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Numero do processo: 10480.914515/2016-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
DIREITO CREDITÓRIO - COMPENSAÇÃO - PROVA
O direito creditório somente pode ser reconhecido se devidamente comprovado pelo contribuinte a origem de seu direito através de documentação hábil e suficiente.
Numero da decisão: 1401-002.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 45 15 /2 01 6- 62 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10480.914515/201662 Acórdão n.º 1401002.799 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2013, no valor de R$ 79.293,98, transmitida através do PER/Dcomp nº 31624.64847.200516.1.3.046362. A DRF Recife não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico [...], já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado [...], o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade [...]para alegar que o crédito teria origem no recolhimento a maior de CSLL, incidente em 06/2013. Juntou recibos de entrega da DCTF e DIPJ do anocalendário 2013, bem como do envio da ECD e ECF retificadas, cópia do DARF recolhido em 31/07/2013, cópia do balanço dos meses 12/2013, 12/2014 e 06/2015 e planilha de apuração do IRPJ e da CSLL. Quando do julgamento da DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão da DRJ, interpôs a recorrente, o competente recurso voluntário, repetindo as mesmas razões de sua manifestação de inconformidade. É o relatório do essencial. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10480.914515/201662 Acórdão n.º 1401002.799 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.797, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.914513/2016 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.797): "O recurso é tempestivo e dele conheço. Tendo em vista que as razões são as mesmas expostas na impugnação, invoco o Regimento Interno desse Conselho art. 57, § 3 e transcrevo a decisão de primeira instância: O contribuinte se insurge contra a não homologação de compensação e alega que o crédito teria origem em recolhimento a maior de CSLL. Na DCTF entregue em 20/08/2013, original e ainda ativa, pois foi a única entregue no período, o débito de CSLL foi declarado no mesmo valor que o pagamento, R$ 215.547,35, motivo pelo qual não foi encontrado saldo disponível para compensação. O contribuinte não retificou a DCTF e o único documento apresentado para demonstrar a suposta existência do crédito é a planilha constante à fl. 37, a qual só teria valor probatório se acompanhada da documentação contábil e fiscal. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Assim, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de compensação, de seu exclusivo interesse. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10480.914515/201662 Acórdão n.º 1401002.799 S1C4T1 Fl. 5 4 No presente, o interessado limitouse a alegar que teria recolhido tributo a maior, sem apresentar documentação comprobatória que lastreasse tal argumento. Resta impedida, portanto, a análise da liquidez e certeza do crédito. Mesmo tendo sido juntado novamente documentação que teoricamente seria capaz de comprovar o alegado crédito, não restou demonstrado o direito do recorrente. Ante o exposto, por falta de comprovação do direito creditório, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.911065/2009-01
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data do seu recolhimento, havendo a possibilidade de restituição ou compensação, uma vez que esteja caracterizado erro de fato.
Numero da decisão: 1003-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e devolver os autos à unidade de origem para análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data do seu recolhimento, havendo a possibilidade de restituição ou compensação, uma vez que esteja caracterizado erro de fato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e devolver os autos à unidade de origem para análise do mérito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data do seu recolhimento, havendo a possibilidade de restituição ou compensação, uma vez que esteja caracterizado erro de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e devolver os autos à unidade de origem para análise do mérito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 10 65 /2 00 9- 01 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11080.911065/200901 Acórdão n.º 1003000.149 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1028.728, de 18 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. O Despacho Decisório (fl. 01) não homologou a Declaração de Compensação da Recorrente sob o fundamento de improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, em razão de ser esse realizado através de pagamentos a título de estimativas mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. A não homologação foi fundamentada nos art.s 165 e 170 CTN, art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005 e art. 74 da Lei nº 9430/1996. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PAGAMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR. RESTRIÇÃO DA UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, que efetuar pagamentos de Imposto de Renda ou Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido a título de estimativas mensais consoante parâmetros legais, que resultarem em pagamentos a maior, somente poderá utilizar os valores pagos na dedução do tributo devido ao final do período de apuração, para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) que protocolou a PER/DCOMP nº 21807.59028.260406.1.3.049070, objetivando compensar débito de estimativa de CSLL com créditos oriundos de recolhimentos indevidos ou a maior de CSLL do período de jan/2006; (ii) que fechou o exercício do período de 2006 com prejuízo fiscal, sendo o valor recolhido a título de CSLL pagamento a maior ; (iii) que a Recorrente tem direito à compensação e débitos de estimativa de CSLL com créditos do mesmo imposto, decorrentes de pagamento à maior efetuado para o período de apuração de janeiro de 2006, visto ter sido apurado prejuízo fiscal ao final do período. (iv) Por fim, requereu a homologação das compensações requeridas. É o Relatório. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11080.911065/200901 Acórdão n.º 1003000.149 S1C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A lide versa sobre a determinação das regras aplicáveis a pedido de restituição ou ressarcimento, quando o crédito do contribuinte decorre de pagamento a título de estimativa mensal, que ele alega ter pago maior do que o devido. Não há dúvidas quanto ao fato de a Recorrente ter efetuado o recolhimento dos valores de CSLL conforme comprovantes de arrecadação acostado aos autos, fls. 10 a 17. No r. acórdão, não há a análise quanto aos fatos alegados pela Recorrente em relação à existência de erro no cálculo do imposto. O acórdão combatido fundamentou a improcedência da manifestação de inconformidade em razão de considerar que os valores correspondentes a estimativas recolhidos durante o anocalendário que resultem na apuração em 31 de dezembro em pagamento a maior do IRPJ e da CSLL, somente poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Contudo, segundo se depreende das alegações da Recorrente, o que ocorreu foi o pagamento indevido uma vez que o valor recolhido a título de CSLL, apuração de jan/2006, foi maior do que aquele efetivamente devido. O despacho decisório, fl. 01, incluiu, dentre outros artigos, como enquadramento legal a vedação em relação ao art. 10 da IN SRF nº 600/2005, o qual determinava que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido da dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido. Ocorre que o art. 10º da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, foi revogado a partir da edição da IN SRF nº 900/2008 que suprimiu a vedação quanto a repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado a existência de erro de fato na apuração da base de cálculo do imposto. Assim, uma vez constata a existência de erro de fato, como nos caso dos autos, no qual, pelas alegações da Recorrente, houve erro de cálculo do imposto, que levou ao pagamento indevido das estimativas mensais, caberia repetição imediata. O artigo 10º da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, deve ser afastado para que haja a análise do mérito ventilado na peça impugnatória. Neste sentido é a jurisprudência do CARF, conforme acórdãos abaixo: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11080.911065/200901 Acórdão n.º 1003000.149 S1C0T3 Fl. 5 4 Acórdão: 1301002.414 Número do Processo: 10880.684723/200990 Data de Publicação: 19/06/2017 Contribuinte: CIA DE SANEAMENTO BASICO DO ESTADO DE SAO PAULO SABESP Relator(a): JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/01/2007 ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores restringiramse a aspectos preliminares, como a impossibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar com base na súmula CARF nº 84 e devolver os autos à unidade de origem para que prossiga na análise da liquidez, certeza e suficiência do direito creditório alegado. Acórdão: 1301003.061 Número do Processo: 10983.912503/200911 Data de Publicação: 18/07/2018 Contribuinte: COMPANHIA ENERGETICA MERIDIONAL CEM Relator(a): FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Anocalendário: 2006. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabe a devolução do saldo negativo. Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. Contudo, tanto o Despacho Decisório quanto o r. acórdão não analisaram o mérito apontado pela Recorrente, isto é, as decisões anteriores não analisaram o pagamento a maior da CSLL que a estimativa, na competência de jan/2006. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11080.911065/200901 Acórdão n.º 1003000.149 S1C0T3 Fl. 6 5 A existência de erro de fato é condição para que seja configurado o pagamento indevido das estimativas mensais e repetição imediata. Se o erro de fato não estiver caracterizado, o caso é de mero antecipação de pagamento da IRPJ na forma da legislação de regência, podendo somente ser utilizada na declaração de ajuste anual, para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo. No presente caso, entendo que não há como analisar o mérito neste momento processual e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões alegadas quanto ao erro de cálculo não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à origem para que a análise quanto ao erro de cálculo do imposto seja analisado. Isto posto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário e devolver os autos à unidade de origem para análise do mérito. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 342DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.001501/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2004
COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMERCIANTE ATACADISTA DE CIGARROS.
Até 30/04/2004, antes da vigência da Lei no 10.865/2004, o comerciante atacadista de cigarros estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto, conforme menção expressa no Decreto no 4.524/2002. Somente a partir de 1o de maio de 2004, a substituição tributária inerente aos comerciantes de cigarros alcança o comerciante atacadista, que estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização.
MPF. PRORROGAÇÃO INTEMPESTIVA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O MPF constitui instrumento de controle interno e eventuais irregularidades nele não constituem nulidade da autuação.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento.
Numero da decisão: 3302-005.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado),Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMERCIANTE ATACADISTA DE CIGARROS. Até 30/04/2004, antes da vigência da Lei no 10.865/2004, o comerciante atacadista de cigarros estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto, conforme menção expressa no Decreto no 4.524/2002. Somente a partir de 1o de maio de 2004, a substituição tributária inerente aos comerciantes de cigarros alcança o comerciante atacadista, que estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização. MPF. PRORROGAÇÃO INTEMPESTIVA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O MPF constitui instrumento de controle interno e eventuais irregularidades nele não constituem nulidade da autuação. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 15 01 /2 00 6- 19 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11060.001501/200619 Acórdão n.º 3302005.754 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado),Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Por bem transcrever os fatos até então verificados, adotase o relatório da do acórdão nº 189.876, da 2ª Turma da DRJ de Santa Maria, prolatado na sessão de 14 de novembro de 2008, observese: A contribuinte supra identificada foi autuada por ter sido apontada falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins e da contribuição para o Programa de Integração Social L PIS/Pasep no período de 01/01/2002 a 31/01/2004, conforme constou dos respectivos autos de infração e seus anexos, que se encontram As fls. 04 a 53. De acordo com os relatórios de fiscalização que se encontram As fls. 07 a 14 e 33 a 40, a contribuinte é comerciante atacadista de cigarros, que, antes de 01/05/2004, não estava enquadrada no regime de substituição tributária, por meio do qual as indústrias são responsáveis pelo recolhimento dessas contribuições devidas pelos comerciantes varejistas. Da autuação resultou a exigência da Cofins — incidência cumulativa no valor de R$ 206.061,95; do PIS/Pasep — incidência cumulativa no valor de R$ 18.158,05 e incidência nãocumulativa no valor de R$ 5.595,72, todos com a incidência da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. A contribuinte apresentou as impugnações que se encontram As fls. 137 a 155 e 169 a 187, ambas com o mesmo conteúdo, contendo os seus argumentos de defesa, que podem ser assim resumidos: O art. 47, da Lei n° 9.430, de 1996, criou uma espécie de manutenção da espontaneidade até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, permitindo o pagamento dos tributos e contribuições já lançados ou declarados com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. Dessa forma, nos vinte dias que se seguem ao inicio da ação fiscal o contribuinte poderá regularizar sua situação, apresentando as DCTF em atraso em relação aos débitos por ele apurados em seus livros fiscais, portanto, uma vez entregues todas as informações necessárias por parte da impugnante, resta Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11060.001501/200619 Acórdão n.