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Numero do processo: 16327.914475/2009-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 08/05/2007
CPMF. DIREITO CREDITÓRIO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. PROVAS. ÔNUS FINANCEIRO.
Comprovado o recolhimento indevido e demonstrado que a empresa suportou o ônus financeiro em relação ao indébito, cabível o direito creditório em relação à CPMF.
Numero da decisão: 3403-002.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo-se o direito creditório, com homologação de compensação, em relação aos R$ 44.058,58, comprovadamente recolhidos indevidamente.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Data do fato gerador: 08/05/2007 CPMF. DIREITO CREDITÓRIO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. PROVAS. ÔNUS FINANCEIRO. Comprovado o recolhimento indevido e demonstrado que a empresa suportou o ônus financeiro em relação ao indébito, cabível o direito creditório em relação à CPMF.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 08/05/2007 CPMF. DIREITO CREDITÓRIO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. PROVAS. ÔNUS FINANCEIRO. Comprovado o recolhimento indevido e demonstrado que a empresa suportou o ônus financeiro em relação ao indébito, cabível o direito creditório em relação à CPMF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendose o direito creditório, com homologação de compensação, em relação aos R$ 44.058,58, comprovadamente recolhidos indevidamente. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 44 75 /2 00 9- 89 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente processo sobre DCOMP (fls. 21 a 26)1 transmitida em 17/05/2007, objetivando compensar valores recolhidos a maior/indevidamente a título de CPMF (R$ 59.934,08). Por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 19 (emitido em 07/10/2009), que não homologa a compensação, informase que foi localizado pagamento, mas que este foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 3 a 9), a empresa alega que a DCTF original não informou os valores corretos, mas foi retificada após o despacho decisório (em 23/10/2009). O julgamento de primeira instância ocorre em 13/09/2010 (fls. 38 a 41), acordandose pela improcedência da manifestação de inconformidade, pela ausência de comprovação do direito creditório, e pela ausência de demonstração de que o ônus financeiro foi suportado pela empresa. Cientificada do resultado do julgamento em 01/12/2010 (AR de fl. 44), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 29/12/2010 (fls. 45 a 56), defendendo que: (a) a DCTF foi regularmente retificada; e (b) assumiu os ônus financeiro do tributo, conforme documentos que anexa (por amostragem). Por meio da Resolução no 3403000.261, de 11/08/2011 (fls. 79 a 85), esta turma demandou a baixa em diligência (vencida a relatora Liduína Maria Alves Macambira, que já não mais faz parte deste CARF), tendo em vista que os documentos apresentados sinalizavam de maneira consistente a possível existência do indébito. A diligência demanda a verificação da natureza da operação bancária que gerou a incidência da CPMF, o efetivo estorno e a demonstração de eventual indébito. Em conclusão à diligência, a autoridade fiscal afirma (fl. 194) que o interessado apresentou documentação que demonstra que os valores de CPMF estornados de 11 dos 2.253 clientes envolvidos neste processo, totalizando valor estornado de R$ 44.058,58. Acrescenta que não foi possível concluir se tais estornos foram ou não já compensados nos recolhimentos. Ciente do despacho da autoridade em 11/06/2012 (AR à fl. 191), a empresa apresenta suas considerações às fls. 199 a 201, informando que: (a) em razão do volume de contas e dos valores envolvidos, resolveu apresentar a documentação completa somente dos 11 maiores clientes; e (b) esclareceu como contabilizou a baixa da compensação, acrescentando registros da conta do ativo, e de parte do livro razão. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 226DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.914475/200989 Acórdão n.º 3403002.947 S3C4T3 Fl. 225 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Na DCOMP apresentada, indicavase que havia um montante indevidamente recolhido (em 08/05/2007, em DARF cujo total perfaz R$ 113.390.081,30) a título de CPMF de R$ 59.934,08. Ocorre que o alegado estava em dissonância com os dados informados originalmente em DCTF, nas quais não se registrava o indébito. Para o despacho decisório eletrônico, basta a ausência de registro em DCTF para negar o direito creditório, visto que não há análise humana do pleito, mas simples cotejamento entre bases de dados (DCOMP x DCTF). Assim, é em sua manifestação de inconformidade que a empresa explica pela primeira vez o motivo do indébito. E é no julgamento pela DRJ que é feita a primeira análise humana do pleito, tomando em conta os argumentos expressos na manifestação de inconformidade. A DRJ informa que a empresa não refuta com elementos probatórios o despacho decisório, fundado nas informações por ela prestadas originalmente em DCTF (retificada posteriormente ao despacho decisório), e que não comprova ter suportado o ônus do pagamento indevido. A discussão sobre suportar o ônus financeiro toma corpo no recurso voluntário, quando a empresa apresenta documentos que, na visão do colegiado, sinalizariam de maneira consistente a possível existência do indébito. Daí a diligência demandada, em consonância com a verdade material. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 227DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, e de demonstração de que o ônus financeiro foi suportado pela empresa. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a manifestação da unidade local, em sede de diligência, atesta ter havido recolhimento indevido do montante de R$ 44.058,58. Assim, acolhese, no presente julgamento, em nome da segurança jurídica, o resultado do primeiro efetuado por esta turma, que demandou a baixa em diligência, assim como se toma em conta o resultado de tal diligência, que aponta para um indébito de R$ 44.058,58, que deve ser externado sob a forma de direito creditório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.914475/200989 Acórdão n.º 3403002.947 S3C4T3 Fl. 226 5 Em relação ao restante do crédito pleiteado, não faz prova a recorrente de sua liquidez e certeza, como demanda o art. 170 do CTN. Por fim, a afirmação da autoridade responsável pela diligência de que não conseguiu, à vista dos documentos apresentados pela recorrente, concluir se os estornos foram ou não compensados nos recolhimentos, é insuficiente para que se deixe de reconhecer o direito creditório por ela mesma confirmado. Não se desincumbiu a autoridade diligenciante com a devida desenvoltura de sua missão de apurar conclusivamente o ocorrido, demandando documentos adicionais no caso de persistir dúvida. Ademais, se constatado pela autoridade responsável pela liquidação que os montantes já foram objeto de utilização, por certo não poderá ser novamente utilizado o crédito aqui assegurado. Pelo exposto, voto pela procedência parcial do recurso voluntário, reconhecendose o direito creditório, com homologação de compensação, em relação aos R$ 44.058,58, comprovadamente recolhidos indevidamente. Rosaldo Trevisan Fl. 229DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10646.001132/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 30/08/2002 a 22/10/2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Consignada no auto de infração a ciência do lançamento e de todos os seus anexos, e facultada vista do processo na repartição fiscal, durante o prazo para impugnação da exigência, resta descaracterizado o alegado cerceamento do direito de defesa.
DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
O prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciando-se a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação estabelecido no Ato Concessório.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
Numero da decisão: 3101-001.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra (suplente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 30/08/2002 a 22/10/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Consignada no auto de infração a ciência do lançamento e de todos os seus anexos, e facultada vista do processo na repartição fiscal, durante o prazo para impugnação da exigência, resta descaracterizado o alegado cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciando-se a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação estabelecido no Ato Concessório. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra (suplente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10646.001132/200882 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3101001.428 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria Drawback Suspensão Recorrente ACUMULADORES AJAX LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 30/08/2002 a 22/10/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Consignada no auto de infração a ciência do lançamento e de todos os seus anexos, e facultada vista do processo na repartição fiscal, durante o prazo para impugnação da exigência, resta descaracterizado o alegado cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação estabelecido no Ato Concessório. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 6. 00 11 32 /2 00 8- 82 Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra (suplente). Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: O importador submeteu ao regime aduaneiro de Drawback, na qualidade suspensão, amparado pelos Atos Concessórios abaixo descritos insumos destinados ao processo produtivo de baterias, assumindo o compromisso de exportar as mesmas. Ato Concessório Vigência 2002/0014503 15/02/2002 a 10/02/2003 2002/0020708 20/02/2002 a 04/08/2003 2002/0015208 25/02/2002 a 20/02/2003 2002/0045204 25/03/2002 a 20/03/2003 2002/0053061 15/04/2002 a 25/03/2004 2002/0084234 11/06/2002 a 06/06/2003 2003/0086175 13/11/2002 a 12/11/2004 2004/0062732 18/03/2004 a 18/03/2006 2004/0211550 15/09/2004 a 15/09/2006 2005/0011529 21/01/2005 a 21/01/2006 Ocorre que, findo o prazo estabelecido no regime, o importador não cumpriu o compromisso, consumir a totalidade dos insumos importados na fabricação dos produtos exportados e, não tendo o beneficiário tomado nenhuma das providências elencadas no art. 342 do RA, resolveuse a suspensão, exigindo os tributos devidos, relativamente aos insumos não exportados, conforme Termo de Verificação Fiscal parte integrante do Auto de Infração. Ciente do Auto de Infração em 04/12/2008, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1571/1609, onde em síntese do necessário alegou: no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12) há referência até fls. 1556 do processo; não foram entregues à Autuada ao menos 1.213 folhas; Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10646.001132/200882 Acórdão n.º 3101001.428 S3C1T1 Fl. 4 3 a não entrega integral dos Autos de Infração constitui indisfarçável cerceamento do direito de defesa com a consequente nulidade da ação fiscal; aceitandose, para argumentar71ie tributos foram devidos, o direito de a Fazenda Nacional lançálos decaiu para aqueles cujo fato gerador (último dia do prazo para exportação) já haviam decorridos 5 (cinco) anos da data da lavratura e ciência do Autos de Infração (04/12/2008); em outras palavras: o direito de a Fazenda Nacional lançar tributos em 04.12.08 estava decaído para aqueles cujo prazo para exportação ocorreu até 04/12/03. Cita Acórdãos do então C.C.; no "Termo de Verificação Fiscal" a Fiscalização confrontou importações e exportações, concluindo pela ausência de exportações; as fls. 14 do Termo os Autuantes afirmam que foram "...aceitos Laudos Técnicos e as planilhas de consumo apresentadas pela empresa". o confronto de importações e exportações relatado no Termo não foi feito pela Autuada, mas sim pelo Fisco; portanto, incorreta a afirmação de que foram aceitos os elementos (Laudos Técnicos) fornecidos pela Autuada, o que da a entender que ela concordou com as "falhas apuradas"; a taxa Selic é inconstitucional; a multa de oficio é confiscatória; multas não podem comprometer o patrimônio empresarial; à vista dos Acórdãos transcritos na impugnação, não há necessidade de se declarar as nulidades, pois no mérito os lançamentos são improcedentes, o que se requer seja declarado. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou procedente o lançamento, lançando seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 30/08/2002 a 22/10/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Consignada no auto de infração a ciência do lançamento e de todos os seus anexos, e facultada vista do processo na repartição fiscal, durante o prazo para impugnação da exigência resta descaracterizado o alegado cerceamento do direito de defesa. DRAWBACK. DECADÊNCIA A contagem do prazo de decadência para o regime drawback suspensão começa no primeiro dia do ano seguinte ao término do regime. Impugnação Improcedente Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Crédito Tributário Mantido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese: (a) que a ação fiscal é nula pela não entrega à Autuada de ao menos 1.213 folhas que fazem parte integrante dos Autos de Infração; (b) o Acórdão recorrido é nulo por não apreciar todos os argumentos apresentados com a Impugnação; (c) o acórdão recorrido é nulo por mudar o critério jurídico na análise da decadência; (d) a falta de pagamento não posterga o inicio da contagem do prazo de decadência; (e) o Drawback não tem normas especificas de decadência, e sendo seu lançamento do tipo por homologação, a decadência regese pelo art. 150, par. 4°, do CTN; (f) o confronto das importações/exportações não foi feito pela Recorrente e os Laudos utilizados não foram por ela oferecidos; (g) o Parecer da PGFN, vinculante, admite decisão por órgão administrativo com base em inconstitucionalidade; (h) a Selic/juros em geral não incidem sobre a multa de oficio; e (i) as multas não podem comprometer o patrimônio empresarial; e requer que o recurso seja julgado procedente. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Discutese nos presentes autos o lançamento dos tributos suspensos pela constatação de inadimplemento dos seguintes Atos Concessórios de Drawback: Ato Concessório Vigência 2002/0014503 15/02/2002 a 10/02/2003 2002/0020708 20/02/2002 a 04/08/2003 2002/0015208 25/02/2002 a 20/02/2003 2002/0045204 25/03/2002 a 20/03/2003 2002/0053061 15/04/2002 a 25/03/2004 2002/0084234 11/06/2002 a 06/06/2003 2003/0086175 13/11/2002 a 12/11/2004 2004/0062732 18/03/2004 a 18/03/2006 2004/0211550 15/09/2004 a 15/09/2006 2005/0011529 21/01/2005 a 21/01/2006 PRELIMINARES NÃO APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS PELA DRJ Quanto à alegação de que o r. Acórdão seria nulo por não apreciar todos os argumentos/razões/alegações apresentados com a Impugnação, cerceando seu direito de defesa, não encontra razão a recorrente. Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10646.001132/200882 Acórdão n.º 3101001.428 S3C1T1 Fl. 5 5 O r. Acórdão, apreciou toda a extensão da defesa do contribuinte, referindo se, expressamente, a todos os autos de infração objeto do processo, não violando o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235. Importa ressaltar que a autoridade julgadora não está vinculada aos argumentos oferecidos na impugnação, devendo manifestarse de forma fundamentada, com base no seu livre convencimento acerca das provas nos autos e o direito que entende aplicável ao caso. Ainda que não tenha rebatido, um a um, todos os argumentos suscitados pela impugnação, o julgador de primeira instância administrativa efetivamente analisou e se manifestou sobre os argumentos apresentados vinculados aos Autos de Infração objeto do lançamento efetuado. Em seu voto, o i. Relator manifestouse sobre o cerceamento do direito de defesa, sobre a decadência, sobre as multas de oficio, sobre os juros de mora, sobre a apreciação de questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade, e sobre a questão fática e probatória do lançamento efetuado. DECADÊNCIA E MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA ANÁLISE DA DECADÊNCIA Quanto à alegação de decadência e de mudança de critério jurídico na análise da decadência, não encontra razão a recorrente. A questão da decadência no regime aduaneiro especial de Drawback já foi pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que passou a adotar o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. No Acórdão n° 930300.147, de 11 de agosto de 2009, cujo voto condutor foi do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, colho os fundamentos da aplicação do regime jurídico da decadência com base no art. 173, inciso I: “A primeira questão que se apresenta a debate diz respeito à decadência para lançamento do crédito tributário quando o sujeito passivo encontrasse ao abrigo de regime aduaneiro especial em que o lançamento fiscal não pode ser feito enquanto durar o RAE. Aqui, não se pode falar em homologação de pagamentos ou de atos preparatórios efetuados pelo sujeito passivo, pois, na vigência do regime, não há lançamento ou atos preparatórios a serem praticados. Desta feita, o § 4° do art. 150 não se aplica ao caso em discussão, o qual é regido pelo disposto no inciso I do artigo 173 do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. De outro lado, temse que, nas hipóteses de drawback, modalidade suspensão, o lançamento não pode ser efetuado na data da importação vinculada ao ato concessório, em virtude da suspensão, mas, tão somente, a partir do momento em que se encerra o regime, posto que, Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 até essa data, o sujeito passivo poderia adimplir as condições, e, com isso, resolver a pertinente obrigação tributária. [...]” Inobstante, o STJ já pacificou o entendimento acerca da contagem do prazo decadencial, quando o contribuinte não antecipa o pagamento, como é o caso: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10646.001132/200882 Acórdão n.º 3101001.428 S3C1T1 Fl. 6 7 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) O Regulamento Aduaneiro atualmente em vigor trata do tema, no mesmo sentido, em seu artigo 752, verbis: Art. 752 [...] 3º. no regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. Aplicando esse entendimento ao caso em análise, tomaremos como referência o Ato Concess6rio com o prazo de vigência mais antigo, o Ato Concessório n° 2002/0015208, cujo termo final foi fixado para 20/02/2003. Decorre dai que o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2004, findando em 31/12/2008. Tendo em vista que a lavratura do Auto de Infração foi efetuada em 01/12/2008, com a ciência da contribuinte no dia 04/12/2008, tornase improcedente o argumento trazido pela contribuinte de que o crédito tributário já havia decaído. Quanto à alegação de mudança de critério jurídico, não assiste razão a recorrente. O auto de infração, quando se manifestou quanto à decadência, afirmou que no caso do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, seria aplicado o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Tal afirmação não foi contestada pelo Acórdão recorrido, nem mesmo pela atual redação do Regulamento Aduaneiro. Quanto à referência de decadência da multa por infração ao controle administrativo das importações, constatase que a mesma não foi objeto de lançamento nos autos de infração em questão, e não serão apreciadas no presente julgamento. NÃO ENTREGA DA ÍNTEGRA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO A recorrente alega a nulidade da ação fiscal pela não entrega à Autuada de ao menos 1.213 folhas que supostamente fariam parte integrante dos Autos de Infração, cerceando Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 seu direito de defesa, uma vez que ela não teria tomado conhecimento dos anexos referenciados nos Autos de Infração. Compulsando os autos, verificase que a autuação está perfeitamente fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara e precisa, não deixando qualquer dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à contribuinte identificar o fundamento da exigência. Assim, proporcionouse à autuada o exercício do seu amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido oferecida a ela a oportunidade de prestar todos os esclarecimentos que achasse necessário quanto às imputações que lhe foram feitas bem como carrear elementos de prova para elidir o feito fiscal. A interessada tomou ciência dos Autos de Infração e seus anexos em 04/12/2008, conforme comprovado pela assinatura do Sr. Nasser Ibrahim Farache, diretor da empresa, ás folhas 31, 64, 81, 97 e 101 do eprocesso. Também consta ciência das informações anexas ao Termo de Encerramento (fls.102 do eprocesso): “III Havendo necessidade de vista ou de cópia do processo, o autuado ou o seu representante legal, devidamente habilitado mediante procuração especifica, poderá obtêla no endereço acima informado”. Portanto, não merece prosperar a alegação da Recorrente de cerceamento de seu direito de defesa, pois lhe foi outorgada a faculdade de ter vista dos autos do processo ou mesmo cópia do mesmo, o que não tem registro de ter ocorrido. Se fosse de seu interesse, a recorrente poderia ter acesso a todos os elementos constantes dos presentes autos. Não tendo havido prejuízo à contribuinte para a apresentação de sua impugnação e de seu recurso voluntário, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa a ser reconhecido. Conforme se depreende das ementas transcritas abaixo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou sobre o assunto: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O fato de a recorrente ter tido ciência do despacho decisório mas não de documentos que o embasaram não prejudicou sua defesa, uma vez que tais documentos constavam dos autos e a intimação mencionou expressamente que os autos ficariam trinta dias na repartição à disposição do contribuinte. (Acórdão 3201000735, Sessão de 01 de setembro de 2011, Relator DANIEL MARIZ GUDIÑO) PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. Inexiste cerceamento de defesa quando o auto de inflação e seus anexos, peça inaugural do processo administrativo fiscal, exaustivamente descreve o enquadramento legal correto, explicitando as razões da autuação detalhando a legislação pertinente, os fatos correlacionados, citando ainda as provas utilizadas e preciso detalhamento do relatório de produção (Acórdão nº 320200.150, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 29/07/2010, Relator Conselheiro João Luiz Fregonazzi) PAF. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA — A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10646.001132/200882 Acórdão n.º 3101001.428 S3C1T1 Fl. 7 9 o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. (Acórdão nº 10509.511, Rel. Cons. Mariam Seif, Sessão de 06/12/2007) Desse modo, estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa, razão pela qual deve ser rejeitada a preliminar argüida. MÉRITO OS IMPOSTOS E AS CONTRIBUIÇÕES Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.104116 do e processo), a auditoria fiscal baseouse nas informações e documentos apresentados pela empresa e nos Laudos fornecidos por ela. A fiscalização analisou os atos concessórios, verificou se a totalidade dos insumos importados estava amparada pelos mesmos e, com base nos Laudos Técnicos e quadro discriminativo dos modelos de baterias exportadas e utilização de insumos apresentados pela empresa, verificou se os insumos importados foram totalmente utilizados nas baterias exportadas através dos REs vinculados a cada Ato Concess6rio. Segundo o referido Termo, foram aceitos os Laudos Técnicos e as planilhas de consumo apresentadas pela empresa. A recorrente alega que os Laudos utilizados não foram por ela oferecidos. Não encontra razão a recorrente. Constatamos a existência dos seguintes laudos, apresentados em papel timbrado da empresa: (i) Laudo Técnico da Bateria Autor: Acumuladores Ajax Ltda Data: 27/10/2006 Assinado por: Roberval Húngaro Tamarozzi, CREA 506.012.4633, Engenharia de Produto Folhas do eprocesso: 138144 (ii) Aditivo ao Laudo Técnico da Bateria Data: 06/03/2007 Assinado por: Roberval Húngaro Tamarozzi, CREA 506.012.4633, Engenharia de Produto Folhas do eprocesso: 148149 (iii) Laudo Técnico da Bateria Autor: Acumuladores Ajax Ltda Data: 10/09/2007 Assinado por: Roberval Húngaro Tamarozzi, CREA 506.012.4633; José Roberto Bincoleto e Marcia Helena M. Gomide Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 Folhas do eprocesso: 181191 Portanto, pelos documentos apresentados pela fiscalização, constatase que a análise do consumo dos itens importados na produção dos itens exportados, vinculados a cada Ato Concessório de Drawback, foram baseadas em Laudo Técnico fornecido pela própria empresa, e as conclusões apontadas pela fiscalização (sobra de alguns itens importados) decorreram do consumo dos insumos na produção dos itens exportados apontados pelos próprios Laudos Técnicos. MULTA CONFISCATÓRIA E APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADES A recorrente alega também o efeito confiscatório da multa e cita um Parecer da PGFN que admite decisão por órgão administrativo com base em inconstitucionalidade. A aplicação da lei ou decreto, no julgamento do processo administrativo fiscal é mandamento, mesmo sob o fundamento de inconstitucionalidade, conforme expressamente determina o artigo 62 do Regimento Interno do CARF. A própria Súmula CARF nº 2 afirma a incompetência do CARF para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não será apreciado os argumentos quanto à inconstitucionalidade e quanto o efeito confiscatório da multa aplicada. CONCLUSÕES Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 23 de julho de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000711/2006-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. NÃO ENQUADRAMENTO.
A prestação de serviços de instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração não enseja a exclusão do Simples, por não se tratar de atividade privativa de engenheiros ou profissionais assemelhados.
