Busca Facetada
Turma- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Segunda Turma Extraordiná (10,565)
- Primeira Turma Extraordin (8,592)
- Terceira Turma Extraordin (7,052)
- Segunda Turma Ordinária d (3,839)
- Terceira Turma Especial d (3,734)
- Primeira Turma Especial d (3,515)
- Segunda Turma Ordinária d (3,459)
- Primeira Turma Ordinária (3,107)
- Terceira Turma Ordinária (2,929)
- Segunda Turma Especial da (2,895)
- Quarta Câmara (30,320)
- Segunda Câmara (24,709)
- Terceira Câmara (15,238)
- Primeira Câmara (6,566)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Outros imposto e contrib (2,855)
- IRPF- auto de infração el (1,839)
- Outras penalidades (ex.MU (724)
- CPSS - Contribuições para (507)
- IRPF- ação fiscal - outro (390)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (387)
- IRPF- ação fiscal - omis. (340)
- ITR - ação fiscal - outro (216)
- ITR - notific./auto de in (171)
- IRPF- restituição - rendi (163)
- IRPF- auto infração - mul (142)
- IRPF- ação fiscal - Ac.Pa (136)
- ITR - notific./auto de in (91)
- ITR - ação fiscal (AF) - (89)
- Outros proc. que não vers (74)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- WILDERSON BOTTO (2,609)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,471)
- CARLOS ALBERTO DO AMARAL (2,039)
- RONNIE SOARES ANDERSON (1,921)
- THIAGO DUCA AMONI (1,918)
- MIRIAM DENISE XAVIER (1,822)
- RAIMUNDO CASSIO GONCALVES (1,785)
- THIAGO BUSCHINELLI SORREN (1,533)
- RICARDO CHIAVEGATTO DE LI (1,525)
- MARCELO ROCHA PAURA (1,290)
- GREGORIO RECHMANN JUNIOR (1,209)
- FERNANDA MELO LEAL (1,208)
- KLEBER FERREIRA DE ARAUJO (1,147)
- RONALDO DE LIMA MACEDO (1,114)
- 2020 (18,054)
- 2021 (9,913)
- 2023 (9,298)
- 2012 (8,637)
- 2019 (8,201)
- 2011 (7,622)
- 2014 (6,690)
- 2024 (6,246)
- 2013 (6,226)
- 2025 (5,575)
- 2018 (5,265)
- 2010 (4,255)
- 2022 (4,155)
- 2017 (3,360)
- 2016 (3,173)
- 2020 (17,444)
- 2023 (10,850)
- 2021 (10,346)
- 2019 (7,769)
- 2014 (6,993)
- 2024 (6,373)
- 2011 (5,464)
- 2025 (5,450)
- 2013 (4,856)
- 2018 (4,742)
- 2016 (3,545)
- 2022 (3,174)
- 2017 (3,152)
- 2010 (3,142)
- 2026 (3,137)
- os (113,156)
- de (112,983)
- por (112,979)
- membros (112,703)
- do (112,081)
- votos (108,770)
- colegiado (106,502)
- acordam (106,307)
- recurso (103,068)
- unanimidade (101,616)
- e (98,979)
- provimento (95,704)
- julgamento (94,350)
- presidente (91,916)
- participaram (91,633)
Numero do processo: 19515.004958/2003-59
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator
Em 29/12/2003, o contribuinte foi notificado de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente de duas infrações: a) falta de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável (mercado à vista) nos meses de janeiro a abril de 1998 (fls. 365); e b) omissão de rendimentos, no ano-calendário 1998, caracterizada por valores creditados em contas correntes, em relação às quais o contribuinte foi intimado, porém não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recurso utilizados (art. 42 da Lei 9.430/1996).
A fiscalização foi provocada pela verificação de que a movimentação financeira do contribuinte (base CPMF) era incompatível como a entrega de declaração de isento por parte do contribuinte.
Intimado para apresentar extratos de movimentação financeira, o contribuinte apresentou diversas Notas de Corretagem emitidas pela Corretora Solidez.
A fiscalização utilizou-se de Requisição de Informação Financeira RMF (fls. 180).
Documento apresentado pelo Bradesco (fls. 182) indica que a conta 49.759-2, na agência 119-8 era uma conta conjunta, fazendo menção de que os dados cadastrais do co-titular não estavam sendo fornecidos à Receita Federal por não constar processo-administrativo instaurado contra o co-titular.
As conta 8.511.392-5 5 (Volume II) e 272.308-5 (Volumes II e Volume III) e 8.608.973-4 (Volume III) são contas individuais.
O demonstrativo dos depósitos inferiores a R$12.000,00 indicam que a soma anual desses alcançou cifra superior a R$80.000,00 (fls. 214/220).
O contribuinte foi intimado do referido demonstrativo, bem como para comprovar origem dos valores depositado e também documentos que comprovem a aquisição das ações com data, quantidade e custo de aquisição que justificassem os saldos em carteira em 31/12/1997, com a informação de que a falta de comprovação implicaria considerar o custo de aquisição igual a zero (fls. 221).
A partir da fl. 223 foram juntados Avisos de Negociação de Ações ANA emitidos pela Bovespa.
O demonstrativo dos valores de depósitos justificados e não justificados foi juntado a partir das fls. 332. A consolidação desses valores está nas fls. 339.
A partir das fls. 340 estão as planilhas elaboradas pela fiscalização referente à apuração do resultados das operações com renda variável.
O Termo de Verificação Fiscal (fls. 359) resume o procedimento de fiscalização.
Os argumentos impugnatórios foram reiterados com a peça recursal e serão adiante resumido.
A impugnação foi indeferida pelos seguintes fundamentos, em resumo:
a) a decadência conta-se na forma do inciso I do art. 173 do CTN, com termo inicial em 01/01/1999 em relação à renda variável e 01/01/2000 quanto aos depósitos de origem não comprovada;
b) a aplicação retroativa da Lei 10.174/2001 encontra respaldo no §1º do art. 144 do CTN;
c) a alegação de que diversos depósitos teriam como origem as transferências pela Corretora Solidez, tendo em vista saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do impugnante, conforme documentos, às fls. 396/398, é improcedente, pois se constata que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer formalidade que lhes garantam validade como prova hábil para comprovar os fatos neles constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira Base CPMF, às fls. 17;
d) quanto às alegações de que os depósitos de nos valores de R$ 1.200,00 efetuados em 28/07/1998, 13/08/1998, 25/08/1998, 26/08/1998 e 31/08/1998, teriam como origem a transferência procedida da conta poupança vinculada à conta corrente, conforme documentos, às fls. 399/400, o acórdão recorrido decidiu pela exclusão desses valores do lançamento (fls. 415)
e) o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.308-5, agência 0097-3, em 28/07/1998, foi reconhecido como duplicado e sua exclusão também foi determinada pela DRJ (fls. 415)
f) a contestação acerca do custo de aquisição com base na existência de estoque de ações em dezembro de 10997 foi rejeitada porque os valores não devem ser computados uma vez que não constaram da declaração de bens do ano-calendário 1997, conforme extrato de fls. 18.
Ciência da decisão em 27/06/2008. Recurso voluntário interposto em 24/07/2008.
Em resumo, a peça recursal ampara-se nas seguintes alegações:
1. vedação à aplicação retroativa da permissão dada pela Lei nº 10.174/2001 para os fato ocorrido em 1998, por força do art. 105 do CTN e da restrição imposta pelo art. 11 da Lei 9.311/1996, tal como reconhecido no acórdão 104-19498, deste Conselho;
2. decadência em relação ao fato ocorrido até 25/12/1998, nos termos do §4º do art. 150 do CTN c/c inciso II do art. 4º da Lei 8.134/1990, este último dispositivo ao tratar do recolhimento mensal nas operações de renda variável, uma vez que a notificação do lançamento ocorreu em 26/12/2003, tal como no acórdão 101-93392;
3. No mérito, os documentos anexos e ignorados pelo órgão julgador de primeira instância comprovam as origens dos depósitos a seguir discriminados:
3.1. Conta Corrente n° 0119/49.759-2 20/01/1998 R$20.000,00; 26/01/1998 R$3.184,89; e 02/02/1998 R$30.000,00 - transferências procedidas pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
3.2. Conta Corrente n° 0097/8.608.973-4 01/06/1998 R$ 777,03- transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
3.3. Conta Corrente n° 0097/272.308-5 05/06/1998 R$ 20.365,12 - transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
22/06/1998 R$ 21.845,36 - transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
28/07/1998 R$ 1.200,00 - transferência procedida da conta-poupança vinculada à conta-corrente 28/07/1998 R$ 1.200,00 lançamento inexistente 13/08/1998 R$ 1.200,00; 25/08/1998 R$ 1.200,00; 26/08/1998 R$ 1.200,00; 31/08/1998 R$ 1.200,00 - transferências procedidas da conta-poupança vinculada à conta-corrente 4. o cálculo do valor do imposto devido em relação às operações com renda variável não levou em consideração o estoque de ações existentes em dezembro de 1997: Eletrobrás PNB (50.000); Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000);
5. o custo médio ponderado poderá ser obtido pelos documentos anexos À impugnação que refletem a oscilação das cotações das referidas ações àquela época; e 6. a impropriedade da planilha elaborada pela autoridade fiscal é flagrante, um exemplo de a adoção do custo de aquisição zero no demonstrativo de venda de 3.400 ações da Gerasul PNB.
Relatado, passa a deliberar.
O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele deve-se tomar conhecimento.
Das preliminares Rejeito a alegação de que não seria lícita a aplicação retroativa da lei 10.174/2001, com fundamento na Súmula CARF nº 35:
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
Da decadência A preliminar de mérito também deve ser rejeitada.
Não há qualquer indicativo de antecipação de pagamento pelo contribuinte, o qual entregou declaração de isento para o ano-calendário da autuação.
A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733 SC. Aplica-se a norma do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).
Nestes autos verifica-se que o fato gerador mais antigo em relação ao Imposto sobre Renda Variável ocorreu em janeiro de 1998, ao passo que aquele incidente sobre os depósitos de origem não comprovada, em 31 de dezembro de 1998, este último reconhecido no enunciado da Súmula CARF nº 38:
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste Anual, acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN.
Desta forma, o acórdão recorrido está correto ao considerar que o temo inicial é 01/01/1999 para a incidência sobre os ganhos em renda variável e 01/01/2000 para a tributação dos depósitos de origem não comprovada.
Assim, o lançamento regularmente notificado até 31/12/2003 respeitou o prazo decadencial de todas as incidências.
A decisão acerca do mérito envolve duas questões a exatidão do cálculo do imposto incidente sobre ganho em aplicações de renda variável e comprovação da origem de depósitos para afastar a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada.
Como já se manifestou esta Turma de Julgamento, por meio de resoluções aprovadas por unanimidade nas sessões de julgamento a partir de julho de 2012, a medida cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, tal como exemplificado pelas transcrições abaixo.
DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura - CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica-se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique-se. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe-035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) (grifos acrescidos)
DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA SIGILO - DADOS BANCÁRIOS FISCO AFASTAMENTO ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe-213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) (grifo acrescido)
REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute-se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verifica-se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS IMPOSTO DE RENDA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 APLICAÇÃO IMEDIATA RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064-AgR-AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626-AgR-AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473-ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543-B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique-se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe-158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011)
DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes - será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe-se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publique-se. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator(RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe-100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos)
A apreciação das duas questões que constituem o mérito deste recurso voluntário deve ser feita em um mesmo momento.
Proponho o sobrestamento do julgamento, nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004958/2003-59
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354590
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-000.141
nome_arquivo_s : Decisao_19515004958200359.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 19515004958200359_5354590.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5497401
ano_sessao_s : 2013
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Em 29/12/2003, o contribuinte foi notificado de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente de duas infrações: a) falta de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável (mercado à vista) nos meses de janeiro a abril de 1998 (fls. 365); e b) omissão de rendimentos, no ano-calendário 1998, caracterizada por valores creditados em contas correntes, em relação às quais o contribuinte foi intimado, porém não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recurso utilizados (art. 42 da Lei 9.430/1996). A fiscalização foi provocada pela verificação de que a movimentação financeira do contribuinte (base CPMF) era incompatível como a entrega de declaração de isento por parte do contribuinte. Intimado para apresentar extratos de movimentação financeira, o contribuinte apresentou diversas Notas de Corretagem emitidas pela Corretora Solidez. A fiscalização utilizou-se de Requisição de Informação Financeira RMF (fls. 180). Documento apresentado pelo Bradesco (fls. 182) indica que a conta 49.759-2, na agência 119-8 era uma conta conjunta, fazendo menção de que os dados cadastrais do co-titular não estavam sendo fornecidos à Receita Federal por não constar processo-administrativo instaurado contra o co-titular. As conta 8.511.392-5 5 (Volume II) e 272.308-5 (Volumes II e Volume III) e 8.608.973-4 (Volume III) são contas individuais. O demonstrativo dos depósitos inferiores a R$12.000,00 indicam que a soma anual desses alcançou cifra superior a R$80.000,00 (fls. 214/220). O contribuinte foi intimado do referido demonstrativo, bem como para comprovar origem dos valores depositado e também documentos que comprovem a aquisição das ações com data, quantidade e custo de aquisição que justificassem os saldos em carteira em 31/12/1997, com a informação de que a falta de comprovação implicaria considerar o custo de aquisição igual a zero (fls. 221). A partir da fl. 223 foram juntados Avisos de Negociação de Ações ANA emitidos pela Bovespa. O demonstrativo dos valores de depósitos justificados e não justificados foi juntado a partir das fls. 332. A consolidação desses valores está nas fls. 339. A partir das fls. 340 estão as planilhas elaboradas pela fiscalização referente à apuração do resultados das operações com renda variável. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 359) resume o procedimento de fiscalização. Os argumentos impugnatórios foram reiterados com a peça recursal e serão adiante resumido. A impugnação foi indeferida pelos seguintes fundamentos, em resumo: a) a decadência conta-se na forma do inciso I do art. 173 do CTN, com termo inicial em 01/01/1999 em relação à renda variável e 01/01/2000 quanto aos depósitos de origem não comprovada; b) a aplicação retroativa da Lei 10.174/2001 encontra respaldo no §1º do art. 144 do CTN; c) a alegação de que diversos depósitos teriam como origem as transferências pela Corretora Solidez, tendo em vista saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do impugnante, conforme documentos, às fls. 396/398, é improcedente, pois se constata que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer formalidade que lhes garantam validade como prova hábil para comprovar os fatos neles constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira Base CPMF, às fls. 17; d) quanto às alegações de que os depósitos de nos valores de R$ 1.200,00 efetuados em 28/07/1998, 13/08/1998, 25/08/1998, 26/08/1998 e 31/08/1998, teriam como origem a transferência procedida da conta poupança vinculada à conta corrente, conforme documentos, às fls. 399/400, o acórdão recorrido decidiu pela exclusão desses valores do lançamento (fls. 415) e) o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.308-5, agência 0097-3, em 28/07/1998, foi reconhecido como duplicado e sua exclusão também foi determinada pela DRJ (fls. 415) f) a contestação acerca do custo de aquisição com base na existência de estoque de ações em dezembro de 10997 foi rejeitada porque os valores não devem ser computados uma vez que não constaram da declaração de bens do ano-calendário 1997, conforme extrato de fls. 18. Ciência da decisão em 27/06/2008. Recurso voluntário interposto em 24/07/2008. Em resumo, a peça recursal ampara-se nas seguintes alegações: 1. vedação à aplicação retroativa da permissão dada pela Lei nº 10.174/2001 para os fato ocorrido em 1998, por força do art. 105 do CTN e da restrição imposta pelo art. 11 da Lei 9.311/1996, tal como reconhecido no acórdão 104-19498, deste Conselho; 2. decadência em relação ao fato ocorrido até 25/12/1998, nos termos do §4º do art. 150 do CTN c/c inciso II do art. 4º da Lei 8.134/1990, este último dispositivo ao tratar do recolhimento mensal nas operações de renda variável, uma vez que a notificação do lançamento ocorreu em 26/12/2003, tal como no acórdão 101-93392; 3. No mérito, os documentos anexos e ignorados pelo órgão julgador de primeira instância comprovam as origens dos depósitos a seguir discriminados: 3.1. Conta Corrente n° 0119/49.759-2 20/01/1998 R$20.000,00; 26/01/1998 R$3.184,89; e 02/02/1998 R$30.000,00 - transferências procedidas pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente; 3.2. Conta Corrente n° 0097/8.608.973-4 01/06/1998 R$ 777,03- transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente; 3.3. Conta Corrente n° 0097/272.308-5 05/06/1998 R$ 20.365,12 - transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente; 22/06/1998 R$ 21.845,36 - transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente; 28/07/1998 R$ 1.200,00 - transferência procedida da conta-poupança vinculada à conta-corrente 28/07/1998 R$ 1.200,00 lançamento inexistente 13/08/1998 R$ 1.200,00; 25/08/1998 R$ 1.200,00; 26/08/1998 R$ 1.200,00; 31/08/1998 R$ 1.200,00 - transferências procedidas da conta-poupança vinculada à conta-corrente 4. o cálculo do valor do imposto devido em relação às operações com renda variável não levou em consideração o estoque de ações existentes em dezembro de 1997: Eletrobrás PNB (50.000); Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000); 5. o custo médio ponderado poderá ser obtido pelos documentos anexos À impugnação que refletem a oscilação das cotações das referidas ações àquela época; e 6. a impropriedade da planilha elaborada pela autoridade fiscal é flagrante, um exemplo de a adoção do custo de aquisição zero no demonstrativo de venda de 3.400 ações da Gerasul PNB. Relatado, passa a deliberar. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele deve-se tomar conhecimento. Das preliminares Rejeito a alegação de que não seria lícita a aplicação retroativa da lei 10.174/2001, com fundamento na Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Da decadência A preliminar de mérito também deve ser rejeitada. Não há qualquer indicativo de antecipação de pagamento pelo contribuinte, o qual entregou declaração de isento para o ano-calendário da autuação. A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733 SC. Aplica-se a norma do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Nestes autos verifica-se que o fato gerador mais antigo em relação ao Imposto sobre Renda Variável ocorreu em janeiro de 1998, ao passo que aquele incidente sobre os depósitos de origem não comprovada, em 31 de dezembro de 1998, este último reconhecido no enunciado da Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste Anual, acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN. Desta forma, o acórdão recorrido está correto ao considerar que o temo inicial é 01/01/1999 para a incidência sobre os ganhos em renda variável e 01/01/2000 para a tributação dos depósitos de origem não comprovada. Assim, o lançamento regularmente notificado até 31/12/2003 respeitou o prazo decadencial de todas as incidências. A decisão acerca do mérito envolve duas questões a exatidão do cálculo do imposto incidente sobre ganho em aplicações de renda variável e comprovação da origem de depósitos para afastar a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada. Como já se manifestou esta Turma de Julgamento, por meio de resoluções aprovadas por unanimidade nas sessões de julgamento a partir de julho de 2012, a medida cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, tal como exemplificado pelas transcrições abaixo. DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura - CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica-se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique-se. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe-035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) (grifos acrescidos) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA SIGILO - DADOS BANCÁRIOS FISCO AFASTAMENTO ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe-213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) (grifo acrescido) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute-se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verifica-se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS IMPOSTO DE RENDA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 APLICAÇÃO IMEDIATA RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064-AgR-AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626-AgR-AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473-ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543-B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique-se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe-158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes - será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe-se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publique-se. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator(RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe-100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos) A apreciação das duas questões que constituem o mérito deste recurso voluntário deve ser feita em um mesmo momento. Proponho o sobrestamento do julgamento, nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046809513820160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 435 1 434 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004958/200359 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.141 – 2ª Turma Especial Data 14 de maio de 2013 Assunto IRPF Recorrente HONG WAH MO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Em 29/12/2003, o contribuinte foi notificado de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente de duas infrações: a) falta de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável (mercado à vista) nos meses de janeiro a abril de 1998 (fls. 365); e b) omissão de rendimentos, no anocalendário 1998, caracterizada por valores creditados em contas correntes, em relação às quais o contribuinte foi intimado, porém não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recurso utilizados (art. 42 da Lei 9.430/1996). A fiscalização foi provocada pela verificação de que a movimentação financeira do contribuinte (base CPMF) era incompatível como a entrega de declaração de isento por parte do contribuinte. Intimado para apresentar extratos de movimentação financeira, o contribuinte apresentou diversas Notas de Corretagem emitidas pela Corretora Solidez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 95 8/ 20 03 -5 9 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Resolução nº 2802000.141 S2TE02 Fl. 436 2 A fiscalização utilizouse de Requisição de Informação Financeira – RMF (fls. 180). Documento apresentado pelo Bradesco (fls. 182) indica que a conta 49.7592, na agência 1198 era uma conta conjunta, fazendo menção de que os dados cadastrais do cotitular não estavam sendo fornecidos à Receita Federal por não constar processoadministrativo instaurado contra o cotitular. As conta 8.511.3925 5 (Volume II) e 272.3085 (Volumes II e Volume III) e 8.608.9734 (Volume III) são contas individuais. O demonstrativo dos depósitos inferiores a R$12.000,00 indicam que a soma anual desses alcançou cifra superior a R$80.000,00 (fls. 214/220). O contribuinte foi intimado do referido demonstrativo, bem como para comprovar origem dos valores depositado e também documentos que comprovem a aquisição das ações com data, quantidade e custo de aquisição que justificassem os saldos em carteira em 31/12/1997, com a informação de que a falta de comprovação implicaria considerar o custo de aquisição igual a zero (fls. 221). A partir da fl. 223 foram juntados Avisos de Negociação de Ações – ANA emitidos pela Bovespa. O demonstrativo dos valores de depósitos justificados e não justificados foi juntado a partir das fls. 332. A consolidação desses valores está nas fls. 339. A partir das fls. 340 estão as planilhas elaboradas pela fiscalização referente à apuração do resultados das operações com renda variável. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 359) resume o procedimento de fiscalização. Os argumentos impugnatórios foram reiterados com a peça recursal e serão adiante resumido. A impugnação foi indeferida pelos seguintes fundamentos, em resumo: a) a decadência contase na forma do inciso I do art. 173 do CTN, com termo inicial em 01/01/1999 em relação à renda variável e 01/01/2000 quanto aos depósitos de origem não comprovada; b) a aplicação retroativa da Lei 10.174/2001 encontra respaldo no §1º do art. 144 do CTN; c) a alegação de que diversos depósitos teriam como origem as transferências pela Corretora Solidez, tendo em vista saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do impugnante, conforme documentos, às fls. 396/398, é improcedente, pois se constata que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer formalidade que lhes garantam validade como prova hábil para comprovar os fatos neles constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Resolução nº 2802000.141 S2TE02 Fl. 437 3 Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira — Base CPMF, às fls. 17; d) quanto às alegações de que os depósitos de nos valores de R$ 1.200,00 efetuados em 28/07/1998, 13/08/1998, 25/08/1998, 26/08/1998 e 31/08/1998, teriam como origem a transferência procedida da conta poupança vinculada à conta corrente, conforme documentos, às fls. 399/400, o acórdão recorrido decidiu pela exclusão desses valores do lançamento (fls. 415) e) o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.3085, agência 00973, em 28/07/1998, foi reconhecido como duplicado e sua exclusão também foi determinada pela DRJ (fls. 415) f) a contestação acerca do custo de aquisição com base na existência de estoque de ações em dezembro de 10997 foi rejeitada porque os valores não devem ser computados uma vez que não constaram da declaração de bens do anocalendário 1997, conforme extrato de fls. 18. Ciência da decisão em 27/06/2008. Recurso voluntário interposto em 24/07/2008. Em resumo, a peça recursal amparase nas seguintes alegações: 1. vedação à aplicação retroativa da permissão dada pela Lei nº 10.174/2001 para os fato ocorrido em 1998, por força do art. 105 do CTN e da restrição imposta pelo art. 11 da Lei 9.311/1996, tal como reconhecido no acórdão 10419498, deste Conselho; 2. decadência em relação ao fato ocorrido até 25/12/1998, nos termos do §4º do art. 150 do CTN c/c inciso II do art. 4º da Lei 8.134/1990, este último dispositivo ao tratar do recolhimento mensal nas operações de renda variável, uma vez que a notificação do lançamento ocorreu em 26/12/2003, tal como no acórdão 10193392; 3. No mérito, os documentos anexos e ignorados pelo órgão julgador de primeira instância comprovam as origens dos depósitos a seguir discriminados: 3.1. Conta Corrente — n° 0119/49.7592 20/01/1998 – R$20.000,00; 26/01/1998 – R$3.184,89; e 02/02/1998 – R$30.000,00 transferências procedidas pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em contacorrente interna de titularidade do recorrente; 3.2. Conta Corrente — n° 0097/8.608.9734 01/06/1998 — R$ 777,03 transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do recorrente; 3.3. Conta Corrente — n° 0097/272.3085 05/06/1998 — R$ 20.365,12 transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do recorrente; 22/06/1998 — R$ 21.845,36 transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em contacorrente interna de titularidade do recorrente; Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Resolução nº 2802000.141 S2TE02 Fl. 438 4 28/07/1998 — R$ 1.200,00 transferência procedida da contapoupança vinculada à contacorrente 28/07/1998 — R$ 1.200,00 — lançamento inexistente 13/08/1998 — R$ 1.200,00; 25/08/1998 — R$ 1.200,00; 26/08/1998 — R$ 1.200,00; 31/08/1998 — R$ 1.200,00 transferências procedidas da contapoupança vinculada à contacorrente 4. o cálculo do valor do imposto devido em relação às operações com renda variável não levou em consideração o estoque de ações existentes em dezembro de 1997: Eletrobrás PNB (50.000); Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000); 5. o custo médio ponderado poderá ser obtido pelos documentos anexos À impugnação que refletem a oscilação das cotações das referidas ações àquela época; e 6. a impropriedade da planilha elaborada pela autoridade fiscal é flagrante, um exemplo de a adoção do custo de aquisição zero no demonstrativo de venda de 3.400 ações da Gerasul PNB. Relatado, passa a deliberar. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Das preliminares Rejeito a alegação de que não seria lícita a aplicação retroativa da lei 10.174/2001, com fundamento na Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Da decadência A preliminar de mérito também deve ser rejeitada. Não há qualquer indicativo de antecipação de pagamento pelo contribuinte, o qual entregou declaração de isento para o anocalendário da autuação. A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733 – SC. Aplicase a norma do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Nestes autos verificase que o fato gerador mais antigo em relação ao Imposto sobre Renda Variável ocorreu em janeiro de 1998, ao passo que aquele incidente sobre os depósitos de origem não comprovada, em 31 de dezembro de 1998, este último reconhecido no enunciado da Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste Anual, acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Resolução nº 2802000.141 S2TE02 Fl. 439 5 Desta forma, o acórdão recorrido está correto ao considerar que o temo inicial é 01/01/1999 para a incidência sobre os ganhos em renda variável e 01/01/2000 para a tributação dos depósitos de origem não comprovada. Assim, o lançamento regularmente notificado até 31/12/2003 respeitou o prazo decadencial de todas as incidências. A decisão acerca do mérito envolve duas questões a exatidão do cálculo do imposto incidente sobre ganho em aplicações de renda variável e comprovação da origem de depósitos para afastar a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada. Como já se manifestou esta Turma de Julgamento, por meio de resoluções aprovadas por unanimidade nas sessões de julgamento a partir de julho de 2012, a medida cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, tal como exemplificado pelas transcrições abaixo. DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) (grifos acrescidos) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, Fl. 447DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Resolução nº 2802000.141 S2TE02 Fl. 440 6 publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) (grifo acrescido) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, Fl. 448DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Resolução nº 2802000.141 S2TE02 Fl. 441 7 informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator(RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos) A apreciação das duas questões que constituem o mérito deste recurso voluntário deve ser feita em um mesmo momento. Proponho o sobrestamento do julgamento, nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 449DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720399/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERADOS - NÃO CONFIGURADO
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, é necessária que a prestação dos serviços pelas cooperativas à autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
Não restou comprovado a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, já que a autuada não celebrou contrato de prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo de passageiros.
