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Numero do processo: 13707.000521/2003-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1992, 1993, 1994
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CONTROLE DOS DÉBITOS POR OUTRO ÓRGÃO.
Por expressa disposição normativa não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União. O controle dos débitos passa para outro órgão, a Procuradoria da Fazenda Nacional, o que inviabiliza o encontro de contas, requisito essencial da compensação.
Numero da decisão: 3801-004.948
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1992, 1993, 1994 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CONTROLE DOS DÉBITOS POR OUTRO ÓRGÃO. Por expressa disposição normativa não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União. O controle dos débitos passa para outro órgão, a Procuradoria da Fazenda Nacional, o que inviabiliza o encontro de contas, requisito essencial da compensação.
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CONTROLE DOS DÉBITOS POR OUTRO ÓRGÃO. Por expressa disposição normativa não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União. O controle dos débitos passa para outro órgão, a Procuradoria da Fazenda Nacional, o que inviabiliza o encontro de contas, requisito essencial da compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 05 21 /2 00 3- 11 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13707.000521/200311 Acórdão n.º 3801004.948 S3TE01 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13707.000521/200311 Acórdão n.º 3801004.948 S3TE01 Fl. 113 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Em 11/03/2003, a interessada requereu, junto à DRF / Rio de Janeiro RJ, compensação de débitos de COFINS com crédito em análise no processo administrativo sob nº 13706.000383/200291. Em 10/03/2008, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/Rio de Janeiro, fl. 37, com base no Parecer Conclusivo n° 72/2008 (fls. 33/36), não homologando as compensações. A decisão teve como fundamento as seguintes constatações: O direito creditório não foi reconhecido em sede de análise no processo administrativo de nº 13707.003777/200085, decisão ratificada conforme Acórdão DRJ/RJO I nº 8033/2005. Assim, não haveria crédito para compensação dos débitos de COFINS, que estão inscritos em Dívida Ativa da União. Há vedação expressa no artigo 21, §3º da IN SRF 210/2002 para compensação de débitos já inscritos em Dívida Ativa da União. Logo, os débitos não estão extintos sob condição resolutória. A interessada teve ciência da decisão em 19/05/2008 (15º dia da publicação do Edital de fl. 40). Inconformada, apresentou, em 09/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 42/47, com os seguintes argumentos: A interessada já protocolizou recurso especial de divergência a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo obtido efeito suspensivo para o Acórdão que lhe indeferiu o pleito de restituição, Preliminarmente, alega que ocorreu a homologação tácita nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96. O recurso apresentado suspende a exigibilidade nos moldes do Decreto nº 70.235/72. Assim, o recurso da decisão que indefere o pleito da restituição impede que seja considerado improcedente o pedido de compensação, sendo necessário aguardar o julgamento final do processo. A Lei, em 20/03/2003, autorizava a compensação de créditos com todos os tributos administrados pela SRF. A vedação da compensação com débitos inscritos em Dívida Ativa da União só veio a ocorrer em 30/10/2003, com a MP nº 135/2003. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13707.000521/200311 Acórdão n.º 3801004.948 S3TE01 Fl. 114 4 Logo, quaisquer disposições de instrução normativa são incapazes de alterar o alcance da Lei. O Direito Pátrio demanda que a norma administrativa se restrinja a ditar os meios e formas pelos quais os efeitos pretendidos ou não vedados em lei sejam alcançados. A DRJ no Rio de Janeiro – I (RJ) indeferiu o pedido, nos termos da ementa abaixo transcrita: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DÉBITOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. É vedada, mediante DCOMP, a compensação de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB já encaminhados para inscrição na Dívida Ativa da União DAU (artigo 21, §3º da IN SRF n° 210/2002) Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Inicialmente sustenta que a decisão recorrida não se pronunciou sobre a alegação de homologação tácita das compensações, por força do disposto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96. Demonstra que desde as protocolizações das declarações de compensação protocolizadas em 11 de março de 2003 até a intimação da Recorrente, a respeito do teor do Decisão DIORT/EQPEJ (Parecer Conclusivo n° 072/O8, de fls. 33/36), em 02 de maio de 2008 (fl. 40), transcorreram, exatamente, cinco anos, um mês e vinte e seis dias, prazo superior aquele previsto na Lei n° 9.430/96. Destaca que a decisão ora guerreada, além de não se manifestar sobre argumento essencial trazido aos autos quando da interposição da peça impugnatória (qual seja, sua homologação tácita, com fulcro no § 5°, do art. 74, da Lei n° 9.430/96), pretende aplicar as compensações efetuadas pelo Recorrente, norma infralegal que, à época, carecia de legitimidade. Insiste que as compensações feitas pela Recorrente foram protocolizadas em 11 de março de 2003, enquanto que a alteração feita ao art. 74, da Lei n° 9.430/96 proibindo a compensação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União somente foi introduzida no ordenamento jurídico quando da publicação da MP n° l35, em 3l de outubro de 2003. Pontua que nenhuma norma expedida pela Secretaria da Receita Federal (no caso, lN/SRF n° 210/2002) tem o condão de restringir o alcance de lei formal (Lei n° 9.430/96, art. 74). Assim, se a época, o caput do art. 74 da referida Lei n° 9.430/96 autorizava o contribuinte a compensar quaisquer débitos relativos a tributos administrados pela SRF, não poderia uma simples instrução normativa pretender invadir competência do Poder Legislativo para reduzir seu alcance e eficácia. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13707.000521/200311 Acórdão n.º 3801004.948 S3TE01 Fl. 115 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Lembra que o mérito do direito de restituição ainda está sendo analisado neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por fim, requer no mérito, que se decida com base nos elementos e argumentos postos nos autos e que, por todas as razões apresentadas seja reconhecida a procedência do seu Recurso Voluntário. Alternativamente pedese a aplicação do § 3° do art. 59 do Decreto 70.235/72, e o reconhecimento, em preliminar, da nulidade da decisão recorrida em função de cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que a mesma não se pronunciou sobre argumento fundamental ao deslinde do presente feito, aduzido pela parte quando da apresentação de sua peça impugnatória (qual seja, a homologação tácita das compensações efetuadas pela Recorrente, em função do disposto no § 5°, do art. 74, da Lei n° 9.430/96). É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13707.000521/200311 Acórdão n.º 3801004.948 S3TE01 Fl. 116 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora tenha ocorrido uma confusão na ciência da decisão de primeiro instância, considerase o recurso voluntário tempestivo e que atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta que, em manifesta nulidade de cerceamento do direito de defesa, a decisão recorrida não se pronunciou sobre a alegação de homologação tácita das compensações, por força do disposto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96 . A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) por cerceamento do direito de defesa em face de que a decisão recorrida não se pronunciou sobre a tese de homologação tácita das compensações, por força do disposto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da homologação tácita, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa, embora sucinta. Confirase trecho do voto condutor: Portanto, considerando a vedação, não podem ser aplicados os efeitos pertinentes ao novo instituto da Declaração de Compensação aos débitos que já estão inscritos em Dívida Ativa da União. Diante deste quadro, é pertinente a afirmação do combatido Parecer que os débitos, inscritos em Dívida Ativa da União, não estão extintos sob condição resolutória. Neste sentido, também não pode prosperar a preliminar de que teria ocorrido a homologação tácita do requerimento apresentado. (grifouse) Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13707.000521/200311 Acórdão n.º 3801004.948 S3TE01 Fl. 117 7 "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais as compensações não foram homologadas. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por suposta omissão no julgamento de 1ª instância. No mérito, o litígio tem como principal controvérsia a possibilidade de compensação de débitos inscritos em dívida ativa. Tenhase presente que o art. 49 da Medida Provisória (MP) nº 66, de 30 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 31 de dezembro de 2002, alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 30 de dezembro de 1996, e por meio da apresentação de declaração de compensação expressamente atribuiu à compensação efeito extintivo do crédito tributário: "Art.74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. §3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: a) o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; b) os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. §5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13707.000521/200311 Acórdão n.º 3801004.948 S3TE01 Fl. 118 8 (...) (grifouse) Como visto, a compensação é um dos meios de extinção do crédito tributário e se concretiza pelo encontro de contas entre a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Deste modo, o art. 74 da Lei nº 9.430/96 (e alterações) disciplina o regime de compensação no âmbito federal. Desta forma, por expressa previsão legal, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa nº 210, aos 30/09/2002, regulamentou os novos moldes do instituto da compensação: Compensação Efetuada pelo Sujeito Passivo Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2o A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3o Não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo: [...] III os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União; e IV os créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo.(grifouse) Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação citada. Essa norma complementar não atentou contra a legalidade, além de não ter extrapolado os limites traçados na respectiva lei. Não poderia ser diferente, pois a partir do envio dos débitos para inscrição em dívida ativa, é fato que o controle dos débitos passa para outro órgão, a Procuradoria da Fazenda Nacional, o que inviabiliza o encontro de contas, requisito essencial da compensação. Anotese, por oportuno, que a natureza jurídica destes débitos é alterada com a inscrição em dívida ativa, passa a ser um título executivo (extrajudicial). Assim sendo, se os débitos estão inscritos em dívida ativa, é lógico que eles não podem ser objeto de compensação nos termos da citada Instrução Normativa, portanto não há que se falar em homologação tácita. Não se pode perder de vista, a impossibilidade operacional de se efetuar, em tese, a compensação. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13707.000521/200311 Acórdão n.º 3801004.948 S3TE01 Fl. 119 9 Destarte, débitos inscritos em dívida ativa da união sob a administração da Procuradoria da Fazenda não podem ser objeto de compensação, seja ela expressa ou tácita. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10715.008061/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A partir da Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66, a multa aplicável pelo descumprimento do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, pode ser elidida, desde que a omissão seja sanada antes do início de qualquer procedimento de fiscalização.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplica-se a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 3201-001.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgamento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki, que negavam provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Joel Miyazaki - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificamente o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A partir da Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/66, a multa aplicável pelo descumprimento do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, pode ser elidida, desde que a omissão seja sanada antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgamento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki, que negavam provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 80 61 /2 00 8- 88 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008061/200888 Acórdão n.º 3201001.810 S3C2T1 Fl. 155 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificamente o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Société Air France, doravante simplesmente Recorrente, contra o Acórdão nº 0721.452, de 08/10/2010, proferido pela 1ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a sua impugnação. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 01 a 03 por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 85.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada às fls. 04 a 06, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 19 a 28, argumentando, em síntese, que: a) a autuação utilizou a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005 para embarques ocorridos anteriormente à vigência da nova redação, o que é impossível; b) ocorreu violação ao princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; c) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Drecretolei nº 37, de 1966; d) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte do exportador; e) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e f) a aplicação de penalidade deve ser afastada em razão da Solução de Consulta nº 215, de 16 de agosto de 2004 (esta Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008061/200888 Acórdão n.º 3201001.810 S3C2T1 Fl. 156 3 solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9ª Região Fiscal). Eis a ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs o recurso voluntário cabível, de forma tempestiva, reiterando, em síntese, os argumentos suscitados em sua defesa original. Em seguida, o processo foi remetido ao CARF. Posteriormente, em 18/02/2011, a Recorrente atravessou uma nova petição, desta vez para trazer ao conhecimento deste colegiado direito superveniente, que teria deixado de enquadrar como ilícito aduaneiro a situação fática que motivara a autuação contestada. Disso resultou a criação do Processo Administrativo nº 10715.001254/201111, que, por não ser autônomo ao presente processo, foi a este apensado em 10/04/2012. Finalmente, com o devido apensamento, os processos foram distribuídos a este colegiado e sorteados a este Conselheiro, seguindo o rito regimental É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne da lide consiste em saber se a Recorrente poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em função do descumprimento do prazo previsto na Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, para prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008061/200888 Acórdão n.º 3201001.810 S3C2T1 Fl. 157 4 Com efeito, a penalidade aplicada à Recorrente está fundamentada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e [...] A Recorrente não contesta o atraso na informação, logo, dado o caráter objetivo da infração, entendo que não há dúvidas quanto ao cabimento da penalidade. Quanto ao argumento da denúncia espontânea, é interessante notar que o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350 de 2010, passou a prever a possibilidade de exclusão de multa administrativa decorrente de descumprimento de obrigação aduaneira. Confirase: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Interessante notar também que a atual redação do dispositivo em comento excepciona a regra da denúncia espontânea somente para casos em que pena aplicável é o perdimento de mercadorias. Há inclusive jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aplicando o referido dispositivo, a saber: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12/2010. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008061/200888 Acórdão n.º 3201001.810 S3C2T1 Fl. 158 5 APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. (Acórdão nº 3101000.997, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 25/01/2012) No caso concreto, o auto de infração foi lavrado em 10/12/2008 (efl. 2) e a Recorrente informou os dados de embarque no Siscomex pouco depois das datas de embarque (efls. 5/7). Logo, assiste razão à Recorrente no tocante ao não cabimento da multa apesar do caráter objetivo da conduta prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994 e da hipótese de aplicação da penalidade prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37 de 1966. Por oportuno, fazse necessário observar o disposto no art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional e aplicar a retroatividade benigna para contemplar a situação vivenciada pela Recorrente. Sobre o assunto, a Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou. Confirase: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. (Acórdão nº 910100344, Cons. Rel. Valmir Sandri, Sessão de 24/08/2009) Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Declaração de Voto Em que pese a consistência do voto condutor deste acórdão, minha discordância em relação à posição externada pelo eminente relator concentrase na aplicabilidade do instituto de denúncia espontânea a infrações consubstanciadas no descumprimento de prazo para atender a obrigações acessórias. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008061/200888 Acórdão n.º 3201001.810 S3C2T1 Fl. 159 6 Neste sentido, adoto entendimento externado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no acórdão nº 3102002.187, transcrito abaixo: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente. tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008061/200888 Acórdão n.º 3201001.810 S3C2T1 Fl. 160 7 Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008061/200888 Acórdão n.º 3201001.810 S3C2T1 Fl. 161 8 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas. sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008061/200888 Acórdão n.º 3201001.810 S3C2T1 Fl. 162 9 II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/ MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com esse mesmo entendimento, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por informação extemporânea da carga descarregada em porto alfandegado do País, objeto da presente autuação. Em sendo esta a situação ora em julgamento, concluise que a prática da infração não permite a aplicação do instituto de denúncia espontânea, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 15586.720024/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. HIPÓTESES. CUMULAÇÃO.
As hipóteses de responsabilidade tributária não são excludentes e podem ser cumulativas. O fato de a fiscalização não ter prosseguido na investigação que poderia atribuir responsabilidade a outra pessoa não é suficiente para afastar as responsabilidades imputadas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a consequente responsabilização solidária, beneficiar-se pela utilização da estrutura legal e da conta bancária de titularidade da empresa contribuinte.
RO Negado e RV Negado
A falta de intimação às pessoas dos sócios para comprovação da origem de depósitos não ofende ao estipulado na Súmula CARF nº 2 se ficar comprovado que eles não são cotitulares da conta bancária da empresa.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA.
A falta de atendimento à intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários tem como consequência a consolidação da presunção legal de omissão de receita. Incabível enquadrar também a hipótese na falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos sancionado pelo agravamento da multa aplicada.
Numero da decisão: 1102-001.301
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários apresentados e também ao recurso de ofício.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Ricardo Marozzi Gregorio
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Omissão de receitas. IRPJ. Omissão de receitas com base em depósitos bancários não comprovados. Arbitramento do Lucro. Multa qualificada e agravada. Responsabilidade tributária. Recorrentes Responsáveis solidários de SOUSA JESUS COMERCIO ATACADISTA DE CARNES E COUROS LTDA ME FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. JURISDIÇÃO. REQUISIÇÃO DE DEPOIMENTOS E DOCUMENTOS. A requisição de depoimentos e documentos a terceiros está caracterizada dentre as atribuições legais do auditorfiscal para o exercício das atividades de fiscalização do imposto de renda. Dentro de sua área de competência e jurisdição, qual seja, a verificação da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, a administração tributária e seus servidores fiscais têm, inclusive, precedência sobre todas as demais autoridades administrativas. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. INTIMAÇÃO. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. Para afastar a presunção legal de omissão de receita, a intimação para comprovar a origem de depósitos deve ser feita aos titulares da conta bancária. Nada impede que, na condição de responsáveis tributários, os recorrentes tragam elementos capazes de afastar a presunção. Uma vez inertes, é mero argumento retórico dizer que deveriam ter sido intimados no curso do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. INTIMAÇÃO. COTITULARES. A falta de intimação às pessoas dos sócios para comprovação da origem de depósitos não ofende ao estipulado na Súmula CARF nº 2 se ficar comprovado que eles não são cotitulares da conta bancária da empresa. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 24 /2 01 2- 64 Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.365 2 A falta de atendimento à intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários tem como consequência a consolidação da presunção legal de omissão de receita. Incabível enquadrar também a hipótese na falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos sancionado pelo agravamento da multa aplicada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. HIPÓTESES. CUMULAÇÃO. As hipóteses de responsabilidade tributária não são excludentes e podem ser cumulativas. O fato de a fiscalização não ter prosseguido na investigação que poderia atribuir responsabilidade a outra pessoa não é suficiente para afastar as responsabilidades imputadas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a consequente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal e da conta bancária de titularidade da empresa contribuinte. RO Negado e RV Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários apresentados e também ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.366 3 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários de SOUSA JESUS COMERCIO ATACADISTA DE CARNES E COUROS LTDA – ME contra o Acórdão nº 1252.968, proferido pela 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, em 21 de fevereiro de 2013, que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados e do ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/VitóriaES, totalizaram o valor de R$ 5.866.494,30. Os lançamentos foram fundamentados em omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Consoante o que consta no Termo de Verificação de Infração, considerando que o contribuinte não apresentou os livros e documentos solicitados, foram emitidas as requisições de informação sobre movimentação financeira (RMF) para a instituição com a qual o contribuinte efetuava suas operações bancárias (BANESTES). Em atendimento, a referida instituição remeteu os documentos e extratos bancários solicitados. A partir dos depósitos constantes destes extratos, cuja origem não teria sido comprovada, é que ficou configurada a mencionada receita omitida. O contribuinte havia optado pela sistemática do SIMPLES FEDERAL (janeiro a junho de 2007) e do SIMPLES NACIONAL (julho a dezembro de 2007). Em relação ao período de janeiro a junho de 2007, a forma de tributação adotada pelo Fisco foi a mesma. Quanto ao período de julho a dezembro de 2007, o contribuinte se enquadrou numa das hipóteses de exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL, razão pela qual foi declarada sua exclusão desse regime com efeitos a partir de 01/07/2007. Devido a isso e considerando que não foram apresentados os livros da escrituração contábil/fiscal, partiuse das receitas omitidas para o arbitramento do lucro e lançamento de ofício dos correspondentes tributos e seus reflexos. Diante dos fatos constatados, procedeuse também à qualificação e ao agravamento das multas aplicadas sobre as infrações correspondentes ao período de julho a dezembro de 2007. Foram considerados solidariamente responsáveis pelo crédito tributário, mediante Termo de Sujeição Passiva Solidária, as seguintes pessoas físicas e jurídicas: FORTE BOI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA (CNPJ: 05.975.865/000197) VALMIR PANDOLFI (CPF: 896.559.66704) AMERICO GROBERIO NETO (CPF: 557.541.55700) Apenas a empresa FORTE BOI e o Sr. VALMIR PANDOLFI apresentaram impugnações e, posteriormente, os recursos voluntários. Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.367 4 Da autuação: Do Termo de Verificação de Infração (fls. 1536 a 1599), colhese os seguintes trechos que descrevem o feito fiscal: Através do Edital nº 153/2010, o contribuinte foi cientificado do Termo de Constatação Fiscal em 10/06/2010, no qual se constatou os seguintes fatos: ∙ O contribuinte não foi localizado no endereço informado pelo mesmo ao CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica); (...) Considerando que o contribuinte não apresentou os Livros e documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal, e inclusive não apresentou os extratos bancários solicitados, foram emitidas as Requisições de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF), de números 07.201.00.2010.00137.9 e 07.201.00.2010.001522, para a instituição financeira com a qual o contribuinte efetuava suas operações bancárias, a saber, o Banco do Estado do Espírito Santo (BANESTES), solicitando os seguintes documentos relativos ao anocalendário de 2007: (...) Em atendimento às RMF, o BANESTES remeteu a esta DRF os documentos solicitados, inclusive os extratos bancários relativos às contas correntes de titularidade do contribuinte, abaixo discriminadas: (...) O contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal através do Edital nº 03/2012, porém não atendeu a esta intimação e, portanto, não apresentou documentos que pudessem justificar a origem dos créditos bancários selecionados. (...) O BANESTES enviou a esta DRF cópias dos cheques solicitados, sendo constatado que: o cheque de nº 46 (lançamento demonstrado abaixo), emitido pela empresa SOUSA JESUS, foi destinado a pagar Guias da Previdência Social (GPS) de pessoas ligadas a empresa FORTE BOI – INDUSTRIA DE ALIMENTOS LTDA. (...) o BANESTES prestou a seguinte informação: “Conforme cópia de fita de caixa em anexo, as autenticações de nº 0296 a 0302, do dia 10/05/2007, Ag. Fundão, totalizando um valor de R$ 17.296,89, referemse ao pagamento de GPS.” De fato, ao se efetuar uma pesquisa no sistema de arrecadação de contribuições previdenciárias da RFB / COGPS – Consultas Detalhes da GPS, constatouse que, do valor total do cheque, a maior parte foi destinada a pagamento Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.368 5 de GPS de pessoas ligadas a empresa FORTE BOI, conforme se demonstra nos extratos do sistema (constantes no processo) e no quadro a seguir: (...) Notase que os valores foram utilizados para pagar as contribuições previdenciárias ao INSS, a cargo da empresa FORTE BOI e do produtor rural VALMIR PANDOLFI, possuidor de matricula CEI, utilizada por pessoas físicas no recolhimento de contribuições sociais destinadas à seguridade social. Concluise que a empresa FORTE BOI e seu sócio, VALMIR PANDOLFI, tiveram o recolhimento de contribuições previdenciárias, que deveriam estar sob suas responsabilidades, custeadas pela empresa SOUSA JESUS. Podese afirmar que a empresa FORTE BOI utilizou a empresa SOUSA JESUS em beneficio próprio, se apropriando de seus recursos para quitar débitos com a previdência social. (...) Considerando que o contribuinte não apresentou os Livros e documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal, assim como não apresentou as notas fiscais de venda de mercadorias e/ou serviços, as empresas que adquiriram seus produtos ou que informaram em DIPJ (Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica) tais aquisições, foram intimadas a apresentar todas as notas fiscais e comprovantes de pagamento relacionados às operações realizadas com o contribuinte durante o anocalendário de 2007. As intimações foram efetuadas mediante Termos de Intimação Fiscal, destinados às seguintes pessoas jurídicas: ∙ VITAPELLI LTDA / CNPJ 03.582.844/000186; ∙ APUCACOUROS COMERCIO E EXPORTAÇÃO DE COUROS S/A / CNPJ 84.914.761/000149. (...) As informações da empresa VITAPELLI demonstraram que as notas fiscais utilizadas para acobertar a operação de venda de couro bovino serviram apenas como um documento para formalizar a operação, já que, na realidade, o pagamento não foi destinado ao emissor destas notas, a saber, a empresa SOUSA JESUS, e sim a outras pessoas físicas e jurídicas. Como quem recebeu pelas vendas foram estas outras pessoas físicas e jurídicas, os beneficiários desta operação foram elas ou a empresa intermediária, utilizando as notas fiscais da empresa SOUSA JESUS. Podese constatar que a SOUSA JESUS se configura como uma empresa constituída por pessoas interpostas, com o fim de fornecer papéis (notas fiscais), pretendendo legalizar operações comerciais de outras empresas. (...) As informações da empresa APUCACOUROS demonstraram que a expressiva e frequente transferência de valores desta empresa para a SOUSA JESUS, relativo à aquisição de couro bovino pela primeira, foi, na realidade, Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.369 6 negociada com a empresa FORTE BOI, representada pelo seu sócio, SR VALMIR PANDOLFI. Podese inferir que a empresa FORTE BOI foi quem, de fato, realizou a operação comercial com a APUCACOUROS, utilizando as notas fiscais da empresa SOUSA JESUS, transferindo para ela toda a receita de vendas e se eximindo do recolhimento dos tributos cabíveis. A SOUSA JESUS, por sua vez, se configura como uma empresa constituída por pessoas interpostas, com o fim de trazer as receitas de venda da empresa FORTE BOI para sua responsabilidade e não recolher os tributos devidos. (...) Considerando que o contribuinte não apresentou os Livros e documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal, as pessoas físicas ou jurídicas que receberam valores provenientes de cheques emitidos pelo contribuinte SOUSA JESUS, nos quais continham no verso o número da conta para depósito dos valores, foram intimadas a apresentar todas as notas fiscais relacionadas às operações realizadas com o contribuinte. As intimações foram efetuadas mediante Termos de Intimação Fiscal, destinados às seguintes pessoas: ∙ FORTE BOI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA / CNPJ 05.975.865/000197; ∙ ANTONIO FRANCISCO PANDOLFI / CPF 945.852.37704 ∙ VALMIR PANDOLFI / CPF 896.559.66704 (...) Ainda, podese concluir que as notas fiscais apresentadas pela FORTE BOI não justificaram os depósitos em cheques feitos em sua conta corrente, ou seja, houve transferência de valores sem justificativa, da SOUSA JESUS para a FORTE BOI, como se fossem empresas pertencentes a uma mesma pessoa, com interesse comum, em que uma favorece a outra, sem que haja documentos capazes de acobertar a movimentação financeira. (...) Ainda, podese concluir que as notas fiscais apresentadas pelo SR ANTONIO FRANCISCO PANDOLFI não justificaram os depósitos em cheques feitos em sua conta corrente, ou seja, houve transferência de valores sem justificativa, da SOUSA JESUS para ANTONIO FRANCISCO PANDOLFI, sem que haja documentos capazes de acobertar a movimentação financeira. (....) Ainda, podese concluir que a nota fiscal apresentada pelo SR VALMIR PANDOLFI não justificou o depósito em cheque feito em sua conta corrente, ou seja, houve transferência de valor sem justificativa, da SOUSA JESUS para VALMIR PANDOLFI, sem que haja documentos capazes de acobertar a movimentação financeira. Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.370 7 Através das informações prestadas pela empresa FORTE BOI e pelos produtores rurais VALMIR PANDOLFI e ANTONIO FRANCISCO PANDOLFI, podese constatar que: os três receberam valores da empresa SOUSA JESUS sem documentos que comprovem a operação, ou seja, foram favorecidos com a citada transferência de valores; os três estão relacionados entre si, já que os dois produtores rurais têm relação de parentesco, e que um deles, o SR VALMIR, é sócio da empresa FORTE BOI; a empresa FORTE BOI, seu sócio VALMIR PANDOLFI e a empresa SOUSA JESUS, formam uma rede de interesses comuns. (...) Considerando que o contribuinte não foi localizado no endereço constante no CNPJ, os sócios da empresa SOUSA JESUS indicados no contrato social (ver item 1.2), assim como diversas pessoas físicas relacionadas com o contribuinte ou que realizaram algum negócio com o mesmo, foram chamados, mediante termo, a comparecer à DRF/VitóriaES para prestarem esclarecimentos. Através de Termos de Declaração, todos constantes dos autos, várias pessoas físicas prestaram depoimento nesta DRF, que seguem abaixo relacionadas: (...) Dentre os depoimentos, os mais significativos foram os que demonstraram que os sócios da empresa, constantes no contrato social do contribuinte, não eram de fato os sócios e sim pessoas interpostas, vulgarmente conhecidas como “laranjas”. Descrevese a seguir os depoimentos das pessoas supracitadas, nos quais foram destacadas as informações mais relevantes. (...) Através do depoimento do produtor rural JARBAS ANTONIO CUZZUOL, notase que: o mesmo vendeu gado bovino com nota fiscal destinada à empresa SOUSA JESUS, porém não conhecia e nem fazia negócios com os sócios constantes no contrato social desta empresa, sendo o mesmo gado enviado e abatido na empresa FORTE BOI; o SR JARBAS vendia o seu gado para clientes conhecidos, na maioria das vezes, para três frigoríficos, sendo um deles a empresa FORTE BOI, representada pelo SR VALMIR PANDOLFI; tal operação demonstra que a venda de gado foi negociada com o frigorífico abatedor do gado, ou seja, a empresa FORTE BOI, e não com a empresa SOUSA JESUS, destinatária constante nas notas fiscais de venda. (...) Através do depoimento do gerente bancário, KLEBER LUIZ DE OLIVEIRA, podese constatar que: Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.371 8 o SR KLEBER exerceu seu cargo de gerente no banco BANESTES, na Agência FundãoES, durante o anocalendário de 2007; o mesmo admite a existência da Conta Corrente nº 12.317.558 nesta agência, em nome da empresa SOUSA JESUS, porém aberta pelo gerente financeiro da empresa FORTE BOI; a empresa FORTE BOI utilizava esta conta corrente da empresa SOUSA JESUS como se fosse sua conta, movimentando expressivas quantias na ordem de R$ 300.000,00 por dia no final de 2007, e utilizando a mesma para cobranças, TED´s, cheques e demais movimentações bancárias, em que os títulos eram emitidos em nome da empresa SOUSA JESUS; as empresas FORTE BOI e SOUSA JESUS atuaram como empresas pertencentes a uma mesma pessoa, com interesse comum, em que a primeira utilizou a conta bancária da segunda; o gerente financeiro da empresa FORTE BOI, chamado PAULO, juntamente com os SRS VALMIR PANDOLFI, ANTONIO PANDOLFI, LOURIVAL SIMER e RENAN SIMER eram os representantes da empresa FORTE BOI – INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA, CNPJ 05.975.865/000197. (...) Considerando que: a empresa SOUSA JESUS não foi localizada no endereço constante no CNPJ (ver item 2.2.), o que caracteriza a dissolução irregular da sociedade, já que o sócio administrador infringiu a lei e o contrato social, ao encerrar as atividades e não comunicar a alteração da situação do funcionamento de sua empresa junto à RFB e à JUCEES; os sócios constantes no contrato social desta empresa, conforme seus próprios depoimentos (ver itens 2.6.1.1. e 2.6.1.2.), apenas cederam seus respectivos nomes e assinaturas para a constituição da empresa; a empresa SOUSA JESUS foi constituída por interpostas pessoas; de acordo com o relatado no item 2, do presente Termo, especialmente nas considerações finais descritas nos itens 2.3., 2.4., 2.5., 2.6., e em seus respectivos subitens; ficou demonstrado que outras pessoas, físicas e jurídicas, utilizaram a empresa SOUSA JESUS em proveito próprio, formando com ela uma rede de interesses comuns, tornandose responsáveis solidários pelo crédito tributário ora apurado (ver item 5), conforme dispõem os artigos 124, I, e 135, III, do CTN, in verbis: (...) Foram consideradas solidariamente responsáveis pelo crédito tributário, mediante Termo de Sujeição Passiva Solidária, as seguintes pessoas físicas e jurídicas: ∙ FORTE BOI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA / CNPJ 05.975.865/000197; ∙ VALMIR PANDOLFI / CPF 896.559.66704; Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.372 9 ∙ AMERICO GROBERIO NETO / CPF 557.541.55700. Descrevese a seguir, a participação de cada um deles na caracterização da responsabilidade solidária. 3.1. REPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA FORTE BOI – INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA A empresa FORTE BOI foi considerada responsável solidária pelos seguintes fatos: a FORTE BOI foi indicada no depoimento do gerente bancário KLEBER LUIZ DE OLIVEIRA como mentora e responsável pela abertura e utilização da contacorrente no BANESTES, Agência nº 207, Conta nº 12.317.558, em nome da empresa SOUSA JESUS, utilizandoa para cobranças, TED´s, cheques, e para movimentar expressivas quantias, na ordem de R$ 300.000,00 por dia, no final de 2007 (ver item 2.6.4.4.); a FORTE BOI foi favorecida mediante o recolhimento de contribuições previdenciárias a seu cargo, efetuado com cheque emitido pela empresa SOUSA JESUS (ver item 2.3.3.); a FORTE BOI, representada pelo seu sócio, SR VALMIR PANDOLFI, foi a responsável pela negociação da venda de couros para a empresa APUCACOUROS, com utilização de notas fiscais e conta bancária em nome da empresa SOUSA JESUS para receber os valores relativos a tal venda, no valor de R$ 4.677.833,20, durante o ano de 2007 (ver item 2.4.2.); a FORTE BOI foi favorecida pela transferência de valores, mediante depósitos em cheques, sem justificativa, efetuados pela empresa SOUSA JESUS, ou seja, sem documentos que pudessem acobertar tal movimentação financeira, no valor de R$ 340.000,00, no ano de 2007 (ver item 2.5.1.); a FORTE BOI, representada pelo seu sócio, SR VALMIR PANDOLFI, foi indicada no depoimento do produtor rural JARBAS ANTONIO CUZZUOL, como a responsável e real destinatária da compra de gado bovino deste produtor, negociando com ele a utilização de notas fiscais, para que nelas constasse a SOUSA JESUS como empresa destinatária do gado bovino (ver item 2.6.3.4.). Diante dos fatos narrados acima, fica demonstrado que as empresas FORTE BOI e SOUSA JESUS se portaram como empresas pertencentes a uma mesma pessoa, com um mesmo interesse comum na situação que constituiu o fato gerador de tributos. A SOUSA JESUS favoreceu a FORTE BOI nos casos retro apontados, especialmente no fornecimento da conta bancária e na apropriação das receitas de vendas de couro, gerando nela, SOUSA JESUS, os tributos cabíveis e eximindo a FORTE BOI do recolhimento desses mesmos tributos. 3.2. REPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE VALMIR PANDOLFI O SR VALMIR PANDOLFI foi considerado responsável solidário pelos seguintes fatos: o SR VALMIR PANDOLFI é sócio da empresa FORTE BOI; o SR VALMIR representou a empresa FORTE BOI na utilização da conta corrente no BANESTES, Agência nº 207, Conta nº 12.317.558, em nome da empresa SOUSA JESUS, utilizandoa para cobranças, TED´s, cheques, e para Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.373 10 movimentar expressivas quantias, na ordem de R$ 300.000,00 por dia, no final de 2007, segundo o depoimento do gerente bancário KLEBER LUIZ DE OLIVEIRA (ver item 2.6.4.4.); o SR VALMIR foi favorecido mediante o recolhimento de contribuições previdenciárias a seu cargo, efetuado com cheque emitido pela empresa SOUSA JESUS (ver item 2.3.3.); o SR VALMIR representou a empresa FORTE BOI na negociação da venda de couros para a empresa APUCACOUROS, com utilização de notas fiscais e conta bancária em nome da empresa SOUSA JESUS, para receber os valores relativos a tal venda, no valor de R$ 4.677.833,20, durante o ano de 2007 (ver item 2.4.2.); o SR VALMIR representou a empresa FORTE BOI na compra de gado bovino do produtor rural JARBAS ANTONIO CUZZUOL, negociando com ele a utilização de notas fiscais, para que nelas constasse a SOUSA JESUS como empresa destinatária do gado bovino, segundo o depoimento deste produtor (ver item 2.6.3.4.). o SR VALMIR recebeu valores em sua conta bancária, através de depósito em cheque efetuado pela empresa SOUSA JESUS, sem justificativa, ou seja, sem documentos que acobertassem tal movimentação financeira (ver item 2.5.3.). Pelo exposto acima, fica comprovado que o SR VALMIR PANDOLFI e a empresa SOUSA JESUS se portaram como pessoas com um mesmo interesse comum, em que a SOUSA JESUS favoreceu o SR VALMIR. (...) Em relação ao período de janeiro a junho de 2007, a forma de tributação adotada pelo Fisco para apuração do crédito tributário foi a mesma forma pela qual o contribuinte optou, ou seja, de acordo com a sistemática do SIMPLES FEDERAL. Em virtude da infração apurada (ver item 5), foi efetuado o lançamento de ofício dos tributos abrangidos pelo SIMPLES, incidentes sobre os valores correspondentes às receitas omitidas pelo contribuinte. (...) Em relação ao período de julho a dezembro de 2007, o contribuinte se enquadrou numa das hipóteses de exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL, a saber, a prevista pelo artigo 29, IV e § 1º, da Lei Complementar 123/2006, in verbis: (...) Conforme já explanado nos itens 2 e 3, do presente Termo, ficou comprovado que a constituição da empresa SOUSA JESUS, ocorreu através de interpostas pessoas, o que gerou a emissão de Representação Fiscal, solicitando a exclusão de ofício do contribuinte do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/07/2007. A solicitação foi atendida através do Ato Declaratório Executivo nº 08, de 20/01/2012, cuja ciência será dada ao contribuinte juntamente com os Autos de Infração e este Termo de Verificação, através do Termo de Exclusão do Simples Nacional. (...) Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.374 11 Devido à exclusão do contribuinte SOUSA JESUS do SIMPLES NACIONAL, e considerando que o contribuinte não apresentou nenhum documento solicitado pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal, sendo que especialmente não apresentou os Livros Diário, Razão e/ou Caixa, a forma de tributação utilizada para apuração dos tributos no período de julho a dezembro de 2007 baseouse nas regras do Lucro Arbitrado, tendo em vista que o contribuinte se enquadrou na seguinte hipótese de arbitramento do lucro, a saber, a prevista pelo artigo 530, III, do Decreto nº 3.000 – RIR/99, in verbis: (...) Em virtude da infração apurada (ver item 5), a receita omitida pelo contribuinte foi referência para o arbitramento do lucro e o respectivo lançamento de ofício dos tributos. (...) Conforme o relatado no item 2.3.1., do presente Termo, a empresa SOUSA JESUS não comprovou a origem dos recursos relativos aos depósitos / créditos selecionados, existentes em suas contas bancárias, já que não apresentou documentos para fazer prova de suas movimentações financeiras, no que ficou caracterizada a omissão de receita, conforme dispõe o artigo 849 e incisos, do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99: (...) Deste modo, todos os valores constantes no Anexo ao Termo de Intimação Fiscal, citado no item 2.3.1., foram caracterizados como omissões de receitas oriundas de créditos bancários sem origem comprovada, conforme se demonstra no ANEXO III, do presente Termo, cuja consolidação mensal segue abaixo: (...) Em relação ao período de 02/2007 a 06/2007, as receitas provenientes dos créditos bancários montam superiores às receitas brutas declaradas pela empresa no sistema SIMPLES FEDERAL (PJSI), sendo apuradas diferenças de receitas de origem não comprovada, que foram lançadas em Auto de Infração – SIMPLES como Omissão de Receita, conforme se demonstra no quadro a seguir: (...) Cabe observar que, neste mesmo período, relativo à sistemática do SIMPLES FEDERAL, foram lançadas as insuficiências de recolhimentos apuradas sobre a receita declarada, devido ao reenquadramento das alíquotas nas faixas correspondentes ao total da receita apurada e acumulada. (...) Em relação ao período de 07/2007 a 12/2007, as receitas apuradas decorrentes de créditos bancários foram lançadas em Auto de Infração – LUCRO ARBITRADO como Omissão de Receita, conforme se demonstra a seguir: (...) Cabe ressaltar que, neste período, foram compensados os recolhimentos de tributos efetuados pelo contribuinte dentro da sistemática do SIMPLES NACIONAL, conforme se demonstra no quadro abaixo: Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.375 12 (...) Conforme já relatado no item 2.1., o contribuinte SOUSA JESUS foi intimado a apresentar os documentos contábeis e fiscais, além dos extratos de sua conta bancária e aplicações financeiras, e simplesmente não os apresentou. O contribuinte foi também intimado a esclarecer a origem dos créditos selecionados, constantes em suas contas bancárias, obtidas junto à instituição financeira onde mantinha suas contas. O contribuinte também não atendeu a esta intimação e, portanto, não esclareceu a origem dos recursos creditados em sua contascorrentes (ver item 2.3.1.). O contribuinte constituiu sua empresa com a utilização de pessoas interpostas, com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador de tributos no verdadeiro sócio, trazendo para si as receitas de venda de maneira fraudulenta, e aí deixar de recolher os tributos devidos (ver itens 2.3., 2.4., 2.5., 2.6., e seus respectivos subitens). Os fatos caracterizam a intenção dolosa e fraudulenta do contribuinte em se eximir dos tributos devidos, já que, ao omitir informações sobre sua receita e utilizar interpostas pessoas na constituição da sociedade, tentou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, com o fim de evitar o pagamento dos tributos. Desta forma, o contribuinte omitiu de maneira contumaz receitas que deveriam constar em suas declarações à RFB relativas ao ano calendário 2007, conforme demonstrado nos itens 5.1.1. e 5.1.2., cuja consolidação anual segue abaixo: Ano Calendário Receita Omitida (R$) 2007 22.902.232,81 Os artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novemb ro de 1964, definem sonegação e fraude fiscal: (...) Considerando a presença de sonegação e fraude do contribuinte, para se eximir do recolhimento tributário cabível, foi aplicada a qualificação da multa em 150%, como previstos no artigo 957, inciso II do RIR/99, Decreto 3.000/99, e no artigo 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96. Considerando a falta de esclarecimento, quando intimado, sobre a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, foi aplicado o agravamento de metade da multa supracitada, totalizando a aplicação de 225% de multa de oficio, conforme dispõe o artigo 959, inciso I, do RIR/99, Decreto 3.000/99, e no artigo 44, § 2º, da Lei n° 9.430/96. Da impugnação: Somente a FORTE BOI e o Sr. VALMIR PANDOLFI apresentaram impugnações. Ambas de mesmo teor, as quais, em síntese alegaram que: Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.376 13 Conforme a decisão recorrida, a empresa autuada apresentou os seguintes argumentos em sua impugnação: Em caráter preliminar, (i) nulidade por usurpação do poder de investigação competente à polícia judiciária; (ii) o cerceamento do direito de defesa pela ausência de intimação do impugnante quanto aos atos praticados no curso da ação fiscal; e (iii) a ilegitimidade passiva da empresa autuada devido à ocorrência de sucessão evidenciada por fatos constatados nos autos. No mérito, (i) a inexistência de provas quanto ao cheque de R$ 17.296,89 emitido pela SOUSA JESUS; (ii) a ausência de provas sobre transações envolvendo a SOUSA JESUS, a FORTE BOI e a APUCACOUROS; (iii) o depósito de sete cheques na conta da SOUSA JESUS, totalizando o valor de R$ 340.000,00, foi perfeitamente esclarecido; (iv) a Súmula 29 do CARF exige a intimação de todos os cotitulares; (v) as declarações do gerente bancário, Sr. Kleber, são carentes de prova; (vi) as declarações do Sr. Jarbas Antônio Cuzzuol também são carentes de prova; (vii) as informações fornecidas pela empresa APUCACOUROS são contraditórias; (viii) a quebra do sigilo bancário foi ilegal; (ix) a qualificação e o agravamento da multa não observou os parâmetros legais; e (x) a multa foi abusiva. Da decisão recorrida: A já mencionada 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 1252.968, de 21 de fevereiro de 2013, por meio do qual decidiu pela parcial procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 ARGÜIÇÕES PRELIMINARES. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE INTIMAÇÃO AO FISCALIZADO DOS ATOS DE INVESTIGAÇÃO. FASE INQUISITÓRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de as pessoas fiscalizadas deixarem de ser intimadas, no curso do procedimento fiscal, dos atos próprios de investigação. A fase investigativa, preliminar à lavratura do auto de infração, possui natureza meramente inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração da fase litigiosa, que ocorre com a apresentação da impugnação à exigência. ARGÜIÇÕES PRELIMINARES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade do auto de infração, se o fiscal autuante observa os procedimentos previstos na legislação tributária. Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.377 14 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. Uma vez verificado que a constituição da empresa ocorreu mediante utilização de interpostas pessoas, confirmase a sua exclusão, de ofício, do Simples Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Cabível o arbitramento do lucro, quando a pessoa jurídica, regularmente intimada, deixa de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizamse como receitas omitidas os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO INTUITO DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A constituição da sociedade mediante utilização de interpostas pessoas, aliada à conduta de omitir informações sobre as receitas da atividade, denotam a intenção fraudulenta de se eximir dos tributos devidos, justificando, assim, o agravamento da multa de ofício para 150%. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, conforme previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. A exigência de multa de ofício de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, não caracteriza confisco. Somese a isso o fato de que não cabe aos órgãos administrativos de julgamento deixar de aplicar lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob o fundamento de inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ESCLARECIMENTOS ACERCA DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O agravamento da multa de que trata o art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996, aplicase aos casos em que o contribuinte deixa de atender intimação fiscal para prestação de esclarecimentos ou para apresentação de arquivos e sistemas digitais, devendo ficar caracterizada a intenção de dificultar o trabalho de fiscalização. A simples falta de comprovação da origem dos depósitos bancários não é causa que justifique a exasperação da penalidade. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano0calendário: 2007 Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.378 15 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. O que ficou decidido em relação ao lançamento do IRPJ aplicase, também, às contribuições dele decorrentes – PIS, COFINS e CSLL –, uma vez que não haja argumentos diferenciados a ensejar conclusão diversa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. Tendo sido verificado que a constituição da sociedade fiscalizada se deu mediante utilização de interpostas pessoas (“laranjas”), é lícito atribuir responsabilidade tributária, em caráter solidário, a todas as pessoas que tiveram interesse comum nas situações que deram origem aos fatos geradores das respectivas obrigações. Cumpre ressaltar que um dos julgadores apresentou declaração de voto para esclarecer que foi vencido na sua proposta de converter o julgamento em diligência para que os responsáveis solidários fossem intimados a justificar a origem dos depósitos bancários. Do recurso voluntário: Novamente, as mesmas pessoas indicadas como sujeitos passivos solidários (a empresa FORTE BOI e o Sr. VALMIR PANDOLFI) compareceram ao processo e interpuseram recursos voluntários, os quais contiveram o mesmo teor. Em resumo, foram os seguintes os argumentos deduzidos: a) Uma das matérias tratada na impugnação foi a ilegalidade das investigações realizadas pelo auditorfiscal e não da representação fiscal para fins penais, como entendeu a DRJ. Essa investigação caracterizou se por ilações e presunções. O auditor utilizou atos típicos da polícia judiciária, tais como, colher depoimentos, quebrar o sigilo bancário, requerer documentos de terceiros, tirar fotografias e invadir a privacidade. Não se trata de relato fático, mas sim de literal e profunda investigação. O artigo 44 da Constituição atribuiu à polícia judiciária e não à Receita Federal o poder de investigação. O artigo 195 do CTN não confere essa atribuição. Os atos investigatórios foram supostamente balizados pelo comando da Portaria MF nº 125/09, no entanto o instrumento “Portaria” não serve como meio idôneo e permissivo de condutas da Administração Pública. b) A quebra do sigilo bancário pelo Fisco é inconstitucional. Há que se sobrestar os autos porque a matéria está sob análise do STF. Além disso, a quebra do sigilo bancário da contribuinte não poderia servir para a investigação de pessoa distinta, no caso, os recorrentes. Ademais, estas deveriam ter sido intimadas para o colhimento de suas informações sigilosas. Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.379 16 c) os recorrentes deveriam ter sido intimados acerca do Demonstrativo de Créditos Bancários conforme aduziu um dos julgadores da primeira instância. Isso caracteriza cerceamento do seu direito de defesa. d) A constatação do funcionamento de outra empresa (a NUTRIQ COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDAME) no endereço da SOUSA JESUS, bem como a comprovação do seu verdadeiro proprietário (Sr. AMERICO GROBERIO) caracteriza a hipótese de responsabilidade por sucessão prevista no artigo 133 do CTN. Não se está perseguindo uma substituição do pólo passivo da obrigação tributária, mas sua real responsabilização. e) O lançamento é nulo por descumprir a Súmula nº 29 do CARF. Todos os cotitulares da conta bancária da SOUSA JESUS, a saber, seus sócios, deveriam ter sido intimados a comprovar a origem dos depósitos. f) Quanto ao recorrente VALMIR PANDOLFI, inexiste o interesse comum característico da solidariedade presente na hipótese de responsabilidade tributária prevista no artigo 124, I, do CTN. g) Não se pode concluir que os recorrentes são responsáveis solidários pelo fato de um cheque no valor de R$ 17.296,89 ter sido destinado ao pagamento de seus GPS. Isso foi, inclusive, reconhecido pela DRJ. Por conseguinte, tal prova deve ser desconsiderada. h) Há contradição no depoimento da empresa APUCACOUROS. As conclusões da fiscalização e da DRJ são baseadas em presunções que não são verdadeiras. i) O cheque emitido pela SOUSA JESUS em favor do Sr. Valmir (R$ 25.000,00) é decorrente de pagamento realizado pela venda de bovinos (NF nº 004 de 31//07/2007). Os seis cheques emitidos pela SOUSA JESUS em favor da FORTE BOI em valores que totalizam R$ 340.000,00 são decorrentes de pagamentos realizados pela industrialização por encomenda realizada para abate de bovinos (NF’s nº 5616, 6364, 9090, 10005, 10754 e 11422, emitidas, respectivamente, em 23/05, 04/06, 04/07, 16/07, 24/07 e 01/08/2007). As datas dos cheques e vencimentos das notas não coincidem porque a SOUSA JESUS não arcou com o seu compromisso nas datas acordadas. No caso do Sr. Valmir, houve uma remissão de parte da dívida. No caso da FORTE BOI, a diferença no total se explica pela incidência de juros. j) O depoimento do funcionário do BANESTES, o Sr. Kleber, carece de provas. Mesmo com a condição de gerente confirmada em consulta aos sistemas da Receita Federal pelo relator do acórdão recorrido, há que se atenuar a força probatória de suas declarações. É estranha a utilização da conta bancária da SOUSA JESUS por terceiros sem que a instituição possua documentos que a autorize. Não há, nos autos, documentos neste sentido. A fiscalização deveria buscar esses documentos para robustecer as declarações do gerente. Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.380 17 k) A despeito de a DRJ ter afastado o agravamento das multas aplicadas, a sua qualificação ainda caracteriza abuso e confisco. Ao final, os recorrentes pedem o acolhimento de todas as suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Além disso, o valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto também deve ser conhecido. Os recorrentes alegam que a investigação, tal qual realizada pelo auditor fiscal, é atividade privativa da polícia judiciária. Por isso, teria havido usurpação dessa competência. A DRJ não teria entendido sua argumentação nesse sentido e se manifestado quanto à legalidade da elaboração da representação fiscal para fins penais. No entanto, eles, os recorrentes, não contestam essa atitude, mas, sim, a forma como o procedimento fiscal foi conduzido. Não assiste razão aos recorrentes. A requisição de depoimentos e documentos a terceiros está perfeitamente caracterizada dentre as atribuições do auditorfiscal para o exercício das atividades de fiscalização do imposto de renda. E essas atribuições, diferentemente do pensam os recorrentes, estão previstas em lei e não em portaria. Nesse sentido, vejase o que dispõem os seguintes artigos do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), com as respectivas bases legais: Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.381 18 o cumprimento das obrigações fiscais (Lei nº 2.354, de 1954, art. /7º). (...) Art. 927 .Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). Ademais, não procede a alegação de que o poder de investigação é exclusivo das polícias judiciárias. Dentro de sua área de competência e jurisdição, qual seja, a verificação da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, a administração tributária e seus servidores fiscais têm, inclusive, precedência sobre todas as demais autoridades administrativas. Confirase, neste sentido, o que diz o inciso XVIII do artigo 37 da Constituição: XVIII a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; Nem se pode alegar que o uso de fotografias para ilustrar fatos constatados possa ter invadido a privacidade de alguém. Não se vê nos autos qualquer declaração pessoal vinculando esse tipo de alegação a uma determinada fotografia específica. Alegações genéricas são desprovidas de razão quando é notória a utilidade desses meios de prova. Quanto à constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, é de se ressaltar que o Termo de Verificação de Infração esclarece que as Requisições de Movimentação Financeira (RMF) foram emitidas no âmbito de procedimento fiscal regulamente instaurado por Mandados de Procedimento Fiscal (MPF). Portanto, em conformidade com o que dispõem a Lei Complementar nº 105/2001 e o Decreto nº 3.724/01. Alegações de inconstitucionalidade acerca dessas disposições não podem ser apreciadas por este Colegiado. É que a atuação administrativa deve ser pautada pelas normas estabelecidas pela lei. A competência desta Casa está circunscrita a verificar os aspectos legais dessa atuação. Quanto a isso, vale a pena transcrever o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF) e a Súmula CARF nº 2: Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.382 19 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (grifei) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, cumpre enfatizar a exigência regimental para que os julgados desta Casa observem os entendimentos sumulados. É o que está determinado no artigo 72 do Anexo II do RICARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, se o acesso às informações bancárias seguiu estritamente o que foi estabelecido pela legislação que regulamenta o assunto (contra isso os recorrentes nada opuseram), não há o que se invalidar no procedimento da fiscalização. Por outro lado, quanto à necessidade de sobrestamento porque a matéria do sigilo bancário está sendo analisada no STF, impõese esclarecer que essa Turma, considerando as determinações regimentais então vigentes, já havia se pronunciado neste sentido no julgamento realizado em 09 de julho de 2013 (Resolução nº 1102000.166). Contudo, o entendimento ali esposado foi superado pela superveniente edição da Portaria MF nº 545, de 18/11/2013, a qual revogou os §§ 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Assim, nada mais impede o prosseguimento do julgamento. Quanto à necessidade de intimação dos recorrentes para que estes tivessem a oportunidade de se manifestar acerca da origem dos depósitos bancários, cumpre reforçar os argumentos apresentados no voto do relator da decisão recorrida. Com efeito, o procedimento de fiscalização não se confunde com o processo administrativo. Este se instaura com a impugnação do ato resultante daquele. O procedimento fiscal tem natureza inquisitorial. Embora muitas vezes o contribuinte ou terceiros venham a ser intimados para prestar esclarecimentos sobre algum aspecto que possa contribuir com a formação da convicção da autoridade quanto à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, essa iniciativa, em geral, não é mandatória. O contraditório e a ampla defesa, contudo, estarão garantidos na fase processual. No entanto, há situações em que a própria lei exige a manifestação do contribuinte para que possa se configurar o fato indiciário de uma presunção legal. É o que se observa com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, verbis: Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.383 20 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifei) Então, para que se configure o fato indiciário (a não comprovação da origem de depósitos bancários) da presunção legal (a omissão de receita) é necessário intimar o contribuinte (o titular das contas bancárias). Oportunizase, assim, seu direito de afastar o fato indiciário (comprovando a origem dos depósitos). Isso, não há dúvidas, foi feito. O que os recorrentes pretendem, entretanto, é a extensão desse mandamento às pessoas dos responsáveis tributários. Ora, uma vez provado o fato indiciário, em consonância com o artigo 142 do CTN, é dever da fiscalização efetuar o lançamento dos tributos decorrentes da infração verificada pela presunção legal. Nada impede, contudo, que aquela prova possa ser refutada no processo administrativo fiscal. Como disse o relator da instância a quo, as impugnantes, na condição de responsáveis tributárias, poderiam trazer os elementos capazes de afastar a presunção. No entanto, nem nos recursos há nada nesse sentido. Portanto, dizer que deveriam ter sido intimadas no curso do procedimento fiscal a fazer algo que poderiam têlo feito, depois, quando instaurado o processo, mas não o fizeram, é mero argumento retórico e não merece ser acolhido. Os recorrentes também se insurgem em face da não intimação dos sócios da contribuinte (SOUSA JESUS) para a comprovação da origem dos depósitos bancários. Alegam ofensa à Súmula nº 29 do CARF. Eis o seu conteúdo: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Nada obstante, o fato de as pessoas que constam como sócias no contrato social da empresa (as Sras. FERNANDA SILVA SOUSA e JULIANA DE JESUS) terem assinados os documentos necessários para a abertura da contas bancárias objeto da fiscalização (nºs 11.433.190 – Agência nº 0207 / Graciano Neves – e 12.317.558 – Agência nº 0166 / Fundão), bem como terem constituído uma procuradora para movimentar a conta (a Sra. ROSA ANA GROBERIO), conforme atestam os documentos de fls. 30 a 71, não atesta sua cotitularidade nas contas bancárias. Não há nenhuma evidência neste sentido nos autos. Pelo contrário, as propostas de abertura das contas, as fichas cadastrais e o instrumento de procuração indicam tratarse de contas individuais em nome da empresa. Nos extratos Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.384 21 bancários de fls. 72 a 311, é o nome da empresa contribuinte que aparece no cabeçalho. Nas cópias dos cheques juntados aos autos (fls. 333 e 334, 1244 a 1265, 1305 a 1314, 1332 e 1333), o local destinado a identificação dos titulares da conta corrente, onde são inseridas as assinaturas, contém apenas o nome e o CNPJ da empresa contribuinte. Os únicos documentos que podem geral alguma dúvida quanto à titularidade individual da empresa contribuinte são os cartões de assinatura (fls. 30 e 32). Nesses documentos, os nomes das sócias e da procuradora aparecem inscritos em campos nos quais está informado trataremse de “NOME DO 1º TITULAR” e “NOME DO 2º TITULAR / PROCURADOR / REPRESENTANTE LEGAL”. Sem embargo, essas informações pouco podem ajudar na alegação dos recorrentes. Isso porque são contraditórias com as informações constates dos campos “NOME / RAZÃO SOCIAL” e “CPF / CNPJ”, onde estão inscritos os dados da empresa contribuinte. Tudo indica que os formulários dos cartões são utilizados nas diversas situações de contas abertas para pessoas físicas ou jurídicas com um ou mais titulares. Nesse contexto, os campos são aproveitados sem maiores preocupações com a real condição de cada pessoa em relação à conta bancária tratada. O importante é o colhimento de três assinaturas para comparação com as inseridas nos cheques emitidos. Destarte, as sócias não eram cotitulares das contas bancárias, de modo que não é o caso de aplicação do teor da Súmula CARF nº 29. No que diz respeito à imputação de responsabilidade a pessoa diversa pelo fato de haver nos autos evidência de evento sucessório, a alegação não tem o menor cabimento. Os fatos de a fiscalização constatar que outra pessoa jurídica (a NUTRIQ COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDAME) operava no local cadastrado no CNPJ como endereço da contribuinte e de alguns depoentes terem afirmado que o Sr. Américo Grobério seria o verdadeiro proprietário da contribuinte não permitem inferir diretamente a ocorrência da hipótese prevista no artigo 133 do CTN como pretendem os recorrentes. Confira se: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Como se vê, para que o alegado fosse verdade deveria haver prova da aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, com a Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.385 22 continuação da respectiva exploração, pela nova pessoa jurídica instalada no local ou pela pessoa física apontada, sob firma ou nome individual. Nada disso se materializa nos autos e a instância a quo já havia se manifestado nesse sentido. Mesmo assim, os recorrentes insistem no assunto dizendo que caberia ao auditor o aprofundamento da fiscalização na persecução dessas provas. Ainda que isso fosse levado a efeito, nada impediria que continuasse mantida a responsabilidade tributária dos recorrentes. As hipóteses de responsabilização não são excludentes e podem ser cumulativas. O fato de a fiscalização não ter prosseguido na investigação que poderia atribuir responsabilidade a outra pessoa não é suficiente para afastar as responsabilidades imputadas. Aliás, uma das pessoas a quem os recorrentes pretendem ver imputada a responsabilidade por sucessão, o Sr. AMERICO GROBERIO, já foi responsabilizada, tanto quanto eles na condição de solidário por interesse comum, como quanto na condição de sócio administrador que infringiu o contrato social. Portanto, não procede o argumento. Quanto aos demais argumentos contra à responsabilização dos recorrentes, há que se reunilos porque todos contribuem para a formação da convicção manifestada pela fiscalização de que houve o interesse comum característico da hipótese de responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN. Vejase, então, o seu conteúdo: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; O interesse comum é um conceito indeterminado que exige construção jurisprudencial. De imediato, impõese a consagrada interpretação segundo a qual ocorre tal hipótese quando duas ou mais pessoas se instalam no mesmo lado da relação obrigacional escolhido pelo legislador para a configuração da sujeição passiva tributária (exemplo clássico dos coproprietários de um imóvel em relação ao IPTU). Além disso, o STJ cristalizou o entendimento de que o fato de haver empresas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária (AgRg no REsp nº 1.102.894, AgRg no Ag nº 1.055.860, REsp nº 834.044, REsp nº 1.001.450). Portanto, em situações semelhantes, há que se demonstrar algo mais do que a mera pertinência dentro do grupo econômico. Entendo que caracterizase também o interesse comum quando é constatada a existência de pessoas diretamente beneficiadas por recursos financeiros ou patrimoniais fornecidos pelo contribuinte. No caso de pessoas jurídicas, normalmente essa situação vem acompanhada de uma ligação umbilical entre atividades aparentemente independentes, marcada pela confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de sócios administradores. No caso de pessoas físicas, normalmente há a apropriação direta dos recursos da empresa contribuinte, marcada pela obtenção de empréstimos ou usufruto de bens desprovidos de maiores formalidades. Essas pessoas não possuem apenas o interesse mediato no resultado econômicofinanceiro das atividades da empresa contribuinte, como é o que ocorre, de regra, com qualquer pessoa que regularmente pertença ao quadro societário de uma Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.386 23 empresa. Têm também o interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (a receita, o lucro). Isso porque se beneficiam dessas situações jurídicas diretamente, dispensando a regular distribuição de lucros, por obra da confusão patrimonial estabelecida entre suas esferas pessoais e a da empresa contribuinte. Cumpre esclarecer que a fiscalização também suscitou o enquadramento dos responsáveis tributários na hipótese do artigo 135, III, do CTN. Entretanto, quando detalhou seu entendimento para cada uma das pessoas apontadas como responsáveis, só considerou o Sr. AMERICO GROBERIO como sócio administrador da empresa contribuinte. Assim, resta para os dois recorrentes a hipótese do artigo 124, I. No presente caso, a fiscalização reuniu uma variedade de provas que apontam para a existência desse interesse comum. Vale a pena um pequeno resumo. Para começar, a fiscalização constatou que o cheque no valor de R$ 17.286,89 (fls. 333 e 334) foi utilizado para o pagamento de Guias da Previdência Social (GPS) da empresa FORTE BOI e do Sr. VALMIR PANDOLFI (fls. 335 e 336). Essa informação foi prestada pelo próprio BANESTES e confirmada pela fiscalização nos sistemas de controle da Receita Federal (fls. 337 a 340). Os recorrentes alegam que não há ilegalidade nisso, que se trata de prática comum entre as empresas e que não se pode concluir pela responsabilidade solidária apenas com base nesses pagamentos. Acrescenta que a DRJ teria concordado que a utilização de cheque de outras empresas para o pagamento de despesas é comum na vida empresarial. Contudo, o relator da decisão recorrida, depois de fazer essa observação, deixou bem claro que este não era o único elemento utilizado para caracterizar a solidariedade. Tratase, na verdade, de um conjunto de provas que, reunidos, formaram a convicção das autoridades fiscal e julgadoras. A empresa APUCACOUROS declarou que dentre seus contatos nos negócios efetuados com a empresa SOUSA JESUS estava o Sr. VALMIR PANDOLFI (fls. 1235). Os recorrentes alegam que há contradição neste depoimento porque, se a APUCACOUROS pagava à SOUSA JESUS, não podia dizer que não conhecia a SOUSA JESUS, mas só seus representantes. Ora, esse sofisma não afasta o valor probatório de uma declaração efetuada por uma empresa, sob intimação da fiscalização, no sentido de apontar a existência de um vínculo factual entre a contribuinte e o Sr. VALMIR PANDOLFI. Segundo a fiscalização, as notas fiscais juntadas pela empresa FORTE BOI relativas à venda de carne bovina para a empresa SOUSA JESUS com a finalidade de justificar os cheques emitidos por esta última em favor daquela, foram escolhidas por aproximação, mas sem nenhuma base concreta ou argumento legal, uma vez que não coincidem em valores e possuem datas de vencimento anteriores às da emissão dos cheques. Para melhor elucidação, cumpre listar as notas fiscais e cheques considerados pela fiscalização (fls. 1266 a 1277 e 1244 a 1257): NOTAS FISCAIS Data Emissão Data Vencimento Valor Nº Nota Fiscal 23/05/2007 22/06/2007 54.442,01 5616 04/06/2007 04/07/2007 62.875,95 6364 04/07/2007 03/08/2007 51.949,13 9090 Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.387 24 16/07/2007 15/08/2007 58.050,10 10005 24/07/2007 23/08/2007 48.500,17 10754 01/08/2007 31/08/2007 55.270,24 11422 TOTAL 331.087,60 CHEQUES Data Emissão Valor Histórico Nº Cheque 30/11/2007 50.000,00 CHQ COMP MAIOR 006998 6998 30/11/2007 50.000,00 CHQ COMP MAIOR 006997 6997 30/11/2007 50.000,00 CHQ COMP MAIOR 006999 6999 30/11/2007 50.000,00 CHQ COMP MAIOR 006995 6995 30/11/2007 50.000,00 CHQ COMP MAIOR 006996 6996 30/11/2007 50.000,00 CHQ COMP MAIOR 007000 7000 12/12/2007 40.000,00 CHEQUE NUMERO 007035 7035 TOTAL 340.000,00 A FORTE BOI argumenta que as datas não coincidem porque a SOUSA JESUS não arcou com o seu compromisso nas datas acordadas. A diferença de valores se explicaria pela incidência de juros. Nada obstante, essa explicação carece de prova. Fazem mais sentido as razões que motivaram a conclusão da DRJ sobre esse assunto. Confirase: Passemos a analisar os cheques nos valores de R$ 340.000,00, os quais se encontram às fls. 1244/1265, os quais possuem as seguintes características comuns: a) todos os cheques emitidos são pertencentes à conta corrente nº 12.317.558, da SOUZA DE JESUS, na Agência Fundão, que segundo o Sr. KLEBER LUIZ DE OLIVEIRA, em seu TERMO DE DECLARAÇÃO (fls. 1463/1468), seria utilizada pela FORTE BOI para cobranças, TED´s, cheques e demais movimentações bancárias para suas operações; b) comparandose a assinatura constante dos cheques com a existente no cartão de assinaturas referente à conta 12.317.558 (fl. 32), percebese, pela semelhança entre as assinaturas, que os cheques, em princípio, aparentemente, devem ter sido assinados pela sócia FERNANDA SILVA SOUZA, que em seu depoimento (fl. 1371) alega ter assinado cheques em branco da empresa; c) ainda que assim seja, no depoimento do Sr. EDSON LACHINE, que entre 09/2006 e 08/2007 trabalhava como gerente de relacionamento do BANESTES na Agência Graciano Neves, o mesmo sustenta que “...em outro cartão de assinatura da Fernanda Silva Souza, feita para a Agência de Fundão, acha que a assinatura deveria constar apenas do lado esquerdo, relativo ao primeiro titular, sendo que o cartão está assinado nos dois lados com a mesma assinatura; e que neste caso não aceitaria este procedimento; e que a auditoria interna do banco não recomenda tal procedimento; e que neste cartão a assinatura de Fernanda Silva Souza está totalmente diferente do cartão de assinaturas feita para a Agência de Graciano Neves; e, mediante a comparação das duas assinaturas, provavelmente a última não seja a sua assinatura” (ver fls. 1458/1459); Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.388 25 d) a assinatura da sócia FERNANDA SILVA SOUZA constante do cartão de assinaturas da conta corrente 11.443.190 (Agência Graciano Neves) é totalmente diferente da constante do cartão de assinaturas relativo à conta corrente 12.317.558 (fl. 32), não coincidindo também com a constante em seu depoimento (fl. 1374) nem com a da sua carteira de identidade (fl. 1375); e) todos os cheques destinamse à própria SOUZA