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Numero do processo: 11080.722694/2013-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. DÉBITO INSCRITO PGFN. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA.
Mantém-se o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa.
Numero da decisão: 1001-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. DÉBITO INSCRITO PGFN. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Mantém-se o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722694/201336 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.576 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria Indeferimento de Opção Recorrente TIAGO DO AMARAL REZENDE EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. DÉBITO INSCRITO PGFN. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 94 /2 01 3- 36 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11080.722694/201336 Acórdão n.º 1001000.576 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 202 a 212) interposto contra o Acórdão nº 1265.925, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 167 a 172), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. DÉBITO INSCRITO PGFN. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (solicitada em 31.01.2013) nº 00.05.58.32.04, registrado em 14.02.2013 pela DRF Porto AlegreRS (fls.6), em face do seguinte débito inscrito em Dívida Ativa da UniãoDAU pela ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN: Em Manifestação de InconformidadeMI, recebida em 12.03.2013 (fls.2), o interessado pede o deferimento da opção, dizendo que “em 15.02.2013 recebeu o indeferimento ao pedido (vide anexo II) pelo motivo da não regularização de justamente das pendências que constavam junto à PGFN (vide anexo III), que correspondiam a erros no preenchimento das DCTFs, que foram devidamente retificadas”. 3 Com a MI, vieram os documentos de fls.3/77. A autoridade lançadora juntou as consultas de fls.78/122. 4 Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.125/166. Relatados. " Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11080.722694/201336 Acórdão n.º 1001000.576 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) 6 O indeferimento da opção foi fundamentado na Lei Complementar n° 123, e 14 de dezembro de 2006, que dispõe que a existência de débito (com o INSS ou com as Fazendas Públicas) cuja exigibilidade não estiver suspensa é uma das situações que proíbe a permanência ou o ingresso no Simples Nacional: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifos nossos) 7 A opção pelo Simples Nacional pode ser formalizada até o último dia útil de janeiro, prazo no qual as pendências impeditivas ao ingresso devem ser regularizadas, a teor do que dispõe a Resolução do Comitê Gestor do Simples NacionalCGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, verbis: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput ) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 2 º ) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11080.722694/201336 Acórdão n.º 1001000.576 S1C0T1 Fl. 5 4 II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (...) 8 Para o anocalendário de 2013, a opção pôde ser feita até 31.01.2013, data limite, portanto, para regularizar pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. 9 De acordo com o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fls.6), o débito (cuja exigibilidade não estava suspensa) que deu causa ao indeferimento está inscrito na ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN (nosso item 1). 10 À PGFN compete a formalização, a cobrança, o parcelamento e a extinção da inscrição do débito em Dívida Ativa da UniãoDAU, ou seja, esta RFB não detém competência para dispor sobre débitos inscritos. 11 A PGFN mantém sistema próprio SIDA para registro e controle das inscrições em DAU. 12 Segundo o SIDA, a inscrição em tela (nº 00.2.11.00116828), no valor principal de R$ 3.521,67 (fls.125/126), teve a proposta de parcelamento rejeitada em 24.05.2011 e permanece, desde 20.06.2011, na situação “ativa não ajuizável em razão do valor” (fls.128). 13 No Sida, os débitos que compõem a dita inscrição são os seguintes (fls.125/128): 14 O interessado alega que os débitos da dívida decorreram de erros de preenchimento das Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF, e, que estas foram devidamente retificadas. Vejamos se lhe colhe razão. 15 De plano temse que, uma vez formalizada a inscrição, apenas a PGFN pode acerca dela dispor, inclusive restituindo o correspondente processo a esta RFB. 16 O primeiro valor do quadro acima R$ 38,96 corresponde à diferença entre o valor do IRPJ2089 do 2º trimestre de 2008 confessado na DCTF Original (de 03.10.2008) e mantido na Retificadora (de 16.12.2009), ressaltese e o valor pago. Em 31.01.2013, o interessado apresentou a segunda DCTF Retificadora, reduzindo em R$ 38,96 o valor confessado (fls.129/132). 17 Ocorre que, em 31.01.2013, o débito de R$ 38,96 diferença entre o valor confessado na primeira DCTF retificadora (R$ 3.639,28) e o valor pago (R$ 3.600,32) já havia sido, desde 17.03.2011, enviado à PGFN. 18 E, como visto, esta RFB não detém competência sobre débitos inscritos. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11080.722694/201336 Acórdão n.º 1001000.576 S1C0T1 Fl. 6 5 19 Quanto aos segundo, terceiro e quarto débitos do quadro acima débitos de IRPJ dos 3º e 4º trimestres de 2008 e do 3º de 2009 – não tiveram seus valores retificados, ou seja, as diferenças que compõem a inscrição (R$ 13,67, R$ 33,37 e R$ 375,09) não decorreram de DCTF Retificadora não aceita, uma vez que as respectivas DCTFs retificadoras não alteraram os valores confessados nas originais (fls.133/139 e 143/160). 20 Segundo as consultasSief às fls.148, 153/154 e 160, quando do rateio proporcional (entre o principal, juros e multa) do total pago pelo interessado, remanesceram os saldos devedores acima, revelando, portanto, insuficiência de pagamento. 21 Quanto ao quinto débito do quadro acima (ver item 13), também não está calcado em diferenças entre valores confessados em DCTF Original e em DCTF Retificadora. 22 O sobredito quinto débito referese ao IRPJ do 4º trimestre de 2009, apurado em 30.12.2009, que tanto na DCTF Original, quanto na Retificadora, figurou pelo valor de R$ 9.214,80, que foi dividido em 3 (três) cotas de R$ 3.071,60 (fls.136/138). Uma das cotas integra a inscrição em DAU em tela, porém, pelo saldo de R$ 3.060,58, já que a ela já havia sido alocado pagamento parcial de R$ 11,02: 3.071,60 – 11,02 = 3.060,58 (fls.164/165). 23 O quadro abaixo reúne informações (DCTF e Pagamentos) de cada um dos 5 (cinco) débitos que compõem a inscrição em DAU que deu causa ao indeferimento: 24 Temse, assim, que a alegação do interessado de que os débitos inscritos decorreram de erros de DCTFs posteriormente retificadas não foi confirmada. Temse, também, que a inscrição que deu causa ao indeferimento não foi regularizada dentro do prazo de opção (31.01.2013), e ora se encontra na situação de “ativa não ajuizável em razão do valor” (nosso item 12). Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11080.722694/201336 Acórdão n.º 1001000.576 S1C0T1 Fl. 7 6 25 Cabe, por fim, observar à autoridade lançadora, para as providências cabíveis, que, no que se refere às 3 (três) cotas (cada qual de R$ 3.071,60) do IRPJ apurado no 4º trimestre de 2009 das quais, a primeira integra a inscrição que deu causa ao indeferimento em tela –, há, no Sief, registro de três pagamentos de R$ 3.071,60 (principal), sendo que, no primeiro, efetuado em 05.02.2010, o vencimento do débito figurou como 29.01.2009, enquanto que, nos seguintes: 26.02.2010 e 31.03.2010, respectivamente (fls.163/166). 26 Observese, também, que, na terceira cota do IRPJ do 4º trimestre de 2009, com vencimento em 31.03.2010 – cota que não integra a inscrição e nem foi incluída no quadro de nosso item 23 figura, após a alocação do pagamento, saldo a pagar de R$ 383,38 (fls.166). (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005917/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 9202-006.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.218 1 1.217 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.005917/200911 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.951 – 2ª Turma Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MOACIR ASSEIN ARUS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 59 17 /2 00 9- 11 Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 9202006.951 CSRFT2 Fl. 1.219 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física acrescido de multa de ofício e juros de mora em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente pelo sujeito passivo em sua respectiva declaração anual como não tributados. O lançamento referese a omissão de rendimentos recebidos, pelo contribuinte, nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a título de bolsas extensão. O Relatório Fiscal esclarece: O contribuinte, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na qualidade de membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, desenvolveu, nos anoscalendário sob fiscalização, atividades complementares à docência, sob a forma de programas de extensão, as quais ocorreram nas dependências do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Merece ser registrado que a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, de acordo com o art. 2o , § 1 o , do seu Estatuto, "constituirseá em Fundação de Apoio ao HCPA, enquanto hospital escola da UFRGS, mediante credenciamento junto ao Ministério da Educação e do Desporto MEC e ao Ministério da Ciência e Tecnologia MCT, da legislação vigente que regulamenta as fundações de apoio". Para tanto, a consecução desses programas, o professor bolsista e a Fundação Médica celebraram contrato intitulado "Termo de Compromisso para Concessão Extensão". A atividade de extensão visava à execução dos projetos assim denominados: a) "Programa de Assistência à Saúde e de Docência em Residência Médica" junto ao HCPA, durante o período de 01/07/04 a 30/06/06, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/07/04; b) "GESTÃO DE INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTENCIAL NO HCPA", durante o período de 01/04/05 a 30/06/06, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/04/05; c) "GESTÃO DE INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTENCIAL NO HCPA" e "PROGRAMA DE DOCÊNCIA EM RESIDÊNCIA MÉDICA E ASSISTÊNCIA À SAÚDE" junto ao HCPA, durante o período de 01/07/06 a 31/12/06, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/07/06; e d) "GESTÃO DE INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTENCIAL NO HCPA", durante o período de 01/01/07 a Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 9202006.951 CSRFT2 Fl. 1.220 3 31/12/07, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/01/07. ... Os documentos sob exame, não obstante cognominados de "Termo de Compromisso", tratam, na verdade, de acordos de vontades contratos estipulados entre a Fundação e o fiscalizado, determinando direitos e deveres para ambas as partes. À prestação das atividades de preceptoria e coordenadoria, obrigação do contribuinte, corresponde a obrigação da Fundação de pagamento da "bolsa de extensão" (preço), durante a vigência do contrato, obrigação essa que possui o nítido caráter de contraprestação. Os projetos realizados, de acordo com o contrato, propiciam ao professor da UFRGS, instituição à qual o HCPA está vinculado, o desempenho de atividades complementares à docência, sob a forma de preceptoria e/ou coordenadoria. Essas atividades se consubstanciam, na realidade, em efetiva prestação de serviços educacionais, médicos ou de consultoria, como será visto na sequência. (...) Contribuinte impugnou o lançamento. Citando a legislação pertinente, e tecendo comentários sobre os contratos envolvidos e as características das atividades desempenhadas junto à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, à Fundação Médica do Rio Grande do Sul e junto ao Hospital da Clínicas de Porto Alegre defende a natureza não remuneratória dos valores recebidos. A 1ª Turma Especial deu provimento ao recurso voluntário concluindo que os valores recebidos pelo contribuinte em decorrência dos Convênios Operacionais firmados com a Fundação Médica do Rio Grande do Sul estão sob o abrigo da norma isentiva prevista no art. 26, da Lei 9.250/95. O acórdão nº 2801003.779 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. São isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, de pesquisa e de extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Recurso Voluntário Provido Intimada a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial. Citando como paradigma o acórdão 2102002.715, defende a recorrente que o imposto de renda incide sobre a chamada bolsa de estudos, extensão e pesquisa, por considerar que a mesma se caracteriza como remuneração, em decorrência da contraprestação pelos serviços prestados pelo autuado e destaca que circunstâncias tratas pelos julgados recorrido e paradigma são exatamente as mesmas, pois ambos analisam a natureza dos rendimentos recebidos da Fundação Médica do Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 9202006.951 CSRFT2 Fl. 1.221 4 Rio Grande do Sul a título de bolsa de estudos e analisam os Termos de Compromisso firmados pelos impugnantes, que são, em tudo, idênticos. Contrarrazões do contribuinte juntadas às fls. 954/964. Citando jurisprudência pugna pela manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso ora discutido preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Em que pese haver de fato a divergência arguida pela recorrente no que tange a incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas pelo contribuinte a título de bolsa de pesquisa, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. Me refiro à petição apresentada pelo contribuinte em 15.06.2018 (fls. 1.030/1.217) e a qual comunica acerca de decisão judicial favorável proferida pelo Juizado Especial Federal da Subseção de Porto Alegre e confirmada pela respectiva Turma Recursal. Conforme mencionado na citada petição, o contribuinte ajuizou Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica. O objeto da ação judicial e a decisão de primeira instância foi assim descrita pelo respectivo juízo: ... Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 9202006.951 CSRFT2 Fl. 1.222 5 Com essas informações podese afirmar que a ação judicial possui o mesmo objeto deste processo administrativo, aplicandose ao caso o art. 78 do RICARF o qual prevê que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação tributária importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Esse mandamento já foi internalizado por este Conselho por meio da Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O Professor Marcos Vinícius Neder e a Conselheira Maria Teresa Martinez López, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (Editora Dialética. São Paulo 2010, p. 299) explicam que a súmula reflete o fundamento de que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no artigo 5º, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. A todo rigor, inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Diante do exposto, caracterizada a concomitância, dou provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito nos termos em que foi lançado. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 9202006.951 CSRFT2 Fl. 1.223 6 Fl. 1223DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.722369/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA E OFENSA A VERDADE MATERIAL. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando o lançamento identificada claramente todos os elementos relativos ao aspecto quantitativo da obrigação tributária (base de cálculo, alíquotas, multa, juros e correção monetária) e intimado o contribuinte a se manifestar em todas as fases do trabalho fiscal. O processo observou fielmente os princípios do contraditório e ampla defesa dos quais a verdade material é mero corolário
VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA CONFISCATÓRIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmular CARF nº 2)
Numero da decisão: 2202-004.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA E OFENSA A VERDADE MATERIAL. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando o lançamento identificada claramente todos os elementos relativos ao aspecto quantitativo da obrigação tributária (base de cálculo, alíquotas, multa, juros e correção monetária) e intimado o contribuinte a se manifestar em todas as fases do trabalho fiscal. O processo observou fielmente os princípios do contraditório e ampla defesa dos quais a verdade material é mero corolário VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmular CARF nº 2) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 23 69 /2 01 4- 81 Fl. 295DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) (fls. 248/251): Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 23/12/2014 (fls. 221 a 240), contra o Auto de Infração de fls. 208 a 215, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 201 a 206 e planilha de fl. 207, que apurou um imposto suplementar no montante de R$ 311.381,95, a ser acrescido dos juros de mora e da multa de 75%, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário de 2009 e 2010. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 210), o procedimento apurou a infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ação Fiscal De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 201 a 206 e documentos carreados aos autos, a ação fiscal foi instaurada com a emissão do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fl. 04), em 26/03/2013, sendo a contribuinte intimada a apresentar os extratos bancários e de aplicação financeira dos anos calendário de 2009 e 2010. Em resposta a contribuinte apresentou (fls. 09 a 48): 01) Extrato do Banco Real conta corrente 9.0004182 agência 1437 de janeiro de 2009 a dezembro de 2010; 02) Extrato de conta poupança Banco Itaú de janeiro de 2009 a dezembro de 2010, com as folhas recortadas ao meio; Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10073.722369/201481 Acórdão n.º 2202004.670 S2C2T2 Fl. 296 3 03) Informe de rendimentos do Santander, anocalendário de 2010; e Itaú anos calendário de 2009 e 2010. Através da análise do extrato bancário do Banco Real, procedeu o fisco a um levantamento de alguns créditos, intimando a fiscalizada a justificar, mediante documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, os créditos mencionados no Termo de Intimação Fiscal (fl. 52). Em resposta, conforme esclarecimento prestado no dia 10 de julho de 2013, fl. 53, a contribuinte informou que não possuía a documentação solicitada. De acordo com o TVF, pela incompatibilidade dos valores creditados na conta corrente com valores não informados pela contribuinte e gastos superiores aos valores não declarados à RFB, foi emitida Requisição de Movimentação Financeira dirigida às instituições Banco Itaú e Banco Real, fls. 64 a 66 e 68. Como consequência, esses bancos forneceram a documentação de fls. 70 a 145. De posse dos elementos apresentados pelas instituições, a fiscalizada foi intimada a justificar, apresentando documentação hábil e idônea, os créditos ocorridos na conta poupança de acordo com a planilha anexa ao termo (fls. 148 e 149). Foi expedido ainda Termo de Intimação Fiscal para que a contribuinte prestasse algumas informações, conforme demonstra a fl. 152. Em resposta, a contribuinte informou que suas fontes de rendas são aposentadoria e prestação de serviços a terceiros, dentro do limite de isenção da RFB (fls. 167 e 168). À fl. 169, disse que em relação à conta Poupança do Banco Real, esta teria sido aberta pela instituição, alegando que os valores depositados seriam da conta corrente normal e transferidos para a poupança não sendo novos depósitos, mas o mesmo dinheiro circulando. Através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 21/01/2014, fl. 157, intimouse a contribuinte a apresentar as rendas decorrentes de prestação de serviços de terceiros nos anos calendário de 2009 e 2010. Em resposta, na carta datada de 13/02/2014, fl. 179, informou que estava em tratamento médico não tendo condições em identificar os beneficiários. No dia 25/03/2014, a fiscalização lavrou Termo de Constatação Fiscal de fl. 176 onde foi esclarecido à contribuinte que os valores constantes no Termo de Intimação Fiscal referemse a créditos que o Banco efetuou diretamente em conta de poupança, não transitando pela conta corrente. Assim, foi oportunizado o prazo de cinco dias para que a fiscalizada apresentasse manifestação acerca do esclarecimento feito, não sendo apresentada qualquer resposta. Posteriormente, em 08/04/2014, a contribuinte esclareceu que os depósitos realizados na conta corrente de poupança eram Fl. 297DF CARF MF 4 rendimentos de prestação de serviços autônomo a terceiros pessoa física, cujos recursos foram depositados em conta corrente ou poupança ao longo dos anos fiscalizados não tendo condições de identificar os beneficiários (fl. 182). Cabe registrar ainda que foram lavradas intimações referentes a aquisições de imóveis nos anos de 2009 e 2010, as quais se encontram acostadas aos autos, mas que não serão aqui relatadas para que não se alongue desnecessariamente o presente Relatório. Como conclusão do procedimento fiscal, pela não comprovação, com documentação hábil e idônea, dos valores creditados em contas bancárias, foi constituído crédito tributário com a lavratura de Auto de Infração, tendo como base de cálculo os valores constantes da planilha de fl. 207. Foi formalizado ainda processo de Representação Fiscal para Fins Penais, de n° 10073.722370/201413, que segue apensado ao presente. Impugnação Cientificada do Auto de Infração em 04/12/2014 (fl. 209), a contribuinte apresentou, em 23/12/2014, a impugnação de fls. 221 a 240, alegando, em síntese, que o AFRFB deixou de observar as normas contidas no artigo 2° da Lei n° 9.784, de 29 de Janeiro de 1999. Argumenta que a impugnação deve garantir ao contribuinte, enquanto não apreciada até decisão final, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional. Aduz que em momento algum a Constituição Federal permitiu que as informações obtidas mediante a quebra do sigilo bancário fossem utilizadas para fins de apuração e lançamento de créditos tributários, pois esta não é uma hipótese contemplada pela Carta Magna, em especial por seu art. 5o, inc. XII. Alega que o art. 11, §3o, da Lei n° 9.311/96, com as alterações introduzidas pela Lei n° 10.174/01, assim como a LC n° 105/01, são inconstitucionais na exata medida em que, indevidamente, alargaram as hipóteses constitucionalmente admitidas para a quebra do sigilo bancário da impugnante e por permitirem que suas informações financeiras albergadas pelo direito à intimidade (CF/88, art. 5o, X e XII) fossem utilizadas no curso de procedimento administrativo fiscal. Diz que o art. 5o, XII, da Constituição Federal de 1988, ao permitir a quebra do sigilo bancário, expressamente condiciona esta medida à prévia existência de ordem judicial. Cita Jurisprudência judicial. Alega que (i) a ação fiscal teve inicio com base na aplicação retroativa do art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com a redação que lhe conferiu a Lei n° 10.174/01; (ii) todas as provas colhidas durante a instrução decorrem de informações obtidas mediante a indevida quebra do sigilo bancário da requerente; e ( iii) as Requisições de Movimentação Financeira RMF foram emitidas Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10073.722369/201481 Acórdão n.º 2202004.670 S2C2T2 Fl. 297 5 pelos próprios auditores responsáveis pela condução da fiscalização e não por autoridade competente, ao arrepio do art. 4º c/c art. 2°, § 5°, I, do Decreto n° 3.472/01. Explica que tanto a LC n° 105/01 como o Decreto n° 3.724/01 exigem que o ato de quebra do sigilo bancário seja devidamente fundamentado, em decorrência, inclusive, do principio da motivação que rege a atividade administrativa, ex ví do art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Faz um estudo baseado em posições doutrinárias sobre os princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade, alegando, em síntese, que o princípio da Proporcionalidade no presente caso deve prevalecer, pois conforme flagrantemente demonstrado a Contribuinte não pode ser penalizada por uma autuação descabida, infundada, desarrazoada e inaceitável, pois sempre norteou seus atos dentro dos parâmetros da lisura e boa fé. Explica que não pretende criar polêmica, muito pelo contrário, o que se objetiva é assegurar um tratamento justo e isonômico, colocando a Carta Constitucional em constante movimento, aplicando as Regras e Princípios insculpidos nela da forma mais eficaz, e não tornála arraigada a uma intransponível paralisia. Contesta a multa aplicada, pois a mesma revela manifesta agressão ao Principio da Vedação ao Efeito Confiscatório insculpido no art. 150, inciso IV da CF. Transcreve jurisprudência judicial. Ressalta que a aplicação de multa prevista no comando normativo citado deve aterse apenas aos casos em que o devedor pratica ato ilícito, de modo burlar a fiscalização tributária, mediante a prática de condutas delituosas, o que não se vislumbra no caso em exame como alinhavado anteriormente. Em 11 de junho de 2015 a 21ª Turma da DRJ/RJ, ao analisar o mérito, deu parcial provimento à Impugnação, em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 247/248): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fl. 299DF CARF MF 6 Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão somente sua transferência para o Fisco. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGULARIDADE. Regular a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), quando o contribuinte realizar de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível e/ou, regularmente intimado, não fornecer as informações sobre sua movimentação financeira ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Discussões acerca da constitucionalidade das leis exorbitam da esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LIMITES. AJUSTE NO LANÇAMENTO. Não são considerados para fins de incidência do imposto os depósitos bancários de origem não comprovada cujos valores individuais sejam inferiores a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais, consoante art. 42, §3º da Lei 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICAÇÃO. Tendo o contribuinte apresentado declaração de rendimentos inexata, legítima é a exigência da multa de ofício de 75% no lançamento. Cientificado da referida decisão (AR fls. 265 de 26 de julho de 2015) a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/279 no qual reitera as razões já suscitadas quando da impugnação. É o relatório Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10073.722369/201481 Acórdão n.º 2202004.670 S2C2T2 Fl. 298 7 Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DE DEFESA E DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Alega a Recorrente que o Auto de Infração é nulo, uma vez que ao não descrever a situação a qual é imputada a ocorrência do fato gerador, bem como todos os dispositivos legais necessários para a configuração da infração, tem o Recorrente cerceado o seu direito de elaborar de forma completa e pertinente a sua competente defesa. A simples leitura do relatório permite concluir que o lançamento identificada claramente todos os elementos relativos ao aspecto quantitativo da obrigação tributária (base de cálculo, alíquotas, multa, juros e correção monetária). Além disso, o lançamento foi perfeitamente pormenorizado, tendo sido, inclusive, objeto de diligência e retificação antes mesmo que fosse julgado pela DRJ. Resta nítido que o lançamento cumpriu todos os requisitos legais e que o processo obedeceu, fielmente, os princípios do devido processo legal e do contraditório, motivo pelo qual, rejeito a preliminar suscitada. 1.2) VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE Alega o Recorrente que o Auto de Infração seria nulo, uma vez que o fiscal se valeu do disposto no §3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24/10/1996, conferindo ao referido dispositivo eficácia retroativa. Em primeiro lugar, é importante destacar que ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF não é dada a possibilidade de se manifestar sobre matéria de índole constitucional. Tal impossibilidade encontrase sumulada conforme se verifica pela Súmula CARF nº 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De todo modo, ainda que fosse possível a este conselho se manifestar sobre alegações de ofensa ao princípio da irretroatividade, tal alegação não procede. Em relação a alegação de ofensa ao princípio da irretroatividade, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: Fl. 301DF CARF MF 8 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10073.722369/201481 Acórdão n.º 2202004.670 S2C2T2 Fl. 299 9 a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) DA ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO APENAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na Fl. 303DF CARF MF 10 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 2.2) DA MULTA CONFISCATÓRIA Por fim, alega a Recorrente que a multa aplicada ofende o princípio constitucional do não confisco. Nesse ponto cabe mencionar, mais uma vez, que, conforme 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10073.722369/201481 Acórdão n.º 2202004.670 S2C2T2 Fl. 300 11 disposto na Súmula CARF nº 2 "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001240/2002-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.784
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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AQUISIÇÕES DE INSUMOS PERANTE NÃO CONTRIBUINTE DO PIS/COFINS. Recorrente TOYOBO DO BRASIL IND TEXTIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 12 40 /2 00 2- 25 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13886.001240/200225 Acórdão n.º 9303006.784 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330200.373, que, na parte de interesse, não reconheceu o direito de usufruir o crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos efetuadas perante não contribuintes do PIS/Cofins. Mediante despacho de exame de admisssibilidade do Presidente da Câmara competente foi dado seguimento ao recurso especial no que tange ao mencionado direito (sobre aquisições de não contribuintes). A PGFN não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.776, de 16/05/2018, proferido no julgamento do processo 13962.000237/200153, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.776): "Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, na parte admitida, qual seja, a inclusão ou não na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e as cooperativas. O tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da Ementa do referido Acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13886.001240/200225 Acórdão n.º 9303006.784 CSRFT3 Fl. 4 3 Por força regimental Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disso já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543 B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13886.001240/200225 Acórdão n.º 9303006.784 CSRFT3 Fl. 5 4 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito a incluir, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições de insumos efetuadas perante não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.723102/2016-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. As intimações deverão ser direcionadas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, conforme art. 23. do Decreto nº 70.235, de 1972. Impossibilidade de endereçamento das intimações para o escritório dos advogados diante da inexistência de previsão legal.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastasse qualquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF que emitido dentro dos regulamentos normativos vigentes à época.
AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ATUAÇÃO EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. COMPETÊNCIA.
É valido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de circunscrição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, pois não há qualquer limitação territorial para sua atuação.
IRREGULARIDADE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO. PRINCÍPIO DO PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. São nulos os atos lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Meras irregularidades, incorreções e omissões, quando não influírem na solução do litígio, não importarão em nulidade.
LUCRO PRESUMIDO. MOMENTO E DEFINITIVIDADE DA OPÇÃO.
A opção pelo lucro presumido é definitiva para todo o ano-calendário, bem como que a mudança de opção somente será admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer dos períodos de apuração do respectivo ano-calendário.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Verificada a omissão de receita, a autoridade deve determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão.
MULTAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E CONFISCO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. IRRF. PIS/PASEP. COFINS. CSLL. INFRAÇÕES APURADAS.
A solução dada ao litígio principal, relativo à exigência do IRPJ, aplica-se aos daí decorrentes, no caso IRRF, PIS/Pasep, CSLL e Cofins, quanto à mesma matéria fática.
Numero da decisão: 1201-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. As intimações deverão ser direcionadas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, conforme art. 23. do Decreto nº 70.235, de 1972. Impossibilidade de endereçamento das intimações para o escritório dos advogados diante da inexistência de previsão legal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastasse qualquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF que emitido dentro dos regulamentos normativos vigentes à época. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ATUAÇÃO EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. COMPETÊNCIA. É valido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de circunscrição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, pois não há qualquer limitação territorial para sua atuação. IRREGULARIDADE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO. PRINCÍPIO DO PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. São nulos os atos lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Meras AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 31 02 /2 01 6- 05 Fl. 995DF CARF MF 2 irregularidades, incorreções e omissões, quando não influírem na solução do litígio, não importarão em nulidade. LUCRO PRESUMIDO. MOMENTO E DEFINITIVIDADE DA OPÇÃO. A opção pelo lucro presumido é definitiva para todo o anocalendário, bem como que a mudança de opção somente será admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer dos períodos de apuração do respectivo anocalendário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Verificada a omissão de receita, a autoridade deve determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. MULTAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E CONFISCO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2. LANÇAMENTOS REFLEXOS. IRRF. PIS/PASEP. COFINS. CSLL. INFRAÇÕES APURADAS. A solução dada ao litígio principal, relativo à exigência do IRPJ, aplicase aos daí decorrentes, no caso IRRF, PIS/Pasep, CSLL e Cofins, quanto à mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10283.723102/201605 Acórdão n.º 1201002.261 S1C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase do lançamento tributário consubstanciado no auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e tributação reflexa da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), anocalendário de 2012, período em que a contribuinte apresentou DIPJ com opção pelo lucro presumido, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante consolidado de R$20.702.149,73. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 594/606, o fato gerador dos tributos lançados decorre de receita originada da prestação de serviços de transportes urbano de passageiros com utilização de ônibus na cidade de Manaus, conforme planilha demonstrativa do Razão da Conta n° 411 RECEITA S/ PASSAGEIROS TRANSPORTADOS extraída da escrita contábil entregue pelo sujeito passivo em meio digital, e que não estavam declaradas em DCTF, cujos faturamentos mensais contabilizados foram cotejados com os valores informados pela EMTU por meio do Ofício nº 0910/2013 DVTC/DU/SMTU de 23 de outubro de 2013, quando restou constatada, a insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL, anocalendário de 2012, conforme demonstrado nas planilhas “411 RECEITA S/ PASSAGEIROS TRANSPORTADOS e planilha demonstrativa do IRPJ/CSLL (anexo 6) e de recolhimento do PIS e da COFINS, período 01/01/2012 a 31/12/2012, demonstradas na planilha “Demonstrativo de planilha demonstrativa do PIS/COFINS em anexa (anexo 7). Impugnação Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 329/351) em face do lançamento, com espeque nas seguintes argumentações: Primeiramente, que sejam tomadas as devidas providências para que as futuras intimações sejam encaminhadas ao patrono Jan Przewodowski Montenegro de Souza, inscrito na OAB/RJ sob n° 83.445, independentemente de quem venha assinar as futuras petições. Após, requer seja reconhecido o efeito suspensivo da impugnação apresentada nos termos do artigo 151, III do CTN. Em sede de preliminar, argumenta que o Procedimento Fiscal deveria ser conduzido através do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal observandose as regras do artigo 2º da Portaria RFB n° 1687/2014, c/c artigo 7º do Decreto n° 70.235, o que não ocorreu, violando a norma regulamentadora, visto que todas as demais intimações recebidas pelo Contribuinte permaneceram como MPF Mandado de Procedimento Fiscal até o seu encerramento no dia 10/11/2016, isto é, o Fiscal autuante manteve um procedimento ilegítimo e em descompasso com a legislação aplicável por, no mínimo, 2 anos. Tal situação enseja vicio formal e a conseqüente nulidade do ato administrativo, devendo a Administração Pública forçosamente revêlo “do início”, em respeito à legislação vigente. Fl. 997DF CARF MF 4 Argumenta ainda, que Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 0710800.2014.00737, emitido em 04 de junho de 2014, identifica o Contribuinte com endereço fiscal, inicial, na Rua México n° 11, sala 401, parte, Centro, Rio de Janeiro, sendo transferido para Rua Dalcidio Jurandir n° 255, Sala 320, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, área pertencente à 7ª Região Fiscal diversa daquela que o AFRFB (Sr. João Ivo) supra citado, que está lotado na 2ª Região Fiscal, ou seja, em Manaus/AM. Desta forma, o AFRFB autuante, ao lavrar o Auto de Infração combatido não possuía competência legal/territorial para proceder a ação fiscal, considerando que o citado MPFF objetivava a fiscalização do Contribuinte/Impugnante cadastrado no CNPJ n° 12.965.097/000156, com domicilio fiscal situado no Rio de Janeiro (7ª Região Fiscal), e não em Manaus/AM (2ª Região fiscal). Diante de todo o exposto, requerer seja declarada a nulidade do lançamento de ofício consubstanciados no Auto de Infração lavrado em 04/11/2016, cuja ciência se deu em 10/11/2016, em razão do vicio irreparável contido no procedimento de fiscalização ora impugnado, relativamente à falta de competência legal da autoridade administrativa que procedeu à fiscalização e conseqüente autuação. Ademais, verifica que em simples consulta ao sistema de acompanhamento de processos da Receita Federal do Brasil COMPROT, o relatório fiscal constante do Processo Administrativo n° 10283.723.102/201605 se refere a empresa AMORE TRANSPORTE LTDA, inscrita no CNPJ: 00.395.875/000130 (Doc. 06), empresa esta diversa da que consta no Auto de Infração, e que nada tem em relação à Impugnante, preterindo o seu direito de defesa, visto que impede que se confirme se os fatos e fundamentações expostos são efetivamente relativos ao sujeito passivo em comento, sendo, ainda inadmissível sua retificação através do artigo 145 e 149 do CTN. Diante do exposto, requer a decretação de nulidade do Auto de Infração lançado por cerceamento do direito de defesa da Contribuinte/Impugnante em razão da inexatidão do Relatório Fiscal que apresenta sujeito passivo diverso. Quanto ao mérito, salienta que no anocalendário 2011, teve um faturamento para fins de classificação do regime tributário no montante de R$23.597.420,00 para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2011, o que corresponde a R$865.806,67 por mês, sendo certo que o limite mensal para enquadramento no lucro presumido é de R$6.500.000,00. Já no ano calendário de 2012, teve um faturamento de R$108.468.507,70, ou seja, o faturamento mensal em decorrência da sua receita ser oriunda de contrato de concessão certamente era superior ao limite estabelecido por lei, qual seja R$78.000.000,00 anuais. Ou seja, está claro que a apuração pelo lucro presumido então realizada pela Contribuinte foi um erro material. Tanto é assim que a Contribuinte ao observar seu erro, imediatamente tratou de proceder as necessárias declarações retificadoras, corrigindo o procedimento até então adotado, no entanto tais retificações não foram aceitas pela fiscalização. Segundo a Lei n° 9.718/98 a classificação do regime tributário da empresa, via de regra, é o lucro real, sendo que os requisitos para seu enquadramento se encontram no artigo 14. A opção pelo regime de tributação é feita pelo contribuinte que poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês através do pagamento do imposto correspondente ao mês Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10283.723102/201605 Acórdão n.