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Numero do processo: 11762.720046/2014-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012
Ementa:
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. BENEFÍCIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE UMA FORMA ESPECÍFICA PARA A COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS COM BENEFÍCIOS.
As leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97 não estabelecem quais são os documentos fiscais indispensáveis para atestar que uma mercadoria importada com benefício de fato foi empregada na revisão e manutenção de embarcações. Assim, é indevida a exigência de um controle de estoque se o contribuinte consegue, por outros meios, provar que de fato empregou as mercadorias importadas de acordo com a destinação exigida legalmente.
Recurso Voluntário provido. Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3402-004.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar as exigências dos tributos em comento em relação as operações com códigos CFOP's números 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. BENEFÍCIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE UMA FORMA ESPECÍFICA PARA A COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS COM BENEFÍCIOS. As leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97 não estabelecem quais são os documentos fiscais indispensáveis para atestar que uma mercadoria importada com benefício de fato foi empregada na revisão e manutenção de embarcações. Assim, é indevida a exigência de um controle de estoque se o contribuinte consegue, por outros meios, provar que de fato empregou as mercadorias importadas de acordo com a destinação exigida legalmente. Recurso Voluntário provido. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar as exigências dos tributos em comento em relação as operações com códigos CFOP's números 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 46 /2 01 4- 57 Fl. 6050DF CARF MF 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração para exigência de Imposto de Importação, PISImportação e CofinsImportação, acrescidos dos juros e multa, totalizando um crédito tributário exigível no valor originário de R$ 11.028.955,47. Referida exigência decorre de fiscalização que teve por escopo averiguar em concreto se a Recorrente tinha cumprido os requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais (isenção e redução de alíquotas) em operações de importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de embarcações. 2. Segundo a fiscalização, nas operações perpetradas pela Recorrente os correlatos benefícios fiscais1 só seriam válidos na hipótese dos bens importados não apresentarem similar nacional, nos termos do art. 17 do Decretolei n. 37/662, o que deveria ser constatado previamente à importação. Ademais, ainda de acordo com a fiscalização, não haveria prova de que os bens importados de fato tiveram a destinação exigida em lei para fins do aproveitamento do benefício fiscal em apreço, uma vez que, segundo a fiscalização, o recorrente não teria comprovado que utilizou tais bens importados para fins de "revisão e manutenção de embarcações". 3. Por entender que a Recorrente não cumpriu com os requisitos estabelecidos na legislação que julgou pertinente, a fiscalização lavrou o sobredito Auto de Infração, promovendo a notificação do contribuinte que, em sede de Impugnação, alegou o que segue sumarizado abaixo: (i) decadência ; (ii) inexigibilidade da prova da não similaridade na importação dos produtos beneficiados pelas leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97; e (iii) que os bens importados de fato tiveram a destinação exigida em lei, o que estaria demonstrado por amostragem (cruzamento das mercadorias apontadas em parcela das DI's fiscalizadas com as correlatas notas fiscais de saída), bem como pela escrituração dos livros fiscais de saída apresentados pelo contribuinte (fls. 3.439/3.628) e referentes ao período em debate, no qual não consta o registro de qualquer operação com CFOP diverso da destinação exigida em lei ("revisão e manutenção de embarcações"). 4. Devidamente processada, a impugnação apresentada foi julgada parcialmente procedente pela DRJ Florianópolis (Acórdão n. 0736.113 fls. 5.045/5.067), o qual apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. 1 Isenção do Imposto de Importação e alíquota zero para o PIS e COFINS incidentes na operação de importação. 2 "Art. 17 A isenção do impôsto de importação sòmente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado." Fl. 6051DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402004.192 S3C4T2 Fl. 3 3 As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria específica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. EXAME DE SIMILARIDADE. EXIGÊNCIA. Como regra geral, a isenção ou a redução de imposto de importação somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira. Excetuamse da regra geral os casos previstos em lei específica ou no Regulamento Aduaneiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIFERENÇA DE PAGAMENTO. O prazo de cinco anos, a partir do fato gerador, para formalizar a exigência do imposto relativo ao lançamento considerado por homologação (§ 4o do art. 150 do CTN) somente se opera na hipótese de diferença de tributos na importação. No caso em que se apurar a inexistência de qualquer pagamento de imposto, como no despacho aduaneiro com isenção, o prazo para formalizar o crédito tributário passa a ser o previsto no art. 173, inciso I, do CTN, e no caput do art. 138 do Decretolei no 37/1966, cuja contagem é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 5. Em suma, a DRJ de Florianópolis afastou totalmente um dos fundamentos da autuação, qual seja, a pretensa necessidade de que os bens importados não apresentassem similar nacional, haja vista o disposto nas leis n.s 8.032/90 e 9.493/97, bem como reconheceu que para parte das DI's fiscalizadas o recorrente teria feito prova suficiente de que os bens importados de fato foram empregados na "revisão e manutenção de embarcações", o que implicou a exoneração do importe de R$ 1.923.814,86. 6. Diante deste quadro, a sobredita decisão foi subjulgada ao recurso de ofício, bem como também foi atacada pelo contribuinte por intermédio do recurso voluntário de fls. 5.072/5.093, oportunidade em que o Recorrente insistiu ter feito prova hábil da destinação dos produtos importados. 7. Uma vez pautado para julgamento, esta turma julgadora, em sua atual composição, resolveu converter o feito em diligência (resolução n. 3402000.800 fls. 5.873/5.876), o que se deu nos seguintes termos: (...). Fl. 6052DF CARF MF 4 7. Conforme se depreende dos autos, a discussão posta pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário gravita em torno de saber se os documentos por ele colacionados (livros contábeis de saída para o período fiscalizado), combinado com os documentos apresentados por amostragem (cruzamento das mercadorias apontadas em parcela das DIs fiscalizadas com as correlatas notas fiscais de saída) e seu objeto social seriam ou não suficientes para demonstrar a destinação dos produtos importados e aqui debatidos. (...). 10. Assim, em tese, parece ser crível a prova apresentada pelo contribuinte, especialmente aquela consistente em seus livros de saída. Todavia, para a devida comprovação da assertiva do Recorrente, mister se faz detalhar os CFOP's indicados em tais livros contábeis, de modo a permitir que este Tribunal constate se, de fato, todas as saídas ali indicadas representam códigos fiscais de operações que têm por finalidade a revisão e manutenção de embarcações. 11. Neste sentido, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização promova: (i) a análise dos livros de saída de fls. 3.439/3.628, detalhando quais são os códigos fiscais ali apontados e as correlatas descrições das operações perpetradas, criando uma tabela analítica para separar as operações afetadas pelo benefício fiscal aqui tratado daquelas que não gozam de tal benesse. (...). 8. Referida diligência foi cumprida pela unidade julgadora, redundando no relatório fiscal de fls. 5.896/5.897. A respeito deste relatório fiscal o contribuinte se manifestou por intermédio da petição de fls. 5.903/5.910. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro I. A admissibilidade dos recursos interpostos 10. O recurso voluntário interposto preenche os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Não é esta, todavia, a mesma sorte do recurso de ofício, haja vista que a Portaria MF n. 63/2017 promoveu a majoração do limite de alçada para fins de interposição deste recurso. É o que dispõe o art. 1o da referida Portaria, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 6053DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402004.192 S3C4T2 Fl. 4 5 11. No presente caso, o valor exonerado em favor do contribuinte foi de R$ 1.923.814,86, ou seja, inferior ao novo limite de alçada previsto para o recurso de ofício no processo administrativo federal. 12. Tendo em vista que referida disposição normativa apresenta natureza processual, na medida em que conforma a hipótese de admissibilidade do recurso de ofício, está ela sujeita à regra de que tempus regit actum, cabendo a sua convocação ser realizada no instante do julgamento do recurso de ofício. 13. Diante de tais considerações, deixo de conhecer o recurso de ofício interposto pela instância a quo. II. Do contexto fático da autuação e a fundamentação da decisão recorrida 14. Segundo consta dos autos, a recorrente é uma empresa que, mediante afretamento, exerce atividades de navegação de apoio marítimo para embarcações próprias e estrangeiras voltadas ao setor de petróleo e gás, sendo responsável, à época dos fatos, pela gestão de mais de 70 embarcações em águas brasileiras. 15. Dentre as suas atividades, a recorrente é responsável por importar partes e peças cujo destino é o reparo, revisão, manutenção, conservação e modernização de embarcações. 16. Diante desta atividade empresarial, é comum que o contribuinte promova a importação de diferentes tipos de partes e peças que irão compor seu estoque e, na medida em que há necessidade, tais bens vão sendo empregados na revisão e manutenção das embarcações operadas pela recorrente. 17. Não obstante, conforme relata a fiscalização, o contribuinte em apreço foi selecionado para verificação do cumprimento dos requisitos e condições para fruição das isenções ou das reduções de tributos devidos em importações, concedidas nas operações de importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações (Lei n° 8.032/90). No presente processo foram revisadas importações efetuadas entre março/2009 e junho/2012. 18. Segundo o que restou decido pela DRJ Florianópolis, o contribuinte não teria feito prova suficiente para atestar que parte das mercadorias por ele importadas e revestidas dos benefícios fiscais em tela de fato foram empregadas na revisão e manutenção de embarcações. É o que se observa do seguinte trecho da decisão recorrida: (...). Alguns documentos foram apresentados na etapa de fiscalização e outros na peça impugnatória que consistem nas DI’s, notas de entrada e saída das mercadorias. Então vemos aqui a documentação legal que comprova as respectivas destinações e ainda se constata a possibilidade de tal feito por parte da interessada. (...). Além dos documentos descritos acima apresentados durante a fiscalização e na impugnação, a autuada também apresentou à Fl. 6054DF CARF MF 6 autoridade fiscal uma cópia de seus Livros de Saída para demonstrar que inexistem saídas com CFOP's (Códigos Fiscais de Operação) que possam afastar os bens de seu destino pretendido pelos benefícios. Ainda que tais livros demonstrem estas operações, não há qualquer referência às mercadorias ali registradas que se possa relacionar com as importações e sua efetiva destinação. Desta maneira, é de se concluir que a autuada, diante dos documentos trazidos, não conseguiu comprovar que todos os bens importados foram efetivamente empregados nas finalidades que motivaram a isenção e redução de alíquotas dos tributos incidentes nas importações. (...). 19. Em suma, a parte da autuação mantida pela instância a quo pautouse na suposta ausência de prova de que os bens importados pela recorrente de fato foram empregados na reparação e manutenção de embarcações. Segundo decidido, caberia ao recorrente ter um controle de estoque que permitisse atrelar cada uma das mercadorias importadas por meio de diferentes DI's a cada uma das mercadorias saídas do seu estabelecimento para a finalidade exigida para o gozo dos benefícios fiscais aqui tratados. III. Dos documentos apresentados pela recorrente e o resultado da diligência 20. Conforme detalhado alhures, o presente caso gravita em torno de uma questão de prova e, de forma mais específica, o tipo de prova necessário para atestar o direito aos benefícios fiscais fruídos pelo recorrente. Aliás, a respeito de tais benefícios, assim prescrevem os artigos 1o e 2o da lei nº 8.032/1990: Art. 1º Ficam revogadas as isenções e reduções do Imposto de Importação e do imposto sobre Produtos Industrializados, de caráter geral ou especial, que beneficiam bens de procedência estrangeira, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 2º a 6º desta lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase às importações realizadas por entidades da Administração Pública indireta, de âmbito federal, estadual ou municipal. Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: (...) II aos casos de: (...) j) partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações; (...). 21. Ao se analisar os 13 artigos da citada legislação, constatase que referida lei estabelece a destinação a ser cumprida ("revisão e manutenção de aeronaves e embarcações") pelos bens importados para gozo dos benefícios fiscais aqui tratados, sem, Fl. 6055DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402004.192 S3C4T2 Fl. 5 7 todavia, especificar quais são os documentos fiscais contábeis que deverão ser empregados a título de prova. 22. Assim, a exigência externada na decisão recorrida, i.e., de que o contribuinte tivesse um controle de estoque apto a vincular os diferentes produtos importados por intermédio de diferentes DI's às saídas de tais bens, o que, registrese, ocorria em momentos temporais distintos, é indevida. Não há qualquer previsão legal neste sentido. Logo tal exigência não pode ser imposta ao contribuinte. Assim, a questão a saber é se os documentos fiscais apresentados pelo contribuinte são ou não suficientes para comprovar suas razões recursais. Daí, inclusive, a resolução n. 3402000.800 (fls. 5.873/5.876), de minha relatoria, determinar que a unidade preparadora descrevesse os CFOP's indicados pelo contribuinte em seu livro de saída, de modo a precisar se tal operação era de venda de peças ou se amoldava à exigência da lei, i.e., tinha por escopo a revisão e a manutenção de embarcações. E, ao cumprir a referida resolução, a unidade preparadora assim procedeu: (...). Com o exame dos Livros de Saídas, elaboramos diversas planilhas (fls. 5887 a 5891) a partir destes documentos objetivando a inserção das descrições das operações registradas, mês a mês, no período de 2009 a 2013. Destas planilhas, extraímos uma relação com os códigos registrados nos Livros (fls. 3429 a 3628), onde inserimos a descrição e a indicação de uso de cada um deles, sendo estes códigos confirmados na Tabela de CFOP – Código Fiscal de Operações e Prestação anexa ao Decreto 27.427/2000. (...). 23. Ao se analisar as citadas planilhas nãopagináveis (termos de anexação de fls. 5.887/5.892), é possível encontrar, preponderantemente, as seguintes descrições: 5.949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado; 5.915 - Remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo; 6.915 - Remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo; 6.949 - Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado; e 7.949 - Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado. 24. Não obstante, também resta claro que todas as operações realizadas com as peças importadas durante o período aqui fiscalizado ocorreram sem a incidência do ICMS, motivo pelo qual receberam o "código de valor 3" em tais planilhas, o que quer significar operação sem crédito de ICMS. 25. Diante deste cenário, resta claro que as operações perpetradas pela recorrente em relação as peças importadas com benefício fiscal não tiveram por finalidade venda, tanto que tais operações não eram aptas a gerar crédito de ICMS. Inclusive, as Fl. 6056DF CARF MF 8 operações desoneradas pela DRJ Florianópolis tinham exatamente os CFOP's 5.949, 6.949 e 7.949, constatados em diligência para grande parte das demais operações que foram objeto de manutenção da exigência fiscal. 26. Sendo assim, penso que o trabalho fiscal não foi suficiente para desnaturar as operações perpetradas pela recorrente, ou seja, não foi bastante para demonstrar que as operações beneficiadas no período fiscalizado não tiveram por escopo a revisão e a manutenção de embarcações. Dispositivo 27. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto, afastando a exigências dos tributos em comento em relação as operações com códigos CFOP's números 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949. 28. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 6057DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901332/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 13 32 /2 01 2- 87 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10925.901332/201287 Acórdão n.º 3301003.485 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.883. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.901332/201287 Acórdão n.º 3301003.485 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.901332/201287 Acórdão n.º 3301003.485 S3C3T1 Fl. 5 4 Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723227/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO POSTERGAÇÃO DE RECEITAS.