Numero da decisão: 2301-003.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERADOS - NÃO CONFIGURADO Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, é necessária que a prestação dos serviços pelas cooperativas à autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Não restou comprovado a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, já que a autuada não celebrou contrato de prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo de passageiros.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19311.720399/2011-24
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357786
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.986
nome_arquivo_s : Decisao_19311720399201124.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 19311720399201124_5357786.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5512038
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046809537937408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 762 1 761 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720399/201124 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 2301003.986 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria COOPERATIVA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICÍPIO DE SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERADOS NÃO CONFIGURADO Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, é necessária que a prestação dos serviços pelas cooperativas à autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Não restou comprovado a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, já que a autuada não celebrou contrato de prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo de passageiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 99 /2 01 1- 24 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720399/201124 Acórdão n.º 2301003.986 S2C3T1 Fl. 763 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à 15% sobre o valor dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho Conforme Relatório Fiscal, a autuada foi contratante de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, e deixou de recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 22 da Lei 8.212/91, em seu inciso IV, incluído pela Lei 9.876/99. Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços de cooperativa, deve recolher 15% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema local da ÁREA 1, no município de São Paulo, prestado pelo CONSÓRCIO TRANCOOPER FÊNIX. A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do transporte público da cidade de São Paulo e discorre sobre a criação do Consórcio Transcooper, com o qual foi firmado Termo de Permissão Para Prestação do Serviço de Operação de Transporte Coletivo de Passageiros, na Área 01 do Subsistema Local, no Município de São Paulo. Informa que a gestão financeira das receitas e despesas do Serviço de Transporte Coletivo Público permanece a cargo da São Paulo Transportes S/A e que a SPTrans é responsável pelo pagamento das remunerações das cooperativas que operam no sistema de transporte coletivo, conforme estabelecido nos instrumentos de outorga das permissões (“contratos de adesão”). Discorre sobre a forma de remuneração das cooperativas, e conclui que, como contratante de cooperativas de trabalho para prestação de serviços, a autuada enquadrase na condição de sujeito passivo da contribuição previdenciária prevista no art.22, inciso IV, da Lei 8.212/91, a partir de março de 2000, em razão da alteração promovida pela Lei 9.876/99. O agente autuante demonstra, a seguir, o cálculo utilizado para apuração do crédito previdenciário, esclarecendo que a base de cálculo foi aferida indiretamente, uma vez que não houve previsão contratual dos valores correspondentes aos materiais ou equipamentos utilizados, observando que, após 02/2007, além dos juros, foi cobrada multa de mora, conforme previsto no art. 259, §4o, da IN SRP 971/09. Esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, ou seja, aplicouse a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, nas competências de 04/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, que não há que se falar em ausência de recolhimento de contribuição previdenciária, por falta de previsão legal. Sustenta que a contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/91 é sobre o valor pago pelo tomador quanto aos serviços que lhe são prestados por cooperado por intermédio de cooperativa de trabalho, e que, no caso em tela, a contratação da cooperativa teve como intuito a prestação de serviço público de transporte à população por meio de permissionários, os quais recebem, como contrapartida, as tarifas pagas pelos usuários. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05039.639, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 714), julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário e recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. Entenderam os julgadores de primeira instância que a prestação dos serviços noticiados nos autos, pelo Consórcio Transcooper Fênix, não constitui fato gerador da contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91. Cientificada da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada não se manifestou. É o relatório. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720399/201124 Acórdão n.º 2301003.986 S2C3T1 Fl. 764 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 6a Turma da DRJ/CPS recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente as impugnações apresentadas e que exonerou o débito lançado contra o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que não houve fato gerador da contribuição de que trata o inciso IV, ar. 22, da Lei 8.212/91. Já a fiscalização entende que o serviço de transporte coletivo público de passageiros do Município de São Paulo foi prestado à autuada por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. Impõe, portanto, verificar a modalidade com que os serviços públicos de transporte de passageiros do município foram prestados. A fiscalização alega que o Município tomou serviços dos cooperados das cooperativas que integram o CONSÓRCIO TRANCOOPER FÊNIX e, nessa condição, deveria recolher 15% sobre o valor da prestação dos serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema local da ÁREA 1. A autuada se defende do débito argumentando que a contratação da cooperativa teve como intuito a prestação de serviço público de transporte à população por meio de permissionários, os quais recebem, como contrapartida, as tarifas pagas pelos usuários. É fato que a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. Contudo, há que se distinguir terceirização na Administração Pública, das chamadas concessões e permissões de serviços públicos. A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com o setor privado para a realização de suas atividades. Tudo aquilo que não é objetivo institucional do órgão público pode ser transferido para terceiros. A Lei nº 8.666/93 define “serviços” como a atividade destinada a obter determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II). Portanto, o serviço objeto de terceirização é uma tarefa prestada pelo particular (contratado), imediatamente à Administração, para apoio ao exercício de suas atribuições. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ou seja, o Órgão Público contrata uma cooperativa ou empresa para prestar serviços de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas repartições, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividadesmeio. O objetivo da terceirização restringese ao repasse a empresas privadas ou cooperativas de trabalho especializadas em determinadas atividadesmeio ou atividades executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da Administração Pública, a fim de que o ente ou órgão público possa se empenhar nas suas competências finalísticas dispostas em lei. Já as atividades fins são voltadas diretamente aos administrados, e sua prestação é obrigatória pelo Estado, que o fará como serviço público, sob regime de direito público. Constatase que, cada vez mais, prestações de serviços públicos vêm sendo repassadas para a iniciativa privada, por meio dos institutos da concessão e da permissão, formas de descentralização de serviços por colaboração. Da mesma forma, a Administração vem enxugando seus quadros e dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por meio da terceirização. No entanto, a diferença é que, na terceirização, a Administração Pública apenas transfere a execução material de determinadas atividades, ao passo que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. O art. 175 da CF/88, estabelece que Art. 175 "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos". Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um serviço público; não uma determinada atividade ligada ao serviço público, mas todo o complexo de atividades indispensáveis à realização de um específico serviço público, envolvendo a gestão e a execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por objeto determinada atividade que não é atribuída ao Estado como serviço público e que ele exerce apenas em caráter acessório ou complementar da atividadefim, que é o serviço público." Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples contratos de prestação de serviço, o prestador do serviço é simples executor material para o Poder Público contratante. Daí que não lhe são transferidos poderes públicos. Persiste sempre o Poder Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável direto pelos serviços. O usuário não entretém relação jurídica alguma com o contratadoexecutor material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por isto, quem cobra pelo serviço prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, mas pelo valor avençado com o contratante governamental. Em suma: o serviço continua a ser prestado diretamente pela entidade pública a que está afeto, a qual apenas se serve de um agente material. Já na concessão, tal como se passa igualmente na permissão – e em contraste com o que ocorre nos meros contratos administrativos de prestação de serviços, ainda que públicos –, o concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a Fl. 768DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720399/201124 Acórdão n.º 2301003.986 S2C3T1 Fl. 765 7 qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o Poder Público e a coletividade. A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. Na Terceirização não há a transferência da gestão do Serviço Público ao Privado. É só uma modalidade de execução. No caso dos presentes autos, verificase que o Município firmou um contrato de Permissão de um serviço público, o de transporte coletivo. Constatase que a Administração não teve ônus algum, já que não arcou com o custo de tais serviços. Da análise dos contratos firmados entre a Prefeitura do Município de São Paulo e o Consórcio Um, constatase que não houve contratação de cooperativa para prestação de serviços à Prefeitura, mas sim uma permissão de execução do serviço de transporte coletivo de passageiros. Verificase que o Consórcio Um assumiu a prestação de serviços públicos como um todo, diretamente ao usuário. E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve prestação de serviços pelas cooperativas à Prefeitura. Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, é necessária que a prestação dos serviços pelas cooperativas à autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Assim entendo que a fiscalização não demonstrou que o serviço público de transporte de passageiros prestado pelo Consórcio Um se enquadra na situação prevista no inciso IV, art. 22, da Lei 8.212/91. A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142: E, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos necessários para configuração da prestação de serviços foram cumpridos, ou seja, que o serviço prestado se enquadra no conceito legal de fato gerador da contribuição previdenciária. No caso em estudo, verificase que houve transferência da execução e exploração de um serviço público, e são as cooperativas concessionárias que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. Não restou comprovado que a autuada tomou serviço das cooperativas contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não à Prefeitura Municipal. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 O contrato apresentado demonstra que houve, sim, um deslocamento do serviço público da Administração Pública para o Consórcio Transcooper Fênix, que ficou incumbido do desempenho das atividades materiais. Portanto, reiterase, o serviço não foi prestado à Prefeitura Municipal de São Paulo, que celebrou o contrato de permissão com as cooperativas, mas sim ao usuário do transporte público urbano do município. Dessa forma, entendo que não restou configurada a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária nos moldes do art. 22, IV, da Lei de Custeio da Previdência Social, já que a autuada não celebrou com o Consórcio Transcooper contrato de prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo de passageiros. Conforme bem observado pelo relator do acórdão recorrido, a Orientação Normativa 01/2002PREF, que consta do contrato de permissão, e citado pela autoridade autuante, dispõe sobre as providências a serem adotadas pela Prefeitura do Município de São Paulo,relativamente à contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, mas apenas “nos casos de contratação de prestação de serviço a ser efetuada por intermédio de cooperativas de trabalho”. Não há, no referido normativo, evidências de que as disposições ali contidas sejam igualmente aplicáveis aos casos de permissão de serviço público a cooperativas. E, reiterase, o contrato firmado entre a autuada e o Consórcio Trancooper Fênix foi de permissão para execução de serviço público de transporte de passageiros, e não de contratação de cooperativa para prestação de serviço à Prefeitura. Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, assistindo razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 770DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19839.009052/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998
PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - RAIS
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Sendo constatado a ocorrência de fraude na escrituração contábil, afasta-se a aplicação da decadência consubstanciada no art. 150, , § 4º do CTN, aplicando-se a decadência de acordo com o disposto no art. 173, I do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Não cabe apreciação entre cumulattividade entre UFIR e SELIC se as competências remanescentes, após a aplicação da decadência qüinqüenal não vislumbram tal cumulatividade.
DIREITO AO ABATIMENTO DE REEMBOLSOS - NÃO COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VALORES NÃO DESCONTADOS
Tendo o auditor descrito no próprio relatório fiscal, o desconto de todos os recolhimentos, parcelamentos e reembolsos a que o recorrente tinha direito, não há o que ser apreciado, se simplesmente argumenta o recorrente sem apresentar nenhum erro efetivo da fiscalização.
Numero da decisão: 2401-003.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998 PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - RAIS O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Sendo constatado a ocorrência de fraude na escrituração contábil, afasta-se a aplicação da decadência consubstanciada no art. 150, , § 4º do CTN, aplicando-se a decadência de acordo com o disposto no art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Negado. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Não cabe apreciação entre cumulattividade entre UFIR e SELIC se as competências remanescentes, após a aplicação da decadência qüinqüenal não vislumbram tal cumulatividade. DIREITO AO ABATIMENTO DE REEMBOLSOS - NÃO COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VALORES NÃO DESCONTADOS Tendo o auditor descrito no próprio relatório fiscal, o desconto de todos os recolhimentos, parcelamentos e reembolsos a que o recorrente tinha direito, não há o que ser apreciado, se simplesmente argumenta o recorrente sem apresentar nenhum erro efetivo da fiscalização.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19839.009052/2011-88
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352445
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.415
nome_arquivo_s : Decisao_19839009052201188.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19839009052201188_5352445.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5484032
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046809833635840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19839.009052/201188 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.415 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente EMPRESA AUTO ÔNIBUS PENHA SÃO MIGUEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO VALORES APURADOS EM PROCEDIMENTO FISCAL COM APREENSÃO DE DOCUMENTOS CONSTATAÇÃO DE NÃO ESCRITURAÇÃO DA TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES LANÇAMENTO DAS DIFERENÇAS A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI de obrigação acessória e principal. Resta claro no relatório fiscal, que os valores apurados são fruto da apreensão de documentos, embasando o lançamento das diferenças encontradas. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Não cabe apreciação entre cumulattividade entre UFIR e SELIC se as competências remanescentes, após a aplicação da decadência qüinqüenal não vislumbram tal cumulatividade. DIREITO AO ABATIMENTO DE REEMBOLSOS NÃO COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VALORES NÃO DESCONTADOS Tendo o auditor descrito no próprio relatório fiscal, o desconto de todos os recolhimentos, parcelamentos e reembolsos a que o recorrente tinha direito, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 90 52 /2 01 1- 88 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 não há o que ser apreciado, se simplesmente argumenta o recorrente sem apresentar nenhum erro efetivo da fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998 PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES RAIS O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Sendo constatado a ocorrência de fraude na escrituração contábil, afastase a aplicação da decadência consubstanciada no art. 150, , § 4º do CTN, aplicandose a decadência de acordo com o disposto no art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob o n. 35.421.942, em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados. arrecadadas pela empresa, mediante desconto das remunerações de seus segurados, e deixaram de ser recolhidas à Previdência Social. O lançamento compreeende, no período de 01/1993 a 12/1998 Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 71, constituem fatos geradores do débito os valores totais das remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa aos seus segurados empregados em cada competência, apurados de acordo com as folhas de pagamento de empregados e seus respectivos resumos relativas ao período de 01/1993 à 12/1998 (inclusive 13.° salário). Os valores das contribuições dos segurados empregados arrecadadas pela empresa mediante desconto em folha de pagamento encontramse lançados nos levantamentos FPREMUNERAÇÃO EMPREGADOS/ADMIN, e F P 1 R E M U N E R A Ç Ã O EMPREGADOS do Discriminativo Analítico de Débito DAD. As contribuições recolhidas parcialmente pela empresa através de Guias de Recolhimento da Previdência S o c i a í GRPS e.Guias da Previdência Social GPS, bem como, os valores pagos pela empresa a título. de SalárioFamília. SalárioMaternidade e Auxílio Natalidade, foram deduzidos das contribuições apuradas, conforme demonstrado no DAD. Também foram deduzidas as contribuições declaradas, confessadas e parceladas pela empresa junto ao INSS através dos DEBCAD ns.°. 32.376.5777, 32.376.5785, 32.376.5793 e 35.070.6654, relativas ao período de 01/1994 à 12/1998 (inclusive 13.° salário). Todos esses valores foram obtidos j u n to ao Sistema Informatizado de Dados INSS/DATAPREV. Ainda de acordo com o referido relatório foi realizado procedimento fiscal, onde apurouse Dentre os documentos apreendidos, além das folhas de pagamento de empregados e seus respectivos resumos do período de 01/1993 à 12/1998, contemplando a totalidade das remunerações pagas pela empresa, havia também outros resumos de folhas de pagamento de empregados do mesmo período. Analisandose esses outros resumos, constatou se que eles registravam parcialmente as remunerações pagas pela empresa aos seus segurados empregados. Verificouse também, que esses outros resumos foram os mesmos1 apresentados à fiscalização durante o procedimento de revisão de auditoria fiscal encerrado em 27/05/2002 e que foram desconsiderados naquela oportunidade, pois, comparandose os valores das remunerações registradas nesses resumos, aos valores das remunerações aferidos com base nos depósitos lançados nos Extratos Empresa para Análise de Ocorrências do FGTS fornecidos pela CEF, aos valores das remunerações declarados na RAIS, e finalmente, aos valores das remunerações informados nas planilhas fornecidas pela São Paulo Transportes S.A SPTrans, ficou patente que esses resumos não contemplavam a totalidade das remunerações pagas pela empresa aos seus segurados empregados. Com relação à escrituração contábil apreendida, foi constatado que os Livros Diário n.°47 à 66, relativos ao período de 01/1993 à 12/1997, também registravam parcialmente as remunerações pagas aos segurados empregados da empresa constante das folhas de pagamento de empregados e de seus respectivos resumos. Esses registros parciais Fl. 516DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 também foram verificados nos Livros Razão dos anos de 1994, 1996 e 1997. No entanto, nos Livros Razão de 1993 e 1995 foi constatado o seguinte: Livros Razão de 1993 Nesse ano, a empresa elaborou Livros Diário e Razão contendo registros distintos. Nos Livros Razão foram verificados lançamentos contendo a totalidade das remunerações pagas aos segurados empregados da empresa. Porém, nos Livros Diário desse período, omitiuse parcialmente esses lançamentos. Exemplificando, na folha 110 do Livro Razão de 10/1993, existem dois lançamentos a débito na conta n.° 3.1.1.1.02 (Cobradores), um datado de 29/10/1993 no valor de CR$ 66.658.302,58 e outro datado de 31/10/1993 no valor de CR$ 22.219.434,20. No entanto, no Livro.Diário n,° 50 (autenticação n.° 196809 JUCESP) relativo ao período de 10/1993 à 12/1993, co*hstatoiíse unicamente o lançamento do dia 31/10/1993, conforme folha 126 do Livro Diário. Já o lançamento do dia 29/10/1993 foi omitido no Livro Diário, pois, pela seqüência cronológica de escrituração contábil, deveria ter sido lançado na folha 106 (anexo cópia das folhas citadas). O mesmo fato ocorre com outros lançamentos do dia 29/10/1993 envolvendo outras contas, tais como: conta n.° 3.1.1.1.01 (Motoristas) e conta n.° 3.1.1.1.03 (Fiscais). Livros Razão de 1995 Excepcionalmente, em 1995, a empresa além de elaborar Livros Diário e Razão contendo registros distintos conforme verificado no ano de 1993, elaborou também um segundo Livro Razão registrando parcialmente as remunerações pagas aos segurados empregados da empresa, conforme verificado nos anos 1994, 1996 e 1997. Ou seja, existem dois Livros Razão relativos as mesmas competências, porém, um registra a totalidade das remunerações pagas aos segurados empregados da empresa e o outro omite lançamentos. Foram anexadas a presente notificação cópias das folhas 151 e 152 do Livro Razão que registra parcialmente as remunerações dos empregados e das folhas 116 e 180 do Livro Diário n.° 57 (autenticação n.° 55812 JUCESP) que também registram parcialmente essas remunerações, conforme verificado nas contas ns.° 3.1.1.1.01 (Motoristas), 3.1.1.1.02 (Cobradores) e 3.1.1.1.03 (Fiscais). Anexouse ainda, cópias das folhas 156 e 157 do Livro Razão que registra a totalidade das remunerações dos empregados e das folhas 123 e 159 do Livro Diário n.° 57, onde pela seqüência cronológica de escrituração contábil deveriam ter sido registrados, nas mencionadas contas, os lançamentos dos dias 21/07/95 e 28/07/95 constantes do Livro Razão. Assim, considerandose que a própria documentação contábil da empresa ora registra a totalidade das remunerações pagas aos seus segurados empregados e ora registra apenas parcialmente essas remunerações, descumprindo as normas legais pertinentes, fatos que, em tese, configuram crime contra a Seguridade Social definido no art. 95, alínea "c", da Lei n.° 8.212/91 e os crimes de falsificação de documento e de uso de documento falso, previstos nos artigos 297 e 304 do Decreto Lei n.° 2.848, de 07 de dezembro de 1940 (Código Penal), foi formalizada e encaminhada à autoridade competente Representação Fiscal para Fins Penais. Tendo em vista tudo que foi exposto no item 2, a fiscalização utilizouse das folhas de pagamento de empregados e seus respectivos resumos, contemplando a totalidade das remunerações pagas aos segurados empregados da empresa, no período de 01/1993 à 12/1998 (inclusive 13.° salário), para apuração das contribuições sociais devidas. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 24/02/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/02/2003. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 170 a 174, onde alega em síntese, cerceamento do direito de defesa, face a não devolução dos Fl. 517DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 4 5 documentos apresentados, decadência, não foram deduzidos os valores a que tem direito: salário família, maternidade, faltas etc. Pugna que seja suspendo o procedimento até a devolução dos documentos e reabertura do prazo de defesa. Tendo sido restituídos os documentos a empresa apresenta nova impugnação, fls. 205 a 211, onde volta a alegar decadência, que as supostas diferenças foram incluídas no REFIS, e que não foram abatidos os reembolsos a que a empresa tem direito. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 224 a 231, destes autos: CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DOS SEGURADOS. DECADÊNCIA. ENCARGOS MORATÓRIOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, descontandoas da respectiva remuneração, e recolhêlas ao INSS no prazo ditado pelo art. 30, inc. I, da Lei n° 8.212/91. Extinguese após 10 (dez) anos o direito da Seguridade constituir seus créditos. Vencido o débito tributário, sujeitase o inadimplente aos acréscimos legais previstos na legislação vigente à data da ocorrência do fato gerador. LANÇAMENTO PROCEDENTE Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 236 a 242 , no corpo do processo 16045.000206/201033, tido pela fiscalização como AI Principal, onde alega: Ocorre que, uma vez concluída a fiscalização e elaborada a Notificação aqui guerreada, nenhum dos documentos apreendidos utilizados para subsidiar o pedido do Instituto, foram restituídos à recorrente. Inobstante este fato, a recorrente foi cientificada pelo Instituto aos 2 7 / 0 2 / 2 0 0 3 , para no prazo de 15 (quinze) dias da data da ciência apresentar sua defesa, ato esse de todo impossível pela absoluta falta de subsídios diante da RETENÇÃO SEM A DEVOLUÇÃO DEVIDA dos documentos apreendidos. Por esses motivos, em respeito ao princípio Constitucional do contraditório e ao previsto pelo artigo 398 do Estatuto Processual vigente é que, a recorrente, requereu que, o Instituto Nacional da Previdência e Assistência Social, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal intimados a procederem a imediata devolução de todos os documentos apreendidos com ulterior restabelecimento do prazo para apresentação da defesa. Finalmente, diante da mais absoluta impossibilidade de elaboração de defesa condizente, a impugnante pode tão somente aduzir com base nos parcos documentos constantes da Fl. 518DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 própria N.F.L.D. que nela foram incluídos também os valores eventualmente pagos a título de prólabore aos sócios gerentes. Há de ser realçado, ainda, que não foram observados pela m.d. fiscalização, por ocasião do levantamento do débito, os abatimentos e deduções a que a recorrente tem direito, tais como salário família, salário maternidade, faltas, e demais consectarios, o que também constitui clara e inegável afronta ao rigor que merece ser dispensado nas apurações fiscais, eivando de inexigibilidade e incerteza o lançamento fiscal. Além do mais, a empresa contribuinte foi optante do programa REFIS, tendo apresentado os documentos comprobatórios, conforme se infere do relatório fiscal, sendo que as eventuais diferenças encontradas nos recolhimentos, se existentes, foram devidamente incluídas naquele programa. É de rigor, ainda, o reconhecimento da comulatividade da correção dos débitos apresentados, vez que a incidência da correção pela UFIR cumulativamente com a aplicação da taxa SELIC j á é considerada abusiva e inconstitucional pela mais moderna doutrina e jurisprudência, onerando o contribuinte abusivamente. A empresa encaminhou a procuradoria pedido de cancelamento dos débitos, correspondentes a 01/1993 a 01/1998, bem como a exclusão do parcelamento, fls. 267 e seguintes. Foi elaborado despacho, fl. 337, onde o importante a se destacar 19)Tendo em vista que a NFLD n° 35.421.9421 é substitutiva, em parte, da NFLD n° 35.421.6740, devese verificar, primeiramente, se o lançamento substitutivo foi realizado ou não dentro do prazo legal estabelecido no art. 173, II, do CTN, o qual dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 20) De acordo com o exposto acima, constatase que a NFLD n° 35.421.9421 foi constituída, em última análise, dentro do prazo legal supramencionado, consequentemente, não houve decadência nos termos do disposto no art. 173, II, do CTN. 21) Outrossim, não se pode olvidar, na aplicação da referida súmula vinculante, a modulação dos efeitos da decisão que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 5 o do DecretoLei n° 1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 quanto aos valores recolhidos antes de 11/06/2008, conforme Parecer PGFN/CRJ/CDA N° 1437/2008. Para o crédito tributário correspondente às competências 12/1996 e 01/1997 a 13/1998 da NFLD n° 35.421.9421, não é possível reconhecer a decadência com fulcro no art. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 5 7 173,1, do CTN, uma vez que, para a competência mais antiga desse período (12/1996), o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado foi 01/01/1998, pois o vencimento da respectiva obrigação tributária ocorreu em 02/01/1997 (art. 30, I, "b", da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.063/1995), logo a decadência somente se verificaria em 01/01/2003, data posterior à constituição da NFLD n° 35.421.6740 (substituída). A procuradoria emitiu novo despacho, onde destacou, fl. 342: O presente débito foi incluído no Parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, motivo pelo qual não foi possível solicitar a sua devolução para a fase administrativa, Solicito o seu encaminhamento para a DERAT/EQREC para análise d e decadência parcial d o presente crédito, uma vez que o MM. Juiz Federal nos intimou para nos manifestarmos c om urgência sobre a decadência nos embargos a execução 2008.61.82.0001764 que tramita na I a Vara d e Execuções Fiscais. Diante d a urgência d o caso, mesmo que o Sistema não permita o cancelamento do débito na Receita (uma vez que o Sistema do Parcelamento está "congelado" impedindo qualquer anotação no Sistema Plenus), solicitamos que a análise seja feita por gentileza com presteza e encaminhada a esta Procuradoria Divisão d e Grandes Devedores para peticionarmos na a ç ã o judicial. Foi emitido despacho decisório que reconheceu a decadência parcial do lançamento até 111996, fls. 354 a 356, cuja ementa transcrevo a seguir: LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REVISÃO DE OFÍCIO. Enunciado de Súmula Vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, após a sua publicação, vincula toda a administração pública. A autoridade competente deve rever de ofício o lançamento de débito que não observou o prazo decadencial qüinqüenal do Código Tributário Nacional, face à declaração de inconstitucionalidade do Art. 45 da Lei n° 8.212/91 pela Súmula Vinculante n° 8 do STF (DOU 20/06/2008). LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE A empresa manifestouse pedindo o cancelamento dos débitos, bem como a exclusão dos mesmos do parcelamento da lei 11.941/99, por estarem extintos pela decadência.os débitos até a competência 01/1998. O contribuinte, apresentou pedido a PGFN, fls. 406 e seguintes, no seguinte de que embora tenha interposto recurso ao CARF o mesmo não foi concedido em função da falta de depósito recursal, contudo tal decisão fere a súmula vinculante n. 21. Isso significa que a Execução Fiscal 2005.61.82.0162620, em curso pela 1 a Vara Federal de Execuções Fiscais, é fundamentada em CDA nula, porque constituída em desacordo com a Súmula Vinculante n° 21 do Colendo Supremo Tribunal Federal. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Foi emitido parecer da PGFN, fls. 435, destacando a inclusão dos referidos débitos em parcelamento. Ocorre, entretanto, que o interessado consolidou seu parcelamento dos débitos referentes a estes autos, reconhecendo a liquidez e certeza do débito, nos termos do art. 6 o da Lei 11.941/2009. Assim, com a confissão irretratável do débito, descabe qualquer análise de recurso administrativo, posto que o reconhecimento do débito importa necessariamente a desistência de eventual recurso. Pelo exposto, indeferese o pedido do interessado, sendo certo que eventual deferimento futuro, por qualquer meio, implicará desistência do parcelamento em curso e reconstituição dos débitos sem as reduções previstas na mesma Lei 11.941/2009. A empresa encaminhou pedido de reconsideração a procuradoria, 406 e eguintes, onde requer a PGFN RECONSIDERAR a decisão anterior e determinar o CANCELAMENTO do débito aqui versado da Dívida Ativa da União, bem como promover, junto ao meritíssimo Juízo da 1 a Vara Federal de Execuções Fiscais, a EXTINÇÃO da Execução Fiscal n° 2005.61.82.0162620. A DRFB apresentou manifestação encaminhando ao recorrente intimação para em desejando apresentar novo recurso, fl. 454. A empresa aditou o recurso manifestandose, fls. 462 Por se tratar de uma consequência da r. decisão de fls. 262, o débito definitivamente constituído também é nulo, assim como são nulas a certidão de dívida ativa (CDA), que o representa, e a execução fiscal que a tem por fundamento. De fato, é o que diz expressamente o parágrafo 1o do referido artigo 59 do Decreto 70.235/7. Nesse sentido, muito embora tenha gerado um débito, a r. decisão de fls. 262 produziu efeitos favoráveis à recorrente, porque esse débito é eivado de vício que o impede de ser legitimamente cobrado. Ora, tendo sido proferida em 08 de março de 2005, o direito de a administração anular a r. decisão de fls. 244 se extinguiu, pela decadência, em 08 de março de 2010. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 126. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em sede de preliminares duas são as alegações do recorrente: a) Por se tratar de uma consequência da r. decisão de fls. 244, o débito definitivamente constituído também é nulo, assim como são nulas a certidão de dívida ativa (CDA), que o representa, e a execução fiscal que a tem por fundamento. De fato, é o que diz expressamente o parágrafo 1o do referido artigo 59 do Decreto 70.235/7. b) Nesse sentido, muito embora tenha gerado um débito, a r. decisão de fls. 244 produziu efeitos favoráveis à recorrente, porque esse débito é eivado de vício que o impede de ser legitimamente cobrado. QUANTO A NULIDADE DO PROCEDIMENTO Ao apreciarmos os termos do recurso do recorrente, identificamos que o mesmo entende que a nulidade do despacho às fls. 244 importará a nulidade de todos os atos praticados a posteriori, bem como acaba por viciar todo o procedimento, entendo que razão não lhe assiste, para que seja decretada a nulidade do lançamento. Assim, após análise do procedimento fiscal e dos demais procedimentos que importaram a constituição da CDA, bem como o fato de ter sido reintimado o recorrente, entendo que razão não assiste ao mesmo. Em primeiro lugar, a constituição do crédito em si, não apresenta qualquer vício capaz de nulidificálo. Observase que quando da primeira intimação do lançamento, ao apresentar impugnação argumentou o recorrente me sede preliminar a supressão do direito de defesa, já que os documentos apreendidos que ensejaram a lavratura da presente NFLD não haviam sido devolvidos. Constatada a razão do recorrente, e que os documentos foram devolvidos após o prazo para interposição da defesa, o contribuinte foi novamente cientificado, oportunizandolhe a reabertura do prazo para a apresentação da defesa. Dessa forma, afastada encontrase qualquer nulidade até então aventada. Daí em diante, o procedimento seguiu o tramite correto, tendo sido emitida a decisão de primeira instância, fl. que negou provimento ao recurso, porém reformada essa decisão por meio de despacho decisório que reconheceu a decadência parcial do crédito, fls. 314 a 326 Contudo, após essa segunda decisão o recorrente apresentou recurso ao este Conselho, porém foi negado seguimento ao mesmo em dezembro/2004, tendo em vista que a ausência de depósito recursal à época importava deserção ao direito. Entendo que correto o Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 procedimento adotado à época, já que a súmula vinculante n. 21, somente foi editada em 2009, ou seja, o prosseguimento correto foi adotado com a constituição da CDA. Tendo requerido a aplicação da súmula vinculante n. 21 ao caso concreto, decidiu aquela autoridade (DRFB) pelo cancelamento da CDA em andamento e a cientificação do recorrente para em desejando proceder ao aditamento do recurso apresentado Assim, afasto qualquer nulidade argüida pelo recorrente, considerando que os elementos constantes do processo tornaram claro o procedimento realizado, e que a nulidade da execução não anulou todo o procedimento fiscal, mas reinstalou o contencioso administrativo, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa. Ora, o crédito foi devidamente constituído, e correu o trâmite devido até que fosse questionada a aplicação da súmula vinculante n. 21. Assim, rejeito a nulidade argüida pelo recorrente. DA DECADÊNCIA Já quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos analisar o contexto da NFLD,ora objeto de julgamento, qual seja, foram apurados diversos levantamentos ora sobre diferenças de contribuições, ora sobre fatos geradores não considerados pelo recorrente como ensejadores de contribuição previdenciária, tendo em vista a apreensão de diversos documentos, por meio de devido procedimento fiscal específico, onde restou comprovado que a empresa não incluía em folhas de pagamento e na própria contabilidade a totalidade dos fatos geradores, omitindo pagamentos feitos aos segurados empregados. Referida constatação, pode ser concluída da leitura do relatório fiscal, fl. 78 e seguintes. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de imediato, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 7 11 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito Fl. 524DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o Fl. 525DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 8 13 pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in Fl. 526DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 527DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 9 15 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Não fosse apenas esse o argumento, o próprio § 4º do art. 150 do CTN, afasta a sua aplicação, quando constatado dolo, fraude ou simulação. Senão vejamos: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”(grifo nosso) Ora, entendo que a situação que ensejou o presente lançamento se amolda ao exceção do dispositivo transcrito, já que constatado pela fiscalização diversos lançamentos contábeis distintos nos livros, bem como o fato de nas folhas de pagamentos não estarem incluídos diversos pagamentos:, indicou o auditor em seu relatório a tipificação penal, como argumentos para representação fiscal para fins penais elaborado pelo mesmo. Citese trecho do relatório: Assim, considerandose que a própria documentação contábil da empresa ora registra a totalidade das remunerações pagas aos seus segurados empregados e ora registra apenas parcialmente essas remunerações, descumprindo as normas legais pertinentes, fatos que, em tese, configuram crime contra a Seguridade Social definido no art. 95, alínea "c", da Lei n.°8.212/91 e os crimes de o artigos 297 e 304 do DecretoLei n.° 2.848, de 07 de dezembro de 1940 (Código Penal), foi formalizada e encaminhada à autoridade competente Representação Fiscal para Fins Penais. Na verdade, entendo ser aplicável em regra o art. 173, I do CTN, considerando a indicação de fraude na falsificação de documentos contábeis e fiscais. O art. 72 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964, definiu a fraude, sob a ótica tributária, ao conceituar que "é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento". ( Assim, no lançamento em questão a lavratura da NFLD deuse em 24/02/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/02/2003, os fatos geradores descritos nos levantamentos acima ocorreram entre as competências 01/1993 a 12/1998, dessa forma em aplicandose o art. 173, I do CTN, encontrariamse decadentes as contribuições até 11/1997, contudo referida decadência já foi declarada pelo julgador de primeira instância, não havendo qualquer reparo a ser feito na decisão proferida. DO MÉRITO Quanto ao mérito não há muito o que ser apreciado. Primeiramente, o procedimento adotado pelo auditor na aplicação da presente AIOP seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Não houve ataque ao mérito do lançamento, qual seja ausência de recolhimentos dos valores descontados dos segurados empregados. mas tão somente a nulidade do mesmo, face o entendimento do recorrente de que o procedimento era nulo, face a declaração que o processo retornasse ao CARF e fosse anulada a CDA. Passemos agora apreciar os termos trazidos no recurso original quanto ao mérito:: I. Documentos não foram devolvidos II. Inclusão das verbas em parcelamento especial; III. Cumulatividade da correção pela UFIR e taxa SELIC; IV. Não procedeu o auditor as deduções cabíveis. DOCUMENTOS NÃO FORAM DEVOLVIDOS Fl. 529DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 10 17 Conforme consta dos autos a empresa teve reaberto o prazo de impugnação, uma vez , que os documentos apreendidos, foram devolvidos, conforme despachos fls. 197 a 200, senão vejamos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls.69/75, apurou divergências entre os valores das remunerações arbitradas na revisão fiscal anterior, através da NFLD 354216740 e os valores obtidos junto aos documentos apreendidos em ação conjunta com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, mediante Mandado de Busca e Apreensão. 2. Irresignada com o procedimento fiscal, a notificada se insurge, apresentando defesa tempestiva (fls.170/176), alegando, preliminarmente, que "uma vez concluída a fiscalização e elaborada a Notificação, nenhum dos documentos apreendidos utilizados para subsidiar o pedido do Instituto, foram restituídos à impugnante". 3. Temos que assiste razão à defendente ao afirmar que não estava de posse dos documentos apreendidos, objeto do presente levantamento. Conforme se depreende da cópia do Termo de Entrega, acostada às fls.197 a 200, a restituição somente ocorreu aos 22/04/2003, após o decurso do prazo para impugnação do levantamento. 4. Destarte, uma vez acolhida a preliminar arguida, deverá ser devolvido o prazo de 15 (quinze) dias, para apresentação de nova defesa, devidamente instruída com os documentos em que irá se fundamentar, especificando as provas que pretende produzir. Ao 21.4053 ORACOB, para que possa dar ciência à notificada, ora defendente. Dessa forma, não há como acatar os argumentos trazidos pelo recorrente, de que não teve a oportunidade de se defender, razão pela qual não há o que ser apreciado a esse respeito. INCLUSÃO EM PARCELAMENTO Quanto a inclusão em parcelamento especial, observase à fls. 445 que o DEBCAD em questão não foi incluído no referido parcelamento, tendo inclusive sido alvo de execução fiscal/ APLICAÇÃO DE JUROS Quanto a cumulatividade de UFIR e SELIC, não há o que ser enfrentado, já que todo o lançamento referese a fatos geradores ocorridos após a edição do plano real, sendo apenas os valores não pagos atualizados com base na SELIC, o que não apenas encontra respaldo legal, como conduz o próprio entendimento do CARF. Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de Fl. 530DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” DAS DEDUÇÕES Quanto as deduções melhor sorte não assiste ao recorrente, tendo em vista que citado no relatório fiscal o abatimento de tais valores, conforme transcrito abaixo: 4.1 As contribuições recolhidas parcialmente pela empresa através de Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS e Guias da Previdência Social GPS, bem como, os valores pagos pela empresa a título de SalárioFamília. Salário Maternidade e Auxílio Natalidade, foram deduzidos das contribuições apuradas, conforme demonstrado no DAD. Também foram deduzidas as contribuições declaradas, confessadas e parceladas pela empresa junto ao INSS através Fl. 531DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19839.009052/201188 Acórdão n.º 2401003.415 S2C4T1 Fl. 11 19 dos DEBCAD ns.° 31.620.0336, 31.384.9463, 32.376.5742, 32.376.575 0, 32.376.5769 e 35.070.6654,^ relativas ao período de 01/1993 à 12/1998 (inclusive 13.°salário). Todos esses valores foram obtidos junto ao Sistema Informatizado de Dados INSS/DATAPREV. Tendo o auditor descrito no próprio relatório fiscal, o desconto de todos os recolhimentos, parcelamentos e reembolsos a que o recorrente tinha direito, não há o que ser apreciado, se simplesmente argumenta o recorrente sem apresentar nenhum erro efetivo da fiscalização. No caso, competiria ao recorrente pelo menos indicar algum reembolso que não tivesse sido efetivamente descontado. Por todo o exposto, entendo que o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da decisão proferida, haja vista os argumentos apontados pela recorrente serem incapazes de refutar a presente autuação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para rejeitar a nulidade do lançamento e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000098/2009-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ABONO - INCIDÊNCIA - Para que o abono pago ao empregado não sofra incidência de contribuições previdenciárias, deve obedecer as determinações contidas no art. 28, I, § 9º, “e” da Lei 8212/91, ou seja, deve estar expressamente desvinculado do salário. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO - Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcelo Freitas de Souza Costa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ABONO - INCIDÊNCIA - Para que o abono pago ao empregado não sofra incidência de contribuições previdenciárias, deve obedecer as determinações contidas no art. 28, I, § 9º, “e” da Lei 8212/91, ou seja, deve estar expressamente desvinculado do salário. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO - Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 14041.000098/2009-70
conteudo_id_s : 5358133
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.501
nome_arquivo_s : Decisao_14041000098200970.pdf
nome_relator_s : Marcelo Freitas de Souza Costa
nome_arquivo_pdf_s : 14041000098200970_5358133.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5515110
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810083196928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Programa Gerador de Documentos; xmp:CreatorTool: Writer; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; language: pt-BR; dcterms:created: 2014-05-07T19:10:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Programa Gerador de Documentos; pdf:docinfo:creator_tool: Writer; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; dc:title: Programa Gerador de Documentos; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; dc:language: pt-BR; meta:author: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; meta:creation-date: 2014-05-07T19:10:19Z; created: 2014-05-07T19:10:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2014-05-07T19:10:19Z; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-05-07T19:10:19Z | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 463 462 S2-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000098/2009-70 Recurso nº Acórdão nº 2403-002.501 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente JORLAN S/A VEÍCULOS AUTOMOTIVOS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ABONO - INCIDÊNCIA - Para que o abono pago ao empregado não sofra incidência de contribuições previdenciárias, deve obedecer as determinações contidas no art. 28, I, § 9º, “e” da Lei 8212/91, ou seja, deve estar expressamente desvinculado do salário. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO - Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. 1 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. . 2 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 463 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal correspondentes às contribuições de Terceiros (Sal. Educação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE) nas competências 05 e 06 de 2004. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 19/25, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as verbas pagas aos segurados empregados, a titulo de Abono Salarial, conforme ANEXO 1, as quais constavam da folha de pagamento, mas não integraram a base de cálculo para a contribuição previdenciária e não foram declaradas em GF1P. Inconformado com a Decisão de fls. 64/70 que julgou procedente o lançamento, a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: Que a rubrica (740) Abono Salarial identificada pela fiscalização nos meses de competências 05/2004 e 06/2004, é assegurado pela Convenção Coletiva de Trabalho firmado entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal – SINCODIVE. Defende que, alegar como fez a fiscalização que os acordos Coletivos firmados entre as empresas e o Sindicato da categoria não tem eficácia legal é no mínimo um absurdo! Portanto, não há que se falar em descumprimento de incidência de contribuições sociais sobre abono salarial referente ao mês de competências 05/2004 e 06/2004, porque feito, de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho firmado entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal - SINCODIVE. Requer o recebimento do recurso para que seja julgada improcedente a autuação, com também a multa imposta ou, alternativamente a retificação da multa e o recálculo dos juros. O processo foi baixado em diligência por duas vezes para que o contribuinte anexasse os Acordos Coletivos a que faz referência. É o relatório. 