º 3302005.754 S3C3T2 Fl. 4 3 configurada a espontaneidade, sendo indevida a multa imposta pela fiscalização. Com fundamento nos artigos 43 e 44, da Lei n° 9.430, de 1996, a Receita Federal vem lavrando autos de infração onde cobra uma tal "multa isolada", fixada em 75% do valor do tributo, mas exige, também, a multa pelo atraso, acrescida dos juros pela taxa "Selic". Essa multa, que tem caráter confiscatório, vem sendo exigida cumulativa com outra, negando vigência aos primeiros cinco artigos da Constituição Federal de 1988 (CF) e não pode ser utilizada como vem sendo. O art. 150, IV, da CF, faz referência apenas ao tributo quando proíbe sua cobrança com efeito confiscatório, todavia, a jurisprudência e a doutrina entendem perfeitamente aplicável As multas essa limitação, tendo o Poder Judiciário reconhecido que a multa não pode ser exigida em percentual superior a 20%. A taxa "Selic" representa a taxa de juros reais e a taxa de inflação no período considerado, não podendo ser aplicada juntamente com a multa de 20% acima referida, também não podendo ser cumulada com a multa de 75%. O auto de infração é nulo, em virtude de ter a contribuinte sido intimada da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) somente após o seu prazo de validade de 120 dias. No caso da substituição tributária dos cigarros, a legislação nitidamente pretendia incluir toda a cadeia produtiva e comercial na sistemática da substituição tributária, pouco importando quantos distribuidores ou atacadistas intermediassem as transações, sendo a Cofins e o PIS/Pasep recolhido somente pelo fabricante e/ou importador. Toda a legislação que tratava da substituição tributária fazia referência às duas pontas da cadeia, ou seja o fabricante e o varejista, sendo a única referência ao fato de que os comerciantes atacadistas de cigarro não estavam incluídos na cadeia da substituição tributária foi feita por parte da Instrução Normativa (IN) SRF n° 247, de 2002 em seu artigo 40 , entretanto, este ato não tem o poder de revogar uma lei complementar ou ordinária, restando evidente que extrapolou a sua competência constitucional, não tendo a menor validade. A imensa maioria dos comerciantes varejistas de cigarro são contribuintes do Simples, dessa forma não se beneficiam da substituição tributária, sendo obrigados a recolher novamente o PIS e a Cofins. A impugnante agiu de boa fé, visto que nas notas fiscais de compra de mercadorias junto A empresa Alpino Comercial de Cigarros Ltda. consta a informação de que o pagamento de PIS e Cofins sobre cigarro é de responsabilidade do fabricante. Além disso, a impugnante exercia o comércio varejista de cigarro do que da relação dos 15 maiores clientes da Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11060.001501/200619 Acórdão n.º 3302005.754 S3C3T2 Fl. 5 4 impugnante mencionados no auto de infração, dez são pessoas físicas, ou seja, consumidores finais de cigarros. A fiscalização considerou que a atividade de comércio atacadista representava de 53,93% a 86,58% do faturamento total da impugnante, ou seja, a diferença deveria ter sido excluída da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, por representar vendas no varejo. Há necessidade de produção de prova pericial, visando apurar o montante das vendas realizadas para consumidores, na condição de varejista, para a qual indicou seu perito e formulou quesitos. Não cabe a aplicação de penalidades A impugnante, visto que esta agiu observando o conteúdo da legislação de regência, pois seguiu orientação emitida pelas empresas atacadistas de fumo, devendo ser aplicado, no caso, o disposto no art. 100, do Código Tributário Nacional (C'TN), não podendo a impugnante ser responsabilizada pelas penalidades decorrentes da falta de recolhimento do PIS e da Cofins por parte da fabricante dos cigarros. Requereu a impugnante a anulação do auto de infração, o deferimento da produção de prova pericial e que seja reconhecida a responsabilidade tributária exclusiva do fabricante de cigarro, bem como a sua condição de comerciante varejista em grande parte das vendas efetuadas. A impugnação realizada pela contribuinte foi julgada totalmente improcedente pela DRJ, que manteve o lançamento, recebendo o acórdão a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2004 PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade de atos legais regularmente editados é privativa do Poder Judiciário. PRELIMINAR. NULIDADE. Os casos de nulidade absoluta são os previstos na legislação. RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Somente são passíveis de recolhimento até vinte dias após o inicio da ação fiscal, com os acréscimos exigidos no procedimento espontâneo, os tributos ou contribuições cujos montantes tenham sido objeto de lançamento ou confissão de divida. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11060.001501/200619 Acórdão n.º 3302005.754 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2004 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. COMERCIANTE ATACADISTA DE CIGARROS. Os comerciantes atacadistas de cigarros somente foram incluídos no regime de substituição tributária a partir de 01/05/2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2004 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. COMERCIANTE ATACADISTA DE CIGARROS. Os comerciantes atacadistas de cigarro somente foram incluídos no regime de substituição tributária a partir de 01/05/2004. Lançamento Procedente Inconformada a recorrente interpôs o recurso voluntário onde alegou, em síntese, que o AI deve ser cancelado, tendo em vista a ocorrência suposta nulidade em relação a intimação de prorrogação do MPF, fora do prazo de sua vigência, e no mérito reproduziu as alegações trazidas em sua impugnação, notadamente no que se refere à substituição tributária do PIS e da Cofins no caso em tela, além de que as penalidades trazidas no auto de infração não poderiam ser imputadas. Seguindo seu tramite ordinário, os autos foram distribuídos a este Conselheiro julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Preliminar Nulidade do AI por intimação de prorrogação do MPF fora do prazo Ainda em sede preliminar, o recorrente alega nulidade do procedimento, uma vez que não teria havido renovação do MPF em tempo hábil, conforme determinaria a Portaria SRF nº 6087/2005. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11060.001501/200619 Acórdão n.º 3302005.754 S3C3T2 Fl. 7 6 Quanto a esse aspecto, narra que foi noticiado do início da fiscalização no dia 28/12/2005, logo o MPF seria válido até 28/04/2006, contudo, somente em 13/06/2006 teria sido intimada da prorrogação. No que diz respeito ao MPF, devese inicialmente registrar que a mencionada portaria, nâo obsta a prorrogação de qualquer procedimento fiscal. Vale ressaltar ainda que, as Portaria SRF n° 3.007/2001, Portarias RFB nº 4.328/2005 e 6.087/2005, vigentes durante o procedimento fiscal, afirmam, nos seus arts. 15 e 16, que a hipótese de extinção do MPF por decurso de prazo, não implica nulidade dos atos praticados. Para o I. Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, apontamento do qual comungo, o MPF, mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, instituído por ato administrativo (Portaria SRF nº 1.265/1999), depois, por decreto (Decreto nº 3.969/2001) e disciplinado por portaria (Portaria SRF n° 3.007/2001), não pode jamais invalidar o lançamento fiscal, realizado nos termos de lei complementar: art. 142, do CTN, atividade vinculada e de competência da autoridade administrativa: Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 6º, da Lei nº 10.593/2002, com redação dada pelo art. 9º, da Lei nº 11.457/2007. Ademais, a prorrogação do MPF ocorrida, em tese, fora do prazo de sua vigência, não é causa de nulidade expressa no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972. Oportuno esclarecer que é assente na jurisprudência deste Conselho que o MPF constitui instrumento de controle interno do procedimento fiscal, que não afeta a validade do lançamento realizado: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. Não implica nulidade dos atos praticados a ocorrência de extinção por decurso de prazo do MPF. (Acórdão 2201004.030) PRELIMINAR. NULIDADE EXTINÇÃO DO MPF. INEXISTÊNCIA O MPF é instrumento de controle da atividade administrativa. Possíveis irregularidades na prorrogação do mesmo não implicam em nulidade da autuação. (Acórdão 1401002.031) Pelas razões expostas, nego provimento à preliminar de nulidade do lançamento por vício na prorrogação do MPF. II Do Mérito Substituição tributária na venda de cigarros Para a recorrente a legislação que trata da substituição tributária dos cigarros determina que o fabricante e/ou importador seria o responsável pelo recolhimento das Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11060.001501/200619 Acórdão n.º 3302005.754 S3C3T2 Fl. 8 7 contribuições ao PIS e à Cofins sobre toda a cadeia produtiva e comercial, até o consumidor final. Segundo seu entendimento estaria amparada pelos ditames da Lei 70/91, art. 3º, e da Lei 9.715/98, art. 5º. Desta forma, seguindo referida interpretação, deixou de oferecer à tributação das contribuições as vendas ocorridas no período de 01/01/2002 a 31/01/2004, época em que desempenhava suas vendas de forma atacadista, conforme bem apontado no acórdão da decisão de piso, entendendo que o recolhimento das contribuições estavam a cargo do industrial/importador, do qual adquiriu a mercadoria para a revenda. Pois bem. Como é sabido na substituição tributária a responsabilidade pelo recolhimento do tributo é atribuída a um terceiro que esta vinculado ao fato gerador, assim o tributo que seria devido na saída subsequente do contribuinte que adquiriu o produto é imputado ao contribuinte remetente, qual seja, o fornecedor (importador ou fabricante), criando a ficção de um fato gerador, no qual a primeira pessoa da cadeia é responsável, sem prejuízo do recolhimento do seu próprio tributo, também pelo tributo do adquirente que seria devido na saída subsequente deste. A doutrina atribuiu a essa sistemática duas espécies, sendo a primeira delas a progressiva ou substituição tributária para frente, onde temos a antecipação do fato gerador, e a regressiva ou substituição tributária para trás, que tem como característica uma espécie de retenção na fonte, onde o destinatário se torna o responsável pelo recolhimento do tributo do contribuinte prestador ou remetente. É oportuno lembrar que nas vendas efetuadas pelo fabricante ou importador dos produtos sujeitos à substituição tributária aos comerciantes atacadistas, não se fala em antecipação das contribuições, as receitas verificadas com as vendas destes produtos pelos comerciantes atacadistas, serão levadas à tributação das contribuições ao PIS e a Cofins normalmente. Posteriormente às Leis acima mencionadas, a matéria foi regulamentada pelo art. 4º, caput e parágrafo único do Decreto nº 4.514/2002, observese: Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 47 (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º, Lei nº 9.532, de 10 de dezembrode1997,art.53,eLeinº9.715,de25denovembrode 1998,art.5º). Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto. No mesmo sentido a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, consolidando as normas aplicáveis ao PIS e à Cofins, esclareceu a matéria, dispondo seu art. 4º, o seguinte: Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11060.001501/200619 Acórdão n.º 3302005.754 S3C3T2 Fl. 9 8 recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 48. Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre sua receita de comercialização desse produto. No presente caso, é pertinente ainda esclarecermos, tendo em vista dizer respeito diretamente à tese esposada pela recorrente que a até a chegada da Lei 10.865/2004, somente os comerciantes varegistas eram substituídos na contribuição para o PIS e Cofins, em relação à receita de cigarros. A partir de 01/05/2004, é que a substituição tributária de referidas contribuições, passou a ser aplicada aos comerciantes atacadistas, nos exatos termos do art. 29 da Lei, podendo, a partir de então, ser realizada a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, as receitas das vendas de cigarros. Vale ressaltar que a presente matéria foi objeto de apreciação pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, 3ª Turma, no acórdão 9303002.217, no qual por unanimidade foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, recebendo a seguinte ementa: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2004 Cofins. Substituição Tributária. Comerciante Atacadista de Cigarros. Anteriormente à Lei nº 10.865, de 2004, somente havia previsão legal para a substituição tributária, pelo fabricante de cigarros, do comerciante varejista. Recurso Especial Provido. Desta forma, estando a recorrente à época da ocorrência dos fatos geradores, sujeita è regra geral e não sendo comerciante varejista de cigarros, a exclusão das receitas de vendas desses produtos da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins não poderia ser feita, motivo pelo qual não acolho seus argumento. III Da multa de ofício Para adentrarmos à análise do presente tópico é importante ressaltar um dado expressivo relacionado ao assunto, quando do lançamento promovido pela autoridade fiscal não se apresentavam as exceções quanto a inaplicabilidade da multa de ofício, vale dizer, medida liminar vigente deferida em mandado de segurança (art. 151, IV, CTN) ou concessão de medida liminar ou tutela antecipara em ações judiciais que não o MS (art. 151, V, CTN). Assim, quanto à aplicação da multa de ofício, registrese que a falta de pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal sujeita o contribuinte à constituição do crédito de ofício e neste caso, é cabível a multa de ofício nos termos art. 44, 1 , da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11060.001501/200619 Acórdão n.º 3302005.754 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Desta feita, considerase perfeitamente aplicável a penalidade trazida pelo auto de infração. Assim, descabido o pedido de aplicação do at. 110 do Código Tributário Nacional, vez que, conforme demonstrado, a recorrente não atendeu aos ditames legais, ao contrário infringiu os dispositivos legais, fato esse que levou a fiscalização a efetuar o lançamento das contribuições devidas. IV Da conclusão. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, contudo negar lhe provimento. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 610DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722932/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA PARCIAL. RENÚNCIA AO DIREITO. DELIMITAÇÃO DA LIDE.
Havendo desistência parcial do sujeito passivo, resta configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso voluntário na parte que se abdicou, inclusive nas matérias reflexas e àquela vinculadas, e a consequente delimitação da lide às demais matérias não atingidas pela desistência.
REMUNERAÇÃO A QUALQUER TÍTULO - REGIME FISCAL PRIVILEGIADO. INCIDÊNCIA DO IRRF EM REMUNERAÇÃO DE QUALQUER NATUREZA. ALÍQUOTA MAJORADA. INAPLICABILIDADE.