DE JESUS, que no verso de cada apõe o seu endosso, permitindo assim que seja utilizado por terceiros; f) o mais comum, na relação entre as empresas, é que os cheques sejam emitidos em favor do favorecido – no caso a FORTE BOI; segundo alega entretanto, não há nenhum cheque nominal em favor desta; g) os cheques 6.995 a 7.000 são todos no mesmo valor – R$ 50.000,00 – e mesma data – 30/11/2007 –, procedimento, ao que nos parece, pouco usual, pois teria sido mais prático emitir apenas um cheque no valor de R$ 300.000,00. Examinandose as notas fiscais (fls. 1266/1285), percebese que foram emitidas nos meses de maio a agosto de 2007, ou seja, são bem anteriores aos depósitos bancários realizados na conta da empresa, em 30/11/2007 e 12/12/2007, que também não guardam correspondência com os vencimentos indicados nas respectivas notas fiscais/faturas. A empresa poderia ter demonstrado ainda a forma de cálculo dos alegados juros pagos pela SOUZA DE JESUS, no valor de R$ 8.912,40, em decorrência do atraso no pagamento, bem como algum tipo de documento ou elucidação da SOUZA DE JESUS, que informasse sua anuência quanto aos juros pagos/cobrados. Por tais razões, considero insuficientes os argumentos trazidos pela empresa, para explicar a causa dos depósitos no valor de R$ 340.000,000, efetuados em sua conta corrente. De modo semelhante, quanto à nota fiscal juntada pelo produtor rural, Sr. VALMIR PANDOLFI, relativa à venda de carne bovina para a empresa SOUSA JESUS com a finalidade de justificar o cheque de R$ 25.000,00 (fls. 1332 e 1333), emitido em 18/12/2007, por esta última em favor daquele, a fiscalização também argumenta que inexiste coincidência de datas e valores porque a nota fiscal foi emitida, em 31/07/2007, com o valor de R$ 28.920,00 (fls. 1334 e 1335). Não há indicação de que o pagamento seria a prazo. Mesmo assim, na impugnação, alegouse o mesmo motivo, qual seja, a incidência de juros. A DRJ disse que isso não fazia sentido porque o valor do pagamento é menor que o da nota fiscal. Constatado o erro, mudouse a motivação no recurso para fazer crer que houve uma remissão de parte da dívida. Novamente, explicação que carece de prova. Outro ponto que merece destaque é o fato de ter sido inequivocamente constatado que as sócias da empresa contribuinte (JULIANA DE JESUS e FERNANDA SILVA SOUSA) eram pessoas interpostas. As conhecidas “laranjas”. Isso ficou muito claro nos depoimentos que as próprias prestaram à fiscalização. Ambas são pessoas de poucos Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.389 26 recursos e instrução e apontaram o Sr. AMERICO GROBERIO e sua irmã (ROSA ANA GROBERIO) como sócios de fato da empresa (fls. 1554 e 1560). Constatouse, inclusive, que a interposição foi praticada com outras pessoas em períodos anteriores ao fiscalizado (fls. 1560 a 1563). O fato de haver a interposição de pessoas não é, por si só, uma prova de interesse comum entre a SOUSA JESUS e os recorrentes. Mas, caracteriza uma mácula decisiva nas ações da empresa contribuinte e abre espaço para que se indague quais seriam os reais beneficiários de suas ações. O produtor rural, Sr. JARBAS ANTONIO CUZZUOL, declarou que vendia o seu gado bovino regularmente a empresas conhecidas, sendo uma delas a FORTE BOI. Seu contato nesta empresa era o Sr. VALMIR PANDOLFI. Em 2007, emitiu notas fiscais para a SOUSA JESUS, contudo enviou o gado vendido para abate na empresa FORTE BOI. A fiscalização entendeu que o negócio foi feito com o frigorífico abatedor do gado, ou seja, a empresa FORTE BOI, e não com a SOUSA JESUS (fls. 1580 e 1581). A DRJ concordou com as impugnantes no sentido de que essa ilação não estava totalmente comprovada, mas não deixou de ressalvar o fato de ela ser possível. Tratase, portanto, de uma prova fraca, mas que, no conjunto, não deixa de contribuir para formar a convicção. A meu ver, a prova mais contundente está no depoimento do Sr. KLEBER LUIZ DE OLIVEIRA, gerente da Agência Fundão do BANESTES. Vale a pena a reprodução do texto transcrito pela fiscalização (fls. 1586 a 1588): Através de Termo de Declaração, de 16/08/2011, o gerente bancário, SR KLEBER LUIZ DE OLIVEIRA, CPF 003.263.93765, prestou, dentre outras, as seguintes informações: 1) Que possui nível de escolaridade superior, graduado em Ciências Contábeis; 2) Que o declarante trabalha atualmente como gerente de relacionamento da Agencia Carapina, do Banestes; que em 2007 trabalhava como gerente geral na Agencia de Fundão; 3) Que assinou, como gerente da Agencia Fundão, a proposta de abertura da conta nº 12.317.558, neste banco, em nome da empresa SOUSA JESUS COMERCIO ATACADISTA DE CARNES E COUROS LTDA, CNPJ 07.110.693/000114, cuja representante Fernanda Silva Sousa, assinou como sócia desta empresa, referente a seguinte conta: Banco 021 / Agência Fundão nº 0166 / ES / Conta Corrente nº 12.317.558; 4) Que o Sr. Paulo, gerente financeiro da empresa FORTE BOI, o procurou no BANESTES para abrir uma conta em nome da empresa SOUSA JESUS na Agência de Fundão, pois alegava que a empresa FORTE BOI estava comprando a empresa SOUSA JESUS; e que foi aberta nova conta em Fundão, com a promessa de que Paulo iria regularizar a situação, ou seja, alterar o contrato social da SOUSA JESUS, para incluir os sócios da FORTE BOI; porém ele não o fez, e o declarante encerrou a referida conta algum tempo depois; e que enquanto não se regularizava a situação, a empresa FORTE BOI INDUSTRIA DE ALIMENTOS LTDA / CNPJ: 05.975.865/000197, localizada no município de Fundão/ES utilizava a movimentação da empresa SOUSA Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.390 27 JESUS, utilizando inclusive os boletos de cobrança em nome da SOUSA JESUS, como cedente do boleto; sendo a movimentação na seguinte conta: Banco 021 / Agência Fundão nº 0166 / ES / Conta Corrente nº 12.317.558; 5) Que a FORTE BOI, cujo contato era o Paulo, tinha uma conta no Banestes / Ag Fundão, passou a utilizar menos esta conta, substituindoa pela conta em nome da empresa SOUSA JESUS, utilizando a mesma para cobranças, TED´s, cheques, e demais movimentações bancárias para a empresa SOUSA JESUS; e que os títulos eram emitidos em nome da empresa SOUSA JESUS; 6) Que a movimentação na conta: Banco 021 / Agência Fundão nº 0166 / ES / Conta Corrente nº 12.317.558, era significativa e constante, na ordem de R$ 300.000,00 em média por dia, aproximadamente ao final do ano de 2007; 7) Que o contato mantido com o Sr.Paulo era no endereço da empresa FORTE BOI, local em que o declarante se reunia para tratar de assuntos bancários, relativos as empresas FORTE BOI e SOUSA JESUS; 8) Que o declarante qualificou como cliente antigo e confiável o Sr. Valmir Pandolfi, sócio administrador da FORTE BOI, e o Sr. Antonio Pandolfi, gerente operacional da mesma empresa; 9) Que ouviu falar que Paulo era representante do Sr. Lourival Simer, que é pai do Sr. Renan Simer, que consta como sócio da empresa FORTE BOI; 10) Que o Sr. Paulo foi apresentado ao declarante em reunião na empresa FORTE BOI, em que participaram o Srs. Valmir, Antonio, Paulo, Lourival; 11) Que utilizava cheques custodiados da SOUSA JESUS, cheques de seus clientes, para usar como justificativa para acatamento de cheques emitidos pela SOUSA JESUS, no caso de falta de fundos; 12) Que tomou conhecimento, do cartão de assinaturas de FERNANDA SILVA SOUSA e JULIANA DE JESUS, da Agencia Graciano Neves, em que ambas assinaram como sócias da empresa SOUSA JESUS; 13) Que tomou conhecimento do cartão de assinaturas de FERNANDA SILVA SOUSA na Agencia Fundão, com outro tipo de rubrica, e achou estranho a mudança no tipo de assinatura em tão pouco tempo (aproximadamente 02 meses); e que é mais certo que a assinatura da Agencia Graciano Neves seja mais fidedigna do que a assinatura da Agencia Fundão; 14) Que no cartão de assinatura de FERNANDA SILVA SOUSA na Agencia de Fundão não tinha reconhecimento de firma pelo cartório, e que provavelmente houve a presença fisica da FERNANDA, ou o cartão foi enviado a empresa para obter a assinatura e posteriormente ser devolvido ao banco; 15) Que não conhece FERNANDA SILVA SOUSA, que constava no contrato social da empresa SOUSA JESUS, apesar da mesma assinar os cheques desta empresa, na conta: Banco 021 / Agência Fundão nº 0166 / ES / Conta Corrente nº 12.317.558; Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.391 28 A DRJ lembra que, por se tratar de uma sociedade de economia mista, os funcionários do BANESTES são admitidos por concurso público e são participantes da administração pública indireta. Portanto, seus depoimentos gozam de presunção de veracidade. Os recorrentes insistem que esse depoimento carece de provas e que é estranha a utilização da conta bancária da SOUSA JESUS por terceiros sem que a instituição possua documentos que a autorize. Acrescentam que a fiscalização deveria ter buscado documentos para robustecer as declarações do gerente. Não trouxeram, contudo, nenhum elemento para infirmar as acusações proferidas pelo depoente. Ora, como disse o relator do voto condutor da instância a quo, se as declarações supra não servem como prova definitiva, elas servem como mais um elemento indiciário, consentâneo com as demais provas e indícios constantes dos autos. Tratase de ver o conjunto da obra. Nesse sentido, considero suficientemente comprovado o requisito do interesse comum entre a empresa contribuinte e os recorrentes. A utilização da conta bancária de titularidade da SOUSA JESUS e da própria estrutura legal dessa empresa em benefício dos recorrentes caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do requisito que permite a atribuição da responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, I, do CTN. Quanto à alegação de que a qualificação das multas aplicadas incorreria em abuso e confisco, considerando que essas questões se inserem na discussão constitucional do princípio do não confisco, é de se repetir o que já se disse sobre a impossibilidade de este Colegiado se manifestar sobre o tema por conta do que dispõem o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do RICARF e a Súmula CARF nº 2, acima transcritos. Por fim, no tocante ao recurso de ofício, é de se notar a razão pela qual a fiscalização decidiu agravar as multas aplicadas. A justificativa consta do Termo de Verificação de Infrações (fls. 1597): Considerando a falta de esclarecimento, quando intimado, sobre a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, foi aplicado o agravamento de metade da multa supracitada, totalizando a aplicação de 225% de multa de oficio, conforme dispõe o artigo 959, inciso I, do RIR/99, Decreto 3.000/99, e no artigo 44, § 2º, da Lei n° 9.430/96. A DRJ argumentou que a causa do agravamento foi a mesma que motivou a imputação da infração constatada, qual seja, a omissão de receita. Tem razão a instância a quo. Já me manifestei sobre minha discordância em relação à maior parte da jurisprudência dessa Casa que se inclina no sentido de restringir o agravamento da multa às situações em que a falta de cooperação do contribuinte causa prejuízos para a ação fiscal (Acórdãos nº 1102001.094 e 1102001.032). Nesse sentido, penso que a sanção para o dever Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Acórdão n.º 1102001.301 S1C1T2 Fl. 2.392 29 geral de prestar informações contido nos artigos 927 e 928 do RIR/99, relativamente ao contribuinte que é fiscalizado, está contemplada na previsão legal do agravamento. Nada obstante, no presente caso, a consequência para o não atendimento à intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários já está na raiz da própria hipótese legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 (acima transcrito). A sanção, se é que se pode assim falar, será a consolidação da presunção de omissão de receita. Para essa omissão do contribuinte, não cabe outra sanção. Portanto, a situação não se enquadra naquele dever geral de prestar informações. Por essa razão, considero correto o entendimento da decisão recorrida. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento aos dois recursos voluntários apresentados e também ao recurso de ofício. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 15374.920820/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Adriana Gomes Rêgo Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1362; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 88 1 87 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.920820/200812 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.268 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 04 de março de 2015 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente SUL AMÉRICA SANTA CRUZ PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 20 82 0/ 20 08 -1 2 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920820/200812 Resolução nº 1301000.268 S1C3T1 Fl. 89 2 Relatório Sirvome do relatório constante da decisão de primeiro grau para retratar os fatos e as razões de defesa inicialmente trazidas pela contribuinte. Versa o presente processo sobre o PER/DCOMP 27605.42669.010405.1.2.02 1260 (fl. 02/04), por meio da qual a interessada pleiteia restituição de pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao exercício 2000 data do evento 28/04/2000 da sucedida Sul América Comercial Café S. A. CNPJ 29.963.063/000125. De acordo com o Despacho Decisório n° 783769583 emitido em 26/08/2008 (fl. 07), foi indeferido o pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP anteriormente relacionado, tendo em vista que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, uma vez que não há Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. CNPJ do detentor do crédito: 29.963.063/000125; Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 59.765,38. Cientificada do referido Despacho em 02/09/2008 (fl. 06), apresentou a interessada, em 01/10/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 09/10, juntamente com os documentos de fl. 11/47, na qual alega em síntese que: • Inicialmente esclarece que, em 01/04/2005, apresentou PER/DCOMP modelo 1.6 objetivando ver reconhecido o seu direito de ter restituído o valor de R$ 59.765,38 relativo a crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado pela sua incorporadora Sul América Comercial Café S.A. no período compreendido entre 01/01/2000 a 28/04/2000 (data da sua incorporação pela requerente); • A DERAT, ao analisar o PER/DCOMP, não homologou as compensações pleiteadas sob a alegação de que "... não foi possível confirmar a apuração do crédito, uma vez que não há Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com apuração de saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP ..."; • Contudo, verificase que o saldo em questão está devidamente informado na DIPJ entregue pela Incorporada à época da incorporação (vide linha 18 da ficha 13 da DIPJ 2000/2000 em anexo doc. 3 e documentos da incorporação doc. 4); • Com efeito, como na versão 1.6 da PER/DCOMP utilizada não havia campo para consignar nesses casos o exercício, a requerente, além de fazer constar a ocorrência da incorporação no campo "situação especial", informou o saldo negativo como decorrente do período compreendido entre 01/01/2000 e 28/04/2000 e na data do evento 28/04/2000; • Requer reforma do Despacho Decisório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920820/200812 Resolução nº 1301000.268 S1C3T1 Fl. 90 3 Foram juntados aos autos Relatórios do Sistema CNPJ / Consulta / RFB (fl. 49/50) e do Sistema IRPJ / IRPJCONS/ Consulta / RFB (fl. 51). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1231.351, de 17 de junho de 2010, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de crédito que pretende ter restituído. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 74/79, por meio do qual sustenta: que o fundamento esposado no ato decisório recorrido não pode prosperar, pois à época, como evidencia a sua denominação estampada nos próprios atos que deliberam a incorporação (Sul América Santa Cruz Seguros S.A.), ela era uma empresa seguradora e, conforme exige a letra "a" do artigo 36 do DecretoLei n° 73/66 c/c artigo 10 da Circular SUSEP n° 260/2004, era obrigada, no prazo máximo de trinta dias, a submeter à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) pedido de autorização para a incorporação de outra sociedade; que, como determina o artigo 5° da mencionada Circular SUSEP nº 260/2004, somente após a homologação pela SUSEP é que ela poderia solicitar arquivamento dos documentos relativos à incorporação na Junta Comercial; que, pelo que se depreende da Carta SUSEP/DECON/GAB 289/2001 ora anexada (doc. 1), o pedido de autorização protocolado em 23.05.2000 foi deferido pela SUSEP em 22.02.2001 e, em 08.03.2001, pelo n° de protocolo 002001/033.9159, (fls. de protocolo na Junta anexada à manifestação de inconformidade), ou seja, dentro do prazo de 30 dias exigido pela letra “a” inciso II do artigo 32 da Lei n° 8.934/94, ela arquivou os citados atos na JUCERJA; que, a teor do mencionado dispositivo legal, os efeitos do arquivamento retroagiram à data da realização das assembléias que deliberam a incorporação (28.04.2000); que, atendidas todas as exigências legais no que se refere à incorporação, não pode ser a ela imputada a responsabilidade por demora na baixa do CNPJ da empresa incorporada, face às inúmeras exigências realizadas pela Receita Federal, ou ainda, ausência de registro nos sistemas desse órgão de DIPJ regularmente entregue. É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920820/200812 Resolução nº 1301000.268 S1C3T1 Fl. 91 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte SUL AMÉRICA SANTA CRUZ PARTICIPAÇÕES indica para o encontro de contas crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao exercício 2000, apurado pela sucedida SUL AMÉRICA COMERCIAL CAFÉ S/A. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJO), unidade administrativa que primeiro analisou a compensação requerida pela contribuinte, a indeferiu por não localizar Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) com apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP (Despacho Decisório – eletrônico – fls. 07). Apresentada Manifestação de Inconformidade, a Turma Julgadora de primeira instância também indeferiu o pedido ali veiculado, servindose, para tanto, dos seguintes fundamentos: i) não restou comprovada nos autos a incorporação, por parte da Recorrente, da pessoa jurídica SUL AMÉRICA COMERCIAL CAFÉ S/A; ii) não foi possível atestar o registro da extinção, por incorporação, da empresa SUL AMÉRICA COMERCIAL CAFÉ S/A na Junta Comercial; iii) a pessoa jurídica SUL AMÉRICA COMERCIAL CAFÉ S/A encontrase “baixada”, por motivo de INAPTIDÃO, tendo como data da situação 31 de dezembro de 2008; iv) embora reste comprovada a entrega, por parte da pessoa jurídica incorporada, da DIPJ/2000, período de 01/01/2000 a 28/04/2000, uma vez que não restou comprovada à Receita Federal a ocorrência do evento de incorporação, referida declaração não foi aceita (conclusão extraída a partir da ausência de registro de recepção nos controles internos da Receita Federal); v) competia à SUL AMÉRICA COMERCIAL CAFÉ S/A adotar todas as providências junto aos órgãos competentes, inclusive no que diz respeito à baixa de inscrição no CNPJ; e vi) a requerente (SUL AMÉRICA SANTA CRUZ PARTICIPAÇÕES) não possui legitimidade para pleitear restituição de tributo pago a maior pela pessoa jurídica SUL AMÉRICA COMERCIAL CAFÉ S/A. Por entender necessária a complementação de informações, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de origem, sem adentrar ao mérito dos fundamentos da decisão exarada em primeira instância, emita Parecer acerca da liquidez e certeza do direito creditório indicado pela contribuinte para fins de compensação tributária. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920820/200812 Resolução nº 1301000.268 S1C3T1 Fl. 92 5 Solicitase que a contribuinte seja cientificada do Parecer ora requerido, para, se quiser, aditar razões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 19515.004677/2010-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
COFINS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN.
Por força do art. 62-A do Anexo II do RICARF, deve ser reproduzido por este Conselho o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de Recurso Repetitivo, com fundamento no art. 543-C do CPC, de que o lançamento por homologação apenas se configura com o adiantamento do pagamento, de maneira que a ausência de pagamento implica na contagem do prazo pela regra geral do art. 173, I do CTN, não se deslocando para o art. 150, § 4º do CTN (REsp 973.733, DJ 18/09/2009).
COFINS. IMUNIDADE. ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO. FALTA DE PROVA.
Na época dos fatos a imunidade em relação às contribuições era regida pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, que exigia, além do registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), a obtenção periódica do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Não tendo sido provada a existência do CEBAS, deve ser rejeitada a alegação de imunidade.
COFINS. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. CONTRAPRESTAÇÃO. ALCANCE.
A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP no 2.158-35/2001, aplica-se às receitas relativas às atividades próprias da entidade, alcançando, pois, as receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades. Precedentes (CSRF, acórdãos 9303-01.486 e 9303-001.869).
O âmbito da atividade própria, alcançada pela isenção, circunscreve-se àquela atividade realizada diretamente pela entidade, ou seja, por sua atuação direta, e que caracterizem atividades de natureza correspondente ao objeto de sua atuação, no caso, de natureza recreativa, cultural e científica.
COFINS. REGIME CUMULATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALARGAMENTO INDEVIDO DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da Cofins ao faturamento, neste conceito compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e de serviços. Não configuram receita da venda de bens e serviços, portanto não se submetendo à incidência das contribuições, as receitas financeiras.
MULTA QUALIFICADA. PRECLUSÃO.
Não se conhece do fundamento de defesa que deixa de ser apresentado na impugnação ao lançamento, e que pela mesma razão deixa de ser apreciado pela Primeira Instância, apenas surgindo, de maneira inédita, no recurso voluntário. Preclusão do direito na forma do art. 17 do PAF.
Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da contribuição as seguintes receitas das atividades próprias: a) Taxas e inscrições; b) Festejos corporativos; c) Reprografias; d) Resultado na Realização de Eventos; e) Faturamento Ciosp Turismo; f) Receitas Aperfeiçoamento Profissional; g) Assinantes Revista e Publicidade; h) Publicação de anúncios, Classificados; i) Etiquetas; j) Mala direta; k) Publicação de Anúncios O. Deptos; l) Indicador profissional; m) Taxas de uso ou similar; n) Receitas do Centro Técnico Educacional; o) Técnico em Higiene Dental, Técnico em Radiologia Odontológica, Técnico em Prótese Dentária e Cursos Básicos. Vencidos em primeira votação os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Alexandre Kern que negaram provimento na íntegra. E, em segunda votação, vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho que deram provimento em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 COFINS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. Por força do art. 62-A do Anexo II do RICARF, deve ser reproduzido por este Conselho o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de Recurso Repetitivo, com fundamento no art. 543-C do CPC, de que o lançamento por homologação apenas se configura com o adiantamento do pagamento, de maneira que a ausência de pagamento implica na contagem do prazo pela regra geral do art. 173, I do CTN, não se deslocando para o art. 150, § 4º do CTN (REsp 973.733, DJ 18/09/2009). COFINS. IMUNIDADE. ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO. FALTA DE PROVA. Na época dos fatos a imunidade em relação às contribuições era regida pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, que exigia, além do registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), a obtenção periódica do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Não tendo sido provada a existência do CEBAS, deve ser rejeitada a alegação de imunidade. COFINS. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. CONTRAPRESTAÇÃO. ALCANCE. A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP no 2.158-35/2001, aplica-se às receitas relativas às atividades próprias da entidade, alcançando, pois, as receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades. Precedentes (CSRF, acórdãos 9303-01.486 e 9303-001.869). O âmbito da atividade própria, alcançada pela isenção, circunscreve-se àquela atividade realizada diretamente pela entidade, ou seja, por sua atuação direta, e que caracterizem atividades de natureza correspondente ao objeto de sua atuação, no caso, de natureza recreativa, cultural e científica. COFINS. REGIME CUMULATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALARGAMENTO INDEVIDO DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da Cofins ao faturamento, neste conceito compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e de serviços. Não configuram receita da venda de bens e serviços, portanto não se submetendo à incidência das contribuições, as receitas financeiras. MULTA QUALIFICADA. PRECLUSÃO. Não se conhece do fundamento de defesa que deixa de ser apresentado na impugnação ao lançamento, e que pela mesma razão deixa de ser apreciado pela Primeira Instância, apenas surgindo, de maneira inédita, no recurso voluntário. Preclusão do direito na forma do art. 17 do PAF. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido.
