Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10840.907847/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10840.907847/2009-25
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315580
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-000.629
nome_arquivo_s : Decisao_10840907847200925.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10840907847200925_5315580.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto. Sílvia de Brito Oliveira - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5240904
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366683398144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 165 1 164 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.907847/200925 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.629 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de novembro de 2013 Assunto PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Recorrente SERVIÇOS MÉDICOS E ASSISTÊNCIAIS DE BARR Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Gilson Macedo Rosenburg Filho – PresidenteSubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. RELATÓRIO A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo transmitiu, em 15 de dezembro de 2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) apurada em novembro de 2006, com crédito decorrente do pagamento dessa mesma contribuição apurada em março de 2004. Conforme despacho eletrônico emitido, a compensação não foi homologada, em virtude de o pagamento de que decorreria o alegado crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 07 84 7/ 20 09 -2 5 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10840.907847/200925 Resolução nº 3402000.629 S3C4T2 Fl. 166 2 A manifestação de inconformidade apresentada foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO), que indeferiu a solicitação, ensejando a interposição de recurso voluntário. Em suas razões recursais, a contribuinte alegou, em síntese, que, em março de 2004, obtivera um faturamento de R$ 68.299,01 (sessenta e oito mil duzentos e noventa e nove reais e um centavo), apurando, de um lado, um débito de PIS de R$ 683,19 (seiscentos e oitenta e três reais e dezenove centavos) e, de outro, um crédito de R$ 740,02 (setecentos e quarenta reais e dois centavos). Destarte, terseia, no período de apuração em comento, crédito a seu favor no valor de R$ 56,83 (cinqüenta e seis reais e oitenta e três centavos) e, portanto, o pagamento efetuado em 15 de abril de 2004 seria indevido. Para comprovar suas alegações e seus cálculos, a contribuinte anexou a estes autos cópias de notas fiscais de prestação de serviços, de parte dos livros de prestação de serviços, Razão e Diário e, ainda cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) relativo ao pagamento efetuado em 15 de abril de 2004. Ao final, a contribuinte solicitou que, diante de sua omissão em apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadora, fossem apreciados os comprovantes trazidos para reverter a decisão sobre a compensação declarada. É o relatório. VOTO Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Compulsando os autos, verificase que, desde sua manifestação inicial sobre o despacho decisório, recebida como manifestação de inconformidade e apreciada na DRJ/RPO, a contribuinte alegou apenas questão de fato, qual seja, a existência do indébito alegado e, para comprovar, trouxe com sua manifestação cópia da DCTF e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e, agora, em grau de recurso, apresentou cópias de livros e documentos, conforme relatado alhures. Diante disso, julgo necessário remeter este processo à unidade preparadora para que, após verificação da autenticidade, sejam apreciadas as provas anexadas ao recurso e elaborado demonstrativo da Cofins devida em março de 2004 e, à vista do pagamento efetuado, o eventual indébito passível de restituição ou de compensação. Destarte, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para as providências acima. É como voto. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000042/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
Alegações de Inconstitucionalidade. Impedimento Regimental do Carf.
Nos termos da Súmula n º 2 do CARF, esta instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Agroindústria. Aquisições de Insumos. Crédito Presumido.
Apuração.
Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8º, §3º, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos.
Emprego
Na vigência da Lei nº 10.925, de 2004, os créditos presumidos apurados na aquisição de insumos empregados na produção de alimentos só podem ser empregados para dedução das contribuições devidas.
Agroindústria. Criação de Animais pelo Sistema de Parceria (Integração).
A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditar-se de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber.
Pedido de Ressarcimento. Correção Monetária. Incidência.
Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-001.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorna ao processo produtivo daquela, limitados ao valor do débito incorrido em cada período de apuração. Reconheceu-se, outrossim, a correção dos créditos ora deferidos partir da data da ciência do despacho decisório. Os conselheiros Ricardo Rosa, Paulo Celani e Luis Marcelo Castro acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à correção monetária dos créditos.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Alegações de Inconstitucionalidade. Impedimento Regimental do Carf. Nos termos da Súmula n º 2 do CARF, esta instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Agroindústria. Aquisições de Insumos. Crédito Presumido. Apuração. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8º, §3º, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. Emprego Na vigência da Lei nº 10.925, de 2004, os créditos presumidos apurados na aquisição de insumos empregados na produção de alimentos só podem ser empregados para dedução das contribuições devidas. Agroindústria. Criação de Animais pelo Sistema de Parceria (Integração). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditar-se de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. Pedido de Ressarcimento. Correção Monetária. Incidência. Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13053.000042/2009-13
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5306134
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.040
nome_arquivo_s : Decisao_13053000042200913.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 13053000042200913_5306134.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorna ao processo produtivo daquela, limitados ao valor do débito incorrido em cada período de apuração. Reconheceu-se, outrossim, a correção dos créditos ora deferidos partir da data da ciência do despacho decisório. Os conselheiros Ricardo Rosa, Paulo Celani e Luis Marcelo Castro acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à correção monetária dos créditos. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
id : 5167864
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366687592448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 931 1 930 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13053.000042/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.040 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de junho de 2011 Matéria COFINS RESSARCIMENTO Recorrente DOUX FRANGOSUL AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO REGIMENTAL DO CARF. Nos termos da Súmula n º 2 do CARF, esta instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8º, §3º, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. EMPREGO Na vigência da Lei nº 10.925, de 2004, os créditos presumidos apurados na aquisição de insumos empregados na produção de alimentos só podem ser empregados para dedução das contribuições devidas. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 42 /2 00 9- 13 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorna ao processo produtivo daquela, limitados ao valor do débito incorrido em cada período de apuração. Reconheceuse, outrossim, a correção dos créditos ora deferidos partir da data da ciência do despacho decisório. Os conselheiros Ricardo Rosa, Paulo Celani e Luis Marcelo Castro acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à correção monetária dos créditos. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de verificação e controle de PER/DCOMP transmitido eletronicamente em 30/01/2009, relativo ao quarto trimestre de 2008, contendo pedido de ressarcimento de valores de COFINS nãocumulativa (exportação), conforme fls. 01/04. Também constam demonstrativos de valores e tabela informativa. A Fiscalização da DRF de origem juntou documentos e diligenciou no sentido da confirmação do direito ao ressarcimento pleiteado, tendo elaborado o Parecer DRF/SCS/SAORT nº 111, de 01/07/2009 (fls. 13/29), acompanhado das planilhas de fls. 30/36 donde, no que interessa diretamente a este julgado, se pode extrair: I GLOSA RELATIVA A VALOR SOLICITADO EM PERDCOMP SEM BASE NO DEMONSTRATIVO DACON 7 (...) Entretanto, seus Dacon apresentados à fiscalização em meio magnético apresentam valor ressarcível de Cofins não cumulativa exportação deste trimestre no valor de R$ 13.945.047,65 (...). Assim, a diferença pedida a maior em relação ao valor ressarcível apurado nos Dacon, no valor de R$ Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 932 3 4.880.566,09 (...), será glosada em razão da falta de crédito demonstrado em Dacon (...). (fls. 15/16) II IRREGULARIDADES DE PREENCHIMENTO DA DACON QUE NÃO IMPACTAM NO VALOR RESSARCÍVEL DO TRIMESTRE (...) 9 Efetuouse, então, a análise destas notas fiscais, não tendo sido constatada divergência na composição da base de cálculo do crédito presumido. 10 Entretanto, houve divergência entre aos valores de crédito presumido calculado pela empresa e os valores apurados pelo AFRFB. (...) 11 Antes de mais nada, há que se efetuar ajuste necessário nos valores totais da base de cálculo em razão de quer o dispositivo legal que autoriza a geração do crédito presumido (...) autoriza a empresa a apurar créditos apenas em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na sua produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Está claro, nesse comando diante de seu contexto, que a produção há de pertencer à pessoa jurídica que apura o crédito e que essa produção há de destinarse à venda, a ser por ela realizada. 12 É importante destacar que nem toda a aquisição de produtos agropecuários é utilizada como insumo em sua produção, haja vista que a empresa produz na sistemática de parceria, também conhecida por integração, onde a ração e outros insumos adquiridos e fornecidos pela empresa não se destinam integralmente à sua própria produção, uma vez que parte do resultado desta produção cabe ao produtor integrado, que realiza algumas etapas de seu processo produtivo. 13 Desta maneira, a parcela dos insumos que cabe ao produtor integrado não constitui produção da pessoa jurídica nem tampouco é destinada à venda por ela, portanto, não se enquadra no dispositivo legal que autoriza a geração do crédito presumido (art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004) e, conseqüentemente, o valor relativo a esta parte deve ser excluído da base de cálculo da geração dos créditos. 14 Assim, não se pode admitir que a pessoa jurídica calcule créditos sobre a totalidade da ração e outros insumos empregados em sua produção. Como conseqüência lógica do explanando no parágrafo anterior, o valor dos créditos a que ela faz jus há de ser proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe toca. 15 Analisandose os dados das notas fiscais em meio magnético entregues pela empresa, observase que 10% do valor dos animais recebidos dos criadores integrados referese a vendas dos mesmos para a empresa, ou seja, em média, 90% dos Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 animais criados pertencem a Frangosul (...), de forma que assumiremos 10% como percentual dos animais que NÃO pertencem a Frangosul. (fls. 16/17) 18 Os percentuais utilizados para cálculo do crédito presumido efetuado pelo AFRFB (...), conforme dispõem os incisos I a III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, são de: 60% (sessenta pro cento) de 1,65% Linha 25 do Dacon para insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM e das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da NCM; 50% (cinqüenta por cento) de 1,65% Linha 26 do Dacon para a soja e seus derivados classificados nos capítulos 12, 15 e 23 da Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI; e 35% (trinta e cinco por cento) de 1,65% Linha 26 do Dacon para os demais produtos. (fl. 21) 20 Registrese que o total do valor do crédito presumido não é ressarcível, podendo apenas ser deduzido da Contribuição para o PIS e da Cofins, devidas em cada período de apuração, conforme determina o caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, combinado com o inciso II do § 3º art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, que veda expressamente o ressarcimento deste tipo de crédito. (fl. 22) Na fl. 38 está anexado o Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT nº 131, de 06/07/2009, onde o Sr. Chefe da Seção de Orientação e Análise da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), por delegação de competência, tendo como base o citado Parecer, resolveu reconhecer o direito creditório da empresa frente à Fazenda Pública da União, referente ao ressarcimento de COFINS nãocumulativa exportação do 4º trimestre de 2008, no valor de R$ 13.665.122,01, e homologar eventuais compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Determinou fosse dada ciência à contribuinte, ressalvandolhe o direito de interposição de manifestação de inconformidade no prazo legal. A seguir foi anexado PER/DCOMP e documentos de processamento de compensações, limitadas ao valor reconhecido. A contribuinte teve ciência em 08/07/2009 (fl. 38). Não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou a contribuinte em 07/08/2009, através de procuradora (fls. 622/652), sua manifestação contrária, onde aponta os seguintes argumentos: DA TEMPESTIVIDADE ∙ entende que a manifestação de inconformidade que apresenta é tempestiva. DA REALIDADE FÁTICA Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 933 5 ∙ a empresa protocolou Pedido de Ressarcimento oriundo de saldo credor de COFINS nãocumulativa vinculado à receita de exportação registrado na escrita fiscal, relativamente ao 4º trimestre de 2008, tendo sido cientificada de despacho decisório que reconheceu e homologou parcialmente o seu direito. Transcreve partes de Parecer; ∙ em relação à glosa relativa ao valor solicitado em PERDCOMP nº 12683.77414.300109.1.1.098716 sem a devida correlação no demonstrativo DACON, refere que: a) seus créditos foram devidamente demonstrados no DACON; b) a ficha 