Numero da decisão: 1201-000.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. NÃO ENQUADRAMENTO. A prestação de serviços de instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração não enseja a exclusão do Simples, por não se tratar de atividade privativa de engenheiros ou profissionais assemelhados.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. NÃO ENQUADRAMENTO. A prestação de serviços de instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração não enseja a exclusão do Simples, por não se tratar de atividade privativa de engenheiros ou profissionais assemelhados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 07 11 /2 00 6- 45 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 10980.000711/200645 Acórdão n.º 1201000.864 S1C2T1 Fl. 85 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de processo de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2002, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n° 439.808, de 07 de agosto de 2003. A exclusão se deu pelo motivo de que a atividade prestada pela Contribuinte, qual seja, a de instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração (CNAE 45420/00), é assemelhada aos serviços profissionais de engenheiros e, por isso, incorreu na hipótese prevista no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Os fundamentos da exclusão foram baseados nos artigos 9º, XIII, 12, 14, I, e 15, II, da Lei n° 9.317, de 1996, artigo 73 da Medida Provisória n° 2.15834, de 27 de julho de 2001, e artigos 20, XII, 21, 23, I, 24, II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 250, de 26 de novembro de 2003. Regularmente intimada, em 27 de agosto de 2003, da exclusão do Simples, a Contribuinte apresentou, em 29 de setembro de 2003, Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n° 439.808, de 07 de agosto de 2003, e solicitou a Revisão da Exclusão do Simples. A Manifestação foi julgada improcedente pela DRF/Curitiba em face de constar do Contrato Social que a contribuinte presta serviços complementares de reparação, instalação e manutenção de sistemas de ventilação, exaustão, refrigeração, calefação e condicionamento de ar individual, laboratorial, central hospitalar e industrial e serviços de limpeza de dutos, cujos serviços, por depender de habilitação legalmente exigida para o exercício da profissão, caracteriza atividade vedada à opção pelo Simples, conforme art. 9°, III, da Lei n° 9.317, de 1996. Devidamente intimada da decisão, a Recorrente apresentou Impugnação em 23 de janeiro de 2006, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. Quando fez sua opção pelo Simples, em 01/01/2001, a Receita Federal não se pronunciou acerca da existência de qualquer irregularidade na inscrição efetuada; 2. Ao contrário do que indica o posicionamento do Ato Declaratório Executivo, a atividade de instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração não impede a opção pelo Simples; 3. A SRRF da 7ª Região, por meio da Decisão n° 67, de 1997, asseverou a possibilidade de inscrição no Simples de empresas que exploram tal atividade; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 10980.000711/200645 Acórdão n.º 1201000.864 S1C2T1 Fl. 86 3 4. A Receita Federal enquadrou sua atividade na de construção civil. E, no entanto, a Impugnante é uma prestadora de serviços de instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração, e por isso, está permitida a optar pelo regime tributário do Simples por força do ADN Cosit n° 30, de 1999; 5. Houve afronta aos princípios da isonomia e irretroatividade tributária. Em sessão realizada no dia 04 de junho de 2009, a Delegacia de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação e confirmou o Ato Declaratório Executivo/CTA n° 439.808, de 07 de agosto de 2003. A decisão baseouse na premissa de que as pessoas jurídicas cuja atividade seja a prestação de serviços de reparo em sistema de ar condicionado central, por assemelharse à profissão de engenheiro, estão impedidas de optar pelo Simples. Os julgadores afirmaram, ainda, que, para a pessoa jurídica enquadrada na hipótese de vedação por exercício de atividade e que tivesse optado pelo Simples até 27 de julho de 2001 o efeito da exclusão darseia a partir de 1° de janeiro de 2002, caso a situação excludente tivesse ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão fosse efetuada a partir de 2002. A Recorrente foi intimada da decisão da Delegacia de Julgamento em 29 de junho de 2008 e interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: 1. Em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa nenhuma autoridade administrativa pode exigir qualquer obrigação tributária típica ou atípica, incluídas as de natureza sancionatória, sem que o sujeito passivo possa se defender da imposição que contra ele pese, no âmbito do contencioso administrativo; 2. Fez sua opção pelo SIMPLES, em 01/01/2001, e a Receita Federal não se pronunciou acerca da existência de quaisquer irregularidades; 3. Foi incluída no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, por desenvolver atividade de prestação de serviços, que não se confunde com as atividades típicas de engenharia; 4. Foi sumariamente excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com fundamento nos artigos 9º, XIII, 12, 14, I e 15, II da Lei 9.317/96, artigo 73 da Medida Provisória nº 215834 de 27.07.2001, artigos 20, XII, 21, 23, I, 24, II e parágrafo único da Instrução Normativa SRF nº 250, de 26.11.2002; 5. Ao contrário do que indica o posicionamento do Ato Declaratório impugnado, a atividade desenvolvida pela Recorrente sempre esteve autorizada a optar pelo SIMPLES; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 10980.000711/200645 Acórdão n.º 1201000.864 S1C2T1 Fl. 87 4 6. O CNAE da Recorrente não se encontra dentre aqueles CNAEs que impedem a adesão ao Simples Nacional, conforme Resolução CGSN n. 6, de 18 de junho de 2007 e que, por isso, a atividade de instalação e manutenção de aparelhos de ar condicionado não se assemelha às atividades típicas de engenharia; 7. A atual atividade da Recorrente é idêntica à exercida em 2002 e 2003; 8. Houve afronta ao princípio da isonomia disposto no artigo 150, II, da Constituição Federal, ao princípio da irretroatividade tributária, disposto no artigo 105 do Código Tributário Nacional, bem como no artigo 150, III, "a" da Constituição Federal. No pedido, requereu que seja reconhecida a ilegalidade do ato que determinou a exclusão da Recorrente do SIMPLES. Caso não seja esse o entendimento do Conselho de Contribuintes, que seja reconhecida a aplicação do princípio da irretroatividade tributária, para que a exclusão do SIMPLES tenha efeitos após 30 dias da notificação da Recorrente, quando não couber mais recurso administrativo. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Como não há matéria preliminar a ser enfrentada, passamos ao mérito. A questão trazida aos autos se resume à análise da atividade exercida pela Recorrente, que foi considerada pela autoridade competente como vedada, para fins de opção da sistemática oferecida pelo Simples, nos termos da Lei n. 9.317/96. A fundamentação para a exclusão da Recorrente do Simples teve como referência o artigo 9o, inciso XIII, do referido diploma legal, que, no entender da autoridade competente impediria a atividade prevista no código CNAE 45420/00 (instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado, de ventilação e refrigeração), porque enquadrada no seguinte dispositivo: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 10980.000711/200645 Acórdão n.º 1201000.864 S1C2T1 Fl. 88 5 dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grifamos) A leitura do texto legal nos permite concluir que o comando exige certo esforço interpretativo, posto que se apresenta de modo bastante genérico, naquilo que a doutrina costuma definir como conceitos vagos ou indeterminados, especialmente no que tange à parte final, que cuida das atividades ditas “assemelhadas”. Isso porque nos parece induvidoso que se a atividade exercida pelo interessado fosse privativa de profissionais habilitados, a exemplo da qualificação de engenheiro, que se discute nos autos, a vedação ao Simples seria de rigor. Contudo, a exegese necessária para o deslinde do presente caso recai justamente sobre o conceito vago da semelhança e isso nos leva à necessidade de valoração, aplicando a ratio da norma ao caso concreto. De se notar que os dois sócios da empresa são qualificados, no contrato social, como “do comércio” e “administradora de empresas”, o que nos leva a concluir que nenhum deles possui formação em engenharia. No mesmo sentido, a experiência prática e o senso comum indicam que as atividades de instalação e manutenção de equipamentos de ar condicionado, no mundo real, não exigem nem são praticadas por engenheiros, o que nos permite intuir que, embora careçam de algum nível de conhecimento técnico e especialização, não se trata de atividade privativa daqueles profissionais. Isso porque o cerne da questão, para fins de enquadramento por semelhança, há de ser a complexidade do serviço executado, bem como a exigência de titulação específica e registro competente, a exemplo daquele efetuado no CREA. E nada disso me parece necessário para a atividade de instalação e manutenção de equipamentos de ar condicionado, desenvolvida pela Recorrente. Também colabora com essa linha de raciocínio o fato de que a Lei Complementar n. 123/2006 (e alterações posteriores) que regulam o atual Simples Nacional não consideram como impeditivas para a adesão do regime as atividades de instalação, reparos e manutenção, tampouco a construção de imóveis e as obras de engenharia em geral. Conquanto sejam normas jurídicas distintas – e aqui não se cogita de interpretação retroativa ou benéfica, a teor da Súmula 81 do CARF –, entendo que a ratio do legislador permanece a mesma, no sentido de proteger e conferir tratamento mais benéfico e diferenciado para as pequenas e microempresas, à luz do artigo 146, III, “d”, da Constituição. Assim, tomada apenas como referência hermenêutica, a norma posterior e mais abrangente pode ser utilizada como parâmetro para o preenchimento do conceito jurídico vago previsto na regra sob análise, e a inteligência natural do raciocínio nos leva a aceitar com Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 10980.000711/200645 Acórdão n.º 1201000.864 S1C2T1 Fl. 89 6 parcimônia a aplicação indiscriminada do conceito de similitude, especialmente quando dissociado do necessário suporte factual. Daí o entendimento pacificado neste Conselho pela Súmula 57: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. E, no intuito de dirimir qualquer dúvida sobre o alcance e aplicação da referida Súmula ao caso dos autos, convém ressaltar que um dos acórdãos que ensejou a sua formulação tratava justamente da atividade de manutenção de equipamentos e máquinas de refrigeração (Acórdão 30134.801, de 16 de outubro de 2008). Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE provimento para restabelecer o regime do Simples à Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904511/2012-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 11 /2 01 2- 05 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904511/201205 Acórdão n.º 3803004.861 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904511/201205 Acórdão n.º 3803004.861 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904511/201205 Acórdão n.º 3803004.861 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11080.011496/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação.
IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário.
IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR.
Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta.
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS.
O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária.
Numero da decisão: 2201-002.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 5.028,49 e R$ 25.292,29, nos anos-calendário de 2001 e 2002, respectivamente.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 5.028,49 e R$ 25.292,29, nos anos-calendário de 2001 e 2002, respectivamente. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 5.028,49 e R$ 25.292,29, nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 14 96 /2 00 6- 14 Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 04 a 27, lavrado em 27/12/2006, exigese do contribuinte RUDINEI CLENIO CARVALHO, o montante de R$ 366.500,64 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 246.994,61 de juros de mora e R$ 274.875,47 de multa de ofício, totalizando R$ 888.370,72 (atualizados até a data da autuação) referente aos anoscalendário de 2001 e 2002. O lançamento decorreu em razão de: (i) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica e (ii) omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em Reais. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls. 07 a 27), o Contribuinte acresceu indevidamente ao custo de aquisição de direitos creditórios adquiridos o valor de R$ 48.232,80, referente à “consultoria empresarial”. A fiscalização entendeu que custo dessa natureza não justifica acréscimo ao custo de aquisição e efetuou a glosa desse valor. Além disso, a fiscalização considerou como rendimento tributável, percebido de pessoa jurídica sem vínculo empregatício, valores que foram depositados diretamente na conta pessoal do Contribuinte e na conta de Maria da Graça Velho Lopes (alienante de um imóvel para o Contribuinte) pelas empresas: SRS Consultoria, Assessoria e Administração Empresarial S/C Ltda., SRS Prestação de Serviços, Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. e Vale Couros Trading S/A. O Contribuinte alegou em sede de fiscalização que parte desses valores são recebimentos pela prestação de serviços da Rudinei Carvalho Advogados Associados (pessoa jurídica da qual o Contribuinte é sócio). Outra parcela é referente a adiantamentos (mútuos) que o Contribuinte (pessoa física) recebeu das referidas empresas. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 28/12/2006 (fls. 923 e 924) e apresentou Impugnação tempestiva em 29/01/2007, constando suas alegações nas fls. fls. 926 a 967. O Contribuinte não impugnou a parcela relativa à autuação do ganho de capital. Fl. 3040DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.011496/200614 Acórdão n.º 2201002.349 S2C2T1 Fl. 3 3 A 4ª Turma da DRJ/POA, em 18/05/2011, em decisão de fls. 1050 a 1052, julgou a Impugnação improcedente. A decisão resta resumida em sua ementa. Confirase. APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento foi realizado de acordo com a legislação que trata da matéria discutida, não existindo elementos comprobatórios permitindo a alterar a apuração anual do imposto de renda, na maneira pretendida na impugnação. O Contribuinte foi notificado da decisão em 09/06/2011 (fls. 1056 a 1055), tendo apresentado Recurso Voluntário tempestivo em 11/07/2011 (fls. 1061 a 1116) alegando, em síntese: · a nulidade do acórdão da DRJ por falta de motivação (art. 93, inciso IX da CRFB). Não detalhou as razões e motivos porque não considerou cada prova apresentada. Não efetuou uma motivação valorativa. Atesta que o julgador da 1ª instância se limitou a argumentar que faltam provas que justifiquem a pretensão do contribuinte. · que R$150.000,00 lançados como omissão de rendimentos recebidos da empresa SRS Prestação de Serviços, no anocalendário de 2002, tratase de empréstimo feito pelo recorrente àquela empresa, em data de 04/10/2002, fartamente documentado. · que R$179.000,00 lançados como omissão de valores recebidos da empresa Vale Couros Trading S/A, no anocalendário de 2002, tratase de honorários recebidos pela pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados (fatura 081), em razão de parecer jurídico elaborado pelo Contribuinte. · que R$150.000,00 lançados como omissão de valores recebidos da empresa Vale Couros Trading S/A, no anocalendário de 2002, tendo em vista que esse valor serviu para liquidar, em data de 07/10/2002, o mútuo feito pelo recorrente à SRS Prestação de Serviços, em data de 04/10/2002, liquidação essa realizada diretamente pela Vale Couros, conforme acerto entre aquelas empresas. · a fiscalização desconsiderou que os valores sujeitos ao lançamento foram devidamente tributados na pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados, ignorando a verdade material e presumindo que tais valores foram recebidos pelo Contribuinte (pessoa física). · que a seguinte documentação comprova que tais rendimentos não beneficiaram a pessoa física, mas sim tratouse de operação com a pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados, a saber: contrato de prestação de serviços com a pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados, da qual o recorrente é sócio (fls. 1093 a 1095, Anexo I); serviços prestados (fls. 1092 a 1610, Anexo I); faturas emitidas (053 fl. 372, 080 fl. 402 e 081 – fl. 403), na forma do parágrafo único da cláusula segunda do contrato de prestação de serviços (vide item 24 supra); valores recebidos (folha 1614, Anexo I); lançamentos contábeis dos valores recebidos; livros diários 2001 e 2002 da pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados (fls. 186 a 221) e lançamentos contábeis dos valores pagos nas pessoas jurídicas SRS Consultoria, SRS Prestação de Serviços e Vale Couros Trading S/A. · no tocante ao lançamento com base em remuneração indireta, argumenta que a DRJ se quedou silente e não analisou a questão. Defende que as referidas despesas incorridas em seu nome pela empresa EZT Oficina de Turismo Agência de Viagens Ltda. a pedido da SRS Prestação de Serviços decorrem da prestação dos serviços. Por se tratar de serviço de advocacia, a Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 contratante incorre em despesas em nome dos profissionais advogados com vistas a custear viagens e estadias quando necessário para consecução do serviço. · por hipótese, se o recurso voluntário for julgado improcedente, requer que os valores de tributos pagos na Rudinei Carvalho Advogados Associados pelos serviços prestados sejam compensados em face do presente crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. Preliminar 1.1. Nulidade do Acórdão O Contribuinte pugna pela nulidade da decisão da DRJ por a mesma carecer de motivação (art. 93, inciso IX da CRFB). Argumenta que a decisão da DRJ não detalhou as razões e motivos porque não considerou cada prova apresentada. Além disso, a autoridade julgadora não efetuou uma motivação valorativa. Atesta que o julgador da 1ª instância se limitou a argumentar que faltam provas que justifiquem a pretensão do contribuinte. De fato, a decisão da DRJ é bastante breve, porém entendo que a mesma tenha enfrentado a matéria posta pelo Contribuinte, ainda que de forma compacta. O fato de o julgador de 1ª instância não ter enfrentado “ponto a ponto” apresentado pelo Contribuinte não infere em concluir que a mesma careceu de fundamentação. A decisão apresenta os motivos que levaram pela improcedência da Impugnação, como se verifica dos seguintes trechos extraídos da decisão: “É importante destacar que o lançamento em nome da pessoa física decorreu de a autoridade autuante haver verificado que os valores imputados como rendimentos foram depositados na conta corrente do contribuinte, pessoa física, ou diretamente a outra pessoa, por ordem desse, em operação imobiliária com a pessoa física do contribuinte. (...) A percepção dos rendimentos, dos valores dos contratos ocorreu na pessoa física, nela devendo ocorrer a tributação. (...) As argumentações da existência de empresa, de emissão de notas, de existência de contratos, perdem sentido, pois o fato anterior da percepção dos rendimentos j á ocorreu, conforme elementos do processo, na pessoa física, e não há comprovação dos pagamentos em contas da pessoa jurídica. (...) Observese que os contratos de mútuo, sem formalidades legais, para aqueles em que não foi apresentada comprovação financeira das operações, entendemos, nos termos descritos no relatório fiscal, são insuficientes para caracterizar esse tipo de operação, e, portanto, descaracterizar a percepção dos valores, relacionados no lançamento, como rendimentos recebidos pelo contribuinte. Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.011496/200614 Acórdão n.º 2201002.349 S2C2T1 Fl. 4 5 Os contratos, inclusive os de mútuo, não foram registrados, e nem é possível se comprovar a data em que teriam sido firmados. Ressaltese que não foi apresentada documentação financeira que lastreasse as receitas alegadas como sendo da pessoa jurídica, que permitissem a sua escrituração. Observese, também, que para os documentos apresentados não se pode ter certeza da época de sua elaboração.” Além disso, a decisão proferida pela DRJ não prejudicou o Contribuinte que conseguiu apresentar Recurso Voluntário, se insurgindo contra o que fora acertado na 1ª instância administrativa. Não pode inconformismo com a decisão ser confundido com fundamento para nulidade. Entendo que não houve vícios na decisão da DRJ que resulte em sua nulidade. Preliminar rejeitada. 2. Mérito 2.1. Prestação de Serviços e Mútuos Realizados A fiscalização entendeu que os depósitos efetuados na conta pessoal do Contribuinte, bem como os depósitos que o mesmo solicitou que fossem efetuados à conta bancária de Maria da Graça Velho Lopes (alienante de um imóvel para o Contribuinte) pelas empresas SRS Consultoria, Assessoria e Administração Empresarial S/C Ltda., SRS Prestação de Serviços, Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. e Vale Couros Trading S/A. não apresentaram causa jurídica e, portanto, considerou os mesmos como rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica. Confirase trecho do Relatório de Ação Fiscal (fls. 19): “Na forma demonstrada no item 3.3, as citadas empresas realizaram pagamentos ao fiscalizado, em sua maior parte depositados na conta n° 801.2024, mantida na Agência 3334 (Praça da Alfândega) do Banco do Brasil S/A, de sua titularidade. Verificouse, também, que por ordem do contribuinte, diversas quantias foram depositadas diretamente em nome de Maria da Graça Velho Lopes, alienante de imóvel adquirido pelo mesmo.” O Contribuinte em contraponto alega que a seguinte documentação comprova que tais rendimentos não beneficiaram a pessoa física, mas sim tratouse de operação com a pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados, a saber: contrato de prestação de serviços com a pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados, da qual o recorrente é sócio (fls. 1093 a 1095, Anexo I); serviços prestados (fls. 1092 a 1610, Anexo I); faturas emitidas (053 fl. 372, 080 fl. 402 e 081 – fl. 403), na forma do parágrafo único da cláusula segunda do contrato de prestação de serviços (vide item 24 supra); valores recebidos (folha 1614, Anexo I); lançamentos contábeis dos valores recebidos; livros diários 2001 e 2002 da pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados (fls. 186 a 221) e lançamentos contábeis dos valores pagos nas pessoas jurídicas SRS Consultoria, SRS Prestação de Serviços e Vale Couros Trading S/A. Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Pois bem. A questão a ser sanada é quem foi o real beneficiário dos rendimentos se o Contribuinte (pessoa física) ou se Rudinei Carvalho Advogados Associados (pessoa jurídica). A fiscalização pondera que como os rendimentos foram recebidos na conta bancária pessoal do Contribuinte, este é o beneficiário. Ao passo que o Contribuinte apresenta provas de que o beneficiário é a pessoa jurídica. De fato há rendimentos recebidos na conta pessoal da pessoa física e o Contribuinte alega que são resultantes de honorários de prestação de serviço percebidos e mútuos contraídos de pessoas jurídicas, entretanto, na alegação do Contribuinte a beneficiária desses rendimentos é a pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados. Ora, se foi a pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados – que contraiu os mútuos e prestou os serviços, por que tais valores são depositados diretamente por terceiros na conta pessoa do Contribuinte (pessoa física)? A explicação seria no sentido de que a pessoa física (Contribuinte), na qualidade de sócio da pessoa jurídica Rudinei Carvalho Advogados Associados – percebeu tais rendimentos a título de distribuição de lucros ou uma cessão creditória. Porém, não há nos autos comprovação dessas operações. O próprio Relatório de Ação Fiscal (fls. 20) dispõe que: “Nenhum contrato, procuração, cálculo de honorários, prestação de contas, etc foi apresentado, para comprovar a vinculação entre os valores efetivamente recebidos pelo contribuinte Rudinei Clênio Carvalho e as notas fiscais emitidas pela empresa Rudinei Carvalho Advogados Associados.” Desta feita, considerando que não restou comprovada a causa jurídica pelo pagamento diretamente ao Contribuinte dos referidos valores, os mesmos devem ser considerados como tributáveis pelo IRPF na pessoa física do Contribuinte, por restar esse caracterizado como beneficiário dos rendimentos. 2.2. Remuneração Indireta O Contribuinte argumenta que no tocante ao lançamento com base em remuneração indireta, a DRJ se quedou silente e não analisou a questão. Defende que as referidas despesas incorridas em seu nome pela empresa EZT Oficina de Turismo Agência de Viagens Ltda. a pedido da SRS Prestação de Serviços decorrem da prestação dos serviços. Por se tratar de serviço de advocacia, a contratante incorre em despesas em nome dos profissionais advogados com vistas a custear viagens e estadias quando necessário para consecução do serviço. Dos autos verificase que o Contribuinte teve os referidos valores custeados pela SRS Prestação de Serviços, empresa contratante dos seus serviços, com a finalidade de prestar os serviços para os quais foi contratado. Como o Contribuinte é advogado, situado em Porto Alegre, necessita se locomover para defender os interesses dos seus clientes na comarca em que estão sendo acionados. Desta feita, além da remuneração paga para compensar o serviço advocatício em si (honorários), também é preciso que a contratante dos serviços custeie os valores necessários Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.011496/200614 Acórdão n.º 2201002.349 S2C2T1 Fl. 5 7 para viabilizar a prestação do serviço pelo profissional (Contribuinte). Logo, despesas de locomoção e estadia são custeadas pela contratante como gastos operacionais próprios e não compõe os honorários recebidos pelo profissional. Assim, verificase que as despesas foram incorridas em benefício do Contribuinte para prestar o serviço e não para recompensar o serviço prestado. Desta feita, em face da comprovação das despesas incorridas nos autos, entendo que tais valores não são considerados acréscimo patrimonial do Contribuinte, não devendo compor a base de cálculo do IRPF. 2.3. Compensação dos Tributos Pagos O Contribuinte pleiteia que no caso de o Recurso Voluntário ser julgado improcedente que os valores de tributos pagos pela Rudinei Carvalho Advogados Associados (pessoa jurídica) pelos serviços prestados sejam compensados em face do presente crédito tributário. O presente órgão não é competente para deferir a compensação de tributos. O Contribuinte deve se socorrer junto ao órgão tributário mediante o pedido pertinente para que então, a autoridade tributária possa se manifestar acerca da possibilidade de compensação. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 5.028,49, no anocalendário de 2001, e de R$ 25.292,29, no anocalendário de 2002 referentes às despesas com viagem e estadia custeadas pela empresa contratante dos serviços em benefício do prestador. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 14479.000103/2007-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/08/2001
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ECONOMIA PROCESSUAL.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2403-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer dos embargos de declaração para sanar a omissão apontada e ratificar o acórdão guerreado, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DECADÊNCIA. ECONOMIA PROCESSUAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer dos embargos de declaração para sanar a omissão apontada e ratificar o acórdão guerreado, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 01 03 /2 00 7- 42 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000103/200742 Acórdão n.º 2403002.478 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração, fls. 187/189, opostos pela Fazenda Nacional, com esteio no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em face do acórdão n. 2403000.664, que negou provimento aos embargos de declaração opostos nas fls. 178/179 dos autos. Em 08 de fevereiro de 2012, prolatouse resolução de n. 2403000.051 para oitiva da empresa para manifestarse acerca dos argumentos expedidos pela Fazenda Nacional, a qual apresentou Manifestação nas fls. 431/437, alegando que a decadência é matéria de ordem pública e deve ser mantido o acórdão que julgou o mérito da questão. Diante da quantidade de decisões prolatadas por este conselho, para o caso concreto, fazse síntese das etapas percorridas desde o primeiro acórdão prolatado. Em 08 de fevereiro de 2011, esta 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária prolatou o acórdão n. 2403000.335, fls. 177/185, provendo o recurso voluntário para reconhecer a decadência total das competências com base no art. 150, parágrafo 4º do CTN, uma vez que o auto compreendia o período de 01/11/1997 a 31/08/2001, lavrado o auto em 28/02/2008, vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees Stringari, que votaram por reconhecer a decadência com base no art. 173, I, do CTN. Nas fls. 403/404, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, alegando que não foi interposto recurso voluntário. Nas fls. 405/407 consta o despacho de n. 2403018, em 31 de maio de 2011 em que o então relator propôs o conhecimento dos embargos de declaração, os quais foram rejeitados em 28 de julho de 2011 em julgamento colegiado que resultou a prolatação do acórdão 2403000.664, por unanimidade de votos. No entanto, apesar do julgamento acima, a Fazenda Nacional novamente interpôs embargos de declaração, constantes nas fls. 414/416, afirmando que o colegiado apenas analisou um dos fatos postos em discussão, qual seja, a presença ou não de recurso voluntário nos autos, deixando de lado a análise da concomitância, haja vista conter nos autos a cópia de decisão em sede de agravo de instrumento, que desafiou decisão de juiz de primeiro grau, para suspensão da exigibilidade do crédito consubstanciado na NFLD em análise nestes autos, qual seja, NDLF 37.014.7642. Em análise a este último recurso interposto, prolatouse o despacho n. 2403 052 de fls. 417/418 na qual o então relator, Cid Marconi Gurgel de Souza, propôs o conhecimento dos embargos de declaração ante a omissão apontada, que prejudicaria a análise do julgamento do mérito do recurso voluntário. Os embargos foram levados a julgamento pelo colegiado, tendo sido determinada a conversão em diligência por meio da resolução n. 2403000.051, fls. 419/421, Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 em respeito ao princípio do contraditório e ampla defesa, para intimação do recorrido para apresentar manifestação e posterior retorno para julgamento final. É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000103/200742 Acórdão n.º 2403002.478 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fls. 431 temse que a manifestação é tempestiva e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Esta Turma julgou pela procedência do Recurso Voluntário, quando da prolatação do Acórdão 2403000.335, em 08 de fevereiro de 2011, em razão da verificação da decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, com base no disposto na Súmula Vinculante nº 8, que reza: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN, o que foi constatado nos autos, no processo, quando da análise dos documentos acostados nas fls. 79/90, anexos à impugnação. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação a todo o período, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. Essa é a jurisprudência consolidada nos tribunais superiores integrantes do poder judiciário, assim como deste CARF, não merecendo reforma o fato de haver processo judicial ajuizado pelo contribuinte, não merecendo reforma o acórdão anterior, uma vez que se trata de ocorrência de decadência total, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. In casu, deve ser observada a economia processual, braço do princípio da eficiência, positivado no art. 37, caput, da CF/88 e art. 2º da Lei 9.784/99. Esse é o Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 entendimento da melhor doutrina processualista, a exemplo de Cleucio Santos Nunes (Curso de Direito Processual Tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 73/74), in verbis: O processo administrativo tributário, assim entendido como instrumento formal de aplicação da lei tributária para o fim de afirmar, no âmbito da Administração, a validade do procedimento de constituição do crédito tributário, com observância das garantias do contraditório e da ampla defesa, assentase no fundamento da eficiência. Afronta qualquer noção de eficiência na solução de pretensões administrativas, como é o caso da cobrança de tributos, o desenvolvimento de processo que exija do particular o cumprimento de regras excessivamente burocráticas, escondidas sob o falso fundamento de segurança ou de obtenção da verdade na solução dos dissídios administrativos. Ao mesmo tempo em que o processo tributário é meio para averbação do procedimento fiscal, daí o cabimento de contraditório e de ampla defesa, não poderá perderse no turbilhão de práticas formais que somente servem para dificultar a efetividade dessas garantias. No mesmo sentido, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, São Paulo: Dialética, 2010, p. 164), in verbis: Entre os mais difundidos cânones do procedimento administrativo figura o princípio do formalismo moderado também denominado de princípio do informalismo a favor do administrado. Esse primado aparece expressamente na Lei n. 9.784/99 (LGPAF) ao prescrever, sob a forma de critério informativo do procedimento e do Processo Administrativo, a adoção de formas simples, suficientes para propiciar grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados, mas desde que observem formalidades essenciais. Ademais, confirmase o postulado da moderação formal a regra de que os atos administrativos não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da LGPAF) (...) O formalismo moderado tem duas vertentes de funcionalidade: a primeira revestida sob a forma de informalismo a favor do administrado, que tem por escopo facilitar a atuação do particular de modo a que excessos formais não prejudiquem sua colaboração no procedimento ou defesa no processo; a segunda vertente relacionase com a celeridade e economia que se espera do atuar administrativo fiscal. Nesse último sentido a eliminação de formalidades desnecessárias concorre positivamente para a celeridade e economia administrativa e contribui para o primado da eficiência, consagrado constitucionalmente no art. 37 da Constituição Federal de 1988. Não só a doutrina vem abordando os princípios acima, como também, este Conselho Administrativo, conforme se percebe dos julgados abaixo que bem ilustram a matéria, in verbis: Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000103/200742 Acórdão n.º 2403002.478 S2C4T3 Fl. 5 7 Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. EXTENSIVO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRETORES. AUSÊNCIA PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA. NÃO INDIVIDUALIZAÇÃO DO MONTANTE DESTINADO A CADA EMPREGADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARECER PGFNCRJ N° 2.119/2011 E ATO DECLARATÓRIO N° 12/2011. A teor da jurisprudência uníssona no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, lastro do Parecer PGFNCRJ n° 2.119/2011 e Ato Declaratório n° 12/2011, a verba concedida a título de Seguro de Vida em Grupo, conquanto que extensiva à totalidade dos segurados empregados e diretores da empresa, e não identificada para cada funcionário, encontrase fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, uma vez que o empregado não usufrui do valor pago de forma individualizada (Resp n. 759.266/RJ). Recurso Voluntário Provido. (CARF. Processo 18471.000671/200855, Relator RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Nº Acórdão 2401003.030) **************************************************** IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ECONOMIA PROCESSUAL, CELERIDADE, MOTIVAÇÃO, MORALIDADE Fiscalização previamente realizada por unidade da Receita Federal tecnicamente capaz de fiscalizar o contribuinte não pode ser sumariamente ignorada pela autoridade competente para proferir despacho decisório, especialmente se não houver qualquer fundamento ou motivação para tanto. PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL EFICIÊNCIA E VERDADE MATERIAL Documentos não apresentados pelo contribuinte, mas de posse da Receita Federal, devem ser analisados pela Delegacia competente, em privilégio do princípio da verdade material. Imperiosa a anulação de decisão que deixa de analisar a existência do crédito pleiteado, sob a alegação de inexistência de documentos, quando os mesmos estão de posse da Receita Federal, pois apresentados em Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 fiscalização prévia acerca do mesmo crédito, e de mesmo período. Recurso Voluntário Provido em Parte.(Processo 16349.000518/200727, Data da Sessão 13/02/2012, Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Nº Acórdão 3302001.420) Em razão do exposto, não merece reforma o acórdão anteriormente prolatado. CONCLUSÃO Do exposto, conheço dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional para sanear a omissão apontada e ratificar a decisão guerreada, no mérito, negarlhe provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 12457.003973/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 26/05/2005
MULTA. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA EM SITUAÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE.