O artigo 8°. da Lei n. 9.779/99, que prevê a aplicação da alíquota de 25%, faz menção apenas aos países/dependências caracterizados no art. 24 da Lei n. 9.430/1996, e não ao regime fiscal privilegiado introduzido pelo art. 24-A do mesmo diploma legal.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a aplicação da alíquota majorada de 25% aos pagamentos efetuados à empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, reconhecendo-se que, ao caso, aplica-se a alíquota o de 15%.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DESISTÊNCIA PARCIAL. RENÚNCIA AO DIREITO. DELIMITAÇÃO DA LIDE. Havendo desistência parcial do sujeito passivo, resta configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso voluntário na parte que se abdicou, inclusive nas matérias reflexas e àquela vinculadas, e a consequente delimitação da lide às demais matérias não atingidas pela desistência. REMUNERAÇÃO A QUALQUER TÍTULO REGIME FISCAL PRIVILEGIADO. INCIDÊNCIA DO IRRF EM REMUNERAÇÃO DE QUALQUER NATUREZA. ALÍQUOTA MAJORADA. INAPLICABILIDADE. O artigo 8°. da Lei n. 9.779/99, que prevê a aplicação da alíquota de 25%, faz menção apenas aos países/dependências caracterizados no art. 24 da Lei n. 9.430/1996, e não ao regime fiscal privilegiado introduzido pelo art. 24A do mesmo diploma legal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a aplicação da alíquota majorada de 25% AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 29 32 /2 01 5- 18 Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 16682.722932/201518 Acórdão n.º 2402006.598 S2C4T2 Fl. 102 2 aos pagamentos efetuados à empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, reconhecendose que, ao caso, aplicase a alíquota o de 15%. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 3631/3688) em face do Acórdão n. 07 38.926 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS (efls. 3573/3625) que julgou improcedente a impugnação de efls. 2503/2564 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento Auto de Infração IRRF no valor total de R$ 178.473.158,19 Período de Apuração (P.A): 01/01/2011 a 31/12/2011 (efls. 2416/2425) constituído em 26/11/2015 (efls. 2494/2495), conforme discriminado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de efls. 2426/2493. Irresignado com o lançamento consignado no Auto de Infração em tela, o sujeito passivo apresentou a impugnação de efls. 2503/2564, julgada improcedente pela DRJ/FNS, nos termos do Acórdão n. 0738.926 (efls. 3573/3625), de cujo teor tomou ciência em 03/10/2016 (efls. 3628/3629), e, em 01/11//2016 (efl. 3630) apresentou o Recurso Voluntário de efls. 3631/3688, no qual esgrime, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados na impugnação de efls. 2503/2564, a saber, preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento direito de defesa, e, no mérito, i) autonomia dos contratos e impossibilidade de desconsideração da estrutura contratual adotada; ii) reconhecimento do REPETRO como propósito negocial da bipartição dos contratos; iii) não caracterização de economia fiscal ilícita; iv) diferença entre afretamento de sonda de perfuração e prestação de serviços; v) não aplicação de alíquota majorada de IRRF para regime fiscal privilegiado (Hungria); e vi) impossibilidade de exigência de juros de mora sobre multa de ofício. Todavia, a Recorrente formalizou desistência parcial deste processo, nos termos do requerimento de efls. 3943/3944, em face em relação aos débitos de IRRF referentes à parcela incidente sobre remessas efetuadas a título de "afretamento de embarcação", que compreende as matérias pertinentes à autonomia dos contratos e impossibilidade de desconsideração da estrutura contratual adotada; reconhecimento do REPETRO como propósito negocial da bipartição dos contratos; não caracterização de economia fiscal ilícita; e diferença entre afretamento de sonda de perfuração e prestação de serviços. A Recorrente acostou aos autos parecer jurídico da lavra do eminente Professor Dr. Heleno Taveira Torres (efls. 3745/3852). Fl. 3995DF CARF MF Processo nº 16682.722932/201518 Acórdão n.º 2402006.598 S2C4T2 Fl. 103 3 A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 3882/3938). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 3631/3688) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Inicialmente, o cerne da presente lide concentravase na incidência de imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT no anocalendário 2011, discutindose, no direito de fundo, a autonomia dos contratos de afretamento e de prestação de serviços e sua consequências, inclusive para fins fiscais e de consideração dos negócios jurídicos pactuados. Na primeira instância recursal, a DRJ/FNS, provocada pela impugnação de e fls. 2503/2564, materializou seu entendimento nos termos do Acórdão n. 0738.926 (efls. 3573/3625), assim sumarizado: PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o sujeito passivo demonstra na peça impugnatória que compreendeu plenamente a acusação fiscal. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE PLATAFORMA E CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NATUREZA DO PAGAMENTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS Para fins tributários, é necessário verificar qual a natureza dos pagamentos, tendo em vista a realidade fática, e não a formalidade dos contratos. Dos fatos apontados nos autos, restou comprovado tratarse de um único contrato de prestação de serviços, embora formalmente sejam firmados dois acordos, um de afretamento e outro de prestação de serviços. TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO INAPLICABILIDADE PARA PAGAMENTOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitamse à tributação de acordo com o art. 685, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 3.000, de 1999, bem como que nas Convenções para Eliminar a Dupla Tributação da Renda das quais o Brasil é signatário, esses rendimentos classificamse no artigo Rendimentos não Expressamente Mencionados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 16682.722932/201518 Acórdão n.º 2402006.598 S2C4T2 Fl. 104 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nessa perspectiva, a Recorrente guerreou inicialmente contra o inteiro teor da decisão a quo, nos termos do Recurso Voluntário (efls. 3631/3688), arguindo, inclusive, preliminar de nulidade com fulcro em cerceamento de defesa. Ocorre que em 30/01/2018, a Recorrente formalizou desistência parcial da lide em relação aos débitos de IRRF referentes à parcela incidente sobre remessas efetuadas a título de "afretamento de embarcação" que compreende as matérias pertinentes à autonomia dos contratos e impossibilidade de desconsideração da estrutura contratual adotada; reconhecimento do REPETRO como propósito negocial da bipartição dos contratos; não caracterização de economia fiscal ilícita; e diferença entre afretamento de sonda de perfuração e prestação de serviços , conforme requerimento de efls. 3943/3944, delimitando o objeto do recurso voluntário em apreço aos débitos referentes à diferença de IRRF incidente sobre remessas efetuadas a título de "aluguel de equipamentos" discriminados no tópico 8 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de efls. 2426/2493 que, assim, continuam a compor a presente lide, vez que, no entendimento da Recorrente, o IRRF à alíquota de 15% já foi devidamente recolhido sobre as remessas de aluguel e tais remessas não foram efetuadas para país sujeito à alíquota majorada de 25%, bem assim à impossibilidade de exigência de juros de mora sobre multa de ofício vinculada a esta infração específica. Em decorrência da limitação da lide em apreço, conforme já relatado, verificase que as matérias remanescentes para apreciação dizem respeito tãosomente às questões de mérito, a saber: não aplicação de alíquota majorada de IRRF para regime fiscal privilegiado (Hungria) e impossibilidade de se exigir juros de mora sobre valores exigidos a título de multa de ofício vinculada a esta infração específica. A preliminar de decadência com fulcro em nulidade do lançamento por cerceamento direito de defesa, por óbvio, resta prejudicada. Do mérito Não aplicação de alíquota majorada de IRRF para regime fiscal privilegiado (Hungria) No tocante à não aplicação de alíquota majorada de IRRF para regime fiscal privilegiado, alega o Recorrente que teria havido “um erro de enquadramento por parte da D. Autoridade Fiscal ao afirmar que a Hungria seria enquadrada como país de tributação favorecida, quando, na verdade, o artigo 2º, inciso VI, da Instrução Normativa RFB nº 1.037/2010 enquadrava o regime aplicável às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de offshore KFT como regime fiscal privilegiado.” De fato, a autoridade fiscal equivocouse ao informar que a Hungria era enquadrada, no anocalendário 2011, como país de tributação favorecida, tendo em vista que até o advento da Instrução Normativa RFB n. 1.474/2014, o art. 2°., VI, da Instrução Normativa RFB n. 1.037/2010 encontravase em vigor com a seguinte redação: Art. 2º São regimes fiscais privilegiados: [...] Fl. 3997DF CARF MF Processo nº 16682.722932/201518 Acórdão n.º 2402006.598 S2C4T2 Fl. 105 5 VI com referência à legislação da Hungria, o regime aplicável às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de offshore KFT; [...] O dispositivo acima transcrito foi revogado, a partir de 20/06/2014, pela Instrução Normativa RFB n. 1.474, de 18 de junho de 2014. Todavia, considerandose que a hipótese de incidência tributária em apreço materializouse no anocalendário 2011, época em que à legislação da Hungria aplicavase o regime fiscal privilegiado às pessoas jurídicas constituídas sob a forma KFT (como é o caso da beneficiária das remessas), a revogação ora informada não alcança o lançamento em litígio, vez que este reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, forte no art. 144 do CTN. Outrossim, é procedente a afirmação da Recorrente no sentido de que o conceito de regime fiscal privilegiado não se confunde com o de país com tributação favorecida, vez que este tem sua definição no art. 24 da Lei n. 9.430/96, enquanto que aquele abrigase no art. 24A da Lei n. 9.430/96 (incluído pela Lei n. 11.727, de 2008): Art. 24. As disposições relativas a preços, custos e taxas de juros, constantes dos arts. 18 a 22, aplicamse, também, às operações efetuadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada em país que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota máxima inferior a vinte por cento. [...] § 4° Considerase também país ou dependência com tributação favorecida aquele cuja legislação não permita o acesso a informações relativas à composição societária de pessoas jurídicas, à sua titularidade ou à identificação do beneficiário efetivo de rendimentos atribuídos a não residentes.(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (grifei) Art. 24A. Aplicamse às operações realizadas em regime fiscal privilegiado as disposições relativas a preços, custos e taxas de juros constantes dos arts. 18 a 22 desta Lei, nas transações entre pessoas físicas ou jurídicas residentes e domiciliadas no País com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada no exterior.(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase regime fiscal privilegiado aquele que apresentar uma ou mais das seguintes características: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – não tribute a renda ou a tribute à alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento); (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) II – conceda vantagem de natureza fiscal a pessoa física ou jurídica não residente: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) a) sem exigência de realização de atividade econômica substantiva no país ou dependência;(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 16682.722932/201518 Acórdão n.º 2402006.598 S2C4T2 Fl. 106 6 b) condicionada ao não exercício de atividade econômica substantiva no país ou dependência;(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) III – não tribute, ou o faça em alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento), os rendimentos auferidos fora de seu território;(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) IV – não permita o acesso a informações relativas à composição societária, titularidade de bens ou direitos ou às operações econômicas realizadas.(Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Na mesma linha de raciocínio, a Recorrente protesta que o disposto no art. 8°. da Lei n. 9.779/99, base legal para cobrança da alíquota de 25% de IRRF, não se refere especificamente ao art. 24A. Conforme já noticiado, os regimes fiscais privilegiados restam caracterizados no art. 24A da Lei n. 9.430/96 e elencados no 2°., VI, da Instrução Normativa RFB n. 1.037/2010, com a redação em vigor à época dos fatos geradores. Pois bem. O art. 150, I, da Constituição Federal, de 1988, estabelece vedação aos entes políticos, titulares da competência tributária, consistente em exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. Nessa perspectiva, o art. 97 do CTN discrimina as matérias sujeitas à reserva legal, verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; [...] § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. (grifei) A despeito de apresentarem algumas características semelhantes, o conceito de país com tributação favorecida não se confunde com o de regime fiscal privilegiado. O primeiro está vinculado a um determinado país, ao passo que o segundo pode alcançar regiões de um país, pessoas, estruturas ou operações específicas ali praticadas, que não necessariamente implicariam na classificação de todo o território como "paraíso fiscal". Nesse contexto, o art. 8º. da Lei n. 9.779/1999 que prevê a aplicação da alíquota de 25% , faz menção apenas aos países/dependências caracterizados no art. 24 da Lei n. 9.430/1996, e não ao regime fiscal introduzido pelo art. 24A do mesmo diploma legal: Lei n. 9.779/1999 Fl. 3999DF CARF MF Processo nº 16682.722932/201518 Acórdão n.º 2402006.598 S2C4T2 Fl. 107 7 Art. 8º Ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 24 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento. (grifei) É oportuno ressaltar, conforme bem destaca o Recorrente, que o art. 24A não alterou o texto do art. 24 da Lei n. 9.430/1996, e sim estabeleceu regra nova, que passou a coexistir com a já existente, vez que faz remissão aos art. 18 a 22 (da mesma forma que o art. 24 também faz) sem sequer fazer qualquer referência ao art. 24, caracterizando, de forma cristalina, dois conceitos distintos. Assim, em obediência aos princípios da legalidade e da segurança jurídica, a ausência de expressa previsão legal é suficiente para afastar a aplicação da alíquota majorada de 25% (vinte e cinco por cento) ao pagamento efetuado a beneficiário de regime fiscal privilegiado. De se observar que o entendimento aqui esposado está alinhado à Solução de Consulta n. 217 Cosit de 09/05/2017, que consolida a posição do órgão responsável pela administração do tributo (RFB). Destarte, neste ponto é procedente a alegação da Recorrente, impondose afastar a aplicação da alíquota majorada de 25% aos pagamentos efetuados à empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT domiciliada na Hungria, permanecendo, portanto, a alíquota padrão de 15%. Impossibilidade de se exigir juros de mora sobre valores exigidos a título de multa de ofício Quanto à irresignação do Recorrente quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, é oportuno ressaltar que, na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Codex Tributário deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 do CTN, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar ao regrar no art. 61 da Lei n. 9.430/96 que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo "decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, também deverão ser acrescidos dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o §8º. do art. 84 da Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 16682.722932/201518 Acórdão n.º 2402006.598 S2C4T2 Fl. 108 8 A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REsp n. 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifei) 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) Na mesma perspectiva, a Súmula CARF n. 4, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. É nesse sentido a Súmula CARF n. 5, verbis: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (grifei) Por sua vez, é remansosa a jurisprudência do CARF sobre a possibilidade da incidência de juros sobre multa de ofício, conforme o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), sumarizado nas ementas abaixo reproduzidas: Acórdão n. 9101003.225 1ª. Turma Sessão de 09/11/2017 Data de Publicação: 17/01/2018 [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (grifei) Fl. 4001DF CARF MF Processo nº 16682.722932/201518 Acórdão n.º 2402006.598 S2C4T2 Fl. 109 9 No mesmo sentido os Acórdãos n. 9101003.198; n. 9101003.182; n. 9101 003.183; n. 9101003.181; n. 9101003.180; n. 9101003.179; n. 9101003.178; n. 9101 003.177; n. 9101003.176; e n. 9101003.175, entre outros. Por fim, consolidando o entendimento acima esposado, a Súmula CARF n. 108 arremata: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (grifei) Destarte, não procedem as alegações da Recorrente neste ponto. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário (efls. 3631/3688), e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para afastar a aplicação da alíquota majorada de 25% aos pagamentos efetuados à empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT domiciliada na Hungria, permanecendo, portanto, a alíquota padrão de 15%. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 4002DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.003242/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
CUSTO DE AQUISIÇÃO. CONSTRUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbido deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 04).