º 1201002.261 S1C2T1 Fl. 4 5 de janeiro ou de início de atividade, conforme norma estabelecida pela Lei n° 9.340/96, artigo 3º, §2°. Ocorre que, em que pese a autuação fundamentada na opção pelo lucro presumido, era sabido que a situação da Contribuinte era totalmente diversa. Primeiro porque não reflete/refletia a norma legal exposta acima e; segundo, porque significaria o enriquecimento ilícito da União haja vista que se apropriariam valores que não são/seriam devidos, uma vez que a Impugnante, conforme DIPJ e DCTF apresentadas, apresentou prejuízo no período exigido. Que a simples análise do citado artigo já demonstra que toda empresa que tiver faturamento acima de R$78.000.000,00 é obrigada a optar pelo regime do lucro real, sendo que esta opção se dará com o recolhimento da respectiva guia. Este é o caso da Impugnante que teve o faturamento, não só do ano de 2012 acima do definido em lei, como também o parcial referente ao ano de 2011 e, em que pese a equivocada opção pelo lucro presumido, não houve recolhimento do imposto, naquela época, através deste regime tributário. Dentro desta definição, a Impugnante, antes mesmo do início do procedimento de fiscalização, já havia percebido que a opção pelo regime de tributação do lucro presumido não era o correto, já estava fazendo uma nova apuração de impostos pelo Lucro Real, e, antes mesmo da autuação, procedeu com a retificação da DIPJ e DCTF, contudo a fiscalização, por arbitrariedade e no afã arrecadatório não aceitou a retificadora enviada e procedeu com fiscalização que culminou na lavratura do presente auto de infração, mesmo sabendo que a real apuração fiscal era totalmente diversa daquela que estava sendo utilizada pelo fisco. E mais, no tendencioso e viciado relatório apresentado pelo AFRFB, a cobrança do IRPJ e da CSLL baseouse em suposta receita apurada e não declarada, o que não é verdade, pois como já registrado, e amplamente comprovado, tão logo a Contribuinte/Impugnante identificou o erro quanto ao regime tributário, procedeu a retificação necessária e apresentou os valores apurados e declarados que correspondiam a 100% do faturamento, não havendo que se falar em divergência entre valor apurado e declarado. Observa que a condição estabelecida pelo fisco depende de dois elementos: 1) o recolhimento pelo lucro presumido e 2) a obrigatoriedade estabelecida no artigo que define o critério para enquadramento no lucro real, sendo que existem estas duas hipóteses citadas considerando que o recolhimento do imposto no lucro presumido ocorreu através do parcelamento estabelecido pela Lei n° 12.996/2014, enquanto que os critérios quantitativos para o enquadramento no lucro real foram comprovados pelo faturamento dos anos de 2011 e 2012 superiores ao exigido por lei para enquadramento no lucro real. Neste sentido, segundo a fiscalização, seria totalmente viável a alteração do regime de tributação, uma vez que houve o pagamento do imposto pelo lucro presumido através do parcelamento e o faturamento da empresa encontrase acima do limite estabelecido pela Lei, não havendo que subsistir a atuação do crédito tributário exigido devendo, pois, ser considerado nulo o lançamento e aceita a retificação da DIPJ e DCTF apresentadas, contabilizandose o prejuízo do período. Por fim afirma que a multa aplicada afronta ao Princípio Constitucional da Vedação ao Confisco, da Capacidade Contributiva e Segurança Jurídica, em consonância com o entendimento firmado pela Suprema Corte. E, que no caso de ser mantida, o que admite tão Fl. 999DF CARF MF 6 somente para fins de argumentação, impõese a redução substancial do seu montante, de modo que a penalidade não atinja o inconstitucional efeito confiscatório. Por fim, requer pelo provimento da impugnação, devendo ser reconhecidas as nulidades argüidas e caso não seja, pela improcedência do auto de infração pelas razões de mérito apontadas. Acórdão nº 0658.171 2ª Turma da DRJ/CTA A 4ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação apresentada, afastando as preliminares argüidas e no mérito, mantendo o crédito tributário lançado a título de IRPJ do anocalendário de 2012, bem como com relação à CSLL, PIS e COFINS, por se tratar de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejam o lançamento do Imposto de renda. Recurso Voluntário A Recorrente repisa ipsis litteris todas alegações anteriormente ventiladas na impugnação, tanto nas linhas preliminares, quanto nos lindes de mérito. Em suma, reitera: a) preliminarmente, que as futuras intimações sejam feitas em nome do patrono anteriormente indicado; b) o reconhecimento do efeito suspensivo à impugnação e ao recurso apresentado nos termos do artigo 151, III do CTN; c) suposto vício formal e a conseqüente nulidade do ato administrativo, especificamente aos procedimentos adotados quanto às alterações e prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal; d) pretensa falta de competência legal da autoridade administrativa que procedeu à fiscalização e conseqüente autuação; e) suposto cerceamento do direito de defesa do Recorrente em razão da inexatidão do Relatório Fiscal que apresenta sujeito passivo diverso, e quiçá outros erros materiais que não teria conseguido observar; f) no mérito, que estaria obrigado a optar pelo regime do lucro real e que antes da fiscalização já havia percebido que o regime do lucro presumido não seria o correto, bem como teria retificado a DIPJ e DCTF, mas a fiscalização não teria aceitado por arbitrariedade e fins arrecadatórios, pugnando pela nulidade do lançamento e aceitação da retificação da DIPJ e DCTF apresentadas, contabilizandose o prejuízo do período; g) que a multa aplicada afrontaria ao Princípio Constitucional da Vedação ao Confisco, da Capacidade Contributiva e Segurança Jurídica, e, caso não seja afastada, seja reduzida, de modo que a penalidade não atinja o inconstitucional efeito confiscatório. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10283.723102/201605 Acórdão n.º 1201002.261 S1C2T1 Fl. 5 7 Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Preliminares Em primeiro súbito, é medida tranqüila a manutenção do acórdão no sentido de que as intimações deverão continuar a ser direcionadas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, ora Recorrente, conforme art. 23. do Decreto nº 70.235, de 1972, desse modo deve ser desprovido o pedido (“questão de ordem”) de direcionamento das intimações aos patronos da causa, à míngua de amparo legal. Em segundo lugar, estreme de dúvidas que, uma vez interposto recurso voluntário pelo sujeito passivo, mantêmse os efeitos da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, III, do CTN. Assim, nada a prover, ante os efeitos ex lege. Em terceiro ponto, novamente, o Recorrente alega suposto vício formal e a conseqüente nulidade do ato administrativo, especificamente aos procedimentos adotados quanto às alterações e prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal. Especificamente, reitera que o Procedimento Fiscal deveria ter sido conduzido através do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal observandose as regras do artigo 2º da Portaria RFB n° 1687/2014, c/c artigo 7º do Decreto n° 70.235, o que não ocorreu, violando a norma regulamentadora, visto que todas as demais intimações recebidas pelo Recorrente permaneceram como MPF Mandado de Procedimento Fiscal até o seu encerramento no dia 10/11/2016, isto é, o Fiscal autuante teria mantido um procedimento ilegítimo e em descompasso com a legislação aplicável por, no mínimo, 2 anos. Tal situação ensejara vício formal e a conseqüente nulidade do ato administrativo, devendo a Administração Pública forçosamente revêlo “do início”, em respeito à legislação vigente. Tal pretensão recursal não prospera. A Administração Tributária, motivada pelas diretrizes da política administrativa, desenvolve a atividade de seleção dos contribuintes a serem fiscalizados, com a definição do escopo da ação fiscal, deliberando, inclusive, os prazos para execução do procedimento. E o MPF visa a materializar a decisão da Administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, cientificando ao contribuinte a decisão de indicálo para ser fiscalizado, além de nominar os agentes fiscais encarregados da ação fiscal. Pelas suas características, o MPF, primordialmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Fl. 1001DF CARF MF 8 Neste particular, restou induvidoso que o procedimento administrativo é indene dos vícios agitados, sendo imperioso e imprescindível trazer à colação excertos do acórdão recorrido que trata da questão de forma escorreita e esquadrinhada, in verbis: Noutro giro, mesmo que existisse alguma irregularidade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, insta observar que tal documento é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de interferir na legitimidade do lançamento, que decorre de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, CTN). É o posicionamento deste Conselho: “CSLL, PIS E COFINS. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastasse quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF”. (Acórdão nº 1302001.960– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 11/08/2016 – Relator Luiz Tadeu Matosinho Machado). Em quarto lugar, o Recorrente alega em repetição a pretensa falta de competência legal da autoridade administrativa que procedeu à fiscalização e conseqüente autuação, pois o auditor fiscal estaria lotado na 2ª Região Fiscal, ou seja, em Manaus/AM, e não junto ao domicílio fiscal do Recorrente situado no Rio de Janeiro (7ª Região Fiscal). Igualmente às preliminares anteriores, tal também merece o mesmo desfecho de rejeição. Como destacado na decisão de origem, o artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6°, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007. Não se vislumbra na legislação que rege a atuação da Receita Federal do Brasil qualquer limitação territorial na competência dos auditores fiscais para autuação em ações fiscais e tampouco norma que determine que a instauração da ação fiscal deve ser realizada na unidade mais próxima da sede da empresa. Nesse sentido, destaquese que a divisão da Receita Federal do Brasil em Regiões Fiscais ou unidades centrais e descentralizadas constitui ato de natureza administrativa e por isso instituído mediante ato denominado “Regimento Interno”, destinandose à organização interna dos trabalhos. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10283.723102/201605 Acórdão n.º 1201002.261 S1C2T1 Fl. 6 9 Ainda a fundamentar a possibilidade de lavratura do auto de infração em localidade distinta do domicílio fiscal do sujeito passivo, pode ser mencionada a disposição contida no artigo 9° do Decreto nº 70.235/72: “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer”. A disposição contida no § 2° acima transcrito demonstra de forma clara a possibilidade de formalização de exigência por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A jurisprudência desse Conselho é pacífica, a ilustrar: “AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ATUAÇÃO EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. COMPETÊNCIA. É valido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de circunscrição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”. (Acórdão nº 2401003.984 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 10/12/2015 – Relator André Luís Mársico Lombardi). Por todo o exposto, não há que se falar em vício decorrente da suposta incompetência da autoridade administrativa. Em última fresta preliminar, ainda insiste o Recorrente em suposto cerceamento do direito de defesa do Recorrente em razão de inexatidão do Relatório Fiscal que apresentaria sujeito passivo diverso, e quiçá outros erros materiais que não teria conseguido observar. Especificamente, a alegação seria de que houve equívoco do Auditor Fiscal ao mencionar no Relatório Fiscal, o número constante do Processo Administrativo n° Fl. 1003DF CARF MF 10 10283.723.102/201605 que se refere a empresa AMORE TRANSPORTE LTDA, inscrita no CNPJ: 00.395.875/000130, o que teria preterido o direito de defesa do Recorrente. Tal alegação em repetição é absolutamente descabida e desarrazoada, ante a sua fragilidade em sequer indicar qualquer resvala ao direito de defesa do Recorrente por mera incorreção material, que além de não influenciar na solução do litígio, em nenhuma medida impediu ou prejudicou o pleno exercício de sua defesa no processo administrativo, à míngua de ter demonstrado qualquer prejuízo ao seu direito de defesa nos autos. Nesse tocante, mácula não há capaz de invalidar o lançamento efetuado, pelo que não se pode acatar as considerações preliminares sobre a sua nulidade. Do mérito O Recorrente reprisa as alegações de que antes mesmo do início do procedimento de