Responde pela penalidade decorrente do ingresso irregular no território nacional de a importação irregular o transportador, quando não comprovada a adoção das cautelas legais para identificação da propriedade dos bens encontrados em veículo de sua propriedade. Se o transportador deixa de verificar as mercadorias aceita para transporte, assumi para si a responsabilidade pelo transporte de mercadoria ilegal, sujeitando-se às penas respectivas, por ato omissivo próprio.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3101-001.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Garcia de los Rios (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/05/2005 MULTA. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA EM SITUAÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE. Responde pela penalidade decorrente do ingresso irregular no território nacional de a importação irregular o transportador, quando não comprovada a adoção das cautelas legais para identificação da propriedade dos bens encontrados em veículo de sua propriedade. Se o transportador deixa de verificar as mercadorias aceita para transporte, assumi para si a responsabilidade pelo transporte de mercadoria ilegal, sujeitandose às penas respectivas, por ato omissivo próprio. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Garcia de los Rios (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 00 39 73 /2 00 7- 04 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Adoto o relatório de fls. 77 (frente e verso), por bem descrever os fatos até o momento: Tratase de Recurso Voluntário interposto pela autuada JJ Expresso Sul Transportador Turismo Ltda. contra decisão da DRJ – Florianópolis/SC que manteve o lançamento da multa da pena de perdimento sob o argumento que restou comprovado que a Recorrente, na qualidade de responsável pelo transporte dos bens, teria introduzido irregularmente no país grande quantidade de cigarros de procedência estrangeira. A autuada foi incluída como responsável pelo crédito tributário em razão da falta de identificação dos proprietários da mercadoria no momento da apreensão. Cientificado do lançamento a autuada apresentou impugnação em 20/03/2007, a qual lhe foi negado provimento pela DRJFlorianópolis/SC, conforme a ementa abaixo transcrita: “MULTA REGULAMENTAR. Constitui infração às medidas de controle fiscal a posse de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitandose o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos. TRANSPORTE. MERCADORIA SEM IDENTIFICAÇÃO DO PROPRIETÁRIO. PRESUNÇÃO. Presumese de propriedade do transportador, para efeitos fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário, quando em veiculo transportador de passageiros em viagem internacional ou que transite por zona de vigilância aduaneira. Lançamento Procedente” Inconformada com a decisão do órgão julgador de primeira instância, da qual tomou conhecimento em 27/11/2007, apresentou Recurso Voluntário em 20/12/2007 (fls. 56/74), reiterando as suas alegações ofertadas na impugnação, bem como alegando que: a) “seja considerado nulo o auto de infração, especialmente quanto aos efeitos da revelia, pois não houve comunicação ao representante legal da empresa JJ Expresso Sul Transporte Turístico Ltda., desconstituindo o crédito tributário”; b) “seja excluída a penalidade, pela atipicidade da conduta, bem como o crédito tributário dela decorrente, tendo em vista a não especificação da mercadoria transportada, requisito essencial para tal”; c) “seja, de forma subsidiária, em caso de não atendimento dos pedidos acima, utilizada a alíquota de R$ 0,98 (noventa e oito centavos de real) por maço de cigarro apreendido”; d) “seja parcelado o débito supra, no maior prazo possível na legislação, bem como seja aplicado o desconto de 40% (quarenta por cento)”. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12457.003973/200704 Acórdão n.º 3101001.553 S3C1T1 Fl. 102 3 O julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligências à repartição de origem, nos termos da Resolução n° 310100.060, de 18/09/2009, para que fossem juntados aos autos todos os elementos de prova que formaram a convicção do Fisco para a lavratura do “Auto de Infração com Apreensão de Mercadorias” (fls. 02), em 26 de maio de 2005 e, uma vez cumpridas as diligências, que a Recorrente fosse intimada para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias, manifestarse, e após retornassem os autos para apreciação das razões aduzidas no Recurso Voluntário. Em retorno de diligência, com atendimento da juntada dos documentos solicitados, percebendo que a Recorrente não fora intimada a manifestarse sobre o resultado de diligência, o julgamento foi convertido novamente em diligência nos termos da Resolução n° 310100138, de 07/04/2011, para intimação do Contribuinte em atendimento do princípio do contraditório e da ampla defesa. Intimada, a Recorrente não apresentou manifestação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A conversão do julgamento em diligência se mostrou salutar uma vez que com os documento e depoimentos trazidos aos autos, ficou claro que a tese da Recorrente não tem qualquer suporte fático para se sustentar. Como bem esclareceu a autoridade da repartição de origem, o que é possível confirma pelo conjunto probatório contido no auto de infração: “Da fiscalização do ônibus placas AAP5389, em 26/5/2005, foram lavrados os Autos de Infração com Apreensão de Mercadorias n° BD14807, BD14808 e BD14809, correspondentes às mercadorias que estavam identificadas no interior do referido ônibus, vide fls. 81 a 86” e “Auto de Infração com Apreensão de mercadorias n° BD14810, em nome da transportadora, correspondente às mercadorias que estavam no interior do referido ônibus e que estavam sem identificação dos proprietários, vide fls. 87 a 89.” O que salta aos olhos é a quantidade de 27.000 mil maços de cigarros, resultando em 54 caixas de cigarros, volume que se encontrava no interior do ônibus, o que não seria possível o carregamento no local de parada. A tese não se coaduna com a situação de fato provada e demonstrada pela fiscalização, sendo que não há a contradição indicada no recurso para retirar a validade do auto de infração. Ademais, a Recorrente não trouxe contraprova que pudesse afastar a narrativa e a prova que amparou o lançamento. Nesse diapasão, não merece reparo a decisão recorrida, uma vez que, diante da constatação do transporte ou a posse de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, implica a sanção prevista no Decretolei n°399/1968, art. 2o c/c art. 3o. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Improcedente a alegação da Recorrente de que a intimação não foi feita à pessoa competente, uma vez que o motorista é representante da transportadora, quando no exercício da condução do veículo. Mesmo que tal intimação pessoal não fosse adequada, houve edital proclamado para intimação, a fim de ratificar a intimação pessoal. Ademais, a intimação do auto de infração ocorrida pela via postal, em 05/04/2007, congrega os requisitos necessário à aplicação da multa objeto da exigência. De acordo com o disposto no artigo 621 do Regulamento Aduaneiro/2002, é apenada com perdimento qualquer pessoa que seja flagrada em infração às medidas de controle baixadas pelo Ministério da Fazenda, relativos a fumo, cigarros e assemelhados, de procedência estrangeira, o que inclui posse, circulação, depositamento, aquisição e, até mesmo, o consumo desses produtos, aplicandose nestes casos a penalidade trazida pelo artigo 632 do mesmo diploma legal, que prevê a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro apreendido. A configuração hipotética contida na norma se aplica ao caso concreto, já que o Recorrente estava transportando mercadorias de forma irregular, que se sujeitam ao perdimento, além da multa sancionatória. Ao realizar a apreensão das mercadorias não se conseguiu identificar o verdadeiro “proprietário” dos produtos em razão da falta de informação fornecida pelo preposto do Recorrente no momento da autuação. Frisase que em nenhum momento o Recorrente identifica os responsáveis pela carga, deixando de trazer aos autos o suposto contrato de prestação de serviços de frete para demonstrar os reais proprietários da mercadoria apreendida. Além disso, se o Recorrente deixa de verificar as mercadorias aceita para transporte, assumi para si a responsabilidade pelo transporte de mercadoria ilegal, sujeitandose às penas respectivas, por ato omissivo próprio. Sobre a responsabilidade do transportador, o artigo 602, incisos II, do RA/2002, dispõe que respondem pela infração, “conjunta e isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes”. Assim, da leitura dos dispositivos supra, verificase a responsabilidade da proprietária do veículo quando disponibilizouo para o transporte cigarro, razão pela qual não merece prosperar a argumentação da Recorrente quanto à exclusão de responsabilidade. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.001456/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
Constatado erro na apuração da matéria tributável, ao se confrontar os valores constantes dos livros contábeis e os valores da DIPJ e da DACON, exonera-se parcialmente a exigência.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação da CSLL, decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1301-001.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PERÍODO DE APURAÇÃO. ERRO NO CÁLCULO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Na verificação da existência de receitas eventualmente omitidas no cálculo do IRPJ há que se considerar todo o período de apuração (no caso anual), e não apenas as diferenças mensais próFisco entre os valores constantes dos livros contábeis e os valores da DIPJ, ignorandose as prócontribuinte. Exigência mantida em parte. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação da CSLL, decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Constatado erro na apuração da matéria tributável, ao se confrontar os valores constantes dos livros contábeis e os valores da DIPJ e da DACON, exonera se parcialmente a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 56 /2 00 6- 19 Fl. 5199DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 5200DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001456/200619 Acórdão n.º 1301001.295 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recursos Voluntário e de Ofício manuseados ante a parcial exoneração de crédito tributário pela decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. De acordo com o disposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 462/466), em fiscalização empreendida perante a contribuinte acima identificada, relativa aos anos calendário de 2001 a 2005, relatou a Fiscalização que fora emitido o MPF 08.1.90.002004025937 para apuração das receitas geradas pelo contribuinte, base de cálculo para pagamento das parcelas do Programa de Recuperação Fiscal "REFIS", Lei nº 9.964/2000, benefício este que lhe foi homologado pela SRF para quitação de débitos em aberto. Ainda de acordo com o TVF, para verificar o faturamento da empresa, a fiscalização promoveu inúmeros cotejamentos, uma vez que a empresa reduziu nos últimos anos, drasticamente, o valor estampado nas guias de recolhimento do REFIS e, segundo constatado pela Fiscalização, até o ano de 2000 a contribuinte possuía 8 unidades industriais, tendo sido algumas delas posteriormente desativadas, com consequente redução do faturamento mensal da empresa, restando duas unidades, das quais a única unidade industrial em operação é a de Barra Mansa (RJ), ficando a unidade de São Paulo com as tarefas de estocagem e de administração. Registrouse que essa degeneração do patrimônio da empresa, refletida nitidamente em seu faturamento, pode ser observada em seus livros razões auxiliares, diário, livros de apuração do IPI e do ICMS, livros de entrada e saída. Entretanto, realizada uma averiguação mais específica nos valores constantes nos livros/registros contábeis com aqueles inseridos na base de cálculo do REFIS e nos livros fiscais, a Fiscalização observou algumas distorções que, a seu pedido, foram ratificadas e demonstradas pela contribuinte no “Demonstrativo dos Valores Apurados x Valores Recolhidos" (fl. 380). Atestouse assim, que não obstante os problemas que a empresa vem tendo relativamente ao enxugamento de seu parque