Numero da decisão: 2202-004.740
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Rosy Adriane da Silva Dias e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento parcial para afastar a glosa do custo de aquisição do imóvel. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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CONSTRUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbido deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 04). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Rosy Adriane da Silva Dias e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento parcial para afastar a glosa do custo de aquisição do imóvel. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 32 42 /2 00 7- 41 Fl. 152DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, responsável pelo relatório, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF. Feito o registro. Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de IRPF por omissão de ganhos de capital. Intimada, protocolou Impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário. Em primeira análise, essa turma converteu o julgamento em diligência. Realizada esta, retornam os autos para continuidade do julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Por vez descrevêlos, aproveito o relatório já apresentado na Resolução n° 2202000.805, acrescida dos fatos posteriores. Em 06/11/2007 foi lavrado Auto de infração (fls. 40/43) identificando a seguinte infração: "001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSAO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme relatório de fiscalização anexo." fl. 41; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11060.003242/200741 Acórdão n.º 2202004.740 S2C2T2 Fl. 153 3 Conforme o Relatório Fiscal (fls. 46/52), • O Sr. Augusto Cezar Carpes Marcon, cônjuge da Contribuinte, foi intimado e reintimado durante a fiscalização para apresentar informações sobre a aquisição e a alienação de determinado imóvel, porém, a despeito de validamente cientificado, nada respondeu; • Somente após a emissão de Ofício ao Cartório de Registro de Imóveis, em sede de terceira intimação é que o fiscalizado apresentou contrato de compra e venda de imóvel e IPTU, ambos referentes ao imóvel alienado; • Foram emitidos Ofícios ao Cartório de Registro de Imóveis, que apresentou documentação referente ao imóvel e às transações; • A despeito da existência de averbação de construção no imóvel em 26/01/2005, a autoridade lançadora entendeu que a comprovação do custo de aquisição deve ser feita por meio de documentação hábil e idônea, discriminados na DAA; • Intimou então o fiscalizado a apresentar uma série de novos documentos visando comprovar a construção no terreno, tais como alvará de licença de construção, habitese, comprovação da data de início e de término da obra, planilha demonstrativa dos gastos da obra, escritura pública de aquisição e de alienação do imóvel; • Constatando que se tratava de imóvel comum ao casal, a autoridade lançadora intimou a Contribuinte a se manifestar sobre os fatos até então identificados e a apresentar novos documentos, caso quisesse; • Considerando que restou comprovada a aquisição do imóvel em 1992, pelo valor de Cr$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de cruzeiros), a autoridade lançadora apurou a conversão e a atualização do valor, identificando um custo de aquisição do terreno de R$ 19.690,82; • A autoridade lançadora entendeu ainda que não restaram comprovadas as benfeitorias sobre o imóvel; • A autoridade lançadora aceitou como preço o valor de R$ 188.000,00, registrado no contrato de compra e venda, admitindo ainda que o pagamento foi parcelado entre janeiro e maio de 2005; e • O valor do ganho de capital foi imputado à proporção de 50% para cada cônjuge. Intimada do lançamento em 14/11/2007 (fl. 53), a Contribuinte protocolou Impugnação em 17/12/2007 (fls. 54/67 e docs. anexos fls. 68/82). A DRJ proferiu então o acórdão n° 1811.988 (fls. 85/92), de 25/03/2010, que negou provimento à defesa e restou assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. IMÓVEL. CUSTOS. Fl. 154DF CARF MF 4 Incide o imposto de renda sobre os ganhos de capital obtidos na alienação de imóvel, considerado como a diferença positiva entre o valor de alienação dos bens e direitos e o respectivo custo de aquisição, sendo este pelo seu valor histórico, vedada a atualização monetária. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucional idade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, serão acrescidos na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes, a partir de 01/04/1995, à taxa referencial do Selic para títulos federais. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Arguições de inconstitucional idade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido " Intimada em 20/04/2010 (fl. 96), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 20/05/2010 (fl. 97/115 e docs. anexos fls. 116/120), argumentando, em síntese: • Que se trata de lançamento conexo ao que corre em nome de seu marido, decorrente do mesmo fato, pedindo apensamento e julgamento conjunto; • Que apresentou arrolamento de dívidas no montante de 30% do valor da dívida; • Que foi incorreta a forma como foi aplicada a multa, vez que aplicou a multa da 75% do art. 44, I e §1°, cumulada com a multa isolada do art. 44, §1°, III, todos da Lei n° 9.430/1996, quando deveria impor apenas a multa de ofício; • Que a cumulação da multa de ofício e da multa isolada sobre a mesma base leva a uma imposição de multa no mesmo patamar da multa qualificada, o que exige a comprovação de intuito de fraude; • Que é ilegítima a aplicação da taxa Selic; • Que todos os bens e rendimentos foram declarados e, nesse contexto, a inexistência do carnêleão é infração meramente formal, não podendo ser constituído sobre todos os valores já declarados mas apenas, no máximo, como uma multa formal; • Que, diferente do quanto apontado no Relatório Fiscal, todos os termos de intimação foram respondidos e todos os documentos solicitados foram apresentados; Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11060.003242/200741 Acórdão n.º 2202004.740 S2C2T2 Fl. 154 5 • Que declarou o imóvel inicialmente por R$ 50.000,00, posteriormente alterandose para R$ 150.000,00, diante de avaliação feita pela prefeitura municipal, para lançamento do IPTU, de construção feita no imóvel de prédio de 530m2, que restou avaliado em R$ 190.973,66; • Que a obrigação de comprovar com "documentação hábil e idônea" não é legal, nem mesmo do RIR/99, mas sim em Instrução Normativa, o que não pode ser utilizado para criar obrigação; e • Que não houve ganho de capital na alienação, uma vez que não houve diferença positiva. Chegando ao CARF, foi proferida a Resolução n° 2202000.805 (fls. 123/127), de 13/09/2017, que converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Portanto, voto por converter o julgamento em diligência para que a DRF • Informe o valor utilizado no Aviso de Regularização de Obra (ARO) para fins de cálculo das contribuições previdenciárias relativas a essa obra matrícula CEI n° 43.800.02917/62 (fl. 25); • Após, intime a Contribuinte para que se pronuncie, caso queira, no prazo de 30 (trinta) dias; e • Enfim, retornem os autos para continuidade do julgamento. Foi anexado aos autos o Relatório de Diligência (fls. 131/133 e docs. anexos fls. 134/146), no qual se concluiu que: "Analisandose a documentação acima, verificase que o Aviso de Regularização de Obra (ARO), referente a uma área construída de 73,45 m2 (classificada como residencial) foi avaliado com o Custo Global de R$ 65.990,42 e o Aviso de Regularização de Obra (ARO), referente a uma área construída de 371,00 m2 (classificado como galpão industrial) foi avaliado com o Custo Global de R$ 123.335,24. " fl. 131; A Contribuinte foi intimada em 27/10/2017 (fl. 147). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, responsável pelo voto, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Fl. 156DF CARF MF 6 Esclareço que aqui reproduzo, integralmente, as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, e, embora tenha acompanhado o relator, não me vinculo a todos os fundamentos por ele adotados em seu voto. Feito o registro. Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Do custo de aquisição O lançamento decorreu da glosa do custo de aquisição do imóvel, o que implicou a apuração de ganho de capital. Não se discute a ocorrência da alienação, o preço recebido nem a data. Como já registrado na Resolução CARF n° 2202000.805, diante do próprio Relatório de Fiscalização que acompanhou o lançamento não restam dúvidas de que houve uma construção no imóvel entre a data da sua aquisição e da sua alienação. Especificamente, é possível observar que no registro do imóvel consta a aquisição de "Uma fração de terras" em 31/10/1996 (fl. 9). Já em outro registro, ficou consignada a edificação de uma área total de 444,45 m2 em 26/01/2005. A questão se resumia, portanto, apenas à prova do valor incorrido nessa construção. Para a autoridade autuante, somente com a demonstração inequívoca das despesas incorridas na construção é que se poderia apropriálas no custo de aquisição para a apuração do ganho de capital. Ainda em anexo ao lançamento, foram anexados: · "Conhecimento de Arrecadação Municipal" referente ao IPTU do ano calendário 2005 indicando com valor da construção R$ 168.603,46 (fl. 16); · No Registro de Imóveis em que se averbou em 26/01/2005 a construção de 444,45 m2, atribuiuse um valor de R$ 168.603,45 (fl. 20); · Cadastro Técnico Imobiliário IPTU informando a existência de construção no imóvel com área total de 530 m2 (fl. 24), regularizada em 12/01/2005; e · Certidão Negativa de Débito emitida pelo INSS em função da averbação da construção de uma área residencial de 444,45 m2 (fl. 25). Com base nessas informações foi determinada a realização de diligência. Em resultado dessa, foram juntados aos autos inúmeros documentos, especificamente: · "Cadastro de Fiscalização de Empresa" no INSS (fl. 134); · "Declaração de Informação sobre Obra DISO", datada de 01/2005, registrando construção de obra de 73,45 m2 e de 371 m2, além de imóvel já existente de 86 m2 (fl. 135/136); · Taxa do CREA para ART, identificando obra de 350 m2, como sede da União de Famílias Forense datado de 07/1985 (fl. 137); · Memorial Descritivo da obra de 350 m2 em favor da União da Família Forense (fl. 138/139); Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11060.003242/200741 Acórdão n.º 2202004.740 S2C2T2 Fl. 155 7 · Alvará de Licença datado de 1985 emitido em favor da União da Família Forense (fl. 140); · Cadastro Técnico Imobiliário IPTU informando a existência de construção no imóvel com área total de 530 m2, regularizada em 12/01/2005 (fl. 141); · Carta de Habitação (HABITESE) datada de 12/01/2005 em relação a construção de 444,45 m2 (fl. 142); · Aviso de Regularização de Obra ARO, datado de 20/01/2005 informando construção de 73,45 m2 e custo global de R$ 65.990,42 (fl. 143); · Aviso de Regularização de Obra ARO, datado de 20/01/2005 informando construção de 371 m2 e custo global de R$ 123.335,24 (fl. 144); · Certidão Negativa de Débito do INSS, datada de 25/01/2005, em nome da Contribuinte (fl. 145); e · Consulta de Recolhimentos do INSS, datada de 25/01/2005, com datas de pagamento de 21/01/2005 nos exatos valores apurados nos ARO's (fl. 146). Preliminarmente, observase que os documentos datados de 1985 parecem não ter nenhuma relação com a presente lide. Em primeiro lugar, porque foram emitidos em favor da União da Família Forense, de quem a Contribuinte adquiriu "fração de terreno" em 1996. Nesse caminho, não há nenhuma indicação de que a construção de 1985 estivesse na fração de terreno adquirida pela Contribuinte. Segundo, porque todas as informações são no sentido de que a construção ora sob discussão ocorreu entre 1996 e 2005. Efetivamente, comprou uma "fração de terreno" em 1996 e regularizou a obra em 2005. Enfim, volvese à questão fulcral: o custo da benfeitoria. Por um lado, não há certeza quanto ao valor EXATO incorrido na construção. Por outro lado, não há dúvidas que houve uma construção no imóvel ao longo do período em que a Contribuinte era proprietária. Inclusive, esse fato já havia sido indicado e comprovado durante a fiscalização, com bem constatou a autoridade lançadora. Pois bem. A despeito de admitir a existência da construção, a autoridade lançadora entendeu que não restou comprovado o custo da construção. Por isso, glosou o valor declarado pela Contribuinte. Admitindo que o custo exato não ficou comprovado, entendo ser necessário divergir da autoridade lançadora quanto à solução a ser adotada. É verdade que cabe ao Contribuinte comprovar o custo incorrido; não o fazendo, deve realmente ser glosado o valor declarado. Contudo, comprovada a existência do custo, tampouco pode a autoridade lançadora simplesmente desconsiderálo integralmente, "zerando" o custo de aquisição ante à falta do valor exato; deve, isso sim, buscar meios indiretos para apurálo. Registrase que o CTN