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Numero do processo: 13896.902183/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 21 83 /2 00 9- 51 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13896.902183/200951 Acórdão n.º 1402002.550 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13896.902183/200951 Acórdão n.º 1402002.550 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13896.902183/200951 Acórdão n.º 1402002.550 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13896.902183/200951 Acórdão n.º 1402002.550 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13896.902183/200951 Acórdão n.º 1402002.550 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723626/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO COM TÍTULOS PÚBLICOS. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado quando comprovada a intempestividade da Impugnação apresentada. Não instaurada a fase litigiosa do procedimento.
Numero da decisão: 1401-001.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (relator), José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO COM TÍTULOS PÚBLICOS. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado quando comprovada a intempestividade da Impugnação apresentada. Não instaurada a fase litigiosa do procedimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (relator), José Roberto Adelino da Silva.
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COMPENSAÇÃO COM TÍTULOS PÚBLICOS. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado quando comprovada a intempestividade da Impugnação apresentada. Não instaurada a fase litigiosa do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (relator), José Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 36 26 /2 01 3- 19 Fl. 419DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso sobre o caso: Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10480.723626/201319 Acórdão n.º 1401001.858 S1C4T1 Fl. 553 3 Da análise pela DRJ/Porto Alegre, resultou a seguinte decisão: Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou o Recurso Voluntário no qual: Fl. 421DF CARF MF 4 1) Alega a tempestividade da impugnação argumentando que foi cientificada apenas em 28/08/2013 e que, assim, a impugnação seria tempestiva, vez que o auto de infração de multa isolada teria sido elaborado conjuntamente com os demais autos de infração imputados à empresa; 2) Alega extensamente a possibilidade da utilização de títulos públicos como forma de extinção de créditos tributários devidos contra a fazenda nacional; 3) Entende pelo descabimento da multa aplicada de 75% por seu caráter confiscatório; 4) Alega não ser possível a utilização da Taxa SELIC por sua natureza remuneratória; É o relatório Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator No caso em análise as compensações foram consideradas não declaradas em razão de terem sido baseadas em títulos públicos relativos a Obrigações do reaparelhamento Econômico emitidas conforme a Lei nº 1.474/51. Da decisão que considerou nãodeclarada a compensação em razão da vedação do art. 74, § 12, II, “c” e “e” da Lei nº 9.430/96, foi enviada representação para lançamento de multa isolada em relação aos débitos cuja compensação restou não declarada. Referido lançamento foi emitido em 21/03/2013, conforme auto de infração de fls. 25/29. É dever destacar que, na página 29, TERMO DE ENCERRAMENTO do auto de infração encontrase o seguinte texto: “Encerramos, nesta data, parcialmente (grifo nosso), o procedimento fiscal levado a efeito no sujeito passivo acima identificado........” Às fls. 32 consta o Aviso de Recebimento do referido auto de infração, devidamente identificado como AUTO DE INFRAÇÃO OUTRAS MULTAS ADMINISTRADAS PELA RFB e que foi recebido em 17/04/2013 na empresa pelo Sr. Romildo Ferreira da Silva. Preliminar Levandose em conta a constatação acima da data em que foi elaborado o auto de infração e quando a empresa tomou ciência do mesmo, havemos de constatar que, em sede de preliminar, não podemos conhecer do recurso voluntário apresentado Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10480.723626/201319 Acórdão n.º 1401001.858 S1C4T1 Fl. 554 5 por restar caracterizada a intempestividade da impugnação apresentada pelo contribuinte apenas em 27/09/2013. Constatase que um dos requisitos de admissibilidade dos recursos é a tempestividade. Assim, vejamos os dispositivos do decreto nº 70.235/72 a respeito do caso. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ................ Art. 23. Farseá a intimação: ................. II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) ...................... § 2° Considerase feita a intimação: ....................... II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) ................. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Pelos dispositivos legais que regem o Processo Administrativo Fiscal acima relacionados verificase que a intimação foi regularmente realizada ao contribuinte na forma do art. 23, II combinado com o § 2º, II, do Decreto nº 70.235/72. O fato de o contribuinte informar que foi intimado posteriormente em 22/08/2013 dos demais autos de infração relativos ao mesmo procedimento fiscal não reabriu ao mesmo o prazo de impugnação relativo ao auto de infração de multa isolada do presente processo. Pelo próprio documento que descreve o conteúdo da descrição contida no envelope endereçado e recebido pela empresa em 22/08/2013, juntado pela empresa às fls. 282, verificase que estão listados todos os documentos que contém a correspondência. No conteúdo da correspondência a fiscalização, após o termo de encerramento lista os Fl. 423DF CARF MF 6 créditos tributários e indica o número de processo de cada auto. Assim, consta no resumo do fim do auto a multa isolada que foi lançada no valor de R$ 8.874.554,27 por meio do processo nº 10480.723626/201319, ou seja, este processo. Desta forma, entendemos não assistir razão ao contribuinte quanto à tempestividade da apresentação da impugnação pela empresa, devendo ser mantidos os termos da decisão de Piso que considerou intempestiva a impugnação e, em consequência não tomou conhecimento da mesma. CONCLUSÃO Assim, por todo o exposto nesta análise, VOTO no sentido de NÃO TOMAR CONHECIMENTO do Recurso Voluntário apresentado em razão de ter sido confirmada a intempestividade da apresentação da impugnação pela empresa. Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15924.720016/2014-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/10/2014
NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. PROCESSO DE RETIFICAÇÃO DE DI.
Uma vez que o recurso administrativo apresentado nos autos do processo de retificação da DI não dotava de efeito suspensivo, inexiste qualquer nulidade no presente auto de infração, lavrado com fulcro nas conclusões alcançadas pela fiscalização naquele processo. A autuação foi lavrada em conformidade com a legislação aplicável, que não exigia a conclusão da discussão em torno da retificação da DI para que eventuais diferenças tributárias ou penalidades fossem exigidas. (art. 61, Lei n.º 9.784/99)
AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE.
Ao contrário do que pretende a Recorrente, os fatos trazidos aos autos confirmam a validade do Auto de Infração, que procedeu com o lançamento dos tributos e da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias para as quais foi emitida Nota Fiscal de Entrada sem a comprovação de sua importação regular.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. A conselheira Maria Aparecida Martins de Paula apresentou declaração de voto-vista dando provimento parcial ao recurso para excluir a multa equivalente à pena de perdimento, sendo acompanhada pelos Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/10/2014 NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. PROCESSO DE RETIFICAÇÃO DE DI. Uma vez que o recurso administrativo apresentado nos autos do processo de retificação da DI não dotava de efeito suspensivo, inexiste qualquer nulidade no presente auto de infração, lavrado com fulcro nas conclusões alcançadas pela fiscalização naquele processo. A autuação foi lavrada em conformidade com a legislação aplicável, que não exigia a conclusão da discussão em torno da retificação da DI para que eventuais diferenças tributárias ou penalidades fossem exigidas. (art. 61, Lei n.º 9.784/99) AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Ao contrário do que pretende a Recorrente, os fatos trazidos aos autos confirmam a validade do Auto de Infração, que procedeu com o lançamento dos tributos e da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias para as quais foi emitida Nota Fiscal de Entrada sem a comprovação de sua importação regular. Recurso Voluntário Negado.
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MERCADORIAS INTERNALIZADAS SEM DI. Recorrente HEWLETTPACKARD BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/10/2014 NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. PROCESSO DE RETIFICAÇÃO DE DI. Uma vez que o recurso administrativo apresentado nos autos do processo de retificação da DI não dotava de efeito suspensivo, inexiste qualquer nulidade no presente auto de infração, lavrado com fulcro nas conclusões alcançadas pela fiscalização naquele processo. A autuação foi lavrada em conformidade com a legislação aplicável, que não exigia a conclusão da discussão em torno da retificação da DI para que eventuais diferenças tributárias ou penalidades fossem exigidas. (art. 61, Lei n.º 9.784/99) AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Ao contrário do que pretende a Recorrente, os fatos trazidos aos autos confirmam a validade do Auto de Infração, que procedeu com o lançamento dos tributos e da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias para as quais foi emitida Nota Fiscal de Entrada sem a comprovação de sua importação regular. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. A conselheira Maria Aparecida Martins de Paula apresentou declaração de votovista dando provimento parcial ao recurso para excluir a multa equivalente à pena de perdimento, sendo acompanhada pelos Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 4. 72 00 16 /2 01 4- 00 Fl. 356DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma síntese do processo até o julgamento da Impugnação Administrativa, inclusive com os argumentos aventados naquela oportunidade e com a conversão do processo em diligência, peço vênia para transcrever o relatório da decisão recorrida, constante do Acórdão 1672.291 da 24ª Turma da DRJ em São Paulo: "A empresa HEWLETT PACKARD BRASIL LTDA., CNPJ nº 61.797.924/0007 40, foi autuada para exigência de multa derivada da conversão da pena de perdimento, bem como diferenças de tributos (II – IPI – PIS e COFINS) e multa proporcional (75%), cujo valor total somou R$ 96.631,72. A autuação teve como embasamento os seguintes fatos observados pela fiscalização: Após o desembaraço das mercadorias objeto da Declaração de Importação – DI nº 10/22922868, registrada em 23/12/2010, contendo uma Adição, com peso declarado igual a 98,00 kg, peso apurado igual a 99,50 kg, instruída pelo Conhecimento de Transporte Aéreo (AWB/HAWB) nº 36950259963 9QR2583 e pela fatura (invoice) nº ST07302/10, que foi parametrizada para o canal amarelo de conferência aduaneira, a impugnante solicitou a sua retificação, nos termos do artigo 45 da IN SRF 680/2006; Tal pedido deu início ao processo administrativo nº 10831.000562/2011 95; Consta do referido pedido solicitação de exclusão de todas as mercadorias declaradas nos itens 01 e 02 da Adição, que não teriam ingressado no território nacional, para inclusão de outras, com o argumento de que ocorreu a substituição da carga no embarque; Para justificar a substituição das mercadorias, a impugnante apresentou a fatura (invoice) nº 6915216089, que também faz referência ao HAWB nº 9QR2583, além de outros documentos; A fim de embasar a sua decisão, através do Termo de Intimação Fiscal nº 495/2014, a fiscalização solicitou diversos documentos da empresa interessada, que foram apresentados, com exceção da cópia do contrato de câmbio; Fl. 357DF CARF MF Processo nº 15924.720016/201400 Acórdão n.