industrial, algumas diferenças próFisco (positivas), não escrituradas nos livros fiscais e nem levadas em conta na apuração dos tributos federais, foram observadas pela Fiscalização, motivo pelo qual foi emitido o referido MPFF para lançamento de ofício do IRPJ e de seus reflexos das diferenças encontradas entre receitas escrituradas nos livros fiscais e nos livros contábeis, cujos períodos de apuração, valores e diferenças estão estampados no “Demonstrativo das diferenças entre receitas consignadas nos livros fiscais e contábeis” (fl. 465). Em face do exposto, foram efetuados lançamentos relativos aos anos calendário de 2001 a 2005. Devidamente cientificada dos lançamentos, a contribuinte apresentou Impugnações relativas ao IRPJ (volume 3), à COFINS (volume 9), ao PIS (volume 14) e à CSLL (volume 20), alegando, em síntese, que a presente autuação originouse de fiscalização anterior, cujo objetivo era verificar a regularidade da apuração e do recolhimento das parcelas do REFIS, que são calculadas com base nas receitas mensalmente auferidas por ela recorrente. Fl. 5201DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Reputou que naquela ocasião apresentou à Fiscalização extensa documentação, incluindo o anexo "demonstrativo de valores apurados versus valores recolhidos do REFIS" (doc. 4), sendo que ao final a autoridade fiscalizadora concluiu pela inexistência de irregularidades na apuração e no recolhimento das parcelas do REFIS, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. Aduziu, entretanto, que baseada somente em tal demonstrativo, que se refere à apuração e recolhimento das parcelas do REFIS, cujas bases de cálculo são as receitas mensalmente auferidas, a Fiscalização emitiu o presente MPF e efetuou o lançamento do IRPJ sobre as diferenças apuradas naquele demonstrativo, entre os livros contábeis e fiscais, mas apenas nos períodos em que houve saldo positivo "próFisco", isto é, nos períodos de apuração em que a escrituração contábil das receitas (linhas de "receita" dos balancetes contábeis mensais) foi maior que a escrituração fiscal (livros fiscais de IPI e ICMS, refletidos na Ficha 19A da DIPJ demonstrativo da base de cálculo do PIS e, consequentemente, da parcela mensal do REFIS). Seguiu argumentando ser certo que o presente Auto de Infração deveria ser cancelado, preliminarmente por se tratar de lançamento nulo, por exigir créditos tributários que já foram objeto de fiscalização anterior sem a observância da exigência do artigo 906 do RIR/99 e do artigo 7º, §2º da Lei nº 2.354/54, lançando argumento alternativo segundo o qual o Auto de Infração deveria ser julgado totalmente improcedente, porquanto ao constatar diferenças entre os livros contábeis e os livros fiscais (para fins de apuração das receitas), a fiscalização adotou como corretos os livros contábeis, lançando a diferença de PIS e COFINS que seria devida nos meses em que a base de cálculo nos livros fiscais foi menor que a dos livros contábeis, ocorrendo que o IRPJ, diferentemente do PIS e da COFINS, é tributo apurado sobre o lucro contábil (base de cálculo extraída dos livros contábeis), de sorte que o lançamento efetuado pela Fiscalização careceria de fundamentação, uma vez que não existe diferença entre a base de cálculo adotada como padrão verdadeiro pela autoridade fiscalizadora (que adotou os livros contábeis como corretos) e a base de cálculo do IRPJ apurada pela impugnante, qual seja o lucro líquido contábil, ajustado ao final pelas adições e deduções previstas na legislação do Imposto sobre a Renda. Aduziuse ainda, em pleito novamente alternativo, que caso se por absurdo, entendesse que a base de cálculo do IRPJ deva ser apurado com base nos livros fiscais de apuração do ICMS e do IPI, não poderia a Fiscalização ter considerado apenas os períodos em que a diferença entre o faturamento registrado nos livros contábeis (considerados como padrão correto) e o faturamento escriturado nos livros fiscais resultou em saldo a menor (diferença positiva "prófisco"), sendo necessário recompor a base de cálculo para considerar também os períodos em que houve antecipação da tributação, com registros fiscais em valores superiores aos dos livros contábeis, resultando, portanto, em diferença positiva "prócontribuinte". Por fim, afirmou que as verificadas diferenças entre o registro contábil e a apuração fiscal de suas receitas (com base nos livros de apuração do ICMS e do IPI) ora a maior, ora a menor devese basicamente ao fato de que efetuava vendas para entrega futura cuja receita era reconhecida nos livros fiscais, para fins de determinação da base de cálculo do PIS, da COFINS, do ICMS e do IPI, no momento da emissão das notas fiscais de venda para entrega futura, sendo que a receita proveniente deste faturamento somente era registrada nos livros contábeis, agora para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por ocasião da entrega efetiva das mercadorias. Teceu outros tantos argumentos, inclusive individualizados para cada exigência fiscal e requereu a improcedência da autuação. Fl. 5202DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001456/200619 Acórdão n.º 1301001.295 S1C3T1 Fl. 4 5 A 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP julgou o lançamento parcialmente procedente em acórdão que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais incabível falar em nulidade do Auto de Infração. OMISSÃO DE RECEITAS. PERÍODO DE APURAÇÃO. ERRO NO CÁLCULO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Na verificação da existência de receitas eventualmente omitidas no cálculo do IRPJ há que se considerar todo o período de apuração (no caso, anual), e não apenas as diferenças mensais próFisco entre os valores constantes dos livros contábeis e os valores da DIPJ, ignorandose as prócontribuinte. Exigência mantida em parte. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação da CSLL, decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Constatado erro na apuração da matéria tributável, ao se confrontar os valores constantes dos livros contábeis e os valores da DIPJ e da DACON, exonerase parcialmente a exigência. DIFERENÇAS POSITIVAS E NEGATIVAS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações entre diferenças positivas (omissão de receita no mês) e diferenças negativas (oferecimento à tributação a maior) devem necessariamente ser informadas em DCTF e, a partir de outubro de 2002, devem ser efetuadas através de DCOMP Declaração de Compensação. COFINS. DECORRÊNCIA. O decidido quanto à contribuição para o PIS aplicase à tributação da COFINS, decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 5203DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Temse, portanto, que a decisão recorrida refutou as preliminares suscitadas, concluindo que de fato a Fiscalização adotou como corretos os valores das receitas constantes dos livros contábeis, efetuando os lançamentos em relação ao valores constantes dos livros fiscais que divergiam (para menos) desses valores, atestandose que assistia razão à contribuinte ao afirmar que a Fiscalização deveria ter considerado todas as diferenças (positivas ou negativas), e não apenas as próFisco (positivas, valores constantes dos livros contábeis maiores que os constantes dos livros fiscais), visto que a apuração do IRPJ e da CSLL é, no caso em tela, anual. Sendo assim, elaborou detida planilha comparativa dos valores e afirmou que haveria que se verificar se de fato a contribuinte considerou em suas DIPJs as receitas constantes dos livros contábeis, conforme alegado, para concluir que de conformidade com os tais demonstrativos, apenas em relação ao anocalendário de 2003 a contribuinte ofereceu à tributação uma receita menor que a constante dos seus livros contábeis (R$ 85.540.444,35, em vez de R$ 85.630.078,74), razão pela qual deveria ser excluída da tributação o IRPJ e a CSLL dos anoscalendário 2001, 2002, 2004 e 2005 e, em relação ao anocalendário 2003, manter a matéria tributável a título de omissão de receita no montante de R$ 89.634,39 (diferença entre a DIPJ e os livros contábeis), refazendose os cálculos conforme tabela apresentada. Concluiuse, destarte, por exonerar integralmente o IRPJ e a CSLL lançados (para todos os anoscalendário), e com relação ao anocalendário 2003, reduzir o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL. Em relação ao lançamento reflexo de PIS e COFINS, entendeu a decisão recorrida que seguindo, mutatis mutandis, o mesmo procedimento utilizado na análise do IRPJ e da CSLL, ou seja, adotando como corretos valores das receitas constantes dos livros contábeis e verificandose se essas receitas foram consideradas pela contribuinte em suas declarações (DIPJ e DACON) na apuração do PIS e da COFINS, deveria se observar, no entanto, que a apuração do PIS e da COFINS é mensal, ao contrário do que ocorre com a apuração do IRPJ e da CSLL que é anual, não prevalecendo, ainda, a tese de que as diferenças positivas (omissão de receita no mês) deveriam ter sido compensadas com as diferenças negativas (oferecimento à tributação a maior), posto que as compensações devem necessariamente ser informadas em DCTF e, a partir de outubro de 2002, devem ser efetuadas através de DCOMP – Declaração de Compensação, nos termos do artigo 63, inciso I, da MP nº 66/2002, o que não ocorreu. Dito isso, assentouse que com relação aos meses do anocalendário 2001 autuados (outubro, novembro e dezembro) observase que os valores constantes da DIPJ refletem os valores dos livros contábeis, não havendo o que autuar. O faturamento (base de cálculo do PIS e da COFINS) informado na DIPJ corresponde exatamente à soma dos valores constantes dos livros contábeis com as receitas de variações cambiais. Com relação aos meses do anocalendário 2002 (janeiro, abril, julho, setembro e dezembro) observou a decisão recorrida que nos meses de janeiro, julho e setembro, a base de cálculo informada na DIPJ é superior aos valores constantes dos livros contábeis, não havendo o que autuar e no mês de abril, a diferença entre a base de cálculo informada na DIPJ e os livros contábeis é inferior ao valor autuado, devendose, portanto, reduzir a autuação já no mês de dezembro, a diferença entre a base de cálculo informada na DIPJ e os livros contábeis é superior ao valor autuado, devendose, portanto, manter a autuação, pois não é possível o agravamento da exigência. Tratandose dos meses do anocalendário de 2003 que foram autuados (janeiro, abril, setembro, outubro e dezembro) observou a decisão recorrida que nos meses de Fl. 5204DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001456/200619 Acórdão n.