Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13116.902566/2011-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13116.902566/2011-83
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330572
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.385
nome_arquivo_s : Decisao_13116902566201183.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 13116902566201183_5330572.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5334423
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594398453760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 83 1 82 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.902566/201183 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.385 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente CENTRO OESTE RAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 66 /2 01 1- 83 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902566/201183 Acórdão n.º 3803005.385 S3TE03 Fl. 84 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 3 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 1.027,90. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 30 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902566/201183 Acórdão n.º 3803005.385 S3TE03 Fl. 85 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902566/201183 Acórdão n.º 3803005.385 S3TE03 Fl. 86 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902239/2012-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/10/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.902239/2012-71
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5329249
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.317
nome_arquivo_s : Decisao_10935902239201271.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 10935902239201271_5329249.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5332100
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594402648064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 64 1 63 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.902239/201271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.317 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria DCOMP ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente ANHAMBI ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 39 /2 01 2- 71 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902239/201271 Acórdão n.º 3801002.317 S3TE01 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902239/201271 Acórdão n.º 3801002.317 S3TE01 Fl. 66 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902239/201271 Acórdão n.º 3801002.317 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902239/201271 Acórdão n.º 3801002.317 S3TE01 Fl. 68 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003259/2002-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
O registro (crédito) de cheques coletados junto a estabelecimentos do beneficiário na conta DEPÓSITOS VINCULADOS, código 4.1.1.85.00-1, do COSIF, formalmente de acordo com a sua função, consoante norma do BACEN, afasta a acusação de que esse registro teria sido efetuado numa conta paralela ou "fantasma", com o objetivo de simular a não ocorrência do fato gerador (débito na conta "fantasma"), especialmente se o não registro na conta DEPÓSITOS À VISTA, código 4.1.1.00.00-0, induz a incidência prevista no inciso III do artigo 2° da Lei n° 9.311/96.
SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/64. DOLO ESPECÍFICO.
A sonegação, a fraude e o conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, demandam dolo específico, não se admitindo a sua ocorrência, de maneira generalizada, sem que sejam apresentadas provas robustas e específicas.
ERRO DE PROIBIÇÃO. ARTIGO 112 DO CTN.
Em se tratando de matéria controvertida, tem-se que o resultado final é apenas pela ocorrência de erro na interpretação da lei, mas não de fraude à lei. Recurso negado.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negavam provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos apresentará declaração de voto. O Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva declarou-se impedido de votar.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. O registro (crédito) de cheques coletados junto a estabelecimentos do beneficiário na conta DEPÓSITOS VINCULADOS, código 4.1.1.85.00-1, do COSIF, formalmente de acordo com a sua função, consoante norma do BACEN, afasta a acusação de que esse registro teria sido efetuado numa conta paralela ou "fantasma", com o objetivo de simular a não ocorrência do fato gerador (débito na conta "fantasma"), especialmente se o não registro na conta DEPÓSITOS À VISTA, código 4.1.1.00.00-0, induz a incidência prevista no inciso III do artigo 2° da Lei n° 9.311/96. SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/64. DOLO ESPECÍFICO. A sonegação, a fraude e o conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, demandam dolo específico, não se admitindo a sua ocorrência, de maneira generalizada, sem que sejam apresentadas provas robustas e específicas. ERRO DE PROIBIÇÃO. ARTIGO 112 DO CTN. Em se tratando de matéria controvertida, tem-se que o resultado final é apenas pela ocorrência de erro na interpretação da lei, mas não de fraude à lei. Recurso negado. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16327.003259/2002-30
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5348115
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.776
nome_arquivo_s : Decisao_16327003259200230.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RODRIGO CARDOZO MIRANDA
nome_arquivo_pdf_s : 16327003259200230_5348115.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negavam provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos apresentará declaração de voto. O Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva declarou-se impedido de votar. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5458472
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594426765312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2147; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.749 1 1.748 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.003259/200230 Recurso nº 124.909 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.776 – 3ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria CPMF Recorrente BANCO ITAÚ S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. O registro (crédito) de cheques coletados junto a estabelecimentos do beneficiário na conta DEPÓSITOS VINCULADOS, código 4.1.1.85.001, do COSIF, formalmente de acordo com a sua função, consoante norma do BACEN, afasta a acusação de que esse registro teria sido efetuado numa conta paralela ou "fantasma", com o objetivo de simular a não ocorrência do fato gerador (débito na conta "fantasma"), especialmente se o não registro na conta DEPÓSITOS À VISTA, código 4.1.1.00.000, induz a incidência prevista no inciso III do artigo 2° da Lei n° 9.311/96. SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/64. DOLO ESPECÍFICO. A sonegação, a fraude e o conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, demandam dolo específico, não se admitindo a sua ocorrência, de maneira generalizada, sem que sejam apresentadas provas robustas e específicas. ERRO DE PROIBIÇÃO. ARTIGO 112 DO CTN. Em se tratando de matéria controvertida, temse que o resultado final é apenas pela ocorrência de erro na interpretação da lei, mas não de fraude à lei. Recurso negado. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 32 59 /2 00 2- 30 Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negavam provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos apresentará declaração de voto. O Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva declarouse impedido de votar. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pelo BANCO ITAÚ S/A (fls. 1250 a 1258) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1191 a 1207) que, pelo voto de qualidade, rejeitou a preliminar de decadência e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. Os presentes autos tratam, em síntese, de lançamento de CPMF decorrente de serviço prestado pelo Banco Itaú, genericamente denominado como “coleta de valores”, com arrimo na Circular BACEN nº 2.535/95, compreendendo o recebimento pela instituição financeira de valores coletados nos pontos de vendas da empresa Souza Cruz S/A e depositados em conta de “depósito vinculado” desta para, posteriormente, serem efetuados pagamentos em nome e por ordem do cliente, deixando de reter e recolher a CPMF devida nas operações. Em outras palavras, a fiscalização entendeu que, mediante sonegação, fraude e conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, o serviço prestado pelo Banco Itaú à Souza Cruz, relativo a fatos compreendidos entre janeiro de 1997 a dezembro de 1999, possibilitou o pagamento de credores da Souza Cruz sem que o numerário transitasse pela sua contacorrente e, com isso, sem que ocorressem os fatos geradores da CPMF. Convém ressaltar, ainda inicialmente, que o presente recurso especial cuida apenas da aplicação da multa qualificada (de 75% para 150%) decorrente da prática de sonegação, fraude e conluio, sendo que o contribuinte já realizou o pagamento do crédito tributário não mais em discussão (principal e juros), consoante relatado no r. despacho de fls. 1807. O modus operandi da operação, conforme o Termo de Verificação Fiscal acostado ao auto de infração (fls. 620 a 655), se deu da seguinte forma (fls. 632), verbis: (...) 3. DO MODUS OPERANDI Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 16327.003259/200230 Acórdão n.º 9303002.776 CSRFT3 Fl. 1.750 3 Em resposta aos Termos de Intimação Fiscal lavrados no curso da auditoria, obtevese a descrição operacional dos processos de coleta de valores e pagamentos a fornecedores, assim como as tarifas de remuneração do acordo entre o Banco Itaú e a Souza Cruz, bem como os elementos que deram origem ao Relatório de Pagamento a Fornecedores, todos esses dados elaborados pelo próprio banco e seu cliente (fls. 62, 7885, 160161). A partir de 30/01/1997, o Banco Itaú e a empresa Souza Cruz acordaram procedimento operacional por meio do qual a grande maioria dos cheques, em favor da empresa, e dinheiro em espécie, que eram coletados pelo banco, junto às filiais da indústria, não mais transitariam a crédito da conta corrente de livre movimentação, dando origem a cheques administrativos ou a chequesordem de pagamento, destinados ao pagamento de fornecedores, salários, tributos etc, evitandose, assim, a retenção e recolhimento da CPMF. Dessa forma, os valores coletados pelo banco seriam creditados em conta de "depósito vinculado", onde os valores seriam custodiados pelo Banco, identificada sob o n° 052322/100.000 (Anexo I, fls. 001718). O Banco Itaú recolhia o numerário nas filiais da Souza Cruz, em todo país, entregando um COMPROVANTE DE ENTREGA DE VALORES CEV , sem que houvesse o crédito integral em conta corrente de "depósito à vista" dos referidos recursos, a exemplo do que ocorreu no dia 05/10/1999, quando foi depositado, pela empresa BRINK'S POA, o montante de R$ 15.998,02, na agência de origem 0328 Farrapos, para crédito na conta de depósitos vinculados da Souza Cruz, agência Plataforma Corp. Rio 05.10 (fls. 112113). Diariamente a Souza Cruz enviava ao ltaú correspondências com a solicitação de pagamentos a fornecedores, funcionários e outros credores, autorizando a emissão de cheque administrativo, cheque ordem de pagamento, ou débito da conta "custódia" para crédito dos favorecidos, credores da indústria de cigarros, indicando, nestes casos, o banco, a agência e conta corrente para crédito (fls. 114154). Já informado dos favorecidos, o Banco Itaú emitia os respectivos cheques a eles nominativos, sendo que, no verso, era registrada a destinação do pagamento. Os cheques emitidos pelo banco, por ordem da Souza Cruz, destinavamse ao pagamento de tributos, fornecedores etc. Na cópia de cheques obtida na amostragem, vêse que a assinatura dos funcionários que assinaram pela emissão, no anverso, é, aparentemente, a mesma que se verifica no verso dos cheques, sob a inscrição acima citada (fls. 151153). Se o total dos pagamentos efetivados na conta "custódia" fosse superior aos recebimentos do dia, a diferença era transferida da conta corrente de depósitos à vista da Souza Cruz, e o crédito efetuado na conta de depósitos vinculados sob a descrição "SERVIÇOS PRESTADOS SL". Se remanescesse saldo credor na Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 conta "custódia", efetuavase a transferência para a conta corrente da Souza Cruz, no mesmo dia (fls. 432446). Com o objetivo de sistematizar os dados fornecidos pelo Banco Itaú S/A e pela Souza Cruz S/A, a auditoria em curso obteve, junto à instituição financeira e seu cliente, Relatório de Coleta de Valores Pagamentos Diversos (fls. 218236), onde foram totalizadas diariamente as movimentações de recursos, realizadas no período de 30/01/1997 a 31/12/1999, tendo sido conferidos, por amostragem: a) os valores coletados pelo Banco Itaú em favor da Souza Cruz (entrega de valores); b) os pagamentos a fornecedores e outros credores; c) os saldos entre recebimentos e pagamentos, os quais sempre coincidiram com os valores debitados ou creditados no extrato bancário sob a sigla de "SERVIÇOS PRESTADOS SL"; (grifos e destaques nossos) O v. acórdão recorrido, ao seu turno, que bem resume o entendimento da Colenda Câmara a quo, possui a seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. ATOS PRATICADOS COM DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Restando caracterizado o evidente intuito de fraude, mediante conduta dolosa que procura evitar o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, bem assim modificar e excluir características essenciais deste, utilizando se, inclusive, de conluio, a contagem do prazo decadencial passa a ser do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributo sujeito à homologação. Preliminar rejeitada. CPMF. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A utilização de conta de depósitos vinculados de titularidade da instituição financeira, para crédito de valores dos clientes desta e o posterior pagamento de obrigações destes, por sua conta e ordem, com os recursos nela depositados, caracteriza hipótese de incidência da CPMF, nos termos do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.311/96. MULTA QUALIFICADA. Havendo a instituição financeira e sua cliente agido em conluio para evitar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, excluindo e modificandolhe, ainda, suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do tributo, utilizandose, para tanto, de um sistema de conta corrente paralela que embutia o nome da cliente nas operações, evidenciase o intuito doloso de fraude, condição necessária à exasperação da penalidade. Recurso negado. (grifos e destaques nossos) Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 16327.003259/200230 Acórdão n.º 9303002.776 CSRFT3 Fl. 1.751 5 A Câmara a quo entendeu, em suma, no que interessa ao julgamento do presente recurso, que ao se utilizar das contas de depósito vinculado, sem que o numerário transitasse pela contacorrente, o Banco Itaú e a Souza Cruz utilizaram de um procedimento que consistia em um verdadeiro “controle paralelo” ao de uma contacorrente, produzindo os mesmos efeitos desta. Apontou, outrossim, na esteira do voto proferido pela Ilustre relatora, Conselheira Adriana Gomes Rêgo Galvão, que esse sistema de contacorrente paralela evidencia, ainda, verbis, o intuito doloso de fraude, condição necessária à qualificação da multa a que se refere o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, já que pessoas envolvidas, dotadas de departamentos jurídicos especializados, sabiam que se os recursos fossem creditados diretamente na conta de livre movimentação da Souza Cruz, quando do débito para utilização destes, haveria a incidência da CPMF, ou seja, havia consciência da conduta e sabiam qual seria o resultado: lesar o Fisco. Ao final, arrematou no referido voto o seguinte: (...) Assim, não amparada pela norma do Banco Central, mediante conluio, o banco e sua Cliente acordaram um mecanismo com a mesma funcionalidade de crédito e débito da contacorrente, mas que embutisse o nome da Souza Cruz, com vistas a impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, o que caracteriza a sonegação, bem assim, a excluir e modificar características essenciais deste fato gerador, de modo a evitar o pagamento do tributo, evidenciando a fraude. Deve ficar claro que, não obstante a conduta, o fato gerador ocorreu, porque, como já ressaltado, o legislador ordinário previu todas as modalidades que ensejassem circulação de moeda, por meio de instituição financeira, com algumas ressalvas expressas, que não correspondem aos fatos ocorridos no presente caso. Logo, não lograram o banco e sua Cliente impedir a ocorrência do fato gerador, mas, com tal operação, deixaram claro a intenção dolosa, onde se pode identificar as figuras dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64. E, uma vez caracterizado o dolo, mantémse a multa qualificada a que se refere o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e afastase a preliminar de decadência argüida pelo recorrente com base no art. 150, § 4º, do CTN, visto que a contagem passa a ser pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, conforme já colocado. (negritos no original) O Banco Itaú, irresignado, interpôs o já mencionado recurso especial, apontando divergência jurisprudencial quanto à decadência e a ilegitimidade da aplicação, na presente hipótese, da multa qualificada de 150%, visto que não teria restado provada a sonegação, a fraude e o conluio. Como paradigma, a par de outros julgados em que se afirmou que a aplicação de multa qualificada deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, apontouse Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 como aresto divergente julgado proferido pela Colenda Segunda Câmara do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes que, em processo idêntico ao presente (diferindo apenas quanto à empresa cliente, que naquele caso era a Esso), decidiu afastar a multa de 150% por entender que a aplicação do inciso III do artigo 2º da Lei nº 9.311/96, impossibilitaria o agravamento da multa (Acórdão nº 20215861). O recurso especial do Banco Itaú foi recebido através do r. despacho de fls. 1501 a 1505 apenas quanto à multa qualificada. Referido despacho, a propósito, delimitou com bastante clareza a divergência jurisprudencial veiculada no recurso especial, razão pela qual merece destaque, verbis: Com relação à aplicação da multa agravada, o acórdão recorrido entende que, havendo a instituição financeira e sua cliente agido em conluio para evitar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, excluindo e modificandolhe, ainda, suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do tributo, utilizandose, para tanto, de um sistema de contacorrente paralela que embutia o nome da cliente nas operações, evidenciase o intuito doloso de fraude, condição necessária à exasperação da penalidade. Assim, uma vez caracterizado o dolo, mantémse a multa qualificada a que se refere o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Os acórdãos apontados como paradigmas da divergência desqualificaram e desagravaram a multa de oficio por não ter havido a comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio. No Acórdão n' 20215.861, processo administrativo nº 10768.024454/9999, idêntico ao presente e da mesma recorrente, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, afastou a multa de 150% por entender que a aplicação do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.311/96 impossibilitaria o agravamento da multa. No voto condutor do acórdão divergente, o Conselheirodesignado Dr. Antônio Carlos Bueno Ribeiro expôs que "o registro (crédito) de cheques coletados junto a estabelecimentos do beneficiário na conta DEPÓSITOS VINCULADOS, código 4.1.1.85.001, do COSIF, formalmente de acordo com a sua função, consoante norma do BACEN, afasta a acusação de que esse registro teria sito efetuado numa conta paralela ou “fantasma”, com o objetivo de simular a não ocorrência do fato gerador (débito na conta “fantasma”), especialmente se o não registro na conta DEPÓSITOS À VISTA, código 4.1.1.00.000, induz a incidência prevista no inciso III do artigo 2º da Lei nº 9.311/96." (grifos e destaques nossos) Não foram apresentadas contrarrazões de recurso especial pela Fazenda Nacional, conforme atesta a informação de fls. 1808. É o relatório. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 16327.003259/200230 Acórdão n.º 9303002.776 CSRFT3 Fl. 1.752 7 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. Conforme se apontou no relatório, o presente recurso especial cuida apenas da aplicação da multa qualificada (de 75% para 150%) decorrente da prática de sonegação, fraude e conluio, sendo que o contribuinte já realizou o pagamento do crédito tributário não mais em discussão, consoante relatado no r. despacho de fls. 1807. Não se questiona, portanto, a ocorrência dos fatos previstos na hipótese de incidência descrita no inciso III do artigo 2º da Lei nº 9.311/96, conforme descrito na ementa do v. acórdão ora recorrido: CPMF. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A utilização de conta de depósitos vinculados de titularidade da instituição financeira, para crédito de valores dos clientes desta e o posterior pagamento de obrigações destes, por sua conta e ordem, com os recursos nela depositados, caracteriza hipótese de incidência da CPMF, nos termos do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.311/96. (grifos nossos) Para facilitar a discussão sobre a aplicação da multa qualificada, convém destacar o teor desse dispositivo: Art. 2° O fato gerador da contribuição é: I o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, em contas correntes de empréstimo, em contas de depósito de poupança, de depósito judicial e de depósitos em consignação de pagamento de que tratam os parágrafos do art. 890 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994, junto a ela mantidas; II o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, até o limite de valor da redução do saldo devedor; III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; Por outro lado, importante destacar, também, o teor da Circular BACEN nº 2.535/95. E isso porque enquanto a r. decisão recorrida, na esteira do voto proferido pela Ilustre Conselheira relatora, afirma que o procedimento adotado pelo Banco Itaú e pela Souza Cruz, à luz do artigo 1º da referida Circular, não estava amparado pela norma do Banco Central, o v. aresto paradigma colacionado assevera que "o registro (crédito) de cheques Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 8 coletados junto a estabelecimentos do beneficiário na conta DEPÓSITOS VINCULADOS, código 4.1.1.85.001, do COSIF, formalmente de acordo com a sua função, consoante norma do BACEN, afasta a acusação de que esse registro teria sito efetuado numa conta paralela ou “fantasma”, e isso com esteio no artigo 2º da Circular. A primeira questão a ser dirimida no presente julgamento, portanto, a fim de se definir pela aplicação da multa qualificada, é saber se a operação realizada entre o Banco Itaú e a Souza Cruz estava ou não amparada pela norma do Banco Central. A referida Circular BACEN nº 2.535/95 tem o seguinte teor: CIRCULAR Nº 2535 Estabelece procedimentos para o registro contábil de recebimentos e pagamentos por conta de terceiros. A Diretoria do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 18.01.95, com fundamento no art. 4º, inciso XII, da Lei nº 4.595, de 31.12.64, por competência delegada pelo Conselho Monetário Nacional, por ato de 19.07.78, D E C I D I U : Art. 1º Estabelecer que os valores relativos a recebimentos por conta de terceiros devem ser registrados, na dependência detentora da conta corrente de depósitos do beneficiário, no título contábil DEPÓSITOS VINCULADOS, código 4.1.1.85.00 1, do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF, pelo período de tempo em que tais recursos estiverem indisponíveis para movimentação pelo titular, por força de convênio. Parágrafo 1º Os valores relativos a recebimentos por conta de terceiros não detentores de conta corrente devem ser registrados na dependência encarregada do pagamento ou repasse ao beneficiário pelo período de tempo em que tais recursos estiverem indisponíveis, por força do convênio, no título contábil DEPÓSITOS VINCULADOS. Parágrafo 2º Eventuais recebimentos não caracterizados nos termos do caput deste artigo devem ser registrados, na mesma data, diretamente na conta corrente do favorecido, no desdobramento do subgrupo DEPÓSITOS À VISTA, código 4.1.1.00.000, do COSIF. Art. 2º Os recursos colocados à disposição da instituição pelos correntistas para, nos termos de convênio específico, efetuar pagamentos em seu nome, devem ser registrados no título contábil DEPÓSITOS VINCULADOS, até a execução da ordem. Parágrafo único. No caso de ser a liquidação finalizada em outra dependência, a transferência deve ser efetuada em contrapartida ao título contábil ORDENS DE PAGAMENTO, código 4.5.1.40.004, do COSIF. Art. 3º Os avisos de crédito decorrentes da cobrança de títulos, recebimento de carnês, consórcios, faturas de concessionárias de serviços públicos, lançamentos interdependenciais, e outros Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 16327.003259/200230 Acórdão n.º 9303002.776 CSRFT3 Fl. 1.753 9 assemelhados, devem ser registrados na conta corrente do beneficiário ou correspondidos no dia de seu recebimento. Art. 4º Alterar, no COSIF, a nomenclatura do título contábil OBRIGAÇÕES POR CONVÊNIOS, código 4.9.9.25.005, para OBRIGAÇÕES POR CONVÊNIOS OFICIAIS. Art. 5º Esta Circular entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 19 de janeiro de 1995. Alkimar Ribeiro Moura Diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro, em exercício Nesse particular, pareceme que o entendimento contido no v. aresto paradigma identificou a questão com propriedade, apontando que a operação realizada entre o Banco Itaú e a Souza Cruz está inserida no artigo 2º da referida Circular BACEN, e não no seu artigo 1º, ao contrário do que foi afirmado no v. acórdão ora recorrido. Essa operação, portanto, no meu entendimento e na esteira do paradigma, encontra arrimo na norma do BACEN. Nesse sentido, mister ressaltar o seguinte excerto do voto condutor do paradigma, proferido pelo Ilustre Conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro, que peço vênia para, nesse particular, adotar como razão de decidir, verbis: (...) Em primeiro lugar, chamo a atenção para a confusão freqüente e compreensível em relação a qual "beneficiário" estamos no referindo, lembrando que a Esso é beneficiária em face dos cheques recebidos de seus clientes e que a Petrobras é a beneficiária dos pagamentos realizados com estes recursos pelo Itaú, por conta e ordem da Esso. Dito isso, tenho que o raciocínio desenvolvido pelo ilustre relator, com fulcro no art. 3° da Resolução n° 2.535/95, em si impecável, não se presta para infirmar o amparo deste ato ao registro dos cheques dos clientes da Esso, coletados pelo Itaú, no título contábil DEPÓSITOS VINCULADOS. Com efeito, in casu, a Esso não acordou com o Itaú cobranças (recebimentos) a que se referem os artigos 1° e 3° da Resolução n° 2.535/95, mas sim que o Itaú, utilizando recursos representados por aqueles cheques de titularidade da Esso, efetuasse pagamentos em seu nome (para a Petrobras), tudo segundo o procedimento estabelecido no art. 2°, que, nestes termos, representava um caminho alternativo ao da conta DEPÓSITOS À VISTA, código 4.1.1.00.000, do COSIF, para o registro dos cheques de titularidade da Esso. (...) Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 10 Cotejando as funções das contas Depósitos de Pessoas Jurídicas 4.0101 e Depósitos Vinculados 4.0106, percebese que uma é destinada a depósitos de livre movimentação de pessoas jurídicas e, outra, a depósitos feitos com fim determinado ou especial, conceito este que, a meu ver, já compreendia os recebimentos e pagamentos por conta de terceiros, mediante convênio, já que, sem dúvida, estabelecem um vinculo entre os depósitos e um fim determinado ou especial, o que, afinal, veio a ser explicitado pela Resolução n° 2.535/95, com algumas amarras e exceções. Antes ainda da Resolução n°2.535/95, tratou do assunto, por exemplo, a CartaCircular BACEN n° 2.242, de 23/12/91, que só veio a confirmar o acima exposto e pouco acrescentou: CARTACIRCULAR N° 002242, DE 23 DE DEZEMBRO DE 1991. (...) Esclarece a função das contas depósitos vinculados e recursos de garantias realizadas. Em decorrência do disposto na Circular 1.952, de 10.05.91, e com fundamento no item 40 da Circular n°. 1.540, de 06.10.89, esclarecemos que: Art. I. No titulo contábil depósitos vinculados, código 4.1.1.85.001, do plano contábil das instituições do sistema financeiro nacional COSIF, devem ser registradas as importâncias recebidas para um fim predeterminado ou especial, bem como o valor do produto da cobrança de duplicatas ou outros títulos recebidos em garantia de operações, inclusive garantias prestadas em dinheiro. (...) (realcei) Em razão de tudo isso é que me convenci que tendo o Itaú adotado o procedimento de registrar (creditar) os cheques coletados junto aos armazéns da Esso na conta DEPÓSITOS VINCULADOS, código 4.1.1.85.001, do COSIF, formalmente de acordo com a sua função, consoante norma do BACEN vigente à época, não se pode admitir a grave acusação de que esses registros teriam sido efetuados numa conta paralela ou "fantasma", com o objetivo de simular a não ocorrência do fato gerador (débito na conta "fantasma"), ainda mais quando justamente o não registro na conta DEPÓSITOS À VISTA, código 4.1.1.00.000, induz a incidência prevista no inciso III do artigo 2° da Lei n° 9.311/96. Por outro lado, não me convenci de que o procedimento adotado tenha implicado numa ocultação fraudulenta do nome da Esso nessas operações, por mais que a fiscalização o tenha entendido com o propósito de obnubilar a sua visão neste particular, pois não ficou demonstrado nos autos a adoção de nenhum meio fraudulento na consecução desses negócios (falsidades ideológicas e/ou materiais), que foram realizados de acordo com a praxe bancária e, segundo a Recorrente, sem contestação nos autos, que não mereceram em si nenhuma reprovação da autoridade monetária encarregada da fiscalização das operações bancárias. Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 16327.003259/200230 Acórdão n.º 9303002.776 CSRFT3 Fl. 1.754 11 De mais a mais entendo que a profusão de elementos de prova carreadas aos autos colhidas junto ao Itaú, sem nenhum embaraço, demonstrando com rninudência a seqüência dos negócios realizados e as suas características, fixando nitidamente a participação de cada protagonista, pelo nunca é demais repetir excelente trabalho de fiscalização da DEINF/RI, em verdade, militam contra esta tese. Com isso não quero dizer que o trabalho não seria mais fácil se a questão tratasse única e exclusivamente da incidência prevista no inciso I, para a qual basta verificar se houve ou não recolhimento da CPMF correspondente aos débitos realizados nas contas a que se refere o inciso I do artigo 2° da Lei n° 9.311/96. Em se tratando da incidência do inciso III, por certo que a metodologia é outra, assim como o grau de dificuldade na sua apuração, mas nada capaz de tolhêla devido à excelência dos quadros que as delegacias especializadas da SRF na fiscalização de instituições financeiras hoje dispõem, conforme de forma eloqüente demonstram estes autos. Não tenho a menor dúvida de que a coligação de negócios que o Itaú entabulou com a Esso foi realizada na firme convicção de que haviam descoberto um caminho legal para elidir a CPMF (Planejamento Fiscal) que, como já vimos, a despeito de terem conseguido contornar a conta de depósito à vista, malograram no seu principal intento, já que, inz.v., se equivocaram na avaliação do alcance da cláusula especial antielisiva ("tailor nade"), incorporada no inciso III do art. 2° da Lei n° 9.311/96, que se fez presente justamente pelo não crédito na conta de depósito à vista. Aliás, esta disposição deixa evidente que o legislador, em verdade, tinha pleno conhecimento das possibilidades legais de valores não serem creditados nas contas relacionadas no inciso I do art. 2° da Lei n° 9.311/96, cuidando de fechar a brecha, nas situações que considerou adequadas, no inciso III do art. 2°. Por outro lado, se o legislador não tivesse tido este cuidado, reconheço que a situação comportaria trilhar o caminho do "abuso de direito" (com apoio na corrente doutrinária que privilegia os princípios da igualdade, solidariedade e da capacidade contributiva, imanentes ao Estado de Direito social e com a ferrenha oposição daquela que vê nessa formulação agressão aos princípios da legalidade e da tipicidade, garantidores da propriedade e da liberdade de contratar com as únicas conseqüências fiscais previstas na lei), tendo em vista a permanência fugaz dos recursos coletados na conta depósitos vinculados, porquanto não ultrapassava 1 (um) dia, já que as entradas diárias de recursos eram exauridas no mesmo dia para a liquidação de obrigações do cliente vencidas neste mesmo dia e, caso suplantassem o valor destas, era realizado o depósito na conta corrente da Esso, ou viceversa, denotaria um uso desrazoável e oportunistico da função desta conta e sem nenhum outro propósito que não de forma egoística possibilitar ao seu cliente de elevada capacidade contributiva um ganho, do qual o Itaú ficaria com um naco, em detrimento de uma contribuição de suma relevância social. Não obstante, mesmo assim, não haveria de se falar em conta "paralela" ou "fantasma" em face de os negócios terem sido realizados formalmente segundo sua função típica e sem o emprego de nenhum dos meios qualificadores da fraude. Isto posto, dou provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa de oficio. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 12 De se notar, além disso, que a própria Circular BACEN nº 2.535/95 foi posteriormente alterada para, nitidamente, passar a impedir operações tais como as dos presentes autos. CIRCULAR N° 3001 Dispõe sobre o registro de valores correspondentes a recebimentos e pagamentos por conta de terceiros. A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 23 de agosto de 2000, com base no art. 4º, inciso XII, da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, por competência delegada pelo Conselho Monetário Nacional, por ato de 19 de julho de 1978, e tendo em vista o disposto no art. 19 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, D E C I D I U: Art. 1º Alterar o art. 3º da Circular nº 2.535, de 19 de janeiro de 1995, que passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 3º Devem ser registrados em conta de depósitos à vista do beneficiário os valores correspondentes às seguintes operações: I cobrança de créditos de qualquer natureza, direitos ou valores, representados ou não por títulos, inclusive cheques; II recebimento de carnês, contas ou faturas de concessionárias de serviços públicos e prestações de consórcios, bem como quaisquer outros valores, não abrangidos no inciso anterior; III coleta de numerário, inclusive cheques, realizada por meio de serviço especializado mantido ou contratado pela instituição financeira ou pelo próprio interessado; IV lançamentos interdependências e outros assemelhados. Parágrafo 1º O registro contábil das operações de que trata este artigo deve ser efetuado na conta de depósitos à vista do credor dos valores cobrados, arrecadados ou colocados à sua disposição. Parágrafo 2º Em se tratando de beneficiário não titular de conta de depósitos à vista na instituição, os recursos por essa recebidos na forma do "caput" devem ser transferidos para instituição onde o beneficiário mantenha conta de depósitos à vista, à qual também se aplicam as disposições deste artigo. Parágrafo 3º Fica dispensada a realização de depósitos nos termos deste artigo quando a instituição estiver atuando na prestação de serviços de administração de recursos destinados à aplicação e ao resgate de investimentos por conta e ordem de seus clientes, hipótese em que os recursos poderão ser registrados em conta de depósitos à vista de titularidade da instituição, vinculadas a contas correntes não movimentáveis por cheque abertas em nome dos respectivos clientes, cuja movimentação deve observar as condições estabelecidas na legislação e na regulamentação aplicáveis." Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 16327.003259/200230 Acórdão n.