º 3402004.269 S3C4T2 Fl. 357 3 Observou a fiscalização que a primeira fatura, apresentada para instrução do despacho, e a segunda fatura, apresentada para justificar o pedido de retificação, possuem a mesma data (13/12/2010), reportam ao mesmo conhecimento de embarque, porém, discriminam produtos diferentes, de mesmo peso, do mesmo exportador, destinados ao mesmo importador. Diante de tais fatos, entendeu que não há que se falar em retificação da DI; Entendeu a fiscalização que não houve ressalva, por parte do importador, no recebimento das mercadorias na alfândega; A interessada, em 23/12/2010, emitiu a nota fiscal eletrônica nº 14459, lançando os produtos que constavam da DI, e, em 17/01/2010, emitiu a nota fiscal eletrônica nº 15093, com as mercadorias que pretendia ver incluídas na DI. Consulta sobre a validade dessas notas fiscais no sítio da Fazenda Estadual demonstrou que nenhuma delas foi cancelada, permanecendo válidas para todos os fins, inclusive para fins de valoração dos estoques e crédito do IPI e das contribuições PIS e COFINS; A interessada confirmou que recebeu no seu estabelecimento produtos sem registro em declaração de importação e sem prova do pagamento dos tributos incidentes sobre a operação de comércio exterior; Entendeu também a fiscalização que a declaração das mercadorias constantes da primeira fatura (ST07302/10) em DI enseja a presunção legal de ocorrência do fato gerador dos impostos e contribuições, já que a falta dessas não foi apurada em procedimento próprio. Além disso, a impugnante não apresentou nenhum documento capaz de justificar a desconsideração do que foi declarado; Nos autos do processo administrativo nº 10831.000562/201195, em 30/09/2014, a fiscalização proferiu decisão indeferindo o pedido de retificação da DI nº 10/22922868. Diante da apresentação de recurso administrativo pela interessada, em 09/01/2015, a autoridade da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos proferiu nova decisão mantendo o indeferimento; Neste processo, no que tange as mercadorias não declaradas, concluiu a fiscalização pela ocorrência da infração prevista pelo inciso X, do artigo 689, do Decreto nº 6.759/2009, para a qual está prevista a pena de perdimento. No entanto, o consumo das mercadorias ensejou a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos termos do § 3º, do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976. Além dessa multa, a presente autuação exige também os tributos devidos (II – IPI – PIS e COFINS), acrescidos das respectivas multas de ofício proporcionais. A empresa HEWLETT PACKARD BRASIL LTDA. foi cientificada da presente autuação em 06/10/2014 (fl. 44), tendo apresentado sua peça de impugnação e documentos em 29/10/2014 (fls. 49 a 68). A data de entrega desses documentos consta à fl. 67. Alegou que: 1. De início, apresentou um resumo dos fatos que determinaram a autuação; Argumento Preliminar. 2. Continua pendente de decisão seu pedido de retificação da DI, em face do recurso interposto, razão pela qual não restou configurada decisão precedente, pressuposto inafastável para ensejar a lavratura do auto de infração aqui combatido, situação essa que implica em sua nulidade. Reproduziu acórdão de Delegacia de Julgamento; Argumentos de Mérito. 3. Teria ocorrido um erro quando da apresentação do pedido de retificação da DI nº 10/22922868, de 23/12/2010, formalizado pelo processo administrativo nº 10831.000562/201195, uma vez que não se tratava de: a) FALTA DE PRODUTO Fl. 358DF CARF MF 4 (PN 516810001 – 36 unidades, PN 507129002 – 76 unidades); b) EXCESSO DE MERCADORIAS (PN 516814B21 – 35 unidades, PN 507125B21 – 70 unidades); 4. Tratamse das mesmas mercadorias, debaixo de PN diferentes, de tal sorte que, à exceção dos PN, são coincidentes nos pesos, preços unitários, descrição, nome comercial, características técnicas, NCM; 5. Não há que se cogitar da cobrança de tributos, bem como dos acréscimos legais, pois os tributos foram recolhidos por ocasião do registro da DI; 6. Indevida a conversão da pena de perdimento em multa equivalente a 100% do valor das mercadorias mencionadas no pedido de retificação (excesso de mercadorias); 7. O pedido de retificação da DI se deu antes de qualquer procedimento administrativo ou medida da fiscalização. A denúncia espontânea se presta a excluir/inibir qualquer infração de natureza tributária ou administrativa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional; 8. A única incidência tributária que poderia ser apontada diz respeito à multa pela falta de (1) unidade da mercadoria PN 516814B21 e de (2) unidades de mercadorias PN 507125B21, exigência essa que a requerente se compromete a satisfazer assim que for determinado pela Receita Federal; 9. Solicita a realização de perícia técnica e formula os seguintes quesitos: a) Identificação das mercadorias importadas, descritas na adição 001, itens 1 e 2, da DI nº 20/22922868, de 23/12/2010, e aquelas mencionadas no pedido de retificação da DI, como sendo “Excesso de Mercadorias”; b) Tomando com referência descrição, fabricante, nome, comercial, características técnicas, configuração, pesos, preços, NCM, podese afirmar que as mercadorias declaradas na adição 001 da DI nº 10/22922868, de 23/12/2010, correspondem àquelas mencionadas no pedido de retificação da DI como sendo “Em Excesso”; c) Outros esclarecimentos adicionais, julgados úteis e oportunos à elucidação dos fatos; 10. Requer a juntada aos autos do processo administrativo nº 10831.000562/2011 95; 11. Por fim, pugna pela declaração de insubsistência da ação fiscal, por força da ilegalidade ou inconstitucionalidade que a contamina, ou se a discussão chegar ao mérito, que venha a ser decretada a improcedência da autuação. Não obstante, à fl. 70, manifestouse a fiscalização no sentido de que na digitalização do auto de infração ocorreu a omissão das páginas demonstrativas dos valores do crédito tributário referente à COFINS, motivo pelo qual se fez necessária apresentálas à autuada. Diante de tal fato, entendeu por bem a fiscalização reabrir o prazo (30 dias) para apresentação de impugnação. O auto de infração foi reapresentado na integra, às fls. 71 a 94, com ciência da empresa autuada em 31/10/2014 (fl. 95), tendo a mesma apresentado em 28/11/2014 a manifestação de fl. 98, apenas para confirmar e reiterar os termos da impugnação já apresentada. Além disso, quando da análise preliminar do auto de infração, esta Turma entendeu pela necessidade de conversão do julgamento em diligência, nos termos do disposto pelo artigo 35 do Decreto 7.574/2011. Tal diligência foi formalizada pelo Despacho nº 5, de 17 de abril de 2015, de fls. 120 e 121. Em atendimento, a fiscalização fez juntar aos autos, às fls. 125 a 208, a cópia do processo administrativo nº 10831.000562/201195. Após dar cumprimento à diligência, coube ainda à unidade preparadora, em 19/06/2015, pela visa postal, cientificar a empresa autuada, em atendimento ao disposto pelo parágrafo único, do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011, conforme documentos de fls. 210 a 215. A autuada, por sua vez, em 16/07/2015 (fl. 216), apresentou novos argumentos e documentos (fls. 217 a 306). Em síntese, a impugnante voltou a questionar o fato de a autuação ter sido efetuada antes da análise do recurso apresentado contra o indeferimento do seu pedido de retificação da DI nº 10/22922868. Acrescentou que Fl. 359DF CARF MF Processo nº 15924.720016/201400 Acórdão n.º 3402004.269 S3C4T2 Fl. 358 5 a presente autuação estaria eivada de nulidade, por contrariar o seu direito de ampla defesa." (efls. 310/315 grifei) A Impugnação foi julgada improcedente pelo referido acórdão, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 01/10/2014 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INDEFERIMENTO. IMPORTAÇÃO IRREGULAR E CONSUMO DAS MERCADORIAS. Entrega de mercadorias estrangeiras a consumo sem que estas fossem previamente submetidas a procedimento de despacho aduaneiro. Quando denegado, pela fiscalização, o pedido de retificação da Declaração de Importação, cabível a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, caso não seja possível a apreensão das mercadorias, nos termos do artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PERDIMENTO. A denúncia espontânea, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos e dos acréscimos legais, exclui a aplicação de penalidades, quer sejam estas de natureza tributária ou administrativa, com exceção daquelas aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita à pena de perdimento, nos termos do artigo 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 40 da Lei nº 12.350/2010. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 309) Intimada desta decisão em 04/05/2016, a empresa autuada apresentou Recurso Voluntário em 25/05/2016 alegando em síntese: (i) a nulidade do auto de infração por descumprimento do art. 45, §4º da Instrução Normativa n.º 680/2006, vez que o presente auto de infração foi lavrado antes da conclusão da discussão administrativa travada em torno da retificação no PTA 10831.000562/201195; (ii) a necessidade de perícia para comprovar que houve erro quando da apresentação do pedido de retificação vez que não teria ocorrido seja falta de produto ou excesso de mercadorias, mas apenas a descrição equivocada da mercadoria, amparada pelo mesmo NCM; (iii) a aplicação do instituto da denúncia espontânea na hipótese, na forma do art. 138, do CTN, vez que a retificação da DI se deu antes de qualquer procedimento administrativo. Afirma que a única exigência passível de ser cobrada da Recorrente na hipótese seria a "multa por falta de (1) unidade de mercadoria PN 516814B21 e de (2) unidade de mercadoria PN 507125 B21, exigência essa que a requerente se compromete a satisfazer, assim que for determinado pela Receita Federal"" (efl. 347) Em seguida, os autos foram direcionados a este CARF. É o relatório. Fl. 360DF CARF MF 6 Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Tomo conhecimento do Recurso, por tempestivo, adentrando em suas razões. São duas as questões postas sob discussão nestes autos: (a) a nulidade do Auto de Infração por ter sido lavrado antes da conclusão da discussão administrativa referente à retificação da DI 10/22922868, objeto de autuação; e (b) os fatos em torno da retificação que, no entender da Recorrente, denotariam a improcedência desta autuação. Vamos à análise segregada destas questões. I DO ARGUMENTO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Aduz a Recorrente que, à luz do art. 45, §4º da Instrução Normativa n.º 680/2006, o presente Auto de Infração somente poderia ser lavrado após a conclusão da discussão administrativa em torno do pedido de retificação da DI, travada no PTA n.º 10831.000562/201195. O artigo no qual se respalda a Recorrente expressa: "Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I de ofício, na unidade da SRF onde for apurada, em ato de procedimento fiscal, a incorreção; ou II mediante solicitação do importador, formalizada em processo e instruída com provas de suas alegações e, se for o caso, do pagamento dos tributos, direitos comerciais, acréscimos moratórios e multas, inclusive as relativas a infrações administrativas ao controle das importações, devidos, e do atendimento de eventuais controles específicos sobre a mercadoria, de competência de outros órgãos ou agências da administração pública federal. (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999." (grifei) De fato, como se depreende da redação do dispositivo acima transcrito, é cabível a interposição de recurso administrativo contra despacho que indeferir o pleito de retificação da Declaração de Importação. Contudo, este recurso não é dotado de efeito suspensivo, em conformidade com o art. 61 da Lei n.º 9.784/99, referenciada no texto da Instrução Normativa: "Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso." (grifei) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 15924.720016/201400 Acórdão n.º 3402004.269 S3C4T2 Fl. 359 7 Como se depreende da íntegra do processo de retificação, acostado aos presentes autos na diligência requerida pela instância a quo, a ora Recorrente não requereu naquela oportunidade que fosse concedido efeito suspensivo ao seu recurso, sendo que este efeito igualmente não foi concedido de ofício. Assim, uma vez que o recurso administrativo apresentado pela Recorrente nos autos do processo de retificação da DI não dotava de efeito suspensivo, inexiste qualquer nulidade no presente auto de infração, lavrado com fulcro nas conclusões alcançadas pela fiscalização naquele processo. A autuação foi lavrada em conformidade com a legislação aplicável, que não exigia a conclusão da discussão em torno da retificação da DI para que eventuais diferenças tributárias ou penalidades fossem exigidas. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. II DO PEDIDO DE RETIFICAÇÃO E DA EXIGÊNCIA AUTUADA Tal qual sustentado na defesa apresentada no processo de retificação da DI 10/22922868 (efls. 185/188), a Recorrente afirma que teria se equivocado no preenchimento do pedido de retificação, equivocadamente indicando que haveria "FALTA DE PRODUTO" e "EXCESSO DE MERCADORIA" (pedido às efls. 126/127). O que aduz a Recorrente é que teria ocorrido um erro no preenchimento no campo "Descrição Detalhada da Mercadoria" da DI, que deveria ser alterada, em razão de uma modificação incorrida no momento do embarque. Sintetizase abaixo as informações que, como se depreende do Recurso Voluntário, a Recorrente pretendia alterar: Coluna I Coluna II De (identificadas no pedido de retificação como "Falta de Produto") Para (identificadas no pedido de retificação como "Excesso de Mercadoria") P/N 516810001 Unidades de disco rígido com um só conjunto cabeça disco (HDAHEAD Disk Assembly) e com inteface SCSI – Small Computer System Interface ou SAS (Serial Attached SCSI), também chamado de SASCSI, de 300 GB, 15 K Qtde: 36 Unidades VUCV: 409,0000000 Dólar dos EUA P/N 507129002 UNIDADES DE disco rígido com um só conjunto cabeça disco (HDAHEAD Disk Assembly) e com inteface SAS (Serial Attached SCSI), também chamado de SASCSI, de 146 GB, 10 K Qtde: 72 Unidades VUCV: 189,0000000 Dólar dos EUA P/N 516814B21 Unidade de disco rígido com um só conjunto cabeça disco (HDAHEAD Disk Assembly) e com inteface SCSI – Small Computer System Interface ou SAS (Serial Attached SCSI), também chamado de SASCSI, de 300 GB, 15 K 3,5” DP Ent HDD. Qtde: 35 Unidades VUCV: 409,0000000 Dólar dos EUA P/N 507125B21 UNIDADES DE disco rígido com um só conjunto cabeça disco (HDAHEAD Disk Assembly) e com inteface SCSI – Small Computer System Interface ou SAS (Serial Attached SCSI), também chamado de SASCSI, de 148 GB, 10 K RPM, Hot plug SIFF, Taxa de Transferência de 6 GB/s. Qtde: 70 Unidades VUCV: 189,0000000 Dólar dos EUA Com isso, permaneceriam inalterados os demais campos da DI, como a NCM, o peso líquido, o VMCV e quanto ao recolhimento de impostos, conforme cópia da DI original apresentada (efl. 134): Fl. 362DF CARF MF 8 Observase que constam dos autos um Termo de Ocorrência às efls. 141 que denotaria que as mercadorias que foram indicadas na DI (Coluna I) estariam faltando, e teriam sido efetivamente recebidas as mercadorias relacionadas na Coluna II: Contudo, além de não ser possível identificar o nome e CPF da pessoa que atestou esse fato, que se encontra ilegível na cópia, essa informação não está em conformidade com as Invoices e as Notas Fiscais de Entrada emitidas pela Recorrente, acostadas aos presentes autos. Segundo estes documentos, tanto as mercadorias relacionadas na Coluna I como na Coluna II teriam sido internalizadas por meio da DI autuada n.º 10/22922868. Senão vejamos: ü Invoice (efl. 149), Packing List (efl. 150) e Nota Fiscal de Entrada n.º 14.459 emitida em 23/12/2010 (efl. 152) das mercadorias relacionadas na Coluna I Fl. 363DF CARF MF Processo nº 15924.720016/201400 Acórdão n.º 3402004.269 S3C4T2 Fl. 360 9 Fl. 364DF CARF MF 10 ü Invoice (efl. 138) e Nota Fiscal de Entrada n.º 15.093 emitida em 17/01/2011 (e fl. 139) das mercadorias relacionadas na Coluna II Fl. 365DF CARF MF Processo nº 15924.720016/201400 Acórdão n.º 3402004.269 S3C4T2 Fl. 361 11 Assim, considerando a documentação acostada pela própria Recorrente ao pedido de retificação, confirmase a existência de mercadorias que foram importadas sem a correspondente documentação de importação exigida, quais sejam, as mercadorias relacionadas na Coluna II do quadro acima. Pela documentação que constam dos autos, as mercadorias relacionadas na Coluna I teriam sido efetivamente importadas, internalizadas, com o devido pagamento dos tributos. O que não ocorreu com as mercadorias da Coluna II que, segundo a documentação acostada, não teria sido devidamente internalizadas, sem o correspondente pagamento dos tributos. Insta frisar que, como informado pela fiscalização pelos extratos acostados aos autos às efls. 161/163, a Nota Fiscal de Entrada n.º 14.459, cuja cópia foi acima indicada, relativa às mercadorias da Coluna I, não foi cancelada, permanecendo válida em consulta realizada em 24/09/2014. Ademais, a Recorrente em nenhum momento trouxe aos autos quaisquer documentos ou informações que comprovassem que a operação informada na referida Nota Fiscal não teria efetivamente se concretizado (por exemplo, registro de estoque das mercadorias ou pretensão de cancelamento da nota fiscal de entrada emitida junto à Fazenda Estadual competente). Diante disso, ao contrário do que pretende a Recorrente, os fatos trazidos aos autos confirmam a validade do Auto de Infração, que procedeu com o lançamento dos tributos e da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias relacionadas na Coluna II acima, para as quais foi emitida Nota Fiscal de Entrada sem a comprovação de sua importação regular (artigos 689, X, § 1º e 690 Regulamento Aduaneiro/2009). É o que indicou o Termo de Verificação Fiscal: Fl. 366DF CARF MF 12 "Pela não apresentação dos recolhimentos referentes aos impostos e contribuições das mercadorias que se pretendia incluir foram constituídos os créditos tributários com fulcro no DecretoLei no 37, de 1966, art. 1o, § 4o, inciso III, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, art. 77." (efl. 37) Importante frisar que a Recorrente não rebate o fundamento legal da autuação, mas apenas as circunstâncias fáticas que levaram à sua lavratura, o que, como visto, não merecem prosperar. Considerando a documentação acostada aos autos, não vislumbro motivos para a realização da perícia técnica requerida, vez que pleiteada somente para buscar demonstrar o equívoco que a empresa teria cometido quando do preenchimento do pedido de retificação da DI. Contudo, como visto, este suposto equívoco não altera a conclusão alcançada pelo Auto de Infração, lavrado com fulcro na documentação acostada aos autos (invoices, packing list e notas fiscais de entrada). Por fim, salientese que todo o recolhimento realizado no momento do registro da DI se refere às mercadorias relacionadas na Coluna I do quadro acima, por se tratarem das mercadorias que efetivamente constaram da DI, sendo certo que não constam dos autos comprovantes de recolhimento relativos às mercadorias da Coluna II, que foram objeto de autuação. Assim, inexistentes os requisitos para a aplicação do instituto da denúncia espontânea do art. 138, do CTN quanto aos tributos lançados. Desta forma, a Recorrente não trouxe elementos passíveis de desconstituir o Auto de Infração, que deve ser mantido. III CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Declaração de Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Na sessão de julgamento do presente processo, pedi vistas em face de dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma que tipifica a infração, o que foi objeto de análise abaixo. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 15924.720016/201400 Acórdão n.º 3402004.269 S3C4T2 Fl. 362 13 A matéria fática do auto de infração originouse em pedido da contribuinte no processo nº 10831.000562/201195 (cópias a partir da fl. 125), formalizado em 04/03/2011, nos seguintes termos: O pedido da contribuinte para retificação da DI nº 10/22922868 foi indeferido, conforme fundamentos expostos no despacho decisório (cópia nas fls. 164/179), e também o recurso em face dessa decisão não foi provido (cópia nas fls. 199/203). Diante do indeferimento do pedido de retificação da DI para inclusão de outras mercadorias, verificouse a situação de irregularidade dessas no País, conforme explicado pelo Ilustre AuditorFiscal no Termo de Verificação Fiscal: (...) IV – Quanto a Inclusão De Mercadoria Não Originalmente Declarada A inclusão da mercadoria originalmente não declarada na DI, devese ser analisada a luz da legislação de regência do controle aduaneiro. A empresa declara de que recebeu em seu estabelecimento produto sem que houvesse registro no siscomex da importação e sem prova de pagamento dos tributos incidentes na operação de comércio exterior., A análise da compatibilidade dos documentos de embarque (invoices) e fiscais (Notas fiscais de entrada) e dos pesos e valores não permitem supor a vinda da mercadoria que se pretendia incluir pelo embarque declarado, nos termos do já exposto. V Da falta de apresentação de documentos A exigência de informações e documentos formulada pelo Termo de Intimação Fiscal 495/2014, visando a análise do mérito encontra amparo nos arts nº 195 ; 196 e 197 da Lei 5.172/66 c/c art 927 e 928 do Decreto 3.000/99 c c/ art 18 , 19 e 21 do Decreto 6759/09: (...) A falta de atendimento a exigência fiscal, , contrato de câmbio acarreta o previsto no artigo 40 da lei 9.784/99. Fl. 368DF CARF MF 14 VI – DA Manifestação De Vontade A alegação de pretensos fatos (exclusão e alteração de descrição e valor de mercadoria ) desprovidos de prova de documentação consistência equivale a transferir ao agente público a incumbência de por mera presunção praticar ato de ofício alterandose dados relevantes da declaração e homologando situação fiscal irregular. Ressaltese que não se trata de negar a impulsionar de ofício o processo, mas sim se exigir o mínimo de instrução e declaração de vontade, até para fins da análise de admissibilidade e reconhecimento, quando o caso da espontaneidade. Portanto a falta de apresentação de documentação cambial e divergência documental relatadas não amparam a pretensão do contribuinte, não permitindo a convicção necessária a este auditor, para agir de ofício retificando a DI com a inclusão da mercadoria na forma pretendida, o que implica na constituição do crédito tributário sem prejuízo da multa administrativa pela conversão da pena de perdimento, nos termos do DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59 c/c Decreto Lei no 37, de 1966, art. 1o, § 4o, inciso III, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, art. 77, VII Conclusão Frente o relatado existe clara subsunção a legislação sobre controle aduaneiro aos quais nos reportamos conforme abaixo: Decreto 6.759/09 – regulamento aduaneiro – RA Art. 71. O imposto não incide sobre: III mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 1 o , § 4 o , inciso III, com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003 , art. 77); Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): ......................................................................................................... X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular; § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (g.n.) § 2o A aplicação da multa a que se refere o § 1o não impede a apreensão da mercadoria no caso referido no inciso XX, ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território aduaneiro (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 4o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Fl. 369DF CARF MF Processo nº 15924.720016/201400 Acórdão n.º 3402004.269 S3C4T2 Fl. 363 15 Art. 690. Aplicase ainda a pena de perdimento da mercadoria de procedência estrangeira encontrada na zona secundária, introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente (Lei no 4.502, de 1964, art. 87, inciso I). Ocorre que para a subsunção da conduta da contribuinte ao tipo infracional do art. 689, X do Regulamento Aduaneiro/2009, a mercadoria estrangeira, sem prova de sua importação regular, deveria ser encontrada numas das seguintes circunstâncias: i) exposta à venda, ii) depositada ou iii) em circulação comercial no País. Como esclarece Roosevelt1, "o inciso X do art. 514 [do RA/85] cuida da mercadoria estrangeira que introduzida clandestinamente no País, seja encontrada em poder de alguém, depositada, exposta a venda, ou em circulação comercial". No caso concreto, não há qualquer referência a que a mercadoria tivesse numa dessas circunstâncias referidas no art. 689, X do Regulamento Aduaneiro/2009 ou mesmo que tivesse sido encontrada pela fiscalização. Também não consta no processo intimação à contribuinte para a apresentação da mercadoria para a caracterização de que seria efetivamente a hipótese de "mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida" para a aplicação da multa substitutiva à pena de perdimento. De outra parte, a aplicação da pena prevista no art. 690 do Regulamento Aduaneiro pressupõe que a mercadoria "seja encontrada em zona secundária", o que não foi exatamente o caso. Além disso, tal pena não poderia ser convertida na multa equivalente ao valor aduaneiro referida no art. 689, §1º (parte final) do Regulamento Aduaneiro. Assim, voto sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa equivalente a pena de perdimento das mercadorias, mantendo a exigência quanto aos tributos. Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula 1 SOSA, Roosevelt Baldomir. Comentários à Lei Aduaneira. São Paulo: Aduaneiras, 1995, p. 429/430. Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001501/2007-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir concientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada.