24 (Controle de utilização dos Créditos no Mês – Cofins regime nãocumulativo) impossibilita a empresa de demonstrar a utilização dos referidos saldos dos créditos apurados de acordo com a ficha 16A, na parte relativa aos créditos presumidos atividades agroindustriais, porquanto não há campos específicos para tanto; ∙ conclui ser errônea a glosa sobre divergências entre o preenchimento do PER/DCOMP e o DACON, no que se refere a apuração do crédito decorrente de aquisições no mercado interno, regime nãocumulativo e de importação regime não cumulativo, eis que devidamente demonstrados. A ausência de formulário magnético impossibilitou a empresa de apontar a utilização dos saldos dos créditos apurados; ∙ a documentação que anexa comprova que foi inteiramente atendida a obrigação acessória, permitindo a verificação da existência do crédito e de sua correta apuração; ∙ no que se refere a irregularidades de preenchimento da DACON que não impactam no valor ressarcível do trimestre, entende que inexiste irregularidade no preenchimento do DACON relativamente ao valor ressarcível, em razão de que se equivocou a autoridade fiscal ao proceder o indevido ajuste nos valores totais das aquisições de insumos/produtos agropecuários, geradores do crédito presumido, utilizando arbitrariamente um redutor no percentual de 10% sobre as mencionadas aquisições, visto que o montante dos insumos adquiridos foram integralmente utilizados no processo produtivo da empresa; ∙ também não procede a glosa efetuada pela autoridade fiscal na forma de apuração do crédito presumido ao aplicar percentuais inferiores (35% e 50%) sobre as aquisições dos insumos/produtos agropecuários, em detrimento do percentual devidamente utilizado, qual seja, 60%, conforme disposição contida na legislação aplicável; ∙ no que tange à glosa relativa à diminuição dos valores e percentual de exportação, a empresa concorda com o apontamento feito pela autoridade fiscal. Informa que já alterou o procedimento para períodos posteriores e entende que o restante do ressarcimento pleiteado por meio do PER/DCOMP Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 nº 12683.77414.300109.1.1.098716 deve ser homologado em sua integralidade. DAS RAZÕES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE ∙ no que tange à glosa decorrente da imposição de redutor da base de cálculo para apuração do crédito presumido, no percentual de 10%, equivocase a autoridade fiscal quanto à utilização parcial dos insumos fornecido para engorda e criação dos animais na produção e venda pela empresa, consoante se verifica do objeto social, bem como dos contratos de produção agrícola integrada que mantém. DA CONSIDERAÇÃO INTEGRAL DOS INSUMOS UTILIZADOS NA ATIVIDADE PRODUTIVA – CRIAÇÃO DOS ANIMAIS – CADEIA PRODUTIVA – INTEGRADOS ∙ o agente fiscal afirma, de forma equivocada, que a empresa produz na sistemática de parceria (integração), onde a ração e outros insumos adquiridos e fornecidos não se destinam integralmente a sua própria produção, uma vez que parte do resultado desta produção cabe ao produtor integrado, que realiza algumas etapas de seu processo produtivo; ∙ informa, ainda, que 10% dos animais recebidos dos criadores integrados se refere a vendas dos mesmos para a manifestante, ou seja, em média 90% dos animais criados pertencem à empresa (retornam apenas como remessa dos integrados) e 10% pertencem aos criadores integrados (retornam à empresa como venda dos integrados) a fim de reduzir a base de cálculo do crédito presumido; ∙ faz análise do objeto social da empresa e do processo de produção integrada, fazendo referência quanto à industrialização de produtos alimentares derivados de aves e suínos. Entende que a análise daquele processo de produção torna infundadas as assertivas da autoridade fiscal no sentido de que a ração e outros insumos fornecidos pela empresa não se destinam integralmente a sua própria produção; ∙ enfatiza que ao final da criação dos animais todo o custo com os insumos fornecidos pela manifestante no sistema de parceria, os quais contribuíram para que as aves atingissem o estágio ideal para o abate foi integralmente suportado por esta e, portanto, faz jus ao crédito presumido incidente sobre a totalidade desses insumos; ∙ o crédito presumido relativo às atividades agroindustriais merece ser totalmente homologado, visto que o procedimento utilizado no sistema de produção integrada atende ao dispositivo legal previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, combinado com o inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; ∙ o processo de produção da empresa é integrado e o produto final é o animal para o abate, criado com insumos com controle de qualidade total. Se as atividades da empresa não sofreram alterações ao curso do tempo, se a alíquota cabível para a elaboração do cálculo do crédito presumido vem sendo acolhida Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 934 7 pela fiscalização no percentual de 60%, atendendo ao regramento legal, não se verifica por que razão inovou a autoridade fiscal, afastando o referido percentual, reduzindo o montante do crédito presumido, sem tampouco justificar o critério dessa alteração. Transcreve conceitos doutrinários e lição sobre avicultura e sistema de integração; ∙ vêse no sistema de integração a configuração de uma sociedade de fato com elementos de parceria, não possuindo tal sociedade personalidade jurídica, de tal modo que um dos integrantes dessa forma societária está constituído como uma empresa, sendo esta a responsável pelos compromissos fiscais junto a terceiros; ∙ em face da natureza de sociedade de fato que se estabelece neste processo de integração, verificase a responsabilidade integral da empresa no processo evolutivo e produtivo das aves, objetivando o resultado final (objeto definido), possuindo total controle de qualidade do produto animal destinado ao consumidor final; ∙ a empresa efetua o recolhimento de seus tributos pontualmente aos cofres públicos, fazendo jus ao ressarcimento integral do crédito presumido nos termos da lei, incidente sobre os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ∙ não há como ser permitida a glosa efetuada pelo Fisco em situação inovadora quanto ao montante do ressarcimento dos créditos sobre os insumos utilizados pela empresa no processo produtivo. Não deve ser mantido o relatório fiscal e parecer que acompanham o despacho decisório, eis que contrários à lei, à doutrina e aos princípios constitucionais tributários, em especial, da legalidade, da motivação, da ampla defesa e contraditório e da razoabilidade. DAS OPERAÇÕES DECORRENTES DO SISTEMA DE CONTRATO DE PRODUÇÃO AVÍCOLA INTEGRADA ∙ elucida o que ocorre nas fases da operação decorrente dos contratos de produção avícola integrada, buscando deixar claro que a quantidade de insumos empregada na criação dos animais, para fins de determinação do crédito presumido postulado, é toda fornecida pela empresa, sendo os custos integrais por ela suportados. Traça exemplo prático e entende que o crédito presumido relativo ás atividades agroindustriais merece ser totalmente homologado, visto que o procedimento utilizado no sistema de produção integrada atende ao dispositivo legal; ∙ do mesmo modo, a análise das cláusulas do Contrato de Produção Avícola Integrada são determinantes na comprovação de que a totalidade dos insumos utilizados na criação das aves até o estágio de abate, são fornecidos pela empresa e, em razão disso, geram direito ao crédito presumido postulado sobre os mencionados insumos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 DA VERIFICAÇÃO DO CONTRATO DE PRODUÇÃO AVÍCOLA INTEGRADA ∙ além da análise das notas fiscais de remessa dos insumos ao produtor rural integrado, bem como daquelas de retorno das aves prontas para o abate, as cláusulas de obrigações fixadas no contrato de produção avícola integrada corroboram no sentido de que a totalidade dos insumos subsidiados pela empresa devem ser consideradas para fins de apuração do crédito presumido postulado. Faz análise de contrato; ∙ dentre as obrigações do produtor integrado denotase que não está presente o fornecimento de rações, demais insumos e medicamentos. O custo da parceria, no que se refere ao fornecimento de insumos para a criação dos animais é exclusivo da empresa, que, em razão disso, detém o direito ao creditamento integral a esse título; ∙ da definição doutrinária, bem como de normas extraídas do Estatuto da Terra, verificase que atividades desenvolvidas por empresa agroindustrial e produtores rurais apresentase em forma de sociedade de fato ou parceria. Entretanto, as obrigações de cada um deles na contratação não se confunde e, por conseqüência, os incentivos fiscais decorrentes de cada atividade/investimento também são individualizados; ∙ deve ser afastado o redutor da base de cálculo do crédito presumido a ser concedido em favor da empresa. DA DEVIDA APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 60 POR CENTO NA APURAÇÃO DO MONTANTE DO CRÉDITO PRESUMIDO ∙ não assiste razão ao agente fiscal quando deixou de considerar a alíquota de 60% sobre a maioria dos itens/insumos que compõem a base de cálculo do crédito presumido, reduzindo os percentuais para 35% e 50%. Estão corretos os valores informados pela empresa em DACON. As diferenças apuradas pelo agente fiscal decorrem do indevido afastamento da norma prevista no § 3º, inciso I, do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004; ∙ a atividade principal da empresa é a produção de aves, suínos e ovinos de corte, produtos estes que são objeto de exportação. Os insumos que geram o direito ao ressarcimento do crédito presumido são adicionados ao produto final objeto da exportação; ∙ a atividade fim da empresa se enquadra na produção de mercadorias de origem animal, classificada no capítulo 2 da NCM, destinandose à alimentação humana ou animal. Atende se, pois, ao disposto no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, fazendo jus à apuração do crédito presumido na alíquota de 60%, incidente sobre a totalidade dos insumos utilizados no processo produtivo, insumos estes empregados exclusivamente para obtenção do produto final, na forma de produção agrícola integrada. Transcreve o Capítulo 2 da NCM; ∙ a autoridade fiscal não poderia ter considerado percentuais de 35% e 50% para cálculo do crédito presumido, visto que os insumos utilizados pela empresa se destinam exclusivamente Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 935 9 para fabricação de produtos classificáveis no capítulo 2 da NCM, eis que a desconsideração do percentual de 60% reduz ilegalmente o montante do crédito que a empresa tem direito, além de afrontar o Princípio Constitucional da Legalidade. DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA LEGALIDADE ∙ ao imputar indevidamente os percentuais de 35% e 50%, reduzindo o crédito presumido da empresa, a autoridade fiscal não atendeu aos requisitos legais contidos no art. 8º, § 3º, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, afrontando a legalidade e demais princípios constitucionais elencados do art. 37 da CF, sem os quais não se aperfeiçoa de validade o ato administrativo; ∙ contrariamente à legalidade, a autoridade fiscal arbitrou alíquotas diversas daquelas previstas em lei e no caso concreto, sem ao menos fundamentar o procedimento adotado. Registra posições doutrinárias e pretende seja acolhida a máxima legalidade em contraposição a quaisquer tendências de exagero personalista do administrador público ∙ com base em manifestação do Conselho de Contribuintes entende pela nulidade da decisão proferida; ∙ a omissão dirigida à empresa, sem qualquer fundamentação, por meio de um ato administrativo, é ilegal, eis que não pode um órgão executivo inovar em sede legislativa, uma vez que somente as normas que observem o art. 59 e seguintes da CF, sendo lei em sentido formal e material, tem o poder de inovar na ordem jurídica; ∙ a autoridade fiscal não respeitou ditames da CF, estando o ato eivado de nulidade, além de ilegal, ferindo outros princípios constitucionais, tais como, da motivação, da razoabilidade jurídica, da ampla defesa e contraditório, extrapolando sua função meramente executiva, de cumprir a lei; ∙ o parecer, bem como o despacho decisório, não trouxeram qualquer critério ou motivação para o afastamento da alíquota de 60% para fins de apuração do crédito presumido, não passando as assertivas produzidas de mera indicação de dispositivos legais. Está ausente no processo a motivação do despacho decisório, sem justificativa explícita para o afastamento arbitrário do percentual de 60% na maior parte dos insumos determinantes na apuração do crédito presumido, o que se revela imprescindível para a compreensão da decisão e para a defesa; ∙ a autoridade fiscal violou norma constitucional e afrontou o princípio da legalidade. DO DIREITO AO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 ∙ a autoridade fiscal afastou o ressarcimento do crédito presumido, sustentando que esse procedimento tem embasamento no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, combinado com o inciso II do § 3º do art. 8º da IN SRF nº 660, de 2006, que veda expressamente o ressarcimento do crédito; ∙ tal entendimento merece ser reformado, eis que a Lei nº 10.925, de 2004 (art. 8º), simplesmente autorizou a dedução do crédito presumido da contribuição para o PIS e da COFINS, não trazendo qualquer restrição quanto à forma dessa devolução; ∙ há que ser afastada a delimitação à utilização de crédito presumido de PIS e COFINS imposta pela IN SRF nº 660, de 2006, eis que se trata de ato normativo infralegal, o qual não pode inovar em matéria tributária, sob pena de afronta ao princípio da legalidade; ∙ o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, autorizam a restituição ou compensação do crédito presumido em questão com demais tributos administrados pela RFB. O art. 16 trata da utilização do saldo credor do PIS ou COFINS resultante das situações previstas no art. 17 (créditos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência). Ambos os dispositivos tratam de saldos credores de PIS e COFINS apurados na forma do art. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Portanto, os crédito gerados a partir da sistemática da nãocumulatividade e inerentes a ela, calculados em relação aos bens e serviços descritos nos seus incisos; ∙ tendo em vista que a IN SRF nº 660, de 2006, traz vedação que inexiste em matéria de lei, devendo ser afastada, e considerando especialmente os ditames da Lei nº 10.925, de 2004, que em momento algum limita a forma de como será efetuado o aproveitamento do crédito, requer a reforma da decisão recorrida, com a restituição da integralidade dos créditos postulados pela inaplicabilidade daquela norma infralegal. DA PERÍCIA EM RAZÃO DA ADOÇÃO PELO FISCO DE CRITÉRIO ALEATÓRIO NA IMPUTAÇÃO DE ALÍQUOTAS REDUTORAS DO CRÉDITO PRESUMIDO POSTULADO PELA MANIFESTANTE ∙ a imposição ilegal produzida pela autoridade fiscal (redução de alíquotas de 60% para 35% e 50%), conduz ao requerimento de perícia para previsão dos cálculos apresentados pela RFB. O crédito presumido a título de COFINS apontado no PER/DCOMP nº 12683.77414.300109.1.1.098716 está de pleno acordo com a legislação de regência (exceto no que tange ao valor de R$ 279.925,64, já reconhecido para fins de exclusão); ∙ a empresa protesta pela produção de prova pericial, apresentando seus quesitos a fim de restarem indubitáveis suas alegações, devendo na perícia, o Sr. Perito responder: a) se no cálculo da apuração do crédito presumido foram observadas as mercadorias produzidas pela manifestante e a Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 936 11 classificação pela NCM, considerando o caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004? b) se no montante do crédito presumido apurado em favor da manifestante foi observado o critério quanto ao produto de origem animal, para fins de definição da alíquota a ser aplicada sobre os insumos, considerando os termos do inciso I do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004? ∙ nomeia seu perito. CONCLUSÃO ∙ protocolizou pedido de ressarcimento de COFINS não cumulativa exportação relativo ao 4º trimestre de 2008, de acordo com a legislação vigente, que foi homologado parcialmente; ∙ à exceção da glosa relativa à diminuição dos valores e percentual de exportação, a empresa entende ser merecedora do ressarcimento integral postulado por meio de PER/DCOMP; ∙ é errônea a glosa no que se refere à divergência entre o preenchimento do PER/DCOMP e do DACON (apuração de crédito decorrente de aquisições no mercado interno, regime nãocumulativo e importação regime nãocumulativo), eis que devidamente demonstrados em fichas próprias do DACON, enquanto que a ausência de formulário magnético impossibilitou o apontamento da utilização dos saldos de créditos apurados; ∙ a documentação disponível e a transmissão do DACON comprovam o cumprimento da obrigação acessória e permite a verificação da existência do crédito e de sua correta apuração, não havendo de permanecer o afastamento a este título; ∙ restou comprovado que inexistiu irregularidade no preenchimento do DACON relativamente ao valor ressarcível, em razão de que houve equívoco da autoridade fiscal quanto ao ajuste nos valores totais das aquisições de insumos/produtos agropecuários, geradores de crédito presumido. Houve utilização arbitrária e incorreta de redutor em percentual de 10% sobre aquelas aquisições, visto que o procedimento da empresa na utilização do crédito decorre do fato de que é responsável pela integralidade dos custos do montante dos insumos empregados no processo produtivo e está previsto no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004; ∙ devem ser afastadas as indevidas aplicações de percentuais inferiores a 60%. As alíquotas de 35% e 50%, previstas nos incisos II e III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sobre as aquisições de insumos/produtos agropecuários, são indevidas, eis que não se coadunam com a atividade desenvolvida pela empresa e não estão de acordo com a legislação de regência, sendo cabível, inclusive, perícia sobre este aspecto; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 ∙ deve ser acolhida a manifestação de inconformidade no que se refere à homologação integral do pedido de ressarcimento, em razão de que a Lei nº 10.925, de 2004, (art. 8º), simplesmente autorizou a dedução do crédito presumido do PIS ou da COFINS, não trazendo qualquer restrição quanto à forma dessa devolução, não podendo haver imposição contrária e desfavorável à empresa por meio de norma infralegal, no caso a IN SRF nº 660, de 2006; ∙ embora o reconhecimento da glosa, o ressarcimento postulado por meio do PER/DCOMP nº 12683.77414.300109.1.1.098716 há que ser homologado em sua integralidade, consoante os fundamentos de fato e de direito amplamente explicitados. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 ATOS ADMINISTRATIVOS. EXISTÊNCIA DE ILEGALIDADES. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questões que envolvam ilegalidade de atos legislativos ou normativos, bem como de afronta a princípios constitucionais. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS objeto de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples apresentação de DACON não tem o condão de comprovar que os créditos apurados e utilizados no PER/DCOMP tiveram origem em vendas para o mercado externo. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 937 13 AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de COFINS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. A partir de 1º de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Em relação a esta, inova quando aduz ter havido o acórdão a quo ofendido aos princípios da ampla defesa e do contraditório por ter se esquivado quanto a apreciação da inconstitucionalidade de normas por si reputadas como tal. Também inova em relação a sua manifestação de inconformidade ao pugnar pela recomposição, nos períodos de apurações anteriores, dos saldos de créditos vinculados ao tema em apreço. De resto, insurgese mais uma vez: (i) quanto às glosas relacionadas às divergências entre o PER/DCOMP e as DACON’s; (ii) a legitimidade na utilização da alíquota de 60% (sessenta por cento) de que versa o inciso I, do §3o do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, vez que o legislador teria tomado como premissa para a aplicação de cada uma das alíquotas estipuladas o produto fabricado/produzido pelo beneficiário do crédito presumido; e, (iii) a possibilidade de tomar créditos sobre o custo com ração animal, por si suportado, ainda quando o produto final seja produzido por terceiro em regime de parceria. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 Em face do encerramento do mandato do Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, me autodesignei para redigir o acórdão. Reproduzo o voto lido em sessão: Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal no caso sob análise, tomo conhecimento do recurso respectivo. Já adentrando ao exame do recurso em si, e tal qual retratado no relato supra, a Recorrente empreende algumas insurgências em relação a atos comissivos e omissivos aos quais ela reputa terem incorrido em ofensa à Constituição. A suposta ofensa a legalidade pelo prestígio à atos normativos administrativos e não à lei em sentido estrito, assim como a defendida falta de motivação ou a negativa em se apreciar a inconstitucionalidade de reputados por inconstitucionais pelo recurso em julgamento. Neste particular, sem que ao menos adentremos na análise das reputadas ofensas, somos levados a corroborar com a postura adotada pela instância de piso ao não se pronunciar sobre tais ofensas a si apresentadas. É que às instâncias administrativas são impostas limitações regimentais quanto à análise da constitucionalidade, tendo esta matéria, inclusive, já sido alvo de enunciado sumular no âmbito do CARF (Súmula 2). Ultrapassada esta questão, a lide fica restrita basicamente a análise de três questões que contribuíram às glosas/rejeição de parte dos créditos pleiteados pela Recorrente, a saber: (a) (in)correção da aplicação dos percentuais versados em forma progressiva nos incisos do §3o, do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004; (b) possibilidade de tomar a Recorrente créditos oriundos da sistemática não cumulativa do PIS/PASEP nas aquisições de insumos a serem aplicados em relação de parceria; e, (c) aproveitamento dos créditos de que trata o art. 8o da Lei n º 9.925/2004 além da mera dedução dentro do respectivo período de apuração com a própria contribuição ao PIS a Cofins. Demais matérias como as glosas relacionadas às divergências entre os valores solicitados em PER/DCOMP e DACON’s, assim como o pedido de diligência pericial, por entendermos correlatos aos itens arrolados acima, serão tratados ao longo do exame daqueles. Pois bem. No que remonta ao primeiro ponto, devese observar que foi a Lei n° 10.637, de 2002, quem inseriu o PIS dentro do regime de apuração nãocumulativa, sendo esta, portanto, quem trata dos créditos básicos vinculados a este sistema de apuração não cumulada. Foi entretanto, a Lei n º 10.925, de 2004, por seu art. 8o, que em forma de crédito presumido assegurou o aproveitamento de créditos sobre as aquisições, efetuadas à pessoas físicas ou cooperados pessoa física, de insumos aplicados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal (nela especificadas) e destinados a alimentação humana ou animal. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 938 15 O §3o do aludido dispositivo é quem define a forma de apuração do crédito em questão. Atentese para a sua redação: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei n°11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004). § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis es 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 16 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis ns 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Na realidade, o objeto da lide, no caso, se a aplicação das alíquotas acima destacadas estariam vinculadas ao bem produzido pelo beneficiário do crédito presumido ou ao insumo adquirido para a produção do mesmo bem, não se resolve à partir de uma interpretação literal do texto legal. Aliás, são manifestadamente retóricos as considerações de ambas as partes quando enaltecem a clareza do texto, de indiscutível obscuridade no que tange ao critério para a definição da alíquota a ser aplicada. A solução à questão, distante da literalidade do texto legislativo, está em sua teleologia do dispositivo ou na mens legis. Atentese. A legislação em questão sucedeu intensa discussão travada logo após a instituição do regime não cumulativo para o PIS e para a COFINS, especificamente sobre a possibilidade da tomada de créditos nas aquisições efetuadas à pessoa física. Os reclames partiam principalmente do setor agropecuário, aonde estão reunidos os maiores produtores de mercadorias para consumo humano ou animal. Aliás, cujos negócios possuíam e possuem como característica marcante a aquisição de insumos de produtores rurais pessoas físicas. Como argumento mais substancial, defendiase exatamente que embora as pessoas físicas não fossem contribuintes do PIS e da COFINS, na produção dos bens por estes negociados, eram indiscutivelmente utilizados insumos tributados pelas aludidas contribuições. A graduação constante dos incisos do citado §3o do art. 8o da Lei n º 10.925/2004, então, entendemos nós, adota como referência o insumo adquirido pelo beneficiário, não o produto por este produzido, como quer fazer crer a recorrente. E isto por uma lógica simples: O crédito que se pretende assegurar de forma presumida é aquele decorrente dos insumos onerados pelo PIS e pela COFINS e suportados pelo produtor pessoa física, não contribuinte destas contribuições. Assim, as alíquotas decrescentes são inversamente proporcionais ao custo de produção dos bens (insumos) de que farão uso o beneficiário do crédito presumido em seu processo de produção. Por estas razões, entendemos que agiu com acerto a instância a quo ao manter a glosa sobre os créditos tomados com base na alíquota máxima do §3o, do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, aplicando, conforme o caso, os percentuais de 35 e 50%. Ainda sobre este tema, tendo sido ele aqui definido mediante premissa de direito, em prejuízo ou esvaziando de qualquer sentido o esclarecimento fáticoprobatório quanto à natureza do bem produzido pela Recorrente, entendemos pela impertinência da diligência pericial requestada. O segundo ponto acima indicado está relacionado à possibilidade da pessoa jurídica tomar créditos, na forma do art. 3o, inciso II, da Lei n º 10.833/2003, sobre insumos por ela Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 939 17 fornecidos a parceiro para a produção de bens, mediante contraprestação, em favor daquela primeira. Para a correta aplicação da norma jurídica contida no art. 3o acima citado, convém inicialmente conhecermos em detalhes a operação de remessa de insumos a terceiro parceiro. Conforme se infere dos autos, a recorrente processa/industrializa frango, iniciando seu processo produtivo com a criação das aves. Por razões que não interessa ao deslinde da lide, terceiriza parte da criação dos animais a parceiros, fornecendo a estes insumos (ração). Tais animais, por seu turno, retornam à recorrente e são reinseridos no seu processo produtivo, de modo a que entendemos que a melhor exegese do art. 3o, inciso II, da Lei n º 10.833/2003, é a que permite ao recorrente a apuração de créditos decorrentes da sistemática não cumulativa do PIS. Atente à redação do dispositivo mencionado: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; No que concerne ao aproveitamento, mediante pedido de ressarcimento e fora do período de apuração respectivo, dos créditos assegurados pelo art. 8o da Lei n º 9.925/2004, chegamos à conclusão de que a legislação então vigente militava contra a comentada pretensão. E não só pela letra do art. 5o da IN SRF n º 660/2006, como afirmou a Recorrente em sua defesa, mas pelas normas jurídicas veiculadas no caput e §2o da própria lei que institui o crédito presumido. Ora, se de um lado no caput emerge a autorização para a dedução do crédito apurado com o crédito devido (débito) “em cada período de apuração”, do outro, ou melhor, no §2o está textualmente anotado que o crédito, para fins, é aquele calculado sobre os “bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração”. Enfim, a restrição é textual. O art. 17 da Lei n º 11.033/2004, c/c o art. 16 da Lei n º 11.116/2005 não tem aplicação ao crédito presumido de que versa o art. 8 da Lei n º 10.925/2004. Aqueles regulam a manutenção creditória relacionadas às saídas à alíquota zero, isenção e imunidade. O último institui crédito presumido, em lei especial que veda o pretenso aproveitamento. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 18 Já o art. 36 da Lei n º 12.058, de 13/10/2009, por sua vez, efetivamente introduziu no mundo jurídico outras hipóteses para a utilização dos saldos credores de créditos apurados na forma do art. 8o da Lei n º 10.925/2004, relativos aos bens nele mencionados, especificamente a compensação com quaisquer outros tributos, vencidos ou vincendos, administrados pela RFB, ou ainda o ressarcimento em espécie. Confirase: Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A publicação superveniente do citado diploma legislativo, aliado ao texto do §1o, II, que condiciona o exercício da faculdade em testilha a que o protocolo do pleito se dê a partir de 1o/01/2010 para os créditos apurados no curso do exercício de 2009, afasta qualquer dúvida quanto a inviabilidade do pleito da recorrente em pretender o ressarcimento em momento anterior. E a partir da presente constatação é que é possível compreender toda problemática relacionada as divergências entre o pedido de ressarcimento transmitido (PER/DCOMP) e a DACON, estando, aqui também, as instâncias de origem corretas em promover as glosas respectivas. A suposta carência no programa eletrônico da DACON, no que toca a inserção dos saldos credores relacionados aos créditos do art. 8o da Lei n º 10.925/2004, na realidade, estava em sintonia com a legislação de regência que restringia a manutenção do crédito para períodos de apuração subseqüentes. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 940 19 Por fim, no que tange ao pleito da correção monetária sobre os créditos em questão, informados no pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente, divergimos das conclusões exaradas pela Instância a quo, muito embora reconheçamos não se tratar o caso de pleito de repetição de indébito, para a qual existe expressa previsão legal para a atualização com base na SELIC (art. 66, §3º, da Lei n. 8.383/91), mas de pedido de ressarcimento de crédito presumido. Conforme muito bem pontuou a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira em voto vencedor sobre o assunto (Acórdão n. 203 11.501), as posições contrárias à atualização monetária nos ressarcimentos de créditos de IPI subdividemse entre aqueles que se opõem a qualquer espécie de correção por ausência de disposição legal, e, uma segunda linha, que admitem a correção até 31.12.1995, por analogia ao disposto no art. 66, §3º, da Lei n. 8.383, de 30.12.1991. Segundo esta segunda linha de pensamento, tendo sido introduzida a taxa SELIC pelo §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250, de 26.12.1995 (cuja entrada em vigor se deu em 1º de janeiro de 1996), como índice a ser aplicado aos pedidos de compensações ou restituições, a analogia não poderia mais ser invocada por não representar referido índice mera recomposição do poder aquisitivo da moeda (inflação), já que atingiria fatores bastante superiores à inflação. Deixo de cogitar qualquer espécie de filiação a primeira corrente, pois não admitir a correção monetária sobre os créditos de qualquer espécie, ainda que em sede de pedido de ressarcimento, atentaria contra o direito à propriedade, constitucionalmente assegurado, resultando, ainda, em enriquecimento sem causa do erário federal. E não se trata aqui em afronta da competência desta instância administrativa, pois inexiste norma positivada que vede a incidência da correção monetária em tais situações. Existe, sim, uma lacuna no Ordenamento Jurídico que abre espaço à aplicação da analogia, nos termos do art. 108 do CTN em outra ocasião já citado. Diante disto, o mais razoável seria admitir a atualização monetária, vez que tão somente revelaria a preservação do direito de propriedade do contribuinte mediante a manutenção do poder aquisitivo da moeda, aplicando a analogia de que trata o dispositivo acima citado para fazer incidir os índices aplicados aos pedidos/declarações de compensação ou restituição (SELIC), que segundo expõe com propriedade a Julgadora já outrora citada, somente se diferenciam dos pedidos de ressarcimento “no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornariam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 20 se proceder essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco.” (Acórdão n. 20311.501). Ademais, cai por terra qualquer argumentação restritiva que se funde na superioridade da taxa SELIC em relação aos índices oficiais de atualização monetária, constituindose verdadeiros juros moratórios, quando passa a se verificar efetiva mora administrativa a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Por outro lado, enveredar pela não aplicação da analogia mediante a adoção da segunda linha de argumentação acima narrada, seria compactuar com a idéia de que o contribuinte estaria à mercê da boa vontade dos agentes fiscais em homologar seu pedido de ressarcimento, e que, independentemente do tempo decorrido, haveria de ser considerado o valor principal. Aliás, seguindo a linha ora defendida, está a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, conforme se colhe de esclarecedora passagem do voto condutor do Min. José Delgado, relator do Recurso Especial n. 611.905 – RS: “Na hipótese vertente, com muito mais razão se aplica esse entendimento, na medida em que a não aplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já corroídos pela inflação. Tal fato, como se vê, contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. (...) A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto em um caso quando no outro, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. (...) Como os pedidos foram formulados após 1.01.96, tendo sido realizados quase dois anos depois, não existe óbice para a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização monetária. Entendimento aplicável à repetição de indébito que, conforme dito, estendese à hipótese dos autos.” De uma forma ou de outra, a despeito das motivações do entendimento aqui esposado, filiome a tese da possibilidade da adoção do índice em trato nos ressarcimentos de créditos de IPI em respeito a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme indicam as ementas abaixo: Ementa: IPI. RESARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso Negado. (Acórdão CSRF/0201.690)Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3102001.040 S3C1T2 Fl. 941 21 SELIC – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CRSF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n. 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso a que se nega provimento. Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência parcial dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, ora ampliados, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir do primeiro despacho que impôs as glosas ora rechaçadas, conforme orientação constante no REsp n º 1.035.847 – RS, julgada sob os efeitos do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para darlhe parcial provimento, apenas para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa do PIS sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorne ao processo produtivo daquela. Deve, no entanto, a autoridade de origem observar as limitações ao reconhecimento dos créditos quando estes tenham sido solicitados mediante pedido de ressarcimento fora do período de apuração da contribuição. Cumpre esclarecer que acompanhei o i. Relator pelas conclusões no que se refere à atualização monetária do valor ressarcido, pois imaginava, à época, que o precedente do Superior Tribunal de Justiça seria aplicável ao presente processo. Ocorre que, a partir, após aprofundar a análise do tema, cheguei à conclusão de que o raciocínio desenvolvido por aquela Corte Superior e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais não poderia ser replicado em litígios semelhantes ao presente. De fato, nos litígios solucionados por aqueles arestos tratouse da correção monetária sobre créditos presumidos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.363, de 1996, ou de créditos básicos do imposto, disciplinados por legislação que não previra a incidência da Selic, mas também não a proibira. Tais considerações, evidentemente, em nada alteram a decisão já proferida. Sala das Sessões, em 02 de junho de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro – Redator Designado Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 22 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13687.000536/2008-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal que: (1) indiferentemente da exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL E FEDERAL, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, e respectivos valores; (2) havendo qualquer carência de requisito, que seja informado a requerente, instruindo-a de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13687.000536/2008-61
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316968
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-000.211
nome_arquivo_s : Decisao_13687000536200861.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GUSTAVO VETTORATO
nome_arquivo_pdf_s : 13687000536200861_5316968.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal que: (1) indiferentemente da exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL E FEDERAL, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, e respectivos valores; (2) havendo qualquer carência de requisito, que seja informado a requerente, instruindo-a de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5251164
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366695981056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2050; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 327 1 326 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13687.000536/200861 Recurso nº 13.687.000539200861Voluntário Resolução nº 2803000.211 – 3ª Turma Especial Data 18 de setembro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TERMO ELETRO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal que: (1) indiferentemente da exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL E FEDERAL, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, e respectivos valores; (2) havendo qualquer carência de requisito, que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 87 .0 00 53 6/ 20 08 -6 1 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13687.000536/200861 Resolução nº 2803000.211 S2TE03 Fl. 328 2 Relatório Trata Recurso Voluntário que busca reforma da decisão da DRJ que manteve a negativa ao pedido do Requerimento de Reembolso (RR) de saláriofamília pagos entre 08/2004 e 11/2007, nas competências identificadas em epígrafe, protocolado em 03/09/2008. A negativa deuse em razão da alteração do Regime de Apuração da recorrente, que teria sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES FEDERAL), a partir 01/01/2004, e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), a partir de 01/07/2007, mediante Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 002/2009, de 28 de janeiro de 2009 e Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 004, de 02 de fevereiro de 2009, respectivamente, em virtude de ter desempenhado atividades vedadas pelo inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e pelo inciso XI do art. 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Logo, o pedido de reembolso deveria enquadrarse no regime de apuração e tributação ao qual a requerente deveria estar enquadrada. E mesmo que ela estivesse impugnando ou recorrendo das decisões de exclusão, estas não teriam efeito suspensivo, tendo sido mantidas em julgamento da mesma DRJ (Processo nº 10970.000610/200855, Acórdão n° 0926064 de 09/09/2009 da 2 a. Turma de Julgamento). Inconformada com a manutenção da negativa, apresentou Recurso Voluntário, reforçando o dever de suspensão dos efeitos das decisões de exclusão em razão da Recorrente ainda estar questionando administrativamente as mesmas, bem como outros argumentos. Os autos vieram para apreciação desta Turma Especial do CARF. Em novembro de 2012, o julgamento foi convertido em diligência para que a Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302000.581 com declaração de andamento do respectivo processo. As cópias não foram fornecidas pela Secretaria, mas pela própria contribuinte, demonstrando que o julgamento pela Primeira Sessão de Julgamento do CARF/MF foi favorável ao contribuinte no sentido de cancelar a exclusão. Mesmo assim, os autos foram devolvidos à análise. Em diligência do próprio relator junto ao COMPROT do CARF/MF e Secretaria da Receita Federal, verificase que após tal julgamento os autos foram devolvidos e devidamente arquivados (anexo). É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13687.000536/200861 Resolução nº 2803000.211 S2TE03 Fl. 329 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso voluntário é tempestivo, devendo ser conhecido. Ao que se verifica aos autos, o único fundamento trazido pela decisão de indeferimento de restituição e acórdão a quo para negar a restituição foi a exclusão da parte do Simples Nacional e Federal, o que não lhe permitiria a restituição dos valores pleiteados. Contudo, como relatado, o único fundamento de negativa foi revertido, reconhecendo a improcedência da exclusão. Atentese que, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Bem como, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por motivação de oficio (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec. n. 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n. 10020.004375/200892: A DRF – origem após o contribuinte ter retificado as GFIP’s e retransmitidas estas considerou que as falhas do requerimento e da instrução processual devidas a falta de comprovação das alegações foram sanadas e reconheceu parte do pedido do contribuinte como esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131. Desta forma, com base na informação citado o direito creditório foi, assim, reconhecido. (...) Desta forma, atendidas as exigências por parte do requerente faz ele jus ao direito creditório reconhecido pela Informação Fiscal citada, conforme consta da tabela cima. A DRF – origem deve averiguar nos termos da legislação que rege a matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer a existência do direito creditório, não implica e determinar a restituição de plano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar lhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela DRF – origem, reconhecendo o direito creditório da recorrente. Porém, cabendo à DRF – origem verificar o preenchimento das condições para a restituição, conforme legislação de regência. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13687.000536/200861 Resolução nº 2803000.211 S2TE03 Fl. 330 4 Assim, cabe uma solicitação de diligência à autoridade fiscal para que, indiferentemente da exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL E FEDERAL, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, e os respectivos valores, havendo qualquer carência de requisito, que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação, após emita informação fiscal a respeito, sendo a contribuinte intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Conclusão Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal para que: (1) indiferentemente da exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL E FEDERAL, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, e respectivos valores; (2) havendo qualquer carência de requisito, que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, obseravando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. É como voto. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001924/2007-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REABERTURA DA DISCUSSÃO DE MÉRITO. DESCABIMENTO.