º 9303002.776 CSRFT3 Fl. 1.755 13 Art. 2º São considerados artifícios de máfé, com objetivo de burla às disposições desta Circular: I a utilização artificiosa ou indevida das rubricas contábeis previstas na Circular nº 2.535, de 1995, inclusive mediante a contabilização em companhias controladas, coligadas ou contratadas, formal ou informalmente, financeiras ou não, de operações, negócios ou serviços sujeitos ao regime contábil estabelecido na referida Circular; II a compensação, total ou parcial, de quantias ou valores sujeitos ao registro contábil e às condições operacionais previstas no art. 3º da Circular nº 2.535, de 1995, com a redação dada por esta Circular, com dividas ou obrigações de responsabilidade do credor; III a aquisição, por instituição financeira ou por instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil, de cheques, créditos ou valores, com a finalidade de evitar o registro em conta de depósitos à vista do beneficiário das operações previstas no art. 3º da Circular nº 2.535, de 1995, com a redação dada por esta Circular. Parágrafo único. O Banco Central do Brasil poderá desconsiderar operações que, a seu critério, se enquadrem nas hipóteses descritas neste artigo, inclusive quando realizadas mediante utilização de cheques. Art. 3º As disposições desta Circular também se aplicam aos serviços prestados por meio de correspondentes. Art. 4º O descumprimento das disposições desta Circular sujeita a instituição e os seus administradores às sanções previstas na legislação e regulamentação em vigor. Art. 5º Esta Circular entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 24 de agosto de 2000 Sérgio Darcy da Silva Alves Diretor Por último, e corroborando os termos do voto proferido na Colenda Câmara Ordinária pelo Ilustre Conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro, mister destacar, também, o voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Teresa Martinez López no julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional no caso acima citado. Da mesma forma, em razão da sua percuciência ao tratar das especificidades do presente caso, também peço vênia para adotar como razões de decidir o brilhante voto proferido pela Conselheira Maria Teresa, cujo teor é o seguinte, verbis: (...) Ouso divergir do respeitável relator, bem como do i. Procurador da Fazenda Nacional, conforme considerações a seguir explicitadas. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 14 A Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 20215.861, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o agravamento da multa, mantendoa no patamar de 75%. O i. Procurador da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, alegando, em síntese, que a desqualificação da multa de oficio contrariou os arts. 72 e 73 da Lei n 2 4.502/64 e o art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Isto porque, no seu entender, a conduta que culminou na falta de pagamento da CPMF decorreu de fraude e conluio entre a Esso e o Banco Itaú, já que ambos obtiveram benefícios recíprocos em detrimento da Fazenda Pública. A questão, como bem exposta pelo Relator é essencialmente e fundamentalmente, restrita ao afastamento do agravamento da multa, mantendoa no patamar de 75%. Para uma melhor análise da matéria oportuno reproduzir os artigos 71 a 73 da Lei nº4.502/64: Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Já, a redação antiga do art. 44, II da Lei n° 9430/96 dispunha a seguinte redação: "II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." (grifos, não do original) Atualmente, por força do artigo 14 da Lei n° 11.488 de 15.06.2007, conversão da Medida Provisória n°351 de 22.01.2007, vige outra disposição legal, inserida no art. 44 da Lei n° 9430/96: § 1º 0 percentual de multa de que trata o inciso Ido capta deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Pois bem, percebese que a figura da sonegação é definida, segundo os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, acima reproduzidos como a "ação ou omissão dolosa, Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 16327.003259/200230 Acórdão n.º 9303002.776 CSRFT3 Fl. 1.756 15 tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do tributo". A fraude, por sua vez, é definida como a "ação ou omissão dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo". E o conluio é o "ajuste doloso entre duas ou mais pessoas, visando a obter qualquer dos efeitos próprios da sonegação ou da fraude". Interessanos adentrar na análise da figura da fraude, isso porque a figura do "conluio" a que o i. relator se apóia, nos remete à esta. Já, a figura da sonegação — conforme definido na lei, tem por objetivo ocultar da fiscalização os negócios jurídicos praticados. Neste caso, compulsando os autos, nitidamente pode se perceber que a autuada sempre procedeu de forma transparente, às claras, com registro (crédito) de todos os cheques coletados, consoante as normas do BACEN vigentes à época. Não houve, inclusive, embaraço à fiscalização, na apresentação da documentação solicitada. Fraude é o vocábulo derivado do latim fraus, fraudis (engano, máfé, logro), que vem a caracterizar o engano malicioso ou a ação astuciosa, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. É a intenção dolosa de causar prejuízo a terceiros. Por certo, tenho comigo que quando nos referimos a dolo, devemos partir do conceito extraído do direito penal. Assim, presente na definição de fraude como sendo a vontade ou a intenção do agente de praticar o ato definido como crime. É, no meu sentir, ter a plena consciência de que o ato praticado irá ocasionar o resultado delituoso. No conceito material, crime é uma ação ou omissão que se proíbe e se procura evitar, ameaçandoa com pena, porque constitui ofensa (dano ou perigo) a um bem jurídico individual ou coletivo. Não nos olvidemos estar a fraude fiscal caracterizada pela prática de uma ação ou omissão, intencionalmente criminosa, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo. Exemplos desse tipo se mostram quando nos deparamos, por exemplo, com uma falsificação de documentos ou de livros fiscais/contábeis. Ou, diante da comprovação da existência de Notas fiscais calçadas. Não é realmente a hipótese descrita nos autos, em que se discutiu, primeiramente se houve ou não incidência da CPMF, com manifestações não unânimes sobre a polêmica matéria, e a dois, a de se as normas do Banco Central, a qual está a interessada obrigada a cumprir, poderiam justificar, não a forma de proceder da interessada, mas sim a não incidência da CPMF pretendida pela fiscalização. Ora, se a forma de proceder da interessada não encontra obstáculos perante a fiscalização do Banco Central, não há em princípio, de se falar conseqüentemente em fraude, no sentido definido na lei n°4.502, de 1964. Não nos olvidemos que a interessada efetuou operações com base na liberdade de contratar, na liberdade de iniciativa econômica, na livre concorrência, e essencialmente, sem a objeção do Banco Central, à época dos fatos. Vale dizer, o ponto de partida da análise é uma liberdade de escolha, de uma ou outra opção, e até mesmo, por que não, na possível escolha de poder pagar menos tributo, se permitido for a opção lícita de escolha. Sem entrar no mérito da incidência ou não da CPMF, até porque a decisão recorrida já se manifestou sobre a matéria, o fato é que sobre a operação, no meu sentir licita, entendeu a interessada que de fato era lícita. Cabe lembrar que o chamado direito de se autoorganizar, para pagar menos impostos, é sobretudo emanação de uma liberdade individual. Não há e nem pode haver crime nisso. Houve, no sentir da decisão recorrida, erro na interpretação da lei, ao não recolher a CPMF. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 16 O que quero dizer, em palavras simples, é que diante da complexidade e controvertida análise das matérias envolvidas (enquadramento legal, hipótese de incidência da CPMF, implicações das normas do Banco Central), culminando em votação não unânime, resta claro para esta Conselheira que difícil é a sustentação da multa em percentual agravado, como se o procedimento adotado (amparado em Circular do Banco Central) de fraude conclusivamente se tratasse. Ora, se a matéria mostrouse controvertida, temse que o resultado final revela apenas erro na interpretação da lei, mas não de fraude à lei. Como suporte das conclusões aqui expostas dispõe o art. 112 do Código Tributário Nacional que: "A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (..) IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." É o assim chamado princípio in dubio pro reo, consagrado pelo art. 112 do CTN. Enfim, são essas as razões pela qual entendo que acertadamente deve ser mantida a decisão recorrida que muito bem afastou a multa agravada. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto pela Procuradoria. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo Banco Itaú. Rodrigo Cardozo Miranda Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Julguei oportuno elaborar declaração do voto que proferi, acompanhando o relator, especialmente por ter participado de votações em que mantive a qualificação da multa. Nelas, no entanto, o colegiado ratificou no enquadramento proposto pela fiscalização. Neste processo, ao contrário, a decisão ora recorrida apontou ser o inciso III, e não o VI, o enquadramento correto da tributação mantida. Diferentemente do que postulou o dr. Henrique no paradigma apontado pela defesa (acórdão 20215.861), considero que esse enquadramento faz toda a diferença no tocante à possibilidade de qualificação da multa aplicável quando os débitos são anteriores à edição da Circular Bacen 3.001/1995. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 16327.003259/200230 Acórdão n.º 9303002.776 CSRFT3 Fl. 1.757 17 Nesse particular, em nada divirjo das colocações lançadas pelo douto Conselheiro Antonio Carlos Bueno Ribeiro, e acolhidas pelo dr. Rodrigo, no sentido de que, aceito o tal “convênio” e, pois, admissível o registro das operações na conta de depósitos vinculados, de dolo algum se cuida. Do que deles divirjo, acompanhando o dr. Henrique, é quanto à validade do “convênio”. Para nós, com efeito, de convênio algum aqui se tratou, consistindo os registros efetuados em mera simulação que visou a escamotear a verdadeira intenção dos interessados: a não tributação da integralidade dos valores recebidos. E, consequentemente, o enquadramento correto seria no inciso VI como pretendido pela fiscalização mas afastado pela decisão. Com isso não quero dizer que a matéria seja fácil, o que se comprova pela edição de atos por parte da própria administração tributária tendentes a considerar o inciso III como o enquadramento legal de tais operações. Se assim o for, entretanto, não vejo como, antes da edição da mencionada Circular Bacen, qualificar a multa, na exata linha expendida pelo saudoso Conselheiro Antonio Carlos: tratouse de mera tentativa de planejamento tributário apenas frustrada pela existência da norma antielisiva. E foi por isso que acompanhei o relator. Júlio César Alves Ramos Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900766/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, converteu-se o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
RELATÓRIO
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.900766/2009-69
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5335423
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-000.335
nome_arquivo_s : Decisao_10380900766200969.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10380900766200969_5335423.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, converteu-se o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5375155
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594433056768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.900766/200969 Recurso nº 1Voluntário Resolução nº 3101000.335 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente CGTF CENTRAL GERADORA TERMELÉTRICA FORTALEZA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, converteuse o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. RELATÓRIO Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior de PIS que pretende utilizar para compensar com débito de IRPJ. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 00 76 6/ 20 09 -6 9 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900766/200969 Resolução nº 3101000.335 S3C1T1 Fl. 4 2 pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 PIS. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 31/10/03, para fins de apuração do PIS, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Diante da constatação de que não ocorreu recolhimento indevido, não se configura o direito do sujeito passivo ao reconhecimento do crédito pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900766/200969 Resolução nº 3101000.335 S3C1T1 Fl. 5 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, essa turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivocada a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900766/200969 Resolução nº 3101000.335 S3C1T1 Fl. 6 4 A incidência nãocumulativa das contribuições de que trata a lei n° 10.637/2002 e a lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...]§2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei Fl. 469DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900766/200969 Resolução nº 3101000.335 S3C1T1 Fl. 7 5 nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como conseqüência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Essa turma de julgamento, em sua composição anterior, na Resolução 3101000.169 que determinou a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou Fl. 470DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900766/200969 Resolução nº 3101000.335 S3C1T1 Fl. 8 6 sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento através da Resolução 3101000.169, foi dividido em duas partes: a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900766/200969 Resolução nº 3101000.335 S3C1T1 Fl. 9 7 O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). Apresentou os seguintes preços dos insumos: INSUMO PREÇO DATA REFERÊNCIA BASE NORMATIVA GÁS NATURAL 0,304 R$/m³ junho/2001 Portaria Interministerial MME, MF 176/2001 (2,581 U$/MBTU, câmbio 2,3436 R$/U$) TUST Pecém 0,831 R$/kW Julho/2002 Anexo I, Resolução ANEEL 358/2002 Foram apresentados os seguintes valores corrigidos dos insumos e do preço praticado na venda da CGTF para a COELCE: DATA GÁS (R$/m³) TUST (R$/Kw) CGTFCOELCE (R$/MWh) ago/02 0,30400 0,831 122,36 dez/03 0,40298 3,431 159,82 jan/04 0,40298 3,431 159,82 fev/04 0,40298 3,431 159,82 mar/04 0,40298 3,431 159,82 abr/04 0,40504 3,431 163,96 mai/04 0,40504 3,431 163,96 jun/04 0,40504 3,431 163,96 jul/04 0,40504 3,431 163,96 ago/04 0,40504 2,675 163,96 set/04 0,40504 2,675 163,96 out/04 0,40504 2,675 163,96 nov/04 0,40504 2,675 163,96 dez/04 0,40504 2,869 163,96 jan/05 0,40504 2,869 163,96 fev/05 0,40504 2,869 163,96 mar/05 0,40504 2,869 163,96 abr/05 0,40632 2,869 163,55 mai/05 0,40632 2,869 163,55 jun/05 0,40632 2,869 163,55 jul/05 0,40632 3,385 163,55 ago/05 0,40632 3,385 163,55 set/05 0,40632 3,385 163,55 out/05 0,40632 3,385 163,55 nov/05 0,40632 3,385 163,55 dez/05 0,40632 3,385 163,55 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900766/200969 Resolução nº 3101000.335 S3C1T1 Fl. 10 8 O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. Entretanto, para análise das variações do preço final praticado no contrato de fornecimento para a COELCE em contrapartida com a variação do preço dos insumos, tornase necessário conhecer a composição final do preço com base nesses insumos, ou seja, o fator de ponderação de cada insumo (gás natural e TUST) na composição do preço final da energia vendida. Apenas com base no preço dos insumos ponderados (custo total dos insumos indicados), na mesma base do preço de venda de energia (R$/MWh), é possível confirmar a afirmação dos peritos que “a variação de preço de venda não foi superior à dos insumos”. Diante dos fatos apurados nos presente autos, voto no sentido converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime novamente a recorrente, para trazer aos autos complemento do laudo pericial com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Sala das sessões, em 30 de janeiro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 473DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S
score : 1.0
Numero do processo: 11030.903979/2012-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.903979/2012-81
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350344
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.418
nome_arquivo_s : Decisao_11030903979201281.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 11030903979201281_5350344.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5465501
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594443542528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 64 1 63 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.903979/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.418 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS MARAU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 39 79 /2 01 2- 81 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 66 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 67 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 68 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 69 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 70 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 71 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 72 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 73 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 74 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 75 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 76 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 77 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 78 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 79 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 80 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 81 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 82 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.903979/201281 Acórdão n.º 3803005.418 S3TE03 Fl. 83 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13656.901487/2009-23
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. RECONHECIMENTO.
