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Numero do processo: 10845.906746/2011-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 06 74 6/ 20 11 -1 0 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906746/201110 Resolução nº 3801000.574 S3TE01 Fl. 459 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 30/03/2001 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 16/02/2012 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906746/201110 Resolução nº 3801000.574 S3TE01 Fl. 460 3 A retificação de PER/DCOMP só é possível por meio de documento retificador próprio e se pendente de decisão administrativa à data do pedido de retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906746/201110 Resolução nº 3801000.574 S3TE01 Fl. 461 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906746/201110 Resolução nº 3801000.574 S3TE01 Fl. 462 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906746/201110 Resolução nº 3801000.574 S3TE01 Fl. 463 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15758.000533/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA. ACOLHIMENTO.
Acolhe-se os embargos para sanar a omissão, quando verificado que o acórdão embargado deixou de fundamentar adequadamente matéria do recurso de ofício.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. INFRAÇÃO À LEI. EXCESSO DE PODERES. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não caracterizada a existência de interesse comum no fato gerador entre terceiras pessoas e a autuada, bem como não comprovado infringência a dispositivos de lei ou atos praticados com excesso de poderes, nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN, é de se manter a exclusão da responsabilização tributária.
Numero da decisão: 1202-001.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 1202-000.948 e incluir na decisão consubstanciada nesse acórdão os fundamentos expostos no voto e alterar o dispositivo relativo ao recurso de ofício, para dar provimento parcial ao recurso, restabelecendo o agravamento da multa aplicada, em 50%, e mantendo a exclusão da responsabilidade tributária das empresas Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA. ACOLHIMENTO. Acolhe-se os embargos para sanar a omissão, quando verificado que o acórdão embargado deixou de fundamentar adequadamente matéria do recurso de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. INFRAÇÃO À LEI. EXCESSO DE PODERES. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não caracterizada a existência de interesse comum no fato gerador entre terceiras pessoas e a autuada, bem como não comprovado infringência a dispositivos de lei ou atos praticados com excesso de poderes, nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN, é de se manter a exclusão da responsabilização tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 1202-000.948 e incluir na decisão consubstanciada nesse acórdão os fundamentos expostos no voto e alterar o dispositivo relativo ao recurso de ofício, para dar provimento parcial ao recurso, restabelecendo o agravamento da multa aplicada, em 50%, e mantendo a exclusão da responsabilidade tributária das empresas Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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OMISSÃO VERIFICADA. ACOLHIMENTO. Acolhese os embargos para sanar a omissão, quando verificado que o acórdão embargado deixou de fundamentar adequadamente matéria do recurso de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. INFRAÇÃO À LEI. EXCESSO DE PODERES. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não caracterizada a existência de interesse comum no fato gerador entre terceiras pessoas e a autuada, bem como não comprovado infringência a dispositivos de lei ou atos praticados com excesso de poderes, nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN, é de se manter a exclusão da responsabilização tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 1202000.948 e incluir na decisão consubstanciada nesse acórdão os fundamentos expostos no voto e alterar o dispositivo relativo ao recurso de ofício, para dar provimento parcial ao recurso, restabelecendo o agravamento da multa aplicada, em 50%, e mantendo a exclusão da responsabilidade tributária das empresas Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 05 33 /2 00 9- 52 Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202001.058 S1C2T2 Fl. 4.058 2 Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Recebidos os EMBARGOS nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que o sujeito passivo alega omissão no Acórdão nº 1202000.948 proferido por esta 2ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, sessão de 7 de março de 2013, relativamente à seguinte matéria: “(...) o acórdão embargado não fundamentou adequadamente a manutenção da decisão de primeira instância acerca do afastamento da responsabilidade solidária das empresas Perfilam S.A. Indústria de Perfilados e H&P S.A. Construções Metálicas. [...] Observandose o teor do acórdão embargado e de seu voto condutor, fica claro que o acórdão deu provimento ao recurso de ofício. Contudo, em relação a esse provimento apenas menciona a matéria relativa ao agravamento da multa, reduzida pela DRJ do percentual de 225% para 150%. Não há referência quanto à responsabilização das empresas Perfilam S.A. Indústria de Perfilados e H&P S.A. Construções Metálicas. Assim, não há como saber o entendimento do Colegiado a respeito, tendo em vista a omissão apontada no próprio teor do acórdão.” O voto condutor do acórdão embargado teria sido deficiente na fundamentação sobre a matéria, conforme seguinte transcrição (fl. 4.039); “Quanto às sociedades empresárias Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas, conforme já mencionado, é de se manter a decisão proferida pelo acórdão recorrido quanto ao afastamento da sujeição passiva solidária.” No presente caso, vislumbrase a omissão apontada pela embargante, pelo que os embargos devem ser apreciados pelo colegiado, com vistas ao enfrentamento da matéria omitida. Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202001.058 S1C2T2 Fl. 4.059 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Relator Os embargos são tempestivos e nos termos da lei, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre deixar registrado que o acórdão da DRJ, ao decidir pela exclusão de valores de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00 e pelo afastamento da responsabilidade das empresas mencionadas, recorreu de ofício a este CARF. Portanto, o recurso de ofício atendeu aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235/72, combinado com o disposto na Portaria MF n.° 3, de 3 de janeiro de 2008 e foi conhecido por esta turma julgadora. A embargante alega omissão no acórdão pela falta de fundamentação quanto à manutenção da decisão de primeira instância acerca do afastamento da responsabilidade tributária das empresas Perfilam S.A. Indústria de Perfilados e H&P S.A. Construções Metálicas Na seqüência, para melhor exame dos embargos, cabe transcrever o quanto mencionado sobre a matéria “responsabilidade tributária” no Termo de Verificação Fiscal TVF, no acórdão da DRJ e no acórdão ora embargado: Termo de Verificação Fiscal, fls. 1.867: “Essas empresas, controladas pela DTS Holding, devem ser responsabilizadas pelos créditos tributários ora lançados pelo fato de seus sócios já o terem sido, nos termos arrazoados até aqui, especialmente nas letras Clb e Clc retro deste item 5.2; e tendo em vista as considerações feitas no item 5.3 adiante. [solidariedade por interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal]. Se essas empresas detêm patrimônios e deles se desfazem, de nada adiantaria arrolar as ações pertencentes aos seus sócios para a garantia do crédito tributário.” Voto condutor do acórdão da DRJ, fls. 3.577: “Perfilam S.A. Indústria de Perfilados H&P S.A. Construções Metálicas Conquanto sejam empresas coligadas, conforme relatado no termo de verificação fiscal, em que o senhor Denilson Tadeu Santana comparece com poderes de ingerência, não vislumbrei o interesse comum caracterizador de sujeição tributária indireta, razão por que voto pelo seu afastamento do pólo passivo.” Voto condutor do acórdão embargado, fls. 4.039: Fl. 4059DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202001.058 S1C2T2 Fl. 4.060 4 “Quanto às sociedades empresárias Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas, conforme já mencionado, é de se manter a decisão proferida pelo acórdão recorrido quanto ao afastamento da sujeição passiva solidária.” Da leitura do trecho do TVF transcrito, podese perceber que a responsabilização tributária das empresas Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas decorreu do fato de que essas empresas seriam controladas pela empresa DTS SA Administração e Participações (DTS Holding), cujos sócios desta última também teria sido responsabilizados tributariamente. Já o voto condutor do acórdão da DRJ “não vislumbrou interesse comum caracterizador da sujeição tributária indireta”, decidindo por excluir do pólo passivo as duas empresas acima mencionadas, conclusão que foi acompanhada pelo acórdão ora embargado. Nesse ponto, verificase que a matéria não ficou bem explicada, seja pelo autor do procedimento fiscal, seja pelo acórdão de primeira instância. Assim, no acórdão embargado, também restou decidido por acompanhar o acórdão da DRJ, sem maiores aprofundamentos. Dessa forma, tem razão a PGFN ao alegar omissão no acórdão, por deficiência na fundamentação da exclusão, o que se passa a enfrentar e fazer parte dos fundamentos do acórdão embargado. “Como já mencionado, do exame do TVF restou evidenciado que a sujeição passiva tributária decorreu de forma indireta, porque a controladora (DTS Holding), e os sócios desta última, teriam sido responsabilizados tributariamente. A responsabilização tributária ocorre nas hipóteses do art. 124 do CTN, que estabelece a responsabilidade solidária às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e do art. 135 do CTN, decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifei) Fl. 4060DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202001.058 S1C2T2 Fl. 4.061 5 No presente caso, não há prova nos autos de que as empresas Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas se enquadrem em alguma das hipótese dos arts. 124 e 135 do CTN. Inexiste interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal nem se caracterizou atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei por essas empresas. O que justificou a responsabilização tributária foi o fato de sua controladora e os sócios destas terem sido responsabilizados, situação que não se subsume às hipóteses da lei trazidas pela fiscalização. Pelo exposto, deve ser mantida a decisão proferida no acórdão de primeira instância que excluiu as sociedades empresárias, Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas, como responsáveis tributárias da autuada, por falta de subsunção dos fatos aos tipos legais, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício sobre essa matéria.” Nesse ponto, tem razão o acórdão de primeira instância ao mencionar como fundamento que “(...) não vislumbrei o interesse comum caracterizador de sujeição tributária indireta (...)”, de modo que essa decisão encontrase correta. Em face do exposto, voto no sentido de que sejam acolhidos os embargos opostos pela PGFN, para sanar a omissão apontada e incluir na decisão consubstanciada no Acórdão nº 1202000.948, proferido por esta 2ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, os fundamentos acima expostos e que seja alterado o dispositivo, para que seja dado provimento parcial ao recurso de ofício, restabelecendo o agravamento da multa aplicada, em 50%, e mantendo a exclusão da responsabilidade tributária das empresas Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício da 2ªTO/2ªCam/1ªSejul e Relator Fl. 4061DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 35166.000248/2002-32
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/07/2000
RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Com a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/91, através da Lei nº 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/07/2000 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/91, através da Lei nº 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/91, através da Lei nº 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 02 48 /2 00 2- 32 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 35166.000248/200232 Acórdão n.º 2803002.907 S2TE03 Fl. 137 2 Relatório 1. Tratase de recurso (fls. 68/70) interposto em 14/02/02 por JOSÉ ALVES BEZERRA em face da decisão (fls. 59/66) que julgou improcedente a impugnação apresentada, relativa ao Auto de Infração – DEBCAD nº 35.138.00019. 2. Do relatório fiscal verificase que a lavratura do auto de infração decorreu do fato de o recorrente ter deixado de prestar esclarecimentos e/ou exibir os documentos solicitados pela fiscalização, conforme relacionados no Termo de Intimação (fl. 8), o que constitui infração ao disposto no § 2º do art. 33, da Lei nº 8.212/91 e art. 232, c/c o art. 283, inciso II, “J”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. 3. O despacho decisório n.º 2.401.4/0004/2002 que analisou a defesa do contribuinte, com fulcro no art. 41 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 289 do Dec. nº 3.048/99, julgou a autuação procedente, sob o entendimento de que o dirigente de Órgão Público da Administração Federal, Estadual ou Municipal, é pessoalmente responsável por infração à Legislação Previdenciária ocorrida no período de sua gestão. 4. A decisão/notificação exarada em primeira instância restou ementada nos seguintes termos: “INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS. RESPONSABILIDADE. Constitui infração deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, na forma estabelecida no Art. 33, § 2° da Lei n* 8.212/91 e alterações posteriores. O dirigente de Órgão Público da Administração Federal, Estadual ou Municipal, é pessoalmente responsável por infração á Legislação Previdenciária ocorrida no período de sua gestão. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” 5. Da decisão supra o contribuinte tomou conhecimento em 01/02/2002, conforme AR do serviços postal, de nº RI 635817167 BR (fl. 67), tendo interposto recurso em 14/02/2002 perante o Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, órgão este até então competente para, em segunda instância, apreciar o feito. 6. Conforme constam das fl. 121/122 e do Despacho Interlocutório nº 067/2002 (fl. 128), houve conversão do julgamento em diligência pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS. 7. Antes que fosse a referida diligência cumprida pela autoridade fiscal da Previdência Social responsável pela lavratura do Auto de Infração, para prosseguimento do feito, em face da disposição contida no art. 47, I, da Lei nº 11.457/2007, em 11/09/2007 foram os presentes autos transferidos para Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (fl.128). Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 35166.000248/200232 Acórdão n.º 2803002.907 S2TE03 Fl. 138 3 “Art. 47. Fica o Poder Executivo autorizado a: I transferir, depois de realizado inventário, do INSS, do Ministério da Previdência Social e da ProcuradoriaGeral Federal para a Secretaria da Receita Federal do Brasil e para a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional acervos técnicos e patrimoniais, inclusive bens imóveis, obrigações, direitos, contratos, convênios, processos administrativos e demais instrumentos relacionados com as atividades transferidas em decorrência desta Lei; (...).” 8. Do Despacho de Devolução (fl. 134), exarado em 21/10/2011, consta que a DRF de Julgamento em Belém – PA se pronunciou a respeito como segue: “Durante o procedimento de triagem do processo digital, constatouse que já foi emitida decisão em primeira instância pelo antigo Serviço de Análise de Defesas e Recursos ADREC que decidiu pela procedência da autuação (fls. 59/65). O interessado interpôs recurso à segunda instância, isto é, ao antigo Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS (fls. 68/70), que posteriormente converteu o julgamento em diligência (fls. 120/121). Tendo em vista que a competência da Delegacia de Julgamento em Belém DRJ/BEL para julgar limitase a primeira instância e esta já possui decisão proferida pela antiga ADREC, proponho a devolução dos autos a DRF de origem para que sejam tomadas as medidas cabíveis para o prosseguimento do julgamento em segunda instância.” 9. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 35166.000248/200232 Acórdão n.º 2803002.907 S2TE03 Fl. 139 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA NÃO NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL 2. Conforme consta do Despacho Interlocutório nº 067/2002, (fl. 125), os membros da 2ª. Câmara de Julgamento do CRPS, através do Decisório n° 000338, de 24/04/2003 (fl.122) decidiram converter o julgamento em diligência, uma vez que o Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF e Termo de Intimação para apresentação de Documentos – TIAD, tem como signatário pessoa diversa do prefeito municipal, o que se faz necessário: “a) Juntar documentação comprobatória das atribuições do Prefeito Municipal, dos signatários dos Termos de Início da Ação Fiscal TIAF e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentação TIAD; e, b) Identificar a pessoa responsável pelo cumprimento da obrigação acessória, em discussão, no organograma da Prefeitura Municipal de ToméAçú, caso não seja atribuição das pessoas citadas no item anterior.” (fl. 122). 3. Dos autos verificase que os documentos e informações acima solicitadas se prestariam apenas para a materialização da imputação de responsabilidade ao recorrente, na qualidade de gestor público municipal, por descumprimento de obrigação acessória previdenciária. 4. Ocorre que, tal responsabilização já não mais subsiste face à alteração introduzida pela Lei nº 11.941, de 2009 que revogou o art. 41 da Lei nº 8.212/91 que tratava da responsabilidade pessoal do recorrente, no caso, como veremos mais adiante. 5. Assim, com vista a novel legislação revogadora inferese que o pedido de diligência perdeu seu objeto, desnecessária, portanto, a análise dos autos. DO LANÇAMENTO 6. O lançamento referese a auto de infração aplicado contra o Sr. JOSÉ ALVES BEZERRA, que ocupava o cargo de Prefeito Municipal de Tomé – Açu, no Estado do Pará (fl. 2), por ter deixado de prestar esclarecimentos e/ou exibir os documentos ou livros solicitados pela fiscalização, conforme relacionados no Termo de Intimação (fl. 8), o que constitui infração ao disposto no § 2º do art. 33, da Lei nº 8.212/91 e art. 232, c/c o art. 283, inciso II, “J”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 35166.000248/200232 Acórdão n.º 2803002.907 S2TE03 Fl. 140 5 7. A responsabilidade do dirigente dos órgãos públicos encontrava respaldo no art. 41 da Lei nº 8.212/1991, como segue: ”Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição.” 8. No entanto, o referido artigo foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, afastando assim a base legal de imputação de responsabilidade ao dirigente de órgão público, na hipótese ora analisada. 9. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 10. Assim sendo, revogada a lei que determinava a responsabilidade pela infração, com fulcro no artigo 106, II, do CTN, deve o presente recurso ser provido, tornado a autuação insubsistente. CONCLUSÃO 11. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento, reconhecendo a improcedência do crédito, em face da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910063/2011-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 63 /2 01 1- 11 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 33, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910063/201111 Acórdão n.º 3802002.201 S3TE02 Fl. 50 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 23/05/2013 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 17/06/2013 (fls. 33). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721837/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. EFEITO.
O prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1º CARF nº. 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006).
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
NULIDADE. INTIMAÇÃO PRÉVIA.
Admite-se o lançamento sem intimação prévia ao contribuinte se a infração estiver claramente demonstrada e apurada.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESCONTO SIMPLIFICADO.
Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, admitindo-se o desconto simplificado no cálculo do imposto devido.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir o imposto exigido no lançamento de R$ 10.415,36 para R$ 7.344,38.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. EFEITO. O prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1º CARF nº. 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006). NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NULIDADE. INTIMAÇÃO PRÉVIA. Admite-se o lançamento sem intimação prévia ao contribuinte se a infração estiver claramente demonstrada e apurada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESCONTO SIMPLIFICADO. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, admitindo-se o desconto simplificado no cálculo do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Provido em Parte
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EFEITO. O prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1º CARF nº. 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006). NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NULIDADE. INTIMAÇÃO PRÉVIA. Admitese o lançamento sem intimação prévia ao contribuinte se a infração estiver claramente demonstrada e apurada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESCONTO SIMPLIFICADO. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, admitindose o desconto simplificado no cálculo do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 18 37 /2 00 9- 97 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.721837/200997 Acórdão n.º 2102002.802 S2C1T2 Fl. 102 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir o imposto exigido no lançamento de R$ 10.415,36 para R$ 7.344,38. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CARLOS AUGUSTO SERRA MENDES foi lavrado Auto de Infração, fls. 13/23, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2006, exercício 2007, no valor total de R$ 20.606,78, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/04/2009. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 23/28, foram omissão de rendimentos, recebidos de Delta Publicidade S/A, O Estado de S Paulo, Tribunal de Justiça do Estado do Pará e Bradesco Vida e Previdência S/A, nos valores de R$ 38.520,27, R$ 13.527,50, R$ 32.000,00 e R$ 8.900,00, respectivamente. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 26/33, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/BEL nº 0121.877, de 30/05/2011, fls. 56/67. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.721837/200997 Acórdão n.º 2102002.802 S2C1T2 Fl. 103 3 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 17/08/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 70, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 87/93, em 01/09/2011, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Preclusão – A impugnação foi apresentada em 2009 e o julgamento ocorreu somente em 2011, contrariando o prazo determinado no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007. Fontes pagadoras retiveram o imposto de renda – Houve a retenção de imposto sobre os rendimentos considerados omitidos, no valor total de R$ 11.310,32, que não foi observado pela autoridade fiscal quando do cálculo do imposto devido. Obrigação acessória – A falta da apresentação da Declaração de Imposto de Renda não pode ser apontada como obrigação principal. O recorrente concorda com a multa pela falta de apresentação da Declaração e pela diferença entre os impostos retidos e o devido. Da ilegalidade do ato administrativo – É nulo o Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa, por não ter o auditor fiscal comprovado nos autos que encaminhou o termo de intimação, reintimação, publicação por edital e por ter alegado no relatório de encerramento da ação fiscal o art. 844 e parágrafo do Decreto 3.000/99, como base para o início do procedimento fiscal, enquanto deveria ser pelo art. 47 da Lei nº 9.430/97. Devese considerar a base de cálculo da Declaração Simplificada, escolhida pelo recorrente, pelo princípio da livre escolha de formulário. É o Relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.721837/200997 Acórdão n.º 2102002.802 S2C1T2 Fl. 104 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, o contribuinte suscita preclusão, alegando que a impugnação foi apresentada em 2009 e o julgamento ocorreu somente em 2011, contrariando o prazo determinado no art. 24 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, que a seguir se transcreve: Art.24.É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Ocorre que a norma do art. 24, acima transcrito, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. Digase, ainda, que a prescrição intercorrente não se aplica no processo administrativo fiscal, conforme se infere da Súmula CARF nº 11, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Nestes termos, afasto a alegação de prescrição suscitada pela defesa. Ainda em sede preliminar o contribuinte afirma que é nulo o Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa, em razão de a autoridade fiscal ter deixado de comprovar nos autos que encaminhou o termo de intimação, reintimação, publicação por edital e por ter alegado no relatório de encerramento da ação fiscal o art. 844 e parágrafo do Decreto 3.000/99, como base para o início do procedimento fiscal, enquanto deveria ser pelo art. 47 da Lei nº 9.430/96. De fato, muito embora a autoridade fiscal mencione no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 11/12, e no Termo de Encerramento, fls. 20/21, a existência de Termo de Início de Fiscalização, cientificado ao contribuinte em 23/04/2009, por Aviso de Recebimento (AR), fato é que tanto o Termo de Início como o corresponde AR não foram acostado aos autos. Contudo, a ausência de intimação prévia, não ensejaria a nulidade por cerceamento do direito de defesa, posto que admitese o lançamento sem intimação prévia ao contribuinte se a infração estiver claramente demonstrada e apurada, como ocorre no presente caso, em que a omissão de rendimentos evidenciase pela ausência da Declaração de Ajuste Anual (DAA) e pelas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), apresentadas pelas fontes pagadoras. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.721837/200997 Acórdão n.º 2102002.802 S2C1T2 Fl. 105 5 Também não procede a alegação da defesa de que a autoridade fiscal deveria mencionar o art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, em lugar do art. 844 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). O art. 844 do RIR/99 foi mencionado pela autoridade fiscal para fundamentar o prazo de 20 dias que foi dado ao contribuinte para a apresentação do recibo de entrega da DAA, sendo certo que a ausência do art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, na fundamentação do Termo de Início ou em qualquer outro Termo lavrado durante o procedimento fiscal, não se aplicaria ao contribuinte posto que o mesmo se encontrava omisso quanto à entrega da DAA. Logo, não haveria que se falar em prazo para pagamento de tributos já declarados, a que se refere o art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996. Devese dizer, ainda, que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Nestes termos, afastase a preliminar de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Prosseguindo, temse que o lançamento cuida de omissão de rendimentos, sendo relevante destacar que, segundo consta do Termo de Encerramento, fls. 20/21, em razão de o recorrente estar omisso quanto à apresentação da Declaração de Ajuste Anual (DAA), houve, durante o procedimento fiscal, intimação para que o contribuinte apresentasse o recibo de entrega da Declaração. Na ausência de atendimento da referida intimação, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento, calculando o imposto devido, depois de compensado os valores já retidos como antecipação, conforme informações contidas em Dirf. De imediato, devese dizer que o contribuinte ao fazer o cálculo do imposto devido que entende ser devedor equivocouse quanto ao valor do imposto de renda retido na fonte. Veja que a autoridade fiscal descontou do imposto devido o imposto de renda retido na fonte, informado nas Dirf, fls. 07/10, no valor total de R$ 9.151,56, conforme a seguir discriminado: Delta Publicidade S/A R$ 3.125,17 Tribunal de Justiça do Estado do Pará R$ 4.527,34 O Estado de S Paulo R$ 164,05 Bradesco Vida E Previdência S/A R$ 1.335,00 Já o contribuinte, por sua vez, no que se refere aos rendimentos recebidos de Delta Publicidade S/A, tomou em lugar do imposto retido na fonte o valor corresponde às deduções (R$ 5.283,93), de modo que o somatório do imposto retido na fonte ficou incorreto nos cálculos feitos pela defesa no recurso. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.721837/200997 Acórdão n.º 2102002.802 S2C1T2 Fl. 106 6 Importante que se diga que, ao contrário do que afirma a defesa, a autoridade fiscal compensou o imposto retido na fonte com o imposto devido, de modo que no lançamento somente está sendo exigido do contribuinte a diferença, conforme se infere do Demonstrativo de Apuração, fls. 18, parte integrante do Auto de Infração. Logo, no que se refere à compensação do imposto de renda retido na fonte correto o Auto de Infração. Já o pleito do contribuinte de ver calculado o imposto exigido no lançamento nos moldes da declaração simplificada deve ser acolhido, sendo certo que a falta da apresentação da DAA não exclui do recorrente o direito da dedução do desconto simplificado da base de cálculo do imposto. Assim, devese recalcular o imposto devido, conforme a seguir discriminado: Rendimentos omitidos R$ 92.947,77 Desconto simplificado R$ 11.167,20 Base de cálculo R$ 81.780,57 Imposto devido R$ 16.495,94 Imposto retido na fonte R$ 9.151,56 Saldo de imposto a pagar R$ 7.344,38 No que se refere à multa de ofício, temse que foi aplicada com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A autoridade fiscal verificou que o contribuinte omitiu rendimentos e deixou, conseqüentemente, de recolher o imposto de renda correspondente, sujeitandose, portanto, à imposição da multa de 75%. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido no presente Auto de Infração. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o imposto exigido no lançamento de R$ 10.415,36 para R$ 7.344,38. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.721837/200997 Acórdão n.º 2102002.802 S2C1T2 Fl. 107 7 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10980.728703/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Rodrigo Ristow, OAB/SP nº. 296.938.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Rodrigo Ristow, OAB/SP nº. 296.938. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, por unanimidade de votos, que negou provimento à impugnação da Recorrente. Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Curitiba: Trata o presente processo de Auto de Infração de multa isolada regulamentar (fls. 3 a 8), contra a contribuinte acima identificada, no valor de R$ 38.458.309,49, emitido em 16/11/2012. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 28 70 3/ 20 12 -1 3 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.728703/201213 Resolução nº 3202000.171 S3C2T2 Fl. 4.566 2 Segundo o auto de infração exarado, a contribuinte pleiteou o ressarcimento indevido de valores, conforme Despachos Decisórios lavrados em 29/10/2012 (cópias anexadas), que indeferiram integralmente os valores pleiteados, conforme o seguinte demonstrativo: ... Segundo fundamentação legal apresentada no auto, o valor da multa aplicada corresponde a 50% do valor indevidamente solicitado, nos termos do art. 74, §§ 15 e 16, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. Cientificada em 21/11/2012 (fl. 180), a Interessada apresentou Impugnação (fls. 182/199), tempestivamente, em 18/12/2012. Faz, inicialmente, um breve resumo do auto de infração (item I. Digressão Fática). A seguir, no item “II. Das preliminares”, aponta no subitem “II.1 Da ofensa ao princípio da eficiência jurídica” que cotejando a fundamentação legal do auto de infração lavrado com o que ocorreu de fato, “percebese uma enorme incoerência por parte do Agente Fiscal de Rendas”. Diz que o fundamento legal apresentado (§16 do art. 74 da Lei 9.430/96) é claro em apontar o percentual de multa de 100% somente nos casos de ressarcimento obtido com falsidade. Aduz que é “certo que não houve qualquer espécie de ressarcimento, mas sim um simples pedido, além do que não foi em decorrência disso que a ora impugnante foi autuada”. Argumenta, então, que a autuação ocorreu com base no §15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, como o próprio auto de infração denota em seu quadro demonstrativo, razão pela qual não haveria motivos para citar o §16 do referido dispositivo como fundamento do auto lavrado. Afirma que, por isso, “estamos diante de nítida ofensa ao princípio da eficiência jurídica, de tal sorte que em hipótese alguma poderia constar no campo ENQUADRAMENTO LEGAL a menção ao parágrafo 16, do art. 74 da Lei 9.430/86”. Afirma ainda que o pleito de ressarcimento de créditos de PIS e Cofins sobre aquisição de combustível foi indeferido, ou seja, não houve o ressarcimento de valores. Por tal motivo, a fundamentação “ressarcimento indevido” seria equivocada. Diz que verificase outro equívoco por parte do Fisco, especificamente, na pág.1. Alega que as informações abaixo transcritas “causa estranheza, haja vista que, em momento algum estes PER/DCOMP foram feitos pela Contribuinte”. ... Sustenta que equivocase o Fisco, mais uma vez, ao mencionar a existência de PER/Dcomp em nome da contribuinte, sendo que, consoante os próprios dizeres contidos nos Despachos Decisórios, os pedidos efetuados pela interessada não poderiam ter se realizado eletronicamente, estando a interessada apta a fazêlos em formulário. Assevera, na sequência, que há ofensa ao princípio da eficiência jurídica, de modo que o Auto de Infração deveria ser invalidado. Isso porque, diz a interessada, o Sr. Fiscal não foi diligente ao mencionar o descrito §16 no auto de infração e apontar a existência de PER/Dcomp em nome da contribuinte. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.728703/201213 Resolução nº 3202000.171 S3C2T2 Fl. 4.567 3 No subitem “II.2 Da inexistência de trânsito em julgado na esfera administrativa”, diz que apresentou as devidas manifestações de inconformidade contra o ato de indeferimento de seus pleitos. Como tais recursos ainda não foram analisados, alega que os pedidos de ressarcimento ainda poderão ser deferidos pela própria RFB, razão pela qual o enquadramento legal apontado no auto de infração restará não caracterizado. No item “III.1 Breve resumo acerca do pedido de restituição pleiteado pela impugnante”, diz que como a multa regulamentar isolada foi aplicada em função do indeferimento do pedido de ressarcimento realizado pela impugnante, diz que é necessário adentrar no mérito da causa. Aduz que para realizar suas atividades (transporte ferroviário de cargas) adquire óleo diesel diretamente das distribuidoras, utilizandoo como insumo em sua produção, sem qualquer fim lucrativo, uma vez que não o revende. Diz que a distribuidora de óleo diesel embute no preço a alíquota concentrada de PIS e Cofins, pois presume que tal encargo será transferido ao consumidor final quando da geração de receita na alienação do combustível pelos elos posteriores da cadeia de comercialização. Aduz, porém, que não realiza o fato gerador presumido (alienação), uma vez que não aliena tais combustíveis, mas, sim, abastece sua frota para a realização de sua atividadefim. Suprimida a fase de comercialização, diz que não ocorre o fato gerador presumido, no qual se baseia a exação fiscal monofásica, razão pela qual faz jus à restituição imediata e preferencial dos tributos pagos. Enfim, diz que seu pleito tem razão de ser e por mais que o Fisco não concorde com o seu pedido, não há qualquer razão plausível para a imputação de multa regulamentar isolada, já que o mesmo é juridicamente possível. No item “III.2 Da possibilidade jurídica do pedido efetivado”, explica, inicialmente, a noção de pedido, classificandoo em mediato e imediato. Alega, então, haver evidente possibilidade jurídica do pedido, já que existe uma relação jurídicotributária entre a impugnante e o Fisco. Anexa jurisprudência do TRF da 1a RF e do CARF. Afirma, então, que seu pedido não só é juridicamente possível, como exerceu, tão somente, o seu direito constitucional de petição. A seguir, no item “III.3 Da violação ao direito de petição”, explica a impugnante que o direito de petição concede ao cidadão o amplo direito de peticionar aos Poderes Públicos na defesa de seus direitos. Afirma, outrossim, que a multa imposta pela Lei n° 12.249/2010, “visa penalizar os contribuintes que agem com máfé, ou seja, aqueles que, de forma ilícita, pleiteiam, através da via administrativa, a declaração de direitos creditórios completamente esdrúxulos, juridicamente impossíveis ou inexistentes, sendo certo que este não é o caso da Impugnante”. Explica que não configura como ilícito o ato de peticionar perante a Administração Fazendária, requerendo ressarcimentos ou declarações de compensações relativamente aos seus direitos creditórios, o que não poderia, em hipótese alguma, ensejar a punição. Para tanto, aduz que seria necessário apurar a eventual fraude ou máfé. Argumenta, que a aplicação da multa é desproporcional para a obtenção da finalidade buscada pelo legislador, que foi o de dar celeridade aos processos de ressarcimento e compensação. Diz que a aplicação da aludida multa aos Fl. 453DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.728703/201213 Resolução nº 3202000.171 S3C2T2 Fl. 4.568 4 contribuintes, que buscam, simplesmente, reconhecer seu direito creditório, caracterizase como uma sanção política, sendo, portanto, normas que violam direitos fundamentais constitucionais. Afirma, em resumo, que, interpretando sistematicamente o art. 74 da Lei 9.430/96, “temse que qualquer contribuinte pode exercer seu pleito de restituição e somente será punido com a multa prevista no parágrafo 15 quando fizer um pedido completamente descabido, juridicamente impossível, ocasião em que restará demonstrada a máfé”. Anexa jurisprudência. Requer o acolhimento da impugnação. Pleiteia a desconstituição do lançamento, haja vista o auto não preencher os requisitos indispensáveis à sua lavratura. Solicita, ainda, enquanto perdurar a discussão administrativa, que a RFB se abstenha de quaisquer procedimentos de cobrança do crédito tributário exigido no auto de infração. Pede, por fim, a produção de todos os tipos de prova admitidos em direito. É o relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Curitiba é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2012, 31/07/2012, 30/09/2012 MULTA REGULAMENTAR ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEFERIDO. É cabível a imposição de multa de ofício isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. INEXISTÊNCIA DE RESSARCIMENTO. O fato de não ter havido o ressarcimento de valores não descaracteriza a infração, que se configura com o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FORMULÁRIO. A entrega de pedido de ressarcimento em formulário em nada altera a natureza do pedido efetuado pela contribuinte, mas apenas o modo de seu exercício. INEXISTÊNCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO. DESPACHO DECISÓRIO. Não é necessário a decisão definitiva dos despachos decisórios que consideraram indevidos os pedidos de ressarcimento na esfera administrativa para a lavratura do auto de infração. POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. A possibilidade jurídica do possível em nada interfere no pleito, haja vista que a aplicação da infração é decorrência de dispositivo legal, segundo o qual a multa isolada de 50% será aplicada sobre o valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. LANÇAMENTO. ATIVIDADE OBRIGATÓRIA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. VIOLAÇÃO AO DIREITO DE PETIÇÃO. INEXISTÊNCIA. O direito fundamental de petição foi exercido plenamente pela contribuinte ao protocolizar o seu pedido de ressarcimento em formulário, que, tendo sido considerado indevido, ensejou a aplicação da multa determinada no §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.728703/201213 Resolução nº 3202000.171 S3C2T2 Fl. 4.569 5 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. À autoridade administrativa não compete manifestarse quanto à inconstitucionalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Entendo ser imprescindível aguardar o desfecho dos PAFs 10980.724776/2012 28, 11610.724329/20140 e 10980.726984/201261, onde a Recorrente pleiteou o ressarcimento indevido de valores, já que a multa isolada é lançada justamente para punir ressarcimentos e compensações que são vedados pela legislação em vigor. Ora, como referidos PAFs ainda não foram analisados pelo CARF, não há, a meu ver, como aplicar a multa isolada neste momento fundada em decisões não definitivas da DRJ. Caso não fosse assim, teríamos de incongruência de se exigir a multa isolada neste momento e, posteriormente, a Recorrente ter o seu direito de ressarcimento reconhecidos nos PAFs 10980.724776/201228, 11610.724329/20140 e 10980.726984/201261. Em situação análoga, a 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CAR, ao analisar um lançamento de multa isolada na Resolução 3401000.499, de 26/06/2012, relativo a pedido de ressarcimento de crédito de IPI¸ ao qual foram vinculadas declarações de compensação de débitos mediante a entrega de Dcomp em datas posteriores e em montante equivalente ao crédito postulado, onde a DRF não reconheceu o montante do crédito pleiteado, de sorte que não homologou as compensações declaradas, assim decidiu, nos termos do voto do Conselheiro relator Odassi Guerzoni Filho: Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de Fl. 455DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.728703/201213 Resolução nº 3202000.171 S3C2T2 Fl. 4.570 6 alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. Então, não obstante a Recorrente aqui apresente contestação às glosas efetuadas em seu pedido de ressarcimento de IPI, o fato é o que o fez reproduzindo as suas alegações lançadas na Impugnação apresentada naquele processo, que trata do auto de infração de IPI. ... Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Por fim, ainda que não exista diploma legal que preveja o sobrestamento dos processos decorrentes ou reflexos, a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil (no caso, artigo 265) no Procedimento Administrativo Fiscal deve ser admitida no presente caso. Este entendimento já foi adotado em julgamento proferido pela 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 2ª Seção do CARF e pela 8ª Câmara do 1ª Conselho de Contribuintes, ainda que o caso específico não fosse idêntico ao presente, conforme se pode verificar pelas ementas abaixo: PROCESSO Nº: 11030.001431/200818 MATÉRIA: IRPF RECORRENTE: ALVENI RAMOS RECORRIDA: FAZENDA NACIONAL SESSÃO DE: 23 DE JANEIRO DE 2013. ACÓRDÃO Nº: 2201001.980 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 IRRF ÔNUS DA PROVA CPC ARTIGO 333 APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. A regra contida no artigo 333 do CPC é de aplicação subsidiária ao PAF. Cabe ao contribuinte a prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. Não comprovada a retenção pela fonte pagadora, tampouco o recolhimento por parte do beneficiário dos rendimentos, incabível o aproveitamento do respectivo valor na Declaração de Ajuste Anual. PROCESSO Nº: 10320/001.470/8719 RECURSO Nº: 109.532 MATÉRIA: IRPJ – EXS: 1985 A 1987 RECORRENTE: E. LIMA & CIA. LTDA. RECORRIDA: DRF SÃO LUIZ – MA. SESSÃO DE: 27 DE FEVEREIRO DE 1997. ACÓRDÃO Nº: 10513.197 Recurso Prazo Suspensão: A aplicação subsidiária dos arts. 180 e 183 do CPC ao processo administrativo, importa em suspensão do prazo recursal, quando por ato exclusivo da repartição fiscal, tenha sido criado obstáculo à Fl. 456DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.728703/201213 Resolução nº 3202000.171 S3C2T2 Fl. 4.571 7 defesa do contribuinte, impedindo a interposição do recurso. (...). Recurso provido. Destaco, ademais, que esta Turma também já decidiu pela aplicabilidade subsidiária do CPC no acórdão 3202000.809, de 27 de junho de 2013, cujo trecho da ementa transcrevo abaixo: IMUNIDADE. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 333, I, DO CPC. Segundo o artigo 333, I do CPC o ônus da prova cabe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O artigo 14 do CTN, dentre outros requisitos para a fruição da imunidade, proíbe a distribuição de qualquer parcela de patrimônio ou renda aos sócios e dirigentes e exige a aplicação integral dos recursos na manutenção dos objetos institucionais da entidade beneficente. Embora alegue cumprir tais requisitos, vêse que a Recorrente sequer juntou cópia de seu contrato social, de molde a não se desincumbir do ônus da prova que era seu, inviabilizando, por conseguinte, o exame da imunidade que alega fazer jus. Diante disso, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem aguarde a decisão definitiva na esfera administrativa, assim entendida aquela contra a qual não caiba mais nenhum tipo de recurso, dos PAFs 10980.724776/201228, 11610.724329/20140 e 10980.726984/201261, de modo que, somente após a juntada das referidas decisões nestes autos, ele retorne a julgamento neste Colegiado. Após a realização da(s) diligência(s), remetamse os autos a este Conselho para que seja proferido acórdão tratando dos temas objeto de recurso voluntário. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904764/2012-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3803-005.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A atividade da autoridade administrativa é obrigatória e vinculada, devendo se observar os comandos normativos presentes em leis vigentes e válidas, não lhe sendo facultado o poder de afastar o cumprimento de lei sob alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 47 64 /2 01 2- 32 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904764/201232 Acórdão n.º 3803005.135 S3TE03 Fl. 102 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, assim como a reunião para julgamento em conjunto deste processo e dos processos administrativos nº 10950.904840/201218 e 10950.904943/201270, o primeiro por conter os documentos probantes do direito pleiteado e o segundo por se tratar da compensação do referido crédito. Aduziu o então Manifestante que o pagamento a maior decorreria da falta de exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores de vendas não recebidos que, segundo ele, por não se referirem a acréscimo patrimonial, não poderiam se submeter à tributação, sob pena de dupla lesão patrimonial e de ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade. No seu entendimento, as perdas advindas do inadimplemento das vendas se subsumiriam no conceito de “vendas canceladas”, em razão do cancelamento do contrato decorrente da falta de pagamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos despachos decisórios (o deste processo e o do processo de compensação), do PER e da DCOMP respectiva, de partes do livro Razão e de relatórios relativos à movimentação de títulos vencidos há mais de 6 meses baixados como perda. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 26/10/2005 PIS/PASEP. VENDAS. INADIMPLÊNCIA. DEDUÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal de dedução da base de cálculo do PIS/PASEP de valores advindos do mero inadimplemento relativamente às vendas efetuadas. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904764/201232 Acórdão n.º 3803005.135 S3TE03 Fl. 103 3 Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 19 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Nos termos do relatório supra, a controvérsia nos autos se restringe ao alegado direito à exclusão, no cômputo da base de cálculo da contribuição, dos valores relativos a perdas decorrentes do inadimplemento de vendas. De início, devese ressaltar que alegações de afronta a princípios constitucionais fogem à competência da autoridade tributária administrativa, uma vez que os dispositivos legais vigentes presumemse revestidos do caráter de validade, não havendo a possibilidade de negarlhes execução, em conformidade com o contido no art. 26A do Decreto n° 70.235/1972 – salvo nas hipóteses ali excepcionadas –, bem como no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, conforme preceitua a Súmula CARF nº 2, este órgão colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. No mérito, tratase de matéria disciplinada no art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “b”, da Lei nº 10.637, de 2002, nos seguintes termos: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904764/201232 Acórdão n.º 3803005.135 S3TE03 Fl. 104 4 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (grifei) Com base no excerto supra, é possível concluir que a exclusão da base de cálculo dos valores recuperados de créditos baixados como perda denota que, quando do inadimplemento do contrato de venda, o valor respectivo não é excluído da receita bruta para fins de cálculo da contribuição. Somente com base nesse entendimento se concebe a exclusão supra identificada, pois, do contrário, terseia uma dupla exclusão relativa a um mesmo fato: a primeira no momento da ocorrência do inadimplemento da venda e a segunda quando da recuperação da respectiva perda, esta expressamente autorizada por lei. Notese que essa mesma intelecção consta da decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região a seguir reproduzida em parte (AC 2002.72.05.0063860, 2ª T., maio/2004): PIS/PASEP. COFINS. ANALOGIA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DEDUÇÃO. CRÉDITO NÃO RECEBIDO DE VENDA EFETUADA. VENDA CANCELADA. NÃO SE CONFUNDE. NÃOAPLICABILIDADE DO RIR ÀS CONTRIBUIÇÕES. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Não há previsão legal de exclusão da base de cálculo da COFINS (faturamento) dos valores relativos às vendas cujos pagamentos não foram adimplidos. Isso porque venda cancelada é venda inexistente não ocorreu o fato gerador; enquanto venda cujo pagamento não foi adimplido é venda existente ocorreu o fato gerador. 2. Para que ocorra a tributação, in casu, basta que haja faturamento/receita bruta, sendo indiferente à lei se os valores relativos ao negócio ingressam ou não 'em caixa'. Tanto é assim que, a fim de evitar o 'bis in idem' quando da recuperação desses créditos, a Lei nº 9.718/98, no artigo 3º, § 2º, II, exclui da receita bruta as 'recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas'. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904764/201232 Acórdão n.º 3803005.135 S3TE03 Fl. 105 5 3. Inaplicáveis ao caso dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, considerando que cada tributo é regido por legislação própria. 4. Não configura ofensa à isonomia o tratamento conferido pela lei, posto que não se apresentam entes de mesmas características. Ao contrário. Tratase de pessoas jurídicas sujeitas a regimes jurídicos diversos ente público e sociedade empresarial pelo que, em se tratando de situações desiguais, deve ser conferido tratamento desigual. 5. Não há violação ao princípio da capacidade contributiva porque, por determinação constitucional, a Seguridade Social é financiada por toda a sociedade (art. 195), sendo que a pretensão da autora só pode ser atendida de lege ferenda (lei a ser criada). 6. Mantida a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios tal como fixado em sentença, posto que em conformidade com o artigo 20 do CPC e em consonância com os parâmetros desta Turma. (grifei) Conforme já havia destacado o relator do acórdão recorrido, as perdas decorrentes de inadimplemento não se subsumem no conceito de “vendas canceladas”, pois estas representam “a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços”1, enquanto que eventuais perdas ou ganhos decorrentes da transação não devem afetar a referida receita. Os elementos probatórios trazidos aos autos pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade indicam que o fato controvertido se refere a valores baixados como perdas por falta de recebimento e não por desfazimento da operação de venda. O termo “vendas canceladas” se refere às devoluções das mercadorias ao fornecedor, cujo valor respectivo deve ser deduzido, em conta própria, do valor da receita bruta de vendas. O seguinte trecho de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) corrobora com essa intelecção. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. (...). EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. "VENDAS INADIMPLIDAS". ALEGADA EQUIPARAÇÃO COM "VENDAS CANCELADAS". ANALOGIA/EQÜIDADE. INAPLICABILIDADE. ARTIGOS 111 E 118, DO CTN. OBSERVÂNCIA. (...) 4. Entrementes, o inadimplemento do consumidor não equivale ao cancelamento da compra e venda, no qual ocorre o desfazimento do negócio jurídico, denotando a ausência de receita e, conseqüente, intributabilidade da operação. 1 IN SRF n.º 51, de 3 de novembro de 1978. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904764/201232 Acórdão n.º 3803005.135 S3TE03 Fl. 106 6 5. Isto porque o cancelamento da venda caracterizase pela devolução da mercadoria vendida ante a rescisão ou resilição do negócio jurídico, em virtude da inadimplência do comprador ou sua desistência ou de ambos os contratantes, entre outros motivos, implicando na anulação dos valores registrados como receita de vendas e serviços. (...) 8. Ademais, o posterior inadimplemento de venda a prazo não constitui condição resolutiva da hipótese de incidência das exações em tela, uma vez que o Sistema Tributário Nacional estabeleceu o regime financeiro de competência como a regra geral para apuração dos resultados da gestão patrimonial das empresas. Mediante o aludido regime financeiro, o registro dos fatos contábeis é realizado a partir de seu comprometimento e não do efetivo desembolso ou ingresso da receita correspondente. 9. Os pactos privados não influem na relação tributária, pela sua finalidade plurissubjetiva de satisfação das necessidades coletivas, não sendo lícito ao contribuinte repassar o ônus da inadimplência de outrem ao Fisco. É nesse sentido que o artigo 118 dispõe: "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 10. Outrossim, a exclusão das reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda da base de cálculo do PIS e da COFINS, ex vi do inciso II, do § 2º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, corrobora o entendimento de que as "vendas inadimplidas" não se encontram albergadas na expressão "vendas canceladas", não podendo, por analogia, implicar em exclusão do crédito tributário, tanto mais que a isso equivaleria afrontar o artigo 111, do CTN, verbis: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." 11. A analogia não pode implicar em exclusão do crédito tributário, porquanto criação ou extinção de tributo pertencem ao campo da legalidade. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904764/201232 Acórdão n.º 3803005.135 S3TE03 Fl. 107 7 12. No plano póspositivista da Justiça Tributária, muito embora receita inadimplida economicamente não devesse propiciar tributo, é cediço que o emprego da eqüidade não pode dispensar o pagamento do tributo devido (§ 2º, do artigo 108, do CTN). (...) 14. Destarte, a opção legislativa em não inserir as "vendas inadimplidas" entre as hipóteses de exclusão do crédito tributário atinente ao PIS e à COFINS não pode ser dirimida pelo intérprete, mesmo que a pretexto de aplicação do princípio da capacidade contributiva, notadamente em virtude da ausência de perfeita similaridade entre os eventos econômicos confrontados. 2 (grifei) Nesse sentido, repisese, as vendas inadimplidas não se encontram albergadas pelo termo “vendas canceladas”, inexistindo, na espécie, a necessária devolução da mercadoria que caracteriza o cancelamento da compra e venda. O fato de o comprador não honrar seu compromisso financeiro não afasta a tributação incidente sobre o faturamento ou receita bruta, este apurado com base no regime da competência, em que os fatos são contabilizados a partir de seu comprometimento e não do efetivo ingresso do valor correspondente. Registrese que, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 586.482, ocorrido em 5 de junho de 2008, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral na matéria relativa à exclusão das vendas inadimplidas da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Contudo, de acordo com consulta ao sítio do STF na internet, realizada em 9 de dezembro de 2013, constatouse que o referido RE ainda não teve o mérito julgado, em razão do que não há que se invocar a regra contida no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Destaquese do relatório do referido RE a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que fora ementada nos seguintes termos: PIS. COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS A PRAZO INADIMPLIDAS. A legislação que disciplina o PIS e a COFINS não autoriza a exclusão da base de cálculo das vendas a prazo inadimplidas, bem como dos créditos incobráveis dos adquirentes dos produtos e/ou serviços por inadimplemento. Eventos que tais, compreendidos pelo próprio risco da atividade, não maculam a obrigação tributária. Não há falar que as vendas inadimplidas são equiparáveis às vendas canceladas. Quando ocorre o cancelamento do negócio, na verdade, o fato gerador do tributo não chega a existir e por essa razão é prevista como caso de exclusão da base de cálculo das contribuições art. 3º da Lei ns 9.715/98 e art. 3º, § 2º, Lei nº 2 REsp 1029434 / CE, Relator(a) Ministro LUIZ FUX, 1ª Turma, julg. 20/05/2008, publicação 18/06/2008. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904764/201232 Acórdão n.º 3803005.135 S3TE03 Fl. 108 8 9.718/98, bem como na legislação posterior, Leis ns 10.637/2002 e 10.833/93; situação outra é o inadimplemento das vendas a prazo. Nesta o fato gerador subsiste perfeito e acabado, como no caso dos autos, em que não houve demonstração de cancelamento das vendas, mas mera narração de inadimplemento de alguns dos adquirentes, que não tem o condão de desconstituir o fato gerador dos tributos em tela. (grifei). O excerto supra caminha no mesmo sentido, qual seja, a obrigação tributária não é afastada nos casos de inadimplência, não se equiparando tal evento às vendas canceladas, estas, sim, previstas em lei como hipótese de exclusão da base de cálculo das contribuições. No presente caso, por se tratar de contribuição não cumulativa, que não alcança as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido (art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002), não há que se perquirir acerca do direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, direito este exclusivo das pessoas jurídicas que adotam o regime presumido de tributação (MP n º 2.15835, de 2001, art. 20; e IN nº 247, de 2002, art. 14 e art. 85). Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13619.000164/2006-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3801-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 04/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 04/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 04/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 61 9. 00 01 64 /2 00 6- 14 Fl. 869DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia de Julgamento: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado os Autos de Infração de fls. 06/12 e 13/19 relativos h. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, nos valores de R$ 46.714,98 e R$ 67.560,67, respectivamente, totalizando um crédito tributário de R$ 114.275,65 incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de 06/2002 a 12/2003 (fls. 07/08 e 14/15). A autuação ocorreu em virtude de divergências entre os valores informados no Livro Razão subtraídos das devoluções de venda, acrescidos das receitas financeiras e os valores da contribuição declarados em DCTF nos períodos acima identificados. Uma vez que o contribuinte apresentou as DIPJ com valores zerados e não apresentou o Dacon — de caráter obrigatório (IN SRF n° 387, de 20/01/2004) , tampouco conta especifica que consignasse eventuais créditos, esses não foram considerados relativamente ao PIS, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 20/21, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 22/25. Como enquadramento legal, citaramse, para o PIS, os artigos 1° e 30da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970; artigos 2°, inciso 1, 3°, 8° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; Para a Cofins, os artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 7(), de 30 de dezembro de 1991; artigos 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, (Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 2° e 3°). Irresignado, tendo sido cientificado em 25/09/2006 (fl. 268), o autuado apresentou, em 23/10/2006, acompanhadas dos documentos de fls. 272/277, as suas razões de discordância (fls. 270/271), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, aduz que apurou os tributos devidos em conformidade com a legislação, não integrando a base de calculo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e as saídas isentas ou sujeitas à alíquota zero. No que concerne ao PIS, promoveu o desconto dos créditos estabelecidos no art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, não merecendo prosperar o lançamento, porquanto a diferença verificada se deve à apuração equivocada da base de cálculo e à desconsideração, sem embasamento legal, dos créditos estabelecidos em lei, pelo que propugna pela insubsistência da ação fiscal e pelo cancelamento do crédito tributário. A DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação da Recorrente com base na seguinte ementa: Fl. 870DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13619.000164/200614 Acórdão n.º 3801002.665 S3TE01 Fl. 870 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2003 Provas Alegações desprovidas da comprovação efetiva de sua materialização não são suficientes para elidir a motivação fiscal do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2003 Provas Alegações desprovidas da comprovação efetiva de sua materialização não são suficientes para elidir a motivação fiscal do lançamento. Lançamento Procedente Consta do acórdão contestado as seguintes alegações: Relativamente aos questionamentos alusivos à apuração da base de cálculo das contribuições, não assiste razão ao contribuinte, porquanto a fiscalização valeuse de informações constantes em livro Razão analítico da empresa (fls. 168/235). Além disso, os demonstrativos de fls. 22/23 indicam claramente que a fiscalização promoveu a devida exclusão da base de calculo dos valores correspondentes as devoluções sobre vendas. (…) Quanto à oportunidade de comprovar e fornecer informações acerca das contribuições, bastaria que o contribuinte as apresentasse no curso da presente impugnação para que essas fossem devidamente analisadas, fato que não ocorreu, nem durante o procedimento de fiscalização nem agora em sede de recurso, pelo que não merecem prosperar as argumentações expendidas. Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a esse colegiado alegando que houve erro no lançamento porquanto o Auditor Fiscal considerou os valores lançados no livro razão, sem considerar o livro de registro de entradas, registro de saídas e notas fiscais; que o lançamento incluiu os valores referentes ao ICMS que não fazem parte da receita da Recorrente e portanto, não sujeitas às contribuições; que a não foram realizados os créditos permitidos por lei referentes às aquisições e pagamentos efetuados à pessoa jurídica domiciliada no País e com relação ao desconto correspondente ao estoque de abertura. Requer, a final: 1) Seja considerado como Base de Cálculo para débito do PIS e COFINS, os valores registrados nos livros de entrada e saída, Fl. 871DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 com CFOP 5102 e 6102 — (Venda de Mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros). 2) Seja excluído da Receita de Vendas os valores correspondente a devolução de vendas realizadas; 3) Seja excluído da Receita de Vendas o valor correspondente ao ICMS repassado ao Erário Estadual; 4) Seja considerado para cálculo do PIS do exercício 2003 o crédito na aquisição de mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas domiciliadas no Pais, conforme disposto no Art. 3° da IN — SRF 437 de 28 de julho de 2004, independente da não apresentação do DACON. 5) Seja considerado o crédito do PIS correspondente ao estoque de abertura de bens existentes em 10 de dezembro de 2002, conforme art. 11 da lei 10.637 de 2002. 6) Requer não seja exigido o arrolamento ou depósitos nos termos da decisão da ação direta de inconstitucionalidade n° 1976 do Supremo Tribunal Federal. Juntou com o Recurso Voluntário cópia dos livros de registro de entrada e saídas referentes aos períodos de apuração. É o que importa relatar. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13619.000164/200614 Acórdão n.º 3801002.665 S3TE01 Fl. 871 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Apesar de todos os argumentos esposados pela Recorrente tenho que não há como se conhecer do presente recurso. Compulsando a impugnação a Recorrente aponta como fundamento da Impugnação (fls. 270/271) os seguintes elementos: A empresa apurou os tributos devidos em conformidade com a legislação, tendo como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, não integrando a base de cálculo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e as saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero. Para determinação do valor da contribuição aplicouse, sobre a base de cálculo apurada, os percentuais devidos, sendo os seguintes: No ano de 2002 aplicouse 3% (Três por cento) para o COFINS e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) para o PIS; No ano de 2003 aplicouse 3% (Três por certo) para o COFINS e 1,65% (Um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento ) para o PIS, descontados deste os créditos estabelecidos no Art. 3° da Lei 10.637/2002, que por sua vez não são vinculados a entrega da DACON, não tendo embasamento legal a desconsideração dos créditos feita pelo auditorfiscal. Em sede de Recurso Voluntário os argumentos são os seguintes: 1) Seja considerado como Base de Cálculo para débito do PIS e COFINS, os valores registrados nos livros de entrada e saída, com CFOP 5102 e 6102 — (Venda de Mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros). 2) Seja excluído da Receita de Vendas os valores correspondente a devolução de vendas realizadas; 3) Seja excluído da Receita de Vendas o valor correspondente ao ICMS repassado ao Erário Estadual; 4) Seja considerado para cálculo do PIS do exercício 2003 o crédito na aquisição de mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas domiciliadas no País, conforme disposto no Art. 3° da Fl. 873DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 IN — SRF 437 de 28 de julho de 2004, independente da não apresentação do DACON. 5) Seja considerado o crédito do PIS correspondente ao estoque de abertura de bens existentes em 10 de dezembro de 2002, conforme art. 11 da lei 10.637 de 2002. 6) Requer não seja exigido o arrolamento ou depósitos nos termos da decisão da ação direta de inconstitucionalidade n° 1976 do Supremo Tribunal Federal. Pelo que se pode ver os elementos de defesa apontados na fase primeira são distintos daqueles que pretende trazer ao exame desse colegiado. Naquela instância apontou que pagou o tributo de modo cumulativo (conforme alíquotas informadas) e requereu o desconto dos créditos estabelecidos na forma do art. 3° da Lei n.º 10.637/2002 (PIS não cumulativo). Nessa instância requer a exclusão do lançamento dos valores referentes às devoluções de vendas (que efetivamente não constaram do lançamento), a exclusão do ICMS da base de cálculo do tributo e o crédito referente ao estoque de abertura nos termos do artigo 11 da Lei n.º 10.637/2002. Assim, em que pesem todas as argumentações apontadas pela Recorrente em suas razões recursais a interessada inova e apresenta argumentos que não foram apontados anteriormente. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis : Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); Fl. 874DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13619.000164/200614 Acórdão n.º 3801002.665 S3TE01 Fl. 872 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas e são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. No mais, tenho que não existe matéria expressamente impugnada na fase preliminar, ante a genericidade dos argumentos apresentados, o que por si só implicaria na impossibilidade de exame da impugnação. Nesse sentido, não conheço do recurso voluntário, É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 875DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11543.002382/00-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
PAF. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não há que conhecer de recurso especial quando acórdão recorrido e acórdão paradigma adotam, no mérito, as mesmas razões de decidir.