Descaracterizada a infração relativa à inobservância do regime de escrituração quanto a postergação de receitas, tendo em vista a comprovação de aditivo contratual, mantém-se a exclusão da exigência lançada a tal título.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece, em sede de recurso voluntário, de matéria não expressamente em razão do art. 17, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1401-001.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, pelas razões constantes do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO POSTERGAÇÃO DE RECEITAS. Descaracterizada a infração relativa à inobservância do regime de escrituração quanto a postergação de receitas, tendo em vista a comprovação de aditivo contratual, mantém-se a exclusão da exigência lançada a tal título. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de recurso voluntário, de matéria não expressamente em razão do art. 17, do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, pelas razões constantes do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva.
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Descaracterizada a infração relativa à inobservância do regime de escrituração quanto a postergação de receitas, tendo em vista a comprovação de aditivo contratual, mantémse a exclusão da exigência lançada a tal título. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de recurso voluntário, de matéria não expressamente em razão do art. 17, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, pelas razões constantes do voto do Relator. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 32 27 /2 01 3- 86 Fl. 433DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL baseados em duas irregularidades cometidas: a primeira relativa à indevida postergação de receitas que deveriam ter sido reconhecidas em 2008 e somente o foram em 2010; a segunda, relativa a não adição ao lucro real do valor das despesas de PIS e COFINS que foram objeto de depósito judicial em razão de ação judicial manejada pela empresa onde contesta a inclusão do ICMS na base de cálculo das duas contribuições. O contribuinte apresentou impugnação na qual contestou os dois argumentos de autuação com as seguintes alegações: 1) Que em relação à possível postergação de receitas tal fato não ocorreu, visto que, ao contrário do que entende a fiscalização, o contrato tinha validade de cinco anos prorrogáveis por mais cinco e que, havendo prorrogação do mesmo até o ano de 2012, a obrigação de reconhecimento de receita somente surgiu em 2010, quando a empresa recebeu carta da Termoceará informando que não iria realizar a retirada do gás estabelecida em contrato.; 2) Quanto ao item 2 que se relaciona à não adição ao lucro real dos valores depositados judicialmente de PIS e COFINS, a empresa alega que em relação ao IRPJ as diferenças do 1º, 2º e 3º trimestres já foram pagas e que só resta pagar a diferença do 4º trimestre. Quanto à CSLL alega que não cabe a referida autuação pois não há norma legal a realizar tal determinação no âmbito da CSLL. Em agosto de 2014 o contribuinte apresentou requerimento de desistência parcial do recurso para adesão de parte dos débitos do auto de infração a parcelamento especial. Assim, foi solicitada a desistência da impugnação em relação ao lançamento de CSLL por não adição dos valores depositados judicialmente às bases de cálculo das contribuições O processo retornou à delegacia de origem onde foram feitos os ajustes para que se apartassem as parcelas dos débitos de CSLL dos quais foi solicitada desistência, e encaminhado o processo com os débitos remanescentes para julgamento. Analisando referidas peças a Delegacia de Julgamento emitiu a seguinte decisão: Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10380.723227/201386 Acórdão n.º 1401001.925 S1C4T1 Fl. 434 3 Assim, em relação à postergação de receitas foi integralmente cancelada a exigência e quanto à não adição dos valores depositados foram mantidos integralmente e determinado o abatimento da parcela do IRPJ que já houvesse sido objeto de pagamento. Desta decisão a Delegacia de Julgamento recorreu de ofício em razão do valor do crédito tributário que foi exonerado. Cientificado da decisão da DRJ o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que não foi feito o recálculo dos valores devidos a título de IRPJ. Alega que deve ser feito o recálculo e neste deve ser considerado o valor da isenção de IRPJ que o mesmo detém no âmbito da SUDENE. É o relatório Fl. 435DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Verificados os pontos recorridos de ofício e voluntariamente nas peças do processo, temos que serão objeto de análise nesta câmara os seguintes pontos de divergência: 1) Recurso de ofício em função da desoneração do valor das autuações relativas à postergação de receitas; Com relação a este ponto a autuação lavrada pela fiscalização baseouse nas seguintes alegações: Postergação de receitas no montante de R$ 17.191.510,45, em razão da falta de reconhecimento de receitas tributáveis auferidas, no segundo trimestre do ano calendário 2008, decorrente de aplicação de penalidades, vindo a fazêlo no quarto trimestre do anocalendário 2010. Com efeito, a empresa mantinha um contrato (Doc 3) de fornecimento de gás natural para a Termoceará, assinado em 24 de abril de 2002, com interveniência da Petrobrás, no qual constava uma cláusula "TAKE OR PAY", que previa penalidades pelo não cumprimento da mesma. A penalidade consistia na realização de depósito à vista na conta das partes prejudicadas, cujo crédito poderia ser recuperado, em quantidade de gás, até 365 dias após o final da vigência do contrato e no limite do valor do depósito corrigido. A partir do exercício de 2004 a Termoceará passou a não cumprir com a sua obrigação de retirada programada de gás natural. Assim, para o fiel cumprimento das cláusulas contratuais, foi reconhecido como adiantamento à Petrobrás, o valor de R$ 101.655.734,00, e o correspondente adiantamento pela Termoceará à CEGAS, no valor de R$ 118.847.244,00, configurando, no ano de 2005, um resultado a ser realizado no futuro, pelo efetivo faturamento, de R$ 17.191.510,00 (doc 5). Considerando que o prazo de vigência do contrato é de cinco anos, contados do início do fornecimento comercial; que a contratada dispunha de 365 dias após esse prazo para recuperarse do débito, pela retirada do gás, e não exerceu o direito; que o contrato é de abril de 2002, logo, perfazendo cinco anos em abril de 2007; que, com mais um ano de carência, chegase a maio de 2008, é de se entender, claramente, que esta é a data da ocorrência do fato gerador do reconhecimento da receita decorrente, haja vista que não houve prorrogação do mesmo. Cumpre destacar que a Termoceará só comunicou à contratada, no final de 2010, que não mais retiraria o gás, fato que ensejou que a fiscalizada lançasse, em 31/12/2010, a destempo, a receita anteriormente diferida, conforme resposta ao Termo de Intimação nº 01 (Doc 4), corroborada pelas cópias do razão fornecidas pela contribuinte (Doc 5) e por correspondência da Termoceará (Doc¨6) à Cegas, datada de 20 de dezembro de 2010. Analisando a impugnação apresentada a Delegacia de Julgamento resolveu por cancelar a imputação com base nos seguintes argumentos: Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10380.723227/201386 Acórdão n.º 1401001.925 S1C4T1 Fl. 435 5 Conforme se depreende do relatório, a exigência tributária é, em parte, decorrente de postergação de receitas no montante de R$ 17.191.510,45, em razão da falta de reconhecimento de receitas tributáveis auferidas, no segundo trimestre do anocalendário 2008, vindo a empresa a fazêlo no quarto trimestre do anocalendário 2010. A fiscalização chegou a essa conclusão tendo em vista o contrato por ela apresentado, datado em 24/04/2002, que estipulou o prazo de vigência do contrato de cinco anos a partir daquela data, acrescido ainda de 365 dias após esse prazo que a contratada dispunha para recuperarse do débito, pela retirada do gás, e que não exerceu o direito. Assim, o prazo de vigência do contrato teria encerrado em abril de 2007 e, contandose mais um ano de carência, chegouse à data de maio de 2008 que seria, segundo a fiscalização, a data da ocorrência do fato gerador do reconhecimento da receita decorrente, haja vista que não houve prorrogação do mesmo. No entanto, na fase impugnatória, a contribuinte apresentou um Aditivo ao Contrato (fls. 132/143), datado em 26/04/2006, o qual prevê o seguinte: 2.2.1 Caso, após o término do prazo de vigência do CONTRATO estabelecido em sua cláusula décima terceira, sem que o mesmo seja prorrogado, e o volume de GÁS disposto no item 2.2 acima não tenha sido totalmente restituído à TERMOCEARÁ, a TERMOCEARÁ terá um prazo adicional de 5 (cinco) anos, para retirar o GÁS remanescente, nas condições dispostas no referido item 2.2. (destaquei) Diante disso, o prazo para retirada do gás foi prorrogado para 23/04/2012. No entanto, conforme se verifica da Carta de Comunicação de fl. 25, a Termoceará em 20/12/2010 comunicou à contratada que não mais retiraria o gás, fato que ensejou que a fiscalizada lançasse, em 31/12/2010, a receita anteriormente diferida. À vista do Aditivo ao Contrato (fls. 132/143) restou, portanto, descaracterizada a infração, qual seja, inobservância do Regime de Escrituração pelo reconhecimento a destempo da receita diferida. Por conseguinte, há que ser excluída da tributação o valor de R$ 17.191.510,45 (Fato Gerador 30/06/2008), cancelandose as exigências do IRPJ e da CSLL decorrente dessa infração (Das Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo Ajustada da CSLL – Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa). Realizando a leitura do contrato em que se baseou a autuação e do qual consta o aditivo, temos os seguintes pontos: ............. Fl. 437DF CARF MF 6 Ou seja, conforme a cláusula acima o prazo para a recuperação das quantidades de gás pagas e não retiradas se estenderia até 365 dias após o final do contrato, aí contando sua eventual prorrogação. Conforme cláusula 13 a vigência do contrato iniciouse com a sua assinatura e durava cinco anos, prorrogáveis por até mais treze anos. Referido contrato foi assinado em 24/04/2002 (fls. 172) Às fls. 375 em diante consta aditivo ao contrato original com a alteração da modalidade de fornecimento do gás e altera outros itens, inclusive a validade do contrato. Vejamos o que interessa a nossa análise. Demonstrase do contrato e aditivo juntados aos autos que efetivamente assiste razão ao contribuinte quanto a não ser obrigatório o reconhecimento das receitas no ano de 2008. O aditivo ao contratual estabeleceu um prazo de até cinco anos após o fim do contrato para que a Termoceará pudesse realizar a retirada do gás pago e não retirado. Assim, tal prazo iria, no mínimo até abril de 2012. Como a comunicação da desistência de recebimento do gás enviada pela Termoceará só foi encaminhada em 2010, somente aí ocorreu o fato que gerou a necessidade de reconhecimento da receita por parte do contribuinte. Assim, sendo deve ser confirmada a decisão de Piso quando, neste ponto, entendeu não ser regular a autuação por ter sido demonstrado que não havia a efetiva obrigação do contribuinte em reconhecer a receita questionada ainda no ano de 2008, posto haver permissivo contratual a postergar tal necessidade a evento futuro que poderia ocorreu até abril de 2012 e quem efetivamente, ocorreu em 2010. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10380.723227/201386 Acórdão n.º 1401001.925 S1C4T1 Fl. 436 7 2) Recurso Voluntário que contesta o cálculo do valor devido de IRPJ que, no entender do contribuinte, deveria ser feito considerando a redução do valor da isenção do IRPJ a que a empresa teria direito em face de reconhecimento por parte da SUDENE. Quanto a este ponto a decisão de Piso assim se pronunciou em relação aos valores de IRPJ e CSLL lançados. Com relação à CSLL exigida em razão dessa infração, a contribuinte concordou com a exigência tanto que alegou ter apresentado Pedido de Desistência Parcial em razão da Adesão ao Programa de Recuperação Fiscal (fl. 341). Assim, verificada a interposição de pedido de desistência, de forma expressa e irrevogável, relativamente à parte da impugnação interposta pelo sujeito passivo, tornase o lançamento definitivo na parcela correspondente. Com relação ao IRPJ exigido em razão dessa mesma infração, a contribuinte limitouse a afirmar que nos primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2008 foram adicionadas à base de cálculo do lucro real os valores depositados judicialmente e as diferenças de imposto foram recolhidas em 30 de abril de 2009, conforme cópias dos DARF's em anexo (fls. 332/334). E, em relação ao quarto trimestre, alegou que haveria uma diferença a ser recolhida de R$ 332.456,30 , sendo R$ 187.004,34 de IRPJ, mais R$ 70.126,62 de multa e R$ 75.325,34 de encargos, cuja diferença seria recolhida. Como se infere da impugnação, não houve contestação, quer em relação à matéria de direito, quer em relação aos cálculos apurados pela fiscalização. A contribuinte reconheceu a infração tanto que alegou já ter providenciado o recolhimento de parte da exigência em 30 de abril de 2009 e parte estaria sendo providenciado. Com esta análise concluiu por: b) manter as exigências relativas ao IRPJ e à CSLL decorrente da infrações “ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL” relativas a Contribuições com Exigibilidade Suspensa e “INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL”, devendo a Repartição de origem subtrair os valores recolhidos a título de IRPJ, conforme DARF’s de fls. 332/334, após homologação e confirmação da disponibilidade dos valores recolhidos, aplicando a multa de 75% somente sobre as parcelas dosdébitos remanescentes. Depreendese, então que não houve impugnação por parte da empresa em relação aos cálculos realizados a título de IRPJ em função da não adição indicada na autuação. Por tal razão e combinada com a desistência do mesmo item em relação à CSLL, foi integralmente mantida a autuação neste ponto. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte insurgese quanto à forma de cálculo dos valores devidos a título de IRPJ, alegando que não foi observada a isenção de IRPJ Fl. 439DF CARF MF 8 que a empresa tem direito, conforme laudo da SUDENE e, ainda, que teria realizado procedimento espontâneo e que, assim, deveria ser excluída a multa de ofício. Ocorre que, em relação a estes pontos assim estabelecem as normas do Decreto nº 70.235/72. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) .................. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Como se percebe da leitura da Impugnação e em conformidade com o relatado e decidido pela Delegacia de Julgamento, o contribuinte não impugnou os cálculos dos valores de IRPJ apurados pela fiscalização. Não há qualquer menção no sentido de serem revistos os cálculos, nem indicação da existência de possível isenção não considerada, nem da necessidade de exclusão de parte da multa de ofício. Assim, o contribuinte deixou precluir o seu direito de impugnar os cálculos de apuração do IRPJ, não tendo sido formado litígio quanto a este ponto, tornandose definitiva a autuação levada a efeito relativa ao IRPJ, devendo apenas ser obedecido ao estabelecido pela Delegacia de Julgamento quanto ao abatimento dos valores apurados, os valores já recolhidos a título de IRPJ dos mesmos períodos de apuração. Pelo exposto, com relação ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte entendo por não tomar conhecimento do mesmo, tendo em vista que a matéria não foi objeto de impugnação, tendo se tornado definitiva a exigência do IRPJ em relação a este ponto, na forma art. 17, do Decreto nº 70.235/72 Em conclusão voto por NEGAR PROVIMENTO aos Recursos de Ofício e não conhecer do recurso voluntário. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10380.723227/201386 Acórdão n.º 1401001.925 S1C4T1 Fl. 437 9 Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.721782/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o julgamento do processo para aguardar o julgamento definitivo dos Recursos Extraordinários nºs 949.297 e 955.277 em sede de repercussão geral no STF. Vencido o Conselheiro Relator que dava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o julgamento do processo para aguardar o julgamento definitivo dos Recursos Extraordinários nºs 949.297 e 955.277 em sede de repercussão geral no STF. Vencido o Conselheiro Relator que dava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 21 78 2/ 20 14 -1 6 Fl. 1010DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.011 ___________ Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da DRJBHE a seguir transcrito: “I – DOS AUTOS DE INFRAÇAO E TERMO DE VERIFICAÇÃO Mediante os autos de infração de fls. 624 a 629, foi exigida a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 47.682.736,18, referente ao anocalendário de 2011, sob a fundamentação de exclusões indevidas da base de cálculo e multa isolada pela falta de recolhimento sobre a base estimada. No Termo de Verificação Fiscal, de fls. 613 a 623, a fiscalização, depois de apresentar histórico dos procedimentos fiscais, registra que: “2.1) Intimado a esclarecer a que se referiam estas outras exclusões no valor de R$ 250.204.745,61, o fiscalizado informou em resposta dada em 28/02/2014 que R$ 202.506.459,62 se referem a ajuste para zerar a base de cálculo da CSLL, face a processo judicial transitado em julgado que reconheceu a inexistência de relação jurídica quanto à incidência da CSLL, conforme DOC3 anexo a este processo. 2.2) Ocorre que o STF julgou que a CSLL é constitucional na ação direta de inconstitucionalidade (ADIN), conforme acórdão de 31/08/2007, e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu em 07/02/2011 o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 no qual firmou entendimento que decisões definitivas do STF constituem circunstância jurídica apta para cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes foram contrárias. Desta forma, a exclusão realizada pelo fiscalizado no valor de R$ 202.506.459,62, para zerar sua base de cálculo da CSLL, será por nós glosada, sendo lançado o valor da CSLL proveniente da glosa desta exclusão, acrescido de juros e multa de mora.” II – DA DEFESA Em sua peça de defesa, de fls. 638 a 682, a interessada apresenta síntese dos fatos, entende que houve ofensa à soberania da coisa julgada, à segurança jurídica e ao devido processo legal, que não houve modificação de fato ou de direito, que se deve respeitar o princípio da hierarquia como valor fundamental do sistema de direito positivo e clama pela invalidade do Parecer Normativo PGFN nº 492/2011, destacando ainda usurpação da função jurisdicional. Apresenta ementas de decisões administrativas/judiciais e entendimentos doutrinários.” O acórdão proferido pela órgão julgador de 1ª instância ficou ementado da seguinte forma: Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.012 3 “Anocalendário: 2011 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte.” Convém ressaltar que, a DRJBHE manteve o lançamento e considerou não impugnada a matéria relativa à multa isolada pela falta de recolhimento da contribuição social sobre a base estimada. Assim, e em observância ao disposto no decreto nº 70.235/1972, art. 21, a unidade preparadora providenciou a formação de autos apartados, transferindo os valores considerados não contestados para o processo nº 10805720.314/201513, procedendo à respectiva cobrança. Em resposta, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário no presente processo (fls. 704/765), e nos autos apartados (processo nº 10805720.314/201513) apresentou a manifestação de cópia às fls. 769/779, discordando da apartação. Com relação aos autos apartados (Proc. nº 10805720.314/201513), o Recurso Voluntário do contribuinte fora encaminhado à DRJBHE, que se pronunciou no despacho de cópias às fls. 767/768, reconhecendo a unicidade de jurisdição, haja vista que a multa isolada, pelo seu caráter acessório, deve acompanhar a obrigação principal. Dessa forma, os referidos créditos foram anexados a este processo, dandose ciência ao contribuinte do despacho e do acórdão, reabrindo prazo para manifestação (fls. 783/784). No presente processo, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, alegando, em síntese: ofensa à soberania da coisa julgada, à segurança jurídica e ao devido processo legal, em face do desrespeito aos efeitos da decisão transitada em julgado que obtivera na esfera judicial; a necessidade de aplicação do art. 62A do RICARF, bem como a inaplicabilidade do Parecer PGFN nº 492/2011; bem como a impossibilidade do desmembramento dos processos referentes à cobrança da obrigação principal e multa isolada. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.013 4 É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Inicialmente, reitero a correção do despacho proferido pela DRJBHE (fls. 767 e seguintes), que cancelou a cobrança imediata da multa isolada em face da não impugnação expressa da mesma, fazendo com que o auto de infração apartado fosse apensado a este processo. Isto porque, de fato, a multa possui caráter acessório à obrigação principal, dela decorrendo. Assim, não há possibilidade de a referida multa ser cobrada em caso de cancelamento da obrigação principal, motivo pelo qual não poderia ter sido providenciado o desmembramento dos autos. Com relação à questão de mérito, cabe reforçar que o órgão julgador de 1ª instância fundamentou seu Acórdão na decisão do STF que, por meio de ADIN, julgou constitucional a CSLL, e no Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, que concluiu que decisões definitivas do STF constituem circunstância jurídica apta para cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes foram contrárias. Assim, pode a Fazenda Nacional exigir, das empresas que obtiveram, favoravelmente, decisão transitada em julgado em face da legislação anterior (Lei nº 7.689, de 1988), a CSLL não recolhida a partir da edição da lei nova, afastando, definitivamente, o argumento de proteção pela coisa julgada, que restou alterada por norma superveniente. Em que pese os argumentos apresentados pela decisão recorrida, devemos trazer à baila outras variáveis, também importantes ao deslinde da controvérsia. Na origem da lide em análise, temse que o contribuinte obteve provimento judicial declarando a inexistência de relação jurídicotributária, por meio da Ação Declaratória nº 90.00031478, o que resultou na impossibilidade da exigência de CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88, a partir do anobase de 1989. Referida ação foi julgada procedente e transitou em julgado em 19 de agosto de 1993. Pois bem, sabese que a sentença só produz efeitos após seu trânsito em julgado. Não se quer, com isso, confundir a eficácia da sentença com sua imutabilidade e a possibilidade de nova discussão. A coisa julgada, não é efeito da sentença, mas uma situação jurídica nova, surgida no momento em que se torna inadmissível a interposição de recurso contra tal provimento, consistente na imutabilidade e indiscutibilidade da sentença e de seu conteúdo. Logo, enquanto houver possibilidade de recurso, haverá possibilidade de discutir e, eventualmente, obter provimento judicial em sentido diverso. No entanto, tal expediente de mudança deve obedecer ao procedimento previsto em lei. In casu, a sentença judicial poderia ser atacada por apelação, ou por ação rescisória. Decorridos os respectivos prazos legais, sem que houvesse interposição deste ou Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.014 5 daquele recurso, verificase o trânsito em julgado da mesma, não havendo, portanto, razão para discutirse acerca da mesma. Não obstante, o STF veio a pronunciarse, novamente, agora em sentido contrário, declarando a constitucionalidade da Lei 7.689/88. Desta forma, então, a fiscalização voltou a autuar aquelas empresas que não recolhiam a CSLL com base na referida lei. Entretanto, a mudança de entendimento do STF, por si só, não serve para modificar relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. Isto porque, o fato de o Supremo mudar seu entendimento acerca da constitucionalidade de uma lei, em controle difuso ou concentrado, não pode alterar decisão jurisdicional que havia declarado a inexistência de relação jurídicotributária entre Fisco e contribuinte. Com profundidade, quando o Magistrado emite uma norma individual e concreta declarando a inexistência de relação jurídicotributária, esta norma impede que, uma vez ocorrido o fato gerador do tributo, seja emitida outra norma estabelecendo a obrigação pecuniária entre o contribuinte e o Fisco. Em outras palavras, impede que seja estabelecida a relação jurídica entre aquele que praticou o fato gerador, e aquele que tem o direito subjetivo de obter a prestação pecuniária. Tratase do primado da segurança jurídica que confere estabilidade, previsibilidade e confiabilidade às relações jurídicas. Neste âmago Ricardo Lobo Torres ensina: “Segurança jurídica é certeza e garantia dos direitos. É paz. Como todos os valores jurídicos é aberta, variável, bipolar e indefinível. A segurança jurídica significa sobretudo segurança dos direitos fundamentais. A segurança jurídica tornase valor fundamental do Estado de Direito, pois o capitalismo e o liberalismo necessitam de certeza, calculabilidade, legalidade e objetividade nas relações jurídicas e previsibilidade na ação do Estado e garantia da propriedade. (...) A segurança foi incluída na declaração dos direitos fundamentais constante no art. 5º da CF/88:(...). A segurança é um valor jurídico e, como segurança dos Direitos fundamentais, se transforma ela própria em direito fundamental. A segurança jurídica é valor porque guarda todas as características deles (generalidade, abstração, polaridade, interação com outros valores); é garantida no art. 5º da CF por intermédio dos princípios jurídicos, e não como performativo.” (“Limitações ao Poder Impositivo e Segurança Jurídica”, Pesquisas Tributárias – Nova Série nº 11. São Paulo: RT/Centro de Extensão Universitária, 2005, pp. 74/76) Ives Gandra da Silva Martins assevera que, em sua visão, certeza e segurança: “...são direitos e garantias fundamentais; a ‘segurança’ é ofertada pelas disposições dos textos legislativos e a ‘certeza’ pela interpretação que os Tribunais lhes ofertam. Desta forma, a ‘segurança’, a que se refere a Carta Magna, só adquire ‘certeza’ absoluta quando o Poder Judiciário oferta a decisão definitiva, a interpretação última, aquela que permite seja a interpretação seguida pelos cidadãos com confiança. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.015 6 É de se admitir, portanto, que a ‘segurança jurídica’ só se completa com a ‘certeza’ da interpretação pelo Poder que a determina, e o Supremo Tribunal Federal, como guardião da Constituição, é aquele que oferta a interpretação última, definitiva, que orienta, sinaliza, mostra a todos os cidadãos o caminho correto a seguir. O jurista, finaliza seu parecer afirmando: “Não pode, pois, o Estado eximirse de sua responsabilidade – através do único Poder que impõe, com ‘definitividade’, sua orientação e interpretação da ordem jurídica – em respeitar os direitos da cidadania. E nem seria justo que a Suprema Corte, no caso de alterar reiterada jurisprudência a favor do particular, declarasse caber o ônus de seu ‘erro’, de sua ‘instabilidade decisória’, exclusivamente aos cidadãos. Não seria legítimo – nem engrandeceria a tradição de guardiã da Constituição, que o Pretório Excelso detém – que tendo seus eminentes integrantes ‘errado’, deva o cidadão pagar por esse erro.” (“Coisa julgada – Constitucionalidade e legalidade em matéria tributária, coedição São Paulo: Dialética; e Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários – ICET, 2006, pp. 218/219) Este entendimento, inclusive, foi corroborado pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.118.893 – MG (2009/00111359), à seguir transcrito: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.016 7 relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543 C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Ademais, ressaltase que o Direito não dispõe de normas individuais e concretas para regular cada caso em específico. Dispõe sim, de um aparato de normas gerais e abstratas, que não atuam diretamente sobre as condutas intersubjetivas, exatamente em decorrência da sua generalidade e abstração. O sistema pressupõe, por isso, que, a partir dessas normas gerais e abstratas, sejam criadas outras normas (individuais e concretas) diretamente voltadas aos comportamentos dos indivíduos, para atuarem especificamente em cada caso, o que só ocorre com a aplicação do direito. Assim, a norma não tem força para sozinha atingir condutas intersubjetivas e modificálas. Depende dos homens, dos aplicadores do direito. Isto porque, tomando o sistema jurídico como um corpo de linguagem, qualquer modificação que lhe pretenda (como a criação de direitos e deveres correlatos) pressupõe a produção de uma nova linguagem, e esta, por sua vez, pressupõe alguém que a produza, por isso, a inevitável presença do homem na constituição de efeitos jurídicos. Não obstante, o produtor dessa linguagem deve ser investido de competência para tanto. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.017 8 No caso em espeque, há decisão judicial em que o julgador, investido de competência, declarou a inexistência de relação jurídica entre o contribuinte e o Fisco. Ou seja, posteriormente ao pleito do jurisdicionado, o Magistrado emitiu norma jurídica declarando que relativamente à CSLL regulamentada pela Lei 7.689/88, não existe relação jurídicotributária, o que, expressamente veda a cobrança do contribuinte quanto ao referido tributo. Relevante pontuar que a referida decisão fora obtida no âmbito judicial, Sendo assim, voltando ao caso, estarseia a infirmar esta norma jurídica, por meio de regra produzida no âmbito administrativo, qual seja, o Parecer PGFN 492/2011. Desse modo, em caso de prevalência da interpretação administrativa sobre a norma emitida pelo Judiciário, verificarse ia clara violação ao princípio da separação dos Poderes. Isto porque, o Poder Judiciário tem a função típica de aplicar o direito ao caso concreto, exercendo jurisdição complementar em relação ao Poder Legislativo, posto que, enquanto este elabora a lei visando um caso abstrato, aquele aplica a lei no caso concreto. Por sua vez, o Poder Executivo tem a função precípua de administrar, sempre de acordo com o ordenamento legislativo, sob pena do ato administrativo “nascer” nulo. Assim, a divisão e a harmonia dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, asseguram o respeito aos direitos dos cidadãos, bem como a efetivação das garantias constitucionais, exatamente porque cada um desses Poderes tem, segundo Montesquieu, a par de sua faculdade de estatuir, desempenhando cada qual sua missão específica, também a faculdade de impedir, ou seja, limitar a ação dos outros poderes, o que hoje se denomina sistema de freios e contrapesos. Portanto, uma vez que o direito foi assegurado pelo Judiciário, não pode o Poder Executivo exigir obrigação que importe na anulação da norma jurídica, pois é aquele Poder quem detém jurisdição para dispor sobre as relações jurídicas. Isto importa em afirmar que o Parecer PGFN 492/2011, utilizado na fundamentação do decisum, não pode ser aposto como motivo para descumprir a norma jurídica imposta pelo Poder Judiciário, através da Ação Declaratória proposta pelo contribuinte. Deve observarse que o Parecer PGFN 492/2011 é, nada mais, nada menos que uma interpretação do conjunto normativo ofertada por aquele órgão. Em outros termos, tratase de uma atribuição de sentido ao conjunto normativo atual, emitido por aquele órgão. De outro lado, temos uma norma jurídica individual e concreta, emitida pelo Magistrado, investido de competência para análise fática e aplicação do direito afim de coordenar a relação jurídica. Não há razoabilidade no entendimento de que o Parecer sobredito, que apenas dá interpretação a um conflito aparente entre entendimentos divergentes do STF, possa se sobrepor a uma norma individual e concreta emitida por ente competente. Não se quer aqui, adentrar o mérito da constitucionalidade ou não da interpretação conferida no mencionado Parecer, o que não é dado a este Conselho. Contudo, afirmase que a tutela obtida em meio judicial deve ser respeitada. Portanto, não pode o Poder Executivo simplesmente desfazer o mandamento proferido pelo Poder Judiciário, posto que esse é quem detém jurisdição sobre as relações jurídicas. Logo, concluise que para o restabelecimento da relação jurídica que, ao momento encontrase extinta, deve a União provocar o Judiciário afim de que seja produzida Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.018 9 outra norma jurídica desconstituindo os efeitos da norma individual e concreta que atualmente rege a relação. Neste sentido, colhese jurisprudência deste Conselho: CSRF, Sessão de 20.01.2015, acórdão n. 9101002.087. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2005 RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADA EM AÇÃO JUDICIAL QUE DECLARA A INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DA CSLL NOS TERMOS DA LEI Nº 7.689/88. COISA JULGADA. DECISÃO POSTERIOR EM AÇÃO DIRETA DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. ALCANCE TEMPORAL. RECURSO ESPECIAL 1.118.893 MG (2009/00111359), SUBMETIDO AO REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. ARTIGO 62ª DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo entendimento do STJ proferido no julgamento do Recurso Especial 1.118.893 MG, submetido ao artigo 543 C do CPC: Nos casos que envolvem relação jurídico tributária continuativa, a decisão transitada em julgado, declarando a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o fisco, faz coisa julgada em relação a períodos posteriores. Nos casos em que há decisão judicial transitada em julgado, em controle difuso, declarando a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade de lei que instituiu determinado tributo, a decisão posterior, em controle concentrado, mediante Ação Declaratória de Constitucionalidade, em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. CSRF. Sessão de 04.06.2012. Acórdão n. 9101001.369 LIMITES DA COISA JULGADA – Tendo o Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, reconhecido, na espécie, a efetiva ofensa à coisa julgada, nas hipóteses em que a decisão obtida pelo contribuinte reconhece a inconstitucionalidade incidenter tantum da exigência da CSLL originalmente, pelas disposições da Lei 7689/88, sejalhe exigida, agora, com a simples referência à existência de diplomas normativos posteriores que rege a matéria, deve os conselheiros desta Corte, reproduzir tal entendimento no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do disposto no art. 62ª do Regimento. CARF, Data da Sessão: 03/06/2014, Acórdão n.º 1302001.410 Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.019 10 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1996, 1997 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. INCONSTITUCOINALIDADE DA CSLL. EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. CONSTITUCIONALIDADE DA CSLL SUPERVENIENTE. AUSÊNCIA DE AÇÃO RESCISÓRIA. FORMAÇÃO DE COISA SOBERANAMENTE JULGADA. A coisa julgada formada em controle concentrado não é rescindida por decisão do Supremo Tribunal Federal em controle difuso em sentido contrário, especialmente nos casos em que inexiste ação rescisória. PARECER PGFN 492/2011. INTERPRETAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. EXISTÊNCIA DE RECURSO REPETITIVO EM SENTIDO CONTRÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. O Parecer PGFN 492/2011 apresenta interpretação conflitante com o caráter constitucional e infraconstitucional da coisa julgada, este reafirmado pelo REsp 1118893/MG, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, razão pela qual não deve ser observado pelos Tribunais Administrativos. Conforme a coletânea de julgados destacados acima, viuse a preponderância da coisa julgada sobre a mudança de entendimento dos Tribunais superiores, assim como a inaplicabilidade do Parecer PGFN 492/2011 ao caso sob análise. Por todo o exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, afim de cancelar a cobrança da obrigação principal, e por consequencia as multas isoladas dela decorrentes, em atenção ao princípio da segurança jurídica. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. VOTO VENCEDOR Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. Redator Designado Com a devida vênia do I. Relator, ouso divergir do seu voto pelas razões a seguir expostas. O § 1º do art. 62A do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09 previa o sobrestamento julgamentos dos recursos sempre que o Supremo Tribunal Federal também sobrestivesse o julgamento dos recursos extraordinários da Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.020 11 mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B (representativo de a controvérsia). Esse § 1º foi revogado, posteriormente, pela Portaria MF nº 545/2013. Em junho de 2015, entrou em vigor o novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, o qual repete no § 2º do seu art. 62 a redação do caput do art. 62A do RICARF por ele revogado, inclusive citando o art. 543B da Lei nº 5.869/73, Código de Processo Civil então em vigor. Por sua vez, em 18/03/2016, começou a vigorar o novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015), o qual, no seu art. 15, assim dispõe: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Posteriormente, a Lei nº 13.256, de 2016, incluiu o inciso III no art. 1030 do novo CPC, o qual assim dispõe: "Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vicepresidente do tribunal recorrido, que deverá: (...) III – sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucional; ................................................................................................................." É verdade que o art. 1035, § 5º, do novo CPC condiciona o sobrestamento dos processos a uma determinação do Ministro Relator do repetitivo no Supremo Tribunal Federal, se não vejamos como dispõe: Art. 135. Omissis. (...) § 5o Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional. ................................................................................................................." Ocorre que a discussão sobre os limites da coisa julgada relativa a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 é, hoje, objeto de dois Recursos Extraordinários no Supremo Tribunal Federal (nºs 955.277 e 949.297), sendo que o Ministro Relator do RE nº 955.277, Luís Roberto Barroso, proferiu o seguinte despacho em 20/04/2016: Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10805.721782/201416 Resolução nº 1302000.463 S1C3T2 Fl. 1.021 12 "1. Em razão do reconhecimento da repercussão geral, determino a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional, nos termos do art. 1.035, § 5º do CPC/2015 e do art. 328 do RISTF. 2. Após, abrase vista à ProcuradoriaGeral da República, para oferecimento de parecer sobre o mérito." Assim, seja pelo disposto no art. 1030 ou no art. 1035, § 5º, do novo CPC, os processos judiciais que tratam do tema limites da coisa julgada relativa a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 estão suspensos aguardando o julgamento dos recursos extraordinários retro citados. Ora, se assim o é, concluo que, por força do disposto no art. 15 do novo CPC, também devam ser suspensos os processos administrativos que tramitam no CARF e que tratem da mesma matéria, pois o art. 15 c/c o art. 1030 do novo CPC terminou por reinserir no quadro normativo de regência do processo administrativo fiscal federal a norma anteriormente existente e que havia sido revogada pela Portaria MF nº 545/2013. Ademais, uma decisão administrativa que concluísse pelo cancelamento do lançamento poderia trazer prejuízo irreversível para o Erário, caso o STF, posteriormente, decidisse pela inexistência de coisa julgada na espécie. Por outro lado, uma decisão pela manutenção do lançamento redundaria apenas em uma execução fiscal suspensa até que fossem julgados os recursos extraordinários citados, situação que não traria qualquer ganho para nenhuma das partes envolvidas. Assim, melhor que seja sobrestado o processo ainda na esfera administrativa, evitando que as partes (União e contribuinte) venham a arcar desnecessariamente com os custos de um processo judicial (custas, sucumbência, garantia de juízo etc.), além do fato de evitar que mais um processo judicial se forme em uma Justiça cada vez mais abarrotada de processos. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para determinar que os autos fiquem sobrestados na Unidade de Origem, aguardando o julgamento definitivo dos Recursos Extraordinários nºs 949.297 e 955.277 no Supremo Tribunal Federal, após o que, o respectivo acórdão deverá ser juntado nestes autos e, consequentemente, este processo deve ser devolvido ao CARF, para continuação do julgamento. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1021DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.907918/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.907918/201156 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402004.014 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente AJINOMOTO DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 18 /2 01 1- 56 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.611 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de PIS não cumulativo(a) exportação. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13888.907918/201156 Acórdão n.º 3402004.014 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.003167/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
CONTAGEM DE PRAZO. EXPEDIENTE EM UNIDADE DA RECEITA FEDERAL COM HORÁRIO REDUZIDO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE TEMPESTIVA. SUPRESSÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO
Comprovado que o horário de expediente na unidade da Receita Federal foi reduzido na data final do prazo para manifestação de inconformidade, desloca-se o termo final para próximo dia com horário normal.
