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Numero do processo: 10930.904573/2012-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 73 /2 01 2- 17 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904573/201217 Acórdão n.º 3803004.922 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904573/201217 Acórdão n.º 3803004.922 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904573/201217 Acórdão n.º 3803004.922 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 12452.000310/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 08/03/2003 a 10/07/2008
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DA ALEGADA FALTA DE MOTIVAÇÃO E CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não comprovado o suposto prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, o auto de infração lavrado com observância dos requisitos legais deve ser considerado em boa e devida forma.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUSPENSOS. REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE A DATA DE VENCIMENTO DO REGIME. LANÇAMENTO APÓS O PRAZO QUINQUENAL. OCORRÊNCIA.
É considerado extinto pela decadência o crédito tributário suspenso em decorrência da aplicação do regime drawback suspensão, mas não lançado no prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte à data de vencimento do regime, que se consuma no trigésimo dia do término do prazo validade do ato concessório.
Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Procedente em Parte.
1. É da incumbência do beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente.
2. Não se presta como meio de prova do regime drawback suspensão, o Registro de Exportação (RE) que não contenha o código do regime e a informação do fabricante do produto exportado.
DRAWBACK, MODALIDADE DE SUSPENSÃO. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. INADIMPLEMENTO DO REGIME. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE.
1. O princípio da vinculação é de observância obrigatória no âmbito do regime de drawback, modalidade suspensão, que exige que os insumos importados devem ser aplicados no produto exportado, integrando-o fisicamente ou se consumindo no processo de produtivo.
2. O descumprimento do princípio da vinculação física implica descumprimento do regime drawback suspensão e, em consequência, exigência dos tributos suspensos, em face da aplicação do regime, com os devidos acréscimos legais.
Numero da decisão: 3102-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer apenas a decadência do crédito tributário relativo ao Ato Concessório nº 20030021294. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam integral provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 08/03/2003 a 10/07/2008 REGIME AUTOMOTIVO. ATENDIMENTO DOS REQUITOS LEGAIS. INADIMPLEMENTO DO REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO. APLICABILIDADE. Se configurado o inadimplemento do regime aduaneiro especial de drawback suspensão, o importador que atenda os requisitos legais do regime automotivo, instituído na Lei 10.182/2001, faz jus a fruição da redução do imposto sobre a importação, prevista no referido benefício fiscal. NACIOLIZAÇÃO DE MERCARIA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO (DI). RECONHECIMENTO DE BENEFÍCIO FISCAL. POSSIBILIDADE. A nacionalização de mercadoria importada independe de retificação da DI original e não é vedado, nesse momento, o reconhecimento de benefício fiscal pleiteado pelo importador. DRAWBACK SUSPENSAO. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES AO ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. 1. É da incumbência do beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. 2. Não se presta como meio de prova do regime drawback suspensão, o Registro de Exportação (RE) que não contenha o código do regime e a informação do fabricante do produto exportado. DRAWBACK, MODALIDADE DE SUSPENSÃO. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. INADIMPLEMENTO DO REGIME. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 2. 00 03 10 /2 01 0- 75 Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 1. O princípio da vinculação é de observância obrigatória no âmbito do regime de drawback, modalidade suspensão, que exige que os insumos importados devem ser aplicados no produto exportado, integrandoo fisicamente ou se consumindo no processo de produtivo. 2. O descumprimento do princípio da vinculação física implica descumprimento do regime drawback suspensão e, em consequência, exigência dos tributos suspensos, em face da aplicação do regime, com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/03/2003 a 10/07/2008 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DA ALEGADA FALTA DE MOTIVAÇÃO E CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não comprovado o suposto prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, o auto de infração lavrado com observância dos requisitos legais deve ser considerado em boa e devida forma. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUSPENSOS. REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE A DATA DE VENCIMENTO DO REGIME. LANÇAMENTO APÓS O PRAZO QUINQUENAL. OCORRÊNCIA. É considerado extinto pela decadência o crédito tributário suspenso em decorrência da aplicação do regime drawback suspensão, mas não lançado no prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte à data de vencimento do regime, que se consuma no trigésimo dia do término do prazo validade do ato concessório. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Procedente em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer apenas a decadência do crédito tributário relativo ao Ato Concessório nº 20030021294. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam integral provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.180 3 Relatório Tratase de Autos de Infração, em que formalizada a exigência do crédito tributário suspenso do Imposto sobre a Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e acréscimos legais, no valor total de R$ 5.699.038,07, em decorrência do inadimplemento do regime aduaneiro especial de Drawback Suspensão, objeto dos Atos Concessórios (AC) nºs 20030020883, 20030021294, 20030069157, 20030200040, 20040023044, 20040023060, 20040054390, 20040054403, 20040169669, 20040169693, 20040170047, 20040204693, 20040204707, 20040204723, 20040228720, 20050133993, 20050139290, 20060181435, 20070066248, 20070085765, 20070153027, 20060199237, 20070090394 e 20070100489. No Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 669/684, que integra os respectivos Autos de Infração, a fiscalização apontou duas infrações; a) o não atendimento da exigência de vinculação do Registro de Exportação (RE) aos Atos Concessórios; e b) não observância do principio da vinculaçâo física dos insumos importados/produtos exportados. Cientificada do Auto de Infração, em 10/12/2010, a interessada apresentou a impugnação de fls. 687/719, em que, em preliminar, alegou a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio da motivação e a decadência dos créditos tributários relativos ao ato concess6rio 20030021294. No mérito alegou que: a) exportara os insumos importados em quantidade equivalente ao convencionado, logo, cumprira o compromisso de exportação firmado nos referidos AC; b) em relação às irregularidades formais apontadas pela fiscalização, alegou que elas poderiam implicar cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória, mas não o descumprimento do regime especial do drawback suspensão em apreço, uma vez que os insumos importados, com os benefícios do referido regime, foram exportados; c) no que tange ao princípio da vinculação fisica, alegou que a fungibilidade não descaracterizaria a exportação e o cumprimento do regime, haja vista que a mercadoria exportada era do mesmo gênero, qualidade e quantidade da prevista no AC e que as exportações foram realizadas dentro do prazo de validade; d) os produtos contidos nas Declarações de Importação nºs 04/02204160 e 03/11394129 e importados sob o regime de Drawback, foram devidamente nacionalizados; e e) no cálculo dos supostos créditos tributários, foi desconsiderado o regime automotivo a que a recorrente faz jus e que reduz em 40% (quarenta por cento) o Imposto de Importação quando da importação de determinadas autopeças e, por conseqüência, altera a base de cálculo dos demais tributos federais, objetos do presente auto de infração. Por meio do despacho de fls. 1246/1247, o processo foi encaminhado à Unidade da Receita Federal de origem, para que a fiscalização informasse: a) em relação ao Ato Concessório 20030021294, sobre o relatório de comprovação, tendo em vista a alegada decadência; Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 b) em relação as DIs 04/02204160 e 03/11394129, mercadorias importadas sob o regime de Drawback foram nacionalizadas, segundo a Impugnante (anexou DARFs), devendo a fiscalização se manifestar sobre tais nacionalizações; c) tendo em vista que a Lei 10.182/01, reduz em 40% o Imposto sobre a Importação, benefício este concedido ao setor automotivo, fosse efetuado novo cálculo em função da desconsideração da redução de 40% do imposto de importação e seus reflexos. Por intermédio do despacho de fls.. 1252/1254, a fiscalização prestou as seguintes informações: a) em relação à baixa do Ato Concessório 20030021294, que anexou as telas do sistema Drawback – Web, em que constam as etapas de comprovação do regime, que culminou com o diagnóstico de “baixa” pelo Decex em 04/07/2006; b) em relação a nacialização dos produtos despachados por meio das DIs 04/02204160 e 03/11394129, que os pedidos de nacionalização encaminhados pelo contribuinte à Alfândega de Viracopos não foram atendidos em razão da omissão do importador na instrução dos respectivos processos; c) em relação a redução de 40% do Imposto sobre a Importação, entendia que não era pertinente o reconhecimento do benefício fiscal de redução às mercadorias relacionadas no auto de infração e que não era adequada a retificação dos lançamentos realizados, pois não se verificou, em nenhum momento, se o contribuinte, à época do fato gerador, havia preenchido todas as condições e os requisitos exigíveis para concessão da redução de caráter especial. Entretanto, atendendo a solicitação contida no despacho de diligência, anexou novos Autos de Infração, com a mesma data do original, considerando a redução de 40% incidindo sobre a alíquota do Imposto de Importação, para que a Unidade Julgadora solicitante pudesse bem cumprir seu propósito de exonerar ou manter os créditos tributários constituídos neste PAF. Cientificada da diligência, por meio da petição de fls.1934/1943, em síntese, a interessada assim se manifestou: a) para fins de contagem do prazo decadencial, deviase levar em consideração a data da baixa do Ato Concessório quando do encerramento do prazo limite para a exportação das mercadorias nas quais foram utilizados os produtos importados, logo, como no caso em tela, a data limite para exportação ocorreu no dia 4/9/2004, o prazo decadencial teve início em 1/1/2005 e término em 31/12/2009; b) com base nas cópias dos processos apresentados não havia como concluir, se os referidos pedidos de nacionalização das mercadorias tinham sido efetivamente indeferidos; c) na época das operações estava devidamente habilitada no SISCOMEX para fruição do referido benefício de redução de 40% do II. E mais, os produtos importados integravam os produtos finais, sem sofrer qualquer transformação física ou química ou qualquer desgaste, dano ou perda de Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.181 5 suas propriedades, o que os caracterizava como componentes, o que levava a concluir pelo direito da autuada à redução em referência. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1.970/1.991), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, nos termos do voto do relator, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: DRAWBACK SUSPENSÃO. A contagem do prazo decadencial deve obedecer ao disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão e encaminhamento do Relatório de Comprovação pela Secex à Receita Federal/Diagnóstico de “baixa”. DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO. APLICABILIDADE. Cumpridos os requisitos previstos pela Lei nº 10.182/2001 para fazer jus ao benefício de redução do Imposto de Importação, a inadimplência de Regime Aduaneiro Especial de Drawback não se constitui em fundamento para a perda desse benefício. A nacionalização independe de retificação da DI original e não é vedado, nesse momento, o reconhecimento de benefício fiscal pleiteado pelo importador. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão exige a comprovação da vinculação física entre insumos importados e produtos finais exportados. A apresentação de Registros de Exportação sem o devido código de operação e ou desprovido de vinculação inequívoca ao Ato Concessório não se presta como prova do adimplemento do regime, sendo inadmissíveis, após a averbação das exportações, alterações unilaterais nos citados documentos sem a devida anuência da autoridade aduaneira. Em 16/7/2013 (fl. 2.056), a autuada foi cientificada da referida decisão. Em 14/8/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 2.058/2.086, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. O Presidente de Turma de Julgamento a quo recorreu de ofício a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sob o argumento de que o crédito exonerado era superior ao limite de alçada, fixado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 2008. Na Sessão de 26 de setembro de 2013, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuído para este Conselheiro. Em 2/10/2013, por meio do despacho de fl. 2.178, foram encaminhados a este Relator. É o relatório. Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Também deve ser conhecido o recurso de ofício, posto que preenche os requisitos fixado no art. 34 do Decreto 70.235/72, uma vez que o valor do crédito exonerado excede o limite de alçada de R$ 1.000.000,00, fixado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 2008. I DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO. O recurso de ofício cingese a dois pontos: a) improcedência do lançamento em relação às Declarações de Importação (DI) de nºs 04/02204160 e 03/11394129, em decorrência da naciolização das mercadorias; e b) redução de 40% (quarenta por cento) do valor do II remanescente, em decorrência da aplicação do benefício fiscal atinente ao regime automotivo a que faz jus a recorrente. I.1 Da Nacionalização das Mercadorias. Em relação a esse ponto, esclarece a i. Relatora do voto condutor da decisão recorrida que os autos foram baixados em diligência para que autoridade fiscal autuante se manifestasse sobre a nacionalização das mercadorias importadas por meio das DI de nºs 04/02204160 e 03/11394129. Em resposta, por meio do despacho de fls.1252/1254, a dita autoridade limitouse em dizer o seguinte: Neste caso, os pedidos de nacionalização encaminhados pelo contribuinte à Alfândega de Viracopos, não foram atendidos em razão da omissão do importador na instrução do processo como se verifica nas folhas n° 37 do processo 10831.008917/200627 e 41 do processo 10831.008917/200627 (anexadas). Sendo assim, os pagamentos efetivados não produziram o efeito de alterar o regime tributário das operações citadas, e portanto não produziram impacto sobre o procedimento fiscal desenvolvido Com base nessa informação e tendo em conta o teor das cópias dos despachos de fls. 1260/1261, extraídas dos processo nºs 10831.008917/200627 e 10831.008917/200627, colacionadas aos autos pela autoridade fiscal diligenciante, concluiu a i. Relatora que não era possível saber se os respectivos pedidos de nacionalização tinham sido efetivamente indeferidos. Por essa razão, considerou improcedente o lançamento. Com efeito, sopesando a informação e os documentos coligidos aos autos pela autoridade fiscal diligenciante e os Darf dos pagamentos relativos as referidas DI colacionados aos autos pela autuada, da mesma forma que a i. Relatora, também entendese que não é possível concluir que houve alegado indeferimento da nacionalização das correspondentes mercadorias importadas. Por essa razão, não merece reparo a parte da decisão recorrida que declarou a improcedência do lançamento em relação as citadas DI. I.2 Do Benefício do Regime Automotivo. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.182 7 Nas autuações em apreço, a autoridade fiscal autuante desconsiderou o direito da recorrente à redução de 40% (quarenta por cento) do II, relativo à importação de autopeças contempladas com o benefício fiscal do regime automotivo, instituído na Lei 10.182/2002, especificamente, no art. 5º, § 1º, X, a seguir transcrito: Art.5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. § 1º O disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: [...] e X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. Em relação a este ponto, no referido pedido de diligência também fora solicitado que fosse efetuado novo cálculo dos valores lançados, considerando a redução de 40% do II e seus reflexos. Além dessa providência, adicionalmente, esclareceu a autoridade fiscal diligenciante que (i) não era pertinente o reconhecimento do benefício fiscal de redução às mercadorias relacionadas no auto de infração (ii) nem adequada a retificação dos lançamentos realizados, pois, no seu entendimento “não se verificou, em nenhum momento, se o contribuinte, à época do fato gerador, havia preenchido todas as condições e os requisitos exigíveis para concessão da redução de caráter especial.” Por sua vez, a recorrente se manifestou alegando que, na época das referidas operações de importação, estava devidamente habilitada no Siscomex para fruição do referido benefício. E mais, os produtos importados apenas integravam os produtos finais, sem sofrer qualquer transformação física ou química ou qualquer desgaste, dano ou perda de suas propriedades, o que os caracterizava como componentes, o que ensejaria o direito à redução do II, nos termos da Lei 10.182/2001. Os requsitos para a fruição do benefício fiscal em comento encontravase estabelecido no art. 6º da referido diploma legal, a seguir reproduzido: Art. 6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único. A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: I comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição.” (grifos não originais) No caso em tela, inequivocamente, estão presentes as condições determinadas no referido preceito legal, na medida em que a recorrente, enquanto fabricante de autopeças, demonstrou possuir habilitação específica no Siscomex, conforme documento de fls. 902. Ademais, em consonância com o disposto no parágrafo único do referido art. 6º, inferese que o fato de possuir habilitação específica no Siscomex, certamente, pressupõe o atendimento aos requisitos legais, garantindo ao habilitado para o gozo do benefício fiscal em comento. Por todas essas razões, chegase a conclusaão de que as importações objeto do presente lançamento, independentemente do inadimplemento do regime drawback suspensão, fazem jus ao benefício fiscal da redução tributária do II, concedida no artigo 5º da Lei 10.182/2001. Dessa forma, fica evidenciado o acerto da decisão recorrida, por conseguinte, rejeitase o recurso ofício, para manter o direito da recorrente à redução do II prevista em questão, conforme consignado na referida decisão. II DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO A controvérsia remanescente, atinente ao recurso voluntário, cingese às questões atinentes (i) a nulidade das autuações por ofensa ao princípio da motivação e cerceamento do direito de defesa, (ii) decadência do crédito tributário referente ao AC nº 20030021294 e (iii) ao cumprimento dos comprissos de exportação assumidos pela recorrente. II.1 Da Análise das Questões Preliminares. No presente recurso, a recorrente apresentou duas questões preliminares: a) nulidade das autuações e (ii) decadência de parte do crédito tributário lançado. Da preliminar de nulidade das autuações. Em preliminar, alegou a recorrente patente ofensa ao princípio da motivação dos atos adiministrativos e cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que as motivações expostas imposssibilitaralhe de indentificar a infração que teria supostamente cometido. No âmbito do processo administrativo fiscal, configura cerceamento do direito de defesa as omissões de requisitos legais no ato administrativo de lançamneto que dificulte ou inviabilize o pleno exercício direito defesa do sujeto passivo. Nos presentes autos, não restou comprovada qualquer restrição ao direito de defesa da autuada. A alegada ofensa ao princípio da motivação não procede. Com efeito, compulsando os autos, observase exaustiva descrição dos fatos que motivaram as autuações, inclusive acompanhada de demonstrativos detalhados do valor dos insumos naciolizados objeto de lançamento (fls. 1.089/1.243). Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.183 9 Corrobora o asseverado, o fato de a recorrente ter demonstrado pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados, uma vez que apresentou adequadas e exaustivas razões de defesa sobre todas as infrações apontadas no procedimento fiscal em apreço, o que evidencia que o direito de defesa foi plenamente exercício. Também não procede a alegação de ofensa ao art. 10, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, com base no argumento de que houve incompatibilidade entre a descrição da infração constante no Relatório Fiscal e a capitulação legal indicada nos Autos de Infração, haja vista que o referido Relatório Fiscal, como parte complementar do Auto de Infração, apenas descreve de forma pormenorizada os fatos resumidamente descritos no corpo do Auto de Infração. Assim, tendo em conta que o enquadramento legal e a descrição dos fatos propiciaram a adequada fudamentaçao jurídica das autuações, certamente, não existe o alegado cerceamento do direito de defesa, logo deve ser rejeitada a preliminar de nulidade em tela. Da decadência do direito de constituir o crédito tributário. A recorrente alegou que, na data do lançamento, que ocorreu no dia 26/11/2010, o crédito tributário relativo ao AC nº 20030021294 já se encontrava extinto pela decadência, com base no argumento de que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro do dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite de exportação, que, no caso do referido AC, aconteceu no dia 4/9/2004, uma vez que o prazo decadencial teve início em 1/1/2005 e término em 31/12/2009. Por sua vez, o órgão julgador de primeiro grau entendeu que não houve a alegada decadência, com base no de que o referido prazo decadencial iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão do diagnóstico de baixa do compromisso de exportação por parte da Secex, o que, no caso do citado AC, somente ocorrera em 4/7/2006, portanto, na data da conclusão do lançamento ainda não havia expirado o prazo quinquenal de decadência em apreço. Do cotejo dos dois posicionamentos, resta evidenciado que ambos estão de acordo quanto à aplicação da regra de contagem do prazo de cadencial estabelecida no art. 173, I, do CTN. A discórdia reside apenas em relaçaõ ao evento que define adoção da referida forma de contagem do prazo em comento. Com efeito, a recorrente entende que seria o trigésimo dia da data de validade do AC, enquanto que órgão de julgador de primeiro grau defende que seria a data de emissão do diagnóstico de baixa do compromisso de exportação emitodo pela Secex. A razão está com a recorrente, pois, na operação de importação realizada sob regime aduaneiro especial drawback, modalidade suspensão, os tributos incidentes ficam com a exigibilidade suspensa ficam aguardando o desfecho final do regime que, nomalmente, dar seá de duas formas: a) mediante o cumprimento total do compromisso de exportação, realizado de acordo com as condições estabelecidas no ato concessório. Neste caso, a suspensão convertese em isenção, excluindo em definitivo a exigência dos tributos incidentes na operação; ou Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 b) com vencimento do prazo do regime, sem o cumprimento parcial ou total do compromisso de exportação assumido. Nesta hipótese, os tributos suspensos passam ser devidos, com os devidos acréscimos legais. Em relação ao inadimplemento do regime, a questão relevante passa a ser a data em que os tributos devidos tornamse exigíveis e, por conseguinte, passíveis de lançamento de ofício, se não quitados ou confessados pelo beneficiário, o que ocorre somente após o prazo de 30 (trinta) dias, contado da data do vencimento do ato concessório, conforme dispõe o inciso do I art. 3421 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), veiculado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, vigente na época dos fatos objeto das presentes autuações. Segundo o citado preceito legal, configurado o inadimplemento do compromisso de exportar, total ou parcialmente, o beneficiário do regime dispõe ainda de trinta dias, contados data do vencimento do AC, para adotar uma das seguintes providências em relação às mercadorias admitidas no regime que, no seu todo ou em parte, não tenham sido empregadas no processo produtivo ou empregadas em desacordo com o estabelecido no ato concessório, a saber: (i) devolução ao exterior ou reexportação; (ii) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou (iii) destinação para consumo interno, mediante o pagamento dos tributos suspensos, com os acréscimos legais devidos. Assim, expirado o mencionado prazo de 30 (trinta) dias e não comprovada a adoção de uma das providências relacionadas no referido preceito legal, estará configurado o inadimplemento do regime aduaneiro especial em comento, em decorrência, a autoridade fiscal poderá realizar ao lançamento do respectivo crédito tributário. Logo, se o direito de lançamento pode ser exercido a partir da referida data, obviamente, o prazo decadencial também começará a fluir, porém, em conformidade com o disposto no art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte à referida data. No mesmo sentido, dispõe o subitem 27.1, combinado com o disposto no subitem 26.3, da Consolidação das Normas do Regime Drawback, anexa ao Comunicado Decex nº 21, de 11 de julho de 19972, vigente na época da emissão do AC, a seguir transcrito: 26.3 Na modalidade de suspensão, vencido o Ato Concessório de Drawback e não cumprido o compromisso de exportar, em razão da não utilização ou utilização parcial da mercadoria importada, a beneficiária deverá adotar, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da data limite para exportação, estabelecida no Ato Concessório de Drawback, uma das providências relacionadas a seguir: I providenciar a devolução ao exterior da mercadoria não utilizada; 1 "Art. 342. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos;" 2 Tal norma foi mantida, com mesmo teor, pelos seguintes atos normativos que sucederam ao citado Comunicado: Portaria Secex nº 11, de 2004; Portaria Secex nº 14, de 2004; Portaria Secex nº 35, de2006, Portaria Secex nº 36, de 2007 e Portaria Secex nº 25, de 2008. Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.184 11 II requerer a destruição da mercadoria imprestável ou da sobra, sob controle aduaneiro, às suas expensas; ou III destinar a mercadoria remanescente para consumo interno, com o devido recolhimento dos tributos e adicionais exigidos na importação, com os acréscimos legais previstos na legislação, observadas no que couber, as normas gerais de importação. (...) 