os seguintes comandos: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IXcondomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § lo da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971 (...) Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 7 6 10. E, por sua vez, o Decreto n." 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamentou as contribuições sociais para o PIS e a COFINS, dispõe: Art. 9o São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13): I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n°9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VIserviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; X condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e IX Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais de cooperativas previstas no art. 105 e seu § I o da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltese que as "federações e confederações" referidas no inciso V da Medida Provisória n." 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da consultente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n."2.15835, de 2001. (...) 14. Pode a consulente estar enquadrada, todavia, no inciso IV do mesmo art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001, que contempla as associações que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n. ° 9.532/1997. 15. Entre esses requisitos, está o de não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. Todavia, a transcrição da ata da assembleia geral ordinária da consulente, realizada em 08/03/2002 (...), informa que a mesma assembleia fixou o valor dos honorários para os membros da Diretoria Executiva, inclusive reajustando os referidos honorários" (destaques nossos). Ou seja, a resposta dada é que o Contribuinte não é contribuinte do PIS/ Folha, inclusive à luz do mencionado Decreto. Assim, diante da resposta acima, o Contribuinte que havia recolhido indevidamente a contribuição, fez à sua compensação com débitos diversos, conforme determina a Lei n.° 9.430/96 e o Código Tributário Nacional. Portanto, a glosa da compensação do PIS/Folha recolhido indevidamente viola explicitamente seu próprio ato administrativo que entendeu pela sua não incidência. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 8 7 Quanto a aplicação do artigo 2o, § 1o, da Lei nº 9.715/98, que informa que a sociedade cooperativa, estaria sujeita ao recolhimento do PIS/folha de salário. Entendo que a previsão da contribuição sobre a folha de pagamento mensal das sociedades cooperativas, inicialmente prevista no § 1o, do artigo 2o da Lei 9.715/98, perdeu seu fundamento desde a edição da edição da Lei nº 9.718/98. Com o advento da Lei n.° 9.718/1998 o legislador determinou a exigência do PIS somente sobre faturamento/receita, revogando, portanto, a exigência do PIS/Folha. Essa alteração foi confirmada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, a exigência daquela contribuição em relação às entidades sem fins lucrativos que menciona ficou adstrita ao PIS apurado sobre o faturamento/receita bruta (no caso das sociedades cooperativas, decorrente da prática de atos não cooperativos), afastandose o recolhimento de uma mesma contribuição duplamente, e com duas bases de cálculo distintas (faturamento/receita e folha). Notase que a MP nº 1.8589, de 24 de setembro de 1999 (atual MP n.° 2.15835/01) determinou a incidência do PIS Folha apenas sobre as sociedades cooperativas especificamente relacionadas no inciso X do artigo 13 daquele instrumento, bem como sobre aquelas cooperativas que procedessem às deduções enumeradas no artigo 15 (claramente direcionadas às cooperativas de produção). Vejase: MP n.° 1.8589, de 24/09/99 até MP n.° 2.15835, de 24/08/01 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 9 8 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § I o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a Vdo caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, TAMBÉM, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." Assim, pela leitura do dispositivo acima, fica demonstrado que as exclusões tratadas nos incisos I a V (art. 15 da MP n° 2.15835/2001) não se aplicam às cooperativas médicas de prestação de serviços. Tais exclusões referemse às cooperativas de produção (também chamadas cooperativas de produtores ou cooperativas de vendas em comum), uma vez que aquelas exceções decorrem de atividades típicas desse tipo de cooperativa. Assim, as sociedades cooperativas que não têm um tratamento específico estão impedidas de excluir da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins os valores repassados aos associados a qualquer título. A exclusão prevista no art. 15, I, da MP n° 2.15835, de 2001, refere se a produto (mercadoria) que pode ser entregue à cooperativa para ser comercializado, não abrangendo, portanto, serviços. Portanto, as exclusões e deduções específicas previstas no art. 15 da MP n° 2.15835/2001 (art. 32, incisos Ia V, do Decreto n" 4.524/2002) não se aplicam às cooperativas de trabalho médico. As demais exclusões, previstas no art. 32 do Decreto n° 4.524/202 e no art. 3o, § 2o, da Lei nº 9.718/98, também não respaldam as exclusões pretendidas. Desta forma, a partir de 01/11/1999, a contribuição ao PIS e COFINS das sociedades cooperativas passou a incidir sobre o total da receita bruta, como definido na Lei 9.718/98, não se diferenciando os atos cooperativos dos nãocooperativos, ou seja, as sociedades cooperativas Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 10 9 passaram à condição de contribuintes da COFINS e do PIS/FATURAMENTO também sobre as receitas oriundas de atos cooperativos, sendo admitidas, entretanto, além das exclusões comuns a todas as pessoas jurídicas, a exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Entretanto, as exclusões expressas no dispositivo legal acima citado não alcançam as atividades cooperativas em geral, tendo em vista que essas exclusões decorrem da atividades típicas das cooperativas de produção agropecuária. Logo, tratandose o Contribuinte em questão de uma sociedade cooperativa de trabalho médico, não fará jus às exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Assim que, nos termos da legislação retro transcrita, todas as demais cooperativas que não cooperativas de produção, incluídas as de trabalho médico, deveriam recolher, exclusivamente, o PIS sobre faturamento/receita. O entendimento do CARF em situação semelhante: "Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do par. 2o do art. I o da Lei n° 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 2a Turma Ordinária/ 3a Câmara/ 3a Seção Processo n.