Acórdão recorrido e acórdão paradigma adotam as mesas razões de decidir.
PERC. SÚMULA CARF N° 37.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 9101-001.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Henrique Pinheiro Torres e José Ricardo da Silva. Votou pelas conclusões o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente-substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não há que conhecer de recurso especial quando acórdão recorrido e acórdão paradigma adotam, no mérito, as mesmas razões de decidir. Acórdão recorrido e acórdão paradigma adotam as mesas razões de decidir. PERC. SÚMULA CARF N° 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Henrique Pinheiro Torres e José Ricardo da Silva. Votou pelas conclusões o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 23 82 /0 0- 13 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 11543.002382/0013 Acórdão n.º 9101001.821 CSRFT1 Fl. 7 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidentesubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 10323.598 (fls.268/273), proferido em sessão de 15 de outubro de 2008, pela Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. Tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC – protocolizado pelo contribuinte em 09 de agosto de 2000, referente ao IRPJ apurado no anocalendário 1997, em razão de ter realizado a opção pela aplicação de parcela desse imposto nos incentivos destinados ao FINOR e ao FUNRES. Em 24 de janeiro de 2001, sobreveio despacho da Delegacia da Receita Federal em Vitória – Serviço de Arrecadação – (fls. 104), que negou o pedido de revisão formulado, sob o fundamento de constarem nos sistemas de controle da SRF, em nome da empresa, débitos de tributos e contribuições federais junto à Receita Federal impeditivos à obtenção do PERC, nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, cabendo ao interessado a apresentação de certidão negativa da Receita Federal. Em 15 de março de 2001 o contribuinte apresentou cópia da certidão negativa emitida pela Receita Federal (fls. 106), comprovando sua situação de regularidade. Contudo, em relação à CSLL, foi apresentada Declaração Retificadora em 22 de fevereiro de 2001 (fls. 110) com vistas a corrigir o valor informado na ficha 11, linha 22 de sua DIPJ, onde alega ter ocorrido erro formal de preenchimento da declaração relativamente ao valor da CSLL recolhida por estimativa referente ao mês de dezembro de 1997 (justamente o débito apurado pelo Fisco). Sobreveio o acórdão de n° 8225/2005, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro / RJ que, por unanimidade de votos, indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais relativo ao anocalendário de 1997, nos valores de R$656.397,63 para o FINOR e R$5.157.409,95 para o FINAM. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício de 1998 Ementa: PERC. INCENTIVO FISCAL. RETIFICADORA. DÉBITOS. A pessoa jurídica que apresentar retificação de declaração fora do exercício de competência, bem como que tenha débitos referentes a tributos e contribuições federais não faz jus à opção para aplicação em incentivos fiscais. Solicitação Indeferida Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 11543.002382/0013 Acórdão n.º 9101001.821 CSRFT1 Fl. 8 3 Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.223/227), no qual aduziu, em síntese que, (i) A 5ª Turma da DRJ pautouse única e exclusivamente no Ato Declaratório n° 26/85 expedido pelo Coordenador do Sistema de Tributação da Receita Federal para fundamentar que a recorrente não fazia jus ao PERC, justamente por ter entregue a DIPJ retificadora fora do exercício de competência, muito embora referida declaração não tenha alterado a base de cálculo do IRPJ apurado no período, tampouco o valor do incentivo requerido. (ii) Referido Ato Declaratório foi veiculado sob o pretexto de regulamentar os artigos 503 a 510 do RIR/80, que não se encontrava mais vigente no anocalendário de 1997, quando já vigorava o RIR/94. Por tal razão, o Ato Declaratório em comento não poderia ter sido aplicado ao caso dos autos. (iii) Ainda que assim não fosse, tal Ato, expedido pelo Coordenador do Sistema de Tributação da Receita Federal, não pode restringir a aplicação de incentivo fiscal previsto em lei hierarquicamente superior. (iv) Finalmente, quanto ao segundo motivo determinante para o indeferimento do PERC (irregularidade fiscal) alega a contribuinte que tanto em 2001 quanto em 2005 comprovou sua regularidade fiscal por meio da apresentação de certidões negativas, sendo que a existência de inscrições em dívida ativa ao tempo da decisão não afasta a regularidade atestada pelas certidões, nos termos do artigo 205 do CTN. Sobreveio o acórdão de n° 10323.598, da Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte, em decisão assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1997 Ementa: INCENTIVO FISCAL. PERC. DECLARAÇÃO RETIFICADORA A apresentação de declaração retificadora sem alteração de quaisquer dos dados relativos à opção pelo incentivo de aplicação no FINOR, após o exercício de competência, não é motivo para rejeição da opção do contribuinte. PERC. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO – Com vistas ao deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 11543.002382/0013 Acórdão n.º 9101001.821 CSRFT1 Fl. 9 4 Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica onde se deu a opção pelo incentivo. A d. Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), interpôs recurso especial de divergência aduzindo que: “Em síntese, a decisão recorrida está fundamentada no entendimento de que a regularização fiscal em qualquer fase do processo administrativo autoriza o deferimento do PERC, ainda que no momento da opção pelo benefício a situação fiscal do contribuinte estivesse irregular. (...) o posicionamento adotado pela Câmara a quo fere o princípio da isonomia, trilha o sentido oposto à finalidade da regra prevista no art. 60 da Lei 9.069/95 e, além disso, diverge da jurisprudência mantida por diversas Câmaras dos Conselhos de Contribuintes (...)” Como paradigma apresentou o acórdão de n° 10807970, da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Em exame de admissibilidade às fls. 289/290, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 295/301. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo, mas entendo que merece nova apreciação quanto à sua admissibilidade. Isso porque o acórdão que deu provimento ao recurso do contribuinte foi proferido à unanimidade de votos, cabendo aqui a admissão de recurso tão somente se comprovada a divergência jurisprudencial. Ademais, o acórdão que deu provimento ao recurso do contribuinte aplicou entendimento já sumulado por este Conselho, razão pela qual seu conhecimento deve ser negado, nos termos do artigo 18, inciso XXI do RICARF. Muito bem, a d. Procuradoria da Fazenda Nacional, citando como paradigma o acórdão de n° 10807.970, sustenta que a regularidade fiscal prevista no citado artigo 60 da Lei 9.069/95 deve ser comprovada no momento da solicitação do benefício. Ora, é exatamente o que decidiu o acórdão recorrido, conforme trechos do voto abaixo transcritos: “No caso, a solicitação, referente ao anocalendário de 1997, foi formalizada em 2000 e apreciada em primeiro grau no ano de 2001. Essa primeira decisão foi anulada e foi proferida uma Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 11543.002382/0013 Acórdão n.º 9101001.821 CSRFT1 Fl. 10 5 nova apenas em 2005. Penso que não há lógica em condicionar o deferimento do pleito à situação fiscal de 5 (cinco) anos após a formalização do pedido e 7(sete) anos após a opção. (...) Dessa forma, penso ser equivocado condicionar o deferimento da solicitação a comprovação de quitação perante a Fazenda Pública no momento do pleito. Tal exigência deveria ser direcionada à época da entrega da DIPJ referente ao ano calendário de 1997” (sem grifos no original). Com efeito, verifico que tanto o contribuinte, quanto o acórdão recorrido e a Fazenda Nacional acordam que a regularidade fiscal deve ser aferida no momento da opção pelo benefício, ou seja, à época da Declaração de Rendimentos. Tratase, inclusive de matéria já sumulada: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 Se assim é, não há, no mérito, divergência jurisprudencial a ser apreciada, o que demanda o não conhecimento das razões recursais da d. Fazenda Nacional. Ainda, importa salientar que o acórdão recorrido utilizouse de entendimento já sumulado, o que também implica no não conhecimento do presente recurso, nos termos do artigo 18, inciso XXI do Regimento Interno do CARF, verbis: “Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: (...) XXI negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso;” Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso da d. Fazenda Nacional, por se tratar de matéria sumulada. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 2013. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 11543.002382/0013 Acórdão n.º 9101001.821 CSRFT1 Fl. 11 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 15586.000020/2011-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal.
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA.
A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade.
Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24).
PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE.
Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento.
A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestir-se de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas.
Numero da decisão: 3802-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado, no seguinte sentido:
preliminarmente, por unanimidade de votos, não acolher as argüições de nulidade aduzidas pelo sujeito passivo e, por maioria, rejeitar o pedido de juntada dos demais processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria; vencido nesse ponto, o conselheiro Solon Sehn;
no mérito, por maioria de votos, para dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório unicamente quanto aos gastos com serviços de corretagem; vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani, que negava provimento ao recurso.
Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 MATÉRIA NÃO CONHECIDA Não se conhece de argumento que não guarda relação com o objeto da contenda. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPOSTA OFENSA AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Assim, a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA. A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade. Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 20 /2 01 1- 85 Fl. 2724DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24). PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE. Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento. A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestirse de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis no 10.637 de 2002 e 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. No referido regime não há previsão legal que legitime creditamento do PIS ou da COFINS pelo pagamento, a pessoas jurídicas, de serviços de assessoria. Todavia, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima utilizada na fabricação de produtos destinados à venda integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.725 3 Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado, no seguinte sentido: a) preliminarmente, por unanimidade de votos, não acolher as argüições de nulidade aduzidas pelo sujeito passivo e, por maioria, rejeitar o pedido de juntada dos demais processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria; vencido nesse ponto, o conselheiro Solon Sehn; b) no mérito, por maioria de votos, para dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório unicamente quanto aos gastos com serviços de corretagem; vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani, que negava provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 17a Turma da DRJ Rio de Janeiro I (fls. 164/176), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado pela primeira instância, a lide diz respeito a pedido de ressarcimento onde os créditos reclamados correspondem ao PIS/Pasep não cumulativo exportação do quarto trimestre de 2006 (valor pleiteado: R$ 649.277,63). Em consequência da análise do pedido, a DRF Vitória, alicerçada na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES nº 08/2011 (fls. 12/16), decidiu reconhecer em parte o direito creditório, no montante de R$ 175.959,07. O relatório objeto da decisão recorrida apresenta resumo da Informação Fiscal que subsidiou a decisão da DRF Vitória, o qual segue abaixo transcrito: • Diante das fartas provas e documentos acostados ao processo administrativo n° 15586.000089/201117, os AuditoresFiscais constataram na escrituração da CUSTÓDIO FORZZA infração tributária relacionada à apropriação indevida de créditos integrais da contribuição social não cumulativa PIS (1,65%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos (Art. 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004 (DOU 30/12/2004), que deu nova redação ao artigo 8° da lei n° 10.925/2004). • Isso porque as pretensas aquisições de café contabilizadas pela CUSTÓDIO FORZZA em nome de inúmeras empresas de fachada foram usadas para dissimular as verdadeiras operações realizadas, quais sejam: aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas). • Assim, efetuouse a RECOMPOSIÇÃO dos saldos dos créditos decorrentes de operações do mercado interno e externo. Após o desconto dos créditos com as contribuições do PIS devidos mensalmente, efetuouse o cálculo dos saldos dos créditos passíveis de ressarcimento, os quais foram pleiteados por meio de PER/DCOMP. • Em face da CUSTÓDIO FORZZA foram lançados os valores devidos a titulo de PIS em razão da falta/insuficiência de crédito a descontar no período e, principalmente, a apuração dos novos valores passíveis de ressarcimento. • Os AuditoresFiscais limitaram o valor do PEDIDO DE RESSARCIMENTO ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do MERCADO EXTERNO (PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO). • Como dito, a recomposição dos créditos a descontar do PIS não cumulativo além de resultar em saldo a pagar dessa contribuição em alguns períodos de apuração acarretou no NÃO RECONHECIMENTO de parte do valor dos créditos pleiteados nos PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.726 5 • Em síntese, revendo os detalhamentos de apuração do crédito vindicado, a contabilidade e os documentos fiscais disponibilizados pelo contribuinte, bem como, cotejando com os elementos e documentos acostados aos autos do processo administrativo n° 15586.000089/201117, não foi possível reconhecer integralmente o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, bem como homologar integralmente as compensações requeridas. Cientificada do despacho decisório que reconheceu apenas em parte o direito pleiteado, o contribuinte, tempestivamente, formalizou manifestação de inconformidade onde aduziu que: • Na impugnação apresentada no processo administrativo nº 15586.000089/201117, foram refutadas individualmente todos os argumentos da Autoridade Fazendária, visto que não há prova alguma que sustente a máfé da recorrente; • Naquele auto de infração fiscalização tenta provar que a recorrente tinha pleno conhecimento de um esquema em que várias empresas fictícias eram interpostas entre ela e os produtores rurais, para que pudesse auferir créditos integrais de PIS e COFINS, em compensações ou ressarcimentos; • Infelizmente, as ações das autoridades policiais e fazendárias não levaram em conta a realidade do mercado de café. Não sabem a função dos chamados maquinistas ou do poder que os produtores rurais adquiriram após o advento das atacadistas; • Em nenhum momento resta comprovado que a Custódia Forzza deu início a empresas laranjas, ou sabia que elas não recolhiam seus impostos. Quem fomentou o sistema foi o legislador, quem permitiu o não recolhimento e a existência dessas empresas foram as Receitas Estadual e Federal. A ignorância sobre o funcionamento do mercado de café por uns ou a prevaricação ou incompetência de outros não pode infligir danos a empresários que apenas faziam o que devem fazer: adquirir mercadorias pelo menor custo possível, vendendoas ao mercado internacional a um preço competitivo, gerando renda, empregos e impostos; • As provas carreadas naquele processo administrativo são nulas ou anuláveis, pois a Constituição Federal veda a utilização de provas ilícitas; • Ademais, as provas ilícitas contaminam tudo aquilo que tocam, ou seja, geram nulidade por derivação daquelas provas que delas decorreram; • Logo no início do processo administrativo nº 15586.000089/201117, a Fiscalização demonstra o porque de suas conclusões equivocadas: foram ludibriados pelos criadores e gestores das empresas atacadistas e por seus colaboradores, alguns corretores de café do interior ; • Notase que as empresas Colúmbia Comércio de Café, Acádia Comércio Exportação, Do Grão, L & L e R. Araújo – Cafecol Mercantil responderam as perguntas do mesmo modo, através de petições modelo, usando da mesma letra, mesma diagramação, mesmo palavreado. Está claro que apenas uma pessoa redigiu todos esses comunicados. Tudo na intenção de convencer os Fiscais de que aquilo que estavam falando era verdade e, Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 assim, livrar os possíveis fraudadores da condenação certa. Pura enganação; • Para que não haja repetição, na impugnação apresentada ao processo nº 15586.000089/201117, foram refutadas todas as supostas provas, com documentos hábeis e idôneos, em que o Auditor tenta usar para excluir a boa fé da recorrente. Inclusive depoimentos de fornecedores de café; • As provas válidas presentes nos autos levam a conclusão apenas de que a recorrente sabia da procedência do café (questões de qualidade) e preferia que tais produtos fossem adquiridos de pessoas jurídicas (geração integral de PIS e COFINS); • Infelizmente, a Receita Federal se esforça para glosar ao máximo os créditos requeridos, com base em quaisquer argumentos, desconsiderando a necessidade de tal creditamento para a sobrevivência de todo o sistema produtivo; • Foi o que ocorreu nos autos. Primeiro, a Receita Federal de VitóriaES impôs tributação a dezenas de empresas atacadistas por não recolhimento de tributos, surgidos em operações de compra e venda de café de produtores rurais e, ainda, impôs responsabilidade tributária solidária a centenas de pessoas físicas e jurídicas. Para depois, informar que tais empresas atacadistas na verdade não existem e não efetuaram qualquer venda e, portanto, todos os créditos decorrentes da compra de produtos agrícolas dessas atacadistas devem ser glosados; • Apesar de trazer diversas provas quanto a algumas atacadistas (a respeito da maioria prova alguma há nos autos), nenhuma delas foi suficiente para demonstrar que a recorrente, por seus gestores, pretendia lesar a arrecadação de tributos. Pelo contrário, os depoimentos dos produtores rurais, únicos personagens não suspeitos, deixaram evidente que a recorrente não poderia ter conhecimento da operação das atacadistas, uma vez que o contato comercial delas era exclusivo com os corretores de café ou maquinistas; • As conclusões da fiscalização estão associadas a presunções de máfé, ou seja, neste caso específico, de que a recorrente sabia da existência das práticas ilícitas de todas as atacadistas e dos corretores de café, e foi omissa para se beneficiar dos créditos integrais de PIS e COFINS. Jamais foi provado ou mencionado pelos produtores rurais que os gestores da recorrente participaram ativamente desse suposto esquema; • Foram excluídos créditos lançados sobre aquisições de bens e pessoas jurídicas