atribui à autoridade lançadora a competência e o dever de arbitrar o valor do bem sempre que as declarações do Contribuinte forem omissas ou não merecerem fé: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não Fl. 158DF CARF MF 8 mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Não se trata de mera autorização, mas sim de determinação legal: a autoridade lançadora ARBITRARA o valor ou o preço. Exatamente pautandose nessa regra geral, a Lei n° 7.713/1988 estabeleceu que deve ser utilizado como custo de aquisição do bem percebese, portanto, que o tributo tem por base o preço do bem o seu preço ou valor pago, mas admite e já prevê as formas pelas quais a autoridade lançadora arbitrará o custo de aquisição caso não mereça fé ou não prove o que declara o Contribuinte: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1° O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2° O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3°No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4° O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Assim, caso não seja possível identificar exatamente o valor pago na aquisição do bem, então deve a autoridade lançadora buscar outras formas para apurar o custo de aquisição. Simplesmente desconsiderar qualquer custo, imputando o valor zero, é verdadeira ficção jurídica: é adotar como verdade algo que se sabe falso. Vai, enfim, em completo confronto com as Leis. Novamente, a Lei específica e não apenas a regra geral do art. 148 do CTN ou mesmo raciocínio lógico determina que, quando não puder apurar o valor exato, a autoridade fiscalizadora deve utilizar meios indiretos para apurar o custo de aquisição do bem. Ressaltase, outrossim, que a Lei prevalece sobre eventual regulamentação infralegal. Acontece que não há contradição; pelo contrário, a IN SRF n° 84/2001 apenas ratifica o comando do CTN e da Lei n° 7.713/1988: Valores computáveis como custo Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11060.003242/200741 Acórdão n.º 2202004.740 S2C2T2 Fl. 156 9 Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; o valor da contribuição de melhoria; g) os juros e demais acréscimos pagos para a aquisição do imóvel; h) o valor do laudêmiopago, etc.; II outros bens ou direitos: os dispêndios realizados com a conservação e reparos, a comissão ou a corretagem quando não transferido o ônus ao adquirente, os juros e demais acréscimos pagos, etc. Custo na ausência do valor pago Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; o valor corrente na data da aquisição; igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Percebese, portanto, que o art. 17 garante o direito de considerar no custo de aquisição certos valores, inclusive os dispêndios com a construção. Para tanto, deve discriminálos na DAA e apresentar documentação hábil e idônea quando instado a comproválos. Ressaltase, o direito é garantido ao Contribuinte. Conquanto estejam lançados na DAA, não cabe à autoridade lançadora escolher se considerará ou não os valores descritos nesse art. 17. Cabe, isso sim, exigir a comprovação hábil e idônea. O que acontece quando o Contribuinte não logra comprovar a existência do dispêndio? O valor deve ser desconsiderado. E quando o Contribuinte comprova a existência do dispêndio, mas não o seu Fl. 160DF CARF MF 10 quantum? Então aplicase o art. 18, ou seja, apuração por meios indiretos e, apenas quando for impossível, é que se lhe atribuirá o valor de zero. Frisase: o art. 18 não apenas está imediatamente posterior ao art. 17 como trata "do valor pago". Logo, não há que se discutir que se restringe apenas ao valor de aquisição em relação ao alienante do imóvel, mas também a qualquer montante que tenha sido incorrido em função da transmissão, da manutenção ou beneficiamento da coisa. Registrase que a alienação da propriedade pode ser tanto onerosa quanto gratuita; sendo gratuita, não há pagamento pelo adquirente ao alienante, mas ainda assim há outros pagamentos inerentes, como o referente ao imposto de transmissão (in casu, ITCMD). Portanto, não se pode restringir o art. 18 ao valor referente ao pagamento ao alienante, devendo abranger todos os pagamentos. No caso presente, há nos autos documentação hábil e idônea para comprovar a ocorrência dos dispêndios com construção, de forma que podem integrar o custo de aquisição do imóvel. A questão em dúvida não é se houve ou não a construção, mas apenas o quantum. Dessa forma, deve ser aplicada a regra do art. 18, apurando o custo por meios indiretos. Conforme a lista já citada acima, há inúmeros documentos nos autos e já apresentados durante a fiscalização que serviriam de base para a apuração indireta desse custo de aquisição. Ressaltase, especialmente, o valor considerado pela própria Receita Federal como custo da obra para a apuração das Contribuições Previdenciárias. Ora, o mesmo ente não pode admitir a existência de um custo da obra na ordem centenas de milhares de reais para fins de apuração de um tributo e zero para outro. Mormente quando considerar um valor alto aumenta a arrecadação daquele, e considerar um valor baixo aumenta a arrecadação deste. É clara hipótese de venire contra factum proprium. Para que não restem dúvidas, a própria Receita Federal é clara em admitir que a construção superveniente deve ser considerada na apuração do custo de aquisição do bem. Assim, por exemplo, a Solução de Consulta Interna COSIT n° 2, de 14/01/2014, cuja ementa já antecipa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL ADQUIRIDO POR FINANCIAMENTO BANCÁRIO. GANHO DE CAPITAL. CUSTO E DATA DE AQUISIÇÃO. Para fins de apuração do ganho de capital no âmbito da legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, diante da ocorrência de alienação (contrato de compra e venda) de bem imóvel que fora adquirido por intermédio de financiamento em instituição financeira (financiamento bancário), considerase: a) custo de aquisição aquele que corresponda ao total dos valores pagos, incluindo sinal (ou valor correspondente), os decorrentes das prestações efetuadas a cada anocalendário, à medida que tenham sido pagas, os juros e demais acréscimos pagos no respectivo financiamento, bem como as despesas permitidas pela legislação do imposto como integrantes daquele custo (tais como: construção, ampliação, reforma etc), até o momento da respectiva alienação. O que é mais, convém observar a IN SRF n° 599, de 28/12/2005, que determina o seguinte: Art. 3° Para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital por ocasião da alienação, a qualquer título, de bens imóveis realizada por pessoa física residente no País, serão aplicados fatores de redução do ganho de capital apurado. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11060.003242/200741 Acórdão n.º 2202004.740 S2C2T2 Fl. 157 11 § 1° A base de cálculo do imposto corresponderá à multiplicação do ganho de capital pelos fatores de redução, que serão determinados pelas seguintes fórmulas: (...) § 4° Na alienação em conjunto de imóvel constituído de partes adquiridas em datas diferentes, a redução aplicase à parcela do ganho de capital que corresponder a cada parte, observandose que: 1 a redução correspondente a cada parte é determinada em função da data de sua aquisição e aplicada sobre a parcela do ganho de capital a ela correspondente; II a parcela do ganho de capital correspondente a cada parte é determinada aplicandose sobre o total do ganho de capital o percentual resultante da relação entre o custo da parte objeto da redução e o custo total do imóvel, ou entre a área da parte objeto da redução e a área total do imóvel. § 5° O disposto no § 4° aplicase à construção, ampliação ou reforma, ressalvado o disposto no § 6°. § 6° Na alienação de imóvel constituído por terreno adquirido até 31 de dezembro de 1995 e de edificação, ampliação ou reforma iniciada até essa data, ainda que concluída em ano posterior, informada na Declaração de Ajuste Anual, os fatores de redução de que trata o caput são determinados em função do ano de aquisição do terreno e aplicado sobre todo o ganho de capital. Tanto a SCI COSIT n° 2/2014 quanto a IN SRF n° 599/2005 consideram a construção como um dos custos que deve ser considerado na apuração do custo de aquisição do bem, custo esse equiparável à aquisição de imóvel por partes. Tanto assim, inclusive, que esclarecem que o custo da construção deve ser considerado em data própria tal qual a data de aquisição de uma parcela nova do imóvel para fins de aplicação dos fatores de redução e apuração final do ganho de capital. Correto o raciocínio: uma vez que a construção não se perfaz no mesmo instante em que ocorre a aquisição do terreno, então não podem ser utilizados os mesmos índices de redução. Ainda assim, a construção acresce ao patrimônio, aumentando o valor do imóvel, assim como acresce ao patrimônio a aquisição de nova parcela do mesmo imóvel. Efetivamente, não poderia ser diferente. O bem compõe o patrimônio enquanto valor. Enquanto se observa o patrimônio, os bens que o compõe são fungíveis, tendo relevância apenas o seu valor. Tanto assim que, na própria Ficha "Declaração de Bens e Direitos" da DIRPF, os bens são individualizados mas, ao final, é indicado o valor total dos bens. Inclusive, é esse valor final total que é apropriado na Ficha "Resumo", ao final da DIRPF. Ao ser incorporado ao patrimônio, o bem entra com determinado valor. Por certo, ao receber benfeitorias no presente caso, construções , elas certamente aumentam o seu valor e seu custo de aquisição. Em suma, na DAA a Contribuinte registrou um custo total de aquisição de R$ 150.000,00, já incluindo o valor do terreno e das benfeitorias. Por outro lado, a autoridade lançadora apurou, diante da conversão do valor pago na aquisição do terreno, um custo de aquisição de R$ 19.690,82. Sobram R$ 130.309,18 que se refeririam ao custo das benfeitorias. Fl. 162DF CARF MF 12 Considerando que o custo somado das obras apurado e aceito pelo INSS para fins de apuração das Contribuições Sociais Previdenciárias foi no valor de R$ 189.325,66, não pode a própria União, para fins de apuração do IRPF, entender como não provada a ocorrência da construção e muito menos do valor nela despendido. Nesse caminho, entendo que restou provado o custo das benfeitorias no montante de R$ 130.309,18, valor esse declarado pela Contribuinte (novamente, valor declarado a título de benfeitoria por exclusão do valor da aquisição do terreno). Diferente seria se a Contribuinte tivesse declarado valor superior àquele apurado pelo INSS, quando então ainda haveria dúvida quanto à diferença a maior. Da cumulação de multas Argumenta a Contribuinte ainda pela incorreção da aplicação cumulada da multa de ofício com a multa isolada referente ao "carnêleão". A verdade é que não há objeto em litígio: no presente lançamento foi aplicada tão somente a multa de ofício. Ao que parece, simplesmente aproveitouse o Recurso Voluntário apresentado em relação ao lançamento do cônjuge. Ali sim, pelo que se identificou do acórdão CARF n° 2801002.410, de 15/05/2012, disponível no site do CARF, foi lançada tal multa. Seja como for, ante a inexistência da multa isolada, não há matéria a ser julgada em relação a esse pedido. Da taxa Selic Insurgese também a Contribuinte contra a aplicação da taxa Selic para fins de atualização e juros do lançamento. Não assiste razão ao pleito do Recorrente. Em que pese a argumentação levantada pela Contribuinte, o CARF já tem posição consolidada no sentido de que deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício. Esse entendimento é extraído das súmulas do CARF: "Súmula CARF n° 04: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." A Súmula é de aplicação obrigatória pelo Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do custo de aquisição do imóvel, retornandoo ao valor informado na DAA de R$ 150.000,00. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11060.003242/200741 Acórdão n.º 2202004.740 S2C2T2 Fl. 158 13 Rosy Adriane da Silva Dias. Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator designado Peço vênia para divergir do voto do ilustre Conselheiro Relator, ocorre que entendo, tal qual a Fiscalização, não há nos autos prova do valor incorrido na construção para fins de cálculo de alteração do valor do custo de aquisição do imóvel, pois somente com a demonstração inequívoca das despesas incorridas na construção é que se poderia apropriálas no custo de aquisição para a apuração do ganho de capital. Deste modo, entendo que não há base legal que sustente o raciocínio do ilustre Relator, que considerou que em um imóvel de R$ 19.690,82 teriam ocorrido benfeitorias no valor de R$ 130.309,18, sem que fosse apresentada comprovação alguma destas benfeitorias, comprovação esta que deve ser feita contabilmente, com comprovantes de custos (com notas fiscais e recibos). Importa referir que é ônus exclusivo da contribuinte comprovar o que alega. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000698/2003-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999
GANHO DE CAPITAL. CLÁUSULA PRO SOLUTO. PAGAMENTO.