° 16327.000.833/200621 Acórdão n.° 330201.449 Relator Gileno Gurjão Barreto Sessão de 15/02/2012) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento da Cofins requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 11 10 A partir de novembro de 1999 as receitas dos atos cooperativos compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n°2.15835/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. Antes, até os fatos geradores de outubro de 1999, somente as receitas dos atos nãocooperativos se submetiam ao PIS Faturamento, estando as sociedades cooperativas obrigadas apenas ao PIS sobre a folha de salários, caso não auferissem receitas de atos não cooperados. Recurso Negado.” (destaques nossos) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/ 3ª Seção –Processo n.º 10825.002.833/200588 – Acórdão n.º 340100.680 – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Sessão de 29/04/2010) Destaquese segue o trecho do voto do acórdão acima, reconhecendo (i) a revogação do dispositivo que previa a exigência do PIS Folha às cooperativas, e (ii) a necessidade de haver alguma das exclusões permitidas, constantes da Medida Provisória 1.8586/99, atual MP n.º 2.15835/01, para que se possa exigir o PIS Folha das cooperativas: “A MP IV 1.8586 e suas reedições trouxe uma série de alterações na legislação do PIS e Cofins das sociedades cooperativas, a culminarem com a revogação da isenção de forma ampla para o ato cooperativo e a instituição de uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida, com diversas exclusões específicas. As modificações, veiculadas pelas medidas provisórias adiante, aconteceram como segue: MP n° 1.8586, de 29/06/99, que no seu art. 23, I, revogou, a partir de 28/09/99, o inc. II do art. 2° da Lei n° 9.715/98 — segundo o qual as "entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações", contribuíam com o PIS sobre a folha de salários , e no inciso II, "a", do mesmo artigo, revogou, a partir de 30/06/99, o inciso I da Lei Complementar n° 70/91, referente à isenção da COFINS. Esclareço que as cooperativas vinham contribuindo com o PIS sobre a folha de salários com base na LC n° 7/70, art. 3°, § 4°, Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/71, art. 4°, § 6°, e ADN Cosit n° 14/85; (...) MP n° 1.8589, de 24/09/99, que no seu art. 15 passou a mencionar também o PIS/Pasep, acrescentou novas exclusões na base da COFINS e do PIS Faturamento, referindose desta feita às operações com cooperados, e manteve o PIS sobre a folha de salários na hipótese das cooperativas efetuarem tais exclusões (§ 2°, I, do art. 15). Assim, cumulativamente com o PIS Faturamento incidente sobre a base de cálculo reduzida, as cooperativas continuaram a pagar o PIS sobre a folha. Somente na hipótese de não haver exclusão específica, é que inexiste contribuição para o PIS sobre a folha.” Vejase, portanto, que manter a exigência do PIS/Folha para as sociedades cooperativas de trabalho médico pelo Decreto n. 4.524/2002 (reiterado pelas INS n°s 145/99, 247/2002) ofende ao próprio ato realizado pela Solução de consulta 412/2004. Desta maneira, a cooperativa de serviços médicos não tem direito à apuração do PIS sobre a folha de salários, como previsto no art. 15, §2º, I, da MP 2.158/01, uma vez que não se está diante de operações mencionadas nos incisos I a V do "caput" do art. 15 da referida medida provisória. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, transcrevo a seguir o trecho do Acórdão dos Embargos nº 3403002.504 de lavra do ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan, que trata da solução de consulta e de caso semelhante a esse e que adoto, in totum, seus fundamentos como razão de decidir no presente feito. Em relação à argumentação de que a Solução de Consulta apontada (com conclusão desfavorável à empresa) apresenta excerto (na fundamentação) no qual a “Receita Federal acabou por afastar o enquadramento da embargante como contribuinte do PIS/Folha”, há que se aprofundar a análise, na busca de eventual omissão ou obscuridade. O excerto a que se refere a embargante, que lhe asseguraria o direito a não recolher o “PIS/Folha”, é o seguinte (fls. 176/1771): “Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltase que “as federações e confederações” referidas no inciso V da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da (sic) consulente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001.” Assim, o fato de não se enquadrar no disposto no art. 13 da referida Medida Provisória traria um efeito contrário à embargante (inexistência de isenção da Contribuição para o PIS/PASEP para receitas relativas a atividades próprias percebido pelo acórdão embargado) e outro favorável (ausência de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários sobre o qual o acórdão teria sido omisso/obscuro). A Solução de Consulta, como destacado na decisão embargada, é no sentido de que a empresa “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. A Solução de Consulta fulcra seus pressupostos na impossibilidade de utilização de “isenção/imunidade” pela