inativas, baixadas, omissas ou com receita declarada incompatível com as vendas realizadas. Essas glosas são equivocadas, já que todos os documentos fiscais atendem os padrões legais, tendo a recorrente, inclusive, consultado o CNPJ e SINTEGRA das emitentes das citadas Notas Fiscais; • Ressaltese que, algumas empresas que hoje, após intimada da autuação, a recorrente sabe fictícias, comunicaram à Receita seu estado de inexistência, por meio de petitório padrão, em março de 2008. Não se entende o motivo de a Receita Federal manter em funcionamento essas empresas que hoje afirma inexistentes por tanto tempo depois de ter certeza de suas práticas. Com isso, manteve as exportadoras reféns dessas fraudes; Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.727 7 • A recorrente reafirma a licitude dos créditos, oriundos de documentos hábeis e idôneos. Ademais, todas as notas fiscais foram escrituradas, registradas e contabilizadas dentro dos padrões contábeis. Além disso, os pagamentos são efetuados via depósito, TED ou DOC diretamente às empresas emitentes das notas fiscais, demonstrando, assim que agiu, sobretudo, de boafé (§ único, art. 82, da Lei nº 9.430/96); • O artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, ao instituir as hipóteses que conferem direito a descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, não condiciona à requerente, a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias (café); • Também não procedem as glosas de créditos realizados sobre os gastos com armazenagem, frete, comissões pagas a pessoas jurídicas e combustíveis utilizados nos transportes das mercadorias; • A requerente busca guardar seu direito a recalcular e pedir a restituição do IRPJ e da CSLL, calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, não homologados, uma vez que tais importâncias integraram à base de cálculo de ambos os tributos; • Assim, caso a decisão de não homologar tais créditos for mantida, o IR e a CSLL compensados com estes mesmos créditos terão que ser restituídos. Desse modo, este procedimento administrativo visa afastar a Decadência do direito de pedir a restituição dos tributos citados, uma vez que tal fato se consumará somente se for mantida a decisão de não homologação dos créditos analisados neste processo administrativo. Ainda nos termos relatados pela primeira instância, o sujeito passivo, posteriormente, carreou aos autos petição complementar onde requer: a) improcedência das glosas dos créditos PIS/COFINS, tendo em vista o afastamento dos argumentos embasados nas operações “tempo de colheita” e “operação broca”, uma vez que o TRF da 2ª Região afastou, definitivamente, os supostos crimes que levaram o fisco a glosar os créditos da recorrente, rechaçou todas as acusações e extingui a Ação Penal. b) a unificação das 35 manifestações de inconformidade inseridas na tabela acima, em obediência ao princípio da ampla defesa, economia processual e, sobretudo, para evitar decisões contraditórias ou incompatíveis ( Portaria RFB nº 666/2008). A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 30/05/2013 (fls. 179). Inconformada, a mesma apresentou, em 13/06/2013, o recurso voluntário de fls. 182/254, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, apresentando ainda as questões abaixo referenciadas. Primeiramente, a interessada defende a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria, e que se fundamentam nas mesmas provas e argumentos, a fim de evitar decisões contraditórias e homenagear os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da economia processual, dentre outros. Fundamentase no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08 e em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99, e ressalta que a não unificação dos processos representaria clara afronta ao princípio da ampla defesa com a consequente nulidade do processo, nos termos do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 Ressalta que a própria Delegacia de Julgamento, em voto proferido nos autos do processo 15586.000089/201117, determinou a unificação dos autos no que diz respeito à aplicação da multa isolada. A ausência de provas em algum processo e a necessidade de remissão a outro revelaria a necessidade de unificação dos autos. Assim, ou se unificam os autos ou se declara nulo a cordão por ausência de provas de suas alegações. Assim, devese anular a decisão da Delegacia de Julgamento, tanto porque não permitiu a juntada de provas não anexadas por motivo de força maior, como porque não anexou todos os 36 processos que tratam do mesmo fato e tem por base as mesmas provas e argumentos [...] A recorrente também defende a nulidade em vista da violação do princípio da ampla defesa materializada na ausência de análise da preliminar apresentada na manifestação de inconformidade, inerente a pedido de prorrogação do prazo para a juntada de documentos, uma vez que recebera 35 intimações da DRF Vitória, “[...] tratando da análise e glosa de créditos de PIS e COFINS de 17 trimestres, dos anos de 2005 a 2010 [...]”. Igualmente, não teriam sido apreciados argumentos e documentos objeto da manifestação de inconformidade, notadamente quanto à “regularidade das pessoas jurídicas apelidadas de ‘fictícias’ pela fiscalização”. Sobre o assunto, assevera: A DRJ, na verdade, utilizouse de afirmações contidas no parecer da DRF Vitória (rechaçadas pelo TRF 2ª Região) ou seja, considerou válido o procedimento equivocado da Receita Federal que pinçou poucos depoimentos e desconsiderou a maioria deles, para delinear uma realidade própria que não corresponde à verdade. Não tratou da afirmação de que “Todos os produtores rurais ouvidos deixam evidente que os gestores da Custódio Forzza não sabiam que as atacadistas não recolhiam seus tributos ou que não laboravam na atividade para a qual foram criadas, uma vez que o contato dessas atacadistas era exclusivo com os corretores e a eles cabia indicar o melhor preço para os produtores rurais”. Existem nos autos pelo menos 30 depoimentos em que tal informação fica clara. Outro argumento não mencionado na decisão da DRJ foi a ausência da citação do nome da recorrente ou de seus sócios pela grande maioria das empresas denominadas fictícias pela DRJ. A maioria dos corretores de café citados também não mencionam o nome da recorrente, fato também não tratado pelo acórdão. Nada foi tratado também sobre as empresas que a Receita Federal tem por existentes e delas está cobrando grandes somas em tributos. Como afirmado na impugnação a própria Receita Federal tem por existentes e, dentro da mesma operação "É tempo de colheita!", autuou em milhões de reais e responsabilizou centenas de pessoas físicas e jurídicas. Do contrário, teríamos uma dupla imposição de PIS e COFINS sobre uma mesma base de cálculo, violação clara da nãocumulatividade. [...] A recorrente também aduz que nada foi dito sobre a total ausência de provas quanto a inúmeras empresas, que elenca, algumas inclusive sem o número do CNPJ nos autos, tendo a Receita Federal baseadose, simplesmente, em presunção de máfé, argumento que teria sido rechaçado pelo TRF2. Também nada teria sido dito sobre o princípio da boafé e dos porquês de a Receita Federal haver permitido o funcionamento das empresas que hoje afirma não existentes por tanto tempo, tornando as exportadoras reféns das fraudes. A DRJ não teria, igualmente, se pronunciado sobre a insuficiência de prova das declarações, ou sobre os pedidos de diligência requeridos em preliminar para: Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.728 9 a) a juntada ao processo das cópias das notas fiscais, ‘SINTEGRAS’, e ‘CNPJS’ que deverão ser extraídas das cópias que já se encontram nos processos sobre os créditos de COFINS deste mesmo trimestre, ou que seja reaberto o prazo para a apresentação destes documentos [...]; b) a juntada ao processo dos autos de infração, dos pedidos de compensação ou ressarcimento, dos arrolamentos e das inscrições em dívida ativa das empresas que a Receita Federal de VitóriaES ora afirma que praticaram atos de compra e venda de café, ora afirma que elas não existem [...]. Portanto, como a DRJ não se pronunciou sobre diversas questões e provas trazidas pela reclamante em sua manifestação de inconformidade, a correspondente decisão seria nula por violação do direito à ampla defesa. Alega ainda a recorrente que os argumentos em que se basearam o parecer da DRF Vitória e o acórdão da DRJ foram rechaçados, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região, que, ao julgar o Habeas Corpus nº 2012.02.01.0143115 resolveu trancar a correspondente ação penal. O acórdão em tela transitou em julgado em 29/01/2013. Sendo assim, cai por terra, todos os argumentos das autoridades fazendárias, inclusive o Acórdão da DRJ/RJ1, de que a recorrente estava envolvida na fraude, simulação/dissimulação, ou seja: sabia e utilizava "interpostas pessoas ("laranjas") com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida". Que apenas vendiam notas fiscais, como intermediárias fictícias na compra de café dos produtores rurais (fls. 267). Estes argumentos que deram base à ação fiscal. Neste contexto, uma vez que o lançamento teve por base tais provas, deve ser anulado o Acórdão da DRJRJ1. Ademais, viola o princípio da ampla defesa, visto que diversos argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade não foram apreciados. Na seqüência, a recorrente reafirma os demais argumentos apresentados na primeira instância, separados em tópicos onde destaca: a) a logística do mercado de café, com seus diferentes intermediários, o desbaratamento do esquema de troca de notas feitas pelos atacadistas com o auxílio dos corretores de café, desvendado pela Receita Federal, ciente de tais práticas desde 2007, e o equivocado entendimento oficial segundo o qual a suplicante teria se beneficiado do esquema; b) a aduzida ilicitude das provas juntadas ao processo nº 15586.000089/2011 17, a teoria dos frutos da árvore envenenada, a extinção da ação penal relacionada à “operação broca”, a violação do sigilo de dados e a quebra do sigilo bancário da recorrente sem autorização judicial; c) a nulidade das declarações prestadas pelos gestores das grandes atacadistas e dos corretores envolvidos na interposição de pessoas jurídicas, a suspeição e o interesse de deturpar os acontecimentos e imputar responsabilidade às exportadoras de café; Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 d) a insuficiência de provas das condutas ilícitas aptas a suplantar a boafé da recorrente, considerações e refutações às provas acostadas aos autos, a aduzida ocorrência de bis in idem em vista das autuações formalizadas pela Receita Federal contra empresas atacadistas e seus responsáveis solidários pela sonegação de tributos nas operações de compra e venda de café de produtores rurais; e) a boafé da recorrente, a inexistência de fraude, simulação ou dissimulação, conforme atestado pelo TRF da 2a Região, a inexistência de provas contra a interessada, as conclusões fiscais baseadas em presunções, a não caracterização de evidente intuito de fraude, ainda se considerada a existência de boafé da recorrente com respeito a algumas empresas; f) os procedimentos de verificação da regularidade dos fornecedores adotados pela interessado junto ao CNPJ e SINTEGRA, a regularidade da escrituração contábil da recorrente, o precedente jurisprudencial em sede de recurso repetitivo que deu ganho de causa a contribuintes adquirentes de empresas inidôneas (Recurso Especial nº 1.148.444); g) a inexistência de ato declaratório executivo declarando a inaptidão do CNPJ dos fornecedores, a boafé da reclamante e a impossibilidade de punição do contribuinte pelo descumprimento de dever funcional da fiscalização fazendária; h) a legitimidade do creditamento referente aos reclamados insumos de produção: gastos com armazenagem, frete, comissões pagas a pessoas jurídicas e combustíveis utilizados no transporte da mercadoria; e, i) o direito a recalcular e a pedir restituição do IRPJ e da CSLL calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, mas não homologados, uma vez que tais importâncias integram a base de cálculo de ambos os tributos; j) requer seja determinada diligência ou perícia para juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos vultosos de PIS e COFINS, uma vez que não é lícito à Receita Federal impor referidas contribuições duas vezes sobre a mesma cadeia produtiva; necessário também a juntada aos autos vários depoimentos mencionados no relatório fiscal, em homenagem ao direito de defesa da recorrente. Diante do exposto, requer a recorrente: I) sejam unificados os autos de todos os processos inerentes à matéria; II) seja declarada a nulidade do acórdão tendo em vista que: a) foram afastados os argumentos embasados na “operação broca” pelo TRF da 2a Região; b) não foram analisados, pela primeira instância, diversos argumentos apresentados pela suplicante, notadamente relacionado ao pedido de dilação do prazo para apresentação dos documentos; Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.729 11 c) a primeira instância não analisou o pedido de juntada ao processo dos autos de infração, dos pedidos de compensação ou ressarcimento, dos arrolamentos e das inscrições em dívida ativa das empresas que a Receita Federal ora afirma que praticaram atos de compra e venda de café, ora afirma que elas não existem; III) na hipótese de não deferimentos dos primeiros pedidos, que seja reformado o acórdão vergastado e deferidos os pedidos no que tange aos créditos glosados, conforme argumentos apresentados no recurso; IV) subsidiariamente, acaso sejam indeferidos os pedidos anteriores: a) que se proceda à homologação dos créditos cujos fatos geradores são posteriores a 2007 (data do início da operação “é tempo de colheita”, ou pelo menos a partir de março de 2008, tempo em que foram entregues à fiscalização diversas petições modelo provenientes de mentores e gestores do esquema e das maiores atacadistas; b) que se homologuem os créditos relacionados às aquisições de empresas que a própria Receita Federal tem por existentes e, dentre da mesma operação “é tempo de colheita”, autuou em milhões de reais e responsabilizou centenas de pessoas físicas e jurídicas, sob pena de dupla imposição do PIS e da COFINS sobre uma mesma base de cálculo; c) que sejam homologados os créditos relacionados às aquisições de empresas contra as quais a Receita Federal simplesmente não trouxe prova alguma e baseouse em presunção de máfé; V) que sejam homologados os créditos decorrentes dos custos ligados à produção; VI) que seja determinada a diligência ou perícia na forma requerida; VII) e, acaso negados os pleitos principais, e visando afastar a decadência, que seja determinada a exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores dos créditos não homologados e restituídos todos os valores pagos indevidamente. É o relatório. Voto Das preliminares e aduzidas prejudiciais de mérito Da admissibilidade parcial do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 30/05/2013 (fls. 179). Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 182/254 foi apresentado em 13/06/2013, tempestivamente, portanto. Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 Contudo, muito embora os demais requisitos de admissibilidade se encontrem presentes, há argumentos apresentados no recurso que não podem ser conhecidos, uma vez que não tem relação com a lide objeto dos autos. Digo isso em relação ao aduzido direito para recalcular e a pedir restituição do IRPJ e da CSLL calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, mas não homologados, sob o argumento de que tais importâncias integram a base de cálculo de ambos os tributos. Tal pedido, decerto, não compreende a matéria objeto do litígio, razão pela qual não pode ser conhecida. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, ressalvada a observação supra, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Dos argumentos em defesa da nulidade da decisão de primeira instância Dentre os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância, o sujeito passivo defende a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria, a fim de evitar decisões contraditórias e homenagear os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da economia processual, dentre outros. Fundamentase no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, bem como nos princípios que norteiam o processo administrativo elencados pela Lei nº 9.784/99. Da fundamentação legal adotada pelo sujeito passivo, a Portaria RFB nº 666/08, de fato, prevê a formalização de um único processo administrativo ou a juntada por anexação (artigo 3º), dentre outras hipóteses, relativamente a “Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas” (artigo 1º, inciso IV). Contudo, não compete a este Conselho questionar procedimento diverso adotado pela Receita Federal que não implique em prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo. Com efeito, muito embora seja nítida a conexão processual entre os pedidos de ressarcimento reportados pela recorrente, não há nada nos autos que alicerce o reclamado cerceamento ao seu direito, uma vez que os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade. Digo isso, inclusive, em relação ao processo nº 15586.000089/201117, ao qual foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente, como, aliás, está consignado na informação fiscal que subsidiou a decisão objeto dos presentes autos. Tendo a interessada irrestrito acesso aos autos, não há que se cogitar em prejuízo para sua defesa. A suplicante se socorre também no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, bem como em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Relativamente ao § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, este determina apenas a juntada das peças que tratam da manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e da correspondente impugnação da multa de ofício decorrente de diferenças apuradas, dentre outras, em declaração de compensação (art. 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24/08/2001). Logo, não obriga à juntada de todos os processos conexos do mesmo Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.730 13 sujeito passivo. Já em relação aos princípios do processo administrativo reportados pela Lei nº 9.784/99, não vislumbro nos autos nada que represente ofensa ao direito de defesa da solicitante que pudesse redundar na nulidade de qualquer ato decisório contidos em suas peças, como já ressaltado. O Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009) também trata da distribuição conjunta de processos conexos. Tal preceito, contudo, não é de natureza cogente, posto que apenas faculta referenciado procedimento, como revela o verbo que integra o núcleo normativo do artigo 6o do Anexo II do Regimento em tela, abaixo transcrito e destacado: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. (grifo nosso) No mais, reiterese que a não adoção dos procedimentos perquiridos pela recorrente, por não trazerem prejuízo para a defesa, não tem o condão de dar ensejo à nulidade da decisão de primeira instância, até porque o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade. Tal princípio está assente nos artigos 563 e 566 do Código de Processo Penal1. No âmbito do Código de Processo Civil, dispõe o artigo 244 que, Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. A inocorrência de prejuízo para a defesa também afasta a hipótese de nulidade fundada na ausência de análise de prorrogação do prazo para a juntada de documentos, posto que não demonstrado eventual prejuízo decorrente da citada conduta omissiva. A nulidade também é reclamada pelo fato de a DRJ, segundo alega a reclamante, não ter apreciado argumentos e documentos objeto da manifestação de inconformidade, notadamente quanto à “regularidade das pessoas jurídicas apelidadas de ‘fictícias’ pela fiscalização”. A decisão de primeira instância também teria sido omissa concernente a depoimentos segundo os quais os gestores da recorrente “[...] não sabiam que as atacadistas não recolhiam seus tributos ou que não laboravam na atividade para a qual foram criadas [...]”, bem como no tocante aos lançamentos formalizados dentro da mesma operação de fiscalização, ao princípio da boafé, ao fato de a Receita Federal haver permitido o funcionamento das empresas que hoje afirma não existentes, dentre outros. 