Se a alienação do imóvel ocorreu mediante emissão de nota promissória com a cláusula pro soluto, a operação deve ser considerada à vista, sendo que o pagamento se deu com a simples emissão do título de crédito e eventual inadimplência do devedor não teria o condão de extinguir o fato jurídico tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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CLÁUSULA PRO SOLUTO. PAGAMENTO. Se a alienação do imóvel ocorreu mediante emissão de nota promissória com a cláusula “pro soluto”, a operação deve ser considerada à vista, sendo que o pagamento se deu com a simples emissão do título de crédito e eventual inadimplência do devedor não teria o condão de extinguir o fato jurídico tributário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 06 98 /2 00 3- 59 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13893.000698/200359 Acórdão n.º 2202004.744 S2C2T2 Fl. 169 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13893000698/200359, em face do acórdão nº 1733.976, julgado pela 7ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SPOII), em sessão realizada em 07 de agosto de 2009, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, apurouse o crédito tributário na importância correspondente a R$ 66.137,71 (sessenta e seis mil, cento e trinta sete reais e setenta e um centavos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, anocalendário 1997 e 1998, sendo R$ 25.868,62 referentes ao imposto, R$ 19.401,46 referentes à multa proporcional e R$ 20.867,63 referentes aos juros, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 101 a 103, conforme fundamento legal constante em fl. 102. 2. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Constatação Fiscal (fls. 96 e 97) e nos dá conta dos seguintes aspectos: 2.1. que o contribuinte alienou o imóvel constante da escritura de compra e venda, fls. 78 a 91, à prazo, com recebimentos de R$ 50.000,00 em 22/12/2997 e R$ 525.000,00, em 30/12/1998. Tendo inforrnado à Receita apenas um ganho de capital de R$21.030,00, referente a R$ 50.000,00 recebidos em 12/1998 (fls. 5), o contribuinte omitiu um ganho de capital de R$ 155.632,50; 2.1. considerando o ganho de capital de R$ 21.030,00 declarado em 1998, com o recolhimento d0 imp0St0 devido, O mesmo sera deduzido do valor apurado, restando omitido em 1998 um ganho de capital de R$ 155.632,50; 2.2. esclarece a fiscalização que, o valor, a natureza da operação e as datas de recebimento foram obtidos da escritura de venda e compra às fls. 78 a 91; a data de aquisição foi obtida do instrumento particular de compromisso de venda e compra às fls. 67 a 73 e da declaração de Ajuste Anual do exercício de 1995 item 003 (fls. 93 v°); o custo de aquisição foi obtido do valor constante em sua DIRPF/1995, transformado em R$ e atualizado até 1995, resultando no seguinte: 401.969,65 X 0,0707 X 1,2246 = 333.106,94 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13893.000698/200359 Acórdão n.º 2202004.744 S2C2T2 Fl. 170 3 Mês do Recebimento Ganho de Capital Imposto (15%) 12/97 16.825,00 2.523,75 12/98 155.632,50 23.344,87 3. O Auto de Infração foi lavrado em 22/05/2003, tomando o autuado ciência em 04/06/2003, fl. 101, ingressou com a impugnação (fls. 106 e 107), em 04/07/2003, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação, alegando, em resumo, o seguinte: 3.1. consta da escritura a emissão pelo comprador de uma Nota Promissória no va1or de R$ 525.000,00 com vencimento para 31/12/1998, com a cláusula pro soluto que criou a obrigação autônoma para saldar ou extinguir sua dívida; 3.2. ocorre que, na data prevista, não pode ser saldada a dívida, ficando pactuado entre as partes, um recebimento parcelado, conforme as possibilidades do compradores, o que veio a ocorrer nas seguintes datas: em abril/2000 recebido R$ 250.000,00 em dez./2001 recebido R$ 60.000,00 em dez./2002 recebido R$ 215.000,00 totalizando o valor efetivamente recebido nas datas acima, de R$ 525.000,00; 3.3. os recolhimentos foram todos efetivados em 30/04/2003, quando lembrados por ocasião da feitura da DIRPF/2003, então declarados no demonstrativo da Apuração de Ganhos de Capital (doc. 11), e pagos com todos os acréscimos legais, pois não haviam sido recolhidos nas datas certas. 3.4. o interessado anexa os seguintes documentos a fim de comprovar seus argumentos: declaração do comprador e cópia de seus extratos bancários em 31/12/1998 provando que não recebera valor algum nesse período; 3.5. por fim, diz que, não pode urna previsão ou promessa de pagamento, ainda mais constando de escritura Pública, servir de base para que seja lavrado Auto de Infração, por suposta omissão de ganho de Capital, de vez que o contribuinte cmnpriu com todas exigências detenninadas no Regulamento do Imposto de Renda, declarando seus recebimentos nas datas exatas em suas DIRPF, nos anos respectivos.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento, mantendo integralmente o débito tributário. Inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 138/164, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13893.000698/200359 Acórdão n.º 2202004.744 S2C2T2 Fl. 171 4 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Trata o presente de apuração de Ganho de Capital obtido na alienação de um imóvel, com 445.317 metros quadrados, na Fazenda Bananal, Bairro Cumbica, no Município de Guarulhos, documentos de fls. 79 a 88, sendo que o preço total ajustado foi de R$ 575.000,00, recebido pelos outorgados vendedores da seguinte forma: R$ 50.000,00 em 22/12/1997 e R$ 525.000,00 através de uma única via de Nota Promissória de emissão do comprador a favor do vendedor varão e do seu aceite, com vencimento para o dia 30/12/1998, recebida em caráter de pagamento, com a cláusula “pro soluto”. O contribuinte argumenta que, na data prevista, a dívida não pode ser saldada, ficando pactuado entre as partes, um recebimento parcelado, conforme as possibilidades do comprador, o que veio a ocorrer nas seguintes datas: Abril/2000 recebido R$ 250.000,00 Dez./2001 recebido R$ 60.000,00 Dez./2002 recebido R$ 215.000,00 O ora recorrente trouxe aos autos, quando do protocolo de sua impugnação, documentos a fim de comprovar seus argumentos, seriam eles os seguintes: declaração do comprador; cópia de seus extratos bancários em 31/12/1998 com o objetivo de provar que não recebera valor algum nesse período, e diz que não pode uma previsão ou promessa de pagamento servir de base para que seja lavrado Auto de Infração, por suposta omissão de Ganho de Capital, de vez que o contribuinte cumpriu com todas exigências determinadas no Regulamento do Imposto de Renda, declarando seus recebimentos nas datas exatas em suas DIRPF, nos anos respectivos. Da análise dos elementos que constam do processo, verificase que o litígio se estabeleceu quanto a parcela de R$ 525.000,00, paga em dezembro/ 1998, segundo escritura, e conforme consta do Auto de Infração, sendo que o contribuinte defende que a forma de pagamento foi outra: em abril/2000, Dezembro/2001 e Dezembro/2002. Temse que essa segunda parcela foi paga mediante Nota Promissória, de emissão do comprador a favor do vendedor varão e do seu aceite, com vencimento para o dia 30/12/1998, recebida em caráter de pagamento, com a cláusula “pro soluto”. No presente caso, percebese que, a nota promissória é emitida, via de regra, com natureza pro solvendo, ou seja, quando é recebida em caráter condicional, sendo puramente representativa ou enunciativa da dívida, não operando novação alguma, só valendo como pagamento quando efetivamente resgatada para pagamento. Por tal motivo, a sua emissão não implica em novação quanto à relação causal de modo que a obrigação consubstanciada no negócio jurídico não se extingue com a emissão e entrega do título ao credor. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13893.000698/200359 Acórdão n.º 2202004.744 S2C2T2 Fl. 172 5 Na hipótese da nota promissória ser emitida com natureza pró soluto, o credor não poderá acionar o devedor para rescindir o negócio jurídico por descumprimento da obrigação de pagar o preço, só poderá acionálo para cobrar a soma cambiária. Isso porque a obrigação se extinguiu no momento da emissão e entrega do título ao credor, ainda que não vencido. No caso concreto, o recebimento do valor de R$ 525.000,00, relativo a venda do imóvel, caracterizase com o recebimento da Nota Promissória de emissão do comprador, com vencimento para o dia 30/12/1998, recebida com o cunho de efetivo pagamento, decorrente da cláusula “pro soluto” atribuída na escritura. Temse que o pagamento se deu com a simples emissão do título de crédito, sendo que, eventual inadimplência do devedor não teria o condão de extinguir o fato jurídico tributário. A inserção da cláusula “pro soluto” é determinante para caracterizar a efetividade do pagamento, conforme visto, não cabendo os argumentos do contribuinte de que houve uma renegociação em relação à forma de pagamento do imóvel alienado. Quanto ao argumento do recorrente de que efetuou todos recolhimentos em 30/04/2003, justificando que foram lembrados por ocasião da feitura da DIRPF/2003, e declarados no demonstrativo da Apuração de Ganhos de Capital (doc. ll), temse que, nos termos do parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse passo, verificase que o procedimento de fiscalização iniciou em 25/03/2003, quando se deu a ciência ao contribuinte do início do procedimento fiscal, fls. 65 e 66, logo, qualquer ato praticado pelo contribuinte em data posterior ao início do procedimento fiscal, relacionado com os elementos de investigação fiscal, nenhum reflexo traz ao resultado do procedimento de fiscalização. Dessa forma, o recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital em causa, feito em 30/04/2003, mediante a declaração do ganho de capital por ocasião da entrega da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003 DIRPF/2003, nenhum efeito traz à presente exigência fiscal. Quantos aos documentos anexados pelo recorrente, temse que a declaração do comprador firmando ter pago os valores nas datas mencionadas pelo contribuinte, nenhuma força probatória tem, principalmente por que desacompanhada das provas de eventual efetivo pagamento dos valores nas datas apontadas, por exemplo, através de cópias dos cheques. Quanto a cópia do extrato bancário do contribuinte, de 31/12/1998, com o objetivo de provar que não recebera valor algum nesse período, também não se encontra revestido de força probatória uma vez que a prova a ser feita seria em relação às datas e valores de recebimento que o recorrente afirma serem os corretos (abril/2000, dez/2001 e dez/2002), no que tangem à alienação do imóvel, e não o contrário. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13893.000698/200359 Acórdão n.º 2202004.744 S2C2T2 Fl. 173 6 Fl. 173DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.955152/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 51 52 /2 00 8- 01 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade em face do despacho decisório que não homologou a compensação declarada, diante da inexistência de crédito, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Não é possível compensar estimativa por meio de PER/DCOMP entre 29/10/2004 e 31/12/2008, nos termos da legislação tributária." Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Tratase de Despacho Decisório [...] que não reconheceu o direito creditório, cujo valor inicial original seria de R$ 34.163,29, pleiteado por meio de PER/DCOMP [...]. O crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2484 (CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL) por meio do DARF do período de apuração de 31/03/2003, com data de arrecadação de 19/12/2003, no valor total de R$ 34.163,29(incluindo multa de mora e juros de mora), pois o valor do DARF discriminado no PER/DCOMP em tela já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e portanto, não homologou a compensação com débito no valor total original de R$ 26.206,12(mais multa de mora e juros de mora) declarado no mesmo PER/DCOMP[...]. A manifestação de inconformidade [...] foi apresentada pelos procuradores [...] acompanhada de cópias de Despacho Decisório, DARF, DCTF e DIPJ [...]. Alega que errou no preenchimento do PER/DCOMP classificando o tipo de crédito como "Pagamento Indevido ou a Maior" quando o correto seria "Saldo Negativo de CSLL". É o relatório." Inconformada com o Acórdão da DRJ/SP1, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito para a reforma da decisão da Instância a quo: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 4 3 (A) Quanto à possibilidade de retificação após o despacho decisório de estimativa mediante PER/DCOMP. Violação ao princípio da legalidade. · A Instrução Normativa SRF nº 900/2008 está impondo requisito que extrapola as exigências legais relativas ao procedimento de compensação de créditos, o que configura manifesta violação ao principio da legalidade. (B) Violação ao princípio da verdade material · A Recorrente realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. · É imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. (C) Ofensa aos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade · o v. acórdão ora recorrido ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo, portanto, ser reformado. Como destacado, todas as retificações necessárias foram realizadas pela Recorrente e demonstram que o crédito existente é suficiente para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Foge à razoabilidade a não extinção de débito mediante compensação de estimativa sob o simples argumento de que o procedimento não seria o correto, muito embora a existência de crédito seja manifesta. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.362, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.930429/2009 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.362): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 6 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 7 6 a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 8 7 das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 9 8 Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 10 9 final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 11 10 bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADNSRF n° 3, de 2000; INRFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Porém, apenas em tese assiste razão ao recorrente em suas alegações, haja vista que teve seu pedido de restituição indeferido, pois, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. No acórdão de 1ª Instância, concluise que as estimativas recolhidas de março e de abril devem ter sido apuradas em conformidade com as leis comerciais e fiscais. Na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal, se houvesse o devido permissivo legal. A Recorrente alega que realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, argumenta que não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. O Recorrente argumenta que é imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. Não assiste razão ao Recorrente em suas alegações, pois a mera retificação de DIPJ e DCTF não confirmam o crédito alegado, que já foi objeto de procedimento fiscal. No presente voto, adotase o mesmo entendimento do acórdão recorrido, ou seja, na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal. A comprovação do crédito, através da demonstração de erro no balancete de suspensão/redução é condição Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.955152/200801 Acórdão n.º 1402003.395 S1C4T2 Fl. 12 11 imprescindível para a homologação do Per/Dcomp, não se caracterizando como "formalidade processuais extravagante". Portanto não deve prosperar a alegação de ofensa ao princípio da verdade material. Da mesma forma devem ser afastada a alegação de ofensa ao princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois as retificações de declarações não são suficientes para demonstrar a existência do crédito para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 13931.000952/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 95 2/ 20 08 -2 0 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13931.000952/200820 Resolução nº 3301000.725 S3C3T1 Fl. 394 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13931.000952/200820 Resolução nº 3301000.725 S3C3T1 Fl. 395 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 395DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.900964/2008-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito informado na respectiva declaração é inexistente.
ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Aplicação da Súmula CARF nº 84.
DECADÊNCIA. INTERRUPÇÃO. NORMA DE ORDEM PÚBLICA.