º 1301001.295 S1C3T1 Fl. 5 7 janeiro e abril, a base de cálculo informada na DIPJ é superior aos valores constantes dos livros contábeis, não havendo o que autuar e nos meses de setembro, outubro e dezembro, a diferença entre a base de cálculo informada na DIPJ e os livros contábeis é inferior ao valor autuado, devendose, portanto, reduzir a autuação. Para o ano de 2004 o entendimento foi de que nos meses de janeiro e março, a base de cálculo informada na DIPJ é superior aos valores constantes dos livros contábeis, não havendo o que autuar e no mês de julho, a diferença entre a base de cálculo informada na DIPJ e os livros contábeis é inferior ao valor autuado, devendose, portanto, reduzir a autuação e o mês do anocalendário 2005 autuado (janeiro) observou que a diferença entre a base de cálculo informada na DACON (em anexo) e os livros contábeis é inferior ao valor autuado, devendo se, portanto, reduzir a autuação. Diante disso, quanto ao PIS e à COFINS, entendeu a decisão recorrida: exonerar a tributação relativa aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2001; janeiro, julho e setembro de 2002; janeiro e abril de 2003, janeiro e março de 2004; manter a tributação relativa ao mês de dezembro de 2002; refazer os cálculos relativos aos meses de abril de 2002; setembro, outubro e dezembro de 2003; julho de 2004; e janeiro de 2005. Como já adiantado acima, em vista das relatadas exonerações foi efetivado o Recurso de Ofício, bem como a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, tornando a relatar os fatos sucedidos, o conteúdo da sua Impugnação e o resultado parcialmente favorável contido na decisão recorrida. Registrouse diante disso, que muito embora a decisão recorrida tenha reduzido integralmente as exigência de IRPJ e CSLL, teria firmado entendimento de que a contribuinte, supostamente, oferecera à tributação uma receita menor que aquela constante em seus livros contábeis no exercício 2003, situação que impactou na redução do seu prejuízo fiscal do período, motivou pelo qual manifestou sua insurgência, reputando novamente que o auto de infração seria nulo, por vício de forma, porquanto o período de apuração em questão já havia sido auditado anteriormente por meio do MPF nº 08.1.90.002002035439, que possuiria o mesmo objeto do MPF que resultou na combatida autuação. Relembrou a regra do artigo 906 do RIR/99, afirmando inexistir na espécie a inarredável “ordem expressa” do Superintendente, Delegado Ou Inspetor da Receita Federal do Brasil, citando precedentes de julgados administrativos que entende aplicáveis e pugnando pelo reconhecimento da nulidade do lançamento. Reiterou os argumentos de mérito, apresentando os motivos que ensejaram as divergências entre a escrituração contábil e fiscal, afirmando neste propósito, que a despeito de decisão recorrida ter cancelado parcialmente o crédito tributário, cumpriria informar que não foi observado pela decisão recorrida que as tais divergências entre as escriturações fiscais e contábeis, para apuração do IRPJ e da CSLL, se deram em razão da antecipação da tributação e ajustes ocorridos em 12/2002 e 01/2003. Argumentou assim, que na origem, a Fiscalização efetuou o lançamento sem considerar as diferenças positivas e negativas das escriturações, de modo que os referidos Fl. 5205DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 tributos terminaram por não incidir sobre o lucro líquido contábil da contribuinte, de sorte que a decisão recorrida realizou um comparativo entre as declarações contábeis e fiscais da recorrente, compensando os créditos e débitos apurados mensalmente, para que assim fosse possível aferir o crédito tributário devido, ocorrendo, no entanto, que muito embora ela contribuinte tenha apresentado um saldo credor prócontribuinte em todos os exercícios, foi apenas em 2003 que houve divergência entre o montante apurado nos balancetes e os valores declarados em DIPJ, sendo que apenas em relação à divergência prófisco de R$ 89.634,39, foi que a decisão recorrida entendeu que deveria ser mantida a autuação, porquanto avaliou ter ocorrido omissão de receitas e, considerandose que neste período a contribuinte não apresentou lucro líquido contábil, o valor correspondente à considerada omissão de receita foi abatido do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL. Insistiu a contribuinte, no entanto, que a divergência aduzida acima, deveria ter sido abatida do saldo credor que apresentou nos exercícios de 2001 e 2002, salientando que em exercícios anteriores, apresentou à Fiscalização receitas em valor superior àqueles registrados no seu livro contábil, o que ocasionou na indicação incorreta do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL correspondente aos exercícios em referência. Reputou assim, que de conformidade com o que apurado pela própria decisão recorrida, nos exercícios de 2001 e 2002, houve um saldo credor da base de cálculo indicada, de modo que a Fiscalização deveria ter realizado a recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL quando do lançamento de ofício, para abater o valor do crédito da recorrente com a suposta omissão de receita ocorrida no período subsequente, afirmando não haver falar em omissão de receitas e na redução do prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. No que toca às exigências de PIS e COFINS, destacou a recorrente que a decisão ora impugnada reconheceu a incorreção no procedimento adotado pela Fiscalização e procedeu à análise das receitas que foram escrituradas nos livros contábeis comparados aos valores considerados pela contribuinte nas suas declarações fiscais (DIPJ e DACON) para apuração do PIS e da COFINS, reduzindo substancialmente o auto de infração. Dito isso, defendeu a contribuinte que se poderia concluir que a decisão recorrida descartou o procedimento adotado pela Fiscalização, afastando a possibilidade de efetuarse o lançamento tributário com base nas diferenças apuradas entre os livros contábeis e o demonstrativo das parcelas do REFIS, ocorrendo, no entanto, que a decisão recorrida teria deixado de observar que as diferenças apuradas entre os registros contábeis e a escrituração fiscal das receitas, deveuse ao fato de que a recorrente efetuava vendas para entrega futura, cuja receita era reconhecida em momentos distintos: i) na escrituração fiscal, o lançamento ocorria no ato da emissão das notas fiscais de venda para entrega futura, para fins de determinação da base de cálculo do PIS, CPFINS, IPI e ICMS; ii) o registro contábil da receita proveniente deste faturamento somente era realizado por ocasião da entrega efetiva das mercadorias, para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Afirmou, destarte, que consoante documentos juntados aos autos por ocasião da Impugnação administrativa, nos períodos em que a autuação foi mantida pela decisão recorrida, teria havido antecipação da tributação das contribuições sobre faturamento. Alternativamente sustentou que na totalidade dos períodos autuados teria havido recolhimento a maior de PIS e COFINS, de modo que eventual glosa deveria ter realizado uma recomposição de modo a conciliar tais valores. É o relatório. Fl. 5206DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001456/200619 Acórdão n.º 1301001.295 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade e considerados os valores exonerados pela decisão recorrida assinalo que o Recurso de Ofício atende aos pressupostos regimentais, deles tomo conhecimento. De início registro que não verifico a aventada nulidade. Com efeito, bem entendeu a decisão recorrida que a presente ação fiscal foi determinada por ordem expressa do Chefe de Fiscalização da DEFIC, Sr. Roberto Dominguez, legitimado para tanto pela Portaria de Delegação de Competência nº 170, de 06/12/2005, por meio do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.002006011356. Por outro turno, devese concordar com a decisão recorrida ao aduzir que o superveniente MPF representa, por si só, instrumento hábil para atingir os fins previstos no mencionado artigo 906 do RIR/99. Por outro turno, observese que o presente processo administrativo foi desenvolvido de modo a assegurar à contribuinte amplo e irrestrito direito de defesa e contraditório, de modo que me parece que anular o feito seria prestigiar, sobremaneira, um formalismo incongruente com os princípios que informam o feitos do gênero, de sorte que ausente qualquer prejuízo à contribuinte, bem como verificando a existência de MPF que lastreia a aferição realizada, indefiro o pedido preliminar de nulidade. Superada a questão preliminar, antes de enveredar pelo mérito da decisão recorrida para os fins de cotejar seu acerto ou propugnar sua reforma, convém delinear a matéria objeto do inconformismo considerados os Recursos Voluntário e de Ofício. Neste propósito temse que a contribuinte foi autuada, após análise do “Demonstrativo dos Valores Apurados x Valores Recolhidos" (fl. 380), porquanto a fiscalização observou algumas diferenças ditas próFisco (positivas), não escrituradas nos livros fiscais e nem levadas em conta na apuração dos tributos federais, as quais foram sintetizadas no “Demonstrativo das diferenças entre receitas consignadas nos livros fiscais e contábeis” (fl. 465) e objeto de autuação a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Como bem descrito no relatório acima circunstanciado as exigências de IRPJ e CSLL foram exoneradas, remanescendo apenas parcela relativa ao ano de 2003, que impactou no recálculo do prejuízo fiscal e base negativa de CSLL e as exigências de PIS e COFINS também parcialmente afastadas, ao fundamento sintético de que no confronto realizado cumpria à fiscalização verificar tanto as variações em favor do Fisco quanto aquelas em favor da contribuinte, Seguramente, quanto ao método utilizado pela Fiscalização na apuração dos valores objeto desta autuação não há reparos a serem feitos nas conclusões da decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Com efeito, cuidou a decisão recorrida apresentar didática e incontestável planilha demonstrativa com os valores extraídos dos Livros Contábeis e aqueles lançados em DIPJ pela própria contribuinte, sendo oportuna a transcrição das demonstrações: Fl. 5207DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Livros Contábeis: DIPJ’s: Ora, o confronto numérico extirpa qualquer oposição que se queira fazer ao entendimento da decisão recorrida. Considerando que a fiscalização adotou como corretos os valores das receitas constantes dos livros contábeis, e efetuou os lançamentos em relação aos valores constantes dos livros fiscais que divergiam, para menos, desses valores, cumprialhe, como fez a decisão recorrida, considerar todas as diferenças, quer positivas, quer negativas, ainda mais ao se considerar que a apuração do IRPJ e da CSLL é, no caso em tela, anual. Tendo em vista que a contribuinte considerou em suas DIPJs as receitas constantes dos livros contábeis, conforme demonstrado nos quadros da decisão recorrida, reproduzidos acima, de rigor ratificar o entendimento naquilo em que se afirmou que apenas em relação ao anocalendário 2003 a contribuinte ofereceu à tributação uma receita menor que a constante dos seus livros contábeis (R$ 85.540.444,35, em vez de R$ 85.630.078,74). Vejase que o quadro a seguir, também elaborado pela decisão recorrida, é ainda mais elucidativo: Isso se dá porque não me parece acertado o argumento da contribuinte, manifestado em sede de Recurso Voluntário, de que cumpria a decisão recorrida, já que reconheceu que em anos anteriores (2001 e 2002) houve um “saldo credor”, ter realizado recomposição da base de cálculo de 2003 de modo a abater o montante declarado a maior na escrita fiscal. Fl. 5208DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001456/200619 Acórdão n.º 1301001.295 S1C3T1 Fl. 7 11 Em momento algum a decisão recorrida reconheceu ter havido saldo decorrente de anos anteriores, o que se atestou foi que o procedimento de confronto realizado pela Fiscalização, contrapondo valores constantes na escrita fiscal com aqueles lançados na escrita contábil, apontaram que em verdade nos anos de 2001 e 2002 as diferenças foram negativas em favor do fisco. Com isso, não se assentou que houve recolhimento a maior ou a menor, mas que a base utilizada para autuação, consistente na alegada diferença entre valores escriturados e declarados, não subsistiria, sendo improcedente o auto de infração neste ponto. Medida diversa se deu para o ano de 2003, no qual se apurou de fato divergências, razão pela qual, subsiste o entendimento manifestado e devese excluir a autuação do IRPJ e da CSLL, dos anoscalendário de 2001, 2002, 2004 e 2005 e, em relação ao anocalendário de 2003, manter a matéria tributável a título de omissão de receita no montante de R$ 89.634,39 (diferença entre a DIPJ e os livros contábeis), tal como propugnado pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. No tocante aos lançamentos de PIS e COFINS, tirante o fato de considerar sua apuração mensal, a decisão recorrida aplicou o coincidente raciocínio, que de igual forma deve prevalecer, bastando a transcrição dos quadros demonstrativos para hospedar as decisões de redução e exoneração realizadas pela decisão recorrida de ofício. Fl. 5209DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 Novamente o confronto numérico promovido pela decisão recorrida impede o questionamento das conclusões levadas a levadas a efeito no sentido exonerar a tributação relativa aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2001; janeiro, julho e setembro de 2002; janeiro e abril de 2003, janeiro e março de 2004 e manter a tributação relativa ao mês de dezembro de 2002, tratandose das exigências de PIS e COFINS. Bem como acatar os argumentos da contribuinte equivaleria em permitirse compensação de ofício. Em vista de todo o exposto encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos Recursos de Ofício e Voluntário. Sala das Sessões, em 08 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 5210DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11831.003074/2002-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE PROVA.
Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a documentação hábil a legitimar o crédito pretendido e não o feito, bem como, deixado ainda de trazê-la em quaisquer oportunidades processuais, é de se indeferir o pedido de ressarcimento pretendido, pela carência de prova de sua existência. Inteligência do art. 333 do CPC.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Pela absoluta ausência de previsão legal, e nos termos dos precedentes deste Colegiado, inexiste prazo para análise de pedido de ressarcimento por parte da Administração Tributária, sendo o prazo de 5 anos suscitado pelo contribuinte estendido apenas aos Pedidos de Compensação, o que foi observado no processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE PROVA. Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a documentação hábil a legitimar o crédito pretendido e não o feito, bem como, deixado ainda de trazêla em quaisquer oportunidades processuais, é de se indeferir o pedido de ressarcimento pretendido, pela carência de prova de sua existência. Inteligência do art. 333 do CPC. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, e nos termos dos precedentes deste Colegiado, inexiste prazo para análise de pedido de ressarcimento por parte da Administração Tributária, sendo o prazo de 5 anos suscitado pelo contribuinte estendido apenas aos Pedidos de Compensação, o que foi observado no processo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 30 74 /2 00 2- 10 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003074/200210 Acórdão n.º 3402002.302 S3C4T2 Fl. 214 3 Relatório Por bem narrados os fatos ocorridos no processo, no relatório da DRJ/RPO recorrida, adoto o mesmo por fidelidade: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363/96, referente ao 2° trimestre de 2001, no montante de R$121.296,42, e, conseqüentemente, não homologou as compensações vinculas ao presente processo. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 45/51, o pedido foi indeferido, em síntese, pelo fato de a contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados pela fiscalização (notas fiscais), indispensáveis para a comprovação da certeza e liquidez do crédito solicitado. Regularmente cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 61/65, instruída com os documentos de fls. 66/86, alegando, em síntese, que: 1) Transcorreu o período para a homologação expressa pela Receita Federal, o que inevitavelmente transformou esta homologação em tácita, devendo desta forma ser reconhecido o direito liquido e certo da contribuinte recorrente sem a verificação e fiscalização pela Receita Federal; 2) É ilegal e excesso de exação da Receita Federal negar prazos para a entrega de documentos prescritos e intimar a contribuinte a apresentar planilhas mensais com os valores da receita de exportação e receita operacional bruta, com exclusão dos produtos NT exportados. A obrigação de elaborar planilhas compete à fiscalização e não faz parte da documentação obrigatória; 3) As informações solicitadas constam da Declaração de IRPJ e do Siscomex. Encerrou requerendo o reconhecimento de seu direito ao crédito pleiteado. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo. em 27/01/2009, prolatou o despacho decisório de fls. 87/88, retificando o item 5 do despacho decisório de fls. 45/51. não homologando as declarações de compensação listadas à fl. 87. Desta rerratificação, a interessada não interpôs recurso administrativo. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de inconformidade apresentada, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu o Acórdão de nº. 1429.244, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I PI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. PRESCRIÇÃO. GLOSAS DE CRÉDITO. O § 40 do artigo 150 do CTN aplicase a lançamento por homologação e não aos casos de correção do cálculo do montante do beneficio fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ONUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Primeiramente, a DRJ/POR afastou a prescrição por entender que não existe prazo legalmente estabelecido para a tácita homologação de pedidos de ressarcimento. Alegou que a legislação prevê, é a homologação tácita, pela transcorrência do prazo de cinco anos, contados a partir da data do protocolo da compensação declarada. Salientou que o § 4° do artigo 150 do CTN não se refere à correção e cálculo de benéfico fiscal e sim para lançamento por homologação. No que tange a comprovação, os documentos obrigatórios para verificação do crédito não foram apresentados pela contribuinte, deste modo, a falta de atendimento às exigências da Administração, implicou no indeferimento do pedido. Ademais, afirmou que é da competência da interessada provar os fatos constitutivos de seu direito. Ante o exposto, votou no sentido de indeferir a Manifestação de Inconformidade DO RECURSO Ciente em 27/07/2010 do Acórdão nº. 1429.244, e não se conformando com a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao 2° Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003074/200210 Acórdão n.º 3402002.302 S3C4T2 Fl. 215 5 Trimestre de 2001, o contribuinte apresentou em 25/08/2010 Recurso Voluntário a este Conselho. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, reiterou os argumentos alegados em sede de manifestação de inconformidade. Declarou a existência de dificuldades para apresentação da documentação solicitada pela Receita Federal do Brasil, diante disso, solicitou que este Conselho defira diligência para apuração dos documentos para calcular o montante do seu crédito. Meritoriamente alegou desigualdades entre as partes, arguindo o fato da Receita federal não ter prazo para efetuar a analise do crédito presumido do IPI, todavia, o recorrente é intimado para apresentar inúmeros documentos antigos em um curto prazo de tempo. Ainda requereu, diante da recusa da Receita federal em acatar o § 4° do artigo 150 do CTN, a análise da prescrição com fulcro no Decreto 20.910/32. Ante o exposto, requereu que seja dado provimento ao Recurso Voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 212 (duzentos e doze), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de tempestividade e admissibilidade, devendose dele, portanto, tomar conhecimento. Conforme relatório acima, a celeuma estabelecese basicamente na pretensão creditória do contribuinte (relativa a crédito presumido de IPI), a qual foi apresentada no ano de 2002 e apenas apreciada pela Autoridade Preparadora em 2008, alegandose, por parte do sujeito passivo, a homologação tácita do pedido apresentado. Noutra senda, o contribuinte solicita a oportunidade para a prova do direito creditório alegado, requerendo a conversão deste julgamento em diligência. Inicialmente, invertendo a ordem dos pedidos do recorrente, ressalto que o pedido de diligência formulado é de ser indeferido, pois que o contribuinte possuiu, ao longo do processo, oportunidade para a prova de seu direito creditório, não se tratando aqui esta questão, de fato novo que pudesse ser discutido após as outras oportunidades processuais a ele estendidas. Observo que desde o despacho decisório o contribuinte esteve ciente de que o motivo principal do indeferimento de seu pleito foi a falta de prova do direito alegado, tendo a partir de então, desde a impugnação até a interposição de recurso, a possibilidade para a juntada dos documentos que entendia pertinentes à comprovação do direito creditório pretendido, isso, desconsiderando ainda o fato de que no curso da fiscalização, para a prolação do despacho decisório inicial, o mesmo foi intimado a trazer os referidos documentos e não o fez. Às fls. 37 (numeração eletrônica) e 42 (numeração eletrônica) é possível verificar a existência de intimações enviadas pela DERAT/SP dirigidas ao sujeito passivo, no intuito de solicitar ao mesmo a apresentação dos documentos pertinentes à amparar a análise da pretensão creditória solicitada. No entanto, ambas as oportunidades (respostas de fls. 41 e 45 – numeração eletrônica), dão conta de que o contribuinte informou que, devido ao decurso de prazo maior que 5 anos, não encontrou os documentos requisitados. Assim, tenho que o direito creditório aqui analisado não restou comprovado pelo contribuinte, a quem incumbe comprovar o que alega, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Como dito, tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003074/200210 Acórdão n.º 3402002.302 S3C4T2 Fl. 216 7 trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito ou ressarcimento de crédito. No caso dos autos é importante relembrar que a busca da verdade real foi pretendida pela Administração Tributária, por meio de provas materiais, quais sejam, as documentais solicitadas, sendo relevante mencionar que as mesmas não foram apresentadas pelo sujeito passivo, impossibilitando assim, que o julgador pudesse estar convencido da sua real ocorrência/existência. Segundo Francesco Carnelutti as provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolve se, a rigor, em uma máxima probabilidade. Desta feita, conforme fundamentos acima, tenho por certo negar provimento ao pleito do contribuinte, mantendo o indeferimento do crédito pretendido pela patente carência de sua comprovação. Por fim, acerca do principal argumento do recorrente quanto à improcedência das decisões por ele discutidas, relativo à homologação tácita do pedido apresentado – por terem decorridos mais de 5 anos da data em que transmitido o pedido até a data em que proferido o despacho decisório, tenho que também não merece guarida a pretensão do contribuinte, pois que, nos bem lançados termos da decisão recorrida, tal instituto não possui prazo legalmente estabelecido, sendo a legislação aplicável somente aos casos de Pedido de Compensação, e não de Restituição/Ressarcimento, onde se pretende o reconhecimento (em crédito líquido e certo) de benefício fiscal. Conforme dito, o decurso de prazo sustentado pelo contribuinte não aplicase aos pedidos de ressarcimento, sendo, de acordo com os precedentes que abaixo colaciono, este entendimento cediço nesta Casa de Julgamento: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO TÁCITO. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. Conquanto esteja sedimentado no STJ entendimento segundo o qual a administração tributária deve decidir os processos no prazo de 360 dias, o descumprimento desse prazo não gera como consequência jurídica o deferimento tácito do pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexistindo declaração de compensação vinculada ao pedido de ressarcimento, não flui contra a administração o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS IMUNES, ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza o aproveitamento do crédito se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 3a. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Seção 4ACAMARA/3ATURMAORDINARIA. ACÓRDÃO 3403 002.568. Data de decisão: 01/11/2013) IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI.Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. REQUISITOS. Somente é passível de ressarcimento o saldo credor trimestral apurada na escrituração fiscal, o que pressupõe o trânsito obrigatório dos créditos pelo livro de apuração fiscal e o encontro de contas entre os débitos e créditos do imposto.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR. Não há que se falar em inversão de ônus de prova em relação à procedimento de adoção legal obrigatória pelo sujeito passivo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. PRAZO PARA ANÁLISE. INEXISTÊNCIA.Quer sob a denominação de homologação tácita, decadência ou qualquer outra, inexiste prazo legal para a apreciação de pedido de ressarcimento de IPI a partir da data do direito de crédito. Recurso Voluntário Negado. (CARF 3a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 330200.526 em 23/08/2010) IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI LEI N° 9.36.3/96 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO SATISFATÓRIO A INTIMAÇÃO.De se manter decisão que referendou procedimento do Fisco no sentido de não apreciar o mérito de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, porquanto, devidamente intimada, a .,interessada não logrou apresentar os elementos essenciais para a confirmação do valor pleiteado e, consequentemente, o reconhecimento do favor fiscal envolvido, não obstante, entre a data do pedido e a data da intimação, tivessem se passado mais de sete anos.PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, "HOMOLOGAÇÃO TÁCITA". IMPOSSIBILIDADE. O transcurso de mais de cinco anos entre a data do pedido de ressarcimento de crédito de IPI e a de sua análise pela autoridade administrativa não configura o seu reconhecimento Fl. 220DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003074/200210 Acórdão n.º 3402002.302 S3C4T2 Fl. 217 9 por conta de uma "homologação tácita", instituto existente na legislação apenas para a "declaração de compensação".Recurso Voluntário Negado. (CARF 3a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 340100.850 em 26/07/2010) Pertine mencionar aqui, que no que tange às declarações de compensação a este processo vinculadas, não houve o decurso de mais de 5 anos entre a data de suas transmissões e a data em que proferido o despacho decisório acerca do crédito que as legitimava, tendo sito esta questão plenamente observada pelas decisões das instancias de piso. Na esteira das considerações acima, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 12179.001580/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2008
SIMPLES NACIONAL. SERVIÇO AVULSO DE PINTURA.
A empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL contratada para pintura predial, desde que não seja também responsável pela obra de construção civil, em relação a esse serviço deve ser tributada na forma do Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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SERVIÇO AVULSO DE PINTURA. A empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL contratada para pintura predial, desde que não seja também responsável pela obra de construção civil, em relação a esse serviço deve ser tributada na forma do Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 17 9. 00 15 80 /2 00 8- 65 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12179.001580/200865 Acórdão n.º 2402003.933 S2C4T2 Fl. 422 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que manteve o indeferimento do pedido de restituição de contribuições retidas na prestação de serviços por cessão de mão de obra. No caso, a recorrente aderiu ao SIMPLES NACIONAL em 01/07/2007. Acontece que a fiscalização constatou que em seu objeto social havia as atividades de pintura em construção civil, limpeza e conservação de imóveis. Por essa razão e com fundamento no artigo 18, §5°, inciso I da LC nº 123/2006, com as alterações da LC nº 128 de 14/12/2006, considerou que essas atividades não estariam contempladas pela sistemática do SIMPLES NACIONAL. Portanto, conclui que nos valores recolhidos pela sistemática do SIMPLES NACIONAL não estariam as contribuições incidentes sobre esses serviços. Daí não existir direito à restituição. Seguem transcrições: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2008 LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Aplicase a legislação vigente à época na apuração da contribuição social previdenciária devida, inclusive aos optantes pelo Simples Nacional. Não há prejuízo ao interessado se a fundamentação legal utilizada. ainda que não vigente na época dos fatos geradores, e consonante com a então em vigor. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido ... 2 — Em várias notas fiscais constatamos a descrição de pinturas de paredes, recintos internos e externos, limpeza de telhas. Estão, claramente, configurados os fatos geradores. ... O Anexo IV da Lei Complementar 123/2006 é claro no sentido de não partilhar a receita do Simples Nacional também para as contribuições sociais previdenciárias, somente o fazendo para IRPJ. CSLL. COFINS, PIS/PASEP e ISS. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Observese que a atividade empresarial remanesceu inconteste na manifestação de inconformidade. Assim, entendemos que ao pleito do impugnante havia um óbice insuperável pertinente à legislação de regência vigente à época que implicava na arrecadação segregada da contribuição social previdenciária. Reiterase aqui que esta legislação, determinando o regime de tributação diferenciado para o interessado. a saber, a não inclusão da contribuição social previdenciária entre os tributos substituídos pelo recolhimento do Simples Nacional, devia ser de seu pleno conhecimento, refletindo, fundamentalmente, o mesmo que trouxe a Lei Complementar 128/2008, utilizada como motivação. Não haveria, a nosso ver, prejuízo ao manifestante na citação da legislação incorreta ao caso específico. Pensar de outra maneira, seria percorrer um longo caminho para se chegar ao mesmo lugar, violando a instrumentalidade do processo e a eficiência que deve reger a administração pública. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações iniciais: O §5°C do artigo 18 da Lei Complementar 123/2006 foi incluído peia Lei Complementar 128, de 19 de dezembro de 2008, tendo entrado em vigor, por força de seu art. 14 na data da publicação da lei, 22/12/2008. Haveria, portanto, direito adquirido e ato jurídico perfeito praticado pelo interessado. A decisão recorrida implica em aplicação retroativa de lei. vedado pelo CTN (folhas 362 a 364). E acrescentou que a controvérsia foi objeto de análise pela Coordenação Geral de Tributação (COSIT) da Receita Federal do Brasil, o qual emitiu a Solução de Divergência COSIT nº 20, de 17/09/2013, publicada no Diário Oficial em 03/10/2013. É o Relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12179.001580/200865 Acórdão n.º 2402003.933 S2C4T2 Fl. 423 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Discute no presente processo o alcance das vedações à opção pela SIMPLES NACIONAL no que se refere a serviços que podem ser prestados tanto de forma avulsa como sendo parte da obra de construção civil. No caso, tratase do serviço de pintura predial, e congêneres. Acontece que, de fato, a Solução de Divergência COSIT nº 20, de 17/09/2013 dirimiu o dissenso sobre a questão. Segue transcrição: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº 20, DE 17 DE SETEMBRO DE 2013 D.O.U: 03.10.2013 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL EMENTA: SERVIÇOS DE PINTURA PREDIAL. TRIBUTAÇÃO. ANEXOS III E IV DA LEI COMPLEMENTAR N2 123, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2006. A empresa optante pelo Simples Nacional que não exerce atividade vedada a esse regime de tributação, contratada para prestar serviço de pintura predial, em relação a essa atividade, deve ser tributada na forma do Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006. Caso essa empresa seja contratada para construir imóvel ou executor obra de engenharia em que o serviço de pintura predial foi parte do contrato, a tributação desse serviço ocorre juntamente com a obra, na forma do Anexo IV da Lei Complementar n 2 123, de 2006. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n 2 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 17 e 18. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral Assim, resta demonstrado que a tese defendida pela recorrente foi acolhida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja decisão possui efeito vinculante nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16/09/2013: Art. 92. A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida. Assim, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 426DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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