A utilização dos embargos de declaração para contestar a fundamentação da decisão atacada, sem comprovação da ocorrência dos seus prossupostos (dos embargos), não é cabível nessa restrita via recursal.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO.
Confere-se efeito modificativo aos embargos de declaração quando a solução do vício que deu causa ao recurso resulte necessariamente, por decorrência lógica, na alteração da decisão embargada.
Numero da decisão: 1103-000.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado dar provimento parcial aos embargos de declaração opostos pela contribuinte para sanar a omissão relativa à parte da exigência de IRPJ e CSLL correspondente ao crédito tributário do 3º e do 4º trimestres de 2004 e a contradição relativa à decadência do direito de constituir o crédito tributário, conferindo-lhes efeito modificativo para incluir no Acórdão nº 1103-00.293/2010, com a retificação introduzida pelo Acórdão nº 1103-00.431/2011, a determinação para afastamento das parcelas do crédito tributário de IRPJ e de CSLL relativas ao 3º e ao 4º trimestres de 2004, ratificando o dispositivo em tudo o mais, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Monteiro e André Moura, que negaram provimento.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REABERTURA DA DISCUSSÃO DE MÉRITO. DESCABIMENTO. A utilização dos embargos de declaração para contestar a fundamentação da decisão atacada, sem comprovação da ocorrência dos seus prossupostos (dos embargos), não é cabível nessa restrita via recursal. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. Confere-se efeito modificativo aos embargos de declaração quando a solução do vício que deu causa ao recurso resulte necessariamente, por decorrência lógica, na alteração da decisão embargada.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.001924/2007-36
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5315946
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.955
nome_arquivo_s : Decisao_19515001924200736.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001924200736_5315946.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado dar provimento parcial aos embargos de declaração opostos pela contribuinte para sanar a omissão relativa à parte da exigência de IRPJ e CSLL correspondente ao crédito tributário do 3º e do 4º trimestres de 2004 e a contradição relativa à decadência do direito de constituir o crédito tributário, conferindo-lhes efeito modificativo para incluir no Acórdão nº 1103-00.293/2010, com a retificação introduzida pelo Acórdão nº 1103-00.431/2011, a determinação para afastamento das parcelas do crédito tributário de IRPJ e de CSLL relativas ao 3º e ao 4º trimestres de 2004, ratificando o dispositivo em tudo o mais, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Monteiro e André Moura, que negaram provimento. Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
id : 5245190
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366707515392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2191; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 2 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001924/200736 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1103000.955 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 5 de novembro de 2013 Matéria IRPJ e reflexos Embargante Força 10 produtos Esportivos Ltda. Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REABERTURA DA DISCUSSÃO DE MÉRITO. DESCABIMENTO. A utilização dos embargos de declaração para contestar a fundamentação da decisão atacada, sem comprovação da ocorrência dos seus prossupostos (dos embargos), não é cabível nessa restrita via recursal. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. Conferese efeito modificativo aos embargos de declaração quando a solução do vício que deu causa ao recurso resulte necessariamente, por decorrência lógica, na alteração da decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado dar provimento parcial aos embargos de declaração opostos pela contribuinte para sanar a omissão relativa à parte da exigência de IRPJ e CSLL correspondente ao crédito tributário do 3º e do 4º trimestres de 2004 e a contradição relativa à decadência do direito de constituir o crédito tributário, conferindolhes efeito modificativo para incluir no Acórdão nº 110300.293/2010, com a retificação introduzida pelo Acórdão nº 110300.431/2011, a determinação para afastamento das parcelas do crédito tributário de IRPJ e de CSLL relativas ao 3º e ao 4º trimestres de 2004, ratificando o dispositivo em tudo o mais, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Monteiro e André Moura, que negaram provimento. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 24 /2 00 7- 36 Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 1103000.955 S1C1T3 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório O processo trata de exigência de crédito tributário constituído mediante autos de infração de IRPJ (fls. 821 e 880), CSLL (fls. 870 e 898), PIS (fls. 838 e 885) e Cofins (fls. 856 e 892), em razão de omissão de receitas por créditos em conta bancária sem comprovação de origem, apurada com base em extratos bancários fornecidos pela contribuinte em atendimento a intimação fiscal, segundo descrição no TVCF – termo de verificação e constatação fiscal (fls. 611)1. Em face de tempestiva impugnação (fls. 922), o órgão de primeira instância julgou o lançamento parcialmente procedente e determinou a exclusão de valores correspondentes a transferências entre contas de mesma titularidade, nos termos do Acórdão nº 1616.289/2008 (fls. 1.887). A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1.954), parcialmente provido por esta Turma, conforme o Acórdão nº 110300.293/2010 (fls. 2.057), assim resumido: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004. DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. ARBITRAMENTO DE LUCROS. A manutenção de vultosa movimentação financeira à margem da escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica autoriza o arbitramento dos lucros ex officio. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 1103000.955 S1C1T3 Fl. 4 3 MULTA QUALIFICADA Presentes os elementos subjetivos dolo (consciência) e elemento subjetivo do injusto (finalidade) pagar menos imposto, correta é a multa qualificada." O dispositivo do acórdão recebeu a seguinte redação: "ACORDAM os membros do colegiado, rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir (i) as exigências de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário 2002, por maioria de votos, vencidos os Cons. Mário Sergio Fernandes Barroso (Relator) e Gervásio Nicolau Recktenvald, e (ii) as parcelas correspondentes aos créditos em conta bancária sob o histórico de "TEDD" das bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins dos anoscalendário 2003 e 2004, por unanimidade. O Conselheiro Leonardo Henrique M. de Oliveira considerou errado o enquadramento legal da omissão de receitas, tendo em vista, na opinião do referido conselheiro, a apuração com base em prova direta e não na presunção do art. 42 da Lei 9.430/96. A tributação pelo regime do lucro presumido com base no coeficiente de 32 % nos anoscalendário 2003 e 2004 foi mantida por maioria de votos, vencidos os Cons. Leonardo Henrique M. de Oliveira e Hugo Correia Sotero, e a multa qualificada foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Cons. Marcos Shigueo Takata, Leonardo Henrique M. de Oliveira e Hugo Correia Sotero, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva redigirá o voto vencedor." Como visto acima, atuou no julgamento como relator o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, cabendo a este mesmo Relator (destes embargos) a incumbência da redação do voto vencedor unicamente quanto à exclusão das exigências de IRPJ e CSLL do anocalendário 2002 apuradas com base no regime de tributação pelo lucro real. Após o julgamento, o e. Relator (Conselheiro Mário Sérgio) identificou contradição no acórdão e, por conseqüência, opôs embargos de declaração (fls. 2.067). A Turma aolheu os embargos e determinou a inclusão no acórdão embargado (110300.293/2010) da "especificação das parcelas excluídas das bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, correspondentes aos créditos em conta bancária sob o histórico de 'TED D', nos valores de R$ 13.000,00, R$ 194.200,00 e R$ 650.000.00, relativamente aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente", conforme o Acórdão nº 110300.431/2011 (fls. 2.102). Cientificada das duas decisões em 29/12/2011 (fls. 2.203, 2.205 e 2.219), a contribuinte as embargou no dia 3 do mês seguinte ao fundamento de ocorrência de omissões e contradição (fls. 2.353). Despacho do órgão preparador noticiou a desistência parcial do recurso voluntário quanto às exigências de PIS e Cofins relativas ao ano calendário 2003 e aos primeiro e segundo trimestres de 2004, em razão de adesão da contribuinte ao parcelamento da Lei 11.941/2009 (fls. 2.135). Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 1103000.955 S1C1T3 Fl. 5 4 Consta do referido despacho informação relativa à inexistência de recurso por parte da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi tempestivamente apresentado por parte legítima e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Embargos de declaração são cabíveis quando identificada no acórdão a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma, segundo previsto no art. 65 do anexo II do Regimento Interno do Carf (Ricarf). Conforme relatado, a recorrente identificou a ocorrência de omissões e contradição. Haveria contradição no exame da decadência, tendo em vista que o Relator teria confirmado a aplicação do art. 150 do CTN – Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966) mas teria afastado a preliminar com suporte no art. 173 do mesmo ato legal. A questão foi assim resolvida no Acórdão nº 110300.293/2010: "Primeiramente, observo pelo próprio termo de verificação e constatação fiscal fl.609/610, que a contribuinte declarou valores a pagar em todos os anos calendários do processo. Como não há nenhuma afirmação de falta de pagamento, adoto o art. 150 do CTN para verificar a decadência. No caso, como a ciência do lançamento foi em 22 de agosto de 2007. Assim, afasto a decadência tendo em vista o art. 173 do CTN." Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 1103000.955 S1C1T3 Fl. 6 5 De fato, o Relator se esqueceu de explicitar a vinculação da questão relativa à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário à definição quanto à qualificação da multa de ofício, de 150%. Mais adiante, no seu voto, o Conselheiro se posicionou favoravelmente à manutenção da qualificação, tendo em vista a "reiteração, figura essa que demonstra a intenção, dolo específico, no sentido de pagar menos tributos do que devido", o que remeteu a definição da decadência para o comando do art. 173, I, do CTN, na linha da ampla e consolidada jurisprudência administrativa, pelo que se vê na decisão adiante indicada, como exemplo: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Aplicase a norma de decadência contida no art. 173, I, do CTN – Código Tributário Nacional nos casos de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do lançamento por homologação (art. 150 do CTN) quando restar incontroversa a ocorrência de evidente intuito de fraude."(Acórdão nº 110300.486/2011 – Processo nº 10820.003356/200780) A alegada contradição, que poderia ser definida como "aparente", aconteceu, na verdade, pela omissão da vinculação da decadência ao enfrentamento da qualificação da multa. Contudo, nada há a ser alterado na conclusão do Relator, em razão da sua adequação ao caso concreto. A embargante alegou que o acórdão foi omisso no exame dos argumentos expostos no recurso voluntário a respeito da violação do direito ao contraditório e ampla defesa, pois só teria tido acesso aos autos para vista 1 (um) dia antes do esgotamento do prazo para impugnação, "visto que ainda não haviam sido formalizados até aquela data." A preliminar foi rejeitada ao fundamento de ausência de qualquer prova da alegação. Insurgiuse a embargante sob o argumento de que a prova exigida seria negativa e a própria administração dela disporia. Não ocorreu a omissão alegada. O Relator examinou os argumentos da contribuinte e concluiu que estavam desacompanhados de provas, fato que, digase, é ratificado pelo próprio arrazoado posto nos embargos. Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 1103000.955 S1C1T3 Fl. 7 6 Percebese que a contribuinte utilizou embargos de declaração para contestação das próprias razões de decidir do acórdão atacado, o que não é cabível no âmbito dessa restrita via recursal. Também teria ocorrido omissão no exame de notas fiscais que comprovariam a inexistência de fundamentos para a se presumir que todo o "faturamento" decorreria da prestação de serviços. Se a documentação fosse analisada, não haveria dúvida do cálculo do lucro presumido pelo coeficiente de 8% em vez de 32%, tendo em vista a predominância das atividades de compra e venda, sendo a prestação de serviços apenas residual, registrou a embargante. Sustentou: " ... verificase que o acórdão embargado foi omisso, uma vez que, não obstante declarar que analisaria a natureza comercial das receitas da Embargante em 'momento oportuno', limitouse apenas a posicionarse no sentido de que o momento de se provar que a natureza das atividades omitidas da Embargante é comercial seria durante a fase de fiscalização." Essa segunda alegação de omissão é igualmente descabida. Encontrase inequívocamente indicada no acórdão a aplicação do art. 24, § 1º, da Lei 9.249/1995 na definição do coeficiente de presunção do lucro. Segundo o dispositivo, quando não for possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, devese adicionála àquela a que corresponder o percentual mais elevado, no caso de atividades diversificadas. O TVCF também contém expressa indicação do citado dispositivo legal. As notas fiscais não socorrem a contribuinte, tendo em vista que se referem à receita declarada, não se prestando para identificação das receitas omitidas, o que foi bem destacado no acórdão embargado, como se vê adiante: "No caso, a fiscalização solicitou esclarecimento sobre a receita omitida, contudo, a contribuinte não esclareceu, assim, perdeu a oportunidade de demonstrar por recibos ou outros documento que sua omissão foi referente à venda de mercadorias, e não serviços. Agora, a recorrente tenta em tese convencer o julgador de que por causa de suas atividades declaradas serem comerciais, na maior parte, as atividades omitidas também seriam comerciais. Esta afirmação não pode prevalecer, primeiramente, como dito, o momento de se provar isto era na fase de fiscalização." (Destaquei) Uma terceira omissão estaria relacionada às exigências de IRPJ e CSLL do 3º e do 4º trimestres de 2004 pelo regime do lucro real, não se aplicando no acórdão a mesma interpretação dada para o anocalendário 2002, em que se reconheceu a impropriedade de apuração pelo lucro real por se tratar de caso de arbitramento de lucros ex officio. Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 1103000.955 S1C1T3 Fl. 8 7 Segundo a embargante: "Contudo, em que pese o acerto acima destacado, o acórdão recorrido incorreu em flagrante omissão ao determinar a exclusão das exigências de IRPJ e de CSLL referentes apenas ao ano de 2002, uma vez que nos dois últimos trimestres de 2004 a Embarqante também estava sujeita à sistemática de apuração pela lucro real." (Os destaques constam do texto original) Lembrou a embargante que tal informação, de impropriedade de lançamento pelo regime do lucro real nos dois últimos trimestres de 2004, já constara do recurso voluntário, nas páginas 35 e 36 (fls. 1.988/1.989). Requereu o suprimento da omissão, "estendendose a exclusão das cobranças de IRPJ e de CSLL também para o período entre julho e dezembro de 2004." No acórdão embargado (voto vencedor), constatase a exoneração do crédito tributário do anocalendário 2002 com base no art. 530, II, "a" e "b", do RIR/1999, em razão da imprestabilidade da escrituração mantida pela contribuinte, caracterizada pela vultosa omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem incomprovada, o que resultou em "tributação da receita omitida e não do lucro." Revisandose o demonstrativo das omissões de receitas apuradas do TVCF, percebese que os fatos do anocalendário 2002 se repetem para o 3º e o 4º trimestres de 2004, cujas apurações de IRPJ e CSLL ocorreram ex officio pelo regime de tributação com base no lucro real. Com efeito, percebese que o Relator rejeitou as alegações recursais relativas à impossibilidade de tributação pelo lucro real sem distinção de período de apuração. Nesse caso, bem se vê que a questão foi inteiramente enfrentada no voto vencido, havendo divergência no acórdão apenas para o anocalendário 2002, exceção tornada vencedora pela aprovação da maioria do colegiado, nos termos do voto vencedor. De fato, o voto vencedor não tratou do anocalendário 2004, restando caracterizada a omissão alegada. A omissão teve por conseqüência outro vício, o de contradição, resultando na incoerência do julgado, deixandose de extrair igual interpretação do exame dos mesmos fatos, apenas ocorridos em tempos distintos. A contradição se revelou pelas interpretações diversas aplicadas aos mesmos fatos, uma para o anocalendário 2002, outra para 2004. A solução da omissão descrita pressupõe, conseqüentemente, a conferência de efeito modificativo aos embargos, estendendose ao 3º e ao 4º trimestres de 2004 o mesmo entendimento aplicado ao anocalendário 2002, devendose acolher o recurso para resolvêla, o que se faz com suporte nos princípios da verdade material e do informalismo, orientadores do processo administrativo tributário. Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 1103000.955 S1C1T3 Fl. 9 8 Registrese que, no presente julgamento, a alteração do acórdão embargado se impõe por decorrência lógica do suprimento do vício cuja ocorrência restou devidamente comprovada. Conclusão Dar provimento parcial aos embargos de declaração opostos pela contribuinte para sanar a omissão relativa à parte da exigência de IRPJ e CSLL correspondente ao crédito tributário do 3º e do 4º trimestres de 2004 e a contradição relativa à decadência do direito de constituir o crédito tributário, conferindolhes efeito modificativo para incluir no Acórdão nº 110300.293/2010, com a retificação introduzida pelo Acórdão nº 110300.431/2011, a determinação para afastamento das parcelas do crédito tributário de IRPJ e de CSLL relativas ao 3º e ao 4º trimestres de 2004, ratificando o dispositivo em tudo o mais. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10860.904995/2009-50
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - Por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo; II - Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10860.904995/2009-50
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313834
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.113
nome_arquivo_s : Decisao_10860904995200950.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10860904995200950_5313834.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I - Por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo; II - Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5224140
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366919327744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1780; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.904995/200950 Recurso nº Acórdão nº 3801002.113 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente MARCPELZER PLASTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo; II Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 49 95 /2 00 9- 50 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0538.485, de 25 de julho de 2012, da 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (DRJ/CPS), referente ao processo administrativo n° 10860.904995/200950, em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada, sendo considerado procedente o auto de lançamento. Nos autos verificase que não foram homologados os créditos, tendo em viusta que já haviam sido integralmente utilizados para quitação do débito do contribuinte, dessa forma para bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CPS, que assim relatou os autos: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: (...) II — CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTE DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS — POSSIBILI DADE (...) (...) (...) é oportuno frisar que na antiga base de cálculo da contribuição relativa a ao COFINS e ao PIS, que era o faturamento, integravase também, segundo entendimento do Fisco, o montante devido a titulo deImposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, doravante denominada ICMS, de maneira indevida, pois tornava sua incidência inconstitucional, até o advento da Emenda n° 20/98, afrontando, sobremaneira, o principio constitucional da capacidade contributiva (artigo 145, § 1.º da Constituição Federal), posto que sua incidência atingia montante que não correspondia a sua verdadeira base de cálculo e, principalmente, o antigo conceito constitucional de faturamento (art. 195, I, b).Após fazer análise da legislação sobre o assunto, a manifestante conclui: 3 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 De qualquer forma, como se constata pela análise das mudanças operada, sistemática imposta. às contribuições COFINS e PIS pela aludida novel legislação,tanto na seara constitucional como na infraconstitucional, não houve nenhuma modificação atinente à exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição. (...) A sistemática do PIS e da COFINS, ora atacada, autoriza a cobr ança de tributo sobre o faturamento ou receita, acrescido de val or não caracterizado deste, o que viola a verdadeira capacidade da empresa Peticionária em contribuir com a mencionada contribuição. Ora as empresas não faturam impostos, a base de cálculo da con tribuição para o financiamento da seguridade social, não pode ser por eles integr ada, sob pena inclusive, vulnerarse o princípio da capacidade co ntributiva (art. 145 § 1.º da Constituição Federal). (...) O ICMS não é receita nem tampouco faturamento da empresa contribuinte.Sendo assim, a COFINS e o PIS não devem incidir sobre este imposto. Caso entenda se o contrário, que o tributo deva incidir sobre o ICMS, a COFI NS e o PIS passariam a financiar a Seguridade Social, também p or meio do ICMS. Ora, não é esta a intenção do legislador. (...) Assim,não pode haver a incidência de COFINS e PIS sobre o IC MS, uma vez que a base de cálculo destas duas contribuições é o faturamento. (...) Por outro lado, caso se entenda que o faturamento engloba o val or total do que consta na fatura de venda de mercadoria, o IPI, na hipótese de venda de produto industrializado por empresa ind ustrial, será também "faturado" ao comprador, mas à evidência não é receita da Empresa e sim da União. Não há lógica excluir o IPI, no caso, do conceito de faturamento e não fazer o mesmo com o ICMS (...) (...) Diante do exposto, identificase que o tema tratado circunda a base de cálculo o PS/COFINS, o montante ou expressão numérica que sofrerá a aplicação de uma liquota, portanto, podese concluir que, após a decisão prolatada nos autos do Recurso Especial n. 240.785, a base de cálculo do PIS/COFINS (faturamento ou receita) jamais poderá englobar receita ou 4 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 faturamento de terceiros, sob ena estarmos esvirtuando estrutura de arrecadação dos impostos. (...) Assim, o ICMS não pode integrar a base de cálculo da COFINS e do PIS, pois o conceito de faturamento não abarca o imposto de competê ncia do Estado, sendo rendimento deste último e não do agente e conômico, afinal, ninguém comercializa o imposto, ninguém fatu ra o imposto. III— DA REPERCUSSÃO GERAL Importante destacar que a matéria em questão que se refere à ex clusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se encontra em repercussão geral no STF aguardando julgamento da ADC 18, d e relatoria do Min. Celso de Melo. (...) Isto posto, fica demonstrado que a matéria em questão é de cunh o constitucional de abrangência geral, não devendo ter qualquer impedimento da RFB em conhecer da matéria em destaque. IV REQUERIMENTO Isto posto, estando demonstrado os fundamentos que asseguram o direito da empresa contribuinte, requer: que sejam reunidos os processos a dministrativos destacados anteriormente uma vez evidenciados que tratam da mesma matér ia com o objetivo de organização e de economia processual. Queseja considerados os motivos do Pedido de reforma da Petic ionária, seja reconsiderada a decisão prolatada nos presentes a utos, a fim de deferir o pedido de restituição formulado pela Peti cionaria no que tange à demonstração dos valores pagos a maio r, reconhecendo o seu direito à restituir no presente processo ad ministrativo e homologar os respectivos pedidos de compensaçõ es. À fl. 31 consta pedido de desistência do processo, com a infor mação de que o débito em discussão foi incluído no Refis. Conforme documento de fl. 48, em 25/03/2010 foi recebida pela manifestante a Intimação Saort MCF nº 146/2010, com o seguinte teor: 1.Em atenção aos requerimentos, protocolados em 26/02/2010, n os quais requer a desistência de autos administrativos para a inclusão no parcelamento a Lei no 10.941/2009, esclareço fazerse necessári a a correção do número do processo, devendo ser colocado o me smo número das manifestações de inconformidades apresentadas em dezembro de 2009. 5 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 2. É facultada vista aos requerimentos, no órgão emitente, para representante legalmente habilitado, no prazo de 30 (trinta) dias , a contar do recebimento desta intimação, no horário das 08:30 às 12:00 horas. A não correção do número não impedirá o julgamento da manife stação de inconformidade apresentada, ocasionando a não inclusão dos débitos no parcelamento. Assim, entendeu a DRJ/CPS por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação. A decisão restou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, a fls. 6472, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, que foi acompanhado por outros cinco Ministros da Suprema Corte, onde este afirmou que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo da COFINS. É o relatório. 6 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria (COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS.) já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: 7 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa 8 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 2 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS . ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do 9 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos do cálculo da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto por não sobrestar o processo e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. 10 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.905707/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