3 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente é importante esclarecer que os autos foram baixados em diligência para que a recorrente anexasse os Acordos Coletivos para verificação da possibilidade de aplicação do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, que, em virtude de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça ─ STJ no sentido de que o abono único, disposto em Convenção Coletiva de Trabalho, quando desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não é passível de incidência de contribuição previdenciária. Em resposta à diligência solicitada a autuada anexou Convenções Coletivas de período diverso da autuação, ou seja, os documentos anexados são datados de 22/11/2004 e 28/11/2005, logo em período posterior aos fatos geradores constantes no presente lançamento que ocorreram em 05 e 06 de 2004. Logo, entendo como não atendida a diligência devendo os autos serem julgados estado em que se encontram. O presente lançamento foi efetuado em face da recorrente devido a pagamento de abonos efetuados aos seus funcionários, caracterizados pela fiscalização como valores que integram o salário de contribuição. Aduz a recorrente que, por se tratarem de verbas pagas em decorrência de Acordos Coletivos estabelecidos pelos sindicatos das categorias, tais valores não estão sujeitos à incidência de contribuições, posto que desvinculados dos salários de seus funcionários. Logo, a questão a ser resolvida é se as verbas pagas pela Recorrente, a título de abono, integram, ou não, o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Em um primeiro momento, entendo que as Convenções e Acordos Coletivos tem caráter normativo vez que, às empresas, não cabe descumprir a convenção coletiva, eis que estariam descumprido norma expressa do nosso ordenamento jurídico, sujeitando-se a sanções administrativas e judiciais cabíveis (Auto de Infração pela Delegacia Regional do Trabalho; Ação de Cumprimento pelo Sindicato; etc...), já que a mesma é equiparada à lei, tendo efeito obrigacional sobre todas as empresas e trabalhadores dos sindicatos signatários na sua base territorial. A força de lei da convenção coletiva é conferida pela Constituição Federal, através dos artigos 7º, inciso XXVI, e 114, e pela Consolidação das Leis do Trabalho, através do artigo 611, que equiparam as mesmas as leis ordinárias, devendo, portanto, ser respeitada e cumprida. Contudo, temos que a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de abono, devem cumprir outros requisitos, em especial, o de ser expressamente desvinculado do salário. 4 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 463 De acordo com a transcrição da Cláusula Primeira, Parágrafo Primeiro da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal – SINCODIVE, constante no item 10 do Relatório Fiscal, referido abono seria pago no percentual de 70% do salário base do empregado. Logo, não há como deixar de verificar a vinculação desta verba com o salário dos empregados da recorrente, o que fulmina as razões defendidas no presente recurso. Não basta apenas constar em acordo ou convenção coletiva de trabalho a determinação do pagamento de referida verba para que ela seja considerada isenta de contribuições, há que harmonizar tais cláusulas com as determinações da legislação vigente. Nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, os abonos pagos pelo empregador integram o conceito de salário, Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º - Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (g.n.). A Lei 8.212/91, observadas as alterações posteriores, assim se manifesta sobre o salário de contribuição e sobre as parcelas pagas a título de acordo: Art. 28 - Entende-se por salário de contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º - Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 5 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (g.n.) O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, incluídas as alterações posteriores, dispõe: Art. 214 - Entende-se por salário de contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º - Não integram o salário-de-contribuição,, exclusivamente: (...) V) as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. (g.n.) Em análise aos dispositivos legais e regulamentares acima transcrito, conclui- se que os "abonos" só não integram o salário de contribuição quando expressamente os desvinculados destes, ou seja, para que não sofram a incidência de contribuição previdenciária, não podem ter qualquer vínculo com o salário e, em conseqüência, encontrarem-se fora do campo de incidência de contribuição previdenciária; Conclui-se que o legislador ao fazer constar da Lei 8.212/91, art. 28, § 9, alínea "e", item 7, a condição "expressamente desvinculado do salário", o fez com intuito exclusivo de evitar a evasão de contribuições previdenciárias, senão, quaisquer valores pagos aos empregados a título de remuneração poderiam, com certeza, não sofrer a incidência de contribuição previdenciária, se pagos sob a denominação de abono. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Negar-lhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa 6 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 463 7 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000841/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 14041.000841/2005-68
conteudo_id_s : 5353288
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 19 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2202-000.232
nome_arquivo_s : Decisao_14041000841200568.pdf
nome_relator_s : ODMIR FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 14041000841200568_5353288.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
id : 5490708
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810406158336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000841/200568 Recurso nº Resolução nº 220200231 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2012 Assunto Sobrestamento de Julgamento Recorrente OLDEMAR BORGES DE MATOS Espólio Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara, que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no parágrafo 3. do art. 2. da Portaria CARF n. 001, de 3 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Eivanice Canário da Silva, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000841/200568 Resolução n.º 220200231 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento de Brasília/DF que manteve parte da autuação sobre autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurado mediante a quebra do sigilo bancário, com requisição endereçada ao “Banco do Brasil” (extratos fls. fls. 25/75) e “Banco ABN Amro Real” (fls. 78/114), ambas expedidas pela d. Autoridade Lançadora – MPF (fls. 23/24 e fls. 76/77, respectivamente) e dedução indevida de despesas médicas e aplicação de multas isoladas. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2001, anocalendário de 2000, por AFRF da DRF/Brasília/DF. A ciência do lançamento ocorreu em 03/11/2005, conforme Aviso de Recebimento de fl. 278, verso. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto: R$ 460.193,52; Juros de Mora (cálculo até 30/09/2005): R$ 361.712,10; Multa Proporcional (passível de redução): R$ 46.019,35; Multa Exigida Isoladamente: R$ 16.903,55; Total do Crédito Tributário: R$ 884.828,52. O lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: 1) Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Físicas — omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes do trabalho sem ví: tculo empregatício, nos valores de R$ 1.366,19 (25/05/2000), R$ 14.577,37 (06/06/2000), RS 35.763,00 (24/11/2000) e R$ 950,00 (31/12/2000). 2) Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas — glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte no valor de R$ 10.51$,96. A glosa corresponde ao somatório das mensalidades pagas para cobertura de assistência médica de familiares não dependentes do contribuinte feitos à Caixa de Assistência dos Advogados do DF. 3) Omissão e Rendimentos Provenientes de Depósitos Bancários — omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários no valor de R$ 1.610.255,47, caracterizada por valores creditados nas contas de depósito ou de investimento, mantidas nas instituições financeiras Caixa Econômica Federal, Banco ABN AMRO Real S/A e Banco do Brasil S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Multa Exigida Isoladamente pela Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de CarnêLeão — falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de carnêleão, em decorrência de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 16.903,55. Termo início da verificação fiscal às fls. 10, demonstrativo do crédito tributário às fls. 005, no importe total de R$ 884.828,52. Auto de Infração a fls. 254/262, onde consta a descrição dos fatos e o enquadramento legal, apontando como causa do crédito tributário em tela a omissão de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000841/200568 Resolução n.º 220200231 S2C2T2 Fl. 3 3 rendimentos, dedução indevida de despesas médicas, depósitos bancários de origem não comprovada, e multas isoladas. Demonstrativo de apuração IR e multa, às fls. 273; termo de encerramento fls. 277. Contribuinte ciente do lançamento (autuação) em 03/11/2005 (AR de fls. 278/verso). Decisão recorrida a fls. 300/305. Ciência às fls. 312 (AR assinado em 19/03/2008). Ao a decisão recorrida reduziu a multa isolada de 75% para 50% (R$ 11.269,04) mantendo inalterado o restante do crédito lançado. Recurso Voluntário às fls. 313/322, onde o Recorrente pede o sobrestamento do feito até decisão final no processo judicial de exibição de documentos, promovida contra a Caixa Econômica Federal (constante de fls. 287/291, com cópia da decisão de deferimento às fls. 292/293), para que não seja cerceado o direito constitucional da ampla defesa, possibilitando que o recorrente carreie aos presentes autos os alvarás emitidos pela Justiça do Trabalho, os quais comprovarão cabalmente o equívoco da fiscalização na apuração da base de cálculo do lançamento de oficio, ora combatido. Salienta que o equívoco da decisão impugnada se materializou ao entender a primeira instância pela presença de “elementos” suficientes ao julgamento do feito, pois que, em seu entendimento, o feito não fora suficientemente instruído, a viabilizar o seu julgamento, tendo em vista a não juntada dos documentos por ele solicitados à CEF, o que motivou a propositura da aludida cautelar de exibição de documentos!! Sustenta que foi essa a causa de seu pedido de dilatação do prazo para apresentar os documentos exigidos, aduzindo que tais documentos estão em poder da CEF, a qual possui em seu banco de dados todos os alvarás de levantamento emitidos pela Justiça do Trabalho nas ações em que o recorrente em tela atuou como advogado, e que somente com a apresentação desses alvarás, será possível identificar qual foi a renda do contribuinte e quais valores foram repassados aos seus clientes. Informa o recorrente que a CEF, a fim de procrastinar o feito, e para não pagar a multa diária fixada pelo r. Juízo da 22ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, insiste em juntar documentos que nada tem a ver com o pedido. Assim, com o intuito de comprovar que esta fazendo o possível para obter os alvarás, junta, no presente Recurso a última petição feita no processo judicial, seu andamento e todos os documentos que foram, até agora, apresentados pela CEF. Alternativamente, pede a inaplicabilidade da multa isolada concomitante com a multa de oficio, asseverando, que a multa proporcional, em conjunto com a multa isolada, utiliza a mesma base de cálculo, é matéria esta condenada por esse Egrégio Conselho, que possui entendimento unânime no sentido de ser inaplicável a multa isolada em concomitância com a multa de oficio, com a mesma base de cálculo. (cita Acórdão 10614239) É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000841/200568 Resolução n.º 220200231 S2C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Tratase de autuação com quebra do sigilo bancário, sem ordem judicial. Assim, ante a repercussão geral sobre a matéria no C. STF, a apreciação do presente recurso encontrase prejudicada pela quebra do sigilo e deve ser sobrestado com base no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Em face da existência de Repercussão Geral sobre a quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial, no C. STF, objeto do RE n° 601.314, necessário o sobrestamento do feito para ulterior deliberação, na forma do art. 62A, do Reg. Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22.06.2009: Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004958/2003-59
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DECADÊNCIA. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. CONTAGEM PELO ART. 173, I DO CTN.
O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, prazo que foi respeitado. Dessa forma, não ocorreu decadência.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NULIDADE.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IRPF. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. CUSTO MÉDIO.
O art. 762 do RIR prescreve que o custo de aquisição será calculado pelo custo médio ponderado, na ausência do valor pago a previsão legal será definido conforme o inciso II ou IV do §2º do mesmo dispositivo. A aplicação do custo Zero ocorre somente em hipóteses subsidiárias. Não se pode concluir que o caso dos autos subsume-se a alguma delas, posto que é possível apurar o custo de aquisição pelos critérios ordinários previstos no mencionado parágrafo, baseado nos demonstrativos emitidos pela Bolsa de Valores de São Paulo constantes dos autos. Outrossim, o cálculo do custo médio ponderado fica distorcido quando o saldo inicial das ações é desprezado pela Fiscalização e a respectiva existência é comprovada pelo recorrente.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO.
A presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária individual, em relação aos quais o titular, regularmente intimados, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações fica afastada quando a documentação dos autos comprova que são recursos advindos da operação em bolsa de valores, cuja tributação se dá segundo regras específicas. De outro modo, mantém-se a atuação quanto aos créditos que restaram sem comprovação da origem e que, ainda que de valor individual inferior a R$12.000,00, somaram no ano mais de R$80.000,00.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração ganhos líquidos no mercado de renda variável e o valor de R$ 97.131,40 (noventa e sete mil, cento e trinta e um mil e quarenta centavos) de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 IRPF. DECADÊNCIA. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. CONTAGEM PELO ART. 173, I DO CTN. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, prazo que foi respeitado. Dessa forma, não ocorreu decadência. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NULIDADE. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. IRPF. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. CUSTO MÉDIO. O art. 762 do RIR prescreve que o custo de aquisição será calculado pelo custo médio ponderado, na ausência do valor pago a previsão legal será definido conforme o inciso II ou IV do §2º do mesmo dispositivo. A aplicação do custo Zero ocorre somente em hipóteses subsidiárias. Não se pode concluir que o caso dos autos subsume-se a alguma delas, posto que é possível apurar o custo de aquisição pelos critérios ordinários previstos no mencionado parágrafo, baseado nos demonstrativos emitidos pela Bolsa de Valores de São Paulo constantes dos autos. Outrossim, o cálculo do custo médio ponderado fica distorcido quando o saldo inicial das ações é desprezado pela Fiscalização e a respectiva existência é comprovada pelo recorrente. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. A presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária individual, em relação aos quais o titular, regularmente intimados, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações fica afastada quando a documentação dos autos comprova que são recursos advindos da operação em bolsa de valores, cuja tributação se dá segundo regras específicas. De outro modo, mantém-se a atuação quanto aos créditos que restaram sem comprovação da origem e que, ainda que de valor individual inferior a R$12.000,00, somaram no ano mais de R$80.000,00. Recurso provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004958/2003-59
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354591
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.856
nome_arquivo_s : Decisao_19515004958200359.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 19515004958200359_5354591.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração ganhos líquidos no mercado de renda variável e o valor de R$ 97.131,40 (noventa e sete mil, cento e trinta e um mil e quarenta centavos) de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5497402
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811176861696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2252; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 442 1 441 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004958/200359 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.856 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente HONG WAH MO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF. DECADÊNCIA. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. CONTAGEM PELO ART. 173, I DO CTN. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, prazo que foi respeitado. Dessa forma, não ocorreu decadência. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. IRPF. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. CUSTO MÉDIO. O art. 762 do RIR prescreve que o custo de aquisição será calculado pelo custo médio ponderado, na ausência do valor pago a previsão legal será definido conforme o inciso II ou IV do §2º do mesmo dispositivo. A aplicação do custo Zero ocorre somente em hipóteses subsidiárias. Não se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 49 58 /2 00 3- 59 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 pode concluir que o caso dos autos subsumese a alguma delas, posto que é possível apurar o custo de aquisição pelos critérios ordinários previstos no mencionado parágrafo, baseado nos demonstrativos emitidos pela Bolsa de Valores de São Paulo constantes dos autos. Outrossim, o cálculo do custo médio ponderado fica distorcido quando o saldo inicial das ações é desprezado pela Fiscalização e a respectiva existência é comprovada pelo recorrente. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. A presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária individual, em relação aos quais o titular, regularmente intimados, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações fica afastada quando a documentação dos autos comprova que são recursos advindos da operação em bolsa de valores, cuja tributação se dá segundo regras específicas. De outro modo, mantémse a atuação quanto aos créditos que restaram sem comprovação da origem e que, ainda que de valor individual inferior a R$12.000,00, somaram no ano mais de R$80.000,00. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração ganhos líquidos no mercado de renda variável e o valor de R$ 97.131,40 (noventa e sete mil, cento e trinta e um mil e quarenta centavos) de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Em 29/12/2003, o contribuinte foi notificado de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente de duas infrações: a) falta de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável (mercado à vista) nos meses de janeiro a abril de 1998 (fls. 365); e Fl. 451DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 443 3 b) omissão de rendimentos, no anocalendário 1998, caracterizada por valores creditados em contas correntes, em relação às quais o contribuinte foi intimado, porém não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recurso utilizados (art. 42 da Lei 9.430/1996). A fiscalização foi provocada pela verificação de que a movimentação financeira do contribuinte (base CPMF) era incompatível como a entrega de declaração de isento. Intimado para apresentar extratos de movimentação financeira, o contribuinte apresentou diversas Notas de Corretagem emitidas pela Corretora Solidez. A fiscalização utilizouse de Requisição de Informação Financeira – RMF (fls. 180). Documento apresentado pelo Bradesco (fls. 182) indica que a conta 49.7592, na agência 1198 era uma conta conjunta, fazendo menção de que os dados cadastrais do co titular não estavam sendo fornecidos à Receita Federal por não constar processoadministrativo instaurado contra o cotitular. As contas 8.511.3925 (fls. 186 em diante) e 272.3085 (fls. 191 e seguintes) e 8.608.9734 (fls. 206 e ss) são contas individuais. O demonstrativo dos depósitos inferiores a R$12.000,00 indica uma soma anual superior a R$80.000,00 (fls. 214/220). O contribuinte foi intimado do referido demonstrativo, bem como para comprovar origem dos valores depositado e, também, documentos que comprovem a aquisição das ações com data, quantidade e custo de aquisição que justificassem os saldos em carteira em 31/12/1997, com a informação de que a falta de comprovação implicaria considerar o custo de aquisição igual a zero (fls. 221). A partir da fl. 223 foram juntados Avisos de Negociação de Ações – ANA emitidos pela Bovespa. O demonstrativo dos valores de depósitos justificados e não justificados foi juntado a partir das fls. 332 e a respectiva consolidação, às fls. 339. A partir das fls. 340 estão as planilhas elaboradas pela fiscalização referentes à apuração do resultados das operações com renda variável, enquanto o Termo de Verificação Fiscal (fls. 359) resume o procedimento de fiscalização. Os argumentos impugnatórios foram reiterados com a peça recursal e serão adiante resumido. A impugnação foi indeferida pelos seguintes fundamentos, em resumo: a) a decadência contase na forma do inciso I do art. 173 do CTN, com termo inicial em 01/01/1999 em relação à renda variável e 01/01/2000 quanto aos depósitos de origem não comprovada; Fl. 452DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 b) a aplicação retroativa da Lei 10.174/2001 encontra respaldo no §1º do art. 144 do CTN; c) improcedência da alegação de que diversos depósitos teriam como origem as transferências pela Corretora Solidez, tendo em vista saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do impugnante, conforme documentos, às fls. 396/398, pois se constata que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer formalidade que lhes garanta validade como prova hábil para comprovar os fatos neles constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira — Base CPMF, às fls. 17; d) quanto às alegações de que os depósitos nos valores de R$ 1.200,00 efetuados em 28/07/1998, 13/08/1998, 25/08/1998, 26/08/1998 e 31/08/1998, teriam como origem a transferência procedida da conta poupança vinculada à conta corrente, conforme documentos, às fls. 399/400, o acórdão recorrido decidiu pela exclusão desses valores do lançamento (fls. 415) e) o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.3085, agência 00973, em 28/07/1998, também foi excluído, posto que duplicado (fls. 415) f) a contestação acerca do custo de aquisição com base na existência de estoque de ações em dezembro de 1997 foi rejeitada porque os valores não devem ser computados por não constarem da declaração de bens do anocalendário 1997, conforme extrato de fls. 18. Ciência da decisão em 27/06/2008. Recurso voluntário interposto em 24/07/2008. Em síntese, a peça recursal amparase nas seguintes alegações: 1. vedação à aplicação retroativa da permissão dada pela Lei nº 10.174/2001 para os fatos ocorrido em 1998, por força do art. 105 do CTN e da restrição imposta pelo art. 11 da Lei 9.311/1996, tal como reconhecido no acórdão 10419498, deste Conselho; 2. decadência em relação aos fatos ocorridos até 25/12/1998, nos termos do §4º do art. 150 do CTN c/c inciso II do art. 4º da Lei 8.134/1990, este último dispositivo ao tratar do recolhimento mensal nas operações de renda variável, uma vez que a notificação do lançamento ocorreu em 26/12/2003, cita como precedente o acórdão 10193392; 3. No mérito, os documentos anexos, ignorados pelo Órgão Julgador de primeira instância, comprovam as origens dos depósitos a seguir discriminados: 3.1. Conta Corrente — n° 0119/49.7592 20/01/1998 – R$20.000,00; 26/01/1998 – R$3.184,89; e 02/02/1998 – R$30.000,00 transferências procedidas pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em contacorrente interna de titularidade do recorrente; 3.2. Conta Corrente — n° 0097/8.608.9734 01/06/1998 — R$ 777,03 transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do recorrente; Fl. 453DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 444 5 3.3. Conta Corrente — n° 0097/272.3085 05/06/1998 — R$ 20.365,12 transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do recorrente; 3.4. 22/06/1998 — R$ 21.845,36 transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em contacorrente interna de titularidade do recorrente; 3.5. 28/07/1998 — R$ 1.200,00 transferência procedida da contapoupança vinculada à contacorrente; 28/07/1998 — R$ 1.200,00 — lançamento inexistente; 13/08/1998 — R$ 1.200,00; 25/08/1998 — R$ 1.200,00; 26/08/1998 — R$ 1.200,00; 31/08/1998 — R$ 1.200,00 transferências procedidas da contapoupança vinculada à contacorrente. 