Numero da decisão: 9101-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Ausente momentaneamente o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir concientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Ausente momentaneamente o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Qualificação. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NACIONAL MERCANTIL COMPUTADORES E SUPRIMENTOS DE INFORMATICA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir concientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Ausente momentaneamente o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 01 /2 00 7- 16 Fl. 4872DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática LTDA (doravante “Mercantil”, “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão n. 1402001.616 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a possibilidade de aplicação da multa de ofício qualificada, então prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, pela prática reiterada do contribuinte declarar rendimento inferiores aos efetivamente obtidos na empresa, bem como a aplicação da regra decadencial do art. 173 do CTN. Conforme se colhe do acórdão recorrido, esses são os fatos presentes neste caso (efls. 4801 e seg.): “Em ação fiscal direta, a contribuinte anteriormente qualificada foi autuada e notificada a recolher ou impugnar os créditos tributários de R$ 23.040.061,08, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; R$ 6.371.241,54, de Contribuição para o Programa de Integração Social — Pis; R$ 10.535.085,44, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL; e R$ 29.405.734,32, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, incluídos nesses valores as multas e juros de mora, calculados até 31.05.2007. 2. A infração imputada ao sujeito passivo encontrase discriminada no relatório fiscal de fls. 1080/1085, que, em síntese é a seguinte: a. A contribuinte foi intimada, em 05.12.2006 (fls. 20/21), e reintimada em 29.12.2006 (22/23), a apresentar os extratos bancários de suas contascorrentes, de investimentos, além dos Livros Razão, Diário ou Caixa; b. O descumprimento as intimações motivou a expedição de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras — RMF's, encaminhadas as instituições financeiras nas quais a contribuinte mantinha contascorrentes e investimentos; c. Depois de analisar os extratos bancários recebidos das instituições financeiras, foram excluídos os valores correspondentes a transferências entre contas de mesma titularidade, os créditos decorrentes de empréstimos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários, saldo devedor CPMF, operações de capital de giro, créditos de leasing, resultando em uma listagem contendo valores depositados/creditados nas contas da contribuinte; d. A contribuinte foi intimada, em 18.04.2007 (fl. 56), e reintimada, em 11.05.2007 (fl. 893), a comprovar a contabilização e a origem desses valores. Também pelos mesmos instrumentos, o responsável pela empresa Djalma Leonardo de Siqueira foi intimado a comparecer pessoalmente à sede da unidade da Receita Federal em que se processou a fiscalização para prestar esclarecimentos; e. O responsável pela empresa apresentouse à auditorafiscal autuante, em 21.05.2007, ocasião em que informou estar impossibilitado de apresentar a escrituração e os documentos, sob a alegação de que estariam retidos pela Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais; f. O lucro foi arbitrado, tomandose como parâmetro os valores depositados/creditados nas contas bancárias, considerados receitas omitidas, sobre o qual foi aplicado o percentual de 9,6%, já descontados os valores declarados pela contribuinte em suas DIPJs; Fl. 4873DF CARF MF Processo nº 19515.001501/200716 Acórdão n.º 9101002.831 CSRFT1 Fl. 4.873 3 g. A multa de 150% foi aplicada porque a fiscalizada declarou à Receita Federal valores de receitas muito inferiores aos que efetivamente ingressaram na empresa; h. Foi formalizada representação fiscal para fins penais, autuada sob n° 19515.001502/200761. 3. O enquadramento legal encontrase grafado no campo especifico do auto de infração. Em breve retrospecto processual, a 1ª Turma da DRJ/SPOI, por meio do acórdão n. 1616.539, julgou a impugnação administrativa parcialmente procedente, mantendo o lançamento em parte (efls. 1280 e seg.). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 RMF. PRÉVIA CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIRETO DE DEFESA. OFICIALIDADE. OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inexiste previsão legal ou regulamentar para que o contribuinte seja previamente notificado do ato que determina a expedição de Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira RMF, inocorrendo violação ao principio da oficialidade ou cerceamento do direito de defesa capazes de inquinar de nulidade o auto de infração lavrado com base em elementos obtidos por este meio de prova. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO. IMPUGNAÇÃO. EXCEÇÕES. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvada a demonstração de ocorrência de alguma das hipóteses previstas nas alíneas "a" a "c" do § 4 0 do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. CSLL. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que constituem infração à legislação de vários tributos implica na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que o julgamento que reconhece a ocorrência desses eventos repercute em todos os lançamentos a eles vinculado/s. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. INTIMAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, sell determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos comerciais e fiscais a que estiver obrigado a escriturar. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. CONTRIBUINTE. ONUS DA PROVA. Presumese ocorrida a infração de omissão de receitas ou de rendimentos quando valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, não tenham sua origem comprovada por seu titular, mediante documentação hábil e idônea, depois de regularmente intimado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO INICIAL. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. PRIMEIRO DIA. EXERCÍCIO SEGUINTE. O prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido Fl. 4874DF CARF MF 4 começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AÇÃO FISCAL EM CURSO. ADESÃO AO PAEX. PARCELAMENTO. REQUISITOS. IMPUGNAÇÃO. RENÚNCIA. DESOBEDIÊNCIA. EXCLUSÃO. O direito ao parcelamento excepcional dos débitos objeto de procedimento fiscal ainda em curso e informados em Declaração PAEX exige a renúncia do contribuinte à impugnação e a quaisquer alegações de direito sobre as quais se funda o referido processo administrativo, configurandose a inobservância a esse requisito motivo de exclusão do programa de parcelamento. AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE READQUIRIDA. ADESÃO AO PAEX. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. Descaracterizada a opção pelo PAEX, em relação a débitos em curso de apuração fiscal ainda não concluída à data final prevista para declarálos, não há que se falar em reaquisição de espontaneidade para fins de exoneração da multa de oficio. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA DECLARADA E MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DIFERENÇA SUBSTANCIAL. ARTIFÍCIOS PARA DIFICULTAR A AUDITORIA FISCAL. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. A declaração ao Fisco de receita substancialmente inferior A. efetivamente auferida bem como a omissão injustificada do contribuinte em exibir livros e documentos de sua escrituração são artifícios que visam dificultar a auditoria fiscal, caracterizando evidente intuito de fraudar a legislação tributária. JUROS DE MORA. SELIC. CABIMENTO. A falta de pagamento de tributo na data de seu vencimento implica em exigilo com o acréscimo de juros moratórios calculados com base na taxa Selic, consoante expressa previsão legal Lançamento Procedente em Parte Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (efls. 1352 e seg.). O contribuinte, no entanto, apresentou petição de desistência parcial e de seu recurso voluntário, requerendo o seu prosseguinte quanto ao tema da multa qualificada e da contagem do prazo decadencial (efls. 1436 e seg.). Nesse seguir, acórdão a quo, por considerar ausente no caso concreto a comprovação de dolo, por unanimidade dos votos, decidiu desqualificar a multa de ofício para aplicar o percentual de 75%, bem como declarar extinto por decadência o lançamento referente ao período do 4º trimestre de 2001 e 1º trimestre de 2002, aplicando a contagem do prazo decadencial com base no art. 150 do CTN (efls. 4799 e seg.). O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009) Fl. 4875DF CARF MF Processo nº 19515.001501/200716 Acórdão n.º 9101002.831 CSRFT1 Fl. 4.874 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 CSLL, PIS E COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos reflexos o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Destacase o seguinte trecho do voto do i. Conselheiro Relator, in verbis (e fls. 4807 e seg.): “Para analisar a questão não se pode olvidar que a autação foi feita com base numa presunção legal. Isso significa que a irregularidade tem origem na assunção de que se obterá o mesmo resultado que se obteve numa generalidade de casos iguais, em virtude de uma lei de freqüência de resultados conhecidos. A norma concede à autoridade o poder de presumir ocorrido esse resultado. Entretanto, a fraude não se presume. Há que se aprofundar a análise dos indícios apurados. Saliento que, a meu ver, não é o fato de se tratar de apenas um indício que descaracteriza o dolo. Ao contrário, indício é prova e a prova indiciária pode perfeitamente firmar convicção quanto à conduta fraudulenta. Só que, em casos como o presente, é necessária a constatação de fatos agravantes complementares que diferenciem perfeitamente esta situação de outras hipóteses de omissão de receita nas quais é aplicada multa de 75%. O procedimento de não declarar as receitas, ou declarálas em valores muito inferiores ao auferido, de forma reiterada, foi o principal motivo elencado pela Fiscalização para majorar a multa.” A PFN, então, interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto à qualificação da multa de ofício e a contagem do prazo decadencial, em relação a dois outros acórdãos, cujas ementas seguem parcialmente reproduzidas abaixo (fls. 928 e seg. do eprocesso): ACÓRDÃO Nº 10196.668 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA – Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em caso de dolo, fraude, dolo ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência se rege pelo artigo 173, inciso I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150% e correta a elaboração da representação fiscal para fins penais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). Recurso Negado. ACÓRDÃO Nº 110100.195 “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 4876DF CARF MF 6 Exercício: 2000, 2001 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário – 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS EQUIPARADA A CONSIGNAÇÃO Na determinação da base de cálculo do IRPJ relativo aos negócios de revenda de veículos automotores usados equiparados a operações de consignação, pelo regime do lucro presumido, aplicadase o coeficiente de 32% sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre os valores de aquisição e de revenda. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa – OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de omitir da escrituração contábilfiscal vultosa movimentação financeira em conta bancária caracteriza o evidente intuito de fraude, requisito essencial para a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96.” Em 30/04/2015, foi proferido o despacho admitindo integralmente o recurso especial interposto pela PFN (efls. 4829 e seg.). Em breve síntese, a PFN alega em seu recurso que: “Em resumo, a autoridade fiscal qualificou a multa de ofício sob a justificativa de que o contribuinte reiteradamente declarou valores muitos inferiores àqueles que efetivamente ingressaram na empresa, resultantes de depósitos bancários de origem não comprovada de vultosas quantias, incompatíveis com a declaração apresentada ao Fisco. Outrossim, o contribuinte não contabilizou esses valores na escrituração fiscal. Inclusive, ele próprio afirma não ser possível a exigência de controle contábil de todas as transações bancárias do último quinquênio”; “Como se sabe, no processo administrativo em geral, e no fiscal em particular, não há necessidade de demonstração absoluta da vontade íntima do contribuinte de fraudar o Fisco, sendo suficiente a apresentação de dados objetivos que façam presumir com certo grau de certeza a conduta fraudulenta. A exigência de que Receita demonstre a vontade íntima do contribuinte de fraudar o Fisco constitui prova macabra, de difícil confecção, senão impossível”; “No caso dos autos, está absolutamente comprovada a conduta fraudatória do contribuinte, bem como o intuito de sonegação. Pela conduta praticada pela contribuinte, o intuito fraudatório está evidente, pois, no caso, houve omissão reiterada de vultosas quantias, o que impediu a autoridade fiscal de conhecer o fato gerador do Imposto de Renda. Conforme se observa, essa conduta se subsume com perfeição ao art. 71 da Lei nº 4.502/66, que conceitua sonegação”; “Pelo quadro fático delineado nos presentes autos, não restam dúvidas acerca do evidente intuito fraudulento e sonegatório do contribuinte, sendo de rigor o provimento do recurso especial e o restabelecimento da qualificação da multa Fl. 4877DF CARF MF Processo nº 19515.001501/200716 Acórdão n.