Admite-se a existência de direito creditório da Recorrente, na parte em que, após haver retido e recolhido o tributo correspondente, efetuou, com recursos próprios, depósito do valor correspondente ao imposto na conta-corrente do impetrante ex-empregado, em cumprimento de liminar judicial nesse sentido, valor, esse, após o trânsito em julgado da ação, total ou parcialmente exigível deste último pela União e/ou parcial ou totalmente devido ao impetrante ex-empregado, conforme considerado pelo Judiciário exigível, parcialmente exigível ou inexigível o tributo questionado.
Numero da decisão: 1803-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. RECONHECIMENTO. Admite-se a existência de direito creditório da Recorrente, na parte em que, após haver retido e recolhido o tributo correspondente, efetuou, com recursos próprios, depósito do valor correspondente ao imposto na conta-corrente do impetrante ex-empregado, em cumprimento de liminar judicial nesse sentido, valor, esse, após o trânsito em julgado da ação, total ou parcialmente exigível deste último pela União e/ou parcial ou totalmente devido ao impetrante ex-empregado, conforme considerado pelo Judiciário exigível, parcialmente exigível ou inexigível o tributo questionado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13656.901487/2009-23
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5333097
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-001.978
nome_arquivo_s : Decisao_13656901487200923.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 13656901487200923_5333097.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
id : 5361286
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594459271168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 150 1 149 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13656.901487/200923 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.978 – 3ª Turma Especial Sessão de 3 de dezembro de 2013 Matéria IRRF COMPENSAÇÃO Recorrente ALCOA ALUMÍNIO S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. RECONHECIMENTO. Admitese a existência de direito creditório da Recorrente, na parte em que, após haver retido e recolhido o tributo correspondente, efetuou, com recursos próprios, depósito do valor correspondente ao imposto na contacorrente do impetrante exempregado, em cumprimento de liminar judicial nesse sentido, valor, esse, após o trânsito em julgado da ação, total ou parcialmente exigível deste último pela União e/ou parcial ou totalmente devido ao impetrante ex empregado, conforme considerado pelo Judiciário exigível, parcialmente exigível ou inexigível o tributo questionado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 14 87 /2 00 9- 23 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13656.901487/200923 Acórdão n.º 1803001.978 S1TE03 Fl. 151 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13656.901487/200923 Acórdão n.º 1803001.978 S1TE03 Fl. 152 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 72verso a 73verso): O presente processo versa acerca da DCOMP eletrônica nº 01200.86392.220906.1.7.047599 (fls. 1/5), transmitida em 22/09/2006, cuja formalização visou declarar a compensação de débito do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), código 0561, apurado na 1ª semana de julho do anocalendário de 2005, com crédito proveniente de pagamento a maior do mesmo tributo e código de receita, atinente a 1ª semana do mês de junho do anocalendário de 2005, conforme abaixo especificado: TOTAL DE CRÉDITO UTILIZADO NA DECLARAÇÃO (R$): 42.474,90 DEMONSTRATIVO DOS DÉBITOS COMPENSADOS Código Trib./Contr. Período de Apuração Vencimento Valor Original do Débito Compensado Parcela Utilizada do Crédito Original 05611 1ª Sem. / 07 / 2005 06/07/2005 42.474,90 42.474,90 DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO – PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Código de Receita Data da Arrecadação Valor Original do Crédito Inicial 05611 08/06/2005 42.474,90 A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório Eletrônico Rastreamento nº 841952921, de 09/06/2009 (fl. 6) exarado em sede da Delegacia da Receita Federal de Poços de Caldas/MG, segundo o qual restou decidido NÃO HOMOLOGAR a compensação consignada na DCOMP eletrônica, tendo em vista a demonstração da inexistência do crédito declarado defronte a negativa de disponibilidade de valor associado ao DARF reportado na declaração de compensação, cujo pagamento, no valor de R$ 997.901,41, denotase integralmente vinculado para fins de quitação de débito de IRRF, código de receita 0561, atinente à apuração da 1ª semana de junho do anocalendário de 2005. Regularmente cientificado do aludido Despacho Decisório, por via postal, consoante AR recebido em 18/06/2009 (fl. 70), o contribuinte protocolou suas contrarazões em 17/07/2009 (fls. 07/14), acompanhada dos documentos de fls. 15/69, submetendo seus argumentos de fato e de direito de forma a contrapor as inferências firmadas na decisão administrativa, quais sejam, em síntese: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13656.901487/200923 Acórdão n.º 1803001.978 S1TE03 Fl. 153 4 1) Inicialmente, assevera que o crédito informado na Declaração de Compensação, transmitida em 22/09/2006, decorre de pagamento indevido no valor de R$ 42.474,90, relativo ao IRRF incidente sobre a rescisão trabalhista do funcionário Aristóteles Forti Ferreira Machado (Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0081060), apurado em 04/06/2005, alegando que, em cumprimento à decisão liminar, efetuou a devolução do respectivo valor retido diretamente ao ex empregado a título de verbas indenizatórias; 2) Atesta que, ao verificar o equívoco cometido na declaração do valor do débito apurado, a requerente retificou sua DCTF, fazendo passar a constar a informação do débito de IRRF do período de junho de 2005 (1ª semana) o valor total de R$ 963.834,57, o qual foi quitado através de 3 (três) DARF no montante de R$ 37,44, R$ 8.370,62 e de R$ 997.901,41, sendo que foi utilizado do terceiro DARF indicado para pagamento apenas a quantia de R$ 955.426,51; 3) Esclarece que o exfuncionário ajuizou medida judicial objetivando assegurar a obtenção de direito de não recolher o imposto de renda de verbas recebidas a título de gratificação, gratificação por liberalidade, gratificação manutenção, aviso prévio previsto em acordo coletivo, férias indenizadas, 1/3 das férias indenizadas, média de férias indenizadas e 1/3 da média de férias indenizadas, cuja liminar, concedida em favor do impetrante, findou por obrigar a fonte pagadora no sentido de devolver ao exempregado os valores retidos; 4) Ressalta que o requerente identificou corretamente, na respectiva DCTF retificadora, o débito no valor de R$ 963.834,57, a título de IRRF do período de apuração de junho de 2005 (1ª semana), o qual foi quitado através de DARFs devidamente pagos, o que gerou o mencionado crédito de R$ 42.474,90; 5) Finalmente, requer que seja reformado o Despacho Decisório ora recorrido, a fim de ser integralmente reconhecido o seu direito creditório tal como pleiteado, com a consequente homologação da íntegra da compensação então declarada, nos exatos termos em que efetuada. Requer, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sobretudo pelos documentos que seguem anexos, bem como pela juntada de outros documentos que se façam necessários. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 72 e 72verso): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca, mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. IRRF INCIDENTE SOBRE VERBAS INDENIZATÓRIAS PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. REGULAR RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. SUPERVENIÊNCIA DE LIMINAR DETERMINANDO A NÃOREALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13656.901487/200923 Acórdão n.º 1803001.978 S1TE03 Fl. 154 5 CUMPRIMENTO IMEDIATO DA DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE AMPARO LEGAL PARA A EMPRESA ENTREGAR AO FUNCIONÁRIO O VALOR EQUIVALENTE AO IRRF E PLEITEAR O INDÉBITO DO MESMO MONTANTE PERANTE O FISCO. Verificado que a fonte pagadora efetuou a retenção e o recolhimento do imposto de renda na fonte com base na legislação tributária então vigente, posteriormente afastada por medida liminar concedida em mandado de segurança, é evidente que este IRRF não se caracterizava como indevido na data de seu recolhimento. Ademais, após o pagamento deste IRRF, resta clara a impossibilidade do imediato cumprimento da posterior liminar concedida que determinava a não retenção do imposto citado. Destarte, inexiste prova nos autos de que tal decisão judicial prescrevia que, já tendo havido a retenção do IRRF, a fonte pagadora entregasse o valor equivalente deste ao empregado, e nem mesmo há comprovação da efetiva devolução do valor retido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 23/02/2011 (fls. 77), a tempo, em 24/03/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 78 a 86, instruído com os documentos de fls. 87 a 96, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, no caso vertente, foi proferida decisão liminar nos autos do mandado de segurança nº 2005.61.00.0081060, determinando que o impetrante (Aristóteles Forti Ferreira Machado) recebesse o pagamento das quantias relativas ao imposto de renda sobre gratificação, gratificação por liberalidade, gratificação manutenção, aviso prévio previsto em acordo coletivo, férias indenizadas, 1/3 das férias indenizadas, média de férias indenizadas e 1/3 da média de férias indenizadas sem a incidência do imposto de renda; b) que, no momento do recolhimento do IRRF aos cofres públicos, já se estava diante de pagamento a maior indevido de tributo; c) que se equivocou na apuração e recolhimento do imposto em questão, tendo deixado de excluir da base de cálculo do IRRF, as verbas indenizatórias, nos termos da decisão judicial, o que ocasionou o recolhimento a maior do imposto devido; d) que, a fim de dar efetivo cumprimento à ordem judicial que lhe fora imposta, como já havia descontado o valor do IRRF da parte interessada, a ora Recorrente procedeu ao depósito do valor correspondente ao imposto na contacorrente do Sr. Aristóteles Forti Ferreira Machado (impetrante), tal como comprovado pelos documentos já anexados aos presentes autos; e) que, já havendo decisão judicial determinando o pagamento das verbas indenizatórias decorrentes da rescisão do contrato de trabalho sem a Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13656.901487/200923 Acórdão n.º 1803001.978 S1TE03 Fl. 155 6 incidência do IRRF, o pagamento, quando da sua realização, acarreta no surgimento, neste momento, de um direito creditório da ora Recorrente; e f) que, uma vez detentora de crédito, nas circunstâncias acima expostas e comprovadas, legítimo o direito da Recorrente em proceder à compensação de tais valores, nos termos do art. 74, e seguintes, da Lei nº 9.430/96. Em mesa para julgamento. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13656.901487/200923 Acórdão n.º 1803001.978 S1TE03 Fl. 156 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A ora Recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em que pleiteia, como crédito, valor decorrente de parcela do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), por ela retida e recolhida a título de Rendimentos do Trabalho Assalariado, tendo sido obrigada, por decisão liminar proferida em mandado de segurança, a se abster de reter e recolher referido tributo. 5. Constou da decisão recorrida (fls. 75 e verso): Por sinal, vale ressaltar que a interessada não carreou nenhum instrumento de prova que ensejasse comprovar o efetivo desembolso concernente ao valor líquido pago ao funcionário da empresa, ou mesmo documento aditivo ou substitutivo das informações acostadas nos autos, cujos elementos facultariam legitimar as arguições intentadas no sentido de reduzir o importe do imposto declarado originalmente na DCTF do mês de março do anocalendário em questão. 6. Instada, em sessão do mês de outubro de 2013, a carrear aos autos, até a data da presente sessão, comprovação relativa ao alegado desembolso, acima referido, a ex funcionário, a Recorrente, por meio de seus patronos, apresentou o seguinte documento (fls. 139 – numeração digital): 7. Superada essa questão, adentrase ao mérito. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13656.901487/200923 Acórdão n.º 1803001.978 S1TE03 Fl. 157 8 8. Observase, de início, que está a Recorrente pretendendo seja considerado, como direito creditório seu, valor por ela retido e recolhido a título de Rendimentos do Trabalho Assalariado. 9. Ora, isso não é possível!!! 10. A responsabilidade da fonte pagadora de reter e recolher o tributo corresponde a uma obrigação acessória, por se tratar de prestação positiva, prevista na legislação tributária, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (CTN, art. 113, § 2º), 11. Por não ser a obrigação da fonte qualificada como principal, ou seja, por não ser contribuinte ou responsável, é que a fonte não tem legitimidade para impugnar a exigência de valor retido ou para pedir a restituição de valor recolhido. 12. Por conseguinte, descabe o direito creditório pleiteado, direito esse somente passível de solicitação pelo sujeito passivo que sofreu a retenção do imposto. 13. Não obstante, vislumbrase a existência de direito creditório da Recorrente, na parte em que, após haver retido e recolhido o tributo correspondente, efetuou, com recursos próprios, depósito do valor correspondente ao imposto na contacorrente do Sr. Aristóteles Forti Ferreira Machado (impetrante exempregado), em cumprimento de liminar judicial nesse sentido, valor, esse, após o trânsito em julgado da ação, total ou parcialmente exigível deste último pela União e/ou parcial ou totalmente devido ao impetrante exempregado, conforme considerado pelo Judiciário exigível, parcialmente exigível ou inexigível o tributo questionado. Conclusão 14. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para reconhecer, como direito creditório pleiteado, o valor do depósito correspondente ao imposto na contacorrente do Sr. Aristóteles Forti Ferreira Machado (impetrante exempregado), em cumprimento de liminar judicial nesse sentido (item 6 deste Acórdão). 15. Esclareçase que o referido direito creditório deverá ser objeto de compensação, procedida pelo órgão de origem, com o débito declarado em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), de fls. 1 a 5, e objeto de cobrança neste processo, pelo Despacho Decisório de fls. 6. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13656.901487/200923 Acórdão n.º 1803001.978 S1TE03 Fl. 158 9 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720245/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta ou insuficiência de recolhimento da COFINS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alega-los, comprová-los efetivamente nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes,JOSÉ Henrique Mauri, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva..