27.1 Será declarado o inadimplemento do Regime de Drawback, modalidade suspensão, se vencido o prazo estabelecido no item 26.3 e não comprovada a adoção de uma das providências previstas. (...) Logo, transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, previsto para a regularização espontânea do inadimplemento do compromisso de exportação, sem que o beneficiário do regime tenha adotado uma das providências que lhe fora facultada, certamente, estará definitivamente configurado o inadimplemento do regime e, por conseguinte, a partir do primeiro dia seguinte, inexiste qualquer óbice para que a autoridade fiscal proceda a verificação do cumprimento do regime e, se for o caso, o lançamento da totalidade ou parte dos tributos devidos. Em suma, podese concluir que, em consonância com o disposto no inciso I do art. 173 do CTN, a contagem do prazo decadencial do direito de lançar tem início a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorre o vencimento do regime, ou seja, trinta dias após o vencimento do ato concessório, com término no último dia do quinto ano seguinte. No caso, as datas de vencimento do AC nº 20030021294 (fl. 737) e do respectivo regime de drawback suspensão ocorreram, respectivamente, em 8/9/2003 e 8/10/2003, logo, no caso em tela, o prazo de decadência teve início em 1/1/2004 e término em 31/12/2008. Como a autuada foi cientificada dos Autos de Infração em 10/12/2010, fica cabalmente demonstrada o transcurso do prazo quinquenal de decadência em apreço e, em decorrência, a procedência da decadência suscitada pela recorrente. II.2 Da Análise das Questões de Mérito. No mérito à controvérsia cingese ao cumprimento do comprisso de exportação assumidos pela autuada nos mencionados AC. Para a fiscalização, a recorrente deixou de cumprir parte do compromisso de exportação em apreço, por duas razões. Uma de natureza formal, relacionada com os requisitos do Registros de Exportação (RE), consistente (i) no não enquadramento da operação no código 81101 do Drawback Suspensão (no campo 2a) e (ii) na falta de indicação do número do Ato Concessório vinculado à exportação (campos 02f ou 24) por ocasião da efetivação da exportação. Outra de natureza material (ou jurídica), consubtanciada no descumprimento do principio da vinculação física entre o insumo importado e o produto exportado. Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 Por outro lado, a recorrente afirmou que exportara os insumos importados em quantidade equivalente ao convencionado, logo, cumprira o compromisso de exportação firmado nos referidos AC. Em relação às irregularidades formais apontadas pela fiscalização, alegou que elas poderiam implicar cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória, mas não o descumprimento do regime especial do drawback suspensão em apreço, uma vez que os insumos importados, com os benefícios do referido regime, foram exportados. No que tange ao princípio da vinculação fisica, alegou que a fungibilidade não descaracterizaria a exportação e o cumprimento do regime, haja vista que a mercadoria exportada era do mesmo gênero, qualidade e quantidade da prevista no AC e que as exportações foram realizadas dentro do prazo de validade. Do descumprimento dos requisitos formais de comprovação do regime. De acordo com o art. 3523 do RA/2002, a comprovação do regime drawback darseia com o documento comprobatório da exportação que, na sistemática operacional do Siscomex, é o Registro de Exportação (RE). Com efeito, desde a vigência da Portaria Secex nº 4, de 11 de junho de 1997, o RE vinculado ao Ato Concessório, contendo informações do código do drawback suspensão (81101) e dados do fabricante do produto exportado, passou a ser o único documento hábil e idôneo para comprovar o compromisso de exportação assumido no âmbito regime drawback suspensão. Tal determinação constava expressamente no art. 37 da referida Portaria, a seguir transcrito: Art. 37. Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor. No mesmo sentido, os itens 3 e 4 do Anexo V do Comunicado Decex nº 21, de 1997, de forma pormenorizada, fixaram os dados e informações que o RE deveria conter para fim de comprovação do regime drawback em tela, com os seguinte termos, in verbis: 3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade Suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante do Anexo “I” (I – Tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SECEX nº 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante). (grifos não originais) O referido Comunicado foi revogado pela Portaria Secex nº 11, de 2004, que manteve, no correspondente Anexo, idêntica redação. Da mesma forma, idêntica redação foi mantida nas Portarias Secex, vigentes durante os procedimentos de comprovação do regime e que sucederam a Portarias Secex nº 11, de 2004, a saber: a Portaria Secex nº 14, de 2004; Portaria Secex nº 35, de 2006, Portaria Secex nº 36, de 2007 e Portaria Secex nº 25, de 2008. Assim, de forma clara, os citados preceitos regulamentares prescrevem os procedimentos a serem adotados pelo beneficiário do regime, com vistas à comprovação do comprisso de exportação assumido no ato concessório do regime. 3 "Art. 352. A utilização do regime previsto neste Capítulo será registrada no documento comprobatório da exportação." Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.185 13 Logo, contrariamente ao alegado pela recorrente, a exigência do RE averbado, contendo tais vinculação e informações não se trata de mera formalidade, mas de condição necessária para que tal documento seja considerado hábil e idôneo para fim de comprovação do regime drawback suspensão. Sem tais requisitos, evidentemente, o RE não pode ser acatado pela fiscalização aduaneria, sob pena de descumprimento de preceito normativo em pleno vigor. Além disso, sob o ponto substancial, tais informações são de fundamental importância para que, no curso do despahco aduaneiro de exportação, a autoridade fiscal adote os procedimentos adequados de controle do regime especial em apreço, especialmente, a verificação da presença dos insumos importados no produto exportado, se o fabricante do produto era beneficiário do regime ou outra empresa industrial etc., permitindo, inclusive, que uma mesma operação de exportação seja utilizada para fim de comprovação de mais de um regime ou ato concessório, além de possibilitar a utilização, em duplicidade, ou até mais, de uma mesma operação de exportação e, desta forma, viabilizar a importação para o mercado interno de insumos sem a cobrança dos tributos devidos. Sem tais dados, obivamene, a fiscalização do cumprimento do regime tornar seia ineficaz, o que poderia propiciar o ingresso de produtos estrangeiros no Pais sem o pagamento dos tributos devidos, prejudicando a concorrência com as demais empresas industriais não contempladas com o incentivo. Assim, fica evidenciado que, diferentemente do que alegou a recorrente, os requisitos do RE, expresssamente, fixados nos referidos atos normativos tratase de formalidade essencial e imprescindível para confirmar a comprovação do compromisso de exportação e a legitimidade do mencionado incentivo fiscal. No caso em tela, analisando os Demonstrativos “RESUMO DAS OPERAÇÕES” colacionados aos autos (fls. 1.090/1.134), verificase que, além da ausência das informações do código do drawback suspensão (81101) e dados do fabricante do produto exportado, em parte dos RE a recorrente fez alteração das referidas informações, após averbação do citado documento no Siscomex, sem contudo ter a necessária anuência da fiscalização aduaneira, o que contraria o disposto do artigo 214 da Instrução Normativa SRF n° 28 de 27 de abril de 1994, que disciplina o despacho aduaneiro de exportação. Por força da inobservância dessa exigência, o RE que teve as informações do código do drawback suspensão (81101) e dos dados do fabricante alterados pela própria recorrente, após o embarque e averbação no Sistema, sem a devida anuência da auturidade aduaneira, equivale ao RE sem tais informações, o que também o torna imprestável para fim de comprovação do regime drawback suspensão. Com base no mesmo entendimento, tem decidido a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme se infere do teor dos enunciados das ementas dos recentes julgados que seguem transcritos: DRAWBACK SUSPENSÃO. 4 "Art. 21. O registro da entrega dos documentos de instrução do despacho no SISCOMEX marca o início do procedimento fiscal e impede quaisquer alterações, pelo exportador, na declaração para despacho por ele formulada sem a prévia anuência da fiscalização aduaneira." Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 O encerramento do regime de drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por meio da apresentação dos documentos fixados na legislação de regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido. Ausentes tais elementos, não há como se considerar o regime adimplido. (CARF. CSRF. 3ª Turma. Ac. CSRF/930301.248, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann. Redator Designado Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 6/12/2010) – Grifos não originais. DRAWBACK SUSPENSAO, EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual Vinculação ao Ato Concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. (CARF. CSRF. 3ª Turma. Ac. CSRF/930301.248, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 6/12/2010) Por essas razões, na ausência de documento hábil e idôneo, resta evidenciado que a autuada não comprovou a exportação dos insumos impotados com o benefício do regime especial em apreço, em consequência, deve ser mantida as respectivas autuações. Da inobservância do princípio da vinculação física. No âmbito do regime drawback, modalidade suspensão, a observância do princípio da vinculação é expressamente determinada no inciso II do art. 78 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, a seguir transcrito: Art. 78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; [...] (grifos não originais) Da mesma forma, dispunha o inciso I do art. 335 do Regulamento Aduaneiro de 2002, vigente na época dos fatos geradores objeto das presentes autuações. No âmbito da Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.186 15 legislação complementar, o assunto encontravase disciplinado no art. 21 na Portaria Secex nº 04, de 1997, e nos atos normativos que lhe seguiram5, com o seguinte teor, in verbis: Art. 21 – O Regime de Drawback, modalidade suspensão, condiciona a empresa beneficiária ao adimplemento do compromisso de exportar, no prazo estipulado no Ato Concessório de Drawback, produtos na quantidade e valor determinados, em cujo processo de industrialização serão utilizadas as mercadorias a importar ao amparo do Regime. (grifos não originais) Da leitura dos referidos preceitos normativos, fica evidente que a vinculação física entre insumo importado e produto exportado é requisito essencial do regime drawback suspensão, que exige que o insumo importado, após submetido a processo de produção (beneficiamento, fabricação, complementação e acondicionamento), seja exportado sob a forma de produto industrializado. Por força da vinculação entre insumo e produto, o beneficiário do regime deve comprovar que aplicou os insumos importados no processo produtivo da mercadoria exportada. Tratase, portanto, de condição imprescindível para a comprovação do drawback em comento. A contrário senso, ao regime drawback suspensão não se aplica o princípio da fungibilidade, que se caracteriza pela permissão de substituição do insumo importado por outro de mesmo gênero, quantidade e qualidade equivalentes, conforme alegado pela recorrente. Não é demais ressaltar que o princípio da fungibilidade tem aplicação restrita ao regime drawback isenção, conforme expressamente prevê o inciso III do art. 78 do Decreto lei nº 37, de 1966, a seguir reproduzido: Art. 78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: [...] III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. [...] (grifos não originais) Sobre o princípio da fungibilidade, é pertinente ainda ressaltar que inexiste pronunciamento da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit) admitindo a sua aplicação ao regime drawback suspensão, conforme alegado, mas não demonstrado, pela recorrente. Com efeito, nas oportunidades em que se manifestou sobre a matéria, a citada Coordenação sempre deixou expresso o entendimento de que, em relação ao drawback suspensão, era o princípio da vinculação física que devia ser seguido, ao passo que o da fungibilidade aplicarseia apenas ao drawback isenção, conforme se extrai da leitura dos itens 10 e 12, a seguir transcritos, que tratam, respectivamente, do drawback suspensão e do drawback isenção: [...] 5 As seguintes Portarias sucederam a referida Portaria: Portaria Secex nº 11, de 2004; Portaria Secex nº 14, de 2004; Portaria Secex nº 35, de2006, Portaria Secex nº 36, de 2007 e Portaria Secex nº 25, de 2008. Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 10. Como bem se pode observar, somente a mercadoria importada na modalidade constante do inciso II [drawback suspensão], do texto legal em referência, é que tem destinação específica, devendo ser exportada numa das formas previstas, sob pena de tornaremse exigíveis as obrigações tributárias anteriormente suspensas. [...] 12. Finalmente, dentro do mecanismo previsto no inciso III [drawback isenção], a isenção ali determinada nada mais é que uma compensação dada à empresa que utilizou, na composição de mercadoria exportada, material de origem estrangeira, importado com todos os ônus fiscais. É, por assim dizer, uma restituição em espécie. A nova mercadoria desembaraçada com isenção tributária faz as vezes da mercadoria que, em quantidade e qualidade equivalente, teria sido importada anteriormente, sem qualquer isenção de tributos. É, portanto, como se tributada fosse. [...] (grifos não originais) Entretanto, apesar da clareza das orientações emanadas da referida Coordenação, há julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais6 (CSRF), do extinto 3º Conselhos de Contribuintes e desta 3ª Seção, que, contrariando preceito legal expresso e baseados em trechos isolados extraídos do Parecer Normativo CST7 nº 12, de 12 de março de 1979, que trata dos requisitos da isenção prevista no art. 1º do Decretolei nº 1.219, de 15 de maio de 1972, que instituiu o Programa Especial de Exportação (Befiex), inexplicavelmente, adotaram o entendimeto de que o princípio da fungibilidade era extensível ao regime drawback, inclusive contrariando orientação explicitada no próprio Parecer que, de forma expressa, ratificava o entendimento anterior daquela Coordenação no sentido de que o princípio da vinculação física era sempre de aplicação obrigatória ao regime drawback suspensão. Para esclarecimentos adicionais, reproduzse a seguir os itens do citado Parecer em que a Cosit reafirma o entendimento sobre aplicação do princípio da vinculação física ao drawback (subitem 2.1), bem como o texto reproduzido nos citados julgados que trata do benefício do Befiex (item 3): [...] 2 Criou o referido diploma legal [Decretolei nº 1.219, de 1972], entre outros, conforme se infere de seus artigos 1º e 4º um incentivo à exportação [Befiex] semelhante ao previsto no artigo 78 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966 [drawback], que se insere entre as "importações vinculadas à exportação" de que trata o capítulo III do titulo III desse repositório. 2.1 Todavia, enquanto a vinculação a que se refere o citado capítulo do Decretolei nº 37/66, tanto no caso da "admissão temporária" como no de "drawback", é sempre de natureza física, ou seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou as matériasprimas e produtos intermediários (ou 6 Nesse sentido ver Processo n° 1065.001986/9531. Recurso nº 301119997. Acórdão n° CSRF/0304.975. Relator Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. Julgado na Sessão de 21 de agosto de 2006. 7 Cooordenação do Sistema de Tributação (CST) era o nome atribuído à Cosit na época da edição do referido Parecer. Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.187 17 similares em quantidade e qualidade) importados devem ter sido ou ser totalmente utilizados na industrialização de bens já exportados ou a exportar, o vínculo referente ao incentivo em análise [Befiex] é meramente financeiro, consistindo na obrigação assumida pelo beneficiário de efetivar, em um determinado lapso de tempo, um programa especial de exportação de produtos manufaturados. 3 Conseguintemente, é irrelevante, para a manutenção do incentivo em análise [Befiex], que as matériasprimas e produtos intermediários sejam totalmente utilizados na industrialização dos produtos exportados, nada existindo que impeça seu emprego na produção de bens destinados ao mercado interno, desde que, evidentemente, se cumpra o referido programa [Befiex], de vez que, caso contrário, conforme dispõe o artigo 4º do Decretolei nº 1.219/72, fica o inadimplente obrigado ao recolhimento da importância correspondente ao valor do crédito tributário excluído, acrescida dos encargos legais e penalidades ali previstos. [...] (grifos não originais) Da mesma forma, não se aplica ao drawback suspensão, o disposto no Ato Declaratório Cosit nº 20, de 17 de maio de 1996. O referido AD, a seguir transcrito, aplicase apenas ao drawback isenção especial, restrito a setores, na época, definidos pela extinta Comissão de Política Aduaneira (CPA), a fim de repor matériaprima nacional utilizada na exportação, nos termos do § 2º do art. 315 do Regulamento Aduaneiro de 1985, aprovado pelo Decreto no 91.030, de 5 de março de 1985: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das suas atribuições, tendo em vista o disposto no § 2º do art. 315 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e o subitem 2.1 do Parecer Normativo CST nº 12/79, Declara que a utilização, por setores definidos pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, de matériaprima importada com o benefício do "drawback", na elaboração de produto destinado a consumo no mercado interno, não constitui desvio de finalidade, para fins tributários, desde que matériaprima nacional, em quantidade e qualidade equivalente, tenha sido utilizada na elaboração do produto exportado. (grifos não originais) Da leitura dos textos transcritos, extraise que, contrariamente ao alegado pela recorrente, a orientação da Cosit sempre foi no sentido de que o princípio da vinculação física aplicase obrigatóriamente ao regime drawback suspensão. No mesmo sentido, tem sido o entendimento prevalecente nos recentes julgamentos da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme se infere do teor dos enunciados das ementas dos julgados que seguem transcritos: PRINCIPIO DA IDENTIDADE. Necessária a vinculação fisica entre as mercadorias importadas com o beneficio da suspensão Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 18 de tributos e a mercadoria exportada. Mesmo que assim não fosse, o principio da fungibilidade não poderia ser aplicado ao caso, em que a empresa destinou os solados a outros fabricantes de calçados no mercado nacional e não restou comprovado que os calçados foram exportados. Preliminar rejeitada Recurso especial não conhecido e no mérito negado. (CARF. CSRF. 3ª Turma. Ac. CSRF/0305.557, Rel. Conselheira Anelise Daudt Prieto, j. 13/11/2007) grifos não originais. DRAWBACK SUSPENSÃO COMUM. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. IMPOSIÇÃO LEGAL. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão comum exige, em regra, sejam controlados, em separado, os estoques de insumos nacionais e importados, de forma a possibilitar a perfeita demonstração de que os insumos importados foram efetivamente empregados nas mercadorias exportadas. (CARF. CSRF. 3ª Turma. Ac. CSRF/930301.248, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann. Redator Designado Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 6/12/2010) – Grifos não originais. Com base nessas considerações, fica demonstrado que insumos importados sob o regime drawback suspensão não podem ser substituídos por outros do mesmo gênero, qualidade e quantidade, como alegado pela recorrente, sob pena de descumprimento do princípio da vinculação físcia que rege o citado regime. Dos requisitos formais da documentação comprobatória do regime. Para atendimento do requisito material da vinculação entre insumo importado e produto exportado, a legislação estabeleceu determinados requisitos formais que devem ser atendidos pela beneficiário, sob pena de inadimplemento por ausência de comprovação do compromisso de exportação assumido no âmbito do ato de concessão. Nesse sentido, determina o art. 3528 do RA/2002 que a comprovação do regime drawback darseia com o documento comprobatório da exportação que, na sistemática operacional do Siscomex, é o Registro de Exportação (RE). Com efeito, desde a vigência da Portaria Secex nº 4, de 11 de junho de 1997, o RE vinculado ao Ato Concessório, contendo informações do código do drawback suspensão (81101) e dados do fabricante do produto exportado, passou a ser o único documento hábil e idôneo para comprovar o compromisso de exportação assumido no âmbito regime drawback suspensão. Tal determinação constava expressamente no art. 37 da referida Portaria, a seguir transcrito: Art. 37. Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor. No mesmo sentido, os itens 3 e 4 do Anexo V do Comunicado Decex nº 21, de 1997, de forma pormenorizada, fixaram os dados e informações que o RE deveria conter para fim de comprovação do regime drawback em tela, com os seguinte termos, in verbis: 8 "Art. 352. A utilização do regime previsto neste Capítulo será registrada no documento comprobatório da exportação." Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.188 19 3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade Suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante do Anexo “I” (I – Tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SECEX nº 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante). (grifos não originais) O referido Comunicado foi revogado pela Portaria Secex nº 11, de 2004, que manteve, no correspondente Anexo, idêntica redação. Da mesma forma, a mesma redação foi mantida nos respectivos anexos das Portarias Secex, vigentes durante os procedimentos de comprovação do regime e que sucederam a Portarias Secex nº 11, de 2004, a saber: a Portaria Secex nº 14, de 2004; Portaria Secex nº 35, de 2006, Portaria Secex nº 36, de 2007 e Portaria Secex nº 25, de 2008. Assim, de forma clara, os citados preceitos normativos prescrevem os requisitos do RE e os procedimentos a serem adotados pelo beneficiário do regime, com vistas à comprovação do comprisso de exportação assumido no ato concessório do regime. Logo, contrariamente ao alegado pela recorrente, a exigência do RE averbado, contendo tais vinculação e informações não se trata de mera formalidade, mas de condição necessária para que tal documento seja considerado hábil e idôneo para fim de comprovação do regime drawback suspensão. Sem tais requisitos, evidentemente, o RE não pode ser acatado pela fiscalização aduaneria, sob pena de descumprimento de preceito normativo em pleno vigor. Além disso, sob o ponto de vista substancial, tais informações são de fundamental importância para que, no curso do despacho aduaneiro de exportação, a autoridade fiscal adote os procedimentos adequados de controle do regime especial em apreço, especialmente, o atendimento do princípio da vinculação física, mediante a verificação da presença dos insumos importados no produto exportado, bem como se o fabricante do produto era beneficiário do regime ou outra empresa industrial etc. Dessa forma, evintando que uma mesma operação de exportação seja utilizada de mais para fim de comprovação do incentivo e, por conseguinte, que haja importação para o mercado interno de insumos sem a cobrança dos tributos devidos. Sem um RE com tais informações, obivamene, a fiscalização do cumprimento do regime tornarseia ineficaz, o que poderia propiciar o ingresso de produtos estrangeiros no Pais sem o pagamento dos tributos devidos, prejudicando a concorrência com as demais empresas industriais não contempladas com o incentivo. Assim, fica evidenciado que, diferentemente do que alegou a recorrente, os requisitos do RE, expresssamente, fixados nos referidos atos normativos tratase de formalidade essencial e imprescindível para confirmar a comprovação do compromisso de exportação e a legitimidade do mencionado incentivo fiscal. No caso em tela, analisando os Demonstrativos “RESUMO DAS OPERAÇÕES” colacionados aos autos (fls. 1.090/1.134), verificase que, além da ausência das informações do código do drawback suspensão (81101) e dados do fabricante do produto exportado, em parte dos RE a recorrente fez alteração das referidas informações, após Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 20 averbação do citado documento no Siscomex, sem contudo ter a necessária anuência da fiscalização aduaneira, o que contraria o disposto do artigo 219 da Instrução Normativa SRF n° 28 de 27 de abril de 1994, que disciplina o despacho aduaneiro de exportação. Por força da inobservância dessa exigência, o RE que teve as informações do código do drawback suspensão (81101) e dos dados do fabricante alterados pela própria recorrente, após o embarque e averbação no Sistema, sem a devida anuência da auturidade aduaneira, equivale ao RE sem tais informações, o que também o torna imprestável para fim de comprovação do regime drawback suspensão. No sentido da imprescindibilidade do atendimento dos requisitos formais do RE, tem decidido a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme se infere do teor dos enunciados das ementas dos recentes julgados que seguem transcritos: DRAWBACK SUSPENSÃO. O encerramento do regime de drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por meio da apresentação dos documentos fixados na legislação de regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido. Ausentes tais elementos, não há como se considerar o regime adimplido. (CARF. CSRF. 3ª Turma. Ac. CSRF/930301.248, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann. Redator Designado Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 6/12/2010) – Grifos não originais. DRAWBACK SUSPENSAO, EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual Vinculação ao Ato Concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. (CARF. CSRF. 3ª Turma. Ac. CSRF/930301.248, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 6/12/2010) Por essas razões, na ausência de documento hábil e idôneo, resta evidenciado que a autuada não comprovou a exportação dos insumos impotados com o benefício do regime especial em apreço, em consequência, deve ser mantida as respectivas autuações. III – DA CONCLUSÃO 9 "Art. 21. O registro da entrega dos documentos de instrução do despacho no SISCOMEX marca o início do procedimento fiscal e impede quaisquer alterações, pelo exportador, na declaração para despacho por ele formulada sem a prévia anuência da fiscalização aduaneira." Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12452.000310/201075 Acórdão n.º 3102002.127 S3C1T2 Fl. 2.189 21 Por todo o exposto, votase por (i) NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e (ii) DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para recohecer a decadência do crédito tributário, relativo ao Ato Concessório nº 20030021294. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 36266.003981/2005-96
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004
RELAÇÃO JURÍDICA CONSIDERADA. PRIMAZIA DA VERDADE MATERIAL.