º 9101002.831 CSRFT1 Fl. 4.875 7 de ofício para o patamar de 150%. Em consequência, o prazo decadencial e o seu termo inicial devem ser regidos pelo art. 173, I, do CTN”. Cientificado, o contribuinte não apresentou contrarrazões, conforme certificado nestes autos (efls. 4871). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. O recurso especial de divergência interposto pela PFN é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de forma que deve ser conhecido. A divergência trazida pela recorrente versa sobre a possibilidade de qualificação da multa de ofício pela omissão reiterada de rendimentos auferidos. A fiscalização, ao constatar a omissão reiterada de receitas (do ano de 2001 a 2005), entendeu que o contribuinte havia tentando dolosamente omitir receita para reduzir o montante de tributo a ser pago, aplicandose o percentual de multa de ofício previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Por consequência, realizouse a contagem do prazo decadencial conforme o art. 173 do CTN. O aludido artigo 44, da Lei 9.430/1996, apresentava a seguinte redação à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: multa de ofício de 75%(Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido; multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte além de deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta dolosa, isto é, quando ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, notadamente fraude, sonegação ou conluio. A questão que se coloca é: há um acervo de provas que torne “evidente” a pratica de atos dolosos, vocacionados a ocultar o fisco o conhecimento quanto à ocorrência do fato gerador (sonegação) ou mesmo fraudar a ocorrência deste? No caso sob análise, há evidências de que houve dolo na omissão de declarações à fiscalização federal, tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte Fl. 4878DF CARF MF 8 desta da ocorrência do fato gerador. A prova do dolo neste processo é demonstrada pelo fato da conduta do contribuinte ser reiterada, isto é, ele omitiu receitas na DIPJ por 5 anos consecutivos, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (efls. 1089 e seg): “Na mesma data lavramos e foi assinado Termo de Constatação informado ao contribuinte que, devido a falta de apresentação dos documentos solicitados após duas intimações, a pessoa jurídica teria seu lucro arbitrado com base nos extratos bancários obtidos junto âs instituições financeiras através dos respectivos RMFs já mencionados, conforme previsto no RIR/99, artigos 530, incisos I (para os anoscalendário 2004 e 2005 — DIPJ pelo Lucro Real) e III (enquadramento para os anoscalendário em que o contribuinte optou pelo Lucro Presumido — 2001, 2002 e 2003) e artigo 532 do mesmo Regulamento”. “Ora, o contribuinte, durante 5 (cinco) anos, declarou a Receita Federal do Brasil valores de receita bruta muitíssimo menores do que os recursos ingressados nas contas correntes da empresa, tendo como conseqüência direta a diminuição (2001, 2002 e 2003) e a omissão (2004 e 2005) no pagamento de tributos. Não poderia esta fiscalização considerar essa conduta apenas erro escusável, inclusive pela magnitude dos valores envolvidos”. A Súmula 14 do CARF, no caso, não é aplicável, pois há outros elementos além da simples omissão de receitas, que conduzem ao preenchimento dos requisitos para a qualificação da multa. No caso, o dolo esta evidenciado pelo fato do contribuinte ter omitido concientemente elevados percentuais de suas receitas de maneira reiterada, o que evidencia não se tratar de mero equívoco. Por fim, cumpre observar que, quando da formalização do presente acórdão, este relator constatou que não houve deliberação do Colegiado quanto ao tema da regra para a contagem do prazo decadencial, presente no recurso especial interposto, razão pela qual o presente acórdão deve ser objeto de embargos de declaração para que seja sanada a aludida omissão. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 4879DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001813/2003-04
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURiDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA - EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO
Não sendo imputada à contribuinte a prática de dolo, fraude ou simulação, o recolhimento, ainda que parcial, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 40, do CTN, para efeito de reconhecimento da decadência. Esse é o entendimento exarado no Parecer PGFN/CAT no 1617/2008.
Numero da decisão: 1802-000.728
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURiDICA IRPJ Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA - EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO Não sendo imputada à contribuinte a prática de dolo, fraude ou simulação, o recolhimento, ainda que parcial, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 40, do CTN, para efeito de reconhecimento da decadência. Esse é o entendimento exarado no Parecer PGFN/CAT no 1617/2008.
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Recorrida 5' TURMA/DRJ-SÀO PAULO/SP I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURiDICA IRPJ Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA - EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO Não sendo imputada à contribuinte a prática de dolo, fraude ou simulação, o recolhimento, ainda que parcial, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 40, do CTN, para efeito de reconhecimento da decadência. Esse é o entendimento exarado no Parecer PGFN/CAT no 1617/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. ster MarquéLíns de Sousa - Presiden o'she Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. EDITADO EM: 2 8 N 21) 1) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e André Almeida Blanco (Suplente Convocado). Ausente momentaneamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo/SP, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 101 a 105), no valor de R$ 102.326,93, incluídos nesse montante a multa de oficio de '75% e os juros moratórias. O lançamento resultou de procedimento de revisão na DIRPJ do ano- calendário de 1997. A partir do SAPLI, sistema que controla a evolução dos saldos de lucro inflacionário, a Fiscalização verificou que no período acima a Contribuinte não havia observado o percentual de realização minima para o saldo de lucro inflacionário acumulado até 31/12/1995. Por esta razão, foi exigido o IRPJ sobre a parcela de realização minima do lucro inflacionário. O regime de tributação adotado para esse período foi o lucro real anual. Instaurada a fhse litigiosa, com a impugnação de fls. 110 a 126, a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos, conforme desc ritos no Acórdão recorrido, de n°16-14.041, As fls. 260 a 272: 5.1. preliminarmente, sustenta que o valor exigido no auto de infração encontra-se decaído, nos termos do § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional; 5.2. quanto ao lucro inflacionário a realizar em 31.12.1989, afirma que não á correto aplicar a diferença de correção IPC/BTNE sobre os valores realizados em 1990, eis que art. 40 do Decreto 332/91 determinou que essa correção incidiria somente sobre os valores que constituiriam adição, exclusão ou compensação a partir do período-base de 1991,- 5.3, no que se refere ao saldo credor relativo à diferenga 1PC/BTNF, alega ter-se enganado no cálculo da correção monetária do Patrimônio Liquido, conforme comprovam os demonstrativos e cópias dos razões contábeis apresentados (does 06a 11); 5,4, o saldo de lucro inflacionário considerado para o lançamento deve ser reduzido pelas realizações obrigatórias nos períodos já atingidos pela decadência, bent como pelas realizações correspondentes aos ativos vertidos nas cisões parciais ocorridas em 1993 e 1994, que também já foram alcançadas pela decadência; 5.5. é incabível a cobrança dos juros com base na taxa &lie, por ser esta inconstitucional; 5.6. requer sejam julgados improcedentes e arquivados tanto o auto de infração quanto a intimação recebida para retificação do lucro inflacionário. 2 Processo n° 19515.001813/2003-04 S 1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.728 Fl. 361 Conforme mencionado, a DIU Sao Paulo/SP considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusties com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997 LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA 1PC/B77VF A parcela de correção monetária que corresponder ci diferença verificada entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal sobre o lucro inflacionário acumulado em 31.12.1989 e sobre as contas do ativo sujeitas à correção monetária constantes do balanço encerrado em 1990, será computada na determinação do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado. PERÍODOS ANTERIORES. REALIZAÇÃO MINIMA OBRIGATÓRIA. Na formalização do lançamento há que se excluir da base tributável as realiza çães obrigatárias devidas nos períodos anteriores, que influenciam no saldo de lucro inflacionário passível de realização no período da autuação, ASSUNTO,' NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador 31/12/1997 DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. A contagem do prazo decadencial para o lançamento de oficio do IRPJ observa o artigo 173, inciso I, do CTN. Termo iniciado no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, TAXA SELIC ARGÜIÇÃO DE. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE LEI OU ATO NORMATIVO. A declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, logo, não cabe a sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes, Lançamento Procedente em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 15/09/2008, a Contribuinte apresentou em 08/10/2008 o recurso voluntário de fls. 277 a 290, onde reitera as mesmas razes de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando ainda os seguintes argumentos: - apesar de todas as fundamentaçiies que deixam claro que, quando da lavratura do auto de infração, o lucro inflacionário do ano-calendário de 1.997 já havia sido 3 atingido pela decadência, a R. Decisão de Primeira Instância, simplesmente, sem qualquer justificativa, diz que o lançamento do IRPJ é por declaração e que, portanto, aplica-se o artigo 173 do CTN; - embora a R. Decisão de Primeira Instância pretenda dar interpretação diferente ao art. 40 do Decreto 322/1991, o certo é que esse comando normativo manda corrigi r. os valores que serão aditados, excluídos ou compensados a partir do período base de 1991, vale dizer, aquilo que já havia sido realizado em 1.990 não poderia ser adicionado no ano de 1.991, estando, portanto, fora do alcance da norma acima transcrita; - quanto ao erro no valor do lucro inflacionário apontado pela Recorrente na sua declaração do ano-base de 1,991, exercício 1.992, cabe esclarecer que nos demonstrativos apresentados foram recalculados apenas os valores do patrimônio liquido e não foram feitas as correções do ativo. Portanto, estes demonstrativos não refletem os números finais que deveriam ter constado na referida declaração. Teriam esses demonstrativos o objetivo somente de evidenciar que, mesmo seguindo o critério apontado na Decisão de Primeira Instância para a correção do mencionado patrimônio, ou seja, mesmo que se considere o que ficou dito na sentença aqui recorrida, o número condo do lucro inflacionário não é o que constou na declaração, uma vez que houve engano da Recorrente ao efetuar o calculo do PL; - desta forma, permanece válido o argumento da Recorrente no sentido de que, por engano, constou na declaração do ano-base de 1.991, equivocadamente, um valor de lucro inflacionário significativamente maior do que o que deveria ter constado; - quanto As cisões, a Recorrente esclarece que durante o ano de 1.993 não havia nos livros lucro inflacionário a realizar, uma vez que, pelo critério por ela adotado, todo esse lucro havia sido realizado em janeiro daquele ano (1.993), motivo pelo qual não levantou anteriormente a questão sobre as realizações obrigatórias do LI com base na efetiva realização de ativos; - cumpre ainda informar que nos documentos juntados A. Impugnação, constam os valores e bens do ativo permanente e do estoque baixados e, portanto, vertidos para a nova empresa. De qualquer forma, tendo em vista que o Processo Administrativo é informado pelo principio da busca da verdade material, a Recorrente junta tais documentos novamente, sendo que, pelo balanço e laudos, vê-se os valores e bens que foram objeto dessas baixas pox terem sido vertidos para a outra empresa (docs.4 a 9), juntando, ainda, a Recorrente, para que não haja a duvida levantada na referida decisão, também, em vista do já citado principio da busca da verdade material, um demonstrativo extraído dos laudos de avaliação onde se vê que nas cisões ocorridas em 1.993 e 1.994, pelos bens parcialmente vertidos, houve realização de 8,96% e 30%, respectivamente (doc.10 e 11); - assim, como ficou dito na Impugnação, essas operações de cisões parciais deveriam ter motivado a realização do lucro inflacionário proporcionalmente A parte vertida, como dispunham os artigos 25 e 35 do Decreto 332/91 e da Lei 8.541/92, respectivamente, tal qual dispõe hoje o artigo 452, parágrafo único, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/99. Tais valores, entretanto, pelas razões expostas na preliminar deste Recurso já foram alcançados pela decadência. Este é o Relatório. Processo no 19515 001813/2003-04 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.728 Fl. 362 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O litígio submetido a este Colegiado abrange a exigência de IRP.1 no ano- calendário 1997, correspondente à realização de lucro inflacionário nos percentuais legais mínimos. Neste período, o regime de apuração adotado foi o lucro real anual. O lançamento ocorreu em 30/04/2003, conforme AR à fl. 106, e a primeira questão a ser examinada diz respeito à decadência. Não mais remanescem dúvidas de que o recolhimento do tributo, ainda que parcial, excluindo-se os casos de dolo, fraude ou simulação, enseja a aplicação da regra contida no art, 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN. Este, inclusive, é o entendimento consignado no Parecer PGFN/CAT N" 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, e que estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quanto a essa matéria, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Sumula Vinculante n° 8. Oportuno destacar o item 40 do referido Parecer: PA R ECER PGFN/CAT 11/41'1617/2008. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante !iv 8. Alcance. Contribuições Previdenciarias.. Forma de contagem de prazos. Fixação do termo a quo de prazos de decadência e de prescrição. Art. 150, § 4", do CTN. Art. 173, 1, do CTN. Inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n" 8.212, de 24 de julho de 1991 e do parágrafo único do art 5" do Decreto-Lei n° 1.569, de 8 de agosto de 1977. 40.. Do que, então, emerge mais uma conclusão: o pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra especial, isto 6, do 4" do art. 150 do CTN„. a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, projetados nas contribuições previdenciarias. isto 6, no que se refere à contagem dos prazos de decadência. Tal concepção, em principio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdenciarias." (grifos acrescidos) 7/1 LE-1 osé de OliveiraCrr az Corrêa Relativamente ao caso concreto, é importante destacar que a DIRPJ do período em questão, constante As fls. 11 a 43, indica a apuração de IRPJ devido, no valor de R$ 28.581,92, o qual foi quitado com retenções na fonte e também com recolhimentos a titulo de estimativas mensais, pagamentos esses que não sofreram qualquer contestação nos trabalhos de revisão interna da declaração. Aliás, em conseqüência deles a declaração resultou inclusive na apuração de saldo negativo de imposto Assim, levando em conta a existência de pagamento, e considerando ainda que a Fiscalização não imputou A autuada qualquer das figuras excludentes previstas no § 4° do art. 150 do C'TN (dolo, fraude ou simulação), o prazo de decadência a ser aplicado em relação ao IRPJ deve ser o previsto no art. 150 do crN, e não o do art. 173. Deste modo, há que se acolher a alegação de decadência para o fato gerador do IRPJ ocorrido em 31/12/1997, uma vez que o lançamento somente foi consumado em 30/04/2003. Com esta decisão, o exame de todas as demais questões fica prejudicado. Diante do exposto, voto no sentido de acolher a decadência e, portanto, dar provimento ao recurso. 6 Brasilia, 28 de janeiro de 2011 \ CLAUDEM AQUIAS RODRIGUES Presidente da 2a Camara da P 'meira Seção de Julgamento MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 19515.001813/2003-04 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Ciência Data; Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010528/2008-26
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 1803-001.832
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.010528/200826 Recurso nº Acórdão nº 1803001.832 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de setembro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente GREMIO FOOTBALL PORTO ALEGRENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 05 28 /2 00 8- 26 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antônio Pires e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento Eletrônica de exigência de "Multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF 2007", no valor de R$ 48.014,94, referente ao mês de agosto de 2007. Devidamente notificada do lançamento, a empresa recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, que o auto de lançamento contém vicio insanável por descumprimento de requisito indispensável previsto no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente no que diz respeito ao inciso IV deste diploma legal eis que não contém a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, em consequência deve ser declarada a sua nulidade. Ainda, refere que o arbitramento da multa no percentual de 20%, incidente sobre o valor já pago a titulo de encargos tributários da empresa naquele período por descumprimento de obrigação acessória, ignora os princípios da razoabilidade e proporcionalidade que regem a Administração Pública, assumindo caráter confiscatório. Aduz que a pena aplicada decorre de critério de arbitramento previsto em lei, mas eivado de inconstitucionalidade e, por isto, deve ser revisto o lançamento para afastar a sanção aplicada ou, caso assim não seja entendido, que seja, ao menos, compatível com a infração praticada, atribuindoa no patamar mínimo previsto. Cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, bem como doutrina. Por fim, requer a empresa recorrente que seja declarada nula a presente notificação de lançamento em face do vício formal apontado e caso superada essa questão que 2 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 a sanção aplicada seja afastada ou reduzida pela inconstitucionalidade da base de cálculo prevista em lei e por atentar contra princípios da proporcionalidade e razoabilidade, norteadores da Administração Pública. Em ato contínuo, requer que em caso de subsistência, que seja arbitrada a sanção em consonância com a relevância cometida, reduzindoa ao valor mínimo previsto de R$500,00. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem de mandar a multa aplicada. Afere o julgador que descabe o postulado da empresa de que estaria nulo o auto de infração por falta de assinatura, vez que segundo determina o artigo 11, do Decreta 70.235/72, em seu parágrafo único, prescinde de assinatura a notificação de lançamento quando emitida por processo eletrônico. Finaliza repisando que notificação, ora em apreço, preenche in totum os requisitos legais preconizados em lei. Já no que diz respeito às alegações da empresa quanto à penalidade aplicada, de que a mesma viola os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e tem caráter confiscatório, afere a autoridade julgadora de primeiro grau que está alicerçada em diploma legal válido, eficaz, oponível erga omnes e que, em momento algum foi declarada, pelo órgão de controle repressivo de constitucionalidade, sua inadequação ou afronta à ordem constitucional pátria. Ainda, em apreciação do art. 7° da Lei 10.426/2002, penalidade aplicada na notificação em tela, o julgador a quo conclui que guarda estrita observância com as disposições legais. Assim a respeito da alegação da empresa recorrente de constituise a penalidade aplicada multa confiscatória, o julgador aduz que é dever de todo o contribuinte adimplir com suas obrigações perante o fisco, quer sejam elas de natureza principal ou acessória. Esclarece que possui a empresa recorrente duas obrigações com o fisco: uma obrigação denominada principal, que é a de verter os tributos devidos, outra denominada acessória, distinta da primeira, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos referidos tributos, é o que dispõe o art. 113 do CTN. Nesse caminho, frisa o julgador que o Estado tem o poderdever de estabelecer mecanismos de coação, a fim de proteger os interesses da sociedade, e o faz através da imposição de penalidades inibidoras das ações ilícitas. Preconiza que em matéria tributárias, esta se consubstancia na instituição de multas pecuniárias, visando a evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, a sobre a alegação de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que regem a matéria, a discussão está além das possibilidades de juízo deste órgão julgador. No âmbito do procedimento administrativo tributário cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme a lei, sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram aquele ato. Atenta para o fato de que a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao poder Judiciário, sendo inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. 3 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Quanto ao pedido de redução da multa ao valor mínimo previsto no § 3° do art. 70 da Lei n° 10.426/2002, assevera o julgador a quo ser inaplicável ao presente caso, posto que os valores mínimos estabelecidos somente serão imputados às infrações cuja multa resulte em valor inferior ao mínimo o que, à evidência, não se amolda à situação verificada. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, postulando a nulidade do lançamento por falta da presença do agente administrativo quando do lançamento, já que se trata de lançamento eletrônico. Ainda, insurgese a empresa recorrente contra a impossibilidade dos órgãos administrativos de julgamento examinarem matéria constitucional e no mérito repete o já referido na manifestação de inconformidade ao salientar a nulidade da multa por descumprimento de obrigação acessória, quando da inexistência de prejuízo ao erário público. A empresa prossegue aduzindo a necessária proporção entre infração e pena, já que seria proibido o Bis In Iden. E por fim pede o cancelamento da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para cobrança de multa decorrente da apresentação em atraso da DCTF. A empresa recorrente insurgese alegando ser a multa descabida por ferir preceitos constitucionais, tais como da razoabilidade e proporcionalidade, entre outros. Discussão de Constitucionalidade da Norma Primeiramente há que se atentar para o fato de que discussão referente à constitucionalidade de lei ou mesmo de artigo de lei não é da competência dessa esfera administrativa, posto cumprir ao Poder Judiciário analisar e determinar a constitucionalidade de norma a ser aplicada no sistema jurídico pátrio. Nesse contexto, deixo de abordar as argumentações da empresa recorrente no tocante à constitucionalidade da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, haja vista esta estar preceituada no dispositivo legal elencado 4 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 no auto de infração: art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Discussão sobre a Nulidade do Auto de Infração Alega a empresa recorrente ser nulo o auto de infração por ser o mesmo eletrônico, ou seja, não ter sido emitido por agente da administração tal como preconizado pelas normas pátrias. Ocorre que discordo da arguição de nulidade do auto de infração arguido pela empresa recorrente, porquanto que não vislumbro o desrespeito a nenhum dos disciplinamentos dispostos no artigo 59 do Decreto 70.235/72, norma que dispõe sobre a nulidade do auto de infração, tema ora abordado. Neste contexto, cumpre referir que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada. O fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72, conforme já fora referido. Assim, descabida a argumentação de nulidade do auto pela recorrente sob essa fundamentação, apenas por tratarse de auto de infração eletrônico, há muito já admitido dentro do ordenamento pátrio. Discussão de Mérito Já tocante ao mérito da demanda, qual seja: multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com atraso, de forma intempestiva, dez meses após o prazo regulamentar, definido pela legislação e determinado a todos os contribuintes. A norma disciplinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao dispor: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, 5 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Em outras palavras, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supra citado. Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. 6 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do 7 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Diante do exposto, voto do sentido de Negar Provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10768.019859/97-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargos de Declaração conhecido para
sanar contradição entre o voto e o resultado de julgamento, mantendo-se o decidido pela Turma no sentido da impossibilidade da apreciação de matéria suscitada em momento inoportuno.