1 Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Art. 566. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 14 Igualmente, entendo que isso também não leva à nulidade da decisão vergastada, posto que esta se apresenta devidamente motivada em argumentos que alicerçam suficientemente a convicção a que chegou o Colegiado a quo. Com efeito, não é indispensável que a decisão se reporte pontualmente a todas as alegações apresentadas pelo reclamante, e isso não obstante o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o qual determina que a decisão deve “[...] referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” (grifo nosso). De fato, o Superior Tribunal de Justiça, bem como este Conselho, tem adotado a postura de não exigir a apreciação exaustiva de todos os argumentos aduzidos na impugnação, mas isso desde que a autoridade julgadora de primeira instância tenha encontrado razões suficientes para fundamentar sua decisão sobre as matérias em litígio, como ocorreu no caso presente. Nesse sentido, o seguinte julgado: PAF – NULIDADE DA DECISÃO / CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ – Resp 652.422 – (2004/00990870) RET n 43 – maio/junho/2005, p.136:5691 – “VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – INOCORRÊNCIA – TRIBUTÁRIO – ICMS – MANDADO DE SEGURANÇA – AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS – DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA – PRINCÍPIO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA – ART. 170, PARÁGRAFO ÚNICO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – SÚMULA Nº 547 DO STF – MATÉRIA CONSTITUCIONAL – NORMA LOCAL – RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR. 1. Inexiste ofensa ao artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater um a um os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (...) 6. Recurso não conhecido.” (1º CC, Acórdão 10808866, sessão de 25/06/2006, relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Afastamse, pois, todos os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância. Do trancamento da ação penal formalizada contra a interessada A recorrente defende que os argumentos em que se basearam o parecer da DRF Vitória e o acórdão da DRJ teriam sido rechaçados, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região, o qual, ao julgar o Habeas Corpus nº 2012.02.01.0143115, resolveu trancar a correspondente ação penal. O decisum em tela está anexado às fls. 200/213 do processo 15578.000245/200835, ao qual doravante nos reportaremos no que for relevante, por questões de praticidade. Também nos reportaremos às peças do processo nº 1586.000089/201117, onde foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente. Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.731 15 Aduzida ação penal, de fato, foi extinta em vista da não acolhida opção do Ministério Público Federal de fundamentar a denúncia no Código Penal, e não em crimes contra a ordem tributária, já que ainda não existia o lançamento definitivo do tributo, condição para a materialização de crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90). A leitura dos votos do relator do acórdão, Des. Antonio Ivan Athié, bem como do voto vista do Des. Abel Gomes, retratam muito bem que o trancamento da ação penal foi motivado exclusivamente na afronta ao princípio da especialidade, bem como em vista da Súmula Vinculante nº 24 do STF, segundo a qual “não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Transcrevo, abaixo, excertos dos votos acima reportados: Voto do relator, Des. Antonio Ivan Athié Em nenhum momento a denúncia trata de outra ação que não a tipificada na Lei 8137/90, tampouco a imputação de crime de quadrilha remanesce, eis que na realidade todos os comerciantes de café da região onde se deram os fatos, com raríssimas exceções, praticavam a mesma conduta, independentemente, tal e qual se comercializa qualquer mercadoria, como ocorre com o café, não existindo qualquer condição que caracterize ajuste de mais de três pessoas para prática de crimes. O impetrantepaciente demonstrou, folhas 739, que não há, ou ao menos não havia, decisão definitiva de constituição de crédito tributário, e também por esta razão apresentase a denúncia sem justa causa para instauração da ação penal. Pelo exposto, e considerando ainda os precedentes do STJ acostados as folhas 741 e seguintes, referentes aos HCs 103.055 e 137.023, CONCEDO A ORDEM, para o fim de trancar a ação penal n° 2008.50.05.0005385, do Juízo Federal de Colatina/ES, em relação ao impetrantepaciente, e aos demais acusados, estendo a ordem, de ofício, com base no artigo 580 do Código de Processo Penal. Voto vistas do Des. Abel Gomes Com efeito, cabe destacar que no trecho reproduzido no voto do e. Relator, às fls. 803/804, consta, em síntese, que a fiscalização "firmou a convicção" quanto à "intenção" da LAURET CAFÉ de se eximir de tributos devidos com a utilização de meios defesos em lei. Isto constou, inclusive, de excerto do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, no qual, inclusive, é reproduzido o art 1° da Lei n. 8137/90 (fl. 636). Assim, mesmo sendo certo que não são os agentes da Receita Federal a assumirem a atribuição constitucional de formar opinião técnica sobre o delito e sim o Ministério Público, havendo real provisoriedade na classificação jurídica dos fatos pela Receita, também não se pode olvidar que a classificação jurídica dada pelo MP na denúncia, quando do exercício da opinio delicti também não está imune ao exame de correlação com os fatos narrados que cabe ao Poder Judiciário realizar para fins de aferir a presença ou ausência de uma série de situações jurídicas para a ocorrência ou exercício das quais é imprescindível aferir a correta classificação jurídica dos fatos. Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 16 Esse é exatamente o caso da incidência da Súmula Vinculante n. 24 do STF no que concerne aos crimes contra a ordem tributária, capitulados na Lei n. 8137/90. Ou seja, é preciso verificar se, materialmente, os fatos narrados na denúncia não configuram crimes relacionados na Lei n. 8137/90 ao invés do Código Penal. Exame dos fatos narrados [...] Vejase que o só fato de haver na base da denúncia uma ação fiscal, já leva à compreensão de que se trata de ilícito fiscal com repercussão penal. Ademais, a narrativa dos fatos mostra que se está diante de falsificação de notas fiscais que traduziriam uma suposta operação com repercussão tributária, o que leva o engodo para o campo da especialidade, ou seja, passa de simples fraude engendrada contra uma pessoa qualquer, para se converter em artifício falso para iludir o fisco, exatamente no sentido do que dispõe o inciso III do art. 1º da Lei n. 8137/90. Posteriormente, a trama narrada ainda dá conta de que as empresas prestariam declarações falsas ao fisco, quais sejam, as de que teriam créditos a serem compensados, créditos, estes, calcados naquelas notas falsas, o que ainda mantém o fato na seara do inciso I do art. 1º da Lei n. 8137/90. Destarte, do que se extrai da denúncia é que se está diante de fatos que, pelo princípio da especialidade, estão mesmo inseridos no art. 1º da Lei n. 8137/90, o que parece que inclui ainda aquela imputação que é feita no que diz respeito ao crime do art. 299 do CP, porquanto as falsidades ideológicas também integram, em princípio, o objetivo de fraudar a fiscalização tributária para sonegar as contribuições. No caso, ainda há que se fazer um juízo utilitário, de custo benefício. É que o processo descortina uma grande operação, expressa numa denúncia substanciosa de centenas de folhas, a mostrar que os crimes contra a ordem tributária em tese cometidos, somente poderiam ter vazão mediante uma série de ardis, dentre eles, as falsidades ideológicas. É possível que a constituição de empresas fictícias e alterações contratuais por meio de falsidade ideológica possibilitasse a prática de outros crimes em tese? Sim. Mas o caso é que o principal na conduta descrita era mesmo a sonegação fiscal. [...] [...] Do crime de quadrilha Quanto ao crime de quadrilha, de fato, tratase de delito autônomo [...]. Entretanto, há que se observar que o tipo penal exige que a associação se constitua para cometer crimes, e no caso, segundo a narrativa acusatória, os crimes para os quais os denunciados se associaram seriam crimes contra a ordem tributária, daqueles para os quais a Súmula Vinculante n. 24 do STF exige a constituição definitiva do crédito tributário para a “tipificação”, sem o que não cabe falar em tipicidade das condutas nem em crimes objeto de quadrilha. Não tem sentido suspender o processo e o curso da prescrição até o definitivo lançamento do crédito tributário para haver configuração de crimes contra a ordem tributária, e dar prosseguimento ao processo pela imputação de quadrilha sem que os crimes que seriam seu objeto estejam definidos. Assim, há que se estender a suspensão do processo e do curso da prescrição também em relação ao disposto no art. 288 do CP, no caso Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.732 17 específico, porquanto até mesmo sua tipificação depende do preenchimento da condição estabelecida pela Súmula Vinculante n. 24 do STF. Diante do exposto, concedo a ordem para, ingressando no exame de correlação entre narrativa de fatos e classificação jurídica dos mesmos, aplicar o disposto na Súmula Vinculante n. 24 do e. STF, apenas por outros fundamentos que o e. relator no que concerne ao crime de quadrilha. Portanto, é transparente que a extinção da ação penal em tela, absolutamente, não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno que apontasse o não envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia. Em outras palavras, o TRF da 2ª Região, em nenhum momento, infirma as evidências materiais decorrentes do procedimento de fiscalização, uma vez que a decisão do Tribunal foi baseada, única e exclusivamente, em questões de natureza processual, quais sejam, o exame quanto ao atendimento das condições da ação ou das condições de sua procedibilidade. Em vista disso, a decisão judicial não faz coisa julgada quanto aos fatos narrados pelo Ministério Público, posto que não apreciados no que concerne à sua materialidade, o que, consequentemente, possibilita a propositura da correspondente ação civil, como, aliás, prescreve textualmente o artigo 66 do Código de Processo Penal CPP: Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato. No mais, o inciso I do artigo 67 do mesmo CPP estabelece que “não impedirão igualmente a propositura da ação civil:” [...] III a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime”. Pelas razões acima, rejeito o argumento da reclamante que procurava dar à decisão judicial conseqüências alheias ao âmbito em que fora proferida. Do mérito A presente análise de mérito também contempla algumas questões que, a rigor, deveriam ter sido tratadas na parte destinada às preliminares, mas que serão aqui abordadas em vista de sua íntima ligação com a materialidade dos fatos. Conforme relatado, a lide decorre de ação fiscal cujo procedimento e documentação estão acostados aos autos do processo n° 15586.000089/201117 (ao qual nos reportaremos com freqüência), onde a fiscalização relata a apropriação indevida de créditos pelo regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Entendeu a fiscalização que as aquisições de café pela recorrente foram contabilizadas em nome de diversas empresas de fachada, utilizadas para dissimular a real aquisição da mercadoria proveniente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 18 se apropriar de crédito em montante superior ao autorizado pela lei. Segundo a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório, a análise e recomposição dos saldos desde janeiro de 2005 demonstrou que a recorrente apropriouse de créditos integrais fictos. Em face da reclamante foram levantadas notas fiscais em nome de empresas de fachada (“laranjas”) em montantes que ultrapassaram o valor de R$ 890 milhões nos anos de 2005 a 2009. Assim, em função do procedimento fiscal foram recompostos os saldos dos créditos decorrentes de operações do mercado interno e externo. Todos os créditos do PIS e da COFINS calculados sobre as notas fiscais dos “pseudoatacadistas de café” foram glosados e reconhecido o direito creditório presumido sobre tais operações. No caso presente, a recomposição dos créditos a descontar do PIS nãocumulativo, além de resultar em saldo a pagar dessa contribuição em alguns períodos de apuração acarretou o não reconhecimento de parte do valor dos créditos pleiteados nos pedidos de ressarcimento. A suplicante alega a ocorrência de bis in idem em vista das autuações formalizadas pela Receita Federal contra empresas atacadistas e seus responsáveis solidários pela sonegação de tributos nas operações de compra e venda de café de produtores rurais. Segundo entende, as autuações contra “centenas de pessoas físicas e jurídicas” representaria “dupla imposição de PIS e COFINS sobre uma mesma base de cálculo, violação clara da não cumulatividade”. Tal argumento, todavia, também não merece prosperar, pois os procedimentos de fiscalização contra cada sujeito passivo são autônomos e individualizados – ressalvada a possibilidade de responsabilização solidária –, apesar de, no caso, decorrer de uma operação para investigação de um setor econômico específico. No mais, não existe fundamento legal que legitime aduzido mecanismo compensatório proposto pelo sujeito passivo, o que também descarta a necessidade de diligência ou perícia para a juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos do PIS e da COFINS em face das outras empresas envolvidas. A reclamante argumenta ainda haver adotado os procedimentos ao seu alcance para se certificar da idoneidade das empresas com as quais negociava, notadamente tendo verificado a regularidade de seus fornecedores junto ao CNPJ e ao SINTEGRA. Ademais, a regularidade de sua escrituração contábil, o precedente jurisprudencial em sede de recurso repetitivo que deu ganho de causa a contribuintes adquirentes de empresas inidôneas (Recurso Especial nº 1.148.444), a inexistência de ato declaratório executivo declarando a inaptidão do CNPJ dos fornecedores e a boafé da reclamante impossibilitariam sua responsabilização frente ao descumprimento do dever funcional da fiscalização fazendária, que permitiu funcionassem livremente empresas irregulares. Neste comenos, importa ressaltar que os elementos trazidos pela fiscalização rechaçam a boafé e o desconhecimento da situação irregular das empresas com as quais, em sua maior parte, o sujeito passivo formalizou aquisições de mercadorias. Nessa linha, a grande maioria das pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras da interessada, foram constituídas a partir da vigência do regime da nãocumulatividade, e depoimentos, documentos, arquivos magnéticos e controles internos da empresa revelam que esta não só sabia que as aquisições eram realizadas de produtor pessoa física, como também exigia que as negociações ocorressem em nome de empresa de fachada, orientandoas operacionalmente nesse sentido. É relevante o volume transacionado entre a recorrente e empresas de fachada apurado pela fiscalização: R$ 891 milhões. Não obstante as provas colacionadas aos autos, que apontam para o envolvimento direto da reclamante no esquema fraudulento, foge à razoabilidade admitir que empresa que opera com tamanho volume no mercado de café tenha se deixado, de boafé, ludibriar, a ponto de fazer aquisições em montantes tão significativos de Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.733 19 “empresas de fachada”, que sequer dispunham de armazéns, funcionários ou estrutura logística adequada à atividade que exploravam. O relatório fiscal ilustra muito bem essa situação (ver, por exemplo, fls. 3601/3607 – processo 15586.000089/201117). Por também corroborar o entendimento ao qual chegou a fiscalização, reproduzo ainda a seguinte trecho extraído das fls. 3607/3611 do relatório fiscal: Ao longo deste Relatório, comprovarseá a existência desse esquema, bem como de que a CUSTÓDIO FORZZA não só tinha consciência de que o café adquirido de pessoas físicas (produtores/maquinistas) era guiado em nome de empresa de fachada (pseudoatacadista) como tinha participação no ilícito praticado. Por conseguinte, tinha pleno conhecimento que as notas fiscais dessas empresas laranjas eram ideologicamente falsas. Não obstante isso, pessoas vinculadas à fiscalizada indicaram empresas laranjas para guiar o café do produtor para a CUSTÓDIO FORZZA. Não raro, a própria CUSTÓDIO FORZZA retirava o café junto aos produtores com notas guiadas em nome de empresas laranjas. A corroborar tais fatos, as declarações prestadas aos AuditoresFiscais pelo produtor rural/maquinista FERNANDO PLANTIKOW NETO (fls. 214/215): 4) (...) que realizava venda de café de sua propriedade e de seus familiares, assim como, intermediava a venda de café de meeiros e pequenos produtores rurais da região diretamente com as seguintes empresas que por ora se recorda: CUSTÓDIO FORZZA, (...) e (...); 5) Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, Sr. Carlos Henrique e Sr. Irineu (CUSTÓDIO FORZZA), (...) e (...), indicaram que o declarante procurasse as "empresas" DO GRÃO, COLUMBIA, ACÁDIA, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a CUSTÓDIO FORZZA. (...) e (...); 6) Que a partir de então o declarante passou a fazer as operações por intermédio dessas empresas, sendo que o café continua sendo guiado para CUSTÓDIO FORZZA, (...) e (...), utilizando as notas fiscais das "empresas" anteriormente citadas; 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$ 1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; 9) Que conheceu o Sr. Altair Brás Alves na NICCHIO SOBRINHO CAFÉ e que ele convidou o declarante para operar com a V. MUNALDI; (...); 11) Que depois passou a utilizar a R ARAUJO CAFECOL para guiar o café; (...) E ainda pelo produtor/maquinista NILSON ALVES (fls. 322/325): 3) Que nos anos de 2003 e 2004 o declarante negociou café com o Sr. Carlos Henrique, genro do Senhor Custódio Forzza, proprietário da CUSTÓDIO FORZZA, sendo que as notas fiscais foram guiadas em nome da MIRANDA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE CAFÉ, com descarga nos ARMAZÉNS GERAIS FORZZA LTDA, situados em Colatina e Linhares; que o café era retirado pela própria empresa CUSTÓDIO FORZZA na propriedade do declarante; que as notas fiscais eram Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 20 preenchidas pelo contador do declarante cujos dados para o preenchimento eram repassados pelos motoristas que eram encaminhados pela CUSTÓDIO FORZZA para retirar o café da propriedade do declarante; que o declarante não conhece e nunca manteve contato com a MIRANDA, seus sócios ou representantes legais, sendo que apenas as notas fiscais foram emitidas em nome da MIRANDA por determinação da própria empresa CUSTÓDIO FORZZA; Acrescentou que nos anos de 2004 e 2005 negociou 5.210 sacas de café para a CUSTÓDIO FORZZA, sendo que as notas fiscais de produtor foram emitidas em nome da C. DÁRIOME por determinação da empresa CUSTÓDIO FORZZA, conforme item 5 do referido Termo de Declarações, de 20/08/2008, com a devida retificação de 23/09/2008. Finalizou