Configurada a interposição injustificada de empresa, com indevida redução de recolhimento das contribuições devidas, pode e deve a fiscalização efetivar o enquadramento devido, com suporte na verdade material demonstrada, com o correto direcionamento do pólo passivo tributário.
REPRESENTANTES LEGAIS
Todos os representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP - Relação de Co-Responsáveis, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. A mera indicação no relatório não implica em automática responsabilização, apenas traduzindo informações que constam dos registros públicos de constituição da própria empresa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Renato Silveira, OAB/SP nº222.047.
Nome do relator: Oséas Coimbra
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004 RELAÇÃO JURÍDICA CONSIDERADA. PRIMAZIA DA VERDADE MATERIAL. Configurada a interposição injustificada de empresa, com indevida redução de recolhimento das contribuições devidas, pode e deve a fiscalização efetivar o enquadramento devido, com suporte na verdade material demonstrada, com o correto direcionamento do pólo passivo tributário. REPRESENTANTES LEGAIS Todos os representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP - Relação de Co-Responsáveis, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. A mera indicação no relatório não implica em automática responsabilização, apenas traduzindo informações que constam dos registros públicos de constituição da própria empresa. Recurso Voluntário Negado.
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PRIMAZIA DA VERDADE MATERIAL. Configurada a interposição injustificada de empresa, com indevida redução de recolhimento das contribuições devidas, pode e deve a fiscalização efetivar o enquadramento devido, com suporte na verdade material demonstrada, com o correto direcionamento do pólo passivo tributário. REPRESENTANTES LEGAIS Todos os representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP Relação de CoResponsáveis, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. A mera indicação no relatório não implica em automática responsabilização, apenas traduzindo informações que constam dos registros públicos de constituição da própria empresa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Renato Silveira, OAB/SP nº222.047. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 39 81 /2 00 5- 96 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Léo Meirelles do Amaral, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados empregados. A fiscalização demonstrou que os empregados, apesar de declarados em GFIP de outra empresa Melhoramentos Florestal S.A., efetivamente trabalhavam para a holding do grupo Companhia Melhoramentos de São Paulo. A base de cálculo foi extraída da RAIS. Diligência às fls 400/404, onde foram apresentadas as seguintes considerações: · Com relação aos segurados Hernani Donato e Maria Cristina Itri Moraes, a Auditoria Fiscal informa que os campos (i) departamento; (ii) função e (iii) empresa para qual presta serviços não foram preenchidos pois estes profissionais não foram entrevistados. E conclui que "tais dados, mesmo que informados, não alterariam o levantamento do débito previdenciário, uma vez que os dois segurados em questão eram empregados da Companhia Melhoramentos de São Paulo (..) nas quais constam os cargos de Relações Públicas (Hernani Donato) e Secretária Bilíngüe (Maria Cristina Itri Moraes), que por si só já confirmam não se enquadrar em atividades de Agro indústrias." · E, com relação aos quatros profissionais que foram admitidos diretamente pela Melhoramentos Florestal (item 65 da impugnação), a Auditoria Fiscal informa que "tais cargos não são típicos de empresa agroindustrial". Observese que os cargos em questão são: analista financeiro; assistente administrativo; mensageiro e auxiliar administrativo. Ora, quais os critérios utilizados pela fiscalização para concluir que estes cargos não são típicos de empresa agroindustrial? Não pode uma empresa agroindustrial admitir empregados para desenvolver atividades administrativas? Quais seriam os cargos que, segundo a fiscalização previdenciária, uma empresa agroindustrial pode admitir? · A transferência de empregados adotada pela Requerente retrata a realidade dos fatos. Conforme constatou a própria fiscalização, os empregados apontados prestam serviços para o Grupo Melhoramentos. Assim, conforme jurisprudência trabalhista (Súmula 129 do Tribunal Superior do Trabalho TST), só haverá um contrato de trabalho para o empregado que prestar serviços para duas ou mais pessoas jurídicas pertencentes ao grupo econômico. Porém, considerando que a legislação trabalhista ou previdenciária não determina qual empresa, dentre as que integram o grupo, deve figurar como empregadora dos empregados que prestam serviços no interesse Fl. 537DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 5 4 de todas as empresas do grupo, cabe as partes, livremente, escolher quem figurará como empregador. · A Auditoria Fiscal tenta distorcer as afirmações da Requerente ao afirmar que "a Impugnante confirma a constatação da transferência apenas virtual, ao dizer que os segurados empregados continuaram a prestar serviços para seus antigos empregadores." Ora, a afirmação da Requerente de que os empregados apontados pela fiscalização continuam prestando serviços para os seus antigos empregadores apenas reforça a situação real de que esses profissionais prestam serviços para empresas do Grupo Melhoramentos. Assim, essa afirmação não é capaz de comprovar as alegações e não fundamenta as conclusões da Auditoria Fiscal. Muito pelo contrário, comprova as alegações da Requerente, conforme constatado pelo própria fiscalização, de que os profissionais apontados prestam serviços para empresas do Grupo Melhoramentos. · A auditoria reconhece que os empregados prestam serviços para todas as empresas do grupo; porém afirma, sem qualquer fundamento, que os referidos empregados devem ser registrados nas empresas “sujeitas à tributação sobre a folha de pagamento. Qual o dispositivo legal para tal fundamento? · Por fim, não há que se falar, no presente caso, em aumento da receita da Requerente às custas da Previdência Social. Conforme reconhecido pela própria Auditoria Fiscal, não há qualquer dispositivo legal que regulamente a situação em discussão (registro de empregados que prestam serviços para empresas do mesmo grupo econômico), o que justifica o procedimento adotado pela Requerente. · Considerando a obscuridade em parte dos novos argumentos apresentados pela Auditoria Fiscal, a Requerente requer, com base no art. 9°, IV, da Portaria MPS 520/2004, a análise e respostas aos seguintes quesitos: o a) quais os métodos, critérios e dispositivos legais utilizados pela auditoria fiscal para desconsiderar as respostas dos empregados entrevistados de que prestam serviços para o Grupo Melhoramentos e considerálos exclusivamente como empregados da Requerente? o b) quais os métodos, critérios e dispositivos legais utilizados pela auditoria fiscal para considerar que os cargos apontados nas informações prestadas (Relações Públicas, Secretária Bilingüe, Analista Financeiro; Assistente Administrativo; Mensageiro e Auxiliar Administrativo) não são típicos e não se enquadram em atividades de agroindústrias? o c) qual o dispositivo legal determina que os empregados que Fl. 538DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 6 5 o prestam serviços para empresas do mesmo grupo econômico devem estar registrados nas empresas sujeitas à tributação sobre a folha de pagamento e não na agroindústria? o d) quais os métodos, critérios e dispositivos legais utilizados pela Auditoria Fiscal para concluir que "os segurados empregados incluídos na NFLD exercem atividades lido enquadradas corno próprias de Agro indústrias"? o e) quais seriam os cargos (e o fundamento legal) que, segundo a Auditoria Fiscal, as agroindústrias podem contratar? o f) quais os métodos e critérios utilizados pela Auditoria Fiscal para considerar que os profissionais Hernani Bonato e Maria Cristina Itri Moraes são empregados da Requerente? o g) quais os fatos, critérios e dispositivos legais utilizados pela Auditoria Fiscal para incluir os administradores da Requerente como coresponsáveis do débito? O r. acórdão – fls 424 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Nulidade por reconhecimento de vinculo empregatício sem motivação e por cerceamento de defesa. · Nulidade por responsabilidade tributária imposta aos administradores sem motivação e por cerceamento de defesa. · Responsabilidade tributária imposta aos administradores. aplicabilidade do art. 135 do CTN. · Responsabilidade tributária imposta aos administradores. inaplicabilidade do art. 13 da lei 8.620/1993. · Caso superadas as nulidades até aqui argüidas que já ensejariam a nulidade da NFLD, deve ser declarada a reunião dos presentes autos com o Auto de Infração 35.634.8423 – obrigação acessória, por conexão. · Incompetência da secretaria da receita previdenciária para desconsiderar alterações e demais questões referentes aos contratos de trabalho. · Inaplicabilidade do art.116, parágrafo único, do CTN · Vícios no levantamento (verificação física) que ensejou a NFLD. Ofensa à verdade material e ao devido processo legal. A diligência consistiu na análise de um universo de 277 trabalhadores constantes da RAIS, AnoBase 2004, da Melhoramentos Florestal. Destes, 119 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 7 6 empregados teriam sido entrevistados. Sobre a diligência realizada, não há como prevalecer o entendimento do Acórdão de que este procedimento foi acompanhado, em Sao Paulo, pela Sra. Maria Helena Ferreira Durão e, em Caieiras, pelo Sr. Luiz Carlos Feliciano. Conforme já relatado pela RECORRENTE, a participação desses profissionais se limitou a apresentação dos empregados aos agentes fiscais, sendo que as entrevistas foram conduzidas unilateralmente pela fiscalização, sem qualquer participação da RECORRENTE ou da Melhoramentos Florestal. A recorrente a não participou da verificação realizada pela fiscalização. · O reconhecimento de vinculo empregatício — que, reiterese, só poderia se processar no âmbito da Justiça do Trabalho — deveria ser pautado pelo principio do contraditório e da ampla defesa. · Embora a fiscalização previdenciária tenha constatado que a Melhoramentos Florestal tinha, no ano de 2004, 277 empregados, suas conclusões foram pautadas apenas em 119 empregados entrevistados, ou seja, menos de 43% do total dos empregados, o que caracteriza, no mínimo, ofensa ao principio da verdade material. · Em outras palavras, aplicando autentica presunção não prevista em qualquer dispositivo legal —, a fiscalização concluiu que, de todos os empregados registrados pela Melhoramentos Florestal, apenas 9,3 profissionais seriam, diretamente, empregados seus. Os demais mesmo aqueles que não foram "entrevistados" prestariam serviços para o Grupo Melhoramentos. Essa presunção desqualifica ainda mais o levantamento em questão. · Inexistência de prova da subordinação à recorrente. Em que pese o entendimento da fiscalização e do Acórdão, é certo que apenas o fato do empregado executar atividades no interesse da RECORRENTE não caracteriza a existência de relação de emprego entre ela e esses profissionais e, de modo análogo, não descaracteriza o vinculo com a Melhoramentos Florestal. · Requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário, anulandose a NFLD 35.634.8415, bem como: o a) seja decretada a nulidade da autuação (i) por falta dos requisitos para preenchimento da NFLD e do conseqüente desrespeito ao direito de defesa da RECORRENTE; (ii) por atribuição de responsabilidade tributária imposta aos diretores da RECORRENTE; (iii) pela ausência de fundamento que atribuísse à fiscalização a competência para reconhecer e/ou desconhecer vinculo empregaticio; e (iv) pelos vícios no levantamento apontados pela RECORRENTE; ou o b) caso assim não se julgue, no mérito, seja determinada a conexão dos presentes autos com o AI 35.634.8423 e, após Fl. 540DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 8 7 seja decretada a total improcedência e insubsistência da exigência fiscal, cancelandose integralmente a NFLD. · Ratifica a RECORRENTE que todas as notificações e intimações de todos os atos, sejam realizadas exclusivamente em nome dos advogados JOSÉ MAURÍCIO MACHADO, inscrito na OAB/SP sob o n° 50.385 e/ou JULIO MARIA DE OLIVEIRA, inscrito na OAB/SP sob o n° 120.807, conforme procuração anexa aos autos. É o relatório. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO PEDIDO DE INTIMAÇÃO PESSOAL DOS PROCURADORES O pedido formulado não encontra amparo na legislação vigente. As intimações são feitas ao sujeito passivo conforme procedimentos previstos no art. 23 do decreto 70.235/72, sem ordem de preferência. Ante o exposto, indefiro o pedido formulado DO JULGAMENTO CONJUNTO COM O AI 35.634.8423 Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitandose decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma do presente Auto de Infração. Os documentos de débitos lavrados em razão do descumprimento de obrigação acessória, e do não recolhimento devido, são autônomos, com distintos fatos geradores e fundamentação legal diversa, não se exigindo o conjunto julgamento. Nessa linha, no RE 250844/SP, de 29.5.2012, O Min. Luiz Fux explicitou que, no Direito Tributário, inexistiria a vinculação de o acessório seguir o principal, porquanto haveria obrigações acessórias autônomas e obrigação principal tributária. Também o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu por diversas vezes, ainda que de forma indireta, a autonomia das obrigações acessórias em relação às obrigações principais, na seara tributária, senão vejamos entendimento exarado no AgRg no Agravo de Instrumento Nº 490.441 – PR (2003∕00087880), DJ 21/06/2004: "É cabível a aplicação de multa pelo atraso ou falta de apresentação da DCTF, uma vez que se trata de obrigação acessória autônoma, sem qualquer laço com os efeitos de possível fato gerador de tributo, exercendo a Administração Pública, nesses casos, o poder de polícia que lhe é atribuído." Também não há que se falar em decisões conflitantes, pois o que for decidido no presente processo em nada irá alterar o que decidido em outros processos da mesma Fl. 542DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 10 9 empresa a serem julgados nesta ou em outra Turma de julgamento, a comprovar a inexistência de alcance comum entre os mesmos. Os processos seguirão o rito normal, com disponibilização de prazos para recurso, etc., como acontece rotineiramente neste Conselho. A título de registro, em praticamente todas as sessões desta Turma Especial são julgados apenas parte de processos lavrados na mesma ação fiscal, sem se levantar eventuais conexões. Ante o exposto, não vislumbro a conexão suscitada. DA EXCLUSÃO DOS SÓCIOS DO RELATÓRIO CORESP O relatório CORESP RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS traz os responsáveis pela administração da empresa, com sua respectiva qualificação e período de atuação. Os referidos relatórios foram lavrados em consonância com a legislação vigente, não tendo que se falar em retificação dos mesmos. Acrescentese que a presença nos referidos relatórios não implica em automática sanção, pois apenas sintetizam informações que constam dos registros públicos de constituição da própria empresa, disponíveis a qualquer cidadão. A responsabilidade pelos débitos apurados, até o presente momento, é somente da empresa autuada. DO VÍNCULO CONSIDERADO Resta agora decidir acerca da consideração feita pela fiscalização, que considerou os empregados de MELHORAMENTOS FLORESTAL S/A como efetivamente laborando para COMPANHIA MELHORAMENTOS DE SAO PAULO, ora autuada. A lei 8.212/91, em seu art.12, informa os requisitos para que se considere o segurado como empregado para fins previdenciários. Uma vez preenchidos os requisitos ali presentes, aplicamse as alíquotas devidas, sem que isso configure, per se, reconhecimento de vínculo perante a seara trabalhista, pois o enquadramento segue a legislação tributária, com reflexos diretos somente perante a atuação do fisco previdenciário. Aos interessados, cabe provocar a Justiça do trabalho para que se manifeste sobre a relação de emprego porventura existente. Sobre a competência do fisco para a desconsideração da relação jurídica e enquadramento como segurado empregado, para fins tributários, esta não se confunde com o reconhecimento ou declaração de relação de emprego, pois o fato gerador da contribuição previdenciária independe de reconhecimento de vínculo empregatício. Com base no prefalado art. 12,I da lei 8.212/91, o §2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. ° 3.048/1999, determina que “ Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado”. Assim já se manifestou nossos Tribunais: Fl. 543DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 11 10 "EMBARGOS INFRINGENTES. TRIBUTÁRIO. ATIVIDADE FISCAL DO INSS. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO TRABALHISTA. POSSIBILIDADE. 1. Se o “Termo de Cessão de Local” celebrado entre a Embargante e os professores ministrantes de cursos nas suas dependências, não contém apenas cláusulas referentes à locação do espaço para realização das aulas, mas diversas outras que demonstram a ingerência da Autora sobre a própria atividade realizada pelo cessionário, não há falar em inexistência de subordinação hierárquica, evidenciandose a relação de emprego. 2. É lícito ao INSS reconhecer a existência de relação de emprego com a finalidade de constituir e cobrar tributos e demais exigências legais, sem que tal procedimento acarrete a usurpação da competência institucional da Justiça do Trabalho, pois não implica o reconhecimento de direitos decorrentes da relação empregatícia." (TRF 4" Região, Primeira Seção, Rei. Juiz Dirceu de Almeida Soares, Processo n." 199804010615341, j . em 5/6/2002, DJ em 17/7/2002) "MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. (...). 1. O vínculo entre empregador e trabalhador não se confunde com a relação entre o fisco e o contribuinte, embora a caracterização do liame empregatício a ambas interesse. 2. O INSS, ao constatar o trabalho prestado por alguém a uma empresa, por ocasião de fiscalização, não invade a competência da Justiça do Trabalho, a quem cabe dizer da existência da relação de emprego, mas se encontra investida da atribuição institucional de fiscalizar a relação entre o contribuinte e a Previdência Social, a partir de situação concreta. 4. Apelação improvida. (TRF 1" Região, Segunda Turma Suplementar, Rei. Juiz Lindoval Marques de Brito, Processo n.° 199701000352290, j . em 26/6/2001, DJ em 15/8/2001). O STJ também já se manifestou sobre o assunto. Transcrevemos excerto da ementa do RESP 837.636, DJ 14/09/06. Quanto ao dissenso pretoriano colacionado acerca da interpretação do art. 33 da Lei nº 8.212/91, o acórdão recorrido encontrase em consonância com o entendimento jurisprudencial desta Corte: "A fiscalização do INSS pode autuar empresa se esta deixar de recolher contribuições previdenciárias em relação às pessoas que ele julgue com vínculo empregatício. Caso discorde, a empresa dispõe do acesso à Justiça do Trabalho, a fim de questionar a existência do vínculo." (REsp 236.279RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ Fl. 544DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 12 11 20/3/2000). De igual modo: (REsp 515821/RJ, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 25/04/2005) O detalhado relatório fiscal demonstra de forma clara a transferência de empregados de Cia MELHORAMENTOS para MELHORAMENTOS FLORESTAL, saltando em um mês de 06 (seis) para 129 (cento e vinte e nove) empregados. O Salário de Contribuição da Melhoramentos Florestal S.A, que era de apenas R$ 24.414,52 em 01/2000, passou a R$ 850.055,14 em 06/2004, crescimento, portanto, de 3.381,76%, período que a receita diminuiu 13,57%. Informa a fiscalização: Verificamos por todos os meios fiscais e contábeis, inclusive através de verificação física que realizamos nos estabelecimentos de São Paulo (em 16/02/2005) e de Caieiras (em 17/02/2005, 18/02/2005 e 21/02/2005), que de fato os empregados foram transferidos apenas formalmente. 0 cadastro da empresa Melhoramentos Florestal S.A. foi indevidamente utilizado para informar, em GFIP e em RAIS, empregados que de fato trabalham para a empresa Companhia Melhoramentos de São Paulo (Holding do Grupo Melhoramentos) e para a Melhoramentos Papéis Ltda. A transferência não passa de um artifício utilizado pelas empresas Melhoramentos Papéis Ltda. e Companhia Melhoramentos de sac. Paulo (Holding do Grupo Melhoramentos) com o objetivo de não declarar as contribuições incidentes sobre os salários pagos ou creditados aos seus empregados. Ao declarálos nas GFIP da Melhoramentos Florestal S.A., as referidas empresas não assumem junto ao INSS a obrigação do recolhimento das contribuições devidas, pois o sistema de arrecadação, em razão da especificidade do FPAS destinado à Agroindústria a partir de novembro de 2001, não apura as contribuições. Agindo assim, a empresa Melhoramentos Papéis Ltda. e a Companhia Melhoramentos de sac) Paulo (Holding do Grupo Melhoramentos) sonegaram informações A Previdência Social. ... Não é demais mencionar que as três empresas têm em comum os mesmos dirigentes. 0 principal Diretor Executivo, Sr. Eduardo Jorge José de Macedo, responde pelas três empresas envolvidas no procedimento durante o período de ocorrência. As transferências de empregados da Companhia Melhoramentos de São Paulo para as GFIP e RAIS da Melhoramentos Florestal S.A. ocorreram nos meses de 03/2002 e 04/2002. ... De um total de 62 empregados entrevistados na Rua Tito, 479, Lapa, São Paulo, SP, 5 responderam trabalhar para a Melhoramentos Papéis Ltda., 14 para a Melhoramentos Papéis Fl. 545DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 13 12 Ltda. e Melhoramentos Florestal S.A. e 43 para o Grupo Melhoramentos. Todos trabalham em setores cujas atividades são desenvolvidas pela Melhoramentos Papéis Ltda. e Companhia Melhoramentos de São Paulo (Holding do Grupo Melhoramentos). Os 43 que responderam trabalhar para o Grupo Melhoramentos exercem atividades dirigidas aos interesses da Melhoramentos Papéis Ltda. e da Companhia Melhoramentos de São Paulo (Holding do Grupo Melhoramentos). Relata ainda a entrevista com 119 (cento e dezenove) empregados, sendo que apenas 04 (quatro) afirmaram trabalhar efetivamente para Melhoramentos Florestal, o que representa 3,36% dos entrevistados. Do exposto, tenho que as provas carreadas demonstram o vínculo empregatício entre os empregados e COMPANHIA MELHORAMENTOS DE SAO PAULO, sendo assim correto o enquadramento realizado, razão pela qual a notificação lavrada ser mantida em sua inteireza. Acrescentese que, nesta mesma ação fiscal foi lavrada a NFLD 35.634.140 2, COMPROT 36266.007276/200649, no valor de R$ 3.467.450,25, já julgada neste Conselho em 03.12.2008, que analisou a mesma questão de fundo – transferência irregular de empregados. O acórdão de relatoria da Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÓES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CUSTEIO DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. É atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n°8.212/91. Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. Recurso Voluntário Provido em Parte. Nos autos referidos consta ainda desistência parcial referente às competências 12/1999 a 12/2004. Como as competências competências 07/1999 a 11/1999 já haviam sido excluídas conforme anexos DADR Discriminativo Analítico de Débito Retificado, os autos foram remetidos à arquivo. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 2803003.104 S2TE03 Fl. 14 13 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10920.911424/2012-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 24 /2 01 2- 15 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911424/201215 Acórdão n.º 3803005.673 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911424/201215 Acórdão n.º 3803005.673 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911424/201215 Acórdão n.º 3803005.673 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911424/201215 Acórdão n.º 3803005.673 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911424/201215 Acórdão n.º 3803005.673 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911424/201215 Acórdão n.º 3803005.673 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10930.904471/2012-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904471/201293 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.821 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 71 /2 01 2- 93 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904471/201293 Acórdão n.º 3803004.821 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904471/201293 Acórdão n.º 3803004.821 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904471/201293 Acórdão n.º 3803004.821 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 16682.721205/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