Os prazos de decadência são de ordem pública e só podem ser alterados por lei, não sendo dado nem ao contribuinte, nem à autoridade administrativa poderes para dilatar ou reduzir o prazo.
Numero da decisão: 1001-000.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito informado na respectiva declaração é inexistente. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Aplicação da Súmula CARF nº 84. DECADÊNCIA. INTERRUPÇÃO. NORMA DE ORDEM PÚBLICA. Os prazos de decadência são de ordem pública e só podem ser alterados por lei, não sendo dado nem ao contribuinte, nem à autoridade administrativa poderes para dilatar ou reduzir o prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 09 64 /2 00 8- 78 Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 511 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 470/498) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 0421.067, de 09/07/2010, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (efls. 453/462), objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Beraldi Transportes Ltda., acima qualificada, apresentou o PER/DCOMP (07/02/2004) n. 20288.93677.070204.1.3.047900, (cópia às f. 36 a 41) pelo qual pretendeu a compensação de débitos de estimativa do IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2003. Consignou como crédito “pagamento indevido ou a maior IRPJ” no valor de R$ 5.887,98 (do PA de setembro/2003, recolhido em 30/09/2003). Os dados informados relativamente ao Darf foram: a) período de apuração: 30/09/2003; b) código de receita: 5993; c) data de vencimento: 30/09/2003; d) valor do principal e valor total do Darf: R$ 5.887,98 e e) data de arrecadação: 30/09/2003. Foi emitido o Termo de Intimação (cópia à f. 44) 09/06/2008 para que fosse apresentado o Darf respectivo, em face de ele não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal. A compensação não foi homologada, conforme Despacho Decisório DRF/CBA número de rastreamento 759941590 (f. 01 09/05/2008). O fundamento foi que o Darf de pagamento relativo ao crédito indicado na DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A ciência quanto ao referido despacho decisório ocorreu em 20 de maio de 2008 (histórico à f. 04). Em 19 de junho de 2008 foi protocolada a petição e as razões da manifestação de inconformidade (f. 05 a 18 anexos as f. 19 a 393), firmada por procurador (instrumento de mandato e cópia dos documentos pessoais do procurador às f. 20 e 21), denominada de recurso. Após relato dos fatos, é aduzido, em apertada síntese, que: a) os créditos são existentes, conforme demonstrativos; Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 512 3 b) foram feitos pagamentos por estimativa, apurandose saldo negativo de Imposto de Renda nos exercícios 2001 a 2003; c) no máximo, pode ter ocorrido mero erro de fato, passível de alteração, pois os créditos efetivamente existem, como provado. Ao final, é requerido: a) o reconhecimento do crédito e a homologação da DCOMP apresentada ou b) seja considerada a DCOMP retificadora apresentada, determinandose nova analise; Se não julgado procedente nenhum desses pedidos, que seja possibilitado à contribuinte a utilização dos saldos negativos em compensações futuras, ficando suspensa a prescrição do crédito tributário. Em 13 de março de 2009 foi protocolado o documento de f. 399 a 412, sendo argumentado que existem decisões proferidas em casos análogos em favor de outras empresas do mesmo grupo econômico, sendo invocados o art. 100 do Código Tributário Nacional e os princípios da isonomia e da verdade material. Foi colacionada vasta jurisprudência administrativa, bem como anexadas cópias dos despachos decisórios proferidos em face de Todimo Materiais para Construção Ltda. (f. 413 a 433). Importante acrescentar que a DIPJ 2004 (efl. 59) informa que a apuração do IRPJ e da CSLL seu deu de forma ANUAL. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada e ciente da decisão de primeira instância, em 02/09/2010, conforme Aviso de Recebimento à efl. 464, a recorrente apresentou recurso voluntário em 27/09/2010, conforme carimbo aposto à e fl. 470. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, ou seja, que "ocorrera 'apenas' um erro formal quando do preenchimento da PER/DCOMP, tanto quanto, das DCTF"; que apurou o resultado com base lucro real e, tendo verificado que recolheu à maior o imposto por estimativa, alega o direito à restituição ou compensação; alega que deve prevalecer os princípios da verdade material e da isonomia; que tentou retificar a Dcomp para a informação de “SALDO NEGATIVO / IR / CONTRIBUIÇÃO SOCIAL", mas a autoridade sequer a examinou; transcreve julgados do Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 513 4 Carf favoráveis ao seu pleito, e que lhe seja assegurado prazo de cinco anos, contados da decisão final, para utilização do crédito. Requereu ainda a sustentação oral. No recurso, a recorrente apresenta planilhas com os resultados apurados e discorre sobre a apuração dos resultados em anos anteriores, bem como transcreve a legislação que rege o tema. Por fim, a recorrente alegou que "Também é inconteste que um mero erro no preenchimento não poderá impedir o direito da Recorrente em compensar referidos créditos oriundos de saldos negativos". Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever excertos a seguir voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: (grifos constam do original) A representação é regular. Há tempestividade. Entretanto, conhecese parcialmente da manifestação de inconformidade. Dispõe o artigo 212 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n. 125, de 4 de março de 2009: Art. 212. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituigão, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e à redução de alíquotas de tributos e contribuições. (Grífouse). Pelo quanto delineado nos dispositivos acima transcritos, vêse que a competência das DRJ é limitada. Neste processo, o que está em discussão é a compensação declarada por meio da DCOMP indicada no primeiro parágrafo do relatório. E, ainda, quando a portaria se refere a manifestação de inconformidade contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição e compensação, restringe o julgamento ao fato de haver ou não o crédito pleiteado e se esse crédito é passível de compensação, conforme indicação efetuada pelo contribuinte na DCOMP. Ou seja, o litígio pode versar somente sobre a decisão anterior do delegado ou inspetor, no que tange à homologação da compensação declarada. Questão periférica como a prescrição intercorrente quanto aos créditos não está entre aquelas sobre as quais a DRJ pode se manifestar, por faltarlhe competência. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 514 5 Esse o motivo para que não sejam conhecidas as razões e argumentos relativamente à prescrição intercorrente dos créditos. Quanto a esse último assunto (prescrição dos créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ), salientase que não houve, em nenhum momento, manifestação sobre ele por parte de qualquer autoridade da Receita Federal, não havendo, portanto, litígio instaurado. 2 Mérito. Do direito à compensação e dos créditos compensáveis. O Código Tributário Nacional indicou a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, inc. II), condicionando, entretanto, sua viabilização por meio de lei ordinária, nos termos do artigo 170 do citado código, o qual dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (Grifouse) Essas garantias e condições só vieram a ser estabelecidas com a edição da Lei n. 8.383/1991, que, em seu art. 66, possibilitou ao contribuinte efetuar, por sua iniciativa, nos casos de tributos lançados por homologação, a compensação dos pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, com outros da mesma espécie e destinação constitucional. Dispunha o referido dispositivo: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.199) § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei n° 9. 069, de 29.6. 199) § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Parágrafo incluído pela Lei n° 9.069, de 29.6.199) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) Posteriormente, os artigos 73 e 74 da Lei n. 9.430/1996, adiante transcritos, estenderam a compensação nos termos ali estipulados. Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7° do Decretolei n° 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: 1 o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 515 6 II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. No ano de 2002, houve nova modificação do art. 74, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.63 7, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, gelo sujeito passivo. de declaração na qual constarão informações relativas nos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifouse). E antes mesmo de a Lei nº. 11.051/2004 incluir o § 14 ao art. 74 supratranscrito, existia o § 12, incluído pela Lei nº. 10.833/2003, com redação similar. Assim, vêse que a compensação, para ser efetivada, dependia ou de requerimento ou, após a Lei n. 10.637/2002, de declaração, apresentados pelo contribuinte, e ainda da observância de condições e disciplinamento determinados em lei e mesmo em atos infralegais editados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Feito esse intróito, fazse necessário seja delimitado, no que tange ao mérito da questão, o que pode ser analisado e decidido nesta instância administrativa. A interessada traz na manifestação de inconformidade vários demonstrativos com os quais pretende comprovar a existência dos créditos, alegando ter havido, no máximo, mero erro de fato no preenchimento da DCOMP. Entretanto, a análise nesse julgamento de primeira instância administrativa restringese ao quanto declarado. Na hipótese de erro de fato, para que a Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 516 7 DRF/Cuiabá pudesse se manifestar inicialmente e, depois, esta DRJ/CGE, havia a necessidade de a interessada apresentar a DCOMP retificadora. Ocorre que a declaração de compensação retificadora datada de 26 de setembro de 2006, cuja cópia foi acostada à f. 43, não pode ser tomada como válida e eficaz,; por vários motivos. A IN SRF n. 600/2005 (e anteriormente a IN SRF n. 460/2004) assim dispunha: Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. […] Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 517 8 Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRF Classe Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. A DCOMP originária foi apresentada de forma eletrônica e a referida retificadora em formulário (papel). Conforme dispunha a legislação (art. 56 supra), apresentada a DCOMP eletrônica, a retificação só poderá ser efetuada por meio de DCOMP retificadora eletrônica. Demais disso, o documento citado (retificadora) não traz nenhuma chancela de recebimento por alguma repartição fazendária federal. Assim, tem se como apresentado junto com a impugnação, incidindo no caso os artigos 57 e 73 acima transcritos que vedam a retificação depois da manifestação do delegado ou inspetor da Receita Federal competente para decidir sobre a compensação. Não fosse isso o bastante, a retificação não poderia ocorrer porque não incidiu a contribuinte em erro de fato (material), mas de direito. Essa questão será mais bem abordada após a análise do mérito quanto à compensação declarada porque dela dependente. Muito embora toda a argumentação e demonstrativos trazidos pela interessada na impugnação, verificase que as compensações se referem a pagamentos por estimativa: tanto o crédito quanto os débitos. Para tal conclusão, basta somarse os débitos que se pretende compensar. O resultado será exatamente igual ao crédito pleiteado. Além do mais, não há um pagamento indevido no exato valor declarado. Só por isso se vê que a DCOMP não é regular. (...) No que tange à possibilidade de retificação da DCOMP originariamente transmitida, por fim, cabe fazerse a distinção entre erro material (de fato) e erro de direito. ERRO DE DIREITO: Referese ao fato de alguém se enganar a respeito da existência da regra jurídica, própria ao ato praticado, ou interpretála equivocadamente para aplicála falsamente ao ato a ser executado. O erro de direito não tem escusa, quer dizer, não pode ser alegado, seja para validar ou invalidar o ato. E daí se afirmar o princípio de que nemo jus ignorare censetur (A ninguém escusa a ignorância erro de direito). ERRO MATERIAL: a termo material é derivado do latim materialis, usado para exprimir toda coisa que tem corpo, é corpórea. Revela, assim, existência real das coisas que se vêem, se apalpam, se tocam, porque se constituem de substância tangível. (extraído do Vocabulário Jurídico de Plácido e Silva) Pelo que consta no PER/Dcomp, não há como se inferir que a intenção da contribuinte fosse compensar créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ. Tanto a qualificação do crédito quanto a quantificação deste não permite essa Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 518 9 conclusão. Pelo contrário. Como visto acima, só se vislumbra o intento de compensação de pagamentos de estimativas com débitos de estimativas. Assim, dos fatos expostos e dos conceitos supra concluise que, ao apresentar DCOMP cujos créditos não têm previsão legal, a interessada incorreu em erro de direito e não material. Dessa forma, não há que se cogitar de que seja possível retificar a DCOMP. Ainda, frisando a necessidade de a DCOMP referirse corretamente aos débitos e aos créditos, temse que a Receita Federal não pode, de ofício, alterar a declaração, mesmo que a interessada possua outros créditos ou débitos. A análise da DCOMP cingese ao quanto informado pela interessada. Por fim, no que se refere ao documento protocolado em 13 de março de 2009 (f. 399 a 412), as decisões a ele anexadas não se referem a casos análogos aos deste processo. Nos Despachos Decisórios n. 1.124 e n. 1.125 (cópias às f. 415 a 418 e 429 a 433), está claro que, muito embora nos PER/Dcomp tenha sido consignado como crédito “pagamento indevido ou a maior que o devido”, o valor indicado correspondia exatamente ao do saldo negativo, tendo sido aceitas as declarações retificadoras pela DRF/Cuiabá. No Despacho Decisório n. 1.130 (cópia às f. 421 a 425), desde o início estava consignado no PER/Dcomp apresentado que o crédito era relativo a saldo negativo. Nenhum reparo merece. portanto, o despacho decisório da DRF/Cuiabá. 3 Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de conhecer em parte da impugnação para considerála improcedente. Apesar do excelente voto exarado pela DRJ em Campo Grande/MS, temse que entre os vários motivos que levaram ao não provimento da manifestação de inconformidade, com os quais concordei, apenas um ponto tenho a acrescentar: que eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 519 10 In casu, não cabe a aplicação da Súmula, pois verificase que a interessada, como ela bem informa, apurou o suposto crédito após a elaboração do balancete, mas externar aqui esta posição tenho como relevante e oportuno. Considerando, ainda, que a forma de apuração do lucro se deu de forma anual, não encontra espeque a afirmação de que apurou saldo negativo em setembro. Quanto ao pedido de sustentação oral de suas razões de defesa, a recorrente deverá seguir o § 2º, do art. 61A, do RICARF Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que dispõe da forma e do momento oportuno para tal, verbis: § 2º (...) eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, (...). (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Outrossim, não há previsão regimental para a intimação do recorrente da data e hora da realização da reunião de julgamento. As pautas de julgamento de processos que serão analisados, são publicadas no sitio do CARF e no DOU, para conhecimento da sociedade. No tocante à pretensão de interromper o prazo de decadência, é necessário lembrar que as disposições que cuidam dessa matéria são de ordem pública, sujeitas ao princípio da legalidade estrita, não podendo ser alteradas nem pelo contribuinte, nem pela autoridade administrativa. Por fim, quanto à alegação de que a autoridade administrativa não analisou a "pretendida retificação" da Dcomp, e de que "caberia a ele, obrigatoriamente, analisar", esta suposta necessidade de se refutar todos os argumentos de defesa, nem mesmo o § 1º do art. 489 do CPC/2015 agasalha tal entendimento. Tal exegese foi confirmada por unanimidade por todos os Ministros da Primeira Seção do STJ no julgamento dos Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315DF, cuja parte de interesse da ementa reproduzse a seguir: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10183.900964/200878 Acórdão n.º 1001000.813 S1C0T1 Fl. 520 11 [...]4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. No presente caso, as razões esposadas pela recorrente, em nada acrescentam à lide no sentido de comprovar que assiste razão à demandante, na verdade tratase de mero inconformismo devido ao não reconhecimento do crédito, não havendo qualquer outra omissão a ser sanada em relação aos fundamentos da decisão a quo, além das questões enfrentadas no presente. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 520DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.900252/2008-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 25/08/2004
VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE SANEAMENTO APÓS INTIMAÇÃO REGULAR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL DESATENDIDO. NÃO CONHECIMENTO.