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da COFINS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alega-los, comprová-los efetivamente nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10932.720245/2011-51
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5344504
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.559
nome_arquivo_s : Decisao_10932720245201151.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10932720245201151_5344504.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes,JOSÉ Henrique Mauri, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva..
dt_sessao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5426599
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594502262784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.720245/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.559 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2013 Matéria Assuntos Tributários Recorrente RELIGAS DISTRIBUIDORA DE RECICLÁVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO. A FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS, APURADA EM PROCEDIMENTO FISCAL, ENSEJA O LANÇAMENTO DE OFICIO COM OS ACRÉSCIMOS LEGAIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alega los, comproválos efetivamente nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 02 45 /2 01 1- 51 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 10 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10932.720245/201151 Acórdão n.º 3101001.559 S3C1T1 Fl. 4 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes,JOSÉ Henrique Mauri, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva.. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.571 e 572 dos autos emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto do relator Fernando A. Pires Montanaro, nos seguintes termos: “Tratase de Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social que constituiu o crédito tributário total de R$ 18.972.788,41, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2011. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal a autoridade autuante inicia por relatar o atendimento parcial das intimações endereçadas à contribuinte requisitando esclarecimentos e documentação relativa às suas apurações. Continua: (...) verificamos em consulta ao Sistema Informatizado da RFB que o contribuinte não apurou PIS/COFINS na Dacon/2008, não declarou PIS/COFINS na DCTF/2008, não houve pagamento de PIS (código 8109) e Cofins (código 5856) referente ao período de 2008. Em consulta ao sistema SPED Sistema Público de Escrituração Digital, constatamos que o contribuinte não apresentou escrituração contábil digital e Notas Fiscais Eletrônicas. ... Em comparação aos valores de Receita Bruta (faturamento) informados no "Demonstrativo de Apuração de PIS/Cofins", entregue pelo contribuinte com os valores de Venda de Produtos, conta 3.1.1.01.0001104 do Livro Razão e a Receita Bruta de Vendas declaradas na DIPJ ficha 06 A Demonstrativo do resultado do Exercício, encontramos discrepância de valores (...) ... Com base nos documentos no Livro Razão entregues pelo contribuinte, no dia 05 de dezembro de 2011, intimamos o contribuinte a justificar as diferenças de valores de faturamento encontradas entre a DIPJ, o Livro Razão e o Demonstrativo apresentado em julho de 2011, conforme quadro demonstrativo acima. Intimamos ainda o contribuinte a apresentar: • Demonstrativo que concilie e justifique as diferenças dos valores declarados na DIPJ com os registrados no Livro Razão do faturamento mês a mês; • Descrição pormenorizada dos créditos que compõe os valores do Demonstrativo apresentado em julho, apresentando documentos contábeis e fiscais que confirmem tais créditos. Em 07 de dezembro de 2011, o contribuinte respondeu a intimação apresentando o demonstrativo que apresenta a conciliação das diferenças entre a DIPJ e o Livro Razão, justificando que tais diferenças referemse às devoluções de vendas Fl. 788DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 10 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10932.720245/201151 Acórdão n.º 3101001.559 S3C1T1 Fl. 5 3 realizadas no período. Os valores do demonstrativo foram verificados e apresentam identidade de valores e datas com os documentos fiscais analisados. Assim, em continuidade a Ação Fiscal, com base na escrituração contábil do Livro Razão procedemos ao cálculo da Base de Cálculo do PIS/Cofins, nos termos do Art. 1º § 1º e 2º da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03 (...). ... Caracterizamos como Falta de Recolhimento de PIS e Cofins a ausência de pagamento em DARF, bem como a falta de declaração em Dacon e DCTF das referidas contribuições. Ressaltamos que a Receita de Faturamento utilizada para o lançamento do Auto de Infração foi calculada pelos valores contabilizados em seu Livro Razão e apurado conforme demonstrado no quadro acima tendo em vista que o mesmo foi regularmente intimado por três vezes e não apresentou documentação contábil e fiscal que sua comprovasse sua Receita de Faturamento, bem como os créditos relativos ao PIS/Cofins do período. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação alegando em síntese: A apuração dos tributos PIS e COFINS apurados no auto, foram realizadas sem a respectiva dedução que permite a legislação para o Regime de Apuração Lucro Real Trimestral Não Cumulativo, ao qual o contribuinte está enquadrado. Por esse fato não há registro de recolhimentos para os tributos no período, bem co mo a DCTF foi entregue sem movimento. Após análise dessa fiscalização, o contribuinte a fim de comprovar os devidos crédit os, refez sua escrituração fiscal onde constatou que nos meses de junho, agosto e setembro deveria ter recolhido os tributos, bem como que suas DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, haviam sido entregues equivocadamente “zeradas” e que faltavam a entrega de dois meses. A partir desse ponto, o contribuinte a fim de não lesar o fisco, bem como de regulari zar sua situação perante o mesmo, efetuou: 1. Apuração dos tributos; 2. Retificação das DACON de janeiro à outubro; 3. Entrega das DACON de novembro e dezembro;” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0537.761 de fls. 570 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTGRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2008 Fl. 789DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 10 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10932.720245/201151 Acórdão n.º 3101001.559 S3C1T1 Fl. 6 4 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alega los, comproválos efetivamente nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte apresentou uma peça que chamou de “RE Impugnação De Auto de Infração” para os dois processos de PIS e COFINS, cujos números dos processos entendeu ser o nº dos Autos de Infração, solicitando ao Ilmo Sr. Delegado da Secretaria da Receita Federal do Brasil – Delegacia da Receita Federal de Santo André – SP uma revisão as intimações 234/2012 e 235/12, recebidas em 26/04/2012, em virtude dos fatos seguintes: “Em referência ao SPED, citado no relatório das intimações, no ano de 2008 o contribuinte não estava obrigado a entrega, bem como não recebeu desse órgão a notificação para tal entrega. As discrepâncias de valores entre Livro Razão e as declarações pertinentes a apuração dos Impostos, fora regularizados com as devidas retificações, já citadas na Impugnação protocolada em 27/01/2012, bem como não localizamos discrepâncias entre o mesmo livro e a DIPJ, conforme cópias anexas. Em decorrência de mudança de endereço e de contador por parte do contribuinte, as intimações não foram atendidas regularmente, o que ocasionou o auto uma vez que a fiscalização não poderia mais rever a documentação, devido o prazo de conclusão de seus trabalhos. O contribuinte após o recebimento dos Autos de Infração retificou as declarações, porém não realizou a juntada da cópia de entrada que comprovam os créditos que possui. Desta forma pede juntada a esse pedido das cópias dos Termos de abertura e encerramento do Livro de Entrada, as páginas de encerramento de cada mês e em complemento junta ainda o Termo de Abertura e Encerramento e páginas de apurações mensais do Livro de Apuração de ICMS, da matriz, informando que as das duas filiais que estavam em movimento nesse período estão sendo providenciados. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 10 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10932.720245/201151 Acórdão n.º 3101001.559 S3C1T1 Fl. 7 5 O contribuinte ainda se coloca à disposição para apresentação das notas que compõem tais valores caso necessário. Perante o exposto, pedese a revisão do auto.” É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Considerando que a peça apresentada pelo contribuinte faz as vezes de um Recurso Voluntário esse é tempestivo e dele tomo conhecimento. O mesmo recurso é no mínimo procrastinatório e, portanto, a decisão recorrida não merece reparos. Repetila seria apenas para pouparme de mais argumentos para mantêla, mas corroboro com a mesma e poderá ser lida em sessão se necessário. Isto Posto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para manter a decisão recorrida. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 791DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 10 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.001169/2002-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/1996 a 30/09/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DA EXCLUSÃO DO DÉBITO POR COMPENSAÇÃO. DÉBITO REMANESCENTE.
Antes do advento da Medida Provisória nº135, de 2003, o pedido de compensação não era considerado confissão de dívida, de modo que se fazia necessário o lançamento das compensações não homologadas. In casu, é correta a manutenção do lançamento referente a parte do débito alcançada pela homologação da compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL.
O CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade da norma legal, conforme determinação expressa da Súmula nº 02, cuja redação é a seguinte:
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3401-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/1996 a 30/09/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DA EXCLUSÃO DO DÉBITO POR COMPENSAÇÃO. DÉBITO REMANESCENTE. Antes do advento da Medida Provisória nº135, de 2003, o pedido de compensação não era considerado confissão de dívida, de modo que se fazia necessário o lançamento das compensações não homologadas. In casu, é correta a manutenção do lançamento referente a parte do débito alcançada pela homologação da compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL. O CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade da norma legal, conforme determinação expressa da Súmula nº 02, cuja redação é a seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.001169/2002-07
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5342959
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.515
nome_arquivo_s : Decisao_10680001169200207.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 10680001169200207_5342959.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5413986
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594516942848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 448 1 447 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.001169/200207 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.515 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente ELA TRANSPORTES E COMÉRCIO LTDA Recorrida DRJ BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1996 a 30/09/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DA EXCLUSÃO DO DÉBITO POR COMPENSAÇÃO. DÉBITO REMANESCENTE. Antes do advento da Medida Provisória nº135, de 2003, o pedido de compensação não era considerado confissão de dívida, de modo que se fazia necessário o lançamento das compensações não homologadas. In casu, é correta a manutenção do lançamento referente a parte do débito alcançada pela homologação da compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL. O CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade da norma legal, conforme determinação expressa da Súmula nº 02, cuja redação é a seguinte: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 11 69 /2 00 2- 07 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 15/01/2002 (fls. 05/07), pelo qual é exigida diferença de PIS não recolhido, referente a fatos geradores ocorridos entre 31/01/1996 e 30/09/2001. Somados aos juros e à multa, o montante lançado alcançou o valor de R$ 218.184,18. A Contribuinte apresentou impugnação (fls.62/71). Em primeira apreciação, a DRJ Belo Horizonte/MG converteu o julgamento em diligência, para que fossem verificadas as compensações alegadas pela Contribuinte (fls.377/380). Após o retorno da diligência, a DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, ao prolatar acórdão (fls.405/412) com a seguinte ementa: “CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No caso em que há pagamento antecipado, deve ser observado o prazo de homologação quinquenal, contado a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. LANÇAMENTO. PROVAS. Comprovada nos autos, após a realização de diligência, parte das alegações constantes da impugnação, deve ser alterado o lançamento, a fim de que esse possa adequarse à realidade dos fatos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 19/03/2013 (fl. 422) e interpôs recurso voluntário em 18/04/2013 (fls.424/434), com as alegações resumidas abaixo: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10680.001169/200207 Acórdão n.º 3401002.515 S3C4T1 Fl. 449 3 1 Os valores exigidos no auto de infração ora combatido foram integralmente compensados no processo administrativo nº 10680.002099/200115; 2 A multa aplicada é exorbitante, tendo caráter confiscatório e sendo desproporcional. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que o auto de infração seja integralmente anulado. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consiste em saber se a compensação alegada pela Recorrente foi suficiente para excluir os créditos lançados pelo auto de infração objeto deste processo. 1 Da Compensação A Recorrente alega que os valores lançados eram objeto de compensação. De início, cabe esclarecer que os pedidos de compensação são de 2001, portanto, antes do advento da Medida Provisória nº135, de 2003, que inovou a legislação tributária, fazendo com que a declaração de compensação passasse a constituir confissão de dívida. Desse modo, em que pese os pedidos de compensação serem incontroversos, eles não constituem confissão de dívida, razão que leva à necessidade de lavratura do auto de infração para exigir diferenças devidas. Quanto à existência de compensação, compulsando os autos, notase que a DRJ já havia ordenado a realização de diligência para apurar a situação do processo de compensação nº 10680.002099/200115. Na realização da diligência, constatouse que os pedidos de compensação vinculados ao processo mencionado foram convertidos em declarações de compensação, nos termos do art. 49, §4º, da Lei nº 10.637/2002. Também constatouse que as compensações foram homologadas por expressa disposição do art. 74, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430/96. Todavia, as compensações homologadas não foram suficientes para extinguir integralmente o crédito lançado, restando um saldo devedor demonstrado na fl. 397 e destacado pela DRJ em seu acórdão na fl. 441. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 Portanto, o que se tem é que a DRJ já excluiu do lançamento os valores que foram compensados, restando somente os valores não excluídos pelas compensações. Como a Recorrente não apresentou outro motivo para a exclusão dos valores remanescentes, eles devem ser mantidos. 2 Da multa aplicada Alega a Recorrente que a multa tem caráter confiscatório, portanto, não deveria ser aplicada. Ocorre que a multa aplicada está em conformidade com o art. 74, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e está em pleno vigor. O Princípio do nãoconfisco é um princípio constitucional, logo, o afastamento da multa darseia com base em inconstitucionalidade, o que não é permitido em face da falta de competência do CARF, como disposto expressamente na Súmula nº 02, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Portanto, estando a multa baseada em norma com vigor pleno, não cabe ao CARF afastála com base em inconstitucionalidade. Ex positis¸ nego provimento ao recurso voluntário interposto para manter acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 451DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.722195/2011-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RURAL. SUB-ROGAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIDA PELA STF. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior que entende pela aplicação da súmula 1 do CARF.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RURAL. SUB-ROGAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIDA PELA STF. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. RICARF. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10140.722195/2011-62