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. Por força do art. 62A do Anexo II do RICARF, deve ser reproduzido por este Conselho o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de Recurso Repetitivo, com fundamento no art. 543C do CPC, de que o lançamento por homologação apenas se configura com o adiantamento do pagamento, de maneira que a ausência de pagamento implica na contagem do prazo pela regra geral do art. 173, I do CTN, não se deslocando para o art. 150, § 4º do CTN (REsp 973.733, DJ 18/09/2009). COFINS. IMUNIDADE. ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO. FALTA DE PROVA. Na época dos fatos a imunidade em relação às contribuições era regida pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, que exigia, além do registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), a obtenção periódica do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Não tendo sido provada a existência do CEBAS, deve ser rejeitada a alegação de imunidade. COFINS. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. CONTRAPRESTAÇÃO. ALCANCE. A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP no 2.15835/2001, aplicase às “receitas relativas às atividades próprias” da entidade, alcançando, pois, as receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades. Precedentes (CSRF, acórdãos 930301.486 e 9303001.869). O âmbito da atividade própria, alcançada pela isenção, circunscrevese àquela atividade realizada diretamente pela entidade, ou seja, por sua atuação direta, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 77 /2 01 0- 25 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 e que caracterizem atividades de natureza correspondente ao objeto de sua atuação, no caso, de natureza recreativa, cultural e científica. COFINS. REGIME CUMULATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALARGAMENTO INDEVIDO DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da Cofins ao faturamento, neste conceito compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e de serviços. Não configuram receita da venda de bens e serviços, portanto não se submetendo à incidência das contribuições, as receitas financeiras. MULTA QUALIFICADA. PRECLUSÃO. Não se conhece do fundamento de defesa que deixa de ser apresentado na impugnação ao lançamento, e que pela mesma razão deixa de ser apreciado pela Primeira Instância, apenas surgindo, de maneira inédita, no recurso voluntário. Preclusão do direito na forma do art. 17 do PAF. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da contribuição as seguintes receitas das atividades próprias: a) Taxas e inscrições; b) Festejos corporativos; c) Reprografias; d) Resultado na Realização de Eventos; e) Faturamento Ciosp Turismo; f) Receitas Aperfeiçoamento Profissional; g) Assinantes –Revista e Publicidade; h) Publicação de anúncios, Classificados; i) Etiquetas; j) Mala direta; k) Publicação de Anúncios O. Deptos; l) Indicador profissional; m) Taxas de uso ou similar; n) Receitas do Centro Técnico Educacional; o) Técnico em Higiene Dental, Técnico em Radiologia Odontológica, Técnico em Prótese Dentária e Cursos Básicos. Vencidos em primeira votação os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Alexandre Kern que negaram provimento na íntegra. E, em segunda votação, vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho que deram provimento em maior extensão. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a constituição de crédito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) quanto a fatos geradores Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 689 3 ocorridos entre 01/2004 e 12/2006 (fls. 372/396, sendo que todas as páginas indicadas neste acórdão se referem à numeração do processo eletrônico). Conforme detalhado no Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 138/158), a Fiscalização promoveu o lançamento por entender que as receitas obtidas pela contribuinte, em sua maior parte, não seriam alcançadas pela isenção prevista no art. 13, IV, c/c art. 14 da MP 2.15835/2001, baseada no seguinte entendimento: 2.7 Por todo o exposto concluo que a APCD, tanto como Associação e, ainda que entenda ser uma entidade beneficente de assistência Social, estaria isenta da Cofins sobre o faturamento incidente somente sobre as receitas de contribuições, anuidades, mensalidades ou doações fixadas em seu Estatuto, desde que não tenham caráter contraprestacional direto e sejam destinadas ao custeio e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais. 2.8 Dos esclarecimentos solicitados para a empresa quanto as receitas recebidas pela APCD (Central e Regionais) com a descrição das mesmas, a quem se destinam e se há diferenciação quanto aos valores cobrados ou não dos associados, foi nos apresentada uma descrição sucinta das receitas recebidas, sem manifestação de quem poderia se utilizar dos serviços e se haveria uma cobrança diferenciada. 2.9 Por esse motivo, as conclusões acerca das receitas obtidas pela APCD basearamse nesses esclarecimentos apresentados pela empresa, nos documentos contábeis e fiscais e nas consultas ao portal da entidade na internet para verificação dos efetivos serviços prestados pela Associação. 2.10 Da escrituração contábil apresentada em meio magnético verificamos que as receitas da entidade consistem em Receitas Ordinárias, Receitas Extraordinárias e Recebimentos para contas de terceiros. Receitas ordinárias por sua vez subdividem se nos seguintes grupos: taxas receitas da administração geral, receita do atendimento associativo, receita de eventos, receita do aperfeiçoamento profissional, receita de comunicação e 2.10.1 As Associativas, realização de publicidade, receita do Centro Técnico Educacional. Esses grupos são compostos pelas seguintes contas: (...) 2.10.2 As Receitas Extraordinárias subdividemse em receitas financeiras e outras receitas. Só houve movimentos nas contas de receitas financeiras que são compostas pelas seguintes contas: (...) 2.10.3 Em relação às receitas ordinárias e obtidas pela APCD nos anos de 2004 a 2006, com exceção das Taxas Associativas, previstas em seu Estatuto Social e que não guardam relação com uma prestação de serviço específica, as demais serão analisadas individualmente, nos itens seguintes, para verificação quanto ao caráter contraprestacional direto e quanto aos valores Fl. 693DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 contabilizados e que poderão ser considerados como base de cálculo para efeito da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre o faturamento. (...) 2.13 De todo o exposto, concluo que, com exceção das receitas de Patrocínios Diretoria Executiva (431131.11200), Repasse Responsabilidade Civil Beneficiários (434611.12102), Public. Anúncios Fat. Int. EAP Revista (462215.53001) e Public. Anunc. Comunic.Fat. Interno (462216.61100), as demais possuem caráter contraprestacional direto e devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins. (...) 2.14.1 Nas receitas descritas anteriormente, em que o caráter contraprestacional direto é inerente, foram considerados os valores creditados excluídos dos cancelamentos, devoluções e estornos. A Fiscalização também entendeu que a contribuinte não se enquadraria em nenhuma das hipóteses listadas nos incisos do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, o que implicaria em que, a partir da vigência desta Lei, estaria submetida à apuração da Cofins pelo regime não cumulativo. Além disso, foi aplicada multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) com base na seguinte motivação: “Para o cálculo da multa foi aplicada a alíquota de cento e cinqüenta por cento da contribuição devida por considerarmos que a empresa mesmo sabendo que deveria recolher/informar as contribuições sobre receitas da atividade não própria, não recolhe e não informa em DCTF e Dacon as referidas contribuições (fl. 334).” A notificação do lançamento aconteceu em 21/12/2010 (fl. 396). A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 405/436) alegando, em preliminar, a decadência parcial do lançamento, em razão de que se passaram mais de 5 anos entre a data dos fatos geradores até a notificação do lançamento, em 21/12/2010, reclamando a contagem do prazo na forma do art.150, § 4º, do CTN. Alegou, também, que por ser uma sociedade civil sem fins lucrativos, não estaria sujeita ao pagamento das contribuições sociais, seja pela imunidade, seja pela isenção, argumentando que na época dos fatos, possuía tanto o registro no CNAS como o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Destaca que, “prevendo o Estatuto da APCD que ela é uma sociedade civil, sem fins econômicos que tem por finalidade o desenvolvimento de atividades associativas, científicas, culturais, esportivas, assistenciais, sociais e de lazer, e não tendo a entidade “fins econômicos”, enquadrase, perfeitamente na hipótese da isenção” (fl. 422) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1634.840, de 24 de novembro de 2011 (fls. 595/614), deu parcial Fl. 694DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 690 5 provimento à impugnação apenas para excluir os períodos alcançados pela decadência, fazendo a contagem do prazo decadencial pela regra geral do art. 173 do CTN. O entendimento da DRJ é resumido na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. Inexistindo pagamento ou verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN, com início do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. ASSOCIAÇÃO DE CLASSE. ISENÇÃO. As associações civis são isentas da COFINS somente quando realizam as suas atividades próprias, fixadas em lei, quais sejam as receitas decorrentes de contribuições, doações, de anuidades ou de mensalidades fulcradas em lei, assembléia ou estatuto recebidas de associados ou de mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Quanto à decadência, a DRJ promoveu a contagem na forma do art. 173 do CTN, de maneira que, considerando que o auto de infração foi cientificado em 22/12/2010, excluiu do lançamento aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2004. A este respeito houve a interposição de recurso de oficio, por implicar em desoneração de valor superior ao limite previsto na Portaria MF nº . O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 629/679), no qual reitera os mesmos fundamentos da impugnação, acrescentando que não restou comprovado o “evidente intuito de fraude” que justificasse a aplicação da multa de 150%, justamente porque jamais teria ocultado fatos, manipulado documentos ou dificultado as atividades da Fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso de ofício foi interposto tanto em razão da exclusão do lançamento dos fatos geradores atingidos pela decadência, por aplicação do art. 173 do CTN. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Por configurar exoneração de montante superior ao valor de teto previsto na legislação, na forma do art. 34 do PAF c/c art. 1º da Portaria MF nº 3/2008, tomo conhecimento do recurso de ofício. O recurso voluntário foi interposto em 23/07/2012 (fl. 629), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 04/07/2012 (fl. 627). Por ser tempestivo e por conter razões de reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso voluntário. O julgamento dos recursos é repartido nos seguintes temas: 1. A decadência. O recurso de ofício se refere à exoneração, pela DRJ, de parte do lançamento pela aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN. O contribuinte, por sua vez, sustenta que deveria ser aplicada ao caso a contagem da decadência na forma do art. 150, § 4o do CTN, e não pela regra geral do art. 173 do CTN, como entendeu a DRJ. Alega que para a configuração do lançamento por homologação, previsto no art. 150 do CTN, é suficiente que a legislação do tributo preveja a necessidade de o contribuinte adiantarse na apuração do tributo e no adiantamento do pagamento, e que a homologação seria do procedimento e não do pagamento. Este Conselheiro ressalva o seu entendimento pessoal a respeito do tema, dando lugar à aplicação do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça a respeito do tema, em regime de Recurso Repetitivo. Com efeito, por força do art. 62A do Anexo II do RICARF, deve ser reiterado no julgamento administrativo o mesmo entendimento que o Superior Tribunal de Justiça venha a firmar em regime de Recurso Repetitivo, com fundamento no art. 543C do CPC. Ocorre, pois, que o STJ firmou, pela referida sistemática, o entendimento de que o lançamento por homologação apenas se configura com o adiantamento do pagamento, de maneira que a ausência de pagamento implica na contagem do prazo para regra geral do art. 173, I do CTN (REsp 973.733, DJ 18/09/2009). Este é o teor da ementa do Recurso Repetitivo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 691 7 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...)”(REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, unânime, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso) No presente caso não houve adiantamento do pagamento, visto que contribuinte entendia ser beneficiária da isenção da contribuição em relação à totalidade de suas receitas. Assim, deve ser mantido o entendimento da DRJ pela aplicação do art. 173, I do CTN, tendo em vista não haver antecipação de pagamento. Nego provimento ao recurso de ofício e também ao recurso voluntário, no que se refere à decadência. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 2. Imunidade. O contribuinte sustenta que não estaria sujeita às contribuições sociais por amparo do art. 195, § 7º, da Constituição, pois se enquadraria como entidade beneficente de assistência social, alegando possuir o Registro no CNAS e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) em relação ao período compreendido pelos fatos geradores lançados (fl. 648). Com efeito, na época dos fatos a imunidade em relação às contribuições era regida pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, que exigia, além do registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), a obtenção periódica do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Verifico, no entanto, que o contribuinte apenas alega, sem apresentar a prova de que teria recebido o CEBAS em relação ao período dos fatos geradores lançados, de maneira, pois, que não foi comprovada a sua qualidade de imune. Sem a prova da existência do CEBAS em relação ao período, não há como reconhecer a aplicação da imunidade. 3. Isenção. O art. 14, X, da MP 2158/91 prevê que, “Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13”, sendo que este último dispositivo referese às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações (inciso IV). A questão central está em definir no que consiste a receita da atividade própria destas entidades. A Fiscalização apegase a uma interpretação – a mesma que foi sugerida pela Coordenadoria do Sistema de Tributação (COSIT) no Parecer Normativo CST nº 5, de 1992, emitido em outro contexto normativo (aliás, bastante anterior à Medida Provisória, de 2001) – que leva a concluir que apenas contribuições sem caráter contraprestacional – ou seja, doações – é que configurariam receita da atividade própria das entidades. Esta interpretação – que ao ver deste Relator é um erro de interpretação – já foi superada por este Conselho, inclusive pela sua Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme esclarece o seguinte trecho de voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan: “Vejase que a lei instituidora da isenção a estabelece para “receitas de atividades próprias”, e o fisco as restringe às “receitas de atividades próprias derivadas de contribuição ...”, conforme exposto no parágrafo anterior. A expressão restritiva entre aspas constante do entendimento do fisco deriva do Parecer Normativo CST no 5, de 22/04/1992, conforme se reconhece no próprio texto do Termo de Constatação Fiscal (fls. 23/24), anexo à autuação. Ao final do referido Termo (fls. 24/25), concluise que: “Desse modo, estão sujeitas à Cofins, por força da Lei no 9.718, de 1998, as receitas de caráter contraprestacional das instituições de educação, ainda que sem finalidade Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 692 9 lucrativa. E, de fato, este é o caso da fiscalizada, como se conclui da análise das DIPJ correspondentes aos anos calendário de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, que conferem com a escrituração apresentada, pois a Fundação apura receitas de serviços prestados na área de educação, com relação às quais deve ser exigida a Cofins”. (grifo nosso) A autuação não levanta, portanto, discussão quanto a ser ou não a fundação uma entidade sem fins lucrativos, ou quanto ao comprimento estrito dos dispositivos da Lei no 9.532/1997. Discute especificamente a expressão “receitas de atividades próprias” do inciso X do art. 14 da Medida Provisória no 2.158 35/2001, à luz de abordagem histórica (do regime anterior à Lei no 9.718/1998) na qual defende a aplicabilidade do disposto no referido Parecer da CST. O julgador de primeira instância partilha de tal entendimento fundado em análise histórica da legislação da Cofins, agregando aos argumentos expostos na autuação que a Instrução Normativa SRF no 247, de 21/11/2002, em seu art. 47, II e § 2o, veio a esclarecer a aplicabilidade das disposições do Parecer da CST (pois manteve exatamente seus termos) à isenção tratada no art. 14 da Medida Provisória no 2.15835/2001. Em que pese a discussão sobre a referida Instrução Normativa sequer constar da autuação, ela foi de tamanha relevância no julgamento de primeira instância, a ponto de dois dos julgadores manifestarem se pela manutenção da autuação somente para fatos geradores posteriores a sua vigência. A matéria foi então decidida por qualidade, nos termos do voto do presidente da turma (relator), acompanhado (pelas conclusões) por outro julgador. É de se destacar, contudo, que o Parecer Normativo CST no 5, de 22/4/1992, foi emitido cerca de uma década antes do texto legal em discussão (Medida Provisória no 2.15835/2001), e para tratar de não incidência (instituto tributário com natureza diversa da isenção). Ademais, o parecer trata de situação sensivelmente diferente da que consta na presente autuação. Sobre a matéria, conveniente trazer decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão no 9303001.8691). Do voto condutor da decisão, unanimemente acolhido no tribunal, transcrevese excerto referente ao tema que se está aqui a analisar: “Tudo o que resta esclarecer, assim, é o sentido da expressão receitas próprias de suas atividades. A SRF tem dado o entendimento, expresso hoje inclusive em Instrução Normativa (nº 247/2002), de que seriam aquelas que não consubstanciassem contraprestação pelo serviço prestado. Analogamente ao que ocorreria com as associações, entende que, também para as instituições de educação, elas se restringiriam às “decorrentes de contribuições, doações, 1 CSRF, Acórdão n. 9303001.869, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, unânime, sessão de 6.mar.2012. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Essa redação da IN simplesmente copiou as conclusões do Parecer Normativo CST nº 05/92. Mas este parecer faz expressa e exclusiva menção às associações, sindicatos, federações e confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Daí porque se refere apenas às mensalidades instituídas por lei, assembléia ou estatuto. Ali se quis excluir de qualquer benefício a receita eventualmente obtida por aquelas associações e entidades em decorrência da venda de bens ou prestação de serviços. Ora, sabese que as associações, espécie do gênero sociedades, se distinguem exatamente pela ausência do recurso ao mercado. Isto é, elas nascem para “prestar serviços” aos seus próprios associados. Em troca, e para viabilizálas economicamente, rateiam eles entre si os custos inerentes aos serviços prestados. A relação com o mercado, então, restringese à aquisição dos “insumos” necessários àquele serviço. Para tomar o exemplo de uma associação recreativa ou esportiva: ela nasce para que seus membros possam praticar, em comum, atividades recreativas ou esportivas. Para tanto, precisa comprar e manter determinados equipamentos apropriados às atividades desenvolvidas. Essas despesas é que são cobertas pelos associados mediante contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por assembléia ou estatuto. No caso das demais entidades tratadas no Parecer Normativo –entidades sindicais e representativas de categorias profissionais, tais contribuições são, normalmente, fixadas por lei. Totalmente diverso é o caso de uma sociedade constituída para prestar serviços de natureza civil. Estas vão ao mercado não só para adquirir os “insumos” mas também para ofertar os seus serviços. Analogamente ao exemplo da associação recreativa, agora constituísse uma sociedade para, por exemplo, ministrar aulas de uma determinada modalidade esportiva. Nesse caso, sua receita provém da “venda” do serviço prestado. Ora, o texto da lei não restringiu a isenção ao primeiro caso, o das associações. Ao contrário, não fez qualquer exigência de que as instituições de educação fossem constituídas como tal. Aliás, se essa fosse a intenção, não precisaria incluir um item próprio, na medida em que já estariam abrangidas pela expressão do mesmo art. 13 da MP). Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 693 11 Assim, entendo que a “analogia” in casu poderia, quando muito, determinar a exclusão do benefício sobre receitas outras, não oriundas da prestação do serviço educacional, a exemplo de estacionamento, aluguel de ginásio de esportes e de “cantina” e tais. Nunca sobre a própria receita obtida para financiar a atividade principal da instituição – as mensalidades pagas pelos alunos – sob pena de esvaziar a própria isenção concedida.” 2 (grifo nosso) O teor do referido Parecer da CST, assim, não se refere à matéria especificamente tratada no presente processo. E não merece prosperar o argumento de que a situação teria sido remediada com a inclusão de teor idêntico ao do referido parecer no texto de Instrução Normativa veiculada em 2002, tanto pelo acolhimento dos argumentos expressos no julgamento efetuado pela CSRF, quanto pelo fato de ter sido a matéria suscitada inauguralmente no julgamento de primeira instância. (Acórdão 3403002.298, PA 10380.010196/200671, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, j. 25/06/2013; trecho do voto do Relator) Com efeito, é neste mesmo sentido o entendimento da CSRF, conforme se verifica nas ementas abaixo: Ementa: COFINS. ISENÇÃO. São consideradas como receitas oriundas de atividades próprias de entidade mantedora de instituição educacional sem fins lucrativos, para fins da incidência da isenção da COFINS prevista no inciso X, do artigo 14, da MP nº 215835/01 (que alterou a MP nº 1858/99), aquelas receitas que são oriundas da prestação de serviços educacionais, desde que as mesmas se revertam em benefício da própria entidade, em consonância ao §3º, do artigo 12, da Lei nº 9.532/97, com redação dada pela Lei no 9.718/98. O conceito de “receitas derivadas de atividades próprias” previsto no § 2º, do artigo 47, da IN nº 247/2002 não se aplica para instituição educacional. (Acórdão 930301.486, PA 10183.003953/200414, Rel. Cons. Nanci Gama, j. 31/05/2011) Ementa: COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858/99 apenas exigiu que as 2 O presente excerto do voto condutor do acórdão 9303001.869 tem origem em outro voto do mesmo relator (julgamento do recurso nº 138.130 proc. nº 10183.003953/200414, fevereiro de 2008). Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado. (Acórdão 9303001.869, PA 19515.002662/200484, Rel. Cons. Júlio Cesar Alves, j. 06/03/2012) É este o mesmo entendimento que deve ser aplicado ao presente caso. Devese reconhecer como receitas próprias de uma entidade aquelas que custeiam o desempenho de sua atividade, ou seja, as contraprestações por meio das quais são suportadas as suas atividades recreativas, culturais, científicas e educativas. Não é razoável esperar que as entidades devam sobreviver a custa de doações de terceiros desinteressados, ou seja, da liberalidade alheia. Ainda a respeito da interpretação que se deve dar à “receita de atividade própria”, merecem ser conferidas as seguintes reflexões do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: Para compreender o sentido da expressão “atividades próprias” a fiscalização valese essencialmente de interpretação histórica. Recorre ao seqüenciamento legislativo da matéria para aduzir que, ao conferir a isenção, o propósito da MP no 2.15835/01 teria sido o de simplesmente restabelecer a base de cálculo da COFINS a que as associações se submetiam antes do advento da Lei no 9.718/98. Daí porque, prossegue, deverseia entender por “receitas relativas a atividades próprias” somente aquelas conseguidas gratuitamente. De minha parte, digo que o texto da norma posta seria muito infeliz acaso servisse a este escopo, o de recompor o tratamento dispensado pela LC no 70/91. No esforço de compreender o alcance da expressão é convidativo interpretála em comparação com o sentido atribuído a outra expressão, de sentido no mínimo análogo, contida no §4o, do artigo 150, da CF/88. A pretexto de limitar a imunidade a impostos prevista para templos de qualquer culto, partidos políticos, sindicatos e também instituições de educação e assistência social, o dispositivo refere ao patrimônio, renda e serviços associados às “finalidades essenciais das entidades” em comento. Também parte da doutrina enxerga entre as duas expressões a aproximação de sentido que autoriza emprestar a interpretação construída para uma na compreensão da extensão da outra. É como pensa Leandro Marins de Souza, no seu “Tributação do Terceiro Setor no Brasil”: “Não é a condição contraprestacional que define se a receita é oriunda de atividade própria da entidade ou não. O conceito a ser aqui utilizado é o mesmo trabalhado quando da interpretação da cláusula do artigo 150, §4o da Constituição Federal, que se remete às finalidades essenciais das entidades. Ora, é própria a atividade da instituição quando se volta a seus objetivos institucionais, a Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 694 13 suas finalidades essenciais. Estando fora desta característica, a atividade não será própria de entidades sem fins lucrativos, afastandose a isenção em comento”. (Tributação do Terceiro Setor no Brasil. São Paulo: Dialética, 2004, p. 296) Pensando o dispositivo constitucional, o STF lhe atribuiu exegese “finalística”, se é que assim se poderia designar seu entendimento. Depreendeu que renda relacionada às “atividades essenciais” da pessoa jurídica seria não necessariamente aquela oriunda da prática de suas atividades essenciais, mas a que, obtida das mais variadas origens, a entidade destinasse à consecução e ao desenvolvimento de suas finalidades estatuárias. A compreensão está bem sintetizada na Súmula no 724 da Corte, enunciada em dezembro de 2003: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, ‘c’ da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. Sob esta leitura, abstraise completamente da procedência da receita para focalizar tãosomente a sua aplicação que, de acordo com o STF, há de ser na perseguição dos objetivos estatutários da entidade. A prevalecer semelhante compreensão para a hipótese em concreto, as receitas de atividades contraprestacionais estariam albergadas pela isenção tanto quanto os ingressos gratuitos, a depender exclusivamente do destino que se lhes der. Esta leitura comete o pecado de reduzir dois requisitos constitucionais independentes para a fruição da imunidade a apenas um. Exigir que a instituição aplique suas rendas na consecução de seus propósitos estatutários é o mesmo que demandarlhe a dedicação a fins nãolucrativos. O que vem a ser uma entidade sem escopo de lucro, senão aquela cujos recursos precisam ser permanentemente revertidos ao objeto social, em vista de vedação a que sejam distribuídos? Vejase, a respeito, os incisos I e II, do artigo 14 do CTN e, ainda mais revelador, o §3o do artigo 12, da Lei no 9.532/97: “Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Pareceme, portanto, que por inutilizar a independência da restrição contida no §4o do artigo 150 da CF em face de um outro requisito constitucional, a proposta hermenêutica consolidada na Súmula STF no 724 não seja a melhor. Mas ainda mantendo como referência a imunidade do artigo 150, inciso VI, da CF/88, podese buscar o sentido para a expressão “finalidades essenciais” no próprio CTN que, afinal, tem a incumbência constitucional de, justamente, disciplinar as Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 limitações ao poder de tributar. E o §2o, do artigo 14 do Código adjudica o seguinte sentido ao texto da CF: “Art. 14. §2o Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9o são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previsto nos respectivos estatutos ou atos constitutivos”. Se emprestarmos a mesma exegese à expressão veiculada pela MP no 2.15835/01, passaremos a definir a abrangência da isenção a partir da relação entre as atividades geradoras de receita e o objeto social da instituição. Alterase a perspectiva. Quando propõem que se adjudique à expressão “receitas relativas a atividades próprias” o sentido de ingressos auferidos gratuitamente apenas, a auditoria fiscal e o acórdão recorrido, a meu ver, voltam suas atenções para o que, supostamente, seriam atividades próprias das associações civis como categoria, como gênero, e não para o que seria próprio de cada associação civil aspirante à isenção, considerada em si mesma. Sugerem que se limite o benefício a anuidades, mensalidades e doações por assumir que estes sejam recursos típicos de uma entidade sem fins lucrativos. Não vejo assim por dois motivos. O primeiro deles é que, salvo melhor juízo, não se pode falar em atividades que sejam próprias ou típicas das associações civis em geral. O que as caracteriza como tais, é dizer, o que é comum a todas elas não é a atividade a que se dedicam ou o serviço que prestam. As mais variadas atividades podem ser desempenhadas pelas associações civis porque não há objeto que lhes seja vedado praticar. O que, ao contrário, lhes é comum é o trato dos recursos que obtêm. São associações civis simplesmente porque afetam integralmente suas receitas à manutenção e expansão de suas atividades, sejam elas quais forem. É um equívoco, portanto, supor que se possa delimitar a “atividade própria” deste gênero de pessoas jurídicas. O segundo motivo resulta de interpretação literal do artigo 14 da MP no 2.15835/01 – já que estamos no campo das isenções (artigo 111, CTN). Na dicção normativa, isentas de COFINS não são as “atividades próprias” das associações, mas as “receitas relativas às atividades próprias”. E nisso vai uma diferença. Se o benefício se dirige às receitas relativas às atividades próprias é porque, a meu ver, há uma vinculação entre o exercício de uma atividade e a percepção de uma receita. Estáse falando de uma atividade geradora de receita; de uma receita decorrente de uma atividade que a produz. Não faz sentido, então, pensar a regra isentiva apenas abrangendo as receitas gratuitas porque, por definição, estas não decorrem de qualquer atividade empreendida por quem as aufere. Justamente porque não são contraprestativas, não são “relativas” a atividade alguma. Mais ainda. Se associarmos o contido no artigo 14, da MP no 2.15835/01 com o disposto no artigo 15, da Lei no 9.532/97 a que remete, teremos que se consideram “receitas relativas às Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 695 15 atividades próprias” das associações civis todos os ingressos provenientes dos “serviços para os quais houverem sido instituídas”, desde que “os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. Estamos falando, in casu, de uma entidade constituída essencialmente para prestar serviços educacionais. Este o seu mais típico objeto social. Que espécie de receita pode lhe ser mais própria do que a auferida dos próprios alunos, em contraprestação ao ensino que recebem? É por estas razões que, eventualmente vencido no reconhecimento da imunidade, entendo improsperável o auto de infração relativamente às receitas advindas da atividade educativa, designadamente as seguintes: (a) matrículas e mensalidades escolares (conta 3.1.0.01.001); (b) taxa para processo seletivo de admissão à escola (conta 3.1.0.01.004); (c) aulas de recuperação e reforço (conta 3.1.0.01.021); e (d) contribuição de expediente cobrada dos alunos (conta 3.1.01.022); (Recurso nº 258.241, PA nº 10680.004894/200571 Rel. Cons. MARCOS TRANCHESI ORTIZ) Também me parece claro que, estando diante de uma entidade cujo objeto social seja o desenvolvimento de atividade de caráter científico, cultural, esportiva e assistencial, devese reconhecer como receita da atividade própria aquelas recebidas em contraprestação pela desenvolvimento desta atividade. Entendo, portanto, que o caráter de contraprestação não retira a qualidade de receitas próprias da entidade, para o fim de aplicar a isenção da Cofins prevista no art. 14 da MP nº 2.15835/2001. No entanto, se de um lado não se pode recusar a isenção para as receitas de caráter contraprestacional, tal isenção apenas alcança a receita da atividade própria, ou seja, aquela realizada diretamente pela entidade, por meio de sua atuação direta, e, além disso, que caracterizem atividades de cunho recreativo, cultural e científico – tudo em respeito ao texto do art. 13, IV, da MP 215835/2001. O objeto social da entidade é o seguinte: a) Propugnar pelo progresso da Odontologia, defesa, promoção e congraçamento da classe e orientar juridicamente seus associados quanto ao desempenho profissional; b) Fortalecer o desenvolvimento das Regionais; c) Estimular a filiação de Entidades Odontológicas e Afins do Estado de São Paulo; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 d) Promover convênios e intercâmbios de interesse da classe com entidades do país e do exterior; e) Organizar congressos e outras atividades científicas; f) Manter a Escola de Aperfeiçoamento Profissional EAP, Centro Técnico Educacional APCD e o Pronto Socorro Odontológico, com atendimento gratuito à população carente; g) Editar Revista para publicação de trabalhos odontológicos e noticiário científico e Jornal de interesse associativo; h) Promover assistência securitária; i) Contribuir para a solução de problemas odontológicos em saúde pública; j ) Empenharse no sentido de difundir junto à população, a importância do cirurgiãodentista na preservação da saúde bucal e geral, incentivandoa na procura de assistência odontológica; k) Desenvolver e colaborar com programas de preservação ambiental e de biossegurança. Tais objetivos, como se percebe, são teoricamente compatíveis com a natureza recreativa, cultural e científica que pressupõem a isenção em questão. Cumpre, no entanto, verificar se as atividades concretamente realizadas guardam conformidade com o objeto social e manifestam tais naturezas, para assim definir se as receitas auferidas por meio de tais atividades podem ser beneficiadas pela isenção. Passase a analisar as receitas tributadas no caso concreto, verificando a natureza das atividades, conforme a descrição existente no Termo de Verificação Fiscal, a partir da fl. 148. Entendo que devem ser excluídas do lançamento as seguintes receitas: 2.11.2.1 Taxas e Inscrições: Consistem em taxas que são cobradas dos associados e dos dependentes para acesso à academia, sauna, piscina e ginásio de esportes, além de taxa cobrada dos associados, dependentes ou acompanhantes caso utilizemse de toalhas, sabonete e chinelos na sauna. 