4. o cálculo do valor do imposto devido em relação às operações com renda variável não levou em consideração o estoque de ações existentes em dezembro de 1997: Eletrobrás PNB (50.000); Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000); 5. o custo médio ponderado poderá ser obtido pelos documentos anexos à impugnação, que refletem a oscilação das cotações das referidas ações àquela época; e 6. a impropriedade da planilha elaborada pela autoridade fiscal é flagrante, um exemplo é a adoção do custo de aquisição zero no demonstrativo de venda de 3.400 ações da Gerasul PNB. O recurso foi admitido. Em virtude de a decisão de mérito envolver a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada com emprego de Requisição de Informação Financeira RMF, a Turma sobrestou o julgamento do processo por meio da Resolução 2802 000.141, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento é retomado. Esse foi o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Recurso já admitido, passase a transcrever resultado das deliberações já consignadas na Resolução 2802000.141 referentes às preliminares e à preliminar de mérito (decadência). “Rejeito a alegação de que não seria lícita a aplicação retroativa da lei 10.174/2001, com fundamento na Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Da decadência A preliminar de mérito também deve ser rejeitada. Não há qualquer indicativo de antecipação de pagamento pelo contribuinte, o qual entregou declaração de isento para o anocalendário da autuação. A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733 – SC. Aplicase a norma do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Nestes autos verificase que o fato gerador mais antigo em relação ao Imposto sobre Renda Variável ocorreu em janeiro de 1998, ao passo que aquele incidente sobre os depósitos de origem não comprovada, em 31 de dezembro de 1998, este último reconhecido no enunciado da Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste Anual, acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN. Desta forma, o acórdão recorrido está correto ao considerar que o temo inicial é 01/01/1999 para a incidência sobre os ganhos em renda variável e 01/01/2000 para a tributação dos depósitos de origem não comprovada. Assim, o lançamento regularmente notificado até 31/12/2003 respeitou o prazo decadencial de todas as incidências.” Da exatidão do cálculo do imposto incidente sobre ganho em aplicações de renda variável O lançamento decorreu da apuração de ganhos líquidos no mercados à vista de ações negociadas em bolsa, conforme demonstrativos de fls. 340/356. Nestes casos a legislação aplicável está consolidada nos art. 761 e 762 do RIR1999. O acórdão recorrido ratificou a decisão de considerar como Zero o custo de aquisição das ações em razão de os saldos existentes em 31/12/1997 não constarem da Declaração de Ajuste Anual, entretanto, diante do contexto dos autos, essa conclusão não encontra suporte em lei. O art. 762 do RIR prescreve que o custo de aquisição será calculado pelo custo médio ponderado – neste ponto o lançamento andou bem – porém na ausência do valor pago a previsão legal será definido conforme o inciso II ou IV do §2º. Embora o dispositivo contemple hipóteses de custo Zero no §3º, essas são subsidiárias. Não se pode concluir que o caso dos autos subsumese a alguma delas, posto que é possível apurar o custo de aquisição pelos critérios ordinários previstos no §2º, a exemplo da utilização do critério do valor corrente (inciso IV do §2º) baseado nos demonstrativos de fls. 404/408, emitidos pela Bolsa de Valores de São Paulo. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 445 7 Anotese, também, que o cálculo do custo médio ponderado ficou distorcido em razão de o saldo inicial das ações ter sido desprezado pela autoridade fiscal. Os ganhos líquidos apurados pela Fiscalização concentraramse no começo do ano de 1998, há situações em que o cálculo do ganho baseouse em alienação de ações, como se fosse possível alienação ações sem que houvesse ao menos uma ação em estoque, como por exemplo as primeiras linhas do demonstrativo de fls. 343. De outro giro, com a documentação de fls. 401/403, o recorrente demonstrou a existência de ações em estoque em 31/12/1997: Eletrobrás PNB (50.000); Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000). A inexatidão e as incertezas quanto ao valor eventualmente devido conclamam pela exclusão dessa infração do lançamento. Com essa solução prestigiase os princípios da legalidade, da capacidade contributiva e da busca da verdade material. Pedese vênia para transcrever os dispositivos do RIR1999 mencionados: Art.761.Nos mercados à vista, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição (Lei n º 7.799, de 1989, art. 55, §2 º , alínea "a", e Lei n º 8.541, de 1992, art. 29, §2 º , alínea "a"). Custo de Aquisição Art.762.Os custos de aquisição dos ativos objeto das operações de que trata o artigo anterior serão considerados pela média ponderada dos custos unitários (Lei n º 8.981, de 1995, art. 72, §2 º ). §1 º Quando se tratar de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, apurados no anocalendário de 1993, e a partir de 1 º de janeiro de 1996, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizados que corresponder ao acionista beneficiário (Lei n º 8.383, de 1991, art. 75, e Lei n º 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). §2 º Na ausência do valor pago, o custo de aquisição será, conforme o caso (Lei n º 7.713, de 1988, art. 16, incisos III, IV e V): I o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho líquido do alienante; III o valor da ação por conversão de debênture fixado pela companhia emissora; IV o valor corrente, na data da aquisição. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 §3 º O custo de aquisição é igual a zero nos casos de (Lei n º 7.713, de 1988, art. 16, §4 º ): Ipartes beneficiárias adquiridas gratuitamente; II acréscimo da quantidade de ações por desdobramento; III aquisição de qualquer ativo cujo valor não possa ser determinado pelos critérios previstos nos parágrafos anteriores. Da comprovação da origem de depósitos para afastar a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada. A obtenção de dados bancários do contribuinte foi regular, posto que fundamentada em lei. Anotese que as decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Não é correta a alegação do recorrente de que os documentos apresentados foram ignorados pelo Órgão Julgador de primeira instância, tal como se afere da expressa manifestação no voto condutor abaixo transcrita (fls. 415). Quanto à apuração dos valores relativos à omissão de receita com base na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, o impugnante alegou que os depósitos de R$ 20.000,00 (22/01/1998), R$ 3.184,89 (26/01/1998) e R$ R$ 30.000,00 (02/02/1998) na conta corrente n° 0119/49.7592; de R$ 777,03 (01/06/1998) na conta corrente n° 0097/8.608.9734; de R$ 20.365,12 (05/06/1998) e R$ 21.854,36 (22/06/1998) na conta corrente n° 0097/272.3085; teriam como origem as transferências pela Corretora Solidez, tendo em vista saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do impugnante, conforme documentos, às fls. 396/398. Entretanto, constatase que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer formalidade que lhes garantam validade como prova hábil para comprovar os fatos neles constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira — Base CPMF, às fls. 17. O recorrente não contrapõe qualquer apontamento da DRJ. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 446 9 Ao repetir as alegações da impugnação não se deu conta de que os depósitos de R$1.200,00 (item 5 do relatório deste acórdão) já foram excluídos do lançamento em primeira instância. Vejamos. Ainda quanto à apuração dos valores relativos à omissão de receita com base na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, o impugnante alegou que os depósitos de nos valores de R$ 1.200,00 efetuados em 28/07/1998, 13/08/1998, 25/08/1998, 26/08/1998 e 31/08/1998, teriam como origem a transferência procedida da conta poupança vinculada à conta corrente, conforme documentos, às fls. 399/400. Constatase que de fato não foram excluídos do lançamento fiscal os valores das transferências entre as contas corrente e de poupança n° 272.3085, agência 00973, conforme extratos, às fls. 197/198 e 205, e planilha de conferência dos depósitos bancários às fls. 336/337. Cabe ressaltar que somente foram excluídas as transferências relativas às contas n's 8.608.9734 e 8.511.3925. Constatase, também, que o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.3085, agência 00973, em 28/07/1998, constante no extrato, às fls. 197, foi indevidamente duplicado na planilha de conferência dos depósitos bancários às fls. 336, sendo cabível sua exclusão do lançamento fiscal. (...) Com base nestas observações, cabe alterar tão somente o lançamento relativo à omissão de receita com base na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, reduzindo a base de cálculo de R$ 226.010,13 para R$ 218.820,13.(grifos originais) Cabe analisar exclusivamente as alegações relativas aos depósitos que subsistiram na autuação. Quanto aos depósitos na conta corrente n° 0119/49.7592, o Banco Bradesco (fls. 182) indicou ser uma conta conjunta e que os dados cadastrais do cotitular não estavam sendo fornecidos à Receita Federal por não constar processoadministrativo instaurado contra o cotitular. Não há registro nos autos de que tenha havido identificação, menos ainda, intimação desse cotitular, o que leva à aplicação da Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Isto leva à exclusão da base de cálculo dos depósitos efetuados nessa conta: R$20.000,00 e de R$3.184,89, em 22/01 e 26/01, de R$30.000,00 em 02/02 e de R$300,00 e R$650,00 em 06/05, somando 54.134,89. (fls. 334 e 339). Fl. 458DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Por se tratar de hipótese de nulidade, esse provimento independe de específica provocação do recorrente. As outras contas correntes são individuais (0097/8.608.9734; 8.511.3925 e 272.3085, mantidas no Banco Bradesco) e as respectivas alegações recursais passam a ser analisadas. No que se refere à conta Corrente n° 0097/8.608.9734, o contribuinte alega que o depósito de R$ 777,03, realizado em 01/06/1998, corresponde a transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em contacorrente interna de titularidade do recorrente, o documento apresentado pelo recorrente consta às fls. 398. Essa mesma alegação é feita em relação aos depósitos de R$20.365,12, em 05/06/1998, e de R$21.845,36, em 22/06/1998, na conta Corrente n° 0097/272.3085. O acórdão recorrido apontou que os documentos apresentados, como meras listagens e sem qualquer formalidade não constituem prova hábil, além de apontar que as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante da relação CPMF (fls. 17), único cuja movimentação financeira foi auditada e que consta dos autos. Anotese que o valor de R$21.845,36 foi considerado erroneamente no acórdão recorrido como R$21.854,36 (vide Demonstrativo do lançamento às fls. 336 e acórdão fls. 415), o que aumentou incorretamente em R$9,00 o valor de rendimento omitido. O depósito de R$22.365,12 merece exposição mais detalhada que irá corroborar a conclusão exposta adiante. Analisandose o extrato correspondente verificase que esse depósito foi registrado como “autodeposito outra agenc” (fls. 214). Dias antes, em 02/06 houve depósito com idêntico histórico na conta 8.608.973,4 (fls. 209), o qual foi reputado comprovado pela autoridade fiscal como vinculado a um Aviso de Negociação de Ações (fls. 332) e, portanto, não constou da autuação. Eis evidências favoráveis à alegação recursal: 1. o contribuinte praticava investimentos na BOVESPA por meio da Corretora Solidez; 2. há depósitos em contas do contribuinte referentes a essas operações; 3. não obstante a cautela da DRJ em admitir a documentação emitida pela Corretora, não há evidências de que não sejam fidedignas; 4. os depósitos em discussão tem os mesmos valores dos que foram assinalados nos extratos da Corretora e datas aproximadas e nos demonstrativos fiscais constou observação quanto ao interstício entre a operação em bolsa e o crédito em conta bancária; 5. os extratos indicam que os depósitos foram “autodeposito”, o que sugere que foi feito pelo próprio correntista. Vindo de outra agência; Fl. 459DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 447 11 6. há depósitos de mesmo valor e datas próximas em contas do contribuinte cuja vinculação com as operações em bolsa foram admitidas pela Fiscalização. Concluise que está comprovado que esses depósitos correspondem ao recebimento de recursos advindos das operações com ações, cuja tributação não se dá com amparo no caput do art. 42 da Lei 9.430/1996 e sim por meio de regra específica referente a ganho de capital (§2º do art. 42 da Lei 9.430/1996), o que implica exclusão desses depósitos do lançamento, uma vez amparado na existência de depósitos de origem não comprovada. Mesmo após a citada exclusão a soma dos depósitos de origem não comprovada inferiores a R$12.000,00 (fls. 214/220), efetuados nas contas individual, é superior a R$80.000,00. Em suma, a base de cálculo deve ser reduzida em função da exclusão da infração ganho líquido no mercado de renda variável (item 1 fls. 361) e dos seguintes valores da omissão de rendimentos (item 2 – fls. 361/362): a) depósitos da conta conjunta (R$54.134,89); b) R$9,00 do equívoco do acórdão recorrido; e c) R$ 777,03, depositado em 01/06/1998; R$20.365,12, em 05/06/1998, e de R$21.845,36, em 22/06/1998. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração ganhos líquidos no mercado de renda variável e o valor de R$ 97.131,40 (noventa e sete mil, cento e trinta e um mil e quarenta centavos) de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 460DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 448 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 19 de maio de 2014 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 462DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001866/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência.
Numero da decisão: 2201-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 23/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.001866/2009-11
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364552
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.419
nome_arquivo_s : Decisao_19515001866200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 19515001866200911_5364552.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 23/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
dt_sessao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5549963
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811385528320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001866/200911 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2201002.419 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria IRRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado YALE LA FONTE SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 23/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 66 /2 00 9- 11 Fl. 4162DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2003 a 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 79/104, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.212.647,63. A fiscalização apurou divergências entre os valores escriturados nos registros contábeis e as DCTF’s, em confronto com os respectivos comprovantes de pagamento, conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 75/78. Cientificado do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... sobre o lançamento cuja matéria tributável foi as diferenças acima listadas, tidas pelo autuante como IRRF recolhido a menor, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 108/125, alegando dentre outras razões, nada dever ao fisco, tendo apresentado o anexo de fls. 126/136, com o resumo dos valores declarados em DCTF e dos DARF’s que teriam sido recolhidos. Colacionou com a impugnação os documentos de fls. 230/645, que se constituem, em cópia da DCTF e respectivos DARF e cópia de excerto do Razão da Conta “IRRF TERCEIROS A RECOLHER” ou da conta “IRRFS/ SALÁRIO A PAGAR”, para justificar a improcedência dos valores lançados. Os autos foram baixados em diligência, fls. 676/678, para saneamento, pois, alegou a Impugnante que os valores que estavam sendo exigidos, já haviam sido pagos. Efetuada a diligência, a fiscalização elaborou Informação Fiscal contendo os novos valores exigidos, ou seja, a autoridade autuante reduziu o montante de IRRF que originalmente somava R$ 1.419.383,37, para R$ 309.915,64 (fls. 684/698). A contribuinte foi cientificada da Informação Fiscal e respectivas planilhas e apresentou petição, fls. 765/767, reiterando o entendimento de que nada deve ao fisco. Da análise da informação fiscal, a 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI resolveu converter novamente os autos em diligência, para a autoridade lançadora responder aos quesitos arrolados e elaborar resumo conclusivo e memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes. A autoridade fiscal solicitou a contribuinte apresentação de todos os comprovantes de pagamento efetuados, para todos os valores objeto do Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Em resposta à intimação, a contribuinte apresentou os documentos às fls. 860/3.746, contendo cópias de notas fiscais, de DARFs e de Demonstrativos de Pagamento de salários efetuados. Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 3 3 Por sua vez, a fiscalização cotejou os documentos apresentados pela autuada e elaborou nova Informação Fiscal (fls. 3749/3752). A contribuinte foi novamente cientificada da Informação Fiscal de fls. 3749/3752, e alegou, mais uma vez, que cumpriu todas as obrigações principais e acessórias. A 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou improcedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: VALORES ESCRITURADOS. VALORES DECLARADOS/PAGOS. Comprovado equívoco na apuração do crédito tributário, ao confrontarse os registros contábeis do contribuinte, as respectivas DCTF’s e os comprovantes de pagamento, evidenciandose erro na apuração do valor tributável, bem assim da data do fato gerador, exonerase a exigência. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 3, de 2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade. Ao analisar a Impugnação apresentada pela recorrente, no cotejo das provas constantes dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância, assim concluiu: Do extenso e exaustivo relatório acima apresentado, evidencia se o esforço despendido por esta turma de julgamento, com o intuito de sanear os autos. Desde a primeira análise, constatouse haver diferenças entre os valores apontados como devidos pela fiscalização, no Termo de Verificação (fls. 77/78), que montavam a R$ 1.498.123,48, e no Auto de Infração R$ 1.419.383,37 (fls. 96/103). Essa discrepância inicial, foi evidenciada no quadro comparativo apresentado em fls. 839/843 e acima reproduzido, onde se verifica que os valores hachurados são alguns fatos geradores do IRRF que só constavam no TFV ou só no AI. Fl. 4164DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A isto se acrescente que, junto com a impugnação o contribuinte colacionou documentos (fls. 230/645), quais sejam cópias de DCTF e respectivos DARFs e cópia de excerto do Razão da Conta “IRRF TERCEIROS A RECOLHER” ou da conta “IRRFS/ SALÁRIO A PAGAR”, para sustentar a alegação de serem improcedentes os valores lançados. Da análise daqueles documentos esta turma de julgamento deparouse com uma série de evidências de que o procedimento adotado pela fiscalização estava eivado de equívocos. Os autos foram baixados em diligência, conforme acima relatado para o saneamento dos autos, a fim de que a fiscalização procedesse ao batimento dos DARFs apresentados, vinculandoos às DCTFs e os registros contábeis, a fim de se que se verificasse se alguns dos valores que estavam sendo exigidos e para os quais alegava o impugnante ter pago, não teriam sido de fato tomados pela fiscalização com defasagem de período de apuração, como sugeriam os documentos acostados pelo impugnante, ou qualquer outro equívoco, tal como código de receita diferente. A fiscalização procedeu à diligência e os autos retornaram com valores diferentes a serem exigidos, conforme sintetizados no quadro apresentado em fls. 846/848 e acima reproduzido. Da leitura do referido quadro, verificase que do montante de R$ 1.419.383,37, do auto de infração original (fls. 96/103), a autuante elaborou novo cotejo das informações contábilfiscais (fls. 770/784), onde introduziu uma nova coluna denominada “LANCTO FINAL), valores esses que totalizam R$ 309.915,64, ou seja a fiscalização reconheceu que de fato os valores não eram bem aqueles e reduziu a exigência inicial de R$ 1.419.383,37 para R$ 309.915,64. Ocorre, que mais uma vez, esta turma de julgamento procedeu a análise de todos os documentos e constatou que a autuante não havia procedido ao correto saneamento dos autos e introduzido outros equívocos. Incluiu no lançamento por ela denominado de final alguns fatos geradores que não figuravam no auto de infração inicial e para uns poucos outros majorou o valor que inicialmente havia lançado. Tais fatos ficaram evidenciados no quadro apresentado em fls. 844/845 e 846/848 e acima reproduzidos. Novamente os autos foram baixados para a fiscalização, tomandose como exemplo os dois primeiros valores da TABELA FINAL (fls. 848/850) R$ 149,24 e R$ 545,16 , fazendose uma análise profunda da procedência desses valores e solicitando para a fiscalização que apresentasse a memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes, ou seja procedesse ao mesmo exame para as demais diferenças. Sobre os dois primeiros valores R$ 149,24, R$ 545,16 dissecados por esta turma de julgamento na segunda diligência, conforme acima relatado a fiscalização ora afirmou categoricamente não ter sido possível determinar com exatidão a efetiva data do fato gerador do IRRF, ora ter havido desencontro do valor contabilizado em relação à DCTF e conseqüentemente com o Fl. 4165DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 4 5 SINAL (pagamentos), culminando por concluir pela eliminação dessas duas primeiras diferenças da autuação. E não procedeu a esta mesma análise e à produção da memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes, conforme lhe fora solicitado. Ora, por duas vezes teve a fiscalização a oportunidade de sanear e manifestarse sobre eventuais diferenças a serem exigidas e não o fez. A isto se acrescente que para todas as diferenças remanescentes, verificase ter havido equívocos ora na apuração do valor tributável, ora na data do fato gerador. O artigo 142 do Código Tributário Nacional descreve da seguinte forma a atividade do lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ora, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a identificação correta do momento em que ocorrido o evento que dá origem à obrigação tributária, o que tem diversos reflexos na constituição do crédito tributário, seja na aplicação correta da legislação então vigente, na verificação da ocorrência eventual da decadência, e mesmo, em algumas situações, no próprio dimensionamento da matéria tributável. Destarte, tendo sido exaustivamente analisada a documentação apresentada e evidenciadose erro na apuração do valor tributável, bem assim na possível data do fato gerador em face dos registros contábeis do contribuinte, das respectivas DCTF’s e dos comprovantes de pagamento, deve ser exonerada a exigência por comprovadamente ser indevida. Diante do exposto, voto por julgar procedente a impugnação e pela exoneração do crédito tributário exigido. Do exposto, verificase que a autoridade recorrida converteu o processo em diligência para que a autoridade lançadora procedesse ao saneamento dos autos. Efetuada a diligência, a autoridade autuante elaborou Tabela Final (fls. 848/850), reduzindo o montante de IRRF que originalmente somava R$ 1.419.383,37, para R$ 309.915,64 (fls. 684/698). Contudo, em razão de outros equívocos na apuração do valor tributável, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que a fiscalização, tomandose como exemplo os dois primeiros valores da Tabela Final, R$ 149,24 e R$ 545,16, efetuasse novo exame dos valores remanescentes, elaborando memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças. Entretanto, a fiscalização não se manifestou sobre as diferenças levantadas pela autoridade recorrida. Ora, para exigir o crédito tributário a autoridade fiscal responsável pela sua constituição deverá demonstrar claramente sua ocorrência. Ao não fazêlo de forma adequada Fl. 4166DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 impediu que o contribuinte exercesse plenamente o direito ao contraditório. O objetivo da diligência proposta pela DRJ foi esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas pelo julgador no exame do litígio. Todavia, a autoridade lançadora não logrou elucidar os valores constantes da Tabela Final (fls. 848/850), mantendo, dessa feita, a falta de clareza do conteúdo do Auto de Infração. A falta de clareza do auto de infração, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, também impede a correta análise dos fatos por parte do julgador, conforme se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa transcrevese: Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE CLAREZA E PRECISÃO. Constatada a ocorrência de infração deve ser lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada. A falta de clareza e precisão na lavratura da infração impede o exercício do direito de defesa do contribuinte, como também impede a correta análise por parte do julgador. Recurso Especial do Contribuinte Provido. (Acórdão nº 920201.772 –2ª Turma Processo nº 35301.008000/200641) Portanto, ante a falta de clareza e precisão dos fatos em que se funda o auto de infração, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4167DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.001866/200911 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.419. Brasília/DF, 15 de maio de 2014 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 4169DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727226/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2009 a 28/02/2011
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVIDAS.
O lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente, das contribuições dos segurados não declaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. IMPORTÂNCIAS PAGAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO FUNCIONÁRIO DOENTE OU ACIDENTADO E VALORES PAGOS A TÍTULO DE SALÁRIO MATERNIDADE.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto.
MULTA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SITUAÇÕES COMPROVADAS.APLICAÇÃO DA MULTA JUSTIFICADA.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançarem títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
PERÍCIA. PROVAS SUPERVENIENTES. DESNECESSIDADE.
Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde-se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreende-se que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento.