IRPJ. CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE A TERCEIROS (PACIENTES). ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos não-cooperativos, caracterizados pelo fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, não estão abrigados pela não-incidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Precedentes do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob a sistemática do art. 543-C do CPC.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DE TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, quando ambas penalidades tiveram como base o valor das receitas tidas como não tributadas pela Fiscalização.
Numero da decisão: 1102-000.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a exigência das multas de ofício isoladas por não recolhimento do tributo sob bases estimadas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Evande Carvalho Araujo, que negavam provimento ao recurso, e os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que também excluíam do lançamento uma parcela das receitas equivalente à proporção entre as despesas com os médicos cooperados e o total das despesas.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE A TERCEIROS (PACIENTES). ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos nãocooperativos, caracterizados pelo fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, não estão abrigados pela nãoincidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Precedentes do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob a sistemática do art. 543C do CPC. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DE TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, quando ambas penalidades tiveram como base o valor das receitas tidas como não tributadas pela Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a exigência das multas de ofício isoladas por não recolhimento do tributo sob bases estimadas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Evande Carvalho Araujo, que negavam provimento ao recurso, e os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que também excluíam do lançamento uma parcela das receitas equivalente à proporção entre as despesas com os médicos cooperados e o total das despesas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 05 /2 01 1- 00 Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sexta Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 SOCIEDADES COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. As cooperativas de médicos não se sujeitam à incidência tributária em relação às consultas prestadas aos clientes e nem quanto aos serviços prestados diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns. Todavia, se conjuntamente com estes, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminado, o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura com diárias e serviços hospitalares, serviços de laboratórios e outros serviços, especializados ou não, prestados por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, estas operações se caracterizam como atos não cooperativos e estão sujeitas à incidência tributária . RECEITAS FINANCEIRAS. A isenção concedida às cooperativas não alcança suas receitas financeiras. MULTA ISOLADA. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá a multa isolada sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, cumulada, quando for o caso, com a multa de ofício sobre o tributo anual pago a menor. (art 16 da IN 93/97). Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTOS CONEXOS. Aplicase aos lançamentos decorrente dos mesmos fatos as mesmas conclusões. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido”. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo dos autos de infração de fls 820, lavrados pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – DEMAC RJ, por meio dos quais foram recompostas as compensações de bases tributáveis informadas pela interessada em DIPJ e, ainda, foi constituído o crédito referente: 1) aos valores de R$ 9.013.755,73 e R$ 3.164.380,43, relativos ao IRPJ e Contribuição Social dos anos de 2006 e 2007, respectivamente, acrescidos de multa de 75% e juros de mora; 2) a Multa isolada de 50% cobrada sobre os valores das estimativas mensais dos referidos anos que deixaram de ser recolhidas nos seguintes valores totais: R$ 4.171.495,22 para o IRPJ e R$ 2.121.774,58 para a CSLL. Os fatos, entendimentos e conclusões que ensejaram a formalização da exigência, expostos no termo de fls 792/819, foram em síntese, os seguintes : 1. a fiscalizada é constituída sob a forma de sociedade cooperativa de natureza civil, tendo como finalidade, na forma de seus estatutos, a congregação de seus associados para a prestação de serviços médicos; 2. consoante normas da lei 5.764/72, as sociedades cooperativas que obedecem ao disposto na legislação específica estão abrigadas da incidência tributária no que diz respeito aos resultados referentes aos atos de proveito comum, sem objetivo de lucro. Em contrapartida, devem arcar com as incidências tributárias que recaiam sobre os resultados positivos das operações estranhas à sua atividade; 3. A autuada opera com planos de saúde e as receitas daí resultantes não constituem ato cooperado e, portanto, não são isentas. Tal conclusão foi assim fundamentada: 3.1 “As pessoas jurídicas que operam com Planos de Saúde, mesmo aquelas que, como a UNIMEDRIO, se revestem do tipo societário cooperativa, têm por objeto “o Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 5 4 fornecimento de cobertura de serviços voltados para a saúde física e mental do cliente, nos limites do contrato. Esta cobertura em regra engloba serviços médicos, como consultas e exames clínicos; hospitalares, como internação e cirurgias; ambulatoriais, como pronto socorro e pequenas cirurgias; além de serviços de diversos profissionais de saúde, como protéticos, ortopedistas, fisioterapeutas e outros; 3.2 No caso da Unimed, os planos de saúde são contratos firmados entre a cooperativa e seus clientes. Nestes contratos, a cooperativa se compromete, mediante pagamento da prestação mensal, a cobrir os custos de todo e qualquer procedimento necessário à preservação da saúde do cliente, nas condições contratadas. Esta relação contratual é caracterizada pelo elemento risco, já que o cliente paga a mensalidade do plano independentemente do uso da estrutura de serviços contratada, mas a cooperativa se obriga a prestar toda a assistência contratada, caso se faça necessária, ainda que o custo de assistência exceda aos das mensalidades pagas. É característica do setor que as mensalidades dos planos, as coberturas previstas e as provisões técnicas sigam cálculos e critérios atuariais, que levam em conta a idade do cliente, seu histórico médico, risco da atividade profissional e outras tantas variáveis, tendo portanto caráter de empresa de segurosaúde”. ............... Vejase que a estrutura deste modelo de cooperativa extrapola em muito o caso clássico da entidade que apenas reúne esforços de profissionais associados, para o incremento de suas atividades. Embora organizadas sob a forma de cooperativas, e embora prestem serviços de natureza médica, essas entidades se orientam por lógica de mercado, inteiramente voltada para o atendimento ao cliente (terceiro não cooperado), e para a geração de receitas em contrato de risco, que podem ou não resultar na prestação de serviços cooperados. As receitas representadas pelas mensalidades dos planos de saúde não tem relação com a prestação de serviço específico por médico cooperado. A razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa da razão jurídica do pagamento do serviço que o médico presta ao seu paciente. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e um cliente. Na segunda, é o serviço efetivo prestado pelo profissional ao paciente. O usuário (cliente do plano) pode pagar diversos meses sem usar qualquer serviço, o usuário pode utilizar apenas serviços de não cooperados ; o usuário pode utilizar serviços de valor muito inferior ao das mensalidades pagas ou, ao contrário, muito superior; enfim, tratase de contrato de Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 6 5 risco, a preço global, com características de seguro saúde.” 4. A correta segregação de receitas na contabilidade é condição sine qua non para a não incidência tributária sobre o resultado cooperativo. O Parecer Normativo CST Cosit 73/1975 prevê o rateio de custos, despesas e encargos indiretos conforme a proporção observada entre as receitas oriundas de atos cooperados e as de atos não cooperados; 5. No caso concreto, a pessoa jurídica auditada foi intimada (intimação 023/2011) a informar a metodologia que norteou a segregação de seus resultados, havendo concluído a autoridade autuante, a partir das planilhas apresentadas, que o critério adotado para a classificação das receitas como oriundas da prática de atos cooperativos (principal ou auxiliar) ou não cooperativos foi o rateio assim caracterizado e descrito: 6. “... Apurados os Eventos indenizáveis líquidos, a empresa classificavaos entre despesas do ato cooperado principal, despesas do ato cooperativo auxiliar e despesas do ato não cooperado. ...................... Despesas do Ato Cooperativo Principal(ACP) – pagamentos a médicos cooperados e demais despesas diretas; Despesas de Ato Cooperativo Auxiliar (ACA) –pagamentos a hospitais, laboratórios e clínicas; Despesas de Ato não cooperativo(ANC) –pagamentos a médicos não cooperados. Feita esta classificação, a empresa apurava o percentual de cada categoria (ACP, ACA e ANC) no total de eventos indenizáveis líquidos do mês. Finalmente, os percentuais apurados eram aplicados às demais receitas/despesas consideradas passíveis de rateio, ainda segundo critério da contribuinte, distribuindoas entre o resultado do ato cooperativo (principal e auxiliar) e o resultado do ato não cooperativo. Outras receitas e despesas, não submetidas a rateio, eram diretamente levadas ao resultado do ato cooperativo ou não cooperativo, conforme o caso.” 7. O critério de rateio adotado foi considerado impróprio pelos seguintes motivos: 7.1 baseouse na segregação de despesas e não na natureza jurídicocontábil das receitas; 7.2 considerou, indevidamente, que parte das receitas oriundas de mensalidades de plano de saúde seriam não tributáveis. Estes valores, porém, não reúnem as Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 7 6 condições de ato cooperativo , já que são “pagamentos uniformes e a preço global, feitos por terceiros não cooperados, na condição de clientes contratantes, em contratos com característica de seguro saúde”; 7.3 rateou indevidamente receitas / despesas financeiras e operacionais, quando tais rubricas devem ser integralmente incorporadas aos resultados dos atos não cooperativos. 8. Tendo em vista a impropriedade da segregação de resultados, diante do desrespeito às condições para gozo da isenção tributária de que trata a Lei 5.764/71, ficou a fiscalizada sujeita à tributação aplicável às pessoas jurídicas em geral , conforme art 182 do RIR/1999. 9. Em consequência, foram integralmente glosadas as exclusões ao lucro real feitas nos ano de 2006 e 2007, nos valores de R$25.833.229,73 e R$ 26.064.310,34. Foram ainda refeitos os resultados mensais da interessada, inclusive compensação de prejuízos fiscais disponíveis, cobrandose sobre os novos valores a multa isolada (art. 44, inciso II letra b da Lei 9.430/96) pelo não recolhimento de estimativas. A demonstração dos valores exigidos consta das tabelas de fls 811 a 813. 10. Conforme tabelas de fls 814 a 816, na apuração do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social foram considerados, como dedução, o imposto retido na fonte por autarquias e fundações federais, bem como os valores confessados em DCTF. Em 29/12/2011 a interessada foi cientificada da autuação e em 30/01/2012 apresentou as impugnações de fls 964/1000 e 1062/1097, que contêm, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: 1. a impugnante é uma cooperativa formada por médicos, operadora de planos de saúde, estando as atividades que desenvolve regulamentadas pelas Leis 5.764/71 e 9.656/98. 2.quando os serviços médicos são prestados por cooperativados, a Unimed repassa ao profissional o valor correspondente à prestação do serviço. No caso de internações cirurgias , exames laboratoriais e outros , também é a Unimed que quita os custos. Tal intermediação é feita de modo a proporcionar ao cooperado as melhores condições de diagnóstico e tratamento; 3. foi tributada a receita global da impugnante, tratamento este que equivale a desconsiderar a natureza jurídica da autuada, equiparandoa às sociedades mercantis; 5.quando um médico cooperado efetua uma consulta, pratica ato cooperativo, já que o serviço prestado é justamente o Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 8 7 objeto da sociedade. Em conseqüência, a receita oriunda deste ato não pode ser tributada. 6. toda Cooperativa de Trabalho Médico Operadora de Plano de Saúde recebe mensalidades de seus clientes que se destinam a custear Atos cooperativos e atos não cooperativos, razão pela qual as receitas auferidas por estas entidades devem ser rateadas proporcionalmente aos custos; 7.os valores recebidos, referentes aos planos de saúde, são previamente ajustados e, por óbvio, não há um conhecimento prévio de quais serviços serão demandados pelos segurados. O único critério prático e cabível dentro dessa realidade é o rateio com base nos custos incorridos, porque neste caso, os eventos são conhecidos e confirmados; 8. a legislação não impõe forma determinada para a segregação das receitas tributáveis de uma cooperativa, de forma que não é ilegal o procedimento adotado. Cada cooperativa deve escolher o método que, conforme sua realidade, melhor retrate seus resultados; 9. nos termos do Parecer Normativo Cosit 38/80, incabível a tributação das cooperativas por receita global, de forma que a autoridade administrativa deveria ter segregado as receitas beneficiadas e ter indicado pormenorizadamente quais valores constituem receitas destinadas ao custeio de atos cooperados e quais não constituem. Ainda segundo o mesmo Parecer, na impossibilidade de segregação do lucro proveniente dos atos não cooperativos, devese proceder ao arbitramento; 10. a própria fiscalização entendeu o critério de classificação das receitas adotado pela interessada, tanto que o expôs com clareza. São mantidos controles fiscais e extracontábeis que indicam os métodos e princípios adotados; 12. não existe impedimento legal ao procedimento adotado pela autuada no que diz respeito a individualização de suas receitas. A Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) define o plano de contas a ser adotado pelas Operadoras de Planos de Saúde, plano este que não discrimina as receitas conforme pela sua referência a atos cooperativos ou atos não cooperativos; 13. por ser a sociedade cooperativa, a Unimed não desempenha atividade mercantil. Apenas representa os médicos cooperados na captação de sua clientela, oferecendo toda a infraestrutura necessária para a prestação do serviço. Assim, os valores pagos pelos clientes são repassados para os médicos e não constituem receita tributável; 14. incabível a cobrança concomitante de multa isolada em função do não pagamento de estimativas e, ainda, da multa Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 9 8 por falta de recolhimento do tributo oriundo da apuração anual.” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em recurso voluntário, a Contribuinte reproduz alegações de impugnação quanto à impossibilidade (a) de tributação global dos resultados da Cooperativa e da necessidade de segregação da base de cálculo para fins de incidência tributária; e (b) de exigência de cobrança concomitante de multa de ofício e multa isolada por não recolhimento de estimativas mensais. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário foi interposto tempestivamente e por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme se depreende do relatório supra, cingese a controvérsia em saber se é legítima a tributação da integralidade das receitas da Contribuinte proveniente da comercialização com terceiros (pacientes) de planos/seguro de saúde que custeiam atividades praticadas por médicos cooperados (consultas médicas), como também outras despesas necessárias ao atendimento de seus clientes, tais como despesas com exames, hospitais e médicos não cooperados. Segundo a Contribuinte, seriam receitas provenientes de atos cooperados aquelas proporcionais às despesas (com atos cooperados) indispensáveis para o auferimento de receita pela Cooperativa. Os custos da Contribuinte foram por ela divididos em três categorias, quais sejam (a) despesas de atos cooperados “principais”, correspondentes aos pagamentos a médicos cooperados e demais “despesas diretas”; (b) Despesas de Ato Cooperativo Auxiliar (ACA) – pagamentos a hospitais, laboratórios e clínicas; e (c) Despesas de Ato não cooperativo(ANC) – pagamentos a médicos não cooperados. Para determinar as receitas decorrentes de atos cooperativos, a Contribuinte leva em consideração as contas de passivo nos quais se encontravam escrituradas contrapartidas de dispêndios com cooperados, clínicas, laboratórios, hospitais, etc (compreendidos nos itens a e b citados) para obter a proporção entre os custos da empresa com atos cooperativos e atos não cooperativos. Filieime à corrente jurisprudencial que acolhia a tese da Contribuinte, sendo que, na situação em que a cooperativa praticasse atos não cooperativos mas não promovesse a segregação respectiva, deveria a Fiscalização intimála para que apresentasse os resultados segregados, relativos a atos cooperativos e a atos não cooperativos. No meu entender, a tributação pelo resultado global, sem o trabalho da Fiscalização para identificar a efetiva base Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 10 9 de cálculo, seria precipitada e ilegítima, conforme também reconhecido em outros precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nada obstante entenda legítimo o entendimento supra, supervenientemente, o tema referente à tributação pelo IRPJ dos atos praticados por cooperativas com terceiros não associados (inclusive, clientes não cooperados) foi objeto de julgamento pelo E. Superior de Justiça em sede de recurso especial representativo da controvérsia, consoante a seguinte ementa, verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 3. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99). 4. As sociedades cooperativas, quando da determinação do lucro real, apenas podem excluir do lucro líquido os resultados positivos decorrente da prática de "atos cooperativos típicos", assim considerados aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71). 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas rendas tributáveis os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos 85 e 86) e de participação em sociedades não cooperativas (artigo 88), assim dispondo os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original): "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 11 10 Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social'." 6. Outrossim, o Decreto 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época) preceituava que: "Art. 129 As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, pagarão o imposto calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou atividades: I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111); II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111). III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, desde que prévia e expressamente autorizadas pelo órgão executivo federal competente (Lei n. 5.764/71, artigos 88 e 111). § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n. 5.764/71, art. 24, § 3º, e DecretoLei n. 1.598/77, art. 39, I, b). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Regulamento." 7. Destarte, a interpretação conjunta dos artigos 111, da Lei das Cooperativas, e do artigo 129, do RIR/80, evidencia a mens legislatoris de que sejam tributados os resultados positivos decorrentes de atos não cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 12 11 8. Deveras, a caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. 9. Ademais, o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71. 10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009).” Como observado pelo voto condutor do AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.221.603 – SP, da lavra do Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques, cuja ementa abaixo se transcreve, embora se estivesse apreciando no caso hipótese de "resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas", nas razões de decidir daquele precedente restou estabelecido o pressuposto de que “[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda” (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). Não por outro motivo a E. Turma do E. STJ reconheceu no AgRg em AI citado que: “a questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros diz respeito a tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, não havendo mais dúvidas quanto ao seu julgamento, sejam terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde, sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados, motivo pelo qual a tributação do IRPJ e CSLL deverá ocorrer normalmente sobre tais atos negociais.”. Vejase, nesse sentido, teor da ementa do precedente da E. Segunda Turma Corte de Justiça, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTAÇÃO DE DESPESAS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 13 12 2. Na hipótese dos autos, a contratação, pela Cooperativa, de serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas, atos objeto da controvérsia interpretativa, não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros. 3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), os sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas), deve haver a tributação do IRPJ e CSLL normalmente sobre tais atos negociais. 4. Consoante o julgado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, “[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda” (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF. 6. Agravo regimental não provido.” (grifos nossos) No mesmo sentido: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada assim a sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados caracterizase como ato nãocooperativo, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. Precedentes: REsp. Nº 237.348 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 17 de fevereiro de 2004; REsp 418.352/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 23.09.02; REsp 215.311 / MA, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 10/10/2000; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006. 3. Agravo regimental nãoprovido.” (AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009 – grifos nossos) No mesmo sentido: Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 14 13 TRIBUTÁRIO COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO E ASSEMELHADOS PIS E COFINS ATOS PRATICADOS COM NÃOASSOCIADOS: INCIDÊNCIA PRECEDENTES. 1. É legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF e mais recentemente, dos Recursos Extraordinários 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, dentre outros. 2. De igual maneira, na linha da jurisprudência da Suprema Corte, o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, a que se refere o art. 146, III, “c”, da Carta Magna e o tratamento constitucional privilegiado a ser concedido ao ato cooperativo não significam ausência de tributação. 3. Reformulação do entendimento da Relatora nesse particular. 4. A partir dessas premissas, e das expressas disposições das Leis 5.764/71 e LC 70/91, e ainda do art. 111 do CTN, não pode o Poder Judiciário atuar como legislador positivo, criando isenção sobre os valores que ingressam na contabilidade da pessoa jurídica e que, posteriormente, serão repassados a seus associados, relativamente às operações praticadas com terceiros. 5. Apenas sobre os atos cooperativos típicos, assim entendidos como aqueles praticados na forma do art. 79 da Lei 5.764/71 não ocorre a incidência de tributos, consoante a jurisprudência consolidada do STJ. 6. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 635.986/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008 – grifos nossos) No mesmo sentido, decidiu a E. Primeira Turma do E. Superior Tribunal de Justiça, verbis: “COFINS. COOPERATIVAS MÉDICAS. CARACTERIZAÇÃO OU NÃO DE ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. CARÁTER EMPRESARIAL. I É assente o entendimento nesta Corte, no sentido de não ser cabível a isenção da COFINS sobre os atos das sociedades cooperativas médicas, relacionados à intermediação entre cooperados e terceiros, estes adquirentes de Plano de Saúde, visto que a prestação de tais serviços não se configura como ato tipicamente cooperativo, mas mercantil, sendo, portanto, cabível a incidência da referida exação. Precedentes: AgRg no REsp nº 788904/RJ, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 15/09/2008; REsp nº 729.947/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 24/05/07; REsp nº 807.690/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 01/02/2007; e REsp nº 778.135/MG, Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 15 14 Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJ de 13/02/2006. II Agravo regimental improvido”. (AgRg no AgRg no Resp 1033732/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, Dje 1.12.2008) No mesmo sentido: “TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. ATOS COOPERATIVOS. NÃOCARACTERIZAÇÃO. CONCEITO DE FATURAMENTO MATÉRIA CONSTITUCIONAL. EXAME NA VIA DO RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os atos que não são tipicamente cooperativos, tais como os serviços prestados por sociedades cooperativas médicas a terceiros (nãoassociados), são passíveis de incidência do PIS. [...] 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido.” (REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 9.10.2006) Por tais razões, curvandose à jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria, rejeitase o recurso voluntário nessa parte. Quanto à exigência de multa de ofício isolada por não recolhimento de tributos sob bases estimadas (“estimativas”), é entendimento assente em seara administrativa o de que é ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Verbis: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Processo n. 10510.000679/200219, Recurso n. 106 131314, Ac. CSRF/0104.987, Primeira Turma, Relator: Leila Maria Scherrer Leitão, 15/06/2004) No mesmo sentido: (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n° 0104.987 de 15/06/2004). Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 16 15 Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte conhecido e negado.” (Ac. 920200.869, Processo n° 14041,000780/200539). No mesmo sentido: Ementa: PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa. Recurso especial negado.” (Processo 10670001429200336 grifamos). No mesmo sentido: Ementa: MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado.” (Processo 10384000638200479 grifamos). No mesmo sentido: “Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A multa isolada constante no art. 44 da Lei nº 9.430/96 tem como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento mensal de antecipações de um possível imposto de renda e contribuição devidos ao final do anocalendário, de modo que a penalidade somente se justifica quando cobrada durante aquele ano calendário. Ao final do exercício, desaparece a base imponível Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.721205/201100 Acórdão n.º 1102000.936 S1C1T2 Fl. 17 16 daquela penalidade (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde à contribuição efetivamente apurada, cabendo tãosomente a cobrança da multa de oficio, que é devida caso a contribuição não seja paga no seu vencimento e apurada ex officio. E se inexiste saldo de contribuição a pagar, sequer a base de cálculo da multa de oficio persistirá.” (ACÓRDÃO 910100.634, Processo n° 10930.005174/200.372 grifamos). Do exame dos autos verificase que em ambos os anoscalendário houve lançamento concomitante de IRPJ e de CSLL (com multa de ofício) e de multas isoladas por não recolhimento dos tributos sobre bases estimadas por conta dos mesmos fatos (infrações). Nesse sentido, considerandose a concomitância entre as penalidades de ofício é de rigor o afastamento das multas isoladas aplicadas nos citados anoscalendário. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para, no mérito, darlhe provimento para cancelar a exigência das multas de ofício isoladas por não recolhimento do tributo sob bases estimadas (“estimativas”). (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 10935.902230/2012-60
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2002
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 30 /2 01 2- 60 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902230/201260 Acórdão n.º 3801002.308 S3TE01 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902230/201260 Acórdão n.º 3801002.308 S3TE01 Fl. 67 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902230/201260 Acórdão n.º 3801002.308 S3TE01 Fl. 68 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902230/201260 Acórdão n.º 3801002.308 S3TE01 Fl. 69 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11030.721893/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, é válido o lançamento. Inocorre cerceamento do direito de defesa se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas e sobre tudo pode manifestar se mediante bem articulada peça impugnatória.
NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF.
INOCORRÊNCIA.
O mandado de procedimento fiscal é simples instrumento de controle interno da administração tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração.
Os tributos apurados com base nos mesmos elementos de prova que configuraram infração, em relação a tributo contido no MPF, consideram se albergados no mesmo procedimento fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE CHEQUES LANÇADOS A DÉBITO.
Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, os cheques emitidos pela empresa, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito dessa conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, sendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO ACIMA DO LIMITE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. MULTA ISOLADA.
No caso de distribuição de lucro acima do limite fixado, sem comprovação de que o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa, os valores excedentes configuram verbas de natureza remuneratória, sobre as quais incide o imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora.
IRRF MULTA ISOLADA POR FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO.
A falta de retenção e recolhimento sujeita a fonte pagadora à multa de ofício prevista no art. art. 9º da Lei n.º 10.426, de 2002.
Numero da decisão: 1301-001.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, é válido o lançamento. Inocorre cerceamento do direito de defesa se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas e sobre tudo pode manifestar se mediante bem articulada peça impugnatória. NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal é simples instrumento de controle interno da administração tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. Os tributos apurados com base nos mesmos elementos de prova que configuraram infração, em relação a tributo contido no MPF, consideram se albergados no mesmo procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE CHEQUES LANÇADOS A DÉBITO. Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, os cheques emitidos pela empresa, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito dessa conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, sendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 18 93 /2 01 2- 31 Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO ACIMA DO LIMITE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. MULTA ISOLADA. No caso de distribuição de lucro acima do limite fixado, sem comprovação de que o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa, os valores excedentes configuram verbas de natureza remuneratória, sobre as quais incide o imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora. IRRF MULTA ISOLADA POR FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. A falta de retenção e recolhimento sujeita a fonte pagadora à multa de ofício prevista no art. art. 9º da Lei n.º 10.426, de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS. Verificase que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fl. 4), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fl. 24), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fl. 19), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fl. 12) e Imposto de Renda Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 3 3 Retido na Fonte – IRRF (fl. 34. O total do crédito tributário apurado foi de R$ 94.977,07, calculado até 10/2012. O relatório da ação fiscal está encartado às folhas 38 a 63, dando conta de que a recorrente era tributada pelo Lucro Presumido e distribui lucros por meio da apuração contábil, entretanto, conforme apurado na auditoria fiscal, teria deixado de registrar na sua contabilidade as contrapartidas dos lançamentos necessários dos pagamentos por cheques, o que ocasionou um elevado saldo de caixa e um lucro inexistente para ser distribuídos aos sócios, razão pela qual, foi lançado na pessoa Jurídica: i) Omissão de receita por ocorrência de saldo credor da conta caixa; ii) Multa isolada do IRF por falta de retenção de valores distribuídos aos sócios acima do limite e do prólabore; iii) houve lançamentos reflexos nas pessoas físicas dos quatros sócios decorrente de recebimento de valores tributados e não isentos, em processos específicos. Destacouse ainda, que a contribuinte apurou seus resultados pelo Simples Nacional entre janeiro e agosto/2009, pelo Lucro Presumido de setembro a dezembro/2009 e durante o anocalendário 2010. Segundo a Fiscalização, a contribuinte debitava a conta caixa quando emitia cheques, mas não creditava tal conta quando efetuava pagamentos. O lançamento era efetuado segundo essa fórmula: D – Conta caixa pela emissão dos cheques C – Conta banco conta movimento pelo saída dos recursos Ainda segundo afirmouse, a falta do registro das despesas ou investimento faz com que o saldo de caixa ficasse artificialmente elevado e ocasionou um elevado e inexistente lucro contábil, permitindo distribuição aos sócios. Ainda segundo o autuante, o lançamento correto seria: D – Conta Caixa pela emissão dos cheques C – Conta banco conta movimentos pela saída dos recursos D – Conta de despesas/investimentos ou fornecedores C– Conta Caixa Segundo a Fiscalização, desta forma, os recursos apenas transitariam pela conta caixa, sem modificar o saldo. Em relação à “Fornecedora Cristiane S. da Rocha”, assentou a Fiscalização, que a contribuinte, em 2009, emitiu cheques no total de R$ 105.765,00 em favor da referida fornecedora, mas lançou na contabilidade notas fiscais no montante de R$ 43.789,33, havendo então, pagamento sem lastro em documentos fiscais e sem que haja contrapartida da saída da conta caixa. Para fins do lançamento fiscal, o valor foi excluído do caixa. Foi constatado, também, que diversos cheques para outras despesas ou pagamentos a fornecedores, eram emitidos em nome de terceiros, sacados no banco e lançados como ingresso em caixa, sem lançamento complementar de saída da conta caixa e débito da Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 conta de despesa/fornecedores. Os casos estão listados na tabela de fl. 44, item 4.2 do relatório de trabalho fiscal. Em relação aos “Pagamentos a outros Fornecedores”, atestou a Fiscalização que na planilha de folhas 445 a 447 elaborouse um Demonstrativo Despesas Não Lançadas e Não Comprovadas, relacionando os lançamentos contábeis não comprovados pela recorrente, descrevendo a Fiscalização, que tais recursos eram colocados a Débito da Conta Caixa e Crédito da conta banco, fato que seria um suprimento de Caixa, entretanto, observavase que nos cheques haviam diversos destinos e simplesmente a Contribuinte não efetuava o lançamento a crédito na conta Caixa e a débito na conta de resultado, com o objetivo único de alavancar um lucro irreal para distribuir aos seus sócios e deixar o saldo da Conta Caixa inflado para possibilitar tal premissa. Em vista disso, efetuouse o lançamento complementar na Contas Caixa, ou seja, a crédito dos valores apurados na "Demonstrativo Despesas Não Lançadas" que somaram R$ 297.344,55, para formação do saldo credor da Conta Caixa. Tratando do PróLabore pago aos sócios e não Computados, a Fiscalização afirmou, no item 4.4 do relatório do trabalho fiscal, que foram efetuados pagamentos aos sócios em valor superior ao registrado na contabilidade. O valor dos pagamentos foi obtido na resposta à intimação, (fls. 130/137), nos dados oferecidos pela própria contribuinte. Segundo a Fiscalização, o modus operandi seria o mesmo das demais infrações: creditando a conta bancos na contabilidade e debitando a conta caixa, de forma que o valor não fosse levado à conta de lucros acumulados. A planilha de folhas 523 a 525 compila os dados extraídos da resposta da empresa à intimação. O total de prólabore pago e não declarado em 2009 foi de R$ 212.937,27. Esclareceu a Fiscalização que os cheques utilizados não são nominais aos sócios, mas a terceiros. No caso concreto, não haveria distribuição de lucro, mas sim retiradas autônomas pelos sócios, ou seja, prólabore, efetuandose o crédito na conta caixa e débito na conta de despesas com prólabore, de forma que os valores contribuíram para a formação do saldo credor de caixa. A planilha de folhas 795 a 806 demonstra a reconstituição da conta caixa e mostra o saldo credor apurado em cada período de apuração, tanto pelo Simples Nacional quanto prelo Lucro Presumido. Promoveuse assim, a alteração do resultado dos AC 2009 /2010 e aplicouse Multa Isolada, considerando que contribuinte havia apurado um lucro de R$ 683.646,89 no anocalendário 2009. Por decorrência do trabalho fiscal, esse lucro foi reduzido para R$ 25.281,62, em razão de terem sido consideradas despesas não registradas na contabilidade. Essa alteração redundou em lançamento de lucros distribuídos a maior nos anoscalendário 2009 e 2010. Sobre o valor distribuído a maior houve a incidência de IRRF e lançamento de multa de ofício isolada de 50% em virtude de não ter sido efetuada a retenção. Os itens 4.6.1 e 4.6.2 detalham os cálculos efetuados pelo agente do fisco. Aplicouse multa de ofício no patamar de 150%, considerado o expediente denominado de sonegação. A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1051 – 1092), alegando em síntese, que haveria nulidade dos autos de infração em face de ausência de requisito legal, qual seja, a descrição dos fatos no corpo de cada um dos autos de infração, alegou que a lei seria Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 4 5 impositiva ao determinar que a descrição conste do auto e não em qualquer outro momento do procedimento, não em planilha, telas de sistema, etc. Reclamou da falta de clareza da descrição dos fatos, aduzindo que a narrativa dos fatos peca pela confusão que cria e pela clareza de ideias que lhe falta, com ausência de lógica entre os fatos, os elementos de sua convicção e o desvelar conclusivo a indicar o porquê da lavratura dos autos de infração, situação eu remeteria à incontornável conclusão de nulidade dos lançamentos frente à evidente limitação defensiva. Trouxe doutrina e jurisprudência acerca da necessidade de clareza e coerência na exposição dos motivos da autuação e reclama ter sofrido claro prejuízo em sua defesa. Pede também a nulidade dos autos de infração de PIS, Cofins e CSLL em razão da ausência de suporte autorizativo no MPFF. Alega que tal mandado é indispensável para a constituição de crédito tributário e a ausência implicaria nulidade formal dos autos de infração. Quanto ao mérito, justificou que a exigência que toma por base saldo credor de caixa é assentada em presunção legal. Para tal, cabe ao fisco a prova da ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar e à contribuinte, eventual contraprova, aduzindo que a Fiscalização reajustou a conta caixa em razão da suposta não contabilização de pagamentos de obrigações, sem, contudo, sustentar tais ilações em provas seguras e irrecusáveis da ocorrência de ilícitos fiscais antecedentes (''omissão de receitas"), quanto menos dos respectivos fatos geradores. Defendeu que foi intimada sobre origem e destino de recursos arrolados pelo fisco e sua relação com a atividade empresarial. Em resposta, justificou detalhadamente gastos/despesas e juntou respectivos documentos bancários, mas em alguns casos não conseguiu efetuar tal comprovação. Mas o lançador teria dado a todos os casos idêntico tratamento, como se a integralidade não tivesse sido contabilizada a saída dos numerários da conta caixa, sendo que tal procedimento não se sustentaria. Aduziu que o cheque número 902584 foi tomado como pagamento a fornecedor, mas na verdade, tratase de reembolso a prestador de serviço, conforme documentos que junta. Já os cheques de linhas 188, 228 e 238 foram emitidos para pagar o fornecedor “AF Sul Automação Industrial Ltda.”, que emitiu nota fiscal correspondente e ela foi escriturada, anexando comprovantes de que as faturas correspondentes foram pagas a prazo, em que pese da escrituração tenha constado pagamento a vista. Defendeu que o cheque de n° 902457 (linha 26 da planilha) serviu à aquisição de ativo imobilizado da empresa “Normélio J. Weschenfelder & Cia Ltda.”, no montante de R$ 1.370,00, cujo pagamento da referida nota está registrado no Livro Diário n° 07, dia 02.02.2009, página 15, não se tratando, pois, de despesas "não lançadas", sendo que o cheque de n° 902676 (linha 105 da planilha) serviu para pagamento da NF 822, emitida pelo fornecedor “Special Máquinas” e o pagamento está devidamente contabilizado no Livro Diário n°07, página 59 (cópia anexa). Referiu que em todos os demais valores relacionados na planilha que compõe o Anexo 2, se repetiriam situações como as acima, não se podendo falar em pagamentos de despesas não lançadas na contabilidade. Em relação às “Retiradas dos Sócios”, aduziu que em resposta à intimação, informou ao fisco que os valores constantes da tabela I (fls. 1073/1074), no total de R$ Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 212.971,27 eram pagamentos a título de distribuição de lucro aos sócios. Mas, como advertido ao responder a intimação, esses pagamentos integrariam o montante contábil dos lucros apurados no curso do ano de 2009. Alegou ainda, que a despeito de na contabilidade, por fatores alheios a sua vontade, efetivamente não tenha logrado demonstrar vinculação dos cheques em questão com os respectivos destinos, os R$ 212.973,27 não refletiriam retiradas adicionais de "lucros" (não de "prólabore"), além daquelas já contabilizadas, cujo valor integraria, na realidade, os lucros contabilmente apurados no valor total de R$ 600.000,00, no ano de 2009. Reputou, diante disso, que não podem servir à identificação de "saldo credor de caixa", quanto menos à presunção fiscal de omissão de receitas, revelandose improcedentes, também por isso, os autos de infração de qualquer forma relacionados a esta matéria. No tocante à Recomposição do Caixa, do Lucro e da Multa Isolada, aduziu a contribuinte que os valores indicados pela fiscalização nos subtítulos 4.2 (Dos Pagamentos de Despesas não Lançadas) e 4.4 (Do PróLabore Pago aos Sócios e Não Computados), respectivamente de R$ 104.258,12 e R$ 212.973,27, teriam sido contabilizados, então a recomposição da conta caixa, efetuada na ação fiscal, seria insubsistente, sob pena de se conferir dupla saída dos valores para efeito de forjar saldos credores inexistentes. Afirmou que refez a reconstituição do saldo da conta caixa e encontrou saldo credor de caixa somente em 31/12/2009, sendo que a demonstração encontrase no item 4.1.4 da impugnação (fls. 26/27). Defendeu a inexistência de saldos credores de caixa na forma apurada pelo agente do fisco, e que o resultado do exercício e o correspondente lucro deveriam ser recalculados. Redundando disso a apuração de lucro em todos os períodos e, consequentemente, a improcedência das exigências reflexas do multa isolada, contribuição previdenciária patronal e IRPF na pessoa física dos sócios (essas duas últimas exigências não estão em análise no presente processo). Pugnou pela prevalência, para fins de distribuição de lucro, do quantum de lucro apurado contabilmente, pois as irregularidades apontadas em 2009 (saldos credores de caixa) não teriam ocorrido em 2010, inexistindo razão para não se permitir a descaracterização do pagamento de lucros com suporte na contabilidade. Insurgiuse contra a multa isolada de 50%, disposta no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96 (e fundamento da sanção aplicada pelo agente fiscal) não seria mais oponível no caso em que a fonte pagadora, obrigada a reter tributo ou contribuição, deixa de fazêlo ou de recolhêlo, ou o faz fora do respectivo prazo, eis que a Lei n° 11.488/2007 ao dar nova redação ao artigo 9º da Lei n° 10.426/2002 (que antes previa a aplicabilidade das multas previstas nos incisos I e II da Lei n° 9.430/96) o suprimiu, de forma que desapareceu o suporte legal à sanção ora imposta, salientando ser entendimento do próprio fisco, exposto no Parecer Normativo Cosit nº 01/2002, que após o prazo para entrega da declaração de rendimento pelo beneficiário dos rendimentos, não seria mais exigível o imposto que deixou de ser retido e se o imposto não é mais exigível, também não seria exigível a multa prevista no art. 44, inc. I, da Lei 9.430/1996 (75%). No mais, opôsse à multa qualificada, aduzindo que não ficou caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio. Reclama da confusa e pouco técnica descrição da Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 5 7 prática delitiva, trazendo doutrina e jurisprudência acerca da necessidade de robusta prova fiscal para qualificação da multa. A 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.165 em diante, julgou o lançamento PARCIALMENTE PROCEDENTE, em aresto que ficou assim ementado: [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, é válido o lançamento. Inocorre cerceamento do direito de defesa se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas e sobre tudo pode manifestarse mediante bem articulada peça impugnatória. NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal é simples instrumento de controle interno da administração tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. Os tributos apurados com base nos mesmos elementos de prova que configuraram infração, em relação a tributo contido no MPF, consideramse albergados no mesmo procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE CHEQUES LANÇADOS A DÉBITO. Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, os cheques emitidos pela empresa, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito dessa conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, sendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO ACIMA DO LIMITE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. MULTA ISOLADA. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 8 No caso de distribuição de lucro acima do limite fixado, sem comprovação de que o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa, os valores excedentes configuram verbas de natureza remuneratória, sobre as quais incide o imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora. IRRF MULTA ISOLADA POR FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. A falta de retenção e recolhimento sujeita a fonte pagadora à multa de ofício prevista no art. art. 9º da Lei n.º 10.426, de 2002. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte [...] Como visto da ementa acima transcrita a decisão recorrida afastou as alegações preliminares, consagrando a regularidade formal do processo administrativo em análise. Quanto ao mérito, consignouse que estaria caracterizada a omissão de receitas decorrente de saldo credor de caixa, estando demonstrado nos autos a forma de autuação da contribuinte no pagamento de despesas ou realização de investimentos: os cheques emitidos para pagamento eram creditados na conta bancos e debitados no caixa. O pagamento da despesa não era registrado em conta própria, de sorte que não haveria dúvida que tal procedimento tem o efeito de elevar artificialmente o saldo da conta caixa. Reputouse assim que sendo a exclusão de tais ingressos do caixa faz surgir saldos credores de caixa, está configurada a ocorrência de omissão de receitas, por se tratar de presunção legal (art. 281, I, do RIR/99). Ainda no que toca à efetiva caracterização do saldo credor de caixa, atestou a decisão recorrida que o autuante demonstrou que à fornecedora Cristiane S. da Rocha foram pagos R$ 43.789,33 sem nota fiscal, com o valor ingressando e permanecendo em caixa, mesmo após o pagamento à beneficiária, por meio de cheque, sendo que a recorrente não trouxe qualquer elemento que desconstitua o trabalho fiscal, analisando, a despeito disso, um dos cheques emitidos à referida fornecedora, tomando como exemplo o primeiro cheque mencionado na planilha de fl. 41, cheque nº 902416, emitido em 10/01/2009, no valor de R$ 4.580,00, cuja cópia do cheque está à fl. 174, mostrando que foi compensado em 30/01/2009 e à fl. 704 está cópia do livro caixa, mostrando ter sido o valor levado a débito, também em 30/01/2009, não havendo o crédito de caixa correspondente. Concluiuse assim, que tal como descrito pela Fiscalização, a fornecedora Cristiane S. da Rocha recebeu pagamentos em 2009 de R$ 105.765,00, mas as notas fiscais por ela emitidas que foram registradas na escrituração da autuada somam R$ 61.975,67, mostrando que R$ 43.789,33 foram adquiridos e pagos sem registro na escrituração, tendo por comprovada a infração descrita no termo de verificação fiscal, item 4.1. Quanto ao item atinente aos Pagamentos de Despesas não Lançadas (item 4.2 do Relatório Fiscal), assentou a decisão recorrida que a Fiscalização listou diversos pagamentos sem o correspondente crédito na conta caixa e débito em conta de despesa (tabela Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 6 9 de fl. 44), sendo que a recorrente fez defesa pontual em relação a seis cheques no corpo da impugnação, identificandoos pelo número da linha que ocupam na planilha, trazendo a planilha de fls. 1101/1102 (Planilha de pagamentos com cheques que estão contabilizados), na qual procurou comprovar que os cheques debitados no caixa se destinaram ao pagamento de despesas que foram levadas a registro. Feito esse registro, passou a decisão recorrida a analisar cada um dos cheques referidos, iniciando pela Linha 26, cheque 902457, afirmando tratarse De cheque de R$ 1.370,00, emitido em 03/02/2009, alegadamente sem crédito na conta caixa, tendo a contribuinte demonstrado ter havido o crédito de caixa em 02/02/2009 (fl. 704), registros também existentes no livro diário (fl. 1106), para pagamento da nota fiscal nº 68805, de Normelio J. Weschenfelder & Cia. Ltda. (fl. 256), sendo que a total coincidência de valor entre a NF e o cheque e a proximidade das datas permitiriam concluir que não ocorreu a infração descrita pelo autuante, eis que houve o débito de caixa pelo ingresso do cheque e o crédito correspondente com a escrituração do pagamento da referida nota fiscal, exonerando esta parcela da exigência. Seguindo o cotejo proposto, cuidou a decisão recorrida de manifestarse acerca da Linha 44, cheque 902510, assentando que houve a emissão de cheque de R$ 7.128,86, em 25/02/2009 e a Fiscalização considerou comprovado R$ 2.848,80, pagamento efetuado em 25/02/2009 em favor de Ferramentais Gerais e a contribuinte referiu mais quatro pagamentos que, somados àquele já considerado, perfariam o valor do cheque, sendo que a decisão recorrida, considerados os tais pagamentos não encontrou escrituração na conta caixa do pagamento de R$ 2.835,00, alegadamente da NF 7931 – Conan e os outros três pagamentos (Activas, Mercúrio e Waldemar) constam do caixa, mas com datas de 9 e 10 de fevereiro, ou seja, muito antes da emissão do cheque e, por essas razões não se aceitou as comprovações como hábeis para cancelar o lançamento. Em relação à Linha 61, cheque nº 902564, apontou a decisão recorrida que se deu a emissão de cheque de R$ 2.576,70, em 23/03/2009, tendo a recorrente apontando o pagamento de duas notas fiscais (MMP e Ultralub) que, juntas, perfariam o total do cheque, identificando a DRJ que consta do caixa o pagamento em favor da Ultralub (fl. 708), mas em 18/02/2009, antes da emissão do cheque e a escrituração do pagamento da NF nº 520, da MMP, se deu pelo seu total (R$ 7.402,50), em 18/02/2009 (fl. 708), não sendo possível vincular o cheque aludido com tais pagamentos, pois não há coincidência, nem de datas, nem de valores. Na sequência manifestouse acerca da Linha 65, cheque 902574, referindo que houve a emissão de cheque de R$ 5.104,14, em 30/03/2009, inexistindo coincidência de datas e valores entre os pagamentos referidos pela defesa e o aludido cheque, eis que constam do caixa: pagamento Moretto em 03/03/2009, Piramidal em 18/03/2009 e MMP conforme item anterior e o pagamento em favor de Ferramentas Gerais, está escriturado em 30/03/2009 (fl. 717), mas não há como se estabelecer uma vinculação entre o cheque de R$ 5.104,14 e esse pagamento, pois há apenas coincidência de data, sem que os valores coincidam e o somatório das despesas referidas pela contribuinte como pagas com o cheque é de R$ 5.781,39 (2.848,80 + 97,59 + 1354,50 +1.480,50), mas o cheque é de R$ 5.104,14. Seguiuse manifestandose acerca da Linha 69, cheque 16267, atestando a emissão de cheque de R$ 3.852,36, em 06/04/2009, sendo que a contribuinte relaciona pagamentos que somados atingem R$ 2.019,42, ou seja, não se consegue estabelecer uma vinculação entre tais pagamentos e o cheque, referindo ainda, que em todos os casos repetese Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 10 a não coincidência de datas, exemplificando que a NF da Ultralub (R$ 352,80), consta no livro caixa como paga em 06/03/2009, um mês antes da emissão do cheque e a única coincidência de valores já foi aceito pelo autuante, R$ 50,04, da Corsan. Afirmouse que em relação à Linha 74, cheque nº 902584, tratase de cheque de R$ 1.071,51, emitido em 07/04/2009 e que foi identificado crédito de caixa no valor de R$ 750,88, restando R$ 320,63, sem crédito na conta caixa, concluindo que assistiria razão à impugnante, eis que o documento de fl. 294 mostra a entrega de R$ 1.071,51 ao escritório contábil para fins de pagamento de FGTS e guia sindical, sendo que o valor do FGTS (R$ 750,88) foi considerado comprovado pelo autuante e o pagamento da guia sindical está registrado a crédito de caixa no dia 14/04/2009 (fl. 720), firmando o entendimento de que os documentos demostram que houve o crédito em caixa do total anteriormente debitado. Na sequência abordouse a Linha 76, cheque 902598, aduzindo tratarse de cheque de R$ 4.227,18. Foi identificado crédito de caixa no valor de R$ 271,30, restando R$ 3.955,88, sem registro de crédito, exceto no pagamento já aceito pelo autuante, não há coincidência de datas nos demais, o que impede o reconhecimento de que o cheque se prestou para tais pagamentos, concluindo que a recorrente não demonstra tenham sido tais pagamentos escriturados. A decisão recorrida também se manifestou acerca da Linha 104, cheque 902666, mencionando tratarse de cheque de R$ 3.890,50, de 18/05/2009, tendo identificado crédito de caixa no valor de R$ 163,00, restando R$ 3.727,50, sem registro de crédito, assinalando que os pagamentos apontados pela contribuinte, em favor da Polivalente e da MMP ocorreram, respectivamente, em 23/04 e 24/04/2009, não havendo como se estabelecer vínculo entre eles e o cheque compensado em 18/05/2009. No que toca à Linha 105, cheque 902676, concluiu a decisão recorrida que tratase de cheque de R$ 1.456,00, nominal a Paulo Malesks, e a contribuinte apresentou a NF de fl. 822 da Special Máquinas Com de Máquinas Ltda., reputando haver coincidência de datas (21/05/2009) e valor e que o pagamento da nota fiscal está escriturado no caixa (fl. 730), tendo verificado nos sistemas informatizados da RFB que o beneficiário do cheque é sócio da emitente do documento fiscal, de sorte que aceitouse a comprovação e exonerouse essa parcela da exigência. Em relação à Linha 107, cheque 902680, afirmou se tratar de cheque de R$ 15.301,05, de 25/05/2009, sendo identificado crédito de caixa no valor de R$ 10.096,75, restando R$ 5.204,30, sem registro de crédito, consignando, por oportuno, que não há coincidência de datas nas NF da Pili Hidráulicos e Polivalente Plásticos Ltda. que constaram no livro caixa como pagas em 8/5/2009 e 28/4/2009, respectivamente, havendo equivalência de data no pagamento da Ferramentas Gerais, no valor de R$ 2.848,80, registrado no caixa, fl. 730 e, assim, o valor deve ser considerado comprovado. Em continuação, cuidouse de abordar a Linha 111, cheque nº 902686, assinalando tratarse de cheque de R$ 1.368,60, de 01/06/2009 e que nenhuma das notas fiscais apresentadas pela impugnante teria registro de pagamento no caixa em data coincidente com o cheque, não sendo encontrado o registro em caixa do pagamento da NF da Nova Piramidal, no valor de R$ 780,50. Com relação à Linha 131, cheque nº 499, reputou a decisão recorrida que se tratava de cheque no valor de R$ 1.813,46, de 12/06/2009, não tendo encontrado o registro no livro caixa das NF apresentadas, e a contribuinte não teria demonstrado ter efetuado a escrituração. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 7 11 Quanto à Linha 147, cheque nº 902758, sustentou a decisão recorrida que se tratava de cheque no valor de R$ 2.854,59, de 06/07/2009, sendo identificado crédito de caixa no valor de R$ 50,40, restando R$ 2.804,55, sem registro de crédito e que nenhuma das notas fiscais apresentadas pela impugnante tem registro de pagamento no caixa com data coincidente com o cheque. Tratando da Linha 158, cheque nº 902774, assinalou a decisão recorrida que se tratava de cheque no valor de R$ 2.505,49, de 13/07/2009, tendo identificado crédito de caixa no valor de R$ 382,63, restando R$ 2.122,86, sem registro de crédito, sendo que nenhuma das notas fiscais apresentadas pela impugnante tem registro de pagamento no caixa com data coincidente com o cheque, tampouco foi encontrado o registro em caixa do pagamento em favor da Associação Rede Metal, nem a contribuinte demonstrou ter efetuado a escrituração. Em relação à Linha 169, cheque nº 50, frisouse tratarse de cheque no valor de R$ 2.853,55, de 30/07/2009 e que a recorrente diz que se trata de pagamento em favor da Ferramentas Gerais com acréscimo de juros, não tendo encontrado o registro de tal pagamento no livro caixa, nem a defesa demonstrou ter efetuado a escrituração. Na Linha 180, cheque nº 556, que se ocupado de cheque no valor de R$ 2.122,48, de 10/08/2009, segundo a decisão recorrida foi identificado crédito de caixa no valor de R$ 52,43, restando R$ 2.070,05, sem registro de crédito e nenhuma das notas fiscais apresentadas pela impugnante tem registro de pagamento no caixa com data coincidente com o cheque, nem a contribuinte demonstrou ter efetuado a escrituração, não sendo localizado registro no caixa da NF referida como Centerpel. Quanto às Linhas 188, 228 e 238, cheques 603, 716 e 763, referiu a decisão recorrida que se tratava de três cheques com as seguintes datas de emissão e valores: 17/8/2009, R$ 3.330,33; 19/10/2009, R$ 9.917,17 e 16/11/2009, R$ 8.953,66 e que a recorrente alegava que os cheques serviram (inclusive) para o pagamento do fornecedor AF Sul Automação Industrial Ltda., para pagamento da nota fiscal nº 153, fl. 1107, concluindo que o argumento de defesa não pode ser aceito, por falta de comprovação, eis que referida nota fiscal foi emitida em 30/06/2009, no valor de R$ 6.390,00 e consta do caixa como paga nesse dia (fl. 740), não havendo qualquer coincidência de datas e valores com os cheques. Segundo a decisão recorrida a própria defesa seria incongruente, porquanto na planilha de fl. 1102, em que procura demonstrar os pagamentos que teriam sido efetuados com cada cheque, está listado que o cheque da linha 188 pagava ao fornecedor AF. Sul o valor de R$ 1.065,00; o cheque da linha 228, mais R$ 1.065,00 e finalmente o cheque da linha 238, pagou R$ 6.390,00, todos por conta na NF nº 153, sendo que R$ 6.390,00 é o valor total dessa nota fiscal, não havendo quaisquer documentos que deem suporte a esses dados e nem qualquer explicação para a discrepância de valores. Dando sequência, cuidou a decisão recorrida de enfrentar a questão alusiva à Linha 193, cheque nº 516, reputando tratarse de cheque no valor de R$ 4.217,44, de 31/08/2009, sendo que nenhuma das notas fiscais apresentadas pela impugnante tem registro de pagamento no caixa com data coincidente com o cheque, nem a contribuinte demonstrou ter efetuado a escrituração, não encontrando registro no caixa da NF referida como Perfil Informática, no valor de R$ 297,50. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 12 Em relação à Linha 202, cheque nº 662, assinalou a decisão recorrida que se tratava de cheque no valor de R$ 1.303,86, de 08/09/2009, sendo identificado crédito de caixa no valor de R$ 52,43, restando R$ 1.251,43, sem registro de crédito e nenhuma das notas fiscais apresentadas pela impugnante tem registro de pagamento no caixa com data coincidente com o cheque, nem a contribuinte demonstrou ter efetuado a escrituração. Não encontrando registro no caixa da NF referida como Centerpel, nem Assinatura Serasa. Quanto à Linha 225, cheque nº 655, mencionouse que se tratava de cheque no valor de R$ 1.075,41, de 14/10/2009 e que nenhuma das notas fiscais informadas pela impugnante tem registro de pagamento no caixa com data coincidente com o cheque. Segundo a decisão recorrida a Linha 226, cheque nº 659, se tratava de cheque no valor de R$ 2.406,16, de 14/10/2009 e que o pagamento em favor da Claro S. A., no valor de R$ 270,11 está registrado no caixa como pago no dia de emissão do cheque, podendo ser aceita a prova. Os demais pagamentos informados não tem registro de pagamento no caixa com data coincidente com o cheque acima. No que toca à Linha 229, cheque nº 723, asseverouse ser cheque no valor de R$ 1.667,46, de 21/10/2009, para o qual se poderia aceitar a comprovação de que tal cheque destinouse ao pagamento da nota fiscal nº 1946, da Nova Piramidal Termoplásticos Ltda. (fls. 381), pois ela prevê o pagamento de três parcelas de R$ 1.667,46, uma delas em 22/10/2009, sendo que a coincidência exata do valor e a proximidade das datas permite concluir que tal cheque foi destinado aquele pagamento, em que pese a escrituração no livro caixa estampe o pagamento do total da NF em 08/10/2009. Quanto à Linha 237, cheque 756, concluiu a decisão recorrida que se tratava de cheque de R$ 2.699,92, datado de 09/11/2009, sendo que nenhuma das notas fiscais relacionadas pela impugnante na planilha 1101/1102, linha 237, tem registro de pagamento no caixa com data coincidente com o cheque, nem a contribuinte demonstrou ter efetuado a escrituração, bem como não foi encontrado registro no caixa da NF referida como Coman, no valor de R$ 122,16. Em relação à Linha 240, cheque 788, mencionou a decisão recorrida que se tratava de cheque de R$ 15.907,86, datado de 23/11/2009, sendo que nenhuma das notas fiscais relacionadas pela impugnante teria registro de pagamento no caixa com data coincidente com o cheque, nem a contribuinte demonstrou ter efetuado a escrituração, bem como não foi encontrado registro no caixa da NF referida como Pili Hidráulicos, no valor de R$ 338,00. A Linha 246, cheque nº 823, refletiria cheque no valor de R$ 4.106,61, de 07/12/2009, tendo identificado crédito de caixa no valor de R$ 52,43, restando R$ 4.054,18, sem registro de crédito, haveria coincidência de datas no pagamento em favor da Claro S.A., no valor de R$ 375,89, constante do livro caixa, fls. 786 do processo, mas os demais pagamentos informados não constam do caixa com data coincidente à do cheque acima. Reputou a decisão recorrida que o relatório do trabalho fiscal, fl. 44 do processo, traz planilha demonstrando o tratamento dado a cada um dos cheques e que estes dados foram transportados para as planilhas que fazem a recomposição do caixa, matéria abordada no item 4.5 do relatório fiscal, sendo certo que em tal transposição de dados, o agente do fisco não excluiu os valores que foram dados por comprovados e que constam da planilha de fls. 44, de sorte que a decisão recorrida refez a planilha de fl. 44, para constar os valores considerados por ela, decisão recorrida, comprovados e ao transpor os dados para a planilha de recomposição da conta caixa efetuou a alteração dos valores lançados pelo autuante, fazendo Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 8 13 com que sejam considerados na exigência apenas os valores constantes da coluna “saldo a lançar”. Na sequência, cuidou a decisão recorrida de abordar o tópico atinente aos Pagamentos a outros Fornecedores (item 4.3 do Relatório Fiscal), relembrando que a Fiscalização juntou ao processo a planilha de fl. 445, Demonstrativo Despesas Não Lançadas e Não Comprovadas, apontando cheques que foram sacados no caixa ou compensados, nominais a terceiros/fornecedores e que, lançados a débito de caixa, não tiveram identificados os correspondentes créditos de caixa, mencionando que no relatório fiscal, fl. 45, consta o resumo da planilha apontando R$ 297.344,55 como o total de despesas não lançadas no caixa. Rememoradas as imputações, concluiu a decisão recorrida que a contribuinte não trouxe elementos ou defesa pontual que demonstre tenha escriturado os pagamentos em favor dos fornecedores listados na planilha referida, ficando assim, comprovada a infração. Na sequência a decisão recorrida abordou o item referente ao Prólabore Pago aos Sócios e Não Computado (item 4.4 do Relatório Fiscal), destacando que a contribuinte efetuou pagamento de lucros aos sócios, em 2009, num total de R$ 600.000,00 e que tal distribuição de lucros foi contabilizada, não havendo controvérsia quanto a isso, sendo que o autuante identificou, no entanto, outros pagamentos, que constam da planilha de fls. 523/525 – Demonstrativo dos Pagamentos aos Sócios – Prólabore – que também foram destinados aos sócios, pelo teor da própria informação prestada pela contribuinte. Registrouse que o total de tais pagamentos é de R$ 212.973,27 (fl. 46 e 525), sobre os quais também não há controvérsia entre autuante e defesa, e que o dissenso é porque o autuante considerou esses outros pagamentos como “pagamentos autônomos”, realizados além da distribuição de lucros contabilizada e a contribuinte, ao contrário, afirma que esses outros pagamentos integram o montante apurado contabilmente, de forma que os tais valores estão embutidos no montante de lucros apurados e distribuídos contabilmente, discordando ainda, da classificação dos chamados “outros pagamentos” como se prólabore fossem, sobretudo porque o prólabore é representado por um valor fixo e préestabelecido devidamente registrado em contabilidade com seus respectivos encargos calculados e pagos. Dito isso, concluiu a decisão recorrida que manter documentos que comprovem os atos e operações que estão registrados na escrituração é dever de todos os contribuintes, sendo que o parágrafo único do art. 251 do RIR/99, estabelece que a escrituração deve abranger todas as operações da empresa. Já o art. 264, do mesmo regulamento, define que cabe à pessoa jurídica conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, caso em que se enquadram os pagamentos a título de distribuição de lucro. Indagou a decisão recorrida qual seria a prova ou evidência que temos de que os diversos cheques, sacados ou compensados, constantes da planilha de fls. 523/525 estão contidos nos lançamentos identificados na conta caixa como distribuição de lucros? Para responder que nenhuma prova ou evidência haveria, ao contrário, várias seriam as evidências que levariam a concluir que se tratam de pagamentos autônomos, independentes daqueles constantes da escrituração. Apresentouse as seguintes motivações: Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 14 A) Não há qualquer coincidência de datas e valores e, ao contrário, há grande desencontro. Exemplificativamente: o sócio Mário Cavaletti recebeu lucros nos meses de novembro e dezembro (livro caixa, fls. 785 e 793 do processo), totalizando R$ 50.000,00. E foi beneficiário de cheques (planilha 523/525) nos meses de janeiro, maio, junho, julho e novembro, num total de R$ 27.611,36, sendo que a maior concentração de valores ocorreu no segundo trimestre e no último trimestre do ano não foi beneficiário de nenhum cheque, mas foi só ali que houve a escrituração do pagamento de lucros; B) Muitos dos cheques estão nominais a terceiros, como Carrocerias Liusbalne, Transp P. Cisa Ltda., Sea Representações, e outros, sendo que, objetivamente, o que se teria é o ingresso desses cheques em caixa e a confirmação da impugnante de que foram destinados a pagamentos aos sócios, sem que se consiga estabelecer uma vinculação com os pagamentos efetuados a título de distribuição de lucros. Em conclusão, assinalouse que não restaria outra interpretação do que aquela efetuada pelo autuante. Reputouse ainda, que no item 4.3 da impugnação a contribuinte reclama ter o agente do fisco considerado a existência de pagamentos não declarados de prólabore, alegando que não houve pagamentos a esse título, pois a opção da empresa sempre foi remunerar os sócios em função da lucratividade do capital investido (distribuição de lucros), alegando não haver previsão de pagamento de prólabore no contrato social, porém, segundo a decisão recorrida, tratavase da existência de cheques nominais a terceiras pessoas (não aos sócios) que foram sacados nos bancos e debitados no caixa, e assim permaneceram, sem que houvesse o crédito no caixa e fossem levados a conta de lucros acumulados. Concluiuse que pelo teor da própria informação da contribuinte, tais recursos foram destinados aos sócios, não restando dúvida que cabe a exclusão desses valores da conta caixa, para que se opere a neutralidade da escrita contábil, quer sejam os pagamentos efetuados a título de prólabore ou distribuição de lucros, se a recomposição da conta caixa revelar a existência de saldos credores, estarseá frente a uma omissão de receitas, e frente a ela, é que seria legítimo o lançamento dos tributos, apurados pelo Simples Nacional ou pelo Lucro Presumido, pois ambos têm por base a receita bruta e as presunções de omissão de receitas existentes no âmbito do IRPJ aplicamse aos optantes pelo Simples Nacional, como se vê no art. 34, da Lei Complementar nº 123/2006. Por fim, aduziuse que à impugnante caberia demonstrar que tais pagamentos não inflaram artificialmente o caixa, no entanto, nem essa alegação e, menos ainda, provas disso foram trazidas ao processo. Ao contrário, a defesa confirma o recebimento dos valores pelos sócios, de sorte que para os tributos em comento, é indiferente terem os pagamentos não escriturados terem sido efetuados a título de prólabore ou distribuição de lucros, pois se houve o débito de caixa pela emissão do cheque bancário, sem que tenha havido o correspondente creditamento, é legítima a exclusão de tais valores da conta caixa. Disso aflorando saldos credores de caixa, há a tributação como omissão de receitas. Na sequência cuidou a decisão recorrida de abordar a questão alusiva aos Valores Lançados na Conta Caixa (item 4.5 do relatório fiscal), reputando que refez a planilha “Reconstituição da Conta Caixa” considerando os ajustes efetuados em virtude da decisão relatada, efetuando a alteração dos valores lançados pelo autuante de forma que fossem excluídos das exigências os lançamentos que foram comprovados durante o trabalho fiscal. Adiante, a decisão recorrida, manifestouse acerca da “distribuição de Lucros a maior (item 4.6 e seus subitens), registrando que a contribuinte havia apurado um lucro de R$ Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 9 15 683.649,89 no AC 2009, que foi reduzido na autuação fiscal para R$ 25.281,62 (vide fl. 52), tendo a decisão recorrida acrescido à apuração da Fiscalização os ajustes promovidos pelo entendimento firmado, mencionando que a diferença é de R$ 8.309,90 e com essa redução no total das infrações, o lucro anteriormente apurado pelo agente fiscal, passa para R$ 33.590,51 (25.281,62 + 8.308,90). Por sua vez, o excesso de retirada pelos sócios no AC 2009, apurado pelo agente do fisco como sendo de R$ 92.652,36, passa a ser de R$ 84.343,47 (92.652,36 8.309,90), refazendo o cálculo da multa isolada. Quanto ao AC 2010, aduziu a decisão recorrida que a contribuinte afirmava que utilizou o lucro contábil para efetuar distribuição de lucros no anocalendário em questão e que tal opção não teria sido respeitada pelo autuante, que utilizou o lucro presumido para aferir o montante a ser distribuído a cada sócio, tendo a decisão recorrida assinalado que a tabela de fl. 29 da impugnação, fl. 1079 do processo, mostra que o lucro contábil de 2010 foi de R$ 842.623,93 e que este valor total confere com aquele constante da demonstração do resultado do exercício juntada ao processo, à fl. 147, como resultado da intimação de fl. 143, sendo que a Fiscalização ao analisar o quantum de lucro, relativo ao anocalendário 2009 que poderia ser distribuído em 2010, efetuou a comparação entre o lucro contábil e o lucro presumido, para adotar o de maior valor. Já em relação aos lucros do anocalendário 2010, segundo a decisão recorrida foi adotado o lucro presumido, sem esclarecer a razão de não ter considerado a possibilidade de adoção do lucro contábil, sendo que o lucro presumido no período foi de R$ 197.154,08 e o lucro contábil, R$ 842.623,93, frente a uma distribuição de lucros de R$ 740.000,00, concluindo assistir razão à contribuinte, porquanto o autuante deveria ter utilizado o lucro contábil ou explicar as razões pelas quais adotava o lucro presumido e não o tendo feito, não pode ser mantida a exigência. Ressaltouse, ainda, que apenas no terceiro trimestre do AC 2010 houve distribuição de lucros acima do lucro contábil, mesmo considerando os saldos acumulados de períodos anteriores. Mesmo em relação a esse período, entendeuse que a multa isolada não pode subsistir e que tendo o autuante tomado para o lançamento o cálculo da multa de ofício com base no lucro presumido, não pode o julgador alterar o lançamento para calcular eventual multa tomando por base, agora, o lucro contábil eis que haveria cerceamento do direito de defesa, pois ao contribuinte não foi oportunizado falar sobre tal cálculo e sobre o mérito do lançamento com base no lucro contábil, razão pela qual as multas de ofício isoladas, relativas ao anocalendário 2010 foram canceladas. Seguiuse dando conta acerca da multa isolada aplicada pela falta de retenção ou recolhimento, aduzindo que esta não foi revogada, sendo que a multa revogada pela Lei n.º 11.488/07, seria outra, pois em sua redação original, o inciso II do § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, previa que a multa ofício de 75% seria exigida isoladamente, quando o tributo ou a contribuição tivesse sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora e na nova redação, dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488/07, essa hipótese não mais aparece, ocorrendo que, na espécie, a infração punida não é o pagamento em atraso sem multa de mora, mas a falta de retenção ou recolhimento de IRRF, hipótese completamente distinta. Concluiu que a lei impõe à fonte pagadora a obrigação de reter o imposto e de o recolher, ainda que não o tenha retido (art. 722 do RIR de 1999). Assim sendo, a falta de retenção e a falta de recolhimento constituem infração à legislação tributária e a Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 16 responsabilidade por essa infração, cometida unicamente pela fonte pagadora, não se comunica ao beneficiário pessoa física, consequentemente, a fonte pagadora se sujeita à sanção, embora dela não se possa mais exigir o imposto, após o encerramento do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual do beneficiário. Reputouse que caso não houvesse sanção para as fontes pagadoras que não efetuam as retenções e os recolhimentos a que estão obrigadas, o caráter impositivo dessas obrigações ficaria seriamente ameaçado e que não há obrigação efetiva sem sanção pelo seu descumprimento o que implicaria também tratamento desleal para com aqueles que cumprem rigorosamente os seus deveres. Assentouse que a punição para a falta de retenção e recolhimento do IRRF é prevista no art. 9º da Lei nº 10.426/02 e que este dispositivo não deixa dúvidas de que a falta de retenção e recolhimento sujeita a fonte pagadora à multa de que trata do inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma do seu § 1º, quando for o caso e que a falta de pagamento ou recolhimento é uma das hipóteses previstas no art. 44 da Lei n.º 9.430/96, que enseja a aplicação das multas nele cominadas. Dispôs a decisão recorrida que em sua redação original, referido art. 9º fazia referência não só à falta de recolhimento e retenção, mas também ao recolhimento fora do prazo sem multa de mora e que a Lei n.º 11.488/07, que revogou a multa por pagamento em atraso sem multa de mora, alterou não só o art. 44 da Lei n.º 9.430, mas também o art. 9º da Lei n.º 10.426/02, harmonizando os dois diplomas, assim como ocorreu com o art. 44 da Lei n.º 9.430/96, do art. 9º da Lei n.º 10.426/02, também foi excluída a hipótese de “recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória”. Quanto à Multa de ofício e a duplicação do valor, manifestouse a decisão recorrida que o agente do fisco justifica a duplicação da multa de ofício dizendo ter havido dolo específico dos administradores, que teriam insinuado a ocorrência de lucros contábeis inexistentes, afirmando ter havido um planejamento para suprimir as despesas e os pagamentos realizados, objetivando um alto saldo da Conta Caixa e um Lucro Contábil inflado e irreal. Para a decisão recorrida, no entanto, a supressão de despesas e pagamentos, por si só, não influi na base de cálculo do lucro presumido, que toma por base as receitas auferidas. Se o contribuinte infla artificialmente o lucro contábil para, com isso, distribuir um valor maior a título de lucros (isentos), ele pode estar burlando a retenção de imposto de renda na fonte e contribuição previdenciária. Mas essa não escrituração de despesas não influenciaria na apuração do lucro presumido, assentando que, por outro lado, a não escrituração de despesas que foram pagas, revela a existência de valores mantidos à margem da escrituração. No caso concreto, a reconstituição da conta caixa, com o lançamento a crédito dessas despesas/pagamentos fez surgir saldos credores de caixa, sendo que tais saldos credores, são tidos por presunção, como omissão de receitas. E essa omissão sim, tem reflexo na apuração do lucro presumido, mas, como o presente lançamento é tributação dessa receita presumida, com influência então no IRPJ e tributos decorrentes. A imposição da multa qualificada enfrentaria dois problemas no caso em análise: primeiro, a descrição das razões para o agravamento faz referência tão somente ao artificialismo do lucro contábil e, segundo, a imposição da multa de 150% nas autuações por presunção deve vir acompanhada de robusta prova do evidente intuito de fraude. Não verificouse, portanto, como se possa afirmar que havia o dolo da contribuinte tendente a dissimular a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, no caso IRPJ e decorrentes. A própria descrição do autuante quanto às razões para agravamento da Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 10 17 penalidade conduziriam à conclusão que o eventual dolo não se dirigia à supressão dos tributos exigidos no presente processo (IRPJ, CSLL e demais decorrentes). Por fim, em conclusão, a decisão recorrida apresentou o recálculo dos tributos em função do entendimento ali sufragado, sendo que o confronto entre valores lançados e mantidos está expresso na tabela que reproduzo abaixo: Devidamente cientificada da decisão acima relatada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.246 em diante), reiterando as preliminares de nulidade por alegada deficiência na descrição dos fatos, e falta de autorização do MPF para auditar o PIS e à COFINS, reprisando os argumentos já relatados. Quanto ao mérito, igualmente reprisou seus argumentos e pugnou pelo provimento. É o relatório. Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 18 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como assinalado no relatório acima circunstanciado, que integra o presente voto para todos os fins, a recorrente foi autuada por: i) Omissão de receita decorrente da constatação de saldo credor da conta caixa; ii) Multa isolada do IRF por falta de retenção de valores distribuídos aos sócios acima do limite e do prólabore; iii) multa qualificada ao patamar de 150%. Em análise da Impugnação apresentada a decisão ora recorrida cuidou de manter parcialmente as exigências decorrentes da omissão de receitas, corrigindo alguns valores que não configurariam saldo credor de caixa, reduziu o patamar da multa aplicada para 75% e cancelou a multa isolada por falta de retenção em relação ao AC 2010. Como já adiantado, a contribuinte cuidou de reavivar os mesmo argumentos apreciados pela decisão recorrida, reputando assim, que toda a exigência fiscal seria improcedente, de sorte que a apreciação do presente Recurso Voluntário igualmente se dará por tópicos. I – NULIDADES I.1. Ausência de descrição dos fatos. Em sede preliminar reputa a recorrente que os autos de infração seriam nulos na medida em que apresentariam descrição dos fatos sem clareza e precisão, com excertos padronizados, situação que implicaria em cerceamento ao seu direito de defesa. Seguramente o pleito da contribuinte é improcedente. Não há qualquer obscuridade ou falta de clareza na imputação dos fatos, prova disso é correta depreensão deles, falo dos fatos, pela própria contribuinte, que apresentou Impugnação e Recurso Voluntário detalhados e que indicam ter a contribuinte manifestado a contento o seu direito de defesa. Aliás, como bem reconheceu a decisão recorrida o trabalho da Fiscalização está bem descrito no Termo de Verificação Fiscal de folhas 38 a 63, que sabidamente integra o auto de infração e do qual a contribuinte teve plena ciência. Estando ausentes os prejuízos alegados, não se configura na hipótese cerceamento ao direito de defesa da recorrente e, portanto, não há falar em nulidade, de sorte que rejeito a preliminar suscitada. I.2 – CSLL, PIS e COFINS – Alegada ausência de MPF autorizador da fiscalização. O segundo aspecto preliminar aventado pela recorrente, que segundo ela implicaria na nulidade das exigências de CSLL, PIS e COFINS, dáse por alegar que o Mandado de Procedimento Fiscal que lastreou a auditoria da qual derivam as exigências aqui Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 11 19 tratadas não autorizaria a investigação acerca das citadas contribuições, já que o MPF primitivo apenas versava sobre o IRRF, sendo que somente em 09/08/2012, foi alterado para contemplar também o IRPJ. Outra vez não vejo como reparar o conteúdo decisório impugnado, eis que assiste razão à decisão recorrida ao dispor que o MPF tem a função precípua de possibilitar ao contribuinte aferir a veracidade da fiscalização a que está sendo submetido, porém, não tem o MPF a função de circunscrever a atuação da Fiscalização, ainda mais quando o que se vê são exigências puramente reflexas à constatação de omissão de receitas. Ademais, e encerrando a questão, é ponto pacífico no âmbito deste colegiado administrativo que o MPF constituiu instrumento de controle interno da administração pública, a revelar que não se cuida de nulidade alguma, e a preliminar é, portanto, improcedente. II – MÉRITO II.1 – Omissão de Receitas – Saldo Credor de Caixa. De início, imperioso o registro de que a autuação de omissão de receitas, considerada a verificação de saldo credor de caixa, é fundada em presunção legal, contida no artigo 281, inciso I, do RIR/99, verbis: Art. 281 – Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; [...] Ou seja, constatada a hipótese desencadeadora da presunção legal, que no caso é a ocorrência de saldo credor de caixa, fica autorizada a inversão do ônus probatório, cabendo à contribuinte evidenciar que não houve receita omitida. Considerada a hipótese de presunção legal de omissão de receita que hospeda a exigência analisada neste tópico, para o deslinde do caso concreto é necessário aferir se de fato a escrituração da contribuinte apontava saldo credor de caixa. Para os fins de verificar se de fato se houve o saldo credor de caixa necessário lembrar que o Termo de Verificação Fiscal, encartada a partir da folha 38, em síntese estabelece que a contribuinte debitava a conta caixa quando emitia cheques, mas não creditava tal conta quando efetuava pagamentos, de sorte que a falta do registro das despesas ou investimento fez com que o saldo de caixa ficasse artificialmente elevado e ocasionou um elevado e inexistente lucro contábil, permitindo distribuição aos sócios, desta forma, os recursos apenas transitariam pela conta caixa, sem modificar o saldo. Seguramente, o expediente constatado pela Fiscalização implicou em saldo credor de caixa, pois afetou a neutralidade da escrita contábil, eis que os cheques emitidos, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta caixa, deverão ter correspondente registro a crédito desta conta, pela saída para a efetivação de pagamentos, sendo indiscutível que a falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 20 registrados como ingressos como indiscutível também o é que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. Quanto à alegação da contribuinte de que a Fiscalização não apoiou as imputações em “provas seguras”, mas em ilações, importante consignar que na aferição do saldo credor de caixa a Fiscalização pontuou (fl. 41 em diante) que após circularização junto aos fornecedores da contribuinte foi que se observou que muitas das compras realizadas na fornecedora “Fornecedora Cristiane S. da Rocha”, não haviam sido lançadas, bem como as contrapartidas da emissão dos cheques para o seu referido pagamento. Para comprovar o fato que desencadeou a presunção legal (saldo credor de caixa), cuidou a Fiscalização de referir que em relação à citada fornecedora, a contribuinte, em 2009, emitiu cheques no total de R$ 105.765,00, mas lançou na contabilidade notas fiscais no montante de R$ 43.789,33, havendo então, pagamento sem lastro em documentos fiscais e sem que haja contrapartida