fiscalização, já teria percebido que a opção pelo regime de tributação do lucro presumido não era o correto, e já estava fazendo uma nova apuração de impostos pelo Lucro Real. Assim, antes mesmo da autuação, teria procedido com a retificação da DIPJ e DCTF, e apresentado os valores apurados e declarados que correspondiam a 100% do faturamento. Continua insistindo que era sabido que a sua situação era totalmente diversa da opção pelo lucro presumido, a uma, porque não refletiria a norma legal exposta, e a duas, porque significaria o enriquecimento ilícito da União, haja vista que se apropriariam valores que não são/seriam devidos, uma vez que o Recorrente, conforme DIPJ e DCTF apresentadas, teve prejuízo no período exigido. Em linhas mais precisas, convém bem destacar que o Relatório Fiscal, no anocalendário de 2012 atestou que o contribuinte indicou na DIPJ e nas DCTF, a opção pelo regime de tributação do Lucro Presumido, conforme indicado na Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e DCTF referentes ao anocalendário de 2012, todavia não efetuou o pagamento dos valores declarados em DCTF. E, no ano de 2015 o Recorrente transmitiu DIPJ e DCTF retificadora alterando o regime de tributação do Lucro Presumido para o Lucro Real com apuração trimestral. Diante de tal fato, a auditoria solicitou esclarecimentos, contudo o contribuinte autuado limitouse a solicitar prorrogação do prazo para responder a intimação. Com relação ao fato de o Recorrente ter buscado, no curso da ação fiscal, alterar e se submeter ao regime do lucro real e não mais ao presumido, tratase de tema pacificado no âmbito do CARF; inclusive sumulado para a pessoa física, conforme abaixo transcrevemos: “Súmula CARF nº 86: É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega”. A mesma posição é adotada para a pessoa jurídica, em razão dos dispostos no art. 13, §§ 1º e 4º, da Lei nº 9.718/98, segundo os quais, a opção pelo lucro presumido é definitiva para todo o anocalendário, bem como que a mudança de opção somente será admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer dos períodos de apuração do respectivo anocalendário. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10283.723102/201605 Acórdão n.º 1201002.261 S1C2T1 Fl. 7 11 E, como bem reconhecido pelo acórdão regional, no caso em questão, a opção, exercida espontaneamente, em face dos pagamentos efetuados sob as regras do Lucro Presumido apurado para o ano calendário de 2011 e 2012, no caso, como a própria defesa informa, através do parcelamento estabelecido pela Lei nº 12.996/2014, tornouse definitiva em relação a esses dois anos calendário. Dessa forma, a DIPJ retificadora para o ano calendário 2011, em que o contribuinte informou receita superior ao limite do lucro presumido, que teria o efeito de obrigálo a optar pelo Lucro Real em 2012, não pode ser considerada válida, já que ela foi elaborada com base no Lucro Real, levando em conta que o pagamento efetuado em 2011, caracterizou a definitividade do lucro presumido para 2011. Ou seja, em 2012 a empresa não estava obrigada a optar pelo lucro real em função do volume de receitas. De outro modo, a alegação de eventual prejuízo fiscal não tem repercussão, pois no caso, ele próprio optou pelo lucro presumido no ano calendário de 2011. E, em relação a essas retificações efetuadas através de DCTF, a Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, em seu artigo 12, §2º, III, enfatiza que a retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições, em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No caso, as retificações efetuadas ocorreram logo após o início da ação fiscal. O acórdão regional, portanto, está amparado em entendimento pacífico deste Conselho: “OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação”. (Acórdão nº 3201003.251 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 29/01/2018 – Relator Marcelo Giovani Vieira). “ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. As opções fiscais de regimes de tributação são, como regra, definitivas após expirado o prazo para o seu exercício. No caso da opção pelo lucro presumido, o caráter definitivo está ainda expresso na Lei nº 9.718/98, art. 13, § 1º”. (Acórdão nº 1401001.504 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 20/01/2016 – Relator GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES). “MUDANÇA DE OPÇÃO. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO. Sendo uma opção legal do contribuinte a escolha pela forma de tributação do lucro presumido, ainda que seja mais desfavorável sob a ótica de outro regime de tributação como é o caso do lucro real, isso Fl. 1005DF CARF MF 12 configura o exercício de uma opção, e não um erro, mormente quando se alega que a pessoa jurídica teria optado pela tributação pelo lucro real, quando a DIPJ, a DCTF e o DARF demonstram a opção pela tributação pelo lucro presumido” (AC 1401001.052). “LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. A opção pela sistemática do lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, sendo definitiva para todo o ano calendário. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ALTERAÇÃO. Havendo regular opção do sujeito passivo pela tributação com base no lucro presumido não cabe ao fisco alterar essa forma de apuração para lucro real, quando se apurou diferenças entre a receita bruta constante dos livros fiscais do ICMS e aquela utilizada para cálculo do IRPJ e da CSLL”. (AC 1202000.416). “LUCRO PRESUMIDO. LUCRO REAL. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO NA DIPJ. IMPOSSIBILIDADE APÓS A EDIÇÃO DO ARTIGO 13, § 1°, DA LEI N° 9.718/98. O pagamento da primeira cota ou cota única de IRPJ manifesta a opção do contribuinte pelo regime de apuração do IRPJ, sendo irretratável para aquele anocalendário, conforme dispõe o §1° do artigo 13 da Lei n° 9.718/98”. (AC 180100142). Desse modo, por qualquer prisma que se analise, irretocável o acórdão recorrido que entendeu escorreito o procedimento da autoridade autuante que, ao se deparar com receitas não oferecidas à tributação, consistente na prestação de serviços de transporte, submeteuas à lançamento de ofício com base no regime de tributação legitimamente escolhido pelo Recorrente, no caso o do Lucro Presumido, consoante sua DCTF/DIPJ do anocalendário de 2012, antes de iniciado o procedimento fiscal, restando subsumidos ao quanto previsto no art. 519, § 1º, II, do Decreto nº 3.000/99 RIR. Da multa de ofício O Recorrente reproduz as mesmas alegações genéricas anteriormente agitadas acerca de que a multa aplicada afrontaria ao Princípio Constitucional da Vedação ao Confisco, da Capacidade Contributiva e Segurança Jurídica, em consonância com o entendimento firmado pela Suprema Corte. E, que no caso de ser mantida, pretende a redução substancial do seu montante, de modo que a penalidade não atinja o inconstitucional efeito confiscatório. Com relação a multa de ofício aplicada, é de se observar que, uma vez apurada a falta de pagamento ou recolhimento de imposto/contribuição, em procedimento de oficio, a autoridade lançadora deve aplicar, em regra geral, a multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, nos termos do inciso I, art. 44 da Lei 9.430/96, abaixo reproduzido, em razão do caráter vinculado de sua atividade, sendo obrigatória, sob, sob pena de responsabilidade funcional (art. 3º e parágrafo único do art. 142 do CTN), in litteris: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10283.723102/201605 Acórdão n.º 1201002.261 S1C2T1 Fl. 8 13 I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)”. Assim, totalmente descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. Por fim, as alegações de ilegalidade, afronta a princípios constitucionais e, principalmente de confiscatoriedade da multa aplicada, esbarram na validade das leis instituidoras. Vergastálas e superálas significaria desafiar sua juridicidade perante o ordenamento e, essencialmente, sua legitimidade perante as diretrizes da Constituição Federal de 1988. É cediço, no entanto, que não compete a este conselho se pronunciar acerca da inconstitucionalidade da lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Diante do exposto, negase provimento, devendo ser mantido o acórdão recorrido. Lançamentos Reflexos Ademais, quanto à CSLL, PIS/Pasep e COFINS tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1007DF CARF MF 14 Fl. 1008DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000471/2009-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.119
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 71 /2 00 9- 96 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.215, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10925.000471/200996 Acórdão n.º 9303007.119 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10242.000206/2007-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1996 a 31/07/2004
DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO.
O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos.
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. SÚMULA VINCULANTE STF N. 8. ART. 173 DO CTN.
Impõe-se o reconhecimento de ofício do advento de decadência pela regra do art. 173 do CTN com fulcro na Súmula Vinculante STF n. 8.
Destarte, deve ser observado o prazo quinquenal para a constituição de créditos tributários, previsto no CTN, vez que inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto-Lei n. 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes.
PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor-Fiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91.
Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS À SEGURIDADE SOCIAL. ART. 22, I E II, DA LEI N. 8.212/91. OBRIGATORIEDADE.
A empresa está obrigada a recolher as contribuições sociais previstas no art. 22, I e II, da Lei n. 8.212/91.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS - TERCEIROS (SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SENAI. SESI. SEBRAE). LEI INSTITUIDORA. EXGIBILIDADE.
As contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos - Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI/SESI e SEBRAE) são exigíveis de acordo com as respectivas leis instituidoras.
NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA.
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei n. 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106, II, alínea "c", do CTN.
O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476-A da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 c/c a Portaria PGFN/RFB n. 14/2009.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN.
Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. ART. 33, § 3°., DA LEI N. 8.212/1991. ART. 148 DO CTN.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela Fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, forte no art. 33, § 3°., da Lei n. 8.212/1991 (com a redação vigente à época dos fatos) c/c art. 148 do CTN.
O art. 148 do CTN deve ser invocado para a determinação da base de cálculo do tributo quando certa a ocorrência do fato imponível, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos registrados pelo contribuinte não mereçam fé, ficando a Fazenda Pública, nesse caso, autorizada a proceder ao arbitramento mediante processo administrativo-fiscal regular, assegurados o contraditório e a ampla defesa.