Numero da decisão: 2302-003.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
NOME DO PRESIDENTE - Presidente.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/01/2009 a 28/02/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVIDAS. O lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente, das contribuições dos segurados não declaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. IMPORTÂNCIAS PAGAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO FUNCIONÁRIO DOENTE OU ACIDENTADO E VALORES PAGOS A TÍTULO DE SALÁRIO MATERNIDADE.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto. MULTA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SITUAÇÕES COMPROVADAS.APLICAÇÃO DA MULTA JUSTIFICADA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançarem títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. PERÍCIA. PROVAS SUPERVENIENTES. DESNECESSIDADE. Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde-se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreende-se que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.727226/2012-20
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352473
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.148
nome_arquivo_s : Decisao_10380727226201220.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 10380727226201220_5352473.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. NOME DO PRESIDENTE - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
dt_sessao_tdt : Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5484769
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811409645568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.727226/201220 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.148 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2009 a 28/02/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVIDAS. O lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente, das contribuições dos segurados não declaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. IMPORTÂNCIAS PAGAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO FUNCIONÁRIO DOENTE OU ACIDENTADO E VALORES PAGOS A TÍTULO DE SALÁRIO MATERNIDADE.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto. MULTA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SITUAÇÕES COMPROVADAS.APLICAÇÃO DA MULTA JUSTIFICADA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançarem títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. PERÍCIA. PROVAS SUPERVENIENTES. DESNECESSIDADE. Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.Com relação à produção de provas supervenientes à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 72 26 /2 01 2- 20 Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 2 apresentação da impugnação, compreendese que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. NOME DO PRESIDENTE Presidente. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.019.3870,lavrado em 21/06/2012, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., no valor deR$ 116.535,96(cento e dezesseis mil, quinhentos e trinta e cinco reais e noventa e seis centavos),referente a contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais incidentes sobre as remunerações pagas e não declaradas em GFIP, descontadas e não repassadas à Seguridade Social em época própria, abrangendo as competências 01/2009 a 13/2010. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 51.019.3889, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., lavrado em 21/06/2012, no valorde R$ 13.535,95 (treze mil, quinhentos e trinta e cinco reais e noventa e cinco centavos), referente a contribuições previdenciáriasincidentes sobre as remunerações, pagas ou creditadas aos segurados empregados, bem como, sobre as remunerações pagas ou creditadas a freteiros, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009. Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.019.3897, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA.,lavrado em 21/06/2012, no valor de R$ 422.729,20 (quatrocentos e vinte e dois mil, setecentos e vinte e nove reais e vinte centavos), referente às contribuições previdenciárias, Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 3 3 parte patronal, incidentes sobre a remuneração dossegurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, abrangendo as competências de 01/2009 a 13/2010. Tratase, ainda, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.019.3900, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., lavrado em 21/06/2012, no valor de R$ 519.122,20 (quinhentos e dezenove mil, cento e vinte e dois reais e vinte centavos), referente à glosa de compensação indevidaabrangendo as competências 01/2009 a 02/2011. Por fim, tratase Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD n° 51.019.3919, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., lavrado em 22/006/2012, no valor de R$ 16.190,98 (dezesseis mil, cento e noventa reais e noventa e oito centavos)referente à multa por deixar a empresa de lançar em títulos próprios da contabilidade, os fatos geradores de todas as contribuições, os valores que foram descontados a título de contribuição previdenciária dos segurados, os valores devidos pela empresa também a título de contribuições previdenciárias e os valores totais que foram recolhidos. Segundo consta o Relatório Fiscal, o cálculo das contribuições devidaspela empresa sobre as remunerações dos segurados empregados foi efetuado tomandoseporbase o maior valor da base de cálculo encontrada obtidas através do batimento da folha depagamento com aqueles constantes em GFIP.Já os valores da contribuição devida pela empresa sobre as remuneraçõesdos contribuintes individuais foram encontrados por meio de batimento entre as importânciasconstantes das folhas de pagamento com as da GFIP, salientando que não havia declaradonenhum valor referente aos contribuintes individuais autônomos e freteiros. Apresentada impugnação pelaempresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2011 AI nº 51.019.3870, de 21/06/2012, AI nº 51.019.3889, de 21/06/2012, AI nº 51.019.3897, de 21/06/2012, AI nº 51.019.3900, de 21/06/2012, e AI nº 51.019.3919, de 22/06/2012. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO EM GFIP. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, cabível o lançamento fiscal para se exigir o crédito tributário pago a menor. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. NÃO AFETAÇÃO AO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO DO TRIBUTO. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 4 A suspensão da exigibilidade do crédito não obsta a realização do lançamento pela Fazenda Pública a fim de prevenir a decadência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, aEmpresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, apresentando as seguintes razões: a) Aduz que, em relação aos contribuintes individuais, a empresa não declarou as remunerações pagas a estes profissionais em GFIP e, consequentemente, não recolheu as contribuições previdenciárias, por entender que as contribuições previdenciárias são de responsabilidade única dos próprios contribuintes individuais. Sendo assim, agiu de boafé; b) Alega que as compensações feitas pela empresa não seguiram a legislação vigente. E mais, que tais glosassão indevidas, posto quefoi proferida decisão liminar favorável à empresa nos autos do Agravo de Instrumentonº 006246474.2006.4.05.0000,decisão esta que autorizou as compensações e que teria sido confirmada em sede de recurso; c) Argui que não cabe a aplicação de qualquer penalidade à empresa pela compensação tida como indevida, uma vez que a empresase compensou de com crédito que o Poder Judiciárioo conferira através do Agravo de Instrumento supramencionado; d) Assevera que o fisco,ao exigir o recolhimento da contribuição socialprevidenciária sob a importância paga nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento de funcionário doente ou acidentado, sob os valores pagos a título de salário maternidade, bem como, sob os valores pagos a título de férias e adicional de férias, age incorretamente, posto que nestes casos não háremuneração por serviços prestados. Sendo assim, tendo a empresa recolhido contribuições previdenciárias sobre estas verbas fez jus à compensação dos valores pagos indevidamente com débitos próprios. e) Sustenta que, conforme o disposto no art. 20 da Lei nº 8.212/91, o saláriodecontribuiçãoé a base de cálculo da contribuiçãodevida pelos segurados, mas não a base de cálculo da contribuição patronal. Assim, indevida é exigência feita pelo fiscobaseadana citada IN RFB 971/09, dispositivo infralegal, desrespeitandoflagrantemente ao principio da legalidade. f) Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios em direitoadmitidos, notadamente a juntada posterior de documentos e, especialmente, pela realização deperícia técnica. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 4 5 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito I – Contribuição Previdenciáriasobre a remuneração dos contribuintes individuais e dos segurados empregados. Antes de quaisquer argumentos, é imperioso destacar que o art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91 prevê a arrecadação de 20% (vinte por cento) das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais a título de contribuição previdenciária pela empresa tomadora dos serviços destes profissionais, logo, tratase de obrigação legalmente estabelecida e em perfeita consonância com os dispositivos constitucionais. Citado nos Autos de Infração para embasamento legal da autuação, o artigo 4º da Lei nº 10.666/2003 é ainda mais direto e preciso e impõe às empresas tomadoras de serviços a obrigação de arrecadar a contribuição do contribuinte individual a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, e devendo proceder com o devido recolhimento do valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo para os demais segurados até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior no caso de não haver expediente bancário naquele dia: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Lei 10.666/2003 Dispõe sobre a concessão da aposentadoria especial ao cooperado de cooperativa de trabalho ou de produção e dá outras providências.) Cabe ainda salientar que, antes mesmo da Lei 9.876/1999 que incluiu deu a nova redação ao já mencionado artigo 22, inciso III, da Lei 8.212, já havia na Constituição Federal previsão para a incidência da contribuição social, sobre os rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 6 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” Da leitura dos excertos legais aqui colacionados, inferese quesobre a remuneração paga a pessoas físicas que prestem serviços a determinada empresa deve incidir as contribuições previdenciárias, haja vista que as remunerações pagas aos autônomos estão compreendida na categoria de contribuintes individuais a que se refere a Lei 8.212/1991. Resta, portanto, indubitável ante a clarividência da lei a obrigação atribuída à empresa de reter e recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais. Diante do exposto, incabível se mostra a alegação de boa fé feita pela empresa como forma de eximirse de sua obrigação fundamentada com a alegação de que a empresa não procedeu com a declaração em GFIPs e consequente recolhimento das contribuições previdenciárias sob as remunerações pagas aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços por acreditar que esta responsabilidade caberia unicamente ao segurado contribuinte individual, sobretudo porque, como bem posto no acórdão de julgamento guerreado,“em matéria tributária, o lançamento deve obedecer unicamente os comandos da lei, não havendo espaço para perquirição a respeito de atributos subjetivos da conduta da contribuinte”. No que concerne às contribuições dos segurados empregados,o cálculo das contribuições devidaspela empresa sobre as remunerações destes foi efetuado tomando seporbase o maior valor da base de cálculo encontrada obtidas através do batimento da folha depagamento com aqueles constantes em GFIP. Assim, conforme preceitua o Artigo 11, Parágrafo único, alínea a da Lei 8.212/91, devidas são tais contribuições sociais. Ademais, nada há nos Autos que comprove que este lançamento se fez de forma indevida. Desta feita, o lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente,das contribuições dos segurados nãodeclaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido. II Contribuição previdenciária incidente sobre férias gozadas e respectivo adicional, importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e valores pagos a título de salário maternidade. A Recorrente tanto no recurso, quanto na impugnação, aduz em sua defesa que os valore as férias gozadas e seu respectivo adicional, as importânciaspagas nos 15(quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como, osvalores pagos a título de saláriomaternidade não seria alvo de incidência de contribuição previdenciária. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 5 7 Ocorre que, a contribuinte, ora Recorrente, já discute na esfera judicial, o caráter não tributário das verbas em comento, ou seja, existe processo judicial instaurado sobre o mesmo assunto tratado nesta esfera administrativa, o que configura a coexistência de duas demandas com o mesmo objeto, o que não pode acontecer. Pela clareza e alto grau elucidativo, transcrevese nas próximas linhas excerto do acórdão de Impugnação, onde o relator expõe o levantamento que realizou sobre o Mandado de Segurança nº 2006.81.00.0122759,protocolizadona 2ª vara da Seção Judiciária do Ceará pela ora Recorrente: “Por meio de aresto proferido pelo TRF 5 em sede de apelação da MWN,extraiseque referida ação mandamental foi manejada no intuito de obter provimento jurisdicional no sentido de que se determinasse, inclusive, em sede de medida liminar, o direitoà compensação dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária patronal sobre osalário, por motivo de doença ou acidente, bem como, aquelas recolhidas a título de saláriomaternidade,férias e adicional de férias, inclusive, os acrescidos referentes a juros de mora de1%, correção monetária e taxa SELIC, a partir de 01.01.96. No entanto, o juiz de 1º grau indeferiu o pedido liminar, por entender quese fariam presentes os requisitos legais necessários à outorga da medida reclamada, em vista davedação constante na Súmula de nº 212 do STJ e, bem assim, no artigo 170Ado CTN, queimpedem odeferimento de liminar para fins de compensação. Irresignada, a requerente impetrou Agravo de Instrumento nº2006.05.00.0624644no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a fim de reverter a decisão de1ª instância. Em julgamento ao recurso manejado, foi lavrado acórdão, cuja ementareproduzo abaixo: AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIODOENÇA,AUXÍLIOACIDENTE.PRIMEIROS 15 DIAS. SALÁRIOMATERNIDADE E 1/3 DEFÉRIAS. PAGAMENTO PELA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO INDEVIDO. FÉRIAS. NATUREZA JURÍDICASALARIAL. TRIBUTO DEVIDO. 1Agravode Instrumento contra a decisão que, em sede de Mandado de Segurança, indeferiu o pedido de medida liminar do Impetrante/Agravante, determinando que fosse suspensa a exigibilidade da contribuição previdenciáriapatronal sobre o salário por motivo de doença ou acidente, bem como, aquelasrecolhidas a título de saláriomaternidade,férias e adicional de férias, inclusive,os acrescidos referentes a juros de mora de 1%, correção monetária e taxaSELIC, a partir de 01.01.96. 2 O pagamento efetuado pela empresa ao empregado nos primeiros 15 (quinze)dias por motivo de doença, acidente de trabalho Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 8 ousaláriomaternidade,nãopossui natureza jurídica de remuneração salarial, não devendo, portanto, incidircontribuição previdenciária. 3Quantoao adicional de 1/3 de férias gozadas, não deve servir de base de cálculo para contribuição previdenciária, posto que não será percebido pelo servidor quando de sua aposentadoria. 4Quantoao adicional de férias não gozadas e 1/3 de férias não gozadas, nãodeve incidir contribuição previdenciária, ao passo em que, se não foramgozadasas férias, o empregado irá recebelasem caráter indenizatório, e não, em carátersalarial. 5Emrelação às férias gozadas, deve incidir a contribuição previdenciária, hajavista que, no gozo da mesma, não se interrompe o contrato de trabalho, configurando, assim, natureza jurídica salarial. Agravo de Instrumento providoem parte. Já no dispositivo do acórdão ficou assentado:Ante todo o exposto, dou provimento, em parte, ao Agravo de Instrumento, paraque o empregador/Agravante não recolha a contribuiçãoprevidenciária emrelação aos primeiros 15 dias do auxíliodoençae auxílioacidente;ao salário maternidade, as férias apenas as não gozadas e 1/3 de férias gozadas ou não. Écomo voto. Após isso, em sentido diametralmente oposto, sobreveio sentença no juízosingular julgando o pedido improcedente sob o fundamento de ser a contribuiçãoprevidenciária devida em virtude do princípio da solidariedade da Previdência Social, defiliação obrigatória.Restou então ao autor da demanda ingressar com apelação no TRF 5, como propósito de ver tutelada a sua pretensão. Do recurso impetrado, adveio a decisão do Tribunal, abaixo ementada: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. AUXÍLIOACIDENTE.AUXÍLIODOENÇA. SALÁRIOMATERNIDADE.FÉRIAS.ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. ART. 170A DO CTN. LEI Nº 9.129/95. 1.A Impetrante pretende excluir da base de cálculo da ContribuiçãoPrevidenciária os valores pagos a título de férias,do adicional de 1/3 (um terço)de férias, do auxíliodoença,do auxílio acidente e do saláriomaternidade; 2. Todavia, apenas os valores pagos a título de auxíliodoença(os primeiros 15dias) e do adicional de 1/3 de férias,quando gozadas, não devem ser incluídos nabase de cálculo daContribuição Previdenciária, haja vista que possuem naturezaindenizatória. Precedentes Jurisprudenciais; 3. As Férias e o SalárioMaternidadepossuem natureza salarial, devendointegrar a base de cálculo da contribuição; 4. O auxílioacidenteé pago integralmente pela Previdência Social, destarte, nãohá interesse da Impetrante em sua exclusão. Precedentes Jurisprudenciais; 5. O Egrégio STJ, no âmbito da Primeira Seção, órgão regimentalmentecompetente para analisar questões atinentes ao direito tributário, é firme quantoà aplicação, para fins de compensação, da lei em vigor ao tempo do ajuizamentoda ação (Resp 853.903/SP), in casu na data de 12/07/06, portanto, na vigênciada Lei nº 10.637/02, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96; Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 6 9 6. Os juros de mora passaram ser devidos pela taxa SELIC a partir dorecolhimento indevido, não mais tendo aplicação o art. 161 c/c o art. 167,parágrafo único, do CTN; 7. A limitação à compensação, imposta pela Lei nº 9.129/95, deve ser aplicada,uma vez que o crédito não decorreu de tributo declarado inconstitucional.Obediência ao art. 170A do CTN; 8. Apelação da Impetrante provida em parte para reconhecer a aplicação daprescrição decenal aos valores pagos indevidamente até a data do início davigência da Lei Complementar nº118/05, ocorrida em 09.06.2005, assim comodeterminar a exclusão dos valores pagos a título de auxíliodoença(os primeiros15 dias) e do adicional de um terço constitucional das férias da base de cálculoda Contribuição Previdenciária Patronal. Pesquisando a movimentação processual no sitio eletrônico do TRF 5 nainternet, verifiquei que contra o acórdão do TRF foram desafiados embargos de declaraçãopela MWN e pela Fazenda. No entanto, ambas não foram providas. Inconformada, a MWN, por sua vez, ingressou com Recurso Especial e aFazenda, com Recurso Especial e Recurso Extraordinário. O Recurso da MWN (Resp 1269341), em consulta processual no sítio doSTJ, ainda se encontra pendente de julgamento de decisão até a presente data.O mesmo ocorre com os recursos desafiados pela Fazenda Nacional. Ressalteseque Desembargador Federal Vice–Presidente do TRF 5, aoanalisar aadmissibilidade do Recurso Extraordinário, determinou o sobrestamento do processo,em virtude de a questão constitucional objeto de recurso estar submetida à análise do STF, emrelação ao qual já foi reconhecida a repercussão geral. Desse modo, o processo ficarásobrestado até o pronunciamento definitivo daquela corte. Essa é, portanto, a atual situação do processo judicial.” Pela descrição narrativa supra, verificaseclaramente a concomitância deste processo administrativo e de processo judicialtratando do mesmo objeto, qual seja, a incidência de contribuição previdenciária sobre as férias gozadas e de seuadicional, do valor pago pela empresa pelos quinze primeiros dias em que o empregado esteveafastado por doença e do saláriomaternidade. Ante o exposto, devese recordar o ordenado no Ato Declaratório de nº 03/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, segundo o qual “a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto”. O referido Ato Declaratório foi formulado em observância ao art. 1º, § 2º, do Decreto Lei nº 1.737/1979 e ao art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980, que deixam claro que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 10 A concomitância de processo administrativo e de processo judicial tratando do mesmo objeto já é matéria sumulada por este órgão: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso em tela, a ação judicial interposta pelaRecorrente poderárefletir no presente lançamento, uma vez que o resultado definitivo com o seu julgamento noPoder Judiciário poderá substituir integralmente um suposto julgamento administrativo, motivo pelo qualse tornadispensável, neste momento, a análise a respeito a matéria em discussão. Desta forma, o presente processo administrativo resta ineficaz em face da identidade de questionamentos com a ação judicial já proposta pelaRecorrente e ainda em trâmite, haja vista que o setor competente deverá observar a decisão final a ser proferida na ação judicial em comento. III Glosa de Compensação A Recorrente alegou que as compensações por ela efetuadas não poderiam ter sido glosadas pelo fisco, posto que foi proferida decisão liminar favorável à empresa nos autos do Agravo de Instrumento nº 006246474.2006.4.05.0000, decisão esta que autorizou as compensações e que teria sido confirmada em sede de recurso; De logo insta destacar que o direito à compensação também é matéria da ação judicial Já mencionada e, assim, pelas razões já expostas, cabe apenas declarar a renúncia também neste ponto do recurso apresentado pela Recorrente na esfera administrativa. Todavia, ainda sobre este ponto, cabem algumas considerações: Da análise do já mencionado processo judicial em trâmite, viuse que, de fato, houve a concessão da antecipação da tutela pelo TRF5 em sede deagravo de instrumento. Ocorre que, ao contrário do que foi posto pela Recorrente, a concessão da tutela antecipada não se deu na forma como foi pleiteada por ela.A antecipação dos efeitos da tutela foi parcial, tãosomente para que a empresa não recolhesse a contribuição previdenciária em relação aosprimeiros 15(quinze) dias do auxíliodoençae auxílioacidente,aosaláriomaternidade,às fériasnão gozadas e 1/3 de férias gozadas ou não e quanto ao pedido de compensação o TRF5pronunciousecontrariamente à pretensão da Recorrente, determinando a obediência aoartigo 170A do CTN, que veda a realização de compensação mediante o aproveitamento de tributo,objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgadoda respectiva decisão judicial. Ademais, o entendimento das cortes superiores é pacífico quanto a este tema, sendo inclusive, objeto da Súmula 212 do Superior Tribunal de Justiça: “STJ Súmula nº 212 11/05/2005 DJ 23.05.2005 Compensação de Créditos Tributários Medida Liminar A compensação de créditos tributários não pode ser deferida por medida liminar.” Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 7 11 Por fim, é importante destacar que o lançamento realizado temtambém uma função de prevenir a decadência, e sobre esteponto no acórdão de julgamento ora combatido há um excerto bastante esclarecedor: “Não seria razoável imaginar uma situação emque, havendo umademanda judicial e esta tivesse o fim de impedir o lançamento, a FazendaPública, tendo obtido decisão a si favorável, não pudesse mais exigir o tributo, em virtude deter operado adecadência, principalmente em casos em que o processo se arrastasse por algumtempo.” Assim, não restando prejudicado o direito potestativo daFazenda Pública de efetivar a constituição do crédito tributário, acertado se mostra o lançamento efetuado pelo fisco com a glosa das compensações realizadas indevidamente pela Recorrente. IV –Da Multa Aplicada A fiscalização lavrou o Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD n° 51.019.3919, referente à multa por deixar a empresa de lançar em títulos próprios da contabilidade, os fatos geradores de todas as contribuições, os valores que foram descontados a título de contribuição previdenciária dos segurados, os valores devidos pela empresa também a título de contribuições previdenciárias e os valores totais que foram recolhidos. Pois bem, Tal fato ensejou a adequação ao disposto na Lei 8.212/91, art. 32, II, art.92,art.102, c/c Decreto 3.048/99 – RPS, art.225, II, parágrafos 13 a 17 e art. 283, II, ‘a’ , inverbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001) § 1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 12 decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). ************************************************** Art. 225. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Ademais, na aplicação da multa, foram constatadas circunstâncias agravantes da penalidade prevista no inciso V do artigo 290 do RPS, qual seja, aquela do art. 292, IV, do RPS, in verbis: Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Por todo exposto, correta a lavratura do Auto de infração ora tratado, sendo cabível a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória. V Do Pedido de Perícia e Produção de Provas Supervenientes Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 8 13 Quanto ao pedido de perícia, o Decreto n° 70.235/72, é claro ao estabelecer, em seu artigo 18, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O dispositivo legal acima destacado é expresso ao afirmar que a realização de perícias ou diligências apenas será determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias...'', ou seja, é condição determinante para a produção pericial o convencimento do julgador acerca de sua necessidade. Destarte, o eventual indeferimento de sua produção não caracteriza cerceamento de defesa. No contexto do presente processo, a produção de provas periciais serviria apenas para prorrogar indevidamente a discussão sobre o lançamento, cuja procedência não há mais, em virtude do até agora exposto, que ser questionada. Diante disso, rejeito o pedido de produção da prova pericial. Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreendese que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação. Sendo assim, consoante dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, após a apresentação da impugnação, passase à frase processual seguinte. Esta frase é destinada à preparação e à complementação da instrução do processo para que esteja apto ao julgamento. Frisase que esta ocasião tem caráter probatório complementar, uma vez que a prova documental já deve ter sido apresentada pelo contribuinte na fase instauratória, por ocasião da impugnação, em conjunto com a indicação das provas diligenciais, realização de perícia e respectivos quesitos. Nesse diapasão, a juntada de novos documentos deverá ser requerida fundamentadamente à autoridade julgadora, nos termos dos §§4º e 5º do art. 16 do Decreto70.235/72: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 14 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Diante disso, percebese que apenas poderá ser admitida a apresentação de provas extemporâneas no Processo Administrativo Fiscal quando houver o requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, nos casos em que haja motivo de força maior que tenha impedido o seu oferecimento simultâneo à apresentação da impugnação ou, na primeira oportunidade, em que o documento refirase a fato ou direito superveniente à impugnação, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 9 15 Perlustrando este entendimento, na hipótese do Recorrente não atender a nenhuma das assertivas elencadas no referido §5º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, este Colegiado não possui competência para autorizar a juntada de novas provas ou apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação. Devendo, portanto, esse direito ser pleiteado perante o Poder Judiciário. IV Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para no mérito NEGAR LHE TOTAL PROVIMENTO e manter o crédito fiscal constantes nos DEBCADS de ns°51.019.3870, 51.019.3889, 51.019.3897, 51.019.3900 e 51.019.3919. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de maio de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes,Relator Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721315/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.721315/2009-19
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350726
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.788
nome_arquivo_s : Decisao_10580721315200919.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10580721315200919_5350726.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5468439
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811749384192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 129 1 128 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721315/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.788 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2014 Matéria IRPF Recorrente NARTIR DANTAS WEBER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 15 /2 00 9- 19 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721315/200919 Acórdão n.º 2802002.788 S2TE02 Fl. 130 3 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei estadual baiana de número 8730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 39 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais. Em sessão realizada em 23 de fevereiro de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo Contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721315/200919 Acórdão n.º 2802002.788 S2TE02 Fl. 131 5 verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. A impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimada da supramencionada decisão (fls.94), interpôs tempestivamente o recurso de fl.95, interpôs tempestivamente o recurso de fl.87, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721315/200919 Acórdão n.º 2802002.788 S2TE02 Fl. 132 7 de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR. Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n. 256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721315/200919 Acórdão n.º 2802002.788 S2TE02 Fl. 133 9 fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008970/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há que se falar em nulidade.
A alegação de falta de apreciação de provas não pode prosperar quando o contribuinte afirma genericamente que não foram apreciadas as provas favoráveis à sua defesa, sem indicação precisa dos documentos que não teriam sido analisados, mormente quando a decisão recorrida faz expressa menção aos documentos apresentados pelo contribuinte e os rejeita como prova das alegações da defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA CORRESPONDENTES.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula nº 26, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula nº 61 - Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula nº 38 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE DOAÇÃO.
A doação é caracterizada pela liberalidade, ou seja, o doador transfere bens ou vantagens para outrem sem nada receber em troca, não há, portanto, contraprestação. Ou seja, se a transferência se dá em razão de contraprestação não há que se falar em doação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO.