Para que não se configure cerceamento ao direito de defesa pela supressão de instância administrativa, os autos devem retornar à DRJ competente para a prolação de decisão acerca das matérias suscitadas na peça recursal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 CONTAGEM DE PRAZO. EXPEDIENTE EM UNIDADE DA RECEITA FEDERAL COM HORÁRIO REDUZIDO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE TEMPESTIVA. SUPRESSÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO Comprovado que o horário de expediente na unidade da Receita Federal foi reduzido na data final do prazo para manifestação de inconformidade, desloca-se o termo final para próximo dia com horário normal. Para que não se configure cerceamento ao direito de defesa pela supressão de instância administrativa, os autos devem retornar à DRJ competente para a prolação de decisão acerca das matérias suscitadas na peça recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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EXPEDIENTE EM UNIDADE DA RECEITA FEDERAL COM HORÁRIO REDUZIDO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE TEMPESTIVA. SUPRESSÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO Comprovado que o horário de expediente na unidade da Receita Federal foi reduzido na data final do prazo para manifestação de inconformidade, deslocase o termo final para próximo dia com horário normal. Para que não se configure cerceamento ao direito de defesa pela supressão de instância administrativa, os autos devem retornar à DRJ competente para a prolação de decisão acerca das matérias suscitadas na peça recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Declarouse impedida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 31 67 /2 00 5- 31 Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13804.003167/200531 Acórdão n.º 3201002.865 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de pedido de compensação de débito próprio com crédito da Contribuição para o Programa de Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no regime não cumulativo, com origem em abril de 2005. Indeferido o pleito e impugnada a decisão, a DRJ/SP1 não conheceu da manifestação de inconformidade, por considerála intempestiva (despacho de fls. 188/189). Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 199/215), por meio da qual, entre outros argumentos, defende a tempestividade da primeira peça de defesa, ao fundamento de que não houve expediente normal na repartição no último dia de sua apresentação. Anexou cópia simples de documento que menciona o fato (fl. 261) Submetido a julgamento nesta Turma Ordinária, em preliminar, fora suscitada dúvida quanto (i) à intempestividade da manifestação de inconformidade, à luz de documento colacionado dando conta do encerramento antecipado do expediente normal na unidade da Receita Federal, e (ii) à regularidade da ciência ao contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Início de Ação Fiscal, realizada por via postal (Correios, com AR). Por conseguinte, com unanimidade de votos, a Turma decidiu pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, através da Resolução de n° 3201000.579, de 25/01/2016 (fls. 328/329) para que a unidade de origem (i) confirmasse a veracidade da informação de expediente com horário reduzido no CAC da Lapa, em São Paulo/SP e (ii) anexasse aos autos cópias do AR, nos termos do voto: O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Como relatado, a Recorrente assevera que a manifestação de inconformidade foi, sim, apresentada dentro do trintídio legal, uma vez que não teria havido expediente normal na repartição no último dia de sua apresentação, conforme atestaria o documento de fl. 261, segundo o qual o expediente na CAC LAPA, no dia 18/12/2009, uma sextafeira, teria sido encerrado às 12 h, fato que autorizaria, em conformidade com o disposto no parágrafo único do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972, a sua entrega no primeiro dia útil seguinte, qual seja, 21/12/2009, data de sua apresentação. Com efeito, se, de fato, o expediente da repartição fazendária encerrouse mais cedo do que o normal, a manifestação de inconformidade deve ser considerada tempestiva. Daí que se faz necessário que os autos sejam enviados à repartição de origem para confirmar a informação encartada no documento de fl. 261. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem ateste a veracidade da informação registrada no mencionado documento, bem como anexe cópia do AR correspondente à primeira Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13804.003167/200531 Acórdão n.º 3201002.865 S3C2T1 Fl. 4 3 intimação cuja data de realização consta do extrato dos Correios de fl. 32. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Retornou da unidade de origem com o TERMO DE INÍCIO E INFORMAÇÃO FISCAL da DELEX/SÃO PAULO/SP (fls. 405/408) em cumprimento à diligência determinada pela Turma, com as informações: 3. Da Diligência. 3.1 Cabe observar que, na época da análise das declarações de compensação, já havíamos solicitado a 2ª via do AR (Aviso de Recebimento) que comprovava a ciência da empresa do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Ocorre que os correios não encaminharam a 2ª via do AR. 3.2 Após programação das diligências fiscais tratadas aqui nesta Informação Fiscal, em consulta ao site dos correios, verificamos que as informações sobre postagem de objetos somente ficam disponíveis no site no prazo máximo de 180 dias após a data da postagem. 3.3 Após essa constatação, deslocamonos até o Centro de Distribuição responsável pela entrega do Termo de Início à empresa Perdigão Agroindustrial, qual seja, CDE/Correios Jaguaré, em São Paulo/SP, com objetivo de solicitar cópia do livro (dos correios) em que constariam as informações do responsável pelo recebimento da correspondência. Entretanto, fomos informados que os arquivos físicos dos Correios somente guardavam documentos no prazo máximo de 5 anos, e que tal livro já estaria destruído, em razão de se tratar de documento de 2009. Por outro lado, fomos orientados a encaminhar ofício à Genco – Gerência de Encomendas da Diretoria São Paulo Metropolitana dos Correios, que é setor dos correios responsável por manter informações sobre as encomendas. 3.4 Como resposta ao Ofício encaminhado, a Genco apresentou as informações necessárias para darmos cumprimento à requisição do CARF, a qual (Genco), apesar de não apresentar a 2ª via do AR, informou que o Sr. Josué Mendes da Silva é quem Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13804.003167/200531 Acórdão n.º 3201002.865 S3C2T1 Fl. 5 4 havia recebido a correspondência (Termo de Início) cujo AR é o de nº SX604609249BR. 3.5 Diante disso, esta fiscalização entende que está comprovado, com base em documento oficial dos correios que reproduz fé pública , que a empresa recebeu o Termo de Início de Ação Fiscal que trata de todos os processos de compensação aqui já citados. 4. Dos Documentos Anexados 4.1 Anexamos os seguintes documentos à presente Informação Fiscal: a) Cópia do Ofício 101/2016 – RFB/Delex encaminhado aos Correios (GENCO). b) Cópia do Ofício 8449/2016 – GENCO/SPM – GMRO 01/DEOPE/VIENC encaminhado à RFB. 4.2 Os documentos acima serão encaminhados juntamente com esta Informação Fiscal à empresa Brasil Foods S/A, para que se manifeste acerca do teor do resultado da diligência, se assim entender. 5. Conclusão Nestes termos, proponho seja encaminhada esta Informação Fiscal para a 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, para as providências cabíveis, após cientificar a empresa para apresentar manifestação sobre esta Informação Fiscal, nos termos do artigo 44, da Lei 9.784, de 29/01/1999, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência desta Informação Fiscal e dos documentos que seguem anexos, juntando tal manifestação aos processos 13804.003656/200593, 13804.003655/200549, 13804.008887/200411, 13804.003167/200531 e 13804.000472/200571, via eCAC (de preferência) ou protocolando na Av. Celso Garcia, nº 3.580, 5º andar, São Paulo SP, aos cuidados deste auditor fiscal, caso a empresa a apresente. (grifado no original) A interessada foi cientificada e se manifesta (fls. 413/427) quanto ao relatório na Informação Fiscal, que em síntese aduz: a. Resta evidenciada a nulidade do procedimento de fiscalização em razão da intimação revelarse inválida e irregular; b. Não fora cumprida a determinação deste CARF para anexar cópia do AR, com a comprovação da entrega do objeto (Termo de Início de Ação Fiscal); c. A fiscalização da RFB tivera oportunidade para sanar o vício da intimação, contudo sem fazêlo; d. O Ofício expedido por setor dos Correios não supre a ausência de comprovação do recebimento da regular intimação no domicílio tributário eleito pelo contribuinte, como preceitua o inciso II, do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972; Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13804.003167/200531 Acórdão n.º 3201002.865 S3C2T1 Fl. 6 5 e. A conclusão é que jamais ocorrera sua intimação no Termo de Início de Ação Fiscal lavrado em 14/04/2009; f. A jurisprudência do CARF é pacífica em afirmar a necessidade da comprovação da intimação mediante a apresentação do AR assinado e datado (cita acórdãos); g. A unidade de origem omitiuse no cumprimento da Resolução da Turma quanto à incumbência de atestar a veracidade da informação acerca do expediente no CAC/LAPA no dia 18/12/2009, data em que se deu a entrega da manifestação de inconformidade; h. Resta comprovada a tempestividade da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235/72; i. A necessidade de se reiterar a Resolução para que se reconheça a tempestividade de sua manifestação de inconformidade e seja proferida nova decisão de primeira instância. Finaliza suas razões com o pedido de reconhecimento de nulidade de todos os atos processuais posteriores à irregular intimação do Termo de Início de Ação Fiscal e reiteração da diligência para suprir omissão quanto à comprovação da tempestividade da manifestação de inconformidade. Na sessão de 25/01/2017, por intermédio da Resolução nº 3201000.769, decidiu a Turma converter o julgamento em nova DILIGÊNCIA para que a Unidade de Origem informasse acerca do expediente no CAC/LAPA de São Paulo/SP, na data de 18/12/2009, juntando documento oficial comprobatório da situação. O processo retornou com a informação juntada às fl. 461 confirmando o expediente com horário reduzido na data de 18/12/2009, no período entre 07h e 12h, em virtude da realização de procedimentos internos; assim, não houve atendimento ao público no período da tarde. Não houve ciência à contribuinte acerca da informação prestada pelo CAC LAPA/SP. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Os requisitos de admissibilidade da peça recursal já foram atestados por ocasião da sua inclusão na pauta anterior. A DRJ/São Paulo I não conheceu da Manifestação de Inconformidade em face do despacho decisório sob o fundamento de preclusão temporal, uma vez que a sua apresentação deuse após o prazo legal de 30 dias. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13804.003167/200531 Acórdão n.º 3201002.865 S3C2T1 Fl. 7 6 No recurso voluntário, aduziu a recorrente que no último dia do prazo para sua manifestação 18/12/2009, sextafeira dirigiuse ao CAC LAPA/SP encontrandoo fechado. Retornou no dia útil subsequente 21/12/2009, segundafeira, e protocolou sua peça. Como abordado no relatório, a última diligência justificouse para aferir a tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada no dia 21/12/2009 (fl. 48), exatamente trinta e três dias após ciência de despacho decisório, no dia 18/11/2009 (fl. 34). Confirmado o expediente com horário reduzido na data em que a contribuinte pretendeu apresentar manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia de Julgamento, coincidente com o prazo final para sua interposição, deslocase o termo final para a data imediatamente posterior em que o expediente seja normal, nos termos do art. 5º e seu parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato Com razão a contribuinte; sua manifestação de inconformidade foi interposta no prazo legal. A arguição da tempestividade da manifestação de inconformidade é matéria preliminar que precede qualquer outra veiculada no recurso voluntário. Isto porque o não conhecimento da peça inaugural do contencioso, interposta segundo os requisitos legais, implicaria o cerceamento do direito de defesa pela supressão da primeira instância de julgamento. Ante ao exposto, CONHEÇO da preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade e VOTO para dar PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e determinar o retorno dos autos à DRJ SÃO PAULO I para prolação de decisão, com apreciação do mérito, nos termos das peças de defesa. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Fl. 475DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.013183/2004-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/02/1999, 25/03/1999, 25/12/1999
MANIFESTO DE CARGA. CONFERÊNCIA FINAL. FALTA DE MERCADORIA POR NÃO ARMAZENAMENTO. SEM PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para se presumir o extravio de volume ou de mercadoria em relação aos registros constantes do manifesto de carga em razão do seu não armazenamento, nem mesmo podendo ser imputada a responsabilidade ao transportador.
IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO.
Indevido falar-se na aplicação do art. 67 da Lei nº 10.833/2003 para determinação da base de cálculo de fatos geradores ocorridos em 1999, como no caso dos autos. O art. 144 do CTN permite a retroação de dispositivo de lei que institui novos procedimentos fiscalizatórios para apuração do fato gerador, não se enquadrando para os casos em que há alteração na própria base de cálculo.
Numero da decisão: 9303-005.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/02/1999, 25/03/1999, 25/12/1999 MANIFESTO DE CARGA. CONFERÊNCIA FINAL. FALTA DE MERCADORIA POR NÃO ARMAZENAMENTO. SEM PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para se presumir o extravio de volume ou de mercadoria em relação aos registros constantes do manifesto de carga em razão do seu não armazenamento, nem mesmo podendo ser imputada a responsabilidade ao transportador. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Indevido falar-se na aplicação do art. 67 da Lei nº 10.833/2003 para determinação da base de cálculo de fatos geradores ocorridos em 1999, como no caso dos autos. O art. 144 do CTN permite a retroação de dispositivo de lei que institui novos procedimentos fiscalizatórios para apuração do fato gerador, não se enquadrando para os casos em que há alteração na própria base de cálculo.