Numero da decisão: 1401-000.559
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada pelo contribuinte, mantendo-se o decidido pela Turma no Acórdão nº 140100.295, no sentido de “não conhecer os Embargos [opostos em 03.11.2009] em relação à cobrança dos juros sobre a multa de ofício e, na parte conhecida, apenas esclarecer dúvida sem, contudo, alterar o decidido”. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Embargos de Declaração conhecido para sanar contradição entre o voto e o resultado de julgamento, mantendose o decidido pela Turma no sentido da impossibilidade da apreciação de matéria suscitada em momento inoportuno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada pelo contribuinte, mantendose o decidido pela Turma no Acórdão nº 140100.295, no sentido de “não conhecer os Embargos [opostos em 03.11.2009] em relação à cobrança dos juros sobre a multa de ofício e, na parte conhecida, apenas esclarecer dúvida sem, contudo, alterar o decidido”. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Maurício Pereira Faro. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Viviane Vidal Wagner, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Matos e Karem Jureidini Dias. Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls. 1.137/1.143) em que o contribuinte alega contradição no Acórdão nº 140100.295, que julgou Embargos de Fl. 13DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 140100.559 S1C4T1 Fl. 2 2 Declaração proferido pela Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento (fls. 1.097/1.101), relativamente à seguinte matéria: aplicação dos juros Selic em face da multa de ofício. Afirma o Embargante que, embora no resultado de julgamento do acórdão, que julgou os primeiros Embargos de Declaração, tenha constado o não conhecimento dos Embargos em relação à cobrança dos juros sobre a Multa de Ofício; na fundamentação desta relatora, os referidos embargos foram providos, no sentido de que sobre a multa de ofício não há incidência dos juros à Taxa SELIC. Assim, requer o Embargante seja sanada a mencionada contradição, reconhecendose a inaplicabilidade dos juros SELIC sobre a multa de ofício. Os Embargos de Declaração foram então admitidos, tendo em vista estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma, bem como ter sido devidamente demonstrada a contradição entre o resultado de julgamento (que não conheceu dos Embargos em relação aos juros sobre multa) e a fundamentação do voto condutor do acórdão (que proveu os Embargos por entender que sobre a multa de ofício não há incidência dos juros à Taxa SELIC). Os autos foram então remetidos à esta Turma para julgamento dos Embargos de Declaração. É o Relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Verifico, inicialmente, que os presentes Embargos de Declaração se limitam a discutir à aplicação dos juros SELIC em face da multa de ofício, haja vista a contradição entre a fundamentação do voto condutor e o resultado de julgamento. Demonstrada a contradição, necessário conhecer dos Embargos para esclarecer a questão. Inicialmente, quando apreciável o mérito, de fato tenho votado pela inaplicabilidade da incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício. No entanto, neste específico caso, quando do julgamento dos presentes autos, restou verificado que a Câmara decidiu que referida questão não era objeto da lide, uma vez que suscitada em momento inoportuno. Neste passo, reproduzo trecho do voto proferido nos primeiros Embargos de Declaração: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 140100.559 S1C4T1 Fl. 3 3 “Em tempo, quando os Embargos de Declaração foram pautados, na sessão de julho do presente período, o patrono protocolou petição e defendeu na tribuna que após o julgamento, na execução do acórdão, foi surpreendido pela imputação de juros sobre a multa, quando se aplicou a SELIC não apenas sobre o principal, mas também sobre a multa”. Foi justamente em razão de a matéria ter sido suscitada em momento inoportuno que esta Câmara não a apreciou, sendo certo que, por equívoco na formalização do acórdão embargado, o voto proferido por esta relatora acabou se manifestando sobre o tema, deixando de atentar que se curvou a relatora ao entendimento da Turma quanto ao não conhecimento, in casu, da matéria. Ressalto que durante a sessão de julgamento restou claro o entendimento da Turma no sentido de não conhecer do argumento apresentado pelo contribuinte em petição posterior aos Embargos, tanto que em nova petição, protocolada em 02/09/2010 (em momento posterior ao julgamento dos primeiros Embargos, ocorrido em 04/08/2010 fls. 1.103/1.105), o contribuinte se insurge contra a não apreciação da matéria relativa à incidência dos juros sobre a multa, relatando justamente o que ocorreu na referida sessão: “No entanto, em 04.08.2010, em sessão de julgamento dos Embargos de Declaração, essa C. Câmara não apreciou a referida petição, por entender se tratar de fato novo nos autos e, por essa razão, não seria possível a discussão sobre a incidência dos Juros da Taxa Selic sobre a Multa de Ofício no presente feito. Considerou o órgão julgador que essa questão teria sido suscitada somente em fase recursal” A referida petição foi protocolada antes da formalização do acórdão proferido na sessão de 04/08/2010. Após a formalização, o contribuinte foi novamente intimado, verificando a existência da contradição alegada entre o resultado de julgamento e o voto desta relatora, razão pela qual opôs os Embargos que ora se analisa. Assim, esclarecidos os fatos, verifico que o equívoco está no voto desta relatora, o qual não representou o entendimento firmado na sessão de julgamento, no sentido de que não é possível a apreciação da matéria apenas naquele momento. Portanto, correto o resultado de julgamento do Acórdão nº 140100.295 (fls. 1.097), ao “por unanimidade de votos, não conhecer dos Embargos em relação à cobrança dos juros sobre a multa de ofício e, na parte conhecida, apenas esclarecer dúvida sem, contudo, alterar o decidido”. Pelo exposto, conheço dos presentes Embargos de Declaração (fls. 1.137/1.144), para sanar a contradição apontada pelo contribuinte, mantendose o decidido pela Turma no Acórdão nº 140100.295, que confirmo ser no sentido de “não conhecer os Embargos [opostos em 03.11.2009] em relação à cobrança dos juros sobre a multa de ofício e, na parte conhecida, apenas esclarecer dúvida sem, contudo, alterar o decidido”. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 140100.559 S1C4T1 Fl. 4 4 Karem Jureidini Dias. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001264/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2803-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada cópia integral dos autos do processo administrativo tributário iniciado pelo Auto de Infração DEBCAD n. 37.172.476-7. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Relatório
Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo os fundamentos do lançamento presente estão vinculados ao do Auto de Infração DEBCAD n. 37.172.476-7, mas não foram juntados ao presente processo.
Atenta-se que os demais autos a ele anexado, em nenhum deles encontra-se juntado de quaisquer documentos, tanto que são objetos de resolução de conversão de julgamento em diligência para juntada dos mesmos nos autos digitais.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
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Numero do processo: 10865.721641/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DA PROCURADORA.
É de se considerar válida a notificação por via postal no endereço da procuradora nomeada pelo contribuinte, quando existe nos autos requerimento expresso nesse sentido e o contribuinte não logra comprovar que tal fato teria cerceado seu direito de defesa.
Numero da decisão: 2401-004.659
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ENDEREÇO DA PROCURADORA. É de se considerar válida a notificação por via postal no endereço da procuradora nomeada pelo contribuinte, quando existe nos autos requerimento expresso nesse sentido e o contribuinte não logra comprovar que tal fato teria cerceado seu direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 16 41 /2 01 3- 16 Fl. 592DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10865.721641/201316 Acórdão n.º 2401004.659 S2C4T1 Fl. 593 3 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal de auto de infração (fls. 03/07) de imposto sobre a renda de pessoa física, dos anoscalendário 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, no valor total de R$ 8.043.429,00. Segundo o Termo de verificação Fiscal (fls. 18/33), são imputadas ao contribuinte as seguintes infrações: INFRAÇÃO 0001. Ganho de Capital na Alienação de Bens e Direitos/Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Adquiridos em Reais; INFRAÇÃO 0002. Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Classificados Indevidamente na DIRPF; Nos termos do TVF (fls 18/33), foi apurado que: a) o conjunto dos fatos apontados mostra que o contribuinte alienou, parcelada e onerosamente, desenhos industriais à empresa Hypermarcas S/A, estando portanto sujeito ao pagamento de imposto sobre ganhos de capital; b) o conjunto dos fatos mostra que o contribuinte omitiu rendimentos tributáveis recebidos da empresa Sunny Cobranças Ltda., da qual é sócio detentor de 99% do capital, tendo classificadoos indevidamente como "isentos"; c) foi aplicada multa qualificada sobre o imposto lançado, ante a alegação de que "o conjunto probatório, ao ver desta Fiscalização, demonstra que o contribuinte, ora autuado, na qualidade de sujeito passivo da obrigação principal, por vontade própria, alterou classificação de rendimentos nas Declarações de imposto de Renda com o intuito de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, para excluílo do campo tributário, obtendo vantagens indevidas e lesando os cofres públicos o que constituiria em fraude"; d) foi agravada a multa aplicada, nos termos do art. 44, § 2º, da Lei nº. 9.430/96, tendo em vista que o sujeito passivo não atendeu, no prazo marcado, às reiteradas intimações para prestar esclarecimentos. A ciência do auto de infração se deu por via postal em 16/07/2013 (AR de fls. 36/37), sendo apresentada impugnação de fls. 454/464, em 16/08/2013 (informação de fl. 489). Levada a peça impugnatória para apreciação da DRJ em São Paulo I, sendo proferido o acórdão nº. 1655.978 de fls. 514/524, que restou assim ementado: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Desconfigurase a preterição do direito de defesa se o contribuinte foi regularmente cientificado do auto de infração e seus anexos, sendolhe assegurado o direito a questionar a Fl. 594DF CARF MF 4 exigência nos termos das normas que tratam do processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. Em observação ao Princípio da Relativa Informalidade, vigente no processo administrativo fiscal, não há necessidade de que a procuração para representação junto à SRF estabeleça, taxativamente, rol de todos os específicos poderes outorgados, com indicação do limite conferido, utilizandose de precisas expressões técnicas e jurídicas ligadas à atividade a ser exercida. Assim, tendo o procurador poderes pra representar o interessado no curso do procedimento fiscal, podendo assinar e retirar documentos e pagar tributos devidos, pode este mesmo procurador tomar ciência de lançamento tributário. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Considerase recebida a intimação fiscal na data de sua entrega no domicílio fiscal do contribuinte, confirmada com assinatura do recebedor, ainda que este não seja o próprio contribuinte ou seu representante legal. Assim, expirado o prazo de trinta dias da ciência do lançamento, deve ser considerada intempestiva a impugnação interposta. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando, assim, o exame das razões de defesa aduzidas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. PROCURADOR. Não encontra amparo legal nas normas do PAF a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa e domicílio profissional do procurador. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O contribuinte tomou ciência do acórdão acima por ciência por decurso de prazo em Caixa Postal eletrônica, sendo tomada como data de ciência o dia 27/03/2014 (fl. 528), sendo protocolado, também eletronicamente, o Recurso Voluntário de fls. 531/548 em 24/04/2014. No mencionado recurso, o contribuinte alega, em síntese: a) tempestividade da impugnação, por entender como ilegal e indevida a ciência do auto de infração da forma em que realizada: via postal destinada ao endereço de procurador do contribuinte, e não ao seu domicílio tributário; b) cerceamento ao direito de defesa por não ter tido acesso a todos os documentos que consubstanciam o lançamento; c) ilegalidade da autuação por se utilizar da mesma base de cálculo para a realização dos lançamentos, considerando o valor da alienação dos bens como sendo o valor de aquisição e valor de alienação; Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10865.721641/201316 Acórdão n.