A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. Nesses casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada as quantias de R$ 105.000,00, R$ 32.157,16 e R$ 300.000,00, nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2006, respectivamente.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há que se falar em nulidade. A alegação de falta de apreciação de provas não pode prosperar quando o contribuinte afirma genericamente que não foram apreciadas as provas favoráveis à sua defesa, sem indicação precisa dos documentos que não teriam sido analisados, mormente quando a decisão recorrida faz expressa menção aos documentos apresentados pelo contribuinte e os rejeita como prova das alegações da defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA CORRESPONDENTES. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula nº 26, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula nº 61 - Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula nº 38 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE DOAÇÃO. A doação é caracterizada pela liberalidade, ou seja, o doador transfere bens ou vantagens para outrem sem nada receber em troca, não há, portanto, contraprestação. Ou seja, se a transferência se dá em razão de contraprestação não há que se falar em doação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. Nesses casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.008970/2008-86
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362255
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-002.600
nome_arquivo_s : Decisao_10980008970200886.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10980008970200886_5362255.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada as quantias de R$ 105.000,00, R$ 32.157,16 e R$ 300.000,00, nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2006, respectivamente. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 25/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5533812
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811800764416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2140; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 4.299 1 4.298 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.008970/200886 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.600 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria IRPF Omissão de rendimentos Depósitos bancários e recebidos de pessoa jurídica Recorrente ALBERTO LUIZ DE MATTOS SABINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há que se falar em nulidade. A alegação de falta de apreciação de provas não pode prosperar quando o contribuinte afirma genericamente que não foram apreciadas as provas favoráveis à sua defesa, sem indicação precisa dos documentos que não teriam sido analisados, mormente quando a decisão recorrida faz expressa menção aos documentos apresentados pelo contribuinte e os rejeita como prova das alegações da defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 89 70 /2 00 8- 86 Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.300 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA CORRESPONDENTES. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula nº 26, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula nº 61 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula nº 38 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE DOAÇÃO. A doação é caracterizada pela liberalidade, ou seja, o doador transfere bens ou vantagens para outrem sem nada receber em troca, não há, portanto, contraprestação. Ou seja, se a transferência se dá em razão de contraprestação não há que se falar em doação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. Nesses casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.301 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada as quantias de R$ 105.000,00, R$ 32.157,16 e R$ 300.000,00, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2006, respectivamente. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ALBERTO LUIZ DE MATTOS SABINO foi lavrado Auto de Infração, fls. 455/460, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2003 a 2006, exercícios 2004 a 2007, no valor total de R$ 3.078.134,36, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/05/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 434/447, foram omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (anoscalendário 2003, 2004 e 2005) e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (anoscalendário 2003, 2004 e 2006). Os extratos bancários foram obtidos mediante autorização judicial. Do Termo de Verificação Fiscal se extrai os seguintes trechos relacionados à infração de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, que foi exigida com multa de ofício qualificada no percentual de 150%: Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.302 4 O contribuinte declarou ter recebido as seguintes doações de Carlos Roberto Massa: 2003 – R$ 250.000,00 2004 – R$ 480.000,00 2005 – R$ 1.000.000,00 Relativo aos anoscalendário de 2003 e 2006 o contribuinte não declara qualquer renda tributável. Em 2004 e 2005 declara como renda apenas R$ 7.301,32 e R$ 2.309,17 como recebimento de VGBL. Entretanto, a documentação obtida durante a fiscalização permite concluir que Alberto Luiz de Mattos Sabino trabalha na empresa de propriedade de Carlos Roberto Massa, a M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, pelos seguintes fatos: Verificouse nas fichas proposta de abertura de conta dos bancos, fls. 412 a 415 (repetidas nas fls. 3, 4, 32 e 97 do ANEXO I), que o contribuinte declara trabalhar na empresa M&M Administração e Participações: em 25/07/2001, no cargo de superintendente, fls. 412 e 413; em 12/07/2002, no cargo de administrador, fl. 414; em 09/05/2006, no cargo Nível de Gerência, fl. 415. Em ação fiscal da Receita Federal do Brasil na empresa Massa&Massa Ltda, CNPJ 81.261.364/000127, o contribuinte recebe os documentos em nome da empresa e se declara superintendente do Grupo Massa, fls. 384 a 387. Para fazer a entrega pessoal do Termo de Intimação 13, fl. 369, acompanhado do procurador do contribuinte, fomos ao n° 869, 14° andar, da Rua Mal. Deodoro, Centro, Curitiba, atual endereço da empresa M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, conforme relato da entrega do referido Termo, fl. 370. Em resposta a este Termo, o contribuinte negou possuir vínculo empregatício com a M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, holding do denominado Grupo Massa, ou com qualquer empresa a ela vinculada, fl. 371. Durante esta fiscalização, conforme o relato registrado em termo, fls. 388 a 411, obtivemos, em 22/10/2007, declaração de Patrícia Schulze que trabalhou na M&M de 2002 a 2004 e afirma que o contribuinte era o superintendente da empresa. Pesquisa na Internet, em site de busca, fls. 416 a 422, registram declarações feitas por Alberto Sabino à imprensa onde este aparece como sendo "diretor executivo do Grupo Massa", "presidente do Grupo Massa", "superintendente da Massa&Massa" e "superintendente do Grupo Massa". Na Diligência às fls. 423 e 424, Sara Gabriel Okar, CPF 747.890.58972, afirma ter trabalhado na M&M de 2003 a início Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.303 5 de 2005, onde Alberto Sabino era o diretor da holding, onde comparecia diariamente. Na Diligência às fls. 425 e 426, Juliana Tiburcio Barbosa Avanso, CPF 004.436.43938, afirma ter trabalhado na M&M de fevereiro de 2004 a janeiro de 2005, onde Alberto Sabino era o responsável pela empresa e lá comparecia diariamente quando não se encontrava em viagem. Na Diligência às fls. 427 e 428, Elisangela Zuege, CPF 267.211.33865, afirma ter trabalhado na M&M de novembro de 2002 a agosto de 2005, onde Alberto Sabino era tratado como presidente do grupo e que todos os funcionários eram subordinados a este. Portanto, as provas acima demonstram que o contribuinte trabalha na empresa M&M, onde exerce cargo na alta gerência, comparecendo quase diariamente na empresa e tendo ascendência sobre os demais empregados, estabelecendose assim um vínculo empregatício com a empresa. Os fatos acima demonstrados indicam a ocorrência de conluio entre os proprietários da empresa e o contribuinte, que em vez de receber rendimentos pela empresa na qual trabalha, pagando os devidos impostos e contribuições, recebe de um dos proprietários, Carlos Roberto Massa, vultosas doações. A empresa, não tendo estas despesas de rendimentos, impostos e contribuições a serem pagas, obteria um lucro maior e repassaria valores ao contribuinte na forma de doações através de um de seus proprietários, motivo pelo qual foi feita a Representação Fiscal Para Fins Penais, nos termos do art. 1° do Decreto n° 2.730, de 10 de agosto de 1998 e nas Portarias SRF n° 2.752, de 11 de outubro de 2001, e n° 1.279, de 13 de novembro de 2002. Tentouse obter os valores e datas das doações feitas ao contribuinte através dos seguintes atos: Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, fls. 64 a 66, o contribuinte apresenta resposta em 01/02/2007, fls. 71 a 123, na qual relaciona as doações recebidas em 2003, fl. 93, e 2004, fl. 107. Na resposta, fl. 71, afirma "Naturalmente o Contribuinte Pessoa Física não possui a obrigatoriedade de documentar, nem tampouco registrar a forma do efetivo desembolso dos valores de suas despesas." e ainda que "Destarte, entende o Contribuinte que as transferências patrimoniais e doações, frisadas no MPF, estão legalmente comprovadas,(...)" pois anexou cópia das Declarações de Imposto de Renda. Intimado a comprovar o efetivo recebimento de doações e empréstimos e efetivo pagamento de empréstimos nos anos calendário 2003 e 2004, fls. 124 e 125, o contribuinte responde, fls. 126 e 127, afirmando "Como já explicitado, naturalmente o Contribuinte Pessoa Física não possui a obrigatoriedade de documentar, nem tampouco registrar a forma do efetivo desembolso dos valores de suas despesas." e informa que Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.304 6 apresentará os documentos requeridos posteriormente. Em 28/02/2007, fls. 128 a 190, envia nova resposta onde afirma "Destarte, entende o Contribuinte que as transferências patrimoniais e doações, frisadas no MPF, estão legalmente comprovadas,(...)" já que constam em Declarações de Imposto de Renda e apresenta cópia das Declarações dos anos calendário 2003 e 2004 de Carlos Roberto Massa. Em 14/03/2007, fls. 191 a 193, Carlos Roberto Massa é intimado a comprovar a efetiva entrega das doações feitas a Alberto Luiz de Mattos Sabino feitas em 2003 e 2004. A resposta recebida em 23/04/2007, fls. 194 a 222, apresenta cópia das Declarações de Imposto de Renda do anoscalendário 2003 e 2004 e afirma que são "(...) comprovantes jurídicos das doações,(...)", fl. 194. Declaração de valores como doações ao contribuinte às fls. 203 e 214. Em 12/11/2007, fls. 299 e 300, o contribuinte recebe o Termo de Intimação 11, no qual é intimado a comprovar o efetivo repasse das doações recebidas nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Em 07/04/2008, fls.322 a 324, o contribuinte fornece explicações sobre a doação recebida de Carlos Roberto Massa em 2005, anexando como documento apenas uma declaração de Carlos Roberto Massa, afirmando ter realizado a doação conforme a explicação dada pelo contribuinte na qual informou terem sido repassados R$ 213.933,03 em créditos em conta corrente, fornecendo os valores e datas, e os R$ 786.066,97 restantes repassados em espécie, sem especificar data. Carlos Roberto Massa foi intimado, fl. 375 a 377, a comprovar o efetivo repasse da doação de R$ 1.000.000,00 realizada em 2005. Na resposta, fl. 379, apresentou planilha sobre a doação dos R$ 1.000.000,00, fornecendo data inclusive para os repasses feitos em espécie. (...) Diz o inciso XV do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XV – o valor os bens adquiridos por doação ou herança (...) Defini o código civil, Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Art. 538. Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. A condição "por liberalidade" implica em não haver, em relação à doação, a contraprestação de serviço pois tal fato conferiria caráter remuneratório aos valores transferidos e portanto sujeitos à tributação. Entendimento também da Decisão n° 50, Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.305 7 de 15 de março de 1999, em Processo de Consulta da 8ª Região Fiscal, publicação no DOU de 17/05/1999. Portanto, fica caracterizado que o contribuinte trabalha na empresa M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, com vínculo empregatício e da qual nunca declarou receber qualquer rendimento tributável, motivo para que os valores declarados como doações e recebidos do proprietário da empresa sejam considerados como rendimentos recebidos da empresa. Assim, cabe a lavratura de Auto de Infração para submeter os valores acima à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2003, 2004 e 2005, como rendimentos recebidos de PJ e aplicação de multa agravada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 468/482, e a autoridade julgadora de primeira instância considerou procedente o lançamento, por unanimidade de votos, nos termos do Acórdão DRJ/JFA nº 0619.037, de 26/08/2008, fls. 866/884. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/09/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 887, o contribuinte apresentou, em 15/10/2008, recurso voluntário, fls. 888/922, trazendo as alegações a seguir resumidas: Do suposto enquadramento legal – No que se refere à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada a autoridade fiscal não identificou em quais parágrafos ou incisos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estaria a proceder ao enquadramento. Tal fato dificultou a defesa e representa falha formal do lançamento, sendo razão suficiente par embasar preliminar de cerceamento do direito de defesa. Também houve falha no lançamento ao simplesmente aplicar a presunção do art. 42, sem em nenhum momento vincular os valores a situações que concretamente permitissem identificar comportamento que tipificasse o fato jurídico tributário necessário à liquidez e certeza do lançamento. Quanto à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica o cerne da questão encontrase no art. 43 do RIR/99. A autoridade fiscal afirma que ficou caracterizado o vínculo empregatício entre o contribuinte e a empresa M & M Administração e Participações Ltda. Contudo, tal conclusão é equivocada. Quatro são os requisitos necessários à configuração de vínculo empregatício: nãoeventualidade, pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade. A alegação da autoridade fiscal de comparecendo quase diariamente na empresa demonstra a nãoeventualidade. Assim, não se pode reputar caracterizado o vínculo empregatício. A fiscalização traz argumentos frágeis e notoriamente equivocados no que tange à caracterização de suposto vínculo empregatício, ora reportandose ao depoimento de duas testemunhas, ora fazendo menção a informações veiculadas pela imprensa. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.306 8 Sequer foi possibilitado ao contribuinte contraditar o que fora afirmado pelas testemunhas, restando assim prejudicados os princípios da ampla defesa e do contraditório. Não se pode aceitar como meio de prova a mera pesquisa em página de busca. Sabese que as informações constantes da internet devem ser vistas com cautela, uma vez que a qualquer um é possibilitado incluir em páginas da rede os mais diversos tipos de dados, que nem sempre correspondem à realidade. A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não é absoluta e deve ser aplicada com critério – A aplicação do art. 42 pressupõe o atendimento aos seus parágrafos 1° a 6°, fazendose a necessária triagem, especialmente a mencionada no parágrafo 3°. É assente na jurisprudência que depósitos bancários não são renda. É expresso no inciso II do § 3º do art. 42 que, no caso de pessoa física, deve ser excluído da intimação para comprovação o montante de R$ 80.000,00 anuais e todos os valores inferiores individualmente a R$ 12.000,00. Pretender considerar que depósito de R$ 200,00, representa receita omitida depositada em conta bancária, realmente serve para demonstrar que o lançamento fiscal beira o absurdo, além de denotar que a presunção não está calcada em qualquer elemento de realidade fática, tampouco de possibilidade lógica. Para que se configurasse a validade do lançamento, seria necessário que a fiscalização procedesse à vinculação expressa entre cada depósito ou crédito bancário e determinada operação produtora de receita. É assente que não existem receitas sem custos, tanto para as pessoas jurídicas como para as pessoas físicas. A presunção como foi aplicada aponta para os depósitos como se fossem receitas liquidas e, mais absurdo ainda, considerou empréstimos como receita tributada. Foi adotada forma equivocada de tributação – O § 1º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o valor das receitas e rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, porém a autoridade fiscal incluiu a totalidade dos valores na base de apuração da tabela progressiva anual. Nulidade da decisão e cerceamento do direito de defesa A decisão recorrida mostrouse por demais genérica, trazendo alegações que demonstram não ter sido efetivamente considerado o conjunto probatório carreado pelo contribuinte. Deixando de considerar diversos documentos essenciais ao esclarecimento das questões pendentes no presente caso, temse que a autoridade julgadora de primeiro grau simplesmente não apreciou documentos favoráveis ao contribuinte, o que afasta suas garantias constitucionais. É preciso elucidar se a Receita Federal reconhece ou não a existência de doações realizadas pelo Sr. Carlos Massa, uma vez que se mostra ato absolutamente descabido a autuação do contribuinte por omissão de receita com base no argumento de que o recorrente não comprovou o recebimento de doações, e, na seqüência, autuálo novamente sob o pretexto de ter recebido doações a título de pagamento em razão da configuração de vínculo empregatício. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.307 9 Insta salientar que o contribuinte mantém com o doador estreito vínculo pessoal há mais de 20 anos. Dada esta estreita e duradoura relação de amizade, não há que se estranhar a existência das mencionadas doações, tampouco exigirse que para o seu respectivo reconhecimento haja alguma contraprestação por parte do contribuinte, apenas para satisfazer a sanha arrecadatória do Fisco. Todas as transações foram regularmente declaradas à Receita Federal nas DIRPF, tanto do doador quanto do donatário. Indene de dúvidas que a consignação da doação por parte do doador e donatário, na declaração anual de Imposto de Renda, representa documento plenamente hábil à comprovação da transação, não subsistindo qualquer justificativa para a autuação pretendida. Comprovação dos depósitos bancários A origem de todos os valores questionados encontrase claramente informada na documentação constante dos autos; todavia, desprezando suas informações, a fiscalização preferiu simplesmente devolver ao recorrente o ônus de repetir a comprovação, deixando de assumir sua responsabilidade de constatar a realidade dos fatos e simplesmente atribuir ao órgão julgador, de forma inusitada, essa avaliação. Em atenção ao princípio da economia processual, o recorrente deixará de repetir o conteúdo dos anexos de forma exaustiva, porquanto a maioria deles se autoexplica e serve como comprovação dos valores a eles referentes. Da alegada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados No que diz respeito ao anocalendário 2003, acerca do qual o contribuinte apresentou toda a movimentação financeira junto aos Bancos Mercantil e Bradesco, em que pese a exaustiva comprovação mediante farta prova documental concernente aos empréstimos obtidos, foram os mesmos indevidamente tributados. No tocante à movimentação financeira relativa ao anocalendário 2003 Banco Mercantil, os documentos demonstram com clareza a inocorrência de qualquer possibilidade de tributação. No demonstrativo, acompanhado da documentação pertinente, juntamse, além dos extratos bancários, também os comprovantes de depósito com autenticação bancária, indicando trataremse de dinheiro próprio do contribuinte. No que diz respeito a movimentação bancária realizada perante o Banco Bradesco, as planilhas e documentos igualmente reafirmam que não se tratam de verbas passíveis de sujeição à hipótese de incidência do Imposto de Renda. A título de exemplo, no item referente ao depósito de R$ 28.000,00, datado de 07/01/2003, proveniente da empresa M2 Ltda, comprovase por documentação contábil tratarse de distribuição de lucros ao sócio Carlos Roberto Massa, valor depositado na conta do contribuinte. Além dos demonstrativos pertinentes, acostase o recibo de lucro distribuído, extrato bancário e declaração firmada pelo cedente do empréstimo. A inconsistência e a imprecisão do Auto restam ainda mais evidentes na medida que o montante de R$ 28.000,00, repassado ao contribuinte, a título de empréstimo, já havia sido devidamente tributado na empresa M2 Ltda, representando verba referente à distribuição de lucros. No ano de 2004, a movimentação financeira do contribuinte ocorreu junto ao Banco Bradesco, estando a documentação comprobatória da origem e causa dos valores depositados devidamente anexada a este recurso. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.308 10 No tocante à movimentação referente ao ano de 2006, da mesma forma demonstrase, através da juntada da inclusa documentação, não estar diante de rendimentos tributáveis enquadrados na hipótese de incidência do imposto de renda. O entendimento desse respeitável CARF não traz qualquer tipo de respaldo à pretensão de considerar a totalidade dos depósitos em contacorrente como renda passível de sujeição à tributação. Em que pese todos os empréstimos estejam demonstrados por meio de escritura pública que, embora tenha sido lavrada posteriormente à sua realização, não perde a capacidade de produzir efeitos jurídicos, concluise erroneamente que o contribuinte não teria comprovado a fonte, "ou seja, provar que os créditos foram realmente feitos por Carlos Roberto Massa". Para afastar a justificativa de empréstimos consignados em documento público, a fiscalização alegou que o contribuinte não comprovou que "os créditos foram realmente feitos por Carlos Roberto Massa". Por outro lado, na tentativa de justificar a alegada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, os empréstimos foram considerados como realizados pelo Sr. Carlos Massa. Tratase de medida inegavelmente incongruente e que pretende uma penalização do recorrente que beira a ilegalidade, não se vislumbrando qualquer possibilidade de manutenção da autuação. É o Relatório. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.309 11 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente, devese examinar a alegação do recorrente de nulidade do lançamento. Nesse sentido, o contribuinte afirma que, quanto à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, a autoridade fiscal deixou de identificar em quais parágrafos ou incisos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estaria a proceder ao enquadramento e que tal fato dificultou a sua defesa. De pronto, cumpre dizer que a autoridade fiscal fez constar no enquadramento legal da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, fls. 460. Ora, como se sabe, o artigo é composto pelo caput e seus incisos e parágrafos, de sorte que quando não se destaca determinado inciso ou parágrafo significa dizer que a totalidade do artigo deve ser observada. Digase, ainda, que embora o contribuinte afirme que a ausência de discriminação dos parágrafos e incisos no enquadramento legal tenha dificultado sua defesa, fato é que o recorrente não indicou qual dificuldade seria esta. E mais, o contribuinte demonstrou ter perfeito entendimento da infração a ele imputada, de modo que não restou, nesse aspecto, caracterizado o cerceamento do direito de defesa, que pudesse ensejar a nulidade do lançamento. Já quanto à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, o contribuinte diz que houve cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que não lhe foi possibilitado contraditar o que fora afirmado nos depoimentos testemunhais utilizados como prova da infração. Mais uma vez, a alegação de cerceamento do direito de defesa alegado pelo recorrente na pode prosperar, posto que o contribuinte poderia contraditar o depoimento das testemunhas nas fases de impugnação e recursal, coisa que não fez. Digase, ainda, que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estando o lançamento em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. As demais questões trazidas pela defesa no item concernente à nulidade do lançamento (enquadramento legal) serão analisadas adiante, posto que são mais condizentes com o mérito das infrações. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade do lançamento. Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.310 12 Ainda em sede preliminar, o contribuinte suscita a nulidade da decisão recorrida. Nesse sentido, afirma que o acórdão da decisão mostrouse por demais genérico, trazendo alegações que demonstram não ter sido efetivamente considerado o conjunto probatório carreado pelo contribuinte. Diz, também, que deixouse de considerar diversos documentos essenciais ao esclarecimento das questões pendentes no presente caso e que a autoridade julgadora de primeiro grau simplesmente não apreciou documentos favoráveis ao contribuinte, o que afasta suas garantias constitucionais. O acórdão da decisão recorrida, ao contrário do que afirma a defesa, analisou todas as alegações trazidas na impugnação e justificou com exaustão os motivos que conduziram à manutenção das infrações imputadas ao contribuinte, sendo certo que a decisão recorrida faz expressa citação aos documentos apresentados pelo contribuinte, durante o procedimento fiscal, assim como aqueles apresentados juntamente com a impugnação. Nesse ponto, importa observar que o contribuinte diz que a decisão recorrida deixou de considerar diversos documentos essenciais ao esclarecimento das questões pendentes, no entanto, não especifica que documentos seriam estes, favoráveis ao contribuinte, e que não teriam sido apreciados na decisão recorrida. Digase aqui também que as demais questões suscitados pela defesa nos parágrafos dedicados à nulidade da decisão recorrida serão apreciadas juntamente com as questões de mérito, por ser assim mais conveniente. Nessa conformidade, não pode prevalecer a argüição de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pelo recorrente. Quanto ao mérito, inicialmente serão analisadas as questões trazidas pela defesa no que concerne à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Referido dispositivo legal estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Ou seja, a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Verificada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação. A legislação não faz nenhuma outra exigência para que reste caracterizada a omissão de rendimentos. Não é necessário, portanto, que a autoridade fiscal demonstre a existência de acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza. Tal entendimento já foi pacificado neste Colegiado, conforme se infere da Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita: Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.311 13 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Assim, não pode prosperar as argüições da defesa de que seria necessário que a autoridade fiscal procedesse à vinculação expressa entre cada depósito e determinada operação produtora de receita. Não pode também prosperar a alegação de que não existem receitas sem custos e que a presunção como foi aplicada aponta para os depósitos como se fossem receitas líquidas. Como já dito acima, verificada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação. A legislação não prevê a possibilidade de exclusão de parte dos créditos, sob a justificativa de custos. Também deve ser lembrada neste voto a Súmula CARF nº 38, a seguir transcrita, posto que segundo o entendimento do contribuinte a autoridade fiscal adotou forma equivocada de tributação ao incluir a totalidade dos depósitos bancários não comprovados na base de cálculo da tabela progressiva anual. Ou seja, o contribuinte entende que a tributação dos depósitos bancários com origem não comprovada deve ser tributada mensalmente. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Como se vê, da Súmula acima transcrita, o fato gerador da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada ocorre em 31 de dezembro do anocalendário correspondente, estando correto o procedimento da autoridade fiscal ao proceder ao cálculo do imposto devido mediante utilização da tabela progressiva anual. O contribuinte afirma, ainda, que não foi observado o comando existente no parágrafo 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Dos citados dispositivos inferese que, no caso de pessoas físicas, não se admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente aos créditos de valor individual Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.312 14 inferiores a R$ 12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$ 80.000,00, no ano calendário, sendo, inclusive, este o teor da Súmula CARF nº 61, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). No presente caso, os créditos considerados pela autoridade fiscal como de origem não comprovada no lançamento encontramse listados no Termo de Verificação Fiscal, fls. 434/447, sendo certo que assiste razão ao contribuinte no que diz respeito ao ano calendário 2004, cuja soma dos créditos de valor individual inferiores a R$ 12.000,00 é de R$ 32.157,16, montante inferior ao limite de R$ 80.000,00. Logo, para o anocalendário de 2004, devem ser excluídos da tributação os créditos inferiores a R$ 12.000,00, cujo montante perfaz a quantia de R$ 32.157,16, remanescendo apenas dois créditos: 10/02/2004 – R$ 35.000,00 e 04/10/2004 – R$ 70.000,00. Já nos anoscalendário 2003 e 2006, os somatórios dos créditos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 é de R$ 116.900,00 e R$ 116.674,98, respectivamente. Portanto, para referidos anoscalendário, não há que se falar de aplicação do disposto no art. 42, §3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. No que concerne à comprovação da origem dos depósitos levados à tributação, podese dizer que o contribuinte traz basicamente duas justificativas: empréstimos e dinheiro próprio do contribuinte. Nas Declarações de Ajuste Anual(DAA), anoscalendário 2003, 2004 e 2006, fls. 11/13, 14/16, 27/29, apresentadas pelo contribuinte, tempestivamente, constam as seguintes informações de empréstimos tomados pelo contribuinte: 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2006 Carlos Roberto Massa 250.000,00 0,00 0,00 3.000.000,00 Carlos Henrique de Mattos Sabino 48.000,00 168.000,00 100.000,00 Luiz Gustavo de Mattos Sabino 0,00 200.000,00 200.000,00 Antonio Honorato Cioni 0,00 450.000,00 0,00 Ocorre que, tratandose de comprovação da origem de depósitos efetivados nas contascorrentes do contribuinte, não basta que reste comprovada a existência de empréstimos, fazendose necessária a comprovação da correlação entre o depósito, que se pretende comprovar, e o empréstimo. No presente caso, o contribuinte juntou aos autos documentos que seriam suficientes para comprovar a existência do empréstimo, entretanto, da documentação apresentada, na grande maioria das vezes, não se verifica a correlação entre o depósito e o empréstimo, conforme se verá adiante. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.313 15 Para ilustrar o acima mencionado serão a seguir analisadas as documentações apresentadas pelo contribuinte para justificar três depósitos havidos no anocalendário 2003, que são representativos das formas adotadas pelo contribuinte para comprovar a alegação de empréstimos. 07/01/2003 – depósito em dinheiro R$ 28.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 10/29 (anexo 2), dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa jurídica M2 Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 28.000,00, pagos em 07/01/2003, mediante cheque nº 81; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o referido cheque nº 81 foi pago em espécie e declaração firmada por Carlos Roberto Massa, onde o mesmo afirma que concedeu em 07/01/2003 empréstimo ao contribuinte, no valor de R$ 28.000,00. Muito embora, não conste na DAA do anocalendário 2003 do contribuinte saldo de empréstimo bancário tomado de Carlos Roberto Massa em 31/12/2003, os documentos apresentados são contundentes a corroborar a tese da defesa, inclusive com prova da transferência bancária da quantia de R$ 28.000,00 de Carlos Roberto Massa para o contribuinte, no valor e na data do crédito investigado. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 28.000,00. 23/01/2003 – depósito em dinheiro – R$ 10.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação trouxe apenas a cópia do comprovante de depósito, fls. 64 (anexo 2) e declaração firmada por Carlos Roberto Massa, fls. 65 (anexo 2), onde o mesmo afirma que concedeu em 10/01/2003 empréstimo ao contribuinte, no valor de R$ 10.000,00. Tais documentos, diferentemente do caso anteriormente analisado, não demonstram a existência de vinculação entre o depósito de R$ 10.000,00 e o empréstimo por ventura concedido ao contribuinte por Carlos Roberto Massa. Importante dizer que não se está aqui dizendo que o empréstimo não tenha de fato ocorrido, mas que a documentação apresentada pelo contribuinte é insuficiente para fazer a necessária correlação entre os dois fatos – depósito de R$ 10.000,00 e empréstimo de R$ 10.000,00. Logo, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 10.000,00, efetuado em 23/01/2003. 05/06/2003 – depósito em dinheiro – R$ 6.100,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Luiz Gustavo de Mattos Sabino e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 12/29 (anexo 5), dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa jurídica HG Administradora e Serviços Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Luiz Gustavo de Mattos Sabino, no valor de R$ 6.100,00, pagos em 05/06/2003, mediante cheque nº 127 e extrato da conta Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.314 16 bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o referido cheque nº 127 foi liquidado mediante compensação. De pronto, verificase que o cheque nº 127 foi liquidado mediante compensação ao passo que o depósito que se pretende justificar foi feito em dinheiro. E mais, o valor do cheque nº 127 é de R$ 11.000,00, posto que fora utilizado pela pessoa jurídica para pagar lucros aos sócios Luiz Gustavo de Mattos Sabino e Antonio Honorato Cioni. Logo, temse que os documentos apresentados pelo contribuinte não permitem a correlação entre o empréstimo tomado de Luiz Gustavo de Mattos Sabino e o depósito, no valor de R$ 6.100,00, que permanece com a origem não comprovada, posto que não é possível afirmar que o depósito na conta do contribuinte tenha sido efetivado com os recursos advindos do lucro distribuído à Luiz Gustavo de Mattos Sabino. Da análise dos documentos apresentados para justificar os três depósitos resta evidenciado como o contribuinte deve proceder para comprovar a origem dos depósitos, quando se trata de empréstimos. Não basta comprovar a existência do empréstimo. É preciso que reste evidenciado que o depósito investigado teve origem no empréstimo, conforme ocorreu no caso do primeiro depósito analisado. Digase, ainda, que no caso do primeiro depósito a autoridade fiscal não poderia simplesmente desprezar as provas produzidas pelo contribuinte, seja sob a alegação de que o empréstimo não estivesse tempestivamente declarado, seja porque os contratos dos empréstimos foram produzidos depois de iniciado o procedimento fiscal, dado que os documentos bancários e a escrita contábil das pessoas jurídicas são provas contundentes, que comprovam a alegação do contribuinte e somente poderiam ser rechaçadas, caso a autoridade fiscal demonstrasse a inverdade da tese defendida pelo recorrente. Nestes termos, no que diz respeito ao anocalendário 2003 e em se tratando dos depósitos, cuja origem é justificada pelo contribuinte como empréstimos, estão comprovadas as origens dos seguintes depósitos, além daquele de R$ 28.000,00, acima mencionado: 10/01/2003 – transferência entre agências dinheiro – R$ 40.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 33/40 (anexo 2), dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa jurídica Linha R Comércio Imp. e Exp. Ltda, onde consta o registro do recebimento de cheque da pessoa jurídica Nutriara, no valor de R$ 40.000,00 e também o registro de que tal cheque foi utilizado para fazer devolução de aporte de capital para o sócio Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 40.000,00. De outra banda, a própria autoridade fiscal fez constar em sua planilha que tal depósito tinha como origem a Nutriara (conforme informação prestada pelo Banco Central). Consta, ainda, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte declaração firmada por Carlos Roberto Massa, onde o mesmo afirma que concedeu em 10/01/2003 empréstimo ao contribuinte, no valor de R$ 40.000,00. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 40.000,00. Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.315 17 04/02/2003 – depósito em dinheiro – R$ 37.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 128/146 (anexo 2), dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa jurídica M2 Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 37.000,00, pagos em 30/01/2003, mediante cheque nº 123; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o referido cheque nº 123 foi pago em espécie e declaração firmada por Carlos Roberto Massa, onde o mesmo afirma que concedeu em 04/02/2003 empréstimo ao contribuinte, no valor de R$ 37.000,00. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 37.000,00. Os demais créditos efetivados no anocalendário 2003, cuja origem é justificada pelo contribuinte por empréstimos permanecem não comprovados, posto que a documentação apresentada assemelhase aos depósitos de R$ 10.000,00 (23/01/2003) e de R$ 6.100,00 (05/06/2003), acima analisados de modo ilustrativo das formas de comprovação utilizadas pela defesa. Ainda no que pertine aos empréstimos, devese examinar o depósito de R$ 60.000,00, efetivado em 12/12/2003, tendo em vista que a documentação apresentada pelo contribuinte é diferente daquelas já explicitadas e analisadas neste voto: 12/12/2003 – depósito em cheque – R$ 60.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Henrique de Mattos Sabino e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 79/87 (anexo 8). Segundo o contribuinte, seu irmão teria vendido um veículo e o produto de tal venda teria sido repassada ao contribuinte à título de empréstimo. Ocorre que a autorização para transferência de veículo não está datada e consta como comprador Plaza Veículos e Serviços Ltda, com valor de R$ 97.000,00. Por outro lado há informação nos autos do Banco Central de que o cheque de R$ 60.000,00, depositado na conta bancária do contribuinte, foi emitido por Monta Comércio e Indústria Ltda. Temse, portanto, que os documentos apresentados pelo contribuinte não confirmam a tese por ele defendida, de modo que permanece não comprovada a origem do crédito de R$ 60.000,00. No que tange a alegação do recorrente de que alguns depósitos tenham sido efetuados com dinheiro próprio do contribuinte temse que tal tese não pode prosperar, por falta de comprovação e também porque não é razoável admitir que o contribuinte mantenha recursos em espécie em seu poder para fazer frente a depósitos em suas contas bancárias. Para o anocalendário 2004, restou registrado neste voto que depois de aplicado o limite de R$ 80.000,00 para os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, remanesceram apenas dois depósitos, os quais serão a seguir analisados à luz da documentação apresentada pelo contribuinte: Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.316 18 10/02/2004 – depósito em cheque R$ 35.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Antonio Honorato Cioni e para comprovar sua alegação apresentou apenas o comprovante do depósito, fls. 142 (anexo 8), que não identifica o emitente do cheque depositado. Nestes termos, não restou evidenciado que o recurso depositado na conta do recorrente tenha sido de fato proveniente de Antonio Honorato Cioni. Logo, por tudo aqui já mencionado neste voto, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 35.000,00. 06/10/2004 – TED transferência eletrônica R$ 70.000,00 O recorrente afirma que o depósito teria sido feito com dinheiro próprio do contribuinte. Porém, há informação nos autos do Banco Central que indica como depositante Luiz Carlos Rosseti. Nestes termos, dada a falta de comprovação da alegação do contribuinte e também considerando a divergência entre aquilo que o contribuinte diz e a informação prestada pelo Banco Central, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 70.000,00. No que tange ao anocalendário 2006, cumpre dizer que o contribuinte durante o procedimento fiscal não apresentou nenhum documento comprobatório de suas alegações para justificar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, sendo certo que apenas indicou que se tratava de empréstimos devidamente informados em suas Declarações de Ajustes Anuais e também nas Declarações das pessoas que lhe concederam os empréstimos. Como já afirmado neste voto, tratandose de comprovação de depósitos bancários, a simples existência de empréstimos não é suficiente para comprovar a origem dos depósitos efetuados nas contas do contribuinte, sendo importante que seja comprovado que o recurso depositado de fato adveio da pessoa que concedeu o empréstimo. No recurso, o contribuinte afirma que: no tocante à movimentação referente ao ano de 2006, da mesma forma demonstrase, através da juntada da inclusa documentação, não estar diante de rendimentos tributáveis enquadrados na hipótese de incidência do imposto de renda. Contudo, devese observar que os documentos juntados aos autos quando da apresentação do recurso referemse aos anos de 2003 e 2004, não existindo nenhum documento relativo ao ano 2006. Ora, considerando que durante o procedimento fiscal e quando da apresentação do recurso não houve a juntada de documentos relativos ao ano de 2006, buscou se dentre os documentos apresentados juntamente com a impugnação aqueles relativos ao ano calendário 2006, os quais encontramse às fls. 755/862, e serão a seguir analisados: 03/03/2006 – depósito em cheque R$ 150.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 755/764, dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.317 19 jurídica M2 Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 150.000,00, pagos em 03/03/2006; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o lucro foi pago com o cheque nº 374, liquidado por compensação e comprovante do depósito, com indicação de que o recurso foi creditado na conta do contribuinte por meio de compensação do cheque nº 374. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 150.000,00. 12/09/2006 – depósito em cheque R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 765/772, dentre os quais se destaca cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 03/09/2006, com o cheque nº 1951; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o cheque nº 1951 foi liquidado por compensação e comprovante do depósito, com indicação de que o recurso foi creditado na conta do contribuinte por meio de compensação do cheque nº 1951. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. 12/12/2006 – depósito em cheque R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 773/780, dentre os quais se destaca cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 12/12/2006, com o cheque nº 2033; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o cheque nº 2033 foi liquidado por compensação e comprovante do depósito, com indicação de que o recurso foi creditado na conta do contribuinte por meio de compensação do cheque nº 2033. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. 08/08/2006 – depósito em cheque R$ 100.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 781/791, dentre os quais se destaca cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 100.000,00, pagos em 08/08/2006, com o cheque nº 1928. Já o comprovante de depósito apresentado pelo contribuinte menciona que os cheques depositados em sua conta foram os de nºs 1919 e 0369. Assim, dada a divergência apontada entre os documentos apresentados pelo contribuinte, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 100.000,00. Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.318 20 07/06/2006 – depósito cc autoat R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 792/798, dentre os quais consta cópia do livro Diário da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde está registrado distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 07/06/2006 e cópia do extrato bancário da conta da pessoa jurídica indicando que tal pagamento fora feito mediante o cheque nº 1856, liquidado por compensação. Contudo, neste caso o contribuinte não juntou aos autos a cópia do comprovante do depósito efetuado em sua conta, de modo que não há como vincular a compensação do cheque de nº 1856 com o depósito, cuja origem se pretende comprovar. Assim, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. 07/11/2006 – transferência entre agência cheque R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 799/805, dentre os quais consta cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde está registrado distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 07/11/2006, com o cheque nº 1994 e cópia do extrato bancário da conta da pessoa jurídica indicando que o cheque nº 1994 foi liquidado por compensação. Contudo, também neste caso o contribuinte não juntou aos autos a cópia do comprovante do depósito efetuado em sua conta, de modo que não há como vincular a compensação do cheque de nº 1994 com o depósito, cuja origem se pretende comprovar. Assim, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. 26/09/2006 – depósito em cheque R$ 485.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 806/812, dentre os quais consta cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde está registrado distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 485.000,00, pagos em 26/09/2006, com o cheque nº 1972 e cópia do extrato bancário da conta da pessoa jurídica indicando que o cheque nº 1972 foi liquidado por compensação. Contudo, também neste caso, o contribuinte não juntou aos autos a cópia do comprovante do depósito efetuado em sua conta, de modo que não há como vincular a compensação do cheque de nº 1972 com o depósito, cuja origem se pretende comprovar. Assim, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 485.000,00. 15/09/2006 – depósito em dinheiro R$ 110.000,00 06/09/2006 – depósito em dinheiro R$ 110.000,00 Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.319 21 03/07/2006 – depósito em cheque R$ 50.000,00 24/07/2006 – depósito em cheque R$ 55.000,00 22/08/2006 – depósito em cheque R$ 80.000,00 30/08/2006 – depósito em cheque R$ 150.000,00 Para os seis depósitos acima, o contribuinte também afirma tratarse de empréstimo obtido de Carlos Roberto Massa, porém os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para se fazer a correlação entre o lucro recebido por Carlos Roberto Massa e o depósito que se pretende comprovar. Nestes casos os documentos não serão aqui mencionados um a um por tratarse de situação idêntica aqueles anteriormente analisados. Assim, permanecem não comprovadas as origens dos depósitos acima especificados. 10/05/2006 – depósito cc autoat R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 830/834, dentre os quais consta cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde está registrado distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 10/05/2006 e cópia do extrato bancário da conta da pessoa jurídica indicando na mesma data compensação de cheque do mesmo valor. E mais, há indicação nos autos de que o Banco Central informou que o referido depósito efetuado na conta do contribuinte teve como origem a pessoa jurídica Massa & Massa. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. Para os demais depósitos levados à tributação no anocalendário 2006 não foram localizados nos autos documentos comprobatórios, de sorte que permanecem não comprovadas as suas origens. Nesta conformidade, encerrase aqui a apreciação da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, devendose excluir de sua base de cálculos as quantias de R$ 105.000,00, R$ 32.157,16 e R$ 300.000,00, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2006, respectivamente. Por fim, passase análise das alegações do recorrente no que diz respeito à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Em suas Declarações de Ajuste Anual, anoscalendário 2003, 2004 e 2005, o contribuinte fez consignar que teria recebido doações de Carlos Roberto Massa, nos seguintes valores, respectivamente, R$ 250.000,00, R$ 480.000,00 e R$ 1.000.000,00. Entretanto, em razão de fatos verificados durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal entendeu que os valores ditos recebidos por doação corresponderiam na Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.320 22 verdade a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebido da pessoa jurídica Massa & Massa Ltda, da qual Carlos Roberto Massa é sócio. No recurso, o contribuinte se insurge contra a infração afirmando que a conclusão da autoridade fiscal é equivocada e que os argumentos utilizados pela fiscalização são frágeis e que não caracterizam o suposto vínculo empregatício. Vêse, portanto, que a lide gira em torno de se saber se os valores recebidos pelo contribuinte são de fato doações de Carlos Roberto Massa ou se são rendimentos decorrentes de função exercida na pessoa jurídica Massa & Massa Ltda, da qual Carlos Roberto Massa é sócio, sendo certo que o contribuinte em nenhum momento nega ter recebido referidas quantias. Nesse ponto, importa observar a definição de doação, que consta do art. 538 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), que a seguir se transcreve: Art. 538. Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Como se vê, o que caracteriza a doação é a liberalidade, ou seja, o doador transfere bens ou vantagens para outrem sem nada receber em troca, não há, portanto, contraprestação. Ou seja, se a transferência se dá em razão de contraprestação não há que se falar em doação. No presente caso, durante o procedimento fiscal, restaram apurados os seguintes fatos: Relativo aos anoscalendário de 2003 e 2006 o contribuinte não declara qualquer renda tributável. Em 2004 e 2005 declara como renda apenas R$ 7.301,32 e R$ 2.309,17 como recebimento de VGBL. Entretanto, a documentação obtida durante a fiscalização permite concluir que Alberto Luiz de Mattos Sabino trabalha na empresa de propriedade de Carlos Roberto Massa, a M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, pelos seguintes fatos: Verificouse nas fichas proposta de abertura de conta dos bancos, fls. 412 a 415 (repetidas nas fls. 3, 4, 32 e 97 do ANEXO I), que o contribuinte declara trabalhar na empresa M&M Administração e Participações: em 25/07/2001, no cargo de superintendente, fls. 412 e 413; em 12/07/2002, no cargo de administrador, fl. 414; em 09/05/2006, no cargo Nível de Gerência, fl. 415. Em ação fiscal da Receita Federal do Brasil na empresa Massa&Massa Ltda, CNPJ 81.261.364/000127, o contribuinte recebe os documentos em nome da empresa e se declara superintendente do Grupo Massa, fls. 384 a 387. Para fazer a entrega pessoal do Termo de Intimação 13, fl. 369, acompanhado do procurador do contribuinte, fomos ao n° Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.321 23 869, 14° andar, da Rua Mal. Deodoro, Centro, Curitiba, atual endereço da empresa M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, conforme relato da entrega do referido Termo, fl. 370. Em resposta a este Termo, o contribuinte negou possuir vínculo empregatício com a M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, holding do denominado Grupo Massa, ou com qualquer empresa a ela vinculada, fl. 371. Durante esta fiscalização, conforme o relato registrado em termo, fls. 388 a 411, obtivemos, em 22/10/2007, declaração de Patrícia Schulze que trabalhou na M&M de 2002 a 2004 e afirma que o contribuinte era o superintendente da empresa. Pesquisa na Internet, em site de busca, fls. 416 a 422, registram declarações feitas por Alberto Sabino à imprensa onde este aparece como sendo "diretor executivo do Grupo Massa", "presidente do Grupo Massa", "superintendente da Massa&Massa" e "superintendente do Grupo Massa". Na Diligência às fls. 423 e 424, Sara Gabriel Okar, CPF 747.890.58972, afirma ter trabalhado na M&M de 2003 a início de 2005, onde Alberto Sabino era o diretor da holding, onde comparecia diariamente. Na Diligência às fls. 425 e 426, Juliana Tiburcio Barbosa Avanso, CPF 004.436.43938, afirma ter trabalhado na M&M de fevereiro de 2004 a janeiro de 2005, onde Alberto Sabino era o responsável pela empresa e lá comparecia diariamente quando não se encontrava em viagem. Na Diligência às fls. 427 e 428, Elisangela Zuege, CPF 267.211.33865, afirma ter trabalhado na M&M de novembro de 2002 a agosto de 2005, onde Alberto Sabino era tratado como presidente do grupo e que todas os funcionários eram subordinados a este. Como se vê, ao contrário do que afirma a defesa, são vastas e robustas as provas trazidas pela autoridade fiscal para caracterizar que os valores recebidos pelo contribuinte são decorrentes da prestação de serviços, não podendo prevalecer a tese de doação defendida pela defesa. A caracterização da infração não está calcada simplesmente em informações extraídas da internet ou de depoimentos testemunhais. As provas mais contundentes são justamente aquelas produzidas pelo próprio contribuinte, quando afirmou perante às instituições financeiras, onde tem contas bancárias, ser diretor executivo do Grupo Massa, presidente do Grupo Massa e superintendente da Massa & Massa e também quando o contribuinte recebeu autoridade fiscal encarregada de procedimento fiscal contra Massa & Massa Ltda, momento em que afirmou ser o superintendente do Grupo Massa e tomou ciência de Termo de Intimação dirigido à pessoa jurídica Massa & Massa Ltda, apondo sua assinatura no campo próprio do respectivo Termo. Importa também destacar que o contribuinte em suas Declarações de Ajustes Anuais, correspondentes aos exercícios fiscalizados, informa em campo próprio ser dirigente, Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.322 24 presidente e diretor de empresa e, no entanto, não informa rendimentos recebidos da empresa onde é dirigente, presidente ou diretor. A alegação da defesa de que o vínculo empregatício não esteja comprovado nos autos, em nada invalida o lançamento. O cerne da questão é saber se o contribuinte prestou ou não serviço a Massa & Massa Ltda e se omitiu os rendimentos recebidos em razão do desenvolvimento de tal atividade, sendo, para o caso, irrelevante que esta prestação de serviço tenha sido com ou sem vínculo empregatício. Repitase, são fartas nos autos as provas de que o contribuinte presta serviços a Massa & Massa Ltda, sendo inadmissível que esta prestação de serviços seja graciosa. À evidência, estáse diante da delicada matéria da valoração da prova. Na busca da verdade material princípio este norteador do processo administrativo fiscal , o julgador forma seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. É a consagração da chamada prova indiciária, de largo uso no Direito. O julgador administrativo, a exemplo do que ocorre no âmbito do processo judicial penal, não está adstrito a uma préestabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo estabelecer sua convicção a partir do cotejo de elementos de variada ordem desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. Na verdade, sem que se enverede pelo caminho de aferir se há ou não no processo uma prova isolada capaz de, por si só, demonstrar que o contribuinte recebe rendimentos decorrentes do trabalho, inquestionável é que a materialidade dos fatos é plenamente alcançada pelo conjunto de elementos juntados aos autos. A conclusão que se impõe, portanto, é a de que os valores recebidos pelo contribuinte são decorrentes da prestação de serviços à pessoa jurídica Massa & Massa Ltda, não podendo prevalecer a tese de doação defendida pela defesa. Nestes termos, devese manter a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir de sua base de cálculo as quantias de R$ 105.000,00, R$ 32.157,16 e R$ 300.000,00, nos anos calendário 2003, 2004 e 2006, respectivamente. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.323 25 Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