da saída da conta caixa., ou seja, evidenciouse o saldo credor de caixa, motivo pelo qual, neste item, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. II.2 – Pagamentos e despesas não lançados. Como descrito no relatório acima, foi constatado, também, que diversos cheques para outras despesas ou pagamentos a fornecedores, eram emitidos em nome de terceiros, sacados no banco e lançados como ingresso em caixa, sem lançamento complementar de saída da conta caixa e débito da conta de despesa/fornecedores. Atentese ao relato da Fiscalização contido na folha 43, in verbis: [...] Constatamos, também, que diversos pagamentos realizados com despesas/fornecedores, idêntico ao item anterior, que eram emitidos os cheques para pagamentos a terceiros e sacados na conta da empresa junto ao banco e lançado como ingresso na Conta Caixa. Não houve, também, o lançamento complementar de saída da Conta Caixa e débito a conta de despesa ou fornecedores [...] Na planilha “Demonstrativo das Despesas Não Lançadas” (em anexo) listamos os cheques emitidos e sua destinação a diversos fornecedores, com exemplo ao Escritório Contábil contratado pela empresa. Outros cheques demonstrariam ser suprimento da Conta Caixa, por muitas vezes estarem nominais à própria Fiscalizada, mas isto não está concreto, haja vista que nas cópias do cheques vindos do banco encontramos diversas anotações do destino destes valores [...] Após este relato, cuidou a Fiscalização de listar os casos na tabela de folha 44, item 4.2 do relatório de trabalho fiscal, sendo que a recorrente, em Impugnação e com reprise no Recurso Voluntário, fez defesa pontual em relação a seis cheques no corpo da impugnação, identificandoos pelo número da linha que ocupam na planilha, trazendo a planilha de fls. 1101/1102 (Planilha de pagamentos com cheques que estão contabilizados), na qual procurou comprovar que os cheques debitados no caixa se destinaram ao pagamento de despesas que foram levadas a registro. A decisão recorrida promoveu uma análise detida de cada cheque constante na indigita planilha apresentada pela contribuinte, cotejo do qual resultou no acatamento de Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 12 21 alguns valores, para os quais se viu correspondência entre as datas, os valores dos cheques e a escrituração da contribuinte. De se anotar que reproduzi no relatório o enfretamento da decisão recorrida para cada cheque, sendo certo que a contribuinte não inova os fundamentos do seu inconformismo, bem como os valores que não foram aceitos pela decisão recorrida deveuse a incongruência de valores e datas ou ausência de escrituração, tal como aferido pela Fiscalização, incongruências que também verifico, mantendo a decisão recorrida ante a exaustiva abordagem realizada. II.3 – Pagamentos a outros Fornecedores Em relação ao item 4.3, do Termo de Verificação Fiscal, atinente aos pagamentos a outros fornecedores, a exemplo da primitiva Impugnação apresentada, a contribuinte não trouxe elementos que demonstrem ter escriturado os pagamentos listados pela Fiscalização. A Fiscalização, por seu turno, (item 4.3 fl. 45), juntou ao processo Demonstrativo Despesas Não Lançadas e Não Comprovadas, apontando cheques que foram sacados no caixa ou compensados, nominais a terceiros/fornecedores e que, lançados a débito de caixa, não tiveram identificados os correspondentes créditos de caixa. Estando ausentes as justificativas que demonstrem a escrituração dos pagamentos em favor dos fornecedores listados na planilha referida, subsiste o conteúdo da decisão recorrida. II.4 – Prólabore pago aos Sócios e Não Computado Neste item específico da autuação a Fiscalização apurou (fl. 46), que os sócios da recorrente realizaram retiradas superiores aos valores apontados na contabilidade. A contribuinte efetuou pagamentos de lucros aos sócios, em 2009, num total de R$ 600.000,00, distribuição que foi regularmente contabilizada, porém, a Fiscalização constatou outros pagamentos, que constam da planilha de fls. 45 em diante, sendo que tais pagamentos foram destinados aos sócios, num total de R$ 212.973,27 (fl. 46). Como bem pontuado pela decisão recorrida sobre a existência dos pagamentos e seus valores expresso, não há controvérsia entre Fiscalização e a defesa, porém, o autuante considerou esses outros pagamentos como “pagamentos autônomos”, realizados além da distribuição de lucros contabilizada e a recorrente, ao contrário, afirma que esses outros pagamentos integram o montante apurado contabilmente, de forma que os tais valores estão embutidos no montante de lucros apurados e distribuídos contabilmente, discordando ainda, da classificação dos chamados “outros pagamentos” como se prólabore fossem, sobretudo porque o prólabore é representado por um valor fixo e préestabelecido devidamente registrado em contabilidade com seus respectivos encargos calculados e pagos. Ou seja, para a contribuinte, os pagamentos indicados pela fiscalização integram o montante contábil apurado no curso do anocalendário 2009. Muito embora a alegação da contribuinte faça sentido do ponto de vista argumentativo, assiste razão à decisão recorrida ao dispor que carece de provas documentais Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 22 que a suportem, eis que não há prova ou evidência de que os diversos cheques, listados pela Fiscalização, sacados ou compensados, constantes da planilha de fls. 523/525 estão contidos nos lançamentos identificados na conta caixa como distribuição de lucros. Ao contrário, como também reconheceu a decisão recorrida as evidências levariam a concluir que se tratam de pagamentos autônomos, independentes daqueles constantes da escrituração, porquanto não há coincidência de datas e valores, v.g. o caso citado pela decisão recorrida: o sócio Mário Cavaletti recebeu lucros nos meses de novembro e dezembro (livro caixa, fls. 785 e 793 do processo), totalizando R$ 50.000,00. E foi beneficiário de cheques (planilha 523/525) nos meses de janeiro, maio, junho, julho e novembro, num total de R$ 27.611,36, sendo que a maior concentração de valores ocorreu no segundo trimestre e no último trimestre do ano não foi beneficiário de nenhum cheque, mas foi só ali que houve a escrituração do pagamento de lucros. O outro fundamento adotado pela decisão recorrida é ainda mais decisivo, porquanto consagra que muitos dos cheques estão nominais a terceiros, como Carrocerias Liusbalne, Transp P. Cisa Ltda., Sea Representações, e outros, sendo que, objetivamente, o que se teria é o ingresso desses cheques em caixa e a confirmação de que foram destinados a pagamentos aos sócios, sem que se consiga estabelecer uma vinculação com os pagamentos efetuados a título de distribuição de lucros. Portanto, não se está mesmo diante de distribuição de lucros, mas de retiradas autônomas, prevalecendo a decisão recorrida, mormente ao se verificar que a contribuinte confirma o recebimento dos valores pelos sócios, de sorte que para os tributos em comento, dado o regime de apuração, é indiferente terem os pagamentos não escriturados sido efetuados a título de prólabore ou distribuição de lucros, pois se houve o débito de caixa pela emissão do cheque, sem que tenha havido o correspondente creditamento, é legítima a exclusão de tais valores da conta caixa, decorrendo daí o saldo credor de caixa, e a presunção legal de omissão de receitas. III – MULTA ISOLADA – FALTA DE RETENÇÃO A contribuinte tem sustentado que a multa isolada de 50%, disposta no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, adotada como fundamento da sanção aplicada pelo agente fiscal, não seria mais oponível no caso em que a fonte pagadora, obrigada a reter tributo ou contribuição, deixa de fazêlo ou de recolhêlo, ou o faz fora do respectivo prazo, eis que a Lei n° 11.488/2007 ao dar nova redação ao artigo 9º da Lei n° 10.426/2002 (que antes previa a aplicabilidade das multas previstas nos incisos I e II da Lei n° 9.430/96) o suprimiu, de forma que desapareceu o suporte legal à sanção imposta, salientando ser entendimento do próprio fisco, exposto no Parecer Normativo Cosit nº 01/2002, que após o prazo para entrega da declaração de rendimento pelo beneficiário dos rendimentos, não seria mais exigível o imposto que deixou de ser retido e se o imposto não é mais exigível, também não seria exigível a multa. Não assiste razão a recorrente e com o mesmo fundamento da decisão recorrida entendo pela aplicação da multa. A multa isolada aplicada pela falta de retenção ou recolhimento não foi revogada. A multa revogada pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, é outra. Em sua redação original, o inciso II do § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, previa que a multa ofício de 75% seria exigida isoladamente, quando o tributo ou a contribuição tivesse sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11030.721893/201231 Acórdão n.º 1301001.438 S1C3T1 Fl. 13 23 multa de mora. Na nova redação, dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488, de 2007, essa hipótese não mais aparece. Ocorre que, na espécie, a infração punida não é o pagamento em atraso sem multa de mora. A infração é a falta de retenção ou recolhimento de IRRF, hipótese completamente distinta. A lei impõe à fonte pagadora a obrigação de reter o imposto e de o recolher, ainda que não o tenha retido (art. 722 do RIR de 1999). Assim sendo, a falta de retenção e a falta de recolhimento constituem infração da legislação tributária. A responsabilidade por essa infração, cometida unicamente pela fonte pagadora, não se comunica ao beneficiário pessoa física. Conseqüentemente, a fonte pagadora se sujeita à sanção, embora dela não se possa mais exigir o imposto, após o encerramento do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual do beneficiário. Se não houvesse sanção para as fontes pagadoras que não efetuam as retenções e os recolhimentos a que estão obrigadas, o caráter impositivo dessas obrigações ficaria seriamente ameaçado. Não há obrigação efetiva sem sanção pelo seu descumprimento. Isso implicaria também tratamento desleal para com aqueles que cumprem rigorosamente os seus deveres. A punição para a falta de retenção e recolhimento do IRRF é prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002. Esse dispositivo não deixa dúvidas de que a falta de retenção e recolhimento sujeita a fonte pagadora à multa de que trata do inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, duplicada na forma do seu § 1º, quando for o caso. A falta de pagamento ou recolhimento é uma das hipóteses previstas no art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, que enseja a aplicação das multas nele cominadas. Em sua redação original, referido art. 9º fazia referência não só à falta de recolhimento e retenção, mas também ao recolhimento fora do prazo sem multa de mora. A Lei n.º 11.488, de 2007, que revogou a multa por pagamento em atraso sem multa de mora, alterou não só o art. 44 da Lei n.º 9.430, mas também o art. 9º da Lei n.º 10.426, de 2002, harmonizando os dois diplomas. Assim como ocorreu com o art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, do art. 9º da Lei n.º 10.426, de 2002, também foi excluída a hipótese de “recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória”. Abaixo se reproduzem ambos os textos do art. 9º: “Art. 9º Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (Redação original, grifos acrescentados) “Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (Redação dada pelo art. 16 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007). Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 24 Por outro lado, o Parecer Cosit nº 01/2002 também não socorre à recorrente, pois preceitua que o “imposto” não é mais exigível da fonte pagadora após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, mas expressamente conclui que a multa é exigível. Vejamos: Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. Demonstrase, com isso, que a multa revogada é a multa por pagamento em atraso sem multa de mora, e não a multa por falta de retenção e recolhimento. Conseqüentemente, mantém se a exigência. IV – CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 12 de março de 2014 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10880.946064/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de examinar pedido de restituição/compensação PER/DCOMP, com crédito originado do saldo negativo da CSLL apurado na DIPJ ao final do anocalendário de 2004 (exercício 2005), no valor original de R$ 3.743.306,90, conforme PER/DCOMP nº 18269.74359.281105.1.3.030126, fls.03. O Despacho Decisório eletrônico da DERAT/São Paulo indeferiu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada, sob o argumento de que, após considerar os valores das estimativas pagas/compensadas não restou saldo negativo da CSLL no período fls. 19. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 46 06 4/ 20 09 -9 1 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10880.946064/200991 Resolução nº 1202000.243 S1C2T2 Fl. 496 2 Na seqüência, por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever o relatório do Acórdão da DRJ/SPOI nº 1642.773, de fls. 283 a 294: “Segundo o demonstrativo de Análise de Crédito de fls. 20/22, não teriam sido confirmadas as seguintes antecipações informadas na composição do saldo negativo: 1. Estimativas Pagas: a. Estimativa Mensal de novembro de 2004 no valor de R$ 450,00; b. Estimativa Mensal de dezembro de 2004 no valor de R$ 3.743.307,51. 2. Estimativas Compensadas: a. Estimativa Mensal de fevereiro de 2004 no valor de R$ 2.193.408,90 (DCOMP nº 22712.33275.100504.1.7.020644) Nos bancos de dados teriam sido confirmados pelo processamento eletrônico os pagamentos e as compensações de estimativas mensais, respectivamente, no total de R$ 17.591.997,00 e R$ 3.120.802,58, cuja soma de R$ 20.712.799,58 seria insuficente para a extinção da CSLL devida de R$ 22.906.658,49, apurada na DIPJ 2005. Consta do processo que a contribuinte teria sido intimada em 08/03 e 10/09/2007 (termos de intimação nº 673105198 e 697688710) acerca da divergência entre o saldo negativo de CSLL do Exercício 2005 (anocalendário 2004), informado na DCOMP (R$ 3.743.306,90) e na DIPJ (R$ 3.744.828,83), assim como, da divergência entre o débito de CSLL estimativa mensal de dezembro de 2004, informado na DIPJ (R$ 6.638.980,45) e na DCTF (R$ 4.445.121,55). Cientificada da decisão, em 26/06/2009 (sextafeira), a contribuinte protocolizou a manifestação de inconformidade, de fls. 24/41, em 28/07/2009, oferecendo, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: • afirma a tempestividade da defesa; • que teria extinto por pagamento ou compensação estimativas mensais de CSLL de R$ 27.288.949,75, valor muito superior ao apurado pela RFB e à CSLL devida no ajuste anual; • que o saldo negativo de CSLL do período seria de R$ 4.382.291,26, valor superior ao apurado na DIPJ 2005 de R$ 3.744.828,83, assim demonstrado: Base de Cálculo da CSLL 254.518.427,69 Alíquota 9% CSLL Apurada 22.906.658,49 CSLL Mensal Paga por Estimativa 27.287.425,43 CSLL Retida 1.524,32 CSLL Paga + CSLL Retida 27.288.949,75 Saldo a Pagar de CSLL (4.382.291,26) que teria deixado de informar na DIPJ 2005 recolhimentos efetuados mediante DARF; Fl. 496DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10880.946064/200991 Resolução nº 1202000.243 S1C2T2 Fl. 497 3 • que as antecipações poderiam ser demonstradas conforme abaixo: Estimativas DARF Compensação jan/04 1.359.072,86 916.306,74 fev/04 1.142.396,60 1.142.396,60 mar/04 1.417.913,41 772.165,00 abr/04 1.623.558,44 mai/04 2.156.100,92 jun/04 1.410.944,56 jul/04 1.457.284,22 ago/04 1.334.356,14 set/04 1.312.913,40 out/04 1.704.726,21 nov/04 1.348.861,27 dez/04 8.188.429,06 Total 24.456.557,09 2.830.868,34 Estimativas DARF Compensação Total das Estimativas Pagas/Compensadas 27.287.425,43 CSLL Retida 1.524,32 Total 27.288.949,75 • que inicialmente teria recolhido tempestivamente, nas datas de vencimento, o valor total de R$ 17.192.723,69; • posteriormente, procedeu à uma revisão na qual apurou recolhimento a menor das estimativas mensais, tendo efetuados recolhimentos complementares com os devidos acréscimos legais, nos valor de R$ 7.263.833,40, conforme abaixo demonstrado: [vide quadro da fl. 286] • que não haveria qualquer motivo para a desconsideração dos DARF; • que o valor a ser considerado no saldo negativo seria o valor do principal com os acréscimos legais recolhidos em razão do atraso no pagamento; • que nos casos de pagamento indevido ou a maior a RFB já teria se pronunciado quanto ao cabimento da restituição/compensação do valor integral do indébito (principal, multa e juros de mora); • que considerando no saldo negativo os acréscimos legais, o valor do saldo negativo totalizaria R$ 26.299.818,00; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10880.946064/200991 Resolução nº 1202000.243 S1C2T2 Fl. 498 4 • quanto às estimativas compensadas de fevereiro e março de 2004, afirma que teria cometido erros no preenchimento da DCOMP, pois ao invés de R$ 3.335.805,50, o valor total compensado seria de apenas R$ 1.914.561,60, valor que somado à compensação de janeiro, resultaria no total de R$ 2.830.868,30; • reafirma o total das estimativas extintas, por pagamento e compensação, de R$ 27.287.425,43; • que a RFB também não teria considerado no saldo negativo a CSLL Retida de R$ 1.524,32, apesar de a informação constar de seus controles internos; • que em face da CSLL devida de R$ 22.906.658,49 e das antecipações de R$ 27.288.949,75, temse um saldo negativo de CSLL de R$ 4.382.291,26; • invoca o princípio da verdade material para afastar os erros de preenchimento das declarações apresentadas; • requer a homologação das compensações.” Examinada a manifestação de inconformidade, a DRJ/SPOI emitiu o Acórdão nº 1642.773, de fls. 283 a 294, julgando procedente em parte a manifestação para reconhecer o saldo negativo (direito creditório) da CSLL do anocalendário de 2004 no valor de R$ 1.574.095,91, ao invés do saldo negativo de R$ 3.744.828,83 informado na DIPJ, com o seguinte ementário: Saldo Negativo. Estimativas Pagas. O saldo negativo da CSLL é formado pelas antecipações (estimativas e retenções) regularmente comprovadas, relativas ao período de apuração, e que superarem a CSLL apurada como devida no Ajuste Anual. Saldo Negativo. Acréscimos Legais sobre as Estimativas Pagas em Atraso. Não integram o saldo negativo os acréscimos legais devidos, incidentes em função do atraso no recolhimento das estimativas devidas. Saldo Negativo. Estimativas Compensadas. Não Homologação. Nos termos da legislação tributária, as estimativas devidas no curso do anocalendário constituemse em meras antecipações do IRPJ/CSLL devidos no encerramento do período de apuração, e assim apesar de obrigatórias, não atendem os pressupostos de certeza e liquidez, para serem exigíveis, mediante lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União. Somente se extintas, mediante pagamento, ou reforma da decisão administrativa de não homologação de compensação, as estimativas devem integrar o saldo negativo do período. Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este colegiado, de fls. 301 a 328, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas em sua manifestação de inconformidade. Adicionalmente, pede a suspensão do presente julgamento até a decisão definitiva no processo nº 10880.915012/200891. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10880.946064/200991 Resolução nº 1202000.243 S1C2T2 Fl. 499 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. Conforme relatado tratase do exame de PER/DCOMP com crédito originado do saldo negativo da CSLL apurado na DIPJ ao final do anocalendário de 2004 (exercício 2005), no valor original de R$ 3.743.306,90. O acórdão recorrido, após minuciosa análise, decidiu por autorizar o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, autorizar a homologação da compensação até o montante do crédito reconhecido. Entendeu, corretamente, por não considerar no cálculo do saldo final da CSLL do período dos acréscimos legais das estimativas pagas em atraso e por não considerar a compensação pleiteada na DCOMP nº 20315.39103.310304.1.3.026901 relativo ao débito da estimativa mensal de fevereiro de 2004, no valor de R$ 2.226.994,11, ainda em discussão no âmbito do processo administrativo nº 10880.915012/200891. Já a recorrente quer ver computado o valor dos acréscimos (multa e juros) das estimativas da CSLL pagas em atraso e, alternativamente, requer a suspensão do presente julgamento até a decisão definitiva no processo nº 10880.915012/200891. Compulsando os autos verificase que a extinção da estimativa da CSLL de fevereiro de 2004, por compensação, encontrase acompanhada no processo nº 10880.915012/200891, mostrandose prejudicial ao exame do saldo final da CSLL apurada no anocalendário de 2004, ora em exame no presente processo. Consulta efetuada no site do CARF na internet informa que processo nº 10880.915012/200891 foi apreciado pela 1ªTO/2ª CÂMARA/1ª SEJUL/CARF/MF em 09/10/2013, tendo retornado ao órgão de origem em diligência. Com efeito, concluise que a melhor solução a ser dada é aguardar a decisão definitiva no processo nº 10880.915012/200891, para então proceder no julgamento do presente recurso voluntário, efetuandose os ajustes porventura necessários. Em face do exposto, voto para converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, retornando o processo ao órgão de origem para: a) juntar cópia da decisão administrativa definitiva do processo nº 10880.915012/200891; b) após, retorno a este CARF, para julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 499DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10925.905082/2012-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2006
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 82 /2 01 2- 54 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905082/201254 Acórdão n.º 3801002.864 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905082/201254 Acórdão n.º 3801002.864 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905082/201254 Acórdão n.º 3801002.864 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905082/201254 Acórdão n.º 3801002.864 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905082/201254 Acórdão n.º 3801002.864 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905082/201254 Acórdão n.º 3801002.864 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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