Numero da decisão: 2402-006.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação às competências 01/1997 a 11/1999, inclusive, e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: Ronnie Soares Anderson
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DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. SÚMULA VINCULANTE STF N. 8. ART. 173 DO CTN. Impõese o reconhecimento de ofício do advento de decadência pela regra do art. 173 do CTN com fulcro na Súmula Vinculante STF n. 8. Destarte, deve ser observado o prazo quinquenal para a constituição de créditos tributários, previsto no CTN, vez que inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do DecretoLei n. 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 02 06 /2 00 7- 25 Fl. 3689DF CARF MF 2 PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao AuditorFiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91. Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS À SEGURIDADE SOCIAL. ART. 22, I E II, DA LEI N. 8.212/91. OBRIGATORIEDADE. A empresa está obrigada a recolher as contribuições sociais previstas no art. 22, I e II, da Lei n. 8.212/91. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS TERCEIROS (SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SENAI. SESI. SEBRAE). LEI INSTITUIDORA. EXGIBILIDADE. As contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI/SESI e SEBRAE) são exigíveis de acordo com as respectivas leis instituidoras. NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA. Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte devese comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei n. 8.212/91) e a multa do art. 35A da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 11.941/2009. Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106, II, alínea "c", do CTN. O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476A da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 c/c a Portaria PGFN/RFB n. 14/2009. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. ART. 33, § 3°., DA LEI N. 8.212/1991. ART. 148 DO CTN. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer Fl. 3690DF CARF MF Processo nº 10242.000206/200725 Acórdão n.º 2402006.102 S2C4T2 Fl. 102 3 documentos ou informações solicitados pela Fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, forte no art. 33, § 3°., da Lei n. 8.212/1991 (com a redação vigente à época dos fatos) c/c art. 148 do CTN. O art. 148 do CTN deve ser invocado para a determinação da base de cálculo do tributo quando certa a ocorrência do fato imponível, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos registrados pelo contribuinte não mereçam fé, ficando a Fazenda Pública, nesse caso, autorizada a proceder ao arbitramento mediante processo administrativofiscal regular, assegurados o contraditório e a ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação às competências 01/1997 a 11/1999, inclusive, e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 3691DF CARF MF 4 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 2934/2948 em face da Decisão Notificação (DN) n. 26.401.4/0053/2006 Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 2909/2917), que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.601.3650 consolidado no valor total de R$ 1.673.563,46 na data de 22/12/2005 Período de Lançamento: 10/1996 a 07/2004 (efls. 3081/3518) com fulcro nas contribuições destinadas à Seguridade Social, a saber: i) contribuição social da empresa (cota patronal), incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; ii) contribuição social para o financiamento dos benefícios concedidos em decorrência dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados; e iii) contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros (SalárioEducação, Incra, Senai, Sesi e Sebrae), consoante discriminado no Relatório Fiscal (efls. 3682/3684 e 02/14). O Relatório Fiscal (efls. 3682/3684 e 02/14), bem assim o Relatório de Grupo Econômico RGE (efls. 1802/1819), caracterizam os procedimentos fiscais realizados; as evidências constatadas no curso da fiscalização, inclusive a solidariedade das empresas FRIGORÍFICO BONSUCESSO LTDA., FRIGORÍFICO PORTO LTDA., FRIGORÍFICO VALE DO RIO ACRE LTDA., FRIGORÍFICO SANTA ELVIRA LTDA. e FRIGORÍFICO NOVO ESTADO S/A que constituem grupo econômico de fato pelas obrigações tributárias de natureza previdenciária em apreço. A Recorrente foi regularmente cientificada da NFLD n. 35.601.3650 em 29/12/2005 (efl. 2902), e, irresignada, apresentou, em 10/01/2006, a impugnação de efls. 2878/2891, aduzindo, em síntese: i) Preliminar de nulidade de citação; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Inexistência de solidariedade; iv) Irregularidades no decorrer da ação fiscal; v) Inobservância das regras que disciplinam o Mandado de Procedimento Fiscal. Ao fim e ao cabo, requer que seja julgada a insubsistência da NFLD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518) Aos solidários também foi dada ciência do lançamento em lide. O crédito tributário de natureza previdenciária abrigado na NFLD n. 35.601.3650 foi mantido no julgamento de primeiro grau, consoante a DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0053/2006 (efls. 2909/2917), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: Fl. 3692DF CARF MF Processo nº 10242.000206/200725 Acórdão n.º 2402006.102 S2C4T2 Fl. 103 5 A Recorrente foi cientificada do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0053/2006 (efls. 2909/2917) em 30/05/2006, conforme editais publicados em 16/05/2006; 23/05/2006 e 30/05/2006 (fls. 2929/2931) e, inconformada, apresentou Recurso Voluntário ao Conselho de Recursos Fiscais da Previdência Social em 16/06/2006 (efls. 2934/2948), esgrimindo os mesmos argumentos da impugnação de fls. 2878/2890. Os solidários também foram notificados do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0053/2006 (efls. 2909/2917). Todavia, o Recurso Voluntário de efls. 2934/2948, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126 da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 2958/2059). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Nesse contexto, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu à revisão da legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO), concluindo pela necessidade do cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Recurso Voluntário de efls. 2934/2948, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 3068/3069. É o relatório. Fl. 3693DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Consoante relatado, o Recurso Voluntário de efls. 2934/2948, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 2958/2059). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Destarte, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu ao controle de legalidade da decisão que negou seguimento ao recurso administrativo com fundamento no art. 126, §1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, exarada pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO) efls. 2958/2059, concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 2934/2948, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 3068/3069. Uma vez declarada a nulidade do ato que indeferiu o seguimento do recurso, deve ser proferida nova decisão administrativa sobre o juízo de admissibilidade recursal, e, não havendo outra causa autônoma impeditiva do seguimento do recurso, este deve ser processado normalmente. Isto posto, o Recurso Voluntário (fls. 2934/2948) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72, e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Da Preliminar de Decadência Súmula Vinculante STF n. 8 (reconhecimento de ofício). O lançamento consubstanciado na NFLD) DEBCAD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518) foi constituído em 29/12/2005 e compreende as competências 10/1996 a 07/2004. Assim, resta evidenciado, de plano, em relação às competências 10/1996 a 11/1999, inclusive, o advento da decadência, com fundamento na Súmula Vinculante STF n. 8, observandose no caso concreto a regra do art. 173, I, do CTN. Com efeito, deve ser observado o prazo quinquenal para a constituição de créditos tributários previsto no CTN, vez que inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do DecretoLei n. 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Isto posto, reconheço de ofício, a preliminar de decadência do lançamento em relação às competências até 11/1999, inclusive, pela regra do art. 173, I, do CTN, vez que o instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem pública, que Fl. 3694DF CARF MF Processo nº 10242.000206/200725 Acórdão n.º 2402006.102 S2C4T2 Fl. 104 7 transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos. Da Preliminar de Nulidade de Citação De plano, cabe ressaltar que a ciência por via postal é modalidade de intimação prevista no art. 23, II, do Decreto n. 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal , bem assim na IN SRP/MPS n. 03/2005 e Portaria MPS n. 520/2004 vigentes à época dos fatos. Outrossim, inexiste ordem de preferência entre a intimação pessoal e a intimação postal para efeito do processo administrativo fiscal estabelecido no Decreto n. 70.235/1972. A teor do art. 23, § 1°., do Decreto n. 70.235/1972, apenas para a intimação ficta, por via editalícia, é que se exige ordem de preferência, uma vez que deve resultar improfícuo a intimação pessoal ou postal (sem ordem de preferência entre estas). Da análise dos autos, constatase que a ciência da NFLD DEBCAD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518) e de diversos outros documentos afetos ao lançamento em lide foi direcionada à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215, nomeada e constituída pela Recorrente mediante o instrumento procuratório público registrado no Tabelionato Figueiredo Ofício Único de Notas Vilhena/RO na data de 14/02/2005 Traslado: Primeiro Livro: 228 Folhas: 031 com validade até 31/12/2005 (efl. 1847). No instrumento de procuração pública de efl. 1847, a Recorrente outorga amplos e ilimitados poderes à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, a seguir transcritos: Não à toa, a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS assinou, recebeu e forneceu diversos documentos vinculados à fiscalização que resultou no lançamento da NFLD DEBCAD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518) em desfavor da Recorrente, tais como: Mandados de Procedimento Fiscal Fiscalização e Complementar (efls. 1835/1836), Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (efls. 1838/1846), Relatório de Grupo Econômico, Termo de Cientificação de Constituição de Crédito em Grupo Econômico, Agendamento de Devolução Parcial de Documentos Apreendidos e TEAF. E foi exatamente a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215 a signatária do Aviso de Recebimento (AR) e Fl. 3695DF CARF MF 8 fl. 2902 da correspondência cujo conteúdo compreende, entre outros documentos, a NFLD DEBCAD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518), ora questionada. Destarte, não é razoável e afronta o princípio da boafé objetiva que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente pretenda infirmar os poderes outorgados à procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, que a representou em todo o curso da ação fiscal que culminou com o lançamento do crédito tributário consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518), buscando desqualificar o domicílio fiscal por ela eleito (diverso daquele onde se situa a sede da Recorrente) para comunicarse com a Fiscalização da RFB, bem assim negando que a retrocitada procuradora represente os seus interesses, não obstante a validade do mandato ter como limite a data de 31/12/2005 e o aperfeiçoamento do lançamento em litígio ter ocorrido em 29/12/2005, data da assinatura da procuradora no AR de efl. 2902. Com relação à validade da intimação por via postal, inclusive no que tange à qualificação do recebedor, objeto de questionamento pela Recorrente, é relevante resgatar o Enunciado de Súmula CARF n. 09, verbis: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. É oportuno salientar que, ainda que se falta ou irregularidade houvesse na intimação (ciência da NFLD DEBCAD n. 35.601.3650 efls. 3081/3518), o comparecimento da Recorrente aos autos, consubstanciado na apresentação da impugnação de efls. 2878/2890, é bastante para sanear eventual vício existente na intimação. Por fim, convém destacar que a Recorrente encontrase com situação cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) baixada desde 09/02/2015, por motivo de omissão contumaz, conforme consulta realizada no sítio da RFB (receita.fazenda.gov.br/pessoajurídica/cnpj/cnpjreva/Cnpjreva_Comprovante_asp). Isto posto, rejeito a preliminar. Da Preliminar de Nulidade de Mandado de Procedimento Fiscal No que tange ao questionamento em face do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e de supostas irregularidades verificadas no decorrer da ação fiscal, não há reparo a fazer na decisão recorrida, vez que o MPF Fiscalização n. 09233178 expedido em 13/04/2005 com validade até 11/08/2005 para verificação do cumprimento das obrigações principais decorrentes de Folha de Pagamento e Contribuição Rural (efl. 1835) e o MPF Complementar 01 n. 09233178 expedido em 16/06/2005 com validade até 14/10/2005 para verificação de todos os fatos geradores (efl. 1836), encontram abrigo no art. 196 do CTN; no art. 1°. da Lei n. 11.098/2005; na Instrução Normativa INSS/DC n. 100/2003; e no Decreto n. 3.969/2001, todos vigentes à época dos fatos, frisandose ainda que a execução da ação fiscal decorreuse dentro dos estritos limites legais. Isto posto, rejeito a preliminar. Fl. 3696DF CARF MF Processo nº 10242.000206/200725 Acórdão n.º 2402006.102 S2C4T2 Fl. 105 9 Do Mérito Em relação à insurgência contra a caracterização de grupo econômico e a consequente solidariedade entre as empresas do grupo, não assiste razão à Recorrente. Com efeito, resta sobejamente comprovado nos autos os fundamentos que evidenciam a composição de grupo econômico de fato compreendendo as seguintes pessoas jurídicas: i) Frigorífico Bonsucesso Ltda.; ii) Frigorífico Porto Ltda.; iii) Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda..; iv) Frigorífico Santa Elvira Ltda.; e o Frigorífico Novo Estado S/A. A DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0053/2006 (efls. 2909/2917) nos tópicos 22 a 26 elucida e esclarece, de forma minuciosa, com amparo no Relatório de Grupo Econômico (efls. 1802/1829), as questões de fato e de direito suficientes à caracterização de grupo econômico de fato e à solidariedade entre as respectivas empresas, quanto ao crédito tributário de natureza previdenciária consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518), a seguir resumidas: Fl. 3697DF CARF MF 10 O art. 124 do CTN (Lei n. 5.172/1966), informa norma geral aplicável a todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei)" Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral, financeiro ou econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária, irrelevante que se trate ou não de grupo econômico formalmente constituído. É cediço que os grupos econômicos de fato caracterizamse por serem criados com o fim exclusivo de redução do risco empresarial e maximização de lucros, caracterizando se um abuso de direito, inclusive para fins de afastar a incidência de tributos, no caso concreto, na espécie contribuições sociais. Constatase, a partir das situações relatadas nos autos e sintetizadas pela DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0053/2006 (efls. 2909/2917), acima reproduzidas, uma unidade de interesse jurídico das várias pessoas jurídicas (frigoríficos) envolvidas, consolidandose evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de circulação de riquezas. Noutro giro, há previsão legal de solidariedade quanto às contribuições à Seguridade Social, independentemente da natureza (formal ou de fato) do grupo econômico, bastando tãosomente a sua caracterização, nos termos exatos do art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, verbis: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] Fl. 3698DF CARF MF Processo nº 10242.000206/200725 Acórdão n.