embargante, afastandoa do art. 13 (e por consequência do art. 14, X) da Medida Provisória no 2.15835/ 2001. E é imperioso reconhecer que realmente tal exclusão ocasiona a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP. Se a empresa não preenche as condições para o tratamento fiscal do art. 13, e tal artigo dispõe que “a contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento”, em relação às entidades que contempla, indevida a contribuição paga sob tal fundamento. Acolhese, assim, a argumentação de omissão no acórdão embargado, reconhecendose que a decisão proferida na Solução de Consulta, em dezembro de 2004 (processo administrativo no 10680.013505/200418), implica, além dos efeitos reconhecidos em tal acórdão, a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP (desde que não exista alteração de entendimento comunicada à recorrente, na forma do art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996). Mister se faz, por consequência, analisar o impacto de tal acolhida na decisão inicialmente proferida. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10680.912770/200995 Acórdão n.º 9303006.554 CSRFT3 Fl. 13 12 A Medida Provisória no 2.15835/ 2001, em seu art. 15 (que não foi objeto de análise na mencionada Solução de Consulta) estabelece exclusões que podem ser efetuadas pelas cooperativas na base de cálculo faturamento das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS), e que tais exclusões não impedem a exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, na forma do art. 13 (comando materializado no § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002). Contudo, entendese não ser oponível tal comando ao presente caso, porque a Solução de Consulta expressamente excluiu a empresa do tratamento tributário do art. 13 (a empresa informa que ainda que houvesse a exigibilidade, continuaria inaplicável a ela, pois não promoveu nenhuma das exclusões referidas no art. 15). Restaria assim derradeiramente avaliar como o aqui exposto (não exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários) afeta a questão probatória, presente nas decisões de primeira e segunda instâncias. A DCOMP transmitida em 18/08/2008 (fls. 9 a 14) objetivava compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários código 8301 (R$ 2.082,56, recolhidos em 15/02/2005) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.082,56). Assim, após o exposto, e diante da verdade material, menor relevância passa a assumir a questão probatória. Tendo sido objeto da compensação um recolhimento comprovadamente efetuado no código 8301 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários) e sendo indevida tal espécie de contribuição pela empresa, irrelevante seria a que título se deu o recolhimento, pois o tributo continuaria indevido. Temse, destarte, que a evidenciação de omissão no acórdão embargado provoca diametral modificação de rumo na decisão, devendo ser integralmente reconhecido o direito creditório da embargante, visto que o pagamento comprovado se refere a espécie de contribuição à qual a empresa não estava sujeita. Diante disto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido, e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 405DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.901037/2011-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.460, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 158 a 165), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 13004.03015.201107.1.3.045547 (fls. 14 a 19), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativo ao período de apuração de outubro de 2007, no valor de R$ 58,01, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 01 03 7/ 20 11 -5 8 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10746.901037/201158 Resolução nº 1302000.615 S1C3T2 Fl. 320 2 com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior relativo a título de Contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O crédito em questão, no valor de R$ 47,06, originarseia de pagamento efetuado em 31/01/2006, no montante de R$ 5.264,27; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 143, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 12, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2005, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2005, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 156 e 157, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 4º trimestre de 2005, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 158 a 165) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 166/167, foi interposto o Recurso de fls. 169 a 180, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10746.901037/201158 Resolução nº 1302000.615 S1C3T2 Fl. 321 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 31/01/2006, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 4ª trimestre do anocalendário de 2005. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 143, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10746.901037/201158 Resolução nº 1302000.615 S1C3T2 Fl. 322 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2005, aplicase, portanto, o entendimento que exige o fornecimento de todos os materiais, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumento firmado com a Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 299/306). Do mesmo modo, vêse que notas fiscais (fl. 298 e 307) são emitidas pela Recorrente, em relação ao contrato firmado com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contrato referente à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 4º trimestre do anocalendário de 2005 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10746.901037/201158 Resolução nº 1302000.615 S1C3T2 Fl. 323 5 Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 323DF CARF MF
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