afirmando "que não conhece e nunca negociou com o senhor Carliano Dário, proprietário da C. DÁRIO ME". As próprias notas fiscais de produtor de NILSON ALVES de n° 00336 a 00339, 00358 a 00361, 00383, 00385 a 00386, 00390 a 00392 e 00394 a 00395, relativas à citada operação, corroboram que se trata de compras da CUSTÓDIO FORZZA guiadas em nome da empresa de fachada C. DÁRIO ME (fls. 326/341). Por exemplo, as notas n° 00338, 00339, 00358, 00386 e 00395 (fls. 328/330, 336 e 341) indicam que o café foi transportado pelo motorista Lindomar Maciel Rigoni, CPF 083.358.58780, no veículo de placa MRO 2256 COLATINA ES. Dados dos sistemas da RFB (Guia e Renavan) mostram, respectivamente, que o motorista Lindomar era funcionário da CUSTÓDIO FORZZA, assim como o veículo mencionado é de propriedade da referida empresa (fls. 342/345). Outro exemplo: as notas n° 00360, 00385 e 00391 (fls. 332, 335 e 338) mostram que o café foi transportado pelo motorista Antônio Luiz Tófoli, CPF 420.513.39791, no veículo de placa MRI 0177 COLATINA ES. Tratase do motorista e do veículo da própria CUSTÓDIO FORZZA (fls. 346/348). Para arrematar, em 25/08/2004, NILSON ALVES vendeu 300 sacas de café cujas notas fiscais de produtor n° 00341 e 00342, diferentemente da operação anterior, foram emitidas diretamente para a CUSTÓDIO FORZZA (fls. 349/350). Detalhe: o café foi transportado para o armazém da CUSTÓDIO FORZZA pelo mesmo Antônio Luiz Tófoli no veículo da empresa de placa MRI 0177. Outros exemplos em que a própria CUSTÓDIO FORZZA retirou o café do produtor: > café adquirido do produtor Antônio Marcos Zamprogno guiado em nome da V. MUNALDI e DO GRÃO (fls. 164/168): 4) Que no bloco de notas fiscais apresentada pelo declarante a fiscalização constatou e mostrou ao declarante que as notas fiscais n° 03 (21/10/2004), n° 04 (27/10/2004) e n° 05 (03/12/2004), as duas primeiras emitidas em nome da V. MUNALDI e esta última em nome da DO GRÃO, foram todas transportadas pelo motorista EDSON ANTÔNIO TOFFOLI, no veículo de placa CLH 5225 COLATINA/ES, sendo que a fiscalização em consulta realizada no RENAVAN constatou e cientificou o declarante que o referido veículo pertence a empresa CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO LTDA; assim como consulta ao sistema da Receita Federal mostrou que o Sr. EDSON ANTÔNIO TOFFOLI era funcionário da empresa CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO LTDA, sendo que naquele ano auferiu rendimento do trabalho assalariado com vinculo empregatício da referida empresa; > café adquirido do produtor Carlos Antônio Managna guiado em nome da ROMA (fls. 175/193): Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.734 21 3) Que em 2006 o declarante negociou café de sua propriedade e de seu pai com o corretor Arylson Storck; (...); Que o próprio Arylson informou ao declarante que o café estava sendo descarregado no ARMAZÉM do FORZZA em Barbados (Colatina); (...) Que o café guiado em nome da ROMA se deu através das notas fiscais de produtor n° 031 a n° 033, de 09/01/2006 (Sítio Aurora Dois), n° 06, de 10/01/2006 (Fazenda Palminhas) e n° 044 (09/01/2006), n° 046 (10/01/2006) e n° 047 (10/01/2006), todas do Sítio Managna; Que nestas notas fiscais de produtor constam como motoristas que efetuaram o transporte do café as seguintes pessoas: Juarez Buzetti, CPF 479.373.517 72, Nilson Rodrigues Sousa, CPF 488.038.71772 e Luis Carlos Jordão, CPF 811.246.51772, todos funcionários da CUSTODIO FORZZA conforme consulta realizada pelos auditores no sistema CPF; Que os veículos transportadores indicados nas referidas notas fiscais de produtor de placa CLH 5225 ES, MRI 0483 ES, MRO 2256 ES e MRI 0177 ES pertencem a CUSTÓDIO FORZZA conforme pesquisa junto ao RENAVAN; > Café adquirido do produtor Idelsino Lima Viana guiado em nome da C. DÁRIO e transportado pelo funcionário da CUSTÓDIO FORZZA de nome Nilson Rodrigues Sousa no veículo de propriedade também da empresa de placa MRI 0483 (fls. 231/239): Por derradeiro, os documentos apreendidos, em 01/06/2010 ("OPERAÇÃO BROCA"), na CUSTÓDIO FORZZA e encaminhados à DRF/VTA/ES mediante autorização judicial, nos quais retratam operações de venda do produtor FERNANDO PLANTIKOW para a CUSTÓDIO FORZZA por meio de interposição fraudulenta da empresa de fachada R. ARAUJO MERCANTIL CAFECOL que emitiu a nota fiscal. Na tentativa de dar aparência de legalidade, a própria CUSTÓDIO FORZZA emitiu a "CONFIRMAÇÃO DE COMPRA" tendo como suposto vendedor a R. ARAÚJO MERCANTIL CAFECOL. Todavia, no controle interno da empresa, não era a R. ARAÚJO MERCANTIL CAFECOL quem estava vendendo o café, mas, sim, o produtor FERNANDO PLANTIKOW (fls. 1.776/1.878). [omitido – vide esclarecimentos e documentos às fls. 3611 a 3614] (grifos e destaques do original) Mais adiante, a fiscalização apresenta o resultado das operações realizadas em relação a seis empresas que, juntas, movimentaram 1,75 bilhões de reais nos anos de 2003 a 2007, mas quase nada recolheram a título de PIS e de COFINS. São elas: Colúmbia Comércio de Café Ltda., Acádia Comércio e Exportação Ltda., Do Grão Comércio Exportação e Importação Ltda., L & L Comércio e Exportação Ltda., V. Munaldi ME e J. C. Bins Cafeeira Colatina. Todas, à exceção da J. C. Bins localizavamse em pequenas salas comerciais do mesmo prédio, e encontravamse em situação irregular perante o CNPJ (omissas, baixadas, inaptas... v. fls. 3618 e ss.). A fiscalização demonstrou elo de ligação entre essas pessoas jurídicas e as empresas adquirentes de café, notadamente, pelo liame existente entre os titulares e sócios dessas empresas e os sócios ou empregados de algumas das empresas adquirentes (comerciais exportadoras). Cita, por exemplo que Antônio Gava, fundador da Colúmbia, é sobrinho do sócio fundador da Custódio Forzza, tendo trabalhado nesta por mais de 20 anos, e que a Colúmbia foi a maior fornecedora da recorrente no período de 2005 a 2009, com um volume de Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 22 mais de R$ 117 milhões. O relatório fiscal apresenta outras provas colhidas no procedimento fiscal que corroboram o modus operandi com utilização de empresas de fachada. Referido modus operandi tornase mais claro diante do depoimento de Antônio Gava, que, como dito, foi fundador da Colúmbia e é sobrinho do sócio fundador da Custódio Forzza. Em seu depoimento, transcrito às fls. 3629/3630 dos autos (Termo de Encerramento da Ação Fiscal) o mesmo declara: 4) Que a COLÚMBIA funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador do café: (grifo nosso) 5) O real comprador do café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; 6) Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da COLUMBIA e esta efetua o pagamento aos produtores rurais. (grifos e destaques do original) Essa logística é corroborada pelos outros depoimentos reproduzidos no relatório fiscal, com destaque para os depoimentos de Altair Bráz Alves, da V. Munaldi – ME, reproduzido às fls. 3630/3635 (lembrando que nos referimos às fls. do processo nº 15586.000089/201117). Questionadas pela fiscalização, as empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L & L corroboraram que atuam apenas na venda de notas fiscais, não sendo, e nem tendo estrutura financeira e material para atuarem como empresas comerciais atacadistas de café (“relataram que não possuem imóveis, veículos, tampouco funcionários [...]”; que os recursos creditados em suas contascorrentes “pertencem a terceiros compradores de café”; que “NÃO são e NUNCA foram empresas COMERCIALIZADORAS ou ATACADISTAS de café”; que em função da compra do café dos produtores rurais / maquinistas – que “guiava” o produto com nota de produtor para a fiscalizada – , emitiam uma nota fiscal própria de venda para a empresa (real) compradora, retendo em seu favor apenas uma quantia, em regra, de R$ 0,15 a R$ 0,30 por saca de café; que, em alguns casos, apenas intermediava o negócio, sendo outra a empresa que recebia a nota fiscal do produtor e emitia a nota fiscal de viagem/venda; que “em certas ocasiões o comprador (indústria, exportador ou corretora), “depois de fazer negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir a nota fiscal de venda / Viagem” – v. fls. 3635/3637). O relatório fiscal é extenso e contempla muitos outros depoimentos e provas que fundamentam suas conclusões e ratificam o que foi acima colacionado. A DRJ Rio de Janeiro II, ao julgar a impugnação objeto do processo nº 15586.000089/000108, que teve como relator o i. AFRFB Ronaldo Souza Dias, ressalta ainda outras evidências importantes trazidas no citado relatório de ação fiscal. Reproduzo, abaixo, trechos que entendo são mais relevantes, e cujos fundamentos também adoto para a resolução da presente lide (acórdão acostado às fls. 4539/4574): Algumas empresas Exportadoras/Indústrias comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.735 23 Por exemplo, no depoimento do corretor de café Arylson Storck de Oliveira, às fls. 399/401, textualmente se declara: “(...)ligava para as exportadoras com o objetivo de vender café de produtor rural e era informado de que não havia a menor possibilidade de que as exportadoras adquirissem café de pessoa física, que as exportadoras respondiam ao declarante que somente estavam aceitando café de pessoa jurídica” (item 2) “a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são exfuncionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo” (item 3) “O corretor ratificou a existência de um ‘mercado de notas fiscais’: “pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o ‘mercado de nota fiscal’ chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café” (item 4).(gn) O depoimento (particularmente o afirmado no item 2) contrapõese à alegação de que havia um domínio do mercado pelas atacadistas (identificadas como empresas para guiar o café) atacadistas que “eram imbatíveis concorrentes das exportadoras, pois utilizavam de práticas ilícitas e anticoncorrenciais”, pois as próprias exportadoras somente estavam aceitando café de pessoa jurídica, isto é, recusavam o café da pessoa física. Na verdade continuavam a comprar dos produtores rurais, apenas utilizavam pessoas jurídicas para “guiar o café”, expressão, que neste caso, não passa de eufemismo para a prática simulatória/dissimulatória. Noutro depoimento (fls. 3774 e ss), do corretor Luciano Arpini Gobbi, o depoente afirma que houve uma fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas, exportadoras e indústrias, passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal de pessoa jurídica. No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier (fls. 445/448, item 12), identificase os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o mercado de café se “prostituiu” porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da comissão de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; (gn) Em mais um depoimento, de um outro corretor – Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude (fls. 501/503): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém; (...) Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 24 Registrese que o declarante Valério Antônio Dallapícula atuou como corretor da Custódio Forzza (fl. 501). Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados. As declarações dos produtores rurais esclarecem pontos adicionais e confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 217/218): (...) 5) Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, Sr. Carlos Henrique e Sr. Irineu (Custódio Forzza), (...) e (...) indicaram que o declarante procurasse as ‘empresas’ Do Grão, Colúmbia, Acádia, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor rural pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a Custódio Forzza, (...) e (...); (...) 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; (...)(gn) Notase aí na citação expressa à Custódio Forzza pelo produtor rural/maquinista o papel ativo da autuada na operação, fato que refuta a hipótese de fraude sem sua participação. Exceto se é admitida a teoria conspiratória, onde “atacadistas”, corretores do ramo e produtores rurais de café conspiram com o único propósito de prejudicar a contribuinte, ora impugnante. Mas diante da convergência irresistível dos depoimentos de personagens, que atuam com funções distintas na cadeia produtiva, a teoria conspiratória revelase mera fantasia. O exame de mais um depoimento, de outro produtor rural, firma mais ainda esta convicção: (...) Que nos anos de 2003 e 2004 o declarante negociou café com o Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Custódio Forzza, proprietário da Custódio Forzza, sendo que as notas fiscais eram guiadas em nome da Miranda Comércio Exportação e Importação de Café, com descarga nos Armazéns Gerais Forzza Ltda, situados em Colatina e Linhares; que o café era retirado pela própria empresa Custódio Forzza na propriedade do declarante, que as notas fiscais eram preenchidas pelo contador do declarante, e que o declarante não conhece e nunca manteve contato com a Miranda, seus sócio ou representantes legais, sendo que apenas as notas fiscais foram emitidas em nome da Miranda por determinação da própria empresa Custódio Forzza; (...) (gn) (depoimento do produtor rural Nilson Alves, fl. 325/326) A fiscalização intimou vários outros produtores rurais para esclarecer pontos dos negócios respectivos, dos resultados obtidos concluiuse, em resumo, que (1) os produtores rurais desconhecem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja, eles negociavam o café com a adquirente Custódio Forzza e outros compradores, mas nas notas eram substituídos pela Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudo empresas; (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos pela Custódio Forzza; (3) o café era retirado da propriedade Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.736 25 rural pela Custódio Forzza, e nos seus armazéns descarregado, (4) Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Custódio Forzza, participa ativamente no setor de compra da Custódio Forzza. Repitase: as ‘pseudoempresas’ que constam nas notas fiscais de venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do “pleno conhecimento” dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: “Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de várias empresas (...)”. (v. por exemplo fl. 28, item 2). Acrescenta, em outro momento, que “regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores”. (v. por exemplo fl. 28, item 3, fine) Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torradoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, “que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café”. E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, “que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas”. Estas novas empresas “passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais” (fls. 29/30, itens 6 e 7). Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro ‘mercado’, a saber, ‘mercado de compravenda de nota fiscal’. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 2113/2114) de Thiago de Resende Gava, assistido por Advogado, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da SILVA (para quem trabalhou) “nunca comprou nem vendeu um grão de café...”, esclarecendo ainda a finalidade de toda a engrenagem montada: “que o objetivo das operações realizadas desta forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que além disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (..)” Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 26 Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, e outras funcionam como ‘laranjas’, termo, aliás, empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores. Por exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos “afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas” (fl. 411, item 5). Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia “quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo” para R$ 0,50 ou R$ 0,30 (v. fl. 29, item 5). Observar também o que declara a Colúmbia à fl. 32, item b: “para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é) pelo número de sacas”. Entre as provas documentais as próprias notas fiscais da triangulação comercial (produtor rural/pessoa física ® atacadista (ex. Colúmbia) ® exportadora (ex. Custódio Forzza) indicam a simulação. Vejase, a título de exemplo, a nota fiscal nº 00338 (fl. 331) do produtor rural Nilson Alves, que representaria a venda do produtor para a atacadista C. Dario ME, mas cujo transporte é realizado por Lindomar Maciel Rigoni, funcionário da Custódio Forza, no veículo de placa MRO 2256 (vide nota fiscal) da Custódio Forzza, dados que se confirmam em consulta à Sistema da RFB e do RENAVAM (fl. 348). Outro exemplo: agora a nota fiscal nº 010314 representa a venda da atacadista R. Araújo – Cafecol para a Custódio Forzza (fl. 1802) de 264 sacas de café. Observase a inscrição desnecessária, do ponto de vista legal, no corpo da NF “Venda submetida à incidência do PIS/Cofins”. Na entrada do armazém da empresa a mercadoria novamente pesada resultou em 262,80 sacas, conforme romaneio de entrada nº 5414/09 (fl. 1803). No documento “confirmação de compra” (fl. 1804) referente a esta operação, cujo pedido tem o número 047/2010, há uma observação codificada “Col0220/10”. No controle interno da Custódio Forzza o código reaparece, junto com o número da nota fiscal, e confirmação de pedido, em anotação perfeitamente coerente, mas para atribuir ao produtor rural Fernando Plantikow o crédito de 262,80 de sacas. Justamente o que fora ‘negociado’ com R. Araújo – Cafecol. O controle interno revela claramente a negociação direta da Custódio Forzza com os produtores, pois neste caderno anotase um volume global de mercadoria previamente acordado, e que conforme a entrega vai se efetivando, vai se abatendo para obter um saldo ainda a entregar. Tratase de verdadeira contabilidade paralela. De documentos recebidos da Polícia Federal (fl. 506), a planilha de saídas da Colúmbia (v. fl. 3676/3677) para a Custódio Forzza deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia) e o vendedor real, pessoa física/produtor rural. A origem da mercadoria é o produtor rural, no caso tratase de Ailton Noia, e o destino é a Custódio Forzza. Ailton Noia, no entanto, declarou que sua produção é negociada diretamente com Custódio Forzza, mas as notas fiscais são preenchidas por Thiago Gava (fls. 3674/3675). A Fiscalização comprovou que a própria Custódio Forzza depositava os recursos que a Colúmbia necessitava para o pagamento exato aos produtores rurais (fls. 3674/3675). Comparar as planilhas de fls. 3676/3677 com a planilha de fls. 3677/3678: É curioso notar que a “venda” do café para a Colúmbia, e a “revenda” desta para a Custódio Forzza eram efetuadas pelo mesmo preço, situação comercialmente muito heterodoxa. Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.737 27 Na Confirmação de Pedido nº 1902/2008 (Custódio Forzza à WR da Silva Ltda ME) (fl. 3688) observase o nome manuscrito “mazolini” sobrenome do produtor rural: Luis Mazolini. Tal anotação é pratica entre os corretores, conforme afirmam em seus depoimentos. Vide, por exemplo, declaração muito elucidativa neste sentido às fls. 3684/3686. Documentos apreendidos na própria Custódio Forzza, durante a Operação Broca, confirmam estes depoimentos (vide documentos às fls. 3689 a 3694). Do Ministério Público do Espírito Santo – Grupo GETPOT – a fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma espécie de livro caixa (“caixa 2”), documento apreendido na Operação Acádia deflagrada “com o objetivo de coibir sonegação fiscal de ICMS” (fl. 505), que detalha ganhos de Fernando Mattede e Flávio Tardin, sócios das ‘pseudoempresas’ Do Grão e L&L, já citadas neste voto. O documento reproduzido (fls. 3706 e ss) mostra que a receita é claramente proveniente de venda de notas, observese na fl. 3706 nos nomes de pessoas responsáveis pelo crédito, que aparece o de Alair com o valor ao lado de R$3.320,00. O total de ganho no fechamento geral relativo à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de pessoas físicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl. 3706). O batimento da ‘contabilidade’ à fl. 3706 com a planilha da Empresa Do Grão, exibindo o controle do seu crédito contra Alair, demonstra a exatidão do valor de R$3.320,00 (fl. 3707). Mais ainda, demonstra a razão do débito: para cada saca de café ‘vendida’ para a Custódio Forzza, Alair tornase devedor de Hum real, o que aparece como crédito da Do Grão. Alair, na verdade, é o primeiro nome de Alair Bergameschi, Produtor/Maquinista. Outro fato revelado pelo “Colúmbia Saídas” constante de arquivo da Colúmbia apreendido pela Polícia Federal diz respeito a manobra para eliminar “estoque a descoberto”. Neste caso, a Colúmbia emite simplesmente a nota fiscal, não havendo qualquer movimentação de mercadorias. Observase à fl. 3712, em trecho desta planilha de controle interno, que o destino e o vendedor são os mesmos: “Forzza”. Em seu depoimento à Polícia Federal, Thiago Gava confirmou a existência da manobra (fl. 3711). Documento ainda mais conclusivo – se isso é possível quanto ao efetivo uso do esquema pela Custódio Forzza é o que transcreve conversas efetuadas mediante MSN. Os diálogos são travados entre funcionários do setor financeiro da Custódio Forzza e o corretor Edson Pancieri Filho, que confirmou a conversa. Ali são tratados pagamento da Custódio Forzza a produtor rural. Ocorre que o pagamento ali registrado (R$ 26.758,00) é depositado na conta Colúmbia (vide cópia do extrato onde aparece o TED à fl. 1246) no valor de R$ 26.746,00; onde a diferença devese a despesa de TED, segundo Edson Pancieri Filho. A fiscalização logrou êxito em demonstrar que havia notas fiscais representando “venda” da Colúmbia para a Custódio Forzza, notando mais uma vez que os valores não só correspondiam entre si, como coincidiam com o que estava na nota fiscal do produtor rural (fls. 3722/3726). Há outros diálogos nos autos e reproduzidos no Termo de Encerramento Fiscal. Não há como entender, como requer a impugnante, que a Custódio Forzza comprava das ‘atacadistas’, porque estas dominavam o mercado. Pois, neste caso, não necessitaria haver qualquer tratativa da Custódio Forzza com produtor rural sobre preço e pagamento, como os diálogos comprovam. Além disso, tudo que a Custódio Forzza Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 28 comprava do, e pagava ao, produtor rural passava, não por Armazéns da Colúmbia, mas por sua ‘contabilidade’, apenas para encenar a pantomima. O papel fictício das “atacadistas” na negociação direta entre produtor rural e a Custódio Forzza evidenciase em muitos documentos nos autos. Mas, apenas os diálogos transcritos bastariam para refutar a tese de conspiração, ainda mais que se compatibilizam perfeitamente com todo o resto do conjunto probatório, inclusive notas fiscais, pagamentos via transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais. Ressaltese que a mecânica desvendada pela Fiscalização extrapola os limites do estado do Espírito Santo e atinge outros membros da Federação, particularmente, atinge Bahia e Minas, onde as autoridades fiscais também diligenciaram e colheram provas que apontam para a mesma conclusão: as empresas “atacadistas” são chamadas no último ato para representar a cena final, sem qualquer participação efetiva do ponto de vista comercial (capítulo 6, do Termo de Encerramento Fiscal, itens 6.21 e 6.22). No que concerne as chamadas compra e venda para entrega futura, também não se vê mudança de enredo ou troca de personagens, o mesmo intuito, o mesmo método. Toda a negociação se dá entre produtor rural e Custódio Forzza (vide item 5.4 do Termo de Encerramento Fiscal e documentos correspondentes, entre os quais, o de fls. 3814/3816, 3817, 3826; e, ainda, o relatório à fl. 3829), sem qualquer relevância comercial a função da “atacadista”. Finalmente, a impugnante menciona que não há liame algum entre a recorrente e algumas empresas atacadistas, seus fornecedores, assim, os créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados, requerendo, então que seja afastada toda a imposição tributária relacionada ás aquisições de empresas que a Receita Federal não trouxe prova alguma. No entanto, a alegação não procede porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal (v os exemplos da WR Da Silva, R Araújo Cafecol, Nova Brasília e C Dario ME, v. fls. 3874 e ss), não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível – contrariando o que afirma seus próprios sócios e administradores – que teria vendido café somente para a Custódio Forzza. (destaques do original) Como se vê, as provas colacionadas aos autos corroboram as conclusões a que chegou a fiscalização no sentido de que o sujeito passivo, deliberadamente, “se valia de pessoas jurídicas fictícias para em nome delas dar entrada no café adquirido de produtor e, assim se beneficiar de créditos da nãocumulatividade de origem ilícita” (fls. 3614). O relatório fiscal é farto em documentos, depoimentos e outras provas que alicerçam as conclusões oficiais, no sentido de uma ação propositada da empresa voltada a se creditar ilicitamente do PIS e da COFINS, conclusões as quais não conseguem ser abaladas pelos argumentos apresentados pela reclamante. Essa comprovada ação deliberada afasta todas as alegações da suplicante baseados na aduzida boafé. Isso se aplica às empresas com respeito às quais a interessada alega que a Receita Federal não apresentou prova (W. R. da Silva, R. Araújo, Nova Brasília Comério de Café, etc.). Os argumentos inerentes a essas empresas constam do item 6 do relatório fiscal “OUTRAS EMPRESAS DE FACHADA QUE FIGURAM COMO FORNECEDORAS DA CUSTÓDIO FORZZA” (fls. 3873 e ss. do processo nº 15586.000089/201117). Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.738 29 Não obstante o arcabouço probatório inerente a essas outras empresas ser inferior ao levantado para as empresas Do Grão, Acádia, L & L, Colúmbia, V. Munaldi e J. C. Bins, tratados em outros tópicos do relatório de fiscalização, há sim, nos autos, provas que legitimam as glosas oficiais, principalmente quando estas são analisadas frente às evidências encontradas que descortinaram o esquema fraudulento, ainda que, em relação a tais provas possa se dar natureza de presunções. Sobre a importância das presunções no combate aos ilícitos tributários, a relevante lição de Maria Rita Ferragut2: [...] não há como ignorar que, se a segurança jurídica não admitisse as presunções, acabaria dificultando a proteção do direito daqueles que os detêm, mas que são prejudicados pela fraude, dolo, simulação. Dentre esses encontrase, sem dúvida alguma, o Fisco. Assim, o motivo para a criação das presunções foi sanar a dificuldade de se provar certos fatos mediante prova direta, fatos esses que deveriam ser necessariamente conhecidos, a fim de possibilitar a preservação da estabilidade social mediante uma maior eficácia do direito. As presunções suprem deficiências probatórias, disciplinam o procedimento de construção de fatos jurídicos, “alargam o campo cognoscitivo do homem”3, e aumentam a possibilidade de maior realização da ordem jurídica, ao permitir que alguns fatos sejam conhecidos por meio da relação jurídica de implicação existente entre indícios e o fato indiciado. No Direito Tributário, assumem significativa importância, tendo em vista que os fatos juridicamente relevantes são muitas vezes ocultados por meio de fraudes à lei fiscal, ficando o processo de positivação do direito obstado de ocorrer. A presunção em questão, frisese, tem natureza essencialmente procedimental, destinada a auxiliar o aplicador do direito no enquadramento da situação fática à norma. Portanto, não cria, altera ou revoga direitos, conclusão que se extrai diante da lição de Maria Rita Ferragut, in verbis: A previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu4. [...] [...] Ora, diante de tudo o que já foi exposto até aqui, temos que as presunções constituemse em meio de prova que contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se é assim, não se trata de alegar que a obrigação decorre de fato não previsto na regramatriz, mas de se reconhecer que o 2 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 146147. 3 Cf. Jimir Doniak Jr. 4 Op. cit., p. 168. Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 30 conhecimento do evento descrito no fato jurídico típico dáse de forma indireta, com base em fatos indiciários graves, precisos e concordantes no sentido da ocorrência pretérita do evento diretamente desconhecido5. (grifos nossos) No caso, temse um arcabouço de muitas provas e indícios que alicerçam as conclusões oficiais. E ainda que, se decorrente de um exame extremamente restrito, tais provas viessem a ser alçadas apenas à condição de indícios, os mesmos são harmoniosos e concordantes com as conclusões dos auditores fiscais responsáveis pela ação fiscal, a ponto de se transmudarem em prova, conforme forte jurisprudência incontáveis vezes retratada da lavra do saudoso Aliomar Baleeiro, no seguinte sentido: “SIMULAÇÃO. INDÍCIOS VÁRIOS E CONCORDANTES SÃO PROVA” (RE nº 68006/MG. Publicado no Diário da Justiça de 14/11/1969). Não há, nos autos, nada que aponte para ilegalidade de prova. Os documentos foram todos obtidos de forma lícita, alguns dos quais provenientes de apreensões realizadas em função de operações conjuntas realizadas pela Receita Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal, com a correspondente autorização judicial. Nos depoimentos não há sinal de existência de vícios de consentimento (coação, prova de interesse em prejudicar a recorrente, ou prova de inimizade entre este e o depoente). No mais, alguns dos documentos foram fornecidos pela própria empresa. Corroborando o que foi afirmado acima, o seguinte trecho do relatório fiscal (fls. 3597/3598): 1.3 PROVAS DOCUMENTAÇÃO REUNIDA Entre os documentos que fundamentaram o presente trabalho estão aqueles carreados ao longo da investigação "TEMPO DE COLHEITA" – como declarações prestadas a termo por produtores rurais/maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada e sobretudo documentos apresentados pela COLUMBIA, ACÁDIA, DO GRAO, L & L. A DRF/VTA/ES recebeu, por meio do Ofício OF/GETPOT/Nº 91/2008, de 1°/04/2008, do MPES CD's contendo documentos digitalizados decorrentes da busca e apreensão na sede da ACÁDIA, deflagrada pelo Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (GETPOT) (fl. 505). Além disso, por meio do Ofício n° 50/2009/SRRF07/Sefis, a DRF/VTA/ES requereu cópia dos documentos selecionados na sede da Policia Federal. Em atendimento ao solicitado, o referido órgão encaminhou, mediante Ofício n° 4568/2009 SR/DPF/ES, cópias dos documentos contábeis e fiscais (em meio físico e magnético) relativos às empresas de fachada ACÁDIA, L & L, DO GRÃO, COLÚMBIA, W.R. DA SILVA e R. ARAÚJO – CAFECOL MERCANTIL (fls. 506 e 1.224/1.226). A ressaltar ainda que no citado ofício da Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo está consignado que a disponibilização de tais documentos para subsidiar procedimentos fiscais em curso na DRFA/TA/ES foi devidamente autorizada pelas pessoas físicas que fizeram a entrega deles para a Polícia Federal. Entre os documentos recebidos da Polícia Federal, encontrase um aquivo magnético em formato Excel denominado "COLÚMBIA SAÍDAS". Na 5 Op. cit., p. 170. Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.739 31 verdade, trata se de um controle das notas fiscais de saída emitidas pela COLÚMBIA. Além de relacionar o número, data e valor da nota fiscal, identifica o verdadeiro vendedor – distinguindo o fícto (COLÚMBIA) do real vendedor (produtor/maquinista), o comprador e a quantidade adquirida, assim como o corretor envolvido na operação. A Procuradoria da República no Município de ColatinaES, mediante Ofício n° 466/2010 PRM/COL/PAG (fls. 507/508), encaminhou à Receita Federal do Brasil em VitóriaES, cópia dos documentos apreendidos pela autoridade policial por ocasião do cumprimento do MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO determinado pela MM Juíza de Direito da Seção Judiciária de Colatina ES, referente ao IPL n° 00541/2008 – SR/DPF/ES – OPERAÇÃO BROCA, "cujo teor tem nítido interesse fiscal, conforme autorizado judicialmente". A Procuradoria da República encaminhou ainda à DRF/VTA/ES cópia da Denúncia oferecida à Justiça Federal, conforme autorização exarada pela Juíza Federal da 1a Vara Federal de Colatina. A recorrente também aponta como ilícitos os depoimentos do Sr. Edson Antonio Pancieri, uma vez que este, sustenta a suplicante, não teria o direito de proceder à quebra do sigilo de dados da empresa. Assim, deveriam ser extirpadas dos autos as fls. 817 a 868 e fls. 416/419. Os documentos em tela dizem respeito, respectivamente, a “mensagens de MSN acerca de negociações de café intermediadas pela CLONAL”, fornecidas em atendimento a intimação remetida pela Receita Federal a Edson Antônio Pancieri Filho, e a termo de declarações do mesmo a respeito das atividades de corretor de café como sócio da Clonal Corretora, onde referido corretor relata o modus operandi das transações realizadas entre os produtores rurais e os exportadores (ver. especialmente, fls. 417 de processo eletrônico – processo 15586.000089/201117). Não obstante os argumentos apresentados pelo sujeito passivo, a fiscalização federal, no exercício de sua atividade, tem amplos poderes investigativos conferidos por lei com fulcro no exame do fiel cumprimento das obrigações tributárias. Citese, por exemplo, o disposto nos artigos 195 e 197 do CTN, abaixo transcritos: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não tem aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. [...] Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 32 II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. (grifouse) Ainda, confirase o disposto no artigo 93 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art . 93. A fiscalização externa compete aos agentes fiscais do imposto de consumo e nos casos previstos em lei, aos fiscais auxiliares de impostos internos. Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a admissibilidade de denúncia apresentada por particulares nem a apreensão, por qualquer pessoa, de produtos de procedência estrangeira encontrados fora dos estabelecimentos comerciais e industriais, desacompanhados da documentação fiscal comprobatória de sua entrada legal no país ou de seu trânsito regular no território nacional. (grifouse) Não bastasse o alicerce legal acima colacionado, citese ainda o artigo 34 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (contido no Capítulo IV da referida norma, inerente aos procedimentos de fiscalização), segundo o qual “são também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida”. Logo, não há que se falar em ilicitude da prova juntada aos autos. Passo, agora, ao exame das glosas das despesas com combustíveis, armazenagem, frete e comissões pagas a pessoas jurídicas. Como se sabe, a legislação pertinente ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS (instituído, respectivamente pelas Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2002) autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das retrocitadas Leis. O inciso II do artigo 3o das normas em tela prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 3802002.117 S3TE02 Fl. 2.740 33 Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Examinemos, pois, a questão, com foco nas rubricas glosadas pela fiscalização. Segundo o relatório fiscal, “as despesas com energia e armazenagem de mercadorias e frete sobre operações de venda não foram glosadas nesta auditoria; sendo os créditos gerados por tais operações contabilizados pela CUSTÓDIO FORZZA e aproveitados pela fiscalização na recomposição do saldo dos créditos a descontar do PIS/COFINS não cumulativos” (fls. 4026 – item 8.1 do relatório fiscal) (grifo do original). Assim, uma vez que, com respeito às citadas rubricas, não houve nenhuma glosa, não há razão para se manifestar sobre a questão. Ainda sobre despesas de frete, segundo o relatório fiscal (fls. 4028), em janeiro de 2005 o sujeito passivo equivocouse ao informar, indevidamente, como despesas de armazenagem e frete, despesas inerentes a corretagem e combustíveis, que assim foram tratadas. Logo, confirmando o afirmado no trecho do relatório fiscal acima transcrito, não há necessidade de se pronunciar sobre despesas com frete (bem como de energia e armazenagem de mercadorias), pois a ação fiscal não aborda glosa correspondente a referidas rubricas. Com relação às despesas com combustíveis, o item 8.2 do relatório fiscal (fls. 4026/4027) refere que a recorrente apropriouse de créditos da nãocumulatividade do PIS e da COFINS decorrente de despesas com combustíveis consumidos por veículos de sua propriedade utilizados no transporte de café. Os correspondentes valores, contudo, foram glosados, uma vez que as autoridades fiscais não os considerou como insumos. As glosas ocorreram em relação a todo o ano de 2005 e aos meses de janeiro a julho de 2006 (ver demonstrativo de fls. 4027). Assim, o assunto em tela não interessa para o presente processo, dado que o mesmo se refere ao período de 01/10/2006 a 31/12/2006. Houve também glosas em relação a todos os meses dos anos de 2005 a 2009 concernente à parte do crédito calculada sobre comissões de corretagem e de assessoria pagas a pessoas jurídicas, informadas na linha 3 do DACON como serviços utilizados como insumos (ver fls. 4027 – relatório fiscal). Segundo o relatório da fiscalização, “os valores constam da planilha apresentada pela empresa sob o título de ‘OUTROS CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA – APROPRIAÇÃO INTEGRAL DOS CRÉDITOS’ (fls. 3.392/3.521)”. O motivo da glosa foi a falta de previsão legal. Relativamente às comissões de corretagem, adoto o precedente desta Turma, nos autos do processo nº 16366.000228/200937 (acórdão nº 3802001.418, de 25/10/2012), da relatoria do i. conselheiro José Fernandes do Nascimento, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima, utilizada na fabricação de produtos destinados à Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 34 venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002. [...] Logo, deverá ser reconhecido o direito creditório calculado sobre os gastos com serviços de corretagem. Todavia, no que diz respeito aos pagamentos relativos a serviços de assessoria pagas a pessoas jurídicas, não há como admitir o desconto de créditos do PIS e da COFINS, por falta de previsão legal. Por fim, diante de tudo o que foi acima tratado, caracterizado está que o crédito tributário pleiteado carece, em sua mais significativa parte, dos requisitos mínimos necessários à homologação da compensação tributária. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Portanto, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A caracterização, pela fiscalização, do esquema de creditamento fraudulento acima referenciado descarta o reconhecimento de direito creditório reclamado pelo sujeito passivo, à exceção apenas da pequena parcela reconhecida do crédito sobre aos gastos com serviços de corretagem, como demonstrado. Da conclusão Por todo o exposto, voto para rejeitar as preliminares e prejudiciais aduzidas pelo sujeito passivo, indeferir os pedidos de diligência e de perícia formalizados e, no mérito, para dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório unicamente em relação aos gastos com serviços de corretagem. Sala de Sessões, em 22 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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