º 2402006.102 S2C4T2 Fl. 106 11 IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; [...] (grifei)" Considerandose o disposto no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91, acima reproduzido, não há dúvidas que, no caso específico das contribuições previdenciárias, incide não apenas a regra do inciso I do art. 124 do CTN, mas também do inciso II do retrocitado dispositivo legal. Nos termos exatos do Relatório Fiscal (efls. 3682/3684 e 02/14), o levantamento do débito consignado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518) se deu pelas seguintes razões: Outrossim, constatase que as contribuições devidas foram lançadas por arbitramento e apuradas por aferição indireta mediante a utilização de critérios e procedimentos discriminados no Relatório Fiscal (efls. 3682/3684 e 02/14), de cujo teor a Recorrente teve amplo conhecimento. A apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela Fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, inverte o ônus da prova ao contribuinte, forte no art. 33, § 3°., da Lei n. 8.212/1991 (com a redação vigente à época dos fatos). É nesse mesmo sentido que segue o art. 148 da Lei n. 5.172/1966 (CTN), verbis: "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Fl. 3699DF CARF MF 12 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito do Recurso em Mandado de Segurança (RMS) n. 26.964 GO (2008/01149334), assim decidiu: "[...] 2. O art. 148 do CTN deve ser invocado para a determinação da base de cálculo do tributo quando certa a ocorrência do fato imponível, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos registrados pelo contribuinte não mereçam fé, ficando a Fazenda Pública, nesse caso, autorizada a proceder ao arbitramento mediante processo administrativofiscal regular, assegurados o contraditório e a ampla defesa. [...]" É relevante destacar que na peça recursal de efls. 2934/2948 a Recorrente não enfrenta de forma específica as infrações consignadas na NFLD DEBCAD n. 35.601.365 0 (efls. 3081/3518), limitandose a alegações genéricas, desprovidas de qualquer lastro probatório que informe os fundamentos do lançamento em apreço. Com efeito, limitase a Recorrente a afirmar que é "de todo inoportuno os lançamentos praticados, pois que não trazem a demonstração clara e precisa de suas origens, exorbitantes em sua mensuração, além do que não traduzem efetivamente quaisquer débitos da RECORRENTE para com a Seguridade Social não podendo ser mantidos pela Autarquia Previdenciária" (efl. 2944). Nenhum elemento de prova, nem argumentos de fato e/ou de direito, traz o Recorrente com força bastante para ilidir o lançamento abrigado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518). Nessa perspectiva, o lançamento consubstanciado no AI DEBCAD n. 35.601.3650 (efls. 3081/3518) encontrase alinhado aos ditames da Lei n. 8.212/91, com a redação da época dos fatos, particularmente em seus arts. 22, I e II, e 30, IX, bem assim com as leis instituidoras das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI/SESI e SEBRAE). Entretanto, tratase, no caso concreto, de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) por descumprimento de obrigação principal, revestindose, portanto, de natureza de penalidade (passível de multa de ofício), o que atrai o art. 106, II, alínea "c", do CTN, considerandose a retroatividade da lei mais benéfica, vez que é a regra. Considerandose que o lançamento em tela foi constituído em momento anterior às alterações à Lei n. 8.212/91, promovidas pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, é mister procederse a cotejo entre as penalidades cabíveis em conformidade com a legislação vigente antes e depois do retrocitado diploma legal, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo, por ocasião do pagamento ou do parcelamento, quando for o caso. Melhor detalhando, a Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, acrescentou os artigos 32A e 35A, modificando a sistemática do cálculo das Fl. 3700DF CARF MF Processo nº 10242.000206/200725 Acórdão n.º 2402006.102 S2C4T2 Fl. 107 13 multas decorrentes do descumprimento de obrigações principais e acessórias, anteriormente prevista nos artigos 32 e 35 da Lei n. 8.212/91. Assim, a partir da publicação da MP n. 449/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observada a regra do art. 106, II, alínea "c", do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." A penalidade mais benéfica, no caso concreto, é passível de aplicação ex officio, uma vez presente a possibilidade para o mister, consoante disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 04 de dezembro de 2009, com amparo no art. 106, II, alínea "c", do CTN. Para tanto, a análise da multa mais benéfica procederseá pelo cotejo (efetuado em relação aos processos conexos, geralmente com gênese na mesma ação fiscal) entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal (art. 35 da Lei n. 8.212/91, em sua redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009) e de obrigações acessórias (art. 32, §§ 4°. e 5°., da Lei n. 8.212/91, em sua redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009), em contrapartida à multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei n. 8.212/91, acrescido pela Lei n. 11.941/2009. Considerandose que os percentuais da multa do art. 35 da Lei n. 8.212/91, assim como do art. 44 da Lei n. 9.430/96, variam em função do prazo do pagamento do crédito tributário/previdenciário, a comparação entre tais modalidades somente poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, consoante o art. 2°. da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. Caso as multas previstas no art. 32, §§ 4°. e 5°., da Lei n. 8.212, de 1991 (redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009), tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (redação dada pela Lei n. 11.941/2009). O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei n. 8.212, de 1991 (redação anterior à dada pela Lei n. 11.941/2009), sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor da multa de Fl. 3701DF CARF MF 14 ofício previsto no art. 35A daquele diploma legal (acrescido pela Lei n. 11.941/2009), e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Na hipótese de lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na GFIP, a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei n. 8.212/91 (redação dada pela Lei n. 11.941/2009). A RFB, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações de natureza previdenciária (principais ou acessórias), vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por considerar ser a sistemática mais benéfica ao contribuinte, com lastro na proibição do bis in idem, conforme disposto no art. 476A da Instrução Normativa RFB n. 971, de 13 de novembro de 2009: "Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010)" Isto posto, entendo que deve prevalecer o encaminhamento consolidado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, no sentido de, se for o caso, procederse ao recálculo da multa mais benéfica à Recorrente. Fl. 3702DF CARF MF Processo nº 10242.000206/200725 Acórdão n.º 2402006.102 S2C4T2 Fl. 108 15 Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 2934/2948), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer de ofício a decadência em relação às competências até 11/1999, inclusive, e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica, se cabível, a ser realizado no momento do pagamento ou parcelamento, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 3703DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005208/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO.
Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõe-se o não provimento ao recurso.
Numero da decisão: 2401-005.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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DEDUÇÃO. DESPESAS DE LIVROCAIXA Recorrente FROIM MORTHA VORONA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese o não provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 52 08 /2 00 8- 62 Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10768.005208/200862 Acórdão n.º 2401005.683 S2C4T1 Fl. 838 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou improcedente Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, anocalendário 2005, tendo sido apurada Dedução Indevida de Despesas de LivroCaixa por falta de comprovação ou previsão legal: Glosa de R$ 64.548,30 Multa de 75%. O contribuinte apresentou impugnação, considerada tempestiva, alegando, in verbis: 1) Anexo copia cartão Inscrição e Alvará de localização para comprovação da Atividade Representante Comercial, e copia do Livro Caixa Legalizado na Receita Federal RJ, em 28/09/83, com escritura em 2005 (já entregue anteriormente) 2) Conforme documentos originais entregues a este órgão em 29/05/2008, comprovo que as despesas ocorreram em função do escritório de Representação Comercial, que mantenho conforme documentação acima. Do Acórdão prolatado pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, em síntese, se extrai: a) O Livro Caixa apresentado na impugnação contém apenas a escrituração de despesas. Os documentos comprobatórios apresentados só se referem às despesas incorridas. Não houve comprovação das receitas auferidas em trabalho nãoassalariado. Logo, o livro apresentado não tem validade jurídica (RIR, art. 76,§2º.) b) A dedução das despesas está condicionada ao limite mensal das receitas e no final do anocalendário a sobra de despesa não pode ser levada ao outro ano. c) Declarouse o rendimento percebido do exterior de R$ 82.974,47 em dezembro de 2005. Não há DIRF respaldando tal rendimento. Cientificado em 01/10/2014, o contribuinte interpôs em 30/10/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Tempestividade. Intimado em 01/10/2014, apresenta o recurso no prazo legal. b) No Termo de Intimação Fiscal 2006/607293657231014 de 25/02/2008, foi pedida justificativa da dedução informada a titulo do LIVRO CAIXA e não das receitas inerentes a estas Rendimentos recebidos do Exterior no total de RS 82.974,47. Em 07/07/2008, baseado na falta de comprovação das RECEITAS, recebi a notificação de lançamento n° 2006/607450270254033, onde consta a glosa do valor das despesas do LIVRO CAIXA, no valor de Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10768.005208/200862 Acórdão n.º 2401005.683 S2C4T1 Fl. 839 3 R$ 64.548,30, por falta de previsão legal para sua dedução. Portanto, mais uma vez não pediram comprovação da RECEITA correspondente. Juntei a defesa desta notificação, documentos que comprovavam que tinha um Escritório Comercial, pois entendi que era isso que faltava. Na época, tinha 84 anos e não dispunha de conhecimento técnico para detectar que faltava justificar a RECEITA. c) Assim, anexo: (1) Cópia do Contrato de Câmbio de USS 38.000,00 fechado em 16/11/2005 com o valor liquido de RS 82.974,47; (2) Cópia da escrituração do LIVRO CAIXA, NAS FLS. 49, no valor liquido de RS82.974.47, na data de 30/12/2005, conforme consta da Declaração do Ajuste Anual de 2006/2005, rendimentos do exterior, entregue em 27/04/2006; (3) c) Cópia da citada Declaração de Ajuste Anual Completa; e (4) Copia da Notificação e da Defesa. d) Pede a improcedência da ação fiscal e o cancelamento do débito. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Considerandose a intimação em 01/10/2014 e a interposição em 01/10/2014, o recurso voluntário é tempestivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33). Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O Termo de Intimação Fiscal (fls. 24), foi expresso em exigir a comprovação da dedução efetuada a título de livrocaixa, nos termos da legislação de regência, in verbis: Justificar, com base na legislação vigente, a dedução informada a título de LIVRO CAIXA. Diante da falta de comprovação ou previsão legal, cabível o lançamento por dedução indevida de despesas de livrocaixa. Não há como se negar que a justificação da dedução a título de despesas com livrocaixa demanda a comprovação da veracidade das receitas e das despesas nele escrituradas (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, §2°). Logo, não prospera alegação de que só seria exigível ou de que só se teria exigido a comprovação de despesas. Com o recurso, foi apresentada prova de escrituração de uma única receita em dezembro de 2005. Para alicerçála, carreouse aos autos cópia de contrato de câmbio, a demonstrar a transferência do valor líquido de R$ 82.974,47. Não foi apresentada, contudo, prova de que tal receita é decorrente de trabalho nãoassalariado e nem a vinculação desta receita com as despesas escrituradas, Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10768.005208/200862 Acórdão n.º 2401005.683 S2C4T1 Fl. 840 4 pressupostos legais da dedução de despesas escrituradas em livrocaixa (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, caput). Os comprovantes de despesas (fls. 40/792) revelam o exercício de alguma atividade. Porém, não geram convencimento acerca de qual seria tal atividade e nem sua natureza jurídica. O cartão de inscrição e alvará de localização para a atividade de representante comercial emitidos em 1991 (fls. 11 e 12) e guias de ISS da competência 02/2005 e da competência 04/2005, estas ainda que estivessem com a autenticação mecânica (fls. 55 e 420), são indícios de que a atividade poderia ser a representação comercial autônoma. Entretanto, tais indícios são insuficientes para se concluir se o valor recebido do exterior em dezembro de 2005, documentado no contrato de câmbio apresentado, teve ou não por origem trabalho não assalariado (e nem se vinculado ou não à representação comercial) e nem se para tal recebimento foram ou não necessárias as despesas escrituradas no livrocaixa. Em outras palavras, o conjunto probatório apresentado pelo contribuinte não prova a natureza jurídica do valor percebido em dezembro de 2005 e nem prova sua vinculação às despesas escrituradas. Subsiste, portanto, como não justificada a dedução informada a título de livrocaixa. Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905705/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 57 05 /2 01 2- 29 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905705/201229 Acórdão n.º 1302002.881 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905705/201229 Acórdão n.º 1302002.881 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905705/201229 Acórdão n.º 1302002.881 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905705/201229 Acórdão n.º 1302002.881 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10840.905705/201229 Acórdão n.º 1302002.881 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002149/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE.