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5340862
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.112
nome_arquivo_s : Decisao_10140722195201162.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10140722195201162_5340862.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior que entende pela aplicação da súmula 1 do CARF. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5402500
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594530574336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 492 1 491 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.722195/201162 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.112 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2014 Matéria CP: AGROINDÚSTRIA OU PRODUTOR RURAL. Recorrente CONACENTRO COOPERATIVA DOS PRODUTORES DO CENTRO OESTE. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RURAL. SUBROGAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIDA PELA STF. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. RICARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior que entende pela aplicação da súmula 1 do CARF. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 21 95 /2 01 1- 62 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.722195/201162 Acórdão n.º 2803003.112 S2TE03 Fl. 493 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF contempla os Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.299.1815, período 01/2007 a 12/2008, levantamento ED EXPORTAÇÃO DIRETA COM RETENÇÃO – produção rural e SAT, bem como o AIOP – DEBCAD 37.299.1823, período 01/2007 a 12/2008 ED EXPORTAÇÃO DIRETA COM RETENÇÃO – outras entidades e fundos terceiros, em razão da comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, também, deste PAF um outro Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.352.471 4, período 01/2007 a 12/2008, levantamento E1 EXPORTAÇÃO DIRETA SEM RETENÇÃO – produção rural e SAT, e, ainda, o AIOP – DEBCAD 37.352.4722, período 01/2007 a 12/2008, E1 EXPORTAÇÃO DIRETA SEM RETENÇÃO, outras entidades e fundos – terceiros. Assim como, faz parte deste PAF o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.352.4730, período 01/2007 a 12/2008, levantamento EI EXPORTAÇÃO INDIRETA SEM RETENÇÃO – produção rural e SAT, por fim faz parte deste PAF o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.352.4749, período 01/2007 a 12/2008, levantamento EI EXPORTAÇÃO INDIRETA SEM RETENÇÃO, outras entidades e fundos – terceiros, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 55 a 75, com período de apuração de 01/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 338 e 339. O sujeito passivo foi cientificado de todos os créditos supramencionados, em 26/09/2011, conforme recebimento pessoal, às Folhas de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 02, 08, 14, 27, 40 e 46. O contribuinte apresentou petição de defesa/impugnação, as fls. 371, protocolo, as fls. 370, recebida, em 25/10/2011, as razões de defesa estão acostadas, as fls. 372 a 376, acompanhada dos documentos, de fls. 377 a 443, em relação a todos os créditos. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 444 a 446 e 448. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0430.173 3ª, Turma DRJ/CGE, em 05/12/2012, fls. 451 a 459. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 07/02/2013, AR, de fls. 462. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, protocolo, as fls. 463, datado de 11/03/2013, petição de interposição, as fls. 464, e com razões recursais, as fls. 465 a 475, acompanhado dos documentos, de fls. 476 a 484. Preliminar. · que a afirmação do relatório as fls. 401, está equivocada, pois a recorrente faz depósito judicial integral dos valores, conforme guias Fl. 493DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.722195/201162 Acórdão n.º 2803003.112 S2TE03 Fl. 494 3 judiciais, relativamente as rubricas RURAL – 2%; SAT/RAT 0,01% e SENAR – 0,02%; Mérito. · que não há base legal para exigir a contribuição, uma vez que o artigo 25, da Lei 8.212/91 na redação da lei 10.256/2001 não contém o aspecto quantitativo da hipótese de incidência, ou seja, não prevê alíquota; · que pela ausência do elemento quantitativo da tributação por terem sidos declarados inconstitucionais os incisos I e II, do artigo 25, da Lei 8.212/91 a exigência é insubsistente; · que o STF no RE’s 596.177 RS e 585.684 – RS entendeu pela inconstitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física da Lei 8.212/91 até a Lei 10.256/2001, sendo que o primeiro foi julgado sob o regime do artigo 543 – B, do CPC; · que a subrogação do artigo 30, IV, da Lei 8.212/91 foi declarada inconstitucional pelo STF, nos RE’s 363.852 – MG e 596.177 – RS, neste último nos termos do artigo 543 – B, do CPC, não podendo o adquirente figurar no polo passivo da relação, o que vem sendo reconhecido no CARF, conforme decisões citadas; · que a multa está lastreada em dispositivo revogado, artigo 32, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, pois excluído pela Lei 11.941/2009, ocorrendo erro de direito que macula o lançamento; · Espera a recorrente acolhimento das razões e provimento integral do recurso, reconhecendose a insubsistência da ação fiscal. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso voluntário. Os autos subiram ao CARF, fls. 489 e 490. É o Relatório. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.722195/201162 Acórdão n.º 2803003.112 S2TE03 Fl. 495 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. A decisão dos autos relativamente aos seis créditos lançados limitarse a questão da subrogação deixando de lado todos os demais argumentos lançados, pois desnecessários a análise dos mesmos, como abaixo se demonstrará. Observando as peças constitutivas e os relatórios do Processo Administrativo Fiscal em tela, o qual encerra seis créditos distintos apenas nos relatórios Fundamentos Legais do Débito – FLD dos créditos DEBCAD’S 37.299.1823; 37.352.4722 e 37.352.4749, identifiquei menção ao artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, fls. 12; 38 e 50. Todavia, o agente lançador no Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC – PAF, de fls. 55 a 75, no itens 2.2.1; 3.2.1; 4.2.1; 5.2.1; 6.2.1 e 7.2.1, dos DEBCAD’s 37.299.1815; 37.182.1823; 37.352.4714; 37.352.4722; 37.352.4730 e 37.352.4749, cita de forma explicita a fundamentação do artigo 30, IV, conforme abaixo será transcrito o primeiro dos itens citados. 2.2.1. As contribuições lançadas referemse às contribuições do produtor rural pessoa física, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 25 da Lei nº. 8.212 de 24/07/1991, publicada no Diário Oficial da União nº. 142, de 25/07/1991, e suas alterações posteriores. A empresa pessoa jurídica adquirente fica subrogada da obrigação do recolhimento destas contribuições, face o que dispõe o art. 30, inciso IV, da citada Lei. (o grifo é meu). O Supremo Tribunal Federal – STF no RE 596.177 – RS declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei 8.540/92, conforme transcrição abaixo, assim a sub rogação fundamento do lançamento caiu por terra e não mais se aplica. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art . 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, RICARDO LEWANDOWSKI, STF.) Fl. 495DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.722195/201162 Acórdão n.º 2803003.112 S2TE03 Fl. 496 5 Nos termos da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF as decisões do Supremo Tribunal Federal – STF tomadas no rito do artigo 543B, da Lei 5.869/73 e de reprodução obrigatória nos julgamentos deste colegiados, veja a transcrição. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (destaques meus). Aliás, o CARF já vem decidindo desta forma em outros casos, observase os acórdãos citados. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS – SENAR. A subrogação descrita nesta autuação está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: O egrégio Supremo Tribunal Federal apontou pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar. Em função de a subrogação ter sido considerada inconstitucional pelo Pleno do STF referente à comercialização da produção rural, e considerando que o presente auto de infração referese à falta de recolhimento da contribuição para o SENAR pelo sujeito passivo, substituto tributário; não há como ser mantido o presente lançamento. Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; devese destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV é inconstitucional, em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. SENAR INCIDÊNCIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR INAPLICABILIDADE DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que Fl. 496DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.722195/201162 Acórdão n.º 2803003.112 S2TE03 Fl. 497 6 constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DECORRENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE. A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. PROC:10935.720392/201281. Acórdão 2401003.73 CONS. REL. ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA DE LAVRATURA EFETUADA POR FALTA DE DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS. Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as lavraturas em nome dos adquirentes da produção rural da pessoa física, por falta de declaração dos valores relativos à aquisição da produção rural de pessoas físicas. Recurso Voluntário Provido em Parte. PROC: 16004.000726/200999. Acórdão 2401002.820 CONS REL. KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO Fl. 497DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.722195/201162 Acórdão n.º 2803003.112 S2TE03 Fl. 498 7 Destarte, com esses argumentos acolho o recurso e reconheço a improcedência de todos os lançamentos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000752/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2007, 2008, 2009
IRRF. VEDAÇÃO À EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA.
Há que se diferenciar a desconsideração da personalidade jurídica das hipóteses de vedação à equiparação entre pessoa física e pessoa jurídica. O § 2º do art. 150 do RIR/1999 estabelece uma vedação aos profissionais de profissão regulamentada de constituírem pessoas jurídicas.
IRPF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para excluir os juros de mora incidentes sobre a multa. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Marcelo Terzini Perez, OAB/SP 306.080.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2007, 2008, 2009 IRRF. VEDAÇÃO À EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA. Há que se diferenciar a desconsideração da personalidade jurídica das hipóteses de vedação à equiparação entre pessoa física e pessoa jurídica. O § 2º do art. 150 do RIR/1999 estabelece uma vedação aos profissionais de profissão regulamentada de constituírem pessoas jurídicas. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19311.000752/2010-75
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5332246
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.330
nome_arquivo_s : Decisao_19311000752201075.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 19311000752201075_5332246.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para excluir os juros de mora incidentes sobre a multa. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Marcelo Terzini Perez, OAB/SP 306.080. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5349526
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594580905984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000752/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.330 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria IRRF Recorrente AGROPECUÁRIA SANTA BARBARA XINGUARA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007, 2008, 2009 IRRF. VEDAÇÃO À EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA. Há que se diferenciar a desconsideração da personalidade jurídica das hipóteses de vedação à equiparação entre pessoa física e pessoa jurídica. O § 2º do art. 150 do RIR/1999 estabelece uma vedação aos profissionais de profissão regulamentada de constituírem pessoas jurídicas. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para excluir os juros de mora incidentes sobre a multa. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Marcelo Terzini Perez, OAB/SP 306.080. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 07 52 /2 01 0- 75 Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2006 a 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 1156/1174, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.367.878,47. A fiscalização apurou existência de pagamentos de remunerações a beneficiários, sujeitos à retenção na fonte, sem que tais retenções tenham sido feitas, confessadas em DCTFs, recolhidas ou parceladas. O Auto de Infração lavrado, relativo ao IRRFonte, compreendeu os seguintes valores: Histórico Cód.Receita DARF Valor Multa Exigida Isoladamente (Passível de Redução) 6380 6.178.080,49 Juros de Mora Exigidos Isoladamente 6583 2.189.797,98 Valor do Crédito Tributário Apurado 8.367.878,47 (Oito milhões, trezentos e sessenta e sete mil, oitocentos e setenta e oito reais e quarenta e sete centavos) Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Inicialmente, atesta a tempestividade da defesa e, após breve resumo dos fatos, aponta como parcela não litigiosa do auto de infração aquela atinente à Multa isolada e aos Juros de Mora Isolados, devidos pela falta de retenção do imposto nas seguintes situações: pagamentos a pessoas físicas de aluguéis de fazendas; e pagamentos a pessoas físicas, relativos à correção pelo índice IGPM, do preço de imóveis adquiridos pela impugnante. Na sequência, protesta pela nulidade do auto de infração, na parcela litigiosa, diante do “vício de fundamentação que compromete toda sua validade, pois cerceia o direito de defesa da IMPUGNANTE, que não dispõe de elementos claros para a elaboração de sua defesa”. Alega que a fiscalização deixou de identificar claramente o embasamento legal para a desconsideração da personalidade das pessoas jurídicas prestadoras dos serviços, regularmente Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19311.000752/201075 Acórdão n.º 2201002.330 S2C2T1 Fl. 3 3 constituídas, a despeito de mencionar fatos, os quais, supostamente, formariam a convicção de terem sido prestadas por pessoas físicas as atividades desempenhadas, de modo a permitir a invalidação dos contratos firmados pela impugnante. Acusa que o auto de infração invoca o art. 150, § 2º, incisos I e II, do RIR/99, para desenquadrar as firmas individuais como pessoas jurídicas, mas tais incisos trazem diversas hipóteses de atividades, não tendo sido indicado no lançamento em quais dessas hipóteses se enquadrariam os serviços prestados à impugnante, inviabilizando a defesa. Também, diz não terem sido expressos os fundamentos que sustentariam eventual relação direta de prestação de serviços entre a impugnante e quaisquer das pessoas físicas, sequer tendo sido informado quem seria o suposto tomador desses serviços, como se verifica do seguinte excerto do auto de infração: “40. Os rendimentos das firmas individuais foram oriundos, quase que exclusivamente, dos pagamentos deste contribuinte, ou no máximo, dos pagamentos das demais empresas do grupo. Tal colocação tem relevância quando fica evidenciado que a constituição de pessoas jurídicas, firmas individuais, no mesmo endereço do próprio escritório administrativo, o foi para atender exclusivamente o grupo.” (Grifos da IMPUGNANTE) Conclui que a ausência de descrição detalhada dos fatos acarreta a nulidade do lançamento. Fundamentase no art. 10, incisos III e IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como na jurisprudência. No mérito, passa a discorrer sobre o caráter empresarial dos serviços prestados à impugnante. Nesse mister, busca os dizeres do art. 150, § 2º, incisos I e II, do RIR/99, tomado como fundamento na imputação fiscal, segundo os quais as empresas individuais devem ser equiparadas a pessoas jurídicas, para fins de apuração do imposto de renda, desde que a atividade da firma individual não esteja listada nos incisos citados do § 2º do dispositivo, quando os rendimentos decorrentes devem ser tributados de acordo com as regras aplicáveis às pessoas físicas. Com relação às profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais, a que se refere o art. 150, § 2º, inciso II, do RIR/99, alega a impugnante que, com o advento da Lei nº 154/47, não mais existe a exceção à equiparação da pessoa jurídica, quando a pessoa física exerce atividade sem finalidades comerciais, consoante Acórdão CSRF/0104.835, constando tal dispositivo por equívoco do texto do RIR/99. Já, no que concerne às profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas, a que se refere o art. 150, § 2º, inciso I, do RIR/99, alega que tal dispositivo tão pouco se aplica, ao Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 presente caso, como exceção à equiparação de empresários individuais a pessoas jurídicas, “porque as atividades que tais profissionais desempenham não possuem caráter comercial”. Ainda, argumenta que os prestadores de serviços à impugnante não se enquadram em nenhum dos incisos do § 2º, do art. 150, do RIR/99, mas sim nos incisos I e II do § 1º do mesmo dispositivo legal, caracterizandose como empresas individuais, equiparadas a pessoas jurídicas. Em suas palavras: “5.18. Dispõe o art. 146, do RIR/99: “Art. 146. São contribuintes do imposto de renda e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27): I – as pessoas jurídicas (Capítulo I); II – as empresas individuais (Capítulo II).” (Grifos da IMPUGNANTE) 5.19. Mais adiante, no art. 150, o RIR/99 equipara as empresas individuais às pessoas jurídicas, nos seguintes termos: “Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de Outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I – as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, º, alínea “a”); II – as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “b”);” 5.20. Os serviços prestados pelas empresas individuais, assim como pelas duas sociedades, ADEMIR e NOROESTE, são sim de caráter empresarial, não se enquadrando na regulamentação dos prestadores de serviços profissionais. 