º 2401004.659 S2C4T1 Fl. 594 5 d) nulidade do auto de infração por se basear em presunções que estão escoradas em equívocos da fiscalização, assumindo que valores originariamente recebidos da empresa Hypermarcas foram considerados como recebidos da empresa Brasil Global Cosméticos Ltda.; e) caráter confiscatório das multas aplicadas; f) impossibilidade de utilização da taxa selic como juros moratórios; É o relatório. Fl. 596DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Da ausência de ciência do contribuinte ao Auto de Infração Segundo o TVF (fl. 19) em 03/05/2012 a Sra. Maria Sechler Endo (CPF nº. 568.888.64804) compareceu à Receita Federal, munida de instrumentos particulares datados de 16/04/2012 que a nomeavam procuradora de Guilherme Romero (CPF nº. 336.412.49813), filho do ora recorrente, e Sunny Cobranças Ltda. (CNPJ nº. 00.190.233/000102), empresa da qual o ora recorrente detém 99% da participação societária. Na ocasião, a Sra. Maria Sechler Endo "informou espontneamente ser mandatária de Alexandre de Andrade Romero e afirmou que o endereço do contribuinte era efetivamente aquele indicado como seu domicílio fiscal". Na mesma ocasião, se comprometeu perante à autoridade fiscal a apresentar os instrumentos de procuração de forma a poder tomar ciência dos termos de intimação do Sr. Alexandre de Andrade Romero. Na sequência, ante a ausência de resposta do ora recorrente aos termos de intimação fiscal, já que os A.R.´s enviados foram devolvidos com a informação de que ele havia se mudado. De modo a tentar localizar o contribuinte e intimálo a apresentar o endereço para envio dos termos de intimação, foram enviados 4 termos de intimação fiscal, sendo às empresas Sunny Cobranças Ltda., Pegui Assets Management e Construlões do Brasil Ltda., APG Propaganda & Marketing Ltda. e Inter Embalagens Indústria e Comércio Ltda., todas empresas da qual o contribuinte é sócio e/ou responsável tributário. Em 05/07/2012, a Sra. Maria Sechler Endo compareceu novamente à Receita Federal, sem, contudo, apresentar quaisquer respostas às intimações. Novamente, termos de intimação fiscal enviados ao Sr. Alexandre de Andrade Romero retornaram com a informação de que ele havia se mudado. Em 09/01/2013, a Sra. Maria Sechler Endo compareceu à unidade fiscal e apresentou resposta do contribuinte ora recorrente onde requeria que "o endereço para correspondência será o de sua procuradora Maria Sechler Endo, sito à Rua Indiana, 310 apto 51 Brooklin SP", acompanhada de seu (Maria Endo) comprovante de endereço e instrumento particular datado de 09/05/2012 que a nomeava procuradora do Sr. Alexandre de Andrade Romero (fls. 285/288). Na sequência do processo fiscalizatório, as intimações ao Sr. Alexandre de Andrade Romero passaram a ser direcionadas aos cuidados e ao endereço da sua mandatária. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10865.721641/201316 Acórdão n.º 2401004.659 S2C4T1 Fl. 595 7 Ao fim do procedimento de fiscalização, foi lavrado o Auto de Infração e a ciência ao contribuinte se comprovaria por meio do AR de fl. 36, que abaixo reproduzimos: Como se vê da identificação ao destinatário da intimação, temse que esta foi dirigida ao Sr. Alexandre de Andrade Romero aos cuidados (a/c) de Maria Sechler Endo, no endereço “Rua Indiana, 310 / Apto 51, Brooklin – São Paulo” que, como visto anteriormente, é o endereço residencial da Sra. Maria Sechler Endo. Por este motivo, alega o contribuinte em seu recurso voluntário que esta intimação seria inválida e, portanto, não poderia acarretar na intempestividade da sua impugnação e consequente não instauração do contencioso administrativo, conforme decidido pela DRJ. Primeiramente, interessante trazermos ao conhecimento do colegiado algumas passagens do acórdão recorrido que, a meu ver, interpretam os fatos ocorridos de forma absolutamente equivocada (fls. 519 e ss.). Primeiramente, ao tratar da legalidade da ciência do contribuinte ao auto de infração por meio de intimação postal no endereço e dirigida a sua procuradora: Fl. 598DF CARF MF 8 Posteriormente, ao tratar do pedido realizado na peça impugnatória de que as intimações sejam realizadas na pessoa do advogado regularmente constituído por meio da procuração de fl. 493 (fls. 523 e ss.): Não estivesse este relator diante do referido acórdão recorrido, não acreditaria que os trechos acima se referissem a um mesmo acórdão, proferido por um mesmo relator e uma mesmo colegiado. As intimações, no curso do processo administrativo fiscal, são reguladas pelo Decreto 70.235/72, em especial no seu artigo 23: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10865.721641/201316 Acórdão n.º 2401004.659 S2C4T1 Fl. 596 9 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. [...] § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (grifamos) Desnecessários maiores esforços interpretativos para concluir que as intimações serão feitas da seguinte forma, não existindo ordem de preferência (§ 3º): 1) De forma pessoal, realizada pelo autor do procedimento ou agende do órgão, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu preposto ou mandatário; 2) Por via postal, com prova do recebimento no endereço do domicílio tributário do sujeito passivo; 3) Por meio eletrônico, com envio ao domicílio tributário eletrônico do sujeito passivo. Pois bem. No presente caso, vimos que a intimação para ciência do auto de infração se deu pela via postal (AR fl. 36), e, assim sendo, como visto acima, este tipo de intimação deve ser enviada para o endereço do domicílio tributário do sujeito passivo que, segundo a própria lei, deve ser: “I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária;” No mesmo sentido dispõe o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 992. As intimações ou notificações de que trata este Decreto serão, para todos os efeitos legais, consideradas feitas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 200, Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, § 2o, Lei nº 9.532, de 1997, art. 67): I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II na data do recebimento, quando através de via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; Fl. 600DF CARF MF 10 III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. Nesse contexto, entendo que a intimação realizada no presente processo, a fim de dar ciência ao sujeito passivo da lavratura do Auto de Infração se deu de forma equivocada, contrária aos dispositivos legais e, portanto, referido ato merece ser sanado. Destaquese que este é o entendimento dominante neste Conselho (em pesquisa realizada por este relator, não foi encontrada jurisprudência que permitisse intimação via postal de sujeito passivo pessoa física em endereço que não fosse o seu domicílio tributário), conforme as disposições dos acórdãos e súmula a seguir reproduzidas: PAF INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL CIÊNCIA É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário e que haja advogado constituídos nos autos. Considerase feita a intimação por via postal na data do recebimento constante do Aviso de Recebimento AR. No caso de habitações coletivas, condomínios verticais ou horizontais em que o carteiro não tenha acesso direto aos apartamentos ou casas é válida a ciência atestada por empregado do condomínio ou outra pessoa que responda pela portaria. (CARF, Acórdão nº. 3102001.622, 25/09/2012) VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. INEXISTÊNCIA DE PREFERÊNCIA ENTRE OS MEIOS DE CIÊNCIA. DESNECESSIDADE DE ESGOTAMENTO DOS MEIOS DE INTIMAÇÃO. O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita pela via pessoal, postal ou eletrônica, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Ademais, conforme redação do artigo 23, parágrafo 1º do Decreto nº. 70.235, de 1972, é válida e eficaz a intimação por edital, quando resultarem improfícuos um dos meios de intimação pessoal, postal e eletrônica. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. O Processo Administrativo Fiscal não prevê a hipótese de intimação do sujeito passivo no endereço de seus advogados. (CARF, Acórdão nº. 1402001.411, 10/07/2013) INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. (CARF, Acórdão nº. 2802002.934, 16/07/2014) Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, entendo que a “ciência” realizada no presente processo administrativo se deu de forma equivocada e não se perfectibilizou, inequivocamente, nos termos da lei, razão pela qual para que não se incorra em nulidade e tampouco preterição ao direito de defesa do contribuinte, deve a autoridade fiscal de origem providenciar a ciência do sujeito passivo, nos exatos termos e requisitos permitidos pelo art. 23 do Decreto 70.235/72, da maneira que melhor lhe entender. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10865.721641/201316 Acórdão n.º 2401004.659 S2C4T1 Fl. 597 11 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para o fim de determinar o retorno do presente processo administrativo fiscal à delegacia de origem para o fim de que se realize a ciência do contribuinte ao Auto de Infração de fls. 02/35 nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 602DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Com a devida vênia, divirjo do ilustre Conselheiro Relator e considero que a intimação do contribuinte na figura de sua procuradora não trouxe prejuízos a sua defesa e deve ser tomada por regular. Vejamos. No início da ação fiscal, a autoridade fiscal tentou por diversas vezes intimar o contribuinte em seu domicílio tributário, tendo sido todas as correspondências devolvidas pela Empresa de Correios e Telégrafos, consignando a mudança de endereço (fls. 243, 247, 251, 255). Em função dessas ocorrências, a autoridade fiscal elaborou Termos de Intimação Fiscal (fls. 261/262, 264/265, 269/270, 273/274, 277/278, 281/282), em nome do contribuinte, e encaminhou para as sedes de duas empresas das quais o contribuinte é sócio e responsável tributário. Nesses termos, a autoridade fiscal solicita que o contribuinte informe endereço para envio de correspondência (item 1), narrando as tentativas infrutíferas que haviam sido feitas. Finalmente, comparece aos autos a senhora Maria Sechler Endo, apresentando procuração do contribuinte atribuindo a ela poderes "para representálo perante a RECEITA FEDERAL DO BRASIL e ou PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL para todos os assuntos relacionados ao seu C.P.F. (MF), podendo receber e atender notificações, efetuar/negociar parcelamentos, assinar requerimentos, dar entrada, requerer, acompanhar, retirar e apresentar documentos..." (fl.286). Nessa condição e em atendimento à intimação, é informado a autoridade fiscal o endereço para envio de correspondência (fl.285). Ato contínuo, a autoridade fiscal passou a encaminhar todos os termos em nome do contribuinte para o endereço indicado, consignando que assim estava procedendo porque o contribuinte não foi localizado no endereço cadastral e foi informado à autoridade fiscal o endereço da procuradora nomeada pelo contribuinte (fls. 289 e 294). Vêse, assim, que as intimações e a autuação foram encaminhadas para o endereço indicado pelo contribuinte, por intermédio de sua procuradora. Cientificado da autuação em 16/07/2013 (fl.36), o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 454/488). Registrese neste ponto que a impugnação foi apresentada intempestivamente por um dia. Da leitura de sua defesa, constatase que o contribuinte não suscita qualquer questão relacionada a sua intimação no endereço da procuradora por ele nomeada. Não houve inconformismo, nem alegação e tampouco demonstração de cerceamento de defesa, nesse tocante. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10865.721641/201316 Acórdão n.º 2401004.659 S2C4T1 Fl. 598 13 Somente agora, cientificado do Acórdão nº1655.978 (fls. 514/524), que decidiu pelo não conhecimento de sua impugnação, por intempestiva, o contribuinte suscita o cerceamento de defesa por suposta irregularidade na sua notificação. É certo que as disposições legais sobre a intimação do sujeito passivo determinam que ela deve ser feita no domicílio constante do cadastro da RFB. Entretanto, sua inobservância não acarreta, de pronto, a nulidade do feito fiscal. No caso, como visto, a intimação no domicílio constante do cadastro da RFB não se mostrou possível, uma vez que, aparentemente, o sujeito passivo não mantinha seu cadastro atualizado. Além disso, no curso da ação fiscal, o contribuinte indicou para qual endereço deveriam ser encaminhadas as intimações e notificações, devendo ser este, diante dos fatos, ser tomado como o domicílio eleito pelo sujeito passivo. Além disso, cabe perquirir se tal acontecimento causou algum prejuízo à parte. Não vislumbro qualquer prejuízo a sua defesa e nem o contribuinte demonstra, no Recurso Voluntário, que isto tenha ocorrido. Ele traz meras alegações quanto às incongruências da decisão a quo, mas não demonstra de que forma a intimação no endereço de sua procuradora a seu pedido teria cerceado seu direito de defesa. Assim, considero que a notificação do contribuinte da autuação se deu de forma regular. Pelo exposto, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900302/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/07/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 02 /2 01 4- 05 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900302/201405 Acórdão n.º 3401003.692 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900302/201405 Acórdão n.º 3401003.692 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900302/201405 Acórdão n.º 3401003.692 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