SIMPLES - IPI - DIREITO AO CRÉDITO - INEXISTÊNCIA
Não gera direito a crédito os insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIP/2002 (Decreto 4.544/02).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 SIMPLES - IPI - DIREITO AO CRÉDITO - INEXISTÊNCIA Não gera direito a crédito os insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIP/2002 (Decreto 4.544/02). Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10855.905707/2008-72
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5323672
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.282
nome_arquivo_s : Decisao_10855905707200872.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 10855905707200872_5323672.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5292349
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046367247532032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.905707/200872 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.282 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria IPI Recorrente DU PORTO INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 SIMPLES IPI DIREITO AO CRÉDITO INEXISTÊNCIA Não gera direito a crédito os insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIP/2002 (Decreto 4.544/02). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 57 07 /2 00 8- 72 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Trata o presente de pedidos de compensação – PerDComps – de ressarcimento de crédito de IPI, homologadas parcialmente “em razão de apuração de menor saldo credor ressarcível e da glosa de notas fiscais que teriam, sido emitidas por estabelecimentos optantes pelo SIMPLES.” Conforme relato pela de decisão de primeira instância administrativa, “a manifestante alega que o Despacho seria nulo por não descrever circunstanciada e materialmente a ocorrência do fato gerador; o porquê de sua ocorrência e exteriorização, sob pena de se cobrar, lançar ou exigir tributo e contribuições por presunção fiscal. Também defende seu direito ao crédito com base no princípio da nãocumulatividade, legislação e julgados. Após analisar as razões da Recorrente a 2ª Turma da DRJ/RPO proferiu o acórdão no 1437.432, por meio do qual manteve o Despacho Decisório que concluiu pela parcial procedência da compensação: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, por intermédio do qual reiterou suas razões de impugnação. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10855.905707/200872 Acórdão n.º 3302002.282 S3C3T2 Fl. 11 3 Voto O Recurso é tempestivo e atende os demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, o processo administrativo em discussão tem por objeto a glosa de créditos de IPI com fundamento no fato dos insumos adquiridos serem tributados pelo SIMPLES. Em seu recurso a Recorrente discorre sobre princípios constitucionais e, genericamente, sobre a existência de seus créditos. A Lei nº 9.317/96 proíbe a transferência do crédito de IPI por empresa optante pelo SIMPLES, verbis: “Art. 5º... § 5º A inscrição no SIMPLES veda a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS”. A compreensão desta limitação é fácil, em troca do benefício fiscal de redução de alíquota, vedouse o benefício fiscal. O Regulamento do IPI, implementado pelo Decreto nº 4.544/2002, também traz esta mesma vedação em seu artigo 118, vejamos: “Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto.” Logo, não é possível aproveitar o crédito decorrente dos insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Registro que a avaliação da constitucionalidade dos dispositivos normativos citados não é de competência deste tribunal administrativo, razão pela qual deixo de apreciála. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado mantendo incólume a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722048/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/01/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10280.722048/2009-73
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320809
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-002.814
nome_arquivo_s : Decisao_10280722048200973.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SANDRO MACHADO DOS REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10280722048200973_5320809.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/01/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 5275987
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046367282135040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 80 1 79 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.722048/200973 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.814 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria ITR Recorrente ADAUTO KIYOTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/01/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 20 48 /2 00 9- 73 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722048/200973 Acórdão n.º 2801002.814 S2TE01 Fl. 81 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00192/2009, de fls. 01/04, emitida em 06/07/2009, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2004, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Santo André”, cadastrado na RFB sob o nº 6.739.4876, com área declarada de 9.260,0 ha, localizado no município de Moju – PA. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõese de diferença no valor do ITR de R$ 113.376,48 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 30/07/2009 (R$ 73.638,02) e da multa proporcional (R$ 85.032,36), perfaz o montante de R$ 272.046,86. A ação fiscal iniciouse com intimação ao contribuinte (Termo de Intimação Fiscal nº 02101/00025/2007, de fls. 05/06, cuja ciência se deu por meio do Edital nº 03/2008, de fls. 08), para apresentar, relativamente a DITR, do exercício de 2004, os seguintes documentos de prova: 1º cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA; 2º Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ART registrada no CREA, com memorial descritivo da propriedade, de acordo com o art. 9º do Decreto 4.449/2002; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei 4.771/65 (código florestal), acompanhado do ato do poder público que assim o declarou, e 4º Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT da RFB. Por não ter sido apresentado, em tempo hábil, qualquer documento de prova a correspondência de fls. 23/25 e documentos de fls. 26/30, foram recepcionados em 21/07/2009, portanto, depois da data de emissão da presente Notificação , a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação de Lançamento, com a glosa integral da área declarada de preservação permanente, de 7.408,0 ha, e rejeição do VTN declarado, de R$ 1.000,00 (R$ 0,11/ha), que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 567.082,00 ou R$ 61,24/ha, correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se localiza o imóvel, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722048/200973 Acórdão n.º 2801002.814 S2TE01 Fl. 82 3 com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando imposto suplementar de R$ 113.376,48, conforme demonstrado às fls. 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02 e 04. Da Impugnação Cientificado do lançamento, em 14/07/2009 (AR/cópia de fls. 51), o interessado postou sua impugnação, em 11/08/2009 (às fls. 32), anexada às fls. 33/35, instruída com os documentos de fls. 36/50. Em síntese, alega e requer o seguinte: informa que adquiriu, de boa fé, imóveis rurais que lhe foram oferecidos, localizados na Margem Esquerda do Furo Jabotinema, afluente do Pacajá, no município de Moju – PA, entre os quais consta a Fazenda Santo André, NIRF 6.739.4876; naquela ocasião lhe foram apresentados, pelas pessoas que intermediaram o negócio, documentos que certificavam a veracidade e regularidade no registro dos imóveis; para sua surpresa, soube a posteriori, por fontes não oficiosas, que corre ação judicial movida pelo Ministério Público do Estado do Pará, objetivando o cancelamento de falsas escrituras de imóveis rurais, dentre os quais havia grande probabilidade de estarem os imóveis que adquiriu, em face de ocorrência de indícios que tais imóveis foram vendidos a compradores distintos, por diversas vezes; achou por bem continuar cumprindo a obrigação acessória de entrega das declarações anuais do ITR, até o desfecho da situação, posto que uma investigação por sua própria conta no Estado do Pará o oneraria em demasia e ampliaria o prejuízo que é iminente; o lançamento não pode prevalecer, pois foi efetuado sem respeitar o prazo concedido para que o impugnante pudesse apresentar sua manifestação e/ou documentos (conforme despacho, datado de 23/06/2009, foi reaberto o prazo por mais vinte dias), portanto, o prazo concedido expiraria somente no dia 13/07/2009 e o lançamento foi realizado em 06/07/2009, em total desconsideração ao prazo então concedido; ainda, por razões que não pôde o impugnante ter acesso junto ao Cartório de Registro de Imóveis (e ao que acredita que se deu pela constatação pelos entes públicos competentes de irregularidade na venda do imóvel), foi cancelada a matrícula no Cartório de Registro de Imóveis; portanto, por inexistência do imóvel, conforme informado à Receita Federal, o lançamento cabe ser cancelado, bem como a declaração de ITR que lhe deu origem; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722048/200973 Acórdão n.º 2801002.814 S2TE01 Fl. 83 4 diante da declaração de inexistência do registro, fica demonstrado a inexistência do Imóvel Rural que acreditava o requerente ter adquirido, o que torna insubsistente qualquer acessório por inexistir o principal, e por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência da Notificação, requer seja acolhida a presente impugnação, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o lançamento fiscal reclamado e qualquer outro efeito oriundo do seu objeto, além de protestar pela produção de outras provas, especialmente pela juntada de outros esclarecimentos e/ou documentos. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 54/62, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Não comprovado nos autos, com documentos hábeis, que a matrícula do imóvel, constante do correspondente título translativo de propriedade, não existe no competente Cartório de Registro de Imóveis, tratandose de imóvel inexistente, cabe manter o lançamento e o contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a autuação fiscal, mantida integralmente pela DRJ, o Recorrente sustenta, basicamente, (i) a nulidade do Auto de Infração, ante suposto cerceamento à ampla defesa em fase fiscalizatória; (ii) a impossibilidade de prosperar o lançamento, haja vista o cancelamento da inscrição imobiliária do imóvel ensejador do ITR em cobrança. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Apesar de a questão da decadência não ter sido suscitada pela recorrente, em se tratando de matéria de ordem pública, pode ser levantada de ofício, como ocorre no presente caso. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722048/200973 Acórdão n.º 2801002.814 S2TE01 Fl. 84 5 Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722048/200973 Acórdão n.º 2801002.814 S2TE01 Fl. 85 6 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Como essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, ela deve obrigatoriamente ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este Colegiado deve aplicar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. No caso, verificase que ocorreu pagamento antecipado de ITR na forma de imposto a pagar apurado da Declaração do ITR do exercício de 2004 no valor de R$ 40,00 (fl. 12). Assim, tendo ocorrido pagamento antecipado, e não tendo havido a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, devese iniciar a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, que, no caso do ITR, ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Para o exercício 2004, ele se iniciou em 01/01/2004 e terminou em 01/01/2009. Como o lançamento se deu apenas em 14/07/2009 (fl. 51), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Reconhecida a decadência, deixase de se analisar os demais argumentos do recurso. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722048/200973 Acórdão n.º 2801002.814 S2TE01 Fl. 86 7 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002095/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 31/01/2005, 01/04/2005 a 31/05/2005
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56-A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011.
O art. 56-A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. LIMITAÇÃO A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. SÚMULA CARF Nº 2.