2.11.2.4 Festejos comemorativos: Nessa conta são registrados os recebimentos de associados para a realização do jantar do Dia do Dentista deduzido dos custos do mesmo. Os valores creditados na conta correspondem aos valores cobrados dos associados para participação no evento. 2.11.2.8 Reprografias: São receitas decorrentes de cópias xerográficas com desconto obtidas pelos associados. 2.11.3.1 Resultado na Realização de Eventos: Nessas contas são registrados os resultados (receitas menos despesas) dos eventos promovidos pela APCD, tais como os Congressos Internacionais de Odontologia de São Paulo (Ciosp) (...) Fl. 706DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 696 17 2.11.3.2 Faturamento Ciosp Turismo: As receitas referemse aos recebimentos por hospedagens e viagens de congressistas, associados da APCD, para participação nos Congressos realizados. Os valores registrados a crédito são os valores cobrados dos associados e os valores debitados correspondem aos valores repassados aos hotéis e agências de viagem. 2.11.4.1 Cursos: São receitas decorrentes da participação em cursos ministrados pela EAP. Os cursos são oferecidos para os profissionais associados ou não. Registrese que os cursos são cobrados de associados e não associados e que para não associados os valores, atualmente, devem ser multiplicados por cinco. 2.11.4.3 Receitas da Biblioteca: A Biblioteca conforme descrição anterior faz parte da estrutura da EAP e tem como receitas: a locação de fitas de áudio e/ou vídeo, locação de livros, reprodução de artigos e comutação do acervo da biblioteca para alunos/sócios da APCD e, eventualmente, multas pelo descumprimento dos prazos de locação. 2.11.5.1 Assinantes Revista e Public.: Os valores registrados nessas contas referemse aos recebimentos por assinaturas de terceiros da Revista da APCD e do Jornal da APCD, respectivamente. A conta 462115 foi utilizada para assinantes da revista em 2004. 2.11.5.2 Publicação de anúncios, Classificados: As receitas referemse aos recebimentos por anúncios e classificados, contratados por sócios ou terceiros, no Jornal da APCD. 2.11.5.3 Etiquetas: As receitas referemse às contabilizações entre departamentos e regionais da APCD para a confecção de etiquetas. 2.11.5.5 Public. Anúncios O. Deptos: As receitas referemse aos valores de publicação de anúncios em 2004. 2.11.5.7 Indicador Profissional: Os valores registrados nessas contas referemse aos anúncios profissionais de associados na APCDEAP, Revista da APCD e Jornal da APCD, respectivamente. 2.11.5.8 Taxas uso ou similar: Os valores referemse às receitas por anúncios on line de terceiros no portal da APCD. 2.11.6 Receitas do Centro Técnico Educacional: O Centro Técnico Educacional (CTE) é mantido pela APCD e está autorizado a ministrar cursos profissionalizantes desde 1993. Tendo como objetivo proporcionar a educação, qualificação, re qualificação, aperfeiçoamento, especialização e atualização nos níveis básico, técnico e tecnológico. As atividades acima se referem todas a atividades próprias, ou seja, resultado da atuação direta da instituição, e que têm natureza ou recreativa, ou cultural, ou educacional ou científica. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 Mas deve ser mantida a incidência sobre as seguintes receitas: 2.11.1 Receitas da Administração Geral: Nesse grupo de receitas houve lançamentos relativos aos recebimentos de terceiros referentes a: aluguéis das dependências internas da APCD, locações do teatro da APCD e anúncios ofertados no portal APCD. 2.11.2.3 Ingressos: As receitas referemse aos recebimentos de associados da APCD para a participação em eventos culturais (viagens, cinemas, parques de diversão, teatros e shows). A APCD compra lotes de entradas e repassa a seus associados cobrando uma taxa pelas entradas. Nessa conta são registrados a crédito os valores cobrados dos associados e a débito as compras dos lotes de entradas. 2.11.2.5 Carteira de estudante: São registradas nessa conta as receitas para confecção da carteira de estudante dos associados, deduzido dos custos para sua confecção. Os valores creditados na conta correspondem aos valores cobrados dos associados. 2.11.2.6 Repasse de seguros: As receitas referemse aos recebimentos de taxa administrativa sobre os seguros saúde, de vida e de perda de renda contratados pelos associados por intermédio da APCD. 2.11.2.7 Reembolso Prestação de Serviços: As receitas referemse aos valores cobrados dos associados para abertura de consultórios, pagamento de taxas e licenças cobradas pelos órgãos competentes para seu funcionamento, despachantes para cumprimento das obrigações com o Detran, elaboração de folha de pagamento e demais obrigações dos empregados nos consultórios dos associados, taxas para coleta de lixo contaminado (Limpurb) e alvará para utilização de Raio X. Os valores creditados na conta correspondem aos valores cobrados dos associados. 2.11.2.9 Repasse Responsabilidade Civil: As receitas referem se ao recebimento dos seguros de responsabilidade civil contratados pelos associados da APCD e que são repassados integralmente para as seguradoras. Entendo que apesar de terem sido contabilizadas como receita a conta serviu somente para o registro do repasse de valores e, conseqüentemente, não devem sofrer a incidência da Cofins. 2.11.2.10 Diversas: As receitas referemse aos recebimentos de terceiros relativos à participação em licitações e cartões de crédito. 2.11.4.2 Área de Cursos: As receitas contabilizadas como Clínicas EAP referemse à locação do laboratório de prótese em dezembro de 2004. Estas rubricas revelam a existência de remuneração por atividades que não são prestadas pela própria entidade, ou que têm finalidade meramente comercial, sem possuir caráter cultural, educacional ou científico. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 697 19 Com efeito, a locação de espaços a terceiros, seja de teatro, seja de laboratório de prótese, não configura atuação correspondente a nenhum objetivo social (embora, conforme se verá adiante, acabe sendo desonerada da contribuição em relação a um determinado período, por outros fundamentos), nem a receita obtida pela intermediação na revenda de ingressos ou de carteira de estudante correspondem a atividade que atenda seus objetivos sociais. Também a atividade de intermediação de serviços de despachante, de seguros de responsabilidade civil, de participações em licitações, nada têm de científico, cultural, recreativa ou educacional. 4. Inconstitucionalidade da incidência sobre as receitas financeiras no regime da Lei nº 9.718/98. Parte do lançamento é baseada na aplicação da Lei nº 9.718/98, cujo art. 3º, § 1º, foi declarado inconstitucional pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Entendo que em razão desta declaração de inconstitucionalidade, reiterada inclusive em regime de Repercussão Geral pelo STF – e, portanto, de aplicação obrigatória em âmbito administrativo por força do art. 62A do RICARF –, o mesmo entendimento deve ser aplicado ao presente caso enquanto questão de ordem pública, mesmo não tendo sido alegado pelo contribuinte em sua impugnação, não se aplicando a esta questão a regra de preclusão do art. 17 do PAF (Processo administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/72). O entendimento do STF é de que não poderia ter havido o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins para além das receitas da prestação de serviço e das vendas de bens, sendo inconstitucional a pretensão da Lei nº 9.718/98 de alcançar toda e qualquer receita. Tal entendimento é resumido na seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que Fl. 709DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio) O Plenário do STF reiterou este mesmo entendimento em regime de Repercussão Geral: BASE DE CÁLCULO DA COFINS E INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98 O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. (Recurso Extraordinário nº 585.235QO, Min. Cezar Peluso). Este mesmo entendimento quanto ao mérito também já foi adotado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de afastar o alargamento da base de cálculo previsto no § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conforme se confere no seguinte julgado: “PIS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.” (Acórdão nº 0203.757, j. 11/02/2009) Assim, como resultado da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, na aplicação da Lei nº 9.718/98 apenas se pode incluir na base de cálculo o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias, não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira. Neste caso concreto, portanto, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas financeiras na parte do lançamento que tomou como fundamento a Lei nº 9.718/98. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.004677/201025 Acórdão n.º 3403003.021 S3C4T3 Fl. 698 21 4) Multa qualificada. A contribuinte apenas se insurgiu contra a aplicação da multa qualificada de 150% por oportunidade da interposição do recurso voluntário, não o tendo feito quanto da apresentação da impugnação em Primeira Instância administrativa. Aplicase, a este respeito, a regra do art. 17. do PAF (Processo administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/72), segundo o qual “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Assim, não tendo o contribuinte veiculado este fundamento de defesa na sua impugnação, com o que deixou de haver julgamento de Primeira Instância a tal respeito, precluiu a oportunidade de fazêlo, não cabendo veicular a alegação inédita apenas agora, quando da interposição do recurso voluntário. Por isso, deixo de conhecer deste fundamento de direito. 5) Conclusão. Voto pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer que a isenção das receitas de atividades próprias, prevista no art. 14 da MP nº 2.158, alcança os pagamentos que a entidade recebe como contraprestação pelas atividades que presta diretamente de natureza recreativa, cultural, científica e educacional, o que implica, na prática, na exclusão do lançamento das seguintes receitas: a) Taxas e inscrições; b) Festejos corporativos; c) Reprografias; d) Resultado na Realização de Eventos; e) Faturamento Ciosp Turismo; f) Receitas Aperfeiçoamento Profissional; g) Assinantes –Revista e Publicidade; h) Publicação de anúncios, Classificados; i) Etiquetas; j) Mala direta; k) Publicação de Anúncios O. Deptos; l) Indicador profissional; m) Taxas de uso ou similar; n) Receitas do Centro Técnico Educacional; o) Técnico em Higiene Dental, Técnico em Radiologia Odontológica, Técnico em Prótese Dentária e Cursos Básicos. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 711DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15563.000383/2007-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não apresenta os extrato de forma espontânea, bem como deixa de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
Numero da decisão: 1803-002.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva- Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não apresenta os extrato de forma espontânea, bem como deixa de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 03 83 /2 00 7- 01 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15563.000383/200701 Acórdão n.º 1803002.452 S1TE03 Fl. 112 2 Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues. Relatório Tratase, o presente feito, de autos de infração, consubstanciando a exigência de IRPJ Simples, PIS Simples, COFINS Simples, CSLL Simples e INSS Simples, acrescidos da multa de oficio no percentual de 75% e dos demais encargos moratórios. Tudo decorrente de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, insuficiência de recolhimento do Simples em face das omissões de receitas apuradas que resultaram na alteração da alíquota do Simples. Devidamente cientificada do auto de infração, a recorrente apresentou suas razões em seara de impugnação, de forma tempestiva, alegando preliminarmente ser vedado efetuar lançamento com base apenas em depósitos bancários, sem demonstrar que os supostos rendimentos são efetivamente sinais exteriores de riqueza. Afere ser causa de nulidade do auto de infração a distorção da matéria tributável, tratandose de vício substancial, impossível de ser corrigido na presente fase processual. Fundamenta seu entendimento no art. 9° do Decretolei n.° 2.471/1988 e na Súmula n.° 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. Afirma ainda a imprecisão na descrição do suporte fático que fundamenta o lançamento, por erro na quantificação e identificação da matéria tributável. Isso porque, segundo seu entendimento, ensejaria sua correspondente declaração de nulidade por vício insanável, sobretudo por representar preterição da exata matéria tributável, caracterizando cerceamento do direito de defesa. No mérito, aduz que a mera constatação de depósitos bancários não serve de demonstração da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Por isso, não é permitido lançar tributo como se as informações contidas nos extratos bancários consubstanciassem cabal manifestação de renda do contribuinte. Neste sentido, cita julgados do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. Afere que o lançamento é totalmente irregular e que não está devidamente fundamentado. De igual modo, salienta que não há comprovação do fato gerador, mas apenas supostos indícios que não servem como base para efetivar o lançamento. Expõe a recorrente que com base no art. 42 da Lei 9.430/96, o autuante deveria ter analisado de forma individual os créditos, confrontandoos com os seus livros fiscais. Isso porque não pode lançar sobre a totalidade dos depósitos após ter acesso aos livros Fl. 475DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15563.000383/200701 Acórdão n.º 1803002.452 S1TE03 Fl. 113 3 fiscais, ao montante declarado e recolhido e ao extrato bancário. Explica que há valores relacionados que constituem genuínas receitas que foram devidamente escrituradas, como resgate de aplicação financeira. Exemplifica o referido através de quadro demonstrativo do mês de novembro. Atenta, a empresa recorrente, que há valores que não são receitas, tais como operação e renda fixa e ressarcimento de CPMF. Nesse caminho, a mesma relaciona os créditos, considerados omissões de receitas, sem expor os motivos para poderem ser considerados reveladores de riqueza. E, entende que a base tributável não poderia ser a soma dos créditos bancários e sim os depósitos bancários não escriturados, isto é, os valores omitidos. Junta aos autos o Diário. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento em parte. Afere, quanto à preliminar de nulidade do auto de infração que o mesmo encontrase de acordo com o que determina os arts. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/72. Isso, porque os fatos arguidos como erro na qualificação da base tributável ou inocorrência do fato gerador é questão de mérito e somente gerará a improcedência do lançamento caso verificado, mas não a sua nulidade. Observa que não há qualquer vício no lançamento que propiciasse a nulidade do mesmo, pelo contrário, o lançamento está descrito, fundamentado e foi concedido à recorrente o direito de defesa. No que tane à omissão de receita com base em depósitos bancários, atenta para o fato de que o autuante intimou a interessada a apresentar comprovação dos créditos individualizados, mas a mesma apresentou comprovação para os créditos elencados em fls. 145/147, constante dos extratos de fls 17/142. Assim, em decorrência dos fatos apurados e com fulcro no art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizou os créditos não comprovados, por presunção legal, como omissão de receita. E nesse ponto há que se verificar se o autuante aplicou devidamente a presunção legal. Nesse caminho discorre sobre o art. 42, da Lei 9.430/96 e a presunção legal de omissão de receitas, quando comprovada a existência de créditos bancários sem comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nas operações. Vale dizer que nos casos de presunções legais, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos. Aduz que a empresa recorrente foi intimada a apresentar a origem dos créditos bancário, relacionados nas planilhas, mas esta não apresentou a documentação solicitada. Na fase de impugnação, a mesma apresenta impugnação específica para os valores constantes dos demonstrativos de fls. 318/319. E alega que cabia ao autuante aprofundar a investigação a fim de comprovar se realmente houve omissão de receita. Nesse ponto, o julgador de primeira instância faz ponderações a respeito da legislação pertinente ao lançamento e discorre sobre presunção legal de omissão de receita e transferência do ônus da prova. Cita doutrina a respeito e junta jurisprudência. Assim, entende que caberá à recorrente a apresentação da prova da origem dos créditos relacionados. O art. 42 da Lei n.° 9.430/1996 atribuiu à referida ônus da prova e caso não apresentado, é cabível o lançamento por omissão de receita. Esclarece que não cabe a simples afirmação da recorrente, posto que as suas alegações tem que vir acompanhada de comprovação documental, salvo aquelas que podem ser constatada por uma simples análise de seus extratos bancários. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15563.000383/200701 Acórdão n.º 1803002.452 S1TE03 Fl. 114 4 Refere que toda a defesa da recorrente está embasada em legislação anterior ao disposto no art. 42, Lei 9.430/96, norma atual em vigor. E expõe que não está sendo tributado o crédito bancário, mas o valor representado por tal crédito, que quando não comprovado é presumido como omissão de receita, com base no dispositivo legal citado. A recorrente apresentou seu livro fiscal, fls. 216/272, por lançamentos mensais. Novamente foi intimada a apresentar outro elemento de prova ou Livro escriturado por partidas diárias. Como prova a mesma apresentou, somente, as notas fiscais de fls. 379/391. Pelo exame das referidas, o julgador a quo considerou comprovados os créditos bancários com exceção da nota fiscal no valor de R$ 1.013,00, pelo fato de não encontrar valor de crédito com o mesmo valor da nota fiscal emitida. Assim, referente ao fato gerador de novembro de 2002, será excluído o valor R$ 184.849,04. De igual modo, entendeu que devem ser excluídos da base tributária constante das planilhas de fls. 145/149, confeccionadas pelo auditor, os créditos bancários que tem como histórico: “OP RENDA FIXA", "RESSAR CPMF RFIXA", uma vez que o próprio histórico comprova a origem do crédito. Desta forma, serão excluídos da base das omissões apuradas os valores: R$ 51.421,84, R$ 197,60, 85.524,63 e R$ 326,80. O julgador de primeira instância ajustou as bases de cálculo apuradas pelo autuante, fls. 181, com as reduções dos valores considerados comprovados nos autos, calculou os novos tributos devidos, mantidos na sua decisão, conforme demonstrativos de fls. 392/414. Assim, o mesmo manteve, conforme fls. 392/414, o imposto sobre a renda da pessoa jurídica Simples no valor de R$ 11.569,39; a contribuição para o PIS Simples, R$ 11.569,39; a contribuição para o financiamento da seguridade social — Simples, R$ 35.598,09; a contribuição social sobre o lucro liquido — Simples, R$ 17.799,04, e a contribuição para a seguridade social — INSS — Simples, R$ 75.314,77, acrescidos da multa de oficio no percentual de 75%(setenta e cinco por cento), e dos juros moratórios. Ressaltou que os demonstrativos de fls. 392/414 correspondem aos novos valores mantidos neste julgamento e não se referindo a outros autos de infração. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões em seara de recurso voluntário, argumentando o já disposto na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15563.000383/200701 Acórdão n.º 1803002.452 S1TE03 Fl. 115 5 Tratase, o presente feito, de auto de infração, consubstanciando a exigência de IRPJ Simples, PIS Simples, COFINS Simples, CSLL Simples e INSS Simples, acrescidos da multa de oficio no percentual de 75% e dos demais encargos moratórios. Tudo decorrente de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovadas, insuficiência de recolhimento do Simples, em face das omissões de receitas apuradas que resultaram na alteração da alíquota do Simples. A empresa alega a nulidade do auto de infração, distorção da matéria tributável, tratandose de vício substancial, impossível de ser corrigido na presente fase processual. Ocorre que a empresa mistura o mérito da demanda com a preliminar de nulidade, tal como disciplinou a decisão a quo. Isso porque a empresa alega a obrigação do fisco de comprovar os sinais exteriores de riqueza para então cobrar a omissão de rendimentos por depósitos bancários. De igual modo, afirma a recorrente a imprecisão na descrição do suporte fático que fundamenta o lançamento, por erro na quantificação e identificação da matéria tributável, culminando com o cerceamento do direito de defesa. Em seara de recurso voluntário afirma haver descumprimento do princípio da legalidade motiva, haja vista a fiscalização não ter constituído prova. Nesse caminho, entendo que não houve em momento algum cerceamento do direito de defesa, fato este comprovado nas argumentações em seara de recurso voluntário, quando a empresa recorrente ainda poderia ter juntado qualquer documento pertinente à prova de que os valores em suas contas bancárias tratavamse efetivamente, em sua integralidade de valores já tributados ou explicando a origem dos valores. Fato este que não ocorreu. Ainda, a decisão de primeira instância muito bem abordou a questão da nulidade do lançamento e a diferença entre a sua nulidade e seu cancelamento. E, nesse contexto, curvome a decisão a quo¸ tomando em conta não ter verificado qualquer requisito disciplinado nos art. 42 do CTN ou 10 do Decreto 70.235/72 que pudesse promover a nulidade do auto de infração. Friso que questões de inconstitucionalidade, de norma ou lei, bem como qualquer discussão que envolva princípios constitucionais devem ser levada à esfera do Poder Judiciário, órgão competente para decidir sobre a legalidade de lei ou violação a princípio. Tudo conforme determina a Sumula 02 do CARF, senão vejamos: Sumula Carf 02:“O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Ainda, convém salientar que a decisão de primeira instância excluiu da autuação todos os depósitos em que restou comprovada a origem, através de notas fiscais juntadas pela recorrente, além das operações com a origem já justificada no próprio histórico, quais sejam: operação de renda fixa e CPMF. Mas, a autuação prosseguiu quanto aos demais depósitos, tomando em conta tratarse de valores cuja empresa recorrente não logrou comprovar a origem. Tudo na conformidade do que disciplina o art. 42 da Lei 9.430/96. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15563.000383/200701 Acórdão n.º 1803002.452 S1TE03 Fl. 116 6 A empresa, ainda que intimada a justificar a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, não o faz e tão pouco apresenta documentação hábil e idônea quanto aos em julgamento ainda. Alega apenas que a inversão do ônus da prova para que o fisco comprovasse sinais exteriores de riqueza, cuja finalidade é dar respaldo à acusação de omissão de rendimentos ou mesmo a autuação com base em uma presunção. Contudo, temse que a omissão de rendimentos por depósitos bancários é considerada, dentro do ordenamento jurídico pátrio, uma presunção, necessitando de sua comprovação. Essa comprovação, em se tratando de depósitos bancários, invertese, devendo a recorrente demonstrar, com identidade de data e valor, a origem dos valores. Ademais, ainda que diga respeito a uma presunção, de igual modo cumpre à empresa, interessada em demonstrar que não se encontrar em situação de devedora dos seus tributos, comprovar que os depósitos não se tratavam de renda omitida, já que a norma nesse caso específico determina a inversão em favor da fiscalização, impondo a conduta demonstrativa à recorrente, tal com já referido. Nesse sentido, importa citar jurisprudência corroborando o entendimento: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. É regular o procedimento de fiscalização que verifica incompatibilidade entre os registros efetuados no Livro Caixa do contribuinte, e aqueles informados ao fisco, e a movimentação financeira espelhada nos extratos bancários. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, especificamente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com Mero no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITO BANCÁRIO. PROVA. Não pode o contribuinte, pessoa jurídica, pretender que se admita, para provar a origem dos créditos bancários individualizados, o total do rendimento bruto do sócio, informado em DIRPF, sem provar, com documentação hábil, a efetiva transferência de valores nas datas dos créditos. (Processo n. 11543.003273/200427, Acórdão: 19100.079, Ministério da Fazenda, 1° Conselho de Contribuintes, 1ª Turma Especial, 29.01.2009, Relatora Ana de Barros Fernandes)” No caso presente a empresa recorrente limitase, tão somente, a argumentar quanto à falta de prova e insurgirse contra a presunção. Mas, a recorrente apenas alega questões de mérito e não adentra na questão fática, ou seja, não junta ao feito nenhum outro documento que lhe dê embasamento aos depósitos, senão aqueles já considerados pela decisão que me precedeu. Nesse ponto, não resta outro caminho senão manter o auto de infração, descontado os valores já admitidos pela decisão de primeira instância. E, sendo assim, entendo que as argumentações da empresa quanto à presunção também não são procedentes. A Fl. 479DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15563.000383/200701 Acórdão n.º 1803002.452 S1TE03 Fl. 117 7 legislação pátria, bem como a jurisprudência dominante, é no sentido de que a prova, nos casos de omissão de rendimentos por depósito bancário, é da empresa, invertendose o ônus. Em não cumprindo a comprovação determinada, há que se manter a autuação nesse sentido. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 480DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13831.720024/2011-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS PARA SANAR CONTRADIÇÃO CONTIDA NO ACÓRDÃO EMBARGADO.
À vista das evidências contidas nos autos, há que ser sanada a contradição contida no acórdão embargado para reconhecer a legalidade da decisão proferida pela DRJ/SPO prolatada em consonância com o disposto no art. 17, do Decreto nº 70.235/72, c/ redação dada pela Lei nº 9.532/97.
OMISSÃO CONTIDA NO ACÓRDÃO DE PRIMEIRO GRAU. INEXISTÊNCIA.
Conforme jurisprudência pacífica do STJ, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada.
Restando evidenciado que a decisão de primeiro grau manifestou-se de forma suficiente a rebater os argumentos apresentados na impugnação, não há que se falar em omissão cometida pelo acórdão inicial.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento.