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CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LUFTHANSA CARGO AG. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/02/1999, 25/03/1999, 25/12/1999 MANIFESTO DE CARGA. CONFERÊNCIA FINAL. FALTA DE MERCADORIA POR NÃO ARMAZENAMENTO. SEM PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para se presumir o extravio de volume ou de mercadoria em relação aos registros constantes do manifesto de carga em razão do seu não armazenamento, nem mesmo podendo ser imputada a responsabilidade ao transportador. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Indevido falarse na aplicação do art. 67 da Lei nº 10.833/2003 para determinação da base de cálculo de fatos geradores ocorridos em 1999, como no caso dos autos. O art. 144 do CTN permite a retroação de dispositivo de lei que institui novos procedimentos fiscalizatórios para apuração do fato gerador, não se enquadrando para os casos em que há alteração na própria base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 31 83 /2 00 4- 36 Fl. 380DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 298 a 316) com fulcro nos artigos 67 e seguintes, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 310100.619 (fls. 01 a 11, reproduzido às fls. 285 a 295), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 03/02/2011, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, tendo recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/02/1999, 25/03/1999, 25/12/1999 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CONSTATAÇÃO DE NÃO ARMAZENAMENTO DE CARGA. FALTA DE MERCADORIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Merece ser declarada a improcedência do lançamento lastreado no fato de a carga não ter sido objeto de armazenamento, pois isso não autoriza presumir o extravio de volume ou de mercadoria em relação aos registros constantes no manifesto de carga, nem a imputar responsabilidade à pessoa do transportador, haja vista ausência de previsão legal para tanto. A falta de armazenamento de carga não constitui fato apurável mediante procedimento de conferência final do manifesto e tampouco serve para constatar extravio ou acréscimo de volume e/ou mercadoria registrados em manifesto de carga ou documento de efeito equivalente. BASE DE CALCULO. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTARIA. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10831.013183/200436 Acórdão n.º 9303005.158 CSRFT3 Fl. 381 3 Em virtude do principio da irretroatividade da lei tributária, é imprópria a base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal, uma vez que o artigo 67, caput e § 1 0 da Lei 10.833/2003 contém dispositivo que trata de critério de apuração da base de cálculo, e não pode ser utilizado para fatos geradores de 1999, nem com o escudo do § 1° do art. 144 do CTN, como apregoado pela decisão recorrida, porquanto os novos critérios de apuração, referidos no texto legal, estão umbilicalmente ligados à expressão pregressa ocorrência do fato gerador da obrigação, ou seja, apurar a existência da obrigação tributária, e não da base de cálculo. O § 1° do art. 144 retrocitado admite a aplicação de novas normas procedimentais para apurar a ocorrência do fato gerador, com novos procedimentos fiscalizatórios, inclusive com mais poderes investigatórios as autoridades tributárias e maiores garantias e privilégios aos créditos fiscais, mas em hipótese alguma permite tocar na dimensão do lançamento ou na sua sujeição passiva. A Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 298 a 316), atacando os seguintes pontos: (a) pertinência do lançamento efetuado com base no não armazenamento de carga apurado em conferência final de manifesto; e (b) aplicação do art. 67, §1º da Lei nº 10.833/2003 na apuração da base de cálculo dos tributos lançados. Como paradigmas, trouxe os acórdãos nºs 310200.535 e 30239.849, respectivamente. Para embasar sua pretensão, aduziu em suas razões recursais que: (a) nos termos do art. 39 do DecretoLei nº 37/66, toda a mercadoria procedente do exterior deve ser registrada em manifesto de carga ou outras declarações de efeito vinculante que deve ser apresentado pelo responsável do veículo à autoridade aduaneira no momento da sua chegada. É por meio do manifesto de carga que a fiscalização poderá realizar a sua conferência final, de modo a verificar se houve extravio de mercadorias pela comparação com a carga efetivamente desembarcada; (b) para efeitos de apuração de tributação, considerase entrada no território aduaneiro a mercadoria que conste como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira, consoante §2º, art. 1º do DecretoLei nº 37/66; (c) para os casos de transporte aéreo de carga, devem ser observados os procedimentos da Instrução Normativa da SRF nº 102/94; (d) sendo constatado o extravio de mercadoria na conferência final do manifesto de carga, caberá a exigência do tributo correspondente ao transportador, com base nos artigos 589, 591 e 592 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002). No caso dos autos, tendo sido verificado pela Fiscalização, na conferência final de manifesto, o não armazenamento das cargas manifestadas, efetuouse o lançamento dos tributos correspondentes à mercadoria extraviada; (e) não merece prosperar o entendimento da decisão recorrida de que a conferência deveria ter se baseado na comparação dos manifestos com os Fl. 382DF CARF MF 4 registros de descarga, conforme previsão legal, sendo insuficiente a constatação do não armazenamento das mercadorias. Isso porque, conforme interpretação que se extrai do Regulamento Aduaneiro, o qual permite uma conferência menos rigorosa, a carga deve ser considerada extraviada se não é encontrada pela Fiscalização no local de armazenamento; (f) não há retroatividade do art. 67, da Lei nº 10.833/2003 para o imposto de importação, pois, no caso de extravio da mercadoria, para efeitos do cálculo do imposto, o seu fato gerador ocorre no dia do lançamento do crédito tributário, e não com a entrada da mercadoria no Território Nacional, nos termos do art. 73 do Regulamento Aduaneiro (art. 87, inciso II, alínea "c" do Decreto nº 91.030/85); (g) assim, embora as operações de importação tenham ocorrido no ano de 1999, para fins de calculo tributário, o fato gerador das mercadorias extraviadas considerase ocorrido em 22/12/2004, data da ciência do lançamento ao sujeito passivo, podendo ser utilizadas as disposições do art. 67 da Lei nº 10.833/2003 para o lançamento em questão por se tratar exclusivamente de cálculo do tributo; (h) por fim, argumenta que por instituir novo critério de apuração da base de cálculo para os casos em que ocorre a impossibilidade de identificação da mercadoria, aplicamse as disposições do art. 67 da Lei nº 10.833/2003 ao lançamento em questão, com supedâneo no art. 144, §1º do CTN; (i) requer o provimento do recurso especial para restabelecimento integral do lançamento tributário. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido na integralidade, por meio do Despacho nº 3100491, de 22 de outubro de 2012 (fls. 342 a 345), por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial com relação às duas matérias (a) extravio de mercadoria importada com base no não armazenamento e (b) retroatividade do art. 67, §1º, da Lei nº 10.833/2003 para apuração da base de cálculo do imposto de importação. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 350 a 354) postulando a negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10831.013183/200436 Acórdão n.º 9303005.158 CSRFT3 Fl. 382 5 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A discussão posta no mérito do recurso especial cingese ao extravio de mercadoria importada com base no nãoarmazenamento de carga, apurado em conferência final de manifesto; e à possibilidade de aplicação retroativa do art. 67, §1º, da Lei nº 10.833/2003, na apuração da base de cálculo do Imposto de Importação. A decisão proferida pelo Colegiado a quo deve ser mantida, tendo em vista a ausência de previsão legal para presumir o extravio de volume ou de mercadoria em relação aos registros constantes do manifesto de carga em razão do seu não armazenamento, nem mesmo podendo ser imputada a responsabilidade ao transportador. Além disso, indevido falarse na aplicação do art. 67 da Lei nº 10.833/2003 para determinação da base de cálculo de fatos geradores ocorridos em 1999, como no caso dos autos. O art. 144 do CTN permite a retroação de dispositivo de lei que institui novos procedimentos fiscalizatórios para apuração do fato gerador, não se enquadrando para os casos em que há alteração na própria base de cálculo. Estabelece o art. 144 do CTN reportarse o lançamento à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, sendo aplicável a lei então vigente. O dispositivo permite, nos termos do §1º, a aplicação de norma posterior à ocorrência do fato gerador, tão somente quando houver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 384DF CARF MF 6 Da leitura do dispositivo, entendese não abarcar o caso dos autos a possibilidade de aplicação retroativa da norma prevista no §1º, do art. 144 do CTN, pois se está diante de lei de natureza material, instituidora de nova base de cálculo, e não de norma procedimental, conforme excepcionado pelo CTN. Nessa linha já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa de julgado abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO – NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL – APLICAÇÃO INTERTEMPORAL – UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O artigo 144, § 1º, do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 2. Não existe direito adquirido de impedir a fiscalização de negócios que ensejam fatos geradores de tributos, máxime porque, enquanto não existe o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. Agravo regimental improvido. (STJ AgRg no REsp: 1011596 SP 2007/02877312, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 17/04/2008, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 05/05/2008) (grifouse) Nesse sentido são os fundamentos do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, de relatoria do Ilustre Conselheiro Corintho Oliveira Machado, e que passam a integrar o presente voto como razões de decidir, in verbis: [...] A imputação consubstanciase em falta de mercadoria apurada em conferência final de manifesto, porém esta lastreiase, equivocadamente, em não armazenagem das cargas supostamente extraviadas, e não mediante o confronto do manifesto de carga com os registros de descargas, consoante previsão legal. Essa matéria já foi previamente analisada por este Colegiado, por ocasião do julgamento do recurso de ofício nº 344.397, em março deste ano, o qual foi denegado à unanimidade, sendo sintetizado pela seguinte ementa: CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CONSTATAÇÃO DE NÃO ARMAZENAMENTO DE CARGA. FALTA DE MERCADORIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Merece ser ratificada a decisão a quo declaratória da improcedência do lançamento lastreado no fato de a carga não ter sido objeto de armazenamento, pois isso não autoriza presumir o extravio de volume ou de mercadoria em relação aos registros constantes no manifesto de carga, nem a imputar responsabilidade à pessoa do transportador, haja vista ausência de previsão legal para tanto. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10831.013183/200436 Acórdão n.º 9303005.158 CSRFT3 Fl. 383 7 A falta de armazenamento de carga não constitui fato apurável mediante procedimento de conferência final do manifesto e tampouco serve para constatar extravio ou acréscimo de volume e/ou mercadoria registrados em manifesto de carga ou documento de efeito equivalente. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Naquela oportunidade, como relator, adotei o voto condutor do acórdão recorrido, que fazia algumas considerações que cabem como uma luva neste contencioso: Em razão da forma e do fato em que sustentada a acusação da falta de mercadoria em trato e, tendo em vista as disposições contidas nos artigos 51, 589, 591 e 592 do Decreto nº 4.543, de 2002, cujas normas estavam prescritas nos artigos 476, 478 e 481 do RA aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o deslinde do feito deve prenderse, antes de qualquer outra apreciação, à análise do fato tomado para acusação da mencionada falta, por ser o suficiente para afastar todas as demais discussões, em razão do dever de ofício que submete o agente público à observância das normas legais, haja vista que a relação jurídica tributária e aduaneira da Administração com o administrado é de direito público, tal qual a do agente público no exercício da atividade afeta ao julgamento administrativo. A “Descrição dos Fatos” (fls. 15 a 17), única para todos os autos de infração, traz o seguinte dizer, in verbis: “Em ato de conferência final de manifesto, efetuada nos termos do Decreto nº 4.543/2002, em seus arts. 51 e 589 (Decretolei nº 37/66, art. 39, § 1º), constatou esta fiscalização o não armazenamento das seguintes cargas no armazém de importação desta alfândega:” Os dispositivos mencionados na descrição dos fatos trazem as seguintes normas: Do Decretolei nº 37/66: Art. 39. A mercadoria procedente do exterior e transportada por qualquer via será registrada em manifesto ou outras declarações de efeito equivalente, para apresentação à autoridade aduaneira, como dispuser o regulamento. § 1º O manifesto será submetido a conferência final para apuração de responsabilidade por eventuais diferenças quanto a falta ou acréscimo de mercadoria. Do Decreto nº 4.543/02 (idem arts. 56 e caput do 476, ambos do RA/85): Art. 51. O manifesto será submetido à conferência final para apuração da responsabilidade por eventuais diferenças quanto a extravio ou a acréscimo de mercadoria (Decretolei nº 37, de 1966, art. 39, § 1º) Art. 589. A conferência final do manifesto de carga destinase a constatar extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria entrada no território aduaneiro, mediante confronto do manifesto com os registros de descarga (Decretolei nº 37, de 1966, art. 39, § 1º). (grifo acrescido) Fl. 386DF CARF MF 8 Por entender conveniente, transcrevese, também, do Decreto nº 4.543/02 as disposições contidas nos seus arts. 591 e 592 (idem art. 478, caput e §§ 1º e 2º, do RA/85): Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei nº 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei nº 37, de 1966, art. 41): I substituição de mercadoria após o embarque; II extravio de mercadoria em volume descarregado com indício de violação; III avaria visível por fora do volume descarregado; IV divergência, para menos, de peso ou dimensão do volume em relação ao declarado no manifesto, no conhecimento de carga ou em documento de efeito equivalente, ou ainda, se for o caso, aos documentos que instruíram o despacho para trânsito aduaneiro; V extravio ou avaria fraudulenta constatada na descarga; e VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados. (grifo acrescido) Parágrafo único. Constatado, na conferência final do manifesto de carga, extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria, inclusive a granel, serão exigidos do transportador: I no extravio, o imposto de importação e a multa referida na alínea “d” do inciso III do art. 628; e II no acréscimo, a multa referida na alínea “a” do inciso III do art. 646. Como se vê pelos autos, a autoridade incumbida da ação fiscal nomeou de conferência final de manifesto de carga o procedimento destinado a verificar o não armazenamento de carga registrada no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento Mantra. No entanto, pela norma do art. 589 do Decreto nº 4.543/02 a conferência final do manifesto de carga é procedimento destinado a constatar o extravio de volume ou de mercadoria entrada no território aduaneiro, porém, mediante o confronto do manifesto de carga com os registros de descargas. Em assim sendo, de se concluir que no âmbito da conferência final de manifesto de carga não cabem as intimações GCFM nº 103/2005 (fl. 38) e GOFIM nº 148/2005 (fl. 45), posto que a apuração de extravio de mercadoria por meio do mencionado procedimento não se dá com supedâneo em informações obtidas junto ao importador ou ao consignatário da mercadoria, mas mediante o confronto do manifesto de carga com os registros de descargas, procedimento este que independe da participação do importador ou do consignatário de mercadoria que tenha sido registrada em manifesto de carga, conforme dispõe a acima citada norma regulamentar. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10831.013183/200436 Acórdão n.º 9303005.158 CSRFT3 Fl. 384 9 Dessa forma, para fins de verificar falta de mercadoria manifestada basta que se faça o confronto do manifesto de carga com os registros de descargas, posto ser este o limite do referido procedimento conferência final do manifesto de carga. Por oportuno, convém salientar que as intimações procedidas poderiam trazer auxílio para fins de se proceder a baixa no manifesto de que trata o artigo 18 da IN/SRF nº 69, de 1996, no entanto, nos autos não se observa a existência de nenhum documento que indique a realização desse procedimento. Por fim, importa evidenciar que a falta em questão não foi apurada mediante a conferência final do manifesto de carga. Ademais, não existe norma legal que dê amparo para estender os efeitos da conferência final do manifesto nos caso em que se constate o não armazenamento de carga que se encontrava registrada no Mantra. Noutros termos, de se ressaltar que a mercadoria ao ser descarregada não necessariamente deve ser encaminhada a armazenamento, pois, pode ser submetida diretamente a despacho aduaneiro e, ainda, de que o transportador não é responsável pelo armazenamento de carga. Por conseguinte, incorre em equívoco a autuação quando pretende caracterizar a falta de mercadoria registrada no manifesto de carga com base na constatação do seu não armazenamento e, mais, em imputar a responsabilidade por essa falta ao transportador. Resumindo, temse que: (i) a apuração de extravio de mercadoria que constar como tendo sido importada deve ser feita em estrita observância das normas legais que regem a matéria, utilizandose para tanto, conforme o caso, da conferência final do manifesto ou da vistoria aduaneira; (ii) na hipótese da conferência final do manifesto o extravio deve ser constatado na descarga de volume ou de mercadoria, mediante o confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, ainda que estes controles sejam realizados com auxílio em sistemas informatizados da própria RFB; e (iii) sistema destinado ao controle aduaneiro de mercadorias, por si só, não tem o condão de alterar conceitos definidos em normas legais nem dar equivalência às operações próprias de seu âmbito a procedimentos diversos, próprios e específicos para o controle de ingresso de mercadorias no território aduaneiro e, tampouco para imputar responsabilidade por infração à legislação aduaneira. Por entender que o deslinde do presente feito encontra espaço bastante na análise da forma e do procedimento adotado pela autuação para fins de constatar o extravio de mercadoria que se encontrava registrada em manifesto de carga, voto por julgar improcedentes os lançamentos de que tratam os autos de infração objetos do presente processo, pois o extravio das mercadorias em questão foi apurado de forma imprópria e, por conseguinte, a imputação de responsabilidade à pessoa da interessada, na condição de transportador. Em adição a isso, cumpre dizer que o patrono da recorrente tem razão quando rebelase contra a base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal, uma vez que o artigo 67, caput e § 1º da Lei 10.833/2003, de fato, contém dispositivo que trata de critério de apuração da base de cálculo, e não pode ser utilizado para fatos geradores de 1999, nem com o escudo do § 1º do art. 144 do CTN, como apregoado Fl. 388DF CARF MF 10 pela decisão recorrida, porquanto os novos critérios de apuração, referidos no texto legal, estão umbilicalmente ligados à expressão pregressa ocorrência do fato gerador da obrigação, ou seja, apurar a existência da obrigação tributária, e não da base de cálculo. O § 1º do art. 144 retrocitado admite a aplicação de novas normas procedimentais para apurar a ocorrência do fato gerador, com novos procedimentos fiscalizatórios, inclusive com mais poderes investigatórios às autoridades tributárias e maiores garantias e privilégios aos créditos fiscais, mas em hipótese alguma permite tocar na dimensão do lançamento ou na sua sujeição passiva. Ante o exposto, voto pelo PROVIMENTO ao recurso voluntário para tornar insubsistente o lançamento. [...] Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900323/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/09/2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 24/09/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 23 /2 01 4- 12 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900323/201412 Acórdão n.º 3401003.704 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/09/2010 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900323/201412 Acórdão n.º 3401003.704 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900323/201412 Acórdão n.º 3401003.704 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720167/2006-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-005.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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LAUDO TÉCNICO VTN Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADELMAR PINHEIRO DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 67 /2 00 6- 76 Fl. 389DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2004, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Santa Cruz e Agroplan, localizado no Município de QuerênciaMT. Conforme descrição dos fatos (fl. 04/06) a autuação foi assim resumida pelo órgão fiscal: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal 410 ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra – SIPT da SRF. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: Área de preservação permanente: Contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse título. (Enquadramento Legal: Lei n° 6.938, de 1981, art. 170, §1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10165, de 2000 e IN/SRF n° 60, de 2001, e IN/SRF 256, de 2002). Área de utilização limitada: Contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse título. (Enquadramento Legal: Lei n° 6.938, de 1981, art. 170, §1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10165, de 2000 e IN/SRF n° 60, de 2001, e IN/SRF 256, de 2002). Valoração da Terra Nua: contribuinte não apresentou o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais para comprovação do valor da terra nua VTN. A intimação discriminava que deveria ser apresentado Laudo de avaliação conforme NBR 14653 da ABNT, Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10768.720167/200676 Acórdão n.º 9202005.174 CSRFT2 Fl. 389 3 com grau de fundamentação e precisão II. Pela falta de apresentação do laudo, o valor da terra nua está sendo arbitrado com base nas informações do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, conforme art. 14 da Lei 9393/96. Desta forma, diante da não comprovação de isenção da área declarada como de preservação permanente, bem como da ausência de laudo técnico de avaliação do imóvel foi realizado glosa no valor informado pelo contribuinte referente ao ITR do exercício de 2004, sendo autuado para pagamento suplementar do imposto acrescido de multa de 75% e juros de mora. Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 21/33 afirmando em preliminares que 1) a autuação seria nula pois as alegações não estariam aparadas em dispositivos legais, o que impossibilitava a defesa do contribuinte pela incoerência na descrição dos fatos e enquadramento legal; 2) o arbitramento do Valor da Terra Nua confrontaria o princípio da publicidade, pois baseada no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, o qual só é acessível ao Fisco, e não oferta nenhum parâmetro para a determinação do valor do imóvel; e no mérito que 3) além do Ato Declaratório Ambiental – ADA e da Averbação em Cartório, outros documentos provam a existência da área de preservação permanente e reserva legal, não assistindo razão a desconsideração por parte do Fisco; e ainda 4) a existência de patente discrepância entre o valor arbitrado pelo Fisco e a realidade material. A Delegacia de Julgamento, afastou as preliminares arguidas pelo contribuinte. Com relação ao afastamento da tributação sobre as áreas de utilização limitada/reserva legal, acolheu a impugnação do contribuinte ante a documentação acostada aos autos. Contudo, com relação ao VTN lançado, não foi aceito o Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte ao argumento de que não houve a observância de requisitos essenciais a validade do documento, conforme as Normas da ABNT. Como o resultado foi pela procedência em parte do lançamento, houve a Remessa de Ofício, bem como a interposição de Recurso Voluntário. No Recurso Voluntário o Contribuinte reitera a alegação de deficiência da autuação, que importaria em nulidade do lançamento, bem como contesta a desconsideração do Laudo apresentado sob o argumento de que não seria eficaz, ante o uso de índice de deflação inadequado. Em sede recursal ainda é alegado o cerceamento de defesa visto que a decisão de primeira instância manteve a glosa referente ao VTN, limitandose a reiterar as razões apresentadas pelo Fisco. Além do cerceamento de defesa, outro argumento trazido é o desarrazoado valor arbitrado pelo Fisco, que diante de valores informados pelos órgãos municipais, bem como do próprio valor considerado no ITR do exercício anterior (2003), mostrase exorbitante o valor de R$ 37.906.839,88 (trinta e sete milhões, novecentos e seis mil, oitocentos e trinta e nove reais e oitenta e oito centavos). Por fim, ainda atacou o fato de que a autoridade julgadora alterou informação contida no lançamento, informação essa declarada pelo contribuinte e apurada pela autoridade lançadora, qual seja a área de pastagem, que no lançamento consta em 8.000ha e na decisão foi Fl. 391DF CARF MF 4 reduzida para 6.000ha, interferindo diretamente no Grau de Utilização do Imóvel e, consequentemente, na alíquota a ser utilizada para cálculo do imposto. Por meio da resolução nº 310200.021 a 1ª Câmara da 2° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria dos votos, converteu o julgamento em diligência para que a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil da jurisdição do contribuinte informasse quais os parâmetros utilizados na fixação do VTN com base no SIPT, incitando à manifestação das razões de tamanha discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e o valor arbitrado pelo Fisco. Em resposta à diligência foi apresentada a Informação Fiscal SEFIS DRF CUIABÁ N° 0002/10 afirmando a necessidade de apresentação de ADA protocolada no prazo de até seis meses do prazo final da entrega do DITR, e ainda que o contribuinte ao ser intimado para comprovar o valor da terra nua declarado, visto que o valor por ele informado era consideravelmente inferior comparado aos valores declarados por outros imóveis localizados naquela mesma municipalidade, restou inerte. Aduz ainda que como não foi apresentado Laudo para comprovação do valor declarado pelo contribuinte a Fiscalização utilizouse do SIPT, que adotava como preço médio do hectare o montante de R$ 921,59 (novecentos e vinte e um reais e cinquenta e nove centavos). A fundamentação apresentada para a utilização da SIPT no caso é o art. 14 da Lei n° 9.393/1996. Ciente da Informação Fiscal, o contribuinte apresentou manifestação às fls. 250/258, na qual reiterou os argumentos colacionados na Impugnação e afirmou o não cumprimento por parte da Fiscalização Fazendária da determinação contida na Resolução nº 310200.021. Ante o retorno dos autos da diligência, foi proferido acórdão julgando tanto o Recuso de Ofício com o Recurso Voluntário. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10768.720167/200676 Acórdão n.º 9202005.174 CSRFT2 Fl. 390 5 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, dar provimento para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte. Inconformado o Procurador interpôs recurso especial de divergência requerendo a reforma do julgado para ver acolhido o arbitramento realizado pela Fiscalização do VTN do imóvel rural baseado no SIPT. O exame de admissibilidade, por força do art. art. 67, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015, elegeu como paradigma o acórdão 30134.755. Foi dado seguimento ao recurso face a divergência comprovada em relação ao meio de prova para não adoção dos VTN baseado no SIPT. Intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 323/333, sustentando que não cabe Recurso Especial, visto o não atendimento dos requisitos da divergência jurisprudencial. Sustenta ainda que o acórdão recorrido trata da impossibilidade de utilização do SIPT na medida em que tal sistema não observa ao critério da capacidade potencial da terra, e não da possibilidade de revisão do VTN com base em laudos técnicos contestando o SIPT, como consta do acórdão paradigma. Argumenta ainda o contribuinte que, caso ultrapassada esse ponto preliminar, no mérito o apelo da Fazenda Pública não assistiria razão pois independente da apresentação de Laudo Técnico, a situação demonstra a falta de razoabilidade do valor arbitrado pela Fiscalização, o que é demonstrado por outros elementos probatórios, como a apuração oficial do INCRA do preço do hectare praticado na região, que em 2003 era de R$ 96,00 (noventa e seis reais). Em petição avulsa, o contribuinte reitera a correção de erro material quanto ao valor de área de pastagem que, em sede de 1° grau foi reduzido de 8.000ha para 6.000ha. Às fls. 369/371, a 1° Turma de Julgamento da DRJ do contribuinte deferiu os Embargos de Declaração para corrigir o Acórdão 0413.098, e considerar a área de pastagem de 8.000ha, e, consequentemente, a alteração do grau de utilização de 66,9% para 89,1%, implicando na adoção da alíquota mínima de 0,45%. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca do afastamento do VTN lançado pela Fiscalização tendo por base o SIPT, que possui fundamento Fl. 393DF CARF MF 6 no art. 14° da Lai 9.393/96, pois tal sistema não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial 220000.922, de 13/03/2012, a fls. 309/313. Quanto ao conhecimento, entendo necessário apreciar de forma mais detida, uma vez os argumentos trazidos pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões, quanto ao não conhecimento: Antes de passar à análise de mérito do recurso especial ora arrazoado, insta demonstrar que, ao contrário do defendido pelo r. Recurso ora arrazoado, o mesmo, data maxima venia, não atende o requisito da divergência jurisprudencial, indispensável para o cabimento deste apelo especial. Uma simples leitura da ementa do v. Acórdão recorrido permite inferir que foi dado provimento ao recurso voluntário interposto ante a impossibilidade de utilização do SIPT, uma vez que "notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel." Mais à frente; no voto, seguese a mesma linha de argumentação, recusandose o critério e documentação utilizados para o arbitramento do VTN, no caso dos autos, pelo fato de ter sido considerada a tabela do SIPT sem a verificação da capacidade potencial da terra, como de depreende do seguinte trecho, in verbis: “(..) A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$ 495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (tis. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha) obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” (grifo nosso). Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10768.720167/200676 Acórdão n.º 9202005.174 CSRFT2 Fl. 391 7 O recurso interposto pela Procuradoria trouxe ao processo acórdãos que falam exatamente sobre a possibilidade de revisão do VTN com base em laudos técnicos contestando o SIPT. Analisando os argumentos apresentados pelo sujeito passivo quanto a inexistência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas, entendo que razão lhe assiste. Primeiramente, convém lembrar a ementa do acórdão recorrido, conforme e fls. 272/280: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vejamos agora as ementas dos dois acórdãos indicados como paradigmas pela Procuradoria da Fazenda: Acórdão 280100.527 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir, do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou ao lbama ou a órgão conveniado, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 395DF CARF MF 8 As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. O VTN arbitrado pela fiscalização pode ser revisto ante a apresentação de laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto. Acórdão 30134.755 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1995 Valor da Terra Nua VTN. Laudo de avaliação. A revisão do Valor da Terra Nua se faz por laudo técnico, cumpridos os requisitos previstos nas normas técnicas da ABNT. Multa de Mora. Não cabe a aplicação da multa de mora quando o lançamento tributário é impugnado antes do vencimento, nos casos de notificação de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Analisando os termos das ementas colacionadas acima, observase que o assunto contido na decisão recorrida e nos acórdãos paradigmas são distinto. O acórdão recorrido manifesta sobre a impossibilidade de arbitramento por meio do SIPT apenas com base no VTN médio declarado por município, afirmando que: O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, entretanto, o arbitramento se baseou única e exclusivamente nas informações do SIPT, como se verifica do extrato da tela do sistema da Receita Federal do Brasil de fls. 09. Transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, no acórdão 220200.722, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto, in verbis: Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10768.720167/200676 Acórdão n.