A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no Art. 116, Parágrafo Único do CTN e não se confunde com a Desconsideração da personalidade jurídica. No mesmo sentido o art. 229, §2º do RPS, prevê a possibilidade de reclassificação dos negócios jurídicos simulados com fito de esconder a relação de emprego entre segurado e o real contratante.
Numero da decisão: 2402-006.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no Art. 116, Parágrafo Único do CTN e não se confunde com a Desconsideração da personalidade jurídica. No mesmo sentido o art. 229, §2º do RPS, prevê a possibilidade de reclassificação dos negócios jurídicos simulados com fito de esconder a relação de emprego entre segurado e o real contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 49 /2 00 9- 31 Fl. 247DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10670.002149/200931 Acórdão n.º 2402006.276 S2C4T2 Fl. 248 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 214/226, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 233/240, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4892. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: "Conforme Relatório Fiscal, tratase de crédito no valor R$ 96.934,05 (noventa e seis mil, novecentos e trinta e quatro reais e cinco centavos) relativo a contribuições sociais previdenciárias de ônus do segurado empregado incidentes sobre a remuneração a trabalhadores médicos que prestaram serviços ao Município autuado, cuja realidade fática demonstrou a presença dos requisitos do conceito legal de segurado empregado, embora a contratação tivesse sido formalizada através de pessoa jurídica interposta. Notificado da autuação em 18/11/2009, o Município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando nulidade da autuação: por ausência de descrição do fato e da fundamentação legal que originou o valor lançado; inexistência de elemento concreto que autorize o instituto da desconsideração da pessoa jurídica e falta de competência da autoridade lançadora para decidir sobre a despersonalização de pessoa jurídica, eis que esta é da alçada exclusiva da Justiça do Trabalho. Ao final requer acolhimento da impugnação e improcedência . do auto de infração." Em seu recurso, a procuradoria da municipalidade apresenta matéria nova, a saber, a responsabilidade pessoal do exchefe do poder executivo, Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato teria se iniciado em janeiro de 2005. No apelo aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura. Afia, às fls. 238: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Fl. 249DF CARF MF 4 Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. No mérito, alega que a ausência de descrição do fato e da fundamentação legal impossibilita o trabalho do Contribuinte para que se possa sanar qualquer irregularidade, eis que ao relatório faltaria elemento concreto para a descaracterização das contratações realizadas, uma vez que tal competência seria exclusiva da Justiça do Trabalho, posto que a contratação de médicos para prestação de serviços ao município, da forma como realizada, estaria regida pelos arts. 593 e seguintes do Código Civil Assim, a seu ver, por estar a multa carente de motivação, requer que sejam acolhidos os argumentos apresentados para que seja declarada a improcedência da ação fiscal e seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10670.002149/200931 Acórdão n.º 2402006.276 S2C4T2 Fl. 249 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "descrição do Auto de Infração n°. 37.228.4892 a ausência da descrição do fato e da fundamentação legal que originou o exorbitante valor da multa imposta, não sendo possível ao ora autuado a elaboração de sua defesa técnica." (sic).(fls. 100) A peça Recursal por seu turno apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "Ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." e que "resta indubitável que o exprefeito, por não ter observado o disposto no art.12 da Lei n°. 8.212/91 admitiu para si, ora, a responsabilidade pessoal da infração imputada ao Município, agindo de maneira ímproba." (Fls. 236/238) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 251DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAT, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Ante ao exposto votamos por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso. 2. MÉRITO. No Mérito a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação, sem articular as razões recursais propriamente ditas e, naquilo que esboçou, o fez de modo extremamente superficial se limitando a alegar ser o lançamento ilegal por ausência de competência para desconsideração da forma contratual adotada pela Recorrente nas operações em foco. O lançamento, neste caso versou sobre: CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS (EMPREGADOS, TRABALHADORES TEMPORÁRIOS E AVULSOS) 100.15 Competências: 01.12.005 a 12.12.005, 01.12.006 a 08.01.2006 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 20 (com a redação dada pela Lei n. 9.032, de 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10670.002149/200931 Acórdão n.º 2402006.276 S2C4T2 Fl. 250 7 28.04.95, alterada posteriormente pela Lei n. 9.129, de 20.11.95), combinado com os artigos 12, 1 (com as alterações da Lei n. 8.647, de 13.04.93, da Lei n. 9.506, de 30.10.97 e da Lei n. 9.876, de 26111199) e VI e art. 28, 1 e parágrafos (com a redação dada pela Lei n. 9.528, de 10.12.97); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., parágrafo 2.; Lei n. 9.311, de 24.10.96, art. 17, 11; Lei n. 9.317, de 05.12.96, art. 1, parágrafo 2., "h Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9.,I,'g" (alínea acrescentada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99), VI, parágrafo 1. a 7., art. 198, art. 214, I, parágrafos 1. a 15, art. 216, 1,'a' e b', parágrafos 1. a 6., artigos 217 e 218. O RELATÓRIO FISCAL DO AUTO DE INFRAÇÃO — AI DEBCAD 37.228.4892 registra que: 1 — Este Relatório é parte integrante do Auto de Infração — AI acima identificado, onde foram lançadas as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte do segurado, incidentes sobre valores das Notas Fiscais emitidas por empresas prestadoras de serviços médicos, cujas personalidades jurídicas foram desconsideras em virtude da relação jurídica caracterizar o vínculo previdenciário na condição de segurado empregado,. conforme Relatório de Lançamentos. 2 — Visando o cumprimento das obrigações inerentes à administração municipal na área da saúde, a Prefeitura Municipal contratou diversas pessoas jurídicas para prestarem serviços médicos, em suas várias especialidades. 3 — Após Análise das Notas de Empenho, das Notas Fiscais de Prestação de Serviços e diligências em algumas prestadoras, concluiu se pela desconsideração da personalidade jurídica dessas empresas pelos motivos abaixo. 3.1 — As empresas normalmente não tiveram empregados registrados, técnicos e habilitados à prestação de serviços, sendo que em seus quadros societários um ou todos sócios são profissionais qualificados de acordo com seu objeto social na área da saúde e foram estes profissionais que prestaram exclusivamente os serviços ao Município, como médicos nas diversas especialidades. 3.2 — Nas diligências nas prestadoras ficou constado que os serviços contratados foram executados no Hospital Municipal, nos Postos de Saúde e na Unidade de Referência da Saúde da Mulher. Os serviços prestados pelos profissionais médicos foram de plantões e sobreaviso em escalas predeterminadas pelo Hospital Municipal e, em alguns casos, X. pequenas cirurgias, exames e atendimentos ou consulta com horário previamente marcado e executados nas unidades de saúde, conforme declarações dos sócios das empresas diligenciadas. 3.3 — De acordo com informações do próprio órgão e das empresas diligenciadas, na contratação dessas clínicas médicas, não houve processo licitatório e nem contrato formal de prestação de serviços. entre as partes. 3.4 — A pessoa jurídica tem como característica trabalhar com autonomia, assumido os riscos do seis próprio negócio, sem o vínculo de. subordinação, o que não se verifica no caso, pois, percebese claramente que na prática ocorreu a simples substituição do contrato Fl. 253DF CARF MF 8 de trabalho, o profissional estava apenas disfarçado de pessoa jurídica tendo em vista a presença das características de segurado empregado. 3.5 — As empresas não foram contratadas para prestação de serviço com cessão de mãodeobra, como se poderia pensar à primeira vista, mas sim visando a formação profissional e'a especialidade do sócio ou dos sócios, o que evidentemente caracteriza a pessoalidade. 3.6 — Em regra, as Notas Fiscais de Prestação de Serviços foram emitidas para o órgão em seqüência numérica e cronológica, atestando a exclusividade na prestação dos serviços. 4 — Diante das situações expostas, ficou plenamente configurada, à luz da legislação previdenciária, a relação jurídica entre Município e os trabalhadores, na qual estão presentes os pressupostos que caracterizam o vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, em conformidade com o artigo 12, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 Considerando que neste ponto, tanto a impugnação quanto o Recurso se limitaram à buscar o reconhecimento de nulidade do lançamento por ausência de competência do i. Agente fiscal para aplicar a desconsideração da personalidade jurídica das empresas interpostas. Em que pese os termos contidos no Relatório Fiscal denotarem ausência qualquer esmero técnico quanto ao uso das terminologias aplicadas neste caso, pelo contexto, não há como configurar desconsideração da personalidade jurídica, mas sim a desconsideração de ato ou negócio jurídico. Em realidade, tratase de hipótese de desconsideração de ato ou negócio jurídico simulado, realizado com abuso de forma ou com abuso de direito, nos termos previstos do Parágrafo Único do Art. 116 do CTN: "Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: [...] Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)" Os elementos processuais deixam tal realidade clara 4.1.4 — A relação de emprego não é aferida apenas pelos elementos formais existentes nos contratos, mas pela realidade fática da execução do serviço. Desse modo,' para caracterizar o vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, não há necessidade de subordinação rigorosa, bastando que o trabalhador se col e à disposição do empregador e dele receba ordens. [...] 6 Desconsideração da personalidade jurídica, no presente caso, não significa desconstituição da pessoa jurídica, mas apenas não reconhecêla como tal no que diz respeito à contribuição previdenciária, para que sejam considerados saláriosdecontribuição aqueles pagamentos efetuados a essas sociedades fictícias. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10670.002149/200931 Acórdão n.º 2402006.276 S2C4T2 Fl. 251 9 O Relatório fiscal descreve uma série de situações aptas a demonstrar um descompasso entre a realidade e a forma, vejamos: As pretensas pessoas jurídicas, em regra, prestaram serviços com exclusividade para o Município, conforme notas fiscais emitidas em ordem seqüencial numéricas e cronológica (doc. fls. 92/96). Regra geral, tais "empresas" não possuíam empregados médicos registrados para prestarem os serviços contratados pelo Município autuado. Os serviços eram prestados por sócios das pretensas pessoas jurídicas contratadas, cujo quadro societário era composto, em sua totalidade, ou em parte, pelos médicos prestadores dos serviços. Os serviços eram prestados no Hospital Municipal, nos Postos de Saúde e na Unidade de Referência da Saúde da Mulher, cumprindo escalas predeterminadas, em regime de plantões e sobreaviso (vide documentos de fls. 73/91). Percebam que o Recurso, não está centrado na discussão de materialidade ou não daquilo que foi registrado, mas na ausência de competência do Agente fiscal para desconsiderar a formalidade dos negócios jurídicos em foco. Conforme restou demonstrado, não estamos diante de uma desconsideração da personalidade jurídica, mas da reclassificação de operações que não condizem com a realidade, não havendo como acolher tal argumento. CONCLUSÃO. Por todo o exposto voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 255DF CARF MF
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