5.21. Não há no AI qualquer indício que permita ao fisco afirmar que a prestação de serviços das empresas individuais e das sociedades em questão não se enquadram nas hipóteses dos incisos I e II do § 1º do art. 150 do RIR/99. De fato, todos os requisitos do inciso II estão presentes nas prestações de serviços realizadas, quais sejam: (i) as pessoas físicas exploraram habitual e profissionalmente, (ii) atividade econômica de natureza civil ou comercial, (iii) com o fim especulativo de lucro, e (iv) mediante venda, a terceiros, de serviços. 5.22. Presentes todas essas características, é necessário que se equipare a empresa individual prestadora de serviços a pessoa jurídica. É o que defende o acórdão nº 10706121, da 7ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes (“CC”), atual 1ª Seção do CARF: (...).” Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19311.000752/201075 Acórdão n.º 2201002.330 S2C2T1 Fl. 4 5 Ainda nessa linha, cita as Soluções de Consulta RFB nº 107, de 03/07/2001, e nº 86, de 29/08/2008, bem como o art. 129 da Lei nº 11.196, de 21/11/2005, segundo o qual “os serviços prestados “em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços” sujeitamse tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas”. Em outra frente de defesa, alega a impossibilidade da desconsideração da personalidade jurídica das empresas individuais e sociedades prestadoras de serviços. Diz que os rendimentos auferidos pelas pessoas jurídicas em decorrência dos contratos firmados não podem ser deslocados para as pessoas físicas, sob pena de ofensa ao art. 43 do CTN e ao princípio contábil da entidade. E continua, em suas palavras: “6.8. O sistema de direito positivo brasileiro é formado por princípios de rigidez e de estrita legalidade, no que concerne às relações de poder. Assim, não se admite que o Poder Público imponha obrigações aos cidadãos, notadamente financeiras, exceto se inequivocadamente autorizadas por lei, em sentido estrito, ou Medida Provisória (CF/88, art. 5º, II, e 150, I). 6.9. O CTN, em seu art. 97, estabelece que somente ato de natureza legislativa pode instituir ou majorar tributo, ou definir o respectivo fato gerador, sujeito passivo e correspondente base de cálculo. 6.10. Por sua vez, o art. 108 do CTN veda a adoção da analogia com o objetivo de justificar cobrança de tributo não previsto em lei. 6.11. O direito positivo brasileiro não admite a tese de que a lei tributária pode ou deve ser interpretada segundo critérios econômicos. 6.12. Tanto é assim que as autoridades fiscais confessaram publicamente que a legislação em vigor não lhes oferecia instrumentos suficientes para impedir os “planejamentos fiscais” lícitos e levaram ao Congresso a promulgar a Lei Complementar nº 104/2001, que alterou o CTN, mediante a introdução de parágrafo único ao art. 116, do seguinte teor: (...). 6.13. Ocorre que o referido dispositivo não é autoaplicável, já que ele próprio faz menção à necessidade de uma lei ordinária para que passe a ter aplicação. 6.14. Nesse sentido, confirase o entendimento de MARCO AURÉLIO GRECO: (...). 6.15. A regulamentação da LC nº 104/2001 chegou a ser objeto dos arts. 13 e seguintes da Medida Provisória (MP) nº 66, de 29.08.2002, que: Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 previa que poderiam ser desconsiderados, para fins tributários, os negócios jurídicos realizados com falta de propósito negocial ou abuso de forma; definia os requisitos para a caracterização da falta de propósito negocial e do abuso de forma; estabelecia rito administrativo especial para a desconsideração, assegurando ao contribuinte a oportunidade de defesa prévia. 6.16. A Exposição de Motivos do Ministro da Fazenda explicitava que os atos e negócios definidos na MP nº 66/02 “embora lícitos”, buscariam “tratamento tributário mais favorecido”. 6.17. Todavia, os arts. 13 a 19 da MP nº 66/02 não foram convertidos em lei (apenas parte da MP nº 66/02 foi convertida na Lei nº 10.637, de 3012.2002). 6.18. Não tendo os arts. 13 e 14 da MP nº 66/02 sido convertidos em lei, temse que a eventual economia tributária auferida em razão da opção por determinado modelo lícito de operação não é suficiente, por falta de previsão legal, para que essa operação seja considerada ilegítima.” Cita jurisprudência e conclui que o fisco não dispõe de fundamento legal para desconsiderar a personalidade jurídica das duas sociedades que prestaram serviços à impugnante, quais sejam, ADEMIR e NOROESTE, razão pela qual os contratos celebrados também não podem ser desconsiderados. Encerra requerendo a nulidade em relação à parte litigiosa “por falta de descrição dos fatos relativos à matéria tributável, e por falta de identificação da disposição legal infringida”. E, caso seja superada, requer a improcedência do auto de infração e o cancelamento da exigência fiscal. Às fls. 1258/1261 consta o Termo de Transferência do crédito tributário não impugnado para o processo nº 16151.000014/201109. A 4ª Turma da DRJ em Campinas/SP julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Multa Isolada e Juros Isolados. Falta de Retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre “Pagamentos diretamente a Beneficiários Pessoas Físicas. Matéria Não Impugnada. Consolidase administrativamente o lançamento e operase a preclusão processual quando não apresentados argumentos de defesa em relação à matéria autuada. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Cerceamento do Direito de Defesa. Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19311.000752/201075 Acórdão n.º 2201002.330 S2C2T1 Fl. 5 7 Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa quando o contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Multa Isolada e Juros Isolados. Falta de Retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre “Pagamentos indiretamente a Beneficiários Pessoas Físicas, através de Pessoas Jurídicas”. Verificadas circunstâncias impeditivas à equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, na condição de empresa individual; bem como verificada a inexistência de fato da pessoa jurídica constituída na forma de sociedade regular, porque unipessoal, tendo sido confirmada a prestação dos serviços contratados com tais empresas, bem como o correspondente pagamento, correta é a reclassificação da receita assim auferida como rendimentos atribuídos indiretamente à pessoa física de seus sócios, sujeitos à retenção pela respectiva fonte pagadora. Constatada a falta da retenção do imposto pela fonte pagadora, após a data fixada para entrega da declaração de ajuste anual das pessoas físicas beneficiárias dos rendimentos, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 15/05/2012 (fl. 1384pdf), Agropecuária Santa Barbara Xinguara S/A apresenta Recurso Voluntário em 14/06/2012 (fls. 1385pdf e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: 3. A NULIDADE DO AI (...) 3.2. Duas são as causas da nulidade do AI: (i) deixar de indicar um fundamento legal que permitiria a atribuição dos rendimentos decorrentes dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas regularmente constituídas aos seus quotistas pessoas físicas; e (ii) não apontar a qual(is) das várias hipóteses "de serviços profissionais listados no art. 150, § 2º, I e II, do RIR/99 os serviços prestados pelas quatro firmas individuais identificadas se refeririam. (...) 3.7. Ao deixar de indicar um fundamento legal para a exigência tributária, a autoridade fiscal autuante descumpriu o preceito Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 legal disposto no inciso IV, do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 06.03.19722, que enumera os requisitos absolutamente essenciais dos autos de infração. Por essa razão deve ser declarado nulo o AI. (...) 4. O CARÁTER EMPRESARIAL DOS SERVIÇOS PRESTADOS À RECORRENTE 4.1. O AI invoca o art. 150, § 2°, incisos I e II do RIR/99 para sustentar que as quatro firmas individuais que prestaram serviços para a RECORRENTE não poderiam ser equiparadas a pessoas jurídicas. (...) A base legal do inciso II acima é o art. 6º, alínea "b", do DecretoLei n° 5.844, de 23.09.1943. Contudo, a alínea "b", do art. 6º, foi suprimida pelo art. 1º, da Lei n° 154, de 25.11.1947. Dessa forma, concluise que o inciso II, do § 2º, do art. 150 do RIR/99 foi inserido incorretamente na sua composição, já que tal inciso não mais existe no ordenamento jurídico brasileiro. 4.7. Com o advento da Lei n° 154/47, não mais existe a exceção à equiparação da pessoa jurídica quando a pessoa física exerce atividade sem finalidades comerciais. (...) É que a fundamentação legal a que se reporta a letra "b", do § 2º, do Art. 127, do Decreto n° 1.041/1994 (RIR/94), encontrase suprimida da legislação do imposto de renda por força do Art.1º da Lei n. 154, de 25.11.1947, que suprimiu a letra "b", do art. 6º do DecretoLei n. 5.844 de 23.09.1943. (...) Como se vê, com o advento da Lei n° 154/1947, deixou de existir a exceção à equiparação da pessoa jurídica prevista para as empresas individuais que exploram as chamadas profissões ou atividades não regulamentadas, nestas incluída a prestação de serviços tidos não comerciais, ainda que realizados sem o concurso de empregados. (...) 4.12. Em seguida, vejase o disposto no inciso I, do § 2º do art. 150 do RIR/99. (...) 4.14. O inciso I tem como objetivo impedir que pessoas físicas, prestadoras de serviços intelectuais e científicos, como, por exemplo, advogados, engenheiros, contadores, etc, sejam equiparados a pessoas jurídicas. Isso porque as atividades que tais profissionais desempenham não possuem caráter comercial. 4.15. Ocorre que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços à RECORRENTE, identificadas acima (item 2.2.), não se Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19311.000752/201075 Acórdão n.º 2201002.330 S2C2T1 Fl. 6 9 enquadram em nenhum dos demais incisos do § 2° do art. 150 do RIR/99. (...) 4.18. Os serviços prestados pelas empresas individuais, assim como pelas duas sociedades, ADEMIR e NOROESTE, têm caráter empresarial, não se enquadrando na regulamentação dos prestadores de serviços profissionais. (...) 4.23. Diante disso, ainda que se considere, indevidamente, que os serviços prestados por essas sociedades à RECORRENTE seriam de caráter intelectual, como pretende o AI, tais serviços sujeitamse obrigatoriamente, para fins fiscais e previdenciários, à legislação aplicável às pessoas jurídicas. 4.28. É importante ressaltar que a RECORRENTE nunca sustentou que o art. 129 da Lei n° 11.196/05, acima transcrito, aplicarseia também às quatro firmas individuais que prestaram serviços a ela. Como demonstrado nos itens anteriores, tais serviços devem ser considerados como prestados por pessoas jurídicas por outras razões, autônomas. 4.29. Para as sociedades ADEMIR e NOROESTE, contudo, caso se adote o entendimento, a nosso ver equivocado, de que os serviços prestados por essas duas sociedades teriam natureza intelectual, típica das profissões legalmente regulamentadas, não há dúvida da aplicação do art. 129. 5. A IMPOSSIBILIDADE DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DAS EMPRESAS INDIVIDUAIS E DAS SOCIEDADES PRESTADORAS DE SERVIÇOS (...) 5.8. Assim, os rendimentos auferidos pelas pessoas jurídicas não podem ser deslocados para as pessoas físicas, sob pena de ofensa ao art. 43 do CTN e à legislação que reconhece a personalidade tributária das sociedades prestadoras de serviços. (...) 5.19. Não tendo os arts. 13 e 14 da MP n° 66/02 sido convertidos em lei, temse que a eventual economia tributária auferida em razão da opção por determinado modelo lícito de operação não é suficiente, por falta de previsão legal, para que essa operação seja considerada ilegítima. (...) 5.26. Nesse sentido, reforçase o entendimento de que não cabe à autoridade fiscal desconstituir atos que foram praticados pelos contribuintes com a observância da lei. No caso da RECORRENTE, tal impossibilidade refletese no fato de que o Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 fiscal autuante não citou sequer um artigo para fundamentar a despersonalização das sociedades ADEMIR e NOROESTE. (...) 6. A EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO 6.1. Por último, não há fundamento legal para exigência de juros de mora seja apurada com base na taxa SELIC, seja apurada por meio da utilização do percentual de 1% ao mês sobre multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente processo de Auto de Infração relativo à Multa Isolada e aos Juros Isolados, em razão da falta de retenção ou recolhimento do IRRF após o prazo fixado, relativamente aos anoscalendário 2006 a 2008. De plano, cumpre esclarecer que a matéria ora em controvérsia está restrita à alegação de impossibilidade da desconsideração da personalidade jurídica das empresas individuais e das sociedades prestadoras de serviços, bem como à incidência dos juros sobre a multa de ofício, conforme se extrai do Recurso Voluntário. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre examinar, de antemão, a preliminar levantada pela suplicante. Em seu Recurso Voluntário alega a contribuinte, preliminarmente, que seu direito de defesa fora cerceado no procedimento fiscal, pois o auto de infração deixou de indicar um fundamento legal que permitiu a atribuição dos rendimentos decorrentes dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas aos seus quotistas pessoas físicas. Argumenta, ainda, que a fiscalização não apontou quais das várias hipóteses de serviços profissionais listados no § 2º dos incisos I e II do art. 150 do RIR/1999 que embasaram a exigência. De plano, aqui se rechaça a alegação de nulidade acima, visto que se observa do Auto de infração, constante às fls. 1175/1215, que são mencionados os dispositivos legais infringidos e, ainda que não minuciosamente especificados, o conteúdo da autuação está detalhado no Termo Conclusivo da Ação Fiscal, fls. 1156/1174, conforme se depreende das análises dos demonstrativos e planilhas fls. 1144/1155. Além do mais, compulsandose o Termo Conclusivo da Ação Fiscal, fl. 1168, verificase que a autoridade fiscal transcreveu o inciso I e II do art. 150 do RIR/1999, indicando quais são as atividades vedadas pela lei para fins de caracterização de pessoas físicas como pessoas jurídicas e/ou empresas individuais. Com efeito, a Câmara Superior de Recursos Fiscais possui entendimento sedimentado de que para declarar nulidade do Auto de Infração é necessário que tanto a Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19311.000752/201075 Acórdão n.º 2201002.330 S2C2T1 Fl. 7 11 fundamentação legal quanto os fatos narrados estejam em desacordo com o caso concreto, conforme decisão que aqui transcrevo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL — IMPRECISÃO — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE — PROCESSO REFLEXIVO — DECORRÊNCIA PROCESSUAL Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, mas com perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo à efetiva confusão nos argumentos de defesa, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento. Sendo processo reflexivo, pelo princípio da decorrência processual, é de se adotar a mesma decisão prolatada no processo principal. (Acórdão: CSRF/01 04.779. Relator (a): José Carlos Passuello. Sessão: 01/12/2003). Para haver a nulidade completa do lançamento é necessário ainda que a suposta falha prejudique, efetivamente, o contribuinte de exercer sua defesa. A despeito do suposto defeito apontado no AI, verificase que a contribuinte ao questionar a autuação, tanto em sua Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, demonstrou ter pleno conhecimento da matéria consubstanciado no Auto de Infração, transcrevendo, inclusive, inúmeras jurisprudências. Pelo exposto, não merece ser acolhida a suscitada preliminar de nulidade, uma vez que o auto de infração atacado descreve a contento os fatos que levaram ao lançamento tributário. Quanto ao mérito, alega a contribuinte que os serviços foram prestados na forma de empresas individuais, equiparadas a pessoas jurídicas, conforme incisos I e II do § 1º do art. 150 do RIR/1999, portanto, os prestadores não se enquadram em nenhum dos incisos do § 2º do citado dispositivo legal, como incorretamente procedeu a fiscalização. Ademais, desde a edição da Lei nº 154/1947, não mais existia a exceção contida no inciso II do § 2º do art. 150 do RIR/1999. Por fim, afirma que à época dos fatos vigiam as regras do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, as quais permitem a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, independentemente do caráter personalíssimo ou não da atividade exercida. Pois bem, analisando detidamente os autos, mais precisamente o Termo Conclusivo da Ação Fiscal, fls. 1156/1174, verificase que o procedimento de fiscalização, que culminou na autuação da recorrente, apontou as seguintes ocorrências: Imposto de Renda Retido na Fonte 20. As verificações fiscais quanto a este tributo constataram a existência de pagamentos de remunerações a beneficiários, sujeitos à retenção na fonte, sem que tais retenções tenham sido feitas, confessadas em DCTFs, recolhidas e ou parceladas. (...) Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 38. As remunerações pagas aos quatro primeiros nomes (Márcia, Kátia, Raul e Antonio) foram através de firmas individuais, as quais, conforme análise nas Declarações de Informações EconômicoFiscais DIPJ, dos anoscalendário em que os serviços foram prestados, confirmase que os serviços foram executados diretamente pelos próprios, sem a utilização de funcionários registrados e ou o auxílio de terceirizados. 39. As firmas individuais foram constituídas com capital irrisório, todas no mesmo endereço, qual seja: Avenida Afonso Pena, n° 867 Conjunto 2220 Centro Belo Horizonte / MG, CEP. 30130905, curiosamente o mesmo endereço do Escritório Administrativo em Belo Horizonte, conforme se verifica nas cláusulas dos contratos que tratam da remuneração, local onde os pagamentos mensais eram feitos mediante a entrega das notas fiscais. 40. Os rendimentos das firmas individuais foram oriundos, quase que exclusivamente, dos pagamentos deste contribuinte, ou no máximo, dos pagamentos das demais empresas do grupo. Tal colocação tem relevância quando fica evidenciado que a constituição de pessoas jurídicas, firmas individuais, no mesmo endereço do próprio escritório administrativo, o foi para atender exclusivamente o grupo. 41. Os contratos de prestação de serviços entre a contratante e as contratadas, formalizados em Belo Horizonte / MG, meio que de forma padrão, embora contenha a cláusula de não exclusividade, condiciona a real possibilidade somente mediante prévia e expressa concordância da contratante, o que configura uma situação "personalíssima". (...) 43. Assim, os pagamentos feitos às firmas individuais em retribuição aos serviços diretamente prestados por pessoas físicas, se submetem à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte, como antecipação, previsto nas tabelas progressivas vigentes nas datas de ocorrência dos fatos geradores. Para tanto, além de estar presentes as cópias das notas fiscais, bem como os contratos de prestação de serviços, as cópias das DIPJ dos beneficiários, as respostas apresentadas pelo contribuinte em atendimento às Intimações Fiscais expedidas, elaborouse as planilhas, anexas, onde consta o nome de cada beneficiário, seu CPF e o CNPJ, data dos pagamentos, números das notas fiscais, valores pagos, base de cálculo reajustada, Imposto de Renda na Fonte devido, o valor recolhido (ainda que em outra modalidade), a diferença, o vencimento, a multa de 75%, o percentual dos juros SELIC e o valor dos juros. 44. Conforme fundamentação já feita no preâmbulo do título "Imposto de Renda na Fonte", uma vez expirado o prazo para a entrega da Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, o contribuinte responderá apenas pela multa e os juros, conforme cálculos constantes das planilhas anteriormente referidas, reproduzindose, aqui, os valores até a diferença de imposto apurada: Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19311.000752/201075 Acórdão n.º 2201002.330 S2C2T1 Fl. 8 13 45. Os outros dois beneficiários pessoas físicas, Srs. Ademir Lúcio Cornachini, CPF. 009.899.90796 e Carlos Bernardo Torres Rodenburg, CPF. 101.087.42504, respectivamente, Diretores Superintendente e Presidente, tiveram seus rendimentos pagos através de pessoa jurídica constituída na forma de sociedade, a saber: Ademir Lúcio Cornachini Consultoria Agropecuária Ltda. CNPJ. 09.075.434/000125 CPF Sócio Nascimento Grau Capital 009.899.90796 Ademir Lúcio Cornachini 07/12/1970 Esposo 4.550,00 194.941.99839 Renata Helena Guidi Cornachini 20/07/1972 Esposa 450,00 Noroeste Consultoria e Participações Ltda. CNPJ. 08.091.876/000100 101.087.42504 Carlos Bernardo Torres Rodenburg 18/02/1956 Filho 900,00 000.707.00559 Herbert Werner Rodenburg 19/03/1929 Pai 100,00 46. A Sra. Renata, esposa do Sr. Ademir, ambos residentes na Av. Eliseu Guerra, 705, Bandeirantes, Sertãozinho/SP, CEP. 14170880, nos anoscalendário de 2007 e 2008, períodos em que os serviços foram prestados, não teve quaisquer tipos de rendimentos recebidos da pessoa jurídica de que participava, ao contrário, nesses mesmos anoscalendário mantinha vínculo empregatício com o CNPJ. 07.179.903/000120 (Sertãozinho/SP), eis que dele recebia rendimentos pelo código 0561, conforme informação da DIRF. 47. A sociedade constituída entre cônjuges sofre restrições no Código Civil Brasileiro, Lei n° 10.406, de 10/01/2002, e o próprio contrato de serviços formalizado diretamente com o Sr. Ademir, anexo, denominandoo e atribuindolhe as funções de Diretor Superintendente, demonstram que a relação jurídica e material se deu diretamente com a pessoa física. Mais ainda, os serviços prestados como Diretor Superintendente são de caráter personalíssimo, insubstituível, pois se assim não fosse, seria ele imediatamente destituído, demonstrando com uma lógica real e material, que os serviços jamais foram prestados pela sociedade, mas sim, exclusivamente pela pessoa física. 48. O capital irrisório; a participação nula da Sra. Renata, quer no capital, quer nos rendimentos, quer na execução dos serviços; a sua residência e local de trabalho fixo, completamente distante das Fazendas situadas em várias partes do país, principalmente na região norte (Pará); tudo isso e mais o que já foi dito vem demonstrar que a sociedade só existe de direito, pois de fato ela não existiu. 49. A mesma linha de argumentação prestase à empresa "Noroeste", sendo que o Sr. Herbert, pai do Sr. Carlos, Diretor Presidente, hoje com 81 anos, é aposentado e sempre residiu em SalvadorBA. Repetese, aqui, o mesmo conteúdo do item anterior: A participação ínfima do Sr. Herbert no capital, aliás, no todo, irrisório; a sua não participação na execução dos serviços, até porque os serviços são inerentes ao cargo máximo de Diretor Presidente; a sua ausência do local das decisões; tudo isso e o que mais constou, demonstra claramente que os serviços não foram prestados pela sociedade, mas única e exclusivamente, pelo próprio Diretor Presidente, Sr. Carlos Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Bernardo Torres Rodenburg, significando de forma clara, real e material que a sociedade não precisaria ser assim constituída, pois que só o foi de direito, jamais de fato. 50. Consta como endereço da "Noroeste" o mesmo endereço que anteriormente a "Xinguara" adotara, qual seja: Rodovia SP 107, s/n°, Km. 14,5, Bairro Duas Pontes, município de AmparoSP, CEP. 13908615, em mais uma demonstração lógica de que se constituiu, única e exclusivamente, para satisfazer este contribuinte, do qual ainda é o Diretor Presidente, ou quando no máximo, para atender todo o grupo econômico. 51. Em referência ao grupo econômico, conforme cópia da alteração contratual da Agropecuária Santa Bárbara (sem a Xinguara), obtida diretamente na JUCESP, anexa, verificase que aquela empresa, detentora de 35% do capital da "Xinguara", é constituída pelo Sr. Carlos, pessoa física, e pela empresa "Caravelas", da qual também é o representante. Aliás, o Sr. Carlos é o representante legal de cerca de 9 (nove) empresas do grupo. 52. Tamanha representatividade pessoal também se fez presente nas vultuosas transações imobiliárias, de compra das Fazendas de gado, eis que em todos os contratos particulares de aquisição, sempre na qualidade de Diretor Presidente, o Sr. Carlos Bernardo Torres Rodenburg, firmou os compromissos, conforme comprova as cópias dos instrumentos aqui presentes. É inimaginável atribuir a tais decisões complexas, vultuosas, e relevantes, ser de iniciativa de uma pessoa jurídica, figura, aliás, fictícia, eis que o caráter personalíssimo dos atos é inerente à competência atribuída a uma pessoa física. 53. Assim, no caso das duas pessoas jurídicas, os serviços jamais foram prestados pela sociedade, mas pura e tão somente pelas pessoas físicas, distintamente e individualmente reconhecidas como Diretores, servindo as demais pessoas do quadro societário, como apenas figurantes de uma sociedade inexistente de fato. 54. Então, as remunerações pagas indiretamente às pessoas físicas se sujeitam à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte, através da tabela progressiva vigente nas datas dos fatos geradores, sobre as bases de cálculos reajustadas, cujos valores de IRFonte se acham demonstrados nas planilhas, anexas, onde consta: as datas dos pagamentos; os números das notas fiscais; os valores pagos; as bases de cálculos reajustadas; o valor do IRRFonte; os valores recolhidos, ainda que em outra modalidade; a diferença não recolhida; o vencimento; a multa de 75%; o percentual dos juros calculados até 30/11/2010, incluindo 1% do último mês; o valor dos juros. A seguir se reproduz até a coluna das diferenças: (...) 55. Em face das matérias tributáveis apuradas foram lavrados os respectivos Autos de Infração, distintos para cada tributo (IRRFonte, IRPJ e CSLL), formalizados em dois processos, reunindo em um único o IRPJ e CSLL (apenas de retificação do saldo de Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa da Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19311.000752/201075 Acórdão n.º 2201002.330 S2C2T1 Fl. 9 15 CSLL), e em outro o IRRFonte, compreendendo os seguintes valores de crédito tributário lançado. Do exposto, constatase que a fiscalização, diante dos indícios apontados no Termo Conclusivo da Ação Fiscal, entendeu que o objeto do contrato de prestação de serviço é pessoalíssimo, ou seja, não podem ser prestado por outra pessoa, pois o ato é inerente à competência atribuída a uma pessoa física. Assim, a exigência em exame teve como base o art. 150 do RIR/1999, a saber: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “a”); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “b”); III as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (DecretoLei nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3º, inciso III, e DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “a”, e Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); II profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “b”); III agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “c”); IV serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “d”); V corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “e”); Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 16 VI exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “f”); VII exploração de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “g”). (grifei) Em que pese alegue a recorrente que os serviços foram prestados na forma de empresas individuais, equiparadas a pessoas jurídicas e, portanto, os prestadores não se enquadram em nenhum dos incisos do § 2º do art. 150 do RIR/99, constatase que os serviços profissionais foram prestados pessoalmente pela pessoa física envolvida e, dessa feita, os valores pagos pela recorrente às pessoas jurídicas foram relativos ao trabalho pessoal sujeito a tributação na pessoa física. Em verdade, o que se tem na prática é uma sociedade “de um homem só”. Corroborando, citase o Parecer Normativo nº 38/1975: Os rendimentos do trabalho percebidos por pessoa física em decorrência de atividade profissional não podem ser incluídos em declaração de pessoa jurídica, mesmo quando a pessoa física possui estabelecimento no qual desenvolve suas atividades e emprega auxiliares; a opção é incabível por carência de direito. Quanto à afirmação de que a Lei nº 154/1947, afastou a exceção contida no inciso II do § 2º do art. 150 do RIR/1999, a qual tem como base legal a alínea “b” do art. 6º do Decretolei nº 5.844/1943, entendo, da mesma forma que a autoridade recorrida, que a Lei nº 154/1947, não alterou a redação da alínea “b” do art. 6º do Decretolei nº 5.844/1943, mas apenas a redação das alíneas “a”, “g” e “h” do art. 6º, bem como do próprio art. 6º, parágrafo único, do referido diploma legal1 . Em relação à alegação de que para as sociedades Ademir e Noroeste devese aplicar as regras do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, as quais permitem a equiparação da pessoa 1 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art 1º A cobrança do impôsto de renda de que trata o Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, com as modificações dos Decretoleis ns 6.071, de 6 de dezembro de 1943, 6.340, de 11 de março de 1944, 6.577, de 9 de junho de 1944, 7.590, de 29 de maio de 1945, 7.747, de 16 de julho de 1945, 7.798, de 30 de julho de 1945, 7.885, de 21 de agôsto de 1945, 8.430, de 24 de dezembro de 1945, 9.330, de 10 de junho de 1.946, 9.407, de 27 de junho de 1946, 9.446, de 11 de julho de 1946, 9.513, de 25 de julho de 1946, 9.530, de 31 de julho de 1946, 9.764, de 6 de setembro de 1946, e 9.781, de 6 de setembro de 1946, será efetuado com as alterações abaixo indicadas: (...) Art. 6º, letra a Substituir pelo seguinte: a) honorários do livre exercício da profissão de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, contador e de outras que se lhes possam assemelhar. Art. 6º, letra g : Substituir pelo seguinte: g) ganhos da exploração de patentes de invenção, processos ou fórmulas de fabricação, quando o possuidor auferir lucros sem as explorar diretamente. Art. 6º, letra h Suprimir. Art. 6º parágrafo único. Suprimir. Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19311.000752/201075 Acórdão n.º 2201002.330 S2C2T1 Fl. 10 17 física à pessoa jurídica, independentemente do caráter personalíssimo ou não da atividade exercida, penso que esse artigo contempla uma norma de caráter específico, e por isso não abrange o caso tratado dos autos – que é regra geral. Não se pode perder de vista que os beneficiários das sociedades Ademir e Noroeste, Srs. Ademir Lúcio Cornachini e Carlos Bernardo Torres Rodenburg, ocupam na empresa, ora recorrente, o cargo de Diretor Superintendente e Presidente, respectivamente. Portanto, como estava incorreto desde o início o enquadramento das pessoas físicas como pessoas jurídicas, a fiscalização não procedeu à desconsideração da personalidade jurídica, mas simplesmente, a transferência dos rendimentos/receitas lançadas como pessoas jurídicas para as pessoas físicas envolvidas, que são os beneficiários de fato, pois, a equiparação de pessoa física à jurídica é vedada por lei. No que toca à incidência dos juros sobre a multa de ofício isolada, penso que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 ao se referir aos juros que incidem sobre os débitos com a União, incluiu o tributo e a multa, posto que a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Esse entendimento possui precedentes neste Órgão Administrativo, consoante se verifica da ementa transcrita: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120200.138– 1ª Seção. 2ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) No mesmo sentido é a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF Nº 910100.539, em Sessão de 11 de março de 2010) ... JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF nº 910101.191 – Sessão de 17 de outubro de 2011) No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça assentou serem devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 18 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (STJ Segunda Turma Acórdão REsp 1.129.990/PR, Relator Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