Ao teor da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 31/01/2005, 01/04/2005 a 31/05/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56-A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011. O art. 56-A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. LIMITAÇÃO A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. SÚMULA CARF Nº 2. Ao teor da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10845.002095/2005-31
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5321714
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.015
nome_arquivo_s : Decisao_10845002095200531.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10845002095200531_5321714.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5279397
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046367384895488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1892; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 335 1 334 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.002095/200531 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.015 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. PER/DCOMP. Recorrente ALCOFFEE EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 31/01/2005, 01/04/2005 a 31/05/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011. O art. 56A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. LIMITAÇÃO A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. SÚMULA CARF Nº 2. Ao teor da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 20 95 /2 00 5- 31 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de declaração de compensação, protocolada em 05/07/2005, que pretende compensar débitos de IRPJ e CSLL, mediante a utilização de créditos da COFINS Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, referentes aos 3ª Trimestre de 2004 e 2º Trimestre de 2005, previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Após auditoria contábilfiscal dos créditos utilizados, a autoridade fiscal não homologou parcialmente a compensação, por meio do Despacho Decisório. De acordo com o mencionado Despacho Decisório, embora os créditos sejam procedentes, foram homologadas somente as compensações com aqueles créditos oriundos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, vinculados à exportação. Isso porque, na ótica na DRF, o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não autorizaria a compensação do crédito presumido com tributos de outras espécies. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ. Conforme o acórdão recorrido, o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, apenas, poderia ser utilizado para compensar a própria COFINS, devendo, por isso, ser mantida a glosa da compensação. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando suas razões para que seja homologada a compensação pretendida, com amparo no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, combinado com o art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e o art. 195, § 12, da CF/88. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, merecendo ser apreciado. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.002095/200531 Acórdão n.º 3202001.015 S3C2T2 Fl. 336 3 A matéria em discussão se restringe a possibilidade ou não de utilizar o saldo credor do crédito presumido, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e vinculado a receitas de exportação, para fins de ressarcimento e compensação de outros tributos federais, diversos da COFINS. O ADI Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005 veda a utilização do saldo credor, desse incentivo fiscal, para pedir o ressarcimento proporcional às receitas de exportação, nos seguintes termos: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 22 de dezembro de 2005 DOU de 26.12.2005 [...] Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Como se vê, para negar o ressarcimento ao crédito presumido, o ato interpretativo acima reproduzido fixa sua exegese no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 combinado com o art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º Lei nº 10.833/2003, cujas respectivas redações é importante ter em mente para o deslinde da controvérsia: Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ******* Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 626DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 I exportação de mercadorias para o exterior; [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ao teor do art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003, os créditos apurados na forma do art. 3º do mesmo diploma legal, vinculados a receitas decorrentes de exportação, podem ser objeto de ressarcimento para posterior compensação ou devolução em dinheiro. A mesma referência aos créditos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 é utilizada pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 18/05/2005, combinado com o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12//2004. Leiase respectivamente: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. ******* Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido Fl. 627DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.002095/200531 Acórdão n.º 3202001.015 S3C2T2 Fl. 337 5 de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Assim, considerando que o crédito presumido estaria previsto em artigo legal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) diverso do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a autorização ao ressarcimento, prevista no art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, não seria aplicável a esse tipo de benefício fiscal. O raciocínio é perfeito não fosse um detalhe, qual seja: o crédito presumido estava previsto, originalmente, nos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, tendo sido deslocado para o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Leiase sua redação original: Art. 3º....... § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Dessa maneira, tendo mantido, no essencial, a redação do crédito presumido, antes previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, tudo indica que a Lei nº 10.925/2004, apenas, objetivou melhorar a técnica legislativa, incluindoo num artigo específico. O indigitado deslocamento topográfico, a meu ver, não leva a conclusão, de que o saldo credor do crédito presumido deixou de ser ressarcível, depois do advento do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, quando vinculado a receitas de exportação, sujeitas a não incidência da contribuição, cujo ressarcimento é possível nos termos do art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003 e do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Isso porque tal exegese conduziria a proibição, na prática, de aproveitamento do crédito presumido por empresas total ou predominantemente exportadoras, o que não encontra eco no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 combinado com o art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003 e com o art. 16 da Lei nº 11.116/200, pelas razões já expostas. A despeito de tudo isso, sobreveio o art. 56A da Lei nº 12.350/2010, criado pelo artigo 10 da Lei nº 12.431 de 24.06.2011, fruto da conversão do art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 30.12.2010, que ratificou retroativamente a exegese antes propalada apenas pelo ADI SRF nº 15/2005. O art. 56A da Lei nº 12.350/2010 autoriza pedir o ressarcimento do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente a partir do primeiro do mês subsequente a sua publicação, isto é, a partir de 1º.01.2011 (data da publicação da medida provisória que o originou). Ipsis litteris: Art. 56A.O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; Diante da clareza do art. 56A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010, e da inviabilidade examinar no âmbito administrativo (Súmula CARF nº 2) a sua inconstitucionalidade – no meu entender, inconstitucionalidade manifesta, pois se trata de norma jurídica interpretativa aplicada retroativamente , impende seja negado provimento ao recurso voluntário, tendo em vista a impossibilidade de utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010 para realizar pedido de compensação no ano de 2005. Nesse sentido, decidiu nossa Turma, em voto da minha relatoria. Confirase: CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011. O art. 56A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. [PAF Nº 11080.010259/200717. Acórdão nº 3202000.596 – 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária/3ªSeção. Julgado em 28/11/2012. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Fl. 629DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.002095/200531 Acórdão n.º 3202001.015 S3C2T2 Fl. 338 7 Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido]. Registro, por fim, que é inapropriado falarse que a limitação a utilização do créditopresumido violaria o art. 195, § 12, da CF/88, que prevê a nãocumulatividade da COFINS, porquanto o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 trata de incentivo fiscal, e não de créditos decorrentes da nãocumulatividade. Ademais, ainda que se pense de forma diversa, a Súmula CARF nº 2 veda o conhecimento de matéria que implique na declaração de inconstitucionalidade pelo CARF. Forte nessa razões, CONHEÇO PARCIALMENTE o recurso voluntário; na parte conhecida, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 630DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011303/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1995 a 30/04/1997
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-003.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano González Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1995 a 30/04/1997 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.011303/2007-84
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5317051
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.761
nome_arquivo_s : Decisao_10680011303200784.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MAURO JOSE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10680011303200784_5317051.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano González Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
id : 5251626
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046367698419712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 493 1 492 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.011303/200784 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.761 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria CONT PREV DECADÊNCIA Recorrente CELULOSE NIPO BRASILEIRA S A CENIBRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1995 a 30/04/1997 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 13 03 /2 00 7- 84 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano González Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.011303/200784 Acórdão n.º 2301003.761 S2C3T1 Fl. 494 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.753.4387, lavrada em 16/08/2004, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa e dos trabalhadores, adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT), no período de 08/95 a 04/97, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 268.215,13, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 18/08/2004, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 130/194, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A Seção do Contencioso da DRP/ Governador Valadares solicitou diligências para sanear o processo, fls. 155/156. A autoridade fiscal elaborou Relatório Fiscal Complementar, fls. 314/316, esclarecendo o que solicitado. O interessado foi intimado a manifestarse, fls. 162, e o fez em fls. 179/207. A 9ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 211/220, julgou o lançamento procedente. A interessada foi cientificada em 29/07/2008. O recurso voluntário, apresentado em 05/08/2008, fls. 222/241, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. É o relatório. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.011303/200784 Acórdão n.º 2301003.761 S2C3T1 Fl. 495 5 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.011303/200784 Acórdão n.º 2301003.761 S2C3T1 Fl. 496 7 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). Fl. 500DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 501DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.011303/200784 Acórdão n.º 2301003.761 S2C3T1 Fl. 497 9 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do Fl. 502DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.011303/200784 Acórdão n.º 2301003.761 S2C3T1 Fl. 498 11 Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 A autuação em análise diz respeito a fatos geradores apontados pela fiscalização nos meses de 08/1995 a 04/1997. Para tais competências, tornase desnecessária a discussão do dies a quo entre aquele estabelecido pelo art. 150, §4º ou aquele constante do art. 173, inciso I do CTN, pois em ambas as alternativas chegaremos à conclusão de que o prazo para o fisco constituir o crédito tributário já havia exaurido antes da ciência do lançamento. Tomando o dies a quo do prazo decadencial aquele constante do art. 173, inciso I, teríamos para a competência 04/97 o início da contagem decadencial em 01/01/1998, o que resultaria no prazo final de 31/12/2002. Portanto, o lançamento cientificado em 18/08/2004 foi concluído após a ocorrência da caducidade do direito do fisco de declarar a constituição do crédito tributário, tornando improcedente a autuação. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 505DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006553/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO.
A responsabilidade tributária independe da intenção do agente.
DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. NOME DO PACIENTE.
A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 11.940,00.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. NOME DO PACIENTE. A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10768.006553/2008-13
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5308750
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2102-002.752
nome_arquivo_s : Decisao_10768006553200813.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10768006553200813_5308750.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 11.940,00. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5184801
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046367794888704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 91 1 90 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.006553/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.752 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2013 Matéria IRPF pensão alimentícia judicial e despesas médicas Recorrente CLAUDIO GILBERTO KNACK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. NOME DO PACIENTE. A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 65 53 /2 00 8- 13 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.006553/200813 Acórdão n.º 2102002.752 S2C1T2 Fl. 92 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 11.940,00. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.006553/200813 Acórdão n.º 2102002.752 S2C1T2 Fl. 93 3 Relatório Contra CLAUDIO GILBERTO KNACK foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 32/34, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 5.480,91, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram dedução indevida de pensão alimentícia judicial e dedução indevida de despesas médicas, nos valores de R$ 6.087,06 e R$ 11.940,00, respectivamente. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/09, que foi considerada procedente em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 5.610,89, conforme Acórdão DRJ/RJ2 nº 1335.766, de 22/06/2011, fls. 53/58. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/09/2011, fls. 63, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 72/76, em 23/09/2011, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que desconhecia o fato de ter deduzido à titulo de pensão judicial o valor descontado do 13º salário recebido do INSS. que sobre a comprovação de despesas médicas, devido à ausência do endereço profissional da prestadora de serviço, acreditava que a Receita Federal, munida do CPF da Dr. Adriana Puccini Torrado, faria uma diligência junto a esta profissional a fim de apurar a veracidade dos recibos. que, após tomar ciência do acórdão recorrido, efetuou várias pesquisas na internet e obteve os endereços atuais da profissional e informa também o endereço onde fez o tratamento odontológico em 2004. É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.006553/200813 Acórdão n.º 2102002.752 S2C1T2 Fl. 94 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No que se refere à parte remanescente da infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, o contribuinte limitase a afirmar que desconhecia o fato de ter se aproveitado de tal dedução em relação aos valores descontados do 13º salário recebido do INSS. Ocorre que, a teor do disposto no art. 136 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nessa conformidade, considerando que de fato o contribuinte deduziu a título de pensão o valor descontado do 13º salário, que é tributado em separado, devese manter a glosa de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 476,17, conforme disposto na decisão recorrida. No que tange às despesas médicas, no valor de R$ 11.940,00, representadas por recibos emitidos pela profissional odontóloga Adriana Puccini Torrado, fls. 25/27, temse que a autoridade fiscal fundamentou a glosa nos seguintes termos: não há discriminação do beneficiário do tratamento e não há identificação do endereço do profissional, sendo certo que a decisão recorrida manteve o lançamento sob as mesmas alegações. Ora, a simples ausência do endereço do profissional emitente do recibo não é condição suficiente para que a autoridade fiscal proceda à glosa de despesas médicas, posto que a Secretaria da Receita Federal do Brasil dispõe de cadastro com os endereços de todos os contribuintes, sendo certo que a indicação do endereço do profissional, por parte do contribuinte que utiliza a dedução da base de cálculo do imposto de renda, somente se faria necessária nos casos em que a autoridade fiscal não conseguisse identificar o profissional em sua base de dados cadastrais. Já no que concerne à indicação do paciente beneficiário dos serviços prestados pelo profissional nos recibos apresentados pelo contribuinte, há de se concluir que na ausência da indicação do nome do paciente no recibo, resta subentendido que o paciente é aquele que fez o pagamento. A indicação do nome do paciente somente é comum nos casos em que a pessoa que faz o pagamento é diversa daquela que foi atendida pelo profissional. Assim, a mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar as despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.006553/200813 Acórdão n.º 2102002.752 S2C1T2 Fl. 95 5 Veja que o contribuinte foi intimado a fazer a apresentação dos recibos de despesas médicas e apresentados os recibos seguiuse a Notificação de Lançamento. Ou seja, a autoridade fiscal não fez nenhuma outra intimação ao sujeito passivo acerca dos referidos recibos, tampouco, consta dos autos qualquer evidência da realização de diligências que pudessem por em dúvida a idoneidade ou a veracidade dos recibos apresentados. Digase, ainda, que a autoridade fiscal acatou como despesas médicas recibos emitidos pela profissional Fernanda Moreira Garcia, fls. 28/29, nos quais também não constavam o endereço da emitente e a indicação do paciente. E mais, no recurso, o contribuinte buscou suprir as falhas apontadas pela autoridade fiscal, informando que as despesas foram realizadas consigo e fornecendo o endereço da profissional e também o endereço do local do atendimento. Nestes termos, devese restabelecer as despesas médicas representadas pelos recibos emitidos por Adriana Puccini Torrado. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 11.940,00. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