º 9202005.174 CSRFT2 Fl. 392 9 “Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” (...) Assim entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser desconsiderado o VTN arbitrado e restabelecido o VTN declarado pela Recorrente. Fl. 397DF CARF MF 10 Por tais razões dou provimento ao recurso voluntário. Já os acórdãos elencados como paradigmas abordam a possibilidade de revisão do VRN arbitrado pela fiscalização mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT. Ao ler os acórdãos paradigmas não se encontra em trecho algum questionamento quantos aos parâmetros utilizados para o arbitramento realizado pelo Fisco, o que é feito no acórdão recorrido. O ponto de debate dos acórdãos paradigmas é a garantia de o VTN arbitrado pelo Fisco pode ser revisado mediante a apresentação de laudo técnico. Já no presente caso o que foi decido, não é a revisão do VTN arbitrado, mas sim a forma como o Sistema de Preço de Terras da Secretaria da Receita Federal determina os valores, afirmando que deve ser observado a capacidade potencial da terra e não apenas a partir da média das declarações de ITR apresentadas na municipalidade. Para que se pudesse conhecer do recurso neste ponto, deveria ter sido indicado como paradigma um acórdão onde o relatora também tivesse analisado a desconsideração do VTN arbitrado por ter se fundado única e exclusivamente na média das declarações e não levado em consideração outros aspectos, com a capacidade potencial a terra. Importante relembrar que tratase de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face de incidências tributárias da mesma espécie. Não estou aqui adentrando ao mérito de estar ou não correto o entendimento descrito no acórdão recorrido, mas que as situações diversas impendem que se avance no conhecimento da questão por parte desta CSRF. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial do Procurador pela ausência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Sirvome da presente declaração para explicitar o meu posicionamento, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria suscitada diz respeito ao arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, regulamentado pelo art. 14, da Lei nº 9.393, de 1996, com aplicação para os exercícios de 1997 em diante. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10768.720167/200676 Acórdão n.º 9202005.174 CSRFT2 Fl. 393 11 No caso do acórdão recorrido, que trata do exercício de 2004, discutiuse a possibilidade de manutenção do arbitramento com base apenas no VTN médio das DITR apresentadas no Município, sem levarse em conta a aptidão agrícola, concluindose ser inaceitável tal procedimento, razão pela qual mantevese o VTN declarado pelo Contribuinte. Nesse contexto, o paradigma necessário à demonstração de divergência jurisprudencial teria de ser representado por acórdão em que, à luz do art. 14, da Lei nº 9.393, de 1996, se entendesse ser aceitável o arbitramento pelo VTN calculado pela média das DITR do Município, sem levarse em conta a aptidão agrícola, e concluísse pela manutenção do VTN arbitrado pela Fiscalização. Aliás, esse é o pedido que consta do Recurso Especial: "Ante o exposto, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) requer seja admitido e provido o presente recurso especial, restabelecendo se o VTN médio extraído pela fiscalização do SIPT e obtido com base nos valores informados nas DITR´s de outros contribuintes." Quanto ao segundo julgado indicado como paradigma pela Fazenda Nacional Acórdão nº 30134.755 este sequer pode ser cogitado como apto a demonstrar a alegada divergência interpretativa, já que trata do exercício de 1995, portanto a lei que nele se discutiu foi a de nº 8.847, de 1994. Com efeito, esse diploma legal já se encontrava revogado quando da ocorrência dos fatos geradores do presente processo, que trata do exercício de 2004. Confirase o voto condutor do acórdão paradigma: "A matéria litigiosa circunscrevese ao Valor da Terra Nua — VTN calculado pela Receita Federal do Brasil, nos termos da legislação de regência, observadas as exigências contidas no parágrafo 2.° do artigo 3.° da Lei n.° 8.847/1994." Quanto ao segundo julgado indicado como paradigma Acórdão nº 2801 00.527 o respectivo voto condutor sequer menciona que o arbitramento teria sido efetuado com base no VTN médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola. Com efeito, o que se discute nesse julgado é se o laudo apresentado pelo Contribuinte poderia ser aceito para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, de forma genérica, sem que se especifique se esse arbitramento seria legítimo ou não. E ao final, entendese que o laudo pode ser aceito, razão pela qual adotase o VTN dele constante, e não o VTN arbitrado, como pleiteia a Fazenda Nacional. Confirase: "(...) VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. O VTN arbitrado pela fiscalização pode ser revisto ante a apresentação de laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto. Recurso parcialmente provido" Destarte, constatase que a questão principal discutida no acórdão recorrido validade do arbitramento pelo SIPT, sem considerarse a aptidão agrícola sequer figurou no voto do paradigma, cuja discussão é no sentido de especificar requisitos mínimos para Fl. 399DF CARF MF 12 aceitação do laudo, sendo que o resultado não é aquele constante do pedido da Fazenda Nacional, e sim a revisão do VTN com base no laudo apresentado. Confirase: "Em relação à revisão do VTN arbitrado, entendo que o laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte (fls. 72 a 90), emitido por profissional competente (ART às fls. 125) deva ser aceito. Não obstante o emitente tenha utilizado as informações referentes às ofertas verificadas em 2006, cuidou de homogeneizar os dados e de aplicar coeficiente de deflação a fim de calcular o VTN específico para a propriedade em questão à época oportuna para a análise destes autos." Diante do exposto, a divergência jurisprudencial não restou caracterizada, já que os acórdãos em confronto trataram de questões diferentes, o que não autoriza a conclusão de que as soluções diversas tenham sido ancoradas em interpretação divergente da legislação tributária, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 400DF CARF MF
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Numero do processo: 19991.000078/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(SPRESS CAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativos do 2º trimestre de 2006, vinculados a receitas de exportação. As glosas empreendidas pela fiscalização foram relativas a aquisições de bens para revenda de pessoas jurídicas declaradas inaptas pela RFB, de acordo com os artigos 39 e 45 da IN RFB nº 1.005/2010 e de crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, em razão de não ter sido considerada produtora de café, nos termos do §6º do referido artigo. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que efetuou os pagamentos aos fornecedores declarados inaptos, que as mercadorias compuseram seu estoque, mediante notas fiscais de remessa para armazém geral e nota fiscal de retorno, que as mercadorias foram exportadas conforme notas fiscais informadas. Em relação aos fornecedores EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B. BARONI, reitera que efetuou as operações com referidos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 07 8/ 20 10 -1 7 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 19991.000078/201017 Resolução nº 3302000.593 S3C3T2 Fl. 490 2 fornecedores e que eventual descumprimento de obrigações fiscais por parte dos mesmos não pode servir de fundamento à glosa das operações com a recorrente. Complementa, alegando equivocado o entendimento da fiscalização em vincular a possibilidade de crédito à existência efetiva de pagamento das contribuições pelos fornecedores. Concernente à glosa por não ter sido considerada produtora, a recorrente alegou que é produtora de acordo com o artigo 4º do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), ainda que industrialize por encomenda de terceiros, por ser equipada a industrial pela legislação do IPI. A DRJ, por seu turno, proferiu o Acórdão nº 0937.097, considerando a manifestação procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório é ônus do qual deve se desincumbir. CRÉDITO DE BENS PARA REVENDA, ADQUIRIDOS DE INAPTAS E OMISSAS CONTUMAZES. Na qualidade de terceiro interessado, há que se reconhecer tão somente o direito credit6rio dos valores de Pis/Cofins não cumulativos relativos ante os quais a contribuinte comprovou o pagamento do prep respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias, de sorte a que se visse livre da inidoneidade das respectivas notas fiscais de aquisição. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, na espécie, mister que a pessoa jurídica produza o café que revende, considerandose como produção o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em recurso voluntário, a recorrente reiterou a efetividade das operações ocorridas com os fornecedores CERRADO EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B.BARONI, únicos fornecedores inaptos cujas glosas de aquisições foram mantidas pela DRJ, afirmando que a declaração de inaptidão da CERRADO ocorreu apenas em 01/03/2010, mais de quatro anos após as operações e que a J.B.BARONI possui cadastro ativo e nunca foi declarada inapta, conforme tela do CNPJ juntada. Concernente ao crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, reprisou as alegações realizadas na manifestação de inconformidade. Na sessão de 29/01/2014, o julgamento foi convertido em diligência mediante a Resolução nº 3302000.382, para que a recorrente pudesse comprovar seu processo produtivo, Fl. 490DF CARF MF Processo nº 19991.000078/201017 Resolução nº 3302000.593 S3C3T2 Fl. 491 3 elucidando como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Em resposta, a autoridade fiscal concluiu que a o processo produtivo previsto no §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 foi cumprido, mas por outra pessoa jurídica, a saber um armazém geral local e não pela recorrente, que apenas efetuou a encomenda da industrialização. Porém, reconheceu o direito creditório de R$ 6.312,98, decorrentes de despesas de armazenagem e fretes sobre vendas e bens do ativo imobilizado Em manifestação, a recorrente reiterou que todas as atividades previstas no §6º do artigo 8º ad Lei nº 10.925/2004 ocorreram, ainda que parte por encomenda, o que não retira a condição de produtora da recorrente, de acordo com a legislação do IPI. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Destacase, inicialmente, que, embora a fiscalização tenha abrangido os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins, do 1º ao 4º trimestres de 2006, este processo trata apenas do pedido de ressarcimento de Cofins referente ao 2º trimestre de 2006. A primeira questão diz respeito às glosas sobre aquisições de café dos fornecedores CERRADO EXPORT e JB BARONI, considerados inidôneos pela fiscalização, que afirmou estar a CERRADO inapta por se tratar de empresa omissa contumaz desde 01/07/2004, enquanto a J B BARONI foi considerada omissa contumaz desde 16/12/2004, data de abertura da empresa. A declaração de inaptidão torna presumida a inidoneidade dos documentos emitidos pela empresa assim considerada e não produzirá efeitos tributários perante terceiros, os quais assumem o ônus de provar o efetivo pagamento do preço respectivo e o efetivo recebimento dos bens ou da prestação de serviços, conforme disposto no artigo 82 da Lei nº 9.430/1996, a seguir: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de Fl. 491DF CARF MF Processo nº 19991.000078/201017 Resolução nº 3302000.593 S3C3T2 Fl. 492 4 serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. A regulamentação coube à RFB que dispôs sobre o assunto nas instruções normativas que tratam do CNPJ, sendo que as declarações de inaptidão foram efetuadas com base na in IN RFB nº 748/2007, conforme informado no despacho decisório: IN RFB nº 748/2007: Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, DSPJ Inativa ou DSPJ Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III inexistente de fato; ou IV que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei; Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. [...]Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: [...]III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada; II na hipótese do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e III na hipótese de pessoa jurídica com Fl. 492DF CARF MF Processo nº 19991.000078/201017 Resolução nº 3302000.593 S3C3T2 Fl. 493 5 irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. [...]§ 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Art. 49. A pessoa jurídica com inscrição declarada inapta que regularizar sua situação perante a RFB terá sua inscrição enquadrada na condição de ativa. Inferese que a declaração de inaptidão torna presumida a inidoneidade dos documentos emitidos após a data de publicação do ADE ou após a data de ocorrência do fato, conforme o motivo que gerou a declaração, de acordo com o artigo 48 da IN RFB nº 748/2007, mas que tal presunção é relativa e comporta prova em contrário pelo beneficiário dos documentos, do efetivo pagamento do preço e do efetivo recebimento das mercadorias. Além disso, a empresa declarada inapta poderia regularizar sua situação e voltar à condição de ativa. Salientase que há algumas inconsistências fáticas no caso em concreto. A fiscalização afirmou que a CERRADO foi declarada inapta por ser omissa contumaz, de acordo com o artigo 48 da IN RFB 748/2007, com efeito a partir de 1º/07/2004. Porém, §3º do artigo 48 da IN dispunha que a inidoneidade de aplicaria aos documentos emitidos após a data de publicação do ADE, o que ocorreu após os fatos geradores (2006), uma vez que com base na IN RFB 748/2007. Além desta inconsistência, o próprio motivo da inaptidão está em desacordo com a informação constante no recurso voluntário, o qual mostra uma tela com inaptidão por inexistência de fato, diferentemente da informação constante no despacho decisório. Em consulta ao sítio da RFB, verificase que a CERRADO está declarada inapta desde 01/03/2010, por inexistência de fato. Em relação à J B BARONI, a inconsistência é similar, pois a acusação foi de ser omissa contumaz, com efeitos a partir de 16/12/2004, o que se mostra incompatível com o §3º do artigo 48 da IN RFB 748/2007, o qual determinava que os efeitos seriam a partir da data de publicação do ADE no caso de omissa contumaz. E tal ADE foi publicado posterior a 2006, pois com base na IN RFB 748/2007, como já se viu. Ainda no recurso voluntário, a J B BARONI se encontra como ativa em 20/12/2011, o que também não comprova a afirmação da recorrente de que a empresa nunca fora declarada inapta, pois pode ocorrer a declaração e posterior reativação como explicita o artigo 49 da referida instrução. Atualmente, esta empresa encontrase baixada por omissão contumaz, conforme tela do comprovante de inscrição extraída em 09/05/2017. Porém, frisese que não foram localizados os referidos ADEs nos autos para se confirmar o motivo e a data de publicação dos referidos. Assim, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem junte os ADEs de declaração de inaptidão mencionados no despacho decisório, identificando o motivo da declaração e a data de produção de efeitos, nos termos da IN RFB nº 748/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 493DF CARF MF
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