A comprovação da falta de poderes da signatária da Manifestação de Inconformidade para representação da sociedade e a inércia de seu administrador ao saneamento da irregularidade, mesmo depois de regularmente intimado, caracteriza vício de representação processual e inviabiliza o conhecimento do Recurso Voluntário por desatendimento de requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 1002-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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FALTA DE SANEAMENTO APÓS INTIMAÇÃO REGULAR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL DESATENDIDO. NÃO CONHECIMENTO. A comprovação da falta de poderes da signatária da Manifestação de Inconformidade para representação da sociedade e a inércia de seu administrador ao saneamento da irregularidade, mesmo depois de regularmente intimado, caracteriza vício de representação processual e inviabiliza o conhecimento do Recurso Voluntário por desatendimento de requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 02 52 /2 00 8- 61 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10530.900252/200861 Acórdão n.º 1002000.424 S1C0T2 Fl. 43 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SDR: A interessada transmitiu em 25/08/2004 PER/DCOMP eletrônico visando compensar DARF recolhido pela sistemática do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples relativo a novembro de 2002, no valor de R$ 780,45, com débitos nela declarados. A DRF/Feira de Santana emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de outro débito, não restando crédito disponível para a compensação. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando que, nos. termos do Ato Declaratório Executivo ADE n° 29/2003, foi excluída do Simples, e assim refez a apuração do imposto de renda pelo lucro presumido, compensando os débitos por meio do PER/DCOMP ora em análise, tendo transmitido a DIPJ/2003 para corrigir a situação. Intimada a regularizar pendência quanto à representação da empresa, a contribuinte não se manifestou a respeito. A Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/SDR, conforme acórdão n. 1523.045 (efl. 28), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/08/2004 FALTA DE PODERES. REPRESENTAÇÃO. A falta de comprovação de que o signatário da peça de defesa possui poderes para representar a empresa implica em não conhecer da manifestação de inconformidade. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 32), no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (grifos do original). Preliminar Como preliminar, o Recorrente informa que o Acórdão de Manifestação de Inconformidade relata que "a contribuinte fora devidamente intimada por via postal para Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10530.900252/200861 Acórdão n.º 1002000.424 S1C0T2 Fl. 44 3 regularização da pendência, acerca da representação da empresa no Manifesto de Inconformidade, que fora assinada pela sócia Weruska Silva do Rosário, e que a contribuinte não se manifestou a respeito". Ressalta que "a contribuinte jamais recebeu comunicado por via postal da Receita Federal do Brasil citando a interessada para fins de saneamento das falhas formais que atingiram o Manifesto de Inconformidade, fato que se evidenciado seria de pronto atendido, uma vez que é de notório interesse da contribuinte". Informa ainda que "Weruska Silva do Rosário, além de sócia figura como Preposto da Empresa perante a Receita Federal do Brasil desde o seu ingresso no quadro societário". Sustenta que "não foi dado ao contribuinte, referente à Manifestação de Inconformidade, meios de conhecer a necessidade de apresentar as suas justificativas e de sanear as falhar meramente formais do Processo por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário". Aduz que "Caso tenha ocorrido intimação postal, houve falha nessa intimação, em razão da correspondência ter sido remetida para endereço incorreto, ou não ter sido servido pelos Correios e devolvida sem a cientificação do destinatário". Reitera que "a contribuinte não tomou ciência do chamamento da Receita Federal do Brasil para fins de possível saneamento de defeito de representação processual no Processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela empresa" e que, por conseqüência, "não deu prova de recebimento". Frisa que "a assinatura constante do Manifesto de Inconformidade foi aposta pelo preposto da empresa Weruska Silva do Rosário que conforme previsto legalmente possui prerrogativas de assinar as demandas administrativas junto ao órgão em questão". Mérito Com respeito ao mérito o Recorrente informa que "A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da DRF Feira de Santana, mediante Despachos Decisórios números: 757704835, 757704377, 75774434, 757704425, 757704394 e 757704417, formalizou a não homologação da compensação solicitada por meio do PER/DCOMP (...)". Menciona que "Em 20 de maio de 2003 foi publicado Ato Declaratório executivo n° 29, DOU de 22/05/2003, excluindo a empresa da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei 9.317/96, sendo o Ato motivado pelo evento de atividade não permitida para o SIMPLES". Diz que "Neste citado momento, a Empresa já havia cumprido com suas obrigações principais e acessórias em conformidade com a sua opção tributária na ocasião, realizando o pagamento do imposto Simples através do DARF com código de receita 6106 e com a transmissão da Declaração Simplificada PJSI 2003. Afirma que "Ao ser cientificado de sua exclusão, do então Simples Federal, foi solicitada a compensação dos pagamentos realizados indevidamente com impostos e contribuições devidas com a opção apuração Lucro Presumido (...)". Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10530.900252/200861 Acórdão n.º 1002000.424 S1C0T2 Fl. 45 4 Sustenta que (sic) "Ao tomar conhecimento de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não homologou o pedido de compensação através das Declarações Per/Dcomp, procurado orientação no Plantão Fiscal, foi disponibilizado informação da possibilidade de não existir uma declaração com efeito retificadora DIPJ 2003, para reconhecimento por parte da RFB, dos débitos tributários decorrente da opção pelo Lucro Presumido e a extinção dos créditos referentes aos pagamentos realizados no Simples Federal" e que, por isso, transmitiu "a Declaração DIPJ 2003, para corrigir a situação verificada". Acrescenta que "Com base no mencionado e considerando que não se aplica a esta empresa o quanto previsto no § 3°, do art. 74 da Lei 9.430/96 e considerando a prerrogativa prevista no § 9e do mencionado artigo apresentouse Manifesto de Inconformidade no qual se requereu a Revisão da Decisão de Não Homologação das PER/DCOMP's apresentadas e a extinção dos débitos informados nas mesmas em tempo que foi solicitado o reconhecimento de um único débito tributário, qual sejam, aqueles referentes ao regime tributário adotado a partir de 01/01/2002 (lucro presumido)". Ao final requer "seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, acatando a Manifestação de Inconformidade, homologando as PERDCOMP's apresentadas e a extinção dos débitos informados nas mesmas." É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo, porém, não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não se conhece. Como dito no preâmbulo, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/SDR por falta de comprovação de que o signatário possuía poderes de representação do contribuinte. Com relação à preliminar de mérito, num primeiro momento, o Recorrente sustenta que a signatária da Manifestação de Inconformidade, Sra. Weruska Silva do Rosário, além de sócia, figura como preposta do contribuinte perante a RFB desde o seu ingresso no quadro societário. Não procede essa alegação do Recorrente. Compulsando os autos, mais precisamente a cláusula 8ª do documento intitulado "segunda alteração e consolidação contratual da empresa Tecnosolda de Soldagem e Controle da Qualidade Ltda" (efls. 11) constato que a administração da sociedade é exercida pelo sócio Miguel Capistrano: Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10530.900252/200861 Acórdão n.º 1002000.424 S1C0T2 Fl. 46 5 Assim, considerando que a Manifestação de Inconformidade foi subscrita pela sócia Weruska Silva do Rosário, titular de 1% das cotas de capital e não detentora de poderes de administração da sociedade, não resta dúvida de que a Manifestação de Inconformidade foi apresentada com defeito de representação processual. É de se ressaltar que a Unidade de Origem intimou o contribuinte na forma da legislação em vigor e outorgoulhe oportunidade para o saneamento da irregularidade apontada no prazo de 20 dias (efls 24). Entretanto, este prazo transcorreu in albis, sem que houvesse o saneamento ou a ratificação dos termos da Manifestação de Inconformidade apresentada, pelo que foi remetida no estado em que se encontrava ao órgão de primeira instância, para julgamento, o qual não conheceu da Manifestação de Inconformidade por entender configurado vício de representação processual, lastreandose no artigo 13 do Código de Processo Civil CPC, de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal: Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: I ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo; II ao réu, reputarseá revel; III ao terceiro, será excluído do processo. Nas suas razões de defesa, o Recorrente sustenta que a sócia Weruska Silva do Rosário era preposta da sociedade junto à RFB e apresenta o documento de efls. 37 como abono a sua afirmação, porém, este, em verdade, é um mero extrato de dados cadastrais indicativo da situação fiscal do contribuinte perante a RFB, o qual não se confunde com uma procuração ad juditia ou contrato, que são, comumente, os instrumentos jurídicos apropriados para delegação de poderes de representação processual junto aos órgãos de julgamento do contencioso administrativo fiscal. Assim, embora a sócia Weruska Silva do Rosário seja a signatária da Manifestação de Inconformidade e tenha qualificadose como sócia administradora, esta informação não foi confirmada no contrato social, eis que, como visto anteriormente, os poderes de administração da sociedade são exercidos pelo sócio Miguel Capistrano (efls. 11), o qual não delegou nestes autos poderes de representação processual àquela, nem por meio de alteração de contrato social nem via procuração. Nesse sentido, a qualificação do peticionário e a forma de representação das Pessoas jurídicas em ambiente processual fazem parte de exigências legais que constam, respectivamente, dos artigos 16 do decreto nº 70.235/72 e do artigo 12 do CPC: Decreto nº 70.235/72 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10530.900252/200861 Acórdão n.º 1002000.424 S1C0T2 Fl. 47 6 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Código de Processo Civil Art.12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (…) VI as pessoas jurídicas, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não os designando, por seus diretores; (…) Concluise, portanto, que a DRJ/SDR decidiu acertadamente ao não conhecer da Manifestação de Inconformidade por vício de representação processual, porquanto o contribuinte quedouse inerte, não adotando qualquer providência para saneamento do feito, mesmo depois de regularmente intimado da irregularidade. Ainda com relação à preliminar de mérito, o Recorrente afirma que jamais recebeu comunicado por via postal da RFB para fins de saneamento das falhas formais que ocasionaram o não conhecimento da Manifestação de Inconformidade. Igualmente não procede essa afirmação do Recorrente. O comunicado para regularização da representação processual consta das e fls. 24 deste processo e está acompanhado de prova de recebimento via AR Aviso de recebimento de efls. 25, abaixo reproduzido: Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10530.900252/200861 Acórdão n.º 1002000.424 S1C0T2 Fl. 48 7 O documento acima enviado ao domicílio fiscal do Recorrente e devidamente assinado pelo recebedor, comprova que a ciência do comunicado de regularização processual ocorreu de forma regular e mostra que a alegação do Recorrente em sentido contrário é infundada. Aliás, constatase que a signatária do "AR" de ciência do referido comunicado foi a mesma que assinou o "AR" de ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Confirase: A assinatura do "AR" de ciência do acórdão de Manifestação de Inconformidade pela mesma pessoa que teve ciência do comunicado referido acima invalida a afirmação de falta de ciência deste porque, fosse ela verdadeira, seria de se esperar obviamente que o Recorrente apresentasse a mesma alegação de ausência de recebimento do Acórdão de Manifestação de Inconformidade no Recurso Voluntário, o que não ocorreu no presente caso. Este entendimento decorre da aplicação das regras básicas de hermenêutica jurídica, segundo as quais Ubi eadem ratio ibi idem jus (onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito) e Ubi eadem legis ratio ibi eadem dispositio (onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir). Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 48DF CARF MF
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