Embargos acolhidos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos ACOLHER os embargos de declaração sanar a contradição contida na decisão firmada pelo Acórdão 2802-002.818, de 14/04/2014, atribuindo-lhes efeitos modificativos para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e, assim, excluir do lançamento a infração omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior (relator) e Mara Eugênia Buonanno Caramico que acolhiam os embargos porém davam provimento em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza, Ronnie Soares Anderson, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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À vista das evidências contidas nos autos, há que ser sanada a contradição contida no acórdão embargado para reconhecer a legalidade da decisão proferida pela DRJ/SPO prolatada em consonância com o disposto no art. 17, do Decreto nº 70.235/72, c/ redação dada pela Lei nº 9.532/97. OMISSÃO CONTIDA NO ACÓRDÃO DE PRIMEIRO GRAU. INEXISTÊNCIA. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada. Restando evidenciado que a decisão de primeiro grau manifestouse de forma suficiente a rebater os argumentos apresentados na impugnação, não há que se falar em omissão cometida pelo acórdão inicial. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Embargos acolhidos. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 72 00 24 /2 01 1- 17 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos ACOLHER os embargos de declaração sanar a contradição contida na decisão firmada pelo Acórdão 2802 002.818, de 14/04/2014, atribuindolhes efeitos modificativos para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e, assim, excluir do lançamento a infração omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior (relator) e Mara Eugênia Buonanno Caramico que acolhiam os embargos porém davam provimento em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza, Ronnie Soares Anderson, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório O Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), com fulcro no inciso IV, do § 1º, do art. 65, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009, do Ministro de Estado da Fazenda, interpôs EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, datado de 01/10/2014, contra o Acórdão nº 2802002.818, proferido por esta 2ª Turma Especial, em sessão realizada em 14 de abril de 2014, fls. 131 a 135, que anulou a decisão proferida em primeira instância. Das fls. 143/144, constatase que a Presidente Substituta da 15ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo submeteu, em 30/09/2014, ao Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) a proposta de devolução do processo ao CARF, com a solicitação de que se proceda à revisão do mencionado Acórdão n° 2802002.818. O acórdão embargado teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 NÃO PRONUNCIAMENTO SOBRE QUESTÕES POSTAS NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802003.324 S2TE02 Fl. 151 3 O julgamento de assunto em segunda instância de julgamento administrativo, sem que a autoridade de primeiro grau tenha se pronunciado a respeito, importa em preterição do direito de defesa, capaz de ocasionar a nulidade do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Provido em Parte Sustenta o embargante que a fundamentação do acórdão embargado baseada na afirmação de que o assunto abordado pela interessada em sua impugnação teria relação com a matéria descrita como “Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi”, relativa à fonte pagadora Brasilprev Seguros e Previdência S/A, no valor de R$ 800,00, contradiz os próprios termos do recurso voluntário onde o recorrente expressamente teria reconhecido que não impugnara tal matéria. Fundamentado seu entendimento, o embargante explica que, inexistindo expressa contestação, a infração não foi objeto de manifestação por parte da decisão da DRJ/SPO pois foi considerada não impugnada, a teor do que dispõe o art. 17, do Decreto nº 70.235/72, c/ redação dada pela Lei nº 9.532/97. Diante disso, requer o provimento dos embargos interpostos para que seja sanada a mencionada contradição e revista a decisão proferida pelo Acórdão nº 2802002.818. De acordo com o despacho proferido pelo Presidente desta 2ª Turma Especial, fls. 296, referidos embargos foram admitidos submetendo a matéria à deliberação da 2ª Turma Especial de Julgamento, em nova pauta de julgamento. Abaixo se transcreve o relatório que integra o acórdão embargado: Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 11, em virtude da constatação das seguintes infrações, apuradas na Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício financeiro de 2008, anocalendário de 2007: a) a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI, relativos à fonte pagadora Brasilprev Seguros e Previdência S/A (Ativa), CNPJ n° 27.665.207/000131, no valor de R$ 800,00, e; b) omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 14.396,67. Impugnado tal lançamento pelo contribuinte às fls. 02 a 07, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou a impugnação improcedente, fls. 98 a 103, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. Considerase não impugnada e definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Impugnação Improcedente” Cientificado em 13/06/2012, fls. 109, a interessada ingressou recurso voluntário em 05/07/2012, fls. 115 a 121, alegando, em síntese, que a decisão recorrida não apreciou as causas de pedir a seguir relacionadas:“a ilegitimidade da cobrança do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria paga pelo antigo Banespa, atual Banco Santander S.A., em face da multa imposta ao banco para recolher o imposto de renda sobre os valores provisionados para o pagamento das complementações devidas aos jubilados. b pela lei 7.713/88 e o art. 6º, VII, b, não havia previsão de incidência do imposto sobre os rendimentos e ganhos de capital correspondentes às contribuições dos participantes do fundo de pensão”. Quanto ao mérito, aduz que teria feito acordo com o Banco Santander, nos termos do contrato de cessão de direitos, fls. 82 a 84, mediante o qual ficou acordado que, da ação trabalhista ajuizada contra o INSS para fins de reajustamento dos benefícios de aposentadoria, relativos aos últimos cinco anos, a ela caberia somente 40% do valor da diferença recebida. Consta das fls. 08, cópia do Termo de Quitação, datado de 21/04/2007, firmado pelo Bando do Estado de São Paulo SA (Santander Banespa), no qual prevê, textualmente, que “A presente quitação se refere apenas aos valores recebidos até dezembro de 2004, na ação nº 2003.61.83.0130630, que tramitou perante o JCF SÃO PAULO/SP, cujos valores recuperados somam 31.989,44 (trinta e um mil novecentos e oitenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), (...)”. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 16 de julho de 2013, tendo esse Colegiado proferido a Resolução nº 2802000.164, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 128 a 130. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro em 23/11/2013. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Os embargos foram tempestivamente opostos e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e no Regimento Interno do CARF. Conforme relatado trata a Notificação de Lançamento de duas infrações que teriam sido cometidas pelo contribuinte anocalendário de 2007: 1) a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI, relativos à fonte pagadora Brasilprev Seguros e Previdência S/A (Ativa), CNPJ n° 27.665.207/000131, no valor de R$ 800,00, e; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802003.324 S2TE02 Fl. 152 5 2) omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 14.396,67. Ao apreciar a questão suscitada na peça recursal relacionada ao fato de que a autoridade julgadora a quo não teria se pronunciado sobre questões postas na impugnação, o acórdão embargado verificou que o contribuinte teria alegado em sua impugnação que o art. 6°, VII, b, Lei n° 7.713, de 1988, estabelecia a não incidência do imposto sobre rendimentos e ganhos de capital correspondentes às contribuições dos participantes do fundo de pensão. A par dessa alegação e do teor expresso em tal dispositivo legal, entendeu o acórdão embargado que o assunto abordado na impugnação possuiria relação com a matéria descrita pela Notificação de Lançamento como omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI, relativos à fonte pagadora Brasilprev Seguros e Previdência S/A (Ativa), CNPJ n° 27.665.207/000131, no valor de R$ 800,00 (item “1” acima). Por conseguinte, o acórdão embargado anulou a decisão da autoridade de primeiro grau que considerou não contestado este item da exigência fiscal, com o fim de se evitar a supressão de instância. Ocorre que, conforme destacou a embargante, observase de toda a peça impugnatória que o interessado expressamente se referiu aos valores recebidos da Banesprev – Fundo Banespa de Seguridade Social (relacionado ao item 2 acima), silenciandose a respeito da infração relativa aos resgates de previdência privada da Brasilprev (item 1 acima). Diante desse contexto, observase que a citação do comando legal citado na impugnação foi feita pela contribuinte no contexto da discussão sobre os valores percebidos da Banesprev a título de complementação de aposentadoria, conforme itens 6, 7 e 8 da impugnação, fls. 05. . Ademais, conforme se observa do recurso voluntário, fls. 121, o próprio interessado expressamente reconhece que não impugnou a matéria relativa aos rendimentos de R$ 800,00 a título de resgate de previdência privada que providenciará o recolhimento do imposto devido. À vista de tais evidências, há que ser sanada a contradição contida no acórdão embargado para reconhecer a legalidade da decisão proferida pela DRJ/SPO no sentido de considerar referida matéria como não impugnada, eis que prolatada em consonância com o disposto no art. 17, do Decreto nº 70.235/72, c/ redação dada pela Lei nº 9.532/97. Portanto, os embargos de declaração devem ser acolhidos com efeitos modificativos para sanar a contradição contida na decisão firmada pelo Acórdão 2802002.818, proferido por esta 2ª Turma Especial, em sessão realizada em 14 de abril de 2014. Em virtude dos efeitos modificativos ora atribuído aos embargos de declaração, torna´se necessário dar continuidade ao julgamento dos presentes autos para que sejam examinadas as demais questões trazidas pelo recurso voluntário. Sustenta o recorrente que a decisão recorrida não apreciou as causas de pedir a seguir relacionadas: “a ilegitimidade da cobrança do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria paga pelo antigo Banespa, atual Banco Santander S.A., em face da multa Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 imposta ao banco para recolher o imposto de renda sobre os valores provisionados para o pagamento das complementações devidas aos jubilados. b pela lei 7.713/88 e o art. 6º, VII, b, não havia previsão de incidência do imposto sobre os rendimentos e ganhos de capital correspondentes às contribuições dos participantes do fundo de pensão”. A respeito do assunto, cabe salientar que, conforme jurisprudência pacífica do STJ, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada. Ademais, da leitura do voto condutor do acórdão proferido pela DRJ, tais questões foram suficientemente enfrentadas, tendo, inclusive, ressaltado à recorrente a inocorrência de bitributação e tampouco do fenômeno “bis in idem”: “Ressaltese, ainda, que não ocorreu nem bitributação nem bis in idem, ao contrário do que sustenta a defesa. Com efeito, diante do contrato firmado entre o banco e a impugnante e da ação judicial impetrada contra o INSS, podemos vislumbrar três momentos distintos de pagamento de rendimentos. Num primeiro momento, a impugnante recebe rendimentos do banco, por força do contrato particular entre eles firmado. Num segundo momento, a impugnante recebe rendimentos do INSS, por força da ação judicial que lhe foi favorável. Num terceiro momento, o banco recebe rendimentos da impugnante, por força, novamente, do contrato firmado entre eles. Estamos, portanto, diante de três situações completamente distintas, ainda que relacionadas entre si, havendo, por consequência, três fatos geradores distintos, ocorridos em diferentes momentos. Ora, tratandose de fatos geradores distintos, não se há de cogitar a ocorrência de bis in idem (cobrança em duplicidade de tributo sobre o mesmo fato gerador pelo mesmo ente político), e menos ainda de bitributação (cobrança em duplicidade sobre o mesmo fato gerador por diferentes entes políticos). Diante de tais considerações, não há nenhuma razão para baixar o processo em diligência, para a manifestação do Banco Santander, como pretende a impugnante. Os documentos juntados aos autos demonstram de forma cristalina a natureza das operações descritas pela contribuinte na impugnação, e o entendimento do Santander sobre a forma de incidência do imposto de renda nessas operações é irrelevante para o deslinde deste julgamento. (...)” Restando evidenciado que a decisão recorrida manifestouse de forma suficiente a rebater os argumentos apresentados na impugnação, não há que se falar em omissão cometida pelo acórdão inicial. Quanto ao mérito, aduz que teria feito acordo com o Banco Santander, nos termos do contrato de cessão de direitos, fls. 82 a 84, mediante o qual ficou acordado que, da ação trabalhista ajuizada contra o INSS para fins de reajustamento dos benefícios de aposentadoria, relativos aos últimos cinco anos, a ela caberia somente 40% do valor da diferença recebida. A respeito dessa matéria, a DRJ manifestou seu entendimento baseandose na legislação que conceitua o fato gerador do imposto de renda e dá a definição do conceito de contribuinte e de responsável pelo imposto, nos termos a seguir transcritos, os quais, por corresponder à correta interpretação da legislação aplicável ao caso concreto dos autos, adoto como razões de decidir: “Os rendimentos em discussão se referem a diferenças do valor de aposentadoria da impugnante, recebidos por força de ação judicial, movida por ela e outros contra o Instituto Nacional do Seguro Nacional (INSS). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802003.324 S2TE02 Fl. 153 7 Assim, não resta dúvida de que a impugnante é efetivamente a contribuinte do imposto incidente sobre esses rendimentos. Com efeito, é dela a disponibilidade de tais proventos, ainda que, por força de contrato particular, tenha assumido a obrigação de repassálos a terceiros. É preciso, então, analisar, se o repasse desse valor ao Banespa exclui a responsabilidade da impugnante pelo pagamento do imposto de renda correspondente, transferindoa ao banco, na qualidade de responsável. Fazse oportuno, aqui, trazer à luz a definição de sujeito passivo expressa no art. 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O inciso II deixa claro que a responsabilidade tributária deve decorrer expressamente de lei. Os contratos particulares, portanto, não se prestam a esse fim, a menos, é claro, que haja lei expressa que admita essa possibilidade. O próprio legislador, aliás, afasta qualquer dúvida a esse respeito com a redação do art. 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Como não há, no presente caso, nenhuma lei que atribua ao banco a responsabilidade pelo imposto devido pela impugnante, não pode o Instrumento Particular de Cessão Parcial de Direitos Creditórios e Outras Avenças juntado às fls. fls. 82/84 ser oposto ao Fisco. Ademais, como bem observou a fiscalização, na Complementação da Descrição dos Fatos à fl. 14 – ainda que se trate de questão que diga respeito apenas ao banco e à impugnante, e não ao Fisco –, consta na cláusula sétima desse contrato que os tributos incidentes sobre os valores recebidos na ação judicial e repassados pelo beneficiário ao banco serão de responsabilidade daquele que a lei define como contribuinte. Em suma, perante a Fazenda Pública, não tem o banco responsabilidade pelo pagamento do imposto incidente sobre esses rendimentos. Da mesma forma, não cabe invocar a solidariedade tributária de que trata o art. 124, I, do CTN, como faz a impugnante. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Esse dispositivo legal há de ser interpretado em consonância com o art. 123 já transcrito acima, de modo que o interesse comum referido no art. 124, I, não pode decorrer pura e simplesmente de convenções particulares, mas deve ser inerente à própria situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, como é o caso, por exemplo, da copropriedade em relação ao Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Além disso, ainda que solidariedade houvesse, o parágrafo único do art. 124 afasta a aplicação do benefício de ordem, de tal forma que, mesmo assim, estaria correto o procedimento da fiscalização de cobrar o imposto da impugnante. Ressaltese, ainda, que não ocorreu nem bitributação nem bis in idem, ao contrário do que sustenta a defesa. Com efeito, diante do contrato firmado entre o banco e a impugnante e da ação judicial impetrada contra o INSS, podemos vislumbrar três momentos distintos de pagamento de rendimentos. Num primeiro momento, a impugnante recebe rendimentos do banco, por força do contrato particular entre eles firmado. Num segundo momento, a impugnante recebe rendimentos do INSS, por força da ação judicial que lhe foi favorável. Num terceiro momento, o banco recebe rendimentos da impugnante, por força, novamente, do contrato firmado entre eles. Estamos, portanto, diante de três situações completamente distintas, ainda que relacionadas entre si, havendo, por consequência, três fatos geradores distintos, ocorridos em diferentes momentos. Ora, tratandose de fatos geradores distintos, não se há de cogitar a ocorrência de bis in idem (cobrança em duplicidade de tributo sobre o mesmo fato gerador pelo mesmo ente político), e menos ainda de bitributação (cobrança em duplicidade sobre o mesmo fato gerador por diferentes entes políticos). Diante de tais considerações, não há nenhuma razão para baixar o processo em diligência, para a manifestação do Banco Santander, como pretende a impugnante. Os documentos juntados aos autos demonstram de forma cristalina a natureza das operações descritas pela contribuinte na impugnação, e o entendimento do Santander sobre a forma de incidência do imposto de renda nessas operações é irrelevante para o deslinde deste julgamento. Da mesma forma, estando o processo já devidamente instruído com os documentos necessários à compreensão dos fatos em discussão, e em se tratando de assunto de natureza estritamente jurídica, sem que haja questões de fato que mereçam quaisquer esclarecimentos, não há necessidade de juntada de novos documentos aos autos. Tais pedidos, portanto, devem ser indeferidos, com base no art. 16, § 4°, e art. 18 do DecretoLei n° 70.235/1972.” O recorrente trouxe, ainda, cópia do resultado da análise de solicitação de revisão de lançamento suplementar de interesse de outro contribuinte, proferido fora do rito do processo administrativo fiscal, pleiteando sua aplicação ao caso examinado nos presentes autos. Tal pretensão, contudo, deve ser descartada, de plano, por se mostrar preclusa a sua instrução à vista o não atendimento às disposições expressas contidas no § 4º do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972. Ademais, a teor do disposto no inciso II do art. 100 do CTN somente decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei lhe atribua eficácia normativa, constituem normas complementares, o que não é o caso do Termo Circunstanciado trazido pela recorrente. Por outro lado, ressaltese que, conforme relatado, o julgamento do recurso voluntário foi sobrestado por tratar os presentes autos de matéria relacionada a rendimentos recebidos acumuladamente. Nesse sentido, importa observar que ainda não houve decisão Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802003.324 S2TE02 Fl. 154 9 definitiva de mérito proferida pelo STF nos recursos paradigmas que cuidam da matéria rendimentos acumulados (RE614232 e RE 614406) que possa afetar o presente julgamento. Por sua vez, por corresponder ao recebimento acumulado de verbas trabalhistas, há que se observar que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 “ Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: Às fls. 57 a 81, a contribuinte apresentou cópia das folhas do processo judicial no qual pleiteou a aplicação do percentual de variação do IRSM na atualização dos salários de contribuições em fevereiro de 1994. Nesse caso, à vista do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, depreendese que o lançamento incorreu em erro na apuração do montante do tributo devido, haja vista que a alíquota de imposto aplicável sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização deveria corresponder àquela prevista nas respectivas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores das verbas trabalhistas deveriam ter sido adimplidos. Sobre o assunto, inicialmente, convém registrar que, nos termos do § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, abaixo reproduzido, existe a possibilidade legal de se retornar os autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004 ) I....................................................................................................... ........................................................................................................ IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) §1º.................................................................................................. ......................................................................................................... § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Observese que a determinação de revisão de ofício do lançamento, prevista neste comando legal, se deve ao fato de o vício contido no lançamento se caracterizar mero erro na aplicação da alíquota do imposto de renda. Nesse caso, não se pode afirmar categoricamente que tal providência configure mudança de critério jurídico de lançamento, hipótese essa que seria vedada a alteração de ofício do lançamento pelo art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Isso porque, segundo ensinamento de Hugo de Brito Machado, em seu livro Curso de Direito Tributário (12ª Edição, Malheiros, 1997, p 123), as hipóteses de mudança de critério jurídico podem acontecer em duas situações. A primeira, “quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”. A segunda, está relacionada ao fato de “a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado”. Descartada a existência da segunda hipótese de mudança de critério jurídico ao caso examinado nos presentes autos, haja vista que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não define nenhuma alternativa para a feitura do lançamento, resta a verificação da ocorrência da primeira hipótese prevista pelo mencionado doutrinador, transcrita anteriormente. Nesse caso, entendo que a situação descrita pela doutrina parte do princípio de existência prévia de duas interpretações e que ambas sejam corretas. Ocorre que tal situação Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802003.324 S2TE02 Fl. 155 11 diverge da examinada nos presentes autos, pois, havia uma interpretação original que orientou os lançamentos realizados pela Secretaria da Receita Federal – RFB e outra, única que se reputa correta, advinda posteriormente, em face da decisão firmada pelo STJ no acórdão que solucionou o REsp 1.118.429/SP, proferido na sistemática prevista no art. 543C do CPC. Diante disso, forçoso concluir pela inexistência da ocorrência de mudança de critério jurídico no caso concreto dos presentes autos, mesmo porque a observância das alíquotas vigentes à época em que o rendimento deveria ter sido adimplido não importará em prejuízo ao contribuinte, haja vista que, a exemplo da regra prevista no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a alteração do crédito tributário deverá ser procedida de forma “total ou parcialmente”. Portanto, não se cogita da hipótese de majorar a exigência tributária originalmente lançada, procedimento esse que, de fato, desguarneceria o direito do contribuinte em relação ao lançamento já realizado. Também não se pode dizer que a mencionada revisão de ofício venha caracterizar mudança de critério jurídico por afetar substancialmente o lançamento, prejudicando a quantificação da base de cálculo. Isso porque entendo, que para a aplicação do entendimento firmado pelo STJ, basta simplesmente pesquisar quais as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido adimplidos pela fonte pagadora ao contribuinte, e aplicar as alíquotas correspondentes sobre o valor da omissão de rendimentos apurada pelo lançamento de ofício, observada a dedução da parcela de isenção equivalente à respectiva faixa de rendimentos prevista nas tabelas progressivas. Notese que na sequência do entendimento dado pelo STJ para que se calcule o imposto de renda com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores recebidos acumuladamente deveriam ter sido adimplidos, há expressa recomendação no sentido de se observar a renda auferida mês a mês pelo segurado. Diante dessa recomendação, entendo que, apesar de a interpretação dada pelo STJ não afastar a sistemática de ajuste anual prevista para a tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, para o caso específico de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente ficou estabelecida tão somente a observância da renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Nesse aspecto, seria bom ressaltar que o Parecer PGFN/CAT Nº 815, de 2010, editado na época em que se tentava solucionar a implementação concreta das decisões do STJ em âmbito de rendimentos acumulados, concluiu, em seu item 100, “b”, que a recomposição do valor tributável dos rendimentos à época em que estes deveriam ter sido pagos deveria ser aplicada apenas na hipótese de a Receita Federal do Brasil RFB possuir os dados necessários. Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, definiu o referido Parecer que se deve tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos (item 100, “d”). Nesse caso, conclui o Parecer em referência no item 100, “e”: “100. (...) ......................................................................................................... e) Assim, simplesmente, desprezando se o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 (...).” Percebese, pois, que a situação examinada nos itens 100, “d” e 100, “e” do Parecer PGFN/CAT Nº 185, de 2010, se coaduna com perfeição à forma exposta anteriormente neste voto para se calcular o imposto de renda incidente sobre os rendimentos, tratados no presente processo, à luz do entendimento firmado pelo STJ. Portanto, fica evidenciado que a revisão de ofício realizada nesses termos não importa em alteração da base de cálculo apurada pelo Fisco. Em suma, à vista do entendimento firmado pelo STJ ao art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988, o procedimento de revisão de ofício determinado no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, requer senão que se recalcule o tributo devido, incidente sobre a omissão de rendimentos constatada pelo Fisco, com base nas tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao interessado. A respeito da questão relacionada ao aspecto temporal para se proceder a retificação de ofício, ensina o professor Leandro Pausen, em seu livro Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e jurisprudência (11. ed. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009, p 1034), em seu comentário ao parágrafo único do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN: “Þ Revisão para onerar x revisão para beneficiar. A regra do parágrafo único visa a proteger o contribuinte contra revisões do lançamento que venham a lhe onerar mediante elevação do montante do crédito tributário. Estabelece, assim, que o Fisco tem o prazo decadencial para constituir o crédito, seja originariamente, seja mediante revisão de lançamento anterior. O prazo corre contra o Fisco. – Não há que se entender, assim, que tal parágrafo impeça o Fisco de revisar lançamento feito a maior, de modo a beneficiar o contribuinte mediante diminuição do crédito tributário para sua adequação à legislação válida aplicável. Isso pode decorrer tanto por força de lei como de decisão judicial, ou mesmo de simples verificação administrativa à luz de documentos novos apresentados pelo contribuinte. Mas, embora não se fale em prazo decadencial para revisões que beneficiem o contribuinte, não terão elas qualquer efeito sobre o prazo prescricional que já esteja correndo contra o Fisco.” Finalmente, importa observar que, contrariando o entendimento do contribuinte acerca da retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, o CARF editou a Súmula CARF nº 12, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Diante do exposto, voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração para sanar a contradição contida na decisão firmada pelo Acórdão 2802002.818, de 14/04/2014, atribuindolhes efeitos modificativos para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que os presentes autos retornem à unidade de origem da RFB, para que esta Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802003.324 S2TE02 Fl. 156 13 aplique sobre o valor da matéria tributada a título de omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista as alíquotas vigentes à época em que esses rendimentos deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Ronnie Soares Anderson, Redator designado Não obstante as ponderadas razões do ilustre Conselheiro Relator, dele divirjo quanto ao tratamento dado aos rendimentos percebidos acumuladamente pela contribuinte. A autoridade lançadora, para fins de mensuração do crédito tributário, aplicou as alíquotas e faixas de isenção vigentes no anocalendário 2007, em observância do disposto no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização Essa opção do legislador, no sentido de que os rendimentos recebidos acumuladamente fossem tributados pelo regime de caixa, foi objeto de questionamento judicial por parte dos contribuintes por diversas razões, dentre as quais se destaca a possibilidade de que a incidência de uma só vez, do imposto de renda sobre o somatório das prestações mensais devidas, causasse violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, visto que se tivessem os beneficiários recebidos na época própria, poderiam estar dentro dos limites de legais de isenção do tributo. Estando a discussão desde 2005 na esfera do Superior Tribunal de Justiça (STJ), este, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, submeteu o tema ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), ensejando a prolação da seguinte decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por força do art. 62A do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010), tornouse obrigatória a reprodução dessa decisão no julgamento dos recursos na esfera do CARF. Persistiu dissenso no âmbito das Turmas componentes da 2ª Seção do CARF, contudo, no tocante à aplicação dessa decisão em recurso repetitivo nos litígios envolvendo lançamentos realizados com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em linhas gerais e apertada síntese, podese dividir os entendimentos divergentes em duas vertentes principais, sendo que a primeira concedia parcial provimento aos recursos interpostos contra tais lançamentos, determinando que fossem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido originalmente pagos. Já a segunda corrente entendia que tal aplicação implicaria em alteração substancial do critério jurídico adotado no lançamento, o qual, consequentemente, deveria ser cancelado devido à não observância da norma fixada pelo STJ em recurso repetitivo, dando provimento integral ao recurso voluntário. Nesse prumo, anotese, se alinhava majoritariamente esta 2ª Turma Especial. Entrementes, e paralelamente, a controvérsia acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente assumiu contornos constitucionais, com o reconhecimento de sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 20/10/2010, no decorrer de julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, face à declaração da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em sede de controle difuso. Expliquese que na Arguição de Inconstitucionalidade nº 2002.72.05.000434 0/SC, a Corte Especial daquele e. Tribunal declarou em 22/10/2009 a "inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a Constituição" do art. 12 da Lei nº 7.713/88, "no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, como na situação vertente, recebidos a menor pelo contribuinte em cada mêscompetência e cujo recolhimento de alíquota prevista em lei se dê mês a mês ou em menor período". Interposto então o RE nº 614.406/RS pela União para afastar a aplicação dessa declaração de inconstitucionalidade em dado caso sob litígio (cujo processo de origem foi a ação ordinária de nº 2008.71.13.00016588/RS), formouse com base nesse leading case o Tema 368 "Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente" de repercussão geral, o qual foi submetido ao rito regrado pelo art. 543B do CPC . O julgamento do recurso representativo da controvérsia restou findo em 23/10/2014, sendo que o Tribunal Pleno, por maioria, decidiu a matéria negando provimento ao recurso e exarando acórdão cuja ementa foi assim redigida: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802003.324 S2TE02 Fl. 157 15 A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) No Informativo STF de nº 764, referente ao período compreendido entre 20 e 24 de outubro de 20101, consta o seguinte resumo da conclusão dessa votação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles.RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE 614406) Merecem transcrição, também, os seguintes excertos do voto condutor de lavra do Ministro Marco Aurélio e dos debates então verificados, cuja leitura permite melhor esclarecer o posicionamento do STF sobre o tema: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br//arquivo/informativo/documento/informativo764.htm>. Acesso em 30/01/2015. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Mantenho o acórdão. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) Nega provimento? O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Porque, de outro modo, o contribuinte – como disse – será apenado, quer dizer, o devedor não satisfaz a parcela, compeleo a entrar em Juízo e, posteriormente, cobra o imposto pela alíquota maior. (grifei) O acórdão em comento transitou em julgado em 9/12/2014, sem interposição de recurso por qualquer das partes, ou atribuição de modulação aos efeitos dessa decisão. Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 nesse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. E, nesse contexto, o art. 62A do RICARF dispõe a seguinte regra: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13831.720024/201117 Acórdão n.º 2802003.324 S2TE02 Fl. 158 17 colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. No caso concreto, o lançamento vergastado foi amparado na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido realizado o cálculo do imposto de renda consideradas as tabelas e alíquotas relativas aos períodos a que se referiam as parcelas devidas, mas sim as do anocalendário em que foram efetivamente percebidos os valores em questão. E, havendo sido reconhecida pelo STF a inconstitucionalidade da interpretação segundo a qual o imposto incide no mês do recebimento sobre o total de rendimentos, verificase vício material na constituição do lançamento que aflige tanto o aspecto temporal quanto o quantitativo da regramatriz de incidência tributária, em violação ao caput do art. 142 do Código Tributário Nacional. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de excluir do lançamento a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10240.720564/2012-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
PRELIMINARES
NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A AFRONTA AO ART. 10, DO DECRETO Nº 70.235/72.
Não há qualquer vício no lançamento de ofício, quando o Termo de Constatação e Verificação Fiscal contém a descrição dos fatos que motivaram o ato administrativo, enumerando os documentos considerados para a sua lavratura, as diligências realizadas e o cálculo dos tributos devidos, em razão da omissão de receitas. Ato administrativo que satisfaz, na sua integralidade, o disposto no art. 142 do CTN e no art. 10, do Decreto nº 70.235/72.
DA DECADÊNCIA
Nas operações tributadas com base no Lucro Presumido, em que o contribuinte adota o regime de competência o fato gerador do tributo ocorre na data da emissão das notas fiscais de prestação de serviços. Nesse passo, não há que se falar em decadência do direito de constituir o crédito tributário.
DO MÉRITO
No regime de competência, previsto no art. 177, da Lei nº 6404/76, as receitas deverão ser incluídas no resultado do período em que ocorrerem. No presente caso o fato se deu na data da regular liquidação, conforme emissão da nota fiscal, sendo irrelevante o adimplemento do tomador dos serviços. O momento da ocorrência do fato gerador é a disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos (art. 44, CTN). Está correto o trabalho fiscal.
DA MULTA
Estando declaradas e escrituradas as receitas auferidas pela recorrente, é acertada a aplicação da penalidade de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96.
Recurso que se recebe e ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 1103-000.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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A AFRONTA AO ART. 10, DO DECRETO Nº 70.235/72. Não há qualquer vício no lançamento de ofício, quando o “Termo de Constatação e Verificação Fiscal” contém a descrição dos fatos que motivaram o ato administrativo, enumerando os documentos considerados para a sua lavratura, as diligências realizadas e o cálculo dos tributos devidos, em razão da omissão de receitas. Ato administrativo que satisfaz, na sua integralidade, o disposto no art. 142 do CTN e no art. 10, do Decreto nº 70.235/72. DA DECADÊNCIA Nas operações tributadas com base no Lucro Presumido, em que o contribuinte adota o regime de competência o fato gerador do tributo ocorre na data da emissão das notas fiscais de prestação de serviços. Nesse passo, não há que se falar em decadência do direito de constituir o crédito tributário. DO MÉRITO No regime de competência, previsto no art. 177, da Lei nº 6404/76, as receitas deverão ser incluídas no resultado do período em que ocorrerem. No presente caso o fato se deu na data da “regular liquidação”, conforme emissão da nota fiscal, sendo irrelevante o adimplemento do tomador dos serviços. O momento da ocorrência do fato gerador é a disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos (art. 44, CTN). Está correto o trabalho fiscal. DA MULTA Estando declaradas e escrituradas as receitas auferidas pela recorrente, é acertada a aplicação da penalidade de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 05 64 /2 01 2- 35 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10240.720564/201235 Acórdão n.º 1103000.911 S1C1T3 Fl. 384 2 Recurso que se recebe e ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ R$ 383.479,51; PIS R$ 130.479,51; COFINS R$ 602.231,71; e CSLL R$ 216.275,62, relativos ao anocalendário de 2009, decorrente de omissão de receitas, nas seguintes modalidades: a) receitas escrituradas e não oferecidas á tributação; e b) receitas auferidas não escrituradas e não oferecidas á tributação. Foram aplicadas à recorrente multa de ofício de 75% sobre as receitas escrituradas, mas não oferecidas à tributação; e 150% sobre as receitas omitidas. O lançamento fiscal foi levado a termo, intimando a requerente a apresentar Livro Caixa, Diário, Razão; Livro de Registro de Notas Fiscais de Prestação de Serviços; e bloco de notas fiscais de prestação de serviço (fls. 02/03). Como o contribuinte restou inerte, fora emitida intimação à Municipalidade de Ariquemes, para o fornecimento das notas fiscais emitidas pela recorrente em razão dos serviços que lhes foram prestados (fls. 55/56). Intimação satisfeita, fls. 59/95. Por outro lado, a recorrente apresentou as cópias dos Livros Razão, Diário e Apuração do ISSQN (fls. 112/140), não sendo acostadas as notas fiscais, porque se extraviaram, como demonstrado no jornal “Nossa Folha”, edição 45, ano I, que circulou entre 10 a 16 de outubro de 2011 (fls. 142/146). Apresentou, contudo, os valores recolhidos a título de ISSQN ao sujeito ativo e o registro dos respectivos lançamentos (fls. 149/155). Fl. 386DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10240.720564/201235 Acórdão n.º 1103000.911 S1C1T3 Fl. 385 3 O Fisco, em 17/04/12, intimou à recorrente a justificar a falta da escrituração das notas fiscais nº 621, nº 625, nº 626, nº 627, nº 628, nº 635, nº 636, nº 638 e nº 640 (fls. 156/166). Intimação que não foi cumprida, sob a justificativa de extravio dos documentos (fls. 172/173). Ao final do procedimento de apuração dos fatos, foi elaborado pela fiscalização “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 178/193), que apurou receita omitida de R$ 4.897.004,83 (fls. 185) e a sua respectiva falta de sua escrituração. Em decorrência, foi arbitrado o tributo (fls. 185/187 e 190) e aplicadas multas, de ofício de 75%, relativamente às receitas escrituradas, e, de 150% relativamente às omitidas (fls. 188/190). Cientificado do lançamento de ofício em 05/06/2012, o contribuinte ofertou impugnação, a qual foi julgada parcialmente procedente para excluir a multa qualificada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 RECEITA.RECONHECIMENTO.REGIME DE COMPETÊNCIA. A data correta para reconhecimento da receita é a data de emissão da nota fiscal, que deve ser a data da prestação do serviço, independentemente, da data da contratação dos serviços, bem como dos recebimentos por parte do prestador dos serviços. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. É necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo para autorizar a qualificação da multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, aduzindo: a) afronta ao art. 10, da Lei nº 70.235/72, diante da desconexão entre os fatos e os fundamentos do lançamento fiscal; b) decadência do direito de constituir o crédito tributário, pois o fato gerador do tributos teria ocorrido no exercício de 2006, data do contrato que fundamentou a expedição das notas fiscais números 621, 625, 638 e 640, em 2006; c) ausência de provas relativamente à nota fiscal nº 640; d) ilegalidade da presunção firmada pelo agente fiscal de que a emissão das notas fiscais correspondem ao recebimento do numerário correspondente à elas; e e) inconstitucionalidade das multas aplicadas, em face dos princípios do confisco, razoabilidade e proporcionalidade; f) a multa qualificada não observa os requisitos do art. 44, da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10240.720564/201235 Acórdão n.º 1103000.911 S1C1T3 Fl. 386 4 Voto Conselheiro FÁBIO NIEVES BARREIRA I. DA PRELIMINAR I.I DA AFRONTA AO ART. 10, DO DECRETO Nº 70.235/72 Diz a recorrente que o lançamento fiscal não observou o art. 10, do Decreto nº 70.235/75: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula” Não há qualquer vício no lançamento de ofício, quanto à clareza e exposição da exposição dos fatos e no que tange ao critério adotado pelo Fisco para a apuração dos tributos. O “Termo de Constatação e Verificação Fiscal” é cristalino quanto à descrição dos fatos que motivaram o ato administrativo, descrevendo os documentos considerados, para a lavratura do auto de infração, as diligências realizadas, o cálculo dos tributos devidos em razão da omissão de receitas, satisfazendo, na sua integralidade, o disposto no art. 142 do CTN e no art. 10, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não se configura o vício apontado. I.II DA DECADÊNCIA Quanto à alegação de decadência, ela não subsiste. É incontroverso nos autos que a recorrente realiza apuração contábil com base no Lucro Presumido, adotando o regime de competência. Segundo o regime de competência, previsto no art. 177, da Lei nº 6404/76, as receitas devem ser incluídas no resultado do período em que ocorrerem. Logo, no momento da ocorrência da disponibilidade econômica ou jurídica, estará presente a realização do fato gerador do tributo, objeto da autuação (art. 44, CTN). A recorrente alega que o fato gerador da sua obrigação teria início na data do contrato nº 091/06, firmado com a Municipalidade de Ariquemes. Observo que este documento não se encontra nos autos. Entendo não ser este o melhor caminho. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10240.720564/201235 Acórdão n.º 1103000.911 S1C1T3 Fl. 387 5 O fato gerador, no caso em tela, se deu em decorrência de serviços prestados ao Poder Público, recebidos por meio de empenho de despesa. Nos termos do art. 58, da Lei 4.320/64, empenho de despesas consiste no ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição. A obrigação, diz o art. 62, Lei nº 4.320/64, é constituída após sua regular liquidação. O conceito de “regular liquidação” está no o art. 63, do mesmo diploma legal, segundo o qual está ocorrerá quando verificado o direito adquirido pelo credor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. No caso de prestação de serviços, a “regular liquidação” se dá no instante da apresentação dos comprovantes da entrega de material ou da prestação efetiva do serviço (art. 63, §2º, III). Comprovase a prestação dos serviços por meio da emissão da nota fiscal. Por esta razão, agiram corretamente os auditores fiscais, quando, utilizando o critério do regime de competência, eleito pela recorrente, consideraram ocorrido o fato gerador do tributo na data da emissão das notas fiscais de prestação de serviços. Nesse passo, não há que se falar em decadência do direito de constituir o crédito tributário. II. DO MÉRITO A recorrente aduz que a fiscalização arbitrou os tributos, com base do regime de caixa, pois a base de cálculo utilizada fora o presumivelmente o recebimento dos valores, relativos aos serviços prestados, nas datas das emissões das notas fiscais. Não há razão à recorrente. Como esposado, no regime de competência, previsto no art. 177, da Lei nº 6404/76, as receitas deverão ser incluídas no resultado do período em que ocorrerem, que no presente caso é a data da “regular liquidação”, comprovado pela emissão da nota fiscal. Este é o momento da ocorrência da disponibilidade econômica ou jurídica e realização do fato gerador do tributo, objeto da autuação (art. 44, CTN). Está correto o trabalho fiscal neste aspecto. Diz ainda a recorrente que o Fisco presumiu que os valores representados pelos documentos fiscais corresponderiam à sua receita. Alega a ilegalidade da presunção, pois a emissão das notas fiscais não refletira o pagamento das obrigações pela Municipalidade. Considerando que o regime adotado pela recorrente foi o de competência, agiu acertadamente o Fisco ao considerar ocorrido o fato gerador da obrigação tributária na data da emissão das notas fiscais. A prova do recebimento dos valores constantes nas notas Fl. 389DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10240.720564/201235 Acórdão n.º 1103000.911 S1C1T3 Fl. 388 6 fiscais são, por seu turno, irrelevantes. Não está, portanto, presente a presunção ilegal cujo reconhecimento a recorrente protestou. Por fim, no que tange à nota fiscal nº 640, a recorrente se insurge sobre a sua invalidade como prova, pois ausente a assinatura nela. Há que se considerar, porém, que a recorrente não levanta a falsidade do documento, i.e., a nota fiscal é da recorrente, também não alega que a mesma tenha sido furtada, roubada ou extraviada. Considerandose essas circunstâncias, bem como que o documento fiscal fora exibido à fiscalização pela Municipalidade, tomadora do serviço, não há como ignorar a força probante do documento, cabendo à recorrente a prova para desconstituir a presunção de validade da nota fiscal e ocorrência do fato gerador. Deixo de enfrentar as questões atinentes aos princípios constitucionais violados, relativos às penalidades, por incompetência, nos termos do art. 62, do Regimento Interno deste Conselho. III. DA MULTA No que tange à multa de ofício, relativamente às receitas declaradas e escrituradas, é acertada a aplicação da penalidade de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, na linha da jurisprudência deste Conselho, razão pela qual se nega provimento ao Recurso de Ofício. IV. DO DISPOSITIVO Diante do exposto, RECEBO O RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO, para REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o v. acórdão recorrido. É como voto. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 390DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720113/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMPs.
Numero da decisão: 1401-001.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMP’s. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 13 /2 00 7- 98 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720113/200798 Acórdão n.º 1401001.395 S1C4T1 Fl. 3 2 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720113/200798 Acórdão n.º 1401001.395 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida, em conjunto, no julgamento de um auto de infração e correlatas negativas de restituição de crédito tributário relacionados à operação da Contribuinte na execução do “Projeto Cabiúnas”. Conforme se extrai do relatório do julgamento realizado por esta Turma em 08 de agosto de 2013, “O trabalho fiscal empreendido neste feito originouse na análise do processo nº 19404.000358/200298 e resultou no lançamento fiscal realizado no processo nº 15521.000140/200751, cujo mérito também reflete a discussão travada nos pedidos de compensação analisados nos processos 10725.720028200720, 10725.720029200774, 10725.72003200707, 10725.720031200743, 10725.720109200720, 10725.720110200754, 10725.720111200707, 10725.720112200773 e 10725.720113200798, todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. Disso se extrai que, para evitar contradição nas decisões e coerência no julgamento, tanto o auto de infração quanto as negativas de compensação foram julgadas conjuntamente, tanto assim que os votos constantes de cada um dos processos possui o mesmo conteúdo. Em sede de embargos de declaração, os mesmos processos voltaram à apreciação desta Turma em 27 de agosto de 2014, sendo que este Relator fez consignar, naquela oportunidade que “Assim como no julgamento dos recursos voluntários, o julgamentos dos embargos de declaração serão feitos de forma conjunta”. Interpõe, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional, novos embargos de declaração, apenas para os processos nº 19404.000358/200298, 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720030/200707, 10725.720111/200707, 10725.720112/2007 43 e 10725.720113/200798, em que aduz o seguinte: A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sem o trânsito em julgado do Processo Administrativo nº 15521.000140/200751, rejeitou as ponderações contidas nos Embargos de Declaração. Observase que para o correto desfecho do caso, o julgamento do presente feito (...) deveria aguardar a solução definitiva do processo nº 15521.000140/200751, pois ainda há a possibilidade deste ser reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que modificaria a posição adotada nesses autos. Com efeito, o julgamento do presente processo, sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, Fl. 413DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720113/200798 Acórdão n.º 1401001.395 S1C4T1 Fl. 5 4 já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401 001.250. A omissão na análise desse fato dificulta uma possível impugnação do julgamento, e, desse modo, cerceia o direito de defesa da União (Fazenda Nacional). Verificase, portanto, que esse fato repercute no processo, e dele, essa Egrégia Turma não se manifestou. Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que a e. Turma, sanando a omissão, se manifeste acerca do fato apontado Tendo em vista a identidade de matérias e dos fatos, os embargos serão analisados em conjunto. É o relatório, no necessário. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720113/200798 Acórdão n.º 1401001.395 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos são tempestivos, pelo que deles conheço. Argumenta, a Fazenda Nacional, que teria havido omissão nos julgados dos recursos voluntários e dos embargos de declaração, uma vez que “sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401001.250”. Permissa venia, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração de forma conjunta. Não há dúvidas que o mérito de todos os processos supra relacionados estão interligados, sendo que os mesmos somente não foram apensados por conexão nessa instância por ausência de instrumentos hábeis a fazêlo. Não existe, assim, a omissão arguida. Muito ao contrário, atento a relação entre os feitos foi que, nos recursos voluntários foram “todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. E o mesmo se deu com relação aos embargos de declaração, que “feitos de forma conjunta”. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os presentes embargos. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10882.722584/2011-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446/2008 E LEI Nº 12.101/2009. ATO DECLARATÓRIO. DISPENSA.
No período de vigência da Medida Provisória nº 446/2008, e, a partir do advento da Lei nº 12.101/2009, dispensa-se, para efeito de fruição do direito à isenção das contribuições a cargo da empresa, o requerimento de reconhecimento à isenção.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2403-002.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para suprir a omissão apontada e ratificar a decisão do r. Acórdão, negando provimento ao recurso de ofício em comento.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto .
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para suprir a omissão apontada e ratificar a decisão do r. Acórdão, negando provimento ao recurso de ofício em comento. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto .
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ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446/2008 E LEI Nº 12.101/2009. ATO DECLARATÓRIO. DISPENSA. No período de vigência da Medida Provisória nº 446/2008, e, a partir do advento da Lei nº 12.101/2009, dispensase, para efeito de fruição do direito à isenção das contribuições a cargo da empresa, o requerimento de reconhecimento à isenção. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para suprir a omissão apontada e ratificar a decisão do r. Acórdão, negando provimento ao recurso de ofício em comento. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 25 84 /2 01 1- 12 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto . Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.722584/201112 Acórdão n.º 2403002.547 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, às fls. 218, a Procuradora da Fazenda Nacional, opõe, Embargos de Declaração, contra suposta omissão em face de falta de fundamentação no Acórdão nº 2403002.049, exarado em 14 de maio de 2013, colacionado às fls.212, da lavra desta Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Com grifos de minha autoria reproduzo em parte o documento onde a i. Embargante hostiliza a decisão supra alegando que : “Pois bem, em busca da fundamentação, ou seja, exposição das razões de fato e de direito, que conduziram a Turma a decidir negar provimento ao recurso de ofício, ficou clara a ausência de fundamentação para a decisão. Para tanto, citese trecho do voto do i. Conselheiro Ivacir Júlio de Souza. Vejase: “Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA ADMISSIBILIDADE O recurso é pertinente e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO O recurso de ofício ocorre mesmo quando a parte se abstém de recorrer. O Recurso Voluntário é o instrumento por meio do qual o contribuinte, fazendo valer o princípio do contraditório e da ampla defesa, se utiliza caso não concorde com a decisão proferida em 1ª instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de sua jurisdição. Decorre do art. 5º , LV, da Constituição Federal/88, que tem a seguinte redação: aos litigantes, em Processo Judicial ou Administrativo e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Às fls. 206 e 209, constam registros, inclusive Termo de Perempção, de que o sujeito passivo não apresentou recurso. Tendo presente que o contribuinte não interpôs inconformidade, é lícito inferir que o “decisium” “ ad quod ” atendeu sua expectativa . Isto observado nada há que opor. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 CONCLUSÃO Conheço do Recurso de Ofício para , NO MÉRITO, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Analisando detidamente o inteiro teor da decisão em questão, constatase a existência de omissão, uma vez que em momento nenhum foi debatida na fundamentação a motivação deste entendimento.” DO PEDIDO Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requereu o conhecimento e o provimento do presente recurso, para que esta Câmara emita pronunciamento sobre a omissão exposta, ou seja, aponte quais são os fundamentos jurídicos que autorizam a conclusão de negar provimento ao recurso de ofício. É o Relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.722584/201112 Acórdão n.º 2403002.547 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Os embargos são tempestivos e admissíveis. Portanto, os CONHEÇO. DO MÉRITO De plano cumpre revelar que assiste razão ao Embargante. De fato não se fez registro explícitos dos fundamentos que levaram a conclusão de negar provimento ao Recurso de ofício. Na forma do Acórdão a quo n 0537.144 , o i. Julgador a quo manifestouse conforme abaixo: “Ex positis, concluo pela procedência parcial das impugnações apresentadas, mantendose parcialmente o crédito tributário constituído pelos Autos de Infração, excluindose, nos DEBCAD nº 37.287.7141 e 37.287.7150, os lançamentos relativos às competências 11, 12 e 13/2008, e, no DEBCAD nº 37.287.7133, a multa aplicada na competência 11/2008. É como voto” Ato contínuo, submeteramse o Acórdão ao reexame necessário perante este Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF. DA FUNDAMENTAÇÃO. As razões e fundamentos que motivaram a decisão em comento constam na condução do voto de primeira instância que uma vez adotadas por mim, por economia processual, entendo despiciendo produzir arrazoado sinônimo para tãosomente corroborar aquela conclusão. Para não ser apenas remissivo, consta em apertada síntese que o julgador a quo excluiu nos DEBCAD nº 37.287.7141 e 37.287.7150, os lançamentos relativos às competências 11, 12 e 13/2008, e, no DEBCAD nº 37.287.7133, a multa aplicada na competência 11/2008 motivado pelo comando da Medida Provisória nº 446/2008, e do advento da Lei nº 12.101/2009, que dispensou, para efeito de fruição do direito à isenção das contribuições a cargo da empresa, o requerimento de reconhecimento à isenção. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Desse modo, remetendome às fundamentações trazidas à colação pela autoridade julgadora na condução do voto em sede de impugnação, entendo sanada a omissão. CONCLUSÃO Conheço dos embargos para ACOLHENDOOS suprir a omissão apontada e ratificar